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D E

Be t â n i a
Leitura para um a vida bem -sucedida
C aixa Postal — 3161 1-970 V e n d a N o v a , MG
Título do original em inglês:
H ow to Pray for Som eone N ear You Who is Away from God

Copyright © 1987 by Joy Dawson

Publicado por Frontline Communications — A Division of Youth


With A Mission. P. O. Box 55787, Seattle, WA 98155. U.S.A.

Tradução de Myrian Talitha Lins

Revisão de Mirna Maria de Alcântara Campos

Primeira edição, 1992

Todos os direitos reservados pela


Editora Betânia S/C
Caixa Postal 5010
31611-970 Venda Nova, MG

E proibida a reprodução total ou parcial


sem permissão escrita dos editores.

Composto e impresso nas oficinas da


Editora Betânia S/C
Rua Padre Pedro Pinto, 2435
Belo Horizonte (Venda Nova), MG

Capa: Kleber Faria e Jairo Larroza

Printed in Brazil
erta vez eu estava falando em uma igreja na

C Califórnia, e, após o culto, uma senhora se


aproximou, apresentou-se e ao seu marido, e em
seguida me narrou o seguinte fato.
Orara durante muitos anos pela conversão do
marido, sempre pedindo a Deus que tocasse no
coração dele, dando-lhe vontade de ir à igreja com
ela. Essa irmã freqüentava uma igreja muito es­
piritual e avivada. Em quase todos os cultos ocor­
riam conversões, ou crentes faziam reconsagração
de vida. E ela pensava constantemente:
“Se meu marido pelo menos viesse à igreja
comigo, tenho certeza de que ele se converteria.”
Mas ele nunca queria ir à igreja, e permanecia
incrédulo. Essa irmã se sentia profundamente frus­
trada, sem entender por que Deus não atendia
suas orações.
No ano anterior, eu havia pregado em sua
igreja, e ela adquirira as fitas das mensagens. Che­
gando em casa falara delas ao marido com grande
entusiasmo, sempre orando na esperança de que
ele também fosse à igreja ouvir o ensino da Pa­
lavra de Deus.

D
Certo dia, ele lhe fez a maior surpresa, dizendo-
lhe que havia entregado o coração ao Senhor Je­
sus. Enquanto ela estava na igreja, ele ouvira mi­
nha série de fitas sobre orientação divina e se con­
vertera. Agora desejava conhecer a profunda
comunhão com Deus e a plena realização pessoal
de que ouvira falar nas fitas.
Em seguida, o marido me contou que agora
estava cultivando a comunhão com o Senhor dia­
riamente — buscando a sua face, ouvindo sua voz
e obedecendo a sua Palavra.
E a principal lição que aquela irmã aprendeu
foi que, quando orara a Deus ditando-lhe a forma
como ele deveria salvar seu marido, sem o saber,
estivera dificultando o processo.
MOTIVAÇÕES ELEVADAS
Outro fator que pode impedir que recebamos
a resposta de nossa intercessão por um ente que­
rido que não conhece a Deus é a intenção com
que o fazemos. Muitas vezes nossa principal mo­
tivação em orar por aquela pessoa é a idéia de
que se ela se converter nseremos
Nesse caso, precisamos pedir a Deus que cor­
rija nossa edutia,de modo que a petição em fa­
vor da salvação desse ente querido seja inspirada
por um sincero desejo de que o nome de Deus
receba toda a glória, independente do que isso
possa custar a nós ou àquele por quem oramos.
Assim que começamos a orar dessa maneira,
Deus nos submete a provas. Mas aqueles que co­
nhecem o caráter dele sempre passam no teste.
LIÇÕES QUE PRECISAMOS APRENDER
Quando submetemos nossa vontade à Pessoa
do Espírito Santo, e obedecemos à sua voz, ele
dirige o foco da atenção primeiramente para nós.
Deus deseja que lhe perguntemos:
“Que lição o Senhor quer ensinar-me nessa
situação? Aprendê-la é bem mais importante para
mim do que ver o problema resolvido.''
E depois podemos orar assim:
“Senhor, se o adiamento do meu pedido trou­
xer mais glória ao teu nome, então está bem. Opera
em minha vida o que for necessário para que eu
possa aprender a orar corretamente pelos perdi­
dos.”
Quem ora assim demonstra que está mesmo
disposto a fazer o que Deus determinar. E é a es­
ses que Deus atende.

