Você está na página 1de 12

O PROTAGONISMO DOS LEIGOS NA MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA

A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II

Leonardo Envall Diekmann1

Resumo: No presente artigo, busca-se discorrer como o Concílio Vaticano II ressignificou a


importância dos leigos na vida e na missão da Igreja como protagonistas no processo de
evangelização e na atuação pastoral da mesma na atualidade. Ao voltar-se o olhar para a
história, percebe-se que o leigo ficou por muito tempo esquecido, participando da vida
eclesial de forma passiva, apenas assistindo as decisões e ações da Igreja, sem um espaço de
atuação. Assim, veremos no discorrer deste artigo, através do estudo de alguns documentos da
Igreja, que tal cenário vem mudando gradativamente desde o Cconcílio e, o leigo em fim, vem
conquistando seu espaço na vida eclesial, sendo, nas palavras do Evangelho, sal da terra e luz
do mundo, porém muito há para avançar.

Palavras-chave: Concílio Vaticano II. Igreja. Leigos. Protagonismo.

INTRODUÇÃO

O século XX foi marcado por diversos fatos e acontecimentos de grandes proporções


que desestabilizaram a sociedade, rompendo com a ordem estabelecida, desafiando a
humanidade à reflexão. Na vida da Igreja, o Concílio Ecumênico Vaticano II foi um divisor
de águas, pois conclamou toda a Igreja a refletir quanto a sua atuação no mundo, seus
métodos, abordagens e, campo de atuação. Em meio aos grandes temas abordados pelo
Concílio encontra-se o protagonismo dos leigos na vida e missão evangelizadora da Igreja no
mundo.
Já Leão XIII, em 1891, através de sua encíclica Rerum Novarum, incentivava os
cristãos a inserirem-se na sociedade a fim de cristianiza-la. Neste espírito renovador o
Concílio Vaticano II veio definir a Igreja como sujeito coletivo, povo de Deus, comunhão dos
fiéis no mesmo corpo de peregrinos rumo ao céu (Cf.:). Assim, cada seguidor de Jesus é
chamado a exercer a missão dentro do mundo e da Igreja de forma ativa e consciente. “O
leigo já não é mais entendido como um braço da hierarquia no mundo, mas como um sujeito
que por direito e dever decorrentes de sua condição eclesial deve agir na sociedade para
ajudá-la a se configurar sempre mais ao Reino de Deus” (REGINATTO, 2017, p. 33).
Houveram significativos avanços na caminhada de reflexão quanto a missão do laicato
na vida eclesial, considerando que o mesmo representa a maior parte da Igreja e que nela
exerce um importante serviço, porém, que precisa ser intensificado. A partir dos diferentes
serviços, carismas e ministérios, o laicato mantém viva a vida pastoral da Igreja. Entretanto,
1
Graduado em Filosofia pelo Instituto de Filosofia Berthier (IFIBE); Acadêmico do Curso de Graduação em
Teologia pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões URI/IMT. Artigo elaborado
para a disciplina de História da Teologia Moderna e Contemporânea. Entregue em maio de 2018 ao professor
Leandro José Kotz. E-mail: <diekleo@hotmail.com>.
ainda não parece claro seu campo de atuação, importância da missão e a necessidade de seu
protagonismo na vida da Igreja. Diante destas e outras inquietações busca-se discorrer este
artigo, apresentando a proposta inovadora do Concílio Vaticano II sobre a atuação do laicato
na vida eclesial, os avanços sobre este tema trazidos ao longo dos anos nos diferentes
documentos, a missão dos leigos na Igreja e na sociedade e os desafios ainda existentes frente
ao engessamento da estrutura eclesial e a necessidade da superação da dicotomia ordenados
versus não-ordenados, ainda presente na mentalidade da Igreja.

