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Sandra Mara Dobjenski

DIREITO PENAL – REVISÃO TURBO

ABOLITIO CRIMINIS
*Quando vem uma lei posterior que deixa de considerar aquele fato criminoso – a lei
vai abolir do ordenamento jurídico aquele fato como sendo criminoso.
EFEITOS DA ABOLITIO CRIMINIS
1. Fato deixa de ser crime
2. Cessam todos os efeitos penais – se o sujeito eventualmente foi condenado
por um fato que deixou de ser crime a sentença condenatória não gera mais
nenhum efeito.
Art. 2º CP - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-
se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada
em julgado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
3. Permanecem os efeitos na esfera cívil – Carlos sedutor seduziu uma mulher
virgem menor de 18 anos e maior de 14 anos a ter com ele conjunção carnal
– ele realizou este ato em 2004 (previsão no art. 217 CP) – veio uma lei
posterior a lei 11106/2005 que entrou em vigor em 28 de março de 2005 e
aboliu o crime de sedução – cessam os efeitos penais – Carlos comete um
novo crime de furto (Art. 155 CP) em 2007 – Carlos é reincidente? Não
porque cessam os efeitos penais da sentença condenatória.
Se a menina deseja buscar na esfera cívil indenização por danos morais – pode
ocorrer, visto que os efeitos extra penais permanecem.
4. Causa de extinção de punibilidade
XXXVI Exame da OAB – 2018 - Jorge foi condenado, definitivamente, pela prática
de determinado crime, e se encontrava em cumprimento dessa pena. Ao mesmo
tempo, João respondia a uma ação penal pela prática de crime idêntico ao cometido
por Jorge. Durante o cumprimento da pena por Jorge e da submissão ao processo
por João, foi publicada e entrou em vigência uma lei que deixou de considerar as
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condutas dos dois como criminosas. (Abolitio Criminis) Ao tomarem conhecimento


da vigência da lei nova, João e Jorge o procuram, como advogado, para a adoção
das medidas cabíveis.
Com base nas informações narradas, como advogado de João e de Jorge, você
deverá esclarecer que
A não poderá buscar a extinção da punibilidade de Jorge em razão de a sentença
condenatória já ter transitado em julgado, mas poderá buscar a de João, que
continuará sendo considerado primário e de bons antecedentes.
B poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, fazendo cessar todos os
efeitos civis e penais da condenação de Jorge, inclusive não podendo ser
considerada para fins de reincidência ou maus antecedentes.
C poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, fazendo cessar todos os
efeitos penais da condenação de Jorge, mas não os extrapenais.
D não poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, tendo em vista que os
fatos foram praticados anteriormente à edição da lei.
CRIME PERMANENTE – NO CONTEXTO DE LEI NOVA
*A execução e a consumação se prolongam no tempo
*Ex.: Extorsão mediante sequestro – Art. 159 CP
Art. 159 CP - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem,
qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate: Pena - reclusão, de seis a
quinze anos, e multa, de cinco contos a quinze contos de réis.
*O sujeito quando sequestrou a vítima com a intenção de postular resgate –
enquanto a vítima estiver em poder do sequestrador, aquele crime está em franca
permanência, franca execução e consumação – nesse caso pode ocorrer a prisão
em flagrante.
SÚMULA 711- STJ
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME
PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA
CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.
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*Imagine que na data do sequestro a lei previa uma pena de 08 a 15 anos para o
crime de extorsão mediante sequestro – no dia 10/05/2019 quando a vítima foi
sequestrada a pena do Art. 159 CP era de 08 a 15 anos – vem uma lei nova no dia
18/05/2019 e passa a estabelecer que a pena do crime de extorsão mediante
sequestro ficou mais grave passando para 10 a 20 anos – a vítima foi resgatada no
dia 25/05/2019 – no contexto de crime permanente ou continuado – a lei nova entrou
em vigor antes de cessar a permanência do crime – dessa forma aplica-se a lei nova
ainda que mais grave, pois entrou em vigor enquanto o crime estava sendo
praticado.
*NO CASO DE CRIME PERMANENTE QUANDO SOBREVIER UMA LEI NOVA
ENQUANTO O DELITO ESTIVER EM FRANCA PERMANÊNCIA – ESSA LEI VAI
INCIDIR SOBRE O DELITO AINDA QUE ELA SEJA MAIS GRAVOSA.
XIII Exame da Ordem – 2014 - Considere que determinado agente tenha em
depósito (crime permanente) (enquanto estiver em depósito o crime está sendo
praticado), durante o período de um ano, 300 kg de cocaína. Considere também
que, durante o referido período (enquanto estava em depósito a droga), tenha
entrado em vigor uma nova lei elevando a pena relativa ao crime de tráfico de
entorpecentes. Sobre o caso sugerido, levando em conta o entendimento do
Supremo Tribunal Federal sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
A Deve ser aplicada a lei mais benéfica ao agente, qual seja, aquela que já estava
em vigor quando o agente passou a ter a droga em depósito.
B Deve ser aplicada a lei mais severa, qual seja, aquela que passou a vigorar
durante o período em que o agente ainda estava com a droga em depósito.
C As duas leis podem ser aplicadas, pois ao magistrado é permitido fazer a
combinação das leis sempre que essa atitude puder beneficiar o réu.
D O magistrado poderá aplicar o critério do caso concreto, perguntando ao réu qual
lei ele pretende que lhe seja aplicada por ser, no seu caso, mais benéfica.
TEMPO DO CRIME
Art. 4º CP - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda
que outro seja o momento do resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
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1. Norma incidente na hora do desenvolvimento da conduta


