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NEUROANATOMIA

FEEVALE- CURSO DE MEDICINA

Marcelo Borelli

ATM 24/1
 Tronco Encefálico e Cerebelo
 Diencéfalo
 Tabela nervos
TRONCO ENCEFÁLICO

Localiza-se ventralmente ao cerebelo. Na sua constituição entram corpos de neurônios


que se agrupam formando núcleos e fibras nervosas que, por sua vez, formam feixes
denominados fascículos ou tratos; relacionados com relevos ou depressões de sua
superfície. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas
que entram na constituição dos nervos cranianos; dos doze pares que fazem conexão
com o tronco encefálico.

O Tronco Encefálico divide-se: bulbo (caudalmente), mesencéfalo (cranialmente) e


ponte (situada entre ambos).

Bulbo

 O bulbo ou medula oblonga tem formato de cone e sua extremidade menor


continua caudalmente com a medula espinhal.
 Considera-se que ela acaba imediatamente acima do filamento radicular do
primeiro nervo cervical, o que corresponde ao nível do forame magno.
 Na área ventral observa-se a fissura mediana anterior, e, de cada lado dela existe
uma eminencia alongada, a pirâmide, formada por um feixe de fibras nervosas
descendentes que ligam áreas motoras do cérebro aos neurônios motores da
medula espinhal (trato corticoespinhal). A decussação das pirâmides: fibras do
trato caudal cruzam obliquamente o plano mediano em feixes interdigitados que
obliteram a fissura mediana anterior.
 Entre o sulco lateral anterior e sulco lateral posterior, temos a área lateral do
bulbo, onde se observa a oliva, que é formada por uma grande quantidade de
massa de substância cinzenta, o núcleo olivar inferior, situado logo abaixo da
superfície. Ventralmente a oliva emergem, do sulco lateral anterior, os
filamentos radiculares do nervo hipoglosso. Do sulco lateral posterior emergem
os filamentos radiculares, que se unem para formar os nervos glossofaríngeo e
vago, além dos filamentos que constituem a raiz craniana ou bulbar do nervo
acessório, proveniente da medula.
 A metade caudal do bulbo, ou porção fechada do bulbo é percorrida por um
estreito canal, continuação direta do canal central da medula. Esse canal se abre
para formar o IV ventrículo. O sulco mediano posterior termina a meia altura do
bulbo. Contribui para formar os limites laterais do IV ventrículo. Entre este
sulco e o sulco lateral posterior está situada a área posterior do bulbo,
continuação do funículo posterior da medula. Fascículo Grácil e Fascículo
Cuneiforme são constituídos por fibras nervosas ascendentes, provenientes da
medula, que terminam em duas massas de substancia cinzentas.

Ponte
 A Ponte é a parte interposta entre o bulbo e o mesencéfalo. Situada ventralmente
ao cerebelo e fica sobre a parte basilar do osso occiptal e o dorso da sela
túrcicado esfenoide.
 Ventralmente há numerosos feixes de fibras transversais que a percorrem; essas
convergem de cada lado para formar um volumoso feixe, o pedúnculo cerebelar
médio, que penetra no hemisfério cerebelar correspondente.
 No limite entre a ponte e o pedúnculo cerebelar médio, emerge o nervo
trigêmeo (V par craniano). Esta emergência se faz por duas raízes, uma maior,
ou raiz sensitiva do nervo trigêmeo, e outra menor, ou raiz motora do nervo
trigêmeo.
 Ventralmente a superfície da ponte existe o sulco basilar, onde se aloja a artéria
basilar.
 A parte ventral da ponte é separada do bulbo pelo sulco bulbo-pontino, de onde
emergem de cada lado, a partir da linha mediana, o VI, VII e o VIII pares
cranianos.
 A parte dorsal da ponte e a parte dorsal da porção aberta do bulbo constituem o
assoalho do IV ventrículo.