1 DEFINIÇÃO DO TERMO LEIGO

Do grego laikós, a palavra leigo deriva do termo laós, o povo de Deus (Cf.:?).
Diferentemente da compreensão negativa que assume na modernidade, passando a designar
aquele que não tem domínio ou conhecimento sobre algo, no vocabulário eclesial, trata-se de
um termo positivo, pois se refere a todos os batizados que congregados formam o povo de
Deus. “Vós sois a raça eleita, a comunidade sacerdotal do rei, a nação santa, o povo que Deus
adquiriu para si” (1Pd 2,9). Todavia, no Novo Testamento os termos usados para designar os
membros da comunidade dos seguidores de Jesus são: “santos”, “eleitos” ou ainda “irmãos”.
O termo “leigo” só será usado como tal no transcorrer da história para designar a grande
porção do povo de Deus diferenciando-os dos sacerdotes cuja função estava vinculada a
prestação de culto nda comunidade.
Ao voltar-se o olhar para o cristianismo primitivo da era apostólica, percebe-se a
crescente adesão de pessoas provenientes das mais variadas camadas sociais ao seguimento
iniciado por Jesus de Nazaré. “Mais e mais aderiam ao Senhor, todos juntos, de comum
acordo” (At 5, 12b). A Igreja nascente não estava estruturada na forma como a temos na
atualidade. Não havia hierarquia como a compreendemos hoje. As comunidades viviam
unidas pelos laços de fraternidade e gratuidade, “os que possuíam terrenos ou casas,
vendendo-os, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos” (At 4, 34b-
35). Aos apóstolos cabia-lhes a organização das comunidades nascentes, porém até então
nunca havia sido usado o termo leigo para se referir aos fiéis. A função que cada um
desempenhava na comunidade estava sempre a serviço do bem comum da comunidade,
exercendo cada ministério ou serviço de acordo com os carismas suscitados pelo Espírito na
comunidade. Assim, alguns eram chamados a atuarem como ministros (1Cor 4,1), outros
como presbíteros (Tt 1,5), outros ainda se sobressaem como epíscopos (Fl 1,1) e assim por
diante, pois o espírito sopra onde quer (Jo 3,8).
Já no século III d.C. começa a aparecer mais acentuada a distinção entre leigos e
sacerdotes. A Igreja apresenta-se bem estruturada e integrada ao Império Romano. Inicia-se
um processo de crescente valorização da tríade Epíscopos, Presbíteros e Diáconos nas Igrejas
locais, acentuando-se a distinção entre clérigos e plebe (cf. ALMEIDA, 2006, p. 42). Com o
decorrer do tempo, a sociedade irá depositar cada vez mais poder nas mãos do clero (cf.
FORTE, 1987, p. 30). Aos poucos vai se constituindo uma compreensão de que os leigos
constituem uma segunda categoria dentro do cristianismo e que a Igreja seria constituída pelos
clérigos e demais religiosos. Abre-se precedente para uma visão dualista, onde estão, de um
lado, os clérigos e religiosos munidos dos exercícios espirituais para a salvação e, de outro
lado, estão os leigos, movidos pelos impulsos carnais, as ações profanas e, mundanas.
Ora, tal compreensão vigorava no imaginário popular até pouco tempo,
compreendendo a ação clerical apenas como sendo serviço sagrado, homens dedicados
exclusivamente a oração, afastados do mundo e das realidades temporais. Poder-se-ia dizer
que, através de tal compreensão, o clero vivia fora do mundo, pois assim não seria
corrompido pela mentalidade mundana. Aos leigos, por estarem no mundo, cabia-lhes viver
segundo a realidade temporal, adquirindo bens, cultivando a terra, casando-se e multiplicando,
ou seja, ocupando-se com as coisas do mundo. À estes, era-lhes ofertada a salvação mediante
a renúncia dos vícios mundanos e a vivência do bem, seguindo as prescrições eclesiais.
A partir do século XVI diversos fatores levaram a um caminho de valorização do
humano a partir de uma nova visão de mundo, rompendo com os paradigmas antigos,
proporcionando o florescimento das artes, do pensamento e da reflexão crítica. O
Humanismo, o Renascimento, a Reforma Protestante, a Contra Reforma Católica, a
Revolução Francesa e a Revolução Industrial constituem grandes marcos históricos de uma
mudança não apenas de paradigmas, mas uma mudança de mundo, onde as estruturas
fundantes já não são mais as mesmas. A história vem interrogar a Igreja não só na maneira
como esta se apresenta no mundo, mas como ela realiza a reflexão sobre si mesma (cf.
FORTE, 2005, p. 15).
Chegando a nossos dias e observando a realidade na qual o ser humano está inserido,
pode-se ousar em dizer que o termo leigo, em seu sentido pejorativo, já não é possível de ser
aplicado aos homens e mulheres de nossa época. “Eles e elas [homens e mulheres] em nada
se consideram pessoas que não sabem, não entendem e, por causa disso, não têm voz e nem
vez. [...] Ttambém no ambiente eclesial, cada vez menos aceitam ser tratados como ‘ovelhas’”
(BLANK, ano, p. 2). Ora, a ovelha é aquela que precisa ser conduzida pelo pastor (Cf.?), e
talvez tal analogia já não caiba mais na compreensão do sujeito contemporâneo. Vive-se uma
época onde na qual os que são chamados de leigos possuem não só capacidade, mas alta
estima e competência para o exercício de diversas atividades que exijeam responsabilidade e
condições para os mesmos. Assim como a denominação leigo, seu campo de atuação não
corresponde aos anseios da realidade. É justamente frente as inquietações trazidas pela
modernidade e ainda vivenciadas em nossos dias que, o Concílio Vaticano II propõe sua
reflexão.

2 O LEIGO A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II

Com uma postura pastoral, o Concíilio Vaticano II abriu a Igreja ao diálogo com o
mundo e resgatou o papel e a importância do leigo na missão evangelizadora da Igreja. A
partir da reflexão conciliar, o povo de Deus é constituído por “aqueles que receberam o
batismo e participam, dessa forma, do tríplice múnus de Cristo” (SILVA, 2016, p. 247) –
profético, sacerdotal e régio. Os homens e as mulheres que abraçam a fé em Jesus Cristo,
aderindo ao seu seguimento, de acordo com o carisma2 suscitado pelo Espírito Santo, coloca-
2
Os carismas são dons que procedem do Espírito Santo, tais como falar em línguas (At 1,4.8-11), anunciar
maravilhas de Deus (At 1,15-21); profetizar (At 11,27s), conhecer entender e falar as Sagradas Escrituras
(At 13,1s); pregar a Boa Notícia do Reino (At 6,8s); Estar a serviço do Senhor (At 6,8).
se a serviço de Deus e da Igreja, pois “como em um só corpo temos muitos membros, mas
todos os membros não têm a mesma função, assim nós, embora sejamos muitos, somos um só
corpo em Cristo, e cada um de nós somos membros uns dos outros” (Rm 12, 4-5). Dessa
forma, o Concílio Vaticano II prevê aos leigos a mesma vocação e missão dos demais estados
de vida que compõem a Igreja. “A distinção que o Senhor estabeleceu entre os ministros
sacros e o restante do Povo de Deus traz em si certa união, pois que os Pastores e os demais
fiéis estão intimamente relacionados entre si” (LG. n. 32). Todo o povo de Deus, sem acepção
de pessoas ou cargos recebem a mesma graça, a fim de viver a condição de cristãos.
A Constituição Apostólica Lumen Gentium afirma que:

