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ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS E

SOCIOLÓGICOS EM SAÚDE

Envelhecimento e sociedade – v. 3
Universidade Nove de Julho – UNINOVE
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CEP: 01504-001 – Liberdade – São Paulo, SP – Brasil
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Andreia Martinelli de Siqueira Araújo
Ivan Peres Costa
Jacira Souza Ribeiro
Raquel Agnelli Mesquita Ferrari

ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS E
SOCIOLÓGICOS EM SAÚDE

Envelhecimento e sociedade – v. 3
Fernanda Ishida Corrêa
Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
(Organizadoras)

São Paulo
2019
© 2019 UNINOVE
Todos os direitos reservados. A reprodução desta publicação, no todo ou em parte, constitui vio-
lação do copyright (Lei nº 9.610/98). Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por
qualquer meio, sem a prévia autorização da UNINOVE.

Conselho Editorial: Eduardo Storópoli


Maria Cristina Barbosa Storópoli
Nadir da Silva Basílio
Cristiane dos Santos Monteiro
João Carlos Ferrari Corrêa
Cinthya Cosme Gutierrez Duran
Renata Mahfuz Daud Gallotti

Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores

Capa e Editoração eletrônica: Big Time Serviços Editoriais


Revisão: Antonio Marcos Cavalheiro
Sumário

Sobre a Coleção Envelhecimento e Sociedade............................................. 9


Apresentação................................................................................................ 10

Capítulo 1
DEFINIÇÃO DO CONCEITO HOMEM E CULTURA, 11
Ivan Peres Costa
Introdução.....................................................................................................11
Objetivos....................................................................................................... 12
Conceito homem e cultura........................................................................... 12
Conceito Homem............................................................................................ 12
Conceito de cultura........................................................................................ 15
Conclusão.......................................................................................................17
Exercícios...................................................................................................... 18
Bibliografia................................................................................................... 20

Capítulo 2
DETERMINANTES SOCIAIS, CONCEITO E REPERCUSSÃO DE
VIOLÊNCIA NA SAÚDE PÚBLICA, DESAFIOS DA SAÚDE
PÚBLICA BRASILEIRA E CIÊNCIAS SOCIAIS E SAÚDE, 21
Andreia Martinelli de Siqueira Araújo
Raquel Agnelli Mesquita Ferrari
Introdução.................................................................................................... 21
Objetivos....................................................................................................... 22
Determinantes sociais em saúde................................................................. 22
Diferença na saúde da população................................................................. 23
Fatores importantes que influenciam nas condições de saúde da população �����24
Abrangência dos determinantes sociais em saúde......................................... 24
Conceito e repercussão de violência na saúde pública................................. 25
Violência e saúde pública.............................................................................. 25
Desafios na saúde pública brasileira.......................................................... 27
Ciências Sociais e saúde............................................................................... 28
Os desafios impostos devido às mudanças na sociedade............................... 29
Saúde Coletiva.............................................................................................. 29
Conclusão...................................................................................................... 30
Exercícios.......................................................................................................31
Bibliografia................................................................................................... 33

Capítulo 3
PROCESSO SAÚDE-DOENÇA, 35
Ivan Peres Costa
Introdução.................................................................................................... 35
Objetivos....................................................................................................... 36
Conceito Saúde-Doença............................................................................... 36
História natural da doença associado aos níveis de atenção em saúde............. 38
Processo Saúde-Doença................................................................................ 40
Conclusão.......................................................................................................41
Exercícios...................................................................................................... 42
Bibliografia................................................................................................... 44

Capítulo 4
RELAÇÃO CUIDADOR E CUIDADO:
O PAPEL DA FAMÍLIA, 46
Jacira Souza Ribeiro
Introdução.................................................................................................... 46
Objetivos....................................................................................................... 47
Esquema conceitual..................................................................................... 47
Processo cuidador/paciente......................................................................... 47
Classificação dos cuidadores......................................................................... 48
Processo cuidador/paciente/família.............................................................. 50
Conclusão...................................................................................................... 51
Exercícios...................................................................................................... 52
Bibliografia................................................................................................... 54
Capítulo 5
ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA
APLICADA À FISIOTERAPIA, 56
Ivan Peres Costa
Introdução.................................................................................................... 56
Objetivos....................................................................................................... 56
Conceito de antropologia............................................................................. 56
Conceito de sociologia.................................................................................. 57
Aplicações da antropologia e sociologia na área da
saúde e da fisioterapia................................................................................... 59
Conclusão...................................................................................................... 62
Exercícios...................................................................................................... 62
Bibliografia................................................................................................... 64

Autores.......................................................................................................... 65
Coleção Envelhecimento e Sociedade......................................................... 67
8 - Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Gratidão aos professores colaboradores


de cada capítulo que, com muito empenho,
desenvolveram este livro.
9 - Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Sobre a Coleção Envelhecimento e Sociedade


A coleção a seguir foi estruturada de maneira que o leitor reforce
o seu conhecimento acerca do desenvolvimento e organização do indi-
víduo e da sociedade. Para tal, cada capítulo elaborado visa abranger de
maneira clara e objetiva esses pontos.
O primeiro volume descreve sobre a anatomia e fisiologia dos sis-
temas que formam o corpo humano, bem como as alterações possíveis
durante o envelhecimento, propiciando que o leitor associe os aspectos
normais e as mudanças em decorrência da idade.
O segundo e o terceiro volumes abordam conceitos antropológi-
cos e sociais, bem como as políticas públicas essenciais ao idoso e à re-
abilitação durante o envelhecimento.
Os demais volumes (quarto, quinto e sexto) estão direcionados à
abordagem da atuação do Fisioterapeuta nas principais doenças neuro-
lógicas do adulto, os recursos auxiliares disponíveis e o conhecimento
dos aspectos da dor.

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


10 - Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Apresentação
Ao longo deste livro, o leitor aprofundará o seu conhecimento so-
bre os aspectos importantes que envolvem a relação entre o processo de
saúde e doença. Aspectos tais como, a relação do homem e da cultura,
as políticas públicas existentes e as necessidades dos indivíduos doentes.
O conceito de saúde é mais amplo do que apenas a ausência de
doença. O indivíduo saudável é aquele que, na sociedade em que vive,
tem possibilidades no que se refere à cultura, ao lazer, à educação, ao
sistema de saúde. O homem é o resultado do meio cultural em que foi
socializado, portanto, é primordial o conhecimento da maneira que a
sociedade se desenvolveu para a compreensão do comportamento hu-
mano, o que reflete, diretamente, no melhor desenvolvimento de ações
que possibilitem a melhoria do estado geral das pessoas, desde o nasci-
mento até à morte.
Conhecer o atual estado da saúde pública no país auxilia no desen-
volvimento de políticas públicas mais eficazes, principalmente para as
populações mais vulneráveis, minimizando, desta forma, as desigualda-
des sociais e propiciando o desenvolvimento de serviços de saúde pla-
nejados e estruturados.
Cada capítulo deste livro discorre sobre os aspectos do desenvol-
vimento da sociedade, cultura e saúde; com a finalidade do leitor com-
preender melhor o indivíduo e a importância de uma atuação profissional
consciente, em prol do bem-estar da sociedade.

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


11 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Capítulo 1
DEFINIÇÃO DO CONCEITO
HOMEM E CULTURA

Ivan Peres Costa

Introdução
Desde o surgimento das espécies no planeta, pode-se observar que
o ser humano surpreende por suas capacidades de inteligência, de or-
ganização social e consequentemente de adaptação a diferentes cultu-
ras e ambientes naturais. Essas diferenças, quando comparadas a outras
espécies, foi garantida pelo desenvolvimento de nossas habilidades so-
ciais e culturais. Sendo assim, para as ciências sociais, somos animais
capazes de produzir conhecimento, porém dependentes do aprendizado
social que é a socialização. A partir dos conhecimentos adquiridos com
os conceitos como cultura, homem e sociedade, temos uma nova pers-
pectiva do comportamento de nossa sociedade, consequentemente, do
comportamento humano.
Aprofundar nossos conhecimentos nos conceitos de homem e
cultura, nos permitirá compreender nossa vida em sociedade diante das
mudanças que ocorrem e que podem ser orientadas de acordo com os ob-
jetivos de cada indivíduo ou de um determinado grupo social. A huma-
nidade modifica-se de acordo com sua necessidade de desenvolvimento.
Cria-se objetos que satisfaçam suas necessidades, constroem habitações,
produzem roupas e outros bens materiais. Esse progresso realizado na
produção dos bens materiais é acompanhado pelo desenvolvimento da
cultura dos homens e, através desse conhecimento produzido pela evo-
lução, desenvolve-se a ciência e a arte.
12 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

O mesmo se passa com o desenvolvimento da aquisição do saber


e do pensamento. Desenvoltura social, capacidades de comunicação e
trabalho em equipe, são exemplos de habilidades que podem ser desen-
volvidas conforme ampliamos a nossa compreensão sobre cultura, hu-
manidade e ciências sociais. Conhecendo o comportamento humano e
suas perspectivas de culturas, possibilita-nos a análise de diversas situ-
ações em uma perspectiva diferenciada, que é enriquecida pela diver-
sidade social.

Objetivos
Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
• Correlacionar os conceitos de homem e cultura como foco prin-
cipal da ciência social chamada antropologia;
• Perceber a importante influência desses conceitos em nosso
cotidiano.

Conceito homem e cultura

Conceito Homem
De longa data, o Homem é considerado um ser diferenciado qualita-
tivamente dos animais. O conhecimento de agentes biológicos concretos
permitiu a Darwin elaborar sua célebre teoria da evolução, que diz res-
peito ao homem ter origem de uma evolução gradual do mundo animal.
A teoria da evolução pela seleção natural, formulada pela primeira
vez no livro de Darwin “A Origem das Espécies” em 1859, é o processo
pelo qual os organismos mudam ao longo do tempo como resultado de
mudanças nos traços hereditários físicos ou comportamentais. As mudan-
ças que permitem que um organismo se adapte melhor ao seu ambiente
o ajudarão a sobreviver e a ter mais filhos. A evolução pela seleção na-
tural é uma das teorias encontradas na história da ciência, apoiada por
13 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

evidências em uma variedade de disciplinas científicas, incluindo pale-


ontologia, geologia, genética e biologia do desenvolvimento humano.

