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Tradução: Vanessa

Revisão Inicial: Clau


Revisão Final: Jessica
Leitura Final: Ana Claudia
Conferencia: Jenni, Suli & Lorelai
Formatação: Ariella
Este livro é dedicado a todas as minhas leitoras italianas. No ano
passado, quando visitei seu belo país, surgiu a ideia de um
personagem principal italiano, e aqui está o resultado. Amo todas
vocês mais do que posso dizer. Espero que Alessandro, Gabriele e sua
família correspondam às suas expectativas.
A linha entre amor e ódio nunca foi tão explosiva.

A primeira vez que vi Alessandro, duas coisas me vieram à


mente.

Atração e nudez.

Você entendeu a ideia.

Graças a ele, meu vôo do inferno se tornou o melhor que já fiz.

Acontece que o passageiro atraente e lindo era meu novo professor... e um idiota.

Rude, idiota, chupador de pau, eram


alguns nomes bem escolhidos que eu adoraria chamá-lo.

Como esse homem ofensivo era o mesmo humano que conheci no avião?

Sua alma deve ter sido invadida por demônios depois de deixar o aeroporto.

E pensar que quase me juntei ao clube de milha com ele. Quase.

Onde quer que eu fosse, ele jogava mais insultos em mim.

Até que o vi com seu adorável

mini sósia.

Aquele garotinho encantador derreteu meu coração.

Antes que eu percebesse, aceitei o convite de seu filho para jogar futebol.

O que diabos eu estava pensando?

Eu odiava aquele homem.

Mas a atração e a nudez tinha me colocado nessa confusão.

E nem mesmo o ódio poderia me

tirar.
"Muitos de nós não estamos vivendo nossos sonhos porque
estamos vivendo nossos medos."

- Les Brown
Playlist

“Who’s Gonna Ride Your Wild Horses” … U2


“Nothing More” … The Alternate Routes
“Landslide” … Fleetwood Mac
“Under Pressure” … Queen and David Bowie
“Gimme Shelter” … The Rolling Stones
“The Sound Of Falling In Love” … Matt Hires
“Everlong” … Foofighters
“Drive” … Incubus
“Good Riddance (Time Of Your Life)” … Green Day
“Dig” … Incubus
“Interstate Love Song” … Stone Temple Pilots
“With Or Without You” … U2
“All That I See” … The Alternate Routes
“Victorious” … Skillet
Capítulo Um
Piper

MINHA BARRIGA TREMEU com o pensamento de deixar minha família,


mas principalmente minha irmã, Sylvie. Eu tinha voado do Reino
Unido, onde estava estudando para meu mestrado, a fim de assistir ao
casamento dela. Ela tinha gêmeos com apenas alguns meses e eles
eram absolutamente adoráveis. Eu amava a universidade, mas amava
mais minha família. A saudade de casa me deu um soco, e foi tudo o
que pude fazer para não gritar como meus sobrinhos pequenos quando
estavam com fome. Toda a família se empilhou em uma van e todos
saímos juntos para me levar ao aeroporto a tempo do meu voo de Vail
para Denver. Minha conexão com Londres foi um voo direto de lá. Evan,
meu novo cunhado, teve a gentileza de me comprar uma passagem de
primeira classe, então teria uma cama a caminho. Mas duvidava que
fosse usá-la por causa da minha tristeza em sair.

Nos despedimos, mas Evan praticamente teve que me tirar de


Sylvie. Quando tentei beijar os gêmeos, ele me redirecionou para as
portas do aeroporto e me disse que provavelmente seria melhor se eu
simplesmente entrasse. Papai me abraçou e prometeu que iria me
visitar em breve. Muito provavelmente ele disse isso para me fazer sentir
melhor porque você mal conseguia afastá-lo dos bebês. Quem poderia
culpá-lo? Eu funguei novamente ao pensar em como aqueles humanos
pequenos e bonitos estariam completamente diferentes na próxima vez
que os visse.

Acenando para todos através das portas, finalmente me virei para


fazer o check-in. O resto da família voaria de volta para Nova York no
jato particular de Evan. Lágrimas ameaçaram novamente quando
pensamentos de aconchegar os bebês durante o voo circularam
em minha mente. O voo para Denver acabou bem, exceto por eu ter
chorado o tempo todo. Uma das comissárias de bordo me trouxe uma
caixa de lenços de papel e senti pena da pobre mulher sentada ao meu
lado. Assim que pousamos e eles abriram a porta do avião, ela se
afastou sem olhar para mim. Eu não a culpo. Quem gostaria de sentar
ao lado de uma chorona como eu?

Quando cheguei ao meu voo de conexão, me disseram que havia


um problema. O avião tinha problemas mecânicos e eles estavam
reagendando todos os passageiros. Todos se esforçaram para entrar em
outro voo. Felizmente, fui recolocada, apesar de estar na econômica.
Essa era minha única opção se quisesse voltar para Londres a tempo
para a aula no dia seguinte.

Encontrei o novo portão e esperei para embarcar. Por sorte, estava


nos fundos do avião, perto dos banheiros e da cozinha. Tanta coisa para
dormir. Então chorei novamente quando o pensamento de todos no jato
chique de Evan, no caminho de volta para Nova York, ocorreu. Minha
única salvação foi que eu tinha o assento do corredor para poder esticar
minhas pernas durante o voo. Estava limpando as lagrimas dos meus
olhos quando uma voz rouca disse: — Scusami. — Ele apontou para o
assento ao meu lado. Eu tinha certeza de que ele falava italiano ou
português, porque não era espanhol.

Fiquei de pé para que ele pudesse chegar ao seu lugar e, mesmo


assim, tive que olhar para cima. Ele era alto, com cabelo louro a castanho
claro, olhos castanhos incríveis e usava óculos. Havia algo sobre homens
de óculos que eu sempre achei quente. A sensualidade escorria dele. Até
eu notei isso no meu estado de espírito deprimida. Verifiquei se ele tinha
um anel de casamento. Ele usava vários anéis, mas não sabia se eles
eram do tipo que indicava fidelidade conjugal. Abaixei meu olhar para
sua bunda porque estava bem na minha frente agora, quando ele deslizou
em seu assento, e era delicioso. Eu estava tão focada nisso, não foi até
que o ouvi limpar a garganta que sai do meu transe e sentei.
Farejando minhas lágrimas, seu olhar queimou através de mim.
Tenho certeza de que ele estava pensando em como sua sorte era podre,
porque ficou preso ao lado de um desastre emocional de mulher. De
repente, alguns lenços apareceram ao lado da minha mão. Virando a
cabeça, notei que ele estava sorrindo. Deus havia presenteado esse
homem com um sorriso cheio de promessas sexuais.

— Obrigada! — Limpei meus olhos, que eu tinha certeza que


parecia um inferno. O rímel devia estar borrado até o meu queixo agora.

— De nada. Eu espero que esteja tudo bem.

— Estou apenas sendo tola. — Respondi, sugando mais lágrimas.


— Deixei minha família para trás. Minha irmã acabou de se casar e ter
gêmeos. Minha mãe morreu recentemente, eu estou voltando para o
Reino Unido. Deveria estar em um avião diferente na primeira classe,
mas ele teve problemas mecânicos, então aqui estou eu, chorando ao
seu lado. Desculpe-me. — Eu acabei de dizer a esse pobre sujeito
minha história de vida. O que diabos estava errado comigo?

— Você também? Eu deveria estar naquele voo na primeira classe.


Essa era a única opção, a menos que quisesse esperar dois dias e tenho
que voltar para o Reino Unido também.

Seu sotaque lindo me fez sorrir.

— Acho que estamos nisso juntos então.

— Sinto muito por sua mãe. Perdi a minha muito cedo.

Agarrei sua mão, o que o surpreendeu por sua expressão assustada.


— Ah não! Isso deve ter sido horrível. Não consigo imaginar. Eu tenho
vinte e cinco anos e está me matando. A minha morreu em janeiro e
continuo achando que vai melhorar, mas me vejo querendo ligar ou
mandar uma mensagem para ela o tempo todo, até que lembro que ela se
foi. Eu não sei como uma criança pequena consegue. Sinto muito por
você.

— Sim, foi uma época terrível para mim e meu pai. Ele estava
muito, muito triste. Lembro que ele chorava o tempo todo e fui ficar com
meus avós. Não entendi por que minha mãe não veio me buscar. As
crianças não conseguem entender essas coisas.

Enquanto ele me contava sua história, chorei pela criança


quebrada que devia ter sido.

— Ah, eu não quis fazer você chorar. Isso foi há muito tempo e,
como você pode ver esse velho coração se recuperou.

— Eu não acredito em você. Isso é algo que nunca superamos.


Você só aprende a lidar com a dor.

Ele ajeitou os óculos. — Talvez você esteja certa. Meu pai


finalmente parou de chorar e eu voltei para casa. Nós nos aproximamos
novamente e o tempo passou.

— Ele se casou novamente? — Fiquei curiosa ao pensar em meu


próprio pai.

— Infelizmente não. Ele ainda é um homem solteiro, mas muito


ocupado. Acredito que seja feliz à sua maneira.

A comissária de bordo veio verificar se estávamos com o cinto


afivelado e eles passaram o vídeo de segurança. Logo depois, decolamos.
Talvez com este homem atraente ao meu lado, o voo não fosse tão ruim,
afinal.

Quando eles anunciaram que poderíamos usar todos os


dispositivos, ele pegou um computador e começou a digitar. Cerca de
meia hora depois desligou.

— Você estava em Denver a negócios?


— Sim, e foi a minha primeira vez lá, — disse ele. — Eu gostaria
muito de voltar. É uma cidade interessante. Você também esteve lá?

— Não, meu cunhado tem uma casa em Vail. É onde estávamos.

— Você esquia? — Ele perguntou.

— Sim, e você?

— Sim, eu amo esquiar. Ouvi dizer que Vail é um lugar


maravilhoso.

— Sim é. Se você tiver a chance, deve ir. A propósito, eu sou Piper.

Ele riu. — Olá, Piper. Eu sou Alessandro. Estou muito feliz em


conhecê-la. — Apertamos as mãos e eu não queria deixá-lo ir. Era
quente e reconfortante.

— O mesmo aqui. E suponho que você é italiano?

— Sim. Como você pôde dizer? — Ele perguntou com uma risada.

— Seu sotaque te entregou. — Nós dois rimos dessa vez. — Mas,


honestamente, seu inglês é impecável. Você não tem sotaque, mas
quando chegou aqui falou italiano.

— Minha mãe era americana, assim como minha avó. Eu aprendi


inglês junto com o italiano enquanto crescia. Ambos são meus idiomas
nativos. Às vezes me confundo e misturo os dois.

— Você tem muita sorte, sabe.

— Por que?

— Eu gostaria de ser bilíngue.

— Ah. Sim, os americanos estão melhorando nisso, mas a maioria


ainda fala apenas inglês. Não é tarde demais, você sabe.
— Verdade.

Verificamos os filmes e descobrimos que compartilhamos os


mesmos interesses. Conversamos sobre livros e descobrimos que ambos
adorávamos ler. Ele amava literatura inglesa e italiana e eu
compartilhei com ele meu amor pela literatura inglesa. Discutimos
como nós dois adorávamos caminhar e andar de bicicleta. Contei a ele
uma história engraçada sobre como eu fazia mountain bike uma vez e
cai em um barranco. Ele não achou engraçado. Na verdade, estava
preocupado que pudesse ter ficado ferida.

— Essa parte era verdadeira. A parte engraçada foi quando eu


apareci no trabalho na manhã seguinte. Eu tinha que dar aula, e meu
rosto parecia ter passodo por dez rounds com um lutador de boxe.
Minha diretora queria saber quem me espancou. Ela pensou que eu
tinha sido assaltada.

— Como você estava?

— Eu tinha um olho roxo e um lado inteiro do meu rosto estava


arranhado. Estava muito feio. Os alunos acharam legal, no entanto.
Você sabe como são as crianças.

— Você deve ter cuidado com o mountain bike.

— Eu tenho. Foi um acidente estranho.

Em algum momento do voo, adormeci. Quando acordei, minha


cabeça estava no ombro dele e meu braço o abraçava. Que diabos? Me
endireitei no meu assento e ele riu, um som sexy profundo que enviou
calor correndo pelas minhas veias. — Eu sinto muito. Não pretendia
fazer isso.

O constrangimento tomou conta de mim e a última coisa que eu


queria era olhar para ele. Mas seu olhar queimou em mim. Meus olhos
se ergueram e o fogo exalava dele, transformando as esferas castanhas
em um tom dourado mais profundo.

— Você estava dormindo muito profundamente. Não me importei


nem um pouco. — Ele murmurou.

Eu me esforcei para ouvi-lo, mesmo que minha pele estivesse


chamuscada por seu olhar. Foi estranho, porque ele olhou para mim
como se quisesse algo mais. Ou essa era minha imaginação? E o que
mais ele poderia querer? Esse voo terminaria em breve e depois
seguiríamos caminhos separados. Qual o bem que isto faria? Eu não
queria me envolver com alguém por um segundo e só. O que diabos
estava pensando? Um segundo? De jeito nenhum eu me tornaria um
membro do clube sexo nas alturas com alguém que acabei de conhecer.

Como eu poderia saber que depois de dois copos de vodka, estaria


comendo minhas palavras. Isso não aconteceu no banheiro. Aconteceu
em nossos assentos. As luzes estavam apagadas, não havia ninguém do
nosso lado e cobertores nos cobriam. Estávamos trocando olhares
furtivos e os dele eram mais quentes que o pecado. Meu corpo era um
fio vivo, esperando para acender. A mão dele se aproximou, abriu o
zíper da minha calça enquanto ele me observava de perto. Seus dedos
ágeis logo me aqueceram enquanto eu trabalhava em seu pau. Cada um
de nós gozou de forma rápida e mais silenciosa possível, o que não foi
fácil para mim. Tecnicamente, não tínhamos feito isso, então acho que
não era verdadeiramente um membro, mas ainda assim, deixei esse
estranho me levar a um orgasmo glorioso enquanto mordia meus lábios
em êxtase.

Quando ele me beijou depois e sussurrou: — Piper, você é uma


mulher extremamente sexy. Eu adoraria ter você completamente. — Eu
queria subir a bordo do trem e montá-lo para sempre.
Infelizmente, o voo pousou muito cedo e nós caminhamos para a
retirada de bagagem. Meu coração estava pesado mais uma vez com o
pensamento do meu apartamento solitário me esperando.

Esperamos na fila por nossos táxis e, quando chegou a minha vez,


ele beijou minha mão e se despediu. A decepção ocorreu quando ele não
pediu meu número, mas disse que só estaria aqui por seis meses. E
esse não era meu plano também?

NO DIA SEGUINTE, me arrastei para a aula, ainda sofrendo de jet lag.


Peguei meu assento habitual na primeira fila, mas desta vez me forçaria
a ficar acordada. Só que isso não seria necessário porque entrou
Alessandro. Ele foi direto para o pódio e disse: — Bom dia a todos. Meu
nome é Professor Balotelli e serei seu instrutor visitante pelos próximos
seis meses. — Seus olhos percorreram a sala até pousarem em mim.
Eles se arregalaram, e então sua boca se curvou, quando eu comecei a
suar e automaticamente apertei minhas coxas. Seriam seis meses
impossíveis.
Capítulo Dois
Alessandro

MINHA NOITE SEM DORMIR não fez nada pelo grau de ansiedade que
eu tinha ao assumir a aula do professor Lithcomb. Eu havia me
candidatado a uma vaga aqui e estava desesperado para deixar a Itália
por apenas um motivo, mas Cambridge havia me rejeitado. Foi com
muita surpresa que recebi a carta me convidando a intervir por um
período de seis meses, enquanto Lithcomb tirava uma licença para
assistir a um membro da família doente. Aproveitei a oportunidade. A
viagem a Denver já estava planejada e não pude cancelar. Eu fui
solidificar meus relacionamentos americanos e as possibilidades de
conseguir uma posição em uma universidade lá.

Quando meus olhos exaustos pousaram em Piper sentada na


primeira fila, quase caí de joelhos. Ela foi uma das razões pelas quais
não dormi. Agora eu tinha um problema completamente diferente em
minhas mãos. Eu tinha me chutado na bunda a noite toda por ter
iniciado aquele pequeno acordo no avião. A sensação de sua pele
escorregadia sob meus dedos e a maneira como ela me respondeu, só
me fizeram querer mais. E foda-se a minha vida. Olhar ela sentada ali,
na minha maldita aula, era como assistir minha vida detonar. Essa
merda nunca para de acontecer comigo?

Eu me recuperei de vê-la, localizei minhas anotações e repassei o


currículo da classe para meus alunos. Minhas expectativas podem ser
um pouco diferentes do que estavam acostumados, mas tinha certeza
de que poderia ensiná-los o que exigiam. Antes que eu percebesse, a
campainha tocou.

— West, gostaria de vê-la no meu escritório.


Juntei minhas coisas e saí, sem esperar por ela. Com passos
largos, rapidamente cobri a distância entre a sala de palestras e meu
escritório. Eu me atrapalhei para destrancar a porta e mal consegui
entrar antes que ela viesse atrás de mim.

— Esta é uma surpresa inesperada. — Disse ela.

— Vou solicitar uma transferência para você para uma classe


diferente. Sob as circunstâncias...

Sua boca cortou o resto da minha frase. Ela estava me beijando e a


porta do meu escritório estava aberta!

Eu a coloquei firmemente de lado, dizendo: — Você esta louca. —


Movendo-me, fechei a porta. — Se alguém tivesse visto isso, eu poderia
perder minha posição. O envolvimento entre funcionários e estudantes
é estritamente proibido pela política da universidade.

Sua boca ficou aberta e a vontade de levantar meu dedo e fechá-la


era avassaladora. Ela ficou lá, cheia de calor, sexy. Lábios carnudos que
me lembravam de coisas que não precisava pensar, para não mencionar
seus seios cheios e firmes que se empurravam embaixo da camisa que
ela usava. Era uma maldita camiseta pelo amor de Deus, e ainda me
excitou.

— Mas, do jeito que você me olhou na sala de aula... — Ela ficou


seriamente chocada.

— Sim! No começo, fiquei chocado que era você. Não adicionei dois
e dois juntos quando vi seu nome na lista. Mas não se engane. Não vou
arriscar esta posição.

Um canto da boca se inclinou. — Se você diz.

Uma risada rouca saiu de sua boca deliciosa. Eu queria beijar essa
resposta inteligente direto dela. Em vez disso, falei: — Pare com isso.
Não é brincadeira.
— Ei, eu estava apenas brincando. Também não quero que você
perca seu emprego. Mas, falando sério, você realmente precisa solicitar
uma transferência se eu prometer me comportar? Podemos ser
discretos.

Eu estreitei meus olhos. — Não tenho certeza se posso confiar em


você para fazer isso. Você parece muito travessa.

— Quem, eu? — Ela jogou inocente agora. — Além disso, preciso


desta aula para minha graduação e não há outra.

— Sim, existe. A professora Wilkins está ensinando o mesmo. Eu


posso solicitar que você seja designada a ela.

Ela pegou o telefone e perguntou em que dia e hora era a aula.

— Não tenho certeza, mas nessas circunstâncias...

Sua mão bateu no ar e isso me irritou ainda mais. — Sim, eu sei.


Precisamos ver para descobrir?

— Sente-se. — Apontei para a cadeira. Ela estava testando meu


pavio curto.

Fiz algumas ligações e descobri que a transferência poderia ser


feita e contei a ela o dia e a hora. Como funcionou para a agenda dela,
iniciamos a mudança. Então organizei para ela conhecer a professora
Wilkins. Quando tudo foi concluído, eu disse: — Você deve esperar que
a papelada chegue por e-mail ainda hoje.

— Ótimo. Agora que já resolvemos isso, quer jantar hoje à noite?

Minha mandíbula apertou. — Piper, só porque você se transferiu,


não significa que podemos sair. Ainda existe a política de envolvimento.

— Por que alguém precisa saber? Não podemos dizer que estamos
discutindo literatura e que somos amigos? — Ela se levantou e
caminhou até o meu lado da mesa.
— O que você está fazendo?

— Caramba, você sempre é tão temperamental? — Assim que ela


disse isso, ela soltou uma risada calorosa. — Quero dizer, eu não me
importo com calor, mas temperamento quente é outra coisa.

— Como eu disse, essa posição é importante para mim e não posso


arriscar que algo aconteça com ela.

Ela pegou um dos meus pesos de papel favorito. Minha avó me deu
e era um cacho de uvas roxas feitas de vidro pesado. O objeto era
especial porque colhíamos uvas quando eu era criança, logo depois que
minha mãe morreu.

— Isso é muito legal. Eu gostei. — Ela segurou na palma da mão,


como se estivesse pesando. Ela me lembrou de um dos testadores de
uvas na vinha.

— Eu também, e é por isso que está na minha mesa. Agora, por


favor, coloque de volta. — Eu bati.

Ela fez o que pedi. — Por que essa posição é tão importante para
você? — Seus olhos cinzentos me perfuraram. Eles eram incríveis -
claros e brilhantes, mas cavavam fundo na minha alma. Tive a
sensação de que ela sabia exatamente o que eu estava pensando.

— Isso não é da sua conta.

— Desculpe. Alguém deve ter acordado do lado errado da cama.

Se ela soubesse.

— Não tenho certeza do que aconteceu com o cara amigável que eu


sentei ao lado no avião ontem, mas o que estou falando agora é
totalmente diferente. Não sei por que não podemos ser amigos. Gostaria
de conhecer melhor o homem do avião de ontem. Ele foi divertido.
Eu bufei. — Diversão. Acho que sua ideia de amigos é muito
diferente da minha.

— Venha para minha casa para jantar hoje à noite. — Ela pegou
um bloco de notas da minha mesa, rabiscou algo sobre ele e entregou
para mim. Era o número de telefone e o endereço dela.

Antes que eu pudesse responder, ela se afastou. Não a parei


porque não tinha certeza do que fazer. Nem em um milhão de anos eu
arriscaria arruinar o que tinha aqui. Ela certamente era persistente no
que queria e esse era eu. Pelo menos ela havia permitido a
transferência. Por um minuto, fiquei preocupado que não quisesse.

Meu telefone tocou e me encolhi quando vi quem estava ligando.


Esse foi o principal motivo de eu ter deixado a Itália, então ignorei a
ligação silenciando meu telefone. Poderia ir para o correio de voz, onde
eu o excluiria, assim como todos os outros.

Alguns minutos depois, tocou de novo, só que desta vez era meu
pai. Eu respondi em italiano, mas rapidamente mudei para o inglês
quando ele falava nesse idioma.

— Como foi Denver?

— Você tem que ir lá algum dia, papai. É magnífico.

— Maravilhoso. E seu primeiro dia?

Meus pensamentos viajaram para Piper. — Por enquanto, tudo


bem. Ainda superando o jet lag.

— Sim, lembro quando eu e sua mãe viajávamos de um lado para o


outro. Era uma coisa terrível, esses fusos horários.

— Papa, por que você nunca se casou novamente?

Sua risada profunda ecoou pelo telefone. — Essa é uma


pergunta estranha.
— Suponho que sim, mas nunca te perguntei antes.

— A resposta mais simples é que nunca encontrei ninguém para


substituir sua mãe.

— Mas você não precisa substituí-la.

— Acho que não, mas nunca haverá outra mulher como ela,
Alessandro. É por isso. Ela era a mulher mais bonita do mundo. E
nunca vou me casar por menos.

— Uau. Eu nunca soube.

— Ambos os seus avós podem explicar provavelmente melhor do


que eu.

— Papa, por tudo que vale, eu não quero que você fique sozinho.

— Quem disse algo sobre estar sozinho?

— Ninguém.

— Tudo bem então. Não se preocupe comigo, filho. Estou bem.


Agora aproveite seu novo emprego e estadia na Inglaterra, onde você
provavelmente vai congelar sua bunda neste inverno.

Ele me fez rir, como sempre.

— Eu te amo papai.

— Eu também te amo. E está tudo bem aqui. Não se preocupe com


nada. Estarei lá na próxima semana. Alguém ficará muito feliz em vê-lo.

Depois que encerramos nossa ligação, pensei novamente em meu


casamento com Chiara. Ele implorou que não, mas eu escutei? Não. Ele
sabia. Eles sempre sabem. Os pais são sábios, os filhos únicos nunca
pensam assim.
Capítulo Três
Piper

ELE VIRIA JANTAR? Eu duvidava disso. Não consegui descobrir. O


homem que tinha voado ao meu lado tinha se transformado em uma
bunda mal-humorada, ou bundão como eles diziam aqui. Chequei meus
e-mails enquanto me dirigia para a biblioteca. Minha próxima aula era
em uma hora e meia. Isso deixou tempo para estudar.

Enquanto eu estava lá, chegou o e-mail da professora Wilkins. Ela


queria se encontrar logo antes da aula amanhã às duas da tarde. Isso
funcionou perfeitamente, então eu enviei de volta.

Quando terminei as aulas, parei no mercado para pegar algumas


coisas para o jantar. Eu decidi por uma caçarola de frango, caso ele
viesse. Se não, eu teria sobras suficientes para a semana.

Acabei que comi sozinha naquela noite e chorei até dormir. Eu


estava sozinha. Solitária pelas minhas irmãs, solitária pelos meus
sobrinhos, solitária pelo meu pai e pela minha mãe com quem nunca
mais voltaria a falar. Eu não queria ligar para o meu pai porque ele
estava sentindo falta da mamãe também. Minha irmã tinha seus bebês
e um novo marido e minha outra irmã estava na escola para se tornar
uma cosmetologista. Por que ela precisava de uma irmã mais velha
chorando a incomodando?

De manhã, parecia um guaxinim que havia entrado em uma luta


de boxe. Eu adormeci com rímel e ele acabou sob meus olhos inchados.
Ugh. Estava uma bagunça. Talvez um banho ajudasse, exceto que não.
Meus olhos estavam roxos e inchados. Eu não tive tempo de colocar
gelo neles, então a maquiagem teria que servir. Fiz o meu melhor e fui
para a aula.

Era uma coisa boa que eu não conhecesse muitas pessoas aqui ou
elas pensariam que era uma causadora de problemas. Um professor
volátil já pensava assim. Eu não precisava de mais nada.

Estacionei meu carro, peguei a mochila e guarda-chuva e dei


passos rápidos para minha primeira aula. Hoje estava frio, com uma
chuva suave caindo. Quando entrei no prédio, meu cabelo estava
completamente crespo. Eu deveria apenas mantê-lo em um coque. A
garoa constante ou a névoa não era minha amiga.

O tempo se arrastou hoje, mas eu conheci a professora Wilkins


antes da aula. Ela era muito agradável, talvez com cinquenta e poucos
anos, e me dei bem com ela. A senhora perguntou por que me transferi.

Minha resposta foi: — Conheci o professor Balotelli em diferentes


circunstâncias e estamos familiarizados. Nós dois achamos melhor que
eu deveria estar em uma aula diferente, já que o professor Lithcomb
não ensinaria mais.

— Eu vejo. Essa é uma excelente razão.

Então ela me entregou seu currículo e algumas outras coisas que


não recebi desde que cheguei atrasada. Fui atualizada sobre atribuições
e requisitos.

— Ambas as classes seguem basicamente as mesmas diretrizes,


então acho que você ficará bem na medida e não ficará para trás. —
Disse ela.

— O professor Balotelli indicou.

Depois da aula, tive a chance de examinar tudo e fiquei feliz em ver


que estava em dia com as tarefas. Ela mandaria Alessandro transferir
todo o meu trabalho para que eu não tivesse que enviá-lo para ela. Pelo
menos eu tinha isso para mim.

Mais tarde naquela semana, um grupo de uma das minhas aulas


estava saindo na sexta-feira e perguntou se eu queria me juntar a eles.
Não tendo uma vida social exatamente lotada, aceitei.

Havia muitos bares no campus, então nos encontramos em um


deles. Comemos e bebemos e eu finalmente estava desenvolvendo um
gosto pelas cervejas locais. Elas eram muito mais pesadas do que
estava acostumada, o que também significava que ficaria bêbada mais
rápido, então tive que ter cuidado.

Eu morava longe demais para andar, então peguei um táxi. Estava


ficando tarde quando decidi sair. Um dos caras se ofereceu para me
levar para casa, mas ele estava mais bêbado do que eu.

Eu ri dele. — Hum, Peter, você acha que deveria estar dirigindo?

— Provavelmente não.

— Provavelmente não. Eu vou pegar um táxi. Tome cuidado. —


Acenei para eles e saí.

Enquanto eu caminhava para a esquina para pegar um táxi, quem


mais estava lá, senão Alessandro.

— Piper? O que você está fazendo aqui sozinha?

— Eu estou indo para casa.

— Você não deveria estar sozinha.

O álcool me deixou ousada. — Eu não estou. Você está aqui. Além


disso, não é da sua conta o que faço, quando faço ou com quem faço.

Ele fechou a boca, mas depois disse: — Você sabe o que eu quis
dizer.
Eu me arrependi das minhas palavras afiadas. — Está bem. Estou
pegando um táxi. Você pode ir, então não seremos vistos juntos. Não
quero que você seja demitido.

Ele jurou em italiano. — Você não entende.

Meu temperamento aumentou novamente. — Claro que não,


porque você não me explica nada.

Felizmente, um táxi parou e eu entrei. Por que tinha que ser ele
que havia sentado ao meu lado no voo de volta para cá? E por que eu
permiti que ele me tocasse? Minha sorte com os homens estava indo de
mal a pior.

Uma semana depois, todas as peças se encaixaram. O tempo


estava lindo. Era um dia ensolarado incomumente claro, então decidi ir
a um parque próximo e me sentar ao sol para ler. Encontrei um banco
vazio para ocupar e estava empoleirada nele, aproveitando o dia
adorável, quando o riso atrapalhou minha leitura. Olhei para cima e vi
uma figura familiar. Mas então eu olhei duas vezes porque ele não
estava sozinho. Segurando a mão dele estava um menino de cinco ou
seis anos. Os observei por um bom tempo, porque ele não fazia ideia de
que eu estava lá. Eles correram, o mais velho, perseguindo o mais
jovem. Quando o alcançou, jogou o carinha no ar, depois abraçou e
beijou seu rosto. Ficou claro que ele o amava até a lua e de volta. O
garotinho riu como um louco. Então ele o colocou no chão e eles
caminharam de mãos dadas. Meu coração quebrou quando vi a foto
adorável que eles fizeram. Alessandro era casado e tinha uma família.
Era isso que não estava me dizendo e porque ele queria me evitar. Não
era apenas o trabalho que ele não podia perder. Era também a família
que tinha.
Capítulo Quatro
Alessandro

MEU PAI CHEGOU com meu filho de seis anos, Gabriele, e nunca
fiquei tão feliz em ver alguém na minha vida. Estava três semanas sem
ele, mas parecia uma vida inteira. Eu os vi no aeroporto e mal podia
esperar para eles saírem.

— Papa, eu senti sua falta. — Gabriele correu em minha direção


com os braços minúsculos estendidos.

Eu o peguei no ar. — Não tanto quanto eu senti sua falta, polpetto.

Ele riu. — Eu não sou uma almôndega.

— Sim, você é. Você é o meu próprio polpetto. — Então eu fiz


cócegas e o beijei.

— Papai, onde fica nossa casa e minha escola?

— Eu vou te mostrar se você me der algum tempo, bobão. — Eu


baguncei seu cabelo ondulado.

Então perguntei ao meu pai: — O voo foi bom?

— Tudo bem. Na hora e suave, para econômica.

— Bom. E qualquer outra coisa?

— O mesmo.

Ele sabia o que eu estava perguntando. — Sem ligações?

— Nenhuma.
— E as nonna e Nonno? — Ambas as minhas avós ainda estavam
vivas e um avô. Todos eles moravam conosco, mas tudo bem porque
nossa casa era grande.

— Todo mundo está bem. Eles querem saber quando você vem
visitar.

Eu ri. — Diga a eles que no Natal.

— Eles não vão gostar.

— Eu não posso fazer uma pausa antes disso.

Recolhemos suas malas e eu os guiei para o lado de fora, para meu


carro. Gabriele tagarelou por todo o caminho para casa. Ele nunca ficou
muito quieto, mas sua excitação por me ver depois de três longas
semanas era óbvia em seus contos ininterruptos do que acontecia em
casa.

— Nonna me fez muitos biscoitos e guloseimas, papai. Eles me


deram doces também. Podemos comprar doces e gelato?

— Sim, mas depois do almoço.

— Foi o que Nonna disse que você diria. Colhemos muitas uvas e
ela me disse que você também gostava disso. Então nós as comeríamos.
Mais do que deveria, porque eu fiquei com dor de barriga.

— Eu imagino.

— Nonna disse que você costumava pegá-las também. Ela disse


que eu era exatamente como você.

— Sim você é. Exatamente.

— Sim. Foi o que eu disse.

Eu ri para ele.
— Adivinha o que, papai?

— O que?

— Francesca me beijou na escola no parquinho. Ela me disse que


me amaria para sempre.

Eu olhei para o meu pai. — Eles começam cedo hoje em dia.

— Oh, eu não sei. Você fez o mesmo com Vittoria quando tinha a
idade dele.

— Eu não me lembro.

— Papa você tinha muitas namoradas como eu?

— Sim, Gabriele, ele tinha. As meninas adoravam seu papai.

— Você tem uma agora?

— Não, eu não tenho.

— Por que não? Você deveria ter uma como eu. Alguém que vai te
amar para sempre.

Meu pai disse: — Você deve seguir os passos dele. Ele sabe melhor.

— Ok, velho sábio.

Quando chegamos a casa, pensei que Gabriele estaria cansado,


mas ele não estava. Era tão enérgico quanto um beija-flor. Ele correu do
carro direto para a porta da frente.

— Esta é uma casa pequena, papai.

— Não de acordo com os padrões aqui, filho.

— Meu quarto é grande?

— Você terá que ser o juiz disso.


Abri a pesada porta de madeira e ele entrou. Papai e eu
carregamos toda a bagagem para dentro enquanto o pequeno
companheiro passeava ao redor, explorando.

— Papai, isso é legal. Parece uma caverna.

Meu pai riu. Estávamos acostumados a quartos alegres e


luminosos, e esse lugar ficava mais escuro por causa de toda a madeira
e pedras escuras. Não que não fosse um lugar atraente, porque era.
Tinha uma enorme lareira e madeira envelhecida nas paredes, mas
escurecia o interior. Abri as persianas e acendi algumas das luzes.
Então acendi a lareira.

Gabriele correu de volta para a sala de estar. — Papai, vai fazer frio
aqui o tempo todo?

— Receio que sim. Amanhã compraremos roupas mais quentes e


um casaco melhor. E uma capa de chuva.

— Haverá neve? — Seus olhos cresceram a cada palavra que ele


pronunciava.

— Eu certamente espero que sim.

— Ohhh. Podemos construir um boneco de neve amanhã?

— Não é tão rápido, polpetto! Quando você perguntou sobre a neve,


eu quis dizer no final do ano. Agora não. — A expressão dele entrou em
colapso. — Escute, se não nevar aqui, dirigiremos para a Escócia e
encontraremos mais neve perto do Natal. Como isso parece?

Ele se animou novamente e bateu palmas. — Yay. Boneco de neve.


— Então ele disparou nos degraus. Quando ele chegou ao topo, gritou:
— Nonno venha ver o meu quarto.

Eu olhei para o meu pai. — Eu preciso carregar as malas, então


continue. Encontro você lá em cima.
Havia quatro malas enormes ao todo. Uma era do meu pai e as
outras do Gabriele. Meu pai ficaria três semanas para me ajudar a
instalar meu filho. Eu já havia encontrado uma babá com a ajuda de
outro professor. Ela começaria na segunda-feira e se chamava Louise.
Meu pai ajudaria Gabriele a se familiarizar com ela. Eu esperava que ele
não tivesse dificuldade com o sotaque dela. Ele também começaria as
aulas na segunda-feira. O matriculei em um colégio particular. Meu
filho era brilhante e queria que ele fosse exposto a um ambiente mais
desafiador. Eles estariam ensinando francês a ele também.

Uma vez que todos estavam instalados, fomos ao mercado. Eu


queria abastecer a casa com comida para a semana. As marcas eram
diferentes aqui, então hesitei em comprar demais com a chance de
Gabriele não gostar da comida. Se eu o deixasse escolher algumas
coisas, seria mais provável que as comesse.

Depois, fomos para casa e guardamos tudo. Gabriele e eu jogamos


bola no quintal e depois um pouco de futebol. Eu tinha comprado um
gol e uma bola para ele praticar. Meu menino adorava chutar a bola e
pensei em inscrevê-lo em um time enquanto estivesse aqui.

No domingo, acordamos com um lindo dia. Papai decidiu passear


pela casa e ler, então decidi levar Gabriele ao parque. Ele trouxe a bola
de futebol e eu também prometi levá-lo para tomar sorvete depois.

No começo, ele correu e eu o persegui, agindo como se não pudesse


pegá-lo. Suas risadas eram contagiosas. Ele tinha meu coração
completamente enrolado em seu dedo mindinho. Eu o amava e o
adorava tão completamente que o pensamento de uma vida sem ele não
era concebível. Toda vez que eu olhava em seus olhos castanhos
brilhantes, ou via seu sorriso cheio de dentes, uma quantidade incrível
de alegria enchia meu coração e alma. Eu nunca imaginei que poderia
amar tanto outro ser humano.
De repente, um cachorro latindo atraiu a atenção de Gabriele. Ele
saiu dos meus braços e correu em direção ao cão. No começo eu estava
nervoso porque você nunca sabia se um cachorro era amigável ou não,
mas então vi o rabo abanando e relaxei.

Estávamos acariciando o filhote e olhei para o banco ao lado de


onde estávamos e lá estava ela, olhando para nós. Eu não conseguia
desviar os olhos. Ela estava linda, sentada ali ao sol, os cabelos em um
coque bagunçada e um livro na mão.

— Papa, olhe. Ele está me beijando.

Eu me virei para ver Gabriele e o filhote se divertindo e quando fui


olhar para Piper, ela tinha ido. Eu a observei se afastando e queria ir
atrás dela, mas seria a coisa errada a fazer. Definitivamente, a coisa
errada a se fazer.
Capítulo Cinco
Piper

UMA PARTE de mim estava emocionada por ele me ver. A outra parte
ficou arrasada. Não, não estamos envolvidos porque nunca fomos nada
um para o outro. Mas definitivamente chateada. Que tipo de homem
casado ele era para iniciar contato íntimo com alguém em um avião,
como havia feito comigo? Que idiota. Eu deveria ter andado até ele e lhe
dado um soco no nariz. Mas então seu filho teria sido prejudicado e ele
nunca deveria pagar pelos pecados de seu pai. Pobre garotinho pode ser
infeliz por ter um pai como Alessandro.

Eu bufei até o meu café favorito, onde me sentei e pedi um café


com leite. Deveria ter ido a um pub e ficado bêbada. Talvez isso tivesse
me acalmado. Enquanto estava sentada lá, um jovem atraente estava
sentado à pequena mesa ao meu lado. Ele não disse nada a princípio,
pelo qual eu estava agradecida. Não estava com vontade de conversar
com um estranho.

Pegando meu livro, comecei a ler, mas minha concentração não


estava lá. Eu estava lendo o mesmo parágrafo repetidamente. Fechando
o livro com força, o coloquei na mesa e suspirei.

— Parece que alguém está tendo um dia ruim.

Eu olhei para ele. — Sério? O que lhe deu essa ideia?

Em vez de se virar, ele sorriu. Era fofo de uma maneira infantil.


Seu cabelo estava bagunçado, e ele parecia ter a minha idade. Eu acho
que também era um estudante.
— Se sua carranca se aprofundasse mais, seu rosto cairia nela.
Mas, na verdade, foi assim que você fechou o livro. — Ele estendeu a
mão e disse: — Sou Sam, a propósito. É bom conhecer outro americano.

Eu sabia que estava sendo uma vadia total, mas não apertei sua
mão. — Quem disse que sou americana?

Ele retirou a mão. — Seu sotaque certamente não é britânico.

— Eu poderia ser canadense.

— É verdade, mas você é definitivamente do outro lado da lagoa.


Estou certo?

Dei de ombros.

— Está claro que algo realmente a estressou. Eu tenho uma ideia.


Por que não saímos daqui e tomamos um sorvete?

Isso realmente parecia ótimo. Ainda sem perder a carranca,


perguntei: — Por que eu faria isso? Nem te conheço. Você poderia ser
um serial killer

— Você realmente olhou para esse rosto? — Ele apontou o polegar


para o rosto infantil.

Eu suprimi minha risada porque a última coisa que ele parecia era
um assassino. — Ted Bundy não parecia um serial killer. Ele era bonito
e advogado.

— É verdade, mas eu vou te dar minha carteira. E você pode enviar


uma mensagem de texto para o seu parente mais próximo, no caso de
você desaparecer. Aposto que Ted nunca teria oferecido isso a suas
vítimas.

Ele estava certo. Estendi minha mão, tocando junto. — Me passe


seu telefone.
Ele fez e eu pedi sua senha para que pudesse abri-lo. Enviei o
número dele para minha irmã, Sylvie, e lhe disse que se não mandasse
uma mensagem hoje ou amanhã, para ligar para a Scotland Yard.

Ela imediatamente me mandou uma mensagem de volta.

Você está louca? O que está acontecendo?

Expliquei a situação e disse a ela que estava tomando sorvete com


um tipo Ted Bundy. E então enviei a foto dele. Tudo o que voltou foi
uma série de emojis rindo. Minha família nunca me levou a sério.

Cerca de um minuto depois, meu telefone tocou. Era o meu


cunhado extremamente rico, Evan.

— Oi, Evan.

— Piper, o que está acontecendo?

— Eu disse a Sylvie que estava tomando sorvete com Sam e que ele
me lembrou Ted Bundy.

— Cristo. O que você sabe sobre ele?

— Nada. Por isso enviei a foto e o número de telefone dele.

Enquanto conversava com Evan, Sam me observou com um


sorriso.

— Qual é o sobrenome dele?

— Nenhuma ideia.

— Bem, peça a ele pelo amor de Deus.

— Ei, Sam, qual é o seu sobrenome?

— Elliott.

Voltei ao telefone e disse: — É Elliott.


— Eu ouvi. — Evan disse. — E ele está zoando com você.

Minha carranca voltou. — O que você quer dizer?

— Sam Elliott é um ator.

Então me dei conta. — Ah, merda.

Meus olhos apunhalaram os de Sam e ele perguntou: — O quê?

— Seu nome? Elliott?

— Juro por Deus, esse é meu sobrenome. Olhe para a minha


identificação. Meu nome completo é James Samuel Elliott.

Eu disse a Evan por telefone: — Você ouviu isso?

— Sim. Parece plausível.

— Eu sei.

Então Sam interrompeu: — Olha, tudo que eu quero fazer é levá-la


para a sorveteria. Não esperava que isso fosse um grande negócio.
Pensei que era uma piada. Nós podemos esquecer.

Ele pegou sua mochila e estendeu a mão.

— O que?

— Eu preciso da minha carteira.

— Espera aí. — Voltei ao telefone com Evan. — Olha, Evan, eu


tenho que ir. Tudo está legal. Sam não é como Ted Bundy, ok?

— Ligue quando chegar em casa.

Sam e eu estávamos em silêncio, mas ele disse: — Você é


realmente estranha. Você faz isso com todos os caras com quem sai?
— Não. Eu nunca fiz isso com ninguém antes. Começou como uma
piada.

— Uma piada.

— Você ainda quer tomar sorvete, porque agora que mencionou, eu


realmente poderia ter um pouco.

— O que diabos colocou você em um humor tão terrível?

— Nada. — Peguei minhas coisas e fomos em direção à sorveteria.

Sam parou e tocou meu braço. — Eu só quero dizer isso. Espero


que o sorvete funcione em você, como faz com minha ex-namorada.

— O que você quer dizer?

— Sempre que ela estava de mau humor, um pouco de sorvete


fazia milagres.

— Eu não estou de mau humor.

— Então como você chama isso?

— Estou com um pouco de raiva. Isso é tudo.

Caminhamos novamente na direção do parque e me perguntei se o


homem casado e assustador ainda estava lá.

— Eu não sabia que havia uma sorveteria perto daqui.

Sam olhou para mim. — Há quanto tempo você está aqui?

— Desde o final do verão.

— Você não deve sair muito. É uma das melhores. Eles têm um
sorvete incrível.

— Ótimo. Provavelmente vou morar lá agora. Sorvete é minha


sobremesa preferida e comida de conforto. Eu adoro isto.
Entramos na loja e era adorável. Eles tinham pequenas mesas
espalhadas por toda parte e estavam cheias não apenas de sorvete, mas
de todos os tipos de iguarias doces. Biscoitos, bolos, doces e até
rosquinhas gostosas estavam em exibição. Minha boca ficou
instantaneamente cheia de agua. Havia também um balcão de doces
com chocolates e outras gostosuras para atrair as crianças mais novas,
embora eu provavelmente estivesse fazendo uma visita lá antes de
sairmos. Minha gula estava ficando maior a cada segundo.

— Então, qual é o seu nome, afinal? Você conhece o meu, é justo.

— Verdade. Eu sou Piper West.

— Prazer em conhecê-la, embora eu pense que você é problema.

— Eu realmente não sou.

— Sim. Nos primeiros cinco minutos que nos conhecemos, você me


acusou de ser um Ted Bundy como um serial killer e depois disse à sua
irmã para ligar para a Scotland Yard quando tudo que eu queria fazer
era trazê-la para cá.

— E este lugar é incrível, a propósito. — Eu escolhi ignorar o resto


do que ele disse. Eu já me sentia mal por isso. Ele era apenas um cara
legal que por acaso queria me animar. — O que você vai pedir?

— Sim, mude de assunto.

— Sinto muito, mas não há mais nada que eu possa dizer.

O canto da boca se inclinou e uma covinha apareceu. — Tudo bem.


Eu quero o cheesecake de morango.

— Apenas uma colher?

— Não. Três.
Acabei pedindo manteiga de amendoim com chocolate, baunilha
com caramelo e fava de baunilha. Oh meu Deus, era sempre bom.

Sentamos em uma das mesas e ele tentou conversar, mas tudo o


que conseguiu foi à palma da minha mão. Quando finalmente peguei o
último pedaço da tigela, eu disse: — Nunca me interrompa quando
estiver tomando sorvete. Não há nada importante o suficiente entre mim
e esse deleite cremoso.

— Devidamente anotado. Você gostou mesmo, não sabia se você


iria lamber a tigela ou não.

— Haha, engraçado.

— Desculpe, mas é verdade. Eu deveria ter tirado uma foto sua.


Tanta concentração.

— Sim, bem, como eu disse, é a minha sobremesa favorita. — Sam


estava começando a me irritar. — Eu vou lavar minhas mãos. Volto já.

Não demorou muito e então ele foi fazer o mesmo. Quando saiu,
um menino passou por mim e ouvi uma voz: — Gabriele espere. — Eu
reconheceria sua voz em qualquer lugar. Ele iria aparecer em todos os
lugares que eu fosse?

Eu me virei e lá estava ele, pegando seu filho.

— Mas, papai, olhe! — A voz do garoto estava cheia de espanto


quando apontou para o balcão de doces.

— Eu pensei que você queria sorvete.

— Eu quero e também quero isso. — Seu dedo estava apontado


para um imenso arco-íris com redemoinhos nele.

— Tudo bem, mas vamos comer nosso sorvete primeiro. Que sabor
você quer?
O garoto falou algo em italiano e eles iam e voltavam alternando
entre inglês e italiano. Eu tinha que admitir, o garoto era precioso. Seu
cabelo era da mesma cor que o de Alessandro e seus olhos eram
enormes. Ele tinha o rosto mais expressivo que eu já vi. Enquanto
falava, gesticulava rapidamente, suas mãos pequenas voando por todo o
lugar. Deus, eu queria agarrá-lo e fugir. Ele merecia um pai melhor,
alguém que fosse fiel à sua mãe.

De repente, o garotinho perguntou: — Papa você conhece aquela


senhora ali porque ela fica me observando.

Estúpida, porra fodida. Inclinei-me como se estivesse amarrando


meu sapato. Eu sabia que Alessandro estava olhando na minha direção,
mas Sam voltou e se sentou. Graças a Deus. Eu ainda estava dobrada
ao meio quando Alessandro e seu filho passaram. Seu olhar derreteu
minha camisa. Ele tinha que saber que era eu.

Depois que vi seus sapatos passarem, sentei-me e disse: — Você


está pronto?

— Como sempre.

Eu praticamente corri para fora do lugar com Sam me


perseguindo.
Capítulo Seis
Alessandro

A MULHER DE QUEM GABRIELE falou tinha olhos que me apunhalavam


como punhais. Ela não estava atirando com eles agora porque agia
como se não quisesse que eu a notasse. Era tarde demais para isso.
Como podia sentir falta dela? Passei direto por ela enquanto perseguia
meu filho. Com o passar do tempo, ela me odiava cada vez mais. A
parede que ergueu ficou mais alta e mais espessa. Mas foi realmente
minha culpa? Ela não podia entender. E eu realmente devo uma
explicação a ela? Do jeito que via as coisas, não devia. Mas estávamos
obviamente em dois planos diferentes.

O que isso importava? Não tínhamos futuro, desde que eu


ensinasse aqui e ela fosse uma aluna. Essa linha nunca seria
ultrapassada.

— Papa, eu quero um desses. — Gabriele puxou minha manga. Ele


apontou para um grande que levaria um mês para comer.

— Por que você não pega um desses? — Eu apontei para os


menores exatamente como ele.

— Papa, por favor. Esse é o que eu quero.

Eu não o vejo há três semanas e fica difícil recusar, então cedi. —


E o sorvete que você queria?

— Sim, isso também.

Paguei o doce e depois fui para o sorvete. O garoto não teria dentes
se mantivesse esse consumo de açúcar.
Sentamos e comemos nossa sobremesa congelada e ele me fez a
pergunta. — Quem era aquela senhora?

— Apenas alguém que eu conhecia.

— Por que ela parecia tão, hum, travessa.

Ela era definitivamente isso, mas eu mantive uma cara séria. —


Não sei se essa é a palavra correta, piccolino. Talvez chateada comigo
seja melhor.

— Por que ela estava chateada com você?

— É difícil de explicar. É mais para adultos.

— Oh, como minha mãe está chateada com você?

Minha colher estava a meio caminho da minha boca e eu parei com


suas palavras. — Onde você ouviu isso?

— Mamãe me contou. Ela disse que você não a deixará me ver e


que está sendo travesso.

Minha mandíbula apertou junto com todos os outros músculos do


meu corpo. A calma remanescente era quase impossível quando meu
coração fez uma batida irregular no peito. A raiva rasgou através de
mim como lava. — Gabriele, quando você falou com sua mãe?

Seus pequenos ombros se ergueram como se não fosse importante.


Mas era mais que importante. Esta era uma informação vital e eu
precisava ouvir da boca dele.

— Você pode tentar se lembrar por mim?

— Um dia depois da escola, eu acho. — Ele me olhou por baixo das


pálpebras. — Ela está com problemas?

— Por que você pergunta?


— Porque ela me disse para não contar a ninguém.

Aquela vadia conivente. Claro que sim. — Piccolino, ela não está
com problemas. O que mais ela disse?

— Que ela quer me visitar, só que você não a deixa.

Eu cerrei os dentes para não gritar com meu filho. Se ele soubesse
a verdade.

— Por que ela não pode me visitar, papai?

Abri o punho e soltei a respiração que tinha prendido. — É uma


longa história e um dia eu vou lhe contar. Mas agora, por que não
escolhemos alguns doces para levar para o Nonno?

Isso o distraiu o suficiente para que ele pulasse da cadeira e


corresse de volta para o balcão de doces. Acabamos comprando uma
enorme sacola de todos os tipos de doces, incluindo chocolates,
biscoitos e bolos. Era tudo um ardil para manter a mente do meu filho
longe da mãe. Agora eu me perguntava se precisava me mudar
permanentemente.

Quando chegamos, Gabriele correu para a casa chamando seu avô.


Meu pai desceu rindo.

— O que está acontecendo que você está tão animado?

— Olha! — Gabriele estendeu uma das sacolas que compramos.

— Minha nossa. Quem é tão guloso?

— Nós somos! — Ele gritou.

— Filho, por que você não vai lá fora chutar bola por um tempo?

— OK. Mas quando eu voltar posso comer mais um doce?

— Não até depois do jantar.


Ele assentiu e saiu em direção à porta dos fundos. Quando ouvi a
porta fechar, contei a meu pai o que ele havia dito. — Como ela chegou
a falar com ele?

— Ele deve ter atendido o telefone. Não podemos vê-lo cem por
cento das vezes, você sabe.

— Talvez todos devêssemos mudar nossos números.

— Ele vai ter que falar com ela algum dia.

Eu gemi. — Espero que ele tenha dezoito anos e possa entender


como lidar com ela. Na tenra idade, ela o manipulará e você sabe disso.

— Eu sei. É por isso que você está aqui.

— Papa, devo mudar para EUA?

— Para América?

— Sim. Eu pensei que, como esse cargo é apenas temporário,


talvez devesse me candidatar a um cargo em uma universidade por lá.
Fiz vários contatos viáveis quando estive em Denver. Há uma chance
sólida de ser aceito em uma das melhores instituições. Dessa forma,
seria mais difícil para ela nos encontrar.

— Alessandro, é isso que você quer?

— Não! O que eu quero é voltar para a Itália e viver uma vida


normal, mas enquanto houver respiração no corpo dela, meu filho
estará em perigo.

Meu pai apertou meu ombro. — Podemos contratar proteção para


Gabriele.

— Isso não a impedirá de contatá-lo. Pode vir a qualquer momento,


de qualquer maneira. Textos, e-mails, cartas. Eu o quero longe dela até
que ele seja capaz de entender que tipo de pessoa ela é.
— Mas a propriedade...

— É o primeiro lugar que ela virá procurar. Você sabe disso, papai.

O ar saiu dos meus pulmões quando algo apertou meu peito. O


pensamento da estrada sem fim à minha frente bateu no meu cérebro.
Ela nunca nos deixaria em paz. Ela sempre iria querer Gabriele. Oh,
ela realmente não o quer. Ela só queria usá-lo como uma arma contra
mim. Depois de tudo o que aconteceu, toda a dor e sofrimento pelos
quais fez minha família passar, incluindo seu filho, sua própria carne e
sangue, ela ainda queria mais.

Papai se levantou e foi até o armário de bebidas. Ele pegou uma


garrafa de uísque e serviu um copo para cada um de nós.

— Aqui. — Ele me entregou um.

— Não é um pouco cedo para isso?

— Não para o meu modo de pensar. Depois de falar sobre ela, nós
dois precisamos nos acalmar.

— Temos mais quatro anos até ela sair. Então todo o inferno estará
sobre nós.

— Alessandro, você pode estar certo sobre se mudar para sempre.


Por mais que partisse meu coração vê-lo partir, Gabriele precisa ficar
longe dela e não sei mais o que fazer. Estou pensando se você deve
mudar seu nome. Ela sabe o que você faz, então é uma simples questão
de pesquisar no Google.

— Isso não é uma má ideia. Se nos mudássemos para a América,


diria que Gabriele era um nome difícil para as pessoas se lembrarem.
Quando ele fosse mais velho, eu diria a verdade. Vou falar com nosso
advogado e ver o quão difícil é fazer isso. Se eu puder fazê-lo antes de
me mudar ou até me candidatar a uma nova posição, seria melhor.
Meu pai concordou. Como um erro terrível acabou me custando
tanto? A única coisa que eu nunca me arrependeria foi tirar Gabriele
disso. Ele é e sempre será tudo para mim.
Capítulo Sete
Piper

QUANDO MINHAS AULAS terminaram na quarta-feira, estava morta.


Como a comida estava acabando, fui a um grande mercado nas
proximidades. O que mais gostei foi que não só tinha uma grande
variedade de alimentos, mas também vendia pratos prontos que você
poderia levar para casa apenas para comer. Preguiçosa e exausta, ele se
alinhava exatamente com o que eu precisava hoje.

Estava empurrando meu carrinho em volta dos corredores, jogando


coisas nele, e parei para conferir alguns biscoitos deliciosos. Hesitei por
um momento, mas depois decidi, que diabos! Eu ainda estava lendo o
rótulo na caixa e empurrando meu carrinho quando me deparei com
alguém. Aquele alguém era Alessandro. O destino parecia
continuamente colocá-lo no meu caminho.

— Desculpe.

— Você deve olhar por onde anda.

Não estava claro se ele pretendia que fosse sarcástico, mas isso me
atrapalhava. — Talvez você não deva mexer com mulheres solteiras em
aviões, visto que é um homem casado.

Primeiro, sua boca se fechou. Mas então seus olhos se estreitaram


e ele respirou fundo. — O que diabos isso quer dizer?

— Não finja ser inocente comigo. — Eu queria dar um soco em seu


rosto perfeitamente bonito e depois quebrar seus óculos sexy ao meio.
Ooh, ele me deixou tão furiosa, parado ali agindo virtuoso.
— Sou inocente porque não tenho ideia do que você está dizendo.
Não, isso não está correto. Você não sabe o que está dizendo. Não que
seja da sua conta. — O tom dele era curto.

Eu joguei de volta para ele: — Isso também é da minha conta,


depois do jeito que você me tocou.

Seus lábios pressionaram juntos e um pequeno músculo vibrou em


sua mandíbula. — Eu não ouvi você reclamando. De fato, a maneira
como lamentou indicava que amou. Se você me perguntar, não
demoraria muito para que baixasse a calça para que eu pudesse te
foder naquele voo. A propósito, você nem se incomodou em perguntar se
eu era casado, não é, Sra. West? — Vindo para pensar sobre isso, eu
não tinha, mesmo depois de ver os anéis que ele usava. Ele não teve
que esfregar isso.

Minhas narinas se alargaram e me transformei em um touro


furioso pronto para explodir. — Por que você...

— Peguei exatamente o que me foi oferecido. E se bem me lembro,


você gentilmente retribuiu. É isso que você faz com todos os homens
que senta ao seu lado em um avião? — Ele rosnou.

De todas as... Levantei minha mão por um momento, depois a


larguei. Ele era tão irritante e tinha acabado de me fazer sentir inferior
a uma vagabunda. Eu nunca tinha sido tão insultada na minha vida.

— Nem pense nisso.

— Não me ameace.

— Isso não foi uma ameaça. Você não conheceria uma ameaça se
ela mordesse sua bunda.

— Por falar em idiotas, você é o maior que eu já conheci.


— É burro. Quando em Roma... — Ele teve a coragem de balançar
as sobrancelhas atraentes.

— Nós não estamos em Roma.

— Não, mas nós estamos no Reino Unido. Talvez você deva pegar
alguns dos seus modos enquanto estiver aqui.

Eu respirei fundo por seu insulto. — Oh meu Deus. Como achei


que você era legal? É sempre tão rude?

— Somente quando a empresa exige. Bom dia. — Ele se afastou,


deixando-me ferver. Que idiota. Meus pés estavam cimentados no chão,
eu estava tão chateada. Como ele poderia me tratar assim?

Enquanto eu estava lá, superando aquele encontro desagradável,


ouvi meu nome. — Piper, minha garota, o que houve?

Apenas minha sorte podre. Sam caminhou em minha direção com


um sorriso estúpido no rosto. O que uma vez eu pensei como fofo e
juvenil rapidamente se tornou irritante. Ele não parava de me ligar,
mesmo que tivesse lhe dado toda desculpa possível para não vê-lo. Por
que eu lhe dei meu número? Jurei que não tinha, mas ele insistiu que
sim. Não importava, porque ele tinha agora e ficava me incomodando.
Eu reprimi um gemido quando chegou perto de mim.

— Ei, Sam.

— O que está fazendo?

— Apenas fazendo algumas compras.

— Sim, o mesmo aqui. Ei, por que não vamos jantar hoje à noite?

— Hum, hoje à noite não é bom. Tenho que estudar.

Ele franziu a testa. — Sabe, se eu não soubesse melhor, pensaria


que você esta me evitando. Não faria isso com o pequeno Sam,
faria? — Houve uma corrente oculta de um aviso para essa pergunta ou
era essa a minha imaginação? O que ele estava fazendo?

— Claro que não. Meus cursos me inundaram de trabalho. E por


que você nunca parece ter que estudar? — Agora que pensei nisso, ele
nunca estudava. Estava livre o tempo todo.

Ele encolheu os ombros. — Sorte, eu acho.

— Eu já estou começando a pesquisar minha tese. E você?

Ele agiu como se não tivesse ideia. — Não, eu só estou fazendo um


curso aqui e ali.

Meus instintos me disseram que Sam estava cheio disso. Já era


hora de me livrar dele. O fato é que nunca fomos um item para
começar. Como você largava alguém que nunca namorou? Deus, eu
podia ouvir Sylvie e Reynolds rindo, se eu dissesse isso a elas.

Sim, eu preciso largar esse cara. Só que nós nunca saímos!

— Piper, minha garota, o que está acontecendo nessa sua cabeça?


— Ele circulou o dedo perto da minha cabeça.

— Huh? — Eu não estava prestando atenção. E eu não era a


garota dele, que ele me rotulou.

Ele pegou meu queixo e o segurou um pouco firme demais para o


meu gosto. — Você está a um milhão de quilômetros de distância.

— Só pensando. Muito em minha mente. Eu tenho que ir, Sam.

— Ei. Quando vamos nos ver?

Nunca, é o que eu queria dizer. — Eu vou te ligar.

Ele fez uma careta e balançou o dedo para mim. — Seria melhor.
Que porra! Agora eu tinha um maluco atrás de mim, juntamente
com um professor rude como o inferno, me fazendo sentir como uma
puta. Qual o próximo? Paguei minhas compras e voltei para casa. Eu
estava um pouco nervosa e fiquei olhando por cima do ombro. Mas
nenhum Sam à vista. Quando cheguei em casa, ri. Minha reação
exagerada a esse encontro com ele me deixou tensa. Mas tudo tinha
sido por nada.

