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Reitora

Drª. Márcia Abrahão Moura

Vice-Reitora
Dr. Enrique Huelva Unternbäumen

Decano de Pós-Graduação
Prof.ª Dr.ª Adalene Moreira Silva

Diretor do Instituto de Ciências Humanas


Dra. Neuma Brilhante (Diretora do ICH - UnB)

Vice Diretor do Instituto de Ciências Humanas


Dr. Herivelto Pereira de Souza (Vice-Diretor do ICH - UnB)

Coordenação Geral do I Simpósio Internacional de Humanidades


Dra. Neuma Brilhante (Diretora do ICH - UnB)
Dra. Eloísa Pereira Barroso (PPGHIS/PPGDH – UnB)
Dr. Herivelto Pereira de Souza (Vice-Diretor do ICH - UnB)
ORGANIZAÇÃO

COMISSÃO ORGANIZADORA

Dra. Ana Flávia Magalhães Pinto (PPGHIS/HIS - UnB)


Dr. Bruno Leal Pastor de Carvalho (PPGHIS/HIS - UnB)
Ms. Clerismar Aparecido Longo (IDA/UnB)
Dr. Cristiano Guedes (SER - UnB)
Dr. Daniel Gomes de Carvalho (HIS - UnB)
Dra. Eloísa Pereira Barroso (PPGHIS/PPGDH – UnB)
Dr. Fábio Mascarenhas Nolasco (PPGFIL - UnB)
Dr. Herivelto Pereira de Souza (Vice-Diretor do ICH - UnB)
Henrique Gabriel Von Kriiger Silva (Técnico Administrativo - ICH - UnB)
Dr. Jonas Wilson Pegoraro-( PPGHIS/HIS UnB - ANPUH- DF)
Dra. Ione de Fátima Oliveira- (Departamento de História- ANPUH- DF)
Dr. Luiz César de Sá Junior- ( PPGHIS/HIS - UnB ANPUH - DF)
Dr. Mateus Gamba Torres (PPGHIS/HIS - UnB ANPUH- DF)
Dra. Neuma Brilhante (Diretora do ICH)
Dr. Rafael Sanzio Araújo dos Anjos (GEA - UnB)

COMITÊ CIENTÍFICO

Dra. Ana Flávia Magalhães Pinto (PPGHIS/HIS - UnB)


Dra. Chiara Pazzoto (Universidade de Gênova)
Dr. Cristiano Guedes (SER - UnB)
Dr. Daniel Gomes de Carvalho (HIS - UnB)
Dra. Eloísa Pereira Barroso- (PPGHIS/CET/ HIS – UnB)
Dr. Herivelto Pereira de Souza (Vice-diretor do ICH - UnB)
Dr. Fábio Mascarenhas Nolasco (PPGFIL - UnB)
Dr. Jonas Wilson Pegoraro-( PPGHIS/UnB)
Dr. José Walter Nunes (PPGHIS/NECOIM - UnB)
Dr. Luiz César de Sá Junior- ( PPGHIS/UnB)
Dra. Rosângela Patriota (UFU)
Dr. Mateus Gamba Torres- (Departamento de História/UnB)
Dra. Neuma Brilhante (Diretora do ICH)
Dr. Rafael Sanzio Araújo dos Anjos (GEA)
Sumário
APRESENTAÇÃO ..................................................................................................... 5

PROGRAMAÇÃO ..................................................................................................... 7

CRONOGRAMA DE APRESENTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES ...................... 9

SIMPÓSIO TEMÁTICO 01 ..................................................................................... 9

SIMPÓSIO TEMÁTICO 02 .................................................................................... 10

SIMPÓSIO TEMÁTICO 03 .................................................................................... 12

SIMPÓSIO TEMÁTICO 04 .................................................................................... 13

SIMPÓSIO TEMÁTICO 05 .................................................................................... 15

SIMPÓSIO TEMÁTICO 06 .................................................................................... 16

SIMPÓSIO TEMÁTICO 07 .................................................................................... 18

SIMPÓSIO TEMÁTICO 08 .................................................................................... 19

SIMPÓSIO TEMÁTICO 09 .................................................................................... 20

SIMPÓSIO TEMÁTICO 10 .................................................................................... 21

SIMPÓSIO TEMÁTICO 11 .................................................................................... 22

SIMPÓSIO TEMÁTICO 12 .................................................................................... 23

SIMPÓSIO TEMÁTICO 13 .................................................................................... 24

RESUMO DAS COMUNICAÇÕES ....................................................................... 26


Apresentação

IH/UNB e os HIS/PPGHIS, FIL/PPGHFILO, GEA/PPGGEO, SER/PPGSER-UNB têm


a satisfação de convidar a comunidade de pesquisadores para o 1º Seminário Internacional
de Humanidades – Saberes Plurais: A Relevância Social da Universidade Pública” na

UnB no Campus Darcy Ribeiro no período de 21,22 e 23 de outubro na Universidade de


Brasília.
O Seminário Internacional promovido pelo Instituto de Ciências Humanas da UnB
pretende promover o diálogo e a reflexão entre diferentes áreas do conhecimento, em
especial, da Filosofia, Geografia, História e Serviço Social, representados nos
departamentos que constituem este instituto. O evento têm como objetivo pensar a relação
entre a produção dos saberes nas Universidades Públicas e os vínculos estabelecidos por
estes com a sociedade. O propósito é construir debates interdisciplinares que ressaltem a
reflexão das ciências humanas como propulsora para a formulação e avaliação em diálogo
com as demais ciências. Como parte constitutiva dos direitos humanos, a partir de uma
perspectiva de uma universidade plural e democrática, entende se aqui ser as ciências
humanas decisivas para a construção de novas epistemes no desenvolvimento do
conhecimento no que se refere a apropriação ética e política do espaço público. Para tanto
buscar-se-á divulgar pesquisas e suscitar debates tanto em torno dos temas no âmbito
interdisciplinar, quanto aqueles que se estruturam sob perspectivas teóricas e
metodológicas que visam ampliar os campos de interlocução do cientista das
humanidades com os demais campos do conhecimento.

Para este encontro, o Comitê Científico propõe um diálogo abrangente que articule temas
e objetos das Ciências Humanas, pois que na interpretação dos mais variados objetos de
estudos presentes nas inúmeras pesquisas, verifica-se um horizonte de possibilidades
latentes de uma construção dialógica no campo das relações entre Sociedade e
Universidade em que esta relação é compreendida como fundamental para a ratificação
da democracia na sociedade brasileira. Assim a intenção é promover, a partir de
experiências individuais e coletivas, o contato dos homens e das mulheres com as
aproximações e distanciamentos entre os domínios das humanidades e demais campos do
saber de forma que essas aproximações se constituam em um esforço de análise por parte
dos cientista no que tange aos modelos, regras, disputas, tensões e relações de poder que
consubstanciam a pesquisa e a produção do conhecimento acadêmico no espaço da
universidade pública como um lugar social.

Nossa proposta, portanto, é promover o debate acerca das diversas abordagens da


produção de saberes configurados nos diversos objetos de pesquisa pertinentes às ciências
humanas e nos demais campos do saber de modo a contribuir para o desenvolvimento, a
crítica e a divulgação dos aportes teóricos, metodológicos, conceituais e empíricos
produzidos no espaço da Universidade pública no âmbito da graduação e da pós-
graduação.

Diante do exposto, a primeira edição de nosso seminário discutirá a importância da


aproximação entre a Universidade e a sociedade. Neste sentido, as conferências,
minicursos, mesas e simpósios temáticos se debruçarão sobre os seguintes tópicos:
circulação social do conhecimento científico produzido pelas humanidades, o que
envolve as expansões universitárias; pertinência da pesquisa universitária efetivada pelas
humanidades para a elaboração e adoção de políticas públicas; interdisciplinaridade e
sinergia acadêmica; conhecimento, ideologia e política.

Compreendido como proposta piloto, a programação da primeira edição contará com


Conferências (3 noites), minicursos e mesas redondas (manhãs) e Simpósios Temáticos
(tarde) e ocorrerá entre os dias 21 e 23 de outubro de 2019
Programação
21/10 | TERÇA-FEIRA

Período Noturno | 19h - 21h - Conferência de Abertura


LOCAL: AUDITÓRIO DA ADUNB

Com o Prof Dr. Thomas Allen Harris (Yale University)

22/10 | QUARTA-FEIRA
Período Matutino | 8:30-12h
Minicursos: 8:30-10h
Mesas: (diálogos interdisciplinares) 10h-12h

Período Vespertino | 14:30-18:30


Simpósios Temáticos

Período Noturno | 19h - 21h


LOCAL: AUDITÓRIO JOAQUIM NABUCCO

Com o Prof. Dr. João Carlos Salles (UFBA)

23/10 | QUINTA-FEIRA

Período Matutino | 8:30-12h


Minicursos: 8:30-10h
Mesas: (diálogos interdisciplinares) 10h-12h
Período Vespertino | 14:30-18:30
Simpósios Temáticos

Período Noturno | 19h - 21h – Encerramento


LOCAL: AUDITÓRIO JOAQUIM NABUCCO

Com o Professor Dr. Boaventura de Souza Santos

INSCRIÇÕES: https://forms.gle/NmCyjAPjy5mhKwFZA

"As humanidades numa sociedade de tensões novas


entre informação, conhecimento, compreensão e transformação"
Cronograma de Apresentação das Comunicações

ST 01 – ATORES POLÍTICOS E DIMENSÕES POLÍTICAS


NO BRASIL REPUBLICANO

ST 1 - ATORES POLÍTICOS E DIMENSÕES POLÍTICAS NO BRASIL REPUBLICANO

Coordenadoras: Dra. Ione Oliveira (HIS/UnB) e Dra. Léa Carrer Iamashita (HIS/UnB)

Grupo 1

Data 22/10/2019
Horário 14 às 16h
Local Auditório Cassiano Nunes - BCE
Comunicador/a Título da Comunicação
Francisco Octávio; Bittencourt de Sousa 1929-1930: O “MORDE E ASSOPRA” DE
CULTURAS POLÍTICAS EM RESSIGNIFICAÇÃO
Antônio Vinicius Santos Pinho Literatura Poética e História: O nordeste das
representações criadas por Maria Bethânia
Lucas Barbosa Leite Os conteúdos políticos das reformas educacionais
empreendidas nos Estados de São Paulo, por Sampaio
Dória, em 1920; e em Minas Gerais, por Francisco
Campos, nos anos de 1927-1928

Grupo 2
Data 22/10/2019
Horário 16h às 18h
Local Auditório Cassiano Nunes - BCE
Comunicador/a Título da Comunicação
Lívia Tomkwitz Sousa A Lei de Segurança Nacional como instrumento da
concentração de poder do Governo Vargas (1935-
1937)
Rodrigo Otavio Seixas Ferreira A Campanha da libertação: ideologia e expressões
simbólicas
Jackson Gomes Pinheiro Jornal O Estado de São Paulo e a representação da
figura de Getúlio Vargas em seu Segundo Governo
Albene M. M. Klemi A Mídia e o Segundo Governo Vargas: aspectos
da polarização populismo versus liberalismo (1950-
1954)
Grupo 3

Data 23/10/2019
Horário 14h às 16h
Local Auditório Cassiano Nunes - BCE
Comunicador/a Título da Comunicação
Rafael Pereira da Silva A literatura testemunhal de Yvonne Jean na ditadura
civil-militar brasileira.
Nathanael Martins Pereira O Genocídio Indígena na Ditadura Civil-Militar:
Notícias do Jornal do Brasil na década de 1970.
Enize Neves Lopes A trajetória do Movimento Feminino pela Anistia sob a
perspectiva do Jornal do Brasil.
Léa Maria Carrer Iamashita Projeto de Pesquisa da documentação sobre o
Movimento Estudantil da UnB durante o Regime
Militar, abrigada no Arquivo Central (ACE-UnB).

Grupo 4

Data 23/10/2019
Horário 16h às 18h
Local Auditório Cassiano Nunes - BCE
Comunicador/a Título da Comunicação
Rogério Lustosa Victor As extremas direitas e a disputa pelas representações do
passado: do Integralismo a Jair Bolsonaro.
Sérgio Ricardo Coutinho A AMAZÔNIA ENTRE A IGREJA E OS
MILITARES: o 1º Encontro Pan Amazônico de
Pastoral Indigenista e o Pacto Amazônico.
Leny Vieira Valadão LUGAR DE MULHER É NO SINDICATO:
participação feminina no Sindicato dos Bancários de
Brasília – espaços de poder nos anos 1980.

ST 02 – USOS DOS PASSADO E RESPONSABILIDADE


SOCIAL

ST 2 – USOS DO PASSADO E RESPONSABILIDADE SOCIAL


Coordenadores/as: Maria Filomena Coelho (HIS/UnB); Leandro Rust (HIS/UnB)

Grupo 1

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local Sala de Pós-Graduação de História
Comunicador/a Título da Comunicação
Magda Rita Ribeiro de Almeida Duarte “Cruzada Albigense”: repensando os usos da ideia de
cruzada para as campanhas no Languedoc (1209 –
1229)
Scarlett Dantas de Sá Almeida A recriação do passado aristocrático: a nobreza em
Castela (séc. XV)
Felipe Ferreira de Paula Pessoa O espelho do rei: os usos do passado e a imagem de D.
Dinis
Marina Rolo S. K. do Nascimento O acontecimento histórico à luz de períodos distintos: a
caça às bruxas e aos ciganos no século XVI,
representada em “Notre Dame de Paris” no século XIX
e debatida até a contemporaneidade.
Kátia Brasilino Michelan A apropriação da Idade Média pelas narrativas
patrimoniais.
Rebeka Leite Costa Igreja Católica e Caudilhos: processo de independência
da América latina
Thais Rosalina de Jesus Turial Recriações da história da Operação Pedro Pan nos
conflitos políticos entre Estados Unidos e Cuba
Pedro Eduardo Batista Ferreira da Silva Distância histórica e usos do passado na História
Filosófica de David Hume

Grupo 2
Data 23/10/2019
Horário 14h
Local Sala de Pós-Graduação de História
Comunicador/a Título da Comunicação
Larissa Cardoso Campos A presença feminina nos folhetins do século XIX -
Aquelas que contaram histórias no Jornal do
Commercio do Rio de Janeiro
Marcella Vieira Viana A atuação do movimento estudantil do Amapá durante
a ditadura civil-miltar: entre apoios e resistências
(1964-1968)
Amanda de Oliveira Passos Cinema candango, cineclubismo e ditadura militar: as
lutas culturais no Distrito Federal durante os anos 70
Fabio Oscar Lima O Passado que não passa: o fim da Nova República e as
fragilidades da democracia brasileira.
Daniela Linkevicius de Andrade A responsabilidade social dos historiadores na
construção da autoridade de discursos sobre o passado
no ciberespaço
Paula Franco Virar a página? Disputas públicas a respeito do recente
passado brasileiro.
Pedro Willian Dourado Teixeira A filosofia da informação: investigação dos novos
fenômenos de pós-verdade como agentes de mudança
onto-epistêmicas.
Isabela Gomes Parucker Usos do futuro: distopia como procedimento para
pensar a história e seus limites e possibilidades
ST 3 – AS IDEIAS POLÍTICAS NA HISTÓRIA MODERNA:
OBSTÁCULOS E DIFICULDADES

ST 3 – AS IDEIAS POLÍTICAS NA HISTÓRIA MODERNA: OBSTÁCULOS E DIFICULDADES


Coordenador: Daniel Gomes de Carvalho- HIS/ UnB

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local AT 08 da Faculdade de Direito - FD
Comunicador/a Título da Comunicação
Wendell Ramos Maia ENTRE CONCEPÇÕES, COERÊNCIA E A
LINGUAGEM: CONTRIBUIÇÕES E
PERSPECTIVAS PARA A HISTÓRIA DAS IDEIAS
Thalyta Valéria Castro de Oliveira Lucena O SACRIFÍCIO PERSUASIVO: A RETÓRICA DO
MARTÍRIO COMO ESTRATÉGIA DE PERSUASÃO
E O POSICIONAMENTO DOUTRINÁRIO-
TEOLÓGICO DE JOHN BALE NAS
EXAMINAÇÕES DE ANNE ASKEW
José Willem Carneiro Paiva THOMAS MUNTZER, GUERRA DOS
CAMPONESES E REORGANIZAÇÃO COMUNAL
DAS CIDADES SAXÃS NO SACRO IMPÉRIO
ROMANO (1520-1525)
Gino de Castro Pinori USOS DE HUMANIDADE EM HISTORY OF
JAMAICA (1774)
Maria Clara Andrade Gonçalves O CONSERVATÓRIO DRAMÁTICO BRASILEIRO
E A CENSURA TEATRAL NO BRASIL
OITOCENTISTA
Wanderson William Alves Silva REDEMOCRATIZAÇÃO DA BOLÍVIA NA
PERSPECTIVA DA CHANCELARIA BRASILEIRA
(1980- 1985)
Rebeca Mylena Gouveia de Lima “TO THE QUENES MOSTE EXCELENT MAIESTIE
QUENE ELIZABETH”: O DISCURSO POLÍTICO-
TEOLÓGICO DO PREFACE TO THE QUEEN NAS
EDIÇÕES DE 1563 E 1570 DO THE ACTS AND
MONUMENTS, DE JOHN FOXE (1516/17-1587)
ST 4 – A ARQUITETURA DA PESQUISA: FONTES,
TEORIA E AUTORIDADE

ST 4 – A ARQUITETURA DA PESQUISA: FONTES, TEORIA E AUTORIDADE


Coordenadore/as: Jonas Wilson Pegoraro (HIS/UnB); Luiz César de Sá (HIS/UnB);

Grupo 1

Data 22/10/2019
Horário 14h30 às 16h
Local A1 11 Faculdade de Direito
Comunicador/a Título da Comunicação
Raylane Marques Sousa O conceito de objetividade em Nietzsche
João Francisco Schramm A autoridade entre os modernos: cientificismo, razão,
mito e progresso
João Marcos Santiago Monteiro Barbosa A análise de dados enquanto fenômeno de leitura:
prévias reflexões sobre a compreensão do pesquisador
Gabriel Câmara Rodrigues Narrativa digital e a ordem dos livros

Grupo 2
Data 22/10/2019
Horário 16h às 17h30
Local A1 11 Faculdade de Direito
Comunicador/a Título da Comunicação
Amanda Bortoluzzi O ensaio biográfico da personagem fictícia em Pais e
Filhos, de Ivan Turgueniev
Karla Pereira Carbonera Entre planos e cenas: o papel dos filmes na
representação da história
Layra de Sousa Cruz Sarmento Literatura de Cordel, a fonte privilegiada: interpretações
históricas das estruturas sociais do Sertão Nordestino a
partir das narrativas de folhetos
José Gomes do Nascimento Memórias e cotidiano: Brasília nos escritos de
Clemente Luz

Grupo 3

Data 22/10/2019
Horário 17h30 às 18h45
Local A1 11 Faculdade de Direito
Comunicador/a Título da Comunicação
Nina Puglia Oliveira A incidência do ruído na paisagem sonora como
elemento espacial crucial na formação das musicalidades
Gabriel Cunha; Ruan Guajajara Comunicação Pública e Territorialidade: um Método de
Gestão Participativa de Estado a partir de uma Análise
Histórico-Geográfica
Míriam Silvestre Limeira Novas leituras em uma mesma representação: o caipira
de Amacio Mazzaropi a partir de Candinho (1954)
Anna Maria de Lira Pontes Ruínas patrimoniais, ruínas históricas: uma análise da
Historical Ruins Protection Charter

Grupo 4

Data 23/10/2019
Horário 14h às 16h30
Local A1 11 Faculdade de Direito
Comunicador/a Título da Comunicação
Bruno Costa’ Abordagens de teatralidade, discurso e poder em uma
pesquisa de antiguidade romana e o funcionamento de
um cenário político (I d.C.)
José Vitor de Lucena Canabrava A Historiografia como problema: as interpretações
sobre as leis florestais do medievo inglês.
Beatriz de Oliveira Andrade Agentes régios no Brasil colonial
Vanessa Queiroz Outros fronts: Reflexões sobre escritos de médicos
sobre a Guerra do Paraguai como fontes de pesquisa e
algumas considerações sobre metodologia em História

Grupo 5

Data 23/10/2019
Horário 16h30 às 17h30
Local A1 11 Faculdade de Direito
Comunicador/a Título da Comunicação
Tiago Luís Gil O uso de bases de dados na pesquisa em história: o caso
da Base Malta
Larissa Teixeira Soares Dados quantitativos e análises qualitativas das
pesquisas em História Moderna e Colonial: um
mapeamento das revistas acadêmicas
Ana Lígia Adami História Moderna e Colonial: uma análise das
referências de pesquisadores atuantes no Brasil, no
século XXI
Jonathan Simon Barbosa Genealogia acadêmica: a Plataforma Acácia e redes de
pesquisa

Grupo 6

Data 23/10/2019
Horário 17h30 às 18h45
Local A1 11 Faculdade de Direito
Comunicador/a Título da Comunicação
Amanda do Couto e Silva Pinheiro Considerações teóricas sobre o uso da Análise de Redes
Sociais em história
Maria Clara Silva; Verônica Lemos de Oliveira Baú Maria Alice: construção de dossiê de arquivo
Maia privado para fins de doação
Artur Nogueira Santos e Costa Fontes, metodologias e problemas na investigação com
ensino de história: um percurso
MARCOS PAULO TEIXEIRA DE ALMEIDA “Para o brasil ir para frente”: o que era esperado de um
presidente da república nas cartas enviadas à
presidencia (1998)

ST 5 – MUNDO INTELECTUAL ENTRE ANTIGOS E


MODERNOS

ST 5 – MUNDO INTELECTUAL ENTRE ANTIGOS E MODERNOS


Coordenadora: Camila Condilo (HIS/UnB)

GRUPO 1

Data 23/10/2019
Horário 14 às 15:30hs
Local A1 13 FACULDADE DE DIREITO
Comunicador/a Título da Comunicação
Tiago de Oliveira Veloso Silva Transição do sujeito medieval para o indivíduo
moderno: Construção de autor e autoridade
Letícia Cardoso Carrijo A medicina no Portugal medieval (Alcobaça, século
XV)
Luiz Felipe Martos Usos da linguagem no século XVI espanhol

GRUPO 2

Data 23/10/2019
Horário 16h às 18h
Local A1 13 FACULDADE DE DIREITO
Comunicador/a Título da Comunicação
Cíntia Chaves Rodrigues Ex literarum studiis immortalitatem acquiri: Um estudo
sobre a imortalidade nos emblemas de Andrea Alciato
(1531-1621)
Janaina Silva Santana O ethos do pregador: A auctoritas ‘Las Casas’ em La
brevíssima relacion de la destruycion de las Índias
(1542)
Lucas Augusto Pietra Usos do Pimandro em François Foix de Candale (1579)
Vital Francisco Celestino Alves Os sufrágios e os comícios na teoria política de
Rousseau

ST 6 – O QUE NOS ENSINAM AS MULHERES


INDÍGENAS, NEGRAS, ORIUNDAS DE
COMUNIDADES TRADICIONAIS E MORADORAS
DE PERIFERIAS URBANAS?

ST 6 – O QUE NOS ENSINAM AS MULHERES INDÍGENAS, NEGRAS, ORIUNDAS DE


COMUNIDADES TRADICIONAIS E MORADORAS DE PERIFERIAS URBANAS?
Coordenadoras: Cristiane de Assis Portela (HIS/UnB); Susane Rodrigues de Oliveira (HIS/UnB); Bruna
Paiva de Lucena (SEDF)

GRUPO 1

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local Sala do Programa de Pós-Graduação em Metafísica
Módulo 26 - ICC Norte
Comunicador/a Título da Comunicação
Alessandra Tereza Mansur Silva Narrativas Tabajara no coração do Brasil: uma literatura
de cordel
Braulina Aurora Baniwa Do território às universidades: indígenas mulheres na
luta pelos seus direitos
Elizabeth Ruano-Ibarra; Victoria Miranda da Mulheres indígenas, ensino superior e colonialidade de
Gama gênero
Flávia Pereira Machado Colonialidade, conhecimento situado e lugar de fala:
diálogos entre Patrícia Hill Collins, Grada Kilomba e
Djamila Ribeiro
Givânia Maria da Silva Gênero e terra: o que nos ensina o conceito de “terra de
mulheres” de Neusa Gusmão
Rosiene Francisco dos Santos “Nossos passos vêm de longe”: Narrativas e
experiências de uma pesquisadora Kalunga e seu
pretoguês na universidade
Sílvia Guimarães Sobre orientações e provações: relatos sobre o conviver
múltiplo na pós-graduação
Sirlene Barbosa Correa Passold; Cristiane de Interseccionalidades e as mulheres; desapocadas; do
Assis Portela Puris: conhecimentos tradicionais e categorias nativas
de beleza entre mulheres quilombolas do norte de
Minas Gerais
Vanessa Hãtxu de Moura Karajá Narrativas de Hatxu Karajá: uma estudante, mãe e
indígena
Kelly Diogo de Lima Saberes tradicionais e os cuidados na gestação e parto

Patrícia Cibele da Silva Tenório Almerinda Farias Gama: os rios da oralidade que
correm contra o apagamento da trajetória de uma
pioneira do feminismo no Brasil
Cristiane de Assis Portela “Somos mulheres das águas, mas também da lama e do
mangue!”: narrativas de uma pesquisadora quilombola
de território pesqueiro na Universidade de Brasília

GRUPO 2

Data 23/10/2019
Horário 14h
Local Sala do Programa de Pós-Graduação em Metafísica
Módulo 26 - ICC Norte
Comunicador/a Título da Comunicação
Ana Carolina de Souza Tamo junto, irmão! A arte periférica como um método
educacional
Carlos André de Jesus Campos Elas do Sol: mulheres inspiradoras da quebrada no
Distrito Federal
Maria das Dores do Rosário Almeida A escola deve ser aberta ao plural, aos saberes dos
livros e aos saberes das memórias
Lívia Gomes de Luccas; Alessandra Regiane Uma experiência de inventário cultural por meio de
Sales narrativas de mulheres do campo no Centro
Educacional PAD/DF
Lívia Tomkwitz Sousa Uma pedagogia engajada para o ensino de história:
interlocuções e ensinamentos em diálogo com bell
hooks
Ana Claudia Souza Dias De Ronilda para Maria Rozilda de Souza, a voz
insurgente de uma aluna na década de 1960 no interior
de Minas Gerais
Jéssica Marques da Costa 7. Tecendo algumas análises sobre a feminização do
trabalho a partir da exposição “Mulheres: trabalho, fios
e tramas” no Museu Histórico de Jataí – GO
Larissa da Silva Meneses Eu sou atlântica e amefricana: intelectuais negras e as
lutas pela palavra
Nanah Sanches Vieira Aquelas que escrevem: a intelectualidade em outras
modernidades
Renata Melo Barbosa do Nascimento Representações de mulheres negras: literatura de Jorge
Amado nas lentes do cinema (1935-1987)
Jeraldyn Naranjo Henao “Mujer indígena y poder político local: el caso de una
alcaldesa Nasa en los andes colombianos”
Bruna Paiva de Lucena Escola sentida e vivida: a compreensão indígena dos
espaços de letramentos a partir das narrativas de Célia
Xakriabá
Susane Rodrigues de Oliveira Narrativas históricas feministas: ensinando histórias do
possível por outros modos de subjetivação

ST 7 – RELAÇÕES DE GÊNERO NA
CONTEMPORANEIDADE: VOZES PLURAIS

ST 7 – RELAÇÕES DE GÊNERO NA CONTEMPORANEIDADE: VOZES PLURAIS


Coordenadores/as: Eloísa Pereira Barroso (HIS/UnB); Mateus Gamba Torres (HIS/UnB) e Clerismar Aparecido
Longo (IdA/UnB)

GRUPO 1

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local Sala de Reuniões do Departamento de História
Comunicador/a Título da Comunicação
Danilo Henrique Faria Mota Detesto fazer as denúncias, mas não posso viver sem
fazê-las: a dialética da memória e esquecimento nas
vozes guerrilheiras em ‘que bom te ver viva’ de Lúcia
Murat
Wanderson Tobias Rodrigues Os poderes marcados no corpo feminino
Maria Célia da Silva Gonçalves Representações da Loucura nas Relações de Gênero:
um estudo de caso em João Pinheiro (MG) na década de
70
Raian Souza Santos Homossexualidade no Ninho das Águias: repressão
sexual de militares na ditadura brasileira
Mateus Henrique Siqueira Gonçalves Pierre Seel e Rudolf Brazda: trauma e memória na
escrita da catástrofe dos sobreviventes homossexuais do
parágrafo 175
Patrícia Cibele da Silva Tenório Almerinda Farias Gama: os rios da oralidade que
correm contra o apagamento da trajetória de uma
pioneira do feminismo no Brasil

GRUPO 2

Data 23/10/2019
Horário 14h
Local Sala de Reuniões do Departamento de História
Comunicador/a Título da Comunicação
Eliane Cristina Brito de Oliveira As vozes femininas do Rap DF: as identidades de
gênero, classe, raça pela perspectiva das mulheres que
participam do movimento Rap do DF
Pedro Farias Mentor O Tribalismo Masculinista de Jack Donovan:
Androfilia, as virtudes dos homens e a matilha urbana
Ada Vitenti “Clementina de Jesus e a poética-musical dos vissungos
reverberada no Lp “O canto dos escravos” (1928 –
1982)”
Bianca Adami Romero “Vivas nos queremos”: o surgimento de coletivos
feministas secundaristas em São Paulo
Daniela Almeida Raposo Torres; Laura Crippa Discriminação de preços segundo gênero: uma análise
do Amaral da diferença de precificação de produtos voltados ao
público feminino no Brasil
Janaina Ferreira dos Santos da Silva Mulheres na política de Goiás no século XX: lugares
sociais e trajetórias encontradas no jornal Folha de
Goyaz
Elaine Caroline Carneiro Lima; Marilza Sales A violência contra a mulher em processos criminais da
Costa mesorregião do sudeste do Pará

Rosa Jussara de Bonfim Entre a ética e o conhecimento: saberes sobre o


plagiarismo.

ST 8 – UNIVERSIDADE PÚBLICA E EDUCAÇÃO:


PENSAMENTO BRASILEIRO E DEBATES
CONTEMPORÂNEOS

ST 8 – UNIVERSIDADE PÚBLICA E EDUCAÇÃO: PENSAMENTO BRASILEIRO E DEBATES


CONTEMPORÂNEOS
Coordenadores/as: Fábio Mascarenhas Nolasco; Gilberto Tedeia; Giovanni Zanotti, Raquel Imanishi Rodrigues

GRUPO 1

Data 22/10/2019
Horário 14h às 18h
Local Sala do Programa de Pós-Graduação em Filosofia,
módulo 25, subsolo ICC NORTE
Comunicador/a Título da Comunicação
Raquel Imanishi; Fábio Nolasco Um olhar retrospectivo sobre o percurso da
Universidade Pública no Brasil
Daniel Garcias Gonçalves; Marília Luisa Peluso Educação de jovens e adultos, segregação socioespacial
e ensino de geografia no Distrito Federal: um caminho
para a cidadania
Liliane Carneiro dos Santos Ferreira Um panorama sobre os documentos da Campanha
Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior
Lucas Moura Vieira A relação universidade/sociedade em a Universidade
Necessária de Darcy Ribeiro

GRUPO 2

Data 23/10/2019
Horário 14h às 18h
Local Sala do Programa de Pós-Graduação em Filosofia,
módulo 25, subsolo ICC NORTE
Comunicador/a Título da Comunicação
Giovanni Zanotti Sobre reformas neoliberais e a ideia da educação
pública
Maria Eduarda Durães Martins.; Pedro Barbosa Estética, ancestralidade e insubmissão no hip hop: um
estudo do disco “Ladrão” (2019) de Djonga
Wesley Torres Pinheiro Sampaio; Bruna Barbosa Geografia escolar x geografia acadêmica –
De Lucena apontamentos para uma amálgama entre dois ramos da
mesma ciência
Rogério Basali Filosofar e ensinar a filosofar: experiências da
Residência Pedagógica

ST 9 – GOVERNOS, GENTES E
TERRITORIALIDADE NO ATLÂNTICO IBÉRICO
(SÉCULOS XVII – XIX)

ST 9 – GOVERNOS, GENTES E TERRITORIALIDADE NO ATLÂNTICO IBÉRICO (SÉCULOS


XVII – XIX)
Coordenadores: José Inaldo Chaves Júnior (HIS/UnB)

GRUPO 1

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local Sala do Programa de Pós-Graduação em Metafísica
Epistemologia do Romance, módulo 26, subsolo ICC
Norte.
Comunicador/a Título da Comunicação
Thalita Alves Sant’Ana de Oliveira As chamas da Inquisição para as bruxas dos terreiros: o
processo de demonização das religiões afro-brasileiras
no Brasil colonial (XIX-XVIII)
Rafael Lima Meirelles de Queiroz Devoção em Disputa: as divergências entre os
carmelitas da Ordem Terceira e primeira no Recife
setecentista
Gabriel Luan Oliveira da Silva Pereira de Jesus O peso da morte na vida econômica em uma sociedade
de Antigo Regime
Andrey Soares Pinto Escravidão no Antigo Regime dos Trópicos e as
estratégias sutis de controle
Márcia Cecília Flexa Freitas Circulação de mercadorias no Grão-Pará na segunda
metade do século XVIII e início do século XIX
Débora de Oliveira Sinfrônio A narrativa iconográfica de São Francisco de Paula nas
pinturas do teto da capela-mor da Igreja da Cidade de
Goiás (GO)
José Inaldo Chaves Júnior Os sertões do Tocantins: histórias indígenas e
colonização entre o Estado do Brasil e o Estado do
Grão-Pará e Maranhão (1750-1780)

ST 10 – HISTÓRIA PÚBLICA E ORALIDADES

ST 10 – HISTÓRIA PÚBLICA E ORALIDADES

Coordenadora: Marta Gouveia de Oliveira Rovai (UNIFAL)

GRUPO 1
Data 22/10/2019
Horário 14h
Local Sala de Defesa do Programa de Pós-Graduação em
História - PPGHIS.
Comunicador/a Título da Comunicação
Juliana Rampim Florêncio Comer e cozinhar: revelando tramas e práticas alimentares
como possibilidades de representação e identidades nas feiras
do Guará e da Torre de TV.
Yazmin Bheringcer dos Reis e Safatle Entre a invisibilidade e distorções – A importância da
história oral como método na pesquisa com
comunidades negras rurais
Guilherme Oliveira Lemos Brasília e Democracia Racial: uma análise histórica das
remoções forçadas no Distrito Federal entre 1958-1971
Manuela Muguruza ¿Bicentenario de qué?

Yuri Soares Franco A influência do foro de são paulo nas mudanças de


estratégias política das esquerdas latino-americanas
entre 1990 e 1995

ST 11 – CRIME(S), CONTRAVENÇÕES E
VIOLÊNCIA(S) ATRAVÉS DOS PROCESSOS
JUDICIAIS: NOVAS ABORDAGENS
HISTORIOGRÁFICAS

ST 11 – CRIME(S), CONTRAVENÇÕES E VIOLÊNCIA(S) ATRAVÉS DOS PROCESSOS


JUDICIAIS: NOVAS ABORDAGENS HISTORIOGRÁFICAS
Coordenadoras: Leticia Souto Pantoja (Unifesspa-CRHM); Marilza Sales Costa (Unifesspa-CRHM)

GRUPO 1

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local A1 15 da Faculdade de Direito - FD
Comunicador/a Título da Comunicação
Éder Mendes de Paula O Louco Infrator Deixa a Sombra: Crime e Loucura em
Goiás.
José Gomes do Nascimento Representações de gênero em ocorrências policiais de
violência contra mulheres na construção de Brasília
Naara Fernanda da Silva Mendes; Leticia Souto Corpos desvalidos: moralidade, honra e questões de
Pantoja gênero em processos criminais de defloramento na
Cidade de Marabá-Pa (1920-1970)
Marilza Sales Costa Processos criminais de homicídio no sudeste do
Amazônia Legal
Leticia Souto Pantoja Crime e castigo! Os processos judiciais por castigos
imoderados como reveladores de uma pedagogia da
infância Amazônida.

GRUPO 2

Data 23/10/2019
Horário 14h
Local A1 15 da Faculdade de Direito - FD
Comunicador/a Título da Comunicação
Paulo Henrique da Silva Comportamentos desviantes: o papel da polícia na
disciplinarização dos indivíduos na segunda metade do
século XIX na corte do Rio de Janeiro
Lellison de Abreu Souza Samba e violência: atuação policial contra pobres e
rodas de samba em algumas Composições
Valentina de Carvalho Calderon Sistema Penitenciário Brasileiro na Ditadura – as
legislações e suas organizações criminosas: a formação
da Falange Vermelha durante as décadas de 70-80 no
estado do Rio de Janeiro.
Vitor Emílio Barros de Brito Educação Formal e a sua relação com a ressocialização
de jovens em conflito com a lei na Semiliberdade de
Taguatinga
Carolina Ferreira Barbosa, Márcio Antonio A importância do Arquivo Judiciário para análise dos
Rodrigues, Renata Silva e Silva conflitos cotidianos na cidade de Marabá-Pa, entre 1950
e 1970.
Beatriz Bianca Teixeira Caetano Promessas do silêncio na casa de correção da corte.

ST 12 - EXPLORAÇÃO E OPRESSÃO DE GÊNERO,


RAÇA E SEXUALIDADE NO BRASIL: UMA
ANÁLISE DOS ELEMENTOS HISTÓRICOS E
RELAÇÕES HETEROPATRIARCAIS
ST 12 - EXPLORAÇÃO E OPRESSÃO DE GÊNERO, RAÇA E SEXUALIDADE NO BRASIL:
UMA ANÁLISE DOS ELEMENTOS HISTÓRICOS E RELAÇÕES HETEROPATRIARCAIS

Coordenadoras: Profa. Dra. Hayeska Costa Barroso (UnB); Profa. Dra. Maria Elaene
Rodrigues Alves (UnB); Profa. Dra. Valdenízia Bento Peixoto (UnB)

GRUPO 1

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local Sala de Reuniões do Departamento de Serviço Social
- SER
Comunicador/a Título da Comunicação
Djonatan Kaic Ribeiro de Sousa Opressão sexual no capitalismo’
Larissa Cardoso Campos A presença feminina nos folhetins do século XIX -
Aquelas que contaram histórias no Jornal do
Commercio do Rio de Janeiro
Naara Fernanda Da Silva Mendes Corpos desvalidos: moralidade honra e questões de
Letícia Souto Pantoja gênero em processos criminais de defloramento na
Cidade de marabá-pa (1920-1970).
Talles Raiony da Conceição Viana Imprensa negra no Brasil Regencial

Danielle Galdino Solouki A feminização da migração internacional e seus


reflexos no Brasil: uma análise interseccional das
relações de gênero-raça-classe

ST 13 – O PAPEL DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS


NA FORMAÇÃO EM HUMANIDADES E
LINGUAGENS: PESQUISAS, EXPERIÊNCIAS E
PERSPECTIVAS

ST 13 – O PAPEL DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS NA FORMAÇÃO EM HUMANIDADES E


LINGUAGENS: PESQUISAS, EXPERIÊNCIAS E PERSPECTIVAS
Coordenadores/as: Thiago Faria e Silva (IFB); Tatiana de Macedo Soares Rotolo (IFB) e Ana Luiza de
França Sá (IFB)

GRUPO 1

Data 22/10/2019
Horário 14h
Local Sala do Programa de Pós-Graduação da Geografia,
módulo 23, subsolo ICC Norte.
Comunicador/a Título da Comunicação
Ana Lígia Viana Adami História Moderna e Colonial: uma análise das
referências de pesquisadores atuantes no Brasil no
século XXI
Josias José Freire Júnior Produzir Histórias: uma proposta para o ensino de
História no Ensino Médio Integrado

Luan do Carmo da Silva O portofólio na geografia: instrumento para a formação


técnico-profissional
Caroline Soares Santos; Luiz Fernando R. Lopes Êxitos e desafios do ensino de Ciências Humanas em
um curso técnico na modalidade PROEJA: um relato de
experiências
Giulianne Pimentel, Tatiana Rotolo e Thiago Saberes críticos: O potencial do ensino de humanidades
Faria e Silva na formação de cozinheiros profissionais e gastrólogos

GRUPO 2

Data 23/10/2019
Horário 14h30
Local Sala do Programa de Pós-Graduação da Geografia,
módulo 23, subsolo ICC Norte.
Comunicador/a Título da Comunicação
Mariana Teixeira dos Santos Militarização das escolas públicas do DF: uma análise
dos discursos sobre o medo

Vítor Emílio Barros de Brito Educação Formal e sua relação com a ressocialização
de jovens em conflito com a lei na semiliberdade de
Taguatinga
Alexandre Bruno Barzani Santos; Eunice Maria Adaptação e readaptação dos alunos que passaram pela
Pinheiro experiência de emigrar/imigrar

Elen Carolina Carvalho da Silva O papel da mulher na obra Senhora de José de Alencar
através de análise no livro e filme
Newton Vieira Lima Neto Ensino de línguas e humanidades com linguagens
outras: implementação de jogos teatrais na educação
básica
RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES
ST 1 - ATORES POLÍTICOS E DIMENSÕES POLÍTICAS NO
BRASIL REPUBLICANO
Coordenadoras: Dra. Ione Oliveira (HIS/UnB) e Dra. Léa Carrer Iamashita (HIS/UnB)

22/10
de 14 às 16h

1. Mulheres na política de Goiás no século XX: lugares sociais e trajetórias


encontradas no jornal Folha de Goyaz
Janaina Ferreira dos Santos da Silva

Resumo:

Existiram mulheres candidatas e eleitas politicamente em Goiás, quando pensamos no


século XX? A partir de análises do jornal Folha de Goyaz, mais influente jornal goiano
do período, foi feito um acompanhamento das eleições ocorridas a partir do início deste
século. Aspectos fundamentais para entender a política neste recorte espaço e tempo
foram levantados, além da caracterização de Goiás e as características que determinavam
o mundo feminino, tudo pensando no século XX. Como principal fonte do trabalho
desenvolvido, tornou-se importante entender o discurso do jornal, principalmente
referente as mulheres. Assim, este trabalho buscou visibilizar às mulheres que se
dedicaram a adentrar no mundo político: Onde estavam, o que buscavam e como eram
representadas, além de levantar questões sobre os lugares sociais permitidos as mulheres
em Goiás no período.

