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PLANTAS MEDICINAIS E SISTEMA AGROFLORESTAL

AROEIRA

LIPIA
TANCHAGEM

Documento Técnico
DEXTRU - Divisão de Extensao Rural
CDRS- Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável
SAA – Secretaria de Agricultura e Abastecimento

CAMPINAS
2020
ÍNDICE DAS PLANTAS

CAPITULO 1. PLANTAS MEDICINAIS ARBÓREAS

1. Açoita-cavalo Luehea divaricata Mart...........................................................................02


2. Angico branco Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan...............................................03
3. Araticum ou fruta-do-conde Annona squamosa L.......................................................04
4. Aroeira-mansa –Schinus terebinthifolius Raddi - da Farmacopeia brasileira................06
5. Canjarana Cabralea canjerana (Vell.) Mart....................................................................08
6. Embaúba Cecropia pachystachya Trécul......................................................................09
7. Espinheira santa Maytenus aquifolia Mart....................................................................10
8. Goiabeira Psidium guajava L.........................................................................................11
9. Guaçatonga Casearia sylvestris Swartz.– planta da Farmacopeia brasileira................12
10. Pata-de-vaca Bauhinia forficata Link...........................................................................14
11. Pitangueira Eugenia uniflora L....................................................................................15

CAPITULO 2. PLANTAS MEDICINAIS ARBUSTIVAS E TREPADEIRAS

1. Amora-brava Rubus brasiliensis Mart.....................................................................................16


2. Boldo-baiano Vernonia condensata Baker – planta da Farmacopeia brasileira...........17
3. Erva-baleeira Varronia verbenácea (DC.) Borhidi – da Farmacopeia brasileira............19
4. Fáfia Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen...................................................................21
5. Guaco Mikania laevigata e Mikania glomerata – planta da Farmacopeia brasileira......22
6. Imbé ou Guaimbê Philodendron bipinnatifidum Schott ex Endlicher............................24
7. Lipia ou cidreira brasileira Lippia Alba (Mill.) N. E. Br.- da Farmacopeia brasileira....25
8. Macela Achyrocline satureiodes (Lam.) DC.- planta da Farmacopeia brasileira............28
9. Margaridão Tithonia diversifolia (Hemsl)A.Gray............................................................29
10. Pariparoba Piper umbellatum L. (Pothomorphe umbellata L.).....................................31
11. Urucum Bixa orellana L................................................................................................32

CAPITULO 3. HERBÁCEAS

1. Arnica Solidago chilensis Meyen Sm.............................................................................34


2.Carqueja Baccharis trimera (Less.) DC.- planta da Farmacopeia brasileira...................35
3.Cavalinha Equisetum hyemale L...................................................................................36
4.Erva botão Eclipta Alba (L.) Hassk.................................................................................39
5.Mentrasto Ageratum conyzoides L.................................................................................39
6.Quebra-pedra Phyllanthus niruri L.- planta da Farmacopeia brasileira..........................41
7.Tanchagem : Plantago major L. - planta da Farmacopeia brasileira.............................43

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PLANTAS MEDICINAIS E SAF

INTRODUÇÃO
Na presente revisão, selecionamos espécies medicinais arbóreas, arbustivas, trepadeiras
e herbáceas como sugestão para compor a lista de espécies destinadas à implantação de
Sistemas Agroflorestais. Dentre os critérios usados para selecionar, temos: plantas
nativas ou cosmopolitas, com estudos farmacológicos, de diferentes estágios
sucessionais, plantas de interesse para outros usos que não terapêuticos como o
madeireiro, alimentício, paisagístico, uso na agricultura para controle de pragas ou como
melíferas.
Destacamos que ao selecionar as espécies, o produtor deve priorizar aquelas da
Farmacopeia Brasileira, pois possuem maior potencial para produção de medicamentos,
portanto, maior probabilidade para se tornarem uma nova fonte de renda.

CAPITULO 1. PLANTAS MEDICINAIS ARBÓREAS


Eng. Agr. Dra. Maria Claudia Silva G. Blanco

1. Açoita-cavalo
Família: Malvaceae.
Nome científico: Luehea divaricata Mart.
Sinonímia botânica: Alegria divaricata (Martius) Stuntz; Brotera mediterranea Vell.
Nomes populares: acoite-cavalo, acoita-cavalo, ivatingui, ibitangui, caiboti, pau-de-
canga, vatinga, estribeiro.

Descrição botânica:
Árvore caducifólia, espécie secundária inicial a secundária tardia. Sua altura atinge até 25
m e seu diâmetro 50 cm.
Folhas: simples, alternas, dísticas, possui estípulas irregulares serreadas, com três
nervuras longitudinais, discolores e ásperas.
Flores: hermafroditas, rósea, brancas, pentâmeras.
Fruto: cápsula lobada com valvas lenhosas oblonga de coloração castanha.
Floração: Dezembro a fevereiro.
Frutificação: Maio a agosto.
Sistema sexual: planta hermafrodita.
Polinização: abelhas e beija-flores.
Dispersão: anemocórica (pelo vento)

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, sem qualquer tratamento, em
canteiros semi-sombreados contendo substrato areno-argiloso. Cobrir com leve camada

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de substrato peneirado e irrigar 2 vezes ao dia. Transplantar as mudas para recipientes
individuais quando tivrem 3 – 5 cm. A muda fica pronta em 5 - 6 meses.

Composição química: Principais constituintes nas folhas e cascas: flavonóides,


triterpenos, saponinas, taninos condensados e compostos fenólicos.

Uso medicinal: Espécie muito usada na medicina popular. A casca é indicada no


tratamento de reumatismo, usada para disenteria. Na forma de infusão, apresenta
propriedades adstringentes na limpeza de úlceras internas e de feridas.
O chá da casca usada para fazer bochechos nas inflamações da garganta, como
analgésico nas dores de dente, depurador do sangue, para males da bexiga e equilibrar o
sono. As raízes são depurativas. As folhas e flores são usadas para xaropes contra tosse,
laringite, broquites e para lavar e aplicar em feridas.

2. Angico branco
Família: Fabaceae (Leguminosae) Subfamília-Mimosoideae
Nome científico: Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
Nomes populares: angico-branco-liso, angico-cambuí, angico-coco

Descrição botânica:
Árvore perenifólia a semicaducifólia, hermafrodita, espécie pioneira a secundária inicial ou
clímax exigente em luz. Sua altura atinge até 15 m e seu diâmetro 30-50 cm.
Folhas: compostas bipinadas, paripenada, com raque na folha com até 20 cm de
comprimento.Com 14 a 35 pares de pinas e folíolo linear e obtuso na base.
Flores: brancas ou amareladas reunidas em panículas.
Frutos: folículo deiscente, mede até 30 cm de comprimento e até 1,5 cm de largura.
Floração: Novembro/Dezembro.
Frutificação: julho-agosto.
Ocorrência: Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta
Ombrófila Mista, Da Bahia ao Paraná.
Apícola: planta melífera que fornece pólen e néctar, com até 33% de açúcar,
apresentando mel com qualidade superior.
Paisagístico: árvore ornamental muito usada na arborização de parques e jardins.
Utilização: usada na construção civil, lenha e carvão, sua casca é rica em tanino muito
usada em curtumes.

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, sem qualquer tratamento, em
canteiros semi-sombreados contendo substrato areno-argiloso. Cobrir com leve camada
de substrato peneirado e irrigar 2 vezes ao dia. Transplantar as mudas para recipientes
individuais quando tivrem 3 – 5 cm. A muda fica pronta em cerca de 4 meses.

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Composição química: Terpenos, Compostos Fenólicos, Alcalóides

Uso medicinal: O angico-branco é usado na medicina popular, em infusão, maceração e


tinturas, como antidiarréico e expectorante usado em algumas formulações de xaropes.
Usado no tratamento das afecções pulmonares e vias respiratórias, bronquites, tosses,
faringites e asma. É expectorante.

3. Araticum ou fruta-do-conde
Família: Annonaceae
Nome científico: Annona squamosa L.
Nomes populares: araticum, areticum, fruta-do-conde, ata, pinha.

Descrição botânica:
O araticum é uma planta de porte baixo (em geral de 4 a 6 m), apresenta folhas
lanceoladas, decíduas, de coloração verde- brilhante na página superior e verde-
azulada na inferior. As flores apresentam três pétalas e três sépalas. As pétalas são
amarelo- verdosas por fora e amareladas com uma mancha roxa na base. Na base do
receptáculo da flor, observam-se muitos estames curtos de coloração amarela e, na
porção mais superior, grande quantidade de carpelos de coloração púrpura. O fruto
caracteriza-se por ser um sincarpo de forma arredondada, ovoide, esférica ou
cordiforme, de coloração esverdeada, constituído por muitos carpelos achatados
dos quais se originam cada semente (em geral 68 sementes/fruto).

Altitude - A fruta-do-conde é cultivada preferencialmente em terras baixas nas latitudes


tropicais. Em Cuba, porém, já foi descrita sua produção em altitudes de 900 m. No
Brasil, a cultura também se estabelece em altitudes de 900 m.
Clima - É nativa das regiões mais quentes e secas da América Central, mas também se
adapta a regiões com umidade mais elevada, desde que não seja excessiva, pois
nessas condições, não frutificam bem.

Propriedades Inseticidas:
Autores citados por Cordeiro (2000), demonstraram ações inseticidas de vários extratos
da planta, como a seguir:
As folhas, as raízes e, principalmente, as sementes apresentam propriedades inseticidas.
Essas propriedades são devidas a substâncias do tipo acetogeninas como as anonina ou
anonacina, asimicina, bulatacina, bulatacinona e escuamocina.
A atividade inseticida da anonina ou anonacina é devida a sua propriedade citotóxica.
Essas substâncias têm ação sobre a cadeia respiratória celular, no primeiro
acoplamento energético. Por isso, provoca 70% de mortalidade de Aedes aegypti em
uma concentração de 10 ppm.
A asimicina é efetiva no controle de insetos como Aedes aegypti, Aedes vittatum,
Aedes gossypi, Coliphora vicina, Epila- chna varivertis, Tetranychus urticae e contra

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o nematóide Caenoharbiditis elegans. Entre os 256 isômeros dessa substância, citam-
se a bulatacina e a bulatacinona (Li et al., 1990). A bulatacina é o isômero mais tóxico
da asimicina. Uma concentração de 1, 10 e 24 ppm dessa substância é capaz de
matar 80% de insetos do tipo A. aegypti, A. gossypii e Diabrotica undecimpunctata ,
respectivamente. Outra acetogenina extraída da semente da fruta-do-conde é a
escuamocina que tem propriedades ovicida e larvicida. Essa substância também é
efetiva no controle preventivo de insetos-praga.
As acetogeninas têm ação de intoxicação sobre os insetos via ingestão alimentar,
inibição do crescimento, oviposição e também como repelente de insetos. Essas
substâncias que possuem propriedades inseticidas podem ser extraídas do pó das folhas,
das raízes e das sementes em água, acetona, etanol, éter de petróleo, éter etílico ou
hexano.
O extrato alcoólico diluído, extraído das sementes, pode ser utilizado como
tratamento caseiro no controle preventivo de insetos-praga e, às vezes, de nematóides.
Esse extrato da semente da fruta-do-conde, contendo uma mistura de acetogeninas,
permite uma elaboração rápida de inseticidas naturais. Para a obtenção desse extrato,
maceram-se 500 g de sementes e adiciona-se 1 litro de álcool na forma medicinal a 90º.
A mistura é deixada em repouso por 15 dias, no escuro e em recipiente bem vedado. No
momento da aplicação, adicionam-se 16 litros de água para cada 500 mL do extrato.
Como esse extrato é um potente inseticida, deve-se tomar os mesmos cuidados quanto
à intoxicação para os agrotóxicos sintéticos comumente aplicados. Se utilizar
substâncias oleosas, extraídas da semente, adicionar sabão (5 g/litro) à mistura.
Recomenda-se colocar o extrato alcoólico ou oleoso, proveniente de sementes, fora do
alcance de crianças, pois é um produto extremamente tóxico.

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura após escarificação das sementes, em canteiros semi-sombreados
contendo substrato areno-argiloso ou direto em recipientes. Cobrir com camada de 0,5 cm
de substrato peneirado e irrigar 2 vezes ao dia. A muda fica pronta em cerca de 6 meses.

Composição química: acetogeninas, diterpenos, óleos essenciais, saponinas e


alcaloides.

Uso Medicinal: Na etnofarmacologia, as folhas são usadas contra reumatismo, como


digestivas e anti-helminticas. As sementes trituradas são tóxicas e usadas para eliminar
piolhos e ectoparasitas.
Estudos farmacológicos comprovaram ações antimicrobianas e contra diabetes do chá
das folhas.
Compostos químicos como acetogeninas, diterpenos, óleos essenciais, saponinas e
alcalóides, encontrados em diferentes partes da planta araticum, como raízes, folhas,
frutos e sementes apresentam propriedades medicinais para diversas enfermidades. O
extrato das raízes tem ação em processos de disenteria, depressão e doença da medula

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espinhal. O chá, neste caso, também tem ação purgativa. O extrato das folhas é utilizado
no tratamento do prolapso do ânus e o chá das folhas tem atividade medianamente
laxativa. Nos frutos, já foi isolado um composto químico chamado 16 b, 17 ácido
diidroxikauranóico - 19 que apresenta atividade anti-HIV (Wu et al., 1996). Nas sementes,
existem acetogeninas que apresentam atividade inseticida e, em alguns casos,
atividade anticancerígena. Substâncias chamadas de saponinas, encontradas nas
sementes, podem hemolisar as células vermelhas do sangue humano e são igualmente
tóxicas para os peixes.

4. Aroeira-mansa – planta da Farmacopeia brasileira


Família: Anacardiaceae
Nome científico: Schinus terebinthifolius Raddi
Nomes populares: aroeira-da-praia, aroeira-vermelha, aroeira-pimenteira, aroeira-de-
remédio.

