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Equação diferencial para vibrações de pequena amplitude y (x, t) de uma

viga simples
Adrielle Marques Miranda, adrielleMarques@acad.ifma.edu.br
Resumo: Nos estudos e aplicações relacionadas às diversas áreas da física, é
muito comum fazermos comparativos e cálculos relacionando grandezas
diferentes. O estudo dessas grandezas e suas unidades é o que chamamos de
análise dimensional, que podemos definir como, uma ferramenta que
possibilita a adaptação das unidades físicas de forma a garantir uma
homogeneidade entre essas grandezas. Na análise dimensional, aplicamos os
fundamentos da álgebra a m de determinarmos em qual unidade de medida a
grandeza deve ser expressa, bem como o resultado final do cálculo. Sua
aplicação permite não somente garantir que uma equação esteja correta, mas
também para conferir e adaptar as mesmas, realizando a conversão unidades
de medidas de maneira correta. Como exemplo podemos citar três grandezas
fundamentais, a massa, comprimento e o tempo. Na mecânica, praticamente
todas as grandezas podem ser escritas em função dessas três. Com a
utilização dos teoremas de Bridgman e Buckingham podemos fazer a
correlação entre elas e fazer as aplicações nos cálculos, visto que esses são
considerados os teoremas centrais da análise dimensional.
Palavras-Chave: Grandezas, Análise, Aplicação.

1. INTRODUÇÃO
A Mecânica dos Fluidos é uma ciência extremamente dependente da
investigação experimental. As teorias de semelhança, análise dimensional e
modelagem permitem que ensaios em modelos (realizados em laboratório)
possam ser aplicados em escalas reais. A amplificação dos resultados com
modelos possuem limitações, mas trazem sempre resultados que auxiliam na
análise de problemas complexos.
Análise dimensional é um meio para simplificação de um problema físico
empregando a homogeneidade dimensional para reduzir o número das
variáveis de análise. É particularmente útil para: Apresentar e interpretar dados
experimentais; Resolver problemas difíceis de atacar com solução analítica;
Estabelecer a importância relativa de um determinado fenômeno; Modelagem
física.
Problemas em Engenharia (principalmente na área de Térmica e Fluidos)
dificilmente são resolvidos aplicando-se exclusivamente análise teórica.
Portanto, utilizam-se com frequência estudos experimentais. Métodos analíticos
nem sempre são satisfatórios: Limitações devido às simplificações necessárias
para resolver as equações; Análise detalhada com grande complexidade/custo.
No entanto, sem planejamento e organização, os procedimentos experimentais
podem: Consumir muito tempo; Não ter objetividade; Custarem muito.
2. METODOLOGIA
Os temas abordados são sobre grandezas fundamentais, números
adimensionais, Teorema de Pi Buckingham e a semelhança dinâmica e
cinemática.
2.1 GRANDEZAS FUNDAMENTAIS
Por vezes, na Engenharia ocorrem problemas que não podem ser descritos
apenas com fórmulas analíticas. Por isso, é importante que se conheça quais
são as variáveis, ou grandezas que influenciam um sistema ou experimento a
ser estudado. Para isso, é necessário fazer a análise dimensional dessas
grandezas de modo que permita a melhor compreensão do problema.
O Sistema Internacional de Unidades - SI, é uma forma de abranger diversos
tipos de grandezas físicas, compreendendo sete tipos de grandezas
fundamentais (tempo, comprimento, massa, corrente elétrica, temperatura,
intensidade luminosa e quantidade de substância), incluindo as grandezas
derivadas das básicas.
Figura 1: algumas grandezas.

2.2 NÚMEROS ADMENSIONAIS


Os números adimensionais são caracterizados por expressarem uma grandeza
adimensional através de um valor numérico. Os expoentes dos fatores de cada
grandeza de base valem zero.
Existem mais de centenas de números adimensionais descobertos na área da
Engenharia, mas para o estudo de mecânica dos fluidos os números
adimensionais mais usados são: Número de Reynolds, Número de Froude e
Número de Euler.
2.2.1 NÚMERO DE REYNOLDS
Permite prever o fluxo de escoamento de um fluido em uma superfície,
relacionando duas forças: força de inércia e força viscosa.
⍴ ѵD
ℜ= (1)
µ
O Número de Reynolds (Re) classifica o regime de escoamento em Laminar,
de Transição e Turbulento. O número de Reynolds segue o padrão abaixo:
Escoamento Laminar ocorre quando Re > 2000;
Escoamento de Transição ocorre no intervalo 2000 < Re > 2400;
Escoamento Turbulento ocorre quando Re > 2400.
2.2.2 NÚMERO DE FROUDE
O Número de Froude relaciona as duas principais forças que regem um
escoamento livre: a força de inércia e a força gravitacional.

