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João Paulo Bejamin dos Anjos

Valéria da Silva Cavania

Enxofre

Relatório apresentado à disciplina de


Química Inorgânica Experimental I,
do Curso Superior de Licenciatura
em Química da Universidade Federal
da Grande Dourados - UFGD.
Prof. Vitor Hugo

DOURADOS-MS
2019
Sumário
1. Objetivo Geral ..................................................................................................................... 4

1.1. Objetivosespecíficos ...................................................................................................4

2. Introdução ............................................................................................................................ 5

3. Procedimento Experimental ............................................................................................... 6

3.1.Materiais.............................................................................................................................. 6

3.2. Reagentes e Solventes ........................................................................................................ 6

3.3. Experimentos...................................................................................................................... 7

3. Resultados e Discussão ........................................................................................................ 8

4. Conclusões .......................................................................................................................... 13

5. Referências ......................................................................................................................... 14
Resumo
Neste relatório iremos estudar a reatividade do enxofre e de seus compostos e a
suas propriedades.
O enxofre é um elemento químico essencial para muitos organismos vivos. Ele
favorece o funcionamento do corpo, auxilia no transporte de minerais e potencializa a
ação de vitaminas. Existe muitos alimentos ricos em enxofre, bem como feijão, couve e
brócolis. A diminuição do enxofre no organismo pode gerar alguns problemas
relacionados com ossos, cabelos e unhas. Além de estar presente em muitos aminoácidos
(cistina, cisteína e metionina), o enxofre é um mineral encontrado na crosta terrestre.
Geralmente está presente em regiões vulcânicas, em fontes de águas quentes, no petróleo
e no gás natural. A maior parte do enxofre consumido destina-se à fabricação de ácido
sulfúrico e sulfatos. Tem aplicação na agricultura, na fabricação de inseticidas, fungicidas
e fertilizantes, e na preparação da pasta de papel e vulcanização da borracha.
1. Objetivo Geral
Conhecer a reatividade de compostos contendo enxofre a partir de alguns ensaios,
afim de se estudar as diferentes reações das equações químicas envolvidas em cada
experimento.

1.1 Objetivos específicos


Observar as alterações do enxofre quando submetido a tratamento térmico;
Explicar o que é observado por meio das equações químicas com base nos valores de
Kps;
Conhecer as propriedades do ácido sulfúrico por meio de experimentos;
Explicar a reatividade dos metais frente ao ácido sulfúrico concentrado e diluído;
2. Introdução
O enxofre, representado pelo símbolo de letra S, é um elemento químico cujo número
atômico é 16 e sua massa atômica 32 u. Possuindo um ponto de fusão de 115,2 °C, por
conseguinte, é um sólido amarelo-limão em temperatura ambiente. Sua configuração
eletrônica no estado fundamental é [Ne]3s23p4, sendo então o segundo elemento do grupo
16 na tabela periódica. [1]
Sua abundância na crosta terrestre é 0,034% em peso da mesma, o que o torna o 16º
elemento mais abundante. O enxofre é um dos elementos essenciais a vida, pode-se
encontrá-lo desde aminoácidos como a cisteína (como por exemplo na figura 1) até
fertilizantes e laxantes.
Figura 1 – Estrutura de Lewis da Cisteína

Fonte: O Autor, 2019


O enxofre possui também inúmeras formas alotrópicas, dentre as mais conhecidas
estão: S6, S7, S8, S9, S10, S11, S12, S18 e S20. Algumas destas estruturas seriam previstas,
como a do S6 (a) se assemelhando a do ciclohexano e assumindo a forma de cadeira ou a
do S8 (b) em forma de coroa, porém a maioria dos anéis acima de 8 átomos ligados entre
si começam a possuir formas mais complexas como se mostra na figura 2. [2]
Figura 2 – Formas alótropas do elemento enxofre

Fonte: HOUSECROFT, Catherine E., SHARPE, Alan G. Química Inorgânica - Vol. 1, 4ª edição, cap. 16.

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3. Procedimento Experimental
3.1. Materiais
- Tubos de ensaio
- Espátulas
- Bico de Bunsen
- Pipeta Pasteur
- Capela
3.2. Reagentes e Solventes
- Enxofre elementar
- Sulfato de Cobre
- Parafina
- Sulfato de Ferro (III)
- Ácido Clorídrico 6M
- Hidróxido de Amônio
- Água destilada
- Sulfato de Ferro (II)
-Sulfeto de Sódio
- Ácido Sulfúrico
- Acetato de Chumbo
- Sulfato de Sódio
- Permanganato de Potássio
- Cloreto de Cálcio
- Açúcar
- Ferro (prego)
- Sulfito de Sódio
- Nitrato de Prata
- Persulfato de Amônio
- Sulfato de Manganês (II)

