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2.

3 A Resistência das Democracias Liberais

O Intervencionismo do Estado

Depressão dos anos 30  Fragilidades do capitalismo liberal


 Livre iniciativa
 Livre concorrência Capazes de produzir riqueza social
 Livre produção

Acreditava-se que  Crises cíclicas  eram apenas um reajustamento natural entre oferta e a procura
e que se resolviam-se por si mesmas

Porém  Crise de 1929  Provou o contrário
Keynes duvidou da capacidade de
autocorreção da economia capitalista;
 Deveria existir um maior
intervencionismo por parte do Estado.

Keynes através do Intervencionismo defendia: o controlo dos preços; a política estatal de investimento;
as leis sobre os salários; a legislação do trabalho e a luta contra o entesouramento e ajuda às empresas.
Só assim se resolveria o desemprego crónico. Segundo o Keynesianismo, cabe ao Estado o papel ativo
de organizador da economia e regulador do mercado.

Assim, os governos democráticos (francês, inglês e americano) decidiram-se por um papel ativo do
Estado, no conjunto das atividades económico-sociais, nomeadamente ao nível do controlo dos preços,
em leis sobre os salários, na legislação do trabalho, a fim de assegurar o emprego e uma distribuição
mais justa dos rendimentos. O intervencionismo defendia, ainda, uma política estatal de investimento
em serviços públicos geradora de emprego

EUA:

New Deal – Vasto programa de reformas económicas e sociais, com o objetivo de superar a Grande
Depressão, iniciado por Roosevelt, a partir de 1933. Iniciou-se uma política de crescimento económico,
destinado a relançar a economia.

O New Deal inaugurou um conceito novo que marcou a evolução das democracias ocidentais no séc.
XX: o de Welfare State (Estado-Providência), isto é, o Estado que se preocupa com o bem-estar social e
com a promoção da segurança e da qualidade de vida das populações.


Medidas Económico-Financeiras da 1.ª Fase (1933-1934)

Financeiras:
Encerramento temporário de instituições bancárias;
Estabelecimento de sanções contra os especuladores;
Desvalorizou-se o dólar de forma a baixar dívida externa através da subida os preços, que por sua
vez, faz aumentar os lucros das empresas.

Obras públicas:
Política de grandes trabalhos de forma a combater o desemprego e levou à
construção de estradas, linhas férreas, aeroportos, etc..
Proteção à agricultura:
 Agricultural Adjustment Act - Estabelece proteção à agricultura através de
empréstimos e indemnizações aos agricultores de forma a compensar pela
redução das áreas cultivadas.

Proteção à indústria:
 National Industrial Recovery Act: Protege indústria, o trabalho industrial
(através da fixação de preços mínimos, máximos de vendas e quotas de produção)
de forma a evitar concorrência desleal e garantir o salário mínimo e liberdade
sindical.

Medidas Sociais da 2.ª Fase (1935-1938)

Lei de Wagner (1935): Direito à greve e liberdade sindical.

Social Security Act (1935):


 Reforma por velhice;
 Reforma por invalidez;
 Fundo de desemprego;
 Auxilio aos pobres.

Fair Labour Standard Act (1938):


 Salário mínimo;
 44 horas de trabalho semanal.

Inglaterra:

A Inglaterra vinha já a adotar medidas como as referidas desde 1921, antes da Grande Depressão. Criou
os subsídios de desemprego, de viuvez, de orfandade e de velhice, e promulgou legislação sobre
habitação social, nos anos 30 regulamentou-se o direito a férias pagas
.
Procurou-se reduzir as desigualdades sociais, pelo que os impostos tornaram-se mais proporcionais ao
rendimento, esta medida fez com que as classes médias não se sentissem atraídas pelo fascismo, visto
ter-se evitado a sua pauperização.

No campo político assiste-se à formação de governos de União Nacional (englobando trabalhistas,


liberais e conservadores), alternando no poder, com o objetivo de travar o avanço dos partidos de
extrema-direita.

França:

A procura de consensos e de cooperação democrática atuou também em França, quando a democracia


francesa se viu ameaçada pelo crescimento da extrema-direita.

Em 1936, uma ampla mobilização dos cidadãos convergiu numa coligação de esquerda denominada
Frente Popular, que integrava comunistas, socialistas e a esquerda radical e que ganhou as eleições em
maio desse ano. Nestes governos da Frente Popular (com a ausência do Partido Comunista francês) a
grande figura foi o socialista Léon Blum.

