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UFU – Faculdade de Engenharia Elétrica Transmissão de energia Elétrica (Apostila uso interno) – Cap.

TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA


LINHAS AÉREAS

Sumário

3 – Teoria da Transmissão da Energia Elétrica 79

3.1 – Introdução ............................................................................................................................. 1


3.2 – Análise Qualitativa ............................................................................................................... 1
3.2.1 – Parâmetros Elétricos de uma Linha de Transmissão ......................................................... 2
3.2.2 – O Fenômeno da Energização da Linha .............................................................................. 3
3.2.3 – Relações de Energia ......................................................................................................... 6
3.2.4 – Ondas Viajantes ............................................................................................................... 11
3.3 – Análise Matemática ............................................................................................................ 24
3.3.1 – Equações Diferenciais das LT’s ...................................................................................... 24
3.3.2 - Solução das Equações Diferenciais no Domínio da Freqüência: Linha de Corrente
Alternada em Regime Permanente ................................................................................... 24
3.3.2.1 – Interpretação das Equações das Linhas ........................................................................ 26
3.3.3 – Análise das Linhas em Regime Permanente ................................................................... 29
3.3.3.1 – Linha Aberta Junto ao Receptor ................................................................................... 30
3.3.3.2 – Linha em Curto-Circuito Permanente ........................................................................... 32
3.3.3.3 – Operação das Linhas Sob Carga ................................................................................... 33

BIBLIOGRAFIA:

FUCHS, R. D. Linhas Aéreas de Transmissão de Energia Elétrica, LTC/EFEI, 2a Ed.,1979.


U U U U

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CAPÍTULO 3

TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA

3.1 – Introdução

A distribuição das correntes e diferenças de potencial e a transferência de energia ao


longo de uma linha de transmissão podem ser analisadas por diversos processos, sendo de se
esperar que todos conduzam ao mesmo resultado. Essa análise, evidentemente, tem por
finalidade permitir ao operador chegar a expressões matemáticas finais e que serão empregadas
diretamente, na solução de problemas práticos. Se os diversos métodos conduzirem aos mesmos
resultados finais, todos deveriam ser aceitáveis. No entanto, em problemas de Engenharia, em
geral, não é suficiente procurar uma fórmula que possa ser aplicada indiscriminadamente na
solução de um problema particular, sem o conhecimento completo das limitações e
simplificações admitidas em sua derivação. Essa circunstância poderia levar ao uso indevido da
mesma. As chamadas soluções matemáticas dos fenômenos físicos, exigem normalmente,
simplificações e idealizações: a derivação matemática de uma fórmula a partir de princípios
fundamentais deve, além da fórmula propriamente dita, fornecer todas as informações referentes
às restrições, aproximações e limitações que são impostas. É fundamental que se examine com o
maior rigor, sob, o ponto de vista da generalidade, a aceitabilidade dos princípios fundamentais
adotados como ponto de partida para a sua dedução.
É importante ressaltar que, sob o ponto de vista da Física, o termo Linha de Transmissão
é aplicável a todos os elementos de circuitos que se destinem ao transporte de energia,
independentemente da quantidade de energia transportada - alguns bilhões de kWh-ano ou
apenas alguns Wh-ano. A mesma teoria geral é aplicável, feitas as necessárias ressalvas ,
independentemente do comprimento físico dessas linhas.
Antes de se tentar uma solução matemática e analise quantitativa, é de toda a
conveniência que seja efetuada uma análise qualitativa dos fenômenos eletromagnéticos de uma
linha de transmissão.

3.2 – Análise Qualitativa

Em qualquer dos casos o transporte da energia é realizado através de ondas


eletromagnéticas e qualquer estudo visando a análise da distribuição das tensões e correntes ao
longo das linhas só deve ser feito através desse prisma. O estudo das sobretensões nos sistemas
de energia elétrica também só pode ser feito dessa maneira e a análise deve partir do estudo da
propagação das ondas eletromagnéticas em linhas físicas, ou seja, em linhas constituídas por
ligações metálicas entre transmissor (fonte) e receptor (carga).
No presente texto o estudo será limitado apenas ás linhas de transmissão clássicas,
considerando somente aquelas constituídas por ligações físicas entre uma fonte de energia e um
elemento consumidor dessa energia. Os termos fonte e consumidor de energia devem aqui ser
entendidos no seu mais lato senso: transmissor e receptor de energia, respectivamente. Essa
ligação física é feita através de condutores, pelos quais circulam correntes elétricas e que são
mantidos sob diferenças de potencial, como é mostrado na Figura 3.1. Daí a necessidade da
existência de um circuito fechado, sendo que em numerosos casos, o próprio solo é utilizado
como condutor de retorno.

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Fig. 3.1 – Linha bifilar Ideal

3.2.1 – Parâmetros Elétricos de uma Linha de Transmissão

A linha de transmissão da Figura 3.1 pode ser representada por seu circuito equivalente,
mostrado na Figura 3.2, que consiste de uma indutância L [Henry/km], uma capacitância C
[Farad/km] e dos elementos representativos das perdas nos condutores: resistência r [Ohm/km]; e
perdas nos dielétricos: condutibilidade g [Siemens/km]. Este circuito equivalente é constituído
por parâmetros distribuídos.

Fig. 3.2 - Circuito equivalente de uma LT com parâmetros distribuídos.

A teoria das linhas de transmissão torna-se necessária quando os parâmetros distribuídos


ao longo do comprimento da linha afetam as relações de tensão, corrente e potência desta linha.
Os parâmetros distribuídos são utilizados porque cada centímetro da linha contém resistência,
indutância, capacitância e correntes de fuga.
Devido aos parâmetros distribuídos a corrente que entra na linha é diferente da corrente
que é fornecida á carga junto ao receptor, sem mencionar o fato que a tensão varia de ponto para
ponto ao longo da linha. Pode até acontecer que a tensão no receptor seja maior do que a tensão
no transmissor.
Em circuitos elétricos, os elementos básicos como resistores, indutores e capacitores são
tratados como dispositivos distintos, a dois terminais, que podem ser manuseados e comprados
em uma loja de materiais elétricos. Eles são conhecidos como elementos a parâmetros
concentrados. Entretanto um condutor de linha de transmissão possui resistência ao longo de
cada centímetro de seu comprimento e não podemos defini-lo como um resistor a parâmetro
concentrado.
O parâmetro distribuído g [Siemens/km] é o responsável pelas perdas nos dielétricos. Os
condutores devem ser isolados uns dos outros para que não se tenha grandes correntes circulando
diretamente de um condutor para o outro. Entretanto, uma vez que não existe material com
isolação perfeita sempre existirá uma pequena corrente de fuga entre condutores enquanto
houver uma tensão entre eles. Esta corrente pode fluir de um condutor nú passando pela cadeia
de isoladores até atingir a estrutura de suporte (metal, madeira, concreto, etc.) e através dela
passar por uma segunda cadeia de isoladores e atingir um segundo condutor. Neste caso a
corrente de fuga é uma variável que depende de sujeira, umidade, materiais envolvidos e outros
fatores que a tornam difícil ou praticamente impossível de ser calculada pela utilização de
equações. Além disso, a corrente de fuga ocorre somente nos pontos de contato mais próximos
das estruturas, o que significa que a mesma possui um espaçamento aleatório na linha.
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3.2.2 – O Fenômeno da Energização da Linha

O estudo do fenômeno de energização de uma linha, sob condições idealizadas, é de grande


utilidade para o estabelecimento de um entendimento básico dos fenômenos bastante complexos
que acontecem nas linhas. Seja, como é mostrado na Figura 3.3, uma linha de transmissão
unipolar, ideal (sem perdas - resistência nula, r = 0 e dielétrico perfeito, g = 0), representada por
seu circuito equivalente, constituído por um condutor, ao qual atribuímos todas propriedades
elétricas, e um condutor de retorno.
As propriedades elétricas do condutor são representadas pela indutância L [Henry/km] e
sua capacitância C [Farad/km], grandezas essas que são uniformemente distribuídas. Cada
elemento da linha de comprimento Δx [km] possui uma indutância ΔxL [Henry] e uma
capacitância ΔxC [Farad]. A linha, que possui ℓ [km] de comprimento, é energizada por uma
fonte de tensão constante U [volt], através de uma chave Ch. Ela possui no receptor uma carga,
representada por um dissipador de energia R2.

