Você está na página 1de 3

Seção 1

Poupança e Investimento
Autores: Elmo Tambosi Filho e Claudio Alvin Zanini Pinter.

Título é um Em economia, poupança é a “parte da renda nacional ou


documento que individual que não é utilizada em despesas, sendo guardada
certifica a propriedade
e aplicada depois de deduzidos os impostos” (SANDRONI,
de um bem ou de
um valor. Pode 1999). Portanto, poupar significa economizar, não gastar. Já
ser qualquer papel investimento é “aplicação de recursos (dinheiro ou títulos)
ou certificado em empreendimentos que renderão juros ou lucros, em
representativo de
valor mobiliário (Ação,
geral a longo prazo” (SANDRONI, 1999).
letras de câmbio,
dentre outras). O ato de poupar é diferente do ato de investir. Poupar
é não gastar, abster-se do consumo. Por meio de um
bom planejamento financeiro, você poderá decidir pelos
gastos do dia a dia de forma consciente, tais como alimentação, vestuário,
energia elétrica, conta de telefone, combustível, remédio, uso do cartão de
crédito, cheque especial, dentre outro). Recomenda-se poupar, no mínimo, 10%
de sua receita. Diferentemente, o ato de investir é aplicar o dinheiro que você
economizou, visando retorno do capital investido para aumentar a riqueza, que
poderá ser a curto, médio ou longo prazo.

A velha e tradicional Caderneta de Poupança é o tipo de investimento mais


tradicional e difundido. Se o indivíduo pretende comprar uma televisão e no
momento não dispõe de recursos suficientes, ao invés de fazer um crediário
e pagar juros por essa operação, ele pode optar por colocar o dinheiro na
caderneta de poupança por um determinado período (alguns meses) e depois
resgatar esse dinheiro e negociar um bom desconto na compra do televisor à
vista. Isto é, ele poupou durante algum período para usufruir posteriormente.

Ainda, se o indivíduo não necessita efetuar nenhum gasto e simplesmente aplica


o dinheiro na caderneta de poupança ou em outras aplicações financeiras, sem
necessidade de resgatar esse montante, ele está investindo, pois aproveitará os
juros, dividendos, para aumentar o seu patrimônio. Futuramente, ele poderá decidir
por outros tipos de investimento, como, por exemplo, compra de um imóvel, de
ouro, títulos do tesouro, letras de câmbio, ações, obras de arte, dentre outros.

Conceitualmente, a distinção pode parecer muito simples, no entanto, o ato de


poupar requer conhecimento, renúncia e atitude.

TAMBOSI FILHO, Elmo; PINTER, Claudio Alvin Zanini. Mercado de capitais e bolsa de valores livro didático / Elmo
Tambosi Filho, Claudio Alvin Zanini Pinter ; design instrucional Carmelita Schulze. - 2.ed.rev. e ampl. – Palhoça :
UnisulVirtual, 2015.. págs. 9-26
9


Conhecimento – Por que poupar? Inicialmente, o ato de poupar requer um esforço


para se abster do consumo, guardando parte de sua renda. Muitas vezes, o
indivíduo não sabe o porquê está poupando. Outros já possuem algo previamente
definido: juntar dinheiro para trocar de carro, viajar, efetuar um curso, casar, comprar
um imóvel, dentre outros. É necessário o conhecimento de que se está abstendo do
consumo imediato em prol de um projeto de aumento de capital, do seu capital.

Renúncia – somos bombardeados diariamente com propagandas no rádio, na


TV, nos outdoors, jornais e revistas, criando desejos para o consumo imediato
e nem sempre necessário, tais como trocas de produtos em razão do avanço
tecnológico, última tendência da moda, lançamento de novos produtos e assim
por diante. Com tanta oferta, essa renúncia exige um esforço maior para não
se iludir e gastar além do que se ganha, caindo na armadilha do crédito fácil do
cheque especial ou do cartão de crédito.

