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AULA Digital
04 -
Morfossintaxe das
classes de palavra II
Gramática e Interpretação de
texto ITA 2020
Professora Celina Gil
Prof. Celina Gil
Aula 04 – Gramática e Interpretação de texto - ITA 2020

SUMÁRIO
Apresentação ............................................................................................................... 3
1 – Significado dos conectivos ...................................................................................... 3
1.1 – Significado das Preposições .......................................................................................... 3
1.2 – Significado das conjunções ........................................................................................... 7
2 – Regência Nominal e Verbal .................................................................................. 12
2.1- Regência Nominal .................................................................................................... 13
2.2 – Regência Verbal .......................................................................................................... 21
3 – Concordância Nominal e Verbal ........................................................................... 28
3.1 – Concordância Nominal ................................................................................................ 29
3.2 – Concordância Verbal ................................................................................................... 34
4 – Crase e demais formas combinadas ..................................................................... 38
4.1 – Crase ............................................................................................................................ 38
4.2 – Formas combinadas .................................................................................................... 45
5 – Colocação Pronominal.......................................................................................... 49
5.1 – Próclise ........................................................................................................................ 51
5.2 – Ênclise .......................................................................................................................... 53
5.3 – Mesóclise ..................................................................................................................... 54
6 – Questões .............................................................................................................. 56
6.1 – Lista de questões ......................................................................................................... 57
6.2 - Gabarito ....................................................................................................................... 91
6.3 – Questões comentadas .............................................................................................. 92
Considerações finais................................................................................................. 139

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APRESENTAÇÃO
Caro aluno,
Na segunda aula de Morfossintaxe das classes de palavra, vamos nos dedicar a algumas
construções muito importantes para os vestibulares:
➢ Significado dos conectivos
➢ Regência nominal e verbal;
➢ Concordância nominal e verbal;
➢ Colocação pronominal; e
➢ Crase e demais formas combinadas.
São temas que envolvem entendimento dos significados, mas também uma boa dose de
memorização! Você vai precisar decorar alguns casos e usos.

Mas não precisa se assustar! Você pode consultar o material tantas vezes quanto precisar!
Sem dúvidas, o assunto mais importante da aula é o significado dos conectivos. Esse tem
sido o tema mais frequente em gramática dos vestibulares. No ITA, a grande maioria das questões
exige que você compreenda o valor dos conectivos mais do que sua classificação. Por isso, na
hora de estudar – e até revisar – para a prova, esse é o principal conteúdo!

Vamos lá?

1 – SIGNIFICADO DOS CONECTIVOS


1.1 – SIGNIFICADO DAS PREPOSIÇÕES
Conforme vimos na aula 03, as preposições estabelecem ligações entre as palavras. Esta
relação pode ser de muitas naturezas diversas. Mas atenção: uma mesma preposição pode
estabelecer qualquer uma das relações dependendo do contexto. Estas são as principais relações
que uma preposição pode estabelecer:

ASSUNTO EXEMPLO EXPLICAÇÃO

Assunto Falar sobre política Qual o assunto da ação?

Autoria A música de Caetano Veloso. Quem fez a ação de escrever a


música?

Causa Chorou de raiva. Por que motivo fez a ação?

Companhia Fui com ele. Quem estava junto na ação?

Conteúdo Uma taça de vinho O que estava dentro da taça?

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Destino Vou a Paris. Para onde vai?

Distância Parei a um passo da porta. A que distância fez a ação?

Finalidade Vim para te ver. A fim de que veio?

Instrumento Me cortei com a faca. O que foi usado para realizar a


ação?

Limite Fui até o fim da rua. Até onde foi a ação?

Lugar Está sobre a mesa. Onde está o objeto?

Matéria Um anel de ouro. Do que é feito o objeto?

Meio Viajamos de avião. Qual o meio de realização da


ação.

Modo Votou em branco. Qual o modo que a ação foi


realizada?

Oposição O Brasil jogou contra o Chile. Há oposição na ação.

Origem Veio de família rica. Qual a origem da pessoa?

Preço Vendeu a seis reais. Qual o preço do objeto?

Posse O livro de Maria. Quem possui o livro?

Tempo Saímos após o jantar. Qual a hora que a ação se deu?

*atenção para não confundir causa e finalidade!


Causa: Algo ocorreu e, por isso, houve um resultado. Ex.: Ele foi preso por assalto. (A causa
dele ter sido preso foi o assalto)
Finalidade: Faz-se algo para que um resultado ocorra. Ex.: Ele trabalhava para o sustento da
família. (O objetivo, ou seja, a finalidade da ação de trabalhar é o sustento da família)

DICA
Para entender qual a relação estabelecida, procure pistas no verbo. Um verbo como
“vender”, por exemplo, tem grandes chances de se relacionar a preço. Use seu vocabulário
a seu favor.

Algumas preposições merecem maior atenção, principalmente porque podem aparecer em


mais de uma situação diferente e exprimir diferentes relações. Aqui, alguns dos exemplos mais
comuns:

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Preposição “a”
Destino: Vão a São Paulo.
Distância: Estava a um metro.
Finalidade: Tinha dois amigos a me aconselhar.
Instrumento: Escreveu à caneta.
Meio: Andei a cavalo.
Modo: Vive à sua própria vontade.
Movimento: Ela foi à feira.
Preço: Vendia uma peça a cem reais.
Proximidade: Postou-se à entrada da casa.
Tempo: Às manhãs de sábado, dormia mais.

Preposição “com”
Causa: Perderam tudo com as chuvas.
Companhia: Saiu com os amigos.
Instrumento: Destruiu com as mãos.
Oposição: Estão em guerra com a Espanha.

Preposição “contra”
Lugar: Segurava o papel contra o peito.
Oposição: Um lutou contra o outro.

Preposição “de”
Autoria: O livro de Machado de Assis.
Causa: Gritou de ódio.
Conteúdo: Um copo de suco.
Lugar: Veio de longe.
Matéria: Colar de prata.
Meio: Vivia do seu próprio trabalho.
Modo: Me encarou de frente.
Origem: Vim de família pobre.
Posse: A casa de minha família.
Tempo: De noite, chorava.

Preposição “em”
Estado ou mudança de estado: As árvores em flor / Tornou água em vinho.

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Lugar: Estava em Paris.


Modo: Os fiéis vieram em romaria.
Preço: Avaliaram a casa em um milhão.
Tempo: Em minutos, estavam longe.

Preposição “para”
Direção: Viajou para o norte.
Fim: Nascido para brilhar.
Lugar: Rumou para sua casa.

Preposição “por”
Causa: Veio por mim.
Finalidade: Viveu por ajudar os outros.
Lugar: Olhou por toda a sala.
Meio: É conhecido por seu trabalho.
Tempo: Andou por horas.

Preposição “sobre”
Assunto: Falaram sobre religião.
Posição: Estava sobre a mesa.

Vamos ver como isso pode aparecer numa prova?


(FUVEST – 2018)
Os bens e o sangue
VIII
(...)
Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito
ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais
com a faca, o formão, o couro... Ó tal como quiséramos
para tristeza nossa e consumação das eras,
para o fim de tudo que foi grande!
Ó desejado,
ó poeta de uma poesia que se furta e se expande
à maneira de um lago de pez** e resíduos letais...
És nosso fim natural e somos teu adubo,
tua explicação e tua mais singela virtude...
Pois carecia que um de nós nos recusasse
para melhor servir-nos. Face a face
te contemplamos, e é teu esse primeiro

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e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro.


Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.
* “descorçoado”: assim como “desacorçoado”, é uma variante de uso popular da palavra
“desacoroçoado”, que significa “desanimado”.
** “pez”: piche.

Considere o tipo de relação estabelecida pela preposição “para” nos seguintes trechos do
poema:
I. “ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais”.
II. “Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras”.
III. “para o fim de tudo que foi grande”.
IV. “para melhor servir-nos”.

A preposição “para” introduz uma oração com ideia de finalidade apenas em


a) I.
b) I e II.
c) III.
d) III e IV.
e) IV
Comentários: Apenas em IV. há noção de finalidade, pois o “para” tem sentido semelhante a
“a fim de” (a fim de melhor servir-nos).
No trecho I., “para” está ligado ao adjetivo “inapto”, indicando uma característica da pessoa
(não consegue realizar cavalhadas e trabalhos brutais).
Nos trechos II e III, “para” se relaciona com o verbo “querer” no campo da consequência
(“querer” provocou tristezas e o fim de tudo)
Gabarito: E

1.2 – SIGNIFICADO DAS CONJUNÇÕES


As conjunções podem estabelecer relações de coordenação – quando as duas orações ligadas
são independentes; ou subordinação – quando uma oração determina ou completa o sentido de
outra. Vamos ver agora quais os sentidos que as conjunções podem assumir em cada um destes
casos:

Conjunções coordenativas
Aditivas: Relacionam pensamentos similares.

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Ex.: e (une duas afirmações) e nem (une duas negações).


Ele telefonou e saiu de casa.
Ele não telefonou nem saiu de casa.

Adversativas: Relacionam pensamentos opostos.


Quando posterior ao verbo, a conjunção vem entre vírgulas.
Ex.: contudo, entretanto, mas, no entanto, porém, todavia.
Gosto de flores, mas prefiro folhas.
Gosto de flores; prefiro, porém, folhas.

Alternativas: Relacionam pensamentos excludentes.


Ex.: ou, já/já, ora/ora, quer/quer, seja/seja.
Vamos à praia ou à piscina?
Ora quer ir, ora quer ficar.

Conclusivas: Relacionam pensamentos em que o segundo conclui o primeiro.


A conjunção “pois” se emprega entre vírgulas.
Ex.: consequentemente, logo, pois, por conseguinte, portanto.
O carro quebrou; logo, não podemos viajar.
Você está atrasado; deve, pois, pedir desculpas.

Explicativas: Relacionam pensamentos em que a segunda frase explica a primeira.


Ex.: pois, porque, que.
Espere um pouco que ele não demora.

Conjunções subordinativas
Causais: Exprimem causa.
Ela foi embora, porque estava muito triste.
Ex.: como, já que, pois, porque, que, uma vez que.

Concessivas: Exprimem contraste.


Vou encontrá-lo, embora ache que não tem mais solução.
Ex.: ainda que, embora, posto que, se bem que.

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Condicionais: Exprimem condição.


Irei se puder.
Ex.: caso, desde que, contanto que, se;

Conformativas: Exprimem conformidade.


Resolvi a questão conforme você me ensinou.
Ex.: como, conforme, segundo.

Comparativas: Exprimem comparação.


Prata vale menos do que ouro.
Ex.: como (relacionado a tal, tão, tanto), como se, do que (relacionado a mais, menos, maior, menor,
melhor, pior), que.

Consecutivas: Exprimem consequência.


Era tão alta que não passava na porta.
Ex.: de forma que, de maneira que, de modo que, que (relacionado a tal, tão, tanto, tamanho).

Finais: Exprimem finalidade.


Menti para que não brigasse comigo.
Ex.: a fim de que, para que, porque, que.

Integrantes: Antecipam uma oração com valor de substantivo*


Insisti que ele viesse.
Não sei se ele vem.
Ex.: que (para orações afirmativas), se (para orações negativas).

Proporcionais: Exprimem proporção.


À medida que andávamos, ficava mais escuro.
Ex.: à medida que, à proporção que, ao passo que.

Temporais: Exprimem tempo.


Assim que a vi, me emocionei.

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Ex.: antes que, apenas, assim que, até que, depois que, logo que, quando, tanto que.

Vamos ver como isso pode aparecer nos vestibulares:


(FUVEST – 2010)
Belo Horizonte, 28 de julho de 1942.
Meu caro Mário,
Estou te escrevendo rapidamente, se bem que haja muitíssima coisa que eu quero te falar (a
respeito da Conferência, que acabei de ler agora). Vem-me uma vontade imensa de desabafar
com você tudo o que ela me fez sentir. Mas é longo, não tenho o direito de tomar seu tempo
e te chatear.
Fernando Sabino.
No texto, o conectivo “se bem que” estabelece relação de
a) conformidade.
b) condição.
c) concessão.
d) alternância.
e) consequência

Comentário: Há a ideia de contraste entre as ideias “escrevendo rapidamente” e “muitíssima


coisa que eu quero te falar”, criando uma ideia de concessão, portanto, a correta é a alternativa
C.
Alternativa A está incorreta, pois não há relação de conformidade (não há valor de “conforme
haja muito a falar, escrevo rapidamente”).
Alternativa B está incorreta, pois muito a falar não é condição de escrever rapidamente.
Alternativa D está incorreta, pois não há ideia de que ora há muito a dizer e ora se escreve
rapidamente.
Alternativa E está incorreta, pois muito a dizer não é consequência de escrever rapidamente.
Gabarito: C

Algumas conjunções podem significar mais de um valor dependendo do contexto. Muitas


vezes em exercícios você deverá identificar qual aspecto uma mesma conjunção representa e, por
vezes, os nomes dos valores serão apresentados serão diferentes. Por isso, não se preocupe tanto
em decorar, mas sim em compreender o contexto e interpretá-lo.

Estas são algumas das principais possibilidades de significado e valores das conjunções:

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Conjunção Valores

COMO Adição: Não só é bonito, como é inteligente.


Causa: Como não sabia português, estudou.
Comparação: Estudou como um gênio.
Conformidade: Estudou como o manual mandava.

E Adição: Ele é bonito e inteligente.


Adversativo: Ele não sabe português e não estuda.
Conclusivo: Ele estudou português e passou de ano.
Final: Ele ia estudar e passar na prova.

POIS Adversativo: Está estudando? Pois não vai passar de ano.


Conclusão: Está estudando, pode, pois, passar de ano.
Explicação: Preciso estudar, pois não sei a matéria.

PORQUE Causa: Estudei, porque não sabia a matéria.


Explicação: Porque está a estudar muito, ele não deve saber a matéria.

MAS Adição: Não só é bonito, mas inteligente.


Adversativo: Estudou muito, mas não passou de ano.
Atenuação: Ia mal na escola, mas disfarçava.
Compensação: Não saiu com os amigos, mas foi bem na prova.
Restrição: Estudou, mas apenas para passar de ano.
Retificação: Matemática é difícil, mas poucos se dedicam ao português.

QUE Adição: Estuda que estuda, mas não passa de ano.


Adversativo: Preciso estudar, que não essas poucas horas.
Causa: Prevenido que era, estudou.
Comparação: Ele estuda mais que os amigos.
Concessão: Estude uma hora que seja.
Conjunção Integrante: O importante é que você estude (o importante é isso).
Consecutiva: Tanto estudou que passou de ano.
Explicação: Estude, que a prova é amanhã.
Final: Estudou para que passasse de ano.
Modo: Sem que percebas, terás aprendido a matéria.

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Tempo: Sempre que estuda, vai bem na prova.

SE Causa: Se você tinha dificuldades, porque não estudou?


Condição: Se você estudar, irá entender a matéria.
Concessão: Se não aprendeu tudo, ainda assim passou de ano.
Conjunção Integrante: Não sei se estudou o suficiente. (se funciona como
complemento de estudou: não sei isso.)
Tempo: Se estuda, supera todos os outros.

2 – REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL


Regência é o modo como as palavras de uma frase se relacionam. Geralmente, numa frase,
uma palavra depende a outra para formar um todo de sentido. À relação necessária entre duas ou
mais palavras, ou seja, o modo exigido da construção da frase segundo a norma culta, dá-se o nome
de regência. Nessa relação há dois tipos de palavras:
➢ Palavras regentes – Palavra central, que estabelece a subordinação.
➢ Palavras regidas – Palavra complementar, dependente da regente.

Comumente, a palavra regente vem em primeiro lugar na frase e a palavra regida vem em
segundo lugar. A regência pode se dar através:
➢ Posição das palavras na frase: palavra regente antes da regida;
➢ Preposição: a palavra regente e a regida se ligam pela presença de uma preposição entre
elas. Nesse caso, a regente aparece antes da preposição e a regida depois.
➢ Conjunção: quando uma oração se liga a outra através de uma conjunção que as divide e
explicita sua relação de sentido.

Nesse capítulo, vamos nos dedicar a entender os processos de Regência Nominal e Regência
Verbal.

Infelizmente, esse assunto exige que você decore alguns casos e informações. Parece um
assunto chato, mas ele vem sendo muito cobrado nos vestibulares.
Então, leia atentamente esse capítulo e, se for preciso, mantenha a lista das palavras mais
importantes perto de você sempre. Assim, você pode consultá-la quantas vezes for
necessário”

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2.1- REGÊNCIA NOMINAL

A Regência Nominal é o modo como um nome – um substantivo, adjetivo ou advérbio – se


relaciona com os termos ligados a ele. A relação de regência nominal é majoritariamente
intermediada por preposição.
O ideal é que você memorize pelo menos algumas das palavras mais importantes. Vamos ver
nos quadros a seguir as principais palavras de cada classe gramatical.
Substantivos

Regência Exemplo

Acesso a - O acesso à sala era restrito.


de - O acesso de pedestres estava fechado
para - O atalho de acesso para o rio estava fechado.

Admiração a - Sinto admiração à distância.


por - Sinto admiração por ele.

Alusão a - Ela fez alusão a um livro.


de - A alusão do professor ao tema da prova agradou os alunos.

Amor a - O amor à vida.


de - O amor de mãe é muito profundo.
para com - O amor para com os animais é frequente.
por - Ela sentia muito amor por ele.

Analogia com - Fez uma analogia com o governo anterior.


entre - O público não entendeu a analogia entre a vida e o jogo.

Atenção a - Atenção às palavras do professor.


com - Tenha atenção com relação ao prazo!
para com - É preciso atenção para com isso.

Atentado a - Sofreu um atentado a sua vida.


contra - O atentado contra os imigrantes foi grave.

Capacidade de - Ele não tem capacidade de fazer isso.


para - Falta-lhe capacidade para compreender isso.

Conforme a - Ela agiu conforme a sua natureza.

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com - Opinião conforme com a filosofia.

Desprezo a - Há muito desprezo à vida.


de - O desprezo deles pelo mundo é enorme.
por - Sinto desprezo por ele.

Dúvida acerca de - Tenho dúvida acerca desse assunto.


em - Tenho dúvida em relação a isso.
sobre - Tenho dúvida sobre isso.

Medo a - Não tenha medo a ficar sozinha.


de - Eu tenho medo de aranha.

Obediência a - Devo obediência a ela.

Respeito a - Tenha respeito às diferenças.


com - Falta respeito com o próximo.
de - A respeito de minha família, não faço comentários.
para com - É preciso respeito para com os mais velhos.
por - Tenha respeito por ele.

Tendência a - Tenho tendência a emagrecer.


para - Veja as tendências para decoração em 2019.

União com - A união com a mãe é forte.


de - A união de sindicatos é tendência no mundo.
entre - O casamento é a união entre duas pessoas.

Siga o modelo do quadro que fizemos acima e crie diferentes orações para um mesmo
substantivo. Em cada uma delas, utilize uma preposição diferente. Se você ficar com dúvidas, nos
envie no fórum para que possamos responder!

Acesso

Amor

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Atenção

Dúvida

Respeito

Tendência

Com preposição “a”: Com preposição “de”: Com preposição Com preposição
Admiração Abuso “em”: “entre”:
Devoção Impossibilidade Bacharel Convênio
Horror Justificativa Doutor
Ida Obrigação Habilidade
Inclinação Teoria Harmonia
Tendência Interesse

Com a preposição Com preposição “para Com preposição


“para”: com”: “por”:
Jeito Simpatia Admiração
Utilidade Piedade Afeição
Respeito Amizade
Busca
Gosto
Interesse
Respeito

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Adjetivos

Regência Exemplo

Acostumado a - Está acostumado a estudar muito.


com - Ele está acostumado com a solidão.

Alheio a - Ele estava alheio a tudo.


de - Ele é alheio de carinho materno.

Ansioso de - Ansioso de vencer, ele estava nervoso.


por - Estou ansiosa para começar os estudos.
para - Estou ansiosa por o abraçar.

Apto a - Em quanto tempo estarei apto a começar?


para - Ele está apto para o trabalho.

Atencioso com - Ele é atencioso com os mais velhos.


para com - Ela é atenciosa para com o trabalho.

Capaz de - Não sou capaz de opinar.


para - Ela se tornou capaz para esse trabalho.

Contemporâneo a - Ele é contemporâneo a Virginia Woolf.


de - Fato contemporâneo da Independência do Brasil.

Contente com - Fiquei contente com a notícia.


de - Fiquei contente de ver você.
em - Fiquei contente em saber de você.
por - Fiquei contente por terminar o exercício.

Construído com - O lar foi construído com amor.


de - A casa foi construída de tijolos.
por A casa foi construída por meus pais.

Curioso a - Você está curioso a conhecer o vencedor?


de - Era curioso de tudo a seu redor.
por - Era curioso por livros.

Essencial a - A água é essencial à vida.


para - Lembrar é essencial para viver.

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Fácil a - Acesso fácil à informação ajuda estudantes.


de - É um tema fácil de entender.
para -É mais fácil para ele do que para ela.

Feliz com - Fiquei feliz com a notícia.


de - Fiquei feliz de conseguir passar de ano.
em - Fiquei feliz em te ver.
por - Fiquei feliz por terminar o livro.

Hostil a - O professor é hostil aos alunos.


contra - A torcida foi hostil contra os jogadores.
para com - Ele é hostil para com o pai.

Imbuído em - Estou imbuído em solucionar o problema.


de - Estou imbuído de boas energias.

Junto a - O livro está junto à televisão.


com - Ele saiu junto com o pai.
de - Foi até junto da esposa.

Satisfeito com - Estou satisfeito com o trabalho.


de - Fiquei satisfeito de sair daqui.
em - Fiquei satisfeito em lhe ver.
por - Fiquei satisfeito por terminar esse trabalho.

Situado a - Estamos situados a dois quilômetros daqui.


de - A casa fica situada de frente para o museu.
por - O estômago encontra-se situado por debaixo do diafragma.

Unido a - Ele é unido à mãe.


com - Estamos unidos com o chefe.
por - Unidos pelo cordão umbilical.

Último a - Ele foi o último a chegar.


de - Ele foi o último de nós a chegar.
em - Ficamos em último em ranking mundial.

Útil a - Esse assunto é útil a todos.


para - Esse manual é útil para estudar português.

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Siga o modelo do quadro que fizemos acima e crie diferentes orações para um mesmo
adjetivo. Em cada uma delas, utilize uma preposição diferente. Se você ficar com dúvidas, nos envie
no fórum para que possamos responder!

Ansioso

Contente

Construído

Fácil

Junto

Satisfeito

Situado

Unido

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Último

Com preposição Com preposição Com preposição Com a preposição Com preposição
“a”: “com”: “de”: “em”: “por”:
Adequado Aflito Certo Baseado Aflito
Análogo Coerente Consciente Entendido Fanático
Anterior Compatível Diferente Sábio Sedento
Avesso Condizente Livre
Contrário Contraditório Natural
Desatento Cuidadoso Sedento
Disposto Descontente Seguro
Equivalente Feliz Suspeito
Favorável Severo
Idêntico
Inacessível
Oposto
Prestes
Sensível
Superior
Único

Advérbios

Regência Exemplo

Longe de - Estamos longe de casa.

Perto de - Ele está perto de acabar.

Advérbios em Seguem o - Essencial a / Essencialmente a


-mente regime da - Respeitoso a
palavra
que os
forma.

Veja como isso pode aparecer nos vestibulares:

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É mais difícil aparecer questões que envolvam apenas a regência nominal ou apenas a
verbal. Nesse exercício, duas alternativas são de regência verbal e outras duas de nominal.
É importante que você observe ambos os aspectos quando a questão falar sobre regência.

(UNIFESP – 2014)
A sensível
Foi então que ela atravessou uma crise que nada parecia ter a ver com sua vida: uma crise
de profunda piedade. A cabeça tão limitada, tão bem penteada, mal podia suportar perdoar
tanto. Não podia olhar o rosto de um tenor enquanto este cantava alegre – virava para o lado
o rosto magoado, insuportável, por piedade, não suportando a glória do cantor. Na rua de
repente comprimia o peito com as mãos enluvadas – assaltada de perdão. Sofria sem
recompensa, sem mesmo a simpatia por si própria.
Essa mesma senhora, que sofreu de sensibilidade como de doença, escolheu um domingo
em que o marido viajava para procurar a bordadeira. Era mais um passeio que uma
necessidade. Isso ela sempre soubera: passear. Como se ainda fosse a menina que passeia na
calçada. Sobretudo passeava muito quando “sentia” que o marido a enganava. Assim foi
procurar a bordadeira, no domingo de manhã. Desceu uma rua cheia de lama, de galinhas e
de crianças nuas – aonde fora se meter! A bordadeira, na casa cheia de filhos com cara de
fome, o marido tuberculoso – a bordadeira recusou-se a bordar a toalha porque não gostava
de fazer ponto de cruz! Saiu afrontada e perplexa. “Sentia-se” tão suja pelo calor da manhã, e
um de seus prazeres era pensar que sempre, desde pequena, fora muito limpa. Em casa
almoçou sozinha, deitou-se no quarto meio escurecido, cheia de sentimentos maduros e sem
amargura. Oh pelo menos uma vez não “sentia” nada. Senão talvez a perplexidade diante da
liberdade da bordadeira pobre. Senão talvez um sentimento de espera. A liberdade.
(Clarice Lispector. Os melhores contos de Clarice Lispector, 1996.)

A alternativa em que o enunciado está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa e


coerente com o sentido do texto é:
a) A senhora, pensando na recusa da bordadeira, não sabia se a perdoaria, mas achava melhor
esquecer daquilo.
b) Ao descer pela rua cheia de lama, a senhora se perguntava aonde é que estava, confusa no
lugar que caminhava.
c) Era comum de que a senhora, distraída com sua sensibilidade, fosse roubada, o que lhe fazia
levar as mãos ao peito em sinal de inquietação.
d) A senhora, quando se dispôs a ir à bordadeira, esperava que esta não lhe recusasse o
trabalho solicitado.

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e) A senhora gostava muito de passear, embora tivesse ainda a impressão que era menina
passeando pela calçada.
Comentários: A alternativa que não apresenta incorreções quanto à regência é a alternativa
D.
A alternativa A este incorreta, pois o verbo “esquecer”, nesse caso, exige a presença do
pronome reflexivo “-se”.
Portanto, a frase correta é “(...) mas achava melhor esquecer-se daquilo. Veremos melhor a
regência verbal a seguir.
A alternativa B este incorreta, pois “onde” não admite a contração com a preposição “a”
(aonde), nesse caso.
Portanto, a frase correta é “a senhora se perguntava onde é que estava”.
A alternativa C este incorreta, pois “comum” não admite preposição “de”.
Portanto, a frase correta é “Era comum que a senhora”
A alternativa E este incorreta, pois “ter a impressão” demanda preposição “de.
Portanto, a frase correta é “embora tivesse ainda a impressão de que era menina”.
Gabarito: D

2.2 – REGÊNCIA VERBAL


Antes de falar sobre os exemplos de Regência Verbal em si, precisamos recordar a noção de
transitividade dos verbos. Como vimos ], os verbos se dividem em intransitivos e transitivos.

Verbos intransitivos (VI)


Verbos intransitivos não possuem complemento. Seu sentido é dado por si só. São verbos
que podem apenas ser acompanhados de advérbios para caracterizá-los.
Ex.: Ele dormiu.
Choveu muito.

Verbos transitivos (VT)


Já os verbos transitivos, dividem-se em três tipos dependendo da relação que estabelecem
com a preposição.
➢ Transitivo Direto (VTD)
O complemento aparece diretamente ligado ao verbo, sem a mediação de uma preposição.
Ex.: O menino estudou matemática.
Nenhuma preposição separa o verbo “estudar” de seu
complemento (o que o menino estudou).

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➢ Transitivo Indireto (VTI)


O complemento aparece ligado ao verbo a partir da mediação de uma preposição.
Ex.: Ele gostava de matemática.
A preposição “de” é necessária para formar o sentido da frase. Sem ela,
não é possível compreender o que se quer dizer (“Ele gostava matemática” é uma grafia incorreta.

➢ Transitivo Direto e Indireto (VTDI)


O verbo apresenta dois complementos: um com preposição e outro sem.
Ex.: Eu dei um presente a ele.
Complemento “a ele”, com preposição “a”.
Complemento “dei um presente”, sem preposição.

A transitividade dos verbos não é fixa. Dependendo do contexto, alguns verbos podem ser
transitivos ou intransitivos.
Portanto, nem sempre decorar os verbos bastará pra responder à questão. É preciso
compreender a estrutura.
Ex.: O menino viajou. (VI)
O menino viajou para estudar. (VTI)

Isso posto, a regência verbal determina os casos em que se usa ou não preposição. Muitos
verbos admitem dupla regência, ou seja, podem vir ou não acompanhados de preposição. Isso
costuma ocorrer quando um mesmo verbo pode ser entendido com significados diferentes.
Vamos ver os principais verbos a lembrar da regência. Estarão indicados antes de cada caso a sigla
correspondente à transitividade assumida. As preposições estão em negrito e os complementos sem
preposição estão grifados.
Legenda:
VI – Verbo intransitivo
VTD – Verbo transitivo direto
VTI – Verbo transitivo indireto
VTDI – Verbo transitivo direto e indireto

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Regência Exemplo

Aspirar VTD – Quando significa “cheirar”.


Ex.: Aspirou o perfume.

VTI – Quando significa “desejar”, “almejar”.


Ex.: Ele aspirava a uma posição melhor.

Assistir VTD – Quando significa “ajudar”.


Ex.: A enfermeira assistiu o paciente.

VTI – Quando significa “ver”.


Ex.: Assisti a uma peça maravilhosa.

Atender VTD – Quando se refere a pessoas.


Ex.: O médico atendeu o paciente.

VTI – Quando se refere a coisas.


Ex.: O médico atendeu ao chamado.

Chamar VTD – Quando significa “convocar”.


Ex.: Eu chamei o padre.

VTI – Quando significa “pedir ajuda”.


Ex.: Ele chamou pela mãe.

VTDI – Quando significa “denominar” ou “convidar” ou “assumir


responsabilidade”
Ex.: Eu o chamei de Pedro.
Eu o chamei para a festa.
Ele chamou a responsabilidade para si.

VI – Quando significa “fazer sinal de voz”.


Ex.: Você me chamou?

Ensinar VTD – Quando não expressa o assunto ensinado


Ex.: Eu chamei o padre.

VTDI – Quando significa “transmitir conhecimento”


Ex.: Ensinamos português aos meninos.
Vou ensiná-lo a pescar.