Descrição botânica:
A aroeira-vermelha é uma espécie perenifólia que, quando jovem, apresenta de 5 m a 10
m de altura e diâmetro à altura do peito (DAP) entre 20 cm e 30 cm. Os indivíduos adultos
chegam a alcançar 15 m de altura e 60 cm de DAP.
Folhas: compostas, imparipinadas, trifoliadas, com ráquis alada, com 8-11 folíolos
membranáceos, ápice agudo e base obtusa.
Flores: Tanto as flores masculinas como as femininas são actinomorfas, pentâmeras,
díclinas, com cinco sépalas verdes, cinco pétalas brancas e disco nectarífero amarelo
ouro.
Fruto: Drupáceo, globoso. Utilizados como substituto da pimenta do reino. Com sabor
suave levemente apimentado, sendo utilizados grãos inteiros ou moídos.
Floração: Setembro - janeiro.
Frutificação: janeiro-julho.
Polinização: abelhas e pequenos insetos.
Dispersão: zoocórica, por aves, formigas.
Paisagístico: Árvore ornamental, com flores brancas e frutos vermelhos, pode ser usada
com sucesso na ornamentação das cidades.
Utilização: espécie que se extrai compostos utilizados como inseticida e em perfumes
Sua madeira é usada como moirões para pomares, construção civil, palanques. Para a
apicultura a florada abundante oferta grande quantidade de pólen e uma produção
significativa de néctar para a entomofauna muito visitada por abelhas (Apis mellifera).
Apícola: As flores da aroeira-vermelha são melíferas.
Ocorrência: Em várias formações vegetais de Pernambuco até MT e RS.

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, sem qualquer tratamento, em
canteiros a pleno sol contendo substrato argiloso. Quando o recipiente for tubete plástico

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de 280 cm3, pode-se usar como substrato uma mistura de solo com composto orgânico,
na proporção 1:1. Recomenda-se colocar, no mínimo, duas sementes por recipiente. As
mudas estarão aptas para irem ao campo, aproximadamente, 120 dias após a
semeadura.
Quando houver previsão de estiagem, recomendase colocar na cova 2,5 g de hidrogel
hidratado por cova, diluído em 1 L de água.
Os espaçamentos devem ser sempre quadrados, variando de 4,5 m x 4,5 m até no
máximo 6,0 m x 6,0 m.
Como a produção de frutos é dependente da floração dos indivíduos masculinos,
recomenda-se que plantios destinados a este objetivo contemplem maior número de
plantas masculinas, entre 10% a 15% do total das árvores plantadas. É importante
destacar que plantas masculinas não devem ser podadas, até porque não são produtivas.
Colheita: Corte dos galhos: envolve duas etapas. Na primeira é feita o corte do terço
externo dos galhos mais finos, onde ocorre a maior produção de frutos. O corte é
realizado em bisel, com auxílio de facão bem afiado ou de tesoura de poda. Na segunda
etapa os galhos mais grossos são cortados com o auxílio de facão e/ou serrote florestal.
Após os cortes, são feitas a catação de frutos e a derriça dos galhos. Nas áreas de
plantio, após o procedimento da derriça que encerra a colheita em si, os galhos que
permaneceram nas árvores são desfolhados, deixando a árvore totalmente desnuda, que
localmente é chamado de “suruca”. Todos os resíduos descartados, como galhos, folhas
e frutos verdes, são espalhados próximo das árvores e nas ruas de plantio ou podem ser
utilizados para fins medicinais após seleção de partes sem danos e sujidades.

Composição química: catequinas, esteróides, chalconas, flavonas e terpenos.

Uso medicinal: A casca tem propriedades depurativas usada contra afecções uterinas
em geral. Usada no tratamento de diarréias e nas hemoptises. O chá da casca é utilizado
contra dor ciática, a gota, reumatismo e infecções bacterianas como edema do tipo
erisipela.Também da casca cozida é usada para banhos contra edemas das pernas. Os
ramos são utilizados no tratamento de doenças respiratórias, bronquites e doenças das
vias urinárias. As folhas tem propriedades balsâmicas usadas na forma de infusão,
banhos tônicos e loções no tratamento de úlceras, erupções e feridas. Dos folíolos obtém-
se substancias cicatrizantes, os frutos, tem propriedades diuréticas.
O cozimento das folhas com folhas de batatas é usado para gargarejos e afecções das
cordas vocais.
Curiosamente todas as partes dessa árvore possuem fins medicinais.
A aroeira-mansa - Schinus terebinthifolius Raddi é uma das plantas da Farmacopéia
brasileira, constando do Formulário de Fitoterápicos da ANVISA da seguinte forma:
FÓRMULA
Componentes Quantidade
cascas do caule 1 g
secas

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água q.s.p. 150 mL
ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO
Preparar por decocção considerando a proporção indicada na fórmula.
ADVERTÊNCIAS
Em caso de aparecimento de alergia, suspender o uso.
INDICAÇÕES
Anti-inflamatório e cicatrizante ginecológico.
MODO DE USAR
Uso externo.
Fazer banho de assento três a quatro vezes ao dia.

5. Canjarana
Família: Meliaceae.
Nome científico: Cabralea canjerana (Vell.) Mart.
Nomes populares: canjerana, canharana, canjerana-vermelha, caierana, pau-de-santo,
cajarana.

Descrição botânica:
Árvore caducifólia, espécie pioneira, secundária tardia tolerante a sombra. Cabralea é
uma homenagem a Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, em 1500. Sua altura
atinge 25 m e seu diâmetro 40 cm.
Folhas: opostas, compostas, paripenadas com 10 a 20 pares de folíolos opostos.
Flores: branco-esverdeadas.
Frutos: cápsula globosa ou elipsoide. possui látex branco e pegajoso com até 10
sementes.
Floração: Outubro/Dezembro.
Frutificação: Maio/Agosto.

Ocorrência: Floresta primária e capoeiras da Bahia ao Rio Grande do Sul.


Sistema sexual: planta hermafrodita ou dioica (PENNINGTON,1981)
Polinização: polinizada por abelhas,mariposas marimbondos.
Dispersão: zoocórica, aves, entre elas notadamente, os sabiás.
Apícola: a canjerana produz flores melíferas (RAMOS et al., 1991). Produzindo pólen e
néctar (REIS et al., 1992).
Paisagístico: pela beleza de suas folhas e frutos é recomendada como espécie
ornamental para plantio em parques e jardins.
Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, sem qualquer tratamento, em
canteiros sombreados contendo substrato rico em matéria orgânica. Germinação e
desenvolvimento lentos.

Composição química: diterpenos e esteróides.

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Uso medicinal: Usada na medicina popular como poderoso reconstituinte nos estados
anêmicos. Do suco que escorre da casca faz-se chá para combater doenças de pele,
diarréias, prisão de ventre e febres.
A raiz é purgativa, antitérmico adstringente, emético. As folhas também têm propriedades
antitérmicas, não deve ser usada por gestantes.
Os índios usam as sementes e a casca do caule para o tratamento de manchas brancas
da pele (micose), meningite, dor de cabeça.
A casca fervida pode ser aplicada em feridas e inflamações dos testículos.
Obs: Não há estudos farmacológicos com esta espécie.

6. Embaúba
Família: Urticaceae.
Nome científico: Cecropia pachystachya Trécul.
Nomes populares: embaúba.

Descrição botânica:
Árvore perenífolia, dióica, espécie pioneira. Sua altura atinge até 30 metros e seu
diâmetro até 25 cm.
Folhas: alternas ou verticiladas, simples, cartáceas a subcoriáceas. Apresenta pilosidade
em ambas faces sendo a superior verde-escura e a inferior prateada. Nervos terciários
visíveis em todas as folhas, pecíolo cilíndrico.
Flores: unissexuais, estaminadas apresentam perianto pubescente carnoso.
Frutos: são pequenas nozes que variam de elipsoides a ovais, obtusas e foscas.
Floração: setembro.
Frutificação: junho.
Sistema sexual: espécie dioica.
Vetor de polinização: anemofilia (pelo vento) e por melitofilia (por abelhas)
Dispersão de sementes e frutos: zoocórica ,quirópteros (morcegos)
Ocorrência: Bahia ao Rio Grande do Sul na Mata Atlântica. Em matas ciliares e beira de
florestas e varzeas.
Utilização: confecção de brinquedos, gaiolas, lápis.

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, sem qualquer tratamento, em
canteiros semi-sombreados contendo substrato argiloso. Cobrir com leve camada de
substrato peneirado e cobrir o canteiro com estopa. Após cerca de 40 dias quando estiver
com 5 a 6 folhas, transplantar para sacos de 10x15 cm, mantendo em viveiro por mais 60
dias.
Espaçamento: 1,0 x 2,0 metros
Quando houver previsão de estiagem, recomendase colocar na cova 2,5 g de hidrogel
hidratado por cova, diluído em 1 L de água. A Embaúba é exigente em água.

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Colheita: para fins medicinais, as folhas devem ser colhidas no estágio juvenil.

Composição química: mucilagem, flavonóides, alcaloides, glicosídeos triterpênicos,


saponinas, glicosídeos cardiotônicos e taninos.

Uso medicinal: Usada na medicina popular contra bronquite e tosse, sendo também
hipotensor e diurético. A folha é hipotensora e diurética, o broto é expectorante e o fruto é
comestível. Estudos farmacológicos comprovaram os efeitos hipotensor, diurético,
cardiotônico e antidepressivo da embaúba.

7. Espinheira santa
Família: Celastraceae
Nome científico: Maytenus aquifolia Mart.
Nomes populares: falsa-espinheira-santa, folha-de-serra, cancarosa.
Descrição botânica:
Árvore perenifólia, sem classificação sucessional. Sua altura atinge até 20 m seu diâmetro
25 cm.
Folhas: simples, alternas, subcoriácea.
Flores: bissexuadas de cor brancas.
Fruto: cápsula bivalvar.
Floração: Junho/Outubro.
Frutificação: Novembro/Março.
Sistema sexual: monoica.
Polinização: abelhas e diversos insetos.
Dispersão: zoocórica pela avifauna.
Ocorrência: Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual e Decidual, de
Minas Gerais ao Rio Grande do Sul.
Paisagística: apresenta qualidades ornamentais e pode ser usada na arborização urbana
em baixo de redes de energia elétrica.
Utilização: lenha e carvão

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, após remoção do arilo e secagem por
12-24 horas, em recipiente com substrato 3:2:1 de solo, areia e esterco, mantida a 50%
de sombra com irrigação diaria. Muda formada após m ano, pois possui crescimento
lento. Prefere solos úmidos, mas não encharcados. Regas moderadas.
Espaçamento: 1,0 x 2,5 metros
Colheita: a partir de 3 - 4 anos do plantio, planta com cerca de 1 metro de altura. Primeira
colheita deve ser parcial e, nas seguintes, colher as folhas das brotações acima do
primeiro corte.

Composição química: triterpenos, taninos, flavonoides, mucilagens, antocianinas.

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Uso medicinal: Usada na medicina popular para o tratamento de gastrite e de ulceras.
Espécie semelhante ao Maytenus muelleri espinheira verdadeira, sendo conhecida pelos
mesmos nomes. Validada pela Central de Medicamentos – CEME da mesma forma de
uso validado para Maytenus ilicifolia.

8. Goiabeira
Família: Myrtaceae.
Nome científico: Psidium guajava L.
Nomes populares: goiabeira, goiaba.

Descrição botânica:
Arvoreta semidecídua, com tronco tortuoso e casca lisa e descamante. Sua altura atinge
até 10 m. As folhas são aromáticas e esbranquiçadas na face inferior. Os frutos são
bagas, comestíveis e usados na fabricação de doces e geléias.
Floração: setembro a novembro.
Frutificação: dezembro a março

Origem: América do Sul, desde a Venezuela até o Rio de Janeiro.


Ocorrência Natural: Mata Pluvial Atlântica. Ocorre principalmente nas formações abertas dos
solos úmidos.

Utilização: Frutos comestíveis. A árvore também fornece a madeira, dura e compacta,


usada na produção de moirões, cabos de ferramentas, cangas e lenha.

Aspectos agronômicos:
Arvoreta que prefere pleno sol e regas moderadas.
Espaçamento: 6,0 x 6,0 metros
Plantar na primavera. Podas anuais reduzem o porte da planta favorecendo
colheita.
Colheita: Colher as folhas novas dos ponteiros. Frutos: de abril a julho e de novembro a
fevereiro. Iniciar a colheita das folhas somente após bom desenvolvimento da planta.

Composição química: Folhas: taninos, óleos voláteis (cariofileno, nerolidiol), flavonoides,


ácidos (ursólico, catecólico, elágico) e triterpenóides. Casca: taninos. Frutos: ácidos
orgânicos (ácido ascórbico), polifenóis, taninos, saponinas, pectinas.

Uso medicinal: Na medicina popular, é comum usar o chá das folhas contra diarréias. O
chá das folhas é usado também em bochechos e gargarejos para inflamações da boca e
da garganta ou em lavagens de úlceras e na leucorreia.

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No SUS-Campinas, é uma das plantas selecionadas para o Projeto Farmácia Viva com as
seguintes orientações descritas na Cartilha municipal:
Família: Myrtaceae.
Nome científico: Psidium guajava L.
Nomes populares: goiaba
Constituintes principais:
Folhas: taninos, óleos voláteis (cariofileno, nerolidiol),
flavonoides, ácidos (ursólico, catecólico, elágico) e triterpenóides.
Casca: taninos.
Frutos: ácidos orgânicos (ácido ascórbico), polifenóis, taninos, saponinas, pectinas.
Indicações:
Uso interno: Folhas, cascas e frutos verdes possuem ação antidiarreica e
antioxidante; frutos maduros possuem ação espasmolítica (diminuem cólicas
intestinais) e digestória.
Uso externo: Folhas, cascas e frutos verdes possuem atividade antimicrobiana e
antiinflamatória para feridas e gargarejos.
Posologia e forma de preparo
Uso interno: Infusão - 3 a 4 brotos (cada um possui em torno de 2-3 folhas jovens) em 1
xícara de chá (150 mL) de água, tampar e após amornar tomar 50 mL para casos de
diarreia não infecciosa. Observar. Se necessário, administrar mais 50 mL após 4 horas.
Uso externo: Decocção - 10 folhas fervidas para 1 litro de água, por 2 ou 3 minutos. Para
feridas: esfriar e deixar em contato com as feridas (banho ou compressa) por 20 minutos
(mínimo), utilizar 1 a 2 vezes ao dia. Para gargarejo: utilizar 2 a 3 vezes ao dia.
Cuidados: O uso interno é contraindicado para grávidas, lactantes, crianças de 3 anos e
não deve ser utilizado por mais de 30 dias ou em caso de diarreia infecciosa. O uso
externo não deve ser utilizado por grávidas e lactantes com lesões extensas e graves.