A Frente Popular (1936-1938) introduziu as primeiras grandes reformas de carácter social. Tentando
acalmar as reivindicações sindicais e a onda grevista, estabelece-se: a liberdade sindical, a
obrigatoriedade de estabelecimento de contratos coletivos de trabalho e a subida dos salários. O
governo legislou ainda a redução do horário semanal de trabalho para 40 horas e o direito de todos os
trabalhadores terem 15 dias de férias pagas.
3.1 - Irradiação do Fascismo no Mundo

Na Europa

Ao longo dos anos 30  Ditaduras espalham-se pelo continente europeu.


 Graças – Efeitos da Grande Depressão;
– Descrença na capacidade da democracia parlamentar resolver os
problemas.

Áustria  Ascende um partido nazi


 Prepara-se para anexar a Áustria  Em 1938

Checoslováquia  País parlamentar  Cai o parlamentarismo


 Ascende um partido nazi

1938  Acordos de Munique  França e Inglaterra


 Alemanha anexa Região dos Sudetas
 1939 – Anexa o que falta do país

Franco  Instala ditadura fascista


 Depois de uma Guerra Civil (1936-1939)

Fim da Guerra Civil

Inicio da II Guerra Mundial  Acaba em 1945

 Teve apoio da Itália e da Alemanha

França Inglaterra Holanda Bélgica Noruega Suíça

Democracia consegue resistir

Noutros Continentes

América Latina
Atingidos  Retração do comércio internacional
Extremo-Oriente

Desenvolveram-se regimes autoritários


 Por influência de tradições locais
 Decalcados dos modelos fascistas da Europa

Brasil
Chile Não resistiram à ascensão das ditaduras
Argentina

Extremo-Oriente  Japão  Acaba com o processo de democratização e ocidentalização


 Hirohito (imperador desde 1926)
 Exerceu poder absoluto
 Apoiou o expansionismo na China
Irradiação do fascismo  Beneficiou

Acordo entre os governos de ditadura
Itália e Alemanha  Apoiaram com  Homens
 Dinheiro
 Armas
1936  Mussolini e Hitler  Celebram o Eixo Roma-Berlim  Reconfirmado com o Pacto de Aço
(1939)
 Alemanha e Japão  Pacto Anti-komintern (Eixo Berlim-Tóquio)  Mais tarde  Itália e Espanha
aderem.

Reações ao Totalitarismo Fascista

1931  Japão lança-se numa política imperialista ao invadir a Manchúria, mas abandonou em 1933

1935-36  Itália conquista a Etiópia. Sendo a Etiópia da SDN, esta interveio de imediato, mas sem
qualquer firmeza, aplicando-se apenas pequenas sanções económicas à Itália.

A Alemanha estava lançada na conquista do espaço vital. Em 1933 abandonou a SDN e Hitler
conseguiu recuperar o território de Sarre. Iniciou um programa de rearmamento, contrariando o
Tratado de Versalhes, militarizou a Renânia, anexou a Áustria e o território dos Sudetas – na
Checoslováquia – e ocupou o restante território checoslovaco.

Em 1938, nos Acordos de Munique*, Inglaterra e França consentiram a ocupação dos Sudetas pela
Alemanha, acreditando que assim estariam saciadas as suas ambições.

*Tratado de Munique: feito entre os líderes das maiores potências da Europa à época. O objetivo da conferência era a
discussão do futuro da Checoslováquia e terminou com a Alemanha, demonstrando o significado da "política de
apaziguamento".

Estes consentimentos por parte da SDN devem-se à não adesão dos EUA e abandono por parte do Japão
e Alemanha, que a deixaram sem mão firme e desconcertada. Entretanto, receosas de uma guerra, a
França e Inglaterra iam cedendo perante Hitler, que apresentava cada reivindicação como sendo a
última.

Guerra Civil Espanhola


1923 - Ditadura Militar de Primo de Rivera

A Espanha estava descontente com o agravamento das dificuldades A Guerra Civil Espanhola não foi
económicas e os partidos republicanos de esquerda organizaram-se numa apenas uma guerra civil. Ela foi
Frente Popular para combater o avanço de uma ditadura conservadora. também algo que três anos depois
desembocaria na II Guerra Mundial.
Em 1931 é proclamada a República, mas a crise política acentua-se com a Serviu de campo de experiências para
intensificação da reação conservadora e a evolução da depressão mundial. Em o equilíbrio das forças europeias,
1936 a Frente Popular sai vitoriosa nas eleições e adota um programa de principalmente para a aviação da
reformas políticas e sociais favoráveis aos interesses dos trabalhadores: Alemanha nazi.
separação da Igreja e Estado, ensino laico, direito à greve e aumento dos
salários, leis de divórcio, etc. Contudo, perante as leis ofensivas à moral Quem pensava num golpe militar
católica, os partidos nacionalistas de direita e monárquicos aliam-se à vitorioso em poucos dias, viu
Alemanha e Itália e formam uma Frente Nacional. levantar-se uma formidável
internacionalização do conflito.
Em 1936, surgiu um movimento militar em Espanha contra o governo
republicano da Frente Popular. Nacionalistas dirigidos pelo general Franco representavam os
proprietários fundiários, monárquicos e católicos, que faziam frente ao ateísmo e comunismo da Frente
Popular. Itália e Alemanha aliaram-se a Espanha por razões estratégicas: os italianos esperavam
estender a sua influência no Mediterrâneo Ocidental; os alemães testariam o seu armamento,
preparando-se para o futuro conflito.

