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PROCESSO DO TRABALHO II

Como o próprio título nos informa, o artigo apresenta os reflexos das


inovações do CPC no processo do trabalho e o autor inicia discorrendo sobre
04 (quatro) leis que introduziram tais alterações. A primeira delas é a Lei
11.232/05 que trouxe modificações quanto ao regime de liquidação e execução
da sentença. O autor ressalta que diferentemente do modelo de 1973 no novo
modelo, deixou de existir a separação do processo de conhecimento e de
execução objetivando assim maior celeridade à satisfação do direito
reconhecido por sentença. Com o novo modelo a sentença passou a ser
definida por seu conteúdo com ou sem julgamento do mérito. Outra lei que
modificou o CPC foi a Lei nº 11.276/06 que permitiu ao tribunal determinar a
prática do ato processual no intuito de sanar eventual nulidade, permitindo
desta forma o julgamento do mérito do recurso. Ademais a Lei nº 11.277/06
criou o decreto liminar de improcedência das demandas repetitivas e a Lei
11.280/06 discorreu de diversos assuntos deveras importante para o processo
civil e do trabalho.

Analisando os reflexos das alterações do CPC no processo do trabalho


identifica-se a regra do artigo 285-A que pondera a respeito do decreto liminar
de improcedência de demandas repetitivas, pois o juiz não poderia
liminarmente decretar a improcedência do pedido em vista de sentenças já
proferidas em situações idênticas, pois a regra era incompatível com os
procedimentos do processo de conhecimento da Consolidação. A aplicação deste
artigo ensejaria nulidade insanável ao processo ao frustrar a tentativa de
conciliação, haja vista que vai contra o disposto no artigo 841 da CLT. Outrossim,
se a demanda tratar de direitos indisponíveis, pois estes não admitem conciliação.

Outra questão apresentada é quanto a compatibilidade do processo do


trabalho com a possibilidade de acolhimento da prescrição de ofício. Aduz o
autor que ao trabalhar com esta questão seríamos obrigados a ignorar o
postulado da correlação entre demanda e provimento e a defender a
possibilidade do juiz conhecer de ofício de qualquer matéria de defesa.
Ademais, tal inovação não seria compatível com o processo do trabalho, pois a
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autonomia do direito processual não indica neutralidade em relação ao direito


material.

O artigo 253 do CPC também trouxe novidade quanto a prevenção de


juízo em relação a processo extinto sem resolução do mérito. O autor indica
que o juízo que preferir a sentença de extinção do processo é prevento para a
repetição de mesma demanda, o que se aplica perfeitamente ao processo do
trabalho.

Para o réu revel, o artigo 322 do CPC indica que se este tiver defensor
constituído nos autos, ele deverá ser intimado dos atos processuais, caso
contrário prevalece a antiga regra de que é imprescindível a intimação, que é o
indicado pelo artigo 852 da CLT da intimação do réu por via postal com aviso
de recebimento e, caso não encontrado por edital.

Alterações também foram trazidas na forma dos artigos 112 e 114 do


CPC que indicam que o juiz deve conhecer de ofício a incompetência em razão
do local, porém sem aplicação no processo do trabalho; O artigo 305 que
permite o protocolo da exceção de incompetência em razão do local do juízo do
domicílio do réu, onde a CLT possui regra específica sobre a competência
territorial e quanto a apresentação da exceção que deve ocorrer na audiência;
O artigo 489 do CPC manteve a tradição do ajuizamento da ação rescisória
que não suspende o cumprimento da ação, apesar de não ser uma grande
inovação, pois tanto a doutrina e a jurisprudência já reconheciam a
possibilidade se houvesse risco de dano irreparável ao demandante.

As mudanças mais importantes da reforma do CPC, para o autor, estão


no regime de cumprimento da sentença, pois com o novo regime, à definição
do valor da obrigação segue a intimação do devedor para pagamento no prazo
de 15 dias, sob pena de multa de 10% do valor da dívida. Caso não pague,
expede-se mandado de penhora.

Apesar de simplificar e trazer celeridade, tais alterações não podem ser


totalmente aplicadas ao processo do trabalho, pois de acordo com a CLT o
devedor continua a possuir o direito de nomear bens. Quanto à execução
provisória o CPC permite a expropriação no limite de 60 salários mínimos
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quando o crédito tiver natureza alimentar e o credor estiver em estado de


necessidade, o que não é admitido pela CLT em seu artigo 889, pois tal
execução só é permitida até a penhora.

O que se pode perceber são diversas inovações trazidas pelas


leis referenciadas no texto, que puderam algumas serem aplicadas à CLT e
outras poucas não, pois já há regra estabelecida por tal consolidação. O ponto
de vista do autor, trouxe informações importantes acerca do assunto, que
certamente fora muito discutido e ainda é até o presente momento.

REFERÊNCIAS:

LAURINO, Salvador Franco De Lima. OS REFLEXOS DAS INOVAÇÕES DO


CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL NO PROCESSO DO TRABALHO Revista do
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, Belo Horizonte, MG, v. 42, n. 72,
p. 79-89, jul./dez. 2005.