Evolução do homem segundo Darwin e suas silhuetas com a tecnologia. Fonte:


123rf – Aleksandr Popovskiy.

No século passado, pouco antes de surgir o livro de Darwin, A


origem das espécies, Leontiev salientou a importância da natureza social
do Homem na sua formação atual, como Homem cultural, e concebe que
todos os aspectos que entram em sua constituição advêm da vida em
sociedade, por meio da cultura criada pela humanidade.
Neste processo lento pelo qual se constituiu, salienta-se a impor-
tância da natureza social do Homem na sua conformação atual como Ser
cultural, e os aspectos que o constituem são provenientes da vida em so-
ciedade por meio dos bens materiais e ideais elaborados historicamente.
Essas etapas de constituição passam por estágios gradativos e não linea-
res, que vão desde o estágio de preparação biológica (hominização) até
o estágio de passagem do homem (humanização), definido pela fabrica-
ção de instrumentos e formas embrionárias de trabalho. Nesse estágio,
a formação do Homem ainda está relacionada às leis biológicas trans-
mitidas pela hereditariedade.
Segundo Marx e Engels, o Homem não é distinguido dos animais
apenas pela sua consciência, religião ou por qualquer coisa que se quei-
ra, e sim a partir do momento em que produz seus meios de vida, ou seja,
14 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

que se inicia sua organização social através da produção da vida mate-


rial. Essa passagem modificou sua natureza e marcou o início do desen-
volvimento que, diferentemente do desenvolvimento animal (que segue
as leis biológicas), está submetido às leis sócio-hitóricas.

A palavra Homem advêm de Humanidade, enquanto


homem refere-se ao ser humano do sexo masculino.

Os autores Vygotsky e Luriá (1996) mostram uma concepção de


desenvolvimento humano sistematizando o caminho da evolução des-
de o macaco até o homem cultural, em três linhas principais do desen-
volvimento do comportamento – evolutiva, histórica e ontogenética –,
e ressaltaram que o homem cultural é produto dessas três linhas de de-
senvolvimento e só pode ser compreendido e cientificamente explicado
pela análise desses três caminhos que explicam o comportamento hu-
mano. A análise dessas etapas possibilitou o entendimento da evolução
do processo histórico do homem com a introdução do psiquismo huma-
no neste processo evolutivo.
O Homem, por meio de suas atividades com o meio material, hu-
manizou o mundo, ou seja, ao mesmo tempo em que trabalhou, aprimo-
rou suas aptidões e conhecimentos, se materializando em seus produtos.
A atividade da escrita, produzida pelo homem em um processo que de-
morou milhares de anos, criou a habilidade de ler, inventar o lápis, a ca-
neta e o pincel. Da mesma maneira que aprendemos a lidar com esses
utensílios, aprendemos também a lidar com a linguagem absorvendo
então a capacidade de produzir um pensamento lógico. O homem não
nasceu, portanto, dotado de aptidões e habilidades, elas foram criadas
e aprimoradas.
Quanto mais progride a humanidade, mais rico é o conhecimento
e a prática sócio-histórica acumulada por ela, com um papel importante
15 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

no desenvolvimento da humanidade, especificamente na educação, as-


similando conhecimentos do desenvolvimento humano, histórico, edu-
cativo e cultural.

A principal diferença entre os homens e os animais é que, o


primeiro, apresenta consciência e capacidade para se organizar
em sociedade, bem como produzir seus meios de vida.

Conceito de cultura
Cultura significa todo o complexo que abrange o conhecimento, a
arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões
adquiridos pelo ser humano, não somente em família, como também por
fazer parte de uma sociedade da qual é membro. Cultura também pode
ser definida por ciências sociais que possuem um conjunto de ideias,
comportamentos, símbolos e práticas sociais, aprendidos de geração em
geração através da vida em sociedade.
Na transição do século XVIII para o seguinte, era utilizado um ter-
mo germânico, “Kultur”, para simbolização de aspectos espirituais de
uma comunidade, enquanto a palavra francesa “Civilization” referia-se
às criações materiais de um povo. O conceito de cultura, como é uti-
lizado atualmente, foi definido pela primeira vez por Edward Tylor no
vocabulário inglês pela palavra “Culture”, sendo seu sentido etnográfi-
co “todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis,
costumes ou qualquer outra capacidade de hábitos adquiridos pelo ho-
mem como membro de uma sociedade”. Tylor, em seu livro Primitive
Culture, definiu cultura como sendo todo o comportamento aprendido,
tudo aquilo que independe de uma transmissão genética.
Cada país possui sua própria cultura, que é influenciada por di-
versos fatores. A principal característica da cultura é a adaptação, que
consiste na capacidade que os indivíduos têm de responder ao meio de
16 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

acordo com mudança de hábitos. Além disso, a cultura é considerada


um instrumento de coesão social, pois mantém os indivíduos unidos em
determinadas ideias construídas no determinado grupo social em que
estão inseridos.
Para a descoberta da origem e interpretação dos traços culturais,
em um conjunto sociocultural, é necessária uma investigação históri-
ca. Boas desenvolveu o particularismo histórico (ou a Escola Cultural
Americana), levando em consideração que cada cultura segue seus pró-
prios caminhos em função dos diferentes eventos históricos que enfren-
tou, formando então um conceito evolucionista da cultura através de
uma abordagem multilinear.
O famoso antropólogo americano Alfred Kroeber, em seu artigo
“O superorgânico”, relata como a cultura atua sobre o homem, porém
se preocupa com a discussão de uma série de pontos controversos, pois
suas explicações apresentam a contradição de uma série de crenças po-
pulares. A preocupação de Kroeber é evitar a confusão entre o orgâni-
co e o cultural, não ignorando que o homem, descendente dos primatas,
depende de suas necessidades biológicas para se manter vivo (indepen-
dente do sistema cultural no qual está inserido), satisfazendo uma série
de funções vitais, como a alimentação, a respiração, o sono, a atividade
sexual etc. Mas embora essas funções sejam comuns em toda a humani-
dade, elas variam de cultura para cultura, indicando, então, que a cultura
pode influenciar indiretamente no status de saúde do homem.

A cultura é influenciada por diversos fatores, especialmente


pelos eventos históricos enfrentados pela população,
independentemente da genética. Toda a humanidade
apresenta funções orgânicas comuns, tais como, alimentação,
respiração, sono, vida sexual, entre outras; porém, essas
são influenciadas pela cultura de cada população, podendo,
portanto, afetar a saúde desta.
17 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

No Brasil, estudos referentes à cultura, à sociedade e à saúde têm


se multiplicado gradativamente nas últimas décadas. Núcleos de pesqui-
sa envolvendo antropólogos e pesquisadores teóricos da saúde coletiva
tem se dedicado à investigação de aspectos culturais, sociais e político-
-econômicos atrelados às questões de saúde. Tais questões, ligadas ao
processo saúde-doença, não podem ser analisadas de forma isolada das
demais dimensões culturais e sociais em que o ser humano se encontra,
pois somos todos sujeitos da cultura na qual estamos inseridos.

Conclusão
O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado.
Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o co-
nhecimento e a experiência adquirida pelas numerosas gerações que o
antecederam. A manipulação adequada e criativa desse patrimônio cul-
tural permite inovações em diversos campos de atuação, pois a cultura
é um conceito que está sempre em desenvolvimento, e, com o passar do
tempo, ela é influenciada por novas maneiras de pensar e de criar, ine-
rentes ao desenvolvimento do ser humano.
18 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Exercícios
1) Quais aspectos são levados em consideração para a diferenciação fei-
ta entre o homem e o animal?
a) O homem é distinguido dos animais através da religião ou por qual-
quer coisa que se queira;
b) O homem e o animal, são distinguidos pela genética e biologia do
desenvolvimento;
c) O homem é distinguido do animal através da racionalização de sua
existência;
d) O homem é descendente do animal, portanto possuem aptidões e co-
nhecimentos similares uns aos outros;
e) O homem é distinguido do animal pela sua organização social e pro-
dução de meios de vida material.
Resposta ao final do capítulo.

2) Segundo a lei de Darwin, em seu livro “A origem das espécies”, a te-


oria da evolução pela seleção natural se dá pelo...:
a) “... processo pelo qual os organismos mudam ao longo do tem-
po como resultado de mudanças nos traços hereditários físicos ou
comportamentais”;
b) “... processo pelo qual o animal assume alterações hereditárias evo-
luindo com alterações físicas e comportamentais”;
c) “... processo pelo qual é caracterizado a evolução do homem animal
para o homem cultural”;
d) “... processo pelo qual o homem passa por estágios gradativos e não
lineares”;
e) “... processo pelo qual ocorre a preparação biológica até o estágio de
humanização e fabricação de instrumentos e formas de trabalho”.
Resposta ao final do capítulo.
19 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

3) Qual o conceito de cultura segundo Edward Tyler em 1781?


a) São os traços genéticos relacionados a capacidades da população;
b) Todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma
transmissão genética;
c) Complexo que abrange o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a mo-
ral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano;
d) São os costumes e hábitos adquiridos por hereditariedade pelo ser humano;
e) Conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer ou-
tra capacidade de hábitos adquiridos pelo homem.
Resposta ao final do capítulo.

4) Por que a cultura é considerada instrumento de coesão social?


a) Porque estabelece com clareza as divisões sociais econômicas;
b) Porque move a sociedade em torno dos bons costumes;
c) Porque mantém os indivíduos unidos em torno de determinadas ideias
que são socialmente construídas;
d) Porque dissemina um modelo de sujeito desejado pelo modelo econômico;
e) Porque orienta a ética e a moral da sociedade;
Resposta ao final do capítulo.

