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Adm. Financeira II - Aula 1: Risco e Retorno - Pg.

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RISCO E RETORNO

1. Fundamentos de Risco e Retorno


1.1. Risco: possibilidade de prejuízo financeiro ou volatilidade de retorno associada a um
ativo
1.2. Retorno: ganhos ou prejuízos dos proprietários decorrentes de um investimento durante
determinado período de tempo

P t − Pt − 1 + C
kt =
Pt − 1
ke = taxa de retorno exigida ou esperada
Pt = valor do ativo no tempo t
Pt-1 = valor do ativo no tempo t-1
C =fluxo de caixa do investimento no período de t-1 até t
1.2.1. Exemplo: no ano passado, um investimento teve um valor de mercado de R$
20.000, gerando um fluxo de caixa durante esse ano de R$ 1.500.Considerando-se
que o atual valor de mercado do investimento é de R$ 21.000, qual a taxa de
retorno do investimento?
1.3. Preferência com Relação ao Risco: indiferente, averso e tendente

2. Conceitos de Risco: Ativo Individual


2.1. Análise de sensibilidade: abordagem comportamental, utiliza várias estimativas de
retorno para obter uma percepção da variabilidade entre os resultados
a) Exemplo: A Cia. Natal está considerando duas alternativas de investimento, para as
quais fez as estimativas abaixo:
Ativo A Ativo B
Investimento Inicial $ 10.000 $ 10.000
Taxa de Retorno
Pessimista 13% 7%
Mais provável 15% 15%
Otimista 17% 23%
Determine a faixa de taxas de retorno para cada ativo. Qual o mais arriscado?
Por que?
2.2. Probabilidade: possibilidade de ocorrência de um dado resultado
a) Exemplo: no caso da Cia. Natal, as probabilidades de ocorrência dos resultados
pessimista, mais provável e otimista são de 25%, 50% e 25%
2.3. Distribuição de probabilidades: modelo que relaciona os probabilidades e seus
respectivos resultados
a) Gráfico de barras: mostra número limitado de resultados e suas respectivas
probabilidades
b) Distribuição de probabilidade contínua: apresenta todos os possíveis resultados e suas
probabilidades associadas
2.4. Valor esperado do retorno ( K ): é o retorno mais provável de um determinado ativo

K = ∑K i
× Pr i
sendo que para resultados conhecidos e probabilidades iguais,
∑Ki
K =
n
a) Exemplo: calcular o retorno esperado dos ativos A e B da Cia. Natal.
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2.5. Desvio padrão (σk): mede a dispersão em torno do valor esperado. É o indicador mais
comum de risco
2
σ= Σ( Ki −K ) x Pr i
e para resultados conhecidos e probabilidades iguais: σ =
2
Σ( Ki −K )
n −1
a) Exemplo: calcular o desvio padrão dos retornos esperados dos ativos A e B da Cia.
Natal. Qual o de maior risco?
2.6. Distribuição normal de probabilidade
2.7. Coeficiente de Variação (CV): medida de dispersão relativa usada na comparação de
risco de ativos que diferem no retorno esperado
σ
CV =
K
a) Exemplo: considere os dados abaixo e indique qual ativo dever ser selecionado:
Ativo X Ativo Y
Retorno Esperado 12% 15%
Desvio Padrão 9% 10%
2.8. Risco e tempo: a variabilidade dos retornos e o risco relativo do ativo aumentam com o
passar do tempo

3. Risco de uma Carteira


3.1. Carteira eficiente: maximiza o retorno para um dado nível de risco ou minimiza o risco
para um dado nível de retorno
3.2. Retorno de uma carteira ( k p ): média ponderada de retornos dos ativos individuais que
a compõem
k p = ∑wj × k j
3.3. Valor esperado dos retornos da carteira ( K p
) em n períodos: média aritmética dos
retornos da carteira observados em n períodos, com probabilidades iguais
∑k p
Kp=
n
3.4. Desvio Padrão da carteira ( σ k ): apurado da mesma forma indicada no item 2.5. para
p
resultados conhecidos e probabilidades iguais
2
σ kp = Σ( Kj −Kp )
n −1
Na realidade, o desvio padrão da carteira de investimentos formada por dois títulos é a
seguinte, o que dificulta o seu cálculo, particularmente quando o número de títulos se
eleva:
σ kp = w ×σ1
2 2

