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MANUAL

DE APOIO

Curso/Unidade: Formador/a:
Introdução à Patologia no Idoso

Código da Unidade (se aplicável): Carga horária:


8907 25h
Índice

Objectivos ........................................................................................................................................................................................................ 4

Conteúdos........................................................................................................................................................................................................ 5

Saúde ................................................................................................................................................................................................................. 7

Definição de saúde segundo a OMS ........................................................................................................... 7

Perspetiva triangular (social, mental e física)................................................................................................ 7

Factores que influenciam a saúde da pessoa idosa ....................................................................................... 8

Doença e as suas fases ................................................................................................................................................................................... 9

O conceito de doença................................................................................................................................ 9

Sintoma, sinal e síndrome .........................................................................................................................10

Aguda – Características e formas de intervenção ........................................................................................11

Convalescença – Características e formas de intervenção ............................................................................11

Restauração – Características e formas de intervenção ................................................................................12

Qualidade de vida .........................................................................................................................................................................................13

Definição de qualidade de vida segundo a OMS .........................................................................................13

Os aspectos relacionados com a qualidade de vida .....................................................................................15

Biológicos................................................................................................................................................15

Médicos...................................................................................................................................................16

Sociais .....................................................................................................................................................18

Económicos ............................................................................................................................................19

Políticos ..................................................................................................................................................22

As duas esferas da qualidade de vida: objectiva e subjectiva ........................................................................23

Escala de avaliação da qualidade de vida – World Health Organization Quality of Life Assesment
(WHOQOL-100) OMS ............................................................................................................................24

Promoção da saúde e prevenção da doença ............................................................................................................................................26

Responsabilidade pessoal ..........................................................................................................................26

Actividade física .......................................................................................................................................27

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Nutrição adequada ...................................................................................................................................28

Adaptação ao stress e organização do ambiente .........................................................................................29

Vacinação ................................................................................................................................................31

Higiene corporal ......................................................................................................................................31

Prevenção de acidentes.............................................................................................................................32

O processo de administração de medicamentos/vacinas .....................................................................................................................35

Os principais grupos de fármacos utilizados na população idosa .................................................................35

A automedicação nos idosos .....................................................................................................................36

Avaliação morfológica do idoso ................................................................................................................................................................37

Estatura ...................................................................................................................................................37

Massa e Índice de Massa Corporal (IMC) ..................................................................................................39

Bibliografia.....................................................................................................................................................................................................40

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Objectivos

✓ Definir e caracterizar os conceitos de saúde e doença.

✓ Analisar os aspectos relacionados com a qualidade de vida e respectiva avaliação.

✓ Identificar os aspectos determinantes para a promoção da saúde e prevenção de doenças nos


idosos.

✓ Reconhecer a importância da farmacologia, vacinação e avaliação morfológica na prevenção e


cura de algumas doenças.

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Conteúdos

✓ Saúde

➢ Definição de saúde segundo a OMS

➢ Perspetiva triangular (social, mental e física)

➢ Fatores que influenciam a saúde da pessoa idosa

✓ Doença e as suas fases

➢ O conceito de doença

➢ Sintoma, sinal e síndrome

➢ Aguda – Características e formas de intervenção

➢ Convalescença – Características e formas de intervenção

➢ Restauração – Características e formas de intervenção

✓ Qualidade de vida

➢ Definição de qualidade de vida segundo a OMS

➢ Os aspectos relacionados com a qualidade de vida

- Biológicos

- Sociais

- Médicos

- Económicos

- Políticos

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➢ As duas esferas da qualidade de vida

- Esfera objetiva

- Esfera subjetiva

➢ Escala de avaliação da qualidade de vida – World Health Organization Quality of Life


Assesment (WHOQOL-100) OMS

✓ Promoção da saúde e prevenção da doença

➢ Responsabilidade pessoal

➢ Atividade física

➢ Nutrição adequada

➢ Adaptação ao stress

➢ Organização do ambiente

➢ Vacinação

➢ Higiene corporal

➢ Prevenção de acidentes

✓ O processo de administração de medicamentos / vacinas

➢ Os principais grupos de fármacos utilizados na população idosa

➢ A automedicação nos idosos

✓ Avaliação morfológica do idoso

➢ Estatura

➢ Massa e Índice de Massa Corporal (IMC)

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Saúde

Definição de saúde segundo a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde como sendo o estado de completo bem-
estar físico, mental e social. Ou seja, o conceito de saúde transcende à ausência de doenças e afecções.
Por outras palavras, a saúde pode ser definida como o nível de eficácia funcional e metabólica de um
organismo a nível micro (celular) e macro (social).

O estilo de vida, isto é, o conjunto de comportamentos adoptados por uma pessoa, pode ser benéfico
ou prejudicial à saúde. Por exemplo, um indivíduo que mantem uma alimentação equilibrada e que
realiza actividades físicas diariamente tem maiores hipóteses de desfrutar de uma boa saúde. Pelo
contrário, e bebem as pessoas que comem em excesso, que não descansam o suficiente e que fumam
correm sérios riscos de sofrer doenças que poderiam ser evitadas.

Perspetiva triangular (social, mental e física)

Em linhas gerais, a saúde pode dividir-se em saúde física e saúde mental embora, na realidade, sejam
dois aspectos interrelacionados. Para o cuidado da saúde física, é recomendada a realização
frequente e regular de exercícios, e uma dieta equilibrada e saudável, com variedade de nutrientes e
proteínas.

A saúde mental, por outro lado, faz referência ao bem-estar emocional e psicológico no qual um ser
humano pode utilizar as suas capacidades cognitivas e emocionais, desenvolver-se socialmente e
resolver as questões quotidianas da vida diária.

Convém destacar que as ciências da saúde são aquelas que proporcionam os conhecimentos adequados
para a prevenção das doenças e a promoção da saúde e do bem-estar quer do individuo quer da
comunidade. A bioquímica, a bromatologia, a medicina e a psicologia, entre outras, são ciências da
saúde.

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Factores que influenciam a saúde da pessoa idosa

A cada dia que passa todos envelhecemos. O envelhecimento é transversal a todos os seres vivos.
Enquanto somos jovens pouco pensamos neste processo, mesmo sendo ele uma constante.

A maturidade que advém com ele é algo que nos atrai e, talvez por isso, lidemos com ele de uma forma
tão subtil.

Contudo, no decorrer do ciclo biológico ocorre um declínio previsível das funções do organismo.

O processo de envelhecimento nota-se especialmente no sistema nervoso, acabando assim por


atingir todos os outros sistemas.

A nível físico, vamos aqui referir apenas os principais sinais neurológicos de envelhecimento:

✓ Problemas visuais

✓ Reflexos lentos

✓ Aumento da tendência à vertigem

✓ Redução do olfacto

✓ Diminuição da agilidade de movimentos e de equilíbrio

✓ Redução da força muscular

✓ Alterações de postura e marcha

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A nível psicológico existem alguns aspectos mais comuns, que passamos a indicar:

✓ Tendência a ser auto-centrado, rígido, conservador e excessivamente crítico, ou o oposto –


muito flexível, vacilante e sem opinião.