2. Norma quando surgiu o resultado
*Ex.: Pedro com 17 anos 11 meses e 29 dias de idade efetuou disparo de arma de
fogo contra Maria, ficando esta lesionada e sendo levada para o hospital e vindo a
falecer uma semana após – (no momento da conduta Pedro era adolescente –
aplica-se nessa situação teoricamente as medidas do ECA – apuração de atos
infracionais, sendo possível a aplicação de uma medida sócio educativa –
considerando o momento da atividade) ou se considerando que se aplicará o CP de
forma a se considerar o momento do resultado – Pedro será submetido a um
processo criminal cuja pena pode chegar de 06 a 20 anos – EM RELAÇÃO AO
TEMPO DO CRIME VAI SE CONSIDERAR A NORMA PRESENTE NA CONDUTA
DO SUJEITO CONSIDERANDO O TEMPO DA AÇÃO OU OMISSÃO – APLICA-SE
A TEORIA DA ATIVIDADE.
LUGAR DO CRIME
Art. 6º CP - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou
omissão (contexto da atividade), no todo ou em parte, bem como onde se produziu
ou deveria produzir-se o resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
(resultado) – junção da teoria a atividade e do resultado = teoria da ubiquidade
ou teoria mista.
Aplicação da lei penal brasileira
Crimes a distância – a conduta foi desenvolvida em um determinado país, mas o
resultado ocorreu em outro país.
Ex.: Conduta ocorreu em país A e o resultado em uma país B – Paulo, residente no
Brasil, possui um inimigo na Argentina e resolve mandar uma carta tóxica para
Pedro que reside na Argentina – Pedro ao abrir a carta tóxica fica intoxicado vindo a
falecer – CONDUTA OCORREU NO BRASIL, MAS O RESULTADO INCIDIU NA
ARGENTINA – É POSSÍVEL A INCIDÊNCIA DA LEI PENAL BRASILEIRA.
Pedro remeteu a carta tóxica da Argentina (conduta ocorreu na Argentina) e o
resultado ocorreu no Brasil – APLICA-SE A LEI BRASILEIRA.
*EM RELAÇÃO AO LUGAR DO CRIME APLICA-SE A TEORIA DA UBIQUIDADE.
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MACETE: L(lugar do crime)U( teoria da ubiquidade)T (tempo do crime) A (teoria


da atividade)
CRIMES OMISSIVOS (os tipos penais descrevem uma conduta ativa, uma ação)
1. Próprios – tipo penal específico ficou descrevendo a conduta omissiva –
sujeito tem o dever de agir – se o sujeito deixar de agir adotando uma postura
omissiva responderá por aquele crime omissivo em decorrência da postura
omissiva. Ex.: Crime de omissão de socorro – Art. 135CP - Deixar de prestar
assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou
em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da
autoridade pública: (o próprio tipo penal descreve a conduta omissiva)
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta
lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
*Há um tipo penal específico
*Dever de agir
Ex.: Pedro está vindo pela rua e se depara com alguém que está gravemente
ferido por conta de um acidente, do qual ele havia sido vítima – Pedro não presta
socorro.
2. Impróprios – situação em que o sujeito ele tem o dever de agir e de evitar o
resultado – se ocorrer a omissão o sujeito responde pelo resultado produzido
– quem tem o dever de agir é aquele em que a lei impõem o dever de
cuidado, proteção e vigilância ou na condição de garantidor o sujeito assumiu
a responsabilidade de evitar o resultado ou se o sujeito criou risco na
produção do resultado.
Art. 13 CP - § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e
podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela


Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (pais em relação aos filhos – se em determinado
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momento o filho se encontrar em uma situação de risco e o pai ou a mãe se


omitirem – o pai ou a mãe responde pelo resultado produzido)(Uma mãe
querendo a morte do filho recém nascido, ela deixa de amamentar a criança
– não está em estado puerperal – até levá-lo a morte – a conduta omissiva
da mãe faz com que ela responda pelo resultado produzido – responde pelo
crime de homicídio qualificado) (mãe que é responsabilizada pelo estupro
de vulnerável, em decorrência de sua omissão - por saber que o
companheiro abusava sexualmente da criança e a mãe nada fez)

b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o


resultado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (sujeito se colocou na
posição de garantidor) (Salva vidas que começa a olhar os atributos físicos
das meninas, ficando de costas para a piscina e uma criança se afoga – o
salva vidas se omitiu – o salva vidas responde pelo resultado produzido –
homicídio culposo)

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do


resultado. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

XXVIII Exame da OAB – 2019 - David, em dia de sol, levou sua filha, Vivi, de 03
anos, para a piscina do clube. Enquanto a filha brincava na piscina infantil, David
precisou ir ao banheiro, solicitando, então, que sua amiga Carla, que estava no local,
ficasse atenta para que nada de mal ocorresse com Vivi. Carla se comprometeu a
cuidar da filha de David.
Naquele momento, Vitor assumiu o posto de salva-vidas da piscina. Carla, que
sempre fora apaixonada por Vitor, começou a conversar com ele e ambos ficam de
costas para a piscina, não atentando para as crianças que lá estavam.
Vivi começa a brincar com o filtro da piscina e acaba sofrendo uma sucção que a
deixa embaixo da água por tempo suficiente para causar seu afogamento. David vê
quando o ato acontece através de pequena janela no banheiro do local, mas o fecho
da porta fica emperrado e ele não consegue sair. Vitor e Carla não veem o ato de
afogamento da criança porque estavam de costas para a piscina conversando.
Diante do resultado morte, David, Carla e Vitor ficam preocupados com sua
responsabilização penal e procuram um advogado, esclarecendo que nenhum deles
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adotou comportamento positivo para gerar o resultado. (David, Carla e Vitor se


omitiram, só que Davi não podia agir: Art. 13, § 2º — A omissão é penalmente
relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever
de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou
vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado. David havia ficado preso pelo feixe da porta impossibilitando a sua
ação) (em relação a David não ocorre nenhuma responsabilização criminal, já
em relação a Carla que assumiu a responsabilidade de evitar o resultado e o
Vitor que na condição de salva vidas assumiu a responsabilidade de evitar o
resultado – eles serão responsabilizados criminalmente)
Considerando as informações narradas, o advogado deverá esclarecer que:
A Carla e Vitor, apenas, poderão responder por homicídio culposo, já que
podiam atuar e possuíam obrigação de agir na situação.
B David, apenas, poderá responder por homicídio culposo, já que era o único com
dever legal de agir por ser pai da criança.
C David, Carla, Vitor poderão responder por homicídio culposo, já que os três tinham
o dever de agir.
D Vitor, apenas, poderá responder pelo crime de omissão de socorro.
NEXO DE CAUSALIDADE
*Situação que envolve causa superveniente (pré-existente, absolutamente
dependente)
*Quando o sujeito desenvolve uma conduta – essa conduta via de REGRA vai
produzir um resultado – entre a conduta do sujeito e o resultado teoricamente há um
nexo de causal (conduta do sujeito que deu causa ao resultado). Pode ocorrer que
não foi a conduta do sujeito que causou o resultado, mas sim outra conduta – o
sujeito desenvolveu uma conduta só que o resultado foi ocasionado por outra causa
– e esta outra causa por si só produziu resultado, sendo chamada de
INDEPENDENTE pode ser absolutamente independente ou relativamente
independente da conduta do agente.
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*Causa absolutamente independente – não teve origem na conduta do agente –