Os republicanos contaram com a ajuda da URSS e intelectuais e simpatizantes que integraram as


Brigadas Internacionais. Por se tratar de uma luta de morte entre fascismo e comunismo, as
democráticas França e Grã-Bretanha respeitaram o princípio da não intervenção da SDN, facilitando o
surgimento de mais um regime autoritário fascista na Europa.

Mundialização do Conflito

Segunda Guerra  Conflito Mundial Atinge  Todos os continentes.


 Mobiliza homens e recursos;
 População  Vítima de bombardeamentos, massacres e deportações.
1.Set.1939 – 1942  Forças do Eixo  Estendem domínio a grande parte do Mundo.
 Muitos territórios ocupados/governados por colaboradores.
 Japão  Controla imensos domínios.
 Após destruir parte de Pearl Harbor (1941) Países ocupados sofrem
com as atrocidades por parte das forças do eixo.
 Pilham riquezas;
 Constrangem as populações a trabalhar para o
benefício dos dominadores;
 Discriminam;
 Massacram;
 Remetem para campos de concentração.
Verão de 1942  Aliados começam a ganhar terreno  Guerra ganha outro rumo
 Depois da Batalha de Midway  Americanos recuperam controlo no pacífico;
 Britânicos ganham alemães na África do Norte;
 Soviéticos acabam com o cerco de Estalinegrado (1943).
1943-1945  Sorte das armas  Desfavorável às potências do eixo.
 1944  Desembarque aliado na Normandia e avanço dos soviéticos para ocidente.

Libertam Europa

Aniquilam Alemanha

Capitula em Maio.1945
Lançamento de duas bombas atómicas  Japão rende-se.
2 Vencedores  EUA e URSS  Profundas divergências ideológicas e políticas Mundo Bipolar.

1.1 - Reconstrução do Pós Guerra

Definição de Áreas de Influência

Antigas potências (Alemanha, Japão)  Saíram vencidas e humilhadas da guerra


Reino Unido e França  Apesar de vitoriosos, viam-se empobrecidos e dependentes de ajuda externa
Duas Super Potências  URSS e EUA

Construção de uma Nova Ordem Mundial Internacional: Conferencias de Paz

Antes do fim da 2ª GM, os Aliados começam a delinear estratégias para o período de paz que se
avizinhava*
*Desde 1942 que as cimeiras se sucedem com o objetivo de delinear
estratégias de guerra e, posteriormente, de preparar a paz.

Conferência de Ialta

Fev.1945  Roosevelt, Estaline e Churchill reúnem-se


 Objetivo: Estabelecer regras que sustentem uma nova ordem internacional do pós-
guerra.
Apesar divergências entre os 3 líderes  Clima de cooperação, cordialidade e confiança
entre eles  Acordo em algumas questões importantes:
 Fronteiras da Polónia  Havia discórdia
 Ocidentais  Não esquecem o facto de ter sido a violação
das fronteiras polacas que iniciou a guerra.
 Soviéticos  Não desistiam de ocupar a parte oriental do
país.

 Divisão provisória da Alemanha – Quatro zonas (Reino Unido, França, URSS e EUA)
 Prepara-se a criação da ONU
 Supervisionamento dos “3 grandes” na futura constituição dos governos dos países de
Leste (ocupados pelo eixo), com base no respeito e vontade política das populações.
 Estabelecidas as reparações de guerra a pagar pela Alemanha

Conferência de Potsdam

 Meses mais tarde em 1945  Clima tenso  Desconfiança face ao regime comunista que Estaline
representava e às suas pretensões expansionistas na Europa.
 Objetivo: Ratificar e pormenorizar os aspetos já acordados em Ialta:
 Perda provisória de soberania da Alemanha e a sua divisão em quatro zonas de
ocupação;
 Administração conjunta da cidade de Berlim (igualmente dividida em quatro
partes);
 Indemnizações;
 Julgamento dos criminosos de guerra pelo tribunal de Nuremberga;
 Divisão, ocupação e desnazificação de todos os países ocupados.