✓ Acentuação do esquecimento de nomes, factos e eventos

✓ Redução da facilidade de usar as palavras para exprimir sentimentos e/ou emoções

✓ Ficar preso a momentos do passado

✓ Medo da morte

✓ Aumento da sensação de solidão e abandono

✓ Integração das aprendizagens adquiridas ao longo da vida – este aspecto pode nem sempre ser
de fácil resolução dependendo da experiência de vida do indivíduo

✓ Gestão de perdas (amigos, companheiros, familiares)

✓ Dificuldade em lidar com as questões de perda de funcionalidade e saúde

Doença e as suas fases

O conceito de doença

Chama-se doença ao processo e ao estado causado por uma infeção num ser vivo, que altera o seu
estado ontológico de saúde. Este estado pode ser provocado por diversos fatores, podendo ser
intrínsecos ou extrínsecos ao organismo enfermo. Estes fatores denominam-se noxas (do grego
nósos).

Na linguagem corrente, a doença é considerada como sendo o oposto à saúde: é aquilo que causa
uma alteração ou uma desarmonização no sujeito, seja a nível molecular, corporal, mental, emocional
ou espiritual.

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Existem distintas ciências que tratam do estudo das doenças. A fitopatologia, por exemplo, dedica-se a
analisar as doenças que afetam as plantas e os restantes géneros botânicos. As patologias que afetam os
animais, por outro lado, são estudadas pela veterinária. A ciência médica, por sua vez, encarrega-se das
doenças dos humanos.

Desta forma, os diversos ramos da medicina investigam as características próprias de cada entidade,
os seus componentes e os processos que desenvolvem em relação à evidência morfofisiológica que
causa na biologia do organismo doente.

Perante a dificuldade em definir em concreto o que é uma doença (dado que cada individuo o faz
de acordo com as suas próprias vivências), existem vários conceitos que podem ser utilizados, de
acordo com o contexto, como sinónimos: patologia, indisposição, padecimento, anormalidade,
perturbação, desordem, desequilíbrio e alteração, entre outros.

Sintoma, sinal e síndrome

➢ Sintoma:

É uma queixa subjectiva. É o que o paciente sente e conta durante uma consulta. Não há uma
tradução no exame físico. Exemplos: dor torácica (dor no peito), tontura, etc.

➢ Sinal:

É um tipo de exame físico, ou seja, um dado objetivo que pode ou não ser relatado pelo
paciente. Logo, um sinal pode também ser um sintoma. Exemplo: inchaço nas pernas (edema),
ascite (acúmulo de líquido no abdômen), etc. Essa queixa é relatada pelo paciente durante uma
consulta (sintoma) e comprovada através do exame físico (sinal).

➢ Síndrome:

É um conjunto de sinais e sintomas típicos de uma determinada doença. Exemplo: fadiga, falta
de ar (dispneia) e edema nos membros inferiores são típicos da síndrome da insuficiência
cardíaca congestiva.

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Aguda – Características e formas de intervenção

As doenças agudas são aquelas que têm um curso acelerado, terminando com convalescença ou
morte em menos de três meses.

A maioria das doenças agudas caracteriza-se em várias fases. O inicio dos sintomas pode ser abrupto
ou insidioso, seguindo-se uma fase de deterioração até um máximo de sintomas e danos, fase de
plateau, com manutenção dos sintomas e possivelmente novos picos, uma longa recuperação com
desaparecimento gradual dos sintomas, e a convalescência, em que já não há sintomas específicos da
doença mas o indivíduo ainda não recuperou totalmente as suas forças. Na fase de recuperação
podem ocorrer as recrudescências, que são exacerbamentos dos sintomas de volta a um máximo ou
plateau, e na fase de convalescência as recaídas, devido à presença continuada do factor desencadeante
e do estado debilitado do indivíduo, além de (novas) infecções.

As doenças agudas distinguem-se dos episódios agudos das doenças crónicas, que são
exacerbação de sintomas normalmente menos intensos nessas condições.

Convalescença – Características e formas de intervenção

Embora cada doença infecciosa específica tenha uma evolução particular, todas as patologias desta
natureza apresentam diferentes períodos de evolução comuns.

A destruição ou neutralização dos microorganismos causadores da doença infecciosa pelo sistema


de defesa, permite o desaparecimento dos sinais e sintomas provocados por esta doença, embora possa
passar algum tempo, designado período de convalescença, até que o organismo debilitado recupere
totalmente das alterações e lesões sofridas. O período de convalescença corresponde a uma fase
intermédia entre o padecimento da doença e um estado de perfeita saúde, sem se ter em conta as
eventuais sequelas permanentes que a patologia possa ter causado. Quando a doença termina de forma
brusca, a convalescença também começa subitamente, enquanto que o limite é mais impreciso quando a
patologia desaparece lentamente.

Cada doença infecciosa provoca uma convalescença de maior ou menor duração, muito variável
dependendo do caso, em alguns casos com a persistência de alterações apenas perceptíveis, mas noutras

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com sinais e sintomas mais evidentes: náuseas, falta de apetite, sensação de debilidade, flacidez dos
membros. Ao longo deste período o médico pode, de acordo com a doença, prescrever uma dieta
nutritiva ligeira e recomendar repouso, para depois passar progressivamente para uma dieta mais rica e
uma atividade física normal e, eventualmente, prescrever algum medicamento.

Embora muitas pessoas pensem que a convalescença de uma doença infecciosa possa ser
acelerada através da administração de tónicos reconstituintes ou vitaminas, estes produtos não
costumam ser eficazes, podendo até ser perigosos. Por exemplo, ocasionalmente, recorre-se à
administração de alguns produtos, sem se ter cm conta que são constituídos por álcool e que podem,
por isso, ser prejudiciais, sobretudo para as crianças. Em relação ás vitaminas, o organismo de um
convalescente, de facto, necessita delas, mas normalmente podem ser perfeitamente obtidas em
quantidades suficientes com uma alimentação adequada, sem necessidade de se recorrer aos tão
populares complexos vitamínicos. O melhor é seguir os conselhos do inédito, que devera prescrever
os medicamentos necessários ao longo do período de convalescença.

Restauração – Características e formas de intervenção

As doenças associadas à reconstituição da imunidade, também denominadas síndrome


inflamatória de reconstituição imune), doença de restauração imune (DRI) ou síndromes de
reconstituição imune (SRI), constituem um importante capítulo da área médica, particularmente
doentes com SIDA, durante os primeiros meses de tratamento antirretroviral (TARV).

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Qualidade de vida

Definição de qualidade de vida segundo a OMS

Muito se fala em Qualidade de Vida nos dias de hoje. Essa expressão tornou-se a procura incansável
de pessoas que vivenciam a correria do dia-a-dia, o stress, a falta de tempo para o lazer e para a família,
os problemas de saúde e todas as outras situações que causam desconforto e insatisfação.
Aproveitando-se dessa situação, o termo “Qualidade de Vida” tem sido usado e explorado por
diversos setores com diversos interesses. Com isso, vemos a expressão “Qualidade de Vida”
estampada em todos os lugares, como um “guarda-chuva” que tudo pode significar e em que tudo pode
se pendurar. Entretanto, grandes centros de pesquisa, universidades e as mais importantes organizações
internacionais empenham-se para mostrar o que “Qualidade de Vida” realmente significa e quais os
principais passos para que possamos alcançá-la.

Segundo a OMS, Qualidade de Vida é "a percepção do indivíduo da sua posição na vida no
contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas,
padrões e preocupações". A Qualidade de Vida pode variar de acordo com a cultura da pessoa, e que
irá variar para cada um, dependendo dos seus objetivos e as suas expectativas. Observaram, também,
que alguns aspectos são comuns e universais, como o bem-estar físico, psicológico, relações
sociais, o ambiente, o nível de independência e as crenças pessoais ou religiosidade. A estes
seis itens deram o nome de “domínios”, ou seja, são os principais aspectos que determinam a
Qualidade de Vida de uma pessoa.

