Você está na página 1de 15

1.

CONTRACTO BANCÁRIO

1.1. No exercício das suas actividades as instituições bancarias estabelecem relações


jurídicas com os restantes agentes econômicos. Essas relações denominam-se operações
bancarias.

As operações bancarias são os diversos actos de natureza econômica, realizadas segundo


técnicas processuais e jurídicas, mediante os quais se desenvolvem actividades das
instituições de crédito (em sentido amplo abrangendo, por conseguinte, as instituições
bancarias e para bancárias).

As relações jurídicas assim estabelecidas são na sua maioria consubstanciadas em contratos.

Muito embora o nosso direito vigente não contenha nenhuma definição expressa dentro, este
pode ser definido como:

“O acto jurídico pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam por consentimento recíproco a
dar, fazer ou não alguma coisa. Coelho da Rocha ou ainda numa noção mais ampla:

O acto porque duas ou mais pessoas transferem entre si algum direito ou se sujeitam a alguma
obrigação. - artigo 641º do código se Seabra.

Contracto bancário pode então ser definido como o acordo estabelecido por uma instituição
bancaria OU PARABANCARIA E DETERMINADO AGENTE ECONOMICO, SEU
CLIENTE, Através do qual se criam, modificam ou extinguem relações jurídicas, com vista a
realização de uma ou mais operações bancarias.

1.2. Os contratos bancários estão sujeitos por norma, as regras do direito das obrigações e
do direito comercial, havendo, no entanto, normas específicas constantes do diversos
diplomas legais relativos a alguns desses contratos.

Oportunamente, quando passarmos a analisar na especialidade dos contratos, a elas faremos


referência.

1.3. A massificação das operações bancarias levou a que as instituições de credito


criassem minutas tipo para os vários contratos, divergindo o clausulado em cases apena
em poucos aspectos, como sejam: a identificação do cliente, o montante da operação ou
prazo da mesma. Assim, o cliente que pretende contratar determinada operação bancaria,
limita-se na a grande maioria das situações, a aderir ao clausulado tipo apresentado pelo
banco, ou caso discorde dor termos, a rejeição em bloco a formula contratual.

É o que se passa, aliás, nas actividades seguradoras, aguas de Moçambique, EDM, TDM...

“Diz-se contracto de Adesão aquele em que um dos contraentes, não tendo a menor
participação na preparação das respectivas clausulas, se limita a aceitar o texto que o outro
contraente oferece, em massa, ao público interessado.

Os particulares, necessitados de celebrar o contracto, são forcados pelas circunstâncias a


aceitar o modelo que de certo modo lhe é imposto. Eles são apenas livres de aderir ao
modelo, padrão ou norma que lhe é oferecido, ou a rejeitar, não de discutirem ou alterarem o
conteúdo da proposta. Não há aqui, por conseguinte, a livre discussão entre as duas partes,
que costuma preceder a fixação do conteúdo do contracto”.

O regime jurídico que disciplina o clausulado geral deste tipo de contracto no ordenamento
jurídico português, foi e4stabelecido pelo decreto-lei nr 446/85, de 25 de outubro.

No nosso país, o referido instituto ainda não tem lugar no foro; em defesa da parte contraente
fraca, apenas temos como do código Civil vigente. Neste diploma legal encontramos
consagrado o princípio de boa-fé (artigo 227 nr 1 e 763 nr 2) a ordem pública e os bons
costumes (artigo 280 nr 2), a disciplina dos negócios usuários (artigo 282 e 283), os critérios
de juízes de equidade (art. 400) e os limites da disciplina convencional da responsabilidade
civil (art. 800 nr 2 e 809 nr 5). E, no domínio da declaração de vontade temos os artigos 232,
253 e 259º.

1.4 é pratica normal dos Bancos utilizarem na formalização de contratos bancários


documentos escritos, oque, como é obvio, facilita a certeza das relações contratuais
estabelecidas. No entanto, refira-se que os contratos bancários não estão sujeitos a
observância de forma especial.

2. Classificação

2.1 cuidaremos agora de abordar a classificação dos contratos em geral, bem como a
classificação das operações bancarias, com introdução a análise dos contratos bancários.