Pelo nome leigo aqui são compreendidos todos os cristãos, exceto os membros de
ordem sacra e do estado religioso aprovado na Igreja. Estes fiéis pelo batismo foram
incorporados a Cristo, constituídos no povo de Deus e a seu modo feitos pastícipes
do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, pelo que exercem sua parte na
missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo (ano, n. 31).

O Documento 62 da CNBB, Missão e Ministério dos Leigos e Leigas, lembra que os


leigos são, antes de tudo, cristãos, membros da Igreja (cf. n. 109) e a Igreja é o povo de Deus,
o Corpo de Cristo, Templo Vivo do Espírito Santo, onde cada cristão, a exemplo do próprio
Cristo, assume a partir dos dons que recebeu do Espírito a missão de anunciar o Reino de
Deus (Lc 4,43) a partir de algum ministério específico. Segundo o Catecismo da Igreja
Católica, “os leigos não só pertencem a Igreja, mas são a própria Igreja” (ano, n. 899). Todos
são chamados a missão, pois como nos diz o livro de Atos dos Apóstolos: “agora compreendo
que Deus não faz distinção de pessoas, mas que todo aquele que teme e pratica o bem lhe é
agradável, seja de que povo for (At 10,34). Todo o povo de Deus, leigos e clero, hierarquia ou
não, pelo batismo são igualmente filhos e filhas de Deus, sendo que cada qual, a seu modo,
cabe anunciar o Evangelho a todas nações.

A unidade da Igreja se realiza na diversidade de rostos, carismas, funções e


ministérios. É importante dar-nos conta deste grande dom da diversidade, que
potencializa a missão da Igreja realizada por todos os seus membros, em liberdade
responsabilidade e criatividade. O dom do Espírito se efetiva na ação concreta de
cada membro da comunidade, como explica o apóstolo Paulo. O critério da ação é a
edificação da comunidade (1Cor 14,12). Em função do bem comum, a comunidade
organiza-se no compromisso de cada membro e busca os meios de tornar mais
operante os dons recebidos do Espírito (CNBB, Doc. 105, n. 93).

Ao nos tornarmos cristãos, assumimos a condição de discípulos-missionários,


recebendo múltiplos serviços, ministérios e vocações. Estes não correspondem a funções, mas
sim a forma pela qual o batizado vive em Cristo pela ação do Espírito. Tais bens, que o cristão
recebe gratuitamente do Espírito devem frutificar no serviço à comunidade e à sociedade. “É
necessário assinalar que nós, cristãos leigos e leigas, [...] só entendemos, acolhemos e
exercemos a nossa identidade, vocação, espiritualidade e missão, na relação com os demais,
com os membros vivos do mesmo corpo” (REGINATTO, 2017, p. 17). Assim, mesmo em
oposição a lógica do mundo, o cristão é chamado a viver no mundo, conjugando a vida
presente e a vida eterna, colocando sua ação no presente, inserida na realidade em vista do
Reino definitivo, a cidade celeste (Fl 3,20).
O concílio mudou significativamente a visão que até então se tinha a respeito do leigo,
apontando para sua dignidade enquanto membro vivo do Corpo de Cristo. “Os leigos, que
devem tomar parte ativa em toda a vida da Igreja, não devem apenas impregnar o mundo com
o espírito cristão, mas são também chamados a ser testemunhas de Cristo, em todas as
circunstâncias, no seio da comunidade” (GS, n. 43). Mas, antes de qualquer coisa, todo
cristão, sem distinção de cargos, seja leigo, religioso ou membro do clero, é chamado a
vocação primeira e fundamental: a santidade. Para tanto João Paulo II chegou a afirmar:

Todos na Igreja, precisamente porque são seus membros, recebem e, por


conseguinte, partilham a comum vocação à santidade. A título pleno, sem diferença
alguma dos outros membros da Igreja, a essa vocação são chamados os fiéis leigos:
Todos os fiéis, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã
e à perfeição da caridade, todos os fiéis são convidados e têm por obrigação tender à
santidade e à perfeição do próprio estado (CfL. n. 18)