UMA ENTREGA TOTAL


Quando temos um desejo intenso de que Deus
seja glorificado, dizemos o mesmo que Paulo: “Se­
gundo a minha ardente expectativa e esperança
de que em nada serei envergonhado; antes, com
toda a ousadia, como sempre, também agora, será
Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida,
quer pela morte” (Fp 1.20). Então, se pela minha
morte meus entes queridos que ainda não são sal­
vos irão conhecer a Deus, estou disposto a mor­
rer. A salvação da alma deles me é mais impor­
tante que a vida.
Isso é que é autonegação plena.
Em seguida temos de abrir mão deles também.
Precisamos orar nos seguintes termos:
“Senhor, se for da tua vontade que eles se sal­
vem e logo em seguida sejam levados para o céu,
e se com isso o teu nome for mais glorificado,
que assim seja.”
Orando desse modo estamos removendo tam­
bém a intenção egoísta.
Só quem de fato tiver no coração um grande
peso pela alma dos perdidos será capaz de orar
da seguinte maneira:
“Senhor, faz o que for necessário para que eles
rendam o controle de sua vida inteiramente a ti
— mesmo que seja uma enfermidade, ou uma lesão
temporária ou permanente.”
E será que estamos preparados para receber
a resposta desse pedido? Deus tem poder para
atendê-lo. Ele quer operar em nosso coração de
modo que o anseio de que os entes queridos acer­
tem a vida com o Senhor supere nosso desejo de
bem-estar físico — para nós ou para eles. Preci­
samos estar dispostos a orar do seguinte modo:
“Senhor, use qualquer pessoa, de qualquer lu­
gar, em qualquer circunstância, para que essa alma
perdida venha ao conhecimento de Cristo.”
Ou será que temos preconceitos (talvez dissi­
mulados), com relação a indivíduos que prefería­
mos que ele não usasse?
Além disso, precisamos deixar nas mãos de
Deus tudo que diz respeito ao futuro deles. E a
oração que faremos é a seguinte:
“Senhor, se depois de convertidos tu os cha­
mares para serem missionários em outro país, e
lá eles forem mortos por amor a ti, e eu nunca
mais voltar a vê-los, que assim seja. Eles estão
em tuas mãos tanto agora como no futuro”

.4 PROVA SUPREMA
É possível que já tenhamos feito todas essas
orações a Deus. mas nunca tenhamos aberto mão
daqueles que nos são mais caros e a quem mais
amamos para que, pela morte deles, aquele que
não é salvo venha a converter-se. Quando chega­
mos a esse ponto, reconhecemos, sem a menor
sombra de dúvida, que estamos cem por cento
comprometidos com a glória de Deus, e sentimos
pelos queridos por quem oramos um intenso in­
teresse dado por Deus. Isso implica em pegar nosso
Isaque ou Isaques e colocá-los num altar sobre
o monte Moriá. Eu conheço essa experiência. Já
passei por ela. É a prova suprema, pois sabemos
que Deus pode aceitar nossa palavra, o que sig­
nifica que perderemos um amigo, esposa, esposo,
filho ou pais.
Mas nós só teremos condições de fazer esse
tipo de oração depois que conhecermos bem o
caráter daquele a quem estamos orando. Para isso,
precisamos estudar sua Palavra a fim de compre­
ender cada faceta de seu caráter, e obedecer a
tudo que ele ordenar.
Tudo que Deus faz acha-se em harmonia com
seu caráter. Ele é absolutamente reto e justo; pos­
sui sabedoria e conhecimento infinitos. Sua com­
preensão é insondável, e seu amor, profundo. Po­
demos confiar nele pelo ele é, sabendo que
tudo que ele fizer será para o bem supremo de
todos os interessados.

LIBERTOS DO TEMOR
É possível que tenhamos medo de morrer, ou
de que morram aqueles que nos são mais queri­
dos. Mas quando realmente entregamos a nós e
a eles nas mãos de Deus, para que o Senhor re­
ceba toda a glória através da nossa vida e da de­
les, todo o medo desaparece. A paz de Deus toma
o lugar do temor. Isso eu posso assegurar.
Se Deus resolver atender nossas petições, exa­
tamente como as fizemos, podemos estar certos
de que ele operará grandes maravilhas como re­
sultado da conversão daquele ente querido. E a
alegria resultante disso será maior do que a tris­
teza causada pelo sacrifício feito. “Justo é o Se­
nhor em todos os seus caminhos, benigno em to­
das as suas obras:’ (SI 145.17.)
Podemos crer também que, na hora certa, ele
irá sarar o coração quebrantado e curar as feridas
(SI 147.3).

