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© ENESEB

2015

Organizadores: Carlos A. Gadea, Rodrigo Marques Leistner,


Suélen Acosta, Anelise Gregis Estivalet.
Preparação dos originais: Leandro Raizer
Projeto gráfico: CirKula Editora
Diagramação: Mauro Meirelles
Capa: Mauro Meirelles e Luciana Hoppe
Impressão Digital dos Anais: CirKula Editora

CirKula / ENESEB
Todos os direitos reservados ao LAVIECS.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


E56a Encontro nacional de ensino de sociologia na educação básica (4.: São Leopoldo,
RS : 2015), Anais do IV ENESEB / IV Encontro nacional de ensino de sociologia
na educação básica ; organizadores: Carlos A. Gadea ... [et al.] – Porto Alegre:
CirKula, 2015. 400 p. : il.

ISBN: 978-85-67442-51-8

1.Sociologia – Ensino. 2. Sociologia – Educação básica – Eventos. I. Gadea,


Carlos A. II. Título.
CDU: 316:373.3/.5
(Bibliotecária responsável: Jacira Gil Bernardes - CRB 10/463)

Apoio e Financiamento SBS/LAVIECS/CIRKULA.


IV ENESEB

IV ENCONTRO NACIONAL DE ENSINO DE


SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Porto Alegre
2015
DADOS INSTITUCIONAIS DO EVENTO

Data: 17 a 19 de julho de 2015


Local: Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Av. Unisinos, 950
93022-000 São Leopoldo RS

Comissão Organizadora Local do IV ENESEB: Carlos A. Gadea (Unisinos),


Daniel Gustavo Mocelin (UFRGS), José Rogerio Lopes (Unisinos), Leandro
Raizer (UFRGS), Luiz Inácio Gaiger (Unisinos), Luiza Helena Pereira (UFRGS).

Comissão de Apoio: Anelise Gregis Estivalet (Unisinos), Rosa Oliveira dos


Santos (UFRGS), Tamirez Galvão da Silva Paim (UFRGS), Rodrigo Marques
Leistner (Unisinos), Suélen Acosta (Unisinos), Victor Ricco Avila (UFRGS).

Comissão Científica: Alexandre Zarias (Fundaj), Ana Laudelina Ferreira


Gomes (UFRN), Anita Handfas (UFRJ), Carlos A. Gadea (Unisinos), Claudio
Roberto dos Santos de Almeida (UNIVASF), Danyelle Nilin Gonçalves (UFCE),
Geovânia Toscano (UFPB), Heloísa Martins (USP), Ileizi Fiorelli (UEL), Irlys
Barreira (UFC), Leandro Raizer (UFRGS), Luiza Helena Pereira (UFRGS),
Maria Assunção de Lima Paulo (UFCG), Mário Bispo dos Santos (SEE/Distrito
Federal – Brasília), Marili Peres Junqueira (UFU), Rafael Ginane Bezerra
(UFPR), Rosângela Pimenta (UVA), Rosane Alencar (UFPE), Rosemary
Almeida (UECE), Sandra Maria Mattar (PUC-PR), Simone Meucci (UFPR),
Sueli Guadelupe de Lima Mendonça (UNESP), Thiago Ingrassia Pereira (UFFS).

Comissão de Avaliação da Mostra de Painéis: Alexandre Zarias


(Fundaj), Anita Handfas (UFRJ), Carlos A. Gadea (Unisinos), Daniel Gustavo
Mocelin(UFRGS), Danyelle Nilin Gonçalves (UFC), Heloísa Martins (USP),
Ileizi Fiorelli (UEL), Leandro Raizer (UFRGS), Luiza Helena Pereira (UFRGS),
Mário Bispo dos Santos (SEE/Distrito Federal-Brasília), Marili Peres Junqueira
(UFU), Régis Leonardo G. Barcelos (UFRGS), Sandra Maria Mattar (PUC-
PR), Simone Meucci (UFPR), Sueli Guadelupe de Lima Mendonça (UNESP),
Thiago Ingrassia Pereira (UFFS).
Realização

Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS)


Comissão de Ensino (SBS)
Unidade Acadêmica de Pesquisa e Pós-Graduação (UNISINOS)
Escola de Humanidades (UNISINOS)
Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (UNISINOS)
Curso de Graduação em Ciências Sociais (UNISINOS)
Programa de Pós-Graduação em Sociologia (UFRGS)
Curso de Especialização em Ensino de Sociologia (FORPROF/UFRGS)
Laboratório Virtual e Interativo de Ensino de Ciências Sociais (LAVIECS/UFRGS)

Apoio

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES



Sumário

APRESENTAÇÃO ................................................................... 9
PROGRAMAÇÃO GERAL ........................................................11
PROGRAMAÇÃO DOS GRUPOS DE TRABALHO ...................... 13
LISTA GERAL DE TRABALHOS (GTS) ...................................... 17
RESUMOS DOS GTS ............................................................ 55
GT 1 O PIBID e a formação docente em Ciências Sociais: limites e possibi-
lidades ................................................................................ 57
GT 2 Metodologias e práticas de ensino de Ciências Sociais na Educação
Básica ................................................................................. 81
GT 3 Livros didáticos de Sociologia ............................................ 107
GT 4 Formação de professores de Ciências Sociais ........................ 121
GT 5 História do ensino de Sociologia no Brasil ........................... 143
GT 6 Escola, culturas juvenis e sociabilidade ............................... 155
GT 7 Ensino de Sociologia nas modalidades diferenciadas de ensino ... 177
GT 8 Política no ensino de Sociologia: desafio didático e formativo .... 193
GT 9 O ensino de Sociologia e a categoria trabalho ....................... 211
GT 10 Gênero e sexualidade - o que o ensino de Sociologia/Ciências Soci-
ais na Educação Básica tem a ver com isso? ................................... 225
GT 11 A dimensão ambiental no ensino da Sociologia e as experiências in-
terdisciplinares .................................................................... 255
OFICINAS PEDAGÓGICAS (LISTA GERAL) ............................... 261
PROPOSTAS DE OFICINAS PEDAGÓGICAS (RESUMOS) ............. 267
MOSTRA DE PAINÉIS (LISTA GERAL) ..................................... 299
RESUMOS DOS TRABALHOS EM PAINÉIS ............................... 315
Apresentação

O ENESEB é um evento nacional promovido pela Comissão de Ensi-


no da SBS, que chega a sua quarta edição, e se propõe a discutir os rumos do
ensino da disciplina de Sociologia na escola, assim como a formação do pro-
fessor e o papel da Universidade nesse processo. Participam deste encontro
professores da rede básica de todo o território nacional, representados aqui
por professores de 17 estados, estudantes de licenciatura em ciências sociais
e áreas afins de universidades públicas e privadas, professores universitários
e pesquisadores.
No ano de 2015, o Encontro que tem como temática – Escola, Cur-
rículo e Sociologia – discutirá os desafios do ensino da sociologia no contex-
to de reforma dos currículos do ensino médio, destacando-se as experiên-
cias de ensino nas escolas como suportes para intervenção nos processos de
definições das políticas curriculares no Governo federal e nos estaduais.
O IV ENESEB manterá o eixo definido desde a sua primeira ed-
ição em torno do compromisso das universidades e instituições de ensino
superior na formação de profissionais de alto nível que lidem com os desa-
fios postos no século vinte e um diante das realidades juvenis e da Educação
Básica no Brasil. Um dos destaques do evento será o II Encontro Nacional
do Programa Institucional de Iniciação à Docência de Sociologia no qual li-
cenciandos, professores da educação básica e professores universitários terão
oportunidade de compartilhar experiências vivenciadas nas escolas públicas
e particulares do país.
A programação dessa edição conta com 11 Grupos de Trabalho
Temáticos; Mostra de Painéis com 95 trabalhos; e mais de 30 Oficinas Ped-
agógicas. A construção dessa programação ampla e qualificada só foi possível
graças ao apoio recebido da Comissão Científica, Coordenadores de GTs e
Oficinas, Apresentadores de trabalhos e demais participantes; e da Presidên-
cia da SBS e das Universidades do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e Uni-
versidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e da CAPES.

São Leopoldo, 17 de julho de 2015.


Comissão de Ensino de SBS
Comissão Organizadora do IV ENESEB

Apresentação | 9
10 | Anais do IV ENESEB
PROGRAMAÇÃO GERAL

17.07.2015 – Sexta-feira (Unisinos)


13:00 – 18:00 Credenciamento
18:30 – 19:20 Solenidade de abertura
19:20 – 20:30 Conferência de abertura
“Sociologia: a arte da ruptura, da construção e da explicação”
Conferencista: Profa. Dra. Luiza Helena Pereira (UFRGS)
20:30 – 21:00 Entrega da Homenagem Especial do IV ENESEB
Homenageada: Profa. Dra. Heloisa Martins (USP/UEL)
Apresentação artística

18.07.2015 – Sábado (Unisinos)


08:00 – 08:50 Café
09:00 – 12:00 Oficinas pedagógicas (número 1 a 17)
13:00 – 15:00 Painéis
15:00 – 19:00 GT´s (11), sessões simultâneas
17:00 – 17:30 Café
18:00 – 22:00 Encontro dos alunos do Curso de Especialização em So-
ciologia do Estado do RS (LAVIECS/UFRGS)

19.07.2015 – Domingo (Unisinos)


08:00 – 08:50 Café
09:00 – 12:00 Oficinas pedagógicas (número 18 a 32)
13:00 – 15:00 Painéis
15:30 – 18:00 Mesa redonda - “Escola Currículo e Sociologia”
Coord.: Profa. Dra. Danyelle Nilin - UFC - Comissão de Ensino/SBS
Expositores: Prof. Dr.Thiago Ingrassia Pereira- UFFS/ABECS, Profa. Dra. Simone Meucci
- UFPR

18:30 – 19:00 Encerramento


Confraternização

20.07.2015 – Segunda-feira (UFRGS)


09:00 – 11:00 Reunião ampliada da Comissão de Ensino da SBS
Coordenadoras: Profa. Dra. Danyelle Nilin - UFC, Profa. Dra. Ileizi Fiorelli Silva - UEL

11:15 – 13:00 Reunião de trabalho PIBID’s


Coordenadores: Prof. Dr. Alexandre Zarias (FUNDAJ), Profa. Dra. Célia Elizabete Careg-
nato (UFRGS), Profa. Dra. Rosimeri Aquino da Silva (UFRGS)

Programamação | Geral 11
12 | Anais do IV ENSEB
PROGRAMAÇÃO DOS GRUPOS DE TRABALHO
GT 1 – O PIBID e a formação docente em Ciências Sociais:
limites e possibilidades
Coordenadora: Rosângela Duarte Pimenta (Universidade Estadual Vale do
Acaraú-UVA)
Vice-coordenadora: Marili Peres Junqueira(Universidade Federal de
Uberlândia-UFU)
18/07/2015[SESSÃO A]
18/07/2015 [SESSÃO B]

GT 2 – Metodologias e Práticas de Ensino de Ciências Sociais na


Educação Básica
Coordenador: Rogerio Mendes de Lima (Colégio Pedro II – CP2)
Vice-coordenadora: Fátima Ivone de Oliveira Ferreira (Colégio Pedro II –
CP2)
18/07/2015 [SESSÃO A]
18/07/2015 [SESSÃO B]

GT 3 – Livros Didáticos de Sociologia


Coordenadora: Anita Handfas (UFRJ)
Vice-coordenador: Amaury Cesar Moraes (USP)
18/07/2015 [SESSÃO ÚNICA]

GT 4 - Formação de Professores de Ciências Sociais


Coordenador: Amurabi Oliveira (UFSC)
Vice-coordenadora: Célia E. Caregnato (UFRGS)
18/07/2015 [SESSÃO A]
18/07/2015 [SESSÃO B]

Programação dos Grupos de Trabalho | 13


GT 5 - História do ensino de Sociologia no Brasil
Coordenador: Marcelo Pinheiro Cigales (UFSC)
Vice-coordenador: Cristiano das Neves Bodart (USP)
18/07/2015 [SESSÃO ÚNICA]

GT 6 – Escola, culturas juvenis e sociabilidade


Coordenador: Irapuan Peixoto Lima Filho (Universidade Federal do Ceará-
UFC)
Vice-coordenadora: Danyelle Nilin Gonçalves (Universidade Federal do
Ceará-UFC)
18/07/2015 [SESSÃO A]
18/07/2015 [SESSÃO B]

GT 7 – Ensino de Sociologia nas modalidades diferenciadas de


ensino
Coordenadora: Rogéria Martins - Universidade Federal de Viçosa
Vice-coordenador: Diogo Tourino - Universidade Federal de Viçosa
18/07/2015 [SESSÃO ÚNICA]

GT 8– Política no ensino de sociologia: desafio didático e


formativo
Coordenador: Sandro Amadeu Cerveira - Universidade Federal de Alfenas
Vice-coordenador: José Silon Ferreira – UNISINOS
18/07/2015 [SESSÃO A]
18/07/2015 [SESSÃO B]

14 | Anais do IV ENESEB
GT 9 – O ensino de Sociologia e a categoria Trabalho
Coordenadora: Nise Jinkings (UFSC)
Vice-coordenadora: Instituto Federal Catarinense - Campus Rio do Sul
(IFC)
18/07/2015 [SESSÃO ÚNICA]

GT 10 - Gênero e sexualidade - o que o ensino de Sociologia/


Ciências Sociais na Educação Básica tem a ver com isso?
Coordenadora: Tânia Welter (UFSC)
Vice-coordenadora: Adriana Regina de Jesus (UEL)
18/07/2015 [SESSÃO A]
18/07/2015 [SESSÃO B]

GT 11 - A dimensão ambiental no ensino da sociologia e as


experiências interdisciplinares
Coordenador: Aloisio Ruscheinsky (UNISINOS)
Vice-coordenador: Daniel Gustavo Mocelin (UFRGS)
18/07/2015 [SESSÃO ÚNICA]

Programação dos Grupos de Trabalho | 15


16 | Anais do IV ENESEB
LISTA GERAL DE TRABALHOS (GTs)

GT 1 - O PIBID e a formação Docente em Ciências Sociais:


Limites e Possibilidades
18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO A]

MÁRIO BISPO DOS SANTOS


O PIBID na área de Ciências Sociais: estudo exploratório sobre as
representações sociais e práticas dos licenciandos da Universidade de
Brasília

DIOCLEIDE LIMA FERREIRA


A preparação das intervenções dos bolsistas do subprojeto PIBID Ciências
Socias/UVA: um olhar para as performances, conflitos e demais estratégias
dos grupos

MARCIA ROSE MARQUES UMBELINO


ALINE CHANCARE GARCIA
DANIEL HENRIQUE LOPES
A contribuição do PIBID para a construção da identidade docente e
formação do professor em Ciências Sociais

EVERTON PEREIRA LEITE


RICARDO A.C. RODRIGUES
OSMAR JUNIOR SALGADO
Consciência social e sustentável:uma discussão a partir das aulas de
Sociologia no Ensino Médio

CÁSSIA FERREIRA DE OLIVEIRA


GEYSA FERNANDES RIBEIRO
Mediação pedagógica no ensino de sociologia: experiências na periferia
Ludovicense

ANTONIO MARCIO HALISKI


PIBID nas Ilhas: da organização de um trabalho incipiente aos desafios da
proposta

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 17


GERÔNIMO DE PAIVA SILVA
IZABELLE DE PULA BRAGA MENDONÇA
A influência do PIBID na formação do professor de Sociologia

BRUNA KARINE NELSON MESQUITA


O papel do PIBID-Sociologia/UFPI na construção dos saberes docentes

RUANA CASTRO MARIANO


NALAYNE MENDONÇA PINTO
A contribuição do PIBID para a formação do docente em Ciências Sociais e
para a pesquisa de Pós-Graduação em Educação

ADRIANO MAIA JUCÁ


Seleção de bolsista do Pibid de Sociologia: dúvida cruel! Quetalento tenho?

EMANNUELLA SANTANA VIEIRA


ROSANE MARIA DA SILVA ALENCAR
O programa Pibid no processo de formação inicial: a constituiçãode uma
identidade docente

RAFAEL FERNANDO LEWER


TÂNIA WELTER
As possibilidades de atuação do Pibid Ciências Sociais e os limites da
condição ACT

18 de julho de 2014 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO B]



ALEF DE OLIVEIRA LIMA
HARLON ROMARIZ RABELO SANTOS
O Pibid como experiência social: continuidades e rupturas entre o discurso
oficial e as sociabilidades

ANNA PAULA RIBEIRO MAIA


MARIA VALERIA BARBOSA VERÍSSIMO
A importância da mediação no processo de ensino e aprendizagem:
discutindo as teorias de Vygotsky acerca do ensino de Sociologia na
educação básica

18 | Anais do IV ENESEB
LETÍCIA BERNAL MARTINS
SUELI GUADELUPE DE LIMA MENDONÇA
Pibid/Marília: o foco na formação do professor-pesquisador

SÔNIA DA SILVA MARINHO


KARINA ALMEIDA DE SOUSA
CÍCERA POLIANA ALVES DE SOUSA
Gênero, raça e etnia: reflexões sobre o Pibid para a formação docente em
Ciências Sociais no Bico do Papagaio-TO

FRANCISCO XAVIER FREIRE RODRIGUES


EDILENE DA CRUZ SILVA
Contribuições do Pibid Sociologia/Ciencias Sociais da Universidade
Federal de Mato Grosso na formação de professores de Sociologia para
Educação Básica

MARIA LUZIA ERTHAL MELLO


O uso das Tecnologias de Informação e de Comunicação nas aulas de
Sociologia da escola

ANA LETÍCIA COSTA LINS


JOSÉ VALTERDINAN MESQUITA XAVIER
Desestruturando a escola: uma análise crítica acerca do Pibid no espaço
escolar

ANA PAULA FERREIRA D’ÁVILA


GABRIEL BANDEIRA COELHO
EVERTON GARCIA DA COSTA
O Pibid interdisciplinarcomo espaço de disputas simbólicas e a formação do
licenciando em Ciências Sociais da UFPEL

DOUGLAS MICHEL RIBEIRO PORTO


MANOEL FELIPE FERREIRA RODRIGUES
THAIS MARQUES DE SANTO
Educação e realização da autonomia: apontamentos sobre a experiência no
Pibid Sociologia

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 19


FRANCIELE RODRIGUES
O Pibid como laboratório para o ensino de Sociologia nas escolas

KATIUSCIA VARGAS
RAPHAEL GOUVEA ROMPINELLI
MARCOS PAULO DE CASTRO MELLO
PEDRO JEHLE GOUVEA
Clube de Sociologia: uma experiência para além da sala de aula

20 | Anais do IV ENESEB
GT 2 - Metodologias e Práticas de Ensino de Ciências Sociais
na Educação Básica

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO A]

TATIANE OLIVEIRA DE CARVALHO MOURA


ANDERSON DUARTE
PATRÍCIA BANDEIRA DE MELO
A prática etnográfica na escola média: uma proposta metodológica para a
abordagem de cultura no Ensino Médio

VANESSA MUTTI DE CARVALHO MIRANDA


Ensino de ciênciase iniciação cientifica: um fio sociológico

VALÉRIA LOPES PEÇANHA


NATÁLIA BRAGA DE OLIVEIRA
A Sociologia no Colégio Pedro II: O tripé Ensino, Pesquisa e Extensão

MARIA DO CARMO DA SILVA DIAS


JEAN ROBERTO PACHECO PEREIRA
CÍCERO DE OLIVEIRA PEDROSA NETO
Metodologia de ensino de Sociologia na Educação de Jovens e Adultos
(EJA): percepções dos atores

RAFAEL GINANE BEZERRA


RICHARD ROCH JR
Pollak e o conceito de memória: do Realismo Fantástico como recurso para
o ensino de Ciências Sociais

BIANCA GHIGGINO
FLÁVIA VIDAL MAGALHÃES
LUISA BARBOSA
Sociologia e interdisciplinaridade: a experiência recente da cidade de Arma-
ção dos Búzios

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 21


THAÍS MACEDO LOPES
NUBIA REGINA MOREIRA
RAINAN MARQUES SANTOS ANDRADE
A prática pedagógica do ensino de Sociologia nas escolas estaduais baianas

CHRISTIANY REGINA FONSECA


O ensino de Sociologia no Ensino Médio Integrado no Instituto Federal de
Mato Grosso

ROMERO JASKU BASTOS


Jogos eletrônicos e o ensino de Sociologia no Ensino Médio

BIANCA RUSKOWSKI
JULIANA BEN BRIZOLA DA SILVA
Educação científica, pesquisa e interdisciplinaridade: desafios e
possibilidades na prática do ensino-aprendizagem de Sociologia na educação
básica

CRISTIANO P. CORRÊA
Experiências e práticas no Ensino Médio: construindo metodologias

PAULA C. S. MENEZES
CLARISSA TAGLIARI SANTOS
Cinema e Sociologia: critica e descolonização da imagem

YTALLO KASSIO FRANCO DE SOUZA


Metodologias participativas no ensino da Sociologia

MARCOS MACHADO DUARTE


Um olhar sobre os Direitos Humanos

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO B]

SIMONE MEUCCI
CARLOS FAVORETTO
De onde vc vem? Os lugares e experiências dos alunos de Sociologia de
uma escola pública de Curitiba

22 | Anais do IV ENESEB
CARLA GEORGEA SILVA FERREIRA
Mídia e educação: refletindo com estudantes do Ensino Médio os sentidos
da tecnologia através da produção de vídeos

FRANCISCO XAVIER FREIRE RODRIGUES


ANÉLIA SILVESTRE
A utilização de histórias em quadrinhos nas aulas de Sociologia na educação
básica

LUÍSA TOLEDO BARBOSA


KATIUSCIA C. VARGAS ANTUNES
Fotografia e educação: uma breve discussão sobre a fotografia como
ferramenta de aprendizado da Sociologia na educação básica

MARIA VALÉRIA BARBOSA


MATHEUS BORTOLETO RODRIGUES
Pensando caminhos para o processo de ensino e aprendizagem de Sociologia
na educação básica:pressupostos da teoria histórico-cultural

MAIRA GRACIELA DANIEL


A Sociologia brasileira vai à escola

RUBIA MACHADO DE OLIVEIRA


JULIANA FRANCHI DA SILVA
JERFFERSON PAIM LUQUINI
Pensando as práticas do ensino de Ciências Sociais

JOSÉ AMARAL CORDEIRO JUNIOR


Contrariando o Fato Social: balanço de uma proposta pedagógica de
Introdução à Sociologia no Ensino Médio

JOSEMI MEDEIROS DA CUNHA


JEREMIAS ALVES DE ARAÚJO E SILVA
IRENE ALVES DE PAIVA
Estratégias de organização do conhecimento e metodologias de
problematização/compreensão no ensino da Sociologia

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 23


DIEGO FERNANDES DIAS SEVERO
Os clássicos no primeiro ano do ensino médio? Do conceito básico aos
temas – começando com Durkheim

LILIAM CAMILO SOUSA HOLANDA


ANDRÉ DE QUEIROZ PEREIRA
WILSON FUSCO
A pesquisa nas aulas de Sociologia do Ensino Médio: entre relatos e
possibilidades

TAINAN ROTTER BEGARA GOMES


Uma pesquisa de campo na formação docente em nível médio

ALINE DIAS POSSAMAI


A Sociologia na escola: contribuição da Sociologia para a construção do
pensamento crítico no Ensino Fundamental

24 | Anais do IV ENESEB
GT3- Livros Didáticos de Sociologia

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO ÚNICA]

VANUSA RODRIGUES SENA


Pensamento social brasileiro no livro didático de Sociologia: um estudo
a partir dos livros aprovados no Programa Nacional do Livro Didático –
PNLD 2015

CÍCERO MUNIZ
O ensino de gênero nos livros didáticos de Sociologia: o caso do PNLD
2015

MANOEL MOREIRA DE SOUSA NETO


ROSEMARY DE OLIVEIRA ALMEIDA
MÁRCIO KLEBER MORAIS PESSOA
Ferramenta didática ou guia curricular? Percepção de professores sobre o
processo de escolha dos livros didáticos de Sociologia em seis escolas do
Ceará

LUIZ FELIPE GUIMARÃES BON


Tramas discursivas presentes nos manuais didáticos de Sociologia aprovados
no PNLD 2012: um olhar a partir dos referenciais da análise do discurso

MARCELO SALES GALDINO


ARACELLI GOMES
Relação professor e livros didáticos no ensino de Sociologia: Quem é o
mediado e quem é o mediador?

NATÁLIA DE OLIVEIRA DE LIMA


Ciências Sociais, “Colonialidade do Saber” e o livro didático de Sociologia
no Ensino Médio das escolas brasileiras

BÁRBARA DE SOUZA FONTES


A antropologia na educação básica: uma análise dos livros didáticos

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 25


THAYENE GOMES CAVALCANTE
JORGE JOSÉ LINS DE QUEIROZ
A mediação pedagógica e a Sociologia no Ensino Médio: a utilização do
livro didático eas práticas docentes

TEREZA RAQUEL GOMES BATISTA


VILMA SOARES DE LIMA BARBOSA
A pesquisa e o ensino nos livros didáticos de Sociologia

MARIANA INGRID DE OLIVEIRA PEREIRA


MARCIA CRISTINA DE OLIVEIRA DIAS
Livro didático de Sociologia: a abordagem da educação das relações étnico-
raciais e do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nos livros
aprovados pelo PNLD

ANA MARTINA BARON ENGERROFF


Os sentidos de cidadania nos manuais do professor dos livros didático de
Sociologia

AGNES CRUZ DE SOUZA


ROGÉRIO DE SOUZA SILVA
Políticas curriculares para a disciplina de Sociologia e o atual Programa
Nacional do Livro Didático (PNLD)

26 | Anais do IV ENESEB
GT 4- Formação de Professores de Ciências Sociais

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO A]

GABRIELLE COTRIM D’ALECIO


Formação de professores: o mapa situacional dos cursos de Ciências Sociais
no Brasil

CHARLLES DA FONSECA LUCAS


Formação do/discente e relações de ensino/aprendizagem na pesquisa e na
prática de ensino em Ciências Sociais na educação básica

JUNIOR ROBERTO FARIA TREVISAN


MARCELO RODRIGUES CONCEIÇÃO
Formação docente: a importância da experiência e vivência no âmbito
escolar

SUELI GUADELUPE DE LIMA MENDONÇA


MARIA VALÉRIA BARBOSA
A trajetória de formação de professores de Sociologia da UNESP/Marília:
dos confrontos aos encontros

CERES KARAM BRUM


Estranhando o currículo: notas sobre os percursos e as (re)configurações
dos cursos de formação de professores em Ciências Sociais da Universidade
Federal de Santa Maria

SIDNEY REINALDO DA SILVA


EVELINE TENORIO MENDES
NÁTALLY DAMASCENO GARCIA
A licenciatura em Ciências Sociais nos Institutos Federais: características de
um modelo

JUAREZ LOPES DE CARVALHO FILHO


LEOMIR SOUZA COSTA
Formação em Ciências Sociais na UFMA: desafios para a consolidação da
licenciatura

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 27


SILVANA MARIA BITENCOURT
FRANCISCO XAVIER FREIRE RODRIGUES
“Eu quero ser professor de sociologia”: um estudo sobre as influências da
Sociologia e do professor de Sociologia no Ensino Médio em Cuiabá - Mato
Grosso.

ELEANOR GOMES DA SILVA PALHANO


SHEYLA ROSANA OLIVEIRA MORAES
SYLVIA CASTRO
Formação docente - a pesquisa e a extensão: o que dizem os professores

NATHALIA MARTINS
CLÁUDIA CHUEIRE DE OLIVEIRA
DIRCE APARECIDA FOLETTO DE MORAES
Formação de professores e o exercício da docência: um olhar para o curso
de licenciatura em Ciências Sociais

INAÊ ELIAS MAGNO DA SILVA


TANIA ELIAS MAGNO DA SILVA
ADRIANA MARIA GIUBERTTI
As instituições públicas de ensino superior brasileirase a formação de pro-
fessores de Sociologia para a educação básica na modalidade a distância

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO B]

PATRÍCIA SILVA XAVIER


A escolha pela licenciatura e pela profissão de professor de Sociologia:
razões reveladas por egressos licenciados em ciências sociais

VILMA SOARES DE LIMA BARBOSA


IVAN FONTES BARBOSA
GEOVÂNIA DA SILVA TOSCANO
Os licenciandos em Ciências Sociais na Paraíba

MARCELO PINHEIRO CIGALES


LEON MCLOUIS BORGES DE LUCAS
Formação de professores em Ciências Sociais na UFPEL: o perfil do egresso

28 | Anais do IV ENESEB
ROGERIO MENDES DE LIMA
Novos caminhos na formação continuada de professores de Ciências Sociais:
reflexões sobre o Programa de Residência Docente do Colégio Pedro II

GAMALIEL DA SILVA CARREIRO


O Programa de Formação de Professores da Educação Básica emdebate:
um estudo de caso com os egressos do PROFBPAR formados em Ciências
Sociais pela UFMA

ANICÉLIA FERREIRA DA SILVA


ALEXANDRE ZARIAS
Formação continuada de professores: a experiência da RENAFOR no IFPE

ANNA CHRISTINA DE BRITO ANTUNES


A formação do professor de Sociologia: algumas reflexões sobre a relação
entre teoria e prática nos documentos oficiais e nos projetos pedagógicos
dos cursos de Ciências Sociais

JEAN ROBERTO PACHECO PEREIRA


MARIA DO CARMO DA SILVA DIAS
CÍCERO DE OLIVEIRA PEDROSA NETO
O campo de estágio e a formação docente: um estudo sobre as práticas de
ensino das Ciências Sociais na Escola de Aplicação da UFPA

KARLA DANIELLE DA SILVA SOUZA


DALLIVA STEPHANI ELOI PAIVA
FERNANDO FRANCELINO LOPES JÚNIOR
Práticas docentes e a formação de professores de Sociologia na UFRN

ROSANA DA CÂMARA TEIXEIRA


Entre mundos: o licenciando como mediador cultural entre a universidade
e a escola e as repercussões do estágio supervisionado na constituição da
identidade docente

THIAGO INGRASSIA PEREIRA


Por uma "Pedagogia da Pergunta" na formação inicial de professores de
Sociologia

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 29


30 | Anais do IV ENESEB
GT 5 –História do ensino de Sociologia no Brasil

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO ÚNICA]

GUSTAVO CRAVO DE AZEVEDO


TAIS BARBOSA VALDEVINO DO NASCIMENTO
O discurso de apoio à Sociologia no Ensino Médio nos anos 30 e nos anos
90/00: similitudes e diferenças

JULIO GABRIEL DE SÁ PEREIRA


A Sociologia, os intelectuais e a política: o campo educacional nas décadas
de 1920-1940

MARCELO PINHEIRO CIGALES


Raymond Murray e a Sociologia católica no Brasil: análise a partir de um
manual didático da década de 1940

BRUNA LUCILA DE GOIS DOS ANJOS


Sociologia no Ensino Médio: uma análise histórica e comparada das
propostas curriculares

LÍVIA BOCALON PIRES DE MORAES


Por uma Sociologia da história do ensino de Sociologia: cientistas sociais e
espaço social acadêmico

MARIA TEIXEIRA
ABENIZIA AUXILIADORA BARROS
FRANCISCO XAVIER FREIRE RODRIGUES
Contribuições de Florestan Fernandes para a institucionalização do ensino
de Sociologia no Brasil

SALOMÃO ALVES PEREIRA


A sociologia no Ensino Médio brasileiro: um campo de tensões políticas

REBECA MARTINS DE SOUZA


A hierarquização dos saberes no ensino de Sociologia

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 31


NATÁLIA SALAN MARPICA
Cultura escolar e o ensino de Sociologia: continuidades e rupturas

ALINE DIAS POSSAMAI


EDUARDA BONORA KERN
JANINE ROSSATO
Sociologia no Ensino Fundamental: a implementação e experiência da rede
municipal de São Leopoldo/RS

ISABELLE LEAL DE LIMA


LUIZ BELMIRO TEIXEIRA
A implantação da disciplina de Sociologia nos colégios da rede estadual de
ensino do município de Pontal do Paraná

GABRIEL BANDEIRA COELHO


LUCAS LIGABUE PINTO
JULINE FERNANDES DA SILVA
A história da inserção da Sociologia como disciplina do Ensino Médio e
Técnico: um estudo de caso do IFSUL/Campus Pelotas

NARA LIMA MASCARENHAS BARBOSA


ROGÉRIA DA SILVA MARTINS
O ensino de Sociologia e o acesso à educação superior: uma análise
dos conteúdos da disciplina nos processos seletivos de admissão nas
Universidades Federais de Minas Gerais

JOSÉ ANTONIO RIBEIRO DE CARVALHO


JOSÉ DOMINGOS CANTANHEDE SILVA
O ensino de Sociologia na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA:
aprendizados e desafios

32 | Anais do IV ENESEB
GT 6 –Escola, culturas juvenis e sociabilidade

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO A]

ADRIANA GOMES SILVEIRA


DEANE MONTEIRO VIEIRA COSTA
JOÃO GOMES DA SILVEIRA
As tribos juvenis escolares do Instituto Federal do Espírito Santo e seus
jogos: uma saída aos trilhos da vida comum em Venda Nova do Imigrante

NATHÁLIA POTIGUARA DE MORAES LIMA


NATÁLIA CRISTINA DE MEDEIROS
Heterogeneidade de grupos e o recreio como ferramenta de sociabilidade

BRUNO CHRISTIAN ALVES DE SOUZA


Rap na escola: aproximação ou distanciamento?

ANA PAULA OLIVEIRA FRANCISCO


Juventude, conflitos e escola: estudo a cerca de sociabilidades juvenis e
culturas juvenis entre jovens do Ensino Médio em duas escolas públicas de
Seropédica/RJ

WILSON MACHADO ALENCAR


Formação de grupos associativos na Unidade Escolar Professora Áurea
Freire: a escola como grupo social

CAMILA MARIA CUNHA DE SOUZA


SUIANNY ANDRADE DE FREITAS
Expressões culturais na escola: um estudo a partir dos acessórios usados
por estudantes

KÁTIA SAMI SIEBRA DE MELO


Sim senhor, Coronel: um estudo sobre culturas juvenis e a promoção de
alunos em hierarquias militares

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 33


ÁGATHA ALEXANDRE SANTOS CONDÉ
ELISABETH DA FONSECA GUIMARÃES
Cultura juvenil e Ensino Médio: o caso do Ced 04 de Sobradinho

RÔMULO IAGO DE JESUS E SANTOS


CÍCERO MUNIZ
Brincadeira, intimidação e perseguição: uma abordagem sociológica sobre o
bullying em ambiente escolar

ADELINE ARAÚJO CARNEIRO FARIAS


JOCELAINE OLIVEIRA DOS SANTOS
Juventudes e processos de construção identitária: contribuições da
Sociologia para a compreensão das culturas juvenis

EMILANA SOARES ZIANI


SANDRA ISABEL DA SILVA FONTOURA
Construindo novas culturas no espaço escolar: relato das vivências dos
jovens em uma escola de periferia

JERFFERSON PAIM LUQUINI


Uma etnografia na escola Edna May Cardoso: pensando a juventude
atráves dos espaços de sociabilidades que o ambiente escolar e o Seminário
Integrado podem constituir

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO B]

MERABE SANTOS SILVA


ROSANE SILVA DE JESUS
NUBIA REGINA MOREIRA
A Sociologia pela ótica dos educandos do Ensino Médio

JOSIARA GURGEL TAVARES


Lendo e ouvindo: o que pensamos sobre nossos jovens alunos

CAMILA PELEGRINI
ARI JOSÉ SARTORI
Relações de poder no espaço escolar e a influência no ensino-aprendizagem

34 | Anais do IV ENESEB
EDINÉIA TONATO
As redes sociais nos espaços escolares: mecanismos de socialização e
construção do “self ”

NATALIA MARIA CASAGRANDE


JANAINA DE OLIVEIRA
A crise da credibilidadeno sistema de ensino: uma análise a partir de
pesquisa de campo em uma escola pública

LUCILA RICCI VIGANÓ


FELIPE DE OLIVEIRA E SILVA
MARILI PERES JUNQUEIRA
A interação dos estudantes do Ensino Médio da rede pública com as redes
sociais: a internet como uma ferramenta de socialização

KIRLA KORINA DOS SANTOS ANDERSON


Conectados às redes sociais: juventude e sociabilidade em Tucuruí/PA

WILKA BARBOSA DOS SANTOS


Ser jovem no Ensino Médio

LUCAS BOTTINO DO AMARAL


Jovens em uma interseção entre escola e trabalho: os sentidos da
permanência

TSAMIYAH CARREÑO LEVI


Trabalho e escola: a condição juvenil entre estudantes trabalhadores

TABATA LARISSA SOLDAN


Os desafios da realização de um estudo de caso em uma escola da periferia
de Curitiba

MILENA DA SILVA ALMEIDA


MARIA ALDA DE SOUSA ALVES
PATRÍCIA MARIA APOLÔNIO DE OLIVEIRA
O jovem aluno e o professor de Sociologia: reflexões sobre o sentido da
disciplina no Ensino Médio

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 35


36 | Anais do IV ENESEB
GT 7–Ensino de Sociologia nas modalidades diferenciadas de
ensino

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO ÚNICA]

RENAN AUGUSTO FERNANDES SILVA


BÁRBARA MACHADO ALEXANDRE
THIAGO H. FARIA DE BRITO
Reflexões acerca do Ensino para Jovens e Adultos: versatilidade na
docência, a contradição do elogio

SILVANA COLOMBELLI PARRA SANCHES


DANIELA OLINDA DALBOSCO
O ensino de Sociologia e a juventude do campo: perspectivas de jovens
matriculados em Campus Rural de Instituto Federal

JAQUELINE RUSSCZYK
Especificidades da Sociologia no Ensino Médio Integrado

LETÍCIA BEZERRA DE LIMA


Quilombo São José da Serra (RJ) e a educação enquanto Projeto de
Extensão

RICARDO CORTEZ LOPES


JÚLIO CÉSAR BALDASSO
Experiência de ensino de Sociologia no Curso Popular ONGEP –
Organização Não-Governamental para a Educação Popular

SUIANNY ANDRADE DE FREITAS


CAMILA MARIA CUNHA DE SOUZA
Práticas docentes e ensino: um contraponto entre a escola regular e o
ensino profissional

FABSON CALIXTO DA SILVA


MARIA AMÉLIA FLORÊNCIO
Escola Estadual de Ensino Médio de Tempo Integral e Profissional em
Alagoas: qual o lugar da Sociologia nessa estrutura de ensino?

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 37


CESAR ALESSANDRO SAGRILLO FIGUEIREDO
LIDIANE DA CONCEIÇÃO ALVES
MAURO MEIRELLES
A experiência do PibidIndígena na UFT: algumas reflexões

LARISSA JOICE SILVA TELES


ROBERTO MARTINS DE SOUZA
A construção da proposta de educação do campo na Escola da Ilha de
Superagui: o cotidiano dos pescadores artesanais como principio educativo

SANDRA REGINA GAVASSO AMARANTES


SIDNEY REINALDO DA SILVA
Ensino de sociologia entre modalidades de educação: o Proeja

ADRIELY, P. JESUS
VANESSA F. OLIVEIRA
ANA PAULA R. VALE
A arte de ensinar: um estudo sobre o processo de educação não formal, no
Ponto de Cultura Buracão da Arte

ADIMILSON RENATO DA SILVA


A Sociologia na Escola de Jovens e Adultos: algumas problematizações

MARÍLIA MÁRCIA CUNHA DA SILVA


Foucault para crianças: “vigiar e punir” aos olhos dos estudantes do nono
ano do Ensino Fundamental

LAVINA PEREIRA DA SILVA


O ensino de Sociologia no Ensino Médio das escolas estaduais do Bico do
Papagaio – norte de Tocantins

TATIANE PEREIRA MUNIZ


Os desafios do docente “multimodal”: a experiência do ensino de Sociologia
no Instituto Federal da Bahia

NILTON MIGUEL AGUILAR DE COSTA


“Sociologia só ensina o que a gente já sabe”: o desafio de ressignificar a
realidade de estudantes de Sociologia na EJA

38 | Anais do IV ENESEB
ELEUSA MARIA LEÃO
Produção de documentários como ferramenta metodológica para o ensino
de Sociologia

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 39


40 | Anais do IV ENESEB
GT 8–Política no ensino de sociologia: desafio didático e
formativo

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO A]

SÉRGIO CÉSAR CORRÊA SOARES MUNIZ


“Alguém já ouviu falar em Sociologia?”: etnografia das representações
sociais acerca do ensino de Sociologia no fundamental II no município de
Chapadinha –MA

JORGE LUIZ DA CUNHA


JOANA ELISA RÖWER
Orientações Curriculares Nacionais e Referenciais Curriculares Estaduais:
recontextualizações do campo oficial para o ensino de Ciências Sociais/
Sociologia na Educação Básica

FERNANDA FEIJÓ
ALEX MOREIRA
ELIANE DA CONCEIÇÃO SILVA
O projeto Parlamento Jovem e a formação política de jovens cidadãos

JOÃO VINICIUS CARVALHO GUIMARÃES


Eleições 2014: discussões sobre a política partidária brasileira através da
análise de Planos de Governo no Ensino Médio

KEYWILLA DA SILVA VENCESLAU


Educação e cidadania: a importância e os desafios de uma orientação que
vise promover a autonomia, a diversidade e a igualdade social

NEURI JOSÉ ANDREOLA


Uma reflexão sobre a importância da participação na vida escolar: - sujeitos
comprometidos com a democracia e o coletivo

LUIS ALEXANDRE CERVEIRA


Do Cemitério à Praça, O Positivismo gaúcho em uma saída de campo.

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 41


ANA CLAUDIA RODRIGUES DE OLIVEIRA
Contribuições do multiculturalismo para o ensino de Sociologia: a con-
strução de bases para o reconhecimento da diversidade cultural

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO B]

JADE DE BARROS
Direito à informação como prerrogativa para o avanço na democratização
do acesso ao Ensino Superior no Brasil

RITHIANE ALMEIDA SOUZA


Eleições, juventude e a ação da política na vida: uma análise da influência do
período eleitoral sobre as concepções políticas estudantis

RODRIGO RAFAEL FERNANDES


SIDNEY REINALDO DA SILVA
Ciências humanas e suas tecnologias: politicas e orientações para o ensino
de sociologia

NAYARA DOS SANTOS ABREU


KARINE FERREIRA DE MORAES
MATHEUS LARA DO AMARAL
O reflexo do policiamento escolar na formação do sujeito

KARINE FERREIRA DE MORAES


MARILI PERES JUNQUEIRA
Ciências Sociais na sala de aula: o sistema de cotas raciais em foco

CRISTIANO RUIZ ENGELKE


Ensino de política no Ensino Médio: reflexões e possibilidades

ADRIEL DE FARIAS RIBEIRO


A construção de eleições no Ensino Médio: o Pibid - Ciências Sociais dis-
cutindo democracia

42 | Anais do IV ENESEB
ANA PAULA BARBOSA
Trabalhando com o preconceito em uma sala de aula de segundo ano de
Administração /Ensino Integrado em uma escola pública no município de
Londrina

GIOVANA CARINE LEITE


SANDRO AMADEU CERVEIRA
A discussão política na Educação Básica: uma experiência de projeto de
extensão no ensino de Sociologia

VANESSA SIMÕES RIBEIRO


THIAGO EMANUEL FOLGUEIRAL
GUSTAVO MELETTI FERREIRA
Políticas educacionais do estado de São Paulo: uma análise dos Cadernos de
Sociologia do São Paulo faz Escola

CAMILLA G. N. BORGES
JOSÉ FARIA PEREIRA
JAMES SÉRGIO NASCIMENTO
Uma análise dos movimentos sociais nos livros didáticos de Sociologia

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 43


44 | Anais do IV ENESEB
GT 9–O ensino de Sociologia e a categoria Trabalho

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO ÚNICA]

VALCI MELO
O ensino de Sociologia face aos desafios históricos do Ensino Médio
brasileiro: a problemática relação entre educação e trabalho na sociedade de
classes

ROSANGELA DA SILVA
BRUNO VIDOTTI
Uma reflexão acerca da categoria trabalho a partir dos documentos que
norteam o ensino de Sociologia no Ensino Médio

JOSÉ ANCHIETA DE SOUZA FILHO


GEOVÂNIA DA SILVA TOSCANO
Os desafios da prática pedagógica dos professores de Sociologia em
Fortaleza (CE)

KELEM GHELLERE ROSSO


Ensino de Sociologia e Educação Popular: uma discussão para um novo
projeto de educação

MARCELO AUGUSTO DE LACERDA BORGES


O ensino de Sociologia no Instituto Federal de Goiás (IFG): a categoria
trabalho na abordagem sociológica Durkheimiana e Marxiana

INAÊ SOARES DE VASCONCELLOS


O desafio do ensino da categoria trabalho no contexto dos Institutos
Federais de Educação Profissional, Técnica e Tecnológica

PAULO HENRIQUE MIRANDA DA SILVEIRA


O ensino da Sociologia como elemento indutor para o desenvolvimento
do processo de ensino e aprendizado de estudantes do Ensino Médio
Profissionalizante no Campus Vitória de Santo Antão-PE

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 45


ELEANOR G DA. S PALHANO
SHEYLA, R. O. MORAES
SYLVIA DE N. F. CASTRO
ANA PATRICIA DE FREITAS CORREA
Ciências sociais no PARFOR/UFPA: uma análise do ensino da Sociologia
na Educação do Ensino Superior

MARCO AURÉLIO PEDROSA DE MELO


Impressões sobre o trabalho docente entre professores na rede pública
estadual de Goiás: precarização do trabalho em Goiânia

LAÍSSE SILVA LEMOS SOBRAL


LUCINÉIA SCREMIN MARTINS
O Cientista Social hoje: desafios para permanecer em sala de aula. Estudo
de caso em Goiânia/GO

MAYCON BEZERRA DE ALMEIDA


O ensino de Ciências Sociais na “Escola-Comuna” Soviética

LUIZ PAULO JESUS DE OLIVEIRA


Juventude trabalhadora: uma categoria mediadora para o ensino de
Sociologia

GABRIEL MIRANDA BRITO


Educação, Trabalho e Economia Solidária: apontamentos para uma discussão
inicial

MARIA IVONEIDE GOMES DE OLIVEIRA MONTEIRO


KARLLA CHRISTIANE ARAÚJO DE SOUZA
ADELITA ALVES DE SOUZA
Relato de experiência de aula de campo como estratégia de ensino interdis-
icplinar de Ciências Naturais e Sociologia no Ensino Médio

CLÁUCIA PICCOLI FAGANELLO


O ensino de Sociologia nos cursos de Administração Pública do Estado do
Rio Grande do Sul

46 | Anais do IV ENESEB
GT 10–Gênero e sexualidade - o que o ensino de Sociologia/
Ciências Sociais na Educação Básica tem a ver com isso?

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO A]

JORGE LUIZ ZALUSKI


ELENICE DE PAULA
O gênero em sala: análise de atividades feitas nas aulas de Sociologia em
Guarapuava-PR e as contribuições para o ensino

GABRIELA GARCIA SEVILLA


Gênero e sexualidade nos livros didáticos de Sociologia: encontros e
desencontros

IZABELLE DE PAULA BRAGA MENDONÇA


LILIAN RODRIGUES DA SILVA
THACYMARA GOMES FILGUEIRA
Necessidade de trabalhar gênero e sexualidade no currículo de Sociologia

PAULA LEONARDI
SANDRA UNBENHAUM
MARIA JOSÉ ROSADO NUNES
Gênero, feminismos e cidadania nos Cadernos do Professor de Sociologia
do Ensino Médio do Estado de São Paulo

VINÍCIUS PASCOAL EUFRAZIO


SAMANTHA SUENE DE ABREU LEITE
VIVIANE SIARLINE LUCENA
FRANCISCA ERIKA LEAL LINHARES
Diversidade sexual na escola: homofobia, práticas discriminatórias e ações
educativas

JOSYANNE GOMES ALENCAR


ANTONIO LEONARDO FIGUEIREDO CALOU
Experiências do fazer docente: escolhas e decisões entre trabalhar com
gênero e sexualidade no Ensino Médio

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 47


THAÍS KARWOWSKI
JOÃO GABRIEL DE OLIVEIRA FERREIRA
IAGO AQUINO SANTOS FERREIRA
Trabalhando gênero e sexualidade no Ensino Médio

VINÍCIUS GABRIEL DA SILVA


MÓNICA LOURDES FRANCH GUTIÉRREZ
Educação e perspectivas de gênero: um estudo do ambiente escolar
envolvendo questões de gênero e violência

FRANCISCO WERIQUIS SILVA SALES


“Desconstruindo preconceitos e cultivando o respeito”: as Ciências Sociais
no debate sobre gênero e sexualidade no Ensino Médio

NAIARA FREIRE RIBEIRO


RAYSSA MORAES LEITE PINHEIRO
Bullying homofóbico nas escolas: omissão também é sinônimo de violência?

LUÍSA BONETTI SCIREA


Gênero, Educação e Sociologia: análise e reflexão acerca da abordagem da
temática de gênero e sexualidade em aulas de Sociologia do Ensino Médio

EMÍLIA HALINE DUTRA


MARISA NASPOLINI
NATHÁLIA DOTHLING REIS
Projeto Papo Sério: abordagenssobre gênero e sexualidade na escola

STEPHANIE NATALIE BURILLE


SILVANA MARIA BITENCOURT
Gênero, sexualidades e as aulas de Sociologia no Ensino Médio Cuiabano: o
que as/os estudantes têm para nos contar

LIZA APARECIDA BRASÍLIO


KARINA ALMEIDA DE SOUSA
MARIA ALZIRENE RODRIGUES DE SÁ
Gênero e sexualidade: formação e práticas educativas do Pibid-Ciências
Sociais

48 | Anais do IV ENESEB
PATRICIA SCHONS
LEANDRA BATISTA DE AZEVEDO
TÂNIA WELTER
Ciências Sociais, gênero e sexualidade na Educação Básica

FÁTIMA IVONE DE OLIVEIRA FERREIRA


A contribuição da Sociologia para a construção de uma política de gênero
em uma escola de Educação Básica

ROSANGELA DE SOUSA VERAS


O compromisso de trabalhar a diversidade de gênero e sexual na Educação
Básica

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO B]

RÔMULO GUEDES E SILVA


JOSEMAR MEDEIROS DA SILVA
ALEXANDRE ZARIAS
Políticas públicas para enfrentamento da violência contra a mulher em
Pernambuco: modelo pioneiro para a discussão de gênero na escola

CAMILA SILVA MARQUES


Violência contra a mulher: problematizando algumas questões fundamentais

TAIALA ÁGUILAN NUNES DOS SANTOS


RITHIANE ALMEIDA SOUZA
Sexualidade humana: do biológico ao social

LARISSA ARAÚJO SANTOS


RAYSSA MORAES LEITE PINHEIRO
Um novo olhar para a prática docente

MARILÚ ANTUNES DA SILVA


OSNÍ VALFREDOWAGNER
TARCÍSIO ALFONSO WICKERT
Jovens estudantes de Ensino Médio e gêneros : uma análise da identidade de
estudantes lésbicas

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 49


JOSÉ MIRANDA OLIVEIRA JÚNIOR
NÚBIA REGINA MOREIRA
A diversidade sexual em pauta no contexto escolar

MARIANA ALVES DE SOUSA


HALLANNA GABRIELA DE LIMA
Discussões de gênero e a instituição escolar: influências do modelo
tradicional na tentativa de implantação de desconstruções

LAIS MOURA PONTES


RAFAEL HENDGES COUTINHO
MARCELA AMARAL
Educação/orientação sexual do currículo à sala de aula

CÍNTIA DE SOUZA BATISTA TORTATO


MARIA LUCIA BUHER MACHADO
Educação e diversidade como disciplina na licenciatura em Ciências Sociais

FRANCIVALDO ALVES DE SOUSA


THAYNÁ SILVA ALMEIDA
GRACE INÊS DO NASCIMENTO SILVA
Funk como canal de transmissão da voz subalterna

CLÁUDIA CHUEIRE DE OLIVEIRA


NATHALIA MARTINS
ROGÉRIO DA COSTA
Representações de discentes de licenciaturas de Universidade Pública a
respeito do gênero na docência

LÍGIA WILHELMS ERAS


A condição feminina e a corporalidade adaptada no espaço acadêmico
-escolar: interfaces com o ensino de Sociologia na Educação Básica

LÍVIA BENKENDORF DE OLIVEIRA


Os significados da escola para as mulheres trabalhadoras da Educação de
Jovens e Adultos (EJA)

50 | Anais do IV ENESEB
KARINA ALMEIDA DE SOUSA
MARIA LEAL PINTO
MARCIA DE SOUSA
Mulheres: (re)construindo histórias”: o processo de construção e as
representações sobre as identidades de gênero na região norte do Tocantins

PATRÍCIA BAPTISTA GUERINO


Currículo “sexual” oculto - reflexão sociológica a respeito de gênero em
sala de aula

ADRIANA REGINA DE JESUS SANTOS


HÉLIO JOSÉ LUCIANO
LUANE BERTOLINO
Gênero e precarização docente sob a ótica dos discentes dos cursos de
Ciências Sociais, Filosofia, História e Letras da Universidade Estadual de
Londrina

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 51


52 | Anais do IV ENESEB
GT 11 – A dimensão ambiental no ensino da sociologia e as
experiências interdisciplinares

18 de julho de 2015 – sábado – 15h às 19h [SESSÃO ÚNICA]

RYLANNEIVE LEONARDO PONTES TEIXEIRA


WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA
Sociologia ambiental no Brasil: apontamentos sobre uma perspectiva
teórica no ensino

MARCIELE CORRÊA
PRISCILA CRISTINA SANTOS
EVERTON PEREIRA LEITE
Ambiente e sociedade: um debate a partir do contexto de Fordlândia-Pará-
Brasil

ANA CLAUDIA BATISTA SOUZA


Ecologia, Psicologia, Sociologia: uma abordagem interdisciplinar da Educa-
ção Ambiental

VIVIANE BASSI DOS REIS MARQUES


Subsídios para projetos de educação ambiental com base em representações
sociais de sustentabilidade

RODRIGO DA SILVA SOARES


Uma caminhada interdisciplinar: a experiência escolar do projeto re(vi)
vendo êxodos no Distrito Federal

LEANDRO RAIZER
O ensino de Sociologia e a crise ecológica: um relato de experiência

Lista de Trabalhos dos Gt’s | 53


RESUMOS DOS TRABALHOS EM GTs

Observação
Na edição dos textos dos resumos abaixo reproduzidos
foi mantida a redação original, conforme
o envio dos autores.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 55


56 | Anais do IV ENESEB
GT1 – O PIBID E A FORMAÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS
SOCIAIS: LIMITES E POSSIBILIDADES

Coordenadora:
Rosângela Duarte Pimenta - Universidade Estadual Vale do Acaraú / UVA.
E-mail: rosangelapimenta@yahoo.com.br

Vice-coordenadora:
Marili Peres Junqueira - Universidade Federal de Uberlândia / UFU.
E-mail: marili.junqueira@gmail.com

SESSÃO A – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

O PIBID NA ÁREA DE CIÊNCIAS SOCIAIS: ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE


AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E PRÁTICAS DOS LICENCIANDOS DA
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

Mário Bispo dos Santos - UNB

Desde o início da década de 80, no contexto da abertura política, parlamentares,


movimentos sociais, entidades sindicais e científicas já se mobilizavam para que a
Sociologia fosse incluída como componente nos currículos do antigo 2º grau. Todavia,
somente em 2008, a Lei 11.684 altera a LDB e a torna disciplina obrigatória. Esse
novo status legal contribuiu para que seu ensino passasse a ser alcançado de forma
mais sistemática pela política educacional do Governo Federal em programas como
PNLD e o PIBID. Rosângela Pimenta (2013) nos lembra da feliz coincidência
temporal conjugando o retorno pleno da disciplina à escola básica (2008) e a criação
do PIBID em 2007. No caso da Universidade de Brasília (UnB), a adesão do curso de
Ciências Sociais ao PIBID (2013) acontece no contexto de discussão da necessidade
de reformulação da própria licenciatura. Objetivos: neste artigo, pretende-se mostrar
os resultados de um estudo exploratório realizado na referida instituição sobre as
representações sociais e práticas de licenciandos bolsistas e não bolsistas do PIBID
na área de Ciências Sociais. Quadro teórico-metodológico: os dados foram obtidos
por meio de questionários, grupos focais e observações e analisados com apoio de
dois programas: EVOC e ALCESTE. Na análise dos dados, considerou-se as três
hipóteses metodológicas propostas por Willem Doise. Ressalta-se que a referida
proposição intenciona articular as construções teóricas de Pierre Bourdieu e Serge
Moscovici numa abordagem societal das representações sociais. Assim, para Doise,
é razoável supor que os atores pertencentes a um dado grupo ou envolvidos em um

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 57


dado projeto, no caso o PIBID, não obstante, variáveis como posição institucional,
gênero, formação e idade compartilhariam de referenciais comuns acerca do papel da
Sociologia. Os referenciais constituiriam uma espécie de mapa ou campo comum ou
jornal nos termos de Bourdieu, a partir do qual, eles podem seguir caminhos distintos
e assumir diferentes posições. Desse modo, também é aceitável uma segunda hipótese
de pesquisa: a existência de variações entre as posições dos atores ligados a um campo
comum. Haveria uma terceira hipótese relativa à ancoragem das diferentes tomadas de
posição: posição de classe, inserção política e experiências sociais que podem funcionar
como moduladores das posições diferenciadas. Discussão: os resultados ainda que
preliminares apontam que licenciandos bolsistas e não bolsistas convergem quanto à
importância da Sociologia no Ensino Médio no processo de compreensão da realidade
social. Porém, eles se diferenciam quanto ao papel do professor nesse processo. Os
sujeitos do primeiro grupo tendem a acentuar a sua importância, enquanto no segundo
grupo, há uma tendência a relativizá-la. Essas diferenças talvez estejam ancoradas em
inserções e práticas pedagógicas na escola que acontecem por vias distintas: um grupo
via PIBID e outro somente via Estágio Supervisionado. Podem estar ancoradas também
nas condições epistemológicas sob as quais se desenvolve o curso de licenciatura em
Ciências Sociais da Universidade de Brasília. Considerações finais: ressalta-se que o
referido estudo constitui a primeira etapa de um projeto mais amplo de pesquisa de
doutorado no qual, buscar-se-á verificar as concepções de licenciandos de diversas
universidades sobre o papel da Sociologia no Ensino Médio e as possíveis influências
do PIBID e do Estágio Supervisionado naquelas concepções. Nessa e nas demais etapas
da pesquisa, com base nas contribuições Fernanda Sobral (2011), serão consideradas
as condições epistemológicos de duas ordens. Condições relacionadas a aspectos
macroestruturais, sócio-epistemológicos e externos ao processo de produção e ensino
da ciência e as condições internas ao referido processo que se relacionam a fatores
didático-epistemológicos de ordem mais microssociológica. No caso desse projeto,
são elencadas como condições internas: as concepções e representações dos atores
envolvidos com a execução do PIBID no interior das escolas e das universidades.

A PREPARAÇÃO DAS INTERVENÇÕES DOS BOLSISTAS DO SUBPROJETO PIBID


CIÊNCIAS SOCIAS/UVA: UM OLHAR PARA AS PERFORMANCES, CONFLITOS
E DEMAIS ESTRATÉGIAS DOS GRUPOS

Diocleide Lima Ferreira - UVA

O presente trabalho objetiva analisar as diversas performances dos bolsistas do


subprojeto de Ciências Sociais do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação
à Docência) da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA,na busca da construção de
novas estratégias para a formação docente. Isto me ocorre por acompanhar o Programa
de “perto e de dentro”, como bem dispôs Carlos Guilherme Cantor Magnani, enquanto
Coordenadora de Área do referido subprojeto, o que me beneficia para o trato de uma
espécie de etnografia do trabalho dos bolsistas. A ideia é descrever e analisar de forma
cuidadosa a preparação dos trabalhos, mais conhecidos como intervenções na escolas

58 | Anais do IV ENESEB
parceiras do nosso subprojeto: como se organizam, o que levam em consideração para
a organização das atividades, como elaboram os planos, como relacionam teoria e
prática na escola básica e finalizar a análise com a culminância desse processo, que é
a intervenção em sala de aula e sua avaliação. As intervenções sempre são momentos
de tensão entre os/as bolsistas. Em alguns momentos chegam a gerar conflitos nos
grupos, demonstrando que há entre alguns deles relações de hierarquia e também
de apropriação da “boa vontade” dos que se destacam pelos que não “estão a fim de
levar a coisa a sério”. Isso denota um campo misto de preocupação com a execução
das atividades com a qualidade do trabalho e também do quantitativo de produtos a
serem apresentados à CAPES nos relatórios semestrais e anuais. Seria essa preocupação
a “encarnação” da lógica da competitividade, que de certa forma é travestida de
melhoria na formação das Licenciaturas? O que leva um/uma bolsista a se destacar
e em muitos casos, assumir papel de liderança num grupo?O que eles pensam do
que fazem, parafraseando Clifford Geertz? A percepção inicial é a de que temos de
pronto quem serão os melhores e os piores professores na Educação Básica com as
performances que se nos apresentam. No entanto aproveito para refletir para além
desse polo classificatório, que nivela profissionais e busco compreender como eles e
elas (bolsistas) entendem esse processo e até que ponto encampam a ideia-propósito da
formação com as suas próprias performances.

A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID PARA A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE


DOCENTE E FORMAÇÃO DO PROFESSOR EM CIÊNCIAS SOCIAIS

Marcia Rose Marques Umbelino - UFMS


Aline Chancare Garcia - UFMS
Daniel Henrique Lopes - UFMS

O presente trabalho pretende relatar a experiência enquanto bolsistas do Programa


Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), Grupo Ciências Sociais da
Universidade Federal de Mato Grasso do Sul (UFMS/CPNV), sobretudo no que diz
respeitoa suarelevância no processo de formação de professores. Assim, serão debatidas
as contribuições do Programa para a inserção participante dos acadêmicos da graduação
no campo da educação básica, de modo a problematizar a construção da identidade
docente na área de Ciências Sociais. A participação no PIBID tem apresentado uma
série de avanços e desafios no processo de formação inicial. Todavia, tal possibilidade
contribui de maneira significativa para a futura atuação profissional, tendo em vista que
antecipa experiências que seriam vivenciadas no início da docência e de maneira isolada.
Nesse sentido, a ação no PIBID torna possível, ao propiciar o diálogo entre discentes
do ensino superior, professor supervisor e coordenador de área, que os desafios sejam
analisados e superados coletivamente e por meio da ação/reflexão/ação. Assim, o
Programa tem proporcionado uma visão ampla do que é ser professor de Ciências
Sociais, evidenciando a prática docente em sua amplitude e diversas dimensões: política,
técnica e didática. Como bolsistas do PIBID Ciências Sociais da UFMS, se torna possível
participar ativamente das atividades da escola, como, por exemplo: preparar e executar

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 59


aulas e avaliação, conselho de classe, formação continuada em serviço, feiras de ciências,
preenchimento de livros e diários, oficinas de sociologia, elaboração de jogos didáticos,
dentre outras. Portanto, por meio da interação constante com o ambiente escolar
e da identificação, análise e intervenção assistida em situações próprias do processo
de ensino e aprendizagem, bem como da consequente ampliação da autoestima que
o graduando apresenta em relação à Licenciatura, o PIBID vem contribuindo para o
avanço e aperfeiçoamento da formação de professores para a educação básica, o que
historicamente tem sido pensado como algosecundário dentro dos Cursos de Ciências
Sociais no Brasil.

CONSCIÊNCIA SOCIAL E SUSTENTÁVEL:UMA DISCUSSÃO A PARTIR DAS


AULAS DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO

Everton Pereira Leite - IFPR


Ricardo A. C. Rodrigues - IFPR
Osmar Junior Salgado - IFPR

Esta comunicação é fruto de um trabalho que vem sendodesenvolvido pelos acadêmicos


do curso de Ciências sociais do IFPR, participantes do Programa PIBID.A partir
deste foi possível o acesso à escola para que pudéssemos compreender os limites e as
possibilidades para o ensino de sociologia no ensino Médio. Neste trabalho, a proposta
é relatar as experiências obtidas a partir do contato com o Professor da disciplina de
sociologia e os alunos do 1° ano do ensino médio,da Escola Cidália R.Gomes.A partir
dos diálogos em sala de aula e partindo do pressuposto das atividades didáticas, discutiu-
se a necessidade de intervir nas aulas de sociologia para que o aluno venha refletir o
ambiente no qual estão inseridos, buscando refletir a relação sociedade x natureza na
busca de amadurecer uma consciência social para uma sociedade sustentável,focamos
na reciclagem de resíduos sólidos.A abordagem metodológica para concretização desde
trabalho seguiu a perspectiva de unir o conhecimento sociológico e ambientais para
despertar uma imaginação sociológica com os alunos que moram na Ilha do Valadares.
Realizamos com os alunos um trabalho de campo in loco.Ele foi fundamental para
que pudéssemos observar a realidade local,os conflitos socioambientais e comparar
com outra realidade possível.Também utilizamos o livro didático,filmes,entre
outros,possibilitando aos alunos um conhecimento prévio sobre o tema, sustentando-
os de forma teórica para então conhecerem a associação Nova Esperança, a qual
trabalha com a reciclagem de resíduos sólidos naquele ambiente.A partir do contato
dos alunos com as pessoas que trabalham na associação, eles puderam compreender
o resultado do consumo exacerbado pelo homem.Durante o contato foram feitas
diversas perguntas, gravações de áudio e vídeo para uma rediscussão do assunto e
posteriormente a socialização dessa experiência com a comunidade escolar e o entorno.
Os conteúdos aplicados em sala de aula, sobre o consumo sustentável x degradação
do meio ambiente resultou em uma aula de campo em concordância com os alunos.
Estas prática atrela-se a ideias de autores como Moran (2006),ao afirmar que uma
educação inovadora [...] o conhecimento integrador e inovador, o desenvolvimento da

60 | Anais do IV ENESEB
autoestima e do autoconhecimento, a formação do aluno-empreendedor e a construção
do aluno-cidadão são indispensáveis.As práticas pedagógicas iniciaram com a discussão
de uma “transição” da sociedade tradicional para uma sociedade moderna.Vimos
como a sociedade começou a pensar no progresso o que desencadeou no surgimento
das indústrias, das máquinas, da produção,do consumo e das consequências desse
crescimento desenfreado, o capitalismo é a força motriz. A saída de campo integrou
a realidade ao conhecimento teórico.Nosso propósito foi despertar uma consciência
ambiental,em síntese“Para compreender as modificações de muitos ambientes
pessoais,temos a necessidade de olharmos além deles.” (MILLS,1975).Considerando
a experiência em sala de aula, proporcionada pelo programa PIBID, pudemos
conhecer os limites e as possibilidades da prática pedagógica do ensino de Sociologia
no ensino Médio, em nosso caso constatamos a partir do desenvolvimento do tema
Reciclagem,assim, pela nossa experiência incipiente. Conclui-se que o professor deve
buscar ferramentas diversas, métodos que sejam possíveis esclarecer teorias afim de
que o aluno possa ter uma consciência crítica do meio em que vive, podendo intervir
na sua realidade,ou seja,ser sujeito de seu próprio destino.

MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NO ENSINO DE SOCIOLOGIA: EXPERIÊNCIAS NA


PERIFERIA LUDOVICENSE

Cássia Ferreira de Oliveira - UEMA


Geysa Fernandes Ribeiro - UEMA

Este trabalho pretende discutir a atuação da agente-pibidiana enquanto mediadora


pedagógica no ensino de Sociologia. Agente-pibidiana, aqui, refere-se a cada bolsista do
Pibid de Ciências Sociais/UEMA (15 alunas) que atuaram no Centro de Ensino Médio
Cidade Operária I (CEM I) e Escola Paulo VI, escolas públicas localizadas no bairro
Cidade Operária, periferia da cidade de São Luís/MA. Trataremos de problematizar
nesse trabalho a experiência próxima (GEERTZ, 2012) dos integrantes da comunidade
escolar que estivemos inseridas ao longo desses 12 meses de docência compartilhada
junto à nossa supervisora do Pibid – professora de Sociologia desde o final de sua
graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão –, ou seja, o
que a escola e o Estado facilmente elaboram sobre a (des)importância do ensino de
Sociologia na educação básica. Faremos também (breves) etnografias sobre a prática
docente, situando o nosso lugar de fala e maior desafio: produzir saberes em uma escola
pública da periferia ludovicense. Os objetivos desse trabalho são além de analisar as
formas de interação produzidas no ambiente escolar, expor as nossas experiências na
realização de algumas atividades feitas em sala de aula, como a confecção de cartazes
na turma de 1º ano do CEM I e a partir daí analisar o modo como os alunos se
relacionam, comportamento e desempenho nas atividades de Sociologia. A abordagem
metodológica que utilizamos para a elaboração desse trabalho foi a etnografia e na
prática docente utilizamos a pedagogia histórico-crítica (GASPARIM, 2002) que
consiste em uma teoria dialética de construção do conhecimento. Essa teoria discute
os caminhos percorridos para tornar a aprendizagem significativa, relacionando o

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 61


conhecimento espontâneo que o aluno traz à sala de aula ao conhecimento científico
trazido pelo professor. A observação situada (GEERTZ, 2012) foi a técnica de coleta
de dados utilizada para elaboração desse trabalho. A prática docente do ensino de
Sociologia além de revelar a Sociologia como uma disciplina complementar revelou as
fronteiras do fazer pedagógico, aquilo que Althusser (1974) já havia dito, classificando
o sistema educacional como um Aparelho Ideológico do Estado, logo, que funciona pela
repressão (violência) e pela ideologia, ou seja, um duplo funcionamento, massivamente
ideológico e secundariamente repressivo, mesmo que de forma atenuada, dissimulada
ou até simbólica, onde a escola “educa” por meios de sanções, exclusões, de seleção, etc.
Desse modo, o que o nosso olhar de cientista social, atuando na docência de sociologia
da educação básica, pública e de periferia, revelou foi aquilo que Bourdieu (2013) já
havia dito sobre o sistema de ensino, como o reprodutor da estrutura das relações
de força e simbólicas que distribui o capital cultural entre as classes. Diante disso,
recorro ao que Freire (1987) pontuou quando se propôs escrever sobre a pedagogia
do oprimido: “Quem melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender
o significado terrível de uma sociedade opressora?”. As fronteiras do fazer pedagógico
são palpáveis do ponto de vista da execução dos projetos que planejamos/planejávamos
fazer. Porém, como afirmou Freire (1987) é preciso que haja “mãos humanas, que
trabalhem e transformem o mundo”.

PIBID NAS ILHAS: DA ORGANIZAÇÃO DE UM TRABALHO INCIPIENTE AOS


DESAFIOS DA PROPOSTA

Antonio Marcio Haliski - IFPR

O trabalho visa trazer para o debate os desafios e perspectivas do desenvolvimento


do Pibid nas ilhas do litoral do Paraná, especificamente, em uma escola na ilha do Va-
ladares, duas escolas na Ilha do Mel e uma na ilha do Superaguí. Para tanto, parte-se
da descrição da proposta deste projeto, iniciado em março de 2014, passando pelas
características gerais das escolas/comunidade, até chegarmos ao estágio atual que nos
encontramos. No artigo faz-se uma análise do trabalho desenvolvido pelos coordena-
dores, supervisores e bolsistas do projeto. A ideia consiste em trazer a tona questões
relativas à organização do trabalho e desenvolvimento do mesmo nas escolas, para tanto,
emergem questões centrais como a necessidade de um (re)planejamento constante de
atividades/ações, a construção de uma agenda de atividades/trabalhos que propiciem
o desenvolvimento do projeto PIBID e ao mesmo tempo a dinâmica “natural” da escola
que o aluno bolsista atua, a transitoriedades dos bolsista, bem como os seus afazeres no
ensino superior e, como elemento chave, o entendimento da realidade que a escola esta
inserida. Este ultimo quesito exige um grande esforço coletivo e tem como proposito
mostrar que a escola pertence a uma realidade socioeconômica e ambiental que deve
estar presente na sala de aula, via planos de ensino e Projeto Político Pedagógico (PPP).
O desafio é o desenvolvimento de uma horizontalidade de saberes e praticas nas rela-
ções universidade-escola-comunidade, pois a comunidade deverá participar ativamente
na escola, ou seja, mostrar que a comunidade é a escola e não somente o lócus da escola.

62 | Anais do IV ENESEB
Os saberes vernaculares ganham espaço/notoriedade. Por isso as danças, como o fan-
dango caiçara, usos dos recursos naturais, praticas de pesca, construção de instrumen-
tos como a rabeca (instrumento musical), embarcações, comidas típicas, produção de
alimentos, entre outros, são trazidos para a escola, ou melhor, servem para “inserimos”
a escola de fato na comunidade. É uma proposta desafiadora, já iniciada por nós, e que
encontra eco em varias partes da América Latina, visto que evidencia um movimento
de (re)construção de currículos escolares/universitários que buscam dar um sentido a
educação, qual seja, trata-la enquanto bem comum a serviço de todos.

A INFLUÊNCIA DO PIBID NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE SOCIOLOGIA

Gerônimo de Paiva Silva - UERN


Izabelle de Pula Braga Mendonça - UERN

O presente artigo tem como objetivo principal diagnosticar o papel de construção


que o PIBID proporciona para as novas gerações de professores e alunos das Ciências
Sociais, bem como saber como o mesmo contribuiu e ainda contribui durante a fase de
discente e posteriormente na condição de docente de Sociologia a fim de refletirmos
qual a maneira adequada de utilizar esse programa educacional para um aprimoramen-
to e desenvolvimento dos métodos educacionais, com vistas ao aperfeiçoamento do
ensino de Sociologia. O Programa de bolsa de iniciação a docência – PIBID/Ciências
Sociais da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – UERN, tem como desa-
fio compreender a maneira que o futuro profissional (graduando) tem se inserido na
realidade escolar, como tem vivenciado a superação dos problemas no processo ensino-
aprendizagem e como tem buscado soluções científicas, pedagógicas e metodológicas
para tornar a Sociologia um conhecimento mais atrativo, que busque a interação dos
alunos. Tendo em vista que se devem ampliar as possibilidades de inserção dos saberes
das Ciências Sociais nos níveis de formação básica. Através de entrevistas e relatos orais
realizados com ex-bolsistas – PIBID/Ciências Sociais e atuais professores, supervisores
institucionais e discentes iniciantes na graduação e no PIBID, fizemos uma compara-
ção dos aprendizados e expectativas dos alunos e professores que mantiveram um elo
participativo no programa durante a sua graduação a fim de compreendermos a con-
tribuição do programa na construção e fortalecimento do ser docente de sociologia.
Observou-se com isso que o programa faz parte de um processo prático educacional
antes/pós-carreira docente, e apresenta uma grande importância para uma maior iden-
tificação com a profissão da docência relacionada à área da Sociologia. O desempenho
profissional de quem passou pelo PIBID se mostra mais desenvolvido, de forma que
as experiências trocadas e absorvidas dispõem de uma grande carga de conhecimento
contextualizado, oferecendo um aprofundamento prático na docência. A partir dos re-
sultados, consideramos que ser um agente mediador de novas práticas e conhecimentos
na vida do profissional das Ciências Sociais deverá ser, portanto, estratégia principal do
PIBID Ciências Sociais/UERN.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 63


O PAPEL DO PIBID-SOCIOLOGIA/UFPI NA CONSTRUÇÃO DOS SABERES
DOCENTES

Bruna Karine Nelson Mesquita - UFPI

O presente trabalho aborda uma reflexão sobre o processo da formação de profes-


sores e o ensino de sociologia na educação básica. Propõe-se, neste trabalho, discutir
os modelos de formação de professores em Ciências Sociais a partir do Programa In-
stitucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), com o intuito de articular as
questões no tocante à formação dos professores com os desafios postos à licenciatura
em Ciências Sociais, da Universidade Federal do Piauí, ante ao ensino de Ciências So-
ciais na educação básica. Em função da importância que o Programa Institucional de
Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) vem ganhando, desde a sua implantação pela
CAPES, em 2007, em prol da melhoria do ensino na educação básica, teve interesse
nesta pesquisa de investigar as compreensões e os significados do programa, pela ex-
ecução do subprojeto de Sociologia, da Universidade Federal do Piauí e as implicações
do mesmo para a construção de saberes docentes na formação de professores de Socio-
logia. A pesquisa realizada priorizou uma abordagem qualitativa, e as fontes de infor-
mações foram os documentos públicos sobre o PIBID (Edital MEC/CAPES/FNDE),
subprojeto de Sociologia do PIBID-UFPI, e entrevistas com quatro licenciados, agora
professores da educação básica, que participaram do primeiro subprojeto de Sociologia
como bolsistas. Através da análise das entrevistas foi possível compreender e refletir
sobre a importância do PIBID na resignificação da formação inicial de professores de
Sociologia. Também foi possível discutir sobre suas limitações a partir da dinâmica das
ações desenvolvidas no subprojeto. E ainda constatar que o subprojeto de Sociologia da
UFPI contribuiu para a construção dos saberes docentes (curriculares e pedagógicos),
e do professor pesquisador. Neste sentido, além de promover a melhoria da formação
inicial, o PIBID-SOCIOLOGIA/UFPI também contribuiu para a formação continu-
ada, por meio de momentos de reflexão, pelos professores da educação básica, sobre
novas abordagens para o ensino de Sociologia, que possibilitou a melhoria da prática
pedagógica e consequentemente do seu ensino nas escolas da educação básica.

A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID PARA A FORMAÇÃO DO DOCENTE EM CIÊN-


CIAS SOCIAIS E PARA A PESQUISA DE PÓS GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

Ruana Castro Mariano - UFRRJ / UNIFESP


Nalayne Mendonça Pinto - UFRRJ

Esse trabalho se propõe a analisar quais são os caminhos enveredados pelos bolsistas
do PIBID durante a execução dos projetos do programa e quais os impactos que essa
experiência tem em suas formações não apenas como estudantes de Licenciatura, mas
também como futuros docentes e pesquisadores em potencial. A proposta é PIBID
como o programa trouxe diversas inquietações e questionamentos que permitiram um
maior aproveitamento do curso de graduação e da formação profissional do graduando

64 | Anais do IV ENESEB
como docente e quais as possibilidades que ele pode alcançar como pesquisador. Desse
modo, o objetivo desse trabalho é pensar como foi o processo de construção de saberes
e práticas acadêmicas a partir da experiência do PIBID, apresentando quais os desa-
fios enfrentados pelos bolsistas durante a execução dos projetos e quais os frutos essa
vivência também proporcionou. O PIBID é um programa pensado para incentivar os
alunos da Licenciatura a se manterem na área da educação e formar novos quadros de
educadores e pesquisadores da área, entretanto não é possível afirmar categoricamente
como essa vivência se dá pela perspectiva dos estudantes, quais são os impactos na vida
acadêmica e profissional do mesmoe os desafios que a carreira docente traz consigo.
Assim a proposta é pensar através dos relatórios oficiais da CAPES e pela perspectiva
dos bolsistas quais são os questionamentos trazidos durante o projeto e como influencia
diretamente a formação do bolsista e como as práticas do PIBID possibilitaram isso. O
diferencial dessa análise é o fato de que os relatórios oficiais da CAPES não incluem
quais são as perspectivas dos bolsistas enquanto agentes participativos e quais os traje-
tos percorridos por eles até se tornarem parte das estatísticas como objetivo final do
programa. Esse quadro torna mais do que necessário o conhecimento acerca de como
essas influências foi impactante nas trajetórias dos estudantes que foram bolsistas do
PIBID e como os mesmos seguiram - ou não - a proposta que a CAPES pensou após a
implementação dessa política no ensino superior. A principal problemática a ser tratada
nesse trabalho é trazer a tona literalmente os “Limites e possibilidades” que o programa
proporciona para o bolsista, apresentando além dos índices oficiais de desenvolvimento
escolar as questões internas a execução do projeto como política pública voltada para
fomentar a educação básica.

SELEÇÃO DE BOLSISTA DO PIBID DE SOCIOLOGIA: DÚVIDA CRUEL! QUE


TALENTO TENHO?

Adriano Maia Jucá - UFC

Quando um indivíduo participa de seleção para uma função, cargo ou mesmo em-
prego, sempre existem etapas no processo seletivo. A entrevista pode ser uma etapa que
varia de fácil até difícil ou mesmo complicado se houver perguntas ligadas a si próprio.
Partindo do fato de que as pessoas, em muitos casos, não são capazes de reconhecer
valores e qualidades em si mesmas. Este trabalho tem como objetivo analisar de modo
reflexivo as questões ligadas às habilidades e/ou talentos individuais, reconhecidos ou
não, pelos bolsistas do PIBID de Sociologia da UFC, durante a seleção de bolsista, no
período que compreende os semestres de 2014.1, 2014.2 e 2015.1, quando ocorreu
seleção para este PIBID. As propostas de ações para o Subprojeto de Sociologia apre-
sentada a Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
(conforme o item 4.4 do Edital nº 61/2013), as quais norteiam as atividades desen-
volvidas neste PIBID para o projeto atual, requerem do bolsista competências para
execução das atividades. Neste caso, os talentos individuais podem ser considerados
um diferencial. A partir da categoria de habitus e também capital simbólico (BOUR-
DIEU, 2005 & 2007), demonstraremos o que o PIBID de Sociologia anseia do bolsista,

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 65


assim como que tipo de expectativas o bolsista tem em relação ao PIBID de Sociologia.
Analisaremos os capitais (sociais, culturais, intelectuais, etc.) acumulados durante sua
vida do bolsista, a qual viabiliza um olhar sobre como os talentos são construídos e
reconhecidos, durante o processo de acumulação de capital simbólico. Embasado no
relato dos bolsistas, através de entrevistas semiestruturadas, referente ao processo sele-
tivo para o programa, analisamos o discurso que cada sujeito demonstra referente a
seus talentos, que foram objeto de análise durante a entrevista. Qual a importância do
talento para o PIBID? Como assim que talento tenho para o PIBID? O que seria esse
talento? São perguntas comum a alguns participantes do processo, o que demonstra
um deficit em reconhecer um potencial talento presente no indivíduo. Assim como
a ausência no reconhecer talentos, o contrário também acontece e neste contexto a
dúvida é que talento escolher ou mencionar, pensando se é ou não é válido apontar uma
ou outra característica como um talento, sendo em certa medida um diferencial. Por
exemplo, um bolsista tem uma habilidade para o desenho, outro para fotografia, etc.
Essas competências são construídas e podem ser uteis para o programa, através de ofi-
cinas, intervenções artísticas, na organização de espaços para atividades, entre outras.
Cada indivíduo tem potenciais presentes em si mesmo, e em muitos casos toda a essa
capacidade em potencial é descartada por ele próprio, reconhecida por outros, porém
os que são os revelados ou demonstrados, serão mencionados aqueles que permanecem
ocultos continuaram ocultos, se o indivíduo não se dispor a desocultá-lo.

O PROGRAMA PIBID NO PROCESSO DE FORMAÇÃO INICIAL: A


CONSTITUIÇÃO DE UMA IDENTIDADE DOCENTE

Emannuella Santana Vieira - UFPE


Rosane Maria da Silva Alencar - UFPE

O presente trabalho apresenta o projeto de pesquisa no âmbito do Programa de Pós-


Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco sobre o processo
de formação inicial nos cursos de licenciatura com o foco no processo de socializa-
çãoprofissional docente ofertada pelo Programa PIBID. Pensando sobre esse processo
formativo em uma profissão que apresenta o seu status social desvalorizado, por sua
má remuneração, problemas de estrutura e organização da educação pública nacional;
e a disciplina Sociologia que retorna aos componentes curriculares nacionais do en-
sino médio em 2008, como disciplina obrigatória, mas que pela intermitência de sua
presença na educação básica não possui professores com formação em Licenciatura
em quantidade suficiente para suprir a demanda nas escolas; problema este que não é
exclusividade da Sociologia e, sim devido um grande déficit nacional de professores nas
diversas disciplinas. Em 2010 é implantado o Programa Institucional de Bolsas de Ini-
ciação à Docência nos diversos cursos de Licenciatura nos Institutos de Ensino Superior
como um momento diferenciado na formação inicial dos futuros docentes. Estando
o PIBID de Sociologia inserido no processo de formação inicial dos bolsistas, futuros
professores de Sociologia, como um momento diferenciado, nos perguntamos de que
forma, a partir das atividades desenvolvidas pelo programa se dá o processo de consti-

66 | Anais do IV ENESEB
tuição de uma identidade profissional docente?O principal objetivo da pesquisa con-
siste em analisar o processo de formação profissional oferecido pelo PIBID Sociologia
UFPB para a constituição de uma identidade docente. A fim de identificar as concep-
ções sobre identidade profissional docente nos documentos oficiais do Programa PIBID
e dos elaborados pelo PIBID Sociologia UFPB, bem como analisar as concepções de
ensino de Sociologia e da docência; e o processo de socialização profissional dos sujeitos
participantes da pesquisa. O PIBID de Sociologia poderá então contribuir para o apro-
fundamento dos conhecimentos teóricos sobre o próprio conteúdo das Ciências Soci-
ais, e nos conhecimentos práticos que envolvem a prática pedagógica necessárias para
futura atuação docente no ensino médio. Como se trata de um momento diferenciado
na formação que o PIBID proporciona, podem assim, os bolsistas participantes, terem
a oportunidade de antecipar e vivenciar as práticas que compõem o arcabouço de con-
hecimentos utilizados na profissão docente.A teoria escolhida parte da perspectiva do
interacionismo simbólico e como categoria analítica a interação social entre os sujeitos
que compartilham processos mediados simbolicamente.Os conceitos de socialização
profissional apresentada por Hughes e Dubar, identidade em Strauss, formação profis-
sional em Tardif e trajetória social por Dubar com base na teorização da Sociologia das
Profissões e sobre a formação docente com foco na formação inicial. Para a coleta de
dados foi escolhida a observação participante, de cunho etnográfico, com a composição
de diário de campo e videografia das reuniões do grupo, com realização de entrevistas
com os coordenadores e supervisores do grupo; e da aplicação de questionários no
início e no fim do semestre com os bolsistas. Para a análise dos dados foram escolhidas a
análise de conteúdo e da análise conversacional. A pesquisa encontra-se em andamento.

AS POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO DO PIBID CIÊNCIAS SOCIAIS E OS LIMITES


DA CONDIÇÃO ACT

Rafael Fernando Lewer - UFFS


Tânia Welter - UFFS

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência, coordenado pela profes-


sora Dra. Tânia Welter, foi o primeiro projeto na área de formação docente no curso
de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus
Chapecó, que ocorreu entre o ano de 2012 e 2013. O projeto contou, desde seu início,
com a participação de 13 estudantes do curso na modalidade de bolsistas, que desen-
volveram atividades na Escola de Educação Básica Marechal Borman, localizada no mu-
nicípio de Chapecó/SC, sob a supervisão do professor de Sociologia Tarcísio Brighenti.
Sendo que participei do PIBID apenas no ano de 2013.Tendo como objetivo a formação
dos bolsistas para a iniciação à docência, para conhecer e compreender o espaço escolar,
bem como experimentá-los, foram planejados e desenvolvidas atividades de diversas
modalidades na escola. Essas atividades variaram entre estudos de documentos e leitu-
ras dirigidas e aplicabilidade de oficinas, projetos, e aulas propriamente ditas. Essas
experiências no projeto possibilitaram reflexões acerca dos limites e possibilidades na

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 67


atuação enquanto professor de Sociologia no Ensino Médio, além de permitir uma am-
pla discussão sobre o currículo da disciplina na escola, e em quanto a Sociologia pode
se tornar uma disciplina que trabalhe na perspectiva de emancipar os estudantes através
da formação crítica. Muitos dos bolsistas iniciaram seus trabalhos no magistério em es-
colas públicas estaduais a partir do ano de 2013 na modalidade de ACT – Admissão em
Contrato Temporário. Eu iniciei minhas atividades no magistério no ano de 2015, na
Escola de Educação Básica Lídia Glustak Remus, localizada no distrito de Alto da Serra
no município de Chapecó, SC, ministrando as disciplinas de Sociologia e Filosofia, am-
bas para o Ensino Médio. Com o PIBID obtive uma formação sobre a prática docente e
as possibilidades de atuação pedagógica, além de uma profunda reflexão acerca dessas
práticas, percebi que a disciplina de Sociologia pode e deve ser uma disciplina emanci-
patória, porém, ao encarar uma nova realidade, me deparei com uma estrutura rígida
e de poucas possibilidades, que mantém os servidores do magistério sob correntes,
impedidos de desenvolver dentro da escola quase que qualquer uma das alternativas
trabalhadas no PIBID sem alguma adaptação para a sala de aula. Essa comunicação tem
por objetivo então, relatar algumas atividades desenvolvidas no projeto PIBID e os lim-
ites para a realização da mesma enquanto ACT, e apresentar algumas reflexões sobre a
condição engessada em que aparece o quadro do magistério estadual determinada pela
estrutura educacional no Estado de Santa Catarina.

SESSÃO B – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

O PIBID COMO EXPERIÊNCIA SOCIAL: CONTINUIDADES E RUPTURAS


ENTRE O DISCURSO OFICIAL E AS SOCIABILIDADES

Alef de Oliveira Lima - UFC


Harlon Romariz Rabelo Santos - UFC

A proposta deste trabalho é analisar como o Programa Institucional de Bolsas de Ini-


ciação à Docência (PIBID) pode ser constituído enquanto experiência social, usando o
conjunto de resumos submetidos no contexto do III Encontro Nacional sobre o Ensino
de Sociologia na Educação Básica (ENESEB): Juventude e Ensino Médio, que ocorreu
na cidade de Fortaleza/CE, em junho de 2013. O aporte metodológico constituiu-se
de um mapeamento dos resumos citados, com o intuito de uma construção tipológi-
ca, utilizando-se da análise de conteúdo como técnica principal. Esta metodologia foi
complementada pelos registros do diário de campo dos autores (ambos pibidianos),
feito durante o período de setembro de 2014 a janeiro de 2015, objetivando assim uma
maior problematização do objeto. Os resultados iniciais apontaram para três tipologias
sobre o Programa e sua forma de atuação: a) o PIBID como espaço propiciador das
práticas de pesquisa, cumprindo uma função contextual; b) elemento sintético, que
facilita a junção entre teoria e prática; c) objeto pedagógico, que se limita investigar a
prática docente e seu impacto no ambiente escolar, desconsiderando os processos de

68 | Anais do IV ENESEB
socialização dos bolsistas. Percebeu-se que em nenhuma das três categorias o Programa
é abordado enfatizando as sociabilidades construídas ao longo da trajetória dos pibidi-
anos. Ao contrário, constatou-se a sobreposição muito simétrica entre os resumos e os
objetivos postos no discurso oficial do Projeto. Logo, é necessário compreender de que
forma o PIBID se torna uma experiência social no sentido concebido pelo sociólogo
François Dubet. Afinal, é a partir do momento em que o bolsista tem um panorama de
seu percurso e de como este último foi significado por laços, contatos sociais e práticas
de compartilhamento que podemos vislumbrar uma maior consciência da profissão
docente e de que modo ela é influenciada pelo Programa.

O ENSINO DOS AUSENTES: EVASÃO ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO SOB A


PERSPECTIVA DA SOCIOLOGIA

Felipe de Oliveira e Silva - UFU


Lucila Ricci Viganó - UFU
Thiago Vargas Castilho - UFU

O presente trabalho é fruto de pesquisa desenvolvida pelo PIBID - Ciências Sociais


da Universidade Federal de Uberlândia e versa sobre a questão da evasão escolar no
período noturno numa escola estadual do município de Uberlândia e como o PIBID
contribui para a formação docente que irá lidar com essa situação.Uma das escolas em
que o PIBID – Ciências Sociais atua é a Escola Estadual do Parque São Jorge, também
conhecida como “Cadeião” e foi escolhida para compreendermos a questão da evasão
escolar e como o professor deve lidar com esse cenário.Para tanto, foi necessário levan-
tar a situação da evasão escolar ao tentar responder as indagações iniciais: “Há evasão
escolar significativa na escola?”, “Em comparação com a realidade brasileira, a evasão é
alta?”, “Qual o principal motivo dela acontecer?”, “Como deve agir o professor diante
de tal realidade?”. A partir dessas indagações, a hipótese levantada é de que “Existe uma
evasão escolar significativa na escola, que segue a tendência da evasão escolar brasileira
que ocorre em razão do desinteresse pela educação em geral, e que a única alternativa
do educador é de seguir o planejamento escolar ‘à risca’”. Levantamos a hipótese ini-
cial por considerar que a desvalorização da educação e a questão da evasão escolar no
ensino noturno é um dos problemas mais evidentes na educação brasileira, posto que
a presença intermitente dos estudantes no ambiente escolar enfraquece os vínculos
necessários para uma boa educação e desenvolvimento, ao passo que coloca em xeque
o planejamento obrigatório da disciplina exigido pela Secretaria de Educação.Para te-
star a hipótese,definiu-se um espaço amostral por método não probabilístico, sendo
composta pelos alunos da Escola Estadual do Parque São Jorge dos anos de 2013 e
2014, especificamente do período noturno. Uma amostra secundária, a título de com-
paração, foi extraída do período diurno. Valemo-nos da análise estatística descritiva que
nos evidenciou uma tendência e perfil dos estudantes que se encontram em situação de
abandono escolar. Contudo, apenas os aspectos quantitativos não foram suficientes para
responder à realidade estudada. Por meio do trabalho de campo, coletou-se a percep-
ção de alunos em situação tendenciosa ao abandono. Dessa primeira etapa, comprovou-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 69


se que a hipótese inicial estava parcialmente correta. Observou-se que há uma situação
de evasão escolar preocupante na escola estudada e que ela segue a tendência brasileira.
Todavia, ela foi refutada pela segunda etapa: como o professor lida com essa situação.
Para a segunda etapa, observou-se que a prática didática adotada não é a de seguir es-
tritamente o conteúdo programático. Dada a situação de sala parcialmente vazia e de
alunos cuja frequência é intermitente, outros métodos precisavam ser utilizados para
o bom andamento do processo de ensino aprendizagem. Observou-se que a prática
do diálogo, aulas lúdicas ou que envolvam materiais midiáticos que os alunos tenham
acesso em outros horários se mostrou a alternativa mais adequada para manter as aulas
de sociologia fluindo. Assim, no processo de construção teórica da realidade social da
educação, e do ensino de sociologia, é que o PIBID contribui diretamente para a for-
mação do professor ao adiantar o choque/contato do estudante com a realidade escolar,
apresentando e preparando o futuro educador a como lidar com formas alternativas de
ensino quando a realidade educacional é de abandono e de ausência.

A IMPORTÂNCIA DA MEDIAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZA-


GEM: DISCUTINDO AS TEORIAS DE VYGOTSKY ACERCA DO ENSINO DE SO-
CIOLOGIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Anna Paula Ribeiro Maia - UNESP


Maria Valeria Barbosa Veríssimo - UNESP

O presente texto apresentará parte do trabalho desenvolvido pelo projeto PIBID/Socio-


logia/Marília, na Escola Estadual “Professor Baltazar Godoy de Moreira”, na cidade de
Marília – SP. Este trabalho ocorreu, por meio de atividades com alunos do primeiro ano
do Ensino Médio com base na Teoria Histórico-Cultural, durante as aulas de Sociologia,
no qual, foram utilizadas metodologias de ensino e materiais didáticos desenvolvidos
previamente pelo próprio grupo, e que servem como complemento aos Cadernos de
Sociologia da SEE/SP. Objetiva-se problematizar uma experiência em sala de aula que
nos permitiu pontuar o papel do professor como mediador e peça fundamental para a
potencialização da ZDP (Zona de Desenvolvimento Proximal) definido por Vigotsky,
em que se destaca a importância da atuação do professor na garantia da construção do
conhecimento científico como condição e alavanca do desenvolvimento humano. Para
a realização da atividade em sala, foi proposto que os alunos montassem um cartaz para
uma exposição, composto por uma charge sobre o período do Golpe Civil-Militar e
uma análise crítica acerca da referida charge, tendo como base um texto didático e
teórico desenvolvido pelo grupo sobre o período. A partir da concepção de Vygotsky
foi possível entender o conceito de aprendizagem mediada, que diz respeito à aquisição
de conhecimentos através de um elo entre o ser humano e o ambiente. Aplicando os
referidos conceitos à prática educacional, foi possível atribuir grande importância na
relação professor-aluno, colocando o professor como aquele que exerce o papel do
mediador mais importante, pois aproxima o aluno e o conteúdo trabalhado em sala de
aula. Ou seja, faz a ponte entre o conhecimento que será adquirido e o que o aluno já
conhece, colocando-o como capaz de descobrir e compreender novos conhecimentos.

70 | Anais do IV ENESEB
A atividade de análise crítica das charges nos possibilitou observar claramente a (ZDR)
Zona de Desenvolvimento Real e Proximal dos alunos. Além disso, essa atividade nos
proporcionou apropriarmo-nos, como alunos de graduação no processo de iniciação
à docência, do papel de mediação, auxiliando os alunos na construção do pensamento
mais elaborado, que posteriormente pôde ser objetivado nos diferentes materiais pro-
duzidos. A atividade de análise crítica expõe a apropriação de conceitos sociológicos e
a construção do pensamento abstrato dos alunos cuja atividade foi desenvolvida, bem
como a desnaturalização da realidade social em que vivem. Para nós, bolsistas do PIBID,
a atividade proporcionou uma oportunidade de apropriação do papel de mediador, a
fim de potencializarmos as Funções Psíquicas Superiores dos nossos alunos.

