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DIREITO PROCESSUAL

PENAL MILITAR

INQUÉRITO POLICIAL MILITAR E AÇÃO PENAL MILITAR

Livro Eletrônico
DIREITO PROCESSUAL PENAL MILITAR
Inquérito Penal Militar e Ação Penal Militar
Prof. Douglas Vargas

SUMÁRIO
Introdução.................................................................................................3
Inquérito Policial Militar................................................................................4
Início do IPM...............................................................................................9
Formas de Instauração do IPM (Art. 10 do CPPM).......................................... 11
Sigilo....................................................................................................... 12
Investigação pelo MP................................................................................. 13
Posto do Infrator....................................................................................... 14
Designação do Escrivão.............................................................................. 15
Responsabilidades da Autoridade................................................................. 15
Prazos para Finalização do IMP.................................................................... 17
Encerramento do IPM................................................................................. 18
Indiciamento............................................................................................ 18
Arquivamento........................................................................................... 19
Devolução do IPM...................................................................................... 22
Ação Penal Militar...................................................................................... 22
Juiz, Auxiliares e Partes do Processo............................................................ 24
Das Partes................................................................................................ 30
Atribuições, Princípios e Garantias............................................................... 32
Restrições................................................................................................ 32
Suspeição................................................................................................. 33
Do Assistente da Acusação......................................................................... 34
Acusado, Defensor e Curador...................................................................... 36

Da Defensoria Pública................................................................................ 39
Resumo.................................................................................................... 40

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Inquérito Penal Militar e Ação Penal Militar
Prof. Douglas Vargas

DOUGLAS DE ARAÚJO VARGAS


Agente da Polícia Civil do Distrito Federal, aprovado em 6º lugar no con-
curso realizado em 2013. Aprovado em vários concursos, como Polícia
Federal (Escrivão), PCDF (Escrivão e Agente), PRF (Agente), Ministério
da Integração, Ministério da Justiça, BRB e PMDF (Soldado – 2012 e
Oficial – 2017).

Introdução

E aí, aluno(a)!

Na aula de hoje, vamos entrar na parte mais prática de nossa disciplina. Iremos

compreender melhor a persecução penal dos crimes militares.

Iremos tratar dos seguintes tópicos:

• Inquérito Policial Militar;

• Ação Penal Militar;

• Juiz, Auxiliares, Peritos e Intérpretes;

• Acusação e Assistente;

• Acusado, defensor e curador.

Pode ir buscar seu café. É hora de DETONAR essa disciplina!

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Inquérito Policial Militar

Cena do Filme “Questão de Honra, 1992”

Talvez você já deva ter assistido ao filme “Questão de Honra”, estrelado por

Tom Cruise, no qual dois fuzileiros americanos são acusados de terem participado

de uma punição extraoficial, que resultou na morte de um soldado, em sua base

militar.

No filme, Tom Cruise interpreta o advogado dos fuzileiros, atuando em juízo

com o objetivo de inocentá-los das acusações e de encontrar o verdadeiro culpado

pela morte da vítima.

Fato é que, nesse contexto, estamos falando da persecução penal de um crime

militar (praticado por militares, contra um militar e dentro de uma base militar).

Mas a questão que o filme não apresenta é a seguinte: como começou (ou deveria

começar) a persecução penal na esfera militar?

Primeiramente, vamos relembrar um dos tópicos da aula passada. O fluxo pro-

cessual penal, na esfera COMUM, normalmente segue os seguintes estágios:

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Isso é básico, eu sei. Mas é muito importante relembrar esse conceito (extraído

do Direito Processual Penal), pois a regra geral para os crimes militares é a mes-

ma: será instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para a apuração dos crimes

militares, porém, sob competência da Polícia Judiciária Militar, sendo con-

duzido por uma autoridade de tal órgão.

Veja que a finalidade é a mesma e o resultado é o mesmo: o IPM será encami-

nhado para o Poder Judiciário e servirá como base para o oferecimento da denúncia.

Veja, portanto, que o filme Questão de Honra “pula” uma etapa preliminar da

persecução penal, visto que a narrativa já nos leva para a fase judicial da apuração

do delito. Mas, como você acabou de aprender, via de regra, o início da apuração

criminal se dá com a instauração do inquérito (IPM), sendo que apenas

posteriormente adentra-se a fase processual.

Por exemplo:

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Veja como a conduta de John, Rey e Logan é praticamente a mesma (furto, ou

seja, subtrair coisa alheia móvel), mas varia entre crime militar e crime comum,

bem como em relação à esfera em que o delito foi praticado (Estadual ou Fe-

deral).

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Mesmo assim, é possível verificar como os procedimentos (o IP e o IPM) são

parecidos. O nome do procedimento muda, mas a finalidade é a mesma: obter

elementos de prova para subsidiar a formação da opinião do membro do Ministério

Público!

Ótimo. Já sabemos que o IPM é a peça PRELIMINAR instaurada pela Polícia

Judiciária Militar na apuração de um determinado crime militar, e que tal proce-

dimento muito se assemelha com o Inquérito Policial Comum. Mas qual o conceito

FORMAL para fins de prova?

Conceito

Segundo Fabiano Prestes, “o inquérito policial militar é o conjunto de diligên-

cias realizadas pela polícia judiciária (militar) com o objetivo de apurar

fato que configure crime militar, e de sua autoria, ministrando elementos

necessários à propositura da ação penal.”

