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UFF- Universidade Federal Fluminense

Campus Volta Redonda

Marcelo Tebaldi Miranda Morandi

Lucca Martins Rena Oliveira

PROPRIEDADES ELÉTRICAS E MAGNÉTICAS DOS MATERIAIS


DE ENGENHARIA

Volta Redonda
2021
UFF- Universidade Federal Fluminense
Campus Volta Redonda
Engenharia mecânica

Marcelo Tebaldi Miranda Morandi

Lucca Martins Rena Oliveira

PROPRIEDADES ELÉTRICAS E MAGNÉTICAS DOS MATERIAIS


DE ENGENHARIA

Essa monografia tem a finalidade de discutir e


entender mais a respeito das propriedades dos
materiais de engenharia, tanto magnéticas quanto
elétricas.

Volta Redonda
2021
RESUMO

O cerne desta monografia é elucidar, expor e discutir as propriedades elétricas


e magnéticas dos materiais de engenharia, e como elas se aplicam nos dias atuais,
visto que o magnetismo e a condutividade elétrica dos materiais são abundantemente
explorados em aplicações tecnológicas. Portanto, primeiro aborda-se as propriedades
tanto elétricas quanto magnéticas que os materiais possuem, e depois elucida-se
suas aplicações tecnológicas e como elas se fazem presente. Com isso chegamos à
conclusão de que o estudo de tais propriedades é de suma importância para o
desenvolvimento de novas tecnologias assim como para a compreensão das
tecnologias que estão sendo empegadas atualmente.

ABSTRACT

The heart of this monograph is to elucidate, expose and discuss the electrical and
magnetic properties of engineering materials, and how they can be applied today,
noting that the magnetism and electrical conductivity of materials are abundantly
explored in technological applications. Therefore, first it is approached as both
electrical and magnetic properties that the materials have, and then it elucidates its
technical applications and how they are present. With that we come to the conclusion
that the study of such properties is of paramount importance for the development of
new technologies as well as for the understanding of the technologies that are currently
being used.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 6

2 DESENVOLVIMENTO ........................................................................................ 7

2.1 Propriedades elétricas dos materiais ........................................................................................ 7


2.2 Propriedades relacionadas a substância ................................................................................... 7
2.2.1 Resistividade elétrica ......................................................................................................... 7
2.2.2 Condutividade elétrica....................................................................................................... 8
2.3 Propriedades relacionadas ao corpo ......................................................................................... 8
2.3.1 Resistência elétrica ............................................................................................................ 8
2.3.2 Condutância elétrica .......................................................................................................... 9
2.4 Classificação do material quanto a sua capacidade de condução .............................................. 9
2.4.1 Materiais condutores .......................................................................................................10
2.4.3 Materiais isolantes ...........................................................................................................11
2.5 Condução nos diferentes meios ...............................................................................................12
2.5.1 Meio sólido ......................................................................................................................12
2.5.2 Meio liquido .....................................................................................................................12
2.6 Permissividade elétrica ............................................................................................................13
2.7 Aços elétricos ..........................................................................................................................13
2.8 Propriedades magnéticas dos materiais...................................................................................14
2.9 Campo Magnético ...................................................................................................................14
2.10 Intensidade de magnetização ................................................................................................15
2.11 Indução magnética ................................................................................................................15
2.12 Permeabilidade magnética ....................................................................................................15
2.13 Susceptibilidade magnética ...................................................................................................16
2.14 Perdas de Magnetização ........................................................................................................16
2.14.1 Perda por Histerese ........................................................................................................16
2.14.2 Perda por corrente Foucault ...........................................................................................17
2.15 Propriedades magnéticas dos materiais.................................................................................17
2.15.1 Materiais indiferentes ....................................................................................................17
2.15.2 Materiais diamagnéticos.................................................................................................18
2.15.3 Materiais paramagnéticos ..............................................................................................19
2.15.4 Materiais ferromagnéticos..............................................................................................19
2.15.5 Materiais ferrimagnéticos ...............................................................................................20
2.15.6 Materiais Antiferromagnéticos .......................................................................................21
2.16 Aplicações .............................................................................................................................21
2.16.1 Materiais Ferromagnéticos Macios .................................................................................21
2.16.2 Materiais Ferromagnéticos Duros ...................................................................................22
3 Conclusão ......................................................................................................... 23

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 24


6

1 INTRODUÇÃO

O magnetismo e a condutividade elétrica dos materiais são abundantemente


explorados em aplicações tecnológicas tanto tradicionais, como estado da arte. Sob o ponto de
vista de suas essências científicas e de sua manifestação física fundamental, fenômenos
magnéticos e elétricos transcendem a realidade cotidiana e fascinam intelectualmente já há
longa data.