Assim que, pela graça de Deus e pelo conhe­


cimento de seu caráter íntegro, passarmos por es­
ses testes e “formos aprovados", nossa motivação
ao orar por entes queridos terá sido purificada.
Além disso, gozaremos de uma comunhão mais
íntima com Deus.
A IMPORTÂNCIA DE TER A ATITUDE CORRETA
Quanto mais profunda for nossa comunhão
com Deus, mais nos conscientizaremos de que
nossa atitude em relação àqueles por quem ora­
mos é de suma importância para que Deus con­
tinue a operar por nosso intermédio. É possível
que o ente querido que se acha longe de Deus
nos tenha magoado muito. Então precisamos vi­
giar para que, ao orarmos, não haja em nosso co­
ração o menor ressentimento em relação a ele.
Se não estivermos cheios do amor de Deus, não
poderemos crer realmente que o Senhor irá salvá-
los. Lemos em Gálatas 5.6 que a fé atua pelo amor.
E em 1 Coríntios 13.8, Deus afirma que “o amor
jamais acaba”.
Alguém pode orar anos a fio pela conversão
de outrem, sem nunca ter perdoado essa pessoa.
Isso constitui um grande empecilho para que a
oração seja atendida.
A Bíblia nos adverte do seguinte: “Atentando
diligentemente por que ninguém seja faltoso,
separando-se da graça de Deus; nem haja alguma
raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por
meio dela, muitos sejam contaminados” (Hb 12.15).
Mas é possível também que alguém esteja a
par dessas verdades, e ainda assim tenha dificul­
dade em perdoar. Damos a seguir oito medidas
práticas que poderão produzir em nós o perdão,
se o fizermos com sinceridade.1
1. Compreender que perdoar é um ato da von­
tade. Temos de tomar a decisão de perdoar. O res-
sentimento é uma força altamente corrosiva para
nossa mente, alma, corpo e espírito. “O ânimo
sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a po­
dridão dos ossos.” (Pv 14.30.)
2. Deus não irá perdoar-nos enquanto não ti­
vermos perdoado aqueles que nos magoaram. “E,
quando estiverdes orando, se tendes alguma cousa
contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celes­
tial vos perdoe as vossas ofensas.” (Mc 11.25.)
3. Lembremos o quanto Deus já nos perdoou.
“Antes sede uns para com os outros benignos, com­
passivos, perdoando-vos uns aos outros, como tam­
bém Deus em Cristo vos perdoou.’’ (Ef 4.32.) Deus
nos perdoa completa e instantaneamente, e de bom
grado.
4. Agradeçamos a Deus por todas as bênçãos
que recebemos dele por intermédio daqueles que
nos magoaram.
5. Levemos em conta o que aquela pessoa es­
tava passando no momento em que nos magoou
— problemas mentais e físicos, carências da alma
e do espírito. É bem provável que os problemas
que ela enfrentava na ocasião, e talvez ainda en­
frente, sejam mais sérios do que os nossos.
6. Peçamos a Deus que nos conceda sua ca­
pacidade sobrenatural de amá-los e perdoá-los.
Reconheçamos que isso é uma operação do Es­
pírito Santo em nós, e o recebamos pela fé.
"... porque o amor de Deus é derramado em nos­
sos corações pelo Espírito Santo, que nos foi ou­
torgado.” (Rm 5.5.) “De fato, sem fé é impossível
agradar a Deus..." (Hb 11.6.)
7. Peçamos também oportunidades de expres­
sar o amor de Deus por eles, tanto em palavras
como em atos. “Ora, aquele que possuir recursos
deste mundo e vir a seu irmão padecer necessi­
dade e fechar-lhe o seu coração, como pode per­
manecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não ame­
mos de palavra, nem de língua, mas de fato e de
verdade.’’ (1 Jo 3.17,18.)
8. Intercedamos por eles diariamente. Peça­
mos a Deus que os abençoe, inspire, fortaleça,
conforte, e atenda às suas necessidades. “Eu, po­
rém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pe­
