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Famílias promotoras de
desenvolvimento

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Famílias promotoras de desenvolvimento

Famílias promotoras de desenvolvimento


MATERIAL TEÓRICO

Responsável pelo Conteúdo:


rofa. Dra Laura Marisa CarnieloCalejon
Revisão Textual:
Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcante

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Conhecendo a Teoria

O texto, organizado para apresentar a teoria e os dados encontrados


nas investigações mencionadas, considera inicialmente que os pais
constituem-se em ¨outros¨ na zona de desenvolvimento proximal do sujeito. Os
filhos por sua vez também se constituem em ¨outros¨ na zona de
desenvolvimento proximal dos pais. È importante recordar que ao definir a zona
de desenvolvimento proximal Vygotski organizou as categorias
desenvolvimento real ou atual , desenvolvimento potencial e níveis de ajuda.
Estes conceitos estão mais detalhados na disciplina Aprendizagem e
Desenvolvimento Humano.

A família considerada pela psicanálise era a família nuclear, aquela


constituída por mãe, pai e filhos. Já consideramos as transformações pelas
quais a família passou e a necessidade de considerar diferentes organizações
familiares para pensar as questões da educação e da aprendizagem.

No Centro de Orientação e Atenção Psicológica ¨Alfonso Bernal del


Riesgo¨ (COAP) da Faculdade de Psicologia da Universidade de Havana
existe o Programa de Atenção e Orientação Psicológica a Crianças em
Situação de Risco e seus familiares, dirigido pelo Dr. Guillermo Arias Beatón,
como parte do programa oferecido à população. O trabalho que vem sendo
realizado há 14 anos, e que conta e contou com a colaboração de numerosos
estudos de conclusão de cursos de graduação, dissertações de mestrado e
teses de doutorado, assenta-se no pressuposto de que quando os riscos são
identificados precocemente os impactos que podem produzir no
desenvolvimento podem ser reduzidos, assim como a ação educativa pode ser
organizada de modo a construir processos de compensação, no sentido dado
por Vygotski a esse conceito.

As investigações realizadas produziram resultados relevantes


convergentes com as seguintes direções: 1) para que o desenvolvimento
psicológico ocorra é necessária a interação de condições biológicas, sociais,
culturais e psicológicas, de modo este desenvolvimento é resultado ou
conseqüência e produto da dinâmica complexa entre riscos biológicos,
psicológicos e sociais; 2 ) uma criança com riscos biológicos para seu
desenvolvimento pode apresentar problemas no seu processo evolutivo
quando a mesma se encontra sob a influencia dos riscos sociais e psicológicos.

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Arias Beatón, Tejeda Garcia e Davila Torres (2009) no curso sobre ¨ La


família potenciadora: educadora por excelência¨ ministrado no VIII Encuentro
Internacional de Educación Inicial y Preescolar, definem risco psicológico como
aqueles que resultam da dificuldade da família cumprir sua função educativa.
Existem diferentes condições que impedem a família de cumprir sua função
educativa. No nosso contexto os riscos sociais e psicológicos parecem ser os
mais prováveis e que mais afetam o desenvolvimento das crianças.

As pesquisas realizadas com crianças cubanas demonstram algumas


características daquelas famílias que podem ser consideradas potenciadoras,
categoria e designação dada pelos pesquisadores, a partir dos dados
encontrados nas famílias observadas e entrevistadas. No nosso contexto
encontramos algumas características de famílias potenciadoras que coincidem
com as características encontradas no contexto cubano.

Uma das características encontradas que pode ser classificada como


indicador macrossocial refere-se ao grau de escolaridade dos pais. Os pais que
se mostravam potenciadores tinham mais de 12 anos de escolarização. Este
dado é importante no sentido de pensar políticas públicas. Certamente, dada a
complexidade do desenvolvimento, nenhum dos indicadores encontrados pode
isoladamente evidenciar uma família potenciadora. Encontramos, por exemplo,
em algumas entrevistas pais que tem um grau universitário e que não se
constituem em promotores, na medida em que outras condições não estão
presentes. As condições materiais da moradia e da vida também foram
encontradas como indicadores da possibilidade da família promover o
desenvolvimento e incluem-se na ordem dos indicadores macrossociais. As
condições materiais da moradia e da vida como indicador de famílias
potenciadoras refere-se principalmente à possibilidade de organização dos
recursos existentes, mais do que a quantidade ou o caráter luxuoso destes
recursos. Certamente existe um mínimo de recursos necessários para a vida e
se a família pode dispor de maiores recursos a tarefa de cumprir a função
educativa fica mais facilmente atendida, O que queremos destacar ou assinalar
é a crença, em geral generalizada, de que as camadas menos favorecidas
economicamente da população são aquelas que não podem produzir o
desenvolvimento do sujeito. Como no indicador anterior, as condições materiais
isoladamente não explicam a possibilidade que a família apresenta de cumprir