A santidade é resultado de uma vida autenticamente cristã. Não se trata de uma mera
recomendação moral, mas é sim “uma exigência do mistério da Igreja que não se pode
suprimir” (KLOPPENBURG, 2005, p. 264). O leigo é chamado a ser presença no mundo, de
tal forma que os que o olharem reconheçam nele um autêntico cristão, “sinal e testemunha de
Cristo em lugares onde a Igreja não alcança e não atinge. É como fermento na massa”
(KUZMA apud SILVA, 2016, p. 256). De sorte, existem tarefas distintas na vida eclesial que
não podem ser causa de confusão. Todavia, a diversidade de ministérios não justifica a
superioridade de uns sobre outros, tão pouco pode ser usada para gerar conflitos, rivalidades,
ações autoritárias, etc. Assim, a partir do Concílio uma ampla gama de documentos da Igreja
vem abordando e desenvolvendo riquíssimas reflexões quanto a importância dos leigos na
Igreja, sublinhando sempre que este processo de santificação se dá na inserção do cristão leigo
no mundo, nas atividades da vida cotidiana. O cristão é chamado a viver a santidade na
família, na vida profissional, social, política, fazendo-se testemunha visível da vontade de
Deus, impelindo aqueles que estão ao seu redor a buscarem também esta vida de santidade.
“Santidade como sujeito eclesial, vivendo fielmente sua condição de filho e filha de Deus, na
fé, aberto ao diálogo, à colaboração e a corresponsabilidade com os pastores. [...] Aassumindo
seus direitos e deveres na Igreja” (CNBB, Doc. 105, n. 119).
Aos poucos a Igreja vem tentando mudar a visão piramidal, bispos, padres, diáconos,
que “de cima” presidem, santificam e ensinam com autoridade e poder os leigos que se
encontram na base e se fazem receptivos ao que lhes é transmitido de forma passiva, sem
interação nas decisões. Há de se ter consciência que a hierarquia é uma instância passageira,
mas o povo de Deus é um estado permanente. Evidencia-se assim, não apenas a importância,
mas a necessidade da atuação dos leigos na vida pastoral da Igreja. Se por séculos a atuação
eclesial estava reduzida as “mãos” do clero, em nosso contexto atual, diante dos desafios
trazidos pela urbanização e o crescimento da população, o envolvimento cada mais maior dos
leigos na missão evangelizadora da Igreja se faz cada vez mais necessário. “É importante
salientar que esta ação laical da Igreja é, por vezes, o que dá vida à Paróquia, e cria/aumenta a
ideia de comunidade, além de transmitir o quão cada um do Povo de Deus é indispensável
para a missão do Reino” (SILVA, 2016, p. 252). O cristão é assim chamado ao discipulado,
sendo sal da terra e luz do mundo3 (Mt 5, 14-16).

É, porém, específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus
exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no século, isto
é, em todos e em cada um dos ofícios e trabalhos do mundo. Vivem nas condições
ordinárias da vida familiar e social, pelas quais sua existência é como que tecida. Lá
são chamados por Deus para que, exercendo seu próprio ofício guiados pelo espírito
evangélico, a modo de fermento, de dentro, contribuam para a santificação do
mundo. E assim, manifestam Cristo aos outros, especialmente pelo testemunho de
sua vida resplandecente em fé, esperança e caridade. A eles, portanto, cabe de
maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais
estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo
Cristo, para louvor do Criador e Redentor (LG. n. 31).

O documento conciliar ainda orienta aos fiéis a oferecerem seus préstimos com alegria
em vista do bem da Igreja, para a construção do Reino de Deus, sendo colaboradores dos
Pastores (cf. LG. n. 32), a exemplo de Cristo que, sendo Senhor fez-se servo (cf. Mt 20,28). A
exemplo de Jesus que não se calou ou se fechou nas sinagogas, restringindo-se ao
cumprimento da mosaica, o leigo é chamado a “ser sal e luz em um mundo de ódio, rancor,
injustiças e opressão” (SILVA, 2016, p. 256), assumindo o papel de protagonista da ação
evangelizadora. Porém, o que é ser protagonista? A palavra protagonismo vem do grego
prôtos, que significa primeiro ou principal, mais o sufixo anonía, que significa esforço ou
luta. Assim, “protagonista é a pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar ou o papel
principal” (KLOPPENBURG, 2005, p. 265). Ao ser protagonista, o cristão leigo assume a
missão de difundir a Boa Nova de Jesus, buscando unir forças com os irmãos para a
construção do Reino de Deus. “Jesus como leigo, rompeu barreiras doutrinais e a sua vida se
resume numa incessante busca por Deus e pelo outro. Sua ação é resultado de um amor capaz
de tudo, até mesmo de dar a própria vida” (KUZMA apud SILVA, 2016, p. 256).

3 LEIGOS CIDADÃOS DO MUNDO

O documento 105 da CNBB, Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade,


enfatiza em suas linhas que o primeiro campo de atuação e missão do leigo é o mundo (cf.
Doc. 105, n. 63), ressaltando a necessidade de uma ação evangelizadora transformadora frente
a realidade temporal que nos encontramos. “A Igreja deve cumprir sua missão seguindo os
passos de Jesus e adotando suas atitudes. Ele sendo o Senhor, se fez servidor e obediente até a
morte de cruz, ensinando-nos o caminho de nossa vocação” (Doc. Ap. n. 31). Assim, a missão
do leigo em primeiro lugar é anunciar o Evangelho. Tal envio é o próprio Senhor quem o faz:
“Dirigi-vos, antes, as ovelhas perdidas da casa de Israel. Dirigindo-vos a elas, proclamai que o
Reino dos Céus está próximo” (Mt 10,6-7).