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3.3Experimentos
Ensaio 1: Num pequeno tubo de ensaio foi colocado um pouco de enxofre em pó
e aquecido lentamente até a fusão do mesmo e até o início da sua vaporização. Em seguida
foi introduzido um bastão de vidro no enxofre fundido que posteriormente seria usado no
próximo ensaio.
Ensaio 2: Inflamou-se a ponta do bastão de vidro preparado no ensaio anterior, e
o introduziu dentro do erlenmeyer contendo 10 mL de H2O, cuidando para não tocar nem
na água nem as paredes do recipiente.
Ensaio 3: Foi acidulada um solução de sulfito de sódio com ácido sulfúrico,
aquecida suavemente com fita de papel filtro umedecida com solução de dicromato de
potássio.
Ensaio 4: Foi acidulada solução de sulfito de sódio com ácido sulfúrico e
posteriormente adicionado algumas gotas de permanganato de potássio.
Ensaio 5: Foi adicionada a uma solução de sulfato de sódio, solução de cloreto de
cálcio, sendo filtrado posteriormente e ao filtrado adicionado novamente solução de
cloreto de cálcio, em seguida adicionado solução de cloreto de bário.
Ensaio 6: Foi adicionado solução de ácido sulfúrico em uma ponta de espátula de
açúcar.
Ensaio 7: Separou dois tubos de ensaio:
1. Foi adicionado soluça de ácido sulfúrico diluído e inserido um prego.
2. Foi adicionado solução de ácido sulfúrico concentrado e inserido um prego.
Foi repetido o experimento só que no lugar dos pregos foi utilizado raspas de cobre.
Ensaio 8: Foi fervida por 5 min solução de sulfito de sódio com enxofre em pó,
sendo posteriormente filtrado e divido em duas alíquotas.
1. Na primeira foi adicionada ácido clorídrico diluído.
2. Na segunda triodeto de potássio. Em ambas foi colocada fita de papel filtro
umedecida com solução de dicromato de potássio.

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4. Resultados e Discussão
Ensaio 1
No pequeno tubo de ensaio foi colocado um pouco de enxofre em pó e aquecido
lentamente até a fusão do mesmo e até o início da sua vaporização, a forma mais
estável do enxofre ortorrômbica quando aquecida vira a forma monoclínica, sendo
fundido e depois resfriado notou-se uma mudança na forma que o elemento
apresentou depois de resfriado, devido as várias formas alotrópicas conhecidas do
enxofre. A equação química que caracteriza a reação é descrita abaixo:
S8(s) → 8S(s)
Figura 3: Formas alotrópicas do enxofre

Fonte: Fogaça, Jennifer Rocha Vargas. Alotropia do enxofre. Alunos online.

Ensaio 2
Ao inflamar-se a ponta do bastão de vidro preparado no ensaio anterior, e o
introduziu dentro do erlenmeyer contendo 10 mL de H2O, o produto gasoso da combustão
formado se desloca completamente na água e o pH dessa solução é ácido. As reações a
seguir explicam a formação do dióxido de enxofre gasoso formado a partir da combustão
do enxofre que em seguida foi colocado em contato com a água e ocorreu a formação do
ácido sulfuroso.

S(s) + O2(g) → SO2(g) (1)


SO2(g) + H2O(l) → H2SO3(aq) (2)

É plausível verificar que por meio dessa reação como sendo o enxofre, um
poluente, pois quando se queima um combustível que contém enxofre, forma-se o gás
dióxido de enxofre e outros gases de combustão. Embora o enxofre se apresenta na

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natureza na forma de diferentes compostos, a reação pode ser representada pela equação
1.
Como o dióxido de enxofre é solúvel em água, este pode ser incorporado nas
gotículas que formam as nuvens dando origem a ácido sulfuroso que pode ser observada
pela reação 2.
Outras substâncias (R) presentes na atmosfera podem também ser incorporadas
nas gotículas de água das nuvens e atuar como catalisador ou oxidante na reação de
oxidação do ácido sulfuroso em ácido sulfúrico.

H2SO3(aq) + R(oxidante) → H2SO4(aq) (3)

Desta forma, as gotículas de água presentes nas nuvens ficam com uma elevada
concentração de ácido sulfúrico. Este ácido é muito corrosivo devido à sua forte
capacidade desidratante quando concentrado e ao facto de ser um oxidante forte. Quando
ocorre saturação, estas gotículas caem sobre a forma de chuva, que, devido ao seu baixo
pH, se denomina “chuva ácida”.
Esta chuva, ao chegar ao solo, causa a destruição de plantações e monumentos.
Grandes concentrações de enxofre no solo impossibilitam a plantação de qualquer
produto pois, caso isso acontecesse, a sua ingestão teria graves consequências. [4]

Ensaio 3
Ao verter em um tubo de ensaio ácido sulfúrico a uma solução de sulfito de sódio
que foi levemente aquecida, ao colocar na boca do tubo uma tira de papel filtro umedecida
com solução de dicromato de potássio acidificada, observou-se a mudança de cor do papel
de alaranjado para verde, cor característica do sulfato de cromo III. As equações químicas
abaixo caracterizam essa reação.