IV Ventrículo

 Situações e Comunicações:
 Denomina-se também cavidade rombocefálica e situa-se entre o bulbo e a
ponte, ventralmente, e o cerebelo, dorsalmente.
 Caudalmente continua com o canal central do bulbo e cranialmente com o
aqueduto cerebral (cavidade na qual o IV ventrículo se comunica com o III
ventrículo). O IV ventrículo se comunica com o espaço subaracnóideo por meio
das aberturas laterais – forames de Luschka. Há também a abertura mediana no
IV ventrículo (forame de Magendie). Por meio dessas cavidades o líquido
cerebroespinhal passa para o espaço subaracnóideo.
 Assoalho de IV Ventrículo
 O sulco limitante separa os núcleos motores, derivados da lamina basal e
situados medialmente aos núcleos sensitivos derivados da lâmina alar e
localizados lateralmente.
 No meio do assoalho do IV ventrículo a eminencia medial dilata-se para
constituir o colículo facial, formado por fibras do nervo facial, que, neste nível,
contornam o núcleo do nervo abducente.
 Na parte caudal da eminencia medial observa-se o núcleo do nervo hipoglosso.
 Lateral ao núcleo do nervo hipoglosso e caudalmente à fóvea inferior existe o
trígono do nervo vago, correspondente ao núcleo dorsal do nervo vago (tem
aspecto acinzentado).
 Lateralmente ao trígono do vago existe uma estreita crista oblíqua, o funículos
separans: região relacionada com o mecanismo do vômito desencadeado por
estímulos químicos.
 Lateralmente ao sulco limitante: núcleos vestibulares do nervo vestíbulo-coclear.
 Estendendo-se da fóvea superior em direção ao aqueduto cerebral, lateralmente à
eminencia medial, encontra-se o lócus-ceruleus, área de coloração mais escura
onde se encontram neurônios mais ricos em noradrenalina do encéfalo.

 Teto do IV Ventrículo
 A metade cranial é constituída de fina camada de substância branca. Já em sua
metade caudal é constituído pela tela corioide, estrutura formada pela união do
epitélio ependimário, que reveste internamente o ventrículo, com a pia-máter,
que reforça externamente esse epitélio. A tela corioide emite projeções
irregulares e muito vascularizadas que se invaginam na cavidade ventricular para
firmar o plexo corioide do IV ventrículo; a função desse plexo é produzir líquido
cerebroespinhal (líquor) e que se acumula na cavidade ventricular, passa para o
espaço subaracnóideo por meio das aberturas laterais da abertura mediana.

Mesencéfalo

 Interpõe-se entre a ponte e o diencéfalo e é atravessado pelo aqueduto cerebral:


responsável por ligar o IV e III ventrículo.
 Parte situada dorsalmente ao aqueduto é o teto do mesencéfalo.
 Ventralmente ao teto estão os dois pendúnculos cerebrais; se divide em parte
dorsal: predominantemente celular (tegmento) e parte ventral: formada por
fibras longitudinais, a base do pedúnculo.
 O tegmento é separado da base por uma área escura, a substância negra,
formada por neurônios que contêm melanina e produz dopamina (hormônio do
sono).
 Correspondendo a substância negra na superfície do mesencéfalo, existem dois
sulcos: sulco lateral do mesencéfalo e sulco medial do pedúnculo cerebral; esses
marcam o limite entre a base e tegmento do pedúnculo cerebral.
 Do sulco medial emerge o nervo oculomotor (III par craniano).
 Teto do Mesencéfalo
 Apresenta quatro eminencias arredondadas, os colículos superiores e inferiores;
caudalmente a cada folículo inferior emerge o IV par de nervos cranianos
(troclear). Os colículos se ligam a pequenas eminencias ovais do diencéfalo, os
corpos geniculados, através de estruturas alongadas que são feixes de fibras
nervosas denominados braços dos colículos. O colículo inferior se liga ao corpo
geniculado medial e faz parte da via auditiva. O colículo superior se liga ao
corpo geniculado lateral e faz parte da via óptica; o corpo geniculado lateral
faz parte da via auditiva.
 Pedúnculos Cerebrais
 Os pedúnculos cerebrais surgem na borda superior da ponte. Delimitam a fossa
interpeduncular, que é anteriormente limitada pelos corpos mamilares do
diencéfalo; o fundo da fossa apresenta pequenos orifícios para a passagem de
vasos e denomina-se substância perfurada posterior. Do sulco medial do
pedúnculo emerge de cada lado o nervo oculomotor.
CEREBELO