Esquecer VTD – Quando sem pronome reflexivo.


Ex.: Eu esqueci o seu nome.

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VTI – Quando com pronome reflexivo.


Ex.: Eu me esqueci do seu nome.

VI – Quando significa “não pensar em coisas ruins”.


Ex.: Eu só quero esquecer.

Implicar VTD – Quando significa “causar”, “acarretar”.


Ex.: Não seguir os termos de uso implica o cancelamento da assinatura.

VTI – Quando significa “importunar” ou “envolver”.


Ex.: Eles implicam com meu filho.
O político implicou empresários em corrupção.

Lembrar VTD – Quando significa “sugerir”, “trazer à memória”.


Ex.: O perfume lembra minha avó.

VTDI – Quando significa “advertir”.


Ex.: O chefe lembrou a ele o combinado.

VTI – Quando significa “recordar” + pronome reflexivo.


Ex.: Lembro-me de você.

Obedecer (e VTI – Podendo significar obedecer a algo ou alguém.


desobedecer) Ex.: Obedeci às regras.
Obedeço a ela.

Perdoar VTDI – Quando há a coisa a se perdoar (sem preposição) e a pessoa a quem se


pede perdão (com preposição).
Ex.: Perdoem-lhe o mau comportamento.
* o mesmo ocorre com os verbos agradecer e pagar:
Agradeço a vocês o presente.
Paguei minha dívida com eles.

Preferir VTD – Quando há pluralidade de elementos não preferidos, portanto, não vale a
pena mencioná-los.
Ex.: Prefiro Paris.

VTDI – Quando compara dois ou mais elementos, acompanhado sempre de


preposição “a”.
Ex.: Prefiro praia a piscina.
ATENÇÃO: Não se usa “preferir ... do que ...”. Essa construção só é permitida na
oralidade. No texto escrito é considerada errada.

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Querer VTD – Quando significar “desejar”.


Ex.: Eu quero amigos novos.

VTI – Quando significar “gostar”.


Ex.: Quero bem a meu irmão.

Responder VTD – Quando se referir à própria resposta.


Ex.: Respondeu que chegaria logo.

VTI – Quando o complemento se refere à outra pessoa.


Ex.: Respondeu ao professor.

VTDI – Quando há a coisa respondida (sem preposição) e a pessoa a quem se


respondeu (com preposição).
Ex.: Eu respondi a pergunta à professora.

VI – Quando significa “ato de ser grosseiro” ou “a ação de responder em si”.


Ex.: Não responda!
Chamei mas ele não respondeu.

Visar VTD – Quando significa “olhar” ou “apontar”.


Ex.: Visou o amigo de longe.
Visou o alvo, mas errou.

VTI – Quando significa “ter em vista” ou “pretender”.


Ex.: O projeto visa à inclusão social.

Siga o modelo do quadro que fizemos acima e crie diferentes orações para um mesmo verbo.
Em cada uma delas, utilize-o com uma transitividade diferente. Se você ficar com dúvidas, nos envie
no fórum para que possamos responder!

Aspirar

Assistir

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Atender

Chamar

Esquecer

Implicar

Lembrar

Obedecer (e
desobedecer)

Preferir

Querer

Responder

Visar

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Veja como isso pode aparecer em vestibulares.


(FUVEST – 2018)
O rumor crescia, condensando se; o zunzum de todos os dias acentuava se; já se não
destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço.
Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam se* discussões e rezingas**; ouviam se
gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava se. Sentia se naquela fermentação sanguínea,
naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e
nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.
Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas; fazendo compras.
Duas janelas do Miranda abriram se. Apareceu numa a Isaura, que se dispunha a começar
a limpeza da casa.
- Nhá Dunga! gritou ela para baixo, a sacudir um pano de mesa; se você tem cuscuz de
milho hoje, bata na porta, ouviu?
Aluísio Azevedo, O cortiço.
* ensarilhar se: emaranhar se.
** rezinga: resmungo

Constitui marca do registro informal da língua o trecho


(A) “mas um só ruído compacto” (l. 2).
(B) “ouviam se gargalhadas” (l. 3).
(C) “o prazer animal de existir” (l. 6).
(D) “gritou ela para baixo” (l. 10).
(E) “bata na porta” (l. 11).
Comentários: A marca informal no texto está justamente na incorreção quanto à regência do
verbo “bater”. Nesse caso, em que significa golpear a porta, o verbo deveria ser acompanhado
da preposição “a” e não da preposição “em” como está aqui (na = em +a).
ATENÇÃO: Perceba que é importante que você conheça as formas contraídas de preposição +
artigo, pois isso pode ajudar a resolver muitas questões. Ainda nessa aula, veremos com maior
profundidade a questão das formas contraídas.
As outras alternativas não apresentam as marcas costumeiras de um texto ligado à oralidade
e à informalidade, a saber, incorreções gramaticais e gírias, principalmente.
Gabarito: E

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Com preposição Com a preposição


Com preposição “a”:
Com preposição “de”: “em”:
- habituar-se a;
“com”: - excluir de; - apoiar-se em;
- imputar a;
- encontrar-se com; - libertar de; - concentrar em;
- obrigar a;
- indignar-se com; - morrer de; - continuar em;
- pertencer a;
- parecer com; - precaver-se de; - incorrer em;
- referir-se a;
- sonhar com; - tremer de; - teimar em;
- sobreviver a;
- zangar-se com. - vangloriar-se de; - transformar em;
- sujeitar-se a.
- vingar-se de. - viciar-se em.

Com preposição
Com preposição “por”:
“para”: Com preposição
- ansiar por;
- convidar para; “sobre”:
- apaixonar-se por;
- convocar para; - alertar sobre;
- chorar por;
- desafiar para; - meditar sobre;
- interessar-se por;
- esforçar-se para; - prevalecer sobre;
- rogar por;
- habilitar para. - recair sobre.
- trocar por.

Muitas vezes, os nomes e os verbos de que derivam apresentam a mesma regência.


Ex.:
Obedeço a ela.
Sou obediente a ela.

Procure fazer associações assim para facilitar seu estudo. Assim, você não precisa
decorar tantas palavras e suas regências.

3 – CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


Dá-se o nome concordância o modo de organização da frase que explicita a relação entre
termos e significado total da frase. Estabelecemos concordância entre as palavras nominais e as
verbais. Vamos olhar mais detalhadamente cada uma delas.

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3.1 – CONCORDÂNCIA NOMINAL


A concordância nominal é o ajuste de gênero e número com o substantivo central da frase.
Veja a frase a seguir, por exemplo:
Ex.: Os dois meninos mais bonitos estudam juntos.
“meninos” é o substantivo central dessa frase. É a ele que se referem todas as
informações:
➢ São dois meninos
➢ Os meninos são os mais bonitos; e
➢ Os meninos estudam juntos.
Portanto, os outros termos devem concordar com “meninos”, ou seja, devem estar no
masculino plural.
As classes de palavra que devem concordar com o substantivo são:

Artigo

Pronome Adjetivo

Numeral

Algumas vezes, a concordância não será tão simples como a do exemplo que vimos
anteriormente. Mas e se ao invés de:
“Os dois meninos mais bonitos estudam juntos.”
... a construção fosse:
“O menino e a menina mais bonitos estudam juntos.”

Aparecem aqui dois substantivos de gêneros diferentes: “menino” no masculino singular e


“menina” no feminino singular. A concordância que se estabelece, portanto, deve acompanhar
algumas determinações.
Há duas questões elementares a serem observadas quanto à concordância nominal:
➢ A posição do adjetivo na frase; e

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➢ O gênero e número dos substantivos centrais.

Posição, gênero e número.


A regra de concordância depende se o adjetivo está antes ou depois dos substantivos.
Adjetivo anteposto
➢ Concorda em gênero e número com o substantivo mais próximo (o primeiro).
Ex.: Apreciava boas peças e filmes .
“boas” é feminino plural e concorda com “peças”.
Apreciava bons filmes e peças.
“bons” é masculino plural e concorda com “filmes”.

➢ Em se tratando de nomes próprios e parentesco, o adjetivo vai sempre no plural.


Ex.: Encontrei as belas Maria e Alice.
“belas” é feminino plural.
Encontrei os bem-sucedidos tio e primos.
“bem-sucedidos” é masculino plural.
ATENÇÃO: Se os substantivos forem de gênero diferentes, nesse caso, o padrão é que se use o
masculino plural.
Ex.: A meus queridos mãe e pai.
“queridos” é masculino plural.

Adjetivo posposto
➢ Mesmo gênero + singular = adjetivo no mesmo gênero plural OU concorda com mais
próximo.
Ex.: Estudo filosofia e sociologia alemãs.
“alemãs” é feminino plural.
OU
Estudo filosofia e sociologia alemã.
“alemã” é feminino singular, como “sociologia”.

➢ Gênero diferente + singular = adjetivo no masculino plural OU concorda com mais


próximo.
Ex.: Eu comprei uma bolsa e um sapato lindos.
“lindos” é masculino plural.

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OU
Eu comprei uma bolsa e um sapato lindo.
“lindo” é masculino singular, como “sapato”.

➢ Mesmo gênero + número diferente = adjetivo no mesmo gênero plural OU número


mais próximo.
Ex.: As tias e a prima bonitas chegaram.
“bonitas” é feminino plural.
OU
As tias e a prima bonita chegaram.
“bonita” é feminino singular, como “prima”.

➢ Gênero diferente + plural = adjetivo no gênero do mais próximo plural OU masculino


plural.
Ex.: Os meninos e as meninas brasileiras brincavam na rua.
“brasileiras” é feminino plural, como “meninas”.
OU
Os meninos e os meninas brasileiros brincavam na rua.
“brasileiros” é masculino plural.

➢ Gênero diferente + número diferente = masculino plural OU concorda com mais


próximo.
Ex.: O menino e as meninas sinceros conversavam na sala.
“sinceros” é masculino plural.
OU
O menino e as meninas sinceras conversavam na sala.
“sinceras” é feminino plural, como “sinceras”.

Algumas vezes, a opção de concordância deve priorizar eliminar possíveis ambiguidades.


Ex.: Tenho irmão e irmãs bonitas.
Fica muito difícil, nesse exemplo, compreender que o adjetivo “bonitas” se refere a ambos
os substantivos. Por isso, aqui seria melhor utilizar o “bonitos”, pra que não haja confusão.

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Além disso, há alguns casos importantes a se observar:

Anexo e incluso
➢ Concordam com o substantivo a que se referem, sem preposição.
Ex.: Os documentos estão anexos.
A sobremesa está inclusa.

É necessário
➢ Não varia, a menos que o substantivo tenha palavra determinante.
Ex.: Cautela é necessário.
A cautela é necessária.

ATENÇÃO: O mesmo ocorre com “é bom” e “é proibido”.


Sopa é bom. / A sopa é boa.
Bebida é proibido. / A bebida é proibida.

Meio
➢ Quando tem valor de advérbio, é invariável.
Ex.: Ela estava meio nervosa.
Ele estava meio nervoso.

➢ Quando tem valor de numeral, concorda pelas regras gerais.


Ex.: Comeu meio limão. / Comeu meia laranja.

Muito e pouco
➢ Quando tem valor de advérbio, é invariável.
Ex.: Ela estava muito nervosa. / Ela estava pouco confortável.
Ele estava muito nervoso. / Ele estava pouco confortável.

➢ Quando tem valor de adjetivo, concorda pelas regras gerais.


Ex.: Dormiu poucas horas.
Comprou muitos sapatos.

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Pronomes de tratamento
➢ Concordam sempre com a 3ª pessoa.
Ex.: Vossa Excelência cumpriu sua palavra.
ATENÇÃO: esse assunto será retomado a seguir, em concordância verbal.

Tal qual
➢ “Tal” concorda com o termo anteposto e “qual” com o termo posposto.
Ex.: A menina é bonita tal quais as avós.
Os pais eram loiros tais qual o filho.

Um e outro
➢ O substantivo fica no singular e o adjetivo no plural.
Ex.: Ela resolveu um e outro exercício fáceis.

Veja como isso pode aparecer nos vestibulares.


(UFSC – 2013)
Marque a única frase em que a concordância nominal aparece de maneira inadequada.
a) Obrigava sua corpulência a exercício e evolução forçada.
b) Obrigava sua corpulência a exercício e evolução forçados.
c) Obrigava sua corpulência a exercício e evolução forçadas.
d) Obrigava sua corpulência a forçado exercício e evolução.
e) Obrigava sua corpulência a forçada evolução e exercício.
Comentários: A alternativa C obedece às duas regras principais para essa construção: o uso do
plural, já que o adjetivo se refere a mais de um termo; e a concordância com o termo mais
próxima, que é a construção preferida nesse caso.
A alternativa A está incorreta, pois como há mais de um termo central, é preciso que “forçadas”
esteja no plural,
A alternativa B está incorreta, pois é preciso que haja concordância de gênero com o termo
mais próximo, portanto, que “forçadas” esteja no feminino.
A alternativa D está incorreta, pois não faz uso do plural. Com o adjetivo anteposto, a
construção correta seria “forçados”.
A alternativa E este incorreta, pois não concorda em gênero com o termo mais próximo.
Deveria aparecer no masculino.
Gabarito: C

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3.2 – CONCORDÂNCIA VERBAL


A concordância verbal se dá a partir da flexão do verbo em número e pessoa, de modo a concordar
com o termo central da frase, normalmente um substantivo ou um pronome. Veja o exemplo a
seguir:
Ex.: Eu estou ocupada.
“estou” está flexionado na 1ª pessoa do singular, concordando com “eu”.
Nós estamos ocupadas.
“estamos” está flexionado na 1ª pessoa do plural, concordando com “nós”.

Essa é a regra básica da concordância verbal. A partir dela, é preciso pensar em dois grandes campos:
quando há apenas um termo central e quando há mais de um termo central.

Um termo central
O verbo, nesse caso, concorda em pessoa e número com o termo central.
Ex.: A menina estudou ontem.
“estudou” está flexionado na 3ª pessoa do singular.

Há alguns casos específicos que costumam aparecer em provas ou que são frequentes nas
redações que vale a pena observar:

➢ Cerca de / Mais de / menos de: concorda com o substantivo.


Ex.: Cerca de cinco pessoas foram à praia.
Mais de um menino passou de ano.
Menos de dez mulheres foram selecionadas.

➢ “A maioria” e semelhantes: verbo no singular.


Ex.: A maioria das meninas estava feliz.

➢ Porcentagem: concorda com o substantivo que a acompanha.


ATENÇÃO: caso não haja substantivo acompanhando, deve concordar com o numeral.
Ex.: Apenas 1% respondeu.
Apenas 3% responderam.

➢ Pronome relativo “que”: concorda com o termo antecedente, a que ele se refere.

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Ex.: Fui eu que escrevi o livro.


Eram elas que deviam nos contar.

➢ Pronome relativo “quem”: concorda com o termo antecedente, a que ele se refere
OU 3ª pessoa do singular.
Ex.: Fomos nós quem organizamos o evento.
OU
Fomos nós quem organizou o evento.

➢ Pronomes de tratamento: 3ª pessoa, concordando em número.


Ex.: Vossa Excelência estará presente.
Vossas Excelências estarão presentes.

➢ Substantivos coletivos: verbo no singular.


Ex.: A multidão estava irada.

➢ Substantivos próprios plurais: com artigo, verbo no plural e sem artigo, verbo no
singular.
Ex.: Os Estados Unidos comemoraram o evento.
Minas Gerais é um estado grande.

➢ Um dos que: verbo no plural.


Ex.: Minha filha foi uma das que passou na prova.

Dois ou mais termos centrais


O verbo, nesse caso, é apresentado no plural.
Ex.: A menina e o menino estudaram ontem.
“estudou” está flexionado na 3ª pessoa do singular.

Quando uma das pessoas verbais é da 1ª pessoa (tanto do plural quanto do singular), deve-
se utilizar o verbo na 1ª pessoa do plural.
Ex.: Meu namorado e eu iremos jantar fora.
“iremos” está flexionado na 1ª pessoa do plural.

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Quando uma das pessoas verbais é da 2ª pessoa (tanto do plural quanto do singular), é preferível
conjugar na 3ª pessoa do plural.
Ex.: Tu e ele foram viajar?

Há alguns casos específicos que costumam aparecer em provas ou que são frequentes nas
redações que vale a pena observar:
➢ Conjunções “ou” e “nem”: com ideia de inclusão, verbo no plural e com ideia de
exclusão, verbo no singular.
Ex.: Frutas ou vegetais são ambos bons para a saúde. (inclusão)
Par ou ímpar será o modo de decisão. (exclusão)

➢ Não só ... mas também (e semelhantes): verbo no plural


Ex.: Não só o professora mas também a diretora chamaram a atenção do aluno.

➢ Nem um nem outro: preferencialmente no singular.


Ex.: Nem um nem outro foi à escola hoje.

➢ Palavras sinônimas ou parecidas: verbo pode aparecer tanto no plural quanto no


singular.
Ex.: Amor e afeto são importantes.
Amor e afeto é importante.

➢ Preposição com: quando com valor de adição, o verbo vem no plural.


Ex.: O político com o empresário cometeram um crime.

Orações que expressam reciprocidade são sempre no plural:


Ex.: Nem um nem outro se falaram no trabalho.

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Além disso, há outros casos que merecem atenção:

Haja vista
Apesar de pouco usado, é possível flexionar “haja vista” de acordo com o número do
substantivo a que se refere.
Ex.: É preciso lutar, haja vista as dificuldades que estão por vir.
OU
É preciso lutar, haja vistas as dificuldades que estão por vir.

Verbo dar
Esse verbo causa dúvidas principalmente quando relacionado a horários. Quando a ênfase
está no substantivo, o verbo concorda com este último. Quando a ênfase é no numeral, concorda
com este. O mesmo ocorre para outros verbos relacionados a horas, como bater e soar.
Ex.: O relógio da cozinha deu nove horas (concorda com relógio).
Deram nove horas no relógio da cozinha (concorda com nove).

Verbos impessoais
São verbos impessoais aqueles que não tem sujeito, ou seja, em que não é possível atribuir a
ação a nenhum termo expresso na frase.
Nesses casos, a concordância verbal deve ser na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Faz cinco anos que nós namoramos.
Choveu ontem.

Vamos ver como isso pode aparecer em um exercício de vestibular:


(UNESP – 2018)
“O acetato de chumbo era adicionado às bebidas como adoçante”.
Preservando-se a correção gramatical e o seu sentido original, essa oração pode ser reescrita
na forma:
a) Adicionava-se o acetato de chumbo às bebidas como adoçante.
b) Adiciona-se o acetato de chumbo às bebidas como adoçantes.
c) Eram adicionadas às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
d) Adicionam-se às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
e) Adicionavam-se às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
Comentários: A frase apresentada encontra-se na voz passiva analítica. A proposta das
alternativas é encontrar uma voz passiva pronominal (ou sintética). Caso você não se recorde
bem dessa matéria, volte nas aulas anteriores para lembrar melhor.

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Para formar uma voz passiva pronominal, é preciso colocar o verbo na terceira pessoa do
singular. Ele não precisa concordar com os outros termos da oração, porém deve manter o
tempo verbal apresentado no enunciado.
Por isso, a alternativa A é a correta: “Adicionava-se o acetato de chumbo às bebidas como
adoçante”.
Gabarito: A

4 – CRASE E DEMAIS FORMAS COMBINADAS


Em se tratando de preposições, é possível que haja o aparecimento de formas combinadas.
A forma que mais causa confusão entre os alunos é a crase, mas há outras possibilidades. Vamos
observar como isso pode ocorrer no português.

4.1 – CRASE
A crase é um dos assuntos mais pedidos dos vestibulares, mas é também um dos que
apresenta mais dificuldade aos alunos. Portanto, é preciso que você preste atenção aos seguinte
pontos:
➢ Como a crase se forma;
➢ As condições básicas para que haja crase;
➢ Casos essenciais em que ocorre crase;
➢ Casos em que o emprego da crase é facultativo;
➢ Casos em que não ocorre crase e que costumam ser redigidos erroneamente.

Formação
A crase é um processo fonético, que pode resultar da fusão da preposição “a” com:
➢ Artigo definido “a” ou “as”
Ex.: Ele foi à escola.
Ele foi a (preposição) + a (artigo) escola.
Ex.: Ele fez uma homenagem às vítimas.
(...) fez uma homenagem a (preposição) + as (artigo) vítimas.
ATENÇÃO: Se a oração fosse “Ele fez uma homenagem a vítimas”, esse “a” não é craseado.
Se a crase ocorre da formação entre preposição e artigo, então é preciso que haja
concordância de número entre o artigo e o substantivo que o segue.
Essa oração só teria crase se fosse escrita com “as” ao invés de “a”.

➢ Pronome demonstrativo “a” ou “as”

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Ex.: A letra dela é semelhante à dele.


(...) é semelhante a (preposição) + a (pronome
demonstrativo, substituindo termo “a letra” implícito) dele.
Se essa oração fosse escrita substituindo o pronome demonstrativo por seu correspondente,
teríamos “A letra dela é semelhante à letra dele”. Portanto, ocorre crase.
Ex.: Suas notas foram superiores às da irmã.
(...) foram superiores as (preposição) + as (pronome
demonstrativo, substituindo “as notas” implícito) da irmã.
Se essa oração fosse escrita substituindo o pronome demonstrativo por seu correspondente,
teríamos “Suas notas foram superiores às notas da irmã”. Portanto, ocorre crase.
ATENÇÃO: Pronomes relativos em “a” (que se referem a palavras femininas) ou em “que” com
antecedente feminino também são craseados.
Ex.: A escola à qual tinha ingressado era incrível.
Em uma situação anterior à que estavam, tinham agido igual.

➢ Primeira letra do pronome demonstrativo “aquele” e variados


Ex.: Não sobreviveria àquela ofensa.
Não sobreviveria a (preposição) + aquela ofensa.
Ex.: Não cederia àquele desmando.
Não cederia a (preposição) + aquele desmando.
ATENÇÃO: Mesmo que a palavra “aquele” seja masculina, o que interfere aqui na existência da crase
é a primeira letra do termo, ou seja, o “a” do início de “aquele”.

Condições básicas
Há, segundo Celso Cunha (2010), três condições básicas pra que a crase ocorra:
➢ Existência de palavra feminina;
A palavra posterior ao “a” craseado deve ser feminina. Não se usa crase antes de palavra
masculina.

➢ A palavra regente exigir o uso da preposição “a”


Lembrando do item 1. desta aula, é preciso saber os casos básicos de palavras que são
acompanhadas de preposição “a”, principalmente os verbos.

➢ A palavra regida admitir o artigo “a”

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Como dissemos anteriormente, somente substantivos ou palavras substantivadas são


acompanhadas de artigo. Portanto, para que haja crase, é necessário que a palavra a seguir seja um
substantivo ou palavra com valor de substantivo.

Algumas vezes, a palavra feminina pode estar implícita na frase. Ainda assim, deve-se
usar a crase.
Ex.: As notas dela foram melhores em comparação às dele.
Há nessa oração, a palavra “notas” implícita após a crase. Ela não aparece expressa
textualmente, pois no português tende-se a evitar as repetições desnecessárias, porém,
ainda assim, deve-se usar crase nesse caso.
A oração sem redução seria “As notas dela foram melhores em comparação às notas
dele”.

Emprego obrigatório
Segundo Celso Cunha (2010), há alguns casos que você precisa decorar em que o uso da crase
é obrigatório.
➢ Indicação e horas ou parte do dia.
Ex.: À noite, vou encontrar minhas amigas.
Minha aula começa às sete horas.
ATENÇÃO: Se na oração houver outra preposição, não será necessário o uso de crase.
Ex.: A consulta foi marcada para as 10h.
Artigo
Preposição “para”.

➢ Locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas.


Ex.: Eles se encontravam às escondidas. (locução adverbial de modo)
Ela estava à espera de um sinal. (locução prepositiva)
Ele ficava mais esperto à medida que crescia. (locução conjuntiva proporcional)

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Locução adverbial: termos compostos que caracterizam o verbo.


Ex.: à direita, à esquerda, às pressas, às claras, à tarde, à noite, etc.
Locução prepositiva: termos compostos que atuam como preposição.
Ex.: à custa de, à vista de, à exceção de, às expensas de, etc.
Locução conjuntiva: termos compostos que atuam como conjunção.
Ex.: à medida que, à proporção que, etc.
ATENÇÃO: a locução prepositiva “até a” pode receber crase quando seguida de palavra feminina.
Esse uso, porém, é facultativo, ou seja, com ou sem crase a escrita estará correta.
Ex.: Até à hora do fechamento da matéria, não havia esclarecimentos.
OU
Até a hora do fechamento da matéria, não havia esclarecimentos.

➢ Expressões claras ou subentendidas denotando modo ou maneira.


Ex.: Pedimos um bife à milanesa. (à moda de Milão)
Fez um gol à Pelé. (à maneira de Pelé).
ATENÇÃO: Um caso muito comum nas provas é o bife a cavalo. Nesse caso, não há crase. Para
saber disso, você precisaria saber da história da criação desse prato, pois aqui não há um “à
moda” implícito. Lembre-se desse caso para não fazer confusão.

Há alguns casos particulares, bastante pontuais, em que se usa crase. Não são tão
comuns nas provas de vestibular, mas caso queira se aprofundar no assunto, são esses os
casos:
- com a palavra “casa” quando seguida de complemento.
Ex.: Fui à casa de Maria.
- com a palavra “terra” quando seguida de especificação.
Ex.: Os colonizadores chegaram às terras brasileiras.
- com a palavra “distância” quando seguida de determinação.
Ex.: Estava à distância de dez metros.

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Emprego facultativo
Há, segundo Celso Cunha (2010), alguns casos que você precisa decorar em que o uso da crase é
facultativo.
➢ Nomes próprios.
Ex.: Ele contou a Maria o que tinha acontecido.
OU
Ele contou à Maria o que tinha acontecido.

➢ Pronomes possessivos.
Ex.: Não vou mais a sua festa.
OU
Não vou mais à sua festa.

Casos em que não ocorre


Celso Cunha (2010) lista, por fim, os casos básicos em que a crase não ocorre:
➢ Palavra masculina.
Ex.: Ele anda a cavalo, ela anda a pé.

➢ Palavras femininas no plural sem artigo.


Ex.: As pessoas têm resistência a mudanças.

➢ Artigos indefinidos.
Ex.: Foi a uma entrevista em uma grande empresa.

➢ Verbos.
Ex.: Ela se pôs a falar sem parar.

➢ Pronomes pessoais e de tratamento.


Ex.: Ela dava bons conselhos a si mesma, mas nunca os dava a você.

➢ Pronomes indefinidos.
Ex.: Não cheguei a nenhuma conclusão.

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➢ Pronomes demonstrativos “esta” e “essa”.


Ex.: Você só irá a essa festa?

➢ Pronomes relativos “quem” e “cujo”.


Ex.: Ela é a menina a quem me refiro, a cuja coragem devo minha vida.
➢ Palavras repetidas.
Ex.: Vamos conversar cara a cara.

Existência de palavra
Artigo definido A (s) feminina

Preposição A palavra regente


Pronome demonstrativo exigir o uso da
A A (s) Condições
básicas preposição “a”
+
Primeira letra de
pronome demonstrativo A palavra regida
AQUELE (a/s/as) admitir o artigo “a”

Indicação de horas ou parte do dia.

Locução adverbial, locução prepositiva e


Obrigatória locução conjuntiva.
Crase

Expressão clara ou subentendida de


modo/maneira.

Nomes próprios

Facultativa
Pronomes possessivos

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Veja como isso pode aparecer num vestibular:


(INSPER – 2013)
Bravo tatu-bola
Amijubi, Zuzeco e Fuleco. Qual desses nomes você mais deplora, despreza ou detesta? São
os inventados e propostos pela Fifa para designar o tatu-bola, que ela elegeu como mascote
da Copa de 2014 no Brasil. A Fifa os pôs em votação pela internet e espera que, até 25 de
novembro, um deles seja sacramentado pelo povo brasileiro.
Sacramento esse que nenhuma diferença fará __1__ Fifa. Qualquer nome lhe servirá,
desde que artificial - fora do dicionário -, ___2__ prova de prévio domínio alheio e que ela
possa registrar internacionalmente como propriedade industrial. (...)
__3__ ninguém espantou até agora que a Fifa terá se tornado proprietária de uma palavra
que, artificial ou não, pertence __4__ língua portuguesa. E nem surpreende que, tão ciosa de
seus direitos, ela só tenha se esquecido de consultar o principal interessado: o tatu-bola. Quem
pode garantir que ele gostará de ver seu bom nome ligado __5__ uma daquelas execráveis
alcunhas?
Seria divertido assistir __6__ Sociedade Protetora dos Animais, ao Partido Verde e a outras
instituições de defesa do ambiente, como representantes autorizados do tatu-bola, acionando
__7__ Fifa por injúria, abuso da imagem e exploração indevida.
(Adaptado: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/68298-bravo-tatu-bola.shtml)

O acento indicador de crase deve ser corretamente utilizado somente nas lacunas
a) 1, 3, 4.
b) 1, 2, 4, 6.
c) 2, 3, 5, 7.
d) 4, 5, 6.
e) 2 e 4.
Comentários: As lacunas devem ser preenchidas respectivamente:
1- “(...) nenhuma diferença fará à Fifa” (VTDI)
2- “Qualquer nome lhe servirá (...) à prova de prévio domínio alheio” (locução adverbial)
3- NADA
4- “(...) uma palavra que, artificial ou não, pertence à língua portuguesa” (VTI)
5- “ver seu bom nome ligado a uma daquelas (...)” (apenas preposição)
6- “Seria divertido assistir à Sociedade (...)” (VTI)
7- “acionando a Fifa por injúria” (VTD)
Gabarito: B

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Uma das maiores dúvidas dos alunos é o uso de crase para nome de cidades. Há uma
dica simples para saber quando usar a crase nessas situações:
Troque o verbo por “voltar”. Se a construção for com “da”, usa-se crase.
Ex.: Vou a Brasília – Volto de Brasília.
Vou à China – Volto da China.

Quando houver um termo especificando ou caracterizando a cidade, utiliza-se crase


também. A mesma dica funciona para comprovar essa afirmação.
Ex.: Viajei à Roma Antiga. – Voltei da Roma Antiga.

4.2 – FORMAS COMBINADAS


Além da crase, as preposições podem aparecer associadas a outras palavras de duas
maneiras: combinação e contração.

