Você está na página 1de 12

Faculdade de Ciências Sociais

e Humanas

Curso de Licenciatura em Direito

TRABALHO DE HISTÓRIA DAS IDEIAS POLÍTICAS E JURÍDICAS

IDADE MÉDIA

Nome: Jusandra Manuela

Nº: 20200956

Turma: B

Docente: Dickson João

Luanda, Abril de 2021

1
Índice
Introdução...................................................................................................................................3
A Idade Média pode ser separada em duas fases:..............................................................4
Contexto extensivo para a Igreja na Idade Média................................................................5
Invenções da idade Média.......................................................................................................6
Santo Agostinho........................................................................................................................7
Concepção sobre a natureza Humana...................................................................................7
Noção de Estado.......................................................................................................................8
Dever de obediência ao Poder político...................................................................................9
Se há dois amores, há duas cidades....................................................................................10
Conclusão.................................................................................................................................11
Referências Bibliográficas......................................................................................................12

2
Introdução

Ao longo do meu trabalho, fiz uma dissertação relativamente ao tema que a mim foi
remetido a Idade Média, procurei dizer as características, aos factos ocorridos na
idade média desde factos de educação à cultura, onde surgiu a idade média e como, e
no final farei uma explanação relativamente a um autor que fez consolidar e impactou
de tal forma o cristianismo ou a vida crista na idade média.

A Idade Média corresponde a um período da história iniciado em 476, com o fim do


Império Romano do Ocidente. O fim desta era aconteceu em 1453, quando os turcos
conquistaram Constantinopla. Portanto, a extensão da Idade Média vai do século V ao
século XV.A Idade Média também é conhecida como uma era marcada como Idade
Das Trevas. Muitos estudiosos afirmam que, nesta época, houve uma mudança
sensível na produção de arte, filosofia e material intelectual, marcada pelo retrocesso.
Este é um pensamento humanista, que também criticava o novo posicionamento
institucional desta era, quando comparado com o período clássico.

3
A Idade Média pode ser separada em duas fases:
São elas: Alta Idade Média e Baixa Idade Média.

Características principais da Alta Idade Média

Esta fase foi marcada pela extrema falta de segurança e estabilidade na sociedade,
desde o século V até o século IX. Neste período houve o avanço dos povos germanos,
vinculados aos Reinos Germânicos. Eles se estabeleceram na área de fronteira do
Império Romano e ficaram popularmente conhecidos como bárbaros. Também havia
um papel muito importante na sociedade que era exercido pela Igreja Medieval, que se
apresentava como Sacro Império e estava melhor estruturada, cuidando das bases do
cristianismo e combatendo o paganismo.
A formação do feudalismo aconteceu no século V, com uma estrutura própria que deu
origem ao Sistema Feudal, ocupando um espaço deixado pelo Império Romano. Na
área de Constantinopla, instaurou-se o Império Bizantino, que perdurou durante toda a
era medieval e conseguiu responder à altura a todos os ataques bárbaros. As Guerras
Santas travadas por Maomé resultaram no Islã, no Oriente Médio, em 630. Surgiram,
assim, os árabes e o islamismo, que foi crescendo até ocupar um amplo território, em
locais da África, Europa e Ásia.

Características principais da Baixa Idade Média

Esta fase corresponde do século X até o século XV. Muitos fatos marcaram este
período da Idade Média, principalmente a reestruturação do espaço urbano na Europa,
a crise ampla no Sistema Feudal, o crescimento comercial no espaço europeu e a
consolidação da monarquia em diversos territórios. Também houve a formação do que
foi chamada posteriormente de cultura medieval.
Os turco-otomanos também conquistaram muito espaço e poder até o século XIV. Já o
Império Bizantino perdeu território e ficou restrito apenas à área da Constantinopla.
Em 1453, houve o fim do período conhecido como Idade Média.

Cultura Idade Média

A cultura e a civilização medieval fizeram parte da Idade Média, entre os séculos XI e


XIII. O período foi marcado pela predominância religiosa do catolicismo, factor que
influenciou a cultura, a literatura e as manifestações artísticas da época.

A Idade Média chegou a ser considerada pelos renascentistas como “Idade das
Trevas”, por ter-se tratado de um período da história da Europa no qual as artes, a

4
ciência e os conhecimentos não se desenvolveram com relevância. Para os
renascentistas, a Idade Média foi dominada apenas pela religião, com valores e
comportamentos baseados nos dogmas da Igreja Católica, sem grandes feitos
realizados pelo homem.