9. Guaçatonga – planta da Farmacopeia brasileira


Família: Salicaceae.
Nome científico:Casearia sylvestris Sw.
Sinonímias botânicas: Anavinga samyda C. F. Gaernt., Casearia affinis Gardner in
Hooker e Casearia attenuata Rusby.
Nomes populares: cafezeiro-do-mato, pau-de-lagarto

Descrição botânica:
Árvore perenifólia, pioneira), secundária inicial, secundária. Sua altura atinge até 8 m e
seu diâmetro 40 cm.
Folhas: simples,ovado-oblongas, elípticas. Com lâmina foliar que mede de 4 cm a 14 cm
de comprimento, por 2 cm a 5 cm de largura. Sua consistência é membranácea. Com
pecíolo glabro que mede até 0,6 cm. Apresenta estípulas caducas.

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Flores: pequenas e numerosas fixadas nos ramos, brancas ou creme. Inflorescência em
pequenas umbelas com até 40 flores afixadas.
Fruto: cápsula ovoide, que mede até 6 mm, de cor vermelha com até 7 sementes.
Floração: Julho a novembro.
Frutificação: Setembro a dezembro.
Sistema sexual: espécie hermafrodita.
Polinização: abelhas sem ferrão eos sirfídeos.
Dispersão: zoocórica principalmente pelos sabiás (Turdus rufiventris) e o Mono-carvoeiro
Bachyteles arachnoides).
Ocorrência: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional
Semidecidual e outras formações florestais, praticamente em todos os estados brasileiros.
Apícola: As flores dessa espécie têm perfume de mel, sendo importante fonte melífera
com produção de pólen. É uma das poucas espécies arbóreas melíferas de inverno.
Paisagístico: A espécie é recomendada para arborização urbana parques e rodovias.

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, sem qualquer tratamento, em
canteiros semi-sombreados contendo substrato areno-argiloso. Cobrir com leve camada
de substrato peneirado e irrigar diariamente. Transplantar as mudas para recipientes
individuais quando tivrem 3 – 5 cm. A muda fica pronta em cerca de 4 meses.
Espaçamento: 1,5 – 3,0 x 2,5 – 3,0 metros
Colheita; folhas antes do florescimento

Composição química: taninos, flavonoides, saponinas, antocianosídeos, óleos


essenciais, resinas e pigmentos.

Uso medicinal: Suas folhas são muito utilizadas na medicina popular, no tratamento de
queimaduras, ferimentos, herpes e lesões cutâneas. As folhas e a casca são
consideradas tônicas, depurativas, anti-reumáticas e antiinflamatórias. A crença popular
diz que, o lagarto-teiú (Tupinamba SP.) só enfrenta a cobra quando tem um pé de pau-de-
lagarto, por perto, tamanho é o poder cicatrizante da planta. Estudos utilizando o extrato
de sua casca, mostram atividade antiinflamatória protegendo-os contra o veneno da cobra
jararaca- Bothrops jararaca.
É uma planta da Farmacopéia brasileira, constando do Formulário de Fioterápicos da
ANVISA com as seguintes indicações:
NOME CIENTÍFICO: Casearia sylvestris Sw.
SINONÍMIA; Anavinga samyda C. F. Gaernt., Casearia affinis Gardner in Hooker e
Casearia attenuata Rusby.
NOMENCLATURA POPULAR: Guaçatonga, erva-de-bugre e erva-de-lagarto.
FÓRMULA
Componentes Quantidade
folhas secas 2–4g

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água q.s.p. 150 mL
ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO
Preparar por infusão considerando a proporção indicada na fórmula.
ADVERTÊNCIAS
Não usar em gestantes e lactantes.
INDICAÇÕES
Antidispéptico.
MODO DE USAR
Uso interno.
Acima de 12 anos: tomar 150 mL do infuso, 5 minutos após o preparo, duas a três vezes
ao dia.

10. Pata-de-vaca
Família: Fabaceae (Leguminosae) Subfamília Caesalpiniodeae.
Nome científico: Bauhinia forficata Link.
Sinonímia botânica: Bauhinia aculeata Vellozo; Bauhinia brasiliensis Vogel.
Nomes populares: pata-de-vaca, casco-de-vaca, mão-de-vaca, unha-de-espinho

Descrição botânica:
Árvore pioneira, portanto de crescimento rápido. Planta espinhenta, de 5 a 9 metros de
altura e 30 a 40 cm de diâmetro. Diferente das patas de vaca exóticas plantadas na
arborização urbana que não possuem espinhos e cujas folhas são arredondadas.
Folhas: glabras ou levemente pubescentes na face dorsal, divididas até acima do meio, 8
a 12 cm de comprimento. acúleos quase sempre gêmeos
Flores: brancas delgadas e melíferas.
Fruto: legume plano de cor marrom, com até 10 sementes.
Floração: Outubro a janeiro.
Frutificação: Abril/Maio e maturação julho-agosto.

Ocorrência: Floresta pluvial atlântica. Ocorre normalmente em planícies aluviais úmidas


ou inicio de encostas.

Aspectos agronômicos:
Fazer a semeadura logo após coleta das sementes, sem qualquer tratamento, em
canteiros semi-sombreados contendo substrato areno-argiloso.
Semeadura em viveiro para produção de mudas - agosto-outubro. Transplante da muda -
quando tiver 30 cm
Espaçamento - 5 x 4 metros
Tratos culturais - poda de formação no inverno no segundo ano após plantio com corte a
60 cm do solo
Época de colheita - a partir do terceiro ano, na pré floração
Parte colhida - ramos com folhas, deixando 10 a 15 cm da base do ramo

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Secagem - a sombra ou secadora 40 oC, no maximo

Composição química: cumarinas, taninos, flavonoides, glicosídeos, fitosterois,


alcaloides, saponinas, trigonellina.

Uso medicinal: Muito usada na medicina popular contra afecções urinárias, tem
propriedades diurética e hipoglicemiante. As folhas são usadas na forma de chás contra
diabetes (permite regime alimentar menos rigoroso para os diabéticos). É diurético e
antidiarréica.
Suas folhas devem ser colhidas antes da floração e secas ao sol. Também se usam as
flores, casca e raiz.

11. Pitangueira
Família: Myrtaceae.
Nome científico: Eugenia uniflora L.
Sinonímia botânica:Eugenia costata Camb, Plinia rubra L.
Nomes populares: Pitanga-vermelha (RNC) pitanga, pitangueira
Nomes populares em outros países: Paraguai; ñangapiry, Argentina; ñangapiri.
Nome em tupi-guarani: yba-pitanga, fruto-vermelho.
Descrição botânica:
Árvore semidecídua, secundária inicial, secundária tardia ou clímax exigente em luz. Sua
altura atinge até 15 m e seu diâmetro 30 cm.
Folhas: simples oposto-cruzadas, com ápice acuminado e base aguda.
Flores: tetrâmeras de cor branca.
Floração: Julho/Setembro
Frutificação: Outubro/Novembro.
Sistema sexual: monoica.
Polinização: abelhas, mamangavas e vários pequenos insetos.
Dispersão: aves e mamíferos.
Ocorrência: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa, Floresta
Ombrófila Mista, de Minas gerais ao Rio Grande do Sul.
Apícola: as flores da pitangueira são melíferas.
Paisagístico: árvore muito usada na ornamentação de ruas e bosques.
Utilização: recomendada para cabo de ferramentas, produz lenha de boa qualidade.
Frutos comestíveis usados para doces e geleias.

Aspectos agronômicos:
Arvoreta de meia-sombra ou pleno sol. A fase de implantação da cultura é mais exigente
em regas por isso plantar na época das chuvas.
Espaçamento: 4,0 x 4,0 metros
Colheita: Iniciar a colheita das folhas somente após bom crescimento da planta, acima
de 1,0 m de altura e em quantidade que não comprometa o desenvolvimento da planta.

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Composição química: taninos, flavonoides, óleos voláteis (eugenol) e ácidos fenólicos.

Uso medicinal:
Na medicina popular é usada para controle da pressão arterial, diarreias, usada em forma
de chá para emagrecimento.

No SUS Campinas, é uma das plantas selecionadas para o Projeto Farmácia Viva com as
seguintes considerações:
Indicações
Uso interno: antioxidante, diurética, digestiva, antidiarreica.
Uso externo: atividade antimicrobiana para feridas e gargarejos.
Posologia e forma de preparo
Uso interno: Infusão - 10 g de folhas secas para 1 litro de água, tomar 2 a 3
xícaras de chá (150 mL) ao dia, após refeições.
Uso externo: Decocção - 10 folhas para 1 litro de água. Para feridas: esfriar e deixar em
contato com as feridas (banho ou compressa) por 20 minutos
(mínimo), utilizar 1 a 2 vezes ao dia. Para gargarejo: utilizar 2 a 3 vezes ao dia.
Cuidados: O uso interno é contraindicado para grávidas, lactantes, crianças de 3 anos e
não deve ser utilizado por mais de 30 dias. O uso externo não deve ser utilizado por
grávidas e lactantes com lesões extensas e graves.

CAPITULO 2. PLANTAS MEDICINAIS ARBUSTIVAS E TREPADEIRAS


Eng. Agr. Dra. Maria Claudia Silva G. Blanco
Eng. Agr. Escolastica Ramos de Freitas

1. Amora-brava
Família: Rosaceae
Nome científico: Rubus brasiliensis Mart.
Nome popular: amora-do-mato,amora-preta.

Descrição botânica:
Arbusto robusto, ramos com espinhos (acúleos retos, ligeiramente curvos, coberto de
pelos). Atinge altura até 5 metros de comprimento.
Folhas: Alternas, compostas com folíolos subcoriáceos com 7-10 cm de comprimento e
5-8 cm de largura.
Flores: brancas ou verdes, dispostas em panículas
Frutos: drupas numerosas, sucosas de cheiro agradável e muito delicioso.
Floração: julho- agosto
Polinização: vários insetos: mamangavas,borboletas, moscas, grilos, vespas.

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Dispersão: aves e morcegos
Ocorrência: Cerrado, campos, Floresta Ombrófila Mista e Ombrófila Densa.

Aspectos agronômicos:
As sementes medem 2 a 3 mm e depois de despolpadas e lavadas sob uma peneira em
água corrente, podem ser armazenadas por mais de 1 ano sem perder o poder
germinativo. Semear 2 a 3 sementes diretamente em embalagens individuais contendo
substrato feito de 40 % de terra argilosa ou vermelha, 20% de areia e 40% de matéria
orgânica bem curtida. As sementes têm índice de germinação na faixa dos 55% e nascem
em 60 a 100 dias e devem ficar em ambiente ensolarado. O crescimento das mudas é
lento e atingem 40 cm em 9 a 11 meses.
Espaçamento: 3,0 x 3,0 metros.
Tratos culturais: pode ser conduzida com espaldeira com 3 arames. Realizar poda de
frutificação no inverno, eliminando todos os ponteiros que frutificaram no ano anterior e
poda de limpeza, eliminando galhos secos, doentes ou mal localizados.
Colheita: os frutos são colhidos de setembro a fevereiro.
Os frutos têm sabor de uva doce aromático e são deliciosos para o consumo in natura. Os
frutos podem ser usados para fabricação de geleias, iogurtes, sucos e sorvetes. Essa
espécie pode ser cultivada em projetos de revegetação para preservação permanente
com o objetivo de alimentar os pássaros.

Composição química: ácidos fenólicos, flavonóides, taninos e polipeptídeos. Nos frutos:


Antocianidinas: Cyanidin 3-β-glucopyranoside; Pelargonidin 3-β-D-glucopyranoside;
Cyanidin 3-rutinoside; Pelargonidin 3-rutinoside; Cyanidin 3-glucosylrutinoside; Cyanidin
3-O-(6′-O-malonylglucoside).

Uso medicinal: Na etnofarmacologia é utilizada como diurética, hipotensora e no controle


hormonal. Estudos farmacológicos demonstraram que possui ações ansiolíticas e
relaxante muscular.
Os frutos são comestíveis e apreciados pelas populações rurais e pela avifauna. Os frutos
são usados nos casos de diarréia sanguinolenta e a infusão é usada como bebida tônica
e medicação antidiarreica. O chá dos brotos e das inflorescências é considerado
antiespasmódico e o chá das folhas é usado como diurético.
Ações farmacológicas: Devido ao alto conteúdo de antocianinas, foram detectadas
atividades antioxidante, anti-inflamatória e anticancerígena.

2. Boldo-baiano – planta da Farmacopeia brasileira


Família: Asteraceae (Compositae)
Nome científico: Vernonia condensata Baker
Nome popular: boldo-baiano, alumã, figatil, heparém, boldo-chinês, árvore-do-pinguço.

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Descrição botânica:
Arbusto grande ou arvoreta, pouco ramificada, de ramos quebradições, 2-4 m de altura.
Folhas: simples, inteiras, membranáceas, glabras, ápice agudo, margens serrilhadas, 5-
12 cm de comprimento, com sabor amargo seguido de doce, quando mastigadas.
Inflorescência: flores discretas, de coloração esbranquiçada, reunidas em pequenas
panículas terminais ou axilares de capítulos alongados.
Floração e Frutificação: verão e outono.
Polinização: abelhas nativas.
Propagação: estacas e sementes.
Ocorrência: nativa da África tropical, foi trazida ao Brasil pelos escravos ainda nos
tempos coloniais; está amplamente distribuída nos estados do Nordeste, Centro-oeste e
Sudeste.
Observação: As folhas são consideradas sagradas e utilizadas em rituais do candomblé.

Aspectos agronômicos:
Propaga-se por sementes, mas preferencilmente por estacas de ramos com cerca de 20
cm.
Tolera estiagem e irregularidade na distribuição de chuvas. Tolera geadas leves.
Espaçamento: 2,0 x 2,0 metros
Colheita: colher até 50% da planta quando tiver altura superior a 1 metro.

Composição química: Estudos fitoquímicos do boldo baiano revelaram a presença de


diferentes metabólitos secundários, a saber: compostos fenólicos, alcaloides, taninos,
saponinas, flavonoides, ácidos graxos, terpenoides e esteroides. Lactonas
sesquiterpênicas, saponinas esteroidais, flavonoides e ácidos graxos são os principais
compostos que já foram isolados e/ou identificados nas folhas da espécie.