[...] colaborem eficazmente para que os bens criados sejam aperfeiçoados pelo
trabalho humano, pela técnica e pela cultura, para o benefício de todos, segundo

3
Os leigos, porém, são especialmente chamados para tornarem a Igreja presente e operosa naqueles lugares e
circunstâncias onde apenas através deles ela pode chegar como sal da terra. Assim, todo leigo, em virtude dos
próprios dons que lhe foram conferidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da própria missão
da Igreja “na medida do dom de Cristo” (Ef 4,7) (LG. n. 33).
plano do Criador e à luz do seu Verbo. E assim, esses bens sejam distribuídos mais
aptamente entre os homens e a seu modo possam conduzir ao progresso universal na
liberdade humana e cristã. [...] com as forças conjuntas os leigos sanem as
instituições e condições do mundo, caso incitarem ao pecado. E isso de tal modo que
todas essas coisas se conformem com as normas da justiça e em vez de a elas se
oporem, antes favoreçam o exercício das virtudes. Agindo dessa forma, impregnam
de valor moral a cultura e as obras humanas. Dessa maneira, o campo do mundo é ao
mesmo tempo melhor preparado para a semente da palavra divina e assim abrem-se
mais largamente as portas da Igreja, pelas quais entre no mundo a mensagem da paz
(LG. n. 36).

Frente ao mundo globalizado, as incertezas de nossa época, o esvaziamento do


humano e o crescimento das desigualdades sociais, o cristão leigo, enquanto sujeito, é
chamado a atuar de forma consciente, livre e responsável, sendo sensível as necessidades de
cada realidade específica, assumindo uma postura de diálogo e abertura as diferentes culturas
e ambientes. Onde a indiferença, a mesquinhez, o individualismo e a ganância parecem ter
tomado conta das mentes e dos corações, “a alegria do discípulo é o antídoto a um mundo
atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio” (Doc. Ap. n. 29). Tal alegria
não constitui um sentimento de bem-estar egoísta, mas brota da certeza da fé de um coração
que se capacita para anunciar Jesus Cristo. Se a globalização trouxe avanços, praticidade e
possibilidades, unido a isso desenvolveu-se uma mentalidade materialista e uma lógica
individualista envolta num pensamento secularizado, onde cada indivíduo busca apenas a
satisfação do eu, agindo de forma indiferente com o outro. “Como consequência, o mundo do
trabalho, da política, da economia, da ciência, da literatura e dos meios de comunicação social
não são guiados por critérios evangélicos” (CfL. n. 97). A lógica das coisas adentrou e tomou
conta da vida humana, fazendo dos sujeitos objetos inseridos na grande máquina de produção
e consumo capitalista dos que buscam o estado do bem-estar social sem muito esforço. O
homem contemporâneo jamais está satisfeito. A satisfação dura poucos instantes, esvaindo-se
a medida que a sensação de novidade passa.
Vive-se este cenário de antinomias e contradições. A promessa do reino neoliberal do
mundo desenvolvido não solucionou o problema da pobreza. Pelo contrário, as desigualdades
são mais acentuadas diante do desemprego crescente, o crescimento populacional, a falta de
moradia, o aumento no índice da fome, consequentemente a violência e a marginalização. A
sociedade acentua a divisão social de classes onde poucos tem muito e muitos têm pouco. “As
concentrações urbanas configuram ocupações territoriais profundamente desiguais” (CNBB,
Doc. 105, n. 75). Frente a este cenário conturbado a Igreja é desafiada a fazer a diferença. “O
desafio do cristão será, sempre, viver no mundo sem ser do mundo, examinar tudo e ficar com
o que é bom (CNBB, Doc. 105, n. 78). É necessário discernir o que é fruto do Reino do que
atenta o projeto de Deus. Para tanto o Concílio Vaticano II nos diz que:

[...] em qualquer situação temporal devem conduzir-se pela consciência cristã, uma
vez que nenhuma atividade humana, nem mesmo nas coisas temporais, pode ser
subtraída ao domínio de Deus. [...] deve ser rejeitada aquela infausta doutrina que
intenta construir uma sociedade prescindindo da religião, que ataca e destrói a
liberdade religiosa dos cidadãos (LG. n. 36).