Contexto Arte

A civilização medieval era bastante específica em todos os segmentos. Na


arquitectura, por exemplo, destacavam-se as construções como castelos e igrejas. A
vida cultural dos povos medievais reflectia o mundo feudal. Os mosteiros, as catedrais
e as abadias surgiam como os grandes centros da produção cultural do período.

A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As


pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas
medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais
sobre a religião.

Contexto Educacional

Na Idade Média, muitas pessoas não sabiam ler e escrever. Por isso, a apresentação
do conteúdo literário acontecia pela comunicação verbal, principalmente nas missas,
em teatros.

A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Marcada pela
influência da Igreja, ensinava-se o latim, doutrinas religiosas e tácticas de guerras.
Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros.

Os grandes intelectuais estavam nas igrejas, que controlavam as manifestações


literárias e artísticas. A igreja católica também controlava as publicações e os
conteúdos apropriados para a leitura do povo. O objectivo era impedir que as pessoas
tivessem condutas ou pensamentos contrários aos dogmas do catolicismo.

Contexto extensivo para a Igreja na Idade Média


Muitas doutrinas cristãs diferenciadas entre si surgiram desde as primitivas
comunidades cristãs. A origem destas comunidades deu-se em plena expansão do
Império Romano. Como o Imperador romano era também a figura religiosa máxima do
Império, quaisquer seitas eram prejudiciais ao seu poder absoluto. Desta forma, as
comunidades cristãs deste período foram perseguidas. No entanto, mais tarde, o
Império Romano adoptaria as crenças cristãs como sua religião oficial, ocorrendo
assim a fundação da Igreja de Roma. A partir desta, originaram-se as diversas
doutrinas cristãs.
A Igreja Católica teve papel preponderante na formação do feudalismo; além de
grande proprietária de terras, estruturou a visão de mundo do homem medieval. Na
realidade, foi a instituição que sobreviveu às inúmeras mudanças ocorridas na Europa
no século V e, ao promover a evangelização dos bárbaros, concretizou a simbiose
entre o mundo romano e o bárbaro.

5
Invenções da idade Média

 Marca d’água em papel: a primeira marca d’água surgiu em 1282, na cidade


de Fabriano (Itália). No século XIV, tornaram-se mais significativas e
personalizadas.
 Universidade: as duas primeiras instituições, as Universidades de Bologna e
Paris, foram fundadas no final do século XI.
 Botão de camisa: o botão, da forma como conhecemos hoje, teve seu
precursor inventado na Idade Média.
 Espelho: o espelho de vidro, objecto de luxo emoldurado em ouro ou prata,
surgiu na Idade Média
 Vitrais de igrejas: os primeiros vitrais medievais surgiram no século X em
catedrais francesas e alemãs
 Sistema agrícola de rotação de culturas: caracterizou o sistema de produção
feudal, modelo económico da Idade Média
 Sistema bancário: banqueiros medievais inventaram as letras de câmbio,
depósitos e títulos.

Alguns pensadores que surgiram na idade média

Contribuições de alguns pensadores na idade medieval e contribuíram tanto


para a filosofia como para a doutrina cristã.

Este foi um período que se caracterizou pelo resultado dos esforços dos primeiros
fundadores do pensamento católico para conciliar a nova religião com o pensamento
filosófico mais corrente da época entre os gregos e os romanos. Tomou-se como
tarefa primeira a defesa da fé cristã, frente às diversas críticas contra os valores éticos
e morais dos séculos anteriores.

Os nomes mais destacados do período inicial foram: Justino (de 100 d.C. a 165
d.C. – Nablus / Samaria); Tertuliano (de 155 d.C. a 222 d.C. –  Cartago); Marco
Aurélio (de 121 d.C. a 180 d.C. – Roma); Santo Agostinho (de 354 d.C.  a 430 d.C. –
Numídia); Boécio (de 480 d.C. a 525 d.C. – Itália) Tomás de Aquino (de 1125 a 1274 –
Itália).

Eles representaram as primeiras tentativas de harmonizar alguns princípios da filosofia


grega (do epicurismo, do estoicismo e do pensamento de Platão) com a doutrina
cristã. Os primeiros bispos da Igreja não só estavam envolvidos com a tradição cultural
helénica como também conviveram com filósofos estóicos, epicuristas, peripatéticos
(sofistas), pitagóricos e neoplatónicos. E não só conviveram, como também foram
educados dentro do ambiente multiforme da filosofia grega, ainda antes de suas
conversões ao cristianismo.