PIBID/MARÍLIA: O FOCO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR-PESQUISADOR

Letícia Bernal Martins - UNESP


Sueli Guadelupe de Lima Mendonça - UNESP

O trabalho tem como objetivo discutir o processo de formação dos graduandos e


futuros docentes e a contribuição do projeto PIBID em aperfeiçoar a formação dos
docentes. A discussão articula teorias estudadas nas disciplinas de licenciatura e nas
reuniões teóricas do projeto com as práticas pedagógicas e a vivência na escola, re-
fletindo sobre o papel do professor no ensino de Sociologia e sua importância dentro da
escola.O objetivo do ensino de Sociologia no ensino médio é oferecer ao jovem instru-
mentos teóricos para a desnaturalização e compreensão da realidade social, torna-se
necessário a presença de um professor de Sociologia que ministre as aulas com o olhar
crítico da sociedade, mas que adquira uma postura de cientista social dentro da escola.
As relações e conflitos sociais que acontecem dentro da instituição escolar devem ser
problematizados, além da própria escola. Essa função pode ser realizada pelo profes-
sor de Sociologia, sem se desvincular do cientista social, que pode fazer da escola seu
próprio campo de pesquisa, contribuindo para a melhoria da mesma.Os subgrupos -
separados pelas escolas quais atuamdentro do grupo do PIBID-Sociologia, compostos
de bolsistas graduandos, professor supervisor da rede pública e os professores da uni-
versidade - reúnem-se uma vez por semana para fazer relatos de suas experiências den-
tro da escola, programarem atividades para as turmas e fazerem estudos teóricos sobre
o ambiente escolar ou qualquer temática que os guie para a prática na sala de aula. Com
essa troca de conhecimentos e reflexões levantadas nas reuniões semanais, percebemos
o fim da dicotomia entre ensino prático e conhecimento teórico, já que os estudos
teóricos sobre o ambiente escolare criação de novas metodologias aproximam os alunos
dos conteúdos por meio de sua realidade, a partir de análise de cada turma e escola
do projeto. O aluno bolsista encontra uma proposta diferenciada de formação, com o
envolvimento do professor da universidade e professor da educação básica, em torno
de um mesmo objetivo: a formação do futuro professor, tendo como decorrência um
impacto na própria escola. Essa conformação proporciona uma melhoria qualitativa nas
atividades pedagógicas, criando uma relação mais profunda e ativa da universidade com
o ambiente escolar. O objetivo comum permeia a formação e vivências dos envolvidos,

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 71


dando-lhes uma perspectiva de articulação de teoria e prática, de ensino e pesquisa,
numa dimensão adequada ao trabalho escolar. Assim, esses professores de Sociologia,
em diferentes tempos de sua formação vislumbram, concretamente, a necessidade e
possibilidade da formação do professor pesquisador capaz de ensinar os conteúdos de
Sociologia ao mesmo tempo em que consegue desvendar as relações sociais na escola
e sua complexa rede de relações externas à instituição. Sendo assim, é possível analisar
como o PIBIDtem um papel transformador tanto para a escola quanto para a universi-
dade, na formação e aperfeiçoamento dos professores, pois, sua contribuição aproxima
o conteúdo teórico da realidade prática pedagógica, mas vão além delas ao analisar,
questionar e refletir sobre a escola e suas práticas pedagógicas, aproximando-as com
o conhecimento científico, transformando os alunos bolsistas e o professor supervisor
da escola pública em pesquisadores teóricos da instituição escolar e da educação,e o
professor da universidade com um elo com o cotidiano escolar, visando superar a di-
cotomização do ensino com a pesquisa, o estranhamento do papel do professor dentro
da instituição escolar e seu papel de professor reprodutor de uma ordem vigente, em
todos os níveis de ensino.

GÊNERO, RAÇA E ETNIA: REFLEXÕES SOBRE O PIBID PARA A FORMAÇÃO


DOCENTE EM CIÊNCIAS SOCIAIS NO BICO DO PAPAGAIO-TO

Sônia da Silva Marinho - UFT


Karina Almeida de Sousa - UFT
Cícera Poliana Alves de Sousa - UFT

Os debates sobre cidadania, direitos humanos e interculturalidade estão presentes na


contemporaneidade de modo essencial para a formação dos indivíduos visando a con-
strução de uma sociedade democrática. Esses temas estão relacionados a alteridade, ou
seja, a relação com o outro e a diversidade cultural. Os direitos humanos e a cidadania
são históricos e sociais, portanto, passíveis de mudança, logo, a expansão dos direitos
de cidadania a partir do reconhecimento dos direitos políticos, sociais, civis e culturais
dialoga com estas transformações. Deste modo, objetiva-se apresentar a experiência
do Programa de Bolsas de iniciação à docência-PIBID da área de Ciências Sociais, da
Universidade Federal do Tocantins, campus de Tocantinópolis. O PIBID tem atuado a
partir da perspectiva dos Estudos Pós-coloniais apontando para o debate sobre dife-
rença, sendo assim, tem orientado suas ações de formação junto aos seguintes eixos
temáticos:identidade de gênero, etnia, raça e regionalidade. O espaço de atuação (Bico
do Papagaio- localizado na região norte do Estado do Tocantins) caracteriza-se, primor-
dialmente, pela vulnerabilidade social e econômica. Busca-se, portanto, ao apresentar a
experiência de implementação do Programa refletir sobre as transformações que este
enseja, tanto como espaço de construção de conhecimento, quanto como espaço de
aprimoramento da formação de futuros Licenciados em Ciências Sociais. A implemen-
tação do Programa se pauta ainda no escopo legal que orienta o atual sistema de ensino
brasileiro- a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e as Diretrizes e Orientações Cur-
riculares para o Ensino Médio Nacionais e Estaduais. A pauperização associada a um

72 | Anais do IV ENESEB
processo educacional fragilizado, a escassez no atendimento a saúde e ainda a desarticu-
lação da sociedade civil, muitas vezes fruto das ações do próprio Estado, contribuem
para o desenho de um quadro de desconhecimento e desrespeito aos direitos humanos
e a cidadania. No plano formal os Direitos Humanos estão previstos, contudo, não se
efetivam plenamente, sendo necessário a articulação da sociedade civil para reivindicar
a garantia do que já está estabelecido na Constituição e nas Declarações Nacionais e
Internacionais. Nesse sentido, buscamos refletir sobre as possibilidades de implemen-
tação do PIBID no campo das Ciências Sociais, a partir de seu objetivo central de fo-
mento a iniciação à docência por meio da contribuição para melhoria da qualidade de
ensino dos/as licenciandos/as, a partir da vivência de todas as atividades relacionadas
ao ensino, e ainda para a melhoria das escolas públicas brasileiras, por meio do apoio
teórico-metodológico.

CONTRIBUIÇÕES DO PIBID SOCIOLOGIA/CIÊNCIAS SOCIAIS DA UNIVER-


SIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE
SOCIOLOGIA PARA EDUCAÇÃO BÁSICA

Francisco Xavier Freire Rodrigues - UFMT


Edilene da Cruz Silva - UFMT

O trabalho analisa as contribuições do PIBID Sociologia/Ciências Sociais da Universi-


dade Federal de Mato Grosso na formação de professores de Sociologia para Educação
Básica em Cuiabá/MT. O principal objetivo deste texto é problematizar o alcance e
as limitações que as concepções e práticas vigentes nas escolas públicas de educação
básica e instituições de nível superior formadoras de professores, por um lado, e os
fatores que influenciam o recrutamento para a carreira docente, por outro, podem
implicar para os objetivos do recente Programa de Bolsas de Iniciação à Docência –
PIBID – CAPES. Procura também contextualizar as diferentes perspectivas de for-
mação docente na educação brasileira. Busca entender o PIBID como um importante
mecanismo de melhoria na qualidade dos cursos de licenciatura em Ciências Sociais.
O referencial teórico adotado se fundamenta na sociologia da educação e nos estudos
sobre formação docente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que tem como técnicas
principais revisão bibliográfica, etnografia (realizada nas escolas de atuação do PIBID)
e entrevistas com bolsistas de Iniciação à Docência e bolsistas Supervisores. Conside-
rando que o Programa está inscrito num conjunto mais amplo de ações que visam
constituir uma política pública para a formação docente e a educação básica, a primeira
parte do artigo descreve os objetivos e princípios que dão sustentação à proposta. Na
segunda parte, o trabalho é dedicado ao balanço das repercussões das ações formativas
do PIBID Sociologia/Ciências Sociais da UFMT sobre licenciados bolsistas e não bolsis-
tas e à contextualização da experiência no quadro mais geral dessa licenciatura. Por fim,
à luz das experiências detalhadas na segunda parte, o artigo apresenta uma avaliação
de características atuais dos sistemas de ensino que podem obstar, caso não alteradas,
a consecução dos objetivos perseguidos pelo programa: promover o aperfeiçoamento
da formação e valorização da carreira docente, integrar a formação teórico-prática ao

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 73


currículo das licenciaturas com o recurso da inclusão das escolas como lócus de forma-
ção. Resultados preliminares indicam os participantes do PIBID Sociologia/Ciências
Sociais da UFMT reconhecem os efeitos positivos do programa na formação docente,
destacando a dimensão teórico-prática como relevante na definição da identidade do
professor de Sociologia, bem como na valorização desta ocupação em Cuiabá/MT. O
estreitamento da relação entre Universidade e Escola é apontado como um resultado
importante das atividades desenvolvidas no PIBID.

O USO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E DE COMUNICAÇÃO NAS


AULAS DE SOCIOLOGIA DA ESCOLA

Maria Luzia Erthal Mello - UFF / SEEDUC-RJ

Este trabalho busca refletir sobre o uso das chamadas TIC’s como ferramenta ped-
agógica para tornar as aulas de Sociologia, no Ensino Médio, mais atraente e como um
novo recurso para fazer uso de novospadrões de ensino, no qual o professor não mais
vai se apresentar com uma posição tradicionalista de único portador dos conteúdos
programáticos e sim, apontar um novo caminho estruturante de um novo discurso
pedagógico: o professor como promovedor do diálogo, da pesquisa e do debate, con-
struindo com o aluno a emancipação de ideias e novos caminhos no processo de forma-
ção. Ao apontarmos o uso das novas tecnologias em sala de aula como fator extrema-
mente positivo para o trabalho do professor de Sociologia da escola básica, entendemos
que as TIC’s podem servir como um recurso a mais no planejamento docente diário,
tornando as aulas do professor mais dinâmicas, objetivas, atraentes, claras, adequa-
das e coerentes com as necessidades demandadas pela Pós-Modernidadena tentativa
de atenuar o descompasso entre a escola e a sociedade. A pesquisa vem sendo realizada
desde 2014, em duas escolas básicas do estado do Rio de Janeiro, na cidade de Niterói.
No processo de investigação venho utilizando e observando as implicações do uso das
TIC’S em algumas turmas do Ensino Médio. Esse estudo conta com a participaçãode
seis alunos do curso de Licenciatura em Ciências Sociais, da Universidade Federal
Fluminense,bolsistas do Programa de Iniciação à Docência CAPES/PIBID/UFF e que
estão sob minha supervisão no desenvolvimento dessa proposta de trabalho. Os resul-
tados parciais dessa pesquisa apontam para os benefícios desta nova prática pedagógica,
operacionalizada pelos professores que estão atentos à necessidade dessa demanda no
cotidiano escolar. Na conjuntura atual em que se encontra a nossa sociedade, as tecno-
logias estão presentes em todo nosso cotidiano de forma irreversível, pois praticamente
não vivemos sem elas. A escola, enquanto espaço que escolariza, não pode ficar à mar-
gem desse processo, que clama para que todos os professores possam estar antenados
e preparados no sentido de educarnas mais diferentes linguagens os seus educandos,
objetivando a desnaturalização e o estranhamento da sociedade em que estão imersos.

74 | Anais do IV ENESEB
DESESTRUTURANDO A ESCOLA: UMA ANÁLISE CRÍTICA ACERCA DO PIBID
NO ESPAÇO ESCOLAR

Ana Letícia Costa Lins- UFC


José Valterdinan Mesquita Xavier - UFC

O presente artigo trata de um estudo sobre o PIBID em duas escolas regulares da rede
estadual de ensino médio, localizadas no município de Fortaleza - CE e, se propõe a
analisar as relações de poder dentro do ambiente escolar, a saber: professor x aluno;
pibidiano x supervisor; pibidiano x gestão. A metodologia utilizada é fundamentada em
algumas obras que versam sobre a temática do ensino de sociologia na educação básica
e no PIBID através de suas ações pedagógicas, como também a partir de uma leitura
dos escritos de Foucault e Bourdieu, tendo em vista a utilização desses autores para
fazermos uma análise da “violência simbólica” que os estudantes sofrem, e da função
que a escola possui para o desenvolvimento de uma consciência crítica e manutenção da
ordem social. Tal estudo tenta compreender o espaço que o pibidiano ocupa na escola,
levando em consideração a maneira como o mesmo é visto pelo corpo docente e pelos
alunos, lhe atribuindo assim uma identidade de “ser intermediário”, já que não se en-
caixa no tipos ideais construídos como “professor” e “aluno”. Isto nos faz refletir acerca
das intervenções propostas pelo programa, que faz “romper” com a estrutura da sala
de aula, entendendo “estrutura” em âmbitos tanto espaciais quanto simbólicos. Assim
sendo, compete-nos a tarefa de investigar como se dá as relações dentro deste ambi-
ente, como também tentar compreender as intervenções como ações lúdicas e de fun-
damental importância dentro de um espaço enquadrado por uma estrutura sólida que
parece não permitir o desenvolvimento pleno dos estudantes e dos professores – seja na
dimensão humana, seja na dimensão profissional. Desta forma, percebemos que apesar
da recente implementação do PIBID (2009), este já nos traz resultados significativos
na realidade escolar, uma vez que oferece aos estudantes em formação para a docência,
uma visão diferente da instituição que, através das atividades realizadas, faz com que
estes possam compreender e apreender a real dinâmica que os espera no magistério.

O PIBID INTERDISCIPLINARCOMO ESPAÇO DE DISPUTAS SIMBÓLICAS E A


FORMAÇÃO DO LICENCIANDO EM CIÊNCIAS SOCIAIS DA UFPEL

Ana Paula Ferreira D’Ávila - UFPEL


Gabriel Bandeira Coelho - UFPEL
Everton Garcia da Costa - UFPEL

Temos por objetivo, neste trabalho, problematizar o processo de interdisciplinaridade,


como prática e como produção de ciência na política pública denominada “Programa
Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência” (PIBID), a partir do projeto posto em
prática pela Universidade Federal de Pelotas, principalmente o PIBID humanidades,
em 2010. O PIBID II Humanidades, onde os autores desta investigação atuaram como
bolsistas, dentre os anos, de 2010 a 2012, o qual apresentavacomo foco central a pro-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 75


posta de trabalho interdisciplinar (BRASIL, 2010). Diante do exposto consideramos
os aspectos históricos e epistemológicos sobre o conceito de interdisciplinaridade e
como essa perspectiva fora proposta e desenvolvida no projeto da UFPel, tomando
como ponto de partida a teoria dos campos (sobretudo científico) de Pierre Bourdieu
que abarca as noções de campo, habitus, dentre outras. Sendo assim, optamos por de-
senvolver uma análise do campo do conhecimento cientifico procurando identificar,
através dos subcampos (disciplinas), as relações de poder que subjazem ao processo de
relação entre as diversas disciplinas que constituem o campo da ciência. Para tanto,a
metodologia utilizada para a observação de tal processo consiste na narrativa das ex-
periências dos autores que participaram do PIBID como bolsistas, no período de 2010
a 2012, além das análises das entrevistas semiestruturadas com questões abertas, feitas
a outros participantes do PIBID. Deste modo, problematizamos a dimensão da prática
disciplinar e suas principais características (fragmentação, linearidade, compartimen-
tação, etc.), bem como da prática interdisciplinar (sinergia, diálogo, interação, etc.) a
fim de compreendermos os reflexos da produção de conhecimento na formação dos
licenciandos em ciências sociais da Universidade Federal de Pelotas.

EDUCAÇÃO E REALIZAÇÃO DA AUTONOMIA: APONTAMENTOS SOBRE A


EXPERIÊNCIA NO PIBID SOCIOLOGIA

Douglas Michel Ribeiro Porto - PUCRS


Manoel Felipe Ferreira Rodrigues - PUCRS
Thais Marques de Santo - PUCRS

A educação escolarizada apresenta-se como um dos grandes desafios da contempora-


neidade. Os estudantes não se reconhecem na escola, não veem importância e aplica-
bilidade nos conteúdos apresentados; os professores são socialmente desvalorizados e
as extensas jornadas de trabalho levam à exaustação física, mental e à reprodução dos
planos de aula durante anos; e os licenciandos são constantemente desencorajados a
seguirem a carreira docente no Ensino Básico; configurando assim um processo de
decomposição da instituição escola. O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência (Pibid) é criado no intuito de promover uma relação de troca entre os profes-
sores nas escolas e os licenciandos, para que compartilhem suas práticas e teorias, quali-
ficando o fazer docente e, com isso, favorecendo o aprendizado dos estudantes. Nosso
estágio docente foi desenvolvido na Educação de Jovens e Adultos (EJA), no turno da
noite, em uma escola estadual localizada na zona leste de Porto Alegre, durante o se-
gundo semestre de 2012. A primeira atividade que desenvolvemos foi criar e aplicar um
instrumento socioantropológico para que conhecêssemos a realidade social e os anseios
dos educandos e assim orientar nossa prática pedagógica. Obtivemos 182 respostas
que estão analisadas neste artigo a partir da técnica de análise de discurso e de literatu-
ras que nos possibilitaram problematizar a educação (restrita e ampla): as pedagogias
críticas e emancipadoras de Paulo Freire e Miguel Arroyo; as reflexões propostas por
Theodor Adorno e Antonio Gramsci; e as análises de Cornelius Castoriadis para pensar
a educação dentro de um quadro social mais amplo, sendo potencialmente um meio

76 | Anais do IV ENESEB
para a realização da autonomia individual e coletiva. A experiência na escola e a reflexão
teórica evidenciaram que uma das principais contribuições dos discentes vinculados ao
Pibid Sociologia é de operarem enquanto mediadores entre os educandos, os educa-
dores e a escola, fomentando o reconhecimento e a socialização de diferentes saberes,
bem como propiciando momentos de reflexão e participação, a fim de contribuir para
a efetivação da escola como espaço de construção de democracia.

O PIBID COMO LABORATÓRIO PARA O ENSINO DE SOCIOLOGIA NAS ES-


COLAS

Franciele Rodrigues – UEL

Este ensaio apresentará as reflexões desenvolvidas por meio de pesquisa realizada du-
rante o ano de 2014 para trabalho de conclusão de curso (TCC) cujo objetivo foi ma-
pear e analisar quais os saberes estão sendo produzidos pelos subprojetos do PIBID
(Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) de Ciências Sociais nas dife-
rentes regiões brasileiras. Dessa forma, questionamos: Quais tipos de conhecimento
estão sendo criados pelo programa? Estes novos saberes são específicos e/ou pedagógi-
cos? Eles têm contribuído para o desenvolvimento da Sociologia enquanto disciplina es-
colar? Diante de tais indagações buscamos em um primeiro momento apresentar o que
é o PIBID, expor seus princípios pedagógicos a fim de situarmos os PIBID de Ciências
Sociais nesta iniciativa voltada à formação inicial de professores. Posto isso, almejamos
entender o que está estabelecido e é recorrente entre conteúdos e metodologias para a
área, embora saibamos que não existe um currículo nacional para o ensino de Sociolo-
gia na educação básica. Com isto, tivemos o propósito de verificar como o PIBID tem
inovado estes debates. Para tanto, nos debruçamos sobre diferentes modelos e concep-
ções de currículos no intento de compreender os diferentes significados da presença da
disciplina em divergentes períodos históricos. Recorremos também ao estudo de dois
documentos oficiais: PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) de 1999 e as OCN
(Orientações Curriculares Nacionais) de 2006. Observamos que tais propostas trazem
finalidades distintas para o ensino de Sociologia, sendo que o primeiro baseado em hab-
ilidades e competências traz a disciplina como tema transversal e enfatiza a necessidade
de conduzir o aluno ao exercício da cidadania. Já as OCN estabelecem que a Socio-
logia deva promover o estranhamento, isto é, capacitar os estudantes a desnaturalizar
os fenômenos sociais e levá-los a desmistificação da realidade social, que nas palavras
de Wright Mills (1982) corresponde ao desenvolvimento da “imaginação sociológica”.
Assim, para as OCN um dos desafios postos ao professor de Sociologia é a busca por
métodos que traduzam os conhecimentos científicos das Ciências Sociais em um saber
escolar com linguagem adequada para o ensino médio prezando pelo rigor e a objetivi-
dade e rompendo com a reprodução estratégias de ensino academicistas na educação
básica. Portanto, o documento atenta-se ao exercício da mediação pedagógica. Não
convergente, identificamos que o PIBID também surge com esta atenção do que e de
que forma ensinar, isto é, com a intenção de fornecer suporte a prática docente e criar
novos metodologias e recursos didáticos. Com baste neste entendimento, exploramos

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 77


blogs, caderno de resumos do III ENESEB (Encontro Nacional sobre o Ensino de So-
ciologia na Educação Básica) que ocorreu em 2013 na cidade de Fortaleza-CE e relatos
de experiência de bolsistas de iniciação à docência a fim de conhecermos atividades
realizadas e coletarmos materiais produzidos pelos subprojetos vinculados as seguintes
universidades: UFPA (Universidade Federal do Pará), UVA (Universidade Estadual do
Vale do Aracaú), UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), UFV (Universidade
Federal de Viçosa) e UEL (Universidade Estadual de Londrina). Posteriormente os
produtos encontrados como planos de aula, estratégias de ensino, materiais didáticos
diversos foram interpretados a luz da Sociologia do Conhecimento. Constatamos que
entre os cinco subprojetos analisados há proximidade na forma como organizam seus
trabalhos e suas ações acontecem, predominantemente, através da criação de produções
didático pedagógicas e bibliográficas. A partir disso, notamos que as intervenções nas
escolas entre os PIBID estudados contribuem para que os licenciandos atuem como
construtores de novos conhecimentos, o que, por sua vez, coopera para a formação de
um docente pesquisador e reflexivo a sua prática. Ademais, estes saberes têm subsidi-
ado e potencializado o ensino de Ciências Sociais no ensino médio além de impactar os
cursos de licenciatura neste campo.

CLUBE DE SOCIOLOGIA: UMA EXPERIÊNCIA PARA ALÉM DA SALA DE AULA

Katiuscia Vargas - UFJF


Raphael Gouvea Rompinelli - UFJF
Marcos Paulo de Ccastro Mello - UFJF
Pedro Jehle Gouvea - UFJF

O presente trabalho tem por objetivo relatar uma atividade extracurricular denomi-
nada “Clube de Sociologia” criada no âmbito do PIBID (Programa Institucional de Bolsa
de Iniciação à Docência) do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz
de Fora, financiado pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
superior). Esta tarefa vem sendo desenvolvida através de uma mutua parceria dos bol-
sistas do programa com alunos do ensino médio da Escola Estadual Antônio Carlos.Esse
trabalho foi motivado pela necessidade de aproximação de alunos do ensino médio com
a disciplina recém inserida nos currículos escolares.Somente pela Lei nº 11.684, de 02
de junho de 2008, que altera a LDB, a Sociologia tornou-se disciplina obrigatória no
currículo do ensino médio brasileiro (BRASIL, 2008). Com isso, a disciplina se apre-
senta como uma ferramenta importante no entendimento da nossa própria sociedade.
Segundo Bauman (2010), “[...] aprender a pensar com a Sociologia é uma forma de
compreender o mundo dos homens que também abre a possibilidade de pensá-lo de
maneiras diferentes” (BAUMAN, 2010, p. 17). A análise sociológica, que opera com
base na reflexão, proporciona aos alunos uma atividade questionadora, com o obje-
tivo de construir uma interpretação da sua vida em suas diversas esferas, seja cultural,
política e social. Para Meirelles, Raizer e Pereira (2007), a aprendizagem da disciplina
deve ocorrer através da conciliação entre teoria sociológica e as experiências dos alu-
nos, em busca de uma desnaturalização de noções socialmente constituídas. Essa prática

78 | Anais do IV ENESEB
fomenta uma maior participação dos alunos através do diálogo, dando o devido valor
a sua opinião ao mesmo tempo em que o induz a pensar criticamente junto aos con-
ceitos teóricos. Esse processo ajuda a construir uma consciência mais crítica, através
da compreensão de sua realidade social. Portanto, o Clube de Sociologia representa
um esforço em proporcionar, fora da sala de aula, uma aproximação entre a escola e a
sociedadeatravés das atividades desenvolvidas como: oficina de fotografia, exposições,
seminários, discussões sobre assuntos variados, grupo de leitura, entre outros. Desta
forma, o clube vem se empenhando na tentativa de aproximar a teoria sociológica
como cotidiano dos alunos que participam desta atividade.O projeto possui uma estru-
tura organizacional em que os próprios alunos planejam as atividades a serem realiza-
das, sempre com o suporte dos bolsistas, ocupando cargos como: direção, direção de
eventos, direção de comunicação, secretariado, além dos demais membros.O clube de
sociologia é, portanto, uma tentativa de inserir novas ideias através da interação social
dos alunos do ensino médio com alunos de graduação, criando um espaço fora da sala
de aula de investigação social, estabelecendo uma via de mão dupla de aprendizado ao
promover uma troca de experiênciasentre seus membros, com o intuito de enriquecer
o ensino da disciplina de sociologia.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 79


80 | Anais do IV ENESEB
GT2 – METODOLOGIAS E PRÁTICAS DE ENSINO DE
CIÊNCIAS SOCIAIS NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Coordenador: Rogerio Mendes de Lima (Colégio Pedro II – CP2)


E-mail: mendeslima@ibest.com.br
Vice-coordenadora: Fátima Ivone de Oliveira Ferreira (Colégio Pedro II – CP2)
E-mail de contato: fatimadeoliveira@uol.com.br

SESSÃO A – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

A PRÁTICA ETNOGRÁFICA NA ESCOLA MÉDIA: UMA PROPOSTA


METODOLÓGICA PARA A ABORDAGEM DE CULTURA NO ENSINO MÉDIO

Tatiane Oliveira de Carvalho Moura - Fundação Joaquim Nabuco (PE)


Anderson Duarte - Fundação Joaquim Nabuco (PE)
Patrícia Bandeira de Melo - Fundação Joaquim Nabuco (PE)

Em que medida é possível introduzir práticas de pesquisa no ensino médio? O objetivo


deste artigo é trazer uma proposta para utilização de metodologias e práticas didáticas
relacionadas com o tema da cultura no ensino médio. Essa ideia parte de duas experiên-
cias de pesquisa desenvolvidas no âmbito do Mestrado Profissional em Ciências Sociais
para o Ensino Médio, da Fundação Joaquim Nabuco. Ambas tratam de manifestações
culturais populares. Uma traz como pano de fundo a festa da Cavalgada à Pedra do Re-
ino e foi desenvolvida na cidade de São José do Belmonte, Pernambuco, onde se realiza
a festa. A outra aborda o oficio e as práticas dos Rezadores em Itapororoca, Paraíba.
Essas experiências permitem uma aproximação teórica, metodológica e didática para
o ensino de cultura, tendo por base a legislação vigente a respeito da sociologia e do
ensino médio. Do ponto de vista teórico, o trabalho mostra a diversidade do conceito
de cultura, esclarecendo que isso deve ser apresentado ao discente de maneira ampla.
A perspectiva adotada no nosso trabalho é a antropológica, uma vez que a cultura é
objeto de estudo da antropologia e as ciências sociais devem fazer parte do ensino de
sociologia no ensino médio (BRASIL, 2011). Entende-se que não há a intenção de for-
mar antropólogos, mas fazer uma escolha da abordagem do conceito de cultura entre
as várias possíveis dentro das ciências sociais. Tem-se por referencial Clifford Geertz
(2013), compreendendo que os educandos poderão enxergar a possibilidade de viven-
ciar o mundo por outras chaves, outras teias de significados. Do aspecto metodológico,
a abordagem que traremos procura aproximar metodologias da antropologia ao ensino
médio. A intenção é mostrar que, com a nossa proposta, o estudante poderá com-
preender melhor a ideia de cultura, colocando-se a observação participante e a elabora-
ção de diário de campo como exercício de estranhamento do familiar (VELHO, 1978).

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 81


A etnografia, enquanto método de pesquisa próprio da antropologia, requer um conhe-
cimento teórico prévio, como indica Malinowski (1976), para depois visitar o campo.
Dessa maneira, o antropólogo poderia apreender as vicissitudes da observação partici-
pante, não só fazendo mera descrição, mas atribuindo sentido às ações observadas. Sem
desmerecer a etnografia, a nossa intenção é de que se leve à sala de aula uma perspectiva
etnográfica básica, dado que os alunos de ensino médio não são antropólogos e, não
estando embasados na teoria antropológica, tampouco farão descrição densa a respeito
de objetos observados. Destarte, a perspectiva etnográfica como prática pedagógica,
após as aulas que abordem o tema cultura, poderá fazer com que o aluno enxergue o
mundo à sua volta de maneira estranhada e crítica. Didaticamente, é exposta no artigo
uma sequência didática (ZABALA, 1998), de modo a que a pesquisa de campo permita
ao aluno participar da práxis cultural a partir de experiências locais, como na festa da
Cavalgada ou com os rezadores, mas que podem se reproduzir em outros contextos. Da
legislação, podemos confirmar a possibilidade de utilização da pesquisa enquanto fer-
ramenta de ensino, prevista nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006).
Assim, em função da legislação e das diretrizes nacionais para o ensino médio, acredita-
mos que o artigo irá discutir uma proposta que atende ao objetivo da sociologia para a
formação do cidadão crítico e pensante. Finalizamos destacando que a ideia apresentada
é apenas uma alternativa possível para a abordagem didática do tema cultura no âmbito
da sociologia no ensino médio, mas que a inovação estimulou o engajamento dos edu-
candos às aulas da disciplina.

ENSINO DE CIÊNCIAS E INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM FIO SOCIOLÓGICO

Vanessa Mutti de Carvalho Miranda - IFBA

O presente trabalho pretende propor o ensino das ciências e a iniciação cientifica como
temática balizadora e introdutória para o contato inicial com o fazer científicodo es-
tudante ingresso na educação profissional técnica de nível médio. Diante das práticas
cotidianas em sala de aula, tem sido possível perceber dois fenômenos. Primeiro, o fato
de que existe, por parte do corpo discente, uma visão equivocada e menosprezadora
da elaboração da pesquisa escolar. O advento das tecnologias e o acesso às fontes de
internet tem criado um know-how para execução dessas atividades: a conhecida tarefa
de “copiar e colar”. As fontes pesquisadas não são fontes científicas; geralmente, os
estudantes optam por sítios de atividades escolares, wikis e blogs, que reproduzem con-
teúdos e recortes teóricos de outros sítios sem menção cientifica ou acadêmica. A tran-
scrição também se revela de forma amadora, sem a consideração das regras acadêmicas
e metodológicas. O segundo fenômeno se refere ao distanciamento entre a ciência e
as atividades e a rotina comum. A ciência é vista como algo inalcançável e restrito a
determinados grupos, personificados por pessoas de guarda-pós brancos e intelectuais
barbudos. Por outro lado, as exigências propostas pelo MEC, através das Diretrizes
Curriculares Nacionais da Educação Básica e dosPCNs, preconizam a pesquisa como
princípio pedagógico que possibilita o estudante se tornar protagonista na investiga-
ção e na busca de respostas em um processo autônomo de construção e reconstrução

82 | Anais do IV ENESEB
de conhecimentos. Sendo assim, considerando as exigências e os fenômenos repro-
duzidos nas salas de aula, citados anteriormente, a proposta desse trabalho é abordar
qualitativamente, através de pesquisa bibliográfica, em conformidade comLakatos e
Marconi (2003)e Lampazzo (2005), sobre o imprescindível fio sociológico que per-
mite ao estudante conhecer e compreender os matizes sociais, culturais e políticas que
originam o lugar diferenciado para as ciências, além de compreender e problematizar
a respeito do contexto histórico-social que é gerador e,ao mesmo tempo, fomentador
das demandas assumidas pelo fazer científico.Ao assumir criticamente que a ciência é
fruto do contexto social em que está inserida, aludindoà confluência de interesses e va-
lores históricos e sociais, o referencial teórico está fundamentado em Chalmers (1993,
1994), Adorno (1985, 1995) e Kuhn (1961, 2003).

A SOCIOLOGIA NO COLÉGIO PEDRO II: O TRIPÉ ENSINO, PESQUISA E


EXTENSÃO

Valéria Lopes Peçanha - Colégio Pedro II (RJ)


Natália Braga de Oliveira - Colégio Pedro II (RJ)

O trabalho realiza uma análise sobre a experiência das autoras no campus Niterói do
Colégio Pedro II, que, em uma trajetória recente ligada ao Departamento de Socio-
logia, têm buscado articular ensino, pesquisa e extensão visando a construção de um
pensamento crítico e autônomo do educando. Através da interdisciplinaridade (no
campo das Ciências Humanas e para além dela) e do estreito diálogo com os estu-
dantes e suas organizações (grêmio estudantil e coletivos de gênero), objetiva-se criar
uma relação pedagógica dinâmica que tem vivificado a comunidade escolar. Partindo
do pressuposto de que os alunos são sujeitos produtores de sentidos, conhecimentos
e práticas, buscamos em cada atividade pedagógica trabalhar com os interesses dos
discentes, aproximando a disciplina dos estudantes, fortalecendo o protagonismo es-
tudantil. Nesse trabalho, a Sociologia emerge como uma disciplina com força prática,
que acolhe necessidades, potencializa a ação dos sujeitos, recriando a dinâmica escolar.
Vale ressaltar que as possibilidades criadas no âmbito do Colégio Pedro II – tais como
projetos, editais e demais recursos – são apropriadas para a vivificação do pensamento
crítico na escola, fortalecendo o projeto de escola participativa e democrática, para
além do produtivismo expresso em metas educacionais e exames, que assola a educa-
ção brasileira. Os espaços dos laboratórios de humanidades, realidade cada vez mais
concreta no colégio, permitem a construção de projetos que ampliam a educação para
além da sala de aula, tais como atividades de extensão e iniciação científica jr. A pesquisa
na educação básica se mostra uma importante ferramenta na transformação da escola
em um espaço produtor de conhecimento, e por outro lado, faz com que o estudante
seja sujeito ativo nesse processo, fortalecendo sua autonomia. Os laboratórios tam-
bém são marcados pela interdisciplinaridade, permitindo um diálogo mais constante
das diferentes disciplinas que compõem o campo das humanidades, a saber: Filosofia,
Geografia, História, Português e Sociologia. Tal diálogo se apresenta como um facil-
itador na construção de sentido, pelos estudantes, dos programas disciplinares face à

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 83


realidade. Assim, o trabalho busca apresentar as diferentes metodologias que permeiam
a prática pedagógica do Laboratório de Humanidades (LabHum) do Campus Niterói,
tendo como foco principal a atuação da disciplina de Sociologia; e realizar uma análise
preliminar dos resultados obtidos até o momento.

METODOLOGIA DE ENSINO DE SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E


ADULTOS (EJA): PERCEPÇÕES DOS ATORES

Maria do Carmo da Silva Dias - UFPA


Jean Roberto Pacheco Pereira - UFPA
Cícero de Oliveira Pedrosa Neto - UFPA

O ensino/aprendizagem de sociologia voltado para aos alunos da Educação de Jovens


e Adultos (EJA) da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (EAUFPA),
depara-se com um público heterogêneo, uns muito jovens, inseridos de forma precária
no mercado de trabalho, com experiências negativas na relação com a escola e que
parecem se encontrarem em condições vulneráveis frente ao atual projeto societal que
não possuium “lugar” para eles e outros, já na idade adulta, trabalhadores, afastados da
escola por vários anos, com a qual mantiveram relações transitórias, que não dominam
de forma satisfatória a leitura e a escrita, sendo que em pleno século XXI, não podem
dispor dessas habilidades para se inserirem no mundo atual. Para essas pessoas a EJA
não tem apenas a função qualificadora, mas a função reparadora e equalizadora, como
explana Cury (2000). O que ensinar e como ensinar sociologia a esses estudantes? O
desafio consiste em contribuir para que aqueles alunos expressem o mundo em que
vivem, valorizem as suas historias de vida e as suas manifestações culturais, como tam-
bém, que não “banalizem” as contradições e injustiças do seu cotidiano. A compreensão
dessa realidade remete a pressupostos teóricos que os alunos da EJA devem ter acesso.
O desafio consiste em o “que” e “como” ensinar. Nela, a extensão, a interdisciplinari-
dade e a pesquisas despontam como orientações necessárias e imprescindíveis. A dis-
ciplina sociologia, na EJA trabalhada nos últimos anos dentro da Escola de Aplicação
da UFPA, parte do diálogo, da problematização da realidade objetiva, lançando mão da
teoria crítica, tentando reconstruir o entendimento da realidade em questão. A pes-
quisa, documental e de campo, é outra forma de percepção e interação com a realidade.
Os alunos constroem o projeto: escolhem o tema, respondem e debatem as perguntas:
por quê? Pra quem? Como? Onde? Ao fazerem isso estão elaborando de forma simples
e direta, o seu projeto de pesquisas. O resultado da ida em campo gera um relatório,
exposição de fotografias e uma peça de teatro, onde são os alunos que criam as falas,
lançando mão dos conhecimentos adquiridos em outras disciplinas e no seu cotidiano.
O que se percebeu foi que os alunos gostam dessa metodologia, se tornam mais ativos
e mais participativos nas aulas. Declaram que “é uma forma de todos os alunos falarem
o que sabem, exporem o que aprenderam”. Os alunos se tornam os protagonistas, os
atores principais dentro do processo de ensino e aprendizagem da disciplina Sociologia.
Dessa forma, este trabalho se propõe a apresentar as metodologias de ensino da discip-
lina sociologia e a percepção destas por alunos do EJA, considerando o seu aprendiza-

84 | Anais do IV ENESEB
do, bem como a percepção de professores e estagiários da disciplina sociologia. Este
trabalho é resultado parcial do projeto do Laboratório Interdisciplinar para o Ensino de
Sociologia na Educação Básica – LIS/EAUFPA, que há três anos pesquisa e experimenta
metodologias e recursos didáticos, para o ensino de sociologia na educação básica.

POLLAK E O CONCEITO DE MEMÓRIA: DO REALISMO FANTÁSTICO COMO


RECURSO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

Rafael Ginane Bezerra - UFPR


Richard Roch Jr. - UFPR

As OCN, no capítulo sobre o ensino de Sociologia, formalizaram os objetivos da discip-


lina no currículo da educação básica através das noções de estranhamento e de desnatu-
ralização. Procedimentos compatíveis com aquela conduta pautada pela reflexividade,
eles demandam um trabalho didático que ultrapassa o domínio do vocabulário con-
ceitual e sua aplicação à realidade empírica. Eles demandam que esse vocabulário seja
associado a situações que façam sentido para os alunos. Respeitando esse pressuposto e
seguindo orientações metodológicas construídas a partir das obras da antropóloga Mi-
chèle Petit, foram desenvolvidos planos de aula que têm como elemento central a lei-
tura coletiva de textos literários acompanhada de problematização através de conceitos
sociológicos. No presente trabalho relatamos a experiência realizada com esses planos
no âmbito das disciplinas de Metodologia e Prática de Ensino do curso de Ciências So-
ciais da Universidade Federal do Paraná. A experiência, desenvolvida ao longo de 2014,
em diferentes turmas de ensino médio do Colégio Estadual Pedro Macedo, recorreu
ao conto / curta metragem “Rogelio”, do escritor e roteirista mexicano GuilhermoAr-
riaga, para possibilitar o trabalho com o conceito de “memória coletiva” de Michael
Pollak. A escolha de “Rogelio” deu-se pelo fato de que a trama contempla o gênero do
realismo fantástico.Ela gira em torno de um homem que releva sua morte e sai às ruas
no intuito de continuar a vida da maneira usual, refém de uma insônia incomum de-
rivada do apego às memórias obtidas em vida.Os alunos foram convidados a assistir ao
curta sem receber orientações a respeito do seu conteúdo. Em seguida foram estimula-
dos a manifestar suas opiniões e indagados a respeito das possíveis origens da narrativa.
Uma vez obtida a sua adesão ao diálogo, revelamos que essa origem deriva de um conto
que não ultrapassa uma pequena página. Impressionados pelo fato de um texto tão
pequeno originar uma narrativa tão rica em possibilidades, eles começam a explorar os
seus prováveis sentidos. Nesse momento, o aspecto mais importante da metodologia se
manifesta: a narrativa serve como um elemento objetivo sobre o qual os alunos proje-
tam suas subjetividades. Através da metáfora do “morto que continua vivo”, os alunos
acabam evocando uma série de ideias e considerações sobre situações conhecidas que
dizem respeito ao campo da memória. Uma vez atingida essa identificação, percebe-se
que há um sentido compartilhado por eles para que a discussão conceitual tenha início.
Na experiência aqui relatada, além do conceito proposto por Pollak, exploramos a
situação de grupos sociais que não são celebrados midiaticamente e procuramos refle-
tir sobre os motivos dessa condição de aparente invisibilidade. Por fim, detalhamos as

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 85


estratégias utilizadas para viabilizar a leitura coletiva e tecemos considerações sobre os
seus limites e possibilidades.

SOCIOLOGIA E INTERDISCIPLINARIDADE: A EXPERIÊNCIA RECENTE DA


CIDADE DE ARMAÇÃO DOS BÚZIOS

Bianca Ghiggino - INEFI / IFRJ


Flávia Vidal Magalhães - Colégio Municipal Paulo Freire/Colégio Estadual Cinamomo
Luisa Barbosa Pereira - Colégio Municipal Paulo Freire/Colégio Estadual João de
Oliveira Botas

O presente estudo pretende analisar a inserção da Sociologia – suas práticas dentro de


sala, o currículo que a estrutura e suas possibilidades interdisciplinares - numa proposta
de matriz integrada e interdisciplinar para as Ciências Humanas, elaborada pelo mu-
nicípio de Armação dos Búzios-RJ para o Ensino Médio. Tal matriz, que tem como base
as competências e habilidades dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN e PCN+)
e da Matriz de Referência do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), foi construí-
da como forma de garantir uma maior integração temática, que pudesse tanto trazer
avanços ao processo ensino-aprendizagem e tornar a aprendizagem mais significativa,
quanto aproximar a escola da realidade do município e dos estudantes. Nesse sentido,
objetivamos com este trabalho compreender o lugar e a potencialidade da Sociologia
nesta nova matriz integrada. As metodologias e práticas de ensino na educação básica
ainda são marcadas por uma profunda divisão do trabalho intelectual, fragmentação do
conhecimento e pela excessiva predominância das especializações. Na escola, as discip-
linas pouco dialogam e, quando isso ocorre, muitas vezes o que temos é a justaposição
de informações de diferentes áreas, na esperança de que o coletivo amplie a compreen-
são do todo. Nesse sentido, a interdisciplinaridade é um grande desafio para a prática
docente. Ao propor o diálogo com os diferentes campos da ciências, fazendo entender
o saber como um todo e não partes (FAZENDA, 1994), a proposta interdisciplinar
procura romper com a tendência fragmentadora e desarticulada do processo do conhe-
cimento. E ainda toma como proposta, a necessidade de interação dos saberes disciplin-
ares, de forma a não eliminar suas diferentes potencialidades (Pombo, 2004). Atentas
a essas questões do âmbito teórico, defendemos que a Sociologia pode vir a cumprir
um papel fundamental no processo de construção de uma proposta interdisciplinar,
conectando os diferentes conteúdos à realidade social e valorizando a interlocução com
as outras disciplinas, conforme a proposição das Orientações Curriculares Nacionais
para o Ensino Médio (OCNEM). Dessa forma, o presente trabalho pretende contribuir
com reflexões presentes e futuras sobre as potencialidades da Sociologia numa proposta
de matriz integrada e na prática docente propriamente dita, bem como compartilhar a
experiência que vem sendo desenvolvida na cidade de Armação dos Búzios-RJ.

86 | Anais do IV ENESEB
A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA NAS ESCOLAS
ESTADUAIS BAIANAS

Thaís Macedo Lopes - UESB


Nubia Regina Moreira - UESB
Rainan Marques Santos Andrade - UESB

A partir da recente aprovação da Lei 11.684 em Julho de 2008, quealterou o art. 36


da LDBEN, reintroduzindo a sociologia como disciplina obrigatória no ensino médio,
estimulou o interesse por pesquisas, dentre outros temas, que tratem das metodologias
da prática docente na prática de ensino de sociologia na escola básica.Dessa forma, são
muitos os desafios didáticos-metodológicos a serem superadosna construção de um
conhecimento escolar em sociologia. Assim, neste trabalho analisamosas práticas dos
educadores que ministram a disciplina de sociologia nos três anos do ensino médio a
partir do referencial da pedagogia histórico-criticacom objetivo de perceber de que
forma o conhecimento sociológico é transmitido.Apresentaremos resultados iniciais
proveniente de investigação empírica, realizada por meio de observação da prática de
professores das escolas estaduais situadas em Vitória da Conquista, BA. Nessa investiga-
ção buscamos analisar algumas questões, como: o educador consegue fazer a mediação
entre conhecimento cientifico para conhecimento escolar? Como se realiza o plane-
jamento de ensino, seleção de conteúdos e avaliação da aprendizagem?Qual o livro
didático de sociologia disponibilizado pelo governo nas escolas estaduais de Vitória da
Conquista, Bahia? O docente consegue fazer uma interdisciplinaridade entre os saberes
sociológicos e os demais saberes escolares, tal como a literatura, português, história,
geografia e biologia?O conhecimento sociológico é ensinado de forma contextualizada
ou fragmentada? Qual o perfil do docente de sociologia no ensino médio?A pesquisa
é incentivada dentro do meio escolar pelo docente? Esse profissional possui formação
em Ciências Sociais ou é licenciado em outra área? Qual a importância dada a disci-
plina de sociologia na instituição escolar? Com base nessa investigação encontramos
algumas tendências metodológicas e práticas diversificadas. Dessa forma, esperamos
que o nosso trabalho seja relevante na construção de um patrimônio comum do ensino
de sociologia nas escolas baianas e que sirva de instrumento norteador para os novos
professores de sociologia.

O ENSINO DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO NO INSTITUTO


FEDERAL DE MATO GROSSO

Christiany Regina Fonseca - IFMT

Este trabalho descreve e analisa algumas experiências nas aulas de Sociologia no Ensino
Médio no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), em Cuiabá-MT, tendo em vista a
estrutura diferenciada e as modalidades de ensino ofertadas por esta instituição, sendo
predominante o Ensino Médio Integrado, estrutura no qual temos cursos de ensino
médio integrado à educação profissional técnica de nível médio. Nesse sentido, trata-se

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 87


de uma investigação que tem por objetivo identificar e entender as diferentes experiên-
cias do ensino de sociologia no IFMT, no período de 2011-2014 (pós-aprovação da lei
11.684/2008). Pretende-se fazer uma abordagem que tem como foco a organização
da disciplina na grade curricular escolar, o material didático utilizado, as estratégias
de utilização deste material, os recursos didático-pedagógicos, o perfil do professor de
Sociologia e a receptividade dos alunos quanto aos conteúdos da referida disciplina. O
referencial teórico-metodológico tem como base a literatura nacional acerca da insti-
tucionalização do ensino de Sociologia no Brasil (Florestan Fernandes, Simone Meucci,
Nise Jinking) e os estudos contemporâneos sobre as particularidades e desafios atuais
do ensino de Sociologia(Flavio Sarandy, Pacheco Filho, Marival Coan). Utiliza-se como
técnicas revisão bibliográfica, entrevistas, análise documental e análise de conteúdo.
Em 2008, no Brasil, foi regulamentada a lei 11.684/2008, que rege a obrigatoriedade
da disciplina de Sociologia em todas as séries do Ensino Médio. No IFMT quanto à
regularidade da disciplina em todos os anos do ensino médio, há uma maior consonân-
cia com a lei. No entanto, ainda se tem professores de outras áreas, como de pedagogia
e história ministrando essas aulas na rede pública federal. No IFMT, até o ano de 2011,
não havia material didático de Sociologia, no qual, cada professor da área, era quem
deveria organizar um material para trabalhar em sala de aula, ao longo do ano letivo. Já
no ano de 2012, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) passou a subsidiar o
trabalho pedagógico dos professores de Sociologia por meio da distribuição de coleções
de livros didáticos aos alunos da educação básica, tendo, até o momento, a instituição
já feito duas escolhas do respectivo material, sendo a primeira em 2011, para utiliza-
ção em 2012 e a segunda escolha em 2014, para utilização a partir de 2015. Quanto à
receptividade dos alunos ao conteúdo de Sociologia, o mesmo vem se apresentando de
forma positiva. Percebe-se uma preocupação com o aprendizado deste conteúdo, visan-
do à resolução de questões de Sociologia nos diversos vestibulares e no ENEM (Exame
Nacional do Ensino-Médio) como apontado em nossas pesquisas e também a preocu-
pação de uma disciplina que possa contribuir com esse aluno enquanto um formador
de opinião, no entanto, temos dificuldades e enfretamentos já que a carga horária das
disciplinas da área técnica são maiores do que as disciplinas da grade básica do Ensino
Médio e em especial a da disciplina de Sociologia ministrada somente uma vez por se-
mana, o que muitas vezes faz com que o aluno possa não dar a mesma importância para
a mesma. Nesse sentido, as estratégias de ensino, de modo a alavancar a importância da
disciplina na atual estrutura, são feitas pelas docentes da instituição tanto no formato de
suas aulas e na construção de atração ao conteúdo, como na utilização do material e na
interlocução da nossa área com as outras áreas de conhecimento tanto da base comum
como do ensino técnico. Nesse sentido, ainda pautamos desafios em nosso espaço de
trabalho no sentido de garantir a formação integral da mesma, bem como fortalecer
os espaços para o fortalecimento e legitimação de nossa disciplina no Ensino Médio.

88 | Anais do IV ENESEB
JOGOS ELETRÔNICOS E O ENSINO DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO

Romero Jasku Bastos - SEEDUC/RJ

Em “Not for profit: why democracy needs the humanities”, a filósofa norte-americana
Martha Nussbaum sustenta que os “sistemas democráticos não sobrevivem sem o es-
tímulo à imaginação e ao pensamento crítico”, faculdades que, de acordo com ela, são
desenvolvidas sobretudo pelas humanidades. Nussbaum, no entanto, rejeita qualquer
abordagem meramente pragmática ou instrumental do ensino e do aprendizado das hu-
manidades. “Acredito que as habilidades desenvolvidas pelas humanidades, pensamento
crítico e imaginação, são constitutivos da boa cidadania, parte do que significa ser um
bom cidadão; e não apenas meios para se chegar à boa cidadania”. Buscando contribuir
para esse debate, o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre metodologias e
práticas de ensino de Sociologia no Ensino Médio que incorporam a análise e a inter-
pretação da narrativa de jogos eletrônicos de maneira crítica. Há algum tempo os jogos
eletrônicos deixaram de ser encarados apenas como uma diversão de crianças e ado-
lescentes, tornando-se não apenas um negócio que movimenta bilhões em dinheiro em
todo o mundo, mas também um objeto de estudo que, não obstante, suscita diferentes
visões entre teóricos que se debruçam sobre o assunto na atualidade. Enquanto alguns
desses teóricos enxergam nos jogos eletrônicos um caminho possível para apreender a
lógica subjacente às relações sociais do mundo contemporâneo, além de um campo fér-
til para fomentar o questionamento da ideologia própria do capitalismo tardio, outros
preferem ressaltar o papel funcional e propriamente ideológico que os jogos eletrôni-
cos desempenham no tocante ao conjunto das relações de dominação social, mostran-
do-se, assim, mais céticos quanto ao possível caráter crítico e utópico desse tipo de
mídia. Nas aulas de Sociologia, as discussões em torno dessa questão crucial – isto é,
se, no campo da cultura que lhes é próprio, os jogos eletrônicos apontam na direção
de um horizonte de emancipação ou se, ao contrário, não passam de mais uma técnica
ilusionista e alienante engendrada pela indústria cultura e de massa – acontecem por
intermédio da leitura crítica de jogos eletrônicos com as ferramentas e instrumentos
próprios das Ciências Sociais. Com efeito, o que está em jogo não é apenas fomentar a
imaginação e o pensamento crítico entre alunos, mas mostra-los que essas faculdades
extrapolam o campo da ciência em geral (e da ciência da sociedade em particular) e
abrangem também o campo das artes, da cidadania, do mercado, da economia etc. Isso
significa que a importância da Sociologia (pensada aqui como parte da grande área das
humanidades) não se resume às expectativas do Estado face ao ensino dessa disciplina,
dizendo respeito às necessidades mais fundamentais daqueles que vivem em sociedade
e têm a necessidade de criar algo novo que ultrapasse o horizonte do imediato e do
meramente útil. Pensando dessa maneira, é possível estabelecer um rico diálogo com o
campo das artes, aqui representado pelos jogos eletrônicos.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 89


EDUCAÇÃO CIENTÍFICA, PESQUISA E INTERDISCIPLINARIDADE: DESAFIOS E
POSSIBILIDADES NA PRÁTICA DO ENSINO-APRENDIZAGEM DE SOCIOLOGIA
NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Bianca Ruskowski- IFSUL


Juliana Ben Brizola da Silva - E.E.Ensino Médio Politécnico Roque Gonzáles

Após três anos da obrigatoriedade do ensino de sociologia no ensino médio, vê-se um


aumento significativo de materiais didático-pedagógicos e propostas formativas para a
qualificação da disciplina na educação básica. Neste sentido, alguns desafios surgem no
percurso de implementação e sedimentação das propostas curriculares. Este texto tem
por objetivo propor algumas reflexões, a partir da experiência em sala de aula em esco-
las estadual e federal do Rio Grande do Sul. As experiências aqui apresentadas apontam
caminhos para a construção de uma sociologia no ensino médio que seja capaz de aliar
teoria e prática, instrumentalizando os e as jovens para o desenvolvimento de habi-
lidades e competências voltadas à compreensão de seu lugar no mundo. No entanto,
algumas tensões se apresentam no contexto escolar no que tange ao risco em transfor-
mar a disciplina de sociologia numa caixa fechada de conhecimentos. A pesquisa cientí-
fica, quando trabalhada de maneira sistemática, como princípio didático-pedagógico
tem o potencial de colocar o e a estudante no centro do processo de construção do
conhecimento e ao torná-los participantes ativos nesta construção do saber a própria
disciplina emerge como eixo fundamental para o trabalho interdisciplinar, escapando
do encapsulamento institucional. Neste sentido, este texto se propõe a dialogar com as
abordagens de pesquisa na escola de Marcos Bagno (2005) e Maria Otilia Guimarães
Ninin (2008). Bagno defende que o educador e a educadora, ao trabalharem a pesquisa
em sala de aula, devem se dedicar a “ensinar a aprender”, criando possibilidades para
que os e as jovens acessem e confrontem as fontes de conhecimento desenvolvendo
um olhar crítico a partir desta experiência. Ninin chama a atenção para o papel da
atividade de pesquisa como instrumento-resultado, no qual o processo é tão ou mais
importante que o resultado final. Daí o importante papel do educador e da educadora
como mediadores deste conhecimento, capazes de desenvolver nos e nas estudantes a
autonomia tão necessária à pesquisa. Os resultados obtidos em sala de aula expressam
a validade destes pressupostos e trazem à tona um debate importante a ser realizado
entre os profissionais sobre as propostas que vem sendo desenvolvidas em sala de aula
e os conteúdos abordados na sociologia na educação básica.

EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS NO ENSINO MÉDIO: CONSTRUINDO


METODOLOGIAS

Cristiano P. Corrêa-UEL

Esta exposição pretende compartilhar experiências didáticas de professores de socio-


logia do Ensino Médio da rede pública de Londrina e de estudantes de ciências sociais,
materializadas através de publicações que reúnem relatos de experiência, organizados

90 | Anais do IV ENESEB
pelo LENPES-UEL. Estes volumes são fruto de práticas e demandas que professores de
sociologia desenvolveram em suas atividades docentes, procurando desdobrar diversos
assuntos relacionados ao ensino de sociologia, buscando transformar conceitos, teor-
ias e temas em conhecimento, lançando as bases para o processo de abstração. Assim
sendo, a reunião destes materiais, pretende contribuir para a superação de carências
de metodologias, que possam auxiliar professores e alunos no desdobramento de suas
atividades profissionais. As aproximações que contingenciam professores da rede de en-
sino, alunos e a própria instituição, ampliam-se a outras iniciativas como, por exemplo,
o projeto OBEDUC2 , que entre outros desdobramentos, está organizando e execu-
tando, em parceria com o LEMPES e PIBID das ciências Sociais, um censo do Ensino
Médio na microrregião de Londrina. Estas abordagens buscam também visualizar os
indicativos metodológicos presentes nesta etapa do Ensino Básico, promovendo a inte-
gração entre ensino e pesquisa. Um dos indicadores que esta pesquisa procura desven-
dar relaciona-se, por exemplo, com os indicativos presentes nas Diretrizes Curriculares
da Educação Básica do Estado do Paraná, que convidam os professores a guiarem-se
pela Pedagogia Histórico Crítica e seus passos na construção de atividades didáticas,
evidenciando a alinhamento histórico com vertentes de cunho marxista, emergindo
questões que permeiam a construção dos currículos e sua relação com políticas pública.
Deste modo, estes relatos, que congregam práticas docentes e enfrentamentos didáti-
cos, dispõem-se a dialogar, a partir, de projetos de extensão e ensino, com as neces-
sidades presentes no contexto do Ensino Médio, indicando possibilidades e direções de
forma conjunta.

CINEMA E SOCIOLOGIA: CRÍTICA E DESCOLONIZAÇÃO DA IMAGEM

Clarissa Tagliari Santos - Colégio Pedro II (RJ)

O presente trabalho pretende trazer as contribuições de algumas teorias sobre cinema


para o ensino de Sociologia. As interfaces possíveis entre o conhecimento e os métodos
sociológicos/antropológicos e o cinema passam pela análise crítica das imagens, os es-
tudos sobre diversidade cultural e a construção de narrativas. Sendo assim, as aproxi-
mações com teorias críticas da imagem e da cultura são elementos que fazem convergir,
no campo teórico, o cinema e a sociologia. Na dimensão prática, as proposta de como
“fazer cinema” e a construção do objeto a ser filmado possuem afinidades eletivas com a
própria forma de “fazer sociologia”.Neste trabalho, portanto, apresentaremos diálogos
que temos explorado entre Cinema (em particular o documentário) e Ciências Sociais
a partir do projeto de documentário feito com alunos no Colégio Pedro II, do Rio de
Janeiro. As propostas do documentarista Eduardo Coutinho e do crítico/cineasta Jean-
Louis Comolli serão aqui analisadas como pertinentes para se fazer cinema na escola.
Ambos destacam a subjetividade do olhar cinematográfico, embora com métodos e
visões diferentes de se conceber o cinema-documentário. O primeiro dá lugar central
ao cinema como a “escuta do outro”, um encontro entre aquele que filma e o objeto fil-
mado (é sempre, pois, uma intervenção). Para Comolli, o documentário requer um en-
gajamento no mundo e se realiza apenas “sob o risco do real”, atravessado pelas incerte-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 91


zas da experiência de filmar e da própria realidade: daí a impossibilidade do roteiro.
As referências dos estudos pós-coloniais/decoloniais na análise crítica das imagens e da
prática cinematográfica também tem se tornado um campo de interface interessante
neste diálogo. Sendo assim, as referências de Robert Stam e Ella Shohat são igualmente
fundamentais, assim como a proposta de pedagogia decolonial, de Catharine Walsh. Por
fim, apresentaremos a metodologia elaborada com base nas teorias utilizadas a partir do
projeto de documentário sobre a Copa do Mundo no Brasil, com um grupo de alunos
da unidade Humaitá II, do Colégio Pedro II. Apresentaremos o desenvolvimento do
processo e os resultados preliminares da confecção do documentário, sugerindo ainda
pontos de encontro entre o fazer sociológico e a experiência fílmica.

METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS NO ENSINO DA SOCIOLOGIA

Ytallo Kassio Franco de Souza - UNAMA

A Universidade da Amazônia-UNAMA, juntamente com a Coordenação de Aper-


feiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), executa o Programa Institucional de
Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) que realiza através do Curso de Ciências Sociais o
Projeto Sociologia com Arte, que tem por objetivo executar metodologias participati-
vas para o ensino da Sociologia. Este projeto utiliza manifestações da cultura paraense,
como músicas, jogos, dinâmicas e ações que envolvem o cotidiano dos alunos, recursos
didáticos que ajudam na compreensão de conceitos sociológicos. O Projeto Sociologia
com arte é realizado no 8º e 9º ano, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria
Luiza Pinto Amaral, localizada no Município de Belém-Pará, teve seu início em abril de
2014 e o projeto está em funcionamento até o presente momento. Como aluno bolsista
PIBID/UNAMA do Curso de Ciências Sociais faço parte da equipe responsável pela
elaboração dessas metodologias participativas. As metodologias participativas aplica-
das neste projeto compreendem os alunos como sujeitos culturais heterogêneos. São
utilizadas como uma prática de ensino que tem por finalidade criar medidas educacio-
nais para fortalecer a identidade cultural dos alunos. Partindo desse pressuposto este
trabalho pretende alcançar os seguintes objetivos: - Identificar modalidades didáticas
necessárias para constituir as estratégias de ensino-aprendizagem na disciplina de So-
ciologia que contribuam para a o fortalecimento da identidade cultural. - Estudar os
pressupostos teóricos do uso das Metodologias participativas no processo de ensino-
aprendizagem para fortalecer a identidade cultural dos alunos. - Discutir a aplicação de
metodologias participativas no ensino de Sociologia no Ensino Fundamental para for-
talecer a identidade cultural dos alunos. Na Educação Básica quando os educadores uti-
lizam métodos de ensino pautados na pedagogia tradicional, desconsideram os aspectos
heterogêneos de toda uma classe social. Tornando o ensino mecanicista e reforçando
valores sociais e culturais baseados em uma classe dominante. Segundo Pierre Bour-
dieu (1992, p.35), “...a escola impõe um arbítrio cultural, socialmente discriminatório,
produz um processo de homogeneização cultural...”. Partindo desta análise quando a
metodologia tradicional é aplicada, a escola valoriza e ensina a educação do grupo social
com maior poder cultural. Nesta perspectiva, o autor compreende que “na sociedade

92 | Anais do IV ENESEB
de classes, a legitimação de um arbitrário cultural corresponde a força da classe social
que o sustenta, o arbitrário impõe uma cultura legítima, valores culturais legitima-
dos pela classe dominante” (BOURDIEU, 1992, p.22). Contrapondo ao pensamento
de Bourdieu (1992), Antonio Gramsci (1982) nos remete a possibilidade da formação
de um pensamento crítico da realidade através de uma intervenção pedagógica. Para
Gramsci (1982, p.131),“...na medida em quer o professor é consciente dos contrastes
entre o tipo de sociedade e de cultura que ele representa e o tipo de sociedade repre-
sentado pelos alunos...”, o professor torna-se um “intelectual orgânico”, pois reflete
sobre sua atuação no meio didático e assume o compromisso de transformação social
e cultural. As metodologias participativas no ensino da Sociologia desenvolvem ativi-
dades de forma metódica e sistemática, que ajudam no fortalecimento da identidade
cultural dos alunos, servindo como um instrumento didático contra processo homo-
geneização cultural imposto pela classe dominante, o desenvolvimento da mesma no
espaço escolar poderá produzir nos alunos a compreensão de si como sujeitos culturais,
históricos e sociais de sua cultura.

UM OLHAR SOBRE OS DIREITOS HUMANOS

Marcos Machado Duarte - Escola Estadual de Ensino Médio Padre Reus / Supervisor
PIBID - UFRGS

O ensino de Sociologia na Educação Básica tem como objetivo propiciar espaços para
que ocorram atividades voltadas para a investigação e compreensão da realidade social
e do cotidiano dos alunos. Buscando sempre desenvolver o imaginário sociológico dos
estudantes (Mills, 1972) e produzir o estranhamento de a desnaturalização do universo
aparente (PCNs). O objetivo deste projeto é desafiar o estudante do Ensino Médio a
colocar-se frente à produção de conhecimento a partir da interpretação de fenôme-
nos sociais que dizem respeito aos Direitos Humanos, podendo assim, construir uma
percepção cidadã da realidade vivenciada. O projeto é dividido em cinco momentos.
1) Compreensão das abordagens sociológicas que atravessam as diferentes temáticas
dos Direitos Humanos. 2) Construção de um recorte da realidade social através da
produção de uma fotografia que registre o momento onde um ou mais Direitos Huma-
nos estão sendo atendidos ou negados. 3) Apresentação para a turma e a realização de
um debate sobre os recortes problematizados. 4) Produção de textos síntese do debate
e dos estudos realizados. 5) Seleção dos trabalhos para compor um livro onde fique
registrado os principais trabalhos produzidos ao longo do projeto e para que o conhe-
cimento produzido possa ser compartilhado com toda a comunidade escolar. Durante
o desenvolvimento do projeto foi debatido diferentes questões acerca da condição dos
indivíduos frente a desigualdade. Os estudantes demonstraram muita capacidade de es-
tranhar práticas e condições sociais que passavam despercebidas antes de se colocarem
o desafio de observar seu cotidiano. Entendemos que ao longo de todo o projeto foi
possível dar concretude as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos
estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação em maio de 2012. Compreender o
desenvolvimento histórico dos Direitos Humanos e como essas ideias são debatidas na

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 93


atualidade é um passo importante na construção de indivíduos reflexivos e conscientes
do seu espaço e de sua possibilidade de intervenção na realidade social.

SESSÃO B – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

DA ONDE VC VEM? OS LUGARES E EXPERIÊNCIAS DOS ALUNOS DE


SOCIOLOGIA DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE CURITIBA

Simone Meucci - UFPR


Carlos Favoretto - UFPR

Esta comunicação apresentará resultados de uma Oficina de Sociologia realizada pelo


PIBID-UFPR-Ciências Sociais com alunos do ensino médio de uma escola da periferia
de Curitiba. A Oficina, nomeada ‘De onde vc veio?”, foi desenvolvida para discutir os
‘lugares’ de origem dos alunos como ‘lugares sociais’. Para isso, a vivência local dos
alunos foi organizada segundo três eixos temáticos: trabalho (o que as pessoas fazem?),
política (quem - e como - decide sobre o lugar onde moro?) e cultura (o que as pes-
soas sentem, gostam, acreditam?). Os trabalhos ocorreram em encontros semanais e, a
cada sessão, lançamos mão de diferentes ferramentas de análise: música, fotos, filmes,
vídeos, textos literários, mapas, questionários e entrevistas. As categorias que, ao fi-
nal, orientaram as reflexões dos três eixos foram as seguintes: identidade, alteridade e
desigualdade social.

MÍDIA E EDUCAÇÃO: REFLETINDO COM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO


OS SENTIDOS DA TECNOLOGIA ATRAVÉS DA PRODUÇÃO DE VÍDEOS

Carla Georgea Silva Ferreira - IFPI

O presente trabalho é fruto das experiências desenvolvidas nas aulas da disciplina de


Sociologia no IFPI- Campus Uruçuí, quando trabalhamos o tema “A sociedade tec-
nológica”. O debate sobre os avanços tecnológicos e a utilização deles na sociedade con-
temporânea é um dos temas que desperta grande interesse entre os alunos, pois pos-
sibilita uma interlocução entre teoria e prática. A abordagem teórica de autores como
McLuhan (1969), Giddens (2012) e Castells (1999) ajuda os alunos a compreenderem
o processo e as consequências do avanço tecnológico em nossa sociedade e, por outro
lado, os permite visualizar esses avanços nos diversos aparelhos e mídias as quais eles
têm acesso, como: computadores, samrtfones, tabletes, internet, vídeos dentre outros.
Mas, é a possibilidade de utilizar efetivamente esses recursos no processo de ensino e
aprendizagem que chama mais atenção dos alunos.O estudo teve como objetivo anal-
isar o desenvolvimento de uma atividade realizada para disciplina Sociologia, intitulada
Vídeo – Seminário. A referida tarefa tinha por objetivo aguçar o olhar dos estudantes

94 | Anais do IV ENESEB
para a utilização da tecnologia como instrumento de problematização da realidade so-
cial e despertá-los para a inserção de mídias e tecnologias no processo de ensino-apren-
dizagem. A turma produziu vídeos nos quais os grupos enfocaram a relação tecnologia
– sociedade, utilizando situações e personagens reais para retratar a forma como lidados
e vivemos com a tecnologia. Utilizamos na pesquisa a abordagem qualitativa por meio
de pesquisa-ação. As técnicas utilizadas compreenderam: a divisão dos alunos do 4º Ano
Curso Técnico em Agroindústria e 4º Ano Curso Técnico em Agropecuária em grupos,
foram sorteados entre os grupos subtemas relacionados aos avanços tecnológicos e, por
fim, feita a análise dos vídeos produzidos em conversas entre os alunos e professora.
Nas produções dos jovens notou-se a presença de situações e preocupações cotidianas
que envolvem o uso da tecnologia. O acesso precoce de crianças à internet e às redes
sociais como facebook, whatsApp, o choque geracional entre os usuários da tecnologia
e, principalmente, a dificuldade de socialização dos adolescentes e jovens por causa das
redes sociais foram os temas mais abordados. Assim, podemos apontar como aspectos
positivos da atividade: a possibilidade de apropriarem-se dos conteúdos ministrados
de forma teórica e pratica; a oportunidade que os alunos tiveram de sair dos muros da
escola, conversar com pessoas da comunidade, perceber as opiniões sobre os temas e
exercitar a participação no processo de construção e avaliação dos trabalhos. Embora
a escola em alguns casos veja os recursos tecnológicos como inimigos no processo de
ensino - aprendizagem é possível perceber que eles estão cada vez mais presentes no
dia a dia dos jovens. Assim ao pensar a sociedade tecnológica, segundo Belloni (2005)
não podemos perder de vista que a escola é um espaço privilegiado de socialização e de
produção de conhecimento, sendo assim ela precisa atentar para necessidade de uma
aprendizagem contextualizada que seja capaz de fazer a apropriação das mídias e tecno-
logias de forma consciente e criativa. Neste sentido, faz-se necessário que o professor
encampe o desafio de promover a integração entre prática pedagógica e utilização das
tecnologias possibilitando aos discentes a oportunidade de se expressem através de
novos códigos e linguagens e que os aproxime de suas realidades.

A UTILIZACAO DEHISTÓRIAS EM QUADRINHOS NAS AULAS DE SOCIOLOGIA


NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Anélia Silvestre - UFMT


Francisco Xavier Freire Rodrigues - UFMT

Este trabalho discute as histórias em quadrinhos como recurso didático-pedagógico.


O objetivo é apresentar a utilização das histórias em quadrinhos como um recurso
didático nas aulas de sociologiana educação básica. Trata-se de um relato de experiên-
cias de preparação e desenvolvimento de aulas no Programa Institucional de Iniciação
à Docência (PIBID), subprojeto Sociologia/Ciências Sociais da Universidade Federal
de Mato Grosso. Dado que os processos de socialização dos alunos na sociedadecon-
temporânea são dentro de uma cultura fortemente visual, nesse aspecto a utilização
de um recuso linguístico e visual pode trazer os estudantes para uma discussão sobre a
sociedade e apresentar novas reflexões a respeito do mundo social em que estão inseri-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 95


dos. Assim como outros elementos, a produção e reprodução dessas imagens também
fazem parte de uma indústria que opera no campo cultural, a qual se designa “indústria
cultural”, um conceito formulado pelos frankfurtianos por volta de década de 1940.
A discussão em torno do surgimento de uma nova forma de expressão cultural a “de
massa” difundida através dos meios tecnológicos se polariza. Entre os autores que se
posicionavam contra a massificação da cultura está Adorno e Horkheimer que acredi-
tavam na dependência da cultura submetida às técnicas industriais, e a perspectiva de
Benjamin e Kracauer afirmando que essa nova forma de expressão cultural era positiva,
pois apresentava um caráter democrático através dos meios em que eram difundidas. A
discussão sobre a indústria cultural avança em consequência do desenvolvimento dos
meios de comunicação intitulados de “massa” (TV, cinema, rádio). Nosso entendimento
e de que as historias em quadrinhos são expressões da industrial cultural. Utilizar as
histórias em quadrinhos como recurso didático auxilia o processo de ensino, pois, seu
conteúdo aborda uma diversidade de temas, a junção da imagem e do texto propor-
ciona um melhor entendimento do conteúdo abordado, não há rejeição por parte dos
alunos sobre as histórias em quadrinhos, entre outros motivos. Dentro desta perspec-
tiva, percebe-se que o impedimento pedagógico que se tinha a respeito das histórias
em quadrinhos vem sendo destruído ao longo dos tempos e que a sua utilização pode
dinamizar e motivar os alunos e melhor o processo ensino e de aprendizagem. Consid-
eramos exitosa a tarefa que realizamos por meio da elaboração e montagem de aulas de
Sociologia que teve como recurso didático as historias em quadrinhos, pois os alunos
entenderam melhor os conteúdos trabalhados.

FOTOGRAFIA E EDUCAÇÃO: UMA BREVE DISCUSSÃO SOBRE A FOTOGRAFIA


COMO FERRAMENTA DE APRENDIZADO DA SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO
BÁSICA

Luísa Toledo Barbosa - UFJF


Katiuscia C. Vargas Antunes - UFJF

Diante do crescimento da tecnologia, o mundo ganhou nova dinâmica frente à criação


de modernos aparelhamentos tecnológicos. Nossa sociedade passou a ser regida con-
forme a velocidade das novas mídias, carregadas, principalmente, de imagens. Vivemos
num período em que as imagens são fortemente presentes em nossas vidas, sejam elas
para retratar situações como as notícias do cotidiano ou a troca de conversas via re-
des sociais. A consagração e ampliação das ferramentas de transmissão de informações
como a internet nos proporcionou maior facilidade na busca por informação. Entre
as novas possibilidades pelo qual as mídias veem se utilizando para repassar as infor-
mações, podemos perceber o crescimento do potencial que as imagens estão sendo
divulgadas com variados fins. Há na atualidade uma real valorização das imagens para
retratar inúmeros acontecimentos, isso pode ser verificado também nas redes de rela-
cionamento dado o aumento de aplicativos na internet que visam à utilização de foto-
grafias e vídeos nas interações cibernéticas. As imagens podem nos levar a questionar
de que forma elas podem nos afetar e de que maneira podem vir a ser usadas como, por

96 | Anais do IV ENESEB
exemplo, o papel de informar, educar etc. A partir dessa discussão sobre a fotografia
como ferramenta para diversos fins, pretendemos levantar questionamentos sobre a
relação que a imagem pode apresentar dentro do campo da educação. Um dos pontos a
se questionar seria de que forma a fotografia poderia ser trabalhada em conjunto com a
educação de maneira a contribuir para o processo ensinoaprendizagem dos estudantes.
Com base nesses questionamentos, realizamos um estudo de campo no intuito de ob-
servar uma atividade de oficina de fotografia para alunos do Ensino Médio. A oficina é
uma atividade proporcionada pelo Clube de Sociologia de uma escola pública da Rede
Estadual de Educação do município de Juiz de Fora/MG. A criação do Clube de Socio-
logia é uma das iniciativas do projeto de Iniciação à docência – PIBID, ligado à Licen-
ciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. A proposta
da oficina de fotografia foi oferecer aos alunos um novo olhar sobre a disciplina de
sociologia, de forma a aumentar as estratégias de ensino da matéria de modo a fazer
com que o aluno repense a disciplina por intermédio da fotografia. Para a oficina os
estudantes optaram pelo tema sobre tribos urbanas a fim de construir suas fotografias
e fazer uma exposição no colégio com essas imagens. A partir desse tema a oficina con-
tou com a ajuda de profissionais da área que promoveram palestras sobre a temática e
aula/exposição sobre como tirar fotos. De acordo com Susan Sontag (2004), podemos
conferir às imagens um relato da realidade e de nos posicionar no mundo, sendo que as
imagens também apresentam como característica a de informar. Outro autor impor-
tante na área da fotografia, Philippe Dubois (2012), ressalta o papel da fotografia como
uma nova ferramenta de apreensão do mundo. Sobre a educação há um crescimento
na discussão sobre as novas formas de pensar sobre educação, como ilustra Pierre Lévi
(2010) ao pensar a educação juntamente com a tecnologia. No campo do ensino de
sociologia, Ileizi Fiorelli Silva (2007) nos mostra os desafios enfrentados pela disciplina
até a sua consolidação no campo da educação básica. Com o relato dos alunos podemos
fomentar a análise sobre o efeito que essa oficina de fotografia os proporcionou e de
que maneira essa estratégia metodológica despertou novo olhar sobre a disciplina de
sociologia.

PENSANDO CAMINHOS PARA O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM


DE SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA. PRESSUPOSTOS DA TEORIA
HISTÓRICO-CULTURAL

Maria Valéria Barbosa - UNESP/Marília


Matheus Bortoleto Rodrigues - UNESP/Marília

O presente trabalho é resultado de pesquisa realizada pelo grupo Pibid/Ciências Soci-


ais de Marília, no âmbito da sua atuação em escolas de rede pública estadual de ensino,
bem como, da reflexão teórica fundamentada na concepção da Teoria Histórico-Cul-
tural. A pesquisa encontra-se em andamento e tem como objetivo o desenvolvimento
de atividades didático-pedagógicas para o ensino de Sociologia com estudantes do En-
sino Médio. O fio condutor do trabalho pauta-se pela compreensão de que a apropria-
ção de conceitos a partir das ações objetivas dos seres humanos — neste caso os estu-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 97


dantes — é fundamental para o processo de uma educação desenvolvente, e, portanto,
propulsora do desenvolvimento humano. A partir deste pressuposto organiza-se um
conjunto de atividades que proporcione alcançar estes objetivos e a Teoria da Atividade
de Leontiev é a que se mostra mais adequada no desdobramento prático-pedagógico
em sala de aula. Procede-se, sempre, criando uma situação problema que é apresentada
aos estudantes; quando necessário utiliza-se instrumentos lúdicos para sensibilizá-los
para a temática ou para mediação de algum conhecimento mais complexo; pede-se para
que os estudantes demostrem o conhecimento que possuem sobre a situação problema;
relaciona-se esse conhecimento com o conjunto de outros dados fornecidos por eles —
trechos de músicas; filmes que assistiram; situações do cotidiano, dentro outros — e
o professor, como mediador mais experiente, vai inter-relacionando com o conteúdo
sociológico que precisa ser apreendido. Ao final os estudantes precisam ser capazes
de expressar, sobretudo de forma escrita, os novos conhecimentos que os conceitos
sociológicos lhes proporcionaram. O outro ponto interessante, deste procedimento é a
interação do conteúdo ministrado com a realidade dos estudantes, esse elemento se fez
necessário, pois propicia sentido em relação aquilo que está sendo aprendido e facilita
o processo de ensino-aprendizagem ao aproximar a linguagem científica da realidade
imediata de cada um dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. O grupo
vem alcançando bons resultados no processo de ensino aprendizagem e na apropria-
ção e objetivação do conhecimento por parte dos estudantes do ensino médio. Porém,
longe de propor uma metodologia de ensino-aprendizagem finalizada, traz novos el-
ementos, caminhos que merecem ser traçados por meio de uma pesquisa de maior
amplitude. Também tem possibilitado problematizar a importância e a possibilidade de
uma formação integral dos estudantes do ensino médio nas escolas públicas paulistas, o
que vem evidenciando que, só é possível a desnaturalização da realidade social mediante
e a apropriação conceitual dos conhecimentos acumulados histórica e socialmente pelas
Ciências Sociais e com o envolvido dos sujeitos no processo educativo.

A SOCIOLOGIA BRASILEIRA VAI À ESCOLA

Maira Graciela Daniel - Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha

Este trabalho tem como objetivo apresentar e discutir a inserção da sociologia brasileira
na programa curricular do ensino médio. A proposta já está em andamento e se de-
senvolve com alunos do segundo ano em um contexto de escola técnica, a Fundação
Liberato Salzano Vieira da Cunha, localizada em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.
Ao longo do ano serão apresentados aos alunos autores,considerados clássicos, dentro
da sociologia brasileira, como: Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Roberto
Damatta e Florestan Fernandes. A metodologia do trabalho desenvolvida envolve lei-
tura de trechos de obras dos autores acima citados, a saber, Casa-grande e senzala,
Raízes do Brasil, Carnavais, Malandros e heróis e A Revolução burguesa no Brasil, re-
spectivamente. Ocorrerão também, aulas expositivas e, ainda, seminários em torno
da discussão do processo de formação da sociedade brasileira. Nas raízes formativas
da sociedade brasileira, encontram-se desenvolvidos processos sócios históricos que

98 | Anais do IV ENESEB
obstruíram a constituição de uma esfera pública, da democracia e cidadania. O Estado
brasileiro constitui-se permeado de valores como autoritarismo, patrimonialismo, pa-
ternalismo, e existe a impossibilidade de separação entre esfera pública e privada. Isso
se expressa através de uma longa tradição autoritária evidenciando um constante pro-
cesso de dualidade entre, por um lado, práticas sociais e políticas de caráter patrimoni-
alistas e, por outro, uma formalidade jurídica e institucional, de certa forma compatível
com a de uma moderna sociedade democrática. Portanto, a importância desse tipo
de trabalho está em que, ao final do ano, o aluno será capaz de compreender o desen-
volvimento da sociologia no Brasil. Poderá, também, identificar as etapas desse desen-
volvimento relacionando-as com as transformações do panorama político, cultural e
econômico do país e, ainda, conhecer as obras de referência da sociologia no Brasil.E,
principalmente, poderá compreender as características do processo de formação do
Estado e da sociedade brasileira através de um olharcrítico e reflexivo.

PENSANDO AS PRÁTICAS DO ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

Rubia Machado de Oliveira - UFSM


Juliana Franchi da Silva - UFSM
Jerfferson Paim Luquini- UFSM

O presente trabalho visa apresentar considerações referentes a metodologia e as prati-


cas de ensino de Ciências Sociais na Educação Básica a partir de elementos observados
nas aulas de Sociologia da Professora Mara Miranda, na Instituição de ensino Estadual
Olavo Bilac, Santa Maria, RS. O objetivo é contribuir com as reflexões relacionadas
as praticas que vem sendo utilizadas pelos professores de Sociologia/Ciências Sociais
no cotidiano das escolas brasileiras, apresentando as experiências metodológicas ob-
servadas na disciplina de Sociologia. Nesse sentido apontar alternativas metodológicas
para a prática de ensino para a disciplina de Sociologia. Os elementos para a realiza-
ção deste trabalho são fruto de observações realizadas entre 2011 e 2013 nas aulas de
Sociologia da professora a qual nos referimos anteriormente. Para a realização desta
pesquisa valemo-nos do método etnográfico, atuando junto à escola, mais especifica-
mente, observando as aulas de Sociologia. O que se pretende por meio da apresentação
das diferentes metodologias e estratégias postas em práticas pela professora com a sua
turma de alunos no ensino médio é construir um debate sobre as estratégias de ensino e
formas mais pedagógicas de apresentar as ciências sociais aos estudantes de maneira que
a disciplina se torne atrativa e chame a atenção dos alunos para a importância do con-
hecimento Sociológico, Antropológico e Político. Portanto, sendo a “qualidade docente
a marca maior de uma boa escola e, consequentemente, de uma boa aprendizagem dos
alunos”, Pedro Demo (2011, p.44). Temos que considerar, quando se trata de ensino, a
qualificação metodológica e pedagógica do professor e desta forma as trocas de infor-
mações referentes às diferentes metodologias e estratégias de ensino vêm a contribuir
para que o professor aperfeiçoe suas metodologias de ensino.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 99


CONTRARIANDO O FATO SOCIAL: BALANÇO DE UMA PROPOSTA
PEDAGÓGICA DE INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO

José Amaral Cordeiro Junior - Colégio Pedro II (RJ)

Este trabalho consiste em uma proposta de introdução à sociologia no ensino mé-


dio, apresentada ao Programa de Residência Docente do Colégio Pedro II em 2012.
Em nossas aulas na educação básica, sugerimos aos alunos um experimento em que
desobedeçam alguma norma escolar com o propósito de refletir sobre o fato social e a
construção do objeto de estudo da sociologia.Nossos pressupostos teóricos foram os
objetivos cognitivos e as preocupações pedagógicas expressos nas Orientações Cur-
riculares Nacionais (Brasil, 2006), assim como a provocação intelectual “imaginação
sociológica”, do sociólogo norte-americano Charles Whright Mills (1959). Elaboramos
uma sequência didática de modo a introduzir nossos estudantes de ensino médio a uma
perspectiva holista da sociologia: a de Émile Durkheim (1895). Nossos objetivos eram
que (i) os alunos estranhassem e desnaturalizassem o cotidiano do seu espaço escolar,
(ii) problematizassem a leitura individualista das relações sociais e (iii) reconhecessem
e aplicassem o fazer científico da sociologia. Abordamos o conceito de fato social e o
processo de socialização, com ênfase no período escolar, através de aulas expositivas e
do largo uso de filmes que provocassem discussões sobre o cotidiano da instituição em
que se inseriam. Propusemos, então, que os estudantes realizassem um experimento
prático: a desobediência deliberada e controlada de uma norma escolar escolhida por
eles para que provocassem a coerção de certas “maneiras de agir, sentir e pensar”. Com
a finalidade de observar-vivenciando os efeitos coercivos do fato social, elaboramos
previamente um roteiro de realização do trabalho e o apresentamos aos alunos. Por fim,
como avaliação, produziram-se relatórios escritos que procuravam relacionar o experi-
mento aos conceitos estudados em sala de aula. Em nossa apresentação, analisaremos as
dificuldades e os resultados de nossa sequência didática, que teve de vencer inúmeras
resistências para ser aplicada e, por vezes, foi fadada ao fracasso, tendo sua realização
impedida. Em um exercício de reflexividade sobre nossa própria prática docente, com-
pararemos, ainda, dois momentos distintos de aplicação da mesma sequência didática.

ESTRATÉGIAS DE ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO E METODOLOGIAS


DE PROBLEMATIZAÇÃO/COMPREENSÃO NO ENSINO DA SOCIOLOGIA

Josemi Medeiros da Cunha - UFRN


Jeremias Alves de Araújo e Silva - UFRN
Irene Alves de Paiva - UFRN

A presente comunicação propõe algumas reflexões sobre algumas experiências do-


centes que vem sendo operacionalizadas na rede pública de ensino do Estado do Rio
Grande do Norte nos últimos três anos a partir da utilização de metodologias que
valorizam a problematização a partir da inter-relação dos conhecimentos, a organização
de momentos de estudo, a compreensão e a elaboração de propostas de intervenção

100 | Anais do IV ENESEB


em situações-problemas no Ensino Médio. As experiências têm se dado segundo a uti-
lização de três modelos de organização do ensino/conhecimento ou metodologias: a
esfera da existência humana (SEVERINO, 1994), os três momentos do conhecimento:
concreto, abstrato e concreto pensado (MARX, 1990), e a árvore do diagnostico ou
problema (ARMANI, 2004). A primeira metodologia consiste na esfera da existência
humana, apresentada como elemento problematizador de uma determinada situação/
fenômeno social estudado em sala de aula, consiste em uma reflexão que problematiza
e explica a inter-relação entre as práticas produtiva (do trabalho), social (politica) e
simbolizadora (cultural) nas sociedades humanas. Tomando a proposta da esfera e da
inter-relação entre as suas práticas como ponto de partida, os alunos são convidados a
refletir sobre temas escolhidos no planejamento da aula, e mobilizar os conhecimentos
da sociologia de maneira relacionada a cada prática, como por exemplo os conceitos
de identidades e ideologia são discutidos e relacionados a prática simbolizadora, os
conceitos de trabalho e mais-valia relacionados a prática produtiva, e os conceitos de
poder e status relacionados a prática social ou política. A ideia é discutir os temas ou
contextos, com base nos conhecimentos estudados em sala de aula, e na esfera, conside-
rando-os como multidimensionais e inter-relacionados, como por exemplo o estudo
sobre a situação de rua no Brasil, a partir dos conceitos de estratificação e exclusão
social, e das suas dimensões cultural, política e do trabalho. Posteriormente todos os
conceitos são inter-relacionados (ou a articulação entre as dimensões das esferas são
retomadas) para discutir as realidades de maneira mais ampla e multidimensional. A
ideia é que os alunos possam utilizar os conceitos como lentes interpretativas e a esfera
como mais um “mecanismo” de compreensão sobre os temas estudados. A segunda se
dá na organização de três momentos do conhecimento (concreto-abstrato-concreto
pensado) em sala de aula. A ideia é que os estudantes compreendam a importância de
sistematizar ou de estabelecer critérios para o estudo dos conhecimentos da sociologia,
tomando as realidades ou temas propostos como ponto de partida(concreto), identifi-
cando os conceitos e teorias que poderão ser mobilizados para refletir sobre os temas
(abstrato), e elaborando reflexões/explicações sobre os temas por meio do debate ou
da escrita (concreto pensado). Estes momentos têm motivado a dialogicidade nas aulas
(FREIRE, 1996), a elaboração e orientação de pesquisas, a produção textual, a orga-
nização das questões de provas e as suas correções. A terceira, a Árvore do diagnostico
ou analise da problemática, consiste em uma proposta de reflexão que toma a imagem
de uma árvore e a localização de seus três momentos (raiz do problema, tronco do
problema e copa do problema) como elementos de debate e reflexão sobre as possíveis
motivações e consequências de questões ou problemas sociais, bem como a elaboração
de propostas de intervenção com base no diagnóstico (como apresentado nos textos
dissertativos-argumentativos). A ideia é utilizar esses recursos como estratégias do es-
tudo da Sociologia, considerando-os como instrumentos que possam ser adquiridos
pelos estudantes, incentivando suas autonomias na busca pelo conhecimento, a partir
da problematização, organização do conhecimento, analise de possíveis causas e conse-
quências dos fatos estudados e a produção textual como estratégias do conhecimento,
destacando as práticas do estranhamento e da desnaturalização, como momentos do
ensino e da aprendizagem.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 101


OS CLÁSSICOS NO PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO? DO CONCEITO
BÁSICO AOS TEMAS – COMEÇANDO COM DURKHEIM

Diego Fernandes Dias Severo - IFF (Alegrete/ RS)

Este trabalho pretende apresentar e discutir uma forma de introdução da Sociologia


para os alunos ingressantes no ensino médio. O ensino médio no Brasil sofre com
uma crise de identidade, reformulação curricular, integração técnica, muitas são as
questões, aqui busco problematizar minha prática docente em cursos integrados ao
ensino técnico de agropecuária e informática. Apresentar a disciplina com os clássi-
cos parece exagero e corre o risco de cair no “conteudismo”, porém ao iniciar sobre
as imposições sociais sobre o indivíduo, desde o colocar o brinco nas meninas até o
ritual masculino à iniciação sexual na adolescência, os alunos vão criando expectativas
e questões para o andamento da disciplina. No avanço do conteúdo, saindo de Dur-
kheim e saltando para Weber, onde a oposição metodológica e de objeto é radical, urge
análises dos discentes: “mas professor, como assim, é óbvio que a realidade impõe e nós
só obedecemos”; questionamentos de validade, atualidade e veracidade perpassam e
fazem esquentar as relações entre sociedade e indivíduo, contradições, no entanto são
recorrentes, tais como: “então na solidariedade mecânica o todo impõe regras e todos
cumprem, sociedade tradicional, tal como o tradicionalismo gaúcho! Quem não obe-
dece sofre penas pesadas”, de certa forma o pensamento anda em comunhão, contudo
cabe aí um cuidado metodológico e social. Partindo desses questionamentos o acesso a
temas polêmicos como reforma agrária, homossexualismo, feminismo fica mais fácil,
sem o risco imediato de rejeição, e coloca em diálogo perspectivas sociais presentes no
cotidiano dos discentes que os relacionam com o “tijolo do social” sobre si, no vácuo
criado de sua reflexão, o discente passa a entender as transformações e imaginar formas
outras de sociedade daquela onde está inserido. Nesse sentido, pretendo aqui discutir
como, a partir de Durkheim, a Sociologia clássica se torna mais didática, apresentando
por meio dos conceitos do autor, fato social, solidariedade mecânica e orgânica, ano-
mia, suicídio, que a teoria se torna visível.

A PESQUISA NAS AULAS DE SOCIOLOGIA DO ENSINO MÉDIO: ENTRE


RELATOS E POSSIBILIDADES

Liliam Camilo Sousa Holanda - Fundação Joaquim Nabuco


André de Queiroz Pereira - Fundação Joaquim Nabuco
Wilson Fusco - Fundação Joaquim Nabuco

As discussões acerca do ensino com pesquisa na literatura educacional possuem uma


longa trajetória marcada por variadas propostas, nas quais o professor é sempre uma
figura de destaque. Quando o tema é a relação entre ensino e pesquisa, o foco do debate
transita por diversos posicionamentos, como os que argumentam que a atividade de
ensinar exige habilidades distintas da atividade de pesquisar, ou aqueles que defendem
a pesquisa como elemento essencial no trabalho docente, dentre outros. A prática de

102 | Anais do IV ENESEB


pesquisa dos alunos do ensino médio, em geral, está voltada principalmente ao acesso
à Internet e ao “copiar-colar” dos conteúdos dos sites, ou seja, uma pesquisa voltada
à coleta de informações e/ou dados, sem preocupação com o exercício da reflexão
crítica. Faz-se necessário, entretanto, uma pesquisa que crie e amplie a capacidade de
questionamento, aguce a curiosidade científica, leve a construção de argumentos e que
permita aos alunos assumir um papel ativo no seu processo de aprendizagem. Esse
jeito de utilizar a pesquisa encontra eco em boa parte dos documentos que norteiam o
ensino médio, dentre eles: LDB, DCN, OCN, PSA PE e Pacto pelo fortalecimento do
ensino médio, bem como no trabalho de diversos autores especializados no tema. As
Ciências Sociais possuem um acúmulo de pesquisas empíricas que informam caminhos
e metodologias a serem perseguidos e que podem dar ao ensino de Sociologia no nível
médio um novo impulso. Neste trabalho será apresentada uma proposta de utilização da
pesquisa como ferramenta de ensino de Sociologia no nível médio em duas dimensões
complementares: uma de espectro mais geral, tratando conceitualmente da pesquisa,
sua caracterização para algumas disciplinas no nível de ensino em referência e a vivência
do docente quanto à questão em foco; e outra mais específica, tratando da aplicação
prática de uma pesquisa social, seu método de utilização e seus efeitos na realidade.
Para desenvolver a primeira parte, o estudo da pesquisa de forma mais geral no ensino
médio, serão utilizados os resultados de uma pesquisa de campo qualitativa entre pro-
fessores de diversas áreas do conhecimento de escolas estaduais de Petrolina-PE, com
vistas a captar como eles vivenciam e compreendem a pesquisa em sala de aula, relacio-
nando suas experiências ao que dizem os documentos e buscando ver se os professores
de Sociologia tem algo de específico. A aplicação dessa ideia será desenvolvida pela
utilização da cartografia social como instrumento de prática pedagógica para a pesquisa
nas aulas de Sociologia do ensino médio em uma escola de Cabo Santo Agostinho-PE.
Essa técnica mostra-se relevante, pois permite trabalhar as mais variadas questões que
envolvem o cotidiano dos alunos, como cidadania, papel do Estado, construção da reali-
dade, entre outras, e assim proporcionar aos alunos a possibilidade de relacionar teoria
e prática. Espera-se, com o desenvolvimento e aplicação dessa proposta, levar o aluno
ao “estranhamento” e “desnaturalização” propostos pelas OCN no ensino de Sociologia,
já que permite repensar o contexto social do lugar em que o aluno está inserido, ao
mesmo tempo em que possibilita que ele, por meio de sua atividade e reflexão, produza
algo sobre o lugar em que vive e problematize sua própria realidade. Dessa forma, o
estudo proposto pode contribuir nas discussões acerca do ensino de Sociologia, de um
lado, pela investigação a respeito da prática dos professores com a pesquisa em sala de
aula e, de outro, trazendo e utilizando uma ferramenta que auxilie essa prática nas aulas
de Sociologia.

UMA PESQUISA DE CAMPO NA FORMAÇÃO DOCENTE EM NÍVEL MÉDIO

Tainan Rotter Begara Gomes - UENP

Este trabalho pretende apresentar o resultado de uma atividade de Pesquisa de Campo


realizada pelos alunos da 2ª série do ensino médio sob orientação da professora de

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 103


Sociologia no Colégio Estadual Cristo Rei de Cornélio Procópio – Paraná, que é uma
escola que oferece a modalidade profissional em Ensino Normal há 60 anos. O tema
da pesquisa foi levantado pelos próprios alunos ao notarem a recusa de grande parte
dos colegas em seguir a carreira docente. A atividade foi iniciada a partir da pesquisa
e exposição da metodologia que seria empregada, no caso o método quantitativo e o
qualitativo. Após, foi respondido um questionário pelos alunos da sala quanto a própria
intenção de seguir carreira docente e a opinião sobre a visão que a sociedade tem da
profissão do professor. A partir desta problematização, iniciou-se uma discussão sobre a
profissão docente baseada no texto A Epistemologia da Educação de Lílian Anna Wacho-
wicz, abordando as questões da sexualização da profissão de professora, o preconceito
ao professores do sexo masculino e a depreciação do Magistério.Após a construção do
questionário da entrevista os estudantes iniciaram a coleta de dados no colégio. A ent-
revista foi realizada pelos alunos da 2ª série com 265 alunos e alunas de todas as séries
e períodos. A principal pergunta do questionário era: “Você pretende seguir a carreira
docente após o curso de Formação Docente em nível Médio?”. O questionário também
indagava sobre a origem escolar, a motivação da escolha do Colégio Cristo Rei, a opin-
ião sobre a remuneração dos professores, e o preconceito aos homens que estudam no
colégio.A apuração e levantamento dos dados foram realizados pelos alunos, separados
por séries e períodos letivos. E depois fizeram a interpretação dos dados levantados. Os
alunos puderam notar as diferentes porcentagens quanto a intencionalidade de seguir
carreira docente ao comparar as séries e períodos letivos, e registram suas impressões
em relatórios, que posteriormente foram avaliados. Os resultados gerais da pesquisa de
campo, as dificuldades e descobertas da turma no percurso da atividade foram apresen-
tados ao corpo docente e à comunidade escolar.