Isso se deve as diversas propriedades descobertas nos materiais, devido a


manipulações nas interações com campos magnéticos externos e também com a energia
elétrica, fundamentando finalidades únicas.

A condutividade é um termo amplo que pode ser usado para definir a capacidade de
algum meio material de realizar o transporte de energia ou partículas nas formas de calor, cargas
elétricas ou matéria. Esses diferentes tipos de condutividade são utilizados para explicar uma
grande quantidade de fenômenos de transporte e dependem de fatores como a diferença
de temperatura, a diferença de potencial elétrico e a diferença de concentração entre diferentes
pontos do meio material, respectivamente.

Enquanto o magnetismo é a parte da física que estuda as propriedades magnéticas dos


materiais, estes que são detentores da capacidade de atrair ou repelir outros materiais
eletricamente carregados. Podemos dizer também que o magnetismo é um fenômeno de ordem
elétrica relacionada a uma carga em movimento, tendo sua origem na estrutura dos átomos que
se comportam como dipolos magnéticos naturais e podem ser considerados pequenos ímãs; com
polos norte e sul.
7

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Propriedades elétricas dos materiais

As propriedades elétricas dos materiais estão diretamente ligadas a sua micro estrutura,
isso ocorre por mecanismos de transporte de carga elétrica são eles lacunas e elétrons livres.
Eles são chamados de portadores de carga livre, porque reagem a campos elétricos e magnéticos
e podem se mover pelo material facilmente com pouco fornecimento de energia. Geralmente
estão presentes em todos os tipos de materiais, mas as lacunas apenas nos semicondutores
(CORRÊA, 2014).

2.2 Propriedades relacionadas a substância

2.2.1 Resistividade elétrica

A resistividade elétrica pode ser definida como uma medida da oposição de um


material ao fluxo de corrente elétrica. Quanto maior a resistividade elétrica do material mais o
material vai se opor ao movimento dos elétrons e assim dificultar a passagem de carga elétrica.
Essa propriedade apresenta dependência da temperatura é geralmente apresentada para
temperatura de 20 ºC. Nos metais geralmente ela aumenta à medida que aumenta a temperatura,
enquanto que nos semicondutores ela geralmente diminui à medida que a temperatura aumenta
(CORRÊA, 2014).

Essa relação pode ser obtida através da fórmula:

𝜌 = 𝜌0 [1 + 𝛼(𝑡 − 𝑡0 )]

Onde:

𝜌0 é a resistividade do material a uma temperatura inicial t0, que normalmente é


20ºC.
8

2.2.2 Condutividade elétrica

A condutividade elétrica é utilizada quando se quer especificar o caráter elétrico de


um material. A condutividade elétrica nada mais é do que o recíproco da resistividade, ou seja,
inversamente proporcionais e é indicativa da facilidade com a qual um material é capaz de
conduzir uma corrente elétrica. É importante conhecer a condutividade elétrica porque as
discussões sobre o assunto geralmente envolvem os dois termos (CORRÊA, 2014).

A relação da condutividade elétrica e da resistividade elétrica é obtida da seguinte


fórmula:

1
𝜎=
𝜌

sendo que:

𝜎 é a condutividade

𝜌 é a resistividade

2.3 Propriedades relacionadas ao corpo


2.3.1 Resistência elétrica

É a capacidade de um corpo qualquer se opor à passagem de corrente elétrica mesmo


quando existe uma diferença de potencial aplicada. Quando a passagem de corrente elétrica é
instaurada em um material, por exemplo os metais, um número grande de elétrons livres passa
a se deslocar nesse metal. Nesse movimento, os elétrons colidem entre si e também contra os
átomos que constituem o metal, portanto eles encontram uma “resistência” ao seu
deslocamento, portanto existe uma resistência à passagem da corrente no condutor (CORRÊA,
2014).
9

Os fatores que influenciam na resistência dos materiais são:

• Quanto maior for o comprimento do condutor maior vai ser sua resistência.
• Quanto menor a área da sessão transversal do condutor maior sua resistência
elétrica.
• A resistência do condutor vai depender do material que ele é feito.
• A resistência do condutor vai depender da temperatura.