No mesmo sentido, ainda é obrigatória a leitura do CPPM:

Art. 9º O inquérito policial militar é a apuração sumária de fato, que, nos termos
legais, configure crime militar, e de sua autoria. Tem o caráter de instrução
provisória, cuja finalidade precípua é a de ministrar elementos necessários à
propositura da ação penal.
Parágrafo único. São, porém, efetivamente instrutórios da ação penal os exames, perí-
cias e avaliações realizados regularmente no curso do inquérito, por peritos idôneos e
com obediência às formalidades previstas neste Código.

Não há dúvida, portanto, quanto às inúmeras semelhanças entre o inquérito po-

licial (IP) e o IPM. E é muito importante que você perceba que a principal diferença

entre ambos está nas autoridades responsáveis por conduzi-los e no seu objeto.

Vejamos:

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Observação de Leitura

Em nossa aula introdutória, deixei claro que o estudo do Direito Processual Pe-

nal é indispensável para um bom entendimento do Direito Processual Penal Militar.

Isso porque grande parte das normas são aproveitadas pelo CPPM, que utiliza o

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CPP de forma subsidiária (até para não ter que reescrever tudo que está no CPP e

resultar em uma enorme duplicação de normas).

Para você ter uma ideia, o CPPM possui 20 artigos (art. 9º ao 28º) tratando do

Inquérito Policial Militar. O CPP possui também 20 artigos (art. 4º ao 23º) tratando

sobre o Inquérito Policial, e todas as normas ali contidas são aplicáveis subsidia-

riamente ao inquérito policial militar, naquilo em que não conflitarem com

o CPPM!

Em termos de Direito Processual Penal e Processual Penal Militar, a leitura dos pon-

tos importantes de cada Código é OBRIGATÓRIA. Faça a leitura do texto de lei e,

principalmente, dos artigos mencionados nesta aula!

Início do IPM

Você já sabe que o IPM é a base para a apuração dos crimes militares, nos

termos do art. 9º do CPPM. Mas como é que se inicia, formalmente, um Inquérito

Policial Militar?

A resposta para isso está no art. 10º do CPPM, que também DEVE ser lido:

Art. 10º
a) de ofício, pela autoridade militar em cujo âmbito de jurisdição ou comando haja ocor-
rido a infração penal, atendida a hierarquia do infrator;

Lembra-se que falamos que, na esfera militar, a hierarquia deve ser respei-

tada? Pois olhe aí uma menção a essa característica! A autoridade militar que irá

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conduzir o IPM deve ocupar um posto SUPERIOR ao indivíduo contra quem se

está instaurando o procedimento!

b) por determinação ou delegação da autoridade militar superior, que, em caso de ur-


gência, poderá ser feita por via telegráfica ou radiotelefônica e confirmada, posterior-
mente, por ofício;

Como também observamos na aula introdutória, via de regra, quem possui a

competência de polícia judiciária militar são os membros do mais alto escalão –

que nem sempre podem instaurar e conduzir os IPMs diretamente.

Nesses casos, é permitida a delegação da competência, de modo que tal auto-

ridade irá determinar que um outro membro da carreira conduza um determinado

IPM, desde que também seja respeitada a regra de superioridade hierárquica entre

autoridade processante e processada.

c) em virtude de requisição do Ministério Público;

O Ministério Público é o titular da ação penal pública, e, como muitos de vo-

cês já sabem, quem pode o mais, pode o menos. Ora, se o Promotor de Justiça (ou

Procurador, dependendo da esfera) tem o poder de oferecer a denúncia contra um

determinado investigado, é claro que este também pode determinar a instauração

de IPM para apurar um determinado fato criminoso.

d) por decisão do Superior Tribunal Militar, nos termos do art. 25;

O CPPM prevê, expressamente, a possibilidade de instauração de novo in-

quérito quando surgem novas provas sobre um fato cujo inquérito anterior já foi

arquivado, por meio de decisão do STM.

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e) a requerimento da parte ofendida ou de quem legalmente a represente, ou em virtu-


de de representação devidamente autorizada de quem tenha conhecimento de infração
penal, cuja repressão caiba à Justiça Militar;

Aqui temos a famosa Notitia Criminis, ou Notícia do Crime, na qual a vítima de

um crime militar dá causa para a instauração de Inquérito Policial Militar para apu-

rar um determinado fato.

Do mesmo modo que o indivíduo pode ir à delegacia da Polícia Civil registrar

uma ocorrência e dar causa à instauração de um Inquérito Policial, o mesmo tam-

bém é possível na esfera Militar!

f) quando, de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar, resulte indício da exis-


tência de infração penal militar.

Por fim, temos a possibilidade de que uma sindicância (procedimento adminis-

trativo) encontre, durante a realização de seus trabalhos, evidências de que houve

uma possível infração penal – o que resultará na instauração de um IPM.

Resumindo:

Formas de Instauração do IPM (Art. 10 do CPPM)

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Sigilo

Sigilo do inquérito
Art. 16. O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir que dele tome co-
nhecimento o advogado do indiciado.

O inquérito – tanto o militar quanto o comum – é um procedimento adminis-

trativo sigiloso. Embora a Administração Pública seja regida pela publicidade,

excepcionalmente alguns atos necessitam de sigilo (tendo em vista o possível dano

causado com sua divulgação).

Imagine um inocente que é investigado pela polícia. O mero ato de ser investi-

gado (mesmo sendo inocente) já é capaz de gerar efeitos negativos em sua vida,

de modo que a manutenção do sigilo até a finalização do procedimento se mostra

útil e até mesmo ideal para reduzir tal repercussão.

Lembre-se, no entanto, que o sigilo do inquérito não pode ser oposto ao

defensor do investigado. Tal previsão está tanto na Súmula Vinculante n. 14 do

STF quanto no próprio Estatuto da OAB, e somente não se aplicará no caso de di-

ligências em andamento que puderem vir a ser prejudicadas com sua divulgação.

