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SÉRIE ELETROELETRÔNICA

ELETRICIDADE
GERAL
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA � CNI

Robson Braga de Andrade 


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Rafael Esmeraldo Lucch


Lucchesi
esi Ramacciotti 
Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL � SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade 


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucch


Lucchesi
esi Ramacciotti 
Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho 


Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres 


Diretora Associada de Educação Profissional
SÉRIE ELETROELETRÔNICA

ELETRICIDADE
GERAL
©2013. SENAI Departamento Nacional

©2013. SENAI Departamento Regional de São Paulo

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Paulo,, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os
Paulo
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SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional de São Paulo


Gerência de Educação – Núcleo de Educação a Distância

FICHA CATALOGRÁFICA 

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.


Eletricidade Geral / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizage
Aprendizagem
m Industrial.
Departamento Regional
Regional de São Paulo. Brasília: SENAI/DN, 2013.
272 p. il. (Série Eletroeletr
Eletroeletrônica).
ônica).

ISBN 978-85-7519-
978-85-7519-760-8
760-8

1. Eletricidade 2. Te
Tensão
nsão Elétrica 3. Corrente Elétrica 4. Resistência
Elétrica 5. Potência Elétrica C.C. 6. Lei de Ohm 7. 8. Potência Elétrica C.A. 9.
Lei de Kirchhoff I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional
Regional de São Paulo II. Título III. Série

CDU: 005.95

SENAI Sede
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Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de figuras, quadros e tabelas
Figura 1 - Quadro de organização curricular do curso de Qualificação
profissional de Eletricista Industrial ........................................................................................................17
Figura 2 - Molécula de água ..........................................................................................................................................23
Figura 3 - Átomo de oxigênio .......................................................................................................................................24
Figura 4 - Núcleo e nuvem onde estão os elétrons do átomo
átomo de hidrogênio........................
............................................25
....................25
Figura 5 - Maneiras de representar os níveis de eletrônicos de energia ........................................... ............26
Figura 6 - Representação esquemática do comportamento do elétron livre .....................
.............................................
........................27
27
Figura 7 - Efeito de atração e efeito de repulsão de corpos eletrizados ........................
................................................
................................30
........30
Figura 8 - Eletrização por atrito ....................................................................................................................................31
Figura 9 - Interior de uma pilha
pilha .......................
...............................................
................................................
................................................
................................................
....................................35
............35
Figura 10 - Interior da pilha e identificação dos seus polos ...............................................................................35
Figura 11 - Mostrador do voltímetro analógico .....................................................................................................39
Figura 12 - Composição do multímetro digital ......................................................................................................40
Figura 13 - Posição dos cabos durante a medição ................................................................................................41
Figura 14 - Efeito da temperatura sobre o par termoelétrico........................
................................................
................................................
............................42
....42
Figura 15 - Representação do princípio de funcionamento de uma célula fotovoltaica ........................
........................43
43
Figura 16 - Cristais piezoelétricos gerando tensão elétrica ...............................................................................43
Figura 17 - Representação do funcionamento de um gerador ........................................................................44
Figura 18 - Usina hidrelétrica ........................................................................................................................................45
Figura 19 - Representação de elétrons dentro do metal do condutor em um circuito aberto .............50
Figura 20 - Comportamento dos elétrons dentro do condutor sob
ação do campo elétrico (interruptor) ..................................................................................................51
Figura 21 - Amperímetro analógico ............................................................................................................................55
Figura 22 - Multímetro na escala de ampere ...........................................................................................................56
Figura 23 - Exemplo da medição de corrente ........................
................................................
................................................
................................................
................................57
........57
Figura 24 - Baixa resistência à passagem da corrente elétrica ......................
..............................................
................................................
............................62
....62
Figura 25 - Alta resistência à passagem da corrente elétrica.............................................................................62
Figura 26 - Ohmímetro digital ......................................................................................................................................65
Figura 27 - Aparelho preparado para medição ......................................................................................................66
Figura 28 - Medição com multímetro ........................................................................................................................67
Figura 29 - Ilustração de uma resistência .................................................................................................................73
Figura 30 - Associação em série de resistências .....................................................................................................74
Figura 31 - Associação em paralelo de resistências ..............................................................................................74
Figura 32 - Associação mista de resistências ...........................................................................................................75
Figura 33 - Associação série e resistência equivalente (Req) .....................
.............................................
................................................
................................76
........76
Figura 34 - Circuito paralelo e seu equivalente ......................................................................................................77
Figura 35 - Associação em paralelo com duas resistências ................................................................................80
Figura 36 - Associação mista de resistores ...............................................................................................................81
Figura 37 - Associação mista (fase 2) ..........................................................................................................................81
Figura 38 - Associação mista (fase 3) ..........................................................................................................................82
Figura 39 - Resistor fixo ...................................................................................................................................................86
Figura 40 - Ilustração de resistores de potência diferentes................................................................................88
Figura 41 - Resistor fixo (a) e seus símbolos (b) ......................................................................................................89
Figura 42 - Resistores de fio ...........................................................................................................................................92
Figura 43 - Leitura do código de cores para resistores com três ou quatro faixas .....................................93
Figura 44 - Leitura do código de cores para resistores com cinco ou seis faixas......................... ...............94
Figura 45 - Triângulo que relaciona as grandezas da 1ª Lei de Ohm ....................................... .................... 103
Figura 46 - Distribuição das correntes em um circuito em paralelo ............................................................105
Figura 47 - Características do circuito com resistores ligados em paralelo ............................................... 106
Figura 48 - Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros .............................................................107
Figura 49 - Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros .............................................................108
Figura 50 - Circuito em paralelo com nós identificados ...................................................................................108
Figura 51 - Circuito com todos os valores..............................................................................................................109
Figura 52 - Circuito em paralelo com valores calculados.................................................................................110
Figura 53 - Circuito com resistores em série .........................................................................................................111
Figura 54 - Circuito equivalente ao da figura anterior ..................................................................................... 112
Figura 55 - Tensões no circuito em série ................................................................................................................113
Figura 56 - Circuito misto ............................................................................................................................................116
Figura 57 - Circuito misto atualizado com o novo valor ...................................................................................117
Figura 58 - Circuito equivalente final ......................................................................................................................117
Figura 59 - Circuito parcial ..........................................................................................................................................118
Figura 60 - Circuito com valores de corrente e tensão .....................................................................................119
Figura 61 - Circuito com três resistores ................................................................................................................. 120
Figura 62 - Circuito misto com os valores calculados .......................................................................................121
Figura 63 - Quem está realizando mais trabalho? ..............................................................................................126
Figura 64 - Lâmpadas produzem quantidades diferentes de luz .................................................................127
Figura 65 - Lâmpadas com a mesma potência e tensões diferentes.......................................................... 135
Figura 66 - Bateria elementar e diagrama elétrico .............................................................................................136
Figura 67 - Magnetita ....................................................................................................................................................145
Figura 68 - Ímã artificial ................................................................................................................................................145
Figura 69 - Polos dos ímãs ...........................................................................................................................................146
Figura 70 - Representação da interação entre os ímãs .....................................................................................147
Figura 71 - Representação da interação entre os ímãs .....................................................................................147
Figura 72 - Linhas de indução magnética..............................................................................................................148
Figura 73 - Representação esquemática da densidade do fluxo ..................................................................149
Figura 74 - Campo magnético B em condutor sendo percorrido por corrente elétrica ...................... 150
Figura 75 - Regra da mão direita ...............................................................................................................................151
Figura 76 - Símbolos de bobinas ..............................................................................................................................151
Figura 77 - Representação da soma dos efeitos magnéticos em uma bobina ........................................152
Figura 78 - Símbolo de um indutor ..........................................................................................................................152
Figura 79 - Comprovação da Lei de Faraday (circuito com condutor
sem fonte de alimentação) ...................................................................................................................153
Figura 80 - Comprovação da Lei de Faraday (circuito com condutor
sem fonte de alimentação) ..................................................................................................................155
Figura 81 - Circuitos de corrente contínua ............................................................................................................160
Figura 82 - Forma de onda do gerador AC e sua representação simbólica...............................................160
Figura 83 - Sentido da corrente em um circuito com gerador em tensão alternada ............................161
Figura 84 - Tensão de pico ...........................................................................................................................................164
Figura 85 - Medidas de pico a pico aplicam-se à corrente alternada senoidal ........................................165
Figura 86 - Potência elétrica na carga com um gerador em tensão contínua.......................................... 165
Figura 87 - Potência na carga com gerador em tensão alterada................................................................... 166
Figura 88 - Ilustração mecânica de um capacitor ...............................................................................................172
Figura 89 - Representações simbólicas de capacitores polarizados e não polarizados.......................173
Figura 90 - Capacitor em repouso e no estado de carga .................................................................................174
Figura 91 - Carga e descarga do capacitor ............................................................................................................175
Figura 92 - Associação de capacitores em paralelo e a fórmula de Ct ........................................................179
Figura 93 - Circuito com capacitores em série com objetivo de aumentar
a tensão de trabalho do capacitor individual ................................................................................182
Figura 94 - Capacitor conectado em CA ................................................................................................................184
Figura 95 - Indutores para aplicações diversas ................................................................................................... 190
Figura 96 - Os diversos símbolos de indutores ....................................................................................................191
Figura 97 - Representação das polaridades em indutores ............................................................................. 191
Figura 98 - Geração de indutância ...........................................................................................................................192
Figura 99 - Comportamento da corrente em um circuito CC ........................................................................ 193
Figura 100 - Defasagem da tensão e corrente provocado por um indutor...............................................194
Figura 101 - Associação em série de indutores ...................................................................................................196
Figura 102 - Triângulo das potências ......................................................................................................................207
Figura 103 - Triângulo das potências ......................................................................................................................209
Figura 104 - Potência em circuito indutivo ...........................................................................................................211
Figura 105 - Potência em circuito capacitivo........................................................................................................211
Figura 106 - Potência em circuito indutivo e capacitivo ..................................................................................211
Figura 107 - Fios utilizados em eletricidade .........................................................................................................217
Figura 108 - Alguns materiais utilizadas em sinalização de segurança ......................................................219
Figura 109 - Sinalização de isolamento de área ..................................................................................................220
Figura 110 - Sinalização de segurança fixada no poste ....................................................................................221
Figura 111 - Sinalização de segurança para delimitação de área .................................................................221
Figura 112 - Alguns símbolos universalmente conhecidos ............................................................................222
Figura 113 - Representação dos tipos de riscos. ................................................................................................ 227
Figura 114 - Simbologia das cores em um Mapa de Risco ..............................................................................227
Figura 115 - Exemplo de um Mapa de Risco.........................................................................................................228
Figura 116 - Alguns símbolos utilizado em rota de fuga .................................................................................228
Figura 117 - Ilustração de um ambiente com indicadores de rota de fuga ..............................................229
Figura 118 - Equipamentos recomendados para proteção da cabeça .......................................................239
Figura 119 - Tipos de óculos indicados para proteção dos olhos .................................................................240
Figura 120 - Proteção auditiva ...................................................................................................................................240
Figura 121 - Equipamentos para proteção respiratória ....................................................................................240
Figura 122 - Equipamentos de proteção corporal ..............................................................................................241
Figura 123 - Colete de sinalização ............................................................................................................................242
Figura 124 - Equipamentos para proteção dos membros superiores .........................................................244
Figura 125 - Calçados de segurança, que protegem os membros inferiores ...........................................245
Figura 126 - Equipamentos para proteção contra quedas com diferença de nível ...............................246
Figura 127 - Cone e fita de sinalização ...................................................................................................................247
Figura 128 - Grade metálica, utilizada para interditar ou delimitar áreas .................................................. 248
Figura 129 - Lençol isolante contra energia elétrica ..........................................................................................248
Figura 130 - Conjuntos de aterramento temporário .........................................................................................249
Figura 131 - Varas de manobra ................................................................................................................................. 249
Figura 132 - Dispositivos de bloqueio de chaves ...............................................................................................250
Figura 133 - Ilustração das diversas etapas do estágio da geração de energia
elétrica até o consumidor ...................................................................................................................254
Figura 134 - Ilustração de um sistema de distribuição .....................................................................................256
Figura 135 - Ilustração de um sistema de fornecimento de energia monofásico ................................... 257
Figura 136 - Sistema bifásico a três fios ..................................................................................................................257
Figura 137 - Sistema trifásico a três fios em triângulo ou estrela ..................................................................258
Figura 138 - Sistema trifásico a quatro fios em triângulo ou estrela com neutro ...................................258
Figura 139 - Sistema de distribuição de tensões em BT da concessionária Eletropaulo ...................... 259
Quadro 1 - Material A com carga elétrica positiva ................................................................................................32
Quadro 2 - Representação da polarização, aterramento e desaterramento ................................................33
Quadro 3 - Fatores multiplicadores da unidade de medida ohm....................................................................63
Quadro 4 - Comportamento da resistência do condutor em função das diversas variações ................68
Quadro 5 - Regras de arredondamento ....................................................................................................................79
Quadro 6 - Símbolos e letras usados em circuitos elétricos............................................................................100
Quadro 7 - Experiência 1 – Primeira Lei de Ohm ................................................................................................101
Quadro 8 - Experiência 2 – Primeira Lei de Ohm ................................................................................................101
Quadro 9 - Experiência 3 – Primeira Lei de Ohm ................................................................................................101
Quadro 10 - Fórmula da 1ª Lei de Ohm e suas derivadas ...............................................................................103
Quadro 11 - Solução do exemplo 1 sobre a 1ª Lei de Ohm.............................................................103
Quadro 12 - Solução do exemplo 2, aplicando-se a 1ª Lei de Ohm .............................................................104
Quadro 13 - Solução do exemplo 3, aplicando-se a 1ª Lei de Ohm .............................................................104
Quadro 14 - Fórmula da potência e suas derivadas ...........................................................................................130
Quadro 15 - Exemplo de uso de fórmula da potência ......................................................................................131
Quadro 16 - Dedução da fórmula da potência associada à corrente e à resistência .............................132
Quadro 17 - Dedução da fórmula da potência associada à tensão e à resistência ................................132
Quadro 18 - Resumo das fórmulas da 1ª Lei de Ohm, potência e combinações.....................................132
Quadro 19 - Exemplo do uso de fórmula da 1ª Lei de Ohm ...........................................................................133
Quadro 20 - Exemplo do uso de fórmula da 1ª Lei de Ohm ...........................................................................133
Quadro 21 - Tensão nos terminais da bateria com e sem carga .................................................................... 137
Quadro 22 - Cálculo do exercício de rendimento ...............................................................................................138
Quadro 23 - Fórmula da dissipação de potência na resistência interna do gerador e da carga ....... 139
Quadro 24 - Características dos capacitores e sua utilização .........................................................................173
Quadro 25 - Associação série de capacitores e suas fórmulas .......................................................................181
Quadro 26 - Fórmulas de associação de indutores em paralelo ...................................................................198
Quadro 27 - Alguns símbolos de advertência ......................................................................................................223
Quadro 28 - Tipos de alicate e utilizações .............................................................................................................234
Quadro 29 - Tipos de escada e aplicações .............................................................................................................236
 Tabela 1 - Prefixos do SI...................................................................................................................................................36
 Tabela 2 - Unidade de medida de tensão e seus fatores multiplicadores ....................................................37
 Tabela 3 - Tabela de conversão .....................................................................................................................................38
 Tabela 4 - Conversão com valor a converter............................................................................................................38
 Tabela 5 - Valor convertido ............................................................................................................................................39
 Tabela 6 - Símbolos e fatores multiplicadores do ampere .................................................................................53
 Tabela 7 - Conversão de Ampere para uAmpere ...................................................................................................54
 Tabela 8 - Conversão de Ampere para uAmpere com deslocamento da vírgula.......................................54
 Tabela 9 - Conversão de Ampere para uAmpere convertido ............................................................................55
 Tabela 10 - Conversão de resistência de MΩ para uΩ ..........................................................................................63
 Tabela 11 - Conversão de resistência de mΩ para uΩ, posicionando a vírgula ..........................................64
 Tabela 12 - Valor convertido da resistência..............................................................................................................64
 Tabela 13 - Resistividade de materiais a 20 ºC ........................................................................................................71
 Tabela 14 - Coeficiente de temperatura de materiais ..........................................................................................72
 Tabela 15 - Valores reais de resistência nominal conforme a tolerância .......................................................87
 Tabela 16 - Características e aplicações dos resistores fixos ..............................................................................91
 Tabela 17 - Valores do primeiro, do segundo e do terceiro circuitos........................................................... 102
 Tabela 18 - Unidade de medida de potência elétrica........................................................................................ 128
 Tabela 19 - Gabarito de conversão de valores de potência ............................................................................ 129
 Tabela 20 - Múltiplos e submúltiplos de hertz ..................................................................................................... 162
 Tabela 21 - Gabarito de conversão de valores de frequência......................................................................... 162
 Tabela 22 - Unidade de medida de capacitância e seus submúltiplos ....................................................... 176
 Tabela 23 - Gabarito de conversão de valores de capacitância..................................................................... 176
 Tabela 24 - Unidade de medida de indutância e seus submúltiplos ........................................................... 195
 Tabela 25 - Gabarito de conversão de valores de medida de indutância .................................................. 195
 Tabela 26 - Cores utilizadas em comandos elétricos .........................................................................................218
 Tabela 27 - Emprego de cores para identificação de tubulações .................................................................218
 Tabela 28 - Classe de isolação das luvas de borracha ....................................................................................... 243
Sumário

1 Introdução ........................................................................................................................................................................17

2 Fundamentos da eletricidade ...................................................................................................................................21

2.1 Matéria e sua composição .......................................................................................................................22