los que vos perseguem.'' (Mt 5.44.)
Uma senhora crente da Califórnia contou-me
que depois de ouvir minha palestra sobre perdão,
o Espírito Santo lhe mostrou que ela estava guar­
dando ressentimento contra o genro, havia bas­
tante tempo. Ele não era crente, e maltratava muito
a Ilha dela e os netos, o que a aborrecia demais.
E durante anos ela orara fervorosamente pela con­
versão dele, mas sem sucesso. Naquela noite, às
11:30, ela ajoelhou-se ao lado da cama e, orando
a Deus, arrependeu-se da raiva que sentia dele.
Em seguida, deu os oito passos que acabamos
de recomendar, convicta de que esse ressentimento
era um empecilho para que Deus atendesse as
suas orações em favor daquele homem. Isso acon­
teceu numa quinta-feira.
No sábado seguinte, pela manha, o genro apa­
receu inesperadamente em sua casa e deu-lhe uma
notícia espantosa. Disse-lhe que na quinta-feira
anterior, exatamente às 11:30 da noite, sentira uma
fortíssima convicção de pecado, arrependera-se
e entregara a vida a Cristo. Falou ainda que já
pedira perdão à esposa e aos filhos e compreen­
dera que devia ir à casa dela também (apesar de
residir bem distante), para lhe pedir perdão por
todas as tristezas que lhe causara.
Na hora em que ela se dispusera a perdoá-lo,
Deus, pelo seu Espírito, operara de forma marcante
naquele por quem ela orava.
PODER MEDIANTE O QUEBRANTAMENTO
Precisamos entender que quanto mais deixar­
mos Deus operar em nós, mais o poder do Es­
pírito Santo atuará por nosso intermédio, na in-
tercessão pelos perdidos. E um fator muito im­
portante para que esse poder opere é nós nos hu­
milharmos diante do Senhor e daqueles por quem
estamos orando.
Então precisamos pedir a Deus que nos revele
o que possamos ter feito para que aquele não-
crente se revoltasse contra Deus. Mesmo que na
ocasião estivéssemos ignorantes do fato, ainda as­
sim precisamos confessar o erro e fazer a repa­
ração, segundo Deus nos orientar.
É essencial que nos convençamos de que o
amor e a misericórdia de Deus são maiores do
que nossos erros, e que digamos isso àquela pes­
soa também. Lemos em Josué 3.5: “... Santificai-
vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no
meio de vós''.
Muitas pessoas deixam de consagrar a vida ao
Senhor Jesus por terem uma visão errada do ca­
ráter de Deus. Se nós, de alguma forma, contri­
buímos para isso, seja por ignorância ou por uma
desobediência frontal a princípios divinos, preci­
samos confessá-lo a eles, explicando-lhes de que
aspecto do caráter de Deus passamos uma ima­
gem distorcida. “Mas o homem para quem olha­
rei é este: o aflito e abatido de espírito, e que treme
da minha palavra." (Is 66.2.)
Um espírito quebrantado e contrito é uma arma
poderosa na mão de Deus no sentido de quebran-
tar aqueles por quem oramos. Com relação a isso,
em 1 Pedro 3.1, Deus tem uma palavra de orien­
tação para a mulher cujo marido não é crente.
Ali ele ressalta a importância de a esposa crente
ter um proceder cristão — em vez de ficar pre­
gando para o marido — para que ele se converta.
ORAÇÃO E JEJUM
Nas Escrituras, a oração e o jejum estão asso­
ciados a poderosas bênçãos. Então obedeçamos a
Deus sempre que ele nos der ordens nesse sentido.
Mas lembremo-nos sempre de que o que interessa
a Deus não é nosso jejum, e, sim, nossa obediência.
Certa vez, eu estava dando um curso numa
escola de evangelismo, quando todas as alunas
ali sentiram que deveriam passar um dia jejuando
e orando por seus irmãos não crentes. Os resul­
tados foram extraordinários.
Então estejamos cientes de que o Espírito
Santo, vez por outra, irá ordenar-nos que jejue-
