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Laboratório

Think Olga
de Exercícios
de Futuro
Não haverá futuro feminino
se as mulheres forem
menosprezadas no presente.

Olá! Vamos começar por qual motivo nos traz Como Think Olga, reafirmamos nosso
para esse estudo e quem somos: compromisso em jogar luz nos problemas
enfrentados pelas mulheres e criamos o
A chegada do coronavírus e do isolamento Laboratório de Inovação Social Mulheres
social trouxe uma transformação completa em Tempos de Pandemia. Um espaço
da forma como vivemos, nos relacionamos digital para investigação e comunicação
e trabalhamos. São muitas incertezas e sobre as crises desencadeadas e agravadas
cenários até então inéditos porém uma coisa pela COVID-19 na vida das mulheres, bem
sempre esteve nítida: o abalo sentido pelos como o mapeamento de possíveis ideias de
grupos mais vulneráveis, especialmente as soluções em inovação social para reduzir tais
mulheres negras, trans e periféricas, será impactos.
maior, mais profundo, mais complexo e
certamente mais duradouro. Na nossa visão, a inovação social vem
para trazer novas perspectivas para velhos
O medo do futuro nos trouxe ainda mais problemas, usar e pensar novas tecnologias
urgência para lidar com o caos do presente. e para que a gente possa pensar fora dos
Em rede, reunirmos forças para agir na busca padrões, exercitar a imaginação para um
da resposta: mundo novo para as mulheres.

Tudo isso reunido em uma plataforma de


compartilhamento de conhecimento, que
dividimos em 3 eixos de problemas centrais:

Como chegar

>>>
n Economia do Cuidado
ao futuro que n Saúde das Mulheres
queremos? n Violência contra as mulheres
Mulheres e meninas ao redor do
mundo dedicam 12,5 bilhões de horas,
todos os dias, ao trabalho de cuidado
não remunerado
FONTE: OXFAM: TEMPO DE CUIDAR

A cada eixo, são meses de investigação Cuidado é um trabalho de manutenção


e mapeamento de possíveis soluções da vida que envolve muitas horas e
para os problemas que enfrentamos no tempo dedicado: dar banho e fazer
cenário atual de pandemia, contamos comida, faxinar a casa, comprar os
histórias, trocamos informações e alimentos que serão consumidos, cuidar
sentimentos, lapidamos esse problema das roupas (lavar, estender e guardar),
e co-pensamos juntas o futuro que prevenir doenças com boa alimentação
queremos pós-crise. e higiene em casa e remediar quando
alguém fica ou está doente, fazer café da
Nas próximas páginas, te convidamos manhã, almoço, lanches e jantar para os
a conhecer as principais descobertas filhos, educar e segue por horas a fio.
que destacamos do primeiro eixo do
nosso laboratório, que teve como foco No atual cenário, de pandemia, esses
a Economia do Cuidado. serviços essenciais se tornaram visíveis
aos olhos de muitas pessoas. Estamos
todos, neste momento, precisando nos
Você sabe o que dedicar a cuidar da saúde coletiva para
salvar milhares de vidas.
é a Economia Esse serviço de cuidar exige muito
do Cuidado? tempo, é mal pago e gera um esforço
invisibilizado.

A economia é um conjunto de regras Pensar nisso nos fez chegar na pergunta


invisíveis que organiza a forma como que norteou nosso primeiro eixo de
vivemos. investigação
>>>
Como podemos visibilizar o
trabalho invisível das mulheres
na economia do cuidado?

PARA (repensando questões de)


RESPONDER,
ATIVAMOS AS
LENTES:
GÊNERO
Para responder,
escolhemos (olhando para)
4 pilares
estruturantes que RAÇA
identificamos que
é urgente mover,
(através da)
para transformar
a sociedade:
EDUCAÇÃO
(inserir na)
ECONOMIA

Acompanhe abaixo a nossa trilha de


conteúdos para entender a investigação
sobre a economia do cuidado e os
exercícios de futuro que fizemos para
desenhar soluções e propostas para
mudança desse cenário.
COMO DESVINCULAR O CUIDADO
DAS CONSTRUÇÕES DE GÊNERO?
Um ponto de partida é desconstruir de uma vez por todas
a cultura de que cuidar é coisa de mulher.

PING PONG
O cuidado e A mulher negra ela está
as construções no cuidado da casa, dos
de gênero objetos… (...). Este lugar de
cuidadora é um lugar de alta
Começamos com quem sempre ensina: responsabilidade, que exige
duas professoras virtualmente frente a
muita competência. Você está
frente para inaugurar o tema e ajudar
você a entender do quê e porquê estamos protegendo, você está cuidando,
falando disso. Acompanhe alguns trechos você está impedindo que
da conversa entre Cida Bento, diretora do alguma coisa de mal aconteça
CEERT (Centro de Estudos das Relações (...). É um trabalho que exige
de Trabalho e Desigualdades), e Heloísa
muito de doação,
Buarque de Almeida, do NUMAS (Núcleo
de Estudos sobre Marcadores Sociais da de generosidade, de
Diferença) da Universidade de São Paulo. conhecimento, de
interação, de
reconhecimento de
que existe outra
É comum que as pessoa ali.
pessoas achem que
as mulheres são CIDA BENTO

‘’’’naturalmente’’’’
aptas para o
cuidado,

HELOÍSA BUARQUE DE ALMEIDA


CUIDADO = TAREFA FEMININA
///(logo) INVISÍVEL
COMO DESVINCULAR O CUIDADO DAS CONSTRUÇÕES DE GÊNERO?