Na2SO3(aq)+H2SO2(aq)→ SO2(g) + Na2SO4(aq) + H2O(l) (1)


K2Cr2O7(aq) + 3SO2(g) + 2H+(aq) → 2Cr+3(aq) + 3SO4-2(aq) + H2O(l) + 2K+(aq) (2)

A reação número 1 mostra o sulfito de sódio e ácido sulfúrico, um dos produtos


da sua reação ocorre a liberação do gás dióxido de enxofre. Que na reação 2 ao entrar em
contato com o dicromato de potássio ocorre reação de oxirredução em meio ácido.

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Ensaio 4
Ao adicionar a solução de permanganato cor roxa intensa na solução de sulfito de
sódio, reparou que ficou solução transparente.
5 Na2SO3(aq) + 2KMnO4 (aq) + 3 H2SO4 (aq) → 2Mn2+(aq) + 10 Na+ (aq) + 2K+
(aq) + 8SO4 2- (aq) + 3H20(l)
O que o ocorre é uma reação de oxirredução, porque o permanganato uma
substância tem uma cor violeta bastante característica, mas ao entrar em contato com
sulfito de sódio em meio ácido, ela fica incolor. Isso ocorre porque todo manganês
presente no íon MnO4- da solução de permanganato é reduzido, originando o íon Mn2+.

Ensaio 5
A misturar as soluções de sulfato de sódio com cloreto de cálcio formou um
precipitado (sulfato de cálcio) que foi filtrado, no filtrado foi adicionado novamente
solução de cloreto de cálcio para ver se já reagiu todos os íons sulfato, ao adicionar cloreto
de bário no filtrado ele irá reagir com íons sulfatos que ainda estão dissociados, gerando
um precipitado. A equação química que descreve o experimento é mostrado abaixo:
Na2SO4 (aq) + CaCl2 (aq) → CaSO4 (s) + 2Na+ (aq) + 2Cl- (aq).
O valor de Kps do Sulfato de cálcio é 3.10-5 e do Sulfato de bário é 1.10-10.
Ocorreu a formação de maior quantidade de precipitado quando se adicionou o
cloreto de cálcio devido ao valor do produto da sua solubilidade do sulfato de cálcio que
é maior que o produto de solubilidade do sulfato de bário, pois se o valor do Kps do
eletrólito for muito baixo, trata-se de um material pouco solúvel no solvente. Tanto é que
ao adicionar no filtrado o cloreto de bário praticamente não houve a formação de
precipitado no fundo do recipiente e apenas ocorreu a formação de uma suspensão.
CaSO4 (aq) + BaCl2 (aq) → BaSO4 (s) + CaCl2 (aq)
Sempre que um soluto pouco solúvel é adicionado a um solvente, como o sulfato
de bário, uma pequena parte desse sal dissolve-se, e o restante acumula-se no fundo do
recipiente, formando o corpo de fundo. O sal que se dissolve sofre dissociação, liberando
cátions e ânions na água, ocorrendo o equilíbrio de dissolução do BaSO4.
BaSO4 (aq) ⇌ Ba2+ (aq) + SO42-(aq)
Além de o sal não apresentar boa solubilidade, a quantidade de soluto dissolvido
não se altera com o passar do tempo porque existe um equilíbrio de dissolução entre os
íons do sal (presentes na solução) e o corpo de fundo.

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Ensaio 6
Ao se adicionar o ácido sulfúrico concentrado ao açúcar, o ácido sulfúrico, que
concentrado é um forte agente desidratante e oxidante, verificou-se a mudança de cor e
cheiro do açúcar. A mudança de coloração se refere a carbonização que o açúcar sofreu
ao reagir com o ácido sulfúrico, levando a molécula de sacarose a formar carbono, o que
confere a coloração escura. O odor liberado semelhante ao de caramelo é referente ao
aquecimento do açúcar, uma vez que a reação é exotérmica. Todos esses processos podem
ser observados pela equação química a seguir: C12H22O11(s) + H2SO4 (aq) → C12(s) +
11H2SO4 · H2O(s)