Esses fatores que influenciam a resistência de um condutor podem ser resumidos pela
Segunda Lei de Ohm:

𝑙
𝑅=𝜌
𝐴

Onde:

𝑅 é a resistência elétrica do material (em ohms, Ω).

𝜌 é a resistividade elétrica do condutor (em ohm metros, Ωm).

𝑙 é o comprimento do condutor (medido em metros).

𝐴 é a área da seção do condutor (em metros quadrados, m²).

2.3.2 Condutância elétrica

É o recíproco da resistência elétrica. A unidade derivada do SI de condutância é o


siemens (símbolo S, igual a Ω-1). Oliver Heaviside criou esse termo em setembro de 1885.
Apesar de serem semelhantes a condutância elétrica não é igual a condutividade elétrica, que é
uma característica específica de um material (CORRÊA, 2014).

2.4 Classificação do material quanto a sua capacidade de condução

Apesar de, como estudamos materiais, sabermos que existem outras classificações
para os materiais como os materiais supercondutores, as classificações mais comuns de serem
utilizadas são as que serão citadas a frente.
10

2.4.1 Materiais condutores

São materiais que oferecem relativamente pouca resistência ao movimento das cargas
elétricas. Os metais são sólidos que possuem elétrons livres, quando tais metais são submetidos
a uma corrente elétrica, pela organização estrutural dos metais, em sua maioria eles se opõem
pouco a passagem dessa corrente, portanto os metais são classificados como materiais
condutores (CORRÊA, 2014).

Outro exemplo são os sais, quando dissolvidos ou fundidos, subdividem-se em


partículas eletricamente carregadas que, agora livres, também permitem o movimento de cargas
em seu interior (CORRÊA, 2014).

2.4.2 Materiais semicondutores

São sólidos geralmente cristalinos de condutividade elétrica intermediária entre


condutores e isolantes. Os semicondutores são, quando puros e cristalinos, a temperaturas muito
baixas excelentes isolantes, porém quando em altas temperaturas nos semicondutores puros a
condutividade aumenta significativamente. Porém, a temperatura ambiente, geralmente são
utilizados como isolantes (CORRÊA, 2014).

Outra coisa interessante sobre os semicondutores é que os materiais semicondutores


podem ser tratados quimicamente de diferentes maneiras de forma a tornarem-se tão condutores
quanto o necessário à temperatura ambiente (dopagem). A combinação de semicondutores com
diferentes tipos de dopagens faz emergir propriedades elétricas não observáveis quando
separados, propriedades muito úteis sobretudo no controle de correntes elétricas (CORRÊA,
2014).
11

2.4.3 Materiais isolantes

Conhecidos como dielétricos são materiais cujas cargas elétricas não conseguem se
mover livremente através do seu corpo. Os isolantes elétricos podem ser separados de acordo
com sua rigidez dielétrica, uma propriedade que influencia na tensão elétrica máxima que pode
ser aplicada entre as extremidades do isolante sem se romper. Vidro, borracha e óleos são
exemplos de isolantes elétricos (CORRÊA, 2014).

IMAGEM 1- Diagrama de bandas de energia para condutores, semicondutores e


isolantes.

Fonte: internet
12

2.5 Condução nos diferentes meios

2.5.1 Meio sólido

Nos materiais sólidos existem elétrons livres que se deslocam com um movimento que
depende da temperatura e de outras condições físicas a que estejam sujeitos. Tais elétrons estão
constantemente em movimento pois estão submetidos a um movimento de agitação térmica,
com velocidades da ordem de 100 km/s, movimento desordenado e equilibrado no seu conjunto,
não constituindo, portanto, uma corrente elétrica (CORRÊA, 2014).

Quando o objeto sólido fica sujeito a um campo elétrico, os elétrons vão sendo
arrastados no seu movimento, formando assim uma corrente elétrica, porém a corrente elétrica
dá-se a uma velocidade muito mais baixa que a da agitação térmica, na ordem dos cm/s
(CORRÊA, 2014).