Palavras-chave:

Mulheres; Política; Goiás.

2. 1929-1930: O “MORDE E ASSOPRA” DE CULTURAS POLÍTICAS EM


RESSIGNIFICAÇÃO
FRANCISCO OCTÁVIO BITTENCOURT DE SOUSA

Resumo:

Partindo da análise bibliográfica, buscou-se discorrer sobre a aplicação dos conceitos de


“coronelismo” e “populismo”, dessa feita relacionando seus usos no pensamento social
brasileiro com as culturas políticas e culturas históricas a eles referidos, entre a Primeira
República e a chamada Revolução de 1930. Nesse sentido, pondo em diálogo as
historiografias referentes às oligarquias de Goiás e Paraíba, traçou-se um perfil histórico
dos antecedentes e das consequências da Revolução de 1930 no estado de Goiás,
considerando os jogos políticos locais e o papel das elites agrárias. As fontes jornalísticas
do período, depositadas no Arquivo Público do Estado de Goiás, em especial o Jornal
“Voz do Povo”, constituíram o material primário analisado.

Palavras-chave:

coronelismo; populismo; cultura política; Goiás; Paraíba; jornal.

3. Literatura Poética e História: O nordeste das representações criadas por


Maria Bethânia
Antônio Vinicius Santos Pinho

Resumo:

A presente pesquisa faz um estudo histórico-literário da configuração estética do


Nordeste na obra “Caderno de Poesias”. O estudo leva em consideração a voz e o lugar
de fala da autora e intérprete Maria Bethânia. Para tanto, a performance da artista e os
textos do Caderno guiam a análise feita nesta pesquisa. O objetivo é analisar a associação
entre história, poesia e canção, e como os três se fundem para a construção de novas ideias
acerca do nordeste brasileiro e suas especificidades. Trabalha-se com as motivações e
ressignificações que a autora constantemente se utiliza durante toda a obra literária,
misturando canções e poesias, a maioria do século XX, pra transmitir sua mensagem,
situada entre o final da primeira década e metade da segunda do século XXI. O trabalho
está situado no campo da História das ideias políticas do Brasil república e faz
interdisciplinaridade com a Literatura. Trata-se de compreensões históricas atreladas à
contribuição interdisciplinar da teoria literária. O texto considera a criação de no mínimo
três nordestes: o do texto, o da performance e o da recepção. Tendo como fio condutor
das ideias produzidas o tempo, o espaço geográfico e político. Percebe-se que, Maria
Bethânia possui intensa conectividade com as questões sociais de seu tempo e atua como
ser político na propagação de ideias e leituras acerca do que observa do Brasil. A
intérprete dá aos leitores, assim como Caio Prado Junior, Gilberto Freyre e outros, novas
possibilidades para pensar o Nordeste contemporâneo por meio de elementos
significativos sentimentalmente do passado. Um trabalho que evidencia seu tempo e
espaço e reconfigura visões sobre o território brasileiro e suas especificidades.

4. Os conteúdos políticos das reformas educacionais empreendidas nos Estados


de São Paulo, por Sampaio Dória, em 1920; e em Minas Gerais, por Francisco
Campos, nos anos de 1927-1928
Lucas Barbosa Leite

Resumo:

A pesquisa teve como objetivo analisar as reformas educacionais supracitadas, numa


década marcada por uma mudança de pensamento em relação à educação brasileira, que
passou a ser tratada como uma das chaves para a modernização do país. Junto a essas
mudanças vieram marcas de vieses ideológicos diversos, a depender da reforma estudada,
por isso foi de nosso intuito identificar quais influências cada reforma recebeu,
principalmente o modelo da Escola Nova, considerado o mais moderno à época, assim
como possíveis raízes autoritárias, uma vez que esse foi o regime marcante na década
posterior com o Estado Novo. Para que a pesquisa se tornasse possível, analisamos os
textos de cada reforma, anuários de ensino, anais da Câmara e do Senado de cada estado,
assim como obras dos próprios Francisco Campos e Sampaio Dória e trabalhos
acadêmicos de referência, para identificarmos o teor dos discursos dos parlamentares, isto
é, quem estava a favor ou não da reforma, quais pontos receberam maior destaque ou
foram contrariados, se houveram mudanças dos textos iniciais e qual modelo educacional
influenciou cada uma das reformas. A pesquisa foi importante para entendermos como
foram os debates iniciais acerca da educação no país, principalmente a respeito da
educação popular, sendo possível traçar um paralelo com as questões educacionais que
são discutidas até hoje.

22/10/2019
de 16 às 18h

1. A Lei de Segurança Nacional como instrumento da concentração de poder


do Governo Vargas (1935-1937)
Lívia Tomkwitz Sousa

Resumo:

Esta pesquisa analisa em que termos a Lei de Segurança Nacional serviu de instrumento
para a remoção de pessoas de cargos políticos pelo simples fato delas se posicionarem
contrárias às ideias de Getúlio Vargas ou representarem alguma ameaça à sua
continuidade no poder. Ao contrário do que pregava, o governo não perseguiu apenas
comunistas, procurando excluir do cenário político quaisquer adversários com projetos
de poder alternativos ou que rivalizavam com Vargas na busca pela cadeira presidencial.
Rotineiramente o presidente procurou afastar pessoas da oposição – e até aliados que não
julgasse fiéis – conservando, na classe política, somente aqueles que seguiam suas
diretrizes e, consequentemente, manteve na medida do possível homogênea sua base
governista. Muitos militares e políticos que se posicionavam contra Vargas foram
enquadrados nessa lei, sendo também objetos deste estudo.

2. A Campanha da libertação: ideologia e expressões simbólicas


RODRIGO OTAVIO SEIXAS FERREIRA

Resumo:

O intuito básico dessa comunicação é apresentar uma análise dos discursos e dos
elementos simbólicos presentes na “campanha da libertação”, isto é, a campanha
presidencial do Brigadeiro Eduardo Gomes em 1945. Por meio do exame da cobertura
dos jornais Correio da Manhã, Diário Carioca e Diário de Notícias (suas reportagens,
entrevistas e editoriais), a ideia é buscar ressaltar como, em consonância com as críticas
veementes dirigidas à ditadura do Estado Novo e ao presidente Getúlio Vargas, esses
periódicos construíram uma imagem heroica e até mesmo mítica do candidato udenista,
fazendo uso de estratégias análogas àquelas que acusava no modus operandi varguista.
Nesse sentido, há três momentos que consideramos emblemáticos, quais sejam, 1º) o
desencadeamento, em fevereiro de 1945, da campanha hegemonizada pelos grupos
liberal-oligárquicos, consubstanciada na frente política que resultou na criação da UDN
(União Democrática Nacional); 2º) o assombro, sobretudo nos meses de junho a agosto,
em face da ascensão do movimento pró-Vargas; 3º) em dezembro, a desilusão e a
consequente depreciação da manifestação eleitoral dos brasileiros.
Palavras-chave:
Campanha Eleitoral; Eduardo Gomes; Udenismo; Imprensa.

3. Jornal O Estado de São Paulo e a representação da figura de Getúlio Vargas


em seu Segundo Governo
Jackson Gomes Pinheiro

Resumo
O início da década de 50 foi marcado por um processo de transição na imprensa, em que
o jornalismo político literário perde força, dando maior espaço para um modelo de
jornalismo empresarial, formato que visava à ampliação do seu mercado consumidor e a
transmissão de notícias de maneira objetiva e imparcial. Cogita-se que a imprensa
brasileira não foi neutra, nem um mero transmissor de informações. Ela teve papel
fundamental na estruturação de costumes sociais e também como agente em processos de
intervenções do jogo político. O Jornal O Estado de São Paulo (ESP) interioriza as novas
transformações estruturais, mas continua a manipular interesses políticos nesse processo.
Assim, visa-se identificar algumas representações negativas feitas pelo ESP à persona de
Vargas em seu Segundo Mandato. Entende-se, que representação está diretamente ligada
à produção de sentidos que auxiliam a edificar a realidade, orientando práticas sociais e
reconhecendo (ou não) identidades sociais. Dentre as razões para essas produções de
sentido negativas, pode-se citar o caráter conservador e, ao mesmo tempo, liberal do ESP,
conflitantes com os rumos do Governo e um sentimento de ressentimento desta mídia
pela figura do Vargas devido as medidas políticas-autoritárias impostas ao referido
periódico no primeiro período de governo varguista , particularmente na fase do Estado
Novo, o momento mais ferrenho da prática de abolição das liberdades de imprensa e de
expressão. Levanta-se a hipótese que o rol de representações negativas apresenta
modificações e permanências conforme o desenrolar de acontecimentos políticos e as
posições adotadas por Vargas ao longo do período em pauta. A pesquisa, de natureza
qualitativa, fez levantamento no Acervo online do ESP. Os conceitos teóricos adotados
pautam-se na bibliografia arrolada.

Palavras-chave:
O Estado de São Paulo. Segundo Governo Vargas. Representações de Getúlio

4. A Mídia e o Segundo Governo Vargas: aspectos da polarização populismo


versus liberalismo (1950-1954)
Albene M. M. Klemi (UnB/HIS)

Resumo

Getúlio Vargas, em janeiro de 1951, assumiu o comando de um país diferente daquele


que governara de forma autoritária de 1930 até 1945. A sociedade brasileira em vários
aspectos era mais complexa. Nesse contexto, o arranjo de poder encetado por Getúlio sob
a égide de políticas de inspiração desenvolvimentistas e populistas o coloca como árbitro
de forças políticas e sociais antagônicas, assim como no passado. Sob um regime
democrático, com uma imprensa sem a censura do Estado Novo e uma oposição centrada
em parte em torno de um partido político, a UDN (União Democrática Nacional), com
posições contrárias as do governo, vai deparar-se com uma polarização entre as diretrizes
políticas do governo, de influência populista e nacionalista, e as da oposição, que defendia
um escopo político de influxo liberal. A mídia teve um papel de destaque nesse jogo
político, decorrente, dentre outras variáveis, do seu poder de mobilidade de politizar ou
despolitizar o cotidiano e de acirrar a polarização das narrativas dos conflitos geradores
de crises. Assim, pretende-se analisar a imprensa ao que reporta seu papel político frente
à polarização das propostas até certo ponto antagônicas para o desenvolvimento
brasileiro. Parte-se do pressuposto que jornais impressos difundem interesses políticos de
grupos do jogo do poder. A abordagem considera as posições dos jornais Correio da
Manhã, Tribuna da Imprensa e Última Hora, os dois primeiros de oposição e o último
favorável ao governo. Dá lastro a análise do tema uma pesquisa de fonte de imprensa e
bibliográfica.

23/10/2019,
de 14 às 16h

1. A literatura testemunhal de Yvonne Jean na ditadura civil-militar brasileira.


Rafael Pereira da Silva
Resumo:

A presente comunicação possui dois intuitos: o primeiro deles, articula possibilidades de


produção de conhecimento histórico sobre a história de Brasília partindo de um Fundo
Privado, localizado no Arquivo Público do Distrito Federal (APDF), o Fundo Yvonne
Jean; o outro, descreve a trajetória da personagem, tomando por base seus próprios
registros, analisando de um lado, as suas experiências de atuação política e de outro, a
sua produção intelectual, na qual se insere seus artigos de imprensa, sua obra literária, sua
escrita ordinária (cartas, diários, agendas, cadernos de trabalho, etc.) e seus textos
(auto)biográficos. Um deles, intitulado A Chave, foi produzido durante sua experiência
de cárcere, em Brasília, logo após o golpe de 1964 e trata entre outros temas, da privação
de liberdade e da abolição do tempo vivido. Daqueles fragmentos que emergem
desconexos, é visível a quebra de uma perspectiva de futuro, passando a autora, então, a
se voltar às suas próprias lembranças, num processo de reelaboração do passado com a
reafirmação de sua identidade de escritora e testemunha. Em suma, a ideia que trago é a
de que houve uma sobreposição de temporalidades no percurso de sua trajetória
individual e que só pode ser entendida no conjunto de sua obra escrita.

Palavras-chave:

Yvonne Jean; arquivos pessoais; testemunho.

2. O Genocídio Indígena na Ditadura Civil-Militar: Notícias do Jornal do Brasil


na década de 1970.
Nathanael Martins Pereira

Resumo:
O presente trabalho de pesquisa possui sua relevância para a historiografia nacional por
analisar um período histórico efervescente, que foi gerado com a instauração do golpe de
1964 que culminou nos 21 anos de ditadura militar no Brasil. Especificamente no
contexto da década de 1970, quando supostamente nada poderia ser falado sem a
autorização do órgão censor. Todavia se percebe que jornalistas não deixaram de resistir
ao regime numa escrita sutil e não explícita. Tendo fontes de imprensa com um enfoque
em edições do “Jornal do Brasil” durante a década de 70, dando atenção a notícias que se
relacionem ao genocídio que matou mais de 8.000 de indígenas no Brasil durante o
período. Por toda a história brasileira o genocídio da população indígena é algo
perceptível. Segundo estudiosos, em 1500 no território que hoje é o Brasil havia
aproximadamente 8 milhões de indígenas, sendo que segundo o censo de 2015, são
registradas a presença de 896 mil. Durante a ditadura as forças de construções de rodovias
que se estenderam Brasil adentro, foram catalizadoras da violência exercida pelo estado.
Usando jornais como o “Jornal do Brasil”, podemos direcionar à construção da Rodovia
Transamazônica, que está repleta de momentos de extermínio direcionada aos povos
indígenas que ali viviam.
Serão trabalhadas as notícias, tanto resistências dos jornalistas, quanto na
percepção de que o assunto foi escrito de forma inócua, resultante da censura. Tudo isso
fruto do trabalho da Comissão da Verdade que resultou no relatório de 2014. Tais relatos
miram nos processos de construção e o início do funcionamento das rodovias BR-230,
conhecida como Transamazônica; a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, a BR-210,
conhecida como Perimetral Norte e a BR 163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).
A Transamazônica foi escolhida como prioridade e, por isso, representou uma
verdadeira tragédia para 29 grupos indígenas, dentre eles, 11 etnias que viviam
completamente isoladas. Documentos em poder da Comissão da Verdade apontam, por
exemplo, o extermínio quase que total dos índios Jiahui e de boa parte dos Tenharim. O
território dessas duas etnias está localizado no sul do Estado do Amazonas, no município
de Humaitá. Entre as práticas de violência contra índios já identificadas estão as
“correrias”, expedições de matança de índios organizadas até o final da década de 1970,
principalmente no sul do Amazonas e no Acre. Com essa abordagem, podemos detalhar
e dar visibilidade aos povos indígenas que foram executados pelo Estado de forma
criminosa e sumaria. Estabelecendo o estudo que foque nos indígenas e das atrocidades
cometidas pela ditadura, seu massacre em detrimento do respeito aos povos originários,
no período de 1970 até 1980. Considerando ainda que a imprensa sofreu intervenções de
censura política estatal.

Palavras-chave:

Populações indígenas, ditadura militar, transamazônica, censura, jornais.

3. A trajetória do Movimento Feminino pela Anistia sob a perspectiva do Jornal


do Brasil.
Enize Neves Lopes

Resumo:

O presente trabalho possui a intenção de explorar a atuação do Movimento Feminino Pela


Anistia (MFPA) de acordo com as publicações do Jornal do Brasil, periódico que conferiu
considerável visibilidade à entidade supracitada no período de atividade desta (1975-
1979).

Este estudo se comprometerá em, primeiramente, analisar o contexto histórico da época;


avaliando a segunda década da ditadura civil-militar brasileira e os acontecimentos que
possibilitaram, anos depois, o fim do regime autoritário. Em seguida, examinará o cenário
que propiciou a formação do MFPA, bem como sua estrutura e objetivos. A maneira como
o noticiário retratava o movimento será um ponto de destaque nesta pesquisa, bem como
o comportamento de suas integrantes na cena política e as principais características de
seus encontros; considerando, é claro, o desempenho e o impacto desses veículos de
comunicação dentro do período ditatorial, sobretudo no que tange à luta pela aprovação
da Lei de Anistia.

Palavras-chave:

Ditadura; Anistia; Movimento Feminino

4. Projeto de Pesquisa da documentação sobre o Movimento Estudantil da UnB


durante o Regime Militar, abrigada no Arquivo Central (ACE-UnB).
Léa Maria Carrer Iamashita

Resumo:

O artigo apresenta o Projeto de Pesquisa da documentação sobre o Movimento Estudantil


da UnB durante o Regime Militar (1964-1985), abrigada no Arquivo Central da
Universidade de Brasília. A fase do projeto em curso é a oferta de disciplina optativa pelo
Departamento de História, com o objetivo de analisar a historiografia sobre o tema, bem
como estudar as particularidades do trabalho com fontes arquivísticas. A parte prática da
disciplina é o de inventariamento da documentação reunida no acervo de nome
PROMEMEU - Projeto Memória do Movimento Estudantil. Esta fase inicial justificou-se pela
necessidade de melhor conhecimento do acervo, de forma a elaborar com mais precisão o Projeto
de Pesquisa, estimando prazos, necessidades, custos e as atividades concernentes aos alunos do
curso de história e aos de arquivologia. Ao disponibilizar metade do tempo do curso para a
atividade de produção do inventário, a disciplina oportuniza a avaliação prévia para elaboração
do Projeto de Pesquisa, proporciona ao aluno a reflexão acerca da prática historiográfica,
articulando a historiografia, a teoria e as fontes documentais. Assim, o trabalho objetiva habilitar
os alunos no trabalho com fontes primárias, espera desenvolver o interesse pela pesquisa
documental e a produção de trabalhos acadêmicos sobre a temática, e valorizar o acervo hoje
abrigado pelo Arquivo Central da UnB. O artigo pretende abordar as particularidades da
documentação já acessada.
23/10/2019,
de 16 às 18h

1. As extremas direitas e a disputa pelas representações do passado: do


Integralismo a Jair Bolsonaro.
ROGÉRIO LUSTOSA VICTOR

Resumo:

O movimento integralista pós-1945 teve imensa preocupação em exercer controle sobre


as representações do passado. As lutas por suas representações atingiram a preocupação
com a História, especialmente com a contada por meio dos livros didáticos. Grosso modo,
os integralistas incomodavam a forma como era escrita a atuação do Integralismo na
história política do País, notadamente quanto ao levante de maio de 1938 e à equivalência
Nazismo/Fascismo/Integralismo.
Para os bolsonaristas, membros da mesma família política que os integralistas, por
seu turno, a história mais vulgarizada também é alvo de combate. Nesse caso, sobretudo,
no que alude aos acontecimentos de 1964 e ao regime instalado posteriormente.
Em ambos os casos, a extrema direita, seja como movimento na década de 1950
seja como governo do País, entrou na disputa pelas representações do passado.
Desse modo, buscar-se-á refletir, à luz da ação política dos integralistas e
bolsonaristas, sobre a importância do controle das representações do passado para os
projetos políticos de poder.

Palavras-chave:

Representações do passado; Integralismo; Bolsonarismo.

2. A AMAZÔNIA ENTRE A IGREJA E OS MILITARES: o 1º Encontro Pan


Amazônico de Pastoral Indigenista e o Pacto Amazônico.
Sérgio Ricardo Coutinho

Resumo:

O jornal “O Estado de São Paulo” (OESP) estampou, no início deste ano, a seguinte
manchete: “Planalto vê Igreja católica como potencial opositora” (09/02/2019). Os
militares do atual governo Bolsonaro, por meio da Agência Brasileira de Informações
(ABIN), estavam (ou estão) monitorando as atividades da Igreja Católica no Brasil,
especialmente na Amazônia. Segundo o jornal, os informes da ABIN relatavam os
recentes encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco, no Vaticano, para
discutir a preparação do Sínodo sobre a Amazônia que acontecerá em Roma, em outubro
de 2019.
Com base em documentos que circularam no governo, militares avaliaram que os
setores da Igreja aliados a movimentos sociais e partidos de esquerda, integrantes do
chamado “clero progressista”, pretenderiam aproveitar o Sínodo para criticar o governo
Bolsonaro e obter impacto internacional.
Com a crise do desmatamento e incêndios na Amazônia, em agosto de 2019, o
mesmo jornal noticiou que o presidente Jair Bolsonaro confirmava que a ABIN
continuava monitorando o “Sínodo da Amazônia”. A reportagem trazia também uma
resposta dos bispos católicos acusando o governo de “criminalizar” a organização do
Sínodo e de serem tratados como “inimigos da Pátria” e que o evento representava uma
ameaça à “soberania nacional”. (OESP, 31/08/2019)
Pois bem, este tipo de atuação do atual governo está em plena continuidade com
aquele usado pelos militares durante o período da Ditadura (1964-1985). Fica muito
evidente que o atual governo ainda tem como referência, mesmo que implicitamente,
elementos teóricos da Doutrina de Segurança Nacional (DSI) para legitimar a prática de
“espionagem” daqueles grupos e indivíduos considerados “inimigos” dos “interesses
nacionais”.
As notícias do jornal “Estadão” indicam o grupo nomeado pelo governo como suspeito:
o “clero progressista”. No caso da Amazônia, este clero se organiza em torno de um órgão
da Igreja Católica que, no período militar, foi muito vigiado: o Conselho Indigenista
Missionário (CIMI).
Deste modo, este trabalho quer revisitar esta prática de monitoramento
(espionagem) sobre as ações do “clero progressista” e do CIMI na região da Amazônia.
Para isso, vamos apresentar um evento que trouxe muita preocupação para os militares
no que diz respeito à “defesa da soberania nacional” e que foi o ponto de partida para uma
série mudanças na política indigenista católica no Brasil: o 1º Encontro Pan Amazônico
de Pastoral Indigenista, realizado em Manaus, em 1977. Como desdobramento deste
encontro, os países hispânicos da Pan-Amazônia articularam, com o apoio do Papa Paulo
VI, a organização de um Pacto Amazônico visando o “desenvolvimento das populações
indígenas”.
Esta comunicação faz de pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Estudos em
História, Religião e Política (NEHRP) do Departamento de História das Faculdades
Integradas UPIS (DF) acerca da documentação acumulada pelo antigo Serviço Nacional
de Informação (SNI), hoje ABIN, sobre a atuação de cristãos e cristãs durante a Ditadura
Militar.

Palavras-chave:

Política Indigenista; Serviço Nacional de Informação; Igreja Católica.

3. LUGAR DE MULHER É NO SINDICATO: participação feminina no


Sindicato dos Bancários de Brasília – espaços de poder nos anos 1980.
LENY VIEIRA VALADÃO

Resumo:

O presente resumo propõe uma pesquisa a respeito da participação política das mulheres
no Sindicato dos Bancários de Brasília ao longo da década de 1980 nos espaços de poder
do sindicato. Leva-se em consideração todo o contexto do movimento sindical brasileiro
que após o golpe de 1964 busca se reinventar em torno dos novos movimentos de
esquerda e dos diversos movimentos sociais que começam a pressionar o regime a partir
da década de 1970 e, com isso, tem-se o chamado novo sindicalismo.
Além disso, é necessário considerar o movimento feminista e de mulheres do
Brasil, que toma corpo a partir da década de 1970 diante das insatisfações sociais com o
Estado, influenciado pelo contexto de movimentos feministas no mundo, o crescimento
da presença das mulheres no mercado de trabalho e pela declaração da ONU, em 1975,
da Década da Mulher.

Palavras-chave:

Mulheres. Movimento Sindical. Sindicato dos Bancários de Brasília, Novo sindicalismo.


Espaços de poder. Participação política de mulheres.
ST 2 - USOS DO PASSADO E RESPONSABILIDADE SOCIAL
Coordenadores/as: Maria Filomena Coelho (HIS/UnB); Leandro Rust (HIS/UnB)

22/10 – 14h
1. “Cruzada Albigense”: repensando os usos da ideia de cruzada para as
campanhas no Languedoc (1209 – 1229)
Magda Rita Ribeiro de Almeida Duarte

Resumo:

Os usos do termo “Cruzada” provocaram, ao longo dos últimos tempos, um notório


alargamento em sua formulação. Se o léxico fora utilizado para designar as campanhas
dos cristãos contra os muçulmanos para retomar Jerusalém de seu poder, suas definições
se ampliaram para abranger, entre outros eventos, a “Cruzada Albigense” (1209-1229) –
empresa dos cavaleiros do norte da atual França contra a aristocracia meridional e os
seguidores do catarismo daquela região do Languedoc. Entretanto, o emprego de
“Cruzada” não tem ficado restrito a esses empreendimentos, mas abarcado generalizações
que provocam o empobrecimento conceitual, a banalização do seu uso. No que se refere
à denominada “Cruzada Albigense”, a compreensão do conceito não se mostra menos
complexa. Sustentada por pilares como heresia, herege, rígida política pontifícia, a noção
de cruzada para as campanhas no Languedoc se mostra repleta de controvérsias. Seus
principais esteios também apresentam elasticidade conceitual e, tal afrouxamento, induz
à indagação sobre o próprio caráter daqueles acontecimentos como cruzada. A resposta a
esse questionamento foi se delineando a partir de uma análise de várias tramas percebidas
por meio do confronto de documentos de naturezas diversas que tratam do propagado
Negotium Pacis et Fidei: entre outros, as principais crônicas sobre a questão albigense; o
epistolário de Inocêncio III – papa que lançou a cruzada e presidiu o Lateranense IV,
concílio decisivo para o caso; cartulários e genealogias. Por meio de uma reduzida escala
de observação e esfera analítica, fundamentos políticos próprios de governar revelam
fortes tessituras de poder, com grande poder de decisão, no âmbito regional. Nesse mesmo
emaranhado, heresia e herege também ganham outras definições – noções que podem
mesmo corroer, em vez de sustentar, a formulação de cruzada. Por outro lado, ao longo
dos estudos, em particular das narrativas, a memória foi se anunciando como um conceito
estruturante, um dos maiores sustentáculos na noção de “Cruzada Albigense”. Isso foi
observado, especialmente, ao se apreender, por meio do cotejo das fontes medievais e da
historiografia da dita cruzada, produzida ao longo do século XX, a maneira como essa
memória foi se consolidando. Essa percepção conduz, por fim, a um diferente
entendimento acerca do exercício de poder de Inocêncio III sobre o Languedoc naquele
contexto. É sobre essas complexidades que este trabalho pretende fazer algumas
reflexões.

Palavras-chave:
Cruzada Albigense; Inocêncio III; Heresia; Convenientiae; Memória

2. A recriação do passado aristocrático: a nobreza em Castela (séc. XV)


Scarlett Dantas de Sá Almeida

Resumo:
O reinado de Juan II (1406-1454) de Castela ao mesmo tempo em que é conhecido por
ser um momento de grande efervescência cultural e humanista, apresenta um cenário
político essencialmente conflituoso, considerado pela historiografia tradicional, um
período conturbado com as tensões entre o monarca e a aristocracia. Embora esta
aristocracia muitas vezes utilizasse um discurso de grupo social para se contrapor ao
monarca e os favoritos do rei, ela também apresentava conflitos internos e traços bastante
heterogêneos no que diz respeito à origem de seus membros e aos argumentos utilizados
na definição do estatuto de nobreza. Visando à defesa de interesses aristocráticos diversos
e ao compartilhamento das decisões políticas do reino, cronistas e tratadistas castelhanos
debateram sobre a natureza da condição nobiliárquica, dividindo-se entre aqueles que
defendiam argumentos baseados no mérito para sustentar recentes acessos à nobreza e
aqueles que apreciavam a origem e o sangue transmitidos pelos antepassados para
priorizar as linhagens. Partindo das primeiras leituras para o desenvolvimento do projeto
de doutorado iniciado no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de
Brasília, este trabalho busca apresentar os primeiros indícios de como o discurso
aristocrático fez usos e recriações do passado como estratégia política para justificação
de seu poder como ordem superior na sociedade castelhana baixo-medieval.

Palavras-chave:
Aristocracia; Nobreza; Castela; Passado; Poder; Crônicas.

3. O espelho do rei: os usos do passado e a imagem de D. Dinis


Felipe Ferreira de Paula Pessoa
Resumo:
Este trabalho propõe uma reflexão sobre os usos do passado e o poder político medieval
a partir de uma análise sobre como a historiografia vêm abordando o governo do rei
português D. Dinis (1261 - 1325). Como parte do desenvolvimento da pesquisa de
doutorado iniciada em 2017, no PPHIS-UnB, buscamos investigar as formas como o
monarca é representado e como seu governo é posicionado nas narrativas históricas de
Portugal. D. Dinis compõe o hall dos reis bons e poderosos, cujos feitos ocupam destaque
desde as crônicas quinhentistas às grandes sínteses modernas. Assim, sua imagem
historiográfica esteve ora associada com as fundações da identidade nacional portuguesa,
ora ao nascer precoce do Estado moderno. Dedicamos nossa atenção às articulações e
teorias que orientaram as narrativas desses trabalhos, problematizando os usos do passado
para o presente. Tais questões nos direcionam aos discursos sobre a nação e o peso que o
passado medieval possui em sua construção. Contudo, contrapondo as concepções
encontradas na historiografia tradicional às reflexões da Nova História Política é possível
trazer à luz um olhar mais complexo para as relações de poder. Pensando a Idade Média
a partir do modelo corporativo e do pluralismo político vemos que as concepções com as
quais a sociedade se ordena em muito se diferem dos padrões modernos de um poder
centralizado. Dessa forma, problematizamos o posicionamento de D. Dinis nas narrativas
historiográficas e o seu papel na construção de uma imagem de nação.

Palavras-chave:
D. Dinis; historiografia; História Política.

4. O acontecimento histórico à luz de períodos distintos: a caça às bruxas e


aos ciganos no século XVI, representada em “Notre Dame de Paris” no século
XIX e debatida até a contemporaneidade.
Marina Rolo S. K. do Nascimento

Resumo:
O objetivo deste trabalho é, a partir de múltiplas e divergentes interpretações presentes
na história, analisar a caça às bruxas e às ciganas ocorrida entre o final do século XV e o
século XVII. Por meio de estudos e obras de gêneros distintos, principalmente pelo
romance “Notre Dame de Paris” de Victor Hugo, pelo guia teológico “Malleus
Maleficarum” e por obras acadêmicas feministas do séc. XXI, é possível compreender
mais a fundo os atores sociais envolvidos nesse recorte histórico. Ao mesmo tempo, por
meio de um estudo comparativo, é possível perceber como, porquê e para que as
interpretações sobre um mesmo tema sofrem alterações ao longo dos séculos, revelando
informações não somente sobre o recorte temático central (a caça às bruxas), mas sobre
todos os demais agentes que estudaram tal recorte previamente.

Palavras-chave:
Ensaio Acadêmico, Caça às Bruxas, Ciganos, Victor Hugo, Igreja, Feminismo.

5. A apropriação da Idade Média pelas narrativas patrimoniais.


Kátia Brasilino Michelan

Resumo:
Atualmente, existem nove celebrações religiosas do catolicismo registradas como
Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN). Dada a necessidade de demonstração de que tais celebrações, além
de outros aspectos, possuem uma continuidade histórica de transmissão cultural de, no
mínimo, três gerações para a obtenção do Registro, os dossiês que embasam os Processos
de Registro buscam construir narrativas de ancestralidade não apenas amparadas no relato
oral, mas também apoiadas em referências historiográficas e documentos históricos,
fabricando, assim, muitas vezes, um discurso de continuidade temporal de longa duração.
Nesse sentido, a Idade Média – como período de consolidação do catolicismo – é,
recorrentemente, referenciada como suposta “origem” de tais celebrações ou, pelo menos,
de alguns de seus elementos e crenças. O objetivo da presente proposta de comunicação
é, portanto, analisar o uso do conhecimento medieval em tais processos, buscando
entender em que medida há um aprofundamento das pesquisas para tanto, quais os dados
utilizados, os autores de referenciados e os documentos históricos que embasam as
construções narrativas dessa pretensa continuidade histórica das celebrações. Em outras
palavras, pretende-se investigar qual a apropriação de conhecimento que o discurso
patrimonial faz da historiografia acerca da Idade Média, buscando pensar qual o uso dado
ao passado medieval para legitimar o presente por meio dos processos de
patrimonialização. Para tanto, serão analisados os dossiês e os pareceres do Conselho
Consultivo das manifestações religiosas do catolicismo inscritas no Livro de Celebrações,
nomeadamente: o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (PA), a Festa do Divino Espírito
Santo de Paraty (RJ), a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis (GO), as
Festividades do Glorioso São Sebastião na Região do Marajó (PA), a Festa do Pau da
Bandeira de Santo Antônio em Barbalha (CE), Festa de Sant´Ana de Caicó (RN), a Festa
do Senhor Bom Jesus do Bonfim (BA), a Procissão do Senhor dos Passos de Santa
Catarina (SC) e a Romaria de Carros de Bois da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade
(GO).

Palavras-chave:
Patrimonialização; Idade Média; Celebrações Religiosas.

6. Igreja Católica e Caudilhos: processo de independência da América latina


Rebeka Leite Costa

Resumo:
A conturbada história da América Latina foi marcada pela ação dos caudilhos,
personagens complexos e fundamentais para a compreensão do espaço latino americano.
Os processos de independência da América Latina constituem um período imprescindível
para que os caudilhos se firmassem como uma categoria política. A posição da Igreja
Católica perante o reconhecimento dos países recém independentes levou a uma vacância
do poder eclesiástico durante os processos de independência. Neste sentido, a narrativa
messiânica foi apropriada e usada politicamente pelos caudilhos, a fim de ocupar o lugar
eclesiástico então vacante. Pretende-se a análise do esvaziamento do poder temporal da
igreja e propõe-se uma reflexão sobre os caudilhos.

Palavras chaves:
Independência, Igreja Católica, Caudilho.

7. Recriações da história da Operação Pedro Pan nos conflitos políticos entre


Estados Unidos e Cuba
Thais Rosalina de Jesus Turial

Resumo:
A Operação Pedro Pan, um dos capítulos mais importantes das relações migratórias entre
Estados Unidos e Cuba, foi responsável por retirar de Cuba entre dezembro de 1960 e
outubro de 1962, no calor da Guerra Fria, mais de 14 mil crianças desacompanhadas. A
emigração desses menores para os Estados Unidos teve início com os indícios de que
seriam declarados o caráter socialista e a adoção do marxismo-leninismo como ideologia
oficial da Revolução Cubana. Impulsionados pela difusão do imaginário anticomunista
no período pós-Segunda Guerra Mundial e pela intensificação de propagandas acerca da
ameaça que o comunismo supostamente representava às crianças, os pais cubanos se
convenceram de que a melhor forma de proteger seus filhos era enviando-os sozinhos
para os Estados Unidos, criando, assim, uma ponte área entre os dois países que permitiu
a emigração de crianças e adolescentes de todas as partes da ilha. A maioria deles era
católica, mas também havia centenas de protestantes, judeus e não-crentes, filhos de
oposicionistas; e, para alguns, o que seria uma breve separação, perdurou por toda a vida.
Desde então, a Operação Pedro Pan foi diversas vezes instrumentalizada nas políticas de
hostilidade dos dois países e alvo de uma guerra de versões em que ambos os lados
reivindicam sua memória e tentam moldar sua narrativa. As narrativas construídas são
essencialmente opostas e redutivas, cujo processo dialético permite pouco espaço para
questionamentos, dificultando a compreensão do que a Operação Pedro Pan representou
na história cubano-estadunidense. Portanto, a proposta desta comunicação é refletir
brevemente sobre como as disputas entre os dois países impulsionaram recriações da
história da Operação Pedro Pan ao longo dos anos a fim de que projetos político-
ideológicos atingissem determinados objetivos no campo internacional.

Palavras-chave:
Revolução Cubana; Estados Unidos; migração infantil

8. Distância histórica e usos do passado na História Filosófica de David Hume


Pedro Eduardo Batista Ferreira da Silva

Resumo:
Segundo o historiador sul-africano Mark Salber Phillips, a maneira como algumas épocas
se utilizam do passado para compor textos de, e sobre, História é um caminho prolífico
para que adentremos e exploremos esses momentos. Dessa forma, o objetivo da
comunicação será apresentar como o filósofo e historiador David Hume (1711-1776)
dominou o complexo problema narrativo da distância histórica para escrever uma das
principais e mais extensas obras históricas do Iluminismo escocês: A História da
Inglaterra, publicada originalmente em seis volumes, entre 1754 e 1762. O compêndio,
ido como obra representativa da História Filosófica, o principal gênero historiográfico do
Iluminismo escocês, situa-se nas tensões entre classicismo e neoclassicismo; parcialidade
e imparcialidade; neutralidade e engajamento. Assim, é na busca de uma posição
conciliadora entre polos tão opostos, na mediação entre elementos tradicionais de
historiografia – como as convenções narrativas de autoridade, que remontam a Heródoto
e Tucídides – e no apoio nas inovadoras ferramentas da História Filosófica, que residem
algumas das singularidades da forma humeana de se enxergar o passado. Cumpre destacar
que a exposição tratará de resultados parciais de uma pesquisa de doutorado, iniciada no
Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Brasília, desde agosto de
2018.

Palavras-chave:
Iluminismo Escocês; História Filosófica; David Hume; Historiografia; História da
Historiografia.

23/10 – 14h

9. A presença feminina nos folhetins do século XIX - Aquelas que contaram


histórias no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro
Larissa Cardoso Campos

Resumo:

O presente artigo tem como objetivo discutir a presença feminina nos romances folhetins
do século XIX, tendo como fonte os folhetins publicados no Jornal do Commercio do Rio
de Janeiro do ano de 1841. A partir da leitura destas obras, a autora busca discutir como
a construção do lugar social da mulher era interpretado pela literatura e questionar como
a transposição da cultura do folhetim europeu, que influenciou a literatura romancista
brasileira, não abrange a presença feminina não branca dentro do Brasil Império. Assim
sendo, a questão citada acima será exemplificada pela análise de dois folhetins que foram
publicados em janeiro de 1841, sendo estes Bertha e A constancia do amor, que permitem
observar os extremos do espectro de existência feminina dentro das narrativas românticas.
Sob esta ótica, ao perceber que dentro destes folhetins publicados no Jornal do
Commercio todas as narrativas possuem personagens femininas, nasce a dúvida sobre
como estas mulheres estão sendo retratadas numa leitura como o folhetim. Dentro de um
Império ainda em busca de uma identidade demarcada, por meio do conteúdo ofertado
pelo jornal diário, existe uma conexão com o leitor de forma mais direta. A minha questão
sobre como o papel feminino era lido agora também se dá em como este estava sendo
recebido, qual tipo de representatividade esta leitura causava e quais as mulheres que
eram ocultadas em suas narrativas. Com isso, me dispus a ler todos os folhetins de ficção
dentro do ano de 1841 do jornal citado acima, para levantar estas questões que considero
ser interessantes e a partir destas leituras propus uma análise de dois folhetins específicos
que aos meus olhos, são boas formas de tecer uma imagem femininas construída nos
romances do século XIX.
Compreendo plenamente, o quão raso posso chegar lendo apenas as edições de
um ano e de um jornal dentro de uma Imprensa tão vasta e complexa como a brasileira,
porém, como historiadora não quero responder nenhuma pergunta de quem são essas
mulheres e porque elas são daquela ou desta maneira. Entretanto, quero mostrar uma das
formas que as mulheres eram entendidas. O papel bem definido da mulher dentro de uma
sociedade era bem estabelecido não apenas no núcleo familiar, mas dentro de um sistema
tão importante quanto a imprensa e dentro de um mundo tão peculiar como a literatura
dos folhetins. Afinal, quem são essas mulheres e quem são as mulheres representadas por
estas personagens?

Palavras-chave:
Jornal do Commercio. Brasil Império. Folhetins. Literatura. Romance. Personagens
femininas.

10. A atuação do movimento estudantil do Amapá durante a ditadura civil-


militar: entre apoios e resistências (1964-1968)
Marcella Vieira Viana

Resumo:
Esta pesquisa se propõe a investigar a história do Movimento Estudantil no Amapá
durante a ditadura civil-militar no Brasil entre os anos de 1964 e 1968. A definição de
Movimento Estudantil a qual me atenho diz respeito as ações desenvolvidas por
estudantes em defesa de seus interesses coletivos, bem como sendo um importante espaço
de atuação política e ingresso dos mesmos na vida política da sociedade. Ainda que este
trabalho tenha como enfoque principal a atuação estudantil, ele se orientará pelo combate
ao esquecimento das práticas autoritárias do regime ditatorial e das formas de resistência
a este, e tem por objetivo considerar a heterogeneidade presente nas atuações do
Movimento Estudantil do Amapá no período a que se propõe.

Palavras-chave:
Movimento Estudantil; Amapá; Ditadura; Política.

11. Cinema candango, cineclubismo e ditadura militar: as lutas culturais no


Distrito Federal durante os anos 70
Amanda de Oliveira Passos
Resumo:
O objetivo deste trabalho é analisar de que forma o cinema candango e o cineclubismo se
consolidaram como práticas culturais centrais da cultura brasiliense nos anos 70. Além
disso, o trabalho pretende evidenciar de que maneira as lutas culturais 1 entre
Estado/sociedade ficaram explícitas a partir da disputa narrativa proporcionada pela
difusão do cinema na capital, após o golpe civil-militar em 1964. O cineclubismo entra
nesta lógica como o lugar de debate das obras cinematográficas que, pela sua própria
lógica de ser, tornou-se um local de embates e muitas vezes de censura durante a ditadura.
O fato de haver um alinhamento político de muitos cineastas em relação ao Governo
Federal, tanto antes como durante a ditadura militar, pretende ser analisado como uma
das variáveis que compõe a lógica do cineclubismo da região. Deste modo, partiu-se
também do princípio de que é necessário entender a tipologia do conteúdo dos filmes
produzidos e exibidos na capital e de que forma estas obras ajudaram a moldar o que se
entende como o imaginário de Brasília e do próprio Brasil, ‘‘o novo Brasil’’,
considerando o poder da difusão de narrativas por meio da sétima arte.