A SOCIOLOGIA NA ESCOLA: CONTRIBUIÇÃO DA SOCIOLOGIA PARA A


CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO NO ENSINO FUNDAMENTAL

Aline Dias Possamai - Prefeitura Municipal de São Leopoldo

O presente Grupo de Trabalho (GT) Metodologias e Práticas de Ensino de Ciências


Sociais na Educação Básica tem por objetivo propor a analise da contribuição da disci-
plina de Sociologia para a construção do pensamento crítico no ensino fundamental. A
escolha surgiu através das experiências recentes e intensas da disciplina de Sociologia
no ensino fundamental da rede pública do município de São Leopoldo, no estado do
Rio Grande Sul. Tem como delimitação espacial as escolas que fazem parte da esfera
pública deste município que possuem a disciplina de Sociologia. A escolha do tema visa
verificar se há efetivamente a contribuição da sociologia na formação de estudantes
mais críticos no ensino da rede municipal de São Leopoldo.Este trabalho irá explicar o
que é o pensamento crítico para a Sociologia e a sua oposição inicial ao senso comum,
sua visão inicial positivista e, posteriormente, crítica dialética. Irá explicar, também, a
construção da sociologia como ciência e conceitos como imaginação sociológica, senso
comum, ciência e conhecimento. Visando a análise da disciplina de sociologia na educa-
ção básica brasileira, principalmente, no seu efetivo desenvolvimento para a formação
do pensamento crítico pelos estudantes, através da perspectiva dos professores de so-

104 | Anais do IV ENESEB


ciologia que lecionam esta disciplina no ensino fundamental. O presente estudo busca
analisar a visão utilitarista e funcionalista da sociologia, em que ela deve ser obrigatória
e necessária, pois serve para desenvolver o pensamento crítico dos alunos, e também,
para os mesmos compreenderem o seu cotidiano, com o que chamamos de ‘olhar soci-
ológico’. O presente estudo busca analisar a visão utilitarista e funcionalista da sociolo-
gia, em que ela deve ser obrigatória e necessária, pois serve para desenvolver o pensa-
mento crítico dos alunos, e também, para os mesmos compreenderem o seu cotidiano.
Os objetivos propostos para o ensino de sociologia são semelhantes à importância da
disciplina. Dois objetivos monopolizam o ‘senso comum’ na fala dos professores e da
própria pesquisadora: fazer os estudantes desenvolverem um pensamento crítico e
propiciar aos alunos a oportunidade de analisar, interpretar e compreender a realidade
social. Em suma, o trabalho tem como foco a analise da contribuição da sociologia na
construção do pensamento crítico no ensino fundamental é uma forma de legitimá-
la no currículo escolar, visto que, sua introdução na rede municipal é decorrente da
compreensão de sua importância para a formação de sujeitos críticos e autônomos que
possam exercer plenamente a cidadania.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 105


106 | Anais do IV ENESEB
GT3 – LIVROS DIDÁTICOS DE SOCIOLOGIA

Coordenadora: Anita Handfas - UFRJ


E-mail: anitahandfas@gmail.com
Vice-coordenador: Amaury Cesar Moraes - USP
E-mail: acmoraes@usp.br

SESSÃO ÚNICA – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO NO LIVRO DIDÁTICO DE SOCIOLOGIA:


UM ESTUDO A PARTIR DOS LIVROS APROVADOS NO PROGRAMA NACIONAL
DO LIVRO DIDÁTICO – PNLD 2015

Vanusa Rodrigues Sena- UFSC

O presente trabalho propõem-se a analisar os seis livros didáticos de sociologia aprova-


dos no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) – 2015, com o objetivo de in-
vestigar como os autores (clássicos e contemporâneos) do pensamento social brasileiro
apresentam-se nesses manuais, buscando compreender em que medida eles contribuem
para o processo de estranhamento e desnaturalização da realidade, tal como propõem as
Orientações Curriculares Nacionais (2006). Para tal estudo, toma-se como referência
os trabalhos de Sarandy (2004), Meucci (2000, 2013) e Botelho (2009,2010). Segundo
Sarandy (2004), á análise dos manuais didáticos ganha em relevância se considerarmos
que eles também são resultantes da institucionalização das Ciências Sociais no Brasil e
do insulamento na academia vivenciado pelo debate acerca do Ensino de Sociologia.
Para Meucci (2000), os manuais representam testemunhos significativos do esforço
de constituição do saber sociológico entre nós, portanto, não podem ser desprezados
numa investigação que pretende compreender as Ciências Sociais no Brasil ou, ao me-
nos, compreender que Ciência Social é apresentada no ensino médio no Brasil. Ainda
segundo a autora, os livros didáticos não possuem somente uma intenção didática, mas
deveriam ser tomados como sistematização do que é consensual (ou próximo disso) em
um dado campo cientifico. Botelho (2010) enfatiza que a necessidade de compreender
problemas relativos à própria formação da sociedade brasileira e ganhar perspectiva
histórica para o entendimento de temas contemporâneos, faz com que as interpreta-
ções do Brasil constituam-se num espaço social de comunicação entre presente, passado
e futuro, que pode nos dar uma visão mais integrada e consistente da dimensão de pro-
cesso que o nosso presente ainda oculta. Nestes aspectos, este trabalho busca analisar se
á forma e a finalidade com a qual os autores do pensamento social brasileiro são apre-
sentados no livro didático contribuí para com os objetivos pedagógicos fundamentais
das Ciências Sociais na Educação Básica: “estranhamento” e “desnaturalização”, e aqui

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 107


especificamente, o estranhamento e a desnaturalização das relações e dinâmicas sociais
nacionais para compreensão dos fenômenos sociais brasileiros por meio de correlações
e contextualizações históricas e sociais.

O ENSINO DE GÊNERO NOS LIVROS DIDÁTICOS DE SOCIOLOGIA: O CASO


DO PNLD 2015

Cícero Muniz - Colégio Estadual Odorico Tavares / Supervisor do PIBID Sociologia


(UFBA)

Este trabalho propõe-se a analisar como as abordagens sobre Gênero são explicitadas
nos livros didáticos de Sociologia para o Ensino Médio aprovados no Programa Na-
cional do Livro Didático – PNLD 2015. Tem-se então, como objetivo, investigar os
discursos desses autores acerca do Gênero enquanto fenômeno sociológico e político.
Para tanto, utilizou-se como procedimentos metodológicos: primeiro, a seleção de
dois livros dentre os aprovados pelo PNLD 2015, seguido da identificação das visões/
abordagens que essas obras possuíam sobre Gênero; Segundo, buscou-se ênfase aos
títulos que destacavam o conteúdo de forma autônoma; Terceiro, verificou-se a abor-
dagem metodológica do conteúdo proposta nos livros, buscando destacar se havia um
enviesamento em prol do argumento científico e/ou do político e um direcionamento
ideológico, a nível do discurso e conteúdo sobre o fenômeno. A análise do material co-
letado se fez à luz da análise de conteúdo combinada à análise crítica do discurso. Como
resultado, observou-se que as abordagens do conteúdo são transpassadas por orienta-
ções políticas e ideológicas, o que resulta muitas vezes em uma leitura imbricada, pelo
leitor, entre o argumento que se baseia em “proposições científicas” e aqueles que se
baseiam em “posições políticas”, o que muitas vezes pode gerar uma leitura confusa ou
ainda um processo de contestação sobre a validade científica dos argumentos acerca do
tema, sobretudo quando o(a) leitor(a) é o(a) estudante. Conclui-se que, desta forma,
o conteúdo de Gênero ainda padece de leituras enviesadas por visões de mundo que
desconhecem a indissociabilidade entre os argumentos políticos e científicos acerca do
tema, e a relação que há entre o discurso científico e a formulação de políticas e direi-
tos de minorias, sobretudo daquelas abarcadas pelos Estudos de Gênero. Em suma, tal
contexto pode resultar em um entendimento enviesado e/ou a um empobrecimento
da apreensão total do conteúdo, por parte do estudante e professor que utilizam o livro
didático.

108 | Anais do IV ENESEB


FERRAMENTA DIDÁTICA OU GUIA CURRICULAR? PERCEPÇÃO DE
PROFESSORES SOBRE O PROCESSO DE ESCOLHA DOS LIVROS DIDÁTICOS
DE SOCIOLOGIA EM SEIS ESCOLAS DO CEARÁ

Manoel Moreira de Sousa Neto - SEDUC/CE


Rosemary de Oliveira Almeida - UFC
Márcio Kleber Morais Pessoa - UECE

A disciplina de Sociologia retornou, na última década, de forma oficial às escolas de


ensino médio de todo o país. A situação em torno da implementação da disciplina é
marcada por uma série de desafios que dizem respeito à formação de professores, à
proposta curricular, ao número de aulas, à situação da escola pública brasileira, às mu-
danças no currículo da escola média brasileira, aos objetivos do ensino médio e, por
fim, à produção de livros didáticos para a disciplina. (MORAES, 2010) A análise aqui
proposta tem como objeto a percepção dos professores de sociologia em relação à
forma de escolha dos livros didáticos da disciplina em seis escolas públicas da rede
estadual do Ceará. Nesse sentido, o trabalho enfoca questões relacionadas ao processo
de escolha e apropriação do livro didático de Sociologia pelos professores desta disci-
plina, mediante estudo das percepções dos professores sobre o uso deste artefato. Para
operacionalizar esse estudo, parte-se da hipótese de que o livro didático é utilizado
como referência pelos professores no momento de construção do plano de curso para
a disciplina nas escolas e, dessa maneira, ultrapassa a condição de ferramenta auxiliar
da prática pedagógica e torna-se guia curricular de Sociologia no ensino médio. O ob-
jetivo do trabalho é compreender quais critérios são utilizados pelos professores para a
escolha do livro didático de Sociologia tendo como parâmetro as categorias discutidas
por Meucci (2014), a saber: topicalismo, nominalismo e contextualismo. Isso porque o
livro didático pode ser apropriado pelo docente, através de seus recursos específicos de
escrita e exposição do conhecimento científico em âmbito escolar, de forma particular
como referencial teórico para o conhecimento escolar daquela disciplina. Para a obten-
ção dos dados empíricos que orientam esta pesquisa estão em processo de análise as
seis obras escolhidas no último edital do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD
2015) e o guia para escolha dessas obras produzido pelo Fundo Nacional de Desenvolvi-
mento da Educação (FNDE). E, ainda, entrevistas semiestruturadas com professores
da disciplina em seis diferentes escolas, cada qual tendo optado por obras diferentes
no PNLD 2015. Com base em pesquisa exploratória, percebeu-se nesta análise, ainda
em andamento, que a escolha do livro foi feita para atender em primeiro lugar à de-
manda por quais conteúdos devem ser ministrados pela disciplina no ensino médio, em
detrimento das características didático-pedagógicas que cada obra possui. Os dados
analisados até o momento apontam que há uma relação de aproximação entre a divisão
curricular aconselhada pelo estado, por meio das matrizes curriculares contidas na
coleção Escola Aprendente (CEARÁ, 2008) e a forma como os professores escolheram
os seus livros. Em outras palavras, quanto mais o conteúdo do livro se “adequa” àquelas
matrizes estaduais, maior será a chance de ser escolhido.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 109


TRAMAS DISCURSIVAS PRESENTES NOS MANUAIS DIDÁTICOS DE
SOCIOLOGIA APROVADOS NO PNLD 2012: UM OLHAR A PARTIR DOS
REFERENCIAIS DA ANÁLISE DO DISCURSO

Luiz Felipe Guimarães Bom - Colégio Pedro II

O presente trabalho insere-se no quadro geral de estudos recentes acerca dos manuais
didáticos de Sociologia produzidos para o ensino médio da escola básica brasileira. A
partir da consideração inicial de que vivemos um momento caracterizado pela crescen-
te produção de estudos acerca dos manuais didáticos de Sociologia, o presente estudo
é parte dos esforços em curso no sentido do aprofundamento da investigação científica
dos recursos pedagógicos que estão sendo empregados no campo do ensino da Socio-
logia para adolescentes e jovens. Submetemos os manuais didáticos selecionados pelo
PNLD 2012 ao método investigativo no campo da Análise do Discurso (AD), conforme
as bases formuladas por Michel Pêcheux e Eni Puccinelli Orlandi. Em busca de padrões
discursivos reveladores das tramas sociais e ideologias que estão ocultadas nas textuali-
dades e narrativas sob o manto de temas, categorias e conceitos sociológicos, recortes
foram efetuados nas obras selecionadas, possibilitando a utilização do método compara-
tivo em torno da estrutura narrativa das mesmas. As estruturas discursivas submetidas
ao método investigativo comparativo revelaram estruturas discursivas com profundas
reflexões pedagógicas, reduzindo ou ampliando as possibilidades de diálogo entre as
textualidades presentes nos manuais didáticos e os adolescentes e jovens que acessam
e procuram compreender os fenômenos sociais à luz das citadas textualidades. Com-
preender os manuais didáticos selecionados pelo PNLD 2012 enquanto expressões de
um determinado padrão discursivo que se tornou hegemônico no decorrer das décadas
de 1990 e 2000, em consonância com parâmetros avaliativos que permeiam critérios
de seleção de manuais no PNLD, desvelando, a partir daí, redes discursivas e os padrões
discursivos, é o objetivo central do presente estudo. Para além dos estudos centrados na
Análise de Conteúdos, a Análise do Discurso (AD) aplicado aos manuais didáticos pode
contribuir para a compreensão da atual predominância de um padrão narrativo e dis-
cursivo na Sociologia que está presente na escola básica, quando comparados inúmeros
currículos, manuais didáticos e outros recursos pedagógicos. Desvelar determinadas
tramas sociais e suas imbricações no plano da construção e hegemonização de determi-
nadas estruturas discursivas no plano do discurso pedagógico da Sociologia na escola
básica, a partir dos objetos selecionados no PNLD 2012, é o objetivo central de Tramas
discursivas presentes nos manuais didáticos de Sociologia aprovados no PNLD 2012:
um olhar a partir dos referenciais da Análise do Discurso.

110 | Anais do IV ENESEB


RELAÇÃO PROFESSOR E LIVROS DIDÁTICOS NO ENSINO DE SOCIOLOGIA:
QUEM É O MEDIADO E QUEM É O MEDIADOR?

Marcelo Sales Galdino - Fundação Joaquim Nabuco


Aracelli Gomes - Fundação Joaquim Nabuco

Este trabalho de pesquisa qualitativa visa realizar, a partir de estudos de caso, três no
total, uma reflexão em torno da autonomia de professores, que lecionam a disciplina de
Sociologia na Rede Pública Estadual de Pernambuco, em relação ao uso livro didático.
Considerando-se que ainda é recente a obrigatoriedade do ensino da Sociologia no nív-
el médio e, partindo-se da premissa de que é grande o número de professores que não
possuem formação específica para lecionar tal disciplina, e muitos que exercem a fun-
ção são emprestados de outras matérias, busca-se identificar e avaliar quais usos esses
professores fazem do livro didático: se o docente é o mediador entre o livro e o aluno,
conforme uma perspectiva construtivista vigostskyana, ou se é o próprio livro que faz
essa mediação, deixando assim o professor dependente deste instrumento. No estudo
proposto, parte-se da perspectiva teórica de Gimeno Sacristán acerca do livro didático:
que o mesmo é um meio tradutor do currículo oficial para os professores e os alunos,
bem como que, quanto mais deficiente é a formação do professor, menos autônomo,
portanto “desprofissionalizado” e dependente ele é em relação ao livro didático. Sendo
assim, quanto mais distante ou deficiente for à formação do professor em relação à
Sociologia, supõe-se que será maior o poder do livro didático no processo ensino-apre-
ndizagem, podendo levar a uma alienação da atividade docente, em relação ao aluno,
ao currículo e ao próprio conjunto das atividades próprias da função de professor. Para
responder a indagação central desta proposta de trabalho serão usados os métodos de
observação, não participante, de aulas e entrevistas semiestruturadas com os professo-
res que lecionam Sociologia, selecionados de três escolas da rede pública estadual. Foi
estabelecido como critério para seleção destes professores a sua formação acadêmica
ao nível de graduação, devendo cada professor possuir uma formação diferente, a fim
de possibilitar o exame de possíveis contrastes, a saber: um graduado em Ciências So-
ciais, um graduado em História e um graduado em Geografia. Nas categorias analisadas
busca-se dialogar com os métodos propostos pelas Orientações Curriculares Nacionais
de Sociologia (OCN), a saber: a autonomia dos professores na escolha, planejamento e
ensino dos temas; a autonomia na escolha e ensino das teorias; a autonomia na escolha,
uso, ensino e aplicação dos conceitos; bem como a autonomia em relação à escolha e
planejamento de atividades propostas aos alunos; a autonomia no uso de recursos e
materiais de apoio didático que estejam além do livro; dentre outros aspectos que por-
ventura venham a aparecer durante a investigação.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 111


CIÊNCIAS SOCIAIS, “COLONIALIDADE DO SABER” E O LIVRO DIDÁTICO DE
SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO DAS ESCOLAS BRASILEIRAS

Natália de Oliveira de Lima - UFSC

O ensino de Sociologia no Brasil, desde seus primórdios, é caracterizado por diversos


intervalos e interrupções em sua trajetória. Desde a última lei que o tornou obrigatório
no Ensino Médio das escolas brasileiras, promulgada em 2008, os debates em torno de
“como” e “o que” ensinar ganham destaque e importância. O livro didático, por sua vez,
pode ser visto, ao menos, de duas formas distintas no espaço da sala de aula: por um
lado, representa um dos principais meios de acesso aos conteúdos a serem estudados
(por parte tanto de professoras/es quanto de alunas/os), sendo considerado uma espé-
cie de “alicerce”. Por outro lado, pode representar uma espécie de mecanismo de con-
trole, definindo e controlando os textos e conteúdos disponibilizados em seu interior,
deixando, assim, pouca coisa para decisão da/o educadora. Dessa forma, mesmo que de
forma “oculta”, seria possível conduzir os objetivos e resultados deste ensino. Tendo-se
em vista que o ensino de Sociologia é a representação das Ciências Sociais no âmbito
escolar, os dilemas e limitações típicos desta ciência somam-se ao desafio deste ensino.
Percebe-se, nos saberes acadêmicos das Ciências Sociais, uma certa tendência à valo-
rização do conhecimento com um lócus de enunciação determinado e que considera
como verdadeiro e válido uma forma específica de saber. Ao estudarmos a constituição
das Ciências Sociais enquanto ciência, veremos que esta se deu no contexto específico
de ascensão da sociedade capitalista em alguns países da Europa, e a visão de mundo
que acompanhou esta conjuntura deu as bases para a construção do arcabouço dos sa-
beres sociais modernos. Uma vez que toda a leitura do espaço/tempo passa a ser feita
a partir da experiência particular da história europeia (ao admitir-se e naturalizar-se
seus saberes e visão de mundo) cria-se uma universalidade radicalmente excludente. Ao
desconsiderar todas as outras formas de conhecimento, tal mecanismo reproduz uma
visão única da história, perpetuada pela “colonialidade do saber”. Sendo assim, através
da análise de um dos livros didáticos utilizados nas salas de aulas, o artigo teve como ob-
jetivo caracterizar a “colonialidade do saber” no/do ensino de Sociologia, considerando
como “colonialidade” as heranças eurocêntricas e coloniais internalizadas e ainda vivas
no presente. A análise concentrou-se na “Introdução” do livro “Sociologia para o Ensino
Médio” de Nelson Dacio Tomazi (2010), um dos títulos selecionados nos PNLD (Plano
Nacional para o Livro Didático) dos anos de 2012 e 2015.

A ANTROPOLOGIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA ANÁLISE DOS LIVROS


DIDÁTICOS

Bárbara de Souza Fontes - UFRJ

O ensino da Antropologia na Educação Básica está ligado à disciplina Sociologia que,


desde 2011, está efetivamente inserida no ensino médio de toda a rede de ensino
brasileira e, apesar da nomenclatura, todas as diretrizes curriculares específicas indicam

112 | Anais do IV ENESEB


que seus conteúdos devem contemplar as Ciências Sociais, incluindo a Antropologia e a
Ciência Política (cf. PCNEM+ e OCNEM). Pela primeira vez, em 2012, a disciplina fez
parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) que distribui livros didáticos
para estudantes de escolas públicas no país. A conjuntura atual possui uma singularidade
que justifica o interesse em investigar o campo temático do Ensino de Ciências Sociais
na Educação Básica. Com a aprovação da Lei 11.684 de 2008, que define a obrigato-
riedade do ensino de Sociologia em todas as séries do Ensino Médio a partir do ano de
2011, os conteúdos e temas das Ciências Sociais chegam a um público que corresponde
a cerca de oito milhões de estudantes através de aulas e da recomendação de livros
didáticos de Sociologia, escolhidos pelo MEC no âmbito do PNLD. Essa expansão que
o campo das Ciências Sociais está vivendo desde a implementação da Lei 11.684 é
marcada por um ‘silêncio’ de pesquisas em relação à Antropologia, afinal, “Que Antro-
pologia é essa ensinada nas escolas?”. Com isso, o objetivo dessa proposta é contribuir
para esse campo problemático realizando uma reflexão sobre o ensino de antropologia
para não antropólogos, especificamente no caso do ensino básico. Publicações da Asso-
ciação Brasileira de Antropologia (2004, 2006, 2010) evidenciam que ainda não há uma
preocupação do campo em relação à qual apropriação da disciplina está sendo feita no
nível básico da educação. Destaca-se, além disso, que, na interface entre Antropologia e
Educação, as pesquisas antropológicas voltadas para a Educação Básica são direcionadas,
sobretudo, no sentido de apreender as diversas dimensões do cotidiano escolar e das
práticas pedagógicas como um objeto de pesquisa ou, em outras palavras, como campo
etnográfico. Nesse sentido, não há uma reflexão sistemática na comunidade acadêmica
sobre qual antropologia é essa que está agora presente nas escolas a partir da disciplina
Sociologia. Esta comunicação propõe uma reflexão sobre o ensino de Antropologia na
Educação Básica no Brasil a partir da abordagem que os seis livros didáticos de Sociolo-
gia aprovados no processo do PNLD 2015 fazem dessa área do conhecimento. Para isso,
será utilizado o método de análise de conteúdo. Algumas questões norteiam a reflexão,
tais como: que antropologia é essa ensinada nas escolas? Que categorias antropológicas
são mais utilizadas para a compreensão da sociedade? Quais são os principais autores,
temas e conceitos mobilizados? Que competências e habilidades se pretende promover
nos estudantes com determinada abordagem da antropologia?

A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA E A SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO: A


UTILIZAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO E AS PRÁTICAS DOCENTES

Thayene Gomes Cavalcante - Fundação Joaquim Nabuco


Jorge José Lins de Queiroz - Fundação Joaquim Nabuco

Este trabalho pretende estudar como o livro didático de sociologia é utilizado pelos
docentes de escolas básicas públicas da rede estadual de ensino da Paraíba e de Pernam-
buco. A proposta é investigar a prática docente do professor de sociologia, a partir da
utilização do livro didático, observando: os critérios utilizados para seleção dos livros
didáticos aprovados pelo PNLD, os fatores que influenciam seus métodos e recursos
didáticos no planejamento de aula, as estratégias didáticas utilizadas para o trabalho

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 113


com conceitos e teorias sociológicas e a forma como os professores utilizam o livro
didático como ferramenta para o ensino de sociologia.O livro didático possui caracter-
ísticas e funções bastante peculiares, especialmente no contexto de reintegração desta
disciplina na escola. Pode funcionar como formação de professores, adquirir função de
currículo, tem potencial para transpor um discurso científico a um domínio cognitivo
mais compreensível, dentre outros atributos. No entanto, alguns professores sequer o
utilizam com seus alunos ou para leitura própria, já outros empregam um caráter de
centralidade ao livro como recurso didático. Este ora assume uma função central para
o professor – que faz o programa do curso e organiza suas aulas unicamente com base
nele; ora a adesão ao livro didático se torna desnecessária para muitos professores, que
não o utilizam e preferem construir suas discussões partindo da utilização de diversos
outros recursos didáticos – o que pode ser muito positivo, por permitir autonomia
do docente e a possibilidade de contribuição de diversos outros elementos, conforme
aconselha o próprio guia do PNLD; ou pode ser prejudicial, no caso do distanciamento
completo das teorias e conceituações sociológicas. Sendo assim, levando em consid-
eração sua utilização pelos docentes nas escolas, o livro didático fica entre um papel
central e um papel secundário, entre a hipercentralidade e o desprezo, como discute
Simone Meucci. No caso da não adoção, há uma questão preocupante, especialmente
no que tange às escolas públicas brasileiras, que é o amplo investimento do governo
federal para a aprovação e distribuição dos livros didáticos para as escolas básicas públi-
cas brasileiras, o PNLD. Há muitos gastos do Estado nesse programae, devido a isso,
existe paralelamente um grande jogo de interesses que permeia a produção de livros
didáticos e que faz dele uma política pública de extrema importância. Segundo o Guia
do Programa Nacional de Livros Didáticos os professores exercem uma função primor-
dial no trabalho pedagógico por meio de sua criatividade e compromisso, e reconhece a
centralidade do professorna escolha do Livro Didático e na sua ação para fazer dele um
instrumento de estímulo à curiosidade e ao conhecimento dos estudantes. Nesse sen-
tido, este trabalho pretende analisar os usos do livro didático de sociologia nessa nova
etapa em que a sociologia se encontra, buscando compreender os sentidos atribuídos
ao livro didático pelo professor e os diversos significados em que isso se traduz para a
prática pedagógica do mesmo.

A PESQUISA E O ENSINO NOS LIVROS DIDÁTICOS DE SOCIOLOGIA

Tereza Raquel Gomes Batista - UFCG


Vilma Soares de Lima Barbosa - UFCG

O estudo sobre os métodos e técnicas de pesquisa nos manuais didáticos, é de grande


relevância, já que a pesquisa pode colaborar para a ruptura das limitações que difi-
culta os estudantes a desenvolverem seu pensamento crítico. Diante desse quadro, esta
monografia ora apresentada, buscou identificar se há nos livros didáticos de Sociologia
uma discussão sobre os métodos e técnicas de Pesquisa em Ciências Sociais, isto é, se
os livros apresentam uma preponderância para um Ensino da Sociologia Científica. A
coleta de dados desta pesquisa ocorreu em quatro livros: Sociologia para o Ensino Mé-

114 | Anais do IV ENESEB


dio de Nelson DacioTomazi(2007); Tempos Modernos, Tempos de Sociologia de Hel-
ena Bomeny e Bianca Freire-Medeiros(2010); Sociologia para o Ensino Médio de José
Rodorval Ramalho(2012); Sociologia para o Ensino Médio: Introdução à uma Ciência
da Sociedade de Maria Cristina Castilho Costa(2005). O presente estudo é uma pes-
quisa descritiva com abordagem qualitativa, através da técnica pesquisa documental e a
utilização do método análise de conteúdo. O aporte teórico deste estudo ancora-se nas
análises de Freitaget al, sobre a política pública de livro didático, nas pesquisas realizadas
por Meucci e Sarandy sobre os manuais de Sociologia e no conceito deBasil Bernstein
(1996) sobre Contextualização e Recontextualização, sendo que esta teoria foi funda-
mental para que pudéssemos entender como a Sociologia tem sido recontextualizada
nos livros. A partir da análise dos dados podemos inferir que os manuais que foram
aprovados no Programa Nacional do Livro DidáticoPNLD(2012), ou seja, as obras de
Tomazi e Bomeny e Bianca não apresentam nenhum capítulo sobre os métodos e técni-
cas de Pesquisa em Ciências Sociais e o manual de Ramalho(2012) mostra um capítulo
sobre as teorias e métodos do nosso campo científico, contudo o autor não aprofunda
esta temática, uma vez que os capítulos deste livro são pequenos. No entanto, a obra
de Cristina Costa avança em relação aos demais manuais analisados nesta monografia,
pois é o único livro que apresenta uma preponderância para o Ensino de uma Sociologia
Científica, e mostra um destaque para os métodos e técnicas de pesquisa.

POLÍCIA E SEGURANÇA PÚBLICA NA PERSPECTIVA DA CONSTITUIÇÃO


FEDERAL DE 1988: DEMOCRACIA OU AUTORITARISMO?

José Maria Nobrega


Thaís Gomes Ferreira Nunes - UFCG

Após a transição da Ditadura para a Democracia, algumas questões do regime militar


ainda permanecem na atualidade. Um aspecto importante dessa permanência é a não
superação do militarismo na segurança pública, o que pode ser visto na Constituição
Federal de 1988 em seu artigo de número 144 . No seu parágrafo sétimo, que informa
a necessidade de regulamentação dos órgãos de segurança pública, ainda há uma lacuna
legislativa. Isso faz com que as polícias sigam suas funções fundadas em seus próprios
regimentos. Para tanto, algumas questões nos servem como norteadoras da pesquisa,
são elas: Como se deu o processo de institucionalização das polícias brasileiras, seu
histórico e condução política? O que podemos entender por democracia e como as For-
ças Armadas se relacionam com este regime político em moldes teóricos minimalistas,
mas não submínimos ? Como as Polícias Militares estão constituídas para a segurança
pública brasileira? Como é o desenho institucional da segurança pública brasileira na
atual conjuntura da democracia? Analisar/avaliar os aspectos formais e informais da
segurança pública brasileira tendo como fundo teórico a democracia contemporânea.
Analisar/avaliar o desenho institucional das instituições de segurança pública no Brasil
conforme está delineado pelos artigos constitucionais. Estudar teoria democrática con-
temporânea avaliando o papel do estado de direito democrático e da segurança pública

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 115


em ambientes de democracias consolidadas; Avaliar/analisar o desenho institucional
dos órgãos de segurança pública conforme os delineamentos formais da Constituição
Federal de 1988; A metodologia da pesquisa está sendo de análise documental, bibli-
ográfica e exploratória. Busca assim, trazer uma compreensão mais generalizada do
fenômeno da segurança pública brasileira e de seus aspectos normativos e institucionais.
Num segundo momento da pesquisa, será utilizado o método estatístico descritivo para
o cruzamento de algumas variáveis institucionais levantadas pela literatura explorada.
Os dados estão sendo levantados de bancos de dados secundários. O Anuário Brasileiro
de Segurança Pública, edição 2014, será o nosso principal documento estatístico. O
Brasil contempla uma democracia eleitoral robusta, no entanto ainda permanece com
características que impedem o avanço democrático em sua totalidade. Temos eleições
livres, relativamente limpas, periódicas, pluripartidárias, com direito à alternância,
com um poder exógeno extra coordenando suas relações; contudo, nossa sociedade so-
fre com uma violência excessiva e constante, com baixo nível de confiança institucio-
nal e graves violações aos direitos humanos, fragilizando assim, a legalidade do Estado
de direito. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2014). Sobre confiança
institucional: Pesquisa efetuada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV Direito) SP. a)32%
das pessoas entrevistadas pela pesquisa declararam confiar no Poder Judiciário; b)81%
dos entrevistados concordam que é fácil desobedecer as leis no país; c) 33% dos ent-
revistados acionaram as polícias para resolverem problemas em que foram vítimas e/ou
partícipes. Desses, só 37% declararam-se muito ou um pouco satisfeitos com o serviço
por elas prestado. 62% declararam-se insatisfeitos com o serviço policial; d) 59% dos
brasileiros acreditam que a maioria dos juízes é honesta e 51% acreditam que a maioria
dos policiais é honesta; e) 48% dos entrevistados confiam no Ministério Público. De
acordo com o observado, o Brasil ainda está longe ser uma democracia consolidada,
precisamos avançar muito no que se diz respeito a garantia de direitos básicos, como a
liberdade, sem liberdade não há vida, sem vida não há condição alguma de tornar pos-
sível o nosso sonho democrático.

LIVRO DIDÁTICO DE SOCIOLOGIA: A ABORDAGEM DA EDUCAÇÃO DAS


RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E DO ENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-
BRASILEIRA E AFRICANA NOS LIVROS APROVADOS PELO PNLD

Mariana Ingrid de Oliveira Pereira - UFRRJ


Marcia Cristina de Oliveira Dias - UFRRJ

Após onze anos da implantação da Lei n° 10.639/2003 ainda é possível perceber a su-
perficialidade com que a questão do negro e sua história é trabalhada no contexto esco-
lar. Neste sentido, este artigo tem como objetivo identificar a abordagem das questões
étnico-raciais pelos livros didáticos de sociologia para o Ensino Médio aprovados pelo
PNLD. Diante da impossibilidade técnica e metodológica de análise de todos os livros
do referido programa, optou-se por realizar um recorte sobre quatro livros – “So-
ciologia para o Ensino Médio” (TOMAZI, PNLD 2012); “Tempo Modernos, Tempos
de Sociologia”, (BOMENY, PNLD 2014); “Sociologia em Movimento” (SILVA, LOU-

116 | Anais do IV ENESEB


REIRO, MIRANDA et. al., PNLD 2015), e “Sociologia para os jovens do século XXI”
(OLIVEIRA E COSTA, PNLD 2015). Cabe destacar que a escolha dos referidos liv-
ros não foi aleatória, mas por razão prática. Nas escolas em que estagiamos tivemos a
oportunidade de conhecer os livros da Bomeny e do Tomazi. Em relação aos livros de
Oliveira e Costa e o de Silva, Loureiro, Miranda et all, a escolha se deu devido à opção
por incluir dois livros aprovados pelo PNLD 2015. A partir da análise dos livros acima
citados, objetiva-se compreender se e de que modo estes livros abordam as questões
étnico-raciais. Busca-se contribuir para o conhecimento e reconhecimento das questões
étnicas presentes em nossa sociedade. A análise comparativa destes livros revelou que
nem todos trabalham uniformemente com estas temáticas. Bomeny (2010), por exem-
plo, aborda as questões étnico-raciais, mas apesar de o racismo, as etnias e as desigual-
dades sociais serem abordados, a questão não é aprofundada, nem suscita uma reflexão
acerca do assunto. Tomazi (2010) aponta para as questões das desigualdades sociais e
raciais no Brasil, no entanto, estas questões são pouco trabalhadas. Por outro lado, os
livros de Oliveira e Costa (2013), e deSilva, Loureiro, Miranda et. al. (2013) mostram
uma construção mais elaborada e mais completa sobre o tema, incluindo no debate as
questões do racismo no cenário contemporâneo, da etnicidade e um pouco da história
referente aos negros africanos e dos afro-brasileiros, entre outros assuntos pertinentes
à temática, que devem ser trabalhados em sala de aula. Esta análise revelou que há dis-
paridades no modo como as questões étnico-raciais são abordadas nos referidos livros.
Sendo o livro didático uma ferramenta do saber que muito auxilia tanto o professor,
quanto os alunos no processo de ensino-aprendizagem, faz-se necessário uma reflexão
sobre essas disparidades que acabam por invisibilizar a história cultural do negro e sua
importância na construção da história do Brasil.

OS SENTIDOS DE CIDADANIA NOS MANUAIS DO PROFESSOR DOS LIVROS


DIDÁTICOS DE SOCIOLOGIA

Ana Martina Baron Engerroff - UFSC

Neste trabalho discutem-se os sentidos de cidadania contidos nos livros didáticos aprova-
dos no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2015. Especificamente, buscam-
se os sentidos de cidadania nos manuais do professor dos seis livros físicos aprovados,
na medida em que estes revelam objetivos para o ensino da disciplina de Sociologia
no Ensino Médio, tanto na apresentação da obra quanto na seleção e apresentação dos
conteúdos. No final do século XX, em um contexto de redemocratização do Brasil com
mudanças nos campos políticos, sociais e econômicos, a cidadania é retomada como
um problema social a ser resolvido, residindo na escola o instrumento social para a sua
resolução. Em paralelo, a luta pela retomada da Sociologia como disciplina escolar é so-
bremaneira justificada pela via da cidadania, assentando-se nela a finalidade de preparar
o aluno ao exercício da cidadania, conforme dissertação dada pela Lei de Diretrizes
e Bases. A partir desta formulação legal, são elaborados os Parâmetros Curriculares
Nacionais (1999), preconizando-se a formação cidadã do aluno para a prática política,
seguindo-se pelas Orientações Curriculares Nacionais (2006) que embora relembre a

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 117


formação do aluno para o exercício da cidadania, propõe um abordagem voltada para
a desnaturalização e estranhamento. Cada um destes documentos, portanto, reelabora
diferentes sentidos para cidadania, perpassando uma ideia de conformação do aluno
aos conhecimentos de seus supostos direitos e deveres, conduzindo a um caráter de
civilismo e civismo. Com as modificações legais na Lei de Diretrizes e Bases em 2008
que introduziram a Sociologia no currículo do Ensino Médio, perdendo assim a relação
explícita da Sociologia e exercício da cidadania, questiona-se em que bases assentam-se
os objetivos desta disciplina escolar transmitidos via livros didáticos aprovados em rela-
ção à cidadania. Tendo como base estudos sociológicos que abarcam o “estado da arte”
sobre o ensino de sociologia na educação básica e as proposições do processo civilizador
de Norbert Elias, evidencia-se a permanência dos conflitos acerca relação da disciplina
de Sociologia com o exercício da cidadania, fundada em noção de pertencimento for-
malmente conferida. Neste interim, traz-se a discussão acerca da presença-ausência da
Sociologia no currículo escolar, colhendo-se diferentes interpretações em disputa que
justificam o fenômeno mais pelo caráter crítico da disciplina e, portanto, relacionada
aos períodos democráticos, ou, de outro lado, estudos que demonstram que as con-
tradições do próprio fenômeno, percebendo-se que a Sociologia esteve assentada em
diversos momentos históricos em bases mais conservadoras e normatizadoras.

POLÍTICAS CURRICULARES PARA A DISCIPLINA DE SOCIOLOGIA E O ATUAL


PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDATICO (PNLD)

Agnes Cruz de Souza - UNESP


Rogério de Souza Silva - IFSP

Após seis anos da volta da obrigatoriedade da disciplina de Sociologia na escola média


por força de lei federal, os caminhos que permeiam o que se deve lecionar em sala de
aula ainda carecem de espaço e discussão. A partir dessa contenda, o presente trabalho
pretende voltar-se para as proposições curriculares existentes nas obras selecionadas
pelo PNLD, compreendendo que as mesmas dão origem a novos pareceres e reflexões
sobre as possibilidades de ensino e abre profícuo debate a respeito da base curricular
para a disciplina. Dessa forma, a seleção de obras para o PNLD pode ser compreendida,
nesse contexto, como uma nova reinterpretação da produção curricular, sugerindo sua
recontextualização, em especial quando nos referimos à disciplina de Sociologia. As-
sim, pretendemos identificar as propostas curriculares presentes nas obras escolhidas
pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2015 para a área de Sociologia
no Ensino Médio. Partindo do levantamento de conteúdos programáticos, pretend-
emos abordar como, e se, estas obras sugerem novos pareceres sobre o que ensinar e
quais as possibilidades de ensino para a disciplina. Por fim, verificaremos se há diálogo,
retomada ou distâncias relativas às políticas curriculares oficiais presentes nos Parâmet-
ros Curriculares Nacionais (PCN e PCN+) e nas Orientações Curriculares Nacionais
(OCN) de Sociologia. Os PCN, PCN+ e as OCN são publicações do Ministério da
Educação que, desde o fim da década de 1990 têm orientado a seleção de conteúdos de
ensino das diferentes disciplinas e áreas do conhecimento do Ensino Médio. Apesar de

118 | Anais do IV ENESEB


serem anteriores à inserção da Sociologia na base nacional comum (2008), incorporam
a disciplina na área de “Ciências Humanas e suas Tecnologias” ao lado de Geografia,
História e Filosofia, discutindo seus aspectos epistemológicos, metodológicos e didáti-
cos.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 119


120 | Anais do IV ENESEB
GT4 – FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM CIÊNCIAS SOCIAIS

Coordenador: Amurabi Oliveira - UFSC


E-mail: amurabi_cs@hotmail.com
Vice-coordenadora: Célia E. Caregnato - UFRGS
E-mail: celia.caregnato@gmail.com

SESSÃO A – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

FORMAÇÃO DE PROFESSORES: O MAPA SITUACIONAL DOS CURSOS DE


CIÊNCIAS SOCIAIS NO BRASIL

Gabrielle Cotrim D’Alecio - UFRJ

Este trabalho está inserido na pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação


em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro - na linha de pesquisa Cur-
rículo e Linguagem- especificamente no Laboratório de Ensino de Sociologia Florestan
Fernandes (LabES). Tem como objetivo central analisar a situação dos cursos de Ciên-
cias Sociais no Brasil, se respaldando em alguns questionamentos sobre a realidade do
Curso ao longo de sua história. Primeiramente, é sabido ao longo dos estudos sobre a
institucionalização do curso, que historicamente, os cursos de Ciências Sociais, têm se
caracterizado pela formação do bacharel (pesquisador), em detrimento do licenciado
(professor). Esse quadro começa a sofrer mudanças a partir da década de 1990, quando
são lançadas pelo MEC as novas diretrizes curriculares para a formação docente, extin-
guindo o modelo conhecido como 3+1 - segundo o qual o aluno buscava sua formação
pedagógica nas Faculdades de Educação - e induzindo as instituições de ensino a cria-
rem cursos de licenciatura, com currículos próprios e independentes do bacharelado.
Um segundo ponto é que a lei 11.684/08 -que altera o art.36 da Lei 9394, de 20 de
dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, para in-
cluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino
médio- potencializa a necessidade de professores formados em graduação de licen-
ciatura em Ciências Sociais/sociologia. Desse modo, tanto as diretrizes curriculares
que fomentam a criação das licenciaturas, quanto a lei 11.684/2008, potencializam
o aumento do número de cursos de ciências sociais no Brasil. Assim, esse trabalho de
cunho exploratório irá apresentar a situação dos cursos de Ciências Sociais no Brasil a
despeito das características do quantitativo de cursos de graduação em ciências sociais
por: a) Natureza administrativa: pública ou privada; b) Região Brasileira; c) Habilita-
ção: bacharelado, licenciatura, licenciatura e bacharelado;d) Modalidade: presencial ou
à distância; e) Por ano de criação.A fim de entender a situação dos cursos, esse trab-
alho irá contribuir na revelação de um panorama geral dos cursos de Ciências Sociais/

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 121


Sociologia no Brasil em suas respectivas características supramencionadas. Provocando
reflexões e discussões a respeito, principalmente, da quantidade de novos cursos de
licenciatura que vem crescendo no país e seus reflexos sobre a formação de professores.
Dessa forma, o quadro teórico-metodológico é baseado nas pesquisas da Bernadete
Gatti sobre os cursos de graduação em pedagogia, numa perspectiva quantitativa e
qualitativa das informações apresentadas que são retiradas dos dados do Ministério de
Educação. Por fim, aponta-se o aumento em dobro de 2008 até 2014, dos cursos na
categoria “sociologia’, à distância, licenciatura e privada e que, além disso, até 2007
contávamos com 171 cursos de ciências sociais/sociologia no Brasil e hoje já contamos
com 285 cursos. Esses dados já mostram como vem ocorrendo uma mudança radical
na situação dos cursos, proporcionando-nos discussões e questionamentos sobre os re-
flexos dessa mudança na construção curricular dos cursos e na formação do cientista
social e em especial aos licenciados que atuarão na educação básica.

FORMAÇÃO DO/DISCENTE E RELAÇÕES DE ENSINO/APRENDIZAGEM NA


PESQUISA E NA PRÁTICA DE ENSINO EM CIÊNCIAS SOCIAIS NA EDUCAÇÃO
BÁSICA

Charlles da Fonseca Lucas - UNICAMP

No I Congresso Brasileiro de Sociologia, em 1954, Florestan Fernandes posiciona-se


favorável ao Ensino da Sociologia na escola secundária brasileira, afirmando a Sociolo-
gia como um dos meios do indivíduo exercer de modo crítico a sua cidadania durante
a participação na vida em sociedade, e diante das tendências, dilemas e desafios da vida
social. Por meio de outra perspectiva, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB), Lei 9.394/96, retoma a importância do Ensino da Sociologia para o exercício
da cidadania, quando assegura de modo interdisciplinar e flexível a obrigatoriedade
deste Ensino, que será angariada de fato por meio da Lei 11.684/08. Entretanto, a
intermitência do Ensino da Sociologia, que atravessa transversalmente a história do
Ensino dessa disciplina na Educação Básica, ainda permanece como uma ameaça real.
Cabe ressaltar que esta intermitência comprometeu significativamente a consolidação
do Ensino da Sociologia na Educação Básica ao afetar, sobretudo, a definição de con-
teúdos programáticos, habilidades e competências, enfim o Currículo, mas também a
agenda de pesquisa desta área de conhecimento. Por outro lado, deve-se ressaltar a rele-
vância e o impacto na discussão em tela dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (PCNEM), e no caso do Estado do Rio de Janeiro, do Currículo Mínimo
de Sociologia (2011 e 2012) nas três Séries do Ensino Médio, que se constitui como um
esforço de contemplar a Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política nas suas duas
versões por meio, respectivamente, dos seguintes Eixos Estruturantes: Trabalho, Cul-
tura e Política. Pari passu, procurar-se-á reunir contribuições da Sociologia, da Ciência
Política e da Antropologia, mas também de disciplinas afins, que tratam da formação
do/discente e das relações de ensino/aprendizagem na pesquisa e na prática de En-
sino em Ciências Sociais na Educação Básica. A presente discussão tem a pretensão de
provocar reflexões, análises, interpretações e explicações sobre a complexa e tensa

122 | Anais do IV ENESEB


relação existente entre o Bacharelado e a Licenciatura Plena em Ciências Sociais, com
o propósito de dirimir a oposição firmada entre Pesquisador e Professor, ratificando o
compósito de natureza complementar Professor/Pesquisador, uma vez que a referida
dicotomia tem reverberado na formação inicial e continuada dos cientistas sociais, e
consequentemente na formação do/discente e nas relações de ensino/aprendizagem na
pesquisa e na prática de Ensino em Ciências Sociais no Ensino Superior e na Educação
Básica. A querela supracitada formaliza um convite para se repensar o Projeto Político
Pedagógico das Ciências Sociais, e ao mesmo tempo os Currículos (oficial e oculto), o
saber fazer e o fazer saber, as histórias de vida, as trajetórias sociobiográficas e as iden-
tidades dos cientistas sociais. Nesse contexto, justifica-se a necessidade improrrogável
de se estabelecer uma relação dialógica profícua entre teoria/prática, saberes/fazeres,
conhecimento científico/conhecimento escolar, vida acadêmica/cotidiano escolar, le-
gal/real e espaço/tempo, sem perder do horizonte os fatores político-institucionais e
socioeconômicos, com suas respectivas naturezas conjuntural e estrutural.

FORMAÇÃO DOCENTE: A IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA E VIVÊNCIA NO


ÂMBITO ESCOLAR

Junior Roberto Faria Trevisan - UNIFAL (MG)


Marcelo Rodrigues Conceição - UNIFAL (MG)

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) foi criado com o


intuito não só de incentivar a formação docente em nível superior, mas também de
assegurar aos futuros licenciandos uma formação efetiva e em consonância com a reali-
dade e necessidades da educação básica contemporânea. Tal demanda revela, portanto,
a importância da construção de estratégias e atividades que ofereçam aos participantes
do programa uma capacitação educacional mais concreta. O objetivo deste trabalho é
relatar o impacto de algumas experiências e práticas vivenciadas no campo de ações do
Pibid – Ciências Sociais da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), assim como
sua correlação e contribuição no que confere à formação docente e ao ensino de socio-
logia. Tais atividades tiveram como enfoque a imersão no ambiente escolar, por meio da
elaboração e organização de instrumentos de coleta de dados e informações das escolas
parceiras (mapeamento escolar) e pelo estabelecimento de ações conjuntas de ensino
e aprendizagem. Assim, num primeiro momento, o planejamento de trabalho contou
com a composição de um roteiro de pesquisa com o intuito de capturar e conhecer as
estruturas e regras das escolas parceiras, os sujeitos que circulam pelos seus espaços e a
relação que estas instituições edificam com o meio sociocultural no qual estão inseridas.
Num segundo estágio, passou-se a acompanhar as aulas de sociologia nos anos finais do
Ensino Básico. Com base nas circunstâncias e necessidades observadas, foi elaborado
e desenvolvido em conjunto com os(as) professores(as) regentes algumas atividades e
oficinas didático-pedagógicas como, por exemplo, a oficina temática “A Sociologia e o
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)” cujo objetivo foi problematizar e debater,
junto aos estudantes, questões como a relevância da sociologia e sua relação com os
eixos cognitivos que estruturam a prova e as possibilidades de acesso a programas gov-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 123


ernamentais e de progressão dos estudos por meio dos resultados do exame. Ao final
das ações foi possível observar que o esforço em fundamentar estratégias e atividades
que concebam uma relação e/ou integração concreta com a realidade, possibilidades e
contradições do ensino básico, fez com os participantes do programa, se sentissem mais
motivados e preparados para trabalhar com os conteúdos sociológicos tanto em sala
de aula quanto em projetos extraclasse. Tal condição possibilitou, também, uma maior
identificação profissional e reconhecimento da carreira docente, visto que, houve, por
parte dos futuros docentes, um acréscimo do interesse em atuar no ensino básico pú-
blico.

A TRAJETÓRIA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE SOCIOLOGIA DA


UNESP/MARÍLIA: DOS CONFRONTOS AOS ENCONTROS

Sueli Guadelupe de Lima Mendonça - UNESP/Marília


Maria Valéria Barbosa - UNESP/Marília

O objetivo deste texto é analisar a trajetória do curso de Ciências Sociais da Faculdade


de Filosofia e Ciências, Unesp/Marília e destacar as contribuições mais relevantes à
formação do professor de Sociologia, no contexto da implantação da obrigatoriedade
da Sociologia no ensino médio e de novas perspectivas como o Programa Institucional
de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), em nível nacional, visando à formação de um
profissional comprometido com a educação pública de qualidade e com a socialização
do conhecimento. A análise da trajetória do curso remete-nos a um perfil caracterizado
pela fragmentação, que, embora perseguisse a consolidação de um projeto cientificista
no bacharelado, não esteve articulado à licenciatura. Há nitidamente dois projetos in-
dependentes, que ora estabelecem alguns momentos de diálogo, ora se fecham,um
se submetendo sumariamente ao outro. A falta de visão do todo e a fragmentação da
formação do bacharel/licenciado de Ciências Sociais colaboram, de modo decisivo,
para o processo de formaçãodo futuroprofessor que, dessa forma, não portará as fer-
ramentas necessárias para o desenvolvimento de seu trabalho pedagógico. Essa con-
statação mobilizou um conjunto de professores para a construção de um projeto alter-
nativo, na licenciatura, que realmente viesse a interferir nessa realidade. Para tanto, foi
de fundamental importância a existência do Núcleo de Ensino - programa da UNESP
voltado ao financiamento de projetos com as escolas públicas da educação básica -,que
permitiu odesenvolvimento de pesquisas com egressos do curso, bem como sobre a
formação de professores de Sociologia e sua prática pedagógica, desde o final da década
de 1980. Nesse tempo, criou-se um acúmulo de conhecimentos dessa problemática,
extremamente específica da Sociologia, que foi se consubstanciando em ações junto ao
próprio curso, em alguns momentos até em mudanças/adequações curriculares. Pas-
sados algumas décadas, temos um novo contexto da licenciatura de Ciências Sociais que
avança na consolidação de um projeto de formação de professor, que articula teoria e
prática, com planejamento político e pedagógico elaborado coletivamente, em espe-
cial, via projetos do Núcleo de Ensino e agora Pibid, resultando num novo patamar de
qualidade para o curso e que também aponta para a formação do professor pesquisador,

124 | Anais do IV ENESEB


numa perspectiva pertinente à escola da educação básica, com produção de conheci-
mentos nesse espaço, se constituindo num caminho possível à requalificação da escola
e da formação do professor de Sociologia.

ESTRANHANDO O CURRÍCULO: NOTAS SOBRE OS PERCURSOS E AS (RE)


CONFIGURAÇÕES DOS CURSOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM
CIÊNCIAS SOCIAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

Ceres Karam Brum - UFSM

A presente proposta de trabalho objetiva historiar os processos e as (re)configurações


decorrentes da criação de 5 (cinco) cursos destinados a formação de professores de
Sociologia/Ciências Socais, lotados no Departamento de Ciências Sociais da Univer-
sidade Federal de Santa Maria, entre os anos de 2007 e 2015, quais sejam: a Turma
Especial para Formação de Licenciados em Ciências Sociais (2007), o Curso de Licen-
ciatura em Sociologia modalidade EAD (2009), o Curso de Licenciatura em Sociologia
modalidade presencial (2010), o Curso de Especialização para formação de professores
de Sociologia (2014) e o Curso de Licenciatura em Ciências Sociais (2015). Através
de um olhar da Antropologia da Educação, bem como na qualidade de protagonista
destes processos formativos, enquanto docente e gestora, pretendo analisar os Projetos
Pedagógicos (PPCs)dos referidos cursos. Esta análise ocorrerá em consonância com o
cotidiano institucional e didático-pedagógico dos mesmos. Neste sentido, no contexto
da Universidade Federal de Santa Maria, desejo focalizar as relações existentes entre
as políticas públicas destinadas a criação de novos cursos de graduação no Brasil, espe-
cialmente o Programa do Governo Federal de Apoio a Planos de Reestruturação e Ex-
pansão das Universidades Federais Brasileiras (REUNI) e Universidade Aberta do Brasil
(UAB), com as articulações institucionais que possibilitaram uma nova configuração na
formação de professores de Ciências Sociais na região central do estado do Rio Grande
do Sul, destacando alguns aspectos, tais como: características curriculares, questões
identitárias relacionadas à licenciatura e problemas enfrentados com a transposição
didática que impactam nossos egressos no seu cotidiano escolar. A abordagem teórico-
metodológica escolhida se cinge à Antropologia/etnografia da educação, explorando as
relações entre observação participante (Malinowiski: 1923), participação observante
(Wacquant 1999) e objetivação participante (Bourdieu: 1989), com o intuito de, a um
só tempo, valorizar a riqueza da documentação escolar encontrada (Rockwell: 2009),
com o cotidiano universitário e o protagonismo da minha atuação como docente e ges-
tora neste percurso ainda inconcluso.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 125


A LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS NOS INSTITUTOS FEDERAIS:
CARACTERÍSTICAS DE UM MODELO

Sidney Reinaldo da Silva - IFPR


Eveline Tenorio Mendes - IFPR
Nátally Damasceno Garcia - IFPR

Os Institutos Federais reafirmaram uma lógica de formação profissional e licenciatura


que já vinha ocorrendo no CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica) com o
predomínio do âmbito técnico e tecnológico. Mas o compromisso com a formação hu-
manística também foi afirmado. Contudo esta formação tende a ser vista como “com-
plemento” da formação técnica. Frente a isso os cursos de licenciatura em Ciências
Sociais no IFPR constituem, de um modo especial, um campo privilegiado para se
refletir sobre “as ciências humanas e suas tecnologias” e vice-versa. A relação entre ciên-
cias sociais e tecnologia pode ser pensada no contexto do próprio MEC e das políticas
públicas educacionais. A tendência de predomínio do Ensino Médio Integrado como
um dos principais campos de trabalho do professor de Sociologia da Educação Básica
acarreta desdobramentos para os cursos de licenciaturas da disciplina em questão. Este
texto visa pensar a formação de professores de sociologia no contexto das ciências hu-
manas e suas tecnologias inquirindo sobre os fundamentos ético-políticos dessa forma-
ção. Perguntar por fundamentos ético-políticos da formação de professores significa in-
quirir a respeito de certos consensos (valores amplamente reconhecidos) norteadores
dos cursos e das políticas que os possibilitam. Trata-se de analisar e avaliar as políticas
públicas não somente nos equívocos de sua concepção e nas suas promessas não comp-
ridas, mas na incoerência em relação ao que poderia ser feito e não se faz. Esta análise
se dá a partir da teoria crítica. Abordam-se os cursos de licenciatura em Ciências Sociais
nos Institutos Federais reconstruindo um modelo crítico de formação de professores.
O estudo baseia-se na análise de documentos do MEC referentes à formação de profes-
sores de Sociologia e ao Ensino Médio Integrado. Discute-se, a partir da teoria crítica,
o significado da tecnologia e sua relação com as ciências humanas mostrando os pressu-
postos ideológicos (ético-políticos) que orientam os documentos de formação de pro-
fessores. Aponta-se para o significado do estranhamento em relação à licenciatura em
Ciências Sociais oferecida pelos Institutos Federais e como isso é também sintoma de
um mal-estar decorrente da desarticulação das políticas públicas. Mostra-se ainda que,
no contexto de formação de professores de Sociologia -constituídos na área de ciências
humanas e suas tecnologias- para atuarem no Ensino Médio Integrado, nada mais autên-
tico do que exigir dos Institutos Federais a oferta do curso de Licenciatura em Sociais.

126 | Anais do IV ENESEB


FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS NA UFMA: DESAFIOS PARA A
CONSOLIDAÇÃO DA LICENCIATURA

Juarez Lopes de Carvalho Filho - UFMA


Leomir Souza Costa - UFMA

O objetivo deste trabalho, além de contribuir para a história da formação em Ciências


Sociais na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), é refletir sobre os desafios en-
contrados no Curso de Ciências Sociais para a consolidação da Licenciatura, tendo em
vista a obrigatoriedade da disciplina na Educação Básica. Na UFMA o curso de Ciências
Sociais foi criado em 1987 com a missão de formar bacharéis em Sociologia/Antro-
pologia. Em 1999 foi implantada a Licenciatura, como complemento do Bacharelado,
podendo o concludente sair com duas habilitações: Bacharelado e Licenciatura. Com
a volta da Sociologia ao Ensino Médio, passa por nova reforma em 2011, quando essas
duas modalidades se separam. O objetivo do curso, no entanto, foi sempre formar cien-
tistas sociais habilitados para a pesquisa e a docência nos níveis fundamental, médio e
superior. Contudo, como aconteceu na historia das Ciências Sociais no Brasil, a forma-
ção continua bastante marcada pela tradição bacharelesca. A partir do que vem sendo
colocado, é justo afirmar que a objetivação dos entraves para a consolidação da forma-
ção em Ciências Sociais na modalidade Licenciatura somente é possível através de uma
incursão na própria historia dos programas de formação acadêmica. No caso proposto,
a problematização do processo de formação em Ciências Sociais na UFMA implica uma
historia da própria disciplina no Maranhão, especificamente em São Luís. Desse feito,
uma dificuldade metodológica se impõe: a literatura sobre a historia das Ciências Soci-
ais na UFMA é praticamente inexistente. O que temos são pequenos relatórios funda-
dos na “memória do curso”, daqueles que foram os fundadores ou atas de Assembleias
Departamentais e Colegiado de Curso, além do Projeto Político Pedagógico. Assim,
nossa discussão se apoia nas observações, discussões e pesquisas conduzidas no quadro
da formação em Ciência Sociais no nível da graduação, nas modalidades Bacharelado
e Licenciatura. Num primeiro momento busca-se reconstituir as diferentes fases, que
não sãos lineares, mas dinâmicas e complexas, do processo de implantação e institu-
cionalização do Curso de Ciências Sociais na UFMA; num segundo momento busca-
se objetivar os obstáculos para a consolidação da Licenciatura em Ciências Sociais na
referida IES. Por último reflete-se sobre algumas estratégias implantadas para a supera-
ção da dicotomia pesquisa/ensino. Postula-se que, embora a instituição da Licenciatura
fortaleça a formação docente para o ensino da Sociologia no nível médio, é importante
superar a dicotomia entre pesquisa e ensino. Uma das inovações da junção das modali-
dades e da implementação da Licenciatura foi a criação do Laboratório de Ensino em
Ciências Sociais (LECS). Com carga horária equivalente à das disciplinas, os LECS são
atividades conjugando ensino, pesquisa e extensão, visando preparar docentes para atu-
ação nestes três níveis de trabalho. A experiência tem favorecido ainda, a produção de
conhecimento da realidade educacional maranhense, da prática do ensino de Sociologia
em São Luís, através do Estágio Licenciatura, da produção de monografias, seminários
e trabalhos apresentados em congressos pelo país. Outro elemento importante para a
superação dos grandes desafios para consolidação da licenciatura é o PIBID/Sociologia.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 127


A visibilidade que este vem adquirindo no Curso de Ciências Sociais vem contribuindo
para fortalecer a licenciatura nessa área de conhecimento, mobilizando alunos e docen-
tes doravante envolvidos com as atividades ligadas à área da educação.

“EU QUERO SER PROFESSOR DE SOCIOLOGIA”: UM ESTUDO SOBRE AS


INFLUÊNCIAS DA SOCIOLOGIA E DO PROFESSOR DE SOCIOLOGIA NO
ENSINO MÉDIO EM CUIABÁ - MATO GROSSO

Silvana Maria Bitencourt - UFMT


Francisco Xavier Freire Rodrigues - UFMT

Nos últimos anos a obrigatoriedade do ensino de sociologia no ensino médio tem se


apresentado a partir de uma disciplina, cuja história tem sido marcada por uma serie
avanços e recuos. Uma vez que a hierarquia das disciplinas e a própria representação do
professor de sociologia apresenta aspectos que não colaboram para sua efetiva consoli-
dação no ensino médio, considerando que muitos que lecionam sociologia na educação
básica não têm licenciatura em ciências sociais torna-se fundamental que este “lugar”
seja preenchido a partir de conteúdos ministrados por cientistas sociais, pois tratam
de teorias, metodologias de sua área de conhecimento. Nos últimos anos podemos
observar uma mudança positiva em relação às novas abordagens sobre o estágio super-
visionado e a introdução do programa de iniciação à docência (PIBID), este que desde
2010 tem sido desenvolvido em alguns cursos de licenciatura em ciências sociais no
Brasil, assim como a experiência do Programa de bolsas de Iniciação Científica para
ensino médio, que contribui para o estudante ter mais proximidade com as pesquisas
das ciências sociais. Estas mudanças positivas em relação à sociologia no ensino médio
têm contribuído para uma formação de professores de ciências sociais direcionada a
reflexões mais contextualizadas em termos teóricos e metodológicos, na medida em
que o ensino de sociologia consolida-se como um objeto de estudo, assim conquistando
espaços acadêmicos nos cursos de graduação e algumas pós-graduações que concen-
tram linhas de pesquisa privilegiando esta discussão tanto de maneira direta quanto
indireta. Partindo desta perspectiva, este estudo tem como objetivo investigar as moti-
vações que os estudantes têm apresentado para cursar licenciatura em Ciências Sociais
na UFMT no atual contexto. Para atingir este objetivo realizou-se revisão bibliográ-
fica sobre a emergência da sociologia no ensino médio, posteriormente analisaram-se
os discursos construídos pelos estudantes ingressantes do segundo semestre de 2014
e primeiro semestre de 2015 em ciências sociais da UFMT. A partir dos resultados
podemos constatar que houve uma mudança no perfil dos estudantes, o curso por ser
noturno primeiramente atraia uma grande quantidade de estudantes trabalhadores e
estudantes já graduados que justificavam a procura do curso a fim de “agregar con-
hecimento”, a partir de 2010 verificam-se mudanças no perfil dos estudantes, estes
apresentam mais jovens apostando no curso de licenciatura em ciências sociais a pos-
sibilidade de “fazer a diferença” como fez seu professor de sociologia, conforme as falas
deles. Conclui-se que a obrigatoriedade do ensino de sociologia no ensino médio tem
garantido um movimento de reciprocidade entre professor e aluno, criando um ciclo

128 | Anais do IV ENESEB


que é retroalimentado a partir do diálogo entre pesquisa/ensino quando o estagiário
que também é acadêmico apresenta-se como um modelo a ser seguido pelo estudante
de ensino médio, assim como o Pibid que tem possibilitado o diálogo entre a escola e
a universidade. Finalizando vale a pena pontuar que este novo contexto marcado pelo
Enem, apresenta-se a partir de uma maior presença de habilitados e juventude interes-
sada em ciências sociais, sendo que isto pode ser uma nova tendência da licenciatura
como um curso que se consolida a partir do respaldo da juventude e de seus professores
de sociologia que possuem formação em Ciências Sociais.

FORMAÇÃO DOCENTE - A PESQUISA E A EXTENSÃO: O QUE DIZEM OS


PROFESSORES

Eleanor Gomes da Silva Palhano - UFPA


Sheyla Rosana Oliveira Moraes - UFPA
Sylvia Castro – UFPA

O trabalho tem como objetivo apresentar parte dos resultadosobtidos da investigação


acerca das concepções e práticas de professores da educação básica, que atuam com
o ensino da sociologia, em relação à atividade de pesquisa e extensão. O estudo teve
como tema central, a pesquisa como saber mediador para a formação do docente e
a extensão como dimensão da prática docente. A pesquisa constatou que os profes-
sores precisam de condições e de tempo para estudar. Impasses foram identificados
no cenário da formação e requerem posições. Como formar um professor? Como o
conhecimento cientifico do docentese expressa na sua pratica pedagógica? E fato que a
qualidade do ato educativo se coloca na formaçãode professores. Nesse sentido, o estu-
do contribui com questões para repensar os modelosteóricos presentes nas instituições
responsáveis pela formação de professor da educação Básica, da área de sociologia. Os
subsídios teóricos para o desenvolvimento do estudo foram os pressupostos de Bernard
Charlot, sobre a natureza do saber e a formação dos professores; Donald Schon, formar
professores como profissionais reflexivos; Maurice Tardif, saberes profissionais dos pro-
fessores (...) suas consequências em relação à formação para o magistério; Bernadete
Gatti, politicas de formação docente no Brasil; Pierre Bourdieu, questões de sociologia
e razões práticas; Boaventura de Sousa Santos, A universidade no século XXI e outras
referencias. Os procedimentos foram: observações de práticas pedagógicas, entrevistas
semiestruturadas, análises dos projetos pedagógicos dos cursos e fotografias. O estudo
foi realizado em um período de um ano, participaram do estudo 30 professores da
educação básica que exercem docência na área da sociologia. Os professores informa-
ram que compreendem a natureza e a importância da pesquisa no processo de ensino e
aprendizagem, todavia suas práticas se distanciam da pesquisa, pois a sala de aula exige
dos mesmos um ensino técnico e menos reflexivo. Sinalizam ser a pesquisa uma ação
estruturante do fazer pedagógico. Quanto a extensão na avaliação dos professores, esta
oferece subsídios ao trabalho docente e amplia a relação da escola com a comunidade.
Cria uma expectativa no docentede participação em um projeto social democrático.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 129


FORMAÇÃO DE PROFESSORES E O EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA: UM OLHAR
PARA O CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS

Nathalia Martins - UEL


Cláudia Chueire de Oliveira - UEL
Dirce Aparecida Foletto de Moraes - UEL

O presente resumo é fruto de uma pesquisa relacionada ao gênero na docência. Desta


maneira, apresenta as representações dos alunos do curso de licenciatura de uma uni-
versidade estadual em relação a reflexão sobre o exercício da profissão docente. Para
consolidação deste trabalho um questionário para alunos dos 1º e 4º anos do curso de
licenciatura em Ciências Sociais foi o instrumento para coletar informações. O objetivo
norteador da pesquisa foi identificar e analisar a representação dos discentes do curso
de graduação com intuito de problematizar a formação inicial ofertada aos futuros pro-
fessores. Os aportes teóricos que embasaram a análise foram Gadotti (2007), Nóvoa
(2009) Pimenta e Anastasiou (2008), entre outros que buscam o entendimento das
diversas dimensões que compõem o processo de formação de professores e o exercício
docente. A metodologia utilizada para analisar as declarações dos alunos participantes
da pesquisa se deu por meio da Análise do Discurso. Os participantes da pesquisa apre-
sentaram em suas representações sociais aspectos que buscam valorizar e respeitar o
profissional docente, atribuindo-lhes características que perpassam sua profissão, isto
é, condizem com o exercício profissional de cunho político e social. Entretanto, o pro-
fessor também foi apresentado como mero transmissor de conhecimentos que deve
seguir modelos técnicos de ensino, cujo espaço de atuação é apenas o da sala de aula.
Diante disso, entende-se que estas representações necessitam ser mais investigadas com
profundidade, visto que se pretende a superação pontual e para que não sejam para-
doxalmente reproduzidas na prática docente. Neste sentido, é necessário que conste
do projeto pedagógico do curso, por meio do seu currículo, espaços de reflexão e de
debate sobre as representações da profissionalização docente, para desta maneira, con-
struir novas possibilidades em relação à profissão docente, pois, a formação inicial só faz
sentido quando possibilita ao futuro professor condições de refletir sobre o exercício
profissional e vivenciar experiências significativas, as quais possivelmente irão refletir
em sua profissionalização.

AS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE ENSINO SUPERIOR BRASILEIRAS E A


FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE SOCIOLOGIA PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA
NA MODALIDADE A DISTÂNCIA

Inaê Elias Magno da Silva - CAPES


Tania Elias Magno da Silva - UFS
Adriana Maria Giubertti - Câmara dos Deputados (Brasília - DF)

Em nove anos de existência, o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), programa


do Governo Federal responsável pelo pagamento das despesas com bolsas e custeio

130 | Anais do IV ENESEB


dos cursos de graduação, aperfeiçoamento e especialização das instituições públicas de
ensino superior (IPES) ofertados na modalidade a distância, reúne quase uma centena
de IPES e mais de trezentos cursos destinados à formação inicial de professores. Os
números do programa são vultosos e confirmam a tendência de aceitação da modalidade
a distância no ensino superior público brasileiro. A oferta de cursos de formação inicial
para o ensino de Ciências Sociais/Sociologia no Sistema UAB, contudo, não respeita a
tendência geral do conjunto do Sistema. No universo acima descrito há apenas cinco
IPES e, correspondentemente, cinco cursos inscritos, com oferta de vagas intermitente
ano a ano. Esses dados sugerem a existência de entraves à oferta de licenciaturas em
Ciências Sociais/Sociologia na modalidade a distância que merecem ser investigados.
Eis o que propõe este paper, na condição de estrato de um estudo maior ainda em
andamento: tendo como ponto de partida a análise comparativa de dados secundários
relativos ao Sistema UAB, ao ensino presencial, dentre outros, pretende-se identificar
quais são e qual a relação entre questões endógenas ao Sistema UAB e a baixa incidência
de oferta de cursos de licenciatura em Ciências Sociais/Sociologia que o mesmo regis-
tra. O referencial teórico que orienta o presente estudo fundamenta-se no debate pro-
movido por Bourdieu a respeito do campo científico e suas lutas intestinas por posição,
capital e poder, bem como na leitura de autores que discutem a dialética resistência/
aceitação no uso das chamadas tecnologias de informação e comunicação (TICs) e da
educação a distância propriamente dita na formação de professores, a exemplo de Jai-
me Giolo. Os resultados preliminares do presente estudo confirmam a inexistência
de instrumentos indutivos no Sistema UAB que, por privilegiarem determinada área
do conhecimento ou certo tipo de oferta, tenham resultado em prejuízo à oferta de
licenciaturas em Ciências Sociais/Sociologia. Tampouco registra-se no Sistema con-
centração de IPES com maior vocação acadêmica para as outras ciências em prejuízo
das Ciências Sociais. Preliminarmente, portanto, os resultados indicam a inexistência
de causas endógenas ao Sistema UAB para o fenômeno observado, sugerindo que sua
causalidade seja predominantemente exógena, ou seja, ligada a outras instâncias, tais
quais, a legislação educacional e as próprias IPES, em seus respectivos departamentos,
faculdades, institutos de Ciências Sociais/Sociologia. Neste paper, contudo,não se pre-
tende oferecer uma resposta terminativa à questão das causalidades do fenômeno aqui
apresentado, mas sim apontar questionamentos e problematizações.

SESSÃO B – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

A ESCOLHA PELA LICENCIATURA E PELA PROFISSÃO DE PROFESSOR DE


SOCIOLOGIA: RAZÕES REVELADAS POR EGRESSOS LICENCIADOS EM
CIÊNCIAS SOCIAIS

Patrícia Silva Xavier - UFC

O presente trabalho pretende entender os motivos pela escolha, por partes dos egres-
sos do curso de Ciências Sociais na Universidade Federal Ceará, pela modalidade li-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 131


cenciatura entre os anos de 2002 a 2008. Esse momento corresponde ao período em
que a disciplina de Sociologia ainda não fazia parte da grade curricular obrigatória do
Ensino Médio, tendo sido incorporado somente em 2008, com a aprovação da Lei
Nacional nº 11684/08 que assegurou o retorno desta disciplina como componente
curricular. Busca-se compreender como os estudantes conduziram suas escolhas em
um período que não se tinha um campo profissional institucionalizado, assim também
objetiva-se entender como o curso de Ciências Sociais na modalidade Licenciatura era
organizado, se havia incentivos para a sua escolha ou discussões a respeito da profissão
de professor, seus campos de atuação e quais as perspectivas de formação apresentadas
nos projetos políticos-pedagógicos da licenciatura. A pesquisa tem como objetivo prin-
cipal compreender o significado que teve para esses egressos optarem pela licenciatura,
quais motivações os levaram a escolherem essa modalidade como primeira opção em
detrimento do bacharelado. Fazendo- se assim necessário saber como foi construído o
espaço da Licenciatura do curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Ceará-
UFC e os campos profissionais destinados para esses estudantes no período de 2002 a
2008. As respostas para essas indagações serão buscadas por meio de entrevistas com
egressos, professores e coordenadores do curso daquele momento e também na análise
de documentos (projeto político pedagógico, ementas e conteúdos das disciplinas). A
pesquisa está em andamento, mesmo assim com alguns dados obtidos já nos mostra o
quanto foi difícil à construção dessa carreira, pois naquele tempo não havia políticas
de incentivo. Conclui-se que os alunos formados durante esse período na Licenciatura
não chega à metade dos formandos no curso de Ciências Sociais, ainda assim é essencial
saber por que essa parte menor escolheu esse caminho.

OS LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS SOCIAIS NA PARAÍBA

Vilma Soares de Lima Barbosa - UFCG


Ivan Fontes Barbosa - UFPB
Geovânia da Silva Toscano - UFPB

A presente pesquisa, edificada a partir da necessidade de entender os limites e as pos-


sibilidades da formação de licenciados em Ciências Sociais na Paraíba, buscou construir
um panorama dos principais elementos sociais, culturais e institucionais que estru-
turam o cotidiano e as expectativas dos estudantes da licenciatura do curso. Realizou-se
nos Cursos de Licenciatura da UFPB e UFCG/Sumé mediante a aplicação de question-
ários, entrevistas, problematização do tema formação em ciências sociais nas disciplinas
ministradas pelos pesquisadores envolvidos com a área de sociologia da educação. Du-
rante os anos de 2012 e 2013, construiu-se um painel das principais representações dos
alunos acerca das Ciências Sociais, das perspectivas profissionais e dos fatores sociais e
culturais que balizam a relação com as atividades acadêmicas. Os resultados indicam a
falta de clareza sobre a atuação e a vocação do cientista social, o restrito mercado de
trabalho, as dificuldades na conciliação entre trabalho e estudo e o ritmo de exigências
intelectuais e abstratas necessárias à condução das atividades na disciplina e na con-
fecção dos trabalhos, como variáveis elucidativas destas questões.

132 | Anais do IV ENESEB


FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM CIÊNCIAS SOCIAIS NA UFPEL: O PERFIL
DO EGRESSO

Marcelo Pinheiro Cigales - UFSC


Leon Mclouis Borges de Lucas - UFPel

A formação de professores em Ciências Sociais no Brasil é emblemática, pois existe


uma série de dificuldades institucionais que historicamente valorizou a formação do
bacharelado por considerar lócus privilegiado para pesquisa em oposição à licenciatura
vista por muitos como espaço de práticas pedagógicas voltadas ao ensino. Este binômio
deturpado de que o ensino não requer pesquisa, fez com que se desenvolvesse uma
divisão desfavorável para a licenciatura no interior dos cursos de Ciências Sociais no
Brasil. No cenário específico da Universidade Federal de Pelotas, Cigales (2013), con-
statou que a maioria dos professores do curso não possuía vinculo de pesquisa com as
questões educacionais e com o ensino de sociologia, mesmo aqueles que eram respon-
sáveis pela formação de professores. Isto significa que a formação dos licenciados era
naquele momento destinada à Faculdade de Educação. Em outras palavras, a formação
pedagógica do professor de sociologia tinha frágeis vínculos com a produção sociológi-
ca. Entretanto, nos últimos anos, projeta-se um novo horizonte para os licenciandos,
principalmente com a criação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docên-
cia – PIBID, e da abertura de concurso para uma vaga destinado ao Ensino de Sociolo-
gia. Reflexo da Lei de 2008 (11.684), a formação dos professores em Ciências Soci-
ais se remodela, e junto com isso, observa-se a crescente abertura de concursos para
vagas destinadas ao ensino de Sociologia, a criação de laboratórios de ensino, grupos
de trabalho nos eventos nacionais de Ciências Sociais (ABCP, SBS, ABA), assim como
a crescente publicação de dossiês, artigos, resenhas e relatos de experiência docente
sobre o tema. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é destacar a formação docente
do licenciado em Ciências Sociais no Brasil, contrastando com o cenário específico do
curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pelotas. O referencial teórico
busca dialogar com Bourdieu e Charlot. O primeiro autor será utilizado para discutir o
processo objetivo do currículo, representado não somente pelas disciplinas escolares,
mas também pelas estruturas de poder que caracterizam a divisão entre licenciatura e
bacharelado. Através do segundo autor, busca-se pensar os aspectos subjetivos da for-
mação do professor de sociologia, na medida em que o currículo pode ser pensado para
além das estruturas objetivas, pois experiências que transcendam os muros da universi-
dade, quando relacionadas com os conteúdos da disciplina, podem ser um importante
complemento formativo. O trabalho se utilizará da metodologia qualitativa e de várias
técnicas de pesquisa tais como: a) revisão bibliográfica a cerca da produção científica
sobre a formação de professores; b) análise documental: sobre o Projeto Político Ped-
agógico do curso de Ciências Sociais da UFPel; c) questionário aplicado aos estudantes
egressos do curso de Ciências Sociais da UFPel, a fim de conhecer o perfil do egresso,
bem como a aplicabilidade das práticas pedagógicas disponibilizadas durante a gradu-
ação. Entre os principais resultados, é possível destacar, por um lado, a valorização do
PIBID como uma importante ferramenta de inclusão, permanência e formação dos
professores de Sociologia, por outro, a carência do curso em oferecer disciplinas que

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 133


estejam de acordo com a realidade enfrentada pelos professores de Sociologia em sala
de aula.

NOVOS CAMINHOS NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE


CIÊNCIAS SOCIAIS: REFLEXÕES SOBRE O PROGRAMA DE RESIDÊNCIA
DOCENTE DO COLÉGIO PEDRO II

Rogerio Mendes de Lima - Colégio Pedro II (RJ)

A promulgação da Lei 11.684/2008 e a consequente ampliação da presença das Ciên-


cias Sociais nos currículos da educação básica verificada nos últimos anos, fez emergir
um conjunto de questões relacionadas à atuação cotidiana dos licenciados na área, que
vão desde às práticas e métodos utilizados nas salas de aula, às precárias condições de
trabalho dos professores nas diferentes modalidades de ensino. Nesse contexto, um dos
temas mais relevantes tem sido a formação do professor de Sociologia/Ciências Sociais,
especialmente diante da necessidade de ocupar e consolidar um espaço que durante
décadas foi considerado secundário, tanto acadêmica quanto profissionalmente. No
caso do Estado do Rio de Janeiro uma das constatações é a de que boa parte dos licen-
ciados em Sociologia/Ciências Sociais que passam a atuar na rede estadual de educação,
que absorve o maior contingente de professores de nossa área, vivenciam uma realidade
que se caracteriza pela precariedade e pelo isolamento profissional, o que tem tornado
premente a busca, por parte daqueles que decidem enfrentar o desafio, por uma for-
mação continuada que lhe permita adquirir ferramentas para interferir na realidade na
qual estão inseridos. Em consonância com esses anseios e buscando ser uma alternativa
importante nessa luta cotidiana, o Colégio Pedro II (CPII) criou a partir de 2012, o
Programa de Residência Docente (PRD) que atende diferentes áreas do conhecimento,
entre elas a área de Ciências Sociais/Sociologia. O objetivo do programa é unir à longa
e exitosa experiência da instituição na educação básica as experiências, realidades e
desafios enfrentados por professores recém-formados, para conjuntamente desenvolv-
er metodologias, práticas e estratégias de atuação no espaço escolar. Especificamente
na área de Ciências Sociais/Sociologia, o programa tem procurado aliar à formação
pedagógica um debate sobre as condições em que a prática docente se realiza, dis-
cutindo o próprio papel da escola na construção e reprodução das desigualdades sociais
e como a atuação dos professores pode ser um instrumento para que se vislumbre out-
ras possibilidades para toda a comunidade escolar, particularmente para os estudantes.
Desse modo, o presente trabalho pretende refletir sobre quais tem sido os impactos do
programa no processo de formação continuada de jovens professores de Sociologia/
Ciências Sociais no Estado do Rio de Janeiro, debatendo quais possibilidades, limites
e desafios estão postos por esse novo caminho na formação continuada de professores.

134 | Anais do IV ENESEB


O PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA
DEBATE: UM ESTUDO DE CASO COM OS EGRESSOS DO PROFBPAR
FORMADOS EM CIÊNCIAS SOCIAIS PELA UFMA

Gamaliel da Silva Carreiro - UFMA

O presente trabalho é o resultado de pesquisa com professores que concluíram o curso


de segunda licenciatura em Ciências Sociais pelo Programa de formação de Professo-
res da Educação Básica (PAFOR/PROFEBPAR) implantado na Universidade Federal
do Maranhão em meados de 2009. Após cinco anos de funcionamento e seis turmas
concluídas, resolvemos iniciar uma pequena pesquisa de modo a ter elementos para
fazer um balanço das atividades do programa e uma avaliação dessa política publica em
termos de cumprimento de algumas de suas metas. O universo da pesquisa é composto
por 70 professores de quatro cidades maranhenses formados pelo programa entre 2009
e 2014. Indagamo-nos sobre a formação inicial desses professores e seu impacto na
apreensão da sociologia, entendendo esta como uma segunda socialização. Após a for-
mação, eles assumiram as disciplinas de sociologia no ensino médio atendendo assim as
expectativas da política pública? Obtiveram êxito em concursos ou seletivos específicos
da área de formação? Que imagens possuem do programa e do curso de ciências Sociais
nessa modalidade? Como avaliam o ensino de sociologia nas escolas onde trabalham?
Houve alguma mudança em termos de conteúdos ministrados, capacidade de trans-
missão dos conteúdos específicos das Ciências Sociais, atendendo assim os objetivos
da disciplina no Ensino Médio? Os resultados indicam que uma parte dos formados
tem assumido as disciplinas de sociologia nas escolas ande trabalham, ocupando vagas
antes preenchidas por professores que objetivavam apenas complementar suas cargas
horárias. No lugar de filósofos, historiadores e pedagogos aparecem agora o licenciado
em ciências Sociais. Uma parcela tem se aventurado pelas cidades vizinhas buscando
seletivos na área de sociologia e assim complementarem suas rendas. Outros avançaram
e foram aprovados em seleção de mestrado em CS ou estão planejando. É prematuro
afirmar, mas os dados podem indicar que o oferecimento da formação em Ciências So-
ciais nessa modalidade de segunda licenciatura, embora com todas as dificuldades, pode
ter consequências não previstas tais como o fortalecimento do próprio campo das ciên-
cias Sociais no Estado, na medida em que cria um espaço de disputa entre esses novos
diplomados e os pedagogos, pelo direito de ministrar sociologia no ensino médio. Essa
disputa tende a ser maior quanto menor forem as oportunidades em termos de vagas
em concursos públicos. Pode fortalecer também a perpetuação da disciplina no ensino
médio, na medida em que uma nova classe de professores com formação específica em
sociologia agora começa a batalhar para manter seus empregos.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 135


FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: A EXPERIÊNCIA DA
RENAFOR NO IFPE

Anicélia Ferreira da Silva - Fundação Joaquim Nabuco


Alexandre Zarias - Fundação Joaquim Nabuco

O presente trabalho visa apresentar a RENAFOR – Rede Nacional de Formação de


Profissionais do Magistério da Educação Básica e o IFPE – Instituto Federal de Pernam-
buco enquanto instrumentos disponíveis que possibilitam a viabilizaçãoe legitimação
das práticas de formação continuada de professores. Apresentando especificamente a
experiência do Curso de Aperfeiçoamento em Sociologia para o Ensino Médio, oferta-
do pelo IFPE campus Pesqueira,no período de novembro de 2013 a maio de 2014.
Busca apontar a importância do curso como propostade formação para professores
de Sociologia, descrevendo os percalços do curso, desde os motivos que levaram a sua
elaboração, percorrendo os meios que o viabilizaram, público alvo, o planejamento, or-
ganização e realização. Além de apresentar, parcialmente, dados referentes aos resulta-
dos do curso, a partir da pesquisa realizadano Mestrado Profissional em Ciências Sociais
para o Ensino Médio ofertado pela FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco. As bases
teóricas para análise dos resultados, obtidos na referida pesquisa que alimentaram esse
trabalho, partem de dados coletados por meio de questionários e entrevistas semies-
truturadas, tendo sido construídas sob as perspectivas dos professores formadores e
participantes do curso. A análise bibliográfica se utiliza da literatura atual que aborda
a formação continuada de professores como uma questão emergente e necessária. O
aprofundamento teórico permite conhecer os percursos e abordagens sobre a temática
de formação continuada de professores, bem comoas leis e documentos oficiais que
abordam o assunto. Assim, partindo das circunstâncias sob as quais o curso foi desen-
volvido, pretende dar continuidade às discussões que cercam a temática de formação
docente em serviço, alimentando-a com as contribuições no campo de formação dos
professores de Sociologia, considerando que estes representam um público que neces-
sita de meios alternativos para aperfeiçoar a prática docente e consequentemente mel-
horar a qualidade da educação básica, prioritariamente através de formações comple-
mentares baseadas em realidades e contextos específicos, respeitando as peculiaridades
de cada público.

A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE SOCIOLOGIA: ALGUMAS REFLEXÕES


SOBRE A RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA NOS DOCUMENTOS OFICIAIS
E NOS PROJETOS PEDAGÓGICOS DOS CURSOS DE CIÊNCIAS SOCIAIS

Anna Christina de Brito Antunes - UFSC

A proposta de trabalho surge a partir de reflexões presentes na dissertação defendida


no ano de 2014, a qual investigou a formação de professores de Sociologia a partir da
noção de profissionalidade docente. Para isso, foram analisados documentos referen-
tes às Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores, às Diretrizes

136 | Anais do IV ENESEB


Curriculares Nacionais para os cursos de Ciências Sociais e aos Projetos Pedagógicos
dos cursos de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Cata-
rina (UFSC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade
Federal do Paraná (UFPR). No que se refere à formação de professores de Sociologia,
podemos considerar a implementação das DCN’s e a obrigatoriedade do ensino de So-
ciologia nas séries do Ensino Médio (Lei nº 11.684/2008) como fatores fundamentais
que impactam nos cursos de licenciatura em Ciências Sociais. Nesse sentido, tanto as
diretrizes quanto a obrigatoriedade colocam aspectos relevantes a serem investigados
no campo da formação de professores. Dentre eles, destacamos a relação entre teoria e
prática. A leitura dos documentos oficiais abordam diretamente estas duas dimensões,
as quais têm destaque em diversos momentos do texto (Parecer CNE/CP 09/2001),
e também estão ligados a outras ideias e princípios importantes nas diretrizes, como
por exemplo, a noção de competências. Nesse sentido, nossa intenção neste trabalho é:
a) pensar qual concepção de teoria e prática norteia as normativas e, b) entender qual
concepção de teoria e como se configuram a prática e os estágios curriculares super-
visionados nos currículos nos cursos. Diante do proposto, embasaremos nossas ideias
nas contribuições de Saviani (2009), Pimenta (2012), Pimenta e Lima (2012), Pimenta
e Almeida (2014), Diniz-Pereira (2011), dentre outros. Acreditamos que este trabalho
contribui para o debate sobre a questão da relação entre teoria e prática nos cursos de
Licenciatura em Ciências Sociais, como também com a questão mais geral da formação
de professores.

O CAMPO DE ESTÁGIO E A FORMAÇÃO DOCENTE: UM ESTUDO SOBRE AS


PRÁTICAS DE ENSINO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS NA ESCOLA DE APLICAÇÃO
DA UFPA

Jean Roberto Pacheco Pereira - UFPA


Maria do Carmo da Silva Dias - UFPA
Cícero de Oliveira Pedrosa Neto - UFPA

Este trabalho se propõe a discutir o campo de estágio como elemento da formação


docente do professor de Sociologia. Faz-se aqui, uma análise dos estágios docentes per-
tinentes às práticas de ensino do Curso de Ciências Sociais (licenciatura e bacharelado)
desenvolvidas na Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará – EA/UFPA.
Comumente quando há a pretensão em debater a temática formação docente, por vezes
surgem ideias que envolvam o viés da vocação, ou seja, o “ser professor” é algo inerente
ao indivíduo que pretende seguir a carreira docente. Perante a atual conjuntura, per-
cebe-se também um debate marcado pela ideia de que a docência seria a “saída última”,
ou seja, a sala de aula seria um espaço profissional a ser ocupado apenas “se nada der
certo” profissionalmente. Quer pela dificuldade profissional, quer pela vocação, o pro-
fissional do ensino não emerge sem uma preparação, sem uma formação, a escolha do
fazer docente é, como qualquer outro campo profissional, um processo. Dessa forma, o
caráter subjetivo da escolha é impulsionado por outros elementos, que irão moldar ou
preparar o indivíduo para seguir os caminhos da sala de aula. Neste sentido, o estágio

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 137


docente apresenta-se como uma etapa importante da/na formação acadêmica do aluno
postulante a professor. É a fase prática do processo, onde o graduando terá contato di-
reto com a sala de aula, auto-avaliando e sendo avaliado sobre os conceitos apreendidos,
observando e interpretando a realidade prática, a etapa onde muito do fazer docente
tende a ficar mais claro e perceptivo. Debruçado sobre estas perspectivas, unindo as
experiências de participação em projetos voltados para o ensino/aprendizado da disci-
plina Sociologia na Educação Básica, desenvolveu-se uma pesquisa voltada para desvelar
as percepções de alunos e professores da graduação do curso de Ciências Sociais acerca
do estágio docente como parte da formação acadêmica. As análises desta pesquisa se
deram em torno dos relatórios de estágio dos alunos graduandos, de entrevistas com
professores da graduação responsáveis pelas práticas de ensino e com professores de
Sociologia que atuam na educação básica da Escola de Aplicação da UFPA, além da
observação participativa destes alunos ao desenvolverem suas práticas docentes. Da
relação ensino de Sociologia e estágio docente, surgem indagações e inquietações que
formam uma teia de proposições acerca da contribuição do estágio para a formação do
professor de Sociologia. Ao discutir esta realidade observa-se que o campo de estágio
docente é um espaço de diferentes percepções, de dicotomias, onde a aplicabilidade
do “fazer docente” apresenta variações entre os indivíduos. As análises primeiras da
pesquisa revelam que os envolvidos no campo de estágio percebem o trabalho docente
como um espaço de insatisfações, sobrecarga de atividades, baixos salário, sensações
de impotência, falta de reconhecimento e valorização. A sala de aula denota um campo
de possibilidades, que vive em constante conflito, amenizado pelo uso de metodolo-
gias e recursos didáticos que procuram tornar o ensinar/aprender mais interessante e
significativo (tanto para quem ensina quanto para quem aprende). O campo de estágio
está imerso a essa realidade. Na perspectiva dos estagiários, ele é a real aproximação
com a profissão, muitos se encontram encantados com as possibilidades de ser profes-
sor, entretanto, há aqueles que cumprem os estágios docentes apenas pela obrigato-
riedade. Portanto, a incursão do aluno da graduação nas práticas de ensino compõe-
se de maneira processual, articulando elementos subjetivos e elementos de formação
acadêmica, que, dispostos de maneira prática, podem levá-lo a inserir-se no campo da
docência ou não, caracterizando o estágio docente como uma etapa de consolidação ou
de desistências.

PRÁTICAS DOCENTES E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE SOCIOLOGIA


NA UFRN

Karla Danielle da Silva Souza - UFRN


Dalliva Stephani Eloi Paiva - UFRN
Fernando Francelino Lopes Júnior– UFRN

Este trabalho tem como objeto de estudo as práticas docentes na formação inicial de
licenciandos em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN). O nosso objetivo é refletir acerca de tais práticas e o modo como o referido
curso está formando os professores de Ciências Sociais para o ensino médio. Buscamos

138 | Anais do IV ENESEB


uma aproximação da realidade da licenciatura e apontamos as preocupações e os an-
seios presentes no curso. Para compreensão do contexto e da realidade da licenciatura
do referido curso, partirmos de uma reconstituição histórica da disciplina no Brasil,
como também, pensamos sobre o modo como tem se estruturado o curso dessa uni-
versidade, suas mudanças de currículo, reformulações didáticas, incorporação de docu-
mentos nacionais e institucionais, entre outros. Para tanto, nos orientamos a partir
das leituras: das Orientações Curriculares para O Ensino Médio, do Regulamento dos
Cursos de Graduação e do Projeto Político Pedagógico do Curso de Ciências Sociais
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Posteriormente, dialogamos com
professores do ensino médio, e futuros profissionais do curso em apreço. A bibliografia
a qual orientou essa pesquisa foi fundamentada pelas obras de BARBOSA JÚNIOR
(2002); BARTH (2000); BRZEZINSKI (2011); BOURDIEU (1998-1974); CAMINHA
(1963); EAGLETON (1997); FILHO (2005);FREIRE (1987); HONORATO (2007);
MILLS (2009); e WEBER (1971). A presente pesquisa vem demonstrando que se faz
necessário problematizar as práticas docentes no curso de Ciências Sociais para com-
preender em que medida está se formando o bacharel na licenciatura. A problemática
central se dá por meio do questionamento: há de fato uma preocupação com a licen-
ciatura e, portanto, com a formação de professores da educação básica? A partir disso,
refletir e despertar uma atenção à formação do professor de Sociologia a partir da
mediação dos formadores de formadores, no caso, o docente de ensino superior. Desse
modo, propor uma ressignificação da concepção que os professores formadores dos
licenciandos/licenciados têm do curso de licenciatura em Ciências Sociais.

ENTRE MUNDOS: O LICENCIANDO COMO MEDIADOR CULTURAL


ENTRE A UNIVERSIDADE E A ESCOLA E AS REPERCUSSÕES DO ESTÁGIO
SUPERVISIONADO NA CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE

Rosana da Câmara Teixeira– UFF

Neste trabalho pretende-se discutir as percepções dos licenciandos sobre a experiência


do estágio supervisionado e seu impacto na construção da subjetividade docente a partir
da produção textual realizada ao longo da licenciatura em Ciências Sociais, no âmbito
da disciplina Pesquisa e Prática de Ensino. Tal produção possibilita conhecer dilemas e
desafios envolvidos no processo de formação inicial, indicando de que modo a realidade
escolar tem sido vivenciada e interpretada pelos futuros professores, influenciando seus
projetos futuros de carreira. Se o desencantamento é um sentimento recorrente em
inúmeros relatos, levando, inclusive, os alunos a questionarem, em alguns momentos,
as propostas didático-pedagógicas discutidas nos cursos, considerando-as “distantes” do
cotidiano observado, por outro lado, nota-se que esta percepção é relativizada, pouco
a pouco, convertendo-se na formulação de propostas de ação, a partir de um campo de
possibilidades, entremeado de relações de poder, que se delineia durante a imersão no
ambiente escolar. Pretende-se discutir nesta apresentação, em que medida a condição
liminar de estagiário no trânsito realizado entre os mundos da universidade e da escola
e, no interior do espaço escolar, entre as experiências do professor supervisor e dos

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 139


alunos, o transformam em uma espécie de mediador privilegiado. A mediação está
sendo aqui considerada nos termos propostos por Gilberto Velho & Karina Kuschnir
(2001) como fenômeno sociocultural em que as diferenças possibilitam trocas, comu-
nicação e intercâmbio. Assim, o estudo da mediação e, especificamente, do papel des-
empenhado pelos mediadores permite compreender como se dão as interações entre
categorias sociais e universos culturais diferenciados. A mediação, como ação social
permanente refere-se, portanto, a processos de comunicação que podem gerar confli-
tos, reavaliações, orientar escolhas e redefinir projetos. Sem dúvida, tanto o “efeito pro-
fessor” (François Dubet (1997) quanto o “efeito aluno” (decorrente da aproximação que
se estabelece no cotidiano das aulas e da exposição aos anseios e visões dos discentes)
afetam a subjetividade do licenciando, se configurando como dimensões cruciais para
a compreensão de como este processo de formação inicial vem se desenvolvendo. As
condições sócio-estruturais nas quais se encontra a educação pública no país e, particu-
larmente, a situação da sociologia na grade curricular entre a legalidade e o reconheci-
mento social também são elementos centrais nas narrativas. Espera-se que essas análises
possam contribuir para melhor dimensionar o lugar do estágio supervisionado e o papel
do licenciando como mediador, revelando a complexidade e a centralidade deste pro-
cesso, assim como provocar reflexões no âmbito das licenciaturas sobre os desafios que
estão colocados na formação do professor de Ciências Sociais da Educação Básica.