5) Qual a importância da cultura relacionada às pesquisas no Brasil?


a) Para a investigação de aspectos culturais, sociais e político-econômi-
cos atrelados às questões de saúde;
b) Para identificação dos hábitos, crenças e costumes relacionados ao
desenvolvimento populacional;
c) Para a manipulação de adequadas tecnologias e ferramentas do de-
senvolvimento cultural;
d) Para identificação dos diferentes fatores que influenciam no desen-
volvimento humano;
e) Para determinação das ideias referentes à construção social e evolutiva.
Resposta ao final do capítulo.
20 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Bibliografia
BERENCHTEIN NETTO, Nilson. Entrevista con la profesora Marta
Shuare. Psicol. estud., v. 16, n. 4, p. 677-687, Dec. 2011. ISSN 1413-7372.

BOAS, FRANZ. The limitation of Comparative method of Anthropology.


Science, vol. 4, nº 103, 1896, pp. 901-908.

DARWIN, C. A Origem das Espécies através da seleção natural ou a


preservação das raças favorecidas na luta pela sobrevivência. Primeira
edição original: 24 de novembro de 1859. Planeta Vivo, Novembro de
2009.

KROEBER, AL. O superorgânico. Em A Natureza da Cultura. Lisboa:


Edições 70, [1917]. pp. 39-79.

LEONTIEV, A. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros


Horizonte, 1978.

MARX, K.; ENGELS, F. La ideología alemana: crítica de la novísima


filosofía alemana en las personas de sus representantes Feuerbach, B.
Bauer y Stirner y del socialismo alemán en las de sus diferentes profe-
tas. Barcelona; Montevideo: Grijalbo ; Ediciones Pueblos Unidos, 1974.

MINAYO, M. C. D. S.; JÚNIOR COIMBRA, C. E. A. Críticas e ate-


nuantes: ciências sociais e humanas em saúde na América Latina. 2005.

TYLOR, E. B. Primitive culture. [New York]: [Harper], 1958.

VYGOTSKY, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. Estudos sobre a


história do comportamento: símios, homem primitivo e criança. Porto
Alegre: Artes Médicas 1996.

Gabarito
1. e | 2. a | 3. b | 4. c | 5. a
21 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Capítulo 2
DETERMINANTES SOCIAIS, CONCEITO E
REPERCUSSÃO DE VIOLÊNCIA NA SAÚDE
PÚBLICA, DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA
BRASILEIRA E CIÊNCIAS SOCIAIS E SAÚDE

Andreia Martinelli de Siqueira Araújo


Raquel Agnelli Mesquita Ferrari

Introdução
A saúde pública no Brasil já passou por diversas modificações de-
correntes do próprio processo de gestão em que se encontra inserida. O
estado torna-se o principal responsável por viabilizar uma política de
saúde que trabalhe em conjunto com as demais políticas sociais e eco-
nômicas do país, garantindo que estas políticas funcionem e atendam às
necessidades da população.
Entende-se que a saúde da população é o reflexo dos hábitos de
vida praticados por esses indivíduos, e que esses hábitos são provenientes
do contexto social em que esses indivíduos estão inseridos. Mediante a
isto, muito se fala sobre a importância de se modificar os hábitos e vida
dos brasileiros, a fim de minimizar os agravos à saúde que predispõem
esses indivíduos a um maior risco de desenvolverem doenças crônicas
e incapacitantes, ou ainda a morrerem precocemente por conta de fato-
res que poderiam ser evitados.
Outros aspectos relevantes a se considerar em relação à saúde pú-
blica são os fatores sociais, que denotam a pobreza e a desigualdade so-
cial que compõe grande parte da população, levando-a aos hábitos de
22 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

vida que prejudicam a promoção à saúde. Diante destes dois cenários,


torna-se importante educar a população quanto a importância da prática
de exercícios físicos e dos bons hábitos alimentares, mas em contrapar-
tida é preciso assegurar que esses indivíduos tenham acesso à habitação,
ao trabalho, à educação e aos serviços de saúde pública de forma justa
e igualitária, e talvez esta seja a maior dificuldade em, de fato, imple-
mentar uma saúde pública funcionante no Brasil.

Objetivos
Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
• Reconhecer os principais aspectos relacionados à saúde públi-
ca no Brasil, especialmente ao que se refere aos determinantes
sociais, influência das desigualdades, o risco e os principais fa-
tores relacionados com a violência em saúde;
• Reconhecer os principais desafios a serem enfrentados na saú-
de pública brasileira;
• Identificar os principais pontos que devem ser considerados para
o enfrentamento e melhoria dos serviços de saúde pública;
• Avaliar a importância das ciências sociais e da saúde coletiva
para a compreensão dos avanços e das mudanças que ocorreram
ao longo dos anos na saúde pública no Brasil.

Determinantes sociais em saúde


Os determinantes sociais em saúde (DSS) referem-se às desigual-
dades sociais em que pessoas ou um grupo populacional vive e traba-
lha. Também são compreendidos como iniquidades, pelo fato se serem
desigualdades injustas que refletem as condições de saúde dessas pes-
soas. Observe a figura a seguir:
23 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Figura 1 – Determinantes Sociais em Saúde | Fonte: Arquivo pessoal.

Diferença na saúde da população


É comum encontrarmos diferenças na saúde dos grupos populacio-
nais quando, por exemplo, comparamos a saúde dos idosos com a saúde
dos adultos, dos jovens ou ainda das crianças, e isto é aceitável, devido
aos fatores fisiológicos entre estes grupos.
Contudo, o que não é aceitável, por exemplo, é saber que crian-
ças nascidas na região do nordeste do Brasil correm um risco maior de
morrer antes do primeiro ano de vida, quando comparadas às crianças
nascidas na região Sudeste. Neste caso, estamos diante das “iniquida-
des sociais” que afetam de forma desigual somente uma parte da popu-
lação, sendo assim classificadas como injustas e inaceitáveis.
24 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Fatores importantes que influenciam nas condições de


saúde da população
Vários são os fatores determinantes e que influenciam as condições
de vida da população como demonstrado pela figura a seguir:

Figura 2 – Fatores determinantes que definem as condições de vida da população. | Fonte:


Arquivo pessoal.

Abrangência dos determinantes sociais em saúde


Os determinantes sociais em saúde abrangem as condições socio-
econômicas, culturais e ambientais ligadas às condições de vida e tra-
balho da população, como por exemplo a habitação e o saneamento, as
condições de trabalho e educação, os serviços de saúde e ainda as re-
des sociais e comunitárias. A figura a seguir exemplifica este contexto:
25 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Figura 3 – Determinantes sociais em saúde. | Fonte: Arquivo pessoal.

Para que haja um menor impacto dos determinantes sociais em


saúde na população, é necessária a aplicação de políticas voltadas para
a diminuição das desigualdades sociais que garantam a todos direito ao
acesso, de forma igualitária, à habitação, ao trabalho, à educação e o
acesso à saúde, principalmente entre os grupos mais vulneráveis, a fim
de diminuir agravos e aumentar a qualidade de vida da população.

Conceito e repercussão de violência na saúde pública


Entende-se como violência qualquer ato ou ação que gere no outro
um sentimento de agressão, desrespeito, violação de seus direitos, cons-
trangimento ou acuação psicológica. Na sociedade, está ligada à forma
na qual os indivíduos vivem.

Violência e saúde pública


Os problemas primários de violência na saúde pública se desen-
volvem no coletivo e envolvem alguns aspectos como demonstrado na
figura a seguir:
26 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Figura 4 – Aspectos envolvidos na determinação da violência na saúde pública. | Fonte:


Arquivo pessoal.

Nesse contexto, a violência surge devido ao aparecimento das gran-


des cidades, ao aumento da pobreza, à ausência de cuidados com meio
ambiente e negligência na promoção à saúde.
Podemos observar a violência na sociedade a partir do cenário em
que as pessoas estão inseridas, a exemplo disto observamos:
• A violência de gênero: relacionada com a descriminação contra o
sexo feminino ou ainda descriminação contra os homossexuais;
• A violência racial: caracterizada por um sentimento de supe-
rioridade cultural e social de uma sociedade em relação às ou-
tras, desencadeando uma violência física ou capital;
• A violência ideológica ou religiosa: que se origina pela imposi-
ção de crenças religiosas ou práticas tradicionais, levando a um
quadro de intolerância às outras crenças e tradições culturais;
• A violência intrafamiliar ou doméstica: que se entende como
aquela que ocorre dentro das casas, entre os membros da fa-
mília, e se refere à agressão em crianças, mulheres ou idosos,
27 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

sendo essas agressões físicas, verbais ou ainda como forma de


abusos de quaisquer ordens.
Observe a figura a seguir:

Figura 5 – Tipos de violência doméstica. | Fonte: Arquivo pessoal.

O enfrentamento da “violência social” é de vital importância, uma


vez que pode afetar a saúde, promovendo doenças, colocando em risco a
vida e favorecendo a ocorrência de morte, portanto, torna-se importante
considerar metas na saúde, tais como: definir quais ações são eficazes
no combate à violência; planejar e destinar recursos que previnam e
diminuam os agravos decorrentes da violência; implementar serviços
que atendam às necessidades da sociedade; investir na capacitação da
equipe profissional de saúde.

Desafios na saúde pública brasileira


As questões relacionadas aos problemas enfrentados na saúde pú-
blica brasileira é um dos principais desafios a serem superados para a
garantia de qualidade de vida de todos os brasileiros. Para isso, alguns
pontos devem ser considerados, tais como:
• Aumentar a porcentagem de investimento destinada ao setor
da saúde;
28 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

• Atentar para as mudanças demográficas e epidemiológicas da


população brasileira, o que direciona o atendimento de saúde
para um modelo integrado e intersetorial de promoção da saúde;
• Reconhecer o aumento da expectativa de vida da população,
bem como o aumento da população idosa no Brasil;
• Conhecer as causas sociais que desencadeiam os agravos à
saúde pública brasileira;
• Investir na prevenção das doenças e de seus agravos;
• Garantir que a saúde pública esteja assistida por uma susten-
tabilidade política, econômica e tecnológica.
Algumas práticas importantes e consideradas exitosas para vencer
os desafios da saúde pública brasileira incluem a promoção da saúde e a
assistência social, o acesso à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer.
É importante ressaltar que a falta de planejamento no setor da
saúde é uma das vertentes que dificulta a implementação das políticas de
saúde, portanto, saber administrar e direcionar os recursos viáveis mini-
mizam os problemas e auxiliam na superação dos desafios enfrentados
na saúde pública brasileira.

