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INSTITUTO DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E GESTÃO


CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

O impacto da insuficiência da tesouraria, das pequenas e medias empresas, face a


pandemia Covid-19

Almera Florêncio Bulo

Trabalho de Campo

Nampula, Outubro de 2020

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INSTITUTO DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E GESTÃO
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

O impacto da insuficiência da tesouraria, das pequenas e medias empresas, face a


pandemia Covid-19

Almera Florêncio Bulo

Trabalho de carácter avaliativo da


cadeira de Ciências Políticas curso
de Administração Pública, 1º ano, na
cadeira de Contabilidade Geral,
leccionada pelo:
Docente:

Nampula, Outubro de 2020


i1
Índice
Introdução .......................................................................................................................... 3
O impacto da insuficiência da tesouraria, das pequenas e medias empresas, face a
pandemia Covid-19 ............................................................................................................ 4
O grande confinamento ...................................................................................................... 4
Impacto do covid-19 na economia mundial ........................................................................ 4
Empresas forçadas a adaptar as suas actividades perante o contexto da Pandemia........ 5
Actividades do turismo na primeira linha dos impactos ...................................................... 5
Gestão coerente de tesouraria e dos custos fixos para maior resiliência........................... 6
Implicações da crise da pandemia face a produtividade da PME,s.................................... 8
Medidas tomadas pelo governo para mitigar o impacto da covid-19 nas pequenas e
medias empresa .......................................................................................................................... 8
Conclusão ......................................................................................................................... 10
Bibliografia......................................................................................................................... 11

2ii
Introdução
A pandemia do novo Covid-19 causou mudanças profundas na economia e no ambiente
de negócios – e as micro, pequenas e médias empresas foram as mais afectadas. Ter
caixa para sobreviver é um dos maiores desafios. A transformação digital um dos
grandes aprendizados. A maioria também concorda que precisará de novas estratégias
para impulsionar seu negócio na retomada.

Objectivos do trabalho
 Analisar o impacto da insuficiência da tesouraria, das pequenas e medias
empresas, face a pandemia Covid-19.
 Identificar o impacto da insuficiência da tesouraria, das pequenas e medias
empresas, face a pandemia Covid-19 em Moçambique.
 Descrever estratégias tomadas pelo governo na adaptação das PME’s ao período
de recessão económica de forma a possuírem uma gestão de tesouraria eficiente
para o bom funcionamento das empresas.

No presente trabalho pretende-se analisar e descrever o impacto da insuficiência da


tesouraria, das pequenas e medias empresas, face a pandemia Covid-19 nas pequenas
e medias empresas no mundo, principalmente em Moçambique. Desta forma, com o
mesmo, pretende-se dar um contributo as pequenas e grandes empresas a precaverem-
se e tomarem medidas que possam ser determinantes em períodos pós pandemia e
para a produtividade da economia interna ou internacional diante a crise económica face
a pandemia Covid-19.

A metodologia usada para a elaboração deste trabalho, foi a consulta de obras


bibliográfica e o uso da internet seguindo as regras regidas nesta instituição de ensino
(norma APA 6ª edição).

O mesmo está estruturado da seguinte maneira: primeiro apresentou-se os elementos


pré-textuais, de seguida a introdução, desenvolvimento dos conteúdos, a síntese do
tema e finalmente a bibliografia cujo estão os autores usados na sustentação do tema.

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O impacto da insuficiência da tesouraria, das pequenas e medias empresas, face a
pandemia Covid-19
A transição de Fevereiro para Março foi marcada pelo primeiro sinal quantitativo
preocupante, com a quebra relevante da capitalização dos mercados bolsistas, mas
tudo o que seguiu veio conferir o protagonismo da destruição e disrupção às grandes
variáveis da economia real, produção e consumo, emprego e rendimento, pressionadas
pela separação forçada, física e tangível, das condições básicas de activação da oferta
e da procura na maioria das actividades económicas.

O grande confinamento
Segundo Mateus (2020) “O grande confinamento, iniciado a 16 de Março, quando a
Europa se converteu no centro da pandemia, permitiu perceber, através dos primeiros
estudos e inquéritos, que a “economia de confinamento” representava quebras muito
expressivas na produção e no consumo, qualquer coisa como 55% a 65%” (p. 2). No
entanto, o contributo de um mês de “economia de confinamento” para a contracção do
Produto Interno Bruto (PIB) anual, mantendo-se todos os restantes onze meses no nível
normal anterior de actividade, situar-se-ia, assim, entre os 4,5% e os 5,5%.