Depois de guardar minhas compras, sentei na frente da televisão


para relaxar enquanto jantava. Se não fosse tão tarde, eu ligaria para
Sylvie. Mas com a diferença do fuso horário, ela já estaria dormindo, e
Reynolds também desde que estava na escola.

Depois que terminei o jantar, peguei meu computador e livro para


concluir alguns estudos. Eu estava pesquisando meu tópico de tese
quando pensei ter ouvido alguém na minha porta da frente. Verifiquei o
olho mágico, mas ninguém estava lá. Todas as janelas e portas estavam
bem trancadas e havia um sistema de segurança no apartamento, então
me senti segura. Papai me disse para não alugar um lugar sem ele.

Quando voltei a estudar, estava lendo profundamente quando ouvi


uma janela quebrar e o alarme disparou. Isso me assustou até a morte,
então liguei para o 999. A polícia chegou em poucos minutos e
descobriu que alguém havia tentado entrar no apartamento pela porta
dos fundos da cozinha. Quando o alarme disparou, deve ter se
assustado. Havia câmeras por toda a propriedade. O proprietário foi
notificado assim que o sistema de segurança foi ativado, e logo
apareceu. A polícia pediu que ele entregasse os vídeos, para tentar
descobrir quem o fez.

Dois dias depois, recebi um telefonema da polícia. Eles tinham


vídeos da pessoa que havia tentado o assalto. No entanto, ele estava
usando um capuz escuro que escondia todo o rosto, por isso era
impossível dizer quem era. Eles também nunca foram capazes de
coletar impressões digitais. Nos vídeos, eles viram que a pessoa estava
com luvas.

— Você não acha estranho ele ou ela fazer isso? Se eles queriam
invadir e roubar alguma coisa, por que fazê-lo quando eu estava aqui?

— Senhora West, estamos nos perguntando à mesma coisa. Você


conhece alguém que gostaria de machucá-la?

O professor desagradável veio à mente, mas eu sinceramente


pensei que ele era um grande idiota. Então pensei em Sam e sua reação
estranha no mercado. Então disse a eles sobre isso.

— Ele fez mais alguma coisa?

— Não, mas juro que nunca lhe dei meu número. Ele o tem e me
pergunto como ele conseguiu.

Eles queriam o sobrenome dele, então eu lhes dei todas as


informações sobre ele. Eles me disseram que entrariam em contato
quando juntassem mais informações.

A manhã seguinte era sábado e estava ansiosa para dormir. Só


havia um pequeno problema com isso. Meu telefone tocou às seis da
manhã. Era minha irmã, Sylvie.

— Por que você está me ligando tão cedo?

— Oh, horário ruim. Eu pensei que eram seis da noite.

— Não, e por que você ainda está acordada?

— Os meninos estão resfriados e são exigentes. Dormiram as sete,


no horário habitual, mas depois um acordou e acordou o outro. Então
agora eles estão juntos acordados e isso significa que nós também
estamos.

— É uma da manhã.
— Não me lembre. — Ela gemeu. Eu ouvi Evan ao fundo cantando
para os bebês.

— Diga ao seu marido para não deixar o emprego.

— O que você quer dizer?

— Você não pode ouvi-lo? Ele é terrível.

— Ele não é. Ele tem uma voz adorável. — Então ela riu.

— Você deve ser surda. Você está com ele há muito tempo. Pobres
ouvidos daqueles bebês.

Ela bufou. Minha irmã tinha o bufo mais desagradável quando ria.
— Deus, eu sinto sua falta, Sylls.

— Também sinto sua falta. Então o que está acontecendo?

— Nada além do habitual. Trabalhando na minha tese. — Não


ousei contar a ela sobre meu pequeno incidente. Ela se preocuparia até
a morte e nunca mais voltaria a dormir. Então diria a papai e ele seria
ainda pior.

— Oh, eu lembro desses dias e não te invejo.

— Tenho certeza que não. Não achei que fosse tão difícil.

— Você vai se sair bem, com seu cérebro inteligente. Você deveria
falar com Evan. Ele tem dois mestrados.

— Ugh. Como ele aguentou?

— E ele os fez ao mesmo tempo.

— Sim, não, obrigado.

— Então, maninha, como está à vida amorosa? Algo emocionante?


— Nem um pouco. Você lembra do professor de quem te falei?

— Sim. E ele?

— Eu o vi sair com o filho. Então, o encontrei no supermercado e o


acusei de trair a esposa.

— Você o que?

— Sim, quero dizer, ele tem um filho...

— Droga, Pipe, só porque alguém tem um filho não significa que


eles são casados.

Isso me calou. Eu sabia. Então, por que pulei em sua garganta?

— Pipe, você ainda está aí?

— Sim. Garota, eu fiz uma burrice comigo mesma.

— Eh, da próxima vez que você o vir, peça desculpas.

— Eu não tenho certeza se ele vai falar comigo. Nossa conversa foi
bem animada.

— Mas não importa, importa? Eu pensei que você não pudesse vê-
lo por causa da política da universidade.

— Sim, mas eu não quero que o cara me odeie.

— Então, faça um bolo para ele.

— Um bolo? Eu?

— Certo. Compre um bolo para ele.

— O que é isso sobre um bolo? — Ouvi Evan perguntar ao fundo.


Sylvie explicou o que estava acontecendo. Evan veio ao telefone. Ele
gostava de contribuir à conversa. Erámos próximos assim.
— Deixe um jantar na casa dele.

— Eu não tenho ideia de onde ele mora.

— Leve algo para o escritório dele com um cartão de desculpas.

— Ele vai pensar que eu sou seriamente bipolar com a maneira


como agi e depois levando um jantar para o escritório dele. Acho que
não.

— Que tal um bolo?

— Estamos de volta aos bolos, então?

— Que cara não ama um bom bolo? Evan adorava bolo. Quero
dizer, ele estava totalmente interessado neles.

— OK. Eu devo levar para ele um bolo com um belo cartão


contando que sou maluca.

— Perfeito. Isso vai servir. E pare de agir como uma idiota


psicopata.

— Bom. Obrigada pelo conselho.

— Você sabe que te amo.

— De volta para você, mana. E vocês dois durmam um pouco, é o


que eu vou fazer.

Eu voltaria a dormir, mas o telefone tocou novamente por volta das


sete e meia. O que diabos estava acontecendo com todo mundo hoje?

— Olá.

— Senhorita Weste, é o inspetor-chefe Thornton. Temos algumas


informações que gostaríamos de compartilhar com você. Tudo bem se
passarmos hoje de manhã?
— Certo. Que horas?

— As nove está bem?

— Sim, esta bem. — Acho que não haverá sono nos meus planos
para hoje.

Às nove da manhã, dois detetives tocaram minha campainha. Os


deixei entrar e perguntei se eles queriam café, para o qual recusaram.
Eu ainda não tinha conseguido a coisa do chá.

— Então, qual é a informação que vocês têm para mim?

— Seu amigo, Sam, não é estudante em Cambridge, e seu nome


verdadeiro não é Sam.

Calafrios percorreram minha espinha quando um milhão de


arrepios caíram em minha pele.
Capítulo Oito
Alessandro

ENTREI na casa com os braços cheios de sacolas de compras,


parecendo uma tempestade. Chutei a porta atrás de mim e caminhei
pelo corredor até a cozinha, onde meu pai e filho estavam sentados à
mesa. Geralmente eu era educado e, quando esse lado de mim emergia,
eles sabiam que algo estava acontecendo.

— Papa, por que você está tão arrabbiato?

Amaldiçoando baixinho, eu disse: — Gabriele, inglês, por favor.

— Bravo.

— Estou com raiva por que... — O que eu ia dizer a ele. Que


alguma lunática me acusou de ser casado e agiu como uma completa
idiota? — Não importa filho. É um problema de adultos.

Ele se levantou da cadeira para me ajudar a guardar as compras.


Quando viu algumas das coisas que eu comprei, seus olhos se
iluminaram. Demorou muito pouco para excitá-lo. — Papai, vamos
jantar isso? — Ele ergueu um pacote de bifes.

— Sim, nós vamos.

O garoto adorava carne vermelha e meu pai riu dele.

— Papai, quando eu vou ser adulto?

— Por que você pergunta?

— Porque você sempre diz que é uma coisa de adulto. Eu só quero


saber quando você pode me dizer.
Por que ele tinha que ser tão perspicaz? — Quando você for para a
universidade.

— Mas papai. Isso é velho. Gosto de você.

Meu pai riu completamente. — Você estará pensando de maneira


diferente, pequeno. — Disse ele. — Espere até você ter a idade de quem
não é. Agora isso é velho.

— Sim, e eu vou ter cabelos brancos como você.

— Está certo.

Enquanto conversavam, comecei a trabalhar no jantar. Eu tinha


comprado os bifes, pois seria rápido e fácil cozinhá-los. Meu pai
começou a salada enquanto Gabriele assistia. Ele não estava autorizado
a usar facas ainda.

Mandamos ele arrumar os pratos e guardanapos e depois os


talheres. Em pouco tempo, estávamos sentados e comendo.

Abri uma garrafa de vinho tinto e bebemos enquanto comíamos.


Gabriele teve um pouquinho com o jantar, mas ele torceu a boca com
cada gosto.

— Gosto mais do de Nonna e Nonno. Esse não é bom.

— Eu concordo. — Disse. — O deles é muito melhor.

Meu pai inspecionou a garrafa e disse: — Este não é um ano muito


bom. Provavelmente é por isso.

— O mercado não tinha uma boa seleção. Eu tenho que ir a uma


loja diferente para comprar vinho. Podemos fazer isso neste fim de
semana.

Virei-me para o meu filho e perguntei: — Como foi à escola hoje?


— Boa. Eu tenho uma nova namorada. — Ele anunciou com
orgulho. — Ela tem cabelo laranja.

— Laranja? Ou você quer dizer vermelho?

— É laranja.

— E eu pensei que você já tivesse uma.

— Eu tinha, mas ela não era divertida. Ela não gostava de chutar
bola no recreio. Então mudei para esta. O nome dela é Lilly.

— E Lilly gosta de chutar bola? — Perguntei.

— Sim. E ela faz tão bem quanto eu.

Olho para meu pai e vejo o brilho em seus olhos.

— Gabriele, sábado de manhã você começa a jogar futebol.

— Sim. Algumas crianças da escola já jogam. — Ele estava


comendo a comida e conversando ao mesmo tempo.

— E Gabriele, quais são as regras sobre conversar e comer?

Sua mão cobriu a boca enquanto ele sorria. — Eu não deveria.

— Está certo. Agora termine essa mordida e me conte mais sobre


seus colegas de classe.

Acabou sendo uma frase longa sobre Henry, George, Arthur, Oliver,
Jacob, Noah, Freddie, Louie e esses eram os que eu conseguia lembrar.
Ele continuou falando sobre como todos amavam o futebol, mas alguns
deles também gostavam de jogar críquete. Ele não gostava muito desse
jogo porque era muito chato. Segundo Gabriele, você só corre quando
alguém bate na bola e ele não gostou muito disso. E então a conversa
mudou para as meninas e como todas elas eram bonitas. Era difícil
escolher uma namorada, mas o fator decisivo para ele era o quão
bem elas podiam chutar uma bola.
Então, do nada, ele perguntou: — Papai, você vai me trazer para
casa outra mãe?

— Porque me pergunta isso?

— Porque a maioria dos meninos fala sobre suas mães e eu


gostaria de falar sobre a minha. Eu disse a eles que tinha uma, mas ela
não morava aqui e não tenho permissão para visitá-la. Eu quero uma
mãe que possa visitar e conversar. Pensei que se você trouxesse uma
para casa, para mim, seria melhor assim. Além disso, você precisa de
uma também.

— Eu já tenho uma mãe.

— Mas você não tem... Como eles chamam?

Meu pai se enfiou na conversa. — Uma esposa. Ele precisa de uma


esposa.

— Sim, nonno. Papai precisa de uma esposa.

— Eu concordo Piccolino.

— Veja papai, até Nonno diz isso.

Eu fiz uma careta para o meu pai. Essa era a última coisa que
precisava ou queria. Isso só acrescentaria mais complicações ao que já
lidava. — Eu preciso, hein?

— Talvez possamos encontrar uma para você. E aquela senhora


que estava te olhando na loja de doces?

— Você disse que ela parecia má.

— Mas ela era bem bonita mesmo quando parecia malvada. E você
a conhece. Talvez possa ser muito gentil com ela, para que não fique
mais brava. Então ela pode ser minha mãe.
Meu pai bateu palmas. — Essa é uma excelente ideia. — Ele me
lançou um sorriso travesso quando eu o olhei. Teríamos palavras sobre
isso depois que colocasse Gabriele na cama.

— Chega de conversa sobre isso. Gabriele termine seu jantar, por


favor.

— Mas, papai...

— Nada de mas, ou sem sobremesa para você.

Isso fez o truque e ele limpou o prato. Depois de colocar meu filho
na cama e voltar para o andar de baixo, procurei meu pai problemático.
Ele estava lendo perto da lareira.

— Você está tentando aumentar suas esperanças por nada? —


Perguntei severamente.

Ele fechou o livro. — De modo nenhum. Eu acho que você precisa


de uma esposa. Você é jovem demais para passar a vida sozinho.

— Eu não estou sozinho. Tenho meu filho.

— Você precisa encontrar o amor de uma boa mulher.

— Eu não preciso disso. Você nunca se casou novamente.

— Isso é verdade, mas eu já tive o amor perfeito e sabia que nunca


mais o encontraria. Você nunca experimentou isso. É algo que todos
deveriam encontrar em suas vidas pelo menos uma vez.

— Papa...

— Deixe-me terminar, meu filho. Você ainda tem toda a sua vida
pela frente. E Gabriele está certo. Ele precisa do amor de uma boa mãe.
Não ter isso não é o fim do mundo, mas tê-lo é muito mais gratificante.
Para ambos.
— Meu coração nunca permitirá. Está fechado para todas as
mulheres.

— Você está cometendo um erro grave.

— Você não pode saber disso.

Papai se levantou e caminhou até onde eu estava. — Sim, eu sei


disso. Eu tive esse amor uma vez na vida. Você merece tê-lo também. E
o seu filho também. — Então ele subiu as escadas e me deixou sozinho
com suas palavras. Talvez ele estivesse certo e eu merecesse. No
entanto, minha experiência me disse diferente e confiar em outra
mulher com meu coração e meu filho era uma impossibilidade.
Capítulo Nove
Piper

QUEM ERA esse cara com quem eu estava conversando?

— Senhorita West?

— Desculpe. Estou mais do que um pouco chocada. Quem é ele


então?

— Primeiro, onde você o conheceu?

Contei a eles sobre o incidente do café e como ele me levou para


tomar sorvete. — Ele parecia inofensivo o suficiente. — Eu até contei a
eles que brinquei sobre ele ser como Ted Bundy - atraente e inteligente,
mas que ele poderia ser um serial killer. Fui atingida por um grave caso
de calafrios.

— Isso faz sentido. Já tivemos queixas sobre ele antes.

— Você quer dizer que ele é um serial killer? — Eu gritei.

— Não, ele não é um serial killer. Acalme-se, Srta. West. Tivemos


queixas dele perseguindo mulheres.

Quando essas palavras chegaram, ele estava começando a ser do


tipo perseguidor, só que eu ainda não tinha conseguido entender isso.
— Agora que você mencionou, ele parecia aparecer onde quer que eu
fosse.

— No começo, ele faz parecer coincidência, mas depois se torna


violento em relação às vítimas.

— Oh Deus.
— Senhorita West, foi bom você ter esse sistema de segurança.

— O que você quer dizer?

— Poderia ter acabado muito pior.

Eu não tinha certeza se queria saber a resposta para minha


próxima pergunta, mas perguntei de qualquer maneira. — Quão?

— Algumas de suas vítimas foram agredidas sexualmente.

Respirei fundo e senti o quarto girar. Este era um homem com


quem eu não namorava. Abaixei minha cabeça entre os joelhos para
parar de me sentir fraca.

— Srta. West, você está bem?

Minha mão subiu no ar com um dedo levantado. Quando esse


sentimento horrível passou, levantei minha cabeça. — Eu quase
namorei esse monstro.

— Sim, bem, considere-se com sorte por não ter.

— Quem é essa pessoa? — Perguntei.

— O nome verdadeiro dele é Michael Critchly e ele é de Liverpool,


mas já usou mais de dez pseudônimos.

— Liverpool? Eu pensei que ele era americano.

— Ele é muito bom em fazer as pessoas acreditarem no que ele


quiser. — Eles me entregaram uma pasta. Quando abri, vi várias fotos
de “Sam” em diferentes cenários com diferentes mulheres. Em alguns
deles, ele tinha cabelos compridos, alguns curtos, outros barba cheia,
outros apenas por fazer. Ele parecia diferente em cada um.

— Ele é um camaleão. E agora o que?


— Estamos procurando por ele. Você tem alguma ideia de onde ele
mora?

Agora que pensei sobre isso, não sabia. — Não, e isso é estranho,
porque eu geralmente pergunto esse tipo de coisa. Mas quanto mais
estava perto dele, mais queria ficar longe. Provavelmente é por isso que
não me importei. Ele estava sempre pressionando para vir à minha
casa.

— Isso é bastante desconfortável para perguntarmos, mas você já


teve relações sexuais com ele?

— Absolutamente não.

— Essa é outra pergunta desconfortável, mas você gostaria de nos


permitir usá-la como parte de uma armadilha? Veja bem, ele não sabe
que estamos atrás dele. Ele ainda está lá fora, caçando mulheres. O que
gostaríamos de fazer é usá-la como alvo.

— Oh, eu não sei. — Isso parecia extremamente perigoso.

— Você estaria segura o tempo todo. É assim que funcionaria.

ELES FORAM EMBORA depois de me explicar tudo e eu prometi pensar


nisso. A coisa toda me irritou até o âmago. Eu nunca estive envolvida
em algo próximo disso. Mas não queria sentar aqui hoje, sozinha. Eu
queria estar onde havia muita gente. Como era sábado, sabia que os
parques e campos de futebol estariam ativos, então fui para lá. Podia
ver as pessoas, que era uma das minhas coisas favoritas a fazer. Eu
estaria cercada por multidões, então estaria segura.

Em minha caminhada para lá, meu temperamento aumentou.


Aquele idiota estava arruinando minha vida. Por que diabos ele
tinha que me pegar? E por que tinha que haver idiotas como ele no
mundo?

Eu estava tão chateada que cheguei ao campo de futebol muito


mais rápido do que o esperado. Quando olhei para longe, vi equipes de
meninos e meninas correndo por aí chutando as bolas. Puxa, eles eram
sempre fofos? Só que me deixou com saudades de casa. Com essa
porcaria acontecendo na minha vida, o fato de minha família estar do
outro lado do oceano e a um zilhão de quilômetros de distância ficou
ainda mais claro. Eu gostaria que eles estivessem aqui para que
pudesse me apoiar neles por apenas um dia ou mais.

Eu era geralmente a mais forte, aquela que tinha todas as


respostas. Mas agora, esse problema era grande demais para gerenciar
sozinha. E foda-se minha vida, de repente, minha visão ficou turva, e
fui cegada por lágrimas estúpidas. Tropecei em uma das cercas que
margeavam o campo, onde me apoiei nela e chorei.

— Cuidado. — Alguém gritou, bem a tempo de eu ser atingida na


cabeça com uma bola. Me pegou de surpresa e cambaleei, mas alguém
agarrou meu braço, impedindo minha queda.

— Você está bem?

Era a voz dele novamente. Por que, oh por quê? O professor


desagradável estava ao meu lado. De toda a sorte, por que a minha
tinha que ser tão terrível?

Afastando meu braço, eu respondi amargamente: — Apenas tonta.

Ele olhou para mim por um breve momento. — Você parece um


inferno. — Ele rosnou.

Essa foi à gota d'água. Um lamento horrível rasgou-me. Eu me virei


e corri o mais rápido que pude. Corri e corri até não poder mais correr
devido a dor horrível do meu lado. Aposto que essas crianças
nunca têm dor na lateral. Quando parei para respirar e aliviar a dor
ofensiva, olhei em volta e não tinha ideia de onde estava. Meus olhos
ainda estavam lacrimejantes por causa do choro, então eu os olhei com
raiva e depois dei outra olhada no meu redor. Nenhuma coisa era
familiar. Agora o que devo fazer? O retorno era uma opção, só que corri
como um cervo cego, por isso não sabia de onde vim. Não havia prédios
ou pontos de referência visíveis e eu estava em uma estrada rural em
algum lugar.

Talvez eu tivesse sorte e alguém passasse por aqui. Peguei meu


telefone e imaginei que o colocaria no GPS, mas não tinha sinal. Ótimo.
Eu tinha outra opção e era andar. Fui na direção que imaginei que era a
cidade e continuei checando meu telefone. Eventualmente, ouvi um
carro e o parei. Felizmente, eu estava indo no caminho certo. Como se
viu, também não tinha muito mais para ir. Na curva seguinte, a cidade
estava à vista. Foi uma coisa boa, porque eu tinha uma sede terrível
depois daquela corrida. Alguns minutos depois, outro carro passou.
Quando vi quem era, meu coração bateu tão alto que tive certeza de que
ele ouviu.

— Piper, minha garota, o que você está fazendo aqui?

— Ei, Sam. — Eu agi o mais despreocupadamente possível. — Fui


dar uma corrida e estou voltando.

— Quer uma carona?

— Não. Estou esfriando, então estou bem, mas obrigado. Eu


preciso exorcizar os demônios. Você não vai acreditar no que aconteceu
na outra noite. Meu apartamento foi arrombado.

— Sério? Isso é horrível. — Sua surpresa foi genuína. Ele


realmente era um ator fantástico.
— Sim. Isso me assustou totalmente. Liguei para a polícia, mas
eles não conseguiram descobrir nada. Meu proprietário instalou um
novo sistema de segurança com uma câmera, então estou bem.

— Cara, você teve sorte. Ainda bem que não se machucou.

— Eu sei certo?

— Você tem certeza que não quer uma carona?

— Não, mas obrigada. Estou quase em casa. — Fiz um gesto em


direção à cidade e, enquanto conversávamos, um carro da polícia
passou. Acenei, mas ele não parou. Foda-se tudo.

— Ok, bem, tenha cuidado aqui fora.

— Eu sempre tenho. Até mais. — Assim que ele sumiu de vista,


liguei para o detetive que estava trabalhando no meu caso. Ver Sam
agir tão legal foi o argumento decisivo.

— DCI Thornton falando.

— Olá, aqui é Piper West.

— Ah, Sra. West.

— Sim, eu estou ligando para que você saiba que estou dentro.

— Muito bom. Você pode entrar na delegacia ainda esta tarde?

— Estarei lá por volta das duas horas, se isso funcionar.

— Isso vai funcionar muito bem. E obrigado.


Capítulo Dez
Alessandro

PIPER ESTAVA um desastre quando a vi, e não ajudei exatamente


com o meu comentário contundente. Que pena. Eu não sou um leitor de
mentes e como poderia saber que ela estava parada perto da cerca. A
parte engraçada foi quando ela pegou a bola por acidente. Eu quase ri,
mas então notei que ela estava chorando. Aparentemente, quase toda
vez que eu estava perto dela, ela chorava. Talvez ela precisasse de
aconselhamento. A próxima vez que a visse, talvez sugerisse.

Depois do treino, no qual Gabriele se saiu muito bem, fomos à


cidade almoçar. Estávamos em um café pequeno quando uma Piper
bagunçada entrou. Ela parecia terrível de novo, ainda pior do que
quando a vi antes.

— Papa essa não é a senhora da confeitaria?

— Sim, filho, é.

— Você deveria ir falar com ela. Parece muito triste.

Ele foi perspicaz. Antes que eu pudesse detê-lo, ele estava fora de
seu assento e correndo para ela. Assisti com surpresa quando ele
puxou seu braço e depois disse algo. Seus braços gesticulavam um
quilômetro por minuto, como costumavam fazer quando ele ficava
animado. Ela respondeu e ele apontou para a nossa mesa. Então ela o
seguiu. Merda. Eu gostaria de poder estrangular aquele meu garoto,
mas seu coração amável tornou isso impossível.

— Olá professor. Espero que você esteja tendo um almoço adorável.


Seu filho me convidou para acompanhá-lo.
— Sim, papai. Srta. Piper queria saber se você disse que estava
tudo bem e eu disse a ela que estava.

Seria o epítome da grosseria se dissesse não. Eu não me importava


com o que Piper pensava. Era com Gabriele que estava preocupado. —
Claro que ela pode se juntar a nós. — Eu colei um sorriso forçado.

Eu assisti enquanto meu pequeno filho puxava uma cadeira para a


abandonada Srta. West. Ela se sentou e logo um garçom apareceu para
anotar seu pedido. Tudo o que ela queria era água, então ele lhe serviu
um copo.

— Você não vai comer? — Gabriele perguntou.

— Acho que não estou com muita fome.

— Estou faminto. Joguei futebol hoje de manhã.

— Você jogou? Aposto que é o melhor do seu time.

— Eu sou.

— Gabriele, não é legal se vangloriar. — Lembrei a ele.

— Mas, papai, você até disse que eu era melhor que os outros.

Piper sorriu. Droga. Eu fui pego.

— Você é bom, e isso é verdade. Mas quando você fala com outras
pessoas sobre isso, a modéstia é melhor.

— É óbvio que seu filho é como você. — Ela me bateu com esse
comentário cortante, mas foi direto sobre a cabeça de Gabriele.

Gabriele assentiu. — Nos parecemos, não é, papai?

— Sim, nos parecemos.


— Nosso cabelo é o mesmo. — Gabriele esfregou a parte de cima
dele, e depois pegou o meu só que eu agarrei sua mão primeiro.

— Acho que entendemos a ideia, filho.

Seu sorriso torto me fez rir. Ele era um absoluto mini-eu, até sua
covinha na bochecha direita.

Eu peguei Piper nos observando. — Vocês dois são exatamente


iguais.

— Nós somos.

— Mas eu jogo futebol melhor que o papai. — Gabriele deu um


sorriso cheio de dentes. Ele ainda não tinha crescido os grandes dentes
da frente e seu sorriso não era adorável, mas cômico.

Estiquei um braço e fiz cócegas nele. — Isso está certo? Quem te


ensinou a jogar?

— Você. Mas eu melhorei.

— Vamos ver sobre isso.

De repente, meu filho perguntou a Piper: — Por que você está tão
triste?

Ela estremeceu como se ele tivesse lhe dado um tapa. — Triste?


Estou triste?

— Sim. Seus olhos estão inchados como se você chorasse muito.

Sua expressão endureceu logo antes dela me encarar com um


olhar abrasador. — Sabe, aconteceu algo mais cedo que me chateou e
me fez chorar. Então fiquei triste. Mas está melhorando agora.

— É por causa do meu pai? — Ele perguntou ansiosamente.


As paredes estavam me esmagando. Não queria que meu filho se
machucasse, mas também não queria que ela mentisse.

— Não exatamente. É por causa de você. Você me animou.

— Eu fiz? — Seus olhos cresceram quando saltaram entre nós


dois.

— Você, por que foi muito gentil em me convidar para compartilhar


sua mesa. É bom compartilhar, você não acha?

— Sim, mas eu não compartilhei nada com você.

— Claro que você fez. Você compartilhou sua mesa para que eu
não tivesse que me sentar sozinha.

— Ei, por que você não volta para casa conosco e pode jogar
futebol e conhecer o meu nonno?

— Quem?

Eu adicionei: — O avô dele.

Gabriele estava pulando na cadeira. Se ele continuasse assim, a


próxima coisa que faria era pedir que ela se mudasse conosco.

— É muito gentil da sua parte, mas não posso. Eu tenho que estar
em algum lugar esta tarde.

— Onde?

— Gabriele. Não é bom bisbilhotar. Se a Srta. West quiser nos


contar, ela o fara.

Então o silêncio nos envolveu como um visitante indesejável. Por


fim, Gabriele perguntou: — Você não vai nos contar?
— A verdade é que tenho que ir à delegacia. Meu apartamento foi
arrombado na outra noite e eles querem me fazer mais algumas
perguntas.

Talvez isso explique por que ela estava chorando esta manhã. —
Lamento ouvir isso. — Era verdade. Eu não desejei nenhum mal a ela.

— Eu tenho certeza. — Ela resmungou baixinho.

— O que isso significa? Arrombado?

— Isso significa que alguém tentou entrar em seu apartamento


sem que ela quisesse que eles estivessem lá, piccolino.

— Uma pessoa má fez isso, papai?

— Sim, uma pessoa muito má.

— Senhorita West, você está com medo?

— Não, na verdade não, porque existe um sistema de segurança. É


por isso que ele não conseguiu.

Gabriele olhou para mim de olhos arregalados. — Papa o que é


segurança?

— Isso significa que quando alguém tentou invadir o local, os


alarmes dispararam pedindo à polícia que viesse.

Ele se virou para Piper e perguntou: — E eles vieram para salvar


você?

— Sim.

— Senhorita West, acho que você deveria vir e ficar conosco.


Ninguém vai arrombar nossa porta. É grande, marrom e forte. Certo,
papai?
— Está certo. Mas... — Antes que eu pudesse acrescentar algo,
Piper falou.

— Você é possivelmente o garoto mais doce que eu já conheci. Mas,


Gabriele, estou sã e salva exatamente onde estou. Além disso, a polícia
está ciente da invasão agora, então estou mais segura do que nunca.

— Mas papai, poderia ser melhor se ela morasse conosco. Você


precisa de uma esposa e eu preciso de uma mãe.

Meus olhos doíam de repente quando uma dor de cabeça


penetrante me apunhalou bem entre eles. A última pessoa que eu
precisava ou queria era Piper West como esposa. — Eu pensei que já
discutimos isso. Além disso, West tem outras coisas para fazer.

Gabriele pegou a mão de Piper. — Eu não tenho mãe. Ou sim, mas


não posso mais vê-la. Então, preciso de uma mãe e você é muito bonita
e parece legal. Você gostaria de ser minha mãe e a nova esposa do meu
pai?
Capítulo Onze
Piper

Este dia vai ficar melhor porque agora eu estava olhando nos olhos
de, possivelmente, o menino mais adorável e estava me preparando
para quebrar seu coração. — Gabriele, vou te explicar uma coisa? Para
duas pessoas se casar, para se tornarem marido e mulher, elas têm que
sair em encontros. É quando eles vão a lugares juntos para que possam
se conhecer. E há algo que você deve saber. Seu pai e eu estamos na
mesma universidade, sou estudante e ele é o professor.

— Não, ele não é. Ele é professore.

— Está correto. Ele é professor e, por isso, não temos permissão


para namorar.

— Oh. Então você deveria ir para a escola em outro lugar para não
ser uma estudante lá. — Ele era muito seguro de si para alguém tão
jovem. Um sorriso ameaçou romper minha boca.

— Quando o ano terminar, ou melhor, quando chegar à primavera,


minha graduação terminará e eu voltarei para casa. Você entende?

Ele apertou os pequenos lábios. — Acho que sim. Onde fica sua
casa?

— América. Nova York.

— Bom. Também iremos para lá, e papai será professor em Nova


York. Então você pode ser minha mãe e a esposa de papai. — Ele
cruzou os braços e assentiu.
Jesus, esse garoto tinha todas as respostas. — Ok, mas até você se
mudar para Nova York, só podemos ser amigos.

Ele estendeu a mão para podermos apertar. Que garoto fofo. Eu


queria abraçá-lo. Meus olhos lacrimejaram porque ele me fez sentir falta
de casa novamente, então fingi que tinha algo em um deles.

— Deixe meu papai olhar. Ele é bom em encontrar coisas nos


olhos. Você não é papai?

Antes que o professor idiota pudesse responder, eu disse: — Está


tudo bem. Eu acho que pisquei para longe.

— Você ainda quer vir à minha casa e jogar futebol? — Ele


perguntou.

— Gabriele, a Srta. West tem outras coisas a fazer. — Alessandro


preferia que a praga descesse sobre sua casa do que uma visita minha,
ou pelo menos seu tom indicava.

— Hum, talvez hoje não seja um bom dia. Por que não planejamos
outra hora?

— Não. Eu quero que você venha hoje. Então você pode conhecer o
meu nonno. Ele é muito legal e vai gostar de você. Ele também quer que
você seja a esposa de papai.

Esse garoto não estava desistindo. Eu não tinha ideia do que dizer
para ele. Alessandro fez uma careta. Gabriele sorriu.

— Sabe o que? Eu posso ir, mas apenas um pouco. Mas não


poderei depois das três.

A mandíbula de Alessandro apertou novamente, um milhão de


quilômetros por minuto e, por alguma razão, isso me deixou feliz.

Gabriele perguntou: — O que são três?


O pai mal-humorado da criança adorável disse: — Significa mais
tarde nesta tarde. Como na hora em que você chega da escola.

Depois verifiquei a hora e soube que era melhor ir. Enquanto eu


me levantava, o pequeno Gabriele pulou para puxar minha cadeira.
Uau. Que cavalheiro ele era.

— Obrigada.

— De nada. Nonno diz para tratar bem as mulheres e sempre vou


conseguir o que quero delas, o que quer que isso signifique.

Joguei a cabeça para trás e ri. Foi a primeira vez que soltei uma
risada assim em um bom tempo. — Seu nonno parece como um homem
muito sábio.

— Ele é. Espere até encontrá-lo. Ele tem cabelos brancos, mas é


muito legal.

— Você sabe de uma coisa, Gabriele?

— O que?

— Você é um garoto de muita sorte. Você tem duas pessoas que te


amam muito.

— Não se esqueça do meu outro nonno e eu tenho duas nonas


também.

— Então você tem muita sorte.

— Sim, eu tenho.

— Vejo você mais tarde. Onde você mora? — Olhando com cautela
para Alessandro, levantei minhas sobrancelhas.

Ele estendeu a mão.

— O que?
— Seu telefone, por favor. — Ele disse.

Depois do meu último contato com telefones e Sam, também


conhecido como cara louco pensei brevemente sobre isso. Mas então eu
sabia que Alessandro era diferente. Confiança não era um problema
com ele, porque eu sabia exatamente onde encontrá-lo. Não só isso, ele
tinha esse adorável filho e não deixaria nenhum mal acontecer a ele.
Por mais que não quisesse estar perto de mim, era óbvio pela maneira
como ele olhou para Gabriele que o adorava. Entreguei-lhe meu telefone
e o vi digitar o endereço.

— Não é muito longe daqui. De fato, você pode ir andando.

— Isso é bom. Eu também posso ir para casa daqui. Até mais


tarde, pessoal. — Acenei enquanto me afastava. Essa foi uma péssima
ideia, mas eu não sabia mais como lidar com isso. Alessandro também
não ajudou. Mas Gabriele também tinha sido extremamente persistente.

Já estava ficando tarde, então corri para casa para tomar banho e
me trocar para poder chegar à delegacia a tempo de encontrar os
detetives. Eles estavam me esperando quando cheguei. Entramos em
uma pequena sala e eles transmitiram seu plano para mim. Ouvi tudo,
mas com cada palavra, meu intestino se torcia cada vez mais.

— Deixe-me ver se entendi. Você quer que eu o convide e jogue


minhas suspeitas sobre ele, nele.

— É isso.

— E se ele tiver uma arma ou algo assim? Ou uma faca gigante?

— Lembre-se, estaremos com você em seu apartamento.

— Sim, mas você não pode se mover tão rápido quanto uma bala.

— Você não está pensando direito. — Disse DCI Thornton.

— O que você quer dizer?


— Ele não é um assassino. Ele é um estuprador.

— Não gosto da ideia de ser estuprada.

— Você não será estuprada. Vamos nos mover antes que isso
aconteça. Tudo o que precisamos é que ele tente se jogar para você
assim. — Thornton foi convincente. Como eu poderia ser estuprada com
a polícia na sala ao lado?

— E se ele não derramar nenhum dos seus segredos?

— Então fazemos de novo, até que ele faça. O seu lugar será
inspecionado por qualquer informação que ele possa vazar.

Eu estava desconfiada disso. O cara era astuto. Ele já fazia isso por
um tempo, o que significava que ele estava sendo mais mais esperto que
os policiais.

— Minha pergunta é como você vai entrar aqui sem ele te ver? Ele
obviamente vigiou a minha casa ou está. Agora, ele pode até estar me
observando. Oh droga. Eu aposto que ele está. — Então eu disse a eles
sobre encontrá-lo hoje enquanto caminhava de volta à cidade.

— Senhorita West, você é nossa única chance agora de pegá-lo.


Não se preocupe em como entraremos. Podemos posar como empresa
concessionária, internet ou qualquer outra coisa. Talvez seu senhorio
queira que a segurança seja verificada duas vezes. Essa é a parte mais
fácil. Mesmo que ele pergunte, diga-lhe que o proprietário está
assegurando o seu lugar após o assalto.

— OK. E você tem certeza de que eu estarei segura?

— Nós estaremos lá com você.

— Por que você não pode simplesmente agarrá-lo quando ele entrar
se você tem todas essas evidências?
— É exatamente isso. Nós não temos. Suspeitamos que seja, mas
ele nunca deixou um rastro para trás.

— Você já tentou isso antes?

— Não. Você é a primeira e o motivo é que ele nunca tentou e


falhou em uma invasão.

Soltei um suspiro, acenei e concordei. Marcamos a data para o


sábado seguinte. Eu deveria ligar para "Sam" na quinta-feira seguinte e
convidá-lo para jantar no sábado. Isso lhes daria tempo para arrumar o
apartamento. A cautela tomou conta de mim e eu tinha certeza de que
ficaria até que essa bagunça terminasse.

Saí da delegacia e digitei o endereço de Alessandro no meu GPS.


Estava perto o suficiente para andar, mas fiquei tão assustada com a
minha visita à polícia que tive certeza de que alguém me seguiu até lá.
Meu pescoço estava dolorido por ficar olhando atrás de mim o tempo
todo, mas quando a porta se abriu e o rosto sorridente do pequeno
Gabriele me cumprimentou, todas as minhas preocupações
desapareceram. Isso foi até eu ver a expressão carrancuda de
Alessandro. Mas então ri, porque essa era a ideia de seu filho e não
havia nada que ele pudesse fazer sobre isso.
Capítulo Doze
Alessandro

GABRIELE ERA COMO UM BRINQUEDO DE CORDA, correndo e


constantemente me perguntando que horas eram e quanto tempo até
que a Srta. West chegasse aqui. Fiquei tão frustrado com o garoto que
queria fechar sua boca com fita adesiva. Então as risadas constantes do
meu pai quase me mandaram para o armário de bebidas.

Quando ela finalmente tocou a campainha e meu filho e eu


atendemos, um olhar para minha expressão desagradável a fez rir. Que
merda...

— Você deve ser a famosa Srta. West da qual meu neto não para de
falar. — Virei-me para ver meu pai se vangloriando atrás de mim

— Eu não tenho certeza sobre a parte famosa, mas, por favor, me


chame de Piper. — Eles apertaram as mãos.

— E você deve me chamar de Antônio. Agora, se meu filho rude se


lembrar de suas maneiras, por favor, entre em nossa casa.

Suspirando, eu disse: — Desculpe, sim, por favor, entre. Gabriele


estava contando os minutos.

Com isso, ele pegou a mão dela e perguntou animadamente: —


Srta. West, você quer ver meu quarto?

— Por que você não oferece a Srta. West algo para beber primeiro,
piccolino?

— Srta. West, você gostaria de beber algo primeiro?


Ela riu e isso irritou meu último nervo. Como meu filho poderia
gostar dessa mulher?

— Nonno, ela não é bonita como eu disse?

— Ela certamente é.

O rosto dela ficou vermelho com as palavras do meu pai. Ela deve
ter um interruptor que era capaz de ligar e desligar, porque isso não
poderia ter sido um rubor natural. Ela era muito rancorosa para isso.

Gabriele, ainda segurando a mão dela, a levou para a nossa


cozinha e eu e meu pai os seguimos. Ele sussurrou para mim: — Ela é
belíssima, Alessandro. Seu filho tem bom gosto.

— Pare com isso, papai. Ele não precisa de incentivo. — rosnei.


Meu pai apenas riu.

— Papa, Papa a Srta. West quer água.

— Espere um minuto e eu vou servir um pouco. — Ele estava


segurando uma garrafa de água com gás, e eu tinha medo que
derrubasse nela. Pensando bem, eu deveria ter deixado servir.

Ela se sentou à mesa, parecendo muito educada e adequada, e por


nenhuma razão em particular, olhei para sua boca. Lábios cheios e
rosados eram tão gostosos quanto eu me lembrava e por que ela tinha
que ser tão bonita? Por que a mulher não podia parecer uma bruxa
velha? Sabia que língua afiada ela tinha escondida atrás daqueles
lábios perfeitos e como isso poderia cortá-lo ao meio, se ela desejasse.
Malvada era o que ela era.

Ela sorriu agradecendo.

Gabriele perguntou: — Você já terminou? Você quer jogar futebol


agora?
— Sim, vamos lá. — Eu a observei de pé e olhei sua bunda firme e
exuberante. E então cometi o erro de olhar para os seios dela. Deus, ela
era uma beleza.

— Papai, você vem?

— Não, vocês dois continuam. — Talvez ela quebrasse uma perna e


não pudesse voltar. Espere, isso seria terrível. Gabriele gostaria de ir lá
todos os dias para visitar. Esqueça isso.

Os dois andaram de mãos dadas pela porta dos fundos e logo


estavam chutando a bola. Ela não era tão ruim. Eu a observei com um
olhar aguçado. Ok se fosse honesto, era a bunda dela em que meus
olhos estavam colados, o que era perfeitamente arredondada para as
palmas das minhas mãos se ajustarem.

— Ela parece muito boa, não é?

Eu empurrei as palavras do meu pai. — Eu não saberia. Estava


assistindo Gabriele.

— Claro que você estava. É por isso que seu lábio superior está
suando.

Eu bati minha mão no meu rosto. — Não esta.

— Você é um péssimo mentiroso, Alessandro, e sempre foi. Por que


você não vai lá falar com ela?

— Eu não posso. Não podemos cruzar a linha professor-aluno.

Papai jogou os braços para o alto. — Ah, você é o homem mais


teimoso e tolo que já conheci. Conversar com ela não está
ultrapassando nenhuma linha. Só porque você é professor não significa
que não pode falar com nenhuma mulher. Isso é ridículo. Eu não disse
para sair e beijá-la, embora se fosse você, é o que faria. — Ele saiu pela
porta dos fundos e se juntou aos dois. Parecia que eu era o único
que não estava se divertindo e era tudo por causa dela. Não só ela
invadiu meus sonhos, agora invadiu minha casa, indesejada e sem ser
convidada. Ok, talvez ela tenha sido convidada, mas não por mim e eu
absolutamente não a queria ou precisava dela aqui.

Minha posição junto à janela não mudou até que todos entraram
para pegar um pouco de água. Gabriele estava rindo quando ele disse
ao seu nonno que uma garota poderia vencê-lo.

— Você não é muito bom, Gabriele. Você deve aprender com seu
nonno como usar os dois pés. — disse Piper.

— Aha, ela está certa. Quando você usa os dois pés, engana seu
oponente com mais frequência.

Gabriele riu. — Mas Nonno, você não joga há muito tempo.

— Isso é verdade, mas essas habilidades são sempre úteis e você


nunca as esquece.

— Ele está certo, Gabriele. Você deveria tentar. — Então ela


sacudiu o topo da cabeça dele. Ao fazê-lo, seus olhos se ergueram ao me
ver olhando-a. Ela sorriu, perguntando: — E o que você tem a dizer,
professor? Tenho certeza de que suas habilidades no futebol são
estelares. — Ela estava me desafiando.

— É futebol, não é. Quando em Roma... — Minha voz parou.

— Sim, está certo. Minha culpa. Futebol. Mas você nunca me


respondeu. — As sobrancelhas dela se ergueram, mas isso apenas
acentuou as maçãs do rosto altas e o rosado da carne sobre elas. De
repente, tive um flashback da sensação de sua pele escorregadia sob as
pontas dos meus dedos quando a toquei nos lugares mais íntimos.
Quando ficou tão quente aqui? Puxei a gola do meu suéter.

— Alessandro, você está bem? Você parece um pouco corado. Você


não está ficando doente, está?
— Não, papai, eu estou bem. — Lati.

Ele riu. Meu pai riu de mim.

— Não, o que é tão engraçado?

— Nada, meu pequeno. Vamos, vamos tomar um pouco mais de


água e você pode ouvir a bonita Srta. West falar mais sobre suas
habilidades no futebol.

Eu suspirei exasperado e saí da sala. Gostaria que um dos meus


amigos mais próximos estivesse aqui para me animar. Só que nenhum
deles morava aqui, caramba. Eu tinha um colega que conhecia, mas ele
foi a Londres para apresentar uma conferência sobre a fusão da
psicologia e da matemática na literatura. Eu pensei que ele era louco.
Ele geralmente dava um bom argumento, mas desta vez não pude
seguir sua liderança no caminho da matemática. Sim, tudo tinha
equações envolvidas, mas por que ser tão analítico nesse nível? Seu
argumento era que eu era analítico ao nível artístico; por que não
deveria argumentar com o verdadeiro nível matemático? Porque tirou
toda a diversão, é por isso. A verdade é que não entendia até o nível
elementar. Tínhamos debatido tanto tempo durante a noite com copos
de uísque e nunca chegamos a um acordo. Depois, riríamos. Mas agora
eu poderia usar esse gênio matemático. Ele me ajudaria a descobrir
esse dilema que tinha. Conhecendo-o tão bem quanto eu, ele
provavelmente me diria para transar com ela e tirá-la do meu sistema.
Mas ela provavelmente encontraria uma maneira de cortar meu pau
com sua boceta.

Cristo, eu com certeza sabia como escolhê-las. Tente ser legal com
alguém, entregando-lhe alguns lenços de papel e veja o que acontece.

Gabriele bateu em mim e perguntou: — Papa, Papa a Srta. West


pode ficar para jantar hoje à noite? E podemos fazer macarrão e
amêijoas para ela?
— Linguine e mariscos, bobão.

— Eu pensei que deveria falar inglês.

— É verdade, mas é bom dizer o tipo de macarrão que comemos em


italiano.

— Podemos comer linguine e mariscos?

— Não, porque não temos mariscos. — Ele não se intimidou.

— E o escaloppine? Você pode fazer isso? Ou não?

Meu pai e eu poderíamos preparar uma tempestade. Minha avó me


ensinou a fazer quase tudo, excluindo o pão, como ela ensinou ao meu
pai. A última coisa que queria era que Piper ficasse para jantar.

— Por favor, papai. — Ele mexeu as pernas como se tivesse que ir


ao banheiro. Era impossível dizer não. — SENHORITA. WESTTTT!

— Gabriele! Não grite assim.

Piper e Papa entraram correndo na sala.

— O que aconteceu? — Ela perguntou.

Ele correu até ela e perguntou: — Você pode ficar para jantar?
Papai está fazendo scaloppine!

— Parece maravilhoso, mas tenho que ir. Talvez outro dia.

Meu filho foi esmagado. Ele passou os braços em volta dos quadris
dela e perguntou: — Por que você não pode ficar?

— Eu simplesmente não posso. Sinto muito.

— Você não gosta daqui? Você não gosta de mim?

— Na verdade, eu te adoro e gosto muito daqui. Mas está ficando


tarde, então devo voltar para casa. — Ela esticou o pescoço e
olhou pela janela. — De fato, se eu não sair imediatamente, logo estará
escuro.

— Você tem medo do escuro? — Gabriele perguntou.

— Não exatamente.

Então me lembrei da casa dela arrombada, e talvez ela quisesse


chegar em casa antes do anoitecer por causa disso. — Gabriele, você
ouviu a Srta. West. Ela pode voltar outro dia para o jantar.

— Quando?

— Que tal no próximo sábado? — Eu sugeri.

— Isso não vai funcionar. E no domingo?

— Sim. Estarei aqui, não é papai?

— Sim, você estará. É no próximo domingo. — Isso daria certo e


talvez eu convidasse outras pessoas para reforço. Mas então me
perguntei por que ela não poderia vir no sábado. Ela provavelmente
tinha um encontro com aquele cara covarde que eu a vi no outro dia.
Espera. O que me importava isso? Ela deveria ter um encontro. Muitos
encontros. Dessa forma, pararia de vir aqui e nos incomodar.

— Adeus, Srta. West. Vou sentir sua falta.

— Eu irei sentir sua falta também.

Ela acenou ao sair. Vou dividi-la em duas se ela machucar um


único cabelo na cabeça do meu filho. Ele já passou por muita coisa
para passar por qualquer outra. Eu fiz uma careta para ela quando
olhou para mim. Está certo, senhora. Ponha isso na sua cabeça. Eu não
estou feliz com isso.
Capítulo Treze
Piper

FOI uma coisa fácil fazer Sam me encontrar para jantar no sábado
à noite, e uma coisa ainda mais fácil para a polícia invadir meu
apartamento. Às cinco e meia da noite, eles entraram pelos fundos e
terminaram de preparar tudo enquanto eu preparava o jantar.

As sete em ponto, minha campainha tocou e lá estava Sam com


seu sorriso não tão infantil. Agora que eu inspecionei mais de perto, era
sinistro.

— Olá, garota Piper. Então, o que há para jantar hoje à noite?

— Eu tenho uma enorme bandeja de lasanha no forno. Lasanha ao


estilo americano. Vai fazer você sentir saudades de casa.

Ele esfregou as palmas das mãos, fazendo o papel de um jovem. —


Parece delicioso. Não sou muito cozinheiro, então você poderia ter me
alimentado com qualquer coisa e eu teria comido.

Fui à cozinha pegar os pratos da mesa. — É bom saber para os


nossos futuros jantares. — Eu gritei.

Depois de arrumar a mesa, perguntei se ele queria tinto ou branco.

— O que?

— Vinho? Tinto ou branco?

— O que você está bebendo?

— Tinto.

— Tinto para mim também.


Não desperdicei dinheiro com um bom vinho, então servi um copo
das coisas baratas que havia comprado. Não que eu fosse uma esnobe,
mas esse era horrível. Foi difícil fingir que gostei.

— Então, o que há de novo Sam?

Ele encolheu os ombros. — Não muito.

— Acabei de tirar a lasanha, então estaremos comendo em cerca de


quinze minutos. Você gosta de salada?

— Claro. Quem não?

— Minha irmã mais nova. Ela odeia.

Ele riu. — Eu adoraria conhecer sua família. Eles vêm visitá-la?

— Eu duvido. Minha irmãzinha está na escola e minha irmã mais


velha tem gêmeos bebê. É meio difícil viajar nessas circunstâncias.

Ele pegou o telefone e mandou uma mensagem para alguém.


Entrei na cozinha, peguei a bandeja de lasanha e coloquei na mesa.
Depois voltei para as saladas. Quando voltei para a mesa de café para
pegar meu vinho e dizer que o jantar estava servido, notei que tinha
uma mensagem.

— O jantar está pronto. — Voltei para a mesa e abri meu telefone.

Então eu parei morta no meu caminho. O texto era dele.

Vamos parar de besteira, amor. Você sabe quem eu sou e que


fui eu quem tentou arrombar. Também sei que você tem quatro
policiais aqui e vários do lado de fora. Uma palavra sua e cortarei
sua garganta com a faca que estou segurando. Não acredita em
mim? Vire-se e olhe.

Era verdade. Ele estava atrás de mim e na mão havia uma faca,
grande o suficiente para me tirar uma fatia. Então ele colocou o
braço em volta de mim em um estrangulamento e sussurrou: — Sente-
se.

Sentamos à mesa e jantamos, ou pelo menos ele fez e comentou


sobre isso, parecendo perfeitamente normal. Tentei pensar em como
poderia gritar, berrar, fazer qualquer coisa para atrair a atenção dos
detetives, sem ter uma faca enfiada no pescoço durante o processo. Mas
a verdade era que eu estava morrendo de medo e mal conseguia
respirar fundo.

Então ele disse: — Desde que você se deu ao trabalho de cozinhar,


deixe-me ajudá-la a limpar.

Entramos na cozinha e eu sabia que algo ruim aconteceria lá.


Talvez ele me arrastasse pela porta dos fundos, então era agora ou
nunca. Ele carregava nossos pratos e eu tinha a bandeja de lasanha,
que era a melhor arma e a minha melhor chance. Joguei nele, mas
aquele pequeno demônio esquilo foi rápido e abaixou. Entrei em pânico
e não pensei em gritar até que ele me acertou na lateral do rosto. Então
ele me deu um soco no nariz com o punho e foi aí que tudo girou. Eu
gritei e continuei gritando. Lembrei de ter feito uma aula de autodefesa
e o instrutor nos informou que a vantagem de uma mulher estava nas
pernas. Então apontei meu joelho para cima e me liguei com sua
virilha, mas não parei por aí. Eu o chutei nas bolas. Em seguida, peguei
suas bolas e coloquei o toque da morte nelas. Se possível, eu as teria
arrancado. A essa altura, a cozinha estava cheia de homens. Eles
entraram pela porta dos fundos e do interior do meu apartamento.

Mantendo o aperto firme em seu saco de nozes, eu não parava de


socar o pequeno bastardo. Ele caiu no chão, comigo, tentando proteger
sua virilha enquanto eu gritava obscenidades para ele. O soquei em
qualquer lugar que meu outro punho pudesse conectar, até que
finalmente alguém me afastou. Eu lutei para me libertar, para poder
bater um pouco mais no filho da puta. Esse merda entrou em
minha casa e me ameaçou. Uma névoa vermelha de raiva desceu
sobre mim. Cuspi um maço de sangue e ele caiu diretamente ao lado de
seus lábios. Uma série de maldições voou dele e eu fiz o meu melhor
para voar de volta para ele, mas agora estava segurada por dois
homens. Thornton gritou para eles me tirarem de lá antes que eu
levasse toda a maldita cidade correndo. O pequeno filho da puta berrou
que o despojei de sua masculinidade.

— Você não tinha nenhuma masculinidade para começar seu


pedaço de merda.

— Senhorita West, por favor, acalme-se! — Eu não tinha certeza de


quem disse isso.

Um homem tinha minhas pernas, o outro meus braços, e um


terceiro estava tentando agarrar meu torso enquanto eles me
carregavam pela porta da frente, mas eu estava me contorcendo tanto
que eles tiveram que me colocar no chão. Assim que eles fizeram, tentei
fugir. Mas havia um policial enorme bloqueando minha saída e ele me
pegou, me jogou por cima do ombro como um saco de batatas e foi isso.
Minha loucura chegou a um fim abrupto quando ele me colocou em
uma ambulância.

— Sente-se melhor agora? — Perguntou um policial gigante.

Eu ofeguei. — Não. Preferia ter estrangulado o filho da puta.

— Sim, mas então a prisão teria sido sua casa e eu ouço que a
decoração lá dentro é uma merda.

Eu olhei para ele por um segundo e comecei a rir.

— Você luta como um cara sabia disso?

Dei de ombros. — Ele realmente me irritou com essa faca.

— Ele tinha uma faca? Você está brava?

— Sim, eu estava realmente brava.


— Eu quis dizer brava como louca. Ele poderia ter matado você.

— Ele não o fez e eu tive uma boa reviravolta. Ele mereceu por ser
um estuprador.

— O que você quer dizer?

— Peguei suas bolas e as torci. É por isso que ele está gritando.

O cara do paramédico se aproximou e começou a cutucar meu


rosto. — Ow! O que você está fazendo?

— Senhorita, eu estou cuidando de seus ferimentos.

— Ferimentos? — Merda, eu estava com tanta adrenalina que


tinha esquecido os socos que aquele filho da puta tinha me dado.

— Sim, senhora. Você está sangrando.

Despedi-me dos policiais, incluindo o DCI Thornton, e a


ambulância me levou para o hospital. De repente, comecei a chorar.
Aqui estava eu, sozinha, sem família por perto e com o nariz quebrado
porque algum idiota me atacou em minha própria casa. E isso não foi o
pior. Eles me disseram que eu precisaria de cirurgia, mas o médico
estava fora da cidade e só voltaria na segunda-feira de manhã. Eu teria
que esperar até então. Não queria ir para casa onde tudo isso havia
acontecido, mas não tive escolha.

Eles me deram analgésicos e peguei um táxi para casa. Quando


voltei, a polícia ainda estava lá, processando todas as evidências. O
lamentável foi que eles não gravaram nada. Eles conseguiram, no
entanto, pegar sua faca, que tinha suas impressões digitais e acreditam
que ele a havia usado nos outros ataques. Talvez desta vez eles o
enjaulassem para sempre.

DCI Thornton me perguntou se eu queria que alguém ficasse


comigo naquela noite. Odiava parecer uma maricas grande, mas
disse que sim. Eles enviaram uma oficial do sexo feminino e fiquei
muito agradecida por isso. Eu também estava agradecida por, ao longo
de tudo, o único dano que ocorreu foram dois pratos quebrados e uma
travessa de lasanha quebrada. Mas caramba, essa era a minha travessa
de lasanha favorita.
Capítulo Quatorze
Piper

SEGUNDA DE MANHÃ, minha nova amiga e policial Emma Stanton me


levou ao hospital para uma cirurgia no nariz. Eu não tinha mais
telefone, porque a polícia o pegou desde que tinha a mensagem de texto
daquele filho da puta estúpido. Agora era considerado evidência. A DCI
Thornton disse que precisaria disso para o julgamento. Eles também
pegaram o telefone do filho da puta, já que as evidências do texto
enviado estavam lá, sem mencionar, quem sabia o que mais
encontrariam.

Eu me encontrei com o médico antes da cirurgia. Era um pouco


estranho continuarmos assim, mas queria acabar com isso.

A cirurgia não demorou muito. Quando acordei, parecia que


alguém havia enfiado uma melancia no meu nariz. Isso me lembrou da
minha irmã quando nosso primo acidentalmente quebrou seu nariz.

A sonolência da anestesia me fez pensar que estava de volta em


casa, então gritei pelo meu pai. Uma enfermeira correu e me disse que
ele não estava aqui. Então eu chorei.

— Eu estou sozinha. Você será minha amiga?

— Sim, eu serei sua amiga.

— Você vai me abraçar? — Eu levantei meus braços e ela me


abraçou, mas não era um abraço como eu estava acostumada. Ela
parecia uma prancha rígida e contei isso a ela. Então ri com o
pensamento. Uma imagem minha abraçando um pedaço de madeira era
hilário. Mas ele se transformou em um pau gigante e ri ainda mais.
— Oh meu Deus. Um pênis! — Devo ter dito a ela que era um
pau gigante porque ela se afastou de mim com um olhar de horror
enquanto eu ria ainda mais. Uma nova enfermeira apareceu depois
disso.

Então pedi um espelho para poder ver meu nariz novo. A nova
enfermeira desaconselhou.

— Você deve esperar para falar com o médico.

Esperei alegremente por ele e tirei uma soneca. Quando acordei,


meu nariz doía como um filho da puta. Agarrei-o, mas havia um
curativo gigantesco nele. Merda. Eu gostaria de ter tido outra chance
com esse merda. Teria quebrado o nariz dele, junto com suas bolas.

O médico entrou um pouco mais tarde. — Como você está se


sentindo?

— Ugh.

— Sim, você vai se sentir terrível hoje. Amanhã será muito melhor.
Ouvi dizer que você disse a uma das enfermeiras que ela parecia um
pênis. — Ele riu.

— Oh Deus. Isso é horrível.

— As pessoas dizem todo tipo de coisa quando saem da anestesia.


Mas isso foi brilhante.

Ele estava louco? Só espero que meu nariz não pareça um pau.

— Quando eu posso sair?

— Sua amiga pode levá-la para casa assim que você puder andar
sem colidir com uma parede. — Ele riu novamente. Ele não era o Dr.
Engraçado?

— Meu rosto está doendo.


— Vou receitar um remédio para aliviar a dor e gostaria de vê-la no
final da semana em minha clínica para remover o curativo.

— OK.

— Vou pedir à enfermeira que ligue de volta para sua amiga e


prepare seus documentos de alta.

Ele saiu e Emma entrou, sorrindo. — Parece muito bom, Piper.

— Cale-se.

— Você voltará a si mesma em pouco tempo.

— Diga isso à enfermeira que eu disse que parecia um pênis.

— Você o que? — Então ela gargalhou.

— Não me lembro de ter feito isso, mas foi o que o médico me


disse. Aparentemente, sou o assunto da sala de recuperação.

— Suponho que você é. Imagine isso. Aposto que ela riu muito.

— Só espero que meu nariz não pareça com um.

— Com toda essa gaze, você não pode dizer como esta. Mas não se
preocupe, tenho certeza de que ficará bem quando estiver curado.

— Você pode me ajudar a me vestir?

Não foi ruim, considerando que eu tinha uma melancia no nariz.


Emma riu de mim uma dúzia ou mais de vezes, mas no final, eu estava
pronta para ir quando o médico voltou com minha medicação para dor e
papéis para assinar.

— Está liberada e não espere até que a dor seja insuportável para
se medicar.

Assinei minha alta e fomos embora.


— Você pode me fazer um favor. Preciso parar na loja de celulares
e comprar um novo. Não posso ficar sem telefone.

— Tudo bem.

Fizemos uma parada rápida e eles foram super gentis comigo,


considerando a situação com meu outro telefone. Ajudou a ter uma
policial comigo para apoiar minha reivindicação. Acabei não tendo que
pagar o preço total por um telefone novo. Eles até me deram o mesmo
número.

— Mas e o outro telefone? A polícia precisa ter acesso a ele para


obter provas.

— Nós podemos fazer isso acontecer, senhorita. — Disse o homem.


— Apenas peça que avisem quando terminarem. Ou você pode trazer
também.

— Obrigado.

Eles me tinham pronta para ir em um instante.