Ciências Sociais e saúde


O campo das ciências sociais e saúde encontra-se em um momen-
to de grandes reflexões em seus contextos, tendo em vista as constan-
tes mudanças ocorridas na sociedade moderna. “O biológico e o social”
continuam sendo a base das discussões envolvendo as ciências sociais e
a saúde coletiva. Essas discussões são pertinentes para a contribuição de
um melhor entendimento e enfrentamento das questões que envolvem a
saúde coletiva e as mudanças ocorridas na sociedade.
29 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Os desafios impostos devido às mudanças na sociedade


A partir do século XX e entre os anos de 1960 e 1980, ocorreram
importantes mudanças na sociedade moderna. Essas mudanças deram
lugar a vários desafios a serem enfrentados pelos campos científicos,
como por exemplo:
• Compreender de onde elas surgiam;
• Quais fenômenos as originava;
• O que essas mudanças significavam.
Neste mesmo período usava-se o termo “crise de paradigmas”,
que justamente buscava entender e esclarecer tais mudanças sociais.
Podemos aqui citar duas dessas mudanças:
• As mudanças nos fenômenos naturais, que envolve a natureza
e causam as alterações climáticas e o uso de agrotóxicos nos
alimentos naturais, sendo estas mudanças causadas pelo pró-
prio homem;
• As intervenções biotecnológicas que diz respeito à capacida-
de do homem de interferir no processo de desenvolvimento
da vida humana.
Se por um lado essas mudanças não foram suficientes para gerar
transformações radicais nas relações sociais, por outro lado, era inegá-
vel que elas causavam incômodos nas pessoas e efetuavam transforma-
ções mesmo que sutilmente na sociedade moderna.

Saúde Coletiva
A partir dos anos 70, desenvolveu-se o movimento social nomeado
de Reforma Sanitária. Neste mesmo período houve a implementação
do campo da saúde coletiva, em que vários profissionais, professores e
estudantes que integravam áreas como medicina social, saúde pública
30 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

e saúde comunitária começam a se reunir a fim de definir quais assun-


tos deveriam ser abordados em seus cursos de medicina e de especia-
lização em saúde pública e medicina social; com isso desenvolveu-se
um olhar crítico das abordagens médicas e sociais, e, a partir desse pon-
to, formulou-se o “campo da saúde coletiva” e em paralelo a ele ocor-
reu a fundação da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde
Coletiva – ABRASCO.
Tentou-se entender que novo campo seria esse e, o que se conhe-
ce atualmente, é que trata-se de uma ciência social voltada para o social
que abrange três áreas: a área das ciências sociais, a área da epidemio-
logia e a área de política e planejamento. Atualmente, o campo da saú-
de coletiva busca compreender e estabelecer como se dá a relação entre
o indivíduo e a sociedade, analisando o seu espaço tanto no campo in-
dividual quanto no coletivo.

Conclusão
Para o entendimento do panorama da saúde pública e dos fatores
que interferem em sua qualidade e característica, destaca-se a importân-
cia do conhecimento atual sobre as principais causas de violência atendi-
das por este serviço, bem como os aspectos sociais envolvidos no acesso
e qualidade dos serviços prestados.
Dessa forma, esclarecer como surgem as iniquidades sociais, quais
suas consequências dentro da sociedade, bem como avaliar os principais
fatores desencadeantes da violência pública, principalmente na popu-
lação mais vulnerável, torna-se necessário para que, através desse en-
tendimento, seja possível estabelecer caminhos para vencer os desafios
encontrados ainda nos dias atuais dentro da saúde pública, minimizando
assim as desigualdades sociais e propiciando a implementação de servi-
ços públicos planejados e estruturados para atender a população de for-
ma justa e igualitária.
31 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Exercícios
1) Assinale a alternativa correta com relação as desigualdades sociais;
a) A idade é um indicador de diferença social;
b) A desigualdade social atinge a todos e não considera as condições de
habitação, trabalho, saúde e educação da população;
c) Para um menor impacto dos determinantes sociais, é preciso que se
invista em políticas públicas de saúde que diminuam as desigualdades
sociais e garantam acesso a todos à habitação, ao trabalho, à saúde e à
educação de forma igualitária;
d) As iniquidades sociais não tem nenhuma relação com as injustiças so-
ciais que afetam a população;
e) As desigualdades sociais deixam de existir quando é garantido aos
grupos vulneráveis o acesso unicamente à habitação.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) Assinale a alternativa correta em relação à violência na saúde pública:


a) A violência na saúde pública desenvolve-se no coletivo e envolve os
aspectos demográficos, ambientais, sociais e de saúde;
b) A violência na saúde pública desenvolve-se no individual e envolve
os aspectos demográficos, ambientais, sociais e de saúde;
c) A violência em saúde pública nada tem a ver com a violações dos di-
reitos das pessoas e não causa constrangimento e acuação psicológica
em quem a sofre;
d) O enfrentamento da violência social na saúde pública, deve ser con-
siderado como um segundo plano para resolver os problemas de saúde,
já que não promove doenças e nem aumenta risco de morte;
e) A capacitação dos profissionais da área da saúde já resolve o proble-
ma da violência na saúde pública.
Resposta correta ao final do capítulo.
32 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

3) Em relação aos desafios encontrados na saúde pública brasileira, as-


sinale a alternativa correta:
a) A saúde pública brasileira não tem desafios a serem vencidos;
b) Observa-se que qualidade de vida na população é muito boa, e isso
se deve ao fato de que todos os desafios que existiam na saúde já foram
superados;
c) A saúde pública no Brasil não deve incluir o oferecimento de esporte
e lazer para a população;
d) Para vencer seus desafios, a saúde pública brasileira precisa reconhe-
cer que a expectativa de vida dos brasileiros diminuiu nos últimos anos;
e) A falta de planejamento é uma das vertentes que dificulta a implemen-
tação das políticas de saúde, pois saber administrar os recursos viáveis
ajuda a vencer os desafios encontrados na saúde pública.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) Assinale a alternativa correta em relação às ciências sociais e saúde:


a) O termo “crise de paradigmas” não nos ajuda a compreender as mu-
danças sociais ocorridas no século XX;
b) Nos anos 90, implementou-se o campo da saúde coletiva, porém sem
o olhar crítico das abordagens médicas e sociais;
c) A criação e fundação da ABRASCO só foi possível vários anos de-
pois da formulação do campo da saúde coletiva;
d) O campo da saúde coletiva é uma ciência social que abrange apenas
a área da epidemiologia;
e) O biológico e o social continuam sendo a base das discussões envol-
vendo as ciências sociais e a saúde coletiva.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) Em relação aos tipos de violência, assinale a alternativa correta:


a) A violência contra a mulher e idoso são raras no Brasil e por isso dei-
xaram de ser foco nas políticas de saúde pública;
b) A violência intrafamiliar ou doméstica se entende como aquela que
ocorre dentro das casas, entre os membros da família;
33 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

c) Hoje existe apenas a violência ideológica ou religiosa e a violência


racial, sendo que os outros tipos não ocorrem mais;
d) A violência de gênero somente se refere às mulheres;
e) Não existe qualquer tipo violência na sociedade brasileira.
Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia
BELTRAME, I. Luiz. Violência de gênero: implicações na saúde reprodutiva.
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BORDE, Elis; HERNANDEZ-ALVAREZ, Mario; PORTO, Marcelo Firpo


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34 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

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International Journal of Health Services, 22 (3): 429-445, 1992, DOI:
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Gabarito
1. c | 2. a | 3. e | 4. e | 5. b
35 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Capítulo 3
PROCESSO SAÚDE-DOENÇA

Ivan Peres Costa

Introdução
Nos dias de hoje, observa-se o crescente interesse pelos concei-
tos de saúde e doença e a ampliação do conhecimento da população so-
bre as informações a respeito das mesmas, tais como, sinais e sintomas,
tratamento e prognóstico. Tal fenômeno pode ser explicado por fatores
como: a existência de doenças emergentes e o desenvolvimento de no-
vas tecnologias auxiliadoras, diagnósticas e terapêuticas, bem como suas
divulgações quase instantâneas.
Constantemente, este assunto é abordado em reportagens ou pro-
pagandas de televisão que trazem informações sobre comportamentos
saudáveis como alimentação e atividade física, assim como remédios e
produtos de beleza, fato que leva, cada vez mais, a população a organi-
zar sua rotina procurando hábitos de vida saudáveis.
As práticas desenvolvidas nos serviços de atenção à saúde, estão,
consciente ou não, relacionadas diretamente com determinadas percep-
ções de saúde-doença.
A descoberta de novos mecanismos bioquímicos, fisiológicos, pa-
tológicos e celulares tem induzido o surgimento de novas terapêuticas
no tratamento das doenças (ALMEIDA FILHO, 2000). A saúde, em va-
lor individual na sociedade, é atestada pela crescente preocupação com
a adoção de hábitos e comportamentos saudáveis, pela propagação de
dietas específicas na busca de um modelo de beleza física, cirurgias e
procedimentos da indústria cosmética e procura de seguros privados em
36 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

saúde. A polêmica gerada por esse debate no meio acadêmico motiva dis-
cussões com a necessidade da mudança do modelo de atenção e promo-
ção da saúde (ALMEIDA FILHO; JUCÁ, 2002; MONKEN et al., 2007).

Objetivos
Ao término deste capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
• Conhecer as definições de saúde e doença;
• Conhecer o processo de adoecimento e quais as fases das doenças;
• Inteirar-se sobre as medidas saneadoras adequadas em cada
nível de atenção em saúde.

