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Temas Livres

CBA 2014

Getúlio Rodrigues Oliveira Filho


Sylvio Valença de Lemos Neto
EDITORES
Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho
Sylvio Valença de Lemos Neto

Temas Livres
CBA 2014

SBA
Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Rio de Janeiro
2014
Temas Livres CBA 2014
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Capa e diagramação
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Rodrigo Ribeiro Matos

FICHA CATALOGRÁFICA
S678t Temas Livres CBA 2014 / Editores: Sylvio Valença de Lemos Neto e Getúlio Rodrigues de
Oliveira Filho.
Rio de Janeiro - Sociedade Brasileira de Anestesiologia/SBA, 2014.
302 p.; 28cm.;

ISBN 978-85-98632-30-8
Vários colaboradores.

1. Anestesiologia – Temas Livres. I. Sociedade Brasileira de Anestesiologia. II. Lemos


Neto, Sylvio Valença de. III. Oliveira Filho, Getúlio Rodrigues de.

CDD - 617-96

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APRESENTAÇÃO

Temas Livres
CBA 2014

SBA
Sociedade Brasileira de Anestesiologia
SUMÁRIO
Administração e Qualidade Anestesia em Cirurgia Cardíaca
Anestesia segura: desenvolvimento de um sistema de alerta baseado em dados prévios do Mixoma de átrio e ventrículo esquerdo associado a AVC em paciente de 15 anos. Relato de
paciente..........................................................................................................................13 caso............................................................................................................................... 28
Avaliação da prevalência e das causas de suspensão de cirurgia em um Hospital Acidente vascular encefálico em cirurgia cardíaca. Relato de caso...................................... 29
Universitário do Recife....................................................................................................13
Anestesia em cirurgia para implante transcateter de valva aórtica em paciente com estenose
Avaliação da satisfação de pacientes submetidas a cesariana em hospital terciário: estudo aórtica............................................................................................................................ 29
descritivo transversal........................................................................................................14
Anestesia em emergência cardiológica: um desafio à vida.................................................. 30
Avaliação dos fatores associados à satisfação com a profissão entre os anestesiologistas no
Anestesia para implante de prótese valvar aórtica Edward Sapiens por método transcutâneo
Brasil...............................................................................................................................14
(TAVI) do tipo valve - in - valve em paciente com estenose severa de bioprótese aórtica:
Cancelamento de cirurgias em um hospital de ensino: um estudo exploratório......................15 relato de caso................................................................................................................. 30
Conhecimento dos anestesiologistas do hospital universitário de vitória em relação às Anestesia para implante de ressincronizador cardíaco - Relato de caso............................... 31
condutas em segurança preconizadas pelo check list “cirurgia segura salva vidas” da
Avaliação da correlação entre o ETCO2 medido durante a circulação extracorpórea em
organização mundial de saúde (OMS)................................................................................15
cirurgias cardíacas e os marcadores de perfusão laboratoriais e hemodinâmicos – estudo
Importância da dupla checagem do aparelho de anestesia: experiência no HRC................... 16 piloto.............................................................................................................................. 31
O paciente está bem informado sobre seu anestesista?...................................................... 16 Hipotensão Grave após o Uso de Protamina para a Reversão de Heparina após Circulação
Extracorpórea em Cirurgia Cardíaca – Relato de caso........................................................ 32
Pacientes submetidas à raquianestesia para cesariana. Avaliação da Satisfação....................17
Um caso de sucesso no uso de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) intrao-
Perfil das cirurgias realizadas no hospital regional do cariri: análise do ano de 2013..............17
peratório como ponte para transplante cardíaco: relato de caso.......................................... 32
Profilaxia de tromboembolismo em pacientes cirúrgicos hospitalizados após implementação
Uso de Azul de Metileno em Síndrome Vasoplégica após Cirurgia de Revascularização Mio-
de protocolo e programa educacional com o anestesiologista..............................................18
cárdica........................................................................................................................... 33
Time de resposta rápida: da implementação ao atendimento de rotina..................................18
Variações intraoperatórias de sódio e complicações neurológicas pós-operatórias em cirur-
“A análise da satisfação dos pacientes com a aplicação do questionário peri-anestésico de gia cardíaca pediátrica..................................................................................................... 33
Heidelberg: benchmarking, acreditação hospitalar e responsabilidade civil do anestesiolo-
gista em Recife, PE..........................................................................................................19 Anestesia em Cirurgia Torácica
Perfil epidemiologico dos pacientes submetidos a analgesia peridural após cirurgia
Anestesia Ambulatorial torácica............................................................................................................... 34
Ensaio clínico randomizado duplo-cego comparando a recuperação anestésica de duas
técnicas anestésicas para punção folicular transvaginal guiada por ultrassonografia...............19 Peridural torácica como técnica única para cirurgia torácica vídeo-assistida, um relato de
caso............................................................................................................................... 34
Parada Cardiocirculatória em Anestesia fora do Centro Cirúrgico......................................... 20
Anestesia em Cirurgia Vascular
Anestesia e Terapia Intensiva Anestesia em Arterite de Takayasu : relato de caso............................................................ 35
Análise da mortalidade pelo escore SOFA na unidade de terapia intensiva de um hospital
geral da Paraíba.............................................................................................................. 20 Anestesia para Bypass Vascular em Membro Inferior com Bloqueio de Nervos Periféricos..... 35
Anestesia em paciente com Síndrome do de sconforto Respiratório Agudo (SDRA): relato de Anestesia para cirurgia de urgência em paciente com estenose aórtica grave...................... 36
caso............................................................................................................................... 21 Aneurisma de aorta abdominal roto, um desafio anestésico-cirúrgico.................................. 36
Influência do índice de massa corporal na variação da pressão endotraqueal em situação Complicação pós-operatória de endarterectomia de carótida sob neuromonitorização: relato
similar à síndrome compartimental abdominal.................................................................... 21 de caso.......................................................................................................................... 37
Sensibilidade aos antibióticos e perfil bacteriano em pacientes internados na UTI de um Drenagem de líquido céfalo raquidiano (LCR) como tratamento de isquemia medular após
hospital geral da Paraíba.................................................................................................. 22 Cirurgia para Correção de Aneurisma de Aorta Torácica – Relato de Caso........................... 37
Anestesia e Transplante Parada Cardio-respiratória em varicectomia: Reflexo de Bainbridge..................................... 38
Anestesia para Transplante Multivisceral: Relato de caso de um hospital universitário terciá-
Prós e contra de revascularização miocárdica pré-operatória em paciente com aneurisma
rio do Sistema SUS......................................................................................................... 22
de aorta abdominal......................................................................................................... 38
Avaliação da variação de volume sistólico como preditor de responsividade hídrica durante
Reação alérgica em paciente com arterite de Takayasu durante procedimento endovascular
transplante hepático – estudo preliminar........................................................................... 23
intervencionista............................................................................................................... 39
Coorte retrospectiva de transplante hepatico 2012 e 2013................................................. 23
Ressecção de tumor renal associado a trombo em veia cava inferior e átrio direito com
Embolia aérea no peroperatório de transplante hepático..................................................... 24 parada circulatória total.................................................................................................... 39
Hipertensão porto-pulmonar em transplante hepático – relato de caso................................ 24 Tratamento endovascular do aneurisma de aorta abdominal roto sob anestesia geral – relato
Impacto da técnica anestésica na estabilidade hemodinâmica em pacientes submetidos a de caso.......................................................................................................................... 40
transplante renal.............................................................................................................. 25
Anestesia em Cirurgias Abdominais
Manejo da coagulação no transplante hepático guiado pela tromboelastometria. Relato de Anestesia em Paciente Jovem Portador de Nódulos Hepáticos Sugestivos de Adenoma,
caso............................................................................................................................... 25 com Necessidade de Realizar Trissegmentectomia Hepática com Radioablação Guiada por
Manejo hemodinâmico em anestesia para retransplante hepático. Relato de caso................ 26 USG no Ato Operatório: Relato de caso............................................................................. 40
O uso da tromboelastometria rotacional (ROTEM) na avaliação da coagulopatia durante o Bloqueio da Fáscia do Reto do Abdômen Guiado por Ultrassom para Herniorrafia Umbilical:
transplante hepático: Relato de caso................................................................................. 26 Relato de Caso............................................................................................................... 41
TEP intraoperatório em transplante hepático...................................................................... 27 Relato de caso: Anestesia em paciente com miocardiopatia chagásica, avançada................ 41
Transplante Dominó pediátrico com doador vivo: participando do jogo................................ 27 TAP Block : relato de caso............................................................................................... 42
Uso de blood cell salvage em transplante hepático, um relato de caso................................. 28 TAP Block em paciente portador de Hemofilia A: relato de caso.......................................... 42

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Anestesia em Geriatria Anestesia subdural em procedimento intra-útero para oclusão traqueal em feto portador de
Efeitos da anestesia na doença de Alzheimer..................................................................... 43 hérnia de Bochdalek........................................................................................................ 62
Resultados após anestesia e cirurgia ortopédica de fêmur em pacientes nonagenários e Anestesia venosa total para cesariana em paciente com anomalia de Ebstein. Relato de
centenários..................................................................................................................... 43 caso............................................................................................................................... 62
Sucesso no tratamento anestésico-cirúrgico de fratura de fêmur em paciente de 107 anos. Associação de sufentanil a dose reduzida de bupivacaína hiperbárica em raquianestesia pra
Relato de Caso............................................................................................................... 44 cesariana: ensaio clínico randomizado.............................................................................. 63

Anestesia em Neurocirurgia Bloqueio do neuroeixo em gestante portadora de deficiencia de antitrombina 3................... 63


Acidose Metabólica Grave após Solução Salina Hipertônica na Neurocirurgia: Acidose Hi- Bloqueio neuroaxial em gestante com massa intracraniana e cervical.................................. 64
perclorêmica?................................................................................................................. 44
Cefaléia pós-punção de dura-máter em obstetrícia: comparação entre abordagem mediana
Anestesia para cirurgia de correção de fístula liquórica em adolescente com meningites de e paramediana na raquianestesia...................................................................................... 64
repetição........................................................................................................................ 45
Cesárea de emergência em paciente com Esteatose Aguda da Gestação: Relato de Caso........ 65
Anestesia para craniotomia em paciente acordado............................................................. 45
Cesareana em gestante com morte encefálica: relato de caso............................................ 65
Anestesia para craniotomia em paciente acordado............................................................. 46
Cesariana em paciente com hipertensão pulmonar severa (PSAP= 116mmhg): relato de
Anestesia para craniotomia em paciente acordado............................................................. 46 caso e considerações sobre o manejo anestésico.............................................................. 66
Anestesia para TCE por fogos de artifício.......................................................................... 47 Cirrose e gestação: um relato de caso.............................................................................. 66
Arritmia cardíaca com instabilidade hemodinâmica durante craniotomia descompressiva de Cirurgia fetal extra útero, intraparto, para correção de gastrosquise..................................... 67
hematoma subdural......................................................................................................... 47
Comparação do efeito analgésico do Sufentanil e Morfina subaracnóidea para cirurgias
Crise convulsiva durante cirurgia para ressecção de tumor intracraniano. Relato de caso...... 48 cesarianas...................................................................................................................... 67
Eficácia e Segurança no Manejo Anestésico para Craniotomias com o Paciente Acordado: Complicação de raquianestesia pós cesariana - relato de caso........................................... 68
revisão sistemática e metanálise....................................................................................... 48
Desfecho favorável em gravidez abdominal....................................................................... 68
Fast track em Neurocirurgia: É possível?....................................................................... 49
Determinação da Dose de Ocitocina na Prevenção da Atonia Uterina em Cesáreas Eletivas....... 69
Anestesia em Obesidade Hipersensibilidade trigeminal após administração inttratecal de sufentanil e bupvacaina para
Anestesia para Cirurgia Bariátrica sem uso de Opióides...................................................... 49 trabalho de parto – relato de caso.................................................................................... 69
Avaliação da dose do sugamadex em obesidade grau III baseada no peso corporal total Impacto da terapia hídrica restritiva na pré-eclâmpsia grave: ensaio clínico randomizado....... 70
versus ideal: Ensaio clínico randomizado........................................................................... 50
Infarto Agudo do Miocárdio na 35ª Semana de Gestação: Relato de Caso........................... 70
Grave rabdomiólise após cirurgia bariátrica. Relato de caso................................................ 50
Manejo anestésico de cesárea em portadora de dupla lesão aórtica e mitral........................ 71
Opióide epidural em dose única versus infiltração contínua de ferida operatória com anesté-
sico local em gastroplastia laparotômica........................................................................... 51 Manejo anestésico em gestante com estenose pulmonar e comunicação interventricular
para operação cesariana.................................................................................................. 71
Anestesia em Obstetrícia Manejo anestésico em gestante com tumor intracraniano................................................... 72
Raquianestesia para cesárea em paciente portadora de Púrpura Trombocitopênica Idiopáti-
ca guiada pela tromboelastometria rotacional. Relato de caso............................................. 51 Manejo Anestésico na Miocardiopatia Periparto: Relato de Caso......................................... 72

Analgesia de parto em gestante com insuficiencia cardiaca grave....................................... 52 Prevenção de hipotermia e de alterações do equilíbrio ácido-base maternas e do recém-
-nascido por meio do aquecimento no pré- e intra-operatório durante cirurgia cesariana sob
Anestesia em gestante com leucemia mieloide aguda: relato de caso.................................. 52 anestesia peridural.......................................................................................................... 73
Anestesia em gestante com sequelas de Poliomielite: Relato de caso.................................. 53
Raquianestesia e cesariana. Associação de diferentes doses de clonidina e morfina a
Anestesia em gestante com trombastenia de Glanzmann: relato de caso............................. 53 bupivacaína hiperbárica...............................................................................................73
Anestesia geral em paciente portadora de deficiência congênita moderada do fator vii de Raquianestesia torácica como opção anestésica na urgencia obstetrica em paciente obesa
coagulação..................................................................................................................... 54 mórbida portadora de mielomeningocele. Relato de caso....................................................74
Anestesia geral em parto cesáreo de gestante com hipertensão pulmonar idiopática grave... 54 Raquianestesia total durante realização de analgesia de parto..............................................74
Anestesia na gestante trombocitopênica........................................................................... 55 Relato de caso: Manejo anestésico na cesária em paciente com anomalia de Ebstein........... 75
Anestesia para cesárea em paciente portadora de macrotrombocitopenia hereditária Anestesia em Obstetrícia
dominante..................................................................................................................55 Taquiarritmia em uso de ocitocina em cesariana................................................................ 75
Anestesia para cesareana em gestante com Anomalia de Ebstein....................................... 56 Uso de cistatina C e enzimas urinárias para avaliação renal pós-operatória de gestante com
Anestesia para cesariana em gestante com púrpura trombocitopênica imune: relato de caso.56 hipertensão.................................................................................................................... 76
Anestesia para cesariana em paciente cardiopata.............................................................. 57 Anestesia em Oftalmologia
Anestesia para cesariana em paciente com grande massa mediastinal................................ 57 Conduta anestésica para cirurgia oftalmológica na síndrome de Marfan: Relato de caso....... 76

Anestesia para cesariana em paciente portadora de hipertensão intracraniana idiopática Hematoma intraorbitário após anestesia peribulbar: relato de caso...................................... 77
(pseudotumor cerebral) - relato de caso............................................................................ 58 Hematoma orbitário após bloqueio peribulbar. Relato de caso............................................. 77
Anestesia para cesariana em paciente portadora de Linfangioleiomiomatose: relato de caso.58
Anestesia em Ortopedia
Anestesia para gestante com esclerodermia sistêmica....................................................... 59 Anestesia e analgesia pós-operatória em paciente submetido à hemipelvectomia interna –
Anestesia para gestante portadora de estenose mitral. Relato de caso................................ 59 relato de caso................................................................................................................. 78
Anestesia para oclusão traqueal em feto portador de hérnia diafragmática congênita – Anestesia para paciente portador distrofia muscular de Duchenne submetido a artrodese de
Relato de caso................................................................................................................ 60 coluna: relato de caso..................................................................................................... 78
Anestesia para puérpera com fator V de Leiden................................................................. 60 Anestesia Regional em Paciente com 99 anos em uso de Clopidogrel: Relato de Caso......... 79
Anestesia para terapia fetal ex-útero (EXIT)........................................................................ 61 Comparison of Two Techniques of Fascia Iliaca Block in Total Hip Arthroplasty..................... 79
Anestesia subaracnóidea alta com parada respiratória em gestante. Relato de caso............. 61 Embolia pulmonar por utilização de haste em cirurgia ortopédica........................................ 80

Temas Livres CBA 2014 | 5


Estudo prospectivo da analgesia pós-operatória para cirurgia artroscópica de ombro (reparo Incidência de vômitos após o emprego do óxido nitroso como adjuvante da anestesia geral
de roturas de espessura total do manguito rotador) utilizando bloqueio de plexo braquial em crianças.................................................................................................................... 99
contínuo......................................................................................................................... 80
Intubação acordada em criança com Anquilose Bilateral de Mandíbula: Relato de Caso........ 99
Manejo anestésico em paciente testemunha de Jeová vítima de trauma raquimedular: Uma
Lobectomia pulmonar em criança, estratégias de ventilação. Relato de caso...................... 100
estratégia segura? Relato de caso.................................................................................... 81
Manejo anestésico em recém nascido portador de ventrículo único submetido à cirurgia não
Parada cardiorrespiratória devido o uso de metilmetacrilato em cirurgia de artroplastia total
cardíaca: relato de caso................................................................................................. 100
de joelho sob anestesia geral........................................................................................... 81
Timectomia em criança cushingoide com Miastenia Gravis............................................... 101
Pneumotórax hipertensivo após artroscopia de ombro: relato de caso................................. 82
Uso de máscara laríngea na anestesia geral para criança em decúbito ventral sob ventilação
Tratamento cirúrgico de escoliose grave em paciente com paralisia cerebral........................ 82
espontânea................................................................................................................... 101
Tratamento cirúrgico de escoliose grave em paciente com paralisia cerebral........................ 83
Anestesia em Procedimentos Ginecológicos
Tromboembolismo pulmonar em pós operatório de artroplastia total de quadril: relato de Avaliação da dor pós-operatória em pacientes submetidos à histerectomia abdominal em
caso............................................................................................................................... 83 um hospital de ensino.................................................................................................... 102
Uso de anestesia regional guiada por ultrassom em paciente com alergia ao látex................ 84 Ensaio clínico randomizado duplo-cego comparando o desfecho reprodutivo de duas técni-
Uso de auto-hemotransfusão em artrodese de coluna........................................................ 84 cas anestésicas para punção folicular transvaginal guiada por ultrassonografia................... 102
Incidência de náuseas e vômitos em pacientes submetidas a histerectomia abdominal sob
Anestesia em Otorrinolaringologia
raquianestesia............................................................................................................... 103
Adenoamigdalectomia em Paciente Pediátrico portador de Síndrome de Apneia Obstrutiva
do Sono – Relato de caso............................................................................................... 85 Anestesia em Videolaparoscopia
Anestesia em criança com abscesso parafaríngeo após adenoamigdalectomia: relato de Bloqueio Subaracnóideo para cirurgia videolaparoscópica................................................ 103
caso............................................................................................................................... 85 Comportamento do espaço morto fisiológico (EMF) durante videolaparoscopia.................. 104
Anestesia para excisão cirúrgica de angiofibroma nasofaríngeo: Relato de Caso................... 86 Despertar intraoperátorio em colecistectomia por videolaparoscopia. Relato de caso.......... 104
Enfisema subcutâneo durante septoplastia........................................................................ 86 Efeito do antagonista 5-ht3 no controle de náuseas e vômitos pós-operatório (NVPO) em
Mastoidectomia radical em criança portadora da síndrome de turner................................... 87 videocolecistectomia com anestesia venosa total com propofol-remifentanil....................... 105
Enfisema subcutâneo como complicação de colecistectomia videolaparoscópica – Relato
Anestesia em Pediatria
de caso........................................................................................................................ 105
Anestesia para broncoscopia rígida em criança com aspiração de corpo estranho............... 87
Manejo Anestésico de Fístula Traqueo-esofágica em Pediatria............................................ 88 Raquianestesia por punção lombar ou torácica para colecistectomia videolaparoscópica
(CVL). Estudo com 369 pacientes.................................................................................. 106
Abordagem da via aérea em paciente pediátrico com sequela de Kernicterus...................... 88
Anestesia Inalatória
Anestesia com Midazolam, Remifentanil e Sevoflurano para Laringotraqueoscopia em
Convulsão transoperatória relacionada ao uso de sevoflurano........................................... 106
Criança Cardiopata.......................................................................................................... 89
Anestesia em criança portadora de distrofia muscular progressiva não identificada............... 89 Anestesia para Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Ausência de fadiga do reflexo oculocardíaco por compressão tumoral crônica do olho.........107
Anestesia em rn portador de tetralogia de fallot, persistência do canal arterial e comu-
nicação interatrial para realização de correção de atresia de esôfago associada à fístula Uso do sugamadex na reversão do bloqueio neuromuscular para eletroestimulação durante
traqueo-esofágica. R....................................................................................................... 90 paratireoidectomia..........................................................................................................107

Anestesia epidural sacra: problemas do uso de material inespecífico................................... 90 Via Aérea Difícil em Paciente com Epiglote em Ômega..................................................... 108

Anestesia geral em paciente portador de Síndrome de Seckel............................................ 91 Anestesia para Cirurgia Plástica
Parada cardíaca em cirurgia plástica estética. Relato de caso........................................... 108
Anestesia no portador de Distrofia Muscular de Duchenne- Relato de Caso......................... 91
Pneumotórax na Cirurgia Plástica Mamária: uma Complicação Anestésica?....................... 109
Anestesia para paciente portador de carcinoma de mediastino: relato de caso..................... 92
Anestesia subaracnóidea em lactente prematuro para herniorrafia inguinal bilateral: relato de Anestesia para Procedimentos Urológicos
caso............................................................................................................................... 92 Anestesia em nefrectomia radical e adrenalectomia em hipertensão arterial de difícil
controle......................................................................................................... 109
Ansiedade Pré-operatória em Crianças: Fatores de Risco e Intervenções. Revisão
Sistemática......................................................................................................93 Edema de vias aéreas grave após cefalodeclive prolongado em prostatectomia radical vide-
olaparoscópica..............................................................................................................110
Atelectasia intra-operatória em pacientes pediátricos......................................................... 93
Efedrina no manejo de ereção peniana durante cirurgia endoscópica urológica: relato de
Bloqueio íleoinguinal e íleohipogástrico em crianças submetidas à apendicectomias: ensaio
caso..............................................................................................................................110
clínico controlado, randomizado e duplamente encoberto................................................... 94
O manejo peri-operatório das alterações hemodinâmicas em cirurgia aberta de feo-
Crise Hipertensão de artéria pulmonar (HAP) transoperatória em criança com cardiopatia
cromocitoma.................................................................................................. 111
congênita complexa........................................................................................................ 94
Síndrome da ressecção transuretral de próstata em paciente ASA III..................................111
Delírio despertar.............................................................................................................. 95
Síndrome da ressecção transuretral. Relato de caso.........................................................112
Dificuldade ventilatória após anestesia em criança com massa mediastinal anterior............... 95
Edema agudo de pulmão por pressão negativa – Relato de caso........................................ 96 Anestesia Venosa
Anestesia Venosa para Histeroscopia- Comparação entre Fentanil e Sufentanil...................112
Efeito da dexmedetomidina em crianças submetidas à anestesia geral com sevoflurano:
metanálise de ensaios clínicos randomizados.................................................................... 96 Avaliação dos níveis plasmáticos de triglicerídeos e enzimas pancreáticas em pacientes
submetidos à anestesia venosa total................................................................................113
Efeitos do midazolam e da dexmedetomidina orais na ocorrência de ansiedade e agitação
em crianças: ensaio clínico duplo cego randomizado e controlado por placebo.................... 97
Anestesia, Ética e Direito
Enfisema Lobar Congênito: Características e Manejo Anestésico......................................... 97 Cirurgia de revascularização miocárdica em paciente testemunha de jeová.........................113
Estratégias poupadoras de hemotransfusão em cirurgia pediátrica de craniossinostose: Bloqueio Neuromuscular
relato de caso................................................................................................................. 98 Análise da prevalência de bloqueio neuromuscular residual no setor de recuperação pós-
Hipertermia intraoperatória em paciente portador de anemia falciforme............................... 98 -anestésica....................................................................................................................114

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Apnéia prolongada após o uso de bloqueador neuromuscular............................................114 Parada cardiorrespiratória (pcr) em paciente submetido a colecistectomia videolaparoscópi-
ca: relato de caso e considerações anestésicas................................................................132
Bloqueio neuromuscular prolongado após administração de succinilcolina, deficiência de
pseudocolinesterase plasmática......................................................................................115 Peridural Titulada: Boa opção para o cardiopata?............................................................ 133
Efeito da reversão do bloqueio neuromuscular com sugammadex sobre o índice bi- Pneumoencefalo após peridural sem evidências claras de puncidura................................. 133
-espectral(BIS)- projeto piloto..........................................................................................115
Raquianestesia com evolução para bloqueio total em paciente obesa. Relato de caso........ 134
Efeitos da lidocaína e do magnésio no bloqueio neuromuscular e dificuldade de intubação
Raquianestesia contínua em paciente triarterial................................................................ 134
orotraqueal na anestesia geral.........................................................................................116
Raquianestesia torácica com baixas doses de anestésicos locais. Comparação entre bupi-
Estimation of the necessity of rocuronium reversal from its dosing pattern. A retrospective
vacaína isobárica e hiperbárica....................................................................................... 135
data analysis..................................................................................................................116
Retirada de cateter peridural guiado por tromboelastometria em paciente com alteração de
Incidência de bloqueio neuromuscular residual na sala de recuperação pós- anestésica.......117
tp e ttpa....................................................................................................................... 135
Influência da Efedrina na latência do Rocurônio.................................................................117
Doenças Raras
Influência da fenitoína no relaxamento neuromuscular produzido pelo rocurônio: relato de Adenoamigdalectomia em Paciente Portador de Síndrome de Crouzon – Relato de caso.........136
caso..............................................................................................................................118
Anestesia em Criança Portadora de Síndrome de Van der Knaap...................................... 136
Miastenia Gravis e Anestesia: relato de caso.....................................................................118
Anestesia em paciente com acondroplasia.......................................................................137
Prolongamento do bloqueio neuromuscular após uso de succinilcolina em paciente com
deficiência de pseudocolinesterase..................................................................................119 Anestesia em paciente com Hemofilia..............................................................................137

Recurarização pós-operatória com uso de sugammadex em paciente submetido à colecis- Anestesia em paciente com síndrome de rubinstein - relato de caso.................................. 138
tectomia........................................................................................................................119 Anestesia em paciente portador de distrofia muscular de duchenne. Relato de caso........... 138
Relato de caso – despertar prolongado e apnéia em criança com mal formação congênita Anestesia em paciente portador de distrofia muscular miotonica forma steinert para colo-
e uso do sugammadex.................................................................................................. 120 noscopia terapeutica..................................................................................................... 139
Bloqueios de Nervos Periféricos Anestesia em paciente portador de mutação no gene da protrombina: relato de caso......... 139
Avaliação do aprendizado de bloqueio periférico em hospital universitário da cidade de São Anestesia em pacientes com distrofia de Steinert............................................................. 140
Paulo........................................................................................................................... 120
Anestesia Geral Para Colecistectomia Videolaparoscopica Em Paciente Com Paraparesia
Bloqueio contínuo de nervo isquiático por mais de 96 dias: relato de caso..........................121 Espastica Familiar – Relato de caso................................................................................ 140
Bloqueio de Nervos Femoral e Isquiático Guiado por Ultrassonografia para Cirurgia de Am- Anestesia geral para derivação bilio-digestiva em paciente portadora de Leucodistrofia
putação Trans-Társica de vido a Doença Arterial Obstrutiva Periférica.................................121 Metacromática: relato de caso........................................................................................141
Comparação Entre Bloqueio Femoral Contínuo e Bloqueio Femoral Simples Associado à Anestesia na síndrome de Riley-Day................................................................................141
Analgesia Sistêmica Para Reconstrução de Ligamento Cruzado Anterior........................... 122
Anestesia para cesária em paciente portadora de doença de Pompe.................................142
Novo acesso lateral para bloqueio contínuo do plexo lombar via inguinal para diminuir a dor
em repouso e em movimento e contaminação do cateter................................................. 122 Anestesia para histerectomia em paciente com trombastenia de glanzmann: relato de caso.....142
Anestesia para neurorrafia ulnar em paciente com esclerose múltipla................................ 143
Bloqueios do Plexo Braquial
Efeitos da dexametasona associada à solução com excesso enantiomérico de levobupivacaína Anestesia para realização de gastrostomia endoscópica em paciente com Doença de
(s75/r25) no bloqueio de plexo braquial via infraclavicular guiado por ultrassonografia..............123 Steinert...................................................................................................................143

Novo acesso lateral para bloqueio contínuo do plexo braquial via axilar para diminuir a dor Anestesia para suprarrenalectomia em pacientes com feocromocitoma bilateral................. 144
em movimento e contaminação do cateter...................................................................... 123 Anestesia para Tratamento Cirúrgico de Feocromocitoma................................................. 144
Raquianestesia total após bloqueio interescalênico - Relato de caso...................................124 Anestesia peridural para colecistectomia aberta em paciente com estenose laríngea por
Síndrome de Claude Bernard-Horner após bloqueio de Plexo Braquial por Via Interescalênica..124 blastomicose................................................................................................................ 145

Síndrome de Horner em paciente submetido a bloqueio de plexo braquial...........................125 Anestesia venosa total sem uso de bloqueadores neuromusculares em paciente portador de
esclerose lateral amiotrófica: relato de caso..................................................................... 145
Bloqueios Neuroaxiais Bloqueios contínuos de plexo lombar posterior e parassacral e intubação com estilete lumi-
Parada cardiopulmonar após raquianestesia.....................................................................125 noso em paciente com espondilite anquilosante. Relato de caso....................................... 146
Bloqueio de Neuroeixo em Paciente com Lesão Traumática Aguda em Coluna Cervical: Cefaleia por hipotensão intracraniana espontânea - relato de caso.................................... 146
Relato de Caso e Revisão de Literatura........................................................................... 126
Distrofia muscular congênita merosina negativa: relato de caso e revisão de suas implica-
Bloqueio espinhal alto após dose teste epidural............................................................... 126 ções anestésicas............................................................................................................147
Dor Neuropática após Trauma com Agulha de Peridural.....................................................127 Gastrostomia em paciente com Creutzfeldt-Jacob sob sedação: relato de caso..................147
Falha de anestesia subaracnóidea. Paciente resistente à raquianestesia ou erro na técnica?.....127 Hepatectomia parcial em paciente com glicogenose tipo i (doença de von gierk)................ 148
Falha de bloqueio combinado raquiperidural. Relato de caso.............................................128 Manejo anestésico de portadores de Síndrome de Ehlers Danlos...................................... 148
Falha de Bloqueio Subaracnóideo: erro técnico ou problema com o anestésico?.................128 Manejo anestésico em criança portadora de síndrome de cornélia de lange: relato de caso..149
Falha total da raquianestesia. Você pesquisou a sensibilidade em períneo?........................ 129 Manejo anestésico em paciente com narcolepsia............................................................. 149
Falha total de bloqueio subaracnóideo. Relato de caso..................................................... 129 Manejo anestésico em paciente com síndrome cornelia de lange em urgência cirúrgica...... 150
Hematoma Subdural após Raquianestesia....................................................................... 130 Manejo Anestésico na Síndrome de Gorlin Goltz.............................................................. 150
Incidência de Células Epiteliais na 1ª e 5ª Gotas do Líquor em Raquianestesia.................... 130 Manejo per-operatório em paciente com deficiência de fator VII.........................................151
Lesão nervosa pós-operatória e o papel do anestesiologista na medicina peroperatória.......131 Manejo perioperatório na mastocitose cutânea.................................................................151
Lombalgia e hérnia discal após anestesia de neuroeixo.....................................................131 Manuseio anestesico de paciente portador de Telangiectasia Hemorrágica Hereditária
Melhor momento para realização do tampão sanguíneo na cefaléia pós punção acidental de (síndrome de Rendu-Osler-Weber)..............................................................................152
dura máter.....................................................................................................................132 Obstrução intestinal após colostomia em gestante com ânus imperfurado: relato de caso... 152

Temas Livres CBA 2014 | 7


Raquianestesia em paciente com fibrose pulmonar idiopática........................................... 153 Avaliação da preferência para leitura e estudos com livro físico ou digital em um CET da
cidade de São Paulo.......................................................................................................170
Relato de Caso: Síndrome de Escobar............................................................................ 153
Elaboração de um Guia Prático para o Residente de Anestesiologia....................................170
Repercussões clínicas do pectus excavatum................................................................... 154
Estágio prático em qualidade e gerenciamento de risco em anestesia no programa de resi-
Síndrome de Alagille e Hipertermia Maligna: relato de caso............................................... 154
dência médica...............................................................................................................171
Síndrome de poland: manejo anestésico......................................................................... 155
Interesse na Área de Anestesiologia pelos Estudantes de Medicina da Universidade Estadual
Síndrome de Rendu-Osler-Weber e considerações anestésicas - relato de caso................. 155 do Ceará.......................................................................................................................171
Tratamento cirúrgico de feocromocitoma na gravidez: Relato de caso............................... 156
Estudos Experimentais
Dor aguda Análise preliminar de projeto piloto: efeito da associação palonasetrona/aprepitanto na
Analgesia multimodal associada ao bloqueio do plano do transverso abdominal em paciente incidência de náuseas e vômitos pós-operatórios em pacientes oncológicas submetidas a
anticoagulado: relato de caso......................................................................................... 156 mastectomia, de alto risco pela escala de Apfel................................................................172

Analgesia pós-cirúrgica promovida pela administração pré-operatória de gabapentina, com- Avaliação do óxido nítrico em tecido renal murino submetido à hemorragia aguda sob anes-
parando com o uso de midazolan em pacientes submetidos à artroscopia de joelho........... 157 tesia com sevoflurano em uso de glibenclamida................................................................172
Analgesia pós-operatória em histerectomias abdominais: ensaio clínico randomizado, du- Efeito da associação mistura enantiomérica em excesso de 50% de bupivacaína (r25-
plamente encoberto e comparativo entre morfina e cetamina na via peridural.................... 157 -l75%)-pancurônio na transmissão neuromuscular. Eficácia da neostigmine e 4-aminopiridi-
na na reversão do bloqueio. E.........................................................................................173
Analgesia pós-operatória em lipoaspiração com emprego da tens..................................... 158
Efeito da fluoxetina sobre hiperalgesia induzida por constrição do nervo ciático em ratos......173
Avaliação comparativa da analgesia pós-operatória imediata com dose única de cetamina
durante a indução anestésica em pacientes submetidos à colecistectomia por videolapa- Efeitos da dexmedetomidina sobre a lesão de isquemia e reperfusão renal em ratos: avalia-
roscopia..................................................................................................................158 ção pela NGAL e histologia.............................................................................................174
Avaliação da Dor no Pós Operatório de Cirurgias Ortopédicas em UTI: análise de uma série Efeitos das misturas emantioméricas da bupivacaína (S75/R25 e R50/S50) administradas
de casos...................................................................................................................... 159 pela via subaracnóidea sobre a medula espinal de coelhos................................................174
Avaliação da Mistura de Oxigênio e Protóxido de Nitrogênio para Analgesia na Balneoterapia Efeitos do sugamadex e do complexo rocurônio-sugamadex sobre a histopatologia hepática
do Grande Queimado.................................................................................................... 159 em ratos: estudo experimental, aleatório e prospectivo......................................................175
Avaliação dos pacientes submetidos à analgesia controlada pelo paciente (ACP) no manejo Effects of intraplantar bont B on formalin evoked flinching and tactile allodynia in the kbxn
de dor aguda................................................................................................................ 160 model............................................................................................................................175
Avaliação epidemiológica da dor pós-operatória.............................................................. 160 Novo agonista alfa-2 adrenérgico (PT-31) eficaz para o tratamento da dor neuropática em
modelo animal de ligadura do nervo espinhal....................................................................176
Eficácia analgésica da Dipirona sobre dor pos-operatória após colecistectomia videolapa-
roscópica: um estudo duplo cego de dose resposta randomizado com placebo................. 161 Sex differences and the role of TLR4 signaling in the development of persistent pain in
arthritic mice..................................................................................................................176
Estudo sobre a administração pré-anestesica do alopurinol versus placebo sobre a dor e
ansiedade em pacientes submetidas a histerectomia abdominal total................................. 161 Eventos Críticos e Complicações
Lidocaína intravenosa em pacientes submetidas a mastectomia: ensaio clínico.................. 162 A incidência de parada cardíaca perioperatória e por fator anestésico está diminuindo?...... 177

Visão do anestesiologista brasileiro sobre a dor aguda e seu tratamento............................ 162 Abordagem anestésica de cesariana em paciente com hipertensão pulmonar.................... 177
Alergia ao látex: diagnóstico acidental..............................................................................178
Dor Crônica e Cuidados Paliativos
Bloqueio de Gânglio Estrelado Guiado por Ultrassom em Paciente com Síndrome Dolorosa Alterações hemodinâmicas graves subsequentes à anestesia peridural torácica. Relato de
Complexa Regional do Tipo 2: Relato de Caso................................................................. 163 caso..............................................................................................................................178
Bloqueio epidural lombar no tratamento de paciente com distrofia simpático reflexa após Anafilaxia com manifestação cardiovascular isolada..........................................................179
fratura de joelho: relato de caso...................................................................................... 163
Anestesia geral em adulto jovem com história de acidente vascular cerebral isquêmico e
Bloqueio Neurólitico de Plexo Celíaco Guiada por Tomografia Computadorizada em Paciente PAI-1 elevado (Inibidor do ativador do plasminogênio).......................................................179
com Situs Inversus Totalis.............................................................................................. 164
Apnéia na sala de recuperação pós-anestésica em paciente submetido à exérese de tumor
Bloqueio simpático lombar para tratamento de dor crônica refratária em paciente portadora facial. Relato de caso..................................................................................................... 180
de isquemia crítica de membro inferior............................................................................ 164
Arritmia cardiaca em usuário de cocaina submetido a septoplastia.................................... 180
Capsaicina tópica e a avaliação do possível efeito placebo controle................................... 165
Assistolia durante colonoscopia em paciente idoso: a importância de se estar preparado.....181
Dor crônica em paciente com Neurofibromatose.............................................................. 165
Assistolia em paciente submetido a raquianestesia............................................................181
Efeito da estimulação do nervo trigêmeo para o tratamento de fibromialgia: ensaio clinico
BAVT em Usuário de Marcapasso Durante Uso de Bisturi Monopolar . Relato de caso...... 182
aberto.....................................................................................................................166
Bloqueio subaracnóideo prolongado: relato de caso......................................................... 182
O Valor do Bloqueio de Gânglio Estrelado Guiado por Ultrassom no Tratamento de Pacientes
com Síndrome Dolorosa Complexa Regional Tipo 2: Uma Série de Casos......................... 166 Broncoaspiração em Pancreatectomia............................................................................ 183
Ortotanásia, a morte com dignidade............................................................................... 167 Broncoespasmo severo na indução anestésica.relato de caso.......................................... 183
Relato de caso: bloqueio de gânglio estrelado para tratamento de síndrome dolorosa com- Choque Anafilático em Anestesia Geral- Reação ao Látex. Relato de Caso......................... 184
plexa regional................................................................................................................ 167 Choque anafilático em cirurgia eletiva de colecistectomia. Relato de caso.......................... 184
Síndrome dolorosa regional complexa (sdrc) tipo i por imobilização após cirurgia de ligamen-
Choque hipovolêmico em artrodese lombar minimamente invasiva: relato de caso............. 185
to femoropatelar – relato de caso................................................................................... 168
Choque séptico após colangiopancreatografiaretrograda endoscópica.............................. 185
Tratamento de neuralgia pós herpética: associação medicamentosa com bloqueio peridural.168
Complicação da raquianestesia em parto cesariano. Relato de caso.................................. 186
Uso de bloqueio periférico contínuo na prevenção de dor e membro fantasma em paciente
com contra-indicação ao uso de morfina......................................................................... 169 Complicação pulmonar após cirurgia bariátrica................................................................ 186

Ensino em Anestesia Convulsão após dose baixa de lidocaína iv em paciente portadora de bócio tóxico: relato de
Aula virtual x Aula presencial: existe diferença na retenção de conhecimento e na sua acei- caso..............................................................................................................................187
tabilidade?.................................................................................................................... 169 Corticosteroides diminuem a prevalência de cefaleia pós-punção dural?.............................187

8 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


Crise convulsiva após administração de fentanil para indução anestésica........................... 188 Parada cardíaca e mortalidade durante a anestesia em hospital universitário de atendimento
terciário no período de 2005 a 2012.............................................................................. 208
Déficit neurológico e cefaléia após raquianestesia............................................................ 188
Parada cardiorespiratória em artroplastia parcial de quadril - relato de caso....................... 209
Delirium pos-operatório: fatores de risco......................................................................... 189
Parada cardiorrespiratória em paciente jovem submetido a raquianestesia: relato de caso... 209
Desafios no manejo da via aérea na emergência. O preparo do anestesista e suas possíveis
consequências. Relato de caso...................................................................................... 189 Parada cardiorrespiratória por pneumotórax hipertensivo pós punção venosa central.......... 210
Despertar intraoperatório com formação de memória explícita em paciente submetida a Parada súbita pós indução de anestesia geral associado a bloqueio peridural para toracoto-
operação pélvica........................................................................................................... 190 mia: relato de caso........................................................................................................ 210
Diagnóstico diferencial de hipercarbia em tireoidectomia total........................................... 190 Plexoplastia lombar após ooforectomia............................................................................211
Diagnóstico sonográfico de migração de catéter e formação de trombo em veia jugular Pneumotórax após dilatação esofágica por balão em Endoscopia Digestiva Alta eletiva........211
interna após cateterização de veia subclávia.....................................................................191 Pneumotórax hipertensivo bilateral após ventilação através de traqueostomia perfazendo
Dificuldade de transfusão em paciente cirúrgico aloimunizado para proteína eritrocitária rara falso pertuito..................................................................................................................212
(Ge-2)...........................................................................................................................191 Pneumotórax Hipertensivo em Esofagectomia Trans-hiatal.................................................212
Edema Agudo de Pulmão pós Extubação........................................................................ 192 Preditores de Mortalidade Intra-Operatória em um Serviço de Anestesiologia......................213
Edema Agudo de Pulmão Secundário ao Uso de Naloxona............................................... 192 Queimaduras no perioperatório: uma questão de segurança do paciente............................213
Edema agudo por pressão negativa em paciente acondroplásica...................................... 193 Rabdomiólise após Tireoidectomia com Esvaziamento Cervical – Relato de Caso...............214
Edema pulmonar por pressão negativa: relato de caso..................................................... 193 Raquianestesia total após punção dural não percebida durante epidural lombar – relato de
Efeitos da neuropatia autonômica cardiovascular durante anestesia geral........................... 194 caso..............................................................................................................................214
Eventos adversos respiratórias em cirurgias não cardíacas e não torácicas em hospital qua- Reação alérgica a contraste em criança pós-aveh.............................................................215
ternário universitário...................................................................................................... 194 Reação anafilactóide a azul de metileno em nodulectomia mamária...................................215
Fibrilação atrial intraoperatória em cirurgia não cardíaca eletiva......................................... 195 Reação anafilática após a indução anestésica com Propofol, Alfentanil e Rocurônio............ 216
Fistúla cutâneoliquórica pós anestesia peridural contínua.................................................. 195 Relato de Caso: Complicação Tardia da Raquianestesia provocada pela administração inad-
Hematoma subdural após raquianestesia......................................................................... 196 vertida de sobredose de morfina.................................................................................... 216

Implicações clínico-anestésicas no perioperatório na cirurgia de Sugar-Baker.................... 196 Ressuscitação de paciente na vigência de intoxicação anestésica pelo uso combinado de
desfibrilação e emulsão lipídica........................................................................................217
Incêndio no centro cirúrgico durante sedação para procedimentos em face, seríe de casos..197
Risco de mortalidade perioperatória: análise preliminar de 473 óbitos entre os anos de 2012
Incidência de complicações após broncoscopia flexível em pacientes submetidos ao proce- e 2013 no Hospital de Clínicas de Porto Alegre................................................................217
dimento sob anestesia geral............................................................................................197
Síndrome Compartimental Abdominal no intra-operatório: Relato de caso.......................... 218
Incidência de disfunção cognitiva pós-operatória em cirurgias eletivas realizadas no hran.... 198
Síndrome compartimental em anestesia para uretroplastia................................................ 218
Infarto agudo do miocárdio (IAM) intra-operatório em transplante hepático........................ 198
Síndrome da veia cava superior associada a falência de ventrículo direito em portadora de
Infarto agudo do miocárdio após adrenalectomia por feocromocitoma. Relato de caso....... 199 marcapasso definitivo após cirurgia cardíaca................................................................... 219
Infarto agudo do miocárdo intra-operatório relacionado a hipotensão grave após raquianes- Sindrome de embolia gordurosa pumonar (seg) apos liposucçao: relato de caso................ 219
tesia em paciente asa i.................................................................................................. 199
Síndrome de Horner após anestesia peridural torácica – Relato de caso............................ 220
Injeção inadequada de naloxone na reversão da depressão respiratória causada por opiói-
de................................................................................................................................ 200 Tratamento de Cefaleia Pós-punção de Dura-Máter em Bloqueio Peridural......................... 220

Injeção inadvertida de adrenalina.................................................................................... 200 Uso de haloperidol no tratamento de agitação psicomotora após anestesia geral – relato de
caso............................................................................................................................. 221
Insuficiência respiratória pós-operatória em paciente acromegálico. Relato de caso............ 201
Uso de hidroxietilamido 6% como alternativa ao tampão sanguíneono tratamento de cefaleia
Intoxicação Acidental por Opióide no Tratamento de Dor Pós-Operatória............................ 201 pós-bloqueio subaracnóideo em paciente com sífilis........................................................ 221
Laringoespasmo após intoxicação por anestésico local.................................................... 202 Uso do Propofol no Tratamento do Laringoespasmo em Crianças Após a Manipulação da
Lesão de pele em neurocirurgia com duração de 12 horas na posição de park bench (3/4 Via Aérea...................................................................................................................... 222
lateral) para tratamento de malformação arteriovenosa cerebral – relato de caso............... 202 “Burnout”: até quando o negligenciaremos?.................................................................... 222
Lesão esofágica como complicação em uma Via Aérea Difícil não reconhecida.................. 203 Farmacologia
Lesão unilateral de plexo braquial após mamoplastia redutora........................................... 203 Avaliação da variação glicêmica com o uso de de xametasona na profilaxia de náuseas e
vômitos pós Videocolecistectomia.................................................................................. 223
Manejo farmacológico de radiculopatia após bloqueio subaracnóideo em obstetrícia: relato
de caso........................................................................................................................ 204 Comparação entre Palonosetrona e Ondansetrona na prevenção de Náuseas e Vômitos
pós-operatórios em pacientes submetidos a colecistectomia laparoscópica. Ensaio clínico
Meningite fúngica após anestesia raquidiana para laqueadura tubárea. Relato de Caso....... 204
randomizado, duplamente encob.................................................................................... 223
Morte súbita perioperatória em paciente com baixo risco cardíaco submetida à anestesia
Efeito da gabapentina como medicação pré anestésica no controle da ansiedade: metaná-
geral, seguida de estudo necroscópico: relato de caso..................................................... 205
lise de ensaios clínicos randomizados............................................................................. 224
Nível de Atenção dos Anestesiologistas em Cirurgias no Hospital Regional da Asa Norte..... 205
Indução de mioclonia após dose única de propofol em ciruurgia ambulatorial..................... 224
O uso da ecocardiografia na avaliação do choque intraoperatório...................................... 206
Qualidade da recuperação da anestesia em pacientes submetidos à anestesia geral balan-
Ocorrência de eventos adversos durante procedimentos anestésicos em um hospital parti- ceada ou venosa total estudo prospectivo e randomizado................................................ 225
cular terciário de São Paulo............................................................................................ 206
Interações Medicamentosas
Onde há fumaça, há fogo: relato de dois casos de incêndio.............................................. 207 Frequência e características do uso de fitoterápicos por pacientes submetidos à cirurgia
Papel do anestesiologista no manuseio de criança grande queimada com acometimento de eletiva em um hospital terciário do recife-pe: estudo descritivo transversal......................... 225
vias aéreas................................................................................................................... 207 Influência da Bleomicina no Manejo Anestésico............................................................... 226
Parada cardiorrespiratória em nefrectomia com hipotensão permissiva.............................. 208 Resistência à efedrina em pacientes em uso crônico de duloxetina. Relato de caso............ 226

Temas Livres CBA 2014 | 9


Medicina perioperatória Assistência circulatória e procedimentos endovasculares percutâneos: novos desafios....... 244
Ambulatório de Avaliação pré-anestésica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Avaliação do resíduo gástrico por ultrassonografia: relato de caso..................................... 244
(APA): análise das especialidades solicitantes e risco cirúrgico entre 1456 consultas
consecutivas..................................................................................................227 Bis, sef95%, taxa de supressão de surtos e eletromiografia em paciente comatoso............ 245

Anestesia em Paciente com Esôfago Cheio – Divertículo de Zenker.................................. 227 Comparação entre as medidas ecográficas e tomográficas em pacientes com lesão
cerebral..............................................................................................................245
Anestesia na Arterite de Takayasu : artigo de revisão....................................................... 228
Entropia de resposta em crianças anestesiadas com sevoflurano. É possível?.................... 246
Anestesia para colecistectomia videolaparoscópica em gestante no terceiro trimestre........ 228
Impacto do Ecocardiograma Transesofágico Intraoperatório.............................................. 246
Anestesia para paciente portador de miastenia gravis – relato de caso.............................. 229
Índice Bispectral na detecção precoce de morte encefálica: relato de caso.........................247
Ansiedade pré-operatória: comparação entre clonidina e diazepam oral, em pacientes adul-
tos hígidos.................................................................................................................... 229 Índice bispectral: uma posição alternativa para o sensor....................................................247
Comparação entre técnicas de acesso venoso central guiadas por ultrassom em veia axilar Influência do bloqueio neuromuscular despolarizante no bis.............................................. 248
e veia jugular interna...................................................................................................... 230 Laminectomia em paciente com hipertensão pulmonar: uso da ecocardiografia transe-
Complicações pós-operatórias em cirurgias eletivas de médio e grande porte: correlação sofágica..............................................................................................................248
com balanço hídrico...................................................................................................... 230 Memórias explícita e implícita em anestesias com bloqueio neuromuscular e bis................ 249
Comportamento da glicosimetria capilar em resposta ao estresse anestésico-cirúrgico em Monitorização cerebral com BIS em paciente com transtorno bipolar tratada com lítio........ 249
diferentes técnicas anestésicas. (parte III)........................................................................ 231
O índice bispectral (bis) e memória explícita. Análise de 8150 casos................................. 250
Desafio anestésico em paciente portador de espondilite anquilosante................................ 231
Relato de experiência: O uso da ultrassonografia para localização de acesso venoso central
Desenvolvimento e validação preliminar de um instrumento para medir o estresse emocional em crianças e neonatos................................................................................................. 250
pré-operatório............................................................................................................... 232
Relato de experiência: O uso da ultrassonografia para o recrutamento pulmonar em paciente
Fatores associados a maior permanência dos pacientes na Sala de Recuperação pós Anes- com apnéia obstrutiva do sono submetido a prostatectomia radical convencional............... 251
tésica (SRPA)................................................................................................................ 232
Ultrasom na avaliação de resíduo gástrico e guiando TAP Block: relato de caso................. 251
Fibrilação atrial aguda em paciente asa i 40 horas após lipoaspiração............................... 233
Uso da ketamina na monitorização neurofisiológica em cirurgia de disrafismo medular........ 252
Impacto da pré-oxigenação com baixa fração inspirada de oxigênio na anestesia geral.
Ensaio clínico randomizado e controlado......................................................................... 233 Uso do sistema volumeview no manejo anestésico de Cirurgia citorredutora com quimiote-
rapia hipertérmica intraperitoneal.................................................................................... 252
Implantação do Projeto Acerto em Pacientes Idosos com Fratura de Fêmur em Hospital
Público. Dificuldades e Resultados em Três Anos............................................................. 234 Outros
Implicações anestésicas da síndrome de ehlers-danlos tipo vascular................................. 234 Análise Comparativa da Qualidade de Vida entre anestesiologistas e residentes em aneste-
siologia do CET-ABC..................................................................................................... 253
Importância das orientações pré anestésicas em complicações pós operatórias................. 235
Anestesia local para herniorrafia inguinal em paciente de alto risco.................................... 253
Importância do ambulatório de avaliação pré anestésica no período perioperatório dos pa-
cientes do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho FM/UFRJ.................................... 235 Aumento de citocina inflamatória em residentes médicos expostos aos resíduos de gases
anestésicos.................................................................................................................. 254
Incidência de bradicardia em pacientes sob raquianestesia durante os primeiros 180 minu-
tos no hospital das clínicas da universidade federal de pernambuco.................................. 236 Avaliação da ansiedade pré operatória nos pacientes submetidos a cirurgia eletiva em um
hospital público de brasília............................................................................................. 254
Insuficiência hepática em pós-operatório de colecistectomia videolaparoscópica no pacien-
te cirrótico.................................................................................................................... 236 Avaliação do Conhecimento de Riscos Potenciais no Centro Cirúrgico entre Residentes de
Anestesiologia............................................................................................................... 255
Manejo peroperatório de paciente com cardiopatia chagásica e arritmia em uso de amioda-
rona. Relato de caso...................................................................................................... 237 Avaliação do conhecimento e práticas sobre a profilaxia e tratamento de náuseas e vômitos
no pós-operatório dos residentes de anestesiologia e clínica cirúrgica do Hospital Federal
Monitorização da Temperatura Corporal e Avaliação dos Métodos de Aquecimento Utiliza- da Lagoa...................................................................................................................... 255
dos no Trans-operatório................................................................................................. 237
Bloqueio contínuo do gânglio estrelado guiado por ultrassom como tratamento de arritmias
O processo de comunicação e a segurança do paciente.................................................. 238 ventriculares refratárias.................................................................................................. 256
Penectomia em paciente com câncer de pênis e metástase cerebral................................. 238 Bloqueio Paravertebral e Interpeitoral Modificado para Realização de Mastectomia Radical e
Politrauma em paciente portador de anemia falciforme: relato de caso.............................. 239 Linfadenectomia Axilar à Esquerda sob Sedação............................................................. 256
Protocolo para cuidados anestésicos transoperatórios em cirurgias de médio e grande Fatores relacionados ao tempo de permanência acima de 60 minutos em unidade de recu-
porte............................................................................................................................ 239 peração pós-anestésica, em hospital público universitário, em Salvador-BA....................... 257
Relevância da avaliação ambulatorial pré-anestésica sobre a redução das suspensões dos Paciente com alergia a proteína do ovo: usar ou não propofol?......................................... 257
procedimentos cirúrgicos no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/FM/UFRJ......... 240 Síndrome de Burnout em anestesiologistas brasileiros: resultados preliminares.................. 258
Revisão de 7425 casos consecutivos admitidos na Unidade de Recuperação Pós-Anestési- Tamponamento sanguíneo peridural no tratamento da hipotensão intracraniana es-
ca do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (URPA): análise de fatores associados ao tempo pontânea........................................................................................................258
de permanência............................................................................................................ 240
Sintomas importantes relatados no pós-operatório: visão do paciente................................241 Reanimação e Ressuscitação
Análise do nível de informação a cerca da ressucitação cardiopulmonar em adultos entre os
Tempo real de jejum pré-operatório e sua relação com níveis glicêmicos............................241
anestesiologistas de um hospital terciário privado do estado de são paulo......................... 259
Uso de alta fio2 e formação de atelectasias no intraoperatório: revisão sistemática de en-
Análise do nível de informação a cerca da ressucitação cardiopulmonar em pediatria entre
saios clínicos randomizados controlados......................................................................... 242
os anestesiologistas de um hospital terciário privado do estado de são paulo..................... 259
Monitorização e Avanços tecnológicos Análise Epidemiológico-Demográfica do Conhecimento dos Anestesiologistas sobre as
A entropia de resposta e memória explícita- análise de 2225 casos.................................. 242 Diretrizes de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cerebral.................................................... 260
Alteração unilateral do esvaziamento pulmonar – diagnóstico capnográfico....................... 243 Parada Cardíaca pós anestesia subaracnóidea: relato de caso.......................................... 260
Amplitude de variação do pico de velocidade do fluxo aórtico (δvpeak) como indicador de Parada Cardíaca Prolongada com Ausência de Déficits Neuropsicológicos: A importância da
précarga em pediatria – meta-análise............................................................................. 243 observação dos parâmetros da eficiência da massagem cardíaca..................................... 261

10 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


Terapia Intensiva Paciente com mallampati classe ¨zero¨............................................................................. 280
Correlação entre Pressão de cuff e Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica.............. 261 Prevenção de injúrias de nervos periféricos decorrentes de posicionamento em decúbito
Otimização perioperatória para reversão da injúria renal aguda em pacientes cirúrgicos...... 262 ventral por meio de manobra de intubação sob sedação consciente em paciente obeso
mórbido....................................................................................................................... 281
Vias Aéreas
Abordagem de via aérea difícil prevista em paciente com Artrite Idiopática Juvenil com Proteção de ntária com Silicone de nso durante Intubação Orotraqueal e Broncoscopia
broncofibroscopia: relato de caso................................................................................... 262 Rígida: Relato de Três Casos.......................................................................................... 281

Anestesia em portador de estenose traqueal................................................................... 263 Relato de caso – manuseio de via aérea difícil em paciente portador de síndrome de trea-
cher collins................................................................................................................... 282
Angina de Ludwing: Falha no Uso do Fibroscópio para Abordagem de Via Aérea Difícil....... 263
Resgate de via aérea com dispositivo supraglótico após falha da extubação....................... 282
Avaliação da pressão do balonete da máscara laríngea através do método palpatório......... 264
Uso alternativo do protocolo de extubação segura para crise no controle de via aérea trans-
Avaliação da pressão endotraqueal do cuff em anestesia geral......................................... 264 -operatória em cirurgia ortognática................................................................................. 283
Avaliação da Técnica de Indução em Sequência Rápida entre Residentes e Médicos Anes- Uso de bougie caseiro em um paciente cormack e lehane grau iv..................................... 283
tesiologistas.................................................................................................................. 265
Uso de dexmedetomidina para intubação retrógrada em paciente com via aérea difícil........ 284
Avaliação do Cormack-Lehane Modificado com o uso da lâmina de mccoy....................... 265
Uso de fibroscopia flexível para acesso à via aérea em tumor tonsilar................................ 284
Avaliação do Cormack-Lehane Modificado com uso do dispositivo “Parahyba” (patente
requerida: BR 20 2014 011470 5)................................................................................. 266 Uso de mascara laríngea c-trach em intubação acordado de paciente com via aérea difícil e
obstrução intestinal alta................................................................................................. 285
Broncoespasmo Perioperatório relacionado com a não valorização da Avaliação Pré-Anes-
tésica........................................................................................................................... 266 Uso de videolaringoscópio portátil para intubação nasotraqueal acordado em paciente com
ventilação sob máscara facial impossível – relato de caso................................................ 285
Broncofibroscopia flexível: mitos e evidências.................................................................. 267
Uso do atomizador em intubação acordada no paciente de estômago cheio...................... 286
Controle da via aérea com associação entre broncofibroscópio e videolaringoscópio em
paciente com critério de ventilação impossível................................................................. 267 Uso do sufentanil para intubação acordado em paciente com via aérea difícil. Relato de
caso............................................................................................................................. 286
Desafio da Intubação em paciente com anquilose de ATM e imobilidade total da
mandíbula......................................................................................................268 Uso do videolaringoscópio em obeso com via aérea difícil................................................ 287

Dificuldades na Via Aérea na Anestesia de um Paciente com Meningioma Craniofacial: Uso do Videolaringoscópio para o manejo da via aérea difícil: Relato de caso..................... 287
Relato de caso.............................................................................................................. 268 Ventilação a jato bem sucedida através de sonda trocadora durante procedimento de
Epiglotite em Paciente com Via Aérea Difícil por Micrognatia. Relato de Caso..................... 269 cabeça e pescoço – relato de caso................................................................................ 288

Estilete luminoso como dispositivo auxiliar para localização traqueal visando traqueostomia Verificação da pressão do balonete endotraqueal em pacientes submetidos a anestesia
durante laringectomia parcial.......................................................................................... 269 geral no hospital de clínicas de porto alegre.................................................................... 288

Frequência de via aérea difícil em serviço de otorringolaringologia em Goiânia................... 270 Via aérea díficil em paciente com síndrome de Madelung.................................................. 289

Incidência de Preditores de Via Aérea Difícil: a Experiência de um Residente...................... 270 Via aérea difícil em paciente portador de xeroderma pigmentoso. Relato de caso............... 289

Indução inalatória com Sevoflurano em paciente adulto portador de Síndrome de Down com Via aérea difícil não reconhecida em paciente portador de acalasia: relato de caso............. 290
via aérea dificil.............................................................................................................. 271 Via Aérea difícil prevista em paciente vítima de mordedura................................................ 290
Indução Anestésica em paciente Pediátrico com provável Via Aérea Difícil secundário a Videolaringoscópio e corpo estranho em laringofaringe: relato de caso.............................. 291
tumoração cervical........................................................................................................ 271
Intubação acordada com Broncofibroscopia Flexivel e uso de de xmedetomidina em pacien-
te com Lipomatose em região cervical posterior. Relato de Caso...................................... 272
Intubação acordada com glidescope em paciente com recidiva de abscesso retrofaríngeo.. 272
Intubação orotraqueal em paciente acordado devido a distorção da anatomia cervical........ 273
Intubação orotraqueal com paciente acordado utilizando dispositivo óptico. Relato de caso..... 273
Intubação orotraqueal retrógrada em paciente com tumoração em mandíbula: relato de
caso..............................................................................................................................274
Intubação retrógrada......................................................................................................274
Intubação traqueal acordado, por videolaringoscopia associada à analgesia consciente, em
paciente portador de volumosa massa mediastinal e tamponamento cardíaco – relato de caso.
Intubação traqueal retrógrada em paciente de 11 anos portador de Síndrome de Treacher
Collins.......................................................................................................................... 275
IOT de Paciente com Restrição a Abertura de Boca Usando Videolaringoscópio - Relato de
Caso............................................................................................................................ 275
Itubação difícil em pacientes com bócio mergulhante de tiróide......................................... 276
Lidocaína venosa na prevenção da morbidade das vias aéreas: ensaio clínico randomizado.... 276
Manejo anestésico de paciente com síndrome de Cornélia de Lange................................. 277
Manejo de via aérea difícil com broncoscópio de intubação de uso único: relato de caso.... 278
Manejo de via aérea difícil inesperada com broncoscópio de intubação : relato de caso...... 278
Mava- um equipamento para avaliar as vias aéreas.......................................................... 279
Obstrução de Vias Aéreas Inferiores por Corpo Estranho em Adulto: Relato de Caso.......... 279
Obstrução ventilatória aguda sob anestesia geral para tratamento odontológico................. 280

Temas Livres CBA 2014 | 11


12 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA
AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA E DAS CAU-
Administração e qualidade SAS DE SUSPENSÃO DE CIRURGIA EM UM
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO RECIFE.
ANESTESIA SEGURA: DESENVOLVIMENTO AUTORES:
Marcius Vinicius Mulatinho Maranh, Jane Auxiliadora Amo-
DE UM SISTEMA DE ALERTA BASEADO EM
rim, Ana Karla Arraes Von Sohsten, Isabela Melo Diniz Ca-
DADOS PRÉVIOS DO PACIENTE. valcanti, Holmes Naspolini Filho, Romero Ferraz Carieli*.
AUTORES:
INSTITUIÇÃO:
Daniel Lunardi Spader*, Bruno Kucera Sempé, Joana Amara
CET HR/HGV/HUOC.
Chanan, Cristiano Hahn Englert, João Henrique Silva, Fábio
Amaral Ribas. INTRODUÇÃO: Nos últimos anos tem sido crescente o
interesse das instituições de saúde com a qualidade de
INSTITUIÇÃO: atendimento prestada ao paciente e nesse contexto está
Sociedade de Anestesiologia (SANE). envolvida a eficiência, agilidade e rotatividade das clínicas
INTRODUÇÃO: A utilização de sistemas de gerenciamento de cirúrgicas. O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalên-
informações anestésicas (SGIAs) é imprescindível na criação cia e as causas de suspensão de cirurgia em um Hospital
de estratégias que otimizem a qualidade e segurança da anes- Universitário do Recife. MÉTODO: Tratou-se de um estudo
tesia. Nesses sistemas, os registros podem ser transformados observacional, retrospectivo realizado por meio de coleta
em dados inteligentes, como alertas que atentem para pos- de informações registradas em livro e banco de dados
síveis complicações e eventos adversos, minimizando o erro eletrônicos da gerência administrativa do bloco cirúrgico
humano. Nesse contexto, o presente trabalho tem por objetivo no período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2013. As
o desenvolvimento e avaliação de um modelo experimen- variáveis coletadas foram número de cirurgias programa-
tal de um sistema de alerta. MÉTODO: O sistema de alerta das eletivamente realizadas e suspensas, mensalmente de
desenvolvido, o SaneWatch, está integrado a um banco de cada especialidade cirúrgica, e os motivos que levaram a
dados eletrônico já existente, o SaneMob (SGIAs). Esse banco suspensão. Os dados foram organizados em tabelas no
possui 18.000 procedimentos e 14.000 pacientes registrados, programa Excel e a análise realizada por meio da avalia-
com 15% de recorrência. A partir de regras configuráveis no ção da prevalência, média e desvio-padrão. RESULTADO:
modelo, torna-se possível a geração de perfis de alerta, com Foram encontrados os registros de 3.461 cirurgias progra-
diferentes estratificações de risco, que serão visualizados madas, dessas foram realizadas 2.623. Foram suspensas
no preenchimento da ficha anestésica. A implementação do 838 (24,21%) e as principais causas foram: relacionadas
SaneWatch foi dividida nas seguintes etapas: definição de aos recursos humanos (n=339, 40,45%); ao paciente
quatro perfis a serem usados como base para as avaliações (n=259, 30,90%); “outros” (n=133, 15,87%); à organização
(ocorrências prévias de complicações, uso de anticoagulan- da unidade (n=80, 9,54%); aos materiais e equipamentos
tes e/ou antiplaquetários, alergia a medicamentos e histórico (n=27, 3,22%). Das principais causas específicas excluin-
de tabagismo); aplicação dos perfis através do mapeamento do-se “outros”: paciente não internou (n=171, 20,40%);
do histórico e de eventos adversos dos pacientes da base de prolongamento da cirurgia anterior (n=108, 12,88%); falta
dados SaneMob; desenvolvimento do Gerador de Alertas, de cirurgião (n=106, 12,64%) e falta de anestesista (n=88,
com diferentes níveis, através da criação de cinco pacientes 10,50%). em relação às especialidades cirúrgicas foram
fictícios. O modelo foi avaliado por 20 anestesistas, através encontradas as seguintes taxas de suspensão: cirurgia to-
da simulação de procedimentos anestésicos, com o preenchi- rácica (n= 94, 30,51%); cabeça e pescoço (n= 40, 28,77%);
mento de um questionário baseado no Modelo de Aceitação cirurgia geral (n=295, 28,72%); urologia (n= 162, 27,13%);
de Tecnologia (TAM) proposto por Davis, 1989. RESULTADO: ortopedia (n= 30, 21,73%); buco-maxilo-facial (n= 22,
Os resultados do questionário demonstraram facilidade de 19,29%); oncologia (n= 110, 18,99%); mastologia (n= 65,
uso (86%) e ampla aceitação (96%) do sistema. Um aneste- 15,77%); e plástica (n= 20, 13,6%). CONCLUSÃO: Nesse
sista comentou que a ferramenta pode diminuir a ocorrência estudo, a prevalência de suspensão de cirurgia foi seme-
de erros em procedimentos anestésicos. Outros comentaram lhante ao de países subdesenvolvidos como na Tanzânia
sobre possíveis readequações nos níveis dos perfis usados (21%) e foi muito superior ao de outros estudos realizados
para o teste. Embora possam ter sido percebidos como falha em Hospitais Universitários da Alemanha (12,4%). Dentre
pelos usuários, isso demonstra a flexibilidade do sistema, pois as causas de suspensão, os fatores relacionados ao pa-
os perfis e níveis de alerta são facilmente configuráveis pela ciente e a equipe envolvida com o atendimento mostraram
equipe assistencial de acordo com relevância estimada do relevância sobre os demais indicando a necessidade de
dado. CONCLUSÃO: Até o presente momento, não há rela- investimentos em pessoal e na qualidade da assistência
tos na literatura de bancos de dados eletrônicos anestésicos médica prestada para que seja possível minimizar as
que integrem o histórico do paciente em anestesias prévias suspensões e os prejuízos advindos para o paciente e a
concomitante à criação de um novo procedimento anestésico equipe envolvida com atendimento e com formação de
em um mesmo banco de dados. Este modelo experimental de novos profissionais de saúde. REFERÊNCIA: Schuster M,
alerta obteve excelente aceitação entre os anestesistas, pois, Neumann C, Neumann K et al. The effect of hospital size
ao identificar riscos específicos e eventos potencialmente gra- and surgical service on case cancellation in elective sur-
ves, permite evitar incidentes em futuros procedimentos cirúr- gery: results from a prospective multicenter study. Anesth
gicos, além de ajudar na avaliação do caso clínico em questão. Analg. 2011; 113(3):578-85.
REFERÊNCIA: 1. Davis FD - Perceived Usefulness, Perceived
Ease of Use, and User Acceptance of Information Technology.
MIS Q. 1989;13:319–40. 2. Imhoff M, Kuhls S, Gather U et al.
Smart alarms from medical devices in the OR and ICU. Best
Pract Res clin Anaesthesiol. 2009;23:39-50.

Temas Livres CBA 2014 | 13


AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO DE PACIENTES AVALIAÇÃO DOS FATORES ASSOCIADOS À
SUBMETIDAS A CESARIANA EM HOSPITAL SATISFAÇÃO COM A PROFISSÃO ENTRE OS
TERCIÁRIO: ESTUDO DESCRITIVO ANESTESIOLOGISTAS NO BRASIL.
TRANSVERSAL.
AUTORES:
AUTORES: Lucas de Oliveira Santos, Rafael Carvalho Hardman, Renan
Rodrigo Sant’Anna de Melo Lins*, Luciana Lima Cavalcanti, Argolo de Farias*, Marco Antônio Prado Nunes, Marcos
Camila Fernanda Suassuna, Marina de Sousa Duarte. Antonio Costa de Albuquerque, Julio Cezar Mendes Brand.

INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
IMIP. CET – Menino Jesus de Praga - UFS - Hospital Universitário.
INTRODUÇÃO: A cesariana é uma das cirurgias mais re- INTRODUÇÃO: A anestesiologia é tida por alguns como
alizadas no Brasil e no mundo. Por ser um procedimento uma área médica estressante. Dados de mortalidade,
invasivo, está relacionado a riscos e complicações que suicídio, morbidades e níveis de estresse entre aneste-
podem resultar em insatisfação. O objetivo deste estudo siologistas sugerem que eles possam ser mais adversa-
foi avaliar o grau de satisfação das pacientes submetidas mente afetados pelas condições laborais do que outros
à cesariana em hospital terciário. MÉTODO: Estudo des- especialistas. OBJETIVO: Avaliar os fatores associados à
critivo transversal, realizado de janeiro de 2013 a maio de satisfação pessoal e profissional dos anestesiologistas do
2014. Foram entrevistadas 327 pacientes no período pós- Brasil. MATERIAIS E MÉTODOS: Tratou-se de um estudo
-operatório na enfermaria da maternidade. Foram incluí- descritivo de corte transversal, previamente aprovado pelo
das pacientes maiores que 15 anos, alfabetizadas, e que Comitê de ética, que analisou dados coletados por ques-
voluntariamente assinaram o termo de consentimento tionário especifico aplicado de forma anônima, aleatória
livre e esclarecido. O questionário aplicado incluiu os da- e com consentimento livre e esclarecido a participantes
dos para caracterização da amostra, passado obstétrico, do Congresso Brasileiro de Anestesiologia de 2013 que
conhecimento pela paciente do nome do obstetra e do se voluntariaram a repondê-lo. Os questionários respon-
anestesista, informação sobre o procedimento que seria didos foram depositados pelos participantes em uma urna
realizado sobre o procedimento a ser realizado, tempo devidamente lacrada. Foram pesquisadas variáveis como
de espera entre a admissão hospitalar e a realização distúrbios do sono, realização profissional, uso de drogas
da cesariana, efeitos adversos intra e pós-operatórios, lícitas e ilícitas, distribuição do tempo de trabalho e salário.
grau de satisfação e intenção de retorno ao serviço. A A análise descritiva foi realizada através das frequências
análise dos dados foi efetuada utilizando-se o software absolutas e relativas no caso das variáveis categóricas e
Epi Info 7.0. RESULTADO: Apenas 1,8% das puérperas por meio de medidas de tendência central e variabilidade
entrevistadas sabiam informar o nome do anestesista, e no caso de numéricas. As frequências entre os grupos
13, 7 % o nome do obstetra. 78,9 % das pacientes re- foram avaliados com o teste quiquadrado e as diferenças
ceberam informações sobre o procedimento anestésico entre as médias de dois grupos foram realizadas com o
a ser realizado. Entre os efeitos adversos questionados, teste t de Student. O nível de significância foi de 0,05. RE-
náusea foi o mais frequente no intra-operatório (32,7%), e SULTADO: Foram entrevistados 177 médicos anestesiolo-
dor foi o mais frequente no pós-operatório (64,5%). Das gistas, 52% mulheres; com uma idade média de 44,2 anos;
pacientes estudadas, 72,5% referiram estar totalmente o tempo médio profissional foi de 16,2 anos. Informaram
satisfeitas com o serviço, e 78,2% tinham intenção de satisfação com a especialidade 75% dos profissionais. A
retornar ao mesmo hospital. CONCLUSÃO: Observamos idade média dos médicos satisfeitos com a especialidade
um alto grau de satisfação em relação ao serviço pres- foi significativamente maior (p = 0,043). O fato de se sentir
tado, e uma alta intenção de retorno ao Serviço. Falha realizado profissionalmente está relacionado com a satis-
comunicação médico-paciente foi revelada pelo alto grau fação com a profissão (p=0,001) e consequentemente o
de desconhecimento da equipe por parte da paciente. fato de não se sentir realizado profissionalmente com sua
A incidência de dor no período pós-operatório pode ser insatisfação profissional (p=0,048). Já no que diz respeito
considerada elevada, o que mostra a necessidade de no- ao desejo de continuar sendo anestesiologista apenas a
vas estratégias no manejo deste sintoma. REFERÊNCIA: negação foi estatisticamente significativa em relação ao
Lemos, Paulo. Patient satisfaction following day surgery. grau de satisfação (p<0,001). CONCLUSÃO: Os médicos
Journal of Clinical Anesthesia. 2009; 21:200-205. mais experientes e os que se sentiam realizados foram
os que estavam mais satisfeitos com a especialidade. Os
anestesiologistas são constantemente expostos a fatores
estressantes que influenciam na sua realização como pro-
fissional e grau de satisfação com sua profissão, contri-
buindo de forma negativa sobre sua qualidade de vida. É
necessário buscar formas de lidar com estas condições
para melhorar a qualidade de vida e de trabalho desses
profissionais. REFERÊNCIA: 1. Duval Neto GF. Stress e
Fadiga na Segurança do Ato Anestésico: Impacto no De-
sempenho Profissional. In: Cavalcanti IL, Cantinho FAF,
Assad AR. Medicina Perioperatória. Rio de Janeiro, SA-
ERJ, 2006;967-971 2. Freire PL. Síndrome de Burnout e
fatores associados: avaliação dos anestesiologistas do sul
do Brasil em 2012. 2012. 39 p. Tese de mestrado. Universi-
dade Católica de Pelotas, Pelotas, 2012.

14 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


CANCELAMENTO DE CIRURGIAS EM UM CONHECIMENTO DOS ANESTESIOLOGISTAS
HOSPITAL DE ENSINO: UM ESTUDO EXPLO- DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE
RATÓRIO. VITÓRIA EM RELAÇÃO ÀS CONDUTAS EM
SEGURANÇA PRECONIZADAS PELO CHECK
AUTORES:
Caroline Darck Amarim Teles, José Henrique Leal Araújo, LIST “CIRURGIA SEGURA SALVA VIDAS” DA
Alexandre de Mello Semione*. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS).
INSTITUIÇÃO: AUTORES:
Hospital Regional Asa Norte. Mariana Suete Guimarães*, Carlos Eduardo David de Almei-
da, Marcos Célio Brocco, Antônio Roberto Carraretto.
INTRODUÇÃO: O procedimento cirúrgico é um aconte-
cimento único na vida de uma pessoa que encerra todo INSTITUIÇÃO:
um período de angustias e que, a partir de tal, o paciente Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes.
espera viver mais saudável e com uma melhor qualidade JUSTIFICATIVA E OBJETIVO: Estima se que 187 milhões
de vida. A não realização do procedimento cirúrgico leva de cirurgias de grande porte sejam realizadas anualmente ao
à um prolongamento do sofrimento do paciente seja ele redor do mundo, complicações de maior morbidade ocorrem
físico ou psicológico e aumento do processo pré cirúrgico. em 3 a 16% das cirurgias em países desenvolvidos, com taxas
MÉTODO: Trata-se de um estudo de natureza explorató- de incapacidade permanente e morte entre 0.4-0.8%. Aproxi-
ria, descritiva, transversal e com abordagem quantitativa madamente metade desses eventos adversos foram identifi-
e qualitativa, com objetivo de investigar a ocorrência e as cados como evitáveis 1. em 2008, a OMS lançou a campanha
causas de cancelamento de cirurgias eletivas no centro “cirurgia segura salva vidas” e produziu o checklist da cirurgia
cirúrgico de uma unidade de média complexidade do segura 2 desenhado para reduzir complicações e mortes as-
Distrito Federal. RESULTADO: Foram analisadas todas sociadas à cirurgia. O objetivo é avaliar se as recomendações
as cirurgias programadas do ano de 2013. No período de qualidade e segurança previstas nesse checklist estão in-
foram programadas um total de 4004 cirurgias e destas cluídas na rotina dos anestesiologistas e médicos em especia-
637 (15,9%) foram suspensas. As causas relacionadas ao lização do hospital universitário antes da sua implementação
paciente totalizaram 52,27% do total por motivos como oficial. MÉTODO: Os anestesiologistas que aceitaram partici-
o não comparecimento (47,1%) e condições clínicas des- par e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido
favoráveis do paciente (43,5%). Causas relacionadas aos foram acompanhados durante o preparo e execução do ato
recursos humanos foram responsáveis por 26,37%, prin- anestésico e foi observado se as recomendações do checklist
cipalmente por tempo cirúrgico excedido (39,8%) e falta foram cumpridas. RESULTADO: Apesar de não ter existido
de cirurgião(15,4%). Cancelamentos dado à organização diferença em relação ao percentual de acerto geral e o tem-
da unidade somou 16,32% do total, com a suspensão pela po de formação, variáveis individuais como a conferência do
unidade de origem (45,1%) e falta de exames (32,6%) como nível do anestésico inalatório presente no vaporizador e seu
principais causas. Por ultimo houveram ainda as suspen- fechamento correto, funcionamento das válvulas inspiratória e
sos por motivos de materiais e equipamentos representan- expiratória e dos fluxômetros, além da escolha e preparo dos
do apenas 5,02% da amostra. CONCLUSÃO: A temática a fármacos antes da indução anestésica foram mais frequentes
cerca de cancelamentos cirúrgicos ainda é escassa. Maior no grupo com maior tempo de formação com diferença esta-
número de estudos deveriam ser implementados a res- tística. Essa diferença pode dever-se a maior experiência pro-
peito desse assunto de forma a destrinchar os principais fissional e com eventos adversos do grupo com maior tempo
problemas. A redução das taxas de suspensão é de inte- de formação. Não houve diferença significante no percentual
resse público e portanto maior investimento deveria ser de acerto geral e a carga horária semanal, mas a identificação
feito no intuito de melhorar os indicadores. REFERÊNCIA do paciente, o funcionamento dos fluxômetros, a avaliação da
BIBLIOGRÁFICAS: Paschoal, M.L.H; Gatto, M.A.F. Taxa via aérea, a identificação de material disponível para aborda-
de suspensão de cirurgia em um hospital universitário e gem da via aérea difícil, a escolha e o preparo dos fármacos
os motivos de absenteísmo do paciente à cirurgia progra- antes da indução anestésica, o controle da temperatura com
mada. Rev Latino-am Enfermagem 2006 janeiro-fevereiro; proteção passiva e uso de manta térmica e o tempo adequa-
14(1):48-53. 2. Bisinotto FMB, Pedrini Jr M, Alves AAR, do para a antibiótico profilaxia foi respeitado em sua maioria
Andrade MAPR — Implantação do Serviço de Avaliação pelo grupo com carga horária semanal até 60 horas, o que
Pré-Anestésica em Hospital Universitário. Dificuldades e pode refletir a maior participação dos médicos em formação
RESULTADO. Revista Brasileira de Anestesiologia 167 Vol. no grupo. A abordagem a via aérea é um dos temas de des-
57, No 2, Março-Abril, 2007. taque do programa de educação continuada da Sociedade
Brasileira de Anestesiologia e pode ter contribuído para maior
atenção dos médicos em formação ao tema. CONCLUSÃO:
Apesar de ainda não terem sido realizados ações de treina-
mento e educação para a implementação do checklist, mais
da metade (56,73%) das recomendações propostas pela
OMS estavam presentes na rotina dos anestesiologistas
observados. REFERÊNCIA: 1. Weiser TG, Regenbogen SE,
Thompson KD, et al. An estimation of the global volume of
surgery: a modelling strategy based on available data. Lancet
2008;372:139-44. 2. WHO. World Health Organization Guide-
lines for Safe Surgery. 2009. Disponível em http://whqlibdoc.
who.int/publications/2009/9789241598552_eng.pdf. acessa-
do em: 30/07/2014.

Temas Livres CBA 2014 | 15


IMPORTÂNCIA DA DUPLA CHECAGEM DO O PACIENTE ESTÁ BEM INFORMADO SOBRE
APARELHO DE ANESTESIA : EXPERIÊNCIA SEU ANESTESISTA?
NO HRC.
AUTORES:
AUTORES: Thales Portela Barbosa*, Luiz Eduardo Imbelloni, Analany
Hermes Melo Teixeira Batista, Gylmara Bezerra de Me- Pereira Dias Araújo, Gualter Lisboa Ramalho.
nezes Silveira, Iratyenne Maia da Silva Bentes, José
INSTITUIÇÃO:
Aderbal Aragão Filho, Jamile Cansanção Torres, Luiz
CET- João Pessoa-PB / Hospital Municipal Santa Isabel.
Carlos de Abreu*.
INTRODUÇÃO: Estudos apontam que muitos pacientes
INSTITUIÇÃO: não sabem qual a formação acadêmica do anestesista
Hospital Regional do Cariri - Faculdade de Medicina do ABC. e nem quais os tipos de funções que esse profissional
INTRODUÇÃO: políticas de segurança do paciente vem exerce(1). Essa falta de conhecimento gera apreensões
sendo aplicadas dentro dos centros cirúrgicos a algum e incertezas, comprometendo a relação entre médico e
tempo e os check lists tem se mostrado ferramenta im- paciente. O objetivo desse estudo foi avaliar o conheci-
portante. A literatura mostra redução na mortalidade e mento dos pacientes em relação à formação do aneste-
morbidade após implantação de programas de cirurgia sista, suas atribuições, nível de confiança, preferência na
segura. Este trabalho tem por objetivo, apresentar dados escolha do profissional e da anestesia, correlacionando
demonstrando a necessidade da dupla checagem do esses dados com o grau de escolaridade dos pacientes,
aparelho de anestesia, a ser realizada pela equipe de en- faixa etária, gênero, trabalho e experiência anestésica
fermagem do centro cirúrgico em um primeiro momento prévia. MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional
e pelo Anestesiologista imediatamente antes do início da descritivo com 60 pacientes, realizado em enfermaria
cirurgia. MÉTODO: Foi realizada avaliação dos registros cirúrgica antes da visita pré-anestésica. Foi aplicado um
de checagem do aparelho de anestesia do centro cirúr- formulário semi-estruturado com questões abertas e de
gico do HRC no período compreendido entre 17/04/2014 múltipla escolha, no qual foram pesquisados a formação
e 08/06/2014, e comparada a concordância dos dados. do anestesista, suas atribuições, nível de confiança no
Analisamos também o registro do total de cirurgias re- profissional e preferência pelo mesmo e pela técnica
alizadas nesse mesmo período através de registro com- anestésica, correlacionando essas informações com o
putadorizado. RESULTADO: de um total de 942 cirurgias gênero, idade, antecedentes anestésicos, número de em-
realizadas, encontramos registro de checagem do apare- pregados, desempregados, aposentados, incapacitados,
lho de anestesia em 937 momentos, demonstrando que do lar e nível de instrução dos pacientes. As questões
apenas 5 vezes não houve a checagem pela equipe de abertas foram referentes ao motivo do paciente querer ou
enfermagem. Já a equipe de anestesiologia realizou 364 não escolher o seu anestesista e seu tipo de anestesia.
checagens apenas. Das 937 checagens da equipe de RESULTADO: Dos 60 pacientes, 38,3% eram homens e
enfermagem, não encontramos nenhum registro de não 61,6% mulheres. Os graus de escolaridade foram: ensi-
conformidades, exceto quanto à cal sodada, com troca no fundamental 43,3%, o ensino médio 36,6%, o ensino
da mesma quando a cor mudava em 50% do canister. superior 11,6% e 8,3% sem nenhuma escolaridade. Os
Entretanto, a equipe de anestesiologia encontrou 11 tipos de ocupação foram: 50% empregados, 13,3% de-
falhas nos testes de fuga e 37 falhas nos sensores de sempregados, 13,3% aposentados, 15% do lar, 6,6% es-
fluxo ou O2. A checagem da cal sodada esteve OK em tudantes e 1,6% incapacitados. Submeteram-se a anes-
todos os testes realizados pelos anestesiologistas, o que tesia previamente 56,6%. Cerca de 50% afirmaram que o
demonstra que a troca estava sendo efetivamente ocor- anestesista era médico, 10% enfermeiro, 8,3% técnico,
rendo. CONCLUSÃO: O estudo aponta que é necessário 3,3% paramédico, 1,6% fisioterapeuta e 31,6% que não
checagem do aparelho de anestesia pelos anestesiolo- sabiam. Sessenta por cento afirmaram ter alto nível de
gistas, mesmo já tendo ocorrido a mesma pela equipe de confiança, 36,6% médio e 3,3% baixo. Dos entrevistados,
enfermagem e encontrou também uma falha na equipe 71,6% não tiveram preferência pelo anestesista, alegan-
de anestesiologia que realizou a checagem preconizada do que não conheciam nenhum profissional e confiavam
apenas em 39% das indicações. Evidenciou também fa- no anestesista da equipe. Não tiveram preferência pela
lha na equipe de enfermagem que não identificou falhas técnica anestésica 50%, informando que não conheciam
nos testes em 48 checagens, correspondendo a 5,12% as técnicas e que confiavam na indicação feita pelo
de prováveis checagens incorretas, apesar do registro. anestesista. Escolheram anestesia geral 31,6%, anes-
REFERÊNCIA: 1- Wachter RM. Compreendendo a segu- tesia local 21,6%, raquianestesia 10% e peridural 1,6%.
rança do paciente. 2 edição- Porto Alegre: AMGH, 2013 CONCLUSÕES: Concluímos que os pacientes conhecem
. 2- Helmreich RL. On error management: lessons from pouco sobre a função do anestesista e do procedimento
aviation, BMJ 2000;320:781-785. anestésico. A maioria não teve preferência pelo tipo de
anestesia. Faz-se necessário que a especialidade seja
mais difundida, reiterando que o anestesista é um profis-
sional médico e orientando os pacientes sobre os tipos
de anestesia, permitindo que o mesmo se sinta mais
seguro. REFERÊNCIA: 1.Keep PJ, Jerkins JR. As others
see us: the patients’ view of the anaesthetist. Anaesthe-
sia. 1978;33:43-45.