Fig. 3.3 – Energização de uma linha por fonte de tensão constante.

l = comprimento físico da LT [km];


I0 = corrente de carga da linha [A];
T = tempo finito para energização da LT [s].

Iniciamos a contagem dos tempos no instante que a chave Ch for ligada. Num instante
imediatamente anterior a t=0, a diferença de potencial U só existe no terminal 0 da chave, o que
indica a existência de um acúmulo de cargas elétricas. No instante t=0, quando a chave Ch é
ligada, esse potencial aparece em 1, tendo havido migração de cargas através de Ch. Em virtude
de ΔxL, levará um tempo Δt, para que apareça a mesma diferença de potencial no terminal “a”
do capacitor ΔxC; um tempo t=2Δt para que esse mesmo potencial atinja “b”, assim,
sucessivamente, até a energização total da linha. Ela não é, pois, instantânea. A energização se
dá pelo deslocamento das cargas elétricas ao longo da linha. Cargas elétricas em movimento dão
origem aos campos magnéticos e a simples presença das cargas, aos campos elétricos. Portanto,
a partir de t=0, campos elétricos e campos magnéticos são estabelecidos progressivamente ao
longo das linhas. Dizemos que se “propagam” do transmissor ao receptor.
“Decorre, portanto, um tempo finito entre o instante em que se aplica uma tensão ao
transmissor duma linha de transmissão e o instante em que esta tensão possa ser medida em seu
receptor”.

Podemos, pois, definir uma velocidade de propagação dos campos elétricos e magnéticos
para uma linha de comprimento ℓ [km]:

l [km/s] (3.1)
v=
T

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Vimos que ao energizarmos a linha de transmissão surge a corrente de carga I0. A


pergunta que deve ser feita é a seguinte: O que limita a corrente I0?
A corrente de carga I0 é limitada pela impedância de entrada da linha Z0, também
conhecida como impedância natural da linha de transmissão como pode ser visto na Figura 3.4.
I0

U Z0

Δx

Fig. 3.4 – Impedância de entrada da linha de transmissão

A corrente de carga I0 começa a fluir na linha um tempo Δt [s] após o instante em que a
tensão é aplicada. Sua intensidade independe do comprimento da linha. Se esta for de
comprimento infinito, essa corrente de carga será suprida pela fonte, sem alteração de valor,
enquanto o valor da tensão da fonte se mantiver inalterado, indefinidamente. Podemos assim
definir uma impedância de entrada da linha

U
Z0 = [ohm] (3.2)
I0

A impedância de entrada da linha pode ser calculada como:

1 [Ohm] (3.4)
Z0 =
Cv
ou
Z0 = L v [Ohm] (3.7)

Z0 é função de v e de L ou C e estas dependem apenas do meio em que a LT se encontra


e de suas dimensões físicas.
Igualando as Equações (3.4) e (3.7) temos a velocidade de propagação para os campos
elétricos e magnéticos ao longo da LT :

1 [km/s] (3.8)
v=
LC

Do eletromagnetismo temos:

D
L = 2 ⋅ 10− 4 ln [H/km] (3.9)
r

1 [F/km] (3.10)
C=
D
18 ⋅ 10 6 ln
r

D = distância entre condutores [m];


r = raio dos condutores [m].

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Substituindo as Equações (3.9) e (3.10) em (3.8) tem-se:

V = 3.105 [km/s] (3.11)


Essa velocidade é a velocidade de propagação da luz no vácuo. Pela Equação (3.11)
podemos reconhecer que ela depende principalmente do meio em que se encontra a linha – Poe
exemplo ela é muito mais baixa nos cabos subterrâneos. Nas linhas reais, em que o fluxo interno
dos condutores também não é desprezível, ela é um pouco menor.
Combinando as Equações. (3.7) e (3.4) temos:

L [ohm] (3.12)
Z0 =
C

Substituindo as Equações (3.9) e (3.10) em (3.12) obtemos:

D
Z 0 = 60Ln [ohm] (3.13)
r
Portanto Z0 não depende do comprimento da linha, mas somente do meio em que esta se
encontra e de suas dimensões físicas (D e r). É, pois, constante para cada linha e, por isso
mesmo, considerada uma grandeza característica denominada impedância natural da linha, ou
como veremos mais adiante, impedância de surtos da linha.
Por exemplo, sejam os cabos, para antenas de TV, vendidos comercialmente. Eles
possuem as seguintes impedâncias naturais:

- Cabo coaxial, Z0 = 75 [ohm]


- Fita paralela, Z0 = 300 [ohm]

Em virtude das Equações (3.4) e (3.7) para cada linha temos:

U
I0 = = constante [A] (3.14)
Z0

Logo, a corrente de carga de uma linha, excitada por uma fonte de tensão constante,
também independe de seu comprimento, o que, aliás, é uma peculiaridade. Não poderia, no
entanto, ser diferente: a corrente de carga I0, quando começa a fluir, desconhece o comprimento
da Linha e a forma pela qual é terminada.

Exemplo 3.1 – Um cabo unipolar para 138 3 [kV] possui as seguintes características elétricas:

L = 0,62.10−3 [H/km] C = 0,216.10−6 [F/km]

Calcular a celeridade de propagação dos campos eletromagnéticos nesse cabo.

Solução

Aplicando a Equação (3.8), teremos:


1 1
v= = v = 86.412,64 [km/s]
LC 0,62.10 −3.0,216.10 − 6

Comentário: Essa redução no valor da celeridade com relação ao caso anterior se deve às
características do dielétrico.

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3.2.3 – Relações de Energia

A cada intervalo de tempo Δt, necessário para energizar um trecho de comprimento Δx de


linha, a fonte fornece para o trecho Δx uma quantidade de energia igual a U.I0.Δt. Essa energia,
numa linha ideal, não é dissipada na linha, cabendo, portanto, uma indagação sobre o seu
destino.
Os campos elétricos e os campos magnéticos têm a capacidade de armazenar energia. No
trecho de linha de comprimento Δx poderá, então, ser armazenada a energia:

I 02 LΔx
a - no campo magnético: ΔE m = [Ws] (3.15)
2

U 2 C Δx
b - no campo elétrico: ΔE e = [Ws] (3.16)
2

Esse armazenamento se dá simultaneamente. Portanto:

I 02 LΔx U 2 CΔx
c – energia total: ΔE = ΔE m + ΔE e = U ⋅ I 0 ⋅ Δt = + [Ws] (3.17)
2 2

A Equação (3.17) nos diz que a energia fornecida pela fonte foi armazenada pelos dois
campos, sem, no entanto, nos esclarecer sobre sua divisão entre os mesmos. Vejamos como esta
se faz. Temos que U = I o Z o = I o L C que introduzimos na Equação (3.16) para obter:

2
⎛ L ⎞ CΔx I o2 LΔx
ΔE e = ⎜⎜ I o ⎟
⎟ 2 = 2 = ΔE m (3.18)
⎝ C ⎠

d - divisão de energia (50% para cada campo): ΔE e = ΔE m

A quantidade de energia armazenada pelo campo elétrico é exatamente igual à


quantidade de energia armazenada pelo campo magnético. Cada um dos campos armazena,
portanto, exatamente a metade da quantidade de energia que é fornecida pela fonte.
Esse processo de energização durará indefinidamente se a linha tiver um comprimento
infinito. As linhas de transmissão possuem, porém, comprimentos finitos. Neste caso, ocorrerão
fenômenos complexos, que procuraremos analisar. Esses fenômenos, como veremos, dependem
exclusivamente da forma com que a linha é terminada, ou seja, das condições em sua
extremidade receptora. Imaginemos que a linha tenha um comprimento ℓ [km] e que seja
colocado na sua extremidade receptora um dissipador de energia R2 [ohm] com a condição de
que:

- R2 = Z0 (Caso base)

Teremos então:

U = I0.Z0 = I0.R2

ou
U U
I0 = = (3.19)
Z0 R2

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Uma vez que na terminação da linha não há campos magnéticos e elétricos a armazenar
energia, toda a energia fornecida pela fonte será dissipada na resistência R2. Logo:

( )
E d I 2 = U.I 0 .Δt = (I 0 ) .R 2 .Δt
2
(3.20)

( )
Onde E d I 2 : energia dissipada na resistência R2 devido à circulação da corrente I2.