Palavras-chave:
Cinema; Cinema Candango; Lutas Culturais; Brasília; Ditadura Militar; Cineclubismo

12. O Passado que não passa: o fim da Nova República e as fragilidades da


democracia brasileira.
Fabio Oscar Lima

Resumo:
No Brasil, sobretudo, a partir das jornadas de junho de 2013, passando pelo Golpe-
Parlamentar-Jurídico-Midiático de 2016 que se consolidou com o impedimento da
presidenta Dilma Rousseff que permitiu uma guinada à direita com o governo Temer. E
mais adiante nas eleições de 2018 permitiu que o Brasil pela primeira vez em sua História
republicana estivesse sob a égide de um governo de extrema direita, o qual ampliou a
retirada de direitos, ampliou a pobreza e a desigualdade social, e ainda, está promovendo
retrocessos civilizatórios, os quais nunca foram vistos anteriormente no país. Mas agora
vemos a destruição de direitos e garantias ligadas aos direitos humanos, o surgimento de
um Estado policialesco com uma maior perseguição às minorias, perseguição ideológica
e uma máquina de morte nas periferias com total anuência de cidadãos e do Estado
brasileiro. Diante disso, a universidade, associação de professores, sindicatos,
movimentos estudantis, e os intelectuais ligados ou não à universidade tem o dever e a
responsabilidade social de trazer um debate mais acurado desse cenário no cotidiano
acadêmico num primeiro momento, e trazer isso para a esfera pública e dialogar com a
sociedade no sentido de promover um enfrentamento dessa realidade que o Brasil
atravessa com intuito de fazer com que o saber intelectual venha somar-se a outras
práticas de resistência e internamente e externamente, promover o debate, levar à reflexão
e por último a uma tomada de consciência que leve ao fortalecimento da democracia, de
modo que, a luta contra obscurantismo seja fortalecida. E quanto ao uso do passado é
necessário discutir a apologia feita ao militarismo por décadas nesse país, a volta do
ufanismo e as marcas deixadas pela ditadura militar que hoje causam fissuras no tecido
social, e por último, a necessidade de pensarmos a respeito do porquê de em tantos
aspectos democracia brasileira apresentar-se, tão frágil. Essas reflexões nos ajudarão a
manter viva a necessidade de uma sociedade mais justa, humana e consciente para todos
os brasileiros.

Palavras-chave:
Civilidade; Democracia; Passado.

13. A responsabilidade social dos historiadores na construção da autoridade


de discursos sobre o passado no ciberespaço
Daniela Linkevicius de Andrade

Resumo:
O objetivo da comunicação é propor alguns questionamentos a respeito da
responsabilidade social dos historiadores na construção da autoridade de discursos
históricos produzidos no ciberespaço. Ressaltamos aqui a utilização da expressão
“discursos históricos”, pois entendemos que as narrativas sobre o passado produzidas na
rede ultrapassam o domínio dos historiadores profissionais, envolvendo ação de qualquer
usuário interessado em história – usuário este que, não mais passivo, pode participar
ativamente de discussões no ciberespaço.
Sobre este panorama que se desenha, Meg Foster (2014) percebe que ele apresenta
oportunidades e desafios na criação da história, tendo em vista que ao mesmo tempo em
que permite um processo de construção mais aberto e democrático da história, também
levanta questões sobre edição, autoridade e quem tem o direito de falar sobre o passado.
Isso quer dizer que os historiadores podem ultrapassar a função de transmissor de
conhecimento para seus leitores e assumir uma postura de incentivador, a fim de que as
pessoas estabeleçam com o passado uma relação cada vez mais estreita e crítica,
realizando o conhecimento com autonomia. Assim, Foster observa uma mudança de
atitude das pessoas com relação à Internet, levando-as interagir com o passado em seus
próprios termos.
Mas será que essa “interação com o passado em seus próprios termos” leva à a
inexistência de parâmetros de autoridade na Internet? Levantamos a hipótese de que isso
seria difícil. A autoridade, fenômeno considerado por Alexandre Kojève (2014) como
essencialmente social e histórico, pode ser entendida, em realidade, como um fator que
organiza a vida na rede. Mathieu O’Neil (2009) argumenta que auto-organização e a auto-
expressão online, a fim de evitar a criação de uma verdadeira torre de Babel incoerente,
exige de seus participantes que exercitem um controle de qualidade sobre seus trabalhos
e dos membros de seu grupo, o que implica em determinar o que é confiável, quais
contribuições são pertinentes e, consequentemente, quem será incluído ou excluído,
reforçando o sentimento de pertencimento no grupo.
A partir disso, nos indagamos quais as posturas possíveis que historiadores
poderiam manter diante da possibilidade de construção de outros parâmetros de
autoridade e usos do passado que não apenas aqueles dominados por espaços tradicionais
e institucionais de produção de saber. Deveríamos compartilhar a autoridade com o
público? Deveríamos tentar nos inserir de maneira mais significativa na rede, a fim de
tentar controlar o que lá é produzido? Será que deveríamos confiar nas demandas do
público e nas ferramentas que eles julgam mais adequadas à representação do passado,
confiando radicalmente em seu discernimento? Ou estamos longe de propor uma solução
eficiente para esses problemas?

Palavras-chave:
Autoridade; Responsabilidade Social; Ciberespaço

14. Virar a página? Disputas públicas a respeito do recente passado


brasileiro.
Paula Franco

Esta comunicação oral deriva-se da pesquisa de doutorado iniciada neste semestre


pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Brasília. Trata-se mais
propriamente de um recorte pontual dentro do vasto tema de investigação, que, de maneira
ampla, visa responder como tem se dado a tentativa de efetivação do direito à verdade no
Brasil (e como têm sido as tentativas de retração em relação a este direito) a partir da
análise dos relatórios finais da Comissão Nacional da Verdade e das Comissões Estaduais
da Verdade brasileiras. Por se tratar de uma pesquisa que ganha repouso na História do
Tempo Presente, tanto por seu caráter de reverberação no momento atual, como também
devido aos destacados holofotes que têm se voltado ao assunto, para esta apresentação
viso percorrer os recentes acontecimentos que tem trazido à tona discussões a respeito da
temática da ditadura militar e, mais propriamente, relativas ao posicionamento de sujeitos
ligados a posições oficiais no âmbito do Estado e do governo relacionados ao tema.
Optou-se, portanto, por delimitar como campo de análise os primeiros oito meses deste
ano (entre janeiro e agosto de 2019), período em que se desenrolou o primeiro semestre
completo e início do segundo semestre do governo do presidente Jair Bolsonaro, eleito
no ano de 2018 e notadamente reconhecido por sua postura reativa às políticas de
implementação de direitos ligados á pauta da memória, verdade e justiça em relação às
violações ocorridas durante a ditadura militar. Para isso, serão considerados e
relacionados os conceitos de História do Tempo Presente, Justiça de Transição, ao passo
que também será questionado e analisado o papel da(o) profissional em História como
autor(a) analítico de temas como este.

15. A filosofia da informação: investigação dos novos fenômenos de pós-


verdade como agentes de mudança onto-epistêmicas.
Pedro Willian Dourado Teixeira

Resumo:

Considerando o termo pós-verdade, eleita a palavra do ano de 2016 pelo Dicionário


Oxford [1], como um fenômeno da qual os “fatos objetivos são menos influentes na
formação da opinião pública do que o apelo à emoções e à crença pessoal” [2].
Encontramos juntos em um momento que põe não somente as instituições
compromissadas com a veracidade das coisas em xeque [3] mas transforma a todos nós e
nossa maneira de lidar e encarar o mundo [4]. Nesse sentido o campo da filosofia da
informação tal como se apresenta nos últimos anos, se atualiza na questão onto-epistêmica
“pode uma informação ser falsa? ”, para algo próximo a pergunta que faz Lucia Santaella
(2018) “A pós-verdade é verdadeira ou falsa? ”. Deste modo, percebemos que, no cenário
onde as dimensões sociais, políticas, econômicas e científicas do mundo são submetidas
a digitalização de uma Era da Informação[5], às questões colocadas que visam garantias
em um território de veracidade correspondente com o mundo, devem ser formuladas em
uma confluência do passado com o futuro para fornecer reflexões e mudanças.

16. Usos do futuro: distopia como procedimento para pensar a história e seus
limites e possibilidades
Isabela Gomes Parucker

Resumo:

A presente comunicação propõe uma discussão sobre relações possíveis entre história e
distopia, mais especificamente sobre o potencial do modo distópico de pensar para a
investigação da história, tanto no âmbito da pesquisa (como procedimento para o estudo
da experiência humana no tempo), quanto da teoria e epistemologia da história (no estudo
da própria prática e das formas de conduzir investigações históricas). Trata- se assim de
uma reflexão acerca do potencial metodológico da distopia – e suas projeções de futuro
fortemente articuladas à experiência passada e presente – para estudos históricos e
construção de discursos historiográficos. Este estudo localiza-se no âmbito de uma
pesquisa de doutorado em andamento, cujo objetivo é avaliar e compreender em que
medida e de que maneira a distopia pode operar com um procedimento da pesquisa
histórica para investigar a realidade (e a relação passado-presente-futuro), bem como para
explorar maneiras de se realizar essa mesma investigação e convertê-la em conhecimento.
Transformar a questão dos usos do passado em usos do futuro, no sentido de observar de
que maneira uma reflexão sobre o futuro pode nos informar não somente sobre o passado
e o presente, e indicar novas possibilidades de encarar a própria história. Tal exercício
procura contribuir para melhor entender os limites e, sobretudo, as possibilidades do
conhecimento histórico, debate de enorme relevância no contexto atual.

Palavras-chave:

Distopia; Futuro; Investigação histórica; Teoria da história; Episteologia.


ST 3 - AS IDEIAS POLÍTICAS NA HISTÓRIA MODERNA:
OBSTÁCULOS E DIFICULDADES
Coordenador: Dr. Daniel Gomes de Carvalho (His/ UnB)

1. ENTRE CONCEPÇÕES, COERÊNCIA E A LINGUAGEM:


CONTRIBUIÇÕES E PERSPECTIVAS PARA A HISTÓRIA DAS IDEIAS
Wendell Ramos Maia

Resumo:

Uma reflexão acerca da História das Ideias e seu desenvolvimento nas últimas décadas
implica necessariamente uma discussão não só sobre aquilo que está sobre sua alçada,
mas também sobre seus pressupostos metodológicos. Vigilantes, esforçamo-nos para não
sucumbir à tentação de recorrer à mera transposição do conteúdo que pode ser encontrado
nos trabalhos de autores como Mark Bevir, Quentin Skinner, Stefan Collini, Edward
Shils, Robert Darnton, Reinhart Koselleck, Isaiah Berlin, Johan Huizinga. Assim, o que
se pretende aqui não é tanto discutir os pormenores das concepções de autores
consagrados ― o que resultaria numa verdadeira colcha de retalhos, um mosaico onde
eles seriam forçosamente obrigados a compartilhar o mesmo espaço sem razão aparente
―, mas pôr em evidência a sua contribuição para esse campo, além de apresentar aquilo
que seria a nossa proposta teórico-metodológica para a História das Ideias. A plêiade de
autores que desfilam com suas encorpadas e vistosas contribuições diante de nossas vistas
quando nos debruçamos sobre a Metodologia no campo da História das Ideias reforçou
nosso modo de pensar esse quadrante da historiografia; alumiaram questões e pontos
obscuros que, até então, eram ignorados ou negligenciados, e aclararam nossa percepção
a respeito da aplicabilidade de certos pressupostos metodológicos que até então não
tínhamos divisado. Portanto, mais do que um extenso e soturno ensaio sobre os objetos
ou os aparatos metodológicos utilizados no âmbito da História das Ideias, o esforço
empreendido aqui visa evidenciar a consistência e, até mesmo, a viabilidade que nosso
aporte veio a adquirir após o contato com esses autores. Em outras palavras, o que
queremos aqui é sistematizar a contribuição que esperamos dar para a metodologia no
campo da História das Ideias, e isso por meio da discussão das questões levantadas por
esses autores ― a noção de que não é possível lidar com as ideias ou o pensamento de
uma figura histórica sem confrontar aquilo que encontramos no âmbito privado (cartas,
diários) com aquilo que veio a lume (artigos, ensaios, entrevistas). Nesse caso, podemos
até mesmo confrontar esses dois polos com aquilo que terceiros disseram a respeito dessa
figura ― amigos, pessoas de seu círculo íntimo, adversários. Tudo isso ajudará a alumiar
o seu pensamento, as suas intenções e, principalmente, as eventuais contradições que
podemos encontrar em suas ideias, em seu posicionamento, naquilo que defendeu.

Palavras-Chave:
História das Ideias, Metodologia, Abordagens

2. O SACRIFÍCIO PERSUASIVO: A RETÓRICA DO MARTÍRIO COMO


ESTRATÉGIA DE PERSUASÃO E O POSICIONAMENTO
DOUTRINÁRIO-TEOLÓGICO DE JOHN BALE NAS EXAMINAÇÕES
DE ANNE ASKEW
Thalyta Valéria Castro de Oliveira Lucena

Resumo:

As Examinações de Anne Askew – livro publicado pela primeira vez em duas partes nos
anos de 1546 e 1547 na Inglaterra – consistem de relatos em primeira pessoa das prisões,
interrogatórios, condenação e tortura da mulher que dá nome à obra, acrescidos de
extensos comentários feitos pelo polêmico reformador John Bale (1495-1563). Anne
Askew, de fé reformada, foi acusada e condenada por heresia, sendo morta na fogueira
em 1546. Ela ganhou fama como exemplo de martírio cristão na Inglaterra, em grande
parte, graças à construção narrativa realizada por Bale, e suas Examinações ganharam
notoriedade que perdurou nos séculos seguintes.
A presente pesquisa tem como objetivo analisar a construção do martírio e sua
importância na validação e difusão do posicionamento doutrinário-teológico defendido
por John Bale (1495-1563). A partir das Examinações de Anne Askew e da comparação
com as demais obras do gênero martirológico publicadas por Bale, serão analisados, no
primeiro momento, os artifícios retóricos mobilizados para construir Askew enquanto
mártir. Em seguida, o foco da análise se voltará para a dimensão persuasiva da narrativa
martirológica e para os ganhos políticos que Bale esperava obter para a causa reformada.
Espera-se, assim, contribuir para a compreensão da retórica reformada e das disputas em
torno da definição doutrinário-teológica da Igreja Inglesa – recém emancipada da
autoridade romana – no século XVI.
Palavras-chave:
Reforma Religiosa na Inglaterra; Cultura Impressa na Idade Moderna,Martírio.

3. THOMAS MUNTZER, GUERRA DOS CAMPONESES E


REORGANIZAÇÃO COMUNAL DAS CIDADES SAXÃS NO SACRO
IMPÉRIO ROMANO (1520-1525)
José Willem Carneiro Paiva

Resumo:
O objetivo desta comunicação é discutir os apontamentos iniciais da pesquisa que visa
analisar, no período compreendido entre 1520 e 1525, a forma pela qual a teologia
reformada de Thomas Müntzer partilhou novas perspectivas político-organizacionais para
as cidades da Saxônia participantes da Guerra dos Camponeses no Sacro Império
Romano, ao mesmo tempo em que as construiu. Müntzer, sacerdote e teólogo alemão
reformador, empreendeu debates que se verificam com regularidade em seus escritos
impressos e manuscritos, principalmente sobre a organização clerical vigente e suas ações
consideradas, por ele, questionáveis e condenáveis, e sobre propostas de reorganização
da vida em comunidade das vilas e cidades da cristandade.
Apesar de não especificar se as comunidades das quais falava eram de uma
localização específica, verificamos uma participação de Müntzer nos conflitos
conhecidos como Guerra dos Camponeses (1524-1525), principalmente nas cidades saxãs
do Sacro Império. Em cidades como Alstedt, Zwickau e Mühlhausen, pelas quais Müntzer
passou, verificam-se não só levantes camponeses contra senhorios laicos e clericais, como
também o registro de cartas de reinvindicação (como os “Onze artigos de Mühlhausen”),
nas quais demandas por uma nova forma de vida religiosa, econômica e política são
encontradas. É a partir das relações entre
Müntzer e a Guerra dos Camponeses na Saxônia que se pretende investigar em
que medida a teologia reformada empreendeu papel relevante nas movimentações das
cidades que se rebelaram. Pergunta-se, ainda, até que ponto a reorganização político-
administrativa reivindicada sofreu influência dos reformadores como Müntzer, e em que
medida as publicações panfletárias, distribuídas pela população do campo e da cidade,
compuseram elemento ativo na Guerra dos Camponeses.

Palavras-chave:
Thomas Müntzer; Guerra dos Camponeses; cidades; comunidades; Sacro Império
Romano.

4. USOS DE HUMANIDADE EM HISTORY OF JAMAICA (1774)


Gino de Castro Pinori

Resumo:
A presente pesquisa busca compreender como Edward Long, jurista britânico e
proprietário de terras e escravos na Jamaica da década de 1770, percebia (ou negava) a
humanidade nas populações de negros escravizados e libertos da ilha, tendo como corpus
documental os três volumes de History of Jamaica, publicados em 1774.
Para tal faz-se necessária a discussão do significado de raça para os letrados
setecentistas. Termo utilizado oficialmente em meados do século XIX, o que entendemos
como raça era então visto como “variedades”, como nos mostra Roxann Wheeler em The
complexion of race:
“The terminology associated with natural histories also provides a sense of the
emergent character of race at this time. Notably, the appearance of new terms
in the eighteenth century marks changes in ideas about human variation. In
fact, race accrued new definitions and shed others over the century, until the
very end of the century, variety, not race, was the scientific term of choice to
designate different groups of people. There was one human race divided into
several varieties of ‘man’.”
As diferentes concepções da variação entre complexidades humanas, termo que
se refere “ao temperamento e disposição dos habitantes de determinado lugar” levando
em conta o resultado da interação entre clima e “humores corporais”, nos mostra um
pouco da amplitude de visões acerca da formação física e mental dos seres humanos,
permitindo uma melhor compreensão das teorias acerca da formação de “diferentes
populações” no XVIII.
Para compreender a visão de humanidade de Long, o próprio conceito de
humanidade deve ser estudado, ou melhor, as formas de desumanização: David
Livingstone Smith, ao explicar as características psicológicas da desumanização, defende
que este fenômeno ocorre quando se negam em um determinado grupo/sociedade
características reconhecidas como essenciais para a legitimação de sua humanidade. O
método mais comum é o de colocar estas pessoas em posições antagônicas a ordem social
defendida e até mesmo comparar atributos físicos destes a algo não-humano e
considerado esteticamente repulsivo, como baratas, cobras e até mesmo macacos (como
nos mostra o simbolismo por trás de King Kong). O ato de desumanizar, entretanto, cria
um paradoxo no qual a humanidade do alvo da desumanização é reconhecida justamente
pelo desejo do perpetrador de se mostrar superior enquanto humilha e “coloca o indivíduo
em seu devido lugar”.
Um exemplo dado pelo autor é o do genocídio Tutsi:
“(…) even though Hutu genocidaires notoriously characterized their Tutsi
quarry as cockroaches and snakes, they more often used terms like “enemy”
and “accomplices of the enemy” to describe them—terms that only make sense
when applied to human beings.2 Furthermore, dehumanizers often behave
towards their victims in a manner that implicitly acknowledges their humanity.
For instance, during the 1994 genocide thousands of Tutsi women were raped
by Hutu militiamen. This behavior was motivated, in part, by the desire to
humiliate these women before killing them. But one does not seek to humiliate
cockroaches.”
Este paradoxo, apesar de existir, não é um problema: Smith argumenta que o
essencialismo psicológico, junto da categorização de outros como simultaneamente
humano e sub-humano, confere à desumanização seu caráter distintivo, diferenciando-a
do puro uso retórico da linguagem animalesca como conferidora de características ao
outro. Ao mostrar o aparato teórico desenvolvido para tal fim, consegue explicar as várias
características desta fenomenologia, fornecendo uma estrutura na qual o tratamento social
de pessoas desumanizadas pode ser compreendido.
As discussões brevemente apresentadas neste resumo são essenciais para
compreender as lógicas de desumanização e atribuição de humanidade no século XVIII,
sendo base indelével desta pesquisa.

Palavras-chave:

Humanidade; Desumanização; Jamaica; Escravidão; XVIII; Edward Long; História


Intelectual;

5. O CONSERVATÓRIO DRAMÁTICO BRASILEIRO E A CENSURA


TEATRAL NO BRASIL OITOCENTISTA

Maria Clara Andrade Gonçalves

Resumo:
Introdução
Este projeto de iniciação científica analisa fontes do “Conservatório Dramático
Brasileiro”, instituição responsável pela censura de peças teatrais no Rio de Janeiro
imperial. A partir de um grande acervo de documentos, o trabalho iniciou-se com a ideia
de sistematizar as informações do primeiro período do Conservatório, que foi entre 1843
e 1864, em um banco de dados criado por uma equipe. Essa ferramenta é necessária, pois
apesar de os documentos possuírem dados importantes, como o teatro em que a peça seria
encenada, os membros do Conservatório e suas decisões acerca do conteúdo da produção
dramática, é essencial observá-los em conjunto, em uma análise primeiramente
quantitativa, para um melhor estudo qualitativo.
A partir do trabalho com o a documentação do Conservatório, surgiu uma questão que
se tornou um dos focos da minha pesquisa: como era possível existir censura prévia no
Brasil oitocentista, se a liberdade de expressão era premissa constitucional? Com essa
pergunta percebi que seria necessário adentrar na documentação legal a fim de
compreender os significados de “liberdade” e “censura” para a sociedade oitocentista,
bem como distinguir as atribuições da imprensa e do teatro naquele período.

Metodologia

A minha pesquisa se pautou em dois eixos: a construção de um banco de dados para


a sistematização dos pareceres do Conservatório e o estudo dos documentos legais do
período. A primeira etapa constitui-se em momentos de leitura para aprimorar os
conhecimentos sobre o que é um banco de dados, bem como aprender a preenchê-lo de
forma coesa. Também foram realizadas reuniões com o grupo de pesquisa para
discutirmos problemas e soluções, e várias horas de leitura dos manuscritos e
preenchimento do banco. O banco é uma ferramenta de extrema importância, pois as
fontes do Conservatório isoladas são indiciárias e dizem muito pouco sobre a censura
teatral, não sendo suficientes para responder minha questão. Por isso, também, a
necessidade de outras fontes de apoio.
A segunda etapa foi um trabalho de levantamento, leitura e sistematização da
legislação, incluindo a Constituição de 1824, o Código Criminal do Império do Brasil, o
Código do Processo Criminal, o Regulamento para o Conservatório Dramático Brasileiro
e um Decreto de 19 de julho de 1845. Com a leitura desses documentos pude observar
que existiam diferentes debates para se tratar da imprensa e do teatro.
Com a união das duas etapas, a leitura dos pareces se tornou mais aprimorada para
compreender a lógica de funcionamento do Conservatório e analisar as proposições que
os censores utilizavam para censurar uma peça. Esses dois caminhos foram necessários
para os questionamentos que surgiram durante a pesquisa.
Resultados

Com a criação do banco de dados contatou-se que apesar das dificuldades técnicas, é
muito importante que esse trabalho quantitativo seja feito para que pesquisas futuras
sejam realizadas. Cem fichas foram preenchidas e revisadas por mim e esse valor total
será somado aos trabalhos das outras integrantes da equipe a fim de construirmos uma
ferramenta útil de pesquisa. Além disso, as discussões em grupo fizeram com que o banco
passasse por modificações como novos campos necessários e padrões de preenchimento.
Com a leitura da legislação, obtive uma visão mais clara a respeito da forma como o
teatro era visto por aquela sociedade, reforçando a ideia de uma escola de bons costumes
e formador de opiniões. Além disso, compreendi a relação entre a imprensa e o teatro e
as diferentes funções que eles tinham para o melhor funcionamento da sociedade.

Conclusão

Concluo que a pesquisa sobre o Conservatório Dramático Brasileiro terá melhor


qualidade quando obtivermos maiores números de fichas preenchidas no banco de dados
para uma análise qualitativa, e que o processo para essa criação é enriquecedor para o
ofício do historiador. As informações isoladas de cada parecer se tornaram mais lúcidas
em comparação com outros, já que conseguimos perceber que certos assuntos ganham
maior atenção dos censores, além de que o resultado da censura depende do encarregado
para analisá-la, entre outras peculiaridades.
Encontrar o lugar de debate sobre a censura teatral é laborioso, portanto, as conclusões
que cheguei até aqui foram análises feitas a partir de poucos documentos legislativos
sobre a liberdade de comunicar os pensamentos nos impressos em comparação com o
regimento do Conservatório. Constatei que olhavam para o Conservatório como um órgão
consultivo, sendo designado a eles apenas sugestões de censura. A punição por transmitir
uma peça imoral era feita pela polícia posteriormente à apresentação, caso que não
infringia a premissa da liberdade. Provavelmente, por isso, o Conservatório durou por
muitos anos sem grandes questionamentos.

Palavras-Chaves:
Teatro; Censura; Liberdade; Imprensa; Legislação.
6. REDEMOCRATIZAÇÃO DA BOLÍVIA NA PERSPECTIVA DA
CHANCELARIA BRASILEIRA (1980- 1985)

Wanderson William Alves Silva

Resumo:

A pesquisa pretende analisar o processo de redemocratização da Bolívia a partir


da perspectiva dos chanceleres brasileiros presentes em solo boliviano no período de 1980
a 1985. Esse processo de redemocratização é o laboratório para identificar os temores
ainda vivos de revoltas comunistas na região, dado que após feita a leitura dos relatórios
é mister ressaltar que a diplomacia brasileira se ocupa em demasia com qualquer
movimento que tenha alinhamento, na perspectiva da chancelaria brasileira, com Cuba e
com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A principal questão, ou o
problema, é entender a relevância do processo de redemocratização boliviano para os
militares brasileiros, especialmente no que tangia a problemática de uma possível
revolução socialista. Se haveria uma abertura dentro do contexto de redemocratização
para o surgimento do socialismo na Bolívia e esse movimento causasse algum temor aos
militares brasileiros em alguma medida. Diante das semelhanças entre a transição de
regimes dos dois países, é necessária uma análise mais aprofundada do processo
boliviano.

Palavras-chave:
Bolívia, Redemocratização, Ditadura.

ST 4 - A ARQUITETURA DA PESQUISA: FONTES,


METODOLOGIAS E AUTORIDADE
Coordenadores: Jonas Wilson Pegoraro (PPGHIS/HIS/UnB);Dr. Luiz César de Sá
(PPGHIS/HIS/UnB)

22/10 – 14h30-16h

1. O conceito de objetividade em Nietzsche


Raylane Marques Sousa
Resumo:

Nesta pesquisa, ocupo-me do conceito de objetividade na obra de Nietzsche e o explico


a partir do que dou o nome de “Metodologia dos Conceitos Espectrais” [MCE] e tese da
“Substituição” [S]. Alguns comentadores, como R. Lanier Anderson, Maudemarie Clark,
Brian Leiter, Christoph Cox, João Constâncio, Pietro Gori, Marco Vozza, Anthony K.
Jensen (para falar só dos mais atuais), tratam a objetividade em Nietzsche como um
conceito restrito, elementar, e relacionado com a busca da grande verdade. Abordam-na
de forma supersimplificada, como se o conceito possuísse apenas um ou dois significados
por meio dos quais chegaríamos a conhecer pouco das coisas. Sem negar a importância
das discussões empreendidas por esses autores, quero sugerir aqui que a objetividade em
Nietzsche é um Conceito Espectral [CE], sofisticado, e que também se relaciona com a
busca da verdade, mas a verdade não absoluta. Apresento-a em toda a sua complexidade,
como um conceito ressonador, que possui muitos significados por meio dos quais
podemos ampliar o conhecimento da realidade. Ao longo desta pesquisa, portanto, não
pretendo estabelecer um sentido único para o conceito. Meu intuito é traçar um mapa dos
tipos de objetividade e a alternância entre eles em Nietzsche. Pretendo mostrar esse mapa
por meio da minha tese da Substituição [S]. Essa tese é original, procura descobrir as
mudanças em torno do conceito de objetividade, e tenta delimitar o momento em que
Nietzsche substitui uma objetividade universal, fixa e pontual por uma objetividade
particular, dinâmica e plural. Trabalha com os sentidos do conceito e as tentativas do
filósofo alemão de se distanciar da objetividade metafísica. Minha tese da substituição é,
assim, uma análise desse quadro. Sua fecundidade evidenciará o que chamo de
Objetividade Espectral [OE]. Como resultado da minha regra dos conceitos de espectros
e proposta da substituição, constato que podemos lançar muita luz sobre o conceito de
objetividade e rastrear suas transformações na obra de Nietzsche.

Palavras-chave:
Metodologia dos Conceitos Espectrais [MCE]. Substituição [S]. Objetividade Espectral
[OE]. Nietzsche.

2. A autoridade entre os modernos: cientificismo, razão, mito e progresso


João Francisco Schramm

Resumo:
Esta comunicação tem como objetivo discutir o papel dos mitos fundantes da
modernidade como formas por excelência de autorização do discurso científico.
Apresentará a ideia de que na modernidade uma forma específica de racionalidade
normativa foi institucionalizada, a formatar, inclusive, uma nova religião, a igreja
positivista, em que o culto ao progresso e à técnica foi acompanhado pela idealização de
um contíguo progresso moral e político. A comunicação ainda discutirá a ideia do
abandono relativo do projeto de Augusto Comte, que assumia de forma clara a
necessidade da criação de um novo sacerdócio científico, a substituir o católico,
despojado desde a Revolução Francesa, em que o projeto positivista ocuparia na
sociedade um espaço semelhante ao projeto católico, sendo os cientistas vistos agora
como os sacerdotes duma nova civilização que teria como religião oficial a ciência. Ainda
que evitemos essa face normativa e arquetipicamente religiosa do movimento iluminista,
tais ideais operam de forma camuflada ou inconsciente, pois o cientificismo pode ser visto
como uma nova tradição a ser constantemente celebrada, o que por si só já é uma forma
autorizativa dum discurso fetichizado: tal nova mitologia arroga ser a única forma
possível de racionalidade, outorgando às outras formas de discurso a mesma crítica
endereçada ao cristianismo – superstição, crença, dogma, ao invés de empiria,
conhecimento, ceticismo (dúvida) etc. Em tal reducionismo dogmático, os discursos não
oriundos dos quadros conceituais originários da ciência são apenas expressões culturais
praticamente vazias de conhecimento real, ou seja, crenças. À semelhança da Cristandade
e do dogma católico, que afirmam a impossibilidade da salvação da alma fora de Cristo,
a nova religião científica também lançou suas teses universalistas, mantendo a mesma
forma do projeto civilizacional anterior, ao afirmar a impossibilidade de conhecimento
real fora dela mesma. Logo, esta comunicação visará abordar os temas supracitados em
correlação com domínios políticos e filosóficos que tiveram influência inconteste na
modernidade, vistos aqui como amplos projetos civilizacionais que lançam seus próprios
mitos sustentados agora pelo crivo normativo da ciência.

Palavras chave:

Cientificismo, Mito, Razão, Modernidade, Iluminismo.

3. A análise de dados enquanto fenômeno de leitura: prévias reflexões sobre


a compreensão do pesquisador
João Marcos Santiago Monteiro Barbosa
Resumo:
Essa comunicação pretende aproximar os conceitos de compreensão de Hans-Georg
Gadamer, Narrativa de Paul Ricoeur e Recepção de Hans Robert Jauss com os
pressupostos teóricos de Jörn Rüsen e Rosalyn Ashby que são responsáveis da produção
de questionários voltado para alunos sobre afirmações a respeito da Ditadura Militar
Brasileira. O objeto de investigação deste estudo, no entanto, é a hipótese que envolve
ato do pesquisador de elaborar perguntas e analisar respostas. Leva-se em conta que o
olhar do historiador/professor deve ser visto com cautela, a comunicação defende a tese
de que a leitura do instrumental feita pelos alunos pode contribuir na realização de um
fenômeno compreensivo. Com isso, a comunicação busca fazer inteligível a teoria por
trás da produção de questionários sobre a Ditadura Militar Brasileira.

Palavras – chave:
Compreensão; Narrativa; Recepção; Leitura; Didática.

4. Narrativa digital e a ordem dos livros


Gabriel Câmara Rodrigues

Resumo:

O livro sempre visou instaurar uma ordem, fosse a ordem de sua decifração, a ordem
interior da qual ele deve ser compreendido (...). A frase de Chartier, além de proporcionar
uma reflexão acerca da possível finalidade do livro, permite perceber que há um objetivo
a ser imposto pelo escrito. Em outras palavras, os agentes e o público a que o livro é
destinado exercem uma influência simultânea com a finalidade de formar uma ordem no
texto, sendo isso essencial de sua composição. No entanto, qual seria o objeto que impõe
tais demandas de ordem? O que seria então esse objeto de compreensão chamado livro?
A resposta mais comum à pergunta seria o material físico como conhecemos, o códex, ou
para alguns, os papiros ou os volumen. Porém, o intuito da pergunta é entender não o que
é o livro em si, mas por que entender o livro como objetos, no plural, é importante; como
sua construção muda a forma e os propósitos de sua ordem; Como a sua apresentação, e
não somente suas especificidades em relação a outros tipos de livro, também acarretam
mudanças na lógica da sua existência.
Um livro, mesmo que em códex, apresentado através de uma tela e composto de
números e códigos permite uma relação diferente com o leitor do que o impresso. Tal
relação muda tanto pela proximidade física entre o receptor e a mensagem (semelhante
ao processo ocorrido de publicação de impressos in-folio ou in-quarto para o formato in-
octavo na idade moderna) quanto pela velocidade de acesso e re-acesso de quem lê. No
entanto, tais relações não se dão apenas no campo da leitura. Ao se produzir um texto
em um ambiente nativamente digital, é construído um novo espaço entre autor e leitor,
onde o primeiro deve compreender como o seu público recepciona a obra, e o segundo
também a como recepcionar esse escrito. Dessa forma, um terceiro campo, oculto a
primeira vista, também é concebido: o do próprio texto. A relação autor-leitor-livro gera
um espaço onde todos se tornam sujeito e objeto da ação de todos, numa dança tríade de
significações que devem ser feitas por um em relação aos outros, ao mesmo tempo em
que são afetados por si mesmos.
Com o aparato digital, essas significações são elevadas a um nível extremo. Pela
velocidade e facilidade de acesso, não tendo mais de se recorrer ao espaço físico para
acessar o conteúdo a que se pretende ler e desvinculando o espaço de conservação e de
leitura, as ressignificações são feitas de maneira cada vez maior e mais rápida, crescendo
exponencialmente com a quantidade de contato feita entre o leitor, o escritor-autor e a
obra. Esse processo é semelhante ao ocorrido no século XVIII que dividiu
conceitualmente as maneiras de ler em extensivas e intensivas.
Porém, essa intensidade não pode ser levada ao limite, algo que já vem ocorrendo,
por exemplo, com a digitalização de livros e documentos. O problema maior não é a
digitalização em si, mas a forma como esse processo é enxergado e tratado. O repositório
cada vez maior de arquivos digitais permite entender a história como algo bem organizado
e catalogado, e como a atual visão da história digital propõe, o historiador deve apenas
ser o mediador das relações que cada objeto de estudo deve fazer entre si. Há aqui uma
espécie de relativização positivista da história. A intertextualidade e a hipertextualidade
exacerbada torna incompreensível e inútil, o fazer histórico. A História Digital não deve
ser tratada como um mundo infinito de relações entre fontes e historiografia, as
ramificações de saberes que não possui meio e nem origem devem ser transferidas do
espaço do arquivo para dentro da própria mente de quem é afetado pelo texto.
Esse processo de saberes infinitos, por serem significados e ressignificados pela
mente de quem opera a mensagem, faz com que a ordem imposta pelo livro não seja,
redundantemente, imposta só por ele. O contato direto do texto com um indivíduo permite
que este transfira suas ideias para o coletivo a que habita. Nós lemos pelos olhos do outro
e, portanto, há um recalque imediato na comunidade habitada pelo receptor. A tentativa
de entender quais são as especificidades presentes na ordem ditada pelo livro dentro do
campo digital precede um obstáculo imensurável. O foco não é entender o texto; não é
entender a plataforma, nem o indivíduo e nem o coletivo que ele se insere ou não.
Entender a relação que se dá entre todos os agentes – todos os sujeitos-objetos – presentes
no ato da leitura torna a fonte utilizada de caráter ilimitado, infinito. Não seria possível
medir a interação de todos os livros com todos os leitores e todos os escritores. No
entanto, uma tarefa árdua, mas bastante possível, seria a de entender como essa relação
se exprime no âmbito digital em contraste com as interações ditadas pelo códex físico
contemporâneo, e em um próximo momento, compreender se essas novas interações e
interpretações se dão apenas por uma questão de mudança veicular, ou se o ambiente
digital configura uma forma completamente nova de escrita.

16h-17h30

1. O ensaio biográfico da personagem fictícia em Pais e Filhos, de Ivan


Turgueniev
Amanda Bortoluzzi

Resumo:
Ambientado anos antes da libertação dos servos, na Rússia de 1859, o romance de Ivan
Turgueniev, Pais e Filhos, ganhou forma na figura da personagem principal de seu
enredo, Ievguêni Bazárov. Ao aventurar-se nesse "fenômeno" que observava na
sociedade, ou o "homem novo" em seu jovem médico niilista, o autor viu a recepção de
sua obra, após a publicação em 1862, ser um tanto conturbada. Enquanto uma parcela da
frente intelectual da juventude russa da década de 1860 via em Bazárov um modelo
perfeito do "homem novo", a outra o condenava como uma imagem incapaz de fazer juz
aos seus valores e objetivos. Entre amigos de Turgueniev, leitores enfurecidos nas ruas
de São Petersburgo e membros do estrato culto russo, Pais e Filhos e o homem novo em
Bazárov suscitaram as mais diversas opiniões, - e todas bastante calorosas. Por toda a
"polêmica" ser concentrada, assim como o próprio romance, na figura de Ievguêni
Bazárov, Turgueniev apresenta seu argumento ante ao que significa ser um "homem
novo" e como este se encaixaria na sociedade russa oitocentista por meio do enredo que
elabora. E sendo este o centro da obra utilizada como fonte para este estudo, a proposta
metodológica para estudá-la consistiu em um ensaio biográfico da personagem fictícia
em Bazárov, de forma a delinear como a personagem-argumento foi concebida, elaborada
e difundida em meados do século XIX na Rússia Imperial. Aqui, pretende-se apresentar
como a escolha metodológica se deu, e quais foram os obstáculos e sucessos do caminho
de pesquisa tomado, de forma a construir uma espécie de arqueologia da pesquisa
desempenhada em torno do romance Pais e Filhos de Ivan Turgueniev.

Palavras-Chave:
Ievguêni Bazárov; Biografia; Ivan Turgueniev; Pais e Filhos; Metodologia.

2. Entre planos e cenas: o papel dos filmes na representação da história


Karla Pereira Carbonera

Resumo:
Nas últimas décadas, foi possível perceber, a partir do volume de publicações acadêmicas,
um crescente interesse em investigações científicas no âmbito da história e do cinema.
Trata-se de um campo multidisciplinar que evoca uma polifonia teórica e metodológica
para ser desenvolvido. Neste artigo, discutiremos a necessidade que um trabalho
cientifico, que se propõe ao uso de filmes como fonte histórica, possui de abrigar em seu
aparato teórico e metodológico as teorias do cinema e da comunicação.

Palavras-Chaves:
Cinema; Filme; Fonte histórica; Cinema e história.

3. Literatura de Cordel, a fonte privilegiada: interpretações históricas das


estruturas sociais do Sertão Nordestino a partir das narrativas de folhetos
Layra de Sousa Cruz Sarmento

Resumo
O presente trabalho visa demonstrar como a Literatura de Cordel é considerada uma fonte
privilegiada para analisar estruturas sociais do Sertão Nordestino Brasileiro, na época do
movimento do Cangaço. O conceito de Imaginário e sua metodologia interpretativa,
foram escolhidos para respeitar a estrutura diferenciada da fonte utilizada nessa reflexão:
a poesia. O Imaginário, auxilia-nos na interpretação histórica à medida que produz
realidades e reproduz em suas narrativas, experiências vividas pelos sertanejos. A partir
da análise da Literatura de Cordel conseguimos reconhecer valores, sensibilidades,
posturas, cultura, sentimentos e significados de mundo importantes ao sertanejo
nordestino.

Palavras-chave:
Literatura de Cordel, Imaginário, experiências sertanejas.

4. Memórias e cotidiano: Brasília nos escritos de Clemente Luz


José Gomes do Nascimento

Resumo:
A pesquisa analisa as representações expressas em crônicas de Clemente Luz reunidas
nos livros Invenção da Cidade (1968) e Minivida (1972). Investigamos o processo de
elaboração desses textos publicados e a experiência literária-jornalística do cronista. Os
textos do escritor foram produzidos entre 1958 e 1963, período em que foram divulgados
todos os dias na hora do almoço na Rádio Nacional de Brasília. Anos depois, alguns
desses escritos foram reunidos e publicados pelo cronista nos dois livros que são mote
para a pesquisa, sob a coleção “Temas de Brasília”. As crônicas de Clemente Luz se
apresentam como uma possibilidade de resgatar uma memória da nova capital, e analisar
representações de Brasília por meio do cotidiano. As narrativas estudadas mencionam
temas do dia-a-dia da cidade de forma simples e solta, às vezes despretensiosas,
carregadas de humor e confidências, mas que possibilitam, conforme Pesavento, uma
leitura sensível do tempo. Assim sendo, a pesquisa se insere numa perspectiva singular e
pouco explorada na história de Brasília. Como metodologia, a pesquisa realizará uma
análise documental das crônicas a partir de uma História Cultural do Urbano, valendo-se
também de outras fontes como jornais e relatos orais.