16 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


PACIENTES SUBMETIDAS À PERFIL DAS CIRURGIAS REALIZADAS NO
RAQUIANESTESIA PARA CESARIANA. HOSPITAL REGIONAL DO CARIRI: ANÁLISE
AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO. DO ANO DE 2013.
AUTORES: AUTORES:
Evane Maria de Freitas Praxedes, Luiz Eduardo Imbelloni, Hermes Melo Teixeira Batista, Gylmara Bezerra de Me-
Gualter Ramalho*. nezes Silveira, Iratyene da Silva Bentes, Woneska Ro-
drigues Pinheiro, Moacir Pereira Leite Neto, Luiz Carlos
INSTITUIÇÃO: de Abreu*.
Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Hum-
berto Lucena. INSTITUIÇÃO:
Hospital Regional do Cariri - Faculdade de Medicina do ABC.
JUSTIFICATIVAS E OBJETIVOS: A raquianestesia é
uma técnica de fundamental importância na anestesio- INTRODUÇÃO: O Estudo realizou-se em hospital de alta
logia para a obstetrícia. E a satisfação é apresentada complexidade, o qual possui atendimento de urgência/
na literatura como um novo indicador de qualidade dos emergência para macrorregião Cariri e atendimento cirúr-
cuidados de saúde. O objetivo deste estudo foi avaliar gico ambulatorial provenientes da central de regulação.
a satisfação com a anestesia, em pacientes submetidas Justifica-se pela necessidade da instituição conhecer
à raquianestesia para cesariana. MÉTODO: Trata-se de sobre o perfil da unidade cirúrgica, para que possa ter
um estudo observacional, descritivo, com 40 pacientes efetividade nos planos terapêuticos e protocolos dire-
submetidas à raquianestesia para cesariana, realizado na cionados ao cuidado individualizado. Com o objetivo de
enfermaria durante o intervalo entre 24 e 48 horas após identificar o perfil da unidade cirúrgica da instituição pes-
a realização do procedimento. Foi aplicado um formulá- quisada. MÉTODO: Trata-se de um estudo retrospectivo
rio estruturado, com 9 questões, no qual cada paciente e observacional dos procedimentos cirúrgicos realizados
atribuiu notas de 1 a 4 (sendo que 1 correspondia a insa- durante o ano de 2013. Foi realizado um levantamento
tisfeita, 2 indiferente, 3 satisfeita e 4 muito satisfeita) aos das cirurgias do referido ano, categorizados por mês,
seguintes pontos relacionados à sua anestesia: equipe quantidade e tipo de procedimento, identificando os mais
de anestesia, bloqueio motor; necessidade de tomar o prevalentes em cada mês. RESULTADO: Somando-se os
mesmo tipo de anestesia novamente; sentir-se sozinha números de cirurgias mais prevalentes no ano, chegou ao
durante a aplicação da anestesia; medo da anestesia; total de 1343 (27%) cirurgias geral, sendo as mais preva-
dor; náuseas e vômitos; frio; recuperação após anestesia. lentes as apendicectomias e laparotomias exploradoras;
Foi realizado o soma da pontuação total e divididos em e ortopédicas com 1207(24%) tratamentos cirúrgicos de
quatros grupos: baixo nível de satisfação (9 a 16 pontos), fraturas. CONCLUSÕES: Identificou-se que o maior nú-
nível de satisfação regular (17 a 23 pontos), bom nível de mero de cirurgias, no ano em questão, estão inseridas na
satisfação (24 a 30 pontos) e ótimo nível de satisfação especialidade de cirurgia geral. A análise desses dados
(31a 36 pontos). RESULTADO: Das 40 pacientes, 32,5% demonstra que o perfil atual difere do que era o objetivo
tiveram satisfação ótima, 42,5% satisfação boa, 25% do hospital, que foi criado com o objetivo de ser referên-
satisfação regular. Nenhuma paciente ficou insatisfeita cia em traumato-ortopedia. A pesquisa incentiva novos
com a técnica. A rápida recuperação do bloqueio motor estudos comparativos para uma análise mais abrangente
teve maior impacto na satisfação. Frio, náuseas e vômi- acerca da prevalência dos dados e uma reestruturação
tos foram dados importantes para a queda na satisfação. do serviço, direcionando os recursos para suprir as de-
CONCLUSÃO: Existe uma elevada satisfação por parte mandas do novo perfil. REFERÊNCIA: 1-Barakat, Soraia
das pacientes submetidas a raquianestesia para cesaria- Fátima Coelho. Caracterização da demanda do Serviço
na. REFERÊNCIA: 1-Carpenter RL Caplan RA, Brown DL de Emergências Clínicas de um hospital terciário do mu-
et al. incidence and risk factors for side effects of spinal nicípio de São Paulo. São Paulo; s.n; 2004. [130] 2-BIT-
anesthesia. Anesthesiology, 1992;76:906-916; 2- Fung TAR, Olímpio J. Nogueira V.. Produtividade em hospitais
D, Cohen MM. Measuring patient satisfaction with anes- de acordo com alguns indicadores hospitalares. Rev.
thesia care: a review of current methodology. Anesthesia Saúde Pública [online]. 1996, vol.30, n.1, pp. 53-60.
Analgesia. 1998;87:1089-98

Temas Livres CBA 2014 | 17


PROFILAXIA DE TROMBOEMBOLISMO EM TIME DE RESPOSTA RÁPIDA: DA
PACIENTES CIRÚRGICOS HOSPITALIZADOS IMPLEMENTAÇÃO AO ATENDIMENTO DE
APÓS IMPLEMENTAÇÃO DE PROTOCOLO ROTINA.
E PROGRAMA EDUCACIONAL COM O
AUTORES:
ANESTESIOLOGISTA. Enis Donizetti Silva, Paula Scudeller, Ana Lúcia Mirancos,
AUTORES: André Luis Ottoboni, Elaine Gomes Rodrigues Vasconce-
Pablo Braga Gusman*, Andressa Cabral Moulin, Anelise los*, Claudia Marquez Simões.
Venturini Stefenoni, Letícia Paraíso Donô Massete, Adriana INSTITUIÇÃO:
Daum Machado, José Magno Bufon. Hospital Sírio Libanês / Serviços Médicos de Anestesia Ltda.
INSTITUIÇÃO: OBJETIVO: A proposta de um time de resposta rápida
Hospital Meridional. (TRR) tem como objetivo a detecção precoce de uma situa-
INTRODUÇÃO: Tromboembolismo venoso (TEV) é im- ção de risco e evitar resultados indesejados. O sucesso do
portante causa de mortalidade em pacientes cirúrgicos. time de resposta rápida é baseado na pontuação com crité-
Método para divulgar protocolos institucionais e ter sua rios objetivos baseados em dados fisiológicos do paciente,
adesão precisam ser dinâmicos, de baixo custo e atingir associado a profissionais bem treinados. Portanto, o TRR é
o maior número de profissionais para prevenir eventos uma equipe de apoio para situações críticas cujo objetivo
sintomáticos não-fatais e fatais em pacientes de risco. é oferecer ajuda, visando a redução de complicações peri-
Avaliaram-se os resultados de intervenções educacionais -operatórias. A sala cirúrgica é o melhor ambiente para cui-
(aulas, campanhas, blogs) frente à adesão ao protocolo dados intensivos e têm todos os insumos e medicamentos
de profilaxia de TEV em pacientes cirúrgicos no corpo clí- necessários para estas situações. No entanto, analisamos
nico de um hospital terciário, tendo como parte integran- alguns casos que poderiam ter, eventualmente, tiveram um
te do processo o médico anestesiologista. MÉTODO: O resultado diferente, é por isso que esta equipe foi criada.
protocolo institucional se baseou nas recomendações MÉTODO: Para a introdução do TRR no centro cirúrgico,
do American College of Chest Physician para pacientes todos os membros da equipe da unidade tem que ser trei-
hospitalizados (clínicos e cirúrgicos). Um comitê para nados. As sessões de treinamento foram programadas para
prevenção de TEV foi criado por grupo multiprofissional, alcançar muitos profissionais de maneira multidisciplinar.
incluindo anestesiologista, enfermeiro, farmacêutico, nu- As sessões tiveram aulas teóricas e simulações realizadas
tricionista e fisioterapeuta. O hospital tornou-se referência em uma sala cirúrgica. Qualquer membro da sala cirúrgica,
em programa nacional de prevenção, sendo classificado considerando um ou mais critérios propostos pode acionar
como Zona Segura. A divulgação ao corpo clínico foi feita o TRR a qualquer momento. O acionamento é feito através
por webaulas, campanhas motivacionais, aulas médicas, da linha de emergência do hospital que dispara uma mensa-
panfletos e adesivos para pacientes e acompanhantes e gem aos membros utilizando um pager. Após os cuidados
uso de rede social twitter (@todoscontratev), facebook intensivos, um formulário é preenchido para alimentar os
(/todoscontratev) e blog (www.todoscontratev.com.br). indicadores de qualidade. Um anestesista e uma enfermeira
Criou-se o conceito de Todos Contra TEV como forma são o núcleo central da equipe TRR. Seguem os critérios
de motivar equipe, pacientes e familiares na busca de propostos para acionamento do TRR: Sangramento grave
classificação de risco e profilaxia de TEV. RESULTADO: (> 500mL em 30 minutos ou >7mL/Kg em crianças) Trans-
de novembro 2013 a junho de 2014 tivemos 2164 de 2458 fusão não-esperada Dificuldade de intubação (nº> 3 tenta-
pacientes cirúrgicos (88%) com classificação de risco fei- tivas ou tempo >10 minutos) FC< 40 bpm ou FC> 140 bpm
ta pelo anestesiologista no peri-operatório. A adesão de (Adulto) FC< 60 bpm ou FC> 200 bpm (Criança) Hipotensão
protocolo ao paciente cirúrgico, tida como pacientes de com PAM abaixo 50mmHg (>10minutos) ETCO2< 20 mmHg
risco moderado a alto que receberam profilaxia adequa- SpO2< 90% por mais de 5 minutos Solicitação de qualquer
da foi de 94,93% (1123/1173 pacientes). CONCLUSÃO: profissional da sala cirúrgica (enfermagem, anestesista ou
Embora o uso da profilaxia seja aceito, sua incorporação cirurgião) Após avaliação inicial, uma equipe de apoio com
na prática clínica não é tão fácil. Um programa educacio- cirurgiões especializados, podem ser acionados. Todos os
nal pode melhorar a adesão às diretrizes de profilaxia de membros da equipe devem ter treinamento em RCP (adul-
TEV, envolvimento multiprofissional com a participação to e pediátrico). RESULTADO: Os resultados estão sendo
do anestesiologista pode diminuir uma dos mais impor- acompanhados. em quatro meses 15 casos acionaram o
tantes causas evitáveis de morbidade e mortalidade em TRR. A maior parte dos acionamentos são na indução anes-
pacientes cirúrgico hospitalizados. tésica (40%) e no despertar (33%). Nos pacientes adultos
e pediátricos o principal motivo de acionamento tem sido
hipóxia, seguido por alterações de frequencia cardíaca.
CONCLUSÃO: A cultura de segurança no ambiente cirúr-
gico é realizado pelo treinamento da equipe e avaliação
contínua dos processos. O RRT pode trazer uma melhora
sensível na segurança para os cenários de operação e tam-
bém ajudar na criação de equipes de retaguarda. REFE-
RÊNCIA: 1. Barocas DA, Kulahalli CS, Ehrenfeld JM, et al.
Benchmarking the use of a rapid response team by surgical
services at a tertiary care hospital. Journal of the American
College of Surgeons 2014;218:66-72.2. Rapid Response in
the Operating Room. Pa Patient Saf Advis 2008;5.

18 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


A ANÁLISE DA SATISFAÇÃO DOS PACIENTES
COM A APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO Anestesia Ambulatorial
PERI-ANESTÉSICO DE HEIDELBERG:
BENCHMARKING, ACREDITAÇÃO
HOSPITALAR E RESPONSABILIDADE CIVIL ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
DO ANESTESIOLOGISTA EM RECIFE, PE DUPLO-CEGO COMPARANDO A
RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA DE DUAS
AUTORES: TÉCNICAS ANESTÉSICAS PARA PUNÇÃO
Elza Nogueira de Souza Barros , Michelle Nogueira de Sou-
FOLICULAR TRANSVAGINAL GUIADA POR
za Barros*.
ULTRASSONOGRAFIA
INSTITUIÇÃO:
AUTORES:
Universidade de Pernambuco - Hospital Universitário
Onésimo Duarte Ribeiro, Esther Alessandra Rocha, Marcelo
Oswaldo Cruz, CET HR/HGV/HUOC, Recife/PE.
Maia da Silveira, Gilvandro Lins de Oliveira J, Paola Bem-
INTRODUÇÃO: O nível de satisfação com os cuidados da -Haja*, Desire Carlos Callegari.
saúde reflete a qualidade do sistema de saúde segundo a
perspectiva do paciente. O instrumento “Heidelberg Peri- INSTITUIÇÃO:
-Anaesthetic Questionnaire” permite uma avaliação da satis- Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
fação com os cuidados anestésicos. É um questionário psi- INTRODUÇÃO: não há um modelo anestésico de escolha
cometricamente validado, confiável e replicável. O propósito para procedimentos de reprodução assistida no âmbito
deste estudo foi através da aplicação do Questionário Peri- ambulatorial. Assim, comparou-se a recuperação anesté-
-anestésico de Heidelberg em 4 Hospitais públicos do Recife sica das anestesias com propofol e fentanil versus mida-
identificar: pacientes insatisfeitos, como consumidores dos zolam e remifentanil associado ao bloqueio paracervical
serviços de saúde; gerar melhoria da qualidade dos cuidados com lidocaína, na realização de aspiração transvaginal de
anestésicos; aplicação do Questionário de Heidelberg como oócitos guiada por ultrassonografia. MÉTODO: selecio-
uma ferramenta de benchmark; uso em acreditação hospita- nou-se 61 mulheres classificadas de acordo com a escala
lar e verificar a conscientização da responsabilidade médica da American Society of Anesthesiologists (ASA) como
dos anestesiologistas, com vistas à diminuição de riscos e ASA I e II, idade inferior a 42 anos, índice de massa cor-
ao aumento da segurança. MÉTODO: Após aprovação do pórea (IMC) inferior a 30; submetidas à tratamento de re-
CEP e obtenção do CTLE foram entrevistados 93 pacientes produção assistida. Foram divididas randomicamente em
submetidos à cirurgias eletivas, de ambos os sexos, idades dois grupos: indução anestésica com 1mcg/kg de fentanil
entre 14 e 80 anos, estado físico ASA I, II e III nas enfermarias associado a 1,5 mg/kg de propofol (grupo FP, n=32) em
dos Hospitais pesquisados. Para coleta dos dados utilizou-se comparação a indução anestésica com 0,075mg/kg de
questionário Peri-anestésico Heidelberg; questionário sócio midazolam, associado a 0,25mcg/kg/min de remifentanil
demográfico; análise dos prontuários médicos; verificação de e bloqueio paracervical com 3ml de lindocaína 2% (grupo
fichas anestésicas e gravação autorizada das entrevistas. O MRB, n=29). Sendo, as variáveis estudadas: o indice de
questionário é composto por 38 itens, com os quais o paciente Aldrete-Kroulik (modificado), como marcador de recupe-
estabelece um nível de concordância segundo uma escala de ração anestésica, parâmetros hemodinâmicos e incidên-
Likert de quatro pontos, divididos em 5 dimensões: confiança cia de náusea/vômitos. RESULTADO: observou-se um
e atmosfera; medo; desconforto; tratamento dado pela equi- menor tempo para atingir Aldrete-Kroulik (modificado)
pe; informação e espera. Os dados foram analisados pelo pro- igual a 10 no grupo MRB (p50= 10 versus 2, p<0,001),
grama STATA. RESULTADO: A versão brasileira do Questio- menor média dos parâmetros hemodinâmicos no grupo
nário Peri-anestésico de Heidelberg apresentou propriedades MRB (p<0,05) e presença de náuseas/vômitos no pós-
psicométricas adequadas. A mediana geral de satisfação de -operatório imediato (1 (3,5%) versus 2 (6,3%), p=0,613)
todos os domínios no pós-operatório apresentou um valor de no grupo MRB. CONCLUSÃO: anestesia com midazolam,
64,9%. O domínio confiança e atmosfera obteve a melhor ava- remifentanil e bloqueio paracervical fornece condições
liação entre os pacientes 83,3%; tratamento dado pela equipe anestésicas satisfatórias na realização de procedimentos
77,8 %; informação e espera 61,9%; desconforto 61,5% e em reprodução assistida, além de proporcionar recupe-
medo 61,1%. Na comparação por hospitais segundo domí- ração anestésica mais precoce. REFERÊNCIA: 1) Tsen
nios, observou-se que houve diferença estatística significativa LC. Anesthesia for assisted reproductive technologies.
nos níveis de satisfação entre os pacientes nas dimensões de Int Anesthesiol Clin 2007; 45:99-113.; 2) Casati A, Valenti-
confiança e atmosfera; medo e tratamento dado pela equipe. ni G, Zangrillo A, et al. Anesthesia for ultrasound guided
Pacientes mais jovens (14 a 60 anos) e que não tiveram con- oocyte retrieval: midazolam/remifentanil versus propofol/
sulta pré-anestésica foram os que apresentaram os maiores fentanyl regimens. Eur J Anaesthesiol 1999;11:773-8.
níveis de insatisfação. CONCLUSÃO: Pacientes insatisfeitos
obtiveram um IQR: (P25 – P75) de 35,1% (25,4 – 41,2) e pacien-
tes satisfeitos um IQR de 64,9% (58,8 – 74,6) do resultado geral
obtido. A versão brasileira do Questionário Peri-anestésico de
Heidelberg confirmou que é um instrumento válido e confiável
para identificar pacientes insatisfeitos, gerar melhorias na qua-
lidade e também ser utilizado como uma ferramenta de ben-
chmark. REFERÊNCIA: Schiff JH, Fornaschon AS, Franke-
nhauser S, Schiff M et al. The Heidelberg Peri-anaesthetic
Questionnaire – Development of a new refined psychometric
questionnaire.Anaesthesia 2008;63:1096-104.

Temas Livres CBA 2014 | 19


PARADA CARDIOCIRCULATÓRIA EM
ANESTESIA FORA DO CENTRO CIRÚRGICO. Anestesia e Terapia Intensiva
AUTORES:
Juscimar Carneiro Nunes, Sérgio Ferreira Filho, Márcio de
ANÁLISE DA MORTALIDADE PELO ESCORE
Lima Ramos, Juliana Reis Frota, Cristina Ferreira Ramos /
AM*, Pedro Paulo Dias Ribeiro.
SOFA NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
DE UM HOSPITAL GERAL DA PARAÍBA.
INSTITUIÇÃO:
Hospital Universitário Getúlio Vargas / AM. AUTORES:
Honorina Fernandes Nogueira Neta*, Bruna Pires de Assis
AFF, masculino, 13 anos, 36kg, pardo, diagnosticado desde Dantas, Olívia Motta Wanderley da Nobrega, Jamilly Dantas
março 2013 com síndrome de Guillain Barre, deu entra- de Alencar, Rodrigo Vergetti Baía, George Robson Ibiapina.
da em abril/14 em pronto socorro infantil de Manaus por
insuficiência respiratória. Foi admitido em UTI onde rece- INSTITUIÇÃO:
beu suporte e foi traqueostomizado. Solicitado exames FAMENE.
complementares de sangue (sem alterações), análise do INTRODUÇÃO: Os preditores de evolução e mortalidade são
líquor (sem alterações), culturas e exames de imagem. em estudados e aplicados para definir o melhor gerenciamento
25/04/2014 o paciente foi admitido sedado, intubado, venti- de recursos financeiros, alterar a terapêutica e para monitorar
lando sob ventilógrafo, em clínica particular para realização o desempenho de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O
de ressonância magnética (RM) de crânio. Nesta ocasião, escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) mensura
foi acoplado ao aparelho de anestesia, previamente testa- a disfunção de órgãos separadamente, mede a eficácia de
do, e monitorizado. durante ventilação mecânica do exame terapêuticas e avalia individualmente os pacientes. O estudo
de RM, o paciente evoluía com períodos de dessaturação. objetiva avaliar a mortalidade de pacientes internos na UTI de
Nesses momentos, a ventilação foi assitida pelo anestesio- um Hospital Geral da Paraíba, segundo o SOFA. MATERIAS
logista, enquanto novos testes eram feitos no aparelho de E MÉTODO: Foi realizada uma coorte com 10 pacientes no
anestesia e ajustes de posicionamento do oxímetro. Mesmo período de 72h, com idades superiores a 63 anos e portado-
após relaxamento muscular com atracúrio, observou-se res de patologias diversas. As variáveis utilizadas foram: SOFA
resistência à ventilação. Não foi administrado fentanil pre- nos dias 1, 2 e 3, idade, sexo, patologias e mortalidade. Na
viamente. Antes da administração de contraste paciente faz análise dos dados foram obtidas distribuições percentuais e
bradicardia e PCR em assitolia. Foi prontamente reanimado as medidas estatísticas: média e desvio padrão e foi utilizado
pelos anestesiologistas e residente de plantão, retomando o teste Exato de Fisher. Para verificar o grau de concordância
ritmo sinusal após 30 minutos de PCR. em seguida foi fina- entre a escala SOFA e a ocorrência de óbito, foi obtida a curva
lizado o exame e o paciente foi encaminhado ao hospital de ROC com área sob a curva e um intervalo de confiança de
origem. DISCUSSÃO: Anestesiar pacientes fora do centro 95% para a referida área. A margem de erro utilizada para a
cirúgico requer paciência e treinamento específico. Uma decisão dos testes estatísticos foi de 5,0%. RESULTADO: A
simples remoção em paciente grave, porém estável, pode idade média dos pacientes foi 73,5 +/- 7 anos, dos quais 70%
reverter-se em PCR. O que observa-se com rotina é que, eram homens. O diagnóstico predominante foi de pneumonia
apesar de todos os setores das unidades de saúde serem (90%). O SOFA foi avaliado em intervalos de 6 a 11 e de 12 a 13
responsáveis pela seguranca e bem estar dos pacientes, as e a mortalidade neles foi de 42,9% e 66,7% (p=1,00), respec-
equipes médicas e de enfermagem que não trabalham di- tivamente. O SOFA em relação aos óbitos apresentou área na
retamente em urgência/emergência precisam de constante curva ROC de 0,640 (95,0%: IC 0,25 a 1,00); relativo ao sexo, o
treinamento. As dificuldades quando PCR em salas de RM SOFA de 6 a 11 esteve presente em 71,% (p=1,00) dos homens
exacerbam-se, visto que devido as características dos apa- e na pneumonia em 60% (p=1,00), nas idades entre 63 e 75
relhos de RM, os sistemas de monitorização e reanimação anos este SOFA apareceu em 83% (p=0,50). A mortalidade no
precisam adaptar-se. O reestabelecimento hemodinâmico, sexo masculino foi de 57,1% (p=0.487), para pneumonia 60%
neste caso relatado, foi conquistado devido a qualidade da (p=1,00) e entre as faixas etárias analisadas 63 a 75 e 76 a 87
equipe anestésica (dois anestesiologistas e uma residente) foram iguais 50% (p=1,00). Na nossa coorte, a mortalidade foi
e de enfermagem, mas provavelmente foi retardada devido mais comum no SOFA 12, 13, pacientes do sexo masculino
a falta de monitorização (oximetria) adequada. BIBLIO- com diagnóstico de pneumonia e entre os intervalos etários,
GRAFIA: Cavalcanti IL, Asaad AR, Lacerda MA. Anestesia foram igualmente acometidos, mas todos sem apresentar
fora do centro cirurgico. Rio de Janeiro, SAERJ, 2007; 49- significado estatístico. CONCLUSÃO: O índice de prognós-
66. Cavalcanti IL, Cunha LBP, Abrao MA et al. Monitorização tico SOFA é influenciado por condutas empregadas em UTI
em anestesia. Rio de Janeiro, SAERJ, 2012; 123-158. e há necessidade de ser calculado a cada 48h. Os resultados
deste estudo confirmam o SOFA como um ótimo sistema de
avaliação da extensão da disfunção orgânica, sendo um im-
portante indicador do prognóstico, podendo ser utilizado para
quantificar o impacto de intervenções terapêuticas sobre a
morbidade, bem como, na identificação de grupos de maior
risco. REFERÊNCIA: 1. Hissa PNG, Hissa MRN, Araújo PSR.
Análise comparativa entre dois escores na previsão de morta-
lidade em unidade terapia intensiva. Rev Bras Clin Med. São
Paulo, 2013 jan-mar;11(1):21-6. 2. Lemos RLL, David CMN, Oli-
veira GMM, Amitrano DA, Luiz RR. Associação do SOFA com
a mortalidade de idosos com sepse grave e choque séptico.
Revista Brasileira Terapia Intensiva. 2005;17(4):246-50.

20 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA EM PACIENTE COM SÍNDROME INFLUÊNCIA DO ÍNDICE DE MASSA
DO DESCONFORTO RESPIRATÓRIO AGUDO CORPORAL NA VARIAÇÃO DA PRESSÃO
(SDRA): RELATO DE CASO. ENDOTRAQUEAL EM SITUAÇÃO SIMILAR À
SÍNDROME COMPARTIMENTAL ABDOMINAL.
AUTORES:
Marco Aurélio Damasceno Silva, Irene Kina, Tássia Silva, AUTORES:
Cledianne Zillah*. Karoline Moura de Araújo*, Saulo Fernando Niederauer de
Oliveira, Octávio Henrique Mendes Hypolito, Afonso César
INSTITUIÇÃO:
Cabral César.
Hospital Municipal Lourenço Jorge - CET Seba Jorge
Eberienos. INSTITUIÇÃO:
RESUMO: A SDRA inclui desconforto respiratório agu- Hospital Municipal Dr José de Carvalho Florence.
do refratário ao uso de O2, diminuição da complacência INTRODUÇÃO: O conceito de síndrome compartimental
pulmonar e opacidade difusa ao Rx de tórax não expli- abdominal (SCA) tem menos de 30 anos, mas representa
cada por motivos hidrostáticos. É uma pneumopatia um dos mais importantes desenvolvimentos de grande
inflamatória desencadeada por injúria pulmonar primária impacto na medicina do trauma e cuidados intensivos1.
ou por doença inflamatória sistêmica ,caracteriza-se por A mortalidade por SCA não tratada encontra-se perto de
lesão pulmonar na qual coexistem áreas sãs com áreas 100%.2 Mas devido aos avanços sobre o tema, a taxa de
lesadas,com desequilíbrio na relação V/Q.Relato de caso: mortalidade caiu de 60% para valores entre 34% e 37%
Homem, 27a, ASAI, 70 kg, com forte epigastralgia ,nau- nos últimos 10 anos.Contribuindo com essa melhora de
seas e vômitos há 24 hs. Exames de imagem e laborato- prognóstico, encontra-se o manejo anestésico. OBJETI-
riais evidenciaram lesão pancreática e níveis de amilase VO: investigar a relação entre ventilação e IMC em pacien-
e lipase aumentados sugerindo pancreatite aguda grave tes em condições clínicas similares às apresentadas por
sendo então internado em UTI. No 3dia de internação, pacientes com SCA e determinar se há maior variação da
apresentou insuf. renal aguda e dispnéia necessitando de pressão endotraqueal (PIT) em pacientes com maior IMC,
IOT e ventilação mecânica. TC pulmonar:lesões compatí- ou nos que se encontram na faixa de normalidade de IMC
veis com o diagnóstico de SRDA- áreas de opacificação em condições pressóricas intra-abdominais (PIA) simila-
, áreas de consolidação e áreas pulmonares normais. res às apresentadas por pacientes com SCA, simuladas
Evoluiu com grave síndrome compartimental abdominal através da criação de pneumoperitônio com PIA de 20
necessitando de peritoniostomia.Foi submetido a 8 LMC mmHg. MÉTODO: 58 pacientes, estado físico ASA P1 ou
e revisões de peritoneostomia, sob anestesia geral ba- P2 submetidos a cirurgias eletivas videolaparoscópicas
lanceada. Encaminhado ao C.C em 30/05/2014, sedado, tiveram a PIT aferida antes e após um pneumoperitônio
intubado, ictérico (3 +/4+),e com aminas vasoativas.Aco- de 20 mmHg, tal como a PIA encontrada num paciente
plado a prótese ventilatória e iniciado sevofluorane 2% e com SCA. Resultado: A variação da PIT foi maior nos
6 mg de rocurônio. Optou-se por VCV, FiO2 :100 %, FR: pacientes com IMC normal quando comparados com pa-
13 irpm, e PEEP: 8.Observou-se queda da Spo2( 85%- cientes com obesidade tipo I (p = 0,0006) e em pacientes
93%), e EtCo2: 50-65 mmHg.Colhida gasometria : PH: com sobrepeso comparados com pacientes obesos tipo I
7,39 / Hb: 7,7 / BE: - 6,5 / PCO2: 61 / PO2: 180/ HCO3: (p =0,0004). CONCLUSÃO: Pacientes com menores IMC
17. Optou-se por VCP(PCV) , FiO2: 100%, FR: 13 irpm e apresentam necessidade de maiores cuidados no manejo
PEEP 7.Necessária pressão de 30 cmH2O para manter a do suporte ventilatório em condições graves tais quais
Spo2 >90% e EtCO2 de 62 mmhg. Foi encaminhado ao as encontradas em pacientes com SCA. REFERÊN-
CTI evoluíndo ao óbito após bradicardia e manobras usu- CIA: 1. Berry NF, S. Abdominal compartment syndrome.
ais de RCP. DISCUSSÃO: Na definição clássica de lesão Continuing Education in Anaesthesia, Critical Care &
pulmonar aguda(LPA), consideravam-se: lesão de insta- Pain;2012. Volume 12. (Published by Oxford University
lação aguda, relação PO2/FiO2 < 300 mmHg, presença Press on behalf of the British Journal of Anaesthesia.) 2.
de infiltrados bilaterais ao RX, pressão capilar pulmonar Carr JA. Abdominal compartment syndrome: A Decade
< 18 mmHg ou ausência de evidência clínica de hiperten- of Progress. American College of Surgeons.2013; 216 (1):
são de AE. Definia-se como SDRA pacientes com relação 135-146.
pO2/FiO2 <200 mmHg. em 2012 a SRDA foi nomeada
como Definição de Berlim. Observou-se que o quadro
descrito enquadrava-se no diagnóstico SRDA moderada,
considerando a pO2/FiO2 de 180, baseada na PO2=180
com FiO2:100%. Os objetivos na ventilação mecânica na
SDRA são: garantir:(Spo2: 88 -92%) ou PCO2( 55 - 60
mmHg) minimizando o dano alveolar com o uso de PEEP,
usando a menor FIO2 possível. CONCLUSÃO: No caso
descrito atuou-se de forma correta quanto à ventilação
do paciente com SDRA. O paciente possuía um quadro
clínico grave, não havia somente a SDRA como co-
-morbidade, o que culminou com o óbito.REFERÊNCIA:
1. Zampieri FG. Síndrome do Desconforto Respiratório
Agudo. In: Azevedo LC, Tanigushi LU, Ladeira JP et al.
Medicina intensiva - abordagem prática. 1 ed. São Paulo,
Manole, 2013, 766-783.

Temas Livres CBA 2014 | 21


SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS E
PERFIL BACTERIANO EM PACIENTES Anestesia e Transplante
INTERNADOS NA UTI DE UM HOSPITAL
GERAL DA PARAÍBA. ANESTESIA PARA TRANSPLANTE
AUTORES: MULTIVISCERAL: RELATO DE CASO DE UM
Rodrigo Vergetti Baía, Jamilly Dantas de Alencar*, Olívia Mot- HOSPITAL UNIVERSITÁRIO TERCIÁRIO DO
ta Wanderley da Nobrega, Bruna Pires de Assis Dantas, Ho- SISTEMA SUS.
norina Fernandes Nogueira Neta, George Robson Ibiapina.
AUTORES:
INSTITUIÇÃO: Vinicius Rodovalho Pereira*, Matheus Fachini Vane, Eduardo
Faculdade de Medicina Nova Esperança. Motoyama Almeida, Maria José Carvalho Carmona, Luiz Au-
gusto Carneiro D’Albuquerque, Joel Avancini Rocha Filho.
INTRODUÇÃO: O uso da antibioticoterapia empírica com
ampla cobertura contra patógenos é uma prática comum INSTITUIÇÃO:
em pacientes com suspeita de infecção, podendo reduzir HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FMUSP.
o tempo de internação hospitalar e da morbimortalidade.
No entanto, esta prática clínica, que oferece grandes be- OBJETIVO: Relatar caso do primeiro transplante multivisceral
nefícios individuais, pode ter consequências coletivas ca- por tumor neuroendócrino de pâncreas metastático de um
tastróficas contribuindo para o desenvolvimento e difusão hospital universitário terciário do Sistema SUS. INTRODUÇÃO:
de resistência microbiana. Este estudo visa caracterizar o O transplante multivisceral é definido como o transplante em
perfil bacteriológico, grau de resistência aos antimicrobia- bloco de 3 ou mais vísceras abdominais, indicado mediante
nos, sítios mais comuns de infecção e mortalidade na uni- falência orgânica irreversível ou neoplasia multivisceral abdo-
dade de terapia intensiva de um Hospital Geral da Paraíba. minal. Apesar do desenvolvimento de novas técnicas de imu-
MATERIAS E MÉTODO: Entre novembro de 2013 e junho nossupressão e aprimoramento anestésico-cirúrgico a gama
de 2014 foram selecionados e analisados prontuários de 64 de complicações associadas ainda é muito extensa. RELATO
pacientes, 30 mulheres e 34 homens. O critério de escolha DE CASO: Paciente 33 anos, masculino, com diagnóstico de
foi a utilização de antibiótico visando cobertura bacteriana tumor neuroendócrino de pâncreas com metástase para fígado,
em algum sistema e realização de cultura com antibiogra- associado a falência hepática, foi submetido a transplante de
ma de material colhido desse mesmo local. Posteriormente, estômago, pâncreas, fígado e intestino delgado. Para tal pro-
verificou-se o padrão microbiano e a resistência ou sensibi- cedimento, foi realizada monitorização invasiva com 2 cateteres
lidade a antibiótico realizado empiricamente. Foi observado arteriais 20 gauge, 2 cateteres periféricos 14 gauge, 1 cateter
ainda as idades, os sítios orgânicos mais comumente afe- central tripla via tipo AVA, 1 cateter central tripla via, 1 cateter
tados, duração do internamento e o percentual de óbitos. Swan Ganz e 1 cateter tipo Schilley para diálise perioperatória.
RESULTADO: A idade média observada foi de 65,9 anos, O intraoperatório consistiu de intensa instabilidade hemodinâ-
destes 67.2% tinham mais de 60 anos. O sexo masculino mica devido a grande sangramento na fase de dissecção do
compunha 53.1%, sistema respiratório foi o mais acometido bloco dos órgãos comprometidos, com importante coagulopa-
com 84,4% e as bactérias mais comumente encontradas tia associada. Após a reperfusão, houve piora da coagulopatia,
foram Pseudomonas aeruginosa e Klebsiela pneumoniae com intenso sangramento, associado a intensa vasoplegia
(18.8% e 17,2%, respectivamente) e a mortalidade global foi decorrente de SIRS. Para a manutenção do paciente, houve
de 71.9%. Os antibióticos mais prescritos foram ceftriaxona necessidade de ressucitação volêmica agressiva com 16 L de
(40,6%) e cefepime (10,9%). Ceftriaxona, ciprofloxacino e le- solução cristalóide, 1,6 L de albumina, além de transfusão de
vofloxacina tiveram respectivamente resistência de 41.9%, 44 UI de concentrado hemáceas, 43 UI de Plasma fresco con-
14% e 14%. em relação ao local da infecção, o sistema res- gelado, 41UI de crioprecipitado, 6 aférese de plaquetas. Ainda
piratório totalizou 77.8% dos falecimentos (p=0.015). CON- para o manejo da coagulopatia foram necessários ácido trane-
CLUSÃO: Nosso estudo mostrou uma distribuição etária xâmico, DDAVP e protamina, guiados pela tromboelastografia.
com predomínio acima da sexta década com maior incidên- O paciente necessitou de terapia vasopressora com noradre-
cia no sexo masculino. Segundo variáveis clínicas, o sítio de nalina, adrenalina e vasopressina em altas doses. O controle
infecção mais comumente acometido foi o trato respiratório da temperatura tornou-se difícil desde o início, necessitando
e com predomínio no ambiente das bactérias gram negati- de colchão térmico, três mantas térmicas, infusor aquecido de
vas: Pseudomonas Aeruginosa e Klebsiela Pneumoniae. Os soluções. Diurese no intraoperatório de 6,2 L. Após anestesia
antimicrobianos mais associados à resistência microbiana com duração de 16 horas, o paciente foi encaminhado a UTI,
são as cefalosporinas de 3ª e 4ª gerações e as quinolonas. hemodinamicamente estável com suporte noradrenérgico.
Os óbitos foram mais comuns em pacientes com até 9 dias DISCUSSÃO: O transplante multivisceral nas últimas duas dé-
de internamento e com esquema antimicrobiano sensível cadas tem sido esporádico, devido a complexidade do proce-
ao patógeno testado, chegando a 71,9% de mortalidade dimento em pacientes de alto risco cirúrgico. Pacientes candi-
global. REFERÊNCIA: 1. FIGUEIREDO EAP, RAMOS H, datos a este procedimento geralmente têm condições médicas
MACIEL MAV, VILAR MCM, LOUREIRO NG, PEREIRA, RG. irreversíveis, podendo ser considerados terminais. Assim, o
Pseudomonas aerugionosa: Frequência de Resistência a manejo anestésico para este procedimento enfrenta diversas
Múltiplos Fármacos e Resistência Cruzada entre Antimicro- complicações intra-operatórias, como a politransfusão por
bianos no Recife/PE. RBTI.2007; 19(4): 421-427. 2. TEIXEIRA sangramento excessivo e coagulopatia, hipovolemia, distúrbios
PJZ, HERTZ, FT, CRUZ DB, CARAVER F,HALLAL RC, MO- hidroeletrolíticos, hipotermia, SIRS por isquemia-reperfusão e
REIRA, JS. Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica: politransfusão, com consequente vasoplegia. Essas situações
Impacto da Multirresistência bacteriana na morbidade e ocorrem frequentemente em associação, o que pode tornar o
mortalidade. J. Bras. Pneumol. 2004; 30(6): 540-48. manejo anestésico um desafio. REFERÊNCIA: 1) Mangus, M.
et al. Multivisceral Transplantation: Expanding Indications and
Improving Outcomes. J Gastrointest Surg (2013) 17:179–187.

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AVALIAÇÃO DA VARIAÇÃO DE VOLUME COORTE RETROSPECTIVA DE
SISTÓLICO COMO PREDITOR DE TRANSPLANTE HEPATICO 2012 E 2013.
RESPONSIVIDADE HÍDRICA DURANTE
AUTORES:
TRANSPLANTE HEPÁTICO – ESTUDO Rogério Póvoa Barbosa*, Flávio Takaoka, Alexandre Pereira
PRELIMINAR. de Oliveira, luiz henrique Yamauchi, Elton Lúcio Silva de
AUTORES: Souza.
Henrique Heineck Comiran*, Mateus Germano Scaglioni INSTITUIÇÃO:
Tessmer, Elaine Aparecida Felix, André Prato Schmidt. Hospital Israelita Albert Einstein.
INSTITUIÇÃO: INTRODUÇÃO: Os Transplantes hepáticos fazem parte
Hospital de Clinicas de Porto Alegre. da rotina de poucos centros transplantadores no Brasil
O índice de variação de volume sistólico (VVS) tem demons- no ano de 2013 foram 60 centros com 22 no estado de SP
trado ser método acurado para predizer responsividade hí- e estimamos que não mais que 10 anestesista por centro
drica em algumas situações clínicas específicas, incluindo componham a equipe. Desta forma, este tema, mesmo
o contexto perioperatório. Entretanto, poucas evidências que cheio de particularidades com pacientes muito in-
relacionados ao uso deste método dinâmico no contexto teressantes clinicamente, não são alvo de interesse da
do transplante hepático estão disponíveis. Neste estudo, maioria dos profissionais de anestesia. Nosso trabalha
objetivamos avaliar se o índice de VVS é capaz de prever vem com objetivo de divulgar os nossos resultados e
a responsividade hídrica durante transplante hepático. para ampliar o debate sobre o tema. MÉTODO: Coorte
Estimou-se uma amostra de 28 pacientes adultos ASA II a retrospectiva dos casos de 2012 2 2013. RESULTADO:
IV (18 a 65 anos), agendados para a realização de transplan- 237 transplantes foram realizados sequencialmente em
te ortotópico de fígado. Após a indução anestésica, duas dois anos, sendo deste 6 figado-rim e 34(14%) re-tx. Es-
linhas arteriais foram inseridas nas artérias radiais bilateral- tes últimos são muito desafiadores exigem muitos recur-
mente seguidas da inserção do cateter de artéria pulmonar sos, principalmente se tardios (mais que 30 dias) 21(8%).
para mensuração das principais variáveis hemodinâmicas. Uma estratégia bem definida e protocolos assistências
em uma das artérias radiais, um transdutor conectado ao no intra-operatório visam minimizar as transfusões. A
sistema FloTrac/Vigileo versão 3.06 (Edwards Lifesciences) restrição volêmica com Plasmalyte® e a monitorização
foi utilizado para mensuração do VVS e de parâmetros hemodinâmica feita com swan ganz, FlowTrack® ou eco
hemodinâmicos adicionais. Através destes dispositivos, a são instrumentos de grande valor pra otimizar o cuidado.
correlação do índice de VVS com os diversos parâmetros Anestesia geral com propofol, fentanil, remifentanil, ci-
hemodinâmicos durante o transplante hepático foi realiza- satracurio e isoflurano e terapia transfusional guiada por
da, incluindo mensurações e correlações com a pressão trombelastometria e antifibrinoliticos compõem o arsenal
de oclusão da artéria pulmonar (POAP), pressão venosa terapêutico. O perfil dos pacientes é composto por 72%
central (PVC), variação de pressão de pulso (VPP), pressão pacientes masculinos, com idade media de 51,4 anos e
arterial média (PAM), débito cardíaco (DC), índice cardíaco MELD medio de 31. Hipertensão de diabetes incidiram
(IC), pressão média da artéria pulmonar (PAPm), resistência em cerca de 30% do pacientes. A média de transfusão de
vascular sistêmica indexada (RVSI), resistência vascular conc. hemácias foi de 1,5u com mediana de 1u e moda de
pulmonar indexada (RVPI), trabalho ventricular esquerdo in- zero. Média de crio e PFC de 0,9u por transplante. 70%
dexado (TVEI) e trabalho ventricular direito indexado (TVDI). dos pacientes ficaram entre 8 e 15 dias internados, com
Desafios hídricos com albumina a 2% (10 ml/kg) foram reali- a média de 19. CONCLUSÃO: Segundo o registro brasi-
zados em até 5 momentos diferentes do procedimento con- leiro de transplante nosso pais realiza cerca de 40% do
forme critérios específicos e os valores hemodinâmicos co- que seria necessário. A escassez de órgãos e o modelo
letados antes e após os desafios. Até a fase atual de coleta, atual de alocação destes cria um cenário de pacientes
12 pacientes foram incluídos no estudo. Os pacientes foram graves que necessitam de grande suporte no periopera-
subdivididos em dois grupos de acordo com a resposta do torio. A mortalidade em lista beira os 20%. Desde o fluxo
IC (aumento de 10% em relação ao basal) ao desafio hídrico de avaliação do paciente ate a alta para casa o cuidado
em responsivos e não-responsivos. A variação de volume multidisciplinar se faz necessário para que se alcance um
sistólico não diferiu significativamente entre os grupos bom resultado. A atuação da anestesia é determinante
durante a avaliação basal, onde não foi realizado nenhum no intraoperatorio e se soma ao restante da equipe numa
desafio hídrico (P = 0.47). Adicionalmente, observamos uma estratégia que deve ser definida muito antes do agenda-
tendência para um VVS maior nos pacientes responsivos a mento da cirurgia. REFERENCIAS: VanWagner et al - Li-
volume em comparação aos demais, no entanto, estatisti- ver transplantation -14-143, Seminars in respiratory and
camente insignificante (P = 0.08). Entretanto, quando os de- critical care med. vol 33 n1/2012.
safios hídricos foram avaliados em cada ponto da curva de
tempo, observamos diferença estatisticamente significativa
entre o grupo de pacientes responsivos em comparação
aos pacientes não-responsivos a volume durante a fase de
dissecção no que diz respeito ao VVS e a POAP (P < 0.05).
Posteriormente, durante a redação final deste estudo, no-
vas correlações serão estudadas, incluindo, dentre outras
variáveis, o índice de concordância entre as medidas de
débito e índice cardíaco obtidos através do sistema FloTrac/
Vigileo e do cateter de artéria pulmonar.

Temas Livres CBA 2014 | 23


EMBOLIA AÉREA NO PEROPERATÓRIO DE HIPERTENSÃO PORTO-PULMONAR EM
TRANSPLANTE HEPÁTICO. TRANSPLANTE HEPÁTICO – RELATO DE
CASO.
AUTORES:
Alvaro Regino de Carvalho Melo*, Lorena Quintão Linhares, AUTORES:
Paulo Carvalho Pimenta Figueiredo, Marco Aurélio da Silva José Carlos Rodrigues Nascimento, Anderson Emanuel Ca-
Neves, Lara Moreira Mendes Carneiro, Júnio Rios Melo. liope C.Branco Mourão*, Antonio Tiago Mota Pinheiro, Ga-
briella Girão Campos de Barros, Nely Marjollie Guanabara
INSTITUIÇÃO:
Teixeira, Maria Janaina Rozeno Nascimento.
CET HC/UFMG.
INTRODUÇÃO: A embolia aérea é uma lesão iatrogênica INSTITUIÇÃO:
que possui alta morbimortalidade. É uma complicação Hospital Geral de Fortaleza.
decorrente de procedimentos clínicos-cirúrgicos, sendo INTRODUÇÃO: A existência de hipertensão pulmonar asso-
necessário o conhecimento dessa entidade pelos profis- ciada à hipertensão portal, em pacientes cirróticos, é uma
sionais de saúde. Relato de caso: FMD, 56 anos, mascu- condição incomum. Na forma grave, é considerada uma con-
lino, portador de cirrose por vírus C, hipertensão portal e traindicação absoluta ao transplante hepático. Relatamos um
ascite refratária. Submetido a transplante hepático. MELD caso de hipertensão porto-pulmonar em transplante hepáti-
19. em uso de furosemida, espironolactona, omeprazol e co com restrição de fluidos no período perioperatório com a
propranolol. Ecocardiograma inicial mostrou regurgitação finalidade de reduzir a incidência de complicações pulmona-
mitral leve com fração de ejeção de 78%. Coagulogra- res. Relato de caso: Paciente, sexo feminino, 40 anos, capa-
ma alterado. Preparo do paciente em sala operatória de cidade funcional < 4 MET, ASA IV, portadora de hepatopatia
acordo com protocolo do serviço. Transplante marcado alcoólica com hipertensão porto-pulmonar, MELD 21, insufi-
por fase pré anepática prolongada com necessidade de ciência renal dialítica e insuficiência cardíaca. Ecocardiogra-
transfusão de cinco concentrados de hemácias. Ao final ma (11/2012): pressão sistólica da artéria pulmonar estimado
da fase anepática apresentou infradesnivelamento impor- em 30mmHg, sendo indicado cateterismo cardíaco direito,
tante de segmento ST, elevação da pressão de artéria pul- que mostrou pressão da artéria pulmonar de 72/35 mmHg
monar (PAP) e instabilidade hemodinâmica necessitando com pressão arterial pulmonar média (PmAP) de 48 mmHg.
de altas doses de vasopressor. Passado ecocardiograma Ecocardiograma (04/2013): dilatação moderada biatrial, hi-
transesofágico (ETE), sendo observado embolia aérea im- pertrofia concêntrica moderada de VE, FE 64%, disfunção
portante. Identificado ponto de entrada de ar próximo ao diastólica do VE tipo pseudonormal e refluxo tricúspidio mí-
diafragma e realizada rafia. Evoluiu com piora do choque e nimo. Paciente monitorizada com cardioscopia, oximetria de
parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular rever- pulso e Flotrac®. Indução anestésica realizada com fentanil
tida após um ciclo de reanimação. Realizada reperfusão (500mcg EV), etomidato (20mg EV), succinilcolina (100mg
com paciente instável, ocorrendo, neste momento, piora EV) e manutenção com remifentanil (0,2-0,5mcg.kg.min EV),
do choque e coagulopatia. Encaminhado ao CTI muito isoflurano de 1-2% e cisatracúrio (2mcg/kg/min EV). Foi mo-
grave, com choque refratário às altas doses de vasopres- nitorizada com cateter Swan-Ganz® que mostrou PmAP de
sor. Óbito no 2º DPO. DISCUSSÃO: Embolia aérea é uma 28mmHg e PVC de 24mmHg. Gasometria arterial na hepa-
complicação comum nas ressecções hepáticas. Embolia tectomia: pH=7,41; PaO2=200; PaCO2=33; HCO3=22,1; BE=-
maciça deve ser considerada no diagnóstico diferencial de 3,4; SatO2=99,7%; Hb=14,4; Ht=44. A fase anepática cursou
instabilidade hemodinâmica no peroperatório. Sinais clíni- sem sangramento considerável e com discreta oscilação da
cos de embolia são: queda abrupta da ETCO2, aumento PmAP, sem repercussões clínicas. Na reperfusão hepática,
da PAP, hipotensão sistêmica, infra de ST inferior e lateral foi registrado maior variação da PmAP (45-50mmHg) per-
causada por hipoperfusão coronariana ou ar na circulação durando por 45 minutos até retorno aos valores iniciais com
coronariana e queda do débito cardíaco. Após detecção de conduta expectante. Até esse momento foram administrados
embolia recomenda-se ventilação com oxigênio a 100%, 900ml de solução Plasma-lite albuminada a 2%. Gasometria
posicionamento do paciente em decúbito lateral esquerdo arterial após reperfusão: pH=7,28; PaO2=191; PaCO2=40;
e aspiração do ar pelo acesso venoso central, administra- HCO3=18,3; BE=-7,3; SatO2=99,5%; Hb=14,7; Ht=45. No
ção de fluidos e vasopressor. Circulação extra-corpórea final da cirurgia, a paciente estava hemodinamicamente
pode ser considerada quando as medidas iniciais não estável com PmAP 30 mmHg e foi encaminhada intubada à
forem efetivas. Como os sinais clínicos da embolia se UTI. Volume total infundido 1650ml. A paciente foi submetida
confundem com outras patologias que cursam com sinais/ a transplante renal 24 horas após o transplante hepático e
sintomas de baixo débito, o ETE foi decisivo para o escla- recebeu alta hospitalar sem complicações. DISCUSSÃO:
recimento do diagnóstico intraoperatório. CONCLUSÃO: O manejo anestésico perioperatório requer o conhecimento
O anestesiologista deve conhecer e estar atento às com- das variações da pressão de artéria pulmonar nas fases do
plicações que podem ocorrer em cada fase do transplante transplante hepático. A adequada monitorização de débito
hepático. Associada à clínica, o ETE foi fundamental para cardíaco, variação do volume sistólico e as pressões de
o diagnóstico diferencial. REFERÊNCIA: Sandberg War- artéria pulmonar permitem a otimização do uso de drogas
ren S, Raines Douglas E. Anesthesia for liver surgery and vasoativas, e mais importante, da reposição de fluidos. A res-
transplantation. In: Longnecker DE, Brown DL, Newman trição hídrica é descrita como forma adequada de controlar
MF et al. Anesthesiology. EUA, MCGraw-Hill companies, a sobrecarga volêmica na fase de reperfusão hepática, que
2008; 1349-1350. Embolia gasosa. Revista brasileira de é fator de descompensação cardiovascular nesses pacien-
terapia intensiva. 2006; 18:3,311-315. tes. REFERÊNCIA: 1. Amr MY et al. The Impact of Porto-
pulmonary Hypertension on Intraoperative Right Ventricular
Function of Living Donor Liver Transplant Recipients. Anesth
Analg. 2012;115: 689–93.

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IMPACTO DA TÉCNICA ANESTESICA MANEJO DA COAGULAÇÃO NO
NA ESTABILIDADE HEMODINAMICA EM TRANSPLANTE HEPÁTICO GUIADO PELA
PACIENTES SUBMETIDOS A TRANSPLANTE TROMBOELASTOMETRIA. RELATO DE CASO.
RENAL.
AUTORES:
AUTORES: Maria Janaina Rozeno Nascimento, José Carlos Rodrigues
Milton Halyson Benevides de Freitas*, Luciana Cavalcanti Nascimento, Tayná de Lima Freire*, Luciana Gonçalves
Lima, João Marcelo Medeiros , Wilton Bernardino da Silva, Maciel Pinho, Thiago Mendes Barbosa, Lucas Gabriel Eu-
Joyce Mendes Soares, Rebeca Gonelli Albanez da Cunha sébio Freire.
Andrade.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: HOSPITAL GERAL DE FORTALEZA.
Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira. INTRODUÇÃO: A monitorização do estado da coagulação
JUSTIFICATIVAS E OBJETIVOS: O sucesso do trans- é importante durante o transplante hepático para auxiliar o
plante renal e, consequentemente, o bom funcionamento anestesiologista no manejo do sangramento. Relato de caso:
do enxerto depende de uma boa técnica cirúrgica, uma Paciente, 44 anos, sexo feminino, iniciou há 3 anos quadro de
anestesia que assegure a estabilidade hemodinâmica do icterícia, colúria e prurido cutâneo. tendo como diagnóstico
receptor e condições adequadas do enxerto. A aneste- hepatite autoimune. Exame físico, apresentava-se ictérica
sia geral é estabelecida como a técnica de escolha para (4+/4+), orientada, MELD:20, mallampati I, PA:125x75mmHg,
pacientes submetidos a transplante renal, por essa ser FC:70bpm. Exames laboratoriais: Hb=10,6; Ht=32%; plaque-
associada a menos repercussões hemodinâmicas. Pou- tas=137000; INR=1,4; Cr=0,5; Uréia=37; Na+=137; K+=4,8;
cos, ainda, são os estudos comparando a técnica de BT=11. Monitorizada com oxímetro de pulso, cardioscópio,
anestesia geral e combinada em relação a estabilidade Flotrac® e PreSep®. A indução foi realizada com Fenta-
hemodinâmica. Este estudo visa avaliar a ocorrência nil (250mcg IV), Etomidato (20mg IV) e Cisatracúrio (10mg
de hipotensão e utilização de drogas vasoativas em IV). Na manutenção, foi usado isoflurano na concentração
pacientes submetidos a transplante renal sob a técnica alveolar mínima de 2%, Cisatracúrio (1-2mcg /kg/min). Foi
de anestesia geral ou combinada. MÉTODO: Estudo do hidratada com 6000ml de Ringer Lactato albuminado a 2%.
tipo coorte histórico, no qual os dados foram coletados Na hepatectomia foi realizada a tromboelastometria: EXTEM:
pelo pesquisadora partir das fichas de anestesia e dos CT=48``, CFT=90``, Ângulo alfa=800, A10=50mm, MCF=60mm.
prontuários do transplante renal. Participaram do estudo INTEM: CT=165``, CFT= 73``, Ângulo alfa=810, A10=50mm,
pacientes entre 18 e 75 anos que foram submetidos a MCF=60mm. FIBTEM: MCF=25mm, A10= 21mm. Gasometrial
transplante renal durante o período de 2012 e 2013 no arterial: PH=7,38; PCO2=30,4; HCO3= 19,4; BE=-6; Hb=6,5.
Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira Para correção, foram feitos 02UI CH. Na fase anepática:
– IMIP. Os pacientes foram divididos em dois grupos: EXTEM: CT=106``, CFT=365``, Ângulo alfa=460, A10=25mm,
um que recebeu anestesia geral (AG) e outro anestesia MCF=31mm. INTEM: CT=283``, CFT=357``, Ângulo alfa=510,
combinada (AC). Os dados foram analisados utilizando A10=25mm, MCF=29mm. FIBTEM: MCF=3mm, A10=3mm,
o programa software Epi Info versão 7. RESULTADO: A Hb=7,3. Para correção, foram feitos 02UI CH, 100ml do cell
amostra foi composta de 150 pacientes distribuídas em saver, 10UI de crioprecipitado e 2000UI de Beriplex. Na fase
dois grupos: 98 pacientes no grupo AC e 52 no grupo neohepática: EXTEM: CT=112``, CFT=407``, Ângulo alfa=440,
AG. Apresentaram hipotensão 50% dos pacientes no A10=24mm, MCF=35mm. INTEM: CT=1015``, CFT=575``, Ân-
grupo AG e 41,4% no grupo AC, sendo utilizado droga gulo alfa=290, A10=21mm, MCF=22mm. FIBTEM: MCF=6mm,
vasoativa em 18 paciente do grupo AC e 12 do grupo AG A10=6mm. HEPTEM: CT=560``. CT HEPTEM/ CT INTEM=0,55,
(p<001).CONCLUSÃO: Não se observou diferença esta- Hb=5,5. Para correção, foram feitos 100mg de Protramina,
tisticamente significante quanto à ocorrência hipotensão 01UI CH e 262ml do cell saver, 04UI PFC,. No final da cirurgia,
entre os grupo de anestesia geral ou combinada. En- a paciente foi encaminhada à UTI. Evoluiu com sangramento
tretanto, pode-se observar uma tendência a hipotensão importante pelo óstio do dreno abdominal. Foi administrado:
permissiva nos dois grupos. É necessário mais estudos 04UI CH, 04UI PFC, 08 UI de crioprecipitado, 01 áferese de
para determinar se a hipotensão não corrigida influência plaquetas. No dia seguinte, foi feita a reabordagem para ex-
a taxa de função retardada do enxerto.REFERÊNCIA: 1) ploração vascular do abdome e realizado a tromboelastome-
HADIMIOGLU H, ERTUG Z, BIGAT Z, et al. A Randomized tria: EXTEM: CT=83``, CFT= 170``, Ângulo alfa=700, A10=37mm,
Study Comparing Combined Spinal Epidural or General MCF=49mm. INTEM: CT=215``, CFT= 151``, Ângulo alfa=670,
Anesthesia for Renal Transplant Surgery, Transplantation A10=43mm, MCF=51mm. FIBTEM: MCF=15mm, A10=14mm.
Proceedings.2005;37;2020–2022. 2)HIRATA ES1, BAGHIN Hb=7,3. Finalizado procedimento cirúrgico, e paciente foi en-
MF, PEREIRA RI, et al. Influência da Técnica Anestésica caminhada à UTI. DISCUSSÃO: A Tromboelastometria é uma
nas Alterações Hemodinâmicas no Transplante Renal. ferramenta importante para direcionar a correção de distúr-
Estudo Retrospectivo, Revista Brasileira de Anestesiolo- bios da coagulação de forma precisa e rápida, ao contrário
gia.2009;59;166-176. dos exames laboratoriais convencionais que são pouco espe-
cíficos e demorados. Neste relato, foi observado alteração da
coagulação e presença de heparina após reperfusão, sendo
corrigido com a terapia específica guiado pelo ROTEM®
delta. REFERÊNCIA: 1-Roullet S, Pillot J, Freyburger G et al.
Rotation thromboelastometry detects thrombocytopenia and
hypofibrinogenaemia during orthotopic liver transplantation.
Br J Anaesth. 2010; 104(4): 422-428.

Temas Livres CBA 2014 | 25


MANEJO HEMODINÂMICO EM ANESTESIA O USO DA TROMBOELASTOMETRIA
PARA RETRANSPLANTE HEPÁTICO. RELATO ROTACIONAL (ROTEM) NA AVALIAÇÃO DA
DE CASO. COAGULOPATIA DURANTE O TRANSPLANTE
HEPÁTICO: RELATO DE CASO.
AUTORES:
Bruna Martins Esquenazi*, Catia Sousa Goveia, Luis Clau- AUTORES:
dio Araujo Ladeira, Edson Vander Xavier da Rocha, Maria Klaus Lustosa, Jordana Dantas de Oliveira Lira*, Flávio
Emilia Prates Andrade, Edno Magalhaes. Takaoka, Luiz Henrique Ide Yamauchi, Guilherme Rocha
Ferraz, Thales Abreu Tedoldi.
INSTITUIÇÃO:
CET/SBA CENTRO DE ANESTESIOLOGIA DA UNIVERSI- INSTITUIÇÃO:
DADE DE BRASILIA. Hospital Israelita Albert Einstein.
INTRODUÇÃO: O transplante hepático é o tratamento de INTRODUÇÃO: A avaliação da coagulação através do
escolha para pacientes com insuficiência hepática terminal. tempo de protrombina (TP/INR) faz parte da estratificação
Algumas complicações podem levar à perda do enxerto e da doença hepática através dos sistema de pontuação
a trombose da artéria hepática é a causa mais freqüente de de Child-Pugh e do MELD. Apesar dos doentes cirróticos
retransplante hepático (ReH). O manejo anestésico do ReH apresentarem alteração desses testes convencionais da
pode ser mais desafiador do que de um transplante primá- coagulação, hoje sabe-se que na verdade a hemostasia
rio, contudo a literatura sobre o assunto é limitada. Relato está relativamente compensada. É sabido que esses tes-
de caso: Paciente masculino, 47 anos, com transplante tes são pobres preditores do risco de sangramento na
hepático prévio por cirrose hepática há dois anos. Evoluiu doença hepática; no entanto, continuam a influenciar as
com trombose tardia de artéria hepática e estenose biliar, decisões do manejo do sangramento e no gatilho trans-
com indicação de ReH. O tratamento clínico incluiu espiro- fusional. Testes viscoelásticos de sangue total (Rotem)
nolactona, furosemida, ácido ursodesoxicólico, hidroxizina produzem uma imagem dinâmica de todo o processo de
e norfloxacina. Ao exame clínico apresentava-se estável, coagulação e tem o potencial de fornecer informações
hipocorado (+/4+), hidratado, ictérico (2+/4+), com abdome clinicamente mais relevantes em pacientes com doença
globoso e circulação colateral. Exames laboratoriais: pla- hepática. O uso de algoritmos point-of-care (POC) com
quetas 81.000, uréia 101 mg/dL, creatinina 1,2 mg/dL e co- base em testes viscoelásticos associado ao uso especi-
agulograma normal. A indução anestésica foi realizada com fico de hemoderivados permitem um manejo racional dos
fentanil, propofol e rocurônio e a manutenção com propofol distúrbios de coagulação evitando o uso empírico dos
e remifentanil em infusão contínua. Foi monitorizado com hemocomponentes com redução na morbi-mortalidade.
cardioscópio, oxímetro de pulso, pressão arterial invasiva, RELATO DE CASO: Paciente feminina, 45 anos, subme-
capnografia, termômetro esofágico e cateter de artéria tida ao transplante hepático por cirrose por colestase
pulmonar. Devido a dificuldade da técnica cirúrgica, apre- (MELD 30). Após a reperfusão portal iniciou quadro de
sentou sangramento intenso e instabilidade hemodinâmica, sangramento capilar difuso. Colhido tromboelastogra-
com necessidade de politransfusão, administração de no- ma com alargamento do CT no INTEM (CT>1000s) que
radrenalina em infusão contínua e terlipressina. Durante a normalizou no HEPTEM sendo tratada com protamina.
reperfusão, houve piora da instabilidade hemodinâmica, re- Após 30min do exame, apresentou CLI próximo a 100%
vertida com o acréscimo de adrenalina, metaraminol, atro- no EXTEM, com indicação de antifibrinolítico. Colhido
pina. Na reposição volêmica, foram utilizados Plasmalyte® novo tromboelastograma de controle que evidenciava um
7000 ml, concentrado de hemácias 3000ml, plasma fresco alargamento do CT do EXTEM com redução do MCF no
congelado 800 ml, plaquetas 240 ml e crioprecipitado 200 FIBTEM. Optou-se por administração de concentrado de
ml. Tempo de isquemia: 11h 11min. Encaminhado à UTI in- fibrinogênio e concentrado de complexo protrombínico
tubado, com noradrenalina e dobutamina em infusão con- com controle adequado da coagulopatia intraoperatória.
tínua. Extubado no primeiro dia de pós-operatório (DPO), A paciente foi encaminhada à UTI e recebeu alta no 9o
recebeu alta da UTI no segundo DPO. DISCUSSÃO: há pós operatório sem necessidade de transfusão de mais
diferença no manejo anestésico entre o transplante primá- nenhum hemoderivado. DISCUSSÃO: As alterações he-
rio e o retransplante quanto à perda sanguínea e à repo- mostáticas complexas que ocorrem na doenças hepatica
sição de fluidos. A presença de aderências e circulação são difíceis de avaliar utilizando testes de coagulação tra-
colateral após cirurgia abdominal prévia contribuem para o dicionais (TP/INR). Os testes viscoelásticos têm sido uti-
sangramento aumentado no retransplante. A instabilidade lizados para o monitoramento da coagulação e o desen-
hemodinâmica é maior neste grupo e requer monitorização volvimento de algoritmos POC com base nestes testes
mais intensiva para orientar a reposição volêmica, especial- permitem orientar a terapia hemostática de uma forma
mente a transfusão de hemoderivados. No caso em ques- racional reduzindo significativamente as taxas transfu-
tão, houve sangramento intenso associado à instabilidade sionais e seus efeitos adversos com impacto direto na
hemodinâmica, tratados com infusão contínua de drogas melhoria da sobrevida do paciente do transplante hepá-
vasoativas e reposição volêmica maciça. CONCLUSÃO: tico. REFERÊNCIA: Lier H, Vorweg M, Görlinger K et al.
O retransplante hepático está associado a maior risco Thromboelastometry guided therapy of severe bleeding.
anestésico-cirúrgico com maior chance de sangramento Hamostaseologie. 2013;33(1):51-61. Susan V. Mallett,
no perioperatório. A monitorização adequada pode orientar Pratima Chowdary, Andrew K. Burroughs. Clinical utility
o manuseio hemodinâmico e contribuir para a redução da of viscoelastic tests of coagulation in patients with liver
morbimortalidade perioperatória. REFERÊNCIA: Yang SC. disease. Liver International 2013; 33(7):961-974.
Intraoperative blood and fluid administration differences in
primary liver transplantation versus liver retransplantation.
Acta Anaesthesiol Taiwan. 2011; 49: 50-53.

26 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


TEP INTRAOPERATORIO EM TRANSPLANTE TRANSPLANTE DOMINÓ PEDIÁTRICO COM
HEPÁTICO. DOADOR VIVO: PARTICIPANDO DO JOGO.
AUTORES: AUTORES:
ada almeida, Flávio Takaoka, guilherme ferraz, Rogério Pó- Alexander Alves da Silva, Virgilio Luiz Paiva da Silva, Celso
voa Barbosa*. Eduardo Rezende Borges, Monica Gulak Ioris*, Bruno Fran-
cisco de Freitas Tonelotto, Marcella Marino Malavazzi.
INSTITUIÇÃO:
hospital Israelita Albert Einstein. INSTITUIÇÃO:
Hospital Sirio-Libanes.
INTRODUÇÃO: O manejo da coagulação no pacientes
que serão submetidos a um transplante hepático(txH) é INTRODUÇÃO: A falta de doadores de órgãos tem es-
um desafio aos anestesistas. Os exames para avaliação timulado o desenvolvimento de muitas inovações téc-
da coagulação como Tempo de Protombina comumen- nicas para aumento da oferta de fígados disponíveis
te mostram um estado de hipocoagulabilidade, mas nem para o transplante. O conceito de transplante de órgão
sempre isto é visto na pratica clinica e exames como a sequencial ou dominó surgiu em 1990 e com a possi-
tromboelastometria(TEG) podem ser mais precisos. Rela- bilidade de curar vários erros inatos do metabolismo
to: C. A. J. S. 42 anos masculino submetido a um TxH por com o transplante hepático, entre elas a leucinose. O
cirrose biliar evoluiu com trombose de artéria hepática no receptor do novo órgão torna-se um potencial doador
pos operatório imediato. Foi listado novamente no progra- dominó, uma vez que seu fígado tem função e estrutura
ma para TxH em situação especial. No dia do transplante pouco alteradas e pode servir como ponte para casos
com encefalopatia grau II, em nebulização com O2, anúrico, mais graves. RELATO DO CASO: O transplante dominó
em diálise, que já realizava desde antes do primeiro TxH iniciou-se pelo doador, masculino, 25 anos, ASA I sub-
e apresentava os seguintes exames: TGO 1488 U/L, TGP metido a anestesia geral associada a peridural, cateter
6533 U/L, lactato 119.8mg/dl, pH 7.35, K 3,6mEq/L e Na venoso central, pressão arterial invasiva e monitorização
143 mEq/L albumina de 2,6g/dl, bilirrubina total 34.3mg/dl, minimamente invasiva do débito cardíaco. Realizada he-
TP com 17% de atividade e INR 4.49, plaquetas 17.000u/L patectomia esquerda com duração total de 7 horas de
, Hb 9.8g/dl e Ht 28.2%. TEG com hipocoagulabilidade procedimento anestésico-cirurgico. O doador dominó
cinética e estrutural e MELD calculado de 40. Paciente era uma paciente feminina, 3 anos e 2 meses, ASAII, por-
realizou doppler de MMII sem evidência de trombose. Mo- tadora de leucinose com leve retardo no desenvolvimento
nitorizacao básica durante a cirurgia além de swan ganz, neuropsicomotor e alimentação via gastrostomia, sub-
pam, e TEG para controle tratamento da coagulação. Se metida a anestesia geral, cateter venoso central, pressão
manteve estável hemodinamicamente, sem necessidade arterial invasiva e monitorizaçao minimamente invasiva
de transfusões até cerca de 25 min após a reperfusão do de débito cardíaco; procedimentos iniciados 15 minutos
enxerto, quando apresentou súbita elevação de pressões após o início da anestesia do doador hígido, sendo que
pulmonares, chegando a 70mmhg a pressão sistolica de ar- os tempos cirúrgicos eram harmonizados entre as duas
téria pulmonar(PSAP) com hipotensão sistêmica, corrigida cirurgias. Decorridas 6 horas do início do primeiro pro-
inicialmente com vasopressores. Iniciado heparinização e cedimento o receptor dominó, feminina, 1 ano, ASA 3,
solicitado eco transesofagico que confirmou tep, eviden- portadora de cirrose por atresia biliar com Kasai prévio,
ciando trombo na Arteria Pulmonar próximo a via de saída ascite e icterícia, é submetida a anestesia geral, cateter
do ventrículo, disfunção de ventrículo direito(VD) e desvio venoso central, pressão arterial invasiva e monitorização
do septo para esquerda. Paciente apresentou PCR em as- minimamente invasiva de débito cardíaco. Duração total
sistolia, assistido prontamente com RCP e adrenalina com dos 3 procedimentos foi de 11 horas, todos sem inter-
reversão do quadro em ritmo sinusal. Iniciado trombólise corrências. em cada paciente houve a presença de um
pelo cateter de artéria pulmonar com RTPA ( totalizando anetesista assistente e um residente em anestesiologista.
25mg em 30 min) e monitorizado pelo eco até a dissolu- DISCUSSÃO: Os excelentes desfechos clínicos do trans-
ção do trombo. As medidas de pressão de artéria pulmo- plante de fígado dominó fizeram-no se estabelecer como
nar baixaram progressivamente até cerca de 47mmhg de uma inovação no suprimento de doadores de fígado. No
psap. O paciente recebeu um concentrado de plaquetas caso da leucinose, o paciente tem sua doença curada
durante a heparinização e não apresentou sangramento com o transplante e o receptor do fígado “doente” man-
mesmo após o termino da trombólise. Houve melhoras dos tem as funções deficitárias em tecidos extra-hepáticos. O
parâmetros e o paciente foi encaminhado a uti com pam sucesso do procedimento depende além das competên-
70mmhg, fc 140bpm pupilas isocoricas e fotoreagentes re- cias técnicas da equipe envolvida, de um trabalho harmô-
cebendo adrenalina em infusão e norepinefrina em continua nico e sincronizado entre equipe anestésica e cirúrgica,
e NO. Realizado outro ecocardiograma na uti sem novas o que se torna possível com respeito mutúo e sempre
evidencias de trombos, mas ainda com disfunção de VD e priorizando o bem estar do paciente.
psap de 26mmhg com a função de de ventrículo esquerdo
preservado. TEG colhidas após o diagnostico de TEP e na
chegada da uti se mostraram incoaguláveis. DISCUSSÃO:
Mesmo em paciente com distúrbios de coagulação tep
são possíveis e exigem muitos recursos para diagnostico.
Eco foi fundamental para confirmação diagnóstica, guiar a
terapêutica e definição da dose que seria administrada. RE-
FERENCIAS: Anesth Analg 2000;91:296-9, Anesth Analg
2005;101:1608-12.

Temas Livres CBA 2014 | 27


USO DE BLOOD CELL SALVAGE EM
TRANSPLANTE HEPÁTICO, UM RELATO DE Anestesia em Cirurgia Cardíaca
CASO.
AUTORES: MIXOMA DE ÁTRIO E VENTRÍCULO
Glauber Gouvêa, Simone Soares Leite, Rodrigo Fernando
ESQUERDO ASSOCIADO A AVC EM
Diaz Castro, Lucas Cottini da Fonseca Passos, Camila San-
tos Spiller*, Fernanda Fonseca Lopes.
PACIENTE DE 15 ANOS. RELATO DE CASO.
AUTORES:
INSTITUIÇÃO:
Scheila Muriel Wendler*, Telma Sumaia Barros Cruz, Juliana
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Kaczmareck Figaro, Anderson de Moura, Patricia Dornbus-
INTRODUÇÃO: Transplantes hepáticos estão relaciona- ch, Iosmar Jose da Silva Junior.
dos a sangramentos voluptuosos, não só por distúrbios de
coagulação devido a insuficiência hepática, mas também INSTITUIÇÃO:
por peculiaridades técnicas do procedimento, ocasionando Serviço de Anestesiologia de Joinville.
alta demanda de hemoderivados. Desta forma, alternativas INTRODUÇÃO: Os tumores intracardíacos primários são
para reduzir a quantidade de componentes homólogos e raros, com incidência entre 0,0017% e 0,19% em necrop-
suas repercussões são constantemente almejadas. Nesta sias realizadas aleatoriamente. Três quartos dos tumores
perspectiva, o blood cell salvage (Cell Saver®) ganha es- são benignos e aproximadamente metade deles é repre-
paço como uma opção. CASO: IVES, feminino, 52 anos, sentada por mixomas. Apesar de ser considerado uma
história de litíase intra-hepática, cirrose biliar secundária neoplasia benigna este tipo de tumor pode ser letal devido
e hepatectomia esquerda com hepaticojejunostomia em complicações embólicas ou obstrução atrioventricular. A
1994, apresentou colangite de repetição e piora da função sintomatologia irá depender do tamanho, forma, mobilidade
hepática; indicado transplante hepático. Este foi realizado e localização do tumor. O objetivo deste relato é apresentar
em 06/03/2014. Monitorização básica, temperatura eso- o caso de um paciente com mixoma em átrio e ventrículo
fageana, índice biespectral, tromboelastografia, PAi, DC esquerdo associado a acidente vascular cerebral em terri-
invasivo e por termodilução transpulmonar. Anestesia geral tório de Artéria Cerebral Média Esquerda. Relato de caso:
veno-inalatória; indução em sequência rápida com propofol Paciente masculino, 15 anos, hígido, apresentou quadro
2,5mg/kg, fentanil 2,5mcg/kg e rocurônio 0,8mg/kg; IOT súbito de paresia em hemicorpo direito, afasia e perda da
sob laringoscopia direta com TOT 7,5F; manutenção com consciência. No atendimento inicial foi diagnosticado aci-
sevoflurano e rocurônio. Iniciado Cell Saver® no momento dente vascular cerebral em território de A.C.M esquerda.
da hepatectomia. Nesta fase, observou-se sangramento Submetido a craniotomia descompressiva de urgência
importante associado à instabilidade hemodinâmica; o após avaliação neurocirúrgica. Na investigação etiológica
Cell Saver® aspirou 13l de sangue e foram re- infundidos descobriu-se massas intracardíacas em átrio e ventrículo
6l (hematócrito próximo a 60%). Ao final: necessidade de esquerdo através do ecocardiograma transtorácico. 25 dias
politransfusão heteróloga (12 CH, 12 PFC, albumina 20% após o episódio inicial o paciente melhorou dos sintomas
250 ml, cristalóides 6500 ml e colóides 500 ml). Utilizadas de paresia mas persistiu com afasia e foi submetido a cirur-
noradrenalina, adrenalina e fenilefrina intermitentes para es- gia cardíaca para retirada do tumor. A indução da anestesia
tabilização. Duração cirúrgica de 7h30’, anestésica de 10h; foi feita com etomidato, sufentanil e rocurônio. Manutenção
diurese final de 650ml. Extubada e encaminha ao CTI está- com sevoflurano, remifentanil e propofol durante a CEC. A
vel com noradrenalina 0,1 mcg/kg/min. Evoluiu com trom- monitorização incluiu BIS e ecocardiotransesofágico além
bose de artéria hepática e foi retransplantada no 12º dia do eletrocardiograma, oxímetro de pulso, capnógrafo,
de pós-operatório. Apresentou diversas coleções perihepá- pressão arterial invasiva, pressão venosa central e tempe-
ticas e empiema de repetição, com múltiplas abordagens ratura. O procedimento transcorreu sem intercorrências, o
cirúrgicas e vários esquemas antibióticos. Por fim, culminou paciente foi extubado ao final da cirurgia e encaminhado
com pneumonia necrotizante refratária a antibioticoterapia; a CTI, hemodinamicamente estável e sem queixas de dor.
evoluiu a óbito em 06/06/2014. DISCUSSÃO: O caso ilustra Tempo total de CEC foi 75 minutos e de clampeamento de
a importância do Cell Saver em situações em que grande 60 min. Foi deixado um PCA EV de fentanil para analgesia
volume de hemoderivados é necessário. Mesmo que seu pós operatória. O paciente recebeu alta cardiológica no
benefício intra-operatório seja claro, existe ainda questio- 7º dia após a cirurgia em bom estado geral. Permaneceu
namento quanto a sua relação com aumento de infecções em acompanhamento com o neurologista. DISCUSSÃO:
no pós-operatório. Neste sentido, se fazem importantes Apesar do mixoma ser uma neoplasia benigna a embolia
mais trabalhos que demonstrem ou afastem essa asso- de fragmentos do tumor é uma complicação comum e
ciação, para que o método possa ser aplicado com mais potencialmente fatal. Os mixomas devem ser incluídos no
segurança. REFERÊNCIA: Feltracco P, Michieletto E, et diagnóstico diferencial de embolia sistêmica. O ecocardio-
al. Microbiologic contamination of intraoperative bloog grama é o método diagnóstico de eleição e o tratamento se
salvaged during liver transplantation. Transpl Proc. 2007; faz com a remoção cirúrgica que geralmente é curativa. O
39:1889-91. Feltracco P, Brezzi ML, et al. Blood loss, pre- anestesiologista deve ter conhecimento desta patologia e
dictors of bleeding, transfusion practice and strategies estar atento a complicações que podem ocorrer inclusive
of blood cell salvaging during liver transplantation. World no período intra-operatório. REFERÊNCIA: Lorentz MN,
J Hepatol. 2013; 5(1): 1-15. Cywinski JB, Alster, JM, et Vrandecic EC, Drumond LF et AL. Mixoma de átrio direito
al. Prediction of intraoperative transfusion requirements associado a cor pulmonale agudo. Relato de caso. Rev Bras
during orthotopic liver transplantation and the influence Anestesiol. 2008; 58: 69-72.
on postoperative patient survival. Anesth Analg. 2014;
118(2): 428-37.

28 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO EM ANESTESIA EM CIRURGIA PARA IMPLANTE
CIRURGIA CARDÍACA. RELATO DE CASO. TRANSCATETER DE VALVA AÓRTICA EM
PACIENTE COM ESTENOSE AÓRTICA.
AUTORES:
Felipe de Castro Freitas*, Marialice Vieira Cardoso, Daniel AUTORES:
Vieira de Queiroz, Camila Lacerda Lambert Gomes. Celso Schmalfuss Nogueira, João Garcia, Mariana de An-
drade Vieira*, Felipe Souza Thyrso de Lara, Alcides D` Ar-
INSTITUIÇÃO:
tagnan Bueno Nunes.
Hosp.Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.
INTRODUÇÃO: Diferentes mecanismos foram relaciona- INSTITUIÇÃO:
dos a um acidente vascular encefálico (AVE) que ocorra C.E.T. Santa Casa da Misericórdia de Santos.
durante uma cirurgia cardíaca e àqueles que ocorram de- INTRODUÇÃO – A estenose aórtica grave é a doença
pois da cirurgia. Também, diferentes fatores de risco estão valvar de grandes repercussão anestésica. O implante mi-
associados com acidentes vasculares cerebrais precoces, nimamente invasivo trans-cateter de valva aórtica é uma re-
aqueles que ficaram evidentes com o paciente acordando alidade sendo a melhor opção terapêutica para um número
da anestesia, e acidentes vasculares cerebrais tardios, que crescente de pacientes. O objetivo desse relato é descrever
apareceram depois dos pacientes ficarem conscientes. a técnica anestésica e as possíveis complicações com
Por isso, é necessário identificar a incidência e os fatores anestesia geral. Relato dos Caso: O.L, 79 anos, 80kg, mas-
preditores de disfunção neurológica no pós-operatório de culino, hipertenso. IAM com revascularização do miocárdio
cirurgia cardíaca e a evolução clínica precoce. Apresenta- há 04 anos. Implantado marcapasso provisório (VSCE),
remos um caso de AVE diagnosticado no pós operatório pelo BAVT na internação. Exames laboratoriais: sem altera-
imediato com recuperação apenas parcial. É fundamental ções. Cateterismo: Circulação coronariana de dominância
ter uma atenção com pacientes que apresentem fatores de direita / Coronária direita: lesão obstrutiva de 40% no terço
risco pré operatórios ou intercorrências de risco para tal proximal. / Descendente anterior: lesão obstrutiva severa no
complicação no perioperatorio, para serem tomadas me- terço proximal / Anastomose MIE - DA: pérvia, bom fluxo/
didas de diminuição do risco, ou pelo menos para fazer um VE: não realizado - cateter não ultrapassou valva aórtica
diagnóstico precoce e iniciar a reabilitação. Relato de caso: calcificada, / Valva aórtica: calcificada, estenótica e com
Paciente de 40 anos de idade, sexo masculino, portador de refluxo moderado. Exame físico: BEG, corado, hidratado,
estenose aórtica grave de origem reumática e hipertensão eupneico, consciente e orientado em tempo e espaço Bu-
arterial sistêmica, submetido a cirurgia de troca valvular lhas Ritmicas com sopro holosistólico 3+/6, mais evidente
com circulação extracorpórea, e realizada monitorização em foco aórtico. Conduta: Monitorização do paciente com
com ecocardiografiatransesofágico no intraoperatório. A eletrocardiograma (ECG), oximetria, capnografia, termôme-
cirurgia evoluiu sem intercorrências até a saída da circu- tro esofágico, pressão arterial invasiva (PAI), ecocardiogra-
lação extracorpórea, quando ocorreu fibrilação ventricular ma transesofágico, BIS e marcapasso transvenoso. Acesso
por aproximadamente 10 minutos, sendo necessária infu- venoso periférico: 16G em MSE e acesso venoso central:
são venosa de antiarrítmicos e desfibrilação intratorácica. O cateter duplo lúmen em VSCD. Cateterizada artéria radial
paciente evoluiu no pós-operatório com crises convulsivas esquerda com cateter 20G para PAI. Realizada anestesia
focais, paresia de membro superior direito e disartria, sen- geral balanceada (venosa + inalatória), indução com Eto-
do diagnosticado acidente vascular encefálico (confirmado midato 16mg, Midazolam 05mg, Fentanil 400mcg, Cisatra-
por exames de imagem), evoluindo com melhora parcial dos cúrio 16mg, IOT com tubo 8,0 com cuff e realizada manu-
sintomas, recebendo alta hospitalar dois meses após ainda tenção com Sevoflurano a 1,8% em ventilação mecânica
com seqüelas do AVE. CONCLUSÃO: As complicações controlada a pressão. Cirurgia realizada em duas horas e
neurológicas após procedimentos cirúrgicos cardíacos vinte e cinco minutos com sucesso. Paciente encaminhado
permanecem sendo um problema relativamente comum, para UTI cardíaca emu so de noradrenalina 0,05 mcg/Kg/
apesar dos avanços nas técnicas cirúrgicas e anestésicas, min, sendo extubado após 04 horas do término da cirurgia,
bem como na monitorização e manejo perioperatórios. sem queixas. DISCUSSÃO: A anestesia geral em pacientes
Tradicionalmente, o infarto cerebral que ocorre durante a com estenose aórtica tem como objetivos a manutenção
cirurgia cardíaca é atribuído a embolização. Dados mais do ritmo sinusal e normotermia, evitar taquicardia, bradi-
recentes sugerem, entretanto, que hipoperfusão e resposta cardia, sendo sempre necessário manter a pré carga ade-
inflamatória sistêmica também podem ser fatores presu- quada. A lesão traumática pela protese aórtica pode levar
midos de lesão neurológica. A ocorrência de AVE tem im- a intervenção cirúrgica com circulação extracorpórea. Por
portante impacto clínico e socioeconômico. A importância isso é importante que o anestesista tenha o rígido controle
da identificação de fatores de risco individuais para disfun- hemodinâmico e identifique precocemente intercorrências
ção neurológica se dá não somente para a estratificação durante o precedimento. REFERÊNCIA: Cardiovasc Re-
adequada do risco cirúrgico, mas para o desenvolvimento vasc Med. 2012 Jul-Aug;13(4):207-10. Transcatheter aortic
de novas estratégias, a fim de reduzir a freqüência desta valve replacement under monitored anesthesia care versus
complicação. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Miller`s general anesthesia with intubation. Ben-Dor I, Looser PM,
anestesia, 7th Ed; Tratado de Anestesiologia SAESP, 7a Ed, Maluenda G, et al.
São Paulo, Atheneu, 2011.

Temas Livres CBA 2014 | 29


ANESTESIA EM EMERGÊNCIA ANESTESIA PARA IMPLANTE DE PRÓTESE
CARDIOLÓGICA: UM DESAFIO À VIDA. VALVAR AÓRTICA EDWARD SAPIENS POR
MÉTODO TRANSCUTÂNEO (TAVI) DO TIPO
AUTORES:
Ademir Faoro*, PRISCILA EISEMBERG , CAROLINE VIEIRA, VALVE - IN - VALVE EM PACIENTE COM
Sérgio Teixeira Sant`Anna Junior, Flávio Elias Callil, Fabricio ESTENOSE SEVERA DE BIOPRÓTESE
Azevedo Cardoso. AÓRTICA: RELATO DE CASO.
INSTITUIÇÃO: AUTORES:
HOSPITAL MUNICIPAL SOUZA AGUIAR- HMSA. Tailur Alberto Grando*, Vicente Faraon Fonseca, Claudio
Roberto Gomes, MATEUS FREZZA, Viviane Mentz Dornel-
INTRODUÇÃO: O tamponamento cardíaco é uma emer- les, Paulo José Irigon Pereira.
gência médica, sendo necessária a drenagem imediata
do saco pericárdico. A abordagem cirúrgica é essencial INSTITUIÇÃO:
para controle clínico e manutenção da vida. O aneste- FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA DE CARDIOLOGIA DE PORTO
siologista deve estar habilitado a minimizar as chances ALEGRE.
de complicações através da condução anestésica cor-
INTRODUÇÃO: O uso de bioprótese na troca valvar aórtica
reta. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 44 anos,
tem se tornado cada vez mais comum1. Apesar da vanta-
65kilos, ASA p III E, Mallampati I, portador de sarcoido-
gem de não necessitar de anticoagulação, pode ocorrer
se sem tratamento há 7anos. À admissão apresentava
sua degeneração resultando em nova estenose. Como es-
dispnéia, astenia e febre, realizado ecocardiografia que
ses pacientes normalmente apresentam idade avançada e
evidenciava derrame pericárdico volumoso, com sinais
múltiplas co-morbidades a cirurgia é de grande morbimor-
de restrição diastólica e veia cava distendida; sendo
talidade1. Nesse cenário, o implante valvular transcateter
indicada pericardiectomia parcial com janela pleurope-
se apresenta como uma alternativa2. Relato de Caso:B.M.,
ricardica. Após monitorização conforme resolução CFM
79 anos, masculino, hipertenso, dislipidêmico, diabético,
N° 1.802/2006 e venóclise MSE 16G. Seguida indução
portador de fibrilação atrial e estenose aórtica. Realizou
anestésica em sequência rápida com cetamina 250mg,
troca valvar aórtica em 2008. Após 2 anos, apresentou piora
midazolam 7,5mg e rocurônio 70mg IV. Realizada tora-
dos sintomas de IC. Ecocardiograma com estenose severa
cotomia subxifoideana com drenagem 1500 ml do saco
(grad médio 64mmhg e área 0,43cm2 com fração de ejeção
pericárdio, sem intercorrências. Foi encaminhado para
de 65%). Optou-se por implante valvar transcatéter. Monito-
UTI, sob ventilação mecânica no pós operatório imediato,
rizado com ECG, PAM, oximetria, capnografia, termometria,
sendo extubado no 20 DPO. Obteve alta do CTI após, e
ecografia transesofágica, MP temporário e diurese. Catete-
alta hospitalar no 120 DPO. DISCUSSÃO: em situações
rizadas duas veias periféricas calibrosas, artéria e veia cen-
onde existam evidencias clínicas de tamponamento car-
tral. Indução foi realizada com midazolam 5mg, etomidato
díaco; na indução anestésica deve-se buscar ao máximo
14mg, fentanil 250mcg ,rocurônio 35mg. Administradas na
a manutenção adequada do debito cardíaco e pressão
indução também cefazolina 2g e hidrocortisona 500mg
arterial. A anestesia geral utilizando drogas vasodila-
Realizada intubação orotraqueal sem intercorrências. Para
tadoras associadas à ventilação com pressão positiva;
manutenção da anestesia, foi utilizado sevoflurano (0,5-
podem resultar em grave hipotensão e falência cardíaca,
1,0CAM) e fentanil dose total de 1900mcg. Após a indução,
devido à vasodilatação periférica, depressão miocárdica
evoluiu com BAV de alto grau. Foi utilizada noradrenalina
direta e diminuição do retorno venoso. Nesses casos, ce-
para suporte hemodinâmico. Após dissecção da artéria
tamina é considerada a melhor opção por gerar aumento
femoral direita e heparinização, foi implantada uma prótese
da frequência cardíaca, resistência vascular periférica e
Edwards-Sapiens n°23 sobre a bioprótese aórtica (valve-in-
inotropismo positivo, reduzindo os riscos de hipotensão
-valve). Resultado: O resultado foi excelente, com redução
e colapso cardiovascular. DISCUSSÃO: em situações
significativa dos gradientes VE-AO. Ecocardiograma do
onde existam evidencias clínicas de tamponamento car-
pós-operatório imediato com gradiente médio de 30mmHg
díaco; na indução anestésica deve-se buscar ao máximo
e área valvar 0,9cm² com “leak” peri-valvar e mínimo re-
a manutenção adequada do debito cardíaco e pressão
fluxo periprótese . O sangramento estimado de 350ml. O
arterial. A anestesia geral utilizando drogas vasodila-
paciente foi mantido intubado no PO em VMEC. Após um
tadoras associadas à ventilação com pressão positiva;
ano de seguimento, se mantem estável do ponto de vista
podem resultar em grave hipotensão e falência cardíaca,
cardiovascular. Atualmente em classe funcional NYHA II
devido à vasodilatação periférica, depressão miocárdica
com mínima disfunção protética. DISCUSSÃO: Trata-se
direta e diminuição do retorno venoso. Nesses casos, ce-
de mais uma técnica de implante percutânea a ser reali-
tamina é considerada a melhor opção por gerar aumento
zada em pacientes graves com alta mortalidade cirúrgica.
da frequência cardíaca, resistência vascular periférica e
CONCLUSÃO: A técnica anestésica mostrou-se segura e
inotropismo positivo, reduzindo os riscos de hipotensão e
sem intercorrências. REFERÊNCIA: 1. Brown JM, O’Brien
colapso cardiovascular. REFERÊNCIA: 1) Maxwell BG1,
SM, Wu C, Sikora JA, Griffith BP, Gammie JS. Isolated aortic
Harrington KB, Kelly NE. Anesthetic management for
valve replacement in North America comprising 108,687 pa-
reentry sternotomy in a patient with a full stomach and
tients in 10 years: changes in risks, valve types, and outco-
pericardial tamponade from left ventricular rupture. Ann
mes in the Society of Thoracic Surgeons National Database.
Card Anaesth 2013;16(1):51-3.
J ThoracCardiovasc Surg.2009;137(1):82-90. 2.Jategaonkar
SR, Scholtz W, Horstkotte D.Transfemoral Aortic Valve-in-
-Valve Implantation With the CoreValveEvolut for Small De-
generated Stented Bioprosthesis. J InvasiveCardiol. 2014
Jun;26(6):291-4.

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ANESTESIA PARA IMPLANTE DE AVALIAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE O
RESSINCRONIZADOR CARDÍACO - RELATO ETCO2 MEDIDO DURANTE A CIRCULAÇÃO
DE CASO. EXTRACORPÓREA EM CIRURGIAS
CARDÍACAS E OS MARCADORES
AUTORES:
Miriam Isabel dos Santos Rodrigues*, Walkiria Wingester DE PERFUSÃO LABORATORIAIS E
Vilas Boas, Paulo Carvalho Pimenta Figueiredo, Raphael HEMODINÂMICOS – ESTUDO PILOTO.
Grossi Rocha, Loyara Rocha Miranda Teixeira, Thaissa Gar- AUTORES:
cia Barbosa de Figueiredo. Ana Carla Pinto de Góes Omena, Loyara Rocha Miranda Teixei-
INSTITUIÇÃO: ra*, Débora Cristina Guerra Amaral Fóscolo, Walkiria Wingester
Hospital das Clínicas da UFMG. Vilas Boas, Alipio Maciel Lima de Brito, Lorena Quintão Linhares.