 Situado dorsalmente ao bulbo e à ponte; assim, contribui para formação do teto


do IV ventrículo. Separado do lobo occipital do cérebro pela Tenda do Cerebelo.
 Liga-se a medula e ao bulbo pelo pedúnculo cerebelar inferior e à ponte e ao
mesencéfalo pelos pedúnculos cerebelar médio e cerebelar superior.
 É importante para a manutenção do equilíbrio, postura e coordenação dos
movimentos e aprendizagem de habilidades motoras, por exemplo, andar de
bicicleta. Estudos recentes apontam que também está envolvido em algumas
funções cognitivas.
 É constituído de um centro de substância branca (corpo medular), de onde
irradiam as lâminas brancas do cerebelo, revestidas externamente por uma fina
camada de sustância cinzenta (córtex). Lesões traumáticas dessa região levam a
morte devida á lesão do assoalho do IV ventrículo, situado logo abaixo, e onde
estão localizados os centros respiratório e vasomotor. O cerebelo pode,
inclusive, ser retirado sem causar morte.
 Nódulo: último lóbulo do vérmis e fica situado logo acima do teto do IV
ventrículo.
 Flóculo: lóbulo do hemisfério, situado atrás do pedúnculo cerebelar inferior.
Liga-se ao nódulo pelo pedúnculo do flóculo, constituindo o flóculo-nodular:
responsável pela manutenção do equilíbrio.
 Tonsillas: em certas situações podem deslocar-se caudalmente penetrando no
forame magno e comprimindo a medula-oblonga, o que pode ser fatal.

DIENCÉFALO

 Dividido em tálamo, hipotálamo, epitálamo e subtálamo; nomenclaturas em


relação ao III ventrículo.

III Ventrículo

 Comunica-se com o IV ventrículo pelo aqueduto cerebral e com os ventrículos


laterais pelos forames interventriculares.
 No assoalho do III Ventrículo de diante para trás: quiasma óptico, infundíbulo,
túber cinéreo e corpos mamilares, estruturas pertencentes ao hipotálamo.
 A parede anterior é formada pela lâmina terminal; fina lâmina de tecido nervoso
que une os dois hemisférios e se dispõe entre o quiasma óptico e a comissura
anterior (tem fibras transversas que levam informação de um hemisfério para
outro). Lamina terminal e comissura anterior e as partes adjacentes das paredes
laterais pertencem ao telencéfalo.
Tálamo

 Todas as vias sensitivas passam pelo Tálamo, exceto: via sensitiva do olfato.
 Forma a parede do III ventrículo.
 3° neurônio das vias sensitivas fica no tálamo.
 A extremidade anterior de cada tálamo apresenta um tubérculo anterior: delimita
o forame interventricular.
 Cápsula interna: separa a face lateral do tálamo do telencéfalo. Formada por
feixe de fibras que liga o córtex cerebral a centros nervosos subcorticais.

Hipotálamo

 Controla o Sistema Nervoso Autônomo.


 Regula a temperatura.
 Controla as emoções.
 Regula o sono e vigília.
 Regula a fome e a sede.
 Regula a diurese.
 Regula o metabolismo H.C. e gorduras.
 Regula a adeno-hipófise.

Ou seja, regula o sistema nervoso autônomo e as glândulas endócrinas e é o principal


responsável pela homeostase.

 Principais estruturas:
 Corpos Mamilares
 Quiasma Óptico: recebe as fibras dos nervos ópticosm, que aí cruzam em parte e
continuam nos tratos ópticos que se dirigem aos corpos geniculados laterais.
 Túber Cinéreo: prende-se nele a hipófise por meio do infundíbulo.
 Infundíbulo: sua extremidade inferior continua com o processo infundibular, ou
lobo nervoso da neuro-hipófise.

Epitálamo

 Seu elemento mais evidente é a glândula pineal (epífise): produz o hormônio


melatonina, responsável pela regulação do nosso sono e também maturação
sexual.
 Síndrome de Pareno: não consegue olhar para cima e deve-se a um tumor na
glândula pineal.

Subtálamo

 Tem função motora.


 Fica abaixo do tálamo; limitado lateralmente pela cápsula interna e medialmente
pelo hipotálamo.

Par Craniano Núcleo Raiz


Nervo Olfatório (I) Ponte Ponte
Nervo Óptico (II) Ponte Ponte
Nervo Oculomotor (III) Ponte Mesencéfalo
Nervo Troclear (IV) Ponte Ponte
Nervo Trigêmeo (V) Ponte Ponte
Nervo Abducente (VI) Ponte Sulco bulbo-pontino
Nervo Facial (VII) Ponte Sulco bulbo-pontino.
Nervo Vestibulococlear (VIII) Ponte Sulco bulbo-pontino
Nervo Glossofaríngeo (IX) Bulbo Bulbo
Nervo Vago (X) Bulbo Bulbo
Nervo Acessório (XI) Bulbo Bulbo
Nervo Hipoglosso (XII) Bulbo Bulbo

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