POR UMA “PEDAGOGIA DA PERGUNTA” NA FORMAÇÃO INICIAL DE


PROFESSORES DE SOCIOLOGIA

Thiago Ingrassia Pereira– UFFS

O estágio curricular supervisionado nos cursos de formação inicial de professores da


área de ciências sociais vem assumindo uma posição de destaque nos debates atuais. O
cenário da pós-obrigatoriedade da disciplina de sociologia fomenta discussões acer-
ca de currículos e saberes associados à docência na educação básica. Nesse sentido,
inovações metodológicas e de referenciais teóricos se tornam pertinentes, pois um
dos atuais desafios das ciências sociais no Brasil é a qualificação do espaço curricular
da sociologia no ensino médio. Por isso, este trabalho apresenta resultados de pesquisa
acerca de novas estratégias formativas nas disciplinas de estágio curricular nos cursos
de licenciatura, estabelecendo diálogo teórico com referenciais das ciências sociais e
da educação. Em especial, apresenta a pedagogia de Paulo Freire como uma referência
ao desenvolvimento da docência em suas dimensões éticas, políticas, epistemológicas e
metodológicas. Este referencial é posto em diálogo com a “Metodologia da Problema-
tização” a partir da obra de Neusi Berbel, na qual o Arco de Maguerez é apresentado
como um caminho metodológico para o ensino. Dessa forma, aproxima-se a “pedagogia
da pergunta” na acepção freireana com a “metodologia da problematização” a partir de
Berbel com o apoio da teoria/método de Maguerez. O principal objetivo deste exer-
cício é a produção de subsídios analíticos para a práxis pedagógica na formação inicial
da docência na área de ciências sociais. Nesse sentido, a supervisão de estágios curricu-
lares é tratada como uma ação de pesquisa, tendo em vista a qualificação permanente

140 | Anais do IV ENESEB


que esta atividade exige. Observando o trabalho desenvolvido nos estágios a partir de
uma “pedagogia da pergunta” em conexão com a “metodologia da problematização”,
compreende-se que os resultados preliminares, obtidos por meio da sistematização de
experiências, sugerem a pertinência do arcabouço teórico freireano, pois ele está as-
sociado às diretrizes curriculares normativas da área de ensino de sociologia, além do
enfoque da escola pública em uma dimensão popular. Professores indagadores e curio-
sos (na dimensão epistemológica) são essenciais para a construção de estudantes com
essas habilidades.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 141


142 | Anais do IV ENESEB
GT5 – HISTÓRIA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA NO BRASIL

Coordenador: Marcelo Pinheiro Cigales - UFSC


E-mail: marcelo.cigales@gmail.com
Vice-coordenador: Cristiano das Neves Bodart - USP
E-mail: cristianobodart@hotmail.com

SESSÃO ÚNICA – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

O DISCURSO DE APOIO À SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO NOS ANOS 30 E


NOS ANOS 90/00: SIMILITUDES E DIFERENÇAS

Gustavo Cravo de Azevedo – UFF


Tais Barbosa Valdevino do Nascimento – UFRJ

O trabalho tem como objetivo pensar a trajetória de institucionalização da Sociologia


como disciplina escolar obrigatória, na educação básica, a partir dos discursos produzi-
dos a cerca da disciplina nos anos de 1930/1940 e nos anos de 1990/2000. O motivo
para este recorte temporal se dá, pois nos anos de 1930/40, assim como, em 1990 e
2000, a presença da Sociologia na escola foi discutida não só, por representantes das
Ciências Sociais, como por exemplo, Delgado de Carvalho nos anos 30 e entidades
representativas, como a APSERJ, nos anos 90, mas também, foi posta em pauta, pelo
legislativo. Durante as décadas de 30/40 a Sociologia esteve presente na escola. A dis-
ciplina foi inserida no então chamado ensino secundário através da reforma Rocha Vaz,
em 1925, mantida, na reforma Francisco Campos, 1932, e depois retirada, pela re-
forma Gustavo Capanema, 1942. Na década de 30, quando a Sociologia foi obrigatória
na escola, houve uma expressiva produção de livros didáticos (cerca de duas dezenas
de livros) e discursos sobre a importância da Sociologia ser ensinada na escola. Para
entendermos os discursos produzidos em relação à presença da Sociologia nos anos
30, este trabalho analisou a Carta de Miguel de Carvalho a Luis Vergara encaminhando
relatório sobre o ensino de Sociologia, os programas da disciplina do ensino secundário
e também levou em consideração o tipo de cidadão que se pretendia formar. Já nos anos
de 1990 e 2000, as discussões favoráveis à reinserção da Sociologia na escola básica são
retomadas. Para analisar os discursos dos anos 90/00, esse trabalho utilizou as duas tra-
mitações de projetos de lei federal (PL 3178/97 e PL 1641/03) que visavam a aprova-
ção da Sociologia obrigatória no ensino médio. A primeira, em 2001, sem sucesso, a
segunda, em 2008, com sucesso. Nas duas tentativas, são analisados os discursos pro-
duzidos pelos parlamentares nas duas Casas do Congresso, a Câmara dos Deputados e
o Senado Federal. O trabalho toma o cuidado com a comparação entre as duas épocas

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 143


e propõe um debate necessário sobre o sentido da Sociologia no ensino médio nos dois
períodos, de modo a apresentar as similitudes e diferenças.

A SOCIOLOGIA, OS INTELECTUAIS E A POLÍTICA: O CAMPO EDUCACIONAL


NAS DÉCADAS DE 1920-1940

Julio Gabriel de Sá Pereira - UFSC

Este trabalho tem como proposta refletir sobre o processo de desenvolvimento históri-
co do ensino de sociologia no Brasil,resgatando o contextodas décadas compreendidas
entre 1920 e 1940, tendo como pano de fundo a disputa pela legitimidade do discurso
no campo intelectual sobre a educaçãono processo de constituição de um projeto que
visava levar o país a modernidade. O objetivo é entender como um contexto político
que se desenvolvia especialmente no período recortado, envolveu as questões educa-
cionais, e especificamente, envolveu a disciplina de sociologia para tais fins.Para isto,
se propõe a discussão sobre as noções de campo do sociólogo francês Pierre Bourdieu.
Tal conceito procura perceber como se configuram as relações entre agentes em dado
campo a partir de códigos e regras que influenciam e são influenciados de forma mais
ou menos independentes por/de outros âmbitos. Será preciso também realizar um
resgate histórico-reflexivo sobre a composição de um campo intelectual preocupado
com a temática da educação na primeira metade do século XX no país, bem como onde
se encontrava a disciplina de sociologia neste campo e que esforços foram demandados
para sua consolidação. Neste sentido, os intelectuais franceses, com as contribuições
teórico-metodológicas de Emile Durkheim e a corrente de pensamento do positiv-
ismoprincipalmente, ocupam posição importante enquanto representantes do campo
científico na construção dos moldes educacionais no país.Sabe-se que a sociologia no
auge do seu desenvolvimento foi uma das principais bases teóricas para que se fosse
possível pensar o contexto de um país que entrava num processo de industrialização
e crescente urbanização. Neste percurso se faz necessário o questionamento sobre as
disputas que estavam em campo: por que a escolha da sociologia francesa? Que outros
discursos estavam em disputa no campo? Considera-se necessário melhor compreender
este contexto histórico para que seja possível também entender a situação em que se
encontra o ensino da disciplina de sociologia no ensino básico em dias atuais, e além do
mais quando encontramos em situação de urgência refletir sobre que tipo de sociedade
está se querendo construir, cabendo à sociologia e seu papel crítico ocupar espaço de
importância fundamental neste sentido.

RAYMOND MURRAY E A SOCIOLOGIA CATÓLICA NO BRASIL: ANÁLISE A


PARTIR DE UM MANUAL DIDÁTICO DA DÉCADA DE 1940

Marcelo Pinheiro Cigales - UFSC

A institucionalização da sociologia no Brasil se desenvolveu a partir das pesquisas cientí-

144 | Anais do IV ENESEB


ficas propiciadas pela criação das primeiras universidades brasileiras, e pela inserção da
disciplina nas modalidades do ensino secundário, normal e superior. A disputa entre
os intelectuais católicos e liberais marcou o período e caracterizou o desenvolvimento
de distintas concepções sociológicas, entre elas a chamada “sociologia católica”. Esta
proposta de sociologia teve início da França no final do século XIX, e representou uma
oposição da Igreja Católica sobre a ciência social proposta por Émile Durkheim, que
iniciava seu processo de institucionalização no campo acadêmico e científico daquele
país. De certa forma, a Igreja não queria perder a legitimidade do discurso sobre a
sociedade, tendo que mobilizar dessa forma, seus intelectuais na construção de uma
sociologia que fosse na esteira de seus princípios. No Brasil, um dos principais repre-
sentantes desse movimento foi Alceu Amoroso Lima, figura de destaque na produção
e circulação das ideias católicas no campo social e educacional. Tendo como fundo a
discussão mais ampla sobre a inserção dessa concepção de sociologia no país, este trab-
alho visa analisar e descrever o manual “Introdução à Sociologia” escrito por Raymond
Murray, autor católico e norte-americano, traduzido para o português em 1947 e pub-
licado pela editora Artes Gráficas Indústrias Reunidas (AGIR), fundada por Amoroso
Lima. O referencial teórico busca dialogar com Norbert Elias, na tentativa de com-
preender o projeto civilizatório que a Igreja pretendia desenvolver junto às novas ge-
rações em processo de escolarização. A metodologia se apoia na pesquisa qualitativa de
análise documental. Entre os principais resultados destaca-se a busca por legitimidade
dessa concepção de sociologia, dentro do campo educacional e científico, refletido na
tradução de um manual da sociologia católica produzido por um autor norte-america-
no. Em relação ao manual propriamente dito, percebe-se uma normatização das ideias
sociológicas que (re)afirmam a relevância da moral católica para o ensino da disciplina
nos espaços sociais, principalmente no campo educacional sob o domínio da Igreja.

SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO: UMA ANÁLISE HISTÓRICA E COMPARADA


DAS PROPOSTAS CURRICULARES

Bruna Lucila de Gois dos Anjos - UFRJ

O objeto de estudo deste trabalho é o ensino de sociologia na educação básica. Mais


especificamente, pretende-se analisar e comparar do ponto de vista histórico e social as
propostas curriculares de três diferentes estados, a saber: Rio de Janeiro, São Paulo e
Paraná.A temática desta investigação é voltada à questão da história da disciplina escolar
Sociologia nos diferentes contextos educacionais estaduais. A Sociologia é uma disci-
plina peculiar nos currículos escolares. Isto se deve às inúmeras vezes que foi retirada
do currículo, não permitindo assim que a mesma se consolidasse no Ensino Médio.
A recente aprovação da disciplina para todo o Ensino Médio (Lei 11.684/2008), no
entanto, abriu amplas possibilidades e ao mesmo tempo trouxe novas contradições e
debates que, até então, não se colocavam na pauta dos pesquisadores e/ou professores
de Sociologia.Apesar do contexto favorável, propiciado pela obrigatoriedade recente,
o tema ligado às propostas curriculares ainda tem pouca expressão nos estudos relati-
vos ao ensino de Sociologia em comparação com outras comunidades disciplinares. A

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 145


inexistência de um Currículo Nacional de Sociologia, ou um documento que prescreva
os temas/conteúdos a serem ensinados, possibilita múltiplas maneiras de organização
destes conteúdos pelos estados. E desta forma uma análise comparadade propostas cur-
riculares geradas em diferentes contextos de luta pelo retorno da sociologia no ensino
médio pode trazer elementos para a compreensão da história dessa disciplina escolar.
Nessa direção, pretende-se avaliar em que medida os diferentes processos históricos
de implementação da disciplina e dos currículos podem influenciar as propostas cur-
riculares. Para tal, será examinado como as propostas curriculares dos estados se ap-
ropriaram dos documentos oficiais existentes – Orientações Curriculares Nacionais
e Parâmetros Curriculares Nacionais a fim de comparar os conteúdos expressos nas
diretrizes curriculares estaduais de diferentes estados, possibilitando assim verificar as
similaridades e distanciamentos entre as propostas curriculares.Para direcionar nossa
investigação, a perspectiva teórica de currículo a ser adotada é a de Ivor Goodson. Este
autor nos orienta a analisar o currículo, como um documento de construção históri-
ca, percebendo como os documentos escolares são construídos e como circulamentre
instituições, docentes e discentes. A metodologia deste trabalho será a análise docu-
mental comparada, por meio debibliografia sobre o tema, além de uma investigação
histórica utilizando entrevistas realizadas com autores das propostas curriculares e/ou
pesquisadores de referência no campo deEnsino de Sociologia dos estados investigados.
O recorte temporal deste estudo considera a reintrodução da disciplina nas grades cur-
riculares estaduais, partindo assim da obrigatoriedade em 2008. Para isto, os currículos
analisadosserão: Paraná (2008), Rio de Janeiro (2012) e São Paulo (2010).Através da
análise documental e histórica das propostas curriculares dos diferentes estados poder-
emos constatar quais são os conteúdos escolares de Sociologia que mais tem expressão
nos currículos, e assim perceberemos como está configurado o ensino de Sociologia em
diferentes contextos escolares.Atualmente a discussão de políticas curriculares nacio-
nais, e de mudanças no Ensino Médio está permeando os espaços educacionais, por isso
estudos como este sobre conhecimento escolar através de documentos oficiais são de
importante contribuição para entendimento do cenário da disciplina.

POR UMA SOCIOLOGIA DA HISTÓRIA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA:


CIENTISTAS SOCIAIS E ESPAÇO SOCIAL ACADÊMICO

Lívia Bocalon Pires de Moraes - UNESP

Minha pesquisa tem como objeto de estudo o processo recente de institucionalização


da obrigatoriedade da sociologia no Ensino Médio, ocorrido entre 1997 e 2008, e pre-
tende, empregando a teoria sociológica de Pierre Bourdieu, e suas noções de habitus,
poder simbólico, capital, campo, estratégia e representação, analisar a posição de al-
guns dos cientistas sociais diretamente envolvidos nesse processo no campo de disputas
constituído internamente às ciências sociais, compreendidas enquanto espaço social
acadêmico.Para tal, construo um histórico da constituição do que chamo de espaço
social acadêmico no Brasil, adotando como “recorte” temporal o ano de 1964, e a pos-
terior implantação, pelos governos militares, de uma política educacional voltada à in-

146 | Anais do IV ENESEB


stitucionalização da pós-graduação e à centralidade das agências de fomento no setor de
Ciência e Tecnologia do país, refletindo acerca do impacto destas para a área das ciên-
cias sociais e seus integrantes, e da gradual valorização de determinadas formas de fazer
científico, e de fazer-se cientista neste espaço social, por elas acarretadas.Em seguida,
partindo do esboço da estrutura deste espaço, elaborado com base em dados obtidos
nas plataformas virtuais destas agências de fomento, em especial a Capes e o CNPq, tra-
ço um perfil acadêmico e institucional dos cientistas sociais estudados, a saber, os pro-
fessores Amaury Moraes; Heloísa Martins, Lejeune Mirhan, Ileisi Silva, Nelson Tomazi,
Sueli Mendonça e Elisabeth Guimarães, com vistas a apreender a estrutura dos capitais
por eles estabelecidos em suas trajetórias profissionais, e a compreender as relações de
disputa/parceria que mantiveram e mantêm entre si e com outros cientistas sociais,
no período estudado e atualmente.Realizo também entrevistas semiestruturadas com
estes agentes, e a observação empírica de eventos da área em que estejam presentes, a
fim de apreender suas concepções sobre este processo de institucionalização e sobre a
função social das ciências sociais e de seu ensino, retornando à sua posição no espaço
acadêmico, conforme o poder simbólicodetido por cada um deles, para entender as
representações que possuem sobre si mesmos, as disputas estudadas, os demais agentes
envolvidos e o próprio espaço social.Intento, assim, com base na reflexão sociológica
a ser realizada, compreender as relações entre as ações do grupo e a interiorização de
certo habitus relativo à representação do ser cientista social, incluindo nesta pesquisa a
luta entre representações do real, tanto no sentido de imagens mentais, quanto no de
manifestações sociais com vistas a instituí-las.

CONTRIBUIÇÕES DE FLORESTAN FERNANDES PARA A


INSTITUCIONALIZAÇÃO DO ENSINO DE SOCIOLOGIA NO BRASIL

Maria Teixeira - UFMT


Abenizia Auxiliadora Barros - UFMT
Francisco Xavier Freire Rodrigues - UFMT

A história da sociologia como disciplina é marcada pelas idas e vindas no Ensino Médio
brasileiro,embasando discussões e investigações científicas em torno dos desafios apon-
tados para o ensino desta disciplina no Brasil. Aqui, o ensino de sociologia na educação
básica antecedeu aos primeiros cursos de formação na área e a principio limitava-se a
memorização de conceitos e teorias. Só a partir dos anos 30 do século XX foram cria-
dos os primeiros cursos de Ciências Sociais, mais voltados para a formação de técnicos
e pesquisadores do que para a formação de professores. Em termos de politicas publicas
educacional, após o Estado Novo, as propostas assumiram um caráter elitista, voltadas
para a reprodução das condições sociais, privilegiando os cursos técnicos. Este processo
de formação em Ciências Sociais não propiciou uma articulação com o ensino da dis-
ciplina na educação básica, se atribuindo isto a uma tradição bacharelesca existente no
país.No sentido de contribuir para o entendimento histórico da sociologia no Brasil, o
estudorealizado traz como objetivo ressaltar a contribuição e a importância de Flores-
tan Fernandes e do seu trabalho de pesquisa sociológica, na institucionalização da so-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 147


ciologia no ensino médio e na criação da Sociologia brasileira. As reflexões de Florestan
Fernandes desenvolveram analises criticas sobre a constituição histórica da sociedade
brasileira, levantando questionamentos acerca das transformações sofridas no âmbito
da urbanização; industrialização; educação; regimes e governos, entre outros. Este es-
tudo bibliográfico teve como analise crítica duas de suas obras: A Sociologia no Brasil
(1977) eA Condição de Sociólogo (1978), propondo discutir e conhecer um pouco
mais da trajetória de Florestan Fernandes e sua formação, como professor e ao mesmo
tempo pesquisador, interessado em compreender os problemas do mundo moderno.
Defendia o estudo de sociologia no ensino médio pautado nas referencias metodológi-
cas básicas e na variação de estratégias de ensino que colaborasse para aguçar o pensar
sociológico do aluno, posto como essencial para a construção do conhecimento, procu-
rando sempre adaptar o ensino de Sociologia as condições brasileiras. Criador da teoria
crítica sociológica no Brasil sua contribuição é de relevância impar, principalmente no
âmbito da educação. Figurando no cenário politico do país, atuou nas subcomissões da
constituinte de 1988, em defesa da escola pública e da educação em geral, destacando-
se no debate sobre o projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a
LDB. Influenciado pelo marxismo, os estudos de Florestan Fernandes assumem um viés
interpretativo sobre os dilemas da dominação de classes no Brasil, tornando a leitura
de sua obra indispensável para o conhecimento histórico da organização da sociedade
brasileira e da sociologia no Brasil.

A SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO: UM CAMPO DE TENSÕES


POLÍTICAS

Salomão Alves Pereira - IFG

Busca-se, nos limites desse artigo, situar-se frente às principais discussões referentes ao
ensino de sociologia na educação básica e às licenciaturas em ciências sociais no Brasil.
Em tais discussões é unânime a ideia de que a principal marca da sociologia no ensino
secundário é sua intermitência. Esta, por conseguinte, acaba por influenciar o próprio
campo das ciências sociais no ensino superior. Entende-se aqui que tal realidade de
ensino é reflexo de contextos políticos específicos do país. Os problemas que subjazem
a essa comunicação elencam-se da seguinte forma: a) qual a relação histórica entre a
presença da sociologia no currículo básico brasileiro e a estrutura política do país? b)
quais as principais causas da intermitência da disciplina no ensino médio? c) como tal
intermitência influi na organização dos cursos superiores de ciências sociais no Brasil?
d) qual é a posição política associada à presença da disciplina no currículo básico, e
como a organização política e econômica do país sustenta tal colocação? Partindo dessa
problematização, pretendo realizar, além de uma digressão na história da disciplina no
Brasil, uma breve reflexão que tem como fio condutor as discussões realizadas acerca da
presença da sociologia no currículo escolar e dos cursos superiores de ciências sociais.

148 | Anais do IV ENESEB


A HIERARQUIZAÇÃO DOS SABERES NO ENSINO DE SOCIOLOGIA

Rebeca Martins De Souza - UFRJ

Este trabalho se inseriu no âmbito da pesquisa “O Mapa da Sociologia na Educação


Básica no Estado do Rio de Janeiro”, tendo sido apresentado na XXXII Jornada Gi-
ulio Massarani de Iniciação Científica, Artística e Cultural no ano de 2010 e retomado
nos estudos do Curso de Especialização em Ensino de Sociologia (CESPEB-UFRJ) em
2014. Seu objetivo principal é investigar de que maneira se organizam osconteúdos da
sociologia, quando sistematizados como disciplina escolar.Tendo em vista o contexto de
obrigatoriedade do ensino de Sociologia no ensino médio, por meio da lei 11684/08,
alguns obstáculos surgem para os professores recém formados, cujas origens remontam
debates internos a própria disciplina: qual seria efetivamente o objetivo da transmissão
deste conhecimento para os alunos da escola básica? Ou ainda, por qual eixo temático
deve-se começar, e como deve ser o desenvolvimento programático desta ciência, para
que a disciplina faça sentido para este público? Partindo do pressuposto de que algu-
mas ciências já institucionalizadas como disciplina escolar desenvolvem uma espécie de
“hierarquização de saberes”, cabe indagar: a disciplina escolar sociologia necessitaria,
também, desta hierarquização? Se esta hipótese está correta, quais seriam efetivamente
os saberes sociológicos necessários e de que forma eles devem se articular, de modo a
criar as condições necessárias para a apreensão de seus conteúdos pelos estudantes do
ensino médio? Estas, dentre outras questões, passam por uma discussão epistemológica
acerca da construção curricular da disciplina que pode ser compreendida a luz das teo-
rias sobre o estudo das ciências de Thomas Kuhn e Boaventura de Sousa Santos.

CULTURA ESCOLAR E O ENSINO DE SOCIOLOGIA: CONTINUIDADES E


RUPTURAS

Natália Salan Marpica - USP

O presente trabalho busca alicerces nos estudos sobre a cultura escolar para a reflexão
acerca dos desafios colocados à sociologia na educação básica, mais especificamente na
rede estadual paulista. Vidal (2009) aponta a pertinência de reconhecer os elementos
perenes da cultura escolar, mas também as mudanças, ainda que sutis, que são paula-
tinamente inseridas no dia a dia do universo escolar. É neste sentido que a reflexão
acerca da articulação entre cultura escolar e ensino de sociologia pode auxiliar a com-
preensão de como uma nova disciplina no currículo se integra à forma e cultura da
escola, ao mesmo tempo em que a cultura escolar é apropriada por esta nova disciplina,
num movimento dialético de construção das práticas escolares. Pretende-se refletir
sobre como as reformas institucionaistransformam os contornos da escola, as maneiras
como ela é percebida e as práticas de diferentes grupos sociais a seu respeito (VIN-
CENT, 2001), mais especificamente como a sociologia se integra à cultura escolar e dis-
puta por espaços de poder no interior da escola. A partir deste panorama entre cultura
escolar e ensino de sociologia as reflexões giram em torno das seguintes questões: as

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 149


especificidades da sociologia e de seu ensino se articulam com os elementos da cultura
escolar? De que forma? Para alcançar o objetivo proposto, é utilizado o conceito de
cultura escolar esboçado por Juliá (2001), como um conjunto de normas e práticas
que permite a transmissão de conhecimentos e a incorporaçãode comportamentos.
A partir da observação das aulas e de entrevista com professores, pode-se afirmar que
a sociologia, como um novo corpo de saberes na escola, acaba por manter os traços
da cultura escolar de maneira geral, mas também, abre oportunidades para pequenas
transformações das relações e práticas na escola. Por um lado, a falta de legitimidade da
disciplina frente aos alunos, aos demais professores e à instituição política e burocrática
da escola acarreta em menos tempos e espaços destinados à sociologia, por outro lado,
esta mesma falta de legitimidade significa também menor rigidez e abre espaços para
novas práticas, que ao longo do tempo podem se consolidar ou não.

SOCIOLOGIA NO ENSINO FUNDAMENTAL: A IMPLEMENTAÇÃO E


EXPERIÊNCIA DA REDE MUNICIPAL DE SÃO LEOPOLDO/RS

Aline Dias Possamai - EMEF Paulo Couto


Eduarda Bonora Kern - EMEF Paulo Beck
Janine Rossato - EMEF João Goulart

A história recente do Ensino de Sociologia no Brasil é uma trajetória multifacetada


iniciada com a obrigatoriedade no Ensino Médio e também com algumas iniciativas de
implantação no Ensino Fundamental. As experiências da disciplina com outros públi-
cos e espaços além do Ensino Médio contribuem para fortalecê-la enquanto matéria
escolar, pois essa diversidade contribui para o enriquecimento didático da Sociologia
na Educação Básica. Nesse sentido, algumas experiências vêm sendo vivenciadas nas
Séries Finais (6º ao 9º ano) do Ensino Fundamental e auxiliam a repensar as estratégias
metodológicas, os materiais didáticos, o currículo e as concepções teóricas específicas
para esse público alvo, uma vez que a existência da Sociologia no Ensino Fundamental
ainda possui uma inserção de pequena escala, em virtude do amparo em legislações
municipais ou a partir de decisões de cada instituição escolar. Portanto, esse trabalho é
um esforço de iniciar a sistematização e organização da história sobre a implementação
da Sociologia no Ensino Fundamental na rede municipal de São Leopoldo/RS. A So-
ciologia está na rede a quase 10 anos e precisamos registrar a nossa história e fazer um
balanço sobre essa implementação: avanços, retrocessos, possibilidades, experiências
e perspectivas. Por isso, o objetivo é conseguir apresentar um retrato dessa realidade,
para dialogar com outras experiências similares e fortalecer a nossa disciplina enquanto
componente curricular no Ensino Fundamental. Uma vez que a falta de obrigatoriedade
faz sua permanência ficar suscetível as mudanças políticas dos governos que assumem
as administrações municipais. Muitas questões se colocam em um contexto como esse,
onde a fragilidade de amparo legal se reflete em dificuldades enfrentadas em sala de
aula, desde a disparidade da carga horária em relação às demais disciplinas, poucas indi-
cações de matriz curricular e materiais específicos, a sensação de isolamento e de estar
sempre “inventando a roda”. Dessa forma, o esforço de organizar esse trabalho também

150 | Anais do IV ENESEB


visa demonstrar a potencialidade da Sociologia nas Séries Finais. Assim, esse resgate se
desenvolverá a partir da análise de documentos e registros de eventos, reflexões sobre
as trocas entre docentes da rede e através do resgate das experiências de sala de aula, no
intuito de formar e apresentar um registro histórico local. A análise sobre a inserção da
Sociologia no Ensino Fundamental é de extrema importância para ampliarmos a nossa
capacidade de tornar a Sociologia acessível a qualquer público em diferentes contextos
sociais, sendo assim, mais um elemento que colabora para a legitimidade e presença
permanente da Sociologia na Educação Básica, se tornando também, parte da história
do Ensino no país.

A IMPLANTAÇÃO DA DISCIPLINA DE SOCIOLOGIA NOS COLÉGIOS DA REDE


ESTADUAL DEENSINO DO MUNICÍPIO DE PONTAL DO PARANÁ

Isabelle Leal de Lima - IFPR


Luiz Belmiro Teixeira - IFPR

O presente trabalho tem por finalidade apresentar uma pesquisa sobre o processo de
implantação da disciplina de sociologia no ensino médio, no litoral do estado do Paraná.
O histórico da disciplina de sociologia seja a nível estadual ou nacional é marcado por
longos períodos de instabilidade, a partir de 2008 a disciplina passa a ser obrigatória no
currículo escolar do ensino médio do Brasil, no caso do Paraná especificamente, esta in-
clusão se deu de forma processual nos três anos seguintes. Analisamos como o processo
ocorreu no litoral paranaense, em quatro colégios do município de Pontal do Paraná:
Colégio Estadual Paulo Freire, Colégio Estadual Maria Helena Teixeira Luciano, Colé-
gio Estadual Hélio Antonio de Souza e Colégio Estadual Sully da Rosa Vilarinho. Nossa
análise parte de dados coletados junto ao Núcleo Regional de Educação de Paranaguá
e aos colégios em questão, além de entrevistas com os professores de sociologia que
atuam nos mesmos. Apresentaremos um panorama histórico do processo e um perfil
dos professores da disciplina, dados que embasam a análise do contexto em questão. O
trabalho traz como base teórica a ideia de configuração de Norbert Elias, pensando a
Sociologia enquanto inserida em uma rede de relações que inclui a disciplina no Ensino
Médio, a formação dos professores nos cursos de licenciatura no estado do Paraná,
além da política educacional desenvolvida e colocada em prática pelos governos federal
e estadual. Partimos do pressuposto de que o processo de implementação da discip-
lina se apresenta de forma estrutura, desta forma, seguimos também os pressupostos
teórico-metodológicos de Elias. Segundo os quais, para chegarmos ao entendimento
das estruturas e processos sociais devemos estudar as relações entre os diferentes es-
tratos funcionais que convivem juntos num mesmo campo social, e observando a mais
lenta ou mais rápida mudança nas relações de poder inseridas neste campo, podemos
identificar uma estrutura específica deste mesmo campo, que se repete sucessivas vezes
durante a história.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 151


A HISTÓRIA DA INSERÇÃO DA SOCIOLOGIA COMO DISCIPLINA DO ENSINO
MÉDIO E TÉCNICO: UM ESTUDO DE CASO DO IFSUL/CAMPUS PELOTAS

Gabriel Bandeira Coelho - IFSUL


Lucas Ligabue Pinto - IFSUL
Juline Fernandes da Silva - IFSUL

O presente trabalho tem como principal objetivo destacar os principais fatores que
marcaram a inserção da Sociologia, enquanto disciplina do conhecimento científico,
nos currículos dos cursos integrados (médio e técnico) do Instituto Federal de Educa-
ção, Ciência e Tecnologia Sul Rio-Grandense (IFSUL/campus Pelotas). Em outros ter-
mos, buscamos identificar os fatores dificultadores e também aqueles que têm facilitado
a inserção da sociologia nesses currículos, sobretudo a partir da Lei Federal 11.684/08,
que a colocou como obrigatória no ensino médio das escolas brasileiras. Para tanto, fo-
caremos nossos esforções metodológicos na análise de conteúdo das ementas da disci-
plina e também na análise de discurso, das entrevistas semiestruturadas, realizada com
os atores, especialmente professores e gestores que participaram desta reorganização
curricular a partir do momento em que a sociologia passou a ser obrigatória nos cur-
rículos do ensino médio. É nosso interesse, também, neste trabalho, mostrar qual a
realidade da Sociologia nos currículos do médio integrado ao técnico no IFSUL, após
7 anos de obrigatoriedade desta disciplina. Em suma, como o campo científico tem se
estruturado a partir dessa organização curricular se atentarmos para o espaço escolar?
Quais os maiores desafios que uma disciplina como a Sociologia, fazendo parte daquilo
que é considerado como Ciências Humanas, tem enfrentado para buscar seu espaço e
demonstrar sua relevância para formação cidadã, mesmo que a escola seja voltada para
o ensino técnico, voltado, sobretudo ás ciências duras (exatas)?

O ENSINO DE SOCIOLOGIA E O ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR:UMA


ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DA DISCIPLINA NOS PROCESSOS SELETIVOS DE
ADMISSÃO NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DE MINAS GERAIS

Nara Lima Mascarenhas Barbosa - UFRRJ


Rogéria da Silva Martins - UFV

O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre a consolidação da sociologia en-
quanto campo disciplinar através da investigação do modo como seus conteúdos são co-
brados nos processos seletivos de admissão ao Ensino Superior. Observa-se que devido
ao longo período de intermitência nos currículos da educação básica, os conhecimen-
tos, bem como as competências fundamentais da sociologia deixaram de compor o
quadro de exigências atribuídas ao ensino médio e também às provas de acesso ao en-
sino superior. Apenas com a aprovação da Lei 11.684 de 2008, a sociologia volta a fazer
parte desse quadro, sendo seus conteúdos passiveis de cobrança nos exames de admis-
são das universidades. Assim, tendo em vista que o Ensino Médio tem se configurado,
em parte, como um passaporte para o Ensino Superior, torna-se essencial investigar

152 | Anais do IV ENESEB


como a Sociologia tem se apresentado nesses espaços.Principalmente, no que concerne
à efetividade da lei que a torna obrigatória e aos desafios que se mostram perante sua
legitimidade.Nesse sentido, foi realizada uma análise qualitativa das provas de admissão
das onze Universidades Federais de Minas Gerais, como também as provas do Exame
Nacional do Ensino Médio (ENEM), no período de 2009 a 2013. Durante a pesquisa
observamos que os conteúdos temáticos da sociologia quase não apareceram de forma
específica, mas de maneira dispersa, ou seja, incluídos em questões referentes a disci-
plinas de outras áreas das ciências humanas, não necessitando, assim, de um domínio
acerca de seus conteúdos específicos. Entretanto, percebemos que a importância não
conquistada nos vestibulares e nos processos de avaliação seriada das Universidades,
tem se mostrado presente na nova versão do ENEM, que apesar de também não trazer
a disciplina Sociologia de forma “específica”, tem cobrado, ainda que de forma tímida,
algumas questões próprias de seu campo disciplinar. Sendo assim, o novo formato do
ENEM se mostra como uma possibilidade de contribuir de maneira efetiva para a con-
solidação da disciplina na educação básica.

O ENSINO DE SOCIOLOGIA NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO


– UEMA: APRENDIZADOS E DESAFIOS

José Antonio Ribeiro de Carvalho - UEMA


José Domingos Cantanhede Silva - UEMA

Neste trabalho apresentamos o processo histórico do ensino de Sociologia na Univer-


sidade Estadual do Maranhão – UEMA, com a finalidade de refletir sobre as aprendiza-
gens e os desafios da construção dos projetos pedagógicos e suas contribuições para
a Licenciatura no Curso de Ciências Sociais. Aplica-se, como metodologia, a análise
de depoimentos e documentos, utilizando-se as fontes primárias e secundárias, bem
como entrevistas com os principais atores desse processo. A criação desta Universidade
ocorreu em dezembro de 1981, resultante de um processo histórico de uma Federação
de Escolas Superiores do Maranhão- FESM com concentração nas áreas tecnológicas
e ciências agrárias, sendo obrigatória nos cursos de Administração, Engenharia Civil e
Engenharia Mecânica, em São Luís, e nas duas Escolas de Licenciatura, nos municípios
de Caxias e Imperatriz. No período do regime militar, a Sociologia não foi excluída dos
currículos, mesmo com a obrigatoriedade da disciplina Estudo de Problemas Brasileiros
que, em algumas IES substituiu a Sociologia. Entre os docentes do campus de São Luís
havia graduados em Ciências Sociais e alguns foram sendo pós-graduados nos mestra-
dos de Antropologia e Sociologia. Com a consolidação da universidade, diversos cursos
de licenciatura foram implantados nos anos 90, inclusive o curso de Ciências Sociais,
no Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA. Com a estruturação dos grupos de
pesquisa na área da Antropologia e dos Programas de Mestrado Desenvolvimento So-
cioespacial e Regional e, Cartografia Social e Política da Amazônia, amplia-se o envolvi-
mento dos discentes de Ciências Sociais. Por recomendação do Ministério da Educação,
o curso foi separado em dois projetos distintos, a saber: bacharelado e licenciatura. A
licenciatura tem mantido o maior número de alunos, principalmente depois da im-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 153


plantação do Programa de Iniciação Docente – PIBID e a realização de eventos sobre o
ensino de sociologia; cita-se a parceria com a Universidade Estadual de Londrina – PR
e a Jornada de Ciências Sociais da Uema. Neste estudo, busca-se ainda, compreender e
explicar a importância do exercício do magistério de Sociologia na Educação Básica no
Maranhão e no Brasil, bem como os desafios contemporâneos.

154 | Anais do IV ENESEB


GT6 – ESCOLA, CULTURAS JUVENIS E SOCIABILIDADE

Coordenador: Irapuan Peixoto Lima Filho - Universidade Federal do Ceará/UFC


E-mail: irapuanpeixoto@yahoo.com.br
Vice-coordenadora: Danyelle Nilin Gonçalves - Universidade Federal do Ceará/UFC
E-mail: danynilin@yahoo.com.br

SESSÃO A – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

AS TRIBOS JUVENIS ESCOLARES DO INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO


SANTO E SEUS JOGOS: UMA SAÍDA AOS TRILHOS DA VIDA COMUM EM VEN-
DA NOVA DO IMIGRANTE

Adriana Gomes Silveira - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - ES


Deane Monteiro Vieira Costa - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - ES
João Gomes da Silveira - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - ES

Este trabalho é resultado do projeto de pesquisa do Núcleo de Estudos sobre Trabalho,


Educação e Juventudes (NETEJUV) que está sediado no Instituto Federal do Espírito
Santo (IFES), na linha de pesquisa “Escola, culturas juvenis e sociabilidades”. É desen-
volvido pelos professores e alunos pesquisadores. O olhar se volta sobre as práticas
juvenis construídas no IFES/ Campus Venda Nova do Imigrante (VNI). A escola está
localizada num município de colonização predominantemente de italianos, com vo-
cação econômica regional e local para a agroindústria e turismo. Atende a um público
juvenil oriundo de diversos segmentos socioeconômicos e de outros municípios. A
escola possui prestígio diante das outras escolas estaduais da região, isso faz com que
a maioria desses(as) jovens deixem suas cidades e venham para a escola em busca de
uma escola de ensino médio com melhores condições de infraestrutura e qualidade de
ensino. O intuito desta pesquisa é buscar, nos depoimentos desses/as jovens alunos/
as, elementos que permitam entender as novas demandas e necessidades desses sujeitos
diante do universo escolar.Nesse sentido, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa,
uma vez que foram realizadas observações diretas e indiretas, com a finalidade de inter-
pretar os significados que os indivíduos dão às suas ações, no meio em que constroem
suas vidas e suas relações.Além disso, os grupos focais mostraram-se como momentos
fecundos para o aprofundamento de questões “não entendidas” durante as observações
e entrevistas. Para isso, investigamos dimensões juvenis geralmente negligenciadas no
ambiente escolar, como: o lazer, a diversão, o tempo livre, o homoerotismo, o espaço
não tutelado pelo adulto, a experimentação dos relacionamentos grupais e os sentidos
estéticos de identificação, que refutam a ideia de uma juventude homogênea. Concluí-
mos que, além do aprendizado, os jovens desejam frequentar uma escola que valorize a

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 155


sociabilidade, o encontro, pois, mesmo reconhecendo a oportunidade de se credencia-
rem para o mundo do trabalho por meio da escola, não admitem a forma como muitas
vezes acontecem as práticas pedagógicas.

HETEROGENEIDADE DE GRUPOS E O RECREIO COMO FERRAMENTA DE


SOCIABILIDADE

Nathália Potiguara de Moraes Lima - UFRN


Natália Cristina de Medeiros - UFRN

O presente trabalho tem como objetivo a realização de um estudo de caráter empírico,


a partir de uma análise de campo, sobre a importância do momento do recreio escolar
como ferramenta de sociabilidade entre os alunos, levando em consideração a hetero-
geneidade existente nos grupos constituídos pelos discentes (com idade entre 14 a 18
anos) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte
(IFRN), campus Natal - Central. Optou-se pelo recreio como contexto da pesquisa,
por perceber-se que é este o momento onde há mistura de alunos de áreas acadêmicas
diferentes, embora tenham idades, muitas vezes, semelhantes. Há, claramente, divisões
entre estes jovens em grupos definidos, percebidos por qualquer profissional que atue
neste espaço, assim sendo, essa pesquisa busca compreender os fenômenos que levam
a divisão desses adolescentes, bem como, analisar se há inter-relações existentes entre
eles, e destacar a importância do momento do recreio para a autoafirmação destes
sujeitos no contexto social em que se encontram. Há que se considerar diversos fa-
tores contribuintes para a constituição desses grupos, comumente conhecidos como
‘tribos urbanas’. Normalmente, definem-se num conjunto de pessoas que compartil-
ham de gostos semelhantes ou perfis parecidos. Tais semelhanças podem ser pautadas
com base em fatores sociais como, por exemplo, condições socioeconômicas da família,
religião, afinidades em gostos musicais similares, gênero, gostos literários, gostos cin-
ematográficos, aptidão a determinados tipos de esporte, dentre outros. A metodologia
a ser utilizada como subsídio para a elaboração deste artigo será uma pesquisa de na-
tureza qualitativa, que envolve a participação das pesquisadoras e a interação com os
sujeitos da pesquisa mencionados anteriormente. Como procedimentos facilitadores
da construção do trabalho serão utilizados: Pesquisa bibliográfica voltada para temas
que discutam o assunto a ser desenvolvido; observações; entrevistas formais e diálogos
informais registrados, realizados com os alunos envolvidos na investigação. Em síntese,
pode se afirmar que os grupos existentes na escola são bastante heterogêneos, e isso
nos dá subsídios para ter um apanhado, com base nesta realidade, dos diferentes grupos
existentes nos diferentes âmbitos da sociedade.

156 | Anais do IV ENESEB


RAP NA ESCOLA: APROXIMAÇÃO OU DISTANCIAMENTO?

Bruno Christian Alves de Souza - UNESP

O resumo a ser exposto é parte do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em anda-


mento, intitulado, A rua educada: análise sobre o rap em espaço escolar. Temos como
objetivo, compreender a relação existente entre o rap e a escola. Como o rap é apro-
priado pela escola por parte dos diferentes agentes, com especial atenção aos profes-
sores, e quais suas motivações para o uso do mesmo. O rap, através do DJ e MC é
uma expressão artística vinculada ao movimento hip hop. Em São Paulo, o rap tem sua
origem concentrada nas ruas, como a histórica utilização das áreas próximas às estações
de metrô do centro da cidade de São Paulo. A escola por sua vez, é entendida aqui,
como uma instituição com atividades formais estabelecidas, distribuídas de formas fix-
as, como deveres oficiais e muitas vezes inquestionáveis. Trata-se então de uma análise
do contato entre a “rua” e a instituição e as inúmeras consequências dessa relação. Essas
consequências, ora mostra-se como um diálogo promissor. Ora, manifesta-se como um
sério conflito. Como recurso metodológico, fizemos um levantamento bibliográfico
do rap e especificamente de estudos sobre o rap e a educação. Além disso, fizemos
um levantamento da bibliografia referente à sociologia da educação. Usamos também,
como ferramenta de análise uma etnografia feita em escola da periferia da zona norte
da cidade de Marília. A partir dessa etnografia, constatamos que o rap ao ser apropriado
por essa escola, não foi trabalhado dentro do seu contexto histórico, incluindo suas
reivindicações e sua relação com o espaço conflituoso da periferia, o que fez surgir, e
reafirmar em alguns momentos, estereótipos. O trabalho encontra-se em andamento e
a fim de prosseguir o mesmo, faremos entrevistas com agentes (professores) de outras
escolas da cidade de Marília que também tiveram experiências com o rap.

JUVENTUDE, CONFLITOS E ESCOLA: ESTUDO ACERCA DE SOCIABILIDADES


JUVENIS E CULTURAS JUVENIS ENTRE JOVENS DO ENSINO MÉDIO EM DUAS
ESCOLAS PÚBLICAS DE SEROPÉDICA/RJ

Ana Paula Oliveira Francisco - UFRRJ

O presente artigo decorre do resultado da pesquisa intitulada “Juventude, Conflitos


e Consensos: Percepções de jovens sobre conflitos, violências e resolução pacífica de
conflitos”, projeto que contou com financiamento do MCT/ CNPq e que teve como
objetivo realizar um estudo com alunos de duas escolas públicas do município de Sero-
pédica - Rio de Janeiro. Com esse artigo apresentamos uma discussão sobre sociabili-
dades juvenis, juventude e culturas juvenis e como esses conceitos se relacionam a par-
tir da formação de grupos em sala de aula e do conceito de tribos urbanas. A proposta
foi compreender como eles classificam e relatam os conflitos sociais e as violências
que vivenciam dentro da escola. As culturas juvenis que ali se organizam identificam
e vivenciam formas de conflitualidades constituídas na escola a partir de disputas e
interações entre alunos e grupos. A proposta metodológica foi realizar um estudo a

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 157


partir de observação em escolas e dentro da sala de aula, com alunos das três séries
do Ensino Médio, buscando compreender como eles classificam e relatam os conflitos
sociais e as violências que vivenciam dentro da escola. As técnicas de pesquisa utilizadas
em conjunto com o trabalho de campo foram 5 grupos focais, 253 questionários apli-
cados e 30 entrevistas individuais com roteiros semiestruturados, o que nos permitiu
visualizar como as chamadas tribos se constituem a partir das redes de relações sociais
dos sujeitos, das disposições estéticas características de uma cultura juvenil e dos ideais
compartilhados que servem também como mecanismo de sustentação do grupo e sua
sociabilidade no espaço escolar. Por fim, a pesquisa destacou a necessidade de pensar
a escola como um espaço de sociabilidade para facilitação e orientação sobre formas
adequadas de resolução e conflitos. Um espaço plural, onde os jovens aprendem a con-
viver com a diversidade, deve ser também o espaço da tolerância e do diálogo.

FORMAÇÃO DE GRUPOS ASSOCIATIVOS NA UNIDADE ESCOLAR


PROFESSORA ÁUREA FREIRE: A ESCOLA COMO GRUPO SOCIAL

Wilson Machado Alencar - UFPI

O presente trabalho versa sobre o estudo da escola como grupo social. Neste sentido,
buscamos identificar tipos de grupos associativos e suas relações no ambiente escolar,
bem como evidenciar as características atuantes na formação de suas identidades. A
escola, como grupo social distinto, tem vida própria, “cujas leis escapam em parte à su-
perordenação prevista pela sociedade. Ela é uma “unidade social”, determinando tipos
específicos de comportamento, definindo posições e papeis, proporcionando formas de
associação (CÂNDIDO, 1955 apud PEREIRA & FORACCHI, p.12, 1971). Além disso,
temos a escola como espaço de encontro das subculturas juvenis destinado a “receber
e abrigar os diferentes sujeitos socioculturais que são seus estudantes” (GUIMARÃES
NETO, GUIMARÃES & DE ASSIS, 2012, p. 122). Ao estudar a escola, devemos levar
em conta as formas elementares de sociabilidade, o pré-organizado, que faculta enten-
dimento mais adequada da formação, dos agrupamentos não visíveis à primeira vista
e de toda dinâmica relacional do jovem. Portanto, realizamos um estudo qualitativo
sobre a formação, caracterização e a interação entre grupos associativos na Unidade
Escolar Professora Áurea Freire – escola localizada na Praça João Mendes, Avenida
Principal do Bairro Sacy no município de Teresina, capital do Estado do Piauí – durante
o ano letivo de 2014. Utilizamos os métodos etnográfico e comparativo, objetivando
obter o número de informações possíveis sobre o comportamento juvenil dos grupos
no espaço escolar. A princípio, procurou-se definir as associações de acordo com as fun-
ções exercidas pelos sujeitos participantes das atividades escolares, como funcionários
administrativos, professores e alunos. Depois disso, centramos nossas preocupações
no grupo dos alunos, cuja sociabilidade particular pode ser definida como fator de
organização propício à formação de agrupamentos, correntes ou movimentos. Deste
modo, foi possível a identificação de duas associações com características bastante sin-
gulares e que os diferenciavam dos demais grupos de alunos, a saber: os homoafetivos e
os roqueiros. Aqueles eram compostos por pessoas que se autodeclaram homoafetivas

158 | Anais do IV ENESEB


e estes eram categorizados como roqueiros mesmo. O grupo dos alunos homoafetivos
era formado somente por pessoas do sexo masculino. Já o grupo dos roqueiros era
maior do que o grupo dos homoafetivos, sendo constituído por homens e mulheres
com idades entre catorze e quinze anos. Logo, as duas associações estudadas eram trata-
das de modo depreciativo pelos demais sujeitos envolvidos na cena escolar. Constan-
temente eram objetos de preconceito e maus tratos advindos de alguns funcionários
administrativos, professores e outros alunos. Isso ocorria porque o comportamento e
as atitudes dos membros das duas classes descritas confrontavam-se com os valores e
interesses defendidos e protegidos pela escola. Esta, por sua vez, tende a moldar tipos
específicos de comportamento procurando ajustá-los conforme às normas e valores
definidos pelas classes dominantes situadas fora do meio escolar. As gerações mais no-
vas que ali se encontram reagem à imposição dos valores a elas submetidos através da
reprodução de estilos e modos de viver presentes na sociedade. O embate entre as
associações proporciona o surgimento de uma contracultura escolar em virtude do
estado de tensão decorrente da busca por reconhecimento e poder, o qual motiva o uso
da violência, principalmente a simbólica, entre as associações constituídas no interior
da unidade escolar.

EXPRESSÕES CULTURAIS NA ESCOLA: UM ESTUDO A PARTIR DOS


ACESSÓRIOS USADOS POR ESTUDANTES

Camila Maria Cunha de Souza - UFC


Suianny Andrade de Freitas - UFC

Esta pesquisa se realiza em uma Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP), lo-
calizada em um bairro da periferia de Fortaleza-CE, faz parte do projeto intitulado
“Adesões e conflitos entre culturas juvenis na escola: práticas, saberes e valores da ju-
ventude no ambiente escolar”, do Programa de Iniciação Científica (PIBIC) da UFC. As
EEEPs possuem particularidades como o tempo integral e são divididas não apenas por
séries, mas por cursos técnicos. Discussões sobre o mercado de trabalho e formações
específicas de cada curso somam-se às dinâmicas comuns das demais escolas e criam um
palco interessante de sociabilidades, conflitos e discursos. O objetivo deste trabalho é
discutir as maneiras que os jovens encontram de driblar o processo homogeneizador
que se dá no espaço escolar onde, por exemplo, o uso de uniforme é obrigatório. Con-
sideramos a cultura juvenil como um estilo de vida com uma série de características
próprias, os jovens encontram maneiras de demonstrar os grupos os quais pertencem
por meio de uso de acessórios ou customizações. O uso desses recursos são agregadores
e ao mesmo tempo distintivos e ainda podem contribuir na eclosão de conflitos tanto
entre alunos quanto entre alunos e núcleo gestor ou outros funcionários que por vários
motivos usam da sua autoridade no espaço escolar para tolher as expressões culturais
jovens. O foco das observações são as estratégias de utilização dessas “marcas”, as uni-
formizações dos corpos em fardas e ainda as estratégias de vigilância desenvolvidas. É
importante ainda observar como a utilização de signos se dá por meninos e meninas
que na escola por inúmeras vezes são reduzidos a alunos que assumem o papel de “um

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 159


ser assexuado”. A abordagem de juventude que utilizamos é a explorada por autores
como Abramo (1994), Pais (2003) e Carrano (2000, 2009), que entendem a juventude
enquanto categoria social e não apenas como faixa etária. Seguimos a linha de Bourdieu
(1983) e Sarlo (1997) para pensar a juventude envolvendo estilos de vida, estética, cat-
egorias de consumo, sentimento de pertença etc. Camacho (2004) que trata da invisi-
bilidade dos estudantes, por vezes nem percebidos enquanto jovens. O pano de fundo
será a discursão de Dayrell (2007) que analisa a escola como espaço de socialização.
Utilizaremos ainda conceitos foucaultianos acerca da vigilância e disciplinamento de
corpos. Para realizar tais reflexões, a pesquisa utiliza-se, neste momento, de levanta-
mento bibliográfico, observações e rodas de conversa com os alunos.

SIM SENHOR, CORONEL: UM ESTUDO SOBRE CULTURAS JUVENIS E A


PROMOÇÃO DE ALUNOS EM HIERARQUIAS MILITARES

Kátia Sami Siebra de Melo - UFC

Este trabalho se encontra em processo de construção e se propõe a compreender as


Culturas Juvenis no espaço escolar, mais especificamente no Colégio Militar de For-
taleza - CMF que se destaca pelos índices como o IDEB, que em quase todos os anos
superou a projeção das metas para a escola e está muito além da meta nacional para
escolas públicas, no ENEM se destaca como a melhor escola pública do Município de
Fortaleza. Sabemos que a posição do Colégio Militar no que se refere à qualidade do
ensino é um dos fatores de adesão e atração de alunos, haja vista, a alta concorrência
dos concursos realizados para ingresso de não descendentes de militares, e o inves-
timento realizado em cursos preparatórios para os referidos concursos. O Objetivo
deste trabalho é compreender as regras estabelecidas pelo CMF e a maneira como tais
condicionantes podem ser motivo de adesão de jovens, observando preliminarmente os
jovens que se destacam por promoção, tais como a Coronel-aluna e o Tenente Coronel-
aluno, verificando o que significa para eles atingir o mais alto grau da hierarquia do
colégio, observando que essa promoção é resultado do excelente comportamento, de
notas ótimas e da participação em grupos de estudos e monitorias promovidos pela es-
cola. Esse estudo será feito com base em pesquisa bibliográfica em torno das categorias
juventudes, jovens, culturas juvenis e jovens alunos a partir de autores como Abramo
(1994), Pais (2003) e Carrano (2000, 2009), Dayrell (1996, 2002, 2003, 2006) e para
pensar a juventude conforme estilos de vida, estética, categorias de consumo, senti-
mento de pertença, etc., autores como Bourdieu (1983) e Sarlo (1997), para análise
acerca da cultura escolar e da categoria aluno, leitura de Sacristán (2003). Serão apre-
ciados documentos que fundamentam a organização do trabalho pedagógico do CMF,
principalmente o Guia do Aluno. Os dados empíricos serão colhidos a partir da obser-
vação direta da Formatura realizada pelo CMF às sextas-feiras e entrevista semiestrutu-
rada com os alunos que estão no topo hierárquico do CMF como a Coronel-aluna e o
Tenente Coronel-aluno. A Sociologia da Educação tem buscado compreender o jovem
aluno e suas concepções, formas de pensar e agir e como as características juvenis in-
fluenciam diretamente na adesão e conflito dos grupos entre si e destes em sua relação

160 | Anais do IV ENESEB


com a escola. Essa pesquisa visa compreender como interagem os grupos juvenis no
CMF e como a organização pedagógica desta escola, em particular, influencia na for-
mação ou afirmação de uma cultura juvenil focada na responsabilidade individual e/
ou coletiva, observando primeiramente quem é, como vive, quais as visões de mundo
e sociabilidades do jovem aluno que chega às mais altas patentes de lideranças de alu-
nos do referido colégio. Considerações finais: A pesquisa iniciou em fevereiro de 2015
com a leitura da bibliografia básica e primeiras visitas ao CMF, sendo uma delas para
conhecimento da estrutura física do colégio e algumas ponderações sobre a organização
pedagógica, participação em Formatura, onde se observou os destaques dados a deter-
minados alunos e suas posturas diante do que representa ser homenageado por todo o
corpo discente da escola.

CULTURA JUVENIL E ENSINO MÉDIO: O CASO DO CED 04 DE SOBRADINHO

Ágatha Alexandre Santos Condé - UFU


Elisabeth da Fonseca Guimarães - UFU

Diante das transformações sociais, políticas, econômicas, culturais e tecnológicas vivi-


das hoje, uma (re)significação dinâmica das relações entre os indivíduos em todas as
esferas sociais é notadamente experimentada. No estudo de caso em questão, os efeitos
desse processo são vislumbrados no espaço escolar, onde são consideradas, ainda, as
características político-institucionais da evasão escolar, da falta de pré-requisitos cog-
nitivos do estudante, da necessidade do jovem em conciliar trabalho e estudo. Neste
sentido, o estudo sobre Cultura Juvenil e Ensino Médio, com o intuito de se debater
as reflexões atuais sobre a construção do espaço escolar como território da cultura
juvenil e suas manifestações, dá-se, neste trabalho, por meio da etnografia de um grupo
de jovens do Centro Educacional 04 de Sobradinho, no Distrito Federal. Para isto,
objetivo geral é caracterizar a cultura juvenil manifestada pelo grupo observado e, ai-
nda, relacionar as manifestações vinculadas ao espaço escolar, descrever as práticas que
a definem simbolicamente, apontar os desafios inerentes ao contexto juvenil, em se
pensando nas escolhas futuras e, também, a relação com o grupo ao qual pertencem. A
hipótese conferida sugere que o espaço escolar possibilita a manifestação de compor-
tamentos singulares a esses sujeitos, qualificando as relações sociais estabelecidas como
formadoras de identidades de uma cultura juvenil vivida e compartilhada na escola.
Desta forma, pretende-se compreender como se dá a construção social da identidade
juvenil. Para tanto, por meio do referencial teórico baseado, principalmente, nas dis-
cussões promovidas pela Sociologia da Juventude e da Educação, procura-se delinear
as definições conceituais desses campos de conhecimento, relacionando-os entre si e à
realidade estudada. Além disso, a pesquisa de campo com jovens estudantes da escola
pesquisada compõe o caminho metodológico a se percorrer, com o intuito de conhecer
seus aspectos sociais formadores.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 161


BRINCADEIRA, INTIMIDAÇÃO E PERSEGUIÇÃO: UMA ABORDAGEM
SOCIOLÓGICA SOBRE O BULLYING EM AMBIENTE ESCOLAR

Rômulo Iago de Jesus eSantos - UFBA


Cícero Muniz - UFBA

As escolas brasileiras refletem a realidade da sociedade em que estão inseridas, e, por


isso, esses espaços têm demonstrado inúmeras formas de violência, devido ao fato de
serem reflexo e termômetro dos conflitos sociais mais gerais. Neste escopo, um tipo
de violência tende a passar despercebido, devido ao fato de muitas vezes ser confundida
ou ser tratada como “brincadeira”: o Bullying. Esta forma de violência, apesar de ser
possível em vários âmbitos sociais, tem se mostrado bastante profícua em meio escolar,
a nível mundial, devido às transformações que a escola e os sistemas de ensino têm
passado ao longo dos anos. Apontada como um dos grandes elementos influenciadores
no abandono escolar e ao surgimento de outros tipos de violências, o Bullying vem
se caracterizando como um problema social dentro dos colégios, que na maioria das
vezes carece de uma abordagem correta em seu combate. Desse modo, esse trabalho
visa apresentar como o Pibid em Sociologia da UFBA, ao longo de três anos seguidos
(2012, 2013 e 2014), construiu estratégias de combate a esta violência no Colégio
Estadual Odorico Tavares, localizado em Salvador – Bahia. Surgindo como uma de-
manda da própria comunidade escolar, ao perceber a forte presença do Bullying e do
Cyberbullying no colégio, o Pibid Sociologia constituiu intervenções e oficinas para a
discussão e combate do problema. Para tanto, tem-se como objetivo geral o combate e
a desnaturalização do Bullying como uma prática corriqueira. Assim, especificamente,
objetivamos: 1) demonstrar através de exemplos reais os efeitos na vida das vítimas, 2)
estabelecer as estratégias de ação que a Escola e a Família devem possuir no combate
ao Bullying juntamente com os estudantes. A partir dos dados coletados, percebe-se
que a experiência permitiu uma compreensão maior do conceito e das consequências
do Bullying pelos estudantes e um maior engajamento dos alunos no enfrentamento a
esse tipo de violência, através da construção de ações combativas ao Bullying, como
a confecção e divulgação de cartazes na escola e do encetamento de discussões nos
corredores do colégio sobre o tema. Conclui-se, a partir do que foi observado, que as
ações do Pibid Sociologia UFBA em relação aos casos de Bullying no Colégio Estadual
Odorico Tavares levaram ao reordenamento dessas práticas violentas, levando a que,
num primeiro momento, houvesse o estranhamento e a reflexão acerca do Bullying pe-
los alunos, para que, em seguida, essas práticas fossem paulatinamente desconstruídas
ao longo do tempo, levando a uma minimização do problema na escola.

162 | Anais do IV ENESEB


JUVENTUDES E PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA:
CONTRIBUIÇÕES DA SOCIOLOGIA PARA A COMPREENSÃO DAS CULTURAS
JUVENIS

Adeline Araújo Carneiro Farias - IFRR


Jocelaine Oliveira dos Santos - IFRR

Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre um projeto realizado a partir


da articulação entre aspectos teóricos e práticos da disciplina de Sociologia, desen-
volvida junto aos jovens matriculados nos cursos Técnicos integrados ao Ensino Médio,
no Instituto Federal de Roraima-IFRR. O referido projeto visou favorecer uma melhor
compreensão teórica sobre a relação indivíduo-sociedade e a ação social, a partir de
uma percepção da sociologia compreensiva de Max Weber. Partindo desse entendi-
mento, os alunos participaram de discussões e produções sobre processos identitários,
vivenciados pelos jovens, segundo suas próprias experiências. Para tanto, foram real-
izadas palestras, debates sobre o processo de construção da identidade e as culturas
juvenis identificadas pelos alunos, e ainda, produções de portfólios. Para a produção
dos portfólios foram elaboradas: árvores genealógicas comentadas, por meio de relatos
autobiográficos que retrataram aspectos das histórias familiares, diagnóstico do ambi-
ente em que vivem, dos objetivos para o futuro e das ações necessárias para alcançá-los,
a partir da ferramenta F.O. F. A. Houve, ainda, análise crítica do projeto, momento
em que buscamos avaliar a compreensão teórica do aluno, bem como, sua capacidade
de articular o repertório teórico para a compreensão da realidade pessoal e social, e
ainda, a orientação desta na tomada de decisões futuras. O trabalho teve por aporte
teórico a teoria da ação social de Max Weber, a teoria do desenvolvimento psicosso-
cial de Erikson, o entendimento de Sposito sobre a juventude, enquanto categoria de
análise, e ainda, os autores Zygmunt Bauman e Stuart Hall para referir-se aos processos
de construção identitária. Foram atendidas seis turmas de Ensino Médio Integrado à
Educação Profissional, perfazendo um total de 208 jovens envolvidos. A partir do de-
senvolvimento deste projeto de ensino, buscamos promover a importância e utilidade
do estudo de Sociologia pelos jovens, a partir de questões vivenciadas em seus cotidi-
anos, fomentando a compreensão e a percepção crítica sobre a realidade social, a partir
dos conteúdos trabalhados em sala de aula.

CONSTRUINDO NOVAS CULTURAS NO ESPAÇO ESCOLAR: RELATO DAS


VIVÊNCIAS DOS JOVENS EM UMA ESCOLA DE PERIFERIA

Emilana Soares Ziani - UFSM


Sandra Isabel da Silva Fontoura - UFSM

Este artigo é constituído por apontamentos/memórias e reflexões sobre as culturas e


relações de pertencimentos vivenciadas nos espaços/tempos de interação dos jovens em
sala de aula, bem como entre a coordenação pedagógica da escola. Para tanto, elenca-se
o relato vivenciado dos jovens de Ensino Médio da Escola pública da Rede Estadual de

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 163


Ensino de Santa Maria: Edna May Cardoso, localizada na Cohab Fernando Ferrari no
bairro Camobi, em uma zona de periferia. O objetivo central desse trabalho volta seu
olhar para as possibilidades depensar a escola como um espaço marcado por movimen-
tos que se colocam além do ensino e aprendizagem dos conteúdos, provas e do próprio
tempo marcado pela mecanicidade do relógio. Nesse sentido, a escolaproporciona ao
jovem a descobrir e construir novas culturas sociais no âmbito de suas ações na comuni-
dade, na qual tece seu cotidiano, sonhos, amores e desejos. Mediante as práticas vividas
dentro da escola pelas autoras, uma enquanto estagiária e bolsista, e a outra na condição
de professora do quadro efetivo da instituição. Lugar, onde procuramos vivenciar e
compreender os grupos de jovens que ocupam em cada fase/etapa o sonho e a paixão
do instante vivido na partilha de estilos musicais e artísticos, questões políticas, éticas
e religiosas; enfim na esteticidade de ser jovem e desafiar padrões e rigidez de normas,
por elaboradas a sua revelia. Pensar a escola como um lugar onde os jovens podem ex-
pressar seu cotidiano dialogar acerca dos impactos socioeconômicos, na diversidade de
experiência que produzem e, em particular nas relações de gênero e nas redes sociais
onde tecem seus modos de pensar o mundo e revelar uma nova subjetividade, mediada
pelas tecnologias. Haja vista, que muitos desses jovens passammaior parte do tempo
na sua comunidade, ou seja, na periferia da cidade tecendo culturas diferenciadas, pela
singularidade do lugar que habitam. Para dialogar sobre este assunto,adentramnessa re-
flexão filosófica, autores como: Regina Magalhães de Souza, que discute sobre escola e
a juventude, Theodor Adorno para trata sobre a indústria cultural. Para, a partir de um
estudo interdisciplinar junto à sociologia entender o conceito de juventude e também
de grupos/tribos sociais, entre alguns autores já estabelecidos destaca-se: Luís Groppo
e Michel Maffesoli.Em suma, esse trabalho é relevante para pensar a atual situação do
ensino no país, já que situa a realidade dos jovens de uma escola pública de periferia,
adornada pela diversidade de experiência e saberes, onde o ensino das humanidades e,
da filosofia criam espaços de liberdade e autonomia no pensar e sentir o mundo.

UMA ETNOGRAFIA NA ESCOLA EDNA MAY CARDOSO: PENSANDO A


JUVENTUDE ATRÁVES DOS ESPAÇOS DE SOCIABILIDADES QUE O AMBIENTE
ESCOLAR E O SEMINÁRIO INTEGRADO PODEM CONSTITUIR

Jerfferson Paim Luquini - UFSM

O presente trabalho visa contribuir para a discussão em torno da antropologia da edu-


cação, bem como, as possibilidades que o método etnográfico pode proporcionar para
o campo educacional. O objetivo é fazer umaproblematização acerca da tríade escola,
juventude, e a disciplina de seminário integrado; sendo a ultima o nosso objeto de
investigação. A pesquisa vem sendo realizada junto ao programa de pós-graduação em
ciências sociais da Universidade Federal de Santa Maria-RS. Entende-se que tal prob-
lematização busca protagonizar o jovem,compreendendo seus anseios perante a socie-
dade, anseios estes que acabam adentrando no ambiente escolar, e de alguma forma
interferindo nas suas relações interpessoais. Para a realização desta pesquisa valemo-nos
do métodoetnográfico, atuando junto à escola Edna May Cardoso, que selocaliza na

164 | Anais do IV ENESEB


zona leste da cidade de Santa Maria/RS. Para tanto, nos reportamos a alguns autores
que compõem o rol da teoria antropológica para compreendermos essa realidade em
lócus, pois temos a convicção de que não se faz uma pesquisa de caráter etnográfico
sem levar em consideração toda dimensão que o universo escolar abarca, ou seja, toda
disputa simbólica que esta colocada neste espaço de ensino e aprendizagem. Neste sen-
tido, segundo (OLIVEIRA, 2013) a escola, muito mais do que uma reprodução do
social,ela também é o lugar aonde a inventividade se faz presente a todo instante, bem
como a criação e a produção de novas práticas. Estabelecendo neste universo a criação
de uma “cultura escolar”, que possui uma dinâmica que lhe é própria, a qual se entre-
cruza com outras culturas presentes na sociedade envolvente. Nesta ceara de discussão,
segundo (GUSMÃO, 2003) devemos compreender que a escola não é apenas um es-
paço de socialização, é também um espaço de sociabilidades, ela seria por excelência
um espaço sociocultural.Diante deste contexto, ao realizar a observação participante
na disciplina de seminário integrado, não podemos deixar de considerarmos o lugar
social que esses jovens ocupam, bem como todos os limites e possibilidades que enfren-
tam perante a realidade que estão imersos. Quem são esses jovens? Quais as suas ex-
pectativas de vida? Estas são algumas arestas que a pesquisa tem levantado, e que neste
trabalho iremos problematizar. Por fim, não temos nenhuma pretensão de fazer grandes
generalizações com esta pesquisa, mas através dela, entender como vem se estrutur-
ando a disciplina de seminário integrado na escola Edna May Cardoso, problematizando
a escola, e a juventude que nela esta inserida.

SESSÃO B – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

A SOCIOLOGIA PELA ÓTICA DOS EDUCANDOS DO ENSINO MÉDIO

Merabe Santos Silva - UESB


Rosane Silva de Jesus - UESB
Nubia Regina Moreira - UESB

Na atual conjuntura em que o ensino de sociologia volta a ser obrigatório nas três séries
do Ensino médio refletir sobre como os educandos percebem esse saber no cotidiano
escolar, e como é a recepção desse novo conhecimento é fundamental para a relação
educador-educando, visando uma maior compreensão entre as diversas polifonias que
há no contexto escolar. O objetivo da nossa investigação é saber como a geração a qual
é denominada de Y lê o mundo da vida a partir da instrumentalização sociológica. Ao
compreendermos a juventude pela ótica da diversidade, entendemos que embora a
juventude seja um fenômeno universal, ela é ao mesmo tempo particular já que cada
grupo social a experimenta de maneira singular, assim desmitificarmos as imagens co-
muns que temos do que é ser jovem que ora tem conotação de um “vir a ser”, ora é o
jovem como um problema, ou a visão romantizada desses sujeitos.Durante observação
realizada na escola registramos como a informação, acessível a essa geração Y é trans-
formada em conhecimento mediante a experiência que esses educandos têm com as

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 165


aulas de sociologia . Entrevistamos alunos das três séries do ensino médio, em duas
escolas estaduais, sendo que uma oferece ensino técnico enquanto a outra o ensino
médio regular, Com as informações provenientes das entrevistas apresentaremos uma
breve análise das narrativas dos (as) educandos (as) com objetivo de entender quais
são as dimensões de juventude presentes em uma mesma escola? Qual é a agenda dos
nossos jovens entrevistados? Qual o papel da sociologia em sua formação? Como o con-
hecimento sociológico é compreendido por eles? Essas são algumas inquietações que
norteiam a nossa análise sobre quais são os perfis de estudantes inseridos no ensino mé-
dio e de como montar uma estratégia de sociabilidade que dê conta da complexidade
da escola como um ambiente que deveria formar para a cidadania, tendo a sociologia
como um dos pilares para o entendimento da própria diversidade dessas juventudes.

LENDO E OUVINDO: O QUE PENSAMOS SOBRE NOSSOS JOVENS ALUNOS

Josiara Gurgel Tavares - UFC

O desafio em trabalhar com “jovens hoje” é constantemente discutido pelos docen-


tes. As discussões acompanham o nosso cotidiano, extrapolam os espaços escolares.
Nesses momentos percebemos concepções defensoras da meritocracia tão comumente
defendida pelas diferentes mídias e pela sociedade, isto é, quem é bom, inteligente
e esforçado se encaminhará para o sucesso e, portanto, ocupará os melhores cargos
profissionais e terá melhores condições de vida. Quem não é bom na escola é incom-
petente, incapaz, vai se tornando invisível, vai se diluindo e desiste do mundo esco-
lar. Há uma espécie de desencaixe entre a instituição escolar e seus alunos. Enquanto
para muitos professores o maior problema da escola é exatamente o jovem aluno, para
muitos alunos a escola se revela enfadonha e desinteressante. Pouco refletimos sobre
essa situação. Já naturalizamos o que é “ser aluno”, elaboramos uma moldagem para o
“aluno ideal”, exigindo que este passe a assumi-la ao entrar na escola. O objetivo desse
trabalho é refletir sobre as opiniões registradas nas rodas de conversa com docentes na
Escola de Ensino Fundamental e Médio Doutor César Cals em Fortaleza, Ceará, assim
como, nas escutas diárias nos espaços escolares e extraescolares a respeitodos nossos
alunos. Serão aspectos relevantes descobrir as representações sociais sobre os jovens
estudantes permeadas no imaginário docente, o que pensamos sobre os mesmos, sobre
suas experiências, suas potencialidades,sobre a função social da instituição escolar e
o fazer docente nesse contexto de transformações. Relacionaremos esses registros
às considerações de caráter bibliográfico produzidas principalmente pela Sociologia.
Os desafios da escola e do Ensino Médio são grandiosos. Compartilhamos as angústias
de um sistema educacional que precisa serdiscutido, refletido, repensado por todos
os atores que o compõe, de forma que estes possam contribuir na construção de um
projeto que se defina os sentidos, considerando os alunos como sujeitos de direitos e de
cultura. Afinal não existe processo educativo sem sujeitos concretos.

166 | Anais do IV ENESEB


RELAÇÕES DE PODER NO ESPAÇO ESCOLAR E A INFLUÊNCIA NO ENSINO-
APRENDIZAGEM

Camila Pelegrini - UFFS


Ari José Sartori - UFFS

Atualmente, a educação, além de ser vista como um direito humano, requer condições
para acesso e permanência do indivíduo no espaço escolar. Dentre as condições de
permanência encontram-se o bom convívio, a socialização, ensino-aprendizagem, entre
outras demandas escolares. Diante disso, o estudante inserido no contexto escolar, sub-
mete a diversas situações em meio ao seu grupo, seja pela, amizade conquistada, confi-
ança aos docentes, bom relacionamento com gestores e funcionários, além de, questões
de diferenças e/ou desigualdades, seja por descriminação, conflitos, submissão e até
possíveis violências. A presente pesquisa, aborda no contexto escolar, a vida cotidiana
dos docentes e estudantes, seja ela no espaço interno e externo sala de aula. Trata-se
de um estudo de caso, sobre as relações de poder entre professores e estudantes e
as influências no ensino- aprendizagem, observado em uma escola da rede pública da
cidade de Chapecó/SC. Dessa forma, a escola tem como função primordial, inserir o
estudante ao processo educacional, usufruindo de capacidades e competências que per-
mitem fazer encarrar situações difíceis de forma mais efetiva, a fim de formar um ci-
dadão critico, reflexivo e autônomo, através do desenvolvimento pessoal, do bem estar
e da consciência dos seus direitos e deveres perante a escola e a sociedade. Consideran-
do que a escola, é um dos espaços produtor de conhecimento e diversidade. É também
espaço que produz e reproduz disciplina, poder e autonomia.Dentre, essas abordagens,
as relações de poderes, podem se apresentam de inúmeras formas, umas, mais visíveis,
outras ocultas. O intuito da pesquisa é analisar as possíveis formas de poder presente
na escola, além de observar as estratégias e métodos utilizados entre professores e
alunos na construção do conhecimento. A obtenção de informações e dados para a pes-
quisa baseia-se na metodologia qualitativa através de observações, relatos, entrevistas
semiestruturadas, realizados com professores de docentes. Cabe ainda destacar que a
importância de se desenvolver essa pesquisa para fins cientifica e voltado a Educação,
direcionado pelo curso de Licenciatura em Ciências Sociais aos seus acadêmicos, pois
através do aprofundamento e aperfeiçoamento de métodos, estratégias, melhores re-
sultados são possíveis para um docente encarrar o contexto escolar com autonomia,
eficácia e segurança.

AS REDES SOCIAIS NOS ESPAÇOS ESCOLARES: MECANISMOS DE


SOCIALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO “SELF”

Edinéia Tonato - UFFS

O presente estudo busca entender a representação dos sujeitos e os processos de social-


ização dos estudantes nos espaços escolares aliados a construção de sentidos que esses
atribuem ao uso das redes sociais. Objetiva-se também verificar de que maneiras as

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 167


redes sociais tem influenciado no distanciamento ou reformulações das relações face a
face nos intervalos escolares, tendo em vista o crescente uso, por parte dos estudantes,
de aparelhos celulares com acesso as redes sociais. A partir de tal afirmação, busca-se
avaliar, relacionar e entender a complexidade dos fenômenos e tecnologias oriundas da
modernidade nos ambientes escolares e a construção do eu social (self) nesses espaços.
Para tais apontamentos recorro a recortes históricos de como a modernidade modifica
os espaços escolares em termos estéticos e comportamentais. Em específico será abor-
dado o impacto/ influência das tecnologias de informações voltadas às redes sociais e
suas implicações nos ambientes escolares no que abrange a socialização, comunicação e
expressão. Busca-se também entender os mecanismos que estão envoltos nesses espa-
ços de socialização além de pensar no sentido que esses estudantes remetem a utilidade
do uso das redes sociais, e de que forma esse universo de informações rápidas tem se
relacionado com a construção do eu social categorizado por Erving Goffman como
self. Para tal entendimento, o método utilizado foi quantitativo abrangendo 36 estu-
dantes de uma escola da rede pública estadual correspondendo às turmas 203 e 402
do ensino médio noturno da EEB Pedro Maciel localizada no Município de Chapecó
- SC. Notavelmente os estudantes pesquisados têm hábitos de utilizar as redes sociais
como instrumento de socialização e interação nos espaços escolares e para além deste.
Constatou-se nesta pesquisa muito significante o sentido/ importância atribuída pe-
los entrevistados para a categoria amizade nas redes sociais e nos ambientes escolares,
representando 70% da amostra. Dado esse percentual pode-se fazer uma análise do
quanto a ferramenta/ rede social Facebook (64%) e WhatsApp (31%) as mais utilizadas
pelos estudantes fazem parte do cenário dos mesmos e de certa forma os possibilita
interações, representações, comunicação, formação de identidade, grupos, páginas,
entre outras formas de socialização na rede. A representação dos atores nesses espa-
ços formam espaços de interações, lugares de fala construídos pelos atores de modo a
expressar elementos de sua personalidade, afinidade ou formação grupos de interesse.
Nesse sentido, a heterogeneidade de perfis e personalidades dos atores via redes sociais
mistura-se formando vários tipos e modos de interação virtual. Deste modo, as pos-
sibilidades de comunicação nesses espaços de certo modo tende a compor novos tipos
de socialização e interação mediados pelas redes sociais. Essas novas tecnologias de in-
teração e comunicação social têm de certo modo transformado os padrões de interação
social no ambiente escolar, não substituindo as formas de relação face a face, mas sim,
as transformando em outras formas de interação social.

A CRISE DA CREDIBILIDADE NO SISTEMA DE ENSINO: UMA ANÁLISE A


PARTIR DE PESQUISA DE CAMPO EM UMA ESCOLA PÚBLICA

Natalia Maria Casagrande - Faculdades ITES


Janaina de Oliveira - Faculdades ITES

A presente discussão traz a análise de uma pesquisa de campo efetuada na Escola Estad-
ual “Victor Lacorte”, situada em Araraquara, interior do Estado de São Paulo, através
do acompanhamento sistemático das atividades em uma sala de aula do terceiro ano

168 | Anais do IV ENESEB


do Ensino Médio, sobretudo com relação aos alunos, na disciplina de Sociologia, assim
como a rotina do funcionamento escolar no que se refere ao trabalho da coordenação
e direção da instituição em questão. Outro material utilizado de forma analítica foi
um questionário aplicado à diretora, coordenador e alguns professores.Diante do que
foi analisado em sala de aula (aproximadamente 40 alunos), notou-se um desinteresse
destes adolescentes pelo universo escolar. A educação atingiu um nível que não se sus-
tenta – não mais gera estímulo para o estudo. É fato que todos anseiam por um bom
emprego. Contudo, estes jovens sabem que há um árduo caminho pela frente, cujo
êxito não será obtido unicamente com um diploma do Ensino Médio. Há outras etapas,
sendo a faculdade a primeira delas. Mas estes adolescentes incorporam a crença de que
não foram preparados para ingressar na universidade pública, e não possuem condições
financeiras de cursarem uma universidade particular. Esta constatação remete à dis-
cussão realizada por ErvingGoffman (2005), a qual demonstra que a sociedade cria
“senso de lugar”, levando os indivíduos não apenas a aceitar a sua condição, como tam-
bém afirmar: “isso não é para mim”. Diante deste cenário, devemos dimensionar a
escola pública frente à necessidade de reconfiguração do espaço de ensino. Assim, apre-
senta-se como necessário a criação de um amplo debate entre órgãos responsáveis pela
educação no país, juntamente com os professores, demais agentes escolares e pais, para
que possamos rediscutir funções e tarefas, redefinir espaços e tempos, discutindo a res-
peito dos objetivos a serem alcançados. E sobre este objetivo, nos remetemos à Jürgen
Habermas (1997), para o qual é necessário que reabilitemos a esfera pública, fazendo
com que as pessoas possam tomar sabiamente suas decisões, orientando ações por uma
disposição democrática de diálogo que ocasionaria o alcance de um consenso decor-
rente da racionalidade comunicativa. A partir das nossas colocações, temos argumentos
para concluir que a escola pública passa por uma crise de credibilidade, expressa por
alunos e professores diante de um sentimento de descrença e desesperança frente ao
sistema escolar público, o qual ocasiona certa fragilidade na relação entre o que é en-
sinado e a realidade para além da escola, marcada pela ausência de expectativas. Nesta
intermediação, os espaços legítimos para o estabelecimento da razão comunicativa dis-
cutida por Habermas (1997), na qual os discursos não se apresentariam viciados ou cor-
rompidos, permitindo, assim, a todos os integrantes o mesmo poder de manifestação,
encontram-se obstruídos na esfera educacional.

A INTERAÇÃO DOS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO DA REDE PÚBLICA


COM AS REDES SOCIAIS: A INTERNET COMO UMA FERRAMENTA DE
SOCIALIZAÇÃO

Lucila Ricci Viganó - UFU


Felipe de Oliveira e Silva - UFU
Marili Peres Junqueira - UFU

O presente trabalho mostra a interação dos estudantes de uma Escola Estadual de En-
sino Médio, situada na cidade de Uberlândia, com a internet, através da frequência que
os alunos fazem das redes sociais, seus principais grupos de contato, como se comuni-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 169


cam e quais são seus hábitos. Objetiva-se mostrar que a forma de socialização exercida
nas redes sociais pode ter um efeito de distanciamento ao mesmo tempo em que é
capaz de aproximar as pessoas. Essas redes sociais e formas de socialização tornam estes
jovens populares à medida que são alvos da atenção de outros usuários, mas também
gera um distanciamento, pois o jovem hoje encontra seu lazer nas redes sociais e acaba
por modificar outras formas de sociabilidade anteriormente exercidas e que exigiam a
presença face-a-face. Essas novas formas culturais de sociabilidade fazem parte da ciber-
cultura, que nada mais é do que a interação contemporânea mediada pelas estruturas
das tecnologias digitais e que, com a internet, teve uma fácil e rápida sua propagação,
atingindo intimamente as pessoas no seu cotidiano. Quanto à metodologia, a presente
pesquisa pode ser classificada como exploratória, descritiva e comparativa. Valemo-
nos de pesquisa bibliográfica, em específico, referenciais teóricos das novas tecnologias
de informação e socialização (Manuel Castells, Raquel Recuero, Pierre Levy, Aldemir
Nicolau, André Lemos, entre outros) que nos permitiram o contraponto das formas
anteriores de socialização e sociabilidade humanas e as mudanças ocasionadas nessas
mesmas relações na contemporaneidade. Valemo-nos, também, de levantamento quan-
titativo e análise estatística descritiva da frequência de utilização de redes sociais. Para
tanto, utilizou-se ferramentas de coleta de dados quantitativos na forma de formulário
semiestruturado aplicados aos alunos de Ensino Médio. A partir dos dados coletados,
percebeu-se que apesar de acessarem a internet por meios variados, suas formas de
socialização convergem para as mesmas redes sociais, numa tentativa de fortalecer vín-
culos entre si. Contudo, os vínculos de sociabilidade identificados são efêmeros, cur-
tos, que os mantém próximos apenas na própria rede social ou nos locais em que são
forçados a permanecerem fisicamente próximos, como por exemplo, a escola. O que
se concluiu com a pesquisa foi que formas antigas de sociabilidade e socialização ainda
existem, mas estão perdendo espaço para formas mediadas pelas tecnologias e pelas
redes sociais, gerando um distanciamento entre os alunos.

CONECTADOS ÀS REDES SOCIAIS: JUVENTUDE E SOCIABILIDADE EM


TUCURUÍ/PA

Kirla Korina dos Santos Anderson - IFPA

Compreender significados sobre o acesso às redes virtuais no cotidiano de jovens estu-


dantes do ensino médio na cidade de Tucuruí, localizada na Região Sudeste do estado
do Pará, consistiu no principal objetivo deste trabalho, no sentido de perceber como
tais redes contribuem para a formação (e ou exposição) de suas identidades. Para isso,
toma como campo de análise a juventude como momento de experimentações, rituais
de passagens e projetos para o futuro, articulando com a construção de identidade no
contexto da sociedade da informação (CASTELLS, 1999; ABRAMO, 2004; NOVAES,
2004). O estudo se deu no contexto da tecnologia da informação e comunicação e sua
influência no cotidiano dos jovens, investigando quais são os recursos mais utilizados
por eles, quais mais usam para se comunicar, e como expõe sua identidade (quais aspec-
tos da identidade são ressaltados por eles e quais momentos fazem isso). Foram ouvidos

170 | Anais do IV ENESEB


26 jovens, com idades de 16 à 18 anos, com ênfase para abordagem qualitativa, sobre
as redes virtuais que mais costumam acessar, o que costumam expor publicamente,
quais critérios adotam para aceitar amigos, além de também investigar o que costumam
fazer em seu tempo livre (além de conectados às redes virtuais). O interesse pelo tema
surgiu a partir de meu contato diário com jovens estudantes de cursos técnicos, inte-
grados ao ensino médio, mais especificamente, no quadro de discussões da disciplina de
sociologia. Costumo trabalhar situações cotidianas ligadas às instituições sociais, social-
ização, trabalho e indústria cultural, debatendo situações de vizinhos, amigos, pessoas
próximas trazidas por eles para a interpretação sociológica. Eles demonstram bastante
interesse, iniciativa e participação quando são utilizadas matérias de jornal, músicas,
vídeos do gosto deles (sendo o interesse maior quando já tenha sido compartilhado nas
redes virtuais). Assim, é muito comum também que eles tragam outros exemplos da
internet, pela facilidade que têm em acessar à rede virtual, principalmente através do
celular (aliás, segundo eles, não é luxo ter celular que acesse internet, ainda mais com
os pacotes das operadoras que oferecem pacotes de acesso de dados, custando centavos
por dia; ou através do acesso por redes Wi-Fi). É importante salientar que conhecer
muito bem um meme de internet está longe de significar uma discussão sobre assuntos
mais importantes do cenário social ou político do país. Quero dizer com isso que os
jovens que participaram deste estudo acompanham as informações que são facilmente
veiculadas pelas redes virtuais, mas não fazem qualquer reflexão sobre isso, ou seja,
são apenas receptores de tais informações, o que pode prejudicar suas habilidades para
interpretação e escrita. De acordo com o que venho discutindo, além de gostar de com-
partilhar informações com o professor, eles também gostam de “indicar” sites e páginas
de relacionamento, que, segundo eles, “é importante que a senhora veja o que tem lá,
professora”, postam (ou fazem menção de que gostariam) publicar os acontecimentos
no Facebook (uma foto, recados, declarações de amor, “indiretas”, sem contar na re-
produção dos bordões de novelas e comerciais, que viram referencia fácil no vocabu-
lário deles). Neste sentido, as redes que eles mais utilizam são Facebook e WhatsApp. É
como se costuma classificar uma ideia que é bastante divulgada, seja através de figuras,
vídeos ou músicas. Neste sentido, posso dizer que a janela de contatos sociais que a In-
ternet pode disponibilizar, em especial para os jovens, comporta também a necessidade
de compreender o universo dos estudantes dentro e fora da sala de aula, enfatizando
qual percepção têm estar com o outro, principalmente através das redes virtuais, inves-
tigando a importância de “estar conectado” no seu cotidiano e a como as redes virtuais
se estabelecem como instrumentos para construção de identidade.

SER JOVEM NO ENSINO MÉDIO

Wilka Barbosa dos Santos - UFPB

O trabalho se dedica a reflexão sobre o ser jovem no ensino médio, analisando como o
espaço escolar junto a disciplina de Sociologia contribui positiva ou negativamente para
a construção de indivíduos críticos acerca do processo corporal e social. A proposta é
compreender as interações que os adolescentes desenvolvem entre si e a escola, ob-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 171


servando em seus discursos uma nova forma de perceber o âmbito social e as relações
entre os indivíduos, no qual tomará como base de seu pensamento os posicionamen-
tos dos professores e funcionários. A pesquisa foi realizada junto ao ensino médio do
colégio Sesquicentenário, localizado no Bairro dos Estados na cidade de João Pessoa. A
priori, a observação tinha como objeto de estudo o ensino de Sociologia, contudo, foi
possível perceber como as discussões colocadas em sala de aula tomavam os corredores
da escola, ficando notório a construção de grupos sociais preocupados em assumir pa-
peis que correspondam ao que esperam do jovem brasileiro/a no século XXI, ou seja,
um jovem transformador, questionador. Esse encontro fora do espaço da sala de aula
acaba reunindo indivíduos com os mesmos pensamentos, contribuindo para construção
de identidades juvenis diversas. Assim, dentre diferentes fatores, ficou percebível que
os assuntos que fazem parte das conversas dos/as alunos/as variam de acordo com sua
identidade e grupo social, tomando acima de tudo as redes sociais para respaldar seus
argumentos, dentro e fora de sala. Assim, para alcançar tais resultados, fez-se necessária
a presença nas aulas de Sociologia e nos corredores da escola, utilizando a observação
de campo e as conversas informais como métodos legítimos da pesquisa. A dinâmica da
escola, de uma maneira geral, traz para alunos e professores conhecimentos diversifica-
dos, nos quais se encontram no espaço da sala de aula, causando em alguns momentos
um desencontro de gerações, haja vista que os argumentos dos jovens são respaldados
em fontes diferentes dos professores. O estudo em determinado contexto demonstrou
como a disciplina de Sociologia tem influência nas temáticas discutidas pelos jovens,
podendo ser vista como uma disciplina formadora de opiniões, tornando o ensino mé-
dio um rito de passagem para a vida adulta.

JOVENS EM UMA INTERSEÇÃO ENTRE ESCOLA E TRABALHO: OS SENTIDOS


DA PERMANÊNCIA

Lucas Bottino Do Amaral - SEEDUC/RJ

Este trabalho teve como objetivo investigar e compreender as motivações e sentidos


estabelecidos por jovens para permanecer no sistema de ensino público, concomitan-
temente a uma inserção no mercado de trabalho. Durante o período da pesquisa e, a
partir dos dados levantados, procurou-se elaborar explicações sociológicas sobre as
relações que se estabelecem entre os processos de permanência e os próprios sujeitos.
Como prática de pesquisa, ao investigar as relações, as formas de inserção e as moti-
vações dos jovens em uma interseção da escola com o mundo do trabalho buscou-se
compreender como socializações secundárias a importância da família permitiram aos
sujeitos permanecer na escola. Dentre os diversos fatores que interferem nos itinerári-
os dos jovens, muitos deles, se traduzem em evasão. Especificamente, na rede pública
do Estado do Rio de Janeiro, o que se constata é que ainda existe um número grande de
jovens fora da escola ou em distorção idade-série. Em 2006, somente no Estado do Rio
de Janeiro, 23,68% dos jovens que estavam fora da escola, estavam por se inserirem no
mercado de trabalho e, praticamente o dobro (40,79%), não estava estudando por que
“não queria”, porque não tinha interesse (NERI, 2009). Revelando entre outras coisas,

172 | Anais do IV ENESEB


uma falta de atratividade da escola, bem como de um sentido prático para o conteúdo
que é ministrado nas escolas públicas e sua certificação. Segundo dados da PNAD de
2010, o Ensino Médio aparece como a etapa mais problemática da educação básica. O
relatório revelou que 48,2% dos jovens entre 15 e 17 anos de idade não estavam na
série escolar apropriada. Ou seja, a trajetória de permanência na escola destes sujeitos
ainda é muito intermitente e não corresponde aos percursos exigidos pelas políticas e
órgãos públicos. A pesquisa investigou, portanto, de que forma as escolhas dos sujeitos
estão interligadas a fatores sociais e individuais, que envolvem não só estratégias famili-
ares, mas como variáveis intra e extra muros escolares, relações (com o) do mundo do
trabalho, além de outros elementos da estrutura social. A partir dos dados levantados,
procurou-se elaborar explicações sociológicas sobre quais são as relações entre as situa-
ções de permanência e as construções identitárias que se apresentaram. Ao investigar
casos que não são considerados como regulares dentro de modelos sociológicos, e da
própria sociedade, percebe-se que existem itinerários diferenciados dentro de um es-
paço que, muitas vezes, tem caráter homogeneizador. E, para além disso, como a partir
desta permanência planejam para si próprios, futuros diferentes daqueles que se julgam
possíveis e prováveis, a partir de seus capitais econômico, cultural e social. Com isto,
buscou-se compreender os projetos de futuro e as representações que os sujeitos têm
sobre os sentidos de permanecer estudando e sobre suas inserções atuais.

TRABALHO E ESCOLA: A CONDIÇÃO JUVENIL ENTRE ESTUDANTES


TRABALHADORES

Tsamiyah Carreño Levi - UFSC

De acordo com o documento “Ensino Médio Noturno: democratização e diversidade”,


divulgado pelo MEC em 2008, em média 59% dos alunos que frequentam o ensino mé-
dio noturno nas escolas brasileiras trabalham. Dentre a ampla produção teórica da So-
ciologia das Juventudes possibilitam-se diversas formas de analisar e discutir a condição
juvenil de tais sujeitos e sujeitas. Este estudo se propõe a, dando voz aos estudantes que
trabalham, entender como estes constroem para si categorias de entendimento acerca
de suas próprias vivências. Observando as culturas juvenis a partir de seus contextos
vivenciais cotidianos e grupos de pertencimento, propõe-se analisar como, no curso de
suas interações, constroem-se as formas de compreensão que se articulam com formas
de reflexão e consciência de si. Objetiva-se compreender como, na percepção daqueles
que acumulam estudos e trabalho, organizam-se os conceitos utilizados para delimitar
suas próprias condições juvenis e, em que medida, tais percepções mobilizam questões
de classe, gênero, raça, geração, poder e privilégios. O estudo de caso iniciou-se com
uma turma de 2º ano de ensino médio noturno em uma escola pública estadual de Flo-
rianópolis/SC. E segue com a participação de dez alunos em um grupo focal e a real-
ização de quatro entrevistas individuais. A articulação teórica se dá de forma a amparar
a compreensão das juventudes enquanto condição socialmente articulada a elementos
diversos, tendo a escola e o espaço de trabalho como eixos fundamentais. A análise dos
dados obtidos até o momento aponta para o uso de uma ampla gama de concepções e

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 173


categorias demarcadoras da condição juvenil, por parte dos sujeitos e sujeitas entrev-
istadas, pautadas em diversas influências e determinações conjunturais. Os resultados
ilustram certa compatibilidade entre a produção teóricobibliográfica sobre as juven-
tudes e as compreensões, percepções e ações dos jovens, enfatizando a importância
de enxergá-los como protagonistas quando se trata de analisar os aspectos que dizem
respeito a suas próprias condições e trajetórias.

OS DESAFIOS DA REALIZAÇÃO DE UM ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA


DA PERIFERIA DE CURITIBA

Tabata Larissa Soldan - UFPR

Este trabalho é parte constituinte da pesquisa de dissertação desenvolvida dentro do


programa de pós-graduação em sociologia da Universidade Federal do Paraná, de-
nominada: “‘CULTURA, SOCIEDADE e POLÍTICA’: A sociologia escolar segundo os
alunos – uma análise de representações sociais”, que tinha por objetivo geral elucidar
as representações sociais da disciplina de sociologia construídas pelos alunos de uma
escola estadual da periferia de Curitiba, e como chegaram a essas. Foi utilizando-se de
várias técnicas que procuramos alcançar esse objetivo, lançamos mãos de: observação
participante, confecções de sociogramas e realizações de grupos focais, por exemplo.
Através da observação participante tinha como objetivo principal compreender como
se davam as práticas em sala de aula e os projetos na escola, buscando entender de que
maneira a sociologia escolar estava incluída nas ações e, se possível, comparar com o
lugar de outras disciplinas. Foram acompanhadas as aulas de uma professora de socio-
logia (agente e informante dessa pesquisa) durante seis meses, lecionadas em cinco
turmas do ensino médio (dois primeiros anos, um segundo ano e dois terceiros anos).
Focando nos processos de interação desenvolvidos em sala de aula: nos comportamen-
tos assumidos pelos alunos durante as aulas de sociologia, na posição tomada e no modo
como a professora transmite o conhecimento sociológico e como ela interpreta esse é
que buscamos compreender que sociologia é essa que está presente na escola segundo
o imaginário dos alunos. Tendo em vista que é a interação que gera a produção do
simbólico, partimos da hipótese de que seria essa interação de sala de aula que geraria
a representação social dos alunos sobre a disciplina de sociologia. Neste artigo preten-
demos abordar alguns aspectos sobre o contexto da escola (campo da pesquisa), de sua
estrutura e de suas normas. Além disso, esclarecer de quais perspectivas parti para a
realização do trabalho de campo, aliás, narrar como foi a entrada na escola e de como
lidei com os imponderáveis também serão pontos trabalhados durante este artigo. Adi-
antamos que a realização do campo foi importantíssima para o desenvolvimento da dis-
sertação como um todo, pois, por exemplo, e buscamos elucidar isso durante o artigo,
provocou mudanças na hipótese e no problema de pesquisa construídos anteriormente
a essa experiência.