1
+ w ×σ + 2( w ×w × ρ ×σ ×σ )
2

2
2

2 1 2 1, 2 1 2

3.5. Correlação (ρ): mede a relação, se houver, entre série de números que representam
qualquer tipo de dados
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3.5.1. Coeficiente de correlação: medida do grau de correlação entre duas séries de


dados. Pode variar de +1 (correlação positiva perfeita) a -1 (correlação negativa
perfeita)
3.6. Diversificação e seus efeitos: para reduzir o risco total, deve-se adicionar à carteira ativos
que tenham correlação negativa ou positiva baixa
3.7. Exemplo: os retornos esperados de três ativos durante cinco anos são fornecidos abaixo:
ANO RETORNOS DOS ATIVOS - %
X Y Z
1 8 16 8
2 10 14 10
3 12 12 12
4 14 10 14
5 16 8 16
a) Calcule o valor esperado do retorno para cada ativo no período (ver 2.4.)
b) Calcule o desvio padrão para cada ativo no período (ver 2.5.)
c) Calcule os retornos das carteiras formadas em partes iguais pelos ativos X & Y e X
& Z para cada um dos cinco anos (ver 3.2.)
d) Calcule o valor esperado dos retornos das carteiras durante o período (ver 3.3)
e) Calcule o desvio padrão de cada uma das carteiras formadas pelos ativos X & Y e X
& Z durante o período (ver 3.4.)
f) Quais conclusões podem ser tiradas dos resultados acima calculados?
3.8. Correlação, diversificação, risco e retorno na combinação de dois ativos
Coefic. de Correlação Faixa de Retorno Faixa de Risco
+1 (positiva perfeita) Entre retornos de dois ativos Entre os riscos de dois ativos
mantidos isoladamente mantidos isoladamente
0 (ausência de Entre retornos de dois ativos Entre o risco do ativo mais
correlação mantidos isoladamente arriscado e um valor menor que
o risco do ativo menos
arriscado, porém maior que
zero
-1 (negativa perfeita) Entre retornos de dois ativos Entre o risco do ativo mais
mantidos isoladamente arriscado e zero

4. Risco e Retorno: Modelo de Precificação de Ativos de Capital - CAPM


4.1. Tipos de risco
4.1.1. Risco diversificável ou não sistemático
4.1.2. Risco não diversificável ou sistemático (relevante)
4.1.3. Risco total =risco não diversificável + risco diversificável
4.2. CAPM: baseado na proposição de que a taxa de retorno exigida de um ativo é igual a
taxa livre de risco mais um prêmio de risco, em que o risco reflete a diversificação
4.2.1. Coeficiente beta (β): medida de risco não diversificável. Índice do grau de
movimento do retorno de um ativo em resposta a mudança no retorno de mercado.
a) Retorno de mercado: é o retorno de uma carteira composta por todos os ativos
negociados no mercado
b) Cálculo do beta: envolve a marcação das coordenadas dos retornos de mercado
e dos retornos do ativo em vários pontos do tempo. Sua medição envolve a
utilização da análise de regressão
c) Obtenção e interpretação do beta
c.1. Beta de mercado = 1
c.2. Valores de beta maiores e menores que 1
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d) Betas de carteira de ativos


bp = ∑wj ×b j
4.2.2. Equação do CAPM
k j = R F + [b j × (k m − R F )]
onde kj = retorno exigido sobre o ativo j
RF = taxa de retorno livre de risco
bj = coeficiente beta do ativo j
km = retorno da carteira de ativos do mercado
a) Exemplo: considerando uma taxa livre de risco de 4% e um retorno sobre a
carteira de ativos do mercado de 8%, calcule as taxas de retorno exigidas para
os ativos com beta igual a 2,0; 1,5; 1,0 e 0,5
4.3. Representação Gráfica do CAPM: a Linha de Mercado de Ativos (SML)
a) Essa linha reflete para cada nível de risco não diversificável (beta), o retorno exigido
sobre o ativo de mercado
b) Para o exemplo dado no item anterior, a SML seria a seguinte

Linha do Mercado de Ativos (SML)

14,00%
12,00%
10,00%
Retorno

8,00%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%
0 0,5 1 1,5 2 2,5
Beta

