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REPÚBLICA DE ANGOLA

JULHO DE 2020
Índice
I. INTRODUÇÃO E ENQUADRAMENTO ................................................... 3

II. CONTEXTO DA ECONOMIA INFORMAL EM ANGOLA ............................. 4

2.1. Dados Estatísticos da Informalidade ................................................. 4

2.2. Caracterização Sectorial da informalidade ......................................... 6

2.3. Determinantes da Expansão da Informalidade em Angola ................... 9

III. ESTRATÉGIA DE FORMALIZAÇÃO ................................................... 16

IV. PLANO DE ACÇÃO PARA O PERÍODO 2020-2022 .............................. 20

4.1. Cronograma de Implementação das Actividade do Plano de Acção ..... 20

4.2. Comissão Multissectorial de Execução da Estratégia de Formalização da

Economia .................................................................................... 24

Anexo 1: Análise SWOT da Economia Informal em Angola ....................... 26

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |2


I. INTRODUÇÃO E ENQUADRAMENTO

1. O presente documento constitui a fundamentação da Estratégia de


Formalização da Economia Informal, bem como do respectivo Plano de
Acção para o período 2020-2022, integrada no Plano de Desenvolvimento
Nacional 2018-2022, no âmbito do Programa de Reconversão da Economia
Informal.

2. A economia informal tem caracter transversal à diversos sectores da


economia nacional, o que torna complexo o seu tratamento no âmbito da
definição e operacionalização de uma política pública de desenvolvimento
que promova a sua gradual transição para um ambiente de legalização e
formalidade.

3. Muito mais do que um fenómeno dentro das nossas fronteiras, a economia


informal é um fenómeno de escala global. Segundo a Organização
Internacional para o Trabalho (OIT), 60% da população mundial
economicamente activa, cerca de dois mil milhões de pessoas, está
empregada na economia informal.

4. Para orientar os Estados-membros, a OIT aprovou a Recomendação 204,


um dos instrumentos que pode ser adoptado na agenda pública dos países
que pretendam implementar medidas para a transição da economia
informal para a formal. A Agenda 2030 das Nações Unidas oferece, no seu
objectivo número 8 – Trabalho Decente e Crescimento Económico,
orientações para os Estados conjugarem a agenda do trabalho decente com
o incremento de oportunidades de rendimento e desenvolvimento para as
micro e pequenas empresas.

5. O presente relatório fundamenta e apresenta a agenda de transição e


reconversão da economia informal de Angola, tendo em conta um
diagnóstico interno, recomendações internas e internacionais, sobre as
medidas para reduzir a informalidade.

6. Para além desta Introdução e Enquadramento, apresenta-se: no Capítulo


II, Contexto da Economia Informal em Angola; no Capítulo III, Estratégia
de Formalização da Economia Informal; no Capítulo IV, Plano de Acção para
o período 2020-2022.

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II. CONTEXTO DA ECONOMIA INFORMAL EM ANGOLA

7. O Sector informal da Economia pode ser entendido como uma subdivisão


do sector institucional “Famílias”, em que são classificadas as unidades
produtivas caracterizadas por um baixo nível de organização e por não
possuírem uma clara separação entre trabalho e capital, enquanto factores
produtivos, cuja produção é destinada ao mercado (ONU, 2008).

8. Como se deve enquadrar quem vive ou trabalha no sector informal? De


forma genérica o operador informal é definido como uma pessoa, com 15
ou mais anos de idade, empregada no sector privado, em cooperativas,
associações, igrejas, Organizações Não Governamentais (ONG) ou por
conta própria, que se encontra numa das seguintes situações 1:

i) Trabalha sem um contrato escrito;

ii) Trabalha em qualquer unidade de produção de bens ou serviços,


não registada junto aos órgãos públicos;

iii) Não beneficia de qualquer apoio social (férias anuais pagas,


seguro de saúde, etc.).

9. Não obstante a fragilidade dos dados estatísticos actualmente disponíveis,


a dimensão da informalidade no país revela-se muito significativa e é
transversal a toda a actividade económica sendo, sobretudo, evidente nos
sectores tradicionais da agricultura, pesca e comércio, mas também na
prestação de serviços, como se descreve de seguida.

2.1. Dados Estatísticos da Informalidade

10. A economia informal em Angola garante a subsistência de uma importante


fatia da população. Dados do Inquérito às Despesas, Receitas e Emprego
em Angola revelam que, em 2018, 72,6% da população empregada tinha
um emprego informal. Paralelamente, estimativas do Fundo Monetário
Internacional (2018) indicam que a economia informal no país tem um peso
entre os 40% e os 60% do PIB, o que representa um movimento anual
entre os 43 e os 64 mil milhões de dólares norte-americanos, considerando

1
Os países em desenvolvimento, apresentam limitações relativas ao terceiro critério “Procura de
emprego”, assim a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda o uso do conceito alternativo
ou flexível, excluindo a procura.

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o valor do PIB Angolano em 2018 de cerca de 107 mil milhões de dólares
norte-americanos.

11. A População Economicamente Activa (PEA), ou seja, população em idade


activa disponível para trabalhar, (empregados e desempregados com 15
ou mais anos de idade) ficando de fora a população inactiva, foi estimada
em 2018/19, em 13 651 042 pessoas, sendo 6 636 561 homens e 7 014
481 mulheres.

12. A taxa de actividade da PEA foi estimada em 86,9%, sendo na área rural
superior a área urbana, 90,7% e 84,6%, respectivamente, conforme se
pode apreender no gráfico abaixo.

Gráfico 1: Taxa de Actividade da População Economicamente Activa (2018/2019)

90,7

88,4

86,9
85,5
84,6

Angola Urbana Rural Homens Mulheres

Fonte: INE

13. Relativamente ao emprego e à actividade económica, a PEA reparte-se com


o sector da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca a empregar
o maior número de pessoas (4 455 516), o que representa 46,0% das
pessoas empregadas, seguido do sector dos serviços com (4 367 031) de
pessoas, que representa 45,1% das pessoas e indústria, construção,
energia e água com (785 863) de pessoas representando 8,1%. O gráfico
a seguir demonstra, os números acima indicados:

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Gráfico 2: Distribuição do emprego pela actividade económica (2018/2019)

0,8

agricultura,
produção animal,
caça, floresta e
pesca
Indústria,
45,2 46,0 construção,
energia e água

Serviços

8,1

Fonte: INE

2.2. Caracterização Sectorial da informalidade

14. Primeira constatação: necessidade de se dissociar o pequeno informal do


grande informal. Ambos são amortecedores de crises sociais permitindo
aos seus agentes de sobreviverem perante um ambiente de pobreza
moderado ou profundo. Definindo-os:

i) Grande informal: composto por empresas de porte médio,


geralmente, nos subsectores do comércio, transportes,
indústria transformadora e, recentemente, serviços com pendor
na área financeira (troca e empréstimos);

ii) Pequeno informal: microempresas com menos de cinco


trabalhares, a maior parte sem endereço físico e sem
rendimentos fixos.

15. No lado oposto, este sector priva o estado de grandes quantidades de


recursos que deviam alimentar o Orçamento Geral do Estado, sobretudo
em tempos de crises quer sejam sanitárias (2020) como de mercado
internacional com a baixa do preço do crude (2020) ou com especulações
diversas (2008).