Combinação
Quando há a junção de dois termos sem que haja perda dos elementos fonéticos, ou seja,
sem que nenhum deles perca nenhuma parte do seu som, dizemos que ocorreu uma combinação.
Há poucos casos em que essencialmente diz-se que houve uma combinação da preposição A
+ palavra de outra classe. São eles:
- Preposição A + artigo definido:
- à (a + a)
- às (a + as)
- ao (a + o)
- a + os (aos)

- Preposição A + pronome demonstrativo


- àquele (a + aquele)
- àquela (a + aquela)
- àqueles (a + aqueles)
- àquelas (a + aquelas)

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- àquilo (a + aquilo)

- Preposição A + advérbio onde


- aonde (a + onde)

Art. definido Pronome Advérbio


demonstrativo

Preposição A à àquele aonde


às àquela
ao àqueles
a + os àquelas
àquilo

Contração
Já na contração, na junção dos dois termos há perda de algum dos elementos fonéticos A crase é
uma formação por contração. A contração pode acontecer quando uma preposição com uma
palavra de outra classe.

Contrações com preposição COM


A preposição COM pode contrair com artigo indefinido e pronome pessoal.

Art. indefinido Pronome pessoal

- cum - comigo
(com + um) (com + mim)
- contigo
(com + ti)
- consigo
(com + si)
- conosco
(com + nós)
- convosco
(com + vós)

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Contrações com preposição DE


A preposição COM pode contrair com advérbio, artigo definido, artigo indefinido, pronome
demonstrativo, pronome indefinido e pronome pessoal.

Advérbios Artigo Artigo Pronome Pronome Pronome


definido indefinido demonstrativo indefinido pessoal

- daqui - do - dum - deste - doutro - dele


(de + aqui) (de + o) (de + um) (de + este) (de + outro) (de + ele)
- daí - da - duns - desta - doutra - dela
(de + aí) (de + a) (de + uns) (de + esta) (de + outra) (de + ela)
- dali - dos - duma - destes - doutros - deles
(de + ali) (de + os) (de + uma) (de + estes) (de + outros) (de + eles)
- daquém - das - dumas - destas - doutras - delas
(de + aquém) (de + as) (de + umas) (de + estas) (de + outras) (de + elas)
- dalém - daquilo
(de + além) (de + aquilo)

- donde *o mesmo
(de + onde) ocorre com esse
(a) e aquele (a).

Contração com preposição EM


A preposição EM pode contrair com artigo definido, artigo indefinido, pronome
demonstrativo e pronome pessoal.

Artigo definido Artigo indefinido Pronome Pronome pessoal


demonstrativo

- no - num - neste - nele


(em + o) (em + um) (em + este) (em + ele)
- na - nuns - nesta - nela
(em + a) (em + uns) (em + esta) (em + ela)
- nos - numa - nestes - neles
(em + os) (em + uma) (em + estes) (em + eles)
- nas - numas - nestas - nelas
(em + as) (em + umas) (em + estas) (em + elas)
- naquilo
(em + aquilo)
*o mesmo ocorre com
esse (a) e aquele (a).

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Contração com preposição PARA


A preposição PARA pode contrair com artigo definido e artigo indefinido.

Artigo Artigo
definido indefinido

- pro - prum
(para + o) (para + um)
- pra - pruns
(para + a) (para + uns)
- pros - pruma
(para + os) (para + uma)
- pras - prumas
(para + as) (de + umas)

Contração com preposição POR

Art. definido

- pelo
(por + o)
- pela
(por + a)
- pelos
(por + os)
- pelas
(por + as)

Quadro resumo de combinações mais frequentes

+ advérbio + artigo + artigo + pronome + pronome + pronome


definido indefinido demonstrativo indefinido pessoal
Preposição aonde à – – –
A às
ao
aos
Preposição – – cum – – comigo
COM contigo
consigo
conosco
convosco
Preposição daqui do dum deste doutro dele
DE daí da duns desta doutra dela

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dali dos duma destes doutros deles


daquém das dumas destas doutras delas
dalém daquilo
donde
*o mesmo ocorre
com esse (a) e
aquele (a).
Preposição – no num neste – nele
EM na nuns nesta nela
nos numa nestes neles
nas numas nestas nelas
naquilo

*o mesmo ocorre
com esse (a) e
aquele (a).
Preposição – pro prum – – –
PARA pra pruns
pros pruma
pras prumas
Preposição – pelo – – – –
POR pela
pelos
pelas

5 – COLOCAÇÃO PRONOMINAL
A colocação pronominal é um tema que costuma causar muitas dúvidas. Antes de entrar nos
usos em si, é importante ter em mente que esse tópico se refere à colocação dos pronomes átonos.

Pronomes átonos são pronomes oblíquos não precedidos de preposição.

Pronomes átonos

1ª pessoa do singular – EU me
2ª pessoa do singular – TU te
3ª pessoa do singular – ELE / ELA se, o, a, lhe

1ª pessoa do plural – NÓS nos


2ª pessoa do plural – VÓS vos
3ª pessoa do plural – ELES / ELAS se, os, as, lhes

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Por vezes, os pronomes oblíquos o/a, os/as podem sofrer uma modificação em função do som:
- Quando precedidos de verbo terminado em r, s e z se tornam lo/la, los/las:
amar + o = amá-lo
vimos + as = vimo-las
fez + os = fê-los
- Quando precedidos de som nasal, se tornam no/na, nos/nas:
põe + os = põe-nos
viram + os = viram-no

Apesar de menos cobrado na forma de questões de múltipla escolha, é bastante importante em


duas situações:
➢ Redação: é um item observado na avaliação da escrita do aluno. A colocação
pronominal correta deixa o texto mais fluido, interfere na sonoridade e elimina
ambiguidades.
➢ Análise sintática: na hora de responder questões de múltipla escolha sobre funções
sintáticas, a colocação pronominal pode ser essencial. Veremos melhor esse assunto nas
próximas aulas.

Em relação ao verbo, o pronome pode estar antes dele, depois dele ou até mesmo no meio dele.
Cada um desses casos possui um nome:

Próclise

• O pronome átono proclítico é o que está antes do verbo.


• Ex.: Eu lhe contei uma história.

Ênclise

• O pronome átono enclítico é o que está depois do verbo.


• Ex.: Contei-lhe uma história.

Mesóclise

• O pronome átono mesoclítico está no meio do verbo, ou seja o verbo é


quebrado ao meio para encaixar um pronome.
• Ex.: Contar-lhe-ei uma história.

Vamos ver agora as principais situações em que se usam esses casos. Você verá que muitas
dessas construções soam estranhas para nós, pois são pouco comuns na oralidade. Mesmo assim, é
preciso aprendê-las, pois a escrita não corresponde necessariamente à fala.

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5.1 – PRÓCLISE
O principal a se lembrar quanto à próclise é que algumas palavras atraem o pronome átono.
Veja alguns casos mais comuns:

Palavra negativa
Ex.: Não o amo.
➢ Aqui é especialmente uma questão de som da palavra. Se o pronome não estivesse
antes do verbo, o som seria muito desagradável (Não amo ele).
Outros exemplos:
Nunca a vi.
Ninguém te podia explicar.

Pronome relativo
Ex.: Foi ele quem me disse.
➢ Pronomes em geral são palavras com muita força. Eles tendem a atrair os pronomes
átonos para perto de si.
Outros exemplos:
Era ele que te mandava as mensagens.
Não sei onde me esconder.

Pronome interrogativo
Ex.: Quem me chama a essa hora?
➢ Não se esqueça que pronomes interrogativos também aparecem em perguntas
indiretas (Ela perguntou quem a chamaria.)
➢ Mesmo em construções verbais com locução verbal, o pronome átono precede a
construção.
Outros exemplos:
Porque lhe trouxeram aqui?
Qual mal me poderia atingir?

Pronome indefinido
Ex.: Alguém lhe contou isso.
➢ Numerais com traço indefinido (como “ambos”) também se constroem com próclise.
Outros exemplos:

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Ambos se preocuparam com as notas.


Tudo se resolveu.

Palavra exclamativa
Ex.: Que Deus nos abençoe.
➢ Palavras exclamativas são aquelas que expressam desejos.
➢ Orações exclamativas também se constroem com próclise.
Outros exemplos:
Bons ventos o trazem aqui!
Espero que ele lhe diga a verdade.

Preposição em + gerúndio
Ex.: Ele é o especialista em se tratando de física.
➢ Os outros usos do gerúndio são construídos com ênclise (Atendendo-se as
expectativas, serei promovido).
Outros exemplos:
Ela tem muita dificuldade em se tratando de português.
Em se tratando de trabalho, estou sempre disposto.

Advérbio
Ex.: Talvez me chamem hoje para a entrevista.
➢ Lembre-se que advérbios podem ser palavras que denotam circunstâncias de
afirmação, dúvida, intensidade, lugar, modo, tempo, entre outros.
Outros exemplos:
Hoje lhe pedirei em namoro.
Ali se come bem.

Conjunção de subordinação
Ex.: Ele ficou feliz quando lhe contaram isso.
➢ Esse ponto ficará mais claro a partir da aula de análise sintática. Por ora, apenas se
lembre que uma relação de subordinação é uma relação de dependência, ou seja, uma
oração depende de outra para fazer sentido.
Outros exemplos:
Prefiro que me avise por e-mail.

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Não sei se te contei a novidade.

5.2 – ÊNCLISE
Na norma culta, convencionou-se que não é possível iniciar períodos com pronome átono.
Portanto, em construções no começo do período, usa-se a ênclise.

Conjunção de coordenação
Ex.: Chegou em casa e contou-me sobre seu dia.
➢ Perceba que, assim como há palavras que atraem o pronome, outras repelem. Esse é
o caso das conjunções de coordenação.
Outros exemplos:
Disse que me ajudaria, mas abandonou-me.
Ora ficava quieto, ora falava-me absurdos.

Gerúndio
Ex.: Saiu esquecendo-se do livro.
➢ O único caso em que o gerúndio não se constrói com ênclise é o citado no item 4.1:
quando precedido de “em” (Em se tratando de português).
Outros exemplos:
Ele pediu desculpas ligando-me mais tarde.
Ele ia confundindo-me com as palavras.

Imperativo afirmativo
Ex.: João, sente-se imediatamente.
➢ É importante lembrar que não se inicia períodos com pronome átono (Se sente
imediatamente, João). Portanto, com ou sem algum termo anterior, a construção aqui é
sempre enclítica.
➢ Essa construção é específica do imperativo afirmativo, pois palavras negativas têm
mais força e, portanto, atraem o pronome (João, não se sente).
Outros exemplos:
Ligue-me assim que puder.
Dê-me o livro.

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Infinitivo pessoal
Ex.: Ligaram-se ontem pela manhã.
➢ Não se esqueça que o infinitivo pessoal é aquele que permite flexão do verbo.
Outros exemplos:
Prometeram amarem-se para sempre.
Ele vivia a interromper-me.

5.3 – MESÓCLISE
A mesóclise só é utilizada para construções no futuro do presente ou futuro do pretérito,
ambos do indicativo.

Futuro do presente
Ex.: Amar-te-ei para sempre.
O verbo “amar” na primeira pessoa do futuro do presente se conjuga “amarei”

Futuro do pretérito
Ex.: Amar-te-ia para sempre.
O verbo “amar” na primeira pessoa do futuro do pretérito se conjuga “amaria”

- Lembre-se que palavras negativas atraem o pronome. Portanto, mesmo que os verbos
estejam no futuro do presente ou no futuro do pretérito, se forem acompanhados de
palavra negativa, serão escritos em próclise.

Ex.: Não te amarei para sempre.

- Perceba que utilizamos exemplos tanto de verbos simples quanto de locuções verbais. Os
usos são semelhantes independente da construção.

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Palavra Negativa

Pronome Relativo

Pronome
interrogativo

Próclise Pronome indefinido

Palavra / oração
exclamativa

Advérbio

Conjunção de
Subordinação

Conjunção de
Colocação de Coordenação
Pronomes
Gerúndio

Ênclise
Imperativo
Afirmativo

Infinitivo pessoal

Futuro do presente

Mesóclise
Futuro do Pretérito

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Veja como isso pode aparecer num vestibular:


(UNIFESP 2015)

Explicitando-se os complementos dos verbos em “Eu cuido, eu respeito.”, obtém-se, em


conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa:
a) Eu a cuido, eu respeito-lhe.
b) Eu cuido dela, eu lhe respeito.
c) Eu cuido dela, eu a respeito.
d) Eu lhe cuido e respeito.
e) Eu cuido e respeito-lhe.
Comentários: O verbo “cuidar” exige, nesse caso, preposição “de”. Portanto, é preciso que se
combine “de + ela” para criar o complemento.
Já em “respeitar”, dispensa-se o uso da preposição. Nesse caso, portanto, a única alternativa
correta é a C.
Gabarito: C

6 – QUESTÕES
Antes de começar as questões, alguns avisos:
➢ O significado dos conectivos é um dos assuntos mais importantes de gramática para o
vestibular do ITA. A maioria das questões de gramática envolvem saber o valor dos
conectivos, mais do que nomes técnicos. Por isso, se dedique MUITO a esse tópico. Você verá
que há muitos exercícios sobre isso nessa lista.
➢ Em contrapartida, a crase, um assunto tão temido pelos alunos há dez anos não cai no ITA!
Porque é importante fazer exercícios de crase então? Porque na redação é um tópico que
causa muitos problemas. A maioria das pessoas tem dificuldade no uso cotidiano da crase.
Por isso, pratique nos exercícios para que na hora da produção textual você não se confunda.

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➢ O mesmo vale para regência, concordância e colocação de pronomes. Apesar de aparecer


pouco nas questões de múltipla escolha, na redação podem causar problemas. Praticar nos
exercícios de múltipla escolha é um modo de fixar seu uso.

Vamos lá?

6.1 – LISTA DE QUESTÕES


1. (ITA – 2019)
Em frente da minha casa existe um muro enorme, todo branco. No Facebook, uma
postagem me chama atenção: é um muro virtual e a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase
que vier à cabeça. Não quero pichar o mundo virtual, quero um muro de verdade, igual a este
de frente para a minha casa. Pelas ruas e avenidas, vou trombando nos muros espalhados pelos
quarteirões, repletos de frases tolas, xingamentos e erros de português. Eu bem poderia
modificar isso.
“O caminho se faz caminhando”, essa frase genial, tão forte e certeira do poeta espanhol
Antonio Machado, merece aparecer em diversos muros. Basta pensar um pouco e imaginar;
de fato, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.
De repente, vejo um prédio inteiro marcado por riscos sem sentido e me calo. Fui tentar
entender e não me faltaram explicações: é grafite, é tribal, coisas de difícil compreensão. As
explicações prosseguem: grafite é arte, pichar é vandalismo. O pequeno vândalo escondido
dentro de mim busca frases na memória e, então, sinto até o cheiro da lama de Woodstock em
letras garrafais: “Não importam os motivos da guerra, a paz é muito mais importante”.
Feito uma folha deslizando pelas águas correntes do rio me surge a imagem de John
Lennon; junto dela, outra frase: “O sonho não acabou”, um tanto modificada pela minha mão,
tornando-se: o sonho nunca acaba. E minha cabeça já se transforma num muro todo branco.
Desde os primórdios dos tempos, usamos a escrita como forma de expressão, os homens
das cavernas deixaram pichados nas rochas diversos sinais. Num ato impulsivo, comprei uma
tinta spray, atravessei a rua chacoalhando a lata e assim prossegui até chegar à minha sala,
abraçado pela ansiedade aumentada a cada passo. Coloquei o dedo no gatilho do spray e fiquei
respirando fundo, juntando coragem e na mente desenhando a primeira frase para pichar, um
tipo de lema, aquela do Lô Borges: “Os sonhos não envelhecem” – percebo, num sorrir de
canto de boca, o quanto os sonhos marcam a minha existência.
Depois arriscaria uma frase que criei e gosto: “A lagarta nunca pensou em voar, mas daí,
no espanto da metamorfose, lhe nasceram asas...”. Ou outra, completamente tola, me ocorreu
depois de assistir a um documentário, convencido de que o panda é um bicho cativante, mas
vive distante daqui e sua agonia não é menor das dos nossos bichos. Assim pensando, as letras
duma nova pichação se formaram num estalo: “Esqueçam os pandas, salvem as jaguatiricas!”.
No muro do cemitério, escreveria outra frase que gosto: “Em longo prazo estaremos todos
mortos”, do John Keynes, que trago comigo desde os tempos da faculdade. Frases de túmulos
ganhariam os muros; no de Salvador Allende está consagrado, de autoria desconhecida:

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“Alguns anos de sombras não nos tornarão cegos.” Sempre apegado aos sonhos, picharia
também uma do Charles Chaplin: “Nunca abandone os seus sonhos, porque se um dia eles se
forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir”.
Claro, eu poderia escrever essas frases num livro, num caderno ou no papel amassado que
embrulha o pão da manhã, mas o muro me cativa, porque está ao alcance das vistas de todos
e quero gritar para o mundo as frases que gosto; são tantas, até temo que me faltem os muros.
Poderia passar o dia todo pichando frases, as linhas vão se acabando e ainda tenho tanto a
pichar... “É preciso muito tempo para se tornar jovem”, de Picasso, “Há um certo prazer na
loucura que só um louco conhece”, de Neruda, “Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me
bem devagarzinho”, cravada por Mário Quintana...
Encerro com Nietzsche: “Isto é um sonho, bem sei, mas quero continuar a sonhar”, que
serve para exemplificar o que sinto neste momento, aqui na minha sala, escrevendo no
computador o que gostaria de jogar nos muros lá fora, a custo me mantendo calmo, um olho
na tela, outro voltado para o lado oposto da rua. Lá tem aquele muro enorme, branco e virgem,
clamando por frases. Não sei quanto tempo resistirei até puxar o gatilho do spray.
Adaptado de: ALVEZ, A. L. Um muro para pichar. Correio do Estado, fev 2018. Disponível em
Acesso em: ago. 2018.
Por ser uma crônica, o texto apresenta formas coloquiais, que por vezes distanciam o texto da
norma padrão da língua portuguesa. Assinale a alternativa em que ocorre desvio da norma
culta.
a) Fui tentar entender e não me faltaram explicações: é grafite, é tribal, coisas de difícil
compreensão.
b) O pequeno vândalo escondido dentro de mim busca frases na memória e, então, sinto até
o cheiro ........da lama de Woodstock [...]
c) Depois arriscaria uma frase que criei e gosto [...]
d) Desde os primórdios dos tempos, usamos a escrita como forma de expressão [...]
e) Poderia passar o dia todo pichando frases, as linhas vão se acabando e ainda tenho tanto a
........pichar...

2. (ITA - 2017)

http://2.bp.blogspot.com/_wBWh8NQAZ78/TBWEMQ8147I/
AAAAAAAAACE/zmfW9c8uAKk/s1600/Tirinha_Sensacionalismo.jpg.
(Acesso em 12/05/2016)

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Os dois primeiros quadros da tirinha criam no leitor uma expectativa de desfecho que não se
concretiza, gerando daí o efeito de humor. Nesse contexto, a conjunção e estabelece a relação
de
a) conclusão.
b) explicação.
c) oposição.
d) consequência.
e) alternância.

3. (ITA -2016 adaptada)


Observe o trecho do texto “Diploma não é solução”:
O diploma era mais que garantia de emprego. Era um atestado de nobreza. Quem tirava
diploma não precisava trabalhar com as mãos, como os mecânicos, pedreiros e carpinteiros,
que tinham mãos rudes e sujas.
Para provar para todo mundo que não trabalhavam com as mãos, os diplomados tratavam
de pôr no dedo um anel com pedra colorida. Havia pedras para todas as profissões: médicos,
advogados, músicos, engenheiros. Até os bispos tinham suas pedras.
(Rubem Alves. Diploma não é solução,
Folha de S. Paulo, 25/05/2004.)

No trecho “Até os bispos tinham suas pedras.”, a palavra sublinhada expressa ideia de
a) inclusão.
b) tempo.
c) modo.
d) quantidade.
e) qualidade.

4. (ITA – 2015)
Leia os dois excertos de entrevistas com dois africanos de Guiné-Bissau, que foram
universitários no Brasil nos anos 1980.
Excerto 1: Para muitas pessoas, mesmo professores universitários, a África era um país. “Ah,
você veio de onde? Da África?” “Sim, da Guiné-Bissau.” “Ah, Guiné-Bissau, região da África.”
Quer dizer, Guiné-Bissau pra eles é como Brasil, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro.
Excerto 2: Porque a novela passa tudo de bom, o pobre vive bem, né? Mesmo dentro da favela,
você vê aquela casa bonitinha, tal. Então tinha uma ideia, eu, pelo menos, tinha uma ideia de
um Brasil... quer dizer, fantástico!

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(Extraídos do curta-metragem Identidades em trânsito, de


Daniele Ellery e Márcio Câmara. Disponível em: http://portacurtas.org.br)

No Excerto 1, a expressão quer dizer introduz uma


a) descrição.
b) explicação.
c) repetição.
d) enumeração.
e) delimitação.

5. (ITA – 2013)
Nove em cada dez usuários de Internet recebem spams em seus e-mails corporativos,
segundo estudo realizado pela empresa alemã Antispameurope, especializada em lixo
eletrônico virtual. Cada trabalhador perde, em média, sete minutos por dia limpando a caixa
de mensagens, e essa quebra na produtividade custa € 828 – pouco mais de R$ 2,3 mil – anuais
às empresas.
Tomando-se como base os números apontados pela pesquisa, uma corporação de médio
porte, com mil funcionários, perde, portanto, € 828 mil por ano – ou R$ 2,3 milhões –com esta
prática que é considerada, apesar de simplória, uma verdadeira praga da modernidade.
O spam remete às mensagens não-solicitadas enviadas em massa, geralmente utilizadas
para fins comerciais, e pode de fato prejudicar consideravelmente a produtividade no
ambiente de trabalho.
Um relatório da Symantec, empresa de segurança virtual, mostra que o Brasil é o segundo
maior emissor de spam do mundo, com geração de 10% de todo o fluxo de mensagens
indesejadas na rede mundial de computadores. Os campeões são os norte-americanos, com
26%. [...]
(Rodrigo Capelo. http://www.vocecommaistempo.com.br.
Acesso em: 23/09/2012. Texto adaptado.)
A expressão “apesar de simplória” no segundo parágrafo pode ser substituída por
a) embora efêmera.
b) no entanto fácil.
c) não obstante comum.
d) ainda que pouco complexa.
e) todavia rápida.

6. (ITA – 2011)

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Véspera de um dos muitos feriados em 2009 e a insana tarefa de mover-se de um bairro a


outro em São Paulo para uma reunião de trabalho. Claro que a cidade já tinha travado no meio
da tarde. De táxi, pagaria uma fortuna para ficar parada e chegar atrasada, pois até as vias
alternativas que os taxistas conhecem estavam entupidas. De ônibus, nem o corredor
funcionaria, tomado pela fila dos mastodônticos veículos. Uma dádiva: eu não estava de carro.
Com as pernas livres dos pedais do automóvel e um sapato baixo, nada como viver a liberdade
de andar a pé. Carro já foi sinônimo de liberdade, mas não contava com o congestionamento.
Liberdade de verdade é trafegar entre os carros, e mesmo sem apostar corrida, observar
que o automóvel na rua anda à mesma velocidade média que você na calçada. É quase como
flanar. Sei, como motorista, que o mais irritante do trânsito é quando o pedestre naturalmente
te ultrapassa. Enquanto você, no carro, gasta dinheiro para encher o ar de poluentes,
esquentar o planeta e chegar atrasado às reuniões. E ainda há quem pegue congestionamento
para andar de esteira na academia de ginástica.
Do Itaim ao Jardim Paulista, meia horinha de caminhada. Deu para ver que a Avenida Nove
de Julho está cheia de mudas crescidas de pau-brasil. E mais uma porção de cenas que só
andando a pé se pode observar. Até chegar ao compromisso pontualmente.
Claro que há pedras no meio do caminho dos pedestres, e muitas. Já foram inclusive objeto
de teses acadêmicas. Uma delas, Andar a pé: um modo de transporte para a cidade de São
Paulo, de Maria Ermelina Brosch Malatesta, sustenta que, apesar de ser a saída mais utilizada
pela população nas atuais condições de esgotamento dos sistemas de mobilidade, o modo de
transporte a pé é tratado de forma inadequada pelos responsáveis por administrar e planejar
o município.
As maiores reclamações de quem usa o mais simples e barato meio de locomoção são os
"obstáculos" que aparecem pelo caminho: bancas de camelôs, bancas de jornal, lixeira, postes.
Além das calçadas estreitas, com buracos, degraus, desníveis. E o estacionamento de veículos
nas calçadas, mais a entrada e a saída em guias rebaixadas, aponta o estudo.
Sem falar nas estatísticas: atropelamentos correspondem a 14% dos acidentes de trânsito.
Se o acidente envolve vítimas fatais, o percentual sobe para nada menos que 50% – o que
atesta a falta de investimento público no transporte a pé.
Na Região Metropolitana de São Paulo, as viagens a pé, com extensão mínima de 500
metros, correspondem a 34% do total de viagens. Percentual parecido com o de Londres, de
33%. Somadas aos 32% das viagens realizadas por transporte coletivo,que são iniciadas e
concluídas por uma viagem a pé, perfazem o total de 66% das viagens! Um número bem
desproporcional ao espaço destinado aos pedestres e ao investimento público destinado a
eles, especialmente em uma cidade como São Paulo, onde o transporte individual motorizado
tem a primazia.
A locomoção a pé acontece tanto nos locais de maior densidade –caso da área central,
com registro de dois milhões de viagens a pé por dia –, como nas regiões mais distantes, onde
são maiores as deficiências de transporte motorizado e o perfil de renda é menor. A maior
parte das pessoas que andam a pé tem poder aquisitivo mais baixo. Elas buscam alternativas
para enfrentar a condução cara, desconfortável ou lotada, o ponto de ônibus ou estação
distantes, a demora para a condução passar e a viagem demorada.

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Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jardins, por exemplo, é fácil ver carrões que
saem das garagens para ir de uma esquina a outra e disputar improváveis vagas de
estacionamento. A ideia é manter-se fechado em shoppings, boutiques, clubes, academias de
ginástica, escolas, escritórios, porque o ambiente lá fora – o nosso meio ambiente urbano –
dizem que é muito perigoso.
(Amália Safatle. http://terramagazine.terra.com.br, 15/07/2009. Adaptado.)

Assinale a opção em que o termo grifado NÃO indica a circunstância mencionada entre
parênteses.
a) [...] pois até as vias alternativas que os taxistas conhecem estavam entupidas. (Causa)
b) Já foram inclusive objeto de teses acadêmicas. (Tempo)
c) [...] apesar de ser a saída mais utilizada pela população [...]. (Concessão)
d) Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jardins, por exemplo, [...]. (Tempo)
e) [...] porque o ambiente lá fora – o nosso meio ambiente urbano – dizem que é muito
perigoso. (Causa)

7. (ITA – 2010 adaptada)


Indique a opção em que o MAS tem função aditiva.

a) Atenção: na minha coluna não usei “careta” como quadrado, estreito, alienado,
fiscalizador e moralista, mas humano, aberto, atento, cuidadoso.
b) Não apenas no sentido econômico, mas emocional e psíquico: os sem autoestima, sem
amor, sem sentido de vida, sem esperança e sem projetos.
c) Não solto, não desorientado e desamparado, mas amado com verdade e sensatez.
d) [...] (não me refiro a nomes importantes, mas a seres humanos confiáveis) [...].
e) Pois, na hora da angústia, não são os amiguinhos que vão orientá-los e ampará-los, mas o
pai e a mãe – se tiverem cacife.

8. (ITA - 2008)
Observe o emprego da partícula se, em destaque, nos excertos abaixo:

I. Se no poema é assim, imagina numa partida de futebol, que envolve 22 jogadores se


movendo num campo de amplas dimensões. (linhas 09 e 10)
II. Se é verdade que eles jogam conforme esquemas de marcação e ataque, seguindo a
orientação do técnico, deve-se no entanto levar em conta que cada jogador tem sua percepção

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da jogada e decide deslocar-se nesta ou naquela direção, ou manter-se parado, certo de que
a bola chegará a seus pés. (linhas 10 a 13)
III. De fato, se o jogador não estiver psicologicamente preparado para vencer, não dará o
melhor de si. (linhas 50 e 51)

A partícula se estabelece uma relação de implicação em


a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
e) apenas II e III.

