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REVISÃO
L

Dermatoses provocadas por plantas (fitodermatoses) *


Dermatosis due to plants (phytodermatosis)
1
Vitor Manoel Silva dos Reis

Resumo: As dermatoses causadas por plantas são relativamente comuns no nosso meio e podem ocorrer
por diversos mecanismos patogênicos. São descritas dermatoses por trauma físico, por ação farmacológica,
mediadas por IgE, por irritação, por ação conjunta da luz e por sensibilização. Também são descritas na
introdução desta revisão as pseudofitodermatoses causadas por elementos veiculados pelas plantas e, por
isso, aparentemente causadas pelas plantas.
Palavras-chave: Alergia e imunologia; Dermatite; Dermatopatias; Plantas

Abstract: Dermatosis caused by plants is relatively common and may occur by various pathogenic
mechanisms. Dermatitis due to physical trauma, pharmacological action, irritation, sensitization, mediated
by IgE and induced by light are described. Pseudophytodermatosis caused by plant-delivered elements is
also described in the introduction to this work.
Keywords: Allergy and immunology; Dermatitis; Plants; Skin diseases

INTRODUÇÃO
Dermatoses provocadas por plantas Também é preciso lembrar que há dermatoses
(Fitodermatoses) que ocorrem como resultado de contato com as plan-
Fitodermatoses são dermatoses causadas por tas, mas que, na realidade, têm como causa algum con-
plantas. Na maioria das vezes, são causadas pelo conta- taminante presente na planta, como inseticidas, agro-
to direto e apenas por isso, mas, eventualmente, ocor- tóxicos e artrópodes contaminantes, como acontece
rem sem contato com a planta, ou, então, eventualmen- com o ácaro da coceira da palha (Pyemotes ventricosus
te, necessitam da ação conjunta do sol. É interessante ou Pyemotes tritici), encontrado em grãos de cereais e
salientar que há possibilidade de que as substâncias outros vegetais e que provocam quadro cutâneo muito
existentes nas plantas capazes de causar dermatoses pruriginoso, que sói afetar fazendeiros, funcionários
entrem em contato com a pele sem que o indivíduo de fazenda, veterinários e outros.3-5
tenha contato com a planta. É o caso da aroeira-brava, Outros exemplos são as fitofotodermatoses,
que provoca “aroeirite” em pessoas sensibilizadas aos provocadas por furocumarinas produzidas por fungos
fenóis de cadeia larga produzidos pela planta (Lithraea contaminantes de plantas (por exemplo, o Sclerotinia
molleoides) apenas por passar ou deitar sob a árvore. sclerotiorium), ou quadros dermatológicos muito
Esse fato explica-se pela dispersão pelo ar de gotículas pruriginosos produzidos por micuins, larvas do carra-
contendo a substância alergênica.1 pato-estrela (Amblyomma cajennensis), presentes em
Outra possibilidade de fitodermatoses sem con- arbustos dos quais se soltam, albergando-se na pele
tato com as plantas ocorre com indivíduos sensibiliza- do animal ou do homem que neles esbarra.
dos a substâncias derivadas de plantas utilizadas, na Os líquenes, que não são exatamente plantas,
indústria, como perfumes, cremes, cosméticos.2 É o mas uma associação de fungos com algas, produzem
caso da maioria dos perfumes usados como tais ou ácido úsnico, o qual vem sendo utilizado, comumen-
incorporados a produtos cosméticos e com outros te, em vários cosméticos e protetores solares tópicos
fins, como o bálsamo-do-peru, com todas as substân- e tem se tornado importante agente que pode provo-
cias como eugenol, isoeugenol, aldeído da canela, car dermatite de contato por sensibilização. Pelo fato
colofônio, terebintina e outros. de poderem fixar-se não somente em pedras úmidas,

Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 26.03.2010.


* Trabalho realizado na Divisão de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) - São Paulo,
Brasil.
Conflito de interesse: Nenhum / Conflict of interest: None
Suporte financeiro: Nenhum / Financial funding: None
1
Doutor. Médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil.