Uso medicinal: Segundo a literatura, no que diz respeito aos usos populares e aos
estudos farmacológicos pré-clínicos e clínicos, o principal derivado vegetal de V.
condensata empregado é o extrato aquoso das folhas (chá), que pode ser preparado por
diferentes métodos de extração (infusão, decocção etc.) conforme descrito nos diferentes
estudos. O segundo solvente extrator mais empregado é o etanol, em diferentes
concentrações. Além disso, muitos trabalhos empregam derivados obtidos dos galhos e
raízes da planta, obtidos a partir de diversos solventes extratores (água, etanol, metanol,
acetona, acetato de etila, hexano etc.).
O extrato aquoso (chá) das folhas de V. condensata pode ser obtido, conforme literatura,
por vários métodos diferentes de extração (infusão, decoção, etc.), porém, o que
preconiza a monografia do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira é a
infusão das folhas secas de V. condensata, na proporção de 3g de folhas secas para 150
mL de água (proporção 1:50, material vegetal: água).

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A espécie V. condensata já faz parte da lista de drogas vegetais notificadas da RDC
10/2010, conforme mostrado a seguir:
Nomenclatura botânica: Vernonia condensata
Nomenclatura popular: Boldo-baiano
Parte utilizada: Folha
Forma de utilização: Infusão: 3 g (1 colher de sopa) em 150 mL (xíc. De chá)
Posologia e modo de usar: Utilizar 1 xíc. 3 vezes ao dia, antes das principais refeições.
Via: Oral
Uso: Adulto
Alegações: Dor e dispepsia

3. Erva-baleeira – planta da Farmacopeia brasileira


Família: Boraginaceae
Nome científico: Varronia verbenácea (DC.) Borhidi
Nome popular: erva-baleeira, catinga-de-barão, maria-milagrosa, salicínia, erva-preta

Descrição botânica:
Arbusto ereto, muito ramificado, aromático, com a extremidade dos ramos um tanto
pendentes, hastes revestidas por casca fibrosa, de 1,5-3 m de altura.
Folhas: simples, alternas, ásperas, aromáticas, bordas denteadas, cor verde-escura, com
5-9 cm de comprimento.
Inflorescência: flores pequenas, brancas, dispostas em inflorescências racemosas
terminais, de 10-15 cm de comprimento.
Floração e Frutificação: pode ocorrer durante o ano todo, principalmente nos meses
mais quentes da primavera/verão.
Polinização: insetos - abelhas, vespas, besouros.
Frutos: pequenos, tipo cariopse esférica, cor vermelho-escura, atrai muitos passarinhos
que realizam a dispersão das sementes.
Propagação: sementes e estacas de ramos novos.
Ocorrência: nativo de quase todo o Brasil, principalmente em áreas abertas da orla
litorânea.
Observação: importante fonte de recursos florais, principalmente para abelhas e vespas,
pelo seu longo período de florescimento.

Aspectos agronômicos:
Propaga-se por estacas de ponteiro ou por sementes após retirad do arilo em água.
Semear em sacos plásticos contendo substrato solo, areia e esterco na proporção 3:2:1 e
a 1 cm de profundidade. Após 3 meses de viveiro, as mudas ficam prontas para o
transplante no campo.
Espaçamento: 1,6 x 0,5 metros
Colheita: folhas colhidas pela manhã, acima de 30 cm do solo. Época de colheita vai de
maio a novembro, sendo a partir de 6 meses do plantio e, depois, a cada 4 meses.

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Composição química: O óleo essencial é composto principalmente por mono e
sesquiterpenos e seus principais constituintes são α-pineno, trans-cariofileno, allo
aromadendreno e também α-humuleno.

Uso medicinal: A Varronia verbenacea possui propriedades antiinflamatórias naturais.


Diferentes espécies de plantas do gênero Cordia são usados na medicina popular como
agente anti-inflamatória em todas as regiões tropicais e subtropicais do mundo.
A Varronia verbenacea é distribuída ao longo da região costeira do Brasil e utilizada na
medicina tradicional como antirreumático, anti-inflamatório e analgésico, com
propriedades curativas de extrato alcoólico, decocção e infusão.
Estudos demonstraram que o extrato obtido da Varronia verbenacea exibe importantes
propriedades anti-inflamatórias administrada tanto de forma oral quanto tópica.
O Formulário Nacional Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira descreve o uso tópico das
folhas de Varronia verbenacea como anti-inflamatório em forma de infuso, como
compressa (Brasil, 2011), conforme a seguir:
FÓRMULA
Componentes Quantidade
folhas secas 3g
água q.s.p. 150 mL
ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO
Preparar por infusão considerando a proporção indicada na fórmula.
ADVERTÊNCIAS
Em caso de aparecimento de alergia, suspender o uso.
INDICAÇÕES
Anti-inflamatório.
MODO DE USAR
Uso externo.
Aplicar compressa na região afetada, três vezes ao dia.

Estudos também indicam que Varronia verbenacea contém substâncias anti-inflamatórias


cuja efetividade e menores efeitos colaterais, colocam-na como uma alternativa segura e
eficaz no tratamento tópico de inflamações. Em 2005 o laboratório Aché lançou o primeiro
anti-inflamatório fitoterápico, desenvolvido no Brasil, obtido a partir do óleo essencial
desta planta, denominado Acheflan. Suas partes aéreas possuem vários componentes
incluído taninos, flavonóides e óleos essenciais.
Recentemente demonstrou-se pela primeira vez que o óleo essencial de Varronia
verbenacea exibe marcadores anti-inflamatórios por via oral em roedores, o que
provavelmente está relacionado a presença do sesquiterpenos α-humuleno e (−) (−) trans-
cariofileno.
Um estudo demonstrou que a administração oral de α -humuleno, impede edema induzido
por LPS na pata de rato, impede também o aumento dos níveis de TNF- α e IL-1 β, assim

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como a regulação positiva do receptor de cinina B-1. Além disso, tanto α -humuleno
quanto trans-cariofileno administrados por via oral a ratos são capazes de inibir o influxo
de neutrófilos para o local da inflamação e da ativação de NF- κB.
A planta também contém um polifenol denominado ácido rosmarínico, que em estudos
realizado em ratos, demonstrou possuir efeito inibitório na formação de edema e indução
de miotoxinas derivadas de veneno de cobra, principalmente através da inibição da
atividade da fosfolipase A2 (cPLA2), uma enzima fundamental na inflamação, responsável
pela liberação do ácido araquidônico a partir dos fosfolípides membranares.
Indicação e benefícios:
 Redutor de edema;
 Inibe a liberação de citocinas mediadoras da inflamação;
 Ação analgésica;
 Tratar desordens gástricas;
 Propriedade antibacteriana;
 Atividade anti-inflamatória;
 Coadjuvante para tratamento da artrite reumatoide, gota;
 Potencial anti-inflamatório em doenças alérgicas;
 Tratar dores musculares.

4. Fáfia
Família: Amaranthaceae
Nome científico: Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen
Nome popular: ginseng-brasileiro, fáfia, paratudo, suma

Descrição botânica:
Planta herbácea, ereta, com ramificação dicotômica, glabras ou pubescentes, pode
chegar a 2 m de altura, é hidrófita e heliófita.
Folhas: simples, inteiras, opostas, curto pecioladas, lâmina de forma e tamanho variáveis,
sempre menores nas partes superiores.
Inflorescência: axilares, capituliformes, com longos pecíolos, flores branco-amareladas,
pequenas.
Floração e Frutificação: de setembro a maio.
Frutos: aquênio, sementes cordiformes, muito pequenas, verde-claro quando imaturas e
marrom-acastanhado quando maduras.
Propagação: sementes e estacas.
Ocorrência: regiões tropicais e subtropicais da América Latina; no Brasil ocorre
principalmente nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, nas
margens dos rios e bordas das matas e mesmo em capoeiras com solo úmido..
Observação: seu cultivo comercial é recomendado, tendo em vista a exploração
predatória a que vem sendo submetida, com finalidade medicinal.

Aspectos agronômicos:

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Prefere solos argilosos ou areno-argilosos ricos em matéria orgânica, em altitudes até
1000 metros e precipitação em torno de 1200 e 1500 mm. É comum a presença de
nematoides nas raízes.
Propaga-se principalmente por estacas com 3 gemas, sendo 2 enterradas em substrato
solo, areia, esterco na proporção de 3:2:1 e a outra acima do solo com um par de folhas
cortadas ao meio.. Manter em viveiro por 60 dias até o transplante no campo.
Plantar em leiras para facilitar a colheita das raízes.
Espaçamento: 0,5 m entre plantas x 1,0 metro entre linhas.
Colheita: após um ano do plantio. Lavar as raízes retirando o solo aderido.
Deixar sobre telado or 2 horas e depois fatiar para secar.
Os fitoterápicos são produzidos com a droga vegetal moída em moinho de faca até
granulometria de 40 mesh.

Composição química: Quanto constituintes químicos de raízes das espécies de Pfaffia já


foram identificados: alantoína os já vistos ecdisteróides, ácido pfáffico e os seus glicósidos
(saponinas nortriterpeno), estigmasterol e sitosterol.

Uso medicinal: Na medicina popular é prescrito em chás como um tônico estimulante,


dando uma nova vitalidade ao organismo. Também é conhecido como "paratudo" e
"suma". Por algumas de suas características bioquímicas (os ginsenosídeos) tem sido
comparado ao ginseng é uma das plantas que têm seu uso consagrado pela tradição
milenar na medicina tradicional chinesa, sendo que estas nada tem em comum com o
gênero, do ginseng chinês ou coreano.
Uma das notáveis e aparentes semelhanças entre a Pfaffia e as espéciés conhecidas com
as plantas do gênero Panax.sp são o formato das raízes que na planta Ginseng ou Jen
Sheng, a raiz celestial cujo nome significa literalmente erva-humana, tem forma
semelhante à de uma figura humana, o que às vezes também ocorre nas Pfaffias. É nas
raízes, contudo que concentram-se minerais, oligoelementos e os componente bioativos
de ambos os gêneros: P. glomerata e P. paniculata.

5. Guaco – planta da Farmacopeia brasileira


Família: Asteraceae
Nome científico: Mikania laevigata e Mikania glomerata
Nome popular: guaco, guaco de cheiro, guaco trepador, cipó catinga, cipó sucuriju,
coração de Jesus, erva de cobra.

Descrição botânica:
Trepadeira perene, de grande porte, de ramos lenhosos e cilíndricos.
Folhas: Alternas, opostas, ovaladas, de consistência rígida, pecioladas, simples, com 3
nervuras bem evidentes, carnosas, verde brilhante na parte superior.
Flores: branco-creme, reunidas em capítulos.
Polinização: abelhas.

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Ocorrência: Nativa do sul do Brasil, sendo cultivada em outros estados.

Aspectos agronômicos:
Planta trepadeira, conduzir em espaldeira ou cerca no sentido N/S. Para produção de
mudas, utilizar estacas medianas ou basais com 3 gemas e 1 par de 1/2 folhas. Enterrar
2 gemas da estaca e deixar 1 gema para fora com 1 par de folhas cortadas ao meio.
Espaçamento: 1,0 – 1,5 x 2,0 metros.
Colheita: A partir de 8 meses do plantio. E depois a cada 6 meses. Colher 60% de ramos
das brotações secundárias na pré- floração.

Composição química: Cumarina (ativo principal), ácidos cafeoilquínicos (clorogênico e


dicafeoilquinico), terpenos (ácido caurenóico).

Uso medicinal: Age em gripes e resfriados, bronquites alérgica e infecciosa e como


expectorante. Confirmada ação broncodilatadora pela Central de medicamentos (CEME),
fazendo parte da Farmacopeia Brasileira e da RDC 10/2010, com as seguintes indicações
e orientações:
NOMENCLATURA POPULAR
Guaco.
FÓRMULA
Componentes Quantidade
folhas secas 3g
água q.s.p. 150 mL
ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO
Preparar por infusão considerando a proporção indicada na fórmula.
ADVERTÊNCIAS
Não utilizar em caso de tratamento com anti-inflamatórios não esteroides. A utilização
pode interferir na coagulação sanguínea. Doses acima das recomendadas podem
provocar vômitos e diarreia.
INDICAÇÕES: Expectorante.
MODO DE USAR
Uso interno: Acima de 12 anos: tomar 150 mL do infuso, logo após o preparo, duas vezes
ao dia.
O guaco é uma das plantas selecionadas pelo Projeto farmácia Viva de Campinas (SUS)
com as seguintes orientações contidas na cartilha municipal:
Nome científico: Mikania laevigata Sch. Bip. Ex Baker
Nomes populares: guaco-de -cheiro
Parte utilizada: folhas
Constituintes principais: Cumarina (ativo principal), ácidos cafeoilquínicos (clorogênico
e dicafeoilquinico), terpenos (ácido caurenóico).
Indicações
Uso interno: Expectorante, broncodilatador.

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Posologia e forma de preparo
Uso interno: Infusão - 1 colher de sopa (3 g) de folhas secas para 1 xícara de chá
(150mL) de água. Acima de 12 anos: 2 vezes ao dia, logo após o preparo.
Xarope caseiro - 25 folhas frescas picadas para 1 e ½ xícara de chá (255 g) de açúcar e1
xícara de chá (150 mL) de água. Em calor brando (60 a 80° C), preferencialmente em
banho-maria, dissolver o açúcar na água até formar uma calda fina; em seguida colocar
as folhas, misturar e tampar. Ao levantar fervura, desligar o fogo e deixar em repouso por
uma hora tampado. Coar. Colocar em recipiente higienizado, de preferência em vidro
âmbar. Armazenar em geladeira ou em local fresco. Esta preparação não pode ser usada
por mais de 7 dias e deve-se verificar frequentemente se o xarope não fermentou
(azedou). Crianças de 3 a 6 anos: tomar 1 colher de chá (5 mL), 2 vezes ao dia. Crianças
de 7 a 12 anos: tomar uma colher de sobremesa (10 mL), 3 vezes ao dia. Acima de 12
anos: tomar uma colher de sopa (15 mL), 3 vezes ao dia. Agitar antes de usar.

Atenção: contraindicado a pacientes portadores de Diabetes mellitus, gestantes,


lactantes e crianças menores de dois anos e em caso de tratamento com anticoagulantes.
Cuidados: Não utilizar em caso de tratamento com anticoagulante. A utilização pode
interferir na coagulação sanguínea. Doses acima das recomendadas podem provocar
vômitos e diarreia.