Palavras-chave:
Crônicas. Clemente Luz. Memória. Representação. Brasília.

17h30-18h45

1. A incidência do ruído na paisagem sonora como elemento espacial crucial


na formação das musicalidades
Nina Puglia Oliveira
Resumo:
O presente trabalho pretende lançar luz sobre os aspectos teóricos, epistemológicos e
analíticos da geografia, sobretudo nas esferas cultural, sônica e musical, que contribuam
para uma mais ampla e profunda compreensão das especificidades das paisagens sonoras,
com foco na incidência de ruído tanto como elemento perturbador da psique humana
individual e coletiva, quanto como elemento também formador de distintas
musicalidades. Para isso, aliar metodologias de estudos sociais e culturais com
geoprocessamento é fundamental para estabelecer o elo de ligação entre fenômeno natural
e seus impactos e desdobramentos no âmago das sociedades humanas. Espera-se, assim,
criar insumos para enriquecer os debates em torno das políticas de fomento à produção
musical, de proteção e preservação de patrimônio imaterial e de métodos de
musicalização. No âmbito da ciência geográfica, a intenção é consolidar um viés de
análise mais multidimensional, que promova pontos de intersecção entre a geografia
física e a geografia humana, a partir da compreensão da música enquanto fenômeno
humano a partir de um fenômeno natural e enquanto linguagem.

PALAVRAS-CHAVE: Geografia sônica. Geografia cultural. Geografia da música.


Espaço. Paisagem Sonora.

2. Comunicação Pública e Territorialidade: um Método de Gestão


Participativa de Estado a partir de uma Análise Histórico-Geográfica
Gabriel Cunha; Ruan Guajajara

Resumo:
A comunicação pública, pensada como um processo político, é a instrumentalização da
conduta comunicacional entre Estado e sociedade civil (DUARTE, 2012). Qual
estabelece, necessariamente, a responsabilidade em construir elos multilaterais de
informação de direito. A concepção da ideia de comunicação pública, plural, informativa,
participativa e deliberativa, traz consigo a possibilidade de construção de demandas e
percepção do espaço cultural e social. A sua prática, segundo Duarte (2012) resulta na
invocação do sujeito coletivo, o qual, por sua vez, possui relação direta com a sociedade
democrática (HASWANI, 2013).
A relação da comunicação pública, estruturada a partir de uma possível
perspectiva comunicacional para gestão participativa do Estado, será alicerçada pelo
princípio do agir comunicativo (HABERMAS, 1984). Assim, o processo comunicacional
em um parâmetro uno, moldado às diferentes formas de vínculos de acordo com suas
especificidades, constroem parâmetros intersubjetivos do indivíduo, moldado pela sua
relação com o território estabelecido. Este, expressa espaços onde se projetou energia e
informação e revelam relações marcadas pelo poder (RAFFESTIN, 1993), estruturas
importantes para delimitação das especificidades que carregarão a comunicação pública
e sua efetividade na identificação da intersubjetividade da população que o Estado deseja-
se contemplar.
Para a estipulação da análise do território e sua relação com a teoria do agir
comunicativo habermasiana consolida-se o pressuposto identificado em perspectiva
materialista histórico-geográfica dialética (HARVEY, 1984), concebendo o passado e
presente em sua dimensão geo e historiográfica e oferecendo importante subsídio para
compreensão da realidade enquanto engendrada a uma lógica que se reproduz através da
práxis. Buscar-se-á, portanto, por meio de revisão bibliográfica, corroborar para a relação
pragmática entre comunicação pública de Estado e o método de análise de sua prática, o
qual enfoca o território, em sua magnitude geo-historiográfica, como pressuposto
essencial para sua eficabilade.

Palavras-chave: Comunicação Pública; Território; Método; Intersubjetividade; Gestão


Participativa.

3. Novas leituras em uma mesma representação: o caipira de Amacio


Mazzaropi a partir de Candinho (1954)
Míriam Silvestre Limeira

Resumo:
A força da representação da personagem caipira na filmografia do comediante, produtor
e diretor Amácio Mazzaropi (1913-1981), sob o recorte de uma de suas obras: Candinho
(1954), terceiro trabalho de sua carreira, nos estúdios paulistanos da Companhia
Cinematográfica Vera Cruz. Parte-se do princípio de que o estudo de um filme abrange
as mais diferentes fontes, constituindo uma teia de significados, considerando que em
seus trabalhos para o cinema a personagem do caipira interpretada por Mazzaropi não se
restringiu ao estereótipo do Jeca Tatu consagrado pelo escritor Monteiro Lobato nos
contos “Velha praga”, “Urupês” (ambos publicados pela primeira vez em 1914) ou “Jeca
Tatuzinho” (1919). Analisar a imagem do caipira na filmografia do artista apenas sob a
perspectiva de sua apropriação da representação solidificada por Lobato seria reduzir a
riqueza de referências sobre o homem do campo presente nos filmes de Mazzaropi.
Presença marcante do cinema como artista, diretor e empresário, construiu uma carreira
alicerçada numa das mais populares personagens da cultura brasileira: o caipira.

Palavras-chave:
AMACIO MAZZAROPI; CINEMA BRASILEIRO; HISTÓRIA; CAIPIRA

4. Ruínas patrimoniais, ruínas históricas: uma análise da Historical Ruins


Protection Charter
Anna Maria de Lira Pontes

Resumo:
As ruínas patrimoniais são consideradas, no estudo em questão, os remanescentes de
construções que representam o que eram no passado, destituídas de sua forma e uso
original. Distinguem-se das ruínas efêmeras por serem protegidas e valorizadas em sua
condição arruinada, pois a matéria que restou é valorizada enquanto testemunho do sítio,
a revelar seu caráter histórico. Com o empenho em doutrinar internacionalmente a
proteção de ruínas, órgãos – dos quais destacamos ICOMOS, OEA e UNESCO –
lançaram cartas patrimoniais a indicar as práticas para proteção e reuso de ruínas.
Buscamos, neste trabalho, analisar a Historical Ruins Protection Charter (ICOMOS-
Polônia, 2012) em seus onze pontos que confirmam, por um lado, o que foi sugerido
internacionalmente em termos de regras sobre proteção de ruínas em Cartas Patrimoniais
anteriores e, por outro lado, uma maior pormenorização do que se refere ao conceito,
proteção e reuso de ruínas, dos quais destacamos o termo “ruínas históricas”.

Palavras-chave:
Ruínas; Patrimônio Cultural; Memória.

23/10 – 14h30-16h

1. Abordagens de teatralidade, discurso e poder em uma pesquisa de


antiguidade romana e o funcionamento de um cenário político (I d.C.)
Bruno Costa

Resumo:
Na seguinte apresentação buscaremos desenvolver os conceitos de discurso e análise
teatral observando um acontecimento da história romana, este momento é conhecido por
Guerra Civil de 69 d.C., ou também por “Ano dos quatro Imperadores”. Devemos
ressaltar que este trabalho é fruto de 2 anos de pesquisa PIVIC e de um mestrado que está
a ser desenvolvido na UFG em parceria com a concessora de bolsas CAPES.
A análise que utilizaremos contará com diversos conceitos do meio acadêmico.
Contamos principalmente com os conceitos de teatralidade política, poder e imaginário
tratados por Georges Balandier. Em diálogo ao antropólogo temos o sociólogo Ervin
Goffman, do qual também trabalha a noção de teatro, porém por uma perspectiva mais
material da atuação social. Para pensarmos a conceituação de poder trabalharemos em
uma discussão entre Foucault em Vigiar e punir e também Norbert Elias em sua obra Os
estabelecidos e os outsiders. Nosso foco recairá também sobre a ótica discursiva, e para
este conceito usaremos sobretudo a autora Eni. P. Orlandi mas também Michel Foucault
em sua obra A ordem do discurso.
Agora um pouco sobre o recorte e o material que nos proporemos a analisar:
Vespasiano se tornou Imperador em 69 d.C. após uma sangrenta Guerra Civil que matou
3 imperadores, sendo estes Galba, Otão, Vitélio. Durante nossa fala buscaremos ver como
o comportamento descrito pelas fontes mostra a atuação conservadora de Vespasiano vem
a cativar sobretudo uma de nossos interlocutores do passado Romano, sendo este o
historiador Tácito, autor da obra Histórias e que teria vivido entre 59 – 120 d.C.. O
historiador representa Vespasiano de forma positiva enquanto outros autores, como
Suetônio e Dio Cássio, não reservam tantos elogios ao Imperador Vespasiano. A
construção discursiva é evidente quando ao fazermos a leitura densa das fontes, podemos
perceber que os adjetivos que Tácito usou para descrever Vespasiano são mais levianos,
por outro lado, o historiador usou adjetivos depreciativos quando se referiu a outros
Imperadores do período.
Já em Suetônio teremos outra ótica sobre o Imperador. O Biógrafo latino retrata
o Imperador em Vida de Vespasiano como alguém medíocre, que retardou a entrar na
vida política e que entrou por conta de pressões maternas. Além disso, Suetônio também
mostra como Vespasiano foi medíocre de linhagem e de economia.

Palavras-chave:
Poder; Teatro; Discurso.
2. A Historiografia como problema: as interpretações sobre as leis florestais
do medievo inglês.
José Vitor de Lucena Canabrava

Resumo:
Embora as leis florestais estejam presentes em diversos trabalhos de síntese histórica que
versam sobre o período posterior à Conquista Normanda, o tema das florestas reais na
Inglaterra medieval ainda é pouco explorado. Tais obras têm como intuito explicar a
Conquista e veem nas leis florestais mais uma comprovação de suas interpretações sobre
o impacto da derrota dos anglo-saxões em Hastings do que um objeto de estudo valioso
por si só. Já para o período posterior ao normando, os historiadores tendem a considerar
as leis florestais como uma fonte de renda para a coroa, assim como uma ferramenta
estratégica para alianças e negociações políticas levadas a cabo pelo monarca. Entre uma
disputa de narrativas sobre a Conquista e sobre o papel do poder régio, as leis florestais
inglesas costumam aparecer nas pesquisas como justificativa para entender a batalha de
Hastings como marco que assinala a inauguração de um período mais autocrático na
história inglesa. Esta comunicação propõe uma análise da historiografia que estuda essas
leis florestais de forma a contribuir para uma reflexão crítica sobre a maneira como os
historiadores as consideram, assim como apresentar uma nova forma de se entender as
referidas normas, tendo como base principalmente suas especificidades situadas em seu
singular contexto histórico.

Palavras-chave:
Leis florestais inglesas; Conquista Normanda; Historiografia inglesa.

3. Agentes régios no Brasil colonial


Beatriz de Oliveira Andrade

Resumo:
A comunicação visa apresentar, preliminarmente, a investigação quantitativa (e algumas
reflexões qualitativas) que estão sendo realizada no interior de um projeto maior em
desenvolvimento no PPGHIS-UnB e HIS-UnB que tem como foco as trajetórias dos
agentes régios que agiram na América portuguesa durante 1640-1750. Para o
levantamento inicial dos sujeitos que atuaram na estrutura jurídico-administrativa,
desenvolveu-se uma tabela a fim de selecionar informações dos documentos
disponibilizados pelo Projeto Resgate, disponível em versão digital no site do Arquivo
Histórico Ultramarino. O objetivo é realizar um amplo levantamento que possibilite uma
série de possíveis recortes posteriores. Desta forma, foi idealizada uma tabela para a
inserção dos dados que achávamos relevantes na documentação. Contudo, com as
primeiras inserções e análises, detectamos algumas “falhas” - faltas - na primeira versão
da tabela, o que levou a elaboração de uma segunda. Nesta linha, percebemos a
complexidade para definir/criar a respeito de categorias de análises para a relação
administrativa, política, econômica, pessoal, engendrada no ambiente colonial pelos
agentes régios. O levantamento de informações torna-se um desafio diante das inúmeras
especificidades de um “aparato burocrático” complexo e palco de diferentes disputas.
Algumas fragilidades da tabela ainda precisam ser sanadas, como a questão das
instituições, tendo em vista que nem sempre a relação entre diferentes instituições se dá
no cenário estabelecido pela tabela: solicitar, dar e/ou receber, sendo necessário avanço
na análise documental para melhor compreender situações como esta.

Palavras-chave:
Agentes Régios; Trajetórias; Administração Colonial.

4. Outros fronts: Reflexões sobre escritos de médicos sobre a Guerra do


Paraguai como fontes de pesquisa e algumas considerações sobre
metodologia em História
Vanessa Queiroz
Resumo:
Esta comunicação tem por intuito incitar debates sobre metodologia de pesquisa em
História, vista como procedimento que exige reflexões constantes. Como exemplo para
pensar a discussão proposta, expõe considerações acerca de uma pesquisa de doutorado
em fase inicial, preocupada com visões médicas sobre a Guerra do Paraguai. Em torno do
questionamento sobre as possibilidades e limites de perceber tais visões sobre o conflito
sob as penas de colaboradores de jornais médicos brasileiros da segunda metade do século
XIX (os Annaes Brasilienses de Medicina e a Gazeta Medica da Bahia), são feitas
reflexões mais gerais que buscam enfatizar a importância do diálogo acadêmico sobre
pesquisa e circulação de ideias como necessidades para o melhoramento do trabalho do
(a) historiador (a). Ademais, busca-se diferenciar a metodologia de trabalho com as fontes
de tipos de receitas tradicionais fechadas.
Palavras-chave: Metodologia em História, Jornais Médicos, Guerra do Paraguai,
Trabalho do(a) Historiador(a).

16h-17h30

1. O uso de bases de dados na pesquisa em história: o caso da Base Malta


Tiago Luís Gil

Resumo:
A proposta desta apresentação é discutir o uso de bases de dados na pesquisa em história
tomando o caso de uma, em particular, denominada MALTA, que foi construída tendo
em vista a proposta de Jean Pierre Dedieu, de fragmentar a vida em eventos para poder
reagrupá-los de diversas maneiras. Um mesmo evento pode ser descrito duas ou mais
vezes. Para incluir registros com vistas à seriação, indicamos no campo “evento” o tipo
de fenômeno reiterativo que se trata. Por outro lado, quando se refere à descrição de um
“ato” ou “evento” é feita genericamente alguma informação no campo “evento” e descrito
o ocorrido com detalhes em um campo denominado “detalhamento”. Assim, os dados
mais interpretativos estão juntos com os dados mais seriáveis, mas passíveis de separação
pelos critérios de “rotulagem” utilizados. Além de criar um campo “evento”, destoando
um pouco da proposta de Dedier, também criamos os campos “papel do agente” e “papel
do interlocutor”, onde atribuímos justamente um “papel” a cada agente e em cada ato.
Como já dissemos, um mesmo evento pode ser repetido mais de uma vez. Neste sentido,
cada ação é duplicada de forma a atribuir a cada um dos partícipes uma agência particular,
partindo da idéia que um evento não tem o mesmo significado para todos os seus
participantes. Assim, cada evento é visto ao menos de duas formas distintas, podendo, em
alguns casos, ter muitas versões. A forma com a base foi construída permite estas
manobras. Há ainda outros dois campos, criados para coletar informações sobre a forma
como os agentes eram qualificados em seu tempo (tais como Capitão, preto forro, dona:
os campos “qualificativo_agente” e “qualificativo_interlocutor”. A base Malta também
formas de visualização diferenciadas (os chamados “formulários”, em termos técnicos).
São formas diferentes de ver os mesmos registros, filtrando apenas alguns aspectos. É
possível, por exemplo, visualizar todos os feitos de um sujeito em um canto da tela,
enquanto se pode verificar, ao mesmo tempo, todos os eventos e atos que envolveram
seus interlocutores, um por um. Este mecanismo é possível graças ao relacionamento que
a base tem consigo mesma, o que permite cruzar os dados de múltiplas maneiras. É
possível também obter a simples biografia de um sujeito, decomposta em registros, ou
uma série específica de um evento particular.

Palavras-chave:
Bases de Dados; Pesquisa; Fontes Seriais.

2. Dados quantitativos e análises qualitativas das pesquisas em História


Moderna e Colonial: um mapeamento das revistas acadêmicas
Larissa Teixeira Soares

Resumo:
A comunicação visa, prioritariamente e preliminarmente, apresentar os dados
quantitativos que foram levantados para o Projeto: ―Pesquisas em História Moderna e
Colonial: uma análise de periódicos científicos (2001-2018). Para dar suporte à análise
dos dados foram construídos gráficos e tabelas explicativas, com o objetivo de dar
subsídios para as pesquisas que serão desdobradas a partir do banco de dados. Indicamos
que o levantamento foi feito em 86 revistas associadas a todos os Programas de Pós-
graduação em História do país, bem como, o banco de dados constituído, possibilita
quantificar os autores, titulação, orientadores, programas de formação, palavras-chave
que orientam os artigos, locais de foco analítico, dentre outros elementos.

Palavras-chave
Análise de dados – Periódicos científicos – História Moderna e Colonial

3. História Moderna e Colonial: uma análise das referências de


pesquisadores atuantes no Brasil, no século XXI
Ana Lígia Adami

Resumo:
A apresentação visa mostrar, preliminarmente, um levantamento teórico-metodológico dos
artigos do Projeto de Pesquisa: “Pesquisas em História Moderna e Colonial: uma análise de
periódicos científicos (2001-2018) ”, analisando as referências bibliográficas indicadas pelos
pesquisadores em seus artigos. Ou seja, buscamos identificar, ao longo do século XXI, qual
foi o autor ou autora que mais influenciou os pesquisadores de História Moderna e Colonial.
Por exemplo, saber se Foucault, Elias, Bourdieu ou Novais, Freyre e Holanda, ainda figuram
entre os referenciais dos pesquisadores; ou, por outro lado, se novos modelos interpretativos
já estão no panorama de análise dos pesquisadores. Ademais, identificaremos se os autores e
autoras que se tornaram objeto da nossa pesquisa, citam mais livros, capítulos de livros, teses
ou artigos. Ao mesmo tempo, dado o cruzamento de dados que coletaremos nas referências
bibliográficas com a Plataforma Acádia, se há uma certa “herança” teórico-metodológica
entre autores e orientadores.

Palavras-chave:
Artigos; Referências Bibliográficas; Pesquisadores; História Moderna e Colonial.

4. Genealogia acadêmica: a Plataforma Acácia e redes de pesquisa


Jonathan Simon Barbosa

Resumo:
Busca-se apresentar, nesta comunicação, a genealogia acadêmica dos pesquisadores que
publicaram na revista TOPOI durante os anos de 2001-2018, com o objetivo de rastrear
preferências teórico-metodológica. Para tal, utilizou-se a Plataforma Acácia, a qual
“concebida com o intuito de documentar as relações formais de orientação no contexto
dos programas de pós-graduação brasileiros”1. No escopo do Projeto de Pesquisa –
Pesquisas em História Moderna e Colonial: uma análise de periódicos científicos (2001-
2018) –, catalogou- se 103 (cento e três artigos) na Revista – num espaço amostral de 325
(trezentos e vinte e cinco artigos). Dos artigos identificados, oito são produto de coautoria,
totalizando, portanto, um universo de análise de 111 (cento e onze) pesquisadores, bem
como seus orientadores (ascendentes diretos) e, ainda, os orientadores destes (ascendentes
indiretos).

Palavras-chave:
Genealogia Acadêmica; Plataforma Acácia; Topoi; História Moderna

17h30-18h30

1. Considerações teóricas sobre o uso da Análise de Redes Sociais em história


Amanda do Couto e Silva Pinheiro

Resumo:
Propomos discutir as vantagens e problemas teóricos da Análise de Redes Sociais a partir
da programação em R ou do uso de Softwares como Gephi na pesquisa histórica,
entendendo as Redes como nos explica Gribaudi (1998) - não como uma esfera do
privado, mas sistemas que estruturam concretamente a sociedade e o seu comportamento
a cada ocasião. A partir do histórico de relacionamentos e da movimentação financeira
dos moradores da Vila de Curitiba entre 1770 a 1800 (ao todo mais de 2000 pessoas
citadas nos Livros de Tabelionato da Vila), propomos a análise gráfica e uso das redes
sociais para instigar novas questões sobre os dados, além dos problemas teóricos como:
a representação dos relacionamentos em um retrato rígido ao longo do tempo, perdendo
as diversas possibilidades de ligações e as limitações de ação e percepção dos agentes
históricos; a análise dos grupos e instituições sociais por redes egocêntricas; o problema
da representação simultânea das "camadas" de sociabilidade de forma inteligível.
Discutiremos também as possibilidades de se observar, com a representação em redes, o
desenvolvimento da confiança (aprendizagem relacional); como o capital social pode ser
instrumentalizado economicamente ou como funcionam os laços de clientela colonial, em
um sistema de preferências e hierarquização das relações pessoais. Por fim, refletimos
sobre a necessidade de impor as nossas necessidades de pesquisa às novas ferramentas
tecnológicas, renovando as formas de lidar com as informações documentais.

Palavras-chave:
Redes Sociais; Antigo Regime; Vila de Curitiba

2. Baú Maria Alice: construção de dossiê de arquivo privado para fins de


doação
Maria Clara Silva; Verônica Lemos de Oliveira Maia

Resumo:
O projeto busca realizar um dossiê, para fins de doação, do acervo documental de arquivo
particular da família Lobo Leite, do engenheiro chefe do prolongamento da então
denominada Estrada Ferroviária Dom Pedro II, na região dos municípios de Congonhas
e Conselheiro Lafayete, em Minas Gerais, cuja estação foi inaugurada em 1886 com o
nome de Soledade; mais tarde, passou a se chamar Congonhas, por estar neste município
e, em 1907, foi batizada com o nome Lobo Leite, assim como todo o distrito (Diário
Oficial de 28/08/1907), em homenagem ao engenheiro responsável Francisco Lobo Leite.
A estação de Lobo Leite faz parte do chamado Caminho Velho, da Estrada Real. O
Caminho Velho foi a primeira via aberta oficialmente pela Coroa Portuguesa para o
tráfego entre o litoral fluminense e a região mineradora. O acervo é formado por
manuscritos, documentos cartoriais, cópias de processos, notas, cartas, bilhetes,
fotografias, nomeações em funções públicas, certificados escolares, recibos de pagamento
de impostos, recortes de jornais, mapas, transcrições e cópias de documentos referentes
às propriedades e à trajetória de pessoas da família Lobo Leite. Trata-se de documentos
que datam de fins do século XVIII até fins do século XX, sendo a grande maioria do
século XIX, que encontram-se em estados variados de conservação. Foram encontrados
em uma mala pertencente à bisneta do Engenheiro Francisco Lobo Leite, em Brasília,
cuidadosamente mantidos como remanescentes de um amplo patrimônio que não pôde
ser conservado integralmente. A vontade dos herdeiros é contribuir com a pesquisa
histórica no Brasil e a memória nacional por meio da doação do acervo privado. Para
tanto, faz-se necessário um primeiro tratamento dos documentos, a produção de um dossiê
formado pela identificação e quantificação dos documentos e pelo levantamento de
temáticas relacionadas que possam suscitar interesse de pesquisa. Como o arquivo nunca
foi analisado e não possui organização própria, o primeiro desafio é conhecer o arquivo
como um todo e obter a identificação dos diversos gêneros documentais e de cada um dos
documentos para delinear possibilidades de ordenação do acervo. No processo de
higienização dos documentos, encontramos ainda: cheques, cartões postais, bilhetes,
cartas de amor, boletins de cursos, diplomas, rascunhos. Entendemos o arquivo como uma
construção coletiva da memória, mas tratar um arquivo particular nos remete à sensação
de mexer nas gavetas deixadas por alguém que já se foi e à questão: como transpor uma
relação pessoal para transformá-la em uma relação de pesquisa? Nesse momento do
trabalho estamos verificando as possibilidades de catalogação de um corpus documental
variado e distinto para possíveis investigações.

Palavras-chave:
arquivo particular; Minas Gerais; Lobo Leite; elite; Estrada Ferroviária Dom Pedro II

3. Fontes, metodologias e problemas na investigação com ensino de história:


um percurso
Artur Nogueira Santos e Costa

Resumo:
Proponho discutir, nesta comunicação, resultados de pesquisa realizada durante o
mestrado em História, centrada no interesse por compreender o processo de organização
curricular da disciplina de história, no ensino fundamental, em escolas públicas estaduais
de Uberlândia-MG, no período de 2010 a 2016. Partindo do pressuposto de que
“currículo” e “ensino de história” possuem historicidade e que são movimentos
inacabados, em constante processo de “fazer-se”, porque operados por sujeitos concretos,
o esforço se encaminhou no sentido de desenvolver uma pesquisa historiográfica sobre
um objeto que se circunscreve num lugar de fronteira, nas intersecções entre educação,
ensino de história e historiografia. Nessa direção, procurei articular a legislação curricular
e os textos prescritivos do campo do ensino de história ao cotidiano da escola pública,
pensando-os como fontes de pesquisa a serem problematizadas, articuladas, confrontadas.
Uma das estratégias metodológicas adotadas foi o acompanhamento de aulas de história,
pensadas como uma dimensão do processo de construção curricular. O objetivo, aqui, é
apresentar os elementos registrados e problematizados a partir dessas aulas e suas relações
com os textos curriculares, para discutir a atuação profissional do/a professor/a de história
e os sentidos atribuídos para o ensino e a aprendizagem dessa disciplina, no ensino
fundamental.
Palavras-chave:
ensino de história; currículo; escola pública;

4. “Para o brasil ir para frente”: o que era esperado de um presidente da


república nas cartas enviadas à presidencia (1998)

MARCOS PAULO TEIXEIRA DE ALMEIDA 1

Resumo:

O presente trabalho propõe uma discussão sobre as expectativas em torno do Presidente da


República. Aqui, o objetivo é um conceito social que ultrapasse, mas ao mesmo tempo explique
as responsabilidades jurídicas impostas ao ocupante do cargo. Assim, as fontes analisadas serão
26 cartas que crianças escreveram ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, nas quais
se propuseram a responder “O que eu espero do futuro presidente”. Metodologicamente, será
explorado inicialmente os conceitos presidencialismo, responsabilidade política e
responsabilidade jurídica – com o auxílio da ciência política. Com a base conceitual estabelecida,

1
Mestrando da linha História Social e suas múltiplas formas, Universidade de Brasília, e-mail:
1marcospaulo1@gmail.com
a análise olhará para os pedidos – expectativas comuns e exóticas – direcionadas ao presidente,
contrastando entre elas mesmas, bem como contextualizando com o período histórico em que
estão inseridas. Por fim, espera-se encontrar nos pedidos traços que delimitem mais firmemente
a responsabilidade política que o presidente como representante da vontade popular.

Palavras-chave:
Cartas; Presidente; Expectativas; FHC.

ST 5 - MUNDO INTELECTUAL ENTRE ANTIGOS E MODERNOS


Coordenadora: Dr. Camila Condilo (HIS/UnB)

23/10 – 14 às 15:30hs

1. Transição do sujeito medieval para o indivíduo moderno: Construção de


autor e autoridade.
Tiago de Oliveira Veloso Silva

Resumo:
Esta comunicação busca explorar o tema da autoria, autor, sujeito e individualismo
durante o final do medievo e inicio da era moderna, utilizando como base tríplice os
escritores Roland Barthes, Michel Foucault e Roger Chartier. Buscaremos nos escritores
o surgimento da figura do autor e a sua construção em uma realidade socio-histórica que
consagra o individuo e o individualismo durante a modernidade. Barthes em “Death of
the Author” é categórico ao afirmar que o surgimento da figura do autor é um fenômeno
moderno Ocidental, originado no empirismo inglês, racionalismo francês e a fé pessoal
da Reforma. Michel Foucault, no famoso ensaio “Qu’est-ce qu’un auteur?” de 1969 dá
uma resposta para Barthes utilizando o conceito de “função-autor”, mas mantém o
surgimento do autor na modernidade como uma reação à necessidade de punição do
discurso e assume no século XVIII uma relação com a burguesia. Roger Chartier revisa
essa datação e é capaz de trazê-la para o século XVII, atribuindo-a ao copyright, e observa
processos da função-autor na análise do discurso do século XVI. A partir da afirmação
dos três, podemos identificar o berço do autor como sendo na modernidade, em conjunto
com o desenvolvimento do sujeito moderno e o individualismo. Este mesmo
individualismo, reflexo de uma transição do sujeito medieval para o moderno, abrange a
literatura não só no surgimento do autor, mas também na própria literatura, como nos
demonstra Ian Watt em “Mitos do Individualismo Moderno”. Para Foucault, a figura do
autor surge concomitantemente com a necessidade de punir discursos, apontar as origens
de narrativas condenáveis, uma apropriação da “função-autor” pelo meio legal. No
entanto, a figura do autor também surge em um momento em que a autoridade do discurso
é embuida na figura individualizante do sujeito autor, um nome próprio que pode ser
reconhecido enquanto um indivíduo. Este reconhecimento do sujeito-indivíduo enquanto
autoridade e responsável (legalmente) pela autoria do discurso em muito difere-se da
relação medieval entre o discurso e a autoridade. Esta comunicação visa, portanto, discutir
algumas das diferentes formas de relação entre a figura do autor e a autoridade durante o
medievo e suas mudanças na passagem para a modernidade, perpassando por uma análise
do sujeito e da individualidade.

2. A medicina no Portugal medieval (Alcobaça, século XV).


Letícia Cardoso Carrijo

Resumo:
Esta comunicação objetiva discutir a presença de uma teoria médica elaborada no que se
denomina de antiguidade greco-romana no ocidente medieval. Os textos de autoridades
como Hipócrates (Grécia, séc. IV a.C) e Galeno (Roma, séc. II d.C) foram usados e
reutilizados durante a Idade Média, de forma a moldar o saber acerca do que se entendia
por saúde e doença no período. Analisarei primeiro como esses textos greco-romanos
chegaram até a Europa medieval, apontando principalmente para as modificações
realizadas nessas concepções médicas e ao trabalho realizado com esses textos. Para
exemplificar, utilizarei a experiência histórica do mosteiro de Santa Maria de Alcobaça
localizado em Portugal no século XV. Partindo da prática médica deste mosteiro
apontarei as marcas das teorias hipocrático-galênicas em sua Regra e Costumeiro.
Palavras – chave:
medicina hipocrático-galênica, idade média, mosteiro cisterciense.

3. Usos da linguagem no século XVI espanhol.


Luiz Felipe Martos

Resumo:
Esta pesquisa se insere nos usos da linguagem entre letrados durante o século XVI.
Interessa-nos tocar em um problema de natureza bifronte: de um lado, os postulados,
contidos na Gramática Castelhana (1492), que caracterizam o espanhol como “língua
companheira do império” na e sua relação com os discursos teológico-políticos que a
legitimavam como principal sucessora do latim, do grego e do hebraico. De outro,
pretende-se analisar a hierarquização da linguagem de modo mais amplo, investigando a
relação do espanhol com os idiomas submetidos a processos de gramaticalização e
dicionarização no período, especificamente o quéchua. Por meio da análise de tratados
como a “Grammatica o Arte de la lengua general de los Indios de los Reynos del Peru”,
pretende-se revisitar as exigências teológicos-políticas da colonização, procurando
elucidar de que modo o processo de “imperialismo linguístico” se mostrou decisivo para
construção do império espanhol e o sucesso do projeto colonizador.
O corpus a ser mobilizado é composto por dois tratados: “Grammatica o Arte de
la lengua general de los Indios de los Reynos del Peru, do Fray Domingo de S. Thomas
e publicado por Francisco Fernandez de Cordoba, o Lexicon o Vocabulario de la lengua
general del Peru, de mesmo autor e impressor .Todas as obras continham o selo de
privilégio monárquico. Através desses escritos, aparentemente autorizados pelos poderes
teológico-políticos do tempo em que foram publicados, pode-se examinar as formas, e as
estratégias de tradução que guiaram a empresa colonizadora no seu plano de
“colonização do linguajar americano”.
Como se sabe, no “imperativo teológico da colonização” a escrita
desempenhou um papel de um instrumento catequizador, cumprindo uma função
essencialmente disciplinadora. Nesse cenário, as gramáticas de línguas indígenas serão
tidas por uma “frente” gramatical e vocabular da exegese cristã, para além de uma
exegese somente bíblica. É recorrente em muitos dos prefácios e prólogos de gramáticas
indígenas, e o nosso corpus não deixa de atestar isso, a ideia do caráter geral da língua
gramaticalizada. Interpretado, por um lado, como uma questão estratégica, a invenção da
língua geral, por outro lado, atende a princípios católicos e monárquicos do período, pois
pressupõe uma movimentação na “superfície das línguas”, que, na ordem de semelhanças
então vigente, possibilita a redução à uma língua geral supostamente primária.
As gramáticas e os dicionários de línguas indígenas, uma vez que compostos à
luz de pressupostos político-teológicos, para muito além de uma questão meramente
estratégica, são uma confirmação do princípio da unidade da verdade divina, diante da
pluralidade de línguas humanas, mediante ao acontecimento babélico, que dispersa a
língua adâmica pelo mundo. Sendo assim, a gramática permite que a língua ameríndia se
junte a outras línguas vernáculas, e participe, analogicamente, da língua primeira. Desse
modo, a língua ameríndia, uma vez gramaticalizada se tornaria herdeira do latim.
A gramaticalização dos idiomas ameríndios, como argumenta Maria Leonor
Carvalhão Buescu, é, na realidade, a segunda parte de um movimento que tem início
antes, na Europa, de gramaticalização das línguas vulgares. Esse movimento corroborou
o pensamento de letrados a respeito da hierarquia linguística lideradas pelos próprios
idioma das monarquias europeias. Dentro de uma concepção substancialista e
metafisicamente orientada sobre as letras, e partindo dos pressupostos político-teológicos
já aludidos, a posição no ordenamento linguístico é assegurada por uma uma escala de
valores vernáculos de proximidade com o latim – “emperatriz, guia y gobierno de todas
las otras”. Com isso, o espaço para a tópico da primazia do castelhano-e mesmo de outros
idiomas, caso do português, é aberta.
Eugenio Ascencio mostrou que o topos da língua companheira do império
origina-se nas Elegantia de Lorenzo Valla, apropriado pelo jurista aragonés Gonzalo de
Santa Marta antes de ser veiculada por Nebrija. A partir de então,o conceito de uma
relação entre língua e império passa a ser empregado em diversos contextos, com as suas
respectivas variações. No caso português a língua surge como uma espécie de “produto
natural da personalidade nacional”. A ressonância da tópica de Nebrija, é, evidentemente,
ratificada e incorporada pelo Império espanhol, servindo às exigências teológico-políticas
da colonização, de maneira que a exaltação da nobreza do castelhano também terá uso na
legitimidade das “conquistas” espanholas na América. Nesse sentido, a pesquisa deve
examinar os discursos letrados em busca de determinar os critérios retórico-teológico-
políticos que autorizaram o espanhol, procurando entendê-la segundo os critérios de
legitimação do Estado católico espanhol.
Como fora exposto, a gramaticalização e a tradução foram dispositivos centrais
no processo do imperialismo linguístico e, portanto, no sucesso da missão cristianizadora
.Para pensarmos a centralidade dessas práticas, deve-se levar em conta o caráter
definitivamente substancialista da representação na época moderna, sobretudo as relações
de semelhança entre as Letras e o mundo. Nossa pesquisa apoia-se nessa dimensão
analógica da linguagem, que, atrelada à perspectiva escolástica, coloca o ponto da redução
das línguas indígenas como fator definidor da convertibilidade dos índios. Nada mais
eloquente, nesse sentido, que a afirmação de Pedro Gandavo de que não se encontra na
língua dos índios da costa brasileira, nem “F”, L, e “R”- sinal da falta de fé, de lei e de rei
entre eles.
Dito isso, alguns aspectos teórico-metodológicos merecem ser expostos, uma
vez que irão nortear a leitura do corpus em questão e serão determinantes no curso da
pesquisa. Em primeiro lugar, a retórica precisa os dispositivos técnicos tidos à época para
estabelecer a excelência dos discursos de acordo com gêneros, fundamentados na doxa,
ou seja, na boa opinião dos tidos por sábios. Esses saberes funcionavam como sedes de
argumento para todo e qualquer discurso que então mirasse a legitimidade outorgada
às auctoritates greco-latinos, e coevas.
Pressupunha-se, assim, o conhecimento dos costumes antigos, além dos
critérios de emulação e imitação pertinentes ao lidar com eles. Essa ação demandava a
mobilização de dispositivos destinados a produzir variações na doxa capazes de persistir
no futuro. Nebrija por exemplo, calcado na autoridade de Lorenzo Valla, usa o seu tópico
de de que há uma relação entre língua e império, como base argumentativa para, a partir
daí, atribuir-lhe novo significado.
Levar em conta os pressupostos retórico-poéticos da época acarreta conceber a
tradução como parte de uma “operação escriturária”, uma atividade de versão de uma
língua para outra, e portanto, de transposição de costumes gramaticais. Sendo assim,
encontra-se na tradução e nas demais práticas gramaticais no século XVI uma
comunicação entre a língua traduzida e a língua alvo calcada na noção de autoridade.
Como nos mostra Marcello Moreira, ser traduzido é evidência da autoridade do modelo,
é considerar sua elocução e seu arranjo como elementos a serem interpretados e emulados
em tipos e modelos verossímeis. Os pressupostos retórico-teológicos que pensam a
tradução e gramatização dos vernáculos postulam uma modelização necessária do grego
e do latim. Dessa forma, pode-se pensar em modelos de escritura, que desejam ilustrar
sua filiação ao tronco greco-latino. Nesse sentido, a relação com o presente corpus é
evidente quando se pensa no propósito das gramáticas e dicionários das línguas gerais
americanas. Por fim, vale ressaltar o caráter estritamente retórico desses escritos, ilegíveis
fora dos gêneros de discurso em que se inseriam.

Palavras-chaves:
Autoridade; gramaticalização; retórica

23/10 – 16 às 17:30hs

1. Ex literarum studiis immortalitatem acquiri: Um estudo sobre a


imortalidade nos emblemas de Andrea Alciato (1531-1621).
Cíntia Chaves Rodrigues

Resumo:
Os emblemas na Época Moderna podem ser considerados um gênero verbal-pictórico de cunho
moral, sendo geralmente agrupados e publicados em formato de livro. Sua criação é atribuída ao
jurista e escritor italiano Andrea Alciato, pela publicação do volume Emblematum liber em 1531.
Ao longo dos séculos XVI e XVII houve um quantitativo expressivo de publicações do gênero,
consolidando a relevância dos emblemas e dos emblematas nas práticas letradas da Europa
Moderna. A estrutura tripartite do emblema pode ser considerada um consenso entre a
historiografia, sendo ela: título (inscriptio), imagem (pictura) e epigrama (subscriptio).
Dentre os emblemas ligados à Alciato, ex literarum studiis immortalitatem acquiri
constitui o foco desta pesquisa, por abordar uma questão bastante relevante: a imortalidade trazida
aos letrados através do reconhecimento enquanto autoridade. O corpus desta pesquisa, portanto,
consiste em cerca de vinte edições, publicadas entre 1531 e 1621, disponíveis na plataforma
Alciato at Glasgow. Ao tentar conceber como a imortalidade letrada é abordada no gênero
emblema ao longo das edições em questão, pretendo analisar se as mudanças realizadas provocam
alguma modificação substancial no objeto estudado. Se sim, de que forma os elementos
produzem essas mudanças, quais seus impactos e como se manifestam. Percebendo a
presença de traduções, edições bilíngues, mudanças imagéticas e acréscimo de
comentários, ao longo de quase um século de publicações, como fatores fundamentais.

Palavras-chave:
edição; emblema; gênero; imortalidade; letrados.

2. Usos do Pimandro em François Foix de Candale (1579).


Lucas Augusto Pietra

Resumo:
Esta pesquisa circunscreve-se à análise da versão comentada e traduzida para o francês
pelo bispo François Foix de Candale do corpus hermeticum, Le Pimandre de Mercure
Trimegiste (1579), disponível no acervo digital da Biblioteca Nacional de Paris. Além de
ser uma publicação em vernáculo, o texto está disposto in-folio e conta com quase 800
páginas dividias entre os dezessete tratados herméticos seguidos do texto nomeado
Asclépio, sendo ambos intercalados pelas volumosas intervenções de Candale.
O objetivo principal consiste em investigar os aspectos, tanto materiais quanto
retóricos, que contribuem para a formação da autoridade François Foix de Candale no
primeiro tratado, evidentes, por exemplo, no reordenamento cronológico que o bispo
promove da figura de Hermes bem como as associações entre o hermetismo e os textos
canônicos católicos.

Palavras-chave:
Pimandro; Teologia cristã; François Foix de Candale; Hermes Trimegisto; Cronologia.

3. Os sufrágios e os comícios na teoria política de Rousseau.


Vital Francisco Celestino Alves

Resumo:

Rousseau, n’ O contrato social, afirma que o povo romano foi “o povo mais livre que já
existiu”. Na teoria rousseauniana a liberdade política consiste fundamentalmente na
participação dos cidadãos nas assembleias fixas e periódicas, enquanto a liberdade civil
refere-se à obediência a lei, pois ela enuncia a vontade geral (ser livre significa está em
conformidade com a própria vontade, e a vontade do cidadão é a vontade geral). Embora
o filósofo genebrino recuse a representação no tocante os membros do poder legislativo,
isto é, o corpo político ou soberano, o mesmo não acontece no que tange ao poder
executivo, ou seja, ao governo. Se, no livro primeiro do Contrato, Rousseau explicita
como o pacto social engendra o soberano, no livro segundo, o autor apresenta as
especificidades do soberano e preconiza a função excepcional do legislador; no livro
terceiro, examina as formas de governo; já no livro quarto, ele designa uma série de
instituições públicas que terão a incumbência de zelar pela manutenção da ordenação
política e prolongar a sua existência. Mas o que chama atenção nesse último livro, além
das instituições serem claramente inspiradas na Roma antiga em seu período republicano,
é que, ao lermos, respectivamente os capítulos sobre os sufrágios e os comícios,
possivelmente atestamos como para Rousseau funcionaria as escolhas dos mandatários
do poder executivo por meio dos sufrágios e como funcionavam os comícios e as eleições
em Roma. Na comunicação que será apresentada, buscaremos analisar como os sufrágios
lidam com a vontade geral e a questão da unanimidade, também examinar-se-á a relação
entre os comícios formados basicamente pelo Conselho do povo romano e as eleições.
Esperamos que assim seja possível compreender as razões pelas quais Rousseau julgava
que “o povo romano foi o povo mais livre que já existiu”.