mos e oremos a respeito de questões especiais
que ele coloca em nosso coração.
Em Mateus 6.6, Jesus diz: “...quando orares...”
No verso 2, diz: “Quando, pois, deres esmola...”
E nos versos 16 e 17, diz: “Quando jejuardes...”
A GUERRA ESPIRITUAL
A Bíblia revela, em 1 João 5.19, que “o mundo
inteiro jaz no maligno”. Mas, glória a Deus, pois
Jesus diz: “Eu venci o mundo” (Jo 16.33). E o
poder de Deus é infinitamente superior ao de Sa­
tanás.
Isso significa que todos os dias precisamos to­
mar posição contra o inimigo de nossa alma e
ordenar-lhe, no poderoso nome do Senhor Jesus
Cristo, que deixe em paz o espírito, mente, alma
e corpo de nossos entes queridos. E ao fazê-lo
citemos a Palavra de Deus que, nessa guerra es­
piritual, funciona como uma espada. Os textos se­
guintes são muito eficazes, quando exercitamos
fé no poder da Palavra escrita.
1 João 3.8: “Para isto se manifestou o Filho
de Deus, para destruir as obras do diabo”.
Apocalipse :“1.2Eles, pois, o venceram (
Satanás) por causa do sangue do Cordeiro e por
causa da palavra do testemunho que deram, e,
mesmo em face da morte, não amaram a própria
vida”.
Isaías 43.12,13: “... eu sou Deus. Ainda antes
que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa
livrar alguém das minhas mãos: agindo eu, quem
o impedirá?”
Mateus 16.18: “... edificarei a minha igreja, e
as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
Mateus 18.18: “... tudo o que ligardes na terra,
terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes
na terra, terá sido desligado no céu”.
Precisamos compreender que, por mais duro
que seja o coração da pessoa por quem oramos,
ou por mais difícil que pareça seu caso, não é con­
tra ela que estamos lutando. Nosso adversário é
o diabo; é a ele que fazemos oposição.
“Porque a nossa luta não é contra o sangue
e a carne, e, sim, contra os principados e potes-
tades, contra os dominadores deste mundo tene­
broso, contra as forças espirituais do mal, nas re­
giões celestes” (Ef 6.12.)
Satanás não larga mão de suas vítimas sem
lutar. Nossa guerra muitas vezes é como uma luta
corporal. Nem sempre conquistamos a vitória no
primeiro assalto, e, às vezes, nem no segundo ou
terceiro. Precisamos estar constantemente dizendo
a Satanás: “Maior é aquele que está em nós (Je­
sus) do que aquele que está no mundo (o diabo)”
(1 Jo 4.4). Portanto, se alguém vai perder essa
guerra, não somos nós. Se afirmarmos isso com
fé, depois de algum tempo o diabo começará a
nos levar a sério, e desistirá de brigar. Pelo menos
essa tem sido a minha experiência. Eu já declarei
ao inimigo que, enquanto eu tiver fôlego, lutarei
contra ele, no poder e na força do Espírito Santo,
em favor daqueles por quem oro. Então, se ele
for esperto, é melhor desistir logo. (Sabemos que
ele não tem sabedoria, pois só quem teme ao Se­
nhor a possui.)
Então podemos agora pedir a Deus que frus­
tre os planos de Satanás em relação àqueles por
quem estamos orando, crendo firmemente que o
Senhor irá operar.
O CONHECIMENTO DO CARÁTERDE DEUS
Em seguida, oremos a Deus pedindo-lhe que
dê a esse ente querido uma revelação de seu ver­
dadeiro caráter, para convencê-lo de que a coisa
mais sensata que ele pode fazer é sujeitar sua von­
tade ao Senhor Jesus. Só Deus sabe quais as idéi­
as erradas que aquela pessoa tem dele. Peçamos-
lhe, então, que utilize os meios que forem neces­
sários para corrigir essas distorções, crendo que
ele o fará.
Peçamos a Deus que se revele a ela de ma­
neira irrefutável, fazendo-a compreender que ela
não tem nada a perder rendendo-se ao Senhor.
Pelo contrário, tem tudo a ganhar.