EM TODA A AMÉRICA LATINA, A MULHER (especialmente


a mulher negra) DEDICA MUITAS HORAS AO CUIDADO

/// (logo) MENOS TEMPO PARA PARTICIPAR DE


QUESTÕES PÚBLICAS, DESENVOLVIMENTO PESSOAL

HB - COMO ROMPER COM ESSA


LÓGICA?
8’50’’
CB - Primeiro, ressignificando
o cuidado como coisa de homens e
de mulheres, de negros e brancos. A
pandemia nos colocou nesse lugar,
pesou mais sobre as mulheres (e A PRIMEIRA MORTE
as mulheres negras em particular)...
POR CORONAVÍRUS
Como cuidar das nossas coisas é tão
importante. Por isso, eu acho que temos NO BRASIL FOI A
que revalorizar, ressignificar. DE UMA MULHER,
E falar sobre isso, nós mulheres brancas,
negras… Nós mulheres precisamos falar
EMPREGADA
mais sobre isso entre nós. Porque esse DOMÉSTICA QUE
lugar da cuidadora possibilita uma
MORAVA NA CASA
relação de abuso de poder.
ONDE TRABALHAVA.

COMO ISSO Espaço reservado para você


(O TRABALHO DE parar uns minutos e pensar
sobre o significado disso
INTERDITA
CUIDADO)

OPORTUNIDADES
DE FUTURO PARA COMO DESVINCULAR O CUIDADO DA
CONSTRUÇÃO DE GÊNERO?
TODAS NÓS. CB 18’
HB - 20’50’’ - “...precisamos todos
cuidarmos uns dos outros”
Ouça e assista essa 21’45’’ - “...tudo é questão de treino. Uma coisa

conversa na íntegra em: importante vem da educação na infância:


https://lab.thinkolga.com/ precisamos parar com ‘isso é brinquedo de
trilhas/cuidado-genero menina, isso é brinquedo de menino”
COMO DESVINCULAR O CUIDADO DAS CONSTRUÇÕES DE GÊNERO?

ANTES DO SÉC. 21

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
SÉC.
18 Mãe Preta em África - O que prevalecia
nos sistemas familiares africanos era a
matrifocalidade, quando a mãe é o eixo

Mulher Negra Escravizada e sua família


- Quando não estava no papel de ama
de leite de adultos e crianças brancas,
ela cuidava dos próprios filhos, exercia
solidariedade com o seu companheiro e
procurava manter e proteger sua família

Mulher Negra em Comunidade: Cuidar é


resistir - Aqui o cuidado não é opressor,
mas sim comunitário, afetivo, sendo em
si mesmo uma forma de resistência e
resgate ancestral
LINHA DO TEMPO
Práticas do SÉC.
19
SÉC. 19
A Mulher Negra como Alicerce da Família
cuidado no - Ela é o centro das interações e tem
Brasil e as histórias prestígio sobre a casa e a família

das mulheres negras SÉC. SÉC. 20


20
A Mulher Negra como Chefe da Família
É importante que não nos esqueçamos que - Uma posição mais vulnerável, seja pela
ao pensar desconstrução de gênero entre falta de recursos materiais, pela falta de
mulheres e homens negros, raça é o primeiro acesso às instituições/serviços sociais ou,
ainda, por estar sozinha
fator determinante das experiências.
SÉC. SÉC. 21
Não é de hoje que as mulheres negras estão 21
Autocuidado e Cuidado Compartilhado
na linha de frente do cuidado e precisamos - Ao compartilhar suas histórias, mulheres
pensar no cruzamento de opressões que negras se encontram num lugar que
elas vivem, para entender o peso dos transcende a sororidade e existe como
atravessamentos de raça e classe, aliados às dororidade. Um encontro que permite a cura
>>>

opressões de gênero. não só individual, mas também coletiva.

O papel que as mulheres negras vêm


ocupando na nossa história, enquanto
sociedade, não é por acaso e, muito menos,
A economia do cuidado é resultado
coincidência. Para entender as heranças
de muito trabalho realizado pelas
que carregamos do período escravocrata
até hoje, e, que se conectam diretamente mulheres negras, ainda de forma
com a forma como a economia do cuidado não reconhecida e valorizada pela
é organizada hoje, elaboramos uma linha economia. Como podemos valorizar
do tempo que compila pontos chaves da esse trabalho é uma pergunta que
história das mulheres negras no Brasil. colocamos aqui para sua reflexão.
Confira ao lado:
COMO DESVINCULAR O CUIDADO DAS CONSTRUÇÕES DE GÊNERO?

FALTA DE

DO CUIDADO
AUTONOMIA

ECONOMIA
DUPLA AFETO ENQUANTO VERBO

SOCIEDADE
BÁSICAS DA
FUNÇÕES MAIS
JORNADA DE
TRABALHOTRABALHO QUANDO
TERMINA
SINTOMA (DA CONTEMPORANEIDADE)

CONFORTO

EU NÃO
SEI FAZER
PRECARIZADO O PAPEL
HIGIÊNICO? PARA HOMENS
/ O QUANTO
RELAÇÕES DE PODER ISSO É
ROMPER COM O CICLO PASSIVO DO CUIDADO CONFORTÁVEL?
CUIDADO IMPLICA EM
RESPONSABILIDADE

PODCAST Um podcast, 12 homens negros e muitas


MilTons | reflexões em construção e desconstrução.
Masculinidades Vale muito a pena entender como os
conceitos sobre a economia do cuidado
Negras e
e as mulheres chega na cabeça dos
Economia do Cuidado homens, mas também acompanhar os
questionamentos. Para dar conta desse

Qual o papel dos homens negros papo tão rico, trouxemos a nuvem de
nessa jornada de desconstrução palavras acima para você imaginar por
e ressignificação? onde eles percorreram, mas a gente
acha que ouvir o episódio Masculinidades
Negras e Economia do Cuidado do MilTons
Uma conversa sobre a responsabilidade é imprescindível.
dos homens negros na divisão do trabalho
de cuidado, a partir de uma perspectiva de
masculinidades negras, conduzida pelos
MilTons (miltonsmasculinidades),
em Porto Alegre/RS.

