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Economia Em 7 Dias

N’gola Papel 01.06.2020

Construindo o futuro com valores


Nossa Visão
“OS CUSTOS ECONÓMICOS DA COVID-19 EM ANGOLA”

A propagação da COVID-19 pelo mundo tem causado fortes danos económicos, sociais e
sanitários. Em Angola, os primeiros dois casos positivo foram declarado a 21 de Março de
2020. E de modos a reduzir as possibilidades de propagação do vírus pelo país, no dia 26 de
Março de 2020, o Presidente da República, declarou, por intermédio do Decreto
Presidencial 81/20 de 25 de Março o Estado de Emergência (EE). A decisão que foi,
posteriormente, prorrogado por três vezes, durou 60 dia, tendo sido substituída pela
situação de Calamidade Pública.

Contudo, a declaração do EE para além de evitar a propagação do vírus, impões forte desafios
económicos, tendo os principais indicadores económicos do país revistos em baixa pelo
Fundo Monetário Internacional (FMI), com destaque para a taxa de crescimento da
economia inicialmente prevista em 1,1% que passou para uma contracção de -1,4%; os
níveis de preços deveriam fixar-se em 22%, deverão acelerar para 20,7% em 2020; O
superavit fiscal previsto em 1,2% do PIB deverá transforma-se num défice de -6,0% do PIB;
O Endividamento do Governo deverá fixar-se em 132,2% do PIB; A balança corrente deverá
inverter a tendência superavitária para um défice de -6,7% do PIB.

O desempenho acima mencionado é reflexo directo, substancialmente, dos seguintes


choques na economia:

 Primeiro, do lado da oferta, choques tanto do sector petrolífero assim como do


sector não petrolífero. No sector petrolífero, a queda dos preços nos mercados
internacionais impulsionou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo
(OPEP) a ter de retirar do mercado perto de 10,4 milhões barris/dia. Esta decisão
impôs limites à produção dos países membros, sendo que a Angola viu a sua produção
reduzida em 351,44 mil barris/dia, o equivalente a uma produção diária de 1,176
milhões barris/dia, para Maio e Junho. E do sector não petrolífero, a limitação do
horário de trabalho no sector público, privado e na actividade informal, associada à
redução da força de trabalho, penalizou a capacidade produtiva do sector primário,
secundário e terciário – Aqui com maior incidência, em virtude das suas
especificidades e do grau de concentração da mão-de-obra de sua localização,
maioritariamente em Luanda;
 Em segundo lugar, do lado da procura interna – Consumo das Famílias, Gastos
Públicos e Investimentos - foram drasticamente afectados. O consumo das famílias
em bens duráveis poderá reduzir em 2020 em virtude das incertezas com a
manutenção do emprego. Por outro lado, os gastos em bens correntes – Alimentação,
água, energia, TV, Comunicação, etc. - poderá aumentar, reflexo do facto do novo
normal social. Por outro lado, os gastos públicos foram congelados em pelo menos
30%. Por último, a reduzida capacidade, o investimento poderá ser postergado, sendo
que há indicações que apontam para um desinvestimento na indústria petrolífera;
 Em terceiro lugar, a política económica não pode responder à altura dos desafios
impostos. O fraco espaço fiscal do país associada à reduzida eficiência da política
monetária e de crédito na economia, limitaram o espaço e a dimensão da intervenção
do Governo. A estruturação de um pacote de alívio financeiro de 589,65 mil milhões
de Kz, equivalente a 1,4% do PIB, não se apresentou ambicioso para contrapor as

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perdas que poderão se fixar perto dos 15 mil milhões de USD (17,8% do PIB), só em
2020.

Certamente que os ajustamentos expostos acima, estão a traduzir-se numa perda substancial
na produtividade da economia, no nível e na capacidade de criação de emprego, na
liquidez disponível e na confiança sobre a evolução futura da economia de Angola, um
vez que, tantos as exportações de petróleo, que são a fonte primária de liquidez em moeda
estrangeira e da captação de receitas fiscais do Estado estão a reduzir e, assim como, se está
a assistir a uma redução nas importações de matéria-prima e produtos intermédios, que são
necessários à produção nacional, as dinâmicas de crescimento estão a ficar cada vez mais
comprometidas.