A corrente Io continuará com a mesma intensidade inicial, como se a linha fosse de


comprimento infinito, Figura 3.4, independentemente do valor de seu comprimento ℓ [km]. Uma
linha assim terminada é denominada linha de comprimento infinito.

Fig. 3.4 – Equivalência entre linhas de comprimento infinito e linhas terminadas em R2 = Z0.

Quando o valor de R2 for diferente do valor de Z0, o equilíbrio estabelecido pela Equação
(3.19) será alterado, pois o segundo membro desta equação poderá ser maior ou menor do que o
primeiro, dependendo da capacidade de dissipação de R2. Devemos considerar, portanto, dois
casos.

'
A - Linha com resistência terminal maior que Zo → R 2 > Z0

Neste caso a corrente I '2 , através da resistência R '2 , será menor que a corrente Io e a
( )
energia dissipável E 'd I '2 será igualmente menor do que a energia dissipável E d I 2 ( )
U U
Io = I '2 = ⇒ I '2 < I0
Z0 R '2

( ) ( ) 2
E 'd I '2 = I '2 R '2 Δt < I o ( )R 2
2 ( ) 2
Δt = I 2 R 2 Δt ⇒ ( ) ( )
E 'd I '2 < E d I 2

( )
Onde E 'd I '2 : energia dissipada na resistência R '2 devido a circulação da corrente I '2 .

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Nas equações acima se deve verificar que, apesar de agora R '2 > R 2 ( R 2 é o caso base), a
corrente I '2 é menor que Io e, como no cálculo da energia a corrente está elevada ao quadrado
teremos, portanto, uma menor energia dissipada em R '2 Junto ao terminal da linha haverá um
excesso de energia. Um novo estado de equilíbrio deverá ocorrer, pois esse excesso de energia
não poderá ser destruído.
Uma redução da corrente na linha leva também a uma redução da energia armazenada no
campo magnético. Devemos lembrar que a energia armazenada no campo magnético no caso
base era ΔE m = 1 2 ΔxLI 02 , mas agora a corrente estabelecida é I '2 < I 0 resultando agora numa
energia armazenada no campo magnético de ΔE 'm = 1 2 ΔxL(I '2 ) , conseqüentemente ΔE 'm < ΔE m
2

. O campo magnético, por conseguinte, além de não poder armazenar o excesso de energia
devido à redução de I2, deve ainda ceder parte da energia que possui armazenada. Essa duas
parcelas só podem ter um destino: o campo elétrico. Portanto, a partir do momento que I '2
começa a fluir através de R '2 , o campo elétrico recebe a energia excedente, que se manifesta na
forma de uma elevação da tensão U2 e que irá propagar ao longo da linha, acompanhada da
redução de I0, com a mesma velocidade v [km/s], como é mostrado na Figura 3.5.

'
Fig. 3.5 – Variação de tensão e corrente em linha ideal terminada com R 2 > Z0

Vale a pena examinar um caso extremo, ou seja, quando R '2 = ∞, isto é, na linha de
comprimento finito, aberta junto ao receptor. Neste caso pode ser observado que:

a – a corrente se reduz a zero, progressivamente, do receptor ao transmissor;

b- o campo elétrico tem que armazenar toda a energia, isto é, aquela que chega pela linha e
aquela que é cedida pelo campo magnético (como a corrente I '2 = 0 o campo magnético não pode
armazenar energia) . Devemos lembrar aqui que, como mencionado no item 3.2.3d, a divisão de
energia era de 50% para cada campo, mas como o campo magnético não pode armazenar
energia, o campo elétrico deve armazenar estas duas parcelas de 50% de energia.

Seja U2 o valor da tensão que a linha atingirá junto ao receptor. A energia armazenada em
um Δx de linha será:

1 2
U 2 CΔx (3.21)
2

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A linha possuía U 2 CΔx de energia (duas parcelas de energia de 50%) e a fonte, em


Δt(s), enviou mais U 2 CΔx (novas duas parcelas de energia de 50%). Logo, o campo elétrico
deverá armazenar energia equivalente a:

2U 2 CΔx (3.22)

Igualando as Equações (3.22) e (3.21), teremos:

1 2
U 2 C Δx = 2 U 2 C Δx
2

U 22 = 4 U 2

Ou

U 2 = 2U [V] (3.23)

Portanto, em uma linha ideal aberta a tensão no receptor cresce ao dobro do valor da
tensão aplicada, Figura 3.6. Essa tensão se propaga do receptor ao transmissor.

Fig. 3.6 – Perfil de tensão e corrente na linha ideal aberta.

B - Linha com resistência terminal menor que Zo → R "2 < Z0

Neste caso a corrente I "2 , através da resistência R "2 , será maior que a corrente Io e a
( )
energia dissipável E "d I "2 será igualmente maior do que a energia dissipável E d I 2 ( )
U U
Io = I "2 = ⇒ I "2 > I 0
Z0 R "2

( ) ( ) 2
( )R
E "d I "2 = I "2 R "2 Δt > I o
2
2 ( ) 2
Δt = I 2 R 2 Δt ⇒ ( ) ( )
E "d I "2 > E d I 2

( )
Onde E "d I "2 : energia dissipada na resistência R "2 devido a circulação da corrente I "2 .

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Nas equações acima se deve verificar que, apesar de agora R "2 < R 2 ( R 2 é o caso base), a
corrente I "2 é maior que Io e, como no cálculo da energia a corrente está elevada ao quadrado
teremos, portanto, uma maior energia dissipada em R "2 . Junto ao terminal da linha ocorrerá um
déficit de energia que não poderá ser fornecido de imediato pela fonte que alimenta o sistema. O
novo estado de equilíbrio somente poderá ser atingido se essa deficiência for suprida pela própria
linha, a expensas da energia armazenada por ela durante o processo de energização.
A energia armazenada no campo magnético no caso base era ΔE m = 1 2 ΔxLI 02 , mas agora
a corrente estabelecida é I "2 > I 0 resultando agora numa energia armazenada no campo
magnético de ΔE "m = 1 2 ΔxL(I "2 ) , conseqüentemente ΔE "m > ΔE m . Uma vez que há um aumento
2

no valor da corrente que passa de I2 = I0 para I "2 , o campo magnético não somente não pode
ceder energia, como também deve armazenar maior quantidade da mesma, o que faz à custa do
campo elétrico, que a cede. Haverá, portanto, uma redução na tensão U2 junto ao receptor, que
caminha progressivamente em direção à fonte, como é mostrado na Figura 3.7.

Fig. 3.7 – Variação de tensão e corrente em linha ideal terminada com R "2 < Z0

Outro caso extremo de operação da linha, bastante interessante, é o caso de uma linha
terminada em curto-circuito, ou seja, com R2 = 0. Observa-se, neste caso:

a – a tensão junto ao receptor somente pode ser nula, propagando-se esse valor do receptor ao
transmissor;

b – há um aumento no valor da corrente junto ao receptor que se propaga para o transmissor. O


valor da corrente poderá ser determinado com base nas considerações que se seguem.

Uma vez que toda energia que estava armazenada no campo elétrico não pode ser retida
pelo mesmo, ela é cedida ao campo magnético, que também deverá receber toda a energia que a
fonte continuará fornecendo. A energia no campo magnético será agora em um Δx de linha:

2
( )
1 " 2
I 2 LΔx (3.23)

Nos dois campos da linha havia (I 0 )2 LΔx de energia armazenados (duas parcelas de
energia de 50%) e a fonte, em Δt(s), fornecerá mais (I 0 )2 LΔx (novas duas parcelas de energia de
50%). Logo, o campo magnético terá que armazenar:

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2(I 0 ) LΔx
2
(3.24)

Quantia essa que deverá ser igual àquela definida pela equação (3.23). Logo

2
( )
1 " 2
I 2 LΔx = 2(I 0 ) LΔx
2

(I )" 2
2 = 4(I 0 )
2

Ou

I "2 = 2I 0 [A] (3.25)

Portanto, numa linha em curto-circuito a corrente crescerá, no receptor, ao dobro de seu


valor.