16. Mesmo sendo verdade que o pequeno informal tem poucas chances de
contribuir, pois o que ele ganha logo gasta em consumo, principalmente
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em bens alimentares, o mesmo já não acontece com o grande informal que
para além de alimentar o pequeno informal também priva o estado de
receitas consequentes. Abrange o subsector do comércio, o artesanato, o
subsector dos transportes e o mercado de vestuário novo ou usado de fraca
qualidade. Estes vendem às microempresas e às famílias de fraco
rendimento num mercado muito concorrente.

17. A estrutura de emprego da PEA obriga a uma análise caracterizada do


sector informal, respeitando a repartição anómala que existe, ou seja:

i) Sector de serviços (terciário) com um peso (45%) que deveria


ser, em condições de desenvolvimento equilibrado, do sector
secundário, e

ii) Quase metade das pessoas empregadas (48,3%) trabalham por


conta própria (com ou sem trabalhadores), enquanto 18,5%
trabalham no sector privado.

18. Esta estrutura predispõe ou cria um ambiente favorável à informalidade,


pois torna-se mais fácil ter actividades informais no sector primário e,
sobretudo, no terciário devido às características das actividades conexas.

19. Em Angola, a percentagem de pessoas economicamente activas, em


actividades informais, foi de 72,6%, em 2018/2019, apresentando o valor
mais elevado (cerca de 74%) entre as pessoas com 25-64 anos, tal como
elucida o gráfico seguinte.

Gráfico 2: Percentagem de Pessoas Economicamente Activas em Actividades Informais (2018/2019)

76
73,8
74 72,6
72
69,7
70 68,5
68
66
64
Angola 15-24 anos 25-64 anos 65 ou mais anos

Fonte: INE

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2.2.1. Sector Primário: Agricultura (incluindo produção animal, caça, floresta e pesca)

20. Quando se relaciona a percentagem da PEA nos sectores de actividade, na


Agricultura ela pode atingir 32%, ou seja, em cada 100 pessoas que
trabalham no sector agrícola, 32 estão em condições de informalidade,
maioritariamente compostas de mulheres, cerca de 56%. Este sector
abrange, na sua maioria, pessoas de baixo nível de escolaridade e de
agregados de grande dimensão (cerca de 6 pessoas) à imagem dos
indicadores do País.

21. O resultado das suas actividades é para consumo diário e troca. Algum
remanescente é aproveitado para o comércio rural sem expressão e sem
intervenção do Estado.

2.2.2. Sector Secundário: Indústria (incluindo construção, energia e água)

22. O sector industrial é o menos representativo na estrutura da PEA e


consequentemente tem uma representação bastante pequena de pessoas
na informalidade, somente cerca de 7 pessoas em cada 100 trabalham em
actividades informais.

23. A razão deste número pode estar na necessidade de maior investimento


que este sector obriga, até mesmo para as actividades informais.

24. A informalidade neste sector é caracterizada pelo subsector mineiro com a


exploração informal grande e pequena, maioritariamente feita por homens
e por microempresas detidas por estrangeiros ilegais na sua maioria.

25. Esta informalidade é de capital intensivo e de igual modo, agrega valor


quantitativo em mão-de-obra sem qualquer qualificação e nível de ensino.

2.2.3. Sector Terciário: Serviços (inclui todos os bens intangíveis)

26. Abrangendo os subsectores do Comércio, Banca informal (troca de moeda


e empréstimos informais “kixiquila”, Serviços associados à saúde,
educação, etc, é o sector de refúgio para os necessitados sobretudo no
subsector do comércio.

27. A percentagem de pessoas que trabalha em informalidade neste sector


(tendo como referência a percentagem total da PEA no sector informal) é

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de cerca de 33%, ou seja, em cada 100 pessoas, 33 trabalham em
actividades informais.

2.3. Determinantes da Expansão da Informalidade em Angola

28. A análise das causas da perpetuação e da expansão do cenário da


informalidade em Angola evidência essencialmente 4 grandes linhas de
força (visualizadas na figura abaixo) que exercem uma influência conjunta

Figura 1: Factores que alimentam a expansão e dimensão da informalidade em Angola

Pressão demográfica
Registo e identificação dos cidadãos angolanos
Impacto das Adequação do quadro legal
políticas públicas Pagamento de impostos
macroeconómicas Contribuição da economia informal no desenvolvimento
Descentralização e Desenvolvimento local
Ineficácia das medidas de formalização - baixa escala e baixo impacto
Inexistência de uma definição formal do trabalhador informal
Impacto das
Limitações do sistema de educação e formação profissional
medidas de
Limitações do mercado, divisão sexual do trabalho e questões de género
transição do
Limitado nível de cobertura da PSO e PSB 2
trabalhador informal
Fiscalização do trabalho e cumprimento da lei
Inexistência de uma definição formal da unidade económica informal
Impacto das
Indisciplina da actividade económica
medidas de
Cobertura e eficácia das acções de apoio ao empreendedorismo
transição da
Acesso a micro-finanças e ao micro-crédito
unidade económica
Adequação do regime fiscal à dimensão das unidades económicas informais
informal
Capacidade de resposta dos serviços de apoio técnico e de representação empresarial
Inexistência de uma visão e de uma estratégia partilhada para a transição
Inexistência de um quadro de articulação da política pública a nível central e local
Níveis de
Inexistência de uma agenda de transição integrada com o envolvimento dos intervenientes
articulação,
centrais e dos actores locais
governança e
Inexistência de um plano de acção articulado para conduzir o esforço de formalização de
diálogo social
forma eficaz
Limitação dos recursos disponíveis para conduzir o esforço da transição

29. Tal como se apresenta na figura acima os principais determinantes da


expansão da informalidade são os seguintes:

i) O impacto das medidas de políticas macroeconómicas para a


transição da economia informal para a economia formal;
ii) O impacto das medidas de transição do trabalhador informal a nível
da educação, formação profissional, inserção no mercado, direitos
laborais, impostos, segurança social, promoção da igualdade do
género e protecção dos grupos vulneráveis;

2
Protecção Social Obrigatória e Protecção Social de Base. A PSO destina-se aos trabalhadores por conta de outrem ou
por conta própria e suas famílias e tende a protegê-los, de acordo com o desenvolvimento económico e social, nas
situações de falta ou diminuição da capacidade de trabalho, maternidade, acidente de trabalho e doenças profissionais,
desemprego, velhice e morte, bem como nas situações de agravamento dos encargos familiares. A PSB destina-se aos
trabalhadores que não estejam inscritos na base de incidência contributiva, mas, desde que provem que não têm
rendimentos e são pobres podem receber ajuda pública.

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iii) O impacto das medidas de transição da unidade económica informal
a nível do empreendedorismo, igualdade de género, acesso à micro-
finanças, tributação e impostos, serviços às empresas e inclusão dos
grupos vulneráveis e assistência técnica; e
iv) Os níveis de articulação, governança e diálogo social para orientar o
esforço da transição para a Economia Formal.

30. Cada uma destas 4 grandes linhas de força reúne em si, um conjunto de
factores que contribuem para perpetuação e expansão da informalidade em
Angola.