2.2. Seguindo a terminologia adoptada pelo professor Antunes Varela, na obra referida,
vejamos então a classificação dos contratos em geral:
a) Contracto misto- são aqueles nos quais se reúnem elementos de dois ou mais negócios,
total ou parcialmente regulados na lei;

b) Contratos de eficácia real- isto e, contratos pelos quais se constituem ou transferem


direito reais sobre determinada coisa;

c) Contracto-Processa- é a convecção pela qual ambas partes, ou apenas uma delas


pressupostos, a celebrar determinado contracto;

d) Pacto de Preferência- é o contrato pelo qual alguém assume a obrigação de, em igualdade
de condições, escolher uma certa pessoa como seu contraente, no caso de se decidir a celebrar
determinado negócio;

e) Contrato bilateral e unilateral- diz-se bilateral ou sinalagmaticos os contractos dos quais


nascem obrigações para ambas as partes e unilateral os contractos dos quais resultam
obrigações só para uma das partes. Atendendo apenas ao aspecto patrimonial dos contractos
costumam classificar-se os primeiros como onerosos e outros como gratuitos.

f) Contrato a favor de terceiro- é aquele em que um dos contraentes (promitente) atribui,


por conta e a ordem do outro (promissário), uma vantagem a um terceiro (beneficiário)
estranho a relação contratual;

g) Contracto para pessoa a nomear, isto é, o contracto em que uma das partes reserva a
faculdade de designar uma outra pessoa que assume a sua posição na relação contratual,
como se o contracto tivesse sido celebrado com este último.

2.3. Por sua vez a classificação das operações bancarias tomam como ponto de referência o
banco, pode apresentar-se pelo seguinte esquema:

Passivas (1)

De Crédito

Operações bancarias: Ativas (2)

De prestações de serviços (3)


Conforme bem refere José Maria Pires, na obra já cidadã, este esquema tem suporte jurídico
que no artigo 47 do decreto-lei nr 42642, de 12 de novembro de 1959, que passamos a
transcrever:

“são considerados bancos comerciais as pessoas singulares ou colectivas de direito privado


no artigo 47º, tiverem por objectivo exclusivo o exercício com fins lucrativos da actividade
bancaria e das funções de credito, nomeadamente 1 a recepção, sob forma de empreguem, por
sua própria conta risco, em 2 operações activas de credito ou curto prazo ou outro que lhe
sejam autorizadas por lei, e 3 a prestação de servições transferências de fundo, de guarda de
valores e de intermediários nos pagamentos e na colocação ou administração de capitais e de
outros servições de natureza análoga que lhes proíbe”.

Atualmente devemos confrontar o disposto naquele decreto-lei com o disposto nos artigos
9,42º, 43º, e especialmente o 44º da lei nr 28/91, de 31 de dezembro, pois a redação deste
artigo não difere da que consta do já citado artigo 47º.

Não se quer com este classificação colocar cada uma das operações bancarias em
comportamentos estanques. Elas são complementares, sendo que muitas vezes os contractos
bancários abrangem mais do que uma operação bancaria (exemplo: operação de credito
passiva e prestação de serviço) – estremos então na presença de um contracto misto, segundo
a classificação dos contractos seguida.

Seguidamente passaremos em analise alguns contractos bancários mais importantes.

3. Contracto de deposito
3.1. Ao exercerem a sua actividade os bancos desempenham uma função de
intermediação entre vários agentes econômicos, recolhendo capitais disponíveis para
uma aplicação lucrativa e colocando-os ao alcance de quem deles necessitam para sua
actividade Econômica.
3.2. No nosso direito vigente não existe qualquer diploma legal dando tratamento
sistemático ao contracto de deposito de disponibilidades monetárias nas instituições de
credito.
Assim a integração desta lacuna terá de ser feita com auxílio de normas dos Códigos
Civil e Comercial, bem, como da legislação avulsa destinada a regular aspectos
específicos deste contracto. Lei 28/91 de 3 de Dezembro.
3.3. O artigo 1185 do código civil define deposito como sendo “o contracto pelo qual uma
das parte entrega a outra uma coisa, móvel ou imóvel, parta que guarde, e a restitua
quando for exigida”.
Esta definição abrange não somente os chamados depósitos regulares, isto é, aqueles
pelos quais o depositário fica obrigado a guardar as coisas recebidas e restitui-las ao
depositante tal como lhe foi entregue.
Ora o contracto de deposito bancário que vimos a analisar não se enquadra nesta
definição (não confunda como outo contracto bancário relativo ao deposito de valores,
como sejam papeis de credito-artigo 405º do código comercial). É que o deposito
bancário de disponibilidade monetárias materializa-se pela entrega do depositante ao
banco depositário de uma soma de dinheiro, que se torna propriamente deste, o qual fica
apenas obrigado a restituir quantia igual à que lhe foi entregue- restituição em género.
Assim, é legitimo concluir que, nesta situação, o deposito detém exclusivamente um
direitos de credito sobre o banco.
3.4. À falta de norma legal que qualifique juridicamente este contracto a doutrina e a
jurisprudência tem-se socorrido de várias teorias, das quais se destacam as principais:
a) O deposito bancário como mútuo;