174 | Anais do IV ENESEB


O JOVEM ALUNO E O PROFESSOR DE SOCIOLOGIA: REFLEXÕES SOBRE O
SENTIDO DA DISCIPLINA NO ENSINO MEDIO

Milena da Silva Almeida - UECE


Maria Alda de Sousa Alves - UECE
Patrícia Maria Apolônio de Oliveira - UECE

A heterogeneidade de jovens alunos que chegam ao Ensino Médio brasileiro nas últi-
mas décadas traz novos desafios à construção do processo de ensino-aprendizagem.
Os novos atores sociais que integram a escola trazem consigo múltiplas experiências
socioculturais que transpõem os muros da escola. O tornar-se aluno ganha outros sig-
nificados, que não consiste apenas em obedecer a modelos pré-estabelecidos, mas em
construir no cotidiano escolar sentidos para suas experiências. A escola e seus docen-
tes precisam reconhecer os jovens alunos e suas demandas, pois ainda é perceptível a
propagação de uma cultura escolar tradicional, disciplinadora e homogeneizante. Nesse
sentido, a proposta educativa deve ser repensada a fim de que a escola possa oferecer
instrumentos para que os jovens, nas suas especificidades e diversidades, consigam con-
struir seus projetos de vida com autonomia. Mediante a disciplina de Estágio Supervi-
sionado III do curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Estadual do
Ceará, em 2014.2, pude observar e refletir sobre a prática docente dos professores
de sociologia em uma escola de ensino médio do Estado do Ceará, na qual analiso a
importância desse professor e seu papel de sociólogo na escola, enquanto construo
minha identidade profissional. As reflexões realizadas ressaltam a importância do papel
do professor de sociologia, entendendo que este deve também desempenhar o papel de
sociólogo, procurando compreender quem são os jovens alunos que chegam à sala de
aula do ensino médio. O que passa também pela desnaturalização junto à comunidade
escolar s da visão que têm sobre as juventudes. Ao mesmo tempo, o docente deve prob-
lematizar os acontecimentos cotidianos, conhecendo o contexto em que a escola está
inserida, visando problematizar sobre os sujeitos jovens e seu universo de vida como
tema nas aulas de sociologia. Nesta perspectiva, podemos pensar na mediação que o
professor de sociologia poderá fazer entre os conteúdos e os jovens alunos a fim de pro-
mover uma aprendizagem significativa, que contribua para a ampliação da percepção
da realidade que esses indivíduos estão inseridos e na construção de suas identidades e
projetos de vida.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 175


176 | Anais do IV ENESEB
GT 7 – ENSINO DE SOCIOLOGIA NAS MODALIDADES
DIFERENCIADAS DE ENSINO

Coordenadora: Rogéria Martins - Universidade Federal de Viçosa


E-mail: rogerialma@yahoo.br
Vice-coordenadora: Diogo Tourino - Universidade Federal de Viçosa
E-mail: diogotourino@gmail.com

SESSÃO ÚNICA – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

REFLEXÕES ACERCA DO ENSINO PARA JOVENS E ADULTOS: VERSATILIDADE


NA DOCÊNCIA, A CONTRADIÇÃO DO ELOGIO

Renan Augusto Fernandes Silva - UEM


Bárbara Machado Alexandre - UEM
Thiago H. Faria de Brito - UEM

O trabalho é fruto de idas a campo, tendo sido produzido por meio da observação
e construção de relatórios durante as visitas do PIBID na escola para Jovens e Adul-
tos, Professor Manoel R Silva em Maringá, Paraná; assim como, pela análise das con-
tradições político-sociais em que o EJA está inserido. As frequências buscavam elucidar
a importância de se inserir no ambiente escolar antes de criar as intervenções educa-
cionais propriamente ditas. Construída de forma coletiva, e alicerçada em diversos
pilares teóricos, uma dentre as propostas fundamentais das visitas, era uma inserção
mais crítica e criativa e menos reprodutiva. Por isso, a própria escolha do local de
análise carrega essa carga crítica, tendo em vista o foco muito menor dado a essa área
quando comparada ao ensino regular. A fim de refletir sobre prática docente a partir
destas visitas semanais ao EJA, deu-se prioridade às investigações acerca da influência
exercida a partir um complexo de estruturas externas à escola que, quando relacio-
nadas com as questões educacionais definem de forma incisiva as práticas dentro das
instituições educativas. As observações in loco, além de auxiliarem na construção de
propostas de trabalhos – ainda em desenvolvimento – a serem aplicados neste local
particular, evidenciaram duas categorias fundamentais de estímulos externos à escola
que medeiam de forma incisiva desde a conduta dos alunos, até o próprio regulamento
e funcionamento do EJA. O trabalho, que historicamente influenciou, e foi influen-
ciando pela instituição destinada ao ensino de jovens e adultos, é a primeira delas. Se
fazendo necessário, portanto, evidenciá-lo como um dos motivos da precarização desta
instituição, da dedicação dos alunos, e até da prática docente (observação presente em
diversos trabalhos sobre o tema). Diante do estado problemático da estrutura física, das
confusões burocráticas, e da atenção necessária às múltiplas demandas dos discentes, a

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 177


relação da versatilidade no trabalho tornou-se uma característica examinada como item
imprescindível para os afazeres no EJA. Não obstante o estado que se encontra a Escola
para Jovens e Adultos Professor Manoel R. Silva, deriva em grande parte de posições
e decisões governamentais – ou a falta delas. Principalmente porque o ano de 2015 se
iniciou com a greve dos setores de ensino do estado do Paraná, que perpassou direta-
mente por essas questões de precarização. E por isso, a segunda categoria fundamental
é justamente a análise dessas posições e decisões do governo que comprometem a insti-
tuição, estrutural e educacionalmente. À vista disso, tais pesquisas e denúncias seguem
e se fazem necessárias quando há real preocupação com a educação.

O ENSINO DE SOCIOLOGIA E A JUVENTUDE DO CAMPO: PERSPECTIVAS DE


JOVENS MATRICULADOS EM CAMPUS RURAL DE INSTITUTO FEDERAL

Silvana Colombelli Parra Sanches - IFMT


Daniela Olinda Dalbosco - IFMT

Este artigo revela pesquisa realizada no campus São Vicente do Instituto Federal de
Mato Grosso através da aprovação em edital da pró-reitoria de pesquisa da mesma
instituição em convenio com o CNPq e propõe compreender a perspectiva do (a) es-
tudante de ensino superior em zootecnia e do técnico em agropecuária integrado ao
ensino médio no que se refere ao ensino de sociologia. Os sujeitos da pesquisa incluem-
se no grupo social da juventude do campo, impactado pela precariedade do trabalho
e a falta de políticas públicas como acesso ao lazer e à moradia adequada. A pesquisa
é qualitativa e ocorre, além da observação intermitente da professora pesquisadora e
bolsista, por meio da aplicação de extenso questionário, dividido em três partes, além
das informações gerais: a seção participação - onde se descortina como e se estes estu-
dantes inserem-se em movimentos sociais e qual a profundidade deste engajamento. A
seção opinião, onde se aborda temas contemporâneos como maioridade penal, direitos
reprodutivos, trânsito, entre outros; e, a seção sugestão, que aborda o ensino de socio-
logia propriamente dito. O projeto finaliza-se em setembro deste ano e está - na fase
de aplicação do instrumento de coleta de dados a duzentos estudantes. A importância
da investigação reside em revelar a sociologia para/com o público objetivo - a juven-
tude do campo, sociologia esta que deve pensar políticas para juventude que vive e\ou
trabalha e\ou estuda em área rural. Este, ao estudá-lá, qualifica-se para protagonizar
proposições políticas em benefício de coletividades nas quais se insere e atuar ativa-
mente em questões que influenciam as ações do Sistema Nacional de Juventude. Para
que isto aconteça, é imprescindível que a juventude retome o sentimento de pertença a
terra e ao trabalho no campo, o que se torna um desafio ao perceber que há uma visão
pejorativa do campo. Durante séculos o rural foi associado ao menor conhecimento,
ao leigo, ao desqualificado, ao distante da modernidade, ao atrasado, dentre outras
vinculações. Não obstante, há o avanço notável do Estatuto da Juventude sancionado
em2013, que afirma apoiar o jovem trabalhador rural na organização da produção da
agricultura familiar e dos empreendimentos familiares rurais. Saber como os jovens
que moram, trabalham e estudam no campo pensam e se relacionam entre si e como

178 | Anais do IV ENESEB


percebem a sociologia poderá - fornecer caminhos para uma prática educacional coer-
ente com a realidade social dos alunos pertencentes a este grupo social e, desta forma,
contribuir na discussão da relação entre a sociologia enquanto disciplina e o ensino
médio técnico e superior oferecido nos Institutos Federais, principalmente aqueles que
se expandem consideravelmente pelo interior do Brasil.

ESPECIFICIDADES DA SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO

Jaqueline Russczyk - IFSC

O debate sobre o desempenho da sociologia na educação básica é perpassado por novos


desafios, inclusive o referente à expansão do ensino de sociologia em novos espaços
de ensino. Otávio Ianni, em 1954, já criticava o caráter enciclopédico da sociologia,
atentando para o caráter pedagógico da disciplina. Esse debate ainda hoje não se es-
gota, ou seja, o desenvolvimento de materiais didáticos para o ensino de sociologia é
uma demanda da área e pode contribuir para a operacionalização criativa dos conceitos
sociológicos, estes muitas vezes abstratos. A criação de sites, blogs, cartilhas, elabo-
ração de poesias, textos, quadrinhos, jogos, bem como a seleção de músicas e filmes,
entre outros, são indicações de possíveis atividades a serem elaboradas de acordo com
os objetivos traçados pelo educador e de acordo com a realidade institucional e dos
educandos. Desse modo, tão importante é o conteúdo ensinado como o modo como
o mesmo pode ser ensinado. Assim, os conhecimentos sociológicos poderão ser mais
acessíveis aos educandos, contribuindo para a melhoria no aprendizado dos mesmos.
Junto a isso, a inovação e a criatividade são inerentes a proposta dessa pesquisa, já que
trata-se de elaborar recursos didáticos como jogos, dinâmicas, brincadeiras e demais
possíveis atividades. Procurou-se abordar conceitos, temas e teorias, conforme pon-
deram as Orientações Curriculares Nacionais (OCNs), considerando a identidade do
professor de sociologia e o projeto de formação do educando. Junto a isso, ponderou-se
metodologicamente que o ensino de sociologia tem como objetivo o desenvolvimento
da “imaginação sociológica”, segundo Wright Mills, como um tipo de problematização
inerente as ciências sociais, bem como o estranhamento e a desnaturalização. Desse
modo, essa pesquisa indaga sobre qual a especificidade do ensino de sociologia no Ensi-
no Básico,Técnico e Tecnológico (EBTT)? Objetivou-se analisar o perfil dos alunos, suas
representações sobre a disciplina, o papel da pesquisa no ensino médio, bem como as
características metodológicas da disciplina. Os procedimentos metodológicos utiliza-
dos incluem pesquisa bibliográfica, questionário aos discentes, elaboração de materiais
didáticos e avaliação dos mesmos. A pertinência desse estudo dá-se porque entende-se
que é mister que a prática docente problematize as características da instituição e dos
sujeitos às quais se destina para compreender o processo ensino-aprendizagem. O es-
tudo ainda está em andamento, e devido a isso as considerações finais são parciais.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 179


QUILOMBO SÃO JOSÉ DA SERRA (RJ) E A EDUCAÇÃO ENQUANTO PROJETO
DE EXTENSÃO

Letícia Bezerra de Lima - CEFET/RJ

O presente trabalho tem como principal objetivo apresentar a nossa prática docente
na comunidade quilombola São José da Serra (RJ) e relacioná-la ao que coletivamente
podemos construir a partir disso. Esta comunicação é fruto do projeto de extensão
Quilombo São José da Serra: valorização da cultura e memória afro-brasileira em Va-
lença (RJ), que desenvolvemos na comunidade desde março de 2015, com o apoio do
Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ), cam-
pus Valença e a participação de três professores coordenadores da instituição: Bárbara
Marques (Filosofia), Juliano Gonçalves (Contabilidade) e Letícia Lima (Sociologia).
Inicialmente, no âmbito educacional, o projeto de extensão pretendia oferecer aulas
de reforço para os alunos do ensino fundamental II – a sociologia também se faria pre-
sente enquanto disciplina escolar -, cujo objetivo ao final desse processo de ensino e
aprendizagem, seria tê-los no quadro discente da instituição, uma vez que iniciamos no
presente ano dois cursos técnicos integrados ao ensino médio (Alimentos e Química,
respectivamente). Além do conhecimento específico, esta experiência, possivelmente
reverberaria no fortalecimento sociocultural e econômico da comunidade, como por
exemplo, a geração de renda, a valorização do espaço e cultura local, a valorização da
identidade quilombola. Porém, ao adentrar neste espaço e nestas relações, percebemos
que questões mais urgentes precisariam ser resolvidas como a garantia do direito à edu-
cação dos jovens e crianças. O que está em pauta, então, não é apenas como o ensino de
Sociologia e a prática docente se faria presente ali no espaço, mas de modo geral, como
nós professoras poderíamos contribuir efetivamente para o desenvolvimento educacio-
nal de São José. Quais são as particularidades de estar inserida na comunidade quilom-
bola? Para além dessas questões, pretendemos apresentar as diferentes contribuições
que os quilombolas de São José podem proporcionar à comunidade escolar do CEFET
– Valença, trazendo à superfície outra forma de se compartilhar a história da região, de
se pensar as tradições locais e colaborando para a desconstrução do senso comum do
que é ser quilombola no município.

EXPERIÊNCIA DE ENSINO DE SOCIOLOGIA NO CURSO POPULAR ONGEP


- ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL PARA A EDUCAÇÃO POPULAR

Ricardo Cortez Lopes - UFRGS


Júlio César Baldasso - UFRGS

O maior concurso vestibular do Rio Grande do Sul sem dúvidas é aquele que é re-
alizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul anualmente. Sua mera ex-
istência mobiliza um mercado bastante expressivo de cursos preparatórios – chamados
habitualmente de “cursinhos” por frequentadores e por pessoas de fora deles. Há uma
tipologia de cursinho específica: o cursinho popular. Nossa experiência de ensino de

180 | Anais do IV ENESEB


sociologia foi em um cursinho popular do município de Porto Alegre, Rio Grande do
Sul, a ONG para a Educação Popular (ONGEP), fundada no ano de 2002. Ingressamos
no curso em novembro de 2013, na condição de docência em sociologia. O nosso prin-
cipal objetivo no cursinho é oportunizar aos alunos um contato com a disciplina socio-
logia – bastante recente em sua volta aos currículos escolares e ainda pouco legitimada
como saber prático em um mundo socializado pelo mercado de trabalho – a partir de
dois esforços para “legitimá-la” diante dos alunos: um teórico e um metodológico. Na
construção das aulas o pressuposto mais fundamental na elaboração do programa foi o
de que as pessoas tendem a criar uma zona de segurança ontológica, ideia de Giddens,
que é um local cognitivo onde a pessoa para de questionar sobre uma série de conceitos
importantes da vida para poder realizar tarefas mais pontuais. Para poder agir nela,
optamos pela abordagem de Jacques Derrida sobre a desconstrução. Fizemo-la agir
principalmente sobre a “herança de verdade” do discurso metafísico ocidental. O obje-
tivo era o de fazer o aluno pensar ou repensar o que estava por já consolidado em sua
área de segurança ontológica. Assim, os alunos se organizavam em grupos, discutiam
perguntas geradoras e depois as discutiam com o grande grupo, para depois se iniciar
uma aula expositivo-dialogada. A segunda estratégia foi metodológica, que foi a de
conectar as aulas com duas disciplinas, Redação e Filosofia. A primeira foi incorporada
na metodologia das aulas através de seu caráter conceitual, com vistas a desenvolver a
capacidade argumentativa para a redação, que traria os temas empíricos. Neste ponto,
gostaríamos de nos ater um pouco nas reações dos alunos. Como era de se esperar,
muitos dos alunos “mataram” as aulas de sociologia antes de conhecê-la. Mas, depois
dos debates, foi muito interessante observar à sua surpresa quando viam exemplos de
aulas pinçadas de suas infâncias e adolescências, uma vez que a lógica de ensino “torre
de marfim” não estava sendo respeitada no decorrer da aula, de modo que também eles
mesmos eram chamados a sugerirem visitas a sites ou a vídeos da internet. Percebemos
que foi possível manter o interesse dos alunos que já seriam mais naturalmente “inclina-
dos” para a discussão sociológica e despertar o interesse de outros alunos que provavel-
mente desistiriam diante das abstrações possíveis na disciplina sociológica. Houve um
outro segmento que apenas ficava observando a aula, mas deixamos bem explícito que,
caso alguém não quisesse responder exteriormente às perguntas propostas em aula,
deveria respondê-las introspectivamente, para si mesmos, o que esperamos que tenha
gerado o mesmo efeito em quem se propôs a dividir opiniões com os colegas.

PRÁTICAS DOCENTES E ENSINO: UM CONTRAPONTO ENTRE A ESCOLA


REGULAR E O ENSINO PROFISSIONAL

Suianny Andrade de Freitas - UFC


Camila Maria Cunha de Souza - UFC

O trabalho que ora apresentamos surgiu na medida em que nos aproximamos da re-
alidade do professor de sociologia no ensino profissional no Estado do Ceará. Tendo
em vista que o ensino profissionalizante foi um alvo privilegiado de investimento do
Governo e que foram construídas várias escolas no padrão MEC, com essa inserção da

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 181


modalidade profissionalizante no Ensino Médio, os professores de sociologia tem de
adequar as práticas docentes a essa nova modalidade de ensino. Nesse contexto o pre-
sente trabalho traz como proposta uma discursão acerca das práticas docentes que são
adotadas pelos professores de sociologia na escola comparando as realidades distintas
do ensino regular e do ensino profissional, atentando para os desafios que os docentes
das ciências sociais enfrentam para reproduzir os conhecimentos sociológicos no am-
biente das escolas. Essas diferenças têm relação com a carga horária, pois enquanto os
alunos da escola regular tem em média 06 horas aula por período, os alunos das escolas
profissionalizantes permanecem de 07:10 até às 17:00 horas. Essas diferenças na carga
horária alteram inclusive as relações e os vínculos que são construídos no ambiente
escolar, não somente dos alunos entre si, mas também deles com os professores, além
disso, temos o desgaste físico de uma jornada mais intensa de trabalho e atividades. Para
fundamentar nossa discursão teórica, usamos autores como Durkheim (2009) que con-
cebe a educação como um projeto que promove a coesão social, nos elevando a pensar
acerca do lugar que a sociologia ocupa na escola. Por outro lado Silva (2007) levanta
questionamentos sobre as teorias dos currículos, colocando como principal objetivo
deles, a decisão acerca do que deve ser ensinado e as reflexões que se fazem sobre os
conteúdos que são importantes para a formação dos discentes. Nesse sentido podemos
traçar um dialogo entre a real estruturação do currículo, ou como ele é pensado e o
lugar da sociologia no ensino regular e profissional. Os recursos metodológicos utiliza-
dos foram a observação das aulas de sociologia tanto no ensino regular e no profissional
em duas escolas públicas das periferias de Fortaleza. Também foram realizadas entrev-
istas com os discentes acerca dessas duas realidades. A pesquisa ainda esta em fase de
coleta e análise de dados, mas já permite perceber que mesmo com materiais didáticos
iguais, encontramos diferenças com relação à execução das aulas, à conduta disciplinar
dos alunos e o tempo em sala de aula. Além disso, temos o problema das contratações
e concursos que impactam diretamente as condutas dos profissionais temporários da
educação regular.

ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO DE TEMPO INTEGRAL E


PROFISSIONAL EM ALAGOAS: QUAL O LUGAR DA SOCIOLOGIA NESSA
ESTRUTURA DE ENSINO?

Fabson Calixto da Silva – Secretaria de Estado da Educação e do Esporte de Alagoas


Maria Amélia Florêncio – Secretaria de Estado da Educação e do Esporte de Alagoas

Alagoas esteve deslocada do movimento nacional de luta pela obrigatoriedade do en-


sino de sociologia nas escolas médias. Isto ocorre pela ausência de uma política educa-
cional estruturada e pelas diversas crises socioeconômicas que enfrentava. O período
de ascensão da sociologia no Brasil (1925 a 1942) não voga em Alagoas, em razão às
instabilidades políticas, um sistema educacional direcionado para uma pequena elite e a
falta de recursos financeiros para instauração e manutenção das reformas em curso no
país (FLORÊNCIO, 2007). No entanto, como disciplina no Ensino Médio em Alagoas,
a disciplina encontra-se presente a partir do ano de 1999. Por essa e outras razões

182 | Anais do IV ENESEB


a sociologia escolar tende a ser marcada por uma dinâmica de conflitos, ausências e
divergências. Para tanto, tem-se avançado quanto aos rumos dessa disciplina e novos
lugares e ares esta tem alcançado. Neste ano, o Governo de Alagoas, inaugura a pri-
meira escola do estado pública em tempo integral e profissionalizante, somente para
a última etapa da educação básica, o ensino médio. Inicialmente composta por oito
turmas (quatro turmas de primeiro ano; três turmas do segundo ano; uma turma do
terceiro ano), um quadro de professores diversificado (do ensino médio e dos cursos
técnicos profissionalizantes), uma nova estrutura física e pedagógica. Dispõe de diver-
sos Laboratórios de Aprendizagem (LAP), inclusive um de “Ciências Humanas”, o qual
a sociologia se enquadra. À vista disso, o objetivo deste trabalho é a análise do impacto
da sociologia escolar nesta organização de ensino. Onde, a escola oferece aos alunos os
cursos técnicos que funcionam de forma integrada com o ensino médio; a possibilidade
de novas experiências de aulas e de novas metodologias de ensino a partir do uso do
LAP; A oferta de cursos eletivos na área; e o acompanhamento dos docentes por meio
dos cursos de formação continuada. Este trabalho está baseado nas concepções teóricas
e metodológicas das ciências Sociais e da Educação, pautado principalmente no En-
sino de Sociologia e da Sociologia da Educação. Destarte, nossa experiência, vivência
e prática de ensino nessa instituição escolar, conduziram de melhor maneira (in loco)
a construção da pesquisa. A sociologia, nesta instituição, encontra avanços e limites e
várias são as razões. Avanços no que se refere no aumento da carga horária da disciplina
(duas horas nas três séries); maior tempo para se trabalhar os conteúdos e com diferen-
tes metodologias; a capacidade de trabalhar no LAP as dificuldades de aprendizagens
dos alunos específicos da sociologia. Mas, esbarramos ainda em uma cultura escolar que
insiste em tomar a disciplina como algo de menor valor, ao menos quando esta pode
contribuir para o ENEM; a defasagem dos alunos no que diz respeito aos conhecimen-
tos sociológicos, justificado por vezes pelas más qualidades de aulas em outras escolas
que passaram.

A EXPERIÊNCIA DO PIBID INDÍGENA NA UFT: ALGUMAS REFLEXÕES

Mauro Meirelles - UNILASALLE


Cesar Alessandro Sagrillo Figueiredo - UFT
Lidiane da Conceição Alves - UFT

O ensino de sociologia possui como ambiente privilegiado de pesquisa e ensino o es-


tudo da sociedade e as suas várias matizes. Enfocamos que este processo de ensino foi
construído a partir de um ambiente acadêmico não multicultural em sua gênese; no
entanto, nos dias de hoje torna-se condição sine qua non exercer um diálogo profícuo
com a realidade vivida a partir de diferentes contextos socioespaciais. A partir desta
abordagem, inserimos o construto do ensino de sociologia na região norte do país,
mais especificamente, desempenhada pela Universidade Federal do Tocantins (UFT),
na região do Bico do Papagaio no Norte do estado do Tocantins. Portanto, esta uni-
versidade possui um lócus privilegiado, pois divide-se geograficamente no Norte do
Brasil entre os estado do Pará e do Maranhão, agregando a diversidade étnica e cultural

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 183


da região. Destacamos nesta abrangência o trabalho realizado de formação docente
dos alunos do curso de ciências sociais da UFT junto as escolas da aldeia do povo Api-
najé. Este trabalho possui como objetivo principal examinar as práticas docentes dos
acadêmicos de licenciatura em ciências sociais, que estão desempenhando a função de
estágio docente junto a comunidade indígena da Aldeia Mariazinha. Realçamos que
trabalhamos numa perspectiva multicultural e de alteridade, ou seja, buscamos apre-
sentar tanto a realidade “não indígena” acadêmica para a aldeia, assim como, trazer a
aldeia para dentro da universidade respeitando a diversidade cultural própria da comu-
nidade indígena Apinajé. Ainda, abordamos a sociologia em suas várias diversidades em
diferentes espaços, de acordo como é sugerido pela atual Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional. Este trabalho possui como metodologia uma abordagem qualita-
tiva, primeiramente, através de um estudo do seu referencial teórico e bibliográfico,
para em seguida, aplicar com a saídas de campo e a observação participante o ensino
de sociologia nas aldeias indígenas. Finalizando, procuramos demonstrar a relação dos
conteúdos teóricos e conceitos a partir da realidade própria do povo indígena Apinajé.

A CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO DO CAMPO NA ESCOLA DA


ILHA DE SUPERAGUI: O COTIDIANO DOS PESCADORES ARTESANAIS COMO
PRINCÍPIO EDUCATIVO

Larissa Joice Silva Teles - IFPR


Roberto Martins de Souza - IFPR

O presente trabalho resulta da ação do PIBID Ciências Sociais, no ano de 2014, na


Escola Estadual do Campo de Superagui, município de Guaraqueçaba, PR. A proposta
pretendeu problematizar o conteúdo: Movimentos Sociais, Direitos e Cidadania de-
senvolvido no ensino de sociologia (Área de Humanas II) ofertado ao 3º ano do Ensino
Médio, a partir de uma análise crítica do cotidiano da comunidade tradicional e seus
conflitos sociais como consequência da sobreposição do Parque Nacional de Superagui
em seu território. A PropostaPolítico Pedagógica das Ilhas – PPP Ilhas, informa que a
escola possui papel fundamental no diálogo entre os conhecimentos escolares e tradi-
cionais, constituindo-se em uma instituição política essencial para a sobrevivência e
permanência dos sujeitos em seus territórios de pertencimento (SEED, 2009). Nosso
objetivo foi contextualizar os conflitos na ótica da comunidade, do movimento social
de pescadores artesanais - MOPEAR, e dos estudantes-pescadores artesanais com a
intenção de desnaturalizar o discurso dominante que não concebe o trabalho, território
e identidade enquanto uma realidade. Autores como Arroyo, Molina (2004) e Caldart
(2007) apresentam possibilidades de repensar e refazer a educação, considerando as
contradições existentes nos espaços do campo – Ilhas. A dissonância fica manifesta no
confronto entre a prática de ensino de sociologia e as orientações do PPP, que considera
o conflito social com a Unidade de Conservação como eixo articulador dos temas a ser-
em desenvolvidos, bem como a afirmação da identidade étnica do grupo e sua territori-
alidade. A investigação da realidade social na sua dimensão prática, através da realização
de visitas seguidas de entrevistas com lideranças da comunidade,trabalhos em sala de

184 | Anais do IV ENESEB


aulas com os estudantes sobre sua percepção do tema, nos levou a exercitar a problema-
tizaçãodurante as aulas de sociologia. Produzimos nos trabalhos a reflexão crítica sobre
o discurso dominante, seus interesses e contradições, em contraponto com o discurso
subalternizado dos grupos locais, oportunizando reeditar o conteúdo estruturante a
partir do contexto local.A construção da proposta de educação do campo nas ilhas, em
Superagui,possibilitou a inclusão das experiências e saberes tradicionais do cotidiano
no currículo da escola do campo e, no repensar e refazer o significado do ensino de
sociologia na escola.

ENSINO DE SOCIOLOGIA ENTRE MODALIDADES DE EDUCAÇÃO: O PROEJA

Sandra Regina Gavasso Amarantes - IFPR


Sidney Reinaldo da Silva - IFPR

Depois da LDB (Lei 9394/1996), as modalidades da educação no Brasil possibilita-


ram diversas formas de trabalho com as Ciências Humanas que vão além de sua oferta
disciplinar. Contudo, quando se refere à Sociologia, assim como à Filosofia, a questão
principal tem se colocado em relação à grade curricular do Ensino Médio, ficando in-
visíveis outras formas de inserção dessas disciplinas na Educação Básica. Mas, no entre-
cruzamento de modalidades de ensino, as linhas divisórias entre o trabalho disciplinar
e o trabalho transversal ficam embaralhadas. Este texto tem por objetivo discutir o en-
sino de Sociologia perante duas modalidades bem específicas de educação: o PROEJA
(Programa Nacional de Integração da Educação Básica com a Educação Profissional na
Modalidade de Educação de Jovens e Adultos) e a Educação Profissional. A proposta
oficial do PROEJA é de oferecer de modo integrado Educação Profissional e Educação
Básica buscando superar a dualidade trabalho manual e intelectual, indicando que a
formação do trabalhador deve se dar numa abordagem “criadora e não alienante”. A
questão desta pesquisa refere-se à inscrição do ensino de Sociologia na lógica das mo-
dalidades de educação, sobretudo quando se trabalha uma turma (de PROEJA) com
alunos que estudam essa disciplina no Ensino Médio, onde ela é obrigatória, e alunos
que não a estudam por estarem ainda no Ensino Fundamental. Buscou-se compreender
como as modalidades em questão se relacionam com os níveis de ensino fundamental
e médio apontando como os alunos tiveram contato com abordagens de conteúdos
e temas de sociologia. Especificamente, este texto relata um estudo sobre cursos de
PROEJA oferecidos pelo IFPR no Litoral do Paraná. A investigação partiu de uma abor-
dagem da concepção dos Institutos Federais e suas diretrizes, destacando o modo como
se pressupõe a formação tecnológica articulada com a humanística. Posteriormente foi
feito uma apresentação do PROEJA como uma política pública que articula a formação
profissional com Educação Básica, mostrando críticas já feitas a esse programa. Foram
feitas entrevistas e aplicados questionários junto a professores e alunos. O estudo e a
análise dos dados coletados deram-se a partir da concepção de sociedade e educação de
Gramsci apropriada pela pedagogia histórica-crítica de Saviani. O texto mostra que a
formação profissional, no contexto dos Institutos Federais, tende a afastar a Educação
de Jovens e Adultos da tradição de educação popular inspirada na pedagogia de Paulo

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 185


Freire, apontando, contudo, para as possibilidades de contribuição do ensino de Socio-
logia para a ressignificação dessa tradição no contexto formativo estudado.

A ARTE DE ENSINAR: UM ESTUDO SOBRE O PROCESSO DE EDUCAÇÃO


NÃO FORMAL, NO PONTO DE CULTURA BURACÃO DA ARTE

Adriely, P. Jesus - UFG


Vanessa F. Oliveira - UFG
Ana Paula R. Vale - UFG

O Ponto de Cultura Buracão da Arte localizado na cidade de Goiânia - GO foi criado


no ano de 2011, pela Associação de Capoeira Angola do Estado de Goiás (Só Angola),
no qual recebeu recursos de um convênio firmado entre o Ministério da Cultura do
Governo Federal e a Prefeitura de Goiânia. Esta pesquisa aborda o processo de edu-
cação não formal, existente neste espaço, a partir das atividades oferecidas, tais como
a Capoeira Angola, Construção de Instrumentos Artesanais, Teatro, Viola e oficinas de
Samba de Roda. O presente artigo busca apresentar as experiências vividas, as relações
constituídas culturalmente e as principais expectativas/frustrações dos sujeitos ali pre-
sentes. Ao trabalhar o conceito de habitus por Bourdieu, compreendemos as relações
de afinidade entre os indivíduos e as estruturas propostas no condicionamento social
vivenciado. A educação não formal é essencial ao processo de transformação da socie-
dade, e na Capoeira Angola, como em outras manifestações da cultura popular, nota-se
a presença de valores fundamentais para existência humana. A metodologia utilizada
foi à pesquisa bibliográfica que permitiu o diagnóstico do fenômeno. A coleta de dados
secundários foi realizada em parceria com o Ponto de Cultura Buracão da Arte, que
nos ofereceu suporte para a compreensão dos dados e a elaboração de gráficos. Neste
sentido a proposta de trabalho está interligada nas manifestações artísticas e culturais
do nosso país. Utilizando-se das atividades oferecidas nesta instituição, chegamos à con-
clusão que elas fazem uma preservação da nossa cultura popular, para que haja uma
compreensão de valorizar a participação dos povos africanos na formação da história
brasileira, que é pertinente e necessário para o processo de desmarginalização da ima-
gem e cultura do negro no Brasil. Apoiando-se em materiais que deem subsídios para
o entendimento da cultura brasileira como uma linguagem híbrida, e com um trabalho
coletivo no qual o educador é na verdade, um “estimulador” e os alunos os próprios
“criadores”. O Ponto de Cultura Buracão da Arte pressupõe autonomia, protagonismo
sociocultural e sugere que os indivíduos possibilitem que a cultura seja desenvolvida e
transmitida dessa forma para seus alunos.

186 | Anais do IV ENESEB


A SOCIOLOGIA NA ESCOLA DE JOVENS E ADULTOS: ALGUMAS
PROBLEMATIZAÇÕES

Adimilson Renato da Silva - UNISINOS

Este trabalho visa a problematização do estágio atual do ensino da disciplina de socio-


logia no ensino de jovens e adultos (EJA). Teríamos um enfoque específico na aborda-
gem do aprendizado para este público de estudantes? Passado menos de dez anos do
retorno da sociologia como disciplina obrigatória no Ensino Médio, essa trajetória nos
bancos escolares apresentaria elementos para a discussão específicas das modalidades
de ensino? Para isso, um primeiro movimento se constituiu na apreciação de pesquisas
que versam sobre a temática na área de ciências sociais, para posteriormente, fazer
um paralelo com a problemática da educação no ensino básico de maneira geral. Os
parâmetros curriculares nacionais indicam que três competências básicas devem ser
estimuladas na construção de experiências de ensino-aprendizado – ler, escrever e in-
terpretar problemas – constituindo-se como a pedra de toque da formação de jovens e
adultos. Deste âmbito das competências gerais os eixos articuladores desta modalidade
de ensino, cultura, trabalho e tempo, tornam-se propositivos na promoção de sujeitos
críticos e reflexivo. Ainda que exista muito trabalho a ser feito, iniciativas foram toma-
das para a complementação da formação de educadores responsáveis pelo ensino de
sociologia. Nessa perspectiva, percebe-se que os sujeitos de aprendizagens se encon-
tram em condições semelhantes, os desafios de enfrentar novos problemas colocados à
medida que as trajetórias de ambos percorrem caminhos distintos, olham o mundo de
lugares diferente e chegam a destinos “diametralmente opostos”. O contrário também
é suscetível a ser concebido. Desnaturalizar a situação da educação, na atualidade, anco-
rando-se em ângulos, dimensões e perspectivas complementares torna-se pressuposto
para abarcar o estado da arte da construção e troca de saberes. Os jovens e adultos po-
dem “ensinar” as ciências sociais a se descobrirem enquanto área do conhecimento im-
prescindível para a qualificação da escola no país. Espera-se então colidir a perspectiva
teórico-analítica com algumas experiências de ensino-aprendizagem nesta modalidade
de ensino, ao investir na apreensão de potencialidades e limitações ainda existentes e
suscetíveis à tratativa investigativa.

FOUCAULT PARA CRIANÇAS: “VIGIAR E PUNIR” AOS OLHOS DOS


ESTUDANTES DO NONO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

Marília Márcia Cunha da Silva - Pedro II ∕ RJ

O presente trabalho procura refletir sobre as respostas dadas por alunos do nono ano
do ensino fundamental do Colégio Pedro II, campus São Cristóvão II, localizado na
cidade do Rio de Janeiro, ao conteúdo trabalhado na disciplina “Ciências Sociais”. No
nono ano do ensino fundamental, trabalham-se, nas Ciências Sociais, temas que dizem
respeito às construções sociológicas e filosóficas que tratam do controle social, e dentre
estas, estão as concepções de disciplina analisadas pelo filósofo Michel Foucault. Neste

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 187


trabalho, apresentaremos como o livro “Vigiar e Punir” é trabalhado nas salas de aula e
como os estudantes analisam a formação da sociedade disciplinar, ainda tão atuante na
construção de “corpos dóceis e úteis” (FOUCAULT, 1999). O conteúdo foi trabalhado
durante três meses, e neste período, os estudantes não apenas leram um material pro-
duzido pela equipe de Ciências Sociais acerca da filosofia foucaultiana, como também
visitaram a Colônia Juliano Moreira, localizada na cidade do Rio de Janeiro, antigo hos-
pital psiquiátrico e atual Museu Arthur Bispo do Rosário; e participaram de um ciclo
de filmes e debates cujo tema norteador foi “a sociedade disciplinar”. Concluímos, com
este trabalho, que o estudo da sociedade disciplinar – com suas tecnologias de poder
para a transformação e ajustamento de corpos e mentes ao sistema econômico capi-
talista – como analisada por Foucault, levou os estudantes do ensino fundamental, a ex-
ercitar as suas imaginações sociológicas (WRIGHT MILLS, 1965) e a refletir sobre suas
relações com a instituição escolar, localizando-se, desta forma, no interior de amplos
processos históricos, políticos e sociais. FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: a história
da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1999. WRIGHT MILLS, C. A imaginação
sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1965.

O ENSINO DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO DAS ESCOLAS ESTADUAIS


DO BICO DO PAPAGAIO – NORTE DE TOCANTINS

Lavina Pereira da Silva - UFT e SEDUC / TO

Partindo do princípio de que atualmente a educação básica envolve contextos de ensino


diferenciado e que levam em consideração a “identidade, a diversidade e a diferença nas
dimensões que compõem o cenário das políticas educacionais”, faz-se necessário que
haja um olhar aprimorado no que se trata sobre a formação docente em especial dos
das ciências sociais. Tal debate se faz necessário em caráter de urgência, uma vez que o
ensino de sociologia se faz obrigatório no ensino médio das escolas públicas brasileiras,
e este deve ser ofertado com qualidade, já que este vem contribuir de forma positiva
e significativa para a formação plena do cidadão, garantindo assim que este se torne
sujeito consciente dos seus direitos e deveres, podendo assim contribuir para as trans-
formações sociais. Nesse sentido o presente trabalho oportunizará o aprofundamento
do debate sobre a formação dos profissionais das Ciências Sociais pela UFT – Campus
de Tocantinópolis, (localizado no Bico do Papagaio), como também sobre o desafio
dos educadores de diversas áreas que ministram Sociologia, para estudantes do ensino
médio nas escolas públicas da rede estadual de Tocantins. Quais as maiores dificuldades
enfrentadas por parte destes profissionais, como também pelos educandos? Qual sua
maior angustia a respeito do assunto, como também de sua pratica profissional? E ainda
abrira-se um leque de discussão sobre os desafios e as perspectivas dos futuros profis-
sionais das ciências sociais para atuarem na rede pública de ensino como profissional
de Ciências Sociais, podendo assim ministrar aulas de Sociologia para estudantes do
ensino médio nas escolas públicas do Bico do Papagaio, estado de Tocantins. O que
os estudantes esperam do profissional das Ciências Sociais? Qual a contribuição que
este trará para sua formação? O objetivo principal desse trabalho é oportunizar o de-

188 | Anais do IV ENESEB


bate conforme descrito, expondo assim as experiências vividas como também o que
já se presencia através de observações no cotidiano das escolas da SEDUC – TO, mais
especificamente na região do Bico do Papagaio, e ainda saber mais sobre a realidade
existente em escolas de diversas regiões do Brasil. Possibilitando assim a reciprocidade
de experiências a respeito da formação dos profissionais das Ciências Sociais e sobre o
ensino de sociologia no ensino médio das escolas públicas brasileiras, contribuindo as-
sim para que o mesmo aconteça com mais qualidade nas redes pública de ensino.

OS DESAFIOS DO DOCENTE “MULTIMODAL”: A EXPERIÊNCIA DO ENSINO


DE SOCIOLOGIA NO INSTITUTO FEDERAL DA BAHIA

Tatiane Pereira Muniz - IFBA

A implementação do ensino de Sociologia e Filosofia como disciplinas obrigatórias dos


currículos do ensino médio, a partir da Lei nº 11.684/08, ao lado do processo de ex-
pansão do Institutos Federais de Educação, vivenciado nos últimos anos, tem colocado
desafios institucionais, no que se refere à lógica de trabalho imposta aos docentes, que
precisam lidar com uma diversidade de modalidades inerentes à forma como está orga-
nizado o Ensino nestes institutos, contando com cursos de pelo menos 3 modalidades:
de Ensino Médio integrado ao técnico, Subsequente (que tem como requisito o Ensino
Médio) e cursos de nível superior, dentre os quais bacharelados, licenciaturas e/ou cur-
sos para formação de tecnólogos. Este caráter multifacetado da organização do ensino
impõe ao profissional docente a necessidade de adequar os conteúdos e metodologias
aos diferentes públicos, com os quais, na maioria das vezes, se trabalha de forma con-
comitante. Ao lado disso, o docente da disciplina Sociologia precisa lidar com um alto
número de turmas ou ementas, para contemplar a carga horária mínima exigida, já que
a distribuição por currículo é muito reduzida. O suposto é de que as disciplinas de So-
ciologia e Filosofia, são compreendidas no mais das vezes, de maneira equivocada, pelos
demais docentes de áreas técnicas e coordenadores de curso, que entendem a educação
profissional, alvo principal dos instituto federais de educação, como estritamente pro-
fissionalizante, o que confere um caráter instrumental às práticas docentes empreendi-
das, colocando em segundo plano a formação cidadã, mais amplamente abraçada pelos
docentes das humanidades; isto culmina em arranjos nem sempre pedagogicamente
eficazes, na distribuição da carga horária docente e, na dificuldade de se dedicar maior
cuidado na preparação das aulas, tendo em vista o grande volume de trabalho de regên-
cia, decorrente do grande número de turmas ou ementas, no caso da Sociologia. Di-
ante destes problemas, o docente desta disciplina tem que lidar cotidianamente com
o assédio, tendo que justificar a pertinência e importância desta disciplina no cursos
ofertados nas diversas modalidades, procurando soluções cotidianas para enfrentar o
problema da precarização do trabalho docente. A proposta de apresentação de trabalho
visa discutir, a partir de revisão bibliográfica e do relato de experiências, os aspectos
referentes a atuação do docente de Sociologia, no contexto “multimodal” de ensino,
inerente à carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico dos Institutos Federais de
Educação.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 189


“SOCIOLOGIA SÓ ENSINA O QUE A GENTE JÁ SABE”: O DESAFIO DE
RESSIGNIFICAR A REALIDADE DE ESTUDANTES DE SOCIOLOGIA NA EJA

Nilton Miguel Aguilar de Costa - UNB

O presente trabalho se baseia, sobretudo, em minhas breves experiências como pro-


fessor-estagiário de sociologia em uma turma do terceiro segmento da Educação
para Jovens e Adultos (EJA), em Sobradinho II, Distrito Federal, em 2011. Durante
o tempo em que estive atuando e acompanhando as atividades escolares, além obser-
var o contexto de ensino de sociologia para jovens e adultos no ensino médio, tive
a oportunidade de empregar técnicas de pesquisa social e coletar dados empíricos.A
partir da pesquisa realizada e de minha experiência como estagiário, pude analisar:
o entendimento das/os estudantes sobre o que é sociologia; qual a importância de
seu ensino e o contraste dessas elaborações com a maneira como as/os estudantes se
comportavam e interagiam no momento das aulas; o entendimento da então profes-
sora regente sobre o que é sociologia; qual a importância de seu ensino e o contraste
dessas elaborações com a forma como ela selecionava suas estratégias didáticas; e a
especificidade do ensino de sociologia na educação para jovens e adultos, mormente no
discurso da professora e em sua postura ante o corpo discente, levando em conta suas
peculiaridades. A partir dessa experiência, pude refletir sobre uma série de questões
concernentes à condição de se ensinar sociologia na educação para jovens e adultos.
Dentre os diversos aspectos analisados, o que me chamou mais atenção foi o sentido
que ganha a disciplina na perspectiva docente e discente. De um lado a defesa sensata
de que o curto tempo disponível para ensinar sociologia (cerca de trinta minutos sema-
nais) deve focar na problematização da existência e dos efeitos dos fenômenos sociais
na realidade das/os estudantes, em detrimento de uma abordagem mais apurada desses
fenômenos (por exemplo, a partir de sua historicização e analise teórica). De outro,
a frustração de estudar uma disciplina que tangencia temas importantes, mas não ex-
atamente novos. Na minha perspectiva a abordagem proposta nas diretrizes oficiais e
adotada pela professora mostrou-se duplamente ineficaz: nem proporcionou às/aos
estudantes o desenvolvimento do pensamento sociológico, que é a própria lógica da
construção do conhecimento em sociologia, nem logrou conscientizar boa parte das/
os alunos sobre a relevância dos fenômenos sociológicos em suas vidas, uma vez que ao
trazer a problematização dos conceitos descolada da lógica específica de sua elabora-
ção – logo sem um exame específico e apurado –, aqueles não aparecem como novos a
algumas/ns alunos. Neste trabalho, no entanto, não me proponho a oferecer possíveis
soluções para contornar essas dificuldades. Minha tentativa foi a de pontuar quais são
as dificuldades sobre as quais deve-se debruçar no intuito de se conseguir realizar um
trabalho docente interessante, que não apenas busque contemplar as diretrizes para o
ensino de sociologia pautadas nos parâmetros curriculares nacionais, mas que o faça de
maneira cognitiva e afetivamente relevante e eficaz tanto para professoras/es quanto
para alunas/os. Reexaminar essa pesquisa realizada há tanto tempo me é interessante
neste momento em que começo a atuar na educação de jovens e adultos como profes-
sor regente de sociologia, em que tenho a oportunidade de observar essas questões em
minha própria realidade como docente.

190 | Anais do IV ENESEB


PRODUÇÃO DE DOCUMENTÁRIOS COMO FERRAMENTA METODOLÓGICA
PARA O ENSINO DE SOCIOLOGIA

Eleusa Maria Leão–IFG

O foco principal deste trabalho diz respeito às metodologias de ensino de Sociologia.


Consideramos que em vista do tipo de ensino vigente nas Escolas de Ensino Médio
brasileiras, a Sociologia tem um importante desafio pela frente. Infelizmente, a prática
docente tradicional é pautada na transmissão do conhecimento pelo professor, o qual
deve ser assimilado pelos alunos. A base desse enfoque está na seleção dos conteúdos,
no ensino enciclopédico, sendo estes, geralmente, deslocado do cotidiano dos alunos.
Neste tipo de ensino, docente privilegia a aula expositiva tornando o aluno um memo-
rizador dos conteúdos. O trabalho aqui apresentado objetiva demonstrar que o ensino
de Sociologia pode propiciar ao aluno a aquisição de conteúdos de maneira significa-
tiva, claramente expressa na proposta ausubeliana (AUSUBEL; ROBINSON, 1969),
rompendo com modelos tradicionais de ensino. Neste sentido discute o resultado de
uma proposta metodológica realizada com os alunos do terceiro ano do Técnico Inte-
grado em Edificações do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás
durante o ano de 2014, cujo objetivo foi desenvolver e apurar um olhar e sensibilidade
sociológica por meio da produção de documentários. Estes documentários foram elab-
orados com o objetivo de suscitar discussões sobre sociedade disciplinar e sociedade de
controle. O referencial teórico são as teorias de Foucault (1987), sociedade disciplinar
e Deleuze (1992) sociedade de controle. O desenvolvimento do trabalho demonstra a
importância de se buscar metodologias que proporcionem momentos de construção do
conhecimento, fugindo dos modelos de aulas excessivamente abstratas e eruditas, pou-
co acessíveis à compreensão e à linguagem dos estudantes e com baixa capacidade de
mobilizá-los subjetivamente. Neste sentido, evidencia que dentre os desafios propostos
aos professores de Sociologia destacam-se aqueles ligados à construção, junto aos alu-
nos, de uma interpretação da realidade pautada na criticidade e interdisciplinaridade.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 191


192 | Anais do IV ENESEB
GT8 – POLÍTICA NO ENSINO DE SOCIOLOGIA: DESAFIO
DIDÁTICO E FORMATIVO

Coordenador: Sandro Amadeu Cerveira - Universidade Federal de Alfenas


E-mail: sandroamadeu@yahoo.com.br
Vice-coordenador: José Silon Ferreira - UNISINOS
Email: silonf@hotmail.com

SESSÃO A – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

“ALGUÉM JÁ OUVIU FALAR EM SOCIOLOGIA?”: ETNOGRAFIA DAS


REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ACERCA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA NO
FUNDAMENTAL II NO MUNICÍPIO DE CHAPADINHA-MA

Sérgio César Corrêa Soares Muniz - UFPI

Este trabalho tem por objetivo problematizar o processo de implementação do ensino


da sociologia nos componentes curriculares que integram o projeto político pedagógi-
co do sistema educacional do município de Chapadinha, localizado na mesorregião do
Baixo Parnaíba, Maranhão. Tomando como fonte de coleta de dados os alunos, profes-
sores, técnicos administrativos e gestores educacionais, um dos objetivos desse trabalho
é compreender as representações individuais e coletivas que esses sujeitos constroem
sobre o ensino da sociologia aplicada à segunda fase do ensino fundamental, além de
tentar identificar quais as implicações dessas representações sobre o ensino da discip-
lina, sua eficácia e abrangência, sobretudo do ponto de vista dos alunos e professores.
Como metodologia para esta pesquisa, utilizou-se a etnografia proposta por Geertz na
intenção de compreender a produção de significados e sentidos de uma determinada
comunidade. Como instrumento de coleta de dados tomou-se a observação direta, a
entrevista e aplicação de questionários semiestruturados entre alunos e professores. As
representações sociais, considerando as propostas conceituais de Durkheim se mani-
festam em formas de ser, pensar e agir dos indivíduos que estão sempre relacionadas
às suas origens socioeconômicas, processos pedagógicos formativos, processos de so-
cialização e histórias de vida dos sujeitos que integram determinada sociedade, grupo,
ou nesse caso, uma comunidade escolar, campo de pesquisa desse trabalho. A Unidade
Integrada Alexandre Costa é uma escola que integra a rede municipal de ensino de
Chapadinha e atende majoritariamente a um público etário de 7 a 15 anos para as séries
de 1° ao 9° ano do ensino fundamental. A maior parte de seus alunos residem nas prox-
imidades da escola e se deslocam diariamente até ela a pé. Em um quadro mais amplo,
o perfil socioeconômico e familiar dos alunos da escola revela que a maioria são alunos

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 193


que possuem renda familiar inferior a dois salários mínimos e que não contam com a
figura paterna como componente familiar - que é formado por uma maioria de mães
e parentes maternos. A maioria dessas mães não finalizaram o ensino básico e se ocu-
pam com serviços domésticos (donas de casa), ou serviços em comércios (atendentes,
vendedoras, auxiliares) e em serviços gerais (cantinas e refeitórios de outras escolas
ou nas próprias escolas onde seus filhos estudam). No que tange aos professores, sua
formação e atuação profissional, dos que atuam no U.I. Alexandre Costa, é integrada
por docentes que atuavam como professores por meio do processo de formação de
magistério, atuando mesmo sem uma formação em nível superior, formação essa que
só seria adquirida por estes em meados dos anos 2000, por meio de ensino à distância
oferecido por faculdades particulares do Estado do Piauí. Em sua maioria, esses profes-
sores atuavam como docentes de quase todas as disciplinas que compunham a grade
curricular do ensino básico do município, e a partir do ano de 2013, com a inserção do
currículo de sociologia no currículo básico do município, passaram também a atuar no
ensino da sociologia. Nesse sentido, para compreender o modo como alunos e profes-
sores de uma determinada comunidade escolar pensam a necessidade e importância do
ensino da sociologia, é necessário cruzar as situações e contextos que permeiam a vida
do corpo discente e docente de modo a conhecer, no dizer de Bourdieu os “habitus”
implícitos ao ensino da sociologia nesses contextos. Isso revelará um campo de disputa
das representações sobre o ensino da sociologia entre professores, alunos e gestores
educacionais.

ORIENTAÇÕES CURRICULARES NACIONAIS E REFERENCIAIS


CURRICULARES ESTADUAIS: RECONTEXTUALIZAÇÕES DO CAMPO
OFICIAL PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS/SOCIOLOGIA NA
EDUCAÇÃO BÁSICA

Jorge Luiz da Cunha - UFSM


Joana Elisa Röwer - UFSM

Este texto compõe pesquisa relacionada ao Doutorado em Educação na linha de Políti-


cas públicas e práticas escolares. O foco deste trabalho são as orientações curriculares
para o ensino de sociologia na educação básica, consideradas como políticas públicas
educacionais. O objetivo geral envolveu analisar as Orientações Curriculares Nacionais
(OCN, 2006) na relação com as orientações e referenciais curriculares estaduais, das
unidades federativas do Brasil, para o ensino de ciências sociais/sociologia, com o intu-
ito de visualizar as recontextualizações dos textos curriculares, seus hibridismos e suas
especificidades. Os objetivos específicos versaram sobre: (1) indicar a existência de um
currículo nacional a partir da recontextualização dos referenciais estaduais; (2) veri-
ficar o componente diversificado que atende as características locais e especificidades
regionais; e, (3) promover uma discussão teórica sobre currículo nacional e diversi-
dades curriculares. A pesquisa é de caráter quanti-qualitativo, em relação aos objetivos
é do tipo descritiva, e quanto aos procedimentos técnicos trata-se de uma abordagem
documental e bibliográfica. O desenvolvimento da pesquisa ocorreu pela realização de

194 | Anais do IV ENESEB


um estudo comparativo entre as orientações/referenciais curriculares estaduais para o
ensino de sociologia no que se referem aos objetivos e conteúdos. O estudo foi emba-
sado no dispositivo teórico da análise de políticas públicas educacionais curriculares,
sobretudo nos de Alice Nogueira Lopes (2008), sobre o conceito de currículo híbrido;
e, de Basil Bernstein (1996) sobre a noção de recontextualização discursiva. As Dir-
etrizes Curriculares Nacionais (DCN, 2013) sustentam a necessidade de uma base cur-
ricular nacional comum e uma parte diversificada que atenda as características locais e
regionais de forma complementar e que vise a uma prática da integralidade. Contudo,
as OCN (2006) são passíveis de reinterpretações pelos sistemas e unidades de ensino,
o que leva a compreender que a noção de um currículo nacional ocorre na observância
das recontextualizações. De modo geral, as análises indicaram: (1) variabilidade na es-
trutura das propostas curriculares estaduais; (2) ênfase na questão temática-conceitual
das Ciências Sociais em detrimento dos aspectos teóricos; (3) preponderância de al-
guns conteúdos e o silenciamento de outros; e, (4) ausências de indicação de diversi-
ficação curricular que atenda as características locais e regionais. Considera-se que as
interlocuções das orientações curriculares nacionais e os referenciais regionais são um
aspecto do campo das recontextualizações do discurso oficial curricular e que aqueles
também são produtos de recontextualizações. Os descentramentos dessa dinâmica que
resultam em hibridismos podem ser potencializadores da multiplicidade, problema-
tizando a percepção da verticalidade e tornando efêmera a linearidade. Contudo, as
interpretações e traduções do por que ensinar, o quê ensinar e como ensinar Ciências
Sociais/Sociologia que fundamenta a construção curricular exprime também as articu-
lações e recorrências discursivas que mantém e contribuem para a especificidade da
disciplina e os sentidos pedagógicos e sociais da mesma.

O PROJETO PARLAMENTO JOVEM E A FORMAÇÃO POLÍTICA DE JOVENS


CIDADÃOS

Fernanda Feijó - UNESP/Araraquara


Alex Moreira - UNESP/Araraquara
Eliane da Conceição Silva - UNESP/Araraquara

O presente trabalho pretende relatar a experiência docente empreendida durante a


execução do projeto Parlamento Jovem, realizado na cidade de Araraquara – SP. O
referido projeto consiste em um esforço de pesquisa aliado à extensão universitária que
visa a formação política de adolescentes da série final do ensino fundamental, através de
um processo de formação que inclui três etapas: curso teórico sobre o sistema político
brasileiro, oficina prática de atividade legislativa e vivência na Câmara de Vereadores
do município.O Parlamento Jovem foi idealizado e executado pelos pesquisadores do
Laboratório de Política e Governo da UNESP, no ano de 2014, a partir da hipótese de
que a educação política seria de suma importância para a formação de jovens estudantes
prestes a terminarem o ensino fundamental. Tal hipótese foi formulada partindo-se do
pressuposto que alunos dos 9ºs anos já possuem maturidade para adquirir conhecimen-
tos básicos sobre sistema política, porém sem ter acesso a ele, uma vez que ainda não

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 195


possuem o ensino de sociologia em sua grade de disciplinas. A partir desse diagnóstico,
os pesquisadores empenharam-se em selecionar uma gama de assuntos que poderi-
am ser trabalhados com o público-alvo selecionado e chegou a um conjunto básico
de temas: distinção entre espaços público e privado, organização do sistema político
brasileiro, organização do sistema eleitoral brasileiro, funcionamento do poder legisla-
tivo local e formas de participação do jovem na política. Uma parceria com a Câmara
Municipal de Araraquara nos permitiu ampliar a ideia de participação e levar os jovens
estudantes para uma vivência dentro da casa legislativa. Desse modo, pudemos desen-
volver as três etapas do projeto. Na primeira, portanto, focamos na formação teórica,
com os tópicos já explicitados. Na segunda, oficina de produção legislativa, estimula-
mos os adolescentes a apresentarem ideias sobre a cidade que pudessem se tornar um
Projeto de Lei, de modo que pudessem compreender como era realizado o trabalho do
vereador. Nessa primeira edição do projeto, participaram 24 escolas, entre municipais,
estaduais e particulares. Cada uma delas enviou um projeto, dentre todos os elaborados
pelos alunos durante a Oficina, representando a respectiva escola. Dos 24, 18 foram
escolhidos (por se tratar de uma Câmara na qual se elegem 18 vereadores) na Câmara,
para serem defendidos por seus autores em plenário, numa sessão jovem parlamentar,
a terceira etapa do Parlamento Jovem.Esse paper busca, portanto, divulgar os resulta-
dos obtidos com a primeira edição do projeto, ocorrida em 2014, relatando como ele
foi organizado e implementado na sala de aula, bem como os resultados obtidos junto
aos alunos que participaram do Parlamento Jovem.Além dos relatos da experiência
em docência e organização desse amplo trabalho objetivamos apresentar nesse texto
resultados concretos do comportamento político dos jovens com os quais mantivemos
contato durante todas as etapas de realização do Parlamento Jovem. Tais dados foram
obtidos a partir de um questionário elaborado especialmente para o projeto e aplicado
após a primeira etapa, partindo desse questionário intentamos traçar um perfil político
dos estudantes do ensino fundamental da cidade de Araraquara.

ELEIÇÕES 2014: DISCUSSÕES SOBRE A POLÍTICA PARTIDÁRIA BRASILEIRA


ATRAVÉS DA ANÁLISE DE PLANOS DE GOVERNO NO ENSINO MÉDIO

João Vinicius Carvalho Guimarães - Centro Educacional Inovação

O trabalho a seguir objetivou desenvolver uma análise do sistema político-partidário


brasileiro através da apresentação por temática dos planos de governo dos candidatos a
presidente da república para as eleições de 2014. O conhecimento de nossas instituições
político-partidárias, a assimilação de conceitos-chave num período pré-eleitoral, bem
comoa necessidade do amadurecimento nos debates com a juventude em um momento
histórico decisivo funcionaram como fatores de motivação para a realização deste trab-
alho. O público foi formado por alunos das três séries do Ensino Médio de um colégio
privado localizado na cidade de Poços de Caldas – MG, com perfil econômico elevado,
sendo turmas de 25 a 35 alunos para cada série. O desenvolvimento se baseou em
seis fases: 1 - Explanações teóricas feitas pelo professor sobre os mecanismos de uma
eleição e o funcionamento de nosso sistema eleitoral. 2 - Apresentação teórica de um

196 | Anais do IV ENESEB


plano de governo e a importância do mesmo para nortear o trabalho de campanha e
pautar as decisões políticas da população. 3 – Apresentação de temas chave para a vida
social brasileira como educação, saúde, economia, cultura, segurança, programas soci-
ais e a separação de grupos de quatro a cinco alunos para a escolha do candidato e do
tema a ser apresentado. 4 - Trabalho de pesquisa realizado pelos alunos que consistiu
em pesquisas prévias para apresentação em slides e vídeos durante período de tempo
determinado pelo professor, com prazo mínimo de uma semana e máximo de duas se-
manas. A ordem das apresentações foi definida por sorteio. Durante as apresentações,
houveram pontuações objetivas. 5 - Rodadas de debates para o confronto das propostas
e análise dos próprios grupos sobre as potencialidades e lacunas de cada projeto. O em-
penho na busca pelo melhor plano de governo ou dos melhores argumentos a ser uti-
lizados na discussão foi notório, assim como a qualidade dos debates e o envolvimento
dos alunos na análise e crítica de candidatos rivais até mesmo os apoiados pelos próprios
alunos. Fator interessante foi a ausência de discussão dos planos de governo de sete dos
dez candidatos a Presidente da República, com uma discussão pautada nas propostas
dos três candidatos que no momento estavam à frente das pesquisas. A mediação do
professor foi importante para garantir a possibilidade de argumentação e exposição de
ideias de maneira justa e não tendenciosa. Também agiu para evitar a animosidade entre
os alunos, bem como fazer correções necessárias (a análise prévia de todos os planos de
governo realizada pelo professor com antecedência foi de suma importância) e direcio-
namento para a discussão de questões importantes e não devidamente abordadas pelos
grupos. De uma maneira geral a sequência didática superou expectativas por um lado,
com apresentações mais racionais e propositivas e menos apaixonadas, destacando-se
o grande interesse nas pesquisas e apresentação dos trabalhos. Porém, deixou a desejar
em outros pontos como ausência de propostas de candidatos menos midiáticos. Tal fato
abre a necessidade de discussão de outros temas durante as aulas de Sociologia como o
papel dos meios de comunicação de massa na formação política dos alunos, a inserção
do debate político em situações do cotidiano e também um aprofundamento no conhe-
cimento do funcionamento do sistema político brasileiro e o funcionamento de nossas
principais instituições.

EDUCAÇÃO E CIDADANIA: A IMPORTÂNCIA E OS DESAFIOS DE UMA


ORIENTAÇÃO QUE VISE PROMOVER A AUTONOMIA, A DIVERSIDADE E A
IGUALDADE SOCIAL

Keywilla da Silva Venceslau

A família e a escola sempre foram os principais grupos sociais. É com a escola e com a
família que iniciamos nosso processo de socialização. No entanto, com a falta de estru-
tura familiar, problema enfrentado por muitas crianças e adolescentes de escola pública
nos dias atuais, a escola passa cumprir o papel mais importante na formação do caráter
e da personalidade dos indivíduos. O que nos leva a figura do professor que nessas
circunstâncias é o adulto responsável pela orientação. A grande questão a ser debatida
é que tipo de orientação queremos dar, e que orientação damos as nossas crianças. Se

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 197


pensarmos que todos queremos uma sociedade justa e igualitária, parece fácil respond-
er que a queremos e damos orientações que promovam a justiça e a igualdade, porém
a facilidade da resposta é ilusória, pois a maior parte dos responsáveis pela orientação
não foram educados para autonomia, muito menos para promover justiça e a igualdade.
Vivemos numa sociedade dividida em classes, e esse divisão reflete e é reflexo da edu-
cação que nos é proporcionada. O que nos leva a concluir que se alterarmos o modelo
educacional, podemos contribuir na formação de cidadãos autônomos e na construção
de uma sociedade igualitária. A partir da minha experiência em sala de aula tanto como
aluna quanto como professora pude chegar às conclusões acima citadas e pretendo por
meio destas abordara importância e o desafio de uma orientação que promova a au-
tonomia, igualdade social e a diversidade. O intuito é fazer uma analise da orientação
que é dada as nossas crianças e adolescentes na escola. Apresentando a importância e os
desafios de debatermos a igualdade de género, a divisão social de classes e diversidade
cultural para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

UMA REFLEXÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO NA VIDA


ESCOLAR: SUJEITOS COMPROMETIDOS COM A DEMOCRACIA E O
COLETIVO

Neuri José Andreola - UFFS

Por que há pouca participação na Democracia brasileira? Tomando-se esta questão como
ponto de partida, trata-se de explorar algumas reflexões sobre a falta de participação
dos brasileiros na sociedade civil e na Esfera do Estado. A educação quando se tem uma
proposta participativa - em seguida pode ser uma proposta para reverter esse quadro
presente do pouco engajamento a Democracia. Em seguida, enfocar diretamente a
atividade intelectual – participação, democracia, cidadania, gestão, - por hipótese ir-
redutível à racionalidade da educação Elitista Burguesa, faz com a massa populacional,
seja uma marionete de manipulação. Discute-se inicialmente o sentido da participação,
pelo imperativo da educação participativa no meio escolar. Menciona-se a importância
da gestão democrática participativa na escola, como uma ferramenta de romper o ci-
clo vicioso da não participação das pessoas comuns na Democracia brasileira, chega a
instrumentalizar os indivíduos para uma ação no coletivo, ao colocar a especificidade
que a democracia requer de uma maior participação dos sujeitos, marcado pela criação
de uma cultura educativa voltada para os alunos vivencia-la na pratica, e resplandecer
na comunidade. A pesquisa pretende detectar como é possível, uma proposta inovadora
dos educadores, das escolas publica coloca-se a questão da democracia em evidencia,
face ao processo de ensino e aprendizagem dos alunos nos ambientes escolares que em
seu Plano Político Pedagógico contempla a participação de uma gestão democrática, e
realmente seja um principio educativo na práxis, em que os educando desse processo,
possa instituir gradativamente, de forma sólida, a participação dos sujeitos,ha uma re-
lação recíproca entre a dimensão política e a dimensão pedagógica da escola.

198 | Anais do IV ENESEB


DO CEMITÉRIO À PRAÇA, O POSITIVISMO GAÚCHO EM UMA SAÍDA DE
CAMPO

Luis Alexandre Cerveira - Instituição Evangélica de Novo Hamburgo

O presente trabalho tem por objetivo relatar e refletir sobre uma atividade pedagógica
de caráter empírico em que o Positivismo gaúcho é abordado em uma saída de campo
com alunos do terceiro ano do Ensino Médio. Esta prática que já realizo faz alguns anos,
tem por objetivo proporcionar aos alunos, que estudaram o tema do Positivismo no Rio
Grande do Sul, uma aula em espaços que foram marcados de maneira significativa pelo
pensamento positivista. O embasamento teórico metodológico tem por fundamento
a aprendizagem significa tive de Ausubel. Os lugares escolhidos foram: O Cemitério
da Santa Casa (túmulos de Júlio de Castilhos e Pinheiro Machado), o monumento a
Júlio de Castilhos na Praça da Matriz e diversos prédios neoclássicos, todos localizados
no centro de Porto Alegre-RS. Os resultados obtidos com essa saída de campo tem se
revelado bastante animadores, uma vez que os alunos tem compreendido de maneira
mais complexa a influência do positivismo na História e sociedade sul-rio-grandense.

CONTRIBUIÇÕES DO MULTICULTURALISMO PARA O ENSINO DE


SOCIOLOGIA: A CONSTRUÇÃO DE BASES PARA O RECONHECIMENTO DA
DIVERSIDADE CULTURAL

Ana Claudia Rodrigues de Oliveira - UEL

Este trabalho teve como intuito compor uma reflexão sobre as possíveis contribuições
de teorias políticas do Multiculturalismo para o fomento do respeito e reconhecimento
das diversidades no espaço escolar, abordando especificamente o papel do Ensino de
Sociologia neste processo construtivo. Pensando o problema da pesquisa em um quadro
mais amplo da realidade social brasileira, trata-se de questionar qual seria o papel da
Sociologia na Educação Básica, frente ao problema da intolerância cultural, religio-
sa e política que permeia as relações sociais nas diferentes esferas da sociedade civil.
As contradições entre diferentes segmentos sociais e grupos culturalmente diversos,
bem como os embates ideológicos na esfera pública, manifestam ações de violência
e negação do “outro” nas relações cotidianas. A necessidade de promover, através da
educação, o reconhecimento da heterogeneidade cultural e o respeito às diversidades
é uma demanda já reconhecida pelo Ministério da Educação e incorporada na legisla-
ção educacional brasileira, compondo também os “desafios socioeducacionais” para a
Educação Básica nos últimos anos. O instrumental teórico-metodológico da Sociologia
exerce um papel fundamental para a desnaturalização das relações sociais e superação
do preconceito, discriminação e segregação social. Dentre os instrumentos dos quais
dispõe a disciplina estão as teorias políticas do Multiculturalismo e seus estudos. Este
trabalho inclina-se à adequação de tais estudos para o Ensino de Sociologia e à presença
da temática em livros didáticos de Sociologia para o Ensino Médio. A discussão con-
tida nesta pesquisa foi realizada a partir de leituras do Multiculturalismo e educação

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 199


multicultural, teorias políticas do reconhecimento, legislações educacionais e diretrizes
curriculares. Também foram analisados e comparados alguns livros didáticos de So-
ciologia. Como resultado parcial destaca-se a necessidade de inclusão dos estudos do
Multiculturalismo nas diretrizes curriculares da disciplina e entrada da temática nos
livros didáticos utilizados no Ensino Médio. A perspectiva multicultural é apontada
como elemento central para a educação voltada ao desenvolvimento de uma cultura de
respeito e reconhecimento das diversidades.

SESSÃO B – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

DIREITO À INFORMAÇÃO COMO PRERROGATIVA PARA O AVANÇO NA


DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

Jade de Barros - UFRGS

O presente trabalho versa sobre o acesso à informação acerca das Políticas de Inclusão
do Ensino Superior Brasileiro. A questão principal da pesquisa foi atentar para a possível
falta de informação do público alvo, que pode impedir em primeiro lugar que ele se
reconheça como tal. O acesso à informação pode ser um dos requisitos para o acesso,
pois o acesso ainda é limitado e há parte das vagas reservadas pelas cotas que não obtém
ocupação. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo,
cerca de 4% das vagas reservadas aos alunos do ensino público retornaram ao acesso
universal em 2014. Além disso, dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD) demonstraram que a democratização do acesso ao ensino superior
nas IES públicas estagnou, mesmo com o aumento das vagas reservadas pelas cotas. O
Programa Universidade para Todos (ProUni), primeira política de inclusão de larga
escala do ensino superior brasileiro, possui ampla divulgação. A divulgação das Cotas
é feita apenas a partir de um edital formal. A linguagem formal dos editais tradicionais
requer uma série de disposições prévias que permitam compreendê-la, disposições es-
sas que alunos de nível médio em sua maioria ainda não possuem. Disposições coloca-
das aqui enquanto tendências duradouras de agir, pensar e sentir que são adquiridas nas
socializações e podem ser combinadas por agentes que tenham percorrido trajetórias
descendentes ou ascendentes no espaço social (LAHIRE, 2004). Há também a necessi-
dade de se pensar o acesso à informação como uma forma de capital cultural incorpora-
do, conceito de Bourdieu. O conceito que ajuda a analisar a questão da informação é o
capital cultural incorporado, que é aquele que diz respeito ao aprendizado pré-escolar,
o aprendizado que é adquirido na família ou através de experiências (BOURDIEU,
2007). Acesso à informação pode não ter uma relação direta com o capital cultural
incorporado, porém, compreender e interpretar essa informação sim. A informação
divulgada pelo meio de um edital, por exemplo, prevê que o leitor seja capaz de com-
preender aquela informação, porém, se o público alvo do edital é um aluno egresso do
ensino médio, então se espera que esse aluno possua capital cultural incorporado que
o permita interpretar linguagem formal e específica, pois o nível médio de ensino não

200 | Anais do IV ENESEB


proporciona as disposições necessárias à compreensão desse tipo de linguagem. Pesqui-
sas prévias realizadas com alunos do ensino médio público comprovaram a hipótese de
que realmente há um déficit de acesso à informação. Isso pode gerar um entrave para o
acesso ao ensino superior dos alunos privados de informação. Sem obter a informação
de que pode concorrer pela reserva de vagas, ele concorre a partir do acesso universal
e, por conseguinte, tem menos oportunidades de obter uma vaga. Em função da com-
plexidade dos editais da UFRGS e da falta de informação dos alunos, seria fundamental
a existência de um programa voltado ao empoderamento dos possíveis cotistas. Apesar
da limitação dos dados apresentados até o presente momento da pesquisa, ela traz as-
pectos muito importantes do sistema de cotas e revela a necessidade de se acompanhar
os dados sobre a democratização do ensino superior e compará-los aos futuros dados
que serão coletados acerca do acesso à informação.

ELEIÇÕES, JUVENTUDE E A AÇÃO DA POLÍTICA NA VIDA: UMA ANÁLISE DA


INFLUÊNCIA DO PERÍODO ELEITORAL SOBRE AS CONCEPÇÕES POLÍTICAS
ESTUDANTIS

Rithiane Almeida Souza - UFBA

O presente trabalho tem por objeto analisar os impactos das intervenções didáticas que
tematizaram o Sistema Político, o Sistema Eleitoral e Sistema Partidário brasileiros,
realizadas pelo PIBID Sociologia UFBA, no ano de 2014, sobre o corpo estudantil
do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado em Salvador - Bahia. A idealização e
planejamento dessas atividades foram motivados pelo espectro ideológico que se des-
dobrou no país, por ocasião do período eleitoral, de modo a trazer para a esfera da sala
de aula um debate que dialogasse com as temáticas políticas mais atuais e exploradas
nos debates presidenciais e que ganharam destaque público. A partir desse contexto, es-
tabeleceu-se enquanto objetivo geral investigar a influência do período eleitoral sobre a
execução dessas intervenções propostas. Especificamente, objetivou-se: a) demonstrar
a relação que o presidencialismo de coalizão e a tripartição de poderes apresentam
no imaginário estudantil; b) identificar os paralelos estabelecidos pelos estudantes en-
tre o momento político vivido e a composição político institucional; c) identificar a
conexão que os estudantes desenvolveram acerca das relações entre sistema político
e partidário. A aplicação das intervenções se deu em três turmas matutinas no 3º ano
do ensino médio, totalizando aproximadamente 100 alunos, com idades entre 17 e
21 anos, oriundos de diversos bairros de Salvador. Para analisá-las, foram utilizados
os relatos de experiência do supervisor e dos bolsistas que executaram as interven-
ções junto às turmas, em conjunto com a observação participante. Como resultado,
foi possível notar que apesar do desconhecimento teórico relacionado às instituições
políticas brasileiras, os estudantes conseguem correlacionar a importância da política
na vida cotidiana, mesmo que essa correlação ocorra de maneira desfigurada, haja vista
que eles não conseguem, muitas vezes, compreender os fenômenos do cotidiano como
pertencentes à esfera política. Todavia, ao entrar em contato com os conceitos con-
cernentes ao Sistema Partidário e ao Sistema Eleitoral, tornou-se possível para eles a

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 201


reconstituição da relação que duvidavam existir entre esses dois sistemas, construindo
conexões com a atualidade. Conclui-se então que a execução da sequência didática
levou os estudantes a desmistificação de uma série de questões relacionadas a relação
entre a política institucional, os fatos cotidianos e a própria apreensão alargada do que
é a política. Somadas ao contexto político no qual os discentes estavam inseridos, as
correlações entre a “teoria” e a “prática” potencializaram o interesse e desempenho dos
estudantes na condução das intervenções. Assim, o ato de trazer para debate uma série
de colocações sobre o processo eleitoral, ressaltando a importância dos partidos e as
especificidades do presidencialismo brasileiro agudiza a consciência política crítica dos
estudantes e instrumentaliza-os para o exercício do voto de maneira mais plena, além
da percepção de que consciência política extrapola esse ato.

CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS: POLÍTICAS E ORIENTAÇÕES


PARA O ENSINO DE SOCIOLOGIA

Rodrigo Rafael Fernandes - IFPR


Sidney Reinaldo da Silva - IFPR

O que os documentos oficiais e as políticas públicas para educação dizem sobre a for-
mação política dos alunos da Educação básica? Qual concepção de política tem pre-
dominado? Este texto discute essas questões a partir de uma abordagem dos Parâmet-
ros Curriculares Nacionais (PCNs), das Diretrizes curriculares Nacionais (DCNs) e
das Matrizes de referência do Enem para as “Ciências Humanas e suas Tecnologias”. A
discussão da relação entre política e tecnologia é o eixo da análise. Os referidos docu-
mentos falam em competências da área de humanas, mostrando o que pode ser enten-
dido como um reducionismo tecnicista. O termo competência acaba por circunscrever
a educação à lógica das tecnologias e de seu domínio. Isso fica patente em relação ao
que se propõe como norteamento da Educação Básica, sobretudo da sua última etapa,
o Ensino Médio. O discurso das habilidades e competências no âmbito da educação
está ligado a concepções de sociedade e de sujeitos humanos que se pretende formar
numa época que tem sido ideologicamente caracterizada como era da informação e
de suas tecnologias. Frente à isso, se fortalece o discurso voltado para a formação de
competências e habilidades nos estudantes de Ensino Médio. O objetivo deste trabalho
é compreender este discurso de formação de competências e habilidades afeta o ensino
de Sociologia no Ensino Médio, pretendendo-se discutir, a partir dos documentos ofi-
ciais do Ministério da Educação, as orientações dadas aos professores de sociologia em
relação àabordagem da política na sala de aula, discutindo, num primeiro momento,
as orientações para a formação dos professores de Sociologia (DCNs), e em um se-
gundo, analisando as indicações para o ensino de Sociologia no Ensino Médio (PCNs/
Matrizes de Referência do ENEM). São analisadas também entrevistas com professores
do Ensino Médio do Litoral do Paraná sobre a compreensão que eles têm das “Ciências
Humanas e suas Tecnologias” e sua correlação com a política. A abordagem se dá a partir
do materialismo histórico, apoiando-se especialmente nos críticos do reducionismo da
práxis educativa a mera formação de competências. Os estudos sobre o Ensino Médio

202 | Anais do IV ENESEB


Integrado, baseados na concepção de pedagogia histórico-crítica, são retomados para
pensar o ensino de sociologia na Educação Básica frente aos discursos das habilidades
e competências. O texto mostra como o discurso das Ciências Humanas e suas Tecno-
logias se apoia numa concepção de tecnologia social que vem se tornando hegemônica
no interior do MEC e que vem restringindo a compreensão da política ao ofuscar a sua
dimensão de negatividade histórica.

O REFLEXO DO POLICIAMENTO ESCOLAR NA FORMAÇÃO DO SUJEITO

Nayara dos Santos Abreu - UFU


Karine Ferreira de Moraes - UFU
Matheus Lara do Amaral - UFU

Este trabalho aborda a questão do policiamento militar no meio escolar, observando de


que forma é feito, quais os objetivos pretendidos e se ao tentar coibir a violência não
acabaria por incitá-la. A segurança pública é um tema de grande visibilidade e tem sido
discutido amplamente por vários setores da sociedade. Na escola não é diferente, visan-
do o combate a criminalidade, a polícia aparece como ponto de apoio, mas ao utilizar
métodos militares não atende as reais necessidades da escola. Segundo Bicudo (2000), a
Polícia Militar conceitua as populações marginalizadas como inimigo interno e cumpre
o papel de eliminá-lo. A violência que surge a partir disso gera um debate recorrente no
campo educacional: a violência se combate com ações policiais de repressão? Ou esse
tipo de estratégia prejudica a formação dos alunos como sujeitos moralmente críticos,
e diminui a autonomia dos professores e demais funcionários em resolver os problemas
do ambiente escolar? Os policiais concebem o seu trabalho a partir da dissociação entre
pessoa e população, tendo isso em vista, há em suas práticas uma ausência de capacidade
de pensamento no sentido proposto por Hannah Arendt ao “diagnosticar” Eichmann,
um colaborador nazista. Dessa forma, os policiais tratam o mal como banal, enquanto
cumprimento de uma meta estabelecida por um superior, no caso o Estado. Os policiais
por estarem inseridos em um sistema neoliberal que aplicam cortes biopolíticos, pre-
vendo manter em segurança à população enquanto categoria abstrata, a saúde da nação,
e não cada indivíduo particularmente, encara assim a exclusão de alguns como natural,
um fatalismo. Desse modo, o mesmo Estado que ressalta como valor supremo a con-
servação da vida a qualquer custo, também admite a aniquilação dos inaptos, pela lógica
da seleção e eliminação, dos que não conseguem se encaixar (sobreviver) aos moldes do
novo soberano, no caso, o mercado. A pesquisa ainda está em andamento, coletando os
dados empíricos, mas a hipótese é que a saída para uma escola mais segura não estaria
na repressão por ações policiais esvaziadas, no sentido de não conseguirem pensar em
termos de fins, apenas nos meios, possuindo um mecanismo psicológico de abolição
do senso moral ao realizar o seu trabalho. Sendo assim os conflitos que surgem dentro
da escola não deveriam ser criminalizados, transferindo a responsabilidade para profis-
sionais que não estão preparados para lidar com sujeitos em sua fase de formação. Uma
alternativa possível seria a aproximação e o diálogo entre a escola, o aluno e a família,
considerando que a violência ultrapassa os muros da escola, ou seja, o que acontece lá

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 203


dentro é reflexo de uma sociedade que sofre todos os tipos de violência, seja estrutural
ou simbólica. Militarizar a escola torna o ambiente educacional ainda mais hostil, por
isso a necessidade de promover debates acerca dessa problemática, tanto na formação
de professores como com os próprios estudantes, considerados como agentes ativos e
conscientes. A Sociologia, enquanto disciplina escolar que busca oferecer ao estudante
instrumentos para que ele consiga analisar, de forma objetiva e racional, a realidade
social na qual está inserido, tem um papel importante na análise da temática proposta,
uma vez que ao estimular o espírito crítico, é capaz de contribuir para a suavização de
conflitos ao mostrar as reais causas destes nas relações sociais envolvidas.

CIÊNCIAS SOCIAIS NA SALA DE AULA: O SISTEMA DE COTAS RACIAIS EM


FOCO

Karine Ferreira de Moraes - UFU


Marili Peres Junqueira - UFU

O acesso à educação é reconhecido como um direito humano fundamental. Porém,


muitas pessoas se encontram à margem do sistema escolar, sobretudo, a população neg-
ra brasileira. As desigualdades entre brancos e negros é evidente e constroem notáveis
obstáculos para o acesso e a permanência dessa população no sistema educacional, ai-
nda mais quando consideramos o Ensino Superior. Isto posto, em prol da construção
de uma política educacional que alcance todos os cidadãos brasileiros, foi sancionada
a Lei 12.711, determinando que até 2016, todas as instituições de ensino superior
federais deverão reservar 50% das vagas para estudantes oriundos de escolas públicas,
negros, pardos ou índios e os 50% restantes das vagas deverão ser destinadas a ampla
concorrência. O presente estudo teve como objetivo analisar questionários aplicados a
alunos e alunas do Ensino Médio de uma escola pública e de um curso da Universidade
Federal de Uberlândia (UFU), a aceitação ou não dos argumentos que justificam as
cotas raciais. Algumas vivências relacionadas a esta temática também foram exploradas,
como o relato de ações realizadas pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência - PIBID/Sociologia/UFU e a experiência pessoal da autora quando docente
no Ensino Médio de uma escola pública da cidade de Uberlândia/MG. Para discutir a
questão iniciamos com a análise da Declaração Mundial sobre a Educação para Todos:
Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem eo Relatório de
Monitoramento Global de Educação para Todos/2014, da UNESCO. A análise desses
documentos foi importante para o início da compreensão do tema proposto, uma vez
que apresentam dados estatísticos mundiais e regionais referentes a educação. Para
discutir a questão teórica e científica sobre a questão racial no Brasil, alguns autores
como Antônio Sergio Alfredo Guimarães, Nilma Lino Gomes, Kabengele Munanga,
Oracy Nogueira, Renato Ortiz entre outros, farão parte do referencial teórico desta
pesquisa. Em seguida, constatando-se na realidade a necessidade de inclusão de uma
população discriminada e sujeita a preconceitos, abordou-se as políticas afirmativas
como um princípio ético que tem como objetivo promover o acesso dessa população
à educação, sobretudo a educação superior, e contribuir para o progresso pessoal e

204 | Anais do IV ENESEB


social daqueles que delas se beneficiam. As experiências em sala de aula, juntamente
com a pesquisa teórica, nos levaram a concluir que o sistema de cotas raciais se justifica
como princípio ético, sendo considerado um instrumento capaz de reduzir determi-
nadas desigualdades e que é urgente a necessidade de promoção da cultura negra bem
como de debates a cerca da temática como uma das formas de combater o racismo no
âmbito escolar, pois, a reação negativa ao sistema de cotas se deve, também, a falta de
entendimento da própria estrutura e significado da Lei de cotas. Neste sentido, enfa-
tizamos a importância do ensino das Ciências Sociais no Ensino Médio, apto a oferecer
ao estudante instrumentos para que ele consiga analisar, de forma objetiva e racional,
a realidade social na qual está inserido, propondo alternativas de trabalho pedagógico
que contemplem as discussões raciais e sua adequação a vida cotidiana, assim como o
entendimento de conceitos como o de política, poder, Estado, etc. A compreensão do
poder e das estruturas sociais deve constar como fator primordial na busca de soluções
para os problemas de desigualdades raciais presentes na sociedade brasileira, como,
também, o conhecimento a cerca do movimento negro. Isso significa que a concepção
de política deve ser ampliada e entendida como algo presente nas relações cotidianas,
permitindo-nos refletir sobre as relações de poder que estruturam a sociedade brasilei-
ra na contemporaneidade.

ENSINO DE POLÍTICA NO ENSINO MÉDIO: REFLEXÕES E POSSIBILIDADES

Cristiano Ruiz Engelke - FURG

O conhecimento acerca da política e suas instituições é fundamental na construção da


cidadania, entendida como um processo de conscientização e construção de direitos
e deveres. Dessa forma, o ensino de política torna-se um imperativo se temos como
horizonte a formação de cidadãos e cidadãs críticos. Porém alguns questionamentos
se colocam e são objetos deste trabalho: de que forma se deve trabalhar a política em
sala de aula? É possível a busca da neutralidade da figura do professor ou este deve
desempenhar um papel político militante? Necessariamente o pensamento crítico deve
buscar a transformação e emancipação sociais? A sociologia deve fomentar o “pensar
sociológico” (Bauman & May) ou “imaginação sociológica” (Wright Mills) com vistas ao
empoderamento? De que modo se deve lidar com posicionamentos que se coloquem
de certa forma contrários a uma visão de sociedade mais justa? Como relacionar o con-
hecimento teórico com o senso comum e opinião pública? Essas e outras questões são
discutidas com base em experiências de sala de aula e referências teóricas com objetivo
de trazer algumas linhas de ação para que se possa ter um resultado positivo na discussão
política no Ensino Médio. Embora pareça simples suprir a necessidade de conhecimen-
to político em sala de aula, ao nos depararmos com a prática de sala de aula, bem como
diferentes posicionamentos pedagógicos, percebemos a complexidade desse trabalho.
Além disso, notamos a importância de uma discussão e construção de propostas que
busquem respeitar alguns princípios básicos de uma sociedade democrática, tentando
chegar a alguns pontos comuns que permitam a livre construção de um conhecimento
e de uma práxis que permita a construção da cidadania com respeito às diferenças, sem

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 205


perder o horizonte da tolerância e respeito como pilares da democracia. O objetivo do
trabalho, portanto, é fazer a análise do ensino de política nas aulas de Sociologia no En-
sino Médio e apontar algumas possibilidades práticas para que se tenha uma educação
política que seja ao mesmo tempo livre, transformadora, democrática e cidadã, e que
faça da Sociologia um verdadeiro “esporte de combate”, como definia Pierre Bourdieu.

A CONSTRUÇÃO DE ELEIÇÕES NO ENSINO MÉDIO: O PIBID-CIÊNCIAS


SOCIAIS DISCUTINDO DEMOCRACIA

Adriel de Farias Ribeiro - UFFS

A presente comunicação analisa o ambiente da escola como um campo de possibili-


dade para realização de trocas e experiências de reflexão a respeito dos conceitos de
democracia representativa, nesse caso, suas regras, os procedimentos e ainda, as pos-
sibilidades da participação na sociedade. Para o desenvolvimento da atividade, foi re-
alizada uma eleição na Escola Estadual de Ensino Médio Érico Veríssimo em Erechim/
RS, conduzida pelos bolsistas do subprojeto Pibid-Ciências Sociais no ano de 2014.
O objetivo principal da atividade foi trabalhar a noção de sistema eleitoral, nesse caso
dando um enfoque maior para a eleição e todas as etapas que compõem o seu processo:
a elaboração, execução e ainda avaliação da experiência. A eleição foi um desdobra-
mento de outra atividade realizada pelo PIBID- Ciências Sociais, a oficina “Cin&rico”,
que consiste na exibição de filmes nos sábados, uma vez por mês. Cada exibição possui
uma temática especifica a qual dialoga com os conteúdos da disciplina de Sociologia na
Escola Érico Verissimo. Assim, como forma de oportunizar aos estudantes uma maior
participação no processo da escolha das temáticas da mostra de cinema, foi sugerido
que o processo de escolha dos temas ocorresse através da participação de todos os es-
tudantes interessados. Sendo assim, sob àorientação dos bolsistas, teve início as etapas
do processo eleitoral composta por: constituição de uma Comissão Eleitoral, criação
de regimento, processo de cadastramento de eleitores, período de campanha, votação,
apuração dos votos e ainda avaliação final do processo realizado. Ao final da atividade, os
estudantes que participaram puderam vivenciar a prática eleitoral e ainda compreender
como os mecanismos democráticos presentes na sociedade brasileira operam. Inseridos
dentro da proposta de produção de mediações pedagógicas, a atividade de eleição pôde
construir uma ferramenta metodológica de discussão dos conceitos selecionados e ai-
nda foi possível aprimorar os conteúdos que fazem parte dos Parâmetros Curriculares
para o ensino da disciplina de Sociologia.

206 | Anais do IV ENESEB


TRABALHANDO COM O PRECONCEITO EM UMA SALA DE AULA DE
SEGUNDO ANO DE ADMINISTRAÇÃO/ENSINO INTEGRADO EM UMA
ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE LONDRINA

Ana Paula Barbosa - UEL

Este trabalho tem por objetivo discutir em sala de aula a questão do racismo, do precon-
ceito, suas causas e consequências que estão presente no cotidiano escolar, bem como
na sociedade como um todo, no sentido de contribuir para desconstruir o processo
social que leva a formação de uma sociedade violenta, para isto partimos dos conceitos
teóricos e metodológicos para serem trabalhados com estudantes de ensino médio na
disciplina de sociologia. No contexto em que estamos presente nos deparamos com
inúmeros casos de racismo, preconceitos que são praticados não só no cotidiano da
escola, mas em todos os espaços sociais, são situações que desde a época do Brasil Colo-
nial, desde que os europeus pisaram em território brasileiro se tornou uma constante.
Os portugueses trouxeram com o “descobrimento do Brasil” o ideal de que possuíam
uma superioridade racial, a partir daí, desencadeando ideais racistas e preconceituosos.
Neste sentido trabalhando o contexto histórico com estudantes e trabalhando teóricos
das Ciências Sociais como Guerreiro Ramos, Kabelenge Munanga, podemos de uma
forma científica e metodológica desvendar o caminho da construção de uma sociedade
preconceituosa e racista, que carrega dentro de si as raízes da violência e contribuir na
construção de uma sociedade mais humanizadora. Queremos chamar atenção para um
debate necessário e atual, onde procuraremos expor como trabalhamos em nosso está-
gio estas questões como preconceito, discriminação, violência e a construção de novas
vivências em sociedade.

A DISCUSSÃO POLÍTICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA EXPERIÊNCIA DE


PROJETO DE EXTENSÃO NO ENSINO DE SOCIOLOGIA

Giovana Carine Leite - UNIFAL


Sandro Amadeu Cerveira - UNIFAL

O Ensino de Sociologia é muito recente na educação básica. Mesmo existindo registros


da sua presença no currículo desde 1891, passou por várias instabilidades ao longo da
sua trajetória e tornou-se obrigatório nos três anos do Ensino Médio apenas em 2008.
No entanto, o que chamamos de Sociologia é na verdade o espaço para as três grandes
áreas das Ciências Sociais: Sociologia, Antropologia e Ciência Política. Entendendo que
esta última grande área, a Ciência Política, precisa ser melhor compreendida pelos
alunos e principalmente ressignificada, o presente trabalho teve como objetivos criar
alternativas para aproximar os alunos da discussão política e favorecer a redução de
sensações e impressões negativas já trazidas das influências cotidianas. Assim, através de
estratégias de “Pesquisa-ação” associada a “pedagogia de projetos”, foram desenvolvidas
atividades práticas, lúdicas e de pesquisas sobre o poder executivo e legislativo mu-
nicipal que reforçaram os desafios, importância e responsabilidade de quem “toma”

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 207


as decisões de uma cidade, proporcionando o estranhamento das relações políticas e
abrindo o caminho para novas reflexões e conhecimentos. Com o apoio da Pró-Reitoria
de Extensão da Universidade Federal de Alfenas-MG, as estratégias foram realizadas
no segundo semestre de 2013 com 30 adolescentes de 14 e 15 anos presentes no 9°
ano do Ensino Fundamental e no 1° ano do Ensino Médio em uma escola na cidade de
Machado, Minas Gerais. Os resultados foram significativos, percebemos que de fato
os alunos apresentaram baixa familiaridade com o assunto além de intensa percepção
negativa associada à palavra política, o que demonstrou no início do projeto ser motivo
de resistência ao tema. No entanto, ao vivenciarem os desafios da administração pública
como equacionar demandas múltiplas, escassez de recursos, bem como a importância
da representatividade, as ações ajudaram na desconstrução de conhecimentos pautados
apenas por senso comum e carregados de distanciamento frente às questões políticas,
contribuindo assim, para a mudança de interesse diante dessas discussões.

POLÍTICAS EDUCACIONAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO: UMA ANÁLISE


DOS CADERNOS DE SOCIOLOGIA DO SÃO PAULO FAZ ESCOLA

Vanessa Simões Ribeiro - Universidade Estadual Julio de Mesquita Filho


Thiago Emanuel Folgueiral - Universidade Estadual Julio de Mesquita Filho
Gustavo Meletti Ferreira - Universidade Estadual Julio de Mesquita Filho

O presente trabalho trata-se de um estudo de como as políticas neoliberais no Estado


de São Paulo implicam na despolitização da educação, atacando, por exemplo, a escola
pública, com o preceito de implantar estratégias com um programa público educacio-
nal, que através da política de centralização autoritária, impossibilita uma educação
pública, democrática e de qualidade para a população. Esta política pública educacional
se faz, em uma de suas medidas, na forma do material São Paulo Faz Escola, disponível
de forma á centralizar o mesmo conteúdo e a mesma forma de abordagem em todo o
estado, em resposta á má qualidade das escolas da rede estadual e aos índices de alunos
evadidos ou analfabetos funcionais. O neoliberalismo defende que a educação é uma
mercadoria e os alunos são os consumidores, mesmo que mascarado pela ideia da escola
pública ser para todos nos preceitos da legislação educacional brasileira. Toda a educa-
ção é gerada pelo governo por meio do sistema econômico em que os que têm maior
poder aquisitivo colocam os filhos em escolas particulares, consideradas as com mel-
hores índices educacionais. Tendo, então, um modelo econômico da educação que cria
a disputa de escolas e a mercantilização da educação. Dentro desse modelo, baseado
nessas políticas do Estado, um dos elementos implantados nas redes estaduais de ensino
é na forma do material didático como forma centralizadora do currículo. Portanto o
objetivo deste trabalho é discutir qual a função da escola no processo de ensino e apre-
ndizagem na disciplina de Sociologia no Ensino Médio do Estado de São Paulo perante a
utilização de um material didático voltado não somente para o rendimento escolar dos
alunos, na forma de apropriação do conhecimento, mas principalmente para melhores
resultados de índices e rendimentos e também em função de avaliações externas, como
o SARESP. Á partir desses apontamentos será utilizado um levantamento bibliográfico

208 | Anais do IV ENESEB


de autores que abordam a temática de utilização desses materiais sob a perspectiva
das políticas neoliberais, como também o levantamento documental da Proposta Cur-
ricular do Estado de São Paulo na disciplina de Sociologia no Ensino Médio. Também
será utilizado o próprio material São Paulo Faz Escola para análise da sua funcionali-
dade e finalidade na sala de aula. Portanto, a finalidade deste trabalho tende também
á discussão dos processos da educação, que se dão de uma forma centralizadora, pois
as formalidades burocráticas do Estado que são impostas ás escolas estão cada vez mais
deteriorando o ensino e as práticas escolares. Infelizmente com o ensino de massas,
o Estado somente dá importância ao seu projeto de educação, e mesmo assim, tem
cobrado massivamente todos os envolvidos na educação á cumprir com as ordens que
lhe são impostas. A maior crise na escola é que por esta (des)importância do Estado,
determina uma desqualificação geral no setor educacional, tanto em relação aos profes-
sores, quanto á aprendizagem dos alunos.

UMA ANÁLISE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE


SOCIOLOGIA

Camilla G. N. Borges - IFG


José Faria Pereira - IFG
James Sérgio Nascimento - IFG

O presente trabalho tem como objetivo discutir a forma pela qual os livros didáticos do
ensino básico de Sociologia têm tratado a temática dos movimentos sociais no Brasil.
Uma análise pouco mais acurada, no entanto, indicou uma série de problemas nessa
abordagem, que são objeto de reflexão neste artigo. Há demasiado enfoque dos movi-
mentos sociais tradicionais que, e ainda que se considere sua importância histórica,
acabam por ganhar espaço demasiado. Esta abordagem que não raro mostrou-se cansa-
tiva, dos movimentos sociais tradicionais (como o M.S.T. o movimento operário do
ABC, etc.), se deu em detrimento dos novos movimentos sociais surgidos nas últimas
décadas, surgidos principalmente a partir do processo de redemocratização do país
que, por outro lado, acabaram ganhando um espaço menor e secundário, dando a im-
pressão de que são tão importantes quanto os primeiros. Assim, aqueles movimentos
relacionados a terceira e quarta geração de direitos, segundo a teoria de Marshall, como
o indigenista, o movimento feminista e os movimentos relativos a questões de gênero,
entre outros, acabam não sendo discutidos nos livros didáticos ou, quando são tratados
nesses livros, são abordados de forma superficial. Ainda, por se preocupar em demasi-
ado com a abordagem histórica dos movimentos, acabam não conseguindo situar estes
movimentos na atualidade, não conseguindo apontar e discutir desta forma a relevância
destes movimentos para a construção da cidadania. Analisamos no presente artigo to-
dos os seis livros didáticos de sociologia selecionados pelo PNLD (Plano Nacional do
Livro Didático) para o estado de Goiás e produziu-se um trabalho de natureza compara-
tiva buscando-se apontar entre eles elementos comuns e falhas. Quanto às estratégias
empregadas para realizar essa investigação destacamos a análise bibliográfica dos livros
de sociologia do ensino básico, assim como o emprego do método comparativo que

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 209


permitiu o estabelecimento de relações entre os textos e a abordagem da temática
social nos livros didáticos. Esta análise dos textos mostrou que existe um gap entre os
livros didáticos que foram indicados pelo PNLD e as transformações sociais ocorridas
nos últimos anos que permitiram o nascimento de novos movimentos sociais no Brasil.
Esta distância não contribui para a percepção e aprendizado do aluno, assim como não
o faz perceber a importância da contribuição da sociologia para compreensão das trans-
formações do mundo atual.