Conceito Saúde-Doença
Segundo a definição de 1946 (WHO, 1946) da Organização
Mundial da Saúde (OMS), amplamente divulgado em nossa área, a saú-
de é definida como: “Um estado de completo bem-estar físico, mental
e social, e não apenas ausência de doença ou enfermidade”. Tal defini-
ção tem sido seguida, e tem gerado reflexões por diversos profissionais
e pesquisadores na área da saúde.
A saúde é uma experiência de vida individual, geralmente imper-
ceptível, pois só a identificamos quando adoecemos. Uma das estraté-
gias adotadas para percepção de saúde é atentar-se ao próprio corpo/
organismo, pois os mesmos fatores que nos fazem viver (alimento, água,
ar, condições habitacionais, de trabalho, de relações sociais e familia-
res e tecnologias) podem causar doenças (NARVAI; PEDRO, 2008).
Tal constatação recebe influência direta do local onde a sociedade habi-
ta (BRÊTAS; GAMBA, 2006).
As mudanças globais, associadas à transição demográfica, difusão
de novos hábitos e padrões de comportamento, alterou as condições e
a qualidade de vida da população, o que causou uma alteração no perfil
37 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

das doenças e agravos à saúde (WHO, 2008). Essas mudanças também


refletem a transição epidemiológica brasileira, que de um lado emergem
e/ou reemergem as doenças infectocontagiosas e de outro a predominân-
cia das doenças crônicas.
Alguns estudos (UCHOA; VIDAL, 1994) apontam que o compor-
tamento de uma população diante dos problemas de saúde apresentados
e da utilização de serviços de saúde disponíveis, são arquitetados a partir
da percepção de saúde populacional relacionado com o seu contexto so-
ciocultural. Essa percepção de saúde da comunidade, é fundamental para
a detecção da eficiência das ações de assistência e da educação em saúde.
A doença, palavra derivada do latim (dolentia – padecimento), é
considerada um distúrbio de um órgão, da psique ou do organismo como
um todo, que está associado a sinais e sintomas específicos e pode ser
causada por fatores externos (como outros organismos, vírus, bactérias,
fungos e parasitas) ou por fatores internos como disfunções ou mau fun-
cionamento dos órgãos e sistemas (MYERS, 2008).
Hipócrates concebia a doença como um desequilíbrio das funções
do organismo e suas relações com fatores naturais (periodicidade das
chuvas, ventos, calor ou frio) e meio social (trabalho, moradia, posição
social), desenvolvendo a teoria que entende a saúde como homeostase,
isto é, resultante do equilíbrio entre o homem e o meio em que ele habita.
A doença não pode ser analisada apenas por meio das aferições fi-
siopatológicas, pois trata-se de um conceito complexo e multifacetado,
como demonstrado a seguir:

Conceito de senso comum: diferentes significados distintos do signifi-


cado médico;

Conceito jurídico: benefício com determinados direitos aos portadores


(exemplo: funções limitadas dentro da empresa) implicando em deve-
res de diversas instituições (exemplo: seguro saúde, previdência social);
38 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Conceito social: ser portador de uma doença implica em outras pessoas


ter compaixão, atenção e apoio;

Conceito profissional: a classificação de uma doença implicando que


somente algumas classes profissionais podem realizar seu tratamento;

Conceito médico: distúrbio de funções, grupos de funções ou de sistemas


interpessoais; implicação de incapacidade que varia desde a manifestação,
ao desenvolvimento, ao conhecimento das causas e dos órgãos afetados;

Conceito bio-psicossocial: a doença deve ser analisada sob diferentes


aspectos e pontos de vista de acordo com os diferentes fatores que a in-
fluencia (fatores biológicos, psicológicos e sociais).

Homeostase é a capacidade do organismo de apresentar uma


estabilidade físico-química constante de regulação interna,
mesmo diante de alterações impostas pelo meio externo.

História natural da doença associado aos níveis de


atenção em saúde
Refere-se a uma descrição ininterrupta da progressão de uma do-
ença desde o início (momento de exposição aos agentes causadores) até
a recuperação ou a morte. Este assunto é um dos principais elementos
da epidemiologia descritiva (análise epidemiológica dos fatores que in-
fluenciam no adoecimento) (BHOPAL, 2008). Do ponto de vista epide-
miológico, pode-se distinguir 4 fases de evolução da doença e associá-los
a distintos níveis de ações de saúde:
Fase Inicial ou de Susceptibilidade: é classificado como o perí-
odo que antecede as manifestações clínicas da doença. É associado a
possíveis exposições aos fatores etiológicos (fatores causadores ou fa-
tores de risco) das doenças. Nessa fase, o indivíduo ainda não possui
39 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

doença instalada, porém, se encontra em um meio favorável ao desen-


volvimento da mesma. Em vista desses conhecimentos, o nível de ação
em saúde necessário é a atenção primária; promoção específica ou pro-
moção da saúde, como por exemplo: prevenção específicas individuais
como: alimentar-se bem, fazer exercícios, praticar hábitos saudáveis ou
prevenção do Estado como: saneamento básico, vacinas, melhorias de
transportes coletivos, etc.
Fase patológica pré-clínica: nesta fase, o indivíduo ainda apre-
senta ausência de sintomas da doença, porém, há alterações patológi-
cas instaladas.
Fase clínica: o indivíduo apresenta sinais e sintomas, correspon-
dente ao causador etiológico específico, ou seja, a doença está instalada.
A medida profilática de ação em saúde, necessárias nessas duas
fases, é a atenção secundária, onde são realizados o diagnóstico espe-
cífico das alterações patológicas no organismo, bem como o tratamento
adequado para interromper o processo de evolução da doença e evitar
possíveis complicações futuras ou sequelas.
Fase de incapacidade residual: essa fase corresponde às sequelas
produzidas pela doença, bem como a estabilização das manifestações
clínicas de doenças crônicas. Sendo assim, o nível de ação em saúde
melhor indicado é a atenção terciária, quando o indivíduo, em ambiente
hospitalar ou ambulatorial, estará no processo de acompanhamento e
reabilitação para máxima utilização das capacidades orgânicas restantes.

Atenção Primária: Promoção de saúde e proteção específica;

Atenção Secundária: Diagnóstico, tratamento precoce e


limitação da invalidez;

Atenção Terciária: Reabilitação.


40 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Outra informação que deve ser ressaltada relaciona-se com a


importância da abordagem em saúde ter atenção multiprofissional e não
apenas medidas isoladas de profissionais específicos.

AtençãoTerciária. Fonte: 123rf – macrovector.

Processo Saúde-Doença
Saúde-doença é o processo que representa o conjunto de analo-
gias e variáveis que produz e/ou condiciona o estado de saúde e doença
da população, que se modifica nos diversos momentos históricos do de-
senvolvimento científico da humanidade (GUALDA; GERGAMASCO,
41 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

2004). Esse conceito de saúde varia segundo a época em que vivemos,


assim como os interesses dos diferentes grupos sociais em que estamos
inseridos. Sendo assim, sofre influência de fatores etiológicos a que es-
tamos expostos, fatores ocupacionais, condições geográficas, ambientais,
físicas e socioeconômicas, seja individual ou em coletividade. Trata-se
de um processo dinâmico que requer constante observação de todos os
profissionais da área da saúde envolvidos no cuidado à população.
Segundo Tavares (1994), “[...] saúde e doença em sentido absoluto
não existem. Ambas estão em totalidade de um processo, a prova disso
é que não se consegue definir uma sem falar na outra”. Portanto, o pro-
cesso saúde-doença é peculiar a cada indivíduo/população inserido em
um determinado contexto social. Deste modo, a valorização do conheci-
mento do ser humano e seus hábitos é essencial para as ações de promo-
ção em saúde e prevenção das doenças, contribuindo para uma atenção
integral e sistêmica à população, já que as condições de saúde e doença
são experiências individuais e subjetivas, portanto, torna-se necessário
compreender as condições que podem influenciar nesse processo, favo-
recendo, assim, a tomada de decisões necessárias no impedimento de
instalação de uma doença e, consequentemente, na melhoria de condi-
ções da qualidade de vida populacional.

Conclusão
As condições de saúde e doença são experiências individuais e
subjetivas, portanto, torna-se necessário compreender as condições que
podem influenciar nesse processo para a tomada de decisões necessá-
rias no impedimento de instalação de uma doença e consequentemente
na melhoria de condições da qualidade de vida populacional.
42 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Exercícios
1) O processo de adoecimento (saúde/doença) recebe influências de
quais condições?
a) Condições geográficas, ambientais do território;
b) Condições socioeconômicas individuais e coletivas apenas;
c) Agentes etiológicos biológicos exclusivamente;
d) Todas as alternativas estão corretas;
e) Condições físicas da população e sociais do território.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) A epidemiologia é um dos principais instrumentos para o mapeamen-


to e identificação de doenças emergentes e existentes, tornando-se então,
de importante utilidade para a melhoria na saúde pública. Tal conheci-
mento pode ser aplicado de qual maneira?
a) Através da análise do adoecimento populacional é possível identifi-
car que a somatória dos diversos casos não interfere em programas de
promoção da saúde e prevenção de doenças;
b) A saúde do trabalhador independe do seu ambiente e condições de trabalho;
c) Uma análise epidemiológica é o melhor instrumento para se verificar
fatores que interferem no processo de adoecimento populacional em di-
ferentes localizações geográficas;
d) A população adoece de maneira similar necessitando apenas de inter-
venção quando diagnosticada alguma doença;
e) O processo de adoecimento é advindo apenas de agentes biológicos.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Assinale a alternativa correta:


a) A descoberta de novos mecanismos bioquímicos, fisiológicos, pato-
lógicos e celulares não induz o surgimento de novas terapêuticas no tra-
tamento das doenças;
b) A descoberta de novos mecanismos bioquímicos, fisiológicos, pato-
lógicos e celulares tem induzido o surgimento de novas terapêuticas no
tratamento das doenças;
43 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

c) A ineficiência da descoberta de novos mecanismos bioquímicos, fi-


siológicos, patológicos e celulares tem induzido o surgimento de novas
terapêuticas no tratamento das doenças;
d) A descoberta de novos mecanismos apenas bioquímicos e fisiológicos
tem induzido o surgimento de novas terapêuticas no tratamento das doenças;
e) A descoberta de novos mecanismos apenas patológicos tem induzido
o surgimento de novas terapêuticas no tratamento das doenças.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) Para promoção de saúde é necessário quais intervenções?


a) É necessário uma abordagem multidisciplinar que exija intervenções
simultâneas de todas as áreas da saúde;
b) Depende apenas dos hábitos de um indivíduo;
c) É de responsabilidade exclusiva de gestores de saúde responsáveis
pelas Unidades de saúde de determinados territórios;
d) É responsabilidade exclusiva do médico;
e) Qualquer pessoa terá de interferir no processo de adoecimento.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) Em relação ao processo saúde-doença, assinale a questão correta:


a) A assistência ao indivíduo doente deve ser o único eixo do sistema
público de saúde;
b) O processo saúde/doença é dinâmico e, portanto, requer uma análise
constante por parte dos profissionais da saúde que atuam na atenção à
população de determinados territórios;
c) As políticas públicas de saúde, educação, meio-ambiente e assistência so-
cial não interferem no processo saúde/doença dos territórios e das populações;
d) O processo saúde/doença é determinado unicamente pela herança ge-
nética de cada um e sua suscetibilidade às enfermidades;
e) O processo saúde/doença não pode ser contido e, portanto, requeren-
do uma análise por parte dos familiares que acompanham o doente du-
rante as consultas.
Resposta correta ao final do capítulo.
44 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Bibliografia
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BRÊTAS, A. C. P.; GAMBA, M. A. Enfermagem e saúde do adulto.