9. (ITA - 2008)
1
Com um pouco de exagero, costumo dizer que todo jogo é de azar. Falo assim referindo-
me ao futebol que, ao contrário da roleta ou da loteria, implica tática e estratégia, sem falar
no principal, que é o talento e a habilidade dos jogadores. Apesar disso, não consegue eliminar
o azar, isto é, o acaso.
5
E já que falamos em acaso, vale lembrar que, em francês, “acaso” escreve-se “hasard”,
como no célebre verso de Mallarmé, que diz: “um lance de dados jamais eliminará o acaso”.
Ele está, no fundo, referindo-se ao fazer do poema que, em que pese a mestria e lucidez do
poeta, está ainda assim sujeito ao azar, ou seja, ao acaso.
Se no poema é assim, imagina numa partida de futebol, que envolve 22 jogadores se
10
movendo num campo de amplas dimensões. Se é verdade que eles jogam conforme
esquemas de marcação e ataque, seguindo a orientação do técnico, deve-se no entanto levar
em conta que cada jogador tem sua percepção da jogada e decide deslocar-se nesta ou
naquela direção, ou manter-se parado, certo de que a bola chegará a seus pés. Nada disso se
pode prever, daí resultando um alto índice de probabilidades, ou seja, de ocorrências
15
imprevisíveis e que, portanto, escapam ao controle.
Tomemos, como exemplo, um lance que quase sempre implica perigo de gol: o tiro de
canto. Não é à toa que, quando se cria essa situação, os jogadores da defesa se afligem em
anular as possibilidades que têm os adversários de fazerem o gol. Sentem-se ao sabor do acaso,
da imprevisibilidade. O time adversário desloca para a área do que sofre 20o tiro de canto seus
jogadores mais altos e, por isso mesmo, treinados para cabecear para dentro do gol. Isto reduz
o grau de imprevisibilidade por aumentar as possibilidades do time atacante de aproveitar em
seu favor o tiro de canto e fazer o gol. Nessa mesma medida, crescem, para a defesa, as
dificuldades de evitar o pior. Mas nada disso consegue eliminar o acaso, uma vez que o batedor
do escanteio, por mais exímio que 25seja, não pode com precisão absoluta lançar a bola na
cabeça de determinado jogador. Além do mais, a inquietação ali na área é grande, todos os
jogadores se movimentam, uns tentando escapar à marcação, outros procurando marcá-los.
Essa movimentação, multiplicada pelo número de jogadores que se movem, aumenta

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fantasticamente o grau de imprevisibilidade do que ocorrerá quando a bola for lançada. A que
altura chegará 30ali? Qual jogador estará, naquele instante, em posição propícia para cabeceá-
la, seja para dentro do gol, seja para longe dele? Não existe treinamento tático, posição
privilegiada, nada que torne previsível o desfecho do tiro de canto. A bola pode cair ao alcance
deste ou daquele jogador e, dependendo da sorte, será gol ou não.
Não quero dizer com isso que o resultado das partidas de futebol seja apenas fruto 35do
acaso, mas a verdade é que, sem um pouco de sorte, neste campo, como em outros, não se
vai muito longe; jogadores, técnicos e torcedores sabem disso, tanto que todos querem se
livrar do chamado “pé frio”. Como não pretendo passar por supersticioso, evito aderir
abertamente a essa tese, mas quando vejo, durante uma partida, meu time perder “gols
feitos”, nasce-me o desagradável temor de que aquele não é um bom dia 40para nós e de que
a derrota é certa.
Que eu, mero torcedor, pense assim, é compreensível, mas que dizer de técnicos de
futebol que vivem de terço na mão e medalhas de santos sob a camisa e que, em face de cada
lance decisivo, as puxam para fora, as beijam e murmuram orações? Isso para não falar nos
que consultam pais-de-santo e pagam promessas a Iemanjá. É como se dissessem: 45treino os
jogadores, traço o esquema de jogo, armo jogadas, mas, independentemente disso, existem
forças imponderáveis que só obedecem aos santos e pais-de-santo; são as forças do acaso.
Mas não se pode descartar o fator psicológico que, como se sabe, atua sobre os jogadores
de qualquer esporte; tanto isso é certo que, hoje, entre os preparadores 50das equipes há
sempre um psicólogo. De fato, se o jogador não estiver psicologicamente preparado para
vencer, não dará o melhor de si.
Exemplifico essa crença na psicologia com a história de um técnico inglês que, num jogo
decisivo da Copa da Europa, teve um de seus jogadores machucado. Não era um craque, mas
sua perda desfalcaria o time. O médico da equipe, depois de atender o 55jogador, disse ao
técnico: “Ele já voltou a si do desmaio, mas não sabe quem é”. E o técnico: “Ótimo! Diga que
ele é o Pelé e que volte para o campo imediatamente”.
(Ferreira Gullar. Jogos de azar. Em: Folha de S. Paulo, 24/06/2007.)
OBS: os números elevados ao longo do texto representam a numeração de linhas original da
prova.

No penúltimo parágrafo, a conjunção mas (linha 48) estabelece com os demais argumentos do
texto uma relação de
a) restrição.
b) adversidade.
c) atenuação.
d) adição.
e) retificação.

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10. (ITA - 2002)


Assinale a frase em que o acento indicativo de crase foi mal empregado:
a) Chegou à uma hora, pontualmente.
b) Os pescadores pegaram o peixe à unha.
c) Saída de veículos à 200 metros.
d) Sua simpatia pelo governo cubano levou-o a vestir-se à Fidel.
e) O horário estabelecido para visitas era das 14 às 16 horas.

11. (IME 2018)


DAS VANTAGENS DE SER BOBO
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O
bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não
faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando.".
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair
por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão
sempre tão atentos ____ espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os
veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo
nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
____ desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um
desconhecido para ____ compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o
aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai
a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico,
a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo:
mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não
desconfiar, e portanto estar tranquilo, enquanto o esperto não dorme à noite com medo de
ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de
quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a
célebre frase: "Até tu, Brutus?".
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido
esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo
é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem
passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam
que saibam que eles sabem.

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Há lugares que facilitam mais ____ pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro,
com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não
nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível
evitar o excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E
só o amor faz o bobo.
LISPECTOR, Clarice. Das vantagens de ser bobo. Disponível em:
http://www.revistapazes.com/das-vantagens-de-ser-bobo/. Acesso em 10 de maio de 2017.
Originalmente publicado no Jornal do Brasil em 12 de setembro de 1970.

Marque a opção que completa corretamente os claros encontrados no texto, abaixo


destacados:
Os espertos estão sempre tão atentos ____ espertezas alheias (linhas 6 e 7);
____ desvantagem, obviamente (linha 10);
confiou na palavra de um desconhecido para ____ compra de um ar refrigerado de segunda
mão (linhas 10 e 11);
Há lugares que facilitam mais ____ pessoas serem bobas (linha 29).
a) às – Há – a – às
b) as – A – à – as
c) às – Há – a – as
d) às – A – a – às
e) as – A – à – às

12. (IME – 2011 adaptada)


Assinale a alternativa em que a análise da relação de sentido expressa pelo elo coesivo
destacado em negrito está EQUIVOCADA.
a) “O resultado será o mesmo em qualquer mensuração, desde que se use um relógio
preciso”.
Relação de condição: apresenta uma condição relativamente ao que se afirma na oração
anterior.
b) “O tempo é independente e completamente separado do espaço. Isso é no que a maioria
das pessoas acredita; é o consenso. Entretanto, tivemos que mudar nossas ideias sobre espaço
e tempo”.
Relação de oposição: apresenta uma argumentação contrária ao que foi dito antes.
c) “Ainda que nossas noções, aparentemente comuns, funcionem a contento quando
lidamos com maçãs ou planetas, que se deslocam comparativamente mais devagar, não
funcionam absolutamente para objetos que se movam à velocidade da luz, ou em velocidade
próxima a ela”.

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Relação de concessão: introduz uma ideia de quebra de uma expectativa em relação ao que
se espera.
d) “Ele mostrou que o conceito de éter era desnecessário, uma vez que se estava querendo
abandonar o de tempo absoluto”.
Ligação de alternância: introduz uma oração cujo conteúdo exclui o conteúdo da outra.
e) “Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui,
nem muda de direção. Portanto o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer
força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme”.
Ligação conclusiva: introduz uma conclusão relativamente ao enunciado anterior.

13. (IME – 2009)


Observe os trechos abaixo:
I. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910.
(Texto 1, ref. 5)
II. Parte da família deixava o país como “dekassegui”, enquanto a outra permanecia para
prosseguir os estudos ou os negócios da família. (Texto 1, ref. 20 - 25)
III. Nesta cidade, que já era plural, ... (Texto 2, ref. 10)
IV. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam
comparecer à cerimônia na Igreja, ... (Texto 2, ref. 30)

Indique o item que esclarece a intenção de cada trecho destacado nas frases I, II, III e IV,
respectivamente.
a) Contrariedade; simultaneidade; explicação; explicação.
b) Tempo; concessão; consequência; condição.
c) Explicação; tempo; tempo; explicação.
d) Contrariedade; concomitância; restrição; finalidade.
e) Contraste; comparação; explicação; finalidade.

14. (IME - 2009)


De acordo com a norma culta da nossa língua, que período pode ser considerado correto?
a) A imigração obedece a regras restritas em todos os países.
b) Não conseguindo salvar minha família, preferia à morte.
c) Informei-lhe de todas as opiniões.
d) Muitos japoneses preferiam mais o trabalho em terras estrangeiras do que a pobreza em
seu país.

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e) Esquecia sempre dos compromissos de campanha.

15. (IME - 2008)


Empresa produz biodiesel com sobra de óleo de dendê
Depois de mais de duas décadas produzindo óleo de dendê, conhecido como azeite-de-
dendê, há dois anos, foi descoberto que se poderia obter economia, gerar negócio e diminuir
a poluição atmosférica, simplesmente utilizando-se as sementes do dendê não 5apropriadas
para o consumo humano, que antes eram descartadas. Esta sobra da produção do óleo, em
vez de ir para o lixo, agora é transformada em biodiesel.
O combustível renovável foi batizado de palmdiesel e, para obtê-lo, cerca de 95% dos
ácidos graxos do óleo de dendê são 10aproveitados. O biodiesel é isento de glicerina e custa
muito menos que o combustível fóssil, além de ter o mesmo rendimento.
Hoje, entre todas as matérias-primas cotadas para a produção de biodiesel no Brasil, o
dendê é a que mais produz óleo por área plantada. Para se ter uma ideia, um hectare de dendê
pode 15produzir de 20 até 30 toneladas de cachos. O dendezeiro é a oleaginosa de maior
produtividade conhecida, além de fornecer o óleo mais consumido no mundo. Por este e
outros motivos, o cultivo do dendê constitui uma alternativa viável e rentável para a
recuperação de áreas alteradas, além de ser uma cultura 20extremamente versátil, sendo dela
aproveitados os óleos da semente (óleo de dendê) e do mesocarpo (óleo de palmiste), os
cachos e os resíduos do processo de extração de óleo (glicerina).
Atualmente, está entre as principais oleaginosas para produção de biodiesel. No Pará, a
matéria-prima não falta. O estado 25é o maior produtor de dendê do Brasil, além de possuir
cinco milhões de hectares aptos à cultura. Neste estado, a totalidade de áreas ou zonas
classificadas como de alta e média potencialidades correspondem aproximadamente a 23,7%
do território paraense. Essas áreas têm condições de produzir dendê para absorver grandes
30demandas internas e externas, o que tornaria o Estado do Pará (e o Brasil), no ranking
mundial, o maior produtor e exportador de óleo de dendê do mundo.
PEDROZO, Soraia Abreu. Empresa produz biodiesel com sobra de óleo de dendê. Disponível
em <http//www.biodiesel com. Acesso em 11 ago 2007. (com adaptações)

Os fragmentos a seguir, retirados da internet (www.sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br),


foram adaptados. Leia-os atentamente e marque a alternativa que se encontra totalmente de
acordo com as regras gramaticais da língua portuguesa.
a) O gerenciamento eficiente e o uso de tecnologias, visando reduzir custos e aumentar
produtividade passam, a ter especial importância para produtores participarem em mercados
cada vez mais globalizados e competitivos.
b) A Embrapa Uva e Vinho, em cumprimento de sua missão institucional e em consonância
com as ações de transferência tecnológica da Empresa, vem disponibilizando, desde 2003,
informações sistematizadas e atualizadas sobre produtos e processos relativos a cadeia
produtiva da uva, do vinho e das frutas de clima temperado.

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c) O sisal (Agave sisalana) é a principal fonte de extração de fibras duras vegetais do mundo.
No Brasil, o seu cultivo ocupa uma extensa área de solos pobres na região semiárida dos
estados da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, ou seja, em regiões com escasses para
exploração de outras culturas.
d) O Brasil é o sexto maior produtor de leite do mundo e cresce a uma taxa anual de 4%,
superior à de todos os países que ocupam os primeiros lugares. Respondemos por 66% do
volume total de leite produzido nos países que compõem o Mercosul. Pelo faturamento de
alguns produtos da indústria brasileira de alimentos na última década, pode-se avaliar a
importância relativa do produto lácteo no contexto agrícola nacional, registrando 248% de
aumento contra 78% de todos os segmentos.
e) As técnicas a serem adotadas para a produção das mudas de eucalípto devem atender as
necessidades de cada produtor, em termos de disponibilidade, localização de área, grau de
tecnologia e dos recursos financeiros disponíveis.

16. (IME - 2008)


Apelo de Dona Flor em aula e em devaneio
Me deixem em paz com meu luto e minha solidão. Não me falem dessas coisas, respeitem
meu estado de viúva. Vamos ao fogão: prato de capricho e esmero é o vatapá de peixe (ou de
galinha), o mais famoso de toda a culinária da Bahia. Não me digam que sou jovem, sou viúva:
morta estou para essas coisas. Vatapá para servir a dez pessoas (e para sobrar como é devido).
Tragam duas cabeças de garoupa fresca. Pode ser de outro peixe, mas não é tão bom.
Tomem do sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e o suco de um limão.
Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve português
como espanhol; ouvi dizer que o grego inda é melhor, não sei.
Jamais usei por não encontrá-lo à venda. Se encontrar um noivo, que farei? Alguém que
retome meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocês, meninas, da
intimidade das viúvas? Desejo de viúva é desejo de deboche e de pecado, viúva séria não fala
nessas coisas, não pensa nessas coisas, não conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu
fogão.
Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponha a cozinhar num bocadinho d’água,
um bocadinho só, um quase nada.
Depois é só coar o molho, deixá-lo à parte, e vamos adiante.
....................................................................................................................................................
A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dendê, duas
xícaras bem medidas: flor de dendê, da cor de ouro velho, a cor do vatapá. Deixem cozinhar
por longo tempo em fogo baixo; com a colher de pau não parem de mexer, sempre para o
mesmo lado: não parem de mexer senão embola o vatapá. Mexam, remexam, vamos, sem
parar; até chegar ao ponto justo e exatamente.
Em fogo lento meus sonhos me consomem, não me cabe culpa, sou apenas uma viúva
dividida ao meio, de um lado viúva honesta e recatada, de outro viúva debochada, quase

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histérica, desfeita em chilique e calundu. Esse mando de recato me asfixia, de noite corro as
ruas em busca de marido. De marido a quem servir o vatapá doirado e meu cobreado corpo
de gengibre e mel.
Chegou o vatapá ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo falta apenas derramar um
pouco de azeite-de-dendê por cima, azeite cru. Acompanhado de acaçá o sirvam, e noivos e
maridos lamberão os beiços.
AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos.
Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 231-233.

Observe as orações a seguir e independente de seu contexto original, marque a opção em que
a expressão destacada foi substituída corretamente pelo pronome oblíquo átono.
a) Mancha continua. / Só não desmancha prazer. (Texto II, linhas 17 e 18)
Mancha continua, / Só não a desmancha.
b) (...) foi descoberto que se poderia obter economia (...) (Texto I, linhas 2 e 3)
(...) foi descoberto que se poder-lhe-ia obter.
c) (...) é a que mais produz óleo por área plantada. (Texto I, linhas 13 e 14)
é a que mais produz-no por área plantada.
d) Tragam duas cabeças de garoupa fresca. (Texto III, linha 7)
Tragam-nas.
e) A seguir agreguem leite de coco (...) (Texto III, linha 23)
A seguir agreguem-o.

17. (IME - 2007 - Adaptada)


Observe as opções abaixo:
I. ...ajusta seus comandos as circunstâncias.
II. Começaram a aparecer novas experiências.
III. A poesia anunciava as lágrimas jogadas ao mar.
IV. Referia-se a pesquisas experimentais com os primatas.
V. Comunicava sempre a esposa sobre seus novos poemas.
VI. Ele chegará a partir da próxima semana.

Assinale a alternativa que apresenta os conjuntos relacionados em que o a deveria, de acordo


com a norma culta, receber acento grave.
a) I, IV e V.
b) I e IV.

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c) I e V.
d) I, II e VI.

18. (IME - 2006)


O sobrevivente
Carlos Drummond de Andrade

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.


Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.


Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta


muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram


e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

SECCHIN, Antônio Carlos. Antologia temática da poesia brasileira. Rio de Janeiro: Faculdade de Letras, UFRJ, 2004.

Observe o verso:
“Tinha um nome de que ninguém se lembra mais”. (1a estrofe) Assinale a opção que, após a
substituição do segundo verbo, possui incorreção na regência verbal.
a) Tinha um nome em que ninguém acredita mais.
b) Tinha um nome que ninguém ouve mais.
c) Tinha um nome de que ninguém fala mais.
d) Tinha um nome a que ninguém confia mais.

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19. (IME - 1996)


Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases a seguir:

I - Saíram daqui______ pouco, mas voltarão daqui______ pouco, pois moram


apenas______dois quilômetros de distância.
II- _______foram suas amigas? _______ estarão agora?

a) há - a - a - Aonde - Onde
b) há - há - à - Onde - Onde
c) há - a - a - Aonde - Aonde
d) a - a - à - Para onde - Por onde
e) a - há - há - Por onde – Aonde

20. (UFRGS – 2018)


- Temos sorte de viver no Brasil - dizia meu pai, depois da guerra. - Na Europa mataram
milhões de judeus.
Contava as experiências que os médicos nazistas faziam com os prisioneiros. Decepavam-
lhes as cabeças, faziam-nas encolher - à maneira, li depois, dos índios Jivaros. Amputavam
pernas e braços. Realizavam estranhos transplantes: uniam a metade superior de um homem
_____ metade inferior de uma mulher, ou aos quartos traseiros de um bode. Felizmente
morriam essas atrozes quimeras; expiravam como seres humanos, não eram obrigadas a viver
como aberrações. (____ essa altura eu tinha os olhos cheios de lágrimas. Meu pai pensava que
a descrição das maldades nazistas me deixava comovido.)
Em 1948 foi proclamado o Estado de Israel. Meu pai abriu uma garrafa de vinho - o melhor
vinho do armazém -, brindamos ao acontecimento. E não saíamos de perto do rádio,
acompanhando _____ notícias da guerra no Oriente Médio. Meu pai estava entusiasmado com
o novo Estado: em Israel, explicava, vivem judeus de todo o mundo, judeus brancos da Europa,
judeus pretos da África, judeus da Índia, isto sem falar nos beduínos com seus camelos: tipos
muito esquisitos, Guedali.
Tipos esquisitos - aquilo me dava ideias. Por que não ir para Israel? Num país de gente tão
estranha - e, ainda por cima, em guerra - eu certamente não chamaria a atenção. Ainda menos
como combatente, entre a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu me via correndo pelas ruelas
de uma aldeia, empunhando um revólver trinta e oito, atirando sem cessar; eu me via caindo,
varado de balas. Aquela, sim, era a morte que eu almejava, morte heroica, esplêndida
justificativa para uma vida miserável, de monstro encurralado. E, caso não morresse, poderia
viver depois num kibutz. Eu, que conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria muito a fazer
ali. Trabalhador dedicado, os membros do kibutz terminariam por me aceitar; numa nova
sociedade há lugar para todos, mesmo os de patas de cavalo.

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Adaptado de: SCLIAR, M. O centauro no jardim. 9. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001. UFRGS - CV
2018 - LP 09.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 6, 8 e 11, nessa ordem.
a) à - À - às
b) a - A - às
c) à - A - às
d) a - À - as
e) à - A – as

21. (UFJF - 2017)


Além disso, parte dos participantes teve sua atividade cerebral medida através de ressonância
magnética funcional.

Assim, foi observado que a resposta da amídala, uma região do cérebro na qual se processam
as reações emocionais, era mais intensa na primeira vez que os participantes enganavam seus
companheiros.

Os termos em destaque, nos trechos acima, estabelecem relação de:


a) complementação e de conclusão de raciocínio.
b) continuidade e de inversão de raciocínio.
c) conclusão e de adição de informação.
d) complementação e de causalidade.
e) causalidade e de conclusão.

22. (FGV - 2017)


Foi exatamente durante o almoço que se deu o fato.
Almira continuava a querer saber por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos.
Abatida, Alice mal respondia. Almira comia com avidez e insistia com os olhos cheios de
lágrimas.
– Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva. Você não pode me deixar em paz?!
Almira engasgou-se com a comida, quis falar, começou a gaguejar. Dos lábios macios de
Alice haviam saído palavras que não conseguiam descer com a comida pela garganta de Almira
G. de Almeida.
– Você é uma chata e uma intrometida, rebentou de novo Alice. Quer saber o que houve,
não é? Pois vou lhe contar, sua chata: é que Zequinha foi embora para Porto Alegre e não vai
mais voltar! Agora está contente, sua gorda?

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Na verdade Almira parecia ter engordado mais nos últimos momentos, e com comida
ainda parada na boca.
Foi então que Almira começou a despertar. E, como se fosse uma magra, pegou o garfo e
enfiou-o no pescoço de Alice. O restaurante, ao que se disse no jornal, levantou-se como uma
só pessoa. Mas a gorda, mesmo depois de ter feito o gesto, continuou sentada olhando para o
chão, sem ao menos olhar o sangue da outra.
Alice foi ao pronto-socorro, de onde saiu com curativos e os olhos ainda regalados de
espanto. Almira foi presa em flagrante.
Na prisão, Almira comportou-se com delicadeza e alegria, talvez melancólica, mas alegria
mesmo. Fazia graças para as companheiras. Finalmente tinha companheiras. Ficou
encarregada da roupa suja, e dava-se muito bem com as guardiãs, que vez por outra lhe
arranjavam uma barra de chocolate.
(Clarice Lispector. A Legião Estrangeira, 1964. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a preposição “de” forma uma expressão indicativa de causa.
a) ... por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos.
b) ... e insistia com os olhos cheios de lágrimas.
c) – Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva.
d) ... pegou o garfo e enfiou-o no pescoço de Alice.
e) Mas a gorda, mesmo depois de ter feito o gesto...

23. (FGV - 2017)

Pobres precisam de banheiro, não de celular, diz BM

1
As famílias mais pobres do mundo estão mais propensas a terem telefones 2 celulares do
que banheiros ou água limpa.
3
Segundo relatório do Banco Mundial, intitulado ”Dividendos Digitais”, o número 4 de
usuários de internet mais que triplicou em uma década, para 3,2 bilhões no final 5 do ano
passado, representando mais de 40 por cento da população mundial.
6
Embora a expansão da internet e de outras tecnologias digitais tenha facilitado 7 a
comunicação e promovido um senso de comunidade global, ela não ofereceu o 8 enorme
aumento de produtividade que muitos esperavam, disse o Banco. Ela também 9 não melhorou
as oportunidades para as pessoas mais pobres do mundo, nem ajudou 10 a propagar a
“governança responsável”.
11
“Os benefícios totais da transformação da informação e comunicação somente se 12
tornarão realidade se os países continuarem a melhorar seu clima de negócios, 13 investirem
na educação e saúde de sua população e proverem a boa governança. Nos 14 países em que

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esses fundamentos são fracos, as tecnologias digitais não impulsionam 15 a produtividade nem
reduzem a desigualdade”, afirmou o relatório.
16
A visão do Banco Mundial contrasta com o otimismo dos empreendedores da 17
tecnologia, como Mark Zuckerberg e Bill Gates, que têm argumentado que o acesso 18 universal
à internet é essencial para eliminar a pobreza extrema.
19
“Quando as pessoas têm acesso às ferramentas e ao conhecimento da internet, 20 elas
têm acesso a oportunidades que tornam a vida melhor para todos nós”, diz uma 21 declaração
do ano passado assinada, entre outros, por Zuckerberg e Gates.
22 23
Segundo o Banco Mundial, conectar o mundo “é essencial, mas está longe de ser
suficiente” para eliminar a pobreza.
http://exame.abril.com.br 14//01/2016. Adaptado.

No trecho “é essencial, mas está longe de ser suficiente” (Refs. 22-23), a palavra sublinhada
poderia ser corretamente substituída por
a) porquanto.
b) posto que.
c) conquanto.
d) não obstante.
e) por conseguinte.

24. (IBMEC - 2016)


Nada além
O amor bate à porta
e tudo é festa.
O amor bate a porta
e nada resta.
Cineas Santos. Disponível em:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/cin01.html. Acesso em 03/08/2015.

Em relação ao jogo de ideias presente no par “bate à porta” e “bate a porta” nos versos acima,
é correto afirmar que o emprego do acento grave está associado a
a) fatores sintáticos que determinam diferentes significados.
b) opções estilísticas que conferem sonoridade e ritmo ao poema.
c) elementos morfológicos que acarretam mudança de classe gramatical.
d) mecanismos fonológicos que promovem a tonicidade das palavras.
e) recursos argumentativos que explicitam efeitos de subjetividade nos textos.

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25. (FGV - 2016)


Na virada do século, chegou o euro. Na prática, era como se o marco alemão mudasse de nome
para “euro” e passasse a suprir o resto do continente (a maior parte dele, pelo menos). Parecia
bom para todas as partes. Os governos dos países menos pibados passariam a receber os
impostos dos seus cidadãos em euros, uma moeda garantida pelo PIB alemão. Impostos
servem para pagar as dívidas dos governos – além da lagosta dos governantes. E agora os
contribuintes pagavam em euros. Resultado: o mercado passou a emprestar para os países
bagunçados da Europa a juros baixíssimos.
Aí choveu euro na periferia da Europa. A economia ali cresceu como nunca, mas os
governantes gastaram como sempre. Além disso, não perceberam que seus países eram
pequenos demais para suportar o peso de uma moeda forte.
Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação deles diminuiu. Menos arrecadação, mais
problemas para pagar dívidas. Aí tome mais dinheiro emprestado para ir rolando a pendura,
só que agora a juros menos fofos.
(Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, assinale a alternativa correta quanto à regência e ao uso ou


não do acento indicativo da crase.

a) Coube à moeda alemã à garantia que o euro chegasse com segurança a países europeus.
b) Coube a moeda alemã à garantia de que o euro chegasse com segurança nos países
europeus.
c) Coube à moeda alemã a garantia de que o euro chegasse com segurança aos países
europeus.
d) Coube à moeda alemã a garantia que o euro chegasse com segurança à países europeus.
e) Coube a moeda alemã a garantia que o euro chegasse com segurança nos países europeus.

26. (UNESP - 2016)


Art. 6 São direitos básicos do consumidor:
o

I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no


fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
II – a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas
a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação
correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço,
bem como sobre os riscos que apresentem;

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IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou


desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de
produtos e serviços;
V – a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou
sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e
difusos;
VII – o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de
danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica,
administrativa e técnica aos necessitados;
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu
favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
IX – a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
Art. 7 Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou
o

convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de


regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que
derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade.
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela
reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
(www.planalto.gov.br)

Nos trechos “asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade das contratações” (inciso II) e
“assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados” (inciso VII), a
análise das concordâncias dos adjetivos em destaque permite afirmar que
a) apenas a primeira ocorrência está correta.
b) apenas a segunda ocorrência está correta.
c) as duas ocorrências são aceitáveis, mas não corretas.
d) as duas ocorrências estão incorretas.
e) as duas ocorrências estão corretas

27. (IBMEC - 2015)


Segundo a Wikipedia, o direito autoral do autorretrato, o "selfie" para usar o termo da
moda, que uma macaca fez com o equipamento que furtara de um fotógrafo pertence ao
animal. A discussão surgiu porque David Slater, o dono da máquina, pedira aos editores da
enciclopédia que retirassem a imagem por violação de direitos autorais. Como piada, a
argumentação da Wikipedia funciona bem. Receio, porém, que essa linha de raciocínio deixe

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uma fronteira jurídica desguarnecida. Se os direitos pertencem à macaca, por que instrumento
legal ela os cedeu à enciclopédia?
Não são, entretanto, questiúnculas jurídicas que eu gostaria de discutir aqui, mas sim a
noção de autoria. Obviamente ela transcende à propriedade do equipamento. Se a foto não
tivesse sido tirada por uma macaca, mas por um outro fotógrafo com a máquina de Slater,
ninguém hesitaria em creditar a imagem a esse outro profissional. Só que não é tão simples.
Imaginemos agora que Slater está andando pela trilha e, sem querer, deixa seu aparelho cair
no chão, de modo que o disparador é acionado. Como que por milagre, a máquina registra
uma imagem maravilhosa, que ganha inúmeros prêmios. Neste caso, atribuir a foto a Slater
não viola nossa intuição de autoria, ainda que o episódio possa ser descrito como uma obra do
acaso e não o resultado de uma ação voluntária.
A questão prática aqui é saber se o "selfie" da macaca está mais para o caso do fotógrafo
que usa a máquina de outro profissional ou para o golpe de sorte. E é aqui que as coisas vão
ficando complicadas. Fazê-lo implica não só decidir quanta consciência devemos atribuir à
símia mas também até que ponto estamos dispostos a admitir que nossas vidas são
determinadas pelo aleatório. E humanos, por razões evolutivas, temos verdadeira alergia ao
fortuito. Não foi por outro motivo que inventamos tantos panteões de deuses.
(Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo, 09/08/2014)

Na passagem “Obviamente ela transcende à propriedade do equipamento”, o emprego do


sinal indicador de crase é
a) inadequado, pois o termo regido é um substantivo que rejeita a presença de um artigo
definido.
b) obrigatório, pois contém a junção da preposição “a” com o artigo “a” antecedendo um
adjetivo feminino.
c) equivocado, pois o termo regente é transitivo direto, dispensando a preposição
obrigatória.
d) facultativo, pois o verbo “transcender” pode ser regido ou não de preposição, sem que
haja alterações semânticas.
e) necessário, pois tem a função de sinalizar uma pronúncia alongada que ressalta a fusão da
preposição com o artigo.

28. (UNESP - 2015)


Assinale a alternativa em que o trecho, extraído de Ciência Hoje
(http://cienciahoje.uol.com.br), está correto quanto à concordância, de acordo com a norma-
padrão da língua portuguesa.

a) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil serão
beneficiados, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar
as florestas, pois elas têm papel essencial na conservação e na purificação das águas.

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b) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil será
beneficiada, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar
as florestas, pois elas tem papel essencial na conservação e na purificação das águas.
c) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil serão
beneficiadas, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar
as florestas, pois elas têm papel essencial na conservação e na purificação das águas.
d) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil será
beneficiado, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar
as florestas, pois elas tem papel essencial na conservação e na purificação das águas.

29. (FGV - 2015)


Texto para as questões 29 e 30:
Pela tarde apareceu o Capitão Vitorino. Vinha numa burra velha, de chapéu de palha muito
alvo, com a fita verde- -amarela na lapela do paletó. O mestre José Amaro estava sentado na
tenda, sem trabalhar. E quando viu o compadre alegrou-se. Agora as visitas de Vitorino faziam-
lhe bem. Desde aquele dia em que vira o compadre sair com a filha para o Recife, fazendo tudo
com tão boa vontade, que Vitorino não lhe era mais o homem infeliz, o pobre bobo, o sem-
vergonha, o vagabundo que tanto lhe desagradava. Vitorino apeou-se para falar do ataque ao
Pilar. Não era amigo de Quinca Napoleão, achava que aquele bicho vivia de roubar o povo, mas
não aprovava o que o capitão fizera com a D. Inês.
– Meu compadre, uma mulher como a D. Inês é para ser respeitada.
– E o capitão desrespeitou a velha, compadre?
– Eu não estava lá. Mas me disseram que botou o rifle em cima dela, para fazer medo, para
ver se D. Inês lhe dava a chave do cofre. Ela não deu. José Medeiros, que é homem, borrou-se
todo quando lhe entrou um cangaceiro no estabelecimento. Me disseram que o safado
chorava como bezerro desmamado. Este cachorro anda agora com o fogo da força da polícia
fazendo o diabo com o povo.
(José Lins do Rego, Fogo Morto)

Sem que haja alteração de sentido do texto, assinale a alternativa correta quanto à regência
verbal.
a) Quando o Capitão Vitorino chegou na sua casa, Mestre José Amaro foi cumprimentar-lhe.
b) Mestre José Amaro lembrou-se que tinha desfeito a imagem de Vitorino como um bobo.
c) A forma solícita como Vitorino tratou a filha vinha de encontro à imagem dele como pobre
bobo.
d) Vitorino não se simpatizava de Quinca Napoleão e lhe desaprovava o que fizera a D. Inês.
e) Vitorino não era amigo de Quinca Napoleão, pensava de que ele vivia de roubar o povo.

