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Teologia Bíblica

Movimento
Profético

Cleuza S. Nogueira
Teologia Bíblica – Os Livros Proféticos Posteriores

Apresentação

Este E-book é baseado na obra de A. Gelin. - Introdução à Bíblia.

Elaboramos este E-book para tornar a riqueza deste material mais acessível,

não só do ponto de vista econômico, mas também da compreensão do texto.

Procuramos tornar a leitura mais fluente e facilitar assim, o estudo dos

iniciantes do aprendizado da Teologia Bíblica.


Teologia Bíblica – Movimento Profético

Capítulo 1

Os Profetas

I - Dados Históricos

1. Etimologias e Denominações:

nabi

Em hebraico a denominação corrente do profeta é nabi, que representa uma forma


nominal em qatil, em que se classificam ordinariamente os adjetivos de sentido
passivo mashiah (ungido) nazir (consagrado) 'ani (pobre).
A origem do termo é incerta. Baseados na raiz arcaica da palavra nb', uns a
traduzem, primeiramente, como o transporte extático que faria o profeta, e depois,
devido à mudança no sentido da palavra, nabi seria aquele que fala com veemência e
sob o influxo de uma potência superior, para anunciar coisas inacessíveis aos mortais.
Outros apelam para uma raiz nb' (falar) caída também em desuso, mas que se
encontra nas línguas semíticas vizinhas. Nabi seria então “o que fala” (Jr 15, 19), ou
melhor, “aquele que é feito orador” (pela divindade).
É difícil escolher entre as duas hipóteses. Há textos em que o termo não traduz senão
a idéia de “porta-voz” (Êx 4.17 e 7.1), outros em que traduz um transporte em
delírio que se apossa de um indivíduo sob o império de uma força exterior (1 Rs
18.28-29). Albright (¹) apela para uma terceira explicação, mais simples e mais
plausível, vinculando nabi ao acádico nabu, que dá o sentido de “chamar”. O nabi
seria, portanto, “o chamado (por Deus)”.

__________________
(¹) W.F. Albright, from the Stone Age to Christanity, Baltimore 1946, págs. 231-232.
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ro'eh – Além do termo nabi, encontra-se em hebraico: ro'eh (vidente) que era
corrente no tempo de Samuel, “o vidente” por excelência (1 Samuel 9. 11; 18.19).
A partícula “pro” que entra na composição da palavra grega “prophètès” (tradução
grega dos setenta) não é o “pro” temporal (dizer de antemão), mas antes o “pro”
substitutivo (dizer no lugar de; por analogia de prostatès). Assim o profeta seria o
porta-voz ou o arauto de alguém; o termo grego nos indicaria mais um pregador do
que um previsor, um adivinho. Ainda há quem pense num “pro” local: o profeta
seria “o que fala diante (de uma multidão)”, aquele que proclama, o anunciador.

2. História do Movimento Profético


O profetismo Israelita
A notícia de 1 Sm 9.9, que faz confluir duas denominações, a de vidente e a de nabi,
inclina contudo a pensar que o profeta clássico saiu, por um engrandecimento
espiritual admirável, destas figuras solitárias de videntes: o Samuel da fonte J (1 Sm
9.7) ao qual se ia consultar para negócios de ordem privada e ao qual se
recompensava; ou Aías de Silo, que é consultado pela mulher de Jeroboão I para um
assunto doméstico (1 Rs 14, 1-16).
Samuel marca uma vertente. A mais antiga fonte de sua história faz ver nele mais do
que um adivinho: o sustentáculo do puro javismo e o fundador da teocracia real. Ele
inaugura a linha dos grandes profetas.
O que são, pois, os profetas clássicos? São os “perturbadores de Israel”, os guias
espirituais da teocracia, os mantenedores da Aliança, os fundadores do futuro. .
Homens de uma mensagem → (dabar), homens de espírito (espirituais) → (ruah),
estes homens inspirados são avançados para seu tempo; eles pressentem a religião de
amanhã que ligam àquela de ontem. Eles são os confidentes e os porta-vozes de um
Deus que se revela na história. Eles vibram uníssonos com o “phatos” de um Deus
vivo; têm horror a tudo o que é atenuação da palavra de Deus: casuística, diplomacia,
não fazem parte do seu estilo, quando se trata da palavra de Deus.
Enfim, a percepção e a libertação de sua mensagem são favorecidas pelas
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reviravoltas da história e o clima catastrófico em que se encontram seus temas de