Assim, também a ação evangelizadora da Igreja não pode se restringir aos pastores. O
episcopado latino-americano, por inúmeras vezes reconheceu e acentuou “como sinal dos
tempos a presença de grande número de fiéis leigos comprometidos com a Igreja, exercendo
variados ministérios, serviços e funções, nas comunidades e nos movimentos de nossas
paróquias” (DSD, n. 101). Os pastores, como guias do rebanho, inseridos no meio de seu
povo, a partir da subjetividade de cada sujeito são orientados a fomentar lideranças nas
comunidades, verdadeiros testemunhos do Evangelho inseridos na sociedade. “A Igreja não é
uma ilha de perfeitos, mas uma comunidade missionária e de aprendizagem em seu modo de
ser, organizar e agir como seguidora de Jesus Cristo. Viver e atuar nesse mundo globalizado
implica mudança de mentalidade e de estruturas” (CNBB, Doc. 105, n. 84). É a necessidade
de uma Igreja em saída, humilde e servidora, de portas abertas, a partir de uma cultura do
encontro, indo em direção às periferias humanas e existências, sem fazer distinção, a exemplo
da parábola do bom samaritano (cf. Lc 11,25-37), buscando em primeiro lugar o Reino de
Deus e a sua justiça (cf. Mt 6,33). “Dessa convivência familiar entre leigos e pastores se
esperam muitos bens para a Igreja. Pois desse modo se reforça o senso da própria
responsabilidade, é favorecido seu entusiasmo e mais facilmente os talentos dos leigos se
unirão aos esforços dos pastores” (LG. n. 37).
Seja na família, na Paróquia, nos conselhos pastorais ou econômicos, reuniões e
pastorais, comunidades de base ou movimentos, nos ambientes sociais, tais como trabalho,
escola ou lazer, o cristão, pela condição batismal, exerce sua identidade e dignidade de sujeito
eclesial, dando testemunho da unidade da Igreja e de sua missão no mundo. O Documento da
Conferência de Puebla “critica aqueles que tentam reduzir o espaço da fé à vida pessoal e
familiar, excluindo a ordem profissional, econômica, social e política” (n. 515). O mesmo
documento ainda acrescenta que a atividade política é essencialmente um dos campos de
atuação do laicato. “Esta [a atividade política] abarca um vasto campo, desde a ação de votar,
passando pela militância e liderança de algum partido político, até ao exercício de cargos
públicos em diversos níveis” (n. 791). Em tais espaços o cristão é chamado a organizar a
convivência humana, bem como sua participação no bem comum (cf. n. 524). Assim, “a sua
[dos leigos] primeira e imediata tarefa não é a instituição e o desenvolvimento da comunidade
eclesial [...], mas sim, o pôr em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas
escondidas, mas já presentes nas coisas do mundo” (EN. n. 75). O Senhor quer, dessa forma,
transformar esse mundo também através dos leigos, instaurando seu Reino, “Reino de verdade
e vida, Reino de santidade e graça, Reino de justiça, amor, paz” (LG. n. 36).
O Código de Direito Canônico da Igreja Católica também indica que os leigos têm um
campo de apostolado específico: “Animar e aperfeiçoar com o espírito evangélico a ordem
das realidades temporais e assim dar testemunho de Cristo, especialmente na gestão dessas
realidades e no exercício das atividades seculares” (cân. 225). Lá são chamados a exercer seu
próprio ofício, de modo que, como o fermento na massa, possam contribuir para a santificação
do mundo, “impregnando de valor moral a cultura e as obras humanas” (KLOPPENBURG,
2005, p. 271). Pelo Batismo o cristão é chamado a viver plenamente o Evangelho dando
testemunho do Cristo aos irmãos. Para tanto, o cristão não age em seu nome, mas sim em
nome Ddaquele que o chamou, de seu projeto, sem medo dos desafios a serem enfrentados,
das lutas futuras contra as inúmeras situações de injustiça e opressão que impedem a
edificação do Reino de Deus. Assim, o cristão leigo tem por exemplo o próprio Cristo.
“Seguir os exemplos de Jesus é dialogar com o mundo, pois Cristo soube dialogar em todos
os momentos de sua vida. Seguir Jesus é, por fim, deixa-se ser sinal no mundo, tal qual Cristo
o foi” (SILVA, 2016, p. 256).