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sua função educativa e promover o desenvolvimento do sujeito. Encontramos


ainda famílias com condições materiais bastante favoráveis e que não são
promotoras de desenvolvimento.

Outra condição encontrada nas famílias promotoras, do grupo cubano,


era a incorporação ativa da mãe no universo do trabalho. Esta condição estava
relacionada com o fato da mulher trabalhadora no contexto cubano contar com
uma rede social de apoio, como, por exemplo, a possibilidade dos filhos serem
atendidos em um circulo infantil, instituição correspondente às nossas
instituições de educação infantil. As investigações a respeito deste indicador
demonstravam que as mães trabalhadoras tinham a oportunidade de, no seu
trabalho, conversar com outras mães a respeito da educação dos próprios
filhos.

Siverio Gomes (2002) descreve um programa chamado Educa tu hijo,


organizado para aquelas famílias cujos filhos não estão em círculos infantis.
Educa tu hijo é organizado como um programa para ajudar a família a
desempenhar sua função educativa, fundamentando-se na importância dos
anos iniciais da vida para o desenvolvimento da criança.

Condições materiais de vida, escolaridade dos pais, incorporação ativa


da mãe no mundo do trabalho são indicadores macro – sociais relevantes que
podem orientar políticas públicas.

Os pais promotores de desenvolvimento demonstram participação ativa


no processo educativo dos filhos, intencionalidade nas suas ações e diálogo
com outras instituições sociais que, de forma cooperativa, podem participar no
processo educativo destas crianças. Esta condição de participação ativa e de
intencionalidade pode ser resultante da concepção de desenvolvimento
humano construída pelos pais. Os estudos revelam que pais potenciadores
demonstram uma concepção de desenvolvimento humano próxima daquela
apresentada pelo enfoque histórico-cultural. Para esta concepção o
desenvolvimento é um processo complexo que resulta da interação dinâmica
entre as condições biológicas, sociais e culturais. Nesta concepção ou
explicação, o psíquico não é uma resultante direta da maturação das condições
biológicas, não se constituindo em um processo espontâneo. Se o processo
não se dá de forma espontânea, não sendo uma resultante direta das

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condições biológicas que se constituem em condições de mediação e não de


causas lineares, então a intencionalidade dos educadores e a organização de
condições estimuladoras nos anos iniciais da vida da criança são fundamentais
para a promoção do seu desenvolvimento.

Quando acreditamos que a criança precisa, primeiro se desenvolver,


para depois aprender, esperamos que ela alcance determinada idade para
começar uma estimulação sistemática e oferecida de modo consistente. Nesta
perspectiva o ensino fundamental é mais valorizado que a educação infantil,
sendo que a ultima ganha um caráter principalmente de socialização ou de
atenção à criança quando a mãe precisa trabalhar. Essa discussão remete à
questão da identidade da educação infantil, discussão que vai além do foco
desta unidade, ainda que estreitamente relacionada com o mesmo. As
concepções que os pais construíram sobre o desenvolvimento humano pode
ser o resultado da escolarização dos mesmos, assim como podem ter sido
construídos a partir de sua experiência com crianças ou com os próprios filhos.
Um grau maior de escolarização permite que os pais possam verbalizar essa
concepção de modo mais claro.

Outra condição observada em famílias potenciadoras refere-se ao estilo


educativo adotado pelos pais que inclui a possibilidade de dispersão de
autoridade existente no grupo familiar e a participação da criança na vida
doméstica. Quando as regras e decisões são tomadas de modo conflitante e
discordante entre os membros da família, o que pode incluir pais, avós e
eventualmente outros membros, a autoridade se dispersa, resultando situações
de confusão e desorientação dos componentes do grupo familiar. As crianças
são muitas vezes poupadas da vida doméstica, assim como das dificuldades
que a família enfrenta. Não se trata de violentar a criança com situações que
ela não tem recursos para enfrentar, mas considerar que a vida doméstica
apresenta uma quantidade considerável de situações estimuladoras para as
crianças e que a proteção excessiva das mesmas pode ser uma forma de
impedir seu desenvolvimento.