Concepção consagrada por grande parte da jurisprudência portuguesa e tão bem definida:

“O banco fica autorizado a dispor da coisa depositada, investindo os capitais assim recolhidos
nas suas diversas operações ou no pagamento das suas responsabilidades”

O banco recebe uma coisa fungível apenas se obriga a pagar uma quantia igual à que lhe foi
entregue, acrescido ou não de juros, conforme os casos(...) o numerário recebido entra no seu
patrimônio, fica fazendo parte do activo, obrigando-se apenas o banco a uma prestação
pecuniária para com o depositante, correspondente às importâncias que dele recebeu (...)
assim se vê claramente que o deposito bancário de dinheiro, quer a ordem quer à prazo, de
deposito só tem o nome, e não é mais do que empréstimo de dinheiro.

b) O deposito bancário como deposito irregular

Há quem integre o deposito bancário na noção de deposito irregular constantes do artigo


1205º do Código Civil, ou seja, “o que tem por objecto coisas fungíveis”. E logo a seguir o
artigo 1206º do mesmo código manda aplicar ao deposito irregular, “na medida do possível,
as normas relativas ao contracto de mútuo”. Donde resulta, afinal, o mesmo tratamento
preconizado pela teoria anteriormente referida.

c) O deposito bancário como contracto “sui gereris”

Uma terceira teoria concebe o contracto de deposito de disponibilidade monetária como um


contrato especifico com regras próprias, constantes da lei 28/91 de 31 se Dezembro.

3.5. Define-se ainda o deposito bancário como “o deposito em dinheiro que o público
efectua, em diversas condições, nos estabelecimentos autorizados para receber deposito
desta espécie”.

O contracto de deposito de disponibilidade monetária passa assim ser definido como o


contracto pelo qual determinado sujeito (o depositante) entrega dinheiro a um banco (o
depositário) que, tornando-se proprietário do montante depositado, dele tem direito de dispor
para os seus negócios, assumindo a obrigação de restituir idêntico montante, nos termos
acordados entre os contraentes.

3.6. Assim como o contracto de mútuo, o contracto de deposito só se torna efectivo, isto
é, só fica perfeito quando o depositante entrega ao banco os fundos, não basta para tal o
acto formal entre as partes. A entrega dos fundos é um requisito de validade de
contracto.

Referindo-se a esta problemática na qual temos vindo a seguir de perto:

“Sendo a entrega dos fundos um elemento essencial para a constituição do deposito, tal
entrega não resulta de um dever de prestar imposto pelo contracto a que corresponde a
contraprestação de restituir. A restituição, a cargo do banco, de importância igual a entregue
pelo cliente, e portanto unilateral: o contracto não é constitutivo de obrigações reciprocas; é
um contracto unilateral ou não sinalagmaticos”.

3.7. Muito embora se reja “na medida do possível” pelas normas relativas ao mútuo, ao
contracto de deposito não se aplicam as regras da forma prevista para o primeiro no
artigo 1143º CC. O contracto de deposito é um contracto não formal ou não solene e,
como tal, não está sujeito a qualquer requisito de forma.
4. CONTRACTO DE ABERTURA DE CÉDITO
4.1. De entre várias operações de credito bancário algumas há em que o banco não faz
qualquer entrega imediata dos fundos ao cliente. Quando contratamos uma dessas
operações o banco limita-se a assumir a obrigação de, nos termos acordados e quando tal
lhe for solicitado pelo cliente, prestar apoio financeiro, o qual pode revestir várias
formas que mais a frente analisaremos.

Na origem destas operações estão os chamados contratos de abertura de credito.