Emma ficou comigo naquela noite, mas eu estava bem e ela foi
para casa no dia seguinte. Acabamos nos tornando grandes amigas. Eu
não poderia agradecer o suficiente. — Eu convidaria você para um
jantar de lasanha, mas aquele filho da puta me fez quebrar minha
travessa. Vou ter que comprar uma nova.

— Melhor ainda, por que você não vem à minha casa. Uma
mudança de cenário, que tal?

— Parece bom.

— Como está sexta-feira?

— Oh, isso seria incrível. Podemos comemorar a remoção do


curativo!
Fizemos um plano e ela foi embora.

Depois que ela se foi, enviei um e-mail aos meus professores,


explicando o que aconteceu para que eu pudesse recuperar o atraso no
trabalho. Eles me mandaram um e-mail e me disseram o que eu
precisava fazer. Passei o resto do dia trabalhando nos meus cursos,
mesmo estando embaçada.

Na sexta-feira, fui à clínica e tive meus curativos cortados e


removidos, porque era isso que parecia.

— Como ficou, Dr. Benson? — Perguntei.

— É o Sr. Benson, bom e abundante. — Ele riu. Ele ria de quase


tudo. Ele era um homem mais velho, talvez com cinquenta e poucos
anos, mas tinha uma grande disposição. Eu gostei dele porque era
muito alegre. Mas fiquei instantaneamente no limite.

— Como assim, senhor? Eu pensei que você era um médico. — Eu


estava no modo de surtar completo. — Como eles deixaram você me
operar? Oh, meu Deus, você estragou meu nariz?

— Não, eu consertei. E acalme-se. Por aqui, os cirurgiões são


chamados de senhor, não doutor.

— Isso é ridículo. Seria um insulto nos Estados Unidos. Quero ver


alguma prova de que você é um médico.

— Você o que?

— Sim, quero ver que você está certificado para operar o meu
nariz. Afinal, posso parecer ter um nariz pênis.

— Do que diabos você está falando?

— Se você é apenas um senhor. Conheço muitos malfeitores que


não conseguiam fixar uma unha na parede, muito menos um nariz.
Meu nariz pode parecer um pênis, pelo que sei.
Ele riu. Um profundo também. — Agora, não se preocupe nenhum
pouco. Eu sou um cirurgião certificado. Está vendo? — Ele apontou
para a parede onde sua licença era exibida.

Eu enruguei minha testa. — E você se chama de senhor? Essa é a


coisa mais estranha que já ouvi.

— Eu ficaria insultado se você me chamasse de doutor. Tudo


pronto. Você pode respirar agora?

— Ahh. — Eu disse, respirando fundo. — Mas essa coisa de


doutor-senhor é completamente louca.

— Seja como for. — Ele esfregou as palmas das mãos, depois


inclinou meu queixo para cima e para trás, olhando para mim de
diferentes ângulos. — Está absolutamente brilhante. Simplesmente
perfeito. Vou dizer que fiz um trabalho fabuloso no velho nariz.

— Entendo?

— Oh, merda. — Ele me entregou um espelho e eu quase gritei.

— Caramba. Eu estou horrível. Como uma cebola roxa gigante.

— Isso vai desaparecer. O nariz está lindo. Nem um pênis à vista.


Você vai ver, eu prometo. — Ele piscou. — Use um pouco de gelo, se
quiser, mas para ser sincero, o tempo é seu melhor amigo. Vou colocar
um pouco de tala hoje, principalmente para proteção. Volte na próxima
sexta-feira e eu vou tirar. Os hematomas... Vai demorar seis semanas
antes que eles desapareçam, receio.

Ele colocou um pedacinho de plástico na ponte do meu nariz e eu


estava livre para ir.

Naquela noite, quando cheguei na casa de Emma, ela não parecia


chocada com meus olhos ou nariz roxo.

— Você está fingindo?


— Não! Eu já vi essas contusões antes e você também.

— Não, eu não. — Eu usei aquelas ataduras idiotas depois da


cirurgia.

— Bem, tudo bem. Eu pensei que você os viu. Venha e vamos


beber para comemorar. Você não está tomando remédio para dor, está?

— Não. Parei de tomá-los após o primeiro dia. Estou bem.

Brindamos a minha nova buzina. Eu quase engasguei com o meu


vinho.

— Hum, Emma, buzina nos Estados Unidos também pode ser uma
teta. Seios.

Então nós duas rimos. — Quem sabia que eu tinha uma nova
buzina?

Ela fez peixe grelhado para o jantar e estava delicioso. Comemos e


bebemos, e eu fiquei como uma merda, como Emma disse.

— Você tem que agir.

— Agir o quê?

— A maneira como você derrotou o filho da puta. Todos os caras


na sede disseram que você acabou com ele. E não exageraram

— Eu fiquei louca. Estava tão chateada com ele. Tudo o que queria
era arrancar as bolas dele.

— Você queria arrancar as bolas dele, como os testículos?

— Sim, por estuprar essas mulheres. Mas, no começo, fiquei


realmente assustada porque ele tinha uma faca e disse que cortaria
minha garganta. Então, eu estava tentando descobrir o que fazer. Sabia
que ele ia me arrastar pela porta dos fundos ou algo assim. Foi
quando tive a ideia da travessa de lasanha. — Reencenei a cena para
ela até que um policial gigante me agarrou.

Ela encheu o copo de vinho, tomou um longo gole e olhou para


mim.

— Bem?

— Não consigo decidir se devo correr ou rir.

— Correr?

— Você é louca.

— Sim, eu fiquei fora de controle naquela noite. Perdi totalmente.

— Não é de admirar que ele ainda esteja falando da injustiça de


você machucar suas bolas.

— Ele o que?

— Você fez bastante dano nele.

Eu sorri. Essa foi a melhor notícia que ouvi a semana toda. — Isso
é fantástico.

— Exceto que o advogado dele está pedindo restituição devido a


punições cruéis e incomuns.

Agora eu ri. — Isso não é rico. Acho que o estupro não é


considerado cruel e incomum.

— As mulheres que ele estuprou ainda não o identificaram.

— Por que não?

— Porque na maioria das vezes, elas não o viam. Mas não perca a
esperança. Ainda temos várias para conversar.
— O que acontece se eles não podem acusá-lo com o estupro? —
Ansiedade rasgou através de mim. Se eles o deixassem sair, ele
definitivamente retornaria e desta vez seria por vingança.

— Ainda podemos acusá-lo de tentativa de assassinato. Temos o


seu texto e o dele.

— Você e eu sabemos o que aconteceria se o deixassem sair.

— Não se preocupe. Eles o manterão o máximo que puderem.

Eu tinha um sentimento muito ruim sobre isso agora. Talvez não


devesse ter apertado suas bolas com tanta força. Mas não me arrependi.
Meu único arrependimento foi não ter arrancado completamente.
Capítulo Quinze
Alessandro

GABRIELE NÃO FALAVA em nada, exceto Piper vindo. Desde que Piper
ligou na semana passada para cancelar, sua decepção governou tudo o
que ele havia feito. Seu único foco no dia de hoje, quando ela estava
vindo. Srta. West está chegando em seis dias. Então cinco. Então
quatro. Quando o domingo finalmente chegou, eu queria ir embora para
que os três pudessem desfrutar da companhia um do outro sem mim.

— Papa você não está animado para a Srta. West chegar aqui? Ela
vai amar a sua comida. Eu apenas sei disso. Então ela vai querer casar
com você.

— Você se lembra do que ela disse sobre nós namorarmos, não é?


— Minha paciência estava perto do fim.

— Sim. Quando vamos nos mudar?

Eu me agachei para ficar ao nível dos olhos dele. — Gabriele, você


sabe o quanto eu te amo, não é?

— Tanto quanto o mundo inteiro.

— Está certo. Se nos mudarmos para a América, não veremos


Nonno, nem seus outros avós. Você gostaria disso?

— Não, mas eu também gostaria que você tivesse uma, hum, como
você chama isso?

— Uma esposa.

— Sim. Uma esposa. E eu quero uma mãe. E papai, os aviões


podem nos levar para ver Nonno e os outros, e a Srta. West
também pode vir. Ela adoraria lá. Vamos levá-la para o Natal. Nós
podemos?

Meu pai entrou na sala e Gabriele correu para ele. — Podemos


Nonno?

Ele riu e perguntou: — Podemos o quê?

— Levar a Srta. West conosco para o Natal?

Meu pai olhou para mim e riu. — Essa será a decisão do seu pai,
pequeno.

Gabriele correu em círculos e depois subiu as escadas para o


quarto dele, gritando: — Vou fazer um desenho para ela.

— Você não pode encorajá-lo. — Eu assobiei.

— Como eu o incentivei?

Esfreguei meu rosto e fui em direção à cozinha. Ele foi rápido nos
meus calcanhares.

— Você ouviu o que eu disse. Isso não foi encorajador. Eu vou


embora amanhã, então é melhor você ficar de cabeça erguida. Ele não
terá ninguém aqui além de você e a babá. Uma coisa está clara. Esse
garoto precisa de uma mulher em sua vida e você também. Todos os
dias você se torna mais duro com ele e comigo. Você não é o filho que
me lembro. O que aconteceu?

Eu queria dizer, Piper West, mas fechei a boca. Em vez disso,


comecei a preparar nosso jantar para hoje à noite. Eu bati o frango o
mais fino possível e fiz uma salada adorável. Então preparei a massa -
caseira, é claro. Depois que tudo foi feito e colocado na geladeira, subi
para verificar meu filho.

Eu o encontrei terminando seu desenho para Piper. Era de


uma cena de Natal.
— Vejo que você fez uma árvore de Natal.

— Papa, este sou eu, você e a Srta. West no Natal. Você gosta
disso?

— Sim, é perfeito. — Na verdade, eu preferiria ter gemido.

— Quanto tempo até ela chegar aqui?

— Deve ser a qualquer momento agora.

Ele pegou o desenho e desceu correndo os degraus.

— Cuidado para não cair. — Gritei atrás dele.

Ele colocou o desenho na grande mesa de café e pulou pela sala


em antecipação. Ele estava tão ansioso que não conseguia ficar parado.
Finalmente a campainha tocou, anunciando sua chegada.

Gabriele correu para a porta, mas quando a abrimos, nós dois


olhamos para ela. Parada lá estava Piper, mas parecia terrível.

— Srta. West, o que há de errado com seu rosto?

— Gabriele, isso não é educado.

— Está bem. Seria difícil não perceber. — Ela circulou um dedo ao


redor e disse: — Foi por isso que tive que cancelar na semana passada.

— Por favor, entre. — Eu a conduzi pela porta e para a sala de


estar, onde todos nos sentamos.

— Eu tive uma briga com um intruso.

— O que é uma briga? — Gabriele perguntou.

Piper pegou sua mãozinha na dela. — Gabriele, você se lembra


quando eu falei sobre alguém invadindo meu apartamento?
— Sim, e você disse que estava tudo bem. Ela não falou papai?

— Sim, mas deixe-a falar, pequeno.

— Acabou sendo um amigo meu. Ele veio jantar na semana


passada e foi uma reunião com a polícia. — Ela explicou brevemente o
que aconteceu, e eu tinha certeza de que havia mais na história. Tive a
sensação de que ela omitiu as partes principais por causa dos pequenos
ouvidos na sala. Gabriele fez todos os tipos de perguntas e, enquanto eu
ouvia atentamente, quanto mais ela falava, mais sabia que estava
escondendo coisas.

— A polícia te salvou de novo? — Gabriele perguntou.

— Eles com certeza fizeram.

— Mas não antes que o homem mau te machucasse.

— Isso é verdade. Mas ele está preso agora.

— Você está com medo, Srta. West?

Quando ela não respondeu imediatamente, Gabriele disse: — Veja


papai, a Srta. West deve ficar conosco. Ela está assustada.

Ela esfregou a cabeça dele. — Estou bem agora, porque ele está
preso na cadeia. — Seus olhos se nublaram, então eu sabia que havia
mais, mas não perguntei. Esperaria até ficarmos sozinhos, longe de
ouvidos jovens.

Então Gabriele entregou o desenho que ele havia feito. — Aqui. É


um presente.

— Obrigada, é lindo.

— Você está chorando, porque isso deve fazer você feliz, Srta. West.

Ela enxugou os olhos e eu me senti péssimo por todas aquelas


coisas horríveis que disse a ela.
— Não, não estou chorando. Eu tenho algo nos meus olhos.

— Papa, tire para ela.

— Piccolino, por que você não sai e pratica futebol? Estaremos fora
em um minuto.

— Ok, mas não demore muito.

Ele pulou em direção à cozinha e quando ouvi a porta fechar,


peguei a mão dela. — Você está bem? O que realmente aconteceu?

— Você não vai morder minha cabeça, vai? Porque hoje não é um
bom dia para isso.

— Não, sem morder a cabeça, eu prometo.

— Eu não estou bem. Foi uma semana terrível. — Então ela


explicou em detalhes o que havia acontecido naquela noite.

Eu queria arrancar a cabeça do cara. Ele a socou e quebrou o nariz


dela! A fúria me atravessou, destruindo minhas entranhas no processo.
Eu estava literalmente pegando fogo. Que tipo de homem faz isso? Um
criminoso, não um homem.

— Parece que sim. Por que você não ligou?

Ela riu, mas não uma risada engraçada. — Você não facilita muito
as coisas para mim, então não era o primeiro da minha lista.

— Sobre isso. Podemos fazer uma trégua? — Ela me examinou e eu


notei as linhas de estresse ao redor de seus olhos. Eles estavam
sombreados por manchas roxas, mas estavam lá, no entanto. — Eu
quero ajudar, Piper. Sinceramente.

— A polícia confiscou meu telefone em busca de provas e eu não


recebi um novo até depois da minha cirurgia. Minha família nem sabe
disso. — Ela chorou baixinho. Eu sabia que ela eera muito próxima
deles por algumas das coisas que havia dito no voo.

— Por que você não ligou para eles?

— Eu não quero que eles se preocupem.

— Alguém precisa se preocupar. O que aconteceu com você é sério.

— Isso não é o pior. Se as mulheres que ele estuprou não o


identificarem...

— Pare aí mesmo. Ele estuprou mulheres?

— Sim. É por isso que eles estavam tão desesperados para pegá-lo.
Só que as coisas ficaram fora de controle. Como eu disse, ele sabia que
eles estavam lá. Ele me mandou uma mensagem. A polícia não sabia
sobre sua ameaça de cortar minha garganta porque estava em um texto
e ele não verbalizou.

— Porra, Piper. E você ficou sozinha a semana toda?

— Não, eu tive Emma comigo por alguns dias. Ela é do


departamento de polícia. Mas agora estou e vou ser sincera, se eles o
deixarem sair, não sei o que farei. Provavelmente vou para casa.

— É novembro. Você não tem muito mais tempo.

— Eu sei, mas ele voltará Alessandro. Ele irá e da próxima vez será
o fim de um de nós. Tenho a sensação de que não será ele.

Instintos assumiram e a puxei em meus braços. Foi uma ação


reflexa, eu disse a mim mesmo. Senti pena dela, era tudo. Mas quando
ela colocou os braços em volta da minha cintura, me sentiu melhor do
que qualquer coisa em muito tempo.
— Se ele sair, você vai morar aqui. Meu pai sai amanhã. Ninguém
terá que saber. Você pode configurar um endereço fictício com sua
amiga Emma.

Ela se inclinou para trás e me estudou. — Você não pode estar


falando sério. E a política da universidade?

— Se eles descobrirem, o que duvido, vou adiante com seu relatório


policial e direi a verdade. Se eu arriscar meu trabalho, que assim seja.
Já me inscrevi na América, que era meu plano de qualquer maneira.

As linhas entre os olhos dela se aprofundaram. — Espera. Você se


inscreveu nos Estados Unidos?

— Sim. Em Nova Iorque.

— Você está me perseguindo? — Ela perguntou apreensão atando


seu tom.

— Talvez. Eu acho que é mais Gabriele quem está te perseguindo.

— Nesse caso. Mas sério você se mudaria para os EUA?

— Isso estava em andamento antes desta posição se tornar


disponível. E como você sabe, este é apenas temporário. É por isso que
eu estava em Denver.

— E sua família?

— Eles querem que eu seja feliz, junto com meu filho. Gabriele
precisa estar longe de nossa casa. Há uma longa história que o
acompanha. Posso lhe contar um dia, mas não agora.

Ela assentiu lentamente, mas eu ainda queria limpar as sombras


de suas bochechas e fazer seus olhos brilharem de alegria e não de
tristeza. Eu segurei seu rosto e sorri. Foi quando ouvi uma voz
alegremente gritar: — Ela vai ser minha mãe?
Bem, foda-se nós dois.
Capítulo Dezesseis
Piper

É ruim quando uma criança pequena pega você aconchegando o


pai dele e todo o seu rosto fica vermelho como beterraba. Além disso,
Alessandro abaixou os braços como se eu fosse uma batata quente.

— Gabriele, nós já discutimos isso. Srta. West não pode ser sua
mãe. Temos que nos conhecer antes que isso possa acontecer.

— Mas, papai, você a beijaria. Eu sei isso. E as únicas pessoas que


você beija são aquelas que ama. Isso é o que Nonna sempre me diz.

— Como você sabe que eu a beijaria? — Alessandro perguntou.

— Eu sou muito inteligente. Além disso, ela é bonita e precisa de


um beijo.

Merda. O que agora? Alessandro me procurou por ajuda, mas eu


não tinha nada a acrescentar. Talvez isso ajude.

— Gabriele, você já beijou alguma das meninas da escola?

— Não. Mas alguns dos meninos mais velhos fazem. Eu os vejo às


vezes.

— Bem, as pessoas mais velhas gostam de beijar e é o que fazem


às vezes, mas apenas se elas realmente gostam de alguém.

Seus olhos se arregalaram quando ele perguntou: — Então você


realmente gosta do meu pai? Você o ama? Porque duas pessoas têm que
se amar, certo. Amo você, Srta. West.

— Venha aqui, por favor.


Ele correu até nós e eu o apertei com força. — Sim, eu amo você,
seu pinguinho de gente. Você é o menino mais adorável que conheço.
Mas agora, seu pai e eu gostamos um do outro. Não estamos
apaixonados e é isso que é preciso para duas pessoas se casarem. Isso
faz sentido?

— Acho que sim. Mas se você me ama, pode ser minha mãe.

Eu estava me cavando cada vez mais fundo em um buraco.

Foi à vez de Alessandro. — Escute Picollino. Para que a Srta. West


seja sua mãe, temos que nos casar primeiro. Então isso significa que
temos que nos amar também. É um processo. Você ao menos entende
isso?

Ele colocou um dedo na boca e olhou para nós. — Talvez. Você tem
que amá-la e ela tem que te amar de volta. Então ela pode ser minha
mãe.

Alessandro bateu palmas. — Sim!

— Quanto tempo isso vai demorar? Porque eu estou pronto agora.

Eu não pude evitar. Comecei a rir e puxei o garoto precoce para o


meu colo. — Para alguém tão jovem, você com certeza faz algumas
perguntas instigantes.

— O que é isso?

— Isso significa que você superou os adultos.

Eu recebi um sorriso cheio de dentes por isso. Deus, ele era fofo.

— Eu tenho uma ideia. — disse Alessandro. — Por que não vamos


ao cinema e jantamos depois?

— Mas eu pensei que você cozinhou.


— Ainda não e levará apenas trinta minutos para cozinhar quando
voltarmos.

Ele verificou os horários dos filmes e havia um começando em meia


hora. Reunimos todos, incluindo Antônio, e partimos. Eu não conseguia
decidir o que era melhor - assistir ao filme ou ouvir Gabriele rir. Sua
risada foi a melhor absolutamente.

Chegamos em casa e Alessandro foi trabalhar na cozinha. Eu o


observei e suas habilidades culinárias. Ele havia preparado a maior
parte com antecedência, então tudo o que tinha que fazer era cozinhar o
macarrão caseiro e aquecer o frango, o que não demorou muito. Ele
serviu o macarrão com molho de manteiga e o jantar ficou pronto em
menos de trinta minutos. Era digno de um restaurante.

— Isso é melhor do que qualquer escaloppina que eu já comi em


um restaurante. É tão delicioso. Obrigada por fazer isso e me convidar.

Gabriele sorriu ao redor de sua boca cheia de comida e Alessandro


o repreendeu. — Sinto muito, papai. — Ele engoliu a mordida e disse: —
Srta. West, se você fosse minha mãe, você poderia comer essa comida o
tempo todo, porque papai é um cozinheiro muito bom.

Escondi meu sorriso embaixo do guardanapo.

— Você não é muito sutil, não é, meu filho? — Alessandro


perguntou.

— Eu não sei o que é isso.

— Isso significa que você vai direto ao ponto.

— Sim. Amo a Srta. West e você também deve papai.

— Que bom que você me contou. Agora coma seu jantar, como um
bom garoto. — Ele sorriu novamente, desta vez sem comida.

— Srta. West, você deveria vir à nossa casa no Natal.


— Aqui? — Perguntei.

— Não, nossa casa grande em casa. No nosso país.

Eu estava confusa.

Antônio me informou. — Ele quer dizer na Itália.

— Ahh. Sinto muito, pinguinho, mas estou planejando ir para casa


em Nova York para ver minha família.

O pobre coitado parecia esmagado. Então ele se animou e disse: —


Por que eles não podem vir ao país também?

— Ah bem...

— A casa é maior que esta.

— Mas...

— E papai, Nonno, Nonna e meus outros estão todos lá e todos


cozinham muita comida, biscoitos e tortas.

— Bolos, picollino. — Antônio o ajudou.

— Isso.

— Mas minha irmã tem dois bebes, talvez ela não possa vir.

— Por que os meninos também não podem vir? — Gabriele


perguntou.

— Minha outra irmã está na escola e lá está meu pai.

— Eles podem vir também.

Alessandro bagunçou os cabelos do filho. — Gabriele, talvez você


deva deixá-la pensar sobre isso e perguntar ao seu Nonno primeiro. São
eles que fazem todo o trabalho.
— Está tudo bem comigo. — disse Antônio. — Você sabe que todos
os seus avós adorariam. — disse ele a Alessandro.

Eu olhei para o homem em questão e perguntei: — Mas


Alessandro?

Ele respondeu: — Tenho certeza de que ele não se importaria.

Recostei-me na cadeira. Sua resposta me surpreendeu. Imaginei


que ele diria que teria que pensar um pouco. Depois do jeito que me
tratou, pensei que o homem não gostasse muito de mim.

— Vou conversar com minha família. Você pode me dizer onde está
localizado, para que eu possa dar um pouco de informação?

Antônio sorriu calorosamente. — Sim. É na Toscana. Você conhece


Siena? Não é muito longe de lá.

— É claro que ouvi falar da Toscana, mas não de Siena. — Eu


disse.

— Ela não sabe sobre os cavalos, papai. Nós devemos levá-la em


algum momento.

Alessandro riu. — Sim, precisamos. — Ele me disse: — Siena tem


duas corridas de cavalos todos os anos que datam desde 1600.

— Isso é incrível.

— Elas são em julho e agosto. Nós temos que ir.

Gabriele gritou e disse: — Sim. É divertido assistir, Srta. West.

— Se você mora no interior da Toscana, tenho certeza de que é


lindo e posso convencer minha família a vir.

— Eles gostam de vinho?


— Ah, apenas mencione o vinho e meu cunhado fica tonto. Ele se
imagina um conhecedor. Tem uma adega.

Antônio se levantou e disse: — Então está resolvido. Se eles


disserem que sim, você está passando o Natal conosco. Ligue para eles
agora.

— Agora?

— Sim, agora. — Ele estalou os dedos e Gabriele fez o mesmo.

— Papai, é... — Alessandro olhou o relógio — ...meio da noite em


Nova York.

— Eu esqueci. Perdoe-me. Você pode ligar amanhã, sim?

Rindo, eu disse que faria. — Mas você tem certeza? Dois bebês
chorando podem ser um pouco demais.

— Piper, a casa é grande. Não saberemos que eles estão lá. — disse
Antônio.

— Desde que você tenha certeza. — Então eu me perguntava que


tipo de casa eles teriam que era tão grande para que não ouvissem dois
bebês gritando à noite.

Mais tarde, quando Alessandro me levou para casa, agradeci e


perguntei novamente sobre o Natal. — Você está bem? Não quero que
seja uma semana ou o que quer que seja com você estando
desconfortável comigo e com minha família, perturbando suas férias.

— Não será. Você terá seu espaço. Não se preocupe em estarmos


em cima um do outro, prometo.

— OK. Eu vou perguntar a eles amanhã. E por quanto tempo?

— Pelo menos duas semanas, se puderem. Temos um mês de folga.


Talvez você possa voltar aos EUA com eles depois e passar mais
tempo juntos. Mas você precisa de pelo menos duas semanas para se
divertir.

— Eu os informarei.

— Ou, se você quiser ficar o tempo todo conosco, Piper, tudo bem
também. Você decide.

— Em que aeroporto devo lhes dizer que voem? Meu cunhado tem
seu próprio jato para poder se aproximar bastante.

— Florença. Enviaremos um carro para eles.

Isso me fez pensar ainda mais se eles tinham muito dinheiro. Ele
não piscou o olho quando mencionei o jato particular do meu cunhado.

Nossos olhares travaram e meu coração acelerou. Desta vez não foi
porque ele era um idiota. Foi porque eu queria que ele me beijasse. Ele
fez. Mas foi um beijo na bochecha como meu pai me daria. Ele estava
na mesma página que eu? Talvez estivesse levando as coisas devagar e
eu supus que isso era bom. Ou talvez nem estivesse interessado. O lado
perverso de mim queria mais. Mas então pensei no meu nariz roxo de
banana. Não é de admirar que ele não me quisesse. Tinha que me livrar
desses horríveis olhos negros primeiro. Assim que eu ligasse o
computador, pesquisaria alguns remédios caseiros.

Naquela noite, dormi com aveia e avelã no rosto. De manhã,


quando me levantei, parecia que um rebanho de leões havia acampado
e me arranhou a noite toda. Aparentemente, eu era alérgica a um ou
ambos. Não ajudou em nada as contusões. Tornou cem vezes pior.
Capítulo Dezessete
Piper

O TELEFONE TOCOU e não foi Sylvie quem atendeu, mas Evan.

— Pipe, querida, o que está acontecendo?

— Você pode manter um segredo e eu quero dizer realmente


manter um segredo, Evan?

— Você não está grávida, está?

— Não!

— Ok, eu tenho suas costas.

Era isso. Eu exalei. — Fui atacada por aquele cara, Sam que contei
a Sylvie. Você sabe aquele que eu brincava de chamar Ted Bundy.

— Que porra é essa? Você ligou para a polícia?

— Claro. Eles estavam nisso.

— No ataque?

— Não, Evan. Foi uma operação para pegá-lo. Eles estavam no


meu apartamento. — Expliquei a história toda. — Eu não perdi meu
telefone como disse a todos. A polícia o tem. Por isso tive que comprar
um novo.

— Pelo amor de Deus! Você está bem?

— Estou com o nariz quebrado. Eu tive que fazer uma cirurgia. —


Parecia um grande irmão quanto as que ela tinha.

— Cristo. Você quer que um de nós vá para aí?


— Não, eu estou bem agora, mas se você mencionar uma palavra
para alguém sobre isso vou arrancar suas bolas.

— Jesus, acalme-se.

— Vou contar a eles quando os vir, mas não por telefone. OK?

— Compreendo. Mas você tem certeza que está bem?

— Sim, mas não é por isso que estou ligando. Vocês todos querem
ir à Itália no Natal e ficar com meus amigos na casa deles?

— Caramba, Pipe, fale sobre isso. Parece bom, mas não estou
acampando no chão de alguém com dois filhos chorando e uma esposa
que amamenta. Já passei por esse estágio da vida.

Eu ri de sua imagem. — Não bobo. Ele tem uma casa enorme. Ele
disse que você teria um lugar separado para ficar e que ninguém estaria
em cima um do outro. Eles moram na Toscana, perto de Siena, e acho
que têm algo a ver com vinho. O pai dele quer conhecê-lo porque eu
disse a eles que você é um conhecedor.

— Quem são essas pessoas?

— Meu amigo é Alessandro Balotelli e seu pai é Antônio.

— Balotelli como nas vinhas de Balotelli?

— Nenhuma pista. Eu nunca perguntei por que você me conhece.


Não gosto de vinhos e ele nunca ofereceu nenhuma informação.

— Pesquise no Google e depois me diga. Você está perto do seu


computador?

— Sim, espere. — Eu fiz e caramba. Surgiu uma quantidade


inacreditável de informações. — Hum, Evan, você realmente tem que
dizer que sim. Se eles moram perto deste lugar, é incrível. Há uma foto
de toda a família, menos o pequeno Gabriele.
— Quem é o pequeno Gabriele?

— O garotinho de Alessandro e, oh, meu Deus, ele é sempre


adorável.

— Piper. — Ele arrastou meu nome em um aviso. — É melhor você


ter cuidado com isso.

— Você se preocupa consigo mesmo e eu vou me preocupar


comigo. Mas você vai perguntar a todos se eles querem vir por duas
semanas?

— Duas semanas? Ele está falando sério?

— Sim! Tanto ele como o pai convidaram toda a família.

— Tudo o que posso dizer é que eles devem estar apaixonados por
você.

— O pequeno Gabriele sim. Alessandro não. E Antônio gosta de


mim.

— Deixe-me ligar de volta para você. Mas Pipe, o vinho deles é


realmente o melhor. Ele ganhou todos os tipos de prêmios. Eu apostaria
dinheiro que o cara está carregado.

— OK. Bom saber. Mas eu gosto apenas de pessoas boas, não de


dinheiro. Sou como minha irmã mais velha nesse sentido. A propósito,
ela está alimentando a tropa?

— Sim, eu direi a ela para ligar para você.

— Tudo bem, tchau.

Por que Alessandro ficaria tão preocupado com um emprego


quando ele tinha todo esse dinheiro na empresa da família? Isso era
estranho. Ele disse algo sobre uma história que não contou ontem.
Tinha que ter algo a ver com isso. O que quer que tenha
acontecido o fez deixar o negócio e o país. Isso me deixou triste pelo
filho dele, porque aquele lugar parecia inacreditável. Quem não gostaria
de crescer lá?

Desligando o computador, tomei um banho rápido. Cara, meu


rosto sempre doía. Eu me perguntava o que poderia colocar nele. Tinha
medo de fazer qualquer outra coisa por temer que piorasse. Me vesti e ia
para a farmácia ver o que eles sugeriam quando alguém tocou minha
campainha. Abri a porta para ver Alessandro lá.

— O que aconteceu com você? — Pela expressão dele, estava pior


do que nunca.

— Aveia e avelã. — Expliquei após seu olhar confuso.

— Estou te levando para a clínica. Eles podem prescrever alguma


coisa.

— Eu pensei que você disse que ninguém deveria nos ver juntos.

Ele hesitou por um momento. — Nós somos amigos. Acabei de


levar meu pai ao aeroporto. Gabriele estava uma bagunça triste esta
manhã. Ele não queria que seu Nonno fosse embora.

O que isso tem a ver com a nossa situação atual? — Ah, isso me
deixa muito triste. Eles são tão próximos. Tenho certeza que os dois
sentirão muita falta um do outro.

— Eles vão.

— Mas isso ainda não muda o fato de que você é professor e eu sou
estudante.

Ele encolheu os ombros. — Entre no carro. Estamos indo.

Ele me levou para a clínica médica, e eles receitaram um creme


para minhas terríveis alergias que continuaram a piorar. O médico me
disse que o tempo era a melhor coisa para contusões. Eu deveria ter
ouvido o outro médico porque ele disse a mesma coisa.

No caminho de volta para o meu apartamento, ele perguntou se


liguei para minha família.

— Sim, e eles vão retornar para mim. Meu cunhado sabia o seu
nome. Ele disse que você é dono de um vinhedo. Eu esperava que ele
conhecesse.

— Ah, ele conhece meus vinhos. — Ele sorriu.

— Sim, ele gosta de tudo isso, diferente de mim. Eu apenas bebo


as coisas.

— Eu posso ensinar tudo sobre vinhos e você aprenderá as


diferenças. Papai está me enviando uma remessa. Tentei comprar
vinhos melhores aqui, mas não consigo encontrar muitos.

— Uau, você realmente deve ser um esnobe do vinho.

— Não, quando você cresce bebendo o melhor, é difícil beber o pior.

— Não pensei dessa maneira. Não para mudar de assunto, mas por
que você ainda está sendo tão gentil comigo?

Os nós dos dedos no volante ficaram um pouco mais brancos, mas


ele disse: — Podemos conversar quando voltarmos para sua casa?

— Claro, mas eu tenho aula em uma hora, então teremos que


abreviar.

Entramos e sentamos no sofá. Esperei que ele começasse, mas


estava um pouco distraído com o rosto esculpido e os olhos castanhos.
E os óculos dele, é claro. Ok foi muito mais do que um pouco.
Sensualidade vazou de cada um de seus poros. Eu desejei dezenas de
vezes que ele não fosse atraente, porque seria muito mais fácil
esquecê-lo. Mas agora, me concentrando em seus lábios
carnudos, em seus olhos, em seus cabelos levemente ondulados, me
perguntava como ele seria sem camisa.

— Então eu estava pensando...

Merda, eu estava em coma de Alessandro e tinha perdido tudo o


que ele disse.

— Você pode repetir isso?

Seu sorriso sexy apareceu. — Qual parte?

— Talvez tudo? — Eu chiei.

— Onde está sua mente enquanto eu estava discutindo meu filho


com você?

— Eu estava, er, preocupada com você ser demitido. Você sabe


perder o emprego.

Ele tirou os óculos, abaixou os olhos e, oh, Senhor, me ajude. Isso


só o fez parecer ainda mais gostoso.

— Gabriele está convencido de que devemos nos casar. Não que


haja algo errado com você, mas eu já estive nesse caminho antes e...

— Whoa, whoa, whoa. Como assim, não que haja algo errado
comigo? Claro que não há nada errado comigo. Eu sou perfeitamente
normal. E nunca fui casada.

— Eu...

— Espere aí, amigo, ainda não terminei. Eu fui legal com você. Eu
vim para o seu escritório e brinquei, mas você ficou nervoso e a guerra
começou. Nunca fui tratada tão terrivelmente por ninguém na minha
vida. E tenho passado por algumas coisas horríveis, quero dizer coisas
assustadoras. Naquele dia vi você no campo...

— Futebol...
— Seja como for, campo, eu estava de uma maneira muito ruim e
você chutou totalmente meu cachorro.

— Cachorro? Que cachorro? Você não tem um cachorro.

Eu soltei um bufo de frustração. — É apenas um ditado. De


qualquer forma...

— Pare, por favor. Estamos nos adiantando aqui. Eu preciso ver


como digo as coisas ao seu redor. Você é extremamente sensível. Piper,
não há nada errado com você. Na verdade, você é linda. Sou eu quem
tem o problema. Não posso avançar em um relacionamento por causa
do meu passado. Eu nunca vou seguir em frente em um
relacionamento, mas não posso dizer isso ao meu filho. Ele te adora e
quer que nos casemos e não sei exatamente como lidar com isso.
Empolgá-lo não é a coisa certa a fazer.

— Quebrar o coração dele também não é.

— Isso é algo que nunca vai acontecer.

— Alessandro, esse navio zarpou. Você já disse que ele me adora.


O que mais pode ser feito? Dizer a ele que não somos um casal fará com
que queira mais. E não quero que o coração de ninguém se quebre,
sobretudo o dele.

— Então, talvez, damos a ele o Natal que ele quer, e não nos vemos
depois disso.

— Esta é sua decisão. Ele é seu filho. Você sabe o que é melhor
para você e ele.

Ele assentiu e saiu. De alguma forma, eu sabia que seria a pessoa


que acabaria se machucando mais, porque depois de tudo dito e feito,
eles se tinham e eu não tinha ninguém.
Capítulo Dezoito
Alessandro

O PLANO ESTAVA FEITO. Não nos vermos depois do Natal. Eu diria ao


meu pai para não incentivar mais esse relacionamento. Quando
chegássemos em casa, eu tentaria passar o máximo de tempo possível
com Gabriele. Com a família de Piper lá, isto é, se eles concordassem
em vir, ela estaria ocupada com eles. E todos os avós de Gabriele
também gostariam de estar com ele. Isso funcionaria. Teria que servir.

Piper ligou dois dias depois e me informou que sua família adoraria
passar o Natal conosco, sob uma condição. Eles gostaram do meu
convite para ficar, mas não queriam invadir minha casa.

Eu ri mais do que há muito tempo. — Por favor, diga à sua família


que nem perceberemos que eles estão lá. Temos várias casas de
hóspedes na propriedade que eles podem ocupar. Há também duas alas
separadas na casa. Acredite, há amplo espaço para todos. Como eu
disse antes, você pode ficar lá por semanas e nunca me ver.

— Vou transmitir isso a eles. Meu pai foi quem mencionou. E


minha irmã com os bebês está preocupada, como eu disse que ela
ficaria.

— Diga à sua irmã que minhas avós ficarão extasiadas ao ter bebês
por perto. Elas ainda estão ativas e amam crianças. Serão babás
embutidas para eles.

— Suas avós moram lá também?

— Sim, mãe da minha mãe. Infelizmente, seu marido morreu há


alguns anos. Ela também é americana, assim como minha mãe.
Você a amará. E os pais do meu pai também. Somos uma
família enorme e feliz. Seus sobrinhos não terão falta de atenção. Além
disso, não há outro lugar para ficar por perto.

Ela me ligou naquela noite e a decisão foi tomada. A família dela


ficaria conosco. Eu ri. Quando eles vissem a propriedade, entenderiam.
A vinha estava na família há centenas de anos. Tudo começou como um
castelo antigo, mas foi atualizado ao longo dos anos e modernizado.
Casas foram adicionadas para acomodar as famílias, pois nos tempos
antigos, todos viviam juntos. Quando meu pai se casou com minha
mãe, eles acrescentaram cinco chalés a terra, sendo um deles para
meus avós. Os chalés não eram exatamente pequenos. Alguns eram do
tamanho de cinco quartos.

Quando a família se divertia com os negócios, eles precisavam


abrigar muitas pessoas porque não havia hotéis nas proximidades. A
adição das casas de hóspedes funcionou em nosso proveito. A vinha
recebeu muitas provas de vinho e festivais, e a empresa atualmente
alugava as casas durante alguns dos eventos com um prêmio.

Os chalés não estavam listados em nosso site, então, depois que


nossa ligação terminou, enviei uma mensagem para ela com uma breve
mensagem e um link para enviar para sua família. Isso facilitaria a
mente deles até o ponto de nos colocar para fora.

Dez minutos depois, ela me mandou uma mensagem de volta.

Você está brincando comigo?

Enviei a ela uma série de emojis rindo e disse que tínhamos o


quarto.

Gabriele estava me incomodando sobre se eles estavam vindo,


então eu contei a ele as boas novas. Ele pulou no ar e me
cumprimentou só que errou.

— Srta. West está chegando no Natal. Posso ligar para ela?


— Eu não vejo por que não. — Eu digitei o número dela e entreguei
a ele meu telefone.

— Srta. West. Este é Gabriele. Você está vindo para o Natal. Você
pode montar as mesas e comer as guloseimas. E você começa a cantar
conosco e meu pai vai te amar muito e te alimentar de todo tipo de
coisa. Como macarrão.

Sua risada era alta e clara através do telefone.

— Piper? Ok. — Ele afastou a boca do telefone. — Papa, está tudo


bem para eu chamá-la de Piper?

— Srta. West disse que sim?

— Sim, papai.

— Então suponho que sim.

— Papai diz que eu posso. — Disse ele ao telefone. — Quando você


vem me ver de novo?

Essa conversa me fez ficar estranho.

— Isso é muito tempo. Você não pode vir hoje à noite?

— Gabriele, Piper está ocupada.

— Mas, papai...

Eu cliquei meus dedos e ele me entregou o telefone. — Sinto muito,


mas um garotinho ansioso não tem paciência.

— Eu posso ver isso. Disse a ele neste fim de semana. Por que você
não o traz aqui para variar?

— Ele te deixaria louca. E pelo menos aqui ele tem o quintal e eu


posso mandá-lo para o andar de cima.
— Você tem certeza?

— Sim, que dia você faou a ele?

— Domingo, porque prometi a Emma que sairíamos no sábado.

— Domingo então. Vejo você. — Eu encerrei a ligação. Por que ela


tinha que sair com Emma? Ela poderia ter vindo aqui no sábado. O que
eu estava dizendo? Não precisava dela aqui o tempo todo. Quanto
menos ela estivesse aqui, melhor eu estava. Mas a última coisa que eu
queria era que algum homem estivesse olhando para ela enquanto
estava fora. O aperto no meu telefone era tão forte, se eu não me
acalmasse, iria quebrar a maldita coisa. Por que estava tão chateado
com outro homem olhando para ela? Não era da minha conta. Não só
isso, eu não poderia oferecer a ela mais do que amizade de qualquer
maneira. Droga. Por que tive que me casar com Chiara? Essa cadela
tinha me destruído e tudo que eu valorizava. Quase.

SEIS ANOS E MEIO ATRÁS

— ALESSANDRO, estou te implorando. Por favor, não se case com ela.

— Papa, minha decisão está tomada. Eu...

— Olhe nos olhos neste momento e me diga que você não pode
viver sem ela, que ela significa mais que a vida para você. Se pode fazer
isso, então tem a minha bênção.

Ele sabia. Ele sabia o tempo todo que não era possível. Eu olhei
para os meus pés porque não consegui.

— Meu filho, casamento é a coisa mais importante que um homem


faz.
Eu cerrei os dentes. — Papai, ela está carregando meu filho!

— Compreendo. Mas isso não significa que você precise se casar


com ela. Reconheça a criança como sua. Ame a criança. Cuide da
criança. Mas não se case com ela. Se o fizer, viverá para se arrepender.

Suas palavras soaram verdadeiras dezenas e dezenas de vezes. Ela


nunca me quis. Ela nunca quis Gabriele. Só queria meu sobrenome e o
que isso traria para ela. Mas isso não foi o pior.

Nós nos casamos, o dia em que sempre me arrependo. Ela me deu


meu filho, que foi o dia mais feliz da minha vida. Eu o estimava com
meu coração e alma. Ele foi e sempre será a luz da minha vida. Vi
coisas nele que nunca tinha visto em nada antes. Gabriele me fez
acreditar em nosso casamento e Chiara. Por um curto período, vi amor
em seus olhos, mas desapareceu tão rapidamente quanto veio.

Chiara odiava quando ele chorava. Odiava quando ele precisava


dela. Eu contratei uma babá para ele. Minha nonna veio em seu auxílio
também. Eu estava lá sempre que ela precisava de mim. Chiara nunca
foi deixada sozinha. Ela estava cercada por pessoas que a amavam e
cuidavam dela. Mas isso nunca foi suficiente. Nada a agradou.

— Você não me ama você ama apenas ele.

Isso era verdade. O que eu fiz? A banhei com presentes. Isso a


satisfez por um momento ou dois, mas as lágrimas vieram novamente.
Então a bebida começou. No começo era vinho. Sempre houve muito
disso por aqui. Ela começava no final da tarde. Com o passar do tempo,
a bebida começou mais e mais cedo no dia.

Chegou ao ponto de que às três da tarde ela estava bêbada. Eu


disse que se ela não parasse, a mandaria para a reabilitação. Quando
Gabriele tinha um ano, ela mal prestava atenção nele. Ela concordou
em parar de beber e cumpriu. Tempo suficiente para trabalharmos em
nosso relacionamento. Esse foi o meu segundo maior erro. Suas
manipulações me fizeram acreditar que ela queria ser uma mãe melhor.
Até que veio até mim e me disse que estava grávida. Novamente. Ela
deveria estar no controle da natalidade e eu usava religiosamente
preservativos.

Eu a confrontei com isso.

— Parei de tomar essa pílula estúpida e seus preservativos... Furei


todos os seus pacotes com agulhas. — Ela riu como se fosse uma piada
enorme. Levou tudo o que eu tinha para não lhe dar um tapa.

— Chiara, você não presta atenção em Gabriele. Como você vai


lidar com outro bebê?

— A babá pode fazer isso. — Ela jogou os cabelos de bronze para


trás e me deixou sozinho no quarto.

Ela deu à luz uma linda menina sete meses depois. Nós a
chamamos de Francesca. Ela era perfeita em todos os sentidos. Aquela
criança nunca chorou e parecia o anjo que ela era. Deus deve ter
pensado o mesmo, porque um dia, quando ela tinha apenas seis meses
e Gabriele, dois anos e meio, Chiara mergulhou em um estupor.
Amarrou as crianças nos assentos do carro e partiu pela estrada.
Morávamos num país onde as estradas eram estreitas e curvas. Ela
perdeu uma curva, desviou para evitar um caminhão que se
aproximava, bateu em uma árvore, capotou o carro e terminou em um
barranco. Testemunhas disseram que ela conseguiu sair do carro e
tropeçou nos destroços, deixando seus filhos dentro. Gabriele estava
amarrado no banco do carro, pendurado de cabeça para baixo, e meu
pobre anjo, Francesca, não me permitia imaginar o que ela
experimentou. As poucas pessoas presentes estavam correndo para
ajudar, mas era tarde demais para minha filha. Gabriele quase morreu,
e Francesca, minha querida doce anjo, foi chamada de volta ao céu para
estar com Deus. Chiara acabou com um dedo quebrado.
Ela estava cumprindo uma sentença de prisão por causa do
acidente, e também porque causou uma fatalidade e tentou deixar a
cena... A pé. Eu nunca vou perdoá-la por assassinar minha filha, meu
lindo anjo doce. E meu Gabriele, que ficou semanas no hospital com
vários ferimentos, tudo por causa daquela cadela egoísta que queria
meu dinheiro e sobrenome. Ela me destruiu no processo, o homem que
eu costumava ser, aquele que gostava de tudo sobre a vida, aquele que
encontrava alegria em assistir o nascer e o pôr do sol, as flores
desabrochando, o cheiro das uvas na colheita e a vida na propriedade.
Mas acima de tudo, ela arruinou qualquer esperança de eu encontrar
amor e confiança com uma mulher novamente. As únicas coisas que
queria da vida agora eram a felicidade do meu filho e manter a
toxicidade dela longe dele para sempre.
Capítulo Dezenove
Piper

NENHUMA DAS MINHAS irmãs me deixaram em paz. Todos os dias


uma delas ligava para querer saber mais sobre Alessandro. Eu disse
que éramos apenas bons amigos.

— Amigos não fazem o que esse cara está fazendo por você. —
Disse Sylvie.

— Não, ele não. É por causa do filho dele. Por alguma razão, ele
gosta muito de mim. E espere até encontrá-lo. Você verá como ele é
adorável. Ele mal pode esperar para ver os gêmeos também.

— É melhor você não gostar mais dele do que dos seus sobrinhos.
— Alertou Sylvie.

— Pare. Sinto falta desses pequeninos. Como eles estão?

— Me drenando. Eu nunca soube o quanto a amamentação me


faria sentir como uma vaca leiteira.

Depois que terminei de rir, perguntei a ela: — É sem parar? Com


dois deles, não posso começar a imaginar. Aposto que seus mamilos são
pequenos tocos agora.

— Ai credo! Não é tão ruim, mas entre eu e você, Evan está mais do
que pronto para isso acabar. Ele está pronto para o seios novamente.

— Por que os homens são tão loucos? Eu não entendo. — Eu


realmente não entendia. Eles também tem peitos. Era só porque os
nossos são maiores?
— Sim, eu também não. Entendo os outros pedaços, mas os peitos
são superestimados.

— Especialmente quando você tem grandes como eu. Os meus


atrapalham mais do que ajudam.

— Seios grandes são uma dor. Os meus estão enormes com esta
amamentação e mal posso esperar para encolherem.

— Uh, Sylls, e se não o diminuírem?

— HÃ? Você não pode estar falando sério. Vou precisar de um


psiquiatra, se não diminuírem. Parece duas melancias, Pipe. Eu os
odeio.

— Agora você sabe como me sinto o tempo todo.

— Não, os meus estão duas vezes maiores que os seus.

— Oh meu Deus. Mande-me uma foto.

— Não!

— Vamos lá, Sylls. Eu faria isso por você.

— Eu não estou lhe enviando uma foto.

— Espera. Você não acha que estou pedindo uma foto nua de
seus seios, não é? — Então eu uivava. — Oh meu Deus. Eu quis dizer
apenas uma do peito, pelo amor de Deus.

Ela bufou e nós duas rimos por Deus sabe quanto tempo.

Então um dos poderosos gêmeos gritou ao fundo. — Uh, oh. Parece


que um deles precisa de um peito!

— Nah, eles provavelmente fizeram cocô. Eu tenho que correr. Te


amo.
— Amo você também.

Saí sem mais perguntas de Alessandro, por isso fiquei orgulhosa.


Meu pai estava ficando impaciente comigo. Eu não o culpo. Eu gostaria
de mais informações também. Mas o que mais poderia dar? Já tinha
contado a todos sobre a política da universidade e que ele era professor
e tudo.

Eles ainda não acreditavam que éramos apenas amigos. Quem


sabia o que diabos nós éramos? Eu estava totalmente apaixonada por
Gabriele, mas muito preocupada com o que aconteceria com ele depois
que voltasse aos Estados Unidos. Me preocupar com isso não faria
nenhum bem a ele ou a mim. Era o lugar de Alessandro descobrir isso.

No sábado, encontrei Emma em um restaurante local para jantar.


Depois que comemos, fomos ao meu pub favorito, onde muitos
estudantes de pós-graduação saíam. Foi quando ela jogou em mim.

— Eu odeio mencionar isso. — Ela não estava agindo normal à


noite toda e quando perguntei qual era o problema, ela me evitou. Até
agora.

— O que?

— O filho da puta provavelmente estará saindo.

— O quê? — Eu gritei. Não era um grito divertido, então muitas


cabeças se levantaram e me olharam.

— Silêncio. — Quando nada mais se seguiu eles se afastaram e se


ocuparam de seus próprios assuntos.

— Que diabos, Emma. — Meu intestino torceu com medo.


Rejeitando o medo sólido. Suas palavras me impactaram com tanta
força que eu queria correr direto para casa e me esconder debaixo da
cama como a Piper, de cinco anos de idade.
— Sim, bem, nenhuma das mulheres que trouxemos dos casos de
estupro poderia identificá-lo positivamente. Ele foi muito esperto, Piper.
Muito mais esperto do que qualquer um de nós lhe deu crédito.
Nenhuma de suas vítimas conseguiu ver claramente seu rosto.

— Mas e o DNA?

— Nada. Ele colocou luvas de lã em suas vítimas, portanto, sem


arranhões nas unhas. Ele usava camisinha, então também não
encontramos nada lá. Suas vítimas disseram que ele usava luvas de
couro e um chapéu ou máscara de esqui, então não temos nada nele.
As únicas coisas que temos são as duas mensagens de texto. Meu chefe
está tão chateado agora.

— Você quer dizer Thornton?

— Sim.

— Mas ele me segurou na ponta da faca e ia cortar minha


garganta.

— A história dele é que você tentou matá-lo primeiro, mas sabemos


que é besteira. Piper, estamos do seu lado e fazendo tudo o que
pudermos. Eu apenas pensei que você deveria saber.

Isso era inacreditável. Eu tinha que ficar aqui até março. Era
apenas novembro. O que devo fazer?

— Emma, você me liga assim que ele for libertado, sim?

— Sim, mas o que você vai fazer? — Ela me olhou desconfiada.

— Eu não sei. — Eu deixei minha cabeça cair em minhas mãos.


Ela pulsava como uma louca, como se aquele pequeno filho da puta
estivesse dentro dela com um martelo.

Não dormi naquela noite. Cada barulho minúsculo me fazia


pular da cama e me esconder no armário, como se isso fosse
útil. Eu ia sair daqui, por mais que odiasse. Ficar aqui e enlouquecer
todas as noites não era propício para a vida normal.

Alessandro percebeu minha angústia imediatamente no dia


seguinte. Depois que Gabriele me deu seu último desenho e abraçou
minhas pernas por todos os cinco minutos, alternando entre me contar
sobre sua última namorada, Tessa, ele correu para jogar seu futebol,
como ele chamava.

— O que aconteceu? — Alessandro perguntou assim que tudo ficou


livre.

Eu disse a ele e depois mencionei que iria me mudar.

— Sim, lá pra cima. Temos o quarto extra, Piper, e você estará


mais segura do que nunca aqui.

— Alessandro, é uma péssima ideia.

— Nós já discutimos isso. Você pode configurar uma caixa postal


para o seu correio, e ninguém, além de Emma e da polícia, saberá. Por
questões de segurança, a polícia nunca divulgaria seu endereço a
ninguém. Caso contrário, você ficará bem.

— Honestamente, isso aliviaria o estresse de tê-lo voltando para me


encontrar. Mas e você? — Eu queria que o ar fosse limpo entre nós
antes de dar esse passo.

— Eu?

— Sim, você. Estaremos vivendo sob o mesmo teto. — E muito


próximos queria acrescentar , mas me contive.

Uma mão acenou no ar. — Vai ficar tudo bem. Gabriele vai adorar.

— Não foi isso que eu perguntei. — Olhei fixamente para ele.

— Certo, então. Será diferente, eu admito.


— E?

— Mas tenho certeza que posso me ajustar.

— Eu só estive no quarto de Gabriele. E os banheiros? Quantos


há?

Uma risada suave encheu o ar. Por que ele fez isso? Isso me deixou
com arrepios nos braços.

— Você terá o seu próprio, então não se preocupe. Eu não vou


bater na sua porta pedindo para sair, para que possa ter meus poucos
minutos, se é isso que você está perguntando. — Sua piscada
conhecedora me fez rir em troca.

— Isso torna mais confortável. — Seria estranho compartilhar um


banheiro com ele. E se eu tivesse que fazer cocô e ele precisasse ir em
seguida? Ugh, o pensamento fez meu rosto esquentar.

— O que agora?

— Não, nada. — Eu gaguejei.

— Não minta para mim. Se vamos fazer isso funcionar, temos que
ser honestos um com o outro.

— Realmente, não foi nada. Tinha a ver com o banheiro.

Ele pegou meu pulso entre o polegar e o indicador e perguntou: —


Isso tem algo a ver com tomar banho? — Agora seu sorriso sexy me fez
apertar minhas coxas.

— Não! Não foi isso.

— Então o que?

— Por que você é tão chato e persistente?


A mão que segurava meu pulso o levantou. — Porque eu sou.
Agora me diga ou não vou deixar você ir.

Jesus. — Você... Eu... Estou feliz que não precisamos dividir o


banheiro. Isso é tudo! — Eu bufei. — Agora você vai me deixar ir?

— Isso não é uma resposta. Quero conhecer a verdadeira. — Ele


ainda segurava meu pulso no ar.

— E se eu tiver que fazer cocô e você vier logo depois?

Ele olhou para mim por um segundo inteiro, depois deu a


gargalhada mais desagradável que eu já ouvi em toda a minha vida.
Isso incluía minha irmã, Sylvie, que bufava quando ria. E durante todo
o episódio, ele ainda segurou meu pulso, caramba. Eu queria correr e
me esconder, mas não podia, porque ele tinha um aperto forte em mim.

Quando ele parou, eu disse no tom mais sarcástico que pude: —


Você está feliz agora?

Então ele riu de novo, o rato! — Isso foi impagável, Piper. Oh,
Deus. — Ele respirou. — Você é realmente engraçada. Alguém já te
disse isso?

Eu fiz uma careta. — Eu não estava tentando ser engraçada. Mas


sim, as pessoas me disseram isso, muito obrigado.

Ele beliscou minha bochecha, como eu o tinha visto fazer com


Gabriele inúmeras vezes. Que coisa!

— Agora que já resolvemos a situação do banheiro. Por que não


começamos agora? Podemos ir a sua casa para que você possa fazer
uma mala para a semana e no próximo fim de semana, podemos pegar
o resto de suas coisas. — Ele franziu o cenho.

— Agora? Meu cocô te assustou?


Sua carranca reverteu quando sua boca se curvou na direção
oposta. — Não, mas você tem um contrato?

— Sim, mas espero que, nessas circunstâncias, ele me deixe sair.


Ele atualizou o sistema de segurança e é de primeira qualidade, mas
não é suficiente para mim.

Alessandro inclinou a cabeça. — Ele é um bebedor de vinho?

— Não sei. A maior conversa que tive com ele foi quando tudo isso
aconteceu. — Apontei para o meu rosto, pois ainda eram cinquenta tons
de roxo. — Por que?

— Posso enviar a ele um do nosso melhor, o que o deixará muito


feliz se souber alguma coisa sobre vinhos.

— Eu posso perguntar.

Acabou que ele gostava. Mas não foi necessário. Nessas


circunstâncias, ele estava feliz que eu estava me mudando. Após o
incidente, ele queria alguém lá, alguém que não estivesse sendo
perseguido por uma pessoa louca que poderia ser libertada da prisão
em breve.

A partir daquela noite, fui morar com Alessandro, mas era mais
como morar com Gabriele. Ele estava tonto por ter um novo
companheiro de quarto.

Quando fomos à minha casa para fazer as malas, ele fez pelo
menos uma centena de perguntas. — Por que você tem isso? O que é
isso? Quem são essas pessoas? Você vai trazer isso? Você quer este
travesseiro? Posso carregar isso para você? Nossa, quantos sapatos você
tem? — Eu era uma prostituta de sapatos, sem dúvida.

Alessandro interveio. — Gabriele, um dia, quando você for muito


mais velho, verá que as mulheres gostam de sapatos muito mais do que
os homens.
— Por que papai?

— Eu não sei, mas elas gostam.

— É porque temos muitos tipos diferentes de roupas para usar que


precisam de diferentes tipos de sapatos, pinguinho.

Ele não respondeu, mas me ajudou a guardar meus sapatos em


uma grande caixa que eu havia comprado quando me mudei para cá.
Alessandro carregava enquanto Gabriele e eu ainda trabalhávamos lá
dentro. Eu estava colocando mais roupas em uma mala quando
Gabriele abriu minha mesa de cabeceira e perguntou: — Piper, você
também está levando isso? — Eu assisti horrorizada quando ele
estendeu a mão para pegar os dois vibradores que eu mantinha lá.
Capítulo Vinte
Alessandro

QUANDO PIPER GRITOU o nome de Gabriele, meu coração parou. Corri


a toda velocidade para o quarto dela, bem a tempo de ver os dedos de o
meu filho liberarem o que parecia ser um brinquedo sexual.

— O que aconteceu? — Minha voz ecoou por todo o quarto.

Os olhos de Gabriele se encheram de lágrimas enquanto Piper


correu para a mesa de cabeceira e fechou a gaveta. — Não foi nada. Ele
me assustou e eu o assustei de volta. — Culpa estava escrita por todo
seu rosto.

Imediatamente o peguei para inspecioná-lo. Quando seu filho


quase morre, você entra em colapso toda vez que pensa que ele está
ferido. Ela tocou o rosto do meu filho. — Sinto muito, pinguinho. Eu
não quis te assustar.

Ele passou a manga debaixo do nariz e enterrou a cabeça no meu


pescoço. Nossos olhos capturados e vergonha cobriram sua pele na
forma de um rubor rosa brilhante. Eu não queria que ela estivesse
chateada com isso. Eu também não queria que meu filho visse seus
brinquedos perversos. O melhor para eles seria uma sessão de pinturas,
então eu o entreguei a ela. Ela sorriu agradecendo.

— Ei. Sinto muito por ter assustado você. Você está bravo comigo?

— Não. Eu não gosto de ter medo.

— Adivinha? Nem eu e é por isso que vou morar com você porque
tenho medo de morar aqui sozinha. Tudo bem? Que eu vou morar com
você?
Ele assentiu.

— O que acontece se eu roncar bem alto e as paredes tremerem?

Sua cabeça levantou e um sorriso apareceu. — Você não ronca.

— Como você sabe?

— Apenas pessoas idosas de verdade como meu o nonno roncam.


Seu cabelo não é branco, então você não tem idade suficiente para
roncar.

— Eu vejo. Mas eu posso roncar de qualquer maneira. E se fizer, e


o telhado tremer, você ainda vai me querer morando com você?

Ele beliscou o lábio inferior. — Papa, e se o telhado tremer? Piper


vai me acordar?

— Ela deve.

Seu sorriso se espalhou e seus dentes apareceram. — Então eu


vou correr para o seu quarto e jogar meias em você.

— Meias? Por que meias?

Ele encolheu os ombros. — Eu não sei. Você provavelmente não


tem bolas no seu quarto e um sapato pode doer.

— Ahh. Boa ideia. Vou lhe mostrar minha gaveta de meias então.

Ele se soltou dos braços dela e perguntou: — Esse é um lugar


ruim?

— Que lugar? — Ela perguntou.

Ele apontou para a mesa de cabeceira. Ela chamou minha atenção


e eu mordi meu lábio para segurar uma risada.
— Não é exatamente ruim, mas tem algumas coisas que eu não
quero que sejam perturbadoras para você.

— Você quer dizer lagartos e vermes?

Ela já estava se cavando em um buraco maior.

— Hum, não lagartos e vermes, não. Mas outras coisas. — Ela


disse.

— Que tipos de outras coisas?

— Apenas coisas que os crianças não gostariam.

— Coisas adultas então?

— Sim! Coisas adultas. — Ela sorriu.

— Por que você não disse isso? Pensei ter visto um brinquedo lá,
por isso perguntei.

— Tudo bem. Agora que já resolvemos isso, por que não


terminamos aqui? Estou ficando com fome. — E apenas como prova,
meu estômago roncou.

— Ah, papai está com uma barriga barulhenta.

Eu baguncei seu cabelo. — É por isso que quero comer algo.

Empacotamos o resto das coisas dela e, quando Gabriele não


estava olhando, acenei com a cabeça em direção à gaveta e balancei as
sobrancelhas.

— Sim, eu posso pegar isso mais tarde. — Disse ela, saindo


correndo do quarto.