4 A NECESSIDADE DA SUPERAÇÃO DAS BARREIRAS AINDA EXISTENTES

Vivemos uma época marcada pela acentuada evolução social. As mudanças no modo
de pensar e agir marcam as relações entre os indivíduos desta era. A competitividade, o
acelerado ritmo de vida, a exigência por eficiência numa perspectiva lucrativa move a
sociedade e lançam novos desafios a todo instante. Não há mais como conceber o ser humano
como massa passiva, sob mecanismos autoritários de tutela. A sociedade exige
responsabilidade, autonomia e capacidade para decidir. “A medida que as pessoas assumem
essas novas atitudes, elas passam a rejeitar, no mundo religioso, toda tentativa de manter um
sistema que exija submissão e obediência em nome da autoridade” (BLANK, p. 1).
Após o Concílio Vaticano II, na Igreja, sobretudo da América Latina, houve um
avanço considerável no processo de integração dno laicato na vida eclesial, a exemplo do
próprio Jesus que nos ensina a ser sujeitos de nossa vida (cf. CNBB, Doc. 105, p. 57). A
Igreja Latino-americana aderiu a proposta do Documento da Conferência de Santo Domingo,
em “promover os conselhos de leigos, em plena comunhão com os pastores e adequada
autonomia, como lugares de encontro, diálogo e serviço, que contribuam para o
fortalecimento da unidade, da espiritualidade e organização do laicato” (DSD, p. 96.). Porém,
as últimas três décadas da vida da Igreja foram marcadas por um retrocesso a um pensamento
clericalizante. Os leigos acabaram perdendo seu espaço, sem a devida compreensão de seu
campo de atuação, por vezes restringindo suas ações ao campo intra-eclesial, como
“coroinhas dos presbíteros” ou ocupando o lugar do presbítero na Igreja, exercendo funções
que não lhe são próprias.
É inconcebível para nossos dias ignorar o importante papel dos leigos na vida eclesial,
sobretudo a atuação feminina. Na grande maioria das comunidades são as mulheres as
grandes protagonistas que mantém mantêm viva a vida comunitária, constituindo uma
referência, um elo que uni os membros da comunidade à Igreja Paroquial e consequentemente
esta à Igreja em sua catolicidade. “Elas [as mulheres] são superqualificadas e conscientes do
seu valor e das suas capacidades” (BLANK, p. 1). Nossa Igreja construiu, ao longo de sua
história, uma compreensão hierárquica muito bem consolidada, a qual está arraigada no
imaginário dos fiéis. Assim, infelizmente, ainda temos em vigor uma compreensão clerical na
Igreja, onde os ministérios provisionados, não-ordenados, ou seja, os ministérios leigos
constituem uma segunda categoria ou escalão na vida eclesial. “A comunidade da Igreja não é
mais formada por dois grupos: de um lado, os ordenados, que de antemão têm formação,
sabedoria e direito de decidir; do outro, o povo que não entende nada do assunto” (BLANK,
p. 2). A retomada do pensamento do Concílio Vaticano II, em sua compreensão de Igreja
povo de Deus, congregação de batizados, que pode ser acompanhada no pontificado de
Francisco, é uma retomada da consciência do leigo com membro efetivo da Igreja pelo
Batismo e não mais essa posição onde este é colocado como súdito, cumpridor de normas,
sem autonomia. O leigo não é um súdito, parte constituinte da plebe, ou seja, aquilo que
sobrou, que não faz parte da hierarquia, mas é sim, parte integrante e fundamental do processo
da vida eclesial.
Podemos distinguir cinco grupos daqueles que são chamados leigos. Primeiramente
temos as ovelhas, constituído por aquele grupo de fiéis que se comporta de forma passiva e
contenta-se em obedecer sem questionar. Em um segundo plano temos os consumidores,
como aqueles que buscam a Igreja para a finalidade de uma prestação de serviços, sejam
sacramentos, orientação espiritual, aquisição de algum suvenir religioso. Um terceiro grupo é
constituído pelos emancipados, ou seja, aqueles que nutrem um afeto pela Igreja, possuindo
consciência de sua importância, porém comportando-se de forma autônoma, pois possuem
ciência de suas capacidades e desejam assumir corresponsabilidade dentro da Igreja. O quarto
grupo é formado pelos decepcionados, os quais seriam aqueles que estavam inseridos no seio
da Igreja, mas por algum motivo de decepção começaram a emigrar. E, por fim, existe o
grupo dos revoltados, formado por aqueles que desacreditam da Igreja e, por isso emigram e
negam sua atuação no mundo. Diante desta diversidade presente na Igreja, surge o desafio de
como agir? Não é possível fechar os olhos e permanecer alheio a realidade que bate a porta da
Igreja.
A Igreja é desafiada a reler e atualizar o Concílio Vaticano II. Não há como
menosprezar a importância e a necessidade da atuação dos cristãos não-ordenados na família
como Igreja doméstica; na paróquia e nas comunidades como espaço de vivência da unidade;
nos diferentes conselhos de pastoral, assuntos econômicos, assembleias e reuniões que
refletem e buscam dinamizar a vida da Igreja; nos movimentos eclesiais como um sinal de
renovação da Igreja (cf. CNBB, Doc. 105, p. 77-82). Porém, tais espaços não são suficientes
se estes que são chamados leigos não se tornarem sujeitos protagonistas da missão
evangelizadora. Há de se romper com uma mentalidade em que o cristão não-ordenado é um
simples colaborador daqueles que são ordenados, pois o ministério assumido por aqueles que
se candidatam à ordem só é dotado de sentido em vista do sentimento de ser Igreja do povo de
Deus.
O mundo é o campo fértil de atuação da Igreja enquanto povo de Deus. “Quando
imaginamos que, para encontrar e servir a Deus devemos nos elevar, no sentido de deixar as
cosias do mundo, vemos no Evangelho o testemunho contrário do próprio Deus: Ele desce e
entra em nosso mundo e em nossa história, para assumir em tudo a nossa existência” (CNBB,
Doc. 105, p. 87). Assim, ser cristão implica em ser Igreja e não apenas estar na igreja. Ao
mesmo tempo é ser cidadão, expressando seu ser Igreja em ações concretas em vista do Reino
de Deus, que se voltam ao benefício comum, onde todos possam participar. “Eis agora o
grande dilema da nossa Igreja: se ela quer realmente ser aquilo para o qual foi chamada:
fermento num mundo a ser transformado, conforme os critérios do Reino de Deus” (BLANK,
p. 3). Para tanto, a Igreja não pode ser uma ilha, ou um gueto, mas sim profeta, que se coloca
em contínuo movimento e diálogo com o mundo e a realidade atual, a fim de que “também
através dos fiéis leigos o Senhor dilate seu Reino, Reino de verdade e vida, Reino de
santidade e graça, Reino de justiça, de amor e de paz (LG. n. 36).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se antes do Concílio Vaticano II a concepção de Igreja limitava-se a hierarquia, hoje