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Cada um destes domínios possui as suas características. No caso do domínio Físico, o que determina
nossa Qualidade de Vida seria a existência ou não de dor e desconforto, a energia e a fadiga, e a
qualidade de nosso sono e repouso. Já no domínio Psicológico, os itens importantes seriam os
sentimentos positivos e negativos, a auto-estima, a imagem corporal e aparência, e os aspectos
cognitivos, como pensar, aprender, memória e concentração. A esses subitens ou subdomínios, damos
o nome de “facetas”.

No domínio Nível de Independência, ressalta-se a importância da capacidade de trabalho, da


mobilidade, de manter-se apto para as atividades da vida quotidiana, o dos prejuízos da dependência de
medicamentos. As relações pessoais, o suporte ou apoio social e a vida sexual são itens
importantes para a Qualidade de Vida e que estão inseridos no domínio das Relações Sociais. O
domínio do Ambiente inclui a segurança física e proteção, o ambiente no lar, os recursos financeiros,
a disponibilidade e qualidade dos serviços de saúde, o transporte, a oportunidade de lazer e
aspetos do ambiente físico, como ruído, poluição, trânsito e clima. Por último, temos o domínio dos
aspetos espirituais, religião e crenças pessoais, que influenciam as perspetivas e objetivos de uma
pessoa, trabalhando, assim, com a sua Qualidade de Vida.

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Os aspectos relacionados com a qualidade de vida

Biológicos

➢ Qualidade de vida e saúde

Qualidade de vida e saúde são termos indissociáveis. A Qualidade de vida surge, de tal forma,
associada à saúde que muitos autores não as distinguem uma da outra, ou seja, consideram saúde e
qualidade de vida como a mesma coisa. De facto, a saúde não é o único factor que influencia a
nossa qualidade de vida, contudo tem uma importância fulcral.

Geralmente, saúde e qualidade de vida são dois temas muito relacionados, uma vez que a saúde
contribui para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e esta é fundamental para que um indivíduo
ou comunidade tenha saúde. Mas não significa apenas saúde física e mental, mas sim que essas pessoas
estejam de bem não só com elas próprias, mas também com a vida, com as pessoas que as cercam,
enfim, ter qualidade de vida é estar em harmonia com vários fatores.

No que diz respeito à saúde, a qualidade de vida é, muitas vezes, considerada em termos de como
pode ser afectada de forma negativa, ou seja, a ocorrência de uma doença debilitante que não constitui
risco de vida, uma doença que constitui risco de vida, o declínio natural da saúde de uma pessoa idosa,
o declínio mental, processos de doenças crónicas, etc. Todas estas situações são castradoras da nossa
qualidade de vida.

Neste sentido, uma vida saudável tem um profundo impacto na qualidade de vida das pessoas.

A qualidade de vida não se esgota no tempo. Muitas pessoas estão preocupadas e questionam-se
sobre a melhor forma de ter uma boa qualidade de vida, no presente. Contudo, a qualidade de vida
deve também ser encarada como um objetivo futuro e duradouro. A longevidade é cada vez maior,
porém por vezes com uma qualidade de vida reduzida. Muitos tratamentos médicos permitem-nos
melhorar a nossa condição de saúde, contudo muitas vezes à custa de terapêuticas que nos debilitam e
reduzem a qualidade de vida.

Devemos, pois, procurar uma boa qualidade de vida em todas as fases da nossa vida, cientes de
que é no idoso que, muitas vezes, observamos os maiores problemas.

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As opções que fazemos ao longo da vida, como o tipo de alimentação, o exercício físico, as
condições de trabalho, o meio ambiente em que vivemos, etc são tudo fatores que irão influenciar não
só a nossa longevidade e saúde, como também a nossa qualidade de vida atual e futura.

Médicos

➢ Qualidade de vida e saúde física

A saúde física afecta, obviamente, a nossa qualidade de vida. Por exemplo, existe uma relação entre
atividade física, a melhoria da condição de saúde e a qualidade de vida. Da mesma forma, existe uma
relação ente uma correcta alimentação e a qualidade de vida. A qualidade de vida e alimentação
saudável são conceitos que estão estritamente relacionados. Ter uma alimentação saudável e
equilibrada é fundamental para o bem-estar do indivíduo. Quando o organismo recebe as quantidades
ideais de nutrientes e vitaminas de que precisa, a sua saúde física melhora e consequentemente aumenta
a qualidade de vida.

Em resumo, se conseguirmos melhorar a nossa condição de saúde física rumo a uma vida mais
saudável, através de uma correcta promoção da saúde, então conseguiremos melhorar a nossa qualidade
de vida.

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➢ Qualidade de vida e saúde mental

O conceito de qualidade de vida tem vindo a ganhar, cada vez mais, uma importância crescente no
domínio da saúde mental e dos cuidados de saúde, aumentando a sua importância no discurso e prática
médica.

Não é por acaso que a definição dada pela OMS para saúde é ampla. Ela define-a como “o estado
de completo bem-estar físico e mental”. Muitas vezes, algumas pessoas ao pensar em saúde e qualidade
de vida deixam de lado a saúde mental.

Contudo, a saúde mental possui, hoje, uma enorme importância. Assistimos ao aumento dos casos de
stress crónico e burnout, ansiedade e depressão para além de tantos outros problemas psicológicos e
emocionais.

Uma pessoa com a saúde mental debilitada, deprimida, por exemplo, tem grande dificuldade em
manter relacionamentos amorosos, desempenhar as funções no trabalho e até mesmo educar os filhos.
Uma pessoa com problemas emocionais pode influenciar todos os membros da família. Uma pessoa
com a saúde mental afetada está mais propensa à dependência de drogas e de álcool, a contrair doenças
infeciosas, desenvolver alergias, doenças auto-imunes, etc. Existem, no entanto, muitas outras
consequências nefastas quando descuramos a saúde e o bem-estar mental e emocional.

Cuidar da saúde mental é muito mais simples do que parece, basta manter boas relações com as
pessoas que nos rodeiam, ter uma vida amorosa satisfatória, não remoer problemas passados, não ser
demasiado exigente consigo mesmo, perdoar-se e perdoar o próximo, rir sempre que puder, chorar
quando precisar e amar. Se sentir dificuldades em fazer isto, é melhor procurar ajuda de um
profissional.

Estar com boa saúde mental é estar em equilíbrio com o seu mundo interior e com o mundo que o
rodeia, é estar em paz consigo mesmo e com os outros.

➢ Stress e qualidade de vida

O stress é na actualidade um grave problema com inquestionáveis implicações na qualidade de


vida. Os problemas serão mais intensos dependendo do nível de stress a que o individuo está sujeito,
das causas que lhe deram origem e dos sintomas percecionados.

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Sociais

➢ Meio ambiente e qualidade de vida

O meio ambiente traz vários benefícios ao homem, sendo que um deles é, sem dúvida, melhorar a
sua qualidade de vida. A qualidade de vida e meio ambiente são, por isso também, dois termos
indissociáveis.

O meio ambiente diz respeito a tudo o que nos rodeia, logo a nossa qualidade de vida está
diretamente associada à qualidade do meio ambiente envolvente. Deste modo, a preservação do meio
ambiente são um importante fator para aumentar a qualidade de vida das pessoas.