pregação. O fenômeno profético está no coração do Antigo Testamento.
Distinguem-se os profetas oradores e os profetas escritores; mas a aparição destes
últimos no século VII é um fato acidental. O livro não teve outro sentido senão o de
prolongar a pregação; os profetas puramente oradores continuam depois de Amós:
Jonas (2 Rs 14.25), Urias (Jr 26.20-23), Holda (2Rs 22.14-25).

De Samuel a Amós
Só se pode aqui esboçar a história do movimento profético de Samuel a Amós.
Davi se apoia sobre dois representantes da ideia teocrática, herdeiros de Samuel:
Natã (2 Sm 1-17;12.1-15; 1 Rs 1-2) e Gad ( 1 Sm 22.5; 2 Sm 24).
Sob Salomão parece constituir-se uma oposição profética que se manifesta em Aías
de Silo, o anunciador do cisma de 931 (1 Rs 11.29-39). Em suas intervenções
múltiplas, num e noutro reino, percebe-se uma inspiração comum: eles querem
manter os valores antigos característicos da *(¹)anfictionia, igualdade e justiça que
ameaçam a civilização real, paz que destrói a divisão, simplicidade severa do ritual,
unidade religiosa.
Aías condena a casa de Jeroboão por suas iniciativas cultuais (1 Rs 14.1-19).
Semeias impede Roboão (931-913) de reconquistar o Norte (1 Rs 12.21-24); ratifica
assim a separação e aconselha as relações fraternas entre os dois reinos.
Sob Jeroboão ainda, um profeta anônimo irá amaldiçoar o altar de Betel (1 Rs 13. 11-
32).
No Norte, Jeú *(²)ben Hanani anuncia o fim do usurpador Baasa (1 Rs 16.1-4, 7-13).

________________
*(¹) anfictionia → Direito que tinha certas cidades da Grécia de enviar um deputado ao Conselho dos
Anfictiões. Anfictião → representante de cada um dos estados gregos confederados. Os anfictiões reuniam-
se para deliberar sobre os negócios gerais.

*(²) ben → do hebraico, filho. “Jeú filho de Hanani”.


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O advento dos (*¹)Omridas (885-841) é muito importante para a história do