podemos contemplar uma realidade totalmente diferente. A compreensão de Igreja enquanto
povo de Deus trouxe consigo grandes mudanças na vida eclesial. Porém, devido a uma
educação secular, a compreensão dos leigos enquanto ovelhas introduziu uma mentalidade
passiva, caracterizada pela obediência. Para romper com tal mentalidade há um caminho
longo a ser percorrido, a fim de construir a identidade do leigo como “agente de
transformação da Igreja e da sociedade rumo ao Reino de Deus” (cf. BLANK, p. 5).
A Igreja chama todos a compartilhar da missão de todo povo de Deus, enquanto
batizados, participantes do tríplice múnus de Cristo: sacerdotal, régio e profético, pois como
diz Pedro, “Vós sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular
propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para
a luz maravilhosa” (1Pd 1,9-10). A partir do exemplo deixado pelo próprio Jesus, toda a
Igreja é chamada a redescobrir o verdadeiro sentido do cristianismo, pois, “aquele que dentre
vós quiser ser grande, seja vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja
o servo de todos” (Mc 10,43). Frente as tentadoras tendências de nossa época, o cristão é
chamado a conduzir sua vida de maneira diferente, numa atitude servil ao mundo e a
humanidade, sobretudo na dedicação aos mais pequenos e necessitados. A Conferencia de
Santo Domingo adverte, a fim de “evitar que os leigos reduzam sua ação ao âmbito intra-
eclesial, animando-os a penetrar nos ambientes socioculturais para serem neles os
protagonistas da transformação da sociedade a luz do Evangelho e da doutrina social da
Igreja” (DSD, n. 98). Há de superar, assim, a dicotomia entre ordenados e não-ordenados,
aproximando-se gradativamente do ideal de uma Igreja de comunhão e participação de todos,
superando, mesmo que com dificuldades, as estruturas de poder e abrindo-se a novas
propostas diante dos novos desafios que é chamada a enfrentar.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, J. Leigos em que? Uma abordagem histórica. São Paulo: Paulinas, 2006.

BÍBLIA DE JERUSALÉM – Antigo e Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2002.

BLANK, Reinold. Ovelha ou protagonista? A Igreja diante da nova autonomia do laicato no


século 21. Revista Vida Pastoral. São Paulo: Paulus. mai/jun, 2009. p. 30-35. Disponível em:
<http://www.vidapastoral.com.br/artigos/temas-pastorais/ovelha-ou-protagonista-a-igreja-
diante-da-nova-autonomia-do-laicato-no-seculo-21/>Acessado em: 18 de maio de 2018.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Edição típica Vaticana, Loyola, 2000.
CIC

CELAM. A evangelização no presente e no futuro da América Latina. Conclusões de Puebla.


5. ed. Paulinas, 1979.

CELAM. Conclusões da IV Conferência do Episcopado Latino-Americano. Conferência de


Santo Domingo. São Paulo: Paulinas, 1992. DSD.

CELAM. Documento de Aparecida. Brasília: Edições CNBB, 2007. Doc. Ap.

CNBB. Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas. Documentos da CNBB 62. São
Paulo: Paulinas, 2010. Doc. 62.
CNBB. Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, Sal da Terra e Luz do mundo.
Documentos da CNBB 105. São Paulo: Edições CNBB, 2018. Doc. 105.

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. 10. ed. São Paulo: Loyola, 1997.

CONCÍLIO VATICANO II. Lumen Gentium. In: COMPÊNDIO Do Vaticano II:


constituições, decretos, declarações. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 1983. LG.

CONCÍLIO VATICANO II. Gaudium Et Spes. In: COMPÊNDIO Do Vaticano II:


constituições, decretos, declarações. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 1983. GS.

FORTE, B. A missão dos leigos. São Paulo: Paulinas, 1987.

FORTE, B. A Igreja ícone da trindade. São Paulo: Loyola, 2005.

JOÃO PAULO II. Exortação apostólica Christifideles Laici, sobre a vocação e missão dos
leigos na Igreja e no mundo. 16. ed. São Paulo: Paulinas, 1989. CfL.

KLOPPENBURG, Boaventura. O protagonismo dos fiéis leigos. Teocomunicação. Porto


Alegre. vol. 35. n. 148. Jun. 2005. p. 261-274. Disponível em:
<http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/teo/issue/view/164> Acesso em: 18 de maio
de 2018.

PAULO VI. Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi sobre a Evangelização do mundo


Contemporâneo. 10ª Ed. São Paulo: Loyola, 1982.

REGINATTO, Flávia. Sujeitos Eclesiais, Sal da Terra e Luz do Mundo: Reflexões sobre o
Documento 105. São Paulo: Paulinas. 2017.

SILVA, Marilene de Almeida. A missão da igreja e dos leigos: Encaminhamentos de um


Concílio ainda em construção. Revista Eletrônica Espaço Teológico. vol. 10, n. 17, jan/jun,
2016, p. 246-259. Disponível em: <
https://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo/article/view/28594> Acessado em: 18 de maio de
2018.

Excelente reflexão.
Todavia, parece-me grande (em termos de páginas) para ser publicada em uma revista.
Parabéns pela produção!

Você também pode gostar