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Universidade Federal do Vale do São Francisco

Disciplina: Processos Psicossociais II


Discente: Claudiana Ramos da Silva

Exercício 2 - I Bimestre (Até 1,0 ponto)

Tomando por base - Bichas, O documentário (2016), dirigido por Marlon Parente e os
textos trabalhados na presente disciplina sobre identidade social, estabeleça e explique
duas a três relações entre o documentário e os textos à luz das teorias de identidade
social.

Normas:
- O exercício deverá ser individual;
- Texto com até duas páginas, fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5;
- Todas as margens devem ter 2,5cm;
- Data de entrega - 07/04/2021

No documentário, Igor, um dos participantes, conta que passou a odiar o que ser “bicha” e
“gay” significava porque não queria aqueles adjetivos associados a ele e a existência desse
grupo fazia com que houvesse algo para as pessoas o zoarem (22:59). Isso ilustra o
pressuposto fundamental da Teoria da Identidade Social (TSI) segundo o qual buscamos
alcançar uma identidade social que nos permita ter uma autoimagem positiva, pois segundo
Jacques (2013), “a identidade é o ponto de referência a partir do qual surge o conceito de si e
a imagem de si”. O participante, em dado momento, não queria estar associado a esse grupo
porque lhe daria uma imagem negativa, já que esses adjetivos nesse momento estavam
associados a algo negativo. João Pedro também destaca isso ao dizer: “teve momentos que o
‘bicha’ foi pesadíssimo porque era isso que eu escutava como apontamento de coisa ruim”
(29:10). O que esse grupo fez, como indica o documentário, foi tomar esse adjetivo tido como
algo ruim, algo para se zombar como o outro João Pedro diz, e ressignificar como um aspecto
positivo da identidade social – “no âmbito do mundo LGBT, a bicha é uma pessoa
maravilhosa” (25:26) – tal como os sertanejos o fizeram com o termo “sofrer” (SOUZA,
2010, p. 309). Mais adiante o mesmo participante que antes não queria o adjetivo associado a
ele afirma: “hoje eu coloco essa minha bichice no formato de troféu”. O “sofrer preconceito”
também é ressignificado por Ítalo, outro participante, ao associá-lo a um amadurecimento
mais rápido (28:11).

Por outro lado, Orlando, ao se identificar como “bicha”, se diferencia de um outro grupo.
Segundo ele, no “padrão gay” existe o “padrão heteronormativo” e o “padrão bicha”. Em um
processo de Diferenciação Grupal, ele avalia negativamente o grupo dos “gays heteros” –
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Disciplina: Processos Psicossociais II
Discente: Claudiana Ramos da Silva

aqueles que se escondem como heterossexuais – e avalia positivamente seu grupo – as


“bichas” que, ao contrário destes, são livres (27:01). Essa tendência de supervalorizar seu
grupo também se mostra na fala de Ítalo ao dizer que “a bicha que deve ser mais valorizada é
a bicha afeminada” (28:03). Segundo a TSI, isso indicaria que o sentimento destes
participantes de pertença a esse grupo é maior, tendo em vista que sua tendência a
supervalorizá-lo também o é. Ítalo inclusive afirma que a “bicha afeminada” é a cara do
movimento gay desvalorizando, de certa forma, os demais grupos que fazem parte do
movimento.

O fato de estarem fortemente identificados com seu grupo, de se sentirem muito pertencentes
a ele, também leva os participantes a defenderem a luta e a busca coletiva por uma melhoria
das condições de vida em que se encontram (TORRES; CAMINO, 2013). João Pedro, além
de participar ativamente da militância, destaca que a “bicha” deve se impor e dialogar com a
sociedade para desconstruir a noção de que ser “bicha” é errado (26:16). Ítalo coloca que
“levantar uma bandeira” e se unir é uma forma do grupo se proteger e enfrentar as situações
de violência e preconceito (33:30). Assim, ambos manifestam uma crença na mudança social
defendendo ações coletivas como forma de mudar a realidade do grupo no qual estão
inseridos.

REFERÊNCIAS

BICHAS, o documentário. Direção: Marlon Parente. [S.l.: s.n.], 2016. 1 vídeo (86 min).
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UzXPgU2Qdc8. Acesso em: 01 abr.
2021.

JACQUES, Maria da Graça. Identidade. In: STREY, Marlene Neves et al. Psicologia social
contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2013.

SOUZA, Charles Vinicius B. de. Ser homem no sertão: identidades sertaneja e masculina em
universitários do sertão sergipano. In: LIMA, Marcus Eugênio Oliveira; FRANÇA, Dalila
Xavier de; FREITAG, Raquel Meister Ko. (Org.). Processos psicossociais de exclusão
social. São Paulo: Blucher Open Access, 2020. cap. 14, p. 293-319.

TORRES, Ana Raquel Rosas; CAMINO, Leoncio. Grupos sociais, relações intergrupais e
identidade social. In: CAMINO, Leoncio et al. (Org.). Psicologia social: temas e teoria. 2.
ed. Brasília: Technopolitik, 2013. cap. 9, p. 515-539.

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