desvinculada da conduta do agente – podendo ser:
1. Pré- existente – já existia antes da conduta do agente – Ex.: João quer matar
Pedro – estavam em um almoço de família – quando João resolve dar uma faca em
Pedro, que acabou atingindo uma região não letal, entretanto Pedro acabou vindo a
óbito, não tendo sido a facada que deu causa a morte, mas um veneno que ele
ingeriu antes da conduta de João, (veneno está desvinculado da conduta de João) –
João responderá por aquilo que deu causa – TENTATIVA DE HOMICÍDIO.
Se o sujeito tiver o dolo de LESIONAR e a vítima morreu em decorrência de um
veneno por ela ingerido antes da conduta dolosa de lesionar – agente responde pela
LESÃO CORPORAL.
2. Concomitante – existiu no exato momento da conduta do agente. Ex.:Maria
atormentou tanto José, que este resolve lhe dar uma facada e no exato momento em
que está movimentando o corpo para realizar o ato cai um lustre em cima da cabeça
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de Maria (José desenvolveu uma conduta de dar uma facada, mas o resultado morte
aconteceu em decorrência da queda do lustre) – João responderá pela TENTATIVA
DE HOMICÍDIO (se quis matar) ou LESÃO CORPORAL (se quis apenas lesionar).
3. Superveniente – surgiu depois da conduta do agente – causa independente –
causa por si só produziu o resultado. Ex.: José deu uma facada em Maria e depois
de 10 min. chega Pedro e efetua 10 disparos de arma de fogo na cabeça de Maria –
José desferiu as facadas e foi embora – os disparos de Pedro ocorreram depois da
conduta de José, sendo estes disparos que deram causa a morte de Maria – José
responderá por aquilo que deu causa – TENTATIVA DE HOMICÍDIO – se o dolo
fosse de LESIONAR, o agente responde por – LESÃO CORPORAL.
*Causa relativamente independente – teve origem na conduta do agente
1. Pré-existente – já existia antes da conduta do agente. Ex.: Pedro desferiu uma
facada em José, sendo José hemofílico, sendo que a facada atingiu numa região
não letal (a facada isoladamente não provocaria o resultado morte, mas somada a
hemofilia – desencadeou uma hemorragia que levou José a morte) – Pedro
responderá por HOMICÍDIO CONSUMADO. (adição de causas)
2. Concomitante – Ex.: Pedro desferiu uma facada em Carlos, no momento da
facada Pedro se esquiva e se dirige para o meio da rua aonde vem a morrer em
decorrência de um atropelamento – ( o que deu causa ao resultado morte foi o
atropelamento, entretanto Carlos somente foi atropelado porque Pedro estava
tentando esfaqueá-lo) – Pedro responderá por HOMICÍDIO

ART. 13, § 1º CP - A superveniência de causa relativamente


independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos
anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984) (causa superveniente relativamente independente) Ex.: Maria
desfere uma facada em Roberto, com a intenção de matar, Roberto foi colocado em
uma ambulância – e essa ambulância acabou se envolvendo em um acidente, sendo
que Roberto veio a óbito em decorrência deste acidente (causa superveniente –
ocorreu depois da conduta do agente, sendo relativamente independente porque
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teve origem na conduta de Maria) – a causa superveniente exclui a imputação


(Maria não responderá pela morte de Roberto) - Maria será responsabilizada pelos
atos anteriormente praticados – TENTATIVA DE HOMICÍDIO. Se o dolo for de
lesionar – o agente responderá por LESÃO CORPORAL.
XII – exame da ordem – 2013 - Paula, com intenção de matar Maria, desfere contra
ela quinze facadas, todas na região do tórax. Cerca de duas horas após a ação de
Paula, Maria vem a falecer. Todavia, a causa mortis determinada pelo auto de
exame cadavérico foi envenenamento. Posteriormente, soube-se que Maria nutria
intenções suicidas e que, na manhã dos fatos, havia ingerido veneno.
Com base na situação descrita, assinale a afirmativa correta.
A Paula responderá por homicídio doloso consumado.
B Paula responderá por tentativa de homicídio.
C O veneno, em relação às facadas, configura concausa relativamente
independente superveniente que por si só gerou o resultado.
D O veneno, em relação às facadas, configura concausa absolutamente
independente concomitante.
TENTATIVA
Art. 14 - Diz-se o crime:
Crime consumado:
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias
à vontade do agente.
Pena de tentativa
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.
*Tentativa = o agente dá início a execução, mas não consuma o ato por
circunstâncias alheias a sua vontade – sujeito quer o resultado, mas por
circunstancia alheia a sua vontade não consegue atingir o resultado – NATUREZA
JURÍDICA DA TENTATIVA = causa de diminuição da pena – o sujeito terá a pena
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diminuída de 1/3 à 2/3 – quando o sujeito estiver mais próximo da consumação


menor será a redução – quanto mais distante da consumação maior será a
redução. Ex.:.Paulo efetuou disparo de arma de fogo contra Carlos, atingindo-o,
sendo levado para o hospital e quase veio a óbito – TENTATIVA DE HOMICÍDIO –
pena de 06 anos na segunda fase menos 1/3 – a pena final ficaria em 04 anos.
Paulo efetuou um disparo de arma de fogo contra Carlos, não o atingindo – Paulo
errou o disparo – ato ficou longe da consumação – TENTATIVA DE HOMICÍDIO –
pena = 06 anos – 2/3 – ficando a pena em 02 anos.
INFRAÇÕES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA
1. Crime culposo – resultado é involuntário – sujeito não quer o resultado – Ex.:
Patrícia está dirigindo seu veículo e atropela Fernanda, sendo que esta
sobrevive – Patrícia responderá por lesão corporal culposa na modalidade de
condução de veículo automotor.
2. Crime preterdoloso – aquele no qual o sujeito na conduta ele possui o dolo ,
mas no resultado ocorre por culpa – dolo na conduta (lesão corporal), mas
acaba involuntariamente produzindo o resultado morte (lesão corporal
seguida de morte) – resultado não é desejado, mas sim involuntário.
3. Contravenção penal – Art. 4º lei 3688/41 - Não é punível a tentativa de
contravenção.
4. Crimes omissivos próprios – se o agente praticou a conduta omissiva o crime
está consumado – ou o agente age e não tem crime ou se omite e o crime
estará consumado. Ex.: Paulo estava indo assistir aula de DP e percebe que
há uma pessoa ferida – ou ele presta assistência e não tem crime de omissão
de socorro ou deixa de prestar assistência e o crime estará consumado.
Crimes omissivos impróprios cabem tentativa. Ex.: Mãe que deseja a
morte do filho, e para que isso se realize deixa de amamentar a criança,
uma vizinha percebendo a situação resgata a criança levando-a para o
hospital, vindo a criança a sobreviver – mãe responderá por TENTATIVA
DE HOMICÍDIO.
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5. Crimes unissubsistentes – são consumados com um único ato – não há como