2.3.1. Impacto das medidas de política macroeconómica

31. Política Fiscal: Existe uma percepção generalizada que os que actuam na
economia informal não pagam impostos e engrossam o volume e base da
evasão fiscal ao mesmo tempo que corroem os princípios da cidadania
fiscal. De outro modo, constata-se que os actores da economia informal
são geralmente pobres e dedicam-se a actividades de baixa produtividade
pelo que, auferem baixos rendimentos, o que limita a sua capacidade
contributiva. Importa por isso medir, avaliar e esclarecer a sua contribuição
agregada. No entanto, evidências sugerem que os trabalhadores e
unidades económicas informais pagam “impostos e taxas” de serviços,
directa e indirectamente, ao longo do circuito das suas actividades
económicas e sociais, incluindo taxas consideradas indevidas ou
desproporcionais, aplicadas por “autoridades” ou outros actores, nos
diferentes níveis de intervenção - seja nos mercados ou outras
infraestruturas económicas, transportes públicos, consumo de bens e
serviços públicos.

32. A definição de um regime de transição para categorias específicas de


operadores da economia informal que tradicionalmente desenvolvem a sua
actividade de forma orgânica - sem necessidade de obtenção de licenças
ou autorizações - deve contribuir para orientar a implementação de
medidas de política pública no plano fiscal de forma equilibrada,
possibilitando também medir e avaliar o impacto das contribuições e
incentivos direccionados a públicos-alvo específicos, mas também quando
necessário, corrigir distorções junto dos mais vulneráveis de modo a que o
pagamento de impostos não seja uma barreira à formalização mas possa

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ser percepcionado, pelos cidadãos e pelas famílias, como uma
compensação para o acesso aos bens e serviços públicos.

33. Política de apoio no acesso ao crédito, microcrédito e outros apoios


financeiros : A existência da lei das MPME, o Balcão Único do Empreendedor
(BUE) e outras dezenas de iniciativas e programas públicos para a
formalização, liderados por diferentes tutelas aportam elementos de
formalização, revelam um esforço legítimo para desburocratizar, criar
facilidades e disponibilizar incentivos para a transição. Adicionalmente,
existem outras iniciativas lideradas por privados e que apoiam no processo
de formalização. Contudo, em termos de resultados, as evidências
demostram a ausência de uma articulada coordenação de diferentes
iniciativas, para além do baixo impacto das medidas implementadas até
agora. Neste âmbito, a comunicação e a informação têm primado por uma
linguagem formal e oficial. Tendo em atenção o nível de literacia da
população, considera-se que a linguagem jurídica e administrativa utilizada
é inacessível e pouco clara para a maioria da população.

2.3.2. Impacto das medidas de transição do trabalhador informal

34. Inexistência de uma definição formal do trabalhador informal: Como


referido, a inexistência de uma definição formalmente adoptada torna o
trabalhador informal num alvo indefinido da orientação da política pública.
Esta situação dificulta o tratamento dos seus problemas e especificidades,
bem como o enquadramento e diferenciação das actividades do sector
informal em relação a outros tipos de actividades, incluindo ilícitas e
criminosas, limitando a orientação e a eficácia das políticas públicas.
Acresce que, a geração de estatísticas actualizadas que caracterizem o
trabalhador informal e permitam acompanhar o seu comportamento e
evolução em cada região do País é ainda limitada, o que obsta igualmente
a uma compreensão objectiva da sua contribuição e papel no esforço de
desenvolvimento económico.

35. Os indicadores existentes referentes ao trabalhador informal foram gerados


através do inquérito regular do INE sobre o mercado de trabalho mas,
sendo manifestamente insuficiente para capturar as diferentes dimensões
que permitem caracterizar o perfil do trabalhador informal, torna-se
relevante a adopção de uma definição jurídica de quem é o trabalhador

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informal por forma a que os diferentes inquéritos oficiais possam incluir
indicadores que reflictam a sua realidade.

2.3.3. Impacto das medidas de transição das unidades económicas informais

36. Inexistência de uma definição formal da unidade económica informal: A


inexistência de uma definição que enquadre legalmente o que é uma
unidade económica informal ameaça a aplicabilidade da política pública
junto dos operadores informais e mantém as mesmas como um alvo
indefinido da orientação da política pública para a transição, o que dificulta
o tratamento dos seus problemas e especificidades, bem como a
compreensão objectiva da sua contribuição e papel nas dinâmicas do
desenvolvimento. O estatuto de MPME existente é operacionalizado num
quadro de actividades económicas formais pelo que contém disposições
administrativas e processos burocráticos que garantem o registo e o acesso
a um conjunto de benefícios, acessíveis apenas após o cumprimento dos
requisitos e certificação.

37. A introdução de um regime transitório direccionado para o desenvolvimento


das actividades económicas tradicionais deve criar a oportunidade de
diferenciar um conjunto específico de unidades económicas do conjunto das
actividades que se refugiam na informalidade o que, em última instância,
irá permitir ao Estado identificar de forma explícita o alvo das medidas de
transição.

38. Indisciplina da actividade económica: O comércio nos centros urbanos


desenvolve-se num quadro de indisciplina regulamentar, com práticas
desadequadas de segurança, higiene e saúde no trabalho e de limitada
capacidade das autoridades, centrais e locais, de criar um ambiente de
negócios e concorrencial equilibrado. A indisciplina e desorganização dos
mercados municipais é alimentada pela prática de cobranças de taxas
anárquicas por entidades formais e informais pelo que os operadores
reclamam da proliferação de taxas e de impostos sobre as suas actividades.

39. O cenário de indisciplina da actividade económica incrementa as


vulnerabilidades e tende a perpetuar o ciclo da pobreza. Sendo esta uma
situação indesejada, pretende-se tratá-la, no âmbito da estratégia de
transição, através do incremento do diálogo social a nível dos municípios e
em parceria com intervenientes, operadores e seus representantes, bem

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como na consensualização de medidas que possam ser implementadas a
nível do poder central e dos ministérios que regulam o funcionamento do
mercado e implementam medidas de melhoria do ambiente de negócios.

40. Cobertura e eficácia dos Serviços de Apoio ao Empreendedorismo:


Tradicionalmente, os operadores da economia informal desenvolvem as
suas actividades de forma orgânica e através de redes informais
estabelecidas pelo que, apesar da existência de programas formais de
formação em empreendedorismo promovidos por instituições públicas, a
sua eficácia é questionável quer em termos de aplicabilidade quer em
termos de cobertura territorial.

41. No âmbito da estratégia de transição pretende-se operacionalizar serviços


de proximidade através de interfaces presenciais, remotas, digitais e
móveis, o que deve ampliar os canais de interacção com os operadores e
gerar oportunidades de apoio ao empreendedorismo no formato de pacotes
de soluções que incluam serviços de informação, assistência técnica e
outros serviços empresarias, incluindo serviços bancários. Prevê-se, assim,
ampliar a cobertura e a eficácia dos serviços de apoio ao
empreendedorismo, bem como de actividades produtivas colectivas como
cooperativas e associação de produtores.

2.3.4. Impacto do diálogo social e da boa governação no quadro das dinâmicas de


transição

42. Inexistência de uma visão e de uma estratégia partilhada para a transição:


Os diferentes intervenientes e actores entrevistados entendem a economia
informal e os seus actores de uma forma específica e fundamentada no
conhecimento empírico da realidade com enfâse na subsistência, fuga ou
evasão fiscal, ou na prática de actividades ilícitas. A inexistência de
estatísticas nacionais actualizadas que caracterizem o trabalhador e as
unidades económicas informais a nível nacional e em cada município,
limitam a compreensão da realidade do fenómeno e, consequentemente, a
consensualização de medidas de intervenção.