Novo Quadro Geopolítico

Isolamento da URSS  Quebrado  Estaline  Papel importante na definição das novas


coordenadas geopolíticas.
Novo quadro político:
 Alargamento da influência soviética (1946-1948)  Mundo Comunista;
 Mundo Capitalista (Europa Ocidental).

Dentro da Europa  União Soviética  Papel Determinante no último ano do conflito


 Exército vermelho  Marcha até Berlim
 Liberta países da Europa Oriental

Polónia Checoslováquia Hungria Roménia Bulgária

URSS  Vantagem estratégica no Leste Europeu


 Apesar dos Acordos de Ialta  Onde ficou declarado que deveria existir
respeito pelas vontades dos povos, na prática  Impossível contrariar a hegemonia
soviética  Rapidamente se impôs

1946-1948  Todos os países libertados pelo Exército Vermelho  Adotaram modelos comunistas.

Processo de Sovietização  Contestado pelos ocidentais

 1946  Churchill denuncia a criação (por parte da URSS) de uma área impenetrável, isolada do
Ocidente por uma cortina de ferro
Fulton alertou  Desavenças entre os antigos Aliados
 Um ano após a guerra  Alargamento da influência soviética  Novo
medir de forças.
 Comunismo vs Capitalismo

Organização das Nações Unidas

Roosevelt  Apontou a necessidade de existir um novo organismo parecido com a SDN mas
mais consistente  Dando origem à Organização das Nações Unidas
Projeto  Acordado na Conferência de Teerão  1943
 Ratificado em Ialta

 Decidiu-se a convocação de uma conferência  Para redigir e aprovar a Carta fundadora


das Nações Unidas 25.Abr.1945  Conferência contou com os 51 países  Afirmaram na
Carta das Nações Unidas  Vontade conjunta de promover a paz e a cooperação
internacionais.

Segundo a Carta, a Organização foi criada com os propósitos fundamentais de:


→ Manter a Paz e redimir os atos de agressão utilizando  Meios pacíficos;
→ Desenvolver relações de amizade entre os países, baseadas na igualdade entre os povos
e no seu direito à autodeterminação;
→ Desenvolver a cooperação internacional  No âmbito económico, social, cultura e
promover a defesa dos Direitos Humanos;
→ Funcionar como centro harmonizador das ações tomadas para alcançar estes propósitos.

Holocausto e todas as outras atrocidades cometidas  Grande impacto depois da guerra ONU
tomou uma feição humanista  Reforçada com a aprovação da Declaração Universal dos Direitos do
Homem  1948
 Direitos e liberdades fundamentais;
 Direitos económico-sociais.

1.1.3 - As Novas Regras da Economia Internacional

O Ideal de Cooperação Económica

Julho.1944  Conferência de Breton Woods (EUA)  Prever e estruturar a situação económico-


financeira do período de paz.
 Regularizar os pagamentos e a circulação de capitais  Evitar o circulo
vicioso de desvalorizações monetárias e a instabilidade das taxas de câmbio
dos anos 20/30.
 Liderar uma nova ordem económica baseada na cooperação
internacional.
 Criação de um novo sistema monetário internacional  Dólar como
moeda chave.

O dólar americano tornou-se, assim, “as good as gold” uma vez que o Tesouro do Estado Americano
garantia a convertibilidade dos dólares em ouro, fazendo com que as outras moedas passassem a ter
uma paridade fixa em relação ao ouro e moeda americana.

Para operacionalizar-se o sistema criou-se:


 FMI  Ajudava países com dificuldades em manter a paridade fixa da moeda ou em
equilibrar a balança de pagamentos.
 BIRD/ Banco Mundial  Financiava projetos de fomento económico a longo prazo.
 1947 – GATT (atual OMC)  Os 23 países signatários comprometeram-se a negociar a
redução dos direitos alfandegários e outras restrições comerciais.
 BENELUX Luxemburgo, Países Baixos e Bélgica  Previa a abolição das taxas
alfandegárias entre os três países.

1.2 - O Tempo de Guerra Fria

Conceito de Guerra Fria

Ambiente de tensão  Entre Americanos e Russos De 1947 (Fim da Segunda Guerra Mundial) até
1991 (Dissolução da URSS).

Derrota do Eixo  Vieram ao de cima  Antagonismos ideológicos (Capitalismo vs Comunismo) 


Presentes nas diferentes propostas políticas e económicas defendidas pelos dois inimigos (EUA vs
URSS) na definição de uma nova ordem geopolítica.

EUA  Regime político – Democrático-Liberal  Economia: Economia de Mercado.


URSS  Regime político – Socialista de Centralismo Democrático  Economia: Coletivizada
e planificada .