3.2.4 – Ondas Viajantes

Os fenômenos descritos possuem certa semelhança com fenômenos encontrados em


hidráulica, podendo, inclusive, serem descritos matematicamente por equações diferenciais do
tipo daquelas empregadas pelos hidráulicos no estudo das chamadas “ondas progressivas” ou
“ondas viajantes”. Tal semelhança permitiu a introdução do conceito de “ondas viajantes” nas
linhas de transmissão, muito útil na análise e entendimento dos fenômenos descritos. Isso
facilitou, inclusive, o estabelecimento de nomenclatura adequada e prática que veio facilitar a
análise dos fenômenos descritos, dando origem à teoria das “ondas viajantes em linhas de
transmissão”. De acordo com essa teoria, as tensões e correntes se estabelecem ao longo das
linhas sob forma de ondas que se deslocam ao longo das linhas com celeridade de c [m/s], que,
como vimos, nas linhas aéreas, tem um valor próximo ao da velocidade de propagação da luz no
vácuo. Ondas de tensão são sempre acompanhadas de ondas de corrente.
Os pontos das linhas onde ocorrem mudanças em sua impedância natural são chamados
de “descontinuidades”. Este é o caso da terminação de uma linha com Z2 ≠ Z0 . As alterações nos
valores das tensões e correntes que se propagam a partir duma descontinuidade são atribuídas ao
surgimento nesses pontos de novas ondas, tanto de tensão como de corrente, de mesmas
características das ondas das quais se originaram.
As ondas de tensão e corrente que “viajam” nas linhas para os pontos de descontinuidade
são chamadas de “ondas diretas” ou “ondas incidentes”. Ao atingirem uma descontinuidade
sofrem um processo de “reflexão”, dando origem às “ondas refletidas” de corrente e tensão, de
módulo e polaridade definidas. Estas ondas somam-se algebricamente às primeiras, definindo os
valores de tensões e correntes no ponto de descontinuidade. Aí valem sempre as equações

U = Ud ± Ur (3.26a)

I = Id ± Ir (3.26b)

Face a esse conceito, se voltarmos a analisar o fenômeno de energização da linha feito


nos ítens anteriores, teremos:

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a- ao ligarmos a chave Ch da linha, surgem duas ondas, de frente vertical (descritas


matematicamente como funções degraus), uma de tensão de valor U [V] e uma onda de
corrente de valor I0 [A], que viajam em direção ao receptor, onde chegam como ondas
diretas Ud = U [V] e Id = I0 [A], valendo sempre U d I d = Z 0 , Figura 3.8a

U Ud = U
I0 Id = I0

1 2

U R2

1’ 2’

Ur
Ir
Fig. 3.8a – Ondas viajantes devido a energização da linha de transmissão.

b- dependendo do valor relativo da impedância terminal da linha, como vimos, haverá ou não
reflexão:

- quando Z2 = Z0 , não há descontinuidade de impedância, não havendo, portanto, reflexão.


Teremos no receptor U2 = U e I2 = I0 , é como se a linha tivesse comprimento infinito;

- quando Z2 > Z0 , há, como vimos, um aumento no valor da tensão e uma redução no valor
da corrente. Há, portanto, reflexão das ondas: as ondas de tensão se refletem com mesma
polaridade das ondas diretas, o que de acordo com a Equação (3.26a) indica um aumento da
tensão no receptor para U 2 = U d + U r . As ondas de corrente, no entanto, se refletem com
polaridades opostas às das ondas incidentes, revelando, de acordo com a Equação (3.26b), uma
redução de corrente para I 2 = I d − I r . As ondas refletidas se propagam desde os pontos de
descontinuidade para as linhas com a mesma velocidade com que aí chegaram as ondas
incidentes. As Equações (3.26a) e (3.26b) passam a valer, progressivamente, em cada um dos
pontos da linha. Portanto, ondas incidentes e ondas refletidas se movimentam nas linhas em
sentidos opostos;

- para o caso Z2 < Z0 , o fenômeno, como vimos, se dá de maneira oposta: a redução no valor
da tensão indica que, nesta caso, a onda de tensão se reflete com polaridade oposta à daquela da
onda incidente, enquanto que a onda refletida de corrente tem a mesma polaridade da onda
incidente, pois haverá um aumento no valor da corrente no receptor.

As três condições acima podem ser vistas na Figura 3.8b. As ondas refletidas se relacionam
com as ondas incidentes através dos coeficientes de reflexão Kr :

Ur = Kru . Ud [V] (3.30a)

Ir = Kri . Id [A] (3.31a)

Onde

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Z2 − Z0
K ru = (3.32)
Z2 + Z0

Z0 − Z2
K ri = (3.33)
Z2 + Z0

Os valores de Kru e Kri variam de +1 a –1, conforme se verifica facilmente na análise das
linhas em aberto, em curto-circuito e para Z2 = Z0, quando são nulos.

Fig. 3.8b – Definição e sinais das ondas em uma linha de transmissão.

Exemplo 3.2: Mostrar a variação no tempo da tensão e da corrente junto ao receptor de uma
linha ideal, alimentada por uma fonte ideal, terminada em Z2 = 3Z0 .

U
R2 = 3Z0

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Solução:

- cálculo dos coeficientes de reflexão na fonte:

Z1 − Z 0 0 − Z 0
K ru1 = = = −1
Z1 + Z 0 0 + Z 0

Z 0 − Z1 Z 0 − 0
K ri1 = = =1
Z1 + Z 0 Z 0 + 0

- cálculo dos coeficientes de reflexão no receptor:

3Z 0 − Z 0 1
K ru 2 = =
3Z 0 + Z 0 2

Z 0 − 3Z 0 1
K ri2 = =−
3Z 0 + Z 0 2

Neste exercício vamos usar o diagrama de reflexões (Bouncing Diagram) ou diagrama de


treliças (Lattice). Na horizontal temos as distancias e na vertical a escala de tempo:
x

Kru1=-1 Kru2=1/2
U1=U U
U2=0

t=l v
1/2U U2=0+U+1/2U=3/2U

t = 2l v
-1/2U
U1=U+U/2-U/2=U
t = 3l v
U2=3/2U-1/2U-1/4U=3/4U
-1/4U

t = 4l v
1/4U
U1=U-U/4+U/4=U
t = 5l v
1/8U U2=3/4U+1/4U+1/8U=9/8U

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Kri1=1 Kri2=-1/2
I1=I0 I0
I2=0

I2=0+I0-1/2I0=1/2I0
-1/2I0

I1=I0-1/2I0-1/2I0=0
-1/2I0

I2=1/2I0-1/2I0+1/4I0=1/4I0
1/4I0

I1=0+1/4I0+1/4I0=1/2I0 1/4I0

I2=1/4I0+1/4I0-1/8I0=3/8I0
-1/8I0

FUCHS – Cap.3 - Exercício 1

Uma linha de transmissão bifilar aérea é suprida por uma fonte de tensão constante e
igual a 800 [volt]. A indutância dos condutores é de 0,001358 [henry/km] (fluxo interno
considerado), sua capacitância é igual a 0,008488.10-6 [farad/km]. Tratando-se de linha sem
perdas, deseja-se saber, sendo seu comprimento igual a 100 [km]:

A – sua impedância natural;

B – energia armazenada por quilômetro de linha nos campos elétrico e magnético;

C – sua velocidade de propagação;

D – qual o valor da tensão no receptor no decorrido tempo t = 3l v do instante em que a linha


foi energizada, para as seguintes condições terminais no receptor:
1 2

a - Z2 = 100 [ohm];
b - Z2 = 400 [ohm];
c - Z2 = 1600 [ohm].
U = 800 V Z2

1’ 2’
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Solução:
A – A impedância natural ou impedância de onda ou impedância de surtos pode ser calculada
através d equação:

L [ohm] (3.12)
Z0 =
C
Logo,
L 0,001358
Z0 = = x10 6 = 400 [ohm ]
C 0,008488

B – A energia armazenada em cada quilômetro de linha poderá ser calculada pelas Eqs. (3.14),
(3.15) ou (3.16):
a - energia armazenada no campo magnético:

I 20 L Δx
ΔE m = [Ws] (3.15)
2
Sendo
U 800
Io = = = 2 [ A]
Z o 400

Teremos
(2) 2 x0,001358
ΔE m = = 0,002716 [w.s]
2

b - energia armazenada no campo elétrico:

U 2 C Δx [Ws] (3.16)
ΔE e =
2

(800)2 x0,008488.10 −6
ΔE e = = 0,002716 [w.s]
2
c – energia total armazenada

ΔE = ΔE m + ΔE e = 0,005432 [ w.s]

C – A velocidade de propagação pode ser calculada pela equação:


1 [km/s] (3.8)
v=
LC
1
v= = 294.542 [ km / s]
−6
0,001358 x 0,008488 .10

Nota: esse valor é um pouco inferior àquele preconizado para a linha ideal, podendo-se
atribuir esse fato à consideração do fluxo magnético interno dos condutores, que, no caso da
linha ideal, foi desprezado.