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 79


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30. (FGV – 2015)


A colocação do pronome está adequada à situação comunicativa da narrativa literária, mas
está em desacordo com a norma-padrão, na seguinte passagem do texto:
a) E quando viu o compadre alegrou-se.
b) Agora as visitas de Vitorino faziam-lhe bem.
c) ... Vitorino não lhe era mais o homem infeliz, o pobre bobo...
d) ... para ver se D. Inês lhe dava a chave do cofre.
e) Me disseram que o safado chorava como bezerro desmamado.

31. (UNESP - 2015)


Os alunos do Colégio Carolina Patrício, em São Conrado, Zona Sul do Rio, deram uma lição de
solidariedade. Ao descobrir que a professora de português Norma Ribeiro lutava contra um
câncer e se submeteria ___ quimioterapia, cerca de 20 jovens rasparam o cabelo em
homenagem à docente. Vários dos meninos foram às aulas carecas, e as meninas cortaram o
cabelo bem curto para doar ___ instituições que cuidam de pacientes do setor de oncologia.
De acordo com a diretora da escola, a decisão partiu dos próprios alunos e surpreendeu ___
todos.
(http://g1.globo.com/rio-de-janeiro, 04.09.2014. Adaptado)

As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:

a) à … à … a
b) a … a … à
c) a … à … à
d) à … a … a

32. (FGV - 2015)


Pela tarde apareceu o Capitão Vitorino. Vinha numa burra velha, de chapéu de palha muito
alvo, com a fita verde- -amarela na lapela do paletó. O mestre José Amaro estava sentado na
tenda, sem trabalhar. E quando viu o compadre alegrou-se. Agora as visitas de Vitorino faziam-
lhe bem. Desde aquele dia em que vira o compadre sair com a filha para o Recife, fazendo tudo
com tão boa vontade, que Vitorino não lhe era mais o homem infeliz, o pobre bobo, o sem-
vergonha, o vagabundo que tanto lhe desagradava. Vitorino apeou-se para falar do ataque ao
Pilar. Não era amigo de Quinca Napoleão, achava que aquele bicho vivia de roubar o povo, mas
não aprovava o que o capitão fizera com a D. Inês.
– Meu compadre, uma mulher como a D. Inês é para ser respeitada.
– E o capitão desrespeitou a velha, compadre?

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– Eu não estava lá. Mas me disseram que botou o rifle em cima dela, para fazer medo, para ver
se D. Inês lhe dava a chave do cofre. Ela não deu. José Medeiros, que é homem, borrou-se todo
quando lhe entrou um cangaceiro no estabelecimento. Me disseram que o safado chorava
como bezerro desmamado. Este cachorro anda agora com o fogo da força da polícia fazendo
o diabo com o povo.
(José Lins do Rego, Fogo Morto)

Capitão Vitorino apareceu na casa do mestre José Amaro para falar-lhe do ataque ____ cidade
do Pilar. Disse ao compadre que D. Inês ficou cara ____ cara com Quinca Napoleão, que queria
saquear-lhe o cofre, mas ela não deu a chave ____ ele. O homem era uma ameaça ____
população.

As lacunas do trecho devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:

a) à ... a ... a ... à


b) a ... à ... a ... à
c) à ... à ... a ... a
d) a ... à ... a ... a
e) à ... à ... à ... à

33. (IBMEC - 2014)

(Folha de S. Paulo, 22/05/2013)

Nesse excerto, ao mencionar o emprego do sinal grave no título da novela, o irreverente


colunista
a) ridiculariza o emprego equivocado do sinal indicador de crase no título da novela.
b) deixa subentendido que a presença de crase no título da trama é surpreendente.
c) refere-se ao fato de o título da trama desconsiderar as regras do novo Acordo Ortográfico.
d) defende que o emprego do sinal grave indicador de crase seja uma opção estilística.
e) ironiza a controvérsia entre os gramáticos na discussão sobre a ocorrência de crase em
tramas populares.

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34. (FGV - 2014)


Considere os enunciados.
• O acesso ao celular no Brasil é uma fotografia idêntica _____da renda. Quanto menor a
remuneração numa região, mais baixa é a penetração do telefone móvel.
• As trajetórias de Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil sem dúvida merecem
consideração. Gosto _____ parte, o valor artístico de suas obras – assim como as de Djavan,
Erasmo Carlos e Milton Nascimento – também é patente.
• No mês passado, atracou no porto de Roterdã, na Holanda, o primeiro navio cargueiro chinês
_____navegar até ____ Europa pelo Ártico.

Assinale a alternativa em que os termos completam correta e respectivamente as lacunas das


frases, extraídas do jornal Folha de S.Paulo, de 08.10.2013.
a) à ... a ... a ... a
b) a ... à ... à ... à
c) à ... à ... a ... a
d) a ... a ... à ... à
e) à ... à ... à ... à

35. (UNIFESP - 2013)


O Hatha yoga pradipika, sagrada escritura do hatha yoga, escrita no século 15 da era atual, diz
que, antes de nos aventurarmos na prática de austeridade e códigos morais, devemos nos
preparar. Autocontrole e disciplina sem preparação adequada ____________ criar mais
problemas mentais e de personalidade do que paz de espírito. A beleza dessa escritura é que
ela resolve o grande problema que todo iniciante enfrenta: dominar a mente.
Devido ___________ abordagem corporal, o hatha yoga ficou conhecido – de modo
equivocado – como uma categoria de ioga ___________ trabalha apenas as valências físicas
(força, flexibilidade, resistência, equilíbrio e outras), quase como ginástica oriental. Isso não é
verdade.
(Ciência Hoje, julho de 2012. Adaptado.)

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser


preenchidas, respectivamente, com
a) pode – a essa – aonde.
b) podem – a essa – que.
c) pode – à essa – o qual.
d) podem – essa – com que.
e) pode – essa – onde.

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36. (UNESP- 2013)


Considere a passagem da crônica O pai, hoje e amanhã, de Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987).
A civilização industrial, entidade abstrata, nem por isso menos poderosa, encomendou à
ciência aplicada a execução de um projeto extremamente concreto: a fabricação do ser
humano sem pais.
A ciência aplicada faz o possível para aviar a encomenda a médio prazo. Já venceu a
primeira etapa, com a inseminação artificial, que, de um lado, acelera a produtividade dos
rebanhos (resultado econômico) e, de outro, anestesia o sentimento filial (resultado moral).
O ser humano concebido por esse processo tanto pode considerar- se filho de dois pais
como de nenhum. Em fase mais evoluída, o chamado bebê de proveta dispensará a incubação
em ventre materno, desenvolvendo-se sob condições artificiais plenamente satisfatórias.
Nenhum vínculo de memória, gratidão, amor, interesse, costume – direi mesmo: de
ressentimento ou ódio – o ligará a qualquer pessoa responsável por seu aparecimento. O
sêmen, anônimo, obtido por masturbação profissional e recolhido ao banco especializado, por
sua vez cederá lugar ao gerador sintético, extraído de recursos da natureza vegetal e mineral.
Estará abolida, assim, qualquer participação consciente do homem e da mulher no preparo e
formação de uma unidade humana. Esta será produzida sob critérios políticos e econômicos
tecnicamente estabelecidos, que excluem a inútil e mesmo perturbadora intromissão do casal.
Pai? Mito do passado.
Aparentemente, tal projeto parece coincidir com a tendência, acentuada nos últimos anos,
de se contestar a figura tradicional do pai. Eliminando-se a presença incômoda, ter-se-ia
realizado o ideal de inúmeros jovens que se revoltam contra ela – o pai de família e o pai social,
o governo, a lei – e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.
Julgo ilusória esta interpretação. O projeto tecnológico de eliminação do pai vai longe
demais no caminho da quebra de padrões. A meu ver, a insubmissão dos filhos aos pais é
fenômeno que envolve novo conceito de relações, e não ruptura de relações.
(De notícias e não notícias faz-se a crônica, 1975.)

“[...] e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.”

Na frase apresentada, a colocação do acento grave sobre o “a” informa que


a) o “a” deve ser pronunciado com alongamento, já que se trata de dois vocábulos, um
pronome átono e uma preposição, representados por uma só letra.
b) o “a”, por ser pronome átono, deve ser sempre colocado após o verbo, em ênclise, e
pronunciado como um monossílabo tônico.
c) o verbo “aspirar”, na regência em que é empregado, solicita a preposição “a”, que se funde
com o artigo feminino “a”, caracterizando uma ocorrência de crase.
d) o “a”, como artigo definido, é um monossílabo átono, e o acento grave tem a finalidade
de sinalizar ao leitor essa atonicidade.

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e) o termo “de compromissos com valores do passado” exerce a função de adjunto adverbial
de “isenta”.

37. (UNIFESP - 2012)


Mato, grosso até quando?

Em agosto de 2005, quando os astronautas do ônibus espacial Discovery retornaram à Terra,


a comandante Eileen Collins chamou a atenção para o ritmo acelerado do desmatamento no
planeta, facilmente observado do espaço. (...)
O Brasil destaca-se nesse cenário tanto por ter a maior floresta tropical do mundo quanto
por ser líder mundial em desmatamento. O agronegócio, a exploração madeireira irracional e
a especulação fundiária são as causas desse processo. Entre os estados, o Mato Grosso
responde por quase 50% do desmatamento anual na Amazônia brasileira. A julgar pelo que
ocorre no presente, as projeções apontam para um cenário ambientalmente catastrófico para
esse estado, que chegará a 2020 com menos de 23% da sua cobertura florestal original.
(Ciência Hoje, vol. 42, n.º 248, maio de 2008. Adaptado.)
Leia as frases.
I. Antes de o ônibus espacial Discovery chegar na Terra, a comandante Eileen Collins chamou
a atenção para o ritmo acelerado do desmatamento no planeta.
II. O desmatamento no Brasil ocorre devido o agronegócio, a exploração madeireira
irracional e a especulação fundiária.
III. Segundo as projeções, existem possibilidades de que haja um cenário ambientalmente
catastrófico para o estado de Mato Grosso.

Com base nos princípios de regência, está correto o contido em


a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

38. (UNIFESP - 2010)


Leia o texto.

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(Gazeta do Povo, 13.08.2009.)

No texto, há um erro que se corrige com a substituição de


a) voltam por volta.
b) voltam às aulas por voltam as aulas.
c) Com a decisão por Pela decisão.
d) às aulas de creches por as aulas de creches.
e) próxima semana por semana seguinte.

39. (IBMEC - 2007)


Em relação aos verbos, os pronomes átonos podem situar-se em três posições: próclise,
mesóclise e ênclise. Indique a alternativa em que a colocação pronominal não está de acordo
com a norma culta:
a) Haviam-no procurado por toda parte.
b) Quem nos dará as razões?
c) Recusei a ideia que me apresentaram.
d) Far-lhe-ei um favor.
e) Jamais enganar-te-ia dessa maneira.

40. (FUVEST - 2006)


Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
– E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?
– Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.
– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
– Macabéa.
– Maca – o quê?
– Bea, foi ela obrigada a completar.
– Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.
– Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa
Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu

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preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece
que deu certo – parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e
com pudor – pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...
– Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.
Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de
uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e
pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-
namorado:
– Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?
Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem
nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia
lágrimas escorrendo.
Clarice Lispector, A hora da estrela.

No trecho “mas minha mãe botou ele por promessa”, o pronome pessoal foi empregado em
registro coloquial. É o que também se verifica em:
a) “– E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?”
b) “– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?”
c) “– Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?”
d) “– Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.”
e) “– (...) pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...”

41. INÉDITA – Celina Gil


Leia este trecho de São Bernardo, de Graciliano Ramos:
João Nogueira lembrou-se de que era homem de responsabilidade. Bacharel, mais de
quarenta anos, uma calvície respeitável. Às vezes metia-se em badernas. Mas com os clientes
só negócio. E a mim, que lhe dava quatro contos e oitocentos por ano para ajudar-me com leis
a melhorar São Bernardo, exibia ideias corretas e algum pedantismo.
Eu tratava-o por doutor: não poderia tratá-lo com familiaridade. Julgava-me superior a ele,
embora possuindo menos ciência e menos manha. Até certo ponto parecia-me que as
habilidades dele mereciam desprezo. Mas eram úteis e havia entre nós muita consideração.
- Acompanhamos o nosso Padilha, disse Nogueira. Viemos andando. Como o passeio era
agradável, com a fresca da tarde, cheguei cá, para consultá-lo.
(São Bernardo, Graciliano Ramos, 2013)
Os conectivos destacados têm função, respectivamente:
a) oposição, concessão, causa.
b) contraste, oposição, causa.

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c) conclusão, contraste, tempo.


d) oposição, explicação, tempo.
e) concessão, oposição, causa.

42. INÉDITA – Celina Gil


Observe este trecho de “Senhora”, de José de Alencar:
No dia seguinte, à hora marcada, com pontualidade mercantil, parava à porta do
sobradinho da rua do Hospício um carro, no qual poucos momentos depois seguia o Lemos a
caminho das Laranjeiras com o noivo que ele havia negociado para sua pupila.
Durante rápido trajeto, o velho divertiu-se em meter sustos no rapaz acerca da noiva, a
quem sorrateiramente ia emprestando certos senões, a pretexto de os desculpar. Ora dava a
entender que a moça tinha um olho de vidro; ora inculcava que era uma perfeita roceira, a
qual o marido devia depois do casamento mandar para o colégio.
(Senhora, José de Alencar, 2013)

Qual alternativa apresenta um período – também retirado de Senhora – que pode ser
classificado a mesma maneira que o destacado no texto?
a) Aurélia não gostava de Byron, embora o admirasse.
b) A jovialidade do Seixas e o seu carinho, não só desvaneceram as queixas da Nicota, como
restabelecem a cordialidade entre duas meninas (...).
c) O ciúme é o zelo do senhor pela coisa que lhe pertence (...), seja essa animada ou inanimada.
d) A porta do gabinete estava fechada interiormente, e ele esquecera essa manhã de levar a
chave. Foi obrigado portanto a dar a volta pela saleta.
e) Aurélia deixou perceber ligeira comoção. Entretanto foi com a voz firme que respondeu.

43. INÉDITA – Celina Gil


Observe os itens abaixo:
I. Como estivesse doente, não foi à aula.
II. É bom levar um guarda-chuva, pois vai chover.
III. Já que você não gosta dessa música, vou desligar o rádio.
IV. Não terminou a lição, uma vez que não tinha o livro.
Há relação de causa entre as orações nos itens:
a) I., II., III.
b) II., III., IV.
c) I., II., IV.

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d) I., III., IV.


e) todas.

44. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a frase em que o acento indicativo de crase foi mal empregado:
a) A mulher dirigiu-se à varanda.
b) Cheio de dúvidas, recorreu à mãe.
c) Escreveu as histórias uma a uma.
d) Pôs-se à chorar sem parar.
e) Falou a cerca de duas mil pessoas.

45. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta.
a) Ele prefere mais comer salgado do que doce.
b) Assistimos uma peça ótima ontem.
c) Ele visava seus próprios interesses unicamente.
d) O homem aspirava um salário melhor.
e) Obedeça aos mais velhos.

46. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a alternativa em que a regência nominal está de acordo com a norma culta.
a) O sedentarismo é prejudicial à saúde.
b) Ela tem facilidade em escrever.
c) Tinha amor para com ele.
d) Maria é apegada em filmes.
e) A confiança para com seu pai ficou abalada.

47. INÉDITA – Celina Gil


Leia os trechos a seguir, retirados de Quincas Borba, de Machado de Assis:
I. Quando Sofia pôde arrancar-se de todo à janela, o relógio de baixo ____ nove horas.
II. E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque _____ os organismos fracos,
incapazes de resistência, como porque ____ lugar à observação, à descoberta da droga
curativa.

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 88


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III. A quantas léguas iria? Nem condor nem águia o _____ dizer.

Os termos que completam corretamente as lacunas no texto são, respectivamente:


a) bateram; elimina; dá; poderiam.
b) batia; elimina; dá; poderia.
c) batia; eliminam; dão; poderiam.
d) bateram; eliminam; dão; poderiam.
e) batia; elimina; dão; poderia

48. INÉDITA – Celina Gil


Leia os trechos a seguir, retirados de São Bernardo, de Graciliano Ramos.
I. Para proceder assim _________ ter independência.
II. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece ____ escrita,
como estava na véspera.
III. Os sinais, a idade, a cor, _____ confere.
Os termos que completam corretamente as lacunas no texto são, respectivamente:
a) é necessário; meia; tudo.
b) é necessária; meio; tudo.
c) é necessário; meio; tudo.
d) é necessária; meia; todos
e) é necessário; meio; todos

49. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está de acordo com a norma culta.
a) O presidente não recebeu-nos.
b) Foi ele quem convidou-me para o evento.
c) Me ligaram hoje de manhã.
d) Mariana, se sente agora!
e) Que Deus o proteja!

50. INÉDITA – Celina Gil


Era hora do almoço. As duas senhoras puseram-se ___ mesa. Aurélia _________ pela
sobriedade, que era nela a consequência de temperamento e educação. Não quer isto dizer

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 89


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que fosse dessa espécie de moças papilionáceas que se alimentam do pólen das flores, e para
quem o comer é um ato desgracioso e prosaico.
Bem ao contrário, ela sabia que a nutrição dá ___ seiva de beleza, sem a qual as cores
desmaiam nas faces e os sorrisos nos lábios, como as efêmeras e pálidas florações de uma
roseira ética.
Assim não tinha vergonha ___ comer; e sem vaidade acreditava que o esmalte de seus
dentes não era menos gracioso quando eles se triscavam como a crepitação de um colar de
pérolas, nem o matiz de seus lábios menos saboroso quando chupavam uma fruta, ou se
entreabriam para receber o alimento.

Os termos que completam corretamente as lacunas no texto são, respectivamente:


a) à; distinguia-se; a; de.
b) a; distinguia-se; à; de.
c) à; se distinguia; a; em.
d) a; se distinguia; a; em.
e) à; distinguia-se; à; de.

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 90


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6.2 - GABARITO
1. C 18. D 35. B
2. C 19. A 36. C
3. A 20. E 37. B
4. B 21. A 38. D
5. D 22. C 39. E
6. D 23. D 40. D
7. B 24. A 41. A
8. C 25. C 42. C
9. D 26. E 43. D
10. C 27. D 44. D
11. C 28. C 45. E
12. D 29. C 46. A
13. A/E 30. E 47. B
14. A 31. D 48. C
15. D 32. A 49. E
16. D 33. B 50. A
17. C 34. C

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 91


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6.3 – QUESTÕES COMENTADAS

1. (ITA – 2019)
Em frente da minha casa existe um muro enorme, todo branco. No Facebook, uma
postagem me chama atenção: é um muro virtual e a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase
que vier à cabeça. Não quero pichar o mundo virtual, quero um muro de verdade, igual a este
de frente para a minha casa. Pelas ruas e avenidas, vou trombando nos muros espalhados pelos
quarteirões, repletos de frases tolas, xingamentos e erros de português. Eu bem poderia
modificar isso.
“O caminho se faz caminhando”, essa frase genial, tão forte e certeira do poeta espanhol
Antonio Machado, merece aparecer em diversos muros. Basta pensar um pouco e imaginar;
de fato, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.
De repente, vejo um prédio inteiro marcado por riscos sem sentido e me calo. Fui tentar
entender e não me faltaram explicações: é grafite, é tribal, coisas de difícil compreensão. As
explicações prosseguem: grafite é arte, pichar é vandalismo. O pequeno vândalo escondido
dentro de mim busca frases na memória e, então, sinto até o cheiro da lama de Woodstock em
letras garrafais: “Não importam os motivos da guerra, a paz é muito mais importante”.
Feito uma folha deslizando pelas águas correntes do rio me surge a imagem de John
Lennon; junto dela, outra frase: “O sonho não acabou”, um tanto modificada pela minha mão,
tornando-se: o sonho nunca acaba. E minha cabeça já se transforma num muro todo branco.
Desde os primórdios dos tempos, usamos a escrita como forma de expressão, os homens
das cavernas deixaram pichados nas rochas diversos sinais. Num ato impulsivo, comprei uma
tinta spray, atravessei a rua chacoalhando a lata e assim prossegui até chegar à minha sala,
abraçado pela ansiedade aumentada a cada passo. Coloquei o dedo no gatilho do spray e fiquei
respirando fundo, juntando coragem e na mente desenhando a primeira frase para pichar, um
tipo de lema, aquela do Lô Borges: “Os sonhos não envelhecem” – percebo, num sorrir de
canto de boca, o quanto os sonhos marcam a minha existência.
Depois arriscaria uma frase que criei e gosto: “A lagarta nunca pensou em voar, mas daí,
no espanto da metamorfose, lhe nasceram asas...”. Ou outra, completamente tola, me ocorreu
depois de assistir a um documentário, convencido de que o panda é um bicho cativante, mas
vive distante daqui e sua agonia não é menor das dos nossos bichos. Assim pensando, as letras
duma nova pichação se formaram num estalo: “Esqueçam os pandas, salvem as jaguatiricas!”.
No muro do cemitério, escreveria outra frase que gosto: “Em longo prazo estaremos todos
mortos”, do John Keynes, que trago comigo desde os tempos da faculdade. Frases de túmulos
ganhariam os muros; no de Salvador Allende está consagrado, de autoria desconhecida:
“Alguns anos de sombras não nos tornarão cegos.” Sempre apegado aos sonhos, picharia
também uma do Charles Chaplin: “Nunca abandone os seus sonhos, porque se um dia eles se
forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir”.
Claro, eu poderia escrever essas frases num livro, num caderno ou no papel amassado que
embrulha o pão da manhã, mas o muro me cativa, porque está ao alcance das vistas de todos
e quero gritar para o mundo as frases que gosto; são tantas, até temo que me faltem os muros.

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Poderia passar o dia todo pichando frases, as linhas vão se acabando e ainda tenho tanto a
pichar... “É preciso muito tempo para se tornar jovem”, de Picasso, “Há um certo prazer na
loucura que só um louco conhece”, de Neruda, “Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me
bem devagarzinho”, cravada por Mário Quintana...
Encerro com Nietzsche: “Isto é um sonho, bem sei, mas quero continuar a sonhar”, que
serve para exemplificar o que sinto neste momento, aqui na minha sala, escrevendo no
computador o que gostaria de jogar nos muros lá fora, a custo me mantendo calmo, um olho
na tela, outro voltado para o lado oposto da rua. Lá tem aquele muro enorme, branco e virgem,
clamando por frases. Não sei quanto tempo resistirei até puxar o gatilho do spray.
Adaptado de: ALVEZ, A. L. Um muro para pichar. Correio do Estado, fev 2018. Disponível em
Acesso em: ago. 2018.
Por ser uma crônica, o texto apresenta formas coloquiais, que por vezes distanciam o texto da
norma padrão da língua portuguesa. Assinale a alternativa em que ocorre desvio da norma
culta.
a) Fui tentar entender e não me faltaram explicações: é grafite, é tribal, coisas de difícil
compreensão.
b) O pequeno vândalo escondido dentro de mim busca frases na memória e, então, sinto até
o cheiro ........da lama de Woodstock [...]
c) Depois arriscaria uma frase que criei e gosto [...]
d) Desde os primórdios dos tempos, usamos a escrita como forma de expressão [...]
e) Poderia passar o dia todo pichando frases, as linhas vão se acabando e ainda tenho tanto a
........pichar...
Comentários: A incorreção ligada ao uso de formas coloquiais se evidencia na alternativa C: os
verbos “criar” e gostar” possuem regência diferentes. Ao passo que “criar” pode atuar como verbo
transitivo, ou seja, dispensa o uso de preposições, “gostar” se comporta como verbo transitivo
indireto.
Por isso, para que essa oração estivesse alinhada à norma culta, seria preciso adicionar uma
preposição “de” na oração: “Depois arriscaria uma frase que criei e de que gosto (...)”.
Gabarito: C

2. (ITA - 2017)

http://2.bp.blogspot.com/_wBWh8NQAZ78/TBWEMQ8147I/
AAAAAAAAACE/zmfW9c8uAKk/s1600/Tirinha_Sensacionalismo.jpg.
(Acesso em 12/05/2016)

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 93


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Os dois primeiros quadros da tirinha criam no leitor uma expectativa de desfecho que não se
concretiza, gerando daí o efeito de humor. Nesse contexto, a conjunção e estabelece a relação
de
a) conclusão.
b) explicação.
c) oposição.
d) consequência.
e) alternância.
Comentários: Neste caso, o “e” tem o mesmo valor que um “mas”, pois o período significa que
Calvin fala mal do programa, mas gosta dele, o que cria uma relação de oposição. Portanto, a correta
é a alternativa C
A alternativa A está incorreta, pois não há conclusão de nenhum dado, apenas oposição de sentido
(é ruim / eu gosto).
A alternativa B está incorreta, pois não explica nada, pelo contrário, opõe;
A alternativa D está incorreta, pois não há relação de consequência (não é porque é ruim que ele
gosta).
A alternativa E está incorreta, pois não há menção de alternância (ora gosto, ora não gosto / ora é
bom, ora é ruim)
Gabarito: C

3. (ITA -2016 adaptada)


Observe o trecho do texto “Diploma não é solução”:
O diploma era mais que garantia de emprego. Era um atestado de nobreza. Quem tirava
diploma não precisava trabalhar com as mãos, como os mecânicos, pedreiros e carpinteiros,
que tinham mãos rudes e sujas.
Para provar para todo mundo que não trabalhavam com as mãos, os diplomados tratavam
de pôr no dedo um anel com pedra colorida. Havia pedras para todas as profissões: médicos,
advogados, músicos, engenheiros. Até os bispos tinham suas pedras.
(Rubem Alves. Diploma não é solução,
Folha de S. Paulo, 25/05/2004.)

No trecho “Até os bispos tinham suas pedras.”, a palavra sublinhada expressa ideia de
a) inclusão.
b) tempo.
c) modo.
d) quantidade.
e) qualidade.

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Comentários: A alternativa A está correta, pois a ideia expressa aqui é que não só as profissões
diplomadas por uma universidade possuíam anéis: os padres, que também possuíam posição
respeitada na sociedade, eram dignos de usar essas joias. “Até” pode ser substituído por outro
advérbio de inclusão mais comum, como “também”, por exemplo (Os bispos também tinham suas
pedras).
A alternativa B está incorreta, pois apesar de “até” poder ser considerado preposição de tempo,
nesse caso não é este seu valor.
A alternativa C está incorreta, pois não há valor de modo implícito (não é como os padres possuíam
as pedras, mas sim que eles também possuíam).
A alternativa D está incorreta, pois não há valor de quantidade implícito (não é quantas pessoas
possuíam pedras).
A alternativa E está incorreta, pois não há valor de qualidade implícito (não há descrição de como
eram as pedras).
Gabarito: A

4. (ITA – 2015)
Leia os dois excertos de entrevistas com dois africanos de Guiné-Bissau, que foram
universitários no Brasil nos anos 1980.
Excerto 1: Para muitas pessoas, mesmo professores universitários, a África era um país. “Ah,
você veio de onde? Da África?” “Sim, da Guiné-Bissau.” “Ah, Guiné-Bissau, região da África.”
Quer dizer, Guiné-Bissau pra eles é como Brasil, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro.
Excerto 2: Porque a novela passa tudo de bom, o pobre vive bem, né? Mesmo dentro da favela,
você vê aquela casa bonitinha, tal. Então tinha uma ideia, eu, pelo menos, tinha uma ideia de
um Brasil... quer dizer, fantástico!
(Extraídos do curta-metragem Identidades em trânsito, de
Daniele Ellery e Márcio Câmara. Disponível em: http://portacurtas.org.br)

No Excerto 1, a expressão quer dizer introduz uma


a) descrição.
b) explicação.
c) repetição.
d) enumeração.
e) delimitação.
Comentários: A expressão “quer dizer” tem valor explicativo. Pode ser substituída facilmente por
“isto é”, “ou seja” e outros conectivos do mesmo valor. Logo, a correta é alternativa B.
Este é um bom jeito para descobrir o valor de um conectivo: trocar por outros que você tenha mais
segurança do significado.
A está incorreta, pois não está falando características dos países.

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C está incorreta, pois está trazendo um dado novo a partir da análise do que foi dito, não apenas
repetindo.
D está incorreta, pois não realiza uma listagem de informações.
E está incorreta, pois não está ocorrendo restrição de nenhuma informação ou dado.
Gabarito: B

5. (ITA – 2013)
Nove em cada dez usuários de Internet recebem spams em seus e-mails corporativos,
segundo estudo realizado pela empresa alemã Antispameurope, especializada em lixo
eletrônico virtual. Cada trabalhador perde, em média, sete minutos por dia limpando a caixa
de mensagens, e essa quebra na produtividade custa € 828 – pouco mais de R$ 2,3 mil – anuais
às empresas.
Tomando-se como base os números apontados pela pesquisa, uma corporação de médio
porte, com mil funcionários, perde, portanto, € 828 mil por ano – ou R$ 2,3 milhões –com esta
prática que é considerada, apesar de simplória, uma verdadeira praga da modernidade.
O spam remete às mensagens não-solicitadas enviadas em massa, geralmente utilizadas
para fins comerciais, e pode de fato prejudicar consideravelmente a produtividade no
ambiente de trabalho.
Um relatório da Symantec, empresa de segurança virtual, mostra que o Brasil é o segundo
maior emissor de spam do mundo, com geração de 10% de todo o fluxo de mensagens
indesejadas na rede mundial de computadores. Os campeões são os norte-americanos, com
26%. [...]
(Rodrigo Capelo. http://www.vocecommaistempo.com.br.
Acesso em: 23/09/2012. Texto adaptado.)
A expressão “apesar de simplória” no segundo parágrafo pode ser substituída por
a) embora efêmera.
b) no entanto fácil.
c) não obstante comum.
d) ainda que pouco complexa.
e) todavia rápida.
Comentário: A alternativa correta é D. “Apesar de” é uma conjunção concessiva. Pode ser
substituída por outras de igual valor como “embora”, ainda que”, “mesmo que”, “não obstante”,
entre outras.
“Simplória” é um adjetivo que significa ”tola”, “tonta”, “incauta” ou, neste caso, “pouco complexa”.
A alternativa A está incorreta, pois “efêmera” significa “passageira”, “breve”.
A alternativa B está incorreta, pois “fácil” significa “simples”, “descomplicado”.
A alternativa C está incorreta, pois “comum” significa “banal”, “trivial”.