ST 6 - O QUE NOS ENSINAM AS NARRATIVAS DE MULHERES


INDÍGENAS, NEGRAS, ORIUNDAS DE COMUNIDADES
TRADICIONAIS E MORADORAS DE PERIFERIAS URBANAS?
Coordenadoras/es: Cristiane de Assis Portela, Susane Rodrigues de Oliveira, Bruna Paiva
de Lucena

1. Narrativas Tabajara no coração do Brasil: uma literatura de cordel


Alessandra Tereza Mansur Silva

Resumo:
A escola CED PAD/DF localiza-se na zona rural do paranoá, há 70 km do centro de
Brasília. A região que circunda a escola é composta de grandes áreas que cultivam a
monocultura e o agronegócio, e também de pequenas chácaras e de pequenos produtores,
em menor escala. Há aproximadamente dois anos, a escola vem realizando debates e
cursos, contando com a gestão e professores da escola, que visam adequar a realidade da
escola aos saberes camponeses, transformando a instituição em , de fato, uma Escola do
Campo. A escola percebeu que necessitava, de imediato , concomitante com os estudos
, começar a caminhada na direção da construção do inventário da escola. Instrumento que
ajuda a garantir , inclusive, a validação legal das escolas como Escolas do Campo.
No ano passado (2018) a escola participou em parceria com a EAPE (escola de
aperfeiçoamento de professores) do programa “Mulheres Inspiradoras” (que visa
incentivar o protagonismo feminino e trabalhar as questões relativas a equidade de
gênero) surgiu a ideia de unir a construção do inventário com a valorização da mulher do
campo: decidimos que iriamos contar as histórias das comunidades a partir da narrativa
das mulheres do campo.
A escola estabeleceu dois planos de ação: formar um grupo de estudos com os
alunos (15) da escola sobre questões relativas a mulher do campo e realizar as ações
necessárias para a construção do inventário. Nesse grupo de estudos, calcado nos ideias
do programa “Mulheres Inspiradoras”, as professoras de história Alessandra e Lívia ,
incentivam o debate sobre gênero com um grupo de estudantes do ensino fundamental
que se encontram na escola de quinze em quinze dias no período contrário as aulas. Esse
grupo de estudo visa incentivar a leitura de escritoras mulheres, promover a escritas dos
estudantes ( fazendo que os mesmos pesquisem sobre as mulheres inspiradoras de suas
famílias e comunidades) trazer as questões relativas a gênero e campo.
O plano de ação focado na construção do inventário promoveu a realização de
questionários com os alunos onde se questionava se esses tinham interesse em fazer uma
visita guiada em suas comunidades e se conheciam alguma mulher que morava no local
há muito tempo, e que poderia conceder uma entrevista para um grupo de professores. O
intuito desse questionário e das entrevistas foi de conhecer as comunidades a partir da
perspectiva do aluno , e em seguida conhecer a história dessa comunidade a partir da
perspectiva de uma mulher camponesa. Até o presente momento, conseguimos visitar
sete das vinte comunidades que a escola atende, que foram: Cariru, Lamarão, Capão Seco
,Alphaville ,Cafe sem Troco, PAD/DF,Fazenda Miunça. Grupos diferentes de
professores conversaram com as mulheres referências desses locais e ,o intuito final é
produzir um livreto com as Histórias e biografias dessas mulheres para utilizarmos como
material didático na escola.

2. Do território às universidades: indígenas mulheres na luta pelos seus


direitos
Braulina Aurora
Resumo:
O presente artigo tem como principal objetivo não trazer resultados de sucesso, desde a
entrada a formação de mulheres, mas sim de problematizar a existência de luta
invisibilizada e resistência, partindo de especificidade de luta pelos direitos, desconhecida
pelas instituições de ensino, ou tratada de forma menor, que não é nenhuma novidade
quando se trata de povos indígenas. O espaço de formação na maioria das vezes, nos trata
como objetos de pesquisas, mesmo estando no espaço, desmerecendo nossos saberes,
portanto falaremos da presença dessas mulheres e seus conhecimentos, nos dois contextos
que é vim do território as universidades. Do imaginário a grandes intelectuais indígenas
mulheres no espaço de formação, ante lugares inacessíveis para nossas avós, mãe e nossa
geração está tendo oportunidade de ocupar esses espaços, resultado de lutas daquelas e
aqueles que nos antecederam na luta pelos direitos. Quando se fala em ciência comum,
nos questionamos como nós indígenas mulheres podemos trazer para discussão
acadêmica a nossa ciência, a ciência que entendemos ser singular, a nossa ciência sem
laboratórios e testes para estudos científicos, nesse trabalho, compartilho a experiência de
estar no espaço de formação, considerando o olhar de uma indígena mulher que enfrenta
a dupla discriminação, que é de estar dentro e fora do território, sem negar o processo
histórico de conquistas no espaço de voz.

Palavras-chave:
Indígenas Mulheres, território, direitos

3. Mulheres indígenas, ensino superior e colonialidade de gênero


Elizabeth Ruano-Ibarra;Victoria Miranda da Gama

Resumo:
No presente trabalho refletimos a partir das narrativas de mulheres indígenas ingressas
no ensino superior, salientando a intersecção de opressões étnica, de gênero, etária-
geracional e situação de vulnerabilidade socioeconômica. Importa ainda, relacionar
modos de conceber a corporalidade inscrita nos seus corpos e nos processos de produção-
apropriação de conhecimentos para além do feminismo euro- estadunidense. Enquanto
percurso argumentativo, destacamos as especificidades dos empecilhos enfrentados para
efetivar o direito à educação em diálogo com o debate conceitual sobre ações afirmativas,
colonialidade de gênero, racismo institucional, feminismos e corpo-território. A
construção metodológica deu-se mediante a realização de entrevistas, a análise
documental e a observação participante. Concluímos que as narrativas de mulheres
indígenas brasileiras iluminam nossa compreensão mediante pensamentos contra
hegemônicos sobre os desdobramentos do patriarcado e do racismo institucional,
enquanto barreiras estruturais à garantia efetiva de direitos historicamente reivindicados.

Palavras-chave:
etnicidade; corpo-território; feminismos; direito à educação.

4. Colonialidade, conhecimento situado e lugar de fala: diálogos entre


Patrícia Hill Collins, Grada Kilomba e Djamila Ribeiro
Flávia Pereira Machado

A escrita é um ato político que dimensiona a voz e visibiliza as/os sujeitas/os que foram
silenciadas/os no colonialismo e na permanência das relações de
dominação/subordinação contemporanizadas na matriz colonial de poder (MIGNOLO,
2014; QUIJANO, 2005). Sendo assim, proponho na presente comunicação identificar nas
vozes insurgentes de Patrícia Hill Collins em “Aprendendo com a outsider whitin: a
significação sociológica do pensamento feminista negro” (1986), Grada Kilomba os
capítulos 1 e 2 de “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano” (2009) e
Djamila Ribeiro “O que é lugar de fala?” (2017) as interlocuções na elaboração de uma
crítica ao pensamento e produção de conhecimento colonizado e as possibilidades de 1
flavia.ifg.machado@gmail.com resistências/ (re)existências a partir da escrita de
mulheres negras e do pensamento feminista negro. A partir da leitura e análise das obras
das referidas autoras pretendo evidenciar a constituição de uma rede de amplificação
dessas vozes, haja vista que produzem em temporalidades e espacialidades distintas,
imbricando no questionamento da construção de alianças epistemológicas entre mulheres
negras e na proposição de novas epistemes e práticas pedagógicas a partir de uma
perspectiva decolonial (WALSH, 2009).

Palavras-chave:
colonialidade, conhecimento situado, escrita de mulheres negras.

5. Gênero e terra: o que nos ensina o conceito de “terra de mulheres” de


Neusa Gusmão
Givânia Maria da Silva
Resumo:
Este artigo tem como objetivo discutir o conceito de “terra de mulheres” apresentado por
Neusa Gusmão e o que ele nos ensina atualmente, contemporaneizando com as
organizações das mulheres quilombola no Brasil e as lutas e defesas permanente por seus
territórios. Ao estudar a história do quilombo de Campinho da Independência, em Paraty
no Rio de Janeiro, concomitantemente com a Constituinte de 1988, a antropóloga Neusa
Gusmão apresenta-nos esse território como sendo uma “terra de mulheres”. O que
caracteriza uma terra de mulheres, segundo Neusa Gusmão? E o que apreendemos com
esse conceito de terra de mulheres e as lutas dos quilombos? Esse debate sobre o papel
das mulheres nas lutas pela terra/território compõe um estudo em curso que procura
visualizar as formas de organização de mulheres quilombolas em diversos contextos
históricos e políticos e como, a cultura do patriarcado e machismo, silenciam o
protagonismo dessas mulheres nas lutas pela terra/territórios quilombolas. É bom lembrar
que os quilombolas só foram reconhecidos como sujeitos de direitos por meio do art. 68
da Ato do Atos das Disposições Constitucionais – ADCT e os art. 215 e 216 da
Constituição Federal de 1988.

Palavras-chave:
Terra de mulheres. Protagonismo de Mulheres. Lutas por terras. Direito à terra.

6. “Nossos passos vêm de longe”: Narrativas e experiências de uma


pesquisadora Kalunga e seu pretoguês na universidade
Rosiene Francisco dos Santos

Resumo:
Como diz Beatriz Nascimento, “minhas raízes vêm de longe”, de África a Brasil, com
vários processos de dores e de muitas lutas para existir e resistir. Os meus ancestrais
semearam as sementes que brotaram neste cerrado goiano, sou uma mulher negra
quilombola, do povo Kalunga. Nasci em 1994, com ajuda de uma parteira. Sai de casa
com 14 anos de idade, devido ameaças e tentativas de abusos do meu padrasto. Como
ocorre com tantas mulheres quilombolas, o acordo estabelecido era o de que eu fizesse as
tarefas de casas e a pessoa me daria casa, comida e a possibilidade de cursar o estudo
formal, com a expectativa de que pudesse fazer um ensino médio de “qualidade” e
ingressasse em uma universidade pública. Fiquei lá durante um tempo, mas mudei de
endereço várias vezes até concluir o ensino médio. No trilhar desta caminhada, fui
empregada doméstica e babá, em diferentes contextos. A minha intuição e a força da
ancestralidade sempre me ajudaram a fazer escolhas. Em 2012 começo a cursar Gestão
de Turismo no Instituto Federal de Goiás, sendo a primeira da família a ocupar esse
espaço. Enquanto estudava e trabalhava, comecei a refletir sobre o meu lugar no mundo,
e percebo que na minha turma tinha apenas quatro negras e um negro, sendo eu a única
de um quilombo, e no local em que fazia estágio apenas eu era negra. Enfrentando
situações que hoje percebo como de racismo epistêmico, fiz um trabalho de conclusão de
curso “em nada aquilombado”, mas finalizei porque sabia que passando por esse processo
poderia ajudar os meus. No início, entrar em um mestrado parecia utopia, porque não
“existia” cota e eu me julgava incapaz de ocupar um espaço tão “privilegiado”, já que
falo e escrevo apenas meu kalunguês “pretoguês”. Minha mãe, desempregada, muda para
Brasília e começa a trabalhar como empregada doméstica em um lugar nobre. Em certo
dia, em conversa com a patroa sobre a minha vontade, ouve: “Nunca vi uma negra(o) que
faz mestrado. Nem eu consegui. Tem que trabalhar como babá”. A crítica dela, porém,
me motivaria a seguir em frente. O espaço foi ocupado, porém sem bolsa de estudo, sem
trabalho, sem dinheiro, mas com muita alegria no coração e com gratidão por todos que
foram paceiros nesse processo. Iniciando a caminhada no mestrado, ouvi inúmeras vezes
que seria uma tarefa solitária. Reclamações, reclusão, leituras, incompreensão, cansaço,
caminhada árdua, palavras que acompanhavam o discurso de solidão e foi assim até
chegar ao fundo do poço, para me re-descobrir, reconectar e voltar a ter foco. Descobri
que nunca estive sozinha, pois o espaço que ocupava veio de muita luta dos meus
ancestrais e de muitas pessoas aquilombadas no presente que assumem posturas
contracolonizadoras. Descobri que carrego no meu corpo o território quilombo, entre
outras comunidades tradicionais, visto que essa é uma conquista coletiva. Um dia, na
UnB, tive a oportunidade de ouvir Tia Dainda falando, e com sua ancestralidade e
trajetória de vida, ela falava com olhos cheios de lágrimas: “Obrigada professor, por me
convidar para contar minha história e não para escutar alguém contar a minha história,
que já sei!”. Naquele dia tive a certeza de que estava no caminho certo, quebrando alguns
paradigmas da sociedade, e construindo narrativas que somente nós podemos fazer. É
sobre estas experiências autobiográficas que me proponho a pensar e indicar caminhos
epistêmicos.

Palavras-chave:
pesquisadora quilombola; racismo epistêmico; pretoguês; Kalunga; autobiografia
7. Sobre orientações e provações: relatos sobre o conviver múltiplo na pós-
graduação
Sílvia Guimarães
Resumo:
Este trabalho pretende refletir sobre o movimento de mulheres indígenas das etnias
Kaiowá e Krahô e sobre como essas mulheres no decorrer da vida cotidiana realizam um
movimento de enfrentamento de colonização sobre suas vidas e de seus coletivos. Este
trabalho é resultado do aprendizado que vivenciei com essas mulheres como orientadora
de seus trabalhos acadêmicos na pós-graduação na UnB. Mulheres indígenas nas terras
baixas sul-americanas foram retiradas da arena de debate, quando suas histórias foram
estrategicamente silenciadas. Elas constroem e construíram um cenário de resistência e
um movimento de enlace que se propõe relacionar várias dimensões da vida (território,
família, comunidade). Nessa esteira, elas questionam a dualidade de gênero hegemônica
reproduzida por várias pesquisas que fazem a leitura dual entre masculino/público e
feminino/doméstico. Tal construção dual condiz com um discurso colonizador que busca
construir figuras masculinas para o diálogo- conflito e mais que isso como “soldados” de
um processo de colonização, capitalista, heteronormativo, racista e misógino. Elas sempre
subverteram essa ordem e a proposta de decolonizar o feminismo como sugere Bidaseca
(2010), de superar a colonialidade do gênero, produzir um feminismo plural, permite pôr
uma lente sob essas mulheres, fazer uma leitura desse movimento de resistência. Além
disso, provocaram novas ferramenta metodológicas e de escrita de seus trabalhos
acadêmicos, o que se pretende também debater neste trabalho.

8. Interseccionalidades e as mulheres “desapocadas”; do Puris:


conhecimentos tradicionais e categorias nativas de beleza entre mulheres
quilombolas do norte de Minas Gerais
Sirlene Barbosa Correa Passold; Cristiane de Assis Portela

Resumo:
Esta comunicação busca compartilhar reflexões partilhadas pelas autoras durante a
produção do filme de curta-metragem Relembração (Quilombo Puris, 2018). O filme
consiste em desdobramento de uma dissertação de mestrado defendida em 2017 na
Universidade de Brasília, Brasil. Como pesquisadora negra e quilombola, Sirlene Barbosa
se propôs a compreender como as mulheres de sua comunidade (Quilombo Puris,
localizado em Manga, norte de Minas Gerais), constroem representações acerca da
beleza, relacionando essas concepções com os conhecimentos tradicionais relativos ao
embelezamento e cuidados com o corpo feminino. Para as mulheres do Puris, a mulher
bonita tem que ser "mulher desapocada”, conceito que compreende que a beleza
está associada à desenvoltura, à capacidade de comunicação, de resolver problemas e
executar seus compromissos, de não ter vergonha de se apresentar em lugares públicos e
falar com qualquer um de forma descontraída, sem se submeter inclusive a imposições
masculinas. Esse é o elemento central que parece conferir sentido e predominar naquilo
que as mulheres do Puris conceituam como beleza. Por meio dessa categoria, conferimos
uma distinção em relação a outras definições que qualificam a beleza feminina. Há
algumas especificidades naquilo que se refere às formas de agência que operam na
comunidade do Puris e por meio das quais fazem frente às opressões. Percebemos que a
categoria nativa “desapocada” - há muito utilizada pelas mulheres mais velhas da
comunidade - é parte das narrativas construtoras de uma interseccionalidade como
política emancipatória. Quilombos são comunidades tradicionais povoadas por grupos
familiares que vivenciam em coletividade seus costumes, crenças, tradições,
religiosidades e culturas. A existência dessas coletividades está associada à
territorialidade e ancestralidade negra, sendo estas oriundas de sujeitos que se refugiaram
em contexto de escravidão ou daqueles que, em condição de liberdade optaram por
estabelecer comunidades em que pudessem compartilhar um modo de vida referenciado
no pertencimento étnico-racial e na negritude. Nessas comunidades se destaca o
protagonismo feminino. Se a concepção hegemônica visa o corpo perfeito, a beleza ideal,
para as mulheres do Puris a beleza é também uma busca, entretanto, esse propósito vem
da convivência, do coletivo, das práticas, dos saberes do território e conhecimentos
tradicionais, sendo um conceito que está associado à atitude, ao comportamento
protagonista e emancipador da mulher. É epistemologicamente potente pensar que
mulheres negras e quilombolas do Puris, que passaram e passam por processos diversos
de negação e violências desde muito tempo, sejam “teóricas nativas”; de um conceito de
beleza que nos emancipa e que pode inspirar mulheres de outras comunidades
tradicionais.

Palavras-chave:
Quilombo Puris; mulheres; beleza negra; conhecimentos tradicionais;
interseccionalidades; “mulheres desapocadas”.
9. Narrativas de Hatxu Karajá: uma estudante, mãe e indígena
Vanessa Hãtxu de Moura Karajá

Resumo:
O presente trabalho traz narrativas e experiências de uma estudante indígena pertencente
do povo Iny(Karajá).Esta é uma pesquisa autobiográfica sobre meu percurso como
estudante indígena, cotista, no curso de Licenciatura em Pedagogia na Faculdade de
Educação (FE) da Universidade Federal de Goiás (UFG). O trabalho tem por objetivo
reunir elementos para entender a importância das ações afirmativas no Ensino Superior
sobre a inclusão Indígena e apresentar as narrativas de uma estudantes indígena no ensino
superior envolvendo acesso e permanência na Universidade. Aponta possibilidades da
interculturalidade dos saberes na Universidade entre os conhecimentos tradicionais e
ancestrais indígenas e conhecimentos científicos produzidos nas Universidade.
Demonstra também que o acesso e permanência dos estudantes indígenas é um grande
desafio e que diálogo e postura receptiva aos conhecimentos originários podem ser o
primeiro passo para efetivar processos de interculturalidade no ensino superior.

Palavras-chave:
Autobiografia; Percurso como estudante indígena; Ensino Superior; Ações afirmativas.

10. Saberes tradicionais e os cuidados na gestação e parto


Kelly Diogo de Lima

Resumo:
Para Achille Mbembe (2014), a existência do negro no mundo dos brancos não foi
passiva, como afirma o discurso dominante por séculos. Os negros lideraram revoltas,
inventaram línguas, religião, comunidades, rituais e danças, resinificaram e teceram
novas relações sociais. O presente resumo é parte de uma pesquisa empírica, de
abordagem qualitativa, que buscou compreender as vivências de mulheres negras acerca
dos cuidados na gravidez e parto, realizada em 2017 no Estado de Pernambuco. As
mulheres pertencentes as religiões de matrizes africanas relataram sobre a realização de
práticas de cuidados não biomédicos durante a gestação e parto. Uma das participantes
narrou: “a gente que vive o sagrado no candomblé tem outras possibilidades de cura, tem
outros entendimentos de cura que não é medicamentoso, não é alopático”. Outra
entrevistada afirmou: “me apeguei muito a minha mãe Oyá, e a Oxum que é aquela que
protege o ventre das mulheres. Fazia muita “limpeza”, banho de ervas, banho das
“quartinhas” dos Orixás. E graças a Deus, e aos Orixás, meu filho tá aqui!" As
participantes declararam que os cuidados realizados na gestação visavam o equilíbrio
entre o corpo físico e um “corpo ancestral” que extrapolam as práticas convencionalmente
conhecidas. No candomblé, esses ritos tratam de um processo subjetivo de harmonização
do corpo e da mente (Orí). Além de cultuar um Orixá, as oferendas (ebó) fortalecem o
vínculo com o mesmo e servem em alguns casos para a obtenção de um pedido. Neste
aspecto, o ebó é um elemento terapêutico necessário na restituição do equilíbrio e da
saúde dos adeptos a prática religiosa. Para as participantes, os cuidados espirituais não se
apresentam como mais uma opção terapêutica, mas sim como algo imprescindível e
inerente à sua subjetividade. São uma continuação, e manutenção, dos saberes e práticas
herdado por seus ancestrais.

Palavras-chave:
saberes tradicionais; saúde materna; cuidados no parto.

11. Almerinda Farias Gama: os rios da oralidade que correm contra o


apagamento da trajetória de uma pioneira do feminismo no Brasil
Patrícia Cibele da Silva Tenório

Resumo:
Almerinda Farias Gama (1899-1999), jornalista e sindicalista, teve papel importante na
construção da cidadania feminina e foi precursora da participação da mulher negra no
âmbito da política nacional. Embora tenha certo reconhecimento, sua trajetória é
desconhecida e percebe-se um apagamento de sua atuação nas discussões historiográficas
sobre participação feminina na política brasileira. As memórias da primeira onda
feminista e as memórias dos projetos sufragistas no Brasil estão cristalizadas quase que
unicamente na figura de Bertha Lutz, que esteve à frente da Federação Brasileira Pelo
Progresso Feminino (FBPF) fundada em 1922. O campo político do feminismo é marcado
por disputas (inclusive as de memória) e, costumeiramente, a história tende a esquecer os
atores sociais que não pertenceram a círculos hegemônicos de poder. O objetivo da
comunicação será apresentar como a oralidade permitiu a Almerinda construir a memória
sobre sua atuação e as fontes de história oral produzidas por ela, são o fio condutor que
permitem que pesquisadores como eu consigam privilegiar a análise de atores que foram
historicamente excluídos, como Almerinda. Como aponta Pollack (1992), a história oral
ressaltou a importância de memórias subterrâneas que, como parte integrante das culturas
minoritárias e dominadas, se opõem à “memória oficial”. Cumpre destacar que a
exposição tratará de resultados parciais de uma pesquisa de mestrado, iniciada no
Programa de Pós-Graduação em História da UnB, em agosto de 2018.

Palavras-chave:
memória, feminismo, História das Mulheres, História do trabalho.

12. “Somos mulheres das águas, mas também da lama e do mangue!”:


narrativas de uma pesquisadora quilombola de território pesqueiro na
Universidade de Brasília
Cristiane de Assis Portela

Resumo:
A comunicação analisa alguns elementos presentes em dissertação de mestrado defendida
recentemente pela pesquisadora Elionice Sacramento, no Mestrado em Sustentabilidade
junto a Povos e Terras Tradicionais (MESPT, 2019), curso de pós-graduação intercultural
da Universidade de Brasília (UnB), que hoje funciona em formato interunidades e é
pioneiro nesta modalidade no Brasil. Intitulado “Da diáspora negra ao território das águas:
ancestralidade e protagonismo de mulheres na Comunidade Pesqueira e Quilombola
Conceição de Salinas-BA”, a pesquisa apresenta uma narrativa bastante original e que
guarda relevância sob alguns aspectos: a) como contribuição à historiografia que trata a
história de comunidades tradicionais no Brasil; b) como contribuição aos debates sobre
os usos públicos da história (leia-se: qual é o uso que os sujeitos “comuns”, em
comunidades tradicionais, fazem da história?); c) como contribuição à literatura que trata
a história das mulheres, enfatizando o protagonismo, a resistência e o reconhecimento de
narrativas insurgentes; d) pela enunciação de um tipo de feminismo que é ao mesmo
tempo interseccional, comunitário e ancestral; e) como contribuição para as metodologias
de pesquisas implicadas em contextos comunitários, voltadas para a busca por justiça
epistêmica; f) como visibilidade aos temas relacionados aos territórios das águas na
universidade, sob a perspectiva de seus próprios sujeitos. Como resultados, percebo a
sinalização de outros caminhos epistêmicos, com destaque ao acionamento de categorias
nativas e formas singulares de conceber os conhecimentos históricos e utilizar os
fundamentos da pesquisa em ciências humanas e sociais. Identifico também outros
caminhos narrativos, especialmente aqueles trazidos pelo desafio de asumir a autoria
como sujeito coletivo, por meio de uma escrita de escrevivência, densa mas poética e
política ao mesmo tempo. Além disso, são apresentados outros caminhos metodológicos,
por meio do recurso à autoetnografia e à pesquisa histórico- documental conciliada com
o recurso às memorias e tradições orais. Para fins de análise estabelecemos interlocuções
com algumas perspectivas críticas epistemicamente plurais: a) o paradigma da travessia
de Jean-Godefroy Bidima; b) o potencial político da escrita em diálogo com bell hooks e
Gloria Anzaldúa e c) a relação entre as narrativas históricas, a oralidade e a escrita em
Hampatê Bá e Antônio Bispo. Alinhada com a noção de escrevivência em Conceição
Evaristo, a análise das narrativas traz interessantes chaves para o reconhecimento do
pluralismo epistêmico que mulheres de comunidades tradicionais conferem à
universidade ao adentrarem este espaço como intelectuais pesquisadoras de seus próprios
saberes.

Palavras-chave:
mulheres quilombolas; território pesqueiro; pluralismo epistêmico; educação
intercultural; paradigma da travessia; escrevivência; Elionice Sacramento.

23/10 – 14h

1. Tamo junto, irmão! A arte periférica como um método educacional


Ana Carolina de Souza

Resumo:
Neste trabalho, apresentamos alguns resultados de uma pesquisa realizada no Centro de
Estudos Lexicais e Terminológicos (Centro LexTerm), da Universidade de Brasília.
Também divulgamos alguns relatos de experimentações vivenciadas em instituições
educacionais e em casas de cultura do Distrito Federal. A primeira prática é de caráter
mais científico- especulativo; a segunda, envolve fundamentalmente a poesia e
performance. O objetivo de nossa prática é, a partir da estética artística das periferias,
verificar estratégias eficazes que buscam resgatar jovens marginalizados e em condição
de vulnerabilidade. Portanto, em nossa experiência acadêmica, uma metodologia de
ensino foi desenvolvida à luz da Linguística Funcionalista, a fim de promover a educação
linguística de jovens do Ensino Fundamental II, com base em letras de rap. Para isso,
observamos a escola e outros contextos informais, realizamos entrevistas e utilizamos
material em linguagem formal e coloquial para a produção de textos e debates. Os
primeiros resultados mostram um pequeno avanço, tanto no nível de educação formal
quanto na formação ideológica do público-alvo, e um aprimoramento gradual da escrita,
do discurso e do comportamento em sala de aula. Nas performances, buscamos utilizar
narrativas que envolvem temáticas como o racismo e suas consequências, a desigualdade
de gênero e a desigualdade social. Essas performances foram levadas a saraus, casas de
cultura, escolas e universidades do Distrito Federal com o propósito de tornar acessíveis
conteúdos fundamentais em busca de conscientização e justiça social. Pelo 1 Mestranda
no Programa de Pós-Graduação em Linguística pela Universidade de Brasília. E- mail:
css.ana@hotmail.com exposto, podemos observar a importância de trabalhar a arte com
narrativas e linguagem que contemplem a realidade de fala periféricas.

Palavras-chave:
Periferia. Linguagem. Arte. Política. Educação.

2. Elas do Sol: mulheres inspiradoras da quebrada no Distrito Federal


Carlos André de Jesus Campos

Resumo:
A comunicação aqui proposta relata a experiência de um projeto realizado desde o ano de
2018 no Centro de Ensino Fundamental 28 do Sol Nascente, Distrito Federal: Elas do Sol,
Mulheres Inspiradoras da Quebrada. Esta iniciativa, fundamentada no Programa
Mulheres Inspiradoras da Secretaria de Educação do Distrito Federal, propõe a
constituição de uma “comunidade de aprendizagem” orientada pela preocupação de
formar cidadãos críticos e que valorizem a mulher em nossa sociedade. A partir das
narrativas de mulheres da periferia - em sua maioria negras e reconhecidas como “mães
solteiras” - identificamos histórias daquelas que não se entregam diante das dificuldades
que encontram ao terem de trabalhar para sustentar a casa, resistir à violência cotidiana e
lidar por vezes com os novos desafíos que se apresentam às culturas juvenis, das quais
as/os filhos fazem parte. Construir essa cultura de valorização envolvem um
enfrentamento a todo tipo de violência contra a mulher e um combate à desigualdade de
gênero. Ao envolver os meninos neste processo educativo, possibilitamos a desconstrução
da “masculinidade tóxica” que eventualmente forma estes estudantes desde a infância. O
pontapé inicial do projeto é a leitura de textos que têm a autoria de mulheres negras e
marcadas por opressões diversas. Nesta fase, estimulamos o senso crítico dos alunos
através da contextualização da leitura a partir da realidade da comunidade e famílias das
quais fazem parte. Um segundo passo será um aprofundamento nas histórias das mulheres
inspiradoras da quebrada (periféricas), acessando fontes orais e escritas, culturais para a
produução de textos autorais que resultarão na escrita de um livro. Nesta fase convidamos
algumas mulheres que moram e trabalham no Sol Nascente e que são referências neste
bairro, para dialogarem com a comunidade escolar sobre suas histórias inspiradoras. Na
sequência, temos o período da materialização do conhecimento adquirido nas fases
anteriores. Cada turma ficará responsável por construir as narrativas de uma mulher
inspiradora da quebrada e produzirá textos, desenhos, murais, apresentações teatrais sobre
essas mulheres periféricas. Por fim, consideramos que o mês de novembro (nas
rememorações do “da consciência negra” e no cumprimento da lei 6.325, que institui a
“Semana Maria da Penha" nas unidades de ensino do Distrito Federal) é o momento
propício para a culminância. A ideia é realizarmos um dia temático sobre a valorização
da mulher. Neste dia, teremos o lançamento do livro escrito pelos alunos e promoveremos
uma caminhada pela valorização da mulher, envolvendo toda a comunidade escolar.

Palavras-chave:
mulheres da quebrada; pedagogia engajada; Ceilândia; história das mulheres; periferia
urbana; escola pública.

3. A escola deve ser aberta ao plural, aos saberes dos livros e aos saberes das
memórias
Maria das Dores do Rosário Almeida

Resumo:
As escolas situadas em territórios negros da Amazônia brasileira podem ser fontes de
afirmação de identidades locais, desde que estejam abertas ao plural, aos saberes dos
livros e aos saberes das memórias. O olhar da pesquisadora sobre o tema vem da
experiência como técnica no Núcleo de Educação Étnico-Racial (NEER), no estado do
Amapá, no período de 2011 a 2015. Durante as visitas técnicas para o monitoramento da
aplicabilidade da Lei nº 10.639/2003, que trata da história e cultura afro-brasileira e
africana nas escolas estaduais situadas em quilombos e comunidades negras rurais,
percebeu-se que, na construção do Plano Político-Pedagógico (PPP), na maioria das
vezes, não havia participação da comunidade nessa concepção e, por outro lado, marcos
legais 2 fundamentais para a transformação social e política desses territórios passavam
despercebidos. Logo, o currículo escolar, que deveria ser dinâmico e holístico, se torna
estático e incompleto, sem conexão com a realidade local, e a escola perde a oportunidade
de afirmar a identidade cultural da comunidade onde está inserida, deixando de ser o
“esteio”, 3 a “cumeeira” 4 e o aluno sem “assoalho”. 5 Para Moura (2005, p. 69), 6 “o
desafio da escola é propiciar novos espaços de valorização das múltiplas identidades que
integram a identidade do povo brasileiro, por meio de um currículo que leve o aluno a
conhecer suas origens [...]”. Diante dessa afirmação, objetiva-se, assim, associar essa
temática à formação de professores, na perspectiva decolonial do saber, que auxilie o
professor 7 a compreender o saber-fazer local das comunidades tradicionais como parte
do currículo escolar. A exemplo, a Pedagogia das Canoas – encontro de experiências, 8
uma metodologia científica, que poderá guiar o professor a orientar seus alunos
principalmente das series iniciais a buscarem diferentes histórias: da comunidade, das
encantarias e de sua própria família.

Palavras-chave:
Identidade. Educação. Pedagogia decolonial. Memória.

4. Uma experiência de inventário cultural por meio de narrativas de


mulheres do campo no Centro Educacional PAD/DF
Lívia Gomes de Luccas; Alessandra Regiane Sales

Resumo:
O Centro Educacional PAD/DF localiza-se na zona rural do Paranoá, a 70 km do centro
de Brasília. A região que circunda a escola é composta de grandes áreas que cultivam
monoculturas voltadas para o agronegócio, mas também de chácaras de pequenos
produtores familiares. Há aproximadamente dois anos, a escola vem realizando debates e
cursos, que visam adequar a realidade da escola aos saberes camponeses, transformando
a instituição em, de fato, uma Escola do Campo. Durante a construção do inventário, o
grupo percebeu que faltava o registro das histórias das comunidades que circundavam a
escola, bem como um vínculo maior com essas comunidades, construindo momentos de
escuta e diálogo com as pessoas do campo, entender suas demandas, suas histórias,
escutar seus percursos, dores e vitórias. No ano passado, 2018, a escola participou em
parceria com a EAPE (Escola de Aperfeiçoamento de Profissionais de Educação da
SEDF) do Programa “Mulheres inspiradoras”, que visa incentivar o protagonismo
feminino e trabalhar as questões relativas a equidade de gênero. Dali surgiu a ideia de
unir a construção do inventário com a valorização da mulher do campo: decidimos que
iríamos contar as histórias das comunidades a partir da narrativa das mulheres do campo.
A escola estabeleceu dois planos de ação: formar um grupo de estudos com os alunos (15)
da escola sobre questões relativas a mulher do campo e realizar as ações necessárias para
a construção do inventário. Nesse grupo de estudos, como professoras de História,
incentivamos o debate sobre gênero com um grupo de estudantes do ensino fundamental
que se encontram na escola de quinze em quinze dias no período contrário as aulas. Esse
grupo de estudo visa incentivar a leitura de escritoras mulheres e promover a escrita
autoral dos estudantes, fazendo com que os mesmos pesquisem sobre as mulheres
inspiradoras de suas famílias e comunidades, e nos tragam questões relativas à correlação
gênero e campo. Até o momento, conseguimos visitar cinco das vinte comunidades que
a escola atende: Cariru, Lamarão, Capão Seco, Alphaville e Fazenda Miunça. Grupos
diferentes de professores conversaram com as senhoras matriarcas desses locais e o
intuito final é produzir um livro com as histórias e biografias destas mulheres, para
utilizarmos como material didático na escola.

Palavras-chave:
educação do campo; comunidades camponesas do DF; história das mulheres; CED
PAD/DF

5. Uma pedagogia engajada para o ensino de história: interlocuções e


ensinamentos em diálogo com bell hooks
Lívia Tomkwitz Sousa

Resumo:
O presente trabalho busca analisar alguns elementos propostos por bell hooks nos artigos
reunidos no livro Ensinando a transgredir: educação como prática da liberdade
(1994/2013), propondo um diálogo desta obra com textos que tratam de ensino de História
(como o texto de Flávia Eloisa Caimi, O que precisa saber um professor de história?). O
objetivo é identificar o que podemos aprender com as experiências de mulheres, de
mulheres negras e de periferia acerca da educação e seus espaços de aprendizagem, e mais
especificamente, o que essa leitura pode acrescentar aos debates sobre o ensino de
história. Em seu livro, bell hooks trata de suas vivências como estudante negra, que viveu
tanto as experiências de uma escola segregada mas profundamente politizada e
acolhedora, e uma escola des-segregada mas construtora de um ambiente que não
reconhecia as suas singularidades e trajetória. Neste sentido, a politização das identidades,
aspecto profundamente presente nos debates sobre o ensino de História, se apresenta de
maneira complexa e instigante. A partir da reflexão destas situações vivenciadas, e em
diálogo com Paulo Freire, a autora elabora uma proposição de pedagogia crítica e enuncia
uma educação voltada à liberdade. Assumindo esta perspectiva como potencial para
responder aos desafios lançados ao ensino de História, me volto à análise dos
questionamentos apresentados por Caimi, principalmente a um de seus tópicos, no qual
ela traz a seguinte afirmação, “para ensinar História a João é preciso entender de ensinar,
de História e de João”. Penso que podemos e precisamos com urgência refletir sobre essa
afirmação, tanto na escola quanto na universidade, pensando a partir dela tanto a atuação
de professores de História quanto a formação inicial destes licenciandos. Em ambos os
espaços, muitos professores acreditam que apenas a exposição do conteúdo de forma
crítica e a escolha de uma bibliografia não hegemônica, são suficientes para uma boa
formação dos estudantes entretanto, estas escolher não incidem em práticas igualmente
questionadoras das hegemonias. É justamente a dissociação entre as teorias críticas e
práticas transgressoras, que penso ser uma reflexão fundamental para o ensino de
História, lembrada por bell hooks quando ela nos nos ensina a sermos não somente meros
transmissores e sim participantes ativos do crescimento intelectual e espiritual de nossos
alunos.

6. De Ronilda para Maria Rozilda de Souza, a voz insurgente de uma aluna


na década de 1960 no interior de Minas Gerais
Ana Claudia Souza Dias

Resumo:
A partir do relato de Maria Rozilda de Souza sobre sua trajetória escolar de humilhações,
reprovações, discriminações, mas, também de transgressões, resistências e lutas, este
trabalho apresenta reflexões sobre o contexto escolar e social de dominação e apagamento
das vozes dos mais desfavorecidos em uma escola no interior de Minas Gerais na década
de 1960 em contraste com a menina que “ergue a voz” e nos ensina com seus gestos de
resistência a lutar pelos seus direitos, mostrando-nos que é preciso um olhar
individualizado para cada estudante dentro de sala aula, especialmente no tocante ao
processo avaliativo. Adotar-se-á a Análise de Discurso Crítica (Fairclough, 2001, 2003;
Chouliaraki e Fairclough, 1999; Dijk, 2017 a, b) como teoria, ao abordar as relações de
poder das interações relatadas, bem como para abordar o discurso como elemento capaz
de transformação dessas relações, e método de análise de discurso do texto relatado.
Traçar-se-á um paralelo entre o ensaio de beel hooks (2019), “Erguer a voz”, e o
explicitado pela protagonista sobre as percepções de suas infâncias para tratar da
necessidade de uma educação como prática de liberdade (hooks, 2013).

Palavras-chave:
Educação, Narrativa autoral, Análise de Discurso Crítica, Resistência

7. Tecendo algumas análises sobre a feminização do trabalho a partir da


exposição “Mulheres: trabalho, fios e tramas” no Museu Histórico de Jataí –
GO
Jéssica Marques da Costa

Resumo:
A exposição “Mulheres: trabalho, fios e tramas”, nasce do intento de uma pesquisa cujo
objetivo é investigar o trabalho das mulheres com base em análises sobre o Mutirão das
Fiandeiras e Tecedeiras do Museu Histórico Francisco Honório de Campos em Jataí- GO.
A intenção ao longo do processo empírico é problematizar como esse tipo de trabalho é
feito a partir dos esforços de mulheres, e por vezes, é um trabalho invisibilizado. Nesse
sentido, tendo como mote o eixo do trabalho feminino, foi proposto uma exposição
temporária para a vigésima segunda edição do Mutirão das Fiandeiras e Tecedeiras de
Jataí, onde se levantou questões como, o trabalho feminino e processo de tecelagem que
aparece representado através dos instrumentos de trabalho, e a trajetória do Mutirão em
seus mais de vinte anos de existência com o destaque reservado às mulheres que o fazem,
sendo retratado a partir de fotos e da amostra de alguns de seus trabalhos-arte que fazem
parte da composição de uma exposição afetiva, que têm o compromisso de levar outros
olhares sobre as mulheres no Museu. Pensar sobre trabalho feminino e sua desvalorização
como posto na exposição, é apenas um dos pontos a serem abordados ao longo da
pesquisa, pois durante a empiria, além de historicizar o processo do trabalho-arte da
tecelagem, e levantar reflexões sobre as representações deste trabalho. Pretende-se, com
noções de história pública, observação participante e epistemologia feminista, contatar as
mulheres que participam/participaram do evento, e, por conseguinte, localizar Jataí e as
relações com as mulheres trabalhadoras da região. O escopo desta pesquisa é, além de
refletir sobre a feminização e a consequente precarização do trabalho, o papel do Museu
enquanto Instituição e como ao longo do evento foram pensadas as questões referentes às
mulheres. É sobretudo, investigar quem são essas mulheres, suas histórias de vida, suas
perdas, seus cantos de trabalho, seus papeis ao longo do evento, as influências do trabalho
com os fios e das reuniões do Mutirão para suas vidas.
Palavras-chave:
Mulheres. Trabalho. Feminização. Exposição. Tecelagem.