6. Imbé ou Guaimbê
Família: Araceae
Nome científico: Philodendron bipinnatifidum Schott ex Endlicher
Nome popular: guaimbê, guaimbé, imbê, imbé, , banana-de-macaco

Descrição botânica:
Arbusto epífito ou terrestre, de textura semilenhosa, escandente, 2-3 m de altura, pouco
ramificado. Cresce inicialmente como arbusto ereto, depois se inclina até encostar no
chão, enraizando-se e voltando a crescer verticalmente, até formar uma grande colônia;
quando espífito, lança várias raízes ao solo, as quais lhe dão sustentação e também
absorvem água e nutrientes.
Folhas: Compostas, bipinatífidas com até 1,5 m de comprimento, profundamente
recortadas, com longos pecíolos.
Inflorescência: espádice axilar, ereta e grossa, de cor verde por fora e branco por dentro
da espata.
Floração e Frutificação: primavera e verão
Frutos: bagas agregadas na infrutescência
Polinização: por insetos, principalmente besouros
Dispersão: zoocórica
Ocorrência: regiões sudeste, sul e centro oeste.
Propagação: sementes e brotações.

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Observação: não confundir o guaimbê com costela-de-adão, Monstera deliciosa, que
possui recortes na forma de furos em suas folhas e cujos frutos são comestíveis.
Uso como fibra: Suas raízes são alvo do extrativismo, tendo como característica a
formação de uma fibra longa, com alto poder de tração e resistência, que tradicionalmente
são utilizadas há gerações, para artesanato de cestas, balaios de diversos tamanhos,
chapéus, luminárias, entre outros artigos decorativos ou para diversas finalidades.

Aspectos agronômicos:
Deve ser cultivada em substrato rico em matéria orgânica, com regas regulares, à
meia-sombra ou pleno sol. Tolerante a baixas temperaturas. Multiplica-se pela
divisão das mudas laterais e por sementes.

Composição química: óleo essencial, esteróides, poliprenoide.

Uso medicinal: Ele é utilizado na medicina popular, principalmente para os que moram
próximos à floresta, contra veneno de animais peçonhentos, especialmente picada de
arraia. Ao cortar o cipó há liberação da seiva, que é utilizada sobre as picadas.
A raiz é tóxica, abortiva. Da raiz se faz pomada para feridas e furúnculos. A raiz macerada
em álcool é usada para massagem no caso de bursite. As folhas são purgativas,
diuréticas e usadas no tratamento de erisipela. Testes farmacológicos comprovaram ação
do extrato aquoso de folhas de imbé contra T. cruzi e T. vaginalis.

7. Lipia ou cidreira brasileira - planta da Farmacopeia brasileira


Família: Verbenaceae
Nome científico: Lippia Alba (Mill.) N. E. Br.
Nome popular: erva-cidreira-brasileira, falsa-melissa, erva-cidreira-de-arbusto, cidrão.

Descrição botânica:
Subarbusto decumbente, com ramos flexíveis, quadrangulares quando novos, atingindo
até um metro e meio de altura, nativo de quase todo o território brasileiro.
Folhas: aromáticas, simples, inteiras, opostas, curto-pecioladas, bordos serreados, 3-6
cm de comprimento.
Inflorescência: axilar, racemosa, ocorrendo aos pares, em capítulos subglobosos –
floresce durante o ano todo, principalmente na primavera-verão.
Flores: aromáticas, hermafroditas, variando na coloração do branco ao róseo ou
avermelhado.
Frutos: drupas globosas de cor róseo-arroxeadas, sementes pequenas.
Polinização: insetos, principalmente abelhas.
Ocorrência: em todo território brasileiro
Propagação: principalmente por estacas, enraizamento fácil, mas também por sementes.
Observação: recomendada como pasto apícola tanto pela produção de pólen e néctar
durante quase o ano todo como pela sua rusticidade.

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Na erva-cidreira, o óleo essencial é armazenado nas folhas, mais precisamente nos
tricomas secretores (presentes na epiderme foliar) e nos parênquimas paliçádico e
lacunoso.
Diversos autores e pesquisas referem-se às variações na morfologia e composição do
óleo essencial, tanto associadas a partes da planta empregada na destilação, ao seu
estado de desenvolvimento como a sua posição geográfica, características do solo, clima
e outras condições locais da origem geográfica do material.

Aspectos agronômicos:
Prefere solos areno-argilosos, bem drenados. Plantio a pleno sol e regas moderadas.
As mudas são por estacas com 3 nós, formadas em recipiente com substrato solo, areia,
esterco na proporção 3:2:1, mantidas em viveiro 50% sombra com irrigação diária. Muda
pronta após 60 dias.
Espaçamento: 1,0 x 0,5 metros.
Colheita: A partir de 5 a 6 meses do plantio, até 2 colheitas anuais. Cortes de ramos a 20
- 45 cm do solo. A colheita a tarde, entre 15 e 17 horas favorece maior teor de óleo
essencial.

Composição química: Foram identificados vinte e quatro compostos sendo o


componente majoritário o citral (mistura de neral e geranial) que variou de 70,6 a 79,0%.
Também foram identificados: Momonoterpenos oxigenados linalol (1,7- 2,2)%, nerol (0,5-
2,5)%, geraniol (0,8-2,0)% e acetato de geranila (0,8-1,4)%. O β−mirceno foi identificado
em todas as estações, sendo a maior ocorrência no verão (2,6%). Sesquiterpenos,
germacreno B (0,3-1,5)% e β−cariofileno (0,4-0,7)% também foram identificados, sendo a
maior ocorrência observada durante a estação do verão.

Uso medicinal: Popularmente usada como antiespasmódico, calmante e


anticonvulsivante, pesquisas evidenciaram que na composição fitoquímica desta espécie
é possível identificar grande variabilidade de substâncias, presente no seu óleo essencial
sendo que os compostos majoritários mais citados na literatura foram linalol ,limoneno,
carvona e citral. Vários estudos tem demonstrado efeitos do citral sobre o Sistema
Nervoso Central (SNC), tais como sedativo e anticonvulsivante.
Aos compostos fenólicos são atribuídas as atividades anti-inflamatória, antimicrobiana e
anticarcinogênica da Lippia alba.
A Lippia alba demonstrou atividade inibitória em agentes causadores de afecções da pele
e do couro cabeludo, como Propionibacterium acnes, uma bactéria associada à acne e
Pityrosporum ovale (renomeado como Malassezia furfur), um fungo que precisa de lipídeo
(gordura) para se desenvolver, habita naturalmente o couro cabeludo de humanos e pode
causar tanto caspa como demartite seborreica.
É uma planta da Farmacopéia brasileira e consta da RDC 10/2010 que trata das drogas
vegetais, com as seguintes prescrições:

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Erva cidreira – Lippia alba (Mill.) N.E. Br. ex Britton & P. Wilson
SINONÍMIA
Lantana alba Mill. e Lantana geminata (Kunth) Spreng.
NOMENCLATURA POPULAR
Erva-cidreira de arbusto e lípia.
FÓRMULA
Componentes Quantidade
partes aéreas 1 a 3 g
secas
água q.s.p. 150 mL
ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO
Preparar por infusão considerando a proporção indicada na fórmula.
ADVERTÊNCIAS
Deve ser utilizado com cuidado em pessoas com hipotensão. Doses acima das
recomendadas podem causar irritação gástrica, bradicardia e hipotensão.
INDICAÇÕES
Ansiolítico, sedativo leve, antiespasmódico e antidispéptico.
MODO DE USAR
Uso interno: Três a sete anos: tomar 35 mL do infuso, logo após o preparo, três a quatro
vezes ao dia. Acima de sete a 12 anos: tomar 75 mL do infuso, logo após o preparo, três
a quatro vezes ao dia. Acima de 12 anos: tomar 150 mL do infuso, logo após o preparo,
três a quatro vezes ao dia. Maiores de 70 anos: tomar 75 mL do infuso, logo após o
preparo, três a quatro vezes ao dia.
Em Campinas, é uma das plantas selecionadas para o Projeto Farmácia Viva, constando
da cartilha municipal como:
Nome científico: Lippia alba (Mill.) N.E.Br. ex Briton & P. Wilson
Nomes populares: cidreira-de-rama,falsa-melissa, erva-cidreira-de-arbusto.
Parte utilizada: partes aéreas
Constituintes principais:
Contém óleos voláteis (geranial, neral, β-carofileno, linalol, limoneno e citral, mirceno),
taninos, flavonoides e iridoides.
Indicações
Uso interno: Antiespasmódica (cólicas uterinas e intestinais), analgésica, antidispéptico,
ansiolítico e sedativo leve (calmante e insônia), hipotensora leve, antigripal, expectorante
e auxiliar em dor de cabeça. Auxilia em TPM, síndrome do climatério e síndrome do
intestino irritável e diarreias.

Posologia e forma de preparo


Uso interno: Infusão - 1 a 3 colheres de chá (1 a 3 g) de partes aéreas secas para 1
xícara de chá (150 mL) de água. De 3 a 7 anos tomar 35 mL do infuso 3 a 4 vezes ao dia.
De 7 a 12 anos 75 mL do infuso 2 a 3 vezes dia. Acima de 12 anos tomar 150 mL do
infuso 2 a 4 vezes dia. Acima de 70 anos tomar 75 mL do infuso 2 a 3 vezes dia.

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Cuidados: evitar o uso durante a gravidez, lactação em caso de hipotensão. Pode
aumentar a toxicidade de paracetamol se usado concomitantemente. Doses acima da
recomendada podem causar irritação gástrica, bradicardia e hipotensão.
Observação: Deve-se diferenciar das plantas: Cymbopogum citratus e Melissa officinalis,
que também são conhecidas popularmente como cidreira.

8. Macela - planta da Farmacopeia brasileira


Família: Asteraceae
Nome científico: Achyrocline satureiodes (Lam.) DC.
Nomes populares: macela-do-campo, macelinha, macela de travesseiro, carrapichinho-
de-agulha, camomila nacional.

Descrição botânica:
É um arbusto perene que atinge cerca de um metro de altura e que na região sul costuma
florescer no mês de março. As flores são amarelas, com cerca de um centímetro de
diâmetro, florescendo em pequenos cachos. As folhas são finas e de cor verde-claro,
meio acinzentada, que se destaca do restante da vegetação do campo. Ocorre na
Argentina, Uruguai e Brasil.
Florescimento: Sul do Brasil: favereiro a março. Sudeste: fevereiro a março, julho e
dezembro.

Aspectos agronômicos:
Prefere solos ricos em matéria orgânica e plantio a pleno sol.
Propagação: sementes colhidas em junho-julho. A semeadura pode ser em canteiros ou
em recipientes, colocando 3 sementes e substrato solo, areia, esterco (3:2:1). No canteiro
ou recipiente, realizar desbaste após 40 dias da germinação. A muda está pronta para
transplante após 60 dias.
Espaçamento: 0,30 x 0,30 metros.
Coheita: colher flores recém abertas, entre 9 e 10 horas da manhã.

Composição química: óleo essencial (1-8-cineol, cariofileno, óxido de cariofileno, d-


cadineno, cariatina, germacreno-D e a-pineno); flavonóides (isonafaliina, quercitina,
galangina-3-metiléter, galangina, isognafalina, luteolina, quercetagetina, tamarixetina,
tamarixetina 7-glucosídeo, quercetina 3,7-dimetileter, isognafaliina, quercitina-3-metiléter
7-diglicosídeo, alnustina, 5,7,8-trimetoxiflavona, 7-hidroxi-3,5,8-trimetoxiflavona, 3,5,7,8-
tetrametoxiflavona, kawapirona); ácidos polifenólicos e ésteres (ácido clorogênico e
isoclorogênico, protocatequilcalerianina, ácido caféico, cafeoilcalerianina); fenilpironas
(italidipirona e 23-metil-6-0-desmetil auricepirona); sesquiterpenos, derivados da
fenilpirona e morina, compostos acetilênicos, luteolina, ésteres de coleriantina,
monoterpenos, canfeno, mirceno, a-terpineno, borneol, a-himachaleno; saponinas,
substâncias amargas (lactonas), taninos.

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Uso medicinal: As flores da macela costumam ser usadas pela população como estofo
de travesseiros, por se acreditar que tenha efeitos calmantes.
As flores têm um aroma agradável e a infusão destas ou de suas folhas são popularmente
usadas para aliviar dores de cabeça, cólicas e problemas estomacais.
Estudos farmacológicos atribuem as seguintes atividades para macela: antidispéptica,
anti-inflamatória das vias erespiratórias, analgésica, antisséptica e antiviral.
A espécie A. satureiodes já faz parte da lista de drogas vegetais notificadas da RDC
10/2010 e do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia brasileira - ANVISA, conforme
mostrado a seguir:
NOME CIENTÍFICO: Achyrocline satureiodes (Lam.) DC.
SINONÍMIA
Achyrocline candicans (Kunth) DC.
NOMENCLATURA POPULAR
Macela, marcela e marcela-do-campo.
FÓRMULA
Componentes Quantidade
sumidades floridas 1,5 g
secas
água q.s.p. 150 mL
ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO: Preparar por infusão considerando a proporção
indicada na fórmula.
ADVERTÊNCIAS: Em caso de ocorrência de alergia, suspender o uso.
INDICAÇÕES: Antidispéptico, antiespasmódico e anti-inflamatório.
MODO DE USAR
Uso interno.
Acima de 12 anos: tomar 150 mL do infuso, logo após o preparo, duas a três vezes ao
dia.

9. Margaridão
Família: Asteraceae (Compositae)
Nome científico: Tithonia diversifolia (Hemsl)A.Gray
Nome popular: margaridão, girassol-mexicano
O Margaridão é uma das formas populares pelas quais essa espécie vegetal é conhecida.
A planta também é popularmente conhecida pelos nomes de: Girassol Vermelho,
Margarida Mexicana e Girassol Mexicano, pois é uma planta originária da América do
Norte, sendo nativa do México.

Descrição botânica:
Arbusto de textura semi-herbácea, ereto, vigoroso, ramificado, originário do México,
alcançando 1,5 -2,5 m de altura, com ramagem vigorosa, mas quebradiça.
Folhas: inteiras ou lobadas, pubescentes.