INTRODUÇÃO:A prevalência da Insuficiência cardíaca(IC) INSTITUIÇÃO:


tem aumentado com o envelhecimento das populações. Hospital das Clínicas da UFMG.
O implante de ressincronizador cardíaco(RC) tem grau de INTRODUÇÃO: Monitorização detalhada de perfusão e fun-
recomendação e nível de evidência IA nos pacientes com ção de órgãos durante o uso de circulação extracorpórea
FEVE≤35% , BRE e QRS ≥150ms. Nestes casos a terapia de (CEC) ainda é um desafio. A monitorização do CO2 expirado
ressincronização cardíaca reduz sintomas e mortalidade. (ETCO2) é hoje considerada um importante monitor fisiológi-
Embora o procedimento cirúrgico para o implante do RC co, podendo refletir alterações na ventilação, no débito cardía-
possa ser considerado de baixo risco, o paciente é sempre co, na distribuição do fluxo sanguíneo pulmonar e na atividade
de alto risco clínico cardíaco, desafiando o anestesiologista metabólica, durante as cirurgias de um modo geral. Durante
responsável. Relato do caso: ES, masculino, 38 anos, por- a CEC , quando coração e pulmão estão excluídos, o ETCO2
tador de miocardiopatia idiopática dilatada (FEVE=20%), pode ser medido na saída de gases da máquina de circulação
BRE, NYHA III, DM tipo II, levado ao bloco cirúrgico para extracorpórea. Esta medida contínua, embora pouco utilizada
implante de RC. Procedimento iniciado sob sedação, mas na prática clínica, poderia se correlacionar com outros marca-
paciente não tolerou (levou a mão no sítio cirúrgico) sendo dores de perfusão e metabolismo do paciente. O objetivo do
então feito indução para anestesia geral, que foi seguida trabalho é avaliar a correlação de valores de ETCO2 medidos
por PCR em AESP prontamente tradada. Evoluiu com pneu- durante a CEC com os parâmetros de perfusão e ventilação
monia pós-operatória e cultura de ponta de cateter isolou da mesma, e com os marcadores bioquímicos de perfusão
Serratia sensível a meticilina. Recebeu alta, após 10 dias de habitualmente utilizados (lactato, saturação venosa central de
internação, com IC controlada, mas retorna 3 semanas após O2, gradiente venoarterial de CO2 e BE (excesso de bases)).
com infecção do sítio cirúrgico e descompensação cardía- MÉTODO: Parâmetros hemodinâmicos e de temperatura do
ca. Avaliação do dispositivo indicava função normal em rit- paciente; fluxo de gases e fluxo sanguíneo na máquina de
mo DDD. Foram colhidas novas culturas e realizado Eco TE CEC e resultados dos exames laboratoriais durante a CEC
que evidenciou FEVE=17%, PSAP= 44mmHg, ventrículos foram correlacionados (Pearson R) com valores medidos de
dilatados, regurgitação mitral e tricúspide, sem vegetações. ETCO2, a intervalos definidos. O programa GraphPad Prism
No quarto dia da segunda internação foi levado ao bloco versão 5 foi utilizado para análises estatísticas. Os dados fo-
para retirada do dispositivo sob anestesia geral e ao final ram apresentados como médias ± DP. O valor de p<0.05 foi
do procedimento apresentou instabilidade hemodinâmica considerado significativo. RESULTADO: Foram avaliados 10
e PCR sendo diagnosticado ao Eco de urgência tampona- pacientes com um total de 18 amostras analisadas, com idade
mento cardíaco. Com a drenagem de urgência do tampona- 45 ± 12 anos; peso de 67,6 ± 8,9 Kg e superfície corporal 1,7 ±
mento, circulação espontânea foi restabelecida, mas logo 0,04 Kg/m2. Durante a CEC, o fluxo médio de bomba foi 4,19
evoluiu com nova PCR e óbito. Equipe de cirurgia cardíaca ± 0,85 L/mi; fluxo de gases 2,7 ± 0,73; FiO2 0,68 ± 0,13; lactato
do hospital considerou infecção como causa básica do 2,8 ± 1,7; BE-3,8 ± 2,6; pH arterial 7,37 ±0,04; temperatura 32
óbito, secundária a agitação e contaminação dos campos ± 2ºC; hemoglobina 9,5 ± 2,1 g/dL; saturação arterial 99,72 ±
cirúrgicos durante implante do RC. DISCUSSÃO: O fato de 0,31% e saturação venosa 84,46 ±6,41% . Houve correlação
a anestesia geral poder resultar em significativos efeitos positiva entre ETCO2 e os seguintes parâmetros: temperatura
hemodinâmicos e descompensação de pacientes cardio- e PaCO2. Não houve correlação estatística com outros parâ-
patas, e da IC ser fator de risco independente de morbimor- metros de perfusão pesquisados. CONCLUSÃO: As medidas
talidade em cirurgias não cardíacas faz com que pacientes de ETCO2 refletem as alterações na PaCO2 desde que a venti-
com IC não sejam facilmente considerados para anestesia lação e a perfusão estejam equilibradas, o CO2 seja facilmente
geral. Trabalho realizado em hospital de cuidado cardíaco difusível na membrana do oxigenador e que não ocorram erros
terciário de Londres comparou o prognóstico dos pacientes de amostragem na medição. Portanto, em um modelo ideal
submetidos ao implante de RC sob anestesia geral e se- de ventilação-perfusão ETCO2 é igual a PaCO2. A correlação
dação, nos período de 2002-2010. Embora aqueles autores positiva encontrada corrobora com este fato e poderia facili-
observassem uma tendência nos últimos anos da escolha tar o manejo metabólico principalmente durante hipotermias
por anestesia geral, eles concluíram que pacientes com IC profundas e parada circulatória total, quando utilizamos o
submetidos a implante de ressincronizador com anesthesia pH-stat. A correlação entre temperatura e ETCO2 poderia ser
geral ou sedação tiveram risco perioperatório mínimo e não explicada pela associação entre metabolismo e temperatura.
houve diferença no prognóstico pós-operatório entre anes- Estudos maiores são necessários para avaliação da correla-
tesia geral ou sedação. REFERÊNCIA: Theron P, Guha K, ção entre o ETCO2 medido durante a CEC e os marcadores
Mantziari L et al. General Anesthesia Versus Sedation for laboratoriais de perfusão. REFERÊNCIA: Ranucci M, Isgrò G,
Implantation of a Biventricular Pacing Device for Cardiac Romitti F et al. Anaerobic metabolism during cardiopulmonary
Resynchronization Therapy. Journal of Cardiothoracic and bypass: predictive value of carbon dioxide derived parame-
Vascular Anesthesia. 2014; Vol28; No2(April):280–284. ters. Ann Thorac Surg 2006;81:2189–95.

Temas Livres CBA 2014 | 31


HIPOTENSÃO GRAVE APÓS O USO UM CASO DE SUCESSO NO USO DE
DE PROTAMINA PARA A REVERSÃO ECMO (OXIGENAÇÃO POR MEMBRANA
DE HEPARINA APÓS CIRCULAÇÃO EXTRACORPÓREA) INTRAOPERATÓRIO
EXTRACORPÓREA EM CIRURGIA CARDÍACA COMO PONTE PARA TRANSPLANTE
– RELATO DE CASO. CARDÍACO: RELATO DE CASO.
AUTORES: AUTORES:
Luiz Antonio de Moraes, Nelson Unzer dos Santos Filho*, Aline Macedo Pinheiro*, Wallace Andrino da Silva, Filomena
Leandro Camargo Izabel, Lucas Souza Nogueira de Abreu. Regina Barbosa Gomes Galas, Ludhmila Abrahão Hajjar.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
CET/SBA/MEC da Santa Casa de Marília - SP. Hospital das Clínicas da FMUSP.
INTRODUÇÃO: A Protamina é o antidoto universal usado INTRODUÇÃO A Oxigenação por Membrana Extra-
p/ neutralizar a heparina no final da CEC. Quando é utiliza- corpórea (ECMO) consiste em um sistema de cânulas,
da pode provocar efeitos colaterais, principalmente hipo- membrana e bomba propulsora que presta assistência
tensão. Relato de caso: Pac., feminina, 33 anos, diabetes circulatória e/ou pulmonar quando esses órgãos se en-
tipo II controlada, c/ o uso de insulina. ICC diastólica classe contram insuficientes, podendo servir como ponte para
funcional IV, c/ passado de valvopatia tipo estenose mitral um possível tratamento definitivo. (1) CASO CLÍNICO:
e insuf. tricúspide. Submetida há 10 anos, a cirurgia p/ co- Paciente do sexo masculino, 19 anos, deu entrada no
locação de prótese mitral. Há um mês com dispneia ao re- serviço com dor torácica em aperto. Antecedente de Tre-
pouso, ortopneia e edema de MMIIS+4/+4 c/ cacifo. Progr. talogia de Fallot, corrigida ao nascimento com Blalock
p/ retroca de valva mitral. Hepatomegalia com ascite. PA = Taussig e reabordado para ampliação de saída do VD
100/80mmhg, ECO = FE 64%, hipertensão pulmonar e es- (ventrículo direito). Aguardava cirurgia por insuficiência
tenose mitral importantes. Induzida c/ diazepan, etomidato pulmonar importante. O paciente foi internado e subme-
e remifentanil em inf. continua. Succinilcolina e intubada c/ tido à troca de valva pulmonar, sem sucesso na saída de
sonda portex nº 7. Anest. mantida c/ inf. continua de re- CEC (circulação extracorpórea) por disfunção grave de
mifentanil e propofol. Bloqueio neuro-muscular mantido c/ VD e arritmia ventricular refratárias, respectivamente, ao
pancuronio. Até a CEC, cirurgia e anestesia sem intercorrên- uso de milrinone e óxido nítrico e amiodarona, lidocaína e
cias. Antes da CEC feito heparina 3mg/kg de peso. Anest. adrenalina. Optou-se pela instalação da ECMO veno-ar-
durante a CEC, mantida c/ infusão continua de propofol + terial como ponte para um possível transplante cardíaco.
remifentanil e doses intermitentes de midazolan. Após saída Evoluiu com disfunção progressiva dos ventrículos e no
de CEC, pac. teve função cardíaca restabelecida e optou- quinto dia de internação na unidade de terapia intensiva
-se pela saída de CEC. Recebeu então protamina (Dose= foi submetido ao transplante cardíaco com sucesso. No
1:1), por via venosa e a paciente evoluiu com hipotensão décimo nono pós-operatório o paciente recebeu alta,
grave, que não respondeu ao uso de drogas vasoativas consciente e extubado, para o leito de enfermaria. DIS-
(noradrenalina e dobutamina) e a infusão de 02 frascos de CUSSÃO: Os relatos de sucesso com o uso de ECMO
albumina. Optou-se por reentrada em CEC. Recebeu então são mais frequentes em recém-nascidos e crianças. (2,3)
4 amps. de gluconato de cálcio a 10% e após 30 minutos, Nos adultos, a técnica ainda é discutível quanto à mor-
optou-se por nova tentativa de saída de CEC. Paciente c/ bidade agregada. No entanto, os efeitos colaterais (le-
função cardíaca restabelecida, optou-se pelo fechamento são renal e neurológica) também podem advir do insulto
do tórax e a não reversão da nova dose recebida de hepari- anóxico-isquêmico resultante do agravamento da doença
na. Evoluiu na UTI sem intercorrências e foi extubada após de base.(4,5) Neste relato, a indicação de ECMO ainda no
12 hs. DISCUSSÃO: Devido a possíveis reações indesejá- intraoperatório como solução para insuficiência cardía-
veis da protamina, a droga deve ser administrada diluída ca grave pós-CEC possibilitou a espera do transplante
e lentamente, sob monitorização continua, não tendo sido cardíaco com resultado satisfatório. REFERÊNCIA: 1)
demonstrada até o momento, qualquer superioridade da Chauhan, S. and S. Subin «Extracorporeal membrane
administração por via aórtica ou atrial esquerda, sobre a oxygenation, an anesthesiologist›s perspective: phy-
via atrial direita ou via venosa clássica. Existem relatos de siology and principles. Part 1.» Ann Card Anaesth 14(3):
que a dose de protamina em recém-nascidos, é maior do 218-29. 2) Bartlett RH, Roloff DW, Custer JR, Younger JG,
que em crianças maiores e em adultos. Embora crianças Hirschl RB. Extracorporeal life support: the University of
pareçam estar protegidas das reações anafiláticas e anafi- Michigan experience. JAMA. 2000;283:904-8.
lactoides causadas pela protamina a literatura sugere que
a incidência em crianças e adolescentes e em pacientes
adultos é aproximadamente 1,76%. As reações à protamina
parecem ser mais comum em pacs. alérgicos ao salmão,
pois a protamina é extraída de testículos de diversas es-
pécies de salmão, em pacs. vasectomisados e em pacs.
que recebem insulina- protamina - zinco para tratamento
de diabetes. REFERENCIAS: 1- Seifert HÁ, Jobes Dr, Tem
Have TT et al – Adverse events after protamin administra-
tion after cardiopulmonar by-pass in infants and children.
Anesth Analg, 2003;97:383-3389. 2 Spiess B D & Chang S
PB – Disturbios peroperatorios da coagulação. In Thomas S
J & Kramer JL, eds. Manual de anestesia cardíaca. 2 ed Rio
de Janeiro, Revinter, 2000: 492-525.

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USO DE AZUL DE METILENO EM SÍNDROME VARIAÇÕES INTRAOPERATÓRIAS DE SÓDIO
VASOPLÉGICA APÓS CIRURGIA DE E COMPLICAÇÕES NEUROLÓGICAS PÓS-
REVASCULARIZAÇÃO MIOCÁRDICA. OPERATÓRIAS EM CIRURGIA CARDÍACA
PEDIÁTRICA.
AUTORES:
Franklin Silva de Novais*, Catharina Silva Borges, Jedson AUTORES:
dos Santos Nascimento, Márcio Henrique Lopes Barbosa. Macelly Amorim Castro*, Rodrigo Leal Alves, Guilherme Oli-
veira Campos, Norma Sueli Pinheiro Modolo, Nelson Alves
INSTITUIÇÃO:
de Sousa Filho.
Santa Casa de Misericórdia da Bahia, Praça Conselheiro
Almeida Couto, n. 500, Salvador-BA. INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: Síndrome vasoplégica (SV) após cirurgia Hospital São Rafael e Hospital Ana Neri.
cardíaca caracteriza-se por hipotensão, débito cardíaco JUSTIFICATIVA E OBJETIVO: em função dos avanços
normal ou elevado e reduzida resistência arterial sistêmi- no tratamento das cardiopatias congênitas, com conse-
ca, com redução da perfusão sistêmica. Possui incidência quente redução da mortalidade diretamente atribuída à
entre 5 - 25% e elevada mortalidade (25%), especialmente doença, as complicações neurológicas no pós-operató-
quando associada à refratariedade a catecolaminas. Relato rio de cirurgia cardíaca pediátrica tornaram-se uma das
de caso: JJD, masculino, 70 anos, história de cardiopatia principais preocupações em cardiologia pediátrica (1).
isquêmica e angina estável há 06 meses. em uso de ácido Fatores de risco para lesão neurológica após a cirurgia
acetilsalicílico, anlodipina, hidralazina, espironolactona, cardíaca pediátrica são geralmente atribuídos a hipóxia
atorvastatina e enalapril. Coronariografia: suboclusão em tecidual, mas o tecido cerebral é igualmente vulnerável
terço proximal de descendente anterior (DA), obstruções de aos efeitos de variações bruscas da osmolaridade do
90% (ostial) e 75% (proximal) em circunflexa. Ecocardiogra- plasma. Assim, este estudo buscou comparar a variação
fia com fração de ejeção ventricular igual a 34%. Submetido intra-operatória do sódio sérico em crianças com e sem
à revascularização miocárdica sob anestesia geral balan- complicações neurológicas após a cirurgia cardíaca. MÉ-
ceada: indução com fentanil 200µg, propofol 70mg e cisa- TODO: Trata-se de um estudo retrospectivo realizado a
tracúrio 14mg; manutenção com remifentanil e sevoflurano. partir da coleta de dados de prontuário de 200 pacientes
Administração de metilprednisolona, cefuroxima e ácido pediátricos consecutivos submetidos a cirurgia cardíaca
épsilon-aminocapróico. Monitorização hemodinâmica inva- no período de 2007 a 2010 em dois hospitais terciários
siva com cateterização de artéria radial e balão intra-aórtico estaduais. Comparações da variação intra-operatória na
(BIA), previamente à indução anestésica, acesso venoso concentração do sódio sérico de pacientes que apre-
central, sondagem vesical e termômetro orofaríngeo. Re- sentaram, ou não, complicações neurológicas no pós-
alizadas anastomose mamária esquerda-DA e ponte de -operatório foram estabelecidos por meio de regressão
safena entre aorta e marginal esquerda durante circulação logística e análise univariada. RESULTADO: A magnitude
extra-corpória (CEC) hipotérmica (32°C) com cardioplegia da variação intra-operatória na concentração sérica de
anterógrada intermitente. Uso de noradrenalina em doses sódio apresentou uma correlação positiva com a razão
crescentes durante a CEC devido à instabilidade hemodi- de chances (OR) para complicações neurológicas (OR
nâmica e parâmetros de perfusão alterados. Saída de CEC 1,15; 95% intervalo de confiança 1,03-1,28). Uma compa-
após 70 min., em uso de noradrenalina, dobutamina e BIA ração entre pacientes com e sem complicações neuroló-
1:1. Apresentou 03 episódios de FV/TV revertidos com des- gicas específicas mostrou que variação significativa do
fibrilação, seguidos de bradicardia juncional e retorno ao sódio ocorreu nas crianças que apresentaram coma (14,8
ritmo sinusal espontaneamente. Heparinização revertida mmol / l vs 4,9 mmol / l, p = 0,003) e déficit neurológico
com protamina; sem necessidade de uso de hemoderi- (14,6 mmol / l vs 5,0 mmol / l, p = 0,017) mas não entre
vados. Passagem de cateter de artéria pulmonar (CAP) e os que apresentaram convulsão (8 mmol / l vs 5,2 mmol
observado padrão vasoplégico. Introduzida vasopressina / l, p = 0,483) e acidente vascular cerebral (5 mmol / l
em doses crescentes, associada à noradrenalina e redução vs 5,3 mmol / l, p = 0,805). CONCLUSÃO: A magnitu-
de dobutamina, sem evolução hemodinâmica. Devido à de da variação intra-operatória na concentração sérica
SV refratária, administrado azul de metileno (AM) 2mg/kg. de sódio foi associado a uma maior razão de chances
Encaminhado à UTI em uso de vasopressina, dobutamina, para complicações neurológicas no pós-operatório em
noradrenalina e BIA 1:1. Medidas do CAP ainda com padrão crianças submetidas a cirurgia cardíaca. REFERÊNCIA:
vasoplégico, sendo mantida terapêutica. Melhora hemodi- 1. Greeley WJ, Berkowitz DH, Nathan AT. Anesthesia
nâmica progressiva e desmame gradual das medicações. for pediatric cardiac surgery. In: Miller RD, (Ed.). Miller´s
Retirado BIA no 2° DPO. Extubação no 3º DPO. Alta da Anesthesia. 2. Philadelphia: Churchill Livingstone; 2005.
UTI no 4º DPO e hospitalar no 18º DPO. DISCUSSÃO: A pp. 2599-652. 2. Davies LK. Management of postbypass
SV pós-CEC caracteriza-se por predomínio patológico de myocardial dysfunction. In: Lake CL, Booker PD, (Eds.).
mecanismos vasodilatadores, dentre eles, ativação da gua- Pediatric Cardiac Anesthesia. Philadelphia: Lippincott
nilato ciclase, com consequente aumento do GMP-cíclico e Williams & Wilkins; 2005. pp. 291-303.
vasodilatação da musculatura lisa. Por inibir tal mecanismo,
o uso do AM tem sido empregado como terapia de resgate
nos casos de SV refratária ao uso de vasopressores. Es-
tudos tem evidenciado redução da mortalidade e reversão
precoce da SV com administração de 1,5-2mg/Kg de AM.
REFERÊNCIA: Fischer GW, Levin MA. Vasoplegia During
Cardiac Surgery: Current Concepts and Management. Se-
min Thoracic Surg. 2010;22:140-144.

Temas Livres CBA 2014 | 33


PERIDURAL TORÁCICA COMO TÉCNICA
Anestesia em Cirurgia Torácica ÚNICA PARA CIRURGIA TORÁCICA VÍDEO-
ASSISTIDA, UM RELATO DE CASO
PERFIL EPIDEMIOLOGICO DOS PACIENTES AUTORES:
Laís Tenorio de Melo Medeiros, Thaysa Lanne Alves
SUBMETIDOS A ANALGESIA PERIDURAL
Dos Santos, Rafaela Wanderley Araújo Ferreira, Márcia
APÓS CIRURGIA TORÁCICA. Adriana Dias M.moreira, Raphaela Ferreira da Silva*, João
AUTORES: Batista Virgulino.
Daniel Lunardi Spader*, Mariane Fritsch, Joana Amara
INSTITUIÇÃO:
Chanan, Manoel Bernardo Schmiedel dos Santos, Monia Di
Hospital Universitário Lauro Wanderley.
Lara Dias, Paulo José Irigon Pereira.
INTRODUÇÃO: cirurgias torácicas vídeo-assistidas
INSTITUIÇÃO: são habitualmente realizadas sob anestesia geral, mas
SOCIEDADE DE ANESTESIOLOGIA - SANE. o uso de técnicas que dispensam a intubação orotra-
INTRODUÇÃO: Toracotomia frequentemente está asso- queal tem sido cada vez mais utilizado, principalmente
ciada a dor intensa pós-operatória. Complicações como em pacientes de risco e em procedimentos de curta
atelectasia e pneumonia estão descritas e relacionadas duração. RELATO DE CASO: paciente J.H.S., feminina,
a analgesia ineficaz e consequente falta de mobilização. 57 anos, parda, natural e procedente de Solânea - Pb.
A técnica de bloqueio peridural torácico é amplamen- Passado de câncer gástrico há três anos, sendo subme-
te utilizada como método de analgesia e considerada o tida a gastrectomia neste período. Evoluiu com derrame
padrão-ouro para o controle da dor nesse procedimento, plural bilateral, mais volumoso a esquerda, hreiá dez
mostrando-se superior à analgesia sistêmica. A finalidade dias da admissão. Indicada realização de pleuroscopia
desse estudo foi avaliar a qualidade da analgesia, a inci- para avaliação da existência de implantes tumorais por
dência de efeitos colaterais, de complicações e o grau de metástases do tumor primário. Ao exame físico, estado
satisfação de pacientes submetidos à analgesia por blo- geral bom, dispnéia leve, consciente e orientada, 164cm,
queio peridural após toracotomia. MÉTODO: Foram anali- 51Kg, 130/90mmHg. Para realização da anestesia, foram
sados dados de 75 pacientes consecutivos, submetidos à utilizados monitores de pressão não invasiva, oximetria
toracotomia e a bloqueio peridural torácico com inserção de pulso, cardioscopia. Como medicação pré-anesté-
de cateter (CPD) para analgesia continua. O anestésico sica foram administrados 50mcg de fentanil e 2mg de
local utilizado foi bupivacaína ou ropivacaína, ambos na midazolam. Optou-se pela anestesia peridural como
concentração de 1,8mg/ml, em associação com fentanil técnica anestésica única, sendo está realizada no espa-
2,5mcg/ml . Esses pacientes foram questionados por uma ço entre T5 e T6, com uso de 50mg de bupivacaína em
equipe do tratamento da dor aguda, diariamente, quanto excesso enantiomérico de 50% (S75:R25) 0,125% com
a presença de efeitos colaterais (náuseas/vômitos e pru- vasoconstrictor, 100mcg de fentanil, associada à passa-
rido), intensidade da dor e satisfação da analgesia. Foram gem de cateter, sem intercorrências. Paciente colocada
registradas também complicações como retirada aciden- em decúbito lateral direito com os coxins apropriados e
tal do cateter e parestesia. Os pacientes foram acompa- iniciada abordagem cirúrgica do pulmão esquerdo, por
nhados durante todo o período em que permaneceram videotoracoscopia. No transoperatório foi realizado o
com o cateter peridural. RESULTADO: A média de idade bloqueio do nervo vago com 25mg de bupivacaína em
dos pacientes analisados foi de 58,5 anos, ± 15,89, sendo excesso enantiomérico de 50% (S75:R25) 0,5% sem va-
33 homens (44%) e 42 mulheres (56%). Constatou-se uma soconstrictor pelo cirurgião, com intuito de diminuir os
incidência geral de náusea/vômitos de 29,2% (22 pacien- reflexos de tosse. Procedimento teve duração aproxima-
tes), sendo 35,7% das mulheres (15) e 21,2% dos homens da de uma hora, sem intercorrências e sem necessidade
(7). Prurido relacionado ao opioide foi registrado em 14 de complementação de anestésico ou mudança de téc-
pacientes (18,6%), sendo 9 casos em mulheres (21,4%) e nica. Paciente enviada a recuperação pós-anestésica,
5 em homens (15,1%). Ocorreu retirada acidental do CPD onde permaneceu por aproximadamente uma hora,
em 3 casos (4%). Parestesia foi verificada em 7 pacien- quando recebeu alta para enfermaria sem queixas. DIS-
tes (9,33%). A quantificação da dor, reportada por meio CUSSÃO: em casos e pacientes selecionados, o uso do
de escala visual analógica (EVA), constatou uma média de bloqueio regional como técnica isolada tem se mostrado
dor de 1,77± 2,24 pontos, em repouso e 3,95± 2,5 ao mo- seguro para cirurgias torácicas vídeo-assistidas, sendo
vimento, no primeiro dia pós-operatório. No segundo dia, cada vez mais utilizado. REFERENCIA: Cohen, Edmond.
esses valor foram de 0,73± 1,43 em repouso e 2,87± 2,48 Anesthesia for Video-Assisted Thoracoscopic Surgery.
ao movimento. A satisfação dos pacientes com a anal- In: P. Slinger. Principles and Practice of Anesthesia for
gesia e o acompanhamento foi medida por meio de nota Thoracic Surgery. New York, Springer, 2011; 331-40.
simples de 1 a 10, sendo a média de satisfação ao final
do acompanhamento de 9,01. CONCLUSÃO: Analgesia
peridural agrega qualidade ao atendimento ao paciente,
trazendo bons índices de satisfação do mesmo, com baixa
incidência de efeitos colaterais. REFERÊNCIA: 1. Côrtes
CAF, Sanchez CA, Oliveira AF et al. Anestesia Peridural.
In:Candiani LM, Slullitel A, Potério GMB et al. Tratado de
anestesiologia SAESP. 7ed. São Paulo, Atheneu, 2011;
1515-38.

34 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA PARA BYPASS VASCULAR EM
Anestesia em Cirurgia Vascular MEMBRO INFERIOR COM BLOQUEIO DE
NERVOS PERIFÉRICOS.
ANESTESIA EM ARTERITE DE TAKAYASU: AUTORES:
Jordana de Fraga Guimarães*, Cristine Formighieri Ango-
RELATO DE CASO.
nese, Rafael Klein Gomes, Carlos Farias, Vasco Miranda
AUTORES: Júnior.
Hermes Melo Teixeira Batista, Woneska Rodrigues Pinheiro,
INSTITUIÇÃO:
Ivo Cavalcante Pita Neto, Carlos Alexandre Lima Linhares,
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Gylmara Bezerra de Menezes Silveira, Luiz Carlos de Abreu,
Hermes Melo Teixeira Batista*. INTRODUÇÃO A técnica anestésica para o intra-operatório
e para analgesia pós-operatória mais apropriada para pa-
INSTITUIÇÃO:
cientes de alto risco submetidos a bypass femoro-poplíteo
Hospital Regional do Cariri - Faculdade de Medicina do
ainda permanece controverso. Relato de caso IAB, 75 anos,
ABC.
masculino, branco, com quadro de ICC (classe funcional
INTRODUÇÃO - arterite de Takayasu é uma vasculi- II), cardiopatia isquêmica (infarto agudo do miocárdio há 3
te granulomatosa, idiopática, progressiva e que causa anos com colocação de stent coronariano), fibrilação atrial
oclusão ou estenose de grandes vasos. O tratamento é crônica e ex-tabagista (parou de fumar há 13 anos). Apre-
na maioria das vezes clínico, entretanto, revasculariza- senta importante escoliose e cifose toracolombar. Proposto
ção pode ser necessário. Relato do caso: paciente do bypass fêmoro-poplíteo distal direito para doença vascular
sexo feminino, 35 anos, portadora de arterite de Takaya- periférica aterosclerótica. Capacidade funcional de 4 METs,
su e HAS, admitida na emergência com dor abdominal porém difícil de avaliar clinicamente. Classificado como
difusa e intensa. AngioTC de aorta abdominal evidenciou ASA 3. Nega alergias. em uso das seguintes medicações:
estenoses de a mesentérica superior e inferior, e múl- ácido acetilsalicílico 200 mg/dia, clopidogrel 75 mg/dia,
tiplos infartos renais bilateralmente. Realizada laparo- pentoxifilina 400 mg 2x/dia, sinvastatina 40 mg/dia, furose-
tomia exploradora com achado de vesícula necrótica e mida 40 mg/dia, isossorbida 10 mg 3x/dia, digoxina 0,25
delgado com sinais de sofrimento crônico, porém sem mg/dia e omeprazol 20 mg/dia. Jejum completo de 8 horas.
necessidade de ressecção. Iniciada alimentação pa- Mallampati 4, mobilidade cervical restrita. Apresenta im-
renteral. Paciente evoluiu com piora da dor, dispneica e portante escoliose e cifose da coluna torácica, o que o im-
mantendo quadro hipertensivo. Indicada angioplastia de possibilita o decúbito dorsal. Exames pré-operatórios rea-
aorta. Indução realizada com fentanil, rocurônio e pro- lizados: hemoglobina 14,0g/dl, hematócrito 41%, plaquetas
pofol. Refluxo de grande quantidade de líquido fecalóide 224.000mmL, creatinina 1,5mg/dl, uréia 53mg/dl, potássio
e broncoaspiração. Foi mantida em VM e encaminhada 4,3mEq/L, sódio 141mEq/L, INR 1,0, TTPA 38segundos;
à UTI ao final do procedimento. DISCUSSÃO: devemos ECG com frequência ventricular de 100 batimentos/minuto,
dar atenção especial à gastroparesia em pacientes no fibrilação atrial e zona inativa infero-posterior; Rx de tórax
pós -operatório de cirurgias abdominais e em doenças com aumento do volume cardíaco e imagem nodular em
arteriais sistêmicas que possam causar sofrimento de base pulmão direito. Na sala cirúrgica, o paciente foi po-
alças pela possibilidade de íleo paralítico e risco de re- sicionado em decúbito dorsal com dorso e região cervical
gurgitação e broncoaspiração. O caso relatado descreve apoiado em coxins de modo que a cabeça permanecesse
uma complicação grave no perioperatório, evitável, em apoiada. Monitorização realizada com cardioscopia, oxi-
paciente com doença arterial sistêmica , com compro- metria de pulso e pressão arterial não-invasiva. Material
metimento de múltiplos órgãos, inclusive o TGI, e que para via aérea difícil preparado em sala. Realizado bloqueio
contribuiu para o aumento na sua morbidade. REFE- femoral e isquiático abordagem infraglútea (técnica de Raj)
RÊNCIA: 1-Liang P. Perioperative management of the com auxílio de neuroestimulador e agulha A100mm. Admi-
patient with Takayasu›s arteritis. In:Braian F. Mandell.Pe- nistrado ropivacaína 0,75% (dose total 300 mg) + lidocaína
rioperative Management of Patients with Rheumatic Di- 1% sem vasoconstritor (dose total 50 mg). No transoperató-
sease. Cleveland. Ed Springer, 2013;221-231. 2- Kathirvel rio permaneceu com infusão contínua de propofol, clonidi-
S., Chavan S., Arya V.K. et al.Anesthetic Management of na e cetamina, mantendo um nível de sedação consciente.
Patients with Takayasu›s Arterites : A Case Series and Após 3 horas e 30 minutos, o procedimento proposto é
Review.Anesth Analg , 2001;93;60-5. encerrado sem intercorrências. DISCUSSÃO: Várias são
as técnicas anestésicas possíveis para pacientes que se-
rão submetidos a bypass femoro-poplíteo. Neste caso, o
quadro clinico do paciente associado com a presença de
várias comorbidades, via aérea difícil, patologia pulmonar
importante, deformidade na coluna além de uma contra-
-indicação formal ao bloqueio de neuroeixo nos fez optar
pela anestesia regional. Deste modo, após tomarmos todas
as precauções e opções para abordar uma via aérea difícil
caso fosse necessário, optamos como técnica anestésica
pelo bloqueio de nervos periféricos, neste caso o bloqueio
do nervo femoral e isquiático.

Temas Livres CBA 2014 | 35


ANESTESIA PARA CIRURGIA DE URGÊNCIA ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL ROTO,
EM PACIENTE COM ESTENOSE AÓRTICA. UM DESAFIO ANESTÉSICO-CIRÚRGICO.
GRAVE.
AUTORES:
AUTORES: Mariana do Valle de Carvalho*, Sérgio Teixeira Sant`Anna
Beatriz Ferreira Alves*, Daniel Vieira de Queiroz, Marialice Junior, Fabricio Azevedo Cardoso, Flávio Elias Callil, Ademir
Vieira Cardoso, Denise Iskin. Faoro, Samuel Darcy Véras Fontenelle de Araujo.

INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
CET Prof. Fabiano Gouvea, Hospital Federal dos Servidores Hospital Municipal Souza Aguiar.
do Estado do Rio de Janeiro. INTRODUÇÃO: A cirurgia aórtica representa um dos
CONFLITO DE INTERESSES: Não há. INTRODUÇÃO: maiores desafios para os anestesiologistas. Independente
Estenose aórtica é uma lesão valvular comum, princi- de qual parte do vaso esteja envolvido, a necessidade do
palmente em pacientes mais idosos, e sua incidência clampeamento aórtico e o risco de grande perda sanguínea
vem aumentando com o envelhecimento da população. intra-operatoria, elevam muito o risco de taxas de morta-
Pacientes com estenose aórtica que se apresentam para lidade e complicações perioperatórias. A expansão aguda
cirurgia não-cardíaca estão sob alto risco de complica- manifestada como dor abdominal súbita e intensa podem
ções cardíacas perioperatórias. Diretrizes norte-ameri- anunciar a ruptura e complicações catatróficas. RELATO
canas recomendam troca valvar antes de uma cirurgia DE CASO: Paciente feminino, 29 anos, 75Kg, ASA pIVE,
eletiva. Porém, diretrizes para o manejo de pacientes Mallampati I, hipertensa descompensada, amaurose bi-
com doença valvar grave que requerem cirurgias não- lateral, insuficiência renal crônica em tratamento dialítico.
-cardíacas de emergência ou que não preenchem cri- Programada a correção de aneurisma de aorta abdominal
térios de correção cirúrgica são limitados. O conheci- em expansão com ruptura contida. Revisão de venóclise
mento de sua fisiopatologia é extremamente importante em membro superior direito. Puncionada veia subclávia
devido à alta complexidade do manejo perioperatório esquerda. Iniciada infusão de nitroprussiato de sódio em
desses pacientes. RELATO DO CASO: Paciente de 88 bomba infusora. Seguida indução anestésica com Lidoca-
anos, sexo masculino, 65 kg, hipertenso, ex-tabagista, ína 2% 60mg, Fentanil 150mcg, Propofol 100mg, Cisatra-
portador de estenose aórtica grave, sem coronariopatia, cúrio 10mg IV. Seguida intubação orotraqueal sem inter-
submetido previamente à ponte femoro-poplítea com corrências. Administrados Cefazolina 2g, dexametasona
prótese, evoluindo com infecção da mesma. Indicada re- 8mg, e metoclopramida 10mg. Manta térmica sobre o tórax.
vascularização de membro inferior esquerdo em caráter Puncionada arteria radial direita para monitorização invasi-
de urgência, com ponte da ilíaca comum para femoral va da pressão arterial. Transoperatório sem repercussões
profunda. Optou-se por anestesia geral venosa e ina- hemodinâmicas ao clampeamento e desclampeamento da
latória, sem alterações hemodinâmicas importantes na aorta com evidencias de aneurisma roto tamponado pelo
indução e durante o procedimento, que transcorreu sem duodeno. Transfundidos 2 concentrados de hemácias. Hi-
intercorrências. DISCUSSÃO: A estenose aórtica é um percalemia e acidose metabólica intraoperatória, revertidas
importante fator de risco para eventos cardíacos perio- com uso de β2 agonista e bicarbonato de sódio 8,4% 50ml
peratórios, com aumento de morbidade e risco de morte IV. Para analgesia pós operatória Morfina 7mg subcutânea
súbita. As causas podem ser adquiridas (degeneração e e 2g Dipirona. Após 6 horas e meia a cirurgia foi finalizada.
calcificação valvar) ou congênitas (válvula aórtica bicús- Realizada reversão do bloqueio neuromuscular com 1mg
pide). É considerada grave quando a área valvar é menor Atropina e 2mg Neostigmina IV, seguida de extubação sem
do que 0,8 cm². O manejo anestésico deve ser guiado intercorrências. Encaminhado à SRPA com Aldrete: 10.
por alguns objetivos hemodinâmicos: manutenção da DISCUSSÃO: A cirurgia em aneurisma de aorta rota é re-
pré-carga, do ritmo sinusal, da frequência cardíaca entre pleta de desafios visto que diversas complicações podem
60-70 bpm e da resistência vascular sistêmica. Todos advir tanto da patologia quanto do procedimento cirúrgico.
esses objetivos visam à prevenção da hipotensão e de Hipertensão grave, isquemia do miocárdio, insuficiência
qualquer alteração hemodinâmica que reduza o débito do ventrículo esquerdo ou insuficiência valvar podem advir
cardíaco, que é fixo em pacientes portadores dessa con- durante o ato cirúrgico. A interrupção do fluxo sanguíneo
dição. Anestesia geral, com monitorização adequada, para medula espinhal e rins podem produzir paraplegia e
pode oferecer um excelente controle hemodinâmico e é insuficiência renal, respectivamente, dependendo da altura
geralmente a escolha, já que um bloqueio simpático pro- do clampeamento. A abordagem convencional normalmen-
duzido pela anestesia regional pode levar à hipotensão te está relacionada a grandes incisões e trocas volêmicas,
significativa. Portanto, o conhecimento da fisiopatologia pinçamento e despinçamento aórtico, períodos variáveis de
da estenose aórtica associado à manutenção dos objeti- isquemia-reperfusão tecidual e ativação de respostas me-
vos hemodinâmicos durante o ato anestésico-cirúrgico é tabólicas e inflamatórias intensas. Os objetivos principais
crucial para evitar eventos indesejáveis perioperatórios. da anestesia são promover estabilidade hemodinâmica e
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1) Herrera A., Valvu- preservar a função do miocárdio; mantendo uma relação
lar Heart Disease, Stoelting’s anesthesia and co-existing positiva entre a oferta e o consumo de oxigênio; aumentar
disease, 6ª Ed, 2012, Elsevier, 31-47. 2) Frogel J., Galusca a oferta de oxigênio por meio da manutenção do hema-
D., Anesthetic considerations for patients with advanced tócrito e da volemia; promover proteção renal e equilíbrio
valvular heart disease undergoing noncardiac surgery, ácido-base e eletrolítico; controlar a temperatura e prevenir
Anesthesiology Clin 28 (2010) 67-85. coagulopatias. REFERENCIAS: 1) Brimacombe J, Berry A
Haemodynamic management in ruptured abdominal aortic
aneurysm. Postgrad Med J. 1994;70(822):252-6.

36 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


COMPLICAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA DE DRENAGEM DE LÍQUIDO CÉFALO
ENDARTERECTOMIA DE CARÓTIDA SOB RAQUIDIANO (LCR) COMO TRATAMENTO DE
NEUROMONITORIZAÇÃO: RELATO DE CASO. ISQUEMIA MEDULAR APÓS CIRURGIA PARA
CORREÇÃO DE ANEURISMA DE AORTA
AUTORES:
Gustavo Felloni Tsuha, Paulo Sérgio Mateus Marcelino TORÁCICA – RELATO DE CASO.
Serzedo, Fernanda Erlo Ribeiro*, Carlos André Cagnolati, AUTORES:
Rodrigo Nogueira Cardoso, Eduardo Barbin Zuccolotto. Fernando José Gonçalves do Prado, Tânia Cursino de Mene-
INSTITUIÇÃO: zes Couceiro, Marcelo Neves Silva, Bruno Luis Soares Lima*,
Clínica de Anestesiologia Ribeirão Preto. José Francisco de Lima e Silva, Jailton Luiz Cordeiro Júnior.

INTRODUÇÃO Estenose carotídea é uma doença grave INSTITUIÇÃO:


que pode levar a isquemia cerebral e seqüelas maiores. Hospital Santa Joana.
A endarterectomia(EAC) restabelece o fluxo sanguíneo INTRODUÇÃO: Paciente foi diagnosticado com aneurisma
cerebral, porém é um procedimento que pode ocasionar aórtico na transição toracoabdominal medindo 10 x 7,5 cm.
complicações graves, e o uso de neuromonitorização RELATO DO CASO: Paciente masculino, 72 anos, hiperten-
intra-operatória ajuda a prevenir e diagnosticar preco- so, ex-tabagista, portador de doença pulmonar obstrutiva
cemente tais alterações. CASO CLÍNICO: Paciente fe- crônica, sedentário, dispnéia aos esforços habituais, infarto
minina, 70 anos, 61 kg, 1,63m, estado físico P3, internou agudo do miocárdio (IAM) em 2008, submetido à angioplastia
para realização de endarterectomia de carótida interna primária. Evoluiu com insuficiência renal crônica (IRC) dialítica
E. História prévia: hipertensão, hipotireoidismo, dislipi- desde então. Refere etilismo eventual. Submetido a correção
demia, AVE isquêmico e tabagista. Realizou angioplastia de Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA) endovascular sem
com stent em carótida D há 3 meses sem complicações. intercorrências em 2010. Paciente submetido a correção
Exame de ultrassom evidenciou obstrução de 60% em endovascular de aneurisma de aorta toracoabdominal no
carótida E. Monitorização: ECG, SpO2, ETCO2, PAI, TOF dia 19/02/2014 sob anestesia geral venosa total, implantado
e cateterismo vesical e potenciais evocados. Após se- cateter peridural 18G no espaço subaracnóideo para mo-
dação com Midazolam 3mg EV, indução anestésica com nitorização de pressão e drenagem liquórica. O paciente
propofol(TCI 2 ng/ml), remifentanil(0,3 mcg/kg/min) e permaneceu hemodinamicamente estável, sem necessidade
rocurônio0,6 mg/kg. Realizado monitorização neurofisio- de drogas vasoativa ou transfusão de hemoderivados no in-
lógica com potencial evocado somato-sensitivo, motor traoperatório. Foi extubado em sala, consciente, orientado,
e eletroencefalografia durante todo procedimento cirúr- aquecido, hemodinâmica estável e queixa de paresia em
gico sem nenhum momento de alteração. Procedimento membro inferior direito. Apresentou no pós-operatório imedia-
transcorreu sem intercorrências cirúrgicas, com clampe to déficit motor oscilante com predomínio à direita sugestivo
de carótida E por 37 minutos. Extubada ao final do pro- de isquemia medular. Foi realizada otimização da pressão de
cedimento com infusão de Nitroglicerina para controle da perfusão medular mantendo-se pressão arterial media (PAM)
PAM em 80 mmHg, orientada, com movimentação ativa maior ou igual a 110 milímetros de Mercúrio (mmHg), drena-
dos MMSS e MMII sem déficits. Paciente encaminhada gem liquórica (500ml em 5 dias) para manter pressão liquórica
a UTI acordada. Evoluiu no 1º PO com déficit motor em entre 15 – 20 mmHg e manutenção da taxa de hemoglobina
MSD. Realizado angio CT que evidenciou áreas de hipo- em 10mg/dL (transfusão de 3 concentrados de hemáceas). Foi
densidade cerebral E, compatível com foco isquêmico e realizada Ressonância Nuclear Magnética de coluna lombar e
carótida comum esquerda com obstrução total da sua foi excluído o diagnóstico de hematoma epidural. Evoluiu com
luz. Demonstrava presença de placa instável abaixo do resolução completa do déficit neurológico após 5 dias, quan-
local da incisão cirúrgica com coágulo. Paciente evolui- do foi retirado catéter de drenagem liquórica. Por uma série de
mantendo o déficit de MSD, com alta de UTI no 3°PO, e complicações (IAM) o paciente foi a óbito no pós-operatório
alta hospitalar no 9°PO. DISCUSSÃO: EAC é uma ci- tardio (45 dias). DISCUSSÃO: A incidência de paraplegia após
rurgia realizada para desobstruir e restabelecer o fluxo correção endovascular de aneurisma de aorta torácica varia
sanguíneo cerebral em pacientes com doença ateroma- de 3% a 12%¹, de acordo com os fatores de risco, tais como
tosa de carótida. Pode ser realizada tanto sob anestesia idade >79 anos, IRC, cirurgia de emergência, stent cobrindo
geral ou bloqueio regional. As metas no manejo da EAC mais de 20 cm da aorta torácica, tabagismo ativo, acidente
são prevenção e rápida detecção de isquemia cerebral. vascular cerebral e cirurgia de correção de AAA prévio². Esse
O uso de potencial evocado somato-sensorial, motor e déficit neurológico decorre da redução da pressão de per-
eletroencefalograma é um dos melhores métodos para fusão medular, que corresponde a PAM menos Pressão Li-
detecção de isquemia cerebral durante o clampe da arté- quórica (PL), e consequente isquemia. Desse modo, o manejo
ria carótida intra-operatório. A monitorização é capaz de desse evento é feito pela manutenção de PAM adequada (>110
detectar problemas locais e sistêmicos, e informar sobre mmHg) e redução da PL (<10 mmHg) através da drenagem
a integridade do sistema nervoso, permitindo corrigir os de LCR. O paciente em questão apresentava diversos fatores
danos em tempo hábil. REFERÊNCIA: Jean-Michel Gué- de risco para isquemia medular. Foi mantida PAM>110mmHg
rit. Intraoperative monitoringduring carotidendarterec- e iniciados drenagem de LCR até desaparecimento do déficit
tomy. In: M.R. Nuwer. IntraoperativeMonitoringof Neural neurológico o que ocorreu com a PL em torno de 15 cm de
Function Handbook of Clinical Neurophysiology, Vol. 8. água. REFERÊNCIA: 1.Keith et al. Protocol implementation
Elsevier, 2008;776-790. of selective postoperative lumbar spinal drainage after tho-
racic aortic endograft. JOURNAL OF VASCULAR SURGERY,
2012;55:1-8 2.Rizvi and Sullivan. Incidence, prevention, and
management in spinal cord protection during TEVAR. JOUR-
NAL OF VASCULAR SURGERY, 2010;52: 86-90

Temas Livres CBA 2014 | 37


PARADA CARDIO-RESPIRATÓRIA EM PRÓS E CONTRA DE REVASCULARIZAÇÃO
VARICECTOMIA: REFLEXO DE BAINBRIDGE. MIOCÁRDICA PRÉ-OPERATÓRIA EM
PACIENTE COM ANEURISMA DE AORTA
AUTORES:
Fabrício Junqueira de Melo*, Renato Santiago Gomez, Joa- ABDOMINAL.
quim Belchior Silva, Ronaldo Antônio Mendonça Filho, Ce- AUTORES:
sar Chalub Cruz, Alexandre Camelo Schettino de Castilho. Eloá Mascarenhas Soffritti*, Daniel Vieira de Queiroz, Deni-
INSTITUIÇÃO: se Iskin, Marialice Vieira Cardoso, Lucas de Moura Lopes.
Hospital Luxemburgo - Instituto Mario Penna. INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: Relatamos o caso de uma parada car- Hospital Federal Dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.
diorrespiratória em assistolia precedida por bradicardia INTRODUÇÃO: A discussão sobre revascularização
súbita em paciente hígida submetida à raquianestesia miocárdica pré-operatória em paciente com angina es-
para varicectomia de membros inferiores bilateral. Re- tável que será submetido a cirurgia vascular é antiga e
lato de caso: Paciente de 53 anos, sem comorbidades, complexa. As últimas evidências mostram que a mes-
submetida à raquianestesia com 12,5mg de bupivacaí- ma não altera sobrevida a longo prazo e provavelmente
na pesada, para realização de varicectomia bilateral de aumenta a mortalidade, o risco de infarto miocárdico e
membros inferiores. O procedimento cirúrgico transcor- o tempo de internação hospitalar a curto prazo. Entre-
reu sem intercorrências, com sangramento habitual. Não tanto, a análise individual de cada caso deve ser feita,
foi necessária utilização de vasopressores durante o ato uma vez que as complicações cardiovasculares são a
cirúrgico. Após a reversão da posição de Trendelemburg principal causa de morbimortalidade neste subgrupo.
a paciente apresentou súbita bradicardia, com rebaixa- RELATO DE CASO: Paciente de 84 anos, sexo mascu-
mento do sensório evoluindo para PCR em assistolia. lino, hipertenso, distúrbio pulmonar obstrutivo grave e
Realizada manobras de reanimação cardiovascular por angina estável com aneurisma de aorta abdominal de 6
5 minutos, de acordo com as diretrizes do ACLS. Rever- cm. A proposta cirúrgica era de correção endovascular
tido o quadro de PCR, a paciente apresentou-se lúcida e associada a revascularização de membro inferior es-
orientada, com estabilidade hemodinâmica, sem neces- querdo. No pré-operatório a cintilografia miocárdica foi
sidade de aminas vasopressóricas. Encaminhada a sala positiva para isquemia e o cateterismo cardíaco apre-
de recuperação anestésica assintomática para observa- sentou oclusão multiarterial. Após uma discussão mul-
ção. CONCLUSÃO: O quadro apresentado pela paciente tidisciplinar optou-se pelo tratamento clínico otimizado
sugere que a reversão da posição de Trendelemburg e realização direta de cirurgia eletiva. DISCUSSÃO: A
reduziu subitamente o retorno venoso com consequen- cirurgia proposta endovascular é considerada de risco
te bradicardia e PCR. O efeito é resultado do reflexo de intermediário e o paciente é de médio risco, segundo a
Bainbridge, que ocorre quando da distensão dos recep- ACC/AHA. Portanto, a chance de eventos cardiovascu-
tores situados no átrio, através do nervo vago. O reflexo lares desfavoráveis é menor que 5%. O risco de ruptura
pode ser atenuado pela manutenção do paciente euvo- de aneurisma chega a 20% quando o diâmetro é supe-
lêmico e reversão lenta da posição de Trendelemburg. rior a 5 cm. Complicação com mortalidade espontânea
acima de 85%. Além disso, a revascularição miocárdica
pré-operatória leva ao atraso da cirurgia eletiva e toda
morbidade inerente ao procedimento. Neste contexto,
de acordo com as diretrizes atuais não há benefício de
intervenção coronariana precoce, exceto naqueles pa-
cientes com indicação absoluta independente do con-
texto cirúrgico. Novas perspectivas apontam para um
provável benefício em pacientes de médio risco e testes
não-invasivos positivos para isquemia, porém ainda com
nível baixo de evidência. REFERÊNCIA: 1) Santiago Gar-
cia et al. Chapter 11, Should patients with stable corona-
ry artery disease undergo prophylactic revascularization
before noncardiac surgery? L. Fleisher. Evidence-Based
Practice of Anesthesiology, 3rd Edition, 2013. 2) Lee A.
Fleisher et al. Guidelines on Perioperative Cardiovascular
Evaluation and Care for Noncardiac Surgery. Circulation.
2009;120: 169-276.

38 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


REAÇÃO ALÉRGICA EM PACIENTE COM RESSECÇÃO DE TUMOR RENAL
ARTERITE DE TAKAYASU DURANTE ASSOCIADO A TROMBO EM VEIA CAVA
PROCEDIMENTO ENDOVASCULAR INFERIOR E ÁTRIO DIREITO COM PARADA
INTERVENCIONISTA. CIRCULATÓRIA TOTAL.
AUTORES: AUTORES:
Ivo Carelli Neto*, Julius Cesar Bonifacio Baranauskas, Ro- Débora Cristina Guerra Amaral Fóscolo*, Lara Moreira
drigo Pereira Regis, Marcella Malavazzi, Claudia Marquez Mendes Carneiro, Lorena Linhares Quintao, Felipe Millem
Simões, Cássio Campello de Menezes. de Azevedo, Marcos Daniel de Faria, Luis Eduardo Rias
Cardoso.
INSTITUIÇÃO:
Hospital Sírio Libanês. INSTITUIÇÃO:
Hospital das Clinicas UFMG.
A Arterite de Takayasu (AT) é uma doença progressiva, idio-
pática, inflamatória que leva a um estreitamento, oclusão e INTRODUÇÃO O carcinoma de células renais se associa
aneurismas de grandes vasos. Relato de caso: 51 anos, 43 a um estado de hipercoagulabilidade, podendo apresentar
kg, 1,63 m, IMC 16,2 kg/m2, tabagista 1 maço/dia desde os trombos no sistema venoso em até 10% dos casos, com
15 anos de idade internou por dor abdominal difusa. Ao exa- menos de 1% se extendendo além da veia cava inferior
me físico ausência de pulso em MSE e femoral bilateral po- suprahepática. A cirurgia frequentemente requer parada
rém membros com boa perfusão. Ecodoppler apresentava circulatória total com hipotermia profunda, agravando al-
espessamento valvar mitral com refluxo moderado e pressão terações metabólicas e prejudicando a coagulação. Relato
sistólica pulmonar estimada em 38 mmHg. No doppler ca- de caso Paciente do sexo masculino, 62 anos, com tumor
rótida interna apresentava estenose estimada entre 50-70%. renal direito associado à invasão de veia cava e átrio direito,
Na artéria vertebral esquerda via-se fluxo retrógrado por com repercussões hepáticas decorrentes de hipertensão
roubo da subclávia completo. Na angiotomografia da aorta portal, foi submetido à nefrectomia radical e trombectomia,
toracoabdominal constava-se irregularidades indicativa de com necessidade de parada circulatória total. Instituída
ulcerações e oclusão na origem da artéria subclávia esquer- monitorização invasiva com pressão intraarterial e pres-
da. Observou-se oclusão na origem da artéria mesentérica são venosa central associada à monitorização anestésica
superior por uma extensão de 1,5 cm com reenchimento por padrão. Após indução anestésica foi introduzida sonda do
colaterais, extensa oclusão da aorta abdominal infrarrenal, ecocardiograma transesofágico, que mostrou trombo vo-
estendendo-se até as artérias ilíacas comuns, externas e lumoso em átrio direito. A tromboelastografia demonstrou
internas. A artéria mesentérica inferior não apresentou con- aumento do MCF, caracterizando hipercoagulabilidade.
trastação, indicando a revascularização. A paciente relatou Durante o procedimento, o paciente apresentou piora dos
isquemia mesentérica anterrior e arterite de Takayasu sem parâmetros hemodinâmicos e sangramento volumoso,
relatar outras comorbidades. Referiu alergia a contraste. em sendo necessária transfusão de hemocomponentes, guia-
uso de omeprazol, ondansetrona, cilostazol, cilatopran. Ca- da pelo tromboelastograma, que mostrou prolongamento
teterizada artéria radial esquerda, após teste de Allen sem do CT e redução do MCF. O tempo de parada circulatória
alterações. Anestesia geral induzida com fentanil, etomida- total programado era 1 minuto, porém foram necessários
to, rocurônio. Anestesia mantida com isoflurano e propofol 3 minutos iniciais, com retorno posterior a nova parada cir-
em infusão alvo-controlada. Paciente apresentou quadro de culatória, totalizando 20 minutos. Paciente encaminhado
anafilaxia durante o procedimento após injeção de contraste ao CTI, intubado, recebendo noradrenalina e terlipressina
pela equipe cirúrgica sendo tratada agudamente com hidro- em doses baixas. Após a extubação, constatou-se hemi-
cortisona, difenidramina, ranitidina e infusão contínua de plegia esquerda, que não apresentou melhoras durante
adrenalina. Realizada colocação de stent em tronco celíaco. a internação. DISCUSSÃO: A circulação extracorpórea
O procedimento durou 4 horas e a paciente foi encaminhada combinada com parada circulatória hipotérmica são técni-
a UTI estável, sem drogas vasoativas. Foi extubada 5 horas cas utilizadas para ressecção tumoral nesses casos, com
após o término do procedimento, com alta hospitalar no 5 média relatada de perda sanguínea de 3L e complicações
pós operatório. DISCUSSÃO: Múltiplos desafios podem es- pós-operatórias descritas em 34% dos casos. Os méto-
tar presentes como dificuldade na monitorização da pressão dos viscoelásticos de análise de coagulação tornam-se
arterial, pico hipertensivo durante a intubação traqueal com ferramentas fundamentais, bem como o ecocardiograma
potencias complicações hemorrágicas entre outras. O uso transesofágico durante o intraoperatório auxiliando na mo-
de contraste acaba sendo necessário para adequado diag- nitorização da função cardíaca, reavaliação da extensão
nóstico e no caso citado, para o tratamento, sem alternativas do trombo e prevenção da embolização tumoral e de ar.
para o procedimento minimamente invasivo e sem tempo REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Abel, E.J , Thomp-
para preparo. CONCLUSÃO: Pacientes com AT apresentam son, R. Vitalys-Heckman, M. et al Perioperative outcomes
uma altas taxas de complicações. Com o crescimento dos following surgical resection of renal cell carcinoma with
procedimentos endovasculares o uso de contrastes radio- inferior vena cava thrombus extendig above the hepatic
lógicos é cada vez mais frequente e apresenta-se como um vein: a contemporary multicenter experience. European
risco adicional a esta população. O caso relatado evoluiu Urology 2013 Sigman, D.B, Hasnain, J.U., Del Pizzo, J.J et
bem, no entanto a necessidade de uso de vasopressores, al. Real time transesophaeal echocardiography for intrao-
pode ser extremamente deleteria e associada a dificulda- perative surveillance of patients with renal cell carcinoma
de de controle pressórico e acidentes hemorrágicos nesta and vena caval extension undergoing radical nephrectomy.
população. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. Bhatia, The Journal of Urology, vol 161 (1):36-38, 1999.
N; Jangra, K. Takayasu’s arteritis: An anesthetic challenge.
Anaesthesia, Pain & Intensive Care. 2013, 17(2), 212.

Temas Livres CBA 2014 | 39


TRATAMENTO ENDOVASCULAR DO
ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL ROTO Anestesia em Cirurgias
SOB ANESTESIA GERAL – RELATO DE CASO.
Abdominais
AUTORES:
Tatiana Souza do Nascimento, Daniele Oliveira Minelli, Pe-
dro Henrique de Mello N. Nobre Machado, Renata de Oli- ANESTESIA EM PACIENTE JOVEM PORTADOR
veira Camara, André Santos Carmo*, Luis Fernando Lopes. DE NÓDULOS HEPÁTICOS SUGESTIVOS
INSTITUIÇÃO:
DE ADENOMA, COM NECESSIDADE DE
Hospital Naval Marcílio Dias. REALIZAR TRISSEGMENTECTOMIA HEPÁTICA
COM RADIOABLAÇÃO GUIADA POR USG NO
INTRODUÇÃO: O aneurisma de aorta abdominal roto ATO OPERATÓRIO: RELATO DE CASO
(AAAR) apresenta uma alta taxa de mortalidade, apro-
ximando-se dos 50%. A correção endovascular do AAA AUTORES:
(CEAAA), por tratar-se de um procedimento minimamente Marília Eidam*, Marina Franzim Munhoz, Rafael Nascimento,
invasivo, vem tornando-se o tratamento de eleição para Arthur Andraus Dumont Prado, Luiz Cesar Anzoategui.
essa condição. Ensaios clínicos demonstram menores
taxas de morbimortalidade quando comparado à técnica INSTITUIÇÃO:
convencional. A abordagem anestésica pode ser realizada Hospital Santa Casa Campo Grande.
sob técnicas diversas, devendo a mesma ser direcionada INTRODUÇÃO: O adenoma hepatocelular é o tumor benigno
e individualizada para cada caso. Monitorização básica e mais comum em mulheres em idade fértil, relacionado ao uso
invasiva são imprescindíveis. O acesso venoso central e o de anticoncepcional oral e história familiar. Normalmente os
catéter de artéria pulmonar devem ser considerados. RE- adenomas não apresentam sintomas e são achados de usg
LATO DE CASO: V.C.S., sexo feminino, 65 anos, tabagista abdominal de rotina. Devido ao potencial de malignização e
e hipertensa, em uso regular de enalapril, deu entrada na possibilidade de sangramento, os adenomas hepáticos devem
emergência, com quadro de dor abdominal há 3 dias. Rea- ser tratados cirurgicamente. Relato de Caso: Paciente do sexo
lizou AngioTC que evidenciou AAAR infrarrenal. Coletados feminimo,27 anos, 68kg, hipertensa em uso de Losartana 50mg,
exames laboratoriais (Hb 6,3g%/HT 18,8%/PTT117,3seg/ sem alergias medicamentosas, com diagnóstico de adenoma
TAP 55%/INR 1,49) e encaminhada ao CC. Ao chegar na hepatocelular à biópsia hepática. Exames pré-operatórios sem
SO a paciente apresentava-se lúcida, hipocorada (+++/4+), alterações. Admitida em centro cirúrgico consciente e orien-
PA 110x70 mmHg, FC 153 bpm e SpO2 86%. Após a moni- tada, sem queixas, para realização do ato cirúrgico proposto.
torização foi iniciada adrenalina 2µg/ml em BI a 30 ml/h no Sinais vitais : PA 120x80mmHg, FC 80bpm, Sat O2 98%. Moni-
catéter 18G em MSD. Seguiu-se com pré-oxigenação com torizada com cardioscópio, oximetria de pulso, PAI, PVC, cap-
02 a 100% e indução venosa com fentanil 100µg + lidocaina nografia, temperatura corporal. Realizada venóclise em msd,
100mg + etomidato 12mg + rocurônio 40mg seguido de IOT calibrosa. Indução anestésica com propofol e remifentanil com
com TOT n 7,5 sob laringoscopia direta, sem intercorrências. doses alvo-controladas e atracúrio 0,5mg/Kg. Manutenção
Realizada cateterização da artéria radial esquerda para mo- anestésica com propofol e remifentanil alvo-controlado. Re-
nitorização invasiva da PA e punção da veia jugular interna laxante muscular realizado de horário, em bolus. Manteve-se
direita (VJID). Gasometria arterial (HB 3,4g% / Hct 10% / pH PVC entre 2-3mmHg durante a ressecção dos segmentos he-
7,27 / pCO2 40 / pO2 178/ BE -8 / HCO3- 19,1/ Ca 2,2 / Na páticos e ablação dos tumores. Reposição volêmica com 10ml/
145/ K 3,5). Substituiu-se a adrenalina por noradrenalina 0,1 kg/h de solução eletrolítica balanceada, durante as 6h de pro-
µg/Kg/min e, após a infusão de 1000ml de ringer lactato, foi cedimento anestésico-cirúrgico. Sem alterações significativas
administrado esmolol 10mg + fentanil 50µg com redução de pressão arterial durante o procedimento e débito urinário de
da FC para 100bpm em 10 minutos. Decorridos 80 minutos 1ml/Kg/h. Não houve intercorrências no transoperatório. Ao fim
de cirurgia realizou-se transfusão de 840ml de concentrado do procedimento, foi instalado PCA venoso com fentanil e feito
de hemácias e 151ml de plasma fresco. Feito ainda 2g de profilaxia para náuseas e vômitos. Paciente foi encaminhada
gluconato de Ca IV. A dose de noradrenalina variou de 0,05 ao CTI, extubada, acordada, referindo dor abdominal leve. Ob-
a 0,2 µg/Kg/min com desmame até o final da cirurgia. O teve alta do CTI 24h após, sem intercorrências nesse período.
procedimento cirúrgico foi realizado sem intercorrências. A DISCUSSÃO: A técnica anestésica para hepatectomia é um
paciente seguiu para o CTI intubada, PAM de 70 mmHg, FC desafio ao anestesiologista, uma vez que este deve manter
90bpm, SpO2 99%, PH 7,269 / PCO2 41,7/ Po2 193/ BE -8/ um cuidado intensivo e contínuo sendo necessário ter controle
HCO3 19,4/ Sat 02 100%/Na 141 / k 4,8 /Ca 2,2 / Hb 6,8/ rigoroso sobre PAM e PVC, hidratação e reposição de perda
Hct 20%). Nas primeiras 24h de PO, permaneceu estável volêmica intraoperatório, possíveis distúrbios de coagulação,
hemodinamicamente, sem necessidade de aminas. No 2º assim como evitar hipotermia e manter débito urinário ade-
PO foi extubada e realizou TC de controle, sem evidências quado. O anestesiologista deve estar atento ao sangramento
de ressangramento. Alta para enfermaria no 5º PO e alta e alterações hemodinânicas , seguir protocolos de tranfusão
hospitalar no 14º PO. DISCUSSÃO: Apesar dos avanços de hemoderivados com intuito de reduzir a morbimortalidade e
alcançados com o advento da CEAAA, as taxas de morbi- avaliar criteriosamente a necessidade de infusão de albumina
mortalidade ainda encontram-se bastante elevadas. Porém, em pacientes com redução acentuada da função hepática.
o domínio da técnica cirúrgica endovascular, associado ao REFERÊNCIA: Protocolo – cuidados perioperatórios e anes-
manejo anestésico individualizado, mostrou-se bastante tesia para transplante de fígado HUWC- UFC. Disponível em
eficaz no sucesso terapêutico. REFERÊNCIA: ASSAD A.R. hhtp://WWW.huwc.ufc.br, acessado em 25/06/2014. 2 Coelho
Anestesia para cirurgia de aorta abdominal. Anestesia para JCU; Claus CM; Balbinot P; ET AL. Indicação e tratamento dos
cirurgia vascular. Rio de Janeiro: SAERJ, 2008. p. 113-147. tumores benignos do fígado; ABCD Arq Bras Cir Dig, 2011;24
(4): 318-323.

40 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


BLOQUEIO DA FÁSCIA DO RETO DO RELATO DE CASO: ANESTESIA EM
ABDÔMEN GUIADO POR ULTRASSOM PARA PACIENTE COM MIOCARDIOPATIA
HERNIORRAFIA UMBILICAL: RELATO DE CHAGÁSICA, AVANÇADA.
CASO.
AUTORES:
AUTORES: Pedro Antônio Sartini Dutra, Bruno Nunes Britot*, Vasco Mi-
Marcio Natter, Joana Avila Cardoso, Anderson de Moura*, randa Júnior, Clovis Tadeu Bevilacqua Filho, Vinicius Gazzi,
Scheila Muriel Wendler. Marina Amaral de Oliveira.

INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Serviço de Anestesiologia de Joinville - SAJ. CET - SBA - UFCSPA / Irmandade de Santa Casa de Mise-
ricórdia de Porto Alegre.
INTRODUÇÃO: O bloqueio da fáscia do reto do abdô-
men foi descrito com o objetivo de promover relaxamen- INTRODUÇÃO: A prevalência estimada de pacientes por-
to da parede anterior do abdômen. Mais recentemente, a tadores de doença de Chagas no brasil é de 3 a 5 milhões.
técnica evoluiu e incluiu o ultrassom. Existem poucos re- em estágio crônico o paciente pode apresentar alterações
latos como técnica anestésica principal para herniorrafia no sistema nervoso central, esôfago e miocárdio. Relato de
umbilical em pacientes com múltiplas comorbidades. As caso: masculino, 38 anos, 70 kg, portador de HAS; surdez
técnicas anéstesicas com ultrassom permitem visualiza- congênita bilateral e miocardiopatia chagásica. Realizada
ção direta e em tempo real das estruturas e agulha. Re- colecistectomia videolaparoscópica de urgência por qua-
lato de Caso: Paciente do sexo masculino, 29 anos, IMC dro de colecistite aguda litiásica. Durante a internação fez
30,8 e estado físico ASA II. Submetido a uma herniorrafia uso de carvedilol, hidralazina, furosemida e mononitrato de
umbilical em regime ambulatorial. Mallampati classe III, isossorbida. Após uma semana levado ao centro cirúrgico
Pressão arterial 130 x 80 mmHg e frequência cardíaca para o procedimento. Avaliação pré: Mallampati 3; distância
de 60 bpm. Venóclise com cateter 20G. Monitorização: tireomento 7,5 cm; distância interincisivos >4 cm. Labo-
cardioscopia, pressão arterial não invasiva e oximetria ratoriais: Ht 43,4; Hb 13,8; K 144; K 3,7; 12120 leucócitos
de pulso. Administrado 1mg de midazolam e 100 µg de com desvio; Cr 1,1.;TP 89%, KTTP 35,3; ECG: taquicardia
fentanil e infusão de dexmedetomidina 0,5 µg/kg/h. Anti- sinusal e ecocardio com FE de 21% e dilatação do VE. Na
-sepsia da região paraumbilical com clorexidina alcoóli- sala cirúrgica, com taquicardia sinusal (111 bcpm), normo-
ca a 0,5%. Um aparelho portátil de Ultrassonografia e um tenso (120x80);. Monitorização com cardioscopia, oximetria
transdutor linear de 5 – 10 MHz foram utilizados para a de pulso, capnografia e análise de gases. Realizada venó-
realização do bloqueio. Realizado um botão anéstesico clise com agulha calibre 18G, puncão venosa central com
na região paraumbilical e injetado um total de 5 ml de cateter de triplo-lumen em veia jugular externa direita e
lidocaína a 1% no trajeto da agulha do bloqueio. Para monitorização da invasiva da PAM com cateter em arterial
o bloqueio foi utilizada uma agulha Stimuplex 0,8mm X radial em MSE. Indução em sequência rápida (etomidado e
100 mm 21G. de medial para lateral, com a agulha no succinilcolina). Dobutamina 2 mcg/kg/min, administrada via
sentido longitudinal ao feixe de ultrassom, objetivando o bomba de infusão antes da indução. Noradrenalina diluída
depósito do anestésico na borda lateral entre o músculo (0,06 mg/ml) e conectada ao acesso central. Manutenção
e a fáscia posterior do reto do abdmômen. Assim, 10 ml anestésica com fentanil 200 mcg, cisatracúrio 20 mg e iso-
de ropivacaína a 0,5% foi injetada e observada a disper- forane 1,2 vol%. Apresentou quadro de TV não sustentada
são. Repetido no outro lado e aguardado 20 minutos até após início do anestésico inalatório, atribuída a redução da
a incisão. Foi necessário uma dose de 50 µg de fentanil PAM de 75 mmHg para 65 mmHg. Quadro revertido com
na redução cirúrgica da hérnia, o restante do procedi- administração endovenosa de efedrina 10 mg e redução da
mento deu-se sem intercorrências. Tenoxicam 40 mg concentração de isoforane para 0,9 vol% e infusão contínua
por via venosa foi administrado ao final da cirurgia que de noradrenalina a 0,01 mcg/kg/min.. Extubação traqueal
durou 45 minutos. O paciente recebeu alta em 4 horas, realizada em sala de cirurgia. Encaminhado para SRPA
deambulando, sem queixas. DISCUSSÃO: Herniorrafia com infusão contínua de noradrenalina (0,02 mcg/kg/min) e
umbilical é um procedimento com estímulo cirúrgico pe- monitorização invasiva da PAM. Desmame do vasopressor
queno. O bloqueio do neuroeixo ou anestesia geral são realizado 2 h após a chegada na SRPA; apresentou esta-
as técnicas anestésicas de escolha. O bloqueio da fáscia bilidade hemodinâmica nas 6 h subsequentes, recebendo
do reto do abdômen já foi relatado como técnica para alta para enfermaria. DISCUSSÃO: Pacientes doença de
pacientes com múltiplas comorbidades. Não há relatos Chagas podem apresentar miocardiopatia dialatada e de-
do uso deste bloqueio como técnica anestésica principal nervação do sistema de condução, com destruição maior
para herniorrafia umbilical ambulatorial. O desconforto das fibras parassimpáticas, levando a arritmias malignas e
relatado com a redução da hérnia pelo cirugião é limi- perda da autorregulação coronariana, tornando-a altamen-
tação da própria técnica, uma vez que o bloqueio inclui te dependente de fluxo adequado. Muitos pacientes com
fibras somáticas e não viscerais. No entanto, foi facil- miocardiopatia chagásica também apresentam esofagopa-
mente resolvida com pequena dose de fentanil. Assim, tia chagásica, facilitando a broncoaspiração durante a indu-
uma antecipação do evento com uma pequena dose de ção. Portanto, durante a avaliação pré-anestésica deve-se
opióide pode melhorar ainda mais a técnica. REFERÊN- procurar alterações nos órgãos-alvo e conduzir o paciente
CIA: Webster K. Ultrasound guided rectus sheath block - a um preparo adequado. REFERÊNCIA: 1- Rassi Jr, Anis,
analgesia for abdominal surgery. Update in Anaesthesia. Anis Rassi, and José Antonio Marin-Neto. Chagas disease.
2010; 26: 12-17. The Lancet . 2010; 375 no. 9723: 1388-1402. 2- Marin-Neto,
Jose Antonio, Edécio Cunha-Neto, Benedito C. Maciel, and
Marcus V. Simões.Pathogenesis of chronic Chagas heart
disease. Circulation. 2007; 115 no. 9: 1109-1123.

Temas Livres CBA 2014 | 41


TAP BLOCK : RELATO DE CASO TAP BLOCK EM PACIENTE PORTADOR DE
HEMOFILIA A: RELATO DE CASO.
AUTORES:
Hermes Melo Teixeira Batista, Woneska Rodrigues Pinhei- AUTORES:
ro, Ivo Cavalcante Pita Neto, Gylmara Bezerra de Menezes Hermes Melo Teixeira Batista, Woneska Rodrigues Pinhei-
Silveira, Carlos Alexandre Lima Linhares, Luiz Carlos de ro, Ivo Cavalcante Pita Neto, Gylmara Bezerra de Menezes
Abreu, Carlos Alexandre Lima Linhares*. Silveira, Carlos Alexandre Lima Linhares, Luiz Carlos de
Abreu*.
INSTITUIÇÃO:
Hospital Regional do Cariri - Faculdade de Medicina do INSTITUIÇÃO:
ABC. Hospital Regional do Cariri - Faculdade de Medicina do
INTRODUÇÃO: o bloqueio do transverso abdominal vem ABC.
se consolidando a cada dia como alternativa eficiente na INTRODUÇÃO: o TAP é uma opção adequada para analge-
analgesia pós operatória em cirurgias de abdome infe- sia pós-operatória e tem ampla indicação , principalmente
rior e , na sua variante subcostal, também do abdome em pacientes onde existe contra-indicação relativa ou ab-
superior. Indicado inicialmente em casos onde existe soluta a bloqueios no neuro-eixo. Nesse cenário, ele pode
contra-indicação absoluta e relativa aos bloqueios cen- ser associado à anestesia geral e proporcionar analgesia
trais, em alguns centros figura como primeira opção em eficaz. RELATO DO CASO: paciente do sexo masculino,
associação à anestesia geral. Relato do caso: paciente 15 anos, pardo, portador de Hemofilia A, foi admitido pela
do sexo masculino, 47 anos, obeso (IMC=41), admitido emergência com dor abdominal intensa e difusa e evolução
pela emergência com dor abdominal intensa e difusa e de 8 dias. Referia dor localizada na fossa ilíaca direita, com
evolução de 10 dias. O exame ultrasonográfico mostrou defesa à palpação. Realizou ultrassonografia que sugeriu
coleção intraabdominal, sugestiva de abscesso. A indi- processo inflamatório apendicular. Apresentava TAP=1,21;
cação inicial foi de anestesia geral associada à peridural TTPA=2,84. Recebeu concentrado de fator VIII, 3.000 UI 30
para analgesia pós-operatória, entretanto, o paciente minutos antes da indução anestésica, que foi realizada com
não aceitou o bloqueio central. Optamos por anestesia fentanil, propofol, cisatracúrio e lidocaína. A manutenção
geral com fentanil, propofol, rocurônio e sevoflurano e foi feita com sevoflurano a 2,5 %. Foi realizada laparotomia
TAP BLOCK bilateral com ropivacaína 0,5% ao final do exploradora com incisão mediana e apendicectomia. Ao
procedimento. O paciente foi encaminhado à SRPA, final do procedimento foi realizado TAP BLOCK bilateral,
onde permaneceu por 3 horas e recebeu alta sem dor. com ropivacaína 0,5%, 20 ml em cada lado. Despertou sem
CONCLUSÃO: o ultrassom está a cada dia ganhando intercorrências e foi encaminhado à SRPA. Permaneceu na
mais espaço dentro dos centros cirúrgicos e ampliando sala de recuperação por 3 horas, recebendo alta para a
suas indicações que a princípio se resumiam a auxílio no enfermaria sem dor. CONCLUSÃO: O TAP BLOCK foi uma
acesso central e bloqueios de plexo, tendo uso também alternativa segura e eficaz para analgesia pós-operatória
em auxílio nos bloqueios centrais, avaliação de via aérea no caso relatado, onde, devido a doença de base do pa-
difícil, bloqueios abdominais (TAP BLOCK e TAP BLOCK ciente, havia contra-indicações à realização de bloqueios
modificado subcostal) e avaliação do resíduo gástrico. no neuro-eixo. REFERÊNCIA: 1- Aissou M., Ghalayini M.,
REFERÊNCIA: 1- Aissou M., Ghalayini M., Yazid L. et Yazid L. et als. Ultrasound control of local anaesthetic loca-
als. Ultrasound control of local anaesthetic location after tion after TAP block performed using landmark-based te-
TAP block performed using landmark-based technique: chnique: A cohort study. Annales Françaises d’Anesthésie
A cohort study. Annales Françaises d’Anesthésie et de et de Réanimation 30 (2011) 641–644. 2- Edward A., Eliot
Réanimation 30 (2011) 641–644. 2- Edward A., Eliot S., S., CRNA, Frazer R. et al. Case Report Continuous Trans-
CRNA, Frazer R. et al. Case Report Continuous Transver- versus Abdominis Plane (TAP) Block Catheters in a Combat
sus Abdominis Plane (TAP) Block Catheters in a Combat Surgical Environment. Pain Medicine 2010; 11: 1426–1429
Surgical Environment. Pain Medicine 2010; 11: 1426–1429 Wiley Periodicals, Inc.
Wiley Periodicals, Inc.

42 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


RESULTADOS APÓS ANESTESIA E CIRURGIA
Anestesia em Geriatria ORTOPÉDICA DE FÊMUR EM PACIENTES
NONAGENÁRIOS E CENTENÁRIOS.
EFEITOS DA ANESTESIA NA DOENÇA DE AUTORES:
Márcio Marinho Duarte*, Luiz Eduardo Imbelloni, Gualter
ALZHEIMER
Lisboa Ramalho.
AUTORES:
INSTITUIÇÃO:
Cristiane Gurgel Lopes Faria, Rogean Rodrigues Nunes,
CET/SBA - João Pessoa PB - Complexo Hospitalar de Man-
Sara Lúcia Ferreira Cavalcante, Caio Maciel Carvalho*, Ca-
gabeira.
mila da Silva Marques, Geovar Bezerra Peixoto Júnior.
INTRODUÇÃO: No Brasil, o ritmo de crescimento da popu-
INSTITUIÇÃO:
lação idosa tem sido sistemático e consistente. O número
Hospital Geral de Fortaleza-HGF.
crescente de pacientes geriátricos que vêm para cirurgia e
INTRODUÇÃO: Doença de Alzheimer(AD) é a patologia neu- anestesia já é uma realidade na nossa prática diária. As fra-
rodegenerativa, que cursa com quadro de demência, mais turas de fêmur são comuns em indivíduos idosos com os-
comum na população geral, afetando cerca de 35 milhões teoporose e, geralmente, são tratadas cirurgicamente (1). O
de indivíduos no mundo. As causas de AD são multifatoriais, objetivo deste estudo é avaliar a implementação do Projeto
incluindo predisposição genética e fatores ambientais. A ex- Acerto em pacientes com mais de 90 anos, submetidos a
posição a drogas tem sido apontada como fator importante na cirurgia de fratura de fêmur, sob raquianestesia. MÉTODO:
gênese e evolução das demências, inclusive da AD. O objetivo Estudo prospectivo, longitudinal, em hospital SUS, com 47
deste relato é apresentar um caso de paciente com diagnósti- pacientes com fratura de fêmur e idade acima de 90 anos.
co de AD e sua evolução clínica após procedimento operatório Registrado na Plataforma Brasil e aprovado pelo CEP. Cri-
sob anestesia geral. Relato: Paciente feminino, 76anos, hiper- térios de exclusão: Hb < 10g%; distúrbios de coagulação;
tensa, com demência avançada por AD foi submetida a histe- doença neurológica prévia; agitação, confusão mental ou
rectomia, por neoplasia de endométrio avançada. Após visita delírio; infecção no local da punção; cateterismo vesical;
pré-anestésica, a paciente foi encaminhada à sala operatória internado em UTI. Informações sobre condição pré-ope-
acordada, sem medicações. Monitorizada com cardioscopia, ratória, tipo de anestesia, fármacos utilizados e variáveis
SpO2, PANI e BIS. Como a paciente mostrava-se muito inquie- no transoperatório foram catalogadas. Monitorização com
ta, foi procedida a anestesia geral, com remifentanil e propofol ECG, SpO2 e PANI. Na SRPA, após término do bloqueio
( sítio-efetor) até o BIS atingir 40, cisatracúrio( 1 ED95) e IOT. motor, os pacientes receberam 200 mL de dextrinomaltose
A seguir realizou-se anestesia espinhal com morfina( 80μg), 12,5% (DM). Os dados relativos aos tempos de cirurgia,
para analgesia pós-operatória. A paciente manteve estabili- recuperação do bloqueio motor, administração da DM e
dade hemodinâmica, sem necessidade de drogas vasoativas, permanência na SRPA, além da necessidade de cateteris-
FC variou de 86 a 65bpm, PAS de 180-105mmHg e PAD de mo vesical, dor e tratamentos realizados, foram registrados
92-60mmHg, no entanto, a monitorização cerebral mostrou prontamente. Os pacientes foram acompanhados até o 2o.
taxa de supressão diferente de zero desde o início da indução DPO para avaliar as condições de alta hospitalar. E não
anestésica, valores variando de 15 a 39 , com valores de BIS foram seguidos em relação à morbidade e mortalidade
baixos, mesmo com a utilização de baixos alvos anestésicos. após a alta. Medidas descritivas, tais como média e desvio
Ao final do procedimento a paciente despertou tranquila, foi padrão, foram utilizadas para analisar a distribuição dos
extubada e encaminhada a UTI. No segundo dia pós-ope- dados empíricos. RESULTADO: Antes da fratura, todos os
ratório, foi medicada com Bromazepam( 6mg) e, a partir de pacientes estavam vivendo em suas residências. O tempo
então, evoluiu em coma vigil. Passou aos cuidados da neu- médio de internação até o dia da cirurgia foi de 6,04±2,77
rologia, que fez diagnóstico, após vídeo-EEG, de estado de dias. O tempo médio de jejum foi 2h56min±38min. Todos
mal epilético não-convulsivo. Apresentava padrão eletroence- os pacientes foram submetidos à raquianestesia e a dose
falográfico característico, com descargas de pontas em região variou entre 6 e 15 mg, com uma média de 10±2,43 mg
têmporo-occipital bilateralmente e ondas trifásicas, que são de bupivacaína 0,5% isobárica. A duração do bloqueio
encontradas nas demências avançadas. A paciente manteve- espinal foi de 2h56min±45min. Os tempos para o uso de
-se com estado comatoso, mesmo tratada com fenitoína, e foi DM, da permanência na SRPA e REINTRODUÇÃO: da
à óbito no 25o dia de internamento. DISCUSSÃO: Disfunção alimentação foram de 2h14min±1h07min, 2h01min±43min
cognitiva, confusão e delírio são manifestações comuns em e 6h33min±1h03min, respectivamente. Ocorreu hipotensão
idosos após cirurgia e anestesia. Pacientes com baixa reserva arterial em 3 pacientes e delírio em 5. Não houve mortes
neuronal, como os portadores de AD, são particularmente diretamente relacionadas à anestesia ou cirurgia. CON-
sensíveis a essa exposição. Vários estudos mostram influencia CLUSÃO: Viver mais de 90 anos não é mais uma raridade.
de alguns fármacos anestésicos, como anestésicos voláteis, Mais de 450 mil nonagenários e centenários vivem no Bra-
benzodiazepínicos e outros, como drogas anticolinérgicas e sil. Os procedimentos cirúrgicos em idosos que têm co-
alguns antibióticos na neuropatogênese dessas alterações. morbidades estão claramente aumentando. A cirurgia não
Os idosos representam importante parcela da população ci- deve ser negada com base apenas na idade. Este estudo
rúrgica, fazendo-se necessário cuidadoso manuseio desses prospectivo mostra que os nonagenários e centenários
pacientes, com adequada escolha anestésica, monitorização toleram bem a anestesia e cirurgia, e podem participar
cerebral intraoperatória, evitando planos demasiadamente plenamente de projetos de aceleração da recuperação
profundos, e ainda, hipoperfusão cerebral e hipotermia. RE- perioperatória. REFERÊNCIA: 1. Cummings SR, Melton
FERÊNCIA: Bittner E, Xie Z. Brief review: anesthetic neurotoxi- LJ. Epidemiology and outcomes of osteoporotic fractures.
ty in the elderly, cognitive dysfunction and Alzheimer’s disease. Lancet. 2002;359,no.9319:1761-1767.
Can J Anesth,2011;58:216-23.

Temas Livres CBA 2014 | 43


SUCESSO NO TRATAMENTO ANESTÉSICO-
CIRÚRGICO DE FRATURA DE FÊMUR EM Anestesia em Neurocirurgia
PACIENTE DE 107 ANOS. RELATO DE CASO.
AUTORES: ACIDOSE METABÓLICA GRAVE APÓS
Luiz Eduardo Imbelloni, Diana Maria Nunes M. Ferreira Ra-
SOLUÇÃO SALINA HIPERTÔNICA
mos*, Gualter Lisboa Ramalho.
NA NEUROCIRURGIA: ACIDOSE
INSTITUIÇÃO: HIPERCLORÊMICA?
CET/SBA João Pessoa - PB.
AUTORES:
INTRODUÇÃO: A expectativa de vida continua a aumentar Talita Brandão*, Bruna Carneiro Garambone, Rafael Mer-
resultando num acréscimo do número de idosos que se cante Linhares, Patricia da Silva Varino, Henrique Viana
submeterão à cirurgia de fêmur. em 2012, no Brasil, existiam Lyra, Roberto Carvalho Brandão.
mais de 30 mil cidadãos com idade superior a 100 anos [1].
A fratura de quadril é uma lesão grave e para idosos pode INSTITUIÇÃO:
ser catastrófico. Muitos não se recuperam totalmente e al- Hospital Municipal Miguel Couto.
guns morrem devido à fratura. RELATO DO CASO: Mulher INTRODUÇÃO: Recentes estudos têm se voltado para o
de 107 anos de idade (ASA II, altura 1,39 m, 39 kg e IMC uso de solução salina hipertônica (SSH) na injúria cerebral
de 20,19 kg/m2) internada com fratura do quadril direito e de diversas etiologias. O mecanismo de ação se dá através
anemia grave (Hm=2.960.000, Hb=8,6 g/dL e Ht=25,7%). da geração de gradiente osmótico, com consequente redu-
Eletrólitos normais. RX tórax e ECG normais. FC de 73 bpm ção da pressão intracraniana (PIC) e manutenção do volu-
e PA de 148/64 mmHg. As radiografias mostraram uma fra- me intravascular. Porém, deve-se atentar para os possíveis
tura proximal de fêmur direito (classificação AO das fraturas efeitos adversos desse recurso, como a acidose hiperclorê-
trocantéricas tipo A3). Obtido TCLE e discutido a conduta mica. RELATO DE CASO: Paciente RDO, sexo feminino, 58
anestésica-cirúrgica com a paciente e familiares. Correção anos, 60 Kg, portadora de Hipertensão Arterial Sistêmica
da anemia (Hm= 4.200.000, Hb = 12,4 g/L e Ht = 35,2%) e (HAS), deu entrada na emergência apresentando rebaixa-
cirurgia no 5º dia de internação. Como parte do programa mento no nível de consciência e vômitos, iniciados há duas
Acerto, a paciente recebeu duas horas antes da cirurgia horas. Apresentava-se com Glasgow 6, pupilas isocóricas
200 mL de dextrinomaltose 12,5% por via oral. Realizado e fotorreagentes, com tubo orotraqueal (TOT) e ventilação
bloqueio do plexo lombar inguinal com neuroestimulador e controlada. PA= 220x110 mmHg e FC=90 bpm. Gasometria
agulha A50 e injetado 20 mL de lidocaína 2% com epinefrina Arterial (GSA): pH = 7,65; PCO2 = 15; PO2 = 292; Na= 145;
e 20 mL de bupivacaína 0,5%. Monitorização (ECG, SPO2, K= 3,7; Cl = 110; Osm = 299, HCO3 = 22,9. A Tomografia
PANI) e venóclise com cateter 18G. Infundido cristalóide (4 Computadorizada de crânio evidenciou AVE hemorrágico
mL/kg) e 500 mL de hidroxietil-amido 130/0,4 a 6% em so- com HSA Fisher IV e hemoventrículo, decorrentes da rup-
lução de cloreto de sódio a 0,9%. Sedação com cetamina (5 tura de aneurisma cerebral. em seguida, foi encaminhada
mg) e midazolam (0,5 mg), limpeza da pele com clorexidina, ao centro cirúrgico para realização de arteriografia cerebral
punção lombar na posição sentada, mediana em L3-L4 e clipagem do aneurisma. Ao término da arteriografia, a
com agulha 27G Whitacre, após aparecimento LCS foi in- paciente apresentou anisocoria, sendo indicado infusão de
jetado 6 mg de bupivacaína 0,5% isobárica na velocidade NaCl 20% 1mg/Kg. Após 3 horas da administração da solu-
de 1 mL/15s. Posicionada em decúbito dorsal, com NS = ção hipertônica, foi realizada nova GSA, a qual evidenciou
T12 e BM = 3. A cirurgia durou 60 minutos sem hipotensão, uma acidose hiperclorêmica, diagnosticada a partir dos
bradicardia ou dessaturação de oxigênio. No fim da cirurgia seguintes resultados: pH = 7,09; pCO2 = 22; pO2 = 238; Na
recebeu tenoxicam (20mg) e dipirona (3g) IV. Recuperação = 155; K = 3,2; Cl = 129; HCO3 = 8,6; Osm = 322,3. Sendo
do BM 1:45 h após raquianestesia. Trinta minutos após a assim, optou-se pela correção da acidose com a infusão de
paciente recebeu 200 mL 12,5% dextrinomaltose, sendo Bicarbonato de sódio 8,4%. Colhida nova GSA: pH=7,35;
liberada da SRPA. Por razões de segurança, a paciente foi pCO2 = 25,6; pO2 = 234; Na = 163; K=3,2; Cl=127; HCO3=
para a UTI para monitoramento. Hidratação venosa retira- 16,8; Osm = 338. DISCUSSÃO: O uso de SSH é um método
da e seis horas após cirurgia iniciado a alimentação oral. terapêutico relacionado à melhora clínica em pacientes com
Alta da UTI na manhã seguinte e na manhã do segundo edema cerebral. A acidose hiperclorêmica é uma compli-
dia foi encaminhada para a sua residência. DISCUSSÃO: cação decorrente dessa terapia, porém pouco relatada na
Na literatura a paciente mais velha submetida a cirurgia de literatura, o que nos leva a considerar um evento raro e mar-
quadril foi de 104 anos. Idealmente, o plano de tratamen- cador de pior prognóstico. Portanto, a análise de GSA deve
to instituído deve se basear em uma avaliação cuidadosa sempre ser realizada ao fazermos uso de SSH, para obter
dos desejos do paciente e da família, dos riscos médicos, diagnóstico precoce e pronta intervenção. REFERÊNCIA:
dos benefícios relativos e dos custos. Este caso mostrou Anish Bhardwaj e A. Ulatowski. Hypertonic saline solutions
que, com técnicas e condutas adequadas (Projeto Acerto) in brain injury. Curr Opin Crit Care, 2004; 10:126–131. Mar-
pode-se realizar a cirurgia em pacientes centenários. Estes tin M. Mortazavi, Andrew K. Romeo, Aman Deep E et al.
toleram anestesia e cirurgia muito bem, o que já foi obser- Hypertonic saline for treating raised intracranial pressure:
vado por outros. Talvez o fato mais relevante deste caso é literature review with meta-analysis. J Neurosurg, 2012;
que a paciente voltou para casa para suas atividades no 116:210-221.
segundo dia de pós-operatório. REFERÊNCIA: 1. http://
g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/07. Acesso em
27/09/2013.