É o caso, por exemplo, de uma interceptação telefônica em andamento.

Se o defensor tomar conhecimento de tal medida, poderá informar a

seu cliente, que simplesmente irá deixar de utilizar seu telefone.

Em casos assim, o defensor tomará ciência dos autos do inquérito,

mas não da parte sobre a interceptação telefônica, de modo a não

prejudicar a medida.

Resumindo:

• o inquérito, em regra, é sigiloso;

• o sigilo não se aplica ao Juiz, ao MP e ao Defensor do acusado;

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• medidas excepcionais que possam vir a ser prejudicadas com sua divulgação

não serão comunicadas ao defensor, enquanto estiverem em execução (como

a interceptação telefônica).

Investigação pelo MP

A investigação realizada pela polícia judiciária (seja ela militar ou comum), via

de regra, é conduzida nos autos de um inquérito policial. Isso você já sabe.

Outro ponto que é bastante conhecido pelos alunos trata do fato que o próprio

Ministério Público também pode investigar, haja vista que quem pode o mais,

pode o menos (aquele que pode oferecer a denúncia pode também investigar). A

diferença é que a investigação do MP é realizada por meio do chamado PIC (Proce-

dimento de Investigação Criminal).

Isso nos leva à seguinte pergunta: pode o MP atuar em investigações de crimes

militares?

E a resposta é: depende do tribunal citado em sua prova.

Para o STM, é inadmissível a investigação direta pelo MP, o que deve resultar no

trancamento da ação penal.

Já o STF considera possível a investigação de qualquer delito pelo parquet.

“E agora, professor? O que faço na hora da prova?”

Nesse caso, é melhor optar pela estratégia mais segura. Se o examinador citar

expressamente o STM, você irá dizer que tal tribunal entende pela impossibilida-

de da investigação pelo Ministério Público. Já se o examinador citar o STF ou

não especificar o tribunal, posicione-se no sentido de que é possível, sim, a inves-

tigação pelo MP.

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Posto do Infrator

Conforme já mencionamos em nossa aula anterior, existem restrições em rela-

ção à instauração do IMP de acordo com a hierarquia do indivíduo que está sendo

investigado ou indiciado (haja vista a vedação de que o procedimento seja condu-

zido por uma autoridade de posto inferior).

Quando o infrator tem posto superior ao do comandante, diretor ou chefe de

serviço em cujo âmbito ocorreu a infração penal militar, a regra é a seguinte:

Esse assunto é interessante, pois, no curso do IMP, pode acontecer de a autori-

dade encarregada se deparar com dois problemas:

1) o procedimento se inicia de forma regular e posteriormente surgem indí-

cios contra oficial de posto superior, mais antigo;

2) a autoridade responsável pelo procedimento vir a ficar doente, ser transfe-

rida de local ou para a reserva (aposentadoria).

Embora sejam casos diferentes, em ambos o procedimento é o mesmo: a auto-

ridade responsável deverá OFICIAR à autoridade delegante para que suas funções

sejam atribuídas a outro oficial.

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No caso em que surgirem indícios contra oficial de posto superior, até que seja de-

signado o novo encarregado com posto adequado para a tarefa, o prazo de con-

clusão do inquérito deve ser interrompido.

Já no caso de doença ou transferência da autoridade, o prazo não se interrompe.

Designação do Escrivão

Uma vez que o IPM é instaurado, é necessário saber quais são os procedimentos

que devem ser realizados pela autoridade. Em primeiro lugar, é responsabilidade

do encarregado do IMP designar um escrivão, salvo se tal designação já tiver sido

feita pela autoridade delegante.

Se o indiciado é oficial, o posto de escrivão será exercido por um segun-

do ou primeiro tenente. Nos demais casos, será exercido por um sargento,

subtenente ou suboficial.

Responsabilidades da Autoridade

Uma vez que ocorre a infração penal militar e a autoridade responsável tem

notícia dela, deve, se possível, realizar algumas diligências (do mesmo modo como

ocorre no Inquérito Policial comum). São elas:

1) dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e a situ-

ação das coisas, enquanto necessário;

2) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o

fato;

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3) efetuar a prisão do infrator, em caso de flagrância;

4) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas cir-

cunstâncias.

Uma vez realizados tais procedimentos, o encarregado do inquérito deve ainda:

a) ouvir o ofendido, o indiciado e as testemunhas;

b) proceder ao reconhecimento de pessoas, coisas e acareações;

c) determinar a realização de exame de corpo de delito e de perícias relevantes;

d) determinar a avaliação e a identificação da coisa subtraída, desviada ou des-

truída;

e) proceder a buscas e apreensões;

f) tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de testemunhas, peri-

tos ou do ofendido.

É muito importante perceber a grande semelhança entre o IPM e o IP nesses ca-

sos. Afinal de contas, estamos tratando da apuração de uma infração penal militar,

que, embora atinja um bem jurídico diferente e possua uma previsão processual

especial, não deixa de ser uma infração penal em sua essência, necessitando da

realização de diligências muito parecidas (senão idênticas) para sua correta apu-

ração.

O IPM também admite a reprodução simulada dos fatos, nos mesmos moldes pro-

cessuais penais comuns.

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É interessante ainda observar a previsão do art. 14 do CPPM:


Assistência de procurador
Art. 14. Em se tratando da apuração de fato delituoso de excepcional importância ou
de difícil elucidação, o encarregado do inquérito poderá solicitar do procurador-geral a
indicação de procurador que lhe dê assistência.

O artigo 14 trata da chamada assistência do Membro do Ministério Público Mili-

tar, a qual é uma faculdade do encarregado do IMP em casos de excepcional impor-

tância ou difícil elucidação.