210 | Anais do IV ENESEB


GT9 – O ENSINO DE SOCIOLOGIA E A CATEGORIATRABALHO

Coordenadora: Nise Jinkings - UFSC


E-mail: nisemj@gmail.com
Vice-coordenadora: Ana Carolina Caridá - Instituto Federal Catarinense
Email: carolcarida@gmail.com

SEÇÃO ÚNICA – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

O ENSINO DE SOCIOLOGIA FACE AOS DESAFIOS HISTÓRICOS DO ENSINO


MÉDIO BRASILEIRO: A PROBLEMÁTICA RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E
TRABALHO NA SOCIEDADE DE CLASSES

Valci Melo - UFAL

O Ensino Médio é, talvez, o nível de escolaridade no qual concentram-se, desde longa


data, os mais gritantes problemas educacionais brasileiros, a saber: baixo desempenho
estudantil, altas taxas de abandono e retenção, carência de professores devidamente ha-
bilitados, indefinição acerca de sua finalidade, entre outros. A estes desafios históricos
soma-se o fato de que é neste nível de ensino que a relação entre educação e trabalho se
torna mais direta e conflituosa, seja porque parte considerável dos estudantes precisa
desde já assumir a dupla condição de estudante e trabalhador, seja porque a equação
escolaridade – mercado de trabalho - ascensão social começa a ser percebida pelos
estudantes como uma “meia verdade” e/ou uma promessa cada vez mais distante. No
interior deste cenário, por sua, vez, insere-se o ensino de Sociologia, ciência que pela
segunda vez na história da educação brasileira ocupa o posto de componente curricular
obrigatório da base comum nacional do Ensino Médio. Assim, no presente estudo, à
luz do referencial teórico-metodológico do materialismo histórico-dialético, buscamos
analisar a intrínseca relação entre os desafios históricos do ensino de nível médio no
Brasil, as transformações ocorridas, especialmente, no mundo do trabalho e o ensino
de Sociologia em sua intermitência e finalidades. Para tal, ao longo do trabalho, demon-
straremos que este nível de ensino se constitui em um contínuo de dualidade, mas que
tal característica não lhe é próprio, e sim, reflete os problemas estruturais da sociedade
na qual está inserido que põem de um lado aqueles cuja escolarização deve contri-
buir para formar a elite dirigente, e de outro lado, aqueles que a escola deve preparar
rapidamente para a ocupação profissional e a reprodução material e social da ordem
vigente – mesmo quando legalmente tal processo se dá sob a falácia legal de um Ensino
Médio universal e de caráter formativo. Por fim, evidenciaremos que o ensino de So-
ciologia, enquanto componente curricular atrelado a esta estrutura dual e conflituosa,
expressará tais contradições e sofrerá as consequências das indefinições deste nível de

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 211


ensino, seja na reconhecidíssima intermitência, seja nas problemáticas expectativas e
finalidades a ele atribuídas.

UMA REFLEXÃO ACERCA DA CATEGORIA TRABALHO A PARTIR DOS


DOCUMENTOS QUE NORTEIAM O ENSINO DE SOCIOLOGIA NO ENSINO
MÉDIO

Rosangela da Silva - UNIOESTE


Bruno Vidotti – UNIOESTE

Propomos analisar qual é o sentido atribuído à categoria trabalho nos documentos que
norteiam o ensino de sociologia no ensino médio. As Diretrizes, Parâmetros e Orienta-
ções Curriculares Nacionais, bem como as Diretrizes Curriculares da Educação Básica,
elaboradas pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná, compõem o conjunto dos
documentos a serem analisados. A justificativa para a inclusão deste último documento
reside no fato de que, a partir dele, é possível pontuarmos algumas especificidades do
lugar de onde falam os autores deste trabalho. Partimos do entendimento de que a cat-
egoria trabalho, como afirma a teoria marxista, tornou o ser humano consciente de si e
do mundo, ou seja, fundou o ser social, a partir de sua relação dialética com a natureza,
que proporciona a satisfação das diversas necessidades humanas. Assim, partindo desta
perspectiva teórica, é importante que, para além do mapeamento da referida catego-
ria é fundamental entender como ela aparece. Neste sentido, é preciso reconstruir
o contexto histórico em que tais documentos foram elaborados, pois diz muito da
perspectiva teórica subjacente. Por um lado, tanto as Diretrizes quanto os Parâmetros
Curriculares Nacionais foram elaborados no governo do Fernando Henrique Cardoso,
portanto, refletem a preocupação do mesmo em dar respostas aos processos em curso,
como a globalização, o desmonte do Estado, juntamente com o processo de reestrutu-
ração produtiva, ambos no intuito de sanar a crise cíclica do capital, que havia iniciado
na década de 1970. No âmbito educacional, presenciamos a construção de um currí-
culo baseado não mais em disciplinas, mas em áreas de conhecimento, que aciona como
pilares elementos como: a noção de competências e habilidades, interdisciplinaridade,
contextualização, hibridismo, trazendo para dentro da escola uma preocupação imedi-
atista com a inserção do indivíduo no mundo produtivo. Por outro, as Orientações Cur-
riculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Estaduais - do Estado do Paraná, foram
elaboradas em outro momento político. Assumem o poder - no nível federal e estadual
- governos que propõem uma nova concepção de currículo, construído principalmente
a partir do acionamento de categorias inerentes ao pensamento de Gramsci da Escola
Unitária e do trabalho como princípio educativo, e do pensamento de Saviani, através
da teoria histórico-crítica, nas quais a categoria trabalho reaparece com um conteúdo
que se aproxima da perspectiva marxista do trabalho como constituidor do ser social.

212 | Anais do IV ENESEB


OS DESAFIOS DA PRÁTICA PEDAGÓGICA DOS PROFESSORES DE SOCIOLOGIA
EM FORTALEZA (CE)

José Anchieta de Souza Filho - UERN


Geovânia da Silva Toscano - UFPB/UERN

Analisa-se o ensino de Sociologia na cidade de Fortaleza/CE a partir da prática do


professor no tocante aos desafios enfrentados por este em sua ação docente. A ori-
gem deste estudo advém de uma pesquisa de natureza qualitativa e quantitativa de base
amostral com 55 professores que atuavam na disciplina no ano letivo de 2012. Como
procedimento para obter as informações foi enviado um questionário por e-mail para
a direção de 55 escolas de ensino médio para que o diretor entregasse a um profes-
sor de sociologia. O questionário respondido pelos professores apresenta os seguintes
elementos constitutivos: a) a formação do professor; b) a condição de trabalho; c) a
implementação da sociologia na escola d) o ensino de sociologia no cotidiano; e) prob-
lemas enfrentados pelos docentes; f) como os professores avaliam a compreensão da
Sociologia pelos alunos; g) as reclamações dos alunos em relação à disciplina Sociolo-
gia. Como referencial teórico dialogou-se com: Moraes (2004), Sarandy (2004), Gui-
marães (2014), Fiorelli Silva (2014), Santos (2014), Jinkings (2014), dentre outros.
No tocante a prática do professor obteve-se os seguintes resultados: os professores tem
despertado nos alunos o interesse pela reflexão sobre os problemas da vida em socie-
dade no sentido de fazê-los compreender criticamente a dinâmica social; as condições
pedagógicas referentes à gestão de sala de aula (indisciplina dos alunos), o pouco tempo
(carga horária) destinado à aula de Sociologia, assim como as metodologias de ensino
pouco atraentes constituem nas dificuldades para a realização da prática do professor;
a disciplina Sociologia é reclamada pelos alunos em função de inadequações didático-
metodológicas exercidas na prática realizada pelo professor, visto que os caminhos en-
contrados por este para a realização do processo de ensino não tem permitido a ne-
cessária participação dos alunos na disciplina, o que revela o pouco envolvimento destes
no desenvolvimento das aulas. Considera-se que observar a prática do professor no
ensino de sociologia permite identificar as situações-problema que desafiam o exercício
profissional docente. A perspectiva da formação continuada em serviço e a reflexão so-
bre a própria prática realizada pelo professor podem ser indicativas de novos caminhos
para a ação docente no enfrentamento dos desafios que se apresentam efetivamente na
sala de aula, o que permite resignificar o ensino de Sociologia na educação básica.

ENSINO DE SOCIOLOGIA E EDUCAÇÃO POPULAR: UMA DISCUSSÃO PARA


UM NOVO PROJETO DE EDUCAÇÃO

Kelem Ghellere Rosso - IFPR

Com a inserção da Sociologia como disciplina obrigatória no ensino médio, os seus


professores passam a ocupar espaço cada vez maior no interior das escolas básicas,
principalmente da rede pública. Com isso, a discussão sobre o caráter atual da educação

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 213


no país ganha um reforço nas preocupações desses profissionais: além de ser objeto de
estudo, próprio do ramo da Sociologia da Educação, a escola conforma-se progres-
sivamente como o principal espaço de atuação do profissional das Ciências Sociais,
portanto, de sua intervenção direta. Assim, o papel do professor de Sociologia e o lugar
dessa disciplina no projeto de educação vigente ganha centralidade. Partimos do pres-
suposto defendido por Florestan Fernandes, da inseparável relação entre o trabalho do
professor e sua atuação como cidadão, portanto, da impossibilidade de o profissional
da educação desprezar a articulação entre a sua atuação dentro e fora da sala de aula.
Com essa preocupação, este trabalho busca apontar os elementos determinantes do
caráter do projeto de educação em vigência no país, entendendo-o em sua articulação
com a forma de organização do trabalho própria do sistema capitalista, ou seja, com a
reprodução do trabalho alienado. Bem como, refletir sobre a necessidade de elaboração
de um projeto alternativo de educação, seus elementos centrais e o papel do professor
de Sociologia nesse processo. Por se tratar de uma pesquisa em estágio inicial se limita a
apontar caminhos para a reflexão pretendida. Dentre esses caminhos, faz-se necessário
recorrer aos elementos centrais presentes na perspectiva da pedagogia histórico-críti-
ca, da concepção de Sociologia crítica e militante inaugurada por Florestan Fernandes,
da concepção do trabalho como princípio educativo, advindas das contribuições de
Antônio Gramsci, e das reflexões de István Mészáros sobre a educação para além do
capital. De onde apontamos como proposta sintética a concepção de um projeto de
educação popular, definido a partir do seu papel na transformação social.

O ENSINO DE SOCIOLOGIA NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS (IFG): A


CATEGORIA TRABALHO NA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA DURKHEIMIANA
E MARXIANA

Marcelo Augusto de Lacerda Borges - UFU/IFG

Partindo das considerações oficiais e iniciais da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de


1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a educação é uma re-
alização social processual e abrangente, que envolve multidimensionalmente a família,
o trabalho, as instituições de ensino e pesquisa, os movimentos sociais, as organizações
da sociedade civil e as manifestações culturais. Ainda, no que diz respeito às diretrizes
da educação básica, no Título V, Capítulo II, o exercício da cidadania e a progressão nos
estudos e no mundo do trabalho são também finalidades indispensáveis à formação dos
educandos.Mais particularmente, quanto às finalidades do ensino médio, presentes no
Artigo 35 da lei supracitada, a preparação básica para o trabalho na sua dimensão flexív-
el, a compreensão teórico-prática dos processos produtivos e o desenvolvimento de um
pensamento ético, crítico e autônomo aparecem como proposições estruturantes do
processo formativo dos alunos. É nessa medida que o ensino da Sociologia se destacará
no conjunto de tais requisições, no âmbito do Instituto Federal de Goiás (IFG). Por tais
diretivas, a partir do ano de 2012, orientados pela Pró-Reitoria de Ensino, os docentes
da disciplina de Sociologia formularam uma espécie de ementário comum que pudesse
conduzir as temáticas da disciplina nos 14 campi da instituição, com o objetivo de ho-

214 | Anais do IV ENESEB


mogeneizar e dirigir os componentes curriculares no sentido de atender às demandas
criadas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e por suas diretrizes de obje-
tivos e competências, aqui especialmente àquelas vinculadas à categoria conceitual do
“trabalho” como atividade exclusivamente humana.A proposta fundamental do trab-
alho aqui desenvolvido é expor os delineamentos teórico-metodológicos do “trabalho”
como categoria-chave do pensamento sociológico clássico encetando para as suas rela-
ções com a dinâmica da vida social na modernidade ocidental, a partir de uma leitura
crítica e de enfrentamento das obras de Émile Durkheim (1858-1917) e Karl Marx
(1818-1883). De modo genérico, o trabalho contempla a temporalidade histórica en-
tre os autores – a implantação de um novo modo de produção, o capitalista – que foi
cotejada por posições epistemológicas distintas e, por extensão, com propostas teóricas
e práticas também em distinção. Introdutoriamente, em Durkheim, notar-se-á, por
exemplo, que a educação ocuparia uma função social de integração das coletividades
humanas diante da dissolução promovida pela profunda especialização funcional ditada
pela divisão do trabalho social. Por outro lado, em Marx, a educação forneceria uma
dupla sistemática: servir aos interesses reprodutivos da lógica capitalista (como inte-
grante da vida superestrutural) ou fomentar criticamente os processos de emancipação
e ruptura com a mesma lógica reprodutora do capital, apoiada numa práxis revolu-
cionária. Por fim, o estofo teórico desse debate clássico pode fornecer aos educandos
uma compreensão mais abrangente e crítica do mundo do trabalho.

O DESAFIO DO ENSINO DA CATEGORIA TRABALHO NO CONTEXTO


DOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, TÉCNICA E
TECNOLÓGICA

Inaê Soares de Vasconcellos - UFU

A sociologia na educação básica tem como atribuição abordar categorias analíticas


básicas para o entendimento das sociedades, consideradas conceitos estruturantes da
disciplina. Numa escola participante da Rede Federal de Institutos de Educação Profis-
sional, Técnica e Tecnológica, no entanto, apresenta-se um problema notável: como
lidar com a categoria trabalho no ensino de sociologia para pessoas que estudam o
currículo básico comum e ao mesmo tempo aprendem direcionamentos para o mundo
do trabalho? Mundo este que eles próprios e muitos professores, das áreas técnicas e
tecnológicas e outras, tratam como “mercado de trabalho”; um termo necessariamente
discutível e já internalizado pela comunidade escolar. Considerando que o elemento
econômico é um dos determinantes do social, estudar a categoria analítica trabalho
em sociologia é fundamental. O teórico clássico que aborda mais aprofundadamente as
questões econômicas e o trabalho, por consequência intrínseca do estudo dos modos de
produção, é Karl Marx. Já Émile Durkheim traz a contribuição acerca da importância
do trabalho para a coesão social nas sociedades de solidariedade orgânica, nas quais é
justamente a especialização profissional dos indivíduos – a alta divisão do trabalho so-
cial - que os torna interdependentes; ou seja, o trabalho é um elemento fundamental
para a coesão e para a organização moral dos indivíduos. Ainda em Émile Durkheim,

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 215


este autor afirma que a educação tem a função de preparar e direcionar indivíduos na
divisão social do trabalho para as atividades nas quais tiverem maior destaque enquanto
no processo socializante da escola. Já Max Weber, no método compreensivo aplicado ao
capitalismo, à modernidade e aos sentidos subjetivamente atribuídos e compartilhados
que os sustentam, explica que o valor atribuído ao trabalho mudou de negativo, no
contexto do feudalismo, para positivo e “enobrecedor”, no ambiente cultural e ético
do capitalismo. Para este autor, esta mudança é explicada pelo fator de racionalização
do mundo e da própria fé religiosa - a ética protestante calvinista como seu objeto de
análise neste campo -, que então se provará pela prática cotidiana de vida modesta e in-
tensa dedicação ao trabalho como condições primordiais àqueles que buscam a salvação.
A fé não mais se prova por atividades de contemplação e adoração, práticas próprias do
catolicismo medieval. Como lidar com esta categoria quando se trata de uma escola em
que os estudantes se encontram em processo de formação não apenas intelectual, física
e científica, mas também profissional e técnica? Considerando-se a discussão de Der-
meval Saviani, pode-se dizer que este é o sentido da educação politécnica proposta por
Marx, em suas Instruções aos Delegados do Conselho Central Provisório da Associação
Internacional dos Trabalhadores, de 1868, quando demonstrava seu entendimento do
trabalho como também um princípio educativo. Serviria não apenas para produzir os
bens necessários à sociedade, mas também formar a classe trabalhadora num nível aci-
ma da burguesia, entendendo o processo produtivo como um todo e, por conseguinte,
a produção das riquezas, do lucro e das desigualdades. Qual são as concepções sobre
trabalho e educação mais adequadas, entre os autores clássicos e os contemporâneos em
diálogo com aqueles, para compreender-se realidade de educação profissional, técnica
e tecnológica praticada no Instituto Federal do Triângulo Mineiro? Considerando a re-
alidade de oito campus do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, o perfil de inserção
socioeconômica dos estudantes - segundo levantamentos realizados por profissionais do
Serviço Social dos campi - e os conteúdos comuns aos Projetos Pedagógicos dos Cursos
de Ensino Técnico Integrado ao Médio, o presente artigo discute o papel do professor
de sociologia no contexto formativo da rede.

O ENSINO DA SOCIOLOGIA COMO ELEMENTO INDUTOR PARA O


DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZADO DE
ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO PROFISSIONALIZANTE NO CAMPUS
VITÓRIA DE SANTO ANTÃO-PE

Paulo Henrique Miranda da Silveira - IFPE

Nos últimos anos, o campus Vitória de Santo Antão- PE vem se destacando entre os
demais campi do IFPE pelo envolvimento dos seus docentes e técnicos administrativos
em ações de pesquisa e extensão, do mesmo modo que essas ações vêm estabelecendo
parcerias com instituições de fomento à pesquisa (CNPq, FACEPE) de âmbito nacional
e internacional. Todavia, observa-se que dentre os estudantes do ensino médio profis-
sionalizante, não há o mesmo vigor acerca da participação destes nos eixos temáticos
voltados para a formação profissional. Portanto, do ponto de vista sociológico, faz-se

216 | Anais do IV ENESEB


necessário compreender quais as causas que contribuem para o distanciamento desses
estudantes numa instituição que desenvolve o ensino, pesquisa e extensão? Nesse sen-
tido, o presente artigo busca estimular o referido debate, ao incentivar a prática de
ensino em sociologia como elemento indutor para mitigar a desarticulação entre os
eixos de atuação no campus Vitória e a participação estudantil nesse processo. Para
tanto, com o apoio e a participação dos monitores do componente curricular em so-
ciologia, buscamos desenvolver/ampliar a participação estudantil, ao envolvermos os
estudantes do ensino médio em ações que fomentariam a realização de seminários, tra-
balhos colegiais, fóruns e encontros acerca dos principais debates que (re) constituem
o campo de reflexão das ciências sociais. De modo que, ao ampliaríamos o interesse e
a curiosidade dos estudantes em compreender as atividades vivenciadas no campo do
ensino e da pesquisa, possibilitaríamos aos estudantes articularem suas experiências
educacionais com os diversos itinerários de conhecimento que são desenvolvidos no
campus Vitória. Nesse sentido, o ensino da sociologia no nível médio integrado a edu-
cação profissional tem como um dos seus grandes desafios contribuir para a formação
cidadã dos estudantes, ao abordar aspectos: civis, políticos e sociais de nossa sociedade.
Pois, ao abordar os principais processos sociais1 que norteiam a vida contemporânea, a
prática do ensino da sociologia perpassa a interdependência entre a relação indivíduo/
sociedade no âmbito geral dessa ciência e, o seu estudo aprofunda as principais trans-
formações no campo educacional e no mundo do trabalho2 a partir das condições sócio
históricas levantadas pelas diversas correntes do pensamento social (Funcionalismo,
Interacionismo, Estruturalismo e Pós-Estruturalismo).

CIÊNCIAS SOCIAIS NO PARFOR/UFPA: UMA ANÁLSE DO ENSINO DA


SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

Eleanor G da. S Palhano - UFPA


Sheyla, R. O. Moraes - UFPA
Sylvia de N. F. Castro - UFPA
Ana Patricia de Freitas Correa - UFPA

Pretendemos analisar a implementação do ensino de Ciências Sociais por meio do curso


de Sociologia no ensino superior, com base no Plano de Ações Articuladas Formação de
Professores da Educação Básica-PARFOR da Universidade Federal do Pará, iniciado em
2012, observando os currículos e disciplinas acadêmicas, que influenciam para a con-
strução das identidades sociais e coletivas. Defendemos que há relevância desse curso
de graduação na formação e aperfeiçoamento de professores da educação básica no
Estado do Pará, capazes de exercer uma sociologia da educação crítica, responsável e
combativa na construção do aluno-cidadão. Considerando a multidimensionalidade da
educação e do fazer sociológico que o PARFOR/UFPA no curso de sociologia se baseia
no método dialógico e incentiva a participação do aluno-professor na tessitura do con-
hecimento teóricos e metodológicos como: leituras de textos sociológicos, pesquisas
empíricas e teóricas para a formação do professor-educador de sociologia.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 217


IMPRESSÕES SOBRE O TRABALHO DOCENTE ENTRE PROFESSORES NA
REDE PÚBLICA ESTADUAL DE GOIÁS: PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO EM
GOIÂNIA

Marco Aurélio Pedrosa de Melo - UEG/SEDUCE

Discussões sobre as atividades dos professores de Sociologia no Ensino Médio em


Goiás. O perfil e a precarização do trabalho docente, sua visão da atividade educacional,
organização do trabalho e escola como instituição social. Referencial teórico baseado
na Sociologia do Trabalho e Sociologia da Educação com discussão da precarização do
trabalho, escola como instituição social e capital social. Entre os autores para discussão
temos Ricardo Antunes, Roberto Helionai, Christophe Dejours, Anita Handfas, Ivan
Illich, Celestino Alves da Silva Junior, Bárbara Freitag e Wagner Gonçalves Rossi.

O CIENTISTA SOCIAL HOJE: DESAFIOS PARA PERMANECER EM SALA DE


AULA. ESTUDO DE CASO EM GOIÂNIA/GO

Laísse Silva Lemos Sobral - UFG


Lucinéia Scremin Martins - UFG

Partindo da lei (11.684/2008) que obriga o ensino de sociologia nas três séries do en-
sino médio, logo sua reinserção em todas as instituições educacionais é garantida pela
existência de medidas legais, buscamos conhecer as condições de trabalho e o perfil
do sociólogo que ingressou na rede estadual de ensino em Goiânia entre 2009 e 2010,
e principalmente as renúncias/saídas desses licenciados em ciências sociais da sala de
aula. Dessa forma os objetivos percorrem uma minuciosa análise das condições em que
ocorre o trabalho dos docentes (com licenciatura em ciências sociais e/ou sociologia),
que ministram aulas de Sociologia, mapeando as causas para a saída desse profissional
em um curto espaço de tempo da sala de aula. Para alcançar os objetivos a abordagem
usada na pesquisa foi o método de investigação qualitativo, com entrevistas face-a-face,
que foram gravadas com o consentimento do entrevistado. A base teórica pilar é o
materialismo histórico dialético de Karl Marx, e de estudiosos contemporâneos que
abordam a questão do mundo do trabalho, como Ricardo Antunes, David Harvey, Cris-
tophe Dejours, entre outros.Com a obrigação do ensino de Sociologia, alguns licen-
ciados viram na educação uma possibilidade de exercer sua profissão no magistério,
porém, apesar de sua entrada ser via concurso, o que lhes garantiriam estabilidade, um
salário, plano de carreira, entre outros benefícios, a permanência desses docentes em
sala de aula não se consolidou, ao contrário, em um curto espaço de tempo houve um
grande número de pedidos de exoneração ou adaptação para outros cargos e setores da
administração pública do Estado de Goiás, o que era indicativo de que esse ambiente
educacional deveria se estudo mais detalhadamente. Os primeiros resultados apon-
tam que as novas configurações no mundo social, e principalmente a vertente política
econômica via ditames do neoliberalismo veem ordenado para a estrutura educacional,
um sistema de intensificação e precarização do trabalho docente, onde a mesma máxi-

218 | Anais do IV ENESEB


ma de gestão empresarial é direcionada para a escola: eficácia e eficiência contornadas
pelo imperativo da meritocracia. Não obstante, doenças físicas e psíquicas, violência,
ausência ou precárias condições de infraestrutura, falta de reconhecimento são fatores
que pressionam a saída desses profissionais de sala de aula. Consideramos que diante
da eminente reforma do ensino médio, é necessário conhecer o professor, o ambiente
de trabalho disponibilizado, e construir uma política educacional que realmente prime
pela qualidade do ensino e daquele que ensina. É necessário aproximar as atuais teorias
que envolvem o cenário da Educação, com a práxis docente,desmitificando o discurso
neoliberal.

O ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS NA “ESCOLA-COMUNA” SOVIÉTICA

Maycon Bezerra de Almeida - IFFluminense

O presente trabalho propõe a reflexão e a discussão a respeito da abordagem do en-


sino das ciências sociais na Escola-Comuna do NarKomPros (Comissariado Nacional da
Educação), na Rússia soviética, entre 1918 e 1923. Trata-se de uma instituição escolar
“demonstrativo-experimental” criada e dirigida pelos maiores expoentes da geração
pioneira de pedagogos soviéticos, com o objetivo de desenvolver teórica e pratica-
mente uma pedagogia propriamente socialista a ser implementada, posteriormente,
no sistema educacional do país como um todo. A experiência desses primeiros anos
foi documentada no livro “A Escola-Comuna do NarKomPros”, editado em 1924 sob a
organização de Moisey M. Pistrak, e que serve de base à nossa investigação. Nosso ob-
jetivo é tomar a experiência da Escola-Comuna do NarKomPros como uma base para
refletir sobre o lugar e o papel do ensino das ciências sociais no âmbito de uma pedago-
gia socialista em construção, fundada no trabalho como princípio educativo. Sob uma
abordagem teórico-metodológica materialista e dialética, tal como desenvolvida por
Marx, apresentamos a experiência em questão como expressão da presença decisiva das
ciências sociais no processo educativo, como concebido e efetivado pelos pedagogos so-
viéticos, nos primeiros anos da construção revolucionária socialista. Essa presença das
ciências sociais que, do ponto de vista especificamente curricular, alcançou um patamar
inconcebível nos sistemas educacionais do mundo capitalista de então, era – de certa
forma – o desdobramento de sua presença no planejamento educacional, na reflexão
pedagógica geral e, mesmo, na atividade política e planificadora do Estado soviético,
enquanto tal. Nos marcos de uma pedagogia orientada a formar, na prática e através
da prática, que é trabalho, os lutadores e construtores da sociedade socialista, o ensino
das ciências sociais é tomado como momento imprescindível. Capazes de compreender
a dinâmica societária do processo revolucionário e julgar com independência suas re-
sponsabilidades em relação a ele, os sujeitos a formar por essa pedagogia socialista têm
nas ciências sociais um elemento decisivo na constituição de sua estrutura cognitiva e
valorativa. Do ponto de vista dos professores e professoras de Sociologia na educação
básica, aqui e agora, comprometidos com a superação das iniquidades e irracionalidades
do sistema econômico e social vigente, pensamos que a experiência da Escola-Comuna
soviética pode contribuir para o enriquecimento de nossa reflexão coletiva.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 219


JUVENTUDE TRABALHADORA: UMA CATEGORIA MEDIADORA PARA O
ENSINO DE SOCIOLOGIA

Luiz Paulo Jesus de Oliveira - CAHL/UFRB

O objetivo dessa comunicação é problematizar a partir do achados empíricos da pes-


quisa de doutoramento a respeito das transformações e especificidades dos processos
de transição e inserção da força de trabalho juvenil no mercado de trabalho brasileiro
nos anos 2000, resultante de um estudo de caso das trajetórias sócio-ocupacionais, das
experiências de trabalho e expectativas futuras de jovens trabalhadores da Região Met-
ropolitana de Salvador, a centralidade da categoria juventude trabalhadora enquanto
dimensão teórico-empírica mediadora do ensino de sociologia, num contexto de ex-
pansão e massificação escolar nas últimas duas décadas. Face ao processo de valoriza-
ção e consolidação da Sociologia no ensino médio, em parte impulsionado pela usa
obrigatoriedade nas escolas públicas e privadas brasileiras, um conjunto de questões
reflexivas ganha destaque para além dos seus aspectos constitutivos enquanto disciplina
escolar (sua função na escola, a proposta curricular, a definição de parâmetros míninos
de um currículo nacional, a formação docente nas licenciaturas etc.), que interferem
diretamente no ensino de sociologia. Nesse sentido, destaca-se importância da com-
preensão das especificidades da condição social dos sujeitos a quem se destina o ensino
de Sociologia, principalmente nas escolas públicas brasileiras. Parte-se do pressuposto
que a transição escola-trabalho entre os jovens brasileiros assume especificidades, sendo
que a sua construção sócio-histórica é mediada fundamentalmente pelo trabalho, de tal
forma, que não se constitui em nenhum truísmo, qualificar a juventude brasileira de
juventude brasileira trabalhadora. Para os jovens pobres, filhos e filhas da classe trabal-
hadora, das camadas populares, a juventude não pode ser caracterizada como moratória
em relação ao trabalho, mas antes a condição juvenil só é vivida porque trabalham,
para assegurar o mínimo de recursos para a sobrevivência familiar, o lazer, o estudo,
o namoro etc. Logo, o mundo do trabalho se configura como uma mediação efetiva
e simbólica de experimentação da condição juvenil brasileira. No Brasil, o ingresso
precoce, sobreposição e vivência concomitante de estudo e trabalho sempre fizeram
parte dos percursos juvenis. Sendo assim, para a imensa maioria dos jovens não se trata
necessariamente de uma inserção no mercado de trabalho, mas de inúmeras reinser-
ções em virtude da sua trajetória ocupacional precoce, as quais geralmente também se
superpõem às descontínuas trajetórias escolares. A partir dos anos de 1990, houve mu-
danças significativas no padrão brasileiro de transição escola-trabalho; provocadas pela
expansão do sistema educacional e pela reestruturação produtiva que implicaram no
adiamento da entrada no mercado de trabalho; o desemprego no início das trajetórias
de vida, e consequentemente, a constituição de um mercado de trabalho altamente
competitivo, onde as vagas (escassas) passaram a ser disputadas entre jovens e adul-
tos. Contraditoriamente, no momento em que ocorre uma elevação da escolarização
dos jovens e a escola passa a ganhar centralidade nas chances de inserção no mercado
de trabalho, é justamente o momento em que as chances se tornam mais escassas e a
busca do primeiro emprego se torna mais difícil, quando comparado com as gerações
jovens de períodos anteriores, o que pode ser explicado pelo déficit estrutural de vagas

220 | Anais do IV ENESEB


acumulado no período recente e a deterioração da qualidade dos postos de trabalho
existentes. O paradoxo imanente à inflexão do padrão desenvolvimentista de transição,
é que a geração dos jovens trabalhadores dos anos 2000, egressos da expansão escolar
dos anos de 1990, descobre assim que ingressam no mercado de trabalho, que o seu
horizonte de “futuro” está marcado pela inserção precária e instável em um mercado
de trabalho reestruturado. Neste sentido, considera-se que a compreensão das múlti-
plas contradições e tensões que se encerram na condição da juventude trabalhadora
brasileira se constitui como um pressuposto elementar para a própria realização da ação
educativa na qual se inscreve o Ensino de Sociologia.

EDUCAÇÃO, TRABALHO E ECONOMIA SOLIDÁRIA: APONTAMENTOS PARA


UMA DISCUSSÃO INICIAL

Gabriel Miranda Brito - UFRN

A história do capitalismo é a história da destruição das condições de trabalho. En-


tretanto, a história do trabalho não é a história do capitalismo. No modo de produção
capitalista, a educação assume a tarefa de capacitar os indivíduos para que estes con-
sigam inserção no mercado de trabalho, uma vez que, nesta forma de sociabilidade, a
totalidade do indivíduo é reduzida à sua força de trabalho. Mas a mesma educação que
induz a competição e alienação, pode também induzir a cooperação e a liberdade.O
propósito deste estudo é realizar uma pesquisa exploratória sobre os limites e possibi-
lidades da educação para jovens e adultos como uma prática pedagógica comprometida
com um projeto de transformação social que se proponha a abolição da exploração
do homem pelo homem. Para a construção deste estudo foi realizado um resgate da
literatura sobre a modalidade de educação para jovens e adultos; economia solidária;
trabalho associado; e trabalho assalariado. O artigo inicia com uma reflexão sobre as
categorias supracitadas, construindo um cenário propício para uma seção que discuteos
desafios e possibilidades da introdução da economia solidária no currículo da educação
para jovens e adultos. Em seguida, conclui-se o artigo apresentando as considerações
parciais sobre a função da educação para, a partir de princípios de cooperação e solidar-
iedade, apresentar uma alternativa ao trabalhador que se encontra à margem da socie-
dade de mercado. Como mencionado anteriormente, este estudo não apresenta qual-
quer similitude com outros textos que legitimam a ideia de meritocracia e traduzem a
ideia de educação pautada na competição entre indivíduos.Espera-se que as discussões
expostas neste estudo possam servir para fornecer um estímulo a todos aqueles que
se comprometem com o ensino crítico da sociologia, e reconhecem a inviabilidade da
continuidade do atual modelo de sociabilidade, marcado pela desigual distribuição de
recursos e exploração do trabalhador.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 221


RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AULA DE CAMPO COMO ESTRATÉGIA DE
ENSINO INTERDISICPLINAR DE CIÊNCIAS NATURAISE SOCIOLOGIA NO
ENSINO MÉDIO

Maria Ivoneide Gomes de Oliveira Monteiro - SEEC/RN


Karlla Christiane Araújo de Souza - UERN
Adelita Alves de Souza - SEDIS/UFRN

No Brasil, estudos do REVIZEE demonstraram a inexistência de estoques de pesca-


do capazes de gerar ou sustentar um aumento significativo na produção. Não bastasse
isso, verifica-se a sobre-exploração dos recursos pesqueiros marinhos e a eliminação
de ecossistemas aquáticos através da captura acidental. Nesse contexto, a aquicultura
surge como fonte de alimento, como forma de garantir os estoques pesqueiros e como
forma de crescimento do trabalho domiciliar, familiar e cooperativista. Aquicultura é o
desenvolvimento de instalações e técnicas de criação de animais aquáticos em cativeiro
(VALENTI, 2002). Contudo, como toda atividade produtiva, ela provoca alterações
ambientais que suscitam a urgência de alternativas sustentáveis para reduzir o impacto
sobre o meio ambiente a um mínimo indispensável, de modo que não hajaredução da
biodiversidade, esgotamento ou comprometimento negativo de qualquer recurso nat-
ural e alterações significativas na estrutura e funcionamento dos ecossistemas. Com
o intuito de observar in loco uma iniciativa sustentável, e ao mesmo tempo, encontrar
espaços ideais e alternativos para a motivação da consciência ambiental e auxiliador da
construção do conhecimento, promoveu-se como ação do PIBID/CSOCIAIS/UERN/
CAPES, uma aula de campo como estratégia de ensino interdisciplinar de ciências bi-
ológicas e sociologia em propriedade da região litorânea de Icapuí/CE, que empreende
cultivo, coleta e venda de algas, a espécie denominada(Gracilaria caudata), tanto da
sua forma bruta, como da fabricação de seus derivados: cosméticos e alimentos. A im-
portância desta atividade está na forma como os conteúdos são tratados. Esse contato
direto com os elementos a ser explorados, desperta no estudante um maior interesse,
bem como permite que a interação entre o grupo seja mais intensa, fazendo com que a
condução da aula flua naturalmente. Para essa aula foi elaborado um roteiro com per-
guntas sequenciais visando o estímulo do raciocínio lógico, coerência e compreensão
dos fatos. Esta ação, que foi implementada em espaços não formais de aprendizagem,
tornou possível coma união do conteúdo escolar e a vivência experimental, criar situa-
ções de aprendizagens onde os estudantes foram autores e protagonistas do próprio
conhecimento (MORAN, 2007). E ainda, ao conhecer de forma prática como se dá o
cultivo de algas nessa localidade, pelas famílias agricultoras contribuindo para sustent-
abilidade da região e manutenção do ecossistema marinho existente, foi possível desen-
volver e passar da teoria a prática os conceitos de economia solidária (SINGER), sus-
tentabilidade (BOFF, ABRAMOVAY, SHIVA e CANDIDO) e gênero/trabalho/poder
(BRUSCHINI). E ainda, também permitir aos educandos de forma geral, compreender
que as tecnologias e os métodos de produção sustentáveis, contribuem para o avanço
da ciência e para a melhoria do bem estar da comunidade na qual estão inseridos, o
semiárido brasileiro.

222 | Anais do IV ENESEB


O ENSINO DE SOCIOLOGIA NOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Cláucia Piccoli Faganello - UFRGS

Relacionar o ensino de sociologia nas graduações em Administração Pública, pensadas


a partir do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Univer-
sidades Federais (REUNI) e a categoria “trabalho” se justifica porque a Administração
Pública brasileira não exige uma formação específica na área pública para ingresso no
serviço público e, raramente, capacita o ingressante para o trabalho que irá desenvolver.
Assim, o que vem ocorrendo é que os trabalhadores da esfera pública que buscam
as Universidades para uma formação nos cursos do Campo de Públicas já vêm com
conceitos fundamentais para o entendimento da coisa pública pré-concebidos, e, nessa
problemática, a disciplina de sociologia, tem um papel fundamental na formação do
estudante-trabalhador de Administração Pública, a qual precisa ser trabalhada, de modo
a criar nesse futuro gestor público a capacidade de pensar a realidade da Administração
Pública em consonância com a realidade brasileira. Uma boa formação sociológica nos
cursos de graduação do Campo de Públicas possibilita a melhor realização da atividade
laboral, assim como um direcionamento da execução da função no serviço público para
a consolidação das relações entre Estado e sociedade. A Administração Pública, repre-
sentada por seu corpo técnico, é a esfera para qual o cidadão recorre para ter acesso
a bens e serviços públicos garantidos legalmente e, por isso, necessita de um corpo
técnico capacitado para dar conta das demandas da sociedade, bem como, pensar pos-
sibilidades para a resolução de problemas e para a formulação de políticas públicas que
atendam aos anseios da população. Com isso, esse trabalho tem como objetivo analisar
o conteúdo obrigatório da disciplina de sociologia nos cursos de graduação integrantes
do Campo de Públicas no Estado do Rio Grande do Sul. Assim, pretende-se verificar
como os projetos políticos-pedagógicos dos cursos de Administração: Gestão Pública
da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS e de Administração Pública e
Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, organizam o ensino de
sociologia nas suas graduações. A pesquisa terá foco qualitativo e utilizará como método
de procedimento a pesquisa bibliográfica e documental.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 223


224 | Anais do IV ENESEB
GT10 – GÊNERO E SEXUALIDADE: O QUE O ENSINO DE
SOCIOLOGIA/CIÊNCIAS SOCIAIS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
TEM A VER COM ISSO?

Coordenadora: Tânia Welter - UFSC


E-mail: taniawelter@yahoo.com.br
Vice-coordenadora: Adriana Regina de Jesus - UEL
Email: adrianatecnologia@yahoo.com.br

SESSÃO A – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

O GÊNERO EM SALA: ANÁLISE DE ATIVIDADES FEITAS NAS AULAS DE


SOCIOLOGIA EM GUARAPUAVA-PR E AS CONSTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO

Jorge Luiz Zaluski - Unicentro


Elenice de Puala - Unicentro

Recentemente a aprovação da Lei do Feminicídio no Brasil foi motivo de polêmica,


entre os prós e contras, possibilita demonstrar que ainda existe muito a ser feito no que
refere-se a violência especialmente contra a mulher. A Lei Maria da Penha trouxe algu-
mas conquistas às mulheres, no entanto não conseguiu inibir a existência de tais atos,
sejam elas físicas ou psicológicas estão em meio a sociedade. Compreendendo a violên-
cia como um dos temas emergentes aos estudos da sociologia, esta comunicação tem
como objetivo apresentar uma atividade realizada em dois colégios estaduais da cidade
de Guarapuava da rede de ensino pública do Paraná. Com o interesse em demonstrar
resultados obtidos com as atividades, tendo em vista que foram bastante significativas
para o debate, pretende-se também apresentaresta atividade como uma das possibi-
lidades de falar sobre gênero e violência, pois compreendemos que além destes esta-
rem entre as propostas curriculares para o desenvolvimento da imaginação sociológica,
tornam-se pertinentes ao serem utilizados como uma das formas de promover o debate
contra a violência e discriminação de gênero. Ao fazer os alunos/as refletirem sobre
uma imagem de uma mulher vestida no que se refere a um imaginário que supunha ser
prostituta, levantaram-se as discussões sobre o gênero e o corpo. Em seguida, como a
finalidade de refletir sobre casos de violência e o imaginário social, através de pesquisas,
foram analisados algumas notícias sobre feminicídios que trazem em seus discursos a
vítima como culpada. Diante de suporte teórico, entre eles os estudos de Joan Scott e
as relações de gênero, Elizabeth Jelin e os casos de violência de gênero, foram levan-
tados dados e algumas informações sobre índices de violência contra as mulheres da
cidade de Guarapuava – PR no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2014, através
da Secretária da Mulher e do site Mapas da Violência.Constatou-se que por ter o Estado

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 225


do Paraná, principalmente a cidade de Guarapuava, com um dos maiores índices de
violência contra a mulher. Assim, além de tratar de discussões pertinentes ao ensino,
aproxima-se da realidade de muitos alunos/as, do qual a reflexão acerca de determi-
nadas situações possam contribuir para a acabar ou diminuir com a violência. Diante
disso, tendo como um dos resultados significativos, a percepção por parte da maioria
dos alunos/as acabar com a violência e informar a sociedade sobre como proceder em
casos de agressão dentre outros, foi organizado uma exposição chamada Caminhos da
Violência, do qual alunos/as puderam participar com a demonstração de cartazes, falas,
músicas, dentre outros materiais construídos em sala no que se refere a construção da
violência contra a mulher. O nome dado à exposição tinha como objetivo fazer com que
as pessoas percebessem como atitudes e ações cotidianas contribuiriam para a violên-
cia, assim, o caminho traçado para a apresentação à comunidade tinha o propósito de
mostrar como era feito mas junto a isso como impedir a existência de tais atos. Tendo
percebido resultados positivos nas atividades propostas, torna-se relevante traze-la para
discussão, com a finalidade de socializar os resultados, assim abrir para críticas com o
objetivo de melhorar a prática de ensino.

GÊNERO E SEXUALIDADE NOS LIVROS DIDÁTICOS DE SOCIOLOGIA:


ENCONTROS E DESENCONTROS

Gabriela Garcia Sevilla - UFRGS

A sociologia como disciplina curricular obrigatória no ensino médio vem se consoli-


dando de forma crescente desde a implementação da Lei nº 11.684, de 02 de junho
de 2008 e tem enfrentado uma série de desafios, entre eles a escassez de materiais
didático-pedagógicos para este nível de ensino que possam servir de apoio aos profes-
sores/as nas salas de aula de todo o Brasil (como é notório, muitas vezes estes profis-
sionais não são formados na disciplina). Neste sentido e no âmbito da política pública
educacional, o programa nacional do livro didático (PNLD), que contempla sociologia
desde 2012, tem contribuído para a institucionalização desta disciplina, juntamente
com outros incentivos como o programa institucional de bolsas de iniciação à docência
(PIBID), os eventos promovidos na área de ensino de sociologia, a criação de asso-
ciações, entre outros. Na primeira edição do PNLD de sociologia apenas dois livros
foram aprovados para a escolha por parte dos professores, porém, já na segunda edição
(2015), podemos perceber uma melhoria com a inscrição de treze obras e a aprovação
de seis. Este marco recente na história da sociologia no ensino médio merece reflexão,
pois amplia as possibilidades de se trabalhar com a disciplina na escola ao mesmo tempo
em que constitui referências de conteúdos e abordagens para projetos futuros. Com
este intuito, a presente pesquisa visa analisar os livros didáticos de sociologia aprovados
no PNLD de 2015 no que se refere às questões que envolvem gênero e sexualidade,
partindo das preocupações de uma professora de sociologia no ensino médio que tam-
bém é uma pesquisadora engajada nesta temática. Desta forma, emergem as seguintes
questões: quantos abordam a temática? Como estes temas, conceitos e as perspectivas
teóricas associadas a seu estudo são contemplados por estes livros? São abordados de

226 | Anais do IV ENESEB


forma específica em um capítulo ou de forma transversal? Ocupam espaço privilegiado
na obra ou apenas um lugar complementar? São considerados aspectos centrais da vida
em sociedade e, logo, do estudo da sociologia ou servem apenas como exemplos ou
ilustrações de questões consideradas mais fundamentais? Entre outras perguntas. Tal
análise tem por embasamento a perspectiva pós-estruturalista dos estudos de gênero
e sexualidade no campo da educação e considera o livro didático um artefato cultural
importante no âmbito escolar e que circula para além dele. A sociologia no ensino
médio possui premissas e expectativas previstas nas orientações curriculares como o
estranhamento e a desnaturalização da “realidade social”, que visam contribuir na for-
mação do cidadão. Também sabemos que a legislação atual prevê o respeito aos direitos
humanos e a diversidade no âmbito escolar. Tendo estas questões em vista, o objetivo
deste trabalho é refletir sobre as possibilidades e a relevância da abordagem da temática
de gênero e sexualidade nos livros didáticos de sociologia no ensino médio.

NECESSIDADE DE TRABALHAR GÊNERO E SEXUALIDADE NO CURRÍCULO


DE SOCIOLOGIA

Izabelle de Paula Braga Mendonça - UERN


Lilian Rodrigues da Silva - UERN
Thacymara Gomes Filgueira - UERN

O presente artigo tem como objetivo apresentar reflexões acerca do planejamento


didático utilizado para abordar o tema gênero e sexualidade na educação básica. Para
tanto, procuramos refletir sobre a diversidade dos tabus e multiplicidades dos gêneros,
uma vez que é de fundamental importância para a formação da juventude, visto que a
orientação sexual é inerente à vida e a saúde. Nesse momento, a sociedade vive intensas
transformações de crescimentos e incertezas, então, nossa intenção é trabalhar essas
questões de forma clara e concisa para orientar, conscientizar e amadurecer os pensa-
mentos dos jovens alunos de Sociologia do Ensino Médio. O interesse em trabalhar
essa temática surgiu através de discussões semanais do PIBID Ciências sócias – UERN,
Mossoró-RN, sobre os currículos de sociologia dos estados brasileiros. Nosso intuito
a principio era de propor um currículo para o Estado do Rio Grande do Norte, o que
gerou pesquisas realizadas nas escolas da rede estadual de ensino com o intuito de
conhecermos a real necessidade e fragilidade dos alunos com relação a abordagem da
temática em questão. Os resultados da pesquisa apontaram para a necessidade do tema
da sexualidade como uma questão a ser tratada nas aulas de sociologia. Pretendemos
que a sociologia em relação à orientação sexual cumpra a finalidade de construir um
conhecimento crítico como auxílio para compreender os desafios que se apresentam
às novas gerações, possibilitando uma sociedade includente, justa e solidária. A partir
dos resultados da pesquisa visamos a construção de um Currículo que poderá servir
de exemplo e como meio de nortear os professores e futuros professores, alcançando
assim planos de aulas que abordem o assunto de uma forma natural. Pretendemos com
a inserção do trabalho em sala de aula sobre gênero e sexualidade “forçar” a quebra de
tabus em adolescentes dentro e fora do contexto escolar. Uma vez que a impossibili-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 227


dade de tratar o tema de uma forma clara dificulta a aprendizagem dos alunos. É sabido
que esse assunto também é motivo de tabu para os professores, pois não veem uma
maneira de interagir e tratar com naturalidade. Então nossa proposta de currículo vem
para quebrar os anseios e facilitar a transmissão e recepção para ambos, o que gerará
indivíduos críticos e bem informados.

GÊNERO, FEMINISMOS E CIDADANIA NOS CADERNOS DO PROFESSOR DE


SOCIOLOGIA DO ENSINO MÉDIO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Paula Leonardi - Fundação Carlos Chagas


Sandra Unbenhaum - Fundação Carlos Chagas
Maria José Rosado Nunes - PUC/SP

O foco central desta pesquisa é a relação entre ciência e ensino e tem por objetivo
analisar a difusão da crítica feminista às desigualdades de gênero no Ensino Médio, no-
tadamente no que se refere à disciplina Sociologia, interrogando, também, se e de que
maneira as questões religiosas perpassam esta difusão. Desde 2008, por meio da Lei n.
11.684 de 02 de junho, a Sociologia foi reincorporada como disciplina obrigatória ao
currículo das escolas brasileiras. No estado de São Paulo, a partir da proposta curricular
de 2007 (SEE, Rede do Saber), foram elaborados e distribuídos (em 2008) os Cadernos
do Professor cujo conteúdo abrange sequências didáticas e sugestões de trabalho para
serem utilizadas e ampliadas pelo docente em sala de aula. O Caderno do Professor –
Sociologia - foi elaborado em 2009 quando se introduziu a disciplina em todas as séries
do Ensino Médio. O objetivo desta pesquisa é acompanhar, por meio dos Cadernos,
de que modo a crítica feminista vem sendo incorporada neste material e difundida aos
professores e aos jovens ao longo do Ensino Médio, na 1ª, 2ª e 3ª séries. As questões
que norteiam esta investigação podem ser assim elencadas: quais os sentidos dados
para gênero, feminismo, sexualidade e outras diferenças nos Cadernos do Professor
elaborados pela Secretaria da Educação do governo do Estado de São Paulo? Há articu-
lação com a religião? De que modo essas questões aparecem no material selecionado
vinculadas a consciência crítica e a cidadania, como problemáticas do contexto contem-
porâneo? É então atrás das visões apropriadas pela sociologia, e por outras disciplinas
da educação básica, que buscaremos que tipo de saber tem sido transmitido sobre as
mulheres, sobre as relações de gênero, sobre os feminismos, aos professores e jovens
brasileiros, nesses primeiros quatros anos (2009-2012) de reinserção oficial da sociolo-
gia no ensino médio: Em que medida as perspectivas são críticas ou reducionistas; em
que medida há a incorporação de autoras clássicas do feminismo e de autoras brasilei-
ras da teoria feminista; e até que ponto se considera a relação entre gênero e religião,
feminismos e religião com todas as nuanças que tem essas relações. Para a leitura do
material e coleta de dados, algumas temáticas foram elencadas: referência a gênero (pa-
lavra ou conceito); relações de poder/desigualdade de gênero e sexo; invisibilidade/
silenciamento das questões de gênero; referência à diversidade; referência à religião;
referência à família. A partir da leitura, foram elaboradas tabelas para cada uma das séri-
es a fim de quantificar as ocorrências. Por fim, analisou-se o conteúdo dos Cadernos no

228 | Anais do IV ENESEB


que tange as questões aqui propostas. Observou-se a presença da temática de “gênero”
em alguns volumes. Entretanto, ao longo das séries perde-se de vista o conceito e sua
abrangência e perspectivas que retornam a uma ideia tradicional e conservadora sobre
os papéis sociais de homens e mulheres sobressaem.

DIVERSIDADE SEXUAL NA ESCOLA: HOMOFOBIA, PRÁTICAS


DISCRIMINATÓRIAS E AÇÕES EDUCATIVAS

Vinícius Pascoal Eufrazio – UERN


Samantha Suene de Abreu Leite – UERN
Viviane Siarline Lucena – UERN
Francisca Erika Leal Linhares– UERN

O ambiente escolar é um local de formação de indivíduos, que atualmente é caracter-


izado por sua diversidade, tornando-se um espaço propício às divergências e ao desres-
peito às pessoas tidas como diferentes. Compreendemos que as ações acerca da homo-
fobia são de grande relevância, uma vez que o espaço escolar é um ambiente tanto de
diversidade cultural, quanto de gênero, o que torna este assunto um desafio maior para
a tríade educacional: docentes, discentes e gestores. O interesse de pesquisar a respeito
deste assunto partiu das experiências enquanto bolsistas de Iniciação à Docência do
PIBID Ciências Sociais UERN, aliado a certa inquietação: como entender a forma que
as escolas vêm desenvolvendo ações educativas acerca do tema homofobia? Com a falta
de um projeto de convívio escolar mais amplo, as escolas vivem na chamada “lei do
silêncio”. Se o abandono é a solução encontrada por alguns alunos, a expulsão é a outra
face do problema das escolas que não conseguem lidar de maneira efetiva com a homo-
fobia. Na medida em que os gestores, pais, alunos e professores não abordam o tema ou
negam-se a falar, estão cada vez mais reforçando práticas discriminatórias e homofóbi-
cas. Os objetivos dessa pesquisa foram mapear as dificuldades e as possibilidades de
uma ação educativa que contemple a diversidade sexual e trate de problemas relativos
a questões vinculadas à sexualidade e à homofobia e perceber as dificuldades sofridas
pelos professores, a ação dos gestores e o preconceito existente entre os alunos. Para
a construção do presente trabalho, utilizamos uma pesquisa bibliográfica acerca dos
parâmetros legais, tais como, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº
9394/96 (BRASIL, 1996); Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), Brasil
Sem Homofobia: Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB
e Promoção da Cidadania Homossexual (BRASIL, 2004) como documentos que es-
tabelecem paradigmas de comportamento sexual e afetivo na escola. A realização do
trabalho de campo ocorreu nas Escolas Estaduais Moreira Dias e Governador Dix-Sept
Rosado na cidade Mossoró-RN, onde foram realizadas observações e aplicação de ques-
tionário com perguntas fechadas aos gestores, professores e alunos. Assim, percebemos
o que acontece quando a própria escola não sabe, ou não quer lidar com este precon-
ceito, qual o contato do professor com estudos sobre educação sexual e homofobia e
como os alunos assumem práticas que disseminam o preconceito em sua convivência
escolar, contrariando a expectativa da escola como local de uma aprendizagem que

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 229


promova a cidadania para todos e o respeito às regras que permitem a coexistência, em
igualdade, dos diferentes.

EXPERIÊNCIAS DO FAZER DOCENTE: ESCOLHAS E DECISÕES ENTRE


TRABALHAR COM GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO MÉDIO

Josyanne Gomes Alencar - URCA


Antonio Leonardo Figueiredo Calou - URCA

No que concerne aos debates sobre gênero e sexualidade, até os anos 60 acreditava-se
que dentro das ciências sociais a antropologia estaria mais ligada a debater questões
sobre a sexualidade, uma espécie de senso comum acadêmico disseminava tal ideia.
Talvez, isso se deva ao método do relativismo cultural, enfim. Nessa perspectiva este
trabalho tem por objetivo geral elencar as dificuldades e desafios que o educador de
sociologia se depara no momento em que deve planejar e executar o roteiro de aula a
ser trabalhado, surge então uma hesitação ou algo em torno de se questionar a respeito
de questões de gênero e sexualidade na escola: abordar ou resignar? Em que medida
o profissional de ciências sociais detém essa decisão, no sentido de dar voz ou calar
tais aspectos que dizem respeito a esse tema ou seria uma escolha por parte do cur-
rículo institucional de cada escola? Eis que surge esse pensamento e algumas dúvidas
em meio a tantas modificações que a escola enfrenta nos dias de hoje; denominada, por
“tempos de incertezas”. É nesse ponto que entra o ensino de Sociologia, como forma
de trabalhar em coletividade com outras disciplinas que compõe o currículo do ensino
médio. Na procura de falar a respeito de temas considerados transversais ou debater a
cerca de conceitos como o fato de conscientizar politicamente, o debate sobre questões
referentes à formação do cidadão crítico, tais como a promoção de um discurso iguali-
tário sobre: gênero, sexualidade, gerações, raça e etnia, meio ambiente, segurança en-
tre outros. Sendo assim, temas que foram considerados como tabu, vem à tona a partir
da escolha e ou decisão do profissional de sociologia em nível de formação e esclare-
cimento a serem trabalhados em sala de aula ou não. Os estudantes encontram-se, por
suas vivências e manifestações sociais em tempos bem a frente do que o tempo que é
ocupado pelos diálogos travados na escola. Desse modo, o currículo tem de abarcar
essa nova discussão e avançar nesse sentido. Como metodologia operacional refletir a
cerca de observações realizadas em sala de aula e, revisão literária sobre o a proposta do
trabalho. Em2006 o ministério da educação lança o Gênero e Diversidade na Escola-
GDE material de formação e capacitação de professores para que possam lidar melhor
com esses temas recorrentes em sala de aula e desmitificar os tabus existentes. No ano
de 2011, outra proposta do MEC vem a público por debates a nível nacional que é o
famoso kit anti homofobia, porém não chegou a entrar em vigor por conta do veto do
governo federal. Frente a essas políticas é possível perceber que não tem como fugir
desse debate, os discursos se tornaram recorrentes nas esferas de âmbito social tais
como: família, escola, religião, política, mídia. Sendo assim, tem-se como premissa que
na busca de uma práxis no campo da educação a partir da autonomia dos sujeitos em
relações dialógicas, ocorra uma participação mútua do educador e educando atuante na

230 | Anais do IV ENESEB


promoção da formação de qualidade pari passu de caráter humano.

TRABALHANDO GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO MÉDIO

Thaís Karwowski - UFU


João Gabriel de Oliveira Ferreira - UFU
Iago Aquino Santos Ferreira - UFU

Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia e versa sobre a questão da


história da sexualidade, trabalhada em uma atividade no período noturno numa escola
estadual do município de Uberlândia, e como o PIBID contribui para a formação do-
cente que irá lidar com essa temática. O PIBID – Ciências Sociais tem como um de seus
campos de atuação a Escola Estadual do Parque São Jorge, e ao início do projeto foram
feitos levantamentos de temas que poderiam ser discutidos. Este levantamento foi feito
nas salas dos primeiros, segundos e terceiros anos do Ensino Médio e um tema que se
mostrou recorrente foi gênero. Para atender a necessidade de discussão acerca do tema
foram realizadas algumas atividades que tangem os debates de gênero e sexualidade, em
conjunto com outras áreas do conhecimento como a biologia. A atividade que coube ao
PIBID de Ciências Sociais foi a apresentação e discussão da história da Sexualidade por
um palestrante convidado. O palestrante é estudante do Curso de Ciências Sociais da
UFU que volta seus estudos para Gênero e Sexualidade, mais especificamente a situa-
ção dos travestis da cidade de Uberlândia. A atividade envolveu a pesquisa bibliográfica
acerca de Gênero e Sexualidade, por parte dos bolsistas do PIBID, e a apresentação
e discussão do tema com os estudantes do Ensino Médio, por meio da apresentação
expositiva dialogada utilizada pelo palestrante. Esta foi uma das atividades programada
pela escola para aquela semana e pudemos perceber que houveram modificações na
percepção dos estudantes, antes e depois da atividade, visto que a participação dos mes-
mos nas outras atividades, sendo que em uma outra atividade, que envolvia uma roda
de conversa com um transexual, se deu de forma mais densa e fundamentada em per-
guntas e comentários que demonstravam proximidade com os conceitos e conteúdos
trabalhados na palestra. Compreendemos que a disciplina Sociologia e o PIBID Ciên-
cias Sociais tem fundamental importância na construção e desconstrução de ideologias,
comportamentos e concepções sociais que interferem diretamente na sociabilidade e
aceitação das diversas formas de manifestação de gênero e sexualidade. Assim, o pro-
cesso de mudanças acerca dos temas de gênero e sexualidade influenciam diretamente
na formação do cidadão e é papel da instituição escolar trabalhar esses temas de forma
que impacte na realidade social dos indivíduos que estão envolvidos neste processo.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 231


EDUCAÇÃO E PERSPECTIVAS DE GÊNERO: UM ESTUDO DO AMBIENTE
ESCOLAR ENVOLVENDO QUESTÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA

Vinícius Gabriel da Silva - UFP


Mónica Lourdes Franch Gutiérrez - UFP

O presente trabalho tem por objetivo abordar questões de gênero e violência, a partir
do método etnográfico e das análises situacionais (GLUCKMAN, 1940) de três “even-
tos” ocorridos numa escola pública do ensino médio na cidade de João Pessoa - Paraíba.
O primeiro evento faz menção à exposição de painéis com fotos, pinturas, textos, em
homenagem ao Dia Internacional da Mulher (08 de março) realização feita por alunos
e alunas; o segundo está ligado a um caso de bullying com uma aluna que teve fotos
de sua intimidade divulgadas por toda a escola; e a terceira uma cerimônia que tinha
por função apresentar a lei Maria da Penha para a comunidade escolar e de bairros
próximos, descrevo um pouco sobre essa experiência da relação escola-comunidade
já que havia a presença de mulheres (mães de alunos e alunas) que sofreram violên-
cia domestica. Para se chegar ao cumprimento deste trabalho foi realizada observação
campo e conversa informal em salas de aula e nos momento de maior interação - os
intervalos. Além disso, discussões com os discentes através de oficinas sobre o tema
de gênero e violência também contribuíram para a construção deste trabalho. Ao todo
minha presença na escola somou três anos de experiência através da minha participação
no Programa de Iniciação a Docência (PIBID) e logo após na experiência de pesquisa.
Dito isso, discorro ao longo do trabalho, como estes eventos demonstram perspectivas
de gênero presentes na cultura discente e como essas questões aparecem em meio ao
cotidiano escolar: num lugar de reforço das desigualdades de gênero, mais também um
lugar de contestação e de resistência, em que a inserção da disciplina sociologia pode
contribuir para refletir e para levar mudanças, pequenas mudanças, no cotidiano dos
jovens, contestando e desnaturalizando as questões de gênero, a naturalização da vio-
lência, pontes que podem ser construídas a afim, de tornar o sujeito critico que reflita
seu cotidiano e estranhe o que é comum e corriqueiro.

“DESCONSTRUINDO PRECONCEITOS E CULTIVANDO O RESPEITO”: AS


CIÊNCIAS SOCIAIS NO DEBATE SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO
MÉDIO

Francisco Weriquis Silva Sales - UFPI

O espaço escolar se constitui em um dos principais espaços de socialização da maior


parte dos jovens brasileiros. Campo de atuação social, é permeado por diversas rela-
ções de poder, que estabelecem-se na interação entre os indivíduos que compõem este
espaço. Marcado cada vez mais por uma diversidade ínfima de identidades e formas
de ser, dentre essa multiplicidade está à diversidade de Gênero(s) e Sexualidade(s).
Tornam-se importantes e emergenciais debates sobre estas questões dentro das insti-
tuições escolares. Neste sentido o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre

232 | Anais do IV ENESEB


as contribuições, o papel a ser desempenhado pelas Ciências Sociais/Sociologia na dis-
cussão sobre Gênero(s) e Sexualidade(s) no Ensino Médio, a partir da análise e reflexão
de experiência didático-pedagógica realizada no âmbito da disciplina de Estágio Su-
pervisionado II em Ciências Sociais da Universidade Federal do Piauí, efetivada numa
escola pública de nível médio teresinense, na execução do eixo prático-pedagógico
contemplado no projeto da disciplina. Desenvolveu-se um trabalho de orientação para
um grupo composto de 8 discentes da turma de 2º (segundo) Ano, numa atividade
escolar denominada de “Feira Cultural”, na qual foi desenvolvida a temática “Violências
de Gênero(s) e Sexualidade(s)” através de monitorias intra e extraclasse, realizando
discussões teóricas, através de textos, vídeos, músicas e confecção de material didático.
A atividade teve como culminância a apresentação do tema, realizado pelos (as) discen-
tespara a comunidade escolar (família, demais colegas de escola e funcionários da insti-
tuição). Evidenciou-se a falta de informações dos(as) discentes ou informações funda-
mentadas somente em explicações biológicas e com isso a necessidade de abertura para
outras áreas do saber de espaços e momentos para discussão e esclarecimentos sobre a
temática. Os discentes apontaram incidência de casos de homofobia no espaço escolar,
principalmente dentro da sala de aula, tendo como colaboração um silenciamento por
parte da escola. Torna-se de suma importância a contribuição das Ciências Sociais na
desconstrução e desnaturalização de estigmas, estereótipos e preconceitos relativos às
diversidades dentro do campo escolar e para além dele, no intuito formar uma “cultura
de paz” e do desenvolvimento dos pilares “Aprender a conviver” e “aprender a ser”
postos pela UNESCO para a educação do Século XXI. Reforça-se a importância de
disciplinas sobre a temática no currículo das graduações de licenciaturas.

BULLYING HOMOFÓBICO NAS ESCOLAS: OMISSÃO TAMBÉM É SINÔNIMO


DE VIOLÊNCIA?

Naiara Freire Ribeiro - URCA


Rayssa Moraes Leite Pinheiro - URCA

Este trabalho objetiva estudar o contexto escolar em que jovens sofrem agressões físi-
cas e/ou verbais por causa de sua sexualidade, mas que, por conta do ocultamento e
silenciamento não deixam transparecer para a sociedade o nível de violência que estão
expostos. Com este estudo foi possível caracterizar a presença dos preconceitos e da
discriminação contra jovens homossexuais dentro do espaço educacional, pontuando a
emergência da desconstrução do preconceito na sociedade e especialmente nas escolas.
Procura refletir sobre a homofobia no ambiente escolar. Analisa a formação dos edu-
cadores e educadoras para abordarem a diversidade sexual com os discentes e propõe
a importância da diversidade sexual e de gênero como tema que deve ser incluído nas
aulas de Educação Sexual e no currículo de formação dos profissionais da educação.
A metodologia utilizada, além de uma pesquisa bibliográfica, consiste na observação
participante e minicursos realizados em duas escolas de ensino médio da rede pública
estadual do Município de Crato-CE, durante o estágio do Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado a Coordenação de Aperfeiçoamento

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 233


de Pessoal de Nível Superior (CAPES) realizado com graduandos do curso de Licen-
ciatura em Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (URCA). Diante do
contexto escolar descrito neste trabalho algumas medidas foram adotadas, por nós e
mais sete bolsistas do programa, como formas de trabalhar a diversidade. Esse trabalho
resultou em um mural sociológico feito pelos alunos, e apresentado na semana do PI-
BID na Universidade Regional do Cariri, junto com outros murais resultados de outros
minicursos e oficinas feitos em outras escolas no qual possui também a participação do
PIBID de Sociologia. Numa das escolas foram e ainda estão sendo realizadas uma série
de minicursos e oficinas aplicadas uma vez por semana no contra turno dos alunos.
Como resultado do trabalho prático com os jovens, de uma das escolas, é possível de-
stacar a construção e valorização das discussões críticas sobre diversidade sexual entre
alunos, pais e professores.

GÊNERO, EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA: ANÁLISE E REFLEXÃO ACERCA DA


ABORDAGEM DA TEMÁTICA DE GÊNERO E SEXUALIDADE EM AULAS DE
SOCIOLOGIA DO ENSINO MÉDIO

Luísa Bonetti Scirea - UFSC

Este artigo aborda e reflete acerca do ensino da temática de Gênero e Sexualidade


nas aulas de Sociologia do Ensino Médio. Para tanto, o ponto de partida é a análise da
experiência docente de estágio em Sociologia em uma escola da Rede de Educação
Básica do Estado de Santa Catarina. A partir da análise da experiência e prática do-
cente em sala de aula e das representações de gênero e sexualidade que emergiam dos
e das estudantes, temse como objetivo identificar quais eram estas representações de
gênero e sexualidade e apontar possibilidades didáticas e possíveis dificuldades docen-
tes que a abordagem do tema pode trazer aos professores e às professoras. A análise
e discussão apresentada é realizada a partir de uma abordagem etnográfica das aulas
ministradas durante o estágio, sendo complementada com a análise de representações
de gênero e sexualidade dos e das estudantes a partir dos exercícios realizados em sala
de aula. A abordagem etnográfica é aqui concebida dentro de sua perspectiva teórico-
metodológica, baseada no diário de campo, na observação sistemática, no “olhar trei-
nado” (Clifford Geertz) e não reificando conceitos: o “campo” também (re)inventa a
teoria. O conceito de representação, antigo e alvo de múltiplas abordagens dentro das
Ciências Humanas, é considerado como uma junção de aspectos objetivos advindos da
estrutura social no qual os sujeitos se localizam juntamente com aspectos subjetivos
das representações pessoais. Este conceito permite entender e, então, problematizar
as elaborações estudantis acerca destes temas. Percebeu-se, dentre outras coisas, a pre-
sença de representações de gênero “tradicionais” e binárias entre os e as estudantes,
além de uma diferença de atitudes de garotos e garotas em relação à temática das aulas.
A postura masculina muitas vezes era mais “distante”, “resistente” e “conflitiva” com a
proposta da aula,sendo comum acontecer “brincadeiras” homofóbicas entre garotos.
Sendo assim, percebeu-se que o estudo das violências relacionadas ao Gênero e Sexu-
alidade, juntamente com o estudo das “masculinidades” pode contribuir tanto para a

234 | Anais do IV ENESEB


“desnaturalização” das temáticas de Gênero e Sexualidade junto aos garotos e às garotas,
quanto permitir uma aproximação e maior diálogo com os garotos.

PROJETO PAPO SÉRIO: ABORDAGENS SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE NA


ESCOLA

Emília Haline Dutra - UFSC


Marisa Naspolini - UFSC
Nathália Dothling Reis - UFSC

De acordo com as Orientações Curriculares Nacionais (OCN) para o Ensino de Socio-


logia no Ensino Médio, os princípios metodológicos da disciplina devem ser causar o
estranhamento e a desnaturalização nas/nos estudantes. No entanto, quando pensamos
nas questões de gênero e sexualidade, percebemos que, na prática, o ensino de So-
ciologia nas escolas não tem contribuído para romper com a ideia da heterossexuali-
dade como norma, evitar discriminações, nem desconstruir ideias estereotipadas dos
papeis sociais dos homens e das mulheres.Em pesquisa de Tatiana Lionço e Débora
Diniz (2008) sobre os livros didáticos, elas percebem que ainda há pouco espaço para
discussões sobreracismo e sexismo, de acordo com elas, o silêncio é a estratégia discur-
siva dominante, porém a escola é compreendida como espaço de construção de novas
práticas e saberes, podendo se transformar em um lugar propício á reflexão e crítica das
relações injustas, preconceituosas e discriminatórias.De acordo com Foucault (1988),
falar em gênero e sexualidade é perceber que antes do capital, os corpos e seus desejos
hierarquizam as e os sujeitos, produzindo e ditando comportamentos. Dessa forma,
percebemos que a crítica de Bourdieu (1998), que constata que a escola não tem tido
papel transformador, mas pelo contrário, tem servido como reafirmadora dos valores
e crenças dos grupos e classes dominantes, se estende às questões de gênero e sexu-
alidade. A partir disso, vemos no ensino das Ciências Sociais um papel extremamente
importante para transformação da realidade social através da mudança do pensamento
das pessoas. É neste sentido que o presente trabalho pretende mostrar como projetos
de extensão universitária como o Papo-Sério,que conta com três principais eixos de
atuação distintos sendo1) as oficinas Papo Sério, oferecidas nas escolas, que têm por
objetivo discutir direitos sexuais, violência contra as mulheres, homo-lesbo-transfobia,
masculinidades, racismo, DST, entre outros temas; 2) o Concurso de Cartazes sobre
Homo-Lesbo-Transfobia e Heterossexismo nas Escolas; 3) um cronograma de even-
tos de datas comemorativas e de lutas contra discriminações no campo dos estudos
de gênero e sexualidades, que articula pesquisa, formação acadêmica e diálogo com a
sociedade civil;configuram-se enquanto ferramentas e práticaspossíveis para comple-
mentar a abordagem sobre as temáticas em torno do gênero eda sexualidade.Vinculado
ao Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades – NIGS da Universidade Federal
de Santa Catarina, e coordenado pela professora Dra. Miriam Grossi, o Projeto Papo
Sérioconsolidou-se como uma das mais importantes atividades realizadas pelo NIGS no
campo da Educação, configurando-se em boas estratégias para articulação das temáti-
cas sobre gênero, sexualidade, diversidade e direitos humanos em escolas públicas da

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 235


Grande Florianópolis. O projeto chegou à 9ª edição no ano de 2015, tendo como ob-
jetivo problematizar as representações de gênero com estudantes e professoras/profes-
sores de escolas públicas. A proposta deste trabalho é apresentar alguns resultados das
oficinas sobre Violências contra as Mulheres, e do Concurso de Cartazes sobre Homo-
Lesbo-Transfobia e Heterossexismo nas Escolas, ambos realizados no ano de 2014 pela
equipe do Papo Sério, da qual nós três fazemos parte, demonstrando sua eficácia no pa-
pel de desnaturalização e estranhamento acerca das temáticas de gênero e sexualidade.

GÊNERO, SEXUALIDADES E AS AULAS DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO


CUIABANO: O QUE AS/OS ESTUDANTES TÊM PARA NOS CONTAR

Stephanie Natalie Burille - UFMT


Silvana Maria Bitencourt - UFMT

O presente estudo tem como objetivo principalanalisar as percepções de gênero e


sexualidades no contexto das aulas de sociologia a partir das enunciações dos/as estu-
dantes do ensino médio cuiabano. Para atingir este objetivo procuramos compreender
suas relações com a família, a escola e as relações midiáticas, sendo estas instituições
re/produtorasde normas, valores e representações sociais que podem vir a contribuir
de alguma forma, assim influenciando as compreensões dos/as estudantes sobre gênero
e sexualidade. Partindo dos estudos de gênero de Joan Scott (1997), Guacira Lopes
Louro (1997); sexualidade de Michel Foucault (1985); educação de Pierre Bourdieu
(1982); e ensino de sociologia de Ileizi Fiorelli Silva (2007), buscamos analisar em que
medida a socialização primária tem contribuído para reproduzir relações de gênero
desiguais. A metodologia utilizada consistiu em observação de campo durante o perío-
do de três meses nas aulas de sociologia em turmas de primeiro, segundo e terceiro
ano em uma escola pública de Cuiabá-MT. Posteriormente, realizou-se a aplicação de
entrevistas semiestruturadas com 18 estudantes, sendo nove meninas e nove meninos
os informantes da pesquisa. Conforme resultados, verificou-se que as representações
de gênero estão enraizadas nas dicotomias de masculino e feminino. O modelo hetero-
normativo de família, sexualidade e identidades de gênero reproduzido na sociedade,
é o produtor dos discursos e práticas dos sujeitos que verificamos no espaço escolar
e que consequentemente promove a exclusão e a intolerância às diversidades.Além
disso, verificou-se, que os/as estudantes têm consciência de que as desigualdades de
gênero estão presentes na sociedade, entretanto, não há conhecimento sobre os dis-
cursos sociais que as fundamentam. O professor apresentou dificuldades em lidar com
estes problemas, visto que não tiveram uma formação em estudos de gênero. Dessa
forma, percebe-se a necessidade desta formação, para assim, possibilitar um trabalho
mais sustentado teoricamente e metodologicamente sobre as questões de gênero e sex-
ualidades, colaborando para um ensino comprometido com a igualdade de gênero e o
respeito às diversidades.

236 | Anais do IV ENESEB


GÊNERO E SEXUALIDADE: FORMAÇÃO E PRÁTICAS EDUCATIVAS DO PIBID
CIÊNCIAS SOCIAIS

Liza Aparecida Brasílio - UFT


Karina Almeida de Sousa - UFT
Maria Alzirene Rodrigues de Sá - UFT

O PIBID (Programa de Bolsa de Iniciação à Docência) tem como objetivo central fo-
mentar a iniciação à docência a fim de contribuir para melhoriada qualidade de ensino
dos/as licenciandos/as, a partir da vivência de todas as atividades relacionadas ao en-
sino, e ainda para a melhoria das escolas públicas brasileiras, por meio do apoio teórico-
metodológico. Para atingir tais objetivos, o PIBIDdo curso de Licenciatura em Ciências
Sociais, da Universidade Federal do Tocantins, campus de Tocantinópolis, tem buscado
novas metodologias para tratar de temas que estão presentesnos Parâmetros Curricu-
lares Nacionais (PCNs) e nos Parâmetros Curriculares do Estado do Tocantins (PC/
TO) como conteúdos a serem abordados na disciplina de Sociologia.Em um momento
inicial, realizou-se um estudo minucioso dos programas da disciplina de Sociologia das
escolas contempladas pelo PIBID. O estudo apontou para a inexistência da abordagem
de alguns temas, em especial, do tema que trata das relações de gênero na sociedade
contemporânea. A ausência do tema pôs em destaque a discussão acerca da formação
de professores e, consequentemente, da formação dos/as licenciados/as no próprio
curso em questão. Ao darmos prosseguimento ao estudo, constatamos que a matriz
curricular do curso de Licenciatura em Ciências Sociais, da Universidade Federal do
Tocantins, não contempla de modo satisfatório a abordagemdas relações de gênero.
Assim, observamos uma lacuna na formação dos futuros professores, posto que esta
temática é essencial na atualidade, considerando-se que a escola produz e reproduz
sujeitos, internalizando as concepções do que é ser homem e ser mulher. Transformar
estas concepções, que se traduzem em relações desiguais, é fundamental para uma so-
ciedade democrática. A partir desta concepção o PIBID realizou a formação com os/as
bolsistas e supervisores/as, a partir de leituras orientadas no Grupo de Estudo Gênero
e Violência contra a Mulher. Destaca-se que esta formação atendeu, mesmo que de
forma inicial, a lacuna observada na matriz curricular do curso, podendo ser com-
preendida como uma ação para efetiva implementação dos Parâmetros Curriculares
Nacionais e Estaduais no que se trata da questão. Após a formação iniciada no Grupo de
Estudos, elaboraram-se oficinas com os/as alunos/as do Ensino Médio, abordando, o
tema das relações de gênero e sexualidades.Apresenta-se, portanto, como se deu a for-
mação dos/as bolsistas e as oficinas realizadas com os/as alunos/as do Ensino Médio.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 237


CIÊNCIAS SOCIAIS, GÊNERO E SEXUALIDADE NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Patricia Schons - UFFS


Leandra Batista de Azevedo - UFFS
Tânia Welter - UFFS

Esta comunicação objetiva apresentar reflexões sobre os impactos da “Oficina Gênero


e Sexualidade” entre estudantes do ensino médio e bolsistas do programa de iniciação à
docência em Ciências Sociais. Acreditamos que a escola pode ser espaço para formação,
desconstrução e transformação dos discursos e práticas discriminatórias, resistência à
“pedagogia do insulto” (Rogério Junqueira, apoio à estudantes que sofrem “homofobia
familiar” (Sarah Schulman) e outros tipos de fobias (homo-lesbo-bi-trans) e violências.
Inspiradas nisto, propusemos e realizamos em novembro de 2013 a “Oficina Gênero e
Sexualidade” numa escola da rede pública estadual como atividade do PIBID Ciências
Sociais da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Chapecó (Santa Catarina).
Esta oficina foi realizada em quatro etapas com objetivo de estimular estudantes de
ensino médio a conhecer as categorias de gênero e sexualidade dentro da disciplina
de Sociologia/Ciências Sociais. Foram realizadas as seguintes etapas e atividades: a)
apresentação da oficina, exercício sobre gênero e sexo, debate sobre as dúvidas dos-as
estudantes; b) reflexão sobre o exercício e depoimentos da primeira etapa, aula teórica
sobre sexo, gênero, identidade, expressão de gênero e orientação sexual, e construção
de cartaz; c) revisão das categorias com base no cartaz elaborado por estudantes, real-
ização de teatro e sistematização das impressões sobre ele; d) reflexão sobre o teatro,
elaboração de produção textual, debate final e avaliação. Constatamos que os conteúdos
científicos apresentados e refletidos coletivamente durante a oficina foram absorvidos
e incorporados por estudantes de ensino médio. A oficina despertou em muitos-as o
desejo de conhecer mais a respeito das categorias gênero e sexualidade, refletir sobre o
que é “ser mulher” ou “ser homem”, superar o senso comum e as ideias preconceituosas.
Percebemos que a oficina proporcionou um ambiente favorável para que estudantes
pudessem expressar suas opiniões e dúvidas, mas também um espaço para realização de
debates e construção de conhecimento coletivo. Para as coordenadoras da oficina (pi-
bidianas) foi uma experiência primeira de atuação numa formação docente em gênero e
sexualidade envolvendo jovens estudantes. Para a escola foi uma oportunidade diferen-
ciada de formação sobre essas temáticas. E, por fim, contrariando os discursos recor-
rentes, observou-se que a escola e a disciplina de Sociologia/Ciências Sociais são espa-
ços privilegiados para reflexões, formações, promoção e defesa dos direitos humanos.

A CONTRIBUIÇÃO DA SOCIOLOGIA PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA


POLÍTICA DE GÊNERO EM UMA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA

Fátima Ivone de Oliveira Ferreira - Colégio Pedro II

O presente trabalho tem como objeto de análise o processo de construção de uma


política institucional de gênero em uma tradicional escola federal de Educação Básica: o

238 | Anais do IV ENESEB


Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Os debates sobre as condições de gênero e diversi-
dade sexual na escola se iniciaram a partir da aula inaugural do ano letivo de 2015, pro-
ferida pelo sociólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Edu-
cacionais Anísio Teixeira (INEP), Rogério Diniz Junqueira. O título da referida palestra
foi “Cotidiano escolar, currículo e heteronormatividade: desafios para uma educação
de qualidade para todos”. Embora faça parte do cotidiano, inclusive escolar, a diver-
sidade sexual e de gênero ainda é pouco debatida pelas instituições. Entretanto, nessa
Escola Básica, o ensino de Ciências Sociais que está presente em três anos do Ensino
Fundamental II, 7º, 8º e 9º anos, além da Sociologia em todo Ensino Médio, permite
que desde os 12 anos, a temática do gênero enquanto identidade assumida ou atribuída
de acordo com o sexo ou com o papel exercido na sociedade, esteja presente no cur-
rículo desses jovens estudantes que também são estimulados a perceber a desigualdade
de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres na sociedade. Organizados em
coletivos LGBTs, alguns desses jovens estudantes do Ensino Médio organizaram um
evento que chamaram de “Saiato”, em defesa da liberdade e do direito de uma pessoa
do sexo masculino vestir saia. Os alunos se manifestaram e consideraram que o movi-
mento institucional por práticas mais inclusivas e respeitosas de gênero no ano de 2015
é fruto de seu movimento. Acusam os servidores (inspetores e professores) de esta-
rem despreparados para enfrentar relacionamentos homoafetivos no ambiente escolar,
reproduzindo preconceitos e discriminações. Além disso, apresentaram proposta, por
ocasião da elaboração do código de ética discente, de fim do uniforme binário. As vozes
dos diversos atores da escola são polifônicas e por vezes marcadas pelo espanto sobre
a afirmação das diferenças. A metodologia empregada foi a análise temática dos dife-
rentes discursos presentes na cultura escolar, nos livros e materiais didáticos utilizados
nas disciplinas escolares Ciências Sociais e Sociologia, na apreensão via observação par-
ticipante em reuniões para elaboração da proposta de política institucional de gênero
na escola, entrevistas com os estudantes organizados em coletivos, professores e outros
servidores dos diversos campi que formaram o grupo de discussão. Os resultados da
pesquisa apontam para a necessidade de extensão das discussões curriculares acerca
do gênero e diversidade sexual para as famílias dos estudantes e da permanência de
atitudes de acolhimento e reflexão na luta por uma escola verdadeiramente inclusiva.

O COMPROMISSO DE TRABALHAR A DIVERSIDADE DE GÊNERO E SEXUAL


NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Rosangela de Sousa Veras - IFMA

Este artigo é parte integrante dos estudos e pesquisas sobre gênero desenvolvidas ao
longo da minha formação acadêmica e docente. Apresenta uma breve discussão teórica
do gênero enquanto uma categoria analítica com base nas terias de Joan Scott, Gua-
cira Louro, Teresa de Lauretes, Claudia Diniz Paz e Fabíola Rohden, para em seguida
apresentar a minha iniciativa e experiência docente em trabalhar estas temáticas nas
salas de aula do Instituto de Educação Ciência e Tecnologia do Maranhão. O objetivo é
refletir sobre o trabalho pedagógico e as atividades desenvolvidas nas aulas de Sociolo-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 239


gia com as temáticas de gênero e sexualidades. Apresenta o fato de que a escola nunca
ofereceu nenhuma formação profissional para se trabalhar estas temáticas, o trabalho
que desenvolvo é fruto de um esforço e compromisso individual pelo motivo de ser
uma estudiosa do gênero epor isso ser uma das poucas profissionais da educação que
vem tentando trabalhar gênero e sexualidades em uma escola de tradição e formação
técnica-profissionalizante onde o ensino das Ciências Humanas eSociais ainda ocupa
um papel secundário frente às disciplinas específicas dos cursos técnicos.Argumenta
que o ambiente escolar ainda não está preparado para o respeito às diversidades, pois
está marcado por preconceitos e discriminações que dificultam a desconstrução de
conceitos sobre a diversidade sexual e de gênero, apesar da necessidade já exposta por
alguns grupos de alunos e alunas de teremrespeitado o direito de discutir esta temática
na escola. O trabalho com as temáticas não é percebido como relevante na escola por
diversos motivos, tais como: tabus sobre a sexualidade, o fundamentalismo religioso,
muitos acreditam que não se deve despertar a sexualidade nos jovens. O desinteresse
e ainexistente formação na área impede que novas discussões e estratégias pedagógicas
sejam implantadas na escola para superar seus preconceitos de gênero e sexualidades.

SESSÃO B – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A


MULHER EM PERNAMBUCO: MODELO PIONEIRO PARA A DISCUSSÃO DE
GÊNERO NA ESCOLA

Rômulo Guedes e Silva - FUNDAJ


Josemar Medeiros da Silva - FUNDAJ
Alexandre Zarias - FUNDAJ

A rede estadual de educação de Pernambuco vivencia um significativo amadurecimento


dos estudos e políticas educacionais relacionadas às questões de gênero. Em algumas
Escolas de Referência em Ensino Médio do Estado (EREM), vem se tornando realidade
a reflexão de que a igualdade de gênero não mais deve ser tratada como uma demanda
pontual das práticas escolares, mas como uma demanda a permear o currículo educa-
cional, por fazer-se presente nos Projetos Políticos Pedagógicos, justificando-se pela
iniciativa da emancipação da diversidade de gênero, na perspectiva de uma sociedade
mais democrática e pluralista. Em consonância com a necessidade de discutir transver-
salmente os temas de gênero, conforme o estabelecido pelos Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCN, 1997), a Secretaria da Mulher do Estado de Pernambuco passou a
executar uma política pública voltada para a criação de Núcleos de Estudos em Gênero
e Enfrentamento à Violência Contra a Mulher em escolas de ensino médio da rede es-
tadual. Do ponto de vista teórico, busca-se compreender as práticas desses núcleos, ao
tratarem das questões de gênero, tendo como referencial os trabalhos de Joan Scott e
Guacira Lopes Louro. Como estudo de caso, toma-se o exemplo das atividades desen-

240 | Anais do IV ENESEB


volvidas no Núcleo da EREM Oliveira Lima, que fica no município de São José do Egi-
to-PE. A repercussão das atividades vivenciadas pelo Núcleo dessa EREM conseguiram
mobilizar todo o corpo docente ao implementarem medidas em seu Projeto Político
Pedagógico, voltadas à minimização e erradicação de práticas e estereótipos que es-
tabelecem qualquer hierarquia ou desigualdade de gênero. A notoriedade das ações
desenvolvidas na escola se dá também pelas importantes articulações com a Promotoria
de Justiça de São José do Egito, e a Secretaria de Ação Social através da Diretoria da
Mulher, instalada na cidade após as realizações alcançadas pelo Núcleo. Anualmente,
renovando seu corpo discente, o núcleo foi além da conscientização da comunidade
escolar via multiplicadores, tendo em vista o alcance municipal de suas ações. Como
fruto da desenvoltura dessa intervenção pedagógica, surge a motivação de um estudo
detalhado sobre um formato educação em gênero que poderá servir como estímulo ou
modelo para futuras práticas em mais de 200 outras escolas pernambucanas que deram
início a seus núcleos de estudos de gênero.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: PROBLEMATIZANDO ALGUMAS


QUESTÕES FUNDAMENTAIS

Camila Silva Marques -PIBID/CAPES/UFF

A violência contra a mulher é um problema social que diz respeito à violação dos direi-
tos humanos, atinge todas as classes sociais e está presente na população global. Onde
começa a violência contra a mulher?Esta é a pergunta que norteia o presente trabalho e,
de certa forma, delimita o desenho da reflexão. Tendo por hipótese que a desigualdade
entre homens e mulheres se dá através do processo de socialização feminina e socializa-
ção masculina, ou seja, em um processo gradual e coercitivo de coeducação social que
constrói as identidades de gênero padrão: masculino-hegemônico feminino-subalterno,
esta pesquisa teve como objetivo analisar onde e como começa a violência contra a
mulher, através da observação do cotidiano escolar, na escola pública no estado do Rio
de Janeiro.Para responder a questão norteadora apresentada e aferir em que medida foi
alcançado o objetivo principal da investigação, realizou-se uma oficina quinzenal desde
Abril de 2014, em horários extraclasses, intitulada “novas masculinidades, violência e
subjetividade”, com meninas e meninos entre 15 a 20 anos, matriculados em turmas de
1º e 2º anos do Ensino Médio de escolas públicas, localizadas na cidade de Niterói/RJ.
Foi utilizado, também, a entrevista e a aplicação de formulário relativo à identidade de
gênero e violência psicológica como instrumentos de pesquisa para coletar dados ne-
cessários à analise de onde e como começa a violência contra a mulher. A decodificação
dos dados coletados a partir dessa metodologia de pesquisa será apresentada em forma
de resultados parciais da investigação realizada até a presente data.Podemos afirmar que
existe uma desigualdade objetiva entre homens e mulheres, que se perpetua e é criada
por uma desigualdade subjetiva muito bem arraigada em fundamentos epistemológi-
cos, e que por sua vez fundamenta a continuidade da dominação de valores androcên-
tricos representados por homens e tudo que pode ser adjetivado como masculino.Os
resultados parciais da pesquisa constatam a violência simbólica e a incorporação da

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 241


dominação que partem do lugar de onde surgem as categorias do pensamento que são
desenhadas pelos valores sociais e difundidas por aquelas instituições responsáveis pela
educação, como a escola básica. O esforço desta reflexão é exercer justamente a “luta
cognitiva”junto aos jovens em processo de formação e assim ajudar a criar relações de
paz entre brasileiros e brasileiras.

SEXUALIDADE HUMANA: DO BIOLÓGICO AO SOCIAL

Taiala Águilan Nunes dos Santos - UFBA


Rithiane Almeida Souza - UFBA

O presente trabalho teve por objetivo trabalhar o tema sexualidade numa perspectiva
que integrasse a noção biológica com a dimensão sociológica, com destaque para esta
última. Sua motivação ocorreu a partir da dificuldade, polêmica ou ausência do tema
nas discussões travadas em ambiente escolar. Partindo de elementos socialmente con-
struídos relacionados à sexualidade, estabeleceu-se como objetivo geral um processo
de esclarecimento e desnaturalização sobre o tema. Utilizou-se, enquanto procedimen-
tos metodológicos, revisão bibliográfica, análise de conteúdo de filmes, livros e poesia,
propiciando assim o exercício da imaginação sociológica dos estudantes acerca do tema.
A proposta compreendeu os alunos de três turmas matutinas do 3º ano do ensino mé-
dio, de uma escola estadual da rede pública, com público majoritariamente feminino,
com idades entre 17 e 21 anos, oriundos de diversos bairros de Salvador. A partir dos
dados coletados, pôde-se elencar os elementos que se configuram como determinantes
para que receios e preconceitos cerquem a sexualidade humana, abordando instituições
fundamentais de reforço e reprodução, como família, igreja, escola. Além desse aspec-
to, foi apresentada a importância que o amor e o ato sexual ganharam no decorrer da
história dos relacionamentos. Resulta-se desse contexto que demonstram que embora
a escola seja idealmente um espaço propício para reflexões e desconstruções, termina
por não abrir espaço para que assuntos polêmicos – como a sexualidade, possam ser
discutidos, para a formação de jovens mais esclarecidos sobre o tema. O resultado
da intervenção alcançou suas expectativas, pois foi questionada a dimensão social da
sexualidade, desnaturalizando-a.Com relativa participação estudantes, a atividade foi
rica, visto que os mesmos trouxeram relatos da sua vivência e percebendo a cada ex-
emplo, o que se aproximava e se distanciava da sua realidade. Neste sentido foi possível
à percepção da coerência com o que foi abordado o tema e a realidade destes alunos. É
encaixando a diversidade presente na sala de aula e compreendendo as especificidades
que alcançamos a inclusão de todos na atividade.

242 | Anais do IV ENESEB


UM NOVO OLHAR PARA A PRÁTICA DOCENTE

Larissa Araújo Santos - URCA


Rayssa Moraes Leite Pinheiro - URCA

Esse é um trabalho de pesquisa a partir de um relato de experiência. É resultado das


observações feitas nas aulas de sociologia na EEEP Gov. Virgílio Távora (escola de en-
sino profissionalizante) do Município de Crato - CE. Onde vem sendo desenvolvido
a função de bolsista do PIBID de Ciências Sociais. Essa observação suscitou questões
relevantes para o processo de ensino aprendizagem no tocante da disciplina de So-
ciologia, como a questão da ressignificação do ensino desta disciplina para jovens que
vivenciam um cenário de profissionalização, e a questão da inclusão digital no processo
de estruturação intelectual e social. Para tanto o fenômeno das redes sociais da inter-
net se apresenta neste cenário como um instrumental pedagógico que proporciona
a desterritórialização da sala de aula; pensado a partir das ideias de José Marcos de
Oliveira Cruz; Andre Lemos, entre outros estudiosos do assunto. Esse processo vem se
tornandouma contra partida as escolas regulares que oferecem um ensino burocrático
e arcaico. Para tanto esse trabalho aponta um comparativo de observações de duas bol-
sistas do PIBID de Ciências Sociais, sendo a segunda escola observada, a EEFM Estado
da Bahia ( escola de ensino regular), também do Município de Crato – CE. Apontando
para questão de as escolas públicas do estado Ceará estarem passando por um processo
de transformação sócio – estrutural no tocante a disciplina de sociologia e a efetiva
participação do PIBID nessa cena. Como metodologias foram realizados inicialmente
quatro minicursos: diversidade, política, cidadania e responsabilidade sócio ambiental.
Essas atividades foram o inicio de um trabalho objetivando a realização de um jornal
sociológico, feito pelos próprios alunos abordando a temática dos minicursos, que será
digitalizado no blog, com a supervisão de nós bolsistas.Projeto se destina aos alunos
que se mostram interesse pela disciplina de sociologia. O foco do projeto é o público
escolar que se identifica com a disciplina de Sociologia. Servindo como instrumento
pedagógico para os discentes onde estes possam participar, escrevendo as matérias do
jornal e participando ativamente de toda a produção do mesmo. O processo de ressig-
nificação do ambiente escolar, objetivando oferecer aos discentes que se desenvolvam
mais no tocante a área de Sociologia, e cada vez mais melhorar no campo de atuação
social, através de novas práticas docentes, dando um novo significado ao espaço escolar,
um novo olhar para o ensino de Sociologia no ensino médio.

JOVENS ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO E GÊNEROS: UMA ANÁLISE DA


IDENTIDADE DE ESTUDANTES LÉSBICAS

Marilú Antunes da Silva - FURB


Osní ValfredoWagner - Escola de Educação Básica Hercílio Deeke
Tarcísio Alfonso Wickert - FURB

Este trabalho tem por objetivo analisar as situações de identidadesdas mulheres lésbicas

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 243


estudantes do ensino médio . Buscaremos privilegiar as experiências de violências ou
nãovivenciadas por essas mulheres nos âmbitos socioeconômicos, judicial e pessoal ao
evidenciar a identidade de gêneros . O trabalho se baseia em entrevistas realizadas com
mulheres lésbicas de diferentes faixas de idadeestudantes de ensino médioem escolas
do Vale do Itajaí -SC, classe social e etnia . Trata-se de um estudo exploratório de um
tema ainda pouco trabalhado pelo conjunto das ciências sociais. Ainda que a violência
contra a mulher tenha ganhado projeção nos últimos anos – sobretudo em função da
Lei Maria da Penha -, pouco se sabe sobre as violências que ocorremno ensino médio a
partir da articulação das experiências de ser mulher e lésbica. Para analisar que: “toda
ondem estabelecida tende a produzir...a naturalização de sua própria arbitrariedade”(P.
BOURDIEU). Visando a contribuir para a diminuição dessa invisibilidade, este trab-
alho pretende analisar as principais características desse tipo de violência e os seus
impactos nas trajetórias de vida dessas mulheres. “contemporânea” paralelo ao sistema
de patriarcado, o capitalismo apresenta um “sistema de dominação” que semanifesta
em campos político e ideológico e um “sistema de exploração” vigente no campo
econômico. Assim, homens e mulheres assumem papéis de dominação ousubordinação
diferentemente nesses campos (Chies2010)”. Pretendemos ainda compreender como
esse tipo de violência impõe novos desafios ao entendimento das violências contras as
mulheres, principalmente no que se relaciona a sua visibilidade na Educação Básicae
enfretamento da cultura escolar“[...] a fixidez de um mesmo tipo de comportamento
se relaciona com estereótipos oriundos da cultura [...].”completando com CROCHIK,
2006, p.12. Focalizamos a mudança radical de tratamento desta temática nocontexto
das estudantes de ensino médio, quando as mulheres lésbicas assumem a posição de
sujeito dessas inovadoras construções ficcionais; abordam o tema da violência como
consequência da injusta da centralidade feminino - masculino na produção do conhe-
cimento e construção de paradigmas éticos, sócio culturais e religiosos apontando de
forma urgente para novos gêneros.