©2010 by Anais Brasileiros de Dermatologia

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mas também em troncos velhos e outros vegetais, DERMATITES POR AÇÃO FARMACOLÓGICA
podem levar a quadros aparentemente causados por A dermatite por ação farmacológica pode ocor-
plantas.6,7 rer em qualquer indivíduo, mesmo sem predisposi-
A esporotricose, micose profunda causada pelo ção, pois é decorrente da penetração na pele de subs-
Sporotrix schenkii, tem nos vegetais, particularmente, tâncias farmacologicamente ativas.
nas roseiras, o seu meio mais comum de veiculação A urtiga8 (Urtica dióica ou Urtica urens), plan-
do agente causal, assim como alguns casos de para- ta que é encontrada em matagais próximos a trilhas
coccidioidomicose podem ter o agente etiológico frequentadas pelo homem ou por outros animais e
(Paracoccidioidis brasiliensis) veiculado por vege- mesmo em jardins, como “erva daninha”, é capaz de
tais, ou seja, aparentemente causada por plantas. provocar quadros papulopruriginosos nas áreas da
Apesar de todas as possibilidades existentes, a pele que tocarem a planta, semelhantes a um surto de
forma mais comum de fitodermatose é a dermatite de urticária (é dessa planta que vem o nome da doença).
contato e o quadro dermatológico que mais ocorre é As folhas e as hastes dos talos dessas plantas
o eczema. Uma forma de dermatite de contato, em possuem na, sua superfície, pequenos pelos urtican-
geral não eczematosa, por substância derivada de tes, em formato de agulha, cuja extremidade distal de
planta é a alergia ao látex produzido pela seringueira silicone se rompe após penetrar superficialmente na
(Hevea brasiliensis), que se caracteriza por determi- pele. Ao se romperem, liberam na derme o seu con-
nar reação imunológica do tipo I, dependente de IgE, teúdo composto por histamina, serotonina, acetilcoli-
podendo ocasionar quadros de urticária de contato e na e outras substâncias vasoativas.
fenômenos anafiláticos respiratórios. Também nesse Descritas no nosso meio há as plantas conheci-
caso se tem o contato com substância de origem vege- das como cansanção, Cnidosculos urens, Fleurya aes-
tal de uso ubiquitário, sem o contato com a planta tuans, Loasa rupestris, ou a favela, nome popular do
que o origina. Cnidosculos phyllacantus. Também há relatos da urti-
Para facilitar o entendimento do assunto fito- ga-cipó, trepadeira, ou urtiga-mamão, a Dalechampia
dermatoses, dividiremos as reações cutâneas ao con- scandens. Os marmeleiros preto, branco, prateado,
tato com plantas pelo mecanismo: sabiá, velames, canela- do-mato, mucunã-brava ou
cabeluda (Mucuna urens) são outras plantas recober-
 Dermatites por trauma físico; tas por pelos urticantes.
 Dermatites por ação farmacológica;
 Dermatites mediadas por IgE; DERMATITES MEDIADAS POR IgE
 Dermatites por irritação; Um número muito grande de plantas pode
 Dermatites por ação conjunta do sol; desencadear quadros de urticária ou mesmo de ecze-
 Dermatites por sensibilização. ma após contato com a pele, por mecanismo mediado
por IgE. As proteínas dessas plantas seriam os desen-
DERMATITES POR TRAUMA FÍSICO cadeadores dessa reação, como já foi descrito, na lite-
Algumas plantas têm mecanismos próprios de ratura, com o quadro produzido pelo contato com o
defesa representados por espinhos verdadeiros, acú- látex das luvas de uso regular entre os trabalhadores
leos, dentes serrilhados, terminações de folhas em da saúde.
forma aguda, farpas que podem ferir a pele ao entrar Essas dermatites (de contato por proteína), em
em contato com as plantas, como ocorre na manipula- geral, restringem-se às áreas de contato com as plan-
ção das mesmas ou em casos de contato acidental sem tas, mas pode haver sintomas sistêmicos no âmbito
proteção da pele. Dentre elas podemos citar as rosei- respiratório e digestório (síndrome da urticária de
ras, as laranjeiras, os limoeiros, as primaveras ou contato). Atopia predispõe a esses quadros de urticá-
buganvílias, os cactos e pseudocactos, as euforbiáceas, ria de contato. Surgem dentro de 30 minutos após o
como a coroa-de-cristo. Outras, ao serem manipuladas, contato prurido, eritema e edema e, eventualmente,
esmagadas ou sofrerem pequenas fraturas ou cortes vesículas.
nas suas estruturas, liberam substâncias irritantes, A lista de plantas, frutos, vegetais, madeiras é
como seivas, pequenas farpas ou mesmo microscópicas muito grande. Julga-se que todas as plantas possam
espículas ou cristais que, em contato com a pele, provocar urticária de contato, mas exige-se uso fre-
podem levar a quadros inflamatórios intensos e graves. quente e contínuo para que isso aconteça. O melhor
Da família das cactáceas temos vários gêneros, exemplo seria o aipo (Apium graveolens).9
como: Opuntia, Cereus, Cephalocereus, Em geral, essas dermatites ocorrem em traba-
Acanthocereus,Echinicereus, dos quais podemos citar lhadores da indústria alimentícia, cozinheiros, jardi-
o mandacaru (Cereus jamacuru) e o xiquexique neiros e floristas.10
(Pilocereus gouneli).