Este negócio é definido de seguinte forma:

A abertura de credito um conjunto mediante o qual o banco (creditante) promete por


determinado período de tempo ou por tempo indeterminado ter à disposição (acreditamente)
do cliente (creditado) uma certa quantia em dinheiro ou prestar-lhe uma garantia, ficando o
segundo obrigado a pagar as comissões que forem devidas e, na medida da utilização
efectiva do credito a reembolsar aos bancos e as satisfazer os respectivos juros.

4.2. Se para os bancos estas operações se revestem de menos interesse (dado o


componente risco ter fraca contrapartida na remuneração da operação e o montante
colocado a disposição do cliente, ainda que não utiliza, ser considerado para efeitos de
plafons de credito), já para os clientes as vantagens são nítidas:
a) Correspondência entre o montante da utilização e da necessidade de fundo;
b) Adaptação do montante do credito utilizado a necessidade efectiva;
c) Calculo dos juros limitado ao tempo e ao montante da utilização efectiva.
4.3. Às primeiras teorias sobre a natureza jurídica dos contratos de abertura de credito são
as seguinte:
a) A abertura de credito como contracto de empréstimo:
O código civil, artigo 1142º, define o mutuo ou empréstimo “como sendo o contracto
pelo qual uma das partes empresta a outra dinheiro ou outra coisa fungível, ficando a
segunda obrigação a restituir outro tanto do mesmo gênero e qualidade”.
Desta definição se pode concluir que o empréstimo implica sempre a traditio
(entrega) da coisa mutuada. Ora, o contracto de abertura de credito fica perfeito no
momento da sua celebração, não dependendo da efetiva utilização do credito
concedido por parte do cliente, o que até se pode não verificar;
b) Abertura de conta com promessa de empréstimo:
Defensor desta teoria: o contracto de abertur4a de credito apenas origina uma
promessa ou obrigação de prestação de facto (obrigação de facere) para o
estabelecimento creditante; e essa promessa é cumprida mediante a celebração
ulterior de diversos actos jurídicos, utilizando o credito: empréstimo, descontos de
letras, aceites, etc”.
Esta concepção do contracto de abertura de credito tem como fundamento a
designada teoria do contracto preliminar, de acordo com a qual aquele mais não de
seria que uma convenção mediante a qual se prepara a celebração de subsequente de
contracto ou acto definitivos e principais (do mesmo autor);
c) Abertura de credito como contracto bancário” sui generis”
Descontentes com estas implicações outros vem apresentar uma terceira teoria,
segundo a qual a operação bancaria de abertura de credito teria dois momentos.
Numa primeira fase, correspondente ao montante da celebração do contracto, o
Banco vincula-se a determinada prestação, quando tal for solicitado pelo cliente, este
por sua vez assume a obrigação de pagar a comissão de abertura de credito. Numa
segunda fase, que pode eventualmente não ocorrer, o banco, mediante manifestação
de vontade do cliente, efetua prestação prometida.
4.4. Determina o artigo 219º do CC que:
“a validade da declaração negocial não depende da observância de forma especial, salvo
quando a lei exige.
Assim sendo, a forma que deve revestir o contracto de abertura de credito consoante a
teoria seguida quanto a sua natureza. A saber:
a) Entendido como contracto de empréstimo serão de aplicar as regras do artigo 396º do
Ccom e do Dec-lei n 327665, de 29 de Abril de 1934, no seu artigo único. Isto é, o
Ccom admite qualquer tipo de prova para o empréstimo mercantil entre
comerciantes, e o referido artigo único determina que podem aprovar-se por escrito
particular os contratos de mútuo quando feito por estabelecimentos bancários:
b) Entende-se como contra-promessa de mútuo, será de aplicar que dispõe o artigo 410
do CC, ou seja se o contracto prometido estiver sujeito a documento autentico ou
particular devera o contrato de abertura de credito ser reduzido a escrito assinado
pelos contraentes. Não sendo estabelecida legalmente qualquer forma especial,
admite-se qualquer provas;
c) Seguindo-se a terceira teoria, e uma vez que o contracto de abertura de credito não
esta disciplinado na legislação comercial ou civil, não depende de quaisquer
requisitos formais para a sua validade, prevalecendo o que dispõe o artigo 2017 n 1
do CC:
“a declaração negocial pode ser expressa ou táctica: é expressa, quando feita por
palavras, escrito ou qualquer outro meio direto de manifestação da vontade, e táctica,
quando se deduz de facto que, com toda a probabilidade, revelam”.
4.5. No contracto de abertura de credito, celebrado por documento particular, deve constar,
para além da identificação das partes, todos os elementos necessários a disciplina da
operação, destacando-se: montante do credito a utilizar, duração e eventuais
prorrogações, modalidades de utilização, eventuais garantias constituídas ou a constituir,
juros, comissões de abertura de credito e de imobilização, condições em que o contracto
pode ser revogado.
4.6. Os vários tipos de operações de abertura de credito, pois, ser resumidos no seguinte
quadro:

Simples
Por caixs
Abertura de credito: Em conta corremtep

Aceite Bancario
Por Assinatura Aval
Fiança
Mais a frente falaremos em particular de algumas destas modalidades.