43. Torna-se assim oportuno que a estratégia de transição contribua para


esclarecer o fenómeno da informalidade existente em Angola de modo a
apoiar a consensualização das medidas e justificar o esforço da transição
junto dos intervenientes e actores.

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44. Inexistência de um quadro de articulação da política pública a nível central
e local: O nível de participação das partes interessadas (sector público,
privado e sociedade civil) na discussão das políticas governativas na sua
fase de planeamento, implementação, monitorização e avaliação, é
considerado como de baixa intensidade, sendo que a representação de
todas as categorias profissionais nos sindicatos e órgãos de representação
de interesses colectivos é ainda limitada.

45. A fragmentação e descontinuidade do diálogo sobre as matérias da


transição são tratadas no âmbito da estratégia através da
operacionalização de mecanismos para garantir o tratamento das questões
da formalização desde o nível das localidades e municípios até ao nível
central e nacional, de forma permanente e contínua. Além de integrar e
esclarecer a agenda, o conceito de fórum permanente que se pretende
implementar dá resposta à necessidade de se aprofundar o conhecimento
sobre as diferentes realidades existentes em Angola e a formulação de
respostas adequadas e devidamente dimensionadas às necessidades de
trabalhadores e unidades económicas informais.

46. Inexistência de uma agenda de transição integrada com o envolvimento


dos intervenientes centrais e dos actores locais: Além do Programa de
Reconversão da Economia Informal coordenado pelo Ministério da
Economia e Planeamento (MEP), existe ainda um conjunto de outros
projectos relevantes para a transição como o Programa País para o
Trabalho Decente (PPTD) 2019-2022 que é coordenado pelo Ministério da
Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) em parceira
com os representantes dos trabalhadores e dos empregadores, com o apoio
da OIT, para promover a formalização e o trabalho decente. Outros
ministérios como o da Cultura, Turismo e Ambiente e da Agricultura e
Pescas, outros órgãos públicos também mantêm programas específicos
direccionados para a transição e formalização de trabalhadores e unidades
económicas informais. Iniciativas que são conduzidas em paralelo, sem
uma base de articulação, procura de sinergias ou de optimização de
recursos.

47. Deste modo, a estratégia de transição constitui-se também como uma


estrutura de acção habilitada a integrar, coordenar, medir e ajustar
iniciativas de transição que sejam de elevado impacto e estejam dotadas

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |14


de recursos para assegurar a implementação. Eventuais iniciativas que não
estejam dotadas de recursos, mas estejam fundamentadas, devem ser
integradas nos processos de angariação de assistência técnica,
financiamento ou implementadas por via de parcerias público-privadas.

48. Inexistência de um plano de acção articulado para conduzir o esforço de


formalização de forma eficaz em relação aos recursos e tempo disponível
das instituições: As iniciativas de formalização e inclusão em curso não
estão articuladas, nem têm por base um instrumento programático de
planeamento e avaliação de desempenho, tendo-se evidenciado vários
exemplos de iniciativas orientadas para o tratamento dos problemas
associados às vulnerabilidades e à informalidade que se revelam de baixo
impacto e baixa escala. Por um lado, os programas e iniciativas, para a
promoção da igualdade de género, de Assistência Social e inclusão dos
grupos vulneráveis têm uma percentagem de implementação baixa por
falta de verba orçamental, por outro, resumem-se a acções, na sua
maioria, meramente assistencialistas, com impacto marginal e de limitada
sustentabilidade. Acresce que, os programas de assistência social para a
criação de cooperativas ficam aquém do seu objectivo final, traduzindo-se,
após a entrega de kits profissionais, em pequenos grupos solidários
organizados, sem formação em gestão de negócio e sem
acompanhamento, não havendo dados de quantas realmente subsistiram
nem de qual o seu real impacto.

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III. ESTRATÉGIA DE FORMALIZAÇÃO

49. Estabelece-se uma agenda estratégica de articulação de acções prioritárias


que estão na responsabilidade de intervenientes públicos e de actores
privados, para alcançar quatro resultados da estratégicos, destacados na
figura 2.

Figura 2: Estrutura lógica da Estratégia de Transição

Melhoria dos indicadores de emprego


Efeitos de longo prazo

Redução do índice de pobreza

Objectivo Geral. Melhoria da qualidade de vida das famílias


Contribuir para o crescimento económico e Impactos
Melhoria do ambiente de negócios
social e potenciar a promoção do trabalho
decente e a redução da pobreza
Redução da taxa de informalidade

Objectivo Específico 2.
Objectivo Específico 1.
Reforçar o diálogo social, a capacidade de
Reduzir os índices de informalidade até 2022 governança e a eficácia da política pública de
transição da economia até 2022
Efeitos de médio e curto prazo

Resultado 1. Resultado 2. Resultado 3. Resultado 4.


Processo de transição Rendimento e condições Competitividade e Esforço da transição
implementado como um de segurança higiene e produtividade das Unidades coordenado por uma
programa integrado saúde no trabalho Económicas informais e Unidade Implementadora
melhorados MPME incrementadas que lhe garante eficácia

1.1. Plano de acção 3.1. Medidas de 4.1. Unidade


integrado para a 2.1. Sistema de gestão aumento da Implementadora de
transição de risco de produtividade e Entrega
vulnerabilidades financiamento

4.2. Parcerias
1.2. Adequação das nacionais e
medidas de transição internacionais

1.3. Observatório da 4.3. Fórum


economia informal permanente da
2020 - 2022

Economia Tradicional

1.4. Serviços de 4.4. Plataforma de


proximidade comunicação e
informação

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Objectivo Geral: Contribuir para o crescimento económico e social de Angola e para o
cumprimento das suas metas de desenvolvimento, nomeadamente no que respeita ao
Trabalho Decente e à redução dos índices de pobreza

Objectivo Específico 1: Reduzir os índices de informalidade até 2022

Resultado 1: Processo de transição é implementado como um programa nacional,


plurianual, transversal e integrado para estimular a transição gradual para a economia
formal

Produtos Descrição

Iniciativas públicas de elevado impacto para


1.1. Plano de Acção Integrado para a
a transição para a economia formal estão
Transição
inscritas no Plano de Acção.

Iniciativas de reforma de leis, regulamentos


e processos administrativos para promover
e massificar o registo e licenciamento de
unidades económicas são integradas de
1.2. Adequação das Medidas de Formalização modo a acelerar a operacionalização de um
ambiente de negócios favorável às Micro,
Pequenas e Médias Empresas e facilitar o
cumprimento de obrigações fiscais, sociais e
laborais.

Procedimentos de tratamento da
informalidade orientados para a geração de
evidências, produção de dados e
1.3. Observatório da Economia Informal conhecimento contribui para a melhoria
contínua da eficácia das políticas públicas
com a geração regular de propostas
fundamentadas e relatórios.

Oferta integrada de um conjunto de serviços


de constituição, licenciamento de MPME e
1.4. Serviços de Proximidade empreendedores a título individual e
regularização de operadores do mercado
informal.