44 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA PARA CIRURGIA DE CORREÇÃO ANESTESIA PARA CRANIOTOMIA EM
DE FÍSTULA LIQUÓRICA EM ADOLESCENTE PACIENTE ACORDADO.
COM MENINGITES DE REPETIÇÃO.
AUTORES:
AUTORES: Rafael Almeida Vidal, Alessandra de Carvalho Laudissi*,
Consuelo Beatriz Cadena Astudillo, Juliana Kaczmareck Mônica Braga da Cunha Gobbo TSA, José Eduardo Oroz
Figaro, Scheila Muriel Wendler, Patrícia Dornbusch*, Telma TSA, Bernard Marcel Barban.
Sumaia Barros Cruz, Anderson de Moura.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Serviço de Anestesiologia de Joinville. INTRODUÇÃO Alguns procedimentos intracranianos
INTRODUÇÃO: Pacientes com meningites de repetição são possíveis e necessários com pacientes acordados
devem ser investigados para existência de fístula liquóri- e os desafios vão desde o preparo pré-operatório até a
ca. em relação ao manejo anestésico, existe pouca litera- cooperação do paciente durante todo intra-operatório.O
tura sobre o assunto. O objetivo deste relato é descrever anestesiologista tem papel fundamental para o sucesso
a técnica anestésica e o manejo dos pacientes para estes do procedimento, ao proporcionar sedação e analgesia
procedimentos. RELATO DE CASO: Paciente feminino, suficientes, e ao mesmo tempo permitir ao cirurgião, no
13 anos, apresentava história de meningites de repetição, caso de se tratar de cirurgia para tratamento de tremores
sem rinorréia associada ou trauma crânio encefálico. causados pela doença de Parkinson, a identificação pre-
Mãe refere toxoplasmose não diagnosticada durante a cisa no intra-operatório de áreas importantes referentes a
gestação, criança com leve atraso no desenvolvimento essa patologia. Devemos estar atentos às contra-indica-
neuropsicomotor, porém sem prejuízo às atividades diá- ções a essa técnica, dentre as quais se destacam confu-
rias. Após confirmada fístula liquórica através de cister- são mental, disfasia grave, ansiedade extrema, e outras.O
notomografia, foi agendado tratamento cirúrgico eletivo objetivo deste relato é apresentar um caso de cirurgia
por craniotomia. Após pré-oxigenação com O2 a 100% intracraniana para cauterização de focos relacionados aos
sob máscara facial, o paciente foi induzido com propofol, tremores parkinsonianos, com o paciente em estado vigil
fentanil e cisatracúrio, submetido a intubação orotraqueal e cooperativo. RELATO DE CASO: RJS, masculino, 53
sob laringoscopia direta, tubo orotraqueal 6,5 aramado anos, IMC=30, ASA II por doença de Parkinson, admitido
com cuff. Puncionada artéria radial direita com abocath em sala operatória, após preparo psicológico e aceitação
22 para monitorização de pressão arterial invasiva. Ma- do procedimento cirúrgico em estado vigil.Posicionado em
nutenção da anestesia com sevoflurano e remifentanil. DDH, tendo expostas sua face, pés e mãos para permitir
Realizada punção única com agulha Tuohy 18G pediá- a comunicação entre ele e o cirurgião. Não administrada
trica, em nível L3-L4 e alocado cateter no espaço suba- medicação pré-anestésica, a fim de evitar eventual inter-
racnóideo para drenagem liquórica. A identificação do ferência na eletrocorticografia.Administraram-se propofol
espaço peridural foi feita conforme técnica padrão, com e remifentanil em infusão contínua, na dose de 30mcg/kg/
seringa de perda de resistência, com 1ml de ar e então min e 0,05mcg/kg/min respectivamente, de forma a per-
a agulha foi avançada até o espaço intra-tecal, onde foi mitir a interlocução com o paciente acordado durante a
passado o cateter para drenagem liquórica. Foi drenado estimulação e monitorização do córtex cerebral. Foi reali-
um total de 65ml de líquor no transoperatório à pedido zada infiltração do escalpo com ropivacaína a 1% e insta-
do cirurgião. O cateter intratecal foi deixado a pedido do lado o fixador de Mayfield. No transporte para realização
cirurgião, sendo o mesmo responsável por sua retirada da tomografia de crânio, foram interrompidas as infusões
no terceiro dia pós-operatório. Paciente encaminhado à de propofol e remifentanil, retomadas quando realizada a
Unidade de Terapia Intensiva extubado. Discussões: O craniotomia, tendo permanecido o paciente colaborativo
procedimento anestésico foi realizado sem intercorrên- durante todo o procedimento, que transcorreu sem inter-
cias. Paciente evoluiu bem, com resolução completa da correncias. O paciente recebeu alta hospitalar no 4o dia
fístula. Não houve sintomas neurológicos associados à de internação.DISCUSSÃO: O grande objetivo e principal
INTRODUÇÃO do cateter subaracnóideo ou cefaléia pós desafio das técnicas anestésicas em neurocirurgia com o
punção de duramater. Alta hospitalar no quinto dia de in- paciente acordado é garantir o máximo conforto e ao mes-
ternação.REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: Bonafé WW, mo tempo permitir que ele esteja desperto no momento
Martins LM, de Almeida RC et al. Meningites de repetição do mapeamento cortical. Isso depende principalmente de
por malformação de base de crânio com fístula. Rev Paul uma boa avaliação pré-anestésica, na qual deve-se enfa-
Pediatria, 2005;23(3):154-7. tizar a importância da colaboração do paciente durante
todo o procedimento, e que este será totalmente indolor.
Já a garantia de um estado vigil é possível utilizando in-
fusões contínuas de propofol e remifentanil, sob veloci-
dades variáveis, de acordo com a necessidade de cada
momento cirúrgico. Dessa forma, permite ao anestesiolo-
gista um controle seguro e eficaz dos níveis de analgesia
e sedação, permitindo um mapeamento cortical preciso.
REFERÊNCIA: Johnson KB, Egan TD - Remifentanil and
propofol combination for awake craniotomy: case report
with pharmacokinetic simulations. J Neurosurg Anesthe-
siol, 1998; 10: 25–29.

Temas Livres CBA 2014 | 45


ANESTESIA PARA CRANIOTOMIA EM ANESTESIA PARA CRANIOTOMIA EM
PACIENTE ACORDADO. PACIENTE ACORDADO.
AUTORES: AUTORES:
João Paulo Vasconcelos de Matos, Douglas Pellizzaro, Bre- Vitor Michelstaedter Brochado*, Cláudia Helena Ribeiro da
no Jardim Grossi, Joaquim Lucas de Castro, Igor Barreto de Silva, Sofia Meinberg Pereira, Igor Neves Afonso Castro,
Moura*, Mírcio Antonio Alves Filho. Eduardo Azevedo de Castro, Marcelo Vaz Nunes.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital de Base do Distrito Federal Santa Casa de Belo Horizonte.
INTRODUÇÃO: A demarcação do limite entre tecido INTRODUÇÃO: Craniotomia em paciente acordado confi-
normal e tecido tumoral acometendo áreas eloquentes gura-se em prática cada vez mais frequente na atualidade,
do cérebro se constitui ao mesmo tempo em desafio e sobremaneira no tratamento de tumores cerebrais localiza-
em oportunidade para se utilizar sinalização fornecida dos em proximidade com o córtex eloquente. Uma grande
pelo próprio paciente. Este para tanto, há que ser man- vantagem da técnica reside na possibilidade de mapea-
tido acordado, com nível de sedação que mantenha sua mento cortical intraoperatório e consequente preservação
obediência a comandos. Dentre os fármacos propostos de áreas relacionadas às funções motoras e de linguagem.
para tal desafio, a dexmedetomidina tem se mostrado RELATO DE CASO: E.D.O., masculino, 49 anos, portador
promissora. RELATO DE CASO: Mulher, 54 anos, 62kg, de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia. Relatava
com história de parestesia em dimídio esquerdo há um episódios recorrentes de crise convulsiva tônico-clônica
ano. Há 2 meses diagnosticada com glioma de baixo grau generalizada há três meses da admissão hospitalar. Pro-
em região têmporo-parietal direita. Exames laboratoriais pedêutica revelou a presença de lesão expansiva têmporo-
sem alterações. Sem preditor de via aérea difícil. Reali- -occipital esquerda, de limites imprecisos, associada à
zada monitorização básica associada a pressão arterial área hipodensa perilesional. Exames de imagem sugeriram
invasiva e BIS. Venóclise periférica 16G e central em VJIE. tratar-se de glioma de alto grau. Admitido no bloco cirúrgi-
No início do procedimento a paciente recebeu cefazo- co em ventilação espontânea, Glasgow 15. Monitorizado
lina 2g , dexametasona 10 mg , ranitidina 50mg, meto- através de pressão arterial invasiva, eletrocardioscopia
clopramida 10mg , ondansetrona 8mg, fenitoina 250mg. contínua, oximetria de pulso, temperatura nasofaríngea,
Utilizou-se oxigênio através de cateter nasal. A pele e capnografia, débito urinário e exames laboratoriais. Indu-
o tecido subcutâneo foram infiltrados com bupivacaína zida anestesia geral venosa total através da infusão con-
0,5% com vasoconstritor, na dose de 3 mg/kg de peso. tínua alvo-controlada de propofol e remifentanil. Introdu-
Sessenta mcg de dexmedetomidina foi administrada IV, zida máscara laríngea nº 5 e iniciada ventilação mecânica.
em 10 minutos, seguida de infusão de 0,4mcg/kg/h asso- Realizado bloqueio do escalpo com o uso de ropivacaína.
ciada a propofol 0,6mcg/ml, chegando a nível 3 na escala Vinte minutos antes da monitorização neurológica intrao-
de Ramsay. Após a exposição do cérebro a dura-máter peratória, foram interrompidas as infusões de propofol e
foi infiltrada com bupivacaina, a infusão de propofol foi remifentanil. O paciente foi despertado e a máscara larín-
interrompida e a dexmedetomidina reduzida a 0,2mcg/ gea removida. O mapeamento cortical foi realizado através
kg/h. A paciente manteve-se no nível 2 da escala de Ra- de eletroestimulação, concomitantemente à avaliação das
msey. Para monitorização da manipulação cirúrgica do funções verbais e motoras. Finalizada esta etapa, o pacien-
córtex cerebral foram realizados testes cognitivos e de te foi submetido à nova indução anestésica e a via aérea foi
motricidade. O procedimento cirúrgico foi interrompido reestabelecida através de máscara laríngea. Ao término da
após a paciente apresentar diminuição de força em di- cirurgia, o doente foi acordado e manteve estabilidade he-
mídio esquerdo, quadro este que mostrou-se transitório, modinâmica, sem déficits neurológicos. Foi encaminhado
com recuperação total no pós-operatório. Trinta minutos ao centro de terapia intensiva, tendo recebido alta para a
antes do término da cirurgia, a paciente recebeu dipiro- enfermaria após 24 horas. DISCUSSÃO: A craniotomia em
na 2g e parecoxibe 40mg. A paciente foi transferida da paciente acordado associada à monitorização neurológica
sala de cirurgia para a UTI apresentando-se consciente intraoperatória foi inicialmente proposta para o tratamen-
e sem referir dor, em ventilação espontânea. Obteve alta to cirúrgico da epilepsia. Mais recentemente, vem sendo
hospitalar no 4.o dia de pós-operatório. DISCUSSÃO: utilizada na abordagem de tumores cerebrais localizados
Ao utilizar-se opioide em cirurgia com o paciente acor- próximos ao córtex eloquente. Esta metodologia objetiva
dado pode ocorrer depressão respiratória, elevação da a ressecção máxima da lesão associada à mínima ou au-
PaCO2, promovendo alterações circulatórias encefálicas sência de disfunção neurológica pós-operatória. Diversas
que dificultarão ou inviabilizarão o procedimento cirúrgi- técnicas anestésicas foram descritas na literatura, en-
co. Corroborando com o encontrado por Mack e col. que tretanto não existe consenso sobre a melhor abordagem
relataram que a dexmedetomidina permitiu a realização empregada na craniotomia com o paciente acordado. In-
de testes cognitivos complexos em 10 pacientes, sem dependentemente do método utilizado, este deve garantir
complicações, neste caso a cirurgia também transcorreu analgesia e sedação adequadas, a manutenção e controle
sem intercorrências. A dexmedetomidina produz diminui- de parâmetros fisiológicos, sem comprometer a avaliação
ção dose-dependente da pressão arterial e da freqüência neurológica perioperatória. REFERÊNCIA: 1) Burnand C,
cardíaca como resultado do seu efeito nos receptores a2. Sebastian J. Anaesthesia for awake craniotomy. Contin
As alterações hemodinâmicas mínimas observadas nes- Educ Anaesth Crit Care Pain. 2014;14:6-11. 2) Serletis D,
se caso coincidem com o efeito observado com infusões Bernstein M. Prospective study of awake craniotomy used
de doses baixas de dexmedetomidina. routinely and nonselectively for supratentorial tumors. J
Neurosurg. 2007;107:1–6.

46 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA PARA TCE POR FOGOS DE ARRITMIA CARDÍACA COM INSTABILIDADE
ARTIFICIO. HEMODINÂMICA DURANTE CRANIOTOMIA
DESCOMPRESSIVA DE HEMATOMA
AUTORES:
Thayna Ferreira Moreno*, Sérgio Teixeira Sant`Anna Junior, SUBDURAL.
Flávio Kallil, Rafaela Correia da Silva, Vinícius Brito Dias. AUTORES:
INSTITUIÇÃO: Luiza Rodrigues Cucco*, Carlos André Cagnolati, Paulo Sér-
Hospital Municipal Souza Aguiar. gio Mateus Marcelino Serzedo, Guilherme Coelho Machado
Nunes, Fernando Stona Kessler.
INTRODUÇÃO: O traumatismo cranioencefálico (TCE) é
uma agressão ao cérebro causada por uma força física INSTITUIÇÃO:
externa, que pode produzir um estado diminuído ou al- Clínica de Anestesiologia de Ribeirão Preto (CARP).
terado de consciência, que resulta em comprometimento INTRODUÇÃO: O hematoma subdural crônico (HSC) é uma
das habilidades cognitivas ou do funcionamento físico, coleção sanguínea localizada entre a dura-máter e a arac-
podendo ser temporário ou permanente com comprome- nóide. Desenvolve-se ao longo de dias após traumatismo
timento funcional parcial ou total. O TCE pode ser provo- craniano leve, apesar de não haver causa identificável em
cado por acidente de transito (70 – 60%), quedas (20%) 50% dos casos. Pode ser reabsorvido sem produzir lesões
e outras causas como: agressões e projétil de arma de significativas, todavia, 20% dos pacientes necessitam de
fogo, constituindo a principal causa de óbitos e seqüelas intervenção cirúrgica. O HSC aumenta a pressão intra-
em pacientes politraumatizados. A mortalidade está em craniana (PIC) e pode causar lesão cerebral. Craniotomia
torno de 40%; sendo que mais da metade das mortes, descompressiva (CD) é indicada para redução imediata da
ocorrem no local do trauma. RELATO DE CASO: S.I.A, 35 PIC. Dados da literatura mostram alta incidência de altera-
anos, sexo masculino, ASA VE, deu entrada na SO com ções no eletrocardiograma (ECG) na vigência de patologias
diagnóstico de TCE grave com afundamento de crânio neurológicas e a necessidade de CD de emergência pode
por explosão de fogos de artifício. Ao exame: Sob venti- excluir um exame cardiológico detalhado prévio. RELATO
lação mecânica, Glasgow 6 (1/1/4), anisocórico. Induzida DO CASO: Paciente feminina, 81a, 70Kg, estado físico P
anestesia geral com midazolam 0,1mg/ml, fentanil 1mcg/ IV, com indicação de CD para drenagem de HSC agudiza-
kg e vecurônico 0,1mg/kg IV. Puncionado linha arterial do. Admitida na sala cirúrgica com Glasgow 10. Realizada
radial direita e acesso venoso central em veia femoral monitorização (PANI, cardioscópio e oxímetro de pulso) que
direita. Evoluiu com instabilidade hemodinâmica, sendo evidenciou PA=150x95mmHg, FC=87 bpm e Sat O2=96%
iniciado infusão de adrenalina 0,1mcg/kg/min, para me- recebendo O2 em máscara facial. Sedada com midazo-
lhor controle pressórico. Submetido a craniectomia des- lam 1mg e sufentanil 5mcg para punção da artéria radial
compressiva com duração de 2horas. Foi encaminhado esquerda. Indução anestésica com sufentanil 0,3 mcg/kg,
ao CTI onde evoluiu ao óbito no 4° DPO. DISCUSSÃO: infusão alvo controlada de propofol e rocurônio 0,6 mg/
No TCE a hipotensão arterial deve ser evitada para não kg. Após intubação, foi realizada sondagem vesical de
reduzir a pressão de perfusão cerebral, assim como a demora e puncionado acesso central em jugular interna
hipertensão também não é benéfica por aumentar o direita. Durante a descompressão houve abrupta queda
edema encefálico e, por conseguinte, a PIC. O aumento de PA e fibrilação atrial de alta resposta, causando intensa
da pressão intracraniana no trauma encefálico induz a instabilidade hemodinâmica. Após checar a presença de
manutenção da pressão arterial discretamente elevada, pulso, foi realizada cardioversão sincronizada com 120 J.
para manter a pressão de perfusão encefálica adequada, O ritmo sinusal foi reestabelecido prontamente e iniciada
acima de 60mmHg. Porém quando a lesão enccefálica infusão de Noradrenalina e Amiodarona. Concluído o ato
for muito grave, há perda da reatividade vascular ence- cirúrgico, a paciente permaneceu sedada por 12h e, ten-
fálica fazendo com que a hipertensão arterial, aumente a do permanecido estável, foi interrompida a sedação e a
volemia intravascular e eleve a PIC, reduzindo a PPE. Por- extubação ocorreu 8 horas depois sem quaisquer déficits
tanto, na lesão grave, a redução da pressão intracraniana e com Glasgow 15. DISCUSSÃO: No intercurso de neu-
deve ser realiazada com diminuição taxa metabólica ce- rocirurgia, muitos pacientes apresentam arritmias no ECG
rebral, soluções hipertônicas e hipocapnia, em situações que não estão necessariamente associadas a sofrimento
específicas. Evitando sempre a hipovolemia, hipoxemia, cardíaco, mas sim a alterações da função autonômica. Tais
hipercapnia, aumento da pressão torácica excessiva, re- alterações, secundárias à doença neurológica, promovem
dução do retorno venoso encefálico e da osmolaridade aumento de catecolaminas, ativação dos canais de cálcio e
plasmática. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA: 1) Sharma liberação de radicais livres. Isso gera necrose da banda de
D1, Vavilala MS Perioperative management of adult trau- contração cardíaca e repercute como mudanças no ECG.
matic brain injury. Anesthesiol Clin 2012;30(2):333-46 2) Os objetivos principais da anestesia são: melhorar a perfu-
Tratado de Anestesiologia SAESP 7°ed part25 cap121 são cerebral e a oxigenação, evitar os danos da injúria se-
Nelson Mizumoto e Joana LilyDwan. cundária e proporcionar condições cirúrgicas adequadas.
Cabe ao anestesiologista estar sempre atento para o pronto
reconhecimento da instabilidade e seu manejo adequado.
REFERÊNCIA: Urban MK. Neurosurgical Anesthesia. In:
Miller RD. Miller’s Anesthesia. 7th Ed. Philadelphia, Elsevier,
2009; 2045 – 2088. Póvoa R, Cavichio L, Almeida AL et al.
Alterações Eletrocardiográficas nas Doenças Neurológicas.
Arq. Bras. Cardiol.2003; 80:351-358.

Temas Livres CBA 2014 | 47


CRISE CONVULSIVA DURANTE EFICÁCIA E SEGURANÇA NO MANEJO
CIRURGIA PARA RESSECÇÃO DE TUMOR ANESTÉSICO PARA CRANIOTOMIAS
INTRACRANIANO. RELATO DE CASO. COM O PACIENTE ACORDADO: REVISÃO
SISTEMÁTICA E METANÁLISE.
AUTORES:
Clauber Claudino Alves Almeida, Iris Santos de Souza*, Pris- AUTORES:
cila Gonçalves de Oliveira, José Mariano de Melo Cavaleiro Roberto Bezerra Vital, Ana Lygia Rochitti de Carvalho*, José
de Macêdo, Bruno Mendes Carmona, Mário de Nazareth Orestes Prati, Leandro Gobbo Braz, Norma Sueli Pinheiro
Chaves Fascio. Modolo, Regina Paolucci El Dib.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital Ophir Loyola. FMB - Unesp.
INTRODUÇÃO. Convulsões podem acontecer durante INTRODUÇÃO: Com o intuito de tornar os procedimentos
anestesia geral em pacientes submetidos à procedimentos neurocirúrgicos menos invasivos e com uma menor taxa de
neurocirúrgicos que podem causar lesão cerebral. Além morbidade, as craniotomias com o paciente acordado para
disso, deve ser levado em consideração os efeitos pró e an- mapeamento cortical estão aumentando progressivamente.
ticonvulsivantes das medicações utilizadas em anestesia. A estimulação elétrica cortical auxilia o cirurgião a localizar
RELATO DO CASO: Paciente do sexo masculino, 28 anos, e mapear áreas eloquentes, o que possibilita maior ressec-
75 kg, estado físico ASA I, submetido à microcirurgia para ção da lesão e minimização dos déficits neurológicos. O
tumor intracraniano em lobo frontal, sob anestesia geral en- manejo anestésico é um dos fatores mais influenciáveis no
dovenosa, com propofol em bomba de infusão alvo contro- sucesso destes procedimentos. Dentre os agentes anesté-
lada e sufentanil em bomba de infusão contínua, evoluindo sicos utilizados, destacam-se o propofol, a dexmedetomi-
com crise convulsiva tônico-clônica no intraoperatório qua- dina e os opióides. O objetivo deste estudo foi avaliar qual
tro horas após início do procedimento cirúrgico, sendo ad- manejo anestésico proporciona maior eficácia e segurança
ministrado 5 mg de midazolam e 4 mg de pancurônio para durante as craniotomias com o paciente acordado. MÉTO-
controle do quadro. Durante o intraoperatório, o do nível DO: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura e as
sérico de sódio variou de 136 a 140 mEq/L, com os demais principais bases de dados eletrônicas foram pesquisadas.
eletrólitos normais. Aumento progressivo do lactato arterial, A busca mais recente ocorreu em 1 de março de 2014. Dois
sendo o inicial 1,9 mmol/L, atingindo 4,1 mmol/L ao término autores, independentemente, selecionaram os ensaios clí-
do procedimento, associado à acidose metabólica (HCO3 = nicos, avaliaram a qualidade metodológica e extraíram os
17 mmol/L). Paciente já estava em uso de fenitoína 300 mg dados. Consideramos como desfechos primários grau de
por dia durante a internação, porém esta não foi adminis- satisfação tanto do paciente como do cirurgião, além da
trada durante o procedimento cirúrgico. DISCUSSÃO: Há cooperação do paciente e qualidade do despertar. Eventos
fatores que podem aumentar o risco do paciente apresentar adversos, tais como náuseas e vômitos, convulsões, taqui-
convulsões perioperatórias, entre eles, fármacos adminis- cardia e depressão respiratória, foram considerados des-
trados, não administração da medicação anticonvulsivante, fechos secundários. RESULTADO: Quatro ensaios clínicos
privação do sono, entre outras. Existem vários relatos na foram selecionados, com um total de 147 participantes
literatura de crise convulsiva tônico-clônica relacionados ao (81M:66F). A maioria destes estudos foi classificada como
uso do propofol, acontecendo em paciente epiléticos e não risco incerto de vies em relação a validade interna. Três
epiléticos, sendo os possíveis mecanismos desse efeito estudos compararam o propofol isoladamente ou sua com-
pró-convulsivante o antagonismo da glicina e o agonismo binação com outros anestésicos enquanto o outro estudo
GABAérgico, principalmente quando ocorre rápida altera- comparou apenas opióides entre si. Houve uma diferença
ção na concentração de propofol no tecido cerebral. Além estatisticamente significante a favor do grupo remifentanil
disso, altas doses de opióides sintéticos estão relacionadas + propofol comparado ao fentanil + propofol quanto à re-
à alterações epileptiformes no eletroencefalograma. Outro cordação de dor (RR 2.0 [IC 95% 1.05-3.80], p=0.03, um
fator de risco para convulsão intraoperatória, observado em estudo). em relação ao tempo de despertar, também houve
pacientes submetidos à craniotomia acordado, são tumores uma diferença estatisticamente significante favorecendo
encefálicos na região frontal em indivíduos jovens e naque- o grupo dexmedetomidina comparado ao grupo propofol
las com história prévia de convulsões. Assim, a provável (MD 5.20 [IC 95% 3.12-7.28], p<0.00001, um estudo). Não
causa da convulsão intraoperatória descrita neste relato de houve diferença estatisticamente significante em relação
caso deve-se a soma destes vários mecanismos relatados, aos eventos adversos. Não foi possível apresentar gráfi-
além da não administração do anticonvulsivante no periope- cos de meta-análise para os desfechos primários devido a
ratório. REFERÊNCIA: 1) Nossek E, Matot I, Shahar T et al. ausencia de dados. CONCLUSÃO: Há baixa qualidade de
Intraoperative seizures during awake craniotomy: incidence evidência para determinar qual o melhor manejo anestésico
and consequences: analysis of 477 patients. Neurosurgery. para craniotomias com o paciente acordado. Portanto, mais
2013;73(1):135-40; 2) Chui J, Manninen P, Valiante T, et al. ensaios clínicos randomizados bem conduzidos nesta área
The anesthetic considerations of intraoperative electrocor- são necessários. REFERÊNCIA: 1. See JJ, Lew TW, Kwek
ticography during epilepsy surgery. Anesth Analg. 2013; TK, et al. Anaesthetic management of awake craniotomy for
117(2):479-86. tumour resection. Ann Acad Med Singapure. 2007;36:319-
325. 2. Brydges G, Atkinson R, Perry MJ, et al. Awake cra-
niotomy: a practice overview. AANA J. 2012;80:61-68.

48 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


FAST TRACK EM NEUROCIRURGIA: É
POSSÍVEL? Anestesia em Obesidade
AUTORES:
Jose Mateus Costa, Thales Abreu Tedoldi, Gustavo de Frei-
ANESTESIA PARA CIRURGIA BARIÁTRICA
tas Ballarin, Jordana Dantas de Oliveira Lira*, Raffael Pereira
Cezar Zamper, Flávio Takaoka.
SEM USO DE OPIÓIDES.
AUTORES:
INSTITUIÇÃO:
Ronaldo Alves de Souto, Jaqueline Pereira de Souza Pa-
Hospital Israelita Albert Einstein.
chu, Ana Carolina Villanueva Teixeira, Luciana Pontes de
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: Alguns autores defendem Miranda Rabelo , Mariana Matoso de Albuquerque*, Patrícia
que todos os pacientes no pós-operatório imediato de Santiago Dantas de Oliveira.
cirurgia intracraniana devem ser encaminhados à Uni-
dade de Terapia Intensiva (UTI) intubados, para prevenir INSTITUIÇÃO:
os mecanismos endógenos gerados pelo estresse da Hospital Regional do Agreste.
extubação, como maior consumo de O2 pelas células e INTRODUÇÃO: A incidência crescente de obesidade vem
elevação no nível de catecolaminas plasmásticas, que, aumentando a necessidade de cirurgia bariátrica. As co-
causando aumento da pressão arterial, podem levar a morbidades respiratórias na obesidade mórbida podem
desfechos catastróficos, como óbito ou sequelas neu- afetar profundamente o manejo anestésico desses pacien-
rológicas permanentes por sagramento e formação de tes. A dexmedetomidina é um potente e altamente seletivo
hematoma intracraniano O objetivo deste relato é mos- agonista dos receptores alfa 2 adrenérgicos, com proprie-
trar que fast tracking em cirurgias intracranianas é uma dades simpaticolíticas, sedativas, amnésicas e analgésicas,
técnica factível e vantajosa para pacientes selecionados, e vem sendo utilizada na anestesia geral para reduzir o uso
quando bem indicada e manejada adequadamente. RE- de opióide e com isso reduzir a incidência de depressão
LATO DE CASO: AAAJ, 52 anos, masculino, internado respiratória. Esse relato avalia o uso da dexmedetomidina
eletivamente para ressecção de duas metástases intra- em um paciente submetido a cirurgia bariátrica sem uso de
cranianas de carcinoma pulmonar. Indução anestésica opióide. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 26 anos,
venosa realizada com propofol, fentanil e rocurônio e ma- 115kg, peso corrigido 89kg, hipertenso, admitido para rea-
nutenção com propofol em infusão contínua alvo-contro- lização de gastroplastia videolaparoscópica. Foi realizada
lada e remifentanil. Recebeu 1,0g de fenitoína no intrao- monitorização com ECG, PANI, oximetria de pulso, BIS,
peratório. Ao final das seis horas de cirurgia, parâmetros capnografia e TOF, tendo como parâmetros iniciais a PANI:
respiratórios, hemodinâmicos e temperatura corporal se 119X79, FC:107, SpO2: 96% em ar ambiente. Foi iniciada
mantinham estáveis desde o início do procedimento. O a indução anestésica com Dexmedetomidina em infusão
paciente foi extubado e enviado à UTI. No dia seguinte, continua, dose de ataque de 1mcg/kg em 10min, Sulfato
após evolução satisfatória sem intercorrências, recebeu de Magnésio 30mg/kg, Lidocaína 1,5 mg/kg em bolus, Pro-
alta para o quarto, onde permaneceu por mais um dia, re- pofol em infusão continua alvo controlada e rocurônio 1,2
cebendo alta do hospital no segundo dia pós-operatório. mg/kg. Após IOT foi feita manutenção anestésica com de-
DISCUSSÃO: Quando comparada à extubação tardia, a xmedetomidina 0,5mcg/kg/h, Sulfato de Magnésio 50mg/
técnica de fast track com extubação precoce não mos- kg/h, Lidocaína 3mg/kg/h e Propofol mantendo alvo de 2. A
trou aumento de morbimortalidade, tendo ainda alguns cirurgia teve duração de 120 minutos e o paciente manteve-
benefícios claros, como redução no tempo de internação -se estável durante todo o intra-operatório, com o BIS entre
hospitalar, menores complicações respiratórias, avalia- 40 e 60 e o procedimento ocorreu sem intercorrências. Foi
ção mais precoce do status neurológico pós-operatório realizada analgesia com Dipirona e Parecoxibe, e profilaxia
e mais rápida reabilitação por parte do paciente. Fatores para náuseas e vômitos com ondansetrona e dexametaso-
como baixa pontuação na Escala de Coma de Glasgow na. Não foi utilizado opióides durante todo o procedimento
no pré-operatório, cirurgias de emergência e grande e o bloqueio neuromuscular foi revertido com sugamadex
perda sanguínea no intraoperatório elevam o risco de 4mg/kg. O paciente foi extubado após 10 minutos do térmi-
complicações com a realização da técnica. Garantir es- no do procedimento e foi encaminhado a SRPA consciente
tabilidade hemodinâmica e normotermia durante todo o e em ventilação espontânea com auxílio de cateter de O2.
procedimento (2) e manter analgesia com baixas doses O paciente permaneceu com EVA=0 nas primeiras 24 horas
de fentanil na fase final da cirurgia aumentam o sucesso do pós-operatório e não apresentou náuseas ou vômitos.
do fast tracking (1) . REFERÊNCIA: 1. Hemant Bhagat, DISCUSSÃO: A dexmedetomidina é excelente agente
MD, DM, Hari H. Dash, MD, Parmod K. Bithal et al. Plan- analgésico e permite a realização de procedimentos sem
ning for Early Emergence in Neurosurgical Patients: A o uso de opióides, com o benefício de não provocar náu-
Randomized Prospective Trial of Low-Dose Anesthetics. seas e vômitos pós operatórios. Além disso, promove mí-
Anethesia & Analgesia Vol. 107, No. 4, October 2008 2. nima depressão respiratória, sendo usada de forma segura
Bruder N1, Ravussin P. Recovery from anesthesia and em pacientes obesos mórbidos submetidos a cirurgia de
postoperative extubation of neurosurgical patients: a re- gastroplastia videolaparoscópica.REFERÊNCIA: Afonso J,
view. J Neurosurg Anesthesiol. 1999 Oct;11(4):282-93. Reis F; Dexmedetomidina: Papel em Anestesia e Cuidados
Intensivos; Rev Bras Anestesiol 2012, 62: 1:118-133 Bagatini
A, Gomes CB, Masella MZ, et al. Dexmedetomidina: Farma-
cologia e Uso Clínico. Rev Bras Anestesiol. 2002;52:606-17.

Temas Livres CBA 2014 | 49


AVALIAÇÃO DA DOSE DO SUGAMADEX EM GRAVE RABDOMIÓLISE APÓS CIRURGIA
OBESIDADE GRAU III BASEADA NO PESO BARIÁTRICA. RELATO DE CASO.
CORPORAL TOTAL VERSUS IDEAL: ENSAIO
AUTORES:
CLÍNICO RANDOMIZADO. Anacleto Gabriel de Alcantara*, Maryna Rodrigues Lan-
AUTORES: dim, André Gustavo Peixoto Conceição, Flavia Helena
Lídia Cardoso de Siqueira*, Bruno Santos Afonso de Melo, Santos de Carvalho, Laisa Rodrigues Barros, João Ma-
Rogério Camilo Alcoforado Barroso Braga, Ana Carolina Car- noel da Silva Junior.
neiro Leão Falcão, Deise Barros Diniz, Léa Fonseca Veloso. INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Hospital Servidor Publico Estadual SP-IAMSPE.
Hospital Universitário Osvaldo Cruz INTRODUÇÃO: Atualmente a cirurgia bariátrica tornou-
INTRODUÇÃO: O sugamadex é uma γ-ciclodextrina modi- -se pratica comum devido o aumento da população obe-
ficada com conformação espacial que permite formar um sa. No entanto, muitas complicações têm sido relatadas.
composto estável na razão 1:1 com a molécula do rocurô- O objetivo deste relato foi apresentar um caso de intensa
nio. Trata-se de uma droga segura na reversão do bloqueio rabdomiólise que evoluiu para insuficiência renal aguda
neuromuscular (BNM), porém de custo elevado. O objetivo após cirurgia bariátrica e parada cardiorrespiratória por
desse estudo foi comparar o tempo e a eficácia da reversão hipercalemia. RELATO DO CASO: Paciente do sexo
do BNM em pacientes obesos grau III, utilizando duas do- masculino, 54 anos, branco, índice de massa corporal
ses do sugamadex baseadas no peso corporal total (PCT) (IMC) 64,8, estado físico ASA II(HAS,DM2), submetido à
versus ideal (PCI). MÉTODO: Tratou-se de um ensaio clínico cirurgia bariátrica videolaparoscopica em Y de Roux, sob
duplamente encoberto, com 26 obesos (IMC ≥ 40 kg/m2) de anestesia geral venosa total, foi utilizado remifentanil,
ambos os gêneros, na faixa etária de 18–55 anos, ASA II e III, propofol e rocurônio 0,4mg/kg na indução. O paciente foi
submetidos à gastroplastia. Na sala de cirurgia, foi realiza- monitorizado com ECG, oximetro de pulso, capnografo,
da venopunção e monitorização de rotina e do BNM com o pressão não invasiva e temperatura esofágica. A intuba-
TOF-Watch®SX cujos valores de medida foram registrados: ção transcorreu sem problemas, paciente cormack 2 A.
imediatamente após a calibração, antes da intubação oro- O procedimento foi sem intercorrências. O tempo anes-
traqueal (IOT) e a cada 10 min no transoperatório até o mo- tésico-cirúrgico foi de 4 horas e 30 minutos, o paciente
mento da reversão do BNM. Todos os pacientes foram sub- foi extubado, encaminhado para UTI e recebeu morfina
metidos a anestesia venosa total com remifentanil e propofol 12 mg para analgesia. No primeiro dia do pós-operatório
em infusão alvo controlada. Após perda da consciência era o paciente apresentou dor na região lombossacral, além
realizada a calibração do TOF. Para IOT foi administrada suc- de parestesia nos membros inferiores na distribuição do
cinilcolina (1mg/kg, baseada no PCT) ou rocurônio (0,6mg/ nervo isquiático. Durante o exame, as nádegas apresen-
kg, baseado no PCI) e para manutenção do BNM, infusão tavam discreta palidez, tensas, edemaciadas, dolorosas
contínua de rocurônio na dose de 8–12mcg/kg/min (baseada à palpação e à movimentação. A CPK encontrava-se
no PCI), ajustada para manter no máximo duas respostas 11610 UI/L, potássio 6,7meq/L, U=117mg/dl e creatinina
no TOF na sequência de quatro estímulos e interrompida 3,9mg/dl, anúrico. O paciente evoluiu com insuficiência
no início do fechamento da aponeurose, na gastroplastia renal aguda necessitando de dialise de urgência. En-
convencional ou na realização da última anastomose, na tretanto, antes do inicio do procedimento apresentou
gastroplastia videolaparoscópica. Para a reversão do BNM parada cardiorrespiratória em AESP, sendo realizadas
foi administrado sugamadex na dose de 2mg/kg, dose total manobras de reanimação com sucesso após 15 min. No
baseada no peso corporal total (GPCT) ou peso corporal ide- presente momento paciente encontra-se em estado de
al (GPCI), de acordo com a randomização, quando o paciente coma vigil e necessitando ainda de dialise para a recu-
apresentava duas respostas no TOF. Foi registrado o tempo peração. CONCLUSÕES: Os pacientes obesos mórbidos
necessário para reversão completa do BNM (TOF ≥ 0,9) e submetidos à cirurgia bariátrica podem apresentar sín-
complicações relacionadas a presença de BNM residual no drome compartimental e rabidomiolise intensa que pode
despertar da anestesia. Para análise estatística empregou- ser pior quanto maior o IMC. Quando não diagnosticada
-se os testes de Mann-Whitney e Qui-Quadrado de Pearson e tratada precocemente, podem evoluir com insuficiência
e foi considerado estatisticamente significativo o valor de renal aguda, hipercalemia e parada cardíaca. REFERÊN-
p < 0,05. RESULTADO: Na amostra avaliada, 11 pacientes CIA: BENEVIDES, Márcio Luiz; NOCHI JUNIOR, Rubens
receberam sugamadex baseado no PCT e 15 no PCI. Não Jardin. Rabdomiólise por síndrome compartimental glú-
houve diferença estatisticamente significativa no tempo para tea após cirurgia bariátrica: relato de caso. Rev. Bras.
a reversão do BNM em ambos os grupos (GPCT: 161,6 ± 45,9 Anestesiol, v. 56, n. 4, Aug. 2006.
segundos versus GPCI: 177,1 ± 54,6 segundos; p = 0,413).
Nenhum paciente apresentou complicações no despertar da
anestesia. CONCLUSÃO: Neste estudo, a reversão do BNM
com sugamadex, em pacientes obesos grau III, utilizando
a dose baseada no peso corporal ideal mostrou tempo de
reversão e segurança semelhante a dose baseada no peso
corporal total. Com esse resultado é possível diminuir os
custos anestésicos, mantendo a segurança do procedimento
nessa população em particular. REFERÊNCIA: Sanfilippo M,
Alessandri F, Wefki Abdelgawwad Shousha AA et al. Sugam-
madex and ideal body weight in bariatric surgery. Anesthesiol
Res Pract. 2013;2013:389782.

50 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


OPIÓIDE EPIDURAL EM DOSE ÚNICA
VERSUS INFILTRAÇÃO CONTÍNUA DE FERIDA Anestesia em Obstetrícia
OPERATÓRIA COM ANESTÉSICO LOCAL EM
GASTROPLASTIA LAPAROTÔMICA.
RAQUIANESTESIA PARA CESÁREA EM
AUTORES: PACIENTE PORTADORA DE PÚRPURA
Bárbara Ribeiro Coutinho Leduc*, Rodrigo de Lima e Souza,
TROMBOCITOPÊNICA IDIOPÁTICA
Leonardo Henrique Moreira Franco, Clerisson Loures de
Paiva, Márcio Henrique Mendes, Felipe Ladeia Garcia.
GUIADA PELA TROMBOELASTOMETRIA
ROTACIONAL. RELATO DE CASO.
INSTITUIÇÃO:
Hospital Madre Teresa. AUTORES:
Bernardo Gosling Telles de Souza*, Lucas de Moura Lopes,
INTRODUÇÃO: A literatura demonstra que em cirurgias Daniel Vieira de Queiroz, Denise Iskin, Marialice Vieira Cardoso.
abdominais o controle da dor pós-operatória e minimização
dos efeitos colaterais das drogas influenciam na qualidade INSTITUIÇÃO:
e tempo de recuperação. Entretanto, o uso de opióides epi- CET Prof. Fabiano Gouvea do Hosp.Fed.Serv.do Est. RJ.
durais contribui para deambulação tardia, íleo adinâmico, INTRODUÇÃO: A dificuldade em realizar estudos prospecti-
náuseas, vômitos e internação prolongada. Estudos recentes vos e randômicos em função da raridade do desfecho, a de-
evidenciam que a infiltração contínua da ferida operatória terminação do nível de plaquetas para que haja segurança na
com anestésicos locais produz alívio da dor comparável à realização de bloqueios do neuroeixo depende da experiência
analgesia epiural. Neste estudo, optou-se por confrontar cumulativa de relatos de casos e opinião de especialistas e por
esses dois métodos analgésicos. MÉTODO: Estudo pros- isso necessita de maiores e melhores estudos. Descreveremos
pectivo, duplo-cego e não randomizado, n = 45. Dois gru- a seguir um caso de uma paciente gestante previamente diag-
pos avaliados nos intervalos pós-operatórios 3, 12, 24 e 48 nosticada com Púrpura Trombocitopênica Idiopática submetida
horas através de questionário. G1- 21 casos sob infiltração à raquianestesia para cesariana sob auxilio de tromboelastome-
contínua da ferida operatória com anestésico local através tria com subsequente revisão bibliográfica sobre bloqueio de
de bomba elastomérica. G2- 24 casos sob anestesia epiu- neuroeixo em plaquetopenias. RELATO DE CASO: Paciente do
ral com 18mL de Ropivacaína a 0,375% e 2mg de morfina, sexo feminino, 21 anos, primigesta de 39 semanas, portadora
dose única. Amostra: casos submetidos a gastroplastia de Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) em uso crônico
laparotômica no Hospital Madre Teresa, Belo Horizonte, de hidrocortisona, assintomática, com exames pré-operatórios
entre 2012-2013; os parâmetros avaliados foram o grau da indicando plaquetopenia (81.000 plaquetas.µL-1), TAP e PTTa
dor por escala analógica, náuseas, vômitos, distensão ab- sem anormalidades e tromboelastometria rotacional (ROTEM®)
dominal, consumo de drogas e satisfação com a analgesia. também sem alterações (MCF = 62 mm, A10 > 52 mm, CFT e
DISCUSSÃO: Observou-se semelhança em gênero e média α normais). Realizada raquianestesia entre L3-L4 via mediana
de idade. Houve discrepância entre o controle de dor nas na 1ª tentativa com agulha Quincke 27G e saída de líquor claro,
24h iniciais, com o prevalecimento da técnica epiural (G1) nas sem intercorrências, e injeção de bupivacaína hiperbárica 12mg
primeiras 3h, equivalência em 12h e superação pela técnica e morfina 80µg; atingindo nível sensitivo em T4. Per-operatório
de infusão contínua (G2) após 24h; demais períodos (24-48h) sem intercorrências e retorno das funções neuromusculares
sem significância, entretanto, notou-se maior satisfação com sem complicações anestésicas no pós-operatório imediato.
o controle da dor em G2. A incidência de náuseas foi signifi- DISCUSSÃO: O bloqueio do neuroeixo é considerado, hoje em
cativa apenas nas primeiras 24h, com predominância no G1. dia, a anestesia padrão para cesárea e a presença de plaque-
Vômitos e distensão abdominal não sofreram influência do topenia acentuada é considerada contra-indicação relativa ao
método escolhido. Apesar de não haver relação entre con- método pelo risco de hematoma no neuroeixo e suas complica-
trole da dor e técnica no pós-operatório mediato (24-48h), ções subsequentes. No entanto, o nível de segurança da con-
observou-se uma redução no tempo de internação no G2. tagem de plaquetas ainda é assunto controverso na literatura
CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que o controle da dor além de haver a idealização da avaliação da função plaquetária
pós-operatória através de infiltração contínua de anestésico através da tromboelastometria, PFA-100 ou outros. As diretrizes
local na ferida pode contribuir com o bem estar do indivíduo atuais da Sociedade Americana de Hematologia recomendam
pela redução da incidência de efeitos colaterais. Entretanto, que a indicação da via de parto seja obstétrica. Outros estudos
sua eficiência analgésica no pós-operatório imediato (12h) é advogam que a contagem de plaquetas acima de 50.000 por µL
inferior àquela apresentada pela técnica epiural com opiói- seja segura para bloqueio do neuroeixo apesar das complica-
de, o que indica a necessidade de maiores esforços neste ções hemorrágicas serem incomuns e sem relação direta com a
período para controle da dor.Podemos constatar então que contagem de plaquetas. O uso da tromboelastometria em par-
não somente o controle da dor, mas a prevenção de que esta turientes também deve ser analisado com cautela uma vez que
se manifeste concorre para a maior satisfação do paciente e a gravidez por si gera um estado de hipercoagulabidade (dimi-
redução do período de internação. REFERÊNCIA: 1.Tilleul nuição do CT e CFT e aumento do MCF e do ângulo A) a des-
P, Aissou M, Bocquet F, et.al. Cost-effectiveness analysis- peito da plaquetopenia. Assim, o corte de 50.000 plaquetas
comparingepidural, patient-controlled intravenous morphi- por µL associado à análise da função plaquetária parece ser a
ne, and continuous wound infiltration for postoperative pain melhor estratégia para decidir entre uma anestesia regional ou
management after open abdominal surgery. Br J Anaesth. geral em grávidas com PTI. REFERÊNCIAS: Tanaka M, Balki
2012 Jun;108(6):998-1005. 2.Kjærgaard M, Møiniche S, M, McLeod A et al. Anestesia Regional e Trombocitopenia não
Olsen KS. Wound infiltration with local anesthetics for post- pré-Eclâmpsia; Hora de repensar o nível seguro de plaquetas.
-operative pain relief in lumbarspinesurgery: a systematic Rev Bras Anestesiol.2009;59:2:142-153. Neunert C, Lim W,
review. Acta Anaesthesiol Scand. 2012 Mar;56(3):282-90. Crowther M et al. The American Society of Hematology 2011
evidence-based practice guideline for immune thrombocyto-
penia. Blood. 21 April 2011;117(16).

Temas Livres CBA 2014 | 51


ANALGESIA DE PARTO EM GESTANTE COM ANESTESIA EM GESTANTE COM LEUCEMIA
INSUFICIENCIA CARDIACA GRAVE. MIELOIDE AGUDA: RELATO DE CASO.
AUTORES: AUTORES:
Mileni Furlaneto Celinski*, Alexandra Moro Caporal, Jóice Lívia Maria Campos Teixeira*, Cátia Sousa Govêia, Luís Cláu-
Filla, Luiz Carlos Barretto Cesar Júnior, Rodrigo Sadami Ito, dio de Araújo Ladeira, Marco Aurélio Soares Amorim, Ana
Adriel Carlos Martins. Patrícia Santos de Oliveira, Denismar Borges de Miranda.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital Nossa Senhora do Rocio. CET/SBA Centro de Anestesiologia da Universidade de
Brasilia.
INTRODUÇÃO: Durante a gestação, o organismo mater-
no sofre profundas mudanças fisiológicas adaptadas às INTRODUÇÃO: leucemia durante a gestação é extrema-
necessidades materno fetais. Doenças cardiovasculares mente rara (1:75.000-100.000 gestações), e a leucemia
prévias a essas alterações estão intimamente ligadas a mieloide aguda (LMA) representa 60% dos casos. O
escolha da técnica anestésica a ser aplicada durante o diagnóstico na gravidez é difícil devido à semelhança dos
trabalho de parto. Uma vez que além de promover anal- sintomas com aqueles comuns da gestação, como fadiga,
gesia, tais técnicas devem também preservar as con- dispneia, púrpura, hemorragias e anemia. A pancitopenia
dições hemodinâmicas afim de diminuir o impacto em causa hemorragias, infecções e dificuldade de trocas pela
um sistema de baixas reservas. Nesse contexto, o relato barreira placentária, com maior risco de abortamento,
de caso que segue apresenta uma gestante portadora parto prematuro e baixo peso do concepto. O início da
de insuficiência cardíaca grave submetida a analgesia quimioterapia dependerá da idade gestacional (IG) e pos-
de parto para parto vaginal. RELATO DE CASO: IPR, sibilidade de interrupção da gestação, pois a sobrevida
40 anos, 38 semanas de gestação, gesta IV, PIII, C 0, materna pode ser reduzida para apenas três meses, caso
Aborto 0, antecedente anestésico de anestesia local não seja instituído tratamento. OBJETIVO: é relatar caso
para cateterismo, estado físico ASA III. Hipertensa, exta- de paciente portadora de LMA submetida à cesariana sob
bagista apresentou episódio de IAM dois anos antes da anestesia geral. Relato de caso: gestante, 23 anos, 78 kg,
gestação, quando foi submetida a cateterismo e à angio- G1P0A0, IG: 37 semanas, sem doenças prévias. Iniciou
plastia. A partir disso evoluiu com insuficiência cardíaca quadro com hematomas em membros superiores e inferio-
grave com FE de 39% ao ecocardio. em uso contínuo de res, sangramento gengival e pancitopenia. Após avaliação
captopril, espironolactona, carvedilol, aas e clopidogrel clínica e hematológica foi diagnosticada a LMA, com indi-
que apesar das contra indicações foram mantidos du- cação de interrupção imediata da gestação e início da qui-
rante todo período de gestação e suspensos cerca de mioterapia. Ao exame físico apresentava-se hipocorada,
seis dias antes do internamento. Considerado alto risco hidratada, com hiperplasia gengival. Laboratório: Hb (8,8
cirúrgico. de acordo com isso se planejou parto vaginal g/dL), leucócitos de 1.931/mm3 (seg. 8%, linf. 42% e blast.
com analgesia. Indução de PN com amniotomia. Man- 49%) e plaquetas (28.000/mm3). Coagulograma normal.
tida sob monitorição cardíaca continua, suplementação Realizada transfusão de 10 U de plaquetas imediatamente
de oxigênio por máscara facial, oximetria de pulso, con- antes da cirurgia, por recomendação de hematologista;
trole pressórico invasivo com punção de artéria radial plaquetometria (67.000/mm3). Profilaxia para aspiração
direita. Duas horas após indução, no período expulsivo com metoclopramida e ranitidina. Monitorização com
foi submetida a raquianetesia com 5mg de bupivacaina ECG, PANI, SpO2 e FECO2. Realizada pré oxigenação e
hiperbárica a 0,5%, associada a 20 microgramas de fen- indução em sequência rápida com fentanil, propofol e suc-
tanil com discreto bloqueio motor e simpático. Realizado cinilcolina. Intubação orotraqueal sob técnica atraumática,
parto normal sem intercorrências. Gestante se manteve sem intercorrências. Administrado atracúrio. Manutenção
estável e foi encaminhada para UTI de onde deu alta no da anestesia com sevoflurano (0,7 CAM). Extração de feto
dia seguinte. CONCLUSÃO: O bloqueio regional institu- vivo, Apgar 9/9. Ao final, foi extubada e, hemodinamica-
ído para o parto vaginal não traz grandes repercussões mente estável, encaminhada à UTI. Proposta de iniciar qui-
hemodinâmicas, devido a menor profundidade e nível mioterapia no primeiro dia pós operatório. DISCUSSÃO:
de bloqueio necessário. Com isso se torna uma escolha por apresentar alterações de via aérea próprias da gesta-
segura nos casos em que por doenças sistêmicas que se ção, agravadas por hiperplasia gengival, a possibilidade
sobrepões as alterações fisiológicas da gestação há que de via aérea difícil não pode ser descartada. Neste caso, a
se ter controle hemodinâmico restrito. Palavras chaves: plaquetopenia contraindicou bloqueio de neuroeixo, mas
analgesia de parto, insuficiência cardíaca, bloqueio. não resultou em hemorragia intraoperatória significativa. O
início da quimioterapia após a cesariana é uma estratégia
terapêutica que visa minimizar os efeitos adversos ao feto.
Todavia, quando a LMA se manifesta no início da gestação
está indicada a quimioterapia para a indução imediata da
remissão, mas associada a pior prognóstico materno fetal.
Há consenso entre especialistas de que o resultado em
gestantes com LMA é adversamente afetado quando a
terapia apropriada é atrasada, enfatizando a necessidade
de diagnóstico e terapia precoces. REFERÊNCIA: Kim
MH, Na SW, Koh SO, et al. Acute myeloid leucemia in sus-
pected sepsis after caesarean section. Korean J Crit Care
Med, 2014;29(2):99-104.

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ANESTESIA EM GESTANTE COM SEQUELAS ANESTESIA EM GESTANTE COM
DE POLIOMIELITE: RELATO DE CASO. TROMBASTENIA DE GLANZMANN: RELATO
DE CASO.
AUTORES:
Igor Oliveira Viana*, Thaissa Garcia Barbosa de Figueiredo, AUTORES:
Ana Carla Pinto de Góes Omena, Natália Farias de Almeida, Marcelo Neves Silva, Ana Carolina Borba Sivini, Bianca Ju-
Júnio Rios Melo, Marina Ayres Delgado. gurta Vieira de Lima Alves, Louise Farias Brito*, José Mar-
ques da Silva Neto, Tânia Cursino de Menezes Couceiro.
INSTITUIÇÃO:
Hosp.das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: Cerca de 1% dos infectados pelo vírus da Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira - IMIP.
poliomielite podem desenvolver sequelas permanentes, INTRODUÇÃO: A Trombastenia de Glanzmann (TG) é
que em alguns casos podem levar à morte. O bloqueio uma trombocitopatia autossômica recessiva causada pela
de neuroeixo é a técnica de escolha em cesarianas, com- deficiência ou anormalidade da glicoproteína (GP) IIb e/
parado à anestesia geral, pela maior complexidade do ou Illa da membrana plaquetária. Caracteriza-se por au-
controle da via aérea na população obstétrica e devido às sência de agregação plaquetária e discrasia hemorrágica
alterações anatômicas e fisiológicas próprias da gestação, crônica com contagem normal de plaquetas. O objetivo
assim como aos potenciais efeitos dos anestésicos sobre desse caso é relatar a conduta anestésica e o manejo do
o feto. em casos como sequela de poliomielite, deve-se perioperatório em gestante portadora de TG, submetida à
avaliar o risco x benefício da anestesia geral em detri- cesariana. RELATO DE CASO: Primigesta, 38,3 semanas
mento do bloqueio regional. RELATO DE CASO: NPS, 40 de gestação, 31 anos, 93kg, ASA II, hipertensa em uso de
anos, feminino, G1P0A0, IG 36s, portadora de sequela de metildopa 2g/dia. O diagnóstico de TG foi confirmado aos
poliomielite e escoliose grave, com tentativa de correção 12 anos após história de equimoses espontâneas e san-
cirúrgica há 20 anos. Admitida para cesariana eletiva. Pré- gramentos profusos após pequenos ferimentos. Admitida
operatório: ausência de queixas cardiovasculares, com na triagem obstétrica para indução do parto normal, no
desconforto respiratório em decúbito lateral esquerdo, entanto, por falha da indução, foi indicada cesariana. Pela
paresia acentuada e perda de sensibilidade em MID, ne- contra-indicação de bloqueio do neuroeixo, foi optado por
cessitando de órteses para locomoção. Mobilidade e cir- anestesia geral. Apresentava os seguintes resultados labo-
cunferência cervicais normais, abertura da boca maior que ratoriais: TS= 2,30min TC= 7,00min PLQ= 160.000 TTPa=
40mm, distância mentotireoidiana >6cm e Mallampati 2, 28,5 TP=10,2 INR= 0,92 Hb=13,9 Ht= 40,2. Trinta minutos
evoluindo para 3 no dia da cesariana. Escoliose acentuada antes da cirurgia, foi infundido concentrado de plaquetas
com exteriorização de peça ortopédica, que causou difi- 0,1 UI/kg, totalizando 9 UI de plaquetas. A indução da anes-
culdade técnica para realização de bloqueio de neuroeixo, tesia foi realizada com fentanil (200mcg), propofol (200mg)
optando-se pela anestesia geral. Exames laboratoriais e succinilcolina (100mg) para facilitar a intubação. A anes-
sem alterações. Devido à preocupação com um eventual tesia foi mantida com oxigênio, ar comprimido, sevoflurano
comprometimento de função pulmonar ou cardiovascular, (2%), rocurônio (40mg) e o ácido epsilon amino-capróico
foi reservado vaga de CTI e hemoderivados. Trinta minutos (dose 4g) foi administrado no intra-operatório. Não foram
antes da indução, foram feitos 50mg de ranitidina e 10 mg necessárias novas transfusões e o ato anestésico-cirúrgico
de metoclopramida. A paciente foi induzida em sequencia transcorreu sem intercorrências. A paciente foi então, ex-
rápida com pressão cricóide e uso de remifentanil. Foi rea- tubada, encaminhada à UCI onde permaneceu por 24h no
lizada antibioticoprofilaxia com 2g de cefazolina, passada pós - operatório, evoluindo sem sangramentos, tendo alta
sonda nasogástrica após IOT e a ventilação mecânica para o alojamento conjunto, onde permaneceu por mais 24h
mantida em modo controlado a volume, com sevoflurano antes de receber alta hospitalar no 2º DPO com Hb= 11,1
a 0,7 CAM. Manteve-se estável durante todo procedimen- Ht= 33,2 PQT= 151.000. DISCUSSÃO: Na Trombastenia de
to. Foi descurarizada com 2 mg de neostigmina e 1mg de Glanzmann, o tratamento preventivo em casos cirúrgicos
atropina. Ao despertar apresentou-se orientada, pergun- é a transfusão plaquetária, e nesse caso, foi instituída essa
tando pelo filho, respondendo aos comandos verbais, com medida o que resultou em coagulação transoperatória
ventilação satisfatória e saturação adequada sob cateter satisfatória. O tratamento coadjuvante não transfusional,
nasal e posteriormente em ar ambiente. RN com APGAR como procedimentos hemostáticos locais e administração
de 6 e 9, necessitando apenas de cuidados básicos ha- de drogas antifibrinolíticas, que também foram adotados,
bituais. A puérpera foi observada por 2 horas, mantendo possibilitou a não infusão de plaquetas no pós-operatório.
bom padrão ventilatório e saturação desejável, sendo en- de forma a evitar a aloimunização plaquetária com trans-
tão encaminhada à enfermaria. DISCUSSÃO: A mortalida- fusões repetidas de plaquetas, o que torna as transfusões
de materna relacionada à anestesia é mais frequente com subsequentes ineficazes, foi demonstrado que o fator VIIa
a anestesia geral do que com as técnicas regionais, tendo recombinante é um tratamento alternativo para sangra-
como uma das causas principais a dificuldade com via aé- mento e suporte cirúrgico com menos efeitos adversos
rea. Sendo as doenças do sistema nervoso central (SNC) em pacientes portadores de TG. Apesar da TG ser uma
e periférico uma contra-indicação relativa à realização das doença grave, tem um bom prognóstico quando medidas
anestesias espinhais, a escolha da técnica na gestante de suporte são adotadas. Este caso demonstra que me-
deve pesar o risco x benefício. REFERÊNCIA: Martins MP. didas profiláticas planejadas previamente permitiram a
Controle de via aérea, SBA, 2012; Rezende DPS. Pacientes realização de um procedimento anestésico-cirúrgico com
com sequelas de poliomielite. A técnica anestésica impõe segurança e sem intercorrências. REFERÊNCIA: Carlos
algum risco? Rev. Bras. Anestesiol. vol.58 no.3.2008. Rogerio Degrandi Oliveira, Luciana Elias. Anestesia em Pa-
ciente com Trombastenia de Glanzmann. Relato de Caso.
Rev Bras Anestesiol, 2000;50(2):125-127.

Temas Livres CBA 2014 | 53


ANESTESIA GERAL EM PACIENTE ANESTESIA GERAL EM PARTO CESÁREO DE
PORTADORA DE DEFICIÊNCIA CONGÊNITA GESTANTE COM HIPERTENSÃO PULMONAR
MODERADA DO FATOR VII DE COAGULAÇÃO. IDIOPÁTICA GRAVE.
AUTORES: AUTORES:
Amanda Cristina de Oliveira Martins*, Thobias Zapaterra João Paulo Jordão Pontes, Catia Sousa Goveia, André Hi-
César, Carolina Venâncio Barbosa, Marcelo Pandolfi Cali- deo Ono*, Heitor Azevedo Rodrigues, Luis Claudio Araujo
man, João Alberto Pastor de Oliveira, Bruno de Carvalho Ladeira, Thiago Rocha Moura.
Cunha Leão.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: CET/SBA Centro de Anestesiologia da Universidade de
Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais - Fhemig. Brasilia.
INTRODUÇÃO: O Fator VII faz parte da hemostasia secun- INTRODUÇÃO: Hipertensão arterial pulmonar (HAP) é a
dária, liga-se ao fator tecidual, gera o Fator VIIa que auxilia pressão arterial pulmonar média > 25 mmHg em repouso.
na formação da rede de fibrina. A Deficiência Congênita do Associada à gestação, gera índices de mortalidade materna
Fator VII de Coagulação (DCFVIIC) é rara e o quadro clínico entre 30-50%, e a técnica anestésica para o parto ainda é
variável. RELATO DE CASO: B.G.M., 32 anos, IG 37 sema- polêmica. Relato do Caso: Gestante, G1P0A0, 18 anos, IG
nas, Peso 101Kg, acompanhamento prévio com Hematolo- 34+3; 61,2 kg. Na 24a semana de gestação, além da piora da
gista por DCFVIIC; quadro de DHEG ao final da gestação. dispnéia aos pequenos esforços, iniciou episódios de lipotí-
Propedêutica excluiu Sd HELLP; RNI 6,5 (basal: 5,0); ATP mia, síncope, cianose periférica e edema em extremidades,
13%; TP 66,2 seg; TTPa 31,5 seg; Hemograma HC 4,5 mi- com piora gradativa. Recebeu diagnóstico de hipertensão
lhões/mm3; HB 13,7g/dL; HCT 39,5%; Plq. 280.000. Subme- pulmonar grave idiopática (PSAP=91mmHg) e disfunção
tida à Cesariana com indução em sequência rápida: Fentanil moderada de câmaras direitas, sem comprometimento de
500mcg, Propofol 150mg e Succinilcolina 110mg. Conforme câmaras esquerdas. Foram iniciados enoxaparina, furose-
orientação do Hematologista, foi administrado PFC no pré mida, sildenafil, digoxina e O2 sob cateter nasal. Optou-
e perioperatório (800ml); evoluiu com sangramento haitual -se por cesariana eletiva na 34a semana, sob anestesia
durante o procedimento, sem necessidade de hemotrans- geral. Realizou-se profilaxia para aspiração pulmonar com
fusão. Monitorização: SatO2, ECG, PIA, Capnografia, SVD. metoclopramida e ranitidina, monitorização não invasiva e
Exames pós-cesárea: RNI 6,0; Hemograma HC 3,57 milhões/ pressão arterial invasiva. Após pré-oxigenação, a indução
mm3; HB 10,8g/dL; HCT 31,4%; Plq. 278.000. Foi extubada e foi realizada com sufentanil, etomidato e rocurônio, e manu-
encaminhada ao CTI, permaneceu com estabilidade clínica, tenção com sevoflurano a 0,7 CAM. Utilizou-se noradrena-
sem necessidade de hemotransfusão com alta Hospitalar em lina nos primeiros 10min após a indução para estabilizar a
boas condições clínicas. DISCUSSÃO: O uso autorizado do pressão arterial. Para complementar a analgesia pós opera-
Fator VIIa recombinante (FVIIar) é restrito a pacientes com tória, dipirona e tenoxicam. Foi administrado sugammadex
hemorragia portadores de Hemofilia A, B ou com anticorpos para reversão do bloqueio neuromuscular, sem alterações
contra seus fatotes; àqueles com DCFVIIC e portadores hemodinâmicas. Extubação sem intercorrências. O uso de
de Trombastenia de Glanzman2. Há uso não autorizado do inotrópicos positivos não foi necessário. Na UTI, houve boa
FVIIar em situações clínicas, como hemorragia pós-parto e evolução, com alta hospitalar em 7 dias. DISCUSSÃO: a
pós-trauma, sem estudos randomizados que sustentem esta deterioração da HAP geralmente ocorre entre as 20-24a se-
conduta. em gestantes com DCFVIIC1, a profilaxia hemostá- manas de gestação. A estabilidade hemodinâmica periope-
tica mais comumente ocorre com a reposição do FVIIar, pois ratória é o foco principal do manejo dos pacientes com HAP
o PFC requer um grande volume (associado à transmissão grave, motivo da escolha pela anestesia geral. A anestesia
de doenças virais) e a reposição do fator VII concentrado peridural, apesar dos relatos de sucesso, poderia causar
(não recombinante) ser de difícil acesso, entretanto o custo instabilidade hemodinâmica. A anestesia geral, com a infu-
é muito elevado. Sua reposição1 não está indicada a todas são lenta das drogas e baixas doses de sevoflurano permitiu
as pacientes com DCFVIIC nem baseada em níves sanguí- indução suave, manutenção estável e o controle dos parâ-
neos do fator, pois não há relação direta entre sangramento metros cardiovasculares, como a manutenção da pré-carga
e seu valor sérico. Kreuziger et al1 dizem que a profilaxia do ventrículo direito (VD), da resistência vascular sistêmica
com FVIIar foi determinada mais pelo modo de nascimento e da contratilidade, principalmente do VD. A ventilação
(cirúrgico) em detrimento aos níveis de FVII e história prévia mecânica evitou hipóxia, hipercarbia e acidose, além de
de sangramento; o resultado mostrou não haver diferença poder facilitar o uso de vasodilatadores inalatórios, quando
quanto à ocorrência de sangramento pós-parto, mas não há necessário. A noradrenalina preveniu a hipotensão arterial e
como inferir o risco de trombose. em caso de hemorragia a deterioração da função do VD. Analgesia pós operatória
pós-parto2, o uso do FVIIar pode ser considerado se ava- multimodal diminui os efeitos colaterais indesejados. Neste
liadas algumas condições prévias como tentativa de trata- caso, não foi necessário o uso de analgésicos de resgate
mentos clínico (massagem uterina), famacológico (agentes no pós-operatório. O manejo intraoperatório deve ser vol-
uterotônicos) e cirúrgico (sutura B-Lynch), transfusão de tado para a adequada manutenção do plano anestésico,
hemocomponentes habituais, entre outros. REFERÊNCIA com diminuição do tônus simpático sem comprometimen-
BIBLIOGRÁFICAS: 1. Kreuziger LMB, Morton CT, Reding to hemodinâmico, objetivos que foram alcançados com a
MT. REVIEW ARTICLE: Is prophylaxis required for delivery in anestesia geral. O período pós-parto é o mais crítico para
women with factor VII deficiency? Haemophilia, 2013;19:827- descompensação aguda da HAP e o manejo da dor pós-
832. 2. Welsh A, McLintock C, Gatt S, et al. Guidelines for the -operatória deve ser agressivo. REFERÊNCIA: Bonnin M,
use of recombinant activated factor VII in Massive Obstetric Mercier FJ, Sitbon O et al. Severe Pulmonary Hypertension
Haemorrhage. Australian and New Zealand Journal of Obste- during Pregnancy. Anesthesiology 2005;102:1133–7.
trics and Gynaecology, 2008;48:12-16.

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ANESTESIA NA GESTANTE ANESTESIA PARA CESÁREA
TROMBOCITOPÊNICA. EM PACIENTE PORTADORA DE
MACROTROMBOCITOPENIA HEREDITÁRIA
AUTORES:
Sara Fontoura de Moraes*, Andrea Fogaca Soubhia, Celso DOMINANTE.
Ricardo Soubhia, Luciane Bicca Mespaque, Gilberto Tadeu AUTORES:
Ferrugem de Oliveira Filho, Jonathan Grub. Franklin S.Braga, Profª Dra. Angélica de Assunção Braga, Tai-
INSTITUIÇÃO: ná Lima Reis de Pinho*, Fernando Eduardo Feres Junqueira.
Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., Rio Grande INSTITUIÇÃO:
- RS. Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Ciências
INTRODUÇÃO: A trombocitopenia é condição comum na Médicas da UNICAMP Cidade Universitária Zeferino Vaz s/n
gestação, que afeta em até 10% as pacientes. A maioria – Campinas – SP – CEP 13084-100.
está relacionada à trombocitopenia gestacional (74%), INTRODUÇÃO: As macrotrombocitopenias são um grupo
púrpura trombocitopênica imune (PTI) ou pré-eclampsia. A de condições hereditárias raras que cursam com macro-
anestesia regional é, atualmente, a abordagem padrão na plaquetas. Apresentamos caso de gestante portadora de
analgesia do parto na maioria das unidades obstétricas, macrotrombocitopenia submetida a parto cesáreo. RELATO
devendo-se envidar todos os esforços para seu uso seguro. DE CASO: Paciente de 19 anos, tabagista, alérgica à dipirona,
Entretanto, a segurança da anestesia regional na presen- gestação a termo, com diagnóstico de Macrotrombocitopenia
ça de trombocitopenia tem sido motivo de controvérsia Hereditária Dominante desde os 8 anos de idade. Não apre-
por causa do risco de hematoma no neuroeixo e sequelas sentava queixas hemorrágicas, tinha contagem plaquetária
neurológicas. RELATO: Mulher, 21 anos, G2P1C0A0, sem manual de 60.000 e avaliação de hematologista que orientou
pré-natal. Queixa de contrações e sangramento vaginal mo- transfusão pré-operatória de dois pools de plaquetas. Na sala
derado. Sem doença prévia (SIC). Idade gestacional pela cirúrgica, a paciente foi monitorizada, submetida à venóclise
DUM de 38 semanas. Exame físico: 55kg, 1,60m, PA 130/80, com cânula intravenosa nº 18, com administração de 383ml
FC 110bpm, petéquias em MIs. Laboratoriais: Teste rápido de plaquetas, 500ml de Ringer Lactato e 2g de cefazolina
para HIV+. VDRL+. HCV e HBV negativos. Hematócrito de previamente ao bloqueio espinhal. Realizada punção única
31,3%, hemoglobina de 9,7g/dL, plaquetas de 11.000/mm³. subaracnóide, com agulha Whitacre 27G, sem acidente he-
Devido ao sangramento moderado e condição fetal não morrágico de punção. Administrou-se 10mg de bupivacaína
tranquilizadora foi indicada cesariana. Monitorizada com 0,5%, 20µg de fentanil e 60µg de morfina. O nível sensitivo
PANI, oxímetro de pulso, eletrocardiograma e BIS; 1 acesso obtido foi T4. O neonato obteve índice de Apgar de 9 e 10
venoso periférico em cada MS, um com infusão de AZT e (primeiro e quinto minutos, respectivamente). Após a extra-
outro com SF 0,9% 1000ml. Devido à contagem de plaque- ção fetal foi infundido 20 UI de ocitocina. A paciente apre-
tas foi optado por anestesia geral balanceada. Indução com sentou um episódio de hipotensão, revertido com 5 mg de
100mg de propofol e 40mg de succinilcolina. IOT ocorreu efedrina endovenosa. Ao longo da internação a paciente não
sem intercorrências. Anestesia mantida com Sevorane. Se- apresentou eventos hemorrágicos ou déficits neurológicos
guida à retirada do RN, foram administrados cefalotina 2g, e recebeu alta assintomática, após 72 horas. DISCUSSÃO:
fentanil 100mcg e cisatracúrio 2mg. Durante toda cirurgia Os bloqueios espinhais são frequentemente empregados em
a paciente manteve-se estável. Realizado no transopera- anestesia obstétrica, no entanto, tem como uma de suas con-
tório 8U de concentrado de plaquetas. O sangramento foi traindicações os distúrbios da coagulação. As doenças das
moderado e controlado sem dificuldade. Paciente descu- macroplaquetas relacionadas ao gene MYH9 são um conjunto
rarizada e extubada totalmente acordada e levada à sala de condições autossômicas dominantes raras, associadas a
de recuperação estável. DISCUSSÃO: A trombocitopenia inclusões Döhle-like nas células polimorfonucleares. Cursam
representa contraindicação relativa à anestesia regional em com plaquetas gigantes e tendência discreta a moderada de
obstetrícia. Na trombocitopenia gestacional as plaquetas ocorrência de episódios hemorrágicos, refletindo uma função
geralmente mantem-se acima de 70.000/mm³, a paciente plaquetária bastante preservada. A contagem automática de
é assintomática e os níveis tendem a voltar à normalida- plaquetas tende a subestimar seu número, sendo indicada a
de em 2 - 12 semanas após o parto. No caso da PTI, os contagem manual dessas, bem como cálculo da massa total
episódios hemorrágicos geralmente acontecem quando o de plaquetas (produto número X volume das plaquetas), que
nível de plaquetas estão abaixo de 20.000/mm³. Pode ser costuma ser normal. Existe tendência à indicação de cesárea
secundária ao HIV e à própria gestação, por exemplo. Ainda devido ao risco de hemorragia intracraniana fetal no caso de
há muitas divergências sobre o limite mínimo de plaquetas herdar a doença materna. Há relatos de duas pacientes sub-
para realização de raquianestesia ou anestesia peridural metidas à bloqueio peridural: uma para parto vaginal; e outra
nas gestantes plaquetopênicas, porém, conforme as refe- associado à anestesia geral, para colectomia e hepatectomia,
rências utilizadas neste relato de caso, a recomendação é ambas sem intercorrências. Concluímos que a indicação da
que o bloqueio de neuroeixo seja feito seguramente com técnica anestésica para a paciente obstétrica deve levar em
contagem de plaquetas acima de 70.000/mm³. Sendo consideração o risco benefício para o binômio materno-fetal,
assim, a anestesia geral para o caso descrito foi uma es- sendo importante a avaliação conjunta de um hematologista,
colha segura e com benefício à paciente. REFERÊNCIA: estando-se atento às complicações hemorrágicas periopera-
(1) Motoshi T., Mrinali B., Anne M. Et al. Anestesia Regional tórias. REFERÊNCIA: Kasama S, Hayafuji M, Takano T et al.
e Trombocitopenia Não pré-eclâmptica; Hora de pensar o Anesthesia for a patient with macrothrombocytopenia. Masui.
nível seguro de plaquetas. Revista de Anestesiologia Brasi- 1997;46(11):1496-8. Raft J, Bayoumeu F, de Maistre E et al.
leira; 2009. 59: 2: 142-153. (2) Protocolo de tratamento em Labour epidural analgesia for a woman with hereditary macro-
Hematologia e Hemoterapia, Hemorio, 2014, 4°ed, RJ. thrombocytopenia. Ann Fr Anesth Reanim. 2005;24(6):643-6.

Temas Livres CBA 2014 | 55


ANESTESIA PARA CESAREANA EM ANESTESIA PARA CESARIANA EM GESTANTE
GESTANTE COM ANOMALIA DE EBSTEIN. COM PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA
IMUNE: RELATO DE CASO.
AUTORES:
Douglas Pellizzaro*, FláVia Vieira Guimarães Hartmann, AUTORES:
Breno Jardim Grossi, Igor Barreto de Moura, João Paulo Antonio Luiz de Oliveira Caus*, Rafael Ambrozim de Araújo,
Vasconcelos de Matos, José Tadeu Palmieri dos Santos. Erick Freitas Curi, Paulo Antonio de Mattos Gouvea, Eliana
Cristina Murari Sudre, Cassiano Franco Bernardes.
INSTITUIÇÃO:
Hospital de Base do Distrito Federal. INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: A anomalia cardíaca complexa, é de- Centro de Ensino e Treinamento da AFECC/Hospital Santa
finida como aderência de porção variável das cúspides Rita de Cássia-Vitória - ES.
posterior e septal de uma valva tricúspide redundante INTRODUÇÃO: A Púrpura trombocitopênica imune (PTI)
para o interior da parede ventricular direita e implantada é a causa mais comum de plaquetopenia no primeiro
mais caudalmente em direção ao ápice. Embora rara, trimestre gestacional. A incidência varia de 1:1.000 a
é a doença congênita mais comum da valva tricúspide 1:10.000 gestações. Essa doença está relacionada à
(0,5% das cardiopatias congênitas). Apresenta incidência presença de anticorpos do tipo IgG contra glicoproteínas
de 1:20.000 nascidos-vivos, igualmente distribuída entre (GP IIb/IIa e GP Ib/IX) presentes na membrana plasmá-
os sexos. A etiologia é desconhecida e na maioria dos tica plaquetária. O hematoma de neuroeixo secundário
casos parece ser multifatorial. O diagnóstico materno, a anestesia regional pode ser uma complicação nesses
com a identificação dos sinais de gravidade, e o trata- pacientes. Relato de caso: Paciente feminino, 32 anos,
mento precoce, assim como a interrupção da gravidez GIIPIA0, 76 kg, 162, IG: 38sem. 3d, ASA II (portadora
nos casos com insuficiência cardíaca grave e intratável, de PTI pré-gestacional, contagem plaquetária < 45x109
pode melhorar o prognóstico desta doença. Relato de L-1 durante a gestação e em 33x109 no terceiro dia que
caso: 18 anos, 63kg, primigesta, 39 semanas de gesta- antecedeu o parto). Sob orientação do hematologista re-
ção, com dispnéia aos mínimos esforços, cianose labial, cebeu prednisolona (40 mg.dia-1). Exames de internação:
palpitações e dor torácica atípica. Ao exame com sopro Glic: 80 mg.dL-1; Crs: 0,9 mg.dL-1; Hm: 4,214 x 106 mm-
sistólico foco tricúspide 3+/4+, sem irradiação, PANI 3; Hgb: 12,8 g.dL-1; TAP: 100% E PTTK: 26”; contagem
124/67mmHg, FC precórdio:126bpm, ausculta respira- plaquetária: 69x109 L-1. Levada à SO para cesariana.
tória sem alterações, FR:25irpm, SpO2:93%. Ao toque Monitorou-se de acordo com a Resolução nº 1802/2006
vaginal, colo apagado, dilatado 1cm, feto alto, cefálico (CFM). Instalou-se acesso venoso periférico em membro
e bolsa íntegra, BCF 136. Administrado oxigênio por MV superior esquerdo com cânula nº 18G. Procedeu-se pré-
50% 8 L/min. RX tórax com cardiomegalia (0,7). ECG com -hidratação com SF0,9% (10 ml.kg-1). Induziu-se anes-
taquicardia sinusal, gasometria arterial com alcalose res- tesia geral em sequência rápida, sem intercorrências.
piratória, anemia (Hb 9,1mg/dL), eletrólitos, função renal Manutenção feita com isoflurano (1,1%) e O2 (60%). A
e hepática normais. Ecocardiograma com aumento do AD paciente manteve-se estável hemodinamicamente e
e atrialização do VD, associado à insuficiência tricúspide emergiu sem qualquer complicação. Concepto apresen-
de grau importante com válvula displásica, função sistó- tou Apgar 8/10. Alta hospitalar materna e do recém-nato
lica do VE preservada (FE 68%), hipertensão pulmonar no segundo PO. DISCUSSÃO: A plaquetopenia é contra-
moderada. Tratamento com furosemida, digoxina e cle- -indicação relativa à anestesia de neuroeixo. O risco de
xane, com melhora da cianose e dispnéia em 24h. No 3o hematoma é a principal preocupação. Na população em
dia realizada cesareana. Período intraoperatório: acesso geral esse risco varia de 1:150.000 a 1:220.000 (raquia-
venoso subclávia direita 14/18G, monitorização padrão nestesia e peridural). em gestantes essa incidência pode
mais pressão arterial invasiva. Indução da anestesia ge- chegar a 1:168.000 (peridural). Não há evidência sobre
ral com lidocaína, fentanil, propofol e rocurônio, mantida um número mínimo seguro de plaquetas que habilite
com sevoflurano (CAM 0,8-1,1). Cesareana com sangra- o bloqueio. em gestantes com trombocitopenia a PTI
mento normal e sem instabilidade hemodinâmica. Levada corresponde a 3%. Trata-se de uma desordem estática
a UTI intubada, com extubação após 12h e alta da UTI no e com função plaquetária preservada. Seria de grande
2o pós operatório. Transfusão de 600ml de concentrado importância não se avaliar o número de plaquetas isola-
de hemácias na UTI. DISCUSSÃO: cardiopatia comple- damente, e sim associar a avaliação da função. Possível
xa mais frequente das valvulopatias congênitas da tri- através do tromboelastograma e do analisador de função
cúspide. Na história natural da doença, observa-se um plaquetária (PFA-100). A escolha da anestesia geral nes-
aumento da mortalidade na vida adulta, pelo desenvolvi- sa paciente, pareceu-nos mais prudente diante da não
mento de ICC ou arritmias. A morte súbita causada por disponibilidade de exames de função plaquetária. REFE-
arritmias em 60% dos que morrem de causas cardíacas. RÊNCIA: Tanaka M, Balki M, McLeod A et al. Anestesia
As indicações cirúrgicas estão bem definidas em pacien- regional e trombocitopenia não pré-eclâmptica; hora de
tes: sintomáticos; com classe funcional III e IV da NYHA; repensar o nível seguro de plaquetas. Rev Bras Aneste-
classe funcional I e II associada a cardiomegalia (índice siol. 2009;59:2:142-53.
cardiotorácico ≥0,65); cianose; policitemia; histórico de
embolia paradoxal; taquicardia incontrolável ou feixe AV
acessório. A morte súbita se correlaciona mais com a
cardiomegalia do que com a classe funcional (NYHA).

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ANESTESIA PARA CESARIANA EM PACIENTE ANESTESIA PARA CESARIANA EM PACIENTE
CARDIOPATA. COM GRANDE MASSA MEDIASTINAL.
AUTORES: AUTORES:
Anúzia Fabíolla de Souza Albuquerque Barros*, Natália José henrique Leal Araujo, Diêgo Venicio Santos Argôlo*,
Solomão Lima, Lucas Ventorim de Tassis, Carlos Eduardo Ana Paula Rocha Cronemberger, Ana Carolina de Souza
David de Almeida, Antonio Roberto Carraretto, Marcelo Moreira, Lia de Castro Neves, Aristeu Correia Costa Filho.
Schulthais Leal.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Hospital Regional da Asa Norte.
Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes.
INTRODUÇÃO: os procedimentos anestésicos em pa-
INTRODUÇÃO: No Brasil, a incidência de cardiopatias em cientes com massas mediastinais são muito desafiado-
gestantes varia entre 1% a 1,5%, sendo a quarta causa de res. o diagnostico deve ser urgente para inicio imediato
óbito não obstétrico. A principal etiologia é adquirida, tipo do tratamento. o inicio do tratamento quimioterápico
reumática, e dentre as congênitas, a comunicação intera- pode proporcionar melhora rápida (24-72h) dos sintomas.
trial (CIA) prevalece. A anestesia nessas pacientes é um de- RELATO DE CASO: paciente 26 anos, 37 semanas de
safio, não só pelas complicações potenciais, mas também gestação, com historia de ortopnéia, taquicardia, edema
porque é preciso pensar na melhor abordagem para ges- progressivo em face e região cervical e escotomas cinti-
tante e ao mesmo tempo assegurar a sobrevivência e bem lantes desde 16 semanas de gestação. tomografia mos-
estar do feto. RELATO DO CASO: Paciente feminino, 30 trava volumosa lesão expansiva mediastinal anterior e
anos, gesta II para I aborto O, com indicação de interrupção lateral direita, comprimindo coração e veia cava superior,
da gestação na 34ª semana. Exame físico: sopro sistólico carina e bronquio-fonte direito. feito biópsia de urgência
4+/6+ em borda esternal esquerda alta, pressão arterial (PA) da massa sob anestesia local, resultado da biópsia de
138x68 mmHg, frequência cardíaca de 102 batimentos por congelação mostrou neoplasia maligna de células redon-
minuto, e saturação periférica de oxigênio (SpO2) de 97% das. foi iniciada pulsoterapia e agendada cesariana para
em ar ambiente. Paciente com baixa capacidade metabóli- o dia seguinte, pois ultrassonografia mostrava redução
ca (MET<4), classe funcional III. Ecocardiograma mostrava acentuada de líquido amniótico. realizada raquianes-
CIA tipo ostio secundum com importante repercussão he- tesia em l3-l4 com bupivacaína 0,5% 7,5mg, sufentanil
modinâmica e hipertensão arterial pulmonar de moderada a 2,5 mcg e morfina 0,06mg. procedimento realizado sem
importante. Monitorada de acordo com resolução do CFM intercorrências, rn saudável. paciente encaminhada em
1802/2006, acesso venoso periférico com cateter de calibre respiração espontânea e acordada para a uti para pros-
16 G, e monitorização invasiva de PA com cateter em arté- seguir tratamento. discussão:não existe consenso sobre
ria radial esquerda. Realizada anestesia geral. Na indução a técnica ideal para esses pacientes. muitos fatores de-
foram usados 100 mcg de fentanil, 20 mg de etomidato e vem ser avaliados como: tamanho do tumor, sintomas
40 mg de rocurônio, com queda da PA para 98x42 mmHg da paciente, idade e compressão de estruturas. sempre
e redução da SpO2 para 95%, com melhora da SpO2 após que possível devemos optar por anestesia local, pelo ris-
ventilação e da PA após intubação orotraqueal. A manuten- co de relaxamento da via aérea e colapso iminente sob
ção foi feita com remifentanil (0,1 a 0,3 mcg/Kg/min, após anestesia geral. soma-se a isso os riscos de manuseio
nascimento), e sevoflurano (0,5-1 CAM). Usada ocitocina em de via aérea na gestante, bem como os efeitos da anes-
baixas doses com infusão lenta após nascimento do recém tesia geral sob o feto. segundo a classificação de risco
nato (RN). O procedimento durou 108 minutos, com pacien- para massas mediastinais de blank and souza a paciente
te desintubada em sala e encaminhada à unidade corona- encontrava-se no grupo de alto risco para compressão
riana. Analgesia feita com 5 mg de morfina, 2 g de dipirona de vias aéreas e vasculares, já que apresentava ortopnéia
e 40 mg de parecoxibe endovenosos. O RN obteve apgar de importante, compressão traqueal e bronquial, por esses
8/9, sendo encaminhado para unidade de terapia intensiva motivos optamos por uma técnica menos invasiva possível.
neonatal. DISCUSSÃO: A CIA tipo ostio secundum usual- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: george w. kanellakos.
mente não traz graves repercussões às gestantes, entre- perioperative management of the pregnant patient with
tanto, como no caso relatado, quando há hipertensão pul- an anterior mediastinal mass. anesthesiogy clin 30(2012)
monar e status funcional ruim, a gestação apresenta maior 749-758. masashi munechika. anestesia para tumores de
risco de complicações (arritmias, disfunção ventricular, e mediastino- ventilação: espontânea ou controlada?
piora da hipertensão pulmonar). Na literatura a maioria das
recomendações para técnicas anestésicas em gestantes
cardiopatas são controversas. Para pacientes com hiper-
tensão pulmonar classe funcional III e IV não há consenso
pela realização de anestesia regional ou geral. A experiên-
cia do anestesiologista e a avaliação isolada de cada caso
são essenciais na hora de decidir a técnica. Acreditamos
que no caso descrito a anestesia geral com maior monito-
ramento era a opção mais segura. REFERÊNCIA: 1-C E G
Head, S A Thorne. Congenital heart disease in pregnancy.
Postgrad Med J 2005; 81: 292-298. 2-Moreira W R, An-
drade L C. Anestesia para gestante cardiopata. Rev Med
Minas Gerais 2009; 19 (4 supl 1): S21-S62.

Temas Livres CBA 2014 | 57


ANESTESIA PARA CESARIANA EM ANESTESIA PARA CESARIANA EM PACIENTE
PACIENTE PORTADORA DE HIPERTENSÃO PORTADORA DE LINFANGIOLEIOMIOMATOSE:
INTRACRANIANA IDIOPÁTICA RELATO DE CASO.
(PSEUDOTUMOR CEREBRAL) - RELATO DE
AUTORES:
CASO. Manoel Ananias da Silva Neto*, Andresa Cavalcante Rodri-
AUTORES: gues, Jayme Marques dos Santos Neto, Maria do Socorro
Marcelo Vaz Nunes*, Marcelo Fonseca Medeiros, Cláudia Almeida Barbosa, Raphaella Amanda M.L.Fernandes, Maria
Helena Ribeiro da Silva, Lucas Almeida Fernandes Junior, Gabriela Nascimento Marinho.
Daniel Werneck Rocha Pessoa, Rodrigo Carvelo Alves Bittar. INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Hosp.das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco.
Hospital Santa Casa de Belo Horizonte (MG). INTRODUÇÃO: A linfangioleiomiomatose (LAM) é uma do-
INTRODUÇÃO: Hipertensão intracraniana idiopática (HII) é ença rara de etiologia desconhecida, classicamente descrita
uma condição rara, caracterizada pelo aumento da pres- em mulheres em idade reprodutiva e, ocasionalmente, na
são intracraniana, na ausência de patologia intracraniana pós-menopausa. Na LAM, há uma proliferação hamartoma-
e afeta principalmente mulheres obesas em idade fértil. O tosa da musculatura lisa dos bronquíolos, arteríolas e vasos
sintoma mais frequente é a cefaleia e o principal sinal é o linfáticos pulmonares. A gestação nestas pacientes é de alto
papiledema. O objetivo do tratamento é preservar a função risco, pois as alterações fisiológicas da gestação somam-se
visual e é baseado na administração de diuréticos e corti- às da LAM, piorando o status cardiorrespiratório materno.
costeroides, sendo o tratamento cirúrgico reservado para RELATO DE CASO: Gestante de 29 anos, portadora de LAM
os casos refratários. CASO CLÍNICO: Paciente do sexo fe- e glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) colapsante
minino, 25 anos, 100 Kg, 1,67 m, gestante, G2P0A1. Iniciou diagnosticadas há 2 anos, teve indicação de interrupção da
quadro de cefaleia occiptal com 24 semanas de gestação e, gestação no curso da 35ª semana por piora da função renal.
com idade gestacional de 27 semanas, apresentou diplopia A paciente apresentou quadro de síndrome nefrótica, aos
e estrabismo convergente. TC de crânio: sem alterações 27 anos, com decaimento renal progressivo. Biópsia renal
significativas. RM de encéfalo: dilatação das bainhas du- evidenciou GESF colapsante. Após 1 mês, abriu quadro de
rais dos nervos ópticos bilateralmente, associado a retifi- dor pleurítica e dispneia súbita associado a 3 pneumotóraces
cação nos aspectos posteriores dos globos oculares, na espontâneos consecutivos, fato que suscitou a realização de
topografia dos discos ópticos, achados estes indicativos pleurodese e segmentectomia pulmonar esquerda por vide-
de hipertensão intracraniana idiopática. Líquor: sem alte- otoracoscopia para biópsia diagnóstica, confirmando LAM.
rações. Tomografia de Coerência Óptica: edema de papila Espirometria revelou importante distúrbio restritivo. Internada
do nervo óptico bilateral. Paciente foi avaliada pela oftal- no curso da 34ª semana de gestação, submeteu-se a cortico-
mologia e neurologia, que confirmou a hipótese diagnóstica terapia para a maturação pulmonar fetal, quando apresentou
de HII e iniciou tratamento com acetazolamida (diurético piora da função renal e foi indicada a cesárea. Optou-se pela
inibidor da enzima anidrase carbônica), com melhora dos anestesia regional combinada, monitorizando-se a paciente
sintomas. Paciente foi admitida na maternidade com idade com cardioscópio, oxímetro e pressão arterial invasiva. O
gestacional de 38 semanas para interrupção da gestação. procedimento ocorreu sem complicações, a paciente foi en-
Neurologia e oftalmologia contraindicaram o parto normal caminhada para a UTI, e recebeu alta hospitalar após 8 dias.
devido ao quadro de hipertensão intracraniana. Optado DISCUSSÃO: A LAM tem prevalência de 1 a 2,6/1.000.000 de
pela realização de anestesia geral balanceada para a re- mulheres. Surge associada à Esclerose Tuberosa ou de for-
alização de cesariana. Indução em sequência rápida com ma idiopática, apresentando-se com dispneia aos esforços e
alfentanil 30 mcg/Kg, propofol 2 mg/Kg e succinilcolina 1 pneumotórax. Angiomiolipoma renal ocorre em aproximada-
mg/Kg, TOT n° 6,5, sem intercorrências. Anestesia mantida mente 50% dos casos. As complicações mais frequentes da
com remifentanil e sevofurano, além de cisatracúrio. Tem- LAM são pneumotórax, quilotórax e hemoptise. No presente
po de cirurgia: 40 minutos. RN do sexo feminino, Apgar caso, adotou-se a anestesia regional combinada, em virtude
8/9, encaminhado ao alojamento conjunto com o pai. Mãe da dificuldade no manejo da via aérea na gestante e da dimi-
extubada no final da cirurgia e encaminhada ao CTI para nuição da Capacidade Residual Funcional ocasionada pela
observação clínica. DISCUSSÃO: A cesariana não é neces- anestesia geral, posição supina e ventilação controlada. A
sariamente indicada para a parturiente com HII. Apesar da ventilação mecânica pode precipitar o rompimento dos cis-
presença de pressão intracraniana elevada nesses pacien- tos pulmonares, comuns na LAM, levando a pneumotóraces
tes, não há contraindicações para técnicas neuroaxiais e a e intubações prolongadas. Fatores hormonais parecem ter
ocorrência herniação uncal não foi relatada em pacientes papel na iniciação e progressão da LAM, há predisposição
com HII. Como a literatura ainda é escassa em estudos pelo sexo feminino e agravamento ao longo da gestação.
prospectivos e randomizados referentes a esse assunto e Houve estabilidade no quadro pulmonar da paciente em
a paciente ainda apresentava cefaleia intermitente, optou- questão, tendo a intervenção cirúrgica sido indicada pela
-se pela anestesia geral balanceada para evitar qualquer patologia renal. Não há relato na literatura da associação
manipulação direta do neuroeixo. REFERÊNCIA BIBLIO- entre LAM e GESF colapsante. Administração empírica de
GRÁFICAS: 1- Karmaniolou I, Petropoulos G, Theodoraki progesterona e ooforectomia fazem parte do tratamento da
K. Management of idiopathic intracranial hypertension in LAM. Mas, a despeito do tratamento hormonal, progressi-
parturients: anesthetic considerations. Can J Anaesth. 2011 va deterioração da função pulmonar ocorre na maioria das
Jul;58(7):650-7. 2- Mollan SP, Markey KA, Benzimra JD, pacientes. REFERÊNCIA: Hohman DW, Noghrehkar D, Ra-
et al. A practical approach to, diagnosis, assessment and tnayake S. Lymphangioleiomyomatosis: A review. European
management of idiopathic intracranial hypertension. Pract Journal of Internal Medicine. 2008; 19: 319-24.
Neurol 2014;0:1–11.