4.7. Assim, apenas como mera referencia as modalidades e abertura de crédito por
assinatura, matéria que não cabe no âmbito desta exposição sobre contracto bancário,
daremos sucintamente uma noção das mesmas:
a) Crédito por assinatura de direito comum.

Garantia bancaria ou fiança

b) Crédito por assinatura do direito cambial


1. Aceite bancário
Intervenção cambiária de banco, na sequência de contracto de abertura de crédito como o
seu, aceitando uma letra sacada por este, a fim de do sacador/ cliente a poder ir negociar
junto de terceiros para obtenção de fundos;
2. Aval Bancário
Intervenção do banco como avalista em letra ou livrança.
5. CONTRACTO DE DESCONTO
5.1. Numa aceção jurídica a apalavrar a palavra desconto tem um duplo sentido: tanto
designa o juro deduzido antecipadamente ao capital emprestado como a deferência entre
o valor nominal de título ou moeda.
Como na actividade económica esta dedução ou diferença se encontra geralmente ligada
a operação de adiantamento de credito ainda não vencidos, a palavra desconto passou a
ser utilizada para designar o fenómeno lhe da origem, ou seja, a operação de desconto.
Cuidaremos de analisar tao somente o desconto bancário, previsto no artigo 362º do
C.cm. refira-se, no entanto, que a operação de desconto pode ser realizada sem a
intervenção de instituição de credito.
5.2. Vejamos então em que consiste esta operação socorrendo-nos do exemplo seguinte:

A sociedade “nipa Iamagarrafa, lda.”Vendeu a crédito a cooperativa “chidere 3 de fevereiro”


5000 garrafas, tendo esta dado o seu aceite numa letra do valor do negocio, com vencimento
a 60 dias da data. Necessitando de dispor do montante em causa de imediato, sem esperar
pela data de vencimento da data da letra, a sociedade dirigiu-se ao Banco da SA, do qual é
cliente habitual, e propôs-lhe o desconto daquele título cambiário.

Autorizou a operação a sociedade endossou a letra ao banco, que em contrapartida lhe


adiantou imediatamente o montante da letra, deduzido dos juros correspondentes ao período
de duração da operação, calculados a taxa convencionada. Chegada data do vencimento o
banco apresenta ao aceitante a letra para pagamento, a fim de ser reembolsado da soma
adiantada.

Assim podemos desde já definir o contracto bancário como sendo:

Uma operação activa de crédito em que o banco (descontador) adianta, geralmente apos a
dedução dos juros (premio de desconto), o montante de um crédito que o beneficiário
(descontraio) tem sobre terceiro, adquirido a titularidade deste crédito, de maneira
reembolsar-se pela sua cobrança, quando ele chegar ao vencimento”.
5.3. Os créditos descontados podem ser de natureza cambiária ou não cambiária. Diz-se
que são de natureza cambiaria quando a operação incide sobre credito incorporados em
títulos cambiários, como sejam a letra, a livrança, cheque, a cautela de penhor (ou
warrante) e o extrato de fatura. Fala-se em desconto não cambiário quando respeitam a
crédito ordinários, ou seja, não materializados em títulos cambiários, o que na pratica
bancaria só excecionalmente se verifica, por falta de segurança dos créditos assim
transacionados.
a) Livrança- não deve ser considerada uma operação de desconto a entrega ao banco de
uma livrança subscrita por um cliente como forma de caucionar ou mobilizar um
empréstimo por este contraído junto daquele;
b) Extrato de fatura – nos termos do artigo 14 do dec. 19490, de 21 de Marco de 1931,
a transmissão de um deste título cambiários que não tenha sido aceites, importa,
sempre (oque não acontece coma letra) a transferência do credito subjacente, o que
se traduz em o desconto poder exigir ao comprador (que não deu o aceite) esse
mesmo credito, embora sem ser pela via cambiaria;
c) Cheque – a operação de desconto de um cheque verifica-se quando o seu portador
necessita de imediato dessa importância e não pode esperar pela sua apresenta ao
pagamento noutra praça, como as inerentes demoras. Não se deve confundir como a
entrega do cheque para cobrança, constituindo-se aqui o banco, através do endosso,
mandatário do cliente na cobrança do cheque junto da instituição de crédito sacada, e
não titular do direito cambiário. Neste caso o crédito da importância do cheque na
conta do cliente é feito sempre ao abrigo da cláusula “salvo noa cobrança”.
5.4. Como resultado do exemplo dado no parágrafo 5.2., o processo conducente de
desconto inicia-se com a proposta apresentada pelo cliente, normalmente em impresso
próprio fornecido pelo banco para o efeito. Apreciada esta ae desde que seja aprovada a
realização da operação, o acto de aprovação corresponde a sua aceitação por parte do
banco, ao contrato há que ter em conta o que dispõe o artigo 224º do CC relativamente a
eficiência da declaração negocial:
1. A declaração negocial que tem um destinatário torna-se eficaz logo que chega ao seu
poder ou é dele conhecido
Assim como a proposta de desconto tem de ser, obviamente, comunicada ao banco,
também a sua aceitação terá de ser comunicadas ao cliente, oque é feito, em regra,
através do talão de desconto, quando a entrega do valor quando no “desconto por caixa”.
O negocio fica perfeito quando se verifica entrega do titulo cambiário ao banco, como a
respectivas transferência do propriedade, e quando este, por sua vez, coloca a disposição
do cliente o montante correspondente a operação.
5.5. Vejamos, por último, a natureza jurídica do contracto de desconto. Sobre esta questão
a jurisprudência dos nossos tribunais ainda não se debruçou sobre esta questão, quanto
eu sabia. Mas, tendo em conta ao que se passa noutros quadrantes que tem um
ordenamento jurídico igual ao nosso, há duas teorias:
a) O desconto é um contracto de mútuo autónomo e independente da relação cambiária
que o título representa, podendo como relação fundamental servir de base a ação a
propor pelo descontador contra o desconto.
b) O desconto é um contracto misto de mútuo mercantil e de docao pro-solvendo.

6. EMPRÉSTIMO
6.1. O código civil, no seu artigo 1142º, vem definir o contracto de mútuo como sendo:
“O contracto pelo qual uma das partes empresta a outra dinheiro ou outra coisa fungível,
ficando a segunda obrigada a restituir outro tanto do mesmo género e qualidade”.
E o artigo 1145º do mesmo C.C diz:
“1. As partes podem convencionar o pagamento de juros como retribuição do mútuo;
este presume-se oneroso em caso de dúvida”.
O contracto de empréstimo bancário não é mais do que um contracto relativo a uma
operação bancaria activa de crédito (de acordo com a classificação adotada no capitulo2)
com natureza jurídica de mútuo.
A sua comercialidade é nos dados pelo artigo 362º do Ccom que dispões o seguinte:
“São comerciais todas as operações do banco tendentes a realizar lucros sobre
numerários, fundos públicos ou títulos negociáveis, e em especial as de câmbio os
árbitros, empréstimos, descontos, cobranças, aberturas de crédito, emissão e circulação
de notas ou títulos fiduciários pagáveis vista e ao portador”.
6.2. Como definição de contracto de empréstimo bancário podemos então adoptar:

“o contracto pelo qua;; o banco entrega fundos, normalmente por tempo determinado, ao
beneficiário, ficando este obrigado a restituir outro tanto e a pagar os juros convencionados”.

6.3. O contracto de empréstimo tem a natureza de contrato real, isto é, para a sua perfeição
tem haver entrega ao beneficiário dos valores mutuados, os quais, de acordo com o
disposto no artigo 1144º do CC, “torna-se propriedade do mutuário”. Assim sendo, o
direito do banco mutuante, emergente do referido contracto, passa a ter como objecto
uma prestação a cargo de beneficiário/mutuário, que concite na restituição de igual valor,
acrescido de juros.