Prazos para Finalização do IMP

O IPM possui um PRAZO especial para sua finalização, que difere dos prazos

processuais do Inquérito Policial comum. Esse é um tópico muito importante,

e você não pode confundir esses prazos na hora da prova!

O IMP deve terminar dentro de 20 dias se o indiciado estiver PRESO, e em 40

dias, se o indiciado estiver SOLTO. Nesse último caso (indiciado SOLTO),

cabe prorrogação por mais 20 dias.

O prazo de 20 dias deve ser contado a partir da data da execução da ordem de pri-

são, e o de 40 dias deve ser contado a partir da data da instauração do inquérito.

Esquematizando para você não esquecer:

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Encerramento do IPM

O encerramento do IMP se dá com um relatório, assim como ocorre no inquérito

policial comum. A autoridade (no caso, o encarregado) irá mencionar as diligências

feitas, as pessoas ouvidas e os resultados obtidos.

Ao final, o encarregado dirá se há infração disciplinar a punir ou indício de

crime, e deverá se pronunciar, JUSTIFICADAMENTE, se há conveniência na

prisão preventiva do indiciado.

Se porventura a atribuição de abertura do IPM foi DELEGADA, o encarregado

deve enviar à autoridade delegante, para que homologue a solução, aplique a pe-

nalidade por infração disciplinar ou determine novas diligências, se for o caso.

Indiciamento

Indiciar é o ato PRIVATIVO da autoridade policial, segundo sua análise técnico

jurídica do fato, na qual é apontado um determinado indivíduo como um provável

autor de um fato delituoso.

Em palavras mais simples: o indiciamento é o ato formal no qual a autoridade

responsável por um inquérito (seja ele policial ou policial militar) declara que acre-

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dita ser uma determinada pessoa a autora de um determinado crime.

Esse ato é privativo da autoridade policial, de modo que o Juiz não pode

determinar que um Delegado de Polícia (ou encarregado de um IMP) faça o indicia-

mento de uma determinada pessoa. Esse é o posicionamento do STF!

Outras observações sobre o indiciamento e o relatório final do IPM:

Arquivamento

Você já deve ter ouvido falar, em algum momento da sua vida, sobre o arquiva-

mento de um inquérito policial. Uma vez que a autoridade (seja ela civil, federal ou

militar) finaliza a apuração de uma determinada infração penal, são possíveis dois

caminhos:

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Veja que se a autoridade entende que um determinado indivíduo praticou uma

infração penal, deverá indiciá-lo. Mas se suas diligências lhe fizeram crer que não

houve crime, ou que houve crime, mas que não existem sequer indícios

contra o investigado, não lhe cabe opinar pelo arquivamento – deverá apenas

relatar os fatos apurados.

Isso ocorre, pois, o titular da ação penal é o Ministério Público, e é a ele que

cabe a responsabilidade de oferecer a denúncia ou solicitar o arquivamento

do inquérito.

Simplificando:

Veja, portanto, que o MP não fica vinculado ao posicionamento da autoridade

responsável pelo inquérito. Isso, pois, o IPM é uma peça DISPENSÁVEL, adminis-

trativa, que serve apenas para subsidiar a formação da opinião do membro do MP!

É claro que a liberdade do MP não é absoluta, tal órgão ainda deverá observar

as provas contidas nos autos para que possa oferecer a denúncia ou pedir arqui-

vamento. O Promotor não pode denunciar alguém sem prova de materialidade e

indícios de autoria (pois, nesse caso, é dever do magistrado rejeitar a denúncia).

O que acontece é que, algumas vezes, a interpretação dos fatos pode variar, e,

nesse caso, entre o posicionamento da autoridade do inquérito e o do membro do

MP, prevalecerá a opinião deste último.

Por isso, lembre-se sempre: autoridade (seja policial ou militar) não pode

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mandar arquivar autos de inquérito. Essa atribuição é do membro do MP!

Outro ponto relevante está na Súmula n. 524 do STF:

Arquivado o inquérito policial, por despacho do Juiz, a requerimento do promotor de


justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.

Ou seja, uma vez que não foram descobertas provas suficientes pela autoridade

responsável, e tal insuficiência de provas resulte no arquivamento do inquérito (seja

ele IP ou IPM), este não pode ser aberto, a não ser que surjam novas provas.

Simplificando o que estudamos até aqui:

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Devolução do IPM

Existe ainda outra possibilidade. O IPM, uma vez nas mãos do Ministério Público,

pode retornar às mãos da autoridade policial militar, no caso em que o MP requisi-

te diligências que são por ele consideradas imprescindíveis para o oferecimento da

denúncia. Nesse caso, o prazo não poderá ultrapassar 20 dias.

Ação Penal Militar

Você já sabe que, uma vez que o IPM é finalizado, esse é encaminhado ao
membro do Ministério Público, para que este possa se manifestar sobre o fato em
apuração (solicitando o arquivamento ou oferecendo a denúncia).
Uma vez que a denúncia é oferecida (o MP entende que houve crime e que
existem indícios suficientes de autoria para que o investigado seja levado a juízo),
inicia-se a fase processual da persecução penal.
Nesse ponto, o estudo detalhado (assim como ocorre no inquérito policial) deve
ser realizado no âmbito do Direito Processual Penal – do qual o CPPM “pega em-
prestado” a maior parte das normas. Nosso foco, é claro, estará nas peculiaridades

da Ação Penal Militar.

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Natureza

Em regra, a ação penal militar é pública e é promovida pelo Ministério Público

Militar (por força do princípio da OFICIALIDADE).