2.1.1 A molécula e o átomo .............................................................................................................23
2.1.2 Materiais condutores e materiais isolantes .....................................................................27
2.2 Fundamentos da eletrostática ...............................................................................................................30
2.2.1 Eletrização por atrito................................................................................................................31
2.2.2 Eletrização por contato ...........................................................................................................32
2.2.3 Eletrização por indução ..........................................................................................................32
2.3 Tensão elétrica..............................................................................................................................................34
2.3.1 Como criar o desequilíbrio elétrico ............................................................................34
2.3.2 Múltiplos e submúltiplos das unidades do SI .................................................................36
2.3.3 Unidade de medida da tensão elétrica .............................................................................37
2.3.4 Conversão da unidade de medida de tensão .................................................................38
2.3.5 Instrumento de medição de tensão elétrica ...................................................................39
2.4 Fontes de energia elétrica........................................................................................................................41
2.4.1 Geração de energia elétrica por ação térmica................................................................42
2.4.2 Geração de energia elétrica por ação da luz ...................................................................42
2.4.3 Geração de energia por ação mecânica ...........................................................................43
2.4.4 Geração de energia por ação magnética .........................................................................44
2.4.5 Usinas geradoras de eletricidade ........................................................................................45

3 Corrente Elétrica .............................................................................................................................................................49

3.1 O que é corrente elétrica .........................................................................................................................50


3.2 Sentido da corrente elétrica ....................................................................................................................51
3.3 Intensidade de corrente ...........................................................................................................................52
3.4 Unidade de medida de corrente ...........................................................................................................53
3.5 Instrumento de medição de intensidade da corrente...................................................................55

4 Resistência Elétrica ........................................................................................................................................................61

4.1 Conceito de resistência elétrica .............................................................................................................62


4.1.1 Unidade de medida de resistência elétrica .....................................................................63
4.2 Instrumento de medida de resistência ...............................................................................................65
4.3 Segunda Lei de Ohm ......................................................................................................67 
4.3.1 Resistividade elétrica do material .......................................................................................70
4.3.2 Influência da temperatura sobre a resistência................................................................71
4.4 Associação de resistências .......................................................................................................................73
4.5 Resistência equivalente (ou resistência total) .................................................................................75

5 Resistores ..........................................................................................................................................................................85

5.1 Conceito de resistor ...................................................................................................................................86


5.2 Características elétricas dos resistores fixos ......................................................................................86
5.3 Simbologia dos resistores ........................................................................................................................89
5.4 Tipos de resistores ......................................................................................................................................90
5.5 Especificação de resistores ......................................................................................................................92
5.6 Código de cores para resistores fixos .................................................................................................93

6 Leis de Ohm e Leis de Kirchhoff .................................................................................................................................99

6.1 Introdução à Primeira Lei de Ohm  .....................................................................................................100


6.1.1 Determinação experimental da Lei de Ohm  ................................................................101
6.1.2 Aplicação da Primeira Lei de Ohm  ...................................................................................102
6.2 Leis de Kirchhoff   ........................................................................................................................................105
6.2.1 Preparando para a comprovação da Primeira Lei de Kirchhoff ..............................105
6.2.2 Segunda Lei de Kirchhoff   .....................................................................................................111

7 Potência Elétrica em CC ............................................................................................................................................125

7.1 Trabalho elétrico .......................................................................................................................................126


7.2 Potência elétrica .......................................................................................................................................127
7.2.1 Unidade de medida de potência elétrica ......................................................................128
7.3 Determinação da potência de um consumidor em CC ..............................................................130
7.4 Potência nominal .....................................................................................................................................134
7.5 Fonte de alimentação de CC ................................................................................................................136
7.5.1 Influência da resistência interna na tensão de saída do gerador .........................137
7.5.2 Rendimento do gerador ......................................................................................................138
7.5.3 Máxima transferência de potência .................................................................................139

8 Magnetismo e Eletromagnetismo ........................................................................................................................143

8.1 Conceito de magnetismo......................................................................................................................144


8.1.1 Ímãs .............................................................................................................................................144
8.1.2 Polos magnéticos de um ímã ............................................................................................146
8.1.3 Interação entre os ímãs ........................................................................................................147
8.1.4 Campo magnético – linha de forças ...............................................................................148
8.1.5 Densidade de fluxo da indução magnética ..................................................................149
8.2 Eletromagnetismo ...................................................................................................................................150
8.2.1 Campo magnético em um condutor ..............................................................................150
8.2.2 Campo magnético em uma bobina ................................................................................151
8.2.3 Lei de Faraday ..........................................................................................................................153
8.2.4 Lei de Lenz ................................................................................................................................155
ELETRICIDADE GERAL
34

2.3 TENSÃO ELÉTRICA

Quando comparamos o trabalho realizado por dois corpos eletrizados, auto-


maticamente estamos comparando os seus potenciais elétricos. A diferença en-
tre os trabalhos realizados pelos dois corpos expressa diretamente a diferença de
potencial elétrico entre eles. Essa diferença está presente entre corpos eletrizados
com cargas distintas ou com o mesmo tipo de carga.

O mesmo acontece com o movimento das cargas elétricas dentro dos corpos
eletrizados. Para que sempre haja o movimento dessas cargas, é necessário que
dois corpos tenham sempre quantidades diferentes de elétrons, ou seja, cargas
diferentes.

A diferença de potencial elétrico (abreviada para ddp) entre dois corpos ele-
trizados também é chamada de tensão elétrica, que em outras palavras é a força
capaz de impulsionar os elétrons em um condutor. Essa expressão é muito impor-
tante nos estudos relacionados à eletricidade e à eletrônica.

Normalmente, os profissionais das áreas de eletricidade e


de eletrônica usam exclusivamente a palavra tensão para
indicar a ddp ou tensão elétrica.
 VOCÊ A tensão elétrica pode se obtida por meio de um processo
SABIA? eletroquímico com o uso de materiais convenientemente
escolhidos. Eles devem ter a capacidade de fazer a
transferência de elétrons em si, quando colocados em um
ambiente adequado. O tópico a seguir mostra melhor esse
processo.

2.3.1 COMO CRIAR O DESEQUILÍBRIO ELÉTRICO

O desequilíbrio elétrico ocorre quando há dois tipos de metais diferentes


mergulhados em um preparado químico, que reage com eles, retirando elétrons
de um elevando-os para o outro. Esse é o fenômeno que gera o desequilíbrio elé-
trico. O dispositivo, muito conhecido por nós, no qual esse princípio é aplicado é a
bateria (pilha).

Na pilha, um dos metais, a barra de carbono, fica com o potencial elétrico po-
sitivo e o outro, o zinco, fica com o potencial elétrico negativo. Cria-se, então, uma
diferença de potencial elétrico, a chamada tensão elétrica.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
35

eletrodo positivo

pasta de
cloreto de amônia
e cloreto de zinco preparado químico:
mistura de carbono e
dióxido de manganês
zinco

barra de carbono

eletrodo negativo

Figura 9 - I nterior de uma pilha


Fonte: SENAI-SP (2014)

Muitos usuários desse tipo de pilha já perceberam que, por isso, ela tem dois
terminais:

a) um terminal chamado de polo positivo, que é marcado com o sinal +; e

b) um terminal chamado de polo negativo, que é marcado com o sinal –.

Os elétrons ficam agrupados em maior número no polo negativo da bateria. O


polo positivo, por sua vez, contém uma quantidade menor de elétrons. Esses polos
nunca se alteram, portanto, a polaridade das pilhas é sempre invariável. Observe:

falta de elétrons excesso de elétrons


polo positivo polo negativo

Figura 10 - Interior da pilha e identificação dos seus polos


Fonte: SENAI-SP (2014)

Dessa forma, como a tensão fornecida pela pilha é uma tensão elétrica entre
dois pontos com polaridade invariável, esse tipo de tensão é chamado de tensão
contínua, ou tensão CC.
ELETRICIDADE GERAL
36

 POTÊNCIA MATEMÁTICA
2

Que a tensão fornecida por uma pilha comum não


Potência matemática é um  VOCÊ depende de seu tamanho ser pequeno, médio ou grande,
pois ela é sempre uma tensão contínua de 1,5 V. Por isso,
valor representado por SABIA? se um aparelho precisa de uma tensão mais alta para
sucessivas multiplicações de
um mesmo número várias funcionar, é necessário usar mais pilhas.
vezes.
Notação de uma potência:
an, onde a é a base A tensão elétrica é uma grandeza física que precisa ser identificada e quan-
(número a ser multiplicado
sucessivamente) e n é o tizada. No item a seguir é mostrado como isso é feito.
expoente (número de
vezes que a base será
multiplicada).
Exemplo: 34 = 3 � 3 � 3 � 3. 2.3.2 MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS DAS UNIDADES DO SI

Imagine que você pretende comprar um computador. Ao entrar na loja, o ven-


dedor imediatamente lhe oferece um modelo novo, e diz que ele tem um HD de
1500000000000 byte de memória.
É fácil perceber que essa representação é inadequada! Não é usual alguém
expressar um número tão grande dessa maneira, com tantos zeros, não acha? Isso
dificulta muito, além da leitura, operar com esses números.
Agora veja essa outra notação para aquele número: o computador que o ven-
dedor ofereceu tem 1,5 Tb (terabyte ) de memória.
Para expressar medidas extremamente grandes ou extremamente pequenas,
o SI adotou alguns prefixos, facilitando sua representação, leitura e cálculos. Veja
alguns exemplos na tabela a seguir.

Tabela 1 - Prefixos do SI

NOME FATOR SÍMBOLO MULTIPLICAR POR

tera 1012 T 1000000000000


giga 109
G 1000000000
mega 106 M 1000000
quilo 103 k 1000
hecto 102
h 100
deca 101 da 10
- 100 - 1
deci 10-1 d 0,1
centi 10-2 c 0,01
mili 10-3
m 0,001
micro 10-6 μ 0,000001
nano 10-9 n 0,000000001
pico 10-12
p 0,000000000001
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
37

Então, voltando ao nosso exemplo, veja como utilizar esses prefixos:

1500000000000
2
15000000000 , 00 × 10
4
150000000 ,0000 × 10
6
1500000 ,000000 × 10
10 10
150 ,0000000000 × 10 = 150 × 10
2 12
1, 500000000000 × 10 = 1, 5 × 10 = 1,5 tera

Notação é uma representação através de símbolos. A


notação científica é uma forma de representar números
demasiadamente grandes (ou pequenos) de forma
conveniente, a fim de facilitar os cálculos com eles.
Escrever um número em notação científica consiste em
 VOCÊ representá-lo em um número entre um e nove multiplicado
SABIA? por uma potência 2 de base 10.
Exemplo: 50000000000 em notação científica é = 5 x 10 10.
Na engenharia, é comum a utilização de expoentes
múltiplos de três (utilizando o mesmo exemplo, o número
50000000000 seria escrito como: 50 x 10 9).

2.3.3 UNIDADE DE MEDIDA DA TENSÃO ELÉTRICA

A tensão (ou ddp) entre dois pontos pode ser medida por meio de determi-
nados instrumentos. A unidade de medida de tensão é o volt, representado pelo
símbolo V.

Como qualquer outra, a unidade de medida de tensão (volt) também tem múl-
tiplos e submúltiplos adequados a cada situação. Veja a tabela a seguir.

Tabela 2 - Unidade de medida de tensão e seus fatores multiplicadores

DENOMINAÇÃO SÍMBOLO VALOR EM VOLT �V�

Múltiplos megavolt MV 106 V ou 1.000.000 V


(ou fatores multiplicadores) quilovolt kV 103 V ou 1.000 V
Unidade volt V -
Submúltiplos milivolt mV 10-3 V ou 0,001 V
(ou fatores multiplicadores) microvolt μV 10-6 V ou 0,000.001 V
ELETRICIDADE GERAL
38

3
NANOTECNOLOGIA Para as medições em eletricidade, utilizamos, com mais frequência, a unidade
volt (V) e seus múltiplos: quilovolt (kV) e megavolt (MV).
Manipulação da matéria
em uma escala atômica e
molecular.
Existem mais palavras para indicar fatores multiplicadores
que são usados com as unidades de medida do SI. Alguns
deles já são bastante utilizados e, portanto, conhecidos,
 VOLTÍMETRO ANALÓGICO
4
 SAIBA por exemplo: nano (como na palavra nanotecnologia3);
MAIS mega (como na palavra megabytes); e giga (como em
Aquele que avalia a gigabytes). Se você quiser saber mais sobre eles, visite
grandeza elétrica tensão o site do Inmetro, disponível em <www.inmetro.gov.br/
com base nos efeitos físicos consumidor>.
causados por ela. Podemos
citar como exemplo de
efeitos físicos as forças
eletromagnéticas dos
campos elétricos. No próximo item, entenderemos como fazer essas conversões.

2.3.4 CONVERSÃO DA UNIDADE DE MEDIDA DE TENSÃO

No dia a dia do profissional da área de eletricidade, muitas vezes é necessário,


por exemplo, converter uma unidade de medida em um de seus múltiplos ou
submúltiplos.
Para facilitar essa tarefa, até adquirir prática, você poderá usa r a tabela a seguir,
na qual cada unidade de medida possui três casas, que correspondem a cada dí-
gito do valor obtido na medição.

Tabela 3 - Tabela de conversão

Agora, suponha que você queira converter 1100 V em kilovolts (kV).


Inicialmente, escreva na tabela 1100 V.

Tabela 4 - Conversão com valor a converter


2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
39

O passo seguinte é deslocar a vírgula de três casas na direção do kV (para a


esquerda) sem mexer na posição dos números. O resultado é mostrado a seguir.

Tabela 5 - Valor convertido

Portanto, 1100 V = 1,1 kV = 1,1 x 10³ V


Para realizar qualquer outra conversão, aplique esse mesmo processo, ou seja,
é só deslocar a vírgula para o múltiplo ou submúltiplo desejado.
Você já aprendeu como identificar e como quantizar a tensão elétrica. A seguir,
vai aprender qual é o instrumento de medição que você deve utilizar.

2.3.5 INSTRUMENTO DE MEDIÇÃO DE TENSÃO ELÉTRICA


O instrumento que mede a diferença de potencial entre dois pontos é o voltí-
metro. Veja, na figura a seguir, um voltímetro analógico4, no qual o valor (pontei-
ro) varia continuamente dentro de uma faixa preestabelecida.

20
 1 0
3 0  
4    
   0 0    
DC
VOLTS

CLASS 2.5

Figura 11 - Mostrador do voltímetro analógico


Fonte: SENAI-SP (2014)

Embora o voltímetro seja o instrumento específico para medir a ddp, normal-


mente, o aparelho usado para esse fim é o multímetro digital. Veja na figura a
seguir os componentes de um multímetro.
ELETRICIDADE GERAL
52

Escolher o sentido eletrônico ou o convencional não altera de forma alguma os


resultados obtidos nos estudos dos fenômenos elétricos. Neste material, utilizare-
mos o sentido convencional (do + para o –) da corrente elétrica.
Quando esse movimento ordenado acontece em um único sentido, mantendo
sempre a mesma polaridade, a corrente elétrica é chamada de corrente contí-
nua, representada pela sigla CC.

É possível que, em algumas publicações técnicas, a sigla


 VOCÊ CC seja substituída pela sigla DC , que é simplesmente a
SABIA? abreviação de direct current , termo que significa corrente
contínua, em inglês.

Além de saber o sentido da corrente, é muito importante saber a quantidade de


elétrons, ou seja: qual a corrente elétrica que está passando em determinado ponto
do circuito, conhecido como intensidade de corrente. Isso é o  que veremos a seguir.

3.3 INTENSIDADE DE CORRENTE

Já sabemos que a corrente elétrica é o movimento ordenado de elétrons dentro


de um condutor. Quanto mais elétrons passarem pela seção transversal de um con-
dutor durante o menor período de tempo, maior será a intensidade da corrente.
Intensidade da corrente é, pois, o fluxo de elétrons que passa dentro da seção
transversal de um condutor, durante um determinado período de tempo.
Então, vamos imaginar que podemos contar a quantidade de elétrons que
passam pela seção transversal do condutor e, dessa forma, determinar a intensi-
dade da corrente. E, na verdade, podemos mesmo fazer isso!
Primeiramente, precisamos saber que cada elétron apresenta uma carga elé-
trica elementar. Ela é representada pela letra “e” e equivale a 1,6 x 10-19 Coulombs.
Para conhecer a quantidade de carga elétrica (Q), multiplica-se o número de
elétrons (n) pela carga elétrica (e). Então, temos:
Q = n. e

Sendo que:
a) Q é a quantidade de carga elétrica;
b) n é o número de elétrons; e
c) e é carga elétrica.
3 CORRENTE ELÉTRICA
53

Com esses dados, podemos calcular a intensidade de corrente elétrica (I)


com a ajuda da seguinte fórmula:
Δ. Q
I=
Δ. t

Sendo que:

a) I é a intensidade de corrente;

b) DQ (lê-se delta Q) é a quantidade de carga elétrica (na seção transversal); e

c) Dt (lê-se delta t) é o período de tempo.

 VOCÊ O símbolo “I” vem da palavra francesa intensité , que quer


SABIA? dizer intensidade.

A corrente elétrica é uma grandeza que precisa ser identificada e quantizada. A


seguir, você vai saber como ela é identificada e os seus múltiplos e submúltiplos.

3.4 UNIDADE DE MEDIDA DE CORRENTE

Assim como a tensão, a corrente é uma grandeza elétrica e, como toda a gran-
deza, pode ter a sua intensidade medida por meio de instrumentos específicos.
A unidade de medida da intensidade da corrente elétrica é o ampere (que é o
Coulomb por segundo), representado pelo símbolo A.