Resultado 2: Rendimento e condições de segurança, higiene e saúde no trabalho dos


trabalhadores formais e informais são melhorados de forma contínua

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |17


Produtos Descrição

Sistema nacional de gestão de riscos ocupacionais


relacionados com a segurança, higiene e saúde no
2.1. Sistema de Gestão de Risco de
trabalho formal e informal, incluindo componentes
Vulnerabilidades
de liderança, normas, direitos, procedimentos,
educação, controle, proteção e monitorização.

Resultado 3: Competitividade e produtividades das unidades económicas informais e MPME


são incrementadas

Produtos Descrição

Pacote integrado de medidas para o aceleramento


3.1. Medidas de Aumento da da produtividade, reforço de competências dos
Produtividade e Financiamento actores da economia informal, expansão do
acesso à micro-finança.

Objectivo Específico 2: Reforçar o diálogo social, a capacidade de governança e a eficácia


da política pública de transição da economia até 2022

Resultado 4: Esforço da transição é coordenado por uma Unidade de Entrega que lhe
garante eficácia

Produtos Descrição

Operacionalização de uma estrutura formal de


governança de nível central, provincial,
4.1.Unidade Implementadora de
municipal e comunal para coordenar o esforço
Entrega
da transição e garantir a eficácia das políticas
públicas e eficiência na utilização dos recursos.

Instrumento de gestão de ajuda pública ao


desenvolvimento, cooperação e parcerias com
instituições nacionais e internacionais
4.2.Parcerias Nacionais e Internacionais
relevantes, para apoiar o desenvolvimento de
políticas públicas e iniciativas de facilitação da
transição da economia informal para a formal.

Fórum Permanente é estabelecido como uma


4.3.Fórum Permanente da Economia plataforma de diálogo social, partilha, difusão
Tradicional de informação e negociação entre as partes
interessadas.

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |18


Plataforma ampliada de comunicação e
informação promove o incremento do nível de
consciência dos intervenientes e actores da
4.4.Plataforma de Comunicação e
economia informal sobre os benefícios da
Informação
formalização, os custos da informalidade e as
contribuições positivas dos trabalhadores da
economia informal para a sociedade.

50. A agenda estratégica, acima definida, deve ser implementada de forma


progressiva, e para alcançar a transição da economia informal sugere-se o
seguinte roteiro faseado de implementação:

Figura 3: Roteiro de Implementação da Estratégia de Transição

51. A concretização dos diferentes produtos é detalhada no Plano de Acção da


estratégia que pressupõe a implementação de três grandes grupos de
medidas. Medidas que se configuram como:

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |19


i) uma infra-estrutura permanente para o tratamento da informalidade e
que reforçam a capacidade de resposta da administração pública;
ii) instrumentos de gestão programática da estratégia, de reformas e de
financiamento das operações e da implementação de iniciativas de
impacto; e
iii) a operacionalização de serviços de proximidade, de seguimento e de
formalização da actividade económica.

IV. PLANO DE ACÇÃO PARA O PERÍODO 2020-2022

4.1. Cronograma de Implementação das Actividades do Plano de Acção

52. Nos próximos dois anos, são necessárias acções concretas para reduzir a
informalidade, sendo sugeridas as seguintes actividades, posteriormente
detalhadas num cronograma de implementação:

Tabela 1: Actividades e Tarefas do Plano de Acção para a Transição da Economia Informal 2020-2022

1.1. Implementar Serviços de Proximidade de Formalização de


Actividades Económicas
1.Medidas Imediatas 1.2. Organizar a Actividade dos Mercados de Rua e a Venda
para a Transição Ambulante
1.3. Fomentar o surgimento Sistemas de Pagamentos Digitais por
Telemóvel
2.1 Instituir um Regime Fiscal para a Microactividade
2.Medidas de Natureza
2.2. Reforçar o Quadro Legal e o Sistema de Proteção Social
Fiscal e Laboral
Obrigatória do Trabalhador Independente
3. Medidas de Fomento 3.1. Reforçar a disponibilidade de recursos para Micro-Crédito
da Produção de 3.2. Fomentar um Sistema de Logística Integrada para
Microactividades microactividades
4.1. Criar uma Base de Dados da Economia Informal
4.2. Realizar Inquéritos e Relatórios Anuais sobre a Economia
4. Observatório da
Informal
Economia Informal
4.3. Medir o desempenho das iniciativas da Estratégia da
Formalização da Economia

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |20


Tabela 2. Cronograma do Plano de Acção – Caminhar para a formalização de forma integrada e mais eficaz

2020 2021 2022


MEDIDAS RESPONSÁVEL CONCRETIZAÇÕES
T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4

Actividade 1. Medidas Imediatas para a Transição

Criar os procedimentos de formalização de negócios e


empresas que irão funcionar nos serviços de proximidade
(inclui a identificação da contraparte da autofacturação
legalmente autorizada e o fomento de agentes de formalização
entre as associações de trabalhadores independentes)

Implementar Serviços de Proximidade de Formar as Equipas de atendimento dos serviços de proximidade


Unidade de
1.1 (nos SIACs, BUE, GUE, Balcão do Cidadão, INAPEM, EDAs,
Formalização de Actividades Económicas Entrega
brigadas móveis e demais estabelecimentos)

Rotina de funcionamento do Serviço

Relatórios de avaliação Anual

Unidade de Apresentação do Plano de Acção de Reestruturação de


Entrega Mercados de Rua
Organizar a Actividade dos Mercados de Rua e a
1.2
Venda Ambulante
Implementação do Plano de Acção de Reestruturação de
Mercados de Rua

Elaborar um Plano de Acção para Massificação do Mobile Money


(Sistemas de Pagamentos Digitais por Telemóvel) em Angola
Fomentar o surgimento Sistemas de Pagamentos Unidade de
1.3
Digitais por Telemóvel Entrega
Implementação do Plano de Acção de Fomento de Iniciativas
de Mobile Money

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |21


2020 2021 2022
MEDIDAS RESPONSÁVEL CONCRETIZAÇÕES
T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4

Actividade
Medidas de Natureza Fiscal e Laboral
2.

Elaborar um regime fiscal adequado para a microactividade

Unidade de Iniciar a implementação na AGT do regime fiscal da


2.1 Instituir um Regime Fiscal para a Microactividade microactividade
Entrega

Relatórios de avaliação Anual do Regime Fiscal da


Microactividade

Rever e reforçar o quadro legal do trabalho independente e da


microactividade
Reforçar o Quadro Legal e o Sistema de Proteção Unidade de
2.2
Social Obrigatória do Trabalhador Independente Entrega
Rever e reforçar o quadro legal da Proteção Social Obrigatória
para o trabalho independente e da microactividade

2020 2021 2022


MEDIDAS RESPONSÁVEL CONCRETIZAÇÕES
T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4

Actividade
Medidas de Fomento da Produção de Micro e Pequenas Empresas
3.