6
Santo Agostinho

Aurelius Augustinus (Aurélio Agostinho), mais conhecido como Santo Agostinho


de Hipona, foi o patrono da ordem religiosa agostiniana e um dos responsáveis pela
concepção do pensamento cristão medieval e da filosofia patrística. Foi também
bispo, escritor, teólogo, filósofo, além, de ter testemunhado acontecimentos históricos
de primeira ordem, tal como o fim da antiguidade clássica e a invasão de Roma pelos
visigodos.

Concepção sobre a natureza Humana

Santo Agostinho apresenta-nos uma visão profundamente pessimista acerca da


natureza humana. Ele considera que os primeiros homens (Adão e Eva) foram criados
como seres bons, perfeitos, com todas as qualidades e sem defeitos. Mas pela
desobediência (pecado original) afastaram-se de Deus e foram punidos para sempre:
tornaram-se infelizes e cheios de defeitos: o homem transformou-se num pecador. As
suas características principais passaram a ser o egoísmo, a arrogância, a vontade de
dominar os outros e a tendência procurar o bem próprio com desprezo do bem dos
outros.

Alguns, poucos, conseguem por um grande esforço redimir-se e salvar-se, mas outros
permanecem condenados à punição eterna, e não conseguem libertar-se da sua
condição de homens pecadores. O homem é assim, um ser irreversivelmente marcado
pelo pecado; é um pecador, peca por necessidade, tudo que faz neste mundo é
pecaminoso. Deste modo, a minoria dos homens pertence à Cidade de Deus, que é
uma assembleia dos santos; a grande maioria à Cidade Terrena, que é uma
assembleia de pecadores.

Ideia Geral do pensamento político de Santo Agostinho

A vida do Bispo de Hipona decorre num período em que a Igreja já não é negada pelo
imperador de Roma, nem os cristãos são perseguidos pelo poder político, mas em que
o Imperio está no fim. As invasões bárbaras começaram; Roma será conquistada por
Alarico em 410. E todos se interrogaram sobre se não terá sido o Cristianismo o
grande responsável pela e derrocada: o povo convence-se de que todos
os males derivam de já não se oferecerem sacrifícios aos deuses antigos;
a elite conclui que os caracteres específicos da doutrina e da
prática cristãs- designadamente a caridade, o amor ao próximo perdão- constituem
factores de amolecimento do povo e do Império Romano. “Não haverá um nexo de
causalidade entre a generalização do Cristianismo e a decadência
do poderio de Roma?”

É neste pano de tundo que SANTO AGOSTINHO, se empenha em redigir, durante


catorze anos, o monumental trabalho
De Civitate Dei, que tem como propósito principal a refutação
destas teses o repúdio de tais temores.1

Na Cidade de Deus, os cinco primeiros livros tratam da


1
D SAINT AUGUSTIN, La Cik de Dieu, ed. de G. Bardy, Bruxelas, de Brouwer, 1959, 5 volumes. Existe uma boa aduao pornuguesa, a DIAs PEREIRA: A Cidade de Des ed.
"Fundaçao Calouste an Lisboa, vol. L, 1991, vol. II, 1993 e ol ,

7
"impotência social do paganismo"; os cinco seguintes, da sua
impotência espiritual; os quatro posteriores, da "formação das
duas cidades (a de Deus e a terrena); os quatro seguintes, das
"lutas entre as duas cidades; e os quatro últimos, do "triunfo
da cidade celeste". Nesta obra, a mais importante de Santo Agostinho sob
o ponto de vista das ideias políticas, são tratados vários problemas de relevo -a
distinção entre as duas cidades, uma concepção particular sobre a natureza humana,
a noção de Estado, a sociedade e o poder, a paz, as funções da autoridade e, enfim, a
relações entre a Igreja e o Estado.

A paz para Santo Agostinho

A principal finalidade a prosseguir no uso do poder é, para SANTO Agostinho, a


preservação da paz. E a primeira vez que o tema da paz é assumido como tema de
pregação da igreja Católica e na História das Ideias Políticas e assim perdurara,
embora com excepções e intermitências, até aos nossos dias.
A propósito dos fins últimos das duas cidades, o nosso autor trata do supremo bem e
do supremo mal, sublinhando do lado dos males que afligem o homem o uso
destemperado da força, a insegurança da vida individual, doméstica e social, o abuso
da tortura, a divisão do mundo e a atrocidade das guerras (quantas guerras, quantos
massacres, quanta efusão de sangue") (A Cidade de Deus, liv. XIX, 5-9). SANTO
AGOSTINHO considera então que "a paz é o Supremo bem da Cidade". Existe uma
"aspiração universal em direcção à paz". "Quem quer que observe um pouco as coisas
humanas e a nossa natureza comum, reconhecê-lo-á comigo: do mesmo modo que
todos desejam a alegria, não há ninguém que não ame a paz. Já que mesmo aqueles
que querem a guerra pretendem seguramente outra coisa senão a vitória, é pois uma
paz gloriosa que eles aspiram ao fazer a guerra.