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DERMATITES POR IRRITAÇÃO Aráceas


Ocorrem em qualquer indivíduo sem necessi- Nesta família há plantas como a Dieffenbachia
dade de haver predisposição, bastando o contato dire- picta (comigo-ninguém-pode), que é muito utilizada
to com determinadas plantas ou, mesmo, por macera- como planta ornamental, conhecida como planta de
ção de plantas que liberam, com isso, substâncias irri- escritório; é vistosa, com suas grandes folhas, e não
tantes ou cáusticas. A capacidade de irritação da plan- requer excessivos cuidados. Também pertencem a esta
ta depende da substância, mas a intensidade da irrita- família os Philodendrum (costela-de-adão) e
ção é dependente da espessura da pele, principalmen- Monstera (cara-de-cavalo). São plantas que contêm
te, da camada córnea e até mesmo de fatores climáti- oxalatos de cálcio formados por feixes de finas agu-
cos, que favorecem ou diminuem a penetração das lhas, agrupadas em compartimentos e englobadas por
substâncias na pele. um líquido mucilaginoso. Essas “agulhas” são as ráfi-
Algumas famílias de plantas têm a capacidade des, solúveis em água e que se desprendem dos com-
de provocar dermatites irritativas. partimentos em contato com a água e ao simples con-
tato.12 Há muito poucos relatos de pacientes com der-
Euforbiáceas matite de contato alérgica pela planta comigo-nin-
Pertencem a esta família a Euphorbia milli guém-pode (Figura 2).13
(coroa-de-cristo), a Euphorbia pulcherrima (bico-de- Essas plantas, ao terem suas folhas mordidas,
papagaio), a Euphorbia tirucali (avelós), a Euphorbia provocam lesões nas mucosas, com edema e intensa
cutinoides (assacuí), a Euphorbia cyparissias (erva- sensação de queimação com sialorreia. Podem ocasio-
da-verruga) (Figura 1). nar a formação de vesículas e bolhas e, com o edema
São plantas que lembram cactos e que têm no de língua, palato e mucosas da região, levam à dificul-
seu interior uma seiva leitosa altamente irritante, a dade para falar, sendo, por isso, conhecidas como
euforbina, formada por ésteres de diterpenos e for- plantas da mudez. Podem provocar, além de lesões na
bol, os quais, em contato com a pele, causam irrita- pele, pálpebras e olhos, irritações de mucosa do siste-
ção, provocando dermatites agudas vesicantes.11,12 ma digestivo, se deglutidas, o que tem maior probabi-
Na medicina popular, são utilizadas para tratar ver- lidade de ocorrer com crianças pequenas e animais.12
rugas e até mesmo para destruir tecidos neoplási-
cos malignos da pele. São plantas de jardim e algu- Amarilidiáceas
mas, por possuírem espinhos, são usadas como cer- A esta família pertencem os narcisos (por exem-
cas ou protetores de muros e paredes de terrenos plo, o Narcissus pseudonarcissus), que contém oxala-
ou casas; por terem a sua seiva leitosa irritante libe- tos de cálcio nos bulbos. Há várias espécies desta plan-
rada pelo esmagamento provocado por gado e ta com flores belas e agradável aroma. São muito cul-
outros animais, algumas espécies, como o avelós, tivadas na Europa, sendo utilizadas como plantas
servem de cerca viva. ornamentais e de jardim, bem como para extração de
perfume. São capazes de provocar dermatites eritema-
todescamativas, fissuras e secura nas polpas digitais,

FIGURA 1: Coroa-de-cristo (Euphorbia milli) FIGURA 2: Comigo-ninguém-pode (Diefenbachia picta), planta