HOMENS FAZEM
>>> OO QUE QUEREM
MULHERES FAZEM >>> QUE PRECISA SER FEITO
COMO DESVINCULAR O CUIDADO DAS CONSTRUÇÕES DE GÊNERO?

HUMANIZAÇÃO PARCERIA COLETIVO


// Erika Hilton // Pietra Sousa // Lana Chavewiq
ativista dos direitos cantora e moradora curandeira mitológica e
humanos HUMANIDADE do Sol Nascente - integrante da @cob.tv
Distrito Federal

TALKS O Direito Agora, você imagine que tudo que


estamos discutindo aqui, e que já é tão
ao Cuidado entre problemático, nem bem chegou a essas
mulheres trans, corpas. Como a própria Erika cita no seu
travestis e pessoas talk, uma das tristes estatísticas dessa
população é o fato de que costumam ser
não-bináries expulsas de casa com idades entre 13 e 15
anos. E… Bem, quem sabe se cuidar com
Quem cuida das pessoas essa idade, não é mesmo?
transvestigeneres?
O cuidado é uma demanda e um direito Erika, Pietra Sousa e Lana Chavewiq nos
coletivo e não-binário. concederam suas visões e resumimos em
três frases:
Para nos ajudar a pensar sobre o cuidado n tratar a comunidade com humanidade;
por uma perspectiva menos binária e n entender o cuidado como uma
pautada em identidades biológicas de
possibilidade de relação de parceria;
gênero, convidamos a ativista transfeminista
n perceber o cuidado como uma
Erika Hilton, Lana Chavewiq, historiadore
construção coletiva
não-binárie e Pietra Souza, travesti e
multiartista, para ocuparem nosso espaço
de fala com suas narrativas, que trazem
como ponto comum em suas encruzilhadas, Você já pensou em como é a
a necessidade de organização de redes de vida de quem é visto como
cuidado que a comunidade LGBTQIAP+
enfrenta na nossa sociedade.
não merecedor de cuidado e
amparo, por ser quem é?
Cuidado? É preciso fazer o recorte das
pessoas transvestigeneres*: “o cuidado
*Termo criado por Erika Hilton e Indianare
ainda é um privilégio para essa população”,
Siqueira que se propõe a agrupar todas as
uma afirmação de Erika Hilton, ativista dos identidades não-cisgêneras (pessoas não
direitos humanos. binárias, intersexos, travestis, transexuais)
COMO DESVINCULAR O CUIDADO DAS CONSTRUÇÕES DE GÊNERO?

Mão na massa - o que podemos fazer?


Enquanto sociedade, precisamos da atuação responsável e ativa de empresas,
contratantes e governos para que haja uma evolução possível e gradativa. Saiba o
que você pode fazer.

SETOR PRIVADO SETOR PÚBLICO


n Criar culturas na organização que n Oferecer renda básica contínua para
possibilitem que pessoas que cuidam mães solo, pessoas transvestigeneres sem
possam gerir trabalho e vida pessoal de apoio familiar e outras em situação de
forma equilibrada. Desenhe sistemas que vulnerabilidade social;
encorajem todos - homens também!- a n Servir como exemplo para a sociedade, com
ter tempo para cuidarem de si e de suas treinamento, reforço e distribuição dos cargos
famílias; relacionados ao trabalho de cuidado dentro do
n Garantir equiparação salarial, funcionalismo público;
considerando disparidades de gênero e n Criar ações afirmativas na educação básica e
raça entre funcionários; no ensino superior, com recorte de gênero e raça;
n Facilitar o trabalho remoto com n Criar políticas públicas do cuidado (e
ferramentas de gestão, equipamentos assegurar direitos trabalhistas) que protejam,
adequados (internet, computadores, visibilizem e valorizem as pessoas que atuam
celulares) e horários flexíveis; em trabalhos de cuidado

Para os indivíduos
INDIVÍDUO
e comunidade, n Exercitar dentro de casa um sistema que permita a divisão justa
muitas das e equânime das tarefas de cuidado, facilitando a logística familiar;
soluções passam Opção de texto: Organizar as tarefas da casa e distribuí-las de forma
por repensar justa entre todos os seus ocupantes.
crenças, valores n Refletir sobre masculinidades com crianças e jovens é
e ressignificar determinante. Que tal usar brincadeiras/brinquedos para debater
ações. Elencamos com crianças e adolescentes os estereótipos de gênero no trabalho
alguns caminhos de cuidado?; Existem ferramentas gratuitas interessantes na Internet
aqui: sobre o assunto.
n Fortalecer diálogos que ampliem a consciência sobre a divisão
equânime do trabalho de cuidado, para que meninas, mulheres e
pessoas transvestigeneres tenham acesso pleno à renda e carreiras
e profissões sem estigmas de gênero, bem como sejam valorizadas
quando no exercício de profissões vinculadas ao cuidado.

