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Paradigma ético-estético

Conceitos básicos em Foucault

Psicologia Social I

Profa. Mára Lúcia Carneiro


UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Foucault questiona...

 Psicologia se ancorava no modelo das ciências


da natureza
Naturalização dos fenômenos
 Busca da objetividade e métodos de análise
 Ênfase naquilo que diferenciava o homem e
não no que o tornava igual a qualquer ser
vivo.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Para Foucault, sujeito é

• Sujeito a alguém (pela submissão,


controle e dependência).

• Sujeito a si mesmo (preso a sua


própria identidade, àquilo que o
submete a um determinado tipo de
relação consigo).

Profa. Mára Lúcia Carneiro


UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Disciplina como tecnologia
Estas duas definições pressupõem:
 uma tecnologia específica do poder que
subjuga o sujeito a alguém ou a si mesmo;
 uma tecnologia de poder voltada para a
produção de uma verdade do/no próprio
indivíduo que expressa uma política de
individualização.

Disciplina

Profa. Mára Lúcia Carneiro


UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Constituição do sujeito
Sujeito é um objeto historicamente
constituído a partir de determinações que lhe
são exteriores:

• Constituição de um campo de saberes sobre


o sujeito

SABER → regras codificadas a partir da


relação entre formas

Profa. Mára Lúcia Carneiro


UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Constituição do sujeito

Sujeito é um objeto historicamente


constituído a partir de determinações que lhe
são exteriores:

• Práticas de dominação e estratégias de


governo para submeter os indivíduos;

PODER → regras coercitivas a partir da


relação de forças entre forças

Profa. Mára Lúcia Carneiro


UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Constituição do sujeito

Sujeito é um objeto historicamente


constituído a partir de determinações que lhe
são exteriores:
• Tecnologias de si (trabalhar a relação que liga
o indivíduo a ele mesmo).

PODER SOBRE SI MESMO


(“dobra”)
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UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Subjetividade

Refere-se ao modo como o sujeito faz a


experiência de si mesmo no jogo de
verdades que produz:
 os campos de saber,
 as estratégias de poder e
 as técnicas de si que caracterizam uma
determinada formação histórica.

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Subjetividade

Corresponde à criação de um determinado território


existencial que não é nem fixo nem imutável, mas
em constante processo de produção.

Estamos sempre construindo novos territórios e


desmanchando aqueles que não dão mais conta da
nossa experiência no mundo. (SILVA, 2003)

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Processos de Subjetivação

 Modo pelo qual se constituem


determinadas formas de relação consigo e
com o mundo em um contexto histórico
específico.
 Cada formação histórica produz uma experiência
subjetiva singular definindo nossos modos de
pensar, agir e sentir.
 Associada a ideia de Foucault de “estética da
existência”. (SILVA, 2003)
Profa. Mára Lúcia Carneiro
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Segundo Foucault

 A produção de conhecimentos é pensado


como esfera política;
 Ciência é pensada como constituinte das
práticas culturais
 Cultura é entendida como constituinte
dos sujeitos.
 Muda o modo de pensar o que é sujeito!

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Como nos tornamos sujeitos?

1° Objetivação do sujeito
 do discurso (filologia/lingüística);

 que trabalha (análise das riquezas/economia), e a

 pelo simples fato de ele estar vivo (história natural/biologia).

2° Objetivação do sujeito pelas práticas


divisoras (louco x são; doente x sadio).

3° Objetivação do sujeito a partir de uma


reflexividade do sujeito sobre si mesmo (como o ser

humano aprendeu a se reconhecer como sujeito de uma sexualidade).

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Na perspectiva do
paradigma ético-estético

Moral
 Costume, hábito.

 Conjunto de valores instituídos que expressam


normas, preceitos e regras de conduta em uma
sociedade, definindo o que é certo, errado, justo,
injusto, permitido, proibido.
 Têm uma origem religiosa, política, econômica,
portanto, cultural.

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Na perspectiva do
paradigma ético-estético

Ética:
 não fica reduzida à ideia de Moral,

 relacionada a um modo de ser e habitar o mundo.

Modo como o indivíduo se constitui a si


mesmo, como um sujeito moral de suas
próprias ações.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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E como nos constituímos como sujeitos
éticos?