movimento profético. Notam-se numerosas intervenções de alcance religioso e
nacional (1 Rs 20.13ss. 28.35ss.). A intervenção de Micaías bem Yimla é importante
por sua oposição ao profetismo patenteado (1 Rs 22).
Nota-se também a floração de confrarias de “filhos de profetas”, que não parecem a
simples reedição dos grupos de entusiastas do tempo de Samuel; aqui se observa um
andamento mais ousado e uma organização mais real; as confrarias são fixadas em
Betel, Jericó e Gilgal, e conhecem certa vida em comum (2 Rs 2; 4.38-41; 6.1-7).
São características dessas confrarias:
• não tira completamente os adeptos da vida conjugal (2 Rs 4.1);
• há jovens entre eles (2 Rs 5.22; 9.4);
• vivia-se pobremente (2 Rs 4.8; 5.26-27; 6.5);
• Os fenômenos extáticos não parecem assinalados.
• Houve associações espontâneas de defesa javista contra o baalismo
introduzido pela política.
Elias, campeão de Javé, uniu sua causa à dessas pessoas (1Rs 18.22; 19.10-14);
Eliseu se misturou a eles e os utilizou. Mas nem um nem outro parece ter saído desse
meio: Elias vem da Transjordânia e Eliseu herda o espírito de Elias (2 Rs 2.15).
A vocação de Elias é afirmar o javismo exclusivo e moral dos antepassados diante do
risco de religião naturista, que se acentua em Canaã com a introdução do Melcart de
Tiro. Elias continua o arauto de um “renascimento”religioso do qual uma das fontes
de inspiração é o deserto, em que ele vai reviver a experiência de Moisés (1Rs 19. 1-
18). Outras fontes de inspiração são as reivindicações de ordem social (caso Nabot
1 Rs 21), as intervenções de ordem política contra Acab e Jezabel. As ameaças ao
povo, derivam de sua fidelidade a Javé.
• Esta personalidade possante e solitária (1 Rs 19.10) “é uma estaca excepcional na
história de Israel desde a era mosaica” (Jack). Sua obra político-religiosa é terminada
por seu discípulo que com os recabitas apóia o pronunciamento sangrento de Jeú, que
destrona os Omridas (2Rs 10)
_______________________
(*¹) Trata-se da Dinastia dos Omridas
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3. Profetas e Profetas
Há primeiramente, ao lado deles,ou diante deles, um profetismo institucional, oficial:
➔ Profetas acompanham o rei em suas mudanças (1 Rs 22);
➔ Recitam no curso das cerimônias do templo seus oráculos de vitória (Sl 60);
➔ Fazem parte dos quadros da nação ( 2 Rs 23.2);
➔ Emitem vaticínios nos átrios dos santos (Jr 28, Ne 6.12) em que um sacerdote é
encarregado da vigilância (Jr 29.26).
Seu nível espiritual não é forçosamente baixo. Havia um “profetismo médio”. Mas
eles eram facilmente inclinados, por posição, a identificar em todas as conjunturas a
causa real com a causa de Javé.
Assim, os profetas de vocação se opuseram frequentemente a eles (Am 7.14)
Miquéias, Isaias, Jeremias e Ezequiel) antes que Zacarias anunciasse o
desaparecimento deles (Zc 13.1-6).
As regras do discernimento dos espíritos dadas pelo Dt 13.1-6; 18.15-22 os visam
concretamente. Tratá-los indistintamente de falsos profetas seria exagerado.
Doutra parte, a autoridade dos grandes profetas tende a se estabelecer sobre grupos.
Nós já encontramos os “filhos de profetas” com Eliseu (2 Rs 2.15;4.38;9.1-3). Is 8.16
mostra que Isaías formou em torno de si uma sociedade de discípulos.
Nestes grupos privilegiados se conserva e se explora o pensamento dos mestres: é a
eles que devemos a publicação dos oráculos. É assim que existe uma escola isaiana.
Pode-se perguntar, enfim, se a ideia da linha profética não é senão uma construção
artificial. É um fato, porém, que os profetas apelam sem cessar para seus precursores
(Jr 7.13-25; Zc 7.7) e tira deles seus oráculos. É um fato que Oséias e Miquéias nos
remetem a Moisés, o homem da Aliança, isto é, de uma religião histórica gravitante
sobre um ser pessoal, moral e exclusivo. Esta transcendência do javismo é a razão do
fato profético que já o eloísta prolongou até às origens do povo escolhido. De fato o
termo nabi teve uma tal aura que não se hesitou em denominar assim Abraão (Gn
20.7), os patriarcas (sl 104, 105), o pagão Balaão (Nm 22-24:E) e sobretudo Moisés,
o protótipo dos profetas (Dt 34, 10-12; Ex 12.2:E) Mas é a partir da instalação em
Canaã que o profeta é considerado como permanente (Dt 18.9-22). A partir daí, a
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continuidade profética é assegurada até que a personagem-profeta, no nível do


Segundo-Isaías, seja messianizada.

II. A Questão Psicológica


1. Os Grandes Profetas foram Extáticos

Os grandes profetas derivariam dos nabis entusiastas e se caracterizariam pelo êxtase.