Entretanto é importante saber que essa energia não é totalmente aproveitada, pois
quando são arrastados os elétrons se chocam com as moléculas do material condutor, perdendo
parte da sua energia sob a forma de calor.

2.5.2 Meio liquido

Sabemos que, quando se dissolve um ácido, uma base ou um sal na água, dá-se a
dissociação das suas moléculas em íons que podem se deslocar no seio do líquido. Sob a ação
de um campo elétrico estes íons, positivos ou negativos, irão se deslocar em sentidos contrário,
de acordo com a respectiva carga (CORRÊA, 2014).

Daqui se conclui que a corrente elétrica nos eletrólitos é conduzida de forma diferente
da que ocorre nos condutores sólidos, já que nos líquidos há movimento nos dois sentidos. As
acelerações dos ânions e cátions são diferentes porque dependem das suas massas e da carga
elétrica (CORRÊA, 2014).
13

2.6 Permissividade elétrica

As propriedades elétricas e magnéticas dos materiais ainda se relacionam em algumas


de algumas formas, uma delas é a permissividade elétrica.

A permissividade elétrica é determinada pela habilidade de um material de polarizar-


se em resposta a um campo elétrico aplicado e, dessa forma, cancelar parcialmente o campo
dentro do material, está diretamente relacionado com a susceptibilidade elétrica (CORRÊA,
2014).

Quando um material condutor isolado for mergulhado em um campo elétrico externo


seus elétrons livres se rearranjam formando uma carga superficial de tal forma a anular o campo
elétrico no seu interior. Se procedermos da mesma forma, porém, com um material isolante
(dielétrico), devido a sua pequena concentração de elétrons livres, o campo elétrico no seu
interior não será totalmente anulado. Isto ocorre devido à polarização das moléculas (dipolos
elétricos) do material isolante formando também uma carga superficial (CORRÊA, 2014)

2.7 Aços elétricos

As propriedades elétricas dos materiais possuem inúmeras aplicabilidades na vida


contemporânea, desde fios condutores que estão presentes em todas as residências, até em
máquinas industriais parrudas e complexas. Um tipo de material que viabiliza a ocorrência
desses avanços tecnológicos são os aços elétricos, que dependem tanto das suas propriedades
magnéticas quanto elétricas.

Aços são materiais que se encontram nas mais diversas formas, composições,
microestruturas e aplicações, sendo fundamentais para a existência do mundo moderno como
vemos atualmente. Um tipo de aplicação em que o aço se destaca absolutamente como matéria-
prima, mas que muitas pessoas desconhecem. Tratam-se dos aços para fins elétricos, que têm
como foco a otimização de suas propriedades magnéticas (MARTENDAL, 2017).

Os aços elétricos são amplamente utilizados na indústria, como a maioria das


aplicações de aços elétricos se dá em máquinas excitadas em corrente alternada, surge um
14

segundo parâmetro de seleção desses aços: as perdas magnéticas. Dada a importância do


rendimento energético das máquinas, e como as perdas no ferro costumam ser muito maiores
que as perdas no cobre, as perdas magnéticas são o principal parâmetro técnico de seleção e
controle desses materiais (LANDGRAF).

Acesita, CSN e Usiminas são os 3 grandes fabricantes desses aços. A Acesita tem tido
duas linhas de inovação, o desenvolvimento de aços com perdas cada vez menores (o mais
recente é o E105) e o desenvolvimento de aços com maior permeabilidade magnética, sendo o
mais recente o aço E230 AP (LANDGRAF).

2.8 Propriedades magnéticas dos materiais

O magnetismo dos materiais resulta das aplicabilidades do campo magnético gerado


pelo movimento acelerado de partículas que possuem carga elétrica.
Dessa forma, os elétrons dos átomos geram campos magnéticos e os átomos podem ser
representados por momentos de dipolo magnéticos. A principal contribuição para o momento
de dipolo magnético atômico vem dos momentos angulares de spin e orbital dos elétrons. O
papel dos momentos de dipolo magnético atômicos no comportamento dos materiais e suas
interações com campos magnéticos externos fundamentam as propriedades magnéticas dos
materiais.