Eu estava muito curioso sobre o que havia lá, então depois que os
dois saíram, dei uma espiada dentro. Piper não tinha um, mas dois
vibradores. Ela gostava de seus orgasmos. Não tive tempo de
verificar que tipo eles eram, só que ela tinha dois, fechei a gaveta e
agarrei as duas malas pesadas, colocando-as no carro.

Ela trancou atrás de mim e voltamos para casa. Depois que


descarregamos, fomos comer algo. Todos votaram em ir a uma
lanchonete onde todos pedimos peixe com batatas fritas.

— Eu me apaixonei totalmente por isso. — Disse ela.

— Eu também. E não era um grande fã de peixe frito antes de


morar aqui.

Gabriele nos assistiu. — Papa o que é frito?

— É isso. — Eu mostrei a ele. — Você sabe quando prepararmos


peixe e ele não tem coisas crocantes por fora? Isso é porque não está
frito.

— Eu também gosto de frito.

— Você gosta de tudo, almôndega.

— Eu não sou uma almôndega. — Suas risadas me encheram de


mais alegria do que eu jamais poderia descrever. Quando desviei o olhar
dele, Piper tinha o telefone dela, apontado para nós dois.

— Espero que você não se importe, mas tirei algumas fotos dos
dois. Vocês dois tinham um olhar indescritivelmente feliz em seu rosto.
Veja.

Ela me entregou o telefone e a foto era ótima. — Você pode enviar


para mim?

— Claro.

— Papai, eu posso ver?

Eu mostrei para ele.


— Vocês dois são muito parecidos.

— Nós somos. Olha papai, temos o mesmo cabelo.

— Nós temos? — Ele adorava apontar as coisas para mim.

— Sim. Viu?

Eu permiti que ele me mostrasse e quando fui devolver o telefone a


Piper, nossas mãos roçaram. O dela era de seda na minha de areia. Eu
assisti sua boca se curvando em um sorriso suave e um brilho quente
queimou dentro de mim. Eu tinha que desligar isso. Não havia lugar na
minha vida para o calor de uma mulher, especialmente uma que
morava conosco.

Gabriele pegou a maior parte da conversa enquanto comíamos. Eu


tive que dizer a ele para parar de falar e começar a comer ou o jantar
não seria adequado para comer. Ele não entendeu o que aquilo
significava então Piper explicou.

— Você gosta de comer meias?

— Isso é bobagem, Piper.

— Você não pensará assim se não comer agora, porque é assim


que o seu peixe terá gosto em breve.

Seus olhos cresceram quando ele a encarou. Então ele foi


colocando o peixe na boca. Aparentemente, as meias não eram um item
de cardápio desejável.

Quando chegamos em casa, já era hora do banho e de dormir.

— Papa, Piper pode ler minha história hoje à noite?

— Você terá que perguntar a ela.

— Piper, você sabe ler?


Escondendo um sorriso, ela disse: — Com certeza.

— Você pode ler para mim minha história para dormir?

— Enquanto não se trata de lagartos ou vermes.

— OK.

Gabriele subiu as escadas para tomar banho comigo. Ao entrar na


banheira, ele perguntou: — Papai, por que Piper não quer uma história
sobre lagartos ou vermes?

— Eu não sei. Você terá que perguntar a ela.

— OK. Espero que ela não ronque.

— Você não deve se preocupar com isso.

— Papai, você acha que ela vai me deixar dormir com ela em algum
momento?

Isso é algo que eu gostaria de saber. — Você terá que perguntar a


ela também.

— Mas se ela ronca, eu não vou dormir.

— Está certo.

— Papa você acha que Piper é belíssima? Eu acho que ela é mais
bonita do que todas as garotas da minha classe.

— Sim, eu acho.

— Se você não se casar com ela, você acha que ela se casará
comigo?

— Talvez. Mas você terá que perguntar isso a ela.

— Estou feliz que ela esteja aqui. Você não está?


— Sim, Gabriele, estou feliz. Agora me deixe enxaguar seu cabelo.
Feche seus olhos.

Quando ele foi lavado, perguntou: — Você acha que ela vai gostar
mais de mim agora que estou limpo?

Esse garoto e suas perguntas. — Eu acho que ela vai te adorar.

— Posso perguntar a ela?

— Você pode perguntar a ela o que quiser.

— Eu te amo papai.

— Gabriele, eu te amo mais do que meu próprio coração.

— Eu também. — Ele apertou os lábios para um beijo. Então me


perguntei quanto tempo esses dias durariam, porque Deus sabia que
sentiria falta deles quando ele crescesse demais para beijar seu pai.
Capítulo Vinte e Um
Piper

LER PARA Gabriele uma história era muito fofo. Mas quando ele me
perguntou se eu gostava mais dele agora que estava limpo e se me
casaria com ele, quase chorei. Minhas emoções me sufocaram e quase
não pude falar.

— Piper, você não gosta de mim? É por isso que você está
chorando de novo?

— Essas não são lágrimas tristes, Gabriele. Estas são lágrimas


felizes. Você me deixou muito feliz. — Eu o abracei com força no meu
peito.

Então ele disse algo tão hilário que saí do meu momento de
lágrimas nos olhos.

— Seus abraços são muito mais macios que do meu papa. Isso me
lembra de nonna. — Ele se afastou e deu um tapinha nos meus seios.
Alessandro assistiu com um sorriso que ameaçava explodir em uma
risada alta.

— Bem... Eu... Obrigada! — Eu beijei o topo de sua cabeça.

Depois que Alessandro o colocou na cama, discutimos algumas


coisas no andar de baixo.

— Gostaria de ajudar com a comida e outras tarefas.

Ele levantou a mão. — Primeiro, tenho uma governanta que vem


três vezes por semana para limpar e comprar a maioria das coisas.
Gabriele também tem uma babá que chega por volta das sete todas
as manhãs e fica até às seis. Ela é muito bem recompensada e a
governanta também, de modo que as tarefas não serão necessárias.

— Então eu gostaria de pagar o aluguel e não aceitarei o não como


resposta. Pagarei o que estava pagando pelo meu outro lugar.

— Isso não é necessário.

Tomei um gole do vinho que estava bebendo. Estar com Alessandro


significava vinho todas as noites. — Necessário ou não, não vou morar
aqui de graça.

— Bem. Faça do seu jeito.

— Algo mais. Se você precisar de ajuda com Gabriele, espero que


me pergunte. Você precisa saber que eu o adoro e, se não tenho aula,
estou disposta a ajudar.

— Obrigado, isso é muito gentil.

Estendi minha mão e ele a apertou. Não foi um aperto de mão


normal. Este mexeu meu sangue e eletrificou meu coração. O impacto
me fez suspirar.

— Você está bem?

— Tudo bem. — Só que minha voz não parecia minha voz. Alguns
personagens de desenhos animados invadiram meu corpo.

— Piper?

— Hmm?

— O que havia na sua gaveta de cabeceira?

— Santo Deus... Nada importante. — Por que essa voz estúpida


não desaparece?

— Por que você não olha para mim então?


Porque se o fizer, posso entrar em combustão espontânea. — Eu
não sei.

— Sim, você sabe.

Um dedo longo e bronzeado se estendeu e me tocou embaixo do


queixo. Então eu estava olhando em seus olhos castanhos, caramba.
Não tinha forças para desviar o olhar. Tão profundos. Como em direção
à lua. Ou até o sol ou outro planeta, se eu pudesse ver tão longe. Seus
olhos eram lindos e caí em suas profundezas cor de avelã. Ouro cercado
de verde, eu queria encará-los para sempre. Ou talvez não. Eu queria
vê-lo nu em seu lugar. Que merda estava pensando? Isso já seria
bastante difícil. Talvez devesse dizer algo ofensivo para fazê-lo o
professor idiota novamente.

— O que está passando por sua mente, Piper?

Ele estava muito perto. Seu hálito quente abanou minha bochecha
e, oh, Deus, minha boceta estava prestes a saltar de mim e pular em
seu pau. Eu ri com o pensamento.

— Você está pensando em algo que não deveria, não é?

— Como você faz isso? — Eu finalmente perguntei.

— A risadinha te denunciou. O que foi tão engraçado?

Meu Deus, não deixe que ele tire essa de mim como ele fez sobre o
banheiro.

— Os meus lábios estão selados.

— Mmm, será? Parece que tenho uma maneira de fazer você


revelar seus segredos. O que há na sua gaveta? Eu quero saber tudo
sobre suas coisas adultas. — Ele imitou a explicação que dei a Gabriele.

— Certo. Como se você não soubesse.


— Oh eu sei. Espiei lá dentro.

Minha boca caiu quando eu fiquei boquiaberta. — Você o que?

— Eu confesso. A curiosidade matou esse gato.

Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus. O que


eu ia fazer? Minhas mãos pressionaram contra o meu coração enquanto
apenas continuava olhando para ele como uma baleia desamparada.
Ok, as baleias provavelmente não ficam boquiabertas, mas, novamente,
o que elas fazem? Eu deixei minha cabeça cair em minhas mãos e gemi.
— Como você pode? Essa era a minha gaveta mais íntima. Você invadiu
minha privacidade.

— Talvez eu quisesse ver do que gostava, caso estivesse


interessado em comprar um novo para você.

Não quero um novo. Amo os que tenho. Parecia uma criança


petulante, choramingando por um brinquedo. Mas ele cruzou a linha.
— Você vai vasculhar minha gaveta de roupas íntimas também quando
eu não estiver aqui? — Ele riu. Oh, ele era irritante. — Pare com isso.
Isto é real. Como você sentiria se eu invadisse suas coisas mais
particulares?

Ele instantaneamente ficou sério. — Você está certa. Eu fiz algo


que não deveria ter feito. Desrespeitei sua privacidade e isso nunca
mais acontecerá. Prometo que Gabriele também não cruzará nenhum
limite. — Ele se levantou e começou a se afastar.

— Whoa, whoa, whoa, senhor. Você pode passar por minhas coisas
casualmente, e depois desligar como um interruptor. E sobre você?

— Nada.

— Não, nada disso. — Eu apontei para o sofá que ele tinha


acabado de desocupar. — Sente-se aqui.
Ele vacilou, mas depois relutantemente se sentou.

— Então?

— Você está certo. Eu tenho coisas que quero que sejam mantidas
em sigilo.

— Tal como?

— Não sei dizer. É por isso que quero que elas sejam mantidos em
sigilo. Elas são muito difíceis de falar.

— Eu vejo. Pode vasculhar minhas coisas, mas não sei nada sobre
você. É assim que funciona?

Sua boca endureceu em uma linha firme. — Eu não estava


mexendo nas suas coisas. Eu só queria ver seus brinquedos para
adultos.

— E se houvesse outras coisas lá?

— Piper, eu não os tocaria. Foi apenas curiosidade. Aquele


incidente que compartilhamos no voo acabou me deixando curioso
sobre você e quando Gabriele... Eu só estava interessado em que tipo de
coisas você gostava sexualmente. Foi só isso. Eu nunca iria cavar mais
nada seu.

Os olhos castanhos olhavam de volta para mim e eram honestos e


abertos. Eu não tinha motivos para duvidar que ele estivesse me
dizendo à verdade. — Tudo bem, mas prometa que não fará isso
novamente, a menos que você peça primeiro.

Um sorriso apareceu e Deus me ajude, ele era bonito. — Eu


prometo. E você também não precisa se preocupar com o pequeno
intrometido.

— Sim, essas perguntas dele eram difíceis de responder. — Ele


continuou a sorrir.
— Mas havia algo mais que eu queria dizer. — Seu sorriso
desapareceu. — Aquile incidente no avião nunca deveria ter acontecido.
Não sei o que aconteceu comigo por iniciá-lo. Eu devo ter enlouquecido.
E mais uma coisa. Se você quiser namorar enquanto estiver aqui, sinta-
se à vontade para fazê-lo.

Quando meu queixo caiu, ele saiu da sala. Se ele tivesse jogado um
balde de água gelada no meu rosto, ficaria menos chocada.
Capítulo Vinte e Dois
Alessandro

QUANDO fechei a porta do meu quarto, eu estava tremendo. Por que


disse essas duas últimas coisas para ela? Nem eram verdadeiras. Se um
cara a pegasse aqui, havia uma possibilidade distinta de eu causar
danos corporais ao sujeito. E depois daquele incidente, - como eu o
chamei no avião - não pensava em mais nada desde então. Tudo que
queria fazer era deslizar meu pau em sua sedosidade, a mesma boceta
macia e lisa que eu tinha fodido com os dedos. Eu era o maior idiota do
mundo. Não, do universo. Minhas mãos puxaram meu cabelo e quase
gritei minhas frustrações.

O barulho alto na porta perturbou meus pensamentos destrutivos.

— Sim?

— Abra a porta.

Ela não era tímida, essa era a verdade. Piper estava lá com uma
expressão ultrajante no rosto.

Com olhos cinzentos, tive certeza de que ela iria me acertar. — Não
ouse dizer esse tipo de coisa para mim e depois ir embora. Você é um
covarde. Primeiro como você pode pensar que eu gostaria de namorar
alguém após a experiência traumática que acabei de ter. Você perdeu a
cabeça. E dois, a maneira como falou comigo lá embaixo sobre
o incidente — ela usou dois dedos para citar — apenas me fez sentir
como uma vagabunda barata, o que não sou. Você me deve um pedido
de desculpas. — Ela cruzou os braços e seus olhos me perfuraram. Eu
me encolhi sob seu olhar intenso.
— Eu sinto muito. Você está certa. Não deveria ter dito essas
coisas.

— Eu sinceramente não entendo você.

— Eu não imagino que você faça. Agora posso fechar a porta? —


Minha barriga tremia porque eu era um covarde. Não conseguia encarar
o que ela estava perto de me forçar a fazer. Enfiei meu passado debaixo
do tapete proverbial e queria que ele ficasse lá. Mas Piper, com sua
percepção e intuição, era quase demais para mim no momento.

Ela bufou e se virou. Desculpei-me porque havia mais nela, mais


em nós, do que apenas algumas conversas ruins. O problema era que
eu imaginava uma vida com ela. Gabriele nunca parou de falar sobre a
mulher. Foi incessante. E vi o por que. Ela tinha um jeito mais
profundo que a maioria das pessoas.

A melhor coisa a fazer seria seguir em frente, mas quando tentei


tudo o que fiz foi pensar nela. Ela estava sob minha pele da pior
maneira. Uma mulher nunca fez isso comigo e, considerando Chiara,
nunca pensei que essas emoções fossem possíveis.

De manhã, mal conversamos. Gabriele era nosso doce


amortecedor. Mas ele não era estúpido. O pequeno sentiu que algo
estava acontecendo enquanto continuava lançando olhares estranhos
para nós dois.

Quando eu estava me despedindo, ele disse: — Papai abrace Piper


também. Ela está triste hoje e precisa de um.

Eu balancei a cabeça e o enviei a caminho com sua babá. Então os


segui alguns minutos depois, sem dar um abraço em Piper.

Tinha uma semana movimentada pela frente, estávamos chegando


nas férias de Natal. Quando entrei no meu escritório, um dos meus
alunos me seguiu. Ela era a pessoa mais irritante que eu já havia
ensinado. Sim, ela estava sedenta de conhecimento, mas nunca parava.
No começo, fiquei um pouco preocupado que ela tivesse uma queda por
mim, mas essas preocupações fugiram quando descobri que suas
conversas eram todas relacionadas à literatura.

— Professor, posso perguntar sobre nossas leituras e a


possibilidade de mudar nossa discussão?

Que diabos? Ela queria que eu mudasse a discussão em grupo. —


Por quê?

— Porque minha tese é sobre um tópico diferente e seria mais


valioso

Eu a parei. — Srta. Wellington, você tem o currículo desde que


assumi a turma e sabia o que seriam cada livro, leitura e discussão.
Sinto muito, não posso acomodar suas necessidades particulares.

— Hum, tudo bem, professor.

Todo dia havia algo mais com ela. Eu tinha uma reunião em dez
minutos, então corri para chegar a tempo.

A semana foi longa e entediante. Minha cabeça não estava no


ensino e eu estava programado para dar uma palestra em outra
universidade em York na próxima semana. Era hora de me recompor.
Piper tinha me tirado da pista e eu via o Natal apenas piorando. Passar
duas semanas com minha família e a dela seria um pesadelo. Evitar era
meu plano. Gabriele seria o único a lidar com isso. Ele conhecia a
propriedade tão bem quanto qualquer um e podia dar-lhes passeios
pela vinícola, junto com meu pai. Lá estava eu novamente, perdendo o
foco.

A reunião do corpo docente era um tédio e eu a rabisquei


escrevendo o nome de Piper uma dúzia ou mais de vezes. Fizeram-me
algumas perguntas sobre a palestra na próxima semana. Alguns
de nós estavam indo e passaríamos a noite. Ofereci-me para dirigir e
mandei uma mensagem para a babá para ver se ela poderia passar a
noite com Gabriele.

Depois da reunião, li a resposta dela. Droga, ela não conseguiria.


Eu teria que perguntar a Piper. Rapidamente enviei uma mensagem
para ela, mas não recebi uma resposta. Verificaria com ela hoje à noite.

Mais tarde naquele dia, Piper respondeu, dizendo que ficaria bem.
Meu dia terminou cedo, então peguei Gabriele na escola e paramos na
loja de doces para que ele pudesse escolher algumas guloseimas.

— Posso pegar um pouco para Piper?

— Sim, você pode.

Ele pegou um pirulito gigante e, a caminho de casa, perguntou: —


Você deu um grande abraço nela, papai?

Eu gaguejei algo como se tivesse o objetivo de tentar, mas ela teve


que sair.

— Por que ela estava triste?

— Eu não acho que ela estava triste. Acho que estava cansada.

— Oh.

— Mas ei. Na próxima semana eu tenho que ir por uma noite e ela
será sua babá durante a noite. Só serão vocês dois.

Ele bateu palmas, dizendo que isso o deixava muito feliz.

Estava ficando tarde e eu estava preparando o jantar quando


Gabriele perguntou onde Piper estava.

— Ela pode estar estudando até tarde.

— Mas ela sempre volta para casa para comer sua comida.
Eu não queria admitir que ela provavelmente ainda estava com
raiva, então disse a ele para lhe enviar uma mensagem no meu telefone
e perguntar. Trinta minutos depois, não tínhamos ouvido nada. Agora
eu estava preocupado. Ela respondeu à minha mensagem anterior, mas
não esta. Talvez o telefone dela estivesse morto e não pode atender.

— Onde ela está papai?

No final, eu disse: — Ela provavelmente está estudando. Talvez o


telefone dela tenha falhado e não tenha recebido sua mensagem.

Uma hora depois, quando tínhamos comido e a cozinha estava


limpa, eu pedi que Gabriele subisse para tomar banho. Eu queria
chamar a polícia. Sabia que ela estava trabalhando com eles, então
talvez pudessem lançar alguma luz.

Quando eu estava me preparando para ligar, a porta se abriu e ela


entrou.

— Onde diabos você esteve? — Meu tom de raiva denunciou tudo


enquanto ela olhava.

Mas eu deveria saber melhor quando ela retrucou: — Não é da sua


conta.

— É aí que você está errada. Meu filho está perguntando por você e
eu estava me preparando para chamar a polícia. Dada a sua situação,
uma simples ligação teria sido a coisa mais educada a se fazer. —
Afastei-me, furioso comigo e com ela.
Capítulo Vinte e Três
Piper

CRISTO! Ele estava certo. Eu estava tão envolvida em fazê-lo pagar,


que tinha esquecido o pequeno Gabriele. E então a coisa toda da polícia
também passou pela minha cabeça. Eu sou tão egoísta. Devo um
pedido de desculpas a ambos.

Subindo as escadas para pagar minhas dívidas, bati na porta de


Gabriele.

— Entre.

Abri a porta e quase chorei. Ele estava sentado no colo de


Alessandro e eles estavam lendo a história deles antes de dormir. Dizem
que uma imagem vale mais que mil palavras e essa valeu um milhão.
Aqueles dois eram lindos juntos.

— Piper! Por que você não nos ligou? Esperamos você pro jantar
até que estivesse frio.

— Sinto muito, pinguinho. Eu tinha alguns estudos para fazer e


esqueci o que foi a coisa errada a fazer. Prometo não fazê-lo novamente.
E Alessandro, sinto muito que você tenha passado pelo trabalho de
preparar o jantar para mim. Eu deveria ter ligado. Foi muito egoísta da
minha parte.

Ele moveu a cabeça para cima e para baixo uma vez, mas Gabriele
disse: — Tudo bem, mas sentimos sua falta. Não é, papai?

— Uh, sim, nós sentimos.

— Sente-se e ouça a história que o papai está lendo. É sobre uma


garota que não tinha mãe e queria uma.
— Ok. — Sentei na cama de Gabriele enquanto Alessandro lia para
ele. A história, como se viu, era uma garotinha que não tinha pais e foi
adotada por outra família e viveu feliz para sempre.

Quando acabou, Gabriele pulou do colo de seu pai para o meu. —


Você vai me adotar para que todos possamos viver felizes para sempre
como Lucinda?

— Bem, pinguinho, filhos com pais geralmente não são adotados e,


como você tem um papai, temo que não possa.

— Mas eu não tenho mãe. Bem, sim, mas não posso vê-la.

— Eu vejo.

Ele pegou minha mão e perguntou: — Você vai ser minha mãe? Eu
te amo como uma mãe. E você é muito bonita. E eu amo o seu... — Ele
apontou para os meus seios. Ah, como eu queria rir, mas essa também
era uma conversa séria.

— Gabriele, eu também te amo. Mas não posso ser sua mãe. O que
posso ser é sua amiga muito próxima. Tudo bem?

— Sim, mas por que você não pode se casar com meu pai? Ele te
ama. Eu sei porque, quando você não está feliz, papai fica mal-
humorado.

Isso não foi interessante?

— Seu pai e eu também somos amigos próximos, mas por


enquanto acho que alguém precisa ir para a cama.

Alessandro se levantou e disse: — Isso mesmo. É hora de dormir


para alguém, para que ele não acorde irritado.

Nós dois demos bosa noite ao pequeno garotinho e eu fui para o


meu quarto jogar minhas coisas lá antes de descer para procurar algo
para comer. Alessandro se juntou a mim na cozinha.
— Eu realmente sinto muito.

— Eu não deveria ter pulado em você assim.

Nós dois chamamos de trégua silenciosa. — Ah, e na próxima


semana tudo bem como babá. Estou ansiosa por isso.

— Ele também. Posso mencionar uma coisa?

— Sim.

— Não sou só eu aqui. É Gabriele também.

— Eu sei. — Abaixei minha cabeça e minhas emoções ameaçaram


explodir. — Sinto muito, Alessandro. Eu estava com raiva, e não estava
certa porque não pensei. Isso não vai acontecer novamente. As
desculpas no andar de cima foram genuínas.

— Obrigado. E tem comida do jantar na geladeira para você.

Eu sorri meus agradecimentos quando ele saiu da cozinha.

AS SEMANAS PASSARAM até o Natal. Quando enviei as poucas fotos


que tirei de Gabriele e Alessandro para minha família, elas tiveram
certeza de que éramos um casal.

Minha outra irmã, Reynolds, ligou. — Oh, Pipe, ele é uma


gracinha.

— Ele é. Gabriele vai conquistar você.


— Sim, ele também é, mas eu estava falando sobre o papai dele.
Então, como vocês estão se esgueirando e fazendo sexo sem serem
pegos?

— Ugh. Reynolds, como eu disse a Sylvie, não somos um casal,


portanto, não nos esgueiramos. — Eu girei um pedaço de cabelo,
pensando o quanto seria divertido.

— Okay, certo. Se você diz.

— Por que nenhum de vocês acredita em mim?

— Olhe para o homem. Se ele estivesse debaixo do meu teto, isso


não seria possível. Portanto, eu estendo isso para você.

— Acredite. Porque estou dizendo a verdade.

— Pobre de você então. Não consigo imaginar o que está perdendo.

Suspirei. — Nem eu. Mudando de assunto, mal posso esperar para


vê-la! — gritei.

— Eu seiiii! Nós vamos nos divertir muito. Nunca estive na Itália.


Você acha que poderemos fazer alguns passeios?

— Eu imagino que sim. Mas você olhou para a casa dele?

— É divina. Ei, sentimos sua falta no Dia de Ação de Graças.

— Eu também senti falta de vocês. Como estão os bebês? Mal


posso esperar para segurá-los. E você? Como está sua vida amorosa?

— Seca como um osso esquisito. Mas sinceramente não me


importo, agora é só com a escola. E os bebês?! Espere até vê-los e os
peitos de Sylls. Oh meu Deus! Eles estão enormes!

Nós rimos.
— Ah, e você se lembra da minha amiga, Sutton? A da escola?

— Sim?

— Ela se mudou para Charleston, Carolina do Sul. Bem, na


verdade, ela mora na ilha de Sullivan, onde quer que seja. Um subúrbio
de Charleston, ela disse. Mas de qualquer maneira, tem um salão de
beleza lá e quer que eu vá trabalhar com ela. Alugar uma cadeira dela.
Depois de obter meu diploma ou certificação, vou pensar sobre isso. Ela
disse que eles estão tão ocupados quanto possível e que eu ganharia
muito, porque o salão dela atende aos ricos.

— Isso parece incrível. O que o papai pensa?

— Ele é a favor. Disse que seria um lugar legal para se visitar. E é


aí que você volta para casa. A menos que seu professor te roube.

— Pare com isso. Eu não estou sendo roubada. Mas também quero
visitar.

— Legal. Você e papai podem ir juntos.

— Não era exatamente isso que eu estava pensando.

Ela uivou. — Oh sim. Ei, deixe-me desligar. Eu preciso começar a


estudar. Você não iria querer que ficasse mal, iria?

— Não em sua vida. Estou desligando agora. Te amo, maninha.

— Amo você também.

Toda vez que eu falava com alguém em casa, ficava acalentada.


Desde que me mudei com Alessandro, Emma e eu não saímos tanto.
Mas ela me convidou para sexta à noite. Gabriele não estava feliz com
isso, mas Alessandro entrou e disse que ele poderia convidar alguém
para passar a noite.

— Posso pedir a Thea para passar a noite?


Nós olhamos um para o outro e quase morremos.

— Gabriele, acho melhor se você perguntar a um garoto. — Eu


disse.

— Por quê?

— Porque meninos, as mães preferem mandá-los para casas dos


meninos. — Eu disse. Isso foi o melhor que pude fazer.

— Mas eu gosto de Thea. Ela é tão divertida quanto os meninos.

Alessandro disse: — Tenho certeza que sim, mas ela não pode
passar a noite. Então você tem que escolher um menino.

— Arthur. Eu escolho Arthur.

Eu falei para Alessandro: — Boa sorte.

Na noite de sexta-feira, Arthur chegou. A casa estava em pleno


andamento, e Alessandro estava dando aos meninos passeios de
cavalinho enquanto eu me preparava para ir à casa de Emma. Ela
passou para me pegar e quando entrou, soltou um grito. — Oh,
querida, há um carnaval acontecendo aqui.

Os pequenos riram e Alessandro relinchou. Isso fez os meninos


rirem ainda mais.

— Ta-ta por enquanto. — Eu disse, saindo pela porta.

— Eu não sei como você faz isso. — disse Emma quando entramos
no carro.

— O que você quer dizer?

— Vamos lá, Piper. Não seja tímida. Aquele homem é lindo. Como
você vive sob o mesmo teto sem transar com ele?
Dei de ombros. — Eu tenho meus vibradores favoritos confiáveis. É
assim que é.

— Não é o mesmo.

— É verdade, mas é melhor do que ficar frustrada.

— Minha horta já estaria gerando raízes no quarto dele agora.

Esfreguei meu rosto. — É complicado.

— Assim como minha dama de jardim, mas eu prenderia a raiz de


seu homem de alguma forma.

Morri de rir. — Raiz do homem? De onde diabos isso veio?

— Você sabe. Jardim de dama? Eu pensei que a analogia fosse


brilhante.

Eu ainda estava rindo quando chegamos a casa dela. — Oooh,


espere até ver o que eu fiz para o jantar hoje à noite.

— O que?

— Eu não estou dizendo.

Quando ela abriu a porta, saiu fumaça. — Inferno, o que está


acontecendo?

Nós duas corremos para dentro e descobrimos que o jantar dela


tinha queimado até ficar crocante no forno. Eu verifiquei o forno e
ofeguei. — Emma, você sabia que definiu para duzentos e quarenta
graus?

— O que? Era para ser apenas cento e quarenta.

— Não é de admirar que tenha queimado. Estava por volta de


duzentos e oitenta graus.
Assim que pegamos o prato ofensivo do lado de fora e abrimos o
forno, o local encheu de fumaça.

— Ei, você não tem um alarme de fumaça aqui?

Seu olhar envergonhado tinha culpa escrita nele. — Tirei as pilhas


e não as substitui.

— Sua idiota. Nós vamos comprar algumas agora. Assim que o ar


estiver limpo.

Nós fizemos. E então pegamos alguma coisa no caminho de volta.

Enquanto comíamos nossa comida tailandesa, perguntei: — Você


vai me dizer o que cozinhou?

— Era a receita de torta da minha mãe e é muito boa. Merda estou


chateada.

— Bêbada chateada ou louca chateada?

Ela me lançou um olhar duh. — Como diabos eu posso estar


bêbada? Só tomei uma taça de vinho.

— Certo.

— Eu tenho um plano. Aqui está o que você precisa fazer.

— Para quê?

— Para colocar a raiz do homem daquele professor gostoso no seu


jardim de dama.

— Você vai parar? Entre você e minha família, nunca ouvirei o fim
disso.

Ela pegou a garrafa de vinho e serviu outro copo. — Não, isso é


brilhante. Apenas ouça. Eu juro que vai funcionar.
Capítulo Vinte e Quatro
Alessandro

TUDO O QUE EU QUERIA era sentar por cinco minutos pacíficos, mas
Arthur e Gabriele eram dois terrores correndo por aí.

— Nos persiga aqui.

— Queremos outro passeio a cavalo.

— Podemos brincar de esconde-esconde?

Isso nunca terminou até chegar a hora de dormir. Eles nem se


importaram com o filme e os doces que eu comprei. Nesse ponto, estava
disposto a suborná-los com qualquer coisa.

Depois que coloquei os dois na cama e disse que apenas trinta


minutos de conversa eram permitidos, desci as escadas e caí em uma
cadeira. Isso tinha sido pior do que quatro horas de um treino brutal.
De onde veio toda essa energia? Eu adoraria comprar alguma, se
possível.

Terminei o uísque que derramei e me arrastei para a cama. Era


inacreditável como duas crianças de seis anos haviam me exaurido.
Depois que me arrumei para dormir, li um pouco, mas manter os olhos
abertos não era uma opção. Esses patifes acordariam cedo, implorando
pelo café da manhã, então apaguei a luz e não tive nenhum problema
em cair em um sono profundo.

Um barulho alto me puxou com relutância da minha nuvem de


sono, mas nunca fiquei totalmente acordado. Isso foi até que um corpo
macio, cheio de curvas e nu se aproximou do meu e se envolveu em
torno de mim. Minhas pálpebras se abriram como se uma dúzia de
fantasmas voasse pela sala, me assustando sem sentido.
Quando virei minha cabeça, estava olhando para o rosto sorridente e
embriagado de Piper.

— O que você está fazendo aqui?

Sua mão pousou no meu pau e ela perguntou: — O que você acha
que eu estou fazendo aqui?

— Você andou bebendo.

Ela apenas riu da minha acusação. — Só um pouco. — Sua mão


me trabalhou para cima e para baixo, e eu fui movê-la.

— Você não gosta disso?

— Está maluca? Claro que eu gosto disso.

— Então por que você está me parando?

Porque é tudo que eu penso... Nisso e com você, queria dizer. Mas,
em vez disso, o que saiu foi: — Os meninos. Podemos acordá-los.

— Eh, acho que não. — Ela subiu em cima, montou em mim e


capturou minha boca em um beijo ardente. Sua mão nunca saiu do
meu pau dolorido e era apenas uma questão de tempo antes que eu
explodisse em um orgasmo de rebentar a bola se continuasse assim.
Ela tinha gosto de vinho tinto e frutas vermelhas e tudo o que pensei foi
em como sua língua era deliciosa enquanto ela me masturbava. Minha
decepção aumentou quando ela se afastou, soltou meu pau e sorriu. —
Estou tão feliz que você dorme nu.

Para minha surpresa e prazer, ela se abaixou e envolveu sua boca


deliciosa ao meu redor. Deus era lindo o jeito que ela chupou meu pau.
Suas bochechas esvaziadas puxaram longa e lentamente enquanto sua
língua fazia redemoinhos mágicos ao redor da cabeça. Eu enterrei meus
dedos em seu cabelo glorioso e a puxei para cima, com força, até que
ela se afundou. Fazia séculos desde que tinha recebiso um
boquete e rezei para que durasse, mas eu sabia melhor. Com o jeito que
ela trabalhou sua mágica em mim, isso não era possível.

A próxima coisa incrível aconteceu. Ela ficou de joelhos e sua


bunda sensual subiu no ar. Tudo que eu queria agora era transar com
ela com força. Piper não era uma mulher magra, como muitas eram
hoje em dia. Tinha curvas deliciosas e muitas delas. E eu amava todas.
Foi quando atirei minha carga. Eu gozei, atirando em sua garganta e ela
gemeu como se adorasse. Gemendo até que todo último impulso fosse
feito, finalmente estava exausto.

— Isso foi gostoso. — Ela lambeu os lábios brilhantes e isso me


lembrou o que eu ia fazer a seguir. Puxei-a para um beijo e depois
deslizei sob suas coxas abertas.

Espalhando seus lábios inferiores com meus polegares, movi com


gestos longos e lentos, para frente e para trás. Ela tremeu sob o meu
toque e isso me fez sorrir, porque eu mal podia esperar para realmente
fazê-la gozar. Enganchando um dedo dentro dela, apontei minha língua
para seu feixe de nervos. Ela segurou a cabeceira da cama enquanto se
ajoelhava sobre mim, ofegante. Adicionando outro dedo dentro, eu
bombeei os dois e joguei-a para o orgasmo quando ela estremeceu sobre
mim.

Exceto que eu não terminei. Em um movimento abrangente, a


coloquei de bruços, subi a bunda dela e continuei de onde parei. Não
demorou muito para que ela estivesse caindo em outro clímax. A
necessidade de enterrar meu pau nela era mais forte do que nunca.
Cheguei à minha mesa de cabeceira e procurei um preservativo. Eu
rezei para ainda ter um. Fazia séculos desde que precisei de um e, se
precisasse, também rezei para que ainda valesse a pena usar.

— Não se preocupe. Eu tenho controle de natalidade. — ela


murmurou.
Eu não confiei nessas palavras. Nunca confiaria nas palavras de
outra mulher, então fiquei aliviado quando meus dedos pousaram em
um pacote de papel alumínio.

— Segurança extra. — Eu disse minha voz rouca de luxúria.


Demorou pouco tempo para colocar o látex e não precisei perguntar se
ela estava pronta para mim. Seus olhos cinzentos imploravam por mais.
Caminhando sua bunda ainda mais alto no ar, empurrei minha ponta
para dentro.

— Cristo. — Ela estava mais apertada do que nunca. — Está tudo


bem? — Eu não tinha certeza de quem estava perguntando isso, ela ou
eu.

— Sim. — Piper assobiou. Ela empurrou contra mim e eu estava


perdido. Empurrando até as bolas profundas, gemi, e isso foi tudo o que
foi preciso. Seus quadris me seguiram e estabelecemos um ritmo
perfeito juntos. Meus dedos afundaram em sua carne macia e cada vez
que eu batia nela, ela gemia. Espalhei as bochechas de sua bunda para
ter uma visão melhor de sua linda boceta, pois ela devorava meu pau a
cada vez.

Minhas palavras saíram rapidamente, uma combinação de italiano


e inglês, porque eu estava perdido em seu sexo suculento. O arco de
suas costas, o comprimento de sua coluna, a maneira como seus
cabelos caíam sobre os lençóis eram as imagens mais surreais, mais do
que eu jamais sonhei. E já sonhei com ela. Todas as noites. Imagens
dela me acordando, minha mão segurando meu pau, comigo
imaginando que estava bombeando entre seus seios gloriosos. Deus,
como eu amava seus seios.

Um orgasmo intenso tomou conta de mim, uma vez que seus


músculos internos apertaram meu pau. Caí ao lado dela, respirando
como se tivesse acabado de sair correndo. Ela virou a cabeça para me
encarar, a boca aberta com espanto.
Seus lábios eram muito atraentes para ignorar, então eu a puxei
para mais perto, perto o suficiente para beijar. Começou suavemente,
mas rapidamente se transformou em mim possuindo-a completamente.
O que havia nela que eu não conseguia me conter? Queria tudo de Piper
West. Não só apenas um gosto. O que ela fez comigo? Talvez pudesse
foder até tira-la do meu sistema, e depois acabar com ela. Mas algo me
disse que isso nunca aconteceria. Quando você experimentava o
melhor, o sexo mais extraordinário da sua vida, isso não era
exatamente fácil de dar de ombros e se afastar.
Capítulo Vinte e Cinco
Piper

ACORDEI com o brilho do sol e alguém mordiscando meu ombro.


Espere, alguém estava mordiscando meu ombro? Abri um olho para ver
Alessandro pairando acima de mim.

Sentei como se tivesse sido queimada, e perguntei: — O que diabos


você está fazendo?

Piscando-me um sorriso incrivelmente sexy, ele disse: — Eu quem


deveria estar te perguntando isso.

— Do que você está falando?

Foi a sua vez de se sentar e o lençol caiu longe dele, revelando um


incrível conjunto de abdômen. Eu apertei meus olhos com força.

— Piper, você está no meu quarto.

— Seu quarto? — E então o plano que Emma e eu inventamos em


nossos estados embriagados me invadiu. Oh, pelo amor de Deus,
realmente continuei com isso?

— Sim, meu quarto. Você entrou na minha cama ontem à noite e


começou a fazer todo tipo de coisas más comigo. Como você esperava
que eu recusasse, especialmente com sua boca em volta do meu pau?

— Ugh. Sou tão idiota. — Bati na testa. — Ow. Minha cabeça está
me matando. — Caí sobre os travesseiros.

— Eu não duvido disso e tenho certeza de que outras coisas


estarão muito doloridas hoje também.

Eu queria tirar seu sorriso presunçoso do rosto.


— De tudo...

— Não se preocupe você aproveitou cada minuto disso. Tanto que


você realmente implorou por mais. Eu não percebi o quanto você era
apaixonada.

— Oh meu Deus. Não acredito em você!

Ele saiu da cama como se não se importasse com o mundo. E por


que ele iria? Acabou de ter transado a noite toda com uma vagabunda
bêbada.

— Escute, se você não quiser ser pega nua aqui por duas crianças
de seis anos, sugiro que se vista ou corra. — Ele sacudiu a mão.

— Ora, de todas as...

Ele levantou as mãos. — Estou apenas tentando salvar sua


reputação.

— Minha reputação. — Eu não tinha mais reputação. Estava


esfarrapada, espalhada e quebrada em pedaços, graças a ninguém além
de mim mesma. Eu ia matar Emma por trazer isso à tona em primeiro
lugar.

— Piper, posso apenas dizer que você foi espetacular. Não fazia
ideia de que sua boca era tão talentosa.

Ele iria calar a boca? Cada palavra era uma faca no intestino da
minha vergonhosa vadia.

— Obrigado, mas você pode simplesmente parar de falar. Sinto-me


doente. — Levantei, chocada com a minha nudez, me enrolei em uma
toalha e fui para o meu quarto. No caminho, percebi a dor requintada
entre minhas coxas. Bom Deus, quantas vezes nós fizemos isso?

Eu procurei meu telefone e me arrastei para a cama. Então


liguei para Emma.
— Sim. — Respondeu uma voz grogue.

— Eu vou te matar.

— O que há Piper? — Ela parecia à morte.

— Como cheguei em casa ontem à noite?

— Táxi. — Sua resposta foi mais um grunhido.

— Você se lembra do plano estúpido que inventou?

— Plano?

— Urrgh. Aquele em que eu deveria voltar para casa e dormir com


você sabe quem?

— Oh aquilo.

— Bem, adivinhe o que essa puta bêbada fez?

De repente, sua voz ficou alerta. — Não, você não fez.

— Ah, sim, sim, e do jeito que me sinto, fui espancada dez vezes
até domingo. E não me lembro.

— Isso é brilhante demais.

— Está maluca?

— Não, por que?

— Primeiro agora sou uma vagabunda. E segundo, não podemos


fazer isso. Ele não tem interesse em mim.

— Piper, querida, se ele não tivesse interesse em você, teria te


levado de volta para sua cama na noite passada.

— O maldito bastardo me disse que eu tinha uma boca


espetacular.
— Bem, está resolvido então. Ele te amou.

— Emma, não. Ele adorou o boquete que eu dei não a dona do


boquete.

— Ninguém nunca lhe disse que o caminho para o coração de um


homem é chupar sua raiz masculina? Ei, você engoliu?

— Como diabos eu deveria saber? Nem me lembro de ser fodida.

— Que pena. Talvez na próxima vez. Bem, eu tenho que voltar a


dormir agora. Planejaremos outra coisa em nosso próximo encontro. Ta-
ta. — E ela terminou a ligação, a pequena traidora.

Não haveria mais planejamento com Emma quando estivesse


bebendo. Mas eu comeria essas palavras depois.

Eu me encolhi no travesseiro e tirei uma soneca. Quando acordei,


era hora do almoço. Saí da cama, tomei um banho rápido e desci
correndo as escadas para uma casa vazia. Estava estranhamente
silencioso sem a família por perto. Família? Uau, Pipe.

Morrendo de fome, vasculhei a geladeira para fazer um sanduíche e


estava comendo quando chegaram em casa. Gabriele correu até mim
perguntando se eu estava doente.

— Não, por que?

— Você ficou na cama como Nonna fica se ela estiver doente.

Bagunçando seus cabelos, eu disse: — Estou bem. Só estava


cansada.

— Você quer sair e chutar bola comigo?

Essa era a última coisa que eu queria, mas talvez me livrasse


dessa ressaca mais rápido, então fui. Toda vez que Gabriele passava a
bola para mim, era mais lenta em chutá-la de volta, e ele
perguntava novamente se eu estava doente, citando minha preguiça.
Finalmente confessei me sentir um pouco mal sob o tempo. Então
fomos para dentro, onde os olhos fumegantes do professor vagavam por
mim. Meu corpo aqueceu, junto com minha boceta. Isso não era bom.
Eu não suportava ficar toda excitada assim e não ter nenhum alívio à
vista. Ele estava brincando comigo de uma maneira injusta.

Gabriele subiu ao seu quarto para brincar e eu assobiei: — Pare de


me olhar assim.

— Você começou isso. Se não tivesse feito o que fez comigo ontem à
noite, não a quereria nua agora.

— Você me quer nua?

— Eu quero você de qualquer maneira que puder te pegar.

— Nós não podemos. Só podemos ser amigos. — Meu protesto foi


fraco, soando mais como uma pergunta. — Viver juntos já é ruim o
suficiente.

— É verdade, mas ninguém precisa saber. Podemos ser discretos.

— Então, o que, seremos amigos com benefícios?

— Sim. Isso te atrai?

Mais do que você jamais saberá. Mas este homem era confuso. Eu
não queria ser apenas amigos com benefícios. Queria mais. Não era
óbvio no meu tom?

— Não foi você quem me afastou no começo? E isso foi antes de


termos Gabriele em consideração. O que acontecerá se ele achar que
somos mais do que isso?

— Ele não vai. Vamos garantir que ele não o faça.


Ele tinha tanta certeza de si mesmo e agia como se a única coisa
que importava era fazer sexo. Eu queria gritar com ele. Alessandro só
estava preocupado com o pau dele. Mas havia uma coisa que precisava
saber. Foi tão espetacular quanto eu imaginava? Tinha que ter mais
uma vez quando estava sóbria, então eu saberia.

— Talvez possamos tentar.

— Nós podemos fazer mais do que tentar. — Seus olhos miraram


nos meus e acabou. Não havia como voltar atrás, mas eu também sabia
que esse era o maior erro que já cometi na minha vida.
Capítulo Vinte e Seis
Piper

EMMA LIGOU MAIS TARDE NAQUELA TARDE.

— Eu tenho outro plano.

— Não há mais planos.

— Você está louca. Ele é a melhor coisa com uma raiz de homem
nesta cidade e você nem se importa.

— Sim, eu me importo. Nós seremos amigos com benefícios.

— Oh Deus. Estou suando com o pensamento. O seu jardim está


pronto?

— O que você quer dizer?

— Quando foi à última vez que você depilou?

— Eu mesmo faço. Já é o suficiente.

— Precisamos ir ao spa. Prepare-se. Vou buscá-la em trinta.

— Mas... — Estava falando com o ar vazio. Ela já tinha desligado.


Maldita seja. Eu estava vestida, então não havia muito que fazer além
de esperar. Disse a Alessandro que ela precisava da minha ajuda e que
ficaria fora por algumas horas.

Quando Emma apareceu, ela nunca esperava no carro, sempre


entrava. Eu esperava que fosse o professor quente. Desta vez, ele estava
lá fora com Gabriele.

— Onde ele está?


— Lado de fora.

— Droga. Vamos então.

No caminho, ela me disse que sua garota de sempre não estava


disponível, mas eles me reservaram com outra pessoa.

— Tudo bem, desde que ela seja boa.

A garota não parecia ter mais de quinze anos, e eu me preocupei


com isso. Ela me garantiu que era licenciada e experiente, o que me
satisfez.

No entanto, quando ela colocou a primeira pilha de cera em mim e


a arrancou, algo não parecia certo. Eu tinha me depilado antes, mas
nunca tinha experimentado essa sensação. Minha região inferior
começou a formigar, e logo se transformou em uma queimação violenta.
A essa altura, ela já havia feito os dois lados e eu estava quase gritando
em cima da mesa.

Ela chamou sua supervisora e eles aplicaram todo tipo de mistura


em mim, incluindo gelo, mas era tarde demais. Meus lábios inferiores
haviam inchado do tamanho daqueles balões de cachorro salsicha que
eu costumava receber no carnaval quando criança. Jesus, como eu
andaria?

— Deve ter sido por toda essa merda que você fez ontem à noite. —
Emma disse alegremente.

— Como você pode agir tão feliz com isso. Minha boceta parece um
cão careca. — Eu tinha uma bolsa de gelo enfiada na virilha da minha
calça jeans. — Como vou entrar em casa assim?

— Hmm. Boa pergunta. Talvez você possa ligar para ele e levá-lo
para fora, até que possa chegar ao seu quarto.
— E então o que? Me esconder lá em cima até que eu sare? E o que
vou fazer com as calças?

— Use vestidos.

— Está congelando.

— Talvez você deva ir ao médico.

Lhe dei um olhar que iria encolher a maioria dos seres humanos.
Mas Emma era uma policial e lidava com os resíduos da humanidade.
Não deu certo. — Deixa pra lá. Me leve para casa. Vou contar a verdade
para ele.

Fomos de carro até a casa e eu liguei para ele da garagem. — Hum,


er, você pode, hum. Aqui está a coisa. Eu tenho um pequeno problema
que tem a ver com inchaço.

— O que?

— Veja, eu fui me depilar.

— Cera?

— Você sabe, minhas, hum, partes íntimas?

— Ah, eu vejo.

— Não, você não. Aparentemente, a cera não gostou muito de mim


e eu tive uma reação. Estou inchada e não consigo andar muito bem.

— Eu não... — Então aconteceu. Ele soltou uma risada que minhas


irmãs provavelmente ouviram em Nova York. — Tenho que ver isso.

— O que? Não, você não pode ver. Quero que tire Gabriele do
caminho para que eu possa chegar ao meu quarto. Meu jeans está
recheado com uma bolsa de gelo.
— Uma bolsa de gelo. — Outra gargalhada quase me ensurdeceu.
Então eu cometi o erro de olhar para Emma. A mão dela estava sobre a
boca tentando reprimir a risada. Eu ia matar alguém hoje, e seria ela.

— Alessandro, você pode fazer o que eu pedi? — Rosnei no


telefone.

— Sim, está bem. Dê-me alguns minutos.

Saí do carro com as pernas afastadas. Não foi fácil. Me inclinei


sobre a janela do carro e disse: — Você está morta para mim. — Então
eu entrei.

Os passos foram os piores. Tudo o que eu queria era o maior cubo


de gelo do mundo. A primeira coisa que fiz foi tirar meu jeans e
substituí-lo por uma calça folgada. Em seguida, deslizei
cuidadosamente na minha cama e deitei lá com as pernas abertas como
uma vadia esperando o meu próximo cliente. Deus, isso poderia ficar
pior?

Claro que sim, porque meu nome era Piper West e minha vida
estava cheia de cenas fodidas.

Houve uma batida leve na minha festa de piedade, seguida pelo


aparecimento de dois rostos curiosos. Um era um adorável com um
conjunto de olhos que continha uma quantidade considerável de
preocupação e o outro? Não vou descrever o que estava escondido
nessas profundezas castanhas.

— Piper, você está bem? Papai disse que você se machucou.

Ótimo. Agora, o que eu ia dizer a essa mente inquisidora? — Sim,


eu meio que puxei um, um, músculo da virilha. — Essa era a única
mentira razoável que eu poderia inventar.

— O que é uma virilha?


— Gabriele, talvez seu pai deva explicar.

Aquilo pegou o diabo sorrateiramente desprevenido.

— Piccolino, é um músculo no topo da sua perna.

— Mostre-me.

Ele apontou para a virilha.

— Oh. Isso dói?

— Sim, sim, mas estarei melhor amanhã ou no dia seguinte.

— Eu sei, vou lhe trazer um biscoito. — Ele saiu apressado do


quarto e seus pés bateram escada abaixo.

— Obrigado por me jogar debaixo do ônibus. — Eu olhei para


Alessandro.

— Eu não sabia mais o que dizer. Entende?

— Não! E meu biscoito estará aqui em um momento.

Com certeza, os passos do rapaz estavam subindo as escadas. Na


mão dele não havia um, mas dois biscoitos e um pirulito. — Aqui. —
Seu sorriso cheio de dentes era contagioso.

Estendi meus braços. — Você pode subir aqui para me abraçar?


Isso pode me fazer melhorar rápido.

Ele subiu na cama e seus braços minúsculos foram ao meu redor e


apertaram.

— Quer saber alguma coisa? — Perguntei.

— O que?

— Você dá os melhores abraços que já tive.


— Os melhores? — Suas sobrancelhas arqueadas.

— Sim. Eles são de primeira qualidade.

— Papa você ouviu isso? Meus abraços são de primeira qualidade.

— Eles são os melhores. — Concordou Alessandro.

— Gabriele, por que você não traz um de seus quebra-cabeças aqui


e nós podemos montá-lo?

— Sim! — Ele saiu correndo da sala e voltou com várias caixas de


quebra-cabeça. — Qual?

— Você escolhe. — Naquela noite, montamos quatro de seus


quebra-cabeças e depois entramos no quarto de Alessandro e
assistimos a um filme em sua TV. Quando chegou a hora do jantar, eles
trouxeram o meu até mim. Eu nunca tinha sido tão bem cuidada.

Na hora de dormir de Gabriele, ele veio e me deu um beijo de boa


noite e me disse que pedia a Deus, Jesus e aos anjos que me fizessem
melhorar. — Eu acho que você deveria dormir com o papai hoje à noite.
Caso precise de algo, para não cair ou nada. — Essa criança era
simplesmente incrível.

Alessandro voltou para o um quarto com um brilho nos olhos. —


Agora você vai me mostrar?

— Isso é tudo que você pode pensar?

— Não. Eu pensei em beijá-la e torná-la melhor.

— Eu vou te mostrar sob uma condição.

— O que?

— Você tem que prometer primeiro.

— Eu prometo.
— Você não pode rir, sob nenhuma circunstância, ou nunca mais
poderá vê-la.

Ele concordou e quando tirei minhas calças, não esperava sua


reação.

Seu rosto ficou pálido, e então ele desmaiou. Eu rolei para fora da
cama e dei um tapinha em suas bochechas até ele gemer.

— Alessandro, você está bem?

— Uhhh. — Ele foi se sentar, mas eu o parei.

— Espere um minuto. Você acabou de desmaiar e precisa relaxar.

— Você precisa consultar um médico sobre isso.

— Você acha?

— Piper, isso parece terrível. É muito pior do que você descreveu.

Ele me entregou um espelho e parecia muito ruim lá embaixo. —


Já está melhorando. Amanhã tudo ficará bem. Você deveria ter visto
antes.

Quando não obtive resposta, me perguntei por que e o encontrei no


chão, desmaiado novamente.
Capítulo Vinte e Sete
Alessandro

— ALESSANDRO, ACORDE! — Abri meus olhos para ver Piper se


inclinando sobre mim, batendo minhas bochechas.

— O que aconteceu?

— Você desmaiou novamente.

— Novamente?

— Sim. Por que você não me disse que era um mariquinha?

— Eu não sou um mariquinha.

Ela riu de mim. — Sim, você é. Você desmaiou duas vezes.

— Sim. Eu não gosto desse tipo de coisa.

— Então por que você olhou?

— Eu pensei que você estava exagerando.

Seus olhos cinzentos se arregalaram e, por um momento, fiquei


preocupado que tivesse que colocá-los de volta em suas órbitas.

— Por que diabos eu exageraria em ser alérgica à cera que eles


usaram em mim?

— Não faço ideia. — Movi-me para me sentar, mas uma onda de


tontura me atingiu.

— Coloque a cabeça entre os joelhos.


— Ok, mas eu tenho certeza que acabei de me mover muito rápido.

Ela se ajoelhou perto de mim e era a posição mais embaraçosa.


Toda essa cena me pareceu engraçada. — Não somos um bom par
agora?

Ela soltou uma risada como eu.

— Gostaria de me dizer mais alguma coisa que te faça desmaiar?

Eu confessei: — Sangue. Mas não algumas gotas. Tem que ser


muito.

— Entendi. Nenhum sangue.

— E você?

— Eu sou forte. Nunca desmaiei.

Isso não me fez sentir como um homem de verdade? Capaz de me


sentar finalmente fui para a cama até ter certeza de que isso não
aconteceria novamente.

— Tudo bem por aí? — Ela se aproximou da cama.

— Você pode grasnar?

— Ok, Sr. Grande idiota. Eu poderia fazer algumas piadas


também, mas sou melhor do que isso.

Em vez de um retorno, fui até a porta.

— Onde você vai?

— Pegar mais gelo pra você.

— Há mais? Eu pensei que tinha pego tudo. Essa é a uma das


coisas irritantes sobre por aqui. Eles não têm fabricantes de gelo.
— Vocês americanos. Não sei por que vocês tem essa obsessão por
coisas frias.

— Porque melhora tudo, até partes do corpo inchadas. Você


deveria tentar algum dia. — As sobrancelhas dela se ergueram.

— Não tenha nenhuma ideia de usá-los em mim.

O brilho travesso que apareceu em seus olhos, junto com seu


sorriso, me deixou desconfiado de onde eu encontraria aquele gelo.

Saí do quarto seguido por uma série de risadas. Ela estava certa.
Descobri que alguns dos cubos haviam congelado, mas não todos.

Quando voltei de mãos vazias, ela perguntou se tinha feito isso


porque eu era um mariquinha.

Eu soltei uma risada. — De onde você tirou essa?

— Eu sabia que você tinha medo de gelo.

— Eu não tenho medo de gelo.

— Tem sim.

— Não tenho.

— Então prove.

Eu tive prazer em dizer a ela que teria que esperar.

— Amanhã então. Eu já estou diminuindo. De manhã, eu devo


estar quase normal e amanhã à noite o suprimento de gelo será
recarregado.

— Você é incorrigível.

— Talvez, mas eu também sou divertida. Você pode gostar de ter


suas bolas mergulhadas no gelo.
Minha mão instantaneamente alcançou as referidas bolas. — Elas
vão fugir de você para sempre.

— Haverá seu pau.

— Você está deliberadamente tentando me provocar a fazer algo


mais cruel com você em troca?

— Eu posso estar. Mas já brinquei com gelo antes e é divertido.

Uma onda de ciúme passou por mim e eu queria dizer a ela para
calar a boca. Não era justo, porque sabia que ela teve namorados antes
de mim. Ela não era virgem, nem eu. Eu fui casado com uma fodida,
então por que diabos estava com ciúmes?

— Hmm, nenhuma resposta sarcástica?

— Não. — Minha resposta curta colocou linhas de expressão entre


os olhos.

— Oi, desculpe. Eu não deveria ter ido lá. Isso foi um pouco
pessoal.

— Não, está bem. Não é como se eu não soubesse que você teve
outro antes de mim.

— É verdade, mas falar sobre isso não é muito bom. Eu costumo


falar demais.

— Você costuma? Eu não tinha notado.

Ela deu um tapa no meu braço e eu agarrei sua mão quando o fez.
Deus amei a sensação dela. Em todos os lugares, e não apenas quando
transamos. Sua pele era tão macia e impecável. Embora seu cabelo
fosse escuro, sua pele era da cor de creme. Com seus olhos cinzentos,
ela tinha um olhar quase exótico. Desejo correu através de mim,
deixando-me com um pau duro e nenhum lugar para colocá-lo.
Eu segui o seu olhar e ela viu o meu dilema.

— Eu posso te ajudar com isso.

— Não vou pedir para você.

— Você não pediu. Eu ofereci. — Seus dedos ágeis rapidamente


abriram minhas calças e me expuseram antes de inalar. Levando-me
profundamente em sua boca quente, ela me chupou no fundo da
garganta, com força, e depois puxou, passando um tempo na minha
ponta sensível. Ela desceu novamente e retomou o ritmo. Eu estava
perdido e perto. Seus lábios aumentaram a pressão enquanto ela
chupava e suas ações me enviaram para um orgasmo muito mais
rápido do que queria.

— Você é fantástica com a sua boca. — Eu disse a ela antes de


puxá-la para beijá-la. — Piper. — Respirei nela. — Você é adorável.

Ela não respondeu, mas me beijou de volta com paixão. Eu queria


mais, mais do que ela poderia dar no momento, considerando sua
condição.

— Você acha que posso retribuir o favor? — Perguntei.

Ela me deu um olhar questionável. — Sem chance. Dois desmaios


em um dia não são uma coisa boa.

— Eu não vou desmaiar novamente. Já sei o que esperar.

— Puxa isso me faz sentir bem.

— Você é linda por todo o lado. Eu te vi quando você estava


normal.

— Normal?
Eu estava me cavando em um buraco mais profundo. — Você sabe
o que eu quero dizer. — Esfreguei meu rosto. — Eu adoraria lamber
você por todo o lado. Entre outras coisas.

— Obrigado, mas eu vou passar. Não posso. É melhor se pularmos


isso por um dia. Mas vou fazer uma verificação de chuva.

— Verificação de chuva?

— Isso significa que você me deve uma.

— Vou pagar com prazer. — Assistimos outro filme, de sua


escolha, e depois adormecemos.

Piper me acordou por volta das duas da manhã, choramingando.


Eu não entendi o que estava acontecendo no começo e pensei que
Gabriele estava na cama comigo. Mas então a luz fraca lançou um
brilho em suas longas madeixas escuras, e ouvi o que ela estava
dizendo. Ela foi apanhada em um sonho e continuou repetindo: — Mãe,
não vá embora. Por favor, não morra. Você não pode ir embora. —
Então ela chorava mais. Cheguei até ela e a acordei gentilmente.

— Você está tendo um sonho e estava chorando.

Ela sentou-se, enxugando os olhos. — Foi tão real. Minha mãe


estava em sua cama em casa, doente. Toda vez que eu olhava para ela,
estava desaparecendo cada vez mais. Eu implorei para ela ficar, mas me
disse que tinha que sair. Foi terrível.

Puxei-a para o meu lado e a segurei até suas lágrimas secarem.

— Deve ser porque está chegando em um ano. — Ela fungou.

Peguei alguns lenços para entregá-la. — É bom que você possa


lamentar por ela. Algumas pessoas seguram tudo por dentro e não
falam. Isso pode te destruir.

— Foi isso que aconteceu com seu pai?


— Não, ele falou sobre isso. Ele simplesmente nunca encontrou
alguém que amava tanto quanto amou minha mãe.

— Tenho certeza de que também será assim com meu pai.

Nós nos deitamos e ela me segurou. — Obrigado. Desculpe-me se


te odiei. Você é muito legal, afinal.

— Você também não é tão ruim. — Voltamos a dormir nos braços


um do outro.
Capítulo Vinte e Oito
Piper

DEZEMBRO FICOU frio DEMAIS quando nos aproximamos das férias.


Eu estava extremamente ocupada com projetos para a minha
graduação quando o impulso começou. Tínhamos uma folga para o
Natal e as provas orais logo depois. Também queria fazer minhas
compras, pois queria presentes para os gêmeos, minhas duas irmãs,
pai, Evan e agora Alessandro e o pequeno Gabriele. E meu cérebro
estava focado na escola, então eu não tinha ideia do que conseguir para
alguém.

Durante minha última semana de orais, eu estava super


estressada. Meus grupos de estudo se reuniam todos os dias e noites
para se preparar, e todos começávamos a parecer gatos eletrocutados.

Alessandro me questionou sobre meu conhecimento e disse que


estava impressionado, mas isso não fez nada para os meus ataques
diários de pânico. Conseguir pouco sono também não ajudou muito.

Os dias passaram e, uma a uma, venci cada prova oral. Meus


escritos não eram tão difíceis, porque eu sempre fui muito melhor em
expressar meus pensamentos dessa maneira. No último dia, arrastei
meu corpo cansado para casa e desabei no sofá. Alessandro já estava lá
e me trouxe um copo de vinho. A babá levou Gabriele e dois de seus
amigos para assistir a um filme, que Alessandro me lembrou.

— Temos algum tempo.

Eu instantaneamente me animei. — Nós temos?