A DIVERSIDADE SEXUAL EM PAUTA NO CONTEXTO ESCOLAR

José Miranda Oliveira Júnior - UESB


Núbia Regina Moreira - UESB

Devido ao preconceito pautado na suposta superioridade e naturalidade da heteros-


sexualidade, a Homofobia, a Lesbofobia e a Transfobia ainda é algo vivenciado diari-
amente na vida de gays, lésbicas, travestis e transgêneros, inclusive em sala de aula. A
discriminação é tão grande que embarga questões sociais que visam políticas públicas
que tratariam a problemáticas da violência física e simbólica, fazendo com que, em
pleno século XXI, algumas pessoas ainda prefiram se manter em guetos, segregados,
relegados à obscuridade de suas práticas sexuais, pois seus atos são vistos como pe-
cado, doença e desvio de conduta.O Plano Nacional de Educação, amparado pela Lei
nº 13.005, em 25 de junho de 2014, traz em seu Art. 2, inc. III a diretriz que visa a
“superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na
erradicação de todas as formas de discriminação”. No entanto, embora a fala seja bas-

244 | Anais do IV ENESEB


tante abrangente, em nenhum momento contempla a questão da Diversidade sexual na
escola. Sabe-se da necessidade de discutir o tema na Escola, tendo em vista que esse é
o local em que não se visa apenas a busca por saberes formais, mas onde as expressões
– culturais, morais, religiosas e de gênero – devem ser respeitadas e efetivas, por outro
lado, a vivência de jovens LGBT’s nessas instituições ainda tem sido conflituosas, haja
vista o preconceito vigente na sociedade.Se levarmos em consideração a perspectiva
de que a escola direciona para uma abordagem crítica da realidade e da sociedade que
circunda - e da qual todos os alunos fazem parte -, a educação, então, tem como fun-
ção social a característica de se abrir à diversidade, bem como não contribuir para o
aumento da discriminação e do preconceito, aceitando e retratando a diferença como
símbolo máximo da diversidade, abolindo toda e qualquer manifestação de machismo,
racismo e homofobia e todas as outras formas de opressão.A necessidade de inserir
questões de gênero na pauta escolar se baseia no sentido de que a vivência com a di-
versidade é um dos pressupostos para se viver em sociedade. A instrução de gestores,
professores e alunos para a pluralidade deve ser encarada como um recurso social para
a transformação de uma sociedade que se mostra cada vez mais intolerante com o
que foge dos padrões heterocentrados. A metodologia para efetivação da pesquisa foi
fundamentada na abordagem quali-quantitativa, que envolveu uma amostra onde se
selecionou uma sub-amostra para realização de um estudo qualitativo realizado escolas
de educação básica. Foram entregues questionários a uma amostra pré-determinada
de professores e alunos, levando em consideração o tamanho de cada escola escolhida.
Por fim, a pesquisa se firmou no propósito de “olhar, ouvir e escrever” e a partir da ob-
servação, análise das entrevistas e dos questionários, instrumentalizada numa discussão
para integrar uma pesquisa sobre diversidade sexual no âmbito escolar, estabelecidos
na justificativa da pesquisa.

DISCUSSÕES DE GÊNERO E A INSTITUIÇÃO ESCOLAR: INFLUÊNCIAS


DO MODELO TRADICIONAL NA TENTATIVA DE IMPLENTAÇÃO DE
DESCONTRUÇÕES

Mariana Alves de Sousa - UFU


Hallanna Gabriela de Lima - UFU

O presente trabalho surge com a proposta de analisar o motivo da resistência do alu-


nado em promover pensamentos críticos que corroborem com as desconstruções de
preconceitos e o papel da instituição escolar nesse entrave. Será utilizado como campo
de observação a análise de uma ação que girou em torno da tentativa de desconstruções
de preconceitos de gênero, desenvolvida na Escola Estadual João Rezende (E.E.J.R),
situada na cidade de Uberlândia-MG, uma das escolas que integra o subprojeto Ciên-
cias Sociais PIBID/UFU/CAPES. O texto propõe uma reflexão sobre a eficiência des-
sas tentativas diante da estrutura conservadora tradicional das instituições escolares
brasileiras. A escolha do tema se justifica diante da emergente necessidade de promover
essa desconstrução entre os(as) jovens, pois essa discussão é feita em poucas disciplinas
o que pode influenciar nas manifestações de preconceitos em relação às identidades

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 245


de gênero nas escolas e na sociedade. O processo de desnaturalização das relações de
gênero no ambiente escolar deve partir do esclarecimento da diferença de sexo e gêne-
ro, para posteriormente, partirmos para base conceitual onde o conceito de “gênero”
corresponde a uma categoria de análise que trata das relações de poder entre mulheres
e homens, sendo constituído por meio de uma construção histórica, cultural, política
e social. J. Scott (1989) se preocupou em constituir o gênero como categoria útil de
análise histórica, demarcando a importância da discussão dos conceitos que giram na
definição do que é masculino e feminino. Nesse sentido, será utilizado como referência
para essa análise a crítica de autoras como Guacira Louro (2007) para problematizar a
forma como é tratado o tema correspondente a diferenças na escola. Para essa autora,
a abordagem ocorre de maneira distanciada em relação ao “diferente”, colocando-o na
posição do “excêntrico” por estar “fora do centro”, isto é, fora do padrão estabelecido
socialmente como adequado. A construção da ação realizada pelo PIBID, mesmo tratan-
do de um tema de desconstrução, teve que se adaptar as possibilidades da escola que é
delimitada por métodos de ensino-aprendizagem conservadores que cumprem o trab-
alho de manutenção da família tradicional fazendo com que a instituição trate o tema
das diferenças de sexo e gênero como “tabu”. Assim, o processo de desnaturalização das
diferenças de gênero e sua discussão na escola foi viabilizado de uma forma excepcio-
nal, o que de certa forma reforçou o preconceito, quando relacionado com as questões
discutidas por Louro (2007) quando se trata do “excêntrico”. Por fim, após a reflexão
conceitual de como se dão as relações de gênero no ambiente escolar, pretende-se
apontar a importância de levar discussões acerca das temáticas de gênero para as re-
lações cotidianas na escola e também para as ementas disciplinares. Essa necessidade
de inserir debates acerca das discussões de sexo e gênero nas escolas surge a partir do
momento em que percebemos que, apesar das mudanças que ocorreram na formação
da instituição familiar ao longo do tempo, as heranças tradicionais que influenciam na
construção de manifestações preconceituosas disseminadas na própria família e pela
instituição escolar. Consequentemente, essas heranças tradicionais influenciam na for-
mação do pensamento crítico dos(as) alunos(as) acerca desse tema – na medida em que
a discussão de gênero é tratada com estranheza. Desse modo, é possível concluir que é
de suma importância que esses preconceitos sejam desconstruídos no ambiente escolar,
instituição responsável pela formação da cidadania dos indivíduos, para que assim os
convencionalismos possam ser desconstruídos gradualmente em todos os âmbitos da
sociedade.

EDUCAÇÃO/ORIENTAÇÃO SEXUAL DO CURRÍCULO À SALA DE AULA

Lais Moura Pontes - UFG


Rafael Hendges Coutinho - UFG
Marcela Amaral - UFG

O presente trabalho tem como objetivo apresentar os resultados preliminares de pes-


quisa ensino e diversidade na cidade de Goiânia-GO, em que é analisada a problemática
da Educação/Orientação Sexual em escolas públicas de ensino médio, a partir de uma

246 | Anais do IV ENESEB


perspectiva comparativa entre as “determinações” dos Parâmetros Curriculares Nacio-
nais (PCNs) e as práticas pedagógicas docentes.Neste sentido, a revisão bibliográfica
permitiu elucidar os caminhos necessários à consolidação teórica e metodológica do
fenômeno em análise, especialmente, a articulação entre os conceitos que norteiam
o estudo, tais como gênero e sexualidade no campo da educação que a partir de uma
compreensão histórica, social e econômica do período de desenvolvimento da leg-
islação orienta a educação brasileira na atualidade, sendo possível nos dedicarmos à
análise dos documentos presentes nos PCNs e nos cursos de formação de professores
tal como: Gênero e Diversidade na Escola (GDE). A Educação/Orientação Sexual nos
PCNs pauta-se nos princípios da transversalidade e transdisciplinaridade, reiterando,
neste sentido, a orientação de que a temática seja tratada nas outras áreas disciplinares.
Fazendo com que os mesmos venham com a proposta de interligar as áreas de conhe-
cimento e ampliando as possibilidades de realizações para que haja o contato entre as
disciplinas. Para além da simples observação das práticas pedagógicas voltadas para a
Educação/Orientação Sexual nas escolas pesquisadas, buscou-se, ainda perceber em
que medida os conteúdos escolares contemplam questões relativas às desigualdades de
gênero e sexualidade. Em geral, os debates que tratam de educação sexual ocorrem em
eventos específicos, com a visita de convidados/as, geralmente da área da saúde, ou
são comumente abordadas como parte do conteúdo de ciências biológicas. A pesquisa
pautou-se, inicialmente, por uma revisão bibliográfica acerca da educação/orientação
sexual nas escolas, abordando, ainda, o debate de gênero, sexualidade e diversidade.
Posteriormente, como bolsistas do PIBID, passamos à observação dos conteúdos e
práticas na componente de Sociologia, que vem permitindo discussões que ultrapassam
o padrão heteronormativo no tratamento da Educação/Orientação Sexual nas escolas.

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE COMO DISCIPLINA NA LICENCIATURA EM


CIÊNCIAS SOCIAIS

Cíntia de Souza Batista Tortato - IFPR-Paranaguá


Maria Lucia Buher Machado - IFPR-Paranaguá

Este trabalho trata da criação de uma disciplina específica para tratar de questões de
gênero e diversidade na educação dentro da formação oferecida no curso de Licencia-
tura em Ciências Sociais do Instituto Federal do Paraná- Campus Paranaguá. A ementa
da disciplina propõe reflexões sobre a relação entre educação, diversidade e relações
de poder no espaço escolar. A proposta é analisar os conceitos de identidade e de
diversidade à luz das principais perspectivas teóricas da área, em temas relativos à
diversidade social, cultural, e étnico-racial no contexto dos processos educativos, e
como as características multiétnicas, multirraciais, de gênero e de classe na sociedade
brasileira são abordadas no cotidiano escolar e nas políticas educacionais, discussões
essas imbricadas com as questões do currículo oculto. Sabe-se que a inserção da per-
spectiva de gênero na educação básica brasileira começou a surgir nos documentos
legais a partir da Constituição de 1988 e depois com a elaboração dos Parâmetros Cur-
riculares Nacionais (1997) e dos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 247


Infantil (1998), no entanto, pesquisas com professores revelam que questões direta-
mente correlacionadas com gênero e diversidade ainda se caracterizam como desafios
diários nas salas de aula abrindo espaço para a criação e manutenção de desigualdades e
preconceitos de toda forma. O trabalho com a disciplina está sendo realizado com o úl-
timo ano do curso e com a experiência acumulada por uma das docentes em cursos de
formação em gênero e diversidade inseridos no programa GDE – gênero e diversidade
na escola, oferecido por Universidades Públicas a professores da Educação Básica. A
base teórica- metodológica da disciplina está relacionada com os estudos de gênero em
uma perspectiva relacional, aos estudos culturais e ao pós-estruturalismo, assim como
as orientações contidas nos documentos legais que tratam do trabalho com gênero e
diversidades na Educação Básica.

FUNK COMO CANAL DE TRANSMISSÃO DA VOZ SUBALTERNA

Francivaldo Alves de Sousa - UFG


Thayná Silva Almeida - UFG
Grace Inês do Nascimento Silva - UFG

Neste trabalho pretendemos retratar a voz subalterna através do funk, estilo musical
que sofre preconceito, principalmente devido o espaço de onde surgiu e também pelo
público que frequenta esse segmento. Há um imaginário de associação do funk como
gênero musical que carrega o apelo sexual como “carro chefe” nas letras das músicas,
um dos principais motivos que levam o funk a ser visto como “inferior” em relação aos
outros estilos musicais. Através do documentário “Sou feia mas tô na moda” iremos
analisar as falas dos funkeiros, suas visões de mundo e suas versões sobre a/s sua/s
cultura/s. O funk pode ser um fator de empoderamento para o sujeito da favela, que
está na condição de subalternidade (para Carvalho, a condição de subalternidade é a
condição do silêncio), mas principalmente como forma da comunidade falar da sua
própria cultura, dos acontecimentos, dos problemas, das coisas boas e do esquecimento
por parte do estado. Escolhemos este tema por considerar que é um movimento com-
posto por sujeitos que estão em condição de subalternidade, devido à classe social,
cor, gênero. O funk é uma cultura popular e representa a voz e os valores de sujeitos
inseridos num contexto marcado por problemas sociais e está reproduzindo a realidade
existente nas favelas, que muitas vezes não é transmitida veridicamente pelos meios de
comunicação de massa.

248 | Anais do IV ENESEB


REPRESENTAÇÕES DE DISCENTES DE LICENCIATURAS DE UNIVERSIDADE
PÚBLICA A RESPEITO DO GÊNERO NA DOCÊNCIA

Cláudia Chueire de Oliveira - UEL


Nathalia Martins - UEL
Rogério da Costa - UEL

O presente resumo apresenta resultados do projeto de pesquisa que trabalha com a


temática: gênero na docência, o qual buscou identificar e analisar as representações
dos graduandos do curso de licenciatura em Ciências Sociais, com a colaboração de 34
discentes matriculados nos 1º e 4º anos do referido curso de uma universidade estadual,
que enquadram-se na faixa etária de 17 a 57 anos. Os colaboradores informaram ser
12 do sexo feminino, 8 masculino e o restante não se manifestou. O objetivo geral da
pesquisa foi reconhecer em que medida as relações de gênero e docência são influen-
ciadores na organização das relações sociais e educacionais, bem como, na condução do
processo de ensino e aprendizagem, na medida em que determinam os papéis a serem
ocupados socialmente. O suporte teórico foi baseado em Moscovici (2003), Codo
(2000), Lakatos e Marconi (1987) Hypolito e Leite (2010), Louro (1989) e (2000)
Santos e Machado (2010), Santos (2009), Bauman (2005), entre outros. As catego-
rias destacadas para análise foram: ser professor, exercício da profissão e precarização
docente. As categorias sustentam-se no estudo desenvolvido por Santos e Machado
(2010), considerando que no primeiro grupo, encontram-se ideias relativas às ações
inspiradas em modelos profissionais idealizados que expressam vocação, doação de si
mesmo, dedicação ao outro. O segundo grupo, exercício da profissão docente, abrange
as ideias referentes às condições para o exercício profissional, ligadas à formação e à
atuação docente. O último grupo, precarização docente, trata das representações que
emitem a preocupação com os desafios a serem superados, tais como a desvalorização
profissional e a precariedade das condições de trabalho docente. Os resultados indicam
que a feminização do magistério está relacionada aos significados femininos nas ativi-
dades docentes, independentemente de quem as realiza. A profissão docente tem sido
vista como precária e desvalorizada. Os argumentos trazidos pelos alunos podem ser
encontrados desde a entrada efetiva da mulher no mercado de trabalho o que ocorreu
com a revolução industrial em meados do século XIX. Embora esta seja uma discussão
de longa data, o discurso sobre a profissão-professor não tem mudado, embora se re-
conheça o valor da profissão e sua importância para a sociedade. Os autores consultados
indicam que as representações sociais acerca da docência são construídas a partir de
informações e conhecimentos ensinados e aprendidos durante os processos formativos,
inicial e/ou continuado, ou seja, no conjunto das experiências das práticas escolariza-
das.Dessa maneira, entendemos que a profissão docente necessita ser problematizada
no contexto das licenciaturas, uma vez que os alunos estão “lançando um olhar” para o
futuro como docentes, com representações que ainda carecem ser questionadas e res-
significadas, para que não sejam reproduzidas automática e negativamente na prática
docente posterior. Somente assimvalores individuais e coletivos poderão desencadear
processos de emancipação e transformação da própria realidade, com fortalecimento
da ação educativa das novas gerações.

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 249


A CONDIÇÃO FEMININA E A CORPORALIDADE ADAPTADA NO ESPAÇO
ACADÊMICO/ESCOLAR: INTERFACES COM O ENSINO DE SOCIOLOGIA NA
EDUCAÇÃO BÁSICA

Lígia Wilhelms Eras - UFPR

Nas teorias feministas vemos um esforço por posicionamentos teóricos mais pertinen-
tes e que contribuam no entendimento das experiências que lidam com as questões de
gênero – daquilo que cercam as representações de homens e mulheres e suas interativi-
dades então plurais. A atenção para os novos sujeitos, e, sobretudo, para o tempo de re-
alização da experiência feminina está se tornando um antídoto poderoso de renovação
em diversas áreas de conhecimento, sobretudo, aos ligados ao campo sociológico-edu-
cacional.Tais atitudes cognitivas e epistemológicas convergem com os objetivos deste
trabalho: a) levantamento e conhecimento do estado da arte temática e a realização de
uma análise crítica de conteúdos quanto à condição feminina e a corporalidade adap-
tada/diferente; b) pensar a transposição desse objeto (a condição feminina e de corpo-
ralidade adaptada) no interior do contexto acadêmico-escolar (metodologias de ensino,
formação de professores,processos de aprendizagem, relações de diferença, interação
e inclusão), numa interface de discussões entre a Sociologia do Gênero, da Inclusão e o
do Ensino de Sociologia e as possibilidades de uma renovada epistemologia e metodolo-
gia de ensino de sociologia na educação básica, ao dar visibilidade às experiências sociais
codificadas e ligadas às categorias de inclusão, estigmatização, deficiência, subalterni-
dade, autonomia, diferença, (in)visibilidade nas relações de gênero e a pessoa com defi-
ciência.Destacamos o manuseio do seguinte quadro teórico e de análise sociológica: a)
quanto às relações de dominação e estigmatização em Pierre Bourdieu (1998) e Erving
Goffman (1992); b) das literaturas temáticas entre o campo do gênero e a pessoa com
deficiência estão Rita Felski (1995), Miriam Adelman (2009), Miriam Grossi (2010),
Anahi Guedes de Mello e Adriano Nuerberg (2012), João Baptista Ribas Cintra Ribas
(1992). Em síntese, concluímos que essa militância feminina de gênero e as que esti-
veram ligadas à inserção do Ensino de Sociologia na Educação Básica, estiveram abertas
e abrigaram leiturasde experiênciasque tem em comum a diferenciação, seus lugares e
posicionamentossocioculturais e a compreensão de sujeitos que até então não obtivera
reconhecimento em suas vozes culturais, sociais e políticas e os ganhos epistemológi-
cos considerados/evidenciados/valorizados nesta circulação das ideias sociológicas e,
sobretudo, educacionais.

OS SIGNIFICADOS DA ESCOLA PARA AS MULHERES TRABALHADORAS DA


EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA)

Lívia Benkendorf de Oliveira - UFF

Este presente artigo tem como objetivo refletir sobre os significados da escola para as
mulheres trabalhadoras da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Estadual
Baltazar Bernardino, no município de Niterói, Rio de Janeiro. A partir de minha ob-

250 | Anais do IV ENESEB


servação participante como professora de Sociologia desta mesma instituição, de ques-
tionários aplicados, entrevistas e atividades pedagógicas realizadas constatamos que a
escola é um espaço de contradição e, por isso, não só legitima relações hierárquicas
de poder, mas também se constitui como espaço de luta e resistência. No tocante à
desigualdade de gênero, ficou evidente que as experiências de vida de homens e de
mulheres condicionam as formas pelas quais são inseridos na instituição escolar. His-
toricamente, como argumenta Guacira Lopos Louro (1997), a mulher teve um restrito
acesso à escolarização. A sociedade patriarcal, além de tê-la conduzido à invisibilidade
do espaço doméstico, impôs limites a sua formação escolar. Entre as mulheres trabalha-
doras, os motivos para a interrupção dos estudos, em período regular, costumam estar
diretamente relacionados com a sua experiência de gênero – o casamento, a gravidez, o
cuidado com os filhos e a família, a administração do lar, a proibição de pais e maridos,
a necessidade de trabalhar entre outros. Quando retomam os estudos na EJA enfrentam
outras dificuldades como o medo de não conseguirem “acompanhar o ritmo”, o cansaço
após o trabalho e a preocupação com as tarefas domésticas que ainda precisam desem-
penhar depois da escola. No entanto, os relatos de vida das trabalhadoras-estudantes
nos levaram a concluir que a escola, em particular a EJA, se configura enquanto um
lugar possível de (re)existência à medida que representa uma nova chance para melho-
rar suas condições de trabalho e também proporciona às trabalhadoras-estudantes uma
maior autoestima e autoconfiança, além de uma inserção ampliada nos espaços de so-
cialização à medida que compartilham novas visões de mundo. Para esses sujeitos, a fun-
ção socializadora da escola é de grande importância, pois lhes permite a transposição
para outros mundos, a descoberta de outras formas de ser que não estejam vinculados
exclusivamente ao trabalho doméstico e a seus papéis de esposa, dona-de-casa e mãe.
Portanto, a escola representa um espaço de possibilidades, mesmo que as dificuldades
enfrentadas para nela se manter sejam muitas e cotidianas.

MULHERES: (RE) CONSTRUINDO HISTÓRIAS”: O PROCESSO DE


CONSTRUÇÃO E AS REPRESENTAÇÕES SOBRE AS IDENTIDADES DE
GÊNERO NA REGIÃO NORTE DO TOCANTINS

Karina Almeida de Sousa - UFTO


Maria Leal Pinto - UFTO
Marcia de Sousa - UFTO

O PIBID da área de Ciências Sociais, da Universidade Federal do Tocantins, campus


Tocantinópolis, tem adotado a abordagem teórica Pós-colonial como orientação para
elaboração de suas atividades, nesse sentido, o Programa tem atuado a partir da dife-
rença para discutir temas como: raça, etnia, gênero, sexualidade, regionalidade e direi-
tos humanos, buscando desenvolver atividades que propiciem amplo espaço de debate
entre estudantes e professores do ensino superior e médio, por meio da disciplina de
Sociologia. A partir do exposto, exploramos as ações desenvolvidas sobre a temática
de gênero. A experiência apresentada diz respeito ao documentário produzido pelos
bolsistas do PIBID-“Mulheres: (re)construindo histórias”. O documentário temcomo

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 251


objetivo apresentar, partindo do relato das histórias de vida das moradoras da cidade,
o processo de construção das identidades de gênero, bem como as diferentes interpre-
tações e representações sobre gênero. Em um contexto permeado pelas desigualdades
de gênero e pela vulnerabilidade social, a experiência desenvolvida propõe uma nova
abordagem para as atividades destinadas ao Dia Internacional da Mulher. Segundo da-
dos do IBGE o município, situado no norte do Estado do Tocantins, na região nomeada
como Bico do Papagaio, possui hoje aproximadamente 23 mil habitantes, dentre esses
cerca de 70% vivem em situação de vulnerabilidade social, sendo atendidos por pro-
gramas de assistência do Governo Federal, como, por exemplo, o Bolsa Família. Desta-
camos ainda que 53% das terras destinadas ao município correspondem a Reservas da
Etnia Apinagé. Esse contexto denota algumas especificidades sobre as representações
de gênero, bem como sobre as identidades de gênero, logo, é notório a necessidade
de se realizar uma análise interseccional da questão. Gênero, raça, etnia, regionali-
dade e classe se intersectam, por exemplo, na análise da entrevista de um estudante
Apinagé matriculada em uma escola de ensino médio regular situada no limite urbano
do município. Esse contexto denota importantes traços para a configuração das identi-
dades de gênero no munícipio. A partir da estratégia metodológica adotada-elaboração
do documentário- destacamos as discussões sobre as identidades e desigualdades de
gênero compreendendo que esse tema possui fundamental importância na busca por
uma sociedade que busque a concretização da um mesmo status de humanidade para
os sujeitos a partir de suas diferenças. O objetivo da proposta configura-se, portanto,
em discutir as compreensões sobre a identidade de gênero feminina, quais os desafios
enfrentados por essas mulheres cotidianamente e as possíveis transformações notadas
pelas mesmas quanto a questão de gênero e ainda contribuir para que sejam valorizadas
as histórias individuais de mulheres munícipes.

CURRÍCULO “SEXUAL” OCULTO - REFLEXÃO SOCIOLÓGICA A RESPEITO DE


GÊNERO EM SALA DE AULA

Patrícia Baptista Guerino - UFPR

A partir da proposta do PIBID de Ciências Sociais/UFPR, de uma interação entre Uni-


versidade e Escola, foi possível após 4 anos de participação no programa onde buscou-
se interagir dentro das escolas, procurando conhecer na prática as diversas realidades
visando um desempenho reflexivo através da sociologia em sala de aula. A partir de
discussões a cerca da construção do conceito de Gênero e ainda provocando alguns
questionamentos a cerca de como é formulado e pensado os currículos nas escolas
do Estado do Paraná. Para estimular tais questões e também a participação dos alunos
do 3º ano EM – Ensino Médio foi exibido em sala de aula do curta metragem “Eu não
quero voltar sozinho” do cineasta Daniel Ribeiro. Buscou-se utilizando a análise do
curto provocar estratégias e tentativas de desconstruir os mecanismos que produzem
territórios demarcados, produções de subjetividades que estão circunscritas ao critério
da normalidade e anormalidade onde a escola tem que ser recolocada. É sabido que
a escola vigente produz e reproduz um “currículo sexual oculto” na formação escolar

252 | Anais do IV ENESEB


que ensina a normalização das expressões de gênero. Deste modo, partimos do pres-
suposto onde a “escola é instituída como lugar para entender a história da produção
de mecanismos de exclusão”. Assim, a educação sexual nas escolas seria, antes de mais
nada, um ato político”.( CESAR, 2009).Neste contexto é que se faz pertinente alguns
apontamentos: o primeiro é que educação sexual não é um assunto privado somente as
relações familiares. Ao contrário é assunto corrente em vários âmbitos da sociedade,
especialmente nas escolas, Deste modo, temos que nos questionar de que maneira esse
tema está sendo abordado na escola? E qual é o papel da sociologia como disciplina nos
currículos do EM neste contexto? E enquanto educadores como nos posicionamos em
nossa práxis em sala de aula? Buscou-se salientar neste trabalho que existe outra forma
de enfatizar os estudos e temas voltados para a educação sexual, que superem as já ob-
soletas abordagens higienistas e eugenistas e também questionar-se a respeito de como
é realizada a construção dos currículos, seleção de conteúdos ( estruturantes, básicos e
específicos). Deste modo, o uso do filme “Eu não quero voltar sozinho” é um excelente
material audiovisual para análise lúdica e dinâmica em relação ao tema da educação
sexual no âmbito escolar. No filme a ideia de homossexualidade é retirada da ligação
direta ligada ao “senso comum” do erotismo puro e simples. A cegueira também pode
ser vista com outro enfoque devido o aluno estar frequentando uma sala de alunos não
cegos, ou seja, a possibilidade da não exclusão social. A atividade proposta, oportunizou
o desenvolvimento de práticas de ensino e aprendizado, não enraizadas na educação
tradicional, fortemente hierarquizada, objetivando a fruição e potencialização do apre-
ndizado de modo holístico, e desnaturalização dos fenômenos sociais.

GÊNERO E PRECARIZAÇÃO DOCENTE SOB A OTICA DOS DISCENTES


DOS CURSOS DE CIÊNCIAS SOCIAIS, FILOSOFIA, HISTÓRIA E LETRAS DA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA

Adriana Regina de Jesus Santos - UEL


Hélio José Luciano - UEL
Luane Bertolino - UEL

O presente artigo tem como objetivo, identificar e analisar as representações dos dis-
centes de Ciências Sociais, Filosofia, História e Letras da Universidade Estadual de
Londrina em relação ao ser e fazer docente. Para o desenvolvimento da análise deste
trabalho, utilizou-se uma pesquisa bibliográfica pautada em pressupostos teóricos de
autores que trabalham com o tema, objeto do nosso estudo. Realizou-se também uma
pesquisa de campo, onde foram aplicados questionários aos alunos matriculados nos
1º e 4º anos dos referidos cursos mencionados acima. Faz-se necessário ressaltar, que
os depoimentos dos alunos colaboradores neste estudo foram analisados a partir de
características da análise do discurso e para garantir a preservação do anonimato dos
sujeitos envolvidos, não citaremos o nome dos participantes, mas sim identificaremos
os discentes, tendo como parâmetro, um número indicado. Destarte, entendemos que
a formação da profissão docente é perpassada por múltiplos fatores que marcam a tra-
jetória do estudante de licenciatura, dentre esses fatores, compreendemos que a inser-

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 253


ção deste futuro docente na vida acadêmica vem acompanhada por inúmeros discursos
que se entrelaçam e se confundem, caracterizando e/ou descaracterizando o professor
em relação a sua identidade pessoal e profissional. Em meio a algumas discussões, a
formação profissional, os saberes acadêmicos, o trabalho docente e sua profissional-
ização, são perpassados por discursos variados que muitas vezes são sobrepujados por
enunciados de distintas ordens, sendo que esses têm efeitos sobre o modo de pensar e
atuar a docência, tornando natural determinadas representações sociais sobre caracter-
ísticas do ser professor e em consequência disso das atitudes na vida docente. Dito isso,
explicitamos que ao término da pesquisa, constatou-se, por meio das falas dos discen-
tes, que a situação da profissão docente na sociedade contemporânea está relacionada
à precarização que tem acompanhado o profissional da educação desde o princípio da
profissão, bem como, a aspectos relacionados à vocação no magistério. Esses fatores,
embora muito discutidos, ainda precisam ser problematizados, buscando desta manei-
ra, um melhor entendimento em relação à identidade profissional do ser professor. Isto
posto, é imprescindível que os cursos de licenciatura em questão, promovam espaços
de reflexão e de debates sobre as representações da profissionalização docente tendo
como principio conhecer e reconhecer esta profissão como um espaço fundante para a
formação de sujeitos críticos, autônomos e emancipados.

254 | Anais do IV ENESEB


GT11 – A DIMENSÃO AMBIENTAL NO ENSINO DA
SOCIOLOGIA E AS EXPERIÊNCIAS INTERDISCIPLINARES

Coordenador: Aloisio Ruscheinsky- UNISINOS


E-mail: aloisior@unisinos.br
Vice-coordenador: Daniel Gustavo Mocelin– UFRGS
Email: daniel.mocelin@ufrgs.br

SEÇÃO ÚNICA – dia 18.07.2015 – Sábado – das 15h às 19hrs

SOCIOLOGIA AMBIENTAL NO BRASIL: APONTAMENTOS SOBRE UMA


PERSPECTIVA TEÓRICA NO ENSINO

Rylanneive Leonardo Pontes Teixeira - UFRN


Wendell Marcel Alves da Costa - UFRN

Este trabalho versa acerca da explanação dos conceitos sobre as questões ambientais no
Brasil, as quais são consideradas fundamentais ao estudo do ensino da sociologia ambi-
ental, ramo que, segundo Lenzi (2006), estuda as questões ambientais, como também
ecológicas. Estudiosos como Marx e Engels (1961) são teóricos que, também, já troux-
eram pesquisas e estudos a respeito do relacionamento entre as sociedades humanas e
o meio ambiente. A modernização ecológica, a modernização reflexiva e, principal-
mente, o desenvolvimento sustentável são as principais vertentes apresentadas nesta
produção, objetivando promover às pessoas a complementaridade teórico-conceitual
relativamente a estas temáticas, visão esta defendida por Lenzi (2006). Partindo do
contexto conceitual e teórico aqui abordado, o objetivo geral desse texto é oferecer
bases teóricas a partir das experiências existentes no país sobre a “problemática am-
biental” e a relação sociedade-ambiente, procurando valer-se dos avanços que foram
obtidos pela sociologia ambiental. Neste sentido, o presente artigo traz, ainda, objeti-
vos específicos pautados fundamentalmente pelo estudo da evolução do envolvimento
da ciência social no tratamento da problemática ambiental e das questões ambientais
(COSTA FERREIRA, 2004), bem como do desenvolvimento sustentável como forma
de pensar na atual sociedade, sem haver comprometimento das gerações futuras. Dessa
forma, o procedimento metodológico aqui adotado baseia-se no desenvolvimento de
um debate, que traz discussões acerca da temática da sociologia ambiental como me-
canismo de promoção do estudo na área, abordandoconceituações ebases teóricas sobre
as questões ambientais. Ademais, busca-se observar alternativas de desenvolvimentonas
categorias sociais e ambientais, as quais lograram êxito e foram essenciais para esta-
belecer o conceito de Desenvolvimento Sustentável, o qual é um dos enfoques de es-
tudo pretendido por este ensaio, tendo como referencial as contribuições de Sulaiman

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 255


(2010). Em suma, a partir do que foi abordado, pode-se concluir que esta produção
científica busca apontar conceitos a respeito da sociologia ambiental, em particular,
acerca do desenvolvimento sustentável.

AMBIENTE E SOCIEDADE: UM DEBATE A PARTIR DO CONTEXTO DE


FORDLÂNDIA-PARÁ-BRASIL

Marciele Corrêa - IFPR


Priscila Cristina Santos - IFPR
Everton Pereira Leite - IFPR

A presente comunicação refere-se ao resultado das atividades pedagógicas desenvolvi-


das no 3º ano do curso de Licenciatura em Ciências Sociais e que envolveram discussões
sobre a questão ambiental e seu alinhamento com conteúdos norteadores da Sociologia
na compreensão da dinâmica sociedade e natureza. Ao compreender a escola e comu-
nidade escolar como ambiente de modificações e local de transformações do individuo,
buscamos refletir sobre os aspectos ambientais no cenário de Fordlândia no Pará, onde
apresentaremos a grande proporção do impacto ambiental causado pelo projeto de
Henry Ford em meados da década de vinte, anos de auge e prosperidade para as indús-
trias Ford. Nesse sentido, realizamos leituras sobre a Terra e sua complexidade sistêmi-
ca, a noção do uso dos recursos e seu valor cultural e ideológico, a questão do domínio
da técnica e os modelos atuais de ordenamento do ambiente (exploração, preservação,
etc.), a rigidez do avanço do capital e, finalizamoscom a análise e debate do documen-
tário Fordlândia. Como resultado das análises obtidas, verificou-se a problemática da
exploração dos recursos naturais e a sujeição dos povos tradicionais do norte e nordeste
brasileiro na entrada do capital fordista, transplantando junto seu modelo hegemônico
norte americano, desconsiderando as dinâmicas sistêmicas e sócioambientais. O doc-
umentário Fordlândia, trás consigo os elementos da interdisciplinaridade tema que
muito é debatido nas diretrizes nacionais de educação e por meio dos conteúdos trans-
versais foi possível trabalhar questões biológicas, sociológicas, antropológicas e que
possibilitaram a identificação do valor histórico de ocupação e origem de Fordlândia,
não apenas no seu resgate e singularidade no contexto sobre as discussões sociedade e
ambiente, mas também reconhecer o grande potencial para o trabalho com alunos no
ensino médio nos aspectos mais abrangentes sobre cultura, capital, trabalho, discurso,
simbologias, etc. E com isso refletir e ampliar o debate sobre a desnaturalização do
sentido do progresso.

ECOLOGIA, PSICOLOGIA, SOCIOLOGIA: UMA ABORDAGEM INTERDISCI-


PLINAR DAEDUCAÇÃO AMBIENTAL

Ana Claudia Batista Souza - UFS

As questões ambientais tem se destacado consideravelmente nas últimas décadas, en-

256 | Anais do IV ENESEB


tretanto, ainda não são assuntos recorrentes na agenda da sociologia.No contexto atual,
a percepçãoda emergência e da institucionalização da Educação Ambiental no Brasil,
enquanto ferramenta intensificadora da utilidade e da conservação dos recursos nat-
urais, e enquanto meio de desenvolvimento da qualidade de vida e da economia local,
torna-se cada vez mais necessária.Este trabalho se propõe a apresentar algumas consid-
erações sobre a Educação Ambiental, baseando-se na forma como este tema perpassa a
questão ambiental, ganhando dimensões sociais e econômicas;e, como a partir de um
inter-relacionamento de diversas áreas como a Sociologia, a Psicologia e a Ecologia;
adquire uma abordagem interdisciplinar. Tanto a Sociologia, quanto a Psicologia (am-
biental) e a Ecologia consideram o inter-relacionamento dos seres vivos entre si e com
o ambiente em que vivem. Este também é o princípio básico da Educação Ambiental,
intensificado poralgumas questões geográficas e populacionais, por exemplo. Esta in-
terdisciplinaridade possibilitauma discussão mais crítica acerca da Educação Ambien-
tal enquanto propulsora da sustentabilidade e da qualidade de vida, considerando as
variáveis sociais, ambientais, psicológicas, ecológicas e culturais, encarando a sociedade
como um conjunto constituído por uma totalidade de fenômenos humanos. Hoje, a
educação ambiental é uma moeda de troca. É oferecida pelas consultorias ou exigida
pelos órgãos ambientais como medida compensatória/mitigadora de impactos gerados
pela implantação e operação de grandes empreendimentos. Nesse sentido, a reflexão
se volta para o modo como as universidades tem formadoo professor de sociologia na
contemporaneidade, sem considerar os desafios e as perspectivas desses profissionais;
além disso, transparece a necessidade de se discutir os currículos escolares enquanto
ferramentas para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias a ma-
nutenção da vida social. Frente a abrangência dessa temática, aponta-se a necessidade
de currículos com conteúdos mais próximos da realidade sociocultural e socioambien-
tal contemporâneas e da integração professor/sociedade.

SUBSÍDIOS PARA PROJETOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM BASE EM


REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE SUSTENTABILIDADE

Viviane Bassi dos Reis Marques - UNESP

O processo de globalização e a introdução de novas tecnologias transformaram o con-


texto econômico e social mundial. Apesar dos avanços alcançados, essas transforma-
ções aumentaram os problemas de ordem social e ambiental. Desta forma, torna-se
necessário conceber ações alternativas para o enfrentamento de problemas socioam-
bientais presentes no modelo de desenvolvimento atual. Neste contexto a educação
ambiental torna-se um instrumento relevante já que o conhecimento e a conscientiza-
ção trazem o posicionamento crítico e a ação consciente.A educação ambiental preza
pela construção de um conhecimento integrador, consciente, motivador e mobilizador.
Contudo, para constituir-se em uma prática efetiva, é preciso ir além. Ao se conhecer as
representações sociais que os indivíduos trazem a respeito da temática socioambiental,
pode-se pensar na construção de projetos educacionais direcionados para determinado
grupo social. Verificando o conhecimento do grupo a respeito da temática, suas ações,

Resumos dos Trabalhos em GT’s | 257


o grau de importância que se dá a questões relacionadas apreservação e a sustentabili-
dade, pode-se levantar subsídios para a construção de projetos voltados a educação dos
grupos estudados. Deste modo, pode-se pensar na formação de indivíduos conscientes
e questionadores, que podem constituir-se em agentes de transformação da realidade
social. O estudo das representações sociais irá subsidiar a análise do pensamento e da
prática social do grupo de jovens estudados por esta pesquisa. Em toda sociedade repre-
sentações sociais são construídas, e muitas das ações dos sujeitos são orientadas por tais
representações. Investigar e compreender o conteúdo representacional de um grupo de
jovens acerca da temática ambiental e, principalmente do conceito de sustentabilidade,
amplamente divulgado pela mídia, permitirá identificar como o grupo constrói seu
conhecimento e sua prática cotidiana. O objetivo geral deste estudo consiste em iden-
tificar quais as representações sociais de um grupo de jovens adolescentes a respeito da
temática ambiental, amplamente divulgada pela mídia, procurando verificar se o con-
hecimento construído é o transmitido superficialmente pela mídia, ou se existe uma
compreensão maior das questões emergenciais ambientais que sofre o planeta, bem
como compreender a relação entre conhecimento e prática, ou seja, perceber se o con-
hecimento ou a superficialidade deste tem relação com ações cotidianas dos jovens na
direção da preservação ambiental ou no desenvolvimento de atitudes sustentáveis. Os
dados foram coletados por meio de questionários semiestruturados, aplicados ao grupo
de adolescentes, e na análise dos dados foi empregado a categoria de representação so-
cial desenvolvida por Émile Durkheim e a contribuição posterior de Serge Moscovici,
os quais acreditam que as representações sociais são originadas no meio social e influ-
enciam no comportamento dos indivíduos em grupo. Os resultados demonstraram
pouco conhecimento e envolvimento efetivo dos jovens a respeito da temática ambien-
tal. Verificou-se que os indivíduos reproduzem o conhecimento superficial transmitido
pelos meios de comunicação, não demonstrando uma sensibilização, conscientização ou
envolvimento com a problemática ambiental. Também foram levantadasas práticas dos
adolescentes com relação a preservação ambiental, o que poderá auxiliar na construção
de práticas pedagógicas voltadas à educação ambiental.

UMA CAMINHADA INTERDISCIPLINAR: A EXPERIENCIA ESCOLAR DO


PROJETO RE(VI)VENDO ÊXODOS NO DISTRITO FEDERAL

Rodrigo da Silva Soares - UNB

Esse trabalho é dedicado ao estudo de uma experiência, no campo da interdisciplin-


aridade, em escolas do Distrito Federal. Tendo como objeto de pesquisao Projeto Re-
vivendo Êxodos, que é desenvolvido em quatro escolas da rede de ensino publica de
Brasília, a mais de 14 anos. Tal projeto trabalha com o tripé Identidade, Patrimônio e
Meio Ambiente, e se diferencia por oferecer aos alunos a oportunidade de saírem de
sala de aula e terem uma educação via experiência empírica. Os alunos durante todo
o ano desenvolvem atividades de pesquisa e pontualmente realizam-se pesquisas de
campo e caminhadas com apoio de professores e monitores. O projeto está inserido
na grade curricular das escolas, como PD (Prática Diversificada), porém não há uma
“institucionalização” via Secretaria de Educação do Distrito Federal, de forma que é
desenvolvido nas escolas a medida que os professores tem interesse e disposição para
aplica-lo. Como prática interdisciplinar o projeto envolve disciplinas curriculares (do
ensino fundamental e médio) como sociologia, geografia, história, biologia, português
e educação física. Para fins desse artigo focarem no dialogo entre as disciplinas socio-
logia e biologia, no que tange a abordagem que o projeto trás sobre o reconhecimento
e valorização do bioma cerrado - como parte da identidade local dos estudantes - e
tentamos analisar o ponto de vista dos alunos sobre os conflitos ambientais, a parti das
vivencias proporcionadas por pesquisas de campo e caminhadas. Para tal objetivo, usa-
mos de metodologias qualitativas - tendo o Projeto Re(vi)vendo Êxodos como estudo
de caso - aplicação de entrevistas semiestruturadas com professores(as), grupos focais
com alunos(as) e análise de materiais produzidos pelos estudantes durante suas pesqui-
sas. Cabe ressaltar que a presente pesquisa ainda está em processo, com cronograma de
encerramento previsto para maio/junho.

O ENSINO DE SOCIOLOGIA E A CRISE ECOLÓGICA: UM RELATO DE


EXPERIÊNCIA

Leandro Raizer - UFRGS

O trabalho apresenta o relato de experiência didática desenvolvida em escolas de en-


sino médio com a temática da crise ecológica. A experiência fez parte do currículo de
turmas de sociologia de nível médio, durante os anos de 2011-2014, e tratou de temas
como: mudança climática, crise energética, risco, paradigma ecológico, entre outros.
A proposta didática tem como objetivo sensibilizar os estudantes para a importância
da questão ambiental, e integrar saberes de disciplinas como sociologia, geografia e
biologia através de uma “abordagem sociológica complexa”, que considera os diver-
sos aspectos sociais, culturais, econômicos, ecológicos e políticos dessa temática. A
metodologia utilizada foi o uso de aulas expositivo-dialogadas e pesquisas orientadas,
assim como atividades integradas com projetos de pesquisa e extensão desenvolvidas
com bolsistas de ensino médio.

Lista Geral de Oficinas Pedagógicas| 259


260 | Anais do IV ENESEB
OFICINAS PEDAGÓGICAS

(LISTA GERAL)

Lista Geral de Oficinas Pedagógicas| 261


18/07/2015 – 9H ÀS 12H

1 - Metodologias de Ensino para a Sociologia: uma concepção


sociológica
Responsáveis: Harlon Romariz Rabelo Santos e Alef de Oliveira Lima
(UFC).

2 - Oficina Construção do Olhar: uso de fotografia para


desnaturalizar o contexto escolar
Responsáveis: Maikon Bueno, Clóvis Schmitt Souza, Daniele Fátima
Marek, Amanda Mendes dos Anjos, Rubia Samanta da Silva (UFFS)

3 - Metodologias alternativas no ensino de Sociologia


Responsáveis: Célia Maria Foster Silvestre, Katia Karine Duarte, Selma das
Graças Lima, Marta Soares Ferreira e Lucia Pereira (UEMS)

4 - Facebook como ferramenta pedagógica e facilitador da


relação entre professor e aluno
Responsável: Jade de Barros da UFRGS

5 - Cultura Guarani-Kaiowá: como discutir a temática indígena


em sala de aula
Responsáveis: Selma das Graças Lima, Célia Maria Foster, Katia Kaine
Duarte, Lucia Pereira (UEMS)

6 - Desafios da formação docente em Ciências Sociais para o


Ensino Médio
Responsáveis: Ana Laudelina Ferreira Gomes (UFRN), José Anchieta de
Souza Filho (Rede Pública de Ensino Médio – CE/UERN), Karla Danielle
da Silva Souza (Rede Pública de Ensino Médio – RN/UFRN), Rodrigo Viana
Salles (Rede Privada de Ensino Médio – RN/UFRN) e Geovânia da Silva
Toscano (UFPB).

7 - Hits do momento: música como ferramenta para o pensar


sociológico
Responsáveis: Camila Maria Cunha de Souza e Suianny Andrade de Freitas
(UFC)

262 | Anais do IV ENESEB


8 - Intolerância religiosa e relações de gênero: experiências do
PIBID no ambiente escolar
Responsáveis: Gabriella dos Santos Ferreira, Gabriella dos Santos Ferreira,
Giselle Joaquina de Santana, Lígia Gonçalves de Oliveira, Luanne da Cruz
Carrion e Petra Raissa Lima Pantoja (UNB)

9 - Brasis dentro do Brasil – a diversidade dentro de nós


Responsáveis: Luis Fernando Casimiro do Centro Universitário Fundação
Santo André

10 - Oficina de coaching para professores


Responsável: Paulo Carlos da Silva (Rede Pública de Ensino de Pernambuco
e FUNDAJ)

11 - Escritas de si como dispositivo de formação nas aulas de


Ciências Sociais no Ensino Médio
Responsáveis: Jorge Luiz da Cunha e Joana Elisa Röwer (UFSM)

12 - Fazendo documentário na escola básica: elaboração de um


pré-roteiro sobre os “megaeventos esportivos”
Responsáveis: Arthur Pereira Santos (CAp UERJ), Clarissa Tagliari Santos,
Paula Cristina Santos Menezes e Siddharta Fernandes (Colégio Pedro II)

13 - Oficina pedagógica - os brasis dentro do Brasil – uma


introdução às culturas regionais no território brasileiro
Responsáveis: Bruno de Castro Adhmann (Centro Universitário Fundação
de Santo André)

14- Avaliação e aprendizagem


Responsáveis: Sandra Maria Mattar Diaz e Rita de Cássia Mattarda (PUC-
PR)

15 - A Sociologia em combate: oficina de apresentação do jogo


de cartas “lutas simbólicas” e suas contribuições para o ensino
da teoria de Pierre Bourdieu
Responsáveis: Daniel C. Valentim e Erick S. De Sousa (Unilab), Mateus
F. Nobre (Ufersa), Weslley Fellipe Da Silva Andrade e Icaro F. Lourenço
(UFC)

Lista Geral de Oficinas Pedagógicas| 263


16 - Trabalhando com imagens nas aulas de sociologia
Responsáveis: Ramiro Gabriel Garcia e Virgínia Lourençon da Silva (UFPR)

17 - Café: um convite à imaginação sociológica


Responsáveis: Tainá Souza Braga, Gabriel Schenkmann Arnt, Guilherme de
Oliveira Soares e Vitória Zilles Fedrizzi (UFRGS)

19/07/2015 – 9H ÀS 12H

18 - Simulando um campo: os capitais de Bourdieu vão à escola


Responsáveis: Gabriel Schenkmann Arnt, Tainá Souza Braga, Guilherme de
Oliveira Soares e Vitória Zilles Fedrizzi (UFRGS)

19 - Uma abordagem didática para discussão sobre as relações


de gênero no currículo de Sociologia
Responsável: Josefa Alexandrina da Silva (USP)

20 - Érico Veríssimo: trilogia O Tempo e o Vento em 50 anos


Responsáveis: Leila Beatriz Pinto (UNOPAR) e Maira B. Engers (UFRGS)

21 - Estudos de Gênero nas escolas


Responsáveis: Bianca Salles Pires (UFRJ) e Jimena de Garay Hernández
(UERJ)

22 - A pesquisa como recurso didático no ensino de Sociologia


Responsável: Luciana Gomes Ferreira (IFRJ)

23 - Clique sociológico: experimentando a Sociologia pela


fotografia
Responsáveis: Ana Francisca Marques Nunes Rosa, Jessica Costa de Araújoe
Mariana Maiara Soares Silva (UFRJ)

24 - Construção de jogos didáticos para o ensino básico: uma


experiência entre a teoria e a prática
Responsável: Patrícia de Almeida de Paula (UEL)
25 - Cinema e sociedade: exercitando o olhar sociológico através
do cinema em sala de aula
Responsáveis: Isaac Nazareno Paiva de Medeiros (Secretária da Educação do
Ceará) e Marcia Menezes Thomaz Pereira (CEFET-RJ)

26 - Arte de Protesto
Responsável: Brenda R Martins Schwartz (UEL)

27 - Criação de vídeo-aulas para web: linguagem audiovisual e o


docente de ciências sociais
Responsável: Robson Rodrigues de Lima (Faculdade Ideal)

28 - Socialização interrompida: a experiência da ditadura civil/


militar no brasil (1964-1985) – instrumentos para o ensino de
Sociologia a partir da perspectiva histórico-cultural
Responsáveis: Maria Valéria Barbosa, Tiago Vieira Rodrigues Dumont,
Andressa Alves dos Santos, Anna Paula Ribeiro Maia e Emerson de Campos
Maciel (UNESP - Campus de Marília)

29 - A Sociologia e o debate da educação étnico racial


Responsáveis: Carla Georgea Silva Ferreira (IFPI), Fernanada Lopes
Rodrigues (IFM), Jucimeire Rabelo Moreira (Observatório Bantu)

30 - Refletindo sobre o consumo: ensinando a articulação entre


conhecimento social cotidiano e conhecimento científico-social
Responsáveis: Josevânia Nunes Rabelo, Rouseanny Luiza dos Santos
Bomfim, Monique Maria Marques Machado,Wine Santana e Tâmara Maria
de Oliveira (UFS)

31 - Aprendendo e ensinando no Bonigo Mosaico de uma escola


pública
Responsáveis: Vani Espirito Santo do Centro Estadual de Educação
Profissional Professora Maria do Rosário Castaldi/ Londrina/ Paraná

32 - Projeto Socinema: análise e produção sociológica


Responsável: Lívia Bocalon Pires de Moraes (UNESP/IFSP)

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 265


266 | Anais do IV ENESEB
PROPOSTAS DE OFICINAS PEDAGÓGICAS

(RESUMOS)

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 267


268 | Anais do IV ENESEB
18/07/2015 – 9H ÀS 12H

1 - METODOLOGIAS DE ENSINO PARA A SOCIOLOGIA: UMA CONCEPÇÃO


SOCIOLÓGICA

Responsáveis: Harlon Romariz Rabelo Santos e Alef de Oliveira Lima (UFC)

É de reconhecimento geral que a inclusão do ensino de sociologia no currículo da edu-


cação demanda uma série de adaptações, técnicas, artifícios e métodos que propiciem
um maior fomento aos processos de aprendizagem dos alunos em relação a essa nova
disciplina. É em contraposição a puro academicismo que propormos esta oficina, tendo
por base o objetivo de empreender uma concepção eminentemente sociológica dos
métodos de didáticos, compreendendo uma postura de ensino sociológico. Portanto, a
abordagem que será desenvolvida terá como fundamento um viés dialógico e prático.
Pensamos em oferecer um fórum de debate e formação em torno da construção de
repertório metodológico, que sirva para amplificar os resultados da prática docente,
atendo-se as suas reais possibilidades em cada situação social. Nossa oficina é destinada
aos professores da educação básica de Sociologia e a todos os licenciandos na área de
Ciências Sociais. O tempo estimado é de cerca de duas horas e o percurso de debate
será executado por uma dinâmica onde os facilitadores irão aplicar um exemplo de
metodologia de ensino pensada em termos sociológicos. O material a ser utilizado
consistirá basicamente de folhas de papel A4, canetas coloridas e exposição dos con-
ceitos utilizados que ocorrerá em forma dialogal. Entre os conteúdos que pretendem
ser abordados merecem destaques: a definição de didática e metodologia de ensino e
ensino sociológico. O produto que a oficina pretende formar é um portfólio didático,
que poderá fornecer subsídios para a prática cotidiana de cada professor. Esse port-
fólio irá funcionar como um quadro descritivo, com os objetivos de cada metodologia,
suas vantagens e desvantagens, seus principais conceitos e os respectivos autores que
fornecerão os fundamentos teóricos. Logo, a nossa proposta se articula na discussão
da mediação entre o saber científico e o saber escolar, compreendendo suas formas
de ensino-transmissão; ensino-aprendizagem. Será necessário desenvolver uma postura
lúdica e criativa, aliando o olhar sociológico com as diversas demandas do cotidiano
e assim fazer com que os discentes sintam-se mais seguros sobre o que aprenderam
e fiquem desafiados a empreender suas próprias análises, desenvolvendo habilidades
de abstração, comparação, semelhança, lógica, dedução e indução, conservando um
espírito crítico e compreensivo.

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 269


2 - OFICINA CONSTRUÇÃO DO OLHAR: USO DE FOTOGRAFIA PARA
DESNATURALIZAR O CONTEXTO ESCOLAR

Responsáveis: Maikon Bueno, Clóvis Schmitt Souza, Daniele Fátima Marek, Amanda
Mendes dos Anjos e Rubia Samanta da Silva (UFFS)

A Oficina “Construção do olhar: uso de fotografia para desnaturalização do contexto


escolar” tem como propósito desnaturalizar o ambiente da escola evidenciando, por
meio do debate, as percepções e significados construídos pelos estudantes no seu des-
locamento da casa até a sala de aula. Assim, despertasse a imaginação de ver o mesmo
local que se transita todos os dias mas, sob “outras lentes”. A oficina propõe a con-
strução de uma máquina fotográfica analógica, o registro fotográfico do itinerário de
deslocamento até a escola e posterior construção dos significados de cada registro pelos
participantes. Neste sentido, o propósito da oficina é apresentar aos interessados o
procedimento metodológico das etapas que envolvem a oficina no intuito de oportu-
nizar a replica da técnica no ambiente de prática didática dos participantes ajustando
as múltiplas dimensões didáticas que podem ser agregadas. Aliando os componentes da
ludicidade, trabalho em grupo e proposta de investigação social, os estudantes foram
convidados a revistar as ruas próximas da escola. Neste exercício, a atitude de ver com
“outro olhar” os locais que cotidianamente circulavam com direção a escola foi objetivo
da atividade, onde o despertar de novas formas de perceber a realidade podem ser con-
struídas entre os envolvidos. A oficina está dividida em cinco momentos. Na primeira
etapa, denominada Construindo um olhar a turma será dividida em grupos menores;
cada grupo recebeu uma imagem de satélite no tamanho A3 onde deve identificar a
localização da escola e descrever o caminho que cada aluno percorria da sua casa até
a escola. Após o registro de todos os percursos dos integrantes do grupo, é solicitado
que cada grupo definisse uma rota preferencial para visitar nas etapas seguintes. Após a
definição, toda a turma escolhe pelo voto dois trajetos para serem visitados nas etapas
seguintes. Na segunda etapa, Desnaturalizando o caminho, os grupos caminham pelas
duas rotas escolhidos “desnaturalizalizando” o olhar sobre as coisas do seu dia a dia, isto
é, olhar com uma nova perspectiva as cenas das ruas, das casas, dos lugares ou qualquer
outra imagem que o dia a dia de correria até a e escola acaba sendo naturalizado pelos
estudantes.

3 - METODOLOGIAS ALTERNATIVAS NO ENSINO DE SOCIOLOGIA

Responsáveis: Célia Maria Foster Silvestre, Katia Karine Duarte, Selma das Graças
Lima, Marta Soares Ferreira e Lucia Pereira (UEMS)

Essa oficina se propõe a apresentar metodologias alternativas de ensino/ aprendizagem


dos conteúdos na disciplina de Sociologia do Ensino Médio, utilizando áudios e vídeos.
Considerando que jovens e adultos vivem múltiplas experiências, entre as quais as vi-
suais têm grande apelo, o uso de tecnologias de vídeo e áudio pode contribuir para

270 | Anais do IV ENESEB


refletir a respeito da sociedade em seus múltiplos aspectos. Tem como objetivo pos-
sibilitar, aos professores de Sociologia, maneiras diferentes de ministrar os conteúdos,
considerando a origem social e étnica de seus estudantes. O uso de múltiplas lingua-
gens pode favorecer a relação intercultural e a produção de conhecimentos no ensino
médio, na disciplina de Sociologia. A proposta se apoia na experiência das autoras/
pesquisadoras com a formação de professores guarani e kaiowá em Licenciatura em
Ciências Sociais, na rede básica e em projetos do PIBID em escolas urbanas e indígenas
guarani e kaiowá no estado de Mato Grosso do Sul. O uso de metodologias alternativas
de ensino/aprendizagem tem se mostrado eficaz na formação de professores e estu-
dantes indígenas, por contemplar experiências e vivências, que ao serem valorizadas
contribuem para a compreensão da teoria sociológica. O currículo, portanto, deve se
constituir em elemento da compreensão de ser e estar no mundo, favorecendo a valo-
rização das identidades. As aulas de Sociologia podem se destacar frente aos debates
possíveis de serem realizados, com o apoio das várias áreas das Ciências Sociais como
um todo. O uso de mecanismos e estratégias diferenciadas chama a atenção do jovem
do Ensino Médio, favorecendo a reflexão e participação. Os materiais utilizados nessa
oficina são celulares, letras e melodias de músicas, poemas e reportagens, notebook,
Datashow, caixas de som.

O número máximo de participantes é 25 pessoas.

4 - FACEBOOK COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA E FACILITADOR DA


RELAÇÃO ENTRE PROFESSOR E ALUNO

Responsável: Jade de Barros (UFRGS)

Esta oficina descreverá uma técnica utilizada durante o estágio de docência em Ciên-
cias Sociais. O estágio de docência aconteceu entre os meses de abril e julho de 2013.
Durante esse período lecionei a disciplina Sociologia para alunos do ensino médio de
uma escola estadual localizada em Porto Alegre. O foco da oficina é a utilização de
uma ferramenta contemporânea que é uma realidade no dia-a-dia dos alunos, a rede
social Facebook. Minhas aulas foram planejadas a cada semana, levando em conta as
demandas que os alunos traziam ou postavam. Conhecer os alunos e seus interesses foi
desde o começo do meu planejamento o requisito principal para conquistar respeito
e confiança. Nunca pensei ser uma professora disciplinadora e rígida, por isso escolhi
o caminho da confiança através da aproximação dos alunos. Porém, para haver uma
aproximação com os alunos seria necessário demonstrar conhecimento sobre os inter-
esses da geração deles, as gírias e os costumes. Para tanto lancei mão de duas vantagens,
a primeira é o fato de que a minha diferença de idade em relação a eles não configu-
rava um abismo geracional. Aquilo que a geração deles tem de diferente da minha eu
descobri facilmente através das redes sociais. A geração atual vive o auge da exposição
irrestrita pelas redes sociais. Até o momento do estágio de docência nunca havia uti-
lizado o Facebook. Então, foi criada uma página apenas para fins pedagógicos. Cada um
tem suas regras sobre o que divulga ou o que não divulga nas redes sociais, porém, em

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 271


geral são expostas questões muito interessantes. O primeiro passo dado nesse caminho
para conhecer mais de cem alunos em poucos meses foi a criação de um questionário.
Descobri através do questionário que a maior parte dos alunos utiliza a internet mais de
três horas ao dia. Além disso, todos os alunos alegavam utilizar a rede social Facebook.
A partir das informações que me foram dadas pelo questionário calculei que utilizar o
Facebook como ferramenta pedagógica traria bons frutos. Poderia escolher ficar alheia
ao fato de que a socialização dos adolescentes dessa geração está diretamente ligada ao
advento das redes sociais. Ou, eu poderia escolher criar um Facebook, adicionar todos
eles e aproveitar a parte boa desse superacesso à internet. Escolhi o segundo caminho,
criei uma página no Facebook e adicionei todos os meus alunos. A utilização dessa fer-
ramenta foi uma estratégia não só para conhecê-los melhor e criar laços mais estreitos
com eles, mas também para gerar interesse nos alunos pela Sociologia. Porém o obje-
tivo principal foi prolongar o tempo da Sociologia na vida desses adolescentes. Sempre
considerei um único período semanal insuficiente para desenvolver a aprendizagem
sociológica, os debates e a criação do imaginário sociológico tão festejado pelos plane-
jamentos pedagógicos ideais. Procurei levar informações verdadeiras para o Facebook,
que viessem de fontes confiáveis e desvendassem as clássicas mentiras que são postadas
e compartilhadas na página. Por fim, conclui que experiência acabou sendo muito mais
positiva do que eu previa. Os alunos participaram ativamente da página do Facebook,
comentaram em vários debates e valorizaram a minha iniciativa. O Facebook permite
a continuidade de debates feitos em sala de aula, bem como permite ao professor estar
atualizado sobre os temas atuais. A página criada contava com mais de duzentos alunos
da escola, sendo que apenas metade desses alunos eram meus alunos de Sociologia.
A outra metade dos alunos me adicionou por recomendação de seus colegas. A partir
dessa experiência pretendo compartilhar algumas das atividades que obtiveram maior
sucesso no Facebook. Para a oficina seria necessário o uso de um equipamento de pro-
jeção.

5 - CULTURA GUARANI-KAIOWÁ: COMO DISCUTIR A TEMÁTICA INDÍGE-


NA EM SALA DE AULA

Responsáveis: Selma das Graças Lima, Célia Maria Foster, Katia Kaine Duarte, Lucia
Pereira (UEMS)

Essa oficina se propõe a mostrar um pouco da cultura guarani-kaiowá em sala de aula


para maior conhecimento da temática indígena. Pois vemos ainda um grande precon-
ceito em relação a esse assunto na Educação Básica. Os alunos no Ensino Médio têm
uma visão produzida no senso comum sobre a temática indígena e consideram os gru-
pos indígenas atrasados e inferiores. Para romper com essa visão preconceituosa pro-
pomos essa oficina. Tem como objetivo possibilitar o conhecimento sobre a cultura
guarani-kaiowá e ainda pensar como discuti-la em sala de aula. Em consonância com a
lei 11.645/08 que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura afro-brasileira e
indígena, essa oficina contribui com a formação de professores sobre o conhecimento
em relação à cultura indígena, especificamente a etnia guarani-kaiowá, isso permite que

272 | Anais do IV ENESEB


os professores tenham uma introdução à formação sobre a temática indígena para que
possam trabalhar em sala de aula. A maioria dos cursos de graduação não oferece uma
formação aprofundada sobre o assunto e se faz urgente a capacitação de professores
para que seja possível o cumprimento dessa lei na escola básica. Na oficina teremos a
presença de alunos indígenas dessa etnia que participam do Programa PIBID e conhe-
cem a dinâmica da sala de aula para contribuir com os debates e exposição do tema.
Os materiais necessários para essa oficina são objetos da cultura guarani-kaiowá, como
o maracá, entre outros e também materiais como canetas coloridas, Notebook, data
show, caixas de som. Propomos vídeos sobre a cultura guarani-kaiowáalem de depoi-
mentos de jovens indígenas sobre sua cultura. Também haverá a exposição de poemas
e desenhos feitos por alunos indígenas da educação básica sobre suas perspectivas e
anseios em relação a escola.

O número máximo de participantes é 25 pessoas.

6 - DESAFIOS DA FORMAÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS SOCIAIS PARA O


ENSINO MÉDIO

Responsáveis: Ana Laudelina Ferreira Gomes (UFRN), José Anchieta de Souza Filho
(Rede Pública de Ensino Médio – CE/UERN), Karla Danielle da Silva Souza (Rede
Pública de Ensino Médio – RN/UFRN), Rodrigo Viana Salles (Rede Privada de Ensino
Médio – RN/UFRN) e Geovânia da Silva Toscano (UFPB)

Grupo de discussão de caráter exploratório visando realizar avaliação diagnóstica de


base nacional a partir de relatos de experiências docentes e discentes abordando prob-
lemáticas e desafios para a formação do professor de ciências de sociais em face das
exigências decorrentes da obrigatoriedade da sociologia no currículo do ensino médio
em 2008, bem como os cenários estaduais e nacional em que elas tem lugar. Tal ex-
ploração poderá cobrir tanto a formação ao nível da graduação (licenciaturas), como
a pós-graduação (lato e/ou stricto sensu) e os saberes escolares. Com a aplicação da
Lei 11.684, de 02/06/2008 que passou a determinar a obrigatoriedade das disciplinas
de sociologia e filosofia no currículo do ensino médio brasileiro, pressionou-se em
vários estados federativos a ampliação do mercado de trabalho para professores egres-
sos desses cursos. Especificamente, os cursos de licenciatura em Ciências Sociais se
inserem na emergência de rever seus currículos, a contratação de seu corpo docente,
a sua relação com a área de educação, a necessidade de ampliação do número de vagas
entre outras. Em alguns estados novos cursos foram criados a partir do Programa de
Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI –
2007). Outras políticas e programas governamentais se colocaram ao longo da história
do sistema educacional brasileiro envolvendo o ensino superior e o ensino médio, os
quais se apresentam como desafios para se repensar a licenciatura na área e suas articu-
lações tanto com a escola básica como com a graduação e a pós-graduação (sistema for-
mador). Entre eles, destacamos: o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM – 1998),
o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENAD – 2004), o Programa In-

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 273


stitucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID- 2010), o Programa Nacional do
Livro Didático (PNLD – 2012-2015). Mais recentemente, a aprovação do novo Plano
Nacional de Educação (PNE - 2014-2024) orienta os estados e municípios à criação dos
seus próprios planos em consonância com o nacional, impactando em futuras articula-
ções da Universidade com o ensino básico e especificamente com o ensino médio. Tudo
isso, se afigura um novo cenário para repensar o ensino de sociologia em seus diversos
níveis, em especial a licenciatura tendo em vista se constituir no pilar da formação de
professores de sociologia para o ensino médio. No entanto, são raros os estudos ao nível
nacional sobre o assunto fazendo-se necessário explorações diagnósticas que possam
esboçar os contornos de dimensões e categorias a serem pesquisadas em rede nacional.

Material a ser utilizado: data-show, computador, quadro (branco ou negro/giz ou pincel), papel
rascunho, papel madeira, canetas, microfone e mesa de som.

O número máximo de participantes é 30 pessoas.

7 - HITS DO MOMENTO: MÚSICA COMO FERRAMENTA PARA O PENSAR


SOCIOLÓGICO

Responsáveis: Camila Maria Cunha de Souza e Suianny Andrade de Freitas (UFC)

A oficina que ora apresentamos traz como proposta discutir os temas sociológicos tra-
balhados na educação básica através de mecanismo que contemple a realidade dos alu-
nos, músicas que fazem parte da cultura jovem. Utilizar músicas em sala de aula é uma
prática comum, o diferencial dessa proposta consiste em mostrar que é possível utilizar
músicas que estejam inseridas no cotidiano dos alunos, portanto mais atrativas e que
fujam do que é apresentado tradicionalmente, inclusive nas seções do tipo “Músicas
temáticas” dos livros didáticos. A ideia dessa oficina surgiu durante a realização de uma
atividade da disciplina de Oficina de Ensino, ofertada pela professora DanyelleNilin ao
curso de Licenciatura em Ciências Sociais (UFC). Depois de ter sido posta em prática
por nós, em nossas experiências docentes e ter sido produtiva com os alunos decidimos
elabora-la no formato oficina para que haja a possibilidade de ser replicada. O uso das
músicas torna as aulas mais atrativas e com isso facilita a aprendizagem dos alunos. O
objetivo da oficina é compartilhar com os demais licenciados e licenciandos a experiên-
cia de utilização de músicas que façam parte do universo de vivencia dos discentes. A
partir da aplicação dessa atividade em sala de aula pretende-se incitar a compreensão
do mundo, o conhecimento da realidade social, incentivando a imaginação sociológica
e estimulando a capacidade critica do aluno no que concerne à disciplina de Sociologia.
E ainda mostrar para os professores que podemos discutir os mais diversos temas da
Sociologia a partir de músicas “populares” e nos mais diversos estilos, a variedade de
músicas também será útil para desconstruir alguns estigmas em torno de determinados
gêneros musicais. Para desenvolver a oficina utilizaremos como recurso os áudios das
músicas, as letras, vídeos ilustrativos e questões norteadoras. Iniciaremos o debate a
partir de questões pré-selecionadas por nós com base em livros didáticos de Sociologia

274 | Anais do IV ENESEB


adotados na educação básica. Em seguida vamos propor aos participantes que pensem
em músicas que façam parte da realidade dos alunos com base nas particularidades do
local em que os profissionais da licenciatura atuam dessa forma cada professor con-
struirá um novo banco de músicas para trabalhar questões sociológicas. Concluiremos
a oficina com a apresentação das músicas e o debate em torno delas (pelo menos uma
música por dupla).

Material que será necessário: computador, caixas de som e data show.

O número máximo de participantes é 20 pessoas.

11 - INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E RELAÇÕES DE GÊNERO: EXPERIÊNCIAS


DO PIBID NO AMBIENTE ESCOLAR

Responsáveis: Gabriella dos Santos Ferreira, Gabriella dos Santos Ferreira, Giselle Joa-
quina de Santana, Lígia Gonçalves de Oliveira, Luanne da Cruz Carrion e Petra Raissa
Lima Pantoja (UNB)

Esta oficina aborda a temática: intolerância religiosa e relações de gênero no ambiente


escolar e possibilita, através de práticas teatrais, reflexões sobre a prática docente de
Sociologia no ensino básico, bem como, sobre a relação entre professor e aluno no pro-
cesso de mediação de conflitos. Essa ideia surgiu, entre estudantes de licenciatura das
Ciências Sociais, a partir das vivências proporcionadas pelo Programa Institucional de
Iniciação à Docência (Pibid) das Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB). A
área temática deste Pibid é “Sociologia do Conflito”, diante disso, foram problematiza-
dos conflitos que aparecem dentro da escola, os quais possuem origens diversas e em
sua maioria não são solucionados ou problematizados pela escola que apenas os abafa ou
invisibiliza, geralmente há a não resolução ou a resolução parcial de conflitos. No ano
de 2014 a atuação do Pibid se deu nas escolas CEM II (Ceilândia) e CEM Paulo Freire
(Asa Norte), nestas foram observadas uma série de conflitos, tanto dentro como fora
das salas de aula. Religião, legalização e descriminalização de práticas, política, cotas,
juventude, trabalho, todos os temas que provocam conflitos sempre que são eviden-
ciados em sala de aula. Para esta oficina optamos pelas temáticas: religião e gênero,
pois observamos que despertam interesse e envolvimento por parte dos alunos. Mui-
tas vezes os estudantes não separam suas paixões e convicções pessoais de uma visão
critica que possibilite compreender os temas como fenômenos sociais. Os episódios
de conflito entram em consonância com os temas que fazem parte das vivencias destes
jovens, sendo enfatizadas em seus discursos, porém não por parte das escolas. Neste
sentido é que cabe ao professor(a) instrumentalizar sociologicamente os/as estudantes
para discutir estes delicados assuntos. Tendo em vista essa temática do Pibid, a oficina
tem como objetivo proporcionar aos participantes vivenciarem, através de represen-
tação teatral, processos e relações conflituosas que são recorrentes no ambiente esco-
lar, no intuito de instigar um pensamento crítico, que possibilite articular estratégias
de mediações de conflitos por parte da instituição escolar, com foco na figura do/a

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 275


professor/a. A dinâmica é feita no formato de teatro fórum, baseada na ideia de Teatro
do Oprimido, metodologia criada por Augusto Boal (1960), que utiliza o teatro como
ferramenta de trabalho político, contribuindo para a transformação social: produz-se
uma encenação baseada em fatos reais, na qual personagens oprimidos e opressores
entram em conflito, de forma clara e objetiva, na defesa de seus desejos e interesses.
A dinâmica acontece quando alguém da plateia sobe ao palco para dizer qual seria a
alternativa para o problema encenado. No Teatro-Fórum a barreira entre palco e plateia
é desconstruída e é implementado uma espécie de diálogo. No confronto, o oprimido
fracassa e o público é estimulado, pelo Curinga (o facilitador do Teatro do Oprimido),
a entrar em cena, substituir o protagonista (o oprimido) e buscar alternativas para o
problema encenado. Para finalizar a oficina, será proposto um debate que permitirá
aos participantes compartilharem experiências já vividas no âmbito da docência, as-
sim como sobre as impressões dos participantes acerca da experiência proporcionada.
Em seguida, serão retomados os temas abordados na dinâmica, buscando explicitar a
maneira como estas temáticas são abordadas em sala. A intenção é elaborar uma oficina
que se aproxime das realidades vividas nas escolas do projeto, bem como compartilhar
com os/as participantes as experiências do Pibid e alguns desafios por nós enfrentados,
bem como, proporcionar um momento de debate e de construção de um conheci-
mento voltado às práticas docentes em Sociologia.

Vale ressaltar que a oficina tem configuração para no máximo 16 participantes, e em relação ao
material, serão necessárias canetas, folhas A4 brancas e cadeiras.

9 - BRASIS DENTRO DO BRASIL – A DIVERSIDADE DENTRO DE NÓS

Responsáveis: Luis Fernando Casimiro (Centro Universitário Fundação Santo André)

Esta oficina foi apresentada no ano de 2014 para alunos de 1º ano do ensino médio, na
disciplina de Sociologia, através do PIBID. Tem a proposta de refletir sobre o processo
originário do Brasil, a partir de seu encontro, relação e formação com as diversas raças
e povos, oriundos, vindos e estabelecidos e que corroboraram para uma particulari-
dade cultural de miscigenação única. Visa apontar as diferenças nas raízes culturais ao
mesmo instante que direciona para o seu ponto congruente de consolidação étnica.
Tomando base o livro “O povo brasileiro – A formação e o sentido do Brasil”, de Darcy
Ribeiro, há o direcionamento das raízes nas matrizes (Tupi, Lusa e Afro) como alicerces
para o fomento de um povo novo. Seus vínculos, interesses, conflitos e uniões que são
capazes de gerar uma cultura rica e uniforme, sincrética e de reconhecimento para
sua sociedade. Na tentativa de estreitar a linguagem acadêmica e tornar seu conteúdo
didático, estimulante e de fácil compreensão, foi concebida uma determinada forma de
exposição sobre o assunto, com a utilização de recursos visuais como cocar de índio e
chapéu de cangaceiro, sendo estes objetos típicos de diferentes regiões brasileiras. A in-
tenção era de tornar a oficina mais próxima possível de referências culturais populares
e com uma adequação em sua linguagem, a fim de estabelecer uma participação maior
dos alunos e de sua inserção na discussão acerca da identidade nacional. Também foram

276 | Anais do IV ENESEB


expostas as diferenciações e influências das flautas indígenas. Apresentando atributos
específicos, curiosidades, palavras, costumes e fatos históricos do Brasil, foram mostra-
dos seus aspectos primitivos e traçado um quadro comparativo com outros processos
de colonização das Américas. Desenvolveu-se uma reflexão aprofundada e explicou-se
como o autor define os tipos de brasis. Relacionando-se com os processos civilizatórios
específicos de cada região do Brasil, Darcy Ribeiro faz um estudo intrínseco de todo o
movimento histórico dos índios, portugueses e negros, salientando a importância de
agregar, naturalmente, os aspectos culturais para a gênese de relações sociais específi-
cas, não somente para as camadas econômicas, mas também entre sua homogeneização
de povo como nação, de um povo novo mutante. O debate deteve instigar e referenciar
as diversas formas de manifestações culturais pela qual o Brasil se constitui em todo ter-
ritório. Possibilitou que os alunos refletissem sobre as condições históricas formadoras,
vividas, impostas e buscou lançar um olhar crítico sobre o quadro de temas de nossa
realidade atual. Ao final da oficina expositiva, foi solicitada uma pesquisa pessoal com a
intenção de saber quais eram as raízes de cada aluno.

Para esta oficina os materiais utilizados serão: mapa, flautas, cocar, chapéu de cangaceiro.

O seu tempo é de 50 minutos e a quantidade de participantes é aproximadamente 40 pessoas.

10 - OFICINA DE COACHING PARA PROFESSORES

Responsável: Paulo Carlos da Silva (Rede Pública de Ensino de Pernambuco e FUNDAJ)

A desmotivação tem interferido no rendimento pedagógico. Se falta um objetivo claro


e um comprometimento com a vida acadêmica, a escola tornar-se um “passatempo”
enfadonho. Isso gera um ambiente improdutivo chegando a desmotivar até o profes-
sor, que precisa ampliar sua visão com relação à influência que exerce sobre sua turma
para além do conteúdo da disciplina que ministra. O objetivodestaoficina é munir o
professor com algumasferramentas e técnicasoriundas do coaching comométodoped-
agógico e motivacionaldirigidoaoaluno de nívelmédio para o aprendizado de sociologia
e melhorianasdemaisdisciplinas. Segundo Jesse Souza no seuartigo A gramática social
da desigualdadebrasileira (2004), a produção de umaespécie de “subcidadão” fruto da
naturalização da desigualdade social nospaíses fora do eixoeconomicamentedesenvolvi-
dos, tem mais a ver com o projetoimplantadopelospaísesdominantes do que com uma-
herançapré-moderna. Para explicar melhor como se configura as desigualdades sociais
ele lança mão do conceito de habitus o qual é classificado da seguinte forma: a) habi-
tus primário, aquele que dá a base para uma relação entre iguais; b) habitus precário,
encontrado na linha abaixo do primário; tipo de comportamento que não atende as
exigências objetivas de um mundo competitivo e moderno e c) habitus secundário,
que está na linha limite para cima do primário, onde encontramos questões de ordem
do reconhecimento social. O presente trabalho sugere uma intervenção na área do
habitus precário, utilizando técnicas de reforço positivo, não como um “adestramento”
do aluno para um bom comportamento no mundo do trabalho, mas como uma ênfase

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 277


naquilo que nele há de bom para conceder-lhe um indicativo das suas condições e pos-
sibilidades, elementos que, via de regra, a família ressalta o negativo.

Utilizaremos data-show, pequeno equipamento de som e cópia das ferramentas (Tríade do Tempo
2pg,Teste do sistema representacional 1pg, Avaliação de preferência cerebral 4pg, Levantamento
deValores 1pg e Roda do Conhecimento 1pg) para o número de participantes que não deve
exceder o número de 30, sendo 25 o ideal para um melhor aproveitamento.

11 - ESCRITAS DE SI COMO DISPOSITIVO DE FORMAÇÃO NAS AULAS DE


CIÊNCIAS SOCIAIS NO ENSINO MÉDIO

Responsáveis: Jorge Luiz da Cunha e Joana Elisa Röwer (UFSM)

Esta oficina é uma atividade didático-metodológica voltada a professores e professores


em formação para o ensino de Ciências Sociais na Educação Básica. Constitui momento
de ação-reflexão-ação, pois se vivencia e reflete-se sobre a mesma de forma dialógica.
Configura-se em procedimento de reordenação do conhecimento com aplicação em
situações práticas na estrutura e dinâmica da sala de aula, na perspectiva da qualidade
do ensino. Propõe-se a construção de um espaço/tempo de escritas individuais autore-
ferrenciais e momentos de reflexão/interpretação compartilhados, em uma proposta
formadora de relações entre história e estruturas sociais e trajetórias individuais. Nesta
proposta, os conteúdos curriculares (temas sociológicos) são rediscutidos na relação
com as escritas de si e vice-versa, na geração de estranhamentos, na suspensão de sa-
beres, na desconstrução de saberes do senso comum e na construção de novas inter-
pretações sobre o mundo e sobre si. O objetivo geral refere-se a vivenciar experiências
práticas à luz de uma reflexão teórica sobre o trabalho com escritas de si como dis-
positivos de formação no ensino de Ciências Sociais. Tem-se como objetivos específicos
identificar e analisar as possibilidades do trabalho com relatos de si no viés da reflexivi-
dade de si e da aprendizagem e refletir sobre outras possibilidades formadoras com o
uso da abordagem (auto)biográfica. A discussão que Bourdieu (2012) apresenta entre
pôr a Sociologia em seus conteúdos conceituais e teóricos e produzir efeitos de reflex-
ividade; a concepção do desenvolvimento da imaginação sociológica de Mills (1975)
para quem a ciência social deveria fazer compreender a História e as biografias e as re-
lações entre elas no contexto e estrutura social; e, o conceito de consciência sociológica
de Berger (2011) que se configura como uma ação real pelo indivíduo na compreensão,
ordenação e atribuição de sentidos na trajetória de vida; embasam e justificam esta
proposta didático-metodológica de ensino de Ciências Sociais no ensino médio, que se
utiliza das escritas de si como dispositivo de produção de estranhamentos e desnatu-
ralizações de si. Ou seja, a concepção de que os conhecimentos sociológicos servem
para refletir sobre as biografias individuais, demanda a construção de possibilidades
didático-metodológicas, embasadas teoricamente, que possibilitem essa relação no es-
paço/tempo escolar. A fundamentação teórica no campo da Pesquisa (Auto)biográfica
em Educação como dispositivo de formação centra-se em Delory-Momberger (2006,
2009, 2012); Passeggi (2011); Josso (2010); e, Altheit (2006). No campo da Educação

278 | Anais do IV ENESEB


as concepções de Dewey (2010) e Bondiá (2012) das relações entre vida, experiên-
cia, aprendizagem e sentidos. Também nos embasamos em Bruner (2014) sobre o uso
das histórias e a criação narrativa do eu; e, Ferrarroti (2010) para a compreensão da
relação entre história e estrutura social e trajetórias individuais. O desenvolvimento
metodológico da oficina constitui-se em seis momentos principais: (1) Sensibilização
do grupo em relação às escritas de si; (2) Elaboração de narrativas escritas, na rela-
ção entre história e estrutura social e as experiências de vida, permeada por questões
temáticas como guia de escrita e de reflexão; (3) Fase de interpretação das narrativas
escritas; (4) Desenvolvimento teórico, reflexão; (5) Re-leitura das narrativas e re-in-
terpretação; (6) Fase de análise cuja finalidade assenta-se em conhecer e compreender
as percepções sobre o experenciado. Os resultados versam sobre sensibilizar os partici-
pantes das possibilidades do trabalho com a abordagem (auto)biográfica na formação
do educando, no sentido de conscientizações e reflexividade de si, pela compreensão
da relação entre história e estrutura social e trajetórias individuais. Os entrelaçamentos
entre aprendizagens e histórias de vida rumam a qualidade da educação. Salientamos
também a necessidade de mostrar que o trabalho com relatos autorreferenciais na edu-
cação escolar necessita de fundamentação teórico-epistemológica que conduzem a atu-
ação professoral.

Número máximo de 25 participantes.

12 - FAZENDO DOCUMENTÁRIO NA ESCOLA BÁSICA: ELABORAÇÃO DE


UM PRÉ-ROTEIRO SOBRE OS “MEGAEVENTOS ESPORTIVOS”

Responsáveis: Arthur Pereira Santos (CAp UERJ), Clarissa Tagliari Santos, Paula Cris-
tina Santos Menezes e Siddharta Fernandes (Colégio Pedro II)

A presente oficina visa construir uma proposta de pré-roteiro de documentário a partir


do tema dos “Megaeventos esportivos” e seus impactos nas cidades-sede. Utilizando-
nos da proposta dos cineastas Jean-Louis Comolli e Eduardo Coutinho, a construção
do roteiro do documentário aparece de forma “aberta” ao real, levando a uma proposta
de documentário onde o “desejo está no posto de comando”, e a filmar “sob o risco do
real”. A partir de Coutinho, traremos a centralidade do “ato da palavra” (e da escuta) e
da construção do documentário como resultado de uma construção entre aquele que
filma e quem é filmado, ou seja, considerando que a própria existência do filme já altera
a realidade documentada.

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 279


13 - OFICINA PEDAGÓGICA “OS BRASIS DENTRO DO BRASIL”: UMA
INTRODUÇÃO ÀS CULTURAS REGIONAIS NO TERRITÓRIO BRASILEIRO

Responsáveis: Bruno de Castro Adhmann (Centro Universitário Fundação de Santo


André)

Esta oficina tem por intenção apresentar um projeto aula expositiva planejada para
alunos de ensino médio (preferencialmente 1º ano) sobre o tema culturas regionais
brasileiras, suas influências tanto históricas quanto na atualidade. Esse projeto teve
como base o livro “O povo Brasileiro” do autor brasileiro Darcy Ribeiro e consiste em
uma condensação e adaptação didática da parte IV do livro, “Os Brasis na História”,
consequentemente abordando os reflexos atuais das determinadas culturas e expansões
culturais. Este projeto tem como objetivo proporcionar aos alunos do ensino médio um
maior contato com as diversidades culturais do Brasil e suas respectivas histórias, mas
sendo realizado de um modo próximo, que conecte o aluno e sua realidade com essas
culturas que em boa parte nos influenciam no cotidiano, sem nosso conhecimento.
Sendo assim, realizando esta conexão história-atualidade no âmbito cultural e no cotid-
iano, aproximar os alunos de uma valorização cultural, pouco disseminada nos tempos
atuais. A aplicação desse projeto consiste previamente na entrega de uma folha com as
devidas referencias que serão utilizadas na aula. Logo após se inicia a primeira etapa da
aula, que consiste em uma apresentação do tema já dando uma inicial correlação com
a cultura e situação atual. Já a segunda etapa é a mais extensa, consiste na exposição
dos “Brasis”, ou seja, as diversas culturas regionais, sua origem, história e seus desdo-
bramentos. Nesta segunda etapa é inicialmente apresentada com um mapa explanando
as mudanças geográficas territoriais no decorrer da história brasileira, as respectivas
mudanças e regionalizações culturais; logo após quando se inicia as particularidades de
cada região, é utilizado como recurso interativo a utilização de objetos (instrumentos
musicais, utensílios alimentícios e etc.), curiosidades linguísticas e cotidianas das cul-
turas abordadas com o intuito de ilustrar e aproximar o tema da realidade e materiali-
dade dos participantes. Como terceira etapa, se inicia a análise da situação atual de cada
cultura específica: suas inter-relações, sua contração ou expansão, a resistência ou não
a urbanização, a influência da globalização na sua existência e etc.

Foi elaborado para ter em média 50 minutos, ministrados para em média 40 pessoas.

Tem como materiais necessários: mapas políticos do Brasil, uma folha de acompanhamento
preparada para a aula, objetos diversos de várias regiões e culturas do Brasil trazidos pelo
palestrante.

280 | Anais do IV ENESEB


14 - AVALIAÇÃO E APRENDIZAGEM

Responsáveis: Sandra Maria Mattar Diaz e Rita de Cássia Mattarda (PUC-PR)

Conforme Sacristán avaliar não é só o ato de comprovar o rendimento ou qualidade


do/a aluno/a, mas sim, uma das etapas de um ciclo completo de atividade didática
racionalmente planejado, desenvolvido e analisado, isto é, hoje se pensa em avaliação
como uma fase do ensino. (1998, p.296). Observa-se que os processos avaliativos, nas
propostas curriculares das instituições de ensino, são indissociados dos processos de
aprendizagem, todavia, na prática, ainda não podem ser denominados de “processos”
no ensino médio, como evidencia o estudo de Scherer et al (2009) no qual os autores
observaram o predomínio da avaliação Por meio de provas com a finalidade de atribuir
notas ou conceitos, aprovar ou reprovar e em poucos casos observa-se o que Hadji
(2001, p. 15) propõe: “A avaliação, em um contexto de ensino, tem o objetivo de
contribuir para o êxito do ensino [...]” de onde se deduz que “[...] o que parece legí-
timo esperar do ato de avaliação depende da significação essencial do ato de ensinar”. A
avaliação no ensino de Sociologia, proposta nas Diretrizes Curriculares pauta-se numa
concepção formativa e continuada, onde os objetivos da disciplina estejam afinados
com os critérios de avaliação propostos pelo professor em sala de aula [...] pretende-se
a efetivação de uma prática avaliativa que vise “desnaturalizar” conceitos tomados his-
toricamente como irrefutáveis e propicie o melhoramento do senso crítico e a conquis-
ta de uma maior participação na sociedade. (DCE/PR, p. 98). O objetivo desta oficina
é refletir sobre a elaboração de instrumentos de avaliação dos conteúdos de sociologia
para o ensino médio, a relação entre os procedimentos de ensino e de avaliação, assim
como as características das questões para que a prova contribua na aprendizagem. Os
procedimentos usados são: a exposição dialogada do tema; apresentação das orienta-
ções para a elaboração de questões; Indicação dos Fundamentos teórico-metodológicos
concernentes à Avaliação Formativa; Atividade prática para elaboração de questões
avaliativas, a partir de um dos conteúdos que compõem o currículo de Sociologia para
o Ensino Médio; Orientação no decorrer de atividade;Troca de informações entre os
participantes.

Os materiais necessários: Conteúdos Curriculares da disciplina de Sociologia para o Ensino


Médio; Materiais de apoio, relacionados ao encaminhamento metodológico, previstos para o de-
senvolvimento do conteúdo de ensino, escolhido para a elaboração de questões avaliativas (textos
didáticos, livros, sínteses, etc.); Papel sulfite, caneta, lápis, borracha; Multimídia.

Número de participantes: 20.

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 281


15 - A SOCIOLOGIA EM COMBATE: OFICINA DE APRESENTAÇÃO DO JOGO
DE CARTAS “LUTAS SIMBÓLICAS” E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO
DA TEORIA DE PIERRE BOURDIEU

Responsáveis: Daniel C.Valentim e Erick S. De Sousa (Unilab), Mateus F. Nobre (Ufer-


sa), Weslley Fellipe Da Silva Andrade e Icaro F. Lourenço (UFC)

Os extensos números de debates, fóruns, semanas universitárias etc., dedicados a refle-


tir sobre a prática da pedagogia sociológica, suas fronteiras e perspectivas, contribuiram
para tornar o cenário mais propício a novas experimentações. E é nesta perspectiva de
reformulação do pensamento e das metodologias pedagógicas que emergem as possibi-
lidades de [re]fazer a prática do ensino de sociologia, encontrando em outras formula-
ções – além de métodos tradicionais – a possibilidade da constituição e apreensão dos
pluralizados saberes da vida social. Deste modo, a oficina do jogo “Lutas Simbólicas”
tem o intuito de apresentar esta ferramenta metodológica para o ensino da sociolo-
gia na educação regular, possibilitando levar a discusão da teoria do sociólogo francês
Pierre Bourdieu para o cenário das escolas de ensino médio, assim como fornecer mais
uma ferramenta metodológica de ensino-aprendizagem para ser experimentada nos
espaços do ensino superior. O “Lutas Simbólicas” consiste em um jogo de cartas no qual
as pessoas encarnam alguns “jogos sociais dominantes”, numa busca pela acumulação de
três diferentes capitais simbólicos (econômico, social e cultural). Vale ressaltar que o
jogo apresenta uma proposta crítico-reflexiva sobre a natureza e as consequências de
determinados jogos sociais da sociedade capitalista. A oficina proposta será dividida em
três momentos: 1) apresentação do jogo (seus objetivos e fundamentações teóricas); 2)
experimentação do espaço lúdico da jogabilidade e mecânica do jogo; 3) reflexões e
considerações sobre o uso desta ferramenta metodológica no ensino da sociologia de
Pierre Bourdieu, assim como seus temas didáticos correlacionados. Por esta perspec-
tiva, temos o intuito de refletir no ambiente lúdico do jogo sobre alguns dos principais
conceitos do autor (habitus, espaço social, capitais simbólicos, economias simbólicas
etc.) que transpassam toda a mecânica/nominação das cartas, fluindo nas perspectivas
visuais, ilustrativas e estéticas. Trata-se, portanto, de uma tentativa de reinvenção da
prática pedagógica: enfraquecer a exclusividade academicista que circunscreve a trans-
missão de saberes teóricos. Conceber, talvez, um novo caminho de aproximação à so-
ciologia – tornando-a acessível a um público cada vez mais amplo de pessoas, com
qualquer formação, sob a mera distância de uma partida de jogo de cartas: a sociologia,
então, como um esporte de combate.

16 - TRABALHANDO COM IMAGENS NAS AULAS DE SOCIOLOGIA

Responsáveis: Ramiro Gabriel Garcia e Virgínia Lourençon da Silva (UFPR)

Existem várias formas de trabalhar conteúdos de sociologia no ensino médio, como,


por exemplo, o uso de imagens. Acreditamos que o uso deste aparato pode ser uma fer-

282 | Anais do IV ENESEB


ramenta interdisciplinar poderosa, não apenas para ilustrar os conteúdos da Sociologia,
mas para estimular o senso crítico dos alunos, ajudando no processo de estranhamento
e desnaturalização. Considerando que vivemos tomados por imagens e mensagens grá-
ficas, entendemos que o incentivo à “leitura” de representações pode ajudar o aluno
na absorção destas mensagens de forma rápida e objetiva, inclusive no caso de testes
seletivos que utilizam gráficos, charges e propagandas em suas questões. Desta forma,
propomos uma oficina que permita aos participantes entender um pouco a respeito da
construção de imagens, conhecer ao menos um exemplo da utilização de imagens em
aulas de sociologia e praticar o uso de imagens como ferramenta pedagógica. Portanto,
a oficina passará por três momentos principais. Primeiro uma breve explanação a re-
speito dos aspectos técnicos da construção de uma imagem, em especial a fotografia.
Em seguida, a apresentação de algumas imagens e fotógrafos que podem contribuir
para pensar uma aula de sociologia, juntamente com um exemplo prático da utilização
de imagens como ferramenta principal. Por fim, no momento prático da oficina, pro-
pomos que os participantes dividam-se em grupos (três ou quatro no máximo) e tra-
balhem com imagens que serão distribuídas. O objetivo é que os participantes tentem
interpretar essa imagem, assim como propor possíveis abordagens para uma aula, to-
mando como base a imagem que possuem e amparados pelos documentos oficiais que
regem a disciplina de sociologia. Com efeito, a oficina destina-se tanto a professores
da rede de ensino em geral, quanto a alunos de graduação que pretendem trabalhar
com educação. A metodologia proposta serve, antes de mais nada, como um auxílio
metodológico para aulas em geral, porém, o foco será dado aos conteúdos trabalhados
pela disciplina de Sociologia. Recomenda-se que o número de participantes não exceda
a vinte pessoas, pois a parte prática da oficina pode ser prejudicada pelo excesso de
participantes.

Quanto aos materiais necessários: serão utilizados uma sala com um computador e um projetor
para a apresentação da parte teórica da oficina.

17 - CAFÉ: UM CONVITE À IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA

Responsáveis: Tainá Souza Braga, Gabriel Schenkmann Arnt, Guilherme de Oliveira


Soares e Vitória Zilles Fedrizzi (UFRGS)

A oficina pedagógica “Café: um Convite à Imaginação Sociológica” tem por objetivo


compreender a vinculação da Sociologia aos acontecimentos cotidianos e incentivar
os participantes/alunos a desenvolver a imaginação sociológica, que, segundo Wright-
Mills (1969, p. 11) capacitaria “seu possuidor a compreender o cenário histórico mais
amplo, em termos de seu significado para vida intima e para a carreira exterior de
numerosos indivíduos”, vinculando os conhecimentos da disciplina de Sociologia com
os acontecimentos cotidianos da vida dos participantes/alunos, desnaturalizando esses
acontecimentos e ampliando o olhar sobre as relações sociais existentes no cotidiano.
Para propiciar esta reflexão é oferecido aos participantes/alunos um copo de café e é
questionando junto a eles o estranhamento de se tomar café juntos em sala de aula, já

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 283


iniciando uma discussão sobre os espaços que são socialmente designados para certas
práticas. Após esse primeiro momento, os participantes/alunos devem ler um trecho
do livro Sociologia de Anthony Giddens, que faz o exercício da imaginação sociológica
com o café, elencando diversos aspectos sociológicos que permeiam o simples ato de
tomar um copo de café (GIDDENS, 2005, p. 24-25). Após essa leitura é solicitado que
os participantes/alunos façam esse mesmo exercício com outros eventos do cotidiano
deles, mostrando como essas situações também estão permeadas por diversas relações
sociais e que podem ser problematizadas a partir de uma perspectiva sociológica. Pos-
sibilitando uma aproximação entre a disciplina de Sociologia/Ciências Sociais e a reali-
dade dos participantes/alunos, promovendo o desenvolvimento de um senso crítico a
partir dessa experiência e ampliando a abrangência do conhecimento sociológico para
além do âmbito escolar.

Esta oficina ocorrerá com no máximo 30 participantes e os materiais necessários para a reali-
zação são: copos plásticos (30), cópias do texto (30), térmicas de café.