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D – Cálculo das tensões no receptor


O intervalo t = 3l v será suficiente para que junto ao receptor ocorra a segunda reflexão
de onda de tensão.

a – Valor da onda de tensão incidente no receptor em t1= t = l v é U=800 [V];

b – os coeficientes de reflexão no receptor, de acordo com a equação


Z2 − Z0
K ru 2 = (3.32)
Z2 + Z0
serão:
100 − 400 3
- para Z2 = 100 [ohm] K ru 2 = =−
100 + 400 5

400 − 400
- para Z2 = 400 [ohm] K ru 2 = =0
400 + 400

1600 − 400 3
- para Z2 = 1600 [ohm] K ru 2 = =+
1600 + 400 5
c – os coeficientes de reflexão no transmissor serão, considerando fonte ideal,
Z1 − Z 0 0 − Z 0
K ru1 = = = −1
Z1 + Z 0 0 + Z 0

Kru1= - 1 Kru2= -3/5

U1=U U=800 U2=0

t=l v
U2=0+U-3U/5=2U/5
-3U/5

t=2ℓ/v
U1=U-3U/5+3U/5=U
3/5U

t = 3l v
-9U/25 U2=2U/5+3U/5-9U/25=16/25U

t=4ℓ/v
U1=U-9U/25+9U/25=U
9/25U

t = 5l v
U2=16U/25+9U/25-27U/125=98U/125
-27U/125

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FUCHS – Cap.3 - Exercício 2


Repetir a parte D do exercício 1, admitindo que a fonte possua uma impedância interna igual a
10 [ohm]. Neste caso, considerar a tensão de 800 [volt] como sendo a tensão em vazio da fonte.

1 2

Zf = 10 Ω
Z0=400Ω Z2=100Ω
L = 0,001358 [henry/km]
C= 0,008488.10-6 [farad/km]
U = 800 V

1’ 2’

Solução:

- cálculo da impedância natural da linha

L 0,001358
Z0 = = x10 6 = 400 [ohm]
C 0,008488

- Cálculo dos coeficientes de reflexão

Z1 − Z 0 10 − 400
K ru1 = = = −0,95
Z1 + Z 0 10 + 400

Z 2 − Z 0 100 − 400
K ru 2 = = = −0,6
Z 2 + Z 0 100 + 400

- t = 0 (transitório-energização da linha: parâmetros distribuídos)

Zf = 10 Ω
Z0

U = 800 V

1’
Uf 800
Io = = = 1,9512
Z f + Z 0 10 + 400

Uf
U1 = I o × Z o = × Z o → U 1 = I o × Z o = 1,9512 x 400 = 780 ,48 [ V ]
Zf + Z0

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Kru1=-0,95 Kru2=-0,6

U1=780,48 U2=0

U1=780,48 U2=0+780,48-468,288
=312,192

-468,288
U1=780,48-468,288+444,874
=757,066
444,874
U2=312,192+444,874-266,924
=490,142

-266,924

U1=757,066-266,924+253,57
=743,72

253,578 U2=490,142+253,578-152,147
=591,573

-152,147

U2=591,573+144,54-86,724
144,54
=649,389

-86,724

82,388
U2=649,389+82,388-49,433
=682,344

-49,433

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- t = ∞ (regime permanente: circuito com parâmetros concentrados)

1 2

Zf = 10 Ω
Z2=100 Ω

U = 800 V

1’ 2’

Uf 800
I2 = = = 7,2727 [A]
Z f + Z 2 10 + 100

U 2 = I 2 × Z 2 = 7,2727 x100 = 727,27 [V]

U 2 = 800 − I 2 × Z f = 800 − 7,2727x10 = 727,27 [V]

FUCHS – Cap.3 - Exercício 8

Uma linha unipolar de transmissão de 100 [km] de comprimento foi desligada instantaneamente
em ambas as extremidades, permanecendo nela uma carga acumulada, uniformemente
distribuída ao longo da mesma, de forma tal que um potencial de 175,72 [kV] pode ser medido.
Admitamos que, em ambas as extremidades das linhas, se faça um aterramento através de
resistências de 20 [ohm]. Qual será a variação da tensão e da corrente através das resistências? E
no meio da linha?

Dados: L = 0,0007496 [H/km] C = 0,0153303 [μF/km]

Solução:

A LT é alimentada por uma fonte de tensão U1 e supre uma carga Z2 com o sistema
operando em regime permanente.

1 LT 2

U Z2
U1

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A LT, pela atuação dos disjuntores do transmissor e receptor, é desligada


instantaneamente em ambas as extremidades. Como a atuação dos disjuntores é extremamente
rápida, fica uma carga remanescente na LT.

1 LT 2

U Z2
U1

Com a abertura da LT nos pontos 1 e 2 só existe carga estática acumulada na LT. Assim,
toda energia está armazenada no campo elétrico.
A LT é então curto-circuitada, em ambas as extremidades, através dos resistores de
aterramento. Com o curto-circuito o estado de equilíbrio que existia anteriormente é alterado,
com transferência de parte da energia do campo elétrico para o campo magnético (circulação das
correntes I1 e I2 ). Devido a esta alteração teremos o surgimento de ondas viajantes na LT.

1 LT 2

I1
I2
Z0
Z0
20 Ω 20 Ω
U2
U1

- cálculo da impedância natural da LT

L = 221,12 [ohm]
Z0 =
C

- cálculo dos coeficientes de reflexão

Z − Z 0 20 − 221,12
K ru1 = K ru 2 = = = −0,83
Z + Z 0 20 + 221,12

Z 0 − Z 22112
, − 20
K ri1 = K ri2 = = = 0,83
Z + Z 0 20 + 22112
,

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- cálculo da corrente e tensão

U 175.720
I = I1 = − I 2 = = = 728,77 [A]
R + Z 0 20 + 22112
,

U1 = U2 = RxI = 20x728,77 = 14.575 [V]

U1 = 0,083U

- equação da continuidade nos pontos curto-circuitados

U1 = U + Ud + Ur
14.575 = 175720 + 0 +Ur
Ur = -161.145 [V]
Ur = −0,917U

I1 = I’ + Id + Ir
728,77 = 0 + 0 + Ir
Ir = 728,77 [A]
Ir = I

Kru1= −0,83 U1/2=U Kru2= −0,83

U2=0,083U
U1=0,083U
U1/2 (1)

−0,917U −0,917U

U2=0,083U-0,917U+0,761U
U1=0,083U−0,917U+0,761U
= −0,073U
= −0,073U U1/2 (2)

0.761U 0.761U

U2=-0,073U+0,761U−0,632U
= 0,056U
U1/2 (3)

−0,632U −0,632U

U2=0,056U−0,632U+0,525U
= −0,051U

U1/2 (4)

0,525U 0,525U

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Cálculo das tensões no meio da linha:

U1/2 (1) = U − 0,917U − 0,917U = −0,834U

U1/2 (2) = −0,83U + 0,761U + 0,761U = 0,688U

U1/2 (3) = −0,576U

U1/2 (4) = 0,474U

Kri1= 0,83 I1/2=0 Kri2= 0,83


I1=I I2 = −I
I1/2 =0

−I I

I1=I−I−0,083I = −0,83I I2=-I+I+0,83= 0,83I


I1/2 =0

0,83I −0,83I

I1 =−0,83I+0,83I+0,69I = 0,69I
I2= 0,83I−0,83I−0,69I = −0,69I
I1/2 =0

−0,69I 0,69I

I1 = −0,57I
I2= −0,69I+0,69I+0,57I = 0,57I
I1/2 =0

0,57I −0,57I

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3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA

Tendo obtido, pela análise qualitativa, noções físicas sobre o mecanismo do aparecimento
e comportamento de ondas viajantes nas linhas de transmissão, procuraremos mostrar como
essas ondas podem ser estudas quantitativamente. Interpretando um pensamento de Lord Kelvin,
poder-se-ia afirmar: ”Entender um fenômeno significa associá-lo a números.”
É o que nos propomos a fazer em seguida através da análise matemática. Esta será feita
de forma genérica, ou, mais precisamente, considerando tensões e correntes como funções
genéricas do tempo. Raciocinando em termos de ondas de impulso, em geral encaradas pelos
autores de livros-texto de linhas de transmissão de energia elétrica como um fenômeno à parte,
estaremos não só aumentando nossa flexibilidade de raciocínio, como também lançando as bases
para o estudo sistemático dos surtos de sobretensão as quais são sujeitas as linhas de transmissão,
como também das linhas excitadas por correntes senoidais, em regime permanente.

3.3.1 – Equações Diferenciais das LT’s

Deixemos a linha ideal, por ora, e consideremos uma linha real, incluindo em seu circuito
equivalente elementos representativos das perdas nos condutores r [ohm/km] e das perdas nos
dielétricos g [Siemens/km], com é mostrado na Figura 3.10, na qual representamos um elemento
Δx da linha.

Fig. 3.10 – Circuito equivalente de um elemento Δx de uma linha real.

As equações diferenciais gerais das LT’s (equações das ondas) são:

∂2 u ∂u ∂2 u (3.39)
= r g u + ( r C + Lg) + LC 2
∂x 2 ∂t ∂t

∂2i ∂i ∂2i (3.40)


= r g i + ( r C + L g) + LC 2
∂x 2 ∂t ∂t

3.3.2 – Solução das Equações Diferenciais no Domínio da Freqüência: Linha de Corrente


Alternada em Regime Permanente

Seja a LT excitada por CA:

u& = U x senωt (3.41)


i = I x sen(ωt + φ ) (3.42)

representados pelos fasores (dependência implícita de x e t):


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& x = U x e jωt
U

&I x = I x e ( jωt +φ)

As equações gerais das linhas podem ser escritas como:

d2U
&x & 2&
& x + ( r C + Lg) dU x + LC d U x
= rgU (3.43)
dx 2 dt dt 2

d 2 I& x dI& d 2 &I (3.44)


= r gI& x + ( r C + Lg) x + LC 2x
dx 2 dt dt

Substituindo as derivadas

d & d
d/dt =jω : (por exemplo temos que: U x = U x e jωt = jω U x e jωt = jωU
& x)
dt dt

d2U
&x
& x + LC( jω) 2 U
& x + ( r C + Lg)( jω) U &x
2
= rgU
dx

d 2 &I x
2
= r g I& x + ( r C + Lg)( jω)&I x + LC( jω) 2 &I x
dx

As equações acima podem ser transformadas em:

d2U
&x
& x = z& ⋅ y& ⋅ U
&x
2
= ( r + jωL)(g + jωC) U
dx
(3.45)

d 2 &I x (3.46)
= ( r + jωL)(g + jωC)&I x = z& ⋅ y& ⋅ &I x
dx 2

Ambas as equações admitem uma solução do tipo:

& 1e x
&x =A
U zy
&& & 2 e −x
+A zy
&&
[V] (3.47)

&I x = 1 & 1e x zy
&& & 2 e −x zy
&&
(A −A ) [A] (3.48a)
z& y&

& e A
A & são constantes com dimensão de tensão. Seu valor pode ser encontrado através
1 2
das condições de contorno. Para tanto consideramos a linha junto ao receptor, que elegemos
como referência para as distâncias x, uma vez que as condições aí existentes é que ditam o
comportamento das linhas. Nessas condições, para x = 0 teremos U& x = U& 2 e &I x = &I 2 . Das
Equações (3.47) e (3.48a) obteremos, respectivamente:

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& =A
U & +A
&
2 1 2

1 & & ]
I& 2 = [ A1 − A 2
z& y&

Cuja solução simultânea nos dá as seguintes expressões:

& &
& = U 2 + I 2 z& y& = A e jψ1
A (3.49)
1 1
2

& & & &


& = U 2 − I 2 z y = A e jψ 2
A (3.50)
2 2
2

As Equações (3.47) e (3.48a) tornam-se:

& & & & & 2 − I& 2 z& y&


& x = U2 + I 2 z y e x
U zy
&&
+
U
e −x zy
&&
[V] (3.51)
2 2
↑ Ondas diretas ↓ ↑ Ondas refletidas ↓

& & & & & 2 − I& 2 z& y&


&I x = U 2 + I 2 z y e x zy
&&

U
e −x zy
&&
[A] (3.52)
2 z& y& 2 z& y&

Essas são as equações gerais das linhas de transmissão de correntes alternadas senoidais,
em regime permanente. Através delas poderemos relacionar tensões e correntes em qualquer
ponto ao longo das linhas, em função das condições existentes no receptor. São equações exatas,
servindo de base para a derivação de processos de cálculo simplificados, usados na prática, como
veremos no Capítulo 4.
Em resumo: conhecidos U & e &I pode-se calcular tensão e corrente em qualquer ponto x
2 2
da linha de transmissão.

3.3.2.1 – Interpretação das Equações das Linhas

Examinando-se as Equações (3.51) e (3.52) verificamos que em ambas se destacam as


± z& y&
funções exponenciais complexas e e o radical complexo z& y& . Lembramos dos cursos de
& e A
circuitos elétricos que funções exponenciais aplicadas a fasores ( A & são fasores) mudam as
1 2
características, ou seja, modulam as funções senoidais que representam. Vejamos de que forma
isso ocorre nas linhas de transmissão.

→ γ& = z&y& = ( r + jωL )( g + jωC ) = (r + jxL )(g + jb) [1/km] (3.53)

γ& = α + jβ = constante de propagação


α = constante de atenuação [néper/km]
β = constante de fase [rad/km]

e±x z&y&
= e ± γ&x = e ±αx ⋅ e ± jβx
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A função senoidal à qual aplicamos a exponencial complexa acima sofre:


±αx
a – um amortecimento provocado por e

b – um avanço de fase de ±βx na onda à qual é aplicada.

z& r + jωL
→Z
&c = = = Z c e jδ [ohm] (3.59)
y& g + jωC

Uma vez que r, L, g e C são grandezas referidas a um quilometro de linha, concluímos


que estamos frente a uma grandeza que, como Z0, também independe do comprimento das
linhas. Sua semelhança, no entanto, não pára aí. Como no caso examinado anteriormente, o
radical relaciona ondas diretas de tensão e corrente, bem como suas ondas refletidas, porém não
suas somas. Suas características são, pois, as mesmas de Z0. Se na Equação (3.59) fizermos r=0 e
g=0, obteremos exatamente a mesma expressão de Z0 Equação (3.12). Nas linhas reais, como r e
g são, em geral, relativamente pequenos se comparadas com L e C, respectivamente, seu valor
numérico não difere muito do valor de Z0, enquanto seu argumento é muito pequeno. Devido a
isto, muitos autores não diferenciam essas duas grandezas, designando ambas como impedâncias
de surto, ou impedância natural. Preferimos ficar com aquelas que as diferenciam, aceitando o
nome de impedância característica e resguardando sua natureza complexa. O símbolo Z& c é
usado para designá-la.

Para um ponto de fase constante, teremos:

Figura 3.12 – Onda senoidal direta.

ωt + βx + ψ1 = cons tan te

d(ωt + βx + ψ1 )
=0
dt

dx ω
= − = v [km/s] (3.65)
dt β

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Exercício – Uma linha de transmissão trifásica, de 600 [km] de comprimento, possui os


seguintes parâmetros:

r = 0,0715 [ohm/km] por fase;

xL = 0,512 [ohm/km] por fase;

g = 0 [Siemens/km] por fase;

b = 3,165x10-6 [Siemens/km] por fase.