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Inflorescência: terminais ou axilares, com flores amarelas vistosas, reunidas em
capítulos solitários grandes, semelhantes aos girassóis.
Floração e Frutificação: outono-inverno
Polinização: por insetos, principalmente abelhas
Propagação: sementes e estacas semi-lenhosas
Ocorrência: amplamente distribuído nas regiões tropicais e subtropicais, planta rústica,
tolerante a solos ácidos, mas pouco tolerante a baixas temperaturas.
Observação: utilizada como planta ornamental em renques, grupos ou isoladamente,
submete-se a podas quando necessárias. Seu cultivo é recomendado entre as práticas
agroecológicas por atrair abelhas e fornecer biomassa, podendo ainda ser utilizado na
alimentação animal pelo seu alto valor nutritivo. No entanto, pode se tornar invasora.
T. diversifolia tem sido preconizada para a detoxificação de áreas contaminadas por
metais pesados, identificando-se elevadas concentrações de zinco e chumbo nas folhas e
raízes, sem que isso afete seu desenvolvimento ou expresse sintomas de toxide. Como
adubo verde é indicada para sistemas de pousio melhorado de ciclo curto, pois restaura a
fertilidade do solo incrementando a produtividade de culturas subsequentes. Isto se deve
à alta concentração foliar de nitrogênio, fósforo e potássio.

Aspectos agronômicos:
Prefere solos bem drenados, sendo intolerante ao encharcamento e resistente a seca.
A propagação é feita por sementes. As sementes devem ser preferencialmente semeadas
no local definitivo, mas também é possível a semeadura em pequenos vasos, saquinhos
para mudas ou copos de papel, transplantando as mudas com cuidado quando estas
ficarem grandes o bastante para serem manuseadas. As sementes do girassol-mexicano
devem ser semeadas superficialmente, embora também seja possível cobrir com uma
leve camada de terra peneirada, areia ou serragem fina. A germinação das sementes
normalmente demora entre 4 e 21 dias.
Espaçamento: 1,0 x 1,0 metro
Colheita: Folhas – o ano todo e flores – quando recém abertas.

Composição química: Dentre os mais de 150 metabólitos secundários isolados de T.


diversifolia destacam-se os flavonóides e as lactonas sesquiterpênicas. Estas últimas, em
especial as tagitininas A, C e F, da classe dos heliangolidos, apresentam ações
biológicas, incluindo anti-inflamatória, e propriedade fagoinibidora frente a larvas do
lepidóptero Chlosyne lacinia, dentre outras.

Uso medicinal: O margaridão tem sido utilizado como planta medicinal em alguns países,
incluindo o Brasil, evidenciando-se suas ações anti-inflamatória, antimalárica e para o
tratamento do diabertes, algumas delas comprovadas em estudos in vitro ou in vivo
utilizando-se animais de laboratório. Embora esta planta possa ser promissora para um
possível uso como fitoterápico, recentemente estudos toxicológicos em ratos revelaram
que o uso oral e prolongado das folhas provocam lesões nos rins e no fígado. O

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margaridão pode ser usado para atenuar a síndrome de abstinência a drogas
psicotrópicas em dependentes químicos, como álcool e tabaco e outras.
O margeridão tem sido utilizado na agroecologia e em sistemas agroflorestais. Após ser
podado é aplicado em hortas, pois ajuda no fornecimento de nitrogênio, potássio, cálcio e
magnésio. Por ter abundância de flores, ele atrai muitas abelhas.

10. Pariparoba
Família: Piperaceae
Nome científico: Piper umbellatum L. (Pothomorphe umbellata L.)
Nome popular: pariparoba, capeba, caapeba-do-norte

Descrição botânica:
Subarbusto, ereto, perene, muito ramificado, com hastes articuladas e providas de nós
bem visíveis, atingindo 1,0-2,5 m de altura.
Folhas: simples, amplas, em formato de coração, de 15-23 cm de comprimento, longos
pecíolos com 18-024 cm.
Inflorescência: 2-6 espigas axilares, de 4-8 cm de comprimento, com flores pequenas e
discretas, de cor creme-esverdeada.
Floração e Frutificação: março a dezembro; frutos são bagas, esverdeadas quando
novas e pretas quando maduras.
Propagação: sementes e estacas
Ocorrência: nativa em quase todo o Brasil, principalmente do sul da Bahia até Minas
Gerais e São Paulo; seletiva higrófita, em bordas de matas, também em capoeiras e
capoeirões.
Observação: quando em cultivo é vulnerável ao plantio a céu aberto, necessitando de
consorciação com espécies mais altas e de maior cobertura vegetal.

Aspectos agronômicos:
A planta cresce bem em solo úmido, rico em matéria orgânica e prefere meia-sombra.

Composição química: Esteróis (sitosterol, estigmasterol), sesquiterpenos.

Uso medicinal: Empregada popularmente como diurética, antiofídica, antipirética, no


tratamento de malária, doenças do fígado, inflamação, erisipela, e epilepsia. O decocto
das raízes é indicado para males do baço e fígado.
Estudos comprovaram as ações antiedematogênicas, analgésicas e antiinflamatórias do
extrato da parte aérea da planta. Substâncias isoladas das raízes apresentaram atividade
antioxidante e fotoprotetora, mostrando potencial do uso da pariparoba em formulações
farmaceuticas e cosméticas.

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11. Urucum
Família: Bixaceae
Nome científico: Bixa orellana L.
Nome popular: urucum, urucu, colorau, urucuzeiro, falso-açafrão, açafrão-indígena

Descrição botânica:
Arbusto grande ou árvore pequena, com 3-5 m de altura, de tronco revestido por casca
parda e copa bem desenvolvida.
Folhas: simples, inteiras, glabras, formato de coração, medindo 8-11 cm de comprimento
e 4-5 cm de largura.
Flores: flores levemente róseas, dispostas em panículas terminais, muito vistosas.
Polinização: cruzada, por insetos, principalmente pelas abelhas africanizadas e
mamangavas.
Floração e Frutificação: a florada principal é em março-abril e a colheita dos frutos de
julho a agosto.
Frutos: tipo cápsula deiscente, ovóide, coberto por espinhos flexíveis, de cor vermelha,
esverdeada, amarelada ou parda, com 3-5 cm de comprimento, contendo muitas
sementes pretas cobertas por um arilo ceroso de cor vermelha e odor característico.
Propagação: sementes, enxertia e estacas
Ocorrência: nativa da América Tropical, planta rústica, heliófita, é cultivada com
finalidade doméstica ou industrial.
Observação: Deve ser cultivado a pleno sol, precipitação pluviométrica acima de 1.200
mm anuais, em terrenos bem drenados.

Aspectos agronômicos:
As temperaturas para o cultivo devem, de preferência, oscilar entre 20°C e 26°C, com
máximas de 36 °C a 38 °C e mínima de 15 °C. O urucuzeiro prefere áreas onde a
precipitação pluvial oscile entre um mínimo de 1.200 mm e um máximo de 3.000 mm, com
a existência de um período de estiagem de 3 ou 4 meses, período indispensável à
maturação dos frutos e ao seu beneficiamento.
Prefere solos com perfil profundo, bem drenados, com textura de média a argilosa, porém
sem compactação. Solos muito argilosos e encharcados não são indicados para o cultivo.
A produção de mudas pode ser efetuada pela via sexuada ou assexuada,
respectivamente, por meio de formação de mudas e enxertia ou estaquia.
As sementes devem ser colhidas de cápsulas maduras, bem conformadas e isentas de
doença e colocadas a secar a pleno sol. Em seguida, as sementes são colocadas de
molho, em água à temperatura ambiente, 27 por 24 horas, com o propósito de acelerar a
germinação, bem como de eliminar as sementes chochas, inviáveis, que bóiam na
superfície da água. As sementes boas devem ser semeadas imediatamente, em sacos de
plástico com substrato com 3 a 4 sementes. Depois da germinação, é feito o desbaste,
que deixa a plântula mais vigorosa.

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Para transplante da muda fazer berço de 40 cm nas três dimensões. Executa-se o plantio
da muda no início do período chuvoso, de 15 a 20 dias depois do
enchimento do berço. Assenta-se a muda no centro da cova, depois de retirada do saco
de plástico.
São comuns os seguintes espaçamentos: 3,5 m x 4 m; 4 m x 4 m; 4 m x 4,5 m; 4 m x 5 m;
5 m x 5 m. Entretanto, recomendam-se os espaçamentos de 7 m x 3 m ou de 7 m x 4 m,
que permitem a mecanização e o cultivo intercalar de espécies alimentares, como arroz,
mandioca, milho, feijão, gerimum, melancia, quiabo, maxixe, além de espécies de ciclo
longo, como maracujá e mamão.
Podem ser utilizados também para o estabelecimento de Sistemas Agroflorestais (SAFs),
adotando-se espécies florestais, como
mogno, mogno-africano, teca, pau-d’arco, Acacia mangium, paricá, entre outras.
Tratos culturais: Três tipos de poda são realizadas:
Poda de formação – Consiste na retirada da brotação apical (ponteiro) para facilitar a
formação da copa, definindo o futuro da produção da planta.
Poda de limpeza – Eliminam-se galhos secos, doentes, e principalmente os ramos
parasitados pela erva-de-passarinho, principal responsável pela queda de produtividade
do urucuzeiro.
Poda de produção – Deve ser praticada no final de cada colheita ou duas vezes ao ano,
eliminando-se os ramos doentes e malformados, reduzindo, assim, a altura das plantas.
As futuras colheitas dependem da eficiência da execução desse tipo de poda. Se forem
feitas fora de época, o ciclo fisiológico será alterado e dará origem a uma frutificação
alternada durante o ano.
Com cerca de 90 dias da floração, as cápsulas estarão em condições de colheita. A
maturação dos frutos, da fecundação até a colheita, completa-se em cerca de 60 a 80
dias.

Composição química: As sementes do urucum contêm celulose (40 a 45%), açúcares


(3,5 a 5,2%), óleo essencial (0,3% a 0,9%), óleo fixo (3%), pigmentos (4,5 a 5,5%),
proteínas (13 a 16%), alfa e betacarotenos e outros constituintes.
Possuem, também, dois tipos de pigmentos: a bixina de cor vermelha e solúvel em óleo e
a norbixina ou orelhina de cor amarela e solúvel em água.
Os resultados das análises químicas da semente mostraram uma quantidade
relativamente alta de proteína, que oscilou entre 13 e 17%. Os níveis de fibra bruta
também foram elevados, cerca de 16%; no entanto, mais de 50% dessa fibra pode ser
eliminada através da peneiração da farinha de sementes. Sua proteína contém níveis
adequados de triptofano e lisina, mas é baixa em metoionina, isoleucina, leucina,
fenilalanina e ritrina. A qualidade proteica da farinha de sementes foi de cerca de 65% a
de caseína.
Para informação nutricional, 100 g de semente de urucum contêm:
Cálcio (7,00 mg), ferro (0,80 mg), Fósforo (10,00 mg), Vitamina A (15 µg), Vitamina B2
(0,05 mg), Vitamina B3 (0,03 mg) e Vitamina C (2,00 mg)

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Uso medicinal: Na etnofarmacologia, suas folhas são usadas para:lavar feridas e
queimaduras, para dor de cabeça e de garganta, para tratar picadas de cobra, náuseas e
vômitos. As sementes são utilizadas em queimaduras, erisipela, hanseníase, diabetes,
gonorréia, como afrodisíacas e estomacal.
Estudos científicos comprovaram suas ações na diminuição da glicose no sangue, como
antioxidante e antimicrobiana.

CAPITULO 3. HERBÁCEAS
Eng. Agr. Dra. Maria Claudia Silva G. Blanco

1. Arnica
Família: Asteraceae
Nome científico: Solidago chilensis Meyen Sm.
Sinonímia científica:
Solidago microglossa var. linearifolia (DC.) Baker
Nomes populares: arnica, arnica lanceta, arnica brasileira, espiga-de-ouro, arnica-do-
campo, arnica-silvestre, erva-de-lagarto, macela-miúda, rabo-de-rojão, erva-lanceta.

Descrição botânica:
Planta ereta, perene, com haste não ramificada. Apresenta caule rizomatoso com ramos
aéreos, retilíneos, verdes ou avermelhados. Folhas alternadas helicoidais, dispostas em
nós, desprovidos de pecíolos e com o limbo lanceolado típico. Margem serrilhada, com
exceção do ápice. Inflorescência terminal. As flores possuem corola amarelo-ouro.
Fruto seco do tipo aquênio, coroado por uma série de pelos sedosos de coloração
amarelo-paleácea. A espécie pode ser reconhecida em campo por apresentar caules
retilíneos. No ápice dos caules, eleva-se a inflorescência amarela. Propaga-se por meio
de sementes.

Aspectos agronômicos:
Propagação por semetes e rizomas.
Época de plantio: primavera
Espaçamento: 0,4 x 0,4 metro.
Época de colheita: no florescimento, geralmente outono
Partes colhidas: folhas e inflorescências

Composição química: Partes aéreas: quercitrina, flavonoide glicosídico, taninos,


saponinas, resinas, óleo essencial. Raízes: diterpenos inulina e rutina, ácido quínico,
ramnosídeos, ácido cafeico etc. Diversos mono e sequiterpenos tais como; α-pineno, β-
pineno, mirceno, α-felandreno, δ-3-careno, limoneno, β-ocimeno, acetofenona, αpineno,
α-camfolenal, sesamol, isolongifoleno, α-1,7-di-epi-cedreno, cariofileno, α-humuleno, β-

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cubebeno, biciclogermacreno, α-farneseno, δ-cadineno, espatulenol, 1,10-di-epi-cubenol,
5-α-epi-cadinol, cubenol, α-eudesmol, diidroeudesmol, zizanal, foram relatados. Também,
sabineno, linalol, terpin-4- ol, acetato de bornila, p-cimen-8-ol, β-bourboneno, α-gurjuneno,
β-elemeno, βgurjuneno, γ-gurjuneno, germacreno D, β-lonono, óxido de cariofileno,
nerolidol foram identificados em extratos da espécie.

Uso medicinal: Na medicina popular é usada em casos de ferimentos, escoriações,


traumatismo, contusões sob a forma de tintura ou maceração de folhas e rizomas em
álcool.

2.Carqueja - planta da Farmacopeia brasileira


Família: Asteraceae
Nome científico: Baccharis trimera (Less.) DC.
Nomes populares: carqueja, carquejo, carqueja amargosa.

Descrição botânica:
A carqueja é uma planta nativa do Brasil. A espécie B. trimera, possui caules e ramos
verdes com expansões trialadas e atinge 50 a 80 cm de altura. Seu uso na medicina
caseira foi herdado dos indígenas e suas propriedades hepatoprotetoras, digestivas e
antiácidas já foram comprovadas por estudos farmacológicos.