Como qualquer outra unidade de medida, a da corrente elétrica tem múltiplos


e submúltiplos adequados para cada situação. Veja tabela a seguir.

Tabela 6 - Símbolos e fatores multiplicadores do ampere


ELETRICIDADE GERAL
54

Como profissional da área, você precisará sempre ter em mente que no campo
da eletricidade emprega-se habitualmente a unidade ampere (A) e seus múlti-
plos e submúltiplos.

Faz-se a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de me-


dida. Os passos são os mesmos da conversão de valores do volt, que já vimos no
capítulo anterior. Vamos a um exemplo:

Suponha que você precise converter ampere (A) em miliampere (mA) e a me-
dida que você tem é 1,2 A.

a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, neste


caso, é o ampere. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após a
unidade. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três
casas na próxima linha.

Tabela 7 - Conversão de Ampere para uAmpere

b) Mova a posição da vírgula para a direita. O novo valor gerado aparecerá


quando as três casas abaixo da coluna do miliampere estiverem preenchi-
das. Nesse caso, a vírgula deverá estar na linha após mA.

Tabela 8 - Conversão de Ampere para uAmpere com deslocamento da vírgula

c) Como cada linha abaixo da coluna mA tem três casas, todas elas deverão ser
preenchidas. Portanto, complete com zero as casas vazias. Observe que não
é necessário completar os espaços à esquerda do dígito 1(A), pois o zero
não tem valor nessa posição.
3 CORRENTE ELÉTRICA
55

Tabela 9 - Conversão de Ampere para uAmpere convertido

Após preencher o quadro, o valor convertido será: 1,2 A = 1.200 mA = 1.200 x 10 -3 A

Você já aprendeu com identificar e como quantizar a corrente elétrica. A se-


guir, você vai aprender que instrumento deve utilizar para medir a intensidade
dessa corrente.

3.5 INSTRUMENTO DE MEDIÇÃO DE INTENSIDADE DA CORRENTE


Para medir a intensidade de corrente, usamos o amperímetro. Veja ilustração
a seguir.

20
 1 0
3 0  
4    
   0 0    
DC
AMPERES

CLASS 2.5

Figura 21 - Amperímetro analógico


Fonte: SENAI-SP (2014)

Além do amperímetro, podemos usar também:

a) miliamperímetro: para correntes da ordem de miliamperes; e

b) microamperímetro: para correntes da ordem de microamperes.


ELETRICIDADE GERAL
56

Assim como no caso do voltímetro, o aparelho normalmente usado para esse


fim é o multímetro digital, embora o amperímetro seja o instrumento específico
para medir a corrente elétrica. Veja na figura a seguir.

VoltAlert
Corrente contínua
selecionada

HOLD MIN  MAX RANGE

AUTO-V Hz
OFF
LoZ V
V

mV


Seleção corrente
contínua

Volt
o t
A ert
Alert
A A Hzz Borne negativo

V
A COM

10 A
FUSED

Borne positivo para corrente

Figura 22 - Multímetro na escala de ampere


Fonte: SENAI-SP (2014)

Antes de efetuar a medição, é necessário preparar o aparelho corretamente.


Para isso, siga estas etapas:

a) gire a chave seletora, selecionando corrente contínua, pois é esse tipo


decorrente que será medido. O display  deverá indicar DC A;

b) coloque o cabo vermelho no borne A e o cabo preto no COM.


3 CORRENTE ELÉTRICA
57

Para efetuar a medição, proceda da seguinte maneira:

a) desligue o circuito, que deve estar sempre desligado para realizar a medição;

b) interrompa uma parte do condutor;

c) ligue o cabo vermelho no condutor aberto mais próximo do lado positivo


da bateria e o cabo preto na outra ponta, que ficou aberta. Caso haja in-
versão de polaridade, aparecerá um símbolo negativo (-) no display ;

d) ligue o circuito e faça a leitura; e

e) desligue o circuito, emende os cabos e isole a emenda.

VoltAlert

HOLD  
MINMAX RANGE

AUTO-V
UTO-V Hz
OFF
LoZ V
V

mV

Volt
ot
Alert
A A Hzz

V
A COM

10A
FUSED

Figura 23 - Exemplo da medição de corrente


Fonte: SENAI-SP (2014)

Para medir a corrente é necessário abrir o circuito elétrico,


 FIQUE que consiste em uma operação de risco. Assim, por medida
ALERTA de segurança, é necessário desligar o circuito antes de
fazer essa atividade.
ELETRICIDADE GERAL
58

 CASOS E RELATOS

A energia elétrica é fundamental para o funcionamento de qualquer em-


presa. Isso é ainda mais crítico em locais que funcionam 24 horas por dia,
como as siderúrgicas. Nesse tipo de empresa, as equipes de eletricistas se
revezam em turnos, a fim de que sempre haja alguém de plantão para aten-
der qualquer emergência no momento em que ela ocorre.

Assim aconteceu que, na siderúrgica Tubarão, em um final de semana, quan-


do uma equipe se apresentava para substituir a turma do turno anterior, um
dos eletricistas percebeu que havia um equipamento parado. Dois eletricis-
tas (um que estava entrando e outro que estava saindo) conversaram para
trocar informações sobre o problema. O eletricista que saía disse que, na me-
dição feita no equipamento, encontrara um fusível queimado, mas que, mes-
mo após a troca, o amperímetro não havia indicado corrente.

Ao tentar localizar o defeito, o eletricista que iniciava o turno perce-


beu que seu colega havia encontrado aquele defeito acidentalmente.
A causa da pane realmente era o fusível queimado, no entanto, como
seu amperímetro também estava com o fusível queimado, mesmo que
a troca tenha sido feita, o equipamento não funcionaria, pois o circuito
mantinha-se aberto.
ELETRICIDADE GERAL
88

A rapidez de conversão de energia, em qualquer campo ligado à ciência, é


conhecida pela denominação de potência. A potência de um dispositivo qual-
quer nos indica o quanto de energia foi convertido, de um tipo de energia para
outro, a cada unidade de tempo de funcionamento.

O resistor, então, pode sofrer danos se a potência dissipada for maior que seu
valor nominal. Em condições normais de trabalho, esse acréscimo de temperatura
é proporcional à potência dissipada.

Sabendo disso, podemos dizer que a dissipação nominal de potência é a


temperatura que o resistor atinge, sem que a sua resistência nominal varie mais
que 1,5% em relação à temperatura ambiente de 70 ºC, conforme descreve a nor-
ma IEC 115-1.

A dissipação nominal de potência é expressa em watt (W), que é a unidade


de medida de potência. Por exemplo, um resistor de uso geral pode apresentar
dissipação nominal de potência de 0,33 W. Isso significa que o valor da resistência
nominal desse resistor não será maior que 1,5% se ele dissipar essa potência na
temperatura ambiente de 70 ºC.

O tamanho físico do componente tem uma influência direta sobre a dissipação


de potência. Quanto maior o componente maior será a sua área de dissipação.
Isso significa que existe uma potência maior disponível para consumo. Veja a se-
guir um exemplo da relação entre os tamanhos de resistores e suas potências.

0,25 W

0,5 W

1W

2W
Figura 40 - Ilustração de resistores de potência diferentes
Fonte: SENAI-SP (2014)

No capítulo sete deste livro estudaremos mais sobre potência elétrica. A seguir,
você aprenderá como os resistores são representados nos diagramas elétricos.
5 RESISTORES
89

5.3 SIMBOLOGIA DOS RESISTORES

Para representar os componentes (resistores) de um circuito, usamos símbolos.


O resistor também é representado por um símbolo, segundo a norma NBR12521,
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que padroniza símbolos grá-
ficos de componentes passivos, como os resistores, os capacitores e os indutores.

Conheça o símbolo do resistor fixo:

(a) (b)

Figura 41 - Resistor fixo (a) e seus símbolos (b)


Fonte: SENAI-SP (2014)

ABNT é a sigla que identifica a Associação Brasileira de


Normas Técnicas, órgão responsável pela normalização
técnica no Brasil e que fornece a base necessária ao
desenvolvimento tecnológico do país. A ABNT é a
representante oficial no Brasil das entidades internacionais,
que são:”International Organization for Standardization”
(ISO), “International  Eletrotechnical  Commission” (IEC), bem
como das entidades de normalização regional, tais como:
 SAIBA “Comissão Panamericana de Normas Técnicas” (COPANT) e
a Associação do Mercosul de Normalização (AMN).
MAIS
Fonte: <http://www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=929>.
NBR é a sigla para Norma Brasileira. Ela aparece na
denominação de todas as normas elaboradas pela ABNT
e é sempre seguida de um número que a identifica, por
exemplo: NBR5410 (Instalações elétricas de baixa tensão).
Para saber mais, você pode consultar o site <http://www.
abnt.org.br>.

Alguns resistores apresentam seu valor nominal


marcado no próprio corpo do componente, do seguinte
 VOCÊ modo: 4k7Ω. Essa é outra maneira de escrever o valor
SABIA? corresponde a 4,7 kΩ.
ELETRICIDADE GERAL
90

 CASOS E RELATOS

Em um final de semana, o técnico de manutenção de plantão em uma indús-


tria metalúrgica precisou resolver um problema em uma ponte rolante, que
não estava funcionando. Sem esse equipamento, era impossível continuar a
produção, uma vez que por meio dele as chapas de aço eram movimentadas.
A parada da produção já estava causando um enorme prejuízo à empresa.

 Trabalhando sob grande pressão, o técnico verificou que o componente


que estava causando o defeito era um dispositivo de controle chamado
contator e constatou que um resistor de 22 kΩ (valor impresso no corpo do
componente) estava queimado. Feliz por ter encontrado o defeito, trocou o
componente por um novo. Fez o teste, mas o defeito continuou. Sem conse-
guir resolver o problema, não houve alternativa senão chamar o seu super-
visor, que estava de folga. Por ser mais experiente, imediatamente percebeu
que seu subordinado havia cometido um erro!

O resistor era de 2,2 kΩ, e não de 22 kΩ, como o técnico pensara. Como o resis-
tor era muito antigo, a marcação da posição da vírgula tinha desaparecido por
causa do uso e do tempo, o que causou o erro de leitura. Por isso, nos resistores
em que a marcação está no corpo do componente, essa aparece como 2k2 Ω!

Em circuitos eletroeletrônicos existem aplicações que requerem maiores ou


menores precisões de valores de resistores. A seguir você irá conhecer os princi-
pais tipos e suas precisões.

5.4 TIPOS DE RESISTORES

Sempre existem diferentes maneiras de classificar coisas, seja pelo formato,


pela cor, pelo tamanho, pela utilização, pelo material com o qual são fabricadas,
entre outras.

Os resistores são classificados em quatro tipos, conforme o material com o qual


são fabricados:

a) resistor de filme de carbono;


b) resistor de filme metálico;
c) resistor de fio; e
d) resistor para montagem em superfície, também conhecido como resistor.
5 RESISTORES
91

Acesse a internet e, por meio de um programa de busca,


 SAIBA baixe informações a respeito de: resistor filme de carbono,
MAIS resistor de filme metálico, resistor de fio e resistor SMD
(montagem em superfície), e faça um comparativo entre eles.

A seguir, é apresentada uma tabela na qual estão relacionados os tipos de re-


sistores à sua aplicação e à faixa de valores de fabricação.

Tabela 16 - Características e aplicações dos resistores fixos


ELETRICIDADE GERAL
92

Observe, nas ilustrações a seguir, alguns resistores de fio e seus respectivos


terminais, o fio enrolado e a camada externa de proteção do resistor.

Figura 42 - Resistores de fio
Fonte: SENAI-SP (2014)

Quando nos referimos tecnicamente a um resistor, temos que fazê-lo de acor-


do com a sua especificação. Assim sendo, a seguir, você vai aprender como espe-
cificar um resistor.

5.5 ESPECIFICAÇÃO DE RESISTORES


Sempre que precisarmos descrever, solicitar ou comprar um resistor, é neces-
sário fornecer a sua especificação completa, que deve estar de acordo com a se-
guinte ordem:

a) tipo;

b) resistência nominal;

c) percentual de tolerância; e

d) dissipação nominal de potência.

Veja alguns exemplos de especificação de resistores:

a) resistor de filme de carbono 820 Ω ±5% 0,33 W;

b) resistor de filme metálico 150 Ω ±1% 0,4 W;

c) resistor de fio 4,7 Ω ±5% 10 W; e

d) resistor para montagem em superfície 1 kΩ ±5% 0,25 W.

Os resistores normalmente são dispositivos de dimensões limitadas e apresen-


tam uma vasta variedade de valores, tipos e tolerâncias. Como representar toda
essa variedade de características impressas no componente? A seguir você vai
aprender como é possível.
5 RESISTORES
93

5.6 CÓDIGO DE CORES PARA RESISTORES FIXOS

É importante saber que a maioria dos resistores de filme carbono é identifica-


da por meio de anéis coloridos, conforme o padrão dado por norma internacional
(IEC). Esses anéis fornecem dados técnicos sobre o componente e permitem que
eles sejam identificados no circuito, independentemente de sua posição.
Os resistores podem possuir de três a seis faixas coloridas. A forma de leitura
para os de três e de quatro faixas é muito semelhante. As três primeiras repre-
sentam o valor da resistência, sendo que as duas primeiras indicam o primeiro e
o segundo dígitos do valor, e a terceira faz a função de multiplicador. Vejamos o
exemplo a seguir.

Códigos de Cores
A extremidade com mais faixas deve apontar para esquerda.

Resistor de 3 1K Ω
faixas 20% de tolerância

Resistores padrão 560K Ω


possuem 4 faixas 10% de tolerância

Cor 1a Faixa 2a Faixa Multiplicador  Tolerância


Preto 0 0 x 1Ω
Marrom 1 1 x 10 Ω +/- 1%
Vermelho 2 2 x 100 Ω +/- 2%
Laranja 3 3 x 1K Ω
Amarelo 4 4 x 10K Ω
Verde 5 5 x 100K Ω +/- 0,5%
Azul 6 6 x 1M Ω +/- 0,25%
Violeta 7 7 x 10M Ω +/- 0,1%
Cinza 8 8 +/- 0,05%
Branco 9 9
Dourado x 0,1Ω +/- 5%
Prateado x 0,01Ω +/- 10%

Figura 43 - Leitura do código de cores para resistores com três ou quatro faixas
Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
94

Observe que o primeiro resistor é formado pelas cores marrom, preto e ver-
melho. Pela tabela das cores, também indicada na figura, o marrom vale 1, o pre-
to vale 0 e o multiplicador, no caso, em vermelho, x100 (ou x 10 2). Assim, temos
10 x 102 = 1.000 Ω ou, em notação científica, 1 kΩ. A ausência da quarta faixa indi-
ca que a tolerância é de 20%.

Veja que o segundo resistor é formado pelas cores verde, azul e amarelo. De
acordo com a tabela das cores, o verde vale 5, o azul vale 6 e o multiplicador ama-
relo, x10000 (ou x 104). Assim, temos 56 x 10 4 = 560.000 Ω ou 560 kΩ, em notação
científica. A presença de uma quarta cor indica a tolerância, no caso, prata, que
vale 10%.

Já a cor do corpo do resistor, mostrado na Figura 43, indica que ele é feito de
filme de carbono.

A leitura dos resistores com cinco ou seis faixas não é muito diferente. Em vez de
haver dois dígitos e um multiplicador, há três dígitos e um multiplicador. Os de 5 ou
6 faixas possuem uma tolerância menor que os resistores de quatro faixas. A figura
a seguir mostra como é feita a leitura de um resistor de cinco e de seis faixas.