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ANESTESIA PARA GESTANTE COM ANESTESIA PARA GESTANTE PORTADORA
ESCLERODERMIA SISTÊMICA. DE ESTENOSE MITRAL. RELATO DE CASO.
AUTORES: AUTORES:
Adriel Carlos Martins, Rodrigo Sadami Ito*, Arthur Ruzzon Lorena Franco Junqueira*, Luís Cláudio de Araújo Ladeira,
Cardoso, Alexandra Moro Caporal, Joice Filla, Mileni Furla- Cátia Sousa Govêia, Rêmulo Orlando Borges da Silva, Már-
neto Celinski. cia Santana Morel Gomes de Oliveira, Cleyverton Garcia
Lima.
INSTITUIÇÃO:
Hospital Nossa Senhora do Rocio. INSTITUIÇÃO:
CET/SBA Centro de Anestesiologia da Universidade de
INTRODUÇÃO: A Esclerodermia sistêmica é uma doença
Brasilia.
do tecido conjuntivo auto-imune caracterizada por acú-
mulo de colágeno na pele, subcutâneo, músculos, sinóvia, INTRODUÇÃO: A estenose mitral em mulheres em idade
artérias e órgãos internos, causando alterações vascula- fértil é quase sempre de origem reumática. Gravidez e
res, degenerativas e fibróticas, aumento da espessura da período periparto podem agravar os sintomas da doença
pele e do tecido celular subcutâneo. As gestantes devem cardíaca, contribuindo para importante morbimortalidade.
ser monitorizadas pelo risco da perda de função renal e As complicações maternas e perinatais refletem a interação
aumento da pressão arterial principalmente em situações entre as alterações cardiovasculares normais da gravidez e
de estresse cirúrgico. OBJETIVO: foi apresentar um caso o estreitamento da válvula mitral. RELATO DE CASO: Pri-
de esclerodermia sistêmica com cuidados e desfecho migesta, 20 anos, IG:39s3d, 61kg, portadora de estenose
anestésicos para tal patologia. Relato de Caso: Paciente mitral de origem reumática. Realizou troca valvar por próte-
feminina, 32 anos, primigesta, portadora de escleroder- se biológica há 6 anos. Portadora de ICC (NYHA II), evoluiu
mia (ES) há 10 anos com quadro de broncopneumonia no 2° trimestre da gestação com dispneia aos moderados
em tratamento com azitromicina. Interna na 33° semanas esforços, dispneia paroxística noturna, dispneia ao repouso
para cesárea de emergência após piora dos níveis pres- em decúbito dorsal e piora do edema de membros inferio-
sóricos e descompensação respiratória. Administrada res. Tratamento com metoprolol, furosemida, rantidina e pe-
anestesia raquidiana com agulha 27 G, punção única em nicilina benzatina. Ao exame: PA: 90x50mmHg, FC: 70bpm,
L 3 –L 4 com bupivacaína hiperbárica 12,5 mg e morfina sopro diastólico 3+/6+ em foco mitral sem irradiação e
0,08 mg, acesso venoso abocath 18, oxigênio em névoa 3 ausculta pulmonar normal. ECG: onda T invertida de V1-3
litros por minuto, cardioscopia, oximetria de pulso e con- e sinais de hipertrofia de átrio esquerdo. Ecocardiograma:
trole pressórico não invasivo. Administrado 2000 ml soro prótese biológica com sinais de estenose, área valvar de
fisiológico 0,9%, dipirona 2 g, ondansetrona 8mg, ocito- 1,2cm² e aumento de átrio esquerdo. Exames laboratoriais
cina 10 ui, fenilefrina 200mcg. Procedimento cirúrgico e normais. Indicada cesariana sob anestesia geral, recebeu
anestésico sem intercorrências, mantendo a estabilidade metoclopramida uma hora antes da anestesia. Monitoriza-
hemodinâmica e respiratória. Encaminhada a UTI em ção com ECG, PAInvasiva (PAI), oximetria e débito urinário;
pós-operatório imediato para controle pressórico, mo- acesso venoso periférico e central em veia jugular interna.
nitorização respiratória e seguimento do tratamento da Indução anestésica em sequência rápida com alfentanil,
pneumonia. DISCUSSÃO: A ES pode cursar hipertensão etomidato e succinilcolina, seguida de intubação orotra-
pulmonar, limitação da abertura bucal, refluxo gastreso- queal e manutenção com O2/Ar/Sevoflurano (FiO2: 0,5).
fágico, lentidão gastrointestinal, fenômeno de Raynaud Deslocamento uterino para esquerda. No intra-operatório,
e outras complicações como acometimento renal. Neste iniciou-se infusão de noradrenalina (PA 85x45mmHg) in-
relato, a gestação evoluiu com piora da esclerodermia terrompida 30min após extubação. Após extração do
favorecendo a broncopneumonia cursando com descom- concepto, administrados 5UI de ocitocina endovenosa em
pensação da função pulmonar e exacerbação dos níveis infusão lenta. Escores de Apgar do recém-nascido: 4 e 9,
pressóricos necessitando de interrupção. A escolha da e necessitou de ventilação assistida por cerca de 1 min.
anestesia deve ser individualizada de acordo com as Paciente encaminhada à SRPA. Permaneceu hemodinami-
comorbidades e neste caso a raquianestesia foi optada camente estável até admissão em UTI, onde foi assistida
devido aos menores riscos materno-fetais sendo bem por 24horas, sem intercorrências. CONCLUSÃO: Não há
sucedida. CONCLUSÃO: O presente relato sugere anes- consenso sobre a técnica anestésica nas gestantes com
tesia segura em gestantes com esclerodermia sistêmica estenose mitral e as diretrizes e normas são falhas. A con-
evitando piora clínica do paciente. duta deve ser individualizada de acordo com a condição
cardiovascular. A anestesia geral é uma opção, desde que
acompanhada de cautela na escolha das drogas utilizadas,
evitando-se a taquicardia. Recomenda-se atenção na fase
de indução para reduzir a resposta simpática à laringosco-
pia. A compreensão das alterações fisiológicas da gravidez,
das consequências da estenose mitral durante a gestação
e, especialmente, um perioperatório adequado com gestão
multidisciplinar converge para redução da morbimortalida-
de periparto. REFERÊNCIA: Kannan M, Vijayanand G. Mitral
stenosis and pregnancy: Current concepts in anaesthetic
practice. Indian J Anaesth, 2010; 54: 439-44. Menachem M,
Weiner TP, Vahl RA, et al. Case Scenario: Cesarean Section
Complicated by Rheumatic Mitral Stenosis. Anesthesiology,
2011; 114: 949-57.

Temas Livres CBA 2014 | 59


ANESTESIA PARA OCLUSÃO TRAQUEAL ANESTESIA PARA PUÉRPERA COM FATOR V
EM FETO PORTADOR DE HÉRNIA DE LEIDEN.
DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA – RELATO DE
AUTORES:
CASO. Natália Solomão Lima*, Anúzia Barros, Lucas Ventorim de
AUTORES: Tassis, Carlos Eduardo David de Almeida, marcelo schult,
Ana Maria Dias do Carmo*, Marcio Rogerio de Oliveira Fi- Thais Leal.
gueredo, Ranilson Jose Fagundes do Nascimento, Marcelo INSTITUIÇÃO:
Neves Silva, Luciana Cavalcanti Lima, Tania Cursino de Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes - Uni-
Menezes Couceiro. versidade Federal do Espírito Santo.
INSTITUIÇÃO: INTRODUÇÃO: O anestesiologista deve estar preparado
IMIP. para lidar com comorbidades associadas à gravidez e
INTRODUÇÃO: A hérnia diafragmática congênita (HDC) puerpério, bem como suas possíveis complicações. Atu-
é uma doença rara (1/2500 a 1/5000 nascidos vivos) e po- almente o tromboembolismo constitui a principal causa
tencialmente letal. A herniação de órgãos intra abdominais de mortalidade materna em países desenvolvidos, sendo
para a cavidade torácica resulta em hipoplasia e hipertensão o fator V de Leiden (FVL) a trombofilia congênita mais
pulmonar. O objetivo deste estudo é relatar, por meio de revi- comum. O FVL é uma alteração hereditária, autossômica
são de prontuário, o manejo anestésico do binômio mãe/feto dominante que interfere na atuação da proteína C (regu-
durante o procedimento de introdução e retirada do balão ladora do sistema de coagulação), que por sua vez não
traqueal por fetoscopia. RELATO DE CASO: Paciente femi- consegue clivar e inativar de forma satisfatória o fator
nino, 30 anos, ASA I, secundigesta, idade gestacional 27s 5d, Va, levando ao seu acúmulo e um consequente estado
feto diagnosticado com hérnia diafragmática à direita com de hipercoagulabilidade. RELATO DO CASO: Femino, 39
herniação hepática com índice de relação pulmão/cabeça anos, GIPIA0, com FVL diagnosticado na gestação devido
(RPC) < 1,0. Optado por realização de oclusão traqueal atra- episódio de trombose venosa profunda (TVP) no segundo
vés da fetoscopia. Administrado Betametasona 24mg/24h trimestre. em uso de 40mg/dia de enoxaparina, suspensa
e Nifedipino 60mg/24h para maturação pulmonar e tocólise 24 horas antes da cesárea (programada com 40 sema-
respectivamente. Monitorização materna com oxímetro de nas de gestação, realizada em outro serviço). A enoxa-
pulso, cardioscopia contínua e pressão arterial não invasiva. parina foi reintroduzida 8 horas após o parto. 36 horas
Não há relatos dos métodos de monitorização fetal. Sedação após cesariana paciente deu entrada no centro cirúrgico
com 4 mg de Midazolam IV. A técnica anestésica proposta com quadro de choque hemorrágico. Foi monitorada de
foi raquianestesia, realizada com paciente sentada, punção acordo com resolução do CFM 1802/2006. Exame inicial:
mediana entre L3/L4, agulha 27G Quincke, com bupivacaína sonolenta, hipocorada (3+/4+), FC=108bpm, PA=96x42.
hiperbárica 11mg. Anestesia fetal realizada através do acesso Hemoglobina de 4,9mg/dl. Optou-se por anestesia geral
IM (punção em região vasto lateral da coxa guiada por ultras- e indução em sequência rápida com fentanil , etomidato
som), com fentanil 20µg e rocurônio 0,3mg para colocação e rocurônio. Manutenção com sevoflurano e remifentanil.
do balão traqueal. Após 51 dias, paciente com idade gesta- Realizada histerectomia total abdominal, com administra-
cional de 34s e 6d, foi feita a retirada do balão intra traqueal, ção de 3 concentrados de hemácias, 3 plasmas frescos
sendo realizada as mesmas técnicas anestésicas anteriores. congelados e 40mg protamina. Paciente extubada em
Para a mãe, administrado bupivacaína hiperbárica 15 mg sala após 126 minutos de procedimento e encaminhada
associada a morfina 80µg e para feto, pancurônio 0,5 mg a UTI para pós operatório. DISCUSSÃO: O FVL está as-
e fentanil 45 µg. Ambos os procedimentos tiveram duração sociado à maior risco de tromboembolismo na gravidez
média de 60 minutos e foram realizados sem intercorrências e puerpério, principalmente após TVP prévia. Atualmen-
anestésicas para mãe e feto com alta hospitalar 24h após te, a literatura recomenda a anticoagulação profilática
a realização do mesmo. O parto ocorreu na 36º semana de com heparina de baixo peso molecular (HBPM) nessas
gestação em outra instituição. RN foi a óbito no 4º dia de pacientes. A heparina pode estar associada a sangra-
vida. DISCUSSÃO: A hipoplasia pulmonar é a condição mais mentos e outras complicações, devendo ser suspensa 24
importante associada à hérnia diafragmática congênita. Ape- horas antes do parto e reintroduzida 6 a 12 horas após.
sar de a OT proporcionar expansão pulmonar, em fetos gra- Caso haja sangramento devemos reverter o efeito anti-
vemente afetados, pode não melhorar a hipoplasia pulmonar coagulante da HBPM. A protamina é capaz de reverter
já instalada como no feto do presente caso. As chances de imediatamente a hemoglobina não fracionada, contudo
sobrevivência pós natal são menores que 15% para feto com não é capaz de reverter toda ação da HBPM, uma vez que
HDC grave com índice de relação pulmão/cabeça <1,0. em seu efeito na inativação do fator Xa é incompleto. Dessa
ambos procedimentos, a estabilidade hemodinâmica mater- forma, em situações de risco de vida, como no caso re-
na perioperatória foi mantida, conseqüentemente, a vitalida- latado, recomenda-se o uso do plasma fresco associado.
de fetal garantida. No que se refere ao procedimento fetal, os REFERÊNCIA: 1-S L Kopp, T T Horlocker. Anticoagula-
fármacos e suas doses utilizadas proporcionaram a manipu- tion in Pregnancy and Neuraxial Blocks. Anesthesiology
lação da via aérea e introdução e, posterior, retirada do balão Clinicis 2008; 26: 1-22. 2- J M P Godoy. Fator V de Leiden.
traqueal sem intercorrências. PALAVRAS CHAVE: hérnia Revista Brasileira de hematologia e hemoterapia 2005; 27
diafragmática congênita, anestesia fetal, fetoscopia, oclusão (2): 79-82.
traqueal. REFERÊNCIA: Peralta CFA, Sbragia L, Bennini JR,
Cavalli RC, Rousselet MS, Barini. Oclusão traqueal para fetos
com hérnia diafragmática esquerda grave isolada: um estudo
experimental controlado não randomizado. Rev Bras Ginecol
Obstet. 2011; 33(12):381-7.

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ANESTESIA PARA TERAPIA FETAL EX- ANESTESIA SUBARACNÓIDEA ALTA COM
ÚTERO (EXIT). PARADA RESPIRATÓRIA EM GESTANTE.
RELATO DE CASO.
AUTORES:
Fernanda Marques Ferraz de Sá , Cid Ura Kusano, Ione Vas- AUTORES:
concelos de Albuquerque, Mônica Maria Siaulys*. Roberto Cardoso Junior, Alexandre Silva Pinto, Maxwell
Dos Reis, Nathalia Golhath Knopp Alves*, Carolina Lima
INSTITUIÇÃO:
Coelho Teixeira.
Hospital Maternidade Santa Joana, São Paulo-SP
INTRODUÇÃO: Ha três décadas, avanços tecnológicos INSTITUIÇÃO:
permitiram grande evolução nos diagnósticos de defeitos Hospital Márcio Cunha - Ipatinga/MG.
congênitos que vislumbraram possibilidades terapêuti- INTRODUÇÃO: A gravidez produz diversas alterações fi-
cas ainda durante a gestação e/ou ao nascimento. A tera- siológicas no organismo materno que modificam as respos-
pia fetal ex-útero (EXIT) é indicada para recém-nascidos tas aos fármacos utilizados em anestesia. O conhecimento
com obstruções de vias aéreas que limitam a ventilação dessas alterações e das possíveis complicações anestési-
espontânea após o clampeamento do cordão umbilical. cas é de suma importância. A raquianestesia é amplamente
Baseada na manutenção da oxigenação placentária após utilizada em anestesia obstétrica, tanto para analgesia do
a retirada do recém-nascido do útero para abordagem parto normal quanto para realização de cesarianas. Estu-
terapêutica, a técnica exige um planejamento anestésico dos apontam para uma menor morbi-mortalidade com o
específico para obtenção de melhores resultados neona- uso dessa técnica. Porém, as complicações associadas
tais, sem complicações maternas. RELATO DE CASO: ao bloqueio do neuroeixo podem ocorrer, colocando em
DRB, 32 anos, primigesta, 31 semanas, pré-eclâmpsia risco a saúde e a vida da parturiente e do feto. RELATO
leve, asma leve e obesidade (98kg; 1,62m), em tratamen- DE CASO: R. S. R, 33 anos, gestante, obesa, primigesta,
to de infecção respiratória com antibiótico, alérgica a idade gestacional de 38 semanas. A cesariana foi indicada
AINHs. USG morfológico prenatal mostra múltiplas mal- pois houve ruptura prematura de membranas, com taqui-
formações fetais (hérnia diafragmática, hipoplasia pul- cardia fetal mantida. Realizado anestesia subaracnóidea
monar, fístula traqueal e desvio de coluna cervical). Após com paciente sentada, agulha 25G whitacre, punção úni-
diagnóstico de CIUR e RPMO, indicada cesárea com ca, mediana, técnica asséptica. Utilizado 11 mg de bupi-
técnica EXIT para realização de traqueostomia no recém- vacaína pesada 0, 5% e 60mcg de morfina. Assim que a
-nascido com manutenção da oxigenação placentária. paciente foi posicionada em decúbito dorsal queixou-se
Realizados monitorização materna básica, punção de de dispnéia, evoluindo com parada respiratória em menos
dois acessos venosos calibrosos e solicitadas tipagem de 5 minutos. Foi prontamente assistida sua ventilação e
e reserva sangüíneas. Optou-se por anestesia geral ba- tentado intubação, imediatamente, utilizando-se etomi-
lanceada com indução em sequência rápida associada a dato, mas a laringoscopia foi difícil. Nova tentativa com o
raquianestesia. Administrados sulfato de magnésio, para uso de succinilcolina, agora com sucesso na intubação.
proteção cerebral fetal, e nitroglicerina, para relaxamento Paciente manteve a estabilidade hemodinâmica, apenas
uterino. Os efeitos hemodinâmicos foram contrapostos com hipotensão moderada corrigida com efedrina. O feto
por vasopressores. O procedimente durou 23 minutos nasceu bem com apgar 9/10. A paciente foi extubada ao
sob monitorização fetal contínua, índice de performan- final do procedimento com tempo normal de despertar e
ce cardíaco. Após a confirmação da abordagem de via sem seqüelas neurológicas. DISCUSSÃO: A raquianestesia
aérea, o cordão umbilical foi clampeado e foram rever- não é isenta de riscos e as complicações mais habituais
tidas as medidas de relaxamento uterino com ocitocina, da anestesia do neuroeixo são: bloqueio alto, retenção
misoprostol e ergometrina. Finda cesariana, paciente urinária, anestesia inadequada, injeção intravascular do
extubada e encaminhada à UTI pelo risco de hemorragia anestésico, anestesia subaracnóide total, injeção subdural,
puerperal. DISCUSSÃO: Monitorização hemodinâmica, lombalgia, cefaléia pós-punção dural, lesão neurológica,
via aérea em gestante e indução em seqüência rápida, hematoma espinal ou subdural, meningite e aracnoidite,
medicações para relaxamento uterino e manutenção da abcesso epidural e parada cardíaca. O bloqueio alto pode
perfusão placentária /oxigenação fetal minimizando o ocorrer devido à extensa difusão do anestésico local dentro
risco de deslocamento placentário, ecocardiografia fetal, do espaço subaracnóideo, levando ao comprometimento
anestesia fetal, analgesia pós-operatória e manejo de pulmonar e cardiovascular e as gestantes estão particu-
complicações e integração da equipe multidisciplinar de- larmente propensas a isto. O útero gravídico ocasiona um
vem ser assuntos abordados para obtenção de melhores aumento da pressão intra-abdominal, que está associado
resultados. REFERÊNCIA: 1. Maternal-fetal surgery for à dispersão cefálica dos anestésicos locais, além da com-
structural malformations. Patridge, Emily A., MD, PhD, pressão aortocava que ocorre quando a gestante assume a
Dr., FLake, AlanW., Flake. Clínicas Obstetrics e Ginaeco- posição em decúbito supino e o útero é comprimido contra
logy. 2012. Volume 26, Issue 5. Pages 669-682 2. Iodaste a coluna vertebral ocasionando obstrução da veia e artéria
in fetal anesthesia for the ex-utero intrapartum treatement ilíacas, veia cava inferior e aorta abdominal. O tratamento
(EXIT) procedure. Ngamprasertwong P, Vinks AA, Boat A. da anestesia subaracnóide alta consiste na manutenção de
Anesthesiol Clín. 2012 , 50(4):26-40. 3. The ex-utero intra- vias aéreas e suporte circulatório, com indução em sequen-
partum treatement (EXIT) procedure: aplicativos of a new cia rápida com manobra de Sellick, uma vez que a grávida é
therapeutic paradigm. Taghavi K, Beasley S. J Paediatric considerada de estômago cheio. REFERÊNCIA: Cavalcanti
Child Health. 2013, 49 (9):E420-7. FS. Considerações Fisiológicas sobre a Gestante e Implica-
ções na Anestesia. In: Cangiani LM, Slulitel A, Potério GMB
et al. Tratado de Anestesiologia SAESP. 7 ed. São Paulo,
Atheneu, 2011; 2249-2276.

Temas Livres CBA 2014 | 61


ANESTESIA SUBDURAL EM PROCEDIMENTO ANESTESIA VENOSA TOTAL PARA
INTRA-ÚTERO PARA OCLUSÃO TRAQUEAL CESARIANA EM PACIENTE COM ANOMALIA
EM FETO PORTADOR DE HÉRNIA DE DE EBSTEIN. RELATO DE CASO.
BOCHDALEK.
AUTORES:
AUTORES: Emiliana Kelly da Silva Vasconcelos*, Omar Abou Salha,
Esther Alessandra Rocha, Renan Zorzi Abbas, Renata Carlos Rogério Degrandi Oliveira.
Brocca Moreira*, Desire Carlos Callegari, Augusto Rafael
INSTITUIÇÃO:
Barsella, Andrey Petroff Garcia.
Hospital Guilherme Alvaro.
INSTITUIÇÃO: INTRODUÇÃO: A anomalia de Ebstein é uma malformação
CET-ABC. congênita da valva tricúspide com importante repercussão
A hérnia diafragmática congênita (hérnia de Bochdalek) hemodinâmica. O manejo anestésico adequado de gestan-
ocorre pela passagem das vísceras abdominais para a ca- tes com essa patologia é essencial para boa evolução do
vidade torácica, comprimindo o pulmão e resultando em hi- parto e puerpério. Relatamos um caso de cesariana, em
poplasia do mesmo. Acomete de 1:1200 a 1:12000 dos nas- paciente portadora de anomalia de Ebstein, sob anestesia
cidos vivos, sendo em aproximadamente 85% dos casos a venosa total. RELATO DE CASO: Paciente de 24 anos,
esquerda. Diagnosticada no período pré-natal, a aborda- 80kg, dois partos cesáreas prévios com recém-nascidos
gem da hipoplasia pulmonar é feita ainda durante a gesta- saudáveis. Primeiro filho nasceu há 3 anos, com 38 sema-
ção, através de uma fetoscopia para inserção de um balão nas de gestação. Foi submetida à cesariana sob anestesia
intratraqueal. Esse procedimento fica reservado aos casos combinada (raquianestesia + geral) sem intercorrências.
de hérnia diafragmática à esquerda grave, pela alta inci- O segundo parto ocorreu há 2 anos, com 42 semanas de
dência de complicações oriundas da técnica cirúrgica, tais gestação. Foi submetida ao parto cesárea, sob anestesia
como descolamento de placenta prévia, trabalho de parto geral. No intra-operatório, evolui com edema agudo de pul-
prematuro, infecções e hemorragias. Paciente em questão: mão e parada cardiorrespiratória, revertida após manobras.
33 anos, ASA I, idade gestacional 29 semanas e 4/7, foi sub- Foi encaminhada a UTI e despertou dois dias depois, sem
metida à tocólise prévia por 48 horas com Nifedipina 20mg sequelas. Nesta gestação, paciente internou, com 34 se-
via oral a cada 8 horas. Realizada prevenção de bronco- manas, queixa de piora do cansaço, fazia uso de pindolol
aspiração com Metoclopramida 10mg e Ranitidina 150mg, 2,5mg e furosemida 60mg, diariamente. Exames labora-
trinta minutos antes da anestesia. Após monitorização da toriais dentro do padrão da normalidade. Ecocardiograma
paciente com cardioscopia, pressão arterial não invasiva mostrava alterações compatíveis com anomalia de Ebstein.
e oximetria, realizado bloqueio subdural com a paciente ECG com complexo QRS de baixa voltagem. Ao exame
sentada e punção única entre as vértebras lombares L2 e físico apresentava dispnéia leve em repouso, sem altera-
L3, com agulha whitacre 27gauge. Injetou-se Bupivacaína e ções na ausculta pulmonar, FR: 22irpm, FC: 109bpm, PA:
glicose a 0,5% 12,5mg e Morfina 0,02% 80mcg. A aneste- 134x77mmHg, SatO2 96% em ar ambiente, sopro diastólico
sia fetal foi realizada com Fentanil 15mcg/kg e Pancurônio em foco tricúspide e Mallampati I. Feita indução com eto-
0,2mg/kg via intramuscular, guiado por ultrassonografia. midato 2mg.kg-1, fentanil 5ug.kg-1 e succinilcolina 1mg.kg-
A pressão arterial média da paciente foi mantida entre 72 1. Realizada intubação orotraqueal, em sequência rápida,
e 88 mmhg, evitando assim a acidose fetal. A hipotensão manobra de Sellick, cânula 7,0 com cuff, sob visualização
foi corrigida com Metaraminol 1mg. Partindo do princípio direta com lâmina de MacCoy. Realizada retirada do feto em
que estamos diante de um binômio materno-fetal, a técni- 2 minutos e 25 segundos com Apgar 7-7. Então foi adminis-
ca anestésica preconizada deve garantir a segurança de trado cisatracúrio 0,1mg.kg-1, ocitocina 5UI, cetroprofeno
ambos. Mediante as alterações fisiológicas da gravidez, a 100mg e cefalotina 2g. A anestesia foi mantida com infusão
literatura citada sugere que se opte pela anestesia subdural, contínua de propofol 80ug.kg-1.min-1 e remifentanil 0,15
evitando os riscos da anestesia geral, como exposição aos ug.kg-1.min-1 em ventilação controlada à pressão durante
anestésicos endovenosos e inalatórios e manipulação da os 85min de cirurgia. Durante o ato anestésico-cirúrgico os
via aérea. O bloqueio do neuroeixo, além de garantir um re- padrões hemodinâmicos se mantiveram estáveis. Paciente
laxamento uterino profundo sem contrações, evitando trau- foi encaminhada para UTI intubada. DISCUSSÃO: A car-
mas em vasos umbilicais e fetais durante o deslocamento diopatia congênita é a terceira causa mais comum de car-
manual do feto, assegura a estabilidade cardiovascular e diopatias em gestante. Portanto, as especificidades dessa
respiratória materno-fetal e garante a perfusão útero-pla- patologia devem ser conhecidas para a adequada conduta
centária com menor resposta ao estresse. REFERÊNCIA: anestésica. Algumas situações que podem ocorrer são hi-
Peralta CFA, Sbragia L, Bennini JR et al. Oclusão traqueal poxemia arterial e embolia aérea paradoxal nos pacientes
para fetos com hérnia diafragmática esquerda grave isola- que possuem shunt direita-esquerda, taquiarritmias supra-
da: um estudo experimental controlado não randomizado. ventriculares, síndrome de Wolf-Parkinson-White, quadro
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ pulmonar restritivo por compressão do átrio direito aumen-
arttext&pid=S0100-72032011001200002&lng=en. Acessa- tado sobre os ápices pulmonares, demora na distribuição
do em: 23/07/2014. Yamashita AM. Anestesia para cirurgia de drogas pelo esvaziamento lento do átrio direito e hiper-
fetal e transfusão sanguínea intra-útero. In: Cavalcanti IL, tensão pulmonar descompensada levando a edema agudo.
Cantinho FAF, Assad A. Medicina Perioperatória. Rio de No presente caso, optamos por anestesia geral venosa
Janeiro, Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de total com boa evolução no pós-operatório. REFERÊNCIA:
Janeiro, 2006; 739-743. 1. Curi JG, Haddad CMF, Ruiz-Neto PP. Cesarean section
anesthesia in Ebstein’s Syndrome patient. Case report. Rev
Bras Anestesiol, 1999;49:6:389-90.

62 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ASSOCIAÇÃO DE SUFENTANIL A DOSE BLOQUEIO DO NEUROEIXO EM GESTANTE
REDUZIDA DE BUPIVACAÍNA HIPERBÁRICA PORTADORA DE DEFICIENCIA DE
EM RAQUIANESTESIA PRA CESARIANA: ANTITROMBINA 3.
ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO.
AUTORES:
AUTORES: Fernanda Almeida Coelho de Faria*, Mônica B. da Cunha
Emmanuel Victor Magalhães Nogueira*, Ruy Leite de Melo Gobbo -TSA, Renata de Paula Lian - TSA, Verônica Pustrelo
Lins Filho, Alexandre Dubeux Dourado, Djanira Maria de Damião, Renan Oliveira Andreollo.
Carvalho Calixto, Maria do Socorro Almeida Barbosa, Nádia
INSTITUIÇÃO:
Maria da Conceição Duarte.
Hospital e Maternidade Celso Pierro - HMCP PUC-Campinas.
INSTITUIÇÃO: INTRODUÇÃO: A antitrombina 3 é a principal proteína an-
Hosp.das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. ticoagulante endógena. Ela atua inibindo a via intrínseca
JUSTIFICATIVA E OBJETIVO: A anestesia raquidiana é da cascata de coagulação impedindo a transformação de
a técnica atualmente mais utilizada para cesariana. Ela fibrinogênio em fibrina. Sua deficiência leva a estado pró-
pode ser acompanhada de hipotensão arterial signifi- -coagulante do sangue, aumentando o risco de trombo-
cativa, seu efeito colateral mais importante A adição de embolismo venoso (TEV) nos pacientes portadores desta
opióides lipofílicos ao anestésico local na raquianeste- deficiência. O objetivo deste caso é abordar o manejo anes-
sia melhora a qualidade do bloqueio, possibilitando a tésico em paciente obstétrica com esta trombofilia.Relato
redução da massa de anestésico local. O uso espinhal de caso: Paciente 22 anos, feminina, 1,69m, 70 kg, G4P0A3,
de opióides, entretanto, está relacionados a efeitos co- 25 semanas de idade gestacional, ASA 2 por deficiência de
laterais, como: náuseas, vômitos, prurido entre outros. antitrombina 3, diagnosticada no pré-natal de alto risco de-
Este trabalho visa avaliar a qualidade da anestesia, inci- vido a história de abortos de repetição e confirmada labora-
dência de alterações hemodinâmicas e de outros efeitos torialmente. Anticoagulada desde o início da gestação com
colaterais da técnica anestésica no perioperatório. Meto- enoxaparina 40mg 12/12h. Teve parto cesárea indicado por
dologia: Ensaio clínico, aleatório, duplamente encoberto amniorrexe prematura de membranas e trabalho de parto
envolvendo 94 pacientes submetidas a cesariana sob prematuro. Foi realizada raquianestesia com bupivacaína e
raquianestesia, distribuídas em 2 grupos: A (bupivacaí- morfina após 24h da última dose de enoxaparina. Nasceu
na 12,5 mg + morfina 80 µg) e S (bupivacaína 10 mg + RN masculino, prematuro extremo, 705 g, APGAR 8/9 e fora
morfina 80 µg + sufentanil 5 µg). Foram avaliados tempo encaminhado à UTI neonatal. Apresentou hipotonia uterina
de latência do bloqueio, qualidade da analgesia, parâme- no intra-operatório controlada com ocitocina e ergometrina,
tros hemodinâmicos intraoperatórios, náuseas, vômitos e mantendo boa evolução clínica e recebendo alta no 3º P.O,
prurido intra e pós-operatórios. RESULTADO: Não houve com orientação de manter anticoagulação por 4 semanas
diferença estatisticamente significante na qualidade da após o parto. DISCUSSÃO: A deficiência de antitrombina
analgesia, hipotensão, bradicardia, náuseas ou vômitos 3 aumenta em até 50% o risco de TEV em gestantes, o que
no intra-operatório, nem no escore de Apgar do neonato. indica anticoagulação desde o início da gestação indepen-
A incidência de sonolência foi significativamente maior no dente da ocorrência prévia de TEV. A heparina é o antico-
grupo S. Prurido intraoperatório e 2 horas após a raquia- agulante de escolha uma vez que não atravessa a barreira
nestesia foi significativamente maior no grupo S. CON- placentária, sendo que a heparina de baixo peso molecular
CLUSÃO: A redução da dose de bupivacaína hiperbárica (HBPM) oferece vantagens em relação à heparina não fra-
0,5% de 12,5 para 10 mg, associando o sufentanil (5 µg) cionada (HNF) tais como conforto posológico e facilidade
à menor dose, manteve a mesma qualidade da anestesia, de manejo laboratorial. A escolha do bloqueio do neuroei-
mas não reduziu a incidência de hipotensão arterial, e xo como técnica anestésica implica no cuidado quanto ao
aumentou a incidência de prurido e sedação. REFERÊN- momento adequado de suspensão e reintrodução do anti-
CIA: Veena A, Amit A, Jagdish SP et al. Comparison of coagulante a fim de se evitar complicações relacionadas à
intrathecal sufentanil and morphine in addition to bupi- punção, mantendo a prevenção de TEV. em pacientes que
vacaine for caesarean section under spinal anesthesia. usam dose profilática de HBPM, o bloqueio ou a manipula-
Anaesth Pain & Intensive Care, 2010;14:99-101. ção do cateter peridural deve ser feito pelo menos 12h após
a última dose e sua reintrodução deve ser feita pelo menos
após 4h do procedimento anestésico. Já nos que recebem
dose para anticoagulação, tanto o bloqueio quanto a ma-
nipulação do cateter devem ser feitos após 24h da última
dose e a reintrodução da medicação após 24h do bloqueio.
Punções traumáticas ou retorno de sangue no cateter não
impedem a realização do procedimento, no entanto, a
reintrodução da HBPM deve ser feita após 24h. REFEREN-
CIAS: FDA US Drug and Food Administration(Estados Uni-
dos). Updated recommendations to decrease risk of spinal
column bleeding and paralyisis in patients on low molecular
weight heparins. Disponível em http://www.asra.com/fda-
-annoucement-11-6-13.pdf. Acessado em 15/07/14; James
L Harper, MD. Antithrombin III Deficiency. Disponível em:
http://emedicine.medscape.com/article/954688-overview
Acessado em 14/07/14.

Temas Livres CBA 2014 | 63


BLOQUEIO NEUROAXIAL EM GESTANTE CEFALÉIA PÓS-PUNÇÃO DE DURA-MÁTER
COM MASSA INTRACRANIANA E CERVICAL. EM OBSTETRÍCIA: COMPARAÇÃO ENTRE
ABORDAGEM MEDIANA E PARAMEDIANA
AUTORES:
Dayane Freire dos Santos*, Cunha HM; Iskin D; Cardoso MV, NA RAQUIANESTESIA.
Queiroz DV. AUTORES:
INSTITUIÇÃO: Luiz Eduardo Imbelloni, Márcia Adriana Dias M.Moreira,
Hospital Federal dos Servidores do Estado - Rio de Janeiro. Gualter Lisboa Ramalho, Patrick Assis Rodrigues*.

INTRODUÇÃO: Parturientes com lesões intracranianas INSTITUIÇÃO:


podem ter aumento da pressão intracraniana (PIC), ainda CET João Pessoa - PB.
que não existam evidências clínicas e/ou radiológicas. INTRODUÇÃO: A raquianestesia para cesárea apresenta
Assim, de forma ortodoxa, o risco de herniação após como vantagens a simplicidade da técnica, a rápida ins-
punção subaracnoide contraindica tal procedimento talação e o excelente relaxamento muscular. As gestantes
nesses casos. Entretanto, submete-las a anestesia geral apresentam risco elevado em desenvolver cefaléia pós-
acaba expondo-as a outros riscos, daí a necessidade do -punção de dura-máter (CPPD). A abordagem paramediana
anestesiologista pesar riscos e benefícios nas mesmas, na raquianestesia parece atuar diminuindo a incidência de
a fim de escolher a melhor técnica para cada uma. Além CPPD. O objetivo primário do estudo é comparar a incidên-
disso, é questionável o risco de herniação em pacientes cia de CPPD entre duas abordagens de punção: mediana
com lesão intracraniana sem evidências clínica de hiper- e paramediana; tendo como objetivos secundários compa-
tensão intracraniana. Segue, então, o relato de caso de rar a taxa de sucesso com punção única e correlacionar o
uma gestante com massa intracraniana em que se optou número de punções e a incidência de cefaléia. MÉTODO:
por bloqueio neuroaxial, seguida de discussão sobre o Ensaio clínico aleatório com 56 gestantes, entre 18 e 40
mesmo. RELATO DE CASO: Gestante com 33 semanas anos, submetidas à raquianestesia para cesárea, alocadas
de idade gestacional, com 24 anos, portadora de car- em dois grupos: 28 no GM (abordagem mediana) e 28 no
cinoma escamoso de nasofaringe com metástase para GP (abordagem paramediana). Na SO, após acesso venoso
linfonodos cervicais e sistema nervoso central (SNC). periférico (18G) e monitorização, realizada punção suba-
Exames de ressonância magnética nuclear apresentavam racnóidea, mediana ou paramediana, na posição sentada,
linfonodomegalia em várias cadeias cervicais, além de em L3-L4 com agulha 26G Quincke e injetados 12,5 mg de
formação expansiva sólida em encéfalo, comprometendo bupivacaína hiperbárica e 0,1 mg de morfina. A coleta de
regiões selar e parasselar, infiltrando seios cavernosos dados foi realizada através de formulário estruturado con-
e haste hipofisária. Na ultrassonografia obstétrica, havia tendo dados demográficos, de saúde, relativos ao ato anes-
crescimento intrauterino retardado e oligodramnia mode- tésico (no de punções) e do seguimento pós-operatório (in-
rada, razão pela qual, somada ao fato da necessidade de cidência e características da CPPD). As participantes foram
se submeter à radioterapia, foi indicada cesariana eletiva. acompanhadas por cinco dias após a raquianestesia ou até
Foi realizada raquianestesia com punção única com agu- a resolução da CPPD. Nas características da cefaléia foram
lha 27G com injeção de bupivacaína hiperbárica e fenta- avaliadas: intensidade (escala analógica visual numérica),
nil. A paciente permaneceu estável hemodinamicamente tempo de instalação, duração e tipo de tratamento. RE-
durante todo o procedimento. Evoluiu bem no pós-opera- SULTADO: Duas pacientes (3,57%) apresentaram CPPD.
tório. DISCUSSÃO: Gestantes com lesões intracranianas Apesar da diferença encontrada nas incidências de CPPD
podem ter aumento da PIC, mesmo sem sinais clínicos e/ entre os grupos (GM 7,14% e GP 0%), não houve diferença
ou radiológicos. O risco de herniação após punção su- significativa (p=0.07). A taxa de sucesso com punção única
baracnoidea inadvertida é freqüentemente citada como foi igual nos dois grupos (71%). Os dois casos de CPPD
contraindicação ao bloqueio neuroaxial. Apesar da redu- apresentaram intensidade fraca (3) e insuportável (10), ins-
ção significativa da taxa de letalidade da anestesia geral talação em 72 e 96h, duração de 48 e 72h e ambas tiveram
para cesariana, o bloqueio neuroaxial ainda é a técnica tratamento conservador (repouso, hidratação, dipirona,
de escolha para a maioria desses procedimentos. Um AINE e corticóide). CONCLUSÕES: Este estudo mostrou
bloqueio neuroaxial feito de forma segura e bem indicado uma incidência de 3,5% de CPPD na população obstétrica
evita a manipulação da via aérea da gestante, a exposição com o uso de agulha 26G tipo Quincke. Não ficou demons-
fetal aos potenciais efeitos tóxicos das drogas anestési- trada uma diminuição do risco de CPPD com a abordagem
cas, um ambiente de alto risco para desenvolvimento de paramediana nem diferença entre a taxa de sucesso na
consciência sob anestesia geral e os efeitos relaxantes primeira punção entre a técnica mediana e paramediana.
uterinos dos anestésicos voláteis. Além disso, o bloqueio O número de punções não mostrou estar relacionado ao
neuroaxial permite que a parturiente participe da expe- aumento da incidência de CPPD. REFERÊNCIA: 1 Vieira
riência do nascimento do seu filho. Tal como acontece VLR, Macedo CF, Junior EJMS et aL. Cefaléia pós-punção
com todas as parturientes de alto risco, o planejamento da dura-máter em obstetrícia. Rev Med de Minas Ge-
anestésico e multidisciplinar adequado para o parto, com rais.2009;19:52-8. 2 Rabinowitz A, Bourdet B, Minville V et
antecedência, é de suma importância para as gestantes al. The Paramedian Technique: A superior Initial Approach
com patologias intracranianas. Compreender o risco de to Continuous Spinal Anesthesia in the Elderly. Anesthesia
deterioração neurológica da parturiente não só permite a & Analgesia.2007;105:1855-7.
identificação de candidatas de baixo risco que se benefi-
ciarão com a anestesia neuroaxial, mas também permite
uma preparação adequada da anestesia geral para pa-
cientes de alto risco com HIC.

64 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


CESÁREA DE EMERGÊNCIA EM PACIENTE CESAREANA EM GESTANTE COM MORTE
COM ESTEATOSE AGUDA DA GESTAÇÃO: ENCEFÁLICA: RELATO DE CASO.
RELATO DE CASO.
AUTORES:
AUTORES: Carolina Passos Diniz, João Alberto Pastor de Oliveira*, Bru-
Telma Sumaia Barros Cruz*, Scheila Muriel Wendler, Juliana no Carvalho Cunha de Le, Danúbia Campos Frizzone, Ana
Kaczmareck Figaro, Anderson de Moura, Antônio Bedin, Cláudia Mota Bonisson, Cinthia Christiane Vitorino.
Patrícia Dornbusch.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Maternidade Odete Valadares.
Serviço de Anestesiologia de Joinville. INTRODUÇÃO: A morte encefálica materna e as questões
INTRODUÇÃO: Esteatose Aguda da Gestação é uma do- éticas, técnicas e jurídicas envolvidas são pouco conheci-
ença rara que se caracteriza se pela presença de esteatose das e discutidas devido à pequena incidência deste evento
hepática microvesicular que pode evoluir rapidamente para na população obstétrica. Entre 1982 e 2010 apenas 30 ca-
a insuficiência hepática. É grave com elevada mortalidade sos de suporte de vida de gestante após morte encefálica a
materno fetal e seu pronto reconhecimento, interrupção fim de aproximar o feto do termo foram relatados. Questões
imediata da gestação e encaminhamento para centros relativas à viabilidade e desenvolvimento do feto, custos
especializados são fatores decisivos para o sucesso do hospitalares e desejo da família devem ser consideradas.
tratamento. RELATO DE CASO: Gestante a termo de 38 RELATO DE CASO: Gestante de 36 anos, 70 Kg, 24 sema-
anos, encaminhada para maternidade devido a quadro cli- nas de idade gestacional (IG), admitida com cefaléia súbita
nico de febre, náuseas, vômitos e icterícia há uma semana. e lancinate, seguida de turvação visual, rebaixamento do
Realizado cardiotocografia demostrando sofrimento fetal nível de consciência, anisocoria e rigidez de nuca, em ECG
agudo e USG obstétrico com oligodramnio severo. Enca- - Escala de Coma de Glasgow 5. Diagnosticada hemorra-
minhando para cesárea de emergência sendo optado pela gia subaracnoidea difusa à esquerda devido a aneurisma
realização da raquianestesia com bupivacaina pesada 0,5% na artéria comunicante posterior à esquerda, sendo, então,
10 mg com sufentanil 3 mcg e morfina 60 mcg. Criança submetida a craniectomia descompressiva e clipagem do
nascida morta, tentado reanimação neonatal sem sucesso. aneurisma. Evoluiu com disautonomia, ECG 3, midríase
Durante transoperatório ocorreu importante sangramento e ausência de reflexo de tronco. Apresentou diagnóstico
sendo solicitado exames laboratoriais e transfundido 6UI compatível com morte encefálica, exceto pelo teste de ap-
Plasma, 2UI CHADs e 6UI Plaquetas. Encaminhada após néia, não realizado. Instituida hormonioterapia com insulina,
termino de cirurgia para a UTI para cuidados intensivos. levotiroxina, metilprednisolona e DDAVP para tratamento de
Paciente evoluiu no mesmo dia com instabilidade hemodi- diabetes insipidus, e suporte de vida materna até viabilida-
nâmica com fibrilação atrial com alta resposta ventricular de fetal. Após cinco dias de suporte intensivo, IG: 25s +2d,
e diminuição do nível de consciência sendo necessário optou-se por interromper a gestação devido a bradicardia
IOT + VM, cardioversão elétrica com reversão para ritmo fetal, diminuição da movimentação fetal e oligohidramnio,
sinusal e noraadrenalina em baixas doses. Laboratório de com o consentimento da família. Indução anestésica para
chegada na UTI: HT: 14,5 HB: 5 PL: 60000, TAP: 35,6% cesareana realizada com rocurônio 50mg e fentanil 250
TTPA: 58,1% Fibronogênio: 95,2 Uréia: 83 Creatinina: 2,89 mcg. Recebeu 100mL SF0,9% e concentrado de hemácias.
TGO: 1020 TGP 1450. Paciente evoluiu durante a interna- Aguardaram-se 24 horas após anestesia para realização do
ção com insuficiente hepática, CIVD e IRA dialitica, sendo teste de apnéia e conclusão do protocolo de morte ence-
politransfundida e necessário 2 laparotomias exploradoras fálica. Após seis dias do parto, a família da paciente optou
pra contenção de sangramento. Após 1 mês internada na pela não doação dos órgãos e os esforços para manuten-
UTI paciente teve alta com reversão completa da disfunção ção de potencial doador de órgãos foram descontinuados.
hepática. Realizado acompanhamento clinico diariamente Até 20 dias após o parto, o recém-nascido do sexo feminino
para avaliar possível hematoma subdural, não comprova- (peso ao nascimento: 704g) encontrava-se intubado com
do. DISCUSSÃO: A EHG é uma patologia rara, grave, com boa evolução. DISCUSSÃO: São encontrados relatos de
rápida progressão e que pode ser fatal se não prontamente manutenção do suporte de vida materna de dois a 107 dias
diagnosticada e abordada. As suas manifestações iniciais, para preservação fetal. Os cuidados intensivos envolvem
são geralmente inespecíficas e incluem náuseas, vómitos os mesmos relativos à manutenção do potencial doador
e dores abdominais. Os casos mais severos, cursam com de órgaõs, com especial atenção às alterações fisiológicas
manifestações sistémicas como IRA, encefalopatia e coa- da gravidez: manter hipocarbia leve; suporte nutricional;
gulopatia. A técnica anestésica de escolha na suspeita de controle de infecções e avaliar profilaxia antitrombótica. O
EHG é a anestesia geral devido a coagulopatia que acompa- uso de corticóide para maturação pulmonar fetal após 24
nha o quadro clinico. Rápido reconhecimento, interrupção semanas de IG é aconselhável. Deve-se considerar que,
imediata e tratamento em unidade intensiva posteriormente frente a uma gestante com morte encefálica, o médico deve
são essenciais para diminuir as taxas de mortalidade que priorizar a vida do feto. REFERÊNCIA: Esmaeilzadeh et
ainda são elevadas. REFERENCIA: Hunt CM, Shakara AI. al.: One life ends, another begins: Management of a brain-
Liver disease in pregnancy. Am Fam Phys 1999; 59:829-36. -dead pregnant mother - A systematic review. BMC Medi-
cine 2010 8:74. Disponível em: http://www.biomedcentral.
com/1741-7015/8/74. McKeown D. W. Et al.: Management of
the heartbeating brain-dead organ donor. British Journal of
Anaesthesia 108 (S1): i96–i107 (2012). Disponível em: http://
bja.oxfordjournals.org/. Acessados em: 22/07/2014.

Temas Livres CBA 2014 | 65


CESARIANA EM PACIENTE COM CIRROSE E GESTAÇÃO: UM RELATO DE
HIPERTENSÃO PULMONAR SEVERA CASO.
(PSAP= 116MMHG): RELATO DE CASO
AUTORES:
E CONSIDERAÇÕES SOBRE O MANEJO Alipio Maciel Lima de Brito*, Sérgio Silva de Mello, Felipe
ANESTÉSICO. Millen Azevedo, Miriam Isabel dos Santos Rodrigues, Felipe
AUTORES: de Souza Fernandes Leão, Bruno Farah Alvarenga.
Anderson Luis Silva Amaral*, Anita Helena Santana Figuei- INSTITUIÇÃO:
redo, Liana Maria Torres de Araújo Azi, Lilian Cibele Pereira Hospital das Clínicas da UFMG.
Gomes, Antonio Carlos Cerqueira Oliveira, Macelly Amorim
Castro. INTRODUÇÃO: Cirrose é uma doença crônica do fígado,
cujas características são fibrose portal, desorganização
INSTITUIÇÃO: da citoarquitetura hepática e presença de nódulos de re-
COM-HUPES. generação dos hepatócitos. A gravidez é um evento raro
INTRODUÇÃO: No Brasil, a incidência de cardiopatia em ges- em pacientes cirróticos, devido às alterações metabólicas
tantes é cerca de 4,5%, sendo as etiologias reumática, chagá- e hormonais provocadas pela doença. Este relato tem
sica e congênita corrigida as mais comuns. A mortalidade ma- o propósito de discutir as particularidades anestésicas
terna gira em torno de 1% podendo chegar a 50% nas doentes em paciente gestante portadora de cirrose. RELATO DE
graves. Diante do alto risco, estas pacientes necessitam de CASO: Paciente, 23 anos, acompanhada pelo pré-natal
atendimento multidisciplinar e avaliação anestésica precoce de alto risco por quadro de cirrose(Child-Pugh B). Admis-
permitindo planejamento adequado da técnica. O caso a ser são hospitalar em 13/01/2014 por amniorrexe prematura.
relatado envolve manejo anestésico numa gestante portado- Primigesta(IG 37sem), portadora de varizes esofágicas de
ra de cardiopatia congênita e Hipertensão Pulmonar Severa grosso calibre e hipotireoidismo. Exames laboratoriais reve-
(HPS) - PSAP: 116mmHg – a ser submetida à cesariana eletiva. laram plaquetometria de 52.000μL. em uso de propranolol
Relato de caso - Feminino, 31 anos, G1P0A0, na 34a semana 40mg, levotiroxina 75μg e ácido ursodesoxicólico 600mg/
de gestação e diagnóstico de defeito do Septo Atrio-ventricu- dia. Indicada cesárea pela obstetrícia, sendo administradas
lar Total, HPS e defeito de Septo Interventricular Perimembra- 5U de plaquetas previamente. Optado por anestesia geral
noso. em uso regular de Sildenafil, apresentou há 30 dias de venosa total com monitorização invasiva das pressões
edema agudo de pulmão, com resolução após medidas clí- arterial e de artéria pulmonar. Anestesia induzida e man-
nicas. Na avaliação pré-anestésica a paciente encontrava-se tida com remifentanil e profofol em infusão contínua. O
estável, sem desconforto aos moderados esforços, exame do RN necessitou de VPP inicialmente, apgar 8/10. Analgesia
aparelho respiratório sem alterações. Não apresentava distúr- pós-operatória com morfina 10mg, EV. Ato cirúrgico sem
bios de coagulação ou hidroeletrolíticos, hemoglobina = 11g/ maiores intercorrências. Genitora encaminhada para o CTI.
dl. Foi solicitado reserva de hemoderivados e de leito em UTI DISCUSSÃO: Tem-se observado aumento do número de
materna. Recebida no CO, realizada monitorização invasiva e gestações em pacientes cirróticas por melhorias no trata-
ofertado oxigênio sob máscara. Realizado anestesia peridu- mento de pacientes com doença hepática crônica. A via de
ral contínua com infusão de anestésicos locais fracionados parto é indicação obstétrica, porém o risco de rompimento
a cada 5 minutos: lidocaína 2% com vasoconstrictor 5/5ml, de varizes esofágicas aumenta durante o período expulsivo.
lidocaína 2,0% sem vasoconstrictor 5/5ml, bupivacaína 0,5% São preferíveis técnicas neuroaxiais de anestesia/analge-
com vasoconstrictor 4/4ml e sufentanil 10mcg. Apenas após sia, desde que não haja contraindicações. Optando-se por
primeiros 5 ml de lidocaína, paciente apresentou desconforto anestesia geral, deve-se lembrar de que anestésicos volá-
respiratório, associado a queda de níveis tensionais, corrigido teis podem diminuir o fluxo sanguíneo hepático e provocar
com aumento da infusão de noradrenalina. Autorizado início atonia uterina. Opióides, com exceção do remifentanil,
de procedimento quando bloqueio sensitivo atingiu nível de tendem a acumular nos tecidos, promovendo depressão
T6, o qual transcorreu sem intercorrências. Encaminhada à respiratória materna e neonatal. Para a manutenção da
UTI, onde permaneceu internada por cerca de 48h, quando anestesia, agentes que não necessitam de metabolismo
recebeu alta, para unidade de internação, sem suplemento de hepático significativo devem ser a primeira escolha. O remi-
O2 e sem queixas. Alta hospitalar ocorreu no 7o dia pós parto. fentanil, por ser metabolizado por esterases plasmáticas e
DISCUSSÃO: A anestesia recomendada, de uma forma geral, teciduais, parece uma boa escolha , assim como o propofol,
é o bloqueio regional para as pacientes assintomáticas. Para por alterar de forma menos significativa o fluxo sanguíneo
pacientes graves há controvérsia sobre a escolha da técnica hepático, comparado aos anestésicos voláteis, e apresen-
a ser empregada (peridural ou geral). As pacientes deverão tar metabolização extra-hepática. A monitorização da pres-
receber oxigenação contínua durante todo o parto e no pós- são invasiva e cateterização da artéria pulmonar podem ser
-parto. Drogas vasoativas com ação cronotrópica e inotrópica úteis em pacientes com comprometimento cardiovascular
positivas, assim como baixas doses de alfa-agonistas devem ou hipertensão portopulmonar. A cirrose é uma doença gra-
ser priorizados no tratamento de hipotensão objetivando a ve, cada vez mais prevalente em gestantes e seu manejo
manutenção de débito cardíaco e resistência vascular sistêmi- deve ser multiprofissional. É fundamental para o anestesio-
ca. Assim, a realização dos bloqueios regionais para cesariana logista o conhecimento da fisiopatologia da doença e suas
em pacientes com HPS constituem um desafio para o anes- implicações na gestação. REFERÊNCIA: Wax DB, Beilin Y,
tesiologista e a avaliação prévia constitui etapa fundamental Frölich M. Liver Disease. In: Chestnut DH, Wong CA, Tsen
para condução segura da anestesia e desfecho favorável para LC et al. Chestnut’s Obstetric Anesthesia: Principles and
mãe e feto. REFERÊNCIA: 1. Yamashita AM. Anestesia na Practice. 5thed. Philadelphia, Mosby Elsevier, 2014;1068-
gestante cardiopata. In: CangianiLM, Slulitel A, Potério GMB 80. Tan J, Surti B, Saab S. Pregnancy and cirrhosis. Liver
et al. Tratado de anestesiologia SAESP. 7 ed. São Paulo, Athe- Transpl. 2008;14:1081-91.
neu. 2011; 2359-75.

66 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


CIRURGIA FETAL EXTRA ÚTERO, COMPARAÇÃO DO EFEITO ANALGÉSICO DO
INTRAPARTO, PARA CORREÇÃO DE SUFENTANIL E MORFINA SUBARACNÓIDEA
GASTROSQUISE. PARA CIRURGIAS CESARIANAS.
AUTORES: AUTORES:
Letícia Bulhões Guimarães, Mariana Lima Portocarrero*, Le- Gastão Fernandes Duval Neto, Rafael Zilio*, Camila Roberta
andro Felisberto de Carvalho, Lilian Cibele Pereira Gomes, Dresch, Carolina Bergamaschi Zilio, Sabrina Marcello Ro-
José Admirço Lima Filho, Raphael Brandão Barros. drigues, Felipe Martini da Silva.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Maternidade Professor José Maria Magalhães Neto. Faculdade de Medicina - Universidade Federal de Pelotas
- UFPEL.
INTRODUÇÃO: A cirurgia fetal extra útero intraparto foi
primeiramente desenvolvida para correção de oclusão tra- INTRODUÇÃO: O uso de morfina e sufentanil associados
queal nos fetos com hérnia diafragmática congênita, sendo ao anestésico local na raquianestesia são eficazes na
adaptada para a correção de gastrosquise (Simil EXIT). A redução da dor pós-operatória em cesarianas. O estu-
redução precoce das vísceras herniadas melhora o prog- do visa comparar o tempo de analgesia pós-operatória
nóstico neonatal. O recém-nato (RN) é retirado do útero e proporcionada pela adição de morfina ou sufentanil via
a redução do conteúdo herniário realizada imediatamente subaracnóidea. MÉTODO: Após aprovação do Comitê de
enquanto ainda há batimentos no cordão umbilical. O obje- Ética em Pesquisa da instituição de ensino (Parecer No
tivo da anestesia é manter a oxigenação e anestesia do RN 383.948) e obtenção do consentimento livre e esclareci-
através da circulação feto placentária durante todo proce- do, o estudo teve participação de 40 parturientes ASA I
dimento cirúrgico. RELATO DE CASO: Paciente CDS, 15 e II a termo submetidas a cesariana eletiva sob bloqueio
anos, G1P0A0, ASA 1, submetida a cesariana eletiva com 34 subaracnóide. Fatores de exclusão foram: cesariana de
semanas e 4 dias associada a correção de gastrosquise ex- emergência, pré-eclâmpsia, estado físico ASA III e IV,
tra útero, intraparto. A ultrassonografia obstétrica com Do- prematuridade, gestação múltipla e contraindicações ao
ppler demonstrou resistência na artéria umbilical normal (IR: bloqueio. As gestantes foram randomizadas de maneira
0,55 e IP:0,76, FCF 127 bpm), gastrosquise com espessura duplo encoberto em 2 grupos. Técnica anestésica com
de alça ~ 7,9mm, abertura de colo ~ 1,5 cm, e oligodramnio 12,5 mg de Bupivacaína 0,5% hiperbárica adicionada a
(~ILA 2,2). A paciente foi monitorizada com pressão não 0,1mg de morfina (grupo 1) ou sufentanil 5μg (grupo 2).
invasiva, cardioscopia e oximetria de pulso. Para a aneste- Estabelecido o bloqueio sensitivo em nível de T6 a T4. A
sia do RN, optamos pela infusão contínua de Remifentanil hidratação foi realizada com 10 ml/kg de solução salina e
na mãe, na dose inicial de 0,05 mcg/Kg/min por 5 minutos analgesia base com 100 mg de Cetoprofeno endovenoso.
e a seguir 0,081 mcg/Kg/min. Após 10 minutos, realizada Na sala de recuperação pós-anestésica, verificou-se a
anestesia subaracnóidea com agulha tipo Quincke 27 G, em redução do nível sensitivo do bloqueio subaracnóide até
linha média de L3-L4 com 12,5 mg de bupivacaína hiperbá- a cicatriz operatória, a partir deste momento considerou-
rica 0,5% associada a 80 mcg de morfina. A infusão mater- -se o “tempo zero” para efetividade da analgesia pós-
na do remifentanil durou 15 minutos antes da cesariana, e -operatória. Foram então realizadas avaliações seriadas
foi mantida até o término da redução total da gastrosquise em intervalos de 15 minutos e os casos encerrados com a
e a clipagem do cordão umbilical. Houve discreta sedação manifestação espontânea de dor ou no limite de 180min.
da mãe sem comprometimento do sensório, da ventilação A presença de dor foi avaliada pela referência espontânea
e oxigenação. Após a retirada do RN apresentou esboço de do sintoma. Medicação de resgate analgésico foi Dipi-
choro fraco sem repercussões. Foi prontamente entregue a rona 30mg/kg. A análise estatística dos dados foi reali-
equipe de Cirurgia Pediátrica, que iniciou o procedimento. A zada através do programa SPSS 17.0. Foram calculadas
equipe de Neonatologia ofereceu chupeta com glicose 25% médias e desvio padrão na comparação entre os grupos
para sucção não nutritiva e controle não farmacológico da estudados através do teste t de Student-Fisher. Para os
dor, como adjuvante ao Remifentanil, além de monitoriza- dados demográficos foi utilizado o teste Qui-quadrado.
ção e suporte. A correção da gastrosquise durou 3 min, O nível de significância foi estabelecido em 5% (p<0,05).
quando então o cordão umbilical foi clampeado e houve RESULTADO: Os grupos estudados apresentaram homo-
prosseguimento da cesariana. Iniciadas manobras de rea- geneidade nos dados demográficos, sendo o tempo de
nimação cardiopulmonar no RN com intubação orotraqueal analgesia significativamente maior (p<0,05) com Sufen-
e suporte até o retorno da ventilação espontânea, após a tanil (grupo 2). CONCLUSÕES: Com a metodologia em-
completa metabolização do Remifentanil, com extubação pregada e a população estudada conclui-se que o tempo
após 5 minutos. O APGAR no primeiro minuto 8 e no quinto de analgesia proporcionada pelo Sufentanil foi significati-
minuto APGAR 9, com SPO2 99% e FC 178 bpm. Realizado vamente maior. Na literatura são encontrados resultados
curativo oclusivo de hidrocolóide e Tegaderm® no orifício que corroboram e outros que divergem dos encontrados
herniário. Pesou 1695 g e foi colocado em contato com mãe neste estudo. REFERÊNCIA: -Braga AA, Frias JAF, Braga
na sala de cirurgia, sendo então levado para UTI neonatal FS et al. Raquianestesia em Operação Cesariana. Empre-
e mantido em Halo de O2 no pós-operatório imediato.DIS- go da Associação de Bupivacaína Hiperbárica (10mg) a
CUSSÃO: A raquianestesia associada à infusão contínua de Diferentes Adjuvantes. Rev Bras Anestesiol, 2012;62:781-
Remifentanil promoveu adequada anestesia e imobilização 787; - Karaman S, Kocabas S, Uyar M et al. The effects of
fetal. A rápida meia vida de eliminação da droga permite Sufentanil or morphine added to hyperbaric bupivacaine
que o procedimento seja realizado sem a necessidade de in spinal anaesthesia for caesarean section. Eur J Anaes-
ventilação mecânica no pós-operatório, o que diminui a thesiol, 2006; 23:285-291.
morbimortalidade do RN com gastrosquise.

Temas Livres CBA 2014 | 67


COMPLICAÇÃO DE RAQUIANESTESIA PÓS DESFECHO FAVORÁVEL EM GRAVIDEZ
CESARIANA - RELATO DE CASO. ABDOMINAL.
AUTORES: AUTORES:
Honorina Fernandes Nogueira Neta, Bruna Pires de Assis Luiza Rodrigues Cucco*, Thiago de Freitas Gomes, Paulo
Dantas, Olívia Motta Wanderley da Nobrega, Jamilly Dantas Sérgio Mateus Marcelino Serzedo, Guilherme Coelho Ma-
de Alencar, Rodrigo Vergetti Baía*, George Robson Ibiapina. chado Nunes, Ismael Rocha Mattos, Murilo Barato Agudo
Romão.
INSTITUIÇÃO:
Faculdade de Medicina Nova Esperança. INSTITUIÇÃO:
Clínica de Anestesiologia de Ribeirão Preto (CARP).
INTRODUÇÃO: A raquianestesia é um procedimento ci-
rúrgico que consiste na introdução de anestésico local no INTRODUÇÃO: A gravidez abdominal, caracterizada pela
liquor por meio de agulhas especiais. As complicações presença do concepto livre na cavidade peritoneal, cons-
neurológicas desencadeadas por esta anestesia são raras, titui um evento extremamente raro, com incidência de 1
sendo a cefaleia sua complicação mais comum. A cefaleia para 10.000 a 1 para 64.000 nascimentos. Cursa com ele-
pós-punção aparece entre o 5º e 7º dias após a punção vada morbimortalidade materna e perinatal. em virtude da
dural, na maioria dos casos, no 2 º dia, e em aproxima- implantação placentária em qualquer órgão do abdome,
damente 50% dos casos desaparece, espontaneamente, hemorragias maciças podem ocorrer no momento da de-
em 5 dias, e em 90% dos casos, em 10 dias. A incidência quitação, tornando reservado o prognóstico materno. Para
de cefaleia pós-punção em pacientes obstétricas pode o feto, a condição é extremamente precária e, na maioria
variar de 2,8 a 8,7%, sendo os fatores mais importantes o das vezes, verifica-se o óbito fetal em decorrência da insu-
calibre e o tipo de agulha utilizada. Os principais fatores ficiência da placenta. Relato do Caso: Paciente feminina,
de risco são uso de agulha com bisel cortante, punções 27a, 60Kg, estado físico PI, G4P3A0, sem pré natal. Ad-
subaracnóideas repetidas, história de cefaleia prévia, mitida na sala cirúrgica com PA= 166x105mmHg, FC=128
desidratação, idade como adultos jovens e gestação. A bpm, Sat O2=97% e intensa dor abdominal para cesária
cefaleia pode ser acompanhada de rigidez de nuca em de emergência por suspeita de rotura uterina. Venóclise
57% dos casos, de dor nas costas em 35% dos casos, com catéter 18G em MSE e coleta de sangue para tipa-
de náusea em 22% dos casos e, em menor frequência, de gem. Realizada raquianestesia com 12,5mg de bupivacaí-
sintomas relacionados a comprometimento de pares cra- na pesada e 60mcg de morfina. Logo da incisão mediana,
nianos e de espasmos musculares localizados. RELATO o obstetra se deparou com placenta e feto na cavidade
DE CASO: S.A.M, 25 anos, feminino, GIII PII AI. Paciente abdominal. Após extração fetal e clampeamento do cor-
relata que no 2º dia de pós-operatório de cesariana apre- dão, foi visualizado sítio placentário aderido ao sigmóide
sentou cefaleia intensa que piorava com movimentação e ao reto, associado a presença de abundante quantidade
da cabeça, associado a náuseas e vertigem. Refere ainda de sangue ao tentar dequitar a placenta. A paciente co-
que no momento da indução anestésica foi realizado duas meçou a apresentar sinais de choque hemorrágico e foi
tentativas de punção lombar. Foi medicada no hospital realizada indução de anestesia geral (Alfentanil 40mcg/kg,
com paracetamol de 4/4 horas que melhorou discreta- Etomidato 0,3mg/kg, Succinilcolina 1mg/kg), punção de
mente a cefaleia, associada a hidratação oral vigorosa. artéria radial esquerda e acesso central em jugular inter-
No momento da alta hospitalar foi prescrito paracetamol na direita. Anestesia mantida com propofol e remifentanil
+ cafeína de 6/6 horas, não aliviando os sintomas. No 5 º em TCI. Solicitado auxílio da cirurgia geral que realizou
dia de pós-operatório retornou ao hospital, pois o quadro retossigmoidectomia à Hartmann e histerectomia subtotal.
clínico havia intensificado, sendo submetida a hidratação Infundidos 3500 ml de RL e 2 concentrados de hemácias
venosa com 1000 ml de soro ringer lactato, além de pres- para atingir a estabilidade hemodinâmica. A paciente foi
crição com cloridrato de tramadol 50 mg 01 comprimido extubada com sucesso, permaneceu estável na SRPA
de 12/12 horas e corticoide. Foi informada que caso não com Hb de 10mg/dL e diurese de 1 ml/kg/h. O RN nasceu
houvesse melhora do quadro após 3 dias necessitaria de vivo, com Apgar 7/8. DISCUSSÃO: Gestação abdominal
nova punção lombar. O diagnóstico foi eminentemente com sobrevivência da mãe e do RN constitui uma exceção.
clínico, sem necessidade de exames laboratoriais. DIS- Após a extração fetal, o grande desafio para o anestesio-
CUSSÃO: É muito importante ter o conhecimento desta logista é lidar com o sangramento abundante que advém
entidade, principalmente os fatores de risco e prevenção, da hemorragia do leito placentário e com a dificuldade de
para evitar o seu aparecimento, podendo ser feito o uso retirar a placenta implantada em vísceras nobres. Nesse
agulhas de diâmetro fino, agulhas em ponta de lápis, pun- momento, a instabilidade hemodinâmica é a grande amea-
ção paralela ao sentido longitudinal das fibras meníngeas ça à vida materna, com uma mortalidade em torno de 20%
com agulhas cortantes, assim como um número reduzido e um risco 90 vezes maior que na gestação uterina tópica.
de tentativas de punções da aracnoide, e assim contribuir Completa monitorização, acessos venosos calibrosos e
significativamente para a diminuição de sua ocorrência. auxílio de equipe experiente são extremamente importan-
REFERÊNCIA: Netto IB, Catharino MAS, Crasto MCV tes nesse cenário que pode se tornar uma tragédia caso
et al. Cefaléia Pós-Raquianestesia: fatores de risco as- não exista manejo adequado. REFERÊNCIA: Urban, MK.
sociados e prevenção de sua ocorrência – Atualização. Anesthesia for Obstetrics. In: Miller RD. Miller’s Anesthesia.
Disponível em: http://www.revistaneurociencias.com.br/ 7th Ed. Philadelphia, Elsevier, 2009;2203–2240; Alencar Jr,
edicoes/2010/RN1803/238%20atualizacao.pdf. Acessado CA, Carvalho Neto, RH, Alencar, MFMF et al. Gravidez ab-
em 27/07/2014. Ganem EM, Castiglia YMM, Vianna PTG. dominal avançada com feto vivo: diagnóstico ecográfico e
Complicações neurológicas determinadas pela anestesia evolução. Rev. bras. ginecol. Obstet. 1994;16:43–48.
subaracnóidea. Rev. Bras. Anestesiol. 2002; vol.52, no.4.

68 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


DETERMINAÇÃO DA DOSE DE OCITOCINA HIPERSENSIBILIDADE TRIGEMINAL
NA PREVENÇÃO DA ATONIA UTERINA EM APÓS ADMINISTRAÇÃO INTTRATECAL
CESÁREAS ELETIVAS. DE SUFENTANIL E BUPVACAINA PARA
TRABALHO DE PARTO – RELATO DE CASO.
AUTORES:
Henrique de Paiva Torres, Maurício Marsaioli Serafim, Franz AUTORES:
Schubert Cavalcanti, Carlos Othon Bastos, Juliana Cardoso Gustavo Rodrigues Costa Lages*, Marina Rodrigues Costa
de Araújo, Ivy Coutinho dos Anjos*. Lages .
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
CET Integrado de Campinas-9134. Hospital Mater Dei.
INTRODUÇÃO: A ocitocina é usada para prevenir a he- A dispersão cefálica de drogas intratecal de áreas supra
morragia uterina pós-cesárea (1). O objetivo desse estu- espinhais pode provocar diversos efeitos adversos. Este
do foi determinar a dose mínima efetiva (DE90) em bolus caso descreve uma paciente com parestesia hemifacial
venoso para adequada contração uterina. MÉTODO: direita, trismo e disfasia na distribuição do nervo trigê-
Foram avaliadas 40 gestantes saudáveis, a termo, sub- meo após administração intratecal de sufentanil. Primi-
metidas a cesárea eletiva sob raquianestesia. A ocitoci- gesta, 34 anos, 39 semanas de gestação, hipotireoideia
na foi administrada em bolus de 3 UI, de acordo com o e com pré eclampsia. Alérgica a latex. em uso de Puran
esquema de alocação sequencial superior e inferior com T4, 50 μg / dia. Quando a paciente apresentou 4 cm de
aumento ou diminuição de 0,5 UI. A contração uterina foi dilatação cervical, foi realizada punção subaracnóidea
avaliada pelo obstetra que desconhecia a dose de ocito- (L4-L5) com agulha ponta de lápis 27G, com a gestante
cina. Após contração efetiva, iniciou-se infusão contínua assentada. Foi injetado 1.5 mg de bupivicaína 0,5% hi-
de 1 UI/h. Foi também avaliada a presença de efeitos perbárica com 7.5 μg de sufentanil. em seguida, foi reali-
colaterais. RESULTADO: A DE90 de ocitocina estimada zada punção epidural no mesmo espaço, injetando 10 mL
foi de 2,5UI e em apenas 4 casos houve a necessidade de bupivacaína 0,065%, e implatado cateter no espaço
do emprego de outros uterotômicos (metilergometrina e peridural. Após ficar 5 minutos em decúbito lateral, a pa-
misoprostol). Não foram registrados efeitos colaterais. ciente se queixou de parestesia hemifacial, principalmen-
CONCLUSÃO: A dose de ocitocina usada em bolus, em te na região maxilar e periorbitária; além de apresentar
cesáreas eletivas, para manter a contração uterina efe- trismo e disartria. Os sintomas duraram 30 minutos, com
tiva pode ser bem reduzida, reduzindo também dessa remissão espontânea. Após 1 hora, a paciente solicitou
forma a incidência de efeitos colaterais, quando gran- analgesia suplementar (12 mL de bupivacaína 0.125%) e
des doses são administradas(2). REFERÊNCIA: 1) Dyer uma criança nasceu bem. Alterações mentais transitórias
RA- Oxytocin for labour and caesarean delivery: impli- foram descritas relacionadas ao uso de fentanil e sufen-
cation for the anaesthesiologist. Curr Opion Anaesthe- tanil associado a analgesia epidural-espinhal; tais como
siol.2011;24:255-61. 2) Archer J et al -The hemodynamics afasia, dificuldade de deglutição, confusão mental e até
of oxytocin and other vasoactive agents during neuraxial mesmo perda de consciência. Naquela paciente, as áreas
anesthesia for cesarean delivery: findings in six ca- faciais de parestesia são claramente associadas se com
ses. International Journal of Obstetric anesthesia.2008 os ramos maxilar e oftálmico do nervo trigêmio, enquanto
jun;17:247-45. o trismo e a disfagia são associados com o ramo motor
mandibular. O mecanismo exato da dispersão cefálica
não é sabidamente conhecido, mas há uma especulação
de que após a administração de droga espinhal, uma
dose subsequente epidural pode reduzir o espaço intra-
tecal e propulsionar a droga em áreas supraespinhais.
REFERÊNCIA: 1.Fragneto RY, Fisher A. Mental status
change and aphasia after labor analgesia with intrathecal
sufentanil/bupivacaine. Anesth Analg 2000;90:1175-6.
2.Hamilton CL, Cohen SE. High sensory block after in-
trathecal sufentanil for labor analgesia. Anesthesiology
1995;83:1118-21.

Temas Livres CBA 2014 | 69


IMPACTO DA TERAPIA HÍDRICA RESTRITIVA INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO NA 35ª
NA PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE: ENSAIO SEMANA DE GESTAÇÃO: RELATO DE CASO.
CLÍNICO RANDOMIZADO.
AUTORES:
AUTORES: Rafael Almeida Vidal*, José Eduardo Bagnara Orosz, Mô-
Wallace Andrino da Silva*, Fernando Bliacheriene, Marcelo nica Braga da Cunha Gobbo - TSA, Mariana Marques dos
Luis Abramides Torres, Carlo Victor Azevedo Varela, Paula Santos, Renan Oliveira Andreollo, Alessandra de Carvalho
de Castro Scherer, Aline Macedo Pinheiro. Laudissi.

INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital das Clínicas da FMUSP. Hospital e Maternidade Celso Pierro - PUC Campinas.
INTRODUÇÃO: A pré-eclâmpsia (PE) é a principal causa O infarto agudo do miocárdio (IAM) é raro durante a gravi-
de morbidade e mortalidade em todo o mundo durante dez, cerca de 6 casos para cada 100.000 partos. Os fatores
a gestação(1). A terapia hídrica apresenta efeitos anta- de risco são hipertensão arterial, tabagismo, idade superior
gônicos nos sistemas cardiopulmonar e renal, dessa a 30 anos, entre outros. A aterosclerose é a principal causa
forma há controvérsia quanto ao padrão convencional (43% dos casos). Pacientes que infartam e na cinecorona-
ou restritivo de hidratação (2). Além disso, não se co- riografia apresentam coronárias normais podem ter o evento
nhece a influência da hidratação sobre a coagulação e decorrente de espasmo coronariano isolado ou associado à
ocorrência de sangramentos na PE. Metodologia Ensaio trombose, não detectados no exame. A mortalidade mater-
clínico randomizado cujo objetivo é avaliar a influência do na varia de 4,8 a 7,3%, e a fetal de 7 a 13%. A anestesia em-
regime de hidratação sobre a função renal e coagulação pregada para o parto deve evitar hipotensão e taquicardia.
na PE grave. 40 pacientes com PE grave submetidas a SMP, 32 anos, 1,50m, 54kg, idade gestacional de 35 sema-
dois regimes de hidratação intraoperatória durante ce- nas, G5P4C3A1, admitida na emergência com precordialgia
sariana: um grupo liberal (n = 18) que recebeu 1500 ml irradiada para região cervical. Relatava etilismo, tabagismo,
de cristalóide e um restritivo (n = 17) que recebeu 250 uso de maconha e crack por um ano, há 10 anos. Apresen-
ml de cistaloides. Cinco pacientes foram excluídas. Cre- tava sudorese e taquicardia. ECG com infra de ST de V1
atinina, ácido úrico, proteinúria, hemoglobina, plaquetas, a V4. Exames laboratoriais: CK 1121 U/L, CKMB 107 U/L,
tempo de atividade pró-trombínica (TAP/INR) e tempo de Troponina T 2,88 ng/ml. Ecocardiograma transtorácico: hi-
tromboplastina parcial ativado (TTPA/R) foram avaliados pocinesia apical, com fração de ejeção normal. Cateterismo
no préoperatório imediato, 1° e 2° dia pós-operatório e ventriculografia de VE: lesão segmentar de 70% em 1/3
(2°PO). RESULTADO: A creatinina sérica pré-operatória, médio de artéria descendente anterior, hipocinesia apical
no 1° PO e no 2° PO foram 0.71 ± 0.15, 1.08 ± 0.28 e 1.16 e discreta redução da contratilidade global de VE. Indicado
± 0.9 mg/dl no grupo liberal e 0.67 ± 0.2, 0.97 ± 0.28 e tratamento para IAM e stent coronariano após resolução da
0.9 ± 0.27 mg/dl no grupo restritivo (p>0,05). A hemo- gestação e a equipe de Obstetrícia indicou cesariana. em
globina pré-operatória, no 1°PO e no 2° PO foram, res- sala operatória a paciente estava estável, ASA III. Suspen-
pectivamente, 11.5 ± 1.85, 9.86 ± 2.32 e 9.9 ± 2.08 g/dl sos enoxaparina e AAS 24 horas antes do parto. Monitori-
no grupo liberal e 12.35 ± 1.42, 11.21 ± 1.28, 10.8 ± 1.53 zação com cardioscopia, PANI e oximetria de pulso. Reser-
g/dl no grupo restritivo (p>0,05). As plaquetas no pré- vado dois concentrados de hemáceas devido a anemia (Hb:
-operatório, no 1°PO e no 2° PO foram, respectivamente, 8,8). Coagulograma e plaquetas sem alterações. Optado
386166 ± 821737, 158449 ± 115823 e 198470 ± 86557 / por anestesia peridural contínua com 10 ml de ropivacaí-
mm3 no grupo liberal e 193125 ± 79127, 209363 ± 70859 na a 0,5%, morfina 2mg e fentanil 100mcg. Procedimento
e 203562 ± 74026 /mm3 no grupo restritivo (p>0,05). O sem intercorrências. A paciente permaneceu estável e foi
INR pré-operatório foi 1.04 ± 0.15 no grupo liberal e 0.97 encaminhada a Unidade Coronariana no pós operatório,
± 0.04 no restritivo (p = 0.12). O INR no 1° PO foi 1.09 ± tendo alta hospitalar após 10 dias. Há poucos casos de IAM
0.15 no grupo liberal e 0.98 ± 0.04 no grupo restritivo (p em gestantes descritos na literatura, e o tratamento possui
= 0.04). O INR no 2° PO foi 1.02 ± 0.07 no grupo liberal particularidades: a gravidez é uma contra-indicação relativa
e 0.97 ± 0.06 no grupo restritivo (p = 0.08). O TTPA/R para uso de trombolíticos, devido ao risco de complicações
pré-operatório foi 0.99 ± 0.12 no grupo liberal e 1.02 ± materno-fetais, tais como parto pré-termo, descolamento
0.04 no restritivo (p = 0.38). O TTPA/R no 1° PO foi 1.06 ± de placenta, morte fetal e hemorragia pós-parto. No caso
0.10 no grupo liberal e 1.03 ± 0.08 no grupo restritivo (p = descrito a trombólise não era indicada. Recomendou-se
0.50). O TTPA/R no 2° PO foi 1.06 ± 0.11 no grupo liberal terapia medicamentosa e angioplastia no pós-parto. Não
e 1.00 ± 0.07 no grupo restritivo (p = 0.08). CONCLUSÃO: é mandatório o parto cesáreo, e, embora possa ocorrer
A terapia hídrica restritiva não foi prejudicial à função maior perda volêmica, a indicação foi obstétrica devido a
renal das pacientes com PE grave. Entretanto o mode- iteratividade. Optou-se por anestesia peridural com catéter
lo liberal de hidratação correlacionou-se com alteração por possibilitar instalação gradual do bloqueio, evitando al-
significativa nos parâmetros de coagulação (TAP/INR) no terações hemodinâmicas significativas, e permitir analgesia
1° dia pós-operatório, com retorno aos valores normais peri-operatória adequada, evitando consequências da dor,
no 2° dia pós-operatório. Esses achados sugerem que a como taquicardia e aumento do consumo de oxigênio pelo
hidratação vigorosa na PE grave possa agravar os distúr- miocárdio. A abordagem desses pacientes é um desafio
bios de coagulação no pós-operatório. REFERÊNCIA: 1. para anestesiologistas, obstetras, cardiologistas e neo-
Sibai B, Dekker G, Kupferminc M. Pre-eclampsia. Lancet. natologistas, e a discussão prévia e decisão conjunta são
2005;365(9461):785-99. Epub 2005/03/01. 2. Dennis AT. fundamentais para o êxito. REFERÊNCIA: Roth A, Elkayam
Management of pre-eclampsia: issues for anaesthetists. U. Acute myocardial infarction associated with pregnancy. J
Anaesthesia 2012, 67, 1009–1020. Am Coll Cardiol. 2008;52:171-180.

70 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


MANEJO ANESTÉSICO DE CESÁREA EM MANEJO ANESTÉSICO EM GESTANTE COM
PORTADORA DE DUPLA LESÃO AÓRTICA E ESTENOSE PULMONAR E COMUNICAÇÃO
MITRAL. INTERVENTRICULAR PARA OPERAÇÃO
CESARIANA.
AUTORES:
Marialice Vieira Cardoso, Denise Iskin, Gustavo Périssé AUTORES:
Moreira Veras, Alexandre Siste Kireeff de Moraes, Fernanda Scheila Muriel Wendler Cielo, Mauro Matsumoto Yoshimi,
Marques de Marins Oliveira*, Daniel Vieira de Queiroz. Antônio Bedin, Cristian Sbardelotto, Telma Sumaia Barros
Cruz, Patrícia Dornbusch*.
INSTITUIÇÃO:
CET Prof. Fabiano Gouvea do Hospital Federal dos Servido- INSTITUIÇÃO:
res do Estado do Rio de Janeiro. Serviço de Anestesiologia de Joinville.
INTRODUÇÃO: Cardiopatia é a principal causa indireta de INTRODUÇÃO: A doença cardíaca congênita é a segunda
morte materna. A febre reumática, apesar de ter sua incidên- cardiopatia mais frequente durante a gravidez. Gestantes
cia em declínio, mantém-se como uma etiologia importante com classes NYHA III e IV apresentam alto índice de mor-
de cardiopatia nos países em desenvolvimento. A principal talidade materna e perda fetal. O manejo anestésico destas
valva cardíaca afetada é a mitral, seguida da aórtica. Dessa parturientes deve ser baseado na avaliação individual da
maneira, o anestesiologista pode deparar-se com mais de função e reserva cardíaca, com o objetivo de antecipar o
um tipo de lesão valvar em um mesmo paciente, sendo de impacto das técnicas anestésicas na performance cardíaca.
extrema importância planejar o ato anestésico. Cabe ao RELATO DE CASO: Feminina, 20 anos, primigesta, idade
profissional ponderar os prós e contras do bloqueio de gestacional de 38 semanas. Refere cardiopatia congênita
neuroeixo e da anestesia geral, individualizando caso a não corrigida, descrita pela ecocardiografia como comu-
caso. RELATO DO CASO: Gestante 33 anos, 86 kg, com nicação interventricular do tipo via de saída e estenose
idade gestacional de 38 semanas e 6 dias, portadora de pulmonar pré-valvar. Classe funcional NYHA III. Ao exame
valvulopatia por cardiopatia reumática ao ecocardiograma físico, eupneica, acianótica, saturação de oxigênio de 97%
(estenose aórtica severa, insuficiência aórtica moderada, em ar ambiente. Ritmo cardíaco regular, 2 tempos, bulhas
estenose mitral moderada e insuficiência mitral moderada), normofonéticas, sopro sistólico 5+/6+, mais proeminente
além de hipertensão arterial pulmonar moderada. Relatava em foco pulmonar, frêmito. Mallampati 3, abertura oral de
dispneia aos médios esforços, porém negava síncope ou 3cm, boa mobilidade cervical. Puncionado dois acessos
precordialgia. Fazia uso de furosemida, digoxina, meto- venosos abocath 18 e 20, em fossa antecubital de ambos
prolol, potássio oral e antibioticoprofilaxia com penicilina os braços. Monitorização com pressão arterial invasiva,
benzatina intramuscular. Foi indicada cesárea por motivos puncionada artéria radial direita com a paciente acordada.
obstétricos, optando-se por anestesia geral. A paciente foi Após pré-oxigenação com O2 a 100% sob máscara facial,
monitorada com cardioscópio, oximetria de pulso, pres- foi induzida anestesia geral com Etomidato 0,25mg/kg, Fen-
são arterial invasiva (via punção de artéria radial direita), tanil 5mcg/kg e Succinilcolina 1mg/kg. Intubação orotra-
capnografia e TOF, além de ter veia jugular interna direita queal, sob laringoscopia direta, cânula orotraqueal número
puncionada. A indução anestésica foi feita em sequência 7,5, confirmação da posição do tubo através de ausculta
rápida com fentanil, etomidato e succinilcolina, seguida e capnografia. Estabilidade hemodinâmica durante todo
de intubação orotraqueal com tubo 7,0, e posteriormente o procedimento. Após o nascimento, feito 2 unidades de
uso de vecurônio. A criança nasceu com Escala de Apgar ocitocina em bolus e 3 unidades diluídas em solução fisio-
de 9. A paciente permaneceu estável hemodinamicamente lógica, infusão lenta. Paciente alérgica à dipirona, adminis-
durante a cirurgia, sendo encaminhada ao CTI ao final do trado tramadol 100mg, cetoprofeno 100mg e morfina 2mg
procedimento. DISCUSSÃO: A gestação impõe condições para analgesia pós-operatória. Paciente foi encaminhada
como aumento do débito cardíaco, do volume sanguíneo à UTI, estável e extubada. Alta da UTI no dia seguinte ao
e do consumo de oxigênio, que podem não ser bem to- procedimento. Discussões: O manejo anestésico destas
leradas por uma cardiopata. Por isso é essencial traçar pacientes requer um conhecimento do defeito valvular.
um plano anestésico adequado para a paciente, tendo em Estenose pulmonar aumenta a pressão e o trabalho do
vista as vantagens e desvantagens de cada técnica. Por ventrículo direito. Se grave, pode reduzir o débito do ven-
um lado o bloqueio do neuroeixo promove simpatectomia trículo esquerdo devido à redução do fluxo sanguíneo na
e consequentes alterações hemodinâmicas que podem ser circulação pulmonar. Manter pré-carga é importante para
deletérias tanto para a mãe quanto para o feto. Por outro, melhorar a contratilidade miocárdica, porém pré-carga ex-
não exige manipulação da via aérea da gestante, a qual cessiva pode precipitar falência cardíaca direita e predispor
é edemaciada e friável, o que dificulta a intubação. Já a a arritmias. Escolhida anestesia geral balanceada, com o
anestesia geral expõe o feto aos anestésicos venosos e intuito de obter melhor controle hemodinâmico. Pacientes
inalatórios e demanda manuseio de via aérea, porém per- com cardiopatias valvares importantes se beneficiam de
mite uma maior estabilidade hemodinâmica. Portanto, não avaliação multidisciplinar e planejamento anestésico an-
existe consenso sobre essa questão, sendo necessário tes do parto, para melhorar a função cardíaca e decidir a
avaliar caso a caso. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: P. técnica anestésica mais adequada. REFERÊNCIA BIBLIO-
Ray, G. J. Murphy and L. E. Shutt. Recognition and mana- GRÁFICAS: Campbell N, Rosaeg OP, Chan KL. Anaesthetic
gement of maternal cardiac disease in pregnancy. British management of a parturient with pulmonary stenosis and
Journal of Anaesthesia, 2004; 93(3): 428–39. - Vidovich IM. aortic incompetence for Caesarean section. British Journal
Cardiovascular Disease. In: Chestnut’s Obstetric Anesthe- of Anaesthesia, 2003, 90(2):241-3 Yamashita AM. Anestesia
sia: Principles and Practice. 5a ed. Philadelphia, Elsevier na Gestante Cardiopata. In: Cangiani LM, Slullitel A, Poté-
Saunders, 2014; 960-1002. rio GMB et al. Tratado de Anestesiologia SAESP. 7 ed. São
Paulo, Atheneu, 2011;2359-75.