Ensaio 7
Notou-se a liberação em ambos os casos de bolhas, no ácido concentrado notou-
se um cheiro caracterisco de compostos de enxofre.
O ácido sulfúrico concentrado é um forte agente oxidante e produz íons ferro (III),
pois oxida o ferro de 0 para +3. O ácido sulfúrico cujo ânion (SO4-2) se reduz causando a
oxidação de metais, são conhecidos como ácidos oxidantes. Os metais cujos potenciais
de eletrodo são maiores que zero só são oxidados por esse tipo de ácido; é o caso também
do cobre que é oxidado por ácido sulfúrico (concentrado). O ácido sulfúrico concentrado
se comporta como ácido oxidante para os metais com Eo < 0, isto porque Eo (SO4-2 /SO2)
= 0,20 V.
2Fe (s) + H2SO4 (conc.) → Fe+3 (aq) + 3SO2 (aq) + 3SO4-2(aq) + 6H2O
Fe+3 + 3 e− ⇌ Fe0 Eo = +0,036 V
Ácido sulfúrico diluído reage com metais por meio de uma reação de
deslocamento assim como com outros ácidos típicos, produzindo gás hidrogênio e sais (o
sulfato metálico).
Quando adicionado o ferro no ácido sulfúrico diluído ocorreu à liberação de
pequenas bolhas gasosas. O ferro reage com ácido sulfúrico (H2SO4), em reação de
simples deslocamento. O ácido sulfúrico diluído oxida os metais cujos Eo (potencial
padrão de eletrodo) são negativos e liberam hidrogênio gasoso, são conhecidos como
ácidos não oxidantes. Assim, quando os metais reagem com ácidos não oxidantes,
formam-se sais dos metais (dissolvidos em solução aquosa) e gás hidrogênio, isto é:
2Fe (s) + H2SO4 (aq) → Fe+2 (aq) + H2(g) + SO4-2 (aq)
Semi-Reação:

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Fe+2 + 2 e− ⇌ Fe0 Eo = -0,44 V

Com o cobre, o ácido diluído não apresentou reação, no concentrado houve a


mudança de cor para azul, cor caracteriza dos composto de cobre.
Cu (s) + H2SO4 (aq) → não reage
Na reação de ácido sulfúrico concentrado e cobre ocorre reação, onde o ácido
oxida o cobre.
Cu (s) + 2H2SO4 (aq) → Cu+2 (aq) + SO4-2(aq) + SO2(g) + 2H2O (l)
Semi-Reação:
Cu+2 + 2 e− ⇌ Cu0 Eo = -0,34 V

Ensaio 8
Ao aquecer a solução de sulfito de sódio (Na2SO4) com enxofre em pó (S0), acaba-
se por formar o tiossulfato de sódio (Na2S2O3) que em contato com o ácido clorídrico
formará o gás dióxido de enxofre. Este processo pode ser compreendido através da
seguinte equação química:
S8(s) + Na2SO3 (aq) ⇌ Na2S2O3 (aq)
Na2S2O3 (aq) + 2HCl (aq) ⇌ S(s) + SO2 + 2Na+(aq) + 2Cl- (aq) + H2O(l)
Ao colocar uma fita umedecida com dicromato de potássio no tubo de ensaio, este
por sua vez, reage com o gás dióxido de enxofre que está saindo do tubo de ensaio e é
reduzido de Cr6+ (do dicromato de potássio) ao íon Cr3+ que possui uma coloração verde,
isto explica a mudança de coloração da fita de laranja para a cor verde. A reação poder
ser vista pela expressão:
K2Cr2O7(aq) + 3SO2(g) + 2H+ ⇌ 2Cr3+ = 3SO42- (aq) + H2O(l) + 2K+(aq)

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5. Conclusões

Pôde-se concluir que os ensaios realizados descreveram bem na prática, o que pode
ser encontrado na literatura. A prática realizada foi de grande importância, visto que, a
partir dela, foi possível a observação de várias reações onde pode se presenciar a
oxidação dos compostos. Notou-se, também a capacidade que alguns elementos têm de
oxidar ou reduzir outros elementos.

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6. Referências
[1] HOUSECROFT, Catherine E., SHARPE, Alan G. Química Inorgânica - Vol. 1, 4ª
edição.
[2] HOUSECROFT, Catherine E., SHARPE, Alan G. Química Inorgânica - Vol. 1, 4ª
edição, cap. 16.
[3] Fogaça, Jennifer Rocha Vargas. Alotropia do enxofre. Alunos Online. Disponível em:
<https://alunosonline.uol.com.br/quimica/alotropia-enxofre.html>. Acesso em 9 de junho
de 2019.
[4] Morgado, Ana. et al. O enxofre e o ácido sulfúrico. MIEQ – Mestrado Integrado em
Engenharia Química. Universidade do Porto. Disponível em:
<https://paginas.fe.up.pt/~projfeup/cd_2012_13/files/REL_Q1Q3_01.PDF>. Acesso em
9 de junho de 2019.

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