“A experiência fundamental de toda a profecia , diz Gunkel, é o êxtase”, entendido
como “uma exaltação dos movimentos afetivos, ligados a fenômenos secundários
especiais” (Hölscher).
O problema passa assim, insensivelmente, do plano histórico para o plano
psicológico. Mas é preciso confessar que a palavra êxtase é pejada de uma
ambigüidade profunda. A questão de saber se os grandes profetas foram extáticos,
foi discutida desde a antiguidade. Filon respondia afirmativamente. Josefo
negativamente. Os montanistas eram pela passividade absoluta dos inspirados; alguns
pais compararam a profecia com uma lira que o pletro toca, ou como uma flauta que
o Espírito faz produzir o som que ele quer (11).
Em sentido contrário, muitos exegetas liberais ensinaram que os profetas são
pensadoresa religiosos, de pensamento coerente e nos quais o êxtase não desempenha
senão um papel acidental; apresentando seu ensinamento como revelações recebidas
no curso de visões, eles se teriam adaptado a uma espécie de convenção literária
(Kuenem, Renan).
Recentes historiadores de religião, ao contrário aproximaram as manifestações da
inspiração profética dos fenômenos extáticos que conheceram os povos antigos e os
examinaram do ponto de vista da psiquiatria moderna: G. Hölscher(²), H.Gunkel(³), o
médico W.Jacobi(4).

_______________
(¹) P. DE LABRIOLLE, La crise montaniste, Paris 1913, págs. 558-561.
(²) G.HÖLSCHER, die propheten: Untersuchungen zur Religionszeschichte Israels, Lipsia 1914.
(³) H.GUNKEL,Die propheten, Gotinga 1917.

(4) W. JACOBI, die Ekstase der alttestamentlichen propheten, Munique 1920.


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Eis, segundo Hölscher, as três características que se revelam nos profetas:


➢ Agitação violenta (Ez6.11; 21.19);
➢ Prostração que se traduz por acessos de afasia (Ez 3.15, 25; 24.27) de paralisia (Ez
3.25-26) ou de catalepsia (Ez 9.8; 11.13); anestesia nas feridas (Zc 13.6);
➢ Apagamento da personalidade: o profeta fala como se ele fora o próprio Deus; “atos
extáticos” realizados em estado de exaltação,verdadeiros reflexos impulsivos (Ez 4.1-
3, etc); palavras impulsivas e breves; glossolalia (Is28. 9-10); alucinações da vista, do
ouvido (Ez 3.16) e do tato (Is6.6-7); ilusões propriamente distas, isto é, deformações
de percepções reais (Isaías quando de sua visão inaugural,estará no templo e
transformará impressões vindas dos sentidos); auto-sugestões (1Rs 3.15) ou
sugestões (2Rs 6.17) (êxtase provocados).
Uma forte reação contras esta maneira de compreender o êxtase a partir de seus
caracteres secundários é delineada desde trinta anos atrás.
Em resumo, a teoria do êxtase oscila entre muitas modalidades: uma patológica na
qual nós não temos que nos deter, sendo o pseudo-êxtase um estado de desagregação
psicológica, que não poderia explicar nada no caso profético; outra neoplatônica,
que a define pela abolição do eu e pela absorção em Deus; a terceira que Lindblom
nomeou “concentration ecstasy, em que a alma se concentra sobre um único objeto e
perde em consequência sua consciência normal e o funcionamento de seus sentidos
externos.
Não se pode aplicar a segunda explicação para os grandes profetas. A absorção em
Deus é uma idéia grega, não semítica; Javé é austero e inacessível. O profeta, doutra
parte, não faz esforço para se perder em Deus, mas continua intimamente afeito às
circunstâncias políticas e sociais deste mundo. Ele se caracteriza pela “dabar”
(mensagem). O êxtase, observa Case (¹), não está na base da vida religiosa do
profeta, ele é somente ponto de partida histórico e se manteve entre os grandes
profetas como uma sobrevivência à qual os contemporâneos e o profeta mesmo
puderam ajuntar uma importância maior ou menor, mas não é mais do que um
fenômeno acidental.
___________________
(¹) RHPR, 1922, 354.
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Um dos partidários mais resolutos da teoria, A.Lods, reconhece a si mesmo incapaz


de inteirar-se de todos os fatos: tal estado de alma profética se aproximaria antes,
segundo ele, da inspiração dos poetas e dos artistas. Alhures alude à coexistência, no
caso do Apóstolo Paulo, da glossolalia e da vida espiritual mais elevada: esta
participação ao “entusiasmo” de seu tempo conota sem dúvida entre os profetas um
dos condicionamentos de sua atividade: ela não se explica naquilo que ela tem de
essencial.