Atitude – adotar uma planilha, rascunho ou caderno para as anotações das


receitas e despesas. O diálogo em família é fundamental para criar o hábito
de poupar, bem como estabelecer metas de poupança. Essa atitude terá
mais chance de sucesso se você e sua família refletirem sobre as seguintes
questões: A compra é necessária? Tenho recursos para isso? Posso adiar esta
compra? Conheço as vantagens da compra à vista ou a prazo? Sei negociar?
Tenho o hábito de poupar?

Logo, depois do conhecimento dos benefícios do hábito de poupar, é


necessária a atitude de tê-lo.

Durante um treinamento sobre Poupança e Investimento em uma turma com


trinta alunos de Pós-Graduação, entreguei uma bala para cada aluno e após
trinta minutos perguntei quem tinha a bala. Para a minha surpresa, apenas três
alunos ainda tinham a bala.
Como prêmio a esses, entreguei um bombom. Essa premiação pode ser
comparada aos rendimentos de uma aplicação financeira; afinal, esses alunos
que guardaram a bala poderiam ter a investido em algum empreendimento que
tivesse lhes dado como retorno o bombom que lhes entreguei.
De acordo com Oliveira (1979), os fatores que afetam as decisões de poupar são:
capacidade de poupar, desejo de poupar, e as oportunidades para poupar.

A capacidade de poupar depende fundamentalmente da renda. Portanto, quanto


maior a renda maior deveria ser a capacidade de poupar. No entanto, nem sempre
isso ocorre, pois muitos aumentam o seu padrão de vida quando passam a ter
maior renda, por exemplo, passam a comprar roupas mais caras, a trocar seus
automóveis por outros de categoria superior, etc. É preciso ter desejo de poupar,
não importando a razão para isso.

10
Mercado de Capitais e Bolsa de Valores

Mas, além disso, é necessário conhecer as oportunidades para investir o resultado do


seu ato de poupar, isto é, ter respostas para a pergunta:onde aplicar minhas economias?

Atualmente, temos diversas oportunidades para aplicar as nossas economias, tais


como Caderneta de Poupança, renda fixa, renda variável, câmbio, imóveis,
obras de arte, ouro, ações, dentre outros.
Caderneta de
Poupança: requer
pouco conhecimento
A Caderneta de Poupança é um dos depósitos que são
do mercado assegurados pelo Fundo Garantidor de Crédito. Este é
financeiro e possui uma associação civil sem fins lucrativos, que administra
as garantias do
a proteção aos correntistas, poupadores e investidores,
Fundo Garantidor de
Crédito. de forma a garantir que esses possam recuperar seu
investimento em caso de falência ou liquidação da
instituição em que têm sua poupança.

As regras para a remuneração dos depósitos de poupança são estabelecidas no


artigo 12 da Lei 8.177, de 1991, alterada pela Lei 12.703, de 2012. Os valores
depositados e mantidos em depósito por prazo inferior a um mês não recebem
nenhuma remuneração.

De acordo com o Banco Central do Brasil, a remuneração dos depósitos de


poupança é composta de duas parcelas:

I. a remuneração básica, dada pela Taxa Referencial - TR, e


II. a remuneração adicional, correspondente a:
a. 0,5% ao mês, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for superior
a 8,5%; ou
b. 70% da meta da taxa Selic ao ano, mensalizada, vigente na data
de início do período de rendimento, enquanto a meta da taxa
Selic ao ano for igual ou inferior a 8,5%.

A remuneração dos depósitos de poupança é calculada sobre o menor saldo de


cada período de rendimento. O período de rendimento é o mês corrido, a partir
da data de aniversário da conta de depósito de poupança, para os depósitos de
pessoas físicas e de entidades sem fins lucrativos. Para os demais depósitos, o
período de rendimento é trimestral.

A data de aniversário da conta de depósito de poupança é o dia do mês de sua


abertura. Considera-se a data de aniversário das contas abertas nos dias 29, 30 e
31 como o dia 1° do mês seguinte.

11

Você também pode gostar