fracionar o ato – não como o sujeito dá início a execução do delito – Ex.:
Paulo xinga Carlos de corno – consumado crime de injúria.
6. Crimes habituais - Nos crimes habituais deve ocorrer uma reinteração da
conduta (sujeito que se faz passar por dentista e faz uma extração de um
dente uma única vez – nada ocorre – entretanto se reiteradamente ele extrai
dentes – ele está consumando o crime de exercício ilegal da profissão)
TENTATIVA – DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA – ARREPENDIMENTO EFICAZ
Art. 15 CP - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução
(desistência voluntária) ou impede que o resultado se produza (arrependimento
eficaz), só responde pelos atos já praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
*Sujeito dá início a execução do delito, mas a não consumação por vontade própria
porque ele desistiu ou porque ele se arrependeu.
*DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA – sujeito vai interromper os atos executórios – não
ocorre o esgotamento da potencialidade lesiva – sujeito desiste de prosseguir nos
atos executórios – Ex.: João possui um revólver com 05 balas e efetua um disparo
contra Carlos – não o matando – podendo efetuar mais 04 disparos, Joana pede a
João que não mate Carlos – ocorreu a desistência voluntária.
*ARREPENDIMENTO EFICAZ – sujeito vai esgotar a sua potencialidade lesiva, os
meios que ele possui para realizar a ação, mas antes da consumação o sujeito
pratica um ato para evitar o resultado. Ex.: João deu 05 tiros em Carlos acertou os
05 tiros – esgotou os meios executórios, mas antes da consumação João se
arrependeu e leva o Carlos até o hospital e este sobrevive – arrependimento eficaz.
*João desejando a morte de Carlos, efetua 05 disparos – mas João se arrepende,
leva Carlos até o hospital, vindo Carlos a sobreviver – quando se estiver diante de
arrependimento eficaz ou desistência voluntária – não cabe tentativa (sujeito dá
início à execução do delito, mas não o consuma por circunstâncias alheias a
sua vontade) (ele quer o resultado, mas não consegue) – já na desistência
voluntária e Np arrependimento eficaz o sujeito da início a execução do fato,
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mas não o consuma por vontade própria. JOÃO RESPONDERÁ PELOS ATOS
ATÉ ENTÃO PRATICADOS – NESSE CASO LESÃO CORPORAL. (existia o dolo
inicial de matar, mas ocorreu o arrependimento e o resultado foi evitado)
*Paulo chega na casa de Débora, com a intenção de praticar o crime de furto – olha
a residência e vai embora – Paulo deu início a execução do crime de furto, mas
desistiu interrompendo os atos executórios – Paulo responderá pelos atos praticados
= VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO.
*João deu 05 tiros em Carlos – acertou os 05 tiros – se arrepende e leva a vítima ao
hospital – Carlos não sobrevive – o arrependimento não foi eficaz – João responderá
pelo resultado produzido – JOÃO RESPONDERÁ POR HOMICÍDIO DOLOSO
CONSUMADO.
ARREPENDIMENTO POSTERIOR A CONSUMAÇÃO DO DELITO
Art. 16 CP - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa,
por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*O arrependimento do sujeito incide depois da consumação do fato – causa de
redução da pena de 1/3 a 2/3 – incide para os crimes sem violência ou grave
ameaça (furto, estelionato, receptação, apropriação indébita) – se exterioriza por
meio da reparação do dano ou restituição da coisa até o recebimento da denúncia
ou queixa – não ocorre exclusão do crime, pois este já estava consumado somente
ocorre a diminuição da pena.
*Natureza jurídica: diminuição da pena
CRIME IMPOSSÍVEL
Art. 17 CP - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*Sujeito dá início a execução do delito, mas por conta da utilização de um meio
absolutamente ineficaz (ineficácia absoluta do meio) (meio = instrumento que o
sujeito elegeu para praticar o delito) (utilização de uma arma de brinquedo ou com
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defeito que não efetuaria qualquer disparo = crime impossível) (gestante que deseja
interromper a gravidez e ingere chá de boldo) (crime impossível, fato atípico) ou pela
impropriedade absoluta do objeto (objeto = coisa ou pessoa sobre a qual recai a
conduta do sujeito) (sujeito efetua disparos de arma de fogo contra a vítima, só que
a vítima já estava morta no momento dos disparos) (não há objeto a ser atingido)
(sujeito atuou contra um objeto impróprio) (mulher que deseja praticar crime de
aborto, sem sequer estar grávida – ainda que tenha ingerido substância abortiva,
não há objeto a ser atingido – crime impossível – fato atípico – a mulher não
responde por nada) – jamais alcançara a consumação do delito.
ERRO DE TIPO X ERRO DE PROIBIÇÃO
Art. 20 CP - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*ERRO DE TIPO = erro sobre o elemento constitutivo do tipo legal – todo artigo que
define um crime, que descrição de um modelo legal de conduta proibida é composto
por elementos, cada uma das expressões que integram o tipo penal é um elemento
constitutivo do tipo – Ex.: Crime de homicídio – a expressão matar é um elemento
constitutivo do tipo que define o crime de homicídio – a expressão alguém é um
elemento constitutivo do tipo que define o crime de homicídio.
*Para que alguém seja responsabilizado penalmente é necessário que tenha
consciência de todos os elementos que constituem o tipo penal. (sujeito tem que ter
agido com consciência e vontade sobre os elementos constitutivos do tipo)
*Ex.: Pedro está em uma caçada e percebe que algo se movimenta atrás dos
arbustos, supõe ser um animal, efetua o disparo e vai ver o produto da caça e
quando percebe na verdade havia atingido um homem – Pedro não sabia que
estava atirando contra uma pessoa – ele não queria matar alguém, ele errou sobre o
elemento constitutivo do tipo que define o crime de homicídio – errou quanto ao
elemento alguém.
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*Carlos conheceu uma menina em uma baile de carnaval, onde é negado o acesso a
menores de 18 anos e se dirige para um motel com essa menina, tendo conjunção
carnal com esta, descobre-se que a menina era menor de 14 anos.
*Garçom que atendia Maria e José em um restaurante ao ser chamado por outros
clientes larga o seu celular na mesa de Maria e José, ao retornar leva por engano o
celular de José.
EFEITOS DO ERRO DE TIPO
1. Invencível – naquela circunstâncias qualquer pessoa de inteligência mediana
também erraria – é inevitável, escusável – Ex.: Carlos conheceu uma menina em
uma baile de carnaval, onde é negado o acesso a menores de 18 anos e se dirige
para um motel com essa menina, tendo conjunção carnal com esta, descobre-se que
a menina era menor de 14 anos. Exclusão do dolo e da culpa – fato será atípico –
sujeito por nada responde.
2. Vencível – aquele que poderia ser evitável - situação em que o sujeito mais
prudente não erraria – exclusão do dolo, entretanto responde pelo crime em sua
modalidade culposa desde que previsto em lei. Ex.: Pedro está em uma caçada e
percebe que algo se movimenta atrás dos arbustos, supõe ser um animal, efetua o
disparo e vai ver o produto da caça e quando percebe na verdade havia atingido um
homem – Pedro não sabia que estava atirando contra uma pessoa – ele não queria
matar alguém, ele errou sobre o elemento constitutivo do tipo que define o crime de
homicídio – errou quanto ao elemento alguém. PEDRO RESPONDERÁ POR
HOMICÍDIO CULPOSO. (Art. 121, parág. 3º CP)
*ERRO DE TIPO SEMPRE EXCLUÍ O DOLO, SE FOR VENCÍVEL, EVITÁVEL O
SUJEITO RESPONDE POR CULPA DESDE QUE PREVISTO EM LEI.
ERRO DE PROIBIÇÃO
Art. 21CP - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,
se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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Sandra Mara Dobjenski