2. A Consciência Profética
O testemunho espontâneo da consciência profética
Jeremias tentou analisá-la com uma precisão muito notável para um semita: ao
elemento humano, fraco e tímido, se sobrepõe o elemento divino, cheio de domínio e
de majestade. A revelação divina é apresentada como um impulso irresistível (Jr 20.7
e 9; Am 3. 3-8) e acompanhada de uma certeza (Jr 15.19) que não se desmente em
face da morte (Jr 26.12 ss).
Uma tal consciência supõe um fundo de intimidade e de comunhão entre Deus e o
profeta. “Desde que verdadeiros e falsos profetas dão provas de uma 'psicologia
anormal' e que todos prevêm o futuro, a natureza da profecia não se há de definir em
função destas coisas. Aquilo que é realmente vital, é a relação com o Deus do
profeta e com sua palavra. . O profeta propriamente dito é um homem que conheceu
Deus na imediatez da experiência, que se sentiu invencivelmente constrangido a
emitir aquilo que, na sua convicção profunda, era a palavra divina; um homem cuja
palavra era no fundo uma revelação da natureza e da vontade de Deus.
Jeremias foi um verdadeiro profeta na medida de sua experiência de Deus, e a
medida desta experiência era a mesma de sua receptividade e de sua resposta”.
(H.H.Rowley).
_____________
Nota - A missão profética tinha que sobrepujar todas as coisas. Falava aos homens o que Deus queria e não o
que as pessoas queriam ouvir.
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Os dois critérios do verdadeiro profeta

“Kô 'amar Yahvé'” - a explicitação normal de uma vocação inicial. É notável como o
“Assim fala Javé” era comum aos profetas autênticos e aos que nos acostumamos a
chamar de falsos profetas. A leitura de Jr 28 é bem sugestiva sob este aspecto.
Ananias era um profeta de Javé, mas jogava com uma concepção muito material e
mecânica da Aliança. O choque de duas fórmulas introdutórias endossando
anúncios contrários não podia, é bem evidente, esclarecer o público crente.
Assim, Jeremias apela para dois critérios capazes de autenticar a sua missão: o
primeiro é a realização dos acontecimentos preditos (28.15-17); o segundo é
conformidade à doutrina tradicional, proclamando que o verdadeiro profeta anuncia a
infelicidade (28.7-9), Jeremias implicitamente evoca o fato do pecado, que é a causa
da infelicidade e que esteve sempre, desde Samuel, Elias e Amós, no primeiro plano
da mensagem profética.
Ora, o Deuteronômio tinha já dado os dois critérios de que se utiliza Jeremias.
Primeiramente a realização das profecias (Dt.18. 15-22). Como as profecias eram,
muitas vezes, a longo prazo, era necessário poder anunciar acontecimentos de
realização mais imediata para que ela autenticasse a missão do profeta (Jr 28.15-17;
20.6; 44.29-30; 45.5).
O segundo critério, e o mais importante, residia na doutrina e na vida do profeta (Dt
13.1-5): elas deviam estar na linha do puro javismo. Santo Agostinho disse certa vez:
“Fora da unidade, mesmo aquele que faz milagre, não é nada.” Ou como disse
Pascal: “A doutrina qualifica o milagre”.
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III. Dados Literários

1. Os Gêneros Proféticos
Os profetas servem de formas literárias variadas: parênese, parábola, visão, relato,
diálogo, oráculo, torá, sapiência, canto, prece, “confissão”, carta, hino.