Identificar iniciativas de reconversão da informalidade para


Reforçar a Disponibilidade de Recursos para Micro- Unidade de
3.1 aplicar recursos disponíveis nos instrumentos do PAC para
Crédito Entrega
micro-crédito

Unidade de Rever e reforçar o enquadramento legal do comércio à retalho,


3.2
Entrega salvaguardando os micro agentes da logística e distribuição

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |22


2020 2021 2022
MEDIDAS RESPONSÁVEL CONCRETIZAÇÕES
T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4

Fomentar um Sistema de Logística Integrada para Identificar e implementar iniciativas de reconversão da


microactividades informalidade do sistema de logística, transportes e distribuição

2020 2021 2022


MEDIDAS RESPONSÁVEL CONCRETIZAÇÕES
T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4 T1 T2 T3 T4

Actividade 4. Observatório da Economia Informal

Criar os procedimentos para que o Sistema Estatístico Nacional


Unidade de possa produzir informação sobre a economia informal
4.1 Criar uma Base de Dados da Economia Informal
Entrega (trabalhadores e unidades de produção informais), de modo
regular.

Realizar Inquéritos e Relatórios Anuais sobre a Unidade de Processo de suporte aos procedimentos do SEN adoptados
4.2 Entrega
Economia Informal acima

Medir o desempenho das iniciativas da Estratégia da Unidade de Elaborar Relatório Anual de Avaliação da Estratégia de
4.3
Formalização da Economia Entrega Formalização da Economia

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |23


4.2. Comissão Multissectorial de Execução da Estratégia de Formalização da Economia

53. Sob a alçada de uma Comissão Multissectorial dedicada à transição da


economia informal para formal recomenda-se:

i) a criação de espaços de governança e diálogo social de nível central,


provincial e municipal com a missão de coordenar e orientar a
definição e implementação da estratégia de transição;

ii) a criação de uma Unidade Implementadora de Entrega (Unidade de


Entrega) dedicada à implementação directa das medidas inscritas
nos planos de acção da estratégia de transição e

iii) a criação de Comités e Grupos técnicos mandatados para trabalhar


sobre temas específicos das várias dimensões da informalidade,
dotando assim a unidade executiva e os espaços de governança e
diálogo social de informação de referência que alimenta
positivamente o processo de decisão e de definição e reorientação de
prioridades de actuação.

54. Aos diferentes níveis e sempre que pertinente, esta Comissão deve
assegurar a devida articulação e coordenação com actores do sector
privado, sociedade civil e parceiros internacionais, com vista a uma maior
eficácia das políticas públicas de promoção da formalidade da economia e
promoção do trabalho decente.

55. A Comissão deve estar coordenada por dois Ministério, o Ministério da


Economia e Planeamento como Coordenador e o Ministério da
Administração Pública, Trabalho e Segurança Social como Coordenador
Adjunto, integram a Comissão os seguintes Ministérios: Ministério das
Finanças; Ministério da Administração do Território; Ministério da Acção
Social, Família e Promoção da Mulher; Ministério da Agricultura e Pescas;
Ministério da Indústria e Comércio; Ministério dos Recursos Minerais,
Petróleo e Gás; Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, Ministério da
Educação; Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação,
Governos Provinciais e o Banco Nacional de Angola. Integra ainda, o

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |24


Conselho Nacional de Estabilidade Financeira que congrega os
representantes do Banco Nacional de Angola; Comissão do Mercado de
Capitais; e Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros.

Figura 4: Modelo de Governança da Estratégia de Transição da Economia Informal para a Economia Formal

Comissão Ministerial • Define a estratégia interinstitucional


Multissectorial liderada pelo • Supervisiona e sustenta a nível político a
MEP e MAPTSS estratégia de transição

Unidade Executiva de Entrega • Implementa as actividades do plano de acção da estratégia de


(Unidade de Entrega – SEEs, Vice- transição
Governadores Provinciais, Vice-Governador • Promove a articulação com iniciativas da sociedade civil e sector
do BNA,
SEDirectores Nacionais e Consultores,
privado
Coordenada pelo Secretário de Estado para
a Economia) • Articula com os parceiros da cooperação internacional

Conselheiros de nível nacional, provincial e municipal validam as políticas,


Nível consultivo
estratégias e medidas de impacto para a formalização da economia informal

➢ Fórum Permanente da Economia Tradicional


➢ Observatório da Economia Informal

Altos funcionários do sector público conciliam e integram as agendas dos


Nível executivo
intervenientes com medidas de transição e coordenam a execução do plano de
acção da estratégia.

Técnicos mandatados pelos diferentes intervenientes apoiam a


Nível técnico fundamentação de decisões com base em estudos e apoiam a
implementação de orientações políticas.

➢ Grupos Técnicos de Políticas Públicas


➢ Grupos Técnico para o Diálogo Social

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |25


Anexo 1: Análise SWOT da Economia Informal em Angola
O Diagnóstico da Economia Informal em Angola elaborado pelo Ministério da Economia e
Planeamento no último semestre de 2019 confirmou a existência um conjunto de problemas
encadeados que limitam o impacto e a eficácia das políticas públicas e que actuam na
contramão das medidas existentes para a formalização e para o desenvolvimento do mercado
laboral e das micro actividades económicas. A análise realizada no âmbito do diagnóstico
permitiu não só identificar as dificuldades que limitam a transição de economia informal para a
economia formal, mas também, identificar aspetos positivos que poderão contribuir para a
desejada transição.
De forma a facilitar a leitura dos fatores que estimulam e limitam a transição da economia
procedeu-se à elaboração de uma análise SWOT3 do cenário actual da economia informal.
A metodologia aplicada cruza quatro parâmetros de análise: (i) os factores favoráveis
(oportunidades e forças) (i) e factores desfavoráveis (ameaças e fraquezas).

Os Factores Internos são os elementos


Factores Factores
que estão sob o controlo das Autoridades
positivos negativos
Angolas e que, portanto, estas têm alguma
Factores
externos

Forças Fraquezas capacidade de reforçar ou alterar, não


(Strenghts) (Weaknesses)
obstante eventuais constrangimentos como,
por exemplo, a falta de recursos. São
divididos em forças que, neste contexto,
Factores
internos

Oportunidades Ameaças
actuam a favor da transição e fraquezas
(Opportunities) (Threats) que a limitam.
Os Factores Externos são os elementos
Figura 1: Matriz da análise SWOT que as Autoridades Angolanas não têm
capacidade de controlar e que influenciam
positiva ou negativamente a transição para a economia formal. São divididos em
oportunidades, que as Autoridades Angolanas devem aproveitar e alavancar, e ameaças que
devem ser mitigadas.

3
Sigla inglesa (internacionalmente reconhecida) aplicada para a análise das Forças (Strenghts), Fraquezas
(Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |26


Factores Internos → Fatores Positivos (Forças) e Negativos (Fraquezas)

PRINCIPAIS FORÇAS PRINCIPAIS FRAQUEZAS

Existência de diversos programas públicos para a formalização


A inexistência de uma política de emprego desenhada em
liderados pelos Ministérios da Economia e do Planeamento, da
conjunto com uma política activa de formalização da actividade
Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, do
económica que dê uma resposta adequada aos os grupos
Turismo, das Pescas e do Mar, e de outras iniciativas
vulneráveis que operam na informalidade.
conducentes à formalização.

Existência de vontade política para promover a transição


Excessiva burocracia por parte dos serviços de apoio às
expressa no Plano de Desenvolvimento Nacional (2018 a 2022)
empresas limitam a formalização de unidades económicas
para execução de um programa de reconversão da economia
informais.
informal (PREI).