ornamental, de fácil manutenção

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podendo chegar a produzir hiperqueratoses subun- como forrageiras; causa, comumente, cortes e outros
gueais. As roupas podem veicular os cristais dos bul- traumas na pele durante sua manipulação, devido ao
bos dos narcisos e, assim, provocar dermatite dissemi- fato de conter oxalatos de cálcio agrupado em ráfides
nada para outras regiões do corpo. Afetam indivíduos e outras substâncias químicas irritantes liberadas à
que trabalham no cultivo, na venda ou na distribuição manipulação da planta. Além disso, tem bordas cor-
delas, sendo, portanto, dermatose ocupacional que tantes e com espinhos. Pertence à família das agavá-
envolve floristas, jardineiros e produtores de flores.12 ceas;12
Podofilina (Podophyllum peltatum), planta da
Liliáceas família das berberidáceas, contém a resina podofilina,
Pelo mesmo mecanismo dos narcisos (oxalatos que é formada por vários componentes, entre eles, a
de cálcio), nesta família, temos os jacintos, que provo- podofilotoxina e a peltatina. Em contato com as
cam dermatites irritativas em grupos profissionais que mucosas, a podofilina provoca irritações com ulcera-
manipulam essas flores, por exemplo, e também tuli- ções, dependendo da sua concentração e quantida-
pas. Estas, além de poderem provocar dermatites por de.12 Em casos de condiloma acuminado e verrugas, a
irritação (apesar de não terem oxalatos nos bulbos), podofilina é utilizada desde 1942, particularmente,
são capazes de causar dermatites por mecanismo alér- por sua atividade antimitótica. Devemos lembrar que
gico, assim como a babosa (Aloe vera), que raramen- a podofilina pode provocar fenômenos tóxicos,
te pode provocar reação cutânea por alergia.14 dependendo da quantidade absorvida; além disso,
deve ser proibido seu uso no tratamento de condilo-
Aliáceas mas em gestantes, pois são descritos casos de malfor-
Assim como as liliáceas, o alho (Allium sati- mações fetais.12
vum), a cebola (Allium cepa) e outras plantas desta
família, além de irritantes, têm capacidade sensibili- DERMATITES POR AÇÃO CONJUNTA DO SOL
zante. Essa capacidade irritativa facilita a sensibiliza- Há várias plantas que produzem substâncias
ção.12 conhecidas como furocumarinas, por exemplo, os
psoralenos, cromóforos que produzem na pele rea-
Bromeliáceas ções fototóxicas por estimulação da luz ultravioleta,
Nesta família, devemos citar o ananás ou aba- particularmente, a luz ultravioleta A (320nm a
caxi, que contém cristais de oxalato de cálcio e bro- 400nm). Essas reações na pele são conhecidas como
melina, enzima proteolítica que tem sua ação facili- fitofotodermatoses. A fitofotodermatose ocorre nas
tada pelos cristais. Como é conhecido, o abacaxi áreas de contato com a planta e que recebem a irradia-
pode provocar irritações na boca (estomatites, quei- ção do sol. Geralmente, surge dentro das 24 horas
lites, principalmente angulares e dermatites perio- seguintes e caracteriza-se por eritema como uma quei-
rais). madura, eventualmente, com formação de vesículas e
bolhas, dependendo da intensidade da reação. Pode
Labiáceas surgir infecção secundária na evolução, mas a caracte-
O tomilho (Thymus vulgaris L.), erva aromática
da família das labiáceas, utilizada como condimento
culinário e na produção de cosméticos e drogas, é
descrito como causador de dermatite de contato por
aerodispersão em fazendeiros, por provável mecanis-
mo de irritação primária.15

Outras famílias
Existe grande quantidade de plantas de várias
famílias que provocam dermatites irritativas que é
melhor citar individualmente:
Buganvília ou primavera (Buganvillia spectabi-
lis) – Arbusto ornamental originário do Brasil, muito
cultivado no restante do mundo, é possuidor de espi-
nhos verdadeiros que levam a ferimentos na pele.
Pertence à família das nictagináceas (Figura 3);
Agave (Agave americana), usado para a fabrica-
ção de cordas e redes e para amarrar outras plantas, FIGURA 3: Primavera (Buganvilia spectabilis), que contém espinho
a proteger seu caule e ramos

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rística principal das fitofotodermatoses é a pigmenta- vum), a erva-doce ou anis (Pimpinella anisium), o
ção, que pode durar várias semanas. endro ou dil (Anethum graveolens), todas podendo oca-
As plantas que podem causar fitofotodermatose, sionar quadros de fitofotodermatose pela presença de
na maioria, pertencem às famílias das rutáceas, apiáceas psoralenos entre seus componentes.12
(umbelíferas), fabáceas (leguminosas) e, moráceas,
;gutíferas (hipericáceas) e caparidáceas (Figura 4).12 Fabáceas (Leguminosas)
Representando esta família está a imburana-de-
Rutáceas cheiro (Amburana cearensis), árvore encontrada no
Pertencem a esta família todas as plantas produ- Nordeste brasileiro cujo importante componente é a
toras de frutas cítricas, como a laranja (Citrus sinen- cumarina. Também o vinhático (Plathymenia foliosa),
sis), o limão-galego (Citrus limmonia), o limão Taiti árvore utilizada para madeiras, contém psoralenos.16
(Citrus medica), a tangerina ou mexerica (Citrus reti- Os frutos da Psoralea corylifolia têm sido usa-
culata ou Citrus nobilis) e outras, como a arruda dos há muito tempo na medicina chinesa, para trata-
(Ruta graveolens). mento de vitiligo e alopecia areata, mas, pela quanti-
No caso das frutas cítricas, é bem comum, no dade de psoralenos que contêm, grande e muito variá-
nosso país, ocorrer a fitofotodermatose, que se pro- vel, têm sua proibição recomendada por haver casos
duz pelo hábito de preparar “caipirinhas” e limonadas de graves fitofotodermatites pelo seu uso.
ou laranjadas nas praias ou, mesmo, pelo uso do
limão como tempero, principalmente, de frutos do MORÁCEAS
mar. Além disso, é importante lembrar que, por ser o Nesta família, citamos a figueira (Ficus carica),
contato do sumo das cascas dessas frutas, geralmente, cuja seiva extraída de suas folhas contém psoralenos e
com as mãos, a dermatose desencadeada pode ser foi já utilizada no nosso meio como adjuvante de pro-
localizada nas mãos, usualmente, no seu dorso, assim dutos de bronzeamento, o que levou, inclusive, a
como nos locais tocados por elas, sendo comum apa- casos de queimaduras graves.17 Além disso, citamos a
recer na pele de outras pessoas, especialmente, crian- mama-cadela ou inharé (Brosimum gaudichaudii),18
ças, tocadas por essas mãos. Isso ocorre pelo conheci- que já foi empregada para a produção comercial, por
do fato de que as furocumarinas (metoxipsoralenos) muito tempo, para tratamento de vitiligo, no nosso
estão abundantemente presentes nas cascas dessas meio, tanto por via tópica, quanto por via oral. A lite-
frutas. ratura trouxe, recentemente, caso de fotoalergia pelo
contato de bracelete confeccionado com a madeira
Apiáceas (Umbelíferas) desta planta (Figura 5).19
Dentre as apiáceas, podemos citar a cenoura
(Daucus carota), a chirivia (Pastinaca sativa), o aipo Gutíferas (Hipericáceas)
(Apium graveolens), a angélica (Angelica archangeli- O hipérico (Hypericum perforatum) é utilizado
ca), o funcho (Anethum foeniculum), a salsinha em todo o mundo, principalmente na Europa, como
(Petroselinum crispum), o coentro (Coreandrum sati- fitoterápico com propriedades antidepressivas; é