Outra característica do empréstimo bancário é a de ser sempre retribuído, ou seja, de vencer


juros. É o que resulta do já transcrito artigo 362º do C.com- “ operações do banco tendentes
a realizar lucros… em especial… empréstimos”

6.4. Quanto a forma a que deve obedecer o contracto de empréstimo bancário teremos de
ter em conta as disposições legais que passamos a citar:
a) Artigo 1143º do CC
“o contracto de mutuo de valor superior a 20.000.000,00MT só é valido se for celebrado
por escritura publica, e o valor superior a 10.000.000,00MT se for por documento
assinado pelo mutuário”.
b) Artigo 396º do Ccom
“o empréstimo mercantil entre comerciante admite, seja qual for o seu valo, todo o
género de prova”
c) Decreto-Lei 32765, de 29 de abril de 1943, artigo Único.
“os contractos de mutuo (…), seja qual for o seu valor, quando feito por estabelecimento
bancário autorizado, podem provar-se por escrito particular, ainda mesmo que a outra
parte contraente não seja comerciante”
Da conjugação destas normas é possível estabelecer a seguinte orientação: os contractos
de empréstimos bancários de qualquer montante, quando os mutuários sejam
comerciantes, ou inferiores a 50000,oo, mesmo que os mutuários não sejam,
comerciantes, não estão sujeitos a qualquer forma especial; os contratos de montante
superior a 50 000,00, envolvendo não comerciantes devem ser celebrados por escrito
particular.
No nosso país alguns bancos têm geralmente feito os contractos de empréstimos
bancários através de escritura pública, seja qual for o valor; e, outros bancos valem-se de
letras e livranças, em vez de escritura pública.
Não obstante a nossa jurisprudência não tenha ainda tomado posição sobre esta matéria,
estou certo que não se afastara muito do que se passa em Portugal. Nestes pais tem-se
seguido esta orientação: “ o contracto de mútuo bancario, seja qual for seu valor, tem de
ser titulado por escrito particular, não podendo este se substituído por outro meio de
prova ou por outros documentos que não sejam de forca probatória superior”.
6.5. Os empréstimos bancários podem ser colocados a disposição do mutuário através da
entrega de numerário, mas normalmente tal faz-se por utilização de conta bancaria aberta
em nome desate no banco mutuante.
6.6. Uma última referencia ao contracto de empréstimo bancário prende-se com a
existência ou não de garantia.
Fala-se em empréstimos com caução, ou com garantia, quando o cumprimento da
prestação a que esta obrigado o mutuário se encontre assegurado por uma garantia
pessoal real (ex: hipoteca, penhor) ou por uma garantia pessoal (ex: fiança).
Não existindo uma garantia real ou pessoal casifica-se o empréstimo como sendo não
caucionado.
7. OUTROS CONTRACTOS DE NATUREZA BANCARIA E PARABANCÁRIA
7.1. Para alem das operações bancarias de credito activas ou passivas, os bancos prestam
serviços aos clientes, celebrando para o efeito contracto de prestação de serviços. Este
vem definido no artigo 1154º do CC como sendo aqueles: “ em que uma das partes se
obriga a proporcionar a outra certo resultado do seu trabalho intelectual ou manual,
como ou sem retribuição”.

Acontece que a prestação de serviços surge também ligada a outros contractos bancários. A
titulo meramente exemplificativo refiram-se como operações de prestação de serviços:
administração de propriedades, pagamentos valores (cobrança de letras ou remessas
documentarias de exportação, por exemplo) e a guarda de valores (ex: títulos de credito),
que pode ser efetuado mediante locação de um cofre-forte.

7.2. Como contractos de natureza parabancária faremos referencia a dois que, dado a sua
importância, se tem vindo a afirmar entre nos, apesar da sua recente regulamentação, a
saber o leasing e o factoring.
a) LEASING
Noção de contracto leasing, é nos dada pela lei 28/91 de 31 de Dezembro e pelo
decretos 44 e 45/94 de 12 de outubro.
“locação financeira é o contracto pelo qual uma das partes se obriga, contra
retribuição, a conceder a outra o gozo temporário de uma coisa, adquirida ou
construída por indicação desta e que a mesma pode comprar, total ou parcialmente
num prazo convencionado, mediante o pagamento de preço determinado ou
determinável, nos termos do próprio contracto”.
b) FACTURING
É a operação parabancária que consiste, em termos legais, na tomada por um
intermediário financeiro (o factor ou sociedade de factoring) dos créditos a curto
prazo que os fornecedores de bens ou serviços, aderentes a um contrato de factoring,
constituem sobre os seus clientes.