Barueri: Manole: 2006.

GUALDA, D. M. R.; GERGAMASCO, R. Enfermagem cultura e o pro-


cesso saúde-doença. São Paulo: Ícone: 2004.

MONKEN, M.; BARCELLOS, C.; FONSECA, A. O território na pro-


moção e vigilância em saúde. O território e o processo saúde-doença.
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NARVAI, P. C.; PEDRO, P. F. S. Saúde Pública: bases conceituais. São


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45 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

WHO. Primary Health Care Now More Than Ever [online]. United
Nations, 2008. Disponível em: < http:// http://www.who.int/whr/2008/
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Gabarito
1. d | 2. c | 3. b | 4. a | 5. b
46 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Capítulo 4
RELAÇÃO CUIDADOR E CUIDADO:
O PAPEL DA FAMÍLIA

Jacira Souza Ribeiro

Introdução
Define-se como envelhecimento um processo complexo, poden-
do ser saudável ou patológico. Para o envelhecimento saudável, ou se-
nescência, temos três indicadores: baixo risco de desenvolver doenças
e incapacidades funcionais, bom funcionamento mental e físico e plena
atividade física, ou seja, não há comprometimento da manutenção das
necessidades básicas de vida, como: alimentação, locomoção, higiene
e relacionamento interpessoal. Já para o envelhecimento patológico, ou
senilidade, é o processo de envelhecimento associado a diversas altera-
ções decorrentes de doenças crônicas, tais como: diabetes mellitus, hiper-
tensão arterial sistêmica, e maus hábitos de vida, os quais podem levar à
incapacidades funcionais, insuficiência de órgãos e a óbito.

Senescência: processo fisiológico do envelhecimento que


ocorre desde o nascimento até à morte. É inerente ao ser hu-
mano, não causando nenhuma desordem fisiopatológica

Senilidade: processo fisiopatológico decorrente de alguma


disfunção do organismo, ou seja, é decorrente de patologias
que podem acometer diversos sistemas do corpo humano,
afetando a qualidade de vida destes idosos.
47 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Objetivos
Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
• Conhecer os conceitos relacionados ao envelhecimento;
• Assimilar a ligação entre paciente, familiar e cuidador;
• Compreender o papel do cuidador e a importância da família
no processo de cuidado ao paciente.

Esquema conceitual

Processo cuidador/paciente
O aumento da longevidade da população idosa leva ao aumento das
doenças crônicas e/ou incapacitantes, o que evidencia a necessidade de
48 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

se ter cuidados adequados para esses idosos realizarem as atividades de


vida diária (AVDs), como por exemplo cuidar da alimentação, arrumar a
casa, ir ao supermercado, realizar os afazeres diários. Aproximadamente
40% ou mais dos idosos necessitam de ajuda para realizar estas tarefas
diariamente, enquanto uma parcela menor, de aproximadamente 10%,
necessita de ajuda também para as tarefas mais básicas, tais como se ali-
mentar sozinho, se vestir, tomar banho, ir ao banheiro, tornando-os to-
talmente dependentes dos cuidadores.

Segundo dados da OMS, o número de idosos, considera-


dos mais velhos, idade superior a 80 anos, tem aumentado
consideravelmente, sendo de fundamental importância nos
atentarmos a este fato, visto que pessoas com idade supe-
rior a 80-90 anos apresentam maior vulnerabilidade para
os comprometimentos funcionais.

O cuidador pode ser uma pessoa da família ou prestador de servi-


ço que seja especializado no atendimento a uma pessoa idosa que neces-
sita de cuidados, podendo ser ou não remunerado, o qual tem a função
de assistir a pessoa com os cuidados necessários para uma vida digna,
auxiliando o idoso a fazer as atividades de forma mais independente-
mente possível, porém, quando o idoso não conseguir fazer as ativida-
des de vida diária independentemente, este cuidador o auxiliará no que
for necessário.

Classificação dos cuidadores


Os cuidadores são classificados de acordo com o Ministério de
Estado da Previdência e Assistência Social (MPAS), o qual divide a ca-
tegoria em: profissional, formal e informal, sendo classificado como pro-
fissional o indivíduo que possui diploma de curso superior, emitido por
instituição de ensino oficialmente reconhecida, o qual exerce sua fun-
ção em Instituição de longa permanência (ILPIs). O formal é classifica-
49 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

do como o indivíduo que presta serviço de cuidados a idosos, possuindo


certificado de curso livre que o habilita a exercer a função de cuidador, o
qual faz a união entre a família e os serviços de saúde, sendo geralmente
remunerado. O informal é aquele indivíduo que presta serviço de cuida-
dos à pessoa necessitada, em seu próprio domicílio, podendo ou não ter
vínculo familiar ou ser remunerado pelos serviços prestados.

A categoria de cuidadores é dividida em:

• Profissional – profissional com diploma de curso superior,


o qual exerce sua função em ILPIs

• Formal – prestador de serviços com certificado de curso


livre, que o habilita a cuidar de idosos

• Informal – prestador de serviços sem certificação, podendo


ou não ser familiar e podendo ou não ser remunerado.

Em maio de 2019, o plenário do Senado aprovou o Projeto de Lei


da Câmara (PLC) 11/161, que regulamenta a profissão de cuidador de
idosos, crianças, pessoas com deficiência ou doenças raras. Apesar de
ainda ser necessária a sanção presidencial, a aprovação pelo Senado é
um grande passo para os cuidadores e cuidados, fazendo com que am-
bos estejam assegurados por direitos e deveres.
O projeto, sendo sancionado, estabelece que esses profissionais
deverão ter o ensino fundamental completo e curso de qualificação na
área, além de idade mínima de 18 anos, bons antecedentes criminais e
atestados de aptidão física e mental. A atuação do cuidador poderá se
dar em residências, comunidades ou instituições, o mesmo terá o con-
trato de trabalho regido pelas mesmas regras dos empregados domésti-
1 Acesso em: <https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/
materia/125798>.
50 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

cos. Se for contratado por empresa especializada, o profissional estará


vinculado às normas gerais de trabalho. Os trabalhadores poderão ser
demitidos por justa causa se ferirem direitos dos Estatutos da Criança e
do Adolescente ou do Idoso.

Processo cuidador/paciente/família
A família desempenha um papel fundamental no cuidado ao idoso,
sendo responsável por promover melhores condições de saúde, atuando
na prevenção, promoção e tratamento de possíveis enfermidades, tendo
importante função no que diz respeito à educação, economia e cuidados
com a saúde de seus membros, idosos ou não.
O papel desempenhado pela família, principalmente pelas mulhe-
res da família, como era antigamente, é de suma importância, visto que
estas desempenham bem o papel do cuidar. Porém, nos dias atuais há
uma mudança neste paradigma, já que as mulheres exercem suas ativi-
dades fora de casa, ou seja, fora do ambiente doméstico, o que leva a
inúmeras mudanças no contexto do cuidar dos idosos.
Visto que existem vínculos emocionais e afetivos envolvidos na
tarefa do cuidar, é imprescindível que haja um bom convívio e compre-
ensão dos membros da família na relação com os idosos, no intuito de
minimizar conflitos.
Casos de maus tratos, agressões e abandono por parte dos fami-
liares acontecem, continuamente, devido ao despreparo dos familiares,
muitas vezes decorrentes de fatores sociais, emocionais e/ou econômicos.
Nos últimos anos vem aumentando consideravelmente o número
de idosos com disfunções emocionais, tais como depressão, devido ao
processo de solidão que muitos enfrentam, causadas pelo afastamento
da família e/ou não condições emocionais dos familiares no processo
de senilidade e/ou senescência destes idosos, sendo nestes casos mui-
51 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

tas vezes o cuidar transferido a terceiros, tais como cuidadores formais


ou informais.
O papel do cuidador é complexo, visto que aquele que necessita de
cuidados e o cuidador podem ter sentimentos e pensamentos contraditó-
rios, como raiva, medo, culpa, tristeza, estresse, mas também gratidão,
amor, alegria e fé, sendo de fundamental importância que se identifiquem
estes sentimentos e assim possam ser alinhados, de modo que o cuida-
dor e aquele que recebe cuidados estejam em harmonia.