A título de exemplo, imagine uma cidade com muito lixo, muita poluição e sem espaços verdes.
Certamente que serão fatores, por um lado, suscetíveis de causar doenças e por outro, não produzem
sentimentos de bem-estar nas pessoas. Um praticante de atividade física, por exemplo, quando opta por
fazê-lo num espaço verde, une os benefícios do exercício físico a um local de ar puro, tornando a sua
atividade muito mais agradável e saudável. Uma pessoa quando realiza uma massagem e pode usufruir
simultaneamente dos sons da natureza, consegue tirar ainda mais proveito do seu momento de
relaxamento.

➢ Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente

Hoje mais do que nunca, notamos que há uma preocupação crescente com o homem, para que este
tenha uma vida com qualidade.

Entre vários outros factores é preciso preservar e respeitar o meio ambiente para garantirmos a nossa
qualidade de vida, para isso, devemos ter atitudes mais assertivas e protetoras, no sentido de tornarmos
o nosso habitat melhor tanto para nós como para as gerações vindouras.

É, sobretudo, quando falamos sobre o meio ambiente que vamos tomar consciência de que somos
organismos vivos que se encontram em harmonia com a natureza. A nossa qualidade de vida depende
do estado em que o meio ambiente se encontra, ou seja, precisamos de ar, água, alimentos, elementos
essenciais para a sobrevivência, daí ser fundamental um meio ambiente ecologicamente equilibrado e
que garantamos a sua sustentabilidade.

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Desta forma, a qualidade de vida depende da qualidade do ambiente, além disso, ela não quer
dizer quantidade de vida, devendo, pois, haver um destaque para a valorização e sentido da existência,
que deve ter em conta as necessidades de que todos os seres humanos sentem para viver
condignamente.

Também não se pode falar de saúde desvinculada do meio ambiente, pois sempre que se melhorar o
ambiente estar-se-á a proteger a saúde física e mental do homem.

Económicos

➢ Qualidade de vida no trabalho

Não é por acaso que muitas empresas e organizações revelam preocupação, actualmente, com a
qualidade de vida no trabalho. Como sabemos é no trabalho que passamos muito do nosso tempo.
Muitas vezes, estamos mais tempo em contacto com os colegas de trabalho do que até com a nossa
própria família. Por estes motivos, a qualidade de vida no trabalho, passou a ser vista como
fundamental nos tempos modernos. Quando nos referimos a trabalho, referimo-nos às atividades
desenvolvidas nas empresas, organizações, na escola, etc.

A qualidade de vida do trabalhador, geralmente, é observada tendo em conta a qualidade de vida nas
empresas e a sua produtividade, mas também em aspetos da vida do trabalhador não diretamente
ligados ao seu trabalho. Não obstante, algumas polémicas recentes usam a terminologia “qualidade de
vida do trabalhador” deixando claro que a qualidade de vida não se limita somente ao local e ao
momento do trabalho, mas também à relação com vários outros aspectos, designadamente, a satisfação
pessoal, o relacionamento familiar, as oportunidades de lazer, etc.

O que é qualidade de vida no trabalho?

Quando falamos em qualidade de vida no trabalho queremos com isso referirmo-nos aos
benefícios e malefícios do ambiente de trabalho para o indivíduo. O objetivo é desenvolver ambientes
de trabalho que sejam tão favoráveis tanto para o indivíduo como para a saúde económica da
organização.

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Conceito de qualidade de vida no trabalho

Como vimos, qualidade de vida é uma expressão que se refere às condições de vida do homem, em
vários âmbitos, nomeadamente, o bem-estar físico, mental, psicológico e emocional, relacionamentos
sociais, como família e amigos e também saúde, educação e outros aspetos que influenciam a vida
humana. O conceito de qualidade de vida no trabalho refere-se a estas condições no local do trabalho,
muitas vezes, também referida como qualidade de vida nas empresas.

Importância da qualidade de vida no trabalho

A importância da qualidade de vida no trabalho é crescente no atual contexto económico e social,


tendo em conta a relevância que o emprego representa na vida das pessoas e o quanto um bom
ambiente organizacional pode ser útil na gestão das pessoas e na melhoria da produtividade das
empresas e organizações.

Torna-se claro, que não se pode dissociar o lado humano do lado profissional, uma vez que o
homem é provido de competências e capacidades individuais que podem ser alteradas em virtude das
condições do meio em que está inserido.

Neste sentido, com o passar dos tempos, as empresas começaram a refletir sobre o bem-estar dos seus
colaboradores e a produtividade individual de cada um.

Perante esta nova realidade, o termo qualidade de vida no trabalho começou a ser debatido e
implementado nas organizações. Estas medidas tinham como objetivo melhorar a qualidade de vida no
trabalho, fundamentalmente, da saúde física e mental dos seus colaboradores.

O termo qualidade de vida nas empresas começou a ser visto como um agente de melhoria na
gestão de pessoas, pois colaboradores motivados e saudáveis está estritamente relacionado com a
melhoria no ambiente de trabalho e consequentemente com a produtividade.

Actualmente, os profissionais que se encontram no mercado de trabalho procuram mais do que


um bom salário e benefícios, procuram também um ambiente de trabalho humanizado e adequado.

Se o trabalhador sentir conforto e bem-estar no local de trabalho, sentir-se-á motivado, melhorando a


sua produtividade.

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➢ Trabalho - saúde física e mental

A alteração dos estilos de vida, alterações no mercado de trabalho e dos tempos livres são fatores
que têm um forte impacto na saúde das pessoas. O trabalho e os tempos livres deveriam ser uma fonte
de saúde para as populações. A maneira como a sociedade organiza o trabalho deveria ajudar a criar
uma sociedade saudável. A promoção da saúde gera condições de vida e de trabalho seguras,
estimulantes, satisfatórias e agradáveis, melhorando a qualidade de vida no trabalho e nas empresas.

A saúde mental conduz a vários tipos de alterações, nomeadamente, do funcionamento da rotina


diária, capacidade para trabalhar, qualidade de vida no trabalho, desempenho de papéis familiares e
sociais e com o envolvimento em atividades de lazer. Em virtude do seu diagnóstico, dos seus
tratamentos prolongados e da incerteza do prognóstico, a doença mental constitui-se como um risco
para a qualidade de vida do trabalhador e de quem o rodeia.

O trabalho é uma das principais causas de stress na atualidade. O stress, por sua vez, exerce uma
influência direta no desempenho profissional e na produtividade.

O stress crónico tende a desencadear problemas biopsicossociais intensos, tais como


desenvolvimento de Diabetes tipo 2 e mesmo susceptibilidade ao desenvolvimento de
patologias dos domínios da psicose. Por estes motivos é que o stress e qualidade de vida no trabalho
são conceitos tão presentes no quotidiano dos trabalhadores.

➢ Programas de qualidade de vida no trabalho

Pelos motivos apresentados, as empresas apercebem-se, cada vez mais, da importância da qualidade de
vida no trabalho e da sua relação com a produtividade. Por isto, tendem a implementar programas de
qualidade de vida no trabalho, que visam melhorar as condições dos trabalhadores.

Estes programas consistem em acções levadas a cabo pela empresa, que passam pela implantação
de melhorias e inovações tanto ao nível da gestão, como alterações de índole tecnológica ou outras no
ambiente de trabalho. Por exemplo, melhorando a ergonomia, melhorando as condições climáticas,
estimulando um melhor relacionamento interpessoal, facultando condições relacionadas com a
assistência à saúde e aos filhos, etc. A qualidade de vida nas organizações pode ser francamente
melhorada se estas medidas forem bem desenhadas e implementadas.

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Tal como no aspecto pessoal, a qualidade de vida no trabalho é essencial para o desenvolvimento dos
colaboradores, tanto dentro como fora do ambiente da empresa. Neste sentido, é importante salientar o
papel social das organizações também na formação de cidadãos mais conscientes de seu papel na
sociedade.