Códigos de Cores
A extremidade com mais faixas deve apontar para esquerda

Resistor de 5 237 Ω
faixas 1% de tolerância

4,7 Ω
Resistor 2% de tolerância - Coef. térmico 100 ppm
de 6 faixas

Coeficiência de
Cor 1a Faixa 2a Faixa 3a Faixa Multiplicador Tolerância temperatura
Preto 0 0 0 x 1Ω
Marrom 1 1 1 x 10 Ω +/- 1% 100 ppm / 0 C
Vermelho 2 2 2 x 100 Ω +/- 2% 50 ppm / 0 C
Laranja 3 3 3 x 1K Ω 15 ppm / 0 C
Amarelo 4 4 4 x 10K Ω 25 ppm / 0 C
Verde 5 5 5 x 100K Ω +/- 0,5%
Azul 6 6 6 x 1M Ω +/- 0,25% 10 ppm / 0 C
Violeta 7 7 7 x 10M Ω +/- 0,1% 5 ppm / 0 C
Cinza 8 8 8 +/- 0,05%
Branco 9 9 9 1 ppm / 0 C
Dourado x 0,1Ω +/- 5%
Prateado x 0,01Ω +/- 10%

Figura 44 - Leitura do código de cores para resistores com cinco ou seis faixas
Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
96

 RECAPITULANDO

Neste capítulo, vimos que:

a) os resistores são utilizados nos circuitos eletrônicos para limitar a corren-


te elétrica e, consequentemente, reduzir ou dividir tensões;

b) as características elétricas do resistor são: resistência nominal, percen-


tual de tolerância e dissipação nominal de potência;

c) a resistência nominal é o valor da resistência elétrica especificada pelo


fabricante;

d) o percentual de tolerância é o resultado do processo de fabricação, que


deixa os resistores sujeitos a imprecisões no seu valor nominal;

e) a dissipação nominal de potência é a energia térmica produzida no re-


sistor sob a forma de calor; e

f ) os resistores fixos podem ser de filme de carbono, de filme metálico, de


fio e de montagem em superfície (SMR).
5 RESISTORES
97

Anotações:
Leis de Ohm  e leis de Kirchhoff 

Você já conhece os conceitos de tensão, corrente, resistência, circuito em série, circuito em


paralelo, circuito misto e aprendeu a calcular a resistência equivalente das associações em sé -
rie, paralela e mista. Uau! Quanta coisa!
Neste capítulo, chegou a hora de começar a aplicar todos esses conhecimentos em circuitos
mais complexos. Agora, você conhecerá as leis que regem os cálculos dos valores reais de cada
componente de um circuito.
Para isso, primeiramente, vamos estudar a Lei de Ohm, que trata da forma como a corrente
elétrica é medida. A partir daí, será possível determiná-la matematicamente e medir os valores
das grandezas elétricas em um circuito.
Em seguida, estudaremos as Leis de Kirchhoff , que tratam da medição da tensão e da cor-
rente em circuitos com mais de uma carga, a fim de que você possa calcular e medir tensões e
correntes em circuitos desse tipo.
São muitos conteúdos e, para você dimensionar a importância deles, leia a seguir uma man-
chete publicada em um jornal do nosso país:
“Curto em aparelho provoca incêndio em hospital, dizem bombeiros em MS. O fogo co-
meçou em uma sala no térreo do hospital, em Campo Grande. Segundo os bombeiros, não foi
necessário remover pacientes do prédio.” (Disponível em <http://g1.globo.com/mato-grosso--
-do-sul/noticia/2012/02/curto-em-aparelho-provoca-incendio-em-hospital-dizem-bom-
beiros-em-ms.html>. Acesso em: 01 jun. 2012).
Essa notícia é bem mais comum do que gostaríamos. Quantas vezes você já viu ou ouviu
falar em incêndio causado por causa de uma sobrecarga ou de um curto-circuito? Isso pode
acontecer em uma residência, uma loja, um hospital, uma fábrica ou até mesmo em um equi-
pamento de uma concessionária de fornecimento de energia elétrica.
Um curto-circuito pode acontecer quando um condutor é ligado diretamente entre os po-
los de uma fonte (bateria) ou tomada da rede elétrica e a corrente tende a ser extremamente
elevada. Isso produzirá o Efeito  Joule e pode provocar incêndio na instalação. É para prevenir
esse tipo de acidente que fazemos os cálculos que estudaremos neste capítulo.
ELETRICIDADE GERAL
100

Assim, ao final dele, você terá subsídios para:

a) compreender e aplicar a Primeira Lei de Ohm;

b) compreender e aplicar as Leis de Kirchhoff ; e

c) comprovar a Primeira e a Segunda Leis de Kirchhoff .

Vamos lá? Bons estudos!

6.1 INTRODUÇÃO À PRIMEIRA LEI DE OHM 


Embora, graças ao desenvolvimento tecnológico, os conhecimentos sobre ele-
tricidade tenham se ampliado largamente, a Primeira Lei de Ohm continua sendo
uma lei básica da eletricidade. Por isso, conhecê-la é fundamental para o estudo e
para a compreensão dos circuitos eletroeletrônicos.

Essa lei estabelece a relação entre corrente ( I), tensão (V) e resistência ( R) em
um circuito. Ela é verificada a partir das medições dessas grandezas elétricas em
circuitos elétricos simples, formados com uma fonte geradora e um resistor.

Para o entendimento da Primeira Lei de Ohm, vamos nos apropriar da repre-


sentação dos componentes de circuitos elétricos de acordo com os símbolos e as
letras padronizadas, conforme a IEC 1082-1 e a NBR 5280, mostrados no quadro
a seguir.

Quadro 6 - Símbolos e letras usados em circuitos elétricos

No símbolo G, observe que o traço menor, na vertical do símbolo da bateria,


sempre será o negativo e o traço maior, o positivo.
6 LEIS DE OHM  E LEIS DE KIRCHHOFF 
101

Circuitos elétricos são desenhados com representações simbólicas (como as des-


critas no quadro anterior), tornando o circuito elétrico de fácil interpretação pelos di-
versos especialistas da área. A seguir, você entenderá como foi formulada a Primeira
Lei de Ohm, utilizando circuitos elétricos com essa representação simbólica.

6.1.1 DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DA LEI DE OHM 


Vamos verificar a Primeira Lei de Ohm realizando três experiências, conforme
os quadros a seguir.

Quadro 7 - Experiência 1 – Primeira Lei de Ohm

Experiência 1
Montado o circuito ao lado, com uma
fonte de tensão de 9 V e um resistor de
   r
   e
    l
   u
100 Ω, a corrente marcada no ampe-
    A
   s
   a
   c
   u
rímetro foi de 90 mA, ou seja, I = 90 mA.
    L

Quadro 8 - Experiência 2 – Primeira Lei de Ohm

Experiência 2
Montado o circuito ao lado, com uma
fonte de tensão de 9 V e um resistor de
   r
   e
    l
   u
200 Ω, a corrente marcada no ampe-
    A
   s
   a
   c
   u
rímetro foi de 45 mA, ou seja, I = 45 mA.
    L

Quadro 9 - Experiência 3 – Primeira Lei de Ohm

Experiência 3
Montado o circuito ao lado, com uma
fonte de tensão de 9 V e um resistor de
   r
   e
    l
   u
400 Ω a corrente marcada no amperímet-
    A
   s
   a
   c
   u
ro foi de 22,5 mA, ou seja, I = 22,5 mA.
    L
ELETRICIDADE GERAL
102

Colocando esses valores em uma tabela, temos a seguinte situação:

Tabela 17 - Valores do primeiro, do segundo e do terceiro circuitos

Com base nessa tabela, podemos concluir que para uma tensão constante,
quando a resistência aumenta, a corrente diminui e vice versa. Dessa forma, po-
demos afirmar que a corrente elétrica e a resistência são inversamente proporcio-
nais. Esse comportamento pode ser expresso por meio de uma fórmula conheci-
da como a Primeira Lei de Ohm.

V
I=
R

Com base na equação da Primeira Lei de Ohm, podemos reformulá-la por meio
do texto: “A intensidade da corrente elétrica é diretamente proporcional à tensão
aplicada e inversamente proporcional à sua resistência elétrica.”

Agora conhecemos como as grandezas elétricas corrente, tensão e resistência


se relacionam, de acordo com a Primeira Lei de Ohm. A seguir, vamos aprender
como aplicá-las aos circuitos elétricos.

A Primeira e a Segunda Leis de Ohm  foram formuladas pelo


 SAIBA cientista George Simon Ohm. Por meio da internet, pesquise
MAIS quais os caminhos seguidos por ele para a formulação
dessas leis.

6.1.2 APLICAÇÃO DA PRIMEIRA LEI DE OHM 


Utilizamos a Primeira Lei de Ohm  para determinar os valores de tensão ( V),
corrente (I) ou resistência (R) em um circuito.

E para obtermos o valor da grandeza desconhecida em um circuito, basta co-


nhecermos dois dos valores da equação da Lei de Ohm: V e I, I e R ou V e R. No
quadro a seguir, estão as formas derivadas da 1ª Lei de Ohm, que nada mais são
do que uma manipulação matemática da 1ª Lei de Ohm .
ELETRICIDADE GERAL
114
114

A queda de tensão em cada component


componente
e da associação em série
sér ie pode ser de-
de -
terminada pela 1ª Lei de Ohm. Para isso, precisamos conhecer tanto o valor da
corrente no circuito como os seus valores de resistência.

Sabemos que a corrente que sai da bateria é a mesma que passa pelo resistor
R1 e pelo resistor R2. Também
Também já calculamos a corrente total do circuito equivalente.

Usamos a Primeira 1ª Lei de Ohm para calcular a tensão


tensão.. Lembre-se da fórmula
que aplicamos anteriorment
anteriormente:
e:

V = R x I.

Saiba então que, para calcular a tensão em cada componente, precisamos co-
nhecer seu valor de resistência, bem como qual a corrente que está passando nele.

Em um circuito em série, a corrente total é a mesma corrente que passa em


cada resistor,
resistor, portanto
por tanto,, já temos um valor fixo para colocarmos na fórmula.

 Tensão
 Tensão na resistência
resistência R1:

VR1 = R1 x I = 200 x 0,01 = 2 → VR1 = 2 V

 Tensão
 Tensão na resistência
resistência R2:

VR2 = R2 x I = 300 x 0,01 = 3 → VR2 = 3 V

Observando os resultados obtidos entre os valores de resistência e a queda de


tensão,, podemos concluir que:
tensão

a) o resistor de maior resistência fica com uma parcela maior de tensão; e

b) o resistor de menor resistênci


resistência
a fica com a menor parcela de tensão.

Assim, pode-se dizer que, em um circuito em série, a queda de tensão é pro-


porcional ao valor do resistor, ou seja:

maior resistência → maior queda de tensão

menor resistência → menor queda de tensão

Com essas noções sobre o circuito em série, fica mais fácil entender a Segunda
Lei de Kirchhoff . Segundo Markus (2004), adotando um sentido arbitrário de cor-
rente para a análise de uma malha, e considerando as tensões que elevam o po-
tencial do circuito como positiva (geradores) e as tensões que causam queda de
potencial como negativas (receptores
(receptores passivos), a Lei de Kirchhoff  para
 para as tensões
pode ser expressa como:

“A soma algébrica das tensões em uma malha é zero.” 


6 LEIS DE OHM  E
 E LEIS DE KIRCHHOFF 
115
115

Matematicamente,, pode ser expressa pela equação:


Matematicamente

V1 + V2 + ... +Vn – VR1– VR2– ... – VRn = 0.

Aplicando-se ao circuito acima temos:

V – VR1 – VR2 = 0

Podemos comprovar essa lei tomando como referência os valores de tensão


nos resistores do circuito, determinados anteriormente,
anteriormente, e somando-se as quedas
de tensões nos dois resistores:

V = VR1 + VR2 → 5V = 2V + 3V

Observe que V é a tensão da fonte.

Você consegue identificar alguma ligação em série dentro


 SAIBA de uma residência? Para saber mais sobre isso, pesquise
MAIS sobre o tema e tente encontrar esse tipo de ligação em sua
própria casa.

Acabamos de aprender a resolver os problemas de um circuito elétrico com


uma malha com dois resistores em uma fonte em série e comprovar a Segunda Lei
de Kirchhoff . A seguir é descrita uma possível
possível aplicação dessa lei.

Aplicação da Segunda Lei de Kirchhoff 

O circuito em série, que é formado por dois ou mais resistores, divide a tensão
aplicada da sua entrada em duas ou mais partes, por isso, é um  divisor de tensão.

O divisor de tensão é usado para diminuir a tensão e polarizar os componen-


tes eletrônicos,
eletrônicos, tornando a tensão adequada à finalidade do circuito em relação à
polaridade e à amplitude.

Ele também é usado em medições de tensão e de corrente, dividindo a ten-


são em amostras conhecidas em relação à tensão medida. Quando os valores dos
resistores são dimensionados, pode-se dividir a tensão de entrada da forma que
for necessária.

A Segunda Lei de Kirchhoff  é


 é a ferramenta adequada para determinar quedas
de tensão desconhecidas em circuitos eletroeletrônicos.

Vamos a um exemplo de aplicação da Segunda Lei de Kirchhoff   e as leis de


Ohm, em um circuito misto:
ELETRICIDADE GERAL
116
116

As Leis de Kirchhoff  e
 e as Leis de Ohm permitem determinar as tensões ou as
correntes em cada componente de um circuito misto.

Os valores elétricos de cada component


componente
e do circuito podem ser determinados
por meio dos procedimen
procedimentos
tos a seguir:

a) determinação da resistência
resistência equivalente;

b) determinação da corrente
corrente total; e

c) determinação das tensões


tensões ou das correntes
correntes nos elementos
elementos do circuito.
circuito.

Esses procedimentos
procedimentos serão demonstrados a par tir do circuito a seguir:

R1
400 

A
G
5V

R2 R3
300  150 

Figura 56 - Circuito misto


Fonte: SENAI-SP (2014)

Para determinar a resistência equivalente, ou total (RT)  do circuito misto,


considere que ele é dividido em circuitos parciais. A partir destes, reduz-se o cir-
cuito original de modo a simplificá-lo até alcançar o valor de um único resistor.

Considerando-se o circuito apresentado anteriormente, vamos determinar sua


resistência equivalente. Para isso, vamos inicialmente calcular a Req do circuito
paralelo entre os nós A e B. O resultado desse cálculo será chamado de Req1.
Agora, vamos aplicar a fórmula e determinar a resistência equivalente
equivalente 1 (Req1):

 R2
 R2 x R3  30
 300
0 x 15
150
0  45000
Req1= = = =100 → Req1=100 Ω
R2+R3 30 300
0 +150 450
6 LEIS DE OHM  E
 E LEIS DE KIRCHHOFF 
117
117

O circuito atualizado ficou desse jeito:

IT
R1
400 
G
IT
5V
Req1
100 

Figura 57 - Circuito misto atualizado com o novo valor


Fonte: SENAI-SP (2014)

Veja que, nesse momento, os nós deixaram de existir, pois um único resistor
equivalente (Req1) foi colocado
colocado no lugar de R2 e R3.

O valor da resistência equivalente total (Req) será encontrado com a ajuda


dos valores dos resistores ligados em série, aplicando-se a seguinte fórmula:

Req = R1 + Req1 = 400 + 100 = 500 Ω

Assim, temos que o valor total de Req é 500 Ω.

Esse resultado indica que o circuito possui uma resistência


resistência equivalente total de
500 Ω. Portanto,
Portanto, o circuito final é representado desta forma:

IT

IT

G Req
5V 500 

IT

IT

Figura 58 - Circuito equivalente final


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
118
118

Observe que o circuito ficou com apenas uma resistência, que é a resistência
equivalente total (Req) do circuito.

Assim sendo, podemos determinar a corrente total (IT) do circuito apresen-


tado na Figura 58, aplicando a Primeira Lei de Ohm ao circuito equivalente final.

Lembre-se de que o circuito equivalente final é uma representação simplifica-


da do circuito original.

A corrente total é dada pela fórmula a seguir:

V 5
I T  = = =0,01 → I T  = 0,0
0,01A(o
1A(ouI
uI T  =10 mA
mA))
R eq 500

Após determinar a corrente total (I T


 T) que passa através de R1 e Req1, a tensão
que cai em cima de R1 (V1) e em cima de Req1 (V2) é facilmente calculada. Veja-
mos a seguir.

Determinação das tensões e das correntes individuais

A corrente total aplicada ao circuito parcial permite determinar a queda de


tensão no resistor R1 e na resistência equivalente Req1, que são os resistores R2e
R3 ligados em paralelo no circuito original. Veja a seguir o posicionamento dos
medidores V1 e V2.

+
IT
IT A1
-
+
R1
IT V1
400 
-

G
5V
+
Req1
IT 100  V2
-

IT

Figura 59 - Circuito parcial


Fonte: SENAI-SP (2014)

Retornando pelo sentido inverso das etapas que desenvolvemos até agora,
podemos começar a efetuar os cálculos das correntes e das tensões individuais.
6 LEIS DE OHM  E LEIS DE KIRCHHOFF 
119

Veja, na Figura 59, que a corrente no amperímetro A1 é de 10 mA, a mesma


corrente que está passando por R1 e também pela resistência equivalente Req1.
Como você já sabe, para aplicar a 1ª Lei de Ohm, necessitamos de duas gran-
dezas fixas para efetuar cálculos. É isso o que acontece no circuito, pois temos os
valores de R1, de Req1 e da corrente no circuito.
Assim, para calcular a tensão em R1 (V1), usamos os seguintes cálculos:

V1 = R1 + IT = 400 x 0,01 = 4 → V1 = 4V

E para calcular a tensão no Req1 (V2), usamos estes:

V2 = Req1 x IT = 100 x 0,01 = 1 → V2 = 1V

Com os valores obtidos de tensões é possível validar a Segunda Lei de Kirch-


hoff , como segue:

Vfonte = V1 + V2 → 5V = 4V + 1 V

O circuito da figura a seguir, já com os valores da corrente e tensão, ficará assim:

IT +
IT
A1 10 mA
-
+
IT R1
V1 4V
400 
-

G
5V
+
IT Req1
V2 1 V
100 
-

IT

Figura 60 - Circuito com valores de corrente e tensão


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
120

Agora, é necessário retornar ao circuito original Figura 56, porque nele existem
três resistores.

Observe bem o circuito a seguir, pois vamos analisá-lo!

IT +
IT
A1 10 mA

IT R1
V1 4V
400 
-

G
5V

I1 R2 I2 R3
V2 1V
300  150 
-

+ +

I1 I2
A2 A3
IT I2
- -

Figura 61 - Circuito com três resistores


Fonte: SENAI-SP (2014)

Desmembramos o Req1, que volta a ser R2 e R3. Veja o voltímetro V2, que con-
tinua no mesmo local em que estava na figura anterior. Ele mostra que a tensão
em Req1 é a mesma que a presente em R2 e em R3.

Voltamos também a ter novamente os nós A e B. Podemos perceber que, no nó


A, chega a corrente IT, por meio de R1. Vemos também que desse nó estão saindo
duas correntes: I1 e I2.

Como nesses resistores que acabamos de desmembrar há duas grandezas fi-


xas – a tensão V2 e os valores dos resistores, podemos calcular a corrente que
passa em cada resistor.