— Sim, cerca de uma hora para ser mais preciso.


— Podemos fazer muito em uma hora.

Pulei do sofá com uma nova explosão de energia e subi correndo os


degraus com ele nos meus calcanhares. Nós tiramos nossas roupas às
pressas quando chegamos ao quarto dele e ele me jogou na cama.
Minhas pernas se separaram em pouco tempo. Sua boca mergulhou
para mim, que era exatamente o que eu precisava.

Minhas mãos atravessaram suas ondas grossas quando ele me


levou ao orgasmo mais requintado. Logo, ele pairou sobre mim e seu
pau entrou lentamente.

— Piper. — Uma palavra foi tudo o que ele disse.

Eu segurei sua bunda firme e o empurrei mais para dentro. Foi


puro êxtase.

— Você é tão apertada e molhada.

— Continue. — Ele parou e eu lamentei. — O que você está


fazendo?

— Olhando para você. — Através dos olhos sensuais semicerrados,


ele olhou. Então sua boca devorou a minha enquanto empurrava com
força e profundidade. Eu gemi e o beijei de volta.

Uma de suas mãos deslizou ao meu redor e me virou de bruços. Eu


descobri que Alessandro gostava de me foder por trás.

— Sua bunda é perfeita. — Ele abriu minhas bochechas e


bombeou em mim quando eu ofeguei de prazer. Ele foi fundo, me
tocando em lugares que me enviaram em espiral.

— Goze para mim, amore mio.

— Simmmm. — Eu assobiei. Cada vez que ele me penetrava, ficava


mais perto de explodir. E então minha boceta apertou em torno dele
enquanto eu ofegava com orgasmo. Foi uma série de espasmos
que me deixaram sem fôlego, mergulhando-o em sua própria euforia.
Ele não se afastou. Em vez disso, rapidamente avançava dentro e fora,
pressionando seus quadris nos meus, beliscando e puxando meus
mamilos. Porra ia gozar de novo. Estremeci quando ele se chocou contra
mim e moveu a mão para o meu clitóris. Lá estava. Eu gemi alto,
gozando em seus dedos, com ele ainda plantado firmemente dentro de
mim.

— Adoro sentir você gozando contra mim. Sua boceta aperta meu
pau com tanta força.

Sua voz rouca enviou arrepios correndo por todo meu corpo.
Quando meu orgasmo acabou, ele se afastou e eu choraminguei.

— Não se preocupe, amore mio, haverá mais, mais tarde. Muito,


muito mais. — Então seus lábios encontraram os meus e nós
estávamos nus, em cima da cama, nos beijando como tolos.

A porta se abriu e Gabriele gritou: — Papai, por que você e Piper


estão na cama?

Ravioli com Moly Santo. Tentei me esconder embaixo das cobertas,


só que nunca desarrumamos a cama. Alessandro se levantou
calmamente e lhe disse para sair e fechar a porta. Isso não funcionou.

— Você está doente?

— Não, estamos bem. Onde está Louise?

— Ela teve que nos trazer para casa porque ficou doente.

— Gabriele, por favor, vá para o seu quarto agora.

Ele apenas olhou para mim. Ou talvez fosse minha bunda.

— OK. Você vem me buscar?

— Sim.
Ele saiu e Alessandro fechou a porta atrás de si.

— Oh, Deus. — Eu disse, pulando para me vestir. — O que


fazemos agora?

Ele passou as mãos pelos cabelos e disse: — Eu não sei. Ele é tão
curioso que certamente perguntará.

— Talvez diga que tive uma forte dor de cabeça.

— E eu estava o que? Fodendo com você?

Isso me pareceu engraçado e eu ri histericamente e não consegui


parar.

Uma casa cheia de ar soprou nele e ele vestiu a calça e depois a


camisa. — Eu vou até ele e arranjo alguma coisa.

— Por favor, me informe depois porque sou uma péssima


mentirosa.

Ele foi ao quarto de Gabriele e eu desci as escadas para terminar o


vinho que Alessandro me serviu mais cedo. Que bagunça louca? Seu
filho era a única pessoa que ele protegeria sobre qualquer coisa. Eu
sabia disso. E se fosse ruim o suficiente ele iria querer que eu me
mudasse? E se tivéssemos estragado tanto que as coisas não pudessem
ser consertadas. Não havia como negar que Gabriele queria que
ficássemos juntos. Ele queria uma mãe e uma esposa para o pai. Mas
Alessandro não queria. E o que eu queria? Meus desejos também
contavam. Alessandro era uma pegadinha certa. Mas eu estava
apaixonada por ele? Certamente estava viciada no sexo que tivemos. Ele
era magnético e convincente. Depois que superei suas maneiras idiotas,
o achei divertido e interessante. Ele era esperto e conhecedor - e não
apenas sobre coisas relacionadas a seus diplomas. Era bem estudado e
bem-educado. E depois havia o adorável filho dele. Eu nunca me
imaginei ser mãe, mas aquela criança havia penetrado meu
coração e pensar na minha vida sem ele - eu não aguentava o
pensamento. A verdade era que, se não estava apaixonada por
Alessandro, estava no caminho de estar. Ele pode não estar no mesmo
universo que eu e essa foi à chance que tive quando me mudei para cá.
Mas, novamente, eu estava em perigo. Engraçado como essa parte
parecia ter escapado da minha mente.

Eu perguntei a Emma sobre isso e até agora o monstro ainda


estava na prisão. Mas foi apenas por um fio que eles conseguiram
mantê-lo lá. Qualquer dia eu esperava ouvir que ele foi libertado. Era
quando me preocupava. Por enquanto, eu estava segura. Viver com
Alessandro também ajudou.

Falando do diabo sexy, lá estava ele.

— Bem?

— Ele acha que vamos nos casar. Uma das crianças da escola
disse que se dois adultos estão nus na cama o tempo todo, isso significa
que eles são casados ou doentes. Eu deveria ter dito a ele que você
estava doente.

— Onde ele ouviu isso?

— Como eu disse, uma das crianças da escola contou a ele. Meu


palpite é que seus pais lhe disseram isso. Talvez eles não tenham uma
tranca na porta.

— Isso é muito bom, agora que penso nisso.

— Sim, mas isso não ajuda em nada. E ele é muito persistente.


Você já sabe que ele queria que nos casássemos para que pudesse ter
uma mãe e eu uma esposa. — Alessandro se jogou no sofá ao meu lado.

— Acho que vamos com dor de cabeça.

— Tarde demais agora. Eu deveria ter dito isso no começo.


— Podemos apenas dizer que estávamos ruins? E estava tocando e
falando?

Uma série de passos soou e lá estava ele.

— Piper, quando você for minha mãe, posso chamá-la de mamãe?


Capítulo Vinte e Nove
Alessandro

COMO eu ia impedir esse acidente de trem? Estava ganhando


velocidade e Gabriele tinha mais determinação em seus olhos do que já
tinha visto antes.

— Gabriele, você sabe o que eu disse lá em cima.

— Mas, papai, eu sei que ela será minha mãe. Por que não posso
perguntar isso a ela?

Piper falou. — Pinguinho, venha aqui um segundo. — Ele correu


para ela. Ela era um ímã para ele e, Deus sabia, eu entendia.

— Sim? — Seu sorriso brilhante apareceu.

— Talvez um dia isso possa acontecer, mas por enquanto, que tal
ficarmos com Piper?

— Bem, ok, mas...

— Aguarde. Não estou dizendo que isso não vai acontecer. Tudo o
que estou dizendo é que pode levar anos para ser feito.

— Anos? — Seu sorriso virou de cabeça para baixo.

— Sim. Os adultos precisam ter certeza sobre as coisas. É meio


difícil de explicar, mas quando você for adulto, entenderá.

— Mas Arthur disse que sua mãe e seu pai ficam nus o tempo todo
e é porque eles são casados.
— Isso é verdade, mas pode haver outras razões também. — Então
ela inclinou seu queixo para trás. — É um dente solto que vejo aí
dentro?

— Sim, viu? — Ele pegou os dedos e mexeu, mostrando a ela.

— Uau. A fada dos dentes vai visitar?

— Hã?

Que distração incrível!

— A fada dos Dentes?

Gabriele se virou e eu dei de ombros.

— Caramba, eu preciso colocar vocês dois a par da fada dos


dentes. — Então ela explicou como você deixava o dente embaixo do
travesseiro e, em troca, a fada dos dentes lhe dava dinheiro por isso.

— Ahh, nós temos Topolino, que traz um presentinho.

— Tipo o mesmo, então.

O sorriso de Gabriele era enorme. — Papa, posso ter Topolino e a


fada dos dentes?

— Eu acho que você só consegue um. É a fada dos dentes ou


Topolino. Você tem que decidir.

— Oh.

— Ei, você não pode ser ganancioso com isso. — Disse Piper.

— Está certo. Você tem que agradecer por receber um presente.

— Okaaaay.

— Ei, você sabia que Piper terminou as aulas até depois do Natal?
Que tal sairmos para jantar hoje à noite?
— Sim! — Ele bateu palmas e pulou. Depois, subiu os degraus.

— Para onde ele foi? — Ela perguntou.

— Eu não sei. — Puxei-a em meus braços e a beijei. — Obrigado


pela distração. Funcionou muito bem.

— Sim.

— Gabriele tem um time de futebol favorito?

— Ele ama todos eles. — Eu ri com o pensamento. — Um minuto


ele ama um e no seguinte outro.

Ela esfregou minha perna e depois circulou um dedo na parte


superior da minha coxa. — Mal posso esperar para partir para a Itália.
Duas semanas. Neste momento, parece uma eternidade.

— Concordo. Eu só tenho mais um conjunto de provas orais para


ouvir e pronto.

Gabriele apareceu com um desenho. Era um de Piper em seu


último dia de aula. Mas ela parecia ter cerca de dez anos.

— Obrigado. É perfeito, Gabriele. Acredito que preciso de um


abraço seu.

Naquela noite, no jantar, meu filho divagou sobre o que queria que
Babbo Natale1 o trouxesse.

— Como é o Natal na Itália? — Piper perguntou.

— A maioria dos nossos presentes é trocado na véspera de Natal e


no dia de Natal e, na noite entre 5 e 6 de janeiro, recebemos o Befana,

1 Equivalente a Papai Noel


que é uma velha senhora ou uma bruxa, que nos traz pequenos
presentes se formos bons.

— Ou carvão, se formos maus. — Disse Gabriele. — Eu sempre sou


bom, então não recebo carvão. Certo, papai?

— Hmm. Geralmente. E onde colocam esses presentes?

— Em uma meia grande. Deixo o meu na sala de estar. Papai


também.

— Foi por isso que sugeri que você ficasse por duas semanas. Eu
deveria ter feito um trabalho melhor ao explicar isso.

— Sim, porque eu não gostaria de perder presentes, gostaria?

— Não! — Os olhos de Gabriele estavam cheios de emoção.

— Na véspera de Natal, jantamos muito bem, abrimos alguns


presentes e depois vamos à missa da meia-noite na vila vizinha.
Gabriele normalmente dorme durante isso.

— Não, papai, eu canto as músicas.

— Sim, e você ronca como um animal entre cada uma delas. — Eu


o belisquei no nariz.

— Papai, conte a ela sobre o nosso presunto. Piper espere até vê-lo!
— Ele saltou na cadeira.

— Conte-me! O que é isso?

Ele estendeu os braços dos joelhos até a cabeça e disse: — É tão


grande. E fica ao lado da nossa árvore com luzes acesas.

Eu ri com sua descrição superficial. — É o presépio, imperdível na


Itália. Nós os levamos muito a sério.
— Oh. Temos um em nossa casa, mas não é nem de longe tão
grande assim.

— É o maior do mundo, não é, papai?

— Não, Gabriele. Você tem que parar de contar grandes histórias


sobre isso. Nós o compramos em Napoli, onde são famosos por eles, e
foi aí que você viu aquele enorme. Lembra?

Ele era muito mais jovem e ficou confuso com isso.

— Talvez. Mas o nosso também é grande, não é?

— Isto é. E é lindo.

— Nonna adora, não é?

— É o favorito dela para nossas decorações.

— Mal posso esperar para ver.

O garçom entregou nossa comida e, enquanto comíamos, Gabriele


continuou a encher nossos ouvidos com mais historias sobre os natais
italianos. — E a Nonna produz os melhores panetones, pandoro e
paneforte. Nonno faz uma bebida forte chamada... Papa o que é?

— Chama-se bombardino, que é um ponche de rum laranja. Mas


ele também é fã de limoncello, então ele garante isso também. Caseiro.

Ela gritou imediatamente. — Eu amo limoncello. Mas você tem que


ir devagar com essas coisas.

— Especialmente do papai. Tem um chute mais forte que a


maioria.

— Vocês dois estão me deixando tão animada.

Gabriele deixou cair o garfo, empolgado, e ele caiu no prato,


ecoando pela sala silenciosa.
— Desculpe.

— Foi um acidente. Não se preocupe — disse Piper.

— Que tal você prestar atenção à sua comida e comer um pouco.


— Vi que o prato dele ainda estava cheio.

— Ok, papai.

Eu tinha terminado o meu jantar e Piper estava perto de terminar


com o dela.

— Mal posso esperar para lhe mostrar a propriedade. É uma época


bonita do ano para estar lá.

— Papa, posso dirigir o taco.

— Taco?

Apontei para o prato dele e disse: — Coma.

Então eu respondi a ela. — Usamos carros a gás na vinha e ele os


chama de tacos. Ele começou a fazer isso antes que seu vocabulário
fosse proficiente. Quanto a você, Piccolino, já conhece as regras. Você
pode dirigir contanto que seja supervisionado por um adulto que saiba
dirigir também.

— Você ensinará Piper para que ela saiba?

— Coma. Não vou mandar de novo, ou nem deixar dirigir.

Ele assentiu e correu com o jantar. Ele devorou tudo como um


negócio.

— Podemos pegar a sobremesa? — Ele perguntou.

— Claro, agora que você terminou.


Piper pediu um café, pedi café expresso e Gabriele pediu bolo de
chocolate. Ele adorava bolo.

Quando Gabriele deu sua última mordida, ele tinha chocolate na


boca.

— Cara, você está uma bagunça. — Disse Piper, estendendo a mão


com o dedo para limpar uma mancha de chocolate. — Isso... — ela
ergueu o dedo para mostrar a ele — ...está em todo o seu rosto. —
Pegando o guardanapo, ele limpou o rosto.

Ele sorriu e seus dentes ainda estavam cobertos pela substância


escura. É certo que era fofo como o inferno.

E então aconteceu. — Quando voltarmos para casa, você e Piper


vão dormir nus juntos?

Piper derramou seu café e eu engasguei com o meu.


Capítulo Trinta
Piper

MAL HUMORADA. Era eu quando saí da cama. Não dormir bem nunca
foi uma coisa boa. O banho frio que tomei também não ajudou, nem a
caneca de café que Gabriele gentilmente me entregou quando desci as
escadas. Ele olhou para mim conscientemente com seus olhos adultos
de seis anos de idade. As coisas que o garoto sabia. Ele não ia esquecer
o incidente. É melhor nos acostumarmos com isso. Estremeci ao pensar
quando ele mencionasse isso na frente da minha família. A de
Alessandro já era ruim o suficiente, mas fazer meu pai pensar em mim
como uma vagabunda seria horrível.

Hoje estava frio novamente. Essa frente fria que envolvia a


Inglaterra não queria desistir. Fui para a cidade com o casaco grosso e o
capuz. Fui o mais rápido possível, olhando para os meus pés. Minhas
mãos estavam enfiadas nos meus bolsos para impedir que se
transformassem em blocos de gelo quando meu telefone vibrou. Eu me
recusei a responder. Estava no bolso de trás do meu jeans muito fino e
minhas mãos não queriam deixar os ninhos quentes em que estavam.
Quem quer que fosse eu ligaria de volta quando chegasse à cidade.
Tinha presentes de Natal para comprar e pouco tempo para realizar
essa façanha.

Minha lista era longa e a pior parte era que eu tinha que carregá-
los para casa. Alessandro disse que me pegaria se eu pudesse esperar
até depois das quatro. A perspectiva de uma volta para casa era mais
atraente a cada passo que dava.

Os gêmeos estavam recebendo roupas. Sylvie mencionou que


estavam crescendo como ervas daninhas. Isso significava que eles
precisariam de muitas roupas novas. Gabriele adorava livros e
fotos, então ele estava recebendo almofadas de artistas, muitos lápis de
cor e vários livros novos. Evan estava recebendo uma garrafa de uísque
chique. Sylvie estava ganhando um novo roupão de cashmere. Reynolds
um roupão xadrez de tartan como o de Sylvie. Papai estava recebendo
algo para o golfe. Eu só tinha que encontrar. E isso deixou Alessandro e
sua família. Eu não tinha ideia do que conseguir para o homem
perfeito. E realmente não conhecia a família dele, exceto Antônio.

Virando a esquina final com apenas um longo alongamento, contei


os passos na minha cabeça. Meus olhos ardiam com a picada de frio e
havia muito poucas pessoas nesta manhã. Era a hora que eu mais
sentia falta de ter um carro.

Eu nunca ouvi isso acontecer. De repente, fui agarrada por trás,


uma mão coberta de pano pressionada sobre minha boca e desmaiei. A
próxima coisa que soube foi que estava sendo sacudida na traseira de
uma van, amarrada e amordaçada, tonta e enjoada. Piscando várias
vezes na tentativa de clarear minha visão, não tive sorte. Nós devemos
ter batido em um solavanco porque minha cabeça bateu contra o chão
de metal duro e as luzes se apagaram novamente.

Havia uma voz à distância. Alguém estava falando, mas a confusão


me abalou. Minhas pálpebras estavam coladas e uma dor esmagadora
centrada na parte de trás da minha cabeça. Eu não tinha ideia de onde
estava, mas não parecia estar na traseira de uma van porque não
estávamos mais nos movendo. Onde quer que estivesse, estava frio e a
superfície em que eu estava era dura - talvez concreto.

— Acorde cadela.

A voz estava perto. Eu pisquei, mas meus olhos se recusaram a


abrir.

Então fui brutalmente chutada no estômago. O ar saiu, deixando-


me em um vazio negro. Eu não pude inspirar. Tudo desligou,
apenas para explodir em tremenda agonia de uma só vez quando
consegui respirar.

Alguns minutos se passaram antes que ele falasse novamente. —


Eu disse acorde, cadela. — Conhecia a voz, mas ele deixou cair o
sotaque americano.

— Estou acordada. — Murmurei. — Mas não consigo abrir os


olhos.

Ele riu, mas não tinha humor. Foi sinistro. Pontadas de medo
corriam para cima e para baixo na minha pele. Torci minhas mãos, mas
elas estavam amarradas atrás de mim.

— Vadia estúpida, você não pode abrir os olhos porque eles estão
vendados.

— Onde estou? Quem é você?

— Não se faça de boba. Você sabe muito bem quem eu sou.

— Eu não, juro.

Não devo parecer convincente, porque ele me chutou de novo e eu


gritei. Pelo menos desta vez não tirei o ar de dentro de mim, uma dor
horrível. Puxei meus joelhos contra o peito para proteção, mas isso
abriu todo o meu traseiro para o jogo. Um chute caiu na minha parte
inferior das costas e fogo acendeu dentro de mim. Respirar fundo não
estava na imagem. Estava aspirando ar através de um canudo.

— Não minta pra mim. Quero saber o que você disse à polícia.

Quando eu não respondi, ele me chutou novamente. Dessa vez


perdi. Tudo ficou preto. Até que um balde de água me acordou.

Agarrando um punhado de cabelos, ele levantou minha cabeça,


rosnando: — Eu fiz uma pergunta.
— Eu... Uh... Disse a eles que você me mandou uma mensagem. —
Saiu como uma frase chiada.

— Sua idiota. Eu sei disso. — Então ele me deu um soco no lado


da cabeça, o mesmo lado que ele tinha me pregado antes. Eu tinha
certeza que ele quebrou minha mandíbula. Sangue acumulou na minha
boca e escorreu quando a abri.

— Não havia muito a dizer. — Murmurei. Eu tinha que conversar


para permanecer viva. Se ele continuasse com isso, eu morreria.

— Você pode fazer melhor do que isso.

— É verdade. Eles queriam saber se fizemos sexo. Eu disse que


não.

— E isso está prestes a mudar.

— Por que? Por que você está fazendo isso?

Ele me deu um tapa novamente. Não, não foi um tapa. Foi um


soco. — Sou eu quem faz as perguntas.

Eu estava perdendo a capacidade de lutar. A tontura ficou por trás


de qualquer droga que ele tivesse me dado antes. Com dor dos chutes
que ele me deu, eu estava fazendo o meu melhor para me manter
coerente. Ele soltou meu cabelo e minha cabeça bateu no chão,
enviando fortes correntes de dor através de mim. Talvez meu crânio
também estivesse fraturado.

Ele andou e pelo som de seus passos rápidos e estrondosos, não


estava satisfeito. Todo o incidente policial o enfureceu.

— Eu quero que você olhe para uma coisa. — Ele se aproximou e


arrancou a fita dos meus olhos, que era como descascar uma camada
de pele. Então ele abriu o zíper da calça e segurou o pau na mão. Ele ia
se masturbar na minha frente? Mas então ele levantou o pau e
segurou suas bolas por um segundo antes de ficar ao meu lado. — Eu
quero que você dê uma boa olhada no que você fez comigo. — Minha
cabeça estava completamente confusa, e não entendi por um momento
até ter a visão de pássaro de seus testículos levemente roxos. Isso foi
causado quando eu o agarrei? Há quanto tempo foi isso? Eu não
conseguia pensar direito para contar. Os cantos da minha boca se
curvaram.

— Você acha isso engraçado? Você está gostando disso? Você não
vai rir por muito tempo quando descobrir o que planejei para você.

Meu sangue correu frio, clichê eu sei, mas era verdade. Se eu


tivesse feito isso com suas bolas, ele iria torcer meus peitos? Se assim
fosse, ele teria que ter mãos maiores. O pensamento me pareceu
engraçado e talvez fosse por ter sido drogada mais cedo e tentando
superar isso, ou talvez porque minha situação fosse completamente
desesperadora, ou porque não havia como ele ter mãos maiores de
repente. Mas eu ri. Alto e irritante. E então bufei como minha irmã.

— Oh, Deus. — Eu apenas bufei. Era como estar na igreja. Não


conseguia parar. Claro que a histeria se instalou, eu a soltei e
totalmente rachei até as lágrimas fluírem livremente. Quando minhas
risadas finalmente cessaram, estava estranhamente silencioso.

— Já terminou? Porque você realmente não tem nada para rir.

Seu tom mudou. Ele voltou a ser o Sam americano. E foi a coisa
mais inquietante e má que eu já ouvi. Foi nesse momento que descobri
a verdade. Estava lidando com um homem que não ia me espancar,
estuprar e seguir seu caminho alegre. Este homem pretendia me matar.
Capítulo Trinta e Um
Alessandro

NENHUMA PALAVRA. Nada. Por dois dias. DCI Thornton não ligou,
mandou uma mensagem ou me mandou ir para o inferno. Emma
também não. Eu estava no meu juízo final. Emma tentou ligar para
Piper no dia em que ela desapareceu para informá-la que Michael
Critchly havia sido libertado. Não havia mais nada dela naquele dia.
Quando não tive notícias dela, fui à cidade, procurando. Nada. Ela me
contou sobre alguns dos lugares para onde estava indo e ninguém a
viu. Foi quando liguei para Emma e ela ligou para a DCI Thornton.

Quando eu estava quase quebrando, liguei para Emma e implorei


por novidades.

— Tudo o que posso dizer é que estamos buscando algo.

— Emma. Isto não é suficiente.

— Eu sinto muito. Não posso divulgar mais nada. Mas posso dizer
isso. Estou tão chateada quanto você. Eu deveria mantê-la atualizada e
eles soltaram esse merda sem me dizer até que ele saísse.

— Você acha que ela está viva?

Um longo suspiro saiu dela.

— Acreditamos que ela está. Apenas reze Alessandro.

— Se você ouvir...

— Eu vou ligar. Você será o primeiro.

Emma era geralmente otimista e alegre, só que desta vez, seu tom
era qualquer coisa menos isso. Ouvir o que ela disse fez me
preocupar mais. Apenas reze Alessandro. Aquele filho da puta a tinha
há dois dias. Talvez eu devesse pedir ajuda extra.

Gabriele entrou chorando. — Papa, Piper foi embora porque estava


nua?

— O que?

— Porque eu fiquei perguntando sobre isso?

— Não! Oh, Deus, não, Gabriele. Ela não foi embora porque queria.
Algo aconteceu, mas ela está tentando voltar para casa.

— Por que ela não volta então?

— Porque agora, ela não pode. Mas ela te ama como uma louca.
Mais do que tudo. — Eu o peguei e o abracei o mais forte possível sem
quebrá-lo.

— Ela te contou?

— Sim, mil vezes e quando ela chegar em casa, dirá a você


também.

— Promete? — Seus olhos se encheram de água enquanto ele


perguntava.

— Por favor, não chore. Eu prometo. Eu juro.

— E se ela não voltar? Nunca?

— Ela vai.

— Estou com medo, papai. Aquele homem mau a pegou?

Como ele sabia? — Homem mau?


Eu ainda o segurava então me sentei com ele no meu colo. — O
homem mau que quebrou o rosto dela. É por isso que você parece tão
triste também?

— Gabriele, estou preocupado com ela, sim. Mas ela não foi
embora porque queria. Eu não quero que você se preocupe também.

Um barulho alto na porta nos assustou.

— O que é isso?

— Eu não sei. Fique aqui. — Ele estava atrás de mim como um


filhote de cachorro treinado. Eu não o culpo. Abri a porta e vi uma
Emma abatida parada ali. — Entre.

— Não tenho mais que um minuto. Estou indo para Londres.

— Londres?

Ela olhou para Gabriele e eu peguei sua dica.

— Filho, por que você não sobe e faz um desenho?

— Você vai falar sobre Piper?

— Talvez.

— Ok. — Ele subiu as escadas lentamente, arrastando cada um


dos seus passos para fora.

— Ele está com medo que ela não volte. — Expliquei.

A maneira como Emma não respondeu me deixou saber que ela


também estava. — Temos a Scotland Yard ajudando nisso. Nós o
localizamos em uma área de cerca de cinco quilômetros quadrados, mas
em Londres, isso pode estar em qualquer lugar.
— Você acredita que ela ainda está viva? — Eu tive que fazer a
pergunta, porque se ela não estiver, teria que me preparar para contar a
Gabriele.

— Sinceramente, não sei. Ele está tecendo em torno dessa área em


particular e não está saindo, então nosso palpite é que sim. Se ele a
matou, por que permaneceria lá?

Isso me deu esperança. — Verdade. Eu acho que ele sairia o mais


rápido possível.

Ela assentiu. — Eu tenho que ir. Se você ouvir alguma coisa dela,
ligue para nós.

— Ei, e o telefone dela?

— Ele deve ter destruído porque não conseguimos localizá-lo.

Esfreguei meu rosto. — Você notificou os pais dela?

— Não. Se você quiser, isso é com você.

— Eu não tenho o número deles. A universidade tem, mas vamos


ver o que acontece até amanhã.

— Bem. A propósito, Thornton está mal com isso.

— Ele deveria estar. Ele nunca deveria ter envolvido Piper.

— Ele vê isso agora. Tenho que correr. Entrarei em contato.

Ela saiu e eu fiquei na varanda, vendo-a partir. A sensação no meu


intestino piorou quando ela desapareceu de vista. Tudo o que eu
conseguia pensar era em Piper nas mãos daquele homem louco. Ele
com certeza a machucaria, mas quão mal? E ele a machucaria o
suficiente para matá-la ou mutilá-la permanentemente?
Meus passos lentos pareciam os de Gabriele enquanto eu arrastava
meu corpo pelas escadas. Ele sentou na cama, esperando por mim.

— Emma não tinha muito a dizer, exceto que ela faria o possível
para trazê-la para casa em segurança.

— Ela sabe onde Piper está?

— Ela acha que sim. Mas não tem cem por cento de certeza.

Ele chorou, Deus como chorou e isso me quebrou ao ver como meu
menino estava chateado. Mas eu não sabia mais o que dizer para ele. —
Que tal chamar Nonno?

— Ele pode encontrá-la?

— Acho que não, mas ele sempre é bom de conversar.

— Podemos conversar na câmera?

— Claro. — Eu o liguei e ele respondeu com o maior dos sorrisos.


Apenas desapareceu quando viu Gabriele chorando. Eu os deixei
conversarem e depois encerramos a ligação. Logo depois, como
esperava, ele me ligou de volta.

— O que está acontecendo?

Fui até a cozinha e saí pela porta dos fundos, para que ouvidos
indiscretos não pudessem ouvir. Então eu expliquei.

— Estou chegando. Estarei aí logo amanhã de manhã.

— Papa, traga vinho.

— Sim. Eu vou.

Naquela noite, telefonei para Louise, dando-lhe folga amanhã. Eu


estava mantendo Gabriele fora da escola. Também enviei um e-mail aos
meus dois últimos alunos que estavam programados para dar
suas provas orais à tarde, adiando-os. Solicitei fazê-los no dia seguinte,
devido a uma emergência. Depois fomos ao aeroporto buscar meu pai.
Ele voou em nosso jato corporativo e já estava esperando por nós
quando chegamos ao aeroporto. Felizmente, Cambridge tinha um
aeroporto para jatos corporativos e pequenos aviões, por isso estava
próximo.

Meu filho se lançou nos braços de meu pai assim que o viu. Isso
me fez feliz por ele estar aqui. E então meu telefone tocou. Era uma
ligação desconhecida, mas não estava me arriscando.

— Sim, olá.

— Alessandro, Emma aqui. Eles encontraram Piper.

— Ela está... — Minha voz parou porque eu temia a resposta que


receberia.

— Sim, ela está viva, mas em mau estado. A ambulância está


levando-a ao hospital agora. Eu te liguei assim...

— Emma, qual? Qual hospital?

Ela me deu o nome e a localização. Eu sabia que seria mais rápido


e fácil se eu pegasse o trem do que dirigisse e tentasse navegar pelas
ruas de uma cidade que não conhecia. Os trens circulavam entre
Cambridge e Londres o tempo todo e, se eu pudesse chegar à estação de
trem imediatamente, poderia fazê-lo. Eu compraria qualquer roupa que
precisasse quando chegasse lá.

— Estou a caminho.

— Alessandro, você deveria saber...

— O quê? — Eu gritei.

— Ela está perguntando por você. Ela não parou de dizer seu
nome desde que a encontramos.
— Foda-se! — Eu gritei a palavra.

Meu pai falava italiano e Gabriele chorou.

— Estou chegando. Diga a ela que estou indo, Emma.

— Depressa.

A ligação terminou. Então eu disse ao meu pai: — Você tem que


me levar para Londres. Agora mesmo. Não tenho tempo de sobra.
Capítulo Trinta e Dois
Piper

O TEMPO NÃO EXISTIA na minha névoa de brutalidade. Ironicamente,


quando eu finalmente parei de rir, ele não me bateu como esperava. Em
vez disso, enfiou uma fronha na minha cabeça, mergulhando-me na
escuridão. Meus membros estavam torcidos em ângulos
constrangedores quando ele me puxou para diferentes posições,
amarrando meus pulsos e tornozelos com mais força, tornando
qualquer tipo de movimento extremamente doloroso e, portanto,
impossível. Então seus passos retrocederam à distância. Eu esperava
que ele voltasse a qualquer momento, mas não voltou. Puxei e puxei as
restrições sem sorte. As temperaturas congelantes penetraram nos
meus ossos enquanto eu deitava no chão gelado. Tremi
incontrolavelmente e pensei na possibilidade de hipotermia. Mas a dor
latejante no meu crânio, costelas, abdômen e parte inferior das costas
me fez esquecer o frio.

Eventualmente, cochilei, mas acordei com ele me arrastando pelo


chão pelos meus cabelos através da fronha. Minha boca estava tão seca
que eu mal conseguia abri-la ou engolir.

— Você está pronta para se divertir? — Ele perguntou.

Ele puxou minha jaqueta o máximo que meus braços contidos


permitiram e depois rasgou minha blusa no meio. O ar frio atingindo
minha pele nua e gelada e me fez tremer novamente.

— Você achou engraçado ontem, não achou? O que você fez para
mim?

— Eu... — Minha boca e garganta estavam tão ressecadas que as


palavras não vieram.
— Sim, está certo. Vamos ver como você acha engraçado agora.

Um chute feroz ao meu lado forçou um grunhido de dor de mim.

Minha cabeça ainda estava coberta, então eu não tinha ideia do


que viria a seguir, aumentando meu medo em cem vezes. E então senti
algo ainda mais frio que o ar contra a pele no meu peito.

— Que tal eu esculpir minhas iniciais em sua linda pele? Você


gostaria disso? — Ele respirou em meu ouvido.

Eu balancei minha cabeça. — Não. — Murmurei.

— Você não pensou muito no que estava fazendo comigo, então


considero esse pagamento parcial. — Ele puxou minha cabeça para
trás. — Você sabe, olho por olho.

Oh, Deus, por favor, não o deixe cortar meus olhos.

A pressão da lâmina que ele segurava contra mim aumentou. Não


doeu exatamente, mas, novamente, eu estava com muita dor pelas
outras lesões, talvez por isso. Ou talvez tenha sido um choque. O
sangue parecia água quente escorrendo pela minha pele gelada,
correndo entre os meus seios. Com esse pensamento, meu sutiã estalou
e meus seios foram expostos ao ar gelado. Sua lâmina, ou o que quer
que ele estivesse usando, me tocou diretamente no meu esterno.

— Talvez eu escreva meu nome inteiro aqui. — Ele raspou a ponta


da faca entre meus seios e meu abdômen e começou a fazer um padrão
no que eu imaginava ser o nome dele. Em um ponto, ele parou e depois
desfez meu jeans. — Ou talvez eu apenas te marque aqui, como você me
fez. Gostaria disso?

Meus braços ainda estavam amarrados atrás de mim e toda vez


que ele fazia alguma coisa comigo, a dor disparava em meus membros.
Inalar uma respiração completa era impossível, porque minhas costelas
doíam junto com todo o resto.
— Você vai me estuprar? — Eu consegui falar. Nem sei por que
perguntei isso. Talvez porque o estivesse atrasando, adiando o ato final
da morte. Afinal, isso era inevitável, não era?

— Você não gostaria de saber?

A essa altura, eu queria que ele terminasse. Emma e DCI Thornton


me disseram que ele só estuprou e não matou, mas eu tinha certeza
que isso não era verdade para mim. Ele puxou meu jeans até os
tornozelos e parou.

Tremi incontrolavelmente, mas agora era principalmente o medo


que era a causa. De repente, a fronha que cobria minha cabeça
desapareceu e a luz fraca estava ofuscando. Pisquei várias vezes para
me ajustar a isso. Quando eu consegui me concentrar, ele ficou acima
de mim, me olhando. Uma garrafa de água foi forçada na minha boca.
Bebi avidamente, mas muito disso derramou devido aos meus lábios
inchados. Não pude colocá-los na abertura.

— Droga, seu rosto está uma bagunça. — Ele riu, apreciando a


vista.

Eu olhei para o meu tronco. Estava coberta de linhas que


escorriam sangue. Ele desenhou uma série de M's em mim, do meu
peito aos meus quadris.

— Não é adorável? Agora você sempre se lembrará de mim, assim


como eu.

Ele se ajoelhou perto de mim e fez o mesmo com minhas coxas. Eu


estava aterrorizada onde ele usaria a faca a seguir.

— Por favor, pare. Farei o que você quiser. — As palavras eram


dificilmente reconhecíveis.

— O que?
— Pare.

— E por que eu deveria fazer isso?

Engoli em seco e lambi meus lábios. — Eu farei o que você pedir.

Ele jogou a cabeça para trás e riu. — Um pouco tarde para isso,
não acha? — Ele bateu nos meus lábios. — Estes são inúteis para mim.

Então ele abriu minhas coxas e quando eu pensei que o pior iria
acontecer com a faca, a deixou cair. Foi quando ele abriu as calças e me
montou. Um pau mole e murcho caiu em sua mão. Ele tentou se
endurecer, mas não adiantou.

— Isto é culpa sua. A porra da sua culpa! — Ele se levantou, seu


pau balançando como um peixe sem vida. Então ele apontou sua bota
para mim e deu vários chutes na minha coxa e lateral.

Em seguida, ele pegou a faca e brandiu. — Eu deveria dividi-la em


pedacinhos e jogá-la no Tamisa. — Ele finalmente enfiou seu patético
pau para dentro e fechou as calças. Não pronunciei uma palavra, mas o
observei se afastar. Ele bateu a porta quando saiu. Foi chocante.

Fiquei surpresa que ele não me matou então. Fiquei na


temperatura cortante sem a jaqueta e precisei me contorcer para
coloca-la de volta. Levou toda a força que me restava para fazê-lo. E
depois havia minha calça. Com as mãos atadas, não consegui alcançá-
la. Isso não importava. Eu a sujara de qualquer maneira. Se alguém
não me encontrasse logo, não duraria muito mais. Ele mencionou o
Tamisa. Eu estava em Londres e qualquer esperança de ser encontrada
caiu. Como eles me rastreariam aqui? Ele jogou meu telefone fora. Ou
eu assumi que ele tinha, já que não estava mais em mim. Não tinha
ideia de quanto tempo estava sumida embora. Ele me drogou, mas não
sei há quanto tempo estou inconsciente. Horas por dia? E então bati
minha cabeça na traseira da van e apaguei novamente. Ele me levou a
algum lugar antes deste lugar?
Quanto mais eu pensava sobre isso, mais minha cabeça latejava.
Ele não tinha colocado a fronha sobre minha cabeça, então eu
inspecionei meu entorno. Talvez houvesse um objeto pontiagudo em
algum lugar aqui e pudesse me aproximar dele e cortar minhas
amarras. O lugar era grande e vazio. Talvez um armazém? Havia uma
porta na extremidade oposta e algumas janelas pequenas com vidro
fosco, mas eram altas demais para quebrar com os meus pés. Eu seria
capaz chegar perto de uma parede?

Empurrei meu corpo, usando meus pés. Cada vez que eu fazia,
solavancos de dor passavam pelas minhas costas, onde ele me chutou.
Ele deve ter quebrado alguma coisa. Costelas? Esperava que não fosse
uma lesão na coluna vertebral, porque isso pode estar piorando. Mas
era isso ou morrer. Não há muita escolha aqui.

Deve ter levado horas porque, quando cheguei à parede com as


janelas, estava escuro e estava exausta. Minhas reservas se foram. Não
havia muito em mim para tentar ficar de pé. Mas se não o fizesse, ele
voltaria e me encontraria aqui, então tinha que tentar. Meus pulsos
estavam abertos por puxões e torções. Com os braços atrás de mim,
rolar para o estômago e usar os joelhos parecia a melhor opção. Eu
esperava não ficar presa, mas foi o que fiz. Estava de lado e puxei meus
joelhos contra o peito, mas não pude rolar de bruços. Rolando para a
minha barriga, eu descobri como puxar meus joelhos. Se não estivesse
tão cansada, teria sido mais fácil. Então pensei em Alessandro e
Gabriele, minha família e como eles todos se preocupariam comigo.

Com um suspiro gigante, me empurrei e acabei ajoelhada. A


tontura me envolveu em ondas e rezei para manter o equilíbrio quando
me levantasse. Para estar segura, certifiquei-me de que a parede
estivesse ali, caso eu tremesse demais. Quando me levantei, minha
força vacilou e se afastou. Foi preciso outra tentativa antes de eu ter
sucesso. Ter a parede ali ajudou a me estabilizar. Agora, vamos
encontrar uma maneira de libertar minhas mãos. Usar a janela
tinha sido uma boa ideia na hora, mas agora que eu estava aqui, não
havia como me aproximar.

Que tal usar minha cabeça? Será que chegaria e, se sim, poderia
quebrar a janela? Eu o dimensionei e era uma possibilidade. Minha
jaqueta tinha um capuz que me protegeria. Ou eu esperava, pelo
menos. Minha cabeça já latejava, o que era mais um solavanco? Este
era um potencial salva-vidas.

Fazer o capuz cooperar era outra coisa. Eu pulei, sacudi e torci até
cair de volta na minha cabeça. Então pulei contra a janela. As primeiras
vezes não foram o suficiente para quebrá-lo. Mas finalmente alcancei
meu objetivo, apenas para voltar sem cacos de vidro.

A janela tinha teias de aranha, as peças caindo para fora com a


força do impacto. Eu gritei de frustração. Não querendo me sentar, caso
houvesse uma chance remota de poder fazê-lo novamente, descansei
contra a parede. Mais uma chance. Eu tinha isso em mim. Se a borda
do meu capuz pegasse uma das pontas afiadas, talvez pudesse puxá-lo
em minha direção. Como eu chegaria lá? Era mais alto do que onde
estava.

— Ajude-me! Socorro! Alguém por favor.

E se ele deixou a porta destrancada, sem pensar que eu seria


capaz de chegar lá? Eu arriscaria tudo pulando até lá para verificar.
Quando chegasse lá, se estivesse trancado, nunca voltaria.

— Socorro! Por favor! — Eu comecei a gritar repetidamente até que


minha garganta ardeu novamente e minha voz sumiu. Ninguém veio.

Eu estava condenada. Meus pulsos não se libertariam por alguns


meios mágicos. A menos que pudesse alcançar um daqueles cacos de
vidro, estaria aqui até que alguém me encontrasse. Se Sam voltasse,
seria uma mulher morta.
Meu corpo desabou não mais capaz de suportar meu próprio peso.
Eu amassei, lembrando-me de um pedaço de papel. Foi quando quebrei.
Chorei pelo fato de nunca ter tido a chance de dizer às pessoas que eu
mais amava o que elas significavam para mim. Eu nunca aproveitei a
oportunidade para dizer a eles o quanto os adorava. E nunca disse
adeus a nenhum deles.

A exaustão tomou conta de mim e dormi. Eu sonhava com minha


mãe me dizendo para ficar forte. Lutar mais. Não desistir. Sonhava com
minhas irmãs e como elas sempre me diziam que minha espinha dorsal
era forjada de aço e não me esquecer.

Barulhos me despertaram. Estava claro agora. Sem saber do


tempo, lembrei de onde estava. Então a porta se abriu e eu gritei. Não
parei, esperando que alguém ouvisse. Desta vez, não era um conjunto
de passos. Eram dezenas. Eles estavam gritando enquanto eu
continuava gritando, ou pelo menos pensava que estava. Minha voz
estava completamente filmada. Eles me disseram depois que nunca me
ouviram. Levaram alguns momentos para me ver, já que estava muito
escuro lá dentro. Eles nunca notaram o vidro quebrado.

A equipe de polícia havia chamado uma ambulância e ouvi a sirene


chegando. Emma e Thornton estavam lá. Se não estivessem, não sei se
teria acreditado.

Alessandro.

— Ele está a caminho.

Alessandro.

— Piper, ele sabe e está vindo. Você está em Londres.

— Alessandro. — Foi tudo o que eu murmurei. De novo e de novo.


Eu fiz o meu melhor em apertar a mão de Emma, repetindo o nome
dele.
A ambulância chegou e eu ainda não soltava a mão dela, mesmo
que meu aperto estivesse fraco.

— Senhorita, nós temos que carregar você.

Eu me recusei a soltar a mão dela, então ela andou comigo.


Quando chegamos ao hospital, eles me apressaram para dentro. Emma
correu ao meu lado. Eles já tinham me dado uma intravenosa e algo
para dor, mas eu tinha medo de adormecer e nunca acordar.

Emma foi minha benção. — Piper, está tudo bem. Eles são boas
pessoas aqui para ajudá-la.

Ela sabia a coisa certa a dizer na hora certa. E ela nunca saiu do
meu lado até quando eu fiz os raios-X.

Eu chorei por eles.

— Senhorita, você tem que ficar muito quieta, se puder.

Não era fácil quando se estava chorando. Eles finalmente


permitiram que Emma aparecesse atrás da repartição e falasse comigo
enquanto acontecia. Ela me acalmou o suficiente para que eles tivessem
boas imagens.

Então esperamos que eles me dissessem que eu tive vários


ferimentos, incluindo costelas fraturadas, um pulso quebrado e uma
possível ruptura do manguito rotador, mas eles estavam preocupados
principalmente com um dos meus rins, útero e ovário. Então, eu
também precisava de uma ressonância magnética.

Meu ombro e pulso no lado esquerdo era onde a maioria das lesões
estava. Isso não incluía todos os pontos que eu precisava. Emma
segurou minha mão enquanto o médico me costurava e, é claro, foi
quando Alessandro entrou correndo na sala.
Capítulo Trinta e Três
Alessandro

QUANDO CHEGUEI ao hospital, eles tentaram me conter, então eu


disse que era o noivo de Piper. Explicaria tudo isso mais tarde. A única
coisa em minha mente era chegar ao lado dela. Eu chegaria lá de
qualquer maneira possível.

Meu pai tinha dirigido como algum tipo de piloto de corrida,


assustando até a mim. Ele me deixou com instruções para ligar
imediatamente. Então partiu enquanto eu corria para dentro.

Quando finalmente cheguei ao lado de Piper, engasguei com um


suspiro ao ver o que aquele bastardo havia feito com ela. Emma
balançou a cabeça, me dizendo para conter minhas reações. Mas era
difícil controlar o quão doente isso me deixou. Eu queria vomitar. Ele a
esculpiu. Sua linda pele cremosa havia sido marcada por aquele filho
da puta.

— Piper. — O nome dela estava cheio de angústia.

— Alessandro.

Eu mal reconheci meu nome; sua voz era tão rouca. Fui para o
lado dela e peguei a mão que Emma estava segurando. — Amore mio. —
Minha própria voz estava entupida de emoção. Seu rosto estava
machucado, cortado e inchado. Até os lábios dela. Eu queria beijá-la,
mas tinha medo que doesse. Gentilmente toquei a minha testa na dela
de qualquer maneira. — Eu sinto muitíssimo. Sinto muito, muito
mesmo. Eu quase morri de preocupação por você e Gabriele lhe envia o
amor dele.

Ela aumentou seu aperto no meu.


— Com licença, eu vou ao banheiro. — Disse Emma.

Ela nos deixou a sós com o médico.

— Quão ruim é a sua dor? — Dada a aparência dela, tinha que ser
terrível.

— Estou bem. Eles me deram uma coisa. Eu estava com medo


disso. Não quero dormir.

— Dormir? Por que não?

— Estou com tanto medo. — Lágrimas correram por suas


bochechas.

O médico e eu trocamos um olhar. Então ele disse: — Isso é


comum. TEPT2.

— Não fique. Eu estarei aqui enquanto você estiver aqui. Não vou
sair do seu lado.

— E se ele voltar?

— Ele não vai. Eles o têm. É melhor que o tenham, ou eu mesmo


encontraria esse filho da puta.

Emma voltou. — Você o pegou? — Perguntei, Piper precisava


saber.

— Nós fizemos. Ele está sob custódia.

O médico terminou de costurá-la e, em seguida, uma enfermeira


entrou carregando um kit de algum tipo. — Este é um kit de agressão
sexual e eu vou ter que obter DNA de você, junto com amostras.

2 Transtorno de estresse pós-traumático


— Ele não me agrediu sexualmente. — Piper murmurou.

A cabeça de Emma apontou para ela. — Piper, você tem cem por
cento de certeza?

— Sim. Ele queria, mas não podia.

— O que você quer dizer? — Emma puxou um pequeno caderno do


bolso.

Piper pediu um pouco de água e eu lhe entreguei um copo e a


ajudei. — Você se lembra quando ele entrou em minha casa e eu o
agarrei? Você sabe as bolas dele?

Emma sorriu levemente. — Sim. Ele queria que você fosse presa
por isso.

— Eu acho que isso o afetou de alguma forma. Talvez o tenha


danificado. Ele puxou minha calça para baixo, mas então ele não pôde
fazer nada. Ele estava mole. — Piper pediu mais água. Graças a Deus
ela não foi estuprada além de tudo o mais.

— Tenho certeza de que é por isso que ele ainda estava atrás de
mim. Vingança.

Emma rabiscou enquanto Piper falava. — Você quer dizer que ele
queria vingança?

— Sim. — Disse Piper. — Ele estava realmente zangado. Ele


continuava me chutando.

— Como ele te encontrou? — Perguntei.

— Eu estava indo para a loja de Natal da cidade. Ele me agarrou


por trás e, quando acordei, acho que estava no banco de trás de uma
van. Eu bati minha cabeça muito forte algumas vezes também.
Jesus. O que mais essa pobre mulher passou? Passei minhas mãos
pelos meus cabelos.

Emma disse à enfermeira: — Precisamos de uma triagem


toxicológica nela para ver se conseguimos identificar o que ele usou.

— Certo. Vou dizer ao médico para pedir. — Ela saiu.

Então perguntei: — Eles checaram sua cabeça em busca de uma


concussão?

Emma disse que sim. — Ela é grave, mas nada mais sério que isso.

O DCI Thornton entrou. — Toque, toque. — Ele entrou e perguntou


como estava o paciente.

— Feliz por estar aqui.

— Nós também. Feliz mesmo.

— Como você me achou?

— O celular dele. Quando não tivemos sorte com o seu, rastreamos


o dele. Tivemos que passar por vários deles, já que ele tinha muitos
apelidos, mas acabamos encontrando um. A van de aluguel nos deu a
primeira pista. Encontramos a locadora em Cambridge e seguimos o
caminho até o telefone celular. Depois que a Scotland Yard o trouxe e o
interrogou, ele cedeu e nos deu a sua localização.

— Imaginei que morreria naquele lugar.

— Você sabe quanto tempo ficou lá?

— Não, porque ele me manteve no escuro durante a maior parte.

Eu segurei a mão dela e disse que foram quatro dias.

— Quatro dias? Você ligou para minha família?


— Ainda não, mas acho que você deveria.

— Não, Alessandro, eu quero que você faça.

O médico entrou e pediu privacidade. — Ele pode ficar. — disse


Piper, apontando para mim.

Depois que Thornton e Emma foram embora, ele nos disse que,
depois da ressonância magnética, o que eles fariam ainda hoje,
decidiriam quanto tempo ela ficaria aqui.

— Suspeitamos que ele possa ter machucado seu rim. E


possivelmente seu útero e ovários. Além disso, queremos ver o que está
acontecendo em seu ombro. Você precisa de um especialista em seu
pulso. Feito isso, ele determinará se a cirurgia é necessária ou não, você
terá respostas mais sólidas.

— Estou arruinando o Natal de todos.

— Piper, você não está fazendo nada disso. O Natal de todo mundo
seria arruinado se você não estivesse aqui agora, a salvo.

Os dois policiais voltaram e nós compartilhamos com eles o que o


médico disse. Thornton saiu depois que ele nos disse que nos avisaria
sobre o caso quando surgissem notícias. Desde que ele manteve Piper
prisioneira aqui, mesmo que o sequestro tivesse acontecido em
Cambridge, o julgamento ocorreria aqui. Thornton parecia estar feliz
com isso. Talvez Londres tenha tido melhores resultados em casos como
esse. Quem sabia?

Pouco depois, eles levaram Piper para a ressonância magnética.


Emma e eu fomos junto com ela. Eles tiveram que lhe dar algo para
ansiedade, porque ficar em um pequeno espaço por esse período de
tempo a assustaria depois do que acabou de passar.
Depois que voltamos para o quarto dela, Piper disse: — Obrigada,
Emma. Por ajudar a me encontrar. Não achei que conseguiria sair viva.

— Bem, você esta e estamos todos aqui juntos.

— Você provavelmente deveria ir para casa. Você tem uma longa


viagem e estou bem agora que Alessandro está aqui.

— Você tem certeza?

— Sim. Mas você não sabe o quanto isso significou tê-la aqui. Acho
que estaria no trem maluco se não fosse por você.

As duas mulheres se abraçaram e Emma saiu.

Puxei uma cadeira ao lado da cama e segurei sua mão.

— Você vai ligar para minha família? Acho que não conseguirei
expressar as palavras.

Então eu fiz. A primeira ligação foi feita para o pai, que a princípio
não disse nada. Eu estava no alto-falante para que ela pudesse ouvir.
Então ele começou a chorar. — Minha garotinha. Ela está bem agora?

— Sim, senhor, ela vai ficar bem. O pior foi à desidratação. E


estamos aguardando alguns resultados de ressonância magnética, mas
nada é fatal. Eu te asseguro.

— Tem certeza?

— Sim.

A mão de Piper alcançou o telefone. — Papai, eu estou bem. Por


um tempo lá, eu não tinha tanta certeza, mas estou bem. E tenho
Alessandro aqui para me ajudar também.

— Oh, baby, estou tão chateado com isso. Você parece horrível.
— Eu sei. É a desidratação. Eles estão me dando muitos líquidos,
no entanto. Meu telefone foi destruído, então preciso comprar um novo
e o farei assim que sair do hospital. Mas você tem esse número agora e
pode ligar quando quiser falar comigo. Alessandro não se importa.

— Agradeça a ele por mim.

— Ele pode ouvi-lo, mas eu vou.

— Piper, você quer que eu vá?

— Não, papai. Estou bem. E todos nós estaremos juntos em breve


de qualquer maneira. Posso não estar correndo como uma louca, mas
estarei lá.

— Bom. Oh, minha garotinha. Eu sinto muito.

— Eu também, papai. Eu te amo.

— Eu também te amo.

Em seguida, liguei para a irmã dela, Sylvie, e quis chorar com a


emoção compartilhada por essas duas. Elas eram tão próximas mesmo
nunca tendo um irmão, isso me deixou com inveja. Então pensei no
meu anjo querido, que Gabriele nunca conheceria, e isso me entristeceu
ainda mais. O cunhado de Piper ligou depois e disse que levaria o pai
dela em seu jato particular, se ela o quisesse lá.

— Deixe-me ver como é depois que tiver alta. E obrigado, Evan.


Quanta gentileza.

Nossa ligação final foi para a irmã dela, Reynolds. As duas


choraram e Reynolds disse: — Como você pode esperar que eu continue
com minha vida agora?

— O que?

— Eu estava indo para Charleston, lembra?


— Sim, mas eu não estou seguindo.

— Tenho medo de deixar a família agora.

— Oh, Reynolds, isso foi por causa de um cara maluco. Apenas


tenha cuidado com quem você se envolve. E lembre-se, vou vê-la em
breve também.

— Pipe, você parece um inferno. Como se você tivesse bolas de


gude na boca.

— Você deveria ver meus lábios. Eles parecem balões.

— Oooh, tire uma foto.

— Eu não vou. Você é uma irmã terrível.

— Eu sinto muito. Você sabe que te amo.

— Sim, e eu também te amo. Mal posso esperar para ver você.

Liguei para o meu pai e contei as novidades e, quando desligamos,


Piper perguntou: — Você pode me abraçar? Eu preciso de seus braços
em volta de mim.

Fiz o melhor trabalho que pude, dadas às circunstâncias de seus


ferimentos. Quando a toquei, uma coisa foi real. Eu nunca iria deixá-la
fora da minha vista novamente.
Capítulo Trinta e Quatro
Piper

DOIS DIAS DEPOIS, os dois ortopedistas designados para mim não


conseguiam decidir o que fazer com o meu ombro. Um disse que
precisava de cirurgia e o outro disse que não. Era como assistir a uma
partida de tênis. Alessandro interveio e tomou a decisão. Como não
havia urgência, decidimos esperar. Eu veria alguém quando voltasse
aos EUA. Meu pulso estava bom, exceto que ele estava quebrado em
vários lugares, mas a cirurgia não era necessária. Eu tinha caído e
quando tentei desfazer as amarras e puxar minhas mãos, agravou as
fraturas. Os machucados e escoriações nos meus braços pareciam ter
sido marcados. Mesmo com toda a pomada e creme que eles colocaram
sobre eles, eu me preocupava com cicatrizes.

— Você sobreviveu a um sequestro. Cicatrizes nos pulsos são


coisas pequenas. — Disse Alessandro. Ele beijou cada uma delas depois
de dizer essas palavras.

— Não são as cicatrizes que me preocupam tanto, mas as


perguntas que elas provocam. Toda vez que alguém me perguntar, terei
que mentir ou falar sobre isso, o que não vou querer.

Ele estava brincando com uma mecha do meu cabelo. Era um dos
lugares seguros em mim que ele podia tocar que não tinha uma
contusão, embora meu couro cabeludo não estivesse livre da marca
desse filho da puta. A maneira como ele me arrastou pelos cabelos
deixou até meu couro cabeludo super dolorido. É um milagre não
perder uma tonelada de cabelo.

— Apenas diga a eles que é um assunto particular que você prefere


não discutir.
— Sim, e isso torna as pessoas ainda mais desagradáveis.

Ele franziu a testa. — Suponho que você esteja certa.

A enfermeira entrou e disse que eu receberia alta naquela tarde.

— Sim, o médico disse isso.

— Precisamos que você assine esses formulários.

Acabou que meu rim estava machucado e eu deveria observar


sangue na minha urina. Se isso acontecesse, tinha que me reportar ao
hospital imediatamente. Minha região lombar também sofreu bastante,
mas de novo, milagrosamente, nada havia sido quebrado. Meu abdômen
também estava bem - sem sangramento interno. Sofri hematomas
profundos, mas meu útero e ovários também estavam bem, graças a
Deus. Por mais dor que eu estivesse, as notícias foram uma surpresa,
mas bem-vindas. Minhas ordens eram para ficar na cama na semana
seguinte e depois relaxar por mais duas depois disso.

Alessandro prometeu me mimar, dizendo que não precisaria


levantar um dedo. Meu cérebro estava pensando apenas um dia de cada
vez agora. Tudo no meu corpo doía, por isso não era difícil imaginar
ficar parado por um tempo.

Ele ligou para Antônio depois que recebemos as notícias da minha


alta. Ele estava a caminho, com Gabriele, para nos buscar.

— Vou ter que impedir Gabriele de bater em você para um abraço


quando ele chegar aqui.

— Deus, sim. Por mais que eu adorasse, isso me mataria.

— Não se preocupe amore mio, ninguém vai machucá-la


novamente.

Seus olhos tinham uma aparência estranha para eles e eu tive a


sensação de que ele quis dizer isso literalmente.
— Alessandro?

— Sim?

— Você está bem?

Um sorriso plano se espalhou por seu rosto que não alcançou seus
olhos. — Estou bem. Por que você pergunta?

— Você está agindo... Diferente.

Ele deslizou as costas dos dedos pelo meu rosto desfigurado.

— É porque estou chateado com seus ferimentos. Isso é tudo. Eu


só quero que você melhore.

— E você me diria se houvesse outras coisas?

— Sim, claro.

Ele estava escondendo algo e eu tiraria isso dele mais cedo ou mais
tarde. Mas a porta se abriu e Gabriele disparou na minha direção.

— Devagar, amigo. Você tem que ir devagar. Olhe para a nossa


Piper e veja como ela está ferida. Você não pode simplesmente pular no
colo dela e abraçá-la agora.

— Mas papai, eu senti falta dela.

Alessandro o segurou no ar e o abraçou.

— Eu sei, mas vou colocá-lo na cama, e você pode contar a ela.


Mas apenas segure a mão dela. OK? Promete?

— Eu prometo.

Ele o colocou no chão e seus enormes olhos vagaram por mim,


parando de vez em quando para me examinar. Então seus lábios se
apertaram e ele franziu a testa. — Piper, vou dar um olho roxo no
homem mau por você.

Estendi minha mão boa e ele a pegou. — Agradeço por essa oferta,
mas você sabe o que? Se você lhe der um olho roxo, não será melhor do
que ele.

— Por quê?

— Porque ele estava com raiva de mim por ligar para a polícia e foi
por isso que me machucou. Se você fosse sair e fazer alguma coisa com
ele, seria algo parecido com isso. E isso não faria nada bem. Ele é um
homem mau e vai para a cadeia. Não quero que você seja um menino
mau. Isso faz sentido?

— Sim, talvez. Mas ele foi mau com você e eu estou com raiva dele.

— Não há problema em ficar com raiva. É o que você faz com sua
raiva que conta. É melhor falar sobre isso, mas a violência não é boa.

— Você quer dizer que se um dos garotos malvados da escola bate


em Arthur, eu não posso dar um soco no nariz dele?

Se meus lábios ainda não estivessem inchados, eu os morderia


para não rir. Eu tinha uma imagem de Gabriele chegando para resgatar
Arthur.

— Isso mesmo. Mas Arthur está sendo intimidado?

— O que é isso?

Alessandro interveio. — O que Piper está perguntando é se os


garotos da escola são maus para Arthur?

— Não, por que?

— Porque você queria saber se poderia dar um soco no nariz deles.


— Isso foi apenas no caso de serem. Arthur é meu melhor amigo.

Alessandro olhou para o teto, provavelmente implorando por


paciência. Eu estava implorando para não rir. Doeu muito.

Antônio chegou mais perto da cama. — Piper, estou tão agradecido


por você estar segura.

Ele tocou levemente minha testa em um beijo.

— Obrigada e obrigada por ter vindo. Você tem sido uma grande
ajuda.

Antônio trouxe algumas roupas para eu vestir de casa. Ele


entregou uma bolsa para Alessandro e depois, ele e Gabriele deixaram o
quarto para que eu pudesse me vestir.

Alessandro me ajudou a desamarrar o vestido que eu usava desde


que os curativos estavam nas costas e, quando o tirei, ele assobiou.
Uma série de palavras italianas saiu de sua boca. Suas mãos se
fecharam em punhos e me afastei dele. A raiva me assustou de
qualquer forma. Ele ainda segurava a bolsa com minhas roupas, então
fiquei sentada nua e exposta. Usei o lençol para me cobrir e esperei.

Quando se virou e me viu, deve ter sido aparente como ele me


assustou. Alessandro largou a bolsa e estava ao meu lado. Outra
sequência de palavras italianas jorrou de sua boca. Então ele mudou
para o inglês.