Não existe, no processo penal militar, a ação penal privada personalíssima.

Quando o Ministério Público deixa de agir no prazo determinado por lei, surge para
o ofendido o direito constitucional à chamada ação penal privada subsidiária da
pública.
Embora tal instituto não esteja previsto expressamente no CPPM, ele é aplicável ao
processo penal militar, utilizando subsidiariamente as previsões contidas no Código
de Processo Penal comum.

Apenas excepcionalmente é que a ação penal, na esfera castrense, será pública


condicionada à requisição. São os seguintes casos:

Eu não vou pedir que você decore, especificamente, quais são os crimes pre-
vistos no CPM que são processados por meio de ação penal pública condicionada à
requisição. Meu único objetivo é que você saiba que existe essa possibilidade!
Resumindo:

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Leitura Obrigatória

Para finalizar seu estudo do assunto ação penal militar, é essencial que você

faça a leitura dos artigos 29 a 33 do CPPM.

Juiz, Auxiliares e Partes do Processo

Os sujeitos processuais envolvidos no processo penal militar estão previstos en-

tre os artigos 36 a 76 do CPPM. Não preciso nem dizer, né? A leitura de tais artigos

é obrigatória para uma boa preparação!

Assim como nos demais assuntos de nossa aula, tenha em mente que boa parte

dos conceitos aqui apresentados só são abordados de forma mais aprofundada em

nosso estudo do Código de Processo Penal Comum, haja vista que este é um código

mais completo e que é utilizado de forma subsidiária pelo CPPM.

Deixando de lado essas questões preliminares, vamos ao primeiro sujeito pro-

cessual: o magistrado.

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Do Juiz

Função do juiz
Art. 36. O juiz proverá a regularidade do processo e a execução da lei, e manterá a
ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a força militar.

Juiz é uma palavra que vem do latim iudex, ou seja, aquele que julga.

Sua atribuição, no entanto, não se restringe a exercer a atividade jurisdicional e

julgar conflitos de interesse. O Juiz tem muito mais responsabilidades, entre elas a

de prover a regularidade do processo e a correta execução da lei.

Com base nessa preocupação em garantir a regularidade do processo e a im-

parcialidade do julgador, o CPPM também apresenta causas de impedimento e

suspeição dos magistrados, entre seus artigos 37 e 38.

Normalmente, as causas de suspeição e impedimento são cobradas pelas bancas

sob o tópico incidentes processuais, e não por meio do tópico sujeitos proces-

suais.

Mesmo assim, é recomendável fazer a leitura dos artigos 37 e 38 do CPPM, apenas

por segurança.

É ainda interessante notar que o CPPM não entra em detalhes sobre a figura do

magistrado, limitando-se a tratar sobre o assunto impedimento e suspeição e suas

causas. Conforme já observamos, grande parte da matéria é tratada diretamente

no CPP.

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Dos Auxiliares

Funcionários e serventuários da Justiça


Art. 42. Os funcionários ou serventuários da justiça Militar são, nos processos em que
funcionam, auxiliares do juiz, a cujas determinações devem obedecer.

Nos moldes do art. 42 do CPPM, os serventuários da Justiça são responsáveis

por auxiliar o Juiz, acatando suas determinações para o regular andamento do pro-

cesso.

Entre os auxiliares da justiça, são dignos de observação:

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Dos Peritos e Intérpretes

Nomeação de peritos
Art. 47. Os peritos e intérpretes serão de nomeação do juiz, sem intervenção das par-
tes.

A atividade de perícia é essencial para o funcionamento da prestação jurisdicio-

nal estatal. Isso, pois, em determinadas situações, é necessário que um especia-

lista em um determinado assunto, devidamente habilitado, verifique ou esclareça

um fato determinado, sobre o qual o próprio magistrado não possui qualificação

técnica.
No âmbito da Justiça Militar, os peritos e intérpretes são nomeados pelo magis-
trado, nos termos do art. 47. A nomeação é realizada preferencialmente entre
oficiais da ativa, desde que atendida a especialidade necessária para sua
correta atuação.

Note que a previsão de nomeação entre os oficiais da ativa é expressamente


prevista no CPPM:

Preferência
Art. 48. Os peritos ou intérpretes serão nomeados de preferência dentre oficiais da
ativa, atendida a especialidade.

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O mesmo se aplica ao compromisso de bem desempenhar a função:

Compromisso legal
único. O perito ou intérprete prestará compromisso de desempenhar a função com obe-
diência à disciplina judiciária e de responder fielmente aos quesitos propostos pelo juiz
e pelas partes.

Note que, nesse caso, os peritos se diferem dos peritos oficiais de carreira,
sobre os quais versa o CPP. Peritos de carreira, como peritos criminais da
Polícia Civil ou Polícia Federal, não precisam prestar compromisso, pois já
o fizeram quando tomaram posse em seus cargos públicos!

Recusa
Seguindo em frente, temos que o encargo de perito ou intérprete, uma vez
designado pelo magistrado, em regra, não pode ser recusado, salvo motivo rele-
vante que será apreciado pelo próprio Juiz:

Encargo obrigatório
Art. 49. O encargo de perito ou intérprete não pode ser recusado, salvo motivo relevan-
te que o nomeado justificará, para apreciação do juiz.

A recursa injustificada inclusive pode acarretar multa:   

Penalidade em caso de recusa


Art. 50. No caso de recusa irrelevante, o juiz poderá aplicar multa correspondente até
três dias de vencimentos, se o nomeado os tiver fixos por exercício de função; ou, se
isto não acontecer, arbitrá-lo em quantia que irá de um décimo à metade do maior sa-
lário mínimo do país.