Noção de Estado.

Na concepção agostiniana, a graça de Deus não serve para porquanto só libera uma
pequena minoria da grande massa dos pecadores: por isso, se a graça divina é
inadequada à estruturação da vida social, outros meios têm de ser encontrados. Esses
meios são organizados pelo Estado: a prevenção, a sanção, a repressão.
A paz e a segurança terrena devem ser asseguradas por “mão pesada”- a coacção e
a punição, em ordem evitar que elas sejam destruídas pelas forças poderosas do
pecado. Assim, o principal instrumento do Estado para obter a paz e a segurança é o
sistema jurídico, o Direito.
O Direito garantido pela força do Estado, é o mecanismo que serve para assegurar a
paz e a segurança entre os Homens pecadores: mas que ninguém se iluda, o Direito
não consegue actuar sobre as consciências e mudar a vontade e os motivos os
Homens, apenas consegue actuar sobre os seus comportamentos exteriores, evitando
que os Homens cometam agressões punindo-as e reprimindo-as.

8
Dever de obediência ao Poder político
Baseado na doutrina já nossa conhecida de S. PAULO, o bispo de Hipona
entende que todo o poder vem de Deus, por conseguinte, considera que o Estado é
um instrumento ordenado por Deus é mesmo "um dom de Deus aos homens". Desta
ideia resultam duas consequências da maior importância.
A primeira é que o dever de obediência é absoluto: não há limitações ao Poder dos
governantes, não há espaço para justificação da desobediência ou para quaisquer
formas de resistência dos governados. A segunda consiste em que os homens não
podem distinguir entre bons e maus governantes, entre formas de governo
justas e injustas (como fazia ARISTOTELES): a todos se deve
por igual, obediência. Mesmo em relação à tirania mais cruel
SANTO AGOSTINHO defende a obediência completa e não
admite qualquer forma de luta. Neste ponto, o pensamento dos
doutores da Igreja evoluirá muito, como veremos ao estudar
São Tomás De Aquino. O dever de obediência a todas as leis e decisões dos
governantes só é excluído pelo bispo de Hipona quando elas seu
directamente contrárias à lei de Deus: mas mesmo nesse
os governantes poderāo punir a desobediência dos seus súbitos,
e estes devem aceitar resignadamente, e sem resistência, as penas
que Ihes forem aplicadas pelo facto de terem desobedecidos.

Igreja e Estado

Para começar, importa ter presente que uma coisa foi o pensamento genuíno de
SANTO AGOSTINHO Correcto, ortodoxo, assente na doutrina da clara diferenciação
entre o espiritual e o temporal- e outra coisa, bem diversa, foi a concepção que nos
séculos seguintes se atribuiu ao bispo de Hipona da supremacia da Igreja sobre o
Estado.

Outros padres da Igreja iam mais longe, Santo Agostinho manteve-se na posição
tradicional do Cristianismo primitivo. E especificava mesmo que a igreja, por amor da
concórdia civil, deve aceitar o Estado tal como ele é, com os erros e insuficiências que
inevitavelmente o caracterizam, oferecendo-lhe, na pessoa dos seus fiéis, cidadãos
bons e virtuosos. A Igreja devia ser, assim, uma verdadeira escola de civismo. Mas
houve dois factores de peso que contribuíram para abrir as portas, nos séculos
seguintes, ao que ficou a ser conhecido como "agostinianismo político", ou a doutrina
da supremacia da Igreja sobre o Estado.

A doutrina de Santo Agostinho favorável à intervenção do Estado contra as seitas


heréticas os donatistas, os parmeneanos, os pelágicos): na medida em que o bispo de
Hipona defendeu dever o Estado punir com leis hereges- funcionando assim na prática
como “braço secular” da Igreja, e aceitando as definições da verdade religiosa dadas
por esta-, não há dúvida de que contribuiu poderosamente para acentuar a ideia de
subordinação do Estado à Igreja.