19/07/2015 – 9H ÀS 12H

18 - SIMULANDO UM CAMPO: OS CAPITAIS DE BOURDIEU VÃO À ESCOLA

Responsáveis: Gabriel Schenkmann Arnt, Tainá Souza Braga, Guilherme de Oliveira


Soares e Vitória Zilles Fedrizzi (UFRGS)

A oficina pedagógica “Simulando um Campo: os Capitais de Bourdieu vão à Escola”


tem por objetivo elucidar os conceitos de capital cultural, capital econômico, capital
social e capital simbólico cunhados por Pierre Bourdieu e sua dinâmica dentro de um
campo social específico, a escola, e relacionar estes conceitos com o processo de so-
cialização sofrido pelos agentes (Berger e Luckmann). E, através desta dinâmica, Pos-
sibilitar a construção de um pensamento sociológico que explicite as relações sociais
hierárquicas nos diversos campos socias. E, assim, aproximar os conceitos sociológicos
das realidades experienciadas pelos discentes. A oficina ocorrerá com dois grupos de
no mínimo 6 e no máximo 16 pessoas cada (máximo 32 participantes). Cada partici-
pante ou dupla receberá uma ficha com um personagem e uma pequena biografia, e,
a partir, desta biografia receberá diferentes quantidades de cada capital (econômico,
social e cultural) esses valores serão representadas por fichas. Cada capital possui uma
cor que o representa: capital econômico (azul), capital cultural (verde), capital social
(vermelho) Assim, a cada rodada será retirada uma situação relacionada ao campo es-
colar em que cada participante poderá apostar algum dos seus capitais. Cada situação
terá um capital que vale mais que outro e cada situação terá uma bonificação diferente.
O personagem com o maior capital, levando em conta os dados da situação, irá ganhar
a bonificação, aqueles personagens que perderem poderão ter algum ônus. O capital
simbólico está representado no jogo indiretamnete, ele será percebido ao longo da

284 | Anais do IV ENESEB


oficina, no momento em que os participantes percebem quanto que cada personagem
tem de capital nas situações da oficina. Após o termino de todas as situações propostas,
os participantes contabilizarão com quanto de cada capital cada um dos personagens
terminou, assim, abrindo o espaço para a análise e comparação de cada um, possibili-
tando a compreensão de como os capitais se comportam no campo e também o papel
do capital simbólico para as relações entre os agentes.

Os materiais necessários para a realização desta oficina são: cópia da biografia dos personagens e
seus capitais (16), cópia das situações (36) e fichas representando os capitais (nas cores vermelho,
azul e verde).

19 - UMA ABORDAGEM DIDÁTICA PARA DISCUSSÃO SOBRE AS RELAÇÕES


DE GÊNERO NO CURRÍCULO DE SOCIOLOGIA

Responsável: Josefa Alexandrina da Silva (USP)

A partir do levantamento sobre a presença da discussão sobre as relações de gênero nos


currículos estaduais, a oficina busca discutir os mecanismos ocultos de dominação mas-
culina e toma como referência a obra de Pierre Bourdieu. Propõe atividades didáticas
que possibilitem o estranhamento e a desnaturalização desta discussão com os jovens
do ensino médio. Parte-se da experiência cotidiana dos alunos, análise de músicas e
leitura de textos.

Material necessário: computador com data show; textos de leitura e discussão.

Número de participantes: 30

20 - ÉRICO VERÍSSIMO: TRILOGIA O TEMPO E O VENTO EM 50 ANOS

Responsáveis: Leila Beatriz Pinto (UNOPAR) e Maira B. Engers (UFRGS)

A proposta da Oficina abordará sobre a importância da Leitura e Literaturas como


instrumento fundamental para a prática no Ensino Básico da Sociologia. A humanidade
desde seus primórdios necessita de meios para se comunicar, através da linguagem,
transmitir conhecimentos, expressar sentimentos e ações e encontraram na história
o método mais eficaz para exercitar seus direitos e deveres no processo de ensino-
aprendizagem, na recreação, no divertimento, lazer. Lukesi (1998), diz que ele tem
a atividade lúdica como aquela que propicia a “plenitude da experiência”. Objetivos:
destacar a relevância da leitura no desenvolvimento do lúdico. Um olhar além da sala de
aula, através da literatura diferentes linguagens e formas, buscando sua própria história,
partindo da leitura da “saga” de Érico Veríssimo, lendo a si mesmo com as sagas fa-
miliares de cada região. Relacionar as atividades lúdicas sugeridas com aspectos do
cotidiano desses alunos, com intuito de valorizar seu sentimento de pertencimento e
cidadania, além de proporcionar maior visibilidade àquilo que lhes é imanente: família,

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 285


belezas naturais, etc. E, sendo assim, é por esse motivo que algumas ações poderão ser
desenvolvidas em locais diversos, para que aconteçam de forma relevante. Justificativa:
a ação do enredo da obra transcorre em três dias de junho de 1895, nos estertores
da Guerra Civil entre republicanos (“chimangos”) e federalistas (“maragatos”). O in-
dividuo é privado de seus direitos, no caso a falta de cidadania e o desrespeito do ser
humano. O cenário é de guerra, onde temos a violência masculina se interpondo ao
direito da esposa em ter um parto assistido, a decisão egoísta em confinar a família sem
chance de retirada de crianças, que estão tendo aviltados seus direitos de proteção e
cuidados (as brincadeiras com o punhal), a insalubridade do ambiente, o descaso com
o idoso, etc. Obviamente, há de se levar em conta o tempo em que o teatro aconteceu,
deve-se fazer um paralelo entre tempo passado e atual, verificando-se a evolução ou
a involução dos direitos. Existem hoje observância e inserção de todos os atores no
âmbito social? Existe hoje o mesmo respeito pela figura paterna, que no passado per-
sonificava o senhor todo poderoso, dono de destinos e sinas? O ser humano com essas
mudanças teve ganhos ou não? Abordará também a manipulação das massas - os se-
guidores de um ou outro caudilho, nessa guerra federalista/republicana, transósta para
o cenário atual. Onde sociologicamente falando, temos as manipulações mascaradas em
benefícios paternalistas.

21 - ESTUDOS DE GÊNERO NAS ESCOLAS

Responsáveis: Bianca Salles Pires (UFRJ) e Jimena de Garay Hernández (UERJ)

A oficina “Estudos de Gênero nas escolas” abordará a importância dos Estudos de Gêne-
ro junto aos/às professores/as de Sociologia. Com atividades lúdicas, buscaremos sen-
sibilizar aos/às docentes da importância dos debates referentes às construções sociais de
gênero, as violências sofridas no processo de produção e reprodução dos papeis, além
de apontarmos práticas discriminatórias e estratégias de enfrentamento a essas práticas.
A importância de tais abordagens, que podem ser trabalhadas transversalmente aos
conteúdos da Sociologia na Educação Básica, se dá por percebermos que as questões
atreladas aos papéis de gênero produzem diferentes formas subjetivas e objetivas de se
estar no mundo. Desta forma, as atividades pretendem ampliar o debate acerca das
imagens atreladas aos gêneros, ampliando as possibilidades de compreensão dos temas
próprios aos Estudos de Gênero quando pensado sociológico e antropologicamente.
Por último abordaremos as várias percepções e identidades de gênero existentes, por
meio da compreensão dos vários termos (homossexualidade, bissexualidade, transexu-
alidade, travestilidade, etc.) empregados e das estatísticas de violências sofridas pelos
variados grupos LGBTs. A exibição do curta “Encontrando Bianca” finalizará a atividade
apresentando as dificuldades encontradas por uma adolescente transexual que frequen-
ta a uma escola, provocando a reflexão sobre a importância da escola como espaço de
transformação e não como uma instituição de perpetuação de desigualdades sociais.

286 | Anais do IV ENESEB


22 - A PESQUISA COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE SOCIOLOGIA

Responsável: Luciana Gomes Ferreira (IFRJ)

A presente oficina tem como proposta abordar o uso da pesquisa como recurso didáti-
co no ensino de Sociologia, destacando suas potencialidades e fornecendo subsídios
para a adoção de tal prática na Educação Básica. Ela se baseia em atividade acadêmico-
pedagógica desenvolvida pela autora no âmbito do Programa de Residência Docente
do Colégio Pedro II – programa de especialização em Docência do Ensino Básico – e
aplicada em turmas do Ensino Médio. O objetivo principal da oficina é promover a
reflexão sobre a pesquisa como metodologia para o ensino-aprendizagem de Socio-
logia na Educação Básica, compartilhando saberes sobre o tema que auxiliem os par-
ticipantes na formulação e aplicação dessa estratégia didática em sua prática docente.
Dado que métodos variados podem ser mobilizados para a realização de pesquisas em
Ciências Sociais, tem-se como objetivo específico apresentar diferentes modalidades
de investigação científica passíveis de utilização nessa etapa da formação de alunos.
Ademais, a utilização da pesquisa nas aulas de Sociologia requer a explicação prévia
dos padrões mínimos de procedimentos necessários para que o resultado obtido seja
considerado válido e pertinente para a compreensão de fenômenos sociais. Há a ne-
cessidade, assim, de estar atento à forma de organização dessa atividade. Logo, outro
objetivo visado consiste em explicar os procedimentos adequados para a aplicação dessa
estratégia didático-pedagógica na Educação Básica. A proposição dessa oficina é moti-
vada pela constatação de que o recurso à pesquisa constitui uma relevante técnica de
ensino-aprendizagem de Sociologia (Ciências Sociais) na Educação Básica. A análise do
tema em documentos oficiais, literatura acadêmica e relatos de experiência indica que
a pesquisa pode assumir uma função importante na relação dos alunos com o meio em
que vivem e com o saber científico, convertendo-se em instrumento para o desen-
volvimento da compreensão e explicação dos fenômenos sociais. Ela favorece a supe-
ração do estudo puramente teórico da disciplina, concentrado na mera transmissão e
assimilação dos conhecimentos acadêmicos, privilegiando a apropriação dos conteúdos
escolares, a geração de consciência crítica e a habilidade de reflexão e argumentação
fundamentada em fatos e conceitos. Tal técnica também contribui para que os alunos
se familiarizem com a maneira pela qual a Sociologia concebe a sociedade – elegendo
o social como esfera de compreensão da realidade e o pensamento científico como
método de produção de conhecimento. Sua aplicação possibilita oferecer aos alunos
noções preliminares sobre metodologias de pesquisa utilizadas pelas Ciências Sociais,
além de promover a desconstrução e reconstrução dos modos de pensar usuais. Desse
modo, eles aprendem informações próprias dessa disciplina e modos de pensar que lhe
são específicos. Finalmente, a oficina será organizada em quatro etapas: 1) apresentação
da proposta da oficina, seguida de reflexão sobre as potencialidades do uso da pesquisa
como recurso didático no ensino de Sociologia na Educação Básica fundamentada na
produção bibliográfica sobre o tema. 2) Exame de diferentes modalidades de investi-
gação científica e suas possibilidades de utilização pela Sociologia escolar. Para tanto,
serão analisados relatos de aplicação dessa estratégia disponíveis na literatura acerca do

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 287


assunto, assim como a própria experiência da autora. 3) Explicação dos procedimentos
necessários para a adequação dessa estratégia didático-pedagógica ao ensino na Edu-
cação Básica, seguida da construção de modelo de roteiro para orientar os alunos na
realização da pesquisa. (4) Elaboração de planos de aula que adotem a pesquisa como
recurso didático, adaptados à realidade dos diferentes participantes. Desse modo, eles
serão levados a refletir sobre como incorporar tal metodologia à sua prática docente,
atuando como multiplicadores desse processo.

O material a ser utilizado compreende um notebook, data show e caixas de som.

Estipula-se como 20 o número máximo de participantes.

23 - CLIQUE SOCIOLÓGICO: EXPERIMENTANDO A SOCIOLOGIA PELA


FOTOGRAFIA

Responsáveis: Ana Francisca Marques Nunes Rosa, Jessica Costa de Araújoe Mariana
Maiara Soares Silva (UFRJ)

A Oficina de Fotografia que pretendemos ministrar durante o 4o Encontro Nacional de


Ensino de Sociologia na Educação Básica visa atrair um público de professores em for-
mação ou já em atividade que se interesse em utilizar a fotografia como recurso didático
durante as suas aulas. Nossa proposta está baseada no projeto desenvolvido pelo PIBID
UFRJ de Ciências Sociais, chamado Clique Sociológico, que tem por objetivo prob-
lematizar o uso da fotografia enquanto recurso didático nas aulas de Sociologia. Nossa
oficina foi pensada para 15 participantes e será organizada da seguinte maneira: (1) Pro-
moveremos uma conversa informal diagnóstica, a fim de perceber de quais maneiras
nossos participantes acreditam ser possível utilizar a fotografia em sala de aula e/ou de
que maneiras estão acostumados a fazê-lo; (2) Apresentaremos a proposta didática de
utilização da fotografia: - Seleção da fotografia: O que deve ser levado em conta quando
selecionamos fotografias e/ou imagens para trabalharmos em sala de aula? O fotógrafo.
Uma vez selecionadas as imagens, explicaremos a importância de apresentá-las como
produto do trabalho do fotógrafo “X”. Conhecer este fotógrafo faz-se essencial para que
possamos entender o contexto da imagem. - A fotografia: Uma vez conhecido o fotó-
grafo e os dados gerais da imagem (data e lugar em que foram tiradas, por exemplo)
é chegada a hora de olhar mais atentamente para as suas “partes”; - O método da De-
cupagem: Através de uma ficha de análise fotográfica, que será apresentada na oficina,
será possível dirigir o olhar do aluno para os mais variados planos e elementos presentes
na fotografia. A análise destes, que são “recortados” do todo imagético, caracteriza o
método da decupagem. Através deste método conseguimos desenvolver uma reflexão
mais crítica e profunda dessas partes, o que, consequentemente, nos permite construir
uma avaliação mais interessante da fotografia; (3) Articulando a imagem com os temas/
conceitos/conteúdos da sociologia: Esta etapa da oficina terá como objetivo principal
discutir a relação da fotografia com o conteúdosociológico. Será demonstrado o po-
tencial da ficha de análise fotográfica como instrumento didático para a aproximação

288 | Anais do IV ENESEB


dos alunos com os temas/conceitos/teorias a serem trabalhados em sala de aula pelo
professor. Atividade prática com os participantes da oficina: Pediremos para que escol-
ham um conteúdo previsto no currículomínimo de sociologia para a educaçãobásica e, a
partir dele, saiam em busca dos elementos necessários para trabalhá-lo, registrando-os
através de uma fotografia. Após o tempo determinado para a atividade os participantes
voltarão para a sala onde estiver sendo ministrada a oficina e as fotos serão analisadas
pelo grupo. Este será um momento de fixação do método, bem como de avaliação. (4)
Será realizada uma avaliação da oficina.

Material a ser utilizado: Câmeras digitais (ou de celulares, por exemplo), um computador, data
show e cópias da nossa ficha de análise fotográfica para ser distribuída pelos participantes.

24 - CONSTRUÇÃO DE JOGOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO BÁSICO: UMA


EXPERIÊNCIA ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA

Responsável: Patrícia de Almeida de Paula (UEL)

A oficina tem como objetivo apresentar aos participantes as etapas de elaboração de


um jogo didático que atenda algumas necessidades apresentadas pelo ensino básico e
pelo próprio PIBID. Desse modo, será apresentada uma experiência vivida anterior-
mente que objetivou a construção de um jogo didático junto a tentativa de incitar uma
discussão com os alunos acerca da articulação existente e as possíveis relações na con-
strução de ideologias sobre o gênero e o papel da mídia internacional e brasileira nesse
processo, destacando os pontos positivos e negativos de tal articulação. Discussão que
foi de suma importância para a estruturação e “amadurecimento” do material, a qual
realizou-se por meio de uma aula aplicada a duas turmas no colégio em que atuo como
bolsista do PIBID. Esta oficina atende alguns objetivos apresentados pelo “Programa
Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência” (PIBID), presente na portaria n° 096
de 18 de julho de 2013 entre os quais se destaca: inserir os licenciandos no cotidiano
de escolas da rede pública de educação, proporcionando-lhes oportunidades de cria-
ção e participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de
caráter inovador e interdisciplinar que busquem a superação de problemas identificados
no processo de ensino aprendizagem; incentivar escolas públicas de educação básica,
mobilizando seus professores como co-formadores dos futuros docentes e tornando-as
protagonistas nos processos de formação inicial para o magistério; contribuir para a
articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes, elevando a quali-
dade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura; contribuir para que os estudantes
de licenciatura se insiram na cultura escolar do magistério, por meio da apropriação e
da reflexão sobre instrumentos, saberes e peculiaridades do trabalho docente. Levando
em conta as razões acima elencadas o intuído da equipe do PIBID/ Ciências Sociais
da Universidade Estadual de Londrina foi elaborar um jogo o qual mobilizasse a con-
strução e aplicação de planos de aula, selecionando materiais, indicando algumas abor-
dagens e enfatizando as áreas das Ciências Sociais. Envolvendo inclusive a experiência
de trabalhar alguns conteúdos no ensino básico, dentre os quais selecionamos o eixo:

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 289


ideologia, mídia e gênero. De modo que nossas ações se direcionassem para um modo
de romper a rotina maçante do processo de ensino-aprendizagem com a opção de in-
serção do jogo sociológico como forma alternativa de trabalhar certos temas. A aula
foi aplicada em caráter experimental para duas turmas do segundo ano do Colégio
Estadual Professor Maria do Rosário Castaldi localizado na cidade de Londrina/Pr.
Cujos alguns aspectos da prática permitiram observar a participação dos alunos, o de-
bate sobre o tema, sua importância. A partir do que foi exposto propõe-se uma oficina
para compartilhar o processo de construção do jogo didático que almeja novas formas
de trabalhar certos temas na educação básica a partir da perspectiva sociológica. Para
a realização das tarefas é necessário um computador e um data show. Propõe-se num
primeiro momento a apresentação do jogo (suas características/objetivos) e os passos
seguidos para a sua construção. Num segundo momento destacam-se as dificuldades,
a partir das quais a expectativa é abrir um diálogo com os participantes a fim de ouvir
suas impressões, críticas e assim propor que pensemos juntos novas possibilidades para
trabalhar a construção de jogos didáticos no ensino básico.

Essa oficina pode ser trabalhada com até 20 pessoas.

25 - CINEMA E SOCIEDADE: EXERCITANDO O OLHAR SOCIOLÓGICO


ATRAVÉS DO CINEMA EM SALA DE AULA

Responsáveis: Isaac Nazareno Paiva de Medeiros (Secretária da Educação do Ceará) e


Marcia Menezes Thomaz Pereira (CEFET-RJ)

O uso da linguagem audiovisual em sala de aula pode ser apropriado como uma fer-
ramenta metodológica que para contribuir no processo de ensino e aprendizagem não
apenas como ilustração dos temas propostos pelas disciplinas, mas sendo ela mesma
como a construtora de um discurso, como a informante, a fonte do conhecimento e
o próprio campo onde podemos trabalhar. Essa forma de linguagem pode engrande-
cer a construção do conhecimento, pois através do uso das imagens aspectos como
tempo, espaço, paisagens, climas, sentimentos e emoções estão presentes na leitura
do conteúdo facilitando a apreensão, interpretação e ressignificação dos diferentes el-
ementos que compõem a complexa vida social que buscamos conhecer. Não se pre-
tende discutir o estatuto de veracidade das obras, mas indicar que filmes são capazes de
manter, transformar ou subverter discursos sobre os diferentes espaços e seus atores
sociais. No ensino de sociologia, o uso da linguagem audiovisual tem se tornado uma
prática recorrente entre os docentes. Seu uso tem o intuito de tornar mais acessível e
palatável ao estudante do ensino médio os conteúdos da teoria sociológica e ao mesmo
tempo promover o exercício do olhar sociológico. No entanto, para que se constitua
como uma efetiva ferramenta de reflexão crítica sobre os mais diversos fenômenos
sociais, culturais, políticos e ideológicos inerentes às relações humanas, o uso de filmes
demanda o trabalho de perceber e levantar questões que problematizem a naturaliza-
ção das imagens e ajude a ultrapassar as impressões do senso comum. Neste sentido,
esta oficina pretende abordar as implicações metodológicas do uso de filmes como

290 | Anais do IV ENESEB


instrumento de desenvolvimento da compreensão de conceitos sociológicos no âmbito
escolar, assim como apresentar propostas de trabalhos e ações didáticas concretas que
relacionem imagens e conteúdos do ensino de sociologia partindo de dois percursos
curriculares e particularidades da experiência com a disciplina no estado do Ceará e
no Rio de Janeiro. Para tanto, a oficina requer, em termos de recursos didáticos, para
a apresentação de trechos de obras cinematográficas e discussão ilustrada dos seus usos
em sala de aula, um projetor multimídia, notebook, aparelho para reprodução de áudio,
folha papel A4, canetas, quadro branco e marcador de quadro branco.

Esta oficina será oferecida para no máximo 20 participantes.

26 - ARTE DE PROTESTO

Responsável: Brenda R Martins Schwartz (UEL)

Assumindo a perspectiva da arte como reflexo da sociedade, a arte mesmo tempo


em que reflete, pode também contestar as relações humanas, tendo como horizonte
a transformação da realidade que se denuncia. Além disso, o produto artístico de de-
terminados momentos, servem-nos como elemento histórico que nos fornecem uma
perspectiva da estrutura e da dinâmica da vida social. A arte de Protesto é aquela que
vai para além da simples contemplação, pois possui elementos críticos que contestam e
denunciam a realidade. O intuito dessa oficina é tratar da arte como forma de contestar
a realidade na qual estamos inseridos, a arte como um meio de protesto contra deter-
minada ordem vigente. Para issofizemos um recortehistórico, trêsperíodos da históri-
abrasileira, começaremos com abolicionismo, com a obraliterária “NavioNegreiro”
de Castro Alves, mostrandocomosuaobratececríticas à forma comoosnegrosviviam, o
poetarefletiapormeio de seus versos a realidadequalestavainserido, e tambémcriticava
o regime escravocrata. Um segundo momento seria o período ditatorial, através da
música (MPB), como os artistas protestavam em um cenário totalmente restritivo, uti-
lizaríamos em especial uma canção de Chico Buarque “Calice”, mostrando como algu-
mas pessoas ainda encontravam formas de expor suas criticas ao regime. Por último,
tratamos do Rap e do Graffiti, enquanto movimentos contemporâneos, através dessas
duas expressões mostrar a voz dos que estão nas regiões periféricas das grandes cidades,
e como encontram formas de se fazer ouvir. Através dessa exposição incitaríamos um
ambiente de discussão entre os alunos, no qual esses perceberiam um caráter diferente
da arte, não mais como algo meramente contemplativo, mais como algo funcional, que
propõe um pensar voltado para crítica, voltado para ação. Cronograma da oficina: I –
Breve apresentação mostrando onde a Arte de Protesto esteve presente em momentos
históricos. Com exposição e análises de materiais. A obra Navio Negreiro de Castro
Alve (para tratar a questão do negro); a música Cálice – Chico Buarque (para tratar a
ditadura militar no Brasil); E analisamos um rap e grafites contemporâneos (movimen-
tos contemporâneos) - (30 min). II – Incentivar a produção de uma arte de protesto,
podendo ser cênica, poema, música ou desenho com uma temática atual e apresentar
para turma. (20 min)

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 291


27 - CRIAÇÃO DE VÍDEO-AULAS PARA WEB: LINGUAGEM AUDIOVISUAL E O
DOCENTE DE CIÊNCIAS SOCIAIS

Responsável: Robson Rodrigues de Lima (Faculdade Ideal)

As transformações técnicas, organizacionais e administrativas que do último quarto do


século XX, em conjunto com as transformações sociais e culturais influenciadas e influ-
enciadoras por estas mudanças, são comumente chamadas de sociedade da informação.
Pensando nas conexões entre esta sociedade da informação e o processo educacional
contemporâneo, em especial no uso de novas mídias em sala de aula, propõe-se uma
ação de capacitação de docentes para uso de ferramentas necessárias para criação de
material pedagógico para vídeo-aulas e similares; tudo isto voltado para a produção
autoral de conteúdo online. O foco da oficina em audiovis ua l voltado para a web
justifica-se em dados recentes do CETIC, Centro Regional de Estudos para o Desen-
volvimento da Sociedade da Informação, ligado à UNESCO e ao Comitê Gestor da
Internet. Dados referentes à 2013, lançados em 2014, mostram que apesar de 96%
dos professores da educação básica utilizarem recursos vindos da internet, apenas 21%
de professores da rede pública e 23% de professores da rede privada utilizam vídeo-
aulas de sua própria autoria. Isto mostra a relevância de se pensar pela prática o ato de
filmar-se (ou utilizar a própria voz ou mão-de-obra) e suas implicações em um processo
de ensino e aprendizagem dialógico e crítico, como convêm às Ciências Sociais. O
proponente possui um canal de vídeo- aulas de Sociologia online onde procura criar e
aplicar metodologias didáticas próprias para a linguagem de vídeos online (www.you-
tube.com.br/sociovlogbr). Esta experiência docente não- tradicional trouxe desafios,
demandas e resoluções que, assim se espera, sejam compartilhadas e ressignificadas
para as práticas pedagógicas dos participantes. Esta oficina é voltada para profissionais
das redes básica e superior de ensino, licenciandos e interessados em ingressar neste
campo, bem como demais pessoas interessadas. Lembramos que a ênfase da oficina é a
criação de conteúdo para o trabalho pedagógico e não em uma técnica ou ferramenta
específica, por isto, não demandamos material de filmagem profissional dos partici-
pantes. Cada um deve trazer seu celular ou câmera digital, bem como cabos e demais
acessórios para transferência de dados e carregadores de energia, bem como roupas
confortáveis. Será necessária uma sala ampla com capacidade para até 20 pessoas, bem
iluminada por toda a duração da oficina, com acesso à internet, quadro branco com
pincéis e apagador apropriados.

292 | Anais do IV ENESEB


28 - SOCIALIZAÇÃO INTERROMPIDA: A EXPERIÊNCIA DA DITADURA
CIVIL/MILITAR NO BRASIL (1964-1985) – INSTRUMENTOS PARA O ENSINO
DE SOCIOLOGIA A PARTIR DA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL

Responsáveis: Maria Valéria Barbosa, Tiago Vieira Rodrigues Dumont, Andressa Alves
dos Santos, Anna Paula Ribeiro Maia e Emerson de Campos Maciel (UNESP - Campus
de Marília)

Esta oficina tem o intuito de contribuir metodologicamente com o processo de ensino


e aprendizagem da Sociologia na Educação Básica. A experiência apresentada foi desen-
volvida com 6 turmas da 1º Série do Ensino Médio, em uma escola pública do interior
do Estado de São Paulo. Para isso, articulou-se um tema histórico com o conteúdo
curricular dessa disciplina, objetivando compreender o presente como resultado do
passado, momento problematizado e desnaturalizado a partir da ação do jovem, consid-
erado um sujeito que possui um papel e um lugar na sociedade em que vive. No ano do
50º ano da Ditadura Civil-Militar no Brasil utilizou-se este tema para desenvolver o tra-
balho, tendo como suporte teórico-metodológico a Teoria Histórico Cultural (THC),
mais especificamente a Zona de Desenvolvimento Próximo (ZDP), e a Teoria da Ativi-
dade (TA). Foi utilizado como mecanismo de articulação do conteúdo e da estrutura
de cada atividade, um elemento norteador que denominamos espiral, que permite, a
partir da mediação com o lúdico, traçar um diagnóstico dos alunos, desvendando suas
representações e necessidades. É um conjunto aberto de questões organizadas na forma
de espiral e respondidas de forma rápida e direta. A análise das respostas ajuda a con-
stituir o perfil da turma. Da espiral foram definidos os elementos da Atividade, bem
como sua estrutura e as diversas ações. Um minucioso planejamento permitiu atuar
sobre as possibilidades de aprendizagem de cada turma (atuação sobre a ZDP), por
meio de um trabalho coletivo e interdisciplinar. Coube à Sociologia discutir os concei-
tos de Socialização (a partir de Karl Marx) e Interação Social (a partir de Max Weber)
e refletir como o período estudado, pelas prisões abruptas e violentas que promoveu,
produziu uma ideia de Socialização Interrompida. O ponto de partida, do trabalho, foi
a exibição de um filme que permitiu estabelecer uma temporalidade histórica entre
presente, passado e futuro, tendo como mote “viver sem conhecer o passado é viver ou
andar no escuro”, cumprindo, também, a função de motivar os estudantes para mer-
gulhar no resgate do passado como forma de compreender o presente. Posteriormente,
desenvolveu-se em cada turma um diálogo com os tempos da ditadura, por meio de
poesias, músicas, desenhos, charges, fotografias e a organização de um tribunal para
julgar a ditadura. Afora isto, houve o Dia D — “um dia na escola do meu filho” — que
foi aberto para a participação da comunidade externa, com a exposição: “Direito à
Memória e à Verdade: a Ditadura Civil/Militar no Brasil (1964-1985)”; e dos Trabalhos
realizados pelos alunos; a Mesa de Debate - com a presença de: Prof. Drª Rosângela
de Lima Vieira - docente do UNESP - Marília: “50 anos do Golpe civil-militar: história
e legados para a sociedade brasileira”; Carlos Roberto Pittoli - capitão reformado do
Exército - Ex-preso político: “Repressão da ditadura e a luta de resistência”; Prof. Dr.
Clodoaldo Meneguello Cardoso - coordenador do OEDH (Observatório de Educação

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 293


em Direitos Humanos) – UNESP – Bauru: “Memória, verdade e cidadania hoje”. Final-
izada essa atividade, tivemos a apresentação da Banda formada pelos estudantes da es-
cola, que tocaram músicas desse período, selecionadas pelos próprios estudantes para a
elaboração de um CD. Ao destacar e refletir sobre a participação da juventude ao longo
da história, a atividade buscou questionar, em diferentes temporalidades, se a juventude
do presente seria capaz de produzir movimentos que se mostrassem significativos para
alterar os rumos da história do país. Tal processo possibilitou construir uma participa-
ção efetiva de cada estudante como protagonista das diferentes etapas da atividade, o
que tornou positivo o resultado do processo de ensino e aprendizagem.

Número de participantes: 40 pessoas.

29 - A SOCIOLOGIA E O DEBATE DA EDUCAÇÃO ÉTNICO RACIAL

Responsáveis: Carla Georgea Silva Ferreira (IFPI), Fernanada Lopes Rodrigues (IFM),
Jucimeire Rabelo Moreira (Observatório Bantu)

A Lei 10.639/2003 tornou obrigatório, em todas as escolas de educação básica, o en-


sino da história e cultura afro-brasileira e africana. Acrescenta-se à prescrição legal,
o Parecer CNE/CP 03/2004 e a Resolução CNE/CP 01/2004 que regulamentam e
instituem as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-
Raciais e para o Ensino de história e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Passado o pri-
meiro decênio desses instrumentos legais para o combate ao preconceito e à discrimi-
nação racial, ainda é comum nos depararmos com diversas manifestações que reclamam
da ausência ou timidez da implementação da Lei nº 10 639/2003 nas escolas. Muitos
fatores são alegados para explicar essa timidez, dentre os mais utilizados está a ausência
de capacitação de professores para trabalhar a temática. Neste sentido, as escolas, em
especial a disciplina de sociologia é um instrumento importante na promoção de espa-
ços de debates, que colaborem para a tomada de atitudes, no sentido da efetivação da
educação das relações étnico-raciais nas escolas. Nesta perspectiva, a presente Oficina
se coloca como espaço de debates e trocas de experiências no sentido de contribuir
para pensar estratégias de implantação da lei nas escolas. OBJETIVOS: refletir sobre
o currículo escolar e a discussão da diversidade étnico-racial; possibilitar informações
para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula, a partir de re-
flexões sobre diversidade étnico-racial, identidade, embranquecimento, racismo, rac-
ismo institucional e anti-racismo; refletir sobre as possibilidades de incorporar nas aulas
o tema diversidade étnicoracial, racismo, identidade através de vários gêneros, como:
filmes, documentários, poemas, contos, autobiografias, livros de literatura infantil e
infanto-juvenil, textos de jornais e revistas, etc. METODOLOGIA: serão realizadas
dinâmicas e atividades de reflexão para apreensão dos conhecimentos prévios sobre o
tema em apreço. Em seguida, abordaremos o tema em foco, discutindo aspectos legais
e teórico-metodológicos. Posteriormente, serão discutidas e propostas, coletivamente,
estratégias de apropriação do tema nas diferentes disciplinas dos cursos de Licencia-
tura. Será finalizado com a reflexão sobre as contribuições da discussão para a prática

294 | Anais do IV ENESEB


didático-pedagógica dos presentes na oficina

30 - REFLETINDO SOBRE O CONSUMO: ENSINANDO A ARTICULAÇÃO


ENTRE CONHECIMENTO SOCIAL COTIDIANO E CONHECIMENTO
CIENTÍFICO-SOCIAL

Responsáveis: Josevânia Nunes Rabelo, Rouseanny Luiza dos Santos Bomfim, Monique
Maria Marques Machado,Wine Santana e Tâmara Maria de Oliveira (UFS)

Nossa oficina partirá da apresentação de uma execução de plano de aula sobre o consu-
mo enquanto representação social significativa e problemática das sociedades contem-
porâneas e da exposição dos princípios teórico-metodológicos e instrumentos didáti-
cos que guiaram a elaboração do plano de aula. Continuará com a formação de equipes
de participantes que, munidos de um texto teórico sobre o consumo, serão convidados
a criar um plano de aula sobre o mesmo tema. A conclusão da oficina será feita pela
apresentação e discussão dialógica dos planos de aula construídos pelas equipes dos
participantes. Justificada pela centralidade do consumo na socialização e sociabilidade
da(s) juventude(s) contemporâneas, ou seja do público-alvo do PIBID, o objetivo geral
da oficina é utilizar dois princípios nucleares do conhecimento científico-social: estran-
hamento e desnaturalização dos fenômenos sociais. Como objetivos específicos, temos
: incorporar a imaginação sociológica no processo de formação à docência e de apre-
ndizagem e elaborar um plano de aula através de alguns instrumentos intelectuais das
ciências sociais. O material a ser utilizado serão fotocópias do texto teórico a ser lido e
trabalhado pelos participantes. Os participantes serão 25. A metodologia do plano de
aula, que nos servirá de base para a realização da oficina, partiu da aplicação de uma
entrevista semi-estruturada em torno das representações sociais sobre o consumo dos
alunos do ensino médio de escolas parceiras. A partir da análise dos dados, fez-se uma
dramatização em que conteúdos simbólicos aparecidos empiricamente foram o ponto
de partida para a problematização sociológica do consumo enquanto orientação es-
truturante da vida social contemporânea. Neste sentido, foram priorizados conteúdos
que articulam o consumo aos seguintes valores estruturais da regulação social con-
temporânea – ação social estratégica, competitição e desigualdades, sob a hipótese de
que a problematização sociológica de tais conteúdos permitirá a aquisição de um con-
hecimento empiricamente fundamentado sobre as relações entre problemas pessoais
comuns entre estudantes do ensino médio (apatia, fracasso, violência escolar, etc.) e a
impregnação de valores da economia de mercado na estruturação de políticas públicas
educacionais.

Resumos das Propostas de Oficinas Pedagógicas | 295


31 - APRENDENDO E ENSINANDO NO BONIGO MOSAICO DE UMA ESCOLA
PÚBLICA

Responsáveis: Vani Espirito Santo do Centro Estadual de Educação Profissional Profes-


sora Maria do Rosário Castaldi/ Londrina/ Paraná

Pretende–se fazer uma oficina com aproximadamente 30 pessoas onde o tema será
juventude, direitos humanos e educação, a proposta da oficina objetiva tratar do tema
do Processo de Construção do Conhecimento na Disciplina de Sociologia em alunos
e alunas do ensino médio , uma vez que o debate que se tem hoje na sociedade é que
estudantes não querem aprender dentro do ambiente escolar. No primeiro momento
será feito uma abordagem de 40 minutos sobre a teoria de Barnard Lahire ( 2004) onde
aponta que é nos processos de socialização que as pessoas demonstram suas diferentes
disposições e na teoria do sociólogo Bernard Charlot ( 2000) que aponta que não ex-
iste fracasso escolar, e sim, que uma pessoa no ir-e-vir da relação com o mundo, com
os outros e consigo mesmo, é que vai tomar forma o desejo de aprender, e esse desejo
que leva uma pessoa em direção ao saber, o que pressupõe um movimento de mobili-
zação - e não simplesmente de motivação, então será solicitado aos participantes que
reflitam sobre o papel da escola, da sociedade e sobre o processo de conhecimento, que
falem sobre situações de sucesso e fracasso escolar. Após isto farei uma breve exposição
de aproximadamente 15 minutos sobre uma experiência em um centro estadual de
educação profissional onde percebemos que nossos meninos(as) querem aprender,
mesmo que não seja o que nós queremos ensinar e apontaremos elementos que per-
mitem um despertar da busca do conhecimento por pessoas adolescentes no ensino
médio, como por exemplo o uso do celular, assim como importância do trabalho em
grupo, e participantes serão divididos em grupos de seis pessoas e durante 10 minutos
solicitarei que façam uma reflexão de como esta prática contribui com o despertar do
desejo de aprender, fazemos uma análise de como adolescentes através do uso de no-
vas ferramentas tecnológicas como celulares, tablets, notebook, TVs multimídias, etc,
se prejudicam, mas também se motivam a elaborar e relaborar o conhecimento. Em
seguida faremos um circulo onde começarei expondo um pouco mais da experiência
citada onde por dois meses trabalhamos com pessoas de 16 a 19 anos, em um total de
aproximadamente 160 alunos e alunas do ensino médio e integrado em uma escola
estadual da periferia do município de Londrina, Estado do Paraná, onde estudantes
de ensino médio e profissionalizante produziram e apresentaram seminarios, fizeram
pesquisa de campo, realizaram entrevistas, elaboraram relatórios, com temas como
diversidade sexual, racismo, questão de gênero. Em seguida cada grupo será convidado
a falar do sucesso e do fracasso debatido no grupo. Faremos uma síntese final. O ob-
jetivo é apontar algumas situações onde é possível romper a barreira do comodismo,
da preguiça, do desinteresse, mostrando que o processo de ensino e aprendizado pode
acontecer das mais variadas formas com os mais diferentes elementos pedagógicos,
mas é necessário formação de nossa parte enquanto docentes, sabedoria quando toda
a carga moral religiosa vem contrapor a ciência e principalmente, também disposição
para aprendermos junto com eles e mostrando que a educação é chave de transforma-
ção. Duração da oficina: 3 horas.
32 - PROJETO SOCINEMA: ANÁLISE E PRODUÇÃO SOCIOLÓGICA

Responsável: Lívia Bocalon Pires de Moraes (UNESP/IFSP)

A oficina proposta refere-se a um projeto de ensino de sociologia realizado no Instituto


Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), no campus Sertãoz-
inho, entre os meses de fevereiro e junho de 2015, junto a alunos do 1°, 2° e 3° anos
do Ensino Médio. Trata-se de uma atividade cuja participação dos alunos é facultativa,
ocorrendo em período oposto ao das aulas regulares e reunindo simultaneamente alu-
nos das diferentes séries, com o propósito de empregar a linguagem cinematográfica
para, apresentando temas analisados pela disciplina de sociologia no Ensino Médio,
compreender com maior clareza seus conceitos e teorias, e por outro lado, ao realizar
a análise sociológica dos filmes apresentados, apreender cientificamente os contextos
sociais, culturais, políticos, históricos, econômicos e geográficos por eles retratados. O
projeto visa a contribuir para suprir a dificuldade manifestada pelos alunos em relação à
compreensão da sociologia como conjunto de teorias relativas a autores diversos, cujas
análises da sociedade variam significativamente, bem como o emprego de conceitos e
noções por cada sociólogo para realizá-las. Assim, diante da necessidade de demonstrar
de forma mais contextualizada a relação, presente na sociologia, entre teoria e prática,
e do interesse de meus alunos por filmes de forma geral, optei por utilizar a lingua-
gem cinematográfica como um recurso para o emprego da análise sociológica por eles,
partindo da “realidade” apresentada pelos filmes para, recuperando ou introduzindo
determinadas teorias sociológicas, promovermos coletivamente uma compreensão
sociológica da mesma. A dinâmica do projeto opera da seguinte forma: inicialmente
apresento aos alunos determinado filme, que pode ser nacional, estrangeiro, de ficção,
documentário, curta-metragem, animação, etc. Suas informações técnicas são apresen-
tadas e o assistimos juntos, com pequenas pausas para eventuais dúvidas ou para chamar
sua atenção para algum momento essencial. Na semana seguinte, sentados em roda,
cada aluno comenta rapidamente o que achou do filme e se de alguma forma conseguiu
relacioná-lo com os conteúdos de sociologia, sendo para isso utilizado um conjunto
de duas ou três perguntas feitas a eles na semana anterior à exposição do mesmo. Em
seguida, os conteúdos de sociologia relativos àquela película são expostos de forma dia-
logada, utilizando a lousa ou o Datashow para a construção de esquemas, estimulando
que os alunos das séries mais avançadas auxiliem a explica-los para os alunos dos demais
anos. Desse modo, ao fim dessa etapa construímos juntos uma espécie de glossário
dos conceitos utilizados para compreender aquele filme, referindo-os aos autores re-
sponsáveis por sua formulação. Havendo tempo, os alunos se organizam em peque-
nos grupos para a elaboração de formas diversas de comunicação de sua interpretação
e compreensão do filme, podendo esta ser um texto dissertativo, uma poesia, uma
música, um desenho, um depoimento em vídeo, ou qualquer outra forma de exposição
que desejarem e que seja passível de divulgação para a comunidade escolar. Esta etapa,
quando não realizada no dia da análise sociológica, é feita na semana posterior a ela e,
quando finalizada, tem seus resultados publicados em páginas na internet, mantidas pe-
los alunos participantes, que são divulgadas para os demais alunos, professores, e para
o público de fora da escola. A oficina, limitada a 30 participantes, pretende apresentar

Lista Geral da Mostra de Painéis | 297


a outros professores os resultados dessa experiência, por meio da troca de sugestões de
filmes a serem trabalhados, da apresentação das análises sociológicas realizadas, e dos
resultados das produções dos alunos, com vistas a promover trocas de experiências so-
bre o emprego desses recursos, e a discussão coletiva acerca de adaptações que tornem
possível sua utilização em sala de aula no cotidiano da disciplina, e não apenas em pro-
jetos paralelos a ela, sendo necessários como recursos Datashow, lousa e caixas de som.

298 | Anais do IV ENESEB


MOSTRA DE PAINÉIS

(LISTA GERAL)

Lista Geral da Mostra de Painéis | 299


TAIS BARBOSA V. DO NASCIMENTO
ANITA HANDFAS
O ensino de Sociologia nas reformas educacionais de Francisco
Campos e Gustavo Capanema

NATALLY RODRIGUES MORAES


RAÍSSA SABRINE MARTINS
Comida pra pacato cidadão: a utilização da música como
ferramenta de ensino aprendizagem nas aulas de Sociologia

KARINE CRISTINE COSTA


LUCIANA FREITAS DA SILVA
PÂMELLA PEREIRA PROTÁZIO,
NATALLY RODRIGUES MORAES
RAÍSSA SABRINE MARTINS CARDOSO
Facebook: instrumento de ensino aprendizagem

TALVANI WESLEY REINEHR


ALESSANDRA SARA LEMES
ORIENTADORES: MARCO ANTONIO ARANTES
OSMIR DOMBROWSKI
PIBID de Ciências Sociais: resenha de notícias

MÁRIO JORGE BARRETO RIBEIRO


Entre a docência e a militância: uma relação imbricada para a
Sociologia no Ensino Médio (uma análise das manifestações de
junho de 2013)

MARCELA SCHIAVON INOCÊNCIO DE SOUSA


LUARA ALVES DE ABREU
O programa São Paulo faz escola Sociologia e o diálogo com os
parâmetros curriculares nacionais: Sociologia em questão

300 | Anais do IV ENESEB


AMANDA ANDRADE LIMA
Sociologia e Educação Física no Ensino Médio: uma proposta
multidisciplinar

ALCELIA ALMEIDA CAVALCANTE AMORIM


ROBERTO E. ALEXANDRE DE ABREU
ISABELA DUARTE VALIN
SIMONE MAGALHÃES BRITO
ROGÉRIO MEDEIROS
A didática e a formação do professor de sociologia para o Ensino
Médio

GESIANI DE LIMA SILVA


A sociologia como uma disciplina em construção: aplicando uma
análise sobre os desafios enfrentados para a sua implementação

PRISCILA FRANÇA
Políticas públicas de inclusão educacional: um estudo compara-
tivo sobre a organização dos sistemas de ensino no Brasil e no
Japão

AMANDA FORNER
ALINE PILLON DA SILVA
THAÍS RODRIGUES VIEIRA
PIBID e a escola de tempo integral: uma potencialização no pro-
cesso de ensino e aprendizado

ROBERTO E. ALEXANDRE DE ABREU


ALCÉLIA CAVALCANTE AMORIN
PATRICK CÉZAR DA SILVA
Entre saberes e práticas da profissão docente: um olhar sociológi-
co sobre a transposição didática dos conteúdos

Lista Geral da Mostra de Painéis | 301


MARCUS VINICIUS DE SOUZA PEREZ DE CARVALHO
NATALIA PINEDA ZUALINI
MARIA VALÉRIA BARBOSA VERISSIMO
Sociologia e sua abordagem nos vestibulares e na Educação Básica

HEYTOR DE QUEIROZ MARQUES


MARIA EDUARDA PEREIRA LEITE
PAULA SOARES TAVARES
O ensino da sociologia direcionado para o Exame Nacional do
Ensino Médio (ENEM) nas escolas da rede pública e privada da
cidade de João Pessoa - PB

NIVIANE DOS REIS COSTA


ANTONIO RENALDO GOMES PEREIRA
O “quarto poder”: trabalhando a proposta de intervenção do
PIBID\UFC na E.E.F.M arquiteto Rogério Fróes

GIOVANA CARINE LEITE


CLÁUDIA EMÍLIA DA SILVA
LARISSA M. F. S. S. SILVEIRA
O PIBID e a Ciência Política no ensino de Sociologia

LUCAS SIMPLICIO DA SILVA


GUSTAVO HIPOLITO GIAQUINTO
MARIA VALÉRIA BARBOSA
Teoria histórico-cultural: a espiral e a relação de ensino-
aprendizagem

TÚLLIO GARCIA DE CASTRO MEIRA


VALÉRIA VERÍSSIMO
Teoria histórico cultural e a desigualdade social

302 | Anais do IV ENESEB


PATRÍCIA BARWIG
LEONARDO M LEEUVEN
ANGÉLICA NUNES
CARLOS ALEXANDRE DOS SANTOS
LEIDE MAILANE DA SILVA
O ensino de Sociologia e suas contribuições para educação cidadã

BÁRBARA CAROLINA ASSUMPÇÃO DE OLIVEIRA


O bullying no espaço escolar: uma abordagem sociológica

JANAINA SILVA DOS SANTOS


As contribuições do PIBID na formação de professores/as: uma
nova forma de enxergar a licenciatura em Ciências Sociais

RUBIA RENATA AMBRÓSIO


Processo educativo na ilha de Superagui: os eixos temáticos e as
alternativas metodológicas da educação do campo

PETRA RAISSA LIMA PANTOJA LEITE


Metodologia de ensino e Sociologia prática: uma experiência
etnográfica

ANTONIO RENALDO GOMES PEREIRA


NIVIANE DOS REIS COSTA
Academia literária: relato de uma experiência interdisciplinar

WALDIR PATRICIO DE ALMEIDA JUNIOR


FRANCISCO XAVIER FREIRE RODRIGUES
Pelo olhar do aluno: a importância do ensino de Sociologia no
Ensino Médio ministrado por Cientistas Sociais

Lista Geral da Mostra de Painéis | 303


LEANDRO DA SILVA BOARETTO.
MARCELO AUGUSTO TOTTI
Novas metodologias e técnicas de ensino: trabalhando com a
temática Estado e Movimentos Sociais para ensinar Sociologia na
educação básica

SABRINA CESAR FREITAS


KAROLYNA BALDUINO GUTIERRES DE MELO
VIRGÍNIA LOURENÇON DA SILVA
Literatura e a sociologia: o uso de material não-sociológico no
ensino das Ciências Sociais

VIVIAN FERREIRA MORAIS DE CARVALHO


HUMBERTO MAURO GONÇALVES
MARIANO DE SOUZA CASTRO
FLÁVIA APARECIDA BELIZÁRIO
Juventude e identificação - a construção da identidade escolar

ÁGATHA MICHELLE DE FARIA SOUZA PEREIRA


ISABELLA BATISTA SILVEIRA
Feminismo: um desafio da sociologia

KARLOS PATRICK DE PAULO SOUSA


ANTONIO AURÉLIO MESQUITA SOUSA
Fanzine: um recurso metodológico para sala de aula

MATHEUS ALEXANDRE DE ARAÚJO


PATRÍCIA PEREIRA CUNHA
Será que a prova de Sociologia prova alguma coisa?

FAGNER CARNIEL
LUCAS DE LIMA CARDOSO
KAUE FELIPE NOGAROTTO CRIMA BELLINI
ANDRÉ FABRÍCIO DE SOUZA
Genêro e diversidade sexual no ensino médio: um estudo sobre
livros didáticos de Sociologia

304 | Anais do IV ENESEB


TATIANA LIMA DA SILVA
Padrões de beleza estabelecidos pela mídia e sociedade: uma
abordagem interdiciplinar pelo PIBID na escola Cere

MARCELLE JACINTO DA SILVA


RAQUEL GUIMARÃES MESQUITA
LUANA CAROLINA BRAZ DE LIMA
Uma experiência de protagonismo juvenil na rede pública de
Ensino

VALÉRIA LOPES PEÇANHA


LARYSSA BRUM
MATEUS ALMEIDA
Juventude e participação política no Colégio Pedro II

ROGÉRIO SANTIAGO RAPOSO


Gênero: a diferença não significa desigualdade

MACIEL ALVES TAVARES


PAULO HENRIQUE MIRANDA
Redes de movimentos rurais: um estudo sobre redes num
assentamento rural

ALDAIR DA SILVA FREIRE


MARCELO RODRIGUES DOS REIS
Durkheim versus Nietzsche: tensões e contradições na educação
e formação do homem

MARIANA MAIA CUNHA


ANDREZZA CRISTINNE NUNES
Ampliação do currículo escolar de Sociologia no Ensino Médio:
reflexões sobre os impactos na escola liceu do Conjunto Ceará
em Fortaleza, Ceará

Lista Geral da Mostra de Painéis | 305


GUSTAVO DIAS SILVA
GABRIELA NASCIMENTO DE OLIVEIRA
GUILHERME DOS SANTOS OLIVEIRA
Nem aluno, nem professor: reflexões sobre a atuação em sala de
aula do iniciando em docência através do PIBID

ANA BEATRIZ CARNEIRO FORTE


As relações entre professores e alunos na sala de aula

RENATA PRISCILA RODRIGUES VENTURA


ALDAIR DA SILVA FREIRE
O modelo dicotômico e as ações voltadas para igualdades no
Ensino Básico

LUIS ALEXANDRE CERVEIRA


Do cemitério à praça, o positivismo gaúcho em uma saída de
campo

PATRÍCIA PRESTES
A contribuição sociológica dos workshops em tecnologias
educativas apropriadas e críticas (TEAEC) na formação
continuada dos professores de língua inglesa da rede pública
municipal da cidade de Santa Rosa/RS/Brasil

ROBERTO E. ALEXANDRE DE ABREU


ALCÉLIA CAVALCANTE AMORIN
PATRICK CÉZAR DA SILVA
Entre saberes e práticas da profissão docente: um olhar sociológico
sobre a transposição didática dos conteúdos

MATEUS DE LIMA DOS SANTOS


FRANCISCO ANDERSON MARQUES
Rito de passagem e violência simbólica: a nomeação de alunos
com o termo “básico”

306 | Anais do IV ENESEB


LAVINA PEREIRA DA SILVA
A Sociologia no Ensino Médio da Escola Estadual Piaçava – norte
de Tocantins

GABRIEL SCHENKMANN ARNT


GUILHERME DE OLIVEIRA SOARES
MARCOS MACHADO DUARTE
Trabalhadores invisíveis: enxergando quem não vemos

BRUNA LAIS AQUINO COSTA


Produção de sociologia: o protagonismo estudantil como
caminho no exercício de ensino da disciplina de Sociologia na
escola

FILIPE BELLINASO
Políticas educacionais, formação de docentes em Ciências Sociais
e Ensino a Distância: contradições e perspectivas

DÉBORA EVELYN DA SILVA


A construção do olhar sociológico nas salas do Ensino Médio:
aplicando uma metodologia didático-teórica aos alunos

VILMA SOARES DE LIMA BARBOSA


ANDREZA DE OLIVEIRA SILVA
Uma análise sobre o perfil e perspectivas dos licenciandos em
Ciências Sociais

JOSÉ MARIA, NOBREGA


THAÍS GOMES FERREIRA NUNES
Polícia e segurança pública na perspectiva da Constituição Fed-
eral de 1988: democracia ou autoritarismo?

Lista Geral da Mostra de Painéis | 307


MARCIA MENEZES THOMAZ PEREIRA
Percursos de uma disciplina em construção: trajetória e
identidade do ensino de Sociologia na rede pública de educação
do estado do Rio de Janeiro

EDIVANE TONATO
O itinerário da Sociologia: reflexões acerca desta disciplina no
currículo escolar

AILANA DELLIS OLIVEIRA NOGUEIRA


DAIANE DUPRAT SERRANO
KARLLA CHRISTINE ARAÚJO SOUZA
Por que adotar o livro didático de Sociologia? Uma análise com-
parativa do livro didático de Sociologia e das apostilas dos siste-
mas privados de ensino em escolas de Mossoró –RN

RAONI SILVA
ALLAN MONTEIRO
As imagens e a questão racial nos livros didáticos de Sociologia

GEORGE SOARES
CÁTIA WANDERLEY LUBAMBO
Ensino Médio como ambiente de aprendizagem da prática cidadã

PEDRO VITOR DE SOUZA LOPES


ALEXANDRE LEONARDO ANDRADE
O despertar para uma nova postura: experimentando a realidade
do ensino de Sociologia na educação básica através do estágio
curricular supervisionado em Ciências Sociais

MARCELO DA SILVA
MARCO ANTONIO STRUVE
Os jovens do Ensino Médio da rede pública em Indaial/SC e o
uso do tempo livre, as práticas e o consumo de bens culturais: um
estudo preliminar

308 | Anais do IV ENESEB


JOSÉ WILSON ASSIS NEVES JUNIOR
Mecanismos de socialização e fomentação da valorização cultur-
al no ambiente escolar do Ceep. Profª. Maria do Rosário Castaldi,
Londrina-PR

LEANDRA BATISTA DE AZEVEDO


RENATA DAICI RODRIGUES
CRHIS NETTO DE BRUM
Fala sério ou com certeza: conversando sobre sexualidade na es-
cola

GABRIEL LUJAN PEREIRA


Aspectos de um colégio no estado de são paulo: realidades sobre
a configuração do sistema de ensino paulista

ALLWARO LINO SANTANA


Educação e aprendizagem através dos jogos de videogame

GUILHERME DE SOUSA LEÃO


BRUNA KARINE NELSON MESQUITA
A escola como espaço de sociabilidade juvenil: modernizando a
relação entre jovens e o corpo escolar na contemporaneidade

DAYANA CAMPOS DE LELIS


A juventude e o ensino de sociologia: perspectivas acerca deste
debate

MATEUS HENRIQUE JUNG NASCIMENTO


ANGÉLICA NUNES
ATILA ALEXIUS
BRIAN APARECIDO DE ALMEIDA GEHLEN
LEIDE MAILAINE DA SILVA
MARIANA ROST
SUÉLEN PINHEIRO FREIRE ACOSTA
VIVIANE FLORES
O professor na escola básica e a utilização de recursos de imagem
no ensino de Sociologia: uma proposta PIBID

Lista Geral da Mostra de Painéis | 309


SUZA MARA SOUSA DA COSTA
A importância do PIBID para a formação docente da disciplina
Sociologia

ALINE DO ROCIO NEVES


ANA PAULA MACHADO
VANESSA SANTOS
PIBID: Sociologia no Ensino Médio uma prática lúdica e inova-
dora baseada nos direitos humanos

CÉSAR ALESSANDRO SAGRILLO FIGUEIREDO


MAURO MEIRELLES
WELITÂNIA DE OLIVEIRA ROCHA
A experiência do PIBID indígena na UFT: algumas reflexões

EMILIA FERNANDES DE OLIVEIRA MARCONDES


NALAYNE MENDONÇA PINTO
O PIBID de Ciências Sociais na UFRRJ: surgimento, expansão e
consolidação

GLAUCIOMARA DREWS
ALINE ANDRÉA ARPINI
Ciências sociais e a metodologia de ensino: aproximando o PIBID
do Estágio Supervisionado

SABRINA DRIELY SARGGIN DAMAZIO


MARIANA DE OLIVEIRA LOPES
Relato de experiência do PIBID de Sociologia no C.E. Hugo Si-
mas em Londrina, PR

RUANA CASTRO MARIANO


KARLA XAVIER NAVES
Exercitando os direitos humanos com “Ilha das Flores”

310 | Anais do IV ENESEB


FABÍOLA DE CARVALHO PEREIRA SILVA
GUILHERME AMARO CESÁRIO
MÔNICA SILVA DIAS
TIAGO CANDEIAS BRAGA
Um caso prático: o PIBID e a formação docente em Ciências So-
ciais

NATALI LOURENÇO MARTINS


VANTUI RODRIGUES DE SOUZA
MARIA LÚCIA BÜHER MACHADO
Limites e potencialidades do PIBID no cotidiano escolar: uma
análise inicial dos principais desafios do programa

TIAGO VIEIRA RODRIGUES DUMONT


O processo de ensino e aprendizagem e o PIBID: uma contri-
buição sociológica

AMANDA MENDES DOS ANJOS


Atuação do PIBID em Ciências Sociais na Escola Estadual de En-
sino Médio Érico Veríssimo: intervenções em sala de aula

PRISCILA CRISTINA DOS SANTOS


JÉSSICA DAS NEVES SANTOS
ANTONIO MARCIO HALINSK
PIBID na ilha do Mel/PR: um olhar a partir dos bolsistas “viven-
ciando a escola e seus saberes”

GLAUCILENE FRANCISCA DA SILVA


MILENA GOMES DA SILVA
Direitos humanos e cidadania: conhecimentos através da intera-
ção e vivência

Lista Geral da Mostra de Painéis | 311


CARLOS CESAR ALMENDRA
O PIBID de Sociologia da Fundação Santo André no Quadriênio
2010-2013: dinâmica e resultados

FRANCINEIDE DE MELO FREIRE


FRANCISCA ERIKA LEAL LINHARES
PIBID: o antes e o depois de profissionais que passaram pelo Pro-
grama e a importância da experiência na vida do graduando de
Ciências Sociais da UERN

HALLANNA GABRIELA DE LIMA


MARIANA ALVES DE SOUSA
MARILI PERES JUNQUEIRA
Inclusão escolar por meio do reconhecimento da Alteridade

RAFAEL BRUNO PEREIRA DOMINGOS


Academia literária e o desafio da interdisciplinaridade

MICHELE LEÃO DE LIMA ÁVILA


Busca-se autonomia: novas práticas metodológicas para o Ensino
de Sociologia na Educação Básica

YAN ROCHA
MARIA TEIXEIRA SIZERNANDES FREIRE DE OLIVEIRA
FRANCISCO XAVIER FREIRE RODRIGUES
Democracia representativa: das urnas às ruas

VINICIUS TADEU MILANI


MARIA VALÉRIA BARBOSA VERÍSSIMO
O auxílio da teoria na pratica do ensino de Sociologia na Educa-
ção Básica

312 | Anais do IV ENESEB


EMERSON DE CAMPOS MACIEL
MARIA VALÉRIA BARBOSA VERÍSSIMO
O ensinar e aprender sociologia: uma proposta didático
pedagógica a partir da teoria histórico-cultural

LIZA FRANCO BUSSE REIS DOS SANTOS


Polifonia e responsabilidade como alternativas à lógica do verda-
deiro/falso e ao desinteresse nas aulas de Sociologia

KARLA XAVIER NAVES


O primeiro contato do aluno com a sociologia: experiência e
prática em atividades destinadas ao 1º ano do Ensino Médio na
rede estadual de São Paulo

MARCELO DA SILVA ARAUJO


Cidade em curso: a experiência do minicurso de sociologia

FERNANDO FRANCELINO LOPES JÚNIOR


KARLA DANIELLE DA SILVA SOUZA
DALLIVA STEPHANI ELOI PAIVA
O livro literário na disciplina de Sociologia do Ensino Médio –
refletindo acerca de como a formação de leitores em Potencial
podem contribuir para a apreensão dos conceitos sociológicos e
do pensamento reflexivo

SILZANE CARNEIRO
LUCIANA FERREIRA
O ensino de Sociologia na Escola Técnica e as Ciências Sociais no
Ensino Fundamental: uma construção necessária

SANDRA NAYSINGER MARIANO


RAFAEL FERNANDO LEWER
O lúdico em sala de aula como gincana sociológica

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 313


DOUGLAS G. N. DE OLIVEIRA
MARCELO AUGUSTO TOTTI
Práxis docente: considerações filosóficas para um trabalho
consciente

314 | Anais do IV ENESEB


RESUMOS DOS TRABALHOS EM PAINÉIS

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 315


O ENSINO DE SOCIOLOGIA NAS REFORMAS EDUCACIONAIS DE
FRANCISCO CAMPOS E GUSTAVO CAPANEMA

Tais Barbosa V. Do Nascimento


Anita Handfas
UFRJ

Este trabalho se insere na pesquisa As Ciências Sociais no Brasil e a constituição da So-


ciologia como disciplina escolar, desenvolvido pelo Laboratório de Ensino de Sociologia
Florestan Fernandes - LabES-FE/UFRJ. O objetivo do trabalho é analisar as reformas
educacionais de Francisco Campos (Decreto Nº 19.890/18 de abril de 1931 e Decreto
Nº 21.241/04 de abril de 1932) e Gustavo Capanema (Decreto Nº 4.244/ 09 de abril
de 1942) e apresentar elementos que possam aprofundar a compreensão dos motivos
que levaram à inclusão e à exclusão da Sociologia no currículo do ensino secundário,
no período entre 1930 e 1945. Esta pesquisa é motivada pela constatação de que no
campo de estudos sobre o ensino de Sociologia há um consenso em afirmar que a pre-
sença ou ausência dessa disciplina no currículo do ensino secundário se deve a períodos
mais ou menos democráticos no Brasil. Tal pressuposto é que justificaria a sua inclusão
na reforma Francisco Campos (considerado democrático) e a sua exclusão na reforma
Capanema (considerado conservador). Contrapondo-se a essa perspectiva, este trab-
alho pretende apresentar elementos novos que possam contribuir para a compreensão
da trajetória da sociologia como componente curricular no ensino secundário. Visando
cumprir os objetivos que este trabalho se propõe, a metodologia da pesquisa consiste
na analise de material legislativo e de documentos disponíveis no acervo do Centro de
Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Funda-
ção Getúlio Vargas e da Biblioteca Nacional. Os documentos analisados constituem-se
em fontes primárias e são os seguintes: 1) Discurso do ministro Gustavo Capanema
aos membros do Conselho Nacional de Educação; 2) Plano Nacional de Educação:
Questionário para um inquérito; 3) Documentos diversos sobre o Plano Nacional de
Educação; 4) Carta de Miguel de Carvalho a Luis Vergara encaminhando relatório so-
bre o ensino de Sociologia; 5) Programa das disciplinas do ensino secundário. Com
base no material pesquisado, até o momento, foi possível problematizar os motivos
que levaram à inclusão e à exclusão da Sociologia no currículo do ensino secundário,
entre os anos de 1930 e 1945. Nessa direção, pode-se afirmar que os motivos não se
restringem apenas a contextos políticos mais ou menos democráticos no Brasil, mas
sim, à ocorrência de reformas educacionais e curriculares demandadas pelas condições
políticas, econômicas e sociais a que o Brasil atravessava, tanto em âmbito nacional
quanto internacional.

316 | Anais do IV ENESEB


COMIDA PRA PACATO CIDADÃO: A UTILIZAÇÃO DA MÚSICA COMO
FERRAMENTA DE ENSINO APRENDIZAGEM NAS AULAS DE SOCIOLOGIA

Natally Rodrigues Moraes


Raíssa Sabrine Martins
UEM

A utilização de músicas em aulas de sociologia por meio de abordagens diversificadas


promete ao educando o desenvolvimento da “imaginação sociológica”. O presente ar-
tigo pretende e relatar as experiências das pibidianas no uso das músicas Pacato Cidadão
(Skank) e Comida (Titãs), com os alunos do segundo ano no Centro de Ensino Médio
Cidade Operaria I e São Luís do Maranhão, no eixo temático Direito e Cidadania as-
sunto correspondido ao terceiro bimestre escolar. Através de pesquisas bibliográficas
dos doutores Gasparin, Bodart e Tomazi, analisamos as produções dos alunos, desta-
cando o pensar sociológico destes e a maneira que essa relação pode contribuir para a
compreensão da temática e o interesse do aluno em participar ativamente das questões
sociais, as questões levantadas para averiguarmos a análise dos alunos sobre o tema, são:
A nossa sociedade tem fome de quê? e a letra da música “Pacato Cidadão” do Skank,
faz referência a um típico cidadão. Como podemos caracterizar esse tipo de cidadão
na sociedade atual. Por que o termo Pacato? A receptibilidade dos discentes sobre o
tema,levantaram a sua indignação sobre os políticos, os problemas sociais e entre out-
ros temas, o professor instiga os alunos a realizarem a imaginação sociológica, tentando
analisar a origem do problema.Salientamos o fato em que ao inserir a música nas aulas
de sociologia, o professor poderá refletir de acordo com o senso comum, sem enfocar
nas contribuições da sociologia e consequentemente tornar a ciência uma disciplina
sem os rigores metodológicos que a torna como tal.

FACEBOOK: INSTRUMENTO DE ENSINO APRENDIZAGEM

Karine Cristine Costa


Luciana Freitas da Silva
Pâmella Pereira Protázio
Natally Rodrigues Moraes
Raíssa Sabrine Martins Cardoso
UEM

As redes sociais, especificamente o Facebook é um meio de comunicação e interação


entre os adolescentes, por meio dessa interação temos como objetivo expor uma análise
sobre essa rede social, no que consta a possibilidade do uso desse meio virtual para o
aprendizado escolar do aluno, a pesquisa foi possibilitada, através do programa institu-
cional de bolsa de iniciação à docência (PIBID) em uma instituição escolar pública de-
nominada como Centro de Ensino Médio Cidade Operaria 1 em São Luís do Maranhão.
O projeto de pesquisa, cujo tema éFacebook: um instrumento de ensino aprendizagem,
percebemos que essa ferramenta virtual serve tanto para o lazer dos jovens quanto para
trocar saberes tanto da escola quanto do cotidiano. A abordagem metodológica que uti-

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 317


lizamos foram a pesquisa quantitativas com questionários para as turmas do segundo e
terceiro ano totalizando 220 alunos, e qualitativas com uma entrevista semiestruturada
com 20 alunos do segundo ano.

PIBID DE CIÊNCIAS SOCIAIS: RESENHA DE NOTÍCIAS

Talvani Wesley Reinehr


Alessandra Sara Lemes
Marco Antonio Arantes
Osmir Dombrowski
UNIOESTE-Campus Toledo

O projeto Resenha de Notícias, desenvolvido pelos bolsistas do PIBID - Programa In-


stitucional de Bolsas de Iniciação a Docência, pertencentes ao subprojeto de Ciências
Sociais do campus de Toledo - PR da UNIOESTE, consiste em apresentar uma notícia
sob um enfoque sociológico, destacando criticamente aspectos da notícia, que somente
com uma leitura rápida, poderiam passar despercebidos. O público alvo do projeto
são os estudantes da disciplina de sociologia do ensino médio, nos colégios onde o
referido PIBID atua. O intuito do projeto Resenhas de Notícias é aproximar o aluno do
ensino médio da disciplina de sociologia, despertando seu interesse por essa matéria,
tornando-a mais dinâmica e próxima do seu dia-a-dia. Busca-se também descontruir
preconceitos oriundos do senso-comum a respeitos dos mais diversos temas bem como
aumentar a participação deles durante a aula. O projeto Resenha de Notícias foi ex-
ecutado durante o ano letivo de 2014 por todos os bolsistas do PIBID, subprojeto de
Ciências Sociais. A performance começa com a leitura da notícia.Se esta for pequena a
leitura é feita de forma integral, caso contrário trechos considerados mais pertinentes
são selecionados. Após a leitura, é destacando o ponto que se quer discutir tendo como
base a notícia apresentada. Mas não se trata apenas de informação em sentido único,
a participação dos alunos causa debates interessantes onde dúvidas são explicadas e
preconceitos descontruídos. Até mesmo novas notícias são apresentadas pelos alunos,
ocasionando novas discussões durante a apresentação da resenha. A notícia é escolhida
somente após consulta do plano de ensino e/ou conversa prévia com o professor de
sociologia. A notícia selecionada é preferencialmente recente, portanto quase sempre
é conhecida pelos alunos. Procura-se sempre, ao apresentar a notícia, fazer uma ponte
com o conteúdo a ser ministrado pelo professor regente da disciplina naquela aula, para
que a discussão possa progredir durante a aula sem interferir com o planejamento do
professor. Por isso, procura-se sempre limitar a apresentação á 15 min do tempo total
da aula. Todos os bolsistas que aplicaram resenhas de notícias em sala de aula notaram
uma evolução do interesse dos alunos nas aulas de sociologia. Num primeiro momento,
a atividade prende a atenção simplesmente por ser diferente, quebrando um pouco da
rotina do aluno. Posteriormente a atividade passa a ser interessante por si só, momento
que os alunos demonstram interesse real no assunto discutido, fazendo questionamen-
tos e apresentado notícias que eles gostariam de discutir em aulas futuras.

318 | Anais do IV ENESEB


ENTRE A DOCÊNCIA E A MILITÂNCIA: UMA RELAÇÃO IMBRICADA PARA A
SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO (UMA ANÁLISE DAS MANIFESTAÇÕES DE
JUNHO DE 2013)

Mário Jorge Barreto Ribeiro


UFC

O exercício da leitura me trouxe a seguinte frase: a tarefa do professor é servir aos


alunos com o seu conhecimento e experiência e não impor-lhes suas opiniões políticas
pessoais. Em minha opinião, Max Weber foi preciso ao situar o ofício de um docente.
Há uma linha tênue que simboliza a fronteira entre a postura de professor e a conduta
de militante e esta pode ser ainda mais sensível na área das ciências sociais. É a partir
deste ponto que surgiu esta reflexão sobre o ser docente e o militante e a possível
coexistência dessas duas posturas nas salas de aula do ensino médio na disciplina de so-
ciologia. Ao aliar a minha experiência como bolsista do PIBID (Programa Institucional
de Bolsas de Iniciação à Docência) e em consequência disso a minha presença constante
na escola, juntamente com leituras sobre o quadro social e politico vivido pelo nosso
país especialmente em junho de 2013, que os analistas denominaram jornadas de junho,
foi possível perceber que em alguns momentos a atuação em sala de aula do professor
de sociologia, em destaque o docente da escola básica, sofreu distorções: houve certa
confusão entre a prática de ensino e a postura militante. Ao transitar pelas diferentes
escolas nas quais o PIBID de sociologia da UFC (Universidade Federal do Ceará) estava
presente no momento em questão, foi possível comparar as posturas e colocações em
sala de aula dos docentes em sociologia destas instituições. No período mencionado, o
PIBID de sociologia da UFC estava presente em três escolas da rede pública de ensino.
A efervescência politica da ocasião impossibilitou a ausência das discussões politicas em
sala, principalmente nas aulas de sociologia. Havia por parte dos alunos uma intenção
marcante de discutir os fatos e eventos relacionados às manifestações e aos protes-
tos. Os discentes também estavam ávidos em saber a opinião dos professores sobre
o assunto, principalmente a avaliação do professor de sociologia. Aqui é presumível
perceber o objetivo desta reflexão: demonstrar o quanto sensível é para o docente em
ciências sociais lidar com a exposição do conhecimento sociológico, a incitação do de-
bate em sala de aula e ao mesmo tempo ter que se proteger para que o quadro branco
não se transforme em um palanque e para que a sua postura enquanto professor não
seja confundida ou dissimulada no âmbito do ambiente escolar. As incursões a escola
e a observação em sala possibilitaram a análise dos perfis dos docentes das instituições
acompanhadas. Foi possível visualizar a presença do professor que promovia o debate
sem usar suas próprias opiniões, oferecendo aos alunos múltiplas possibilidades de dis-
cussões, como também o professor que pautava as suas concepções como sendo as mais
adequadas, e assim restringindo a margem de escolha dos alunos. É preciso avaliar até
que ponto a função social do professor é afetada quando esse sujeito passa a ser mais
notado por sua opinião ideológica sobre determinados temas políticos candentes, e
menos pelo seu trabalho no processo crítico e reflexivo de ensino-aprendizagem, por
sua atuação docente, numa área que ensina a duvidar, a questionar, a refletir, não de
modo literário, jornalístico ou panfletário; mas a partir de um método que é antes de

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 319


tudo, sociológico.

O PROGRAMA SÃO PAULO FAZ ESCOLA SOCIOLOGIA E O DIÁLOGO COM


OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: SOCIOLOGIA EM QUESTÃO

Marcela Schiavon Inocêncio de Sousa


Luara Alves de Abreu
Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho

No início de 2008, com o objetivo de organizar o sistema educacional de São Paulo,


implantou-se em toda a rede estadual a Proposta Curricular, denominada “São Paulo
Faz Escola”, um projeto cuja ação integrada e articulada pretendia garantir a todos os
alunos das escolas públicas de São Paulo uma base comum de conhecimentos e com-
petências para que as escolas funcionassem de fato como uma rede. Esta proposta foi
materializada em forma de Cadernos. Os Cadernos do Professor são um conjunto
de documentos destinados aos docentes, apresentados em forma de apostilas produ-
zidas para cada série do Ensino Fundamental e Médio e distribuídas bimestralmente
aos professores pela Secretaria de Estado da Educação com o apoio da Coordenadoria
de Estudos e Normas Pedagógicas e da Fundação de Desenvolvimento da Educação.
Cada caderno contém uma unidade didática composta por Situações de Aprendizagem,
acompanhada de um roteiro com orientações e recomendações aos professores sobre
como explorar passo a passo cada uma das atividades e, assim, nortear a atuação do
professor em sala de aula e a execução das atividades propostas. De acordo com nossos
estudos e com o desenvolvimento de nossa atuação em sala de aula como bolsistas de
iniciação à docência Pibid percebemos que o conteúdo do Caderno de Sociologia apre-
senta vários pontos em discordância com os Parâmetros Curriculares Nacionais. Nossa
proposta aqui é identificar esses pontos e mostrarmos de que forma estão equivocados.
Objetivos: mostrar que o Currículo do Estado de São Paulo está em desacordo com
os Parâmetros Curriculares Nacionais, uma vez que certos tópicos dos conteúdos se
apresentam de forma incompleta ou até mesmo equivocada. Desenvolvimento: a partir
do que foi exposto na introdução e nos objetivos, entendemos que existem conceitos da
disciplina de sociologia que estão apresentados de maneira superficial, e até mesmo um
pouco equivocados. Dois exemplos que acreditamos que ilustra isso são os conceitos
de cultura e trabalho. Cultura de acordo com o caderno do estado de São Paulo não se
mostra como origem de um processo social, e sim como algo espontâneo. O conceito
de trabalho também se apresenta abordado de forma superficial, desvinculando essa
categoria da desigualdade social e da luta de classes. Deste modo, acreditamos que
o ensino de sociologia fica de certa forma incompleto e desconexo daquilo que foi
proposto, qual seja, a desnaturalização da realidade social. Metodologia: em relação
à metodologia de pesquisa ela foi norteada por dois procedimentos. Um de análise
documental comparativa, neste caso entre os Parâmetros Curriculares Nacionais e o
Caderno do Aluno do Estado de São Paulo. Outro foi a sistematização das nossas ob-
servações no desenvolvimento das atividades pedagógicas apresentadas pelo Caderno
do Professor em sala, sendo uma pesquisa-ação. Considerações finais/perspectivas: du-
rante a execução deste trabalho, articulado também com nossa experiência em sala de

320 | Anais do IV ENESEB


aula como bolsistas do projeto de iniciação à docência Pibid, entendemos que “O São
Paulo Faz Escola” não é mais do que mais uma forma de manipular os estudantes para
que vejam na escola apenas um lugar relacionado ao mercado de trabalho e preparação
de mão de obra. Concluímos isso uma vez que entendemos os conceitos elencados
fundamentais no ensino de sociologia, pois faz parte de um processo onde um esta
interligado ao outro, e ao separar esses conceitos ou até mesmo desvinculá-los cria-se
um estranhamento que reflete no desentendimento, conferindo ao ensino de socio-
logia certa ineficiência e falta de sentido. Por fim, também entendemos este trabalho
como importante para nossa formação, uma vez que nos auxilia a enxergarmos as con-
tradições e desafios do ensinar sociologia. Esperamos que ele sirva também para outros
professores e alunos em formação para chamar atenção para essas questões.

SOCIOLOGIA E EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO: UMA PROPOSTA


MULTIDISCIPLINAR

Amanda Andrade Lima


UFC

Apresentar os conteúdos escolares de forma interdisciplinar é um desafio para os pro-


fessores do Ensino Médio brasileiro, embora esta seja uma possível forma de efeti-
var uma educação que visa não um aprendizado enquadrado e endurecido, formulado
em grades (curriculares), mas um conhecimento autônomo, que se dá de forma mais
simples e prazerosa. A partir da ideia de uma multidisciplinaridade entre a Sociologia
e a Educação Física o presente trabalho tem a intenção de evidenciar o amplo campo
possibilidades de abordar as duas áreas em conjunto, embora a um olhar descuidado
e apressado, possam parecer tão distantes. Dentre os meios que contribuíram para o
pensar a multidisciplinaridade entre as duas áreas é imprescindível citar as observações
e acompanhamento das aulas de Educação Física na E.E.F.M. Dr. César Cals (Fortaleza-
CE), possível através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PI-
BID), bem como as leituras e discussões feitas na Sociedade em Estudo dos Esportes
(grupo de estudos do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do
Ceará). Assim, dentre alguns presumíveis temas elencados pela autora deste trabalho,
pode-se destacar: os gregos e o esporte, onde pode-se pensar a violência legitimada
no esporte bem como questões de gênero. Outra possibilidade para o mesmo tema (e
outros possíveis) é o estudo do próprio corpo - o corpo biológico, o corpo social, o
corpo espiritual, etc (atentando aqui para o leque de interdisciplinaridade com outras
disciplinas escolares como biologia, filosofia e cidadania). Outro tópico possível se-
ria “estética e corpo padrão para cada esporte”, traçando relação com coerção social
em Durkheim, os tipos ideias em Weber, bem como “bodybuilders: filosofia de vida”,
onde podem ser discutidos os mesmos assuntos adicionando-se questões biológicas e
químicas relacionadas ao campo nutrição (ponto este que também pode ser abordado
em discussões com relação ao dopping nos esportes). Outro ponto a ser observado por
professores de Sociologia e Educação Física é a relação das olimpíadas com a política
e a economia ou ainda a possível conexão entre os países que incentivam os esportes
e sua política, economia e saúde e qualidade de vida de sua população. Deste modo,

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 321


a perspectiva é de uma multidisciplinaridade entre Sociologia e Educação Física (que
termina por desencadear outras multidisciplinaridades) que dê conta de uma educação
capaz de desenvolver um aluno mais consciente, reflexivo e apto a pensar de forma
múltipla, complexa e ampla.

A DIDÁTICA E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE SOCIOLOGIA PARA O


ENSINO MÉDIO

Alcelia Almeida Cavalcante Amorim


Roberto Alexandre de Abreu
Isabela Duarte Valin
Simone Magalhães Brito
Rogério Medeiros
UFPB

A transposição didática, conceito desenvolvido por Chevallard trata da forma de apre-


sentação dos conteúdos, ou seja, da transposição do saber acadêmico para a disciplina
no ensino médio. Em qualquer área de conhecimento, essa transformação da apresen-
tação dos conteúdos torna-se necessária. Dessa forma, os conhecimentos de sociologia
precisam de ferramentas pedagógicas para a sua mediação. Os livros didáticos atuam
em parte nesta mediação, porque já fazem a transposição dos conteúdosporém, cada
realidade específica de cada sala de aula, considerada como um universo único, requer
do professor/mediador a adaptação dos conteúdos àquela realidade. A partir da par-
ticipação no Programa Institucional de Iniciação à docência (PIBID)-Sociologia, que
permite que os discentes do curso de Ciências Sociais observem as aulas de sociologia
no Ensino Médio numa escola da rede pública de João Pessoa-PB., percebemos que a
mediação do conhecimento exige do profissional docente, além de uma base teórica,
técnicas específicas que possibilitem a construção da mediação do conhecimento, para
que esta seja suficiente, eficiente ou até mesmo viável. A disciplina de didática que
atualmente compõe o nosso currículo é de didática geral ministrada numa turma mista
com várias licenciaturas, o que não deixa espaço para questões específicas da disciplina
de sociologia que será ministrada no ensino médio. Debruçando-nos sobre esta questão
pedagógica, objetivamos neste trabalho levantar a discussão sobre a inserção da discip-
lina “didática da sociologia” no currículo da formação docente em ciências sociais, com
o intuito apenas de abrir um espaço de discussão para que conteúdos essa disciplina iria
compor no sentido de maneiras de fazer, a qual precederia os estágios supervisionados.
A metodologia utilizada foi uma etnografia, observação das aulas nos três níveis do en-
sino médio e a partir dessa observação analisar a recepção e resposta dos estudantes aos
conteúdos apresentados. Percebemos que qualquer que seja o recurso didático, mesmo
que seja o livro, sempre é necessária uma intermediação que o adapte a realidade da sala
de aula. Nesse sentido, uma disciplina que aborde técnicas ou que seja um laboratório
de experiências poderia proporcionar ao professor do ensino médio caminhos específi-
cos que levem o aluno ao conhecimento sociológico.

322 | Anais do IV ENESEB


A SOCIOLOGIA COMO UMA DISCIPLINA EM CONSTRUÇÃO: APLICANDO
UMA ANÁLISE SOBRE OS DESAFIOS ENFRENTADOS PARA A SUA
IMPLEMENTAÇÃO

Gesiani de Lima Silva


UFPB

A reinserção da sociologia no ensino médio tem enfrentado distintos desafios. As


dificuldades apresentadas para essa reinserção denotam que é necessário um compro-
metimento maior tanto por parte do Estado, como das instituições enquanto formadora
desses profissionais. A complexidade apresentada por algumas instituições implica nas
relações de poder que persiste em permanecer nos ambientes escolares até a discussão
sobre os processos didáticos-metodológicos da disciplina. As transformações que ocor-
rem na sociedade brasileira requerem introduções de debates que permita formar um
cidadão crítico e capaz de expor suas posições ideológicas, em decorrência do que a
mídia reproduz. A sociologia concede ao indivíduo, a capacidade em problematizar
conceitos e temáticas em distintos níveis de ensino. Observando essas dificuldades, as
possibilidades de questionamento também surgem, possibilitando levantar a seguinte
questão: Como será possível aplicar uma disciplina de formação cidadã e reflexiva que
abrange consciência crítica sobre a realidade e os comportamentos sociais, se não há
contribuição em consolidá-la no ensino-aprendizagem do aluno? Analisando essa per-
spectiva, atrelada as dificuldades em estabilizar a disciplina no ensino médio, a proposta
aqui é apresentar canais de construção e contribuições, com possíveis argumentos so-
bre esse dilema, enfatizando a reinserção da Sociologia como um meio de formação
do indivíduo cidadão. Assim oferecendo melhores condições em promover o que a
disciplina requer que são; Reflexões, observações e o estudo desses comportamentos
existentes, tendo uma visão crítica e preponderante sobre os discursos apresentados e
as metodologias aplicadas a tais discursos. O debate apresentado requer uma disciplina
que integre no indivíduo comum, um olhar dentro da perspectiva sobre a sua relação
enquanto agente participante de um Estado democrático. Na tentativa de apresentar
propostas e canais de contribuição nessa reinserção da disciplina no ensino médio,
torna-se necessário trazer requisitos que foram adotados anteriormente, quando a so-
ciologia tornara-se disciplina que são: A valorização do conteúdo apresentado, a racio-
nalidade, o planejamento e a formação do professor de Sociologia.

POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCLUSÃO EDUCACIONAL: UM ESTUDO


COMPARATIVO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE ENSINO NO
BRASIL E NO JAPÃO

Priscila França
UEM

Este projeto visa fazer um estudo comparativo de documentos que regem a educação
de pessoas surdas no Japão e no Brasil, com o intuito de analisar quais princípios regem
os dois modelos de organização política em relação à inclusão de pessoas surdas dentro

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 323


da educação. Para tanto, serão consideradas as políticas públicascom o intuito de prob-
lematizar as diferenças e complementariedades que regem tais modelos nacionais na
escolarização de pessoas surdas. O objetivo geral desta pesquisa é analisar os documen-
tos e legislações que organizam o paradigma contemporâneo da inclusão educacional a
partir de um estudo comparativo entre as políticas de educação inclusiva no Brasil e no
Japão. Dentro deste contexto, os objetivos específicos são: realizar um levantamento
bibliográfico sobre o tema na área da Sociologia da Educação; analisar e descrever a
organização institucional dos sistemas de ensino no Brasil e no Japão; identificar “esco-
las modelo” que representam as políticas de inclusão educacional nos dois países para
apresentar um campo empírico que possibilite futuras investigações sobre a prática a
prática local dos pressupostos normativos da inclusão educacional; elaborar relatórios
e artigos para apresentar e debater os resultados da pesquisa em eventos especializados
da área. Inicialmente mapearei e analisarei os documentos oficiais e as legislações que
regem a educação brasileira e japonesa. A intenção é traçar um quadro comparativo
dos dois modelos de ensino que permita visualizar o modo como a questão da inclusão
educacional se insere em cada sistema nacional de ensino. Para isso, um breve histórico
das transformações nestes sistemas de ensino deverá ser realizado em diálogo com as
recentes produções acadêmicas nas áreas da História da Educação e da Sociologia da
Educação. Tal histórico auxiliará a localizar os contemporâneos documentos e leis que
organizam a perspectiva da inclusão em relação à tradição administrativo-pedagógica
de cada país. Com respaldo dos documentos estudaremos as praticas de funcionamento,
realizadas dentro da política, selecionando uma escola brasileira e uma japonesa para
aprofundar a pesquisa a partir de um local empírico que permita compreender como
as perspectivas instituídas pelas políticas públicas estão sendo recebidas e praticadas no
cotidiano escolar. O interesse por este tema de pesquisa surgiu mediante a minha par-
ticipação em um programa de trabalho voluntário no Japão com as crianças de imigran-
tes brasileiros que viajavam para trabalhar no país. A dificuldade de se inserir e partici-
par de uma sociedade diferente, bem como a falta de pessoas qualificadas para auxiliar
na adaptação das crianças estrangeiras, funcionou como uma motivação para estudar e
entender melhor os processos de inclusão social e educacional atuais. Ao conhecer essa
realidade, percebi a importância política e pedagógica de estudos que problematizem
a organização das políticas de inclusão educacional. Por fim, gostaria de ressaltar que
esse estudo pode ser relevante tanto para a prática social quanto para a colaboração da
atuação do pedagogo e sua formação. A formação do profissional na área da educação
há a necessidade de qualificação adequada para que seja possível atender e compreender
o indivíduo que tem uma necessidade diferente do dito “normal”, para saber lidar com
esta realidade. Seguindo este contraste podemos explicitar os caminhos institucionais
que o Brasil utilizou para implantar as leis.

324 | Anais do IV ENESEB


PIBID E A ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL: UMA POTENCIALIZAÇÃO NO
PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZADO

Amanda Forner
Aline Pillon da Silva
Thaís Rodrigues Vieira
Universidade Estadual Paulista

Este estudo problematiza uma ação de intervenção na realidade escolar do ensino mé-
dio, por meio de uma visão sociológica e pedagógica da disciplina de Sociologia na
Escola de Tempo Integral desenvolvida no contexto do Programa Institucional de Bolsa
de Iniciação Docência – Pibid/CS da Unesp de Marília. Analisa-se, primeiramente, as
diretrizes gerais que fundamentam a concepção e a implementação do projeto Escola
de Tempo Integral no estado de São Paulo, sendo a jornada diária e as práticas ped-
agógicas diferenciadas, apresentando uma reflexão das variáveis relevantes desse pro-
jeto. Posteriormente, considera-se que a relação do conjunto de ações de articulação
entre ensino, pesquisa e extensão, possibilitou o contato com a experiência pedagógica
em que a área da sociologia, em função das atividades desenvolvidas pelo Pibid/CS,
potencializou um processo de ensino e aprendizado, que se contrapôs com a lógica
do empreendedorismo imposto pelo estado. Objetivos: tendo em vista o processo de
escolarização a partir de uma instituição vinculada ao estado e, em conjunto com o
PIBID, e entendendo a Sociologia enquanto disciplina que possibilita e estimula a re-
flexão sobre a sociedade, visa-se analisar as potencialidades do processo de ensino e
aprendizagem dos alunos de escola pública de ensino integral. Pretende-se perceber
como esta disciplina auxilia os alunos na reflexão em relação às políticas neoliberais
implementadas dentro do currículo escolar do estado de São Paulo. Metodologia: a
metodologia se pauta em um processo de pesquisa-ação. A pesquisa de campo consiste
na vivencia em sala de aula das participantes do Pibid/CS e na análise e sistematização
da documentação pertinente à definição dos parâmetros da Escola de Tempo Integral.
A partir do aparato teórico e de campo analisa-se a implementação do novo modelo
de ensino integral proposto pelo estado de São Paulo, em uma escola específica do
interior do mesmo estado. Problematiza-se como o curriculum das ciências humanas
se desenvolveu dentro desse novo contexto escolar e o que o Pibid/CS, vinculado ao
curriculum de humanas em uma escola de ensino integral, pode agregar ao ambiente
escolar. Desenvolvimento: as escolas públicas podem ser analisadas dentro de uma per-
spectiva de funcionamento do aparelho ideológico do estado, usadas para transmitir
aos alunos os ideais de competitividade e empreendedorismo. Porém, para além desta
concepção é possível considerar as brechas que poderiam ser desenvolvidas por meio
de ações no cotidiano que possibilitam questionar a lógica desta reprodução. Nesta
pesquisa entende-se esta brecha como sendo a conexão existente entre a universidade e
a escola, quando o conteúdo científico é reelaborado numa linguagem mais acessível e
os alunos conseguem compreendê-lo e, assim, desenvolver suas funções cognitivas por
meio da união entre o saber científico e o seu saber fazer. Como resultado dessa união
observou-se uma maior autonomia dos alunos e uma visão mais crítica do conteúdo e
de sua própria realidade social, cumprindo a função do ensino sociológico na educa-

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 325


ção básica, que é a desnaturalização dos fenômenos sociais. Por meio destas atividades
percebeu-se como a dinâmica da escola se desenvolveu de modo a subverter por dentro
as normas que são impostas pelo modelo estrutural do projeto de ensino integral. Con-
siderações Finais: o que se observou como resultado do trabalho é um envolvimento
bastante qualitativo entre a escola e o projeto Pibid/CS que possibilitou pensar em um
novo modelo de escola que vem sendo implantado no estado de São Paulo, assim como
em um novo projeto de formação de professores proposto por projetos como o Pibid.
Conclui-se que os trabalhos desenvolvidos em sala de aula e o estudo feito dentro do
projeto cumprem seus objetivos por terem influência no processo de ensino e apren-
dizagem tanto dos alunos da escola quanto dos participantes do projeto.

ENTRE SABERES E PRÁTICAS DA PROFISSÃO DOCENTE: UM OLHAR


SOCIOLÓGICO SOBRE A TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA DOS CONTEÚDOS

Roberto E. Alexandre de Abreu


Alcélia Cavalcante Amorin
Patrick Cézar da Silva
UFPB

Partindo da discussão existente em estudos no campo da educação que vem e preocu-


pando a compreender o processo de transposição didática dos conteúdos acadêmicos
que serão ministrados em sala de aula nas disciplinas escolares. Compreendendo que a
transposição didática acontece na ação da prática docente num movimento de transfor-
mação do saber acadêmico para o saber escolar onde os conteúdos precisam alcançar
um patamar de significação por parte dos aprendentes. Em observação assistemática no
ambiente da escola, tem-se percebido que comumente se fala a ideia de protagonismo
e se menciona a figura do professor como agente desse processo de transformação
didática na práxis da sala de aula em relação ao que concerne o ensino/aprendizagem.
Mas, se debruçando sobre este conteúdo e sobre a representação social que os profes-
sores fazem quanto ao seu papel docente e confrontando esta realidade com leituras
dedicadas ao tema e desenvolvendo a Imaginação Sociológica para pensar a questão,
destaca-se com evidência que a transposição didática não é feita pelos professores e que
este é um realizador do processo de transposição didática, não desmerecendo de modo
algum a autonomia e protagonismo quanto a criatividade que o saber da experiência
lhe confere para transmitir os conteúdos disciplinares aos educandos, mas construindo
a observação que o processo de transposição didática ocorre anterior ao professor por
estudiosos especialistas de cada área, o próprio livro didático, e dentre estes os que se
dedicam ao ensino da sociologia, a maneira de apresentação dos conteúdos numa lin-
guagem específica ao estudante-alvo e até mesmo os conteúdos já são pré-selecionados
por especialistas de cada área do saber. Cabendo ao professor o protagonismo de en-
contrar maneiras de desenvolver cada tema em suas aulas. Nesse sentido o trabalho
objetiva contribuir com a discussão teórica acerca do processo de transposição didática
ampliando a perspectiva bibliográfica didático/pedagógica que se realiza acerca desta
temática para uma compreensão sociológica do processo que se desenvolve no arc-
abouço teórico da Sociologia da Educação.

326 | Anais do IV ENESEB


SOCIOLOGIA E SUA ABORDAGEM NOS VESTIBULARES E NA EDUCAÇÃO
BÁSICA

Marcus Vinicius de Souza Perez de Carvalho


Natalia Pineda Zualini
Maria Valéria Barbosa Verissimo
UNESP e FFC – Marília

O ensino de Sociologia, no Estado de São Paulo, há algum tempo se tornou disciplina


regular dentro do Ensino Médio, a partir da alteração da LBD 9394/96 pela Lei nº
11.684/08 que consiste, entre algumas modificações, na adição do inciso IV, “serão
incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do
ensino médio” (LDB, 1996). Temos, com isso, mais de cinco anos desde a aprovação da
obrigatoriedade da Sociologia enquanto disciplina sendo este o ponto de partida para
o desenvolvimento desta pesquisa de caráter quantitativo e critico, sobre a relação do
que se é cobrado pelo Vestibular das três Universidades Publicas Estaduais de São Paulo
(Unesp, Usp e Unicamp) e o caráter político e pedagógico da Sociologia enquanto dis-
ciplina do Ensino Médio. A proposta desse estudo é apreender como as universidades
se relacionam, em seu processo seletivo com a disciplina de Sociologia ministrada na
Educação Básica; dentro dos programas de seus respectivos vestibulares. Questiona-se
o fato de estar ou não presente nos vestibulares fortalece ou não o conteúdo curricu-
lar desta disciplina no Ensino Médio. Por meio de análise dos editais pertinente aos
processos seletivos elaborados pelas Fundações (Vunesp - Unesp e Fuvest – Usp) e a
Comissão (Comvest - Unicamp), conheceu-se quais eram suas exigências pertinentes
ao ensino de Sociologia. E realizou-se uma análise traçando um paralelo entre políticas
públicas de educação e validade das mesmas dentro dos processos seletivos organizados
pelas três universidades. Foram estudados os editais dos vestibulares das universidades
referentes ao ano de 2015. A Unesp, Usp e Unicamp possuem particularidades em seus
editais; a Vunesp propõe em seu edital a indicação das Diretrizes Curriculares Nacionais
para o Ensino Médio, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e as
Propostas Curriculares da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo; a Fuvest,
em seu edital, não cita a Sociologia como disciplina a ser abordada diretamente em
seu vestibular, deixando-a de fora da sua perspectiva de núcleo comum obrigatório do
Ensino Médio; a Comvest discuti a falta da constituição da disciplina de Sociologia em
alguns currículos dos sistemas e escolas, justificando, assim, a inclusão do conteúdo de
Sociologia nas disciplinas de História e Geografia. Por essa perspectiva apresentada,
conseguimos visualizar a dificuldade em que a disciplina de Sociologia se encontra.
Dentro do seu processo histórico no estado de São Paulo travaram-se intensos debates
para conseguir se realizar enquanto disciplina, e continua até hoje perseverando em sua
própria afirmação como disciplina regular no currículo da Educação Básica. Os vestibu-
lares, ou seja, as Universidades em seus processos seletivos tornam essa exigência da
Sociologia mais dificultosa, ao não cobrarem a Sociologia enquanto disciplina ou fazer
com que as cobranças tenham um caráter difuso, descaracterizando a importância da
disciplina dentro das escolas. Modificar essa estrutura se faz necessária para que se pos-
sa pensar a Sociologia como área de conhecimento importante na formação de todos

Resumos dos Trabalhos em Painéis | 327


envolvidos no processo da educação. Como dissertou Guimarães (2012, p. 83), “pre-
parar para o vestibular da UFU e ensinar esses conteúdos, aos candidatos, significava
o envolvimento de estudantes, professores e universidade com uma série de questões
filosóficas e sociológicas que o programa exigia. Mais que isso, conferia às disciplinas
visibilidade nacional, o que contribuía para recuperarem seus lugares no currículo do
ensino médio”.

O ENSINO DA SOCIOLOGIA DIRECIONADO PARA O EXAME NACIONAL DO


ENSINO MÉDIO (ENEM) NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA E PRIVADA DA
CIDADE DE JOÃO PESSOA – PB

Heytor de Queiroz Marques


Maria Eduarda