2.9 Campo Magnético

O fenômeno físico associado à atração ou repulsão de certos materiais recebe o nome


de campo magnético. Alguns materiais podem apresentar campo espontâneo, são puramente
magnéticos, de forma que geram um campo magnético sem a presença de uma corrente elétrica
macroscópica adjacente. Já outros, só apresentam campo magnético pela interação com uma
corrente elétrica.
O magnetismo tem uma natureza dipolar, ou seja, dois polos de cargas opostas e
separados por certa distância. Quando as cargas se movem com velocidade constante é gerado
15

um campo magnético constante. A intensidade ou força do campo magnético é representado


pelo vetor campo magnético H, que é expresso em Ampère por metro (A/m).

2.10 Intensidade de magnetização

Define-se como intensidade de magnetização, ou simplesmente, magnetização, o


número de polos magnéticos unitários existentes por unidade de área numa secção do material.
Se o número de polos unitários na extremidade de uma barra de comprimento «1» for «m», e a
área da secção for «a», a intensidade de magnetização «I» será dada pela relação:

𝑚
𝐼 =
𝑎

2.11 Indução magnética

Um campo magnético pode ser representado por linhas de indução, que tem a direção
e o sentido do vetor em cada ponto, sendo que sua densidade de fluxo magnético é representada
pelo vetor indução magnética B e é expresso em Weber por metro quadrado (Wb/mm).

𝐵 = 𝐻 ∗ 𝜇𝜃

2.12 Permeabilidade magnética

A permeabilidade magnética (µ) indica a quantidade de indução magnética que é


gerada por um material quando colocado sob a ação de um determinado campo magnético. É o
quociente entre a indução magnética e o campo aplicado.

𝐵
𝜇=
𝐻
16

2.13 Susceptibilidade magnética

A magnetização de um material é proporcional ao campo aplicado, e é possível definir


um fator de proporcionalidade, chamado de susceptibilidade magnética. Essa grandeza
representa a amplificação do campo magnético produzido pelo material.

𝑀
𝑋=
𝐻
Onde M é a intensidade de magnetização ou momento magnético induzido por unidade
de volume que é dada em A/m. Podendo ser explicado como, a força do campo magnético
associada ao elétron. E cada elétron tem dois momentos magnéticos distintos, um positivo e um
negativo sendo que na maioria dos átomos se anulam, isso se deve ao emparelhamento dos
elétrons.

2.14 Perdas de Magnetização

Existem duas formas de dissipação de energia sob a forma de calor por intermédio da
existência, ou mais rigorosamente, da variação do campo magnético: as perdas por histerese e
as perdas por correntes de Foucault. Quando sujeitas a uma magnetização alternada, as massas
ferromagnéticas desperdiçam energia sob estas duas formas (ANDREUCCI, 2007).

2.14.1 Perda por Histerese

Estas perdas traduzem a energia necessária para completar a reorientação dos domínios
durante um ciclo da corrente alternada aplicada ao material.
Os processos para reduzir este tipo de energia consistem: na qualidade dos materiais, isto é,
garantindo uma forma do ciclo histerético estreita; e reduzindo as dimensões, através de seções
e comprimentos dos circuitos magnéticos menores (PINHO, 2009).
17

2.14.2 Perda por corrente Foucault

De acordo com a lei de Faraday, aparecem nos materiais uma Força Eletro Motriz
(F.E.M.) induzida que darão lugar a correntes parasitas de Foucault. Desta forma, e devido ao
seu sentido de circulação e de acordo com a lei de Lenz, o fluxo produzido por estas correntes
opõe-se ao fluxo indutor. Estas perdas podem tomar valores consideráveis, com o consequente
aumento da temperatura dos materiais.
As medidas a tomar para diminuir estas perdas passam, por exemplo, pela laminação
dos circuitos magnéticos, em forma de chapas de pequena espessura. Confinando, assim, as
correntes parasitas a trajetórias de pequena seção transversal.

2.15 Propriedades magnéticas dos materiais

Do ponto de vista magnético, os materiais apresentam repostas diferentes quando


expostos a um campo elétrico e também a um campo magnético. O efeito magnético nos
materiais origina-se nas minúsculas correntes elétricas associadas ou a elétrons em órbitas
atômicas ou a spins de elétrons. Por conta disso podemos classificar os matérias, por meio de
seu comportamento:

2.15.1 Materiais indiferentes

Não apresentam nenhuma propriedade magnética, nem mesmo na presença de um


campo magnético externo.
18

IMAGEM 2- Exemplo de um material indiferente.