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Os estudos mencionados anteriormente demonstraram que o


desempenho da função educativa por parte dos pais está intimamente
relacionado com o processo de desenvolvimento dos próprios pais, tomando
em consideração a educação que estes receberam na sua família de origem. A
condição mais significativa deste processo histórico são as vivências dos pais
em relação à sua família de origem o que lhes permite atribuir um sentido
pessoal aos fatos.

Os estudos demonstravam que alguns pais, a partir de uma relação de


ajuda, podiam ser pais potenciadores, enquanto outros não se transformavam
em pais potenciadores. A condição relacionada com esta possibilidade de
mudança era o grau de elaboração de conflitos existentes em relação às
famílias de origem. Quando os pais demonstravam possibilidade de elaborar
os conflitos existentes em relação às famílias de origem, ou seja, quando estes
pais podiam desenvolver uma ¨ crítica tolerante ¨ em relação à sua família
de origem e seus pais, existia maior probabilidade de que eles se
transformassem em pais potenciadores. Os pais que demonstravam cargas
afetivas intensas relacionadas com vivencias negativas precisavam de ajuda
maior para que pudessem ser potenciadores. Neste caso um trabalho de
orientação não se mostrava suficiente para produzir mudanças. Quando os
pais não puderam elaborar seus conflitos com a família de origem, construindo
uma crítica tolerante, eles mostram-se muito críticos em relação à educação
que receberam, mas repetem com os filhos as mesmas condições que
criticavam em seus pais.

As investigações realizadas no grupo cubano permitem organizar as


categorias de pais potenciadores, pais semipotenciadores e pais não
potenciadores.

Pais potenciadores são aqueles que se encontram preparados para


desempenhar sua função educativa desde o nascimento dos filhos, possuindo
concepções adequadas sobre o desenvolvimento infantil e sobre o processo de
estimulação da criança. A partir desta base realizam ações e usam métodos
educativos adequados, de modo sistemático, planejado, consciente e
intencional. Elaboram métodos educativos a partir de uma análise
compreensiva e flexível que lhes permite diferenciar os aspectos positivos e

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negativos da educação que receberam, assim como revivenciar e resignificar


aqueles fatos e situações negativas que influenciaram seu desenvolvimento
pessoal. Esta análise conduz à elaboração dos conflitos existentes em relação
à família de origem, ao desenvolvimento de uma crítica tolerante em relação
aos próprios pais. Os pais potenciadores podem, a partir de uma compreensão
adequada do desenvolvimento infantil, organizar a ação educativa de um modo
flexível, levando em consideração as características e necessidades da
criança.

Pais semipotenciadores são aqueles que se encontram parcialmente


preparados para o desempenho de sua função educativa desde o nascimento
dos filhos. Possuem concepções adequadas ou parcialmente adequadas sobre
o desenvolvimento infantil e sobre o processo de estimulação dos filhos, o que
leva a realizar ações que permitem promover o desenvolvimento dos filhos em
algumas áreas, mas não estimulam outras. Este processo educativo ocorre
com certo grau de consciência e com certa sistematicidade por parte dos pais.
Estes pais tendem a superar parcialmente ou reproduzir os modelos educativos
vivenciados em sua família de origem.

Pais não potenciadores são aqueles que em geral não se encontram


preparados para desempenhar sua função educativa desde o nascimento de
seus filhos. Possuem concepções inadequadas ou parcialmente adequadas
sobre o desenvolvimento psíquico infantil e sobre o processo ou modo de
estimular o mesmo. As ações educativas realizadas por estes pais não são
conscientes, sistemáticas ou planejadas, assim como não estão orientadas a
partir da influência que podem exercer no desenvolvimento psicológico integral
de seus filhos. Estas crianças apresentam, em geral, um grau de
desenvolvimento inferior àquele esperado para sua idade cronológica. Estes
pais reproduzem os modelos educativos adotados por suas famílias de origem
com uma conotação negativa, não sendo capazes de organizar um novo
modelo educativo a partir da crítica tolerante ao modelo educativo da família de
origem.