 Tecnologias de si: trabalhar a relação que liga


o indivíduo a ele mesmo.
 Noção de cuidado de si e dos outros.
 Liberdade como ética do cuidado de si.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Na perspectiva do
paradigma ético-estético

Estética: campo de experimentação da subjetividade


onde a Arte é tomada como expressão das formas de
resistência e criação:
 resistência às formas de assujeitamento e dominação a
que estamos submetidos e a que muitas vezes
submetemos os outros, e
 criação permanente de novos modos de existência.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Estética da Existência

Práticas refletidas e voluntárias através das quais os


homens não só se fixam regras de conduta, como
também procuram se transformar, modificar-se em
seu ser singular e fazer de sua vida uma obra
que seja portadora de certos valores estéticos e
responda a certos critérios de estilo.
(FOUCAULT, 1984, p.14).

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Paradigma Paradigma
Positivista ético-estético

raiz, origem rizoma


Profa. Mára Lúcia Carneiro
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Paradigma ético-estético

Objeto da Psicologia
 modo como um determinado conjunto de
práticas sociais produz uma certa forma
de relação consigo e com o mundo;
 forma pela qual um determinado modo
de subjetivação produz certos
territórios existenciais.

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Paradigma ético-estético

Conhecer é:
 inventar um campo de problematização
a partir de uma desnaturalização das
dicotomias
indivíduo x sociedade
sujeito x objeto
homem x natureza
 recriação permanente do campo investigado

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Paradigma ético-estético

 Sujeito e objeto não são tomados como


realidades que preexistem à produção do
conhecimento
 0 que vem antes é a relação, pois é ela que
constitui os termos.

Sujeito objeto

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Paradigma ético-estético

Nossa ação no mundo é orientada por valores


de afirmação e expansão da potência do
outro e visa à crítica permanente das
formas de captura e assujeitamento da
experiência subjetiva contemporânea.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Paradigma ético-estético

 Ética: forma de habitar o mundo instaurando


uma atitude de crítica permanente de nosso ser
histórico e dos valores que conduzem nossas
ações.
 Subjetivação: processo pelo qual se produz um
determinado tipo de relação consigo e com o
mundo (produção de modos de existência) que
varia conforme uma determinada época.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Paradigma ético-estético

Esta dimensão ético-estética refere-se,


portanto, aos valores que constituem
nossas ações no mundo (o modo de
conduzir-se e de habitar o mundo) e à
recriação permanente de nossa própria
existência como uma obra de arte.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Estratégias Foucaultianas para uma
outra Psicologia
 Problematizar os modos de ser, pensar e agir que nos
constituem, propondo uma recusa das formas
identitárias hegemônicas que fixam a nossa
subjetividade;
• Produzir uma ruptura das evidências nas quais se
apoiam nossos saberes e práticas (estranhamento do
que é familiar);
• Colocar em questão as relações de força e os jogos
de verdade que produzem nossa subjetividade;
Profa. Mára Lúcia Carneiro
UFRGS – Institituto de Psicologia, fevereiro 2021
Estratégias Foucaultianas para uma
outra Psicologia

• Crítica a todas as categorias transcendentes que


amarram a nossa subjetividade a determinados
valores tidos como universais;

• Diferenciar o que já não somos e o que estamos


em vias de nos tornar (ideia de criação
permanente e de provisoriedade dos territórios
subjetivos);

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Estratégias Foucaultianas para uma
outra Psicologia

• Recurso à experiência, não para encontrar uma


significação desta experiência no próprio sujeito
(fenomenologia), mas para arrancar o sujeito de si
mesmo (empreendimento de des-subjetivação);

• Des-subjetivação: descolar-se de si, mostrando


que somos mais livres do que pensamos ser.

Profa. Mára Lúcia Carneiro


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Referências
CANTO-SPERBER, Monique. Dicionário de Ética e Filosofia Moral. v. 1 e 2. São
Leopoldo, UNISINOS, 2005.
DELEUZE, G. Conversações. São Paulo: Ed. 34, 1992.
FOUCAULT, M. História da sexualidade 2: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro:
Edições Graal, 1984.
GUARESCHI, N.; HUNING,S. Efeito Foucault: desacomodar a psicologia. In:
GUARESCHI, N.; HUNING,S. (org). Foucault e a Psicologia. Porto Alegre,
ABRAPSO Sul, 2005. p.107-127.
NARDI, H. Ética, trabalho e subjetividade. Porto Alegre: Editora da UFRGS,
2006.
NARDI, H.; SILVA, R. Ética e subjetivação: as técnicas de si e os jogos de verdade
contemporâneos. In: GUARESCHI, N.; HUNING,S. (org). Foucault e a Psicologia.
Porto Alegre, ABRAPSO Sul, 2005. p. 93-106.
SILVA, Rosane Neves da. Ética e paradigmas:desafios da Psicologia Social
contemporânea. In: PLONER, K. (org). Ética e paradigmas na psicologia
social. Porto Alegre, ABRAPSOSUL, 2003.

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