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A alternativa E está incorreta, pois “rápida” significa “veloz”, “ágil”.


Nesta questão, os possíveis significados de “simplória” eram a chave para a resposta, mais do que o
valor da conjunção.
Gabarito: D

6. (ITA – 2011)
Véspera de um dos muitos feriados em 2009 e a insana tarefa de mover-se de um bairro a
outro em São Paulo para uma reunião de trabalho. Claro que a cidade já tinha travado no meio
da tarde. De táxi, pagaria uma fortuna para ficar parada e chegar atrasada, pois até as vias
alternativas que os taxistas conhecem estavam entupidas. De ônibus, nem o corredor
funcionaria, tomado pela fila dos mastodônticos veículos. Uma dádiva: eu não estava de carro.
Com as pernas livres dos pedais do automóvel e um sapato baixo, nada como viver a liberdade
de andar a pé. Carro já foi sinônimo de liberdade, mas não contava com o congestionamento.
Liberdade de verdade é trafegar entre os carros, e mesmo sem apostar corrida, observar
que o automóvel na rua anda à mesma velocidade média que você na calçada. É quase como
flanar. Sei, como motorista, que o mais irritante do trânsito é quando o pedestre naturalmente
te ultrapassa. Enquanto você, no carro, gasta dinheiro para encher o ar de poluentes,
esquentar o planeta e chegar atrasado às reuniões. E ainda há quem pegue congestionamento
para andar de esteira na academia de ginástica.
Do Itaim ao Jardim Paulista, meia horinha de caminhada. Deu para ver que a Avenida Nove
de Julho está cheia de mudas crescidas de pau-brasil. E mais uma porção de cenas que só
andando a pé se pode observar. Até chegar ao compromisso pontualmente.
Claro que há pedras no meio do caminho dos pedestres, e muitas. Já foram inclusive objeto
de teses acadêmicas. Uma delas, Andar a pé: um modo de transporte para a cidade de São
Paulo, de Maria Ermelina Brosch Malatesta, sustenta que, apesar de ser a saída mais utilizada
pela população nas atuais condições de esgotamento dos sistemas de mobilidade, o modo de
transporte a pé é tratado de forma inadequada pelos responsáveis por administrar e planejar
o município.
As maiores reclamações de quem usa o mais simples e barato meio de locomoção são os
"obstáculos" que aparecem pelo caminho: bancas de camelôs, bancas de jornal, lixeira, postes.
Além das calçadas estreitas, com buracos, degraus, desníveis. E o estacionamento de veículos
nas calçadas, mais a entrada e a saída em guias rebaixadas, aponta o estudo.
Sem falar nas estatísticas: atropelamentos correspondem a 14% dos acidentes de trânsito.
Se o acidente envolve vítimas fatais, o percentual sobe para nada menos que 50% – o que
atesta a falta de investimento público no transporte a pé.
Na Região Metropolitana de São Paulo, as viagens a pé, com extensão mínima de 500
metros, correspondem a 34% do total de viagens. Percentual parecido com o de Londres, de
33%. Somadas aos 32% das viagens realizadas por transporte coletivo,que são iniciadas e
concluídas por uma viagem a pé, perfazem o total de 66% das viagens! Um número bem
desproporcional ao espaço destinado aos pedestres e ao investimento público destinado a
eles, especialmente em uma cidade como São Paulo, onde o transporte individual motorizado
tem a primazia.

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A locomoção a pé acontece tanto nos locais de maior densidade –caso da área central,
com registro de dois milhões de viagens a pé por dia –, como nas regiões mais distantes, onde
são maiores as deficiências de transporte motorizado e o perfil de renda é menor. A maior
parte das pessoas que andam a pé tem poder aquisitivo mais baixo. Elas buscam alternativas
para enfrentar a condução cara, desconfortável ou lotada, o ponto de ônibus ou estação
distantes, a demora para a condução passar e a viagem demorada.
Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jardins, por exemplo, é fácil ver carrões que
saem das garagens para ir de uma esquina a outra e disputar improváveis vagas de
estacionamento. A ideia é manter-se fechado em shoppings, boutiques, clubes, academias de
ginástica, escolas, escritórios, porque o ambiente lá fora – o nosso meio ambiente urbano –
dizem que é muito perigoso.
(Amália Safatle. http://terramagazine.terra.com.br, 15/07/2009. Adaptado.)

Assinale a opção em que o termo grifado NÃO indica a circunstância mencionada entre
parênteses.
a) [...] pois até as vias alternativas que os taxistas conhecem estavam entupidas. (Causa)
b) Já foram inclusive objeto de teses acadêmicas. (Tempo)
c) [...] apesar de ser a saída mais utilizada pela população [...]. (Concessão)
d) Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jardins, por exemplo, [...]. (Tempo)
e) [...] porque o ambiente lá fora – o nosso meio ambiente urbano – dizem que é muito
perigoso. (Causa)
Comentários: Na alternativa D há um valor de oposição (algo ocorre algo nos bairros nobres, mas
nos bairros periféricos não).
A alternativa A apresenta o valor mais comum de “pois”: causal.
Na alternativa B, “Já” pode ter valor e tempo quando denotar momento de ação transcorrida
Na alternativa C, se apresenta o valor mais comum de “apesar de”: concessão.
A alternativa E apresenta o uso mais comum desse conectivo: Causal, assim como o pois.
Gabarito: D

7. (ITA – 2010 adaptada)


Indique a opção em que o MAS tem função aditiva.

a) Atenção: na minha coluna não usei “careta” como quadrado, estreito, alienado,
fiscalizador e moralista, mas humano, aberto, atento, cuidadoso.
b) Não apenas no sentido econômico, mas emocional e psíquico: os sem autoestima, sem
amor, sem sentido de vida, sem esperança e sem projetos.
c) Não solto, não desorientado e desamparado, mas amado com verdade e sensatez.

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d) [...] (não me refiro a nomes importantes, mas a seres humanos confiáveis) [...].
e) Pois, na hora da angústia, não são os amiguinhos que vão orientá-los e ampará-los, mas o
pai e a mãe – se tiverem cacife.
Comentários: A alternativa B apresenta função aditiva. Em construções como “não apenas (...) mas”,
há um aspecto de adição. Nesse caso: “No sentido econômico e no emocional e psíquico.”
Na alternativa A, o “mas” tem valor adversativo (pode ser substituído por conjunções adversativas
como “porém”, “todavia”, “contudo”, etc.).
Na alternativa C, o “mas” tem valor adversativo.
Na alternativa D, o “mas” tem valor adversativo.
Na alternativa E, o “mas” tem valor adversativo.
Gabarito: B

8. (ITA - 2008)
Observe o emprego da partícula se, em destaque, nos excertos abaixo:

I. Se no poema é assim, imagina numa partida de futebol, que envolve 22 jogadores se


movendo num campo de amplas dimensões. (linhas 09 e 10)
II. Se é verdade que eles jogam conforme esquemas de marcação e ataque, seguindo a
orientação do técnico, deve-se no entanto levar em conta que cada jogador tem sua percepção
da jogada e decide deslocar-se nesta ou naquela direção, ou manter-se parado, certo de que a
bola chegará a seus pés. (linhas 10 a 13)
III. De fato, se o jogador não estiver psicologicamente preparado para vencer, não dará o
melhor de si. (linhas 50 e 51)

A partícula se estabelece uma relação de implicação em


a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
e) apenas II e III.
Comentários: Uma relação de implicação significa que uma afirmação está condicionada a outra, ou
seja, a oração I implica a existência da oração II.
No Item I. o “se” expressa relação de comparação (o futebol está tão sujeito ao acaso quanto o
poema).
No Item II. o “se” expressa relação de concessão (ainda que seja verdade que [...], ainda assim deve-
se levar em conta [...]).

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No Item III. o “se” expressa relação de condição e, portanto, de implicação (o jogador só dará o
melhor de si se estiver preparado psicologicamente).
Gabarito: C

9. (ITA - 2008)
1
Com um pouco de exagero, costumo dizer que todo jogo é de azar. Falo assim referindo-me
ao futebol que, ao contrário da roleta ou da loteria, implica tática e estratégia, sem falar no
principal, que é o talento e a habilidade dos jogadores. Apesar disso, não consegue eliminar o
azar, isto é, o acaso.
5
E já que falamos em acaso, vale lembrar que, em francês, “acaso” escreve-se “hasard”, como
no célebre verso de Mallarmé, que diz: “um lance de dados jamais eliminará o acaso”. Ele está,
no fundo, referindo-se ao fazer do poema que, em que pese a mestria e lucidez do poeta, está
ainda assim sujeito ao azar, ou seja, ao acaso.
Se no poema é assim, imagina numa partida de futebol, que envolve 22 jogadores se
10
movendo num campo de amplas dimensões. Se é verdade que eles jogam conforme
esquemas de marcação e ataque, seguindo a orientação do técnico, deve-se no entanto levar
em conta que cada jogador tem sua percepção da jogada e decide deslocar-se nesta ou naquela
direção, ou manter-se parado, certo de que a bola chegará a seus pés. Nada disso se pode
prever, daí resultando um alto índice de probabilidades, ou seja, de ocorrências 15imprevisíveis
e que, portanto, escapam ao controle.
Tomemos, como exemplo, um lance que quase sempre implica perigo de gol: o tiro de canto.
Não é à toa que, quando se cria essa situação, os jogadores da defesa se afligem em anular as
possibilidades que têm os adversários de fazerem o gol. Sentem-se ao sabor do acaso, da
imprevisibilidade. O time adversário desloca para a área do que sofre 20o tiro de canto seus
jogadores mais altos e, por isso mesmo, treinados para cabecear para dentro do gol. Isto reduz
o grau de imprevisibilidade por aumentar as possibilidades do time atacante de aproveitar em
seu favor o tiro de canto e fazer o gol. Nessa mesma medida, crescem, para a defesa, as
dificuldades de evitar o pior. Mas nada disso consegue eliminar o acaso, uma vez que o batedor
do escanteio, por mais exímio que 25seja, não pode com precisão absoluta lançar a bola na
cabeça de determinado jogador. Além do mais, a inquietação ali na área é grande, todos os
jogadores se movimentam, uns tentando escapar à marcação, outros procurando marcá-los.
Essa movimentação, multiplicada pelo número de jogadores que se movem, aumenta
fantasticamente o grau de imprevisibilidade do que ocorrerá quando a bola for lançada. A que
altura chegará 30ali? Qual jogador estará, naquele instante, em posição propícia para cabeceá-
la, seja para dentro do gol, seja para longe dele? Não existe treinamento tático, posição
privilegiada, nada que torne previsível o desfecho do tiro de canto. A bola pode cair ao alcance
deste ou daquele jogador e, dependendo da sorte, será gol ou não.
Não quero dizer com isso que o resultado das partidas de futebol seja apenas fruto 35do acaso,
mas a verdade é que, sem um pouco de sorte, neste campo, como em outros, não se vai muito
longe; jogadores, técnicos e torcedores sabem disso, tanto que todos querem se livrar do
chamado “pé frio”. Como não pretendo passar por supersticioso, evito aderir abertamente a
essa tese, mas quando vejo, durante uma partida, meu time perder “gols feitos”, nasce-me o
desagradável temor de que aquele não é um bom dia 40para nós e de que a derrota é certa.

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Que eu, mero torcedor, pense assim, é compreensível, mas que dizer de técnicos de futebol
que vivem de terço na mão e medalhas de santos sob a camisa e que, em face de cada lance
decisivo, as puxam para fora, as beijam e murmuram orações? Isso para não falar nos que
consultam pais-de-santo e pagam promessas a Iemanjá. É como se dissessem: 45treino os
jogadores, traço o esquema de jogo, armo jogadas, mas, independentemente disso, existem
forças imponderáveis que só obedecem aos santos e pais-de-santo; são as forças do acaso.
Mas não se pode descartar o fator psicológico que, como se sabe, atua sobre os jogadores de
qualquer esporte; tanto isso é certo que, hoje, entre os preparadores 50das equipes há sempre
um psicólogo. De fato, se o jogador não estiver psicologicamente preparado para vencer, não
dará o melhor de si.
Exemplifico essa crença na psicologia com a história de um técnico inglês que, num jogo
decisivo da Copa da Europa, teve um de seus jogadores machucado. Não era um craque, mas
sua perda desfalcaria o time. O médico da equipe, depois de atender o 55jogador, disse ao
técnico: “Ele já voltou a si do desmaio, mas não sabe quem é”. E o técnico: “Ótimo! Diga que
ele é o Pelé e que volte para o campo imediatamente”.
(Ferreira Gullar. Jogos de azar. Em: Folha de S. Paulo, 24/06/2007.)
OBS: os números elevados ao longo do texto representam a numeração de linhas original da
prova.

No penúltimo parágrafo, a conjunção mas (linha 48) estabelece com os demais argumentos do
texto uma relação de
a) restrição.
b) adversidade.
c) atenuação.
d) adição.
e) retificação.

Comentários: A conjunção “mas” aparece mais comumente no valor adversativo. Neste caso,
porém, ela não está opondo nenhuma ideia, mas sim adicionando um novo dado. Ela faz um adendo,
trazendo um novo argumento. Por isso, a alternativa correta é a D. Isso prova que não adianta
decorar regras para a prova do ITA! Esta prova cobre o entendimento do contexto e do significado,
muito mais do que as regras.
A alternativa A está incorreta, pois não há valor restritivo (não se pode, por exemplo, substituir o
“mas” por “apenas” sem prejuízo de valor).
A alternativa B está incorreta, pois não há valor de oposição (embora seja o valor mais comum do
“mas”). Não há oposição entre o conteúdo anterior e o posterior à conjunção.

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A alternativa C está incorreta, pois não há atenuação (não se pode, por exemplo, substituir o “mas”
por “embora” sem prejuízo de valor).
A alternativa E está incorreta, pois não há retificação, ou seja, a informação posterior não “corrige”
a anterior.
Gabarito: D

10. (ITA - 2002)


Assinale a frase em que o acento indicativo de crase foi mal empregado:
a) Chegou à uma hora, pontualmente.
b) Os pescadores pegaram o peixe à unha.
c) Saída de veículos à 200 metros.
d) Sua simpatia pelo governo cubano levou-o a vestir-se à Fidel.
e) O horário estabelecido para visitas era das 14 às 16 horas.
Comentários: A alternativa que apresenta incorreção é a C, pois não se usa crase entes de numeral
referente à palavra masculina, no caso, “metros”.
A alternativa A não apresenta incorreção, pois a palavra “hora” é feminina, portanto, o numeral a
ela associado admite crase.
A alternativa B não apresenta incorreção, pois há aqui implícita a ideia de “modo” como o peixe foi
pego, portanto, admite crase.
A alternativa D não apresenta incorreção, pois há aqui implícita a ideia de “modo” como Fidel se
vestia pegado, portanto, admite crase.
A alternativa E não apresenta incorreção, pois a palavra “horas” é feminina, portanto, o numeral a
ela associado admite crase.
Gabarito: C

11. (IME 2018)


DAS VANTAGENS DE SER BOBO
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo
é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz
alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando.".
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por
meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre
tão atentos ____ espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem
como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca
parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
____ desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um
desconhecido para ____ compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o

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aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai
a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico,
a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo:
mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não
desconfiar, e portanto estar tranquilo, enquanto o esperto não dorme à noite com medo de
ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem
menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre
frase: "Até tu, Brutus?".
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido
esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é
uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem
passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam
que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais ____ pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com
tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não
nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar
o excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o
amor faz o bobo.
LISPECTOR, Clarice. Das vantagens de ser bobo. Disponível em:
http://www.revistapazes.com/das-vantagens-de-ser-bobo/. Acesso em 10 de maio de 2017.
Originalmente publicado no Jornal do Brasil em 12 de setembro de 1970.

Marque a opção que completa corretamente os claros encontrados no texto, abaixo


destacados:
Os espertos estão sempre tão atentos ____ espertezas alheias (linhas 6 e 7);
____ desvantagem, obviamente (linha 10);
confiou na palavra de um desconhecido para ____ compra de um ar refrigerado de segunda
mão (linhas 10 e 11);
Há lugares que facilitam mais ____ pessoas serem bobas (linha 29).
a) às – Há – a – às
b) as – A – à – as
c) às – Há – a – as
d) às – A – a – às

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e) as – A – à – às
Comentários: As lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:
- Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias(...) – a palavra “atento” exige
preposição “a” nesse caso, que, aliado à palavra “espertezas”, forma crase.
- Há desvantagem, obviamente (...) – o verbo “haver” tem aqui sentido de “existir”.
- confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão (...)
– já há uma preposição ligando os termos (“para”). Como não se pode, nesse caso, encadear as duas
preposições, o “a” é apenas artigo que acompanha “compra”.
- Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (...). – o verbo “facilitar” é transitivo direto,
ou seja, não admite preposição. Além disso, “as pessoas” é o sujeito dessa oração, portanto, não é
passível de ser preposicionado.

A alternativa A poderia ser ponto de confusão caso você não


lembrasse da regência de “facilitar”! Por isso, lembre-se do que falamos ao longo da aula: é preciso
saber decorar a regência de alguns dos verbos mais usados.
Gabarito: C

12. (IME – 2011 adaptada)


Assinale a alternativa em que a análise da relação de sentido expressa pelo elo coesivo
destacado em negrito está EQUIVOCADA.

a) “O resultado será o mesmo em qualquer mensuração, desde que se use um relógio


preciso”.
Relação de condição: apresenta uma condição relativamente ao que se afirma na oração
anterior.
b) “O tempo é independente e completamente separado do espaço. Isso é no que a maioria
das pessoas acredita; é o consenso. Entretanto, tivemos que mudar nossas ideias sobre espaço
e tempo”.
Relação de oposição: apresenta uma argumentação contrária ao que foi dito antes.
c) “Ainda que nossas noções, aparentemente comuns, funcionem a contento quando
lidamos com maçãs ou planetas, que se deslocam comparativamente mais devagar, não
funcionam absolutamente para objetos que se movam à velocidade da luz, ou em velocidade
próxima a ela”.
Relação de concessão: introduz uma ideia de quebra de uma expectativa em relação ao que
se espera.
d) “Ele mostrou que o conceito de éter era desnecessário, uma vez que se estava querendo
abandonar o de tempo absoluto”.

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Ligação de alternância: introduz uma oração cujo conteúdo exclui o conteúdo da outra.
e) “Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui,
nem muda de direção. Portanto o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer
força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme”.
Ligação conclusiva: introduz uma conclusão relativamente ao enunciado anterior.
Comentários: A alternativa D é a incorreta, pois “uma vez que” é uma conjunção que expressa valor
de causa, não alternância. O período significa que “ele mostrou que o conceito de éter era
desnecessário, já que se estava querendo abandonar o de tempo absoluto.
Substituindo-se os conectivos por outros mais comuns de cada tipo de relação, teríamos:
A alternativa A está correta, pois pode-se substituir o conectivo por “se”.
A alternativa B está correta, pois pode-se substituir o conectivo por “mas”.
A alternativa C está correta, pois pode-se substituir o conectivo por “embora”.
A alternativa E está correta, pois pode-se substituir o conectivo por “logo”.
Gabarito: D

13. (IME – 2009)


Observe os trechos abaixo:
I. Apesar disso, a imigração continua com a chegada da segunda leva de imigrantes em 1910.
(Texto 1, ref. 5)
II. Parte da família deixava o país como “dekassegui”, enquanto a outra permanecia para
prosseguir os estudos ou os negócios da família. (Texto 1, ref. 20 - 25)
III. Nesta cidade, que já era plural, ... (Texto 2, ref. 10)
IV. Houve uma determinação de que os homens pretos e também os mestiços não deveriam
comparecer à cerimônia na Igreja, ... (Texto 2, ref. 30)

Indique o item que esclarece a intenção de cada trecho destacado nas frases I, II, III e IV,
respectivamente.
a) Contrariedade; simultaneidade; explicação; explicação.
b) Tempo; concessão; consequência; condição.
c) Explicação; tempo; tempo; explicação.
d) Contrariedade; concomitância; restrição; finalidade.
e) Contraste; comparação; explicação; finalidade.
Comentários: Esta questão apresentou um problema de elaboração. Duas alternativas poderiam
responder à pergunta e, como os gabaritos de segunda fase do IME não estão disponíveis para essa
data, não é possível saber qual foi a decisão do gabarito oficial ou se houve anulação da questão. O
que se pode presumir analisando os itens é:
Em I. há valor de oposição/contrariedade e contraste em “apesar disso”.

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Em II. há valor de tempo em “enquanto”, assumindo a ideia de simultaneidade. Porém, não se pode
excluir um valor de comparação entre os termos: “enquanto alguém fez X, outro alguém fez Y”.
Em III. há valor indiscutível de explicação, pois dá uma característica para como era a cidade na
época.
Em IV. há duas possibilidades:
- Explicação: se assumirmos que a explicação para a criação da lei é o potencial medo do príncipe,
então o porque tem valor de explicação.
- Finalidade: se assumirmos que a finalidade da determinação era que o príncipe não se assustasse,
então o porquê tem valor de finalidade.

De toda maneira, ainda que possa haver essa dúvida, a alternativa A parece a que melhor se
relaciona com o pedido. Como a questão dava margem a essa dúvida, optamos por deixar
demarcado as duas respostas. Caso se consiga a informação de qual foi o gabarito oficial, este
exercício será atualizado.
Gabarito: A/E

14. (IME - 2009)


De acordo com a norma culta da nossa língua, que período pode ser considerado correto?
a) A imigração obedece a regras restritas em todos os países.
b) Não conseguindo salvar minha família, preferia à morte.
c) Informei-lhe de todas as opiniões.
d) Muitos japoneses preferiam mais o trabalho em terras estrangeiras do que a pobreza em
seu país.
e) Esquecia sempre dos compromissos de campanha.
Comentários: A alternativa A é a que respeita a regência prescrita na norma culta. O verbo obedecer,
por ser transitivo indireto, deve ser preposicionado, no caso, a preposição “a”. esse “a” dispensa
crase, pois o termo seguinte está no plural. O termo só seria craseado se a construção fosse
“obedece às regras”.
A alternativa B está incorreta, pois “preferir” dispensa preposição “a” nessa construção. A
construção correta seria “preferia a morte”.
A alternativa C está incorreta, pois “informar” dispensa preposição “de” nessa construção. A
construção correta seria “Informei-lhe todas as opiniões”.
A alternativa D está incorreta, pois não se utiliza “mais” após “preferir”. A construção correta seria
“Muitos japoneses preferiam o trabalho (...)”
A alternativa E está incorreta, pois para que o “esquecer” seja acompanhado da preposição “de”, é
preciso o uso da partícula “se”. A construção correta seria “Esquecia-se sempre dos compromissos
de campanha”.
Gabarito: A

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15. (IME - 2008)


Empresa produz biodiesel com sobra de óleo de dendê
Depois de mais de duas décadas produzindo óleo de dendê, conhecido como azeite-de-dendê,
há dois anos, foi descoberto que se poderia obter economia, gerar negócio e diminuir a
poluição atmosférica, simplesmente utilizando-se as sementes do dendê não 5apropriadas
para o consumo humano, que antes eram descartadas. Esta sobra da produção do óleo, em
vez de ir para o lixo, agora é transformada em biodiesel.
O combustível renovável foi batizado de palmdiesel e, para obtê-lo, cerca de 95% dos ácidos
graxos do óleo de dendê são 10aproveitados. O biodiesel é isento de glicerina e custa muito
menos que o combustível fóssil, além de ter o mesmo rendimento.
Hoje, entre todas as matérias-primas cotadas para a produção de biodiesel no Brasil, o dendê
é a que mais produz óleo por área plantada. Para se ter uma ideia, um hectare de dendê pode
15produzir de 20 até 30 toneladas de cachos. O dendezeiro é a oleaginosa de maior
produtividade conhecida, além de fornecer o óleo mais consumido no mundo. Por este e
outros motivos, o cultivo do dendê constitui uma alternativa viável e rentável para a
recuperação de áreas alteradas, além de ser uma cultura 20extremamente versátil, sendo dela
aproveitados os óleos da semente (óleo de dendê) e do mesocarpo (óleo de palmiste), os
cachos e os resíduos do processo de extração de óleo (glicerina).
Atualmente, está entre as principais oleaginosas para produção de biodiesel. No Pará, a
matéria-prima não falta. O estado 25é o maior produtor de dendê do Brasil, além de possuir
cinco milhões de hectares aptos à cultura. Neste estado, a totalidade de áreas ou zonas
classificadas como de alta e média potencialidades correspondem aproximadamente a 23,7%
do território paraense. Essas áreas têm condições de produzir dendê para absorver grandes
30demandas internas e externas, o que tornaria o Estado do Pará (e o Brasil), no ranking
mundial, o maior produtor e exportador de óleo de dendê do mundo.
PEDROZO, Soraia Abreu. Empresa produz biodiesel com sobra de óleo de dendê. Disponível
em <http//www.biodiesel com. Acesso em 11 ago 2007. (com adaptações)

Os fragmentos a seguir, retirados da internet (www.sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br),


foram adaptados. Leia-os atentamente e marque a alternativa que se encontra totalmente de
acordo com as regras gramaticais da língua portuguesa.
a) O gerenciamento eficiente e o uso de tecnologias, visando reduzir custos e aumentar
produtividade passam, a ter especial importância para produtores participarem em mercados
cada vez mais globalizados e competitivos.
b) A Embrapa Uva e Vinho, em cumprimento de sua missão institucional e em consonância
com as ações de transferência tecnológica da Empresa, vem disponibilizando, desde 2003,
informações sistematizadas e atualizadas sobre produtos e processos relativos a cadeia
produtiva da uva, do vinho e das frutas de clima temperado.
c) O sisal (Agave sisalana) é a principal fonte de extração de fibras duras vegetais do mundo.
No Brasil, o seu cultivo ocupa uma extensa área de solos pobres na região semiárida dos

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estados da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, ou seja, em regiões com escasses para
exploração de outras culturas.
d) O Brasil é o sexto maior produtor de leite do mundo e cresce a uma taxa anual de 4%,
superior à de todos os países que ocupam os primeiros lugares. Respondemos por 66% do
volume total de leite produzido nos países que compõem o Mercosul. Pelo faturamento de
alguns produtos da indústria brasileira de alimentos na última década, pode-se avaliar a
importância relativa do produto lácteo no contexto agrícola nacional, registrando 248% de
aumento contra 78% de todos os segmentos.
e) As técnicas a serem adotadas para a produção das mudas de eucalípto devem atender as
necessidades de cada produtor, em termos de disponibilidade, localização de área, grau de
tecnologia e dos recursos financeiros disponíveis.
Comentários:
A alternativa A está incorreta, pois não deveria haver uma vírgula entre “passam” e “a ter”. A vírgula
deveria estar antes de “passam”.
A alternativa B está incorreta, pois o “a” em “relativos a cadeia produtiva” deveria ser craseado, já
que “relativos” exige preposição “a”. A construção correta seria “relativos à cadeia produtiva”
A alternativa C está incorreta, pois a palavra “escasses” está grafada incorretamente. A grafia correta
é “escassez”.
A alternativa E está incorreta, pois a palavra “eucalípito” está grafada incorretamente (a grafia
correta é “eucalipto”) e o “as” em “as necessidades” deveria ser craseado (a construção correta seria
“atender às necessidades”).
Gabarito: D

16. (IME - 2008)


Apelo de Dona Flor em aula e em devaneio
Me deixem em paz com meu luto e minha solidão. Não me falem dessas coisas, respeitem meu
estado de viúva. Vamos ao fogão: prato de capricho e esmero é o vatapá de peixe (ou de galinha),
o mais famoso de toda a culinária da Bahia. Não me digam que sou jovem, sou viúva: morta estou
para essas coisas. Vatapá para servir a dez pessoas (e para sobrar como é devido).
Tragam duas cabeças de garoupa fresca. Pode ser de outro peixe, mas não é tão bom. Tomem do
sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e o suco de um limão.
Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve português como
espanhol; ouvi dizer que o grego inda é melhor, não sei.
Jamais usei por não encontrá-lo à venda. Se encontrar um noivo, que farei? Alguém que retome
meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocês, meninas, da intimidade
das viúvas? Desejo de viúva é desejo de deboche e de pecado, viúva séria não fala nessas coisas,
não pensa nessas coisas, não conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu fogão.
Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponha a cozinhar num bocadinho d’água, um
bocadinho só, um quase nada.
Depois é só coar o molho, deixá-lo à parte, e vamos adiante.

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....................................................................................................................................................
A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dendê, duas xícaras
bem medidas: flor de dendê, da cor de ouro velho, a cor do vatapá. Deixem cozinhar por longo
tempo em fogo baixo; com a colher de pau não parem de mexer, sempre para o mesmo lado: não
parem de mexer senão embola o vatapá. Mexam, remexam, vamos, sem parar; até chegar ao
ponto justo e exatamente.
Em fogo lento meus sonhos me consomem, não me cabe culpa, sou apenas uma viúva dividida
ao meio, de um lado viúva honesta e recatada, de outro viúva debochada, quase histérica,
desfeita em chilique e calundu. Esse mando de recato me asfixia, de noite corro as ruas em busca
de marido. De marido a quem servir o vatapá doirado e meu cobreado corpo de gengibre e mel.
Chegou o vatapá ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo falta apenas derramar um pouco de
azeite-de-dendê por cima, azeite cru. Acompanhado de acaçá o sirvam, e noivos e maridos
lamberão os beiços.
AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos.
Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 231-233.