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a


consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou
atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*O sujeito desenvolve uma conduta consciente, mas o erro do agente não é em
relação ao elemento constitutivo do tipo penal – elemento que define o crime – ele
desenvolve uma conduta consciente – ocorrendo o erro sobre a ilicitude do fato – o
sujeito supõe que a conduta é permitida quando na verdade ela é proibida.
Ex.: Sujeito que vem da Holanda aonde é permitida a posse de substância
entorpecente para consumo pessoal – desembarcando no Brasil a primeira coisa
que le faz é puxar um cigarro de maconha e fumar – o sujeito sabe o que esta
fazendo – esta fumando maconha – só que ele considera que no Brasil é permitido
enquanto na verdade é proibido – ele erra quanto a ilicitude do fato (crime do Art. 28
da lei 11343/2006 – posse de substância entorpecente para consumo pessoal)
*Pedro está no shopping caminhando e avista um celular e acredita que achado não
é roubado – pega o celular – sujeito está se apropriando de coisa achada – supondo
que é uma conduta permitida, sendo que a conduta é proibida (Art. 169, parágrafo
único, II do CP) – ele errou quanto a ilicitude do fato.
EFEITOS DO ERRO DE PROIBIÇÃO
1. Se o erro for inevitável – isenção de pena – causa de exclusão da
culpabilidade – naquela circunstância, aquela pessoa diante do caso concreto
efetivamente não teria condições de atingir a consciência da ilicitude do fato.
Ex.: Gaúcho que resolve vir para a cidade com o cinturão cheio de balas
quando ele apeia do cavalo o policial prende-o em flagrante pelo porte ilegal
de munição.
2. Se o erro for evitável – o sujeito no caso concreto poderia atingir a
consciência de ilicitude – sujeito responde pelo delito, ma terá a pena
reduzida de 1/3 a 1/6. Pedro está no shopping caminhando e avista um
celular e acredita que achado não é roubado – pega o celular – sujeito está se
apropriando de coisa achada – supondo que é uma conduta permitida, sendo
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que a conduta é proibida (Art. 169, parágrafo único, II do CP) – ele errou
quanto a ilicitude do fato.
XXII Exame a Ordem -2017 – FGV - Tony, a pedido de um colega, está
transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem ter
conhecimento que estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu
interior. Por outro lado, José transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L.
(maconha), pois acreditava que poderia ter pequena quantidade do material em sua
posse para fins medicinais. Ambos foram abordados por policiais e, diante da
apreensão das drogas, denunciados pela prática do crime de tráfico de
entorpecentes. Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Tony
e José deverá alegar em favor dos clientes, respectivamente, a ocorrência de
A erro de tipo, nos dois casos.
B erro de proibição, nos dois casos.
C erro de tipo e erro de proibição.
D erro de proibição e erro de tipo.
ERRO QUANTO A PESSOA X ERRO NA EXECUÇÃO
ERRO QUANTO A PESSOA
Art. 20, § 3 º CP - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 Sujeito pretende atingir uma pessoa determinada e por um erro na
identificação ele acaba atingindo pessoa diversa. Ex.: Pedro queria matar o
pai, ele foi até a residência do pai, durante a noite e de longe percebe que há
uma pessoa em pé de costas para ele – Pedro supondo ser seu pai saca um
revólver e efetua um disparo acertando aquela pessoa que ele fez a mira,
descobre-se posteriormente que na verdade a pessoa atingida não era a pai
de Pedro, mas sim seu tio que possui a mesma estrutura física – Pedro errou
na identificação – errou quanto a pessoa – Pedro responderá como se tivesse
atingido a pessoa pretendida – consideram-se as condições da pessoa
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pretendida – Pedro responderá por homicídio doloso com a agravante de ter


cometido crime contra a ascendente. (considerar as condições e qualidades
da pessoa pretendida)
ERRO NA EXECUÇÃO
Art. 73 CP - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente,
ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde
como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º
do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente
pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
 Sujeito pretende atingir uma determinada pessoa, mas por uma acidente ou
por erro no uso dos meios de execução ele acaba atingindo ele acaba
atingindo pessoa diversa (não há erro na identificação)
Ex.; Roberto quer matar Carlos, faz a mira, efetua o disparo, errou o alvo e acertou a
Débora, vindo esta a falecer. Considera-se as condições e qualidades da pessoa
pretendida – o agente responde como se tivesse praticado o ato contra a pessoa
pretendida – Roberto responderá por homicídio doloso.
XX Exame da Ordem – 2016 – FGV - Wellington pretendia matar Ronaldo, camisa
10 e melhor jogador de futebol do time Bola Cheia, seu adversário no campeonato
do bairro. No dia de um jogo do Bola Cheia, Wellington vê, de costas, um jogador
com a camisa 10 do time rival. Acreditando ser Ronaldo, efetua diversos disparos de
arma de fogo, mas, na verdade, aquele que vestia a camisa 10 era Rodrigo,
adolescente que substituiria Ronaldo naquele jogo. Em virtude dos disparos, Rodrigo
faleceu.
Considerando a situação narrada, assinale a opção que indica o crime cometido por
Wellington.
A Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois houve
erro na execução.
B Homicídio consumado, considerando-se as características de Rodrigo.
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C Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois


houve erro sobre a pessoa.
D Tentativa de homicídio contra Ronaldo e homicídio culposo contra Rodrigo.
*Crime = fato típico, antijurídico e culpável – quem pratica um fato típico gera a
presunção de esse fato também é ilícito – presunção relativa – causas de exclusão
da ilicitude do fato: (Cláusulas de excludente de ilicitude)
1. Estado de necessidade – o fato é típico, mas o sujeito praticou o fato para se
salvar de uma situação de perigo. Art. 24 CP - Considera-se em estado de
necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por
sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
§ 1 º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar
o perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2 º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena
poderá ser reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
*Situação de perigo pode decorrer de uma ação humana (Carlos coloca fogo em
uma sala, Paulo para fugir do fogo desfere um soco em Ricardo – Paulo praticou
lesão corporal – fato típico, mas para se salvar de uma situação de perigo) (pessoa
que se agarra em uma superfície que só aguentava o peso de uma), de um evento
da natureza ou de um comportamento de um animal (Paulo para se salvar de um
ataque espontâneo de um animal, pega uma barra de ferro e desfere golpe na
cabeça do animal), entretanto se esse animal for estimulado para atacar – o
animal estará sendo utilizado como se fosse uma arma – legítima defesa.
2. Legítima defesa - Art. 25 CP - Entende-se em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente,
a direito seu ou de outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide
ADPF 779)
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Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo,


considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele
agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vide ADPF 779)
*Sujeito pratica um fato típico para repelir uma injusta agressão.
Ex.: Carlos parte injustamente para atacar Paulo com uma faca – Carlos pode sacar
de uma arma para se defender – Carlos esta fazendo uso moderado dos meios que
estão a sua disposição.
*Legítima defesa para o agente de segurança pública nas situações em que
envolvem crime com refém e que há agressão ou risco de agressão, o agente de
segurança pública (ex. atirador de elite) está legitimado a atuar para livrar aquele
refém da agressão ou do risco de agressão – sujeito irá repelir uma agressão ou
perigo de agressão num contexto de um crime onde há vítima mantida refém.
(Pacote anticrime)
3. Estrito cumprimento do dever legal – alcança um agente público que pratica um
fato típico num cumprimento de um dever legal (oficial de justiça que ingressa em
uma residência contra a vontade do morador para executar o mandato de busca e
apreensão) (policial que faz uso moderado da força para fazer cessar a resistência
de uma pessoa)
4. Exercício regular do direito – cidadão comum que está autorizado pelo Direito
consuetudinário a praticar um fato típico exercendo o direito regular (violência
desportiva – Pedro está praticando esporte e lesiona o adversário, dentro das regras
do jogo – existe um fato típico = lesão corporal, mas não é ilícito por conta do
exercício regular do direito) (manifestação de opinião – livre manifestação do
pensamento = exercício regular do direito)
Art. 301 CPP. Qualquer do povo poderá (flagrante facultativo) (pode ou não
efetuar a prisão) (exercício regular do direito) e as autoridades policiais (são
obrigadas a prender alguém) (flagrante obrigatório) (se o policial prender
alguém e causar uma lesão a pessoa no ato da prisão = estrito cumprimento
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do dever legal) e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado
em flagrante delito. (prisão em flagrante)
Art. 23CP - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - em legítima defesa; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá
pelo excesso doloso ou culposo. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
CULPABILIDADE
*Juízo de reprovação que recai sobre a conduta do sujeito – se o sujeito for
imputável, tiver potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa
(elementos da culpabilidade) ele está apto a suportar um juízo de reprovação (uma
pena) consistente na aplicação de uma pena – se o sujeito praticou um fato típico,
ilícito, mas ele for um inimputável, ou faltar a ele potencial consciência da ilicitude ou
for inexigível a conduta diversa o sujeito não estará apto a sofrer uma pena – ele
será absolvido. Uma das causas da exclusão da culpabilidade é a inimputabilidade
que pode ser por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado – sujeito tem que ser inteiramente incapaz de entender o caráter o caráter
ilícito da sua conduta e de se comportar de acordo com esse entendimento. Em
decorrência da doença mental o sujeito não tem a capacidade de discernir entre o
certo e o errado – não entendendo que o fato que está praticando é ilícito. O sujeito
é um doente, para tanto não se aplica uma pena – a sanção aplicada a ele é ima
MEDIDA DE SEGURANÇA – A natureza jurídica na sentença que reconhece a
inimputabilidade é uma SENTENÇA ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA. A medida de
segurança pode ser de internação no hospital de custódia ou tratamento
ambulatorial.
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XI Exame da Ordem – 2013 – FGV - Para aferição da inimputabilidade por doença


mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, assinale a alternativa
que indica o critério adotado pelo Código Penal vigente.
A Biológico.
B Psicológico.
C Psiquiátrico.
D Biopsicológico.

Inimputabilidade pela embriaguez completa e acidental


Art. 28 CP - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
I - a emoção ou a paixão; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos
análogos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1 º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de
caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2 º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez,
proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da
omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
*Embriaguez acidental decorrente de força maior ou de caso fortuito – sujeito foi
forçado a beber, sem saber o efeito inebriante que a bebida pode ocasionar –
sabendo que isso poderá potencializar no organismo até o sujeito ficar incapaz.
*INIMPUTABILIDADE COMPLETA EMBRIAGUEZ COMPLETA E ACIDENTAL.
Coação moral irresistível no contexto de inegibilidade de conduta diversa –
excludente de culpabilidade
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Art. 22 CP - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a


ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da
coação ou da ordem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*Coator que por meio de uma grave ameaça faz com que o coagido pratique um fato
típico e ilícito (Traficante chega para um morador de uma determinada comunidade
e faz com que esse morador venha a guardar drogas na sua residência e que este
não guardar o entorpecente matará seu filho – grave ameaça – guardar drogas na
residência é crime de tráfico (Art. 33 da lei 11343/2006) – só que o cidadão guardou
a droga mediante a grave ameaça – coação moral irresistível – nesse caso só é
punível o autor da coação, o coagido será isento de pena – não responderá por
crime algum, pois só desenvolveu a conduta por conta da coação)
Coação física irresistível – exclusão da tipicidade
*Coator que irá empregar força física sobre o coagido (para se estar presente diante
de uma conduta punível o cidadão tem que agir com consciência e vontade) –
conduta é um elemento do fato típico (Pedro obriga Débora a assinar um documento
– falsificação de um documento – Débora praticou a falsificação porque foi coagida
por meio de força física) (não existindo vontade o fato é atípico)
CONCURSO DE PESSOAS
Requisitos:
1. Pluralidade de condutas – um autor está contribuindo para a prática de um
delito assim como o partícipe. (Um induz e o outro executa)
2. Relevância causal das condutas – a conduta tem que ser minimamente
relevante para caracterizar o concurso de pessoas – se a conduta for
irrelevante não ocorre concurso de pessoas (Uma empregada doméstica
depois de ter levado uma bronca da patroa, ela querendo se vingar, ela
percebe que existe alguém se movimentando em frente da residência de uma
forma suspeita, a empregada com a intenção de que venha a ocorrer um furto
na residência ela deixa a porta da frente aberta, na expectativa de que esse
suspeito ingresse por ali e subtrai os objetos – o suspeito entra pela porta dos
fundos – a conduta da emprega não foi relevante para que ocorresse a
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subtração – a emprega não responderá pelo furto – entretanto se o suspeito