Conclusão
No processo de cuidados ao paciente, é de fundamental importân-
cia a interação entre cuidador e família, visto que para o paciente estão em
pauta questões emocionais, de vínculo afetivo, sendo influenciado direta ou
indiretamente pelos cuidados recebidos e pela participação direta ou indi-
reta do cuidador ou cuidadores, juntamente com a participação da família.
52 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Exercícios
1) Segundo a organização mundial de Saúde (OMS) haverá um aumen-
to de 16 vezes o número de pessoas idosas no mundo entre os anos de
1950 a 2025. Isto vem ocorrendo devido:
a) As pessoas estão vivendo mais tempo, devido a melhores condições
de vida;
b) As pessoas estão envelhecendo, ao passo que estão deixando de ter
filhos;
c) Estão nascendo mais pessoas e as mesmas estão vivendo por mais
tempo;
d) Não há uma explicação plausível;
e) Todas as alternativas estão corretas.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) O envelhecimento é definido como:


a) Um processo complexo, podendo ser saudável ou patológico, como
envelhecimento saudável, ou senescência, temos três indicadores: um
baixo risco de desenvolver doenças e incapacidades funcionais, já como
envelhecimento patológico, ou senilidade, ocorre associado a diversas
alterações decorrentes de doenças crônicas;
b) Um processo simples, o qual pode ser saudável ou patológico, como
envelhecimento saudável, ou senilidade, temos as alterações decorren-
tes de doenças crônicas, já como envelhecimento patológico, ou senes-
cência, temos as incapacidades funcionais;
c) É considerado um processo complexo, sendo conhecido como senes-
cência, que é o envelhecimento patológico, ou senilidade, que é o en-
velhecimento saudável, ambos ocorrem devido a alterações decorrentes
de doenças crônicas;
d) É um processo complexo, decorrente de alterações patológicas, com
comprometimento de todo sistema, independentemente de ser senescên-
cia ou senilidade;
e) Não há complexidade no envelhecer, já que a senilidade é um pro-
cesso fisiológico.
Resposta correta ao final do capítulo.
53 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

3) O aumento da longevidade da população idosa leva ao aumento do


número de doenças crônicas e/ou incapacitantes, o que evidencia a ne-
cessidade de ser ter cuidados adequados para idosos realizarem as ativi-
dades de vida diária (AVDs), como por exemplo:
Assinale a alternativa INCORRETA.
a) Cuidar da alimentação;
b) Arrumar a casa;
c) Cuidar dos afazeres diários;
d) Dormir;
e) Nenhuma das alternativas.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) Os cuidadores são classificados de acordo com o Ministério de Estado


da Previdência e Assistência Social (MPAS), o qual divide a categoria
em: profissional, formal e informal. O cuidador profissional é aquele:
a) Profissional com diploma de curso superior, o qual exerce sua função
em Instituição de longa permanência (ILPIs);
b) Prestador de serviços com certificado de curso livre, que o habilita a
cuidar de idosos;
c) Prestador de serviços sem certificação, podendo ou não ser familiar e
podendo ou não ser remunerado;
d) Profissional sem certificação de curso livre ou superior, que exerce
sua função em ILPIs;
e) Somente a alternativa A e C estão corretas.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) A família desempenha um papel fundamental no cuidado ao idoso,


sendo responsável por promover melhores condições de saúde, atuando
na prevenção, promoção e tratamento de possíveis enfermidades, tendo
importante função no que diz respeito à:
Assinale a alternativa INCORRETA.
a) Educação;
54 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

b) Economia;
c) Cuidados com a saúde de seus membros, idosos ou não;
d) Diagnosticar possíveis patologias;
e) As alternativas B e D estão incorretas.
Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Secretaria
de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Guia prático do cui-
dador. Brasília: Ministério da Saúde; 2008. (Série A Normas e Manuais
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.


Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: MS; 2006. (Série A,
nº 19. Normas e Manuais: Técnicos). Disponível em: http://bvms.sau-
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55 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

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ceira idade: como planejar o futuro? Textos sobre envelhecimento. 2º
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SANTOS CCC, et al. Análise da função cognitiva e capacidade funcional


em idosos Hipertensos. Rev Bras Geriatr Gerontol;14(2):241-50, 2011.
Gabarito
1. b | 2. a | 3. d | 4. a | 5. d
56 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Capítulo 5
ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA
APLICADA À FISIOTERAPIA

Ivan Peres Costa

Introdução
Para a extensão da compreensão do Homem é preciso incluir infor-
mações relacionadas aos conceitos de antropologia, sociologia e ciências
políticas, que apesar de distintos nos campos teóricos-metodológicos pos-
suem forte aproximação nos campos da saúde. Essas três grandes áreas
são também conhecidas como “Ciências Sociais”, que possuem impor-
tância fundamental dentro de eventos como políticas públicas de saúde,
programas sociais, sociedade civil e seus meios de intervenção social,
debates políticos, globalização e violência, ou seja, toda e qualquer si-
tuação que se faz presente no cotidiano das pessoas.

Objetivos
Ao término do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
• Obter conhecimento da sociologia e da antropologia aplicada
à área da saúde;
• Conhecer a aplicação da antropologia e sociologia em Fisio-
terapia para complementação de sua formação.

Conceito de antropologia
A antropologia é a ciência que se dedica ao estudo do Homem, en-
volvendo questões de ordens físicas, anatômicas, estruturais e simbólicas.
57 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Seu início se deu através do impacto entre as ideias de Darwin e o cres-


cente pensamento evolucionista em confronto com a visão da fé Cristã.
As teorias desenvolvidas por Darwin apontam a questão da explicação
bíblica presente no livro de Gênese, que relata o surgimento do Homem
pela criação divina, o Ato da Criação. Os cientistas, no entanto, através
da antropologia abandonaram a crença da origem divina do Homem e
procuraram aprofundar essa compreensão nos diferentes meios sociais,
ou seja, as diferentes culturas e formas de relação e trocas de experi-
ências entre as pessoas. Como exemplo desse modelo antropológico, o
homem transforma gerações subsequentes e é transformado por elas su-
cessivamente, por exemplo: os rituais e transmissão dos conhecimentos
entre as gerações de determinadas tribos ou civilizações (como visto no
capítulo 1 – Conceito Homem e Cultura).

Figura 1 – Criação Divina do Homem | Fonte: 123rf – Marinos Karafyllidis.

Conceito de sociologia
A sociologia é a área das ciências humanas que se aplica aos estu-
dos e conhecimentos relacionados ao comportamento social do ser hu-
58 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

mano em suas variadas organizações, nos processos que interligam esses


indivíduos e também os conflitos que daí emergem. Enquanto o indiví-
duo na sua singularidade é estudado pela psicologia, a sociologia possui
uma base teórico-metodológica voltada para os estudos dos fenômenos
sociais tentando explicá-los.
Em suas variadas formas, a sociologia contribui proporcionan-
do conhecimento das esferas sociais e seus diálogos e conflitos de re-
lacionamento e convivência. Atualmente, um dos grandes desafios da
Sociologia, em seus estudos científicos, é o de contribuir com a reinven-
ção da civilização, pois o que frequentemente é observado, é a desigual-
dade e injustiça social que encontramos nos dias de hoje.

Figura 2 – Conflitos sociais | Fonte: 123rf – bloomua.

Antropologia: estudo do Homem em suas questões físicas,


anatômicas, estruturais e simbólicas.

Sociologia: estudo do comportamento social do ser humano.


59 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Aplicações da antropologia e sociologia na área da saúde


e da fisioterapia
O primeiro registro da antropologia aplicada a um problema práti-
co ocorreu na década de 1920 com o movimento internacional de saúde
pública, com seu marco na antropologia médica ou antropologia da saú-
de, uma área que aborda a teoria e a aplicação da antropologia cultural
e biológica no estudo da saúde e doença da Humanidade. Para muitos
autores, antropologia médica e antropologia da saúde abordam aspectos
diferentes do estudo do processo saúde-doença, estando a primeira re-
lacionada ao estudo dos processos biológicos (fisiologia e patologia), e
a segunda, com o desenvolvimento da medicina social, ou seja, da saú-
de pública. Embora haja divergência de definições, é impossível separar
essas áreas, sendo as mesmas interdependentes. No decorrer do texto,
utilizaremos o termo antropologia da saúde para abordar os aspectos
relacionados às aplicações da antropologia no processo saúde-doença.
A antropologia da saúde é apresentada como uma perspectiva com-
plementar e enriquecedora na abordagem dos problemas de saúde públi-
ca, em observação a fatores sociais e culturais que o influenciam. Para
diversos autores, a antropologia da saúde originou-se da antropologia
cultural-social com o objetivo de conhecer como cada grupo populacio-
nal se relaciona com o processo saúde-doença, desde a explicação do
aparecimento das doenças, como se realiza o tratamento das mesmas e
quem buscar quando estão doentes. Ressaltam também a importância
de abordar as alterações biológicas, psicológicas e sociais envolvidas
no processo saúde-doença.
A principal função dos antropólogos da área da saúde é esclarecer
as conexões entre saúde humana, forças políticas e econômicas em âm-
bito local e mundial. Um dos exemplos que podemos citar nessa área de
atuação é a Antropologia dos transplantes de órgãos.
60 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