Políticos

Perante as alterações demográficas que se começaram a verificar, no último século, e que nos
mostram uma população cada vez mais envelhecida, torna-se imperioso proporcionar aos idosos não só
uma sobrevida maior, mas também uma boa qualidade de vida.

Mediante a subjectividade que o conceito de qualidade de vida do idoso pressupõe, torna-se


necessário orientar as políticas para um envelhecimento bem-sucedido, o que para a maioria dos idosos,
está relacionado ao bem-estar, à felicidade, à realização pessoal, enfim, à qualidade de vida nessa faixa
etária (terceira idade).

➢ Como melhorar a qualidade de vida

Para que possamos garantir uma boa qualidade de vida no futuro, devemos começar já a preocuparmo-
nos com a manutenção de hábitos saudáveis, a saber: cuidar do corpo, uma alimentação equilibrada,
exercício físico, relações saudáveis, ter tempo para realizar atividades de lazer e vários outros hábitos
que propiciem à pessoa bem-estar e qualidade de vida.

A promoção da saúde é o processo que visa aumentar a capacidade dos indivíduos para controlarem
a sua saúde, no sentido de a melhorar. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e
social, o indivíduo deve ser capaz de identificar e realizar os seus desejos, satisfazer as suas necessidades
e modificar ou adaptar-se ao meio.

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As duas esferas da qualidade de vida: objectiva e subjectiva

Costuma prezar-se especialmente por duas coisas na vida: boa condição financeira e qualidade de
vida. Aparentemente essas são duas características da vida que caminham em direções opostas, uma
vez que a uma boa condição financeira advém sobretudo de uma grande dedicação ao trabalho e menor
tempo livre para prazer e lazer e, portanto, de qualidade de vida.

Para conseguirmos proceder de acordo a melhorar a nossa qualidade de vida, devemos ter em conta a
nossa interpretação sobre o que significa e em que se traduz ter qualidade de vida.

Qualidade de vida, muitas vezes, é erroneamente vinculada a tempo livre e vivido fora do ambiente
do trabalho, no entanto esse é um grande equívoco. Possuir uma boa qualidade de vida deve iniciar-
se exactamente no ambiente de trabalho.

Não há dúvidas de que grande parte do nosso tempo nas nossas vidas é passado no trabalho, desse
modo, nada mais óbvio seria do que procurar qualidade de vida no trabalho.

Reflectindo sobre isso é importante em primeiro lugar manter uma boa relação dentro do ambiente
de trabalho, procurando trabalhar na área de agrado e em locais em que a convivência seja saudável.
Desse modo, a sua qualidade de vida já começará ao seguir as suas obrigações e rotina, mas isso não
pode ser tudo, é necessário sim, estar atento às outras esferas da vida na procura da qualidade de vida.

Tendo conseguido melhorar as relações no trabalho é necessário preocupar-se com as outras esferas da
vida. Não faz sentido trabalhar exaustivamente por dinheiro se não haverá tempo e prazer para
o aproveitar, por isso é saudável que se saiba dividir o tempo e pesar sempre se vale a pena ter
um pouco mais de dinheiro ou ter um pouco mais de diversão e lazer.

Em boa verdade, essas duas esferas devem caminhar em cooperação e não em competição,
uma vez que uma depende da outra.

Ter tempo, mas não ter fundos financeiros necessários e suficientes para o aproveitar, também não
pode gerar qualidade de vida.

Outro ponto importante é não se envolver com o trabalho mais do que o necessário e mais do que o
que é saudável. É necessário estar atento para fugir de problemas como o stress e compulsões do
tipo workaholic.

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Escala de avaliação da qualidade de vida – World Health Organization
Quality of Life Assesment (WHOQOL-100) OMS

Neste conteúdo é necessário a utilização da internet para análise e discussão do link a seguir:

https://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/2940/4/escala%20de%20qualidade%20de%2
0vida%20WHOQOL-100%20PORTUGAL.pdf

Embora não haja um consenso a respeito do conceito de qualidade de vida, três aspectos
fundamentais referentes ao constructo da qualidade de vida foram obtidos através de um grupo de
peritos de diferentes culturas: (1) subjectividade; (2) multidimensionalidade (3) presença de dimensões
positivas (p.ex. mobilidade) e negativas (p.ex. dor).

O desenvolvimento destes elementos conduziu à definição de qualidade de vida como "a percepção
do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em
relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações" (WHOQOL GROUP).

O reconhecimento da multidimensionalidade do constructo reflectiu-se na estrutura do instrumento


baseada em 6 domínios: domínio físico, domínio psicológico, nível de independência, relações sociais,
meio-ambiente e espiritualidade / religião / crenças pessoais.

➢ DOMÍNIOS E FACETAS DO WHOQOL

Domínio I - Domínio físico

➢ Dor e desconforto

➢ Energia e fadiga

➢ Sono e repouso

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Domínio II - Domínio psicológico

➢ Sentimentos positivos

➢ Pensar, aprender, memória e concentração

➢ Auto-estima

➢ Imagem corporal e aparência

➢ Sentimentos negativos

Domínio III - Nível de Independência

➢ Mobilidade

➢ Actividades da vida cotidiana

➢ Dependência de medicação ou de tratamentos

➢ Capacacidade de trabalho

Domínio IV - Relações sociais

➢ Relações pessoais

➢ Suporte (Apoio) social

➢ Actividade sexual

Domínio V- Ambiente

➢ Segurança física e protecção

➢ Ambiente no lar

➢ Recursos financeiros

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➢ Cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade

➢ Oportunidades de adquirir novas informações e habilidades

➢ Participação em, e oportunidades de recreação/lazer

➢ Ambiente físico: (poluição/ruído/trânsito/clima)

➢ Transporte

Domínio VI- Aspectos espirituais/Religião/Crenças pessoais

➢ Espiritualidade/religião/crenças pessoais

Promoção da saúde e prevenção da doença

Responsabilidade pessoal

A Promoção da Saúde é o processo que visa aumentar a capacidade dos indivíduos e das
comunidades para controlarem a sua saúde, no sentido de a melhorar. Para atingir um estado de
completo bem-estar fisico, mental e social, o indivíduo ou o grupo devem estar aptos a identificar e
realizar as suas aspirações, a satisfazer as suas necessidades e a modificar ou adaptar-se ao meio. Assim,
a saúde é entendida como um recurso para a vida e não como uma finalidade de vida;

A saúde é um conceito positivo, que acentua os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades
físicas. Em consequência, a Promoção da Saúde não é uma responsabilidade exclusiva do sector da
saúde, pois exige estilos de vida saudáveis para atingir o bem-estar

A promoção da saúde pressupõe o desenvolvimento pessoal e social, através da melhoria da


informação, educação para a saúde e reforço das competências que habilitem para uma vida saudável.
Deste modo, as populações ficam mais habilitadas para controlar a sua saúde e o ambiente e fazer
opções conducentes à saúde.

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É fundamental capacitar as pessoas para aprenderem durante toda a vida, preparando-as para as
suas diferentes etapas e para enfrentarem as doenças crónicas e as incapacidades. Estas intervenções
devem ter lugar na escola, em casa, no trabalho e nas organizações comunitárias e ser realizadas por
organismos educacionais, empresariais e de voluntariado, e dentro das próprias instituições.