Rutura da aliança  Confirmada com o desenvolvimento de:


 Tensões geradas nas ambições expansionistas da URSS nos estados do Leste da
Europa e na resposta americana  Pretendia conter expansionismo Russo.
 Reforça a sua posição no Oriente.

Trata-se de uma guerra fria porque ambos os blocos não recorrem ao confronto direto:

 Formas de propaganda ideológicas simplista que consistiam em difamar as políticas


inimigas.
 Corrida ao armamento  Cada vez mais refinado  Como por exemplo, armamento
nuclear;
 Intensa espionagem;
 Alianças estratégicas de carácter político-militar  Intervinham no fomento dos
conflitos localizados em apoio  Muitas das vezes eram um pretexto para se atacarem
(URSS e EUA).
O Início da Guerra Fria
Primeiro momento de tensão  1945
 Estaline não promove eleições livres na Polónia e pretende impor um
governo da sua confiança  Acusa EUA de se intrometerem na
dignidade polaca.
Churchill considera que a ameaça soviética substitui a ameaça nazi e que deixava de haver condições
para um entendimento pacífico  As denúncias públicas da Política Estalinista de apoio à ascensão dos
partidos comunistas ao poder, nos países influenciados pelos soviéticos, continuaram em 1946, quando
Churchill acusa a URSS de fazer descer sobre a Europa uma “cortina de ferro”, rejeitando a ideia de que
uma nova guerra era inevitável.
1947  Perante pressões sobre a Turquia e a Grécia, Truman (EUA) afirma a necessidade de adoptar
uma política de contenção do avanço soviético.
 Apelando ao Ocidente para lutar contra o totalitarismo soviético;
 Comprometendo-se a apoiar todos os estados cuja liberdade fosse ameaçada
por forças externas.
Surge a Doutrina de Truman: Defende que competia aos Americanos, perante o enfraquecimento da
Europa, liderar o mundo livre e auxiliá-lo na contenção do Comunismo. Esta doutrina deixou clara a
necessidade de ajudar a Europa a reerguer-se economicamente.

Implica o fim da política de isolacionismo dos EUA.

Como resposta a esta doutrina, surge na URSS a Doutrina de Jdanov: Defendia a divisão do mundo em
dois campos opostos comandados pelos “imperialistas” (EUA) e pelos anti-imperialistas e Democráticos
(URSS).

Concedia o direito à extensão da influência soviética até ao centro da Europa, transformando os países
vizinhos, libertados do domínio nazi por ação do Exército Vermelho, em “satélites” políticos da URSS

A Questão Alemã

Unificação administrativa e monetária das zonas ocupadas por americanos, ingleses e franceses +
Ajudas financeiras  Construção Alemanha Ocidental  Rica  Capaz de se afirmar entre as nações
livres e pacíficas.

Em oposição »» Alemanha de Leste  Cada vez mais pobre e ruralizada

Estaline interpretou a política ocidental como um afrontamento e acusou os antigos aliados de


pretenderem criar um bastião do capitalismo às portas do mundo comunista.

Como resposta  Estaline decreta o bloqueio à zona ocidental de Berlim, na parte


alemã submetida à administração soviética nos termos dos acordos de Potsdam.

Assim, os ocidentais perdem o contacto terrestre com as partes da cidade de Berlim por si
tuteladas Surge assim uma ponte aérea »» Que fez chegar todo o género de produtos, numa
manifestação de firmeza e poder tecnológico dos EUA.

Estaline chegou a ameaçar com o derrube dos aviões e receou-se que tal viesse a concretizar-se.
Porém, o bloqueio acabou por ser levado sem incidentes militares, mas dele resultou uma grave
crise política que:
 Culminou com a divisão da Alemanha em dois estados independentes
 Parte Ocidental – Liberal capitalista »» República Federal Alemã (RFA)
 Parte Leste – Socialista soviética »» República Democrática Alemã (RDA)

 Clarificou as posições expansionistas, americana e soviética, e os seus objetivos


hegemónicos na constituição de áreas de influência na Europa (numa primeira fase) e, em todo
o globo (fases seguintes)

 Originou uma intensa corrida aos armamentos e a formação dos primeiros blocos militares
e económicos antagónicos, no seguimento dos já definidos blocos ideológico-políticos.

1.2.2 - O Mundo Capitalista

A Política de Alianças dos Estados Unidos

Desde o anúncio da doutrina de Truman que os Estados Unidos se empenharam na contenção do


comunismo.

O Plano Marshall foi o primeiro passo, pois permitiu a reconstrução da Europa em moldes capitalistas.
Em termos político-militares fortificou-se a aliança entre a Europa Ocidental e os EUA.