Juntamente com essa petição, oremos a Deus


pedindo-lhe que tudo que esse ente querido está
fazendo para alcançar a felicidade sem Deus possa
dar errado, e só lhe trazer sentimentos de vazio
e frustração. Assim ele reconhecerá a inutilidade
de seus esforços.
Na verdade, nós não precisamos “ensinar” nada
Aquele que possui um conhecimento e sabedoria
infinitos, e a maior criatividade do universo. Ele
dispõe de milhões de estratégias que desconhe­
cemos, e que pode utilizar para atender nossa pe­
tição.
Mas podemos pedir-lhe que instile o temor do
Senhor naquele por quem oramos, para que ele
evite o mal. “Pelo temor do Senhor os homens
evitam o mal.” (Pv 16.6.) Mesmo que essa pessoa
se encontre numa situação em que é fortemente
tentada, pela nossa intercessão Deus pode impe­
dir que ela se aprofunde mais no pecado.
0 PODER DA PALAVRA DE DEUS
Salmo 119.130: “A revelação das tuas palavras
esclarece, e dá entendimento aos simples”. Pre­
cisamos então orar para que Deus leve esse nosso
ente querido a ter o desejo de ler sua Palavra,
ou que ele a ouça de alguma forma. E aqui tam­
bém ele pode utilizar meios os mais diversos para
atender essa petição. Basta que creiamos que ele
o fará. O Dr. Derek Prince* converteu-se sozinho,
através da leitura da Palavra de Deus.
É possível que alguns daqueles por quem ora­
mos já conheçam muitas verdades da Palavra de
Deus e hajam endurecido o coração. É nesse caso
que precisamos clamar pela misericórdia de Deus
para que sejam libertos. Ser objeto da misericór­
dia de Deus é sermos poupados de um castigo
merecido.

* O Dr. Derek Prince é um pastor, professor e escritor


inglês. (N. da T.)
Moisés intercedeu pelos filhos de Israel, pe­
dindo a Deus que tivesse misericórdia deles, e o
Senhor atendeu-lhe a oração. Com sua desobe­
diência, rebeldia, incredulidade e murmuração, eles
certamente mereciam o castigo divino. Mas Moi­
sés orou, e assim impediu que eles recebessem
a punição merecida. Deus usou de misericórdia
para com eles. Nós hoje temos o grande privilégio
de exercer a mesma função e interceder em favor
daqueles que se encontram em condição seme­
lhante. Podemos pedir a Deus: “Na tua ira, lem­
bra-te da misericórdia" (Hc 3.2).
LOUVAR A DEUS PELA FÉ
Para que possamos orar com grande fé, po­
demos pedir a Deus que nos dê melhor compre­
ensão de textos das Escrituras que nos estimulem
a crer que ele está operando, mesmo não havendo
expressões visíveis dessa operação.
Em 2 Crônicas 6.30 lemos o seguinte: "... por­
que tu, só tu, és conhecedor do coração dos fi­
lhos dos homens”. Então Deus sabe se aquela pes­
soa já está tendo vontade de buscar o Senhor Jesus.
Ele sabe se seu coração já começa a inclinar-se
para ele, e se ela está desejando abandonar a vida
que leva no momento. Se estiver, ele irá revelar-
nos isso se continuarmos em intercessão.
Assim torna-se mais fácil louvá-lo pela fé. Po­
demos começar a ver mentalmente aquele ente
querido como ele será quando Deus o transfor­
mar: uma “nova criatura” em Cristo, cheia do amor
dele, manifestando em seu ser a vida de Jesus.
Então passamos a louvar a Deus de todo o co­
ração certos de que ele está operando nesse sen­
tido, e de que isso irá concretizar-se.
Conheço uma jovem que teve esse tipo de ex­
periência. Ela estudava numa escola de evange-
lismo onde dei um curso. Seus pais haviam cor­
tado todo o relacionamento com a filha depois
que ela se convertera. Pararam de comunicar-se
com a moça, e ela não tinha a menor idéia de
onde eles se encontravam no momento.
Mas ela ouviu-me entregar essa mensagem, e
o Espírito Santo falou poderosamente ao seu co­
ração. Então decidiu pôr esses princípios em prá­
tica. Semanas depois, os pais se converteram e
entraram em contato com ela. Isso é o poder do
louvor.
Lembremos, porém, que o segredo para ver­
mos a conversão daqueles por quem oramos é a
aplicação da mensagem toda, e não apenas a de
um desses princípios.