8. Eu sou atlântica e amefricana: intelectuais negras e as lutas pela palavra


Larissa da Silva Meneses

Resumo:
Este artigo situa as narrativas de Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez no âmbito do
projeto transmoderno, idealizado por Enrique Dussel, de produção de conhecimento
contra- hegemônico como forma de enfrentamento ao universalismo eurocêntrico. Torna-
se crucial o entendimento das categorias político-culturais - Amefricanidade e
Transmigração - cunhadas por Lélia e Beatriz, como eixos centrais da proposta de
redefinição de corporeidades negras a partir de suas relações simbólicas com os
deslocamentos territoriais iniciados com a experiência diaspórica do Atlântico Negro.
Essa proposta de reelaboração da história do negro na sociedade brasileira se insurge
como uma intervenção não só teórica como também política, ensejando a discussão sobre
o conhecimento histórico marcado pelo tempo presente em que é produzido, assim como
sobre o compromisso ético de formulação de saberes subalternos.

Palavras-chave:
decolonialidade, diáspora, história, subjetividade.

9. Aquelas que escrevem: a intelectualidade em outras modernidades


Nanah Sanches Vieira

Resumo:
Esta apresentação discorre sobre dilemas teóricos, epistemológicos e metodológicos das
ciências sociais a partir da produção recente de mulheres do Sul com o objetivo de
apreender pelo que clamam e quais são os desafios impostos para as intelectuais que
fazem pesquisa sociológica e produzem fora da metrópole, bem como discutir as tensões
na relação com o pensamento feminista ocidental. A teoria social tem sido marcada por
retratar o mundo a partir de um ponto de vista dominante: o da metrópole global, ou seja,
os países ricos europeus e a América do Norte. Ainda, a produção sociológica é dominada
por homens brancos e capitalistas que apresentam a si mesmos como possuidores de uma
perspectiva universal, o que gera uma negligência com as vozes não-ocidentais e
femininas que as exclui da teoria sociológica. As teorias de gênero no Norte Global que
são frequentemente narradas, mas são igualmente importantes as narrativas do Sul
Global. Assim, a intenção desse artigo é compreender dilemas e problemas que são postos
para as intelectuais que produzem fora da metrópole e além das teorias de gênero e
feministas hegemônicas, inclusive revisando- as para pensar a narrativa da teoria social a
partir de outros pontos de negociação e, assim, ampliar o entendimento do que é teoria
social e o próprio escopo da sociologia. É buscar a resistência na escrita dessas mulheres
que escrevem, pois é a resistência que permite uma nova narrativa da vida. Tendo em
vista o sucesso de teóricas que se dedicaram à clássica movimentação feminista de
apontar a ausência de mulheres em um sistema de interpretação construído por homens,
o presente artigo busca tratar sobre o conhecimento sociológico produzido em países pós-
coloniais e do terceiro mundo. Assim como a modernidade é marcada pela produção da
raça, de formas locais de submissão das mulheres, de trabalhos precários e do capitalismo
global, as escritas de intelectuais mulheres no terceiro mundo são marcadas pelas
experiências históricas do colonialismo e do imperialismo.

Palavras chave:
Decolonialidade, feminismo não-hegemônico, modernidade, intelectuais, epistemologia
das ciências sociais

10. Representações de mulheres negras: literatura de Jorge Amado nas lentes


do cinema (1935-1987)
Renata Melo Barbosa do Nascimento

Resumo:
Esta comunicação tem como tema de estudos as representações cinematográficas de
mulheres negras e suas respectivas subjetividades difundidas em filmes, baseados nas
obras literárias de Jorge Amado, como Jubiabá (1987), Gabriela cravo e canela (1983) Os
pastores da noite (1979), Dona Flor e seus dois maridos (1976) e Tenda dos Milagres
(1979), produzidos pelos cineastas Nelson Pereira dos Santos, Marcel Camus e Bruno
Barreto. Propõe-se uma abordagem discursiva das representações sob o aporte teórico dos
estudos feministas interseccionais, com ênfase nas vertentes dos feminismos negros, com
o objetivo de investigar as condições de produção, sentidos, significados, valores,
crenças, imaginários, práticas sociais e modos de subjetivação que informam as imagens
das mulheres negras difundidas nestes filmes.

Palavras-chave:
representações, mulheres negras, subjetividades, racismo, Jorge Amado, literatura,
cinema.

11. “Mujer indígena y poder político local: el caso de una alcaldesa Nasa en
los andes colombianos”
Jeraldyn Naranjo Henao

Resumo:
Jambaló es un municipio Nasa ubicado al Norte del Cauca, en los Andes Sur Occidentales
Colombianos, aquí la mayoría de la población se reconoce como indígena Nasa (93%,
EPEN 2014), y el movimiento indígena representado por el cabildo controla la alcaldía
municipal desde el año 1995 -cuando asumió el cargo el líder Nasa Marden Betancourt-
hasta nuestros días, cuando por primera vez en la historia del movimiento indígena
caucano y nacional una mujer indígena llamada Flor Ilva Trochez 2 , es escogida por las
y los comuneros del resguardo para ocupar el cargo de alcaldesa en representación de la
comunidad Nasa de Jambaló.
Si bien en Colombia y América Latina se ha consolidado en la larga duración un modelo
de hacer política occidental cuyo medio principal ha sido la violencia, a partir de la
experiencia histórica del pueblo Nasa podemos plantear que existen otras formas de poder
político no-violento, recuperando la concepción del poder en Arendt (1974) como una
crítica a la asociación “natural” entre poder y violencia, principalmente en la línea
expuesta por Max Weber del poder como capacidad de imposición de la propia voluntad
sobre la voluntad del otro, aún ante toda resistencia. En la obra de Arendt “la condición
humana” se plantea que el poder y la violencia no sólo son distinguibles, son además
antitéticos, para ello se presenta una red de conceptos 3 que le van a permitir profundizar
en su concepción del poder como poder horizontal que surge y crece cuando las personas
actúan en conjunto, practican la persuasión mutua en la toma de decisiones, y se tratan
como iguales políticos (Bernstein, 2012, p. 25). Es en esta definición de poder político de
Arendt que identifico el punto de partida para tratar de comprender porque la política en
los Nasa parece estar tan viva y representar una esperanza de cambio que le devuelva a la
democracia su verdadero sentido: el poder del pueblo.
Esta manera de comprender y hacer política participativa y no violenta de los Nasa, tiene
relación con lo planteado por Alvarez (2010) sobre lo cultural y lo político de los
movimientos sociales, enfatizando el lazo constitutivo entre cultura y política y la
definición de política que esa visión implica. De esta forma, se denomina “política
cultural” al proceso por el cual lo cultural se torna político, de manera que la cultura
política abarca campos institucionalizados para la negociación del poder. Si bien los
movimientos sociales no buscan una inmersión directa en el poder y su dinámica es
diferente a la que se ejerce en las instituciones políticas, tienen similitudes en la medida
que el concepto de ciudadanía transforma la cultura política dominante, lo que de alguna
manera se manifiesta en la inserción de los Nasa, su cultura y su manera de hacer política.
“La cultura política de los movimientos sociales trastorna la cultura
política dominante. En la medida en que los objetivos de los
movimientos sociales contemporáneos trascienden los posibles
beneficios materiales e institucionales; en que los movimientos sociales
sacuden los cimientos de la representación cultural y política y de la
práctica social, cuestionando incluso aquello que podría o no ser
considerado político; y en que, finalmente, la propia cultura política de
los movimientos sociales conlleva un cuestionamiento cultural o
presupone una diferencia cultural, entonces debemos admitir que lo que
está en juego para los movimientos sociales, en el fondo, es la
transformación de la cultura política dominante en la que éstos deben
moverse y constituirse ellos mismos en actores sociales con
aspiraciones políticas”. (Álvarez et al., 1998. Pp. 26).
La inserción de las comunidades indígenas en los cargos de poder estatales, puede ser
leída desde una perspectiva según la cual la integración no está exenta de tensiones, es
decir, de formas de resistencia de las comunidades indígenas para empoderarse en esos
contextos políticos y poder actuar con autonomía en sus territorios. Sí bien existen
estudios clásicos y contemporáneos sobre esta problemática, enfocados principalmente
en las relaciones entre etnicidad (relaciones interétnicas) y política (Cardoso de Oliveira,
1996 [1989]), la perspectiva decolonial (Lugones, 2008), contra- colonial (Santos, 2015)
y/o comunitaria (Paredes, 2014; Cusicanqui, 2010) del género y el patriarcado -
problematizando el entronque patriarcal (Gargallo, 2015; Cabnal, 2010)- no han sido
incluidos en el análisis y la comprensión de experiencias concretas de mujeres indígenas
en cargos de poder local en la institucionalidad del estado colombiano.
En este sentido, como investigadora y mujer feminista me interesa fuertemente abordar
la actuación de la mujer en espacios de poder local y las relaciones con su cultura y/o
etnicidad, con el fin de dar visibilidad a experiencias como la de la alcaldesa de Jambaló,
las cuales puedan servir de ejemplo de inspiración y liderazgo a otras mujeres y contribuir
en el fortalecimiento de las luchas de mujeres indígenas Nasa por y dentro del territorio.
Además, es importante reconocer que en términos de la institucionalidad indígena propia,
existe cada vez mayor reconocimiento del papel de las mujeres en la organización y la
participación en los procesos políticos de las comunidades. En Latinoamérica,
históricamente las mujeres indígenas han participado activamente de la lucha y la defensa
de sus territorios (Stephen, 1998), enfrentando la violencia y los ataques sistemáticos de
actores externos (empresas multinacionales, estado, grupos armados) y la violencia y las
dificultades internas en sus organizaciones comunitarias. Gargallo (2010) muestra como
este proceso ha implicado también el cuestionamiento de los roles tradicionales de género
al interior de las comunidades y han traído para el debate la dimensión del papel de las
mujeres indígenas en la política nacional.
En términos de la institucionalidad del estado y los puestos de la institucionalidad estatal
para la gestión y control del territorio de las comunidades indígenas, en América Latina
se observan procesos de incorporación de liderazgos indígenas en estos espacios de poder,
en el caso de las mujeres, se observan procesos de incorporación de las mujeres en
espacios de poder local en países como Bolivia, Ecuador y México principalmente, sin
dejar de lado otros no menos importantes pero recientes como el de Guatemala y Brasil.
En el caso colombiano, que es el que me interesa investigar en profundidad, cabe resaltar
que desde la década de los 90 y especialmente en el departamento del Cauca, el
movimiento indígena Nasa, el más expresivo movimiento indígena en Colombia, ha
venido ocupando con éxito estos espacios de poder por la vía de la competencia electoral.
Jambaló constituye un hito político entre los Nasa al elegir para este cargo a una mujer
con una trayectoria importante de lucha, este hecho histórico en la política Nacional
Colombiana, esta fuertemente relacionado con la historia política de los Nasa (Rappaport,
2000) y con los cambios de las relaciones de género al interior de los resguardos que han
llevado a una revalorización del papel de la mujer y a un cuestionamiento del orden
patriarcal al interior de las propias comunidades (Gualiche, 2015). Es importante
comprender los significados que este hito o hecho histórico representan para la alcaldesa,
las mujeres Nasa de Jambaló, y la lucha y la resistencia por la autonomía y la cultura que
se reflejan en el programa político del CRIC (Consejo Regional Indígena del Cauca):
“Este programa político es una herramienta para el análisis y la
reflexión histórica del movimiento indígena y en la actualidad tiene
como finalidad orientar el qué hacer de las comunidades en aspectos
organizativos, culturales y económicos en perspectiva de revitalizar los
planes de vida; contribuir a mantener, ampliar y fortalecer las relaciones
con otras organizaciones de los sectores desfavorecidos de la sociedad
colombiana, y trabajar por lograr que el Estado colombiano aplique los
principios constitucionales favorables a los grupos étnicos, cumpla con
los compromisos pactados y garantice los derechos fundamentales y
culturales de nuestros pueblos. La parte histórica nos muestra la
importancia de la recuperación del saber ancestral, y el valor que
representa la sabiduría de los mayores, a los cuales se les compara con
libros que tiene la comunidad para consulta permanente. En este sentido
ha sido necesario actuar frente a la pérdida de valores propios por la
penetración ideológica, y la falta de comprensión de conceptos como
integralidad.” 4 .
Teniendo en cuenta los elementos anteriores, esta ponencia busca reconstruir la
trayectoria biográfica de una mujer indígena Nasa que actualmente se desempeña como
alcaldesa en el municipio/resguardo de Jambaló. Su amplia y visible trayectoria como
lideresa en el resguardo, la llevaron a asumir en una asamblea comunitaria la candidatura
para las elecciones de alcalde municipal del estado colombiano en el año 2015 (ante la
presencia de más de 3000 personas). Al reconstruir la trayectoria biográfica de esta
importante lideresa del suroccidente colombiano, me interesa resaltar la experiencia de
vida de una mujer que ha dedicado su vida entera a la lucha por la defensa de su pueblo,
en un contexto en el que las mujeres indígenas han venido asumiendo el poder al interior
de sus comunidades y en cargos de representación popular de la institucionalidad estatal,
tejiendo el proyecto comunitario de resistencia cultural, al tiempo que construyen una
identidad propia como mujeres para quienes la participación política es un terreno muy
importante de su identidad en donde el compromiso colectivo y participativo de los Nasa
determina asuntos trascendentales de su comunidad y su cultura.
Además de lo anterior, busco mostrar las fuertes tensiones en las relaciones entre una
comunidad indígena que, desde su propia cosmovisión e institucionalidad para la gestión
del territorio, asume el poder “externo” de un gobierno neoliberal que, según los últimos
resultados de las elecciones de cámaras, senado y presidencia, quiere profundizar un
modelo neo-conservador con fuerte influencia de la extrema derecha latifundiária y agro-
extractivista. Ante este contexto, se sugiere que la experiencia de mujeres indígenas que
han asumido posiciones de poder desde la institucionalidad del estado, son muestras de
posibilidades de “tejido/transformación” entre dos cosmovisiones.

12. Escola sentida e vivida: a compreensão indígena dos espaços de


letramentos a partir das narrativas de Célia Xakriabá
Bruna Paiva de Lucena

Resumo:
O que é e para que serve uma escola? O que é um espaço de letramento quando tudo pode
ser lido, até mesmo sem palavras? Nesta comunicação serão pensadas e repensadas essas
e outras indagações, buscando-se compreender o que vem a ser espaços de letramentos.
A leitura da dissertação O barro, o jenipapo e o giz no fazer epistemológico de autoria
xacriabá: reativação da memória por uma educação territorializada, de Célia Xakriabá, e
os processos poéticos e políticos em torno da construção desse trabalho são as práticas
que serão trazidas nesta comunicação, cujos eixos teóricos e epistemológicos que guiarão
a análise serão os conceitos de letramentos, radicalizando as ideias trazidas por Angela
Kleiman; o postulado da teórica feminista Audre Lorde, segundo qual o silêncio pode ser
transposto em linguagem e ação; e a concepção de travessia, cunhada pelo filósofo
camaronês Jean-Godefroy Bidima.

13. Narrativas históricas feministas: ensinando histórias do possível por


outros modos de subjetivação
Susane Rodrigues de Oliveira

Resumo:
Os livros didáticos de História raramente narram aquilo que escapa às convenções, ou
seja, as histórias do possível reveladoras da diversidade de subjetividades e relações
humanas através dos tempos. É nesse sentido que argumentamos sobre a necessidade e
importância de um ensino de histórias do possível que colabore na transformação das
formas sexistas, racistas e misóginas de subjetivação de sexo/gênero no tempo presente.
Tendo como premissa básica a inexistência de uma “natureza” que comandaria
inexoravelmente as relacionamentos entre homens e mulheres, tais histórias expõe a
diversidade das identidades e relações humanas no tempo/espaço, desfazendo
estereótipos e premissas binárias, hierárquicas, eurocêntricas, colonialistas e patriarcais.
As histórias do possível são aquelas que permitem um encontro com a alteridade, com
algo “estranho” à lógica da persistência e universalidade do patriarcado que estabelece
modelos fixos de subjetividades masculinas (violentas e dominantes) e femininas
(passivas, frágeis e assujeitadas) ao longo do tempo. Nesse sentido, buscamos em
narrativas históricas produzidas por mulheres, especialmente feministas (indígenas,
negras, pós-coloniais e decoloniais), com experiências muito diferenciadas, uma série de
histórias do possível que estimulam uma aprendizagem de si e ajudam a pensar o nosso
próprio presente, expandindo a vida em possibilidades. Ao libertar o passado da lógica
universalista, patriarcal e racista, tais narrativas abrem possibilidades para o
questionamento de “verdades” históricas que justificam uma série de abusos e violências
contra as mulheres no presente. Assim, os “passados possíveis”, expressos nestas
narrativas, permitem ainda reimaginar o presente em “oposição radical às forças
misóginas, sexistas, racistas, altamente destrutivas, ativadas pelo capitalismo
empresarial” (RAGO, 2019, p. 9-10). Ao engendrar outros modos de subjetivação para
mulheres e homens na história, as práticas e discursos feministas podem colaborar na
transformação das práticas culturais e, sobretudo, na maneira como as pessoas se
relacionam consigo mesmas, se percebem e se interpretam.

ST 7 - RELAÇÕES DE GÊNERO NA CONTEMPORANEIDADE:


VOZES PLURAIS
Coordenadores/as: Eloísa Pereira Barroso (HIS/UnB); Mateus Gamba Torres (HIS/UnB)
e Clerismar Aparecido Longo (IdA/UnB)

22/10 – 14h

1. Detesto fazer as denúncias, mas não posso viver sem fazê-las: a dialética
da memória e esquecimento nas vozes guerrilheiras em ‘que bom te ver viva’
de Lúcia Murat
Danilo Henrique Faria Mota

Resumo:
O presente trabalho se propõe a analisar o tema da memória no filme ‘Que bom te ver
viva’, da diretora e ex-militante política Lúcia Murat, lançado em 1989, durante o período
de redemocratização e abertura política no país. Tem como objetivo, discutir os lugares
de memória, conceito proposto por Pierre Nora, com o intuito de observar o cinema
enquanto lugar de memória, que cumpre a função de dar um destino a memória. Para
Pierre Nora, a memória se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, na imagem e no
objeto. A memória para o autor é vida, sempre carregada por grupos vivos, aberta à
dialética da lembrança e do esquecimento. Desta maneira, a memória é um fenômeno
sempre atual, um elo vivido no eterno presente, pois se alimenta de lembranças vagas,
telescópicas, globais ou flutuantes, particulares ou simbólicas, sensível a todas as
transferências, cenas, censura ou projeções. Quais são as relações entre memória e
Cinema? Como a memória é construída na atualidade? Para recuperar os lugares de
memória, o recurso metodológico utilizado foi a história oral, a partir das vozes e
experiências de mulheres que atuaram na luta armada, fazendo parte de organizações de
esquerda durante o período de vigência da ditadura civil-militar no Brasil, abrindo um
espaço para o testemunho de oito ex-presas políticas brasileiras que viveram situações-
limite: a tortura e a prisão. Assim, estabelecendo uma oposição a história masculina da
repressão durante a ditadura militar, observamos nos depoimentos como se deu a
construção do sujeito político “mulher subversiva” e das relações de gênero, que institui-
se a invisibilidade da mulher como sujeito político. Em que medida a relação de gênero
perpassa por uma questão social e política no contexto da construção da memória da luta
armada no Brasil? Para isso, lança-se as seguintes hipóteses: As sociedades estão
condenadas ao esquecimento? Os testemunhos das vozes guerrilheiras são depoimentos
que se transformam-se em uma escritura do corpo? Qual é o poder do fluxo da narração?
A ficção está enfraquecida? Por fim, a memória a ser apresentada na tela é viva, uma
ruptura entre passado e presente.

Palavras-chaves:
Testemunho; História Oral; Memória; Luta Armada; Vozes Femininas.

2. Os poderes marcados no corpo feminino


Wanderson Tobias Rodrigues

Resumo:
Cada vez mais tem-se discutido sobre os corpos na sociedade e as demarcações de poder
configurados nos mesmos, mas é de se espantar que há, na verdade, poucos debates acerca
das modificações corporais impostas à esses corpos. Por modificação corporal, podemos
compreender vários significados, uma língua bifurcada, uma prótese, tatuagens ou até
mesmo o simples ato de pintar os cabelos. Com um diálogo direto com Guacira Louro
Lopes e seus discursos feministas sobre o corpo feminino, essa pesquisa pretende apontar
modificações corporais impostas pelo patriarcado nos corpos das mulheres, destacando
principalmente a cultura dos Pés-de-Lótus, costume originado na China do século X que
até hoje podemos identificar vestígios dessas práticas de tortura justificadas por padrões
estéticos.

Palavras chaves:
Corpo, Modificações corporais, feminismo, Pés-de-Lótus
3. Representações da Loucura nas Relações de Gênero: um estudo de caso
em João Pinheiro (MG) na década de 70
Maria Célia da Silva Gonçalves

Resumo:
O presente artigo tem por escopo investigar a representação da loucura evidenciada na
questão de gênero em um processo crime da década de 70 do século XX acontecido no
município de João Pinheiro (MG). O processo reza que no dia 19 de abril de 1977, uma
mulher de 25 ano, cor branca, casada “eclesiasticamente” moradora na zona rural, em um
rancho à beira do Rio Santo Antônio no referido município, se desentendeu com “a
vítima”, seu marido, esperando o mesmo dormir, desferiu três golpes de marretas na
cabeça do mesmo, causando-lhe a morte imediata. Após o delito a mulher trocou as
roupas do cadáver e o embrulhou em uma coberta, arrastou até o quarto de dormir, fez
uma cova rasa e o enterrou. Para evitar qualquer desconfiança, migrou a fornalha da
cozinha para o quarto e queimou as roupas sujas. Posteriormente avisou os vizinhos que
o marido havia ido embora e não mais voltaria. Ela deixou o rancho e foi para Belo
Horizonte para fazer tratamento médico. Decorrido alguns meses a família do marido
desconfiou e foi da “vitma”que foi encontrado enterrado em sua própria casa. A mulher
foi presa e a partir daí estabelece o processo de investigação e escuta das testemunhas,
processo esse que se encontra na sua totalidade no arquivo público do município de João
Pinheiro e que será utilizado para responder ao seguinte questionamento: quem era essa
mulher? Qual a representação de gênero entre os depoentes, delegados, investigadores e
juiz? Por que ela foi dada como louca e internada em um manicômio e não foi presa?
Quais os indícios de violência na relação são apontados no depoimento dessa mulher?
Qual a representação social da loucura em João Pinheiro na década de 70? A pesquisa se
pautará na modalidade documental, e no chão da História Cultural, ultimando como
conceito chave a Representação Social e as obras de (PESAVENTO, 2003);
(CHARTIER, 1990) e (BOURDIEU, 1988).

4. Homossexualidade no Ninho das Águias: repressão sexual de militares na


ditadura brasileira
Raian Souza Santos

Resumo:
Este artigo tem como objetivo analisar o processo de repressão sexual empreendido contra
militares no período ditatorial brasileiro (1974-1975). Na conjuntura da ditadura, segundo
o projeto Brasil: Nunca Mais, diversos militares das três Forças Armadas (FA) foram
punidos com aposentadorias (1.124), reformas (844) e demissões (1.815). Esse panorama
punitivo sem dúvida dialoga com a variante política do regime, mas por outro lado, e não
menos importante, também estabelece uma conexão direta com questões relacionadas à
sexualidade e a aspectos comportamentais dos militares. Nesse contexto, buscava-se a
época a todo custo supervalorizar os ideais de uma masculinidade hegemônica no meio
militar e ao mesmo tempo executar um policiamento da heterossexualidade dentro dele,
prevenindo mediante expurgos a devassidão e a homossexualidade nos quartéis,
definindo explícitamente uma sexualidade considerada estigmatizada e malquista. Não é
à toa que o Código Penal Militar de 1969 tipifica ainda hoje como crime sexual a
pederastia ou o que os militares superiores entendiam como homossexualidade. Imbuídos
da ideologia de formar um novo homem viril e correto, os militares acionaram em vários
documentos do período os tão propalados princípios de pundonor e honra militares em
contraponto a uma suposta corrupção moral nas fileiras da FA advinda dos militares
subversivos de esquerda. O regime de exceção é um momento especialmente delicado na
história do Brasil quanto às questões comportamentais, mas ele não inaugurou o que
poderíamos denominar como a nossa tradição de censura aos costumes. Essa censura,
fundamentalmente histórica, encontrou no período da ditadura militar terreno fértil para
reprimir, achincalhar e em última instância punir militares que apresentavam uma
sexualidade dissidente. Tal censura, inevitavelmente, remete a um processo de repressão
sexual que será analisado aqui através da Literatura traumática do escritor Caio Fernando
Abreu e de um processo que tramitou na 2a Companhia de Justiça Militar do Estado de
São Paulo-SP entre os anos de 1974 e 1975 contra um Segundo Tenente do Quadro de
Infantaria da Aeronáutica.
Palavras-chave:
Sexualidade, Repressão, Masculinidade.

5. Pierre Seel e Rudolf Brazda: trauma e memória na escrita da catástrofe


dos sobreviventes homossexuais do parágrafo 175
Mateus Henrique Siqueira Gonçalves

Resumo:
O presente trabalho através dos depoimentos de cunho testemunhal, organizado na escrita
autobiográfica e biográfica, busca expor como se desenvolveu os demarcadores de
identidade e violência forçosamente estabelecidos aos homossexuais por parte dos
nazistas; e de que modos as categorias trauma e memória se solidificam e dialogam nas
escritas testemunhais da catástrofe dos respectivos sobreviventes Pierre Seel e Rudolf
Brazda. Ambos perseguidos, presos e internados em campos de concentrações por suas
sexualidades “desviantes”.

Palavras-chave:
História das Homossexualidades; Segunda Guerra Mundial; Testemunho; Trauma;
Memória.

6. Almerinda Farias Gama: os rios da oralidade que correm contra o


apagamento da trajetória de uma pioneira do feminismo no Brasil
Patrícia Cibele da Silva Tenório

Resumo:

Almerinda Farias Gama (1899-1999), jornalista e sindicalista, teve papel importante na


construção da cidadania feminina e foi precursora da participação da mulher negra no
âmbito da política nacional. Embora tenha certo reconhecimento, sua trajetória é
desconhecida e percebe-se um apagamento de sua atuação nas discussões historiográficas
sobre participação feminina na política brasileira. As memórias da primeira onda
feminista e as memórias dos projetos sufragistas no Brasil estão cristalizadas quase que
unicamente na figura de Bertha Lutz, que esteve à frente da Federação Brasileira Pelo
Progresso Feminino (FBPF) fundada em 1922. O campo político do feminismo é marcado
por disputas (inclusive as de memória) e, costumeiramente, a história tende a esquecer os
atores sociais que não pertenceram a círculos hegemônicos de poder.
O objetivo da comunicação será apresentar como a oralidade permitiu a
Almerinda construir a memória sobre sua atuação e as fontes de história oral produzidas
por ela, são o fio condutor que permitem que pesquisadores como eu consigam privilegiar
a análise de atores que foram historicamente excluídos, como Almerinda. Como aponta
Pollack (1992), a história oral ressaltou a importância de memórias subterrâneas que,
como parte integrante das culturas minoritárias e dominadas, se opõem à “memória
oficial”.
Cumpre destacar que a exposição tratará de resultados parciais de uma pesquisa
de mestrado, iniciada no Programa de Pós-Graduação em História da UnB, em agosto de
2018.

Palavras-chave:

memória, feminismo, História das Mulheres, História do trabalho.

23/10 – 14h

1. As vozes femininas do Rap DF: as identidades de gênero, classe, raça pela


perspectiva das mulheres que participam do movimento Rap do DF
Eliane Cristina Brito de Oliveira

Resumo:
Esse papper tem como objetivo apresentar o Rap feminino do Distrito Federal.
Geralmente as abordagens até então correntes sobre o Rap tinham a preocupação em
mostrar e explicar a importância do Rap como forte instrumento juvenil de crítica social
e política, silenciando, quase sempre, a participação feminina. Nesse sentido, busca-se
compreender as identidades de gênero, classe, raça pela perspectiva de mulheres que
participam do movimento Rap do DF.

Palavras-chave:
Rap Feminino; Distrito Federal; Interseccionalidade; Gênero; Raça; Classe; Violência
Doméstica.

2. O Tribalismo Masculinista de Jack Donovan: Androfilia, as virtudes dos


homens e a matilha urbana
Pedro Farias Mentor

Resumo:
Em 2017 a NY Times elencou Jack Donovan como uma das peças centrais para a
compreensão do pensamento da alt-right, não apenas por sua ligação ideológica com o
neonazismo e a supremacia branca americana, mas por sua concepção do que significa
ser homem e as suas implicações sexuais. Segundo ele, o gay além de supostamente ser
uma identidade execrável por conta da sua fraqueza moral, vitimismo e comportamento
afeminado seria uma coaptação da esquerda e do feminismo de uma das práticas mais
antigas e fortalecedora das relações entre homens: o afeto e o sexo entre os mesmos.
Donovan propõe a Androfilia a qual não apenas o sexo, mas toda a apresentação social,
o cuidado do corpo e o modo de conceber a vida se ligam a uma postura essencialista de
tribalismo de gênero permeado por virtudes inerentes ao “macho”. Sob forte influência
de um primitivismo germânico Donovan prega uma visão eternamente militar de mundo
na qual os homens são incitados a resistir enquanto uma matilha na distopia urbana que
vivemos. Pretende-se explicar as ideias do autor enquanto uma subserviência de posturas
historicamente desobedientes em favor de uma barbárie que cada vez mais é difundida no
Brasil.

Palavras-chave:
Alt-right; Estudos de Gênero; Masculinismo; Reacionarismo; Tribalismo.

3. “Clementina de Jesus e a poética-musical dos vissungos reverberada no


Lp “O canto dos escravos” (1928 – 1982)”
Ada Vitenti

Resumo:
Este trabalho faz parte da pesquisa de doutoramento sobre os vissungos, cantos entoados
pelos escravizados e seus descendentes na região do garimpo em Diamantina, MG, e suas
reverberações no Brasil entre os anos de 1928 – 1982. Entre 1928 – 1938 o folclorista
Aires da Mata Machado, em viagem a São João da Chapada, Diamantina – MG, recolheu
65 vissungos. Em 1982 Clementina de Jesus, Tia Doca da Portela e Geraldo Filme
gravaram 14 desses vissungos no Lp intitulado “O canto dos escravos”. Sendo este álbum
o último trabalho de Clementina de Jesus, o presente artigo se debruça sobre a
interpretação dos vissungos pela cantora, dada a singularidade da execução com que a
intérprete fez desses cantos.
Nascida em Valença, RJ, em 1901, Clementina de Jesus despontou como cantora
aos 63 anos de idade. A trajetória artística e sua voz são singulares, uma intérprete que
construiu sua arte atrelada às suas experiências vividas. Por possuir um timbre forte e
rouco e um repertório que contava com sambas de partido-alto, corimás, jongos e
congados, a cantora foi o primeiro nome pensado para a gravação do Lp “O canto dos
escravos”. Ainda que não saibamos se originalmente os vissungos fossem cantados por
vozes masculinas e/ou femininas, partimos do pressuposto que a escolha de Clementina
se deu por conta de sua história de vida e representatividade de mulher negra, bem como
por seu trabalho artístico anterior.
A proposta aqui é apresentar a análise da interpretação da cantora sobre os
vissungos, no intento de pensar nos modos como Clementina acionou a memória de sua
ancestralidade apreendida pela oralidade com que sua arte foi gerada, constitutiva de uma
poética-musical que informou a população conectada à diáspora africana no Brasil.
Assim, Quelé tornou-se a porta-voz de uma prática oral, social e cultural, os vissungos,
atualizando-os em uma obra que teve grande ressonância no início da década de 1980.

Palavras-chave:
Vissungos. Clementina de Jesus. História. Música. Memória. Oralidade.

4. “Vivas nos queremos”: o surgimento de coletivos feministas secundaristas


em São Paulo
Bianca Adami Romero

Resumo:
A proposta da pesquisa “Vivas nos Queremos”: o surgimento de coletivos feministas
secundaristas em São Paulo versa sobre o contexto histórico-social de emergência de
coletivos feministas secundaristas na cidade São Paulo no ano de 2015, considerando por
um lado, a democratização e a ampliação do alcance dos discursos dos Feminismos e de
suas formas de luta e por outro, a potencialização das mobilizações estudantis
secundaristas a partir do contexto político institucional nacional e estadual do ano de
2015. Em fevereiro de 2015 Eduardo Cunha assume a presidência da Câmara dos
Deputados Federais, dentre as prioridades de votação dos projetos de lei daquela Casa
alguns deles se referiam a temas que envolviam antigas lutas feministas, como a luta pela
descriminalização e pelo direito ao aborto. Uma das propostas de mudanças na legislação
aconteceria no sentido de colocar mais regras para a legalidade do aborto em casos de
estupro. A possibilidade de andamento do projeto de lei 5069/2013 impulsionou uma
mobilização de abrangência nacional contra tal modificação. No dia 26 de outubro do
mesmo ano, o governo estadual de São Paulo noticia a reorganização escolar, que previa
a mudança no atendimento das unidades escolares que sediavam mais de um ciclo
educacional. A partir do mês de novembro estudantes secundaristas das escolas estaduais
paulistas promovem manifestações públicas e o movimento de ocupação das escolas do
Estado de São Paulo, no sentido de protestar contra essa decisão compreendida como
prejudicial à educação. A presença em massa de estudantes secundaristas é uma das
marcas desses acontecimentos e é nesse contexto que coletivos feministas surgem em
escolas públicas e particulares de Ensino Fundamental e Médio na cidade de São Paulo.
As ameaças a direitos e a demanda sobre o debate que envolve as relações de gênero
fazem com que haja a identificação de experiências que concernem às mulheres e que
atingem setores e instituições sociais diferentes. Possibilita a interpretação de que os
apontamentos sobre as questões relativas ao gênero se configuram como estruturantes da
organização social, na medida em que são reconhecidas em espaços e realidades diversos.
O objetivo é refletir sobre como a atuação dos Feminismos e o contexto político
institucional estadual e federal influenciam o surgimento dos coletivos feministas
secundaristas nas escolas da cidade de São Paulo no ano de 2015. A intenção é realizar
entrevistas com as pessoas que fazem parte de coletivos feministas secundaristas
atualmente.

Palavras-chave:
Feminismos; relações de gênero; escola

5. Discriminação de preços segundo gênero: uma análise da diferença de


precificação de produtos voltados ao público feminino no Brasil
Daniela Almeida Raposo Torres; Laura Crippa do Amaral

Resumo:
O presente artigo tem como finalidade avaliar a prática de discriminação da mulher na
sociedade de consumo brasileira, através do estudo do fenômeno do custo rosa. Em outras
palavras, pretende-se discutir a diferença de precificação de produtos voltados ao público
feminino em comparação ao masculino no Brasil. Para tanto, busca-se apoio na literatura
de economia feminista e na microeconomia, afim de explicar a relação dos preços com a
economia, principalmente com a discriminação de preços de terceiro grau proposta por
Pindyck e Rubinfeld (2014). Neste ponto, a definição de discriminação de preços, bem
como dispersão destes, pela teoria econômica tradicional apresenta falhas na
argumentação para o embasamento teórico que considere gênero. Para melhor explicação
recorremos a teoria da economista feminista proposta por COELHO (2009). Em seguida,
realiza-se uma pesquisa de preços no mercado virtual brasileiro no período de agosto de
2018 a maio de 2019, afim de explorar a veracidade da discriminação de preços por
gênero. Essa análise tenta desmembrar e explicar o custo rosa pela ótica econômica,
ilustrando a discriminação de preços e a falta de embasamento teórico dentro da economia
tradicional. Os resultados denotam que as mulheres pagam mais em 73% dos itens, com
a diferença de precificação em cada produto podendo chegar a mais de 50%.

Palavras-chave:
feminismo, custo rosa, gênero

6. Entre a ética e o conhecimento: saberes sobre o plagiarismo.


Rosa Jussara de Bonfim

Resumo
A questão Plagiarismo, com as novas ferramentas tecnológicas trouxe uma gama de
maneiras de tecer um texto, como se fosse uma colcha de retalhos, bem como outros
fatores favorecem essa prática: falta de leitura; falta do senso ético e maior rigor por parte
das instituições de ensino. Não somente considera-se plágio aquilo que é literalmente
copiado; explicar com suas palavras o que leu em um determinado documento, sintetizar
ou confrontar ideias de diversas fontes em um único texto, não faz com que o seu texto
seja original; essa ação também é considerada plágio, desde que não citada a fonte. Não
é necessário citar tudo o que se escreve. Mas é importante deixar clara a fonte quando não
se trata de informação de conhecimento comum, que se caracteriza como algo já sabido
e compartilhado por todos em determinada área do conhecimento.

Palavras-chave:
Plagiarismo. Ética. Leitura. Conhecimento.

7. Mulheres na política de Goiás no século XX: lugares sociais e trajetórias


encontradas no jornal Folha de Goyaz
Janaina Ferreira dos Santos da Silva
Resumo:
Existiram mulheres candidatas e eleitas politicamente em Goiás, quando pensamos no
século XX? A partir de análises do jornal Folha de Goyaz, mais influente jornal goiano
do período, foi feito um acompanhamento das eleições ocorridas a partir do início deste
século. Aspectos fundamentais para entender a política neste recorte espaço e tempo
foram levantados, além da caracterização de Goiás e as características que determinavam
o mundo feminino, tudo pensando no século XX. Como principal fonte do trabalho
desenvolvido, tornou-se importante entender o discurso do jornal, principalmente
referente as mulheres. Assim, este trabalho buscou visibilizar às mulheres que se
dedicaram a adentrar no mundo político: Onde estavam, o que buscavam e como eram
representadas, além de levantar questões sobre os lugares sociais permitidos as mulheres
em Goiás no período.

Palavras-chave:
Mulheres; Política; Goiás.

8. A violência contra a mulher em processos criminais da mesorregião do


sudeste do Pará
Elaine Caroline Carneiro Lima; Marilza Sales Costa
Resumo:
O presente trabalho faz parte do projeto de estudos e pesquisas sobre a História e a
Memória da região Sul e Sudeste do Pará em processos criminais, no qual estou como
bolsista (PROPIT/2018); pesquisando, analisando e apresentando dados sobre a
ocorrência de “Homicídios em mulheres em processos criminais da mesorregião do
sudeste do Pará” nas décadas de 1940 a 1970. Inicialmente trabalhando os dados de
autores que versam sobre o fenômeno no Brasil e analisando o perfil dos crimes
cometidos em mulheres na região paraense. Fazendo um tratamento e levantamento
quantitativo e qualitativo, considerando as variáveis: idade, profissão, escolaridade,
estado civil, descrição da vítima, tipos de instrumentos utilizados, local de ocorrência.
Em seguida trazendo uma abordagem sobre a mulher e seu papel socialmente construído,
usando Saffioti (1987) e Bourdieu (1998) como base teórica. E então reunindo dados e
análises dos discursos e narrativas em dois processos criminais que serão trabalhados no
decorrer do presente artigo, evidenciando as violências sofridas pelas mulheres em
diversos campos da sociedade, utilizando Bourdieu (1989) e Foucalt (1987) para
fundamentar a discussão sobre esse fenômeno social, facilitando o surgimento de novas
questões fundamentais na compreensão do fenômeno através das narrativas encontradas
nos processos criminais.

ST 8 - UNIVERSIDADE PÚBLICA E EDUCAÇÃO: PENSAMENTO


BRASILEIRO E DEBATES CONTEMPORÂNEOS
Coordenadores: Fábio Mascarenhas Nolasco; Gilberto Tedeia; Giovanni Zanotti, Raquel
Imanishi Rodrigues

1. Educação de jovens e adultos, segregação socioespacial e ensino de


geografia no Distrito Federal: um caminho para a cidadania
Daniel Garcias Gonçalves; Marília Luisa Peluso

Resumo:
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) foi historicamente negligenciada, num país em
que a marca estrutural da educação é uma dualidade elitista e excludente. O contexto
socioespacial das pessoas excluídas deste serviço essencial constrói e é construído por
esta segregação que não se restringe a educação, mas se estende as demais esferas sociais
da nação. Ensinar geografia na EJA torna-se assim, uma ferramenta de capacitação para
a cidadania e emancipação uma vez que se mobilizam saberes capazes de articular as
demandas sociais da realidade com os conhecimentos teóricos da Geografia Escolar. Este
artigo se propõe a analisar a importância de ensinar Geografia na Educação de Jovens e
Adultos considerando o contexto socioespacial dos estudantes dessa modalidade. A
metodologia utilizada foi pautada em uma análise bibliográfica e documental, levando
em consideração a Geografia Escolar, o currículo oficial, as diretrizes de ensino na
Educação de Jovens e Adultos, os microdados do Censo Escolar e dados disponibilizados
por outros órgãos oficiais do governo, como a Companhia de Planejamento do Distrito
Federal (CODEPLAN). Foi utilizado como referência para obtenção de dados e análise
da proposta curricular, a Educação de Jovens e Adultos no Distrito Federal.

Palavras Chave:
Geografia Escolar, Educação de Jovens e Adultos, Currículo, Segregação Socioespacial

3. Um panorama sobre os documentos da Campanha Nacional de


Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Liliane Carneiro dos Santos Ferreira
Resumo:
O Arquivo Central da CAPES vem, desde 2016, realizando ações de organização e
disponibilização do acervo histórico da instituição, concentrando-se atualmente no
primeiro período de existência do órgão, entre 1951-1964. A CAPES era então uma
Campanha Nacional, contando com uma Comissão que planejava e acompanhava as
ações, grupo coordenado por Anísio Teixeira. O presente artigo tem como objetivo
apresentar algumas reflexões acerca do trabalho realizado sobre o acervo documental
concernente ao período, que conta com diversos tipos de documentos, especialmente
dossiês de concessão de auxílios a bolsistas. Em uma análise superficial do conteúdo
desses dossiês e de alguns documentos escondidos em meio a outros papéis, podemos
compreender com maior clareza sobre o funcionamento da Campanha, suas linhas de ação
e seu dia-a-dia.