 O oráculo
O oráculo é uma declaração solene feita em nome de Deus. Neste sentido geral,
pode-se encontrá-lo nos lábios dos sacerdotes, sobretudo para as decisões de justiça.
Entre os profetas, ele diz respeito a um acontecimento feliz ou infeliz que deve
sobrevir num futuro próximo ou remoto (Jr 19.11; 28.16). Distinguem-se
ordinariamente os oráculos pela presnça das fórmulas de introdução e conclusão . O
“Kô 'amar Yahvé” evoca fórmulas similares usadas no Oriente antigo a propósito das
declarações tidas como feitas pelos deuses (assim em Mari o discurso divino é
introduzido por Kiam iqbi(m), ou emanente dos soberanos (2 Rs 18.19). É também
uma fórmula epistolar. O conteúdo da carta é supostamente confiado ao destinatário;
donde a precisão “E tu dirás” (Jr 8.4).
A declaração é geralmente acompanhada de sua motivação moral: aí se apreende o
gênio do javismo. O motivo precede a declaração de preferência nos oráculos de
desventura (Os 9.10-12; 12.12). Ele a segue ordinariamente nos oráculos de ventura,
em que a atenção é assim atraída sobre a certeza daquilo que é anunciado.
(O oráculo não é necessariamente um vaticínio, isto é, profecia para o futuro, porém 90% refere-se ao futuro).

 A Exortação ( Pode ser que a palavra Admoestação traduza melhor este subtítulo)
A exortação, segundo os críticos atuais, seria um gênero secundário com relação ao
precedente, mas isto não concerne senão à pré-história literária: Amós contém
exortações. O tom é então o do pregador que procura convencer: “Escutai...” (Jr 7.2).
A desventura é apresentada como evitável e a felicidade possível. O apelo ao coração
é fundamental neste gênero em que sobressai Oséias. Mas é difícil distinguir
formalmente a exortação profética do sermão sacerdotal, ao qual se ligam as
parêneses do Deuteronômio.

 Outros Gêneros
Também é preciso assinalar os relatos autobiográficos, pois os profetas se sentiam na
obrigação de transcrever suas experiências fundamentais ou os incidentes mais
importantes de sua carreira. Esta maneira de proceder é antiga e se percebe já com
Miquéias ben yimla (1 Rs 22.17-21). O gênero se tornará puramente literário no nível
da apocalíptica. As descrições de visões e de sonhos, ocupam um lugar cada vez mais
absorvente desde o Exílio (Ezequiel, Zacarias); elas se tornarão um processo habitual
nos apocalipses. A lírica, em particular a imitação dos Salmos penitenciais (Os 6.1s;
Jr 14, ou hínicos (segundo Isaías) atesta os laços dos profetas com os meios cultuais;
mas a reflexão sapiencial não falta também (Jr 17.5-11; Ag2.15-19).
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 As ações simbólicas
Devemos nos despir da mentalidade ocidental para fazermos uma leitura das ações
simbólicas. A finalidade das ações simbólicas é encarecer diante do público as
afirmações dos inspirados, forçando a atenção. É tornar enfática suas afirmações,
através de ações que exemplificam ou confirmam o que foi profetizado. Jesus mesmo
utiliza tal processo quando amaldiçoa uma figueira, na véspera de sua Paixão (Mc
11.12-14). Esta teoria “pedagógica” das ações simbólicas se verifica também no caso
da jarra partida de Jeremias (19.1-3). Ainda podemos citar:
→ Aías que rasga seu manto novo (1 Rs 11.29-39);
→ os cornos de ferro de Sedecias (1 Rs 22. 10-12);
→ Joás que lança uma flecha e fere o solo (2 Rs 13.14-19);
→ Neemias que agita seu manto (Ne 5.12-13);
→ Agabos que liga as próprias mãos e pés (At 21.10-13)
→ Em alguns dentre eles, é a própria vida pessoal que se torna símbolo e sinal do
futuro que eles anunciam: assim, a vida conjugal de Oséias. É que eles pensam
empenhar a si mesmos inteiramente em suas mensagens. Isaías diz: *“Eis que eu e
meus filhos que Deus me deu, somos sinais e presságios em Israel” (8.18).