Após refletir e anotar as orientações aqui propostas, por onde


você vai começar?
É importante tomar ações para que as soluções ganhem vida, seja
na sua empresa, programa de governo ou na sua esfera individual
ou comunitária.
COMO PAREAR O CUIDADO
PARA DIFERENTES RAÇAS E PARA
MULHERES NÃO BRANCAS?

ÁUDIO POEMAS hoje fico pensando


ILUSTRADOS - nesse tanto de
marca que era sua
Como parear o e eu trouxe comigo
cuidado entre sem perceber.
diferentes raças e para
mulheres não brancas?

QUEM CUIDA DE
QUEM CUIDA?

Os áudio poemas ilustrados “Cuidado


que é remédio pra cura”, de Rita Romão,
e “Salve a força das minhas ancestrais”,
de Laura Samily, foram criados e lidos
por elas.

Escritos inspirados nas histórias de vida


de suas mães, avós e tias e que falam
sobre as dores acumuladas nas mãos
calejadas das mulheres que, antes delas,
viveram outro tempo, abrindo caminhos
para que as novas gerações de mulheres
racializadas das quais Laura e Rita fazem
parte, tenham hoje e cada vez mais, voz. mulheres que mesmo
sem salário, sem
Ouça na voz delas ou leia essas obras escola, sem direitos e
inéditas feitas para o Laboratório sem voz, construíram
Mulheres em Tempos de Pandemia. legados de abundância
COMO PAREAR O CUIDADO PARA DIFERENTES RAÇAS E PARA MULHERES NÃO BRANCAS?

salve a força das minhas ancestrais, o afeto gerado por ti, nos ensinou que
que me permitem resistir nesse chão. estarmos juntos
----- é a solução para lidarmos com todas elas.
mulheres que mesmo sem salário, afinal, mulher preta nunca existiu sozinha.
sem escola a gente tá sempre rodeada umas das outras.
sem direitos -----
e sem voz, mulheres que inspiram nosso desejo,
construíram legados de abundância. de enfrentar todos os nossos medos
-- de libertar nosso agora,
pois nas dores ancestrais que trouxemos para contarmos nós mesmas,
conosco, nossas histórias.
COMO PAREAR O CUIDADO PARA DIFERENTES RAÇAS E PARA MULHERES NÃO BRANCAS?

MICROMANUAL
para Representação
Humanizada
Como a mídia pode humanizar e tornar
das Mulheres no digno o trabalho de cuidado das mulheres
Trabalho de Cuidado é o tema deste micromanual.

>>>
Agora um jogo!
Só pra ver se você entendeu mesmo do que estamos
falando

1 O trabalho de cuidado deve ser agênero


(ou independente de gênero);

2 É preciso desromantizar a sobrecarga do


trabalho;
A comunicação é

3 É urgente o rompimento da imagem uma ferramenta e


hierarquizada, racista e estereotipada, tem potencial para
que coloca o trabalho de cuidado em uma ajudar a construir
posição de subserviência; novas representações
e narrativas. Se você

4
cria, como você
O trabalho de cuidado precisa ser
pensa essas histórias?
valorizado e estimado;
Se você consome,

5
como você recebe
Mulheres são seres múltiplos. E sua
essas simbologias?
representação no trabalho de cuidado
Você as questiona?
deve abraçar essa diversidade.
* Obviamente todas as respostas estão certas!
COMO PAREAR O CUIDADO PARA DIFERENTES RAÇAS E PARA MULHERES NÃO BRANCAS?

Mão na massa - o que podemos fazer?


Passou da hora do racismo (estrutural e individual) ser combatido no Brasil de
maneira ativa. Aos privilegiados, que não sofrem com esse mal, é reservado o dever
de combatê-lo. Se você pertence ao mundo corporativo, trabalha em uma empresa,
participa do Estado, sugerimos alguns pontos que podem ajudar a solucionar:

SETOR PRIVADO SETOR PÚBLICO


n Garantir remuneração adequada a n Facilitar o acesso a auxílios e microcrédito
profissionais domésticas e profissionais do para mulheres negras e de baixa renda, a fim
cuidado; de garantir sua integridade e possibilitar sua
n Diversidade na contratação não é um inserção na economia
luxo ou diferencial, é vantajoso e precisa ser n Criar fundos, financiamentos ou bolsas,
o “básico” entre as organizações. É preciso para que filhas/os de trabalhadoras do
garantir a contratação de mulheres negras cuidado (faxineiras, babás, trabalhadoras
em cargos de liderança; domésticas) tenham acesso à educação
n Exercer e fiscalizar o tratamento pessoal de qualidade, fomentar os processos
adequado, livre de humilhações e crimes geracionais de ascensão entre as mulheres
de racismo, a todas as profissionais do negras e quebrando o ciclo da pobreza
cuidado, quase sempre ocupando cargos de n Implementar nas escolas uma educação
subalternidade. antirracista, anticapacitista e antisexista e
ampliar o acesso à educação para mulheres
negras, a fim de reduzir desigualdades e
O último item que trazemos aqui para oportunidades;
as empresas/governo fala justamente de n Criar produtos e serviços acessíveis
educação. Para nós, o ponto de partida que facilitem o trabalho doméstico. Fazer
da grande maioria dos processos de com que a tecnologia facilite e ofereça
evolução. Você provavelmente é branco ferramentas que auxiliem o trabalho de
e racista e aqui indicamos algumas limpeza e cuidados com a casa/empresa/