FIGURA 4: Fitofotodermatose por limão no dorso das mãos FIGURA 5: Figueira (Ficus carica) com o seu fruto

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conhecido como “erva-de-são-joão” e pode causar Asteráceas (Compostas)


fototoxicidade pelos seus componentes, não devendo Esta família alberga aproximadamente 20 mil
ser confundido com outra planta conhecida no Brasil espécies, das quais mais de 180 podem causar derma-
com o mesmo nome, também utilizada como fitoterá- tite de contato por mecanismo alérgico. As substân-
pico, referente ao mentrasto (Ageratum conyzoides). cias sensibilizantes são sesquiterpeno lactonas.
A fototoxicidade do hipérico ou erva-de-são- Existem várias sesquiterpeno lactonas e outras plan-
joão é causada pela substância conhecida como hipe- tas, como as hepáticas (Frulania), plantas da família
ricina, que existe em todas as partes da planta, quan- das magnoliáceas e lauráceas (Laurus nobilis), que
do esta é usada em medicamentos por via oral ou também podem conter essa substância, portanto,
tópica. A hipericina absorve a luz no espectro de pacientes alérgicos a essa substância presente nas
450nm a 600nm, ou seja, na faixa de luz visível.12 asteráceas podem ter reação a essas outras plantas e à
Apesar de alguns autores considerarem a reação parafenilenodiamina.24
em conjunto da luz do hipérico uma reação de fotos- O mais importante alérgeno (hapteno) é o alfa-
sensibilidade, devemos lembrar que, praticamente, metileno-gama-butirolactona, que, ao se ligar a proteí-
não há plantas que provoquem fotoalergia, estando, nas da pele, adquire capacidade antigênica. Pode ter
portanto, ausentes das séries de testes para fototestes reação cruzada com o ácido úsnico produzido pelos
de contato. Por outro lado, testam-se as sesquiterpeno líquenes.12
lactonas na série de fotoalergia, pois há controvérsias É interessante assinalar que a tulipalina A, qui-
a respeito da função do sol no quadro alérgico produ- nona descrita como o alérgeno presente nas liliáceas
zido por esse composto que está presente, particular- (tulipa) e alstromeráceas, apesar de ter radical comum
mente, nas plantas da família das asteráceas.20-22 às sesquiterpeno lactonas (alfa-metil-gama-butírico),
não apresenta reações cruzadas com essas substân-
Caparidáceas cias. A essa família pertencem algumas hortaliças,
Há relato de jardineira, na Europa, com quadro como alface (Lactuca sativa), chicória, alcachofra,
de fototoxicidade pela manipulação de mussambê de plantas ornamentais, como crisântemos, margaridas,
espinho (Cleome spinosa), planta originária do Brasil malmequeres, macela-da-serra, macela-do-sertão. É
e muito cultivada em jardins europeus pela sua bele- conhecida como família dos girassóis e é muito nume-
za. É utilizada como fitoterápico com propriedades rosa no nosso planeta, perfazendo cerca de 10% de
estomáquicas, por via oral, e também localmente, todas as plantas florescentes que conhecemos.
para feridas e úlceras de pele. Acredita-se que tenha Seguindo a linha de vários autores, para simpli-
substâncias químicas como a glucocaparina e extratos ficar a classificação da grande família das asteráceas,
de azeite de mostarda, responsáveis por seu efeito dividimo-la em três famílias:12
irritante, e substâncias do tipo cumarina, que lhe dão
a capacidade de ser fototóxica. Chicoráceas, cujos exemplos notórios são alfa-
ce (Lactuca sativa), chicória (Chicorium intybus),
Outras plantas endívia (Chicorium endivia) e o dente-de-leão
O picão (Bidens pilosa), planta da família das (Taraxacum oficinalle).
asteráceas, muito utilizado em vários países, inclusive Já foram isoladas da endívia e da chicória duas
no Brasil, como chá ou decoto, é visto, por alguns sesquiterpeno lactonas, a lactucina e a lactucopicri-
autores, como planta fototóxica devido à substância na.25 São relatados casos de eczema (reação tardia) e
fenil heptatrieno.23 também casos de reações de urticária (tipo imediato).
O alérgeno do dente-de-leão é o glucopiranosídeo do
DERMATITES POR SENSIBILIZAÇÃO ácido taráxico;
Este mecanismo exige a presença de substân-
cias com capacidade de sensibilizar os indivíduos. Ambrosiáceas, envolvendo as espécies
Para tanto, tem que haver a fase de sensibilização do Ambrosia, Dahlia, Franseria, Helianthus, Iva,
sistema linfocitário a substâncias presentes nas plan- Rudbeckia e Xanthium.
tas. Após essa fase inicial, a pele do indivíduo passa a A Ambrosia artemisiaefolia, planta herbácea
reagir a cada novo contato com a substância a que se comum na América do Norte, provoca erupções cutâ-
sensibilizou. Como várias plantas podem ter a mesma neas nas áreas expostas e tem incidência sazonal na
substância com capacidade alergênica, agrupar as época de polinização, que provoca grande prurido e
plantas em famílias e relacionar as famílias a determi- torna-se crônica, liquenifica-se e causa fissuras na
nadas substâncias pode ser muito útil para reconhe- pele. As substâncias alergênicas são as sesquiterpeno
cermos a causa de dermatites de contato alérgicas por lactonas, a artemisofolina e a isabelina. Vale a pena
plantas. lembrar que as asteráceas poderiam provocar quadros