Para calcular a corrente no resistor R2, aplicamos a seguinte fórmula:

V2 1
I1 = = = 0, 0033 I1 = 0,0033A(ouI1 = 3,3mA)
R2 300
6 LEIS DE OHM  E LEIS DE KIRCHHOFF 
121

Para calcular a corrente no resistor R3, o procedimento é o mesmo:

V2 1
I2 = = = 0,0067 → I2 = 0,0067 A (ouI2 = 6,7mA)
R3 150

De acordo com a Primeira Lei de Kirchhoff,  a corrente que chega ao nó A éa


IT (corrente total) e a que sai do nó estão divididas em I1 e I2. Matematicamente,
temos o seguinte:

I T = I1 + I2 → 10 mA = 3,3 mA + 6,7 mA

Os valores do circuito misto ficaram os seguintes:

IT +

IT
A1 10 mA
-

+
IT R1
V1 4V
400 
-

A
G
5V

+
I1 R2 I2 R3
300  V2 1 V 150 
 -
+ +
I1 I2
A2 3,3 mA A3 6,7 mA
IT I2
- -

Figura 62 - Circuito misto com os valores calculados


Fonte: SENAI-SP (2014)

Podemos observar na Figura 62 que todas as correntes e tensões foram calcu-


ladas, aplicando as leis de  Ohm e Kirchhoff . Esse procedimento é muito comum na
solução de problemas com circuitos elétricos.
ELETRICIDADE GERAL
126

 LÚMEN (LM)
1 7.1 TRABALHO ELÉTRICO
Unidade do Sistema Ao passar por uma carga instalada em um circuito, a corrente elétrica produz
Internacional de Medidas
(SI) para o fluxo luminoso efeitos, entre eles, calor, luz e movimento, que são denominados de trabalho.
(ou a quantidade de luz)
produzido por qualquer O trabalho de transformação de energia elétrica em outra forma de energia
objeto que emita luz. Assim,
uma vela decorativa, por é realizado pelo consumidor ou pela carga. Ao transformar a energia elétrica, o
exemplo, emite cerca de 12 consumidor realiza um trabalho elétrico.
lúmens.
Observe a figura a seguir e reflita: quem está realizando mais trabalho?

Figura 63 - Quem está realizando mais trabalho?


Fonte: SENAI-SP (2014)

Assim como o homem mais alto parece estar realizando mais trabalho que o
mais baixo, as cargas elétricas possuem capacidades de produzir trabalhos dife-
rentes. Para isso, os circuitos elétricos são montados, visando ao melhor aprovei-
tamento da energia elétrica, que pode ser convertida em calor, luz e movimento.
O trabalho elétrico pode gerar vários efeitos:
a) calorífico – quando a energia elétrica converte-se em calor. Ele está pre-
sente, por exemplo, nos chuveiros e nos aquecedores;
b) luminoso – quando a energia elétrica converte-se em luz nas lâmpadas e
uma parcela também transforma-se em calor; e
c) mecânico – quando um motor elétrico, como o de um ventilador, converte
energia elétrica em força motriz, ou seja, em movimento.
Esse trabalho é maior ou menor de acordo com a potência elétrica do dispo-
sitivo provocador desse efeito, em determinado tempo. A seguir, vamos entender
mais sobre a potência elétrica.
7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
127

7.2 POTÊNCIA ELÉTRICA

Analisando um tipo de carga, como as lâmpadas, pode-se perceber que nem


todas produzem a mesma quantidade de luz. Umas produzem grandes quanti-
dades e outras, pequenas quantidades. Veja, no exemplo a seguir, uma lâmpada
incandescente que produz 60 W e outra, 100 W.

60 W 100 W
127 V 127 V

Figura 64 - Lâmpadas produzem quantidades diferentes de luz


Fonte: SENAI-SP (2014)

Uma lâmpada incandescente de 60 W produz 715 lúmens1 de


fluxo luminoso e uma lâmpada econômica de 15 W produz
790 lúmens. Através de um cálculo simples concluímos que,
 VOCÊ se você trocar a lâmpada incandescente de 60 W por uma
SABIA? lâmpada econômica de 15 W, você estará economizando 45
W de consumo de energia. Isso acontece porque na lâmpada
incandescente de 60 W, aproximadamente 50 W transformam-
se em calor e apenas 10 W, em luz,

Vamos dar outro exemplo: talvez você já tenha entrado em um elevador tão
rápido que sentiu até um “frio na barriga”, quando ele se movimentou. Em outras
ocasiões, porém, você pode ter ficado nervoso por achar que o elevador estava
demorando demais para chegar ao piso em que queria ir.

Os dois elevadores fazem o mesmo trabalho: levam você de um piso a outro


de um edifício. A diferença é que um deles, tendo um motor mais potente, deslo-
ca-se mais rapidamente, portanto, realiza o trabalho em menor tempo.
ELETRICIDADE GERAL
128

A potência permite relacionar o trabalho elétrico realizado e o tempo ne-


cessário para sua realização. Assim, a capacidade de cada consumidor produzir
um trabalho em determinado tempo por meio da energia elétrica é chamada de
potência elétrica, que é representada pela seguinte fórmula:

 τ
P =

Nessa fórmula:

a) P é a potência;

b) τ (lê-se “tau”) é o trabalho; e

c) t é o tempo necessário para realizar o trabalho.

Para dimensionar corretamente cada componente em um circuito elétrico,


é necessário conhecer a sua potência. Isso é muito importante em instalações
elétricas, por exemplo, quando o profissional tem de considerar, durante a ins-
talação, a potência de cada equipamento elétrico que será utilizado para poder
dimensionar corretamente os condutores que fornecerão a energia. Assim, é im-
prescindível que essa grandeza elétrica tenha uma unidade de medida para que
possa ser identificada e quantificada. A seguir vamos conhecê-la.

7.2.1 UNIDADE DE MEDIDA DE POTÊNCIA ELÉTRICA

A potência elétrica é uma grandeza e, como tal, pode ser medida. Sua unida-
de de medida é o watt, simbolizado pela letra W.

Um watt (1 W) corresponde à potência desenvolvida no tempo de um segundo


em uma carga, alimentada por uma tensão de 1 V, na qual circula uma corrente de 1 A.

Como qualquer outra unidade de medida, a unidade da potência elétrica tem


múltiplos e submúltiplos adequados a cada situação. Veja tabela a seguir.

Tabela 18 - Unidade de medida de potência elétrica


7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
129

Alguns valores são habituais nessa área de trabalho, conheça-os: no campo da


eletricidade, empregam-se habitualmente a unidade watt (W ) e seus múltiplos; e
na eletrônica, usam-se normalmente as unidades (W ) e seus submúltiplos.

Para fazermos a conversão de valores, seguimos as outras unidades de medi-


da. Os passos são os mesmos que os aplicados na conversão de valores do volt, já
vistos no capítulo 2. Usaremos, também, o mesmo tipo de gabarito:

Tabela 19 - Gabarito de conversão de valores de potência

Digamos, por exemplo, que você precise converter watt ( W) em quilowatt (kW)
e a medida que você tem é 2,5 W.

Para usar o gabarito, proceda como das outras vezes em que fizemos a conver-
são, de acordo com os passos a seguir.

a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, neste


caso, é o watt. Lembre-se de que a vírgula deve estar na linha após a uni-
dade. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três casas
na próxima linha.

b) Mude a posição da vírgula para a esquerda até chegar à divisão entre kW e


W (unidade que você quer).

c) Como não há nenhum número dessa nova posição da vírgula até o número
2, preencha as casas com zeros.
Corrente Alternada

Nos capítulos iniciais deste livro, estudamos a tensão, a corrente e o circuito elétrico. Nos
capítulos seguintes, vimos sobre a resistência elétrica e os resistores. Portanto, você já estudou
sobre como a tensão faz a corrente circular pelo circuito e também a maneira como as cargas
estão dispostas – em série, em paralelo ou mistas (em série e em paralelo) – e como isso in-
fluencia na quantidade de energia que cada componente do circuito recebe.

Isso tudo foi estudado em circuitos simples, alimentados por corrente contínua. Neste capí-
tulo, estudaremos um assunto de fundamental importância para todos os profissionais da área
eletroeletrônica, par ticularmente àqueles que se dedicarão à manutenção elétrica: a corrente
e a tensão alternadas monofásicas.

Veremos como a corrente é gerada e como é a forma de onda senoidal por ela manifestada.
Além disso, estudaremos um parâmetro muito importante para dimensionar circuitos para o
funcionamento dos mais variados equipamentos elétricos: a potência elétrica em corrente al-
ternada.

Assim, ao final deste capítulo, você saberá:

a) o que são corrente e tensão alternadas monofásicas;

b) o que é frequência de uma corrente (ou tensão) alternada;

c) identificar a unidade de medida da frequência, seus múltiplos e submúltiplos;

d) fazer as conversões entre a unidade, múltiplos e submúltiplos;

e) identificar o instrumento de medida de frequência;

f ) reconhecer a tensão e a corrente de pico em sinal alternado;

g) o que são tensão e corrente eficazes e como calculá-las; e

h) o que são tensão e corrente média e como calculá-las.

Esse conteúdo é muito importante para que você saiba interpretar o funcionamento de
circuitos elétricos.
ELETRICIDADE GERAL
160

9.1 CORRENTE E TENSÃO ALTERNADAS MONOFÁSICAS

Até agora, todos os circuitos que estudamos tinham como fonte de tensão
uma bateria que gerava corrente contínua, a qual circula, como mostram os cir-
cuitos representados a seguir.

Figura 81 - Circuitos de corrente contínua


Fonte: SENAI-SP (2014)

Nesses dois circuitos, a corrente elétrica que passa entre os pontos “A” e “B” va-
ria de direção conforme a posição da bateria no circuito. Essa é a principal carac-
terística da tensão alternada: muda constantemente de polaridade. Isso provoca
nos circuitos um fluxo de corrente, ora em um sentido, ora em outro.

A tensão alternada é a energia que a concessionária fornece aos consumidores


(indústrias, residências etc.). Ela tem como característica a forma de onda e sua
representação simbólica está indicada na figura a seguir.

Ângulos de
Rotação (o)

Figura 82 - Forma de onda do gerador AC e sua representação simbólica


Fonte: SENAI-SP (2014)

A forma de onda é senoidal e o seu ciclo se repete por 60 vezes por segundo,
que é o padrão de produção energética gerada pelas usinas no Brasil. Em um cir-
cuito elétrico, o gerador de tensão no ciclo positivo vai fazer circular a corrente
em um sentido, quando o ciclo da tensão fica negativo (portanto se inverte). Isso
significa que ele vai fazer a corrente circular em sentido contrário, como podemos
ver na figura seguir.
9 CORRENTE ALTERNADA
161

Figura 83 - Sentido da corrente em um circuito com gerador em tensão alternada


Fonte: SENAI-SP (2014)

O número de vezes que a tensão ou corrente varia por segundo é um parâme-


tro importante para diversas aplicações. Por exemplo: os celulares comunicam-se
com as estações rádios base com variações muito rápidas de sinais, a cada segun-
do. Entretanto, a variação do sinal de energia elétrica que você recebe em sua
casa varia pouco em cada segundo. Essa variação do sinal no tempo é batizada de
frequência, que veremos a seguir.

9.2 FREQUÊNCIA DE UMA CORRENTE (OU TENSÃO) ALTERNADA


Na seção anterior, apareceram algumas palavras novas: ciclo, onda, senóide,
período. Vamos ver o que elas significam?

Um ciclo corresponde a todos os valores produzidos pelo movimento dos con-


dutores da espira, quando eles cortam o campo magnético nos dois sentidos, de
maneira a formar uma senóide. O ciclo também pode ser chamado de onda ou
onda completa.

Meio-ciclo, meia-onda ou alternância são os nomes que se dão à metade


dos valores produzidos.

Matematicamente, dizemos que uma alternância sobre o eixo de referência é


positiva e a outra é negativa.

Se o condutor continuar girando no campo magnético com velocidade uni-


forme, outros ciclos serão produzidos. O número de ciclos produzidos em uma
unidade de tempo é chamado de frequência (f ).

O período (T) de uma tensão, ou corrente alternada, é o tempo necessário


para completar um ciclo. Ele é o inverso da frequência e a sua unidade é s (se-
gundos). A fórmula para o cálculo do período é:
1
 T =


9 CORRENTE ALTERNADA
169
169

Anotações:
Capacitores

10

Até este momento, estudamos dispositivos considerados resistivos, ou seja, aqueles que
oferecem resistência
resistência à passagem de corrente elétrica, mantendo o seu valor ôhmico constan-
te, tanto para a corrente contínua (CC) como para corrente alternada (CA).

Neste capítulo, estudaremos um componente reativo chamado capacitor. Um componen-


te reativo é aquele que reage às variações de corrente, gerando um efeito resistivo. A resistên-
cia ôhmica desse efeito varia conforme a velocidade da variação da corrente aplicada.

Os capacitores são componentes empregados nos circuitos eletroeletrônicos. Eles podem


cumprir funções de armazenar cargas elétricas. Além disso, são muito utilizados na correção
do fator de potência.

Estudaremos a constituição, os tipos e as carac terísticas dos capacitores, bem como a capa-
citância, que é a característica mais importante desse component
componente.
e.

Assim, ao fim do estudo deste capítulo, você poderá:

a) conceituar capacitor;

b) identificar o seu símbolo,


símbolo, assim como
como suas características de carga e descarga;

c) conhecer o conceito
conceito de capacitância
capacitância e sua unidade de medida;

d) identificar o equipamento
equipamento de medida do capacitor;

e) conhecer a tensão de trabalho do capacitor na associação


associação em paralelo;

f ) conhecer a tensão de trabalho do capacitor


capacitor na associação
associação em série;

g) calcular a capacitância
capacitância da associação
associação em paralelo;

h) calcular a capacitância
capacitância total na associação em série de capacitores;
capacitores;

i) conhecer o conceito
conceito de reatância
reatância capacitiva
capacitiva e o seu funcionamento
funcionamento em CA; e

 j) conhecer a relação entre a tensão e a corrente


corrente CA e a reatância
reatância capacitiva.
capacitiva.

Esses conhecimentos são importantes para que você compreenda o funcionamento de cir-
cuitos eletroeletrônicos.

Bons estudos!
ELETRICIDADE GERAL
172
172

10.1 CONCEITO DE CAPACIT


CAPACITOR
OR

O capacitor é um componente que tem como finalidade armazenar cargas elé-


tricas. Ele compõe-se basicamente de duas placas condutoras, denominadas de
armaduras, que são feitas por um material condutor que é eletricamente neutro.
neutro.

Em cada uma das armaduras, o número total de prótons e elétrons é igual.


Isso significa que as placas não têm potencial elétrico e que, entre elas, não há
diferença de potencial
potencial..

Essas placas são isoladas eletricamente entre si por um material isolante cha-
mado dielétrico. A cerâmica, o poliéster, o tântalo, a mica, o óleo mineral e as solu-
ções eletrolíticas são exemplos de materiais dielétricos.

Ainda existem capacitores antigos, instalados e


 VOCÊ funcionando cujo dielétrico é o óleo ascarel. O uso do
SABIA? ascarel está proibido pela portaria Interministerial nº 19, de
29 der janeiro de 1981, por ser um produto cancerígeno.
cancerígeno.

Ligados a essas placas condutoras estão os terminais para conexão com outros
componentes.

A figura a seguir mostra a representação esquemática das características cons-


trutivas de um capacitor.

terminal
(condutor)
terminal
(condutor)

armadura
armadura (condutor)
(condutor)
dielétrico
(isolante)

Figura 88 - Ilustração mecânica de um capacitor


Fonte: SENAI-SP (2014)
10 CAPACITORES
173
173

A utilização dos capacitores está relacionada ao material com o qual o dielétri-


co é fabricado. Veja-os no quadro a seguir
seguir..

Quadro 24 - Características dos capacitores e sua utilização

Em circuito de corrente contínua, o capacitor não permite a passagem da cor-


rente, diferentemente
diferentemente dos circuitos de correntes alternadas pelos quais o capaci-
tor permite a passagem da corrente. Como todo componente de circuitos, é re-
presentado por símbolos normalizados.

+ + +

Capacitor não polarizado Capacitor polarizado

Figura 89 - Representaç
Representações
ões simbólicas de capacitores polarizados e não polarizados
Fonte: SENAI-SP (2014)

As diferenças entre os capacitores não polarizados e os polarizados são resul-


tantes do material usado em seu dielétrico, que determina sua utilização nos cir-
cuitos. Veja a seguir.
se guir.

a) Capacitores não polarizados são componentes cujo dielétrico pode


ser de cerâmica ou poliéster, que são materiais que permitem a mudança
de polaridade. Por isso, são usados em circuitos de CA, como os de venti-
ladores, de refrigeradores e de aparelhos de ar condicionado que possue
possuem
m
motores monofásicos com capacitores. Os valores para esses capacitores
são muito baixos, pertencendo
per tencendo à ordem micro, nano e picofarads.
ELETRICIDADE GERAL
174

b) Capacitores polarizados possuem o dielétrico composto por uma fina


camada de óxido de alumínio ou tântalo para aumentar sua capacitância.
São usados em circuitos alimentados por corrente contínua e também em
temporizadores e em filtros de fonte CC.

Na indústria, os capacitores têm diversas aplicações,


 SAIBA sendo que uma delas, muito importante, é a correção do
MAIS fator de potência. Faça uma pesquisa e veja como esse
componente ajuda no controle da potência reativa.

A seguir vamos saber um pouco mais a respeito do capacitor, aprendendo


como é seu processo de carga e descarga.

10.2 CARACTERÍSTICAS DE CARGA E DESCARGA DO CAPACITOR

A utilização dos capacitores no circuito deve-se a uma característica muito im-


portante: a capacidade de se carregar e de se descarregar.