Casos Extensivos
A designação do oficial como perito é de severa importância para o bom anda-
mento do processo. Por esse motivo, a pena de multa prevista no art. 50 se esten-
de também a outros casos em que o perito não se recusar mais for negligente com

suas atribuições, a saber:

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Casos extensivos
Parágrafo único. Incorrerá na mesma pena o perito ou o intérprete que, sem justa causa:
a) deixar de acudir ao chamado da autoridade;
b) não comparecer no dia e local designados para o exame;
c) não apresentar o laudo, ou concorrer para que a perícia não seja feita, nos prazos
estabelecidos.

Observações Finais sobre os Peritos e Intérpretes

O CPPM versa ainda sobre a condução coercitiva do perito que, sem justa

causa, deixar de comparecer ao ato processual para o qual foi convocado (art. 51),

bem como sobre as causas específicas de impedimento dos peritos (art. 52).

Ambos os artigos devem ser lidos:

Não comparecimento do perito


Art. 51. No caso de não comparecimento do perito, sem justa causa, o juiz poderá de-
terminar sua apresentação, oficiando, para esse fim, à autoridade militar ou civil com-
petente, quando se tratar de oficial ou de funcionário público.
Impedimentos dos peritos
Art. 52. Não poderão ser peritos ou intérpretes:
a) os que estiverem sujeitos a interdição que os inabilite para o exercício de função
pública;
b) os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o
objeto da perícia;
c) os que não tiverem habilitação ou idoneidade para o seu desempenho;
d) os menores de vinte e um anos.

Por fim, cabe notar que, assim como ocorre com os auxiliares da justiça, também

aos peritos e intérpretes é aplicável o regramento de suspeição dos magistrados:

Suspeição de peritos e intérpretes


Art. 53. É extensivo aos peritos e intérpretes, no que lhes for aplicável, o disposto sobre
suspeição de juízes.

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Das Partes

Passamos agora ao Capítulo II do Título VI do CPPM, que trata das partes. A

primeira parte que será objeto de nosso estudo é a acusação, representada na

figura do Ministério Público e cujo regramento específico na esfera castrense co-

meça no art. 54 do Código em estudo.

Do Acusador

Ministério Público
Art. 54. O Ministério Público é o órgão de acusação no processo penal militar, cabendo
ao procurador-geral exercê-la nas ações de competência originária no Superior Tribunal
Militar e aos procuradores nas ações perante os órgãos judiciários de primeira instância.

Antes de mais nada, é interessante relembrar o que dispõe a Constituição Fede-

ral sobre o Ministério Público:

Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional


do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis.

Apenas por curiosidade, o MP atualmente se divide da seguinte forma:

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Veja, portanto, que, no processo penal militar, é o Ministério Público Militar

que exerce a função de órgão de acusação, sendo este um “braço” do Ministério

Público da União (MPU).

Lembre-se que, embora órgão de acusação, o MPM não tem a obrigação de acusar

em todos os casos, podendo opinar tanto pelo arquivamento do IPM quanto pela

absolvição do acusado, a depender do andamento do processo.

O próprio CPPM faz a previsão expressa nesse sentido:

Pedido de absolvição
Parágrafo único. A função de órgão de acusação não impede o Ministério Público de
opinar pela absolvição do acusado, quando entender que, para aquele efeito, existem
fundadas razões de fato ou de direito.

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Atribuições, Princípios e Garantias

É importante também conhecer algumas características relacionadas ao MP, as

quais podem ser cobradas em sua prova mesmo que não estejam previstas expres-

samente no CPPM. São elas:

Restrições

Em alguns casos, o membro do MP também não pode funcionar no processo. A

previsão se encontra no art. 57 do CPPM, que também é digna de leitura:

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Art. 57. Não pode funcionar no processo o membro do Ministério Público:


a) se nele já houver intervindo seu cônjuge ou parente consanguíneo ou afim, até o
terceiro grau inclusive, como juiz, defensor do acusado, autoridade policial ou auxiliar
de justiça;
b) se ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções;
c) se ele próprio ou seu cônjuge ou parente consanguíneo ou afim, até o terceiro grau
inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.

Já os casos de suspeição estão listados no art. 58:

Suspeição

Art. 58. Ocorrerá a suspeição do membro do Ministério Público:


a) se for amigo íntimo ou inimigo do acusado ou ofendido;
b) se ele próprio, seu cônjuge ou parente consanguíneo ou afim, até o terceiro grau
inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado pelo
acusado ou pelo ofendido;
c) se houver aconselhado o acusado;
d) se for tutor ou curador, credor ou devedor do acusado;
e) se for herdeiro presuntivo, ou donatário ou usufrutuário de bens, do acusado ou seu
empregador;
f) se for presidente, diretor ou administrador de sociedade ligada de qualquer modo ao
acusado.

Por fim, o legislador ressalta que os artigos 39, 40 e 41 do CPPM (normas apli-

cáveis aos magistrados) também se estendem aos membros do MP.

Suspeição entre adotante e adotado


Art. 39. A suspeição entre adotante e adotado será considerada nos mesmos termos
da resultante entre ascendente e descendente, mas não se estenderá aos respectivos
parentes e cessará no caso de se dissolver o vínculo da adoção.
Suspeição por afinidade
Art. 40. A suspeição ou impedimento decorrente de parentesco por afinidade cessará
pela dissolução do casamento que lhe deu causa, salvo sobrevindo descendentes. Mas,
ainda que dissolvido o casamento, sem descendentes, não funcionará como juiz o pa-
rente afim em primeiro grau na linha ascendente ou descendente ou em segundo grau
na linha colateral, de quem for parte do processo.