9
Se há dois amores, há duas cidades.
“Dois amores fazem duas cidades”, diz Santo Agostinho. O próprio doutor descreve os
dois princípios constitutivos das duas cidades: “São dois os amores, diz ele, em que
um é puro, e o outro impuro; um junta, e o outro espalha; um quer o bem comum em
vistas da sociedade celeste, e o outro se vale do bem comum e submete-o a seu
domínio por orgulho e prevalência; um submete-se a Deus, e o outro Lhe tem inveja;
um é tranqüilo, e o outro turbulento; um é pacífico, e o outro sedicioso; um prefere a
verdade aos louvores dos palradores, e o outro é ávido de louvores, quaisquer sejam
suas fontes; um deseja ao próximo o bem que para si deseja, e o outro deseja
submeter o próximo; um governa os homens para o bem do próximo, e o outro para
seu proveito; esses dois amores, de que já se imbuíam os anjos, um nos bons, e o
outro nos maus, esses dois amores erigiram duas cidades por entre os homens” (De
Genesi ad litt., Lib. XI, c. XV.).

A cidade de Deus é obra de Deus, por um ato santíssimo e boníssimo do Criador, o


qual ato, chamando as criaturas racionais à existência, chama-lhes também à graça e,
finalmente, à glória, constituindo deles e neles a cidade obra de Suas mãos.

Nessa cidade, tudo é bem, já que de Deus vem; tudo é bom, já que para Deus vai;
tudo é feliz, já que em Deus permanece para sempre.

A cidade do mundo é obra da criatura que se apartou de Deus por desobediência, que
vive sem Deus sob o pretexto duma falsa liberdade, e que enfim se dirige à uma
infelicidade sem termo no inferno, lá onde os desgraçados terão fome e sede de Deus,
e não as poderão saciar Nele.

A cidade de Deus, visão da paz, é Jerusalém; aí os corações gozam da eterna paz


interior, mas raramente da paz exterior, e deverão sustentar, na maior parte das
vezes, uma guerra encarniçada.

A cidade do mundo não tem paz interior, e raramente a paz exterior; por isso a
Escritura compara-a ao mar: “Os perversos são como o mar agitado que se não pode
acalmar, cujas vagas cospem a espuma e o lodo; não há paz para os ímpios, assim
disse meu Deus”. (Is 57, 20-21.)

A cidade de Deus percorre o tempo para alcançar a eternidade, seu coração fixa-se no
Deus que não passará: eis por que os males presentes são impotentes para lhe retirar
a paz interior.

A cidade do mundo, desesperada da eternidade, deseja fixar-se no tempo, mas o


tempo se não fixa nela e lhe rouba a cada dia os objectos de seus falsos prazeres: eis
porque não tem a paz.

As duas cidades actualmente se confundem e exteriormente se misturam: o filho de


Jerusalém se debate com os de Babilónia: podem habitar juntos sob o mesmo teto,
viver à mesma mesa, comer o mesmo pão, mas não têm no coração o mesmo amor.
Este é, como disséramos, o princípio de distinção entre as duas cidades no presente,
tanto como será a causa de sua separação na eternidade.

10
Conclusão

Pude concluir que a Idade Média, a Idade Média teve início na Europa com as
invasões germânicas (bárbaras), no século V, sobre o Império Romano do Ocidente.
Essa época estendeu-se até o século XV, com a retomada comercial e o renascimento
urbano. A Idade Média se caracterizou, principalmente, pela economia ruralizada,
enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica, sistema de produção feudal
(feudalismo) e sociedade hierarquizada.

O poder jurídico, económico e político se concentravam nas mãos dos senhores


feudais, donos de lotes de terras (feudos). Algumas decisões jurídicas eram, em
alguns casos, decididas com a participação do clero (principalmente papas e bispos).

Foi o pensamento genuíno de SANTO AGOSTINHO Correcto, ortodoxo, assente na


doutrina da clara diferenciação entre o espiritual e o temporal- e outra coisa, bem
diversa, foi a concepção que nos séculos seguintes se atribuiu ao bispo de Hipona da
supremacia da Igreja sobre o Estado. Aqui podemos ver um dos factos que
caracterizou a idade média, neste caso foi supremacia da igreja católica e Santo
Agostinho foi uma das principais entidades neste processo.

11
Referências Bibliográficas

AGUIAR, Lilian Maria Martins de. "O poder da Igreja Católica no mundo feudal "; Brasil
Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-poder-igreja-catolica-
no-mundo-feudal.htm. Acesso em 09 de abril de 2021.

Comentário sobre "As duas cidades" de Santo Agostinho | Permanência


(permanencia.org.br)

Cristianismo - História do Cristianismo - História do Mundo (historiadomundo.com.br)

Cultura e civilização medieval - Grupo Escolar

Freitas, de Amaral, História das ideias Políticas Vol.1

Idade Média - Principais Fatos e Características da Alta Idade Média e da Baixa Idade
Média (grupoescolar.com)

O poder da Igreja Católica no mundo feudal - Brasil Escola (uol.com.br)

Santo Agostinho - Toda Matéria (todamateria.com.br)

12

Você também pode gostar