As quatro figuras a seguir, mostram o capacitor descarregado (1); no estado se-


guinte ele se carrega (2); na próxima, ele mantém a energia (3); e na fase final ele
se descarrega (4). Os estados variam em função dos estados das chaves CH1 e CH2.

Capacitor descarregado Carga do capacitor


1 C1 2 C1

      s
V V       n
R       s R       o
      r
      n        t
      o         é
        l
      r
       t       e
CH1         é
        l CH1
      e

CH2 CH2

VG VG
- V = 0 (tensão no capacitor) - Quando CH2 fecha, os elétrons da armadura
- Tensão da bateria é VG vão para o polo (+) da bateria e os elé trons do
- CH1 = CH2 = OFF (abertas) polo (-) da bateria vão para o outro lado da
- Não tem fluxo de elétrons armadura, essa transferência continua até
V = VG, que indica que o capacitor está
carregado e cessa o fluxo de elétrons.

Figura 90 - Capacitor em repouso e no estado de carga


Fonte: SENAI-SP (2014)
10 CAPACITORES
175

Conservação da carga Descarga do capacitor


C1 C1
3 4

      s       s
      n       n
      o       o
      r       r
       t
V         é
        l
V        t
        é
R       e R         l
      e

CH1 CH1
elétrons
CH2 CH2

VG VG
- Fazendo CH2 = OFF - Faz CH1 = ON,
O capacitor continua os elétrons se deslocam
carregado ou seja mantém conforme o desenho e o
a energia. capacitor se descarrega até
V = 0 ecessa o fluxo de elétrons.

Figura 91 - Carga e descarga do capacitor


Fonte: SENAI-SP (2014)

Essa característica do capacitor é aproveitada na minuteria,


 SAIBA um componente que desliga automaticamente um circuito
MAIS de iluminação depois de cer to tempo, correspondente à
descarga do capacitor.

A função do resistor no circuito é fazer com que essa carga ou descarga do


capacitor demore mais ou menos tempo. Seu valor é calculado para que esse
tempo seja adequado para as mais diversas aplicações.

Esse processo de carga é descarga do capacitor está diretamente associado


a uma determinada capacidade de armazenamento de cargas elétricas do com-
ponente, ou seja, quando se constrói um capacitor, existe uma especificação de
quanto de cargas ele deve armazenar. Para isso, é usada uma grandeza chamada
capacitância que será mais detalhada a seguir.

10.3 CAPACITÂNCIA

A capacidade de armazenamento de cargas de um capacitor é chamada de


capacitância e é simbolizada pela letra C. Portanto, a capacitância é a medida da
carga elétrica Q a qual o capacitor pode armazenar por unidade de tensão V. A
representação matemática dessa relação é:
ELETRICIDADE GERAL
176

Q é a quantidade de cargas elétricas em coulomb (C);

Q
C= V é a tensão entre terminais em volts (V); e
V
C é a capacitância em farad  (F).

A grandeza física capacitância precisa ser identificada e quantizada, veja a se-


guir como se faz isso.

10.3.1 UNIDADE DE MEDIDA DA CAPACITÂNCIA

A unidade de medida da capacitância é o farad, representado pela letra F. Em


capacitância, não se usa fatores multiplicadores, apenas seus submúltiplos. Veja
na tabela a seguir os que são normalmente utilizados.

Tabela 22 - Unidade de medida de capacitância e seus submúltiplos

Fazemos a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de


medida que você já estudou neste livro. Os passos são os mesmos da conversão
de valores do volt, apresentada no capítulo 2. Usaremos, também, o mesmo tipo
de tabela:

Tabela 23 - Gabarito de conversão de valores de capacitância

Digamos que você precise converter nanofarad (nF) em picofarad (pF) e a me -


dida que você tem é 4,7 nF. Para usar a tabela, proceda da seguinte maneira:

a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que neste


caso é o nanofarad. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após o
nanofarad. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três
casas na próxima linha.
10 CAPACITORES
181
181

Quadro 25 - Associação série de capacitores e suas fórmulas

Fórmula aplicada em todos os casos

C1 C2 Cn
1 1 1 1 1
= + + ... Ct =
Ct C1 C2 Cn 1 + 1 + ... ... 1
C1 C2 Cn

Fórmula aplicada para associação série de dois capacitores

C1 C2
C1 x C2
Ct =
C1 + C2

Fórmula aplicada para associação série de vários capacitores iguais

“n” é o número de capacitores


C1 C2 Cn
C
Ct = onde “C” é a capacitância
n
C C C
“Ct” é a capacitância total

 FIQUE Você observou que o raciocínio para o cálculo do capacitor


ALERTA em série é o mesmo do resistor em paralelo?

A associação de capacitores em série é outra alternativa


alternativa na obtenção de valo-
res de capacitância
capacitância diferentes das comercializadas.
comercializadas. Vejamos
Vejamos a seguir um exem-
plo de como chegar a outras capacitâncias.

Exemplo 1

Calcule uma associação em série (Ct) de três capacitores com os seguintes va-
lores: C1 = 1 µF, C2 = 2 µF e C3 = 5 µF.

Solução:

Observar se todos os capacitores estão na mesma unidade de medida. Calcu-


lar Ct.

1 1 1 1 10 µ
Ct = Ct = = = = = 0,588 µF
1 1 1 1 1 1 10 + 5 + 2 17 17
+ + ... ... ... + +
C1 C2 Cn 1µF 2µF 5µF 10 µ 10 µ

Portanto, a capacitância total da associação série é:  Ct = 0,588 µF.


ELETRICIDADE GERAL
182
182

Exemplo 2

Calcule uma associação em série (Ct)  de dois capacitores com os seguintes
(Ct) de
valores: C1 = 0,1 μF, C2 = 0,5 μF .

Solução:

Observar se todos os capacitores estão na mesma unidade de medida (no


exemplo,, sim em µF). Calcular Ct.
exemplo

C1x C2 0,1µ x 0 , 5 µ 0,05 µ


Ct = = = = 0,083 µF
C1+ C2 0,1µ + 0, 5 µ 0, 6 µ

Obs.: Você deve lembrar que 1 uF = 10 -6, conforme estudamos


Obs.: estudamos no capítulo 2.

Portanto, a capacitância total da associação série é: Ct


é:  Ct = 0,083 µF.

Quando você precisar aplicar uma tensão maior do que a tensão de trabalho
do capacitor,
capacitor, a alternativa é fazer uma associação em série.

A tensão aplicada à associação se distribui inversamente proporcional às capa-


citâncias, ou seja, quanto maior a capacitância, menor a tensão e quanto menor a
capacitância, maior a tensão.

Para simplificar o processo de dimensionament


dimensionamento
o dos component
componentes
es do circui-
to, pode-se adotar um procedimento simples que evita a aplicação de tensões
excessivas em uma associação em série de capacitores. Para isso, associam-se em
série capacitores de mesma capacitância e mesma tensão de trabalho, como ve-
mos na Figura 93.

10 nF
C1 V1 220 V
250 V
+
G
440 V 10 nF
 -
C2 V2 220 V
250 V

Figura 93 - Circuito com capacitores em série com objetivo de aumentar a tensão de trabalho do capacitor individual
Fonte: SENAI-SP (2014)

Dessa forma, a tensão aplicada distribui-se igualmente sobre todos os capa-


citores.
10 CAPACITORES
183
183

Ao associar capacitores polarizados em série, o terminal


 FIQUE positivo de um capacitor é conectado ao terminal negativo
ALERTA do outro. E não se esqueça de que eles devem ser ligados
em CC.

Quando um resistor é inserido em um circuito elétrico alimentado, ele vai


apresentar uma resistência à passagem da corrente elétrica. Algo similar acontece
quando se insere um capacitor em um circuito alimentado com por uma tensão
alternada. Essa resistência é chamada
chamada de reatância capacitiva.
capacitiva. A seguir,
seguir, vamos
aprender mais a esse respeito.

10.6 REATÂNCIA CAPACITIVA

Em corrente alternada, os processos de carga e descarga sucessivas de um ca-


pacitor ligado em CA dão origem a uma resistência que se opõe à passagem da
corrente CA no circuito. Essa resistência é denominada de reatância capacitiva.
capacitiva. Ela
é representada pela notação Xc e é expressa em ohms (Ω) por meio da expressão:

Sendo que:
Xc é a reatância capacitiva em ohms ( );

1 f  é
 é a frequência da corrente alternada em hertz  (Hz);
 (Hz);
Xc =
2x xfxC
C é a capacitância do capacitor em farads (F); e

é a constante matemática cujo valor é 3,14...

Quando um capacitor está inserido em um circuito alimentado com tensão


alternada, como se comportam
comportam as tensões e as correntes
correntes no circuito?
circuito? A seguir
aprenderemos isso.
ELETRICIDADE GERAL
1844
18

10.6.1 RELAÇÃO ENTRE TENSÃO CA, CORRENTE CA E REATÂNCIA


CAPACITIVA
Quando um capacitor é conectado a uma fonte de CA, é estabelecido um cir-
cuito elétrico no qual estão envolvidos três valores: tensão aplicada, reatância
capacitiva e corrente circulante.
circulante.

Veja no circuito a seguir.

I
VCA

Vc C

Figura 94 - Capacitor conectado em CA


Fonte: SENAI-SP (2014)

Assim como ocorre nos circuitos de CC, esses três valores estão relacionados
entre si, nos circuitos
circuitos de CA por meio da 1ª Lei de Ohm. Portanto:
Portanto:

Sendo que:
Vc é a tensão
tensã o do capacitor em V (volts);

Vc = I x Xc I é a corrente eficaz no circuito em A (amperes); e

Xc é a reatãncia capacitiva em (ohms).

Vamos acompanhar um exemplo para fixar melhor esse conceito


conceito..

Exemplo

Baseado no circuito acima, em que o capacitor é de 4,7 µF e a rede de CA de


127 V,
V, 60 HZ, pergunta-se qual é a corrente circulante
circulante no circuito.

Solução::
Solução

Inicialmente, vamos calcular a reatância capacitiva do capacitor.

Em que: C = 4,7 µF
µF,, f = 60 Hz, V = 127 Vef 

Obs.: A capacitância na fórmula é inserida em farad.


Obs.: A f arad.

1 1
Xc =  =  = 564  Ω
2 π fC 2 x 3.
3.1
141
415
5 x 60 x 0,00
0,000
000
004
47
10 CAPACITORES
185
185

Portanto,, a reatância capacitiva é de 564 Ω.


Portanto
Calcular a corrente circulante “I” → usando a 1ª Lei de Ohm, em que:

Vc  127
I= = = 0,2248
Xc 565

Temos o valor da corrente circulante que é de 224,8 mA

 FIQUE É importante lembrar que os valores de V e I são eficazes,


ou seja, são valores que serão indicados por um voltímetro
ALERTA e um miliamperímetro de CA conectados ao circuito.

 RECAPITULANDO

Neste capítulo, você estudou que:


a) os dispositivos reativ os são aqueles que reagem com as variações de
reativos
corrente e cujo valor ôhmico muda conforme a velocidade da variação
da corrente nele aplicada;
b) o capacitor é um componente que tem como finalidade armazenar
cargas elétricas;

c) a capacitância é a capacidade de armazenamento de cargas de um


capacitor e é simbolizada pela letra C;
d) a capacitância  é a medida da carga elétrica Q que o capacitor pode
armazenar por unidade de tensão V;
e) a unidade de medida da capacitância é o farad, representado pela le-
tra F, e o instrumento para medi-la é o capacímetro;
f ) a tensão de trabalho de um capacitor é a máxima tensão que pode ser
aplicada a ele sem danificá-lo;
g) na associação em paralelo, que tem como objetivo alcançar maiores
valores de capacitância, os capacitores estão ligados de forma que a car-
ga total seja subdivida entre eles;
h) a capacitância total (Ct) da associação paralela é a soma das capaci-
tâncias individuais;
ELETRICIDADE GERAL
186

i) na associação de capacitores em paralelo, a máxima tensão que pode


ser aplicada é a do capacitor que tem menor tensão de trabalho;

 j) a associação em série de capacitores tem por objetivo alcançar capaci-


tâncias menores ou tensões de trabalho maiores;

k) na associação em série, a capacitância total é menor que o valor do


menor capacitor associado;

l) quando se aplica tensão a uma associação em série de capacitores, a


tensão aplicada divide-se entre eles;

m) a distribuição da tensão nos capacitores ocorre de forma inversa-


mente proporcional à capacitância, ou seja, quanto maior a capaci-
tância, menor a tensão e quanto menor a capacitância, maior a tensão; e

n) os processos de carga e descarga sucessivas de um capacitor ligado


em CA dão origem a uma resistência à passagem da corrente CA no
circuito, que é denominada de reatância capacitiva. Ela é representada
pela notação Xc e é expressa em ohms (Ω).

Esses conteúdos ajudarão você a interpretar o funcionamento de circuitos


eletroeletrônicos.
10 CAPACITORES
187

Anotações:
Indutores

11

Neste livro, você já estudou circuitos resistivos, que são aqueles que só têm resistores e os cir-
cuitos capacitivos, que só têm capacitores. Agora, você verá um componente chamado indutor.

Ele é amplamente utilizado em filtros para fontes de alimentação, em circuitos industriais,


passando pela transmissão de sinais de rádio e televisão.

Como você também já estudou o magnetismo, o eletromagnetismo, os circuitos de corrente


contínua e os de corrente alternada, não será difícil entender os fenômenos ligados ao magne-
tismo que acontecem nos indutores e o comportamento deles em CA e em CC.

Assim, depois de estudar o conteúdo deste capítulo, você saberá:

a) o que é um indutor e qual o seu símbolo;

b) que o indutor tem polaridade e como identificá-la;

c) o que é indutância;

d) qual é o efeito da indutância em circuito CC e CA;

e) qual a unidade de medida da indutância e suas conversões;

f ) fazer e calcular associações em série e em paralelo; e

g) o que é reatância indutiva.

Esses conhecimentos são importantes para que você compreenda o funcionamento de cir-
cuitos eletroeletrônicos.

Bons estudos!
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
207

A verdade é que o motor velho daquela geladeira velha tinha muita potên-
cia reativa que era usada apenas para fazer o motor girar e não para realizar
o trabalho de produzir frio! Por isso, o sacrifício de comprar um refrigerador
novo em dez prestações foi compensado no mês seguinte, quando a conta
de luz chegou e Miguel constatou que o consumo de energia tinha dimi-
nuído trinta por cento.

12.2 TRIANGULO DAS POTÊNCIAS

O triângulo das potências é a representação geométrica da relação entre as


potências aparentes, ativa e reativa.

A figura a seguir mostra os vetores de potência organizados geometricamente


em um triângulo retângulo. Esse é o triângulo das potências.

   a
   v
    i
   t
   a
   e
   r S
   a
    i
   c
Q
   n
    ê
   t
   o
   p
φ
P
potência ativa
Figura 102 - Triângulo das potências
Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe que o triângulo das potências é um triângulo retângulo, que, permite


a utilização do Teorema de Pitágoras para encontrar os valores desconhecidos
de qualquer um de seus lados.

Acesse um site de busca e pesquise sobre triângulo


 SAIBA retângulo e suas relações trigonométricas. Você pode
MAIS procurar também sites que tratam do Teorema de
Pitágoras.

Assim, se duas das três potências são conhecidas, a terceira pode ser determi-
nada por meio do Teorema de Pitágoras, seja por cálculo ou graficamente.
ELETRICIDADE GERAL
208

Portanto, temos o seguinte teorema para descobrirmos o valor faltante:

hipotenusa2 = (cateto adjacente)2 + (cateto oposto) 2

Isso corresponde a S2 = P2 + Q2, que nada mais é do que a fórmula para cálculo
da potência aparente.

a) O triângulo retângulo também permite uma relação trigonométrica na


qual o seno de um ângulo é a relação entre o cateto oposto e a hipotenusa:

cateto oposto Q
sen = sen =
hipotenusa S

b) O cosseno do ângulo é a relação entre o cateto adjacente e a hipotenusa:

cateto adjacente P
cos = cos =
hipotenusa S

O cosφ, também conhecido como fator de potência (FP), é a relação entre a


potência ativa e a potência aparente e aponta o quanto estamos usando de rea-
tivo. Quanto maior é essa relação, maior é o aproveitamento da energia elétrica.

A concessionária de energia elétrica especifica o valor


mínimo do fator de potência, que é medido pelo medidor
 VOCÊ de energia, em 0,92. Ele deve ser o mais alto possível, ou
SABIA? seja, próximo da unidade cos ϕ  = 1. Assim, com a mesma
corrente e tensão, consegue-se maior potência ativa, que é
aquela capaz de produzir trabalho no circuito.

Reutilizar motores antigos afeta o meio ambiente, pois, seu


 FIQUE consumo de energia elétrica é maior que o dos motores
ALERTA novos. Por terem baixo fator de potência, os motores antigos
podem consumir cerca de 40% a mais de energia elétrica!

Acompanhe um exemplo!

Determine as potências aparente, ativa e reativa de um motor monofásico, ali-


mentado por uma tensão de 220 V, com uma corrente circulante de 3,41 A e um
fator de potência de 0,8.

Desse problema temos que: fator de potência (fp) = cos φ = 0,8

a) Cálculo da potência aparente (S) →  S = V x I = 220 V x 3,41 = 750 →


S = 750 VA

b) Cálculo da potência ativa (P) → P = V X I cos φ = 220 x 3,41 x 0,8 = 600 →
P = 600 W
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
209

c) Cálculo da potência reativa (Q):


S2 = P 2 + Q 2 Q2 = S2 - P2 Q = √S2 - P2 = √ 750 2 - 600 2 = 450 VAr Q = 450 VAr

A seguir vamos aprender um pouco mais sobre o fator de potência (cos φ).