Aspectos agronômicos:
Propagação por sementes e estacas.
Espaçamento: 0,5 x 0,3 m
Colheita: a partir de 5 meses do plantio.
2 a 3 colheitas anuais. Cortar acima do 2º nó, cerca de 20 cm acima do solo.

Composição química: Óleo essencial (carquejol, acetato de carquejila, calameno,


eudesmol, cariofileno etc); flavonóides; lactonas; saponinas, resinas; substâncias
esteroidais; polifenóis e outros

Uso medicinal: A espécie B. trimera já faz parte da lista de drogas vegetais notificadas
da RDC 10/2010 e do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira - ANVISA,
conforme mostrado a seguir:

1. Chá de carqueja- contra distúrbios da digestão (Formulário de Fitoterápicos.


ANVISA, 2011)
Ingredientes:

 2,5 g de folhas secas (2,5 colheres de chá)


 150 mL de água potável e filtrada
Preparo: Preparar por infusão, acrescentando a água fervente sobre a planta e abafar por
15 minutos e coar.

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Modo de usar: Tomar 1 xícara de chá de 2 a 3 vezes ao dia.

Advertências: Pode baixar a pressão arterial. Evitar uso concomitante com


medicamentos para hipertensão e diabetes. Não indicado para gestantes pois pode
promover contrações uterinas.

3.Cavalinha
Família: Equisetaceae
Nome científico: Equisetum hyemale L.
Nomes populares: milho de cobra, erva-carnuda, rabo-de-rato, cauda-de-raposa, rabo-
de-cobra, cana-de-jacaré, erva-canudo, lixa-vegetal, cola-de-cavalo, entre outras.

A cavalinha (Equisetum ssp.) constitui o único gênero da família das equisetáceas,


descrito por Lineu em 1753. Seu nome é de origem latina, composto por "equi" (cavalo) e
"setum" (cauda), ou seja, rabo de cavalo.
Durante o período em que a Terra concentrava maiores taxas de carbono, a cavalinha era
uma planta dominante e atingia mais de 12 metros de altura. A planta se reproduz através
de esporos e também através de rizomas.

Descrição botânica:
A cavalinha é uma planta perene, herbácea, terrestre, com desenvolvimento em solos
úmidos ou encharcados; rizoma perene, articulado, com raízes localizadas nos nós; caule
aéreo, verde (fotossintético), articulado (com nós e entrenós) e estriado; entrenós com
medula oca, circundada por canais carenais, externamente estriado (devido ao depósito
de sílica nas células epidérmicas); ramos presentes ou ausentes, quando presentes
surgem lateralmente aos nós e alternos com as folhas; folhas megafilas, reduzidas,
aclorofiladas, semelhantes a escamas, arranjadas em verticilos nos nós; estróbilos
terminais, formados pela união de esporangióforos, arranjados em grupos de 5 a 10 ao
longo de esporângióforos peltados; esporos homosporados, clorofilados, com elatérios
higroscópicos em forma de fita.

Aspectos agronômicos:
Necessidade de luz: Pleno sol ou Meia sombra.
Necessidade de água: Regas moderadas e frequentes.
Propagação: Rizomas e segmentos nodais.
Espaçamento: 0,40 x 0,30m.
Plantio: em outubro a novembro. Mudas produzidas em telado 70% de sombra
Parte colhida: Hastes estéreis.
Época de colheita: A partir do 5o mês após plantio. Podem ser realizados mais de um
corte por ano.

Composição Química: Sua composição química é formada por grande quantidade de


silício (até 25% segundo Timell 196, Lewin e Reimann, 1969) e quantidades menores de

36
cálcio, ferro, magnésio, tanino, sódio, entre outros. ácido caféico, ácido fenol-carboxílico,
ácido gálico, ácido palmítico, ácido silícico, apigenina, equisetonina, espermidina,
glicosídeos flavônicos, luteolina, nicotina, sacarídeos, sais de potássio, saponinas,
taninos, tiaminase.
Outra composição descrita na literatura: Ácido sílico, potássio, cálcio, fósforo, magnésio,
manganês e enxofre. Flavonóides: isoquercetina, equisetrina, canferol e galutenonina,
fitosterol. Triglicerídeos: ácido oléico, esteórico, linoléico e linolênico. Alcalóides:
metosapiridina, nicotina, palustrina e palustrinina. Ácidos orgânicos: ácido gálico, málico,
oxálico. Saponinas: equisetonina 1 a 5%. Pequena quantidade de óleos, substâncias
amargas, vitamina C e taninos. (Ávila, 2013).
Estudos utilizando microscopia eletrônica e transmissão e varredura eletrônica deram
informações sobre a distribuição da sílica em células individuais da epiderme (Kaufman et
al. 1971, 1973; Página 1972). Ao contrário de muitas outras plantas, a sílica em E.
hyemale é principalmente depositada nas paredes celulares epidérmicas externas,
principalmente em botões discretos e rosetas e às vezes em um padrão uniforme sobre e
nas paredes celulares epidérmicas externas (Kaufman et al. 1971; Holzhüter et al. 2003).
Os estudos de Raman confirmam uma pequena camada mais silicizada (< 5 μm) abaixo
de uma camada de cera cuticular. No entanto, o maior acúmulo de sílica foi encontrado
nos cumes em duas isóformes: (1) nos botões como quase puro amorfo, sílica hidratada
associada a grupos de metoxil e pequenas contribuições de proteína e pectina e (2) nas
células epidérmicas radialmente ampliadas subjacentes acompanhadas de celulose e
hemicelulose e pectina menor.

Uso medicinal: Toda a planta é rica em substâncias minerais, especialmente silício e


potássio. Além disso, contém uma saponina ( a equisetonina ); flavonóides, aos que se
deve seu efeito diurético; diversos ácidos orgânicos; e resinas. Possui propriedades
remineralizantes, diuréticas e depurativas, hemostáticas e, em aplicação externa,
cicatrizante.
 Adstringente
 Antibacteriano
 Antifúngico
 Anti-inflamatória
 Diaforético
 Diurético-hemostático
 Nutritivo
 Vulnerário.

A cavalinha é uma planta muito rica em minerais e pode ajudar na recuperação de


fraturas e cortes nos ossos, carne e cartilagem, como também pode melhorar o tempo de
coagulação do sangue. O alto teor de sílica em sua composição fortalece os tecidos

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conjuntivos do corpo e beneficia no tratamento de artrite reumatóide. O chá de cavalinha
pode ser preparado e borrifado em ervas de jardim e prevenir o ataque de fungos.
Segundo Cabral (2010), na medicina chinesa é considerada de natureza neutra, sabor
amargo e atuante nos meridianos do rim e coração e por isso é usada em diabetes,
hemorragias internas, cistites, afecções do rim e próstata.
Segundo Alonso (2004) e Teske (1997), a cavalinha apresenta atividade diurética suave,
sem modificar o equilíbrio hidroeletrolítico, o qual é aproveitado no tratamento de
hipertensão arterial e em terapias coadjuvantes de emagrecimento.
Também tem ação adstringente, o que melhora transtornos circulatórios; e estípticas
(estancador hemorrágico). Apresenta propriedades remineralizantes atribuídas ao silício e
também estimula a biossíntese de fibras colágenas e de elastina, preservando a
elasticidade e tonicidade do tecido cutâneo. Participa da calcificação dos ossos, tendo
parte na matriz fibrosa colágena. Estimula o metabolismo cutâneo, acelera a cicatrização
e aumenta a elasticidade de peles secas e senis, atuando como hidratante profundo.
Desenvolve certa ação antimicrobiana devido aos flavonóides. E por suas propriedades
adstringentes e detergentes pode atuar como coadjuvante no tratamento externo da acne.

Toxicidade/Contraindicações: Contraindicada na disfunção cardíaca e/ou renal. Não deve


ser ingerida por gestantes. (Alonso, 2004)

Sua ingestão em excesso pode ocasionar deficiência em vitamina B, culminando em


perda de cabelo. (Rodriguez, 2013).

Dosagem e Modo de Usar


Uso interno
- Decocto ou infusão (rasura) a 5%: 50 a 200 mL ao dia;
- Extrato seco: 400 a 1000 mg ao dia, divididas em 3 doses, antes das principais
refeições;
- Pó: 1 a 2 g ao dia, antes das principais refeições.
- Tintura: 1 colher de café 3 vezes ao dia;
- TM: 20 a 50 gotas por dia;
Uso externo
- Extrato glicólico: 4 a 6% em formulações fitocosméticas, podendo usar até 10%.

Efeitos na agricultura: Devido ao seu teor de silício e outros componentes químicos é


estudada para uso na agricultura, havendo estudos de melhoria fisiológica de sementes
de feijão-fava no tratamento com chá (extrato aquoso) da cavalinha (Nobre, 2014).
O chá da cavalinha também é utilizado para proteção de plantas ao ataque de fungos
(Gelmini, 1998).

Uso na agricultura:
1. Preparado com cavalinha - Indicação: doenças fúngicas

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Ingredientes:
300 gramas de cavalinha seca
10 litros de água
Preparo e aplicação: Ferver a cavalinha na água por 10 minutos. Coar e efetuar 1
diluição de 1:10, ou seja, 1 parte da decocção de cavalinha para 10 partes de água.
Aplicar sobre as plantas pela manhã.

4.Erva botão
Família: Asteraceae
Nome científico: Eclipta Alba (L.) Hassk
Nomes populares: erva-botão, agrião-do-brejo, lanceta, surucuína.

Descrição botânica:
Erva anual, ereta, ramos estriados, folhas opostas, séseis, lanceoladas, ápice agudo.
Flores brancas, femininas e hermafroditas. As sementes são negras e de fácil disperdão.
Sua origem é incerta, mas é comum em todas regiões tropicas, incluindo o Brasil.

Aspectos agronômicos:
Propagação: por sementes. Transplante após 60 dias da germinação.
Plantio a pleno sol ou meia-sombra o ano todo.
Espaçamento: 0,3 x 0,3 m.
Cplheita: Colhe-se a planta inteira entre 60 e 90 dias após plantio.

Composição química: cumestanos, saponinas (ecliptina), ácido mandélico, taninos,


derivados de tiofano, ecliptasaponina, flavonóides (apigenina e euteolina), fitosterois,
nicotina (traços), betacaroteno, entriacontanol, 14-heptacosanol e poliacetilenos.

Uso medicinal: Usada na medicina ayurvédica promovendo rejuvenescimento e


longevidade. Os povos indígenas do Brasil a utilizam contra venenos de animais
peçonhentos.
Estudos farmacológicos comprovaram ações hepatoprotetora, antiofídica e antialérgica da
erva botão.
Seu uso deve ser evitado na gravidez e lactação. Doses elevadas podem ocasionar efeito
cardiodepressor. É contraindicada nas diarreias crônicas.

5.Mentrasto
Família: Asteraceae
Nome científico: Ageratum conyzoides L.

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Nomes populares: mentrasto, catinga-de-bode, catinga-de-barão, erva-de-são-joão,
picão roxo.

Descrição botânica: Espécie originária da América tropical, herbácea anual, com odor
característico, ereta, ramificada, possui caule piloso. Apresenta ciclo vegetativo curto e
alta capacidade reprodutiva, podendo ocorrer até três gerações por ano. As folhas são
simples de coloração verde-clara. Uma única planta chega a produzir 40 mil sementes.

Aspectos agronômicos:
Propagação por semetes.
Semeadura: setembro a fevereiro em viveiro (mudas).
Época de plantio: Quando a muda estiver com 6-8 folhas definitivas, ano todo.
Espaçamento: 0,7 x 0,5 metro.
Época de colheita: a partir do 3º mês, na pré-floração.
Partes colhidas: folhas e inflorescências.

Composição química: Resinas, mucilagens, ácido hidrociânico, alcalóides vaso-


constritores, saponinas, princípios amargos e taninos. Os óleos essenciais contém: a e b-
pineno, mirceno, a e b-felandreno, sesquifelandreno, cadina-1,4-diene, elemol, a e g-
terpineno, r-cimeno, ocimeno, b-cariofileno, eugenol, g e d-cadineno, a-tujeno,
benzaldeído, sabineno, sabinenohidrato, limoneno, 1-8 cineole, cis-b-ocimeno,
terpinoleno, metileugenol, linalol, a-terpineol, citronelol, b, g e d-elemeno, a-gurjuneno, a-
cubebeno, a-copaeno, b-bourboneno, a-bergamoteno, E-b-farneseno, a-humuleno,
precoceno (cumarina), germacrenoD, b-bisaboleno, nerolidol, spathulenol, epóxido de
cariofileno, dihidrometoxiencecalina, dihidroencecalina, encecalina; cromonas,
benzofuranas, flavonóides (ageconiflavona A, B e C); alcalóides pirrolizidínicos
(equinatina e licopsamina); flavonóides (eupalestina), fridelina, n-hentriacontano, n-
heptacosano, lideroflavona, nobiletina, n-nonacasona, quercetina, b-sisterol,
estigmasterol, n-ticarcontano, ageratocromeno, adineno, dimetóxi-ageratocromeno. O
exocarpo do fruto contém fitomelano.

Uso medicinal: A especie vegetal Ageratum conyzoides L., empregada popularmente


como antidiarreica, antiespasmódica, carminativa, febrifuga, antirreumática e teve sua
propriedade anti inflamatória comprovada cientificamente

Indicada popularmente para afecções das vias urinárias, amenorréia, artrose, beribéri,
bronquites, caspa, catarros, cólicas e gases intestinais, cólicas uterinas, contusões,
diarréia, disenteria, dores musculares, estimulante do apetite, febres, ferimentos abertos,
gonorréia, gripes, hemorragias, perfumar e suavizar o cabelos, pós-parto, menopausa,
pneumatose do tubo digestivo, resfriados, reumatismo agudo, rinite alérgica, sinusite,
tensão-pré-menstrual, tosses.