A PAZ QUE EXCEDE TODO ENTENDIMENTO


Por vezes nossos entes queridos passam por
situações difíceis, em que sentimos grande pre­
ocupação por eles, mas nada podemos fazer, pois
todas as circunstâncias se acham fora de nosso
controle.
Nesse caso, para nos tranquilizarmos, precisa­
mos pôr em prática o ensino do Salmo 37.5: "En­
trega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o
mais ele fará" O termo hebraico que aqui é tra­
duzido como ‘'entrega" literalmente significa “ar­
remessa”. Então temos de “arremessar” para Deus
aqueles com quem estamos preocupados, pedindo-
lhe que opere de modo a que tudo que lhes acon­
teça possa glorificar o nome dele. Deus é todo-
poderoso, sábio, reto, justo, conhece tudo que há
para se conhecer, e é todo amor. Portanto ele sabe
“agarrá-los” bem; sabe como deve operar na vida
deles para que tudo redunde em bênçãos para
eles; conhece os melhores métodos de ação, a hora
certa para agir, e só fará o que é certo e justo para
todos os interessados. Além disso, está ansioso
para “agarrá-los” e cuidar deles. Seus amorosos
braços não gostam de ficar vazios! Ele promete
operar. Cremos em sua Palavra. E assim passa­
mos a gozar de uma paz maravilhosa.
A SOBERANIA DE DEUS E OLIVRE-ARBÍTRIO DO HOMEM
Deus criou o homem com livre-arbítrio. Isso
é uma lei fixa, que ninguém pode infringir Entre­
tanto quando intercedemos por alguém da ma­
neira como Deus determina, ele envia àqueles por
quem oramos certas influências e pressões. E se
perseverarmos em oração, com tenacidade, como
Jesus ensina em Lucas 11.5-8 e 18.2-8, chega o
momento em que o não-salvo sente que é mais
fácil entregar a vida ao Senhor do que continuar
resistindo a ele.
Foi isso que Elias vivenciou quando orou junto
ao altar molhado, no monte Carmelo, diante dos
profetas de Baal e do povo de Israel, e pediu que
Deus mandasse fogo do céu. “Responde-me, Se­
nhor, responde-me, para que este povo saiba que
tu, Senhor, és Deus, e quea fize
o coração deles.'' (1 Rs 18.37.)
A mesma idéia é expressa no Salmo 33.15,
onde o salmista diz que Deus olha dos céus os
filhos dos homens e “forma o coração de todos
eles”, e “contempla todas as suas obras”. Então
o ministério de intercessão é um glorioso privilé­
gio concedido por Deus para colaborarmos com
ele na tarefa de “formar” o coração dos homens.
AMPLIANDO NOSSA INTERCESSÃO
Nosso interesse pela expansão do reino de Deus
pode ser avaliado pela maneira como oramos pe­
las almas perdidas. Podemos contentar-nos em orar
apenas para que elas se convertam, ou então orar
também para que, além de se converterem, todos
se tornem dedicados discípulos do Senhor Jesus.
Podemos interceder ainda no sentido de que cul­
tivem um ardente desejo de conhecer mais a Deus
e passar esse conhecimento a outros, influenciando
decisivamente a sua geração com o poder do Es­
pírito Santo. Podemos pedir ao Senhor que, obe­
decendo às verdades da Palavra de Deus, eles es­
tejam entre os “vencedores” mencionados no livro
de Apocalipse, tornando-se então parte da Noiva
de Cristo.
TODA A GLÓRIASEJA DADA A DEUS
Por último, é da maior importância que reco­
nheçamos diante de Deus que, assim que ele aten­
der nossa petição, nós nos lembraremos de que
o que operou o milagre do novo nacimento no
coração daquele indivíduo não foram nossas
orações e jejuns, nem nossa diligência em buscar o
Senhor. Tudo se deve à sua graça, misericórdia
poder e amor. Precisamos lembrar ainda que
outros também participaram da batalha da
intercessão por aquela alma.

"Não a nós, ,Senhor não a mas ao teu nome


dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua
fidelidade." (SI 115.1.)
eus criou o homem com livre-

D arbítrio. isso é uma lei fixa, que


ninguém pode infringir. Entretanto,
quando intercedemos por alguém da
maneira como Deus determina, ele
envia àqueles por quem oramos certas
influências e pressões.
E se perseverarmos em oração,
com tenacidade, chega o momento em
que o não-salvo sente que é mais fácil
entregar a vida ao Senhor do que
continuar resistindo a ele.
É através da intercessão que
colaboramos com Deus na tarefa de
mudar o coração dos homens.

ISBN 8 5 - 3 5 8 - 0 1 3 4 - 0

L e itu ra para um a vida b e m - s u c e d id a


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