>>>
medidas para parear o cuidado entre escritório;
diferentes raças e para mulheres não-
brancas. Vamos lá:

INDIVÍDUO
Após refletir e anotar
n Homens e mulheres brancas assumindo o trabalho de cuidado
as orientações aqui
em suas casas, com suas crianças e em suas comunidades.
propostas, por onde
Chamamos isso de ‘tomada de consciência da branquitude’;
você vai começar? É
n Ressignificação do trabalho: programas de desenvolvimento
importante tomar ações
pessoal/psicossocial que desconstruam a identidade servil
para que as soluções
como única possibilidade de trabalho para mulheres negras;
ganhem vida, seja na sua
n Mídia assume novas narrativas que valorizem o trabalho de
empresa, programa de
cuidado e não reproduza estereótipos racistas e machistas de
governo ou na sua esfera
mulheres que exercem este trabalho.
individual ou comunitária.
COMO A CRIAÇÃO E EDUCAÇÃO
DE CRIANÇAS PODE SER
ENTENDIDA COMO TRABALHO
ESSENCIAL DE TODOS?

LIVE - Como a Mulher preta pobre sozinha cuidado

mulher é vista de um filho...


L I V E

9’16’’
“Essas mães não são guerreiras,
como a única
L I V E elas são desassistidas. Tanto socialmente,
responsável quanto pelo Estado. É preciso um

pelo cuidado com as entendimento político do que é essa mulher


como única cuidadora, única responsável
crianças? pra que a gente possa no mínimo falar
sobre isso numa tentativa de mudança. Não
se pode falar sobre (economia do cuidado)
Uma conversa sobre maternidade e sem o recorte racial.”
cuidado com a comunicadora Deh Bastos
e a jornalista Mariana Rosa, mediada pela Não tem essa de paternidade ‘ativa’, a
nossa diretora de impacto Juliana de Faria. paternidade também é compulsória.
Mulheres, mães e ativistas compartilham
suas vivências e falam sobre como a mulher (Na esfera individual) A gente precisa falar
(ainda) é vista como a única responsável que não é normal uma mãe que precisa
pelo cuidado com as crianças. abdicar de tanta coisa pra ser mãe, não é
normal que o mercado corporativo perca
tantas mulheres incrivelmente talentosas
porque elas precisam estar em casa
cuidando dos filhos. Eu vejo aí um caminho
de comunicação possível

O maior desafio é a negação do racismo.


DEH BASTOS As pessoas brancas precisam admitir seus
| Criando privilégios e abrir mão deles. Agora, quem
Crianças é que está a fim disso para mudar uma
Pretas estrutura social? Qual a possibilidade das
pessoas abrirem mão dos seus privilégios
COMO A CRIAÇÃO E A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS PODE SER
ENTENDIDA COMO TRABALHO ESSENCIAL E DE TODOS?

para mudar o lugar onde estão


L I V E
essas mulheres pretas? (Sobre a
9’16’’
educação antirracista)

Eu acredito muito na força da educação.


Na força do entendimento. Porque quando
você é uma pessoa branca, de classe
média e entende o que é e como foi
feito o racismo estrutural, você começa O isolamento
a mudar as coisas dentro do seu próprio
L I V E
escancara esse
ambiente. Então você começa a questionar
10’26’’
desequilíbrio JULIANA DE
a escola, os seus consumos de intelecto, de absurdo que é a economia FARIA
prestação de serviço… Você não questiona do cuidado | Think Olga
mais por quê você precisava pagar a sua
empregada doméstica mesmo ela estando
em casa porque ela não tinha o benefício
que você tem do home office. Essas ações
elas vêm de um entendimento profundo
sobre o racismo brasileiro e de que não é
sobre caridade nem sobre ajuda.

“Que tipo de cuidado essa mulher,


mãe, pode oferecer ao seu (próprio)
L I V E

filho enquanto ela desempenha


funções de cuidado em outros espaços?”

“Com quem esse filho fica quando essa


mulher sai pra trabalhar?”

“Na ausência da garantia do cuidado


como uma política pública, a corda vai
MARIANA
estourar em cima da mãe que vai carregar
ROSA
nas costas todas as ausências. De um
| Jornalista
companheiro/a para dividir, de uma rede de
apoio porque o isolamento impõe isso, do
Estado que não tem rede de assistência…”
COMO A CRIAÇÃO E A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS PODE SER
ENTENDIDA COMO TRABALHO ESSENCIAL E DE TODOS?

Mão na massa - o que podemos fazer?


Não existe uma ideia de mundo melhor possível, sem pensar em educação. A
sociedade está sendo construída e renovada todos os dias, em cada criança. E,
vejam só, educar um novo ser humano é trabalho de todos e não apenas das mães e
cuidadoras. Como as empresas e governos podem mudar o cenário que temos hoje?