ѵ2
F r= (2)
Lg
O Número de Froude ( F r) classifica o regime de escoamento em Subcrítico,
Supercrítico e Crítico.
Regime crítico ocorre quando F r = 1, nesta situação há equilíbrio entre as
forças que regem o escoamento e a velocidade do escoamento.
Quando F r <1 dizemos que o regime é subcrítico ou fluvial e o escoamento é
dominado mais pelas forças gravitacionais que pelas forças inerciais ou ainda a
energia potencial.
Quando F r>1 temos regime supercrítico ou torrencial onde o escoamento é
dominado mais pela energia cinética que pela energia potencial.
2.2.3 NÚMERO DE EULER
O número de Euler permite relacionar a força de pressão com a força da inércia
em um escoamento, também possibilita descrever perdas ao longo desse
escoamento.
F
Eu = (3)
p ѵ 2 L2
2.3 TEOREMA DE PI BUCKINGHAM
Para a realização de um experimento com intenção de determinar uma
expressão geral sobre o comportamento de algum sistema, seria necessário
trabalhar com cada variável e sua influência sobre as outras, entretanto, esse
tipo de método, seria muito exaustivo, dependendo de quantas variáveis possui
no projeto, poderia ser necessária décadas e décadas para chegar à uma
conclusão sem falar nos custos da operação.
Nesta questão, se demonstra a grande importância do Teorema de Pi
Buckingham,
nele você consegue realizar um passo a passo para determinar equações
adimensionais através de uma análise dimensional. Para ser mais específico, o
teorema pi diz que se uma equação física envolve um determinado número de
variáveis físicas dimensionais (n) e essas variáveis possuem quantidades de
dimensões físicas fundamentais independentes(r), a equação do sistema físico
pode ser reescrita como uma equação p = n − r variáveis adimensionais
constituídas a partir das originais. A ideia é reduzir o número de variáveis a
fatores dimensionais. consequentemente, diminuir o número de testes
necessários. Alguns dos passos importantes para identificar a variável são:
 Identificar as variáveis envolvidas;
 Apresentar as dimensões básicas (MLT);
 Cálculo da quantidade de números adimensionais que devem ser
encontrados;
 Escolher uma base;
 Realizar análise dimensional;
 Mostrar que pi é adimensional.
Para um trabalho mais amplo do que se está trabalhando, podemos trazer uma
situação onde é estudado sobre o transporte da areia pelas ondas oceânicas.
Assim, podemos analisar que a tensão de cisalhamento induzida pelas ondas
no fundo, precisa para mover partículas, depende da gravidade g, do tamanho
d da partícula e da sua massa específica p, da massa específica e da
viscosidade da água. Assim, se faz necessário encontrar os números
adimensionais adequados para o problema. Portanto, podemos aplicar os
passos necessários para resolver o problema.
 Identificar as variáveis envolvidas:

τ =f ( g , d , ρ p , ρ , μ ) ( 4)

Logo, são 6 variáveis com dimensões.

 Apresentar as dimensões básicas (MLT):


F Kg .m 1
[ τ ]= = . 2 =M 1 L−1 T −2 (5)
A d 2
m
m
[ g ] = 2 =LT −2 (6)
s
[ d ] =m=L(7)
Kg
ρ p =[ ρ ] = 3
=M L−3 (8)
m
Kg
[ μ]= =M L−1 T −1 (9)
m. s
 Cálculo da quantidade de números adimensionais que devem ser
encontrados: Com os dados anteriores podemos usar a fórmula para
encontrar o número de grupos pi. Número de grupos pi = Número de
variáveis com dimensões - Número de dimensões básicas envolvidas.
Assim sendo, número de grupos pi = 6-3 = 3 números adimensionais.

 Escolher uma base: Primeiro é feito a escolha de 3 variáveis repetitivas, por


conta da quantidade de dimensões básicas envolvidas. Essas variáveis se
multiplicando não podem dar um número adimensional.

A∝ B β C γ ≠ M 0 L0 T 0 (10)

Então é feito escolha de variáveis que não se cancelam, [g, d, ρ].