Calcular a tensão e corrente no transmissor da linha quando ela alimentar no barramento receptor
uma carga de 450 [MVA], fp2 = 0,95 ind, com tensão de 380 [kV].

Solução:

γ& = α + jβ = ( r + jx L )(g + jb) = ( 0,0715 + j 0,512)( 0 + j 3,165 × 10 − 6 )

γ& = α + jβ = 1,279x10-3 ∠86,02° = 0,08877.10-3 + j1,276.10-3 [1/km]

&c =
&
Z z& r + jx L 0,0715 + j0,512 = 404,2 ∠-3,98° [ohm]
Z = = =
&
Y y& g + jb j3,165 × 10 − 6

&∗
&2 =U
N & 2 I& ∗
2
[VA/fase] → &I 2 = N 2 [A]
& ∗2
U

6
& 2 = 450 × 10 ∠arccos0,95 = 150 × 10 6 ∠18,19°
N [VA/fase]
3

& 2 = 380 × 10 ∠0° = 219.393 ∠0° [V]


3
U
3

&∗ 6
&I 2 = N 2 = 150 × 10 ∠ − 18,19° = 683,7∠-18,19° [A]
& ∗2
U 219.393∠0°

Aplicando a Eq.(3.51) teremos:

& & & & & &


& 1 = U 2 + I 2 Z c e γ&l + U 2 − I 2 Z c e − γ&l
U [V] (3.51)
2 2

& 2 + I& 2 Z
U & c 219.393∠0°+683,7∠ − 18,19° × 404,2∠ − 3,98°
= = 243309,3∠-12,4°
2 2

& 2 − I& 2 Z& c 219.393∠0°−683,7∠ − 18,19°×404,2∠ − 3,98°


U
= = 55.247,6∠109,3°
2 2
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−3
e αl = e ( 0,08877.10 ).600
= e 0,053 = 1,0544

e − αl = e −0,053 = 0,9483

−3
e jβl = e j(1,276.10 ).600
= e j0,7656 = e j43,87°

e − jβl = e − j0,7656 = e − j43,87°

A tensão no transmissor é:

& 1 = 243.309,2∠-12,4°x1,0544∠43,87° + 55.247,6∠109,3°x0,9483∠-43,87°


U

& 1 = 256.545,3∠31,47° + 52.391,3∠65,43°


U

&1
U = 301.424,3 ∠37,04° [V]
Aplicando a Eq.(3.52) a corrente no transmissor é:

& & & & & &


&I x = U 2 + I 2 Z c e γ&l − U 2 − I 2 Z c e − γ&l [A]
2Z&c 2Z&c

&I = 256.545,3∠31,47° − 52.391,3∠65,43° = 532,14 ∠27,63° [A]


1
404,2∠ − 3,98° 404,2∠ − 3,98°

3.3.3 – Análise das Linhas em Regime Permanente

Vimos anteriormente que o desempenho de uma linha depende das condições terminais
existentes junto ao receptor, em linha excitada por fonte de tensão constante. A análise que agora
faremos para as linhas excitadas por tensões senoidais nos mostrará que as condições terminais
são igualmente importantes em seu desempenho, como também é o seu comprimento físico ℓ
[km], tomado em relação ao seu comprimento de onda λ [km]. Ou seja, a relação l λ é
importante no desempenho das linhas de transmissão.
O comprimento de onda de uma linha é definido como a distância entre dois pontos mais
próximos da onda senoidal, na direção de sua propagação, cujas fases de oscilação estejam
separadas de 2π.

Constante de fase = β [rad/km]

Para um comprimento x [km] qualquer ⇒ βx [rad]

Para x = λ ⇒ βx = 2π
βλ = 2π ⇒ 2π (3.67)
λ=
β
como
ω 2πf 2πf
v= = ⇒ β=
β β v

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Substituindo em (3.67)

2π 2πv v
λ= = ⇒ λ= (3.68)
β 2πf f

Para LT à freqüência industrial temos:

f = 50 [hz] ⇒ λ = 6.000 [km]

f = 60 [hz] ⇒ λ = 5.000 [km]

3.3.3.1 – Linha Aberta Junto ao Receptor

Z& 2 = ∞ ⇒ &I 2 = 0

As Equações. (3.51) e (3.52) se tornam:

&
& x 0 = U 2 (e γ&x + e − γ&x )
U [V] (3.69)
2

&
&I x 0 = U 2 ( e γ&x − e − γ&x ) [A] (3.70)
2Z &c

As equações acima podem ser colocadas na forma:

&
& x 0 = U 2 [e αx (cos βx + j sen βx) + e −αx (cos βx − j sen βx)]
U (3.71)
2
↑ Ondas diretas ↓ ↑ Ondas refletidas ↓
&
&I = U 2 [e αx (cos βx + jsenβx) − e −αx (cos βx − jsenβx)] (3.72)
x0
2Z& c

Onde

e αx (cos βx + j sen βx ) ⇒ Ud e Id⇒espirais logarítmicas progressivas (anti-horário)

e −αx (cos βx − j sen βx) ⇒ Ur e Ir⇒espirais logarítmicas regressivas (horário)

Os valores de tensão e corrente são obtidos pela soma vetorial dos fasores:

U x 1 = U d 1 + U r1

I x 1 = I d 1 − I r1

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Fig. 3.14 – Construção dos pontos dos diagramas polares das tensões e correntes.

As variações de tensão e corrente ao longo da linha são mostradas abaixo:

Fig. 3.15 – Variação das tensões ao longo de linha real, operando em vazio.

Fig. 3.16 – Variação das correntes ao longo de linha real, operando em vazio.

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Para uma LT de comprimento l = λ/4, operando a vazio, verificamos:

- aumento sensível da tensão ao longo da linha com relação a tensão aplicada Ux (Efeito
Ferranti);

- um grande valor para a corrente de carga I0 .

3.3.3.2 – Linha em Curto-Circuito Permanente

Z& 2 = 0 ⇒ &2 =0
U

As Eqs. (3.51) e (3.52) se tornam :

& &
& xcc = I 2 Z c (e γ&x − e − γ&x )
U [V] (3.80)
2

&
&I xcc = I 2 (e γ&x + e − γ&x ) [A] (3.81)
2

Expandindo as equações:

& &
U& xcc = I 2 Z c [e αx (cos βx + j sen βx) − e −αx (cos βx − j sen βx)] (3.82)
2
↑ Ondas diretas ↓ ↑ Ondas refletidas ↓
&
&I xcc = I 2 [e αx (cos βx + j sen βx) + e −αx (cos βx − j sen βx)] (3.83)
2

Ud e Id ⇒ espirais logarítmicas progressivas

Ur e Ir ⇒ espirais logarítmicas regressivas

Fig. 3.15a –Variação das tensões ao longo da linha, operando em curto-circuito.

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Fig. 3.16a –Variação das correntes ao longo da linha, operando em curto-circuito.

Para uma LT de comprimento l = λ/4 , operando a vazio, verificamos :

- necessidade de U1cc relativamente alta para fazer circular I2.

3.3.3.3 – Operação das Linhas Sob Carga

a – Linha Terminada em Z& 2 = Z& c

U& &
U
I& 2 = 2 = 2
Z& 2 Zc
&

Substituindo &I 2 nas Eqs. (3.51) e (3.52) obteremos:

& 2 e γ&x = U
&x =U
U & 2 e αx (cos βx + j sen βx ) [V] (3.89) (3.91)

I& x = I& 2 e γ&x = &I 2 e αx (cosβx + j sen βx ) [A] (3.90) (3.92)

& x e &I x possuem apenas ondas diretas. Assim:


U

U&x U &
= 2 = Z& c = Z c e jδ = Z 2 e jφ2 [ohm] (3.93)
I& x &I 2

Em todos os pontos ao longo de uma LT homogênea:

- fator de potência é constante;


- defasamento entre U e I é sempre igual a δ = φ2 ;

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- a LT se comporta como um circuito série, com Z& série = R


A potência complexa fornecida pela linha ao receptor será:

N & 2 ⋅ I& ∗2
& 2 = P2 + jQ 2 = U (3.96)
como
Z& 2 = Z& c = Z c e jδ

temos
& j0°
&I 2 = U 2 = U 2 e = I 2 e − jδ
Z& c Z c e jδ
logo
2
& 2 = U 2 ⋅ I 2 e jδ = U 2 e jδ
N
Zc

U 22 [w] (3.98a)
P2 = Pc = cos δ
Zc

Pc = potência característica

& c ≈ Z 0 , podemos definir a potência natural:


Como Z

U 22 [w] (3.98b)
P0 =
Z0

P0 = Potência natural, também conhecida como potência SIL - surge impedance loading –
carregamento com a impedância de surtos.