12.3 FATOR DE POTÊNCIA (FP)


A potência (FP) e sua expressão são:
P
FP = ou FP = cos ϕ
S

A maioria das instalações industriais e das residenciais possuem circuitos indu-


tivos por causa do uso de equipamentos indutivos, tais como motores e reatores
de lâmpadas.

O fator de potência – também comumente chamado de cosseno fi, porque


FP = cos φ – indica o quanto o circuito é resistivo, indutivo ou capacitivo.

Em circuitos formados por resistores e ou indutores, três situações são possíveis:

a) FP = 1 – Se a carga é puramente resistiva, não há potência reativa, portanto,


S = P. Nesse caso, a carga aproveita toda a energia fornecida pelo gerador
(efeito joule).

b) FP = 0 – Se a carga é puramente indutiva (ou reativa), não há potência ativa,


portanto, S = Q. Nesse caso, a carga não aproveita qualquer energia forne-
cida pelo gerador, ou seja, não dissipa potência, apenas troca energia com
o gerador.

c) 0 < FP < 1  – Se a carga é indutiva (impedância reativa indutiva) e resis-


tiva, há potência ativa e reativa, portanto, S 2 = P2 + Q 2. Nesse caso, a carga
aproveita somente uma parte da energia fornecida pelo gerador, ou seja,
somente a parte resistiva da carga dissipa potência por efeito  joule.

Acompanhe o exemplo!

Q = VL x I
S=VxI

P = VR x I

Figura 103 - Triângulo das potências


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
210

Uma rede de 220 Vca alimenta um motor, que consome 2000 W. Teve sua cor-
rente medida e o instrumento marcou 10 A. Qual é a potência reativa e o fator de
potência desse motor?

 A partir desse problema, podemos considerar que: P = 2000 W, I = 10 A (eficaz),


tensão da rede (V) = 220 Vef 

Para calcular a potência aparente, temos:

S = V x I = 220 x 10 = 2200 VA →  S = 2200 VA

Para calcular o FP, temos:

P 2000
FP = = = 0,91 FP = cos = 0,91
S 2200

Cálculo do ângulo φ:

Sabemos que cos φ = 0,91 → φ = arc cos 0,91 = cos -1 (0,91) = 24,5º → φ = 24,5º

Cálculo da potência reativa:

Q = V x I x sen φ = S x sen φ = 2200 x sen 24,5º = 2200 x 0,4 = 880 →  Q = 880 VAr

As distribuidoras controlam com muito rigor o fator de potência dos consu-


midores industriais. Em casos de desrespeito aos valores mínimos, são aplicadas
pesadas multas. Por isso, é importante conhecer bem esse tema.

A seguir vamos aprender como corrigir esse fator de potência.

12.3.1 CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA (FP)


Como você viu, o FP é a relação entre a potência ativa e potência aparente que
se dá por meio da fórmula:
 P
cos ϕ = FP = .
S

Conforme legislação vigente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)


determina que o valor do FP deve ser de, no mínimo, 0,92. Essa determinação faz
sentido porque a diminuição do fator de potência faz diminuir a potência ativa
(real), aumentando a potência reativa, o que implica um aumento de corrente,
portanto, aumento das perdas.

Na maioria dos casos, a instalação elétrica é formada por cargas indutivas,


como motores elétricos e lâmpadas fluorescentes. O comportamento delas exige
que analisemos o fator de potência e que, para aumentá-lo e assim diminuir as
perdas, sejam instalados capacitores no circuito.
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
211

Quando o circuito é indutivo, a corrente está defasada em relação à tensão.


Logo, a tensão está adiantada, fazendo com que o triângulo das potências
apresente a configuração apresentada à direita, na figura a seguir.

   a
   v
    i
   t
   a
   e S
V L    r Q
   a
    i
   c
   n
    ê
   t
   o
   p
φ
P (potência ativa)

(a) Circuito indutivo (b) Triângulo das potências para


circuito indutivo
Figura 104 - Potência em circuito indutivo
Fonte: SENAI-SP (2014)

Em um circuito capacitivo, a corrente está adiantada em relação à tensão. O


triângulo das potências correspondente a esse circuito está representado a seguir.

P (potência ativa)
φ
   a
   v
    i
   t
   a
   e
   r
   a
    i
Q
V C    c S
   n
    ê
   t
   o
   p

(a) Circuito capacitivo (b) Triângulo das potências para


circuito capacitivo
Figura 105 - Potência em circuito capacitivo
Fonte: SENAI-SP (2014)

Se unirmos os dois circuitos, faremos com que ocorra a diminuição da defasa-


gem, pois a potência aparente fica mais próxima da potência ativa, diminuindo a
potência reativa.

   a
   v
    i
   t
   a
   e
   r
   a
    i
   c
V L C    n
    ê
   t
   o
   p

φ
P (potência ativa)

(a) Circuito indutivo-capacitivo (b) Triângulo das potências para


circuito indutivo-capacitivo
Figura 106 - Potência em circuito indutivo e capacitivo
Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
212

A presença do capacitor no circuito corrige o fator de potência e faz com que


ocorra a diminuição da potência reativa. Assim, o valor da potência fica mais pró-
ximo do valor da potência ativa, havendo menor consumo de energia para que a
mesma quantidade de trabalho seja realizada.

No próximo item, iremos conhecer o equipamento medidor da potência ativa,


chamado de wattímetro.

12.4 MEDIDOR DE POTÊNCIA – WATTÍMETRO

O wattímetro é o instrumento usado para medir a potência. Ele pode ser uti-
lizado tanto em circuitos de CC como nos de CA, sendo que nesses o wattímetro
mede a potência ativa P dissipada por um dispositivo ou circuito.

A leitura é feita por meio do deslocamento da bobina móvel, que é ligada ao


ponteiro e é proporcional ao produto da tensão pela corrente em fase com ela, ou
seja, é proporcional à potência ativa P.

A seguir conheceremos um equipamento medidor do fator de potência cha-


mado de cossifímetro.

12.5 MEDIDOR DE FATOR DE POTÊNCIA – COSSIFÍMETRO

O cossifímetro é um instrumento que tem como finalidade medir o fator de


potência dos circuitos elétricos.

Como o FP é uma função direta da defasagem entre a tensão e a corrente, o


cossifímetro deve possuir pelo menos uma bobina de corrente e uma bobina de
tensão, de modo que o torque sobre as bobinas seja diretamente proporcional à
intensidade de campo nas bobinas e à defasagem entre as duas grandezas.

Por volta de 1855, o cientista francês Jean Bernard Leon


Foucault observou que para fazer girar um disco de cobre
colocado entre polos de um ímã era necessário haver mais
força que quandi não havia ímã. Isso acontecia porque
surgia uma corrente parasita no cobre que era produzida
 VOCÊ pela variação do fluxo do ímã no interior do metal. Essa
SABIA? variação de fluxo magnético induz uma fem no disco, que,
por sua vez, determina o aparecimento de uma corrente
elétrica em sua massa. Essa corrente induzida, chamada de
Corrente de Foucault (ou corrente parasita), gera um novo
campo magnético, que se opões ao campo magnético do
indutor, como nos ensina a Lei de Lenz.
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
213

 RECAPITULANDO

Neste capítulo, você aprendeu que:

a) a potência reativa, cuja unidade de medida é o volt-ampere reativo


(var), não realiza trabalho, mas é necessária para o funcionamento dos
motores, dos reatores e dos transformadores;

b) a potência ativa, cuja unidade de medida é o watt (W), é aquela que


realiza de modo efetivo os trabalhos requeridos, como o esforço de tor-
ção na ponta do eixo de um motor;

c) a potência aparente, cuja unidade de medida é o volt-ampere ( VA), é a


soma vetorial das potências reativa e ativa;

d) em um circuito capacitivo, a tensão do capacitor está atrasada 90° em


relação à corrente;

e) em um circuito indutivo, a tensão do indutor  está adiantada 90° em


relação à corrente;

f) o fator de potência mede o ângulo entre a potência ativa e a potência


aparente, determinando o quão reativo é o circuito;

g) a fórmula do fator de potência, determinada pelo ângulo φ é:

 P
FP = ;
S

h) de acordo com a legislação em vigor (Resolução ANEEL n° 456/2000), o


fator de potência padrão foi estabelecido em um valor mínimo de 0,92;

i) o wattímetro  é o instrumento de medição de potência ativa, cuja uni-


dade de medida é W; e

 j) o cossifímetro mede o fator de potência do circuito, que é representa-


do pelo ângulo entre a potência ativa e a potência aparente.

Esses conhecimentos são muito importantes para interpretar o funciona-


mento de circuitos eletroeletrônicos.
ELETRICIDADE GERAL
218

Tabela 26 - Cores utilizadas em comandos elétricos


Cor Estado Aplicação

Vermelho Anormal Indica que a máquina está paralizada por atuação de um


dispositivo de segurança
Amarelo Atenção Valor de uma grandeza aproxima-se do seu limite
Verde Pronto para operar Máquina pronta para operar
Incolor Normal Circuíto sob tensão em operação normal
Azul Outros  Todas as funções que não se aplicam como descrito acima

 Trabalhando em um ambiente de natureza diversificada, o eletricista indus-


trial precisa ter uma visão mais abrangente sobre o significado das cores, prin-
cipalmente, sob o aspecto de segurança. Imagine um eletricista diante de várias
tubulações pintadas com cores diferentes e precisando saber qual delas é a elétri-
ca. Nos itens a seguir, apresentamos algumas aplicações de cores em ambientes
industriais.

13.2.3 EMPREGO DE CORES PARA IDENTIFICAÇÃO DE TUBULAÇÕES, DE


ACORDO COM A NBR 6493
A utilização de cores na identificação de tubulações segue a NBR 6493. Con-
siderando-se isso, veja, na tabela a seguir, o emprego de cores em diversos tipos
de tubulação.

Tabela 27 - Emprego de cores para identificação de tubulações


Cor Nome da cor (geral) Produto que passa na tubulação Cor (nome técnico)
Alaranjado segurança Produtos químicos não gasosos (ex. soda cáustica) Munsell 2.5 YR 6/14

Amarelo segurança Gases não liquefeitos (amônia, ozônio) Munsell 5 Y 8/12

Azul segurança Ar comprimido Munsell 2.5 PB 4/10

Branco Vapor Munsell N 9.5

Cinza claro Vácuo Munsell N 6.5

Cinza escuro Painéis elétricos e eletrodutos Munsell N 3.5

Alumínio
baixa viscosidade (diesel, gasolina, querosene,

Marrom Canalização Materiais fragmentados (minério bruto), petróleo Munsell 2.5 YR 2/4

Preto Combustíveis viscosos (óleo BPF, asfalto) Munsell N1

Verde emblema Água, exceto de combate à incêndio Munsell 2.5 G 3/4

Vermelho segurança Água e outras substâncias de combate à incêndio Munsell 5 R 4/14

Fonte: Disponível em: http://tecem.com.br/site/downloads/tabelas/tabela_31.htm Acesso em: 28/03/2013.


13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
219

 VOCÊ Muitos acidentes não puderam ser evitados no passado


devido à inexistência de indicadores ou à incorreta
SABIA? identificação de circuitos energizados.

A seguir veremos as principais sinalizações pertinentes à área elétrica.

13.3 SINALIZAÇÃO ELÉTRICA


Sinalização elétrica é um procedimento padronizado destinado a orientar,
alertar, avisar e advertir, com o objetivo de eliminar riscos. Em eletricidade, a si-
nalização, em específico de segurança, deve fazer parte dos procedimentos de
trabalho.

O eletricista industrial deve preocupar-se com a sua própria segurança e com


a segurança do seu entorno. Por isso, aprenderemos a seguir como assegurar a
sinalização de segurança, a sinalização para a proteção de público e dos empre-
gados, a sinalização para proteção do eletricista e a sinalização de outros locais
de segurança.

13.3.1 SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA


A sinalização de segurança têm a finalidade de chamar à atenção de forma rápida
e inteligível, através de objetos com a finalidade de alertar sobre situações de perigo.

A figura a seguir mostra alguns artefatos utilizados em sinalização de segurança.

Figura 108 - Alguns materiais utilizadas em sinalização de segurança


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
220

Em serviços de eletricidade, adota-se a sinalização adequada de segurança,


destinada à identificação e à advertência, em conformidade com a NR-26 – Sinali-
zação de Segurança, de forma a atender, dentre outras, as situações a seguir:

a) identificação de circuitos elétricos;

b) travamentos e bloqueios de dispositivos e sistemas de manobra e comandos;

c) restrições e impedimentos de acesso;

d) delimitações de áreas; e

e) sinalização de áreas de circulação, de vias públicas, de veículos e de movi-


mentação de cargas.

13.3.2 SINALIZAÇÃO PARA PROTEÇÃO DE PÚBLICO E DOS EMPREGADOS


A sinalização para proteção de público e dos empregados é realizada quando
o serviço a executar oferecer perigo a pessoas ou ao tráfego. Nesse caso, a área de
trabalho deve ser isolada, conforme ilustra a figura a seguir.

Figura 109 - Sinalização de isolamento de área


Fonte: SENAI-SP (2014)

13.3.3 SINALIZAÇÃO PARA PROTEÇÃO DO ELETRICISTA


Essa sinalização de proteção tem o objetivo de informar o eletricista a respeito
de um procedimento de segurança que preserve a sua integridade física, como
no exemplo apresentado na figura a seguir.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
221

Figura 110 - Sinalização de segurança fixada no poste


Fonte: SENAI-SP (2014)

13.3.4 OUTROS LOCAIS COM SINALIZAÇÕES DE SEGURANÇA


Podemos observar, na figura a seguir, uma sinalização de segurança de delimi-
tação de área, que tem o objetivo de delimitar uma área de segurança.

Figura 111 - Sinalização de segurança para delimitação de área


Fonte: SENAI-SP (2014)

É necessário delimitar as distâncias mínimas de segurança


entre os locais de trabalho e partes energizadas, com
sinalização apropriada, levando em consideração estas
informações:
 VOCÊ Tensão Distância mínima
SABIA? 13,8 kV → 0,6 m
34,5 kV → 1,0 m
69 kV → 1,1 m
138 kV → 1,8 m
230 kV → 2,0 m
ELETRICIDADE GERAL
222

Existem locais de riscos que devem ser sinalizados de forma simples e direta.
Uma das formas mais utilizadas são os símbolos de advertência. A seguir vamos
aprender mais a esse respeito.

13.4 SÍMBOLOS DE ADVERTÊNCIA

Agora, vamos falar um pouco sobre “símbolo”. Ele representa ou sugere algo.
É um elemento essencial no processo de comunicação. Está incluído no nosso
cotidiano.
Nas últimas décadas, a comunicação, as viagens e o comércio tornaram-se
mais presentes entre os povos, com linguagens e costumes diferentes. O uso do
símbolo se intensificou bastante, por ser uma comunicação mais universal. A pró-
xima figura ilustra alguns símbolos universalmente conhecidos.

Figura 112 - Alguns símbolos universalmente conhecidos


Fonte: SENAI-SP (2014)

Na área da eletroeletrônica, especificamente em eletricidade, os símbolos têm


uma relevante importância no quesito segurança que são designados por “sím-
bolos de advertência”.

Os símbolos de advertência  são criados para chamar a atenção, serem


notados e interpretados, fornecendo informações necessárias para uma adequada
tomada de decisão, após serem observados.
Os símbolos de advertência têm a finalidade de facilitar o reconhecimento
do perigo a uma certa distância pela aparência geral (forma e cor), além de per-
mitir uma rápida identificação e tomada de decisão em função dos riscos.
O símbolo de advertência tem como propósito ser um método de comunica-
ção de informação segura ou relacionada à segurança para um público específico.
Outro propósito diz respeito à sua capacidade de promover um comporta-
mento seguro, reduzindo o comportamento de risco.
E, por fim, o símbolo de advertência tem a intenção de reduzir ou prevenir
problemas de saúde, ferimentos e danos a alguma propriedade.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
223

O universo de símbolos de advertência é muito vasto e não faz parte do


escopo deste livro expor todos. A seguir são mostrados alguns símbolos de ad-
vertência utilizados em eletricidade.

Quadro 27 - Alguns símbolos de advertência

PERIGO DE
MORTE
 ATENÇÃO
ALTA TENSÃO ATENÇÃO
USO EQUIPAMENTO
COM PARTIDA
AUTOMÁTICA

OBRIGATÓRIO
Destinado a advertir as pessoas Destinado a alertar quanto Destinado a alertar quanto à
quanto ao perigo de ultrapas- à obrigatoriedade do uso de possibilidade de exposição
sar áreas delimitadas onde determinado equipamento de a ruído excessivo e partes
haja a possibilidade de choque proteção individual volantes, quando de partida
elétrico, devendo ser instalado automática de grupos auxiliares
em caráter permanente. de emergência.

A seguir veremos alguns aspectos sobre os procedimentos de rotinas no tra-


balho

13.5 PROCEDIMENTOS DE ROTINAS NO TRABALHO


O eletricista industrial, pelo fato de conviver com a eletricidade no seu dia a
dia, deve estar ciente de que um erro no trabalho pode levá-lo à morte, seja de
forma direta ou indireta. O resultado final da ação da corrente elétrica no corpo
humano pode ser fatal.