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Suspeição provocada
Art. 41. A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida, quando a parte inju-
riar o juiz, ou de propósito der motivo para criá-la.

Observações Importantes sobre o MP

São dois pontos relevantes sobre a acusação, dos quais você precisa tomar nota

para fins de prova:

Do Assistente da Acusação

Em alguns casos, o ofendido, seu representante legal e seu sucessor po-

dem vir a habilitar-se de modo a intervir no processo como assistentes do Ministé-

rio Público.

O assistente da acusação possui o direito de realizar as seguintes ações:

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Muitas vezes, a vítima tem maior interesse em participar da apuração da infra-

ção penal (principalmente quando há a possibilidade de reparação civil dos danos

por ela sofridos). Esse é um dos motivos pelo qual surge a figura do assistente da

acusação.

Admissibilidade

É responsabilidade do juiz do processo, ouvido o MP, permitir ou negar a ad-

missão do assistente da acusação. Nesse sentido, é importante fazer a leitura do

art. 62 do CPPM:

Oportunidade da admissão
Art. 62. O assistente será admitido enquanto não passar em julgado a sentença e re-
ceberá a causa no estado em que se achar.

Cabe ressaltar, no entanto, que o ofendido que também é acusado no mes-

mo processo não pode atuar como assistente, salvo se absolvido por sen-

tença transitada em julgado.

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Recurso

Uma vez que o magistrado (ou colegiado) decida pelo indeferimento da assis-

tência, é cabível o recurso, entretanto, sem efeito suspensivo.

Observações

São observações relevantes sobre a atuação do assistente da acusação:

1) o processo sempre seguirá seu curso regular, independentemente de qual-

quer aviso ao assistente da acusação, salvo notificação para assistir ao

julgamento;

2) a admissão do assistente pode ser cassada pelo magistrado, caso este tu-

multue o processo ou infrinja a disciplina judiciária;

3) a assistência sempre é exercida por meio de advogado constituído ou pela

Defensoria Pública;

4) por fim, da assistência não pode decorrer impedimento do magistrado, do

membro do MP ou do escrivão. Ao invés disso, o juiz deverá cassar a admis-

são do assistente.

Jurisprudência Relevante

Ainda sobre o assistente da acusação, é importante tomar nota de que, segundo

o STJ, se a Defensoria Pública atuar como representante do assistente da acusa-

ção, não é necessária a juntada de procuração com poderes especiais.

Acusado, Defensor e Curador

Para finalizar o estudo dos sujeitos processuais, sob o prisma do CPPM, falta

falar sobre o acusado, seu defensor e sobre o curador.

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O acusado, como é de se imaginar, é aquele a quem é imputada a práti-

ca de infração penal, através da denúncia que foi recebida pelo magistrado

(art. 69 do CPPM).

Como ocorre em qualquer tipo de processo penal (inclusive o militar), nenhum

acusado pode ser processado sem defensor – ainda que ausente ou fora-

gido. Lembre-se que a falta de defesa técnica (exercida por bacharel em Direito) é

causa de NULIDADE ABSOLUTA do processo!

É por esse motivo que o juiz deverá nomear a Defensoria Pública para atuar na

defesa do acusado que não possuir defensor constituído, o que não limita o direito

do acusado de, a qualquer tempo, constituir advogado de sua confiança.

Também no âmbito do processo penal militar, a constituição de defensor

independe de instrumento de mandado, caso o acusado o indique por oca-

sião do interrogatório ou em outra fase processual, por meio de termo nos

autos.

Abandono da Causa

O parágrafo 7º do art. 71, que trata sobre o abandono da causa pelo defensor,

merece especial destaque:

Sanções no caso de abandono do processo


§ 7º No caso de abandono sem justificativa, ou de não ser esta aceita, o juiz, em se
tratando de advogado, comunicará o fato à Seção da Ordem dos Advogados do Brasil
onde estiver inscrito, para que a mesma aplique as medidas disciplinares que julgar ca-
bíveis. Em se tratando de advogado de ofício, o juiz comunicará o fato ao presidente do
Superior Tribunal Militar, que aplicará ao infrator a punição que no caso couber.

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Nesse caso (de abandono ou renúncia do advogado constituído), antes que a


Defensoria seja chamada a prestar a defesa técnica para o acusado, deverá este
ser intimado, para que constitua novo advogado. Apenas se não o fizer é que o
magistrado irá encaminhar os autos à Defensoria Pública.

Curador
O CPPM é um código antigo (anterior até mesmo à Constituição Federal) e que
ainda trata, em seu artigo 72, sobre a nomeação de curador para o acusado inca-
paz (maior de 18 anos e menor de 21 anos).
Entretanto, tal situação só era possível na vigência do antigo Código Civil, de
modo que tal artigo está desatualizado. Atualmente, como a maioridade para os
atos da vida civil se dá aos 18 anos (da mesma forma que a maioridade penal),
essa norma perdeu a razão de ser, haja vista que não se exige mais curador
para o menor de 21 anos. Esse é o entendimento do próprio STM.

Acusado Oficial
O CPPM prevê que o acusado que for oficial ou graduado não perderá as prerro-
gativas do posto ou graduação, nos moldes de seu art. 73:

Prerrogativa do posto ou graduação


Art. 73. O acusado que for oficial ou graduado não perderá, embora sujeito à disciplina
judiciária, as prerrogativas do posto ou graduação. Se preso ou compelido a apresen-
tar-se em juízo, por ordem da autoridade judiciária, será acompanhado por militar de
hierarquia superior a sua.
Parágrafo único. Em se tratando de praça que não tiver graduação, será escoltada por
graduado ou por praça mais antiga.