Observe as orações a seguir e independente de seu contexto original, marque a opção em que a
expressão destacada foi substituída corretamente pelo pronome oblíquo átono.
a) Mancha continua. / Só não desmancha prazer. (Texto II, linhas 17 e 18)
Mancha continua, / Só não a desmancha.
b) (...) foi descoberto que se poderia obter economia (...) (Texto I, linhas 2 e 3)
(...) foi descoberto que se poder-lhe-ia obter.
c) (...) é a que mais produz óleo por área plantada. (Texto I, linhas 13 e 14)
é a que mais produz-no por área plantada.
d) Tragam duas cabeças de garoupa fresca. (Texto III, linha 7)
Tragam-nas.
e) A seguir agreguem leite de coco (...) (Texto III, linha 23)
A seguir agreguem-o.
Comentários: A alternativa em que ocorre substituição correta é o D. “Tragam”, por terminar em
som nasal “m”, exige que se adicione um “n” antes do pronome, para que a sonoridade não fique
prejudicada. Como “duas cabeças de garoupa fresca” é feminino plural, o pronome correspondente
é “as”.
A alternativa A está incorreta, pois para que houvesse correspondência, o pronome deveria se
referir a “prazer” que, como palavra masculina” seria representado pelo “o”.
A alternativa B está incorreta, pois caso fosse transformada em mesóclise, a estrutura seria “poder-
se-ia”. Lembre-se que a mesóclise é pouco usada e comumente prefere-se utilizar a próclise em seu
lugar. Portanto, neste caso, em que há uma oração com conectivo de subordinação “que”, ocorreria
uma mesóclise com “se” e não com “lhe”.

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A alternativa C está incorreta, pois por terminar em “z”, “produz” exige que se adicione um “l” antes
do pronome. A forma correta, portanto, é “produ-lo”.
A alternativa E está incorreta, pois por terminar em som nasal “m”, “agreguem” exige que se
adicione um “n” antes do pronome. A forma correta, portanto é “agreguem-no”.
Gabarito: D

17. (IME - 2007 - Adaptada)


Observe as opções abaixo:

I. ...ajusta seus comandos as circunstâncias.


II. Começaram a aparecer novas experiências.
III. A poesia anunciava as lágrimas jogadas ao mar.
IV. Referia-se a pesquisas experimentais com os primatas.
V. Comunicava sempre a esposa sobre seus novos poemas.
VI. Ele chegará a partir da próxima semana.

Assinale a alternativa que apresenta os conjuntos relacionados em que o a deveria, de acordo


com a norma culta, receber acento grave.
a) I, IV e V.
b) I e IV.
c) I e V.
d) I, II e VI.
Comentários:
O item I exige crase, pois “ajustar” demanda preposição “a” neste caso.
O item II não exige crase, pois não se usa artigo antes de verbo.
O item III não exige crase, pois “anunciava” não demanda proposição “a” neste caso.
O item IV não exige crase, pois “pesquisas” está no plural. Só se utilizaria crase caso a grafia fosse
“referia-se às pesquisas (...).”
O item V exige crase, pois “comunicar” demanda preposição “a” neste caso.
O item VI não exige crase, pois “partir” é verbo e, portanto, não é precedido de artigo.
Gabarito: C

18. (IME - 2006)


O sobrevivente
Carlos Drummond de Andrade

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Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.


Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.


Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta


muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram


e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

SECCHIN, Antônio Carlos. Antologia temática da poesia brasileira. Rio de Janeiro: Faculdade de
Letras, UFRJ, 2004.
Observe o verso:
“Tinha um nome de que ninguém se lembra mais”. (1a estrofe) Assinale a opção que, após a
substituição do segundo verbo, possui incorreção na regência verbal.
a) Tinha um nome em que ninguém acredita mais.
b) Tinha um nome que ninguém ouve mais.
c) Tinha um nome de que ninguém fala mais.
d) Tinha um nome a que ninguém confia mais.

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Comentários: O verbo “confiar”, nesse caso, exige a preposição “em”, pois o verbo atua como VTI:
Ninguém confia mais em um nome. A preposição “a” é utilizada em “confiar” em construções em
que o verbo atua como VTDI: Ninguém confia algo a alguém.
A alternativa A não apresenta incorreções, pois, nesse caso, “acreditar” exige a preposição “em”.
A alternativa B não apresenta incorreções, pois, nesse caso, “ouvir” exige a preposição “de”.
A alternativa C não apresenta incorreções, pois, nesse caso, “falar” exige a preposição “de”.
Gabarito: D

19. (IME - 1996)


Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases a seguir:

I- Saíram daqui______ pouco, mas voltarão daqui______ pouco, pois moram


apenas______dois quilômetros de distância.
II- _______foram suas amigas? _______ estarão agora?

a) há - a - a - Aonde - Onde
b) há - há - à - Onde - Onde
c) há - a - a - Aonde - Aonde
d) a - a - à - Para onde - Por onde
e) a - há - há - Por onde - Aonde
Comentários:
No item I., o primeiro espaço deve-se completar com “há”, pois tem sentido de “saíram daqui tem
pouco tempo”; o espaço deve-se completar com “a”, pois completa a expressão “daqui a pouco”; e
o terceiro espaço deve-se completar com “a”, pois o verbo “morar”, neste caso, pede uso de
preposição (sem crase, pois “quilômetros” é palavra masculina.
No item II, o primeiro espaço deve-se completar com “aonde”, pois tem sentido de “para onde
foram”; e o segundo espaço deve-se completar com “onde”, pois neste caso, denota adverbio de
lugar.
Gabarito: A

20. (UFRGS – 2018)


- Temos sorte de viver no Brasil - dizia meu pai, depois da guerra. - Na Europa mataram milhões
de judeus.
Contava as experiências que os médicos nazistas faziam com os prisioneiros. Decepavam-lhes as
cabeças, faziam-nas encolher - à maneira, li depois, dos índios Jivaros. Amputavam pernas e
braços. Realizavam estranhos transplantes: uniam a metade superior de um homem _____
metade inferior de uma mulher, ou aos quartos traseiros de um bode. Felizmente morriam essas
atrozes quimeras; expiravam como seres humanos, não eram obrigadas a viver como aberrações.

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(____ essa altura eu tinha os olhos cheios de lágrimas. Meu pai pensava que a descrição das
maldades nazistas me deixava comovido.)
Em 1948 foi proclamado o Estado de Israel. Meu pai abriu uma garrafa de vinho - o melhor vinho
do armazém -, brindamos ao acontecimento. E não saíamos de perto do rádio, acompanhando
_____ notícias da guerra no Oriente Médio. Meu pai estava entusiasmado com o novo Estado:
em Israel, explicava, vivem judeus de todo o mundo, judeus brancos da Europa, judeus pretos da
África, judeus da Índia, isto sem falar nos beduínos com seus camelos: tipos muito esquisitos,
Guedali.
Tipos esquisitos - aquilo me dava ideias. Por que não ir para Israel? Num país de gente tão
estranha - e, ainda por cima, em guerra - eu certamente não chamaria a atenção. Ainda menos
como combatente, entre a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu me via correndo pelas ruelas de
uma aldeia, empunhando um revólver trinta e oito, atirando sem cessar; eu me via caindo, varado
de balas. Aquela, sim, era a morte que eu almejava, morte heroica, esplêndida justificativa para
uma vida miserável, de monstro encurralado. E, caso não morresse, poderia viver depois num
kibutz. Eu, que conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria muito a fazer ali. Trabalhador
dedicado, os membros do kibutz terminariam por me aceitar; numa nova sociedade há lugar para
todos, mesmo os de patas de cavalo.
Adaptado de: SCLIAR, M. O centauro no jardim. 9. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001. UFRGS - CV
2018 - LP 09.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 6, 8 e 11, nessa ordem.
a) à - À - às
b) a - A - às
c) à - A - às
d) a - À - as
e) à - A – as
Comentários:
Na primeira lacuna, deve-se completar com “à”, pois o verbo “unir” é transitivo direto e indireto.
Portanto, a construção correta é “(...) uniam a metade superior de um homem à metade inferior de
uma mulher”
Na segunda lacuna, deve-se completar com a preposição “a”, sem acento grave, pois o termo
consequente (essa) não permite artigo. Portanto, a construção correta é “A essa altura eu tinha os
olhos cheios de lágrimas.”
NA terceira lacuna, deve-se completar com o artigo “as”, sem acento grave, pois o verbo
“acompanhar”, nesse caso, é transitivo direto. Portanto, a construção correta é “(...) acompanhando
as notícias da guerra no Oriente Médio”.
Gabarito: E

21. (UFJF MG/2017)


Além disso, parte dos participantes teve sua atividade cerebral medida através de ressonância
magnética funcional.

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Assim, foi observado que a resposta da amídala, uma região do cérebro na qual se processam as
reações emocionais, era mais intensa na primeira vez que os participantes enganavam seus
companheiros.

Os termos em destaque, nos trechos acima, estabelecem relação de:


a) complementação e de conclusão de raciocínio.
b) continuidade e de inversão de raciocínio.
c) conclusão e de adição de informação.
d) complementação e de causalidade.
e) causalidade e de conclusão.
Comentários: “Além disso” é um conectivo que expressa ideia de adição de novas informações,
complementando o que já havia sido dito antes. Já “assim” é um conectivo que expressa conclusão,
apanhando todas as ideias faladas até então e resumindo numa conclusão. Portanto, a alternativa
correta é A.
A alternativa B é incorreta, pois não há inversão de raciocínio em “assim”, pelo contrário, há
apanhado de ideias.
A alternativa C é incorreta, pois “além disso” dá ideia de adição, não conclusão e “assim” dá ideia
de conclusão, não adição.
A alternativa D é incorreta, pois “assim” não tem noção de causalidade, mas sim de “conclusão”.
A alternativa E é incorreta, pois “além disso” não tem noção de causa, mas de adição.
Gabarito: A

22. (FGV - 2017)


Foi exatamente durante o almoço que se deu o fato.
Almira continuava a querer saber por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos. Abatida,
Alice mal respondia. Almira comia com avidez e insistia com os olhos cheios de lágrimas.
– Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva. Você não pode me deixar em paz?!
Almira engasgou-se com a comida, quis falar, começou a gaguejar. Dos lábios macios de Alice
haviam saído palavras que não conseguiam descer com a comida pela garganta de Almira G. de
Almeida.
– Você é uma chata e uma intrometida, rebentou de novo Alice. Quer saber o que houve, não é?
Pois vou lhe contar, sua chata: é que Zequinha foi embora para Porto Alegre e não vai mais voltar!
Agora está contente, sua gorda?
Na verdade Almira parecia ter engordado mais nos últimos momentos, e com comida ainda
parada na boca.

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Foi então que Almira começou a despertar. E, como se fosse uma magra, pegou o garfo e enfiou-
o no pescoço de Alice. O restaurante, ao que se disse no jornal, levantou-se como uma só pessoa.
Mas a gorda, mesmo depois de ter feito o gesto, continuou sentada olhando para o chão, sem ao
menos olhar o sangue da outra.
Alice foi ao pronto-socorro, de onde saiu com curativos e os olhos ainda regalados de espanto.
Almira foi presa em flagrante.
Na prisão, Almira comportou-se com delicadeza e alegria, talvez melancólica, mas alegria mesmo.
Fazia graças para as companheiras. Finalmente tinha companheiras. Ficou encarregada da roupa
suja, e dava-se muito bem com as guardiãs, que vez por outra lhe arranjavam uma barra de
chocolate.
(Clarice Lispector. A Legião Estrangeira, 1964. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a preposição “de” forma uma expressão indicativa de causa.
a) ... por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos.
b) ... e insistia com os olhos cheios de lágrimas.
c) – Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva.
d) ... pegou o garfo e enfiou-o no pescoço de Alice.
e) Mas a gorda, mesmo depois de ter feito o gesto...
Comentários: O “de” expressa relação de causa na alternativa C: ela estava branca porque estava
com raiva (branca por causa da raiva).
A alternativa A está incorreta, pois “de olhos vermelhos” relata o estado em que Alice veio, mas não
indica causa.
A alternativa B está incorreta, pois “de lagrimas” identifica do que os olhos estavam cheios, não
porque estavam cheios.
A alternativa D está incorreta, pois “de Alice” indica de quem é o pescoço, portanto não há relação
de causa, mas pertencimento.
A alternativa E está incorreta, pois “depois de” indica posterioridade, não causa.
Gabarito: C

23. (FGV - 2017)

Pobres precisam de banheiro, não de celular, diz BM

1
As famílias mais pobres do mundo estão mais propensas a terem telefones 2 celulares do que
banheiros ou água limpa.
3
Segundo relatório do Banco Mundial, intitulado ”Dividendos Digitais”, o número 4 de usuários
de internet mais que triplicou em uma década, para 3,2 bilhões no final 5 do ano passado,
representando mais de 40 por cento da população mundial.

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6
Embora a expansão da internet e de outras tecnologias digitais tenha facilitado 7 a comunicação
e promovido um senso de comunidade global, ela não ofereceu o 8 enorme aumento de
produtividade que muitos esperavam, disse o Banco. Ela também 9 não melhorou as
oportunidades para as pessoas mais pobres do mundo, nem ajudou 10 a propagar a “governança
responsável”.
11
“Os benefícios totais da transformação da informação e comunicação somente se 12 tornarão
realidade se os países continuarem a melhorar seu clima de negócios, 13 investirem na educação
e saúde de sua população e proverem a boa governança. Nos 14 países em que esses fundamentos
são fracos, as tecnologias digitais não impulsionam 15 a produtividade nem reduzem a
desigualdade”, afirmou o relatório.
16
A visão do Banco Mundial contrasta com o otimismo dos empreendedores da 17 tecnologia,
como Mark Zuckerberg e Bill Gates, que têm argumentado que o acesso 18 universal à internet é
essencial para eliminar a pobreza extrema.
19
“Quando as pessoas têm acesso às ferramentas e ao conhecimento da internet, 20 elas têm
acesso a oportunidades que tornam a vida melhor para todos nós”, diz uma 21 declaração do ano
passado assinada, entre outros, por Zuckerberg e Gates.
22
Segundo o Banco Mundial, conectar o mundo “é essencial, mas está longe de ser 23 suficiente”
para eliminar a pobreza.
http://exame.abril.com.br 14//01/2016. Adaptado.
No trecho “é essencial, mas está longe de ser suficiente” (Refs. 22-23), a palavra sublinhada
poderia ser corretamente substituída por
a) porquanto.
b) posto que.
c) conquanto.
d) não obstante.
e) por conseguinte.
Comentários: Neste contexto, “mas” é uma conjunção que denota oposição. Portanto, deve ser
substituída por outra de igual valor. A alternativa D, não obstante, apresenta a melhor opção.
A alternativa A está incorreta, pois “porquanto” tem valor de consequência.
A alternativa B está incorreta, pois “posto que” tem valor de consequência.
A alternativa C está incorreta, pois “conquanto” tem valor de concessão.
A alternativa E está incorreta, pois “por conseguinte” tem valor de consequência.
Gabarito: D

24. (IBMEC - 2016)


Nada além
O amor bate à porta
e tudo é festa.

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O amor bate a porta


e nada resta.
Cineas Santos. Disponível em:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/cin01.html. Acesso em 03/08/2015.

Em relação ao jogo de ideias presente no par “bate à porta” e “bate a porta” nos versos acima, é
correto afirmar que o emprego do acento grave está associado a

a) fatores sintáticos que determinam diferentes significados.


b) opções estilísticas que conferem sonoridade e ritmo ao poema.
c) elementos morfológicos que acarretam mudança de classe gramatical.
d) mecanismos fonológicos que promovem a tonicidade das palavras.
e) recursos argumentativos que explicitam efeitos de subjetividade nos textos.
Comentários: Em “bate à porta” há significado figurado. O termo significa que o amor chegou, que
ele se direcionou a algum lugar. Já em “bate a porta”, não há ideia de movimento em direção a
nenhum lugar. Significa que ele fechou a porta, ação comumente referida como “bateu”.
A alternativa B está incorreta, pois o “a” craseado e a preposição tem o mesmo som, logo, não é
uma questão de sonoridade.
A alternativa C está incorreta, pois presume-se a crase a partir do contexto da frase, não por
aspectos morfológicos.
A alternativa D está incorreta, pelo mesmo motivo que B: o “a” craseado e a preposição tem o
mesmo som, logo, não é uma questão de sonoridade.
A alternativa E está incorreta, pois não há recursos de argumentação, mas sim uma brincadeira com
o termo “bater a porta” utilizado de duas maneiras diferentes.
Gabarito: A

25. (FGV - 2016)


Na virada do século, chegou o euro. Na prática, era como se o marco alemão mudasse de nome
para “euro” e passasse a suprir o resto do continente (a maior parte dele, pelo menos). Parecia
bom para todas as partes. Os governos dos países menos pibados passariam a receber os
impostos dos seus cidadãos em euros, uma moeda garantida pelo PIB alemão. Impostos servem
para pagar as dívidas dos governos – além da lagosta dos governantes. E agora os contribuintes
pagavam em euros. Resultado: o mercado passou a emprestar para os países bagunçados da
Europa a juros baixíssimos.
Aí choveu euro na periferia da Europa. A economia ali cresceu como nunca, mas os governantes
gastaram como sempre. Além disso, não perceberam que seus países eram pequenos demais
para suportar o peso de uma moeda forte.

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Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação deles diminuiu. Menos arrecadação, mais
problemas para pagar dívidas. Aí tome mais dinheiro emprestado para ir rolando a pendura, só
que agora a juros menos fofos.
(Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, assinale a alternativa correta quanto à regência e ao uso ou não
do acento indicativo da crase.

a) Coube à moeda alemã à garantia que o euro chegasse com segurança a países europeus.
b) Coube a moeda alemã à garantia de que o euro chegasse com segurança nos países
europeus.
c) Coube à moeda alemã a garantia de que o euro chegasse com segurança aos países
europeus.
d) Coube à moeda alemã a garantia que o euro chegasse com segurança à países europeus.
e) Coube a moeda alemã a garantia que o euro chegasse com segurança nos países europeus.
Comentários: Caber, no sentido de responsabilidade, exige a presença de preposição. Como
“moeda” é uma palavra feminina, a grafia correta é “coube à moeda alemã”.
“garantia de que o euro chegasse com segurança” é o complemento direto de “caber”, ou seja, sem
preposição. Portanto, a grafia correta é “a garantia de que (...)”, sem crase.
A regência de “chegar” neste caso é com a preposição “a”. Portanto, a grafia correta é “chegasse
com segurança aos países europeus”, já que “países europeus” é palavra masculina, precedida de
artigo “os”.
ATENÇÃO: apesar de comum na oralidade, não se usa a preposição “em” para denotar local em que
se chega.
Gabarito: C

26. (UNESP - 2016)


Art. 6 São direitos básicos do consumidor:
o

I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no


fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
II – a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a
liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação
correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem
como sobre os riscos que apresentem;
IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou
desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de
produtos e serviços;

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V – a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua


revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e
difusos;
VII – o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de
danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica,
administrativa e técnica aos necessitados;
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu
favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
IX – a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
Art. 7 Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou
o

convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de


regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que
derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade.
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela
reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
(www.planalto.gov.br)

Nos trechos “asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade das contratações” (inciso II) e
“assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados” (inciso VII), a análise
das concordâncias dos adjetivos em destaque permite afirmar que
a) apenas a primeira ocorrência está correta.
b) apenas a segunda ocorrência está correta.
c) as duas ocorrências são aceitáveis, mas não corretas.
d) as duas ocorrências estão incorretas.
e) as duas ocorrências estão corretas
Comentários: Para responder a essa questão, é preciso analisar os termos centrais da oração para
descobrir se há concordância entre o verbo e eles.
Em “asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade das contratações” há dois termos centrais:
“liberdade” e “igualdade”. Portanto, o verbo precisa estar no plural.
Já em “assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados”, o termo central
é “proteção”. Portanto, o verbo precisa estar no singular. Essa segunda oração pode causar dúvidas,
já que há referência a três elementos diferentes: proteção jurídica, proteção administrativa e
proteção técnica. Porém, a palavra “proteção”, que é a informação central, está no singular. Se a
construção fosse a partir de “as proteções jurídica, administrativa e técnica”, o verbo deveria vir no
plural.
Gabarito: E

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27. (IBMEC - 2015)


Segundo a Wikipedia, o direito autoral do autorretrato, o "selfie" para usar o termo da moda, que
uma macaca fez com o equipamento que furtara de um fotógrafo pertence ao animal. A discussão
surgiu porque David Slater, o dono da máquina, pedira aos editores da enciclopédia que
retirassem a imagem por violação de direitos autorais. Como piada, a argumentação da Wikipedia
funciona bem. Receio, porém, que essa linha de raciocínio deixe uma fronteira jurídica
desguarnecida. Se os direitos pertencem à macaca, por que instrumento legal ela os cedeu à
enciclopédia?
Não são, entretanto, questiúnculas jurídicas que eu gostaria de discutir aqui, mas sim a noção de
autoria. Obviamente ela transcende à propriedade do equipamento. Se a foto não tivesse sido
tirada por uma macaca, mas por um outro fotógrafo com a máquina de Slater, ninguém hesitaria
em creditar a imagem a esse outro profissional. Só que não é tão simples. Imaginemos agora que
Slater está andando pela trilha e, sem querer, deixa seu aparelho cair no chão, de modo que o
disparador é acionado. Como que por milagre, a máquina registra uma imagem maravilhosa, que
ganha inúmeros prêmios. Neste caso, atribuir a foto a Slater não viola nossa intuição de autoria,
ainda que o episódio possa ser descrito como uma obra do acaso e não o resultado de uma ação
voluntária.
A questão prática aqui é saber se o "selfie" da macaca está mais para o caso do fotógrafo que usa
a máquina de outro profissional ou para o golpe de sorte. E é aqui que as coisas vão ficando
complicadas. Fazê-lo implica não só decidir quanta consciência devemos atribuir à símia mas
também até que ponto estamos dispostos a admitir que nossas vidas são determinadas pelo
aleatório. E humanos, por razões evolutivas, temos verdadeira alergia ao fortuito. Não foi por
outro motivo que inventamos tantos panteões de deuses.
(Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo, 09/08/2014)

Na passagem “Obviamente ela transcende à propriedade do equipamento”, o emprego do sinal


indicador de crase é
a) inadequado, pois o termo regido é um substantivo que rejeita a presença de um artigo
definido.
b) obrigatório, pois contém a junção da preposição “a” com o artigo “a” antecedendo um
adjetivo feminino.
c) equivocado, pois o termo regente é transitivo direto, dispensando a preposição
obrigatória.
d) facultativo, pois o verbo “transcender” pode ser regido ou não de preposição, sem que
haja alterações semânticas.
e) necessário, pois tem a função de sinalizar uma pronúncia alongada que ressalta a fusão da
preposição com o artigo.
Comentários: O uso da crase neste caso é facultativo, pois o verbo “transcender” pode tanto ser
construído de maneira transitiva direta quanto indireta. Portanto, a alternativa correta é a
alternativa D.

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A alternativa A está incorreta, pois “propriedade” é palavra feminina, não apresentando


impedimento para o uso de crase.
A alternativa B está incorreta, pois o termo que antecede é um substantivo, não adjetivo. Lembre-
se que apenas substantivos ou palavras substantivadas admitem artigo.
A alternativa C está incorreta, pois “transcender” admite ambas as formas.
A alternativa E está incorreta, pois não há necessariamente uma pronúncia alongada na crase.
Gabarito: D

28. (UNESP - 2015)


Assinale a alternativa em que o trecho, extraído de Ciência Hoje (http://cienciahoje.uol.com.br),
está correto quanto à concordância, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.

a) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil serão
beneficiados, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar as
florestas, pois elas têm papel essencial na conservação e na purificação das águas.
b) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil será
beneficiada, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar as
florestas, pois elas tem papel essencial na conservação e na purificação das águas.
c) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil serão
beneficiadas, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar as
florestas, pois elas têm papel essencial na conservação e na purificação das águas.
d) Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil será
beneficiado, caso o país faça uma importante lição de casa: cuidar das nascentes e preservar as
florestas, pois elas tem papel essencial na conservação e na purificação das águas.
Comentários: Apesar de apresentar textos longos, o erro a ser encontrado na questão está na
oração “Segundo a maioria dos cientistas, a agricultura e a própria segurança hídrica do Brasil serão
beneficiadas, caso o país faça uma importante lição de casa (...)”.
A alternativa correta é a alternativa C, pois tanto a concordância verbal quanto a nominal estão
adequadas. Os termos centrais da oração são “agricultura” e “segurança”, portanto, o verbo deve
estar no plural. Para que não haja ambiguidade, o adjetivo está no plural. Assim fica claro que ele se
refere aos dois termos, e não apenas ao mais próximo a ele.
A alternativa A está incorreta, pois o adjetivo “beneficiados” está no masculino, o que é errado dado
que os dois termos centrais estão no feminino.
A alternativa B está incorreta, pois o verbo “será” está no singular, o que faz com que ele aparente
se referir apenas ao termo mais próximo.
A alternativa D está incorreta, pois o verbo “será” está no singular, o que faz com que ele aparente
se referir apenas ao termo mais próximo e o adjetivo “beneficiado” está no masculino singular, o
que é errado dado há dois termos centrais no feminino.
Gabarito: C

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29. (FGV - 2015)


Texto para as questões 29 e 30:
Pela tarde apareceu o Capitão Vitorino. Vinha numa burra velha, de chapéu de palha muito alvo,
com a fita verde- -amarela na lapela do paletó. O mestre José Amaro estava sentado na tenda,
sem trabalhar. E quando viu o compadre alegrou-se. Agora as visitas de Vitorino faziam-lhe bem.
Desde aquele dia em que vira o compadre sair com a filha para o Recife, fazendo tudo com tão
boa vontade, que Vitorino não lhe era mais o homem infeliz, o pobre bobo, o sem-vergonha, o
vagabundo que tanto lhe desagradava. Vitorino apeou-se para falar do ataque ao Pilar. Não era
amigo de Quinca Napoleão, achava que aquele bicho vivia de roubar o povo, mas não aprovava
o que o capitão fizera com a D. Inês.
– Meu compadre, uma mulher como a D. Inês é para ser respeitada.
– E o capitão desrespeitou a velha, compadre?
– Eu não estava lá. Mas me disseram que botou o rifle em cima dela, para fazer medo, para ver
se D. Inês lhe dava a chave do cofre. Ela não deu. José Medeiros, que é homem, borrou-se todo
quando lhe entrou um cangaceiro no estabelecimento. Me disseram que o safado chorava como
bezerro desmamado. Este cachorro anda agora com o fogo da força da polícia fazendo o diabo
com o povo.
(José Lins do Rego, Fogo Morto)

Sem que haja alteração de sentido do texto, assinale a alternativa correta quanto à regência
verbal.
a) Quando o Capitão Vitorino chegou na sua casa, Mestre José Amaro foi cumprimentar-lhe.
b) Mestre José Amaro lembrou-se que tinha desfeito a imagem de Vitorino como um bobo.
c) A forma solícita como Vitorino tratou a filha vinha de encontro à imagem dele como pobre
bobo.
d) Vitorino não se simpatizava de Quinca Napoleão e lhe desaprovava o que fizera a D. Inês.
e) Vitorino não era amigo de Quinca Napoleão, pensava de que ele vivia de roubar o povo.
Comentários: “vir de encontro” é uma expressão que significa “ser contrário”. É diferente da
expressão “vir ao encontro” que significa “ir em direção a algo”. Por isso, nesse caso, a regência está
correta, já que há uma quebra de expectativa: a ação de Vitorino foi contrária ao esperado. Por isso,
a alternativa correta é Alternativa C.
A alternativa A está incorreta, pois a regência do verbo “chegar” se faz com preposição “a” nesse
caso, não “em” (na = em + a)
A alternativa B está incorreta, pois a regência do verbo “lembrar” se faz com preposição “de” nesse
caso, e na oração está sem preposição alguma.
A alternativa D está incorreta, pois a regência do verbo “simpatizar” se faz sem preposição nesse
caso.
A alternativa E está incorreta, pois a regência do verbo “pensar” se faz sem preposição nesse caso.

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 122


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Gabarito: C

30. (FGV – 2015)


A colocação do pronome está adequada à situação comunicativa da narrativa literária, mas está
em desacordo com a norma-padrão, na seguinte passagem do texto:
a) E quando viu o compadre alegrou-se.
b) Agora as visitas de Vitorino faziam-lhe bem.
c) ... Vitorino não lhe era mais o homem infeliz, o pobre bobo...
d) ... para ver se D. Inês lhe dava a chave do cofre.
e) Me disseram que o safado chorava como bezerro desmamado.
Comentários: A alternativa que apresenta incorreção é a alternativa E, pois não é possível, na escrita
segundo a norma culta, iniciar uma oração por um pronome oblíquo átono, neste caso, “Me”.
A alternativa A não apresenta incorreção, pois quando há conjunção coordenativa (e) ocorre ênclise.
A alternativa B não apresenta incorreção, pois quando há advérbio (bem) ocorre ênclise.
A alternativa C não apresenta incorreção, pois quando há palavra negativa (não) ocorre próclise.
A alternativa D não apresenta incorreção, pois quando há uma conjunção subordinativa (se) ocorre
próclise.
Gabarito: E

31. (UNESP - 2015)


Os alunos do Colégio Carolina Patrício, em São Conrado, Zona Sul do Rio, deram uma lição de
solidariedade. Ao descobrir que a professora de português Norma Ribeiro lutava contra um
câncer e se submeteria ___ quimioterapia, cerca de 20 jovens rasparam o cabelo em homenagem
à docente. Vários dos meninos foram às aulas carecas, e as meninas cortaram o cabelo bem curto
para doar ___ instituições que cuidam de pacientes do setor de oncologia. De acordo com a
diretora da escola, a decisão partiu dos próprios alunos e surpreendeu ___ todos.
(http://g1.globo.com/rio-de-janeiro, 04.09.2014. Adaptado)

As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:

a) à…à…a
b) a…a…à
c) a…à…à
d) à…a…a

Comentários: A alternativa correta é a alternativa D.