Palavras-chave:
CAPES; pós-graduação; universidades; Anísio Teixeira; arquivo permanente.

4. A relação universidade/sociedade em a Universidade Necessária de Darcy


Ribeiro
Lucas Moura Vieira

Resumo:

No livro A Universidade Necessária, Darcy Ribeiro nos apresenta a seguinte pergunta: “Que
fazer nestas circunstâncias, se tantos professores são cúmplices da ordem instituída e
agentes do conservadorismo e se a maioria dos jovens, cumprida sua rebeldia juvenil,
também se acomodam?” à qual responde “Nossa meta como universitários é fazer da ação
docente e estudantil uma ponta de lança voltada tanto contra a universidade obsoleta e os
que a queiram assim, como contra nossas sociedades atrasadas e os que estão conformados
com seu atraso.”. A questão levantada em 1968, data em que escreve o texto, ainda se mostra
desconfortavelmente atual. Passados mais de cinquenta anos ainda nos vemos às voltas com
as mesmas questões e problemas que mobilizavam a intelectualidade brasileira e latino-
americana em relação à questão da Universidade. Questões que, cabe pontuar, são anteriores
ao próprio Darcy e que permeiam não só o debate sobre o lugar da universidade, mas também
à própria questão da formação do Brasil. Nos interessa, na presente comunicação, destacar
um dos pontos que julgamos centrais no texto mencionado, qual seja: a relação entre
universidade e sociedade. Em outro trecho do livro, Darcy afirma que: “A política
modernizadora aspira apenas a reformar a universidade de modo a torná-la mais eficiente
no exercício de funções conservadoras dentro de sociedades dependentes e sujeitas à
espoliação neocolonial. A política autonomista aspira a transfigurar a universidade como
um passo em direção à transformação da própria sociedade, a fim de lhe permitir, dentro
de prazos previsíveis, evoluir da condição de um “proletário externo” destinado a atender
as condições de vida e de prosperidade de outras nações, à condição de um povo para si,
dono do comando de seu destino e disposto a integrar-se na civilização emergente como
uma nação autônoma.”. Nesse trecho, fica clara a dimensão e o alcance do ‘projeto’ de
Universidade. Ou seja, nos interessa ressaltar a relação universidade/sociedade e o papel de
‘destaque’ que Darcy dá para a Universidade como agente de mudanças, sem perder de vista
que esta se encontra, como não poderia deixar de ser, inserida dentro de um contexto social-
global. A relação universidade/sociedade apontada por Darcy nos fornece duas chaves
interpretativas para pensar a relevância da Universidade Pública nos dias de hoje. A primeira
delas diz respeito à importância de pensar o contexto político atual e como a Universidade
Pública se insere neste contexto. A segunda chave é, dada a conjuntura política atual, pensar
como a Universidade Pública pode se inserir como agente de mudança política, no sentido
mais radical apontado por Darcy, ou seja, como instituição capaz de realizar a autonomia
nacional.

Palavras-chave: Darcy Ribeiro, Universidade Pública, Universidade Necessária.

5. Estética, ancestralidade e insubmissão no hip hop: um estudo do disco


“Ladrão” (2019) de Djonga
Maria Eduarda Durães Martins; Pedro Barbosa

Resumo:
A proposta desta comunicação na modalidade, faz parte dos desdobramentos da pesquisa
em iniciação científica, que se encontra em andamento no Núcleo de Estudos Afro-
brasileiros e Indígenas da Universidade Federal de Goiás - Regional Jataí
(NEABI/UFG/REJ). A pesquisa objetiva apresentar uma abordagem dialogada com
alguns conceitos históricos sobre a estética da insubmissão e a ancestralidade cultural
africana no contexto diásporo do Movimento brasileiro do Hip Hop. Ancestralidade,
segundo OLIVEIRA (2007) é o princípio que organiza o candomblé e arregimenta todos
os princípios e valores caros ao povo-de-santo na dinâmica civilizatória africana. Ela
(ancestralidade) é, segundo ele, bem como o signo da resistência afrodescendente e um
signo que perpassa as manifestações culturais dos negros no Brasil. Simultaneamente será
tratado, também, a questão da insubmissão, que é a (re)criação de própria história e a
negação da representação feita pelo outro que sempre lhe coube. (MARQUESINI,
Luciana 2017). Ao que diz em respeito ao Movimento Nacional do HIP HOP percebemos
que o gênero está envolvido a alguns elementos especificamente ligados à cultura da
juventude negra no contexto histórico da diáspora africana na América Latina e Caribe.
(HALL, Stuart). Na configuração de movimento cultural étnico racial de matriz africana,
a manifestação se faz esteticamente por quatro pilares fundamentais de fazer uma cultura
popular, que na maioria das vezes é ignorada pela cultura erudita (CONTIER, D.
Arnaldo). Estes pilares são divididos pelo: Rap, que é caracterizado pelo ritmo e poesia;
Jockey-DJ ou Disco-Jóquei, um artista profissional que seleciona e reproduz as mais
diferentes composições, previamente gravadas ou produzidas na hora para um
determinado público alvo; Breakdance, estilo de dança de rua com muito movimento
corporal dos pés à cabeça, e o Graffiti, que são inscrições feitas em paredes, existentes
desde o Império Romano. Contudo, para ilustrar o objetivo proposto desta comunicação,
será apresentado a trajetória da carreira do Rapper mineiro Gustavo Pereira Marques,
conhecido como Djonga. Djonga é um escritor e compositor, que no momento, é
considerado um dos nomes mais influentes do rap (FERNANDES, Gilson et. Al). A
crítica elitista branca, de índole preconceituosa, racista, xenofóbica e de intolerâncias
correlatas considera o gênero agressivo por retratar temas como violência, drogas,
gangues e sexo. Entretanto, para nosso entendimento o rap tem trazido pautas que
abordam questões sobre racismo, política e desigualdades de raças e classes. Estando
presente nos debates dentro da universidade pública, que engloba a educação, sendo um
debate contemporâneo preciso. Sendo assim, no campo teórico de tal reflexão, haverá
diálogo com este cantor que lida com as teorias sobre identidade, pertencimento e
comunidade, numa perspectiva historicamente (re)construída, fundamentada em bases de
matriz africanas e nas relações socioculturais, políticas e históricas que se configuram,
também, a partir das ancestralidades africanas trazidas para o Brasil. A obra analisada
será "ladrão", um álbum do Djonga, lançada no ano de 2019 que trata exatamente das
questões ditas acima.

Palavras clave:
Hip-Hop; Cultura Diaspórica; Ancestralidade; Insubmissão e Rap.

6. Geografia escolar x geografia acadêmica – apontamentos para uma


amálgama entre dois ramos da mesma ciência
Wesley Torres Pinheiro Sampaio; Bruna Barbosa De Lucena

Resumo:
A Geografia Escolar e Acadêmica constituem dois campos do mesmo saber científico,
sendo que mesmo as duas fazendo parte da Ciência Geográfica, a cisão entre elas é uma
realidade presente nesse campo científico, sendo objeto de estudo de vários autores do
campo da Geografia Escolar. Mais que apenas ressaltar os pontos de divergência entre
esses dois ramos da Ciência Geográfica, é necessário compreender de que forma essa
separação tem resultado em uma Geografia Escolar enfraquecida no âmbito do Distrito
Federal, se distanciando dos pressupostos teóricos da Geografia enquanto disciplina
obrigatória no currículo da Educação Básica. Tendo como apontamento inicial a pesquisa
“O ensino médio público no DF”, PNME-DF 2014, buscou-se analisar os dados
apresentados sobre a Geografia Escolar no Ensino Médio. De acordo com a referida
pesquisa, a Geografia aparece como uma das disciplinas de maior importância para
continuar como obrigatória, de acordo com a opinião dos estudantes, porém quando
questionados sobre a importância das disciplinas para sua convivência social e para o
mercado de trabalho, a Geografia é tida como uma disciplina que não possui relevância.
Não estando a Geografia Escolar praticada no Ensino Médio das escolas públicas da
Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) alinhada com o que os
documentos curriculares e norteadores propõem, levanta-se a hipótese desse
enfraquecimento da disciplinar estar relacionado com a separação entre a Geografia
Escolar e Acadêmica. Para reflexões teóricas sobre essa abordagem, é realizada uma
articulação teórica entre os autores Nestor Kaercher e Lana Cavalcanti, na busca de
compreender o enfraquecimento da Geografia no âmbito escolar. Cabe ressaltar que deve
a universidade, espaço de consolidação e fortalecimento da Geografia Acadêmica, possuir
iniciativas e formas de se vincular ao que ocorre na Geografia Escolar, de forma que os
problemas oriundos da separação entre esses dois campos, possam ser analisados para
que seja possível alcançar uma amálgama entre esses ramos da Ciência Geográfica.

Palavras chave:
Geografia Escolar; Ensino de Geografia; Desvalorização da Geografia.
7. Filosofar e ensinar a filosofar: experiências da Residência Pedagógica
Rogério Basali

Resumo:
Apresentamos o subprojeto Ensino de Filosofia no Programa Residência Pedagógica.
Trata-se de significativa experiência para a profissionalização docente, fazendo das
escolas lugares de formação e pesquisa, por meio de práticas imersivas. Estudantes
universitários da Universidade de Brasília (UnB) inseridos nas escolas públicas, ao
vivenciarem seus contextos e particularidades, estreitam as relações entre a Universidade
e a Educação Básica. Desse modo, a Residência Pedagógica tem contribuído
sobremaneira para melhorias tanto na realidade escolar como na capacitação dos futuros
professores de Filosofia. Tendo em vista a novidade desse Programa, integrado à Política
Nacional de Formação de Professores - cujo objetivo é aperfeiçoar a formação prática nas
licenciaturas por meio da imersão dos licenciandos em escolas de educação básica -
destacamos a fundamentação e implementação do subprojeto Ensino de Filosofia,
presente em três escolas. Em cada escola atendida há oito residentes, coordenados pelo
professor-preceptor, que constituem um núcleo de trabalho. Como principal diretriz, ficou
estabelecida a autonomia de cada núcleo. Residentes e preceptores experimentam a
liberdade na criação das propostas a serem realizadas nessas escolas. Para isso, um
conjunto de perspectivas teóricas foi pensado com o objetivo de subsidiar tais propostas
de atividades, tendo em vista conceitos como subjetividade, pluralidade, ação e
autodeterminação.

Palavras-chave:
Ensino de Filosofia; Residência Pedagógica; Formação Docente

ST 9 - GOVERNOS, GENTES E TERRITORIALIDADES NO


ATLÂNTICO IBÉRICO (SÉCULOS XVII-XIX)
Coordenador: Dr. José Inaldo Chaves Jr (HIS/IH/UnB)

22/10 – 14h

1. As chamas da Inquisição para as bruxas dos terreiros: o processo de


demonização das religiões afro-brasileiras no Brasil colonial (XIX-XVIII)
Thalita Alves Sant’Ana de Oliveira

Resumo:
Neste ensaio busco explorar as várias faces adquiridas pelo magismo, pelo sagrado e pelo
paganismo na modernidade. Explorarei a caça às bruxas como um fenômeno não só
ocorrido no Velho Mundo, mas como um fenômeno de origem europeia que, através da
influência dos colonizadores portugueses e espanhóis e das suas crenças baseadas no
catolicismo europeu, foi trazido para a América e ganhou novos contornos. No século
XIV, a Europa assistia o espetáculo de horror provocado pelo declínio da produção
agrícola, marcado pela fome, peste e miséria. Como resistência aos problemas, ocorreu a
intensificação da religiosidade popular e das práticas mágicas. Logo depois, a magia pagã
se atrelou às práticas demoníacas, surgindo o Diabo como divindade e as bruxas como
suas servas. Desde então, a feiticeira, que apenas manipulava os elementos da natureza,
deu espaço às bruxas que, através de um pacto, ganharam o poder de espalhar o mal pelo
mundo. Em 1376, O manual do Inquisidor, de Nicolau Emérico, proporcionou ao clero o
instrumento teórico necessário à perseguição das bruxas. Depois, São Tomás de Aquino
declarou que “a fé católica firma que os demônios existem e são capazes de causar dano
e impedem o ato carnal”. Em 1484, a bula Summus desiderantis affctibus, de Inocêncio
VIII, lançava a guerra às bruxas. Em 1486, o Malleus Maleficarum, dos dominicanos
Sprenger e Kramer, que condenava a ação maléfica das bruxas e sua colaboração com o
Diabo, alastrou terror pela Europa e a missão de extirpar esse mal. Paralelamente, irei
explorar com o público a influência da caça às bruxas, ocorrida no mundo europeu, sobre
o território colonizado, nos séculos XVII e XVIII. Como os colonizadores acreditavam
que os demônios tinham sido expulsos do Velho Mundo e se abrigaram nas terras
distantes da América, os rituais indígenas e africanos foram reduzidos ao mal,
criminalizados e classificados como heresia. Entretanto, o historiador Juan Carlos
Estenssoro, defende que as diferentes religiões da colônia não se comportaram como um
bloco estático. Assim, o catolicismo europeu, as religiosidades africanas e ameríndias e
até mesmo o judaísmo criaram uma atmosfera religiosa muito própria da sociedade
colonial brasileira. Dessa maneira, através da leitura de diversos trabalhos
historiográficos sobre o tema, explorarei com o público: 1. A trajetória da bruxaria, desde
a sua origem até as diferentes formas que adquire com a descoberta e conquista do Novo
Mundo. 2. A resistência popular do povo nativo e escravizado diante da imposição da
cultura e religiosidade europeia 3. E por fim, o objetivo principal é provocar a reflexão
acerca da permanência da mentalidade colonial a respeito da religiosidade afro-brasileira,
para que possamos refletir sobre as imagens e preconceitos que carregamos e entendamos
as origens dos nossos preconceitos.

Palavras-chave:
Religiosidade no Brasil Colonial; Caça às Bruxas; Religiosidade afro-brasileira

2. Devoção em Disputa: as divergências entre os carmelitas da Ordem


Terceira e primeira no Recife setecentista
Rafael Lima Meirelles de Queiroz

Resumo:
O presente trabalho, enquanto um pré-projeto de mestrado, tem por intuito apresentar uma
proposta de investigação sobre as disputas entre a Ordem Terceira e a Ordem Primeira do
Carmo do Recife em torno do monopólio do capital simbólico e dos bens de salvação,
tendo sem- pre em mente o papel deste monopólio na configuração de uma devoção que
maximiza o capital social da instituição religiosa que o detém e que, consequentemente,
colabora no fortalecimento das redes sociais nas quais seus participantes se inserem. Para
isso, buscaremos identificar as fer- ramentas utilizadas pela Ordem Terceira Carmelita na
construção de uma devoção no Recife. Supõe-se que por trás destas contendas buscava-
se a reconfiguração da hierarquia por parte dos terceiros, que, de certa forma, visavam se
desvencilhar das amarras sociais estabelecidas pela Or- dem Primeira. Desta forma,
podemos compreender a devoção como um meio de integração e condicionamento social
que, de certa forma, faz-se presente ainda nos dias atuais.

Palavras-chave:
Devoção; Ordem Carmelita; Recife; Poder, Representações Simbólicas.

3. O peso da morte na vida econômica em uma sociedade de Antigo Regime


Gabriel Luan Oliveira da Silva Pereira de Jesus

Resumo:
A apresentação se propõe a discutir as práticas creditícias ao final do século XVIII a partir
da análise discursiva dos testamentos da Vila de Sorocaba. Quatro foram os eixos básicos
de estudo, sendo eles: (1) a relação entre a utilização dos juros e a Igreja, (2) o significado
social ou pessoal de sanar as dívidas mesmo após o falecer, (3) o pagamento de missas e
a salvação e, por último, (4) o planejamento de prestígio familiar presente nas cerimônias
da morte.
É importante salientar que a usura era uma prática avessa aos valores cristãos
defendidos pela Igreja Católica. Entretanto, através da popularização do purgatório é
possível observar o aumento das possibilidades da utilização do crédito ao longo do
tempo. Já nos últimos anos do setecentos, falar abertamente da aplicação de juros não
aparenta ser um problema tão grande como em tempos anteriores. Os juros surgem,
inclusive, como possibilidade de fazer valer um pagamento atrasado com aplicação de
justiça pelo tempo de espera de forma caridosa.
Outro desejo aparente nos testamentos é não permitir que as dívidas fiquem mal
resolvidas após a morte, ponto que extrapola o mero respeito às ordens jurídicas. A
hipótese principal é que morrer com pendências é construir um elo não agradável entre o
mundo terreno e o divino. As dívidas poderiam atrapalhar o caminho da salvação da alma
do indivíduo, tendo em conta o alto gasto em missas e atividades para que se possa em
algum tempo chegar aos céus.
As performances sociais são as atitudes públicas que possibilitam a criação de uma
imagem valorativa do indivíduo. Há performances que ocorrem por meio dos rituais
vinculados à morte, como os velórios e enterros. Pode-se enxergar na pompa e nas
despesas elevadas desses eventos não apenas um investimento para o salvamento celestial,
mas também cerimônias ligadas às categorias de poder e prestígio, que dizia respeito ao
morto e à sua linhagem, de forma a aumentar o crédito de sua família.
Conclui-se, assim, que a morte representa momento de fazer valer a construção ou
perpetuação de uma reputação que favorece o crédito familiar, bem como de planejar o
salvamento do purgatório, razão essa que provocava o desejo de liquidação das dívidas.
O purgatório e a salvação perpassam as preocupações recorrentes que são relacionadas à
maneira que os homens e mulheres distribuem seus bens e investem seu dinheiro com
vista ao futuro das almas.

Palavras-chave:
Crédito; Dívida; Morte; Purgatório; Testamento.
4. Escravidão no Antigo Regime dos Trópicos e as estratégias sutis de
controle
Andrey Soares Pinto

Resumo:
Este trabalho busca trazer reflexões acerca das estratégias de controle das populações
cativas na América portuguesa, tendo como foco o caso emblemático dos escravos do
engenho Santana, na comarca de Ilhéus, que no ano de 1789 se sublevaram e produziram
um tratado de paz para com o proprietário do engenho. Tal documento demonstra
múltiplos aspectos da vivência desses cativos, além de um exemplo de luta e resistência
proveniente dos mesmos. No entanto, da mesma maneira que observamos a reação desses
sujeitos, é possível apreender atos que eram usados para exercer a continuidade do
escravismo. Para melhor elucidar tal ponto, devemos compreender a dinâmica do
chamado Antigo Regime dos trópicos, com sua lógica social corporativa embasada em
hierarquias construídas pelo prestígio, etiqueta e origem, além da existência de redes
clientelares que eram demonstradas na formação de parentescos fictícios – como o
compadrio e o matrimonio. Deve-se incluir o fato do como a autoridade era construída
nesse contexto, tendo como auxílio teórico o conceito de “autoridades negociadas”,
trabalhado por autores como Jack P. Greene, o qual originalmente seria usado para
compreender a relação político/administrativa entre metrópole e colônia, mas que –
observando as devidas proporções – pode ser utilizado para a compreensão das relações
que eram existentes no escravismo.

Palavras-chave:
Escravidão; Antigo Regime nos trópicos; Autoridades negociadas; Engenho Santana.

5. Circulação de mercadorias no Grão-Pará na segunda metade do século


XVIII e início do século XIX
Márcia Cecília Flexa Freitas

Resumo:
O trabalho analisou as lógicas da circulação de mercadorias no Estado do Grão-Pará
durante a segunda metade do século XVIII, tendo como objetivo central entender o
comércio interno na região do Grão-Pará, guiado por perguntas como: quais as
particularidades dessa circulação de mercadorias levando em consideração sua
localização geográfica? Qual a importância desta circulação para a economia interna
daquela região? Tendo em consideração o contexto das Reformas Pombalinas, outro
objetivo fundamental deste trabalho é apreender as mudanças trazidas por essas e o seu
impacto na cidade de Belém e nas diversas Vilas e Lugares do Grão-Pará, essencialmente
no âmbito da circulação de mercadorias e de pessoas no espaço. Esta pesquisa pode ser
considerada como o início da compreensão das lógicas internas do Grão-Pará colonial e
de um estudo sobre o impacto das Reformas Pombalinas naquela região, recorrendo a um
documento de caráter administrativo para fazer um paralelo entre as determinações
“oficiais” e a circulação de mercadorias na prática. Através de planilhas, bancos de dados,
mapas e gráficos, é possível compreender quais eram os produtos fundamentais para tal
circulação e quais locais ela alcançava e influenciava com maior intensidade. Esta
pesquisa, dada de maneira mais generalizante, ajuda a compreender a centralidade de
certos produtos e certas Vilas para o êxito da circulação interna de mercadorias.

Palavras-chave:
circulação de mercadorias; Reformas Pombalinas; abastecimento; lógicas regionais;
economia colonial; Armazéns Reais do Grão-Pará.

6. A narrativa iconográfica de São Francisco de Paula nas pinturas do teto


da capela-mor da Igreja da Cidade de Goiás (GO)
Débora de Oliveira Sinfrônio

Resumo:
A Igreja de São Francisco de Paula da Cidade de Goiás foi construída em 1761, mas as
pinturas do forro da igreja foram realizadas no ano de 1869 por André Antônio da
Conceição. As pinturas do teto da capela-mor, objeto dessa pesquisa, criam uma narrativa
hagiográfica ao compor cenas da vida do Santo. Buscamos inserir a obra de arte no lugar
das vivências religiosas essenciais à organização da sociedade e ao enraizamento dos
indivíduos, conforme destacado por Cristina Moraes (2012).
Usamos da metodologia proposta por Erwin Panofsky (1979) para análise
iconográfica e iconológica e também hagiografias do Santo produzidas depois de sua
morte até o século XIX, para o conhecimento de sua biografia como também para a busca
de possíveis matrizes iconográficas para as cenas da vida do Santo, se for o caso.
A análise busca se relacionar ao contexto sociocultural e histórico da Capitania de
Goiás e pretende ver essas pinturas como parte da cultura histórica, ligada ao seu lugar
de produção; corroborando com a visão Panofsky, pois ele “insistia na idéia de que as
imagens são parte de toda uma cultura e não podem ser compreendidas em um
conhecimento daquela cultura [...]” (BURKE, 2004, p. 46). Ansiamos também avaliar em
que medida as cenas representadas se encaixam na teatralidade da arte barroca que serve
como “ferramenta persuasiva por meio de uma narrativa iconográfica.” (BAETA, 2012,
p. 196).

Palavras-chaves:
São Francisco de Paula; iconografia; história de Goiás; barroco;

7. Os sertões do Tocantins: histórias indígenas e colonização entre o Estado


do Brasil e o Estado do Grão-Pará e Maranhão (1750-1780)
José Inaldo Chaves Júnior

Resumo:
Em “O grande massacre dos gatos”, Robert Darton advertiu: “Todas as fronteiras são
perigosas. Se deixadas sem proteção, podem romper-se”. As fronteiras dos rios
Araguaia/Tocantins eram perigosíssimas e, ao longo do século XVIII, a Coroa portuguesa
esboçou diferentes estratégias para enfrentá-las. Os resultados dessas intervenções
também nos interessam. Desde o início dos Setecentos, conquistar o Araguaia e o
Tocantins acenou-se como condição sine qua non para o sucesso da estratégia geopolítica
da diplomacia portuguesa, que via como premente o controle sobre o Planalto Central e
a Amazônia, áreas promissoras e preocupantes perante as descobertas auríferas e à
fronteira pouco clara com os domínios espanhóis, além do já mencionado “perigo interno”
representado por diferentes nações indígenas que povoavam esses rios – Acroá, Caiapó,
Xerente, Xavante e tantas outras – os donos do sertão. Nesse contexto, a imprecisa
localização do meridiano de Tordesilhas dava à Espanha os territórios do centro-oeste da
América do sul, movimentando hostilidades com Portugal e fazendo crescer uma corrente
diplomática que defendia a renegociação dos limites continentais e americanos entre as
duas monarquias, uma posição sistematicamente defendida por homens por porte de dom
Luís da Cunha, “oráculo” do rei dom João V, nas palavras de Júnia Ferreira Furtado, e
nome central na política imperial portuguesa na primeira metade do século XVIII
(Furtado, 2011, p. 70). Por essa época, as bacias do Amazonas e do Tocantins também
viam sendo cotidianamente percorridas por viajantes não apenas portugueses, o que
levantava ainda mais suspeitas acerca dos interesses estrangeiros sobre áreas que, se
pressupunha, serem ricas em metais preciosos. Conhecer esses caminhos e impor o
domínio português revelou-se um grande desafio. Mas como fazê-lo? É neste sentido que
a história da ocupação e da exploração do território na América portuguesa se confunde
com a própria necessidade de conhecer e delimitar seu espaço, o que se expressa em
diversos documentos de natureza cartográfica, nos papéis dos agentes do governo colonial
e nos relatos dos viajantes.

ST 10 - HISTÓRIA PÚBLICA E ORALIDADES


Coordenadores: Marta Gouveia de Oliveira Rovai (Universidade Federal de
Alfenas/UNIFAL)

1. Comer e cozinhar: revelando tramas e práticas alimentares como


possibilidades de representação e identidades nas feiras do Guará e da Torre
de TV.
Juliana Rampim Florêncio

Resumo:
Este artigo busca compreender as representações e identidades culturais, por meio da
memória coletiva, a partir das práticas alimentares entendidas como patrimônio cultural
presentes na Feira da Torre de TV e na Feira do Guará, no Distrito Federal (DF), no tempo
presente. Por serem bastante distintos entre si, estes dois espaços propiciam à pesquisa
maior escopo de análise. A pesquisa utiliza duas fontes: o Inventário Nacional de
Referências Culturais (INRC), produzido pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
Social (IBDS), sob encomenda do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan), das Feiras do DF, especificamente as fichas referentes à Feira da Torre e à Feira
do Guará; e a fonte produzida pela pesquisadora por meio da História Oral, a partir de
entrevistas realizadas com feirantes e frequentadores destes espaços.

Palavras-chave:
Memória. Alimentação. Representação. Identidade. Patrimônio cultural.
2. Entre a invisibilidade e distorções – A importância da história oral como
método na pesquisa com comunidades negras rurais
Yazmin Bheringcer dos Reis e Safatle
Resumo:
Tendo em vista a disputa ente “memória subterrânea” (POLLAK, 1989, 1992) e memória
coletiva de populações marginalizadas dentro do país, nos propomos a pensar a
importância da história oral em pesquisas com sujeitos negligenciados pela historiografia,
com enfoque nas comunidades negras rurais do Brasil. Trata-se sobre tudo da recuperação
de narrativas destas acerca do período da escravidão e pós-abolição até a atualidade,
contrariando a narrativa de uma democracia racial, entendida uma convivência harmônica
entre pessoas negras e brancas no Brasil (NASCIMENTO, 2016). Nessa narrativa,
colonização e racismo são retratadas como mazelas do passado colonial. A história oral
emerge como método privilegiado nesse contexto principalmente por duas
particularidades das comunidades negras brasileiras: por um lado, a importância da
tradição oral para estas e por outro, a mobilização de uma memória ancestral e coletiva
que opera de forma a inserir comunidades negras rurais no grupo mais amplo “povo negro
brasileiro”. Por outro lado, não existe registro escrito de grande parte de acontecimentos
relevantes para os processos identitários e de territorialização dessas comunidades e
quando existe documentação, esta costuma ser atravessada por interesses de uma elite
branca. Defende-se a importância da história oral enquanto metodologia nos estudos
acerca da história o das comunidades, como também na elaboração de uma narrativa que
tem como possível desdobramento o reconhecimento de comunidades negras rurais
enquanto quilombolas, a demarcação de seus territórios e processos de patrimonialização.

Palavras-chave:
história oral; comunidades negras rurais; memória; patrimônio

3. Brasília e Democracia Racial: uma análise histórica das remoções forçadas


no Distrito Federal entre 1958-1971
Guilherme Oliveira Lemos
Resumo:
Brasília surge como símbolo de um país moderno, pós-escravista e multirracial. Apenas
duas gerações após a abolição da escravatura a democracia racial figurava, na década de
1950, como uma suposta verdade já alcançada por essa nação erradicadora do racismo
através da Lei Auria e da miscigenação. A realidade, porém, era de um Brasil
extremamente segregado onde as famílias de origem africana estavam, em sua maioria,
apartadas do exercício da cidadania através das restrições do direito à educação formal,
ao emprego digno, à moradia e à terra. A despeito disso, houve quem constituiu narrativas
de liberdade e associativismo para superação dessas limitações impostas pelo processo
colonial – afinal, não se pode confundir o ser em situação de empobrecimento com
empobrecimento ontológico.
O candango, identidade inventada pela ressignificação do corpo “desprezível” e
vindo do interior – sinônimo de negro em tempos anteriores –, constituiu parte da imagem
desse “novo” Brasil. Essa identidade foi forjada na ideia de masculinidade negra/mulata
e em oposição do pioneiro branco de educação formal: engenheiro, arquiteto, político e
burocrata. Nesse sentido, a construção de Brasília foi palco de mais um capítulo da
diáspora negra com a chegada de famílias que buscavam outras oportunidades. Não
obstante, logo após a construção da nova capital, as famílias residentes nos acampamentos
ao redor de Brasília foram consideradas invasoras e realocadas nas cidades-satélites
distantes dos serviços (a exemplo de Taguatinga em 1958 e Ceilândia em 1971).
As remoções forçadas dessas “invasões” para áreas situadas fora da Faixa de
Segurança Sanitária elaborada pela Novacap em 1958 é o ponto de partida dessa
comunicação. Desse fato queremos levantar algumas possibilidades para compreensão da
história de Brasília. Primeiro, quem foram e como se articularam as atoras políticas na
luta por terra e moradia após as ações da especulação imobiliária e do Estado. Depois,
sugerimos a possibilidade do desenvolvimento de histórias públicas através dos
testemunhos dessas atoras que trazem reflexões intersubjetivas de suas memórias. Por
fim, entenderemos como essas pessoas tidas como corpos objetos/abjetos, pedra
fundamental da construção, são transformadas em infraestrutura da cidade de Brasília na
operação de conceitos coloniais como raça, gênero e classe.

Palavras-chave:
Distrito Federal, remoções forçadas, democracia racial, história pública.

4. ¿Bicentenario de qué?
Manuela Muguruza

Resumo:
O presente artigo é fruto de uma pesquisa desenvolvida no âmbito da produção de uma
dissertação de mestrado. Tem como objetivo fundamental analisar as questões de
construção e reforço das identidades nacionais, mais especificamente do caso uruguaio.
Para lidar com o tema em um âmbito prático, a festa de comemoração do bicentenário
dos processos de emancipação oriental, realizada no Uruguai a partir do ano de 2011, foi
escolhida. Para levar a investigação a cabo, foi feito um levantamento histórico do país,
desde os fatos que estão sendo celebrados até a sua história mais recente, no intuito de
compreender todas as implicações que o processo histórico teria na escolha das datas a
serem comemoradas. Assim, historiadores uruguaios foram utilizados, principalmente
aqueles que se empenham em desconstruir mitos da história nacionalista. Além disso,
entrevistas em profundidade foram conduzidas com atores-chave no processo de
organização e planejamento das comemorações, assim como a análise de documentos e
materiais produzidos pelo governo.

Palavras-chave:
identidade nacional, nacionalidade uruguaia, bicentenário uruguaio

5. A influência do foro de São Paulo nas mudanças de estratégias política das


esquerdas latino-americanas entre 1990 e 1995
Yuri Soares Franco

Resumo:
Neste resumo abordarei a pesquisa sobre o Foro de São Paulo. Este é uma organização
política continental criada por diversos partidos políticos de esquerda da América Latina
e do Caribe em 1990 que ainda está ativa. Pretendo analisar a influência que o Foro teve
sobre as mudanças nas estratégias políticas das esquerdas do continente desde sua
fundação na cidade de São Paulo até o V Encontro em Montevidéu no ano de 1995. Em
um cenário adverso, contemporâneos da queda do Muro de Berlim, da dissolução da
União Soviética e num contexto de hegemonia mundial do neoliberalismo, líderes da
esquerda do continente lograram êxito em superar as suas diferenças teóricas,
programáticas, táticas e organizativas sobre as estratégias de disputa do poder para
construir e consolidar um espaço conjunto para o debate e a articulação política
continental. Compreender quais eram as críticas dos partidos referentes às organizações
internacionais de partidos de esquerda que antecederam o Foro, tanto as extintas como a
Internacional Comunista, ou as ainda existentes como a Internacional Socialista e a
Conferência Permanente de Partidos Progressistas da América Latina. Além da criação,
abordar sua consolidação e seu processo de delimitação geográfica e política, assim como
a organização de suas estruturas internas e processos deliberativos. A partir destas
premissas, analisar a influência que o Foro teve sobre os partidos de esquerda do
continente, especialmente no Partido dos Trabalhadores, e o quanto este influenciou o
próprio Foro.

Palavras-chave:
Partidos. Política. Esquerda. Foro de São Paulo. América Latina. PT.

ST 11 - CRIME(S), CONTRAVENÇÕES E VIOLÊNCIA(S)


ATRAVÉS DOS PROCESSOS JUDICIAIS: NOVAS ABORDAGENS
HISTORIOGRÁFICAS
Coordenadoras: Leticia souto Pantoja (Unifesspa-CRHM);Dra. Marilza Sales Costa
(Unifesspa-CRHM)

22/10 – 14h

1. O Louco Infrator Deixa a Sombra: Crime e Loucura em Goiás.


Éder Mendes de Paula

Resumo:
Quando [Jairo] assassina duas crianças em Anápolis Goiás no ano de 1977, tem sua
individualidade marcada pelo delito, deixa de ser o indivíduo para se tornar o monstro.
No entanto, as questões que envolvem a construção da monstruosidade são envoltas de
narrativas acerca da fronteira entre normalidade e anormalidade e como cada sociedade
constrói suas relações entre o crime e a loucura. Partindo do conceito de sertão, como este
espaço que há muito foi violentado na ânsia de outros de “modernizá- lo” ou mesmo de
“curá-lo”, recuperando suas próprias experiências no tempo, propõe-se analisar a partir
do caso de [Jairo] como a sociedade goiana relacionou crime e loucura. Portanto, o louco
infrator se torna aqui objeto para realizar uma leitura de uma sociedade que, violenta,
precisava lidar com sujeitos duplamente marcados, categorizados e excluídos,
possibilitando discutir sobre as relações de crime e violência em Goiás. Nesta perspectiva,
aborda-se como determinados crimes são diretamente ligados à ideia de loucura e como
a opinião pública participa deste processo de julgamento destes sujeitos e, de que
maneiras a sociedade goiana enxergava ou mesmo lidava com o louco infrator, na
ausência de um espaço para tratamento específico, como garantir a estas mulheres e
homens o que a lei lhes atribuia? A partir da análise da Ação Penal do caso de [Jairo]
torna-se possível refletir sobre essas vivências em Goiás suscitando suas possíveis
particularidades anterior e após a elaboração da lei 10.216/01.

Palavras-Chave:
Crime; loucura; manicômio.

2. Representações de gênero em ocorrências policiais de violência contra


mulheres na construção de Brasília
José Gomes do Nascimento

Resumo:
O texto tem como objetivo analisar ocorrências policiais registradas em livros-ata na
Divisão de Segurança da NOVACAP, setor a qual se vinculavam policiais da extinta
Guarda Especial de Brasília- GEB. As ocorrências relatam situações de violência contra
mulheres no espaço público da construção de Brasília e foram produzidas no período de
1958 a 1961. Se referem a crimes ocorridos em várias localidades relacionadas aos
canteiros de obras: na Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante), nos acampamentos, nas
vilas (como Amaury ou Bananal), na chamada Zona do Baixo Meretrício – ZBM, em
estradas que interligavam esses locais, entre outros espaços. Para a análise das fontes
utilizamos como metodologia alguns pressupostos da Análise de Discurso de Eni P.
Orlandi e, conceitualmente, a noção de paradigma indiciário de Carlo Ginzburg nos
auxilia. Os elementos da pesquisa demonstram que a associação entre gênero e violência
contra mulheres, na forma de suas representações, possuem significados que evidenciam
muitas permanências. Deste modo, o artigo procura trabalhar questões que contribuam
com a visibilidade do cotidiano de mulheres e a problematização das representações de
gênero contidas nas narrativas construídas pelos guardas da GEB que registravam aquelas
ocorrências, no contexto da construção de Brasília.

Palavras-chave:
Mulheres, Gênero, Construção de Brasília.

3. Corpos desvalidos: moralidade, honra e questões de gênero em processos


criminais de defloramento na Cidade de Marabá-Pa (1920-1970)
Naara Fernanda da Silva Mendes / Leticia Souto Pantoja

Resumo:
O presente trabalho tem como objetivo analisar a construção do discurso jurídico sobre o
gênero feminino através dos processos-crimes de defloramento encontrados no Centro de
Referência em História e Memória do Sul e Sudeste do Pará (CRHM/UNIFESSPA), no
período de 1930 a 1950, no município de Marabá. Considera-se que tais discursos,
mediante o disposto no Código Penal da república, de 1890, projetavam a imagem de
mulher ideal que carregava no seu corpo a sacralidade da virgindade, gestada pela
moralidade cristã, pelas pressões da instituição familiar e implicitamente, pela legislação
pátria. As contradições entre o texto da lei e sua aplicabilidade, sobretudo quando se
tratava de meninas das camadas populares interioranas, sobressaem no decorrer dos
inquéritos investigativos e processos; assim oscilando entre a definição da “honrada” e
da “sem desguardo moral”. Isto posto, problematizar a representação social do gênero
feminino nos processos de defloramento é buscar compreender como as representações
sociais interferiam na construção da verdade jurídica e nas formas como eram conduzidos
os desfechos dos processos crimes mediante as condutas morais religiosas sobrepostas às
mulheres.

Palavras-chaves:
Processos Judiciais. Defloramento. Moralidade. Honra. Gênero.

4. Processos criminais de homicídio no sudeste do Amazônia Legal


Marilza Sales Costa

Resumo:
A presente pesquisa “Processos Criminais de homicídios no sudeste da Amazônia
Legal” faz parte de um projeto maior “História, Memória e Representações nos
processos criminais de Homicídios ocorridos na mesorregião do sudeste do Pará
(Amazônia Legal): período de 1920 a 1970” vinculado a linha de pesquisa do Programa
de Pós-Graduação em História-PPGHIS/UnB: História cultural, Memórias e
Identidades. O trabalho foi desenvolvido através de um estudo quantitativo e qualitativo
no acervo documental em “arquivo inativo” do Fórum de Justiça de Marabá-PA em
convênio com o Centro de Referência em Estudos e Pesquisa sobre a História e Memória
da região Sul e Sudeste do Pará-(CRHM/Unifesspa/2018). Realizou-se uma pesquisa
bibliográfica com alguns autores: Velho (1972), Martins (1991), Barros (1992), Sousa
(1992), Araújo (1996), Emmi (1999), Petit (2003) e outros; assim como, de campo em
processos cíveis e criminais. Porém, destacando algumas narrativas discursivas de
natureza criminal produzidas nas sentenças dos processos criminais de ocorrência de
homicídios indicando a quantidade de ocorrências e identificando os atores sociais do
litígio em questão, além de problematizar e delinear as construções e as vivências da
época através da imprensa escrita jornalística local e do “acervo fotográfico” da Casa da
Cultura de Marabá-PA (CCM), esse, também considerado fonte de memória e de
construções históricas e sociais na região.

Palavras-chave:
História. Memória. Imprensa, Processos Criminais.

5. Crime e castigo! Os processos judiciais por castigos imoderados como


reveladores de uma pedagogia da infância Amazônida.
Leticia Souto Pantoja

Resumo:

A primeira metade do século XX demarca na Amazônia, um período de profundas


transformações. Inseridas num contexto de crise econômica impulsionada pela derrocada
do modelo extrativo-exportador, as principais capitais da região (Belém e Manaus)
experimentam de forma contraditória, o avanço dos processos de modernização urbana,
o crescimento da economia fabril e a intensificação das formas de exploração do trabalho;
notadamente da mão de obra infantil e, especialmente, dos trabalhos “intramuros”, tarefas
domésticas exercidas por meninos e jovens órfãos, desvalidos e/ou oriundos de famílias
pobres da região. Imersos numa realidade social complexa que lhes impunha diferentes
formas de controle e abuso por parte de sujeitos oriundos das camadas enriquecidas; esses
infantes e juvenis vivenciaram a apropriação compulsória de sua força de trabalho, a
prevalência dos castigos físicos como forma de correção e até mesmo, a exploração sexual
de seus corpos (considerado fato comum à época). Não obstante, teceram em seu
cotidiano de vida e trabalho múltiplas formas de enfrentamento da própria condição, as
quais implicavam no cometimento de pequenos delitos, fugas e denúncias judiciais,
dentre outras ações. Assim, com fulcro na pesquisa de processos criminais por ‘castigos
imoderados’ é possível compreender um pouco mais sobre essa realidade, que embora se
encontre cronologicamente afastada de nosso tempo, carrega em si mesma, questões que
ainda afetam e perturbam a forma recorrente de como lidamos com a exploração da mão
de obra infantil na Amazônia. Paralelamente, o recurso aos castigos físicos como prática
de correção dos comportamentos infantis considerados desregrados e ‘excessivos’;
desnuda uma certa pedagogia de/para a infância, na qual, a disciplina dos hábitos e do
corpo por meio do uso da contenção física, de surras, pancadas e outras reprimendas
físicas tornava-se tolerável no contexto de um certo conjunto de valores morais e
familiares.

Palavras-chave:
Amazônia; infância; processos judiciais; trabalho; violência.

