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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS


CURSO DE PEDAGOGIA
FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DO ENSINO DE GEOGRAFIA
PROFESSORA: Francinete Soares da Silva
DISCENTE: VERUSA PINHEIRO ALMEIDA GARCIA

SÍNTESE DO TEXTO 1 - A GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL -


Raimunda Abou Gebran

São Luís - MA
mar 2021
VERUSA PINHEIRO ALMEIDA GARCIA

SÍNTESE DO TEXTO 1 - A GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL -


Raimunda Abou Gebran

O texto tem como objetivo o resgate histórico da geografia como disciplina


escolar, buscando compreender a estrutura geográfica da política educacional
brasileira em diferentes momentos e contextos, apontando obstáculos e
possibilidades de superação desse processo.
A geografia, como disciplina escolar, configura-se efetivamente de
acordo com as Leis Orgânicas do ensino primário e secundário, tendo a Geografia
Tradicional como referência, que baseada no positivismo clássico, analisa e percebe
a realidade de forma empírica, "científica", enciclopédica e neutra. Sem se preocupar
com reflexões sociais, sem relações entre conteúdos transmitidos e as relações
sociais e espaciais do cotidiano. Afastando-se de qualquer finalidade que contribua
para a promoção do seu conhecimento e mudança. Estabeleceu-se como discurso
oficial e escolar, e permanece ainda se refletindo nos planos e programas das
Instituições educacionais. Este conceito de positivismo reflete a Geografia
puramente descritiva.
De acordo com Seabra (1984, p.08, apud GEBRAN, 2002, p. 82) fala da
população mas não da sociedade; de estabelecimentos humanos, mas não aborda
as relações sociais; das técnicas e dos instrumentos de trabalho, mas não do
processo de produção. Discute a relação do homem com a natureza mas não as
relações sociais, abstraindo assim do homem o seu caráter social”.
Nas décadas de 60 e 70, com o golpe militar de 64, o sistema educacional
brasileiro se distanciou drasticamente dos anseios e interesses da sociedade,
provocando mudanças que implicaram em reformas de base, com acordos, reformas
e leis (MEC/USAID, reforma universitária, Lei 5540/68 e Lei 5692/71, sobre a
reforma do ensino de 1​° e 2​° graus), que Segundo Frigotto (1991, p.47), foram
necessárias para “ajustar a educação brasileira à ruptura política perpetrada pelo
golpe militar de 1964”.
A formação tecnicista estava vinculada a uma concepção de
desenvolvimento, transformando a educação escolar em processo de treinamento
profissional e operacional que habilitassem para o mercado de trabalho.
As inúmeras reformas ampliaram o acesso à escola, mas não garantiam a
permanência e restringiam o acesso ao saber, deixando de lado uma formação geral
em detrimento da específica. De acordo com Oliveira (1989, p. 05), “os diferentes
ramos do conhecimento presentes nos currículos escolares comprometidos com
essa perspectiva da dominação, imprimiram no ensino, a prática cotidiana de uma
pedagogia da discriminação, da indiferença, de uma pedagogia que não reconhece
ou sequer conhece o caminho da crítica, como suposto fundamental da formação do
estudante”.
Devido à excessiva fragmentação do conhecimento que se colocava a
partir das reformas, a disciplina Estudos Sociais não garantiu a inter-relação da
História e Geografia, se tornando uma disciplina meramente informativa, superficial,
reprodutivista e reducionista,” lembradas apenas nos períodos de provas oficiais e
comemorações cívicas (FONSECA, 1993, p.71, apud GEBRAN, 2002, p.83).
O ensino de Geografia, a partir da 7ª série, apresenta-se também
limitada, reduzindo-se a informações primárias sobre dados, nomes de rios, cidades,
países, localizações, clima, vegetação. Reforçou-se e converteu-se numa ciência de
memorização, ignorando o aspecto dinâmico da construção do espaço como espaço
social.
Entre as décadas de 70 e 90, sinais de descontentamento em meio à
críticas políticas, surgem espaços de discussão e reflexão em busca de legitimação
da classe hegemônica, em busca de propostas de superação, passando a ser
refletida e compreendida em seu movimento histórico, sendo mais um elemento
transformador da sociedade.
Em relação à disciplina Geografia propostas, sustentadas nos referenciais
da Geografia Crítica, apresentaram novos caminhos no sentido de viabilizar
possibilidades de uma ação pedagógica redimensionada, comprometidas com a
formação do aluno “por inteiro”, enquanto cidadão, sujeito histórico e social, que
deve analisar a realidade na qual vive e convive.
Nas últimas décadas a educação tem sido orientada por diretrizes
neoliberais, agravando a camada da população mais , desfavorecida, elegendo o
conceito de formação humana, cidadão/consumidor, desconsiderando todo um
processo de discussões e reflexões. Diante desse quadro é necessária uma
avaliação rigorosa desse referencial nacional. É preciso indagar até que ponto elas
significam uma verdadeira mudança de qualidade ou a simples continuidade da
política educacional historicamente dominante em nosso país. Repensar o ensino de
Geografia voltado à formação do aluno-cidadão exige que professores e
pesquisadores ajustem continuamente suas práticas e conceitos. A Geografia,
transformada em disciplina viva, cheia de desafios para educadores e alunos
torna-se vital para a formação do cidadão político, que é o principal objetivo da
educação escolar.

REFERÊNCIA

GEBRAN, R. A. ​A Geografia no ensino fundamental​ – trajetória histórica e


proposições pedagógicas. Revista Científica da Universidade do Oeste
Paulista, v. 1, n. 1, p. 81-88, 2003.