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ESCOLA ESTADUAL PADRE JOSÉ MARIA DE MAN

DISCIPLINA: FILOSOFIA – MATÉRIA: FILOSOFIA DA CIÊNCIA


PROFESSOR: MÚCIO CAMILO LEITE LÉLIS - SÉRIE: 3ºS ANOS

A FILOSOFIA E AS CIÊNCIAS

“– Como concebe a relação


da Filosofia e da Ciência?
- É uma pergunta muito difícil.
A ciência está estendendo
seu poderio a toda a Terra.
Mas a ciência não pensa.
Pois sua marcha e seus métodos
são tais que ela não pode refletir
sobre si mesma”. Martin Heidegger

A Filosofia evidentemente é um conhecimento, mas nem todo conhecimento é Filosofia. Temos, pois, que distinguir
três tipos de conhecimento:
1. Filosófico.
2. Científico.
3. Vulgar.
O homem tem necessidade de conhecer e de explorar o meio em que vive. A este conhecimento adquirido por
exigência cotidiana podemos chamar de vulgar. Apresenta quatro características que servem para distingui-lo do
científico e do filosófico:
1. Assistemático.
2. Acrítico.
3. Impreciso.
4. Autocontraditório.

1. ASSISTEMÁTICO
Adquiri-se ao acaso, à medida que as coisas e os fatos se nos apresentam. Seria o caso de compararmos os tipos de
conhecimento a dois tratos de terras. Cultivado com uma finalidade e uma técnica a toda prova, seria o conhecimento
sistematizado; e o outro, cultivado apenas com aquelas plantas lá nascidas espontaneamente, sem nenhuma ordem e
técnica preestabelecida, representaria o conhecimento assistemático ou vulgar.

2. ACRÍTICO
Não admite dúvidas a respeito do conhecimento sensível. Supõe que as coisas sejam como parecem ser. Não se detém
no exame da validade e da verdade deste conhecer.

3. IMPRECISO
Para nosso conhecimento vulgar pouca diferença faz uma pedra ou um mineral radiativo. Não nos leva nenhuma
conclusão se quisermos, por exemplo, saber qual dos dois, o Sol ou a Lua, é satélite da Terra. Sua imprecisão decorre
do fato de que se destina exclusivamente à sobrevivência biológica do homem no seu meio físico. O que não diz
respeito a isso, não interessa ao conhecimento vulgar.

4. AUTOCONTRADITÓRIO
A imprecisão do conhecimento vulgar torna-o, frequentemente, contraditório. Quando percebemos o Sol como um
pequeno disco brilhante que ilumina simultaneamente toda extensão da terra, há nisto, evidentemente, uma
contradição desde que se compare o disco visto com a extensão iluminada.

CONHECIMENTO FILOSÓFICO
A missão da Filosofia é diferente da missão da Ciência. Evidenciamos estas diferenças através das principais
características do conhecimento filosófico que é:
1. Sistemático, por ser, como vimos, um todo racionalmente organizado.
2. Elucidativo, por não pretender explicar o mundo, mas esclarecer e delimitar com precisão os pensamentos, os
conceitos, os problemas, que de outro modo ficariam, por assim dizer, opacos e confusos
4. Crítico, por disposição metódica de não de aceitar nada sem exame prévio e reflexão.
5. Especulativo, por possuir uma atitude teórica, abstrata, amplamente globalizadora que envolve os problemas numa
visão total. A nossa razão parece ter qualquer coisa de especulativo e de místico: quer explicar um pouco mais do que
a ciência, quer iluminar um pouco mais do que é cientificamente dado. A ciência dos dá fórmulas exatas a respeito do

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comportamento da matéria, mas nada nos diz a respeito de seu valor. Se quisermos conhecer este “valor”, devemos
apelar não para a Ciência, mas para a especulação filosófica.

(Adaptado de: Xavier Teles, Antônio. Introdução ao estudo da filosofia. São Paulo. Ática, 1979).

Responda:

1 – Segundo o texto, quais são os três tipos de conhecimento? Quais são as características de cada um?
2 – Segundo o texto o que distingue a filosofia da ciência?

O HOMEM E A RAZÃO

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Os progressos da razão. A razão como força explicativa, que procura reduzir o
acontecer caótico e os fenômenos dispersos a uma unidade cada vez mais perfeita, sofreu uma evolução.
Primeiramente, para ter uma boa ordem qualquer dentro de um mundo misterioso e aterrador, o homem primitivo
criou uma explicação mítica do mesmo. Foi o estado teológico ou mítico da razão. Esta, porém, continuou a
progredir, chegando á fase seguinte. Nesta fase impelida pela crítica e pelo fato de estar sempre disposto a criar, de
nunca repousar sobre os louros, procurou princípios gerais com fonte explicativa dos fatos. Apelou para ideias
gerais, como por exemplo: geração espontânea, atração, tendência ao repouso etc. Com princípios desta natureza, era
possível explicar os fatos, sem recorrer ás forças divinas ocultas. A esta fase Auguste Comte chamava de
“metafísica”. Empregou princípios gerais, mesmo arbitrariamente, para explicar as coisas. É já um passo á frente da
racionalidade. O terceiro e último estado da racionalidade é “o positivo ou científico”. Nenhuma explicação é
científica se não for devidamente provada e comprovada. Observa-se, testa-se, prova-se, comprova-se, submete-se a
cálculo e no fim se diz: “A verdade agora parece ser esta. Se surgirem alguns fatos que a informem, deve-se continuar
a pesquisar”. A razão científica ou Filosofia atualmente tem uma abertura ilimitada para as coisas e para a verdade.

(Adaptado de: Xavier Teles, Antônio. Introdução ao estudo da filosofia. São Paulo. Ática, 1979).

Responda:

1 – Segundo o texto, quais foram os três estágios da razão?


2 – Segundo o texto, como se caracteriza a metafísica?
3 – O que significa dizer que a razão científica ou filosófica tem uma abertura ilimitada para as coisas e para a
verdade?

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