A tensão provocada pelo Bloqueio de Berlim acelerou as negociações que conduziram, em 1949, ao
Tratado do Atlântico Norte (EUA, Canadá e 10 nações europeias) que deu origem à OTAN (Organização
do Tratado do Atlântico Norte), a organização militar mais importante no pós-guerra, e o símbolo do bloco
ocidental.

A OTAN apresenta-se como uma organização defensiva, empenhada a resistir a um inimigo: a União
Soviética e tudo o que ela representa. Esta sensação de ameaça lançaram os EUA numa autêntica
“pactomania” que os levou a constituir alianças por todo o mundo. Em 1959, cerca de ¾ do mundo
alinhavam de uma forma ou de outra pelo bloco americano.

A Política Económica e Social das Democracias Ocidentais

No fim da 2.ª Guerra Mundial, o conceito de democracia adquiriu um novo conceito, definindo-se que
esta deveria assegurar o bem-estar dos cidadãos e a justiça social. Nesta altura, a Social-Democracia e a
Democracia Cristã sobressaíram no panorama político europeu.

A Democracia Cristã (Itália e RFA) tem origem na doutrina social cristã.


 Condena os excessos do liberalismo capitalista; atribui a missão de zelar pelo bem
comum ao poder político;
 Defende que os princípios do cristianismo devem enformar todas as ações dos cristãos;
 Propôs condições justas de trabalho e reforçou economicamente o Estado, que tinha de
assegurar condições de vida dignas aos cidadãos.

A Social-Democracia (Inglaterra, Holanda e Dinamarca) é uma corrente do socialismo que defende o


pluralismo democrático e os princípios da livre-concorrência económica através do intervencionismo do
Estado, cujo objetivo é regular a economia e promover o bem-estar dos cidadãos.
 Esta advoga o controlo estatal dos setores da economia;
 Defende a tributação dos rendimentos mais elevados;
 Contenta-se em redistribuir a riqueza obtida pelos cidadãos através do reforço da
proteção social.

Apesar de possuírem ideologias diferentes, ambas as políticas procuraram promover reformas


económicas e sociais profundas. Lançaram um vasto programa de nacionalizações (que atingiu bancos,
transportes, entre outros); o Estado tornou-se o principal agente económico do país (regulando a
economia, garantindo emprego e definindo salários); reformou-se o sistema de impostos (através de
auxílios sociais).

A Afirmação do Estado-Providência

O Estado-Providência surgiu pela primeira vez no Reino Unido, onde cada cidadão tinha asseguradas
as suas necessidades básicas. Em Inglaterra estabeleceu-se um Sistema Nacional de Saúde, assente na
gratuitidade total dos serviços médicos a todos os cidadãos, isto serviu de modelo à maioria dos países
europeus.

A estruturação do Estado-Providência na Europa fez-se rapidamente:


 O sistema de proteção social generalizou-se dando-se atenção às situações de
desemprego, acidente, velhice e doença;
Estabeleceram-se ajudas às famílias (através do abono ou outros subsídios) e
ampliaram-se as responsabilidades do Estado.

Estas medidas foram tomadas de forma a reduzir a miséria e o mal estar social e assegurar uma certa
estabilidade à economia. O Estado-Providência foi um fator de grande prosperidade económica no
Ocidente.

A Prosperidade Económica

O crescimento económico do pós-guerra estruturou-se em bases sólidas, pois os governos não só


assumiram grandes responsabilidades económicas como delinearam planos de desenvolvimento
coerentes, que permitiram estabelecer prioridades, rentabilizar a ajuda fornecida pelo Plano Marshall e
definir diretrizes futuras

Após a 2.ª Guerra Mundial, o Capitalismo atingiu o seu auge.
Entre 1945 e 1973:
→ A produção mundial triplicou;
→ Delinearam-se planos de desenvolvimento coerente;
→ As economias cresceram sem períodos de crise.

Estes cerca de 30 anos de prosperidade ficaram conhecidos por “Trinta Gloriosos”, que se
caracterizaram pela:
→ Aceleração do progresso tecnológico em todos os setores (as inovações
tecnológicas revolucionaram a vida quotidiana);
→ Pelo recurso ao petróleo como matéria energética por excelência (a abundância e
preço baixo alimentaram a prosperidade económica, permitindo uma revolução
nos transportes);
→ Pelo aumento do número de multinacionais (que passaram a fabricar e a
comercializar produtos por todo o mundo);
→ Pelo aumento da população ativa (reforço da mão de obra feminina);
→ Pelo Baby-boom (aumento súbito e acentuado da natalidade);
→ Pela melhoria da mão de obra (tornou-se mais qualificada);
→ Pela modernização da agricultura e pelo crescimento do setor terciário (as trocas
comerciais, a aposta no ensino, os serviços sociais multiplicaram o nº de postos de
trabalho neste setor).