O contributo das principais organizações internacionais, da organização mundial do


comércio ao Fundo Monetário Internacional (FMI), da organização mundial do turismo à
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), para citar
algumas das mais relevantes, foi muito importante para travar a negação da realidade e
acelerar a procura realista de respostas (Mateus, 2020).

Impacto do covid-19 na economia mundial


As medidas de confinamento social, as restrições de circulação e a perda de horas de
trabalho estão a limitar de forma muito significativa a produção global, as cadeias
globais de comércio e o sector dos serviços.

O FMI antevê que o impacto da COVID-19 na economia mundial seja particularmente


severo no segundo trimestre de 2020 (nas economias avançadas a quebra é de 11,5%

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em termos homólogos), iniciando-se uma recuperação gradual no terceiro trimestre do
ano. Perspectiva-se que no final de 2021 a economia ainda não tenha recuperado na
totalidade do choque ocorrido.
Na perspectiva de Mateus (2020) em termos anuais, o FMI estima uma quebra de 3%
do PIB global em 2020, sendo esta quebra bastante mais acentuada nas economias
avançadas (-6,1%) do que nas economias emergentes ou em desenvolvimento (-1,0%).
Em 2020, cerca de 90% dos países do mundo vão enfrentar uma recessão. E para
2021, é esperada uma retoma da actividade económica, sendo previsto um crescimento
da economia global de 5,8%. A contracção da economia resultante da COVID-19
reduziu as estimativas de crescimento global do FMI para 2020 em mais de 6 p.p.

A dimensão da quebra da actividade económica está muito dependente da evolução da


pandemia. De acordo com as estimativas do FMI, no cenário de maior persistência da
pandemia, a economia global poderia cair mais 2,8% em 2020 e 7,3% em 2021.

Empresas forçadas a adaptar as suas actividades perante o contexto da pandemia


As empresas são forçadas a adaptar os seus modelos de negócio pela própria
sobrevivência no mercado. No inquérito às empresas realizado pelo Instituto Nacional
de Estatística (INE), 29% das respondentes mencionou ter adaptado a sua produção por
diversificação ou modificação da produção e 21% por alteração ou reforço dos canais de
distribuição (online, take-away…). Destaca-se o sector da informação e comunicação,
com 40% das empresas respondentes a referir que adaptaram a sua produção, e o
sector do comércio, com 30% das respondentes a adaptarem os seus canais de
distribuição. Pelo contrário, evidencia-se o sector da indústria e energia, com 53% sem
terem a necessidade de adaptar a sua actividade.

Actividades do turismo na primeira linha dos impactos


Segundo Mateus (2020) “O impacto económico da COVID-19 é muito assimétrico entre
as diversas natividades económicas, o que determina realidades e necessidades
diferentes. Os efeitos da paralisação económica fazem-se sentir com maior relevo e de
forma mais rápida nas actividades de alojamento e restauração” (p.6).
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Neste contexto, em Moçambique, no mês de Abril, mais de metade das empresas
nestas actividades já tinha encerrado portas de forma temporária (56,1%) e a taxa de
mortalidade (encerramentos permanentes) superava os 6%. Os serviços em geral
incluem as actividades mais fustigadas nesta primeira fase da crise COVID-19 com
cerca de 18% das empresas encerradas temporariamente e uma taxa de mortalidade
próxima dos 1%. A construção e imobiliário e as actividades de informação e
comunicação são as que apresentam impactos menos intensos.

Gestão coerente de tesouraria e dos custos fixos para maior resiliência


A gestão da tesouraria ou gestão financeira de curto prazo, segundo Menezes (1999)
consiste na gestão do capital circulante (exploração e extra exploração) e a gestão da
dívida a curto prazo (exploração e extra exploração), ou num sentido mais restrito como
gestão do disponível.

Segundo Causse e Lacrampre (1983) tesouraria “...saldo entre os recursos permanentes


de que dispõe a empresa e as suas necessidades de financiamento permanentes ou,
utilizando a terminologia financeira, a tesouraria é igual à diferença entre o fundo de
maneio e as necessidades de fundo de maneio” (p. 99).