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A primeira lacuna deve ser preenchida com “à”, pois nesse caso, “submeter” precisa de um
acompanhamento para expressar a que se submeterá. Como “quimioterapia” é palavra feminina,
usa-se crase.
A segunda lacuna deve ser preenchida com “a”, pois “instituições” está no plural. Para que houvesse
crase, seria necessário que a grafia fosse “às instituições”.
A terceira lacuna deve ser preenchida com “a”, pois “todos” é palavra masculina e, portanto, não
admite crase.
Gabarito: D

32. (FGV - 2015)


Pela tarde apareceu o Capitão Vitorino. Vinha numa burra velha, de chapéu de palha muito alvo,
com a fita verde- -amarela na lapela do paletó. O mestre José Amaro estava sentado na tenda,
sem trabalhar. E quando viu o compadre alegrou-se. Agora as visitas de Vitorino faziam-lhe bem.
Desde aquele dia em que vira o compadre sair com a filha para o Recife, fazendo tudo com tão
boa vontade, que Vitorino não lhe era mais o homem infeliz, o pobre bobo, o sem-vergonha, o
vagabundo que tanto lhe desagradava. Vitorino apeou-se para falar do ataque ao Pilar. Não era
amigo de Quinca Napoleão, achava que aquele bicho vivia de roubar o povo, mas não aprovava
o que o capitão fizera com a D. Inês.
– Meu compadre, uma mulher como a D. Inês é para ser respeitada.
– E o capitão desrespeitou a velha, compadre?
– Eu não estava lá. Mas me disseram que botou o rifle em cima dela, para fazer medo, para ver
se D. Inês lhe dava a chave do cofre. Ela não deu. José Medeiros, que é homem, borrou-se todo
quando lhe entrou um cangaceiro no estabelecimento. Me disseram que o safado chorava como
bezerro desmamado. Este cachorro anda agora com o fogo da força da polícia fazendo o diabo
com o povo.
(José Lins do Rego, Fogo Morto)

Capitão Vitorino apareceu na casa do mestre José Amaro para falar-lhe do ataque ____ cidade do
Pilar. Disse ao compadre que D. Inês ficou cara ____ cara com Quinca Napoleão, que queria
saquear-lhe o cofre, mas ela não deu a chave ____ ele. O homem era uma ameaça ____
população.

As lacunas do trecho devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:

a) à ... a ... a ... à


b) a ... à ... a ... à
c) à ... à ... a ... a
d) a ... à ... a ... a
e) à ... à ... à ... à

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Comentários: A alternativa correta é alternativa A.


A primeira lacuna deve ser preenchida com “à”, pois “ataque”, neste caso, exige preposição para
indicar a quem foi dirigido o ataque. Como “cidade” é palavra feminina, utiliza-se a crase.
A segunda lacuna deve ser preenchida com “a”, pois não se utiliza crase em expressões compostas
por palavras repetidas.
A terceira lacuna deve ser preenchida com “a”, pois “ele” é palavra masculina.
A quarta lacuna deve ser preenchida com “à”, pois “ameaça”, neste caso, exige preposição para
indicar a quem foi dirigida a ameaça. Como “população” é palavra feminina, utiliza-se a crase.
Gabarito: A

33. (IBMEC - 2014)

(Folha de S. Paulo, 22/05/2013)

Nesse excerto, ao mencionar o emprego do sinal grave no título da novela, o irreverente colunista
a) ridiculariza o emprego equivocado do sinal indicador de crase no título da novela.
b) deixa subentendido que a presença de crase no título da trama é surpreendente.
c) refere-se ao fato de o título da trama desconsiderar as regras do novo Acordo Ortográfico.
d) defende que o emprego do sinal grave indicador de crase seja uma opção estilística.
e) ironiza a controvérsia entre os gramáticos na discussão sobre a ocorrência de crase em
tramas populares.
Comentários: Por ser a crase um tema controverso, que costuma causar confusão quanto a seu uso,
causa surpresa no jornalista que se tenha feito a opção de usar um título que conte com ela. Por
isso, a alternativa correta é a alternativa B.
A alternativa A está incorreta, pois não há equívoco no uso da crase neste caso.
A alternativa C está incorreta, pois não houve mudança nesse sentido no acordo ortográfico.
A alternativa D está incorreta, pois a surpresa vem justamente do pouco uso segundo a norma culta
pela população em geral. O autor não defende que a crase não seja usada.
A alternativa E está incorreta, pois não há discussão entre os gramáticos quanto ao uso da crase.
Gabarito: B

34. (FGV - 2014)

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Considere os enunciados.
• O acesso ao celular no Brasil é uma fotografia idêntica _____da renda. Quanto menor a
remuneração numa região, mais baixa é a penetração do telefone móvel.
• As trajetórias de Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil sem dúvida merecem
consideração. Gosto _____ parte, o valor artístico de suas obras – assim como as de Djavan,
Erasmo Carlos e Milton Nascimento – também é patente.
• No mês passado, atracou no porto de Roterdã, na Holanda, o primeiro navio cargueiro chinês
_____navegar até ____ Europa pelo Ártico.

Assinale a alternativa em que os termos completam correta e respectivamente as lacunas das


frases, extraídas do jornal Folha de S.Paulo, de 08.10.2013.
a) à ... a ... a ... a
b) a ... à ... à ... à
c) à ... à ... a ... a
d) a ... a ... à ... à
e) à ... à ... à ... à
Comentários: A alternativa correta é a alternativa C.
A primeira lacuna deve ser preenchida com “à”, pois a preposição “a”, nesse caso, compõe a
comparação proposta em “fotografia idêntica a”. Como há um termo “fotografia” implícito antes de
“da renda”, usa-se crase.
A segunda lacuna deve ser preenchida com “à”, pois “à parte” é uma expressão que sempre faz uso
de crase.
A terceira lacuna deve ser preenchida com “a”, pois “navegar” é um verbo e, portanto, não faz uso
de crase.
A quarta lacuna deve ser preenchida com “a”, pois “navegar” não exige preposição “a” neste caso.
Gabarito: C

35. (UNIFESP - 2013)


O Hatha yoga pradipika, sagrada escritura do hatha yoga, escrita no século 15 da era atual, diz
que, antes de nos aventurarmos na prática de austeridade e códigos morais, devemos nos
preparar. Autocontrole e disciplina sem preparação adequada ____________ criar mais
problemas mentais e de personalidade do que paz de espírito. A beleza dessa escritura é que ela
resolve o grande problema que todo iniciante enfrenta: dominar a mente.

Devido ___________ abordagem corporal, o hatha yoga ficou conhecido – de modo equivocado
– como uma categoria de ioga ___________ trabalha apenas as valências físicas (força,
flexibilidade, resistência, equilíbrio e outras), quase como ginástica oriental. Isso não é verdade.
(Ciência Hoje, julho de 2012. Adaptado.)

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De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser preenchidas,
respectivamente, com

a) pode – a essa – aonde.


b) podem – a essa – que.
c) pode – à essa – o qual.
d) podem – essa – com que.
e) pode – essa – onde.
Comentários:
A primeira lacuna deve ser completada com “podem”, pois há dois termos centrais a que o verbo se
refere: “autocontrole” e “disciplina”. A oração ficaria, então “Autocontrole e disciplina sem
preparação adequada pode criar mais problemas mentais”
A segunda lacuna deve ser completada com “a essa”, pois “devido” exige preposição “a”, mas como
a palavra “essa” não é precedida de artigo, não há uso de crase. A oração ficaria, então “Devido a
essa abordagem corporal (...)”.
A terceira lacuna deve ser completada com “que”. É a única alternativa que compreende um
pronome relativo que pode se referir a um termo feminino (categoria de ioga). A oração ficaria,
então “como uma categoria de ioga que trabalha apenas as valências físicas”.
Gabarito: B

36. (UNESP- 2013)


Considere a passagem da crônica O pai, hoje e amanhã, de Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987).
A civilização industrial, entidade abstrata, nem por isso menos poderosa, encomendou à
ciência aplicada a execução de um projeto extremamente concreto: a fabricação do ser
humano sem pais.
A ciência aplicada faz o possível para aviar a encomenda a médio prazo. Já venceu a primeira
etapa, com a inseminação artificial, que, de um lado, acelera a produtividade dos rebanhos
(resultado econômico) e, de outro, anestesia o sentimento filial (resultado moral).
O ser humano concebido por esse processo tanto pode considerar- se filho de dois pais como
de nenhum. Em fase mais evoluída, o chamado bebê de proveta dispensará a incubação em
ventre materno, desenvolvendo-se sob condições artificiais plenamente satisfatórias. Nenhum
vínculo de memória, gratidão, amor, interesse, costume – direi mesmo: de ressentimento ou
ódio – o ligará a qualquer pessoa responsável por seu aparecimento. O sêmen, anônimo,
obtido por masturbação profissional e recolhido ao banco especializado, por sua vez cederá
lugar ao gerador sintético, extraído de recursos da natureza vegetal e mineral. Estará abolida,
assim, qualquer participação consciente do homem e da mulher no preparo e formação de
uma unidade humana. Esta será produzida sob critérios políticos e econômicos tecnicamente

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estabelecidos, que excluem a inútil e mesmo perturbadora intromissão do casal. Pai? Mito do
passado.
Aparentemente, tal projeto parece coincidir com a tendência, acentuada nos últimos anos, de
se contestar a figura tradicional do pai. Eliminando-se a presença incômoda, ter-se-ia realizado
o ideal de inúmeros jovens que se revoltam contra ela – o pai de família e o pai social, o
governo, a lei – e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.
Julgo ilusória esta interpretação. O projeto tecnológico de eliminação do pai vai longe demais
no caminho da quebra de padrões. A meu ver, a insubmissão dos filhos aos pais é fenômeno
que envolve novo conceito de relações, e não ruptura de relações.
(De notícias e não notícias faz-se a crônica, 1975.)

“[...] e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado.”

Na frase apresentada, a colocação do acento grave sobre o “a” informa que


a) o “a” deve ser pronunciado com alongamento, já que se trata de dois vocábulos, um
pronome átono e uma preposição, representados por uma só letra.
b) o “a”, por ser pronome átono, deve ser sempre colocado após o verbo, em ênclise, e
pronunciado como um monossílabo tônico.
c) o verbo “aspirar”, na regência em que é empregado, solicita a preposição “a”, que se funde
com o artigo feminino “a”, caracterizando uma ocorrência de crase.
d) o “a”, como artigo definido, é um monossílabo átono, e o acento grave tem a finalidade de
sinalizar ao leitor essa atonicidade.
e) o termo “de compromissos com valores do passado” exerce a função de adjunto adverbial
de “isenta”.
Comentários: A alternativa correta é alternativa C, pois ela apresenta a descrição gramatical perfeita
da crase.
A alternativa A está incorreta, pois não há necessidade de prolongamento do som na crase.
A alternativa B está incorreta, pois “à” não é um pronome átono.
A alternativa D está incorreta, pois o que forma a crase é a união da preposição “a” e do artigo “a”.
A alternativa E está incorreta, pois a configuração exposta não interferiria em nada na formação da
crase.
Gabarito: C

37. (UNIFESP - 2012)


Mato, grosso até quando?

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Em agosto de 2005, quando os astronautas do ônibus espacial Discovery retornaram à Terra,


a comandante Eileen Collins chamou a atenção para o ritmo acelerado do desmatamento no
planeta, facilmente observado do espaço. (...)
O Brasil destaca-se nesse cenário tanto por ter a maior floresta tropical do mundo quanto
por ser líder mundial em desmatamento. O agronegócio, a exploração madeireira irracional e
a especulação fundiária são as causas desse processo. Entre os estados, o Mato Grosso
responde por quase 50% do desmatamento anual na Amazônia brasileira. A julgar pelo que
ocorre no presente, as projeções apontam para um cenário ambientalmente catastrófico para
esse estado, que chegará a 2020 com menos de 23% da sua cobertura florestal original.
(Ciência Hoje, vol. 42, n.º 248, maio de 2008. Adaptado.)
Leia as frases.
I. Antes de o ônibus espacial Discovery chegar na Terra, a comandante Eileen Collins chamou
a atenção para o ritmo acelerado do desmatamento no planeta.
II. O desmatamento no Brasil ocorre devido o agronegócio, a exploração madeireira
irracional e a especulação fundiária.
III. Segundo as projeções, existem possibilidades de que haja um cenário ambientalmente
catastrófico para o estado de Mato Grosso.

Com base nos princípios de regência, está correto o contido em


a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
Comentários:
A frase I. está incorreta, pois o verbo “chegar”, nesse caso (em que indica destino, ou seja, onde se
chega) é acompanhado de preposição “a”. A frase deveria ser “Antes de o ônibus espacial Discovery
chegar a Terra (...)”.
A frase II. está incorreta, pois “devido” exige preposição “a”. A frase deveria ser A frase deveria ser
“O desmatamento no Brasil ocorre devido ao agronegócio, à exploração madeireira irracional e à
especulação fundiária”.
A frase III. está correta, tanto em regência quanto concordância.
Gabarito: B

38. (UNIFESP - 2010)


Leia o texto.

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(Gazeta do Povo, 13.08.2009.)

No texto, há um erro que se corrige com a substituição de


a) voltam por volta.
b) voltam às aulas por voltam as aulas.
c) Com a decisão por Pela decisão.
d) às aulas de creches por as aulas de creches.
e) próxima semana por semana seguinte.
Comentários: O termo “às aulas” está grafado erroneamente. Nesse caso, apenas o artigo “as”, sem
acento grave, seria a opção correta. Por isso, a alternativa correta é a D.
A alternativa A não apresenta incorreção, pois o verbo está flexionado de maneira correta.
A alternativa B não apresenta incorreção, pois nesse caso, o verbo necessita de preposição, até para
que não haja ambiguidades.
A alternativa C não apresenta incorreção, pois já há noção de causa expressa em “com”.
A alternativa E não apresenta incorreção, pois não há nenhum problema de compreensão com a
construção dada.
Gabarito: D

39. (IBMEC - 2007)


Em relação aos verbos, os pronomes átonos podem situar-se em três posições: próclise,
mesóclise e ênclise. Indique a alternativa em que a colocação pronominal não está de acordo
com a norma culta:
a) Haviam-no procurado por toda parte.
b) Quem nos dará as razões?
c) Recusei a ideia que me apresentaram.
d) Far-lhe-ei um favor.
e) Jamais enganar-te-ia dessa maneira.
Comentários: Apesar da forma verbal ser o futuro do pretérito, “jamais” é uma palavra negativa e
isso tem maior valor de atração. Portanto a forma correta seria “Jamais te enganaria dessa maneira”.
A alternativa A não apresenta incorreções, pois por terminar em som nasal “m”, “haviam” exige que
se adicione um “n” antes do pronome.

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A alternativa B não apresenta incorreções, pois “quem” é palavra interrogativa, portanto, atrai o
pronome.
A alternativa C não apresenta incorreções, pois em orações com conjunção de subordinação, ocorre
próclise.
A alternativa D não apresenta incorreções, pois o tempo futuro do pretérito admite mesóclise.
Gabarito: E

40. (FUVEST - 2006)


Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
– E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?
– Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.
– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
– Macabéa.
– Maca – o quê?
– Bea, foi ela obrigada a completar.
– Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.
– Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa
Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu
preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece
que deu certo – parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e
com pudor – pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...
– Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.
Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de
uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e
pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-
namorado:
– Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?
Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem
nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia
lágrimas escorrendo.
Clarice Lispector, A hora da estrela.

No trecho “mas minha mãe botou ele por promessa”, o pronome pessoal foi empregado em
registro coloquial. É o que também se verifica em:
a) “– E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?”
b) “– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?”
c) “– Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?”

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d) “– Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.”


e) “– (...) pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...”
Comentários: o trecho apresenta incorreção no pronome. Em “botou ele”, deveria haver uma
construção “mas minha mãe botou-o por promessa”. O mesmo ocorre na alternativa D, pois o modo
correto de uso do pronome seria “Desculpe-me, mas (...)”. Em ambos os casos, há uma preferência
pelo registro oral em detrimento da ênclise.
A alternativa A apresenta incorreção no uso do conectivo de condição “se”, desnecessário nesse
caso.
A alternativa B não apresenta incorreção gramatical.
A alternativa C também não apresenta incorreção gramatical.
A alternativa E apresenta incorreção no uso da vírgula, que deveria ser “pois como o senhor vê, eu
vinguei”.
Gabarito: D

41. INÉDITA – Celina Gil


Leia este trecho de São Bernardo, de Graciliano Ramos:
João Nogueira lembrou-se de que era homem de responsabilidade. Bacharel, mais de quarenta
anos, uma calvície respeitável. Às vezes metia-se em badernas. Mas com os clientes só negócio.
E a mim, que lhe dava quatro contos e oitocentos por ano para ajudar-me com leis a melhorar
São Bernardo, exibia ideias corretas e algum pedantismo.
Eu tratava-o por doutor: não poderia tratá-lo com familiaridade. Julgava-me superior a ele,
embora possuindo menos ciência e menos manha. Até certo ponto parecia-me que as
habilidades dele mereciam desprezo. Mas eram úteis e havia entre nós muita consideração.
- Acompanhamos o nosso Padilha, disse Nogueira. Viemos andando. Como o passeio era
agradável, com a fresca da tarde, cheguei cá, para consultá-lo.
(São Bernardo, Graciliano Ramos, 2013)
Os conectivos destacados têm função, respectivamente:
a) oposição, concessão, causa.
b) contraste, oposição, causa.
c) conclusão, contraste, tempo.
d) oposição, explicação, tempo.
e) concessão, oposição, causa.
Comentários: O primeiro conectivo, “Mas”, tem valor de oposição e contraste. Pode ser facilmente
substituído por “porém”, “no entanto” ou “contudo”.
O segundo conectivo, “embora”, tem valor de concessão. Pode ser facilmente substituído por “ainda
que”, “mesmo que” ou “apesar de que”.

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O terceiro conectivo, “Como”, tem valor de causa. Pode ser substituído por “porque”, “pois” ou
“uma vez que”: “Cheguei cá, pois o passeio era agradável”.
Gabarito: A

42. INÉDITA – Celina Gil


Observe este trecho de “Senhora”, de José de Alencar:
No dia seguinte, à hora marcada, com pontualidade mercantil, parava à porta do sobradinho
da rua do Hospício um carro, no qual poucos momentos depois seguia o Lemos a caminho das
Laranjeiras com o noivo que ele havia negociado para sua pupila.
Durante rápido trajeto, o velho divertiu-se em meter sustos no rapaz acerca da noiva, a quem
sorrateiramente ia emprestando certos senões, a pretexto de os desculpar. Ora dava a
entender que a moça tinha um olho de vidro; ora inculcava que era uma perfeita roceira, a
qual o marido devia depois do casamento mandar para o colégio.
(Senhora, José de Alencar, 2013)

Qual alternativa apresenta um período – também retirado de Senhora – que pode ser
classificado a mesma maneira que o destacado no texto?
a) Aurélia não gostava de Byron, embora o admirasse.
b) A jovialidade do Seixas e o seu carinho, não só desvaneceram as queixas da Nicota, como
restabelecem a cordialidade entre duas meninas (...).
c) O ciúme é o zelo do senhor pela coisa que lhe pertence (...), seja essa animada ou inanimada.
d) A porta do gabinete estava fechada interiormente, e ele esquecera essa manhã de levar a
chave. Foi obrigado portanto a dar a volta pela saleta.
e) Aurélia deixou perceber ligeira comoção. Entretanto foi com a voz firme que respondeu.
Comentários: A oração destacada no texto tem noção de alternativa, ou seja de alternância de
ideias: em alguns momentos dava a entender X, em outros momentos, dava a entender Y. Na
alternativa C, há a mesma relação na descrição de “coisa que lhe pertence”, podendo ser ou algo
animado, ou algo inanimado, demonstrando também alternância de ideias.
A alternativa A está incorreta, pois a relação presente no período é de concessão, a partir do
conectivo embora”.
A alternativa B está incorreta, pois a relação expressa é de adição, a partir da construção “não só” –
“como [também]”.
A alternativa D está incorreta, pois a relação expressa no período é de explicação, a partir do
conectivo “portanto”.
A alternativa E está incorreta, pois a relação presente no período é de oposição, a partir do conectivo
“entretanto”.
Gabarito: C

43. INÉDITA – Celina Gil


Observe os itens abaixo:

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 133


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I. Como estivesse doente, não foi à aula.


II. É bom levar um guarda-chuva, pois vai chover.
III. Já que você não gosta dessa música, vou desligar o rádio.
IV. Não terminou a lição, uma vez que não tinha o livro.
Há relação de causa entre as orações nos itens:
a) I., II., III.
b) II., III., IV.
c) I., II., IV.
d) I., III., IV.
e) todas.
Comentários:
No item I. há uma relação de causa: a razão de não ir à aula era a doença.
No item II. há uma relação de explicação: a justificativa da necessidade de levar um guarda-chuva é
a potencial chuva.
No item III. há uma relação de causa: vou desligar o rádio por causa do seu sentimento.
No item IV. há uma relação de causa: o motivo para não terminar a lição é a não ter o livro.
CUIDADO: a linha entre causa e explicação é muito tênue!
Explicação: Há duas informações independentes, porém uma explica a outra.
Causa: Uma informação depende da outra para ser entendida.
Gabarito: D

44. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a frase em que o acento indicativo de crase foi mal empregado:
b) A mulher dirigiu-se à varanda.
b) Cheio de dúvidas, recorreu à mãe.
c) Escreveu as histórias uma a uma.
d) Pôs-se à chorar sem parar.
e) Falou a cerca de duas mil pessoas.
Comentários: A única alternativa que apresenta incorreção é a alternativa D, pois verbos (chorar)
não admitem artigo, portanto, o “a” antes de “chorar” é apenas preposição. A frase correta seria
“Pôs-se a chorar sem parar”.
A alternativa A não apresenta incorreções, pois o verbo “dirigir” exige preposição “a”, nesse caso.
A alternativa B não apresenta incorreções, pois o verbo “recorrer” exige preposição “a”, nesse caso.
A alternativa C não apresenta incorreções, pois “escrever” não demanda preposição nesse caso,
portanto esse “as” é apenas artigo de “histórias”.

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 134


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A alternativa E não apresenta incorreções, pois “cerca”, no sentido de “aproximadamente”, não


aceita artigo, portanto, “a” é apenas preposição.
Gabarito: D

45. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta.
f) Ele prefere mais comer salgado do que doce.
g) Assistimos uma peça ótima ontem.
h) Ele visava seus próprios interesses unicamente.
i) O homem aspirava um salário melhor.
j) Obedeça aos mais velhos.
Comentários: O verbo obedecer, nesse caso, exige preposição “a” a fim de indicar “a quem se
obedece”. Por isso, a única alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta
é a Alternativa E.
A alternativa A está incorreta, pois não se utiliza “mais” depois de preferir. A frase correta seria “Ele
prefere comer salgado a doce” ou “Ele gosta mais de salgado do que de doce”.
A alternativa B está incorreta, pois “assistir”, nesse caso (com sentido de “ver”), demanda
preposição “a”.
A alternativa C está incorreta, pois “visar”, nesse caso, exige preposição “a”. A frase correta seria
“Ele visava a seus próprios interesses unicamente”
A alternativa D está incorreta, pois “aspirar”, nesse caso (com sentido de “almejar”), exige
preposição “a”. A frase correta seria “O homem aspirava a um salário melhor”.
Gabarito: E

46. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a alternativa em que a regência nominal está de acordo com a norma culta.
f) O sedentarismo é prejudicial à saúde.
g) Ela tem facilidade em escrever.
h) Tinha amor para com ele.
i) Maria é apegada em filmes.
j) A confiança para com seu pai ficou abalada.
Comentários: A construção “é prejudicial” demanda uso da preposição “a” para explicitar “a que
algo é prejudicial”. Portanto, a alternativa A está correta.
A alternativa B está incorreta, pois nesse caso, “facilidade” deve vir acompanhado de “para”: “Ela
tem facilidade para escrever.
A alternativa C está incorreta, pois nesse caso, “amor” deve vir acompanhado de “por”: “Tinha amor
por ele”.

AULA 04 - Morfossintaxe das classes de palavra II 135


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A alternativa D está incorreta, pois nesse caso, “apegada” deve vir acompanhado de “a”: “Maria é
apegada em filmes”.
A alternativa E está incorreta, pois “confiança”, nesse caso, deve vir acompanhado de “em”: “A
confiança em seu pai ficou abalada”.
Gabarito: A

47. INÉDITA – Celina Gil


Leia os trechos a seguir, retirados de Quincas Borba, de Machado de Assis:
I. Quando Sofia pôde arrancar-se de todo à janela, o relógio de baixo ____ nove horas.
II. E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque _____ os organismos fracos,
incapazes de resistência, como porque ____ lugar à observação, à descoberta da droga
curativa.
III. A quantas léguas iria? Nem condor nem águia o _____ dizer.

Os termos que completam corretamente as lacunas no texto são, respectivamente:


a) bateram; elimina; dá; poderiam.
b) batia; elimina; dá; poderia.
c) batia; eliminam; dão; poderiam.
d) bateram; eliminam; dão; poderiam.
e) batia; elimina; dão; poderia
Comentários:
A lacuna do item I. deve ser completada com “batia”, pois o termo que dita a ação, nesse caso, é
“relógio”. Portanto, o verbo deve ser no singular. A frase fica, então, “o relógio de baixo batia nove
horas”.
ATENÇÃO: cuidado para não confundir com “Bateram nove horas”. O verbo vem no plural quando
o termo essencial para a ação for um numeral plural.
As lacunas do item II. devem ser completada com “elimina” e “dá”, pois em expressões “não só ...
como...” deve-se utilizar verbos no singular. A frase fica, então, “não só porque elimina os
organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação”.
A lacuna do item III. deve ser completada com “poderia”, pois a palavra “nem” em sentido de
exclusão, exige verbo no singular. Nesse caso, há sentido de exclusão, pois nenhum dos dois pode
dizer. A frase fica, então, “Nem condor nem águia o poderia dizer.”
Gabarito: B

48. INÉDITA – Celina Gil


Leia os trechos a seguir, retirados de São Bernardo, de Graciliano Ramos.
I. Para proceder assim _________ ter independência.

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II. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece ____ escrita,
como estava na véspera.
III. Os sinais, a idade, a cor, _____ confere.
Os termos que completam corretamente as lacunas no texto são, respectivamente:
a) é necessário; meia; tudo.
b) é necessária; meio; tudo.
c) é necessário; meio; tudo.
d) é necessária; meia; todos
e) é necessário; meio; todos
Comentários:
A primeira lacuna deve ser completada com “é necessário”, pois quando não há uma determinação
para a expressão, ela é invariável. Assim, a frase fica “Para proceder assim é necessário ter
independência.”
ATENÇÃO: Só concordaria se fosse “A independência é necessária para proceder assim”.
A segunda lacuna deve ser completada com “meio”, pois quando assume valor de advérbio, a
palavra é invariável. Assim, a frase fica “a folha permanece meio escrita”.
A terceira lacuna deve ser completada com “tudo”, pois é uma palavra que reúne todos os termos
anteriores. O verbo, nesse caso, está no singular, logo a frase deve ser “Os sinais, a idade, a cor,
tudo confere.”
Gabarito: C

49. INÉDITA – Celina Gil


Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está de acordo com a norma culta.
a) O presidente não recebeu-nos.
b) Foi ele quem convidou-me para o evento.
c) Me ligaram hoje de manhã.
d) Mariana, se sente agora!
e) Que Deus o proteja!
Comentários: Em frases que expressam desejo ou exortação, é indicado o uso de próclise. Portanto,
a alternativa correta é Alternativa E.
A alternativa A está incorreta, pois a palavra negativa atrai o pronome. Portanto, a frase correta
seria “O presidente não nos recebeu”.
A alternativa B está incorreta, pois quando há pronome relativo “quem”, deve-se utilizar a próclise.
Portanto, a frase correta seria “Foi ele quem nos convidou para o evento”.
A alternativa C está incorreta, pois não se pode iniciar frases com pronome átono. Portanto, a frase
correta seria “Ligaram-me hoje de manhã”.
A alternativa D está incorreta, pois em frases imperativas afirmativas, deve-se usar a ênclise.
Portanto, a frase correta seria “Mariana, sente-se agora!”.

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Gabarito: E

50. INÉDITA – Celina Gil


Era hora do almoço. As duas senhoras puseram-se ___ mesa. Aurélia _________ pela
sobriedade, que era nela a consequência de temperamento e educação. Não quer isto dizer
que fosse dessa espécie de moças papilionáceas que se alimentam do pólen das flores, e para
quem o comer é um ato desgracioso e prosaico.
Bem ao contrário, ela sabia que a nutrição dá ___ seiva de beleza, sem a qual as cores
desmaiam nas faces e os sorrisos nos lábios, como as efêmeras e pálidas florações de uma
roseira ética.
Assim não tinha vergonha ___ comer; e sem vaidade acreditava que o esmalte de seus dentes
não era menos gracioso quando eles se triscavam como a crepitação de um colar de pérolas,
nem o matiz de seus lábios menos saboroso quando chupavam uma fruta, ou se entreabriam
para receber o alimento.

Os termos que completam corretamente as lacunas no texto são, respectivamente:


a) à; distinguia-se; a; de.
b) a; distinguia-se; à; de.
c) à; se distinguia; a; em.
d) a; se distinguia; a; em.
e) à; distinguia-se; à; de.
Comentários:
A primeira lacuna deve ser completada com “à”, pois o verbo “por” nesse caso (significando colocar-
se em algum lugar) exige preposição “a”. A oração, assim, fica “As duas senhoras puseram-se à mesa
(...)”.
A segunda lacuna deve ser completada com “distinguia-se”, pois o conectivo “pela” atrai o pronome
átono para perto de si. A oração, assim, fica “Aurélia distinguia-se pela sobriedade”.
A terceira lacuna deve ser completada com “a”, pois, nesse caso, “dar” comporta-se como transitivo
direto, ou seja, não exige preposição. Esse “a” é apenas artigo de “seiva”. A oração, assim, fica “(...)
ela sabia que a nutrição dá a seiva de beleza”.
A quarta lacuna deve ser completada com “de”, pois a expressão “sentir vergonha” exige preposição
“de”. A oração, assim, fica “Assim não tinha vergonha de comer”.
Gabarito: A

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Prof. Celina Gil
Aula 04 – Gramática e Interpretação de texto - ITA 2020

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este material deve ser seu livro de cabeceira de gramática esse ano! Aqui está o assunto mais
importante de gramática que você encontrará: o valor dos conectivos. Estude muito esse assunto”
Como vimos, no vestibular do ITA importa mais entender os contextos e significados do que
decorar regras. Preste muita atenção, portanto, para o significado das palavras nos seus contextos.
Além disso, é importante treinar regência, crase, colocação pronominal e concordância para
não errar na redação! Lembre-se que o uso correto da norma culta vale 2 pontos na prova de
redação.
Na próxima aula, veremos a continuação desse assunto e estudaremos os processos de
organização da frase:
➢ Termos da Oração
➢ Orações Coordenadas
➢ Orações Subordinadas
➢ Reorganização de orações e períodos
Até lá, pratique bastante com os exercícios desta aula, para chegar sem dúvidas na próxima
aula! Qualquer dúvida estou à disposição no fórum, e-mail ou Instagram!

Prof.ª Celina Gil

/professora.celina.gil Professora Celina Gil @professoracelinagil

Versão Data Modificações


1 22/04/2019 Primeira versão do texto.

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