A Sociedade de Consumo
Esta época de prosperidade originou também uma Sociedade de Consumo* nos países Capitalistas,
devido ao pleno emprego, salários altos e produção maciça de bens a preços bastante acessíveis, o que
fez com que se generalizasse o conforto material.
*Identifica-se pelo consumo em
→ As casas tornaram-se cómodas e bens equipadas;
massa de bens supérfluos, que
passam a ser encarados como → O telefone, televisão e outros eletrodomésticos multiplicaram-se rapidamente;
essenciais à qualidade de vida.
Sociedade do Desperdício pois a → O automóvel proporcionou longos passeios de lazer e as férias pagas vieram
vida útil dos bens é acentuar a ideia de que a vida merece ser desfrutada e o dinheiro existe para se
artificialmente reduzida pela sua
vontade de renovação.
gastar.
Nesta Sociedade, o cidadão é estimulado a gastar mais do que necessário; multiplicaram-se os espaços
comerciais e a publicidade lembrava as pequenas e grandes maravilhas a que todos tinham direito e
que as vendas a crédito permitem adquirir.

A oferta e a pressão publicitária são de tal ordem que os bens rapidamente perdem valor, “passam de
moda” e são substituídos por outros mais atualizados.

O consumismo tornou-se o emblema das economias capitalistas na segunda metade do século XX.

1..2.3 - O Mundo Comunista

O Expansionismo Soviético do Leste Europeu

Após a 2.ª Guerra Mundial só a URSS e a Mongólia eram comunistas. O reforço militar e o processo de
descolonização criaram condições para a expansão do comunismo e assiste-se, então, à tomada do
poder pelos partidos comunistas, na Europa de Leste, formando-se assim as democracias populares
(impõe-se um partido único que diz representar os interesses dos trabalhadores e que controla o Estado,
a economia, sociedade e cultura).

Todos estes países da Europa de Leste foram politicamente organizados sob um controlo apertado
exercido pela URSS, em resultado do reforço da posição militar soviética e da ação do Cominform
(Secretariado de Informação Comunista), um partido único que dominava o aparelho do Estado e a
administração. Uma economia planificada e estatizada, com a coletivização dos meios de produção.
Os laços entre a URSS e as democracias populares foram reforçados com o Pacto de Varsóvia, aliança
militar criada, em resposta à NATO.

Perante protestos e rebeliões contra o excessivo domínio da URSS (protestos na Hungria, em 1956; a
fuga de cidadãos da RDA via Berlim ocidental e a «Primavera de Praga», em 1968), esta reagiu com a
força para manter a coesão do seu bloco – ocupação das ruas de Budapeste e de Praga pelos tanques
soviéticos e construção do Muro de Berlim, em 1961.

A Extensão do Comunismo à Ásia, América Latina e á África

A partir do Leste europeu o comunismo expande-se para a Ásia, com a tomada do poder por Mao Tsé-
Tung e a proclamação da República Popular da China (1949), que passa a constituir um 2.º polo do
bloco de Leste. Fora da Europa, o único país em que a implantação do regime comunista se deveu a
intervenção direta da URSS foi a Coreia (Guerra da Correia – 1950-53). Nos restantes casos, o triunfo do
comunismo ficou a dever-se a movimentos revolucionários nacionais, por vezes relacionados com o
desencadear do processo de descolonização, e que contaram com o apoio da URSS. Assim, assiste-se ao
triunfo comunista no Vietname do Norte, no Camboja, na Birmânia e no Laos.

O comunismo estende-se ao próprio continente americano, com o triunfo da revolução cubana de Fidel
Castro (1959) que, por sua vez, se torna um exemplo para os movimentos revolucionários da América
Central e do Sul – Bolívia, Colômbia, Peru e, sobretudo, na Nicarágua, onde os sandinistas
conquistaram o poder nos anos 70. Aproveitando o momentâneo apagamento dos EUA depois do
fracasso do Vietname, a URSS envolve-se ativamente em África, apoiando os movimentos
revolucionários em Angola, na Etiópia, em Moçambique culminando com a intervenção direta no
Afeganistão, em 1979. A Guerra Fria atinge, desta forma, os outros continentes, mundializando-se.