Para Meunier (citado por Duarte, 2009) a tesouraria de uma empresa é a diferença entre
os recursos empregues para financiar a sua actividade e as necessidades resultantes
dessa mesma.

No entanto, a capacidade das empresas resistirem a choques severos na sua actividade


depende, primeiramente, da sua capacidade de liquidez e atendendo às
responsabilidades inadiáveis, que dependem das características do negócio (e.g.
intensidade em trabalho ou em capital), das relações ao longo da cadeia de valor, entre
outros factores; mas também das práticas de gestão gerais e, em particular, da
tesouraria.

A gestão de tesouraria é uma função descurada por uma parte significativa do tecido
empresarial, em especial nas pequenas e medias empresas, onde as competências de
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gestão são normalmente mais reduzidas. Em consonância, essas empresas não têm um
plano de negócios baseado em vários cenários, nem tão pouco plano de contingência
que permitam responder a crises severas.

De Acordo com Mateus (2020) o comércio, as actividades de apoio social e outros


sectores terciários apresentam um nível de risco mais elevado, pela maior
preponderância dos custos fixos e um nível de liquidez imediata mais reduzido. O
turismo e restauração são em alguns segmentos e localizações, actividades sazonais e,
como tal, com uma estrutura de custos mais flexível. Neste contexto, a maioria das
actividades combina uma baixa liquidez com um peso mais reduzido de custos fixos,
que permite uma gestão de crise mais controlada. A crise provocada pela pandemia
deverá ter efeitos económicos sem precedentes nas pequenas e medias empresas. O
prolongado período de quase congelamento de parte das actividades económicas
rapidamente consumirá a folga de tesouraria (cash buffer) e, por essa razão, muitas não
terão capacidade para sobreviver mais do que dois meses sem o recurso a apoios
governamentais.

O impacto da COVID-19 apresenta características muito particulares nas actividades de


“turismo e restauração” e nas “indústrias culturais e criativas”, já que foram actividades
particularmente afectadas pelas restrições sociais, que as leva para uma situação sem
precedentes (Mateus, 2020).

Tal como outros estudos o evidenciaram no passado, as actividades da restauração e


hotelaria têm um cash buffer (período de tempo cuja liquidez da empresa permite
aguentar antes de entrar em ruptura) mais reduzido face a outras actividades: a elevada
rotação de inventários e o elevado peso do factor trabalho ajudam a explicar estes
resultados. Ao final de seis meses sem qualquer intervenção (nas condições actuais),
três quartos das empresas moçambicanas entrariam em colapso.

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Implicações da crise da pandemia face a produtividade da PME,s
O prolongamento temporal da pandemia implica perdas permanentes na capacidade
produtiva decorrentes de uma maior probabilidade de encerramento de empresas, por
dificuldades de tesouraria ou insolvência. No caso de empresas com alguma escala e
com projectos de expansão, tal opção corresponde à perda de tecnologia e
conhecimento específico, bem como de redes de clientes e fornecedores, que são
dificilmente recuperáveis por novas empresas que entrem no mercado. Paralelamente,
tal como referido em vários estudos recentes, a pandemia e o prolongamento das
correspondentes medidas de confinamento social aumentam muito o nível de incerteza,
o que leva ao adiamento das decisões de investimento e a uma limitada acumulação de
capital físico, bem como à interrupção de processos de inovação em curso. Do mesmo
modo, as medidas de confinamento social dificultam as actividades lectivas e formativas,
limitando a acumulação de capital humano durante esse período. Assim, a actual crise
tenderá a implicar perdas permanentes no nível de capacidade produtiva face ao
cenário contrafactual de ausência de pandemia (Mateus, 2020).

Deste modo, a crise da pandemia constitui um choque macroeconómico com impactos


substanciais no ciclo económico, mas também com reflexos negativos a longo-prazo.
Portanto, a magnitude do choque macroeconómico da PME’s provocado pela pandemia
no curto-prazo, as suas possíveis implicações sobre o crescimento potencial, bem como
o impacto assimétrico entre agentes económicos e regiões, requerem a adopção de
medidas de estímulo orçamental sem precedentes por parte das autoridades públicas.