Os efeitos, poderão ser percebidos nos próximos dois a três anos, sendo que a sua
profundidade e intensidade está dependente, unicamente da forma como o Governo vai gerir
o processo de reabertura da economia. Neste sentido, o primeiro passo já foi dado, através
do Decreto Presidencial nº 142/20 de 25 de Maio, que declara a Situação de Calamidade
Pública para os próximos 15 dias. No mesmo, o Governo decidiu relaxar algumas condições
restritivas à mobilidade e à disponibilidade de trabalho e oferta/produção de serviços à
economia, sendo que estão previstas, pelo menos, a nível de pessoal a retoma total até 26 de
Junho de 2020.

Contudo, à luz do que foi sendo assistido nos últimos dois meses, no Estado de Emergência,
em que se verificaram três prorrogações e se levantaram algumas restrições à mobilidade
das pessoas e a abertura parcial de alguns actividades nas 18 províncias do país, as mesmas
expectativas são extensíveis à declaração de situação de Calamidade Pública – Uma
expectativa baseada nos últimos aumentos dos casos positivos no país, tendo se fixado nos
80 casos até ao dia 31 de Maio de 2020 -.

As expectativas com o relaxamento das condições é de que as mesmas continuem a ser


prosseguidas de modos a restabelecer a mobilidade interna e externas das pessoas,
restaurar a capacidade produtiva das empresas e restabelecer os níveis de confiança na
economia, de modos a minimizar os custos económicos com a COVID-19 no país.

Indicador económicos 2015 2016 2017 2018 2019 2020 Até Abril
Inflação (%) 14,27 41,95 26,26 18,21 17,06 20,81
Cresciemnto real da economia 0,90 -2,60 -0,10 -2,10 -0,80 -
Stock de Exerna em Milhões USD 52 601,10 60 364,57 59 802,34 61 291,94 65 866,53
Defice da balança da banlança corrente -10 272,84 -3 085,20 -632,87 7 402,61 5 137,39 -
Desemprego (%) 26,00 - 19,90 20,00 31,80 -
Taxa de câmbio (Kz/USD) 121,05 164,02 165,92 258,67 374,84 556,908
Reservas Internacionais Líquidas Milhões USD 24 265,76 20 806,58 13 587,42 10 646,08 11 711,77 10 918,26
PIB Mil milhões USD 116 164,30 100 526,23 122 121,96 106 816,13 84 639,09 -
População 26 681 590 27 503 526 27 503 526 29 250 009 30 175 553 31 127 674
PIB per capita (Mil USD) 4,354 3,655 4,44 3,652 2,805
Fonte: BNA, INE

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Variação Última cotação do Cotação mais
Mercados Cotação Cotação mais baixa
semanal (%) ano alta
Taxa de câmbio oficial (BNA)
%
Kz/EUR 646,188 -3,1% 540,817 609,474 543,567
Kz/USD 581,916 -1,3% 482,098 596,908 492,63
Kz/ZAR 33,166 -2,4% 34,67 33,334 30,01
Taxa de câmbio informal (Kingala hoje)
Kz/EUR 740 5,4% - - -
Kz/USD 700 5,9% - - -
LUIBOR (BNA)
Maturidade % p.p. % % %
Overnigth 15,55 -3,0% 22,5 20,2 15,55
1 mês 14,45 0,8% 19,5 18,84 14,45
3 meses 15 0,5% 19,7 18,68 15
6 meses 15,18 1,0% 19,2 18,93 15,18
9 meses 16,12 0,4% 19,2 19,28 16,12
12 meses 17,05 0,3% 20,5 20,31 17
Commodities (Reuters)
Tipo % USD USD USD
Petróleo Brent (USD/Barril) 37,84 7,7% 66,03 68,55 19,5
Açúcar 10,91 -0,7% 13,44 15,9 9,05
Café 96,3 -7,1% 129,15 138,4 89,6
Milho 325,75 2,6% 387,25 464,25 300,25
Soja 840,75 0,9% 943,5 949 808,25
Títulos do Tesouro (BODIVA)
Maturidade % p.p. % % %
Bilhetes do Tesouro (BT's)
BT´s 91 dias 16 0,0%
BT´s 182 dias 17,5 0,0%
BT´s 364 dias 18,5 0,0%
Obrigações do Tesouro (OT's)
OT-NR - 1,5 Anos 23,5 0,0%
OT-NR - 3 Anos 23,5 0,0%
OT-NR - 4 Anos 24,5 0,0%
Eurobonds
Maturidade % p.p. % % %
2025 20,24 - - -
2028 17,8779 - - -
2043 6,8192 - - -
2044 15,6393 - - -

Notas

 P.P.: Ponto Percentuais;


 BNA: Banco Nacional de Angol
 Luibor: Luanda Interbank offered rate;
 OT-NR: Obrigações do Tesouro Não Resajustáveis.