 Realizar análise dimensional: Então, é feito a escolha de uma das variáveis


que sobraram do sistema, a variável escolhida foi τ . Assim, concluímos
que:

gα d β ρ γ τ =M 0 L0 T 0 (11)

Então, aplica-se as dimensões:

α γ
( L T −2) ( L )β ( M L−3 ) ( M L−1 T −2) =M 0 L0 T 0 (12)

Organizando,

M γ +1 L α +β −3 γ−1 T −2 α −2=M 0 L0 T 0 (13)

Assim, temos o sistema:

γ + 1=0
[ ]
α + β −3 γ −1=0 (14)
2 α +2=0

Logo,

α =β=γ =−1(15)

Então substituímos esses valores na equação 11 e concluímos que,

π 1=g−1 d−1 ρ−1 τ (16)


τ
π 1= (17)
ρgd
Agora, é repetido esse mesmo passo para trabalhar as outras duas
variáveis que restaram para encontrar os outros grupos adimensionais.

gα d β ρ γ ρ p=M 0 L0 T 0 (18)

Então, aplica-se as dimensões:

α γ
( L T −2) ( L )β ( M L−3 ) ( M L−1 T −2) =M 0 L0 T 0 ( 19)

M γ +1 L α +β −3 γ−1 T −2 α −2=M 0 L0 T 0 (20)

Assim, temos o sistema:

γ + 1=0
[ ]
α + β −3 γ −1=0 ( 21 )
2 α +2=0

Logo,
α =β=0(22)
γ =−1(23)

Então substituímos esses valores na equação 18 e concluímos que,

π 2=g0 d 0 ρ−1 ρ p (24)

ρp
π 2= (25)
ρ

Por m, utilizamos a última variável que sobrou que é a viscosidade.

gα d β ρ γ μ=M 0 L0 T 0 (26)

Então, aplica-se as dimensões:

α γ
( L T −2) ( L )β ( M L−3 ) ( M L−1 T −1 ) =M 0 L0 T 0 (27)

Organizando,
M γ +1 L α +β −3 γ−1 T −2 α −1=M 0 L0 T 0 (2 8)

Assim, temos o sistema:

γ + 1=0
[ ]
α + β −3 γ −1=0 ( 2 9 )
2 α +1=0
Logo,
−1
α= (30)
2
−3
β= (31)
2
γ =−1(32)

Então substituímos esses valores na equação 26 e concluímos que,


−1 −3
2 2
π 3=g d ρ−1 μ (33)

μ
π 3= 1 3
(34)
2 2
ρg d

μ
π 3= (3 5)
ρ . √ g d3

Assim, são encontrados os três grupos adimensionais.

 Mostrar que pi é adimensional.


Para π 1,
τ
π 1= (36)
ρgd

M L−1 T −2
π 1= (37)
M L−3 LT −2 L

π 1=M 0 L 0 T 0 (38)

Para π 2,
ρp
π 2= (39)
ρ

M L−3
π 2= (40)
M L−3

π 2=M 0 L0 T 0 (41)

Para π 3,
μ
π 3= (42)
ρ . √ g d3
M L−1 T −1
π 3= ( 43)
M L−3 . √ L T −2 L3
π 3=M 0 L0 T 0 (4 4)

2.4 SEMELHANÇA DINÂMICA E CINÉTICA


A análise puramente teórica pode se tornar bastante complexa em problemas
de engenharia na vida real, uma vez que as equações nem sempre são
conhecidas ou suas soluções não são triviais. Nesse sentido, a experimentação
é um método utilizado para se extrair informações confiáveis por meio de testes
em um modelo, com escala geométrica reduzida, em vez de um protótipo em
escala natural e consequentemente dimensões bem maiores.
Seguir o princípio da similaridade possui uma série de vantagens pois com os
modelos em escala conseguimos reduzir tempo e dinheiro que seriam
investidos em um protótipo. No entanto, para efeito de comparação, a
indicação de que o modelo e a realidade teriam o mesmo comportamento só é
possível quando os conjuntos são fisicamente semelhantes.
A semelhança física envolve uma variedade de condições para que a
similaridade entre um modelo e o protótipo seja descrita como completa. A
primeira condição diz respeito à semelhança geométrica, que está relacionada
ao fator de escala, onde a razão entre qualquer comprimento no modelo e o
seu correspondente no protótipo é constante. Já a segunda condição está
associada ao movimento, ou seja, a velocidade em determinado ponto de
escoamento do modelo deve ser proporcional à velocidade do ponto
correspondente de escoamento do protótipo. Essa condição é conhecida como
semelhança cinemática. A terceira e mais difícil condição de ser atendida é a
semelhança dinâmica, que é atingida quando os valores absolutos das forças,
em pontos equivalentes dos dois sistemas, estão numa razão fixa. Todas as
três condições de semelhança existem para garantir o princípio da similaridade
completa.
3. PROBLEMA
Determinar os números adimensionais para um problema de engenharia.
4. RESULTADOS
A equação diferencial para vibrações de pequena amplitude y(x, t) de uma viga
simples é dada por:

ς2 y ς4 y
ρA + EI =0( 45)
ς t2 ς x4
Em que ρ = Massa específica do material da viga A = Área da seção
transversal I=Momento de inércia de área E = Módulo de Young.
Utilizar as grandezas ρ, E e A para dimensionar y, x e t e reescreva a equação
diferencial na forma adimensional. Alguns parâmetros permanecem? Eles
poderiam ser eliminados por manipulações adicionais de variáveis?
Solução: Variáveis a utilizar (ρ, E, A):
ρ=[ M L−3 ] ( 46)
E=¿