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Família : primeira e permanente educadora

Dr. Guillermo Arias Beatón


Tradução: Dra Laura Marisa Carnielo Calejon

Em primeiro lugar queria agradecer a oportunidade de apresentar brevemente


meus sonhos e utopias, meu modo de pensar a família e seu papel na educação e na
promoção do desenvolvimento infantil. Estes sonhos tiveram seus antecedentes no
fato de ter sido criado em uma família de professores e educadores e ter um pai que
sempre demonstrou amor pelo conhecimento, pela matemática e pelo ofício de
professor.

Essas circunstancias me levaram a estudar Psicologia, produzindo o interesse


em trabalhar por uma Psicologia Educacional de modo que me permitisse ajudar as
crianças a aprender e alcançar o melhor desenvolvimento possível.

Durante o curso de Psicologia recebi influencia de um professor que foi muito


importante na minha formação, o Dr. Juan Guevara Valdés que me estimulou para
trabalhar com a Psicologia Clínica, mas insistia, sobretudo, nos processos educativos
subjacentes ao clínico e na importância dos conteúdos culturais na formação humana,
incluindo algum tipo de alteração que necessitava de psicologia clinica. Dr. Guevara
era portador de uma cultura oriunda da integração crítica do conhecimento dos nossos
primeiros pensadores, do conhecimento acumulado pela Psicologia mundial e das
concepções do materialismo histórico e dialético.

Estes dois pilares em sua interdependência cognitiva complexa,


essencialmente afetiva e emocional; pelas relações afetivas com minha família, meu
pai e Guevara, foram os conteúdos essenciais da mediação que me marcou, levando-
me à convicção de que quando conseguimos um bom processo educativo na família,
na escola e em toda a sociedade, podemos evitar casos clínicos, incluindo aqueles
que socialmente se mostram inaceitáveis, podendo chegar a corrigir ou compensar.
Todo este processo é bastante complexo, dialético, cheio de incertezas e erros, ainda
que também carregado de êxitos.

Por isso, entre outras tarefas realizadas na minha atividade profissional e


científica, durante todos estes anos, sempre acreditei que o trabalho educativo não é
só importante, mas transcendente e quando realizada corretamente pode produzir
resultados muito positivos em relação à formação e desenvolvimento das pessoas.

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Por isso, desde os anos 70, tenho pensado que se as famílias preparam-se de
modo mais adequado e consciente e com plenitude para educar seus filhos, então as
pessoas poderiam chegar a alcançar melhores aprendizagens e um desenvolvimento
psicológico, social e cultural mais adequado e integral.

Paralelamente pude perceber que nossas origens estão bastante conectadas


com as proposições do Enfoque Histórico – Cultural que considera que para a
educação ser essencialmente humana e boa é necessário que esta ocorra na família,
na escola e na sociedade como um todo.A escola não serve apenas para formar as
pessoas de modo instrumental ou para preparar as mesmas como mão de obra
eficiente para produzir mercadoria e capital, desvio sofrido pela educação a partir de
concepções pragmática e funcionalista do desenvolvimento, consolidadas por idéias e
conceitos desenvolvidos pela perspectiva comportamental e cognitivo –
comportamental.

Além disso, tenho percebido, de um modo mais explícito e fundamentado, que


a educação, o ensino e a aprendizagem conduzem e produzem o desenvolvimento
humano, o que está, na minha percepção, implicitamente contido no fazer e pensar
dos nossos primeiros pensadores que acreditavam que a educação formaria homens e
mulheres com a consciência necessária para chegar a dar suas vidas para conquistar
a independência e autonomia de Cuba em relação a Espanha. A vivencia de liberdade;
independência e autonomia; de identidade nacional e cubania; de pensamento crítico
é um conteúdo psicológico porque é um conteúdo pessoal, porém de natureza social e
cultural, construído e produzido historicamente, processo no qual participou a
educação dirigida pelos primeiros pensadores, pelo ser e fazer de milhões de cubanos
que se conserva até nossos dias como uma tradição cultural do nosso povo.

Também aprendi que pais, mães, professores, assim como os grupos e todas
as pessoas são em grau maior ou menor grau portadores de cultura, de
conhecimentos, de formas ou vias para obter esses conhecimentos e que sem eles
não existe continuidade da sociedade humana, sem eles as crianças não se
transformariam nos adultos que pudessem assegurar a continuidade do processo
histórico da humanidade.