2. A Literatura Profética
Os profetas se preocuparam em escrever para produzir mais impressão sobre o povo
(Jr 36); e também para que pudesse verificar mais tarde suas predições (Is 30.8). É
preciso conceber a primeira literatura profética a circular em folhas volantes. O
trabalho complexo da edição se faz nos círculos de discípulos que ajuntaram
elementos, fragmentos de coleção e, finalmente, arrumaram o material, segundo um
plano que se deve examinar, em cada livro.
Quando se examina a composição dos livros proféticos, é preciso neles distinguir três
espécies de elementos de base:
 O material oracular, cujos elementos são frequentemente ligados por “palavras
-colchetes” ou por afinidade de assuntos;
 As passagens biográficas (Er Berichten), por ex. (Os 1; Is 7).
 As passagens autobiográficas (Ich Berichten),por ex. (Os.3; Is.6).
Encontram-se estes elementos em Amós, Oséias, Isaías, Jeremias,. Não se encontra
senão o primeiro (Oráculos) em Joel, Naum, Sofonias e Zacarias. 9-14. Em Miquéias
e Habacuque encontram-se, além do primeiro (oráculos), vestígios do terceiro (Ich
Berichten) (Miq 3.1; Hb 1.2-2, 4). Quanto a Ageu, ele está em Er Bericht, mas sem
dúvida, artificialmente, tendo o profeta dado a seus dizeres uma forma objetiva e
mais solene. Deve-se observar que na apocalíptica somente os dois últimos
permanecem (sobretudo o terceiro).

* Grifo meu.
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IV. Importância do Profetismo


Mesmo os incrédulos não escondem sua admiração pelo que os profetas trouxeram
para o patrimônio da humanidade. Retoma-se de boa mente o tema de Renan sobre as
três civilizações “providenciais”:
• A Grécia, a serviço da razão;
• Roma que fez progredir o direito; e
• Jerusalém que assegura o advento da consciência e da justiça.
As opiniões ou suposições “leigas” são abundantes sobre este último ponto. Os
profetas são anexados ao socialismo (K. Marx., G. Le bom); interpreta-se livremente
o messianismo como uma teoria de progresso e se pensa que os profetas estendem a
mão aos enciclopedistas (H. Berr).
É preciso superar estas maneiras de ver, restituindo os profetas ao movimento
espiritual do qual eles foram a alma. Toda teoria que os isola é falsa na sua ótica. Os
profetas são antes de tudo testemunhas do espiritual: sua função em outros domínios
(social ou político) não é senão acidental como incidência consequente de sua ação
religiosa e moral. Tal é o centro luminoso ao qual sempre se deve voltar para avaliar
sua grandeza sem igual.