Actividade física

O grande desenvolvimento tecnológico e da informática ocorrido, principalmente nas últimas


décadas do século XX, proporcionou melhoras significativas na vida das pessoas, através da evolução
das ciências da saúde, educação, estrutura das cidades, transporte, saneamento básico, eletrodomésticos,
máquinas, computadores, internet e outros. Entretanto, a modernização contribuiu também para que o
homem se habituasse a desenvolver cada vez menos atividades físicas, seja no trabalho, em casa,
na escola ou em momentos de lazer.

Esta redução do gasto calórico com a diminuição da demanda energética no cotidiano do homem está
ligada à falta de movimento e deterioração da saúde, bem-estar e qualidade de vida
(NACIONAL CENTER FOR CHRONIC DISEASE PREVENTION AND HEALTH
PROMOTION - CDC, 2002). Como exemplo, pode-se citar o sedentarismo como um dos
responsáveis pelo sobrepeso, o qual é fator de risco independente para a morbimortalidade
populacional por doenças crónicas não transmissíveis (DCNT), principalmente quanto à sua relação
com o aumento da prevalência de hipertensão arterial (HA) e diabete mellitus (DM).

A prática regular de exercício pode produzir importantes benefícios a curto, médio e longo
prazo. Esses benefícios são listados a seguir:

➢ Aumenta o consumo da glicose:

✓ Diminui a necessidade de insulina exógena.

✓ Diminui a concentração basal e pós-prandial da insulina.

✓ Aumenta a resposta dos tecidos à insulina.

✓ Melhora os níveis da hemoglobina glicolisada.

➢ Melhora o perfil lipídico:

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✓ diminui os triglicerídeos.

✓ aumenta a concentração de HDL-colesterol.

✓ diminui levemente a concentração de LDL-colesterol.

➢ Contribui para diminuir a pressão arterial.

➢ Aumenta o gasto energético:

✓ favorece a redução do peso corporal.

✓ diminui a massa total de gordura.

✓ preserva e aumenta a massa muscular.

➢ Melhora o funcionamento do sistema cardiovascular.

➢ Aumenta a força e flexibilidade muscular.

Nutrição adequada

Uma nutrição adequada é a ingestão de uma dieta equilibrada para que o seu corpo possa assimilar os
nutrientes necessários para uma boa saúde. A cada dia, o corpo humano renova-se, isto é, renova os
músculos, a matéria óssea, a pele e o sangue. As substâncias que ingerimos são a base para a formação
destes novos tecidos. Se a dieta contiver poucos nutrientes essenciais ao corpo, a boca estará mais
vulnerável a infecções.

Quais são os diferentes tipos de nutrientes?

Uma boa alimentação deve conter os seguintes nutrientes:

➢ Carboidratos;

➢ Ácidos gordos essenciais (contidos em produtos gordurosos);

➢ Aminoácidos (encontrados nas proteínas);

➢ Quinze vitaminas;

➢ Cerca de vinte e cinco minerais;

➢ Água.

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Como o nosso corpo não pode fabricar todos nutrientes de que precisamos, principalmente certas
vitaminas, precisamos obtê-los dos alimentos e suplementos alimentares que ingerimos.

Adaptação ao stress e organização do ambiente

O stress é uma resposta fisiológica e comportamental normal a algo que aconteceu ou está para
acontecer que nos faz sentir ameaçados ou que, de alguma forma, perturba o nosso equilíbrio. Quando
nos sentimos em perigo real ou imaginado, as defesas do organismo reagem rapidamente ao stress, num
processo automático conhecido como reação de "luta ou fuga” ou de “congelamento”.

Inicialmente, o stress pode ser positivo, contudo para além de um certo nível, deixa de ser proveitoso
e começa a prejudicar gravemente a saúde, a alterar o humor, a produtividade, os relacionamentos e a
qualidade de vida, em geral. São as diferentes fases do stress (v. adiante eustress e distress).

Devemos saber reconhecer os seus sinais e sintomas e, consequentemente, tomar medidas para
minimizar os efeitos do stress.

Os sintomas de stress são a forma que o nosso organismo encontra para nos informar das alterações
a que está a ser sujeito. Certamente que já sentiu as mãos transpiradas ou o seu coração a bater mais
depressa, antes de efetuar uma apresentação ou participar numa reunião importante ou até enquanto

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visualiza um filme de terror. Estes são alguns dos sintomas de stress na pele e no coração, mas muitos
outros afetam o nosso corpo (sintomas físicos) e mente (sintomas psicológicos).

Desde o stress positivo até pressentirmos muito stress, passando por um stress excessivo ou stress
agudo, tudo são fases em que os sintomas de stress e ansiedade vão-se agravando com o decorrer do
tempo. Saber reconhecer quais os sintomas em cada uma das fases é de primordial importância, uma
vez que, a tendência é que se nada for feito em contrário, o stress irá agravar-se com o decorrer do
tempo, podendo desencadear graves consequências para a nossa saúde. Inicialmente os sintomas
podem ser ténues, mas quando o stress causa diarreia, dor no peito, queda de cabelo, manchas na pele,
dor de barriga, dor nas costas, tonturas, entre outros sintomas exuberantes, então estamos seguramente
perante uma severa ameaça à sua saúde e degradação da qualidade de vida.

Se os seus métodos de lidar com o stress não estão a contribuir para melhorar a sua saúde física e
emocional, é altura de encontrar formas mais saudáveis.

Há muitas maneiras saudáveis de gerir, prevenir e lidar com o stress, mas todas requerem mudança.
Pode-se mudar a situação ou mudarmos a nossa reacção. Ao decidir qual a opção a escolher, é útil
pensar nos 4 aspecos seguintes:

✓ evitar, alterar, adaptar e aceitar.

Dado que cada um de nós tem uma resposta única ao stress, não existe apenas um método que sirva a
todos ou para qualquer situação, por isso há que experimentar diferentes técnicas e estratégias para
perceber qual a mais adequada.

Foco no que oferece uma sensação de serenidade e controlo é uma das técnicas mais
praticadas.

Exemplos de como poderá obter controlo sobre o seu ambiente – Se os jornais e TV provocam
ansiedade, desligue a TV ou feche o jornal. O trânsito provoca tensão, tente ir por um caminho mais
calmo mesmo que mais longo. Se ir às compras sozinho o stressa, arranje companhia. Tente, sempre
que possível, encontrar uma alternativa que possa dar-lhe oportunidade de controlo, que possa decidir
por si e executar na hora, sem que dependa de outros.

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Vacinação

As vacinas permitem salvar mais vidas e prevenir mais casos de doença do que qualquer tratamento
médico.A introdução de campanhas dos vacinação contribuiu, em todo o mundo, para a diminuição da
incidência das doenças evitáveis pela vacinação.Como consequência directa da vacinação a varíola foi
erradicada em 1980, a poliomielite está em vias de ser erradicada e o sarampo pode também vir a ser
extinto.Assim, existe um elevado número de indivíduos imunes na população, um menor número de
susceptíveis e uma probabilidade menor de vir a contr air determinadas infecções na infância.

O Programa Nacional de Vacinação (PNV) é um programa universal, gratuito e acessível a todas as


pessoas presentes em Portugal. Apresenta um esquema de vacinação recomendado que constitui uma
“receita universal”. A intervenção ao nível de certas comunidades locais reveste-se de especial
importância, nomeadamente, como forma de prevenir a disseminação, a partir de casos importados, de
doenças infecciosas que se encontram eliminadas do nosso país (ex: poliomielite) ou em fase de
eliminação (ex: sarampo).Somente taxas de cobertura vacinal muito elevadas, de cerca de 95%,
permitem obter imunidade de grupo. No caso do tétano, em que a protecção é individual, apenas uma
cobertura vacinal de 100% evitaria o aparecimento de novos casos.