Temas Livres CBA 2014 | 71


MANEJO ANESTÉSICO EM GESTANTE COM MANEJO ANESTÉSICO NA MIOCARDIOPATIA
TUMOR INTRACRANIANO. PERIPARTO: RELATO DE CASO.
AUTORES: AUTORES:
Cleide Kalsing*, Mariana Bozelli Serra, João Maximiano Pie- Thissiane Engel Brandt, Marina Barreto Corrêa, Thaís Furtat
rin Barros. Marques, Jean Abreu Machado, Jaqueline de Azevedo Bo-
hrer*, David Dlugovit.
INSTITUIÇÃO:
HRMS - Hospital Regional do Mato Grosso do Sul. INSTITUIÇÃO:
UNISUL.
INTRODUÇÃO: A associação entre a gravidez e o tumor
cerebral é muito rara, já que os tumores intracranianos INTRODUÇÃO: A miocardiopatia periparto é o desen-
são incomuns no período etário em que a gravidez ge- volvimento de insuficiência cardíaca no último mês de
ralmente ocorre. Embora a gravidez não seja um fator de gestação ou dentro dos primeiros cinco meses do puer-
risco específico para o crescimento do tumor, ela pode ter pério, sem causa identificável, com disfunção sistólica
grande impacto sobre a neoplasia, piorando ou produzin- do ventrículo esquerdo. Trata-se de uma entidade rela-
do sintomas neurológicos. A condução do caso varia de tivamente rara e sua rápida evolução está relacionada
acordo com os sintomas, tipo do tumor, fase gestacional com alta morbimortalidade. O manejo dessas pacientes
e desejo da paciente. RELATO DE CASO: Paciente 23 durante a cesariana é um desafio para o anestesiologista.
anos, jejum de 9 horas, 37 semanas de idade gestacio- O presente relato tem como objetivo descrever a técnica
nal, com diagnóstico de tumor intracraniano há 2 meses, empregada, relatar o desfecho e fazer uma breve revisão
em acompanhamento com a neurologia, que optou por da literatura em relação à miocardiopatia periparto. RE-
aguardar a resolução da gestação para conduta perante o LATO DO CASO: L.A.C., 35 anos, G4P3A1, 36 semanas
caso. Apresenta nistagmo horizontal e perda de força em e 5 dias de gestação com dispnéia, taquicardia e edema
membro superior esquerdo (grau III em V), pupilas isocóri- de membros inferiores. Eletrocardiograma apresentava
cas e fotorreagentes, Glasgow 15. Relata cefaleia intensa, taquicardia sinusal e alterações da repolarização ventri-
tipo aperto, em hemicrânio direito, sem outros sintomas cular. Ecocardiograma com déficit moderado do ventrí-
associados. Tomografia computadorizada com imagem culo esquerdo e fração de ejeção de 39%. A anestesia
de extensa calcificação amorfa em região frontal direita. geral foi realizada com Fentanil 100mcg, Etomidato 20mg
Monitorização com oximetro de pulso, pressão arterial não e Rocurônio 50mg e posterior intubação orotraqueal. Ma-
invasiva, cardioscopia e capnografia. Indução em sequên- nutenção anestésica com Fentanil 150mcg e utilização de
cia rápida com: propofol (2 mg/Kg), alfentanil (0,5 mcg/Kg) Furosemida 20mg, Morfina 10mg e Efedrina 10mg. Após o
e succinilcolina (1mg/Kg). Intubação orotraqueal sem inter- procedimento cirúrgico, a paciente encontrava-se estável
corrências. Após o nascimento, realizado manutenção do hemodinamicamente, sendo encaminhada para Unidade
plano anestésico com cisatracúrio (0,15 mg/Kg), Propofol de Terapia Intensiva. A paciente evoluiu favoravelmente e
1% em TCI e Remifentanil(0,2 mcg/Kg/min). Ventilação optou-se por iniciar o desmame da ventilação mecânica.
mecânica controlada a volume e mantida por 90 minutos. DISCUSSÃO: A miocardiopatia periparto é uma doença
Recuperação anestésica ocorreu sem intercorrências. com diversas repercussões materno-fetais, cujo diag-
DISCUSSÃO: A presença de tumor cerebral geralmente nóstico é de exclusão. A técnica anestésica ideal para
não interfere na evolução da gravidez, nem influencia o esta condição permanece controversa. Alguns autores
desenvolvimento do feto, a não ser que sua localização sugerem que anestesia geral deve ser priorizada nos ca-
e tamanho comprometam a vida materna,. Abortamento sos de cesariana de urgência, ou seja, quando a função
terapêutico é indicado somente quando existem crises cardíaca não permite bloqueio simpático imposto pela
convulsivas incontroláveis. O parto vaginal é uma opção anestesia regional, que pode resultar em queda abrupta
para pacientes clinicamente estáveis, porém a indução da pressão arterial, no caso o bloqueio do neuroeixo, e
do trabalho de parto é contraindicada nos pacientes com levar ao comprometimento da função cardíaca, já preju-
risco de herniação. No caso da cesariana, esta deve ser dicada previamente pela patologia.
realizada sob anestesia geral, pois diminui o risco de
herniação da haste cerebelar. Muitas pacientes procuram
atendimento médico pela primeira vez durante o final do
segundo trimestre e o início do terceiro trimestre. Nestes
casos, o médico enfrenta um grande problema, já que o
feto pode ser viável ou extremamente prematuro. Diante à
sabida expansão tumoral quando há atraso no tratamento
e às modernas unidades de terapia intensiva neonatais e o
benefício dos surfactantes na sobrevivência dos neonatos,
a cesariana aparenta ser a conduta mais adequada, não
devendo, portanto, ser adiada. REFERÊNCIA: 1- Novis
SP. As doenças intercorrentes no ciclo gravídico puerpe-
ral. Guanabara Koogan; 2002. p.484-91. 2- de Angelis LM.
Adv Neurol. 1994; 64:139-52. 2- Oliveira F.R1 Rebouças M,
Amaral W.N - Brain tumor and pregnancy. Femina, 2008,
37: 23-8.

72 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


PREVENÇÃO DE HIPOTERMIA E DE RAQUIANESTESIA E CESARIANA.
ALTERAÇÕES DO EQUILÍBRIO ÁCIDO- ASSOCIAÇÃO DE DIFERENTES DOSES DE
BASE MATERNAS E DO RECÉM-NASCIDO CLONIDINA E MORFINA A BUPIVACAÍNA
POR MEIO DO AQUECIMENTO NO PRÉ- E HIPERBÁRICA.
INTRA-OPERATÓRIO DURANTE CIRURGIA
AUTORES:
CESARIANA SOB ANESTESIA PERIDURAL. José Hélio Zen Júnior*, Filipe Nadir Caparica Santos,
AUTORES: Franklin S Braga, José A F Frias, Angélica de A Braga.
Leandro Gobbo Braz, Marília Pinheiro Módolo*, Roberto INSTITUIÇÃO:
Bezerra Vital, Ana Lygia Rochitti de Carvalho, Flavia Dutra Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Ciências
de Toledo, Norma Sueli Pinheiro Modolo. Médicas da UNICAMP Cidade Universitária Zeferino Vaz s/n
INSTITUIÇÃO: – Campinas – SP – CEP – 13084-100.
FMB - Unesp. INTRODUÇÃO: O emprego de doses menores de anes-
INTRODUÇÃO: A hipotermia é frequente em pacientes tésico local associadas a diversos adjuvantes, por via
obstétricas durante cesariana sob anestesia peridural e, subaracnóidea para cesariana, têm sido proposto as-
geralmente, associa-se à hipotermia do recém-nascido. segurando a qualidade da anestesia e menor incidência
A pesquisa visou estudar os efeitos do aquecimento por de efeitos adversos. OBJETIVOu-se estudar comparati-
insuflação de ar aquecido na prevenção de hipotermia vamente a eficácia e os efeitos colaterais materno-fetais
e de alterações do equilíbrio ácido-base maternas e do da associação de bupivacaína à clonidina e morfina, por
recém-nascido. MÉTODO: 30 pacientes, ASA I ou II, via subaracnóidea, em operação cesariana. MÉTODO:
submetidas à anestesia peridural (ropivacaína a 0,75%- Foram incluídas no estudo 60 grávidas a termo, ASA I ou
112,5mg) para realização de cesariana e distribuídas ale- II, distribuídas aleatoriamente em 3 grupos (GI, GII e GIII)
atoriamente nos grupos: G1 (15 pacientes submetidas a de 20 cada. A dose de bupivacaína hiperbárica a 0,5%
aquecimento no pré- e intra-operatório) e G2 (15 pacien- nos 3 grupos foi de 10mg. No GI foi usada bupivacaína
tes não submetidas a aquecimento). Ao nascimento, foi isoladamente; no GII associou-se clonidina (75µg) e mor-
medida a temperatura retal dos recém-nascidos e foram fina (100µg) e no GIII clonidina (37,5µg) e morfina (50µg). A
colhidas amostras de sangue arterial materno e da artéria punção subaracnóidea foi realizada com a paciente sen-
e veia umbilicais.. No pós-operatório avaliou-se a inci- tada, agulha 27G Withacre, associada a peridural lombar
dência de tremores maternos. RESULTADO: As pacien- com cateter, para eventual necessidade de complemen-
tes de G1 apresentaram valores de temperatura central tação. Avaliou-se: latência e nível máximo do bloqueio
significativamente superiores às de G2. A temperatura sensitivo; grau e duração do bloqueio motor; qualidade
dos neonatos de G1 foi superior à dos de G2, embora de analgesia no peroperatório; sedação; repercussões
sem significância estatística. Os valores de pH e PaO2 na maternas e índice de Apgar. Na análise dos dados foram
artéria umbilical em G1 foram significativamente maiores empregados os testes ANOVA, t de Student, exato de
do que em G2. A incidência de tremores no pós-opera- Fisher, qui-quadrado, MANOVA (p<0,05). RESULTADO:
tório foi significativamente menor em G1. CONCLUSÃO: Latência para o bloqueio sensitivo (T10) – 6,05’ ± 1,68
O aquecimento nos períodos pré- e intra-operatórios foi (GI), 3,55’ ± 1,14 (GII), 3,20’ ± 0,69 (GIII), com diferença
eficaz em prevenir a ocorrência de hipotermia e diminuir significativa entre GI e GII e GI e GIII; nível máximo (T6-T2)
a incidência de tremores. A manutenção da normotermia nos 3 grupos, com predomínio em T4; grau máximo de
materna determinou maiores valores de pH e PaO2 na bloqueio motor aos 20’ - Bromage 3 em todos os gru-
artéria umbilical dos recém-nascidos. REFERÊNCIA: 1. pos, sem diferença significativa; tempo para desbloqueio
Horn EP, Schroeder F, Gottschalk A, et al. Active warming motor: 149,9’ ± 25,57 (GI), 236,85’ ± 67,03 (GII) e 233,35’
during cesarean delivery. Anesth Analg. 2002;94:409-414. ± 62,14 (GIII) com diferença significativa entre GI e GII e
2. Horn EP, Bein B, Steinfath M, et al. The incidence and GI e GIII. No GI, em 16 pacientes (80%), no tempo médio
prevention of hypothermia in newborn bonding after ce- de 61 minutos, houve necessidade de complementação
sarean delivery – a randomized controlled trial. Anesth com lidocaína a 2% (100 mg) pelo cateter e no GIII, 05
Analg. 2014;118:997-1002. pacientes referiram desconforto no intraoperatório, sem
necessidade de complementação. Repercussões hemo-
dinâmicas: maior número de pacientes no GII, apresentou
hipotensão arterial, em relação a GI e GIII. Prurido: GII
(85%) X GIII (35%); náusea/vômito: semelhante entre os
grupos; Índice de Apgar 1º’ 9 e no 5º’ 10, em todos os
casos; nível de consciência – nos grupos II e III houve
predomínio de pacientes sonolento/dormindo e no GI,
60% estavam acordadas e ansiosas. CONCLUSÃO: As
doses mais altas de adjuvantes, foram mais eficazes para
analgesia cirúrgica e ocasionaram prurido com maior fre-
quência. REFERÊNCIA: Braga AFA, Frias JAF, Braga FSS
et al. – Raquianestesia em Operação Cesariana. Emprego
da associação de bupivacaína hiperbárica (10 mg) a dife-
rentes adjuvantes. Rev Bras Anestesiol, 2012;62:781-787.

Temas Livres CBA 2014 | 73


RAQUIANESTESIA TORÁCICA COMO OPÇÃO RAQUIANESTESIA TOTAL DURANTE
ANESTÉSICA NA URGENCIA OBSTETRICA REALIZAÇÃO DE ANALGESIA DE PARTO.
EM PACIENTE OBESA MÓRBIDA
AUTORES:
PORTADORA DE MIELOMENINGOCELE. Marcos Leonardo Rocha, Thaís Azevedo de Carvalho, Pau-
RELATO DE CASO. la Paio Barreiros*, Maria Aparecida Helena Horta Perdigão,
AUTORES: Thiago Gonçalves Wolf, Reinaldo Guimarães.
Juliana Silveira Carreira*, Calina Ligia de Sousa Lima, Fabri- INSTITUIÇÃO:
cio Azevedo Cardoso, João Vitor Scramignon Rossi Cortes, Hospital Universitário São José.
Flávio Elias Callil, Sandra de Oliveira Rangel.
INTRODUÇÃO: A raquianestesia total ocorre quando uma
INSTITUIÇÃO: dose excessiva de anestésico local é injetada no espaço
Hospital Geral de Nova Iguaçu. subaracnóideo. Esse evento geralmente ocorre inadverti-
INTRODUÇÃO: A mielomeningocele é a mais comple- damente, quando o espaço subaracnóideo é puncionado
xa de todas as malformações congênitas do Sistema na tentativa de realização de uma anestesia peridural. A
Nervoso Central compatível com sobrevida prolongada. prevenção é feita através de técnica adequada de punção
Associa-se a anomalias da coluna vertebral, encéfalo, do espaço epidural e do uso da dose teste. No caso de
nervos periféricos e sistema ósteo-articular. Grande uma raquianestesia alta o paciente pode queixar parestesia
número dos portadores da enfermidade têm coeficiente em mãos ou ter dificuldade em respirar, se isso ocorrer o
intelectual normal ou próximo da normalidade, podendo manejo pode ser feito através da sedação cuidadosa e do
chegar a idade reprodutiva, engravidar e se tornar um tratamento da hipotensão. A função respiratória deve ser
desafio anestésico. OBJETIVO: Relatar caso de gestante monitorizada rigorosamente com oximetria de pulso e me-
submetida a cesariana de urgência, portadora de mielo- didas de adequado influxo de ar pelo paciente devem ser
meningocele nao corrigida. RELATO DE CASO: Femini- feitas. RELATO DE CASO: Paciente DMM, sexo feminino,
no, 35 anos, IMC= 55, ASAp III, malampati IV, primigesta, parda, 28 anos, G2Pn1c1A0, admitida na Maternidade Sofia
na 34a semana de gestação sem acompanhamento pré- Feldman em trabalho de parto. Realizada analgesia peridu-
-natal. Admitida com diagnóstico de pré-eclâmpsia grave ral com agulha 18G do tipo Tuohy, após sete tentativas, com
com sofrimento fetal agudo. Apresentava deformidade administração de levobupivacaínca 0,125% - 20mg e fen-
em região lombar baixa compatível com historia de mie- tanil espinhal 100mcg. Evoluiu com parestesia e bloqueio
lomeningocele não corrigida ao nascimento. Realizado motor em membros superiores e inferiores e inconsciência
cesariana de urgência, sob raquianestesia torácica hi- minutos após a infusão das drogas, então foi levada ime-
perbárica, sem intercorrências. RN vivo encaminhado ao diatamente ao bloco cirúrgico e submetida à cesariana de
CTI pediátrico com apgar 8 e 9; paciente encaminhada urgência sob anestesia geral. O RN nasceu com estabili-
ao CTI adulto com recuperação do bloqueio motor cerca dade hemodinâmica e respiratória, sem sinais de hipóxia
de 6h após o termino da cirurgia. DISCUSSÃO: A mielo- e a paciente foi extubada logo após o procedimento. O
meningocele (MMC) é uma malformação embrionária do bloqueio motor se manteve após extubação e o início da
Sistema Nervoso Central que ocorre nas primeiras quatro movimentação da parte distal dos MMSS ocorreu após 1
semanas de gestação e é decorrente de uma falha no hora. Paciente teve retorno gradual e completo da função
processo de fechamento do tubo neural . O tratamento motora e sensitiva após 12 horas da punção, sem déficits
é cirúrgico, e deve ocorrer idealmente nas primeiras 24h neurológios aparentes. apresentando como complicação
após o nascimento. O grande número de alterações na cefaleia intensa em ortostatismo com melhora em decúbito
fisiologia da gestante, que a torna uma provável via aérea dorsal respondendo adequadamente ao tratamento clíni-
difícil, associado a mal-formação de coluna vertebral, em co conservador. DISCUSSÃO: Pacientes obstétricas são
vigência da necessidade de resolução urgente do parto particularmente vulneráveis a essa complicação e sua inci-
devido ao sofrimento fetal, torna o bloqueio subarac- dência é de 0.2% segundo Dawkins et. al.; que achou esse
nóideo torácico uma opção benéfica. REFERENCIAS: dado em um estudo com 48,000 pacientes submetidos a
Raquianestesia Imbelloni, Luiz Eduardo, 1.ed., 2013; anestesia peridural. A raquianestesia total é uma emer-
Stoelting anesthesia and co-existing disease, 6.ed.,2012. gência, pois os pacientes podem apresentar hipotensão,
Hines, Roberta L., Marschall, Katherine E. bradicardia, apneia, inconsciência e midríase. Geralmente
o manejo inclui intubação orotraqueal, ventilação mecânica,
terapia com vasopressores/cronotrópicos, tredenleburg. A
recuperação pode levar de 30 minutos a 6 horas, depen-
dendo do agente usado e da dose administrada. É de ex-
trema importância o manejo imediato das repercussões da
raquianestesia total pois desta forma não ocorrem danos
permanentes ao paciente e ao RN, quando se tratando de
pacientes obstétricas. REFERÊNCIA: 1. Miller R, Eriksson
L, Fleisher L, et.al. Miller’s Anesthesia, 7a edição, 2009. 2.
Longnecker D, Brown D, Newman M, et al. Anesthesiology,
2a edição, 2012.

74 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


RELATO DE CASO: MANEJO ANESTÉSICO TAQUIARRITMIA EM USO DE OCITOCINA EM
NA CESÁRIA EM PACIENTE COM ANOMALIA CESARIANA.
DE EBSTEIN.
AUTORES:
AUTORES: Caio Mazzoli Lage*.
Mileni Furlaneto Celinski*, Rodrigo Sadami Ito, Luiz Cesar
INSTITUIÇÃO:
Ribas, Jóice Fila, Adriel Carlos Martins, Alexandra Moro
CET Prof. Fabiano Gouvea do Hospital Federal dos Servido-
Caporal.
res do Estado do Rio de Janeiro.
INSTITUIÇÃO: CONFLITO DE INTERESSES: Não há. INTRODUÇÃO:
Hospital Nossa Senhora do Rocio. A ocitocina é produzida pelo hipotálamo e armazenada
RESUMO: A anomalia de Ebstein é uma doença cardí- pela hipófise posterior. No útero ela determina vasocons-
aca congênita rara caracterizada pelo alongamento e trição pela contração da musculatura lisa que é bastante
inserção baixa dos folhetos posterior e septal da valva importante para o controle de hemorragia após a dequi-
tricúspide, resultando em um deslocamento apical de tação. Ela atua, também, em outros sistemas, sendo rele-
suas extremidades livres dentro do ventrículo direito, vante a diminuição da resistência vascular periférica com
evoluindo com diminuição da contração ventricular di- consequente hipotensão arterial. As ações extrauterinas
reita. Na maioria destes casos também estão presentes passam a ser importantes quando a ocitocina é feita em
comunicação intra-atrial e estenose ou insuficiência de altas doses ou em bolus, especialmente em gestantes
tricúspide. OBJETIVO: Descrever o manejo anestésico sob anestesia (seja bloqueio espinal ou anestesia geral)
de uma cesária em gestante com anomalia de Ebstein apresentando hipovolemia, ou com alteração prévia no
RELATO DE CASO: Paciente 26 anos, primigesta, com sistema cardiovascular. Diversos regimes de infusão têm
33 semanas de idade gestacional, em pós-operatório sido estudados, variando-se a dose e/ou velocidade de
tardio de correção de anomalia de Ebstein, portadora de infusão na tentativa de se estabelecer qual a maneira
prótese metálica tricúspide há 07 anos, que evoluiu com mais adequada de sua utilização obtendo-se menos efei-
fibrilação atrial de alta resposta ventricular, apresentou tos colaterais. RELATO DE CASO: Paciente de 22 anos
descompensação grave da doença necessitando de in- de idade, sexo feminino, sem comorbidades e cirurgias
terrupação da gestação. Optado por anestesia geral em prévias, submetida a cesariana (primeira gestação). Re-
seqüência rápida com etomidato 20mg, succinilcolina alizada monitorização no intraoperatório com pressão
100mg, fentanil 200mcg, mantido em oxigênio 100% e arterial não-invasiva, oxímetro de pulso e cardioscópio.
sevoflurane 1 CAM. Extubação ao final com sucesso e A cirurgia evoluiu sem intercorrências até a dequitação,
encaminhada para Unidade de Terapia Intensiva coro- quando foi administrado 5 unidades de ocitocina em
nariana. CONCLUSÃO: As alterações hemodinâmicas 100 mililitros de SF 0,9% em aproximadamente três mi-
nas gestantes cardiopatas são variadas. A escolha da nutos, quando ocorreram extra-sístoles ventriculares,
técnica anestésica deve ser individualizada para evitar evoluindo para bigeminismo e taquicardia ventricular
danos materno-fetais. O presente caso apresentou bom não sustentada. Realizada interrupção de infusão de
desfecho, garantindo estabilidade materna assim como ocitocina, retornou ao ritmo sinusal sem necessidade de
ausência de complicações fetais. administração de outras drogas. A paciente queixou-se
de “mal-estar”, negando outras queixas clínicas. O pa-
ciente evoluiu no pós-operatório sem queixas clínicas e
sem alterações de exames laboratoriais. CONCLUSÃO:
A ocitocina ainda permanece como fármaco de primeira
escolha para a prevenção e tratamento da atonia uterina
após cesariana. Mesmo estando disponível para a práti-
ca clínica há quase 50 anos, ainda não está estabelecido
qual o regime adequado de sua infusão. Atualmente, a
tendência é sua administração em doses reduzidas e em
infusão contínua, devendo ser evitada a administração
em bolus. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Miller`s
anestesia, 7th Ed; Tratado de Anestesiologia SAESP, 7a
Ed, São Paulo, Atheneu, 2011.

Temas Livres CBA 2014 | 75


USO DE CISTATINA C E ENZIMAS URINÁRIAS
PARA AVALIAÇÃO RENAL PÓS-OPERATÓRIA Anestesia em Oftalmologia
DE GESTANTE COM HIPERTENSÃO.
AUTORES: CONDUTA ANESTÉSICA PARA CIRURGIA
Ivania Guillermina Rodriguez Altamirano, Gustavo Pompeu
OFTALMOLÓGICA NA SÍNDROME DE
Moreira*, Lidia Raquel de Carvalho, Pedro Thadeu Galvão
Vianna, Leandro Gobbo Braz, Yara Marcondes Machado
MARFAN: RELATO DE CASO.
Castiglia. AUTORES:
Carlos Darcy Alves Bersot, Renata Ruivo Sofia Lopes, Ana
INSTITUIÇÃO:
Laura Lauredo, Weverton Maranhão, Tiago Freire da Fonte,
Faculdade de Medicina de Botucatu.
Julia Reich Camasmie*.
JUSTIFICATIVA PARA O ESTUDO: Doenças hipertensivas
associadas à gestação afetam de 5 a 7% das gestações. INSTITUIÇÃO:
A pré-eclâmpsia (pe) merece maior destaque devido a sua Hospital Federal da Lagoa.
gravidade - a função renal pode estar comprometida pela INTRODUÇÃO: A sindrome de Marfan é uma desordem do
endoteliose glomerular. OBJETIVO: Estudou-se a função sistema conjuntivo resultante da mutação do gene da fibrilina,
renal de gestantes com pe, submetidas à anestesia subarac- e afeta uma a cada 10 mil pessoas ao nascimento. As mani-
noidea para cesariana. MÉTODO: Participaram deste estudo festações clínicas envolvem principalmente os sistemas ocular,
prospectivo 72 pacientes com hipertensão gestacional (hag) cardiovascular e esquelético. Como achados oftalmológicos
ou crônica (hac), com e sem pe, submetidas a cesariana sob temos a Ectopia lentis, miopia de alto grau com aumento do
anestesia subaracnoidea, alocadas nos grupos: Gpe+hag - eixo axial ocular e predisposição ao descolamento de retina.
27 gestantes com pe e hag; Gpe+hac – 16 gestantes com pe RELATO DE CASO: BSM, 16 anos, sexo feminino. Ao exame
sobreposta à hac; Gha - 29 gestantes sem pe, mas com hag físico apresentava estatura de 1,77m, aracnodactilia, sopro sis-
ou hac. Critérios de exclusão: hipovolemia, óbito fetal, dis- tólico 3+/6. Negava outras comorbidades e alergias. em uso de
túrbios de coagulação, infecção urinária, anúria, insuficiência atenolol 50mg 1X/dia. Submetida a duas vitrectomias prévias
renal aguda ou crônica prévia e recusa em participar. As pa- por descolamento de retina. Realizados exames laboratorias
cientes foram submetidas à injeção subaracnoidea de 15 mg como hemograma e bioquimica com resultados normais, e
de bupivacaína hiperbárica a 0,5 %. Foram coletados 10 mL ecocardiograma com evidências de ectasia de raiz aórtica
de sangue e 50 mL de urina, nos seguintes períodos: primeiro com valva aórtica normal, prolapso valvar mitral de ambos os
(M1): na punção venosa e antes da anestesia (a urina foi co- folhetos com insuficiencia mitral, sobrecarga de cavidades
letada imediatamente após a anestesia); segundo (M2): 48h esquerdas com FE normal. Classificada como ASA II ao risco
de pós-operatório (PO). No sangue foram dosadas: cistatina cirúrgico. A paciente foi internada para relização de vitrectomia
C; creatinina. Na urina foram dosadas: creatinina; Neutrophil via pars plana em carater de urgência por novo descolamento.
Gelatinase-Associated Lipocain (NGAL); enzimas urinárias: Monitorizada com ECG contínuo, capnografia, PNI e oximetria.
fosfatase alcalina; γ-glutamiltransferase. Fórmulas emprega- Os sinais vitais de entrada eram: saturação de oxigênio 100%,
das: Ritmo de filtração glomerular (RFG) (mL/min) = 77,24 x PA= 125x80mmHg, FC=100bpm. Foi realizada venóclise de
cistatina C-1,2623 (mg/L). RFG (CKD-EPI) = 141 × min(Scr/κ, 1) MSE com jelco 22, oxigenação com máscara de Hudson com
α × max(Scr/κ, 1)-1.209 × 0.993 idade × 1.018 [feminino] 1.159 O2 5L/min e administrados midazolam 2 mg IV e Fentanil 50
[se negra]. {Scr é creatinina sérica, κ = 0,7 para mulheres e ug IV. Realizado bloqueio peribulbar com infiltração de solução
0,9 para homens, α = 0,329 para sexo feminino, min indica o contendo lidocaína 2% 4ml+ bupivacaína 0,75% 6ml+ hialuroni-
mínimo de Scr/κ ou 1 e max indica o máximo de Scr/κ ou 1}. dase 400UTR, sendo aplicados 7ml através da pálpebra inferior
RESULTADO: Houve aumento não significativo da creatinina com agulha 22GX1 e 2ml através da pálpebra inferior. Durante
sanguínea no PO; as enzimas urinárias, expressas em todos todo a cirurgia, manteve a StO2=100%, FC e PA estáveis. A pa-
os grupos em M1, não se alteraram no PO; NGAL ocorreu em ciente foi liberada para enfermaria com Aldrette 10. DISCUS-
M1 em todos os grupos e aumentou significativamente no SÃO: A realização de procedimentos anestésico-cirúrgicos em
PO. em Gpe+hac, os valores de M1 eram o triplo dos valores pacientes sindrômicos merece atenção multidisciplinar. A inci-
dos outros dois. Gpe+hag apresentou o maior valor em M2. dência de descolamento retiniano, complicação grave e des-
No PO, o RFG (CDK-EPI) mostrou diminuição significativa, crita em nosso caso, chega a 25%. O bloqueio peribulbar pode
enquanto que, pela cistatina C, aumento. DISCUSSÃO E ser um desafio pelo risco de perfuração ocular, favorecida pela
CONCLUSÃO: A hac foi fator importante para comprometi- de miopia de alto grau. No entanto, há descrição de bloqueios
mento tubular renal de parturientes, principalmente quando seguros e efetivos usando lidocaína e bupivacaína, guiados
houve sobreposição de pe, o que foi mostrado pelo aumento por cateter. A realização do bloqueio peribulbar também evita
do NGAL, como biomarcador renal. Para obtenção do real o reflexo oculocardíaco, visto que as chances de arritmia são
valor do RFG do PO de cesariana são necessárias futuras maiores nestes pacientes devido a cardiopatia estrutural. em
pesquisas uma vez que a cistatina C é sintetizada pela pla- nosso caso, mantivemos a FC e PA próximas dos níveis basais
centa e a creatinina está diminuída durante a gestação, mas- da paciente, evitamos a administração intempestiva de fluidos
carando os resultados do PO, respectivamente, para mais e objetivando a euvolemia e mantivemos analgesia pelo bloqueio
para menos. REFERÊNCIA: Soni SS, Cruz D, Bobek I et al. além do uso de fentanil intravenoso, evitando alterações como
NGAL: a biomarker of acute kidney injury and other systemic o aumento da pressão arterial e FC pela dor. A realização do
conditions. Int Urol Nephrol. 2010;42(1):141-50; Salgado JV, bloqueio peribulbar com lidocaína 2% e bupivacaína 0,75%
Neves FA, Bastos AK et al. Monitoring renal function: measu- deu-se sem intercorrências e se mostrou efetiva no controle
red and estimated glomerular filtration rates - a review. Braz J da dor intra-operatória. REFERÊNCIA: Yoav Nahu; Abraham
Med Biol Res. 2010;43(6):528-36. Spierer Ocular Features of Marfan Syndrome: Diagnosis and
Management; IMAJ 2008;10:179–181.

76 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


HEMATOMA INTRAORBITÁRIO APÓS HEMATOMA ORBITÁRIO APÓS BLOQUEIO
ANESTESIA PERIBULBAR: RELATO DE PERIBULBAR. RELATO DE CASO.
CASO.
AUTORES:
AUTORES: Priscila Gonçalves de Oliveira , Fernanda Vilaça Moura*,
Lívia Maria Campos Teixeira*, Cátia Sousa Govêia, Luís Luciane Costa Assunção, Bruno Mendes Carmona , José
Cláudio de Araújo Ladeira, Marco Aurélio Soares Amorim, Mariano de Melo Cavaleiro de Macêdo, Luis Paulo Araújo
Thiago Rocha Moura, Denismar Borges de Miranda. Mesquita.

INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
CET/SBA Centro de Anestesiologia da Universidade de Hospital Ophir Loyola.
Brasilia. INTRODUÇÃO. A ocorrência de complicações graves na
INTRODUÇÃO: anestesia peribulbar é uma técnica segura técnica de bloqueio retrobulbar para cirurgia intra-ocular
para cirurgias oftálmicas. Apesar de associada a menor in- (tais como hematoma retrobulbar, oclusão da artéria
cidência de complicações que o bloqueio retrobulbar, ainda central da retina, infiltração de anestésico na bainha do
há risco de perfuração ocular, hematoma orbitário e injeção nervo óptico e perfuração do globo ocular) apesar de
intradural. O diagnóstico e tratamento devem ser imediatos, serem raras, estimulou o desenvolvimento de outras téc-
pois podem resultar em perda da visão por compressão nicas anestésicas menos invasivas e conseqüentemente
mecânica da circulação, oclusão da artéria central da retina menos traumáticas para a rotina nas cirurgias intraocu-
e atrofia óptica. OBJETIVO é relatar caso de paciente que lares, principalmente nas cirurgias de catarata. Entre
apresentou hematoma intraorbitário após bloqueio peri- os procedimentos alternativos destacamos o bloqueio
bulbar. RELATO DE CASO: Paciente do sexo feminino, 31 oftalmológico peribulbar e a anestesia tópica. RELATO
anos, 60 kg, com diagnóstico de hemorragia em câmara DO CASO. Paciente EFGO, feminina, 65 anos, hiperten-
anterior do olho direito (OD), de causa atraumática. Negava sae glaucoma crônico, em uso de losartana e timolol
comorbidades, uso de medicações e sangramento espon- para controle destas doenças, respectivamente. Seria
tâneo. Submetida a cirurgia para catarata e descolamento submetida à facectomia com lente intraocular e negava
de retina sob bloqueio peribulbar prévio, sem intercorrên- outras comorbidades e alergias medicamentosas. Exa-
cias. Exames físico e laboratoriais normais, inclusive coa- mes laboratoriais pré-operatórios e ECG sem alterações.
gulograma. Admitida para irrigação de câmara anterior em A paciente foi monitorizada com cardioscópio, oxímetro
OD. Sedação com midazolam, fentanil e propofol. Bloqueio de pulso e pressão arterial não invasiva. Venóclise com
peribulbar com lidocaína 2% pelas vias de acesso tempo- cateter 22 G e sedação com midazolam 2 mg e fentanil
ral inferior (5 ml) e medial (3 ml) e aplicação de baroftalmo. 50 μg, seguida de assepsia de olho direito, bloqueio peri-
Evoluiu com hematoma intraorbitário em OD e hemiface di- bulbar no ponto A modificado com bupivacaína 0,5% 4 ml
reita, além de dificuldade de abertura ocular. Administrado com hialuronidase (10 UI/ml) e colocação de baroftalmo
manitol e realizada compressão intermitente com baroftal- (300 g) durante 7 min sobre o olho bloqueado. Depois
mo por uma hora. Suspenso procedimento e mantida em de retirado o baroftalmo, foi identificado hematoma im-
observação na enfermaria. Houve diminuição progressiva portante em região orbitária, que impedia abertura das
do hematoma e, no dia seguinte, paciente apresentava-se pálpebras. Imediatamente, instalamos manitol 20% na
assintomática com pressão intraocular (PIO) 12 mmHg. Foi dose de 1,5 g/kg e recolocamos o baroftalmo sobre o
submetida à irrigação de câmara anterior com anestesia olho direito. Após este tratamento, houve melhora do
tópica três dias após a complicação, sem intercorrências. quadro e resolução do hematoma (já se conseguia abrir
Alta hospitalar no mesmo dia. Encaminhada para investi- as pálpebras sem resistência e não havia mais edema
gação de coagulopatia com hematologista. DISCUSSÃO: significativo). A cirurgia foi suspensa e a paciente rece-
hemorragia orbitária é uma complicação rara em aneste- beu alta com adição de acetazolamida 250 mg de 6/6 h.
sia regional com incidência entre 0,4% e 1,7%. Apesar do Apresentou boa evolução, com resolução completa do
acesso pelo quadrante ínferolateral apresentar menor risco hematoma e sem perda visual. DISCUSSÃO: O bloqueio
de acidente vascular, a ocorrência de hematoma não pode oftalmológico peribulbar inferior foi introduzido em 1986,
ser descartada. A maioria das hemorragias intraorbitárias por Davis e Mandel1. Esta técnica diminui os riscos de
podem ser conduzidas de forma conservadora por meio complicações descritos na literatura, tais como hemato-
de compressão ocular e uso de acetazolamida ou manitol ma retrobulbar, perfuração ocular, depressão respiratória
para redução da PIO. em casos extremos ou refratários e lesão do nervo óptico. A explicação mais provável para
deve ser indicada a cantotomia descompressiva. Pacientes ocorrência de hematoma no caso acima, seria a lesão de
com tal complicação devem permanecer sob observação veias da pálpebra inferior, provocando sangramento que
prolongada devido aos riscos de aumento da PIO e ocor- não foi tamponado, com o acúmulo de sangue predo-
rência de reflexo óculo cardíaco. Nos casos de hematoma minante em região de pálpebras superior e inferior, sem
intraorbitário, diagnóstico precoce e terapêutica imediata proptose ou acometimento ocular. REFERÊNCIA: Losto,
são fundamentais para evolução favorável.REFERÊNCIA: HHU. In: Anestesia para procedimentos em oftalmologia.
Burkat CN, Lemke BN. Retrobulbar hemorrhage: inferola- Anestesia fora do centro cirúrgico. Rio de Janeiro, SA-
teral anterior orbitotomy for emergent management. Arch ERJ, 2007; 323-352.
Ophthalmol. 2005;123:1260-2. Troll GF. Regional ophthalmic
anestesia: safe techniques and avoidance of complications.
Journal Clinical Anesthesia. 1995;7:163-72.

Temas Livres CBA 2014 | 77


ANESTESIA PARA PACIENTE PORTADOR
Anestesia em Ortopedia DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
SUBMETIDO A ARTRODESE DE COLUNA:
RELATO DE CASO.
ANESTESIA E ANALGESIA PÓS-
OPERATÓRIA EM PACIENTE SUBMETIDO À AUTORES:
Germana Lane Pacheco Pereira*, Paulo Carvalho Pimenta
HEMIPELVECTOMIA INTERNA – RELATO DE
Figueiredo, José Henrique de Magalhães Lopes, Márcio
CASO. Placedino Martins, Carolina Marques Morlim Pereira.
AUTORES:
INSTITUIÇÃO:
Juliana Vasconcelos Martins, Guilherme Lopes de Lima,
Hospital das Clínicas da UFMG.
Bianca Angélica Bianchini*, João Maximiano Pierin Barros,
Édina Rodrigues Teruya, Armando Vieira de Almeida. INTRODUÇÃO: A Distrofia muscular de Duchenne (DMD)
é uma doença causada por defeito do gene da distrofina
INSTITUIÇÃO: caracterizada por degeneração muscular. A prevalência
Hospital Regional do Mato Grosso do Sul. da doença é de aproximadamente 1:3500 nascimentos
INTRODUÇÃO: A hemipelvectomia interna é indicada no do sexo masculino. Os sintomas geralmente surgem entre
tratamento de certos tumores de cintura pélvica. A aneste- 3 a 5 anos de idade e levam a perda da deambulação no
sia para este procedimento é um desafio devido ao extenso final da infância. Cardiomiopatia dilatada ocorre em mais
trauma tecidual, com grande potencial de perda sanguínea de 50% dos pacientes com 15 anos. Procedimentos orto-
e difícil controle de dor pós-operatória. RELATO DO CASO: pédicos corretivos são realizados para prolongar a deam-
Paciente masculino, 35 anos, 80 kg, ASA I, com diagnóstico bulação ou melhorar a qualidade de vida numa fase tardia
de condrossarcoma em pelve. Admitido em caráter eletivo, da doença. RELATO DE CASO: Paciente BCAR, 15 anos
com exames pré-operatório dentro dos limites da normali- de idade, masculino, 90 kg, portador de DMD com quadro
dade. Na sala operatória apresentava-se em BEG, conscien- de cifoescoliose toraco-lombar. Incapaz de deambular há
te, corado, hidratado, eupneico; PANI: 130x70mmHg; FC: alguns anos e com queixa de dor de forte intensidade em
84bpm; SpO2: 98% em ar ambiente. A monitorização intra- coluna. Indicada artrodesse de coluna com monitorização
operatória constou de oximetria de pulso, cardioscópio em de potencial sensitivo e motor. Reservada vaga de CTI e
DII e V5, capnografia e pressão arterial invasiva em de artéria hemoderivados. Exames complementares: Hb 12,8; Ht 37,2;
radial. O acesso venoso para reposição volêmica constava Leucócitos 6900; Plaquetas 298000; RNI 0,98; PTTa 32/32
de um cateter 14G em MSE e um 18G em MSD para infusão seg; Glicemia de jejum 80 mg/dl; K+ 4,6; Cr 0,7 mg/dl; Ureia
de drogas. Optou-se por anestesia combinada (geral e peri- 32 mg/dl. Espirometria com diagnóstico de distúrbio venti-
dural) com passagem de cateter peridural e administração latório restritivo. VEF1/CVF de 95%; CV de 61%; VEF1 64%,
de ropivacaína 0,60% (20ml) + morfina 2mg. em seguida, foi sem dispnéia de repouso. Diagnóstico de cardiomiopatia
feita a indução anestésica com propofol (2 mg/kg), fentanil (5 dilatada em uso de carvedilol e enalapril. Ecocardiograma:
µg/kg) e atracúrio (0,5 mg/kg) em bolus, e manutenção veno- diminuição da contratilidade difusa de VE, FE de 41%. Ao
sa em bomba de infusão com propofol (75 µg/kg/min) + re- exame de via aérea o paciente apresentava mobilidade cer-
mifentanil (0,1 µg/kg/min). O procedimento teve duração de 4 vical reduzida e grande circunferência cervical, abertura de
horas e transcorreu sem intercorrências. A perda sanguínea boca < 40 mm, distância tireo-mentoniana > 6 cm, Mallam-
foi mínima não havendo instabilidade hemodinâmica nem a pati IV. Optou-se por intubação acordado com fibrobron-
necessidade de hemotransfusão. O paciente foi extubado 10 coscópio pelo diagnóstico de possível via aérea difícil. Após
minutos após o término do procedimento. Estava consciente, explicação do procedimento para o paciente e anestesia
obedecendo a comandos simples, em ventilação espontânea local de via aérea com lidocaína 2% 40 mg e com remifen-
e sem queixas álgicas, sendo encaminhado a UTI. Para a dor tanil em bomba de infusão contínua, foi realizada intubação
pós-operatória foi administrado dipirona 2g EV de 6/6 horas, orotraqueal com fibrobroncoscopio. em seguida foi realiza-
e ropivacaína 0,22% (10ml) com morfina 1mg no cateter peri- da indução com propofol e remifentanil e anestesia venosa
dural de 12/12 horas, até o segundo dia pós-operatório. DIS- total mantida com os mesmos. Não foi utilizado bloquea-
CUSSÃO: A hemipelvectomia interna consiste na ressecção dor neuromuscular. Procedimento prolongado, necessária
de tecidos comprometidos da cintura pélvica com preser- transfusão de 600 mL de concentrado de hemácias e uso
vação do membro inferior dos pacientes. Tumores pélvicos noradrenalina ao final da cirurgia. Paciente enviado ao CTI
geralmente distorcem a anatomia normal e estão em estreita intubado com noradrenalina. DISCUSSÃO: Vários riscos
proximidade com as principais estruturas neurovasculares e perioperatórios específicos relacionados a anestesia em
viscerais pélvicas, o que propicia grande perda sanguínea. DMD são reconhecidos, o que representa um desafio para
Para o sucesso do procedimento é necessária uma boa o anestesista. Destacam-se incidência elevada de via aérea
avaliação e preparo pré-operatório, monitorização adequada difícil, disfunção miocárdica e ventilatória. Preocupações
e controle hemodinâmico, além de um suporte de terapia adicionais incluem uso de bloqueadores neuromusculares
intensiva e controle álgico no pós-operatório imediato. A devido a hipersensibilidade da doença aos efeitos dessas
dor pós-operatória foi abordada com terapia multimodal utili- drogas e distúrbios metabólicos com o uso de anestésicos
zando a analgesia por cateter peridural e obtendo resultados inalatórios. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: Muenster
satisfatórios. REFERÊNCIA: Molnar R, Emery G, Choong et al. Anaesthetic management in patients with Duchenne
PF. Anaesthesia for hemipelvectomy-a series of 49 cases. muscular dystrophy undergoing orthopaedic surgery: a
Anaesth Intensive Care. 2007;35(4):536-43. Oliveira AF, Vieira review of 232 cases. European Journal of Anaesthesiology
LJ, Nascimento ACR et al. Hemipelvectomia interna: relato de 2012, 29: 10 // J. Hayes, F. Veyckemans, B. Bissonnette.
oito casos. Rev Bras Ortop. 2012;47(6):776-9. Duchenne muscular dystrophy: an old anesthesia problem
revisited. Pediatric Anesthesia 2008 18: 100–106.

78 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA REGIONAL EM PACIENTE COMPARISON OF TWO TECHNIQUES
COM 99 ANOS EM USO DE CLOPIDOGREL: OF FASCIA ILIACA BLOCK IN TOTAL HIP
RELATO DE CASO. ARTHROPLASTY.
AUTORES: AUTORES:
Gualter Lisboa Ramalho, Luiz Eduardo Imbelloni, Bruno Ravinder Kumar Pandey *, Kaushal Kumar, Amar Pal Bhalla,
Brasileiro Guimar*. Lokesh Kashyap.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Hum- Department of Anesthesiology and Intensive care, AIIMS, N.
berto Lucena. Delhi.
INTRODUÇÃO: O risco do bloqueio no neuroeixo em INTRODUCTION: Fascia Iliaca Block (FIB) has been widely
doentes tratados com as novas drogas antiplaquetárias employed as a postoperative analgesic adjunct to opioids
é incerto, devido a falta de dados existentes a respeito for total hip arthroplasty (THA), either by the conventional
da segurança do bloqueio. Paciente idosos geralmente infrainguinal approach or the modified proximal suprain-
apresentam reduzida reserva fisiológica, que pode levar guinal approach irrespective of any specific advantage of
a complicações pós-operatórias, retardar a cirurgia neste one over the other. Therefore, this study was conducted
grupo pode levar a alta taxa de morbidade e mortalida- to compare the postoperative analgesic efficacy of the
de. O objetivo deste relato é apresentar um caso de uma two techniques of FIB. METHODS: 40 patients schedu-
paciente com 99 anos em tratamento com clopidogrel led for THA were recruited and randomized to receive FIB
submetida a anestesia regional para tratamento cirúr- either by suprainguinal (S) or infrainguinal approach (I) for
gico de fratura de fêmur. RELATO DE CASO: Paciente postoperative analgesia with 40 ml of 0.2% bupivacaine,
do sexo feminino, 99 anos, 68 kg, ASA III, portadora de in addition to the intravenous acetaminophen and patient
doença coronariana obstrutiva em tratamento com Clo- controlled analgesia (PCA) with morphine. Visual analog
pidogrel (75 mg) há 9 anos. Admitida para tratamento ci- scale (VAS) and PCA morphine consumption was used
rúrgico de fratura transtrocanteriana de fêmur. Apresenta to assess the postoperative pain at 6, 12 and 24 hours.
coagulograma e função plaquetária sem alterações. Na The primary outcome was cumulative PCA morphine
SO feita monitorização com cardioscópio, oximetria de consumption in 24 hours. RESULTS: 40 patients (20 in
pulso e pressão arterial não invasiva. Realizado venóclise each group) completed this study. There was significant
com cateter 18G, injetado midazolan (0,5 mg). Infusão difference in VAS score at 6 hours (median [IQR]; 2[0-3];
de solução de ringer com lactato e hidroxetilamido 6%, 3[2.25-3]; p=0.001) but, there was no significant differen-
administração de cefazolina (2 g), dexametasona (10 mg). ce in VAS at 12 and 24 hours. There was significant di-
Realizado bloqueio de plexo lombar por via inguinal com fference in time to first PCA morphine demand (356.28 ±
conjunto para bloqueio de plexo contínuo 18G conec- 33.32 vs 291.48 ± 37.17, p=<0.001, respectively) in group
tado ao aparelho neuroestimulador, injeção de solução S vs group I. There was also significantly less morphine
de Lidocaina 2% com epinefrina (20 mL) e cloridrato de consumption in group S compared to group I at 6, 12 and
levobupivacaína em excesso enantiomérico de 50% (20 24 hours and the cumulative morphine consumption in 24
mL) com posterior passagem de cateter. Após 30 minutos hours was (6.95 ± 2.14 vs 10.50 ± 2.24, p=<0.001; MD
realizado raquianestesia nível L3/L4 com agulha Quincke -3.55,95% CI -2.15, -4.95, respectively). CONCLUSION:
27 G, puncão única, injeção de Bupivacaina Isobárica Suprainguinal approach to FIB had a superior analgesic
0,5% (10 mg). O procedimento cirúrgico teve duração de efficacy compared to infrainguinal FIB with significantly
60 minutos, foi instalado bomba elastomérica com clori- less morphine consumption in first 24 hours.
drato de levobupivacaína em excesso enantiomérico de
50% 0,1% (400 mL), parecoxibe sódico (40 mg) e dipi-
rona (4 g), sendo então encaminhada para o quarto. Foi
avaliada no 1°, 2°, 7° e 15° dia de PO. CONCLUSÕES:
O relato de caso mostra que a anestesia regional nesta
paciente com 99 anos em uso de clopidogrel com coagu-
lograma e função plaquetária sem alterações foi segura,
deixando de retardar o procedimento cirúrgico e assim
evitando uma maior morbimortalidade. REFERÊNCIA: 1.
Lecompte T, Hardy J-. Antiplatelet agentes and periope-
rative bleeding. Can J Anesth 2006;53:S103-12. 2. U Butt,
D Aspros. Clopidrogrel and surgical delay in patients with
hip fractures; A district general hospital audit. The inter-
net journal of orthopedic surgery. 2008;12;1.

Temas Livres CBA 2014 | 79


EMBOLIA PULMONAR POR UTILIZAÇÃO DE ESTUDO PROSPECTIVO DA ANALGESIA
HASTE EM CIRURGIA ORTOPÉDICA. PÓS-OPERATÓRIA PARA CIRURGIA
ARTROSCÓPICA DE OMBRO (REPARO
AUTORES:
Marcos Leonardo Rocha, Thiago Gonçalves Wolf, Paula DE ROTURAS DE ESPESSURA TOTAL
Paio Barreiros, Isadora Costa Chacon*, Aparecida horta DO MANGUITO ROTADOR) UTILIZANDO
helena perdigão , Dener Augusto Diniz. BLOQUEIO DE PLEXO BRAQUIAL CONTÍNUO.
INSTITUIÇÃO: AUTORES:
Hospital universitário São José. Vanessa Alves da Rocha Dias*, Roberto Ruzi Araújo, Beatriz
Lemos da Silva Mandim, Paulo Ricardo Rabello de Mace-
INTRODUÇÃO: O quadro de embolia pode se apresentar do Costa, Raphael de Almeida Carvalho, Leandro Cardoso
com insuficiência respiratória e alterações neurológicas Gomide.
além de convulsões e coma profundo. O diagnóstico é
clínico, não existindo nenhum exame laboratorial que o INSTITUIÇÃO:
confirme. A embolia por cimentação de prótese deve ser Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
considerada quando há hipoxemia súbita e sustentada
INTRODUÇÃO: O pós-operatório dos pacientes subme-
mesmo após a oxigenioterapia durante o ato operató-
tidos à cirurgia artroscópica de ombro (reparo de rotu-
rio. Alterações hemodinâmicas e ventilatórias durante
ras de espessura total do manguito rotador) é doloroso
a cimentação em artroplastia total de quadril são nor-
sendo, seu adequado controle analgésico, desafiador. O
malmente por embolia aérea e de medula óssea, debris,
objetivo do trabalho é avaliar se há diferença na analge-
trombos e efeitos vasoativos de monômeros produzidos
sia nos primeiros três dias de pós-operatório propiciada
pela reação do metilmetacrilato . O tratamento dos qua-
por bloqueio de plexo braquial punção única ou contínuo.
dros menores foi tentando já com inúmeras drogas que
MÉTODO: Trabalho realizado com pacientes submetidos
não apresentaram resultados positivos sendo que nos
à artroscopia de ombro para reparo de roturas de espes-
casos graves como nas síndromes somente assistência
sura total do manguito rotador, eletivamente. Critérios de
ventilatória é indicada. A mortalidade é quase de 100%
inclusão foram: maiores de 18 anos; classificados como
nas formas fulminantes; aproximadamente de 20% nas
ASA 1 e 2; submetidos à consulta pré-anestésica, sendo
formas sub-agudas e não há mortalidade na forma sub-
os critérios de exclusão: portadores de lesões/déficits
-clínica. RELATO DE CASO: Paciente do sexo feminino,
neurológicos prévios e de coagulopatia. O cateter e a bom-
branca, 79 anos, hipertensa, em uso regular de hidroclo-
ba elastomérica eram oferecidos ao paciente como uma
rotiazida além de outras medicações como clonazepam e
analgesia complementar ao bloqueio de plexo braquial e
risperidona. Admitida no Hospital Universitário São Josê
com um custo adicional. Os 68 pacientes foram divididos
no dia 26/06/2014 com relato de queda da própia altura
em dois grupos: o grupo 1 com 47 pacientes submetidos
com fratura de colo do fêmur. Encaminhada ao bloco com
à analgesia contínua com cateter e bomba elastomérica
risco cirúrgico ASA II-E apresentando exames normais
e o grupo 2 composto por 21 pacientes submetidos à
e ECG com taquicardia sinual.Monitorada com pressão
analgesia por bloqueio de plexo braquial punção única.
não , cardioscopio, oximetria de pulso e colocado cate-
Todos os pacientes receberam o bloqueio de plexo bra-
ter de 02 nasal a 2L/min. Realizado raquianestesia com
quial por via interescalênica guiado por USG previamente
paciente em decúbito lateral direito usando bupivacaina
à anestesia geral endovenosa total, sendo que no grupo 1
isobárica 12,5mg. Após uma hora e meia de procedimen-
era posicionado cateter para analgesia contínua. Os pa-
to cirúrgico durante cimentação da haste femoral pacien-
cientes receberam alta entre 12 e 16 horas após o término
te evoluiu com súbito de dessaturação, dispnéia,e perda
da cirurgia, com os pacientes do grupo 1 portando cate-
da consciência com saída de secreção por via oral de
ter e bomba elastomérica, infundindo ropivacaína 0,2%
aspecto róseo. Atendida prontamente com ventilação por
5ml/h. Os pacientes foram instruídos à preencher uma
mascara sem sucesso. Realizado intubação orotraqueal
tabela com a intensidade da dor (Escala Visual Analógica)
e colocada em ventilação mecânica controlada. Apos 5
em horários fixos (8hs; 13hs; 19hs; 22hs e madrugada),
minutos paciente evolui para atividade elétrica sem pulso
estando a equipe de anestesiologia, em todo momento,
procedendo-se com manobras de ressucitção cardio-
disponível e alcançável. RESULTADO: As estatísticas re-
pulmonar sem resposta. DISCUSSÃO: Apesar de uma
velaram que a intensidade de dor nos dias 1 (Madrugada);
quadro raro o resultado é catastófrico sendo necessário
2 (horários: 8hs; 13hs; 19hs; 22hs; Madrugada); 3 (horá-
medidas imediatas para diminuição da morbimortalidade.
rios: 8hs; 13hs; 19hs; 22hs; Madrugada) está associada ao
A valorização precoce desses sinais nos ajuda na tomada
uso de cateter. CONCLUSÃO: O bloqueio interescalênico
de medidas mais efetivas para manejo do quadro já que
contínuo produz analgesia superior às outras técnicas e
o mesmo se da na maioria em pacientes idosos e outras
menor consumo de opióides. REFERÊNCIA: A. Borgeat
comorbidades. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: 01.
and G. Ekatodramis, “Anaesthesia for shoulder surgery,”
Stricker K, Orler R, Yen K et al - Severe hypercapnia due
Best Practice and Research, vol. 16, no. 2, pp. 211–225,
to pulmonary embolism of polymethylmethacrylate during
2002. Ootaki C, Hayashi H, Amano M. Ultrasound guided
vertebroplasty. Anesth Analg, 2004;98:1184-1186; 02. Fi-
infraclavicular brachial plexus block: an alternative techni-
lomeno L, Carelli C, Silva N, Et al. Embolia gordurosa:
que to anatomical landmark-guided approaches. Regional
uma revisão para a prática ortopédica atual, Acta ortop.
Anesthesia and Pain Medicine 2000; 25: 600–4.
bras. v.13 n.4 São Paulo 2005.

80 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


MANEJO ANESTÉSICO EM PACIENTE PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA DEVIDO O
TESTEMUNHA DE JEOVÁ VÍTIMA USO DE METILMETACRILATO EM CIRURGIA
DE TRAUMA RAQUIMEDULAR: UMA DE ARTROPLASTIA TOTAL DE JOELHO SOB
ESTRATÉGIA SEGURA? RELATO DE CASO. ANESTESIA GERAL.
AUTORES: AUTORES:
Fabricio Azevedo Cardoso, Ismael Borges Moraes, Vanessa Rebeca Santiago Duarte, João Manoel da Silva Junior, Joel
Montervinos Aragão, Flávio Elias Callil, Tálita Dantas Barbo- Massari Rezende, José Luiz Raposeiras Alvarez, Giulliano
sa*, Juliana Silveira Carreira. Peixoto Gonçalves, Guilherme de Holanda Cota*.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital Geral de Nova Iguaçu. Hospital Servidor Publico Estadual de São Paulo - Iamspe.
INTRODUÇÃO: A realização de uma cirurgia de grande INTRODUÇÃO: O uso do metilmetacrilato é comum em or-
porte em paciente testemunha de Jeová é sempre um de- topedia para cimentação óssea principalmente em cirurgias
safio para o anestesiologista devido a não aceitação de de quadril, porem vários casos de choque circulatório são
transfusão sanguínea, se necessário. O objetivo deste re- relatados. Descrevemos um caso de complicação grave
lato é apresentar um caso de um paciente Testemunha de em cirurgia de artroplastia total de joelho sob anestesia
Jeová submetido a uma cirurgia de artrodese lombar por geral. RELATO DO CASO: Paciente Z.A.B.C., feminino, 73
trauma em 3 níveis , descrevendo as condutas periopera- anos, apresentava fratura traumática, sendo submetida a
tórias que possibilitaram a não hemotransfusão. RELATO artroplastia total do joelho. Estado físico PS3 (HAS, IAM
DE CASO: Paciente masculino, 46 anos, 60 Kg, ASA PI, antero-septal há 12 anos tratado com implante de stent,
Testemunha de Jeová, internado por fratura de vértebras ICC compensada, DPOC, dislipidemia, ex-tabagista há
toracolombares após queda do andaime, apresentando 12 anos), antecedente de cirurgia de aneurisma de aorta
clinicamente paraplegia e incompetência miccional. Foi abdominal infra-renal e ilíacas e osteossíntese de fêmur
programada cirurgia de artrodese de coluna lombar em 3 bilateral. Ao exame clínico apresentava-se em bom estado
níveis. O hematócrito de admissão no nosocômio era de geral, com exames laboratoriais normais, ECG com sinais
37%. O pré operatório cursou com uso de sulfato ferroso de sobrecarga de ventrículo esquerdo e zona inativa de V1
e eritropoetina por 30 dias, aumentando o hematócrito a V4, ECO com força global preservada e FE 53%. Optou-se
para 55,7%. O per-operatório teve como pontos chave: pela anestesia geral balanceada como técnica anestésica.
cell saver, hipotensão permissiva e controle estrito da A paciente foi aquecida com manta térmica, submetida a
hidratação. Foi realizada anestesia geral balanceada com venóclise periférica, monitorizada com termômetro, oxime-
indução convencional e manutenção com sevoflurano, tria de pulso, capnografia, cardioscopia e pressão arterial
remifentanil e rocurônio. O paciente manteve-se estável invasiva. Sinais vitais iniciais: PAM: 80mmHg, Fc: 75bpm,
durante o per-operatório. Foi encaminhado ao CTI, com Sp02: 97% em ar ambiente, prosseguiu-se a indução veno-
escala de Aldrete 10 e após 06 e 18 horas de cirurgia, sa com fentanil 3mcg/kg, lidocaína sem vasopressor 1mg/
os valores do hematócrito eram de 48,9% e 49,6%, kg, etomidato 0,2mg/kg e atracúrio 0,5mg/kg, laringoscopia
respectivamente. DISCUSSÃO: O planejamento prévio sob visão direta Cormack-Lehane 1, intubada com sonda
do anestesiologista permite a realização de cirurgia de orotraqueal nº 7,0 com balonete, ventilada sob modo con-
grande porte em paciente testemunha de Jeová, sem a trolado a volume com volume corrente de 8mL/kg, Fr 12
necessidade de transfusão sanguínea. Nesse caso, foi irpm, PEEP: 5 cmH20 e FiO2: 60%. A manutenção da anes-
utilizado a reposição com sulfato ferroso associado a eri- tesia foi com sevoflurano. Transcorreu a cirurgia mantendo
tropoetina para otimização da massa globular no período estável a hemodinâmica, transcorridas 2 horas e 30 minu-
pré-operatório. O controle da hidratação, a hipotensão tos do procedimento, imediatamente após o implante do
permissiva e o cell saver, manteve a estabilidade hemo- cimento ósseo, apresentou diminuição acentuada da PAM,
dinâmica durante todo período per-operatório, o que FC e ETCO2, sendo então identificada a PCR em AESP,
permitiu, sobretudo, respeitar a autonomia do paciente. foram então administradas drogas vasoativas e realizadas
REFERÊNCIA: 1- Vane LA, Potério G.M.B, Braz L.G San- manobras de RCP, obtendo-se sucesso após 15 minutos.
gue e Soluções carregadoras de oxigênio In: Cangiani Durante realização de cateterismo da veia jugular interna
L.M., Slulitel A, Potério G.M.B et al. Tratado de anestesio- direita sob técnica de Seldinger, a paciente apresenta nova
logia SAESP. 7 ed. São Paulo, Atheneu, 2011; 1225-1241. PCR em AESP, sendo novamente realizadas manobras de
2- Morgan Jr. G.E.; Mikhail, M.S.; Murray, M.J.. Controle RCP, obtendo-se sucesso após 5 minutos. A paciente foi
Hídrico e Transfusão. Anestesiologia Clínica - 4ª ed. Rio encaminhada intubada, instável hemodinamicamente, com
de Janeiro, Editora Revinter 2010; 616-631. uso de drogas vasoativas à unidade de terapia intensiva
com PAM de 60 mmHg e FC 125bpm, permanecendo in-
tubada e em uso de drogas vasoativas até 6º DPO, insta-
bilizando no 7º DPO e evoluindo a óbito. DISCUSSÃO: A
etiologia detalhada das complicações associados com este
procedimento é desconhecida. Embolia gordurosa e medu-
lar, os efeitos de vasodilatação periférica pelos monômeros
do cimento liberados na circulação e ativação da cascata
de coagulação nos pulmões podem estar envolvidos. As
melhores compreensões destes eventos podem ajudar no
melhor preparo anestésico cirúrgico evitando graves com-
plicações. REFERÊNCIA: Burgess DM. Cardiac arrest and
bone cement (letter). Br Med J 1970; 3:588.

Temas Livres CBA 2014 | 81


PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO APÓS TRATAMENTO CIRÚRGICO DE ESCOLIOSE
ARTROSCOPIA DE OMBRO: RELATO DE GRAVE EM PACIENTE COM PARALISIA
CASO. CEREBRAL.
AUTORES: AUTORES:
Bruno Oliveira *, Mariana Miranda de Almeida , Marco Auré- Paulo Sérgio Mateus Marcelino Serzedo, Thiago de Freitas
lio Soares Amorim , Denismar Borges de Miranda , Marcelo Gomes, Fernanda Erlo Ribeiro*, Juliana Santos Vieira da
Marçal Vieira Júnior , Dailson Mamede Bezerra . Fonseca, Luiza Rodrigues Cucco.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Clínica de Anestesiologia Ribeirão Preto.
INTRODUÇÃO: cirurgias artroscópicas do ombro tornam- INTRODUÇÃO A paralisia cerebral (PC) é uma doença en-
-se cada vez mais comuns na prática atual. Embora a se- cefálica não progressiva, causada por uma lesão no cérebro
gurança do procedimento esteja muito bem estabelecida, nos primeiros estágios do seu desenvolvimento, resultando
há relatos na literatura da presença de complicações gerais em uma seqüela motora permanente. A deformidade verte-
(infecção, tromboembolismo e pneumotórax), específicas bral em pacientes com PC é de causa multifatorial. Cerca
da artroscopia (relacionadas ao posicionamento) e da técni- de 20% a 25% dos casos de PC apresentam deformidades
ca cirúrgica (instabilidade articular). Objetivou relatar o caso vertebrais, estas quando não tratadas resultam em curvas
de um paciente submetido a artroscopia de ombro sob de grandes magnitudes acompanhadas de obliqüidade pél-
anestesia geral que cursou com pneumotórax hipertensivo vica e complicações clínicas. RELATO DE CASO: Paciente
no pós operatório. RELATO DE CASO: masculino, 63 anos, feminina, 11 anos, 21 kg, 1,30m, estado físico ASA 3, sub-
84 kg, ASA I, sem uso de medicação, negava tabagismo, metida à cirurgia para correção de escoliose grave. Apre-
com apendicectomia prévia sem intercorrências. Exame senta como história prévia parada cardiorrespiratória (PCR)
físico e laboratoriais normais; via aérea sem preditores de devido a choque séptico na primeira infância, evoluindo
dificuldade. Submetido a artroscopia de ombro direito para com seqüela neurológica (PC). Devido ao quadro neurológi-
correção de ruptura de manguito rotador e acromioplastia. co evoluiu com pneumonias de repetição, atrofia de MMSS
Monitorizado com ECG, PANI, SpO2 e ETCO2 após ventila- e MMII e escoliose grave. Apresentava história de possível
ção artificial. Submetido a anestesia geral com fentanil (200 via aérea difícil, devido à limitação de movimentação cervi-
mcg), lidocaína (80 mg), propofol (160 mg) e cisatracúrio (10 cal e abertura bucal. em sala cirúrgica realizada monitori-
mg). Realizado IOT com cânula nº. 8,5 com cuff e iniciado zação padrão, venóclise em MSE com cateter 24G, sinais
ventilação mecânica modo VCV (VC= 600 ml, FR: 12 ipm, vitais inicias PA 110/70 mmHg, FC 100 bpm e saturação de
PEEP: 4 mmHg e Plimit: 30 mmHg). Manutenção com sevo- 92% com esforço respiratório. Induzida anestesia venosa
flurano (2-3%). Realizado bloqueio de plexo braquial por via utilizando sufentanil 1mcg/kg, propofol (180mcg/kg/min) e
interescalênica guiado por USG com administração de ropi- rocurônio 0,6 mg/kg, prodecede-se a IOT sem intercorrên-
vacaína 0,5% (20 ml). Profilaxia de náuseas e vômitos com cias. Manutenção da anestesia com propofol (180mcg/kg/
dexametasona (4 mg) e ondansetrona (4 mg). Cirurgia sem min) e remifentanil (02mcg/kg/min). Após indução foi reali-
intercorrências com duração de 90 minutos. Reversão do zada punção de artéria femoral E e de veia jugular interna
bloqueio neuromuscular com retorno da ventilação espon- D com ultrassom. A fixação da coluna transcorreu sem
tânea. Extubação sem intercorrências. Alta da sala de recu- intercorrências, e teve duração de 4 horas, sendo todo ele
peração pós anestésica uma hora após término da cirurgia realizado com monitorização neurofisiológica somato-sen-
com Aldrete-Kroulik 10. Seis horas após o procedimento sorial. Ao final do procedimento procedeu-se a extubação
evoluiu com vômitos incoercíveis, acompanhado de enfise- orotraqueal sem intercorrências com a paciente acordada,
ma subcutâneo importante (tórax, dorso, ombros, pescoço mantendo ventilação espontânea sem esforço respiratório
e face) que aumentava progressivamente e dificuldade res- e saturação de 99%. A paciente foi encaminhada à UTI
piratória. Submetido a raio-x de tórax inconclusivo e TC de acordada e estável hemodinamicamente. Recebendo alta
tórax que evidenciou pneumotórax hipertensivo. Realizado da UTI no 2°PO e alta hospitalar no 4°PO. DISCUSSÃO: A
drenagem torácica de emergência com posterior melhora artrodese de coluna é indicada nos pacientes com curvas
do quadro. Alta no terceiro dia pós operatório com raio-x de progressivas, de grande magnitude ou quando há perda
controle normal. DISCUSSÃO: pneumotórax hipertensivo do balanço sagital e/ou coronal. O objetivo do tratamento
após artroscopia de ombro é considerado uma complicação é melhorar a qualidade de vida, o posicionamento sentado
grave e rara, podendo estar associado a ruptura de bolhas e as atividades diárias. É importante saber que crianças
pulmonares, história de tabagismo, asma grave ou história com PC necessitam de atenção especial em virtude dos
de doença pulmonar subjacente. Apesar deste caso des- comprometimentos de múltiplos sistemas. Assim, o anes-
crever um início tardio para o pneumotórax (provavelmente tesiologista desempenha um papel importante na redução
devido vazamento lento agravado pelos vômitos), seu surgi- da morbidade e da mortalidade anestesio-cirúrgico em pa-
mento pode ocorrer no transoperatório e na SRPA. O diag- cientes com PC. O conhecimento da fisiopatologia dos dife-
nóstico foi confirmado por exames de imagem uma vez que rentes tipos de PC bem como das doenças associadas é de
o paciente apresentava importante enfisema subcutâneo e fundamental importância, pois permite ao anestesiologista
estabilidade hemodinâmica. O anestesiologista deve estar antecipar e prevenir complicações intra e pós-operatórias
atento a potenciais complicações da artroscopia de ombro nesses pacientes. REFERÊNCIA: Tyba KQ, Cavali PTM,
com alto índice de suspeição para as mesmas, visto que Santos MAM. Tratamento da escoliose em crianças com
estas podem aumentar a morbimortalidade. REFERÊNCIA: paralisia cerebral utilizando a prótese vertical expansível de
Noud PH, Esch J. Complications of arthroscopic shoulder titânio para costela. Columna; 2011; 10(4): 317-20 Maranhão
surgery. Sports Med Arthrosc Rev. 2013;21:89–96. MVM. Anestesia e Paralisia Cerebral. Rev Bras Anestesiolo-
gia; 2005; 55: 6: 680-702.

82 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


TRATAMENTO CIRÚRGICO DE ESCOLIOSE TROMBOEMBOLISMO PULMONAR EM PÓS
GRAVE EM PACIENTE COM PARALISIA OPERATÓRIO DE ARTROPLASTIA TOTAL DE
CEREBRAL. QUADRIL: RELATO DE CASO.
AUTORES: AUTORES:
Juliana Santos Vieira da Fonseca, Fernanda Erlo Ribeiro*, Renata Reis de Almeida, Jedson dos Santos Nascimento,
Thiago de Freitas Gomes, Paulo Sérgio Mateus Marcelino Franklin Silva de Novais*.
Serzedo, Luiza Rodrigues Cucco.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Santa Casa de Misericórdia da Bahia, Praça Conselheiro
Clínica de Anestesiologia Ribeirão Preto. Almeida Couto, n. 500, Salvador-BA.
INTRODUÇÃO A paralisia cerebral (PC) é uma doença en- INTRODUÇÃO: Tromboembolismo pulmonar (TEP) con-
cefálica não progressiva, causada por uma lesão no cérebro siste em importante causa de morte hospitalar prevenível.
nos primeiros estágios do seu desenvolvimento, resultando Estratégias de prevenção constituem a principal ferramenta
em uma seqüela motora permanente. A deformidade verte- para a segurança dos pacientes internados. A atenção a
bral em pacientes com PC é de causa multifatorial. Cerca pacientes idosos submetidos à cirurgia ortopédica, par-
de 20% a 25% dos casos de PC apresentam deformidades ticularmente os que necessitam de cirurgia de urgência,
vertebrais, estas quando não tratadas resultam em curvas deve considerar a análise da capacidade física e de riscos
de grandes magnitudes acompanhadas de obliqüidade pél- específicos, na tentativa de reduzir desfechos negativos.
vica e complicações clínicas. RELATO DE CASO: Paciente RELATO DE CASO: Paciente masculino, 86 anos de idade,
feminina, 11 anos, 21 kg, 1,30m, estado físico ASA 3, sub- etilista crônico, sem outras comorbidades, independente
metida à cirurgia para correção de escoliose grave. Apre- para atividades de vida diária, classe funcional de acordo
senta como história prévia parada cardiorrespiratória (PCR) com as necessidades metabólicas de 4 METs. Apresentou
devido a choque séptico na primeira infância, evoluindo fratura de colo do fêmur à direita, após queda de bicicleta,
com seqüela neurológica (PC). Devido ao quadro neurológi- sendo submetido a artroplastia total de quadril, 96 horas
co evoluiu com pneumonias de repetição, atrofia de MMSS após evento. O procedimento cirúrgico, realizado sob ra-
e MMII e escoliose grave. Apresentava história de possível quianestesia, transcorreu sem intercorrências. Admitido em
via aérea difícil, devido à limitação de movimentação cervi- UTI cirúrgica no pós operatório imediato sem déficits perfu-
cal e abertura bucal. em sala cirúrgica realizada monitori- sionais aparentes, evoluiu na primeira hora após a admissão
zação padrão, venóclise em MSE com cateter 24G, sinais com hipotensão. Monitorizado débito cardíaco com Flotrac/
vitais inicias PA 110/70 mmHg, FC 100 bpm e saturação de Vigileo e por não ser responsivo às provas volumétricas, foi
92% com esforço respiratório. Induzida anestesia venosa introduzido vasopressor, com evolução insatisfatória. Cur-
utilizando sufentanil 1mcg/kg, propofol (180mcg/kg/min) e sou com alteração dos marcadores de necrose miocárdica e
rocurônio 0,6 mg/kg, prodecede-se a IOT sem intercorrên- disfunção sistólica importante de ventrículo direito (VD), por
cias. Manutenção da anestesia com propofol (180mcg/kg/ provável sobrecarga pressórica aguda; o ecocardiograma
min) e remifentanil (02mcg/kg/min). Após indução foi reali- transtorácico (ECOTT) evidenciou PSAP 72mmHg e sinal de
zada punção de artéria femoral E e de veia jugular interna McConnell, sendo diagnosticado TEP sub-maciço. ECG e
D com ultrassom. A fixação da coluna transcorreu sem duplex scan de membros inferiores sem alterações. Optado
intercorrências, e teve duração de 4 horas, sendo todo ele por tratamento conservador através de anticoagulacão ple-
realizado com monitorização neurofisiológica somato-sen- na com heparina não fracionada (HNF), devido ao risco de
sorial. Ao final do procedimento procedeu-se a extubação sangramento do sítio cirúrgico. Realizado novo ECOTT, de
orotraqueal sem intercorrências com a paciente acordada, caráter prognóstico, 96 horas após o diagnóstico de TEP,
mantendo ventilação espontânea sem esforço respiratório que não exibiu hipertensão pulmonar e mostrou bom fun-
e saturação de 99%. A paciente foi encaminhada à UTI cionamento de VD. DISCUSSÃO: Frente ao risco de even-
acordada e estável hemodinamicamente. Recebendo alta tos tromboembólicos potencialmente fatais, no contexto da
da UTI no 2°PO e alta hospitalar no 4°PO. DISCUSSÃO: A cirurgia ortopédica, a tromboprofilaxia pode representar um
artrodese de coluna é indicada nos pacientes com curvas grande benefício, particularmente nos paciente submetidos
progressivas, de grande magnitude ou quando há perda a artroplastia em membros inferiores. É importante enfatizar
do balanço sagital e/ou coronal. O objetivo do tratamento que as medidas preventivas contrariam as diversas fases
é melhorar a qualidade de vida, o posicionamento sentado de desenvolvimento, propagação e embolização de trom-
e as atividades diárias. É importante saber que crianças bos venosos. em função disto, novas discussões e estudos
com PC necessitam de atenção especial em virtude dos sobre anticoagulação devem ser realizados. REFERÊNCIA:
comprometimentos de múltiplos sistemas. Assim, o anes- Falck-Ytter, Y, Francis CW, Johanson, NA. Prevention of VTE
tesiologista desempenha um papel importante na redução in Orthopedic Surgery Patients. Chest, 2012, 141/2:E278s-
da morbidade e da mortalidade anestesio-cirúrgico em pa- -325s Vitterbo, JF, Tavares, MJ. Profilaxia e tratamento da
cientes com PC. O conhecimento da fisiopatologia dos dife- trombo-embolia pulmonar per-operatória. Acta Med Port,
rentes tipos de PC bem como das doenças associadas é de 2005,18:209-220.
fundamental importância, pois permite ao anestesiologista
antecipar e prevenir complicações intra e pós-operatórias
nesses pacientes. REFERÊNCIA: Tyba KQ, Cavali PTM,
Santos MAM. Tratamento da escoliose em crianças com
paralisia cerebral utilizando a prótese vertical expansível de
titânio para costela. Columna; 2011; 10(4): 317-20 Maranhão
MVM. Anestesia e Paralisia Cerebral. Rev Bras Anestesiolo-
gia; 2005; 55: 6: 680-702.

Temas Livres CBA 2014 | 83


USO DE ANESTESIA REGIONAL GUIADA POR USO DE AUTO-HEMOTRANSFUSÃO EM AR-
ULTRASSOM EM PACIENTE COM ALERGIA TRODESE DE COLUNA.
AO LÁTEX.
AUTORES:
AUTORES: Gustavo Henrique Silva*, Renato Tartaglia, Roberta Carolina
Lauro Yoiti Marubayashi, Adonai Manzella, Francisco Jose Nogueira Costa Lanna, André Cançado Fróis, Bruno Carva-
Lucena Bezerra, Giulliano Peixoto Gonçalves, Guilherme de lho Cunha de Leão.
Holanda Cota*, João Manoel da Silva Junior.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Hospital João XXIII - Belo Horizonte / MG
Hospital Servidor Publico Estadual de São Paulo - Iamspe. INTRODUÇÃO: O uso da auto-hemotransfusão tem se
INTRODUÇÃO: Paciente com múltiplas alergias e alergia tornado um importante método para reduzir a necessidade
ao látex representam um grande desafio para o aneste- de transfusão de sangue alogênico e suas complicações
sista devido ao risco de desenvolver anafilaxia. Minimizar associadas. Demonstrou ser segura e eficaz na redução da
a quantidade de medicamentos administrados durante a necessidade de transfusão de sangue alogênico em cirur-
anestesia e ao mesmo tempo oferecer segurança e con- gias eletivas, com evidências mais fortes em cirurgias cardí-
forto ao paciente são metas que necessitam serem alcan- acas e ortopédicas. Relato de Caso: RBF, feminina, 51 anos,
çadas. RELATO DO CASO: Paciente E.M.F, feminino, 58 previamente hígida, testemunha de Jeová. Vítima de capo-
anos, PS2 (hipertensão arterial sistêmica) com histórico de tamento de ônibus, socorrida pelo Corpo de Bombeiros e
alergia a iodo, anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) transportada ao hospital. Realizado TC de coluna torácica:
e látex. Paciente apresentava lesão de manguito rotador fratura de corpo vertebral com fragmento ântero-superior
tendo que ser submetida à artroscopia de ombro direito. de T6 associada a fratura de processo transverso a direita
Devido ao histórico alérgico, foi optado pela realização do neste nível e processo espinhoso em T5. RNM: contusão
bloqueio interescalênico com ultrassom como única técnica medular em T5-T6, com compressão medular anterior e
anestésica. Após monitorização e sedação com midazolam lesão de processo ligamentar posterior. Definida necessi-
e fentanil de acordo com a escala de sedação RASS, a dade de artrodese de coluna torácica de urgência. Paciente
paciente foi posicionada para a realização do bloqueio do assina termo autorizando hemotransfusão em caso de ex-
plexo braquial (interescalênico) guiado por ultrassom, foi trema necessidade. Hb no pré-operatório imediato: 8,3mg/
administrado 20 mL de Ropivacaína 0,75% e em seguida dl. Dados clínicos iniciais: PA 155x90 mmHg, FC 70 bpm,
iniciou-se sedação com dexmedetomidina 1 mcg/kg/min Sat O2 95% em ar ambiente. Submetida a artrodese de co-
por 10 minutos e depois 0,5 mcg/kg/min até o fim do ato luna torácica sob anestesia venosa total. Montado kit para
cirúrgico. Após confirmação sensorial e motor para insta- auto-hemotransfusão com coleta de sangue do campo
lação do bloqueio, a paciente foi posicionada em cadeira cirúrgico. Ato transcorreu sem intercorrências, duração 7
de praia para inicio do procedimento. A cirurgia teve uma horas, paciente evoluiu hemodinâmicamente estável, rea-
duração de uma hora e quinze minutos sem queixas álgicas lizado gasometria arterial seriada, cálculos de hematócrito
e a primeira queixa de dor pós-operatória aconteceu após alvo desejado, sem necessidade de transfusão de sangue
14h do inicio do bloqueio. A paciente recebeu alta hospitalar heterólogo. Hb no pós-operatório imediato: 7,5mg/dl. Trans-
na manhã seguinte ao procedimento sem intercorrências. ferida à UTI, recebeu alta no dia seguinte, alta hospitalar
CONCLUSÃO: O uso de técnicas de anestesia regional no 5o dia pós-operatório, sem intercorrências, com segui-
guiada por ultrassom representam uma alternativa segura mento ambulatorial. DISCUSSÃO: Grandes cirurgias de
e confortável para pacientes com múltiplas alergias e aler- urgência, muitas vezes com necessidade de hemotransfu-
gia ao látex fornecendo anestesia para o intra-operatório são, em pacientes testemunha de Jeová, podem ocorrer em
e analgesia no pós-operatório. REFERÊNCIA: Allarcon JB, qualquer pronto atendimento do país. Os anestesiologistas
Malito M, Linde H et al. Latex Allergy. Rev Bras Anestesio- devem estar preparados e ter opções para o manejo de tais
logia. 2003;53:150-158. Hamaji A, Takata EY, Hanaji MWM pacientes, sem ferir seus preceitos religiosos, na medida
et al. Bloqueio do plexo braquial. In: Carneiro AF, Valverde do possível. A auto-hemotransfusão é uma opção nesses
Filho J, Auler Junior JOC et al. Anestesia Regional. Barueri, casos, deve ser considerada em todos os casos onde se
Manole, 2010; 207-28. espere perda sanguínea significativa, nos casos em que
os pacientes recusem hemoderivados alogênicos ou nos
pacientes previamente anêmicos. O uso prolongado da
auto-hemotransfusão pode ser associado a diluição dos fa-
tores de coagulação e trombocitopenia, é necessário uma
monitorização laboratorial cuidadosa destes pacientes.
REFERÊNCIA: 1- Ashworth A, Klein AA, Cell salvage as part
of a blood conservation strategy in anaesthesia, Br. J. Ana-
esth. (2010)105(4):401-416 2- Duffy G,Neal KR. Differences
in post-operative infection rates between patients receiving
autologous and allogenic blood transfusion: a meta-analy-
sis of published randomized and nonrandomized studies.
Transfus Med 1996;6:325-8

84 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA EM CRIANÇA COM
Anestesia em ABSCESSO PARAFARÍNGEO APÓS
Otorrinolaringologia ADENOAMIGDALECTOMIA: RELATO DE
CASO.
AUTORES:
ADENOAMIGDALECTOMIA EM PACIENTE Dailson Mamede Bezerra , Nicoli Brandalise Stubs , Mariana
PEDIÁTRICO PORTADOR DE SÍNDROME DE Miranda de Almeida *, Marco Aurélio Soares Amorim , De-
APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO – RELATO nismar Borges de Miranda , Magda Maria Matheus Vieira .
DE CASO.
INSTITUIÇÃO:
AUTORES: Hospital Santa Casa de Misericórdia de Goiânia.
José Maurício Pereira Assef, Nelson Unzer dos Santos Filho*,
Andreza Carvalho Ribeiro, Teófilo Augusto Araújo Tiradentes. INTRODUÇÃO: massas cervicais volumosas (cistos ou
abscessos) distorcendo a anatomia da via aérea no pós
INSTITUIÇÃO: operatório de adenoamigdalectomia é evento raro que
CET/SBA/MEC da Santa Casa de Marília - SP. apresenta alta morbimortalidade. O planejamento anesté-
sico requer cuidadosa abordagem a via aérea, em especial
INTRODUÇÃO: A Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono
na população pediátrica. Objetivou relatar manejo anesté-
(SAOS) é um distúrbio intrínseco do sono c/ episódios repetidos
sico em criança com abscesso cervical parafaríngeo após
de obstrução das vias aéreas superiores c/ queda na sat O2. A
adenoamigdalectomia. Relato de Caso: masculino, 6 anos,
prevalência nas crianças é de 0,7-3% O pico é nos pré-escola-
20 kg, ASA I, sem preditores de via aérea difícil, admitido
res, aonde é mais comum a obstrução das vias aéreas superio-
para cirurgia de adenoamigdalectomia, que transcorreu
res por hipertrofia das tonsilas palatinas ou adenoide. Quando
sem intercorrências, com alta no segundo dia pós opera-
submetidos a anest. geral podem apresentar problemas tanto
tório. Foi internado novamente no quinto dia pós operatório
na indução e também na extubação. RELATO DE CASO: Pac,
com quadro de febre (38º C) intermitente, odinofagia, dis-
masc, 02 anos, 14 Kgs. Programado p/ adenoamigdalectomia
fagia, hiporexia e ao exame, presença de massa cervical
sob anest geral. Na APA, sem relato de cirurgias prévias, uso de
dolorosa a direita. A tomografia computadorizada cervical
medicamentos ou alergias. Passado de SAOS, c/roncos e cia-
evidenciou massa cística sugestiva de abscesso parafarí-
nose esporádica. Boas abertura de boca e mobilidade cervical.
geo direito, estendendo-se do palato mole até o limite in-
Monitorização habitual. Indução anest. c/ atropina 0,1 mg, fen-
ferior da orofaringe. Encaminhada ao centro cirúrgico para
tanil 10 mcg, lidocaína sem vaso 10 mg, propofol 30mg, e suc-
exérese de urgência da lesão, após seis horas de jejum.
cinilcolina 20 mg. Laringoscopia e IOT c/ cânula n0 3,5. Feitos
Após monitorização (ECG, PANI, SpO2 e ETCO2) e pré
pancurônio 0,8 mg, ranitidina 10 mg e dexametasona 01 mg. No
oxigenação realizou-se indução inalatória em ventilação
inicio PA 80/50, FC 140 bpm, FR 15 ipm, StO2 100%, ETCO2 35
espontânea com sevoflurano 8%, reduzido para 4% após
mmHg. Manut anest. c/ sevoflurano, e oxigênio/N2O(50%/50%).
perda da consciência. Após acesso venoso, cuidadosa la-
Cirurgia e anest. sem problemas. Feitos dipirona 300 mg, mor-
ringoscopia evidenciou boa visualização da glote e cordas
fina 01 mg e ondasentrona 04 mg. Feitos tb/ atropina 0,1 mg
vocais (Cormack-Lehane II). Aprofundou-se o plano anesté-
e neostigmine 0,2 mg. Respiração espontânea,c/ incursões
sico com fentanil (50 mcg) e propofol (60 mg). Realizado IOT
respiratórias assincrônicas e curtas, oscilando com pausas res-
com cânula nº. 5.0 com cuff, sem intercorrências. Exérese
piratórias longas e queda da sat O2. Ventilado manualmente por
do cisto feita por abordagem transcervical em 90 minutos,
20 minutos, c/ incursões resp estáveis. Extubado, apresentou
sem complicações. Alta no quarto dia pós operatório. His-
nova queda na sat O2. Entub novamente, ventil manualmente
topatológico revelou restos de tecidos tonsilares e linfo-
com melhora da sat O2. Optou-se pela UTI, Na UTI, o pac man-
nodais. DISCUSSÃO: a técnica padrão ouro para manejo
teve-se estável hemodinamicamente, c/ sedação de midazolan
de via aérea difícil recai sobre a fibroscopia com paciente
e fentanil. Na UTI passou a apresentar ventilação espontanea e
acordado, não possível neste paciente pela ausência de co-
foi extubado c/ quadro estavel cerca de 24 horas apos o termi-
operação devido à idade. Apesar da urgência em eliminar o
no da cirurgia. Antes desta houve 01 tentativa de extubação c/
foco infeccioso, o jejum pode ser completado neste caso,
quadro clinico igual ao do termino da cirurgia. DISCUSSÃO: A
minimizando o risco de broncoaspiração durante a indução.
prevalência de SAOS nas crianças varia de 0,7-3%. O pico de
A opção pela indução inalatória, sob ventilação espontânea,
incidência é nos pré-escolares. O quadro clínico envolve ronco
permitiu estratificação da classificação de Cormack-Lehane
habitual (> 4 vezes na semana), apneias observadas pelos fa-
antes de aprofundar o plano anestésico, conferindo maior
miliares e ou sono agitado. Podem aparecer HAS e IC direita e
segurança quanto sucesso na IOT. A aplicação de técnica
cor pulmonale. O diagnóstico envolve anamnese, exame físico
em sequência rápida modificada, sem aplicar Sellick, seria
e a polissonografia. A adenoamigdalectomia permite a cura da
outra conduta factível. em casos como esse, onde o risco
SAOS em 75-100% das crianças c/ hipertrofia adenotonsilar. A
da aspiração não pode ser totalmente eliminado, sugere-se
SAOS aumenta as complic no pós operatório imediato. Estas
sempre individualizar a conduta pesando riscos e benefí-
incluem edema pulmonar e insuf respiratória secundária à obs-
cios. REFERÊNCIA: Meier JD, Grimmer JF. Evaluation and
trução das vias aéreas sup, e exigem cuidados PO. As cirurgias
management of neck masses in children. American Family
devem ser feitas em hospitais aparelhados e providos de UTI.
Physician. 2014. 89(5):353-8. Glynn F, Skinner LJ, Riley N, et
em casos de insuf resp. aguda no pós-operatório, o uso de
al. Parapharyngeal abscess in an insulin dependant diabetic
CPAP ou de BiPAP podem ser úteis na prevenção de reintu-
patient following an elective tonsillectomy. The Journal of
bação. REFERÊNCIA: 1Balbani A.P.S; Weber S.A.T; Montovani
Laryngology & Otology. 2007;16(1):1-3.
J.C; Atualização em Síndrome da Apnéia do Sono na infância;
Rev. Bras. Otorrinolaringol., v.71, nº 1, pag 74-80, jan/fev. 2005;
2-Fagondes S.C; Moreira G.A; Apnéia Obstrutiva do Sono em
crianças, J. Bras. Pneumol., A. 36(2), pag. 57-60, 2010.