23/10 – 14h

1. Comportamentos desviantes: o papel da polícia na disciplinarização dos


indivíduos na segunda metade do século XIX na corte do Rio de Janeiro
Paulo Henrique da Silva

Resumo:
O desenvolvimento do projeto de iniciação científica objetivou discutir sobre as
percepções, as formulações e as práticas de combate pela polícia aos comportamentos
considerados desviantes à época do Brasil Império. Foi levado em consideração, para a
construção da análise histórica, a formação do Estado-Nação brasileiro no contexto de
início do século XIX e as pretensões, das elites, de encaixá-lo nos moldes civilizacionais
europeus por todo este período. Figurando um dos meios disciplinadores para levar a cabo
esta tentativa, a instituição policial entra para a realidade da época, e para a análise aqui
considerada, com o encargo de lidar com as questões do cotidiano da sociedade civil,
sendo, desta forma, um dos corpos institucionais responsáveis por modernizá-la. Para
isto, a questão da população, a necessidade de controle sobre uma parcela desta e as
práticas policiais são elencadas para a construção argumentativa. Por meio de exposição,
análise e argumentação, partindo de uma análise social e política, documentos policiais
históricos são apresentados em diálogo com a historiografia especializada sobre o tema
em questão.

Palavras-chave:
modernização; comportamentos desviantes; polícia.

2. Samba e violência: atuação policial contra pobres e rodas de samba em


algumas composições
Lellison de Abreu Souza

Resumo:
A produção musical brasileira ao longo do século XX teve como principal meio de
expressão a canção, peça composta pela junção de melodia e letra (ocasionalmente apenas
melodia). Várias temáticas foram abordadas nas canções, por todos os gêneros musicais
praticados no Brasil. Um dos gêneros mais fecundos em temáticas é o samba. Neste texto
abordaremos uma dessas temáticas: as ações policiais contra pobres e frequentadores de
rodas de samba. Para tanto, recuperaremos informações sobre os policiais das primeiras
décadas do século XX, sobre as populações pobres e a importância das rodas de samba,
sobretudo para os descendentes dos escravizados e sobre algumas ações do Estado que
tiveram influência nas autoridades e nas populações. Por fim, analisaremos sucintamente
como alguns sambas retratarm a violência policial.

Palavras-Chave:
Violência policial, samba, canção.

3. Sistema Penitenciário Brasileiro na Ditadura – as legislações e suas


organizações criminosas: a formação da Falange Vermelha durante as
décadas de 70-80 no estado do Rio de Janeiro.
Valentina de Carvalho Calderon

Resumo:
O presente trabalho tem como objetivo investigar e analisar de que maneira o Regime
Militar brasileiro esteve envolvido na formação de grupos violentos paramilitares
(Comando Vermelho). De que forma suas leis rigorosas de segurança nacional que
priorizavam a ordem autoritária, inspirada num nacionalismo exacerbado, foram
subvertidas por determinados grupos e abriram espaço para a gestação dessa facção a ser
analisada.
Esta pesquisa buscará entender por meio de leis, processos judiciais e matérias a
serem investigadas no Jornal do Brasil no período entre 1970 e 1980 como essa
organização cresceu em contexto de Estado ditatorial. De que maneira os indivíduos
vistos como inimigo a serem exterminados pelo Estado acabaram por conseguir se erguer,
mobilizando-se contrariamente ao Estado que prezava pela segurança e controle pleno de
seus domínios nacionais.
Buscaremos ainda investigar por quais vias o sistema penitenciário brasileiro
cedeu espaço para a criação do grupo e especialmente viso entender como a legislação
autoritária da ditadura, que combatia rigorosamente inimigos contrários à ordem e
segurança nacional, ofereceu como consequência o surgimento dessa facção que existe
fortemente até os dias de hoje. Seria um fenômeno causal em resposta pela violência
estatal? A sua origem nos permite compreender a força de sua presença nos dias atuais?
A pesquisa sobre a origem desse grupo nos leva a entender não somente estruturas
internas para sua criação e funcionamento, mas também as lacunas dessa doutrina de
segurança nacional que causaram uma resposta dos “inimigos do Estado” em que esses
foram capazes de se organizarem e se fortalecerem durante o regime antidemocrático
como uma força violenta de reação ao status quo.
Trabalharemos de forma à delimitar e compreender o cenário político-social do Rio
de Janeiro, investigando a experiência dos integrantes da Falange Vermelha na criação e
solidificação de forças violentas em oposição ao Estado. De que maneiras a estruturação
carcerária do Presídio Cândido Mendes cedeu espaço para a formação desse grupo
armado?
Para a execução desse trabalho de pesquisa, utilizaremos como fonte: legislação
brasileira, matérias do jornal diário “jornal do brasil”, processos judiciais, e como
referências bibliográficas os livros “Estado e Oposição no Brasil 1964 1984” de Maria
Helena Alves, “Direito Penal do Inimigo: Noções e Críticas” de Gunther Jakobs,
“Quatrocentos Contra Um: uma História do Comando Vermelho” de William da Silva
Lima e artigos acadêmicos referentes ao assunto.

4. Educação Formal e a sua relação com a ressocialização de jovens em


conflito com a lei na Semiliberdade de Taguatinga
Vitor Emílio Barros de Brito
Resumo:
A pesquisa investiga como a educação formal favorece a ressocialização de jovens em
conflito com a lei na Unidade Semiliberdade de Taguatinga-UST onde se vinculam
jovens, maiores de 18 anos, que foram sentenciados ainda como menores para cumprirem
medida de Semiliberdade pela Vara da Infância do DF – VIJ-DF. A UST é uma Unidade
orgânica da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal e comporta em suas
dependências 24 adolescentes que passam a semana na Unidade saindo para atividades
como: escola, trabalho, consulta médica, sempre autorizados e monitorados por
servidores. A medida de Semiliberdade é uma das sete medidas socioeducativas prevista
pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA se concentrando no fato que devemos
quebrar o ciclo delituoso destes jovens e que para isso é necessário uma intervenção de
caráter psicopedagógico que modifique as atitudes deste adolescente. A socioeducação é
a ferramenta colocada pelo ECA como a responsável por fomentar esta mudança no
adolescente apesar de se constatar uma lacuna sobre a sua concepção e significado. No
estudo utilizaremos o banco de dados da Unidade para selecionar jovens que cumpriram
pelo menos 6 meses de medida, tiveram relatório avaliativo positivo encaminhado para a
VIJ-DF, foram liberados e verificaremos se continuaram seus estudos longe de uma
trajetória conflituosa com a sociedade. Com o auxilio de um questionário semiestruturado
serão colhidos dados e opiniões dos socioeducandos sobre a importância da educação na
medida de semiliberdade e na sua vida. A importância desta pesquisa consiste no fato de
não haver no Distrito Federal programa de acompanhamento de egresso do Sistema
Socioeducativo como preconizado pelo ECA. Isto dificulta a avaliação da política pública
socioeducativa e eficácia da educação formal no processo de transformação da conduta
delituosa dos socioeducandos em uma atitude confluente com desejo da sociedade.
Palavras-Chave:
Medida socioeducativa, Socioeducação, escola

5. A importância do Arquivo Judiciário para análise dos conflitos cotidianos


na cidade de Marabá-Pa, entre 1950 e 1970.
Carolina Ferreira Barbosa, Márcio Antonio Rodrigues, Renata Silva e Silva; Letícia
Souto Pantoja

Resumo:
A pesquisa consiste na investigação do arquivo judiciário da Comarca de Marabá e a sua
importância para a comunidade acadêmica. Ressaltamos que a faz parte do Projeto de
Implantação do Centro de Referência em Estudos, Pesquisas e Extensão sobre a História
e Memória da Região Sul e Sudeste do Pará com convênio de cooperação técnica firmado
entre a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e Tribunal de
Justiça do Estado do Pará (TJ/PA). A bolsa possibilita a interdisciplinaridade entre
diversos cursos, como; História, Direito, Pedagogia e Ciências Sociais. Para além de
permear pelos vários seguimentos dos três pilares básicos da universidade; ensino,
pesquisa e extensão.
Este trabalho tem como base nas pesquisas em processos históricos que foram
tramitados com a petição inicial até ao ano de 1988, os quais estão arquivados na Comarca
de Marabá do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.
Buscamos analisar alguns processos relacionados a violência e a criminalidade na
região sul e sudeste do Pará, tendo como foque principal, ações processuais envolvendo
a cidade de Marabá. Analisamos alguns processos recorrente ao cotidiano e as relações
que foram construídas por uma população voltada na década de 1950 para a defesa da
honra, resolvendo alguns conflitos, em grande maioria com os seus vizinhos por meio da
violência. Buscamos focalizar o cotidiano dos indivíduos que em suma, trabalhavam com
a agricultura familiar, envolvendo pequenos sortes de terras para a produção da sua
subsistência e que ocasionavam conflitos.

Palavras-chave:
Arquivo judicial, Processos históricos, Cotidiano, Conflitos.

6. Promessas do silêncio na casa de correção da corte


Beatriz Bianca Teixeira Caetano

Resumo:

Em oposição às antigas punições nefastas associadas ao Antigo Regime, a restrição da


liberdade emerge como um modelo de punição adequado aos crimes públicos durante o
século XIX. Consoante com a passagem modificadora da concepção de punição, os
instrumentos codificantes do novo século traziam, em seu corpo de normas, as prisões
como espaços fundamentais para o cumprimento da moderna forma de punir. Desse
modo, se deu a construção da Casa de Correção da Corte, iniciada ainda em 1831,
segundo a determinação do Código Criminal (1830), vigente à época. A partir dessas
colocações, esse complexo presidiário é abordado mediante três eixos: as mudanças das
concepções de punição e prisão no século XIX; a Sociedade Defensora da Liberdade e da
Independência Nacional do Rio de Janeiro, agremiação que visava implementar na Corte
a nova prisão; e, por fim, investigando as premissas às quais regem a regra do silêncio do
presídio para além da manutenção da ordem interna da casa correcional.

ST 12 - EXPLORAÇÃO E OPRESSÃO DE GÊNERO, RAÇA


SEXUALIDADE NO BRASIL: UMA ANÁLISE DOS ELEMENTOS
HISTÓRICOS E RELAÇÕES HETEROPATRIARCAIS
Coordenadoras: Hayeska Costa Barroso (UnB); Maria Elaene Rodrigues Alves (UnB);
Valdenízia Bento Peixoto

22/10 – 14h
1. Opressão sexual no capitalismo
Djonatan Kaic Ribeiro de Sousa

Resumo:
Compreendendo que o estatuto da sexualidade na formação do indivíduo e da sociedade
é de extrema relevância para o desenvolvimento do género-humano o texto que segue
discorre sobre elementos que constituem a opressão sexual promovida pelas relações
sociais capitalistas que inibem o pleno desenvolvimento da sexualidade em suas múltiplas
expressões e potências. A perspectiva é que a sexualidade possui condições de
aprimoramento da individualidade/personalidade, mecanismo de medida de graus
civilizatórios da sociedade, de qualidade de relações sociais, contribui na autonomia,
criatividade e respeito, e se expressa nas relações afetivas, sexuais, culturais, identitárias
e na formação de uma educação sexual emancipatória. Esse ponto de vista é orientado
por estudos de base lukacsiana, aonde através do entendimento da formação da
individualidade, personalidade e da diversidade humana há os indícios para
compreendermos a sexualidade enquanto dimensão potencializadora da realização
humana, aprimoramento da individualidade e com condições de experiências
emancipatórias, contribuindo o desbloqueios do desenvolvimento do gênero-humano na
sua relação singular com o humano genérico. Esse corte teórico-ideológico permite
afirmar a sexualidade como dimensão que contribui para o desenvolvimento
sociogénerico da humanidade, pois superar as determinações sociais impostas pelo
heterossexismo e capitalismo amplia o sentido do corpo, do sexo e da sexualidade como
dimensões significativas e emancipatórias, já que suas bases formulam expressões de
desejo, afeto, identidade, cultura e, concomitante, faz superar as determinações
individuais das alienações, que aprisionam nossa percepção de sexualidade confiscada,
limitada e com o aparato biológico, social e psicológico aprisionando o ser social. Essa
vivência substancial do amor, sexo e da sexualidade interditada pelo capitalismo
sustentam-se em mecanismos contraditórios: a força de supressão do desejo sexual
através da moral sexual, o poder material que constitui relações sexuais desiguais, a
alienação e a liberdade sexual capitalista para o consumo, embasados por uma
construção histórica patriarcal-racista, perpetra uma ordem de opressão material,
simbólica e cultural o que resulta promovendo uma sexualidade empobrecida no plano
do desejo, do sexo, do corpo, da ética, da estética. É necessário libertação dessas
opressão, que limitam o sentido da sexualidade como um fim em si, confiscado aos limites
do corpo biológico e sua função reprodutiva, derruindo o sentido da sexualidade, suas
expressões e formas de existências.

2. A presença feminina nos folhetins do século XIX - Aquelas que contaram


histórias no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro
Larissa Cardoso Campos

Resumo:
O presente artigo tem como objetivo discutir a presença feminina nos romances folhetins
do século XIX, tendo como fonte os folhetins publicados no Jornal do Commercio do Rio
de Janeiro do ano de 1841. A partir da leitura destas obras, a autora busca discutir como
a construção do lugar social da mulher era interpretado pela literatura e questionar como
a transposição da cultura do folhetim europeu, que influenciou a literatura romancista
brasileira, não abrange a presença feminina não branca dentro do Brasil Império. Assim
sendo, a questão citada acima será exemplificada pela análise de dois folhetins que foram
publicados em janeiro de 1841, sendo estes Bertha e A constancia do amor, que permitem
observar os extremos do espectro de existência feminina dentro das narrativas românticas.
Sob esta ótica, ao perceber que dentro destes folhetins publicados no Jornal do
Commercio todas as narrativas possuem personagens femininas, nasce a dúvida sobre
como estas mulheres estão sendo retratadas numa leitura como o folhetim. Dentro de um
Império ainda em busca de uma identidade demarcada, por meio do conteúdo ofertado
pelo jornal diário, existe uma conexão com o leitor de forma mais direta. A minha questão
sobre como o papel feminino era lido agora também se dá em como este estava sendo
recebido, qual tipo de representatividade esta leitura causava e quais as mulheres que
eram ocultadas em suas narrativas. Com isso, me dispus a ler todos os folhetins de ficção
dentro do ano de 1841 do jornal citado acima, para levantar estas questões que considero
ser interessantes e a partir destas leituras propus uma análise de dois folhetins específicos
que aos meus olhos, são boas formas de tecer uma imagem femininas construída nos
romances do século XIX. Compreendo plenamente, o quão raso posso chegar lendo
apenas as edições de um ano e de um jornal dentro de uma Imprensa tão vasta e complexa
como a brasileira, porém, como historiadora não quero responder nenhuma pergunta de
quem são essas mulheres e porque elas são daquela ou desta maneira. Entretanto, quero
mostrar uma das formas que as mulheres eram entendidas. O papel bem definido da
mulher dentro de uma sociedade era bem estabelecido não apenas no núcleo familiar, mas
dentro de um sistema tão importante quanto a imprensa e dentro de um mundo tão peculiar
como a literatura dos folhetins. Afinal, quem são essas mulheres e quem são as mulheres
representadas por estas personagens?

Palavras-chave: Jornal do Commercio. Brasil Império. Folhetins. Literatura. Romance.


Personagens femininas.

3. Corpos desvalidos: moralidade honra e questões de gênero em processos


criminais de defloramento na Cidade de marabá-pa (1920-1970).
Naara Fernanda Da Silva Mendes; Letícia Souto Pantoja

RESUMO:
O presente trabalho tem como objetivo analisar a construção do discurso jurídico sobre o
gênero feminino através dos processos-crimes de defloramento encontrados no Centro de
Referência em História e Memória do Sul e Sudeste do Pará (CRHM/UNIFESSPA), no
período de 1930 a 1950, no município de Marabá. Considera-se que tais discursos,
mediante o disposto no Código Penal da república, de 1890, projetavam a imagem de
mulher ideal que carregava no seu corpo a sacralidade da virgindade, gestada pela
moralidade cristã, pelas pressões da instituição familiar e implicitamente, pela legislação
pátria. As contradições entre o texto da lei e sua aplicabilidade, sobretudo quando se
tratava de meninas das camadas populares interioranas, sobressaem no decorrer dos
inquéritos investigativos e processos; assim oscilando entre a definição da “honrada” e
da “sem desguardo moral”. Isto posto, problematizar a representação social do gênero
feminino nos processos de defloramento é buscar compreender como as representações
sociais interferiam na construção da verdade jurídica e nas formas como eram conduzidos
os desfechos dos processos crimes mediante as condutas morais religiosas sobrepostas às
mulheres.

Palavras-chaves:
Processos Judiciais. Defloramento. Moralidade. Honra. Gênero.

4. Imprensa negra no Brasil Regencial


Talles Raiony da Conceição Viana

Resumo:
O surgimento da imprensa no Brasil foi tardio em comparação com outros países da América
Latina. A instituição da palavra impressa no país se deu com a fundação da Gazeta do Rio de
Janeiro, em 1808, a fim de noticiar questões pertencentes exclusivamente à Coroa Portuguesa.
Até os embates pela independência da colônia, em meados de 1822, a imprensa brasileira viu-se
limitada pela censura. No período regencial, contudo, os periódicos com diferentes perspectivas
passaram a circular pelo país, refletindo o momento de agitação e reavivamento de valores
democrático-liberais. Nesse momento, surgiu a imprensa negra com o periódico O Homem de
Côr, a qual se traduzia em protesto, por meio da palavra escrita, pelos direitos de cidadania dos
homens negros. A fonte analisada na pesquisa é de natureza jornalística. Assim sendo, a principal
função social dos impressos desse tipo era a crítica social ao preconceito de cor que
impossibilitava o acesso desses homens a posições de destaque na sociedade. Percebe-se com isso
que mesmo em um período de escravidão vigente no país pessoas negras já reclamavam para si o
direito à cidadania plena.

Palavras Chave:
Imprensa. Censura. Relações Raciais. Cidadania. Discriminação racial.

5. A feminização da migração internacional e seus reflexos no Brasil: uma


análise interseccional das relações de gênero-raça-classe
Danielle Galdino Solouki

Resumo:
Este resumo trata da feminização das migrações internacionais e seus reflexos no contexto
nacional, numa perspectiva interseccional das relações de gênero, raça e classe (DAVIS,
1982; CRENSHAW, 2002; s/d). O referido tema é objeto de estudo do projeto de
doutorado da autora, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Política Social
(PPGPS/SER/UnB), que tem como foco a imigração de mulheres haitianas no Brasil e
sua inserção laboral. O tema das migrações vem sendo mais recentemente observado a
partir do fenômeno da feminização das migrações internacionais (MOROKVASIC,
1984; BOYD; GRIECO, 2003; SASSEN, 2003; REYSOO, 2004; PERES; BAENINGER,
2012). Do estoque mundial de migrantes e refugiados (258 milhões em 2017), quase a
metade (48,4%) é de mulheres (UN, 2017). Elas têm aumentado também na América
Latina (50,4%) e no Brasil (37,02%) (IOM, 2018; CAVALCANTI; OLIVEIRA;
MACEDO, 2018). Por muito tempo os estudos migratórios ocultaram as relações de
gênero. A mulher possuía um lugar marginal de acompanhante do marido imigrante
trabalhador, permanecendo associada aos seus papéis sociohistóricos de filha, esposa e
mãe. Esse ocultamento esconde a realidade de que as mulheres sempre migraram e que
também ocupam espaços laborais no processo de reestruturação da economia global, que
mudou profundamente a estrutura da divisão sexual internacional do trabalho, ampliando
seu papel econômico. Contudo, nessa relação entre migração internacional e globalização
do capital, as mulheres continuam limitadas a nichos de trabalho tipicamente femininos,
nos setores domésticos e de cuidados, além da indústria do sexo, marcados pela baixa
qualificação, precariedade das condições laborais, provisoriedade, e escassa proteção
social e legal. Ademais, elas continuam acumulando papéis reprodutivos (SASSEN,
2003; TORRADO, 2014; HIRATA, 2014; BRASIL; ARAÚJO, 2016; BERTOLDO,
2018). Sobre a mulher negra e as trabalhadoras brancas pobres permanece o peso das
duplas ou triplas jornadas de trabalho. Portanto, estudar a participação da mulher no
movimento migratório internacional é também analisar as relações de poder entre homens
e mulheres, no contexto nacional do sistema de dominação-exploração do patriarcado-
racismo-capitalismo (SAFFIOTI, 1976; 1987; 2004), buscando entender como elas se
manifestam na decisão familiar sobre quem migra; quem ocupa os melhores postos
profissionais na divisão sexual internacional do trabalho; de como se revelam essas
relações quando acrescentamos outras dimensões como raça e classe social. O estudo da
imigração feminina no Brasil, a partir do cruzamento analítico das categorias de relações
de gênero, raça e classe, pode ajudar a compreender as desigualdades e opressões que
vivem as imigrantes negras e pobres, originárias especialmente do Sul global.

Palavras-chave:
Feminização das Migrações Internacionais; Globalização do Capital; Divisão sexual
internacional do trabalho; Inserção laboral de imigrantes haitianas no Brasil;
Interseccionalidade das Relações de Gênero, Raça e Classe; Patriarcado-racismo-
capitalismo.

ST 13 - O PAPEL DOS INSTITUTOS FEDERAIS NA FORMAÇÃO


EM HUMANIDADES
Coordenadores: Tatiana de macedo Rotolo; Thiago de Faria e Silva; Ana Luiza
de França Sá

22/10 –14:30

1. História Moderna e Colonial: uma análise das referências de


pesquisadores atuantes no Brasil no século XXI
Ana Lígia Viana Adami

Resumo:
A apresentação visa mostrar, preliminarmente, um levantamento teórico-metodológico
dos artigos do Projeto de Pesquisa: “Pesquisas em História Moderna e Colonial: uma
análise de periódicos científicos (2001-2018)”, analisando as referências bibliográficas
indicadas pelos pesquisadores em seus artigos. Ou seja, buscamos identificar, ao longo
do século XXI, qual foi o autor ou autora que mais influenciou os pesquisadores de
História Moderna e Colonial. Por exemplo, saber se Foucault, Elias, Bourdieu ou Novais,
Freyre e Holanda, ainda figuram entre os referenciais dos pesquisadores; ou, por outro
lado, se novos modelos interpretativos já estão no panorama de análise dos pesquisadores.
Ademais, identificaremos se os autores e autoras que se tornaram objeto da nossa
pesquisa, citam mais livros, capítulos de livros, teses ou artigos. Ao mesmo tempo, dado
o cruzamento de dados que coletaremos nas referências bibliográficas com a Plataforma
Acádia, se há uma certa “herança” teórico- metodológica entre autores e orientadores.

Palavras-chave:
artigos; referências bibliográficas; pesquisadores; História Moderna e Colonial.

2. Produzir Histórias: uma proposta para o ensino de História no Ensino


Médio Integrado
Josias José Freire Júnior

Resumo:
A sala de aula é atualmente reconhecida como lugar privilegiado para a produção do
conhecimento histórico. Em sua origem voltadas ao projeto de constituição de uma
identidade nacional com a história oficial, as aulas de História ao longo das últimas
décadas deixaram de ser espaços de reprodução de um saber produzido em outro lugar, e
que deveria ser simplificado para ser ensinado na sala de aula, para serem entendidas
como local de produção de um conhecimento específico, que considera a experiência
escolar inserida em um contexto complexos de relações. Tais transformações estão tanto
associadas às próprias reorientações dos paradigmas da ciência da história, vivenciadas
nas últimas décadas, quanto aos esforços de compreender as particularidades da
experiência de se ensinar e aprender História em salas de aula. O conhecimento histórico
escolar compartilha aspectos com o conhecimento histórico acadêmico, mas não se reduz
a este e muito menos é sua simplificação. Esta comunicação parte deste cenário e tem
como objetivo apresentar algumas ideias acerca de uma proposta de trabalho que vem
sendo desenvolvidas nas aulas de História do ensino médio integrado à educação
profissional, proposta essa que associa os temas da tecnologia e dos processos produtivos
do curso técnico profissional ao ensino dessa disciplina. Parte-se da ideia de que a
formação para o trabalho, para o domínio de etapas específicas dos processos produtivos
e de determinados instrumentos tecnológicos deve ser pensada no contexto da formação
para a produção do conhecimento histórico escolar, não apenas como conteúdo - história
do trabalho, da produção eda tecnologia - mas também pela correspondência entre as
operações históricas de produção de conhecimento, tais como a coleta e a crítica das
fontes, a análise documental, e a síntese teórico-conceitual para a compreensão do
passado, com o trabalho como categoria ontológica, bem como seus desdobramentos na
produção e na tecnologia. Trata-se, pois, de se pensar e colocar em prática o trabalho, as
tecnologias e processos produtivos a ele associados como princípio educativo nas aulas
de História.

Palavras-chave:
Ensino de História; Teoria; Metodologia.

3. O portofólio na geografia: instrumento para a formação técnico-


profissional
Luan do Carmo da Silva

Resumo:
Este trabalho tem por objetivo fomentar o debate acerca da importância das práticas de
integração por parte dos professores de Humanidades, em especial os da área de
Geografia, em um campus cujo eixo tecnológico dos cursos ofertados é o de Turismo,
Hospitalidade e Lazer. Fez-se o recorte para experiências desenvolvidas no curso Técnico
de Cozinha Integrado ao Ensino Médio por se entender que a alimentação, enquanto uma
prática social, apresenta uma dimensão espacial que deve ser amplamente discutida. A
experiência posta em análise foi desenvolvida na aula do autor deste trabalho à luz do
entendimento de que o professor que pesquisa e analisa sua prática tende a ampliar as
possibilidades de construção de conhecimento as quais seus alunos têm acesso. O aporte
empírico é a elaboração de cardápios referenciados a partir das especificidades climáticas
presentes em diferentes lugares do Brasil e do mundo. A atividade possibilitou o
entendimento de que a integração amplia a compreensão dos discentes acerca da área de
formação técnica, uma vez que não se separa os “conhecimentos propedêuticos” dos
conhecimentos técnico-profissionais, assim como demonstrou a importância da área de
humanidades na compreensão das dinâmicas próprias do mundo do trabalho às quais os
futuros profissionais estarão submetidos ao adentrar ao mercado de trabalho.

Palavras-chave:
Geografia, educação profissional, integração, institutos federais.

4. Êxitos e desafios do ensino de Ciências Humanas em um curso técnico na


modalidade PROEJA: um relato de experiências
Caroline Soares Santos; Luiz Fernando R. Lopes

Resumo:
Muitas foram as tensões nos debates em torno da educação profissional no Brasil. Uma
das predominantes é aquela entre a função técnica e a, até um tempo atrás chamada,
função propedêutica, resultando em uma completa dissociação entre essas duas funções
em um período grande da nossa história. Uma reviravolta nessa tendência acontece
quando a correlação de forças permite a aprovação da Lei n.º 9394/96, que defende uma
educação unitária, omnilateral e politécnica. A partir daí, porém, muitos são os desafios
e as tentativas de superar essa dissociação entre trabalho manual e intelectual. Esta
comunicação versa sobre as experiências de ensino das Ciências Humanas vivenciadas
no curso Técnico em Reciclagem Integrado ao Ensino Médio para Jovens e Adultos na
Pedagogia da Alternância desenvolvido no Instituto Federal de Brasília – Campus
Estrutural. Após o fechamento do Lixão da Estrutural, os catadores e catadoras de
materiais recicláveis organizados em cooperativas da Cidade Estrutural passaram a
trabalhar em centros de triagem de resíduos provenientes da coleta seletiva. Como forma
de cumprir a missão de fortalecer o arranjo produtivo local, em 2018, foi iniciado no
referido campus do IFB o curso PROEJA - Técnico em Reciclagem, e esta empreitada
tem revelado uma série de desafios e apontado a necessidade do desenvolvimento de
pesquisas que promovam a aproximação a esse contexto e, como consequência, o
aperfeiçoamento do processo pedagógico, dinamizando as trocas de saberes. Nosso
objetivo na presente comunicação é compartilhar tanto os resultados do longo processo
de elaboração do Plano de Curso, tendo como referência a noção de politecnia, quanto
uma reflexão crítica a respeito dos primeiros resultados das estratégias de intervenção
docente, das transversalidades de conteúdo, das singularidades de abordagens de cada
área, da troca de saberes no espaço de integração e das expectativas de formação do
educando-trabalhador.

Palavras-chaves:
Educação profissional - Mundo do Trabalho - Pedagogia da Alternância

5. Saberes críticos: O potencial do ensino de humanidades na formação de


cozinheiros profissionais e gastrólogos
Giulianne Pimentel, Tatiana Rotolo e Thiago Feria e Silva

Resumo:
O presente trabalho tem como objetivo tratar da questão da formação crítica de
cozinheiros profissionais e gastrólogos no âmbito do curso Técnico em Cozinha
Subsequente e do Tecnólogo em Gastronomia Instituto Federal de Brasília - Campus
Riacho Fundo. Para tal, fazemos o seguinte percurso: iniciaremos com um breve
panorama sobre a questão do trabalho na cozinha no contexto brasileiro; em seguida,
abordaremos a questão potencial crítico do ensino de ciências humana na formação
profissional do cozinheiro e, em seguida, traremos um breve relato de nossa experiência
na disciplina "História e Cultura da Alimentação", que compõe a matriz curricular dos
cursos suporacitados. Destacamos que a proposta da disciplina foi baseada em dois
grandes eixos pedagógicos: a noção de que uma educação técnica não precisa ser uma
educação alijada da formação cidadã. Ao contrário, tal formação pode e deve ser também
crítica e reflexiva, uma vez que trabalhadores, seja na área da cozinha ou em qualquer
área, são também seres humanos capazes de propor e questionar seu ambiente de trabalho,
suas práticas laborais e a sociedade que o rodeia. A segunda, centrada no fato de se
entender a gastronomia num sentido mais amplo: como parte de um processo histórico e
social complexo em que o alimento, é, para além de alimento, representação cultural,
ético e político. Partindo desses dois aspectos conjugados foi possível a construção do
curso que, em sua última versão apresentou os seguintes temas para serem abordados em
sala em aula: O lugar dos conceitos: Gastronomia, Cultura Alimentar e Culinária; A
invenção da culinária brasileira; Os cânones da gastronomia europeia; Leituras e cozinhas
decoloniais; Gastronomia, sociedade do espetáculo e trabalho; Cultura do Consumo;
Bebidas, lutas sociais e embates culturais na História do Brasil: o caso do café; e Bebidas,
lutas sociais e embates culturais na História do Brasil: o caso das bebidas alcoólicas.
Nosso principal desafio, enfrentado ainda no momento do planejamento da disciplina foi
desenvolver uma disciplina a partir de três pontos de partida principais: 1) A busca por
um curso que escapasse da narrativa acerca da história dos grandes homens - os chefs - e
seus grandes feitos; 2) A busca por um curso que provocasse o aluno a se inquietar e a
sair de sua zona de conforto em relação ao âmbito meramente técnico de sua formação; e
3) A busca por um curso que fosse capaz de transformar e desnaturalizar o olhar do aluno
sobre os sentidos do ato de comer e de cozinhar, fornecendo recursos para a compreensão
das complexas tensões culturais, históricas e políticas envoltas na nessas práticas
cotidianas (FARIA E SILVA; ROTOLO; PIMENTEL, 2017, p. 137).
Palavras-chave:
Trabalho, Cozinha Profissional, Formação Crítica, Ensino de Humanidades; Ensino
Profissional.

23/10- 14:30

1. Militarização das escolas públicas do DF: uma análise dos discursos sobre
o medo
Mariana Teixeira dos Santos

Resumo:
A pesquisa em curso realiza um trabalho sobre o intitulado projeto piloto Escola de
Gestão Compartilhada, que preconiza a transformação de quatro escolas públicas em
Colégios da Polícia Militar do Distrito Federal. A prerrogativa inicial que norteia a
pesquisa é compreender quais fatores legitimam a implementação da Gestão
Compartilhada. Em seguida identificar se a violência é um fator relevante na escolha do
projeto; e investigar quais são os medos da comunidade escolar. A investigação consiste
em um estudo de caso, da escola Colégio da Polícia Militar do Distrito Federal CED 308
do Recanto das Emas, tendo como objetivo analisar os discursos acerca da militarização
da escola, dos distintos seguimentos (alunos, professores, servidores, pais, policiais).
Especificamente fazer um comparativo entre os discursos favoráveis e contrários,
buscando saber se a violência aparece como uma categoria recorrente. Assim como os
fatores considerados para escolha das unidades a serem militarizadas, explorar e conhecer
a realidade das instituições, identificar estratégias interventivas, que sejam eficazes na
melhoria dos índices educacionais das escolas públicas. O estudo possui aspecto misto,
com características qualitativas e quantitativas. A pesquisa foi trabalhada sobre dois
enfoques, duas etapas, inicialmente a revisão bibliografia e posteriormente o trabalho de
campo com observação, aplicação de questionários e entrevistas. A pesquisa apresenta
características exploratórias. O referencial teórico foi construído com a revisão de estudos
que abordam a violência no ambiente escolar e militarização das escolas públicas no
período compreendido entre 2010 a 2019, definindo-se os termos: violência, medo,
disciplina, Gestão Compartilhada, segurança, Escola Militarizada, Escola Pública,
discurso como critérios de busca nos periódicos de distintas áreas de conhecimento das
ciências humanas. Outras bibliografias como literaturas, legislações e pesquisas também
foram utilizadas para composição do quadro teórico. Devido a natureza do estudo e as
demandas do objeto pesquisado, recorreu-se aos conceito dos teóricos Pierre Bourdieu e
violência simbólica, Michel Foucault na concepção de 2 disciplina e análise do discurso,
e na percepção mais moderna com o olhar do Slavoj Zizek acerca do conceito de
violência. Na geração do mal-estar advindo da violência, na visão de Christian I. L.
Dunker e a concepção de Max Weber quanto o monopólio legítimo da violência, para
encabeçar o debate. O estudo se justifica pela necessidade de construir um horizonte
semântico para as discussões acerca da gestão compartilhada, as possibilidades de
avanços e a participação estatal através da formulação de novas leis, políticas públicas e
sociais que possam assegurar os direitos da comunidade escolar.

Palavras-chave:
violência, medo, disciplina, Gestão Compartilhada, segurança, escola militarizada, escola
pública, discurso.
2. Educação Formal e sua relação com a ressocialização de jovens em conflito
com a lei na semiliberdade de Taguatinga
Vítor Emílio Barros de Brito

Resumo:
A pesquisa investiga como a educação formal favorece a ressocialização de jovens em
conflito com a lei na Unidade Semiliberdade de Taguatinga-UST onde se vinculam
jovens, maiores de 18 anos, que foram sentenciados ainda como menores para cumprirem
medida de Semiliberdade pela Vara da Infância do DF – VIJ-DF. A UST é uma Unidade
orgânica da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal e comporta em suas
dependências 24 adolescentes que passam a semana na Unidade saindo para atividades
como: escola, trabalho, consulta médica, sempre autorizados e monitorados por
servidores. A medida de Semiliberdade é uma das sete medidas socioeducativas prevista
pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA se concentrando no fato que devemos
quebrar o ciclo delituoso destes jovens e que para isso é necessário uma intervenção de
caráter psicopedagógico que modifique as atitudes deste adolescente. A socioeducação é
a ferramenta colocada pelo ECA como a responsável por fomentar esta mudança no
adolescente apesar de se constatar uma lacuna sobre a sua concepção e significado. No
estudo utilizaremos o banco de dados da Unidade para selecionar jovens que cumpriram
pelo menos 6 meses de medida, tiveram relatório avaliativo positivo encaminhado para a
VIJ-DF, foram liberados e verificaremos se continuaram seus estudos longe de uma
trajetória conflituosa com a sociedade. Com o auxilio de um questionário semiestruturado
serão colhidos dados e opiniões dos socioeducandos sobre a importância da educação na
medida de semiliberdade e na sua vida. A importância desta pesquisa consiste no fato de
não haver no Distrito Federal programa de acompanhamento de egresso do Sistema
Socioeducativo como preconizado pelo ECA. Isto dificulta a avaliação da política pública
socioeducativa e eficácia da educação formal no processo de transformação da conduta
delituosa dos socioeducandos em uma atitude confluente com desejo da sociedade.

Palavras-chave:
Medida socioeducativa, Socioeducação, escola

3. Adaptação e readaptação dos alunos que passaram pela experiência de


emigrar/imigrar
Alexandre Bruno Barzani Santos; Eunice Maria Pinheiro
Resumo:
Rondônia, estado localizado na Amazônia Meridional, possui sua história oficial contada
através dos fluxos migratórios que se descolaram até essa região, fruto de uma política
incentivadora e colonizadora que potencializaram sua ocupação como o “El Dourado
Amazônico”. Já estabilizado esse processo de migração - fruto de uma conjuntura
nacional que pretendia “dar terras sem homens aos homens sem terra” - iniciou-se outro
processo, o de emigração. A esse assunto os órgãos governamentais possuem rico acervo
bibliográfico, tratando de números e expectativas, porém faltam informações no que diz
respeito aos jovens que emigram para um país estrangeiro (adaptando-se à língua local)
e retornam ao Brasil tendo de reaprender a língua natal e enfrentar as dificuldades da
língua de sua pátria. Esse é justamente o caso do IFRO – campus Ji-Paraná, com seus
alunos que possuem entre 14 e 17 anos, e apresentam dificuldades na readaptação
linguística. A fim de trazer luz a esse tema (dificuldades de aprendizagem), e baseando-
se na tese de Nóbrega (2016) sobre o contexto emigratório e o retorno dos emigrados
rondonienses, foram elaborados questionários semiabertos, adotando perguntas objetivas
e abrindo espaços para declarações subjetivas (não contempladas no questionário em
questão), com a metodologia quali-quantitativa, objetivando para com as informações
fornecidas pelos alunos o posterior desenvolvimento de práticas de ensino que visem
diretamente à diminuição das dificuldades de aprendizagem desenvolvidas durante a
readaptação escolar.

Palavras-chave:
Migrações. Escola. Educação. Identidade.

4. O papel da mulher na obra Senhora de José de Alencar através de análise


no livro e filme
Elen Carolina Carvalho da Silva

Resumo:
Faz-se necessário ver o papel da mulher através da obra literária Senhora porque ela é um
clássico do Romantismo brasileiro e tem como principal enfoque a mulher tanto que na
primeira publicação do livro, a capa tinha como título “perfil de mulher”. Destaco ainda
que de acordo com pesquisas realizadas em portais eletrônicos como o guia do estudante
e estante virtual e é umas das obras mais solicitadas pelos vestibulares do Brasil dentre
eles: o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo e Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST). Portanto, vemos que é
essencial que o professor trabalhe a literatura em sala de aula porque é ele o mediador
que ao levar o texto literário para o ambiente escolar deve pensar em como o seu aluno
vai aprender com o que está sendo proposto. Isso é de extrema responsabilidade e
necessidade de ser pensado e discutido. Será feita a análise da obra literária Senhora por
meio de trechos do livro em que podemos ver a visão do autor José de Alencar sobre a
personagem principal Aurélia. Desse modo, será analisado e comparado com teóricos que
abordam as questões de gênero. A metodologia está sendo desenvolvida através de
pesquisa bibliográfica que está acontecendo através de leitura de textos de autores que
falam sobre literatura, gênero e cinema. Os teóricos da pesquisa são Thais Flores(2005),
Antônio Cândido (2007) e Guacira Lopes Louro (1995). A metodologia utilizada na
pesquisa será qualitativa interpretativa, por considerar que a teoria e prática no processo
de ensino e aprendizagem de literatura são essenciais para qualidade do ensino. Os
instrumentos utilizados na pesquisa serão um questionário que será aplicado aos alunos e
também um grupo focal para verificar a compreensão dos alunos sobre o papel da mulher
no livro e filme. A pesquisa de campo está acontecendo no Instituto Federal de Brasília
(IFB) campus Riacho Fundo com os estudantes do 2º ano do Ensino Médio. Será
solicitado aos alunos a leitura do livro e depois será passado para eles um questionário
com perguntas sobre a personagem Aurélia com o objetivo de verificar se eles entenderam
como mulher era vista na sociedade da época. Após será feita a análise das repostas dos
alunos.

Palavra-chave:
Literatura. Mulher. Obra Literária. Adaptação Cinematográfica

5. Ensino de línguas e humanidades com linguagens outras: implementação


de jogos teatrais na educação básica
Newton Vieira Lima Neto

Resumo:
A presente comunicação objetiva apresentar o desenvolvimento de um projeto-piloto de
ensino de língua inglesa realizado no contexto do Ensino Médio Integrado a cursos
técnicos do Instituto Federal de Brasília, Campus Riacho Fundo. Nessa perspectiva, o
modelo de sala de aula tradicional dá lugar a uma oficina de teatro em língua inglesa, cujo
foco recai substancialmente sobre o aprendiz, sua relação como corpo e com o outro, o
despertar da voz e de diversas lingua(gens). Por meio de jogos teatrais propostos por Viola
Spolin (1986; 1989; 1999), o modelo inova ao não ser mero recurso, mas a base de uma
proposta de ensino em língua estrangeira na escola pública. À sua viabilização têm sido
igualmente essenciais as contribuições do método do Teatro do Oprimido, de Augusto
Boal (1998; 2005) e a construção de uma abordagem que contemple diversas das técnicas
disponíveis com o boom das metodologias para o ensino de línguas estrangeiras
desenvolvidas no século XX, que nesse contexto vão do Total Physical Response, de
James Asher (1969) ao Dogme, proposto pelo linguista Scott Thornbury (2009; 2013).
Apresentamos aqui escopo teórico e justificativa pela adoção de um modelo ativo de
prática de ensino, além do protocolo das aulas, algumas propostas de avaliação e os
resultados em curso, obtidos pelas perspectivas dos sujeitos envolvidos. Nesta proposta,
as já conhecidas reclamações de perfis demasiadamente heterogêneos, salas cheias e
desniveladas se solucionam à medida em que se permite o despertar de potencialidades e
o respeito às limitações de cada aprendiz. A língua inglesa é apresentada como meio, e
não como fim. Assim, os participantes serão convidados a visitar os percursos de um
programa de ensino de língua inglesa desenvolvido desde 2017 e ainda em teste.

Palavras-chave:
Jogos teatrais. Jogos colaborativos. Metodologias Ativas.

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