(Vidro)
Fonte: internet

2.15.2 Materiais diamagnéticos

São materiais que, quando colocados na presença de um campo magnético externo, a


resultante do fluxo magnético é fortemente reduzida e a magnitude do momento magnético
induzido pelo campo externo é extremamente pequena e sua direção é oposta à direção do
campo aplicado.
Na ausência de campo externo, os átomos de um material diamagnético têm momento nulo.

IMAGEM 3– Exemplo de um material diamagnético.

(Ouro)
Fonte: internet
19

2.15.3 Materiais paramagnéticos

São materiais que, quando colocados na presença de um campo magnético externo, os


momentos magnéticos do material são alinhados com o campo externo, e o fluxo de campo
magnético dentro do material é aumentado. Estes tipos de materiais são ligeiramente atraídos
por campos magnéticos externos.

IMAGEM 4- Exemplo de um material paramagnético.

(Sulfato de Cobre)
Fonte: internet

2.15.4 Materiais ferromagnéticos

São materiais fortemente paramagnéticos que, quando submetidos a um campo


magnético externo, a densidade de fluxo magnético é aumentada de uma forma muito intensa.
São materiais fortemente atraídos por campos magnéticos externos.
Eles apresentam temperatura crítica, denominada temperatura de Curie (θc), temperaturas
acima dela, propiciam a perda do ferromagnetismo e tornam-se paramagnéticos.
Os materiais ferromagnéticos podem apresentar valores de susceptibilidade magnética tão altos
como 106.
20

IMAGEM 5- Exemplo de um material ferromagnético.

(Cobalto)
Fonte: internet

2.15.5 Materiais ferrimagnéticos

São materiais parecidos com os ferromagnéticos, a única diferença é que são materiais
cerâmicos (denominados como ferritas) e apresentam uma outra origem do momento
magnético, eles também apresentam forte magnetização permanente.

IMAGEM 6- Exemplo de um material ferrimagnético.

(Magnetita)
Fonte: internet
21

2.15.6 Materiais Antiferromagnéticos

Um Material que apresenta antiferromagnetismo tem o seu ordenamento magnético de


todos os momentos magnéticos de uma amostra, na mesma direção, mas em sentido inverso.
Há de se entender que são semelhantes aos ferromagnéticos, e demonstram que suas interações
podem produzir momentos magnéticos grandes, inclusive imantação

2.16 Aplicações

Existem infinidades de aplicações e utilizações dos materiais magnéticos e a sua


influência no mundo moderno. A criação de novos dispositivos é bastante fundada no
conhecimento adquirido do eletromagnetismo. Graças aos conceitos adquiridos por parte do
estudo desta matéria, áreas como: tecnologia informática e até mesmo medicina, foram
modernizadas. Materiais como ferromagnéticos e ferrimagnéticos são utilizados em larga escala
por possuírem uma característica única, em relação a outros metais; a sua capacidade de
amplificar um campo magnético externamente aplicado. Essa propriedade é o que viabiliza a
existência da maioria das máquinas elétricas: motores, geradores e transformadores

2.16.1 Materiais Ferromagnéticos Macios

Os materiais ferromagnéticos macios são aqueles que se magnetizam com mais


facilidade, apresentando magnetização residual baixa ou praticamente nula. Tendo grande
aplicabilidade na engenharia de máquinas elétricas, já que há a necessidade da utilização de
materiais de alta permeabilidade e elevada indução, com baixas perdas, principalmente de
histerese.

Podemos citar alguns matérias conhecidos, como:


22

• Ferro – caracteriza-se por uma baixa resistividade e uma alta permeabilidade para
valores elevados de indução, daí mostram-se úteis em aplicações de corrente contínua,
que requerem elevadas induções quando sujeitas a baixos campos magnéticos.

• Ferro-silício – as ligas com menos de 0.5% de silício empregam-se em pequenos


motores baratos e nas partes dos circuitos magnéticos em que uma elevada
permeabilidade em baixas induções é mais importante que baixas perdas.

• Ferro-cobalto – Utilizam-se nas partes dos circuitos magnéticos onde se devem produzir
induções elevadas em presença de campos fracos.