Medidas tomadas pelo governo para mitigar o impacto da covid-19 nas pequenas
e medias empresa
Segundo Henriques (2020), as medidas aprovadas pelo Diploma Ministerial n.º 35/2020,
de 29 de Julho, visam mitigar o impacto causado pela pandemia da doença COVID-19
no sector económico, designadamente, através da criação de operações de
financiamento suportadas numa linha de crédito de apoio à actividade económica
aprovada nos termos do Decreto n.º 37/2020, de 2 de Junho, que, por seu turno, prevê
as medidas económicas e sociais adicionais, de excepção e temporárias, com vista a

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atenuar o impacto da pandemia da doença COVID-19 durante o período de vigência do
estado de emergência, podendo beneficiar da referida linha de crédito a micro,
pequenas e médias empresas.

Neste contexto, são elegíveis as operações de reforço de tesouraria para fazer face à
manutenção de stocks, ao pagamento de salários, de exportações e de importações de
matéria-prima e também as operações de investimento de médio prazo. Não são
elegíveis as operações que se destinem a reestruturação financeira, a liquidação, a
substituição ou a complementação directa ou indirecta de créditos bancários
anteriormente concebidos pela banca e, por fim, as operações de aquisição de bens
imóveis de uso geral que não correspondam às características específicas adequadas
às exigências técnicas do processo produtivo da empresa (Henriques, 2020).

Por exemplo, o Banco Nacional de Investimentos (BNI) garantiu, que os pedidos de


empréstimos dos empresários da província de Sofala para financiamento à sua
tesouraria vão ter tratamento especial, isto porque muitas empresas daquela província
ainda se ressentem dos impactos negativos do ciclone IDAI.

Segundo Raiva (2020) trata-se de duas linhas de financiamento à tesouraria das micro,
pequenas e médias empresas, cujo fundo global é de mil milhões de meticais
desembolsados directamente pelo Estado e 600 milhões de meticais através de um
empréstimo obrigacionista do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
Denominados Governo COVID-19 e Linha de Crédito BNI COVID-19, respectivamente,
os créditos cujas taxas de juro variam de 7 a 12% têm como objectivo apoiar o sector
empresarial a mitigar os efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus. Contudo,
para ter acesso a estes créditos, as micro, pequenas e médias empresas devem ter
pago os impostos em dívida até 31 de Dezembro de 2019, bem como não ter dívidas
não regularizadas junto à banca no mesmo período.

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Conclusão

Em gesto de conclusão, é de referir que a capacidade financeira das empresas, para


fazer face a choques negativos e significativos na sua actividade, varia de sector para
sector e depende não só das características da actividade mas também das
competências e práticas de gestão de tesouraria introduzidas, normalmente menos
efectivas nas pequenas empresas. Contudo, o impacto económico da COVID-19 no
nosso país está a manifestar-se de forma heterogénea nas diversas actividades
económicas e a sua recuperação na pós-crise dependerá dar resposta aos novos
desafios. As pequenas e médias empresas que forem mais ágeis na identificação de
soluções, tenderão a recuperar mais depressa e reforçar o seu posicionamento
competitivo para uma boa produtividade.

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Bibliografia
Causse, G., & Lacrampre, S. (1983). Métodos de Gestão da Tesouraria. Rés
Formalpress.

Duarte, C. A. (2009). Gestão de Tesouraria: Técnicas Aplicáveis a uma Organização.


Dissertação de Mestrado, Universidade de Aveiro, Departamento de Economia, Gestão
e Engenharia Industrial, Aveiro.

Mateus, Augusto (2020). A crise económica da COVID-19: Factos e perspectivas,


Desafios e respostas. Caderno de Notas, Lisboa: EY Parthenon.

Menezes, H. C. (1999). Princípios de Gestão Financeira (Vol. 7). Lisboa: Editorial


Presença.

Raiva, Francisco (2020). BNI divulga linhas de financiamento à tesouraria das micro,
pequenas e médias empresas. Jornal O País. Disponível em http//:
opais.sapo.mz/autor/BNI-Covid-19, 17 de Out. de 2020.

Rocha, Henriques & Associados (2020). Financiamento através de linha de crédito


aprovada pelo governo, no âmbito das medidas económicas e sociais adicionais, com
vista a mitigar o impacto da pandemia da doença covid-19. HRA: Ordem dos
Advogados, Moçambique: Firm Prof. Disponível em http//: www.hrlegalcircle.com, 12 de
Out. de 2020.

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