Você está na página 1de 1

Essa geração buscou intensificar o que se deu início na década de 1920 com o Modernismo, as

propostas foram mais elaboradas sem fugir do que era proposto, porém inovando e
redescobrindo áreas da Literatura nunca antes trabalhadas. Inovação dos aspectos estéticos,
temáticos e linguísticos, dando ênfase na forma ao mesmo tempo que explorava aspectos
humanos. Tanto a prosa quanto a poesia foram explorados de maneira intimista e regionalista.

Clarice Lispector se destaca em suas obras principalmente por sua intensidade, pela densidade
das emoções, o importante para Clarice não são as ações, mas o impacto causado a partir
delas, ou seja, podemos dizer que as reações são mais importantes. Ao ler Clarice, é impossível
não se sentir incomodado por situações novas e diferentes relatadas como imprevistos e
surpresas ao longo da leitura. Clarice coloca um novo olhar para coisas cotidianas, nos tirando
da zona de conforto de leituras comuns. Apesar de não apresentar uma abordagem sócio-
política, Clarice trata sobre abordagens sociais sim, principalmente relacionando a figura
feminina como ponto principal nessa sociedade, a mulher ganha um poder incomum e
avassalador buscando novos ideais e costumes. A epifania presente em suas obras trata sobre
um incômodo seguido de reflexão, é como se a personagem vive numa suposta harmonia até
se deparar com um caos emocional que vai levá-la a pensar para além de seus sentimentos e
vida, mas vai refletir sobre o seu eu e qual seu papel no mundo enquanto pessoa. Clarice é
intensa, Clarice é misteriosa e indecifrável.

João Cabral de Melo foi o escritor-engenheiro que construía e transformava com as palavras, a
linguagem era tratada como objeto por olhar para ela profundamente enxergando forma,
imagem, som e todos os aspectos existentes. O teor crítico presente nas obras de João Cabral
funciona fazendo relação entre a função poética e as demais funções da linguagem, a
construção do fazer e o dizer estão tão relacionados que um depende totalmente do outro. A
ruptura com o lirismo acontece porque o eu está fora do horizonte lírico, em nenhum
momento se deixa levar pelo apego sentimental do leitor. Consegue distinguir e separar bem
razão e emoção.

Guimarães Rosa trabalhou muito com neologismos, ele criava certas palavras com a
combinação da língua portuguesa com línguas estrangeiras e também buscando dá novos
conceitos a determinadas coisas, exemplos: nonada - coisa sem importância; ufanático: que se
orgulha exageradamente; espadachim: trabalhador do campo; etc. Suas obras apresentam
linguagem popular e ao mesmo tempo um teor fantástico que se distancia do cotidiano
sertanejo, ele vai além da vida rural, ele viaja usando as palavras para um universo místico de
aventuras e invenções. Guimarães também tratou seus textos colocando críticas sociais e
explorando o sertão e seus personagens com complexidade.