Temas Livres CBA 2014 | 85


ANESTESIA PARA EXCISÃO CIRÚRGICA DE ENFISEMA SUBCUTÂNEO DURANTE
ANGIOFIBROMA NASOFARÍNGEO: RELATO SEPTOPLASTIA.
DE CASO
AUTORES:
AUTORES: Felipe Facundo, Giovanna Regina Puttini Cassavia*, Alexan-
Anderson de Moura*, Marcio Natter, Scheila Muriel Wendler, dra Ferreira, Davide Ferez, Manuela Veras, Sergio Stanicia.
Joana Avila Cardoso, Estela Irene Bortoli.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Hospital Benficência Portuguesa.
Serviço de Anestesiologia de Joinville - SAJ. INTRODUÇÃO: A septoplastia é uma das mais comuns
INTRODUÇÃO: O angiofibroma nasofaríngeo é um tumor operações otorrinolaringológicas. em muitos casos, os pa-
raro, benigno, de comportamento agressivo, com gran- cientes não têm nenhuma causa óbvia para o seu desvio
de risco de sangramento durante a cirurgia. O risco de de septo. A septoplastia é realizada como um procedimen-
sangramento é um grande desafio, pelas próprias carac- to aberto, mas a via endoscópica vem ganhando muitos
terísticas histológicas do tumor e pelas estruturas por ele adeptos. As complicações após septoplastias sangramen-
invadidas. O uso de ácido tranexâmico, cefaloaclive e hi- to, rinorréia de fluido cérebro espinhal por lesão do osso
potensão controlada foram condutas anestésicas utiliza- etmóide, perfuração e choque séptico. RELATO DE CASO:
das para reduzir os riscos de sangramento. RELATO DE Paciente feminino, 27 anos, ASA1. Cirurgia proposta: Sep-
CASO: Paciento do sexo masculino, 14 anos, estado físi- toplastia, Turbinectomia e Adenoamigdalectomia. Anes-
co ASA I, com história de epistaxe recorrente e obstrução tesia geral com isoflurano e remifentanil e atracúrio, sem
nasal. À tomografia computadorizada: nasoangiofibroma intercorrências. Anestesiologista foi chamado a recupera-
de grande volume na parede posterior da rinofaringe. Em- ção pós-anestésica pois a paciente após nausear começou
bolização endovascular do tumor 3 dias antes da cirurgia. a apresentar inchaço na face direita. Observou-se volume
Monitorização: cardioscopia, oximetria de pulso, pressão hemifacial a direita com crepitação. Diagnosticou-se en-
arterial invasiva, FeCO2, analisador de gases, BIS, tem- fisema subcutâneo na face direita. Realizado Rx de tórax
peratura esofágica e diurese. Indução anestésica: sufen- que não evidenciou anormalidade e tomografia de crâneo
tanil, propofol, lidocaíca e rocurônio. Manutenção com e face que evidenciou enfisema de face que percorria até
sufentanil e sevoflurano. Puncionou-se a veia subclávia o mediastino anterior e lesão de mucosa na rinofaringe.
direita e venóclise com cateter 16G. Colchão térmico e DISCUSSÃO: Nas perfurações do septo nasal, a maioria
cristalóides aquecidos. Administrado clonidina em bolus dos pacientes são assintomáticos. A ausência de sintomas
fracionado num total de 135 µg e ácido tranexâmico na está relacionada ao tamanho da perfuração e a sua locali-
dose de 10 mg/kg em bolus seguido de 1 mcg/kg/hora. zação no septo nasal. Os sintomas mais discretos, como
Mantido na posição de cefaloaclive de 15o. Reposição de assobios ocasionados pelo turbilhonamento de ar, estão
2.000 ml de solução fisiológica, 3.000 de ringer lactato relacionados às perfurações pequenas. As perfurações de
e uma unidade de concentrado de hemácias. Os parâ- tamanhos maiores estão relacionadas ao aparecimento de
metros hemodinâmicos (FC 72 – 125 bpm, PAM 49 – 69, crostas, sangramentos, rinorreias, sensação de obstrução
FeCO2 35 – 38 mmHg) e BIS (42 – 52) permaneceram nasal, alterações do olfato, cefaleia e enfizema subcutâ-
estáveis, sem necessidade de drogas vasoativas. Diu- neo. São várias as etiologias da perfuraçāo, mais comum
rese de 1.200 ml e perda sanguínea estimada de 1200 é a iatrogênica por laceração do mucopericôndrio durante
ml. Após 6 horas de cirurgia, o paciente foi extubado. septoplastia ou por formação de hematoma pós-cirúrgico
Os exames na admissão da UTI: hemoglobina 11 g/dl, comprometendo a nutrição da cartilagem quadrangular do
hematócrito 32,2%, plaquetas 376.000 mm3, TAP 14,6 e septo. O aparecimento de enfisema subcutâneo no decor-
INR 1; gasometria arterial com pH 7,38, pO2 61,1, pCO2 rer de intervenção cirúrgica, durante a anestesia, podem
49,9, HCO3 27 e BE + 3 . Recebeu alta no sétimo dia do decorrer nas manobras de intubação e na ventilação com
pós-operatório, sem queixas e sem alterações neuroló- pressão positiva intermitente. A ruptura pode permanecer
gicas. DISCUSSÃO: Embora o nasoangiofibroma juvenil tamponada pelo balonete inflado do tubo e o pneumome-
seja um tumor raro, é de grande importância a conduta diastino só se instalará após a extubação. O enfisema sub-
anestésica perioperatória para reduzir os riscos de san- cutâneo, às vezes o único sinal, pode abranger a extensão
gramento. Para tanto, os anestesiologistas dispõem de da face, pálpebras, pescoço e parte superior do tronco .
alternativas. A embolização dos ramos da carótida ex- Existem relatos que observam coincidência de áreas cruen-
terna parece facilitar a remoção de tumores diminuindo tas em contato com cavidades onde o ar presente sofreu
perda sanguínea. Outras considerações a serem feitas algum tipo de pressão que o impulsionou dentro de um
com relação ao caso são a hipotensão controlada e a tecido conjuntivo complacente, originando o enfisema.
posição de cefaloaclive para redução de sangramento. Não encontrou-se na literatura nenhuma descrição de
Como citado acima, logo após a indução anestésica, foi enfisema subcutâneo por lesão da mucosa endonasal. O
administrado ácido tranexâmico. O uso em cirurgia de anestesiologista deve ficar atento, podendo a situação ser
cabeça e pescoço e otorrinolaringologicas tem sido rela- agravada por aumento da pressão nas vias aéreas superio-
tados com resultados favoráveis, apesar das evidências res. Deve-se fazer o diagnóstico diferencial com hematoma
ainda serem fracas. REFERÊNCIA: Luiz ACR, Tiago RSL, por sangramento ativo local. REFERÊNCIA: 1)Ketcham AS
Fava AS. Angiofibroma nasofaríngeo: revisão de literatu- and Han JK. Complications and management of septoplas-
ra. Rev Bras Otorrinolaringol. 2003; 69:394-403. ty. Otolaryngol Clin North Am. 2010 Aug;43(4): 897-904. 2)
Coleman Jr JR, Strong EB. Management of nasal septal
perforation. Current Opinion in Otolaryngology & Head and
Neck Surgery. 2000, 8(1): 58-62.

86 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


MASTOIDECTOMIA RADICAL EM CRIANÇA
PORTADORA DA SÍNDROME DE TURNER. Anestesia em Pediatria
AUTORES:
Felipe Medeiros, Diego Venancio, Ana Paula Guerra, Soraia
ANESTESIA PARA BRONCOSCOPIA RÍGIDA
Genelhu, Celia Grossi, Felipe Medeiros*.
EM CRIANÇA COM ASPIRAÇÃO DE CORPO
INSTITUIÇÃO: ESTRANHO.
Residencia em Anestesiologia do Vitória Apart Hospital.
AUTORES:
INTRODUÇÃO: A síndrome de Turner é uma doença Scheila Muriel Wendler*, Telma Sumaia Barros Cruz, Juliana
genética caracterizada por anormalidade no número ou Kaczmareck Figaro, Anderson de Moura, Patricia Dornbus-
morfologia do cromossomo sexual. Com mais freqüência ch, Marcio Natter.
o cromossomo sexual é ausente, resultando em cariótipo
45,X. RELATO DE CASO: Criança de 7 anos portadora INSTITUIÇÃO:
da Síndrome de Turner com diagnóstico de mastoidite, Serviço de Anestesiologia de Joinville.
foi submetida à mastoidectomia radical. Na avaliação pré INTRODUÇÃO: A aspiração de corpo estranho para o trato
anestésica observou-se micrognatismo, pescoço alado respiratório é um problema comum em pacientes pediátri-
e Mallampati 4. O ecocardiograma demonstrou uma co- cos. O tratamento definitivo se dá com a retirada do mesmo
arctação de aorta (sem gradiente sistólico significativo) através da broncoscopia rígida mediante adequado plano
e válvula aórtica bicúspide. Foi pré medicada com Mi- anestésico. O deslocamento do objeto aspirado pode agra-
dazolam 10mg VO 30 minutos antes do procedimento. var uma obstrução parcial e inclusive levar a obstrução total
Monitorizada com cardioscópio (DII e V5), PNI, oximetro do trato respiratório. O objetivo da anestesia consiste em
digital, capnógrafo e potencial evocado somatossenso- manter a ventilação espontânea e oferecer um plano anes-
rial do nervo facial na hemiface correspondente. Induzida tésico adequado para realização do exame. RELATO DE
com anestesia inalatória com Sevoflurano, venóclise MSE CASO: Paciente masculino, 4 anos, 12 kg, com aspiração
com extracath 22G e mantida com anestesia venosa total de corpo estranho localizado em brônquio fonte direito,
(Propofol 6 mg/Kg/h + Remifentanil 0,2mg/Kg/min.). Não conforme imagem radiológica. Jejum de 6 horas para ali-
foi utilizado BNM. DISCUSSÃO: É de extrema importân- mentos sólidos, submetido a broncoscopia rígida de urgên-
cia o conhecimento e a detecção das alterações anato- cia para retirada de material. Paciente com acesso venoso
mofisiológicas mais freqüentes da Síndrome de Turner e prévio em MSE abocath 22. Realizado 0,25 mg de atropina,
suas implicações no ato anestésico-cirúrgico. Pescoço 0,08 mg/kg de midazolam, 2 mcg/kg de clonidina, 3mcg/
curto e largo, limitação grave da mobilidade cervical, pa- de fentanil endovenoso associado a indução inalatória sob
lato alto, hipoplasia maxilar e mandibular são freqüentes. máscara facial com sevoflurano e oxigênio. Realizado 5 mg/
Esses pacientes devem ser avaliados rigorosamente na kg de propofol em doses fracionadas para aprofundamento
avaliação pré anestésica. O anestesiologista deve dispor do plano anestésico com posterior laringoscopia e aplica-
de dispositivos alternativos frente a uma intubação difícil. ção tópica de lidocaína 1% - 5ml (máximo de 5mg/kg) em
O comprimento da traquéia é mais curto e a bifurcação região da glote, broncoscopia realizada 3 minutos após
traqueal situa-se em nível mais alto, favorecendo a in- com duração inferior a 5 minutos durante o qual o pacien-
tubação endobrônquica e a extubação acidental. Altera- te manteve ventilação espontânea e um plano anestésico
ções cardíacas ocorrem em 17% a 45% das pacientes, adequado foi obtido para retirada de corpo estranho em via
tais como coarctação da aorta, valva aórtica bicúspide aérea. DISCUSSÃO: A manutenção da ventilação espon-
e estenose aórtica. Nas pacientes portadoras de coarc- tânea associada a um plano anestésico adequado durante
tação de aorta o controle rigoroso da pressão arterial é a broncoscopia rígida para retirada de corpo estranho é
obrigatório. A incidência de diabetes mellitus está au- um objetivo difícil de ser alcançado na prática. Ventilação
mentada, devendo ser realizado o controle adequado dos com pressão positiva se faz necessária muitas vezes, o que
níveis glicêmicos. Podem também apresentar alterações pode deslocar o objeto e agravar a obstrução da via aérea.
oftálmicas, auditivas, hepáticas e renais. REFERÊNCIA: O procedimento ocorreu sem intercorrências. O uso de
Sybert VP, McCauley E — Medical progress: Turner’s doses adequadas de anestésicos endovenosos, associado
Syndrome.N Engl J Med, 2004; 351; 1227-1233. Maranhão a anestesia inalatória e tópica se demonstrou uma excelen-
MVM – Síndrome de Turner e Anestesia.Rev Bras Aneste- te técnica para o procedimento proposto. REFERÊNCIA:
siol, 2008; 58; 1: 84-89. Feldman MA, Patel A. Anesthesia for Eye, Ear, Nose, and
Throat Surgery. In: Miller RD, Eriksson LI, Wiener-Kronish
JP, Young W. L. Miller´s Anesthesia. 7 ed. Philadelphia, El-
sevier, 2010; 2374-2375.

Temas Livres CBA 2014 | 87


MANEJO ANESTÉSICO DE FÍSTULA ABORDAGEM DA VIA AÉREA EM
TRAQUEO-ESOFÁGICA EM PEDIATRIA. PACIENTE PEDIÁTRICO COM SEQUELA DE
KERNICTERUS.
AUTORES:
Cláudia Porto da Luz*, José Costa, Maria Alcina Bernardes AUTORES:
Paula, Lorena Almenara Silva Pelisson, Rafaela Correia da Carlos Adolfo B. Pinto Calçada, João Paulo Rastaldo Van
Silva, Ademir Faoro. Erven Formiga*, Priscila Sucasas Souza, Lara Cruz Jotta,
Márcio de Pinho Martins, Valeria Sanfins de Assunção.
INSTITUIÇÃO:
Instituto Fernandes Figueira. INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: A inserção de um tubo endotraqueal (TET) Hospital Central da Polícia Militar.
em um paciente de atresia de esôfago (AE) com fístula tra- INTRODUÇÃO: Descrição sobre o manuseio de possível
queo-esofágica (FTE) é desafiador para o anestesiologista, via aérea difícil em paciente com sequela de encefalo-
sendo que o posicionamento correto dependente da anato- patia bilirrubínica neonatal. RELATO DE CASO: Paciente
mia e morfologia da fístula. O posicionamento incorreto, se feminina, 12 anos, com sequela neurológica de Kernic-
não for detectado a tempo, pode ter complicações devas- terus, internada com quadro de diarréia crônica, desnu-
tadoras. O tratamento anestésico-cirúrgico de pacientes trição crônica e pneumonias de repetição. Avaliada pela
com EA e FTE baseia-se no conceito de evitar ventilação equipe de cirurgia pediátrica, sendo indicada realização
através da fístula. O correto manejo envolve intubação além de fundoplicatura e gastrostomia. Na avaliação pré-anes-
da fístula, evitar relaxantes neuromusculares e ventilação tésica verificou-se paciente com desnutrição acentuada,
com pressão positiva (VPP) até que a fístula seja ligada. RE- peso de 18 kg, sem cooperação com a equipe anesté-
LATO DE CASO: Paciente de 3 meses de vida, sexo femi- sica. No exame físico, observamos diversos preditores
nino, 5kg, submetida à correção cirúrgica de FTE há 1 mês, de via aérea difícil: abertura de boca pequena, cabeça
apresentando desde então pneumonias de repetição. Deu fixa em posição lateralizada, espasticidade generalizada,
entrada em julho de 2014 no Instituto Fernandes Figueira; mobilidade cervical limitada e impossibilidade de avalia-
proposta a realização de broncoscopia sob anestesia geral ção da classificação de Mallampati. Na sala de cirurgia
balanceada. Foi admitida em sala operatória com saturação ocorreu agitação da paciente pela separação materna
(SpO2) em ar ambiente de 85%, realizada indução inalatória e após monitorização foi administrado Midazolan 1 mg
com sevoflurano:O2 4:2. Após 5 minutos, paciente apre- IV, que gerou sedação moderada, sem depressão res-
sentou SpO2 96%, procedida intubação orotraqueal sob piratória. Neste momento verificou-se que a paciente
laringoscopia direta com tubo orotraqueal (TOT) 3,5 sem era facilmente ventilada sob máscara facial. Realizada
balonete, classificação de Cormack 1. Paciente apresen- intubação em sequência rápida com fentanil 50 mcg +
tou dessaturação (SpO2 70%) e distensão abdominal, sem propofol 30 mg + succinilcolina 20 mg, Cormack-Lehane
repercussão hemodinâmica, sendo retirado o TOT e ven- 1. Sem intercorrências no per-operatório. Encaminhada
tilada sob máscara novamente, apresentando SpO2 92%. ao CTI pediátrico extubada com O2 em macronebuliza-
Procedeu-se à reintubação, contudo apresentou piora da ção. DISCUSSÃO: A encefalopatia bilirrubínica ocorre
distensão abdominal, bradicardia (FC: 40bpm) e SpO2 30%, quando há elevação da bilirrubina não-conjugada acima
sendo novamente ventilada sob máscara facial, administra- de 20 mg/dl. Nessas condições a bilirrubina atravessa a
da atropina 0,02 mg/kg endovenosa, com melhora da oxi- barreira hematoencafálica e ocorre deposição nos gân-
metria (SpO2 85%). Via aérea invasiva abordada na terceira glios da base com lesão cerebral permanente. Na fase
tentativa, com posicionamento de TOT 3,5 sem balonete no aguda ocorre alterações de tônus muscular predominan-
número 10, com recuperação da saturação (SpO2 100%). do a hipotonia e a longo prazo predomina a hipertonia
Exame demonstrando a permanência de FTE acima da cari- muscular. A espasticidade desta paciente limitava a aber-
na, com suspeição de intubação através de fístula nas duas tura de boca e a mobilidade cervical que associados a
primeiras abordagens da via aérea. Paciente encaminhada falta de cooperação indicavam uma provável via aérea
intubada após procedimento à unidade de origem para se- difícil. A técnica de intubação em sequência rápida tem
guimento terapêutico. DISCUSSÃO: A colocação incorreta como objetivo proteger da broncoaspiração e proporcio-
do TET em paciente com EA e FTE pode causar elevada nar boas condições de intubação. Nesta paciente ocorria
morbidade como resultado da migração do tubo na fístula, cronicamente engasgos e regurgitação de conteúdo gás-
gerando ventilação ineficaz. A distensão gástrica adicional trico ocasionando quadro de pneumonias de repetição.
leva a um incremento da pressão intra-abdominal com dimi- REFERÊNCIA: Ferez D, Rebuglio R. Manuseio da Via
nuição do retorno venoso, risco de aspiração do conteúdo Aérea Difícil. In: Cangiani LM, Slulitel A, Potério GMB et
gástrico, comprometimento hemodinâmico, bem como res- al. Tratado de anestesiologia SAESP. 7 ed. São Paulo,
trição da excursão diafragmática. O TET deve ser posicio- Atheneu, 2011;1397-1418.
nado abaixo da fístula, mas acima da carina para garantir
a proteção das vias aéreas, ventilação adequada e evitar a
distensão gástrica durante a VPP. REFERÊNCIA: 1) Taneja
B, Saxena KN. Endotracheal intubation in a neonate with
esophageal atresia and trachea-esophageal fistula: pitfalls
and techniques. Journal of Neonatal Surgery. 2014; 3(2): 18.
2) Ni Y, Yao Y, Liang P. Simple strategy of anesthesia for the
neonate with tracheoesophageal fistula: a case report. Int J
Clin Exp Med 2014;7(1):327-328.

88 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA COM MIDAZOLAM, ANESTESIA EM CRIANÇA PORTADORA DE
REMIFENTANIL E SEVOFLURANO PARA DISTROFIA MUSCULAR PROGRESSIVA NÃO
LARINGOTRAQUEOSCOPIA EM CRIANÇA IDENTIFICADA.
CARDIOPATA.
AUTORES:
AUTORES: Breno Jardim Grossi*, Cristina Carvalho Rolim Guimar, Dou-
Luis Otávio Esteves, Luiz Marciano Cangiani, Diego Hissao glas Pellizzaro, Igor Barreto de Moura, Joao Paulo Vascon-
H. de Oliveira*, Alice Dias Polverine, Evelyn Toshie Metsudo, celos de Matos, Flávia vieira guimaraes Hartmann.
Marina Shimanoe.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Hospital de Base do Distrito Federal.
Hospital da Fundação Centro Médico de Campinas. INTRODUÇÃO: Distrofias musculares são um grupo de
INTRODUÇÃO: A laringotraqueoscopia em crianças é doenças de causa genética caracterizadas por uma de-
feita sob anestesia geral sem intubação traqueal devido generação progressiva dos músculos esqueléticos. Atu-
a passagem do laringotraqueoscópio para a visualização almente, são conhecidos mais de 40 tipos de distrofias
da laringe e da traquéia, de preferência com movimen- musculares, que se diferenciam entre si. As complica-
tação das cordas vocais. Apesar da dificuldade para ções esperadas na anestesia destes pacientes são hiper-
manter a ventilação o tempo de exame geralmente não termia maligna, rabdomiólise e parada cardiocirculatória,
é demasiado longo para sua realização. O objetivo desse disritmias e insuficiência cardíaca, além de limitações
relato é apresentar um caso de larnigotraqueoscopia em respiratórias e cardíacas. RELATO DE CASO: Masculino,
criança, sob anestesia com midazolam, remifentanil e 2 anos e 6 meses, 18kg, Portador de distrofia muscular
sevoflurano. RELATO DO CASO: Criança do sexo mas- degenerativa progressiva não identificada, Apresentando
culino, 2 anos, com hipótese diagnóstica de estenose vários episódios de broncoaspiração, alguns episódios
traqueal. Foi submetida a duas cirurgias para correção necessitando de internação hospitalar. Mãe relata filho
de atresia aórtica. Apresentava-se com quadro de des- ser portador de bronquite. em uso de pró-cinético (drom-
conforto respiratório. Após monitorização a anestesia foi peridona) e bloqueador H-2( ranitidina). Ao Exame: Ativo,
induzida com sevoflurano a 5% em oxigênio com sistema reativo, corado, hidratado, acianótico, afebril, eutrófico,
de Rees-Baraka. Seguiu-se a venopunção com cateter eupnéico em ar ambiente. MV + sem ruídos adventícios,
22G e injeção de midazolam (0,5mg), infusão contínua de ACV: RCR, BNF sem sopros, ABD: flácido sem vicero-
remifentanil (0,04mcg/kg/min). Foi mantido o sevoflurano megalias palpáveis. Sonda nasoentérica, sem venóclise,
a 2% através de cateter nasal com oxigênio (2L/min). O apresentando atrofia muscular de membros inferiores.
paciente permaneceu em ventilação espontânea duran- Sem preditores de via aérea difícil. Dá entrada em S. O
te todo o procedimento, que teve a duração de 10 min. para realização de gastrostomia com fundoplicatura. Re-
DISCUSSÃO: Neste caso a intubação traqueal impos- alizada cetamina 50mg IM no glúteo, puncionado cateter
sibilitaria o procedimento por competir com o campo a plástico agulhado 24G em MSE. Pré-oxigenação com O2
ser examinado. Desta forma, optou-se por uma técnica 100%, Indução anestésica com alfentanil 500mcg, lido-
anestésica que mantivesse um plano anestésico adequa- caína 40mg, propofol 50 mg, Feita laringoscopia em que
do com o paciente em ventilação espontânea, sem a pre- se observou epiglote com pouca mobilidade dificultan-
sença do tubo traqueal. Neste caso a técnica mostrou-se do a visualização das pregas vocais, IOT com sucesso
eficaz, não ocorrendo queda da SpO2, assim como de com lâmina 1 tipo Miller, TOT 4. 5 com cuff, Manutenção
eventos adversos como bradicardia e rigidez torácica e anestésica com propofol 100mcg/kg/mim e remifen-
proporcionou despertar rápido e seguro para o paciente, tanil 0. 3mcg/kg/min. DISCUSSÃO: Num doente com
constituindo-se em boa opção para esses casos. REFE- diagnóstico de distrofia muscular é fundamental fazer a
RÊNCIA: Shen X, Hu CB, et al- Propofol-remifentanil intr- avaliação pré-operatória adequada, nomeadamente para
venus anesthesia and spontaneous ventilation for airway as funções cardiorrespiratórias, pelas implicações que a
foreign body removal in children with preoperative respi- doença tem a estes níveis. É também essencial garan-
ratiry impairment. Ped anesth. 2012;22:1166-70. 2) ManiV, tir a precauções da hipertermia maligna que é um risco
Morton NS- Overview of total intravenous anesthesia in inerente a esses doentes. REFERÊNCIA: Gaudiche O,
children. Ped Anesth, 2010;20:211-222. Meistelman C - Anesthésie du myopathe. Paris - France,
Encycl Méd Chir, Anesthésie-Réanimation, 1990;36- 657-
D-10:6; Morgan GE, Mikhail MS - Anesthesia for Patients
with Neuromuscular Disease, em: Morgan GE, Mikhail MS
- Clinical Anesthesiology. 2nd Ed, Stamford, Appleton &
Lange, 1996;650-655.

Temas Livres CBA 2014 | 89


ANESTESIA EM RN PORTADOR DE ANESTESIA EPIDURAL SACRA: PROBLEMAS
TETRALOGIA DE FALLOT, PERSISTÊNCIA DO USO DE MATERIAL INESPECÍFICO.
DO CANAL ARTERIAL E COMUNICAÇÃO
AUTORES:
INTERATRIAL PARA REALIZAÇÃO DE Julius Cesar Bonifacio Baranauskas*, Eva Marquez Flores,
CORREÇÃO DE ATRESIA DE ESÔFAGO Marilia Bonifácio Baranauskas, Márcio Matsumoto, Fernan-
ASSOCIADA À FÍSTULA TRAQUEO- do David Goehler, Claudia Marquez Simões.
ESOFÁGICA. RELATO DE CASO.
INSTITUIÇÃO:
AUTORES: Hospital Sírio Libanês / Serviços Médicos de Anestesia Ltda.
Mauricio Augusto Viceconti, Eduardo Toshiyuki Moro, Willer
Martins Alves*. O bloqueio peridural caudal é a mais popular entre todas
as técnicas de anestesia regional em crianças. Geralmen-
INSTITUIÇÃO: te, é indicado para analgesia intra e pós-operatória nos
CET PUC Sorocaba. procedimentos que envolvam a área de distribuição dos
dermátomos T10 a S5 em crianças menores de oito anos
INTRODUÇÃO: A atresia de esôfago ocorre a cada 3000
ou com peso inferior a 30 kg. O bloqueio peridural caudal
nascidos vivos. Aproximadamente metade apresenta ano-
tem sido amplamente praticado utilizando-se uma grande
malias congênitas associadas. O presente relato descreve
variedade de agulhas hipodérmicas, intravenosas e agulhas
um caso de correção cirúrgica de atresia do esôfago asso-
para raquianestesia. A maioria dos autores desaconselha
ciada à fistula traqueo-esofágica (FTE), em criança porta-
a utilização de material inespecífico para à abordagem
dora de tetralogia de Fallot, comunicação interatrial (CIA)
peridural via sacral. Desse modo, a agulha ideal deve ter
e persistência do canal arterial (PCA). RELATO DO CASO:
mandril obturador, bisel curto e calibre variando entre 20 e
RN com quatro dias de idade, masculino, 2800g, nascido
23 gauge. Além disso, é importante lembrar a possibilidade
de termo após parto cesariano. Admitido no centro cirúrgi-
de formação de cisto dermóide pelo avanço de tecidos dér-
co para correção de atresia do esôfago associada à fístula
micos ou subdérmicos para o espaço peridural. RELATO
traqueo-esofágica. Portador de Tetralolgia de Fallot, per-
DO CASO: L. M. N, 7 anos, sexo masculino, 26 Kg, ASA 1,
sistência do canal arterioso e comunicação interatrial. Exa-
apresentou-se para realização de cirurgia para correção de
mes laboratoriais pré-operatórios normais. Encontrava-se
curvatura peniana congênita e hérnia inguinal à esquerda.
intubado e em ventilação controlada, mantendo parâmetros
Indução anestésica inalatória, venóclise 22G, seguido da
hemodinâmicos (sem drogas vasoativas) e gasométricos
administração de Fentanil, Propofol, Rocurônio e IOT com
normais. Ausculta pulmonar sem indicação de escape atra-
TOT 5 mm com cuff. Paciente mantido em ventilação me-
vés da fístula. Monitorização com oximetria de pulso, car-
cânica controlada à pressão, associado a anestésico inala-
dioscopia e capnografia. Temperatura avaliada por termô-
tório. Posicionada em decúbito lateral esquerdo, realizado
metro esofágico. A artéria femoral foi canulada com cateter
assepsia e anti-sepsia da região sacro-lombar, punção de
18G e mantido com introdutor arterial valvulado 4f de 11 cm,
sacral com jelco 22G ( cateter intravenoso periférico de
com o objetivo de obter medidas da pressão arterial contí-
Teflon, do tipo “por-fora-da-agulha”, com dispositivo de
nua. Acesso venoso foi obtido por meio da cateterização da
segurança). Realizada punção de pele e subcutâneo sem
veia femoral (cateter calibre 18G). A anestesia foi mantida
intercorrência, ao contato com a estrutura óssea e reposi-
com fentanil em doses tituladas, sevoflurano e rocurônio.
cionamento da agulha em direção ao hiato sacral, ocorre
Hidratação com solução fisiológica 0,9% (15mL. h 1) e infu-
perda da resisistência e instabilidade do dispositivo. Op-
são de glicose na taxa de 5 mg. kg-1. min-1. Procedimento
tado por retirar o conjunto todo, nota-se a quebra de uma
cirúrgico sem intercorrências. Apresentou alguns episódios
parte da agulha, solta dentro da parte plástica. Realizada
de hipoxemia que coincidiram com a redução da pressão
nova punção com novo dispositivo sem intercorrências.
arterial e que foram revertidos com a administração de fe-
O paciente não apresentou nenhum déficit ou sintoma ao
nilefrina. A duração do procedimento foi de 180 minutos.
despertar. DISCUSSÃO: A cateterização do espaço peri-
Exames laboratoriais perioperatórios normais. A criança foi
dural é uma técnica consagrada em anestesiologia e casos
encaminhada para a UTI, intubada e em ventilação mecâ-
de quebra de cateter/agulhas são raros. A literatura ainda
nica, hemodinamicamente estável sem a necessidade de
é escassa com relação às recomendações dos cateteres
drogas vasoativas. Tendo alta da UTI sete dias após pro-
apropriados para punção caudal em crianças. Muitos auto-
cedimento cirúrgico. DISCUSSÃO: A tetralogia de Fallot
res contraindicam a realização do procedimento com a falta
pode ser acompanhada de crises hipoxêmicas decorrentes
do material, que infelizmente na maior parte das vezes não
da redução do fluxo sanguíneo pulmonar. Nesses casos, o
está disponível no Brasil. Deve-se proceder à laminectomia
desvio do sangue do coração direito para o esquerdo ocor-
exploratória se o paciente apresentar sinais ou sintomas
re como consequência do aumento da resistência vascular
de alterações neurológicas, se o cateter estiver localizado
pulmonar e/ou da redução da resistência sistêmica. No
dentro do espaço subaracnóideo ou quando sua ponta
presente relato, a criança apresentava, além do CIV, outras
quebrada estiver emergindo pela pele. Avaliando nossa
comunicações (CIA e PCA) e uma anomalia congênita (FTE)
realidade, ainda são poucos os locais aonde encontramos
que pode evoluir com hipoxemia, principalmente durante o
os cateteres apropriados devido ao seu custo e a pequena
período perioperatório. REFERÊNCIA: Hall SC, Suresh S.
quantidade de procedimento realizado nos hospitais gerais
Neonatal anesthesia. In:Barash PG, Cullen BF, Stoelting
e não pediátricos. BIBLIOGRAFIA: Auler Jr JOC, Teruya
RK et al. Clinical Anesthesia. 6 th ed. Philadelphia, Lip-
SBM, Jacob RSM et al. - Anestesia Pediátrica, São Paulo,
pincott & Wilkins ,2009; 44: 1171-1205. Twite MD, Ing RJ.
Atheneu, 2008; 208-214.
Tetralogy of Fallot: Perioperative Anesthetic Management
of Children and Adults. Semin Cardiothorac Vasc Anesth
2012;16:97-105.

90 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANESTESIA GERAL EM PACIENTE ANESTESIA NO PORTADOR DE DISTROFIA
PORTADOR DE SÍNDROME DE SECKEL. MUSCULAR DE DUCHENNE- RELATO DE
CASO.
AUTORES:
José Admirço Lima Filho, Murilo Gonçalves Sabino*, Juliana AUTORES:
Ribeiro Rodrigues Carneiro, Hugo Eckener Dantas de Perei- Maíra Falcão Poncell*, Andressa Galindo de Lima Toscano,
ra Cardoso, Ricardo Almeida de Azevedo, Carlos Kleber de Maria Celia Ferreira da Costa, Gustavo Araujo Coser, Rafael
Oliveira Santana. Lucena Landim, Tania Cursino de Menezes Couceiro.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital Geral Roberto Santos Instituto de Medicina Intergral Professor Fernando Figueira-
INTRODUÇÃO: A Síndrome de Seckel é uma doença IMIP.
autossômica recessiva, com prevalência estimada em INTRODUÇÃO: Distrofia muscular de Duchenne (DMD) é a
menos de 1:10. 000 crianças,sem preferência por sexo, mais comum (3:10. 000 nascimentos) e a mais severa for-
caracterizada por microcefalia e deformidades faciais, ma de distrofia muscular progressiva na infância. Pacientes
incluindo micrognatia, uma testa recuada,alterações com DMD possuem maior susceptibilidade a complicações
dentárias e proeminência nasal,resultando na aparência cardiopulmonares e musculares. Dessa forma, a proposta
de pássaro. Deformidades osteoarticulares e anomalias anestésica deve considerar tais complicações. O objetivo
genitais como criptorquidia também são descritos. A pro- é relatar o manejo anestésico de uma criança portadora
dução insuficiente de todos os tipos de células sanguíne- de DMD submetida cirurgia de alongamento do tendão de
as ( pancitopenia) ocorre em alguns doentes. Materiais aquiles bilateral. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 7
e métodos: RELATO DE CASO: Paciente 14 anos, sexo anos, ASA II, 25 kg, portador de DMD diagnosticado há 1
masculino,peso 12 kg,estatura de 105 cm, portador de ano, agitado, sem distúrbio cardiorrespiratório, creatinoqui-
Síndrome de Seckel é admitido no centro cirúrgico em nase 32. 845 U/L, potássio 4,2 mEq/L, eletrocardiograma e
ventilação espontânea, saturando 98 % em ar ambien- ecocardiograma normais. Procedimento cirúrgico realizado
te, estável hemodinamicamente com acesso venoso sob anestesia geral venosa combinada com bloqueio peri-
periférico em membro superior direito. Será submetido dural. Pré-medicado com midazolam 0,5mg/kg por VO. Mo-
a exodontia múltiplas por má oclusão dentária. Realiza- nitorização com oxímetro de pulso, cardioscópio, pressão
do monitorização, pré-oxigenação e indução anestésica arterial não invasiva, temperatura nasofaríngea e capnógrafo.
com agente inalatório, sevoflurano,mantendo a criança Realizada remoção do anestésico inalatório do sistema venti-
em ventilação espontânea. Realizado laringoscopia di- latório com alto fluxo de gás fresco por 10 min e troca do cir-
reta, cormak-lehane III, e intubação orotraqueal com cuito ventilatório. Indução com alfentanil 25 µg/kg, propofol
auxílio de fio guia,sem intercorrências. Após confirmada 3 mg/kg e atracúrio 0,5mg/kg, IOT com TOT nº 5 com cuff e
intubação orotraqueal com capnografia, foi administra- boa adaptação à ventilação mecânica controlada a pressão:
do, 5 mcg:kg de fentanil, 0,5 mg;kg de cetamina, 2mg;kg pressão inspiratória 13 cmH2O, PEEP 4 cmH2O, FR: 12 ipm e
de propofol. Acoplado a ventilação mecânica e mantida FiO2 60%. Realizado bloqueio peridural lombar em DLD com
anestesia com sevoflurano. Procedimento anestésico ci- bupivacaína com vasoconstrictor 0,25% 15 ml, morfina 1 mg
rúrgico transcorreu sem intercorrências. DISCUSSÃO E e fentanil 25 µg. Manutenção com propofol em infusão con-
CONCLUSÃO: Avaliar o ato anestésico cirúrgico em pa- tínua. Procedimento cirúrgico durou 45 minutos. Bloqueio
cientes portadores de Síndrome de Seckel, enfatizando a neuromuscular (BNM) revertido com atropina 0,02 mg/kg e
previsibilidade de via aérea difícil nesses pacientes. RE- neostigmine 0,04 mg/kg. Paciente extubado e recuperado na
FERENCIAS: Seckel HPG. Bird-headed dwarfs: studies sala de operação (SO), sem intercorrências. Alta hospitalar
in developmental anthropology including human propor- após 24 horas de PO, sem complicações. DISCUSSÃO: A
tions. Springfield: Charles C. Thomas; 1960. JONES, K. ausência de atividade física vigorosa devido a DMD pode
L. Padrões reconheciveis de malformações congênitas. mascarar uma disfunção cardíaca subjacente que pode des-
p. 108-109 5a edição. São Paulo: Manole, 1998. HARPER, compensar durante intraoperatório, isto motivou a solicitação
G. R.; ORTI, E.; BAKER, R. Bird-headed dwarfs (Seckel’s de exames para avaliar função miocárdica e para selecionar
syndrome). J. Pediat., 70 (5): 799-804,1967. MUELLER, os fármacos e a técnica anestésica a serem utilizadas. Por-
R.; YOUNG, I. Emery’s Elements of Medical Genetics. 9 tadores de DMD, quando expostos à succinilcolina ou aos
ed. Londres, Churchill Livingstone, Cap. 16, p. 210-211. halogenados, apresentam maior risco de desenvolver hiper-
Genetic Counseling,1995. calemia, rabdomiólise, arritmias e parada cardiorrespiratória,
por esse motivo foi feita a escolha por anestesia venosa total
associada a bloqueio peridural e bloqueador neuromuscular
adespolarizante. Como a concentração de anestésico inala-
tório necessária para desencadear tais complicações é des-
conhecida, para minimizar esta exposição foram realizadas:
a depuração e a troca do sistema ventilatório; e a recupe-
ração pós-anestésica na SO. A ausência de monitorização
da atividade muscular tornou necessária a reversão do BNM.
A avaliação pré-anestésica cuidadosa associada a escolha
da técnica anestésica proporcionaram um transoperatório
seguro e resultado final favorável. REFERÊNCIA: Lerman
J. Perioperative management of the paediatric patient with
coexisting neuromuscular disease. Br J Anaesth, 2011;107
Suppl 1:i79-i89.

Temas Livres CBA 2014 | 91


ANESTESIA PARA PACIENTE PORTADOR DE ANESTESIA SUBARACNÓIDEA EM
CARCINOMA DE MEDIASTINO: RELATO DE LACTENTE PREMATURO PARA
CASO. HERNIORRAFIA INGUINAL BILATERAL:
RELATO DE CASO.
AUTORES:
Talita Bernardes Gonçalves*, Germana Lane Pacheco Perei- AUTORES:
ra, Fernanda Marques Lamounier Fernandes, Mirna Bastos André Cançado Frois*, Virginia Martins Gomes, Marco Antô-
Marques, Alcebiades Vitor Leal Filho, Ana Maria Vilela Bas- nio Viana Gomes, Adriano Ávila, Daniel de Andrade Araújo,
tos Ferreira. Gustavo Henrique Silva.
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital das Clínicas da UFMG. Hospital Vila da Serra - Belo Horizonte/MG.
INTRODUÇÃO: Administrar anestesia para paciente A anestesia geral é a técnica anestésica mais comum rea-
pediátrico com massa mediastinal anterior pode levar a lizada em crianças, sendo os bloqueios de neuroeixo, em
colapso respiratório e circulatório, mesmo naqueles sem sua maioria, realizados como adjuvante para analgesia pós-
sintomas. Complicações são mais frequentes em crian- -operatória; não como técnica isolada única. A cooperação
ças devido a estrutura cartilaginosa mais compressível mínima ou inexistente dos pacientes pediátricos é a principal
das vias aéreas e devido a subestimação da gravidade da causa para este fato, o que tonou a indução inalatória da
compressão das vias respiratórias. RELATO DE CASO: anestesia geral a técnica de escolha na maioria das crian-
Paciente 9 anos, sexo masculino, 33 kg, com diagnóstico ças. em prematuros com idade pós-conceptual de até 48-55
de carcinoma indiferenciado de mediastino de grande semanas, variando de acordo com a referência, há risco de
volume e desvio de traqueia. Mãe relata que o paciente apnéia pós-operatória, mesmo sendo a extubação realizada
possuía dispneia intensa no repouso, com melhora dos na SO sem intercorrências. Por isso, há sempre indicação de
sintomas e tamanho do tumor após quimioterapia. Sem pós-operatório desses pacientes em UTI. A anestesia suba-
outras comorbidades. Exames prévios: Hb 10,8; Plaque- racnóidea como técnica isolada em prematuros reduz o risco
tas 500000; AP 89,66%; PTTa (controle de 30 seg): 31 de apnéia pós-operatória, uma vez que não há manipulação
seg. ; Ur 16 mg/dl; Cr 0,35 mg/dl; RNI 1,06. Proposta de da via aérea e exposição aos agentes inalatórios. Este rela-
ressecção do tumor de mediastino pela cirurgia pediátri- to de caso descreve raquianestesia em criança submetida
ca. Reservada vaga de CTI e hemoderivados. Realizado a herniorrafia inguinal bilateral. RELATO DE CASO: EHFT,
1 mg de midazolam e 50 mcg de fentanil a entrada do pa- masculino, nascido com 33s e 2 dias de IG, com história de
ciente na sala de cirurgia. Logo após foi iniciada indução uso de CPAP em UTI no primeiro dia de vida. Apresentava
inalatória com sevoflurano e mantido sob ventilação as- hérnia inguinal bilateral, com encarceramento a direita resol-
sistida. Ao atingir 1,5 CAM de sevoflurano e instilação de vida após redução manual dois dias prévios à cirurgia. Idade
lidocaína spray foi realizada laringoscopia direta e intuba- atual: 50 dias de vida; pós-conceptual: 40s e 3 dias. Sem
ção orotraqueal com tubo 5,5. Após intubação foi admi- comorbidades. Peso: 2,8kg. Estado físico: ASA II. Puncio-
nistrado bloqueador neuromuscular e paciente mantido nado acesso venoso periférico em MSD, após aplicação de
em ventilação mecânica controlada a volume. Transfundi- anestésico tópico 30 minutos antes. Posicionado com auxílio
dos 600 mL de concentrado de hemácias, volume total de sentado, sendo realizada punção subaracnóidea com agulha
cristaloides de 1200 mL e diurese ao final satisfatória. Ato 26G pediátrica, entre L5-S1, com refluxo de líquor. Injetada
anestésico sem intercorrências. Paciente enviado ao CTI bupivacaína hiperbárica 2,8mg. Reposicionado para decúbito
intubado e sem uso de aminas vasoativas. DISCUSSÃO: dorsal horizontal, apresentando bloqueio motor e sensitivo.
Os pacientes com massa de mediastino anterior que Permaneceu acordado durante todo o procedimento, que
requerem anestesia geral necessitam de indução lenta. durou 53 minutos. Infiltrado 2,5mg de bupivacaína nas feridas
A manutenção da ventilação espontânea até que a via operatórias e administrado dipirona 60mg, dexametasona
aérea esteja definitivamente garantida ou até que o pro- 0,5mg e 60ml de ringer lactato EV. Após, já apresentava movi-
cedimento esteja concluído é uma estratégia segura. A mentação dos mmii, sem apresentar choro ou agitação. Pós-
indução anestésica pode ser inalatória com agente como -operatório imediato em apartamento, sem intercorrências,
sevoflurano ou por via intravenosa através da titulação com dipirona VO 6/6h. Recebeu alta hospitalar no dia seguin-
de drogas como propofol, com ou sem ketamina. Bron- te. DISCUSSÃO: A raquianestesia em prematuros apresenta
coscopia rígida pode ser salvadora nos casos de colapso como desvantagens a dificuldade técnica da punção e a
traqueal ou brônquico sob anestesia. BIBLIOGRAFIA: não cooperação do paciente, sendo necessária contenção.
P. Slingera; C. Karslib. Management of the patient with a Ademais, o bloqueio pode ser insuficiente para realização do
large anterior mediastinal mass: recurring myths. Current procedimento, uma vez que o alto turnover de líquor nessa
Opinion in Anaesthesiology 2007, 20:1–3 // G. B. Hammer. faixa etária, faz com que a duração da anestesia seja rápida.
Anaesthetic management for the child with a mediastinal Assim, procedimentos longos não são compatíveis com essa
mass. Pediatric Anesthesia, 2004, 14:95–97. técnica, e sempre há a possibilidade de haver conversão para
anestesia geral, devendo o anestesiologista deixar os equipa-
mentos necessários preparados, inclusive os de manuseio de
via aérea difícil. Porém, havendo sucesso da técnica e tendo o
procedimento cirúrgico realizado em tempo hábil, a anestesia
subaracnóidea em prematuros mostrou-se ser técnica segu-
ra, com redução do riscos de apnéia pós-operatória, dimi-
nuindo custos por internação em terapia intensiva e reduzindo
tempo de permanência hospitalar.

92 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


ANSIEDADE PRÉ-OPERATÓRIA EM ATELECTASIA INTRA-OPERATÓRIA EM
CRIANÇAS: FATORES DE RISCO E PACIENTES PEDIÁTRICOS.
INTERVENÇÕES. REVISÃO SISTEMÁTICA.
AUTORES:
AUTORES: Juliana de Castro Araujo Mendes*, Clarissa Pigatto Schnei-
Dânia Prevedel Meletti, José Fernando Amaral Meletti, Luís der, Aldemar Kimura Junior, Débora de Oliveira Cumino.
Fernando Deperon Leite*, Gabriela Denardi Sousa.
INSTITUIÇÃO:
INSTITUIÇÃO: Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Faculdade de Medicina de Jundiai. INTRODUÇÃO: Aproximadamente 8% das crianças sob
INTRODUÇÃO: A ansiedade está presente em aproxi- anestesia geral desenvolvem atelectasia pulmonar, carac-
madamente 65% das crianças que se submetem a um terizada por redução da complacência pulmonar e com-
processo anestésico-cirúrgico e seu manejo é fundamen- prometimento da oxigenação arterial. RELATO DE CASO:
tal para uma indução anestésica tranquila, para prevenir Criança, 07 anos, 18 Kg, masculino, ASA I, com anteceden-
distúrbios comportamentais e para uma boa recuperação te de cirurgia de correção de estrabismo há um ano sem
da criança. O objetivo desta revisão foi identificar arti- complicações; atraso do desenvolvimento neuropsicomo-
gos originais que tratassem da ansiedade pré-operatória tor. Submetido à correção de hipospádia, monitoração com
infantil, expondo seus fatores causais e métodos para cardioscopia, saturação de O2, capnografia e pressão arte-
sua redução. MÉTODO: Utilizou-se os bancos de da- rial média não invasiva. Indução inalatória, com presença do
dos Medline, Scielo e Lilacs, com os descritores criança, pai, sevoflurano a 8,0% e N2O/O2 na proporção 1:1, fentanil
ansiedade e anestesia, combinados dois a dois. Foram 60 mcg e propofol 60mg. Realizada ventilação com pressão
incluídos 30 artigos originais relacionados a ansiedade positiva sem auxílio de cânula orofaríngea, apresentando
pré-operatória que incluía fatores implicados na sua cau- dificuldade de ventilação e diminuição da expansibilida-
sa e medidas de prevenção. RESULTADO: Os estudos de torácica à esquerda. Intubação orotraqueal, com tubo
mostraram que os principais fatores implicados na an- endotraqueal(TT) 5,0 com balonete e ventilação assistida
siedade pré-operatória são: crianças como a idade entre manualmente. Manutenção com sevoflurano a 5% e N20/O2
seis meses e seis anos, temperamento retraído, tímido na proporção 2:1. À ausculta pulmonar, murmúrio vesicular
ou emotivo, que tiveram experiências prévias negativas (MV) diminuído à esquerda, com roncos e sibilos difusos.
em cirurgias anteriores, que possuem pais com muitas Feito 02 puffs de salbutamol no TT, 20mg de propofol, 10mg
apreensões relacionadas ao processo anestésico-cirúr- de atracúrio e 100mg de hidrocortisona. A criança evoluiu
gico e que foram separadas dos pais no momento da com SpO2 a 87%, taquicardia e dificuldade de ventilação.
cirurgia sem nenhum preparo. As medidas preventivas Mantida com FiO2 de 1, sevoflurano 2,5% sob ventilação
foram agrupadas em métodos farmacológicos, da qual controlada à pressão, administrado duas doses de 0,25mcg
se destacam: midazolan, cetamina, dexdemetomidina e de adrenalina, com melhora do broncoespasmo e SpO2
clonidina. As medidas não farmacológicas incluem mé- 92%. A radiografia de tórax revelou atelectasia total à es-
todos de distração como: presença dos pais na indução querda, optado por adiar o procedimento. Criança mantida
anestésica, presença de médicos palhaços, desenhos com sevoflurano 1,5% em ventilação espontânea. Extubada
animados, vídeos infantis, jogos eletrônicos, gravações para broncofibroscopia, visualizado brônquio fonte direito
da voz materna, distração com brinquedos, atividades livre e rolha de secreção em brônquio fonte esquerda,
lúdicas ou musicoterapia e técnicas de preparação pré- sendo aspirada. Mantida com máscara facial O2 a 100%
-operatória que visam atender tanto os pais como as (5L/min) com melhora da expansibilidade à esquerda, MV
crianças para desenvolver estratégias para ajuda-los a li- presente bilateral e roncos inspiratórios difusos, sem sinais
dar o processo anestésico-cirúrgico. As técnicas de pre- de esforço respiratório. Encaminhada a UTI pediátrica, ob-
paração incluem medidas de informação e explicações servação por 24h, sem intercorrências, transferida a enfer-
no pré-operatório, acupuntura e atendimento psicológico maria e alta hospitalar em 24h. DISCUSSÃO: atelectasias
aos pais e a criança no pré-operatório. CONCLUSÃO: de reabsorção são decorrentes da obstrução brônquica
A revisão concluiu que mais estudos deveriam ser reali- por secreção ou corpo estranho, gerando alterações
zados para se investigar o papel do temperamento rela- funcionais importantes. A atenção do anestesiologista
cionado à ansiedade infantil e que medidas preventivas é fundamental para o diagnóstico e o conhecimento de
de preparação psicológica da criança e sua família para medidas prioritárias, reduzindo morbidade e permanên-
as anestesias e cirurgias deveriam ser mais exploradas cia hospitalar. Fisioterapia respiratória, recrutamento
com ensaios clínicos. REFERÊNCIA: Kain ZN, MacLaren alveolar, broncodilatadores e broncoscopia são medidas
J, Mcclain BC et al. Effects of age and emotionality on the úteis no tratamento. Porém, não existem evidências de
effectiveness of midazolam administered preoperatively quais terapêuticas são mais efetivas na resolução de ate-
to children. Anesthesiol. 2007; 107(4): 545-552. Cuzzo- lectasias em pediatria. REFERÊNCIA: Cíntia Johnston;
crea F, Gugliandolo MC, Larcan R et al. A psychological Werther Brunow de Carvalho. Atelectasias: mecanismos,
preoperative program: effects on anxiety and cooperative diagnóstico e tratamento em pacientes pediátricos. Dis-
behaviors. Paediatr Anaesth. 2013; 23: 139-143. ponível em www. amb. org. br/rmab/2008/setembro/ou-
tubro/vol. 54no. 5 acessado em 16/01/14 L. Magnusson;
D. R. Spahn. New concepts of atelectasis during general
anaesthesia. British jornal anaesthesia 2003;91:61-72.

Temas Livres CBA 2014 | 93


BLOQUEIO ÍLEOINGUINAL E CRISE HIPERTENSÃO DE ARTÉRIA
ÍLEOHIPOGÁSTRICO EM CRIANÇAS PULMONAR (HAP) TRANSOPERATÓRIA EM
SUBMETIDAS À APENDICECTOMIAS: CRIANÇA COM CARDIOPATIA CONGÊNITA
ENSAIO CLÍNICO CONTROLADO, COMPLEXA.
RANDOMIZADO E DUPLAMENTE
AUTORES:
ENCOBERTO. Marcelo Neves Silva, Jairo Liborio Dourado Reis*, Luciana
AUTORES: Cavalcanti Lima, Waston Vieira Silva, Tania Cursino de Me-
César de Araújo Miranda, Luis Fernando Deperon, César nezes Couceiro, Euler de Morais Albuquerque.
Carvalho da Silva, Michael Madeira de La Cruz Quezada*, INSTITUIÇÃO:
Daniel de Carli, Jose Fernando do Amaral Meletti. Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira-
INSTITUIÇÃO: IMIP.
Faculdade de Medicina de Jundiai. INTRODUÇÃO: a HAP em criança é definida quando a pres-
INTRODUÇÃO: Os bloqueios ileoinguinal e ileohipogástri- são da arterial pulmonar é superior a 25 mmHg. As principais
co oferecem alternativa de simples execução, baixo custo, causas pediátricas são cardiopatias congênitas. OBJETIVO:
segura e efetiva para analgesia pós-operatória. Têm como objetiva-se relatar um caso de HAP. RELATO DE CASO: lac-
indicação clássica cirurgias da região inguinoescrotal, com tente 1 ano e 6 meses, 6 Kg, portador de síndrome de Down
pouco estudo nos casos de apendicectomia não compli- e cardiopatia congênita complexa acianótica (CIV, CIA, PCA
cada. O objetivo desse estudo foi comparar a analgesia e HAP compensada). Internada para realização de procedi-
promovida por este bloqueio com a analgesia venosa con- mento hemodinâmico. Não foi administrada medicação pré-
vencional, em crianças submetidas à apendicectomias. anestésica. Monitorizada com cardioscópio na derivação DII,
MÉTODO: Realizou-se um ensaio clínico controlado, ran- oxímetro de pulso e capnógrafo. Indução anestésica com
domizado duplamente encoberto em trinta e sete crianças fentanil 30 mcg, midazolam 0,5 mg e succinilcolina 2 mg e
com idade entre 2 a 12 anos, com indicação cirúrgica de assegurada a ventilação do paciente com mascara laríngea
apendicectomia. As crianças do grupo A (19 casos) foram nº 2 e manutenção com sevoflurano 1%- 2%. No inicio da
submetidas à anestesia geral associada à analgesia com indução a saturação periférica de oxigênio era de 90%, com
50 mg. kg-1 de dipirona, e as do grupo B (18 casos) rece- pressão expiratória de CO2 de 30 mmHg, ritmo sinusal e FC
beram a mesma técnica, associada ao bloqueio com 1mg. de 120 bpm. Esses parâmetros mantiveram- se até os pri-
kg-1 cloridrato de levobupivacaína em excesso enantiomé- meiros 75 minutos de procedimento, quando o lactente apre-
rico de 50% em concentração de 0,25% com epinefrina. sentou bradicardia (BCF < 60) e administrado atropina 0,5
Avaliou-se frequência cardíaca, pressão arterial sistólica mg sem sucesso. Administrado adrenalina e realizada IOT nº
e diastólica nos seguintes momentos: antes da indução 4, pois a ventilação não era adequada. Depois da adrenalina
anestésica, antes da incisão cirúrgica, um minuto após reverteu-se a PCR (FC 140). O procedimento necessitou de
a incisão cirúrgica, durante a tração do apêndice. A dor mais 45 minutos para ser concluído sem que houvesse mais
pós-operatória foi mensurada aos 30, 60 minutos após o nenhuma intercorrência. Ao termino do procedimento, o lac-
término da anestesia e na alta da sala de recuperação pós- tente foi encaminhado a UTI pediátrica com tubo orotraqueal,
-anestésica (SRPA). A ferramenta usada na aferição foi a ventilação sob sistema à Baraka e iniciado oxido nítrico 20
Escala Analógica Visual de Faces (EAV) adaptada por Claro. ppm. Na UTI o lactente evoluiu com melhora do quadro clini-
A escala é composta por cinco expressões, sendo 0 = sem co, tendo recebido alta no 2º dia de pós- operatório, sendo
dor, 1 = dor leve, 2 = dor moderada, 3 = dor forte, 4 = dor encaminhado a enfermaria de cardiologia pediátrica, o qual
insuportável. No caso de pontuações 3 e 4 na escala de dor, recebeu alta no dia seguinte. DISCUSSÃO: o acometimento
as crianças receberam 1mg. kg-1 de tramadol como medi- da HAP em crianças, geralmente, é secundário a cardiopa-
cação de resgate. RESULTADO: Os grupos apresentaram tias congênitas. Os anestésicos podem produzir alterações
diminuição na pressão arterial sistólica antes da incisão, e na resistência vascular pulmonar (RVP) e pós- carga do ven-
aumento significativo um minuto após a incisão e durante a trículo direito (VD). Os agentes inalatórios apresentam efeitos
tração do apêndice. Na avaliação da variação da frequência pequenos e controversos sobre a circulação pulmonar de-
cardíaca, ao avaliarmos os momentos antes da incisão e um vendo desta forma serem usados com cautela em pacientes
minuto após a incisão, observou-se aumento significante no com severo comprometimento do VD. No caso relatado, a
grupo A (p=0,025). Ao avaliarmos a dor através da EAV aos provável etiologia do quadro apresentado pelo lactente foi
30 minutos na SRPA, o grupo A apresentou pontuações secundaria as patologias congênitas de base associada a
mais elevadas na EAV em comparação ao grupo B. Não se um estresse metabólico cirúrgico- anestésico que necessi-
observa essa diferença aos 60 minutos e na alta da SRPA. tava de uma reserva fisiológica cardiovascular, o qual o lac-
Observou-se no grupo em que o bloqueio não foi realizado tente não possuía, visto que o sevoflurano na concentração
47,4% dos pacientes necessitou de medicação de resgate utilizada causa pouca alteração, sendo a razão de sua es-
para dor, enquanto apenas 11,1% das crianças do grupo colha. Na avaliação cardiológica pós- operatória esta hipó-
submetido ao bloqueio necessitaram desta terapia (p=0. tese foi reafirmada. O lactente respondeu bem a terapêutica
015). CONCLUSÃO: As crianças submetidas ao bloqueio com oxido nítrico e sildenafil. Neste caso, deve- se ressaltar
apresentaram menor incidência de dor no pós-operatório a boa evolução cardíaca, respiratória e neurológica do lac-
imediato e tiveram menor necessidade de terapia de resga- tente, demonstrando a importância da identificação precoce
te para dor. Taquicardia no momento da incisão foi obser- da intercorrência e rápido inicio da terapêutica especifica.
vada no grupo sem bloqueio. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: Barash PG, Cullen BF,
Stoelting RK, et al. Clinical Anesthesia, 7th Ed, 2013; Miller
RD, Eriksson LI, Fleisher LA, et al. Miller’s Anesthesia, 7th Ed,
Philadelphia, Churchill Livingstone, 2010.

94 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


DELIRIO DESPERTAR. DIFICULDADE VENTILATÓRIA APÓS
ANESTESIA EM CRIANÇA COM MASSA
AUTORES:
Diana Maria Torres Chaves Matoso*, Mário Ronaldo Pereira MEDIASTINAL ANTERIOR.
Albuquerque, Walkiria Wingester Vilas Boas, Gustavo Hen- AUTORES:
rique Silva de Oliveira, Marilene Miranda Araujo, Fabiano Alexandre Siste Kireeff de Moraes*, Daniel Vieira de Quei-
Soares Carneiro. roz, Marialice Vieira Cardoso, Denise Iskin, Márcia Pereira
INSTITUIÇÃO: Repsold.
Hospital das Clinicas de Minas Gerais HC- UFMG. INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: Delírio do Despertar (DD) é um conjunto de Hospital Federal dos Servidores do Estado ( HSE ), RJ.
distúrbios de percepção e agitação psicomotora que ocorre INTRODUÇÃO: A anestesia em pacientes portadores
mais comumente em crianças pré-escolares, submetidas a de massa mediastinal anterior pode gerar desafios que
anestesia com sevoflurano ou desflurano, no período pós- põem em risco a vida do paciente, como colapso hemo-
-anestésico precoce. A incidência varia de 2-80% e esta dinâmico e de vias aéreas após a indução anestésica,
depende de diversos fatores como o método diagnostico, além da possível associação com síndrome de veia cava
idade, técnica anestésica e o tipo de cirurgia. Habitualmen- superior, dispnéia e ortopnéia, derrame pericárdico, entre
te o DD tem uma duracao de 5 -15 minutos e resolve- se outros. Tais dificuldades se agravam quando trata-se de
espontaneamente,entretanto é uma causa de preocupação um paciente pediátrico, onde os limites fisiológicos são
no ato anestésico. O DD pode resultar em lesão da criança, mais estreitos, habitualmente há pouca ou nenhuma co-
ruptura de sutura do sítio cirúrgico, remoção de cateteres e operação do paciente, e, assim, os desafios do ato anes-
drenos, desconforto e preocupação dos pais ou cuidado- tésico se tornam maiores. Descreveremos, a seguir, um
res. O objetivo deste relato é apresentar a conduta anes- caso em que o uso de valores elevados de pressão po-
tésica em uma criança portadora de DD de repetição ao sitiva ao final da expiração (PEEP) auxiliou a adequação
ser submetido a punções lombares para quimioterapia in- da ventilação, o que é uma estratégia não discutida em
tratecal durante tratamento de Leucemia Linfocítica Aguda literatura habitualmente. RELATO DE CASO: Paciente
(LLA), sob anestesia geral com sevoflurano. RELATO DO de 11 anos, sem outras comorbidades, com diagnóstico
CASO: LPS, sexo masculino, 5 anos, 24kg, diagnostico de de massa mediastinal e de volumoso derrame pericár-
LLA foi encaminhado ao bloco cirúrgico acompanhado da dico após drenagem de derrame pleural. Apresentava
mãe, sem medicação pré-anestésica, para realização de síndrome de veia cava superior e massa comprimindo
quimioterapia intratecal sob cuidado anestésico. Paciente porção distal da traquéia e brônquios direito e esquerdo,
com história pregressa de mais de um episódio de delírio do com redução maior que 50% de sua luz à tomografia. O
despertar em procedimentos semelhantes anteriores. Mo- paciente encontrava-se taquidispnéico, em ortopnéia,
nitorizado com cardioscópio, pressão arterial não-invasiva taquicárdico, ansioso e agitado. A proposta cirúrgica era
e oxímetro de pulso. Realizada venóclise com cateter 22G e obter um acesso venoso profundo de veia femoral, tora-
optado pela administração do Propofol contínuo durante o cotomia para biópsia da massa e drenagem do derrame
procedimento, cuja duração total foi de 15 minutos. Pacien- pericárdico. Após indução anestésica venosa com uso de
te permaneceu em respiração espontânea suplementada relaxante neuromuscular, houve extrema dificuldade de
com O2 por cateter nasal a 3l/min, mantendo estabilidade ventilação sob máscara e após a intubação orotraqueal.
hemodinâmica e bom padrão respiratório. Encaminhado a A ventilação adequada foi obtida após o uso de pressão
SRPA onde permaneceu 1 hora em observação. Apresen- positiva ao final da expiração (PEEP) em valores elevados
tou um despertar tranquilo, sem episódio de dor no pos (14-20 cmH2O). DISCUSSÃO: A presença de massa em
operatório,sem apresentar sinais e/ou sintomas de DD e mediastino anterior pode levar à obstrução ventilatória
preencheu todos os critérios para a alta em regime de en- por compressão de vias aéreas. Essa alteração é mais
fermaria. DISCUSSÃO: Os mecanismos fisiopatólógicos do evidente após o uso de bloqueador neuromuscular e
DD ainda não estão completamente esclarecidos, mas fato- ventilação mecânica, por perda da pressão negativa in-
res de risco como idade entre 2-6 anos, ansiedade pré-ope- tratorácica e relaxamento de musculatura que sustentava
ratória e anestesia com sevoflurano ou desflurano devem a massa e a impedia de comprimir estruturas adjacen-
ser considerados. O diagnóstico do DD se baseia na escala tes. O emprego de PEEP em valores elevados pode ter
PAED,que consiste de 5 itens psicométricos:contato ocular contribuído ao evitar o colabamento da via aérea durante
com o cuidador,movimentos intencionais,percepção do a expiração, situação na qual haveria aprisionamento de
ambiente, inquietação e se criança inconsolável. Cada item ar, impedindo a ventilação. REFERÊNCIA: James B. Ei-
é avaliado de 0-4 pontos e pontuação total >10-12 confirma senkraft, Edmond Cohen, Steven M. Neustein. Anesthesia
o diagnóstico. A profilaxia e tratamento (se risco de auto- for thoracic surgery. In: Barash PG, Cullen BF, Stoelting
-lesão) se baseiam principalmente no uso perioperatório de RK et al. Clinical Anesthesia. 7th ed. Philadelphia, 2013;
propofol e/ou agonistas α2 adrenérgicos e controle da dor 1058-1061. Blank RS, Souza DG. Anesthetic management
pós-operatória. em caso de história pregressa recente de of patients with anterior mediastinal mass: Continuing
delírio do despertar, a anestesia venosa total está indica- professional development. Can J Anesth/J Can Anesth
da. Na vigência de um episódio de delirio do despertar,os (2011) 58:853-867.
responsáveis pela criança devem ser informados da possi-
bilidade de alterações comportamentais no pós-operatório
tardio. REFERÊNCIA: Souhayl Dahmani,Honorine Delivet,
and Julie Hilly – Emergence Delirium in Children: an Update.
Curr Opin Anesthesiol 2014,27:309-315

Temas Livres CBA 2014 | 95


EDEMA AGUDO DE PULMÃO POR PRESSÃO EFEITO DA DEXMEDETOMIDINA EM
NEGATIVA – RELATO DE CASO CRIANÇAS SUBMETIDAS À ANESTESIA
GERAL COM SEVOFLURANO: METANÁLISE
AUTORES:
Raquel Yukie Casado, Douglas Flavio Porsani, Joana Zulian DE ENSAIOS CLÍNICOS RANDOMIZADOS.
Fiorentin*, Alexandre Vieira Martins, Camila de Santiago AUTORES:
Souza, Carlos Henrique de Aguiar Said. Marco Aurélio Soares Amorim*, Cátia Sousa Govêia, Edno
INSTITUIÇÃO: Magalhães, Luís Cláudio de Araújo Ladeira, Denismar Bor-
Hospital Universitário Cajuru - PUC/PR. ges de Miranda, Ewerton Aryel Sales Sobreira.

INTRODUÇÃO: O edema agudo de pulmão por pressão INSTITUIÇÃO:


negativa (EPPN) ocorre após inspiração forçada contra CET/SBA Centro de Anestesiologia da Universidade de
uma via aérea obstruída, gerando um aumento da pressão Brasilia.
hidrostática, com extravasamento do líquido do capilar pul- JUSTIFICATIVA: sevoflurano é amplamente utilizado em
monar para o interstício. Possui incidência de 0,05 a 0,1% anestesia pediátrica e está associado à alta incidência de
em adultos e sua ocorrência em crianças em uso de más- agitação psicomotora ao despertar. A dexmedetomidina,
cara laríngea (ML) é ainda pouco relatada na literatura. RE- agonista α2 adrenérgico, tem sido usada para diminuir a
LATO DE CASO: ESG, 2 anos, masculino, 15 kg, apresenta agitação psicomotora, embora os reais benefícios e impli-
corpo estranho em olho direito. Realizado indução anesté- cações na prática anestésica ainda permanecem incertos.
sica com fentanil e propofol, manutenção com sevoflurano e OBJETIVO: avaliar o efeito da dexmedetomidina na agita-
óxido nitroso. Utilizou-se ML, introduzida após a aplicação ção de crianças submetidas à anestesia com sevoflurano e
de lidocaína gel, mantendo-o em ventilação espontânea. A sua interferência na evolução anestésica. MÉTODO: meta-
duração do procedimento excedeu o previsto e o paciente nálise de ensaios clínicos randomizados e duplamente en-
evoluiu com esforço respiratório, dessaturação progressiva, cobertos, com crianças (até 10 anos) submetidas a proce-
taquicardia e estertores bolhosos à ausculta. Optou-se por dimentos eletivos sob anestesia geral com sevoflurano, que
bloqueio neuromuscular e intubação orotraqueal (IOT), sem usaram dexmedetomidina ou placebo. Buscou-se artigos
intercorrências. Ausência de secreção ou edema de glote em língua inglesa na base de dados PubMed e Cochrane
durante laringoscopia. em seguida exteriorizou-se secreção utilizando termos como dexmedetomidina, sevoflurano e
espumosa rósea abundante pelo tubo orotraqueal (TOT). agitação psicomotora, ou sinônimos, por meio de interlocu-
Provável EPPN após laringoespasmo. Após tratamento com tores AND e OR. Artigos duplicados, com crianças maiores
furosemida, terbutalina, morfina e ajustes na ventilação me- de dez anos, que receberam medicação pré-anestésica
cânica (VM), houve melhora clínica e laboratorial evidente. e que envolviam apenas sedação foram excluídos. Dois
Gasometria arterial demonstrou acidose respiratória impor- pesquisadores independentes fizeram avaliação preliminar
tante, com melhora dos parâmetros após instituição das dos títulos/resumos. Para os selecionados utilizou-se leitu-
medidas descritas. Na sequência, procedeu-se extubação, ra completa do texto para inclusão na amostra. Os dados
sem intercorrências. Paciente permaneceu hemodinami- referentes aos pacientes, anestesia, procedimentos e des-
canente estável e com padrões ventilatórios adequados. fechos foram tabulados. Após cálculo do qui-quadrado de
Alta hospitalar no dia seguinte. DISCUSSÃO: Dentre os heterogeneidade adotou-se modelo de efeito fixo com tes-
fatores de risco para EPPN estão pescoço curto, IOT difícil, tes de Mantel-Haenszel e cálculo de Odds ratio (OR) para
obstrução do TOT, entre outros. Pacientes jovens e hígidos variáveis dicotômicas e diferença de média (DM) para variá-
possuem maior capacidade de gerar aumento da pressão veis contínuas (tempo em minutos). Adotou-se intervalo de
negativa intratorácica. O desenvolvimento súbito de edema confiança (IC) 95% e software BioEstat® 5. 0. RESULTA-
pulmonar no período perioperatório deve aventar a possibi- DO: dos 116 estudos identificados, 11 foram selecionados
lidade de edema cardiogênico, neurogênico ou induzido por totalizando 680 pacientes (343 casos e 337 controles). O
drogas e pneumonite aspirativa. O quadro clínico costuma uso da dexmedetomidina foi considerado fator de proteção
ter início em minutos e apresenta melhora clínica e radioló- para agitação psicomotora (11 estudos; OR 0,17; IC 95%
gica significativa entre 12 e 24 horas, compatível com o qua- 0,12 a 0,25; p<0,0001; NNT:3) e para náuseas e vômitos na
dro em questão. Casos de EPPN geralmente se resolvem sala de recuperação pós-anestésica-SRPA (cinco estudos;
com a remoção da causa da obstrução e oferta de oxigênio OR 0,45; IC 95% 0,23 a 0,88; p<0,05; NNT:11). Tempo para
100%. A instituição precoce de ventilação com pressão po- extubação (nove estudos; DM 0,56; IC 95% 0,20 a 0,92;
sitiva pode evitar IOT e VM, o que influencia marcadamente p<0,05) e tempo para alta da SRPA (quatro estudos; DM
no desfecho. Diuréticos possuem benefício controverso, já 8,54; IC 95% 6,62 a 10,44; p<0,0001) foram maiores no
que a causa não é sobrecarga hídrica, mas extravasamento grupo dexmedetomidina. Não houve diferença entre os
de líquido para o interstício. Broncodilatadores aumentam grupos para tempo de despertar (oito estudos; DM 1,19; IC
o clearence do fluido alveolar, acelerando a resolução dos 95% 0,59 a 1,78; p<0,0001), duração do procedimento (11
sintomas. Morfina causa venodilatação e redução da des- estudos; DM -0,78; IC 95% -2,65 a 1,09; p<0,42) e duração
carga adrenérgica. REFERÊNCIA: Vandse R, Kothari DS, da anestesia (oito estudos; DM 1,33; IC 95% -2,18 a 4,82;
Tripathi RS et al. Negative pressure pulmonary edema with p<0,50). CONCLUSÃO: a dexmedetomidina reduz a agita-
laryngeal mask airway use: Recognition, pathophysiology ção psicomotora em crianças submetidas à anestesia geral
and treatment modalities. Int J Crit Illn Inj Sci. 2012; 2(2):98- com sevoflurano. Porém, aumenta o tempo para extubação
103. Devys JM, Balleau C, Jayr C et al. Biting the laryngeal e permanência na SRPA. REFERÊNCIA: Kim NA, Kim SY,
mask: na unusual cause of negative pressure pulmonary Yoon HJ et al. Effect of dexmedetomidine on sevoflurane re-
edema. Can J Anesth. 2000; 47(2):176-178. quirements and emergence agitation in children undergoing
ambulatory surgery. Yonsei Med J. 2014;55(1):209-15.

96 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


EFEITOS DO MIDAZOLAM E DA ENFISEMA LOBAR CONGÊNITO:
DEXMEDETOMIDINA ORAIS NA CARACTERÍSTICAS E MANEJO
OCORRÊNCIA DE ANSIEDADE E AGITAÇÃO ANESTÉSICO.
EM CRIANÇAS: ENSAIO CLÍNICO DUPLO
AUTORES:
CEGO RANDOMIZADO E CONTROLADO POR Juliana Reinoso de Abreu, Fernanda Almeida Coelho de
PLACEBO. Faria, Renata de Paula Lian-TSA, Mônica Braga da Cunha
AUTORES: Gobbo-TSA, Renan Oliveira Andreollo*, Rafael Almeida Vidal.
Daniel de Carli, Monica Naomi Hayashida*, Jose Fernando INSTITUIÇÃO:
do Amaral Meletti, Reinaldo Vargas Bastos de Miranda, Bru- Pontifícia Universidade Católica de Campinas - Hospital e
no Campostrini Sily, Livia Maria Lima da Silva. Maternidade Celso Pierro.
INSTITUIÇÃO: INTRODUÇÃO: O enfisema lobar congênito (ELC) é uma
Faculdade de Medicina de Jundiaí. condição rara definida pela hiperinsuflação de um ou mais
INTRODUÇÃO: A ansiedade pré-operatória e a agitação lobos de um pulmão histologicamente normal, secundário a
pós-operatória são fenômenos psicológicos de múltiplas uma obstrução parcial intrínseca ou extrínseca, geralmente
causas, estão intimamente relacionadas e encontram-se causada por deficiência cartilaginosa traqueobrônquica.
particularmente exacerbados nas cirurgias em crianças Esta condição leva a um bloqueio intra-alveolar de ar com
pré-escolares. As consequências destes fenômenos potencial colapso dos lobos sadios e estruturas adjacentes.
incluem um estado de ansiedade, estresse, agitação, O tratamento é cirúrgico, necessitando de um manejo anes-
alterações comportamentais, perda do acesso venoso, tésico adequado. RELATO DE CASO: RN, masculino, 21
sangramento, ou prejuízos no resultado final da cirurgia. dias, 4 kg, trazido ao serviço com desconforto respiratório
Neste contexto, a medicação pré-anestésica possui pa- progressivo, necessitando de intubação orotraqueal (IOT).
pel importante, podendo prevenir ou exacerbar tais fenô- A radiografia de tórax evidenciou hipertransparência e hipe-
menos. OBJETIVO: Comparar os efeitos do midazolam e rinsuflação à esquerda com desvio do mediastino à direita
da dexmedetomidina como medicações pré-anestésicas e a tomografia computadorizada hiperinsuflação do lobo
orais, durante o período pré e pós-operatório em crian- superior esquerdo (LSE), confirmando o diagnóstico com
ças submetidas a cirurgias ambulatoriais. MÉTODO: indicação cirúrgica. Monitorizado com oxímetro de pulso,
Realizou-se ensaio clínico randomizado, duplamente en- cardioscopia (ECG), estetoscópio no precórdio, pressão
coberto, controlado por placebo e comparativo em 105 arterial não invasiva, capnografia e termômetro esofágico.
crianças entre dois e seis anos, submetidas a cirurgias Induzido em sequência rápida com fentanil, propofol e ro-
ambulatoriais de parede abdominal e pélvicas sob anes- curônio, realizado intubação seletiva à direita com intenção
tesia geral inalatória com sevoflurano e bloqueio anes- de realizar colapso do pulmão a ser operado. Manutenção
tésico da região operada. Foram avaliados: sedação, anestésica com sevoflurane, em ventilação controlada a vo-
ansiedade, colaboração com a equipe médica, agitação, lume. Finalizada a cirurgia foi tracionado o tubo orotraqueal
dor, necessidade de medicação de resgate para dor, para ventilar ambos pulmões. Encaminhado extubado para
tempo de alta da sala de recuperação pós-anestésica e UTI neonatal. DISCUSSÃO: O ELC é uma doença anatômi-
alta hospitalar. RESULTADO: As crianças que receberam ca de causas variadas que acomete mais o sexo masculino,
midazolam apresentaram maior incidência de sedação nos primeiros quatro meses de vida. Não há componente
pré-operatória. Não houve diferença entre os grupos de destruição clássico, apenas hiperinsuflação alveolar
quanto à ansiedade. Após despertarem da anestesia, as com consequente compressão do pulmão sadio levando a
crianças que receberam dexmedetomidina apresentaram sintomas de insuficiência respiratória. Na maior parte ocorre
menor incidência de agitação em comparação ao grupo obstrução relacionada à malformação da parede brônquica,
controle. Apresentaram, também, uma maior incidência identificadas à broncoscopia. O diagnóstico é feito nos pri-
de sedação pós-operatória. Não houve diferença entre os meiros meses de vida e também intrautero por ultrassono-
grupos quanto aos tempos de alta da sala de recupera- grafia. Ao exame físico, apresenta sinais de hipoventilação,
ção pós-anestésica e hospitalar. CONCLUSÃO: O grupo hiperssonoridade à percussão do lado afetado e aumento
que recebeu a dexmedetomidina apresentou menor inci- do diâmetro anteroposterior. Na radiografia de tórax obser-
dência de agitação pós-operatória, quando comparado va-se hipertransparência e hiperinsuflação, com retificação
ao grupo que recebeu placebo, mas também apresentou do diafragma ipsilateral e desvio do mediastino para o lado
maior incidência de sedação neste período. sadio. Na indução anestésica, devemos ventilar o paciente
lentamente, com pouca pressão e está contraindicado o
uso de óxido nitroso pela sua intensa difusão intra-alveolar,
evitando assim a hiperdistensão pulmonar. A monitorização
é imprescindível na indução anestésica e, na ocorrência de
instabilidade hemodinâmica, toda equipe deve estar pron-
ta para toracotomia de emergência. O balanço hídrico no
préoperatorio é crucial, pois a desidratação seria mais um
fator somado a diminuição do retorno venoso e efeito vaso-
dilatador das drogas anestésicas para uma hipotensão se-
vera e instabilidade do paciente. REFERÊNCIA: Tempe DK,
Virmani S, Javetkar S et al. Congenital lobar emphysema:
Pitfalls and management. Annals of Cardiac Anaesthesia.
2010;13:53-58. Hammer GB. Pediatric Thoracic Anesthesia.
Anesth Analg 2001;92:1449–64.

Temas Livres CBA 2014 | 97


ESTRATÉGIAS POUPADORAS DE HIPERTERMIA INTRAOPERATÓRIA
HEMOTRANSFUSÃO EM CIRURGIA EM PACIENTE PORTADOR DE ANEMIA
PEDIÁTRICA DE CRANIOSSINOSTOSE: FALCIFORME.
RELATO DE CASO.
AUTORES:
AUTORES: Shirley Gomes Araniva*, Cremilda Pinheiro Dias, Ivandete
Emilia Aparecida Valinetti, Thúlio Miná Vago, Wallace An- Coelho Pereira, Rafaela Brasil e Silva Nunes, André Luis
drino da Silva, Carla Ramos Andrade*, Hamilton Matushita. Franco Silva.

INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital das Clínicas da FMUSP. Instituto da Criança do Amazonas.
INTRODUÇÃO: A correção cirúrgica de craniossinostose INTRODUÇÃO: Pacientes portadores de anemia falciforme
frequentemente está associada a transfusões sanguínea submetidos a procedimentos anestésicos e cirúrgicos de-
durante e após a cirurgia, especialmente em procedimentos mandam cuidados específicos em virtude destes procedi-
cirúrgicos prolongados (maiores que 5 horas) e em pacien- mentos estarem associados à hipóxia, acidose, hipotermia,
tes menores que 18 meses. Devido aspectos socioeconô- infecção e hipovolemia, podendo evoluir com complicações
micos e religiosos, estratégias que evitem ou reduzam a graves. RELATO DE CASO: Paciente de 14 anos, sexo
transfusão sanguínea tem sido amplamente propostos. (1). masculino, peso 28 kg, retardo do desenvolvimento ponde-
RELATO DE CASO: L. S. S. , lactente do sexo masculino, ro-estatural, estado fisiológico P3, diagnostico de anemia
10 meses, 10,4kg, filho de pais Testemunhas de Jeová, ASA falciforme desde os 4 anos e esplenectomizado aos 5 anos
II, portador de escafocefalia, foi submetido a correção ci- de idade, submetido à colecistectomia videolaparoscópica.
rúrgica da craniossinostose. Recebeu preparo pré-opera- Exames: Hemoglobina 7,2 hematócrito 20,8% plaquetas
tório com eritropoetina alfa 100UI/kg, por via subcutânea, 174. 000/mm3 TAP 68% INR 1. 4 bilirrubina direta: 7,7 mg/dl,
3 vezes por semana, e sulfato ferroso 3mg/kg/dia durante 4 bilirrubina total 13,9 mg/dl TGO 67 U/L TGP 53 U/L. Medi-
semanas, objetivando aumento da concentração de hemo- cação pré-anestésica (midazolam 2mg). Monitorizado com
globina, cujo valor, na véspera da cirurgia, era de 14,9g/dL ECG contínuo em DII, pressão arterial não invasiva, oxí-
e hematócrito de 46,7%. Foi submetida à indução inalatória metro de pulso, capnógrafo, termômetro em nasofaringe e
com sevoflurano 5%, protóxido 60% e oxigênio 40% para sonda vesical de Foley. Indução anestésica com O2, N2O e
venóclise. Administrou-se propofol 3mg/kg, fentanil 5 µg/ sevoflurano. Acesso intravenoso com cateter de calibre 20G
kg, cetamina 0,25mg/kg, e procedeu-se a intubação oro- em membro superior esquerdo seguido de injeção intrave-
traqueal, sem intercorrências. A anestesia geral foi mantida nosa de fentanil 80mcg, propofol 80mg, atracúrio 15mg e
com sevoflurano (0,5 a 1,1 CAM), remifentanil (0,05 a 3µg/ realização de intubação orotraqueal (cânula 6. 5 com balo-
kg/min) e dexmedetomidina (0,5µg/kg/h). Recebeu dose nete não insuflado). Foram administrados dextrocetamina
suplementar de 5µg/kg de fentanil antes do acoplamento 10mg, dexametasona 4mg, ranitidina 25mg e dipirona 1g
do fixador cirúrgico de crânio. Recebeu expansão volêmica antes da incisão umbilical. Manutenção da anestesia foi re-
inicial com 15mL/kg de solução de albumina humana a 4% alizado com sevoflurano 2% + O2. A hidratação foi realizada
em Ringer-lactato e ácido tranexâmico (Ataque: 30mg/kg com a infusão de solução de Ringer lactato (20 ml. kg -1).
IV em 15 min; Manutenção: 10mg/kg/h, até o fechamento O paciente permaneceu estável nos primeiros 60 minutos
da incisão cirúrgica). Os valores de Hb e Ht, após a expan- do procedimento (SPO2: 99%, FC: 76-82bpm, ETCO2: 34-
são inicial, eram de 13,6g/dL e 41,8%, respectivamente. A 39mmHg; T: 36,2° -36,9°C, PAM: 70- 75mmHg). Após este
reposição volêmica foi feita com solução de Ringer-lactato, período, evoluiu com aumento progressivo de temperatura
guiada por parâmetros clínicos e hemodinâmicos. O débito (37,4° - 38,9° C), ETCO2 (40-55 mmHg) e taquicardia (90-155
urinário foi maior que 2mL/kg/h. O gradiente veno-arterial bpm). Ao término da cirurgia apresentava-se hipertérmico,
de CO2 (∆CO2) variou de 3,6 a 4,4mmHg, o lactato arterial, taquicárdico e sudoreico, com reflexo pupilar presente,
de 15 a 23mg/dL e a SvcO2, de 77,8 a 86,7%. O paciente mobilidade dos quatros membros procedendo-se a extu-
manteve-se hemodinamicamente estável durante todo o bação. Prosseguiu-se com resfriamento externo e O2 100%
ato anestésico-cirúrgico, não necessitando de transfu- 2L/min sob cateter nasal durante 40 minutos sendo em se-
são sanguínea ou uso de vasopressores. O Hb/ht final foi guida encaminhado à SRPA com T: 37°C e FC: 80bpm. No
7,6/23,6. Foi extubado ao final do procedimento e encami- terceiro dia pós-operatório paciente recebeu alta hospitalar
nhado à Unidade de Terapia Intensiva, onde permaneceu sem outras intercorrências. DISCUSSÃO: A temperatu-
por 36h, tendo alta para a enfermaria, sem necessidade ra corporal de pacientes com anemia falciforme deve ser
de vasopressores e hemotransfusão. DISCUSSÃO: O uso cuidadosamente monitorada durante o período periope-
pré-operatório de eritropoetina e intraoperatório de ácido ratório, pois a hipotermia pode ocasionar vasoconstrição,
tranexâmico foram fundamentais como estratégias poupa- eritrofalciformação e consequente vaso-oclusão. Durante
doras de hemoderivados. O manuseio de líquido através do o período perioperatório o paciente deverá permanecer
∆CO2, SvcO2 e diurese foi bom guia da perfusão tecidual aquecido, visando a normotermia. A hipertermia no período
e reposição volêmica. Apesar de a criança não ter recebi- intra-operatório ocorre em 6% a 25% destes pacientes e
do hemoderivados, essa é uma situação de desafio para o pode ser, também, um sinal de crise de vaso-oclusão sendo
anestesiologista e toda a equipe cirúrgica. REFERÊNCIA: importante o diagnóstico etiológico diferencial imediato vi-
1. Pietrini D. Intraoperative management of blood loss du- sando melhor conduta para cada paciente. REFERÊNCIA:
ring craniosynostosis surgery. Pediatric Anesthesia. 2013. Marchant WA, Walker I. Anaesthetic management of the
23:278-284. child with sickle cell disease. Paediatric Anaesthesia. 2003;
13: 473–89. Firth PG, Head A. Sickle Cell Disease and Anes-
thesia. Anesthesiology. 2004;101:766–85

98 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


INCIDÊNCIA DE VÔMITOS APÓS O INTUBAÇÃO ACORDADA EM CRIANÇA
EMPREGO DO ÓXIDO NITROSO COMO COM ANQUILOSE BILATERAL DE
ADJUVANTE DA ANESTESIA GERAL EM MANDÍBULA: RELATO DE CASO.
CRIANÇAS.
AUTORES:
AUTORES: Antonio Bedin, Juliana Kaczmareck Figaro, Scheila Muriel
Mario José da Conceição; Valeria Viviana Blanco, Valeria Wendler, Consuelo Beatriz Cadena Astudillo, Telma Sumaia
Viviana Blanco*. Barros Cruz*, Patricia Dornbusch.

INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Hospital Infantil Joana de Gusmão. Serviço de Anestesiologia de Joinville.
INTRODUÇÃO: O óxido nitroso, há longo tempo utilizado INTRODUÇÃO: A anquilose da articulação temporoman-
como parte da técnica anestésica tem sido implicado com dibular é definida como a fusão entre o côndilo e a fossa
maior incidência de vômitos no período pós-operatório. mandibular reduzindo ou restringindo os movimentos
O objetivo desse estudo foi comparar o emprego do óxi- articulares resultando em assimetria facial e microgna-
do nitroso como adjuvante da anestesia geral e anestesia tismo com grande dificuldade de intubação oral. Uma
geral sem o emprego deste agente anestésico e a inci- vez prevista a dificuldade de intubação traqueal, deve-se
dência de vômitos no pós-operatório de tonsilectomias. optar por um método alternativo sendo o de escolha a
MÉTODO: foram observados sessenta (60) pacientes intubação com fibrobroncoscópio com o paciente leve-
pediátricos submetidos a adenotonsilectomias divididos mente sedado e anestesia local das mucosas a técnica
em dois grupos de 30 pacientes cada, escolhidos por de eleição. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino,
meio de sorteio obtido de envelope fechado e nomea- 8 anos, 32 kg, submetido à cirurgia para osteotomia e
dos de grupos CON e SON. Os pacientes do grupo CON colocação de distrator externo na mandíbula sob anes-
receberam anestesia geral utilizando-se óxido nitroso tesia geral. Na avaliação pré anestésica foi identificado
como coadjuvante e os pacientes do grupo SON, não re- via aérea difícil devido a abertura oral limitada (aproxi-
ceberam este agente. A incidência de vômitos no período madamente 1 cm). Optado por proceder com intubação
pós-operatório, por até 24h, foi avaliada por profissionais acordado com fibroscópico e presença do cirurgião em
que desconheciam a técnica anestésica utilizada e os sala para possível necessidade de traqueostomia de
resultados coletados por um dos pesquisadores. Foram emergência. Realizado midazolam 7,5 mg VO 30 minu-
excluídos do estudo portadores de co-morbidades, sem tos antes da cirurgia e em sala cirurgia iniciado infusão
tratamento, de qualquer etiologia,pacientes que neces- continua de dexmedetomidina bolus 1mcg/Kg em 10 mi-
sitaram medicação pré-anestésica,recusa por parte dos nutos seguido de 0,5 mcg/kg/h associado com infusão
pais, responsáveis ou pacientes e crianças que tiveram de remifentanil 0,05 mcg/kg/min. Feito nasoconstritor
complicação envolvendo técnicas anestésicas bem como nasal e oxigenação com cateter nasal 2 L/min. Realizado
aqueles com histórias de vômitos por outros motivos. Os fibroscopia via nasal com sucesso. Após confirmação
resultados obtidos receberam tratamento estatístico, da intubação traqueal foi induzido a anestesia com pro-
e foram apresentados na forma de n (%) ou média +DP pofol 2mg/Kg e fentanil 5 mcg/kg. Cirurgia com duração
conforme indicado. Testes estatísticos foram efetuados de 280 minutos e realizado ao termino extubação sem
na comparação dos resultados conforme indicados. Os intercorrências. DISCUSSÃO: As alterações decorrentes
valores para “p” foram fixados aleatoriamente em <0,05 desta doença determinam dificuldades na realização de
como significativos. O número de pacientes (“n”) foi fi- procedimentos anestésicos como a manutenção da via
xado a partir de cálculo do tamanho da amostra que de- aérea prévia. Para intubação acordada em crianças, a
terminou que 25 pacientes por grupo seriam necessários dextmedetomidina se mostrou uma excelente alternativa
( = 0,80, = 0,05). RESULTADO: não foram encontradas ao agente inalatório. REFERENCIAS: Blanco G, Melman
diferenças estatísticas significantes entre os dois gru- E, Cuairan V et al - Fibreoptic nasal intubation in children
pos. Dois(2) pacientes do grupo que não utilizou óxido with anticipated and unanticipated difficult intubation.
nitrosos apresentaram um episódio de vômito em 24 h Paed Anaesth, 2001;11:49-53.
e um(1) paciente do grupo que utilizou o óxido nitroso
apresentou também um episódio de vômito. CONCLU-
SÃO: nas condições deste estudo, o emprego do óxido
nitroso não aumentou a incidência de vômitos no período
pós-operatório de adenotonsiolectomias. REFERÊNCIA:
• Kovac AL - Management of Postoperative Nausea and
Vomiting in Children. Pediatric Drugs, 2007: 9:47-69. •
Bolton CM, Myles PS, Nolan T et al – Prophylaxis of pos-
toperative vomiting in children undergoing tonsillectomy:
a systematic review and meta-analysis. Br J Anaesth,
2006;97:593-604.