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Principais Notas da Semana

Angola_________________________________________

 O Governo anunciou que está a renegociar a dívida pública com os seus principais
credores. O anuncio foi feito pelo presidente da República na reunão de concertação social
realizada no passado dia 19 de Maio de 2020. Destaca-se que o Fundo Monetário Intercional
devetá fixar a dívida pública em 132% do PIB em 2020, depois de ter se fiaxado em 109% do
PIB em 2019. Angola tem como principal credor a China.
 O Governo angolano decidiu alterar a Lei do Investimento Privado, na 5° Reunião
Ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros. Baseado na sua estratégia
de melhoria constante do ambiente de negócio no país, de modos a impulsionar o
investimento privado e atrair mais capitais estrangeiros para actividade produtiva do país, o
Governo tem definidos facilidades e criado incentivos que elevem os níveis de
competitividade da economia na região austral do continente africano.
 Dados sobre exploração petrolífera já disponíveis. As empresas nacionais e
internacionais já podem aceder ao pacote de dados para a exploração petrolífera das Bacias
Terrestres do Baixo Congo e do Kwanza, cuja data de lançamento do concurso estava prevista
para final deste mês. Para mais informações aceda o seguite endereço:
http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/dados-sobre-exploracao-petrolifera-ja-disponiveis

África_________________________________________

 África comemorou no dia 25 de Maio mais um dia da Fundação da União Africana.


Em volta aos vários desafios económicos e sociais, os Estados se lançassem na construção
da Zona de Livre Comércio de África, tendo a entrada em vigor prevista para Junho de
2020, porém a propagação da COVID-19 adiou a sua efectivação para princípio de 2021.
 O presidente nigeriano Muhammadu Buhari apresentou na quinta-feira um
orçamento revisto para 2020 de 10,51 biliões de nairas (29,19 Mil milhões de USD) ao
Parlamento para aprovação. Fonte: https://www.africanews.com/2020/05/29/buhari-
submits-nigeria-s-budget-to-parliament/
 A South African Airways (SAA) pretende retomar os vôos domésticos entre
Joanesburgo e Cidade do Cabo a partir de meados de junho, informou a companhia aérea
sem dinheiro na terça-feira, à medida que as restrições ao bloqueio por coronavírus
diminuem. Fonte: https://www.africanews.com/2020/05/27/south-african-airways-aims-
to-resume-domestic-flights-in-mid-june/

Mundo_________________________________________

 BCE: Economia da zona euro deve cair entre 8 e 12% do PIB. Christine Lagarde fala numa
consequência da pandemia bem mais sombria do que se esperava, com previsões de queda
do PIB da Zona Euro entre os 8 e os 12%. Fonte: https://pt.euronews.com/2020/05/27/bce-
economia-da-zona-euro-deve-cair-entre-8-e-12
 BCE usa bazuca com potência de 750 mil milhões. O BCE garantiu que estava preparado
para voltar a intervir. Anunciou um programa de compra de ativos, no valor de 750 mil
milhões de euros, destinado a estimular as economias bastante castigadas pela COVID-19.
Fonte:www.jornaldenegocios.pt/economia/politica-monetaria/detalhe/bce-anuncia-
estimulos-de-750-mil-milhoes.
 A Organização Mundial do Trabalho (OTI) publicou o terceiro relatório sobre os impactos
da COVID-19 no mercado de trabalho, tendo concluído que África será o continente mais
afectado com crise sanitária com uma perda de emprego a volta de 93,5%. Paralelamente, a
faixa etária dos jovens vai perder mais empregos, em cada 6 jovens empregados 1 vai perder
o emprego. Fonte: Relatório sobre impacto da covid-19 na economia Mundial.

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