— Eu sinto muito. Quando vi o que aquele desgraçado fez com


você, eu... Não queria te assustar. Posso abraça-la?

Eu balancei a cabeça, apenas porque eu era incapaz de falar. Meu


coração batia forte de medo e assim que seu braço passou ao meu
redor, ele sentiu. Alessandro se afastou e pressionou a mão no meu
peito. — Eu fiz isso com você?
Eu apenas olhei para ele, respirando com dificuldade.

Então ele realmente amaldiçoou. — Eu quero matá-lo, Piper, pelo


que ele fez com você.

— Não diga isso. Por favor. — Minha mão boa estava apertada ao
redor dele e lágrimas caíam sobre ele como uma torneira quebrada.

— Você não entende como me sinto por vê-la assim.

Então me perdi. — Você não entende Alessandro. Você não


entende como era pensar que eu ia morrer. Você não entende como é
ser mantida no escuro. Você não entende como o terror dominava
minha vida. Não fale comigo sobre isso. Nunca serei a mesma pessoa
por causa dele, mas sua violência não mudará nada. Isso só me assusta
mais.

Ele estava ajoelhado diante de mim em um instante. — Eu sinto


muito. Sinto muito. Eu não estava pensando nesses termos. E como
algo assim pode não mudar você?

— A pergunta que tenho me feito é: você ainda vai querer estar


perto de mim quando isso surgir?

— Do que você está falando?

— Eu serei diferente. Eu já sou diferente. Talvez nunca mais seja


aquela pessoa divertida com a qual você se tornou amigo novamente.

Ele colocou uma mão em cima da minha. — Por que não deixamos
o tempo curá-la e descobrir? Só se passou alguns dias. E você não disse
que sua irmã era psicóloga? Ela pode ser capaz de ajudá-la enquanto
estivermos na Itália.

— E depois? — Isso foi o que mais me assustou. Eu tinha certeza


de que teria pesadelos sobre o que ele fez comigo. Já ocupava minha
mente a maior parte do tempo. Quando fechava os olhos, ele estava lá,
com aquela faca, fazendo todo tipo de coisas terríveis comigo.

— Vamos nos preocupar com isso quando chegar a hora.

Ele abriu a bolsa e tirou as roupas. Havia calças de ioga e uma


camisa macia de mangas compridas para mim. Além disso, havia um
cardigã grosso. Então ele trouxe um casaco quente.

— De onde veio este casaco?

— Eu disse ao papai para comprar um para você. Emma disse que


o seu estava arruinado e você precisaria de outro.

— Eu vou ter que pagá-lo. Isso é muito legal. — É... Muito melhor
do que o que eu havia comprado. — Estou tão feliz que ele não me
trouxe jeans. Acho que não aguentaria.

— Eu disse isso a ele.

— Obrigada.

Os papéis foram assinados por todos e logo estávamos voltando


para Cambridge. Gabriele e eu sentamos juntos no banco de trás e ele
segurou minha mão todo o caminho até em casa. Tirei uma soneca e
quando acordei, seu bicho de pelúcia favorito estava no meu colo. Eu
sorri.

— O que Aldo está fazendo aqui? — Perguntei.

— Ele quer protegê-la.

— Ele quer? — Aldo era um urso felpudo marrom.

— Sim. Ele não gosta de pessoas más. Ele disse que vai comer
quem te machucar.

— Isso é legal da parte dele. Estou feliz que ele não estava com
fome e não me comeu.
Gabriele riu. — Ele não come pessoas de quem gosta. Apenas
pessoas más.

— Nesse caso, Aldo pode ficar.

Nunca fiquei tão feliz em chegar em casa. Gabriele segurou minha


mão e me ajudou a entrar no meu quarto. — Você quer um doce? Eu
tenho um pouco da última vez que o papai me levou para a loja de
doces. E tenho outra coisa para você. — Ele saiu correndo e voltou com
um desenho grande. Era eu e o homem mau e Gabriele vindo em meu
socorro com Aldo e uma espada.

— Isso é maravilhoso e muito nobre da sua parte. Vou pendurá-lo


na parede. Obrigada.

Alessandro entrou no quarto e expulsou Gabriele, enquanto ele


fazia beicinho.

— Você não precisava fazer isso. Ele é precioso e eu o adoro.

— Ele também, mas se ele ficasse você nunca descansaria como


seus médicos pediram. — Alessandro puxou as cobertas da cama e eu
notei como os lençóis estavam frescos. Isso foi muito atencioso da parte
dele. — Deite. Nós cuidaremos de você, mas agora, precisa dormir.

— Eu sei, mas tenho medo.

— Por quê?

— Eu sonho com esses dias e é aterrorizante. Não quero ver o rosto


dele.

— Você quer dormir no meu quarto? Isso ajudaria?

Mas então me lembrei de algo. — Comigo estando aqui, onde


Antônio vai dormir?

— Eu ia dar a ele o meu quarto e pegaria o sofá.


— Não. Está combinado. Vou dormir com você e ele pode dormir
aqui.

Alessandro gostou mais dessa ideia. Ele puxou as cobertas de volta


na cama e me acompanhou até o quarto dele. — Eu esperava que você
dissesse isso.

Ele me aconchegou e foi até as enormes janelas para fechar as


pesadas cortinas.

— Por favor, deixe-as abertas. Eu não gosto do escuro agora.

— Compreendo. Volto com água e outras coisas para você.

Posicionei os travesseiros da maneira certa, mas queria ler um


pouco. Só que eu não tinha mais telefone, caramba, era assim que fazia
toda a minha leitura. Soltei uma maldição assim que a porta se abriu e
Alessandro entrou, carregando uma bandeja.

— O que há de errado? — Ele perguntou, colocando a bandeja na


cama.

Soltando um suspiro frustrado, eu respondi: — Ele realmente me


ferrou. Não consigo nem terminar de ler meu livro porque não tenho
mais telefone. — Eu teria esticado meu lábio inferior, mas ambos já
estavam pontudos por estarem inchados. Ele estragou até minha
própria festa de piedade.

— Se você der uma olhada na bandeja que acabei de colocar ao seu


lado, você encontrará todos os tipos de coisas lá.

Meu olhar foi dele para a bandeja e lá estava um telefone novo,


ainda dentro da caixa. — Oh! — Eu estendi a mão para abraçar a
embalagem porque estava sobrecarregada de emoção. — Muito
obrigada. Eu... Isso é... — Então eu soluçava em seu peito.
Ele passou a mão no meu cabelo, certamente era um ninho de
rato, mas naquele momento, tudo o que importava era como ele era
gentil. Minha garganta estava entupida com tanta ternura que as
palavras não conseguiram passar. Eu apertei sua camisa na minha mão
boa e deixei as lágrimas fluírem.

Por fim, disse a ele: — Eu nunca pensei que fosse vê-lo novamente.
Obrigada por isso, por tudo, mas principalmente por se importar o
suficiente para vir atrás de mim.
Capítulo Trinta e

Cinco
Alessandro

EU SABIA QUE a vida dela esteve em risco, mas quando essas


palavras saíram de sua boca e a tristeza abjeta as acompanhou, entendi
o que era o verdadeiro amor. E eu estava profundamente... Muito mais
profundo do que queria.

Não havia como me afastar dela agora. Se fizesse, isso nos


arruinaria. Mas ela estava pronta para isso? Ou eu estava? Ela passou
por tanta coisa que a última coisa que precisava era passar por um
desgosto. Não que eu também quisesse, mas tinha uma chance melhor
de sair intacto do que ela.

— O que? O que você está pensando com essa carranca?

Ela me pegou de novo. Eu nem sabia que Piper tinha parado de


chorar.

— Nada além de eu nunca mais querer você longe de mim.

— Isso é um pouco ridículo. Como irei para a aula?

— Comigo.

— Eles descobrirão sobre nós.

— Eu não ligo.

— Alessandro, e o seu trabalho?

Eu cortei minha mão no ar. — Eu não preciso disso.


— Mas você disse...

— Eu sei o que disse, mas isso foi antes de nós.

— Antes de nós?

Eu peguei sua bochecha e contei o que estava no meu coração. —


Não diga nada até que eu termine. Antes de você, eu era oco por dentro.
Mas desde então, você é uma constante. Não posso tira-la daqui. — Eu
apunhalei um dedo na minha têmpora. — Não tem nada a ver com
sexo. É sobre isso. — Bati com o punho contra o peito. — O voo até aqui
de Denver. Isso foi emocionante. Era algo que eu nunca tinha feito.
Quando vi você sentada na sala de aula, mudou a dinâmica daquela
noite. O trabalho era importante para mim e mostrarei o porquê quando
chegarmos a minha casa. Mas quando nos conhecemos, quando vi que
Gabriele te amava e você devolveu esse amor, foi genuíno. Não havia um
ar de falsidade em você. Ele fermentou dentro de mim por um tempo.
Eu apertei, ignorei. Ou disse a mim mesmo de qualquer maneira. Era
inútil porque você era uma semente que havia sido plantada no meu
coração. E cada vez que te via você adicionava luz do sol e água à
semente e ela crescia. Estou indefeso ao seu redor. Desamparado,
apaixonado. Não direi sem esperança, porque tenho grandes esperanças
para nós. Mas eu sei que agora é a pior hora para colocar isso em você,
considerando o que passou. Não posso mais me esconder disso ou de
você, Piper. Quando estava desaparecida, também fazia parte de mim.
Não quero passar a vida sem essa parte.

Seu rosto estava tão distorcido pelo inchaço que era difícil dizer se
ela estava sorrindo ou prestes a chorar.

— Piper, você não precisa dizer nada agora. Eu só queria que


entendesse o que está no meu coração. Outro relacionamento não
estava nos meus planos. A única coisa que eu queria era a felicidade de
Gabriele. Meu pai estava comigo o tempo todo. O passado afundou suas
garras em mim e tudo que vi foram as piores lembranças. Mas
então você entrou na minha vida como uma tempestade, mas uma boa
tempestade de primavera, do tipo que faz as flores reviverem e a grama
ficar verde novamente. Descobri que queria parar de olhar para o
passado e começar a olhar para o futuro, um futuro que incluía você.
Não posso prometer que sempre será fácil, mas posso prometer que
estarei lá a cada passo do caminho, fazendo todo o possível para apoiá-
la e incentivá-la, e o que for preciso para fazê-la feliz.

— Eu quero te abraçar e beijar. — Disse ela contra a minha


camisa. — Mas não posso.

— Eu sei. Teremos muito tempo para isso mais tarde. Não quero
mais que você chore. Suas lágrimas me quebram, Piper.

Ela chorou algumas vezes e se acalmou. Ofereci-lhe alguns lenços


e água e perguntei se ela estava interessada em abrir o telefone. —
Emma ajudou com isso. Ela usou sua autoridade na loja de telefones e
explicou o que aconteceu, o que me permitiu usar seu número anterior
para acessar seus contatos. Mas Emma sugeriu que eles dessem um
novo número para fins de segurança. Espero que não se importe.

— Não, isso é perfeito. — Seu sorriso aguado foi de partir o


coração.

— Piper, eu sinto muito que você tenha passado por isso e não
posso dizer o suficiente.

— Eu sei e obrigada por ser tão atencioso.

— Este é o modelo mais novo, mas você não deve ter problemas
com ele. Ah, e eles desativaram seu telefone antigo.

— Isso é bom. Eu nem tenho certeza do que aconteceu com ele.

Nossas mãos se tocaram quando passei o celular para ela. Piper


olhou para cima e disse: — Eu quero fazer muito com você agora.
— Eu também. — Então nós dois meio que rimos.

— Deus, eu devo parecer uma bagunça. Meu cabelo...

— Está bonito. Você é sempre bonita para mim. Mesmo agora. —


Essa foi à coisa errada a dizer, porque a levou às lágrimas novamente, o
que não era minha intenção. — Aqui. — Peguei o telefone da mão dela e
a puxei para o meu colo. Ela estremeceu, mas caramba, achei que isso
era mais importante. Seu braço imediatamente foi ao redor do meu
pescoço e ela se aconchegou na curva do meu corpo. — Como é isso?

— Exatamente o que eu preciso.

— Bom. Então você fica aqui o tempo que quiser.

— Alessandro, você pode me ajudar a tomar um banho hoje?

— Você sabe que posso. Eu só tenho uma coisa a fazer. Adiei duas
provas orais e preciso concluí-las ainda esta tarde. Eu estava esperando
você adormecer antes de ir.

— Que horas você precisa ir?

— Não até as três.

— Então quando você voltar.

Sentamos juntos por um tempo, então ela se afastou. Coloquei-a


na cama e saí. Papai ia checá-la frequentemente na minha ausência, e
Gabriele tinha instruções para não a incomodar enquanto ela dormia.

Os exames demoraram um pouco mais do que eu havia planejado,


mas tudo bem desde que eu adiei a data e a hora duas vezes. O bom
dos orais é que as avaliações são imediatas. Ou eles sabiam disso ou
não. E não havia documentos escritos para ler. Ambos os alunos
passaram e corri para chegar em casa.

Papai abriu a porta com um rosto sombrio.


— O quê? — Eu sabia que algo tinha dado errado.

— Ela acordou gritando. Estava tendo um pesadelo e isso


incomodou muito Gabriele, que ele não a deixou até agora.

Meus pés correram os degraus, levando-os três de cada vez.


Quando entrei pela porta, assustei Piper e meu filho. Ele estava sentado
na cama com ela e eles estavam jogando cartas, rindo. Eu ia matar meu
pai.

— O que há de errado, papai?

— Nada. Eu senti falta de vocês dois. Venha me dar um abraço. —


Eu disse, brincando.

Ele pulou em meus braços abertos. — Eu e Piper estamos


pescando.

— Piper e eu.

— Hã?

— Deixa pra lá. Parece que você está jogando cartas para mim.

— Estamos! — Ele deu um tapinha nas minhas bochechas com as


mãos minúsculas. — O jogo é chamado de pesca.

— É Go Fish, pinguinho. — Disse Piper.

— É pesca. Você pede cartas e depois pesca.

Sua explicação me fez rir. — Por que você não me mostra?

Todos nós sentamos juntos e eu os assisti jogar o jogo simples.


Mas Gabriele adorou. Piper também, ou ela agiu assim mesmo.

— Você tem par de sete? — Gabriele perguntou.


— Sim. — Ela entregou seu par de sete, depois piscou para mim.

— Veja! Eu ganhei! — Ele se levantou e pulou para cima e para


baixo. Piper fez uma careta, então eu agarrei o pequeno patife,
lembrando-o de que ele precisava cuidar dela.

— Desculpe. — Disse ele.

— Está tudo bem porque você esqueceu. — Disse ela.

— Quando você não será tão roxa? — Ele perguntou. — Eu quero a


velha Piper de volta. Não a roxa.

Isso tirou uma risada dela. Pelo menos ele trouxe algum alívio
cômico. — Eu também, mas realmente não sei. Espero que logo.

— Ok, Piccolino, é hora de você descer as escadas e ficar com


Nonno.

— Mas por que?

— Porque Piper precisa de um banho e eu tenho que ajudá-la.

Duas pequenas linhas apareceram entre seus olhos. — Mas, papai,


ela é velha. Por que precisa de ajuda?

Piper fez o possível para não rir, mas não funcionou.

— Por que isso é engraçado? — Ele perguntou.

— Embora seja verdade que eu sou velha, tenho esse curativo e


não pode molhar e não consigo lavar meu cabelo.

— Oh. Então, papai precisa fazer isso.

— Sim. Não posso fazer isso com uma mão.

Ele pulou da cama, correu para a porta e disse: — Até mais, jacaré
gordo. — E se foi.
— Onde ele aprendeu isso?

— Culpada como acusada. — Disse Piper.

— Papai me disse que você teve um pesadelo.

— É por isso que você quase bateu na porta.

— Eu não sabia que você tinha se recuperado. Não lhe dei a


chance de explicar.

— Dormir não é a minha coisa favorita no momento.

— Eu estarei com você a partir de agora.

Ela pegou minha mão. — Embora eu não ame nada mais que isso,
tenho que superar. Você nem sempre poderá estar ao meu lado.
Chegará um momento em que terá que ficar longe de mim, como
quando começarmos as aulas novamente após as férias. E se eles
descobrirem sobre nós, você pode nem ter um emprego.

— Eu já disse isso não importa.

— E depois que eu terminar? O que então?

— Não podemos dar um passo de cada vez? Você está pensando


demais nas coisas.

— Provavelmente, mas receio que, se não o fizer, as coisas vão dar


errado.

— O que você quer dizer?

— Você não percebeu? Estou completamente quebrada,


Alessandro. Não quero ser pior do que sou agora.

Ela estava certa. Fomos um erro? Eu estava fazendo a coisa errada


tentando?
Capítulo Trinta e Seis
Piper

SEUS OLHOS ME DISSERAM TUDO. Uma coisa sobre Alessandro era que
ele não se saia bem em esconder seus sentimentos.

— Venha. Um banho vai fazer você se sentir melhor.

Essa era a maneira de ele me dizer que eu estava certa. Levantei


meu corpo dolorosamente da cama e o segui até o banheiro. Ele ligou a
água e o homem realmente tinha sais de banho. Minhas sobrancelhas
se arquearam e ele disse: — Meus músculos ficam doloridos depois de
um treino duro. Isso ajudará com suas dores. Eles contêm sais de
Epsom3.

— Ah, por um minuto, eu pensei que você era um pouco feminino.

Ele riu, depois veio e tirou minha blusa. — Você sabe melhor que
isso.

Claro que sim e quando ele me olhou, queria me esconder. — Eu


estou horrível.

— Tudo isso desaparecerá em pouco tempo.

— Eles te disseram quantos pontos eu tenho?

— Não, mas você tem certeza de que pode molhá-los?

3 são sais compostos de mineral, que servem para regular os níveis de magnésio no corpo
Olhando para o meu abdômen, respondi: — Eles estão cobertos
com um curativo à prova d'água. Posso deixá-los molhar até voltar para
tirar os pontos.

Seus dedos me tocaram levemente, e levou tudo o que eu tinha


para não me afastar. Odiava essa reação que tive, mas ele estava acima
das bandagens claras e me perguntei se sabia que os cortes eram as
iniciais de Michael. Alessandro não perguntou, nem eu contei.

— Você está pronta?

Eu balancei a cabeça e ele se agachou para me ajudar com minha


calça. Coloquei minha mão boa em seu ombro quando ele a tirou. Eu
não estava usando calcinha, então logo estava nua. Mas com todas as
contusões, me senti ainda mais exposta do que nunca.

— Pegue minha mão. — Disse ele. Eu segurei enquanto subia na


banheira grande.

— Isso é paradisíaco. — Ele me ajudou até que estava sentada na


água quente.

— Vou te dar um pouco de privacidade, mas me chame quando


precisar de mim. Eu estarei do lado de fora da porta.

— Obrigada.

A água morna, com os sais de banho, aliviou algumas das dores


nos meus músculos enquanto eu relaxava. Isso me fez sentir muito
melhor. Quando o chamei, ele apareceu.

— Acho melhor drenar a banheira e depois usar a torneira para


lavar o cabelo. — Sugeri. — Eu também gostaria de enxaguar com água
limpa. Você tem um jarro por perto?

Ele pegou um copo grande e me entregou depois que ligou a água.


Eu rapidamente enxaguei e então ele teve que me ajudar a me
virar e me inclinar para trás para molhar minha massa de
emaranhados. Depois que ele lavou e condicionou meu cabelo, me
ajudou a ficar de pé e me deu duas toalhas felpudas - uma para o meu
cabelo e outra para o meu corpo.

— Isso foi ótimo. Minha cabeça estava coçando.

— Você se importa se eu escovar seu cabelo?

— De modo nenhum.

Ele me pegou algumas roupas limpas e as preparou, mas primeiro


me entregou um pouco de creme. — Isso é arnica e é excelente para
contusões. Você gostaria de fazer isso ou precisa de ajuda?

— Agradeço sua ajuda, se você não se importa.

Ele usou um toque leve para aplicar o creme, que mal doeu.

— Uau, você é realmente ótimo nisso.

— Tenho uma criança de seis anos, por isso sou experiente.

— Foi útil. Estou contratando você.

Quando eu estava vestida, ele escovou o ninho do meu rato, mas


foi muito gentil. Ele demorou um pouco, o que eu apreciei, pois minha
cabeça tinha tantas contusões quanto o resto do meu corpo.

— Você é realmente um profissional. Minha cabeça nem doeu.


Obrigada. O que eu faria sem você?

Ele sorriu. — Sua irmã estaria aqui.

— Duvido. Ela tem gêmeos para cuidar e a outra está na escola.


Não vejo meu pai me dando banho. — Só a ideia me fez rir. Mas isso
trouxe de volta uma lembrança terrível.

— O que?
— Suponho que deveria falar sobre isso e não guarda-lo em uma
caixa. Quando ele tentou me estuprar, ele não conseguiu... Você sabe...
Ele não conseguiu. Ele ainda tinha hematomas de quando me atacou a
primeira vez. Ele abriu o zíper da calça e tirou o... — Eu tive que engolir
o horror. — Ele puxou e estava mole. Não faria nada. Acho que um tipo
de pânico se instalou e eu ri. Não foi engraçado, apenas aconteceu, mas
então não conseguia parar. Eu tentei, mas acho que estava um pouco
louca já. E foi quando ele ficou totalmente louco. Eu realmente pensei
que ele ia me matar naquele momento. — Quando terminei, estava
tremendo, como se estivesse completamente abalada. — Eu gostaria de
nunca ter rido dele.

— Ei, você não fez isso de propósito. — Alessandro segurou minha


mão e eu não tinha notado quando ele a pegou.

— Certo, mas ainda assim. Ele voltou e foi quando tinha a faca. Ou
o que ele usou para me cortar. Eu me mijei. Estava tão assustada.

Ele pegou meu queixo e disse: — Ouça-me. Você é a pessoa mais


corajosa que eu conheço. Você foi sequestrada e quase morreu. Mas
aqui está você, viva e bem. Não estou minimizando o que você passou
de forma alguma. No entanto, o que fez manteve você viva, Piper.

— Talvez sim. Só sei que nunca mais quero ver o rosto dele.

— Eu estava conversando com meu pai e Gabriele, só tem mais


alguns dias de escola. Quero retirá-lo cedo, para que possamos partir
para a Itália.

— Agora?

— Sim. Falei com seu médico antes de deixarmos o hospital e ele


disse que é seguro voar. Enquanto você continua a melhorar, não há
razão para não ir. Podemos sair amanhã e nosso médico pode remover
seus pontos. Se você quiser. Não quero que sinta pressão para fazê-lo.
Você pode voar amanhã, o médico falou.
— Acho que não há razão para atrasar, há?

— Nada que eu possa pensar. E quando você chegar lá, Nonno e a


nonna vão se irritar com você e engorda-la como uma vaca.

— Nós não podemos ir então. Não quero ser uma vaca — falei,
rindo.

— Eu amo vacas. Portanto, a decisão está tomada. — Ele me


beijou.

— Deus, eu mal posso esperar até que possamos nos beijar,


realmente beijar.

— Piper, você tem que parar de me enviar sinais confusos. Você


quer que sejamos um casal ou não?

Sua pergunta me jogou. Mas, novamente, ele estava certo. —


Podemos ir um dia de cada vez?

— Sim, mas vou avisá-la agora, assim que estiver melhor, quero tê-
la novamente.

— Você não é o único. — Talvez ele lavasse Michael das minhas


memórias. Eu certamente esperava que sim.

No dia seguinte, embarcamos no jato corporativo com o logotipo da


Balotelli Vineyards BV e seguimos para a Itália. Era tão confortável
quanto o jato particular de Evan, embora não fosse tão grande.
Recostei-me no assento, com Gabriele sentado ao meu lado e dormi a
maior parte do voo.

Quando estávamos chegando, Gabriele me acordou, dizendo: —


Olha, Piper, esta é a nossa casa.

Estávamos sobrevoando campos verdes, que eu imaginava serem


vinhedos, e parecia haver um grande complexo no centro de tudo. Era
difícil distinguir o que havia de longe, mas pude ver que o lugar era
grandioso.

— Mal posso esperar para ver.

Aterrissamos no aeroporto e fomos levados a algum tipo de sedã de


luxo. Todo mundo falava italiano, incluindo Gabriele, me tornando a
pessoa de fora, e eu estava me sentindo um pouco deslocada. Assim
que a viagem começou, Gabriele se transformou em meu guia turístico.
Ele apontou tudo para mim. Estávamos em terra de Balotelli pouco
tempo depois de deixarmos o aeroporto, mas levou pelo menos mais
trinta minutos para chegar na casa.

Fizemos uma longa viagem e ela terminou em um círculo com uma


fonte no centro. Na porta da frente, uma jovem mulher de uniforme.
Depois, outra se juntou a ela, e logo duas mulheres mais velhas e um
homem correram com os braços abertos. Quando o carro parou,
Gabriele arrancou e correu até os três idosos.

Alessandro pegou minha mão, dizendo: — Nonno e nonna. E eles


estão ansiosos para conhecê-la.

Antônio saiu do banco da frente e sorriu. Era óbvio que ele gostava
de sua sogra e de seus próprios pais. Os pais de sua falecida esposa
foram morar com eles depois que ela morreu, mas muitos anos depois,
seu sogro havia falecido.

Eu assisti Antônio enquanto ele abraçava todos eles. Os idosos


deram beijos em Gabriele enquanto ele ria. Alessandro me ajudou a sair
do carro e eu tinha uma tropa de formigas marchando na minha
barriga. E se eles me odiassem?

Antônio se virou e pegou meu braço, cuidadosamente colocando


minha mão na dele enquanto me encaminhava em direção aos idosos.
— Mamãe, papai, esta é a linda Piper que eu tenho elogiado. — Eu
nunca tinha visto seu sorriso tão grande. — Piper, você também pode
chamá-los de Nonno e Nonna, porque eles não responderão a mais
nada.

— Como eles saberão com quem estou falando?

— Não importa. Todos virão correndo de qualquer maneira. —


respondeu Alessandro.

As mulheres se aproximaram de mim e se preocuparam com meus


ferimentos, cada uma pegando um braço, proclamando que eu
precisava de comida, bebida - como em um bom vinho - e muito
descanso. Eu não discuti, mas acabei em uma cozinha enorme que
cheirava divinamente. Alessandro não estava à vista, mas todo mundo
falava inglês e não italiano.

Logo, um enorme prato de comida apareceu na minha frente, junto


com Gabriele. — Eu disse que minha nonna iria lhe dar muita comida
boa. Espere até o Natal. — Seus olhos estavam tão brilhantes quanto eu
já os tinha visto. As mulheres o afastaram de mim para que pudesse
comer.

— O que é isso? — Perguntei depois da minha primeira garfada. —


Está delicioso.

Os dois sorriram e disseram algo em italiano, mas eu não sabia o


quê. Então, apenas comi e comi até não poder engolir mais. Eu só tinha
chegado à metade quando Alessandro entrou. Um olhar para mim e ele
riu.

— Oh meu Deus, eu sei que você tentou me avisar, mas isso é


incrível. Aqui, não posso mais comer.

Ele pegou meu prato e consumiu o resto. — Nonna, eu senti muita


falta disso.
Eles brigavam por ele como se fosse um filhote, bagunçando o
cabelo e coçando atrás das orelhas. Era adorável.

Então um prato gigante de biscoitos polvilhados com açúcar em pó


pousou na minha frente. — Agora sobremesa.

— Nonna, onde está o café expresso? — Alessandro perguntou.

Uma das mulheres bateu palmas e correu para a enorme máquina


no balcão. Mesmo que os dois devessem estar no final dos anos setenta,
eles estavam tão agitados como sempre. E eles tinham um desses tipos
de máquinas de restaurante - não a imitação barata que eu tinha. Eles
perguntaram se eu queria um e Alessandro disse que eu preferia um
cappuccino. Não demorou muito para que alguém estivesse pousando
um na minha frente.

— Eu nunca vou querer sair daqui.

Seus olhos se fixaram nos meus. — Esse é o plano. — Minha


barriga tremeu e não foi porque havia um milhão de formigas lá. Foi por
uma razão completamente diferente. Ele empurrou seus óculos
sensuais pelo nariz um pouco e piscou antes de tomar um gole de café
expresso.

Inclinei-me e sussurrei: — Eu nunca te disse isso, mas tenho uma


queda por homens de óculos. — Então disse às mulheres: — Vocês
devem me mostrar como fazer esses biscoitos. Eles são os melhores que
já comi. — Isso deixou Alessandro com a boca em um O e as mulheres
sorrindo para nós dois.
Capítulo Trinta e Sete
Alessandro

NONNA AMOU PIPER. Então, novamente, ela era fácil de amar. Eu


deveria saber, porque todos os dias me apaixono cada vez mais por ela.

Nós estávamos aqui por três dias e ela estava no quarto ao lado do
meu. Depois que minha ex foi para a prisão, havia mudado Gabriele e
eu para fora daquela ala da casa para outra. Não queria experimentar
nenhuma lembrança remanescente de nós. Depois remodelei minha
suíte e o quarto de Gabriele. Minha suíte consistia em um quarto
grande com um banheiro que dava para o terraço. Ele também tinha
um quarto adjacente com seu próprio banheiro. Eu tinha feito isso
como uma reflexão tardia, mas na época, não tinha ideia do porquê.
Agora veio a calhar para Piper. O quarto era moderno e luxuoso, assim
como o banheiro. Também levava ao terraço para que pudéssemos
tomar o café da manhã lá fora, se escolhêssemos. De lá havia uma
excelente vista para as vinhas, mas o tempo estava muito frio no
momento para usá-lo no café da manhã, mas à tarde poderíamos sentar
um pouco, enquanto o sol estava alto no céu.

Piper estava melhorando dia a dia. Seus hematomas ainda estavam


roxos, mas começaram a ter um tom esverdeado. Gabriele a chamou de
Hulk. Ela deu um chute nisso.

— Vou ter que desenvolver músculos maiores.

— Papai pode ajudá-la. Ele tem grandes reais.

— Isso ele tem. — Disse ela, me dando um de seus sorrisos. Eu


estava esperando o dia em que poderíamos retomar as atividades do
quarto. Meu pau estava ficando cansado da minha mão.
— Piper, quando é que o meu outro nonno vem? — Gabriele
perguntou.

Sua boca torceu em uma variedade de formas antes que eu


pudesse responder.

— Piccolino, ele ainda não é seu outro nonno.

— Mas ele será quando Piper for minha mãe, sim? E então eu vou
ter mais nonnos. Ele vai me amar como meus outros nonnos amam e
terei bebês para brincar.

— Bebezinhos? — Ele pensou que, porque nos casamos, teríamos


bebês automaticamente?

— Sim. Piper tem bebês, não é?

— Oh, você deve se referir aos meninos da minha irmã. Os gêmeos.

— Sim, aqueles bebês. Eu posso brincar com eles.

— Sim, você pode. — Disse ela. — Mas eles não podem chutar
bolas ainda.

— Por quê?

— Eles nem conseguem andar ainda, então como podem chutar?

— Eu posso ensiná-los. Arthur diz que sou um bom professor.

— Tenho certeza que você é, pinguinho, mas eles ainda precisam


crescer antes que possam andar.

— Por quê?

— Porque sim. É assim que os bebês são.

— Então, como eles podem brincar?

— Eles brincam de maneira diferente de você.


— Como o que eles fazem? Jogam Go Fish?

— Não. Eles não podem fazer isso ainda.

Ele franziu os lábios e disse: — Parece que eles não se divertem.

— Eles se divertem, mas é diferente.

— Eu sei. Posso trazer biscoitos para eles.

Eu ri. — Gabriele, eles ainda não têm dentes e, se o fizerem, terão


apenas alguns.

— Sem dentes! Como eles mastigam?

— Eles não mastigam. Eles bebem leite.

— Isso é tudo o que eles fazem, beber leite?

— Sim, por enquanto. — Disse Piper.

— Que nojo. Eles nem podem comer doces?

— Não, ainda não, eu receio.

— Acho que não quero brincar com eles então. Eles não podem
fazer nada.

— Está bem. Você os verá quando chegarem aqui. Eles dormem


muito.

— Oh. — Isso foi tudo o que ele disse antes de fugir.

— Acho que ele não vai mais se interessar por bebês. Não pude
deixar de rir quando ele queria trazer biscoitos para eles. — Eu disse.

— Eu sei. Ele é tão fofo.

— Não deixe ele saber disso. Ele vai manipular você.


— Ele já faz. Desculpe. — Ela pegou minha mão e a necessidade de
segurá-la ultrapassou-me.

Eu a envolvi em meus braços e a puxei para o meu peito. — Eu


tenho saudade de você. Isto. Nós.

— Eu também.

— Ainda bem que temos quartos colados, sim?

Ela riu, mas depois parou. — Eu tenho sido um fardo?

Eu me afastei. — Nunca, nunca pense isso. Você não é um fardo


para mim. E nunca será.

— Mas com os pesadelos... Eles perturbam o seu sono. Eu sei que


eles fazem.

— Eu não ligo. Posso dormir pelo resto da minha vida. Quero que
você supere isso.

O silêncio nos envolveu até que ela disse: — Acho que não, até
receber um aconselhamento sério.

— Então vamos encontrar alguém que possa ajudar. Sua irmã?

— Será um começo. Mas ela não pode ficar comigo para sempre.

— Eu sei. E quando voltarmos para Cambridge, talvez Emma possa


ajudar.

— Alessandro, espero que sim. Mas você pode me aturar até então?

— Não fale assim. Não se trata de tolerar você. É sobre você


melhorar. Eu odeio que esteja passando por isso. Eu quero ver minha
Piper de volta.

— Esse é o meu maior medo. E se ela nunca voltar?


— Então viveremos com a nova Piper. Mas me ouça. Faremos o
possível para obter ajuda. Agora, vamos. A nonna quer encher você com
boa comida.

Nós caminhamos para a cozinha onde eles estavam esperando.


Eles prepararam o almoço e depois eu a levaria para um passeio pela
vinha - apenas nós dois. Queria mostrar a ela tudo sobre esse lugar que
eu amava.

A nonna mexeu com ela, como sempre, e a alimentou até que ela
deu um tapinha na barriga. — Não mais. — Eles ficaram satisfeitos.
Eles me disseram que seu objetivo era engordá-la. É claro que eles
pensavam que toda mulher precisava ser engordada por algum motivo.
A pobre Piper mal podia andar quando se levantou do nosso almoço
robusto.

Saímos pela porta dos fundos que levava ao prédio onde os


carrinhos estavam.

— Onde estamos indo?

— Vou levá-la aos meus lugares favoritos.

Ajudei-a entrar em um dos veículos e lá fomos nós. Estava um dia


lindo, ensolarado e quente para dezembro. Dirigimos para uma das
vinhas com colinas e parei no início da fila.

— Estas são algumas das videiras mais antigas. Elas estão aqui há
mais de trezentos anos.

— Hum, o quê?

— Sim. Minha família está neste negócio há muito tempo.

— Eu não sabia que as videiras duravam tanto tempo.

— Elas fazem se você souber o que está fazendo.


— Aparentemente, sua família sabe.

— Todos estudamos viticultura, inclusive eu. Você sabia que a


vinificação remonta de sete mil anos?

— Sério?

— Sim, e grandes videiras dependem de várias coisas, incluindo


temperatura, solo e uma boa inclinação para a terra, porque ajuda a
maneira como os raios do sol atingem a videira.

— Eu não fazia ideia.

— E você não faria porque eu não falei sobre isso. Estes são alguns
dos nossos melhores vinhos. Eu mostrarei quando voltarmos.

Eu dirigi mais longe e expliquei sobre o tempo de colheita e quando


o provador faz seus testes. — Papa é quem decide, junto com os
provadores, quando é a melhor hora para colher. Ele tem nariz e palato
muito exigentes.

— Uau, isso é tão interessante. Você pegou o paladar dele?

— Sim, eu tenho, mas deixo para ele, porque gosta muito. É muito
científico. Também é um pouco de preferência.

— Se você não sabe nada sobre vinhos, acho que isso está acima
da cabeça de alguém.

— Pode ser, mas se você quiser ganhar prêmios, deve ser bom.
Não, excelente.

— Presumo que você ganhou prêmios.

— Você deve perguntar isso ao papai. — Então eu ri.

Eu olhei para o rosto dela enquanto ela sorria. Piper estava


gostando disso, então segui em frente. — Gostaria que as uvas
estivessem maduras para que você pudesse prová-las. —
Chegamos a um dos campos de pinot grigio. — Esta é uma das nossas
melhores videiras de pinot grigio. Somos um dos poucos que cultivam
aqui, mas produzimos um excelente vinho. Muitas vinhas envelhecem
em aço inoxidável, mas usamos madeira neutra, dando ao vinho um
sabor menos ácido.

Ela tinha um olhar confuso sobre ela. — Eu pensei que era um


vinho branco.

— Isto é.

— Então, por que as uvas são vermelhas? — Embora não houvesse


nenhuma nas videiras, nossas linhas foram rotuladas e cada etiqueta
tinha uma imagem dessa uva em particular.

— Ah, isso é porque o suco é branco e é separado dos sólidos e


depois transferido para outro recipiente para fermentação.

— Eu nunca soube disso.

— Muitas pessoas não sabem.

Continuei dirigindo e estávamos passando por Angel's Field. Eu


tinha um monumento erguido em homenagem ao meu bebê, mas agora
não era hora de falar sobre isso, nem queria. Eu acelerei, rezando para
que ela não tenha visto. Mas Piper era muito observadora.

— O que é isso?

— Não é nada.

— Podemos parar e olhar?

Não querendo ser um idiota, fiz uma inversão de marcha e voltei.

— Angel’s Field. Angel é uma pessoa ou uma videira?

— Ambos. — Minha resposta foi curta.


— Oh. Quem era ela?

Por que diabos segui esse caminho? Eu poderia ter evitado


dirigindo por uma passagem diferente, mas não.

— Ninguém.

Antes que eu pudesse detê-la, ela saiu e caminhou em direção ao


monumento. Este também não era um monumento comum. Eu havia
encomendado de um dos escultores mais famosos da Itália. Era
magnífico. Um lindo querubim sentado sobre uma videira emaranhada,
com as asas abertas, para imitá-la voando sobre o campo, mas a coisa
mais impressionante a respeito era o rosto. Ele copiou de uma foto que
eu lhe dei da minha filha. E ele acertou em tudo.

— Oh Deus. Isso é irreal. — Piper chamou de volta.

A inscrição no monumento dizia: — Que você sempre possa voar


alto no céu, meu anjo, Francesca.

Ela passou os dedos sobre as palavras quando congelei no assento.


Ela se virou para me encarar e eu estava perdido. Lágrimas encheram
meus olhos enquanto pensava no dia em que ela morreu.

— Alessandro, quem era Francesca?


Capítulo Trinta E Oito
Piper

TRAGÉDIA APÓS TRAGÉDIA. Por que esse homem tinha sofrido tanto?
Angel, ou Francesca, era sua filha. Ele sussurrou as palavras enquanto
eu ouvia a história terrível.

— Eu não tinha planejado trazê-la aqui, mas subconscientemente


devo ter desejado que você soubesse.

— Ela era um bebê tão bonito. — Meu coração estava partido por
este homem e pelo bebê que ele havia perdido.

— Você nem pode imaginar, Piper. Levei muito tempo para poder
falar sobre ela. E aquela cadela com quem eu fui casado, ela nunca
expressou remorso pelo que havia feito, nem mesmo em seu
julgamento. Ela se afastou da cena, apenas preocupada consigo mesma.
Deixou Gabriele no banco do carro, pendurado de cabeça para baixo,
enquanto tropeçava pela estrada, bêbada.

A mortificação por seu comportamento me atingiu. Como alguém


poderia fazer isso com seus próprios filhos?

— Muitas pessoas vieram em sua defesa, dizendo que ela não


estava em sã consciência e que o álcool a deixara louca, que era a
doença que a atingira. Mas a essa altura, eu não me importava mais. A
enviei para a reabilitação, mas ela só queria uma coisa, e era dinheiro.
Após o acidente, ela foi para a prisão onde permanece. Mas agora está
tentando entrar em contato com Gabriele e eu o quero longe dela. É por
isso que não podemos ficar aqui. Receio que ela encontre uma maneira
de levá-lo.
— Que horrível. Você deve se preocupar com isso o tempo todo.

— Se você se lembrar, quando nos conhecemos, eu disse que o


trabalho era muito importante. É porque queria ficar no Reino Unido
para mantê-lo longe daqui.

— Você mencionou os EUA?

— Sim, se eu não conseguisse o emprego em Cambridge, tentaria


fazer isso.

— Eu entendo.

— E eu estava pensando que quando você terminasse todos nós


poderíamos ir para lá. Eu até pensei em mudar nossos nomes desde
que eles são tão reconhecíveis. Não quero que ela nos encontre.

— Não seria tão difícil. Se você mudasse seu nome, seus graus
também seriam transmitidos?

— Meu advogado está investigando isso. Mas acho que desde que
me formei meu nome não mudaria os graus.

— Você realmente deixaria tudo isso? — O braço dela passou pelo


círculo.

— Piper, eu faria qualquer coisa para manter meu filho seguro.

— Talvez Evan possa ajudar.

— Como?

— Ele tem toneladas de recursos. Podemos perguntar quando ele


chegar aqui. Mas uma coisa que você não pensou. Como ela conseguiria
um passaporte com antecedentes criminais?

— Isso era algo que eu não tinha considerado e é um bom ponto.


Mas conhecendo-a, ela descobriria algo. Ela é muito esperta.
A conversa sobre esse assunto acabou e terminamos o passeio.
Mas Angel's Field azedou seu humor. Era fácil ver como isso o
incomodava. Talvez não o Angel's Field por si só, mas Chiara.

Ele bateu as mãos contra o volante.

— O que?

— Eu deveria ter ouvido meu pai e nunca me casado com essa


bruxa.

Eu cobri sua mão com a minha. — Sim? Então você nunca teria
Gabriele. Ele é sua benção, Alessandro. Você foi dado a ele em troca.
Não tenho certeza se você quereria isso.

— Você está certa. A vida sem ele seria inimaginável.

Subimos uma colina e ele apontou para a vista. — Este é o meu


lugar favorito. Vou te trazer aqui um dia com um pouco de vinho e
queijo e assistiremos o pôr do sol.

— Que tal hoje à noite?

— Hoje?

— Sim. Eu adoraria.

— Talvez, se não fizer muito frio. — Disse ele.

— Nós poderíamos trazer cobertores e nos aconchegar. Melhor


ainda.

Ele parou o carro, depois se inclinou e me beijou. Meus lábios


estavam melhorando, ainda um pouco inchados, mas não tão doloridos.
Então eu agarrei sua cabeça e o puxei ainda mais perto, aprofundando
o beijo. Ele gemeu e me beijou de volta. Só que ele parou antes que me
satisfizesse dele.

— Piper, eu preciso de você. Faz muito tempo.


— Faz. Eu preciso de você também. Você acha que podemos...

— Eu não quero te machucar.

— Poderíamos tentar posições diferentes. Você sabe talvez uma que


não machucaria?

— Você está me tentando.

— Estou tentando o meu melhor.

Ele ligou o carro. Voltamos para casa e estacionou a coisa lá atrás.


Então pegamos a entrada do terraço em seu quarto e ele trancou as
duas portas. Estávamos nos beijando enquanto entramos.

Minhas calças não tiveram chance contra suas mãos carentes. Eu


estava feliz que ele não as arruinou como fez com minha calcinha. Ela
não estava cooperando, então Alessandro rasgou os lados e a arrancou
enquanto eu ria.

Quando seus dedos pousaram no clitóris, não foi fácil respirar. Eu


esperei muito tempo por isso. Sua boca devorou a minha e devolvi como
pude. Mas as mãos dele estavam em todo lugar que eu precisava. Ele
me levou a um orgasmo rápido enquanto engolia meus gemidos.

— Você está tão molhada para mim e sinta o quão duro estou por
você.

Eu só tinha uma mão para usar, então a coloquei sobre suas


calças para encontrá-lo mais do que pronto para mim. Desfiz seu jeans,
com um pouco de ajuda dele, e ele pulou fora totalmente ereto. Seu pau
era lindo. Alguns são, outros nem tanto. Ele foi um dos sortudos.
Alessandro me virou e me encostou na parede, abrindo minhas pernas
com sua coxa. Seu pau avançou dentro de mim, e caramba, eu
precisava disso.
Dentro, fora, dentro, fora, mais rápido, mais forte, e ele me fodeu
como um especialista. Um braço me envolveu, enquanto sua mão se
espalhava pelo meu abdômen. Seu mindinho deslizou sobre o meu
clitóris e pressionou um movimento circular enquanto ele empurrava
para dentro de mim. Estava perseguindo meu orgasmo e quando seu
dedo me tocou, peguei-o com as duas mãos e corri com ele.

Meus músculos apertaram seu pau e não demorou muito para que
ele conseguisse o seu. Senti seu calor dentro de mim enquanto ele
continuava bombeando contra mim. Então levantou meu cabelo e
beijou a parte de trás do meu pescoço, o lado do meu rosto, minha testa
e, finalmente, o canto da minha boca.

— Piper... eu te amo. Amo tudo o que você é. Diga-me que não a


machuquei.

— Você não me machucou. Fez me sentir incrível. A melhor.


Alessandro, eu...

— Silêncio. Você não precisa dizer nada. Eu não te disse isso para
fazê-la dizer em troca. Só queria que você conhecesse meu coração.

— Eu amo isso e também amo você. Eu ia dizer que estou muito


feliz por termos nos encontrado no avião naquela noite, mesmo que
você tenha sido um idiota comigo por um tempo.

Eu choraminguei quando ele saiu. — Não se mexa. — Disse.

Ele voltou com um pano quente e me limpou o que era um pouco


estranho.

— O que há de errado? — Ele perguntou enquanto eu me


contorcia.

— Nada.

— Você está envergonhada.


— Não.

— Eu já vi tudo de você. Não queria que você tivesse que andar por
aí toda bagunçada.

— Isso é realmente gentil da sua parte. E sim, é um pouco


estranho, mas doce.

Ele me virou para encará-lo e disse: — Nada para se envergonhar.


Na verdade, eu adoro essa parte de você.

— Oh sim?

— Definitivamente, sim.

Então nos beijamos novamente. Eu nunca tirei minha camisa, mas


ele a levantou agora. — Você está se recuperando rapidamente. — Ele
beijou meus seios. — Eu já te disse o quanto amo isso? Eles são lindos.
— Ele puxou um mamilo na boca e chupou.

Eu assobiei. — Hoje não. Deve ser esse creme de arnica.

Ele parou. — Não, eu estava falando sobre seus pontos. Temos um


compromisso em três dias para tirá-los. — Então ele pegou o outro
mamilo e o mordiscou.

— Ah. Sim, e mal posso esperar. Eles coçam.

— Seus mamilos? — Ele sorriu.

— Haha.

Ele inspecionou os pontos e inclinou a cabeça. Então seus olhos


escureceram com raiva. — Porra. Essas são as iniciais do desgraçado.
Capítulo Trinta e Nove
Alessandro

ELA CAIU quando as palavras saíram da minha boca. Como isso me


escapou antes? Estava tão claro agora. M foi esculpido repetidamente
em seu abdômen. Ele cruzou em áreas, mas fez um trabalho infernal
nela. Eu queria envolver minhas mãos em seu pescoço e apertá-lo até
que não houvesse vida nele.

A força do meu ódio me impactou com um golpe esmagador no


peito. A palavra vingança ecoou na minha cabeça. Foi à mão dela na
minha bochecha que me trouxe de volta.

— Alessandro, não. Acabou. O médico me disse que os cortes não


eram profundos o suficiente para deixar cicatrizes duradouras.

— Você teve que ser costurada, pelo amor de Deus! — Ela encolheu
com minhas palavras. Então eu soube. Deveria ter me batido no crânio.
— Oh Deus, me desculpe. É você quem sofreu e estou agindo como um
idiota.

— É feio, eu sei. Sinto muito.

Agora eu realmente tinha feito isso. — Piper, você pode estar


coberta das piores coisas imagináveis e eu sempre pensarei que é a
pessoa mais bonita viva. Cicatrizes não mudariam nada. Isso não muda
nada. Nada pode estragar sua beleza. Eu estava bravo com ele por
machucá-la e causar-lhe dor. Mas agora reconheço algo. Costumava ser
o que Chiara fazia.

— Chiara? Eu não entendo.

— Vendo isso me fez perceber que eu te valorizo mais do que


qualquer coisa. O que você passou e como se machucou é mais
do que Chiara fez comigo. Sim, eu perdi um filho, e não estou
minimizando isso, ou o que ela quase fez com Gabriele. Não é isso que
estou dizendo. O que estou dizendo é que estou mais emocionalmente
apegado a você do que qualquer coisa. — Esfreguei meu rosto. — Estou
fazendo sentido? Quando digo em voz alta, parece que não me importo
com meus filhos, mas não é isso que quero dizer.

Ela parecia tão confusa quanto minhas palavras soaram. — Acho


que sim?

— Deixe-me tentar explicar. Quando eu vi o que ele fez, me pegou


bem no coração. Antes de você, talvez estivesse com pena de mim
mesmo pelo que Chiara havia feito comigo e com minha família. Papai
ficava me dizendo para deixar para lá ou eu envelheceria e ficaria para
sempre amargo. Ele estava certo, só que não vi. Até você. Mas foi
preciso ver isso... — Passei meus dedos levemente sobre seu abdômen,
que ela cobriu com a blusa de novo — ... para me fazer realmente
entender.

— Eu acho que está ficando mais claro. Em outras palavras,


Chiara dominou seu espaço na sua cabeça, até isso.

— Sim!

— Mas, Alessandro, o que ela fez foi imperdoável.

— É verdade, mas o que Michael fez também foi.

— Sim. Nós dois temos nossos demônios, mesmo que sejam


diferentes. — Ela puxou a blusa.

— Acho que podemos ajudar um ao outro a crescer com eles e


aprender a não deixá-los nos dominar. Isso é algo que não fui capaz de
fazer.

Ela sentou na cama. — Você foi ao aconselhamento?


— Sim, mas eu não continuei com isso. Minha raiva atrapalhou. E
acho que não escolhi o conselheiro certo. Meu foco era Gabriele e
assumi que se eu colocasse toda minha energia nele, isso me curaria.
Eu estava errado.

— Não é tão tarde.

— Eu sei.

Então veio uma batida forte na porta. — Papai? Papa? Onde está
Piper? Eu quero fazer uma turnê para ela.

Nós olhamos um para o outro e ela puxou as calças. Peguei sua


calcinha destruída e joguei no lixo enquanto corria para fechar minhas
próprias calças. Então abri a porta quando nós dois estávamos
apresentáveis.

— Você quer fazer uma turnê para ela?

— Sim. Nonno disse que eu poderia.

— Piper? — Perguntei. — O que você acha?

— Certo. Adoro passeios.

A turnê de Gabriele não teve nada a ver com a vinha. Tinha tudo a
ver com suas áreas de lazer favoritas - o lago, a piscina, a caixa de areia
gigante que os nonnos haviam feito para ele e a árvore com balanço.

— Vamos, Piper, vamos balançar.

Eles eram enormes, então eu a coloquei no meu colo quando nos


sentamos em um. Ela sussurrou: — Isso é realmente romântico.

— É. — Eu não tinha pensado assim quando os construíram.


Gabriele tinha quatro anos.

— Cuidado, Piper. Eu posso pular disso.


Quando eu estava me preparando para avisá-lo, ele soltou e pulou.
Não ficou tão bom quando ele caiu na terra e soltou um uivo.

Nós dois estávamos ao seu lado em um flash. Seus joelhos estavam


sangrando e as palmas das mãos também.

— Gabriele, pare de gritar. — Eu gritei. Piper me lançou um olhar


desagradável. Eu era terrível em emergências.

— Está tudo bem, Gabriele. Apenas alguns arranhões pequenos,


mas precisamos ir para casa para limpá-los.

Ele ainda chorou e fiquei preocupado que algo estivesse quebrado.


Sempre que ele se machucava, eu enlouquecia. Odiava sangue e feridas
nessa criança.

Piper não podia segurá-lo, então eu a conduzi enquanto ele estava


sentado no meu colo. Eu estava quase desmaiando. Quando chegamos
em casa, o carreguei para dentro e o coloquei no balcão da cozinha.
Onde diabos estavam os nonnos? Eles estavam sempre na cozinha.

Um olhar de censura de Piper e eu foi reduzido para uma criança


de doze anos.

— Alessandro, preciso de alguns panos limpos. — Disse ela


calmamente.

Ela ligou a água fria e eu entreguei os panos. Ela tirou os sapatos


de Gabriele e colocou as pernas na pia para lavar os joelhos. Ele estava
vestindo shorts, então ficou mais fácil. Quando a água o atingiu, ele
soltou um grito estridente. Foi ainda pior quando o pano com sabão o
lavou. Lágrimas escorreram por seu rosto quando ele me chamou, mas
não pude segurar sua mão porque estava coberta de sujeira e sangue.

— Quase pronto, meu corajoso garoto. — Disse ela.


Então, para mim: — Eu preciso de um creme antisséptico e
curativos.

Eu saí para buscar alguns e quando voltei, ela estava trabalhando


nas mãos dele. Ele ainda estava gritando, mas quando ela terminou e o
enfaixou, Gabriele tinha chego ao ponto de soluços. Como ele estava
sofrendo, perguntei se ele queria um sorvete.

— OK.

Peguei os copos e nos sentamos em volta da mesa e comemos.


Quando terminamos, suas lágrimas já estavam secas e ele estava
sorrindo novamente.

— Gabriele, lembra como eu te disse para não pular do balanço? E


que você poderia cair e se machucar?

— Sim. — Ele abaixou a cabecinha, agindo com remorso.

— Foi isso que eu quis dizer. Você tem que ser um pouco mais
velho para fazer isso.

Olhos castanhos enormes alcançaram-me. — Mas eu queria


mostrar para Piper.

— Eu sei. E Piper verá você fazer isso algum dia. Apenas ainda
não. Ela não gosta quando você está machucado, assim como você não
gosta quando ela está machucada.

— Ok, eu não vou fazer isso até completar sete anos.

— Mas isso é daqui a apenas três meses. Eu estava pensando


quando você tivesse nove anos.

— Papa, eu vou envelhecer, então não vou mais querer balançar.

— Você não vai?

— Não.
— O que você vai querer fazer então?

— Dirigir carros de corrida.

E ele fugiu.

— Dirigir carros de corrida? Quando ele tiver nove anos? — Piper


perguntou, então riu.

— Você não sabia?

— Sabia o que?

Com uma expressão muito séria, eu disse: — É quando


começamos a ensinar nossos filhos a conduzir aqui.
Capítulo Quarenta
Piper

TRÊS DIAS DEPOIS, sentamos no consultório do médico quando ele


tirou meus pontos. Demorou um pouco, pois havia muitos. Quando ele
terminou, perguntou: — Como você está se sentindo?

— Ainda ferida. As costelas principalmente. Meu queixo ainda dói e


todos os machucados também. Fora isso, estou bem.

Ele me examinou e queria fazer outra ressonância magnética. Eu


não estava tão empolgada com isso, mas Alessandro me convenceu a
fazer.

— Que mal existe? Pelo menos saberemos como estão as coisas.

— Tudo bem. — Piper mal-humorada fez uma aparição.

Dissemos ao médico, que ficou satisfeito com a decisão. Ele


agendou para a semana seguinte. Ao ouvir isso, eu recusei.

— Não. É quando minha família chega e vou passar cada minuto


possível com eles. É hoje ou depois que eles forem. — Eu não estava
mexendo nisso.

Alessandro puxou o médico para fora da sala. Eles voltaram depois


de um tempo e o médico disse: — Eu tenho você marcada para esta
tarde. — Alessandro exibiu um sorriso presunçoso. Que diabos ele fez?
Pagou o cara? Eu descobriria quando saíssemos.

Quando saímos de lá, perguntei a ele.

— Eu não o paguei. Lhe ofereci uma caixa de vinho.

— É a mesma coisa.
— Conseguimos fazer o exame.

— Mas e se alguém pior do que eu precisasse da ressonância


magnética?

— Piper, eles não estão expulsando alguém. Eles estão encaixando


você.

— Você tem certeza?

— Tenho.

Eu não queria alguém morrendo por causa de um exame


desnecessário. Almoçamos em Florença. Nunca tinha estado aqui, e era
uma cidade fantástica, cheia de coisas e eu queria voltar para um
passeio.

— Você irá. Nós viremos quando sua família chegar e você sentir
vontade de caminhar e fazer essas coisas.

— Mas Sylvie não vai querer deixar seus gêmeos.

— Hã. Espere até os nonnos vê-los. Ela não terá escolha.

Eu tinha a minha ressonância magnética e segundo Alessandro


teríamos os resultados no dia seguinte.

— Como você sabe disso?

— O médico me disse.

Aparentemente, eles não tinham HIPAA4 aqui.

— Outro caso de vinho?

4 É um conjunto de conformidades que organizações de saúde passaram a seguir para protegerem suas
informações digitais internas
— Claro. — Ele piscou. Eu estava aprendendo que o vinho vinha a
calhar com tudo por aqui,. — Existe algo que você queira fazer
enquanto estivermos fora?

— Não tenho certeza. Me diz você.

Dirigimos para a pequena cidade de Siena, aquela com as corridas


de cavalos que Gabriele me contou.

— Nós não podemos dirigir para a cidade em si, então você quer
dar uma volta?

— Quanto tempo de caminhada?

— Dez a quinze minutos lá. E depois de volta. Podemos parar em


um café para tomar café ou gelato, se quiser.

— Eu posso gerenciar isso.

Ele estacionou o carro e partimos, com ele explicando sobre cada


um dos bairros que datavam de séculos atrás.

— Não me parece historicamente correto porque não sou, mas se


verificar os emblemas lá em cima... — ele apontou para o prédio perto
de onde estávamos — ...você encontrará os nomes deles. Eles datam da
Idade Média, eu acredito.

— É incrível. E eu amo a singularidade de tudo isso nas ruas


estreitas. Nos EUA, pensamos que algumas centenas de anos são
antigos, mas aqui é uma gota de água em um balde.

— Sim. Eu fui e visitei a área histórica de Boston uma vez e,


embora tenha sido fantástico, não é tão antigo assim. Roma é antiga.

— Eu adoraria visitar Roma. — Suspirei. — Parece tão romântica.

— Você irá e eu serei seu guia turístico pessoal. Minha família


passa muito tempo lá. Temos um distribuidor em Roma.
Ele me guiou por um labirinto de ruas, que eram mais como becos
e eu me apaixonei por isso. Alessandro era o guia turístico perfeito,
apontando para mim coisas relevantes para a história e a cidade. Ele
me perguntou se eu queria parar em algumas lojas ao longo do
caminho, pois havia algumas adoráveis às quais não pude resistir.

— Você não se importa?

— É uma fraqueza. Adoro fazer compras.

— Isso é incomum para um cara.

Ele encolheu os ombros. — Você escolhe.

Entramos em uma, mas quando olhei para os preços, quase


engasguei. — Vamos. — Eu sussurrei.

— Você não vê nada aqui?

— Eles são super caros.

Ele riu com gargalhadas. — É Siena. Essas lojas atendem aos


turistas.

— Por que você não disse antes?

— Porque eu quero que você encontre algo que gosta.

Tentei puxá-lo para fora, mas ele foi mais para dentro. Ele
caminhou até algumas pulseiras de ouro com pedras incríveis. Eu não
tinha ideia do que eram, mas não eram pedras preciosas. No entanto,
eram impressionantes e positivamente caro.

— Você gosta? — Ele balançou as sobrancelhas enquanto apontava


uma.

— Como eu não posso?

A balconista perguntou se ele queria ver.


— Não, eu quero experimentar na minha namorada.

A mulher destrancou o estojo e Alessandro a colocou no meu


pulso. Era adorável. O ouro realçava as pedras cinza azuladas, o que
era surpreendente, porque você pensaria que a prata se destacaria
mais, mas era perfeita.

— Nós levaremos. — Disse ele, me observando.

— Espera. Você não pode simplesmente comprá-lo. — Meu


protesto foi ignorado. A mulher sorriu e colocou em uma caixa.

— Não, ela estará usando. Apenas coloque a caixa em uma sacola.


— Então ele mudou para italiano e a mulher olhou para mim e
assentiu. Ela disse algo de volta e tudo o que pude entender com isso
foram os sins e nãos. Quando saímos da loja, eu estava usando a bela
joia e meu namorado estava tão feliz quanto eu.

Viramos uma esquina e uma nova fila de lojas aguardava.


Alessandro foi para uma em particular. Acabou que era uma loja de
sapatos cheia de uma linda variedade de botas de todos os tipos. O
cheiro de couro encheu o ar e eu respirei, amando tudo. A loja não era
grande, mas cada centímetro quadrado tinha sido usado em seu
proveito, exibindo até bolsas.

— Oh, isso é o paraíso. Eu tinha esquecido os artigos de couro


italianos.

Alessandro falou com o dono da loja e começou a apontar para as


botas. Mais uma vez eles estavam falando em italiano. O homem se
aproximou de mim e, em inglês fraco, apontou para uma cadeira.

— Oh, eu não preciso de botas.

— Piper, necessidade não tem nada a ver com isso. Na Itália, você
compra couro italiano. Agora, por favor, sente-se, para que o homem
possa medir seu pé para o tamanho adequado.
Eu não queria ou esperava que ele me comprasse coisas e lhe disse
isso.

— Eu sei, mas é o meu presente. — Ele gentilmente me empurrou


na cadeira e tirou meus sapatos. Eu esperava que meus pés não
cheirassem mal. Deus, e se eles estivessem? Inclinei-me e cheirei.

— O que você está fazendo? — Ele perguntou.

— Nada. Estou cheirando bem aqui. — Eu esperava que ele tivesse


comprado minha pequena mentira.

— Sim, o couro tem um cheiro maravilhoso.