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que lembram fotossensibilização, mas esse mecanis- Anacardiáceas


mo nunca foi comprovado nestes casos.26 Nesta família, de grande interesse no Brasil, as
reações cutâneas por sensibilização devem-se a substân-
Asteráceas, com todas as outras plantas desta cias compostas por um anel benzênico ligado a uma
família, como: Leucanthemum vulgare ou cadeia ramificada de 15 a 17 carbonos (fenóis de gran-
Chrysanthemum leucanthemum, conhecida como des cadeias), que variam de espécie para espécie. A anti-
margarida; Matricaria inodora e Matricaria chamo- genicidade da molécula aumenta com os seguintes fato-
milla, conhecidas como camomila; Arnica montana, res: presença de cadeia alifática no carbono 3 do anel,
planta com flor cor de laranja, ornamental ou fitoterá- aumento do comprimento da cadeia, presença de liga-
pica; Chrysanthemum morifolium e tantas outras ções duplas não saturadas na cadeia lateral e presença
espécies conhecidas como crisântemos, que têm como de grupos fenólicos livres no anel.
alérgenos alantolactona, arteglasina A, arbusculin A e
outras sesquiterpeno lactonas. Na Índia, a losna bran- Cajueiro (Anacardium occidentale)
ca (Parthenium hysterophorus), da família das com- Pode produzir dermatite de contato pelo líquido
postas, causa dermatite de contato por aerodispersão. da casca do caju. Possui um monofenol com 15 carbo-
Seus alérgenos, pertencentes ao grupo das sesquiter- nos, o cardanol e um bifenol com 15 carbonos, o car-
peno lactonas, são descritos como partenina, corono- dol, que são os possíveis alérgenos (sensibilizantes) e
pilina e tetraneurina A (Figura 6).27,28 o ácido anacárdico, com capacidade irritante. O líqui-
O inseticida piretreno é derivado de um crisânte- do obtido no ato da cocção do caju é usado para trata-
mo (Chrysanthemum cinerariofollium), mas parece mento de verrugas e para irritar áreas de alopecia area-
não ser responsável pela alergia aos crisântemos;12 ta pelo seu efeito irritante, que chega a ser cáustico.12
Cynara scolymus, a alcachofra que pode causar derma-
tite de contato nas áreas da face, por veiculação pela Mangueira (Mangifera indica)
mão de materiais da planta, tem como alérgeno a cina- Tem como um dos componentes das folhas,
ropicrin; Bidens pilosa, planta herbácea conhecida talos e cascas das frutas o mangol,29 que é semelhan-
como picão, muito utilizada no nosso meio e em outros te ao fenol, que existe no caju. Mesmo pessoas alérgi-
países como terapêutica tópica para dermatoses, é, mui- cas a quaisquer desses fenóis de longa cadeia (urus-
tas vezes, relacionada pelo próprio paciente à piora do hióis) podem comer a manga sem casca.30
quadro dermatológico. É descrita como tendo proprie-
dades antifúngicas, antibacterianas e antivirais; por Aroeira
outro lado, contém fenil heptatrieno,7 substância fototó- A Lithraea molleoides,31 aroeira-brava ou aroei-
xica, o que poderia explicar o grande número de casos ra-branca, provoca dermatites eczematosas em pacien-
vistos na prática dermatológica de piora ou de surgi- tes sensibilizados aos urushióis nas áreas expostas às
mento de eczema em áreas fotoexpostas após tratamen- partículas dispersas no ar liberadas pela árvore. Por
tos tópicos (banhos) com o picão. Vale a pena lembrar ser semelhante a um quadro de eczema por fotoexpo-
que o picão é utilizado sob a forma de chás para trata- sição, essa reação é, muitas vezes, confundida com
mentos de icterícia, doenças do fígado e malária. fotossensibilização ou fototoxicidade.
Esse quadro, conhecido como aroeirite,32,33 é
cercado de alguma fantasia popular, como ocorre em
alguns lugares do Brasil em que o povo deve dar bom-
dia à planta para não ter a reação na pele e é conheci-
do o estranho fato de que basta dormir à sombra da
aroeira para adquirir a dermatose. Também é voz cor-
rente que, para curar a aroeirite, deve-se banhar a pele
com o decoto da aroeira-mansa.
A Schinus terebinthifolius, aroeira-mansa ou
aroeira-pimenteira, cujos frutos vermelhos são utiliza-
dos como pimenta e não provocam a dermatose, ao
contrário, é usada pelo povo convicto como fitoterápi-
co para dermatites, especialmente, a aroeirite.
A madeira da Myracrodruom urundeuva ou
Astronium urundeuva, aroeira-do-sertão, é tida como
de ótima qualidade e muito resistente.