Freud formulou e insistiu, ainda que não tenha sido explicitado, que sua melhor
e maior descoberta consistia na demonstração de que as pessoas que com algum tipo
de afecção em sua subjetividade aliviam-se ou se curam, mediante a terapia analítica,
conseguindo tornar o inconsciente como consciente. Alguma coisa semelhante ao que
a educação deveria produzir na formação e no desenvolvimento da consciência
humana.

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Por tudo isto identificar a família como a primeira e permanente educadora


resultou e constituiu-se em um tema e um problema de grande relevância para o
passado, presente e, sobretudo para o futuro, no sentido de organizar uma educação
de maior qualidade e para o desenvolvimento mais adequado do ser humano.

As perguntas que orientavam nossa utopia eram: A família é per si uma


instituição ou um grupo educativo? Que condições permitem à família ou facilitam que
a família constitua-se na primeira e permanente educadora das futuras gerações?
Como a família pode chegar a constituir-se como primeira e permanente educadora?

O trabalho realizado por mais de 30 anos com famílias cubanas e ultimamente


também com famílias brasileiras, levou-me a perceber que os integrantes da família
podem ser considerados como bons educadores e potenciadores do desenvolvimento
quando tem plena consciência do seu papel e conseqüentemente crenças e
concepções adequadas, considerando que seu trabalho educativo, a influencia e a
estimulação a seus filhos pode promover um bom desenvolvimento da independência
e autonomia destes. Este resultado pode ser obtido quando são realizadas ações
sistemáticas e bem organizadas capazes de assegurar a auto-suficiência, o que
permite que nestas crianças os conteúdos, estruturas cognitivas, afetivas e volitivas se
desenvolvam de modo adequado.

Estes pais e mães mobilizam-se constantemente na busca daqueles


conhecimentos necessários e que lhes permitam realizar, a cada dia, seu trabalho
educativo de modo mais adequado. Estas famílias, quando avaliam que existem
problemas ou dificuldades consultam outros pais, avos ou especialistas que possam
ajudar a resolver seus problemas. Estas famílias não delegam sua função educativa
para a escola, porque compreendem que a atividade desta é complementar e
enriquecedora em relação a atividade que eles realizam em casa. Por essa razão, não
deixam de trabalhar com a escola de modo conjunto para conseguir a melhor
educação para seus filhos.

Às vezes o que podemos observar, com família da zona rural estudadas, é que,
ainda que elas não possam enunciar suas concepções sobre educação e o
desenvolvimento infantil, elas podem realizar as ações de estimulação e de educação
com organização e sistematicidade, de modo a permitir a formação e o
desenvolvimento dos conteúdos psicológicos necessários nas idades
correspondentes.

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De modo geral, as famílias potenciadoras são encontradas com maior


freqüência e regularidade entre aquelas que apresentam maior nível educacional, em
que as mães, assim como os pais, tem uma participação social e laboral ampla na
comunidade e compartilham algum tempo de atenção com seus filhos. As melhores
condições matérias da casa, que incluem condições de higiene e organização interna
do espaço, ainda que este seja limitado, também se mostram como condições de
apoio para a realização do trabalho educativo por parte da família.

Pai e mãe potenciadores em um caso estudado, no contexto brasileiro,


demonstraram ser capazes de avaliar como o desconforto emocional e afetivo,
resultantes dos conflitos que receberam com suas famílias de origem poderia afetar o
sistema de relações com seus filhos, prejudicando sua tarefa educativa. Frente a essa
consciência e conhecimento solicitavam ajuda psicológica, podendo atuar como pais
potenciadores.

Os estudos realizados adotaram a metodologia de investigação – ação, de


estudos de caso em profundidade e ultimamente estudos de natureza epidemiológica.

Em Cuba, apesar de certa imprecisão dos dados, podemos constatar que em


determinadas condições macro-sociais (escolarização da população de mais de 12
anos, um índice de analfabetismo de 0,2%, alta incorporação laboral das mães e apoio
da sociedade para que elas possam realizar estas duas funções sociais, com 99% das
crianças freqüentando programas de educação inicial e pré-escolar, com índices de
divorcio em torno de 50%, com um vínculo satisfatório entre a família e a escola, entre
outras) a proporção de famílias potenciadoras é de 23 a 25% no grupo estudado,
enquanto 57 a 60% das famílias apresentam-se como semi-potenciadoras e 17 a 15%
das famílias mostram-se como não potenciadoras, necessitando de atenção
psicoterapêutica. Estes dados assinalam a importância do trabalho interdisciplinar em
relação à família.

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Anotações
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