O primeiro transplante de órgãos foi realizado em Boston, no ano


de 1954, entre dois irmãos gêmeos idênticos. A maioria dos transplantes
depende de doadores vivos para sua realização, já outros, da disponibili-
dade de órgãos obtidos de pessoas que vieram a falecer. Da perspectiva
antropológica existe uma diferença entre o significado de morte e corpo
entre as culturas. Enquanto se afirma que a morte é um estado biológico
em particular, o significado social dessa palavra é de extrema importân-
cia. A antropóloga Margaret Lock realizou um estudo entre as diferenças
na aceitação do estado de “morte cerebral” e como esse termo influen-
cia na prática de transplantes de órgãos no Japão e nos Estados Unidos.
Como resultado de sua observação, pode-se constatar que os norte-ame-
ricanos aceitam a morte cerebral, em parte porque algumas característi-
cas como noções de pessoalidade e individualidade estão culturalmente
localizadas no cérebro, e também esse estado de morte cerebral possibi-
lita o “presente da vida” por meio da doação de órgãos e transplantes. Já
o japonês não incorpora a divisão entre mente-corpo e caracteriza que a
pessoalidade esteja presente em todo o corpo, afirmando que os órgãos
não podem ser “transformados” em presentes, já que a doação anônima
não é compatível com o padrão social japonês de reciprocidade.
Segundo Lock, o transplante de órgãos possui um significado mui-
to superior que o simples movimento biológico de um órgão presente
no corpo de um indivíduo em morte cerebral, para outro que necessita
do transplante. Processos culturais e biológicos estão estreitamente re-
lacionados em todos os aspectos da prática social.
Enric Sirvent, fisioterapeuta e enfermeiro licenciado em Antropologia
social e cultural, professor da University School of Physiotherapy
Gimbernat, relata em seu artigo a existência de uma dimensão social e
cultural na Fisioterapia, ressaltando a ausência de ferramentas biomédi-
cas para avaliar esses aspectos. O professor explica a importância e o pro-
gresso representado para a Fisioterapia na aplicação de um diagnóstico
61 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

apropriado, permitindo que, a partir da metodologia científica adequada,


seja possível determinar a deficiência e incapacidade do indivíduo medir
ou quantificar as situações, não só físicas, mas também as de questões so-
ciais e culturais que cercam a deficiência ou incapacidade.
Durante a formação de um profissional da fisioterapia, o conheci-
mento deve ser promovido percorrendo três principais pilares: as ciên-
cias da saúde (Fisioterapia em si abordando os conhecimentos da prática
fisioterapêutica e o manejo da dor), as ciências biológicas (que abor-
da o conhecimento da morfologia, fisiologia, bioquímica e biofísica do
organismo humano) e as ciências humanas (sociologia, antropologia e
psicologia). Sem o conhecimento de base dos três pilares citados ante-
riormente, o estudo do ser humano, no setor da saúde, torna-se falho,
principalmente pela ausência de uma conexão entre os três principais as-
suntos. Tal erro pode ser atribuído pela ausência do estudo da evolução,
sendo que tal conhecimento é considerado como o processo gerador da
facilitação do entendimento de determinadas características de órgãos,
estruturas e sistemas no corpo humano. Há uma ampla diferença entre
o saber da anatomia e da biomecânica de determinadas estruturas mus-
culares e ter o entendimento da verdadeira razão pela qual essas estru-
turas musculares possuem tais características.
Preocupado com tais aspectos, o fisioterapeuta Pablo Santurbano
idealizou a Fisioterapia Bio-Antropológica, que é a integração dos co-
nhecimentos biológicos para a fisioterapia através da teoria das libera-
ções biomecânicas (LBM’s). Essa teoria descreve o início da evolução
dos movimentos através de nossos antepassados, com o principal objetivo
de esclarecer como os ossos, articulações, músculos e fáscias passaram a
existir através dos milhares de anos e das inúmeras passagens do desen-
volvimento humano. As fases do desenvolvimento humano (denominados
de Ontogenia), tanto embrionário quanto o desenvolvimento motor, reca-
pitulam naturalmente as LBM’s, trilhando um caminho conhecido como
62 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

evolução das espécies (Filogenia). Tal recapitulação ocorre inclusive no de-


senvolvimento embrionário, sendo que as camadas musculares também se
formam de maneira sequencial nas etapas evolutivas na ordem das LBM’s.

Conclusão
Compreender a evolução para entender como e porque o movi-
mento evoluiu e para entender a doença, facilita o processo de reabili-
tação usando a lógica e ao mesmo tempo a astúcia e sensibilidade que a
natureza utilizou para construir o movimento. Devemos nos empoderar
do conhecimento, pois senão estaremos limitados a apenas restabelecer a
saúde perdida, negligenciando os aspectos socioculturais que causam os
problemas de saúde.

Exercícios
1) A antropologia é uma área que se dedica ao estudo da:
a) Humanidade;
b) Seres Vivos;
c) Animais silvestres;
d) Coletividades sociais;
e) Fisiologia.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) Assinale a alternativa correta relacionada aos conhecimentos em sociologia.


a) É a área das ciências biológicas que se aplica aos conhecimentos da
humanidade;
b) É a área das ciências sociais que se aplica aos conhecimentos da
humanidade;
c) É a área das ciências socioculturais que estuda os conflitos;
d) É a área das ciências que estuda o corpo humano;
e) É a área das ciências que estuda as doenças na humanidade.
Resposta correta ao final do capítulo.
63 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

3) Qual a principal função dos antropólogos da área da antropologia na


saúde?
a) É esclarecer as conexões entre saúde humana e forças políticas e eco-
nômicas em âmbito local e mundial;
b) É esclarecer os conflitos em sociedade;
c) É exercer a medicina tradicional em função da sociedade;
d) É esclarecer os conflitos entre a saúde e a doença na população;
e) É esclarecer os conflitos biológicos e geográficos que influenciam no
adoecimento.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) Qual a aplicação da antropologia na área da fisioterapia?


a) Compreensão dos fatores individuais que influenciam na saúde;
b) Compreensão dos fatores físicos influenciando na doença;
c) Compreensão dos fatores culturais de diferentes países no processo
de adoecimento;
d) Compreensão dos fatores sociais e culturais aplicados à fisioterapia
em uma visão holística;
e) Compreensão dos fatores biológicos que influenciam no processo do
adoecimento.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) Segundo Enric Sirvent, qual a importância da antropologia e socio-


logia em fisioterapia?
a) A análise holística para a importância de um diagnóstico diferenciado;
b) Os conhecimentos adquiridos para direcionamento do estudo do caso;
c) Os dados quantitativos em uma resposta da linguagem matemática;
d) A qualidade das informações aplicadas na interpretação dos casos;
e) A análise quantitativa de informações pertinentes aos diagnósticos.
Resposta correta ao final do capítulo.
64 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Bibliografia
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SIRVENT, E. Aspectos metodológicos en fisioterapia social. Cuestiones


de Fisioterapia. Publicaciones de la Universidad de Sevilla. JIMS,
Barcelona. 2004.

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mentos conceituais e metodológicos para uma abordagem da saúde e
da doença. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 10, n. 4, p. 497-504,
Dec. 1994 .
Gabarito
1. a | 2. b | 3. a | 4. d | 5. a
65 - Envelhecimento e Sociedade – v. 3

AUTORES

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


Docente da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) desde 2008.
Desempenhou também a função de supervisora do Estágio em Neurologia
Adulto na Clínica Integrada de Saúde desta instituição. É Fisioterapeuta,
formada na Universidade Santa Cecília em 2004. Especialista em
Doenças Neuromusculares pela UNIFESP, formada em 2005, local onde
também concluiu o Mestrado em Ciências, no ano de 2007.

Andreia Martinelli de Siqueira Araújo


Mestranda em Ciências da Reabilitação na Universidade Nove de Julho
(UNINOVE). Fisioterapeuta graduada pela Universidade Nove de Julho
(UNINOVE).

Fernanda Ishida Corrêa


Professora do programa de Mestrado e Doutorado em Ciências da re-
abilitação da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e Professora
do curso de graduação em Fisioterapia. Graduada em Fisioterapia pela
Universidade do Estado de São Paulo – UNESP. Mestrado e Doutorado
em engenharia Biomédica pela Universidade do vale do Paraíba
– UNIVAP.

Ivan Perrez Costa


Docente dos cursos de graduação em Fisioterapia e Medicina na
Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo/SP. Doutor
em Ciências da Reabilitação nos distúrbios cardiorrespiratórios pela
Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo/SP, 2016.
Mestre em Ciências da Reabilitação nos distúrbios cardiorrespirató-
rios pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo/SP,
2013. Especialização em Fisioterapia Cardiorrespiratória Hospitalar e
Ambulatorial pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo/
SP, 2011. Graduação em Fisioterapeuta pela Universidade Nove de Julho
(UNINOVE), São Paulo/SP, 2010.
66 - Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Jacira Souza Ribeiro


Professora dos cursos de graduação em Fisioterapia e Tecnologia em
Estética e Cosmetologia do Curso de Especialização em Estética Clínica
Funcional da Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Professora do
curso de Especialização em Enfermagem Dermatológica Estética da
ELLU Brasil. Mestrado em Ciências da Reabilitação, pela Universidade
Nove de Julho. Pós-Graduada em Fisioterapia Dermato Funcional,
pela UNESA. Pós-Graduada em Acupuntura, pela ETOSP. Pós-
Graduada em Acupuntura Estética, pela EBRAMEC. Aperfeiçoamento
em Gerontologia, pelo IAMSPE. Graduação em Fisioterapia pela
Universidade Paulista.

Raquel Agnelli Mesquita Ferrari


Docente dos programas de Mestrado e Doutorado em Ciências
da Reabilitação e Biofotônica Aplicada as Ciências da Saúde na
Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Pós-Doutorado em Patologia
pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP).
Mestre e Doutora em ciências Fisiológicas (UFSCar). Fisioterapeuta gra-
duada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
67 - Envelhecimento e Sociedade – v. 3

Coleção Envelhecimento e Sociedade.


Fernanda Ishida Corrêa; Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
(Organizadoras).

v. 1 – Anatomia e fisiologia do envelhecimento humano


Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho; Débora Bachin Carvalho;
Jessica Julioti Urbano; Luciana Rodrigues Barcala; Nadhia Helena Costa
Souza; Patrícia Lira dos Santos; Vanessa dos Santos Grandinetti

v. 2 – Saúde e doença no processo de envelhecimento


Beatriz Guimarães Ribeiro; Nadhia Helena Costa Souza; Natalie Souza
de Andrade; Patrícia Lira dos Santos

v. 3 – Aspectos antropológicos e sociológicos em saúde


Andreia Martinelli de Siqueira Araújo; Ivan Peres Costa; Jacira
Souza Ribeiro; Raquel Agnelli Mesquita Ferrari

v. 4 – Tecnologia e qualidade de vida


Aline Marina Alves Fruhauf; Fernanda Ishida Corrêa; Gláucio Carneiro
Costa; Juliana Barbosa Goulardins; Letizzia Dall’Agnol; Luciana
Rodrigues Barcala; Soraia Micaela Silva

v. 5 – Próteses e órteses
Aline Marina Alves Fruhauf; Juliana Barbosa Goulardins; Pamella
Ramona Moraes de Souza; Vanessa dos Santos Grandinetti

v. 6 – Avaliação e manejo da dor


Letizzia Dall’Agnol
Livro composto com as fontes Times New Roman 12/18 no corpo
de texto e 12/18 nos títulos, impresso em papel offset 90g/m2,
em junho de 2019.

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