Sendo a potência natural P0 uma potência ativa, ela é adotada como unidade base de
potência. P0 independe do comprimento da linha, é usada na escolha das tensões de transmissão
em primeira aproximação (Tabela 3.1):

U 2 = P0 ⋅ Z 0 [V] (3.99)

Tabela 3.1 – Potência natural para LT’s – circuitos simples

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A condição de operação P2 = P0 só ocorre para casos especiais, pois normalmente P2


oscila com o diagrama de carga do sistema.

Fig.3.17a - Curva de carga diária típica.

De acordo com o carregamento da LT podemos ter a geração ou absorção de reativos


pela linha, Figura 3.17.

Fig. 3.17 – Geração e consumo de reativo pelas LT’s.

b – Linha Terminada em Z& 2 ≠ Z& c

Devemos utilizar as equações gerais das LT’s :

& & & & & 2 − I& 2 z& y&


& x = U2 + I 2 z y e x
U zy
&&
+
U
e −x zy
&&
[V] (3.51)
2 2

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& & & & & − I& 2 z& y& − x


&I x = U 2 + I 2 z y e x zy
&& U
− 2 e zy
&& [ A] (3.52)
2 z& y& 2 z& y&
U& 2 é a referência ⇒ & 2 = U 2 ∠ 0°
U
Para o transmissor teremos ⇒ & 1 = U 1∠θ
U
U1

Ө
U2
Fig. 3.17a – Ângulo de potência

θ = ângulo de potência da linha – defasagem angular entre U1 e U2 , de grande interesse na


análise de estabilidade do sistema.

De acordo com a Figura 3.19, o ângulo de potência θ pode ser determinado a partir de Ud e Ur :

Fig. 3.19 – Variação de θ com a potência ativa P2 .

Verifica-se que o ângulo de potência θ cresce com o aumento da potência ativa


transmitida.

Exercício – Uma linha de transmissão trifásica, de 362 [km] de comprimento, entrega no


receptor uma potência de 150 [MVA] sendo U2 = 200 [kV], fp2=0,90 (ind) e f = 60 [Hz].
Determinar:

a) U &1
b) &I1
c) N&
1
d) ângulo de potência

Dados: r = 0,107 [ohm/km] ;


L = 1,355.10-3 [H/km] ;
C = 0,00845 [μF/km]

Solução:

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z& = r + jωL = 0,107 + j.2×π×60×1,355×10-3 = 0,107 + j0,511 = 0,522∠78,2° [Ω/km]


-6 -6
y& = g + jωC = 0 + j2×π×60×0,00845.10 = 3,204.10 ∠90° [Siemens/km]
γ&l = = l z& ⋅ y& = 362 0,522∠78,2°×3,204.10 − 6 ∠90° = 0,468∠84,1° = 0,0481+j0,465

&c = z& 0,522∠78,2°


Z = = 403,64∠-5,9° [ohm]
y& 3,204 × 10 − 6 ∠90°

& 2 = 200 × 10 ∠0° = 115,47 ∠0° [kV]


3
U
3

& 2 = 150 ∠arccos0,9 = 50 ∠25,84° = 45 + j21,8 [MVA/fase]


N
3

&∗
&I 2 = N 2 = 50 × 10 ∠ − 25,84° = 433 ∠-25,84° [A]
6

& ∗2
U 115,47 × 10 3 ∠0°

& & & & & &


a) & 1 = U 2 + I 2 Z c e γ&l + U 2 − I 2 Z c e − γ&l
U [V] (3.51)
2 2

&I 2 . Z& c = 433∠-25,84° x 403,64∠-5,9° = 174.776,12∠-31,74°

e αl = e 0,0481 = 1,049

e − αl = e −0,0481 = 0,953

e jβl = e j0,465 = e j26, 64 °


e − jβl = e − j0 ,465 = e − j26 , 64 °

& 1 = (115.470∠0°+ 174.776,12 ∠ − 31,74° ) × 1,049 ∠26,64° +


U
2

(115.470∠0° − 174.776,12∠ − 31,74° )


× 0,953∠ − 26,64°
2

& 1 = 146.678,48∠7,45° + 46.574,58∠83,2°


U

& 1 = 164.459∠23,38°
U [V] U1 = 284.851 [V] (FF)

& & & & & &


b) &I = U 2 + I 2 Z c e γ&l − U 2 − I 2 Z c e − γ&l [A] (3.52)
1
2 Z& c 2Z& c

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146.678,48∠7,45° 46.574,58∠83,2° = 353,16 ∠-5,11° [A]


I& 1 = −
403,64∠ − 5,9° 403,64∠ − 5,9°
&1 =U ∗
& 1 ⋅ I& 1 = 164.459∠23,38° x 353,16 ∠5,11° = 58,08∠28,5° [MVA/fase]
c) N

& 1 = P1 + jQ1 = 51,04 + j27,71 [MVA/fase]


N

d) ângulo de potência θ = ∠U1 - ∠U2

θ = 23,38° - 0° = 23,38°

Exercício – 3.15 (Fuchs) Uma linha de transmissão trifásica, de 600 [km] de comprimento,
possui os seguintes parâmetros:

r = 0,0715 [ohm/km] por fase; xL = 0,512 [ohm/km] por fase;


g = 0 [Siemens/km] por fase; b = 3,165x10-6 [Siemens/km] por fase.

Qual deverá ser a tensão no transmissor da linha quando a tensão no barramento receptor
for de 380 [kV], estando a linha fornecendo uma potência igual a 1,2 de sua potência
característica.

Solução:

γ& = α + jβ = ( r + jx L )(g + jb)

γ& = α + jβ = ( 0,0715 + j 0,512)( 0 + j 3,165 × 10 − 6 )

−3 −3 −3
γ& = α + jβ = 1,279×10 ∠86,02° = 0,08877.10 + j1,276.10 [1/km]

&c =
&
Z z& r + jx L 0,0715 + j0,512 = 404,2 ∠-3,98° [ohm]
Z = = =
&
Y y& g + jb j3,165 × 10 − 6

& 2 = 380 × 10 ∠0° = 219,393 ∠0° [kV]


3
U
3
&2
& 2 I& ∗ = U 2 [VA/fase]
& 2C = U
N 2 & ∗c
Z

& 2 C = (219,393 × 10 ) = 119,5 × 10 6 ∠-3,98°


3 2
N [VA/fase]
404,2∠3,98°

N & 2 C = 143,4 × 10 6 ∠-3,98°


& 2 = 1,2 × N [VA/fase]

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&∗
&I 2 = N 2 = 143,4 × 10 ∠3,98° = 652,8∠3,98°
6
[A]
& ∗2
U 219.393∠0°

Aplicando a Eq.(3.51) teremos:

& & & & & &


& 1 = U 2 + I 2 Z c e γ&l + U 2 − I 2 Z c e − γ&l
U [V] (3.51)
2 2

−3
e αl = e ( 0,08877.10 ).600
= e 0,053 = 1,0544

e −αl = e −0,053 = 0,9483

−3
e jβl = e j(1,276.10 ).600
= e j0,7656 = e j43,87°

e − jβl = e − j0,7656 = e − j43,87°

& 1 = (219.393∠0° + 652,8∠3,98°×404,2∠ − 3,98° ) × 1,0544∠43,87° +


U
2

(219.393∠0° − 652,8∠3,98°×404,2∠ − 3,98° )


× 0,9483∠ − 43,87°
2

& 1 = 254.790,87∠48,61°
U [V] → (Tensão fase-neutro)

U1 = 441.310,73 [V] (Tensão fase-fase)

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