• Metais amorfos – Os vidros metálicos têm ciclos histeréticos muito estreitos e, por
conseguinte, perdas de energia por histerese muito baixa. Esta propriedade tem
permitido o desenvolvimento de núcleos de transformadores de potência, em
multicamadas, com vidros metálicos.

• Ferrites macias – A elevada resistividade das ferrites macias é uma propriedade que as
torna indispensáveis para aplicações desde uns escassos MHz até frequências de micro
ondas, devido à redução nas perdas por correntes de Foucault.

2.16.2 Materiais Ferromagnéticos Duros

Os materiais ferromagnéticos duros se magnetizam quando aplicamos a eles um alto


campo magnético externo. Esses materiais apresentam magnetização residual alta e têm grande
utilização industrial, pois são ideais para a construção de ímãs permanentes, pelo fato de uma
vez magnetizados, reterem a sua magnetização. Temos como representantes:

• Alnico - Os ímãs de alnico apresentam estabilidade de suas propriedades magnéticas


em condições diversas de temperatura, fazendo com que seja utilizado em instrumentos
e dispositivos que exigem alta estabilidade térmica. Dentre as aplicações, podem-se citar
os sensores, medidores de energia e motores.
23

• Neodímio-Ferro-Boro - Estas ligas são aplicadas no ramo automobilístico, nos motores


de tração dos veículos híbridos e elétricos. Nestas aplicações, os ímãs operam em altas
temperaturas e requerem fluxos magnéticos e campos coercivos superiores às aplicações
convencionais.

• Ferrites duras – Os ímãs permanentes cerâmicos de ferrites duras têm grande utilização
em geradores e motores. As aplicações em eletrônica incluem ímãs para alto-falantes,
discos e receptores de telefones.

• Samário-Cobalto - São utilizados em dispositivos médicos, tais como motores pequenos


de bombas e válvulas. São, também, usados em relógios de pulso eletrônico e tubos de
ondas.

3 Conclusão

O objetivo geral deste trabalho foi desenvolver um entendimento que permita, de


maneira geral, conhecer a maioria dos aspectos que rodeiam entorno das propriedades elétricas
e magnéticas dos materiais utilizados na engenharia.

Para se atingir esse nível de compreensão sobre o tema proposto, foi necessário a
busca de conhecimento através de diversas pesquisas e videoaulas. Com o intuito de esclarecer
de forma mais técnica, a formação e as aplicabilidades dos materiais magnéticos e condutores.
E não só isso, mas também saber distinguir os tipos de condutores e elementos magnéticos.

Ao fim do trabalho, podemos concluir que o conhecimento obtido nos torna mais
capazes de compreender a importância do estudo desses tipos de propriedades, que permitiram
um desenvolvimento em diversas áreas, modernizando e facilitando a busca por conhecimento
assim como, o cotidiano.
24

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CORRÊA, P. (2014). Ciência e Tecnologia De Materiais . Fonte: engenhariacivilfsp:


https://engenhariacivilfsp.files.wordpress.com/2014/02/notas-de-aula_propriedades-
elc3a9tricas.pdf

LANDGRAF, F. (s.d.). Propriedades Magnéticas de Aços para fins Elétricos. Fonte:


researchgate: https://www.researchgate.net/profile/Fernando-
Jose/publication/268421029_Propriedades_Magneticas_de_Acos_para_fins_Eletricos/
links/57544a1008ae10d9337a3baa/Propriedades-Magneticas-de-Acos-para-fins-
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MARTENDAL, C. (27 de Set de 2017). Aços elétricos. Fonte: engenheirodemateriais:


https://engenheirodemateriais.com.br/2017/09/27/acos-eletricos/

TEIXEIRA, M. (s.d.). Resistividade elétrica. Fonte: brasilescola:


https://brasilescola.uol.com.br/fisica/resistividade-eletrica.htm

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5545501/mod_resource/content/4/PMT3110_Topic
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https://www.ctborracha.com/borracha-sintese-historica/propriedades-das-borrachas-
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file:///C:/Users/Oliveiras/Downloads/Materiais_Magneticos_Ulisbos_Teoric2Maio%20(1).p
df

https://www.passeidireto.com/arquivo/32023620/propriedades-eletricas-e-magneticas-dos-
materiais

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