Opções e Realizações da Economia de Direção Central

A reconstrução económica da URSS após a 2.ª Guerra Mundial foi definida no IV Plano Quinquenal
(1946-1950). Os objetivos eram: a reconstrução total da economia, com prioridade para a indústria
pesada e o desenvolvimento de todas as regiões do país. Em 1950, os ambiciosos objetivos do plano
tinham sido superados relativamente às indústrias de bens de equipamentos e energia elétrica, mas o
mesmo não acontecera com os bens de consumo que, tal como os objetos domésticos (frigoríficos) eram
insuficientes. Quando Estaline morreu em 1953, a URSS era uma grande potência industrial embora
com muitos desequilíbrios e as economias planificadas começam a mostrar as suas fragilidades ou
bloqueios:

1. A prioridade absoluta dada à indústria pesada levou a que as condições de vida da


população se degradassem, pois: sectores como a agricultura, a indústria de bens de
consumo, a construção habitacional, o sector terciário, foram negligenciados, ao mesmo
tempo que havia má gestão do sector agrícolas e desalento dos camponeses. Tudo isto se
refletiu negativamente na produção e no Baixo nível de vida da população – jornadas de
trabalho excessivas, salários baixos, carência de bens de consumo, habitação sem
qualidade (profundo contraste com as sociedades de consumo ocidentais);
2. Os próprios planos de fomento apresentaram-se como um entrave ao progresso: por um
lado, porque tirava a autonomia às empresas; por outro, apenas se cumpria o que estava
no papel, descuidando fatores como o potencial de rentabilidade da mão de obra e dos
equipamentos ou a qualidade dos produtos;
3. Por fim, os excessos do centralismo - o Estado geria todas as atividades económicas do
país – originaram um forte aparelho burocrático que constitui um obstáculo à capacidade
de iniciativa e ao crescimento.

A morte de Estaline traz uma nova orientação não só na vida política interna e nas relações com o
exterior, nomeadamente com os EUA, mas também quanto às opções económicas. O processo de
destalinização iniciado por Nikita Khruchtchev abriu o caminho a reformas administrativas e
económicas. No entanto, a competição com o Ocidente e os elevados gastos com o reforço do poderio
militar, bem como a exploração de recursos minerais obrigaram à transferência de importantes recursos
humanos e materiais, comprometendo a luta pela produtividade e pelo crescimento económico, pelo
que os efeitos das medidas introduzidas por Kruchtchev ficaram aquém das expetativas e não
conseguiram relançar as economias do bloco soviético.

Nos anos 70, sob a orientação de Brejnev, o peso da burocracia e do alto funcionalismo do Estado
(«Nomenklatura») reforça-se e alastra a corrupção e o imobilismo, prejudicando os resultados.

1.3 - Escalada Armamentista

Corrida aos Armamentos


Como após a Segunda Guerra Mundial a União Soviética tinha conseguido uma larga influência na
Europa, Churchill tinha planos de a atacar e expulsar da Europa Oriental (uma operação impensável).

Depois das bombas lançadas pelos EUA, estes demonstraram a sua superioridade técnica, a URSS
sentiu-se intimidada e começou também a investir na criação de bombas atómicas próprias (resultou-se
que a guerra era provável de acontecer, mas, se acontecesse, seria o fim do mundo e ambos os países
tinham consciência disso). Em 1949, a URSS fez explodir a sua primeira bomba atómica, o que abalou
a confiança do Ocidente.

Em 1952 os americanos testaram a sua primeira Bomba de Hidrogénio – a corrida ao armamento


começa. Multiplicou-se a produção de “armas convencionais”. Os americanos temiam o avanço do
comunismo e o Conselho de Segurança considerou que se deveria aumentar a sua força aérea, terrestre e
naval para não dependerem apenas de armas nucleares. A URSS adotou a mesma estratégia.

Estas novas armas conduziram a uma nova estratégia política, a dissuasão: cada um dos blocos
procurava incutir o medo no outro, declarando que não hesitaria a utilização do seu potencial atómico
em caso de violação das suas áreas de influência, independentemente da destruição que isso causasse.

A Era Espacial.

Em outubro de 1957, a URSS lançou-se na conquista ao espaço, colocando em órbita o Sputnik 1 (1º
satélite que foi para o espaço), e no mês seguinte lançaram o Sputnik 2, que levou a bordo a cadela
Laika, a primeira viajante espacial. Face a estes acontecimentos, os EUA sentiram-se consternados e
lançaram o seu próprio satélite em 1958, o Explorer 1.

Em 1961, o russo Yuri Gagarin foi o primeiro viajante no espaço, ao que os americanos responderam
enviando os primeiros homens a pisar na lua, Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Aqui tornou-se evidente
que o desenvolvimento tecnológico tinha alcançado uma etapa superior, mas tornou-se evidente que
esta mesma tecnologia era capaz de produzir armas com poder de aniquilar toda a Humanidade.

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