Inexistência de uma definição do que é o trabalhador informal


Existência de políticas publicas voltadas para formalização da
dificulta o seu enquadramento e diferenciação em relação a
economia (ex. PREI), para o emprego (ex. PAPE) e para a
outros tipos de actividades, incluído actividades ilícitas e
diversificação das actividades económicas (ex. PRODESI).
criminosas, limitando a eficácia das políticas públicas.

Programa País para o Trabalho Decente (PPTD) 2019-2022


A inexistência de uma definição oficial sobre o conceito de
assinado de forma tripartida pelo MAPTSS, OIT e os
unidade económica informal ameaça a aplicabilidade da política
representantes dos empregados e trabalhadores para promover
pública junto aos operadores informais.
a formalização e o trabalho decente.

Limitada capacidade das autoridades em controlar a proliferação


Orçamento Geral do Estado tem cabimentado uma verba anual do comércio nos centros urbanos, que se desenvolve num
para programas e iniciativas de formalização, de assistência quadro de indisciplina regulamentar e sem respeito pelos
social e inclusão dos grupos vulneráveis. princípios da concorrência, com práticas desadequadas de
higiene e segurança.

Existência de algumas iniciativas do Governo de Angola, como o A baixa eficácia dos sistemas de inspecção do trabalho facilitam
BUE, que promove a desburocratização do aparelho de Estado e o incremento de trabalhadores informais empregues nas
a simplificação administrativa. empresas formalizadas.

Existência Incentivos económicos para operadores certificados Fraca alocação de recursos para fiscalização do cumprimento
pelo INAPEM previstos na Lei das MPE. das leis e regulamentos por parte das entidades empregadoras.

Processo de emissão do Bilhete de identidade extremamente


O Governo de Angola ratificou 34 convenções da OIT, incluindo
moroso e inacessível aos mais vulneráveis devido às
todas as oito convenções relativas aos direitos fundamentais do
dificuldades de acesso às comunidades mais remotas e aos
trabalho e a recomendação sobre a inspeçcão do trabalho.
custos associados.

Angola está dotada de um quadro jurídico e institucional que visa


Dificuldade em implementar políticas de planeamento familiar e
a regulamentação das relações laborais, a defesa e protecção
cuidados de saúde materno infantis.
dos direitos do trabalhador.

Existência do Estatuto de Categorias Profissionais (lavador de Inexistência de um sistema eficaz de Protecção Social de Base
carros, engraxador, catador) que facilita a inclusão de que facilite uma autonomia mínima às pessoas e famílias mais
trabalhadores que normalmente atuam na informalidade. vulneráveis.

Desadequação do sistema de Segurança Social perante os


Existência de regulamentação da actividade de venda grupos vulneráveis e trabalhadores informais que não possuem
ambulante. renda mensal regular, não têm documento de identificação, e
têm limitação de acesso aos serviços do INSS.

Existência da lei dos serviços domésticos/trabalhadores do Os Programas e iniciativas para a promoção da igualdade de
serviço doméstico. género, de Assistência Social e inclusão dos grupos vulneráveis
acabam com uma percentagem de implementação mínima por

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |27


PRINCIPAIS FORÇAS PRINCIPAIS FRAQUEZAS

falta de verba orçamental, por um lado, por outro resumem-se a


acções meramente assistencialistas, com impacto marginal e
limitada sustentabilidade.

Programas de Assistência Social para a criação de cooperativas,


ficam aquém do seu objectivo final, traduzindo-se, após a
Existência de leis que promovem a eliminação da violência física entrega de kits profissionais, em pequenos grupos solidários
contra os trabalhadores e empregados domésticos. organizados, sem formação em gestão de negócio, e sem
acompanhamento, não havendo dados de quantas realmente
subsistiram nem de qual o seu real impacto.

Iniciativa em curso do governo para incrementar o registo civil A indisciplina e desorganização dos mercados municipais é
dos cidadãos angolanos, incluindo a isenção do custo de alimentada pela prática de cobranças anárquicas de taxas por
emissão do primeiro bilhete de identidade. entidades formais e informais.

A existência de um sistema de segurança social contribui para


Inexistência de quadro fiscal vocacionado para a tributação das
equilibrar as relações laborais entre empregadores e
pequenas empresas e articulação deficiente dos diferentes
empregados e minimizar possíveis situações de vulnerabilidade
impostos.
social e económica.

O pagamento de impostos está sujeito a uma carga burocrática


O sistema de segurança social garante diversos tipos de desadequada ao sector informal, o que limita o enquadramento
cobertura e uma pensão pelo tempo de serviço. fiscal, o pagamento regular dos tributos, contribuindo para a
evasão fiscal.

O INSS prevê a possibilidade de os empregadores inscreverem


os seus trabalhadores no sistema de segurança social, Proliferação de taxas sobre pequenos operadores económicos.
contribuindo para a geração de empregos decentes.

Capacidade de resposta limitada do sistema de formação


Existem iniciativas do INSS para ampliar a divulgação das profissional e do sistema de educação médio e superior face às
vantagens de contribuir para o sistema de segurança social. necessidades crescentes dos jovens que entram anualmente no
mercado de trabalho.

Administração tributária com boa preparação e capacidade de O acesso aos programas de formação profissional não alcança
iniciativa. os mais vulneráveis.

Capacidade de resposta limitada do sistema de formação


Iniciativas em discussão quanto à tributação das micro- profissional e do sistema de educação média e superior face às
actividades económicas. necessidades crescentes das empresas no mercado por mão de
obra qualificada.

Inexistências de estatísticas nacionais que indiquem o peso do


Existência de programas de Formação em empreendedorismo
contributo social e económico das mulheres no mercado de
facilitados pelo INAPEM e o INEFOP.
trabalho.

Inexistência de estatísticas nacionais actualizadas que


O INE iniciou recentemente a produção de dados estatísticos
caracterizem o trabalhador nacional em cada município limitam a
com indicadores que irão permitir, no futuro, caracterizar a
compreensão da realidade do fenómeno, e a consensualização
economia informal e avaliar a sua evolução.
de medidas.

Promoção de diversas iniciativas voltadas para o micro-crédito e


As Instituições e órgãos de governação tendem a ser
micro-finanças, permitindo o acesso a serviços e créditos
centralizados na capital e muitas vezes são consideradas
bancários aos operadores informais, contribuindo para a sua
inacessíveis aos mais vulneráveis.
inclusão financeira e bancarização.

Existência de uma organização política e administrativa do


Os municípios batem-se com a falta de recursos, quer humanos
território nacional que está a ser reforçada pelo processo de
quer materiais para fazer face ao desafio da descentralização.
municipalização em curso.

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |28


PRINCIPAIS FORÇAS PRINCIPAIS FRAQUEZAS

A falta de articulação e estratégia coordenada de intervenção


A informação relativa às leis é publicada e divulgada nos meios
entre os agentes centrais e municipais junto às unidades
de comunicação social (rádio e televisão) e na internet.
económicas informais é detrimental para a formalização.

O diálogo social tripartido é garantido a nível nacional através do


Conselho de Concertação Social, Comissão Nacional para a Linguagem jurídico e administrativa utilizada para divulgação de
OIT, a Comissão para o Salário Mínimo, a Comissão Nacional da informação oficial é considerada inacessível e pouca clara para a
Formação Profissional, a Comissão Consultiva do Emprego e o maioria da população.
Conselho Nacional da Segurança Social.