SETOR PRIVADO SETOR PÚBLICO


n Garantir uma política integrada de n Garantir creche e escola, com critérios que
parentalidade, a fim de pensar estágios de observem gênero e raça;
cuidado: licenças remuneradas, cuidados n Elaborar políticas públicas que incentivem
pré e pós-natal, auxílio para contratação e promovam a conciliação entre trabalho e o
de cuidadores; exercício da parentalidade
n Políticas de cuidado para todas as n Implementar programas de conscientização
idades e especificidades (crianças, e políticas de responsabilização dos pais
pessoas com deficiência, idosos, mulheres sobre abandono parental
trans, etc.): criar programas específicos n Incluir termos na CLT a respeito da proteção
para diferentes necessidades, priorizando e amparo dos trabalhadores que também
o cuidado; exercem trabalhos de cuidado
n Facilitar o trabalho remoto com n Promover escolas integradas com
ferramentas de gestão, equipamentos a comunidade para que a família e
adequados (internet, computadores, responsáveis pelo cuidado possam ter
celulares) e horários flexíveis.que permitam neste espaço refeições, serviços de saúde,
a conciliação. academia, biblioteca, etc.;

INDIVÍDUOS
n Criar uma comunidade integrada. Fortalecer vínculos
com vizinhos e comunidade próxima, a fim de fortalecer
a cooperação para pais que precisam de cuidado com
crianças, pessoas idosas que precisam de ajuda na vida
cotidiana mulheres em situação de violência que precisam
de abrigo ou acessar algum serviço de acolhimento;
n Redes de apoio e transporte para crianças, pensando
em sistemas de carona, grupos de caminhada e uso Após refletir e anotar
do transporte público, para facilitar a logísticas de as orientações aqui
responsáveis por crianças em idade escolar propostas, por onde
você vai começar? É
importante tomar ações
para que as soluções

>>>>>>>>>>>>>>>>
ganhem vida, seja na sua
empresa, programa de
governo ou na sua esfera
individual ou comunitária.
COMO INCORPORAR O
TRABALHO DE CUIDADO
NA ECONOMIA?

INFOGRÁFICO Homens Mulheres


escravizados escravizadas

Sem a mulher negra plantação


mineração
plantação
trabalhos domésticos

a economia para criação de gado


construção civil
cuidados com as crianças
trabalhos de cuidados de saúde
trabalhos sexuais
Vida pública
Um infográfico que mostra como a imensa trabalho de Vida doméstica
produção trabalho de reprodução
contribuição das mulheres negras ao
longo da história é o que sustenta a nossa
economia.

O tráfico
negreiro
era uma
O Brasil foi o das E, depois de 300
país que mais atividades
mais anos de escravidão,
recebeu negros lucrativas
um novo modelo
escravizados
do sistema

traficados de África
colonial
de trabalho
o Brasil foi o último país das Américas a abolir
a escravidão. Uma das principais motivações
O tráfico negreiro foi a pressão internacional pela expansão do
aqui, que durou entre processo de industrialização no mundo, que
1501 e 1900, trouxe exigia um novo modelo de relações de trabalho.
4.864.374
homens, mulheres
e crianças.
46% n Trabalhadores n Redução de custos
negros livres n Aumento da
n Por conta competitividade entre
própria a classe trabalhadora
n Dentro de um n Aumento da demanda
sistema colonial de consumo
Número que corresponde a 46%
do total do tráfico negreiro em todo o mundo.

The Transatlantic Slave Trade Database


COMO INCORPORAR O TRABALHO DE CUIDADO NA ECONOMIA?

Homens brancos ganham a mais que 159% Para as mulheres


mulheres negras nas mesmas ocupações
Diferenciais Salariais por Raça e Gênero | Instituto Insper, 2020
que são mães e
chefes de família,
isso significa uma
jornada infinita de
trabalho

Para cada negro com


rendimentos acima de
10 salários mínimos,
há quatro brancos
Oxfam | Relatório a Distância que
nos unem, 2017

50%
Apenas 10,4% das mulheres brasileiras
passaram a cuidar de
das mulheres negras concluem o
alguém na pandemia
ensino superior

Enquanto 23.5%
das mulheres brancas o
concluem
Estatísticas de gênero – indicadores sociais
das mulheres no Brasil, 2018

93% das trabalhadoras Mulheres que trabalham


58% das domésticas da
dedicam 73%
mais
horas do que os homens
mulheres América Latina e
aos cuidados e/ou afazeres
desempregadas Caribe são mulheres
domésticos
durante a Organização
pandemia são Internacional Estatísticas de gênero: indicadores
do Trabalho sociais das mulheres no Brasil | IBGE, 2018
negras (OIT), 2020
Gênero e Número e SOF, 2020

No Brasil 47,8%
das mulheres negras No Brasil, 63% das casas
têm trabalho informal chefiadas por mulheres
Síntese de Indicadores
negras estão abaixo
Sociais do IBGE, 2018 da linha da pobreza
Gênero e Número e SOF, 2020
COMO INCORPORAR O TRABALHO DE CUIDADO NA ECONOMIA?

Uma conversa com


trabalhadoras domésticas sobre
os desafios da pandemia

ENTREVISTAS “Eu quero que saia logo minha


Entre Gerações: aposentadoria, ver meus
os desafios da netos formados e eu quero
voltar para minha terra…
pandemia, futuro
Quero ir pra Pernambuco, viver
e sonhos pelo cuidado minha velhice lá e curtir meus
com as crianças? forrozinhos lá...”

Uma das últimas práticas para esse


pilar de Economia do Cuidado chegou
com (ainda mais) carga emocional:
filhas entrevistam suas mães sobre seus
sonhos. As três entrevistadas também
exercem fora de casa o papel de cuidar e
são empregadas domésticas. Diferentes
idades e cidades, mas uma história
parecida. Aqui uns trechos e, no lab, a
fala completa.