Higiene corporal

A higiene corporal é um conjunto de cuidados que as pessoas devem ter com o seu corpo para ter
melhores condições de vida, bem-estar e saúde mental. Consiste em medidas que garantem a limpeza
do corpo, da mente e do ambiente, a fim de garantir uma vida saudável para as pessoas.

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A palavra higiene é de origem grega que significa 'hygeinos' que quer dizer o que é saudável. Além de
proteger contra possíveis doenças, também ajuda na autoestima das pessoas, pois com a higiene elas
sentem-se mais confortáveis e confiantes. A lavagem diária tem como prerrogativas também, a
manutenção da saúde individual e a proteção contra os mais diversos agentes externos.

As mãos devem estar sempre limpas e os alimentos e a comida não devem ser manipulados antes
da lavagem das mesmas. Devem ser lavadas, principalmente, antes e depois das refeições e após o uso
do banheiro. É recomendável que sejam higienizadas com água e sabonete ou com álcool. Uma outra
dica é a utilização de sabonete líquido que, ao contrário do sabonete em barra, não tem contato com
outras pessoas.

Os riscos, para quem não lava as mãos, podem ser a contaminação com bactérias e germes, que são
transmitidos quando há um contacto com um objeto contaminado. As unhas devem ser mantidas
sempre limpas e cortadas regularmente. O lixo armazenado por baixo das unhas pode causar
doenças (intestinais e verminoses) quando a pessoa leva a unha à boca.

O cabelo também é um item essencial para uma boa higiene corporal. Nele, ocorre o acúmular da
poeira e gordura e por isso é importante que a lavagem ocorra, preferencialmente, duas vezes por
semana. Além da lavagem, devem ser cortados regularmente, pois a falta de corte deixa os fios mais
quebradiços e danificados.

Prevenção de acidentes

Os Idosos são muitas vezes alvo fácil de atropelamentos enquanto peões e de acidentes como
condutores, devido ás suas dificuldades de locomoção, audição e visão entre outras, e ainda por falta de
sensibilização para os métodos mais modernos de circulação e de gestão de tráfego.

Os Profissionais de Saúde podem ser intervenientes activos neste âmbito promovendo acções na
Comunidade (Lares, Centros de Dia, etc), onde se discuta e chame a atenção para esta problemática.

Apesar do risco de cair em casa ser grande, muitos acidentes devido a queda podem ser prevenidos.
Boas práticas baseadas na evidência mostram que é possível reduzir as lesões nos idosos em 38 %
através de métodos com custos eficazes. A redução de lesões pode melhorar a qualidade de vida e
reduzir os gastos dos serviços de saúde devido a lesões nesta faixa etária.

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O primeiro passo é compreender as suas causas. Nas pessoas idosas a diminuição da massa
muscular, a osteoporose, a diminuição da visão e da audição, assim como a falta de condições de
segurança da casa e do jardim aumentam a probabilidade de cair.

As quedas podem ser prevenidas fazendo pequenos ajustamentos na casa e no estilo de vida, mas,
promover a segurança, é também, garantir que as pessoas idosas se alimentam convenientemente e se
mantêm fisicamente activas.

Quando falamos de segurança, é importante conhecer e utilizar os dispositivos de segurança que


facilitem a vida diária quando a autonomia e o bem-estar estão em causa.

Manter a segurança é uma questão de tomar medidas de protecção, de algum bom senso, de
muita prudência e precaução que, com convicção se vão fazer sentir na redução dos acidentes
domésticos e de lazer com pessoas idosas.

Alguns factores de risco de quedas:

➢ Viver sozinho.

➢ Tomar medicamentos, em especial medicamentos psicotrópicos.

➢ Doenças crónicas tais como artroses, depressão, doença pulmonar crónica.

➢ Mobilidade reduzida e balanço.

➢ Dificuldades cognitivas e demência.

➢ Redução da acuidade visual.

➢ Calçado e vestuário inadequado.

➢ Uso de bengalas ou andarilhos

➢ Subir para escadotes, cadeiras, bancos, árvores, autocarros.

➢ Pisos escorregadios ou irregulares, pavimentos degradados.

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Prevenir as quedas em TODA A CASA é uma questão de bom senso:

➢ Mantenha uma boa iluminação em toda a casa e uma luz acesa na entrada principal.

➢ As lâmpadas devem ser de fácil manutenção e substituição.

➢ Nunca deixe fios elétricos e de telefone desprotegidos. Prenda-os à parede.

➢ Evite tapetes soltos no chão, principalmente nas escadas. Se usar, fixe-os ao chão.

➢ Pinte de cores diferentes ou faça marcas visíveis no primeiro e no último degrau das escadas.

Devem ter degraus com piso antiderrapante. Converse com o seu médico sobre a necessidade de
colocar barras de apoio (corrimão).

➢ Use sapatos com saltos largos e calcanhares reforçados, para evitar que o pé se movimente. Não
use chinelos. Prefira os sapatos fechados.

➢ Cuidado para não errar a dosagem dos remédios.

➢ Não use camisolas e roupões compridos, para evitar tropeçar, principalmente se tiver que se
levantar no meio da noite.

➢ Ao dormir, deixe a luz do corredor acesa para auxiliar a visão, caso acorde no meio da noite.

➢ Se cair e tiver dores, procure assistência médica. Deixe o telefone num local de fácil acesso, se
necessitar de pedir ajuda.

➢ No quintal, evite a acumulação de folhas e flores húmidas no chão.

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O processo de administração de medicamentos/vacinas

Os principais grupos de fármacos utilizados na população idosa

As doenças cardiovasculares são as mais frequentes na população idosa. São doenças que afectam o
sistema circulatório e as mais comuns são:

➢ IAM (Infarto agudo do miocárdio);

➢ Angina;

➢ Aterosclerose;

➢ AVC.

MEDICAMENTOS:

Específicos para cada caso e paciente:

➢ Anti – hipertensivos, previnem o IAM e AVC;

➢ AAS, aspirina – “afinam o sangue”;

➢ Drogas para diminuir o colesterol (previnem Aterosclerose). Ex: Sinvastatina;

➢ Verapamil.

Também as doenças do domínio psicológico são frequentes, sobretudo as psicopatologias relacionadas


com perturbações do humor:

➢ Transtornos Depressivos

➢ Transtornos da Ansiedade

Desta forma, também os medicamentos psicoactivos são frequentes na população idosa:

➢ Antidepressivos: fluoxetina, sertralina,

➢ Ansiolíticos: diazepam, lorazepam, alprazolam,

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A automedicação nos idosos

A automedicação nos idosos pode originar problemas sérios e apesar dos medos e receios propícios
dessa faixa étaria, porque mais propensa a pensamentos sobre a morte, frequentemente em relação aos
medicamentos têm crenças de que podem tomar os denominados medicamentos “naturais” ou porque
têm patologias idênticas à de um amigo, familiar ou alguém das suas relações que toma um determinado
fármaco e melhorou substancialmente a sua qualidade de vida.

De facto, os medicamentos são uma parte integrante da vida dos idosos, permitindo manter sob
controle as doenças de que padecem, ajudando-os a viver melhor, sem dores ou desconforto.

No entanto, por vezes a quantidade de medicamentos que um idoso toma é tão elevada que requer uma
organização e administração com cuidados redobrados.