A inexistência de um sistema nacional de cuidados agrava a


O diálogo social foi recentemente descentralizado: foram criados
divisão sexual do trabalho, limitando as oportunidades das
mecanismos de auscultação e diálogo social a nível provincial,
mulheres aos sectores que requerem menos capital ou
municipal, comunal e distrito urbano.
formação, conduzindo-as à informalidade.

O diálogo social entre o Estado/ Governo e a população é


incrementado a partir da existência de sondagens de opinião Inexistência de rede eléctrica na maioria das comunas, e de
pública que permitem aferir as opiniões dos cidadãos em relação internet na maioria dos municípios do país.
aos temas em discussão.

Falta de infraestruturas físicas (ex. mercados, estradas, etc.)


A vontade política do Governo é demonstrada através da criação para o exercício da actividade profissional e económica de forma
de mecanismos legais e institucionais em todo o território condigna e em condições de segurança
nacional (Conselho Nacional de Concertação Social, Conselhos
Provinciais e Municipais de Concertação Social, Conselhos de Debilidade das infraestruturas limitam a livre circulação de
Auscultação da Comunidade). pessoas e bens, quer dentro dos centros urbanos quer entre os
diferentes pontos do território nacional.

Factores Externos → Fatores Positivos (Oportunidades) e Negativos (Ameaças)

PRINCIPAIS OPORTUNIDADES PRINCIPAIS AMEAÇAS

A pressão demográfica crescente face a um sistema educacional


Possibilidade de aproveitar o dividendo demográfico angolano
com resposta limitada.
caso políticas públicas conexas sejam implementadas, tais como
controlo de natalidade através de uma política de planeamento
Taxa de natalidade em crescimento acelerado exerce pressão
familiar, investimento em educação e investimento em iniciativas
sobre o sistema de educação e demais serviços públicos, assim
de maior diversificação da economia.
como sobre o mercado de trabalho/emprego.

O êxodo rural para as cidades cria uma pressão sobre a


A crescente digitalização da sociedade pode criar oportunidades
habitação, serviços e mercado laboral contribuindo para o círculo
para a formação e inclusão financeira.
vicioso da pobreza e da informalidade

O comportamento e evolução da economia, as crises


económicas, e a flutuação da taxa de câmbio geram incertezas
Possibilidade de usar as redes de tecnologias de informação e no mercado formal, fomentando a fuga ao fisco e alimentando o
canais digitais para promover o diálogo social e incrementar o sector informal.
diálogo institucional entre as regiões distantes da capital de
forma permanente e interactiva. Os operadores informais sem identificação ficam excluídos do
financiamento bancário, recorrendo em alternativa aos sistemas
tradicionais e informais de crédito alimentando o sector informal.

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |29


PRINCIPAIS OPORTUNIDADES PRINCIPAIS AMEAÇAS

Processo de emissão do Bilhete de identidade extremamente


Os trabalhadores informais revelam ter experiência e vocação moroso, inacessível aos mais vulneráveis por diferentes
para o tipo de actividade/negócio que desenvolvem diariamente, factores: processo bloqueado por falta de testemunhas devido à
o que pode ser aproveitado para a qualificação da actividade desmobilização durante o conflito armado.
profissional, através da capacitação e reforço de condições de
trabalho. Percepção generalizada de corrupção e ineficiência do Estado
desmotiva o pagamento de impostos.

Prevalência na opinião pública da sensação de existência de


Os trabalhadores da economia informal revelam ter visão para
impunidade e corrupção generalizada na sociedade angolana
as oportunidades de negócio.
(descrédito social nas instituições) agravando a informalidade.

A conflitualidade entre os diferentes actores da sociedade -


entidades públicas e policias e operadores informais - aumenta
Existência de casos de sucesso que confirmam a possibilidade
a desconfiança em relação a qualquer medida de transição para
de as comunidades e trabalhadores organizarem cooperativas
a formalização.
criando sinergias que poderão conduzir ao escalar da actividade
produtiva, gerando rendimento e proveitos para as comunidades
A Existência de um elevado volume de mão de obra barata sem
e famílias envolvidas.
formação e disponível contribui para a precariedade e
degradação das condições de trabalho no próprio sector formal.

A falta de oportunidades no mercado formal para a maioria da


Existência de associações/organizações de defesa e população jovem com baixos níveis de qualificação conduz à
representação dos trabalhadores informais. procura de respostas de subsistência imediata no sector informal
da economia.

Existência de cadeias de valor tradicionais garantem o A existência de um ecossistema de negócios informais enraizado
abastecimento de mercados municipais e como tal estão sujeitos na cultura de negócios da sociedade angolana bloqueia a curto
a medidas de formalização. e a médio prazo as iniciativas de formalização.

Elevado nível de não contribuição quer a nível de impostos quer


Disponibilidade dos operadores informais para o pagamento de a nível de contribuição para a segurança social. A fuga ao fisco
impostos, desde que tenham a percepção do retorno em serviços pode ser deliberada (por forma a aumentar a arrecadação dos
públicos e segurança no exercício da sua actividade. lucros já obtidos) ou pode ser levada a cabo por defeito (uma vez
que o processo de formalização enfrenta obstáculos vários).

Existência de sistema tradicionais de financiamento comunitário Desconhecimento da legislação laboral, direitos trabalhistas e
como o Kixikila e as cooperativas que oferece uma alternativa funcionamento da Segurança Social por parte dos trabalhadores
viável aos excluídos de outros sistemas de financiamento pela (tanto no sector formal como no informal) contribui para a
banca comercial. generalização do trabalho precário.

Elevada massa de trabalhadores informais com baixo nível de


educação limita a compreensão e a apropriação colectiva dos
direitos laborais e o exercício de cidadania.

Desconhecimento das vantagens e benefícios da Segurança


Social pelas unidades económicas informais contribui para a
fuga à contribuição social.

Os trabalhadores informais têm dificuldade em compreender as


vantagens e incentivos para participarem na economia formal e
possuem geralmente baixo nível de literacia financeira.

Desconhecimento, por parte dos operadores económicos


informais da existência e dos pré-requisitos dos vários
programas de apoios financeiros, suas vantagens e benefícios.

Desconhecimento dos incentivos existentes que advêm da


legalização, regularização e certificação de MPE limita a

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |30


PRINCIPAIS OPORTUNIDADES PRINCIPAIS AMEAÇAS

compreensão das vantagens para a formalização de unidades


económicas informais.

Deficiente nível de participação das partes interessadas (sector


publico, privado e sociedade civil) na discussão das políticas
governativas na sua fase de planeamento, implementação,
monitorização e avaliação.

Representação ainda limitada de todas as categorias


profissionais nos sindicatos e órgãos de representação de
interesses colectivos.

Representação limitada dos trabalhadores da economia informal


nas centrais sindicais do país e consequente fraca participação
nos mecanismos oficiais de diálogo social existentes no país

A maioria das cooperativas existentes necessitam de reforço em


gestão organizacional assim como apoio no processo de
legalização, o qual é difícil e com custos elevados.

ESTRATÉGIA DE TRANSIÇÃO DA ECONOMIA INFORMAL PARA A ECONOMIA FORMAL |31