4.4. Alterações na SML


4.4.1. Mudanças nas expectativas inflacionárias: deslocam a posição da SML
paralelamente para cima ou para baixo como reflexo da mudança na taxa livre de
risco, que é afetada pelas expectativas inflacionárias
4.4.2. Mudanças na aversão ao risco: são refletidas na inclinação da SML, indicando a
exigência de um prêmio maior ou menor, conforme a aversão ao risco tenha
aumentado ou diminuído
4.5. Considerações Gerias sobre o CAPM
a) Utiliza dados históricos para estimar os retornos exigidos
b) Dificuldades de aplicação para empresas cujos ativos não sejam negociados em bolsa
c) Baseado em suposições que simplificam a realidade, como a hipótese do mercado
eficiente
d) Em todo caso, teoria amplamente aceita e utilizada
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5. Exercícios
5.1. Douglas Keel, um analista financeiro, deseja estimar a taxa de retorno para dois
investimentos de risco similares - X e Y. A pesquisa de Keel indica que os retornos
imediatamente anteriores atuarão como estimativa razoável dos retornos futuros. No ano
anterior, o investimento X teve um valor d mercado de R$ 20.000 e o investimento Y, de
R$ 55.000. Durante o ano, o investimento X gerou um fluxo de caixa de R$ 1.500 e o
investimento Y gerou um fluxo de caixa de R$ 6.800. Os valores atuais de mercado dos
investimentos X e Y são de R$ 21.000 e R$ 55.000, respectivamente.
a) Calcule a taxa de retorno esperada para os investimentos X e Y.
b) Supondo que os dois investimentos sejam igualmente arriscados, qual deles Keel
deveria recomendar? Por que?
5.2. A Micro Polo está considerando a compra de uma de duas câmaras de microfilme - R ou
S. Ambas fornecem benefícios durante um período de dez anos e cada uma requer um
investimento inicial de R$ 4.000. A administração construiu a seguinte tabela de
estimativa de probabilidades e taxas de retornos para resultados pessimistas, mais
prováveis e otimistas:
Câmara R Câmara S
Montante Probabilid Montante Probabilid
Investimento Inicial 4.000 1,0 4.000 1,0
Taxa de retorno anual
Pessimista 20% 0,25 15% 0,20
Mais provável 25% 0,50 25% 0,55
Otimista 30% 0,25 35% 0,25
a) Determine a faixa para a taxa de retorno de cada uma das duas câmaras.
b) Determine a taxa de retorno esperada para cada câmara.
c) Qual câmara é mais arriscada? Por que?
5.3. Jaime Vieira está considerando estruturar uma carteira contendo dois ativos, L e M. O
ativo L representará 40% do valor em unidades monetárias da carteira e o ativo M
corresponderá aos outros 60%.Osretornos esperados durante os próximos seis anos, para
cada um desses ativos, está resumido na seguinte tabela:
Ano Retorno Esperado - %
Ativo L Ativo M
2003 14 20
2004 14 18
2005 16 16
2006 17 14
2007 17 12
2008 19 10
a) Calcule o retorno esperado da carteira, kp, para cada um dos seis anos.

b) Calcule o valor dos retornos esperados da carteira, K p


,durante o período de 6
anos.
c) Calcule o desvio padrão dos retornos esperados da carteira, σ k , durante o período
p
de 6 anos
d) Como você caracterizaria a correlação dos retornos dos dois ativos L e M?
e) Discuta quaisquer benefícios de diversificação obtidos através da criação da carteira
5.4. Rosa Dantas está tentando avaliar duas possíveis carteiras - ambas compostas dos
mesmos cinco ativos, mas mantidos em diferentes proporções. Ela está particularmente
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interessada em usar o beta para comparar o risco das carteiras e nisso considerar os
seguintes dados coletados:
Ativo Beta do Peso da Carteira - %
Ativo Carteira A Carteira B
1 1,30 10 30
2 0,70 30 10
3 1,25 10 20
4 1,10 10 20
5 0,90 40 20
Total 100 100
a) Calcule o beta para as carteira A e B.
b) Compare o risco de cada carteira com relação ao mercado bem como com relação a
outra carteira. Qual careira é mais arriscada?
5.5. Use a equação básica para o modelo de formação de preço de ativo de capital (CAPM)
para elaborar cada um dos seguintes:
a) encontre o retorno exigido para um ativo com um beta de 0,90 quando a taxa livre de
risco e o retorno do mercado são 8% e 12%, respectivamente;
b) encontre a taxa livre de risco para uma empresa com um retorno exigido de 15% e
um beta de 1,25 quando o retorno de mercado é de 14%;
c) encontre o retorno de mercado para um ativo com retorno exigido de 16% e um beta
de 1,10, quando a taxa livre de risco é de 9%;
d) encontre o beta para um ativo com um retorno exigido de 15% quando a taxa livre de
risco e o retorno de mercado são 10% e 12,5%, respectivamente.

6. Bibliografia
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 10ª edição, São Paulo,
Editora Pearson Education do Brasil, 2004. Capítulo 5
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 7ª edição, São Paulo, Editora
Harbra Ltda, 1997. Capítulo 6
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira - Essencial. 2ª edição, Porto
Alegre, Bookman Editora, 2001. Capítulo 7