FIGURA 6: Margarida (Leucanthemum vulgare)

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Toxicodendros quinona lawsona, descrita por Gupta em 1986;


Grandes causadores de dermatite de contato porém, são descritos casos de dermatite pela hena
por sensibilização na América do Norte, têm várias cujos testes de contato revelam sensibilização à para-
espécies: Toxicodendron radicans (poison ivy), fenilenodiamina, a verdadeira responsável pela alerge-
Toxicodendron diversilobum (poison oak), nicidade da hena, que sofre a adição dessa substância
Toxicodendron vernix (poison sumac). na sua preparação comercializada.

Outras plantas com fenóis de cadeias longas Liliáceas


Ginkgo biloba, cujos frutos do tamanho de As tulipas, além de serem irritantes, como já foi
uma cereja, que só a árvore feminina produz, contém descrito, têm capacidade alergênica através de suas
o ácido de ginkgo, um fenol de cadeia longa. Pertence duas lactonas, a tulipalina A e a tulipalina B e dos glu-
à família das ginkgocáceas; cosídeos tuliposida A e tuliposida B. Os dois glucosí-
Grevillea robusta, planta arbusto utilizada para deos encontram-se na parte externa dos bulbos das
ornamentação e para utilização de sua madeira. É ori- tulipas, enquanto as duas lactonas são liberadas ao se
ginária da Austrália e eventualmente utilizada no Brasil lesionar essa parte externa dos bulbos. É muito
como cerca protetora de vento. Possui como alérgeno conhecido o quadro dermatológico, principalmente,
o 5-tridecil resorcinol, um fenol de muita semelhança nos Países Baixos, onde é muito cultivada a tulipa,
química com os urushióis, levando-nos a supor que como dedos de tulipa.12 A dermatose afeta jardinei-
possa haver reações cruzadas entre pacientes alérgicos ros, floristas e cultivadores de tulipas, especialmente,
a essas substâncias. Pertence à família das proteáceas. nas polpas digitais com fissuras dolorosas. A tulipalina
A é o principal alérgeno e é encontrado também em
Primuláceas outras liliáceas. Já a liliácea babosa (Aloe vera), muito
Nesta família, conhecem-se mais de 600 espé- empregada em cosméticos, apesar de ser pouco aler-
cies, mas a maioria das dermatites de contato descri- gênica, pode, eventualmente, provocar dermatite de
tas relaciona-se à Primula obconica. O quadro clínico contato por mecanismo alérgico.14
é composto de repentino surgimento de eritema,
edema e vesículas nas pálpebras, na face e, evidente- Alstromeráceas
mente, nas mãos e nos antebraços em distribuição Plantas muito belas e muito cultivadas como
linear. Ocorre, principalmente, em floristas ou em flores. Têm sido relatados casos tanto de dedos de
donas de casa que manipulam a planta a fim de reti- tulipa como de dermatose por substâncias aerotrans-
rar as folhas antigas para favorecer o surgimento de portadas. Os alérgenos são os mesmos da tulipa, em
mais flores. Os pequenos pelos (tricomas) presentes particular, a tulipina A.38
nas folhas, nos talos e nas flores, em contato com a
pele, liberam uma quinona conhecida como primina, Aliáceas
seu alérgeno,12 e também a miconidina.34,35 Já foi con- Esta família inclui o alho (Allium sativum),
siderada uma das maiores causas de dermatite de con- muito utilizado, no mundo todo, como condimento e
tato em determinadas regiões da Europa.36 também por suas propriedades terapêuticas. Contém
Os ouriços-do-mar apresentam nos seus espi- substâncias potencialmente sensibilizantes, que são os
nhos substância semelhante à primina, a quinona dialilsulfetos. Nas donas de casa que manipulam horta-
alergênica da prímula, o que pode levar a quadros liças e alimentos variados na cozinha, com dermatites
alérgicos em pessoas sensibilizadas previamente ou de mão, deve-se pensar na possibilidade de reações a
mesmo sensibilizar o indivíduo às primuláceas.37 esses alérgenos. As dermatites típicas por manipulação
do alho são pulpites nos dedos das mãos, com eritema,
Orquidáceas descamação, hiperqueratoses e fissuras que provocam
As orquídeas, plantas belíssimas e valiosíssimas, dor local. Não devemos esquecer o componente irrita-
são cultivadas, hoje em dia, no mundo todo. tivo do alho.12 São descritas reações cruzadas com a
Conhecem-se mais de 25 mil espécies e algumas delas cebola (Allium cepa), cebolinha (Allium schoenonpra-
poderão causar dermatites de contato por sensibiliza- sum), alho-porro (Allium porrum); apesar disso, não
ção, sendo que os alérgenos podem ser o 2,6- dime- se sabe se todas contêm os dialilsulfetos (Figura 7).
toxi-1,4-benzoquinona, a ciprepedina e outras subs-
tâncias derivadas das quinonas. Fabáceas
Esta família, que apresenta várias espécies con-
Litráceas tendo furocumarinas, merece ser lembrada neste
A Lawsonia inermis, a hena, pode, eventual- grupo de dermatites por sensibilização pelo famoso
mente, causar reação cutânea pela presença da nafto- bálsamo-do-peru (Myroxolon pereirae), que produz