O homem me mediu e logo eu estava cercada por uma montanha


de botas. Foi divertido experimentar todas, mas dolorosamente,
escolher qual par comprar. Eu me conformei com um par preto que
eram bons e não muito chiques. Imaginei que eles eram clássicos e não
saíam de moda.

Alessandro tinha outras ideias. Quando calcei os sapatos, ele


estava pagando um total de três pares de botas e uma bolsa.

— O que você está fazendo?

— Você amou todos eles, então estou comprando para você. Eu vi


você olhando isso, então também estou comprando. E não pense em
recusar. Eles são meus presentes para você por ser minha convidada.

— Não sou eu quem deveria comprar algo para agradecer por me


convidar?

— Não, não fazemos dessa maneira aqui. — Um sorriso travesso


curvou sua boca. — Gabriele queria que você tivesse algo da Itália. Ele
está atrás de mim há um tempo, então quando eu vi como seus olhos se
iluminavam no bracelete, era para ser seu.

— As botas e a bolsa são lindas, mas são demais.


— Piper, quero comprar coisas bonitas para você. Permita-me essa
pequena quantidade de prazer.

— Desde que lhe agrade, tudo bem, mas, por favor, não faça isso o
tempo todo. De alguma forma, barateia nosso relacionamento.

— Barateia? Como?

— Eu não sei. Talvez pareça que estou aqui porque quero que você
me compre coisas.

— Se eu pensasse isso, você não estaria aqui. — Ele jogou um


braço sobre meus ombros e saímos da loja com ele carregando a carga
que acabou de comprar. — Gabriele ficará tão animado por ver o que
você conseguiu. Assim como nonna. Eles queriam que eu te
surpreendesse, mas não tinha certeza do tamanho do seu sapato e é
melhor experimentá-lo de qualquer maneira.

Andamos um pouco mais pela cidade e paramos para tomar um


café em uma cafeteria.

— Está com fome? Eles têm excelentes pizzas aqui. Mas não são
como você está acostumada.

— Eu adoraria tentar uma e sim, estou com fome.

Ele me levou para o seu lugar favorito e pedimos uma para dividir.
Estava uma delícia. A massa era fina e crocante e tinha tomates,
manjericão fresco e muçarela fatiada de tipos que eu nunca provei
antes.

— Pela expressão em seu rosto, eu posso ver que você está


satisfeita.

— Isso é incrível. Não é pesada e essa massa é de morrer. Mas essa


muçarela. Por que você manteve isso em segredo de mim?
Ele sorriu. — É tão comum aqui que não pensei nisso. E a massa
não é grossa e pastosa como em algumas pizzas americanas.

— Exatamente. Isso é divino. — Falei, cantarolando meu prazer


enquanto comia.

— Se você continuar a emitir esses pequenos sons, talvez eu


precise levá-la de volta para o carro.

— Por que?

Em vez de me responder, ele pegou minha mão e a colocou sobre


seu pau duro. — Caramba, Alessandro.

— Puxa Piper. — disse ele, imitando-me. — Isto é culpa sua.

— Minha?

— Você parece estar fazendo sexo comendo essa pizza.

— Eu não.

— Eu peço desculpa, mas não concordo. Você me deixou em um


bom estado aqui.

— Devo pedir ao garçom um balde de gelo?

Ele deu uma risada alta, balançando a cabeça. — Não, porque não
usamos gelo aqui como vocês. Mas ele também perguntaria por que
você precisava de um balde cheio.

— Eu poderia explicar que meu namorado está tendo problemas de


inchaço. — Eu balancei minhas sobrancelhas. Ele roçou as costas dos
dedos na minha bochecha, enviando arrepios sobre a minha pele. Ainda
bem que eu estava usando sutiã ou meus mamilos seriam direcionados
diretamente para ele. Não que eles já não estivessem, mas todos seriam
capazes de vê-los.
Depois de estalar a língua, ele disse: — Você é uma garota safada.

— Eu pensei que você gostava de safada.

— Eu disse que não?

— Não.

Ele inclinou minha cabeça para trás e me beijou. Isso me pegou


desprevenida e ele sabia disso. Mas não o impediu. Na verdade, apenas
o fez aprofundar o beijo. Minha resposta foi rápida enquanto meu
sangue esquentava, correndo pelas minhas veias, dizendo que eu queria
mais.

— Eu adoro o tipo impertinente.

— Eu concordo. — Disse.

— Com a safadeza?

— Não. Com a parte de ir ao carro para uma rapidinha.

Seus olhos escureceram e sua voz ficou rouca. — Termine sua


pizza, Piper.

Meus olhos nunca deixaram os dele quando eu o obedeci. Ele


pagou quando terminamos e demos as mãos enquanto voltávamos para
o carro dele.

Ele dirigia um carro esportivo preto chamativo e não o grande


sedã, mas encontramos um local privado em algum lugar fora da
cidade. Ele abriu o zíper da calça e eu montei nele. Estava claro, com o
sol entrando no carro. Mas, nesse momento, não me importei. Tudo que
queria era ele, dentro de mim, para aliviar a dor pela qual ele era
responsável. E caramba, Alessandro realizou a ação. Quando nós dois
gozamos, estávamos suando e ofegando, chamando os nomes um do
outro. Ele era gentil comigo do lado de fora, pois ainda estava
dolorida com os hematomas, mas áspero, exatamente onde eu precisava
por dentro.

— Seus olhos brilham depois que fazemos amor. — Sei bellissima.

Ele enroscou a mão no meu cabelo e me puxou para perto para um


beijo.

— Sei bellissima também.

— Não, para mim é sei bellissimo.

— Certo. Eu esqueci disso. E você é muito masculino.

— Grazie. — Tomando minha mão, ele a virou e beijou meu pulso.

— Acho que devo colocar meu jeans de volta e devemos ir.

— Sim. Gabriele vai querer ver suas coisas novas. Ele estava tão
animado com isso.

— Eu odeio essa parte.

Antes de eu me afastar, seus dedos circularam meu clitóris e


estávamos na segunda rodada. Dessa vez, me inclinei sobre ele,
descansando nos cotovelos por causa do meu pulso quebrado e puxei
minha camisa para libertar meus seios. Quando ele chupou meus
mamilos, o montei até chegar ao orgasmo. Não demorou muito tempo
para ele também.

— Isso foi incrível. — Eu disse ainda no meu orgasmo.

Ele respondeu me beijando. — O que eu vou fazer com você, minha


Piper?

— Enquanto você continuar fazendo o que acabou de fazer, eu


serei uma mulher feliz.

— Vamos para casa. Eu quero tomar banho com você.


— Parece maravilhoso, considerando que eu estou definitivamente
muito bagunçada, graças a você. Tem lenços de papel?

Fui até o banco do passageiro e ele mexeu no porta-luvas e não


encontrou nenhum, mas me entregou um guardanapo. Seu sorriso torto
me fez rir.

— Não tenho certeza se isso vai funcionar, mas pelo menos é


alguma coisa.

— Um banho seria muito bem-vindo.

Quando chegamos em casa, Gabriele correu para nos


cumprimentar. — Papa você conseguiu?

— Sim e espere até ver.

— Olha. — Eu disse, levantando meu braço. — Tenho uma


pulseira nova!

Gabriele bateu palmas, embora seus olhos não estivessem muito


animados. Eu acho que ele era mais uma pessoa de sapato.

Alessandro pegou as sacolas e entramos para mostrar e contar.


Todo mundo adorou as botas e fui forçada a calçá-las, mesmo que
estivesse ansiosa para tomar banho porque estava me sentindo um
pouco mole agora.

Eles adoraram minhas escolhas, e até Gabriele disse que fiz um


ótimo trabalho na escolha. Mas eles ficaram felizes que Alessandro
comprou a bolsa porque eles decidiram que eu precisava de uma nova.

A nonna enlouqueceu sobre o bracelete dizendo que me convinha


perfeitamente. Eles olharam para Alessandro, agindo como se eu não
estivesse assistindo. Falando em italiano silencioso um para o outro,
tive que me perguntar o que eles estavam discutindo. Fosse o que fosse
eles estavam felizes com isso.
Finalmente fomos capazes de escapar disfarçando que eu precisava
tirar uma soneca. Afirmei que estava cansada de toda a caminhada.
Mas era o chuveiro que ambos queríamos.

Eu me encontrei com Alessandro no quarto dele apenas com meu


roupão. Ele me chamou para o banheiro e ligou a água. Logo, ele me
ensaboou com sabonete perfumado, e suas mãos estavam em todo
lugar que eu queria que elas estivessem. Ele me girou, esticou meus
braços e os colocou contra parede fria e abriu minhas pernas. Seus
dedos maravilhosamente me invadiram, deslizando dentro e ao meu
redor.

— Você sabe exatamente onde e como me tocar.

— Você é deslumbrante, minha linda Piper. Eu vou te penetrar


agora.

— Sim.

Senti a ponta dele deslizar ao redor e então ele empurrou dentro de


mim, lentamente a princípio. Quando estava totalmente dentro, ele se
afastou e empurrou com força. Era assim que eu amava. Um braço me
envolveu quando ele entrou e saiu profundo e áspero. Alessandro sabia
como foder. Seu corpo se encaixava perfeitamente no meu.

A água caiu sobre nós quando ele bateu na minha bunda


repetidamente. Eu gemia cada vez que ele se alimentava de mim,
sentindo-o profundamente, profundamente por dentro. — Alessandro.

Sua mão se espalhou na parte inferior da minha barriga, seu dedo


mergulhou no meu clitóris, pressionando-o. Foi quando eu gozei com
um choro. — Ahhhh, sim.

Eu apertei seu pau de uma maneira rítmica, e foi um orgasmo


épico. Ele gemeu roucamente quando gozou. Seu pau latejava
profundamente dentro de mim. Ele beijou meu ombro, pescoço e depois
minha bochecha.

Nós ainda estávamos juntos quando ele se chocou comigo quando


a porta se abriu, e Gabriele gritou: — Papai, você está bem. Eu ouvi
alguém gritando aqui.
Capítulo Quarenta e Um
Alessandro

COMO DIABOS eu esqueci de trancar a porta do quarto? — Gabriele,


eu estou bem. Agora por favor, saia.

— Mas papai, por que você estava gritando?

— Eu não estava.

— Por que Piper está aí com você?

— Porque ela precisava de ajuda. Agora você pode ir embora?

— Ela está machucada? Porque eu a ouvi gritando também?

Soltei um longo suspiro. Meu pau ainda estava dentro dela e ela
estava tremendo de tanto rir. Foi engraçado, mas como eu iria me livrar
do meu filho curioso?

— Gabriele, Piper não pode lavar o cabelo sozinha. Ela está com a
mão enfaixada. Viu?

— Mas por que você a está segurando contra a parede?

— Hum, estou tentando encobri-la para que ela não se molhe.

— Então, como ela vai tomar banho?

— Gabriele, por favor, saia. Vamos explicar mais tarde.

— OK. Posso pegar um biscoito da Nonna

— Sim! Pegue dois, se quiser.

— Sério? Eu posso ter dois?


— Sim! Agora por favor, saia.

Ele finalmente saiu do banheiro, mas a porta estava aberta. Não


relaxei até ouvir a porta do quarto fechar.

— Merda. Ele vai contar a todos.

— Você não acha que eles já adivinharam?

Eu não me incomodei com uma resposta, mas a virei para que


pudesse beijá-la. Ela era magnífica e nunca me cansaria dela. Linda da
cabeça aos pés, seu corpo foi feito sob encomenda para o meu.

— Você tem a boceta mais deliciosa, amore mio.

— Grazie. E estou completamente apaixonada pelo seu apêndice


masculino.

— Meu apêndice masculino?

— Sim, sua carne de homem.

— Carne de homem?

— Truta de calça? Varinha de um olho da vida? Guerreiro do amor


de capacete rosa?

Ela me deixou completamente perplexo e eu só pude repetir: —


Guerreiro do amor de capacete rosa? — Eu repeti lentamente.

Mordendo o lábio, ela assentiu. — Você nunca ouviu isso?

— Não posso dizer que sim. Então, novamente, vocês americanos


têm algumas palavras estranhas.

— E italianos não?
Eu nunca dividiria, mas as dela eram hilárias. Estava rindo tanto
que meu estômago doeu. — Eu preciso lavar seu cabelo antes que o
pequeno intrometido retorne e ainda estejamos aqui nomeando pênis.

Esse banho foi o melhor que já tivemos, menos a interrupção.


Fiquei quieto, tentando inventar algo para contar ao meu filho.

— O que há de errado? — Piper perguntou.

— Nada. Estou pensando em algo para contar a Gabriele.

— Quando chegarmos à cozinha, os biscoitos e o nonno já terão


feito sua mágica. Você vai agradecer também.

— E então terei que explicar a eles por que estávamos aqui juntos.

— Você acha?

— Eu sei. Eles são tão antiquados quanto aquelas colinas lá fora.


Eles vão querer saber quando vamos nos casar.

Assim que as palavras saíram da minha boca, sua pele


empalideceu. — Casar?

— Eles acham que se dormir juntos, o casamento logo estará por


trás disso. Na verdade, não dormimos juntos até o casamento. Eles são
católicos, você entende.

— Sim, mas casamento?

— É tão desagradável para você? — Eu fiz uma careta.

— Oh, hum, não é isso. Mas Deus, nós nos conhecemos há alguns
meses.

— Mas quando você sabe você sabe.

— Alessandro, o que você está dizendo?


O que diabos eu estava dizendo? A certa altura, não queria vê-la
depois das férias de Natal. Agora eu estava agindo como se quisesse
casar com ela.

— Eu não tenho exatamente certeza, Piper. Eu amo estar com


você. Estou apaixonado por você, e você já sabe disso. Qual é a
progressão natural das coisas?

— Espera. Você está dizendo que quer se casar comigo? Achei que
não quisesse se casar novamente.

— Eu sei.

— Você pode me fazer um favor e me contar a história toda?

— Eu já não fiz isso?

— Sim, mas foi antes.

— Antes do que?

— Isto. Essa revelação.

Dolorosamente, soltei um monte de ar podre que sempre


acompanhava os pensamentos de Chiara. — Nós namoramos.
Inicialmente, ela era divertida. Então ela me disse que estava grávida e
se livraria do bebê. Eu não a queria. Ela disse que a única maneira de
manter a gravidez seria se nos casássemos. Papai me implorou para
não casar com ela. Disse-me para lhe oferecer dinheiro, mas não vi do
jeito dele. No final, é isso que eu deveria ter feito, porque era isso que
ela queria o tempo todo. Nós nos casamos e quase imediatamente
depois, ela mudou, dizendo que eu só cuidava do bebê. Isso era
verdade, mas tentei ser um bom marido. Ela sempre quis coisas
materiais. Então dava a ela tudo o que pedia. Joias, roupas de grife, o
que ela desejasse. Quando Gabriele chegou, ela me acusou de amá-lo
apenas. Com toda a justiça, ela estava certa. Foi quando a bebida
começou. Ela foi para a reabilitação. Quando saiu, as coisas
ficaram muito melhores, por um tempo. Mas então a loucura dela
voltou. Eu implorei para ela ver alguém, e assim fez. Mas suas visitas
terminaram e a bebida começou de novo. Foi quando ela engravidou
novamente. Eu falei sobre os preservativos. Depois que nossa filha
nasceu à bebida ficou fora de controle. E então o acidente aconteceu.
Não lhe ofereci nenhum indulto. Eu até pedi mais tempo na prisão. Eu
a queria longe do meu filho a todo custo, porque ela é muito tóxica.

— Eu posso entender sua relutância em se casar novamente.

— Até eu conhecer você.

Ela estava nua diante de mim com o cabelo enrolado em uma


toalha. Eu queria tocá-la, abraçá-la, fazer tudo com ela, mas não ousei.
A observei processar minhas palavras.

— O que mudou?

— Eu. Você me mudou... mudou meus pensamentos sobre as


coisas. Tudo sobre você é diferente de quem eu já conheci. Nunca me
deixei chegar perto de ninguém. Você conseguiu encontrar a menor
rachadura no meu exterior e antes que percebesse você entrou no meu
coração e se estabeleceu lá dentro. Sem você lá, sou apenas um pedaço
do que posso ser. Mas então algo mais aconteceu. Descobri o quão
estúpido eu tinha sido o tempo todo, porque Chiara tinha causado tudo
isso e ela nunca seria a única a consertar. Eu era o responsável por isso
e precisava colocar minha cabeça em ordem e o coração novamente.
Quando eu fazia isso, seguia em frente. Conhecer você trouxe tudo para
o lugar. Papai tornou isso aparente quando ele continuou me dizendo
que eu era cego e não via o que estava na minha frente. Fui um idiota
com você acima de tudo.

— Eu não vou discutir com isso.


— Mas eu abri meus olhos, e Gabriele tornou um pouco difícil não
fazê-lo. Meu filho me pressionou, e estou muito agradecido por ele.

— Alessandro, o que você está dizendo?

— Eu não pensei que isso levaria até aqui, Piper, mas sim, quero
que você seja minha esposa, minha pessoa eterna. Não vou te
pressionar. Eu quero que você pense sobre isso, mas quero ir para os
EUA para viver. Estou me candidatando a vagas lá, mas você já sabe
disso. Se não conseguir, papai quer que eu abra uma distribuidora em
Nova York. Ele está me pressionando para fazer isso. A empresa já
iniciou o processo, então, de qualquer forma, estou coberto no que diz
respeito a um trabalho. Vou me mudar, quer nos casemos ou não.

— Eu não sei o que dizer.

— Está bem. Você pode me prometer uma coisa?

— Claro.

— Se você decidir não se casar comigo, ainda será uma boa amiga
de Gabriele porque ele te ama tanto quanto eu?

— Cale-se. Também estou apaixonada por você. Eu quis dizer que


não sabia o que dizer por causa do fato de você se mudar.

— Também é para Gabriele. Quanto mais longe ele estiver de sua


mãe, melhor.

— Eu acho que é uma ótima ideia. Posso pedir um favor?

— Certamente.

— Podemos nos casar aqui?

Eu soltei uma risada enorme. — Isso agradaria muito a minha


família se o fizéssemos.

— Então sim.
— Oh, então você está me usando?

Ela deu um tapa no meu braço. — Você não sabia? Só vou me


casar com você pelo seu filho!

Humph. — E aqui eu pensando que era o meu guerreiro do amor


de capacete rosa.

— Não. É o seu polo penetrante de paixão. Você não consegue


acertar nada?
Capítulo Quarenta e

Dois
Piper

O JATO PARTICULAR taxiou até parar. Meu estômago palpitou de


emoção enquanto eu observava a porta se abrir e os degraus caírem. A
cabeça do comissário de bordo apareceu primeiro, depois ele recuou e
logo minha irmã Sylvie saiu segurando um dos bebês. Soltei um grito e
corri em sua direção, ouvindo Alessandro atrás de mim rindo. Gabriele
seguiu em frente porque queria dar uma primeira olhada em seus
futuros parceiros no crime.

— Woooohoooo! — Eu gritei, abraçando minha irmã. Então roubei


o bebê número um, enquanto o número dois seguia nos braços de seu
pai, Evan. Então Reynolds e meu pai desceram. Eu estava pulando,
mesmo que ainda estivesse dolorida, mas que diabos. Era minha
família, pelo amor de Pete.

— Oh, meu Deus, estou tão animada por ver todos vocês. —
Abracei cada um deles, com o bebê número um se contorcendo em
meus braços. — Caramba, Sylls, esse carinha é forte.

— Conte-me sobre isso. Tente segurar dois deles ao mesmo tempo.


Eles puxaram o pai.

Eu bati com o punho no meu cunhado. Tínhamos nos unido ao


longo do tempo em que Sylvie não falou com ele. Essa era uma longa
história. Mas ele era um cara incrível e ela estava simplesmente sendo
burra. Minha intervenção salvou o dia - ou pelo menos acho que sim.
— Todo mundo, esse é Gabriele. — Eu o apresentei a todos e
depois chamei meu principal homem. — E este é Alessandro. — Puxei-o
contra mim, passando o braço em volta da sua cintura. Minha família
me olhou. Eles sabiam que éramos definitivamente mais do que amigos
agora. Era óbvio, tenho certeza, porque eu estava brilhando e sorrindo
como uma tola.

Evan e papai apertaram a mão dele e todos agradeceram o convite.


Enquanto as malas estavam sendo carregadas nos carros que
trouxemos, conversamos. Reynolds e Gabriele conversaram bastante
sobre cabelos. Ela imediatamente correu os dedos pelos dele,
exclamando o quão incrível era.

— É exatamente como o de Alessandro, não é? — Perguntei.

— Eles se parecem sim. — Respondeu ela. — Mas não acho que ele
gostaria de ter minhas mãos passando pelos seus cabelos.

Dei de ombros. — Ele provavelmente pensaria que você era louca.

Entramos nos carros e voltamos para casa. Quando chegamos, os


nonnos estavam esperando. Eles se preocuparam com os bebês,
roubando-os imediatamente.

— Eu não acho que você os recuperará até sair. — Disse


Alessandro.

— Esse lugar é lindo. — Disse Sylvie.

Antônio saiu correndo. — Desculpe por não estar aqui para


cumprimentá-los. Eu estava nos campos e meu carro florestal parou.
Gabriele, pedi para você me dizer quando os usasse para garantir que
eles tivessem combustível.

— Sinto muito, nonno.


— Eu fiquei sem combustível. — Disse Antônio. — E tive que voltar
andando.

— Gabriele, sem carrinhos pelos próximos dois dias. — Disse


Alessandro.

— Mas, papai...

— Sinto muito, mas você conhece as regras.

— Sim, papai.

Tentamos não sorrir, mas para Gabriele parecia que o mundo


estava acabando.

— Todo mundo está com fome? Temos um lanche preparado. —


disse uma das nonnas.

— Venham todos. Preparem-se para os mimos. Os que não gostam


de cozinhar.

Entramos na cozinha e sentamos em volta da mesa enorme.


Bebidas e vinho foram servidos, pratos foram colocados e todos nós
fomos comer. Estava delicioso, como sempre. Evan estava no céu e
discutia profundamente com Alessandro e Antônio sobre o vinho. Meu
palpite era que ele seria investido na divisão deles antes da viagem
terminar.

Depois que terminamos de comer, e os homens ainda


conversavam, perguntei a minhas irmãs se elas queriam ver seus
quartos. Reynolds estava perto do nosso, mas Sylvie e os meninos
estavam em uma casa de hóspedes. Levei-as a casa deles primeiro.
Gabriele decidiu que ele sairia com os homens, já que era um deles. A
nonna estava limpando a cozinha, então tínhamos os meninos.

Uma vez que estávamos longe de todos, Sylvie disse: — Caramba,


Pipe, ele é lindo.
— Sim, ele é meio fofo, não é?

— Hum, meio? Ele é sensual. E fala inglês como um americano.

— Sua mãe era americana e sua avó também. Uma das nonnas.
Você não sabia?

— Sim, mas eu não sabia ao certo.

Reynolds estava andando atrás de nós quando disse: — Ele tem o


cabelo mais perfeito. Eu quero um homem com cabelos assim.

Sylvie e eu rimos.

— O que?

Perguntei-lhe: — E se você conhecesse o Sr. Perfeito, mas ele


raspasse a cabeça?

— Isso é heresia.

— Está em grande estilo agora, Reynolds.

— Não para mim. Sou estilista e o barbear da cabeça acabou.

— Você ainda está em treinamento, não está? — Perguntei.

— Bem, duh, mas estou penteando cabelos no processo. E raspar a


cabeça exige estilo.

— Ok, então, espertinha, e se ele for careca?

— Isso é diferente porque ele não pode evitar. Eu não jogaria isso
contra ele. Não sou de coração frio.

— Apenas verificando. — Disse. Eu ficaria chateada com isso.

— Mas Pipe, este lugar é irreal. — Acrescentou Reynolds. — Eu


não posso acreditar.
— Eu sei. A primeira vez que vi, quase morri. Foi tão inesperado.
Para começar nem sabia que ele tinha dinheiro.

A essa altura, chegamos à casa de hóspedes. Era uma das menores


com três quartos e a mais próximo da casa principal.

— Oh meu. Isso é adorável.

— Alessandro achou que você ficaria mais confortável em ter seu


próprio lugar. — O terraço dos fundos ficava em frente ao terraço da
casa principal. Abri as portas e apontei para o nosso quarto. — Este é o
nosso. Acho que Alessandro disse que o edifício principal foi construído
em 1600, embora não me lembre. Em seguida, as duas alas foram
adicionadas mais tarde. Eles fazem atualizações periodicamente. Ele
terá que fazer um tour pelas vinhas. Elas são espetaculares.

— O vinho no almoço estava delicioso. Não sei se vou conseguir


tirar Evan daqui.

— Então, dê-nos os detalhes suculentos de Piper e Alessandro. —


Disse Reynolds, citando Piper e Alessandro no ar.

Minhas bochechas esquentaram e elas perceberam. — OK.


Passamos de zero a sessenta.

— O que isso significa? — Sylvie perguntou.

Reynolds sentou em uma cadeira e respondeu. — Significa


irmãzinha, que eles passaram de amigos para amigos com todos os
benefícios e mais alguns.

— Explique o e mais alguns.

As duas olharam, esperando.

— Somos sérios um sobre o outro.

— Quão sério? — Elas perguntaram em harmonia.


— Muito.

— Santo cannoli. — Reynolds ficou chocada. — Não é rápido?

Dei de ombros. Era? Talvez, talvez não. Sylvie não disse uma
palavra. Ela só usava um sorriso presunçoso. O que foi aquilo?

— Nós nos conhecemos logo após o Dia do Trabalho, mas eu gosto


dele desde então. Somente a princípio, ele não parecia interessado. Foi
quando descobri sobre Gabriele. E é por isso que ele não parecia
interessado. Queria proteger seu filho. Eu não o culpo. Se ele se apegar
de quem Alessandro namora, é difícil se não funcionar.

— Isso faz sentido. Seria difícil para uma criança. — Disse


Reynolds.

Eu concordei. — Mas então Gabriele e eu nos apaixonamos. Após a


primeira invasão no meu apartamento, a segurança foi melhorada. Mas
então a polícia queria minha ajuda. Você conhece essa história, certo?

— Mais ou menos, e eu quero ouvir tudo, irmã. — Disse Sylvie. E


seu tom indicava que ela não estava aceitando não como resposta.

Expliquei como a polícia me abordou, o plano que eles haviam


estabelecido e como eu havia concordado em fazê-lo. Então disse a elas
como não funcionou dessa maneira.

— Foi quando Alessandro insistiu que fosse morar com ele, já que
eles tinham espaço extra. Meu senhorio estava ansioso demais para eu
me mudar, pois isso deu a seus apartamentos um nome ruim, então ele
me deixou fora do meu contrato. Então a segunda situação ocorreu. Foi
quando liguei para todos vocês. — Eu levantei meu braço com a tala. —
Acabei com essas lesões, mas consegui e estou bem. Tenho TEPT.
Principalmente em forma de pesadelos.

— Você está vendo algum profissional?


— Ainda não. Viemos pra cá, verei assim que voltar para
Cambridge.

Sylvie estava preocupada. Ela nunca conseguia esconder suas


emoções.

— Enfim, foi quando Alessandro soube com certeza o que estava


em seu coração. E eu soube o que havia no meu.

Sylvie me abraçou. — Por favor, prometa que você receberá


aconselhamento. Estou feliz por você, mas não quero que esse
relacionamento seja um curativo para o seu trauma.

— Eu juro que não é. Nem sabia que Alessandro estava se sentindo


assim e contei tudo a ele. Quero dizer sobre como eu estava com medo e
tudo. Pensei que ia morrer. — Puxei minha camisa e talvez fosse a coisa
errada a fazer, pois Sylvie cobriu a boca e olhou horrorizada. Reynolds
começou a chorar.

— Eu sabia que era ruim, mas não assim. Você não falou no
telefonema. — disse Sylvie.

— Eu não e fiz Alessandro prometer não contar mais. O motivo é


que acabou e vocês estavam vindo para cá. Prometi contar a verdade
quando chegassem. Foi realmente horrível. Ele me manteve em um
armazém em Londres. Estava muito frio e tudo em retribuição pelo
ferimento que lhe dei.

Reynolds gritou: — Porque você apertou as bolas dele?

Foi o jeito como ela disse que foi o alívio cômico. Eu ri e logo, nós
três estávamos rindo juntas.

— Oh, Deus, isso era necessário. — Disse Sylvie.

— Tão verdade. Mas sim, é por isso. Aparentemente, eu causei


dano permanente às bolas dele. Elas ainda estavam roxas.
— Você quer dizer que ele realmente as mostrou para você?

— Claro! Ele ia me estuprar, mas sua salsicha estava mole. E a


pior parte foi que eu ri. Embora tenha sido a histeria que não pude
parar.

Sylvie bufou. — Eu sinto muito. Não é nada engraçado, mas não


posso evitar.

— Eu sei. Mas foi quando ele ficou totalmente irado. — Enquanto a


história era trágica, fiquei feliz por elas não ficarem tristes com isso.

— Honestamente, qualquer homem ficaria irritado se você risse da


salsicha deles. — Então rimos novamente. Foi assim que Evan,
Alessandro e papai nos encontraram.

— O que é tão engraçado? Podíamos ouvi-las lá fora — perguntou


Evan.

De jeito nenhum eu iria transmitir a história.


Capítulo Quarenta e

Três
Alessandro

DANDO UM TAPINHA NAS COSTAS DE EVAN, eu disse: — Aprendi há


muito tempo, meu amigo, que quando um grupo de mulheres se reúne,
nunca pergunte sobre o que estão discutindo.

— Ótimo conselho, Alessandro. — Disse John. Eu estava gostando


da companhia do pai de Piper. Ele era um homem muito amigável, me
lembrava de meu próprio pai, que teve que voltar para a vinícola, e foi
por isso que procuramos as mulheres. Procurei Piper e me abaixei para
envolver meu braço em volta dela.

— Amore mio, o papai voltou para a vinícola e nós vamos encontrá-


lo lá. Eu quero fazer uma visita com Evan. Vocês três estão
interessadas em se juntarem a nós?

Ela olhou para as irmãs, que nos encaravam. Sylvie foi a primeira
a responder. — Eu adoraria, mas tenho os gêmeos e eles estão prestes a
dormir.

Olhando para os dois bebês, vi que ela estava certa.

Reynolds disse: — Na verdade, eu também estou cansada. Ia tirar


uma soneca. Podemos fazer outro passeio mais tarde?

— Absolutamente. Papai está fazendo alguns testes e Evan queria


ver. Mas ficarei feliz em levá-la depois. Um pequeno conselho. Não
durma muito, porque você não será capaz de dormir esta noite. É
melhor se estiver cansada hoje e for dormir cedo, para que possa se
adaptar à diferença de horário mais rapidamente.
— Sim, é verdade. Se você tirar uma longa soneca agora, estará
acordada às três da manhã e não estará bem amanhã. — Acrescentou
Piper.

— Isso faz sentido. Vou tomar banho e depois tirar uma soneca por
uma hora. — Disse Reynolds.

— Sylvie, se quiser que minhas avós cuidem de seus bebês, saiba


que elas adorariam.

— Obrigada, mas acho que farei exatamente o que Reynolds está


fazendo.

— Piper?

— Eu vou me juntar a vocês, homens. Mas preciso levar Reynolds


para o quarto dela primeiro.

— Excelente! — Eu me levantei e estendi minha mão. Foi fácil ver


sua família notar nossa ligação. — Encontre-nos lá fora quando
terminar.

Ela se juntou a nós cerca de dez minutos depois. Evan e John


andaram no banco de trás e Piper foi ao meu lado na frente. Não foi
uma longa viagem, mas minha mão descansou em sua perna enquanto
eu dirigia.

Evan chamou de trás: — As vistas aqui são incríveis.

— Sim, elas são extraordinárias. Durante o outono, quando as


uvas são colhidas, os campos são bastante coloridos. Você terá que
voltar então.

Quando chegamos ao prédio, Piper disse: — Eu ainda não estive


aqui.

— Você ficará intrigada, mas acho que não tanto quanto seu
cunhado. Ele está completamente admirado.
— Eu disse que ele estaria. Tenho certeza de que haverá um
empreendimento comercial em andamento.

— Já existe. Ele é bastante empreendedor. Os olhos de papai


brilharam assim que ele começou a falar.

— Vocês dois deveriam ouvir, porque ele é um rei no que diz


respeito à Wall Street.

— Eu tenho uma confissão a fazer. Quando você me disse quem ele


era, comecei a pesquisá-lo, então tenho bastante informação sobre os
negócios dele.

Não demorou um segundo para Evan comentar. — Este é um


mundo completamente antigo.

— Como dissemos, fazemos tudo da maneira que um vinho


envelhecido, verdadeiro e equilibrado deve ser feito. Mas é aí que suas
novas ideias entrarão em cena.

— Novas ideias? — Piper perguntou.

— Estamos pensando em trazer para o mercado um vinho mais


acessível para as pessoas que desejam experimentar nossa marca. Mas
da maneira como fazemos as coisas agora, isso não pode ser feito. Evan
recomenda a produção em massa em aço inoxidável. Como você pode
ver aqui, todos os nossos vinhos são envelhecidos em barris de carvalho
e madeira. O método do aço inoxidável não oferece um sabor único, mas
é menos caro e pode produzir muito mais de cada vez. O outro
problema que temos é a quantidade. Sob a nossa marca atual,
produzimos apenas uma certa quantidade de uvas por ano. Evan
acredita que devemos empreitar nossos vinhos mais acessíveis, dar-lhes
uma marca diferente e comercializá-los de maneira diferente.

— Uau. Isso é brilhante. Então, uma opção de mercado para você


ampliar.
— Exatamente. Atualmente, somos incapazes de fazer isso. Mas se
comprássemos mais produtos, mais espaço para produzir o vinho em
aço inoxidável, não demoraria muito para envelhecer.

— E o mercado dos EUA?

— É aí que eu entro. Abriríamos nossa divisão lá. Contrataria os


especialistas e seria o diretor de operações. Evan está interessado em
investir.

— Alessandro, Evan também tem muita experiência em contratar


pessoas.

— Nós conversamos sobre isso, mas ele não tem nenhum no


negócio de vinhos. Quando estivermos em funcionamento, é onde ele
entra em cena. Suas ideias para o mercado dos EUA podem nos levar à
vanguarda do mercado de vinhos acessíveis.

— Isso é tão emocionante! — Piper saltou na ponta dos pés.

— O que é tão emocionante? — Evan perguntou.

— Eu estava dizendo a ela sobre nosso possível futuro


empreendimento.

Os olhos de Evan se iluminaram. Este homem adorava falar de


negócios. — Sim. Pipe, você não acreditaria nas possibilidades. Este é
um dos melhores vinhos do mundo. Você consegue entender o que
podemos construir? Basta pensar na possibilidade de ir às compras no
supermercado ou ir à sua loja de vinhos local e pegar uma garrafa
dessas coisas no seu preço?

— Eu sei. Nunca tinha ouvido falar disso antes de você me dizer, e


então Alessandro me serviu. Mas sou apenas um mero mendigo.

— Não, você não é. Mas também não é rica. — Disse Evan. — No


entanto, com esta opção, você estaria bebendo o tempo todo.
— Exatamente. E quando conheci Alessandro, teria pulado no colo
dele e implorado por uma garrafa.

— Em vez de um beijo. Não tenho certeza se gosto dessa ideia


agora, amore mio.

Ela ficou na ponta dos pés e me deu um beijo na bochecha. Não foi
o suficiente. Eu a puxei para um beijo nos lábios. Quando a soltei, suas
bochechas estavam vermelhas como fogo.

— Eu posso ver o quão próximos vocês dois se tornaram. — Disse


Evan.

Piper apenas assentiu, mas eu confirmei. Estávamos na porta onde


meu pai estava esperando e ele e John já estavam conversando
profundamente.

— Já era hora de você chegar.

— Eu estava explicando a Piper sobre a operação proposta nos


EUA que discutimos durante o almoço.

Papai foi até o balcão onde estava o nosso comerciante de vinhos.


Então, começou o processo de explicar como ele derivou cada um dos
nossos vinhos. Era um processo complexo e vi a atenção de Piper
desaparecer. Ela gostava de vinho, mas não na medida em que
gostávamos. Ela estava olhando para tudo, menos ele, então sussurrei
em seu ouvido: — Você gostaria de ver o meu escritório?

— Sim! — Sua resposta ansiosa me levou a puxá-la nessa direção.


Os outros nunca notaram a nossa partida, ou essa era a história que eu
me contei.

— É aqui que passo muito tempo quando estou em casa. — Eu


disse, fechando a porta.

— Isso é legal. Você tem uma visão dupla.


Ela estava certa. Uma janela dava para as vinhas e outra para os
armazéns. — Sim, mas eu prefiro a visão atual. É muito melhor do que
uma sala cheia de barris de carvalho.

— É agora? — Ela caminhou direto nos meus braços e plantou


seus lábios nos meus.

Foi assim que meu pai nos encontrou.

— Alessandro, venha rápido. Chiara está aqui e está ameaçando


levar Gabriele.
Capítulo Quarenta e

Quatro
Alessandro

— CHIARA? Eu pensei que ela estava na prisão? — Piper perguntou


quando saímos correndo.

— Eu também.

Entramos no carro e dirigi como um maníaco de volta para casa.


Quando cheguei na frente da casa principal, meus nonnos estavam lá
discutindo com minha ex-esposa, enquanto ela gritava de volta para
eles. Gabriele olhava para eles confuso.

— Piper, por favor, leve Gabriele de volta aos nossos quartos? Eu


irei buscá-lo quando este desastre terminar.

— Mas, papai... — Gabriele começou a discutir comigo. Só que não


lhe dei uma chance. Fui buscá-lo e o carreguei até o corredor que levava
aos nossos quartos.

— Ouça, deixe-me resolver isso. Você e Piper podem jogar e quando


tivermos tudo resolvido, eu irei buscá-lo.

— Mas eu quero ver minha mãe.

— Eu sei, mas agora, tenho que falar com ela primeiro, ok?

— Vamos lá, pinguinho, vamos jogar Go Fish. Talvez os bebês


também estejam acordados. Nós sempre podemos brincar com eles
depois.

— OK.
Sua expressão era sombria, mas não importava agora. Eu tinha
que tirar essa mulher daqui antes que ela causasse um incidente ainda
maior.

Eu os assisti sair e quando eles estavam fora de vista, me virei


para encarar meu inimigo.

— Chiara, o que você está fazendo aqui? Você sabe que não é bem-
vinda nesta casa.

— Eu vim para o meu filho.

— O filho que você quase matou? Acho que não. Não vou permitir
que ele seja colocado em qualquer tipo de perigo assim novamente. Você
se afastou quando a vida dele estava quase terminando e quando minha
filha morreu devido ao seu comportamento irresponsável e egoísta. Não
há uma chance nesta terra de você se aproximar dele novamente.

Ela lançou um sorriso maligno para todos nós. — Não? Então você
não sabe com quem está lidando. Em breve terei a custódia dele. Os
tribunais favorecem as mães, como você bem sabe.

— Não mães que não dão a mínima para os filhos. A propósito,


como você saiu da prisão?

Sua risada ecoou pela entrada. — Meu comportamento estelar. Eu


era uma prisioneira modelo.

— E isso é algo para se orgulhar, pelo que vejo. Você dirá a


Gabriele que, depois de matar sua irmã, cumpriu pena na prisão e foi
libertada cedo por bom comportamento? Tenho certeza de que é algo
que ele gostará de ouvir.

O sorriso dela se transformou em uma careta. — Ele nunca vai


saber sobre isso.
— Ah, sim, vai, porque eu direi a verdade. Você acha que vou
mentir para ele sobre o que aconteceu com sua linda irmã? E como ele
quase morreu ao mesmo tempo pelas suas mãos? Eu nunca farei isso.
Sugiro que você saia e nunca volte. Perdeu o direito de ver seu filho no
dia em que amarrou meus filhos no carro, partiu quando estava tão
bêbada que mal podia andar, matou minha filha e quase fez o mesmo
com Gabriele. Se você pensa em vê-lo novamente nesta casa, deve estar
doida. Você não é bem-vinda aqui e está invadindo. Preciso lembrá-la de
que isso é propriedade privada? — Fui até a porta e a abri.

— Vamos ver isso, não é? — Então ela me chamou de todos os


nomes desagradáveis que poderia inventar enquanto jogava o cabelo
para trás e passava. Eu a observei entrar em um carro, que ela não
dirigia, e ele partiu.

A essa altura, Papa, Evan e John haviam retornado da vinícola.

— Papa, é hora de agir. Não posso me arriscar com Gabriele aqui.

— Eu posso ajudar. — Disse Evan.

— Com que?

— Talvez eu conheça alguém nos EUA, se você levar a sério o nosso


empreendimento, poderíamos acelerar o processo.

— Eu vou, o que acha papai?

— É um empreendimento comercial sólido. Mas e o seu trabalho


em Cambridge?

— Gabriele tem prioridade. Não posso arriscar o futuro dele.

John perguntou: — E o processo de imigração. Com todos os


problemas políticos em nosso país hoje, como você administrará isso?
Esse poderia ser o nosso maior obstáculo. — Eu estava me
candidatando nas universidades americanas para uma vaga lá, mas
agora com as operações de vinho isso não seria viável.

Evan nos interrompeu, dizendo: — É aí que eu entro. Como faço


muitos negócios internacionais, tenho conexões nessa área. É assim
que posso ajudar. Posso conseguir um visto de trabalho.

Piper! Eu tinha esquecido dela. — Nonna, você pode pegar Piper e


levar Gabriele para brincar enquanto terminamos de fazer planos?

Ambos nonnos foram, eles eram como um time. Piper se juntou a


nós e todos a informamos.

— Minha única preocupação é que você estará sozinha em


Cambridge pelos próximos três meses.

Ela riu. — Alessandro, sou uma mulher adulta.

— Sim, você é, mas veja o que aconteceu antes.

O sorriso que ela usava desapareceu. — Posso morar com Emma.


Ela ofereceu em um ponto e eu recusei. Quão mais segura posso estar
do que morando com um membro da força policial?

Isso me ofereceu uma medida de conforto. — Sim, é uma ótima


ideia. Mas você pode providenciar isso antes de partirmos para não ter
que me preocupar?

— Eu prometo.

Então Evan sugeriu algo. — Não quero exagerar, mas pode ser
uma boa ideia contratar um guarda-costas para Gabriele. Apenas no
caso de ela voltar ou enviar outra pessoa.

— Essa é uma excelente ideia. — Disse meu pai. — Alessandro, eu


vou cuidar disso. — Ele saiu enquanto continuamos a fazer planos. Um
pensamento me ocorreu e perguntei a Piper se eu poderia ter uma
palavra em particular.

Nós caminhamos para fora. — Eu sei que você queria se casar


aqui, mas, dadas as circunstâncias, receio que isso não aconteça, a
menos que esperemos alguns anos e, amore mio, não posso fazer isso.
Você se importa se nos casarmos em outro lugar?

Sua mão alcançou minha bochecha enquanto ela respondia: —


Enquanto estivermos juntos, não me importo com onde vamos nos
casar. A segurança de Gabriele é a coisa mais importante.

— Obrigado.

— Você não precisa me agradecer por isso.

— Teremos um casamento de primavera quando você voltar de


Cambridge. Não sei como suportarei ficar longe de você. — Era verdade.

— Três meses. Noventa dias. Vamos descobrir uma maneira de


gerenciar.

De volta para dentro, descobrimos que Evan tinha saído para fazer
algumas ligações sobre um visto de trabalho com as conexões que
tinha, e papai ainda estava organizando o guarda-costas para Gabriele.
Piper foi checar suas irmãs, e isso deixou John e eu.

— Você se importa se conversarmos um momento? — Perguntei a


ele.

Nós caminhamos para o terraço e foi aí que eu fiz a pergunta a ele.


— Quero que saiba que estou apaixonado por sua filha. Ela é tudo para
mim e eu quero pedir a mão dela em casamento.

Ele olhou para longe e não falou por um minuto. — Quando Evan
quis se casar com Sylvie, eu disse a ele a mesma coisa que vou dizer a
você agora. O dinheiro é ótimo, mas não faz casamento. Minha filha
realmente não se importa com isso.

— Já descobri essa parte. Mas ela não estava ciente da minha


família ou do que fazíamos quando nos conhecemos. Ela pensou que eu
era um professor mal remunerado.

Ele sorriu. — Isso soa como minha Piper. Minha esposa e eu


estávamos juntos por muitos anos antes de ela falecer em janeiro
passado. Ainda sinto falta dela todos os dias. Desejo que você e Piper
compartilhem esse tipo de amor. É a jornada mais maravilhosa que
duas pessoas podem fazer. Acho que Sylvie e Evan a encontraram.

— Acho que eles têm, e sei que Piper e eu também. Ela é a última
coisa que penso antes de adormecer à noite, e a primeira coisa que
penso quando acordo.

— Parece que sim.

— Meu único arrependimento é que eu gostaria de tê-la encontrado


primeiro, mas, como ela apontou, não teria meu filho então.

John assentiu. — Parece algo que minha filha diria. Vou te dar
minha bênção. Trate-a bem, Alessandro, e valorize cada momento com
ela. Você nunca sabe quando a vida vai acabar.

— Isso é verdade. Você e meu pai têm muito em comum.

— Nós temos. Ele é um grande homem. Eu já descobri isso.

Dei um tapinha no ombro dele e disse: — Espero que um dia você


sinta o mesmo pelo filho dele.
Capítulo Quarenta e

Cinco
Piper

SYLVIE ESTAVA AMAMENTANDO OS BEBÊS - SIM, OS dois - quando entrei


na casa de hóspedes dela.

— Caramba, Pipe, já ouviu falar em bater?

— Você não vai acreditar no que acabou de acontecer. — Eu contei


a ela a história sobre a ex-esposa.

— A história da minha vida. Eu tiro uma soneca e olha o que


perco.

— Sim, mas você está perdendo o foco. Alessandro e Gabriele


precisam sair do país.

— Por quê?

— Ela é má e tentará levar Gabriele embora.

— Você pode me entregar essas mamadeiras? Estou sem leite.


Esses pequenos são grandes comedores.

Eu bufei, depois fui até as mamadeiras que ela evidentemente


preparou antes do tempo. — Você está ouvindo?

— Estou, mas quando você tem dois bebês famintos determinados


a comer, eles tem prioridades.

Entregando as mamadeiras para ela, eu a observei habilmente


manipular os meninos e colocá-los em almofadas e colocar
mamadeiras em suas bocas antes de qualquer um dar uma espiada. —
Estou impressionada.

— Confie em mim. Você aprende rápido com dois. Agora continue.

Minha explicação sobre Chiara levou alguns minutos, mas quando


terminei, ela disse: — Alessandro e Rose têm muito em comum. — Rose
era sua melhor amiga e passou pelo inferno com o ex quando ele estava
com custódia da filha.

— Eu nunca pensei nisso.

— Outra coisa, Gabriele e Montana também podem ser amigos.

— Nunca pensei nisso também. — Montana era filha de Rose e ela


era tão adorável quanto Gabriele. — Oh meu Deus, Aaron o amaria
porque ele joga futebol.

— Sim, ele faria.

Aaron era filho de meu primo Grey. Ele era louco pelo jogo, vivia e
respirava, como Gabriele.

— Talvez essa mudança para os EUA seja a coisa perfeita para


eles. — Eu bati em minha bochecha enquanto pensava sobre isso.

— Verdade, e você? O que vai fazer?

— Eu? Vou terminar minha graduação em Cambridge e depois


voltar para casa como planejei originalmente.

Evan entrou na sala. — Ei. Oh, Pipe, tenho tudo em andamento


para seus meninos.

— Os meninos dela? — Sylvie perguntou.

— Sim. Vou te informar. Vou investir nas operações deles nos EUA
e expandi-los para os mercados de vinho mais baratos. — Ele
explicou quais eram suas intenções. — A propósito, você sabia que a
Itália é o produtor número um de vinhos em todo o mundo?

— Sério? — Perguntei.

— Sim, e suas videiras são fabulosas.

Sylvie apontou a cabeça em direção ao marido. — Ele saberia. Mas


Piper, e o aconselhamento?

— O que tem isso?

— Sem Alessandro com você, estou preocupada contigo sozinha.


Você até disse que é melhor quando ele está por perto. — Ela estava
certa e eu evitei esses pensamentos.

— Terei Emma e a escola para me manter ocupada e sim, estou


pensando em ir ao aconselhamento, como eu disse.

— Caramba, Sylls, dê uma chance a ela. Piper não pode fazer nada
enquanto estiver aqui.

— Eu sei, mas estou preocupada com ela.

Ajoelhada ao lado dela, porque ela estava presa com mamadeiras


em cada mão, eu dei um tapinha nas pernas dela. — Não fique. Eu vou
ficar bem. Só faltam mais três meses e estarei em casa incomodando
você.

— Promete?

— Prometo.

Evan caminhou até os meninos e perguntou: — Eles já


terminaram? — Sylvie verificou as mamadeiras e disse: — Este sim. —
Ele pegou a da esquerda.
— Eles estão ficando tão grandes. Não acredito no quanto
mudaram. — Peguei o mais próximo de mim e brinquei com seu
pezinho. — Eu amo pés de bebê.

— Eles não são os mais fofos? Crescem como ervas daninhas. Eu


tiro tantas fotos porque não percebo as mudanças diariamente.

Evan estava fazendo barulhos patetas e o bebê que ele segurava riu
uma tempestade. Fez-me pensar se Alessandro queria mais filhos. Após
a perda que ele experimentou com sua filha, eu não tinha tanta certeza.
E então me fez pensar naquela horrível ex-esposa dele. É verdade que o
vício em álcool era uma doença, mas ela passou por reabilitação e sabia
que estava doente. Ela não tinha direito de ficar atrás do volante de um
carro.

— Qual motivo da triste aparência? — Perguntou Sylvie.

— Eu estava pensando em Alessandro e no que ele passou com a


ex.

Evan chamou: — Ela deve ser um pesadelo. Foi para a prisão e


agora querer levar Gabriele embora.

— Alessandro me disse que ela nunca se importou com ele. Então,


por que agora?

— Pelo dinheiro, Piper. Se você não conseguir descobrir algo, siga o


dinheiro. — Disse Evan. Ele estava certo. Por isso ela queria Alessandro
em primeiro lugar.

— Eu não posso imaginar ser tão insensível.

— É porque você tem a capacidade de amar e sentir emoções


profundas. Há quem não tenha. — Disse Sylvie.

— Tivemos a sorte de sermos criadas em uma família amorosa. —


Eu disse.
— Sim, e é óbvio, Alessandro também. Seus nonnos são
maravilhosos. O mesmo acontece com o pai dele e o nonno-responsável,
embora eu acredite que ele se afasta muito para evitar as tarefas da
cozinha. — Sylvie fez uma ótima observação à qual eu não prestei
atenção.

— Há, você está certa. Estou mencionando isso para Alessandro.


Ele vai rir disso.

— Ei, acabei de receber uma mensagem do meu amigo, a conexão


que tenho com os vistos de trabalho. Ele disse que, enquanto o nosso
contrato estiver em vigor e o tivermos legalmente documentado, o que
obviamente faremos nos dois lados, italiano e americano, não haverá
problemas. Ele nunca cometeu um crime que você conhece?

— Não, mas a ex dele fez.

— Melhor ainda. Isso garante que ela nunca poderá entrar


legalmente nos EUA — Isso ofereceu um pouco de conforto. — Vamos
encontrar Alessandro e informá-lo.

— Hum, mãe ocupada aqui. — Disse minha irmã.

— Eu vou ajudar a trocá-los. Deixe-me saber o que fazer.

Recebi instruções completas e, quando o trabalho foi concluído,


partimos. Alessandro e meu pai estavam do lado de fora no terraço,
conversando profundamente. Hmm, eu me perguntava o que era tão
interessante.

— Ei vocês dois. Temos notícias, ou melhor, Evan.

Ele contou o que o amigo disse.

Alessandro riu quando se falou do crime. — Não, eu tive uma


multa de estacionamento uma vez. Isso conta?
— Eu duvido. — Disse Evan. — Podemos entrar em contato com o
seu advogado para obter o contrato? Vou ligar para o meu e fazer as
mudanças também.

— Certo. Deixe-me encontrar meu pai. — Ele mandou uma


mensagem e descobriu que Antônio estava na vinícola. Ele respondeu
imediatamente que ligaria para fazer as coisas funcionarem. Deveria ser
feito em um dia ou mais.

Com o tamanho dessa corporação, imaginei que eles fossem um


dos maiores clientes do advogado. Evan tinha uma equipe inteira à sua
disposição, então talvez a vinícola também tivesse.

Mais tarde naquele dia, uma equipe inteira de guarda-costas


apareceu em casa. Antônio e Alessandro desapareceram em um
escritório enquanto estávamos na cozinha, mordiscando todo tipo de
guloseimas saborosas. Gabriele nos divertiu enquanto contava como
seu pai tentou fazer pão uma vez, mas queimou no forno.

— Ele deixou a casa toda fedida. — Ele beliscou o nariz e correu


em círculos. O nonno riu dele, mas depois nos disse como era horrível.

— Demorou três dias para o cheiro desaparecer. — Disse um deles.

— E eu aqui pensando que ele era um bom cozinheiro. — Eu disse.

— Cozinheiro sim. Assador, não. — Disse Nonna. — Nunca confie


nele com o forno.

— Nunca confie em quem com o forno? — Alessandro perguntou,


entrando na cozinha.

— Você! — Gabriele disse. — Você faz pão preto fedido.

— Uma vez eu queimei e eles nunca me deixam esquecer. — Ele


sorriu. Eu derreti. Algum dia me acostumaria com o seu lindo rosto?
Atrás dele havia seis homens corpulentos. Eles pareciam
assustadores, do tipo que você vê nos filmes. Antônio conversou
baixinho com o de trás. Eles eram estereotipados, pois todos usavam
camisas pretas e calças pretas. Eles tinham bíceps protuberantes nas
mangas da camisa. Se eu visse algum deles em uma noite escura,
correria como se o próprio diabo estivesse me perseguindo.

— Todo mundo, quero apresentar a vocês nossos novos guardas


que decidimos contratar.

— Guardas? — Gabriele perguntou.

— Está certo. Desde que Piper foi levada, estive pensando em fazer
isso e tomei a decisão hoje. Esses homens estarão aqui e conosco o
tempo todo para nos manter seguros. Todos nós seremos designados
para alguém quando viajarmos também. — Ele apontou para cada um e
nomeou-os, mas eu estava focada em Gabriele quando seus olhos se
arregalaram. Ele estava mais curioso sobre como eles eram legais do
que qualquer outra coisa. As perguntas rolaram de sua língua, uma
após a outra.

— Você tem uma arma? Você pode lutar? Você é forte como na TV?
Você sabe chutar assim? — E ele demonstrou alguns movimentos
rápidos que eram hilariantes, mas não machucavam um filhote.
Abençoado seja, os homens eram gentis e pacientes, mas eu sabia que,
sem dúvida, eles executariam seus deveres por sua aparência severa e
sem sentido. Depois que Gabriele terminou o interrogatório, Antônio os
levou para seus aposentos. Aparentemente, eles morariam aqui até
sairmos. Alguém voltaria para o Reino Unido comigo. Eu me perguntava
como Emma se sentiria com isso.

— Piper, posso falar com você? — Alessandro perguntou. Fomos


para a sala e ele me disse que meu guarda-costas poderia morar na
casa comigo, se eu preferisse isso a morar com Emma.

— Eu não sei. O que você acha?


— De qualquer forma, quero alguém com você o tempo todo. Emma
terá que trabalhar, o que a deixa sozinha. Se você ficar em casa, ele
poderá acompanhá-la às aulas, esperá-la e levá-la embora. Você nunca
ficaria sozinha.

Enquanto eu digeria isso, pensei em uma coisa. — Ele virá comigo


para os EUA?

— Não, você não precisará dele então. Ele voltará pra cá depois que
seu diploma for concluído.

— Será estranho tê-lo por perto o tempo todo?

— No começo, eu imagino que sim. Mas você vai se acostumar.


Minha sugestão é seguir em frente e, se for muito desconfortável,
sempre pode morar com Emma e deixá-lo em modo de espera.

— Certo. Eu farei isso.

Ele me beijou. — Obrigado. Minha mente ficará mais tranquila


sabendo que você está protegida. Ah, e os resultados da sua
ressonância magnética chegou. Tudo parece bom, exceto o ombro. O
médico recomendou que você visse um ortopedista.

— As mesmas notícias então.

— Sim, mas é bom.

Eu não disse a Alessandro que minha mente estava mais tranquila


por ter um guarda-costas. Não adianta preocupá-lo mais do que ele já
estava.

O jantar naquela noite foi espetacular. A véspera de Natal


aconteceria em dois dias, mas não afetou o que o nonno cozinhou para
nós. Mesmo que eles pudessem pagar ajuda, eles se recusaram a deixar
estranhos entrarem em sua casa para fornecer refeições para sua
família. Passaram a maior parte da tarde preparando nossas
refeições, e eu me senti um pouco culpada por isso. Alessandro me
garantiu que era o que eles mais amavam.

— Alimentar as pessoas é coisa deles. Se você não for embora


daqui com alguns quilos a mais do que quando veio, a missão deles não
foi um sucesso.

— Tenho certeza de que eles já cumpriram essa tarefa.

Ele enfiou a mão embaixo da minha bunda e apertou levemente. —


Eu amo isto. Se ficar maior, ficarei mais feliz. É melhor para agarrar.

— Pare. — Eu disse, batendo na mão dele.

Depois do jantar e da sobremesa, nos acomodamos em nossas


cadeiras, quando Alessandro se levantou. — Eu adoraria ter a atenção
de todos, por favor. Estou emocionado por todos estarem aqui e
estarmos juntos nas férias de Natal. Mas há algo especial que gostaria
de acrescentar a esta ocasião. Esta linda mulher sentada ao meu lado
roubou meu coração. Parece que ela está destinada a mantê-lo também.
Hoje à tarde, pedi permissão do seu pai para casar com ela, e ele deu.
Então, eu adoraria se vocês se juntassem a nós dois para celebrar
nosso noivado e no futuro nos tornarmos marido e mulher.

Fiquei chocada. Ele não tinha me dado nenhum aviso nem me


disse que tinha falado com papai. Minha boca se transformou no maior
e mais idiota sorriso e eu devo ter parecido ridícula quando ele me
puxou para os meus pés. Todos aplaudiram quando seus lábios
tocaram os meus.

— Queríamos casar aqui, na vinha, mas como tudo mudou,


decidimos nos casar nos EUA. Esperamos que agrade a todos.

Reynolds soltou um enorme WooHoo enquanto todo mundo


levantava seus copos em um brinde de parabéns. A única que não
estava sorrindo era Sylvie. Suas sobrancelhas estavam enrugadas
quando ela franziu a testa. Isso não era como ela. Sabia que ela queria
que eu fosse aconselhada, mas por que estava fazendo uma careta?

Então Gabriele fez a grande pergunta. — Papa isso significa que eu


vou para a América também?

— Claro que você vai.

— Então, como vou ver minha mãe?

O silêncio desceu sobre a sala como uma nuvem negra.


Capítulo Quarenta e Seis
Alessandro

MALDITA CHIARA. Ela sempre tinha que estragar as coisas. Agora eu


tinha que explicar ao meu filho por que ele não podia ver sua mãe.

— Gabriele, venha aqui. — Ele se aproximou de mim e eu peguei


sua mão. Sentamos no sofá e o puxei para o meu colo. Às vezes ele agia
tão crescido, e outras ele era meu menino pequeno, como agora. — Às
vezes temos que fazer coisas que os outros não entendem. É o que estou
fazendo agora. Eu sei que isso não faz sentido para você, mas isso
acontecerá um dia. Você e eu vamos nos mudar para a América porque
estou abrindo uma divisão de nossos vinhos lá. Vou fazer isso com a
ajuda de Evan. Temos que ir juntos. Sei que você quer ver sua mãe,
mas não pode até que seja adulto e possa tomar essa decisão por conta
própria. Isso é muito difícil agora, mas sua mãe não deveria vê-lo. Ela
fez algumas coisas que não eram legais. Ela teve que ir para a cadeia
por causa disso. É por isso que você está comigo, mas sabe o que?
Estou tão feliz que você esteja bem porque eu te amo mais do que
qualquer coisa. Não sei como viveria sabendo que você não estava
comigo. Então, nós estamos indo para a América, onde você pode
ensinar esses garotos americanos a jogar futebol de verdade. E em três
meses, Piper virá também.

— Ela não vem agora? — Sua voz falhou quando ele perguntou.

— Ela não pode porque tem que voltar para a Inglaterra e terminar
a escola. Mas não vai demorar muito.

— Mas eu vou sentir falta dela. — Seus olhos borbulhavam em


lágrimas.

— Tenho certeza de que ela também sentirá sua falta.


Seus pequenos braços voaram ao redor do meu pescoço enquanto
ele chorava. Meu coração se partiu em pedaços por ouvi-lo soluçar. Eu
podia lidar com muito, mas não meu filho sendo destruído por uma
mulher que deveria amá-lo. Piper se aproximou e deu um tapinha nas
costas dele.

— Ei, pinguinho, o que está acontecendo?

— Você não vem. — Ele soluçou as palavras.

— Para onde?

Eu expliquei e ela disse: — Venha aqui, seu bobo. — Ela o puxou


para o colo, o que me deixou desconfiado porque ainda estava
machucada. Então ela disse a ele: — Estou voltando um pouco mais
tarde. E adivinha? Podemos conversar ao telefone todos os dias. Antes
que você perceba, eu estarei lá. E algo mais. Tenho sobrinhos e
sobrinhas com quem você pode brincar e são muito divertidos.

— Eles são? — Ele fungou.

— Eles com certeza são. Há Kinsley e ela adora dançar. Mas vou
dar um conselho. Ela é realmente mandona, então tenha cuidado.
Depois, há Aaron e ele gosta de jogar soccer5.