Exatamente pelo fato de a eletricidade estar presente no seu cotidiano, o ex-


cesso de confiança faz com que ele não dê a importância necessária aos riscos
dela provenientes. O contato com partes energizadas faz com que a corrente cir-
cule pelo corpo humano, causando queimaduras, tanto internas como externas,
além de lesões físicas e psicológicas.
ELETRICIDADE GERAL
224

A resistência do corpo humano à passagem da corrente


elétrica é da ordem de 1300 ohms, quando úmido e,
dependendo da corrente que passa pelo corpo, pode ter os
seguintes efeitos:

Corrente Consequências
1 mA apenas perceptível
 VOCÊ
10 mA agarra a mão
SABIA?
16 mA máxima tolerável
20 mA parada respiratória
100 mA ataque cardíaco
2A parada cardíaca
3A valor mortal

Diante desse risco, o profissional da área, deve criar e ter sempre procedimen-
tos de rotinas de trabalho. Esses procedimentos têm como objetivo definir con-
dutas básicas, necessárias para a execução de atividades em sistemas e instala-
ções energizadas.

Qualquer procedimento de rotina de trabalho deve estar amparado pelas nor-


mas vigentes e compatíveis com a atividade afim, no caso especifico da área de
eletricidade, a norma NR 10 Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
– que deve ser de conhecimento do eletricista – contempla os requisitos de se-
gurança a serem adotados.

A norma NR-10, no item 10.5.1, contém um procedimento de trabalho de-


nominado “Segurança em Instalações Elétricas Desenergizadas” com o seguinte
conteúdo:

“Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas


 para o trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a sequência:

a) seccionamento;

b) impedimento de reenergização;

c) constatação da ausência de tensão;

d) instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos con-


dutores dos circuitos;

e) proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada;

f ) instalação da sinalização de impedimento de reenergização“.

Outro exemplo pode ser visto no próximo quadro , que aponta quais são os
procedimentos de rotina de trabalho de um eletricista de manutenção de uma
distribuidora.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
225

São eles:
a) solicite à concessionária o desligamento da unidade, se necessário;
b) trave mecanicamente, por meio de cadeado, as chaves seccionadoras;
c) retire os cartuchos das chaves fusíveis;
d) bloqueie o religamento remoto de disjuntores;
e) sinalize o poste com placas de advertência: “ATENÇÃO NÃO OPERE ESTE
EQUIPAMENTO”;
f ) isole o local com cordas, bandeirolas e cones para delimitar a área;
g) teste a linha ou rede com o uso de detector de tensão;
h) instale o conjunto de aterramento temporário na BT e na AT.
Vejamos a seguir algumas informações importantes sobre mapas de risco e
rota de fuga.

13.6 MAPA DE RISCO E ROTA DE FUGA


A presença dos mapas de risco nas empresas tem auxiliado muito na diminui-
ção do número de acidentes, o que mostra a necessidade de serem aprimorados.
A seguir, vamos aprender mais a esse respeito.

13.6.1 MAPA DE RISCO

A prevenção de acidentes de trabalho no Brasil sempre foi uma coisa séria.


Após décadas de inúmeras iniciativas sem sucesso para minimizar o problema, foi
criada, em 1944, a primeira legislação, estabelecendo a formação das Comissões
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – CIPAs.

No início da década de 70, com o aumento da


industrialização, o número de acidentes cresceu muito. De
1975 a 1976 esse número chegou a quase 10% dos seus
trabalhadores.
 VOCÊ Esse quadro catastrófico persistiu por várias décadas
SABIA? com elevadas perdas humanas e econômicas. Nesse
contexto, surgiu o Mapa de R isco. Essa iniciativa inédita
criou um instrumento que comprometia os dois lados, os
trabalhadores e os empresários com o objetivo de solução
do problema.
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
249
249

Os EPCs para aterramento temporário são utilizados para segurança. Eles são
de dois tipos:

a) Conjunto de aterramento temporário: é utilizado no aterramento de


chaves seccionadoras em Sistemas Elétricos de Potência (SEPs) sob inter-
venção de manutenção. Esse aterramento visa proteger os trabalhadores
de eventuais erros de manobra, tensões induzidas, descargas de capaci-
tores e atmosféricas ou energização acidental dos circuitos
circuitos.. A figura a seguir
mostra conjuntos de aterramento temporário.

Figura 130 - Conjuntos de aterramento temporário


Fonte: SENAI-SP (2014)

b) Varas de manobras: são usadas nos SEPs, em manobras de chaves elé-


tricas, operação de conjunto de aterramento temporário, operação de de-
tectores de tensão e substituição de fusíveis em redes de distribuição de
energia. A figura a seguir mostra um conjunto de varas de acionamento

Figura 131 - Varas de manobra


Fonte: SENAI-SP (2014)

Os dispositivos de bloqueio de chaves são utilizados para impedir o aciona-


mento de chaves durante as intervenções em instalações elétricas. A figura a se-
guir mostra os EPCs para bloqueio de chaves.
ELETRICIDADE GERAL
250
250

Cadeado Garra de travamento Cartão de advertência

Figura 132 - Dispositivos de bloqueio de chaves


Fonte: SENAI-SP (2014)

 CASOS E RELATOS

Nunca deixe o EPI de lado.

Sr. Valdemar da Silva Teimosia era um profissional com muitos anos de ex-
periência em manutenção elétrica. Devido ao aumento de serviço, a em-
presa em que ele trabalhava há 25 anos dec
decidiu
idiu contratar
contratar um estagiário para
ajudar nas tarefas diárias.

Logo que chegou ao setor de Manutenção, o estagiário retirou seus ador nos,
guardando-os em seu armário, separou os EPIs que recebeu da empresa e
apresentou-se para o trabalho. Ao obser var tais atitudes, Sr.
S r. Valdemar
Valdemar foi logo
repreendendo o novato, dizendo-lhe que nada disso seria necessário, pois os
acidentes ocorrem somente com aqueles que não têm atenção ao trabalho.

Pacientemente, o estagiário lhe explicou que os acidentes podem ocorrer


em qualquer momento e que o maior beneficiado com a segurança é o pró-
prio trabalhador. Citou também alguns exemplos de acidentes dados na es-
cola, nas aulas de Segurança do Trabalho.
Trabalho.

As palavras ditas pelo novato fizeram Sr. Valdemar refletir sobre suas atitu-
des. Não seria nada agradável se ele, após tantos anos de trabalho, sofresse
um acidente que o deixasse incapacitado pelo resto de sua vida. Assim, o
experiente profissional começou a utilizar seus EPIs, que há muito tempo
estavam guardados em seu armário.
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
251
251

Um dia, ao fazer um serviço


ser viço no setor de Tornearia da empresa, Sr.
Sr. Valdemar
Valdemar
foi surpreendido por fragmentos de aço que foram projetados na direção
dos seus olhos. Quando retornou ao seu setor
setor,, notou que as lentes dos seus
óculos de proteção estavam danificadas, pois haviam sido atingidas por
aqueles fragmentos. Emocionado,
Emocionado, ele chamou o estagiário, abraçou o nova-
to e agradeceu pelos conselhos que salvaram sua visão.

A partir desse dia, Sr. Valdemar passou a ajudar nas atividades da CIPA na
empresa, orientando aqueles que, assim como ele, não davam importância
ao uso de EPIs.

 RECAPITULANDO

Neste capitulo, você aprendeu sobre:

a) as ferramentas e os equipamentos apropriados para cada tipo de ati-


vidade realizada pelo eletricista e a importância de identificá-los para o
uso correto;

b) o alicate e a escada, que são os component


componentes
es mais utilizados pelo ele-
tricista, mas que exigem atenção quanto às regras de segurança; e

c) os principais aspectos referentes à segurança, com ênfase aos EPIs e


EPCs mais usados pelos instaladores de sistemas elétricos prediais.

Esperamos que, após os estudos realizados até aqui, você esteja apto a de-
finir as ferramentas e os equipamentos de segurança necessários para a ins-
talação de sistemas elétricos, quando for planejar seu trabalho.

Parabéns! Você venceu mais uma etapa rumo ao seu objetivo final. Agora
você conhece as principais ferramentas e dispositivos de proteção que de-
vem ser utilizados pelo eletricista. Muito em breve você vai ter a oportuni-
dade de utilizá-los.
Sistemas de Distribuição

15

Nos capítulos anteriores, você adquiriu todo o conhecimento básico sobre eletricidade.
Neste, vai aprender os caminhos que a eletricidade percorre da geração até o consumidor e de
que maneira ela é distribuída para os diversos tipos de consumidores.

Assim, ao final deste capítulo você será capaz de:

a) reconhece
reconhecer,
r, de forma geral, um sistema energético;
energético;

b) entender o que é geração;

c) saber o que é estação elevadora;

d) compreender o que é transmissão;

e) saber o que é estação rebaixadora;


rebaixadora;

f ) entender o que é distribuição;

g) explicar as formas de distribuição


distribuição de energia ao consumidor;
consumidor; e

h) reconhece
reconhecerr os perfis dos consumidores.
consumidores.

Esperamos que este capítulo possa ajudá-lo a ter uma visão dos sistemas de distribuições
de energia e de algumas particularidades
par ticularidades a eles associados.
ELETRICIDADE GERAL
254

15.1 VISÃO DO SISTEMA ENERGÉTICO

Como as hidrelétricas do nosso país, geralmente, estão longe dos grandes cen-
tros de consumo, é possível imaginar a importância da transmissão e da distribui-
ção da energia elétrica no planejamento energético do país.

Os consumidores de energia elétrica (indústrias, hospitais, residências etc.)


têm seu provimento, normalmente, vindo de concessionária de energia elétrica
também conhecida como distribuidora.

A figura a seguir ilustra de forma simples um modelo de sistema de geração,


transmissão e distribuição de energia elétrica.

GERAÇÃO
 Transformador

 TRANSMISSÃO
Subestação
Usina Hidroelétrica
 Transmissora

Subestação
Distribuídora

CONSUMIDORES
COMERCIAIS
E INDUSTRIAIS
DISTRIBUIÇÃO

CONSUMIDORES RESIDENCIAIS

Figura 133 - Ilustração das diversas etapas do estágio da geração de energia elétrica até o consumidor
Fonte: SENAI-SP (2014)

Em geral, o ciclo completo de geração de energia elétrica até o consumidor é


feito em cinco estágios:

a) geração;
b) elevação da tensão;
c) transmissão;
d) estação rebaixadora; e
e) distribuição.

Vejamos cada um deles.


15 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO
255

15.1.1 GERAÇÃO
 A geração é a conversão da energia cinética da água que move as pás do ge-
rador e gera uma tensão que está dentro da faixa de 2 kV a 15 kV.

15.1.2 ELEVAÇÃO DA TENSÃO


A transmissão da energia com a tensão da geração por longas distâncias é invi-
ável devido às perdas nos cabos. Por isso, é necessário elevar a tensão para fazer a
transmissão dessa energia. Isso é feito por meio da “estação elevadora de tensão”,
para uma faixa de tensão entre 138 kV a 765 kV.

15.1.3 TRANSMISSÃO
As usinas geradoras nem sempre situam-se próximas aos centros consumi-
dores. Por isso, é preciso transportar a energia elétrica produzida nas usinas até
os locais de consumo: cidades, indústrias, fazendas e outros. Para realizar esse
transporte é que são construídas as subestações e as linhas de transmissões. Esse
transporte de energia é feito com tensões entre 138 kV a 765 kV .

15.1.4 ESTAÇÃO REBAIXADORA


A função do sistema de transmissão é levar energia próxima aos centros de
distribuição. Entretanto, para que possa ser utilizada pelos consumidores em in-
dústrias, residências etc., é necessário fazer a conversão de alta tensão, na faixa de
138 kV a 765 kV, para média tensão, na faixa de 2 kV a 34 k5, sendo as mais comuns
13 k 8 V e 34 k 5 V.

O local onde se processa essa conversão é chamado de estação rebaixadora,


também conhecida como abaixadora, ou subestação de distribuição. Uma subes-
tação de distribuição tem como características:

a) possuir transformadores para a redução da tensão para a distribuição e

b) possuir, em geral, dispositivo como disjuntores e chaves com a finalidade


de desconectar-se da rede de transmissão ou distribuição.
ELETRICIDADE GERAL
256

15.1.5 DISTRIBUIÇÃO
 A rede de distribuição recebe a energia da subestação em um nível de tensão
adequado à distribuição por toda a cidade e em valores contidos na faixa de 2 kV
a 34 k 5 V. Os valores mais comuns de tensão de 13 k 8 V e 34 k 5 V são utilizados
pelos grandes consumidos. Conhecida como rede primária, para os pequenos
consumidores, essa tensão é transformada para a tensão secundária por meio de
transformadores instalados nos postes das cidades. Essa tensão fornece a energia
elétrica diretamente para as residências, para o comércio e outros locais de con-
sumo, em um nível de tensão adequado ao uso.

A figura a seguir ilustra um sistema de distribuição.

Subestação
Distribuídora

CONSUMIDORES
COMERCIAIS
E INDUSTRIAIS
DISTRIBUIÇÃO

CONSUMIDORES RESIDENCIAIS
Figura 134 - Ilustração de um sistema de distribuição
Fonte: SENAI-SP (2014)

A distribuição de energia está muito vinculada à concessionária (distribuidora)


de cada região, não havendo uma padronização de fato.

Algumas variantes de fornecimento de energia, que serão descritas no próxi-


mo item, podem ser encontradas entre as diversas distribuidoras.

15.2 FORMAS DE DISTRIBUIÇÃO PARA O CONSUMIDOR


A distribuição da energia ao consumidor deve ser escolhida considerando-se
a potência a ser consumida e os limites de utilização da fonte disponível pelo dis-
tribuidor da energia elétrica .

O sistema de distribuição de energia elétrica no Brasil é operado por 64 con-


cessionárias. O fornecimento de energia fornecido por elas aos consumidores não
segue um padrão propriamente dito.
ELETRICIDADE GERAL
260

Com esse padrão de distribuição, a Eletropaulo pode fornecer, de acordo com


o transformador, em:

a) Triângulo (Delta)

• monofásico: 115 V (F-N) e 230 V (F-F) em dois fios;


• bifásico: 115 V (F-N), 115 V (F-N) e 230 V (F-F) em três fios;
• trifásico: 230 V, em três fios.

b) Estrela

• monofásico: 127 V (F-N) e 220 V (F-F) em dois fios;


• bifásico: 127 V (F-N), 127 V (F-N) e 220 V (F-F) em três fios;
• trifásico: 220 V em quatro fios.

c) Estrela (outro transformador)

• trifásico: 380 V, em quatro fios.

O sistema trifásico é o mais utilizado na transmissão


de energia elétrica. Em geral, existe uma preferência
por sistemas trifásicos em vez de monofásicos para a
transmissão de energia por diversas razões, das quais
destacamos as seguintes:
a) condutores de menor diâmetro podem ser usados para
 VOCÊ transmitir a mesma potência à mesma tensão, o que
SABIA? reduz os custos de instalação e manutenção das linhas;
b) linhas mais leves são mais fáceis de instalar, sendo que
as torres de sustentação podem ser mais delgadas e
mais espaçadas;
c) equipamentos e motores trifásicos apresentam melhores
características de partida e de operação que os sistemas
monofásicos.
15 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO
261

 CASOS E RELATOS

Joaquim, um eletricista muito experiente, em uma determinada manhã


de terça-feira foi chamado por uma pequena empresa metalúrgica, para a
qual, normalmente, prestava serviços de manutenção. O dono pediu deses-
peradamente que ele fosse até lá, pois estava acontecendo um problema
elétrico e a produção não poderia parar por muito tempo.

Assim que o eletricista chegou ao local, fez a análise da situação e concluiu


que o problema vinha de fora da rede interna, mais precisamente da rede
de distribuição. Ele, então, explicou ao dono da empresa que esse tipo de
manutenção era de responsabilidade da distribuidora de energia e o que
poderia entrar em contato com ela para explicar o problema e solicitar, com
urgência, o reparo.

Esse caso nos mostra que o eletricista tem que conhecer os limites de suas
responsabilidades.
ELETRICIDADE GERAL
262

 RECAPITULANDO

Neste capítulo aprendemos:

a) quais são as etapas de um sistema energético;

b) que a tensão de geração está entre 2kV a 15KV;

c) que, para a transmissão, é necessário elevar a tensão nas estações ele-


vadoras para minimizar as perdas nos cabos da transmissão;

d) que as usinas geradoras normalmente estão longe dos consumidores


e por isso são necessárias as linhas de transmissão para o transporte da
energia elétrica;

e) que a energia é transportada em alta tensão  e é convertida para


média tensão próxima aos centros de distribuição através das estações
rebaixadoras;

f) que a distribuição é a etapa na qual a energia é conduzida para os con-


sumidoras através de uma rede de média e baixa tensão;

g) que a energia é distribuída para consumidores em baixa tensão em sis-


temas monofásicos até 12 kW;

h) que a energia é distribuída para consumidores em baixa tensão em sis-


temas bifásicos até 25 kW;

i) que a energia é distribuída para consumidores em baixa tensão em sis-


temas trifásicos até 75 kW;

 j) que a energia acima de 75 kW é distribuída para usuários em media


tensão; e

k) que a forma de distribuição e tensão pode variar entre concessionárias.

Parabéns você chegou ao final deste livro! Foi uma longa caminhada, mas
muito importante! Aqui você aprendeu todos os conceitos básicos de ele-
tricidade. A etapa seguinte será colocar a mão na massa, por meio da uni-
dade curricular Instalações Elétricas.

Boa sorte!
SENAI � DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA � UNIEP

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Gerente Executivo

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 Tratamento de Imagem

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Laura Martins Rodrigues 
Diagramação

i-Comunicação 
Projeto Gráfico

Observação: 
Este livro contém conteúdos extraídos e adaptados de:
SENAI-DN e SENAI-SP. Eletricidade . SENAI-DN: Brasília, 2013 (Série Eletroeletrônica).

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