Temas Livres CBA 2014 | 99


LOBECTOMIA PULMONAR EM CRIANÇA, MANEJO ANESTÉSICO EM RECÉM NASCIDO
ESTRATÉGIAS DE VENTILAÇÃO. RELATO DE PORTADOR DE VENTRÍCULO ÚNICO
CASO. SUBMETIDO À CIRURGIA NÃO CARDÍACA:
RELATO DE CASO.
AUTORES:
Daniel Vieira de Queiroz, Denise Iskin, Marialice Vieira Car- AUTORES:
doso, Gabriel Alann Gayo Souto*, Felipe de Castro Freitas. Shirley Gomes Araniva, André Luis Franco Silva*, Ivandete
Coelho Pereira, Leopoldo Palheta Gonzalez.
INSTITUIÇÃO:
CET Prof. Fabiano Gouvea - Hospital Federal dos Servido- INSTITUIÇÃO:
res do Estado do Rio de Janeiro. Instituto da Criança do Amazonas.
INTRODUÇÃO: Muitas estratégias cirúrgicas em pediatria INTRODUÇÃO: A ocorrência de cardiopatias congênitas
necessitam do isolamento dos pulmões, a fim de minimizar complexas em recém nascidos, dentre as quais, car-
o movimento do órgão no lado a ser operado. Para isso diopatia com fisiologia de ventrículo único, resulta em
existem algumas alternativas como a intubação seletiva importante morbimortalidade e dificuldades no manejo
unilateral com tubo convencional, tubo de dupla-luz, tubo anestésico quando são submetidas a procedimentos
endotraqueal Univent e bloqueador endobrônquico. A es- cirúrgicos. RELATO DE CASO: Recém nascido (RN) no
tratégia ideal seria a seletivar com uso do tubo de dupla-luz, 3º dia de vida, pesando 3. 400g, apresenta ao ecocar-
porém seu menor diâmetro (26 Fr) é recomendado para pa- diograma transesofágico cardiopatia congênita com
cientes com pelo menos 8 anos ou 30 quilos. RELATO DE morfologia de ventrículo único, com cirurgia proposta
CASO: Relato de caso de paciente de 4 anos de idade, sexo de cistostomia suprapúbica e colostomia. Ao exame, RN
feminino, portadora de enfisema lobar congênito, com indi- encontrava-se choroso, pescoço e face pletóricos com
cação cirúrgica para bilobectomia superior e inferior direita. membros superiores e inferiorres acianóticos, eupneico,
Realizada primeira cirurgia com intubação orotraqueal não com distensão abdominal associada a hipoplasia da mus-
seletiva, ocorrendo lesão de artéria pulmonar, evoluindo culatura abdominal anterior. Foi realizada monitorização
com choque hipovolêmico. Após a rafia da lesão foi abor- padrão com cardioscopia, PANI, SpO2, e ETCO2, revisão
tado o procedimento para estabilização clínica da paciente. de acesso venoso central em veia jugular interna direita.
Ocorreu segunda tentativa após 7 dias, com intubação se- A indução anestésica foi realizada com O2 e Sevoflurano
letiva para o brônquio fonte esquerdo com TOT 4,5 mm e 2% sob máscara facial em sistema de Baraka. em plano
auxílio do broncoscópio. A paciente não tolerou este tipo anestésico foi realizado intubação orotraqueal com cânu-
de intubação, com aumento da pressão das vias aéreas e la Portex 3,5 sem balonete, em seguida foi posicionado
dessaturação, sendo novamente abortado o procedimento. em decúbito lateral direito e submetido a punção lombar
Uma terceira tentativa ocorreu após 3 dias, com intubação paramediana (L4-L5) com agulha Quincke calibre 27G.
orotraqueal e colocação de bloqueador endobrônquico no Após obtenção do líquor cefalorraquidiano foi injetado no
brônquio fonte direito, desta vez com sucesso e a cirurgia espaço subaracnoideo cloridrato de Bupivacaína hiper-
pode ser realizada sem intercorrências, a paciente evoluiu bárica 0,5% 0,6ml (3mg) com barbotagem permanecen-
bem, tendo alta hospitalar 45 dias após. DISCUSSÃO: A do em posição de Trendelemburg durante 15 minutos. A
melhor estratégia para emprego da ventilação seletiva seria manutenção da anestesia foi realizada com O2 + Sevo-
através do uso do tubo de dupla-luz devido à rápida se- flurano 0,6% + ar comprimido em ventilação controlada
paração dos pulmões, possibilidade de aspiração bilateral à pressão. O procedimento cirúrgico transcorreu em 60
individual, mudança para a ventilação bilateral de acordo minutos, sem repercussões hemodinâmicas. Ao final da
com as necessidades do paciente, uso de CPAP ou insu- cirurgia, RN foi encaminhada ao setor de terapia inten-
flação do pulmão que está sendo operado para melhora siva, com intubação sob ventilação assistida, mantendo
da oxigenação. Na maioria das vezes os pacientes são ca- os parâmetros cardiorrespiratório estáveis. (SpO2: 95%;
pazes de tolerar a ventilação monopulmonar sem maiores FC 127bpm). DISCUSSÃO: A associação de anestesia
problemas, o que não é a regra em pacientes com doença subaracnoidea com a anestesia geral, é procedimento
pulmonar significativa. Diante das limitações para venti- seguro em recém nascidos, principalmente em portado-
lação seletiva com um tubo endotraqueal convencional e res de cardiopatia congênita como ventrículo único. Esta
a inexistência de tubo dupla-luz e Univent para crianças técnica anestésica propicia redução das concentrações
menores de quatro anos, o uso do bloqueador brônquico dos agentes inalatórios, que são cardiodepressores,
constitui a opção de escolha, porém mantem as desvanta- evitando instabilidade hemodinâmica como observado
gens da impossibilidade de aspiração e aplicação de CPAP no caso relatado. REFERÊNCIA: Walker SG, Stuth EA.
no pulmão não-dependente, além do risco de obstrução do Single-Ventricle Physiology: Perioperative Implications.
TOT devido ao possível deslocamento cranial do bloquea- Seminars in Pediatric Surgery,2004;13:188-202. Tobias
dor. Diante deste cenário nota-se a necessidade de criação JD. Combined General and Spinal Anesthesia in an Infant
de um novo dispositivo para a ventilação monopulmonar With Single-Ventricle Physiology Undergoing Anorecto-
em crianças nessa faixa etária em especial. REFERÊNCIA: plasty for an Imperforate Anus. Journal of Cardiothoracic
1- Hammer G, Hall S, Davis P. Anesthesia for General Ab- and Vascular Anesthesia, 2007;21:873-5.
dominal, Thoracic, Urologic, and Bariatric Surgery. In: Davis
JP, Cladis FP, Motoyama EK. Smith’s Anesthesia for Infants
and Children. 8th ed. Philadelphia – USA, Elsevier, 2010;
763-778. 2 -Brambrink AM, Meyer RR. Management of the
paediatric airway: new developments. Current Opinion in
Anaesthesiology 2002; 15:329±337.

100 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


TIMECTOMIA EM CRIANÇA CUSHINGOIDE USO DE MÁSCARA LARÍNGEA NA
COM MIASTENIA GRAVIS. ANESTESIA GERAL PARA CRIANÇA EM
DECÚBITO VENTRAL SOB VENTILAÇÃO
AUTORES:
Pablo Pulcheira Brasileiro*, Saulo Marcel Diaz Henriquez, Gui- ESPONTÂNEA.
lherme de Moraes Ancora Braga Netto, Carlos Eduardo L. G. AUTORES:
da Silva, Joana de Almeida Figueiredo, Ismar Lima Cavalcanti. Artur Viana França*, Maria Enedina Fernandes Ivo de Olivei-
INSTITUIÇÃO: ra, Jedson dos Santos Nascimento.
Universidade Federal Fluminense. INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: A Miastenia Gravis (MG) é doença neu- Santa Casa de Misericórdia da Bahia - Hospital Santa Izabel.
romuscular caracterizada por fatigabilidade e fraqueza INTRODUÇÃO: Descrever a condução de uma anestesia
da musculatura esquelética, imunomediada, com dimi- geral em criança usando máscara laríngea posicionada
nuição de receptores de acetilcolina nas junções neuro- em decúbito ventral e seu desfecho. RELATO DE CASO:
musculares. Incide em todas as faixas etárias, com picos Paciente masculino; 04 anos de idade; com dificuldade no
na segunda e terceira décadas de vida em mulheres e controle esfincteriano; perda de equilíbrio e diminuição de
quinta e sexta em homens. O timo é anormal em 75% dos força muscular em MMII há 03 meses; RNM evidenciando
pacientes, em 65% hiperplásicos e em 10% neoplásicos formação expansiva no 4º ventrículo. Cirurgia realizada
(timomas). RELATO DE CASO: Masculino, 12 anos, 80 em setembro\2013, durando 07 horas e ressecando par-
kg, 1,65m (IMC = 28,75 kg. m2), Mallampati II, ASA III, cialmente o tumor com retirada de lesão intraventricular
usuário crônico de corticoide (Prednisona 40mg, a cada e de lesão infiltrativa em pedúnculos cerebelares. Após
dois dias) e anticolinérgico (Piridostigmina 60mg 4/4h), cirurgia, encaminhado à uti com melhora progressiva. Re-
com proposta cirúrgica de timectomia transesternal. torna à unidade com indicação de radioterapia adjuvante.
Exames pré-operatórios normais. Foi admitido à sala de Tais sessões foram realizadas em decúbito ventral e ven-
operação, monitorizado e puncionados acessos venosos tilação espontânea. Durante grande parte das sessões, o
periféricos com cateter 20G e 18G em MIE. Administra- paciente se mostrou calmo e colaborativo. Admitido em
dos cefazolina 2g e Metilprednisolona 100mg IV, pré-oxi- sala de radioterapia contactando, ventilação espontânea,
genado com O2 sob máscara facial, feito indução venosa hemodinâmica estável e acesso venoso central em veia
de anestesia geral com Fentanil 300mcg, Propofol 150mg jugular interna direita. A monitorização básica consistia de
e Cisatracúrio 5mg, realizada intubação orotraqueal sob eletrocardioscópio (ritmo sinusal), frequência cardíaca (110),
laringoscopia direta e mantida anestesia com Sevoflu- saturação de hemoglobina(98%), pressão arterial não inva-
rano. O perioperatório transcorreu sem intercorrências, siva (102x46 mmHg) e capnografia (utilizada após uso de
durando um total de quatro horas, tendo sido o bloqueio máscara laríngea). Previamente pré-oxigenado, o paciente
neuromuscular monitorado, sendo o TOF zerado após a foi induzido com 10 ml de propofol a 10%. Após perda de
indução da anestesia e retornado definitivamente à nor- consciência, foi introduzida máscara facial número 2 co-
malidade após duas horas e meia da dose de bloqueador berta com lidocaína gel a 2%. Assegurada patência de via
neuromuscular. Ao final da cirurgia, foi realizada epidural aérea e adequada ventilação espontânea, a máscara facial
torácica T7-T8 com cateter e ropivacaína 1,5mg após foi fixada e o paciente posicionado em decúbito ventral.
dose-teste. O paciente foi extubado e transportado acor- Conectada ao sistema de Baraka, tipo maplenson A e uso
dado, em ar ambiente, ao CTI, com avaliação neurológica de sevoflurano a 2% com oxigênio e ar comprimido a 2L/
inicial sem evidência de fraqueza muscular. Recebeu alta min, com capnografia satisfatória e manutenção dos dados
da unidade fechada após 72 horas, e alta hospitalar após hemodinâmicos, a máscara laríngea mostrou-se efetiva.
seis dias de pós-operatório. DISCUSSÃO: No presente Tal rotina foi repetida nas 30 sessões de radioterapia do
caso, apresentamos paciente pediátrico com diagnósti- referido paciente e cada uma durava em média 15 minutos.
co de síndrome de Cushing e MG com plano anestésico Devido aos níveis de radiação, a vigilância era realizada em
que se revelou satisfatório. Espera-se do anestesio- sala anexa, através de visualização dos dados do monitor e
logista, que conheça as doenças coexistentes e evite do aparelho de anestesia por câmeras. Não houve qualquer
complicações possíveis. O bloqueio epidural pode ser tipo de complicação ou instabilidade hemodinâmica duran-
de grande valia quando diminui dor pós-operatória sem te os procedimentos, após os quais o paciente recebeu alta
promover fraqueza muscular. REFERÊNCIA: 1)Fauci AS, hospitalar. DISCUSSÃO: É um tema pouco debatido e com
Braunwald E, Kasper DL E et al. Myasthenia Gravis (MG). escassos artigos relacionados. Apesar disso, o importante
In: Harrison’s Manual of Medicine. 17th Edition. Interna- é ressaltar a importância da patência da via aérea e moni-
tional Edition, McGraw-Hill Companies, 2009; 1065-67. 2) torização contínua desta pela capnografia, principalmente
Naguib M, Lien CA. Pharmacology of Muscle Relaxants num paciente em decúbito ventral com difícil acesso à via
and Their Antagonists. In: Miller: Miller’s Anesthesia. 6th aérea. O uso de máscara laríngea evita o trauma ocasio-
Edition. Elsevier, Philadelphia, 2005; 540-43. nado às cordas vocais e adjacências pelo tubo traqueal,
principalmente 30 dias seguidos, além de proporcionar
melhor conforto ao paciente. Esse relato de caso mostra a
segurança do uso de máscara laríngea numa criança sob
ventilação espontânea em decúbito ventral. REFERÊNCIA:
Karen J. – Nonoperating Room Anesthesia, em: Barash PG,
Cullen BF - Clinical Anesthesia. 7th Ed, Lippincott Willia-
ms, Philadelphia, 2013; 876-888 e Paul E. – Anesthesia at
Remote Locations, em: Miller RD Eriksson LI, Fleisher LA,
Wiener-Kronish.

Temas Livres CBA 2014 | 101


ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
Anestesia em Procedimentos DUPLO-CEGO COMPARANDO O
DESFECHO REPRODUTIVO DE DUAS
Ginecológicos TÉCNICAS ANESTÉSICAS PARA PUNÇÃO
FOLICULAR TRANSVAGINAL GUIADA POR
AVALIAÇÃO DA DOR PÓS-OPERATÓRIA ULTRASSONOGRAFIA.
EM PACIENTES SUBMETIDOS À AUTORES:
HISTERECTOMIA ABDOMINAL EM UM Desire Carlos Callegari, Caio P Barbosa, Bianca Bianco,
HOSPITAL DE ENSINO. Paola Bem-Haja, Marcelo Maia da Silveira*, Gilvandro Lins
de Oliveira J.
AUTORES:
Fernando José Amorim Martins, Alvaro Regino de Carvalho INSTITUIÇÃO:
Melo*, Walkiria Wingester Vilas Boas, Marco Antonio Costa Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
Carlos, Gutemberg Clementino Martins Mendes Soares,
INTRODUÇÃO: não há um modelo anestésico de esco-
Carolina Marques Morlim Pereira.
lha para punção folicular transvaginal guiada por ultras-
INSTITUIÇÃO: sonografia. Assim, analisou-se a influência das técnicas
Hospital da Polícia Militar do Piauí. anestésicas com propofol e fentanil versus midazolam
e remifentanil associado ao bloqueio paracervical com
INTRODUÇÃO: A dor pós-operatória deve ser adequa- lidocaína, no resultado reprodutivo. MÉTODO: selecio-
damente tratada. O emprego de drogas adjuvantes na ra- nou-se 61 mulheres classificadas de acordo com a escala
quianestesia permite melhoria da qualidade e duração da da American Society of Anesthesiologists (ASA) como
analgesia com redução dos efeitos colaterais. Os opióides ASA I e II, idade inferior a 42 anos, índice de massa cor-
estão entre as drogas mais utilizadas com esta finalidade, pórea (IMC) inferior a 30; submetidas à tratamento de re-
sendo que o perfil farmacocinético e farmacodinâmico des- produção assistida. Foram divididas randomicamente em
tes fármacos no espaço subaracnóideo depende sobretudo dois grupos: indução anestésica com 1mcg/kg de fentanil
da lipossolubilidade do agente empregado. O objetivo des- associado a 1,5 mg/kg de propofol (grupo FP, n=32) em
te estudo foi comparar o efeito de dois opióides de liposso- comparação a indução anestésica com 0,075mg/kg de
lubilidade diferentes, morfina e fentanil, sobre a analgesia midazolam, associado a 0,25mcg/kg/min de remifentanil
pós-operatória e incidência de efeitos colaterais, quando e bloqueio paracervical com 3ml de lindocaína 2% (grupo
associados a combinação de bupivacaína e clonidina na ra- MRB, n=29). Sendo, as variáveis estudadas: número de
quianestesia. METODOLOGIA: Neste estudo longitudinal, embriões formados, taxa de gestação e cortisol salivar
prospectivo e controlado, 40 pacientes submetidas à histe- como marcador de resposta ao estresse. RESULTADO:
rectomia abdominal sob raquianestesia foram divididas em observou-se maior número de embriões formados no gru-
dois grupos: grupo 1 (20 pacientes) que recebeu a asso- po FP (p50= 2 versus 1, p=0,025), taxa de gestação duas
ciação morfina, bupivacaína e clonidina; e grupo 2 (20 pa- vezes maior no grupo FP (44,4% versus 22,2%, p=0,127)
cientes), que recebeu a associação fentanil, bupivacaína e e a variação entre as dosagens de cortisol salivar foi
clonidina. A aferição da dor foi realizada na primeira, sexta e menor no grupo FP (p=0,061). CONCLUSÃO: anestesia
vigésima quarta hora de pós-operatório, através das esca- com fentanil e propofol fornece condições anestésicas
las analógico numérica e de expressão facial. A solicitação satisfatórias na realização de procedimentos em repro-
de medicação analgésica de resgate, bem como a incidên- dução assistida, além de proporcionar melhor desfecho
cia de efeitos adversos foi coletada através de entrevista di- reprodutivo. REFERÊNCIA: 1) Tsen LC. Anesthesia for
reta com o paciente e consulta ao prontuário. RESULTADO: assisted reproductive technologies. Int Anesthesiol Clin
Dados demográficos foram semelhantes nos dois grupos. 2007;45:99-113. ; 2) Li XH, Ma YG, Geng LH et al. Baseli-
em relação à dor, não houve diferença significativa entre os ne psychological stress and ovarian norepinephrine levels
grupos na primeira hora de pós-operatório. Na sexta hora, negatively affect the outcome of in vitro fertilization. Gy-
o grupo 1 apresentou melhor controle álgico. Na vigési- necol Endocrinol 2011;27:139-43.
ma quarta hora, houve diferença com a escala analógico
numérica, porém não ocorreu o mesmo com a escala de
expressão facial. As pacientes do grupo 1 solicitaram me-
nos medicação analgésica e esse dado foi estatisticamente
significativo. O grupo 1 apresentou menos náusea, não
houve entretanto diferença significante em relação a vômi-
tos e prurido. CONCLUSÃO: A realização de histerectomia
abdominal sob raquianestesia com bupivacaína, clonidina e
morfina propicia melhor controle álgico nas primeiras vinte
e quatro horas de pós-operatório em relação a bupivacaí-
na, clonidina e fentanil sem alterar a incidência dos efeitos
adversos náusea, vômitos e prurido. REFERÊNCIA: 1. SITI
SALMAH, G. ; CHOY, Y. C. Comparison of morphine with
fentanyl added to intrathecal 0. 5% hyperbaric bupivacai-
ne for analgesia after caesarean section. Med J Malaysia,
2009; v. 64: 71-74. 2. BUJEDO, B. M. Spinal Opioid Bioavai-
lability in Postoperative Pain. Pain Prac, 2013.

102 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


INCIDÊNCIA DE NÁUSEAS E VÔMITOS
EM PACIENTES SUBMETIDAS A Anestesia em Videolaparoscopia
HISTERECTOMIA ABDOMINAL SOB
RAQUIANESTESIA.
BLOQUEIO SUBARACNÓIDEO PARA
AUTORES: CIRURGIA VIDEOLAPAROSCÓPICA.
Mariana Lima Portocarrero*, Fabiana Viana Del Guerra,
Guilherme Oliveira Campos, Adriano Teixeira Fernandes, AUTORES:
Laszló Mocsári Filho, Rodrigo Leal Alves. Celso Schmalfuss Nogueira, Daniel Lima Muniz de Albu-
querque, Tássio Diogo Pontes*, Felipe Souza Thyrso de Lara,
INSTITUIÇÃO: Victor Pellicciotti de Sousa, Patrícia Fernandes Calves.
Hospital São Rafael.
INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: Pacientes submetidas à histerectomia
C. E. T. Santa Casa da Misericórdia de Santos.
apresentam risco elevado de náuseas e vômitos pós-
-operatório (NVPO), visto que todas são do sexo feminino, INTRODUÇÃO: Anestesia para procedimentos video-
frequentemente não tabagistas e existe uso rotineiro de laparoscópicos é uma realidade frequente no dia a dia
opióide no neuroeixo para controle da dor. Este trabalho do anestesiologista. A anestesia condutiva apresenta-se
visa descrever a ocorrência de NVPO em pacientes sub- como uma alternativa para estes procedimentos. RELA-
metidas a histerectomia abdominal sob raquianestesia em TO DO CASO: SBF, masculino, 65 anos, 80 kg, casado,
2013 em um hospital de Salvador-BA e relatar as diferentes mecânico. Nega doenças e alergias. Não faz uso de me-
estratégias antieméticas utilizadas no intraoperatório. MÉ- dicamentos. Exame físico: sem alterações. RFX, mascu-
TODO: Estudo descritivo, com coleta de dados nos pron- lino, 28 anos, solteiro, 75 Kg, nega doenças e alergias,
tuários de pacientes submetidas a histerectomia abdominal não faz uso de medicamentos. Exame físico: sem altera-
sob raquianestesia. em ficha específica, foram registrados ções. Procedimentos propostos: Videocolecistectomia.
dados do intra- e pós-operatório quanto a comorbidades Monitorização: oxímetro, PANI, cardioscópio, estetoscó-
das pacientes, medicações utilizadas, hidratação, dor, náu- pio, venóclise com cateter intravenoso 20g. Realizou-se
seas e vômitos. Os dados coletados foram armazenados pré-meedicação com midazolam 3 mg, fentanil 50 ug.
e analisados através do programa SPSS ®, versão 15. 0. Procedeu-se o Bloqueio Subaracnóideo sentado com
RESULTADO: Foram analisados até o momento (resulta- agulha 27G Witacre, em L3/L4, infundido solução de
dos preliminares) prontuários de 204 pacientes, com idade bupivacaina hiperbárica 20mg, sufentanil 5ug. Pacientes
média de 44,63 (DP: +/- 5,57), sendo a incidência global dispostos em posição de céfalo-declive de 30 graus por
de NVPO 17,2%. Não houve correlação entre a presença 10 minutos até o bloqueio sensitivo atingir nível T4. Su-
de comorbidades (hipertensão, diabetes, obesidade) e a porte de oxigênio 2 L/min por cateter nasal. Iniciou-se
incidência de NVPO. A incidência global de tabagismo foi insuflação peritoneal lenta até atingir 10 cmH2O, mantida
muito pequena na população estudada, não podendo ser durante todo o procedimento. Instilou-se lidocaína sem
avaliada sua correlação com o desfecho estudado. Com vasoconstrictor a 1%, 100mg na superfície subdiafrag-
relação as medicações utilizadas, o uso de fentanil endo- mática, após a colocação do segundo trocarte. Hidrata-
venoso antes da raquianestesia demonstrou uma tendência ção durante o procedimento 1500ml ringer lactato, com
a maior incidência de NVPO nesta população (19,7% com duração de 50 minutos. Não houve intercorrências em
fentanil X 8,5% sem fentanil, p= 0,081). Quanto ao uso ambos os casos relatados. DISCUSSÃO: O bloqueio de
de profilaxia anti-emética durante a anestesia, na grande neuroeixo encontra-se como alternativa para a cirurgias
maioria das pacientes (91,18%) foi utilizada a combinação laparoscópicas que podem ser realizadas com pressão
Dexametasona + Ondansetrona, e em 32,8% das pacientes peritoneal limitada. Apresenta baixo índice de conversão
houve a associação com Dimenidrinato. Desta forma, para para anestesia geral e ótima analgesia pós operatória.
efeito de comparação, o uso de antieméticos foi dividido em REFERÊNCIA: 1- Bessa SS, Katri KM, Abdel-Salam WN,
2 grupos: pacientes que não usaram (137) ou que usaram El-Kayal el-SA, Tawfik TA. J Spinal versus general anes-
(67) dimenidrinato. Houve tendência a redução na incidên- thesia for day-case laparoscopic cholecystectomy: a
cia de NVPO nas pacientes que fizeram uso de Dimenidri- prospective randomized study. Laparoendosc Adv Surg
nato (10,4% x 20,4%), ainda sem significância estatística Tech A. 2012 Jul-Aug;22(6):550-5. 2- Ross SB1, Mangar
(p= 0,112). A presença de dor não foi um fator relacionado D, Karlnoski R, Camporesi E, et al. Laparo-endoscopic
a maior ocorrência de NVPO. CONCLUSÕES: Apesar do single-site (LESS) cholecystectomy with epidural vs. Ge-
uso rotineiro de abordagem multimodal para profilaxia de neral Anesthesia. Surg Endosc. 2013 May;27(5):1810-9.
NVPO, a sua incidência permanece alta. Nenhum dos fa-
tores avaliados apresentou correlação estatisticamente
significante com aumento ou redução de NVPO. Parece
haver tendência a aumento na incidência de NVPO quando
usado Fentanil endovenoso, bem como redução de NVPO
quando associado Dimenidrinato a outros antieméticos.
REFERÊNCIA: 1. Chatterjee A, Rudra A, Sengupta S. Cur-
rent concepts in the management of postoperative nausea
and vomiting. Anesthesiol Res Pract 2011; 2011: 1-10. 2. Gan
TJ, Meyer T, Apfel CC, ET AL. Consensus guidelines for ma-
naging postoperative nausea and vomiting. Anesth Analg
2003; 97: 62-71.

Temas Livres CBA 2014 | 103


COMPORTAMENTO DO ESPAÇO DESPERTAR INTRAOPERÁTORIO
MORTO FISIOLÓGICO (EMF) DURANTE EM COLECISTECTOMIA POR
VIDEOLAPAROSCOPIA. VIDEOLAPAROSCOPIA. RELATO DE CASO.
AUTORES: AUTORES:
19596 - Evandro Hanna Sant`Ana - Flavio Fernandes - Paulo Giselle Acácia de Cristo Canto *, Iris Santos de Souza , Pris-
Nicolau Achê - Márcia Regina Ferraresi Jorge - Eduardo cila Gonçalves de Oliveira , Bruno Mendes Carmona, Rosa
D’Andrea Vargas*. Maria da Silva Beltrão, João Hermínio Pessoa dos Santos .
INSTITUIÇÃO: INSTITUIÇÃO:
Centro de Ensino e Treinamento de Anestesiológia do Hospital Ophir Loyola
Hospital São Francisco e Maternidade Sinhá Junqueira de
INTRODUÇÃO: O despertar intraoperatório durante cirurgia
Ribeirão Preto SP.
sob anestesia geral é pouco frequente, porém descrito pelo
INTRODUÇÃO. Estudamos o comportamento do EMF du- paciente e pelo anestesiologista como um efeito adverso
rante o perioperatório refletindo o aparecimento de áreas de e indesejável desde o primeiro relato, quando o paciente
atelectasia. Amostras de CO2 foram colhidas em 3 períodos de Horace Wells declarou que a dor durante a operação
do pneumoperitônio (pressão 8 a 12 mmHg) da capnografia foi como se sua pele estivesse riscada por um prego. RE-
e arterial. Foi calculado o EMF pela diferença [CO2 (arterial) LATO DO CASO: Paciente sexo masculino, 35 anos, 78
- CO2 (alveolar)] e avaliados entre si. 2 Material e metodos: kg, 160 cm de altura, estado físico ASA I, apresentou-se
Vinte pacientes de ambos sexos (tabela 1) foram submeti- para colecistectomia videolaparoscópica. O paciente foi
dos a anestesia geral balanceada para videolaparoscopia. monitorizado com ECG, oximetria de pulso, capnografia,
Após venopunção é instalado soluções balanceadas e capnometria e pressão arterial não invasiva. Realizado ve-
realizado monitorização não invasiva (PAS,PAD, PAM, FC, nóclise com cateter 20 G. Realizado anestesia geral venosa
spO2, capnografia - EtcO2: “sistema não aspirativo- main total com midazolam 2 mg, propofol (3 μg/ml em infusão
stream”, ECG5D e cateterismo arterial radial para registro alvo controlada), remifentanil (0,3 μg/kg/min) contínuo e
de PAM e colheita de amostras gasosas arteriais) sob seda- rocurônio 50 mg. Após a intubação traqueal foi instalada
ção com midazolan (0,1mg/kg) e fentanil (3mcg/kg). A seguir ventilação controlada mecânica com O2 a 2 L/min e admi-
é realizada a indução com propofol (2,0mg/kg) e bloqueio nistração de parecoxibe sódico 40 mg, dipirona 2 g e tra-
NM com cisatracúrio (0,15mg/kg). Segue-se ventilação sob madol 100 mg. Trinta minutos antes do término da cirurgia,
mascara com KT5 e intubação traqueal com sonda apro- foram administrados ondansetron 8 mg e dexametasona
priada; a seguir se instala o sistema com reinalação parcial. 4 mg. O procedimento durou 60 min. Após a extubação o
A manutenção da anestesia foi com mistura O2: N2O (50%) paciente relatou sua percepção auditiva sobre conversas
e Sevoflurane 2%. Retorno anestésico padrão e condução que realmente haviam ocorrido na sala de cirurgia durante
do paciente a recuperação. Valores de capnografia (ETCO2) o procedimento. Referiu sensação de paralisia consciente,
e CO2 arterial foram colhidos no início, meio e fim do pneu- angústia e ansiedade, porém sem sentir dor. Destacamos
moperitônio e comparados os valores inicio e fim (teste t). que em nenhum momento existiu alteração dos parâmetros
RESULTADO: tabela 1 apresenta dados paramétricos da hemodinâmicos ou sinais clínicos que pudessem refletir
amostra: N=20, idade=61+17 anos, peso=60+18 kg, ASA= um inadequado plano anestésico. Foi encaminhado para
IaII, Sexo= 14F-6M, Tempo: Pneumoperitônio=99+42s. Ta- a Sala de Recuperação Anestésica sem dor , eupnéico e
bela 2: Valores de parâmetros cardiorespiratórios, no início, saturando 97% com cateter nasal de O2 (2 L/min). No pós
meio e fim do pneumoperitônio: FC=71+15, 72+12, 68+13. operatório imediato ainda apresentava a memória periope-
ETCO2=28+6, 35+5, 34+6. paCO2= 29+3, 35+3, 34+4. ratória, mas não se verificou maiores danos psicológicos.
Diferença [CO2(arterial) - CO2 (aveolar)]=25+0,6, 06+03, DISCUSSÃO: A consciência durante anestesia geral é um
1,8+0,6. CONCLUSÃO: não houve diferença significativa importante problema clínico na anestesiologia, podendo
(t=0,24,p<05) quando se calculou pelo método indicado o causar sequelas psicológicas importantes, inclusive in-
EMF no início e final do pneumoperitônio indicando função capacitantes, por longos períodos de tempo. As causas
ventilatória preservada na técnica utilizada. 1 BIBLIOGRA- deste evento são decorrentes de técnicas anestésicas
FIA: 1) Rev. Bras. Anestesiologia, 1992;42 : 1 : 51-8 2 2) inadequadas, falhas de equipamentos, pacientes adictos,
Terapia Intensiva, 1996, 2 : Ed. São Paulo Ed. Manole 83-4 uso de bloqueadores neuromusculares em quantidades
excessivas e monitoração inadequada do nível de profun-
didade anestésica. Situações específicas, como grandes
traumas, intercorrências obstétricas e bypass cardiopulmo-
nar, consideradas de risco para o despertar intraoperatório,
nos dias atuais podem ser bem conduzidas, dado o arsenal
terapêutico de fármacos específicos e potentes, além da
qualidade na monitoração disponível. REFERÊNCIA: 1) Nu-
nes RR, Porto VC, Miranda VT, Andrade NQ, Carneiro LMM.
Fatores de risco para o despertar intraoperatório. Rev Bras
Anestesiol, 2012; 62(3): 365-374. 2) Ghoneim MM, Block RI,
Haffarnan M, Mathews MJ. Awareness During Anesthesia:
Risk Factors, Causes and Sequelae: A Review of Reported
Cases in the Literature. International Anesthesia Research
Society 2009, 108 (2): 527-535.

104 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


EFEITO DO ANTAGONISTA 5-HT3 NO ENFISEMA SUBCUTÂNEO COMO
CONTROLE DE NÁUSEAS E VOMITOS COMPLICAÇÃO DE COLECISTECTOMIA
PÓS-OPERATÓRIO (NVPO) EM VIDEOLAPAROSCÓPICA – RELATO DE CASO.
VIDEOCOLECISTECTOMIA COM ANESTESIA
AUTORES:
VENOSA TOTAL COM PROPOFOL- José Mauricio Pereira Assef, Nelson Unzer dos Santos Filho*,
REMIFENTANIL. Patricia Mayumi Honda, Teófilo Augusto Araújo Tiradentes.
AUTORES: INSTITUIÇÃO:
Neuber Martins Fonseca, Vanessa Alves da Rocha Dias*, CET/SBA/MEC da Santa Casa de Marília - SP.
Anna Virgínia Carrijo Martins, Ludmila Pedrosa, Natália Melo.
INTRODUÇÃO: Este relato de caso divulga uma complica-
INSTITUIÇÃO: ção, enfisema subcutâneo, que pode ocorrer em cirurgias
Universidade Federal de Uberlândia (UFU). videolaparoscópicas, c/ uma incidência de 1,4%, e que
INTRODUÇÃO: NVPO são complicações de alta incidên- nem sempre é lembrada como diagnóstico diferencial. Esta
cia no PO e avanços na profilaxia incluem antagonistas complicação exige diagnóstico preciso e imediato, c/ o ob-
5–HT3. Apesar do desenvolvimento de novas drogas, jetivo do controle da mesma e redução do impacto da mor-
continua sendo importante fator de morbidade no PO. A bidade dessa complicação. RELATO DE CASO: Paciente,
palonosetrona, novo antagonista do 5-HT3, vem mostran- fem, 34anos, 70kg, ASA I, foi submetida a colecistectomia
do superioridade nesta prevenção nas primeiras 24 horas videolaparoscópica sob anestesia geral. MPA midazolam
de PO devido ao maior tempo de ação em decorrência da 15mg via oral. Monitorizada c/ cardioscópio, capnógrafo,
sua estrutura química e interação com o receptor 5-HT3, O PA não invasiva, oximetria de pulso, acesso venoso c/ ca-
objetivo deste estudo foi avaliar o efeito desta medicação teter 20G com SG5% 500ml. Foi administrado remifentanil
no controle antiemético no PO. MÉTODO: Avaliados 60 em infusão contínua, propofol 150mg, cisatracúrio 10mg e
pacientes, 21 a 64 anos, ASA I-II, 76,6 % sexo feminino, realizada laringoscopia c/ intubação orotraqueal c/sonda
distribuídos aleatoriamente em 3 grupos, duplamente en- rush nº7,5. Mantida com isofurano , oxigênio/ar (50%/50%)
coberto, submetidos à videocolecistectomia pelo mesmo e remifentanil em infusão contínua. Efetuado pneumoperitô-
cirurgião, com anestesia venosa total com propofol-remi- nio Parâmetros após o pneumoperitônio: PA 120x80mmHg,
fentanil e tratados com palanosetrona (G1), dexametasona ETCO2: 32mmHg, SatO2: 99%, FC: 62bpm. Iniciada cirurgia
e ondasetrona (G2), ou dexametasona (G3). O efeito foi videolaparoscópica e, após 30min, ocorreu elevação dos
avaliado pela escala de Rhodes nas primeiras 12 e 24 ho- valores de capnografia, que atingiu 60mmHg apos 1h de
ras. Controle de dor no PO com morfina (SC) e resgate cirurgia. Parâmetros hemodinâmicos estáveis. SatO2: 98%.
de NVPO com dimenidrato se necessário. RESULTADO: Procurados fatores causais, como: troca de cal sodada,
Tempo de cirurgia e anestesia, de pressão e volume de troca do aparelho de anestesia, aumento do volume cor-
pneumoperitôneo foram semelhantes nos grupos. Nas pri- rente e feita ventilação manual, sem sucesso. Após estas
meiras 12 h náuseas foram significantes em G3 e sem dife- tentativas, notou-se importante edema e crepitação em
rença significante quanto aos vômitos. O resgate foi maior face, pescoço e tórax. Ausculta torácica normal bilateral.
em G2 e G3 nas 12 primeiras horas. Entre 12 e 24 horas RX de tórax, evidenciou ausência de pneumotórax, mas
não houve diferença na incidência e resgate de NVPO. acusou nível aéreo em subcutâneo. Cirurgia prosseguiu e
CONCLUSÃO: A palonosetrona mostrou superioridade após 15 minutos desinsuflação do pneumoperitôneo. Ao
na prevenção de NVPO. Não foi utilizado grupo placebo final da cirurgia paciente sedada e c/ aumento do V. C.
por princípios éticos, conforme prevalência pela escala de Notou-se melhora dos valores de capnografia c/ 26mmHg
Epfel. REFERÊNCIA: Chun et al. Efficacy of palonosetron após 2hs do término da cirurgia. Parâmetros finais: PA
for the prevention of postoperative nausea and vomiting: a 100x60mmHgf, FC: 70bpm, SatO2: 100%. Houve melhora
radomized, double-blinded, placebo-controlled trial. BJA, importante de edema e crepitações de face e tórax. Enca-
2014; 112:485-490. Gan et al. Consensus Guidelines for minhada à UTI intubada, c/ ventilação espontânea. Após
the Management of Postoperative Nausea and Vomiting. 12h foi extubada, sem outras complicações. DISCUSSÃO:
Anest Analg, 2014; 118:85-113. Apesar do baixo índice de complicações da colecistecto-
mia videolaparoscópica, as complicações intra-operatórias
se encontram presentes em aproximadamente 3,25% dos
procedimentos, estando o enfisema subcutâneo ou pré-
-peritoneal presentes em 1,4% dessas. O tratamento deve
ser imediato e consiste em suporte clínico ao paciente no
leito e observação da evolução do caso, além de ainda na
sala operatória, a parada da insuflação peritoneal, atenção
às alterações cardiovasculares e respiratórios inerentes à
hiperinsuflação e suspensão imediata do procedimento ci-
rúrgico. Essa complicação é de evolução autolimitada, bom
prognóstico, evoluindo c/ reversão completa do quadro.
REFERÊNCIA: 1 Campos FGCM, Roll S. ; Complicações
do acesso abdominal e do pneumoperitônio em cirurgia
laparoscópica: causas, prevenção e tratamento. Rev Bras
Video-cirur, Jan/Mar 2003: 21-28. 2 Silva MCSAJ, Bojo AL:
Enfisema subcutâneo associado ã colecistectomia videola-
paroscópica. Rev Bras Anest, 1993; 43: 3: 195-198.

Temas Livres CBA 2014 | 105


RAQUIANESTESIA POR PUNÇÃO LOMBAR
OU TORÁCICA PARA COLECISTECTOMIA Anestesia inalatória
VIDEOLAPAROSCÓPICA (CVL). ESTUDO
COM 369 PACIENTES.
CONVULSÃO TRANSOPERATÓRIA
AUTORES: RELACIONADA AO USO DE SEVOFLURANO.
Siddharta Guatama Lacerda*, Luiz Eduardo Imbelloni, Ca-
milla Queiroga Dantas , Gualter Lisboa Ramalho. AUTORES:
Cristina Schwab Rasseli*, Bruno Pimentel de Oliveira Car-
INSTITUIÇÃO: valho, Erick Freitas Curi, Paulo Antonio de Mattos Gouvea,
CET João Pessoa/PB. Eliana Cristina Murari Sudré, Cassiano Franco Bernardes.
INTRODUÇÃO: Após sua introdução a CVL se tornou o
INSTITUIÇÃO:
tratamento de escolha para doença litiásica biliar. Recen-
Centro de Ensino e Treinamento da AFECC/Hospital Santa
temente, a anatomia do canal torácico foi investigada com
Rita de Cássia-Vitória-ES.
ressonância magnética e estudo em 300 pacientes mostrou
a segurança da raquianestesia torácica (1). O objetivo do INTRODUÇÃO: A epilepsia é uma doença neurológica
estudo é relatar a experiência com 369 pacientes subme- crônica frequente. Anestesia em portadores dessa pato-
tidos à CVL com punção lombar e torácica em nosso de- logia é comum tanto em neurocirurgias como em outros
partamento desde 2007. MÉTODO: Aprovado pelo Comitê procedimentos diagnósticos e terapêuticos. RELATO DE
de Ética e Pesquisa e assinado consentimento informado. CASO: Paciente masculino, 58 anos, 79 kg, ASA II (hi-
Não foi utilizada medicação pré-anestésica. Os pacientes pertensão arterial sistêmica). em uso de enalapril e anlo-
foram submetidos à monitorização não invasiva para pres- dipina. Exames complementares dentro da normalidade.
são arterial, SO2 e CO2 expirado. Instalada cânula 18G, Encaminhado à sala de operações para submeter-se a
para infusão de 500 mL de RL com 2 g de cefalosporina, 50 prostatectomia radical. Monitorou-se de acordo com a
mg de ranitidina, 40 mg de omeprazol, 10 mg de dexame- Resolução 1802/2006 (CFM). Instalou-se acesso venoso
tasona, 8 mg de ondansetrona e 10 mg de metoclopramida em membro superior esquerdo com cânula endovenosa
antes do bloqueio e administrados fentanil (1 µg. kg-1) e mi- nº 16G. Administrou-se fentanil (100 µg), midazolam (2mg)
dazolam (1 mg) antes da punção. Foram comparados dois e cefazolina (2g), sob suplemento de O2. Realizou-se
grupos. No primeiro foi realizado punção lombar (L2-L3 ou bloqueio peridural (L2/L3) administrando levobupivacaí-
L3-L4) com administração de 15 mg de bupivacaína hiper- na (50 mg), fentanil (100 µg) e morfina (2 mg). Induziu-se
bárica e no segundo, punção torácica (T8-T9 ou T9-T10) anestesia geral com fentanil (150 µg), propofol (120 mg),
com 7,5 ou 10 mg de bupivacaína hiperbárica; em todos lidocaína (60 mg) e atracúrio (40 mg). Mantida com sevo-
os pacientes foram administrados 25 mcg de fentanil até flurano/(O2:N2O – 50%). Após 20 minutos paciente apre-
que o nível sensorial T3 tivesse sido alcançado. Parâme- sentou espasmos musculares em hemiface esquerda
tros intra-operatórios, dor pós-operatória, complicações, associado a desvio da comissura labial e fasciculações
recuperação e satisfação do paciente foram comparados palpebrais ipsilateral. Administrou-se diazepam (5 mg) e
entre os dois grupos. Para análise estatística foram utiliza- atracúrio (5 mg), sem melhora do quadro. Interrompeu-se
dos os testes ANOVA, Kruskal-Wallis, Qui-quadrado, exato a administração do sevoflurano com resolução total do
de Fischer, Mann-Whitney e correção de Bonferroni, sendo quadro. Paciente apresentou-se estável hemodinamica-
considerado significativo p≤0,05. RESULTADO: Todos os mente durante todo o procedimento. Após 120 minutos
procedimentos foram completados sem violar o protocolo. paciente foi extubado e levado à SRPO, de onde rece-
O tempo para atingir o nível sensitivo em T3 foi maior no beu alta para a enfermaria sem qualquer intercorrência.
primeiro grupo (p≤0,05). Doses mais baixas de anestéscio No pós-operatório o paciente relatou crises epilépticas
proporcionaram uma redução de 52,2% na incidência de esporádicas, não tendo feito uso de medicações e sen-
hipotensão arterial, demostrando correlação positiva entre do a última crise há 40 anos. Encaminhou-se o mesmo
estas variáveis. O tempo do bloqueio sensitivo foi quase ao serviço de neurologia. DISCUSSÃO: A epilepsia é a
duas vezes maior que o bloqueio motor em todas as doses. segunda doença neurológica mais frequente, atrás so-
Quando realizadas baixas doses de bupivacaína hiperbári- mente do acidente vascular cerebral. Incide em 1% da
ca, 60% dos pacientes conseguiam, ao término da cirurgia, população mundial. O agente anestésico inalatório isoflu-
passar da mesa cirúrgica para a maca. Satisfação ocorreu rano tem potente efeito anticonvulsivante. O sevoflurano,
em 99% dos pacientes. CONCLUSÃO: Este estudo mos- quando administrado em concentrações menores que
trou que a raquianestesia é tecnicamente viável e segura 1,5 CAM, evitando-se hiperventilação, parece seguro no
para CVL. O uso de punção torácica e baixas doses de bu- paciente epilético. Há segurança também com o uso de
pivacaína hiperbárica em combinação com fentanil propor- halotano e desflurano. Existe controvérsia quanto a uso
ciona maior estabilidade hemodinâmica, menos hipotensão do N2O. O agente enflurano é contra-indicado nesses
e menor duração do bloqueio sensitivo e motor do que a pacientes. Estudos demonstram correlação entre o uso
raquianestesia lombar com doses convencionais. A solução de sevoflurano e alterações epileptiformes no EEG, assim
hiperbárica por proporcionar um bloqueio principalmen- como movimentos convulsivos em portadores ou não de
te das raízes sensitivas, resulta num término do bloqueio epilepsia. Os fatores de risco se relacionam à profundi-
motor em torno de 1:15 horas, permanecendo a analgesia dade anestésica e hipocapnia. REFERÊNCIA: Maranhão
por 2:35 horas. REFERÊNCIAS: 1. Imbelloni LE, Quirici MB, MVM, Gomes EA, Carvalho PE. Epilepsia e Anestesia.
Ferraz-Filho JR E et al. The anatomy of the thoracic spinal Rev Bras Anestesiol. 2011; 61:2:232-54.
canal investigated with magnetic resonance imaging. Anes-
th Analg, 2010;110:1494-1495.

106 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


USO DO SUGAMADEX NA REVERSÃO
Anestesia para Cirurgia de DO BLOQUEIO NEUROMUSCULAR
PARA ELETROESTIMULAÇÃO DURANTE
Cabeça e Pescoço PARATIREOIDECTOMIA.
AUTORES:
AUSÊNCIA DE FADIGA DO REFLEXO Raphaela Martins Ferraz dos Santos*, Priscilla de Araujo
OCULOCARDÍACO POR COMPRESSÃO Souza, Sérgio Stanicia, Giovanna Regina Puttini Cassavia,
TUMORAL CRÔNICA DO OLHO João Soares de Almeida Junior, Walter Masaru Yoshimoto.

AUTORES: INSTITUIÇÃO:
Cristiane Gurgel Lopes Faria, Rogean Rodrigues Nunes, Lú- CET Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
cia da Costa Gomes, Gustavo Nóbrega Pereira de Almeida*,
INTRODUÇÃO: a anestesia geral para paratireoidectomia
Luciana Gonçalves Maciel Pinho, Paulo Alcântara Xavier.
pode ser realizada com diferentes técnicas anestésicas. A
INSTITUIÇÃO: monitorização do nervo laríngeo recorrente pode ser utili-
Hospital Geral de Fortaleza-HGF. zada durante a cirurgia e se esta é utilizada o relaxamento
muscular é contra-indicado. O relaxamento muscular para
INTRODUÇÃO: O reflexo oculocardíaco é um evento im- somente a intubação pode ser realizado com succinilcolina
portante que pode ocorrer em operações oftalmológicas e se este agente for contra-indicado podemos utilizar o su-
ou de cabeça e pescoço que envolvam a região da órbita. gamadex para antagonizar um relaxante muscular não des-
A compressão do globo ocular ou a tração dos músculos polarizante para a laringoscopia e antagonizar o relaxante
extrínsecos do olho podem desencadear uma intensa bra- antes da cirurgia iniciar. Para evitar o movimento do pa-
dicardia ou até mesmo parada cardíaca. A via aferente do ciente sem o uso do relaxante muscular, é necessário uma
reflexo é o ramo oftálmico do nervo trigêmeo e a via eferente, anestesia geral profunda com potentes agentes inalatórios,
o nervo vago. Uma característica importante do reflexo ocu- venosos ou ambos. Opióides deprimem reflexos laríngeos,
locardíaco é a ocorrência de fadiga, assim trações repetidas minimizam a tosse no intra-operatório e durante as manipu-
e suaves ou compressão crônica do olho levam a respostas lações, garantem um despertar suave com mínimos refle-
de menor intensidade e esgotamento do reflexo. Uma das xos. RELATO DO CASO: paciente, 38 anos, sexo masculi-
medidas mais eficazes de inibição desse reflexo é o bloqueio no, 59,8 Kg portador de nefropatia crônica em hemodiálise,
oftálmico. RELATO DE CASO: homem de 84 anos, ASA P1, decorrente de síndrome de Alport, perda progressiva da
portador de carcinoma sebáceo de pálpebra inferior direita função renal e auditiva que evoluiu com hiperparatireoidis-
com invasão de órbita, há quatro anos. Hemograma, coa- mo secundário com indicação de paratireoidectomia total.
gulograma, radiografia de tórax e ecocardiograma normais. Dentre os exames laboratoriais o potássio encontrava-se
ECG com ritmo sinusal, frequência cardíaca (FC) de 78bpm elevado 6,3mMol/L contraindicando o uso de succinilcolina
e eixo cardíaco entre 30° e 60°, realizado há três meses. como relaxante muscular para laringoscopia. A anestesia
Programação cirúrgica: exenteração de órbita e reconstru- geral foi iniciada com 500 microgramas de fentanil, propo-
ção com retalho de músculo temporal. Monitorização: car- fol PFS, rocurônio 24 mg, intubação traqueal com sonda
dioscopia, SpO2 e PANI. Evidenciada uma FC de 40bpm à para eletroestimulação sem intercorrências, paciente com
monitorização inicial. Procedida a indução anestésica com monitor de relaxante muscular. Após o início da incisão
fentanil 350μg, etomidato 20mg, cisatracúrio 6mg. Intubação cirúrgica aproximadamente 30 minutos após a indução,
traqueal sem repercussões hemodinâmicas. Manutenção procedeu-se o antagonismo do relaxamento muscular com
com propofol e remifentanil infusões alvo controladas, sítio 200 mg de Sugamadex, retornando à níveis pré- indução a
efetor. Durante avaliação da invasão tumoral pelo cirurgião monitoração neuro muscular e obteve-se normalização da
houve bradicardia intensa (FC=27bpm). Decidido pela reali- monitoração por eletroestimulação do nervo latingeo recor-
zação de bloqueio oftálmico. Devido a invasão tumoral de rente. DISCUSSÃO: o sugamadex é uma droga que pode
toda extensão inferior da órbita, optou-se por proceder ao ser utilizada para antagonismo do relaxamento muscular
bloqueio peribulbar único superonasal. Após antissepsia e em pacientes com níveis aumentados de potássio quando
leve afastamento do olho para introdução da agulha, houve o relaxamento muscular para intubação traqueal se fizer
nova bradicardia severa (FC=13bpm). Após administração de necessário ao invés de se usar o relaxante muscular des-
0,75mg de atropina endovenosa, a FC elevou-se para 62bpm, polarizante como a succinilcolina responsável por desen-
realizou-se bloqueio peribulbar superonasal com ropivacaína cadear aumento do potássio plasmático principalmente em
0,75% 7ml. A operação foi realizada sem qualquer alteração pacientes com insuficiência renal. REFERÊNCIA: Barbosa
da FC. DISCUSSÃO: O reflexo oculocardíaco costuma estar FT, Cunha RM- Reversão de Bloqueio Muscular Profundo
abolido ou atenuado pelo estímulo crônico de compressão com Sugammadex. Após falha de intubação traqueal em
extrínseca do globo ocular. No presente relato, o paciente sequência rápida: Relato de caso Rev Bras Anestesiologia
encontrava-se bradicárdico e pequenas manipulações da 2012; vol 62 n2: 281-284.
massa tumoral eram suficientes para desencadear uma in-
tensa queda da freqüência cardíaca. O bloqueio oftálmico
foi imprescindível para realização da cirurgia e se mostrou
eficaz na prevenção de intercorrências hemodinâmicas.
REFERÊNCIA: 1. Westerling D, Blohmé J, Stigmar G. Orbital
mass in a child causing somnolence, nausea and bradycar-
dia. Can J Anaesth 1998;45:8,777-780 2. Bayes J, Basta SJ.
Anesthesia for ophthalmic surgery in: Longnecker DE, Brown
DL, Newman MF et al. Anesthesiology. 2nd ed. Mc Graw Hill,
2012;1206-25.

Temas Livres CBA 2014 | 107


VIA AÉREA DIFÍCIL EM PACIENTE COM
EPIGLOTE EM ÔMEGA. Anestesia para Cirurgia Plástica
AUTORES:
Sara Fontoura de Moraes, Daniele Tondolo Martins, Andrea
PARADA CARDÍACA EM CIRURGIA
Fogaca Soubhia, Gabriela Pretto Rostand Prates*, Fabio de
Aguiar Lopes, Clariana Guedes Wagner.
PLÁSTICA ESTÉTICA. RELATO DE CASO.
AUTORES:
INSTITUIÇÃO:
Larissa Sara Cardoso Pinheiro, Thiago Cavalcante da Cruz*,
Fundação Universidade Federal do Rio Grande.
Bruno Barros Nascimento, Bruno Mendes Carmona, João
INTRODUÇÃO: A dificuldade no manuseio ou a impossibi- Hermínio Pessoa dos Santos, José Mariano de Melo Cava-
lidade do controle da via aérea é uma das principais causas leiro de Macêdo.
de complicações relacionada à anestesia. A preocupação
crescente com essa situação nos faz seguir diversas reco- INSTITUIÇÃO:
mendações e diretrizes para tentar identificar a via aérea Hospital Ophir Loyola.
difícil antes do procedimento ocorrer, porém algumas situ- INTRODUÇÃO: A anestesia peridural torácica, para cirur-
ações podem nos surpreender gerando graves conseqüên- gias plásticas estéticas propicia resultados satisfatórios nos
cias. RELATO DE CASO: Paciente feminino, 16 anos, 68 kg, períodos per e pós-operatórios. O uso de poucos fármacos,
portadora de bócio mergulhante. À avaliação pré-anestési- despertar precoce, amnésia, analgesia pós-operatória e a
ca da via aérea apresentava regular mobilidade do pescoço, possibilidade de alta hospitalar em até 24 h justificam o uso
distância esternomentoniana maior que 12,5 cm, Mallampa- dessa técnica para esse tipo de cirurgia. RELATO DO CASO:
ti II, abertura de boca maior que 3 cm e dentes preservados. Paciente do sexo feminino, 25 anos, ASA I, programada para
Apresentava também um quadro de apnéia obstrutiva do realização de lipoplastia estética. Após monitorização obriga-
sono e uma história questionável de asma brônquica. Equi- tória e venóclise, foi sedada com midazolam 4 mg e fentanil
pamentos para via aérea difícil estavam em sala devido a 50 μg. Realizado punção peridural nos interespaços T12-L1 e
importante deformidade do pescoço gerada pelo bócio da T2-T3 com agulha de Tuohy 18 G, seguidas da inserção de
paciente. A paciente foi induzida à anestesia geral utilizan- cateter peridural 18 G em ambos, sem intercorrências. No in-
do como monitorização cardioscopia contínua, oximetria terespaço T12-L1 foi adminstrado simocaína 0,5% com vaso-
de pulso, pressão arterial não invasiva, bis e capnografia. A constrictor 14 ml, morfina 2 mg, fentanil 50 μg e água destilada
indução anestésica foi realizada com remifentanil ( 0,4 mcg/ 3 ml. No interespaço T2-T3, foi administrado simocaína 0,5%
kg/min) e propofol (2mg/kg). Verificou-se boa ventilação sob com vasoconstrictor 8 ml, fentanil 50 μg e água destilada 2
máscara facial, sendo então administrado cisatracúrio (0,15 ml. A paciente foi mantida em decúbito dorsal horizontal du-
mg/kg) e a seguir foi realizada a larisgoscopia. Durante a rante 10 min, momento em que observou-se diminuição na
laringoscopia foi notada uma alteração anatômica, a epiglo- saturação periférica de oxigênio de 98% para 92%, revertida
te em ômega, que impossibilitou a visualização da laringe. por duas inspirações profundas solicitadas pelo médico as-
Foi necessária a utilização do bougie para a adequada in- sistente. Cerca de 10 min após assumir o decúbito ventral, a
tubação traqueal. O procedimento transcorreu sem outras paciente evoluiu com parada cardiorrespiratória em assistolia
intercorrências. DISCUSSÃO: A epiglote em ômega é uma presenciada pelo anestesiologista, que iniciou as manobras
rara alteração anatômica em adultos. Ela é dita infantil pois de reanimação cardiorrespiratória preconizadas pelo ACLS.
é característica da infância. Possui um formato tubular que Após 20 min de reanimação cardiorrespiratória, a paciente
favorece o colapso das estruturas sobre a glote. Na posição retornou à circulação espontânea havendo a necessidade de
supina ela se colaba durante a inspiração, podendo oca- drogas vasoativas para garantir a estabilidade hemodinâmica.
sionar desde ruídos inspiratórios leves até dispnéia grave O procedimento cirúrgico foi suspenso e a paciente encami-
(apnéia), justificando a história pregressa da paciente de nhada para UTI, de onde recebeu alta após 2 dias. No 3o dia, a
apnéia obstrutiva do sono e asma. Tudo isso nos mostrou paciente recebeu alta hospitalar sem sequelas. DISCUSSÃO:
que a deformidade do pescoço não foi o verdadeiro fator A parada cardiorrespiratória em anestesia peridural pode estar
complicador da obtenção da via aérea e o fato de estarmos relacionada com os seguintes fatores: administração intratecal
previamente preparados para o manejo de uma via aérea di- acidental, bloqueio simpático extenso, isquemia miocárdica,
fícil possibilitou a realização de uma intubação orotraqueal depressão respiratória secundária, choque anafilático, intoxi-
segura e sem complicações importantes. REFERÊNCIAS: cação por anestésico local. Os casos não justificados por es-
1. Gardélio B, Alves RL. Anatomia das Vias Aéreas Superio- ses motivos, podem ser explicados por predominância vagal.
res. In: Fortuna AO, Brandão ACA, Ortenzi AV et AL. Con- A paciente apresentava três característica (idade menor que
trole da Via Aérea, Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de 50 anos, nível sensitivo acima de T6 e ASA I) que juntamente
Anestesiologia/SBA, 2012; 14-20. com o contexto da PCR ressalta a possibilidade do predomí-
nio vagal como principal mecanismo causador. Além disso,
outros fatores como sedação, hipoxemia, uso de opioides e
mudança do posicionamento podem ter contribuído para o
desenvolvimento ou agravamento da resposta vagal. O re-
conhecimento imediato da PCR foi essencial para o retorno
da circulação espontânea e bom desfecho neurológico deste
caso. REFERÊNCIA: 01) Caplan RA, Ward RJ, Posner K, Che-
ney FW. Unexpected cardiac arrest during spinal anesthesia:
a closed claims analysis of predisposing factors. Anesthesio-
logy. 1988;68:5–11. 02) Liguori GA, Sharrock NE. Asystole and
severe bradycardia during epidural anesthesia in orthopedic
patients. Anesthesiology. 1997;86:250–257.

108 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


PNEUMOTÓRAX NA CIRURGIA PLÁSTICA
MAMÁRIA: UMA COMPLICAÇÃO Anestesia para Procedimentos
ANESTÉSICA? Urológicos
AUTORES:
Haward Hideo Uoieno Iosto, Emanuelle Assunção da Ro- ANESTESIA EM NEFRECTOMIA RADICAL
cha, Andrea Ribeiro Moreira*, Yuri Erick Dantas da Luz. E ADRENALECTOMIA EM HIPERTENSÃO
INSTITUIÇÃO: ARTERIAL DE DIFÍCIL CONTROLE.
Hospital Federal de Ipanema. AUTORES:
INTRODUÇÃO A colocação de prótese mamária ou a ma- Jorge Silvio Silva de Vasconcellos*, José Costa, André Cal-
moplastia redutora estão entre os procedimentos mais rea- deira Lage, Tatiana Souza do Nascimento.
lizados da cirurgia plástica. Apesar do número reduzido de
INSTITUIÇÃO:
publicações, pesquisa realizada por Osborn e Stervenson1
Hospital Naval Marcílio Dias.
revelou que 1 em cada 10 cirurgiões plásticos tinha dois ou
mais casos de pneumotórax durante a realização de plás- INTRODUÇÃO: O controle dos níveis tensionais no peropera-
tica mamária. O objetivo deste trabalho é relatar um caso tório faz-se necessário para evitar complicações provocadas
de pneumotórax após mastoplastia redutora. RELATO DE por picos pressóricos ou hipotensão severa, como perfusão
CASO: S. S. G. 32 anos, ASA 1, foi submetida a mamoplas- cerebral inadequada, acidentes vasculares encefálicos e
tia redutora. Negava tabagismo. Exame físico, ECG e radio- outras. em pacientes com tumores renais, esse controle se
grafia de tórax sem alterações. Foi realizada anestesia geral mostra prejudicado, seja por alterações no sistema renina-
balanceada, intubação orotraqueal sem intercorrências, -angiotensina-aldosterona, seja pela compressão de estru-
ventilação em PCV, pressão inspiratória entre 12-14 cmH2O, turas próximas (vasos, adrenais). A escolha de drogas como
com volume corrente entre 6-8ml/kg, ETCO2 33-35 cmH2O o MgSO4, alfa2-agonistas, benzodiazepínicos e anestésicos
e SpO2 96-98%. Desintubação e despertar dentro do espe- locais se torna valiosa para o controle dos estímulos adrenér-
rado e encaminhada à enfermaria sem queixas respiratórias. gicos provocados pela manipulação cirúrgica. RELATO DE
A cirurgia ocorreu sem anormalidades e não foi realizada CASO: N. M., 75 anos, masculino, ex-tabagista, portador de
infiltração com anestésico local. Apenas no 2o DPO, quei- glaucoma e hipertensão arterial refratária e tumor cístico renal
xou-se de tosse, apresentando taquipnéia e febre; no 3o bilateral, é submetido a nefrectomia radical direita + adrena-
DPO, queixou-se de dor pleurítica e dispneia. Foi feito nova lectomia direita. Nega alergias. Sem alterações de vias aéreas,
radiografia de tórax que evidenciou pneumotórax esquerdo Mallampati 4. ECG mostra BRE. Ecocardiograma: disfunção
pequeno. Adotou-se conduta conservadora, com melhora diastólica grau II. Hemograma mostra anemia hipocrômica.
e alta no 6o DPO. DISCUSSÃO: As causas de pneumotó- Bioquímica e coagulograma sem alterações. Admitido em
rax após cirurgia plástica mamária são multifatoriais, logo sala operatória, com monitoramento de sinais vitais (PANI,
de difícil determinação. Segundo Osborn e Stervenson, a cardioscopia, oximetria de pulso, temperatura e capnografia),
laceração da pleura é o principal fator etiológico (43%). A venóclise e suporte ventilatório. Sedado com midazolam 1mg
anestesia está relacionada ao menor número de casos (3%). IV, fentanil 50mcg IV, MgSO4 2g em 100mL de soro fisiológico
Outras causas são: infiltração local de anestésico (37%) e 0,9% e dexmedetomidina em infusão contínua a 0,2mcg/kg/h.
ruptura de blebs (16%). O ensaio clinico desenvolvido por Feito bloqueio epidural sob técnica asséptica com lidocaína
Fayman et al2 corrobora que os procedimentos anestésicos 15mL a 2%, em nível L1-L2 e passagem de cateter. em segui-
são responsáveis por um número pequeno de casos e a da, feita pré-oxigenação por 5 min, injeção intravascular de
manipulação cirúrgica é o principal fator causal do pneu- lidocaína 100mg, propofol 120mg e rocurônio 30mg. Intubação
motórax, tendo como principal etiologia o trauma torácico orotraqueal após 5 min via laringoscopia direta, início de anes-
realizado na dissecção e colocação da prótese mamária. A tesia inalatória com sevoflurano a 2%. Foram puncionadas
colocação de drenos na loja cirúrgica reduziu substancial- veia jugular interna direita com cateter triplo lúmen, e artéria
mente a sua incidência por diminuir a pressão dos gases radial esquerda por técnica de Seldinger para monitoramen-
comprimidos durante a colocação de prótese através de to invasivo de PA. Iniciamos adrenalina em bomba infusora
pequenas incisões. Este caso é especial por ter ocorrido 1mcg/h, sendo ajustada conforme demanda pressórica do
em mastoplastia redutora, com publicações bem mais es- paciente e substituída por noradrenalina cerca de 2,5h após o
cassas do que as cirurgias de implante. Neste caso, parece início da anestesia inalatória. Na manutenção, foram realizados
ter havido uma pequena lesão pleural durante a dissecção repiques de anestésico via cateter peridural, totalizando 5mL
cirúrgica ou o uso de bisturi elétrico durante cauterização de lidocaína 2%, 15mL de ropivacaína 0,2% e morfina 2mg,
de ramificações dos intercostais. Conclui-se que o pneu- transfusão de dois concentrados de hemácias e 2500mL de
motórax não é uma complicação rara e essa possibilidade cristalóides. Paciente extubado após uso de flumazenil 0,5mg
deve ser informada ao paciente, já que a alta hospitalar é e sugamadex 120mg após TOF=16%. Encaminhado à SRPA
relativamente precoce especialmente nos casos de implan- acordado, orientado, diurese de 700mL, e mantido em infusão
te de prótese. REFERÊNCIA: 1. Osborn JM, Stevenson TR. contínua de noradrenalina até sua admissão na unidade pós-
Pneumothorax as a complication of breast augmentation. -operatória com níveis pressóricos adequados. DISCUSSÃO:
Plast Reconstr Surg. 2005 Sep 15;116(4):1122-6; discussion O manejo peroperatório mostrou-se satisfatório após o uso de
1127-8 2. Fayman MS et al. Barotrauma: na unrecognized dexmedetomidina, sulfato de magnésio e midazolam, assim
mechanism for pneumothorax in breast augmentation. Plast como o bloqueio epidural para controle da dor. Mesmo usados
Reconstr Surg. 2005 Nov; 116(6):1825-6. durante a cirurgia, os vasopresores não foram necessários
após a alta da recuperação pós-anestésica. REFERÊNCIA:
Nociti JR, Helfenstein E. Técnicas de sedação. In: Cangiani LM,
Slulitel A, Potério GMB et al. Tratado de anestesiologia SAESP.
7 ed. São Paulo, Atheneu, 2011;1339-47.

Temas Livres CBA 2014 | 109


EDEMA DE VIAS AÉREAS GRAVE EFEDRINA NO MANEJO DE EREÇÃO
APÓS CEFALODECLIVE PROLONGADO PENIANA DURANTE CIRURGIA
EM PROSTATECTOMIA RADICAL ENDOSCÓPICA UROLÓGICA: RELATO DE
VIDEOLAPAROSCÓPICA. CASO.
AUTORES: AUTORES:
Luiza Nunes do Nascimento, Rodrigo de Faria Pereira Lou- Dailson Mamede Bezerra, Eglantine Mamede Bezerra, João
renço*, Maria Luiza Maddalena, Yuri Erick Dantas da Luz. Bosco Corrêa Bittencourt, Marco Aurélio Soares Amorim *,
Denismar Borges de Miranda, Mariana Miranda de Almeida.
INSTITUIÇÃO:
Hospital Federal de Ipanema. INSTITUIÇÃO:
Hospital Santa Casa de Misericórdia de Goiânia.
INTRODUÇÃO: O posicionamento em cefalodeclive é im-
portante para melhor visualização do campo cirúrgico na INTRODUÇÃO: intumescência peniana levando a ereção
cirurgia pélvica videolaparoscópica, porém pode levar ao parcial ou total durante procedimentos urológicos endos-
aumento da pressão intracraniana, intra-ocular e da pressão cópicos são infrequentes, mas podem levar ao adiamento
venosa central ou à redução da complacência pulmonar, li- da cirurgia caso não sejam tratados ativamente pelo anes-
mitando a ventilação. Neste caso, houve importante edema tesiologista ou cirurgião. objetivou relatar o caso de um
de vias aéreas que impossibilitou a desintubação imediata adolescente submetido a ureterorrenolitotripsia percutânea
pós-operatória. RELATO: C. A. S, 66 anos, masculino, 69 que cursou com ereção peniana revertida com efedrina
kg, IMC 28, asmático leve em tratamento regular com Bu- endovenosa. RELATO DE CASO: masculino, 11 anos, 53
desonida Inalatória, com boa capacidade funcional. Negava kg, 150 cm, ASA I. Exame físico e laboratoriais normais.
tabagismo ou outras morbidades. Foi submetido a Prosta- Admitido para ureterorrenolitotripsia percutânea por cál-
tectomia Radical Videolaparoscópica em cefalodeclive de culo em pelve renal direita de 2,3 cm de diâmetro. Após
45°, sob anestesia geral balanceada com intubação na 1a acesso venoso 20G e monitorização com ECG, PANI, SpO2
tentativa, atraumática. Pressão intraabdominal de 15 a 20 e ETCO2, realizada pré oxigenação e indução com propofol
cmH20 e ventilação no modo PCV, com pressões abaixo de 4 mcg/ml (efeito em 1,5 mcg/l) e remifentanil (2 ng/ml). IOT
25 mmHg e gasometrias satisfatórias. O paciente perma- com cânula nº. 6,5 e curarização com rocurônio (0,6 mg/
neceu hemodinamicamente estável durante os 360min (6h) kg). Durante a introdução do ureteroscópio paciente evoluiu
de cirurgia, com administração de 4000 mL de cristalóides com ereção peniana total e necessidade de interromper o
no total e diurese de 150mL no coletor, com perdas não procedimento. Após 15 minutos sem regressão, administra-
medidas pelo campo cirúrgico enquanto a uretra estava do escopolamina (10 mg) e repetida após 10 minutos, sem
aberta. Após o término do procedimento, notou-se edema sucesso. No momento em que cirurgião cogitava injeção
conjuntival e palberal acentuados, além de edema de lín- intracavernosa de adrenalina, optou-se por uma tentativa
gua e pavilhão auricular. Após esvaziar o balonete do tubo com efedrina endovenosa (10 mg), que levou a regressão
orotraqueal não ocorreu nenhum escape de ar durante ven- de 70% da ereção com apenas discreta alteração hemo-
tilação com pressão positiva. Pelo risco de obstrução de dinâmica. Após 5 minutos, nova dose de efedrina (5 mg)
vias aéreas, optou-se por mantê-lo intubado no CTI, onde com regressão total do quadro. A cirurgia transcorreu sem
foi extubado sem intercorrências após permanecer com a novos episódios de ereção peniana e, ao final, paciente ex-
cabeceira elevada em 30° por 12h. DISCUSSÃO: O tempo tubado sem referir dor. Recebeu alta no segundo dia pós
de cirurgia, o grau de inclinação do cefalodeclive, a pressão operatório. DISCUSSÃO: as causas de ereção durante o
intraabdominal e a quantidade de liquidos infundidos no intraoperatório podem ser de origem psicogênica e/ou
período anestésico são diretamente proporcionais ao grau reflexogênica, mesmo na vigência de plano anestésico ou
de edema de estruturas da cabeça e pescoço, geralmen- nível de bloqueio satisfatórios. em casos refratários ou que
te causando redução da drenagem venosa local e/ou au- progridam para priaprismo, com ereção total por mais de
mento da pressão hidrostática. Entretanto, essas variáveis 4 horas, a aspiração de sangue e/ou injeção intrapeniana
podem ser manipuladas para diminuir seu impacto neste de drogas adrenérgicas permanecem como condutas de
desfecho. Sugere-se inclinação do cefalodeclive menor que eleição. Medidas farmacológicas endovenosas com vaso-
300; pressão intraabdominal limitada em 12 cmH20, com pressores diversos tem sido descritas com grau de sucesso
pequenos períodos de pico de 15 ou mesmo 20 cmH2O; variável como formas de intervenção precoce e não inva-
restrição de líquidos infundidos, visto que há menor sangra- sivas. Essas drogas levariam ao relaxamento peniano por
mento e perdas insensíveis quando comparados à cirurgia diminuição do influxo de sangue para o corpo cavernoso,
tradicional; limitação do tempo cirúrgico, especialmente no uma vez que possuem ação simpaticomimética, levando a
início da curva de aprendizado do cirurgião, definindo-se vasoconstrição arterial destas estruturas. Deste modo, a
conversão para o método tradicional após poucas horas de administração endovenosa de efedrina, um vasopressor de
tentativa por vídeo ou escolha de tumores de menor peso/ ação direta e indireta, apresenta-se como uma alternativa
tamanho. Sinais como edema de estruturas da face e o não a ser cogitada pelo anestesiologista, uma vez que é uma
vazamento de ar após desinsuflar o balonete do tubo oro- droga amplamente disponível, de baixo custo e de efeitos
traqueal servem de alerta para provável obstrução de vias adversos mínimos quando usada de modo fracionado e em
aéreas. REFERÊNCIA: Phong S. V., Kohl, L. K, Anaesthesia pacientes com perfil cardiovascular favorável, como neste
for robotic-assisted radical prostatectomy: considerations caso. REFERÊNCIA: Donaldson JF, Rees RW, Steinbrecher
for laparoscopy in the Trendelenburg position. An & int care. HA. Priapism in children: a comprehensive review and cli-
2007. Lestar M, Gunnarsson L, Hemodynamic Perturbations nical guideline. J Pediatr Urol. 2014. 10(1):11-24. Miyabe M,
During Robot-Assited Laparoscopic Radical Prostatectomy Namiki A. Efedrine for treatment of Penile Erection During
in 45° Trendelenburg Position. Anesth analg, 2011. Spinal Anesthesia. Anesth Analg. 1988. 67: 1019-20.

110 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


O MANEJO PERI-OPERATÓRIO DAS SÍNDROME DA RESSECÇÃO
ALTERAÇÕES HEMODINÂMICAS EM TRANSURETRAL DE PRÓSTATA EM
CIRURGIA ABERTA DE FEOCROMOCITOMA. PACIENTE ASA III.
AUTORES: AUTORES:
Desiré Carlos Callegari, Esther Alessandra Rocha, Gilvan- Bruna Paes de Lima*, José Abel de Almeida Neto, Eduardo
dro Lins de Oliveira Junior, Flavia Caldas Mauricio Mariano Mansur Etcheverry, Carlos Orlando P. Fett Sparta de Souza.
da Costa, Feliciano Contardo Nepomuceno Duarte*, Felipe
de Moraes. INSTITUIÇÃO:
Hospital Municipal da Piedade.
INSTITUIÇÃO:
INTRODUÇÃO: a ressecção transuretral (RTU) de próstata
Faculdade de Medicina do ABC.
é indicada para doenças benignas que causam sintomas
INTRODUÇÃO: O feocromocitoma é um tumor neuro-en- obstrutivos. Emprega-se um ressectoscópio com sistema
dócrino produtor e secretor de catecolaminas associado a óptico, irrigação e coagulação. A síndrome de RTU de
crises hipertensivas severas e malignas em conjunto com próstata é uma complicação pouco frequente, que exibe
arritmias cardíacas fatais. O uso de drogas bloqueadoras uma incidência de 2 a 3%; e ocorre devido à grande ab-
adrenérgicas previamente à cirurgia é feito de rotina para sorção de fluídos, através de plexos venosos. RELATO
minimizar as variações de pressão arterial, mas não existem DE CASO: paciente, 73 anos, masculino, estado físico
estudos clinicos prospectivos controlados e randomizados 3, indicado a submeter à cirurgia de RTU de próstata em
sobre o valor do uso dessas drogas.1 RELATO DE CASO: caráter eletivo. Foi realizada monitorização através de car-
J. M. G., 46 anos, masculino, branco, ASA II, apresentando dioscopia, oximetria de pulso, pressão arterial não invasi-
episódio súbito de palpitação e precordialgia foi internado va. Sucedeu-se venóclise de membro superior esquerdo,
e diagnosticado tumor de supra-renal com marcadores sendo iniciada hidratação venosa com solução de Ringer
para feocromocitoma. Após a realização de preparo pré- lactato (total 1000 ml). Foi injetado por via venosa 3 mg de
-operatório (prazosina + propranolol) foi monitorado e se- midazolam, 50 mcg de fentanil, e ciprofloxacino 400mg.
dado com dexmedetomidine para punção e monitorização Posteriormente, realizado bloqueio subaracnóide em es-
invasiva da pressão arterial. A indução anestésica foi reali- paço L3-L4 com agulha de Quincke 25G, e injeção de bu-
zada com fentanil, etomidato e cisatracúrio. A manutenção pivacaína hiperbárica 15 mg. Posicionou-se paciente em
da anestesia geral foi feita com isoflurano (0,7 CAM com litotomia e foi iniciada cirurgia, utilizando como irrigação
analisador de gases), dexmedetomidine (0,4mcg/kg/h), sorbitol e água destilada, sendo o total de 13 litros. Após
MgSO4 (10mg/kg/h) e lidocaína sem vaso (2mg/kg/h), além 120 minutos do começo da cirurgia, paciente manifestou
do acesso venoso central e peridural com cateter (T12-L1 desconforto respiratório, apresentando saturação de 85%,
com ropivacaína 0,25% 20 ml). Durante a manipulação pressão arterial (PA) de 170/110 mmHg, frequência cardí-
do tumor, o paciente apresentou 7 picos hipertensivos, o aca (FC) de 50 bpm e estertores bolhosos difusos. em se-
maior: 293x192 mmHg, e 2 episódios de taquicardia supra- guida, foi administrada furosemida 10 mg, atropina 0,5 mg
ventricular não sustentada. Após retirada da massa ocorreu e clonidina 60 mcg IV, assistida ventilação em CPAP e co-
grave e refratária hipotensão que foi controlada com no- letado gasometria arterial. Após setenta minutos, paciente
radrenalina e vasopressina. O pós-operatório ocorreu em expressou melhora do desconforto, com sinais vitais de
UTI por 5 dias (com bomba de PCA – ropivacaína 0,01% SatO2 98%, PA 140/80mmHg, FC 70 bpm e encaminhado
+ fentanil 0,0004% - 4ml/h) e alta hospitalar no 8o dia de ao CTI. DISCUSSÃO: as cirurgias endoscópicas, incluin-
pós operatório. DISCUSSÃO: A literatura é controversa em do RTU de próstata, apresentam várias opções de fluídos
relação ao preparo perioperatório da cirurgia de feocromo- de irrigação intra-operatórios. O tempo de ressecção, a
citoma. Atribui-se à redução da mortalidade da cirurgia ao pressão hidrostática do líquido de irrigação, a quantida-
preparo, porém sabe-se que avanços nas técnicas anesté- de de seios venosos abertos, além da pressão venosa e
sicas, monitoramento e disponibilidade de medicações de perda sanguínea são fatores de risco relacionados ao pro-
ação rápida têm grande importância1. O tamanho do tumor cedimento. Apesar de tempo cirúrgico e perda sanguínea
e a técnica cirúrgica também são relevantes para previsão serem causas conhecidas, a capacidade de se predizer
do grau de instabilidade a ser enfrentado. O uso de MgSO4, a quantidade da solução absorvida a partir dessas vari-
associado aos bloqueadores adrenérgicos do preparo cola- áveis é difícil. Além disso, é reconhecido que a pressão
bora para redução da liberação de catecolaminas atuando hidrostática do soro de irrigação interfere no surgimento
na estabilização pressórica durante o ato cirúrgico, e o uso de complicações. A altura da bolsa reservatória do líquido
do dexmedetomidine promove um efeito sedativo e anal- está estreitamente relacionada a essa pressão hidrostá-
gésico na manutenção da hipnose, com redução da CAM tica. Desta forma, é recomendado manter a altura desta
do isoflurano. O caso em questão, mesmo com preparo, bolsa em até 60 cm em relação ao átrio esquerdo; muito
apresentou graves picos hipertensivos e arritmias questio- embora haja estudos que demonstrem não haver relação
nando sobre a real necessidade do preparo. Talvez apenas entre este valor e a absorção de líquido. REFERÊNCIA: 1.
a identificação e ação imediata com infusão de drogas já Clemente Ramos LM, Ramasco Rueda F, Platas Sancho A
preparadas, nos episódios de instabilidade pressórica et AL. Reabsorption syndrome after transurethral resection
seriam suficientes para o sucesso cirúrgico, além da ade- (TUR) of the prostate: review of physiologic, diagnostic,
quada analgesia em bomba de PCA por cateter de peridu- and therapeutic features. Actas Urol Esp, 2001;25:14-31.
ral possibilitando a alta precoce. REFERÊNCIA: Wall RT. 2. Hahn RG, Ekengren J. Absorption of irrigating fluid and
Doenças Endócrinas. Em: Hines RL, Marschal KE. Stoelting height of fluid bag during transurethral resection of the
Anestesia e doenças coexistentes. Rio de Janeiro: Elsevier, prostate. Br J Urol, 1993;72:80-83.
2010. P:365-406.

Temas Livres CBA 2014 | 111


SÍNDROME DA RESSECÇÃO
TRANSURETRAL. RELATO DE CASO. Anestesia Venosa
AUTORES:
Juliana Mohana Castro Silveira da Silva, Giselle Acáci de
ANESTESIA VENOSA PARA
Cristo Canto*, Filipe Cunha de Sousa Donza, Bruno Mendes
Carmona, Mário de Nazareth Chaves Fascio, Rosa Maria da
HISTEROSCOPIA- COMPARAÇÃO ENTRE
Silva Beltrão. FENTANIL E SUFENTANIL.
INSTITUIÇÃO: AUTORES:
Hospital Ophir Loyola. Candido Amaral Sanchez, Flávio Francisco Vitale Neto*,
Paula Angélica Pinha Neves, Anníbal Godas Martins, Ga-
INTRODUÇÃO: A ressecção transuretral da próstata (RTU) briella Graziani Pioli, Carlos Alberto de Figueiredo Côrtes.
é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados em
homens com mais de 60 anos1. A irrigação contínua com INSTITUIÇÃO:
fluidos hipotônicos permite uma melhor visualização das CET Integrado de Campinas - 9134.
estruturas abordadas2. A síndrome da RTU consiste no JUSTIFICATIVA E OBJETIVO: A anestesia venosa tem
conjunto de sinais e sintomas neurológicos e cardiopul- grande aceitação nas histeroscopias por proporcionar
monares causados pela absorção excessiva de fluido de analgesia e conforto(1,2). Este estudo teve como objetivo
irrigação1. RELATO DO CASO: MLS, 67 anos, masculino, comparar a eficácia do fentanil e sufentanil, associados
admitido para tratamento cirúrgico de hiperplasia prostática ao propofol, como analgésicos em pacientes submetidas
benigna. Portador de hipertensão arterial sistêmica contro- à histeroscopia cirúrgica. MÉTODO: Avaliou-se 56 pa-
lada com hidroclorotiazida 25 mg/dia, losartana 100 mg/dia cientes submetidas a histeroscopia cirúrgica sob anes-
e atenolol 50 mg/dia. O sódio sérico no pré-operatório era tesia venosa e divididas em dois grupos iguais. Grupo F,
140 mEq/L. A conduta pré-anestésica constou em jejum receberam 1 mcg. kg -1 de fentanil associado à 1mg. kg
de 8 h. Na sala de cirurgia, paciente foi monitorizado com -1 de propofol, e no grupo S, 0,1 mcg kg-1 de sufentanil
cardioscópio, oximetria de pulso e pressão arterial não in- associado a 1mcg. kg -1 de propofol. em ambos os gru-
vasiva. Foi realizada venóclise com cateter 20 G, infundido pos, a manutenção foi feita com infusão contínua de 30
de solução fisiológica a 0,9% 5 ml/kg/h e oferecido oxigênio mcg. kg-1. m-1 de propofol com a finalidade de manter o
2 L/min sob cateter nasal. Realizado raquianestesia com escore 5 da escala de sedação de Richmond. Avaliou-se:
bupivacaína hiperbárica 0,5% 4 ml e morfina 0,1 mg. Após tempo de despertar, dose total de propofol, tempo na
90 min do início da infusão do fluido de irrigação (sorbitol SRPA, necessidade de suporte ventilatório e satisfação
2,7% + manitol 0,54%), o paciente evoluiu com inquietação das pacientes. RESULTADO: A média de dose total do
e dor torácica, sem alterações eletrocardiográficas. Foi propofol, tempo de despertar e permanência no SRPA
verificada a dosagem de sódio sérico no valor 119 mEq/L, foram significativamente maiores no grupo que recebeu
sendo solicitado a interrupção do procedimento e iniciado fentanil. CONCLUSÃO: O sufentanil mostrou-se mais
a infusão de solução de NaCl a 1,5% 4 ml/h. O paciente eficaz do que o fentanil devido à sua curta duração de
evoluiu com melhora dos sintomas e a cirurgia foi concluída ação, maior potência e efeito analgésico residual(1).
em 15 min. DISCUSSÃO: A síndrome de intoxicação hídri- REFERÊNCIA: 1) Turk H S, Aydogmus M, Unsal O et al
ca, em procedimentos que usam fluido de irrigação ocorre sedação e analgesia em colonoscopia eletiva; propofol-
em 1% e 8% dos casos, cuja mortalidade varia entre 0,2 e -fentanil versus propofol –alfentanil Rev Bras Aneste-
0,8%2. Suas complicações consistem em distúrbios hidro- siol, 2013;63(4):352-357. 2) Holloway, A. M. Logan, D
eletrolíticos, cardiovasculares e neurológicos, decorrentes A. Pain relief for outpatient colonoscopy:comparison of
da absorção do fluido de irrigação2 e sua consequente alfentanil with fentanyl. Anaesthesia and Intensive Care,
hiponatremia dilucional. O aparecimento de complicações 1990;18:210-213.
está associado a características do fluido utilizado, a pres-
são hidrostática do fluido de irrigação, ao tempo de res-
secção, ao número de seios venosos abertos, a pressão
venosa e a perda sanguínea2. O problema eletrolítico mais
frequente é a hiponatremia dilucional2. O tratamento deve
ser instituído o mais rapidamente possível, assim como a
interrupção do procedimento cirúrgico1. A prevenção con-
siste em otimização das condições clínicas, correção prévia
dos eletrólitos, altura do reservatório do líquido de irrigação
mantida no máximo 60 cm acima do paciente, o cuidado
para evitar hiperidratação, uso de furosemida antes da
ressecção, dosagem de sódio sérico a cada 30 minutos e
tempo de ressecção menor que 60 min1. REFERÊNCIA:
1) Gonçalves, TAM. Anestesia para Urologia. Em: Cangiani
LM, Slulitel A, Potério GMB et al. Tratado de anestesiologia
SAESP. 7 ed. São Paulo, Atheneu, 2011;2035-2055. 2) Silva
Jr JM, Barros MA, Chahda MAL et al. Fatores de Risco para
Complicações Perioperatórias em Cirurgias Endoscópicas
com Irrigação. Rev Bras Anestesiol. 2013;63(4):327-333.

112 | Sociedade Brasileira de Anestesiologia - SBA


AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS PLASMÁTICOS
DE TRIGLICERÍDEOS E ENZIMAS Anestesia, Ética e Direito
PANCREÁTICAS EM PACIENTES
SUBMETIDOS À ANESTESIA VENOSA TOTAL.
CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO
AUTORES: MIOCÁRDICA EM PACIENTE TESTEMUNHA
Ana Ligia Bezerra Teles*, Maria Lúcia Albanez de A. Pinto, DE JEOVÁ.
Otávio Damázio Filho, Jane Auxiliadora Amorim, Rossana
SantAnna de Melo Lins, João José de Almeida Medeiros. AUTORES:
Luiza Rodrigues Cucco*, José Roberto Nociti, Eduardo Bar-
INSTITUIÇÃO: bin Zuccolotto, Eduardo Helfenstein, Juliana Santos Vieira
Hospital da Restauração. da Fonseca.
INTRODUÇÃO: A anestesia venosa total (AVT) vem sen- INSTITUIÇÃO:
do comumente utilizada pela fácil administração e pelo Clínica de Anestesiologia de Ribeirão Preto (CARP).
aperfeiçoamento dos sistemas de infusão de fármacos,
promovendo rápido despertar do paciente. Dentre os fár- INTRODUÇÃO: Cirurgias cardiovasculares são consideradas
macos utilizados destacam-se o propofol e os opióides de grande porte, independentemente da estimativa de perda
de curta ação. Devido à composição oleosa da solução sanguínea. Como rotina, é realizada reserva de hemoderiva-
do propofol é possível que ele altere o metabolismo dos dos, porém os pacientes Testemunhas de Jeová (TJ), em sua
lipídeos, levando à hipertrigliceridemia e consequente maioria, recusam-se a receber transfusão. É importante clare-
elevação dos níveis de lípase e ácidos graxos livres, os za sobre quais produtos sanguíneos são refutados, pois existe
quais são extremamente tóxicos podendo causar lesão divergência de opiniões dentro da religião. Cada paciente
endotelial dos ácinos pancreáticos. O objetivo deste tem o direito à autonomia em consentimento informado, sem
estudo foi avaliar os níveis de triglicerídeos e enzimas nenhum tipo de coerção. Ao médico, cabe explicar os riscos
pacreáticas em pacientes submetidos à AVT. MÉTODO: e alternativas que temos atualmente, e quais destes recursos
Concordaram em participar desse estudo 42 pacientes, existem no local a ser realizada a cirurgia. RELATO DO CASO:
nos quais foram avaliados a dose total e tempo de infusão Paciente masculino, 66a, 65Kg, estado físico PIII com angina
do propofol e níveis plasmáticos de amilase, lípase e trigli- aos moderados esforços e insuficiência renal não dialítica;
cerídeos em três momentos: antes da infusão de propofol TJ, com indicação de revascularização miocárdica, portando
(T0h), imediatamente após o término (TFh) e 24 horas após carteira de TJ e Consentimento Informado de que não aceita
a cirurgia (T24h). Foram utilizados desvio padrão, media- qualquer produto sanguíneo. Ciente de que não dispomos de
na, percentil 25 e 75 (P25-P75) e considerados estatis- Eritropoietina, Cell Saver ou Complexo Pró Trombínico (CPT)
ticamente significativos os valores de p<0,05 avaliados no hospital. Admitido na sala cirúrgica com PA=150x90mmHg,
pelos testes ANOVA, Sidak e coeficiente de correlação de FC=68 bpm, Sat O2=98%. Sedado com midazolam 2mg, fen-
Pearson. RESULTADO: Foram excluídos 02 participantes tanil 20mcg e mantido com máscara facial de O2. Puncionada
por inadequabilidade da amostra sanguínea. O tempo de artéria radial esquerda. Indução de anestesia geral com mais
infusão de propofol foi 151 minutos (88-726) e a dose total 8 mg de midazolam, fentanil 15mcg/kg, etomidato 10mg e
foi 1308,5 mg (830,9-2129,5), mediana (P25-P75). Foi en- rocurônio 0,6mg/kg. Manutenção com sevoflurano e fentanil
contrada uma redução estatisticamente significativa nas até completar 25mcg/kg. Sondagem vesical de demora e pun-
seguintes medidas: nos níveis plasmáticos de amilase, ção de duplo lúmen e 8F em jugular interna direita. Realizada
nos momentos TFh versus T0h (p<0,001) e T24h versus autotransfusão sem desconectar o equipo do paciente. Ato
T0h (p=0,008); nos níveis de lipase nos momentos T24h cirúrgico sem intercorrências, o paciente manteve-se hemodi-
versus T0h (p=0,003) e T24h versus TFh (p=0,043); e de namicamente estável durante o procedimento. Hemoglobina
triglicerídeos no T24h versus T0h (p=0,003) e T24h ver- de entrada: 15mg/dl e, após CEC, 12mg/dl. Diurese de 2 ml/
sus TFh (p=0,007). Não foi encontrada diferença estatis- kg/h. Paciente encaminhado à UTI sob IOT e, após 8