— É futebol.

— Hum, não nos Estados Unidos. Você terá que converter.

— O que isso significa?

Eu assisti os dois fascinados.

5No Inglês Britanico football é como o nosso futebol, mas no Inglês Americano football é o
futebol americano e soccer que é o nosso futebol. Então Piper fala que Gabriele vai precisar se
acostumar a chamar o football de soccer
— Isso significa que você terá que começar a chamá-lo de soccer.

Gabriele cruzou os braços e disse: — De jeito nenhum. Eu nunca


vou chamar assim.

Ela fez cócegas nas costelas e perguntou: — Quer apostar?

— É quando eu tenho que pagar seu dinheiro?

— Sim. E se você perder estará esvaziando o seu cofrinho.

Ele olhou para mim e eu sabia o que estava por vir.

— Os cofrinhos são populares na América. Comprarei um quando


chegarmos para que você possa economizar seu dinheiro. Mas terá que
pagar se fizer essa aposta.

— Mas papai, não posso chamar assim.

Piper e eu rimos. Ela bagunçou o cabelo dele e disse: — Vai ficar


tudo bem. Depois de um tempo, você nem notará. Mas então adivinhe.
Você também pode aprender beisebol, basquete e futebol americano, se
quiser.

— Mas eu quero que você esteja lá para assistir.

— Eu vou. Prometo. Três meses é todo tempo que estarei ausente.


Antes que você perceba, já estarei de volta.

Tomando a mão de Piper na minha, então eu disse a ele: — E


quando ela voltar, nós vamos nos casar. Assim como você queria.

Um sorriso enorme apareceu em seu rosto por um segundo, logo


antes dele franzir a testa. — Isso significa que eu tenho que usar
sapatos de igreja?

Piper inclinou a cabeça e perguntou: — Você não quer ficar bonito


para as fotos?
— Uh huh, mas eu não gosto de sapatos de igreja. Eles machucam
meus pés.

— Então nós compraremos alguns que não machucam. — Eu


disse.

— Eles podem ser chuteiras?

— Ah seu espertinho, acho que não. — Piper o pegou nessa. —


Você está apenas tentando conseguir novas chuteiras de soccer com
este acordo, não está?

— Não. Chuteiras de futebol. — Ele sorriu maliciosamente. As


coisas já estavam melhores.

A nonna entrou e não foi difícil dizer que ele estava chorando. Eu
balancei minha cabeça, certificando-me de que Gabriele não visse. A
última coisa que ele precisava era que eles o deixassem triste.

— Queríamos que você soubesse que estamos muito felizes por


vocês três.

— Nonna, vou para a América e jogarei futebol lá.

Eles sorriram e disseram: — Enviaremos seus biscoitos favoritos.

— Mas você tem que vir visitar também.

— Nós vamos. E nós vamos também para o casamento.

Gabriele pulou do colo de Piper e correu pela sala. Ele abriu bem
os braços e fingiu que era um avião. — Você pode voar no avião para me
ver toda semana.

— Toda semana pode ser um pouco demais, mas talvez a cada dois
meses. — Sugeri.

— Ok. — Então ele voou para fora da sala.


Capítulo Quarenta e Sete
Piper

OS DIAS na Itália passaram. Sylvie e eu passamos um tempo de


qualidade juntas e ela determinou que eu estava sofrendo de TEPT, mas
não era tão ruim quanto temia.

— Se pesadelos e medo de ficar sozinha são os únicos efeitos


residuais que você está enfrentando, então eu diria que escapou
bastante bem. No entanto, isso não significa que você não deve procurar
aconselhamento. Eu gostaria de ter conexões em Cambridge.

— Não se preocupe. Minha amiga Emma deve conhecer alguém,


tenho certeza.

Alessandro me surpreendeu na manhã de Ano Novo com um anel


de noivado. Dormimos juntos todas as noites e, quando acordei, ele
colocou no meu dedo e me pediu em casamento. Eu chorei, é claro.

— Eu tinha planejado te pedir no Natal, mas então decidi que


queria começar este ano da maneira certa, com você em meus braços,
pedindo para ser minha parceira para sempre.

— Essa é a coisa mais maravilhosa. Eu te amo mais do que tudo,


Alessandro.

— Piper, as palavras não são suficientes para eu explicar como


você me deu uma segunda chance na vida.

Nós nos beijamos, e isso se transformou em todos os tipos de


coisas sujas. Coisas sujas e sexys que ele fez comigo com a boca e as
mãos, que fizeram meus dedos agarrarem os lençóis, o cabelo e tudo o
mais ao meu alcance. Eu odiava que os minutos passassem, porque
isso só me lembrou o quão preciosos eles eram. Os próximos três meses
seriam uma agonia.

Chegou o dia em que todos estavam prontos para partir. Os avós


choraram quando nos abraçamos e nos mandaram para o aeroporto
com cestas cheias de comida. Pilhas daqueles deliciosos biscoitos que
eu tanto amava estavam carregados nas minhas malas. Eu sabia o que
estaria enchendo meu rosto no voo de volta.

No aeroporto, os dois jatos estavam pousados lado a lado. Todos,


menos Antônio, meu guarda-costas, Tommaso e eu, embarcaram no
jato de Evan. Nós três subimos as escadas para o jato das vinhas
Balotelli. Meu coração estava pesado quando me levantei e observei a
porta do outro se fechar, e ele taxiou para a pista.

— Piper, devemos fechar a porta agora. — Disse Antônio atrás de


mim.

Entrei e me sentei. Logo estávamos no ar, com destino à Inglaterra.


Apenas meu coração estava em um jato diferente, com outro homem.

Antônio fez um voo de retorno e não ficou. Eu o abracei com força,


e ele prometeu visitar-nos o mais rápido possível. Um carro nos pegou
no aeroporto e nos levou para casa. Tommaso carregou minhas malas
para dentro, somente depois que ele verificou se tudo estava bem.

Ocupei o quarto de Alessandro e senti sua presença em todos os


lugares, o que me fez sentir ainda mais sua falta. Depois de desfazer as
malas, liguei para Emma e disse que ela tinha que vir. Quando ela viu
Tommaso, não parava de foder o pobre homem. Ela o bombardeou com
perguntas do tipo policial, e quando ficou satisfeita, se jogou no sofá e
pediu um pouco de vinho.

— Você sabia que eu traria alguns dos melhores de volta, não


sabia?
— Claro que sim amor. A propósito, a viagem fez bem para você.
Está fabulosa.

— Eu definitivamente melhorei. Tenho que ver o médico na


próxima semana sobre o meu pulso, e tudo o mais está bom. A única
coisa que resta para lidar é com o meu ombro. Ninguém pode decidir se
preciso de cirurgia ou não, então estou esperando até voltar aos EUA.
Você já ouviu alguma coisa sobre o julgamento?

Tommaso sentou-se em silêncio conosco.

— Ouvi falar que será em março.

— Espero que não seja a hora do meu exame.

— Querida. Isso seria sua sorte, não é?

Eu estava balançando minha mão, esperando que ela notasse o


anel, mas a tola não havia prestado um pouco de atenção. Ela estava
focada apenas no pedaço de músculo sentado à sua frente.

— Desde que você é cega como um morcego, vou dizer. Alessandro


e eu vamos nos casar.

— O que? Puta merda! Você ficou noiva?

— Sim, sua idiota. Eu tenho tentado mostrar meu anel, mas você
não prestou atenção. Você é uma detetive.

— Eu não sou um detetive ainda.

— Eu posso ver o porquê.

Ela pulou e correu para verificar minha mão. — Bem, a propósito,


olha para isso. É brilhante. Quero dizer, ele não lhe poupou um
centavo, não é?
— Não que eu possa dizer. Fiquei totalmente surpresa porque
nunca conversamos sobre anéis, ou diamantes, ou qualquer coisa.

— Você certamente ganhou a bolada de diamantes aqui. Quantos?

— Pelo amor de Deus, Emma. Não perguntei quanto custava.

— Não! Eu quis dizer o quão grande é a pedra.

— Oh. — Eu gargalhei. — Eu não faço ideia. Grande.

— Eu direi. É um grande filho da puta.

Estendi minha mão e a inclinei de um jeito, depois de outro. Era


enorme. Uma pedra. — Eu acho que é tão grande quanto à da minha
irmã, mas nem sei o quão grande a dela é. Eu nunca perguntei. — Dei
de ombros. — Não importa. Ele poderia ter me dado um fio e eu ficaria
emocionada.

— Alguém está louca de amor. — Emma riu. — Eu vou te contar


isso. O homem era um maníaco delirante quando não conseguimos
encontrá-la. Eu sabia que ele estava apaixonado por você então.

— Ele disse isso. Ele está se mudando para os EUA.

— Não!

— Sim! — Expliquei o que estava acontecendo com o


empreendimento e sua ex-louca.

Emma acenou com a mão. — Eh, essa mulher não pode deixar o
país, então ele não precisa se preocupar.

Conversamos até a hora do jantar e depois pedimos para entregar.


Tommaso foi buscá-lo. Depois que ele saiu, Emma perguntou: — Ele
nunca fala? Ele pode falar?

— Não muito e sim, ele pode.


— Ele com certeza aumenta a temperatura aqui, mas o homem
precisa relaxar um pouco.

— Talvez você devesse dizer isso a ele.

— Talvez eu vá.

Tommaso voltou com o nosso jantar e Emma entrou, deixando-o


saber que precisava se abrir um pouco e conversar. Ele a olhou e ela
perguntou: — O quê?

— Eu não estou aqui para conversar. Estou aqui para executar


meu dever.

Foi isso. Ou assim eu pensei.

— Sim, mas pense como seria mais divertido se você pulasse nessa
conversa.

— Sou pago para ser olhos, ouvidos e proteção. Se eu me distrair,


alguém pode se machucar, ou seja, meu cliente.

Emma olhou para mim e disse: — Ele faz um bom argumento.

Comemos com Emma conversando o tempo todo, e Tommaso


sentado em silêncio.

Naquela noite, eu estava dormindo quando meu telefone tocou.

— Ei. — Eu murmurei, ainda dormindo.

— Piper?

— Alessandro?

— Sim, estamos aqui. Eu queria que soubesse.

— Ótimo. Como foi o voo?

— O voo correu bem. Acabamos de chegar a Evan e Sylvie.


— OK. Eu estava dormindo, então estou um pouco fora disso.

— Eu vou deixar você voltar a dormir então. É tarde aqui, e é isso


que vamos fazer.

— Já sinto sua falta.

— O mesmo aqui.

Nossa conversa foi interrompida por Gabriele, que queria falar


comigo.

— Piper, há neve aqui.

Eu tinha esquecido sua obsessão pela neve.

— Há sim? Você terá que fazer seu pai ajudá-lo a construir um


boneco de neve.

— Ele diz que vamos amanhã.

— Bom. Não congele por lá.

— Eu não vou. Eu te amo.

— Eu também te amo. E vejo você em breve, pinguinho.

Seu pai voltou à linha, prometendo ligar no dia seguinte, que já


estava aqui para mim. Após a ligação, tive problemas para adormecer.
Tudo o que pensei foi o quanto sentia falta do calor de Alessandro ao
meu lado e quanto tempo levaria antes que eu estivesse ao lado dele
novamente.

UM MÊS DEPOIS, no dia dos namorados, acordei em lágrimas. Sonhei


que Gabriele decidiu morar com Chiara. Foi tão real que meu coração
palpitou em uma batida que não parava. Em pânico, liguei para
Alessandro, mas ele não respondeu. Às seis horas seguintes foram
brutais, enquanto esperava às seis horas da manhã em Nova York.
Liguei para Evan porque sabia que ele acordava cedo.

— Pipe, o que houve?

— Gabriele está bem?

— Sim, por quê?

— Tive o pior sonho de todos os tempos e tentei ligar para


Alessandro, mas ele não respondeu. Esperei uma eternidade para ligar,
porque não queria acordar você. Tem sido um dia de merda até agora.

— Vai melhorar.

— Okay, certo. Já é, agora que sei que o pinguinho está bem. Ele
está se encaixando na escola, certo?

— Ele adora e é uma grande ajuda para os gêmeos. Você não


acreditaria no quanto ele ajuda Sylvie.

— Ah, isso é tão doce.

— Alessandro se saiu muito com as compras das instalações de


fabricação e do centro de distribuição. É perfeito com ele aqui. Não se
preocupe.

— Ok, eu não vou. Com o julgamento chegando em março, não


tenho certeza de quando vou voltar para casa.

— Sim, eu sei. Mas John está planejando estar com você e


Alessandro também, então não se preocupe.

— Obrigado por me acalmar. Beije todos os meninos por mim.

Ele riu. — Prefiro beijar minha esposa.

— Cale-se. Eu ligo mais tarde.


Tommaso estava comigo enquanto estava no campus, a caminho
da biblioteca. Eu tinha algumas pesquisas para fazer e depois estava
indo para casa.

Ele acabou sendo um ótimo companheiro. Ele falava quando


necessário, mas eu não era obrigada a conversar com ele. Dirigimos
para casa e ele começou a fazer algo enquanto eu fazia um café. Sentei-
me para abrir meu computador e fazer um pouco de trabalho, quando a
porta da frente se abriu e entrou Alessandro.

Se eu não estivesse sentada, teria caído no chão. Pulei e corri


direto para seus braços quando ele me levantou no ar.

— O que você está fazendo aqui?

— Feliz Dia dos Namorados! — Ele disse e depois me beijou. Ele me


carregou escada acima, diretamente para o quarto, e ficamos lá pelas
próximas horas.

Perdi a conta do número de orgasmos que tive depois do quarto. O


homem era insaciável. Ele quase arruinou meu jeans com sua
impaciência. O zíper não cooperou e eu tive que impedi-lo de rasgá-lo
em sua pressa. Afastei as mãos dele e o desfiz.

Ele lambeu e chupou meu clitóris até eu gemer e gritar. Então me


fodeu com as pernas sobre os ombros, e isso foi antes de me virar de
bruços e me levar por trás. Na próxima rodada, ele me fez montar nele e
cavalga-lo enquanto mexia nos meus mamilos e brincava com meu
clitóris. Foi um carnaval orgástico, pois compensamos o tempo perdido.
Depois, fomos para o chuveiro, o que se transformou em outra sessão
de foda, completa com um final épico feliz ou dois.

Quando terminamos de tomar banho, ele olhou para mim, sem


dizer nada.

— O que?
— Deus, eu não pensei que era possível sentir tanta falta de
alguém.

— Eu também não. Toda noite, quando vou dormir, conto os dias


até março. Tem sido horrível sem você por perto. E eu me senti como
um bebê chorão.

Ele riu. — Eu também. — Então seus braços estavam ao meu


redor, me beijando. — Vamos voltar a vestir as roupas?

— Certamente espero que sim, porque não posso ir nua às aulas.

— E você não vai. Ninguém nunca te verá assim, exceto eu. — Meu
alfa aterrissou. Ele me apoiou contra a parede e se pressionou contra
mim. — Você é minha. Cada pedacinho de você. Ninguém nunca terá
você além de mim. Diga-me que entende.

— Ninguém. Eu sou sua, Alessandro. Sempre.


Capítulo Quarenta e Oito
Alessandro

JÁ ERA TARDE no dia seguinte, quando deixei minha linda Piper. Ela
foi forte quando me deu um beijo de despedida. Emma me levou para o
aeroporto para voar de volta para os EUA. No caminho, Emma me
garantiu que ela estava indo bem.

— A conselheira dela é a melhor e Piper me disse que a ama.

— Ela me disse o mesmo, mas eu não tinha certeza se era apenas


para me fazer sentir melhor.

— Acho que não. Eu já notei uma diferença nela. Ela está


rapidamente se tornando seu antigo eu novamente. Não tem medo de
ficar sozinha. Mas estou feliz que Tommaso esteja aqui.

Rindo, perguntei: — Isso é por razões egoístas?

— Não. Ok, o homem é um pacote e tanto, mas estou mais


preocupada com minha amiga do que isso.

— E você também foi uma grande amiga para ela. Estou


preocupado com ela, durante o julgamento. Gostaria que Piper não
tivesse que testemunhar.

— Sem ela, não temos um caso.

— Eu sei. Estou planejando estar aqui para isso.

— É melhor que esteja. — Ela rapidamente olhou para mim e fez


uma careta.

— Eu estarei. A única coisa que me impediria é Gabriele.


— E ele?

— Nada. Ele está bem. Só estou dizendo que se algo surgisse com
ele, essa seria a única razão de eu não vir.

— A única maneira de lhe dar um passe é se sua bunda sangrenta


estiver morta.

— Não fique toda louca comigo. Eu não irei faltar. Estarei aqui.

Ela resmungou alguma coisa, mas eu não entendi o que ela disse e
tive medo de perguntar. Emma não era alguém que você queria
chateada com você. Chegamos ao aeroporto e eu só tinha uma mochila
comigo, então pulei quase antes do carro parar. Inclinando-me, eu
disse: — Muito obrigado pela carona e obrigado por cuidar da minha
garota.

Ela não respondeu, mas se virou. As rodas guincharam quando se


afastou. Corri para dentro para fazer o check-in no portão antes que ela
fizesse uma inversão e decidisse voltar e chutar minha bunda.

O voo para casa foi longo. Eu estava cansado de não dormir a noite
toda. Piper e eu não perdemos um segundo do nosso tempo juntos. Mas
agora estava pagando o preço. Pensei em dormir na viagem para casa,
mas meu cérebro não desligou. Tudo o que via era ela no banco das
testemunhas, de frente para aquele lunático que a sequestrou. Eu
esperava que ela permanecesse calma e desse um testemunho sólido.

Um carro estava me esperando no aeroporto. Foi uma coisa boa


que eu não tinha dirigido, como planejado originalmente. Evan me
convenceu, dizendo que estaria exausto demais. Ele estava certo. Eu
dormi no caminho de volta para a casa deles. Mas quando cheguei lá,
fui recebido com más notícias. Gabriele estava gripado, então eles o
colocaram em quarentena em seu quarto, com medo de que os gêmeos
pegassem.
Eu corri até lá e sua febre e tosse eram horríveis. Ele já tinha ido
ao médico, mas o remédio ainda não havia entrado em ação.

— Papai, estou doente. — Ele resmungou.

— Eu sei e sinto muito. — Tirei meus sapatos e fui para a cama


com ele. Nenhum de nós foi vacinado e estávamos pagando o preço.
Mesmo que eu não ficasse doente, vê-lo doente já era ruim o suficiente.
Descansando a palma da mão em sua testa, o encontrei queimando.

— Gabriele, você tomou alguma coisa?

— Minha garganta dói. — Ele resmungou.

— Você precisa beber bastante agua para ajudar a melhorar.

— Eu não quero.

Ele precisava de água, então eu iria forçá-la para baixo.

— Não vá, papai.

— Eu volto já.

Quando voltei, carregava uma bandeja cheia de todos os tipos de


itens. Sylvie me disse que não teve sorte em fazê-lo beber. Era meu
dever fezer que ele bebesse.

— Aqui. — Entreguei-lhe um picolé de cereja.

— Não, papai. — Ele nem sequer levantou a cabeça do travesseiro.

— Você não quer um picolé?

— Não.

— O frio ajudará sua garganta. — Sua expressão duvidosa me


contou tudo. — Apenas tente uma pequena mordida para ver. Vou
segurar para você. — Eu cutuquei seus lábios, para tentá-lo.
Finalmente, ele abriu a boca e mordiscou. Não demorou muito para que
o picolé desaparecesse, deixando seus lábios e língua vermelhos.

— Melhor? — Eu perguntei.

— Mmmhmm.

— Eu trouxe um pouco de bebida laranja também. — Era algo para


crianças doentes que Sylvie me deu. — Está no gelo picado, então deve
ser bom. — Coloquei o canudo pelos lábios dele e ele chupou.

— Mmm. Bom.

Ele terminou o copo e, quando passou o tempo apropriado,


verifiquei sua temperatura. Ainda era 39 graus. — Tia Sylvie deu algum
remédio para você?

— Uh huh. Tipo laranja.

Eu enviei-lhe uma mensagem e ela me disse que havia lhe dado


algo para febre duas horas atrás. Deveria ter funcionado agora. Gabriele
nunca ficou doente, então fiquei surpreso que ele estivesse tão doente.
Descansaria um pouco e depois verificaria novamente.

Gabriele me acordou subindo em cima de mim.

— Papa, eu tenho que ir ao banheiro.

Eu estava grogue com o sono, mas saí da cama e verifiquei as


horas. Merda adormeci por seis horas.

— Como você está se sentindo?

— Melhor.

— Você parece melhor. Menos como um sapo.

— Eu não sou um sapo. — Fiquei agradecido pelo meio sorriso que


recebi.
— Eu sei, mas pensei que você era quando cheguei em casa.

Ele lavou as mãos e voltou para a cama. — Estou com sede.

Havia água na bandeja, mas não havia gelo. — Você quer um


pouco mais da bebida de laranja?

— Si. Sim por favor.

— Está com fome?

— Mmm. Não muito.

— Eu voltarei. — Na cozinha, havia alguns lanches que Sylvie


deixou de fora, junto com um pouco mais da bebida que ela havia me
dado antes. A casa estava silenciosa com todos dormindo. Reenchi a
bandeja e a levei para o paciente que esperava. Ele hesitou em comer,
mas comeu um pouco, o que me agradou. Quando ele terminou, nós
dois voltamos a dormir.

De manhã, ele estava melhor. Ainda estava com febre, mas era
apenas 37 graus.

— Parece que não há escola para você hoje e terá que ficar no seu
quarto, já que não queremos que os bebês fiquem doentes.

— Posso assistir TV?

— Vou ver o que posso fazer. — Ele não tinha uma TV em seu
quarto. Isso era algo sobre o qual eu era inflexível. Eu tinha uma no
meu, então o deixei entrar na minha cama e assistir.

— Piper gostou do meu coração?

— Ela adorou e oh... — Fui até a mochila que tinha caído no chão
na noite passada e peguei seu presente. — Isto é para você.

— É um grande pirulito da minha loja favorita!


— Com certeza é.

— Papa, posso ter agora?

— Talvez mais tarde. Primeiro, tem que tomar um café da manhã.


Vou descer e pegar para você.

— Papai? Piper ainda me ama?

Ele sentou na cama com as cobertas puxadas até o queixo. A cama


enorme o deixava menor, fazendo-o parecer perdido e abandonado.
Puxei-o em meus braços imediatamente. — Claro que sim. Com todo o
seu coração.

— Se ela ainda me ama, por que não está aqui?

— Porque ela tem aulas na Inglaterra. Lembra?

— Sinto falta dela. — Então suas lágrimas vieram. Eu me


perguntei quanto tempo levaria para isso começar.

— Adivinha? Ela também sente sua falta e mal pode esperar para
chegar aqui. Quando ela o fizer, vamos nos mudar para nossa própria
casa.

— Quanto tempo, papai?

— Em março. Mais um mês. Isso é tudo.

— Ainda vou estar doente?

Eu tive que rir — Deus espero que não. Você já está melhorando.
Ontem você nem queria comer ou beber. Certo?

— Uh huh. — Ele se enrolou em mim e segurou firme. Esta


pequena bola de amor era tudo para mim.

— Papa, se Piper me ama de todo o coração, como ela pode te amar


também?
— Porque quando você ama alguém, sempre há espaço em seu
coração. Assim como você me ama, e também a ama. E você ama o
nonno.

— Então tudo bem se eu amo a Chelsea na escola? Porque ela me


beijou e disse que me ama.

— Ela fez?

— Sim, e ela me deu um doce de coração. Era rosa. Os outros


garotos riram, mas eu disse a eles que não tiveram sorte como eu
porque ela é bonita.

— Estou orgulhoso de você, Gabriele, por fazer o que é certo. E não


apenas porque ela é bonita.

— Mas, papai, ela é. Tem cabelos amarelos e dentes grandes, e sua


própria bola de futebol também.

— Entendo. — Cabelos amarelos e dentes grandes a faziam parecer


um lobo, mas eu julgaria quando a visse.

— Você participará do programa da escola na próxima semana? É


sobre um homem, mas não consigo lembrar o nome dele.

— Você quer dizer o dia do presidente?

— Sim. Quem é presidente?

— Eu vou explicar mais tarde. Agora vou pegar algo para você
comer. — Eu ri até a cozinha.
Capítulo Quarenta e

Nove
Piper

O DIA DA FORMATURA CHEGOU e o que deveria ter sido um momento


emocionante havia perdido seu brilho devido ao julgamento do imbecil
Michael Critchly. Alessandro queria estar aqui, mas eu disse para ele
comparecer ao julgamento. Preferiria ter o apoio dele lá, em vez de me
ver obter o diploma. Antônio fez uma visita surpresa, no entanto. Foi
maravilhoso vê-lo.

— Você está magnífica, muito melhor do que a última vez que te vi.
Sua cor está de volta em suas bochechas — Ele disse, me abraçando.

— E você também não precisa me tratar como cristal frágil. Não há


mais Piper roxa.

— Estou feliz em ouvir isso. E seus curativos também se foram.

— Essa foi a maior bênção para se livrar. Eu nunca imaginei como


essas coisas poderiam coçar. A única coisa que resta é o meu ombro.
Isso não me incomoda muito, então não tenho certeza se algo está
errado ainda.

Ele entrou e o segui até a cozinha. Conhecendo-o, haveria vinho


acompanhando sua visita. Eu estava certa. Ele me disse que iria
desfazer as malas e já voltava. Quando voltou, foi com várias garrafas
dos meus favoritos.

— Você é o melhor. — Eu provoquei.

— Não exatamente. Apenas um bom enólogo.


Depois de servir dois copos, ele me brindou. — Para a nova
graduação.

— Finalmente. Agora, que o julgamento acabe logo.

— O que os advogados disseram?

— Não muito, a não ser que será um julgamento rápido. Estou


rezando para isso.

Estávamos sentados na sala de estar e Tommaso acendeu o fogo.


Agradeci a Deus por ele todos os dias. O homem tinha sido uma grande
ajuda para mim. Ele ajudou com tudo, desde recados a pequenas coisas
pela casa.

— Minha amiga Emma me manteve informada. Ajuda ter um


amigo na força policial.

— Estou feliz que ela tenha sido útil. Gabriele não pode esperar
para você voltar para casa. Ele implorou para vir com Alessandro.

— Eu sei. Conversamos quase todos os dias. Eu me senti péssima


quando ele estava gripado, e então Alessandro pegou. Eles estavam
horríveis.

— Sim, e sua pobre irmã com os bebês. Foi bom que as babás
estivessem lá para ajudar. E seu pai.

— Verdade, e minha tia levou os bebês para a casa dela. Quando


Sylvie começou com a dor de cabeça, eles sabiam que ela estava
pegando. Acho que Evan estava secretamente feliz por ela ter parado de
amamentar naquele momento. — Eu percebi para quem estava abrindo
a boca e disse: — Oh, provavelmente não deveria ter lhe dito isso.

Antônio apenas riu. — Está bem. Tenho certeza que sua irmã
estava pronta para parar. Lembro que a mãe de Alessandro não podia
esperar. Algumas mulheres adoram e outras... nem tanto.
— Sylvie tendo dois, não tenho certeza de como ela conseguiu. —
Mudando esse tópico estranho, perguntei: — Então, como estão as
coisas em casa?

Ele bateu no meu braço. — Prometa que não ficará chateada, mas
os nonnos querem saber quando você e Alessandro vão dar a eles mais
bebês para cuidar.

Engasguei com meu gole de vinho. Engasgando, eu tossi quando


ele bateu nas minhas costas.

— Eu sinto muito. Não quis aborrecê-la.

— Eu não estou chateada. Você pode dizer que me pegou de


surpresa. — Ele foi para a cozinha e voltou com alguns guardanapos.
Agradecendo a ele, limpei a bagunça que tinha feito.

— Honestamente, Alessandro e eu não chegamos tão longe. Nem


sequer discutimos nossos planos de casamento. Minha irmã, Reynolds,
vai se mudar para Charleston este mês e quer que nos casemos lá. Ela
afirma que é lindo. — Dei de ombros.

— Onde quer que façam isso, tenho certeza que será perfeito para
vocês dois.

O toque da campainha interrompeu nossa conversa. Tommaso


atendeu e sua risada calorosa ecoou por toda a casa. Era Emma.
Depois de um mês insultando-o e brincando, ela finalmente rompeu seu
exterior de aço e eles se tornaram amigos. Ela o olhou como uma
casquinha de sorvete esperando para ser lambida, mas ele apenas lhe
deu sorrisos maliciosos em troca. Quem sabia o que viria entre os dois?

— Feliz Formatura. — Sua voz barulhenta gritou quando ela


entrou na sala. Nas mãos, segurava um grande presente embrulhado e
um bolo.
— Uau! Isso é ótimo! Obrigada! — Eu a abracei. — Você se lembra
de Antônio, pai de Alessandro?

— Eu não acho que tive o prazer. — Ela balançou as sobrancelhas


e estendeu a mão.

— Pare com isso, seu flerte é perverso. — Eu disse.

— Não a pare. Adoro. — disse Antônio, pegando a mão dela e


beijando-a.

— Ah, ele é atrevido, não é?

Não ousei pensar neles juntos. O pai de Alessandro e Emma? Hora


de uma mudança de tópico. — Posso abrir meu presente?

Ela olhou para Antônio e encolheu os ombros. — Claro, por que


não?

Rasguei o papel como um animal louco, rasgando-o em pedaços.


Quando levantei a tampa, fiquei boquiaberta. Ou talvez horrorizada.
Sim, foi horror, já que meu futuro sogro estava sentado ao meu lado.

— O que você tem aí, Piper? — Ele perguntou.

Batendo a tampa da caixa, eu disse: — Nada.

— Certamente não está vazio. Mostre-nos.

Com um olhar que mataria a maioria dos humanos, eu fiz uma


careta para Emma e levantei a tampa novamente. No interior havia uma
lingerie transparente.

— É para sua lua de mel. Eu não tinha certeza se iria ao seu


casamento, então queria que você o tivesse agora.

Era vermelho escarlate com laços e strass, particularmente onde


certas partes do corpo estavam.
— Bem, isso não é, hum, interessante?! — Disse Antônio.

— Continue amor, há mais. — Emma sentou lá com um sorriso


expectante. Eu estava esperando talvez chinelos ou até uma túnica
macia para encobrir esse pesadelo. Não tive tanta sorte. Sob mais papel
de seda, escondiam-se alguns pares de tiras horríveis. Uma delas tinha
um coração de strass na frente e atrás era uma corda de strass. Ai. Que
diabos ela estava pensando? — Tenho certeza que seu homem vai amar
esse. — Disse ela, as sobrancelhas se movendo. Ocorreu-me então que
Emma fazia muito isso - eu me perguntei se suas pobres sobrancelhas
estavam cansadas. Fui fechar a caixa e ela disse: — Oh, ainda não. Tem
mais aí. — Eu não tinha certeza de que meu coração poderia suportar.
Meus dedos chegaram sob o papel e, com certeza, havia todo tipo de
coisas lá.

— Hum, Emma, esta caixa é toda para minha lua de mel?

— Sim, muitas guloseimas aí. E há algo para Alessandro também.

— Acho que vou esperar até mais tarde para terminar. Tudo bem?

Seu sorriso entrou em colapso e eu queria voltar atrás. Em vez


disso, virei minha cabeça em direção a Antônio. Ela instantaneamente
se iluminou e disse: — Ideia brilhante. Eu pensei que você poderia
querer comemorar esta noite. Que tal jantar? Antônio, você quer um
pouco de animação hoje à noite?

— Oh, eu não...

— Sim, você deve. E você também, Tommaso. Podemos ir ao nosso


pub favorito e depois voltar aqui para comer o bolo. — Falei.

— Ideia esmagadora. Vamos lá. — Emma concordou.

Nós saímos pela porta, e Emma nos levou enquanto conversava


sem parar o caminho inteiro. Ela parou em um estacionamento e a pele
normalmente dourada de Antônio estava pálida como um fantasma.

— Você está bem? — Perguntei a ele.

— Eu ficarei agora que estou fora do carro.

— Sim, a direção dela é um pouco assustadora no começo, mas


você se acostuma.

Durante o jantar, Emma nos divertiu com algumas de suas


histórias policiais. — Uma vez fui prender um homem e disse-lhe para
sair do carro com as mãos para cima. Ele tentou dar desculpas e eu não
sabia por que, até que finalmente abri a porta e ele não estava usando
calças.

— Ele estava com alguém? — Perguntei.

— Não. Sozinho.

— O que ele estava fazendo?

— Sério Piper. Você precisa perguntar?

Minha cabeça bateu na mesa. O que diabos havia de errado com as


pessoas?

— Sim, eu já vi tudo.

Mais tarde, a conversa voltou-se para o julgamento. — Vai ser


rápido, tenho certeza. Ele não tem chance. Você o identificou e, com o
sequestro, a van amarrada a ele e o telefone, ele não pode se libertar.

— Espero que sim, mas não vou acreditar até terminar.

Naquela noite, pensei. E se ele dissesse que era sua palavra contra
a minha? Emma me garantiu devido a todas as evidências que não
eram possíveis, e os advogados também. Mas minha imaginação
ridícula me assustou. O sono era indescritível até Alessandro
chegar e isso foi três dias depois. Nunca fiquei tão feliz em ver
alguém na minha vida. Na manhã seguinte, Antônio, Tommaso,
Alessandro e eu viajamos para Londres. Meu pai não pôde vir por causa
dos gêmeos. Um deles ficou doente, então ele teve que ficar em casa. Foi
melhor assim. Tínhamos reservado um hotel porque não tínhamos ideia
de quanto tempo duraria o julgamento.

SENTAMOS NO TRIBUNAL, Alessandro de um lado e Antônio do outro.


Michael Critchly foi levado a um cubículo atrás de uma divisória de
vidro. Era diferente do tribunal nos Estados Unidos. Ele olhou para
mim e sabia que se o libertassem, eu era uma mulher morta.
Alessandro apertou minha mão e sussurrou em meu ouvido: — Você
está segura, amore mio. Ele não pode machucá-la aqui.

Emma sentou-se do outro lado e assentiu. Fiquei em transe a


maior parte do tempo, indo para o meu lugar feliz, pensando em
quando Alessandro e eu estaríamos casados. Meu conselheiro sugeriu
isso quando os níveis de estresse atingissem dez na escala Richter, o
que eles tinham.

Quando eles chamaram meu nome, eu não ouvi. Alessandro me


cutucou e foi quando me atingiu que essa era minha chance de provar
sua culpa. Ele apertou minha mão e me disse que eu tinha isso. Com a
cabeça erguida e a coluna reta, caminhei para o banco das
testemunhas. Não ousei olhar para o sujeito atrás do vidro. Guardaria
isso para depois.

Depois que jurei, o advogado começou a me questionar. Foi


intenso, mas não tão intenso quanto o time da defesa. Tudo começou
no dia em que eu concordei em trazer Sam para jantar. Expliquei
calmamente o que aconteceu e como recebi o texto dele. A
história foi dali para o meu sequestro e subsequente resgate. Nada foi
omitido, mesmo os detalhes de como ele gravou suas iniciais na minha
pele e os mínimos detalhes dos ferimentos que eu sofri. Meus registros
médicos foram apresentados como evidência, juntamente com
fotografias de como estava quando me encontraram. Eles me
mostraram quando nos preparávamos para isso, e o júri reagiu como
esperávamos.

Quando a defesa tentou derrubar o caso da promotoria, eu nunca


vacilei. As principais perguntas sobre as quais meus advogados haviam
me avisado não me perturbaram. Felizmente, nós ensaiamos e fiquei
forte - mais forte do que eu pensava. No final, a defesa nunca chamou
seu cliente para o estande. O júri não demorou muito para decidir que
ele era culpado. Lágrimas, lágrimas de alegria correram pelo meu rosto
enquanto eu abraçava Alessandro.

— Acabou, meu coração. Você nunca terá que vê-lo novamente.

Com essas palavras, levantei minha cabeça e olhei nos olhos frios
de Michael Critchly. Então eu ofereci a ele um sorriso presunçoso. Se
não estivéssemos cercados por todas aquelas pessoas, o teria enganado.
O ódio derramou dele, e eu só podia imaginar o que estava passando
por sua mente doentia. Por tudo que me importava, ele poderia
apodrecer na prisão pelo resto de sua vida inútil.

— Vamos comemorar hoje à noite no jantar. — Disse Emma.

— Essa é uma ideia brilhante. — Concordou Alessandro. —


Alguma recomendação?

— Eu conheço o lugar perfeito. — Ela nomeou um restaurante e


planejamos nos encontrar lá naquela noite.

Saímos depois que agradeci meus advogados e fui para o hotel.


Algumas horas depois, nos encontramos no restaurante e, pela primeira
vez em meses, senti um apetite forte.
Alessandro e Antônio escolheram o vinho, é claro, depois pediram
aperitivos. Tivemos um delicioso jantar enquanto Emma nos entretinha.
Depois de uma sobremesa de pudim de caramelo, Emma disse: — É
isso aí, não é?

— Isso ai o que? — Perguntei.

— Este é o fim. Você está voltando e me deixando. — Ela gritou


como um bebê, o que me chocou. Emma sempre foi à animada, quem
animava todo mundo. Vê-la tão triste era incomum. Me levantei e
coloquei meus braços em volta dela.

— Ei, não é como se eu fosse viver na lua ou algo assim.

— Você pode muito bem estar. Está atravessando o maldito oceano


e nunca mais vou vê-la.

— Por que diz isso? Você definitivamente me verá novamente. Vou


me casar e você estará no meu casamento.

Ela fungou, parou de chorar e olhou para mim. — Eu vou?

— Inferno sim, você vai. Eu nunca iria me casar se não fosse por
você.

— Você não iria?

— Não! — Então eu sussurrei em seu ouvido: — Você foi quem me


fez dormir com ele naquela noite em que ficamos bêbadas.

A idiota fingiu. A próxima coisa que soube foi que o pavão estava
abrindo sua boca sobre essa ideia brilhante e como seu plano funcionou
como um amuleto de amor. Antônio ficou boquiaberto e as
sobrancelhas de Alessandro subiram até o teto.

— Hum, Emma, você acha que pode guardar esses pensamentos


para si mesma?
Ela bateu na mesa. — Ha, funcionou, não foi?

Antônio jogou a cabeça para trás e uivou. Alessandro agarrou


minha coxa e apertou enquanto eu a afastava.

— Eu revogo minha oferta de dama de honra.

Ela deu de ombros, dizendo: — Não, não precisa. Eu vou estragar o


casamento.

Meu telefone tocou. Quando chequei, vi que era Evan. — É Evan


ligando. Meu cunhado provavelmente quer me parabenizar, já que eu
não falei com ele antes.

— Ei, mano. — Eu disse, atendendo a chamada.

— Pipe, ouça com muito cuidado. Preferi ligar para você e não para
Alessandro.

— Certo. Está tudo bem?

— Você pode se afastar casualmente da mesa? Talvez aja como se


não pudesse ouvir?

— O que? Eu não consigo te ouvir. Espere um segundo. — Para o


resto da mesa, eu disse: — Estou tendo problemas para ouvir, pode ser
um problema de sinal. Eu já volto. — Quando eu estava fora do alcance
da voz, disse a Evan: — Ok, você está me assustando.

— Eu queria falar com você primeiro. Fique calma. — Essas são


duas palavras que você nunca quer ouvir. — Gabriele está sumido. — E
essas são três palavras que eu positivamente não queria ouvir.

— Ah não. Oh merda. O que aconteceu?

— Estamos juntando as peças agora. Seu guarda-costas foi buscá-


lo na escola, como sempre, mas ele nunca voltou para casa. Sylvie foi à
escola verificar e eles não estavam lá. Ela ligou e não
responderam então me ligou. Liguei para a empresa e o telefone de
Wilson estava desligado. Eles estão tentando localizá-los agora.

— E? Diga-me alguma coisa, Evan.

— Reservei um voo para você, Alessandro e Antônio, em um voo de


Heathrow para JFK hoje à noite. Levaria muito tempo para enviar o
jato. Arrumem as malas e vão ao aeroporto o mais rápido possível. Um
carro vai buscá-los no JFK quando vocês pousarem.

— Merda, merda, merda.

— Quanto mais você ficar no telefone comigo, menos tempo terá


para chegar ao aeroporto.

— Entendi. Vamos ligar a caminho.

Eu praticamente corri de volta para a mesa. — Temos que ir.


Agora. — Acenei ao garçom e ele veio imediatamente. — Precisamos da
conta. Nós temos que ir. Surgiu uma emergência.

Todo mundo na mesa olhou para mim. — Eu vou explicar mais


tarde. E Emma, eu ligo para você. — Ela se levantou e eu abracei os
pedaços dela, sussurrando: — Gabriele desapareceu. — Quando a
soltei, sua pele ficou pálida. Eu balancei minha cabeça para que ela não
dissesse nada aqui. — Eu te amo! — Então partimos para pegar um
táxi.

— Você vai explicar tudo isso? — Perguntou Alessandro.

Eu peguei a mão dele. — Sim. É Gabriele. Ele está desaparecido.


Capítulo Cinquenta
Piper

— DESAPARECIDO? COMO ASSIM? — Alessandro perguntou.

— Ele nunca voltou da escola. O guarda-costas dele não pode ser


localizado. Temos passagens para um voo para JFK hoje à noite que sai
em duas horas. É por isso a pressa.

Alessandro gritou para o taxista: — Você precisa ir o mais rápido,


por favor.

Corremos para nossos quartos, jogamos as coisas em nossas malas


e saímos pela porta alguns minutos depois. Chegar ao aeroporto à noite
era muito melhor do que durante o dia. Demorou menos de trinta
minutos. Ajudou que dissemos ao nosso motorista que era uma
situação de vida ou morte. Ele dirigia como um maníaco.

Embarcamos no avião e liguei para Evan, contando a ele. — Não


há notícias dele ainda. Mas a polícia acha que pode ter uma vantagem.
Eles não estão compartilhando nada conosco, no entanto.

Alessandro puxou o telefone da minha mão. — Evan, se aquela


minha ex fez isso, eu quero que ela pague.

— Não se preocupe todo mundo que eu conheço está envolvido


nisso. Nós o encontraremos antes que a noite acabe. Se ela tiver algo a
ver com isso, nunca sairá da prisão.

— Senhor, posso pegar uma bebida para você? — Perguntou a


aeromoça.

— Você pode trazer para ele e o pai, duas, por favor. E eu pego
uma. — Apontei para Antônio, já que ele estava atrás de nós.
Felizmente, estávamos na classe executiva e pudemos tomar bebidas
antes da decolagem. Eu a segui até a cozinha e ela ficou surpresa ao me
ver lá.

— Tivemos uma emergência familiar, por isso estamos todos


extremamente chateados. Haverá wi-fi neste voo?

— Sim.

— Graças a Deus. Pelo menos, podemos manter contato por texto.


— Fui e retransmiti a notícia para os homens. Alessandro ainda estava
no telefone com Evan, então ele também o informou.

O voo não foi ruim, mas fazia muito tempo que não recebíamos
nenhuma notícia de Gabriele. O wi-fi foi uma merda. Todos nós
tentamos continuar, mas as conexões via satélite eram horríveis.
Finalmente desistimos.

Alessandro estava bebendo bebidas, então eu disse para ele


diminuir o consumo de álcool. — Você não quer estar bêbado quando
sair do avião. Você não vai valer nada.

A partir desse momento, ele mudou para a água e sua cabeça


limpou. Mas com isso veio à ansiedade que o acompanhava. Punhos
cerrados e juntas brancas eram verdadeiros sinais. Eu tinha que ser
forte, mesmo que estivesse explodindo por dentro. Se eles tocassem um
fio de cabelo do doce e inocente menino, eu encontraria uma maneira
de fazê-los pagar.

— Nós o encontraremos. E sabendo o quão inteligente Gabriele é,


tenho certeza que ele descobriu uma maneira de fazer alguma coisa.

— É com isso que estou preocupado. E se ele escapou e está no


escuro e no frio em algum lugar, perdido?

Eu não tinha pensado nisso. — Ele não estará. Ele vai ficar bem e
eles vão encontrá-lo. Eu sinto aqui. — Bati no peito.
Robert, o fiel motorista de Evan que eu conheci no ano anterior,
estava esperando por nós no aeroporto quando chegamos. Ele tinha
sido uma bênção durante a doença de minha mãe, então, quando o vi,
dei-lhe um abraço.

— Senhorita Piper, espero que você tenha tido um bom voo, dadas
as circunstâncias.

— Obrigada. — Apresentei-o aos meus companheiros e partimos.


Robert navegou habilmente pelas estradas e entramos na casa Evan e
Sylvie mais cedo do que o esperado. Carros estavam por toda parte.
Polícia e SUVs pretos estavam estacionados na rua. Alessandro correu
para dentro, sem esperar por mim ou Antônio. Eu estava quase com
medo de entrar lá, por medo das notícias. Entramos e Alessandro
estava de joelhos. O que diabos aconteceu?

Mas então eu vi. Seus braços estavam em volta de Gabriele! Eles o


encontraram. Fui até Evan e dei um soco no braço dele. — Por que você
não nos contou? — Então eu desmoronei e chorei.

Gabriele correu até mim e disse: — Não chore Piper. Estou aqui. —
Ele me abraçou e eu chorei ainda mais. Tudo tinha sido demais.
Primeiro o julgamento, depois isso - eu tentando ser forte por
Alessandro e seu pai. Eu não era forte. Eu era uma covarde. Aqui
estava uma criança de seis anos me confortando. Isso não era ridículo?
Era hora de me acalmar. Alessandro estava lá também, me abraçando.
Isso não ajudou. Meus olhos se transformaram em um gêiser - um jorro
incontrolável de lágrimas. Sylvie até tentou ajudar. Nada que alguém
disse fez o truque. Solucei até um fim feio, e elas finalmente secaram,
me deixando parecendo um baiacu.

Gabriele colocou um dedo embaixo do meu olho e disse que eu era


mole e vermelha. — Pelo menos você não está roxa. Wilson está todo
roxo como você esteve. Ele até tem uma orelha roxa.
— Pobre Wilson. — Ele era o guarda-costas de Gabriele, e eu
odiava pensar no que aconteceu com ele. — Onde você estava?

— Fui tomar sorvete primeiro, depois para lugar onde aprendi um


novo jogo chamado Runny.

— Você quer dizer rummy6?

— Não. Runny. Eu sou muito bom nisso também. Então eu fiz uma
foto de Dwizzle.

— Dwizzle?

— Sim. Ele me levou para a sorveteria.

— Oh. Onde estava Wilson esse tempo todo?

— Ficando roxo, eu acho. Então assistimos a um filme chamado


trans. alguma coisa. É onde os carros se transformam em coisas
grandes pessoas.

— Entendo. — Todo mundo estava nos ouvindo. — Onde está


Dwizzle agora?

Ele se virou e apontou para um dos policiais. — Acho que ele o


levou para tomar mais sorvete. Preferi pizza em vez disso. Mas Dwizzle é
grande e come muito.

— Eles te buscaram depois da escola?

— Uh huh. Eles disseram que Wilson estava lá atrás e ele ficou


doente. Eu acho que é por isso que ele estava roxo. Eu não fiquei roxo
quando fiquei doente.

6 mexe-mexe, jogo de cartas


— Hmm.

— Piper, Dwizzle era um homem mau?

— Acho que a polícia saberá a resposta para isso.

Um oficial se aproximou e fez mais perguntas. — Você se lembra


onde Dwizzle o levou? Era uma casa?

— Sim, com uma pequena cama.

— Estava longe da escola? — Ele perguntou.

Gabriele levou os ombros aos ouvidos. — Eu estava preocupado


com Wilson. Ele parecia estar com a barriga doendo.

— Ah? Como assim? — O oficial perguntou.

— Ele fez aqueles sons de dor de barriga.

— Você quer dizer que ele gemeu? — O oficial perguntou.

— Uh huh.

Acabou que Gabriele não sabia onde eles o levaram e eles teriam
que confiar nas respostas de Dwizzle quando o interrogassem.

Mais tarde, quando a polícia voltou para conversar conosco,


Dwizzle era na verdade Darryl Gains, um criminoso conhecido. Ele
tinha uma ficha criminal de um quilômetro de comprimento. Eles
confiscaram o telefone dele e havia mensagens e e-mails conectados a
uma pessoa anônima, sobre Gabriele. Seria necessário rastreamento
para chegar ao fundo. A menos que eles consigam de Dwizzle.

O engraçado é que Gabriele não percebeu de maneira alguma. Ele


falou do seu dia como uma aventura. Alessandro estava certo de que
Chiara estava por trás disso. Mas não havia como provar neste
momento.
DOIS MESES depois

Depois de tudo o que passamos, Alessandro e eu escolhemos nos


casar em maio. Fizemos uma viagem a Charleston, Carolina do Sul e
decidimos.

Dwizzle, ou Darryl Gains, disse à polícia o que sabia, em troca de


uma sentença mais leve. Como Alessandro assumiu, Chiara estava por
trás do sequestro. Eles a rastrearam através de suas conversas
telefônicas. Ela enfrentaria acusações na Itália. Os EUA ainda estavam
tentando extraditá-la, mas atualmente nenhuma decisão foi tomada.

Nosso casamento ocorreu em uma das plantações do rio. O tempo


estava perfeito, como se tivéssemos pedido. Não era grande, já que era
um casamento planejado, e só convidamos amigos e familiares muito
próximos.

Não sendo uma garota extravagante, escolhi um simples vestido de


seda branco virginal - porque eu era virgem, é claro - com tiras e um V
profundo nas costas. Sem rendas ou lantejoulas para mim. Alessandro
usava um terno azul-marinho com uma camisa branca, aberta no
pescoço e sem gravata.

As damas de honra usavam vestidos cor-de-rosa de qualquer estilo


que escolhessem e sapatos confortáveis que desejassem. Os padrinhos
usavam o mesmo terno que Alessandro, exceto que as camisas
combinavam com os vestidos das damas de honra.

Nossas flores eram rosa brancas e cor-de-rosa. Eles eram


impressionantes. O celeiro da recepção, e era um celeiro tão elegante
quanto qualquer coisa que eu já vi, estava decorado com flores em
todas as mesas. Nós íamos casar sob uma cobertura floral em
uma doca e você não imagina? Eu chorei. Alessandro e Gabriele, seu
padrinho, riram, junto com Emma, minha dama de honra.
Tecnicamente, todas as damas eram de honra. Sylvie era minha
matrona de honra e Reynolds também era uma dama de honra. Mas
desde que Emma salvou minha vida, eu discuti com minhas irmãs e as
duas pensaram que era uma excelente ideia escolhê-la. Ver Gabriele
escoltá-la foi hilário. Ele já tinha sete anos, então pensava que era
adulto. Ele até convidou Emma para um encontro no casamento.

Quando ela me disse, eu ri.

— Ele é um sujeito atrevido, ele é.

— Ele deve ter pegado isso de você.

Ela fingiu ser inocente por um segundo, mas não durou.

Meu herói, marido e homem sexy, me levou para a pista para a


nossa primeira dança. Quando o braço dele me envolveu, eu formigava
em todos os lugares.

— Você é a noiva perfeita, anjo.

Eu suspirei. — Você me chamou de anjo. — Essa era uma palavra


que ele havia reservado para sua filha.

— Sim, cheguei à conclusão de que minha doce Francesca enviou


você para mim. Ela sabia que você era meu par perfeito. Você foi quem
montou todos os meus pedaços quebrados novamente.

Ele não poderia ter dito nada mais significativo para mim. —
Alessandro, eu te amo mais e mais a cada minuto. Há uma coisa,
porém. Não discutimos ter filhos.

— Do jeito que você ama seus sobrinhos e Gabriele, eu não achei


que fosse necessário. Imaginei que você pudesse parar de tomar sua
pílula agora.
— Isso é bom porque eu já parei. Quero muitos bebês que se
pareçam exatamente com você.

— E eu quero que eles se pareçam com sua linda mãe, a quem


adoro. Obrigado por me amar. Não foi uma jornada fácil para nós. Mas
juro que o destino valerá a pena. — Seus lábios tocaram os meus por
um breve beijo enquanto dançávamos. Este homem era vida para mim.
Pensamentos dele me mantiveram viva quando eu provavelmente
deveria estar morta. Ele era meu coração e alma.

— Oh, o destino valerá a pena.


Epílogo
Reynolds

MINHA FAMÍLIA FOI EMBORA. Estava tudo quieto aqui e eu estava mal-
humorada porque sentia falta deles. O casamento... suspiro. Se eu
pudesse encontrar um Alessandro. Sexy, inteligente, bonito, rico, e que
usasse óculos. Havia algo em um homem de óculos. E eu mencionei que
sua família estava no negócio de vinhos. Gah, Piper era sortuda.

— Ei! Reynolds. — Um grito soou de dentro da casa.


Compartilhava com minha amiga Sutton, que precisava de uma
companheira de quarto na época em que me mudei para cá. Ela teve a
sorte de ter pais ricos que compraram o lugar e permitiram que eu
morasse aqui. Eu estava alugando. Ficava na Sullivan’s Island, a terra
dos ricos, e não tão famosa. Isso não seria nós.

— Ei, baby!

— Você quer uma bebida?

— Claro, contanto que você esteja pagando!

Nós sempre tínhamos essas partidas de gritos em andamento


quando estávamos na praia, como hoje. Minha cadeira estava dobrada
ao sol enquanto eu me empapava nos raios do verão. Logo, uma
mistura congelada estava tocando a pele abrasadora na minha barriga.
— Ei! Está congelando.

— Ao seu serviço, mademoiselle.

— Ora, obrigado, bom senhor.

— Eu não sou um senhor, sua imbecil.


— Certo, senhora. — Tomei um gole da bebida gelada, e era
delicioso. — Esta perfeito e cumpre o papel. Obrigada. — Tomei outro
gole no daiquiri de morango que ela me trouxe.

— Você pega as próximas. — Ela se sentou na cadeira e desdobrou


as longas pernas. Sutton tinha bastante corpo. Desde peitos grandes
que eram reais, até pernas que nunca terminavam, ela pontuava todos
os olhares na praia quando fizemos caminhadas. Só que ela nunca fez o
papel. Ela era uma amiga maravilhosa e não exibia sua beleza. Eu
estava no céu morando com ela e tão perto de Charleston. Seu salão
atendia aos ricos, como ela prometeu, e eu já estava ganhando um
excelente dinheiro, mesmo depois de dois meses.

— Lembre-me de beijar seus pais na próxima vez que os vir. Esta


casa é incrível e eu amo morar aqui.

— Eles são os melhores. Fiquei totalmente chocada quando eles a


compraram.

Como nossa clientela era quem eles eram, não éramos como a
maioria dos salões de beleza. Estávamos abertos de segunda a sexta-
feira e fechadas aos sábados, a menos que alguém nos reservasse um
casamento ou evento especial como um baile de debutante. Adorei as
horas e também não trabalhávamos até tarde da noite. Nossas tarifas
eram ridículas, mas ninguém reclamava. Sutton me disse para ter
várias especializações extras, como alisamento de cabelo brasileiro,
tratamentos com queratina e balayage. Eu fiz e estava valendo a pena.

Enquanto rabiscava na areia, notei um cara sair da casa ao lado


com uma cadeira de praia e um refrigerador. Ele estava sozinho
enquanto caçava o local perfeito. Depois de alguns minutos, ele se
estabeleceu não muito longe de nós.

— Sutton, quem é o dono da casa ao lado?

— Eu não sei. Por quê?


— Aquele cara ali acabou de sair. — Ele desdobrou a cadeira e
tirou o boné. — Porra, ele é alto. — Então ele puxou a camisa sobre a
cabeça e... — Santa mãe... — falei. — Você daria uma olhada nisso? —
Eu olhei para o pedaço de masculinidade gloriosa que estava diante de
mim. Músculos ondulantes, bíceps extensos e pele bronzeada foram
suficientes para fazer meu daiquiri de morango escorrer do outro lado
da minha boca.

— Menina, limpe essa saliva. Você está babando.

Agarrando a toalha de praia pela minha cabeça, eu fiz exatamente


isso. — Jesus, esse homem é positivamente delicioso. Olhe para o
cabelo dele. Ah, por que ele fez isso? — Ele vestiu o boné, encobrindo as
grossas ondas sopradas pelo vento. — Você acha que ele se importaria
se eu passasse minhas mãos por ele?

— Está maluca?

— Sim. Louca de luxúria.

— Então por que você não perde acidentalmente seu top na frente
dele?

— Ei, isso não é uma má ideia.

— Reynolds West, se você for lá, eu vou chutar sua bunda. Eu não
serei amiga de uma vadia.

— Vadia, hein? — Ela me olhou e nós duas rimos. Eu acho que


ficamos barulhentas porque o cara quente olhou para nós. Eu deveria
ter acenado e o convidado a se juntar a nós? Muito tarde. Ele se virou e
sentou. Infelizmente, lá se foi a nossa vista. Tudo o que víamos agora
era a parte de trás da cabeça coberta pelo boné.

Adormeci com a brisa suave que saltava sobre mim até Sutton me
acordar.
— Estou com sede.

— Okayyy. — Entrei em casa e nos preparei outro lote de daiquiris.


Desta vez, eles eram de banana. Saí da porta cantando: — Ah, sim, não
temos bananas. Hoje não temos bananas. — Exceto que uma vespa
decidiu me perseguir e soltei um grito de gelar o sangue que ressuscitou
os mortos no centro de Charleston. A propósito, existem algumas
pessoas realmente velhas por lá. Sutton deu um pulo quando passei por
ela, quase a derrubando, gritando: — Vespa. — Não parei até bater na
água e mergulhar. O que ela não sabia era que eu era alérgica a
qualquer coisa que picava. Abelhas, vespas, zangões, você escolhe e elas
me aterrorizavam. Eu carregava uma caneta epi comigo, mas ainda
assim.

Cuspindo na superfície segurando nossos copos vazios de daiquiri,


fui recebida por minha amiga. — Que diabos está errado com você?

— Uma vespa me perseguiu.

— E seu ponto é?

— Eu sou alérgica! — Entreguei os copos para ela e empurrei os


fios emaranhados dos meus olhos. Quando fui me levantar, ela respirou
fundo e me jogou de volta na água. — Que diabos, Sutton?

— Seu biquíni! Ele foi desamarrado e está pendurado na sua


cintura.

Bem, foda-se a minha vida. Mergulhei sob uma onda, mas fui
sugada por ela, virei e arranhei meu estômago nas conchas. Lutando
para respirar um pouco, recuperei o equilíbrio.

— Você ainda está de topless. — Ela gritou.

— Diga isso para a onda que quase me afogou. — Puxei meu biquíni
até a metade e ela gritou: — Oh, meu Deus! Você também perdeu a parte
de baixo! — Agora que ela anunciou para toda a praia, todo mundo olhou
para mim.

Com certeza, minha parte de baixo do biquíni estava nos joelhos,


exibindo minha nudez. Mergulhei na água bem a tempo de ser atingida
por outra onda. Eu certamente iria me afogar hoje. Rolando ao redor,
lavei-me em terra e Sutton agarrou meu pulso. — Reynolds, você está
nua. Seus peitos estão em exibição. — Ela realmente me repreendeu?
Ela não podia ver que eu estava perto da morte?

Naquele momento, o cara quente do boné decidiu dar um mergulho


na água fria. Eu olhei para cima com minha parte superior do biquíni
empoleirada na minha cabeça e a inferior nos joelhos.

— Belas garotas que você tem aí. — Disse ele, piscando e me dando
um polegar para cima. De todas as... mas espere. Eu conhecia aquela
voz. E aquele rosto, agora que tinha uma visão de perto dele.

— Reynolds, você se vestiria pelo amor de Deus? Você está


atraindo uma multidão.

Colocando todo meu biquíni de volta no lugar, finalmente fiz uma


grande saída da água, acenando como uma rainha enquanto caminhava.
Pelo menos eu não morri.

Quando voltamos para as cadeiras, eu quase me sentei quando


Sutton me lembrou das bebidas enquanto ela me entregava os copos
vazios. Marchando para dentro de casa, refiz nossos daiquiris. Dessa
vez, verifiquei se a área estava limpa quando saí. Então corri de volta
para nossas cadeiras.

— Você nunca me disse que era alérgica a vespas. — Disse Sutton


enquanto eu lhe entregava a bebida.

— Sim, eu até carrego uma caneta epi. Mas aquele cara. Você o
reconheceu?
— Acho que não. Por quê?

— Eu o conheço de algum lugar, mas não consigo me lembrar.

— Talvez seja daqui.

— Acho que não. É uma memória incômoda. Eu vou pensar nisso.


Dê-me tempo.

Estava chegando a minha hora favorita na praia - por volta das


seis horas, quando a maioria das pessoas já havia entrado. Foi quando
o cara quente decidiu empacotar as coisas. Eu olhei para ele de perto e,
enquanto ele passava, se virou para nós e disse: — Gostei mais quando
você estava quase nua.

Chocada demais para responder, eu apenas fiquei boquiaberta.


Mas então isso me bateu. — Ah não. Não pode ser.

— O que?

Era isso. Eu apenas sabia. Foi o jeito que ele disse nua. Nuua.
Havia apenas uma pessoa no universo que ouvi pronunciar dessa
maneira e sabia com certeza que era ele. O homem que desprezava com
todo o meu coração e alma.

— O nome Braxton Kent te lembra algo?

O suspiro dela me contou tudo. — Não! Você tem certeza?

— Noventa e nove por cento positivo. — Eu disse entre dentes.

— O que ele estaria fazendo aqui?

— Não faço ideia, mas se ele é tão desprezível como era no último
ano do ensino médio, então não vai gostar de morar perto de mim. —
Ele me destruiu completamente e levou séculos para eu superar a
picada. Eles dizem que a vingança é bem servida fria. Bem, ele iria
descobrir exatamente como estava fria.
Fim... por enquanto.

Continua em One Blissful Night