vier a entrar pela porta da frente, e vindo a praticar a subtração – agora existe
conduta relevante – de algum modo a conduta da empregada contribuiu para
o resultado – subtração – existe um liame subjetivo entre a empregada
doméstica e o suspeito, ambos agiram voltados por uma mesma finalidade –
a subtração – NÃO EXIGE AJUSTE PRÉVIO – basta que ambos conduzam
sua conduta voltados para uma mesma finalidade, ainda que o sujeito não
soubesse que estava sendo auxiliado.
3. Liame subjetivo - basta que ambos conduzam a conduta voltados para uma
mesma finalidade, ainda que o sujeito não soubesse que estava sendo
auxiliado.
4. Identidade de infrações – ambos responderam pelo mesmo crime – teoria
unitária – todos aqueles que concorrem para a realização do crime, incidem
as penas a esse cominadas. (Pena poderá ser diferente na medida de sua
culpabilidade) (Suspeito reincidente terá a pena maior do que a da
empregada doméstica que não é reincidente) (se um dos agentes quis
participar ou teve a participação de menor importância – a pena pode ser
diminuída de 1/6 a 2/3) (se um dos agentes quis praticar crime menos grave
ele vai responder por esse crime – o outro que cometeu o crime mais grave
se responsabilizará por esse crime) (Paulo e Débora resolveram praticar
subtração na casa do Carlos – Débora acreditando que Carlos não estava na
residência, que não havia ninguém na residência – Débora resolve ficar
cuidando na frente da residência enquanto Paulo entra – quando Paulo entra
na residência encontra Carlos deitado e o mata para efetuar a subtração –
Débora não desejava a morte do Carlos – Débora responderá pelo furto e
Paulo responderá por latrocínio)
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
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§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um


sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter
sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
TEORIA DA PENA
Regime inicial de cumprimento de pena – quando o juiz profere uma sentença
condenatória, o juiz vai quantificar a pena, vai fazer a dosimetria da pena e
posteriormente fixará o regime inicial de cumprimento de pena.
*CRIME APENADO COM RECLUSÃO – o juiz somente poderá fixar o regime inicial
fechado ou regime inicial semiaberto ou regime inicial aberto.
*CRIME APENADO COM DETENÇÃO – O juiz somente poderá fixar o regime inicial
semiaberto ou regime inicial aberto. Nos crimes apenados com DETENÇÃO não é
possível ao juiz fixar o regime inicial fechado.
Art. 33 CP - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto
ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo necessidade de
transferência a regime fechado. (em caso de prática de falta grave) (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*REGIME FECHADO - pena aplicada for superior a 08 anos – não importa se o
sujeito é primário ou reincidente.
*REGIME SEMIABERTO – sujeito não reincidente – pena superior a 04 anos até 08
anos (Sujeito primário que teve uma pena fixada em 05 anos)
*REGIME ABERTO – sujeito não reincidente e a pena aplicada até 04 anos.
OBS.: Sujeito reincidente e a pena aplicada for de 05 anos – regime inicial
FECHADO.
Sujeito reincidente e a pena aplicada de 03 anos juiz pode aplicar o regime
inicial SEMIABERTO ou FECHADO.
Sd JurisAdvogando
Sandra Mara Dobjenski

Súmula 269 STJ - É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos


reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as
circunstâncias judiciais.
*Súmula 440 – STJ - Fixada a pena-base no mínimo legal é vedado o
estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da
sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito.
*Súmula 718 STF - A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime
não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o
permitido segundo a pena aplicada.
*Súmula 719 STF - A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a
pena aplicada permitir exige motivação idônea.
*A OPINIÃO DO JUIZ QUANTO A GRAVIDADE DO CRIME PERMANECE PARA
ELE – NÃO É MOTIVAÇÃO IDÔNEA PARA ELE FIXAR UM REGIME DE
CUMPRIMENTO DE PENA MAIS SEVERO QUE A QUANTIDADE LHE PERMITIA.
(JUIZ TENHA CONDENADO O SUJEITO HÁ 06 ANOS PELO CRIME DE
HOMICÍDIO (ART. 121 CP) SENDO O SUJEITO PRIMÁRIO – O JUIZ USA COMO
ARGUMENTO PARA FIXAR O REGIME FECHADO A GRAVIDADE DO
HOMICÍDIO – A OPINIÃO DO JUIZ SOBRE A GRAVIDADE DO CRIME NÃO É
MOTIVAÇÃO IDÔNEA PARA A FIXAÇÃO DO REGIME INICIAL MAIS SEVERO
DO QUE A QUANTIDADE DA PENA PERMITIDA – O CORRETO É A FIXAÇÃO
DO REGIME INICIAL SEMIABERTO). (A GRAVIDADE EM ABSTRATO NÃO
AUTORIZA UM REGIME MAIS SEVERO)
CRIMES APENADOS COM DETENÇÃO
*SEMIABERTO – PENA SUPERIOS A 04 ANOS
* ABERTO – NÃO SENDO REINCIDENTE PENA ATÉ 04 ANOS.
*OBS.: SE O SUJEITO FOR REINCIDENTE LHE RESTA O SEMIABERTO. NÃO É
POSSÍVEL O JUIZ FIXAR O REGIME FECHADO NOS CRIMES APENADOS COM
DETENÇÃO.
PENA RESTRITIVA DE DIREITO
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Sandra Mara Dobjenski

O juiz vai fixar a pena a pena privativa de liberdade quando presentes os requisitos
do Art. 44 CP:
Art. 44 CP. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena
aplicada, se o crime for culposo;(Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II – o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de
1998)
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa
substituição seja suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 1o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por
multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa
de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por
duas restritivas de direitos. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que,
em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a
reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. (Incluído
pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena
privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva
de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
(Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da
execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for
possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. (Incluído pela Lei nº
9.714, de 1998)
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Sandra Mara Dobjenski

*Substitui a pena privativa de liberdade por pena restritiva de direito – MEDIDA


ALTERNATIVA A PENA DE PRISÃO. (prestação de serviço a comunidade,
prestação pecuniária, interdição temporária de direito, limitação de final de semana –
o sujeito não cumpre a pena na cadeia, mas sim uma pena alternativa, restritiva de
direito)
REQUISITOS PARA A SUBSTITUÇÃO:
1. Crime doloso – praticado sem violência ou grave ameaça (crime cometido
com violência ou grave ameaça não admite a substituição da pena privativa
de liberdade por restritiva de direito – somente é possível essa substituição
nos crimes sem violência ou grave ameaça (furto, estelionato, apropriação
indébita) e não é para qualquer crime praticado sem violência ou grave
ameaça desde que a pena aplicada na sentença seja até 04 anos.