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Parte utilizada: parte aérea (folhas, sementes, flores), de preferência frescas. Contra-
indicações/cuidados: a planta contém alcalóides pirrolizidínicos que são hepatotóxicos.
Não ultrapassar as doses recomendadas. Contra-indicada para diabéticos. Os
tratamentos longos devem ser interrompidos por uma semana a cada mês. Altas doses
por longos períodos provoca hipertensão arterial.
Modo de usar:- pó das folhas bem secas e, bem peneiradas. Pode-se colocar em
cápsulas gelatinosas de 200 mg. Tomar uma cápsula 2 ou 3 vezes ao dia. Pode, também,
usar meia colherinha de café do pó misturado com mel, ou com água e açúcar 3 a 4
vezes ao dia;- decocção de 4 a 6 g das folhas frescas (duas a três folhas). Tomar na dose
2 a 3 xícaras por dias: cólicas menstruais, resfriados, cólicas flatulênicas e uterinas,
amenorréia, artroses, perfumar e suavizar o cabelos, caspa, beriberi, contusões,
ferimentos abertos, infecções das vias urinárias;- cataplasma (uso externo), planta
machucada, sobre as articulações: reumatismo;- TM (tintura-mãe) a 10%: 50 g das partes
aéreas em 500 ml de álcool a 50% (misturar 250 ml de água em 250 ml de álcool
absoluto). Deixar em maceração de 2 semanas. Prensar, deixar durante 48 horas e então
filtrar.- infusão de 1 xícara (das pequenas de cafezinho) da planta seca picada em ½ litro
de água. Tomar 1 xícara (chá) de 4 em 4 horas: cólicas menstruais;- tintura de 1 xícara
(das pequenas de cafezinho) da planta fresca picada em 5 xícaras de álcool. Deixar por
uma semana, espremer e filtrar. Tomar 10 gotas em água 2 vezes ao dia (cólicas) ou
aplicar em massagens locais (reumatismo/artrose);- pó: 1 colher das de café, do pó em
água ou suco de frutas para cada dose a ser tomada. Tomar 3 a 4 vezes no dia: artrose;-
decocção de 20 g da planta inteira em 1 litro de água. Deixe amornar e despeje numa
vasilha para mergulhar os pés ou as mãos durante 20 minutos, 2 vezes ao dia ou usar em
compressas: reumatismo e artrose, analgésica e antiinflamatória;- infusão de 1 colher de
sopa da planta fresca em 1 xícara de água fervente. Abafe por 10 minutos e tome duas
vezes ao dia.- alcoolatura de uma xícara das de cafezinho da planta fresca para cada 5
xícaras de álcool. Tomar 10 gotas em água 2 vezes ao dia (cólicas) ou aplicar em
massagens tópicas: reumatismo e artrose;- infusão de 20 g da planta por litro de água.
Tomar 4 a 5 xícaras por dia;- suco da planta fresca ou extrato da planta seca: inalação
para renite e alergia, sinusite; hemorragias pós-parto.
Obs.: Utilizar no máximo 30 a 50 g da planta in natura ao dia.

6.Quebra-pedra - planta da Farmacopeia brasileira


Família: Phyllanthaceae
Nome científico: Phyllanthus niruri L.
Nomes populares: quebra-pedra, erva-pombinha, saxifraga, fura-paredes, arranca-
pedras.

Descrição botânica:
Planta herbácea de 40 – 80 cm de altura, sem látex, com folhas alternas, inteiras e sem
glândulas. Suas flores são reunidas em inflorescências cimosas e são monoclamídeas e
unissexuadas, com nectários evidentes. O fruto é uma cápsula de deiscência explosiva. O

41
gênero é facilmente identificado pela presença de flores em ramos laterais de crescimento
determinado, que se assemelham a folhas compostas.

Há aproximadamente 200 espécies distintas em nosso continente, sendo que, no Brasil, a


mais utilizada e frequentemente encontrada é a Phyllanthus niruri, mas a Phyllanthus
amarus e Phyllanthus tenellus também são consideradas. Apesar de ter sido utilizada
desde os tempos mais remotos pelos índios brasileiros, a quebra-pedra foi patenteada por
uma empresa norte-americana, a Fox Chase Cancer Center, para fabricação de fármaco
para a hepatite.

Elas nascem espontaneamente, principalmente em locais úmidos e sombreados, e


possuem características que variam de acordo com a espécie. São nativas das Américas,
mas ocorrem, também, na Europa.

Aspectos agronômicos:
Propagação por semetes.
Época de plantio: setembro/outubro e janeiro/fevereiro, em local definitivo.
Espaçamento: 0,3 x 0,3 metro.
Época de colheita: a partir do 3º mês, verão e outono.
Partes colhidas: planta toda.

Composição química: São ricas em alcaloides, flavonoides, lignanas e ácido ricinoleico

Uso medicinal: A quebra-pedra é usada na medicina popular para o tratamento de


urolitiase.
Usada em forma de chá, feito com suas folhas e caules, de sabor amargo, atua na
eliminação de cálculos, desobstruindo as vias urinárias. Tem ação purgante, sudorífera,
antibiótica e diurética. Auxilia no tratamento da diabete, icterícia e hepatite B e, mais
recentemente, pesquisadores concluíram que ela é capaz de estimular o sistema
imunológico. Alguns cálculos são formados por oxalato de cálcio e substâncias orgânicas:
os glicosaminoglicanos. O chá desta planta impede que estas moléculas se unam aos
cristais de oxalato, reduzindo e até mesmo regredindo o tamanho do cálculo. Como relaxa
o sistema urinário, ajuda a expeli-lo.
É uma espécie importante na Farmacopéia Brasileira, sendo usada no tratamento de
cálculos renais e biliares. Sua aplicação, segundo o Formulário de Fitoterápicos da
ANVISA, é mostrada a seguir:
NOME: Phyllanthus niruri L
SINONÍMIA: Diasperus niruri (L.) Kuntze, Phyllanthus asperulatus Hutch. e Phyllanthus
filiformis Pavon ex Baillon
NOMENCLATURA POPULAR: Quebra-pedra.
FÓRMULA
Componentes Quantidade

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partes aéreas 3g
secas
água q.s.p. 150 mL

ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO


Preparar por infusão considerando a proporção indicada na fórmula.
ADVERTÊNCIAS
Não utilizar em gestantes. Concentrações acima das recomendadas podem causar
diarreia e hipotensão arterial.
INDICAÇÕES
Litolítico nos casos de litíase urinária.
MODO DE USAR
Uso interno.
Acima de 12 anos: tomar 150 mL do infuso, 10 a 15 minutos após o preparo, duas a três
vezes ao dia.

7.Tanchagem planta da Farmacopeia brasileira


Família: Plantaginaceae
Nome científico: Plantago major L.
Nomes populares: cinco-nervos, erva-de-orelha, sete-nervos, plantagem, tanchagem-
maior, tansagem, tansagem-maior, tranchagem, tranchás, transage, transagem. planten
mayor (espanhol), grand plantain (francês), great plantain (inglês), piantaggine maggiore
(italiano).

Sinônimos botânicos: Plantago borysthenica (Rogow.) Wissjul., Plantago dregeana


Decne., Plantago latifolia Salisb., Plantago major b. borysthenica Rogow., Plantago major
fo. scopulorum Fries, Plantago officinarum Crantz.

Descrição botânica:
A Plantago major L. é uma planta da família Plantaginaceae de aproximadamente 15 cm
de altura. Suas folhas crescem em rosetas e são de ovaladas a elípticas com nervura
paralela. As folhas são glabras e suas extremidades são totalmente irregularmente
dentadas. As flores são pequenas, marrom esverdeadas e estão dispostas em longas
espículas não ramificadas de até 25 cm que crescem da base da roseta. P. major é
polinizada pelo vento e produz grande quantidade de sementes, até 20.000 por planta.
Suas sementes são pequenas e ovais (0,4-0,8 x 0,8-1,5 mm) e possuem sabor levemente
amargo.

Origem e distribuição geográfica: É originária da Europa, mas é considerada uma


planta cosmopolita, pois vegeta espontaneamente em todo mundo, especialmente em

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terrenos úmidos e climas temperados. Existem muitos tipos de tanchagem, sendo a
Plantago major a de maior valor medicinal.

Pesquisas com pólen de P. major demonstraram que esta planta foi introduzida nos
países Nórdicos paralelamente a sua introdução nos campos de cultivo primitivos, há
cerca de 4000 anos atrás. Os índios a chamavam de “pegada de homem branco”, porque
era encontrava em todos os lugares na Europa.

No Brasil, Plantago major está distribuída em diversos domínios fitogeográficos:


Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa, portanto, sendo encontrada desde
o norte até o sul do país.

Aspectos agronômicos:
Propagação: sementes por semeadura direta ou a partir de produção de mudas em
viveiro com transplante quando a muda tiver 3-4 folhas definitivas. As sementes são
fotoblásticas positivas, ou seja, a semeadura deve ser superficial.
Época de plantio: ano todo
Espaçamento: 0,3 x 0,3 M.
Tratos culturais: Cobertura morta, regas freqüentes e moderadas, adubação de cobertura
após cada corte.
Época de colheita: Na pré floração, cerca de 3 cortes anuais
Parte colhida: Folhas

Composição Química: Componentes químicos: Ácido ascórbico, ácidos benzóico, ácidos


carboxílicos fenólicos, ácido cítrico, ácido hidroxicinâmico, ácidos orgânicos (ácido
clorogênico, ácido ursólico; ácido silícico), alcalóides (plantagonina, indicaína), alantoína,
apigenina, arabinogalactano, aucubina, b-sitosterol, catalpol, colina, cumarina, enzimas
(emulsina e invertina), esculotina, escutelareína, fitoquinona, flavonóides (baicaleína,
apigenina, hispidulina, luteolina, nepetina, escutelareína, ácido sinárgico, plantajosídeo),
heterosídeos ((0,37%)aucubigenina), loliólido, lignanos 3,5-dihidroxicinamato de metila,
ácidos cumárico, ferúlico e cafêico, plantamajosídeo, plantamosídeo, verbascosídeo e
siringina), glicosídeos de aucubina, glucomanano, histamina, indicaina, lignanos 3,5-
dihidroxicinamato de metila, ácidos (cumárico, ferúlico e cafêico), p-hidroxibenzóico,
plantamajosídeo, plantamosídeo, verbascosídeo e siringina), loliólido, luteolina,
metilcatalpol, monoterpenos (asperulosídeo, aucubina, glicosídeos de aucubina,
melitosídeo e geniposídeo), mucilagens, mucopolissacarídeos, oleanólico, óleo essencial
(0,2%), pectina, p-hidroxibenzóico, plantagonina, polifenóis, resina, rhamnogalacturonano,
sais de potássio (0,5%), salicílico, saponinas, taninos (5,7%), triterpenos (b e g-amirina,
amirina e catapol), vitaminas A, C e K. As sementes contêm: antraquinonas, galactose,
glicose, xilose, arabinose, rhamnose, ácidos galacturônicos, planteose, plantabiose,
sacarose, frutose, óleos voláteis e fixos, tanino, pectina, sais minerais, enxofre, citrato de
potássio.

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Uso medicinal: O seu uso na medicina popular, como cicatrizante, é muito antigo, e está
descrito na “Matéria Médica” do médico grego Dioscórides, do século I. Há registros
também do uso das folhas de P. major pelos Vikings em ‘Volsuga saga’. Foi descrita na
“Flora Danica”.
A tanchagem tem a propriedade de destruir um grande número de microrganismos e
estimular a epitelização. Age sobre as vias respiratórias protegendo a mucosa e
auxiliando a expectoração. Os taninos conferem a propriedade adstringente, formando
revestimentos protetores, atenuando a sensibilidade e dificultando infecções, além de
proporcionar uma ação hemostática. As folhas possuem ação antidiarreica, por diminuir a
irritação da mucosa intestinal. Por outro lado as sementes são laxativas, por absorver
grande quantidade de água, estimulando o peristaltismo.

As indicações de Plantago major na medicina tradicional são várias, algumas destas já


foram comprovadas por estudos científicos. As indicações comprovadas foram: atividade
antitumoral, imunomoduladora, antimicrobiana, hipoglicemiante, hipotensiva, antioxidante,
antiulcerogênica, analgésica e anti-inflamatória.
A tanchagem é uma das plantas mais citadas pela população no tratamento de
inflamações na boca e estudos comprovam que ela tem ação antimicrobiana que atua em
afecções bucais com resultados efetivos.

No Brasil, a tanchagem faz parte da Farmacopeia brasileira e da lista de drogas vegetais


notificadas, inserida na Resolução RDC nº. 10 de 10 de março de 2010: "Notificação de
drogas vegetais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)" com as
seguintes características:
Nomenclatura botânica: Plantago major L.
Nome popular: Tanchagem, tansagem, tranchagem
Parte utilizada: Folhas
Forma de utilização: 6-9 g (2 a 3 colheres de sopa) em 150 mL de água
Posologia e modo de usar: aplicar no local afetado, em bochechos e gargarejos, 3 vezes
ao dia
Via de administração: tópica
Uso: adulto
Alegações: inflamações de boca e faringe
Contra-indicações: Hipotensão arterial, obstrução intestinal e gravidez.

Em Campinas, o SUS recomenda o uso de tanchagem da seguinte forma:


Parte utilizada: folhas
Constituintes principais:
flavonoides, iridoides, taninos, mucilagem.

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Indicações:
Uso interno: cicatrizante, ajuda a combater problemas gastrointestinais, expectorante
para infecções de vias respiratórias e protetor de mucosa.
Uso externo: anti-inflamatório e antisséptico da cavidade oral, auxilia no tratamento da
dor de garganta e aftas e pode ser usado para banho de assento. As folhas na forma de
cataplasma podem ser aplicadas sobre picada de insetos, feridas e queimaduras.
Posologia e forma de preparo:
Uso interno: Infusão - 2 colheres de sopa (6 g) de folhas secas para 1 xícara de chá (150
mL) de água. Tampar e esperar pelo menos 15 minutos. Para infecções bucofaríngeas:
tomar a cada 6 horas. Para problemas gastrointestinais: tomar a cada 8 horas.
Uso externo: Cataplasma - folhas frescas são amassadas ou trituradas vigorosamente e
aplicadas diretamente sobre a lesão, 3 vezes ao dia.
Infusão: 2 a 3 colheres de sopa de folhas (6 g a 9 g) para 1 xícara de chá (150 mL) de
água, após higienização aplicar a compressa no local afetado ou realizar bochecho, 3
vezes ao dia.
Cuidados: Seu uso é contraindicado para gestantes e lactantes, pacientes com obstrução
intestinal e pacientes com hipotensão arterial. Não engolir o produto após o bochecho e
gargarejo.

Bibliografia consultada:

A cultura do Urucum – Embrapa Informação Tecnológica, Brasília, 2009, Coleção Plantar

ALONSO J. Tratado de Fitofármacos y Neutracéuticos, 1°ed, Argentina, 2004.

ÁVILA, L. C. Índice terapêutico fitoterápico – ITF. 2 ed. Petrópolis, RJ, 2013


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