➢ No médico

O acompanhamento da toma dos medicamentos por parte de um idoso começa nas consultas – se
possível, deve acompanhar o idoso, para assim saber qual o seu estado de saúde, que medicamentos
vai tomar, para quê, qual a dose, durante quanto tempo, se existem efeitos secundários, interacções
com outros medicamentos, se os comprimidos podem ser esmagados ou têm de ser tomados
inteiros, ou qualquer outra questão pertinente. Não tenha receio de esclarecer todas as suas dúvidas
com o médico.

➢ Na farmácia

Sempre que for à farmácia aviar uma receita, certifique-se de que o farmacêutico escreve, na caixa
do medicamento correspondente, as indicações do médico, no que toca à dose e à hora da toma.
Quer leve duas caixas de medicamentos ou dez, confira sempre toda a informação para evitar
confusões com a toma. Se possível, vá sempre à mesma farmácia – será uma excelente forma de
criar uma relação com o farmacêutico que, para além de passar a conhecer o estado de saúde do
idoso, pode ajudá-lo sempre que tiver alguma dúvida.

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Avaliação morfológica do idoso

O método de avaliação mais comum é o uso de tabelas que correlacionam peso e altura, sendo que
a mais frequentemente usada é a de Metropolitan Life Insurance Company. Essas tabelas foram
elaboradas através de levantamentos de dados antropométricos de determinadas populações, tendo
valor, porém, como dados relativos às mesmas. As médias calculadas a partir desses levantamentos
aplicam-se a uma boa parte da mesma população, entretanto, podem não oferecer uma boa
orientação na avaliação de um indivíduo em particular.

Estatura

A estatura é a medida do comprimento do indivíduo. Deve ser medida com o indivíduo na posição
ortostática, com os pés unidos e apoiados num plano horizontal. Os calcanhares, o sacro, as
omoplatas e a região occipital do crânio devem estar encostadas a um plano vertical paralelo ao
plano coronal. O canto externo do olho deve estar no mesmo plano horizontal que o início da
hélice auricular. Deve ser utilizado um estadiómetro validado, calibrado e bem posicionado.

A medida da estatura pode ser lida quando a lâmina do estadiómetro toca no topo da cabeça do
indivíduo.

Para solucionar o problema da determinação da estatura, surgiram equações para estimar a estatura
do indivíduo. As equações que consideram as variáveis idade e medida da altura do joelho são as
que têm mostrado melhores resultados. Quando não é possível medir correctamente a estatura de
indivíduos com 60 anos ou mais e não há estudos específicos para a população em questão, a OMS
aconselha utilizar determinadas equações.

A estatura é um dado antropométrico importante e é amplamente utilizado em vários contextos,


desde a ergonomia até ao design de equipamentos e estruturas para uso humano.

No contexto da Saúde, para além da avaliação do crescimento da criança, a estatura contribui para a
avaliação de uma série de outros parâmetros ao longo da Vida.

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No Idoso, tem valor acrescido, dada a importância da Avaliação Nutricional no conjunto dos
cuidados geriátricos. Na prática clínica da Geriatria, a estatura é utilizada fundamentalmente para::

• Cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC)

• Cálculo do Peso Ideal

• Cálculo das necessidades energéticas Vinken (1999)- Metabolismo Basal

• Índice Creatinina /Altura

• Estimativa da composição corporal Roubenoff (1993)

A determinação da Estatura no contexto da Avaliação Nutricional do Idoso é de extrema


importância, dado que a Desnutrição afecta uma grande percentagem de indivíduos idosos,
condiciona um aumento da morbilidade e mortalidade por todas as causas e está sub-diagnosticada.

Apesar de existirem várias formas de avaliar o estado nutricional, os parâmetros antropométricos


são os mais utilizados. Destes, o cálculo do IMC a partir do peso e da estatura é a medida mais
generalizada: é fácil de calcular, é simples medir o peso e a estatura na maioria dos indivíduos, o uso
é adequado aos cuidados primários e, com os pontos de corte ajustados para a população idosa,
mostra franca correlação com a morbilidade e mortalidade geral.

Durante a Infância e a Juventude avalia-se o crescimento dos indivíduos comparando a estatura


medida com os valores descritos em curvas de percentis validadas para as diferentes populações,
para cada sexo e idade. A partir dos 40 anos de idade, estima-se que a estatura sofra uma
diminuição de cerca de 2-3 cm/ década e que nas últimas décadas da vida esse ritmo de perda de
estatura seja acelerado. No entanto, a prática mostra que há uma variabilidade interindividual
enorme no perfil “fisiológico” de perda de estatura com a idade.

Quando a fase de Senescência “fisiológica” se faz acompanhar de doenças e carências nutricionais ,


a amplitude da variabilidade aumenta de tal forma que qualquer tentativa de estudar o fenómeno da
perda de estatura com a idade se torna francamente difícil.

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Na maioria dos indivíduos idosos, a diminuição da estatura decorre sobretudo do encurtamento da
coluna vertebral. O achatamento, a esclerose e as fracturas dos corpos vertebrais; a patologia
degenerativa e o achatamento dos discos vertebrais e as deformidades da coluna dorsal (cifose e
escoliose) são observados, em diferentes graus, na maioria dos indivíduos com mais de 60 anos.

Outros problemas como o varismo dos joelhos, as deformidades das articulações tibiotársicas e o
aplanamento das arcadas plantares são também comuns em idades mais avançadas e condicionam
perda de estatura.

Massa e Índice de Massa Corporal (IMC)

IMC = peso (kg) / [altura (m)]2

Segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS, um IMC entre 18,5 e 24,9 é sinónimo de
normalidade; abaixo de 18,4 é considerado magreza, o que acarreta um maior risco para a saúde.
Valores de IMC entre 25 e 29,9 revelam um excesso ponderal; valores acima de 30 configuram um
diagnóstico de obesidade.

O IMC é, então, determinado em situações clínicas para identificar doentes hospitalizados com
subnutrição ou sobrenutrição crónica, e para monitorizar alterações da composição corporal a
longo termo durante o uporte nutricional.

Também são usados em Saúde Pública para identificar indivíduos vulneráveis a subnutrição ou
sobrenutrição e/ou avaliar a efectividade dos programas de intervenção nutricional.

Contudo, devido a algumas limitações inerentes a este método, outros índices antropométricos
foram desenvolvidos, nomeadamente os índices de avaliação corporal em crianças, tais como a
estatura para a idade (E/l) que reflecte o crescimento linear alcançado e as suas deficiências de
saúde ou nutrição a longo prazo; o peso para a idade (P/l) que reflecte a massa corporal em relação
à idade cronológica, sendo influenciado pela estatura para a idade, não avaliando o crescimento
linear e não distinguindo a natureza do défice nutricional, recente ou de longa data e o peso para a
estatura (P/E) que reflecte o peso relacionado com a estatura. Tem a vantagem de não requerer o

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conhecimento da idade, mas este índice não substitui os outros dois, já que cada um deles reflecte
uma combinação diferente de processos biológicos.

O Índice de Massa Corporal (IMC) continua a ser o parâmetro mais utilizado para a avaliação
nutricional na prática clínica. A diminuição da medida da estatura condiciona uma sobrevalorização
do IMC que pode condicionar erros na avaliação do estado nutricional dos indivíduos de idade mais
avançada. Assim, vários estudos apontam a necessidade de ajustar os pontos de corte para
interpretação do IMC para a população com mais de 75 anos. Mais do que em parâmetros
antropométricos, o grande número de estudos que fundamentou esse ajuste contornou o problema
da grande variabilidade da perda de estatura devida à Senescência e baseou-se simplesmente em
curvas de mortalidade e morbilidade em relação ao valor do IMC.

Bibliografia

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