É quando perguntamos para algumas


mulheres que estão na linha de frente desse
cuidado ‘qual o grande sonho delas’ que
entendemos o lugar onde essas mulheres
estão, em pleno 2020.
As entrevistas foram guiadas por filhas e
netas. Uma troca afetiva e um exercício // Esses são os sonhos da MARIA JOSÉ
de futuro, em que mulheres que vieram DE SANTANA, de Recife - PE. Maria
tem 60 anos, moradora do Jardim São Luís
depois, escutam e propagam as vivências e
(SP) e há 30 anos atua como trabalhadora
ensinamentos das que vieram antes. Vamos doméstica. AMANDA GUIMARÃES é
mostrar pra você logo abaixo: quem entrevista sua avó Maria.
COMO INCORPORAR O TRABALHO DE CUIDADO NA ECONOMIA?

“CHEGAR A PODER viajar,


chegar a me aposentar,
descansar, viver em paz… Meu
maior sonho é de viajar e
conhecer lugares.”

“Eu queria fazer alguma coisa pra


ganhar dinheiro sem precisar sair
da minha casa. Fazer alguma
coisa pra mim, sair da minha casa
pra trabalhar, pra ganhar dinheiro
pra mim! Não pra dar dinheiro
pros outros, não limpar chão de
ninguém, não que isso seja uma // Esses são os sonhos
da EDNA SANTOS,
desonra, eu sempre fiz com muito de Aracaju - SE. Ela tem
orgulho… Mas eu gostaria de fazer 44 anos, é trabalhadora
um curso, ter dinheiro pra poder doméstica desde os 12 anos
e foi entrevistada pela filha
fazer um curso, né… E depois, quem HELOÍSA SANTOS, que
sabe mais tarde até fazer uma tem 24 e é publicitária.

faculdade, cuidar um pouquinho


mais de mim. Voltar a poder
realizar os nossos sonhos!”

// Esses são os sonhos da CARMEN LÚCIA


PROENÇA FERREIRA, de Porto Alegre - RS. Ela Aqui temos uma amostra de 3 mulheres
tem 57 anos e é trabalhadora doméstica. Sua mãe e
suas irmãs também foram trabalhadoras domésticas.
diferentes que pensam em sonhos apenas
Sua filha, NATÁLIA DORNELLES, é mulher preta e como possibilidades de um futuro. Elas só
artista e fez a entrevista. querem um tempo pra elas…
COMO INCORPORAR O TRABALHO DE CUIDADO NA ECONOMIA?

[A campanha Essenciais
são os nossos direitos] Está
dando bastante resultado.
As trabalhadoras estão
se conscientizando, estão
LIVE | O valor procurando o sindicato,
intangível do estão procurando se informar.
trabalho de
L I V E
Não estão trabalhando por
cuidado e de qualquer coisa, principalmente
as diaristas. Não estão
reprodução humana
baixando a cabeça
por serem mulheres
negras. Não aceitar
Chegamos até aqui trazendo muitas assédio moral
perguntas e algumas respostas sobre por quê
o trabalho de cuidado e reprodutivo não é CLEIDE PINTO | Fenatrad
valorizado na economia.

Para ajudar a pensar possíveis respostas Teto de gastos, orçamento público, imposto,
para essa pergunta, convidamos para um auxílio emergencial, fundos, uma série de
diálogo Cleide Pinto, diretora da Fenatrad temas foram debatidos e explicados pelas
(Federação Nacional das Trabalhadoras especialistas convidadas.
Domésticas); Gabriela Mendes, economista
e CEO da NoFront; Laura Karpuska, Um brevíssimo resumo da conversa, pode
economista responsável pelo podcast ser lido abaixo, pra você se inteirar já dessa
EconomistAs; Luiza Nassif, pesquisadora da conversa que foi muito potente. Mas, a
Levy Economics Institute of Bard College, e íntegra desse conteúdo vale muito conhecer.
Nina Silva, CEO do Movimento Black Money. Acesse: https://bit.ly/live-economia-do-cuidado
COMO INCORPORAR O TRABALHO DE CUIDADO NA ECONOMIA?

Temos uma leitura econômica que se volta muito para a


lógica de produção de mercadorias, para venda, não levando
em consideração o trabalho gratuito que é realizado em âmbito
doméstico. O alimento que você compra precisa ser preparado
para ser consumido. O trabalho de preparo é tão importante
quando o trabalho de produção, para que você possa comer

GABRIELA CHAVES | NoFront

A economia é uma ciência


social das escolhas humanas

LAURA KARPUSKA | EconomistAs

Porque a gente O
tem uma estrutura que patriarcado
é racista e patriarcal, e e o racismo foram
que veio se reproduzindo por estruturantes na
muito e muito tempo, e uma formação das instituições
herança escravocrata que não públicas e privadas,
foi solucionada -que é muito bem como todas as
recente e a gente nunca tratou relações oriundas dessas
desse problema, a gente nunca fez instituições e, portanto,
nenhum tipo de reparação- não o cuidado não está
basta ter políticas universais. A presente na normativa
gente precisa de políticas focadas dessas relações
[em gênero e raça] para resolver
esse problema de desigualdade NINA SILVA | Movimento
Black Money
LUIZA NASSIF | Levy Economics
Institute of Bard College
Mão na massa - o que podemos fazer?
Não é à toa que falamos de cuidado e atrelamos à economia. Tudo que gira em torno
do cuidado tem implicações na economia e vice-versa. Por isso, esse é um dos nossos
pilares. Com base em todos os estudos, pesquisas e conversas que tivemos ao longo dos
dois meses de projeto, apresentamos algumas sugestões para empresas e governos:

SETOR PRIVADO E SETOR PÚBLICO:


n Promover debates e campanhas por todos os responsáveis do tripé do cuidado: Estado,
empresas e indivíduos, sobre a divisão igual dos custos e responsabilidades do cuidado;
n Ampliar direitos trabalhistas para trabalhadoras domésticas e cuidadoras é reconhecer
valorizar o trabalho cuidado. Garantir férias, seguro-desemprego e saúde de qualidade para
profissionais domésticas e cuidadoras de crianças, idosos, pessoas com deficiência;
n Garantir auxílio-cuidado para famílias e pessoas em situação mais vulnerável como
mulheres negras, mães solo e de baixa renda, profissionais de cuidado informais, idosos,
pessoas com deficiência, garantindo a complementação de renda para o exercício de
atividades de cuidado não-remuneradas;
n Promover e fomentar programas de assistência social, como SUS (Sistema Único de Saúde)
e SUAS (Sistema Único de Assistência Social), a fim de garantir o acesso amplo e público a
serviços de cuidado para todas as idades, e fomentando a profissionalização deste trabalho
nestes órgãos e equipamentos;
n Reavaliar o valor monetário de auxílios como renda emergencial e bolsa família, visando uma
assistência contínua e mais compatível com a demanda;
n Desenhar modelos que incluam idosos e aposentados em papéis sociais e atividades após
os 65+, para que pessoas idosas mantenham-se ativas, garantindo sua saúde mental e física,
para além do direito à aposentadoria;

Observação: Uma série


de medidas para o INDIVÍDUO
setor privado também n Promover conversas sobre educação financeira para
foram mencionadas no meninas e mulheres, dentro do ambiente doméstico,
capítulo acima. Confira! bem como ações afetivas e práticas que valorizem sua

>>>>>>>>>>>>>>>>
autoestima e o real valor da sua força de trabalho;
n Ressignificar o valor social do trabalho de cuidado,
precisamos criar uma cultura de valorização do
trabalho de cuidado;
Como nos outros pilares, também n Fomentar redes de mães e mulheres negras
separamos sugestões para que empreendedoras, visando à geração de renda e a
nós, indivíduos e comunidade, economia solidária;
tenhamos por onde começar. E n Eleger mais mulheres negras na política, que
também para que a gente não contemplem o trabalho de cuidado e reprodutivo em
tenha mais como dizer que “não seu programa de governo e os direitos das mulheres
sabe como começar”: como um todo.
CONCLUSÃO
Como podemos incorporar este trabalho na economia?
O que vem pela frente - próximos eixos

Compreender o que significa a Economia Por isso, deixamos diretrizes de soluções,


do Cuidado, seu tamanho imenso, sua também, para que indivíduos, empresas e
invisibilidade, os problemas que acarretam governos possam começar já a tomar ações
na vida da maioria das mulheres, trazemos concretas para resolver este problema.
algumas diretrizes sobre como enfrentar Em tempos de pandemia e nos tempos
esse problema. futuros, é urgente pensar: quem cuida de
quem cuida?.

Em um momento como esse, de Se você quiser navegar mais e conhecer


pandemia e isolamento social, o melhor os materiais que mencionamos aqui,
trabalho de cuidar da casa e das deixamos um convite também para que você
pessoas salta aos olhos de boa parte acesse o site lab.thinkolga.com/economia-
da população: como garantir que do-cuidado. Conheça, use e compartilhe!
todos o dividam, sem estereótipos
de gênero e raça? Como garantir Nos próximos meses, nós do Laboratório de
a justa valorização do trabalho Inovação da Think Olga nos debruçaremos
de profissionais do cuidado, sobre outros dois macrotemas: Saúde e
as trabalhadoras domésticas, Violência contra as Mulheres em tempos
babás, enfermeiras, educadoras, de pandemia. Novas pesquisas e conteúdos
assistentes sociais, cuja atividade é serão divulgados no site do lab e também
essencial para a nossa sobrevivência nas redes sociais da Think Olga.
e organização social?
Seguimos juntas
Chegamos até aqui com a meta de tornar e juntos e muito
esse tema cotidiano visível para todos.
E gostaríamos que você terminasse essa
obrigada pela
leitura com algumas ideias e caminhos companhia até aqui!
possíveis para fazer com que a Economia
do Cuidado de fato se torne uma questão
central na sociedade e na economia.
SOBRE A
THINK OLGA
A Think Olga é uma ONG que visa
sensibilizar a sociedade para as questões
de gênero e intersecções, além de educar
e instrumentalizar pessoas que se
identifiquem como agentes de mudança

SOBRE O
na vida das mulheres. O resultado deste
trabalho traz soluções criativas para
velhos e novos problemas e colabora
LABORATÓRIO com a construção de um mundo mais
igualitário e justo.
O Laboratório de Inovação Social Mulheres
em Tempos de Pandemia é um espaço O Mulheres em Tempos de Pandemia:
digital para investigação e comunicação laboratório Think Olga de exercícios de
sobre as crises desencadeadas e agravadas futuro é uma das ações realizadas por esta
pela COVID-19 na vida das mulheres, bem organização de forma aberta e replicável
como o mapeamento de possíveis ideias de para toda a sociedade.
soluções em inovação social para reduzir
tais impactos. Conheça nosso site e saiba mais sobre a
Think Olga

acesse aqui acesse aqui


lab.thinkolga.com www.thinkolga.com

REALIZAÇÃO: APOIO:

Vamos juntas?