A=[ L2 ] ( 48 )
Variáveis a encontrar (y, x, t):
y= [ L ] ( 49)
x=[ L ] (50)
t=[ T ] (51)
Formando o grupo pi adimensional y:

ρa Eb Ac y=M 0 L0 T 0 (52)
a b c
[ M L−3 ] [ M L−1 T −2 ] [ L2 ] [ L ]=M 0 L0 T 0 (53)

Resulta no Sistema:

a+b=0
[ −3 a−b+2 c+ 1=0 (54)
−2b=0 ]
A solução é:
a=0(55)
b=0(56)
−1
c= (57)
2
Portanto,
y
π y= (58)
√A

Como x tem a mesma dimensão, tem-se o mesmo comportamento, logo:


y
πx= (5 9)
√A

Para t,
ρa Eb Ac t=M 0 L0 T 0 (60)
a b c
[ M L−3 ] [ M L−1 T −2 ] [ L2 ] [ T ] =M 0 L0 T 0 (61)

Resulta no Sistema:

a+ b=0
[ −3 a−b+2 c=0 (62)
−2 b+1=0 ]
A solução é:
−1
a= (63)
2
1
b= (64 )
2
−1
c= (65)
2
Portanto,

E
π t =t .
√ ρA
(66)

Substituindo na Equação 45:


2
E ς2 ( π y √ A) EI ς 4 (π y √ A )
ρA (√ ) ρA
.
ς π 2t
+
( √ A)
4
.
ς π 4x
=0(67)

Arrumando a equação,

ς2 π y 4
EI ς π y
E√A . + (68)
ς π 2t ( √ A )4 ς π 4x

Vemos que ainda pode-se eliminar o E da equação, pois está em ambos os


fatores:

ς2 π y 4
I ς πy
√A. 2 + (6 9)
ς π t ( √ A )3 ς π 4x

Ao analisar as dimensões que sobraram:


√ A= [ L ] (70)
I L4
(√ A )
3 [ ]
= 3 =[ L ] (71)
L

Ou seja, ainda não está totalmente adimensionalizada a equação. Pode-se


então dividir ambos os lados da equação por A e consequentemente teríamos
uma equação completamente adimensional.

ς2 π y I ς4 π y
2
+ 2. 4
=0(72)
ς πt A ς π x

5. CONCLUSÃO
A análise dimensional permite a simplificação de um problema físico
empregando a homogeneidade dimensional para reduzir o número das
variáveis de análise.
Uma vez determinada a importância dos números adimensionais e a
metodologia para sua determinação em um problema físico, pode-se estudar
como estes números (ou grupos) adimensionais serão utilizados para a prática
de engenharia. É sempre importante escolher um sistema coerente de
unidades, para que se defina somente as unidades das grandezas
fundamentais para o problema que for escolhido.
6. REFERÊNCIAS
[1] BRUNETTI, FRANCO. Mecânica dos Fluidos. 2o Edição revisada - São
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008.
[2] BRUNETTI, FRANCO. Mecânica dos Fluidos. São Paulo: Pearson, 2005.
410 p.
[3] BRUCE R. MUNSON, DONALD F. YOUNG, THEODORE H. OKIISHI.
Funda-
mentos da Mecânica dos Fluidos. Editora Edgard Blucher LTDA, 4o Edição,
2004.
[4] ROBERT L. MOTT. Mecânica dos Fluidos. Person Educations, 6o Edição,
2006.
[5] FRANK M. WHITE. Mecânica do Fluidos. Bookman AMGH Editora LTDA, 6o
Edição, 2011.
[6] YOUNG, H. D. Física II: Termodinâmica e ondas. São Paulo: Addison
Wesley. 2012.
[7] HEWITT, Paul. Fundamentos de Física Conceitual. Cap.: Mecânica dos
Fluidos. 1ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.
[8] SILVEIRA, F; MEDEIROS, A. O Paradoxo Hidrostático de Galileu e a Lei de
Arquimedes. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Volume 26. No 2. 2009.
The Editors of Encyclopaedia Britannica - Simon Stevin: Flemish
Mathematician.
[9] ÇENGEL, Y.A.; CIMBALA, J.M. Mecânica dos Fluidos Fundamentos e
Aplicações, 1ª Edição, Editora McGrawHill, 2007.
[10] RESNICK, R., HALLIDAY, D., WALKER, J. Fundamentos de Física. Vol. 2.
8ª Ed. Rio de Janeiro. LTC. 2009.