Observações Relevantes
Finalmente, é importante ressaltar que é aplicável ao processo penal militar o
entendimento do STF sobre a aplicação do art. 229 do CPC/2015, concedendo

prazo em DOBRO para réus que tiverem procuradores diferentes, exceto

em caso de processo eletrônico.

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Da Defensoria Pública

Para finalizar a aula de hoje, temos que falar brevemente sobre a Defensoria
Pública, cuja atuação é bastante comum na esfera Militar (principalmente na JMU).
Isso ocorre porque é muito comum que os acusados na Justiça Militar da União
sejam praças que estão participando no serviço militar obrigatório, os quais nor-
malmente utilizam dos préstimos da Defensoria Pública.
Como já observamos na aula de hoje, ninguém pode ser processado sem defesa
técnica. Por esse motivo, é cabível observar o seguinte:
1) deve ser concedido o direito para o acusado, a qualquer tempo, constituir
defensor de sua preferência;
2) nos casos em que o acusado desejar (ou em que não puder constituir defen-
sor próprio), a Defensoria Pública poderá atuar em sua defesa.

“Professor, e nas localidades que não dispõem de Defensoria Pública?”


Nesse caso, o magistrado irá nomear defensor dativo para atuar em nome do
acusado, mantendo, assim, a regularidade do processo.
Por fim, cabe destacar uma diferença que existe: quando a Defensoria Pública
atua no processo, todos os prazos serão contados em dobro, sendo que a

intimação se dará com a vista dos autos (Lei Complementar n. 80/1994,

art. 44).

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RESUMO

Persecução Penal Militar

Inquérito Policial Militar

Conceito

• O inquérito policial militar é o conjunto de diligências realizadas pela polícia

judiciária (militar), com o objetivo de apurar fato que configure crime militar

e de sua autoria, ministrando elementos necessários à propositura da ação

penal.

IP x IPM

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Formas de Instauração do IPM

Sigilo

• Art. 16. O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir que dele

tome conhecimento o advogado do indiciado.

Investigação pelo MP

• Para o STM, não é admissível.

• Para o STF, é admissível.

Posto do Infrator x IPM

• O que ocorre se o posto do infrator é superior ao do comandante, diretor ou

chefe de serviço?

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Responsabilidades da Autoridade

• Dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e a situ-

ação das coisas, enquanto necessário.

• Apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o fato.

• Efetuar a prisão do infrator, em caso de flagrância.

• Colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas cir-

cunstâncias.

• Ouvir o ofendido, o indiciado e as testemunhas.

• Proceder ao reconhecimento de pessoas, coisas e acareações.

• Determinar a realização de exame de corpo de delito e de perícias relevantes.

• Determinar a avaliação e a identificação da coisa subtraída, desviada ou des-

truída.

• Proceder a buscas e apreensões.

• Tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de testemunhas, peritos

ou do ofendido.

Prazos

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Prof. Douglas Vargas

Finalização do IPM e Arquivamento

• O titular da ação penal é o Ministério Público e cabe a ele a responsabilidade

de oferecer a denúncia ou solicitar o arquivamento do inquérito.

Ação Penal Militar

• Em regra, a ação penal militar é pública e é promovida pelo Ministério Público

Militar.

• Não existe, no processo penal militar, a ação penal privada personalíssima.

• Quando o Ministério Público deixa de agir no prazo determinado por lei, surge

ao ofendido o direito constitucional à chamada ação penal privada subsidiária

da pública.

• Embora tal instituto não esteja previsto expressamente no CPPM, ele é apli-

cável ao processo penal militar.

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Juiz, Auxiliares e Partes do Processo

Do Juiz

• Art. 36. O juiz proverá a regularidade do processo e a execução da lei, e man-

terá a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar

a força militar.

Dos auxiliares

• Art. 42. Os funcionários ou serventuários da justiça Militar são, nos processos

em que funcionam, auxiliares do juiz, a cujas determinações devem obedecer.

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Dos Peritos e Intérpretes

• Art. 47. Os peritos e intérpretes serão de nomeação do juiz, sem intervenção

das partes.

• No processo penal militar, os peritos diferem dos peritos oficiais de carreira,

sobre os quais versa o CPP. Peritos de carreira, como peritos criminais da

Polícia Civil ou Polícia Federal, não precisam prestar compromisso, pois já o

fizeram quando tomaram posse em seus cargos públicos!

Do Acusador

• Art. 54. O Ministério Público é o órgão de acusação no processo penal militar,

cabendo ao procurador-geral exercê-la nas ações de competência originária

no Superior Tribunal Militar e aos procuradores nas ações perante os órgãos

judiciários de primeira instância.

• Lembre-se que, embora órgão de acusação, o MPM não tem a obrigação de

acusar em todos os casos, podendo opinar tanto pelo arquivamento do IPM

quanto pela absolvição do acusado, a depender do andamento do processo.

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Observações sobre a Acusação

Do Assistente da Acusação

• O ofendido, seu representante legal e seu sucessor podem vir a habilitar-se

de modo a intervir no processo como assistentes do Ministério Público, com

as seguintes prerrogativas:

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Da Defensoria Pública

• Quando atua no processo, todos os prazos serão contados em dobro, sen-

do que a intimação se dará com a vista dos autos (Lei Complementar n.

80/1994, art.44).

 Obs.: os exercícios sobre os temas de hoje serão consolidados em uma única lista

de exercícios, a qual será publicada de forma separada das aulas teóricas.

Tal decisão foi tomada porque as questões de Direito Processual Penal Mili-

tar, em regra, costumam envolver diversos tópicos diferentes, e não podem

ser resolvidas com base nos conceitos de uma única aula.

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