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Dermatoses provocadas por plantas (fitodermatoses) 487

terebintina e o colofônio, além de aromatizantes de


sabonetes, produtos de higiene, doces e chocolates,
condimentos e bebidas, como refrigerantes (colas).
Tem uma taxa de positividade muito grande na faixa
etária abaixo dos 15 anos, segundo estudo sueco com
crianças com dermatite de contato.36
O mais importante alérgeno do bálsamo-do-
peru é o aldeído da canela, que pode ser obtido na
natureza da árvore da canela (Cinnamomum zeylani-
cum) ou por via sintética e é utilizado como aromati-
zante em sabonetes, detergentes, desodorantes, den-
tifrícios, antissépticos orais, bebidas alcoólicas e não
alcoólicas, gomas de mascar, bombons, sorvetes,
doces, perfumes e outros.
Aproximadamente 50% dos pacientes alérgicos
FIGURA 7: Dermatite por alho (Allium sativum) a própolis reagem com o bálsamo-do-peru, uma vez
que ela contém algumas substâncias semelhantes às
daquele bálsamo. Em realidade, ela é uma substância
um látex composto por vários alérgenos conhecidos: utilizada pelas abelhas para impermeabilização, com
ácido benzoico, aldeído benzoico, álcool benzoico, efeitos desinfetantes da colmeia, a qual as abelhas
benzilbenzoato, benzilcinamato, álcool coniferílico, coletam dos álamos ou de qualquer outra árvore que
benzoato coniferílico, cumarina, eugenol e isoeuge- produza essa massa pegajosa como resina.
nol, colofônia limoneno, éster p-hidroxibenzoico, O própolis é muito utilizado em cosméticos,
álcool de canela, aldeído de canela e ácido de canela. dentifrícios, lápis labiais, cremes de massagens e outros
Os pacientes sensibilizados a qualquer dessas e, portanto, pode ser causador de dermatite de contato
substâncias podem ter reações cutâneas ao usar medi- alérgica.39 O alérgeno principal do própolis é o éster 1,1
camentos tópicos que contenham bálsamo-do-peru, o dimetilalílico de ácido cafeínico, também conhecido
que acontece, principalmente, em medicamentos para como éster 3,4 dihidroxi do ácido da canela.
hemorroidas e para dermatites de fraldas. Na família das saxifragáceas, temos a
O bálsamo-do-peru é muito utilizado no veícu- Hydrangea (hortênsia), pouco alergênica e muito uti-
lo desses tópicos, por seu aroma agradável e seus efei- lizada nos jardins de todo o mundo, que é capaz de
tos antibacterianos, antifúngicos, queratoplásticos. causar dermatite de contato alérgica pelo alérgeno
Esse bálsamo é uma das 30 substâncias presentes na hidrangenol.40
série-padrão de testes de contato mais utilizada no Na família das labiáceas, há a descrição de der-
Brasil. Pode ter reações cruzadas com resinas de matite de contato alérgica pela hortelã (Mentha spic-
outros vegetais, especialmente, coníferas, como a ta), cujos alérgenos são o carvone e o limoneno.41 

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Dermatitis. 2008;58:242-3. Vitor Manoel da Silva Reis
Rua Teodoro Sampaio, 352 - Conj. 36, Pinheiros
05406 000 São Paulo - SP
E-mail: vitoreis76@hotmail.com

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