*SE O CRIME FOR CULPOSO É POSSÍVEL EM TESE SUBSTITUIR A PENA


PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITO QUALQUER QUE
SEJA A PENA.
*Em tese se o sujeito foi condenado a 05 anos por um crime culposo ele terá direito
a substituição a pena privativa de liberdade por restritiva de direito (Art. 44, I CP)
2. Sujeito não ser reincidente em crime doloso (sujeito tem que ser condenado por
crime doloso e ter praticado outro crime doloso- não cabe a pena restritiva de direito)
(se o sujeito tem uma sentença transitada em julgado por crime culposo e depois ele
comete um crime doloso – neste caso será possível substituir a pena privativa de
liberdade por restritiva de direito – ele é reincidente mas não para o crime doloso)
3. Circunstâncias judiciais favoráveis
*OBS – se o sujeito for reincidente e se essa reincidência não for pela prática do
mesmo crime e se for socialmente recomendado será possível a substituição da
pena privativa de liberdade por restritiva de direito. (Sujeito com condenação anterior
pelo crime de estelionato – art. 171 CP e posteriormente foi condenado
definitivamente pelo crime de furto – art. 155 CP – ele é reincidente, mas não pela
prática do mesmo crime – nesse caso em tese Serpa possível a substituição da
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pena) (Sujeito possui uma condenação pelo crime de furto – art. 155 CP e
posteriormente ele comete um novo crime de furto – reincidente pela prática do
mesmo crime – nesse caso não será possível a substituição da pena)
*No contexto de Maria da Penha quando envolve crime ou contravenção penal
contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico não é
possível a substituição da pena.
Súmula 588 STJ - A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com
violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da
pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. (Súmula 588, TERCEIRA
SEÇÃO, julgado em 13/09/2017, DJe 18/09/2017)
PENA DE MULTA (instituição pelo pacote anticrime) (Conversão de multa e
revogação) – antes a pena de multa era executada na Vara da Fazenda Pública e a
legitimidade era do procurador da Fazenda após o Pacote anticrime a pena de multa
(se o sujeito não cumprir a pena de multa) se esta tiver que ser executada – ela será
executada perante a Vara da Execução Penal e a legitimidade é do MP. Se o sujeito
não cumpriu a pena de multa não será convertida em detenção. Se o sujeito não
paga a multa será convertida em dívida de valor. (Dívida da Fazenda Pública)
Art. 51 CP. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada
perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as
normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às
causas interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei nº 13.964,
de 2019)
REINCIDÊNCIA
Art. 63 CP- Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois
de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha
condenado por crime anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
REQUISITOS:
1. Praticar novo crime
2. Depois do trânsito em julgado da sentença condenatória do crime anterior
Sd JurisAdvogando
Sandra Mara Dobjenski

*Sujeito já registra sentença condenatória transitada em julgado = reincidência.


(Sujeito deve ter sido processado, julgado e condenado e depois dessa decisão
definitiva praticar outro crime).
*Sujeito tenha sido condenado definitivamente por um crime de roubo – Art. 157 CP
em 19/07/2014 e comete um novo crime em 10/11/2014 – o agente praticou o crime
depois do trânsito em julgado da sentença condenatória do crime anterior – sujeito é
reincidente.
CONCURSO DE CRIMES
1. Concurso material – mais de uma ação ou omissão - Sujeito pratica dois ou
mais crimes há mais de uma omissão ou mais de uma ação (pluralidade de
condutas) ele pratica dois ou mais crimes – pluralidade de crimes idênticos ou
não – aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade (Um
sujeito praticou um crime de estupro contra a vítima (art.212CP) e para que a
vítima não o reconheça, para que ele assegure sua impunidade ele matou a
vítima – praticou o crime de homicídio qualificado (Art. 121, parág.2º, V CP)
com mais de uma ação – estuprou e depois matou – o juiz vai fixar a pena
relacionado ao crime de estupro (aplicando uma pena de 10 anos) + pena ao
homicídio qualificado (20 anos) ao final o juiz vai cumular as penas =
concurso material de crimes.
Art. 69 CP - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica
dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas
privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa
de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena
privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será
incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Sd JurisAdvogando
Sandra Mara Dobjenski

§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado


cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente
as demais. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
2. Concurso formal – pluralidade de crimes – existe unidades de condutas – uma
única conduta o sujeito praticou dois ou mais crimes.
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,
se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto
até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou
omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do
art. 69 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
2.1. Perfeito – sujeito não tem desígnios autônomos em relação aos resultados
– sujeito desenvolve uma conduta e produz dois resultados, mas sem
desejar a produção desses dois resultados. (João pega seu veículo e
acaba se descuidando e acaba atropelando duas pessoas – com uma
única conduta produziu dois resultados – aplica-se a exasperação da
pena- pega-se a pena do crime mais grave se cabível – se são iguais
qualquer uma delas – e aumenta-se de 1/6 até 1/2)
2.2. Imperfeito – o sujeito deseja o resultado – com uma única ação o agente
agiu voltado a produção de todos os resultados (Pedro vai até uma
residência e coloca fogo na casa sabendo que tem 03 pessoas da mesma
família no interior da residência – Pedro deseja matar as 03 pessoas –
com uma única ação mata as três pessoas – Pedro queria matar A – em
relação a este o juiz aplica a pena de 12 anos, em relação a B foi aplicada
a pena de 15 anos e em relação a C foi aplicada a pena de 20 anos – o
critério de fixação da pena é o cúmulo material – as penas serão
somadas)
Sd JurisAdvogando
Sandra Mara Dobjenski

3. Crime continuado - sujeito com mais de uma ação ou omissão pratica dois ou
mais crimes da mesma espécie (mesmo tipo penal) (sujeito pratica um crime
de furto –art. 155 CP e posteriormente mais um crime de furto – crimes da
mesma espécie, na mesma condição de tempo (intervalo de até 30 dias), nas
mesmas condições de lugar (mesma cidade ou cidade próxima) e o mesmo
modo de execução (crime subsequente é continuidade do anterior) – sujeito
praticou mais de um crime da mesma espécie, num curto espaço de tempo,
no mesmo local – critério de fixação de pena é a exasperação da pena (pega-
se a pena de um deles se mais grave e aumenta-se de 1/6 a 2/3)
Art. 71 CP - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica
dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar,
maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos
como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se
idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um
sexto a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com
violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as
regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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