1. Sob o Ponto de Vista Religioso


Lugar dos Profetas na Revelação
Eles se situam no coração do Antigo Testamento. Em continuação com uma tradição
da qual são os herdeiros, asseguram sua existência e seu desenvolvimento entre os
século IX e o século IV, para transmiti-la enriquecida ao judaísmo. Eles vivem do
dado essencial fixado nos tempos mosaicos: o monoteísmo moral. Esta revelação
primordial, eles a sabem explorar com uma fidelidade criadora, e a vivem antes de
tudo, porque são místicos e a religião toma em suas almas este caráter de
autenticidade e calor que a torna irradiante junto de seus contemporâneo, e que até
hoje nos enleva.
Digamos melhor: estes arautos da fé, estes homens do Espírito estão de acordo nas
mensagens que Deus transmite pela sua boca. Eles as “encarnam” ao mesmo tempo
que as formulam, e estas mensagens sucessivas, ao mesmo tempo dom de Deus e
descoberta destes que Ele escolheu; são aprofundamentos e orientações. Estas
mensagens, que se devem ler com sua lentidão e suas repetições, consideradas
concretamente na história agitada de Israel, marcam a ascensão segura da vedadeira
religião para o ideal cristão.
É admirável pensar que os profetas foram as testemunhas e os artesãos deste
catecumenato da humanidade, os guias autorizados desta marcha espiritual, e que
eles tenham revelado e comentado o desígnio de Deus na história. Inserem-se num
lugar de escol neste imenso sinal de credibilidade, que é o Antigo Testamento. Se há
com efeito um prodígio que permanece inabalável, é como o exprimia Blondel, “a
pureza miraculosa da fé, obtida e preservada no único Senhor e Criador; o fervor da
esperança do Messias”.
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Contribuição Teológica
O contingente teológico dos profetas é imenso. A eles se deve o fato de ter-se melhor
conhecimento de Deus em sua unidade, sua espiritualidade, sua transcendência, sua
onipotência, sua justiça, sua bondade, sua proximidade. Eles discerniram os
mistérios do pecado e da graça, precisaram a natureza da sanção. Marcaram o
progresso do “personalismo”, evocaram e esperaram a comunidade da salvação,,
escrevendo como que a pré-história da Igreja.
Apesar dos erros e das impotências de seu tempo, eles marcharam às apalpadelas em
direção de Cristo, termo da história e Perfeição que eles não puderam senão
vislumbrar.
Eles se situaram nas fontes da moralidade; mostraram que a moral era assunto do
coração.

“Fizeram-te conhecer, ó homem, aquilo que é bom


e aquilo que Javé pede de ti;
nada mais que praticar a justiça,
amar a bondade
e caminhar humildemente com teu Deus”.

Estas palavras de Miquéias (6.8) definem a ótica profética. Aquilo que Javé quer é a
justiça (Amós); o amor (Oséias), a fé (Isaías); a conversão do coração (Jeremias); a
moral se interioriza.
Os profetas foram os denunciadores do pecado. Eles talvez tenham sido tentados
muitas vezes a descrever em cores sombrias seus contemporâneos. A pintura é negra
em Jeremias (13.23) e Ezequiel. Mas é a partir daí que estes dois profetas são levados
a descobrir entre a graça de Deus e a renovação moral do homem relações que seus
predecessores não tinham suspeitado: Javé, segundo Jeremias 24.7; 32.39 dará um
coração novo aos israelitas (cf. Ez 36.26 s). Vê-se que em definitivo o otimismo dos
profetas tem uma base sobrenatural. Eles acreditaram no triunfo da justiça e da
moralidade neste mundo, porque tal é o desígnio de Deus e porque Deus tem o poder
de fazê-lo triunfar; e eles começaram a realizar em si este ideal.

Os Profetas e o Culto
Sob o ponto de vista do culto e dos ritos, os profetas retificaram também o pendor de
Israel para uma concepção automática e formalista. Eles impregnaram o culto de
moral. Não se lerá neles uma condenação absoluta do ritualismo, como o queria a
escola liberal (Skinner, 1922). Miqueias 6.8 quer convencer que o culto não é o
elemento essencial da verdadeira religião. Se isto é expresso muitas vezes de forma
abrupta e um pouco paradoxal, é que nós nos encontramos diante do gênero literário
Teologia Bíblica – Movimento Profético

da sentença, cuja lei da hipérbole o próprio evangelho respeitou (Mt 5.30;6.3). com o
auxílio desse princípio se interpretará as passagens da Amós 5.24-25; Jr 7.21-23 que
parece se referir ao enunciado do decálogo de Ex 20 e Os 6.6.
“Eu quero amor e não o sacrifício,
o conhecimento de Deus antes que os holocaustos”.

A escola escandinava, há uns 30 anos, reagiu contra a escola liberal e supôs laços
estreitos entre os profetas e o culto. S. Mowinckel foi o iniciador desta verdadeira
revolução nos seus estudos sobre os salmos(¹). A presença de trechos oraculares no
saltério (Sl 60, 75, 82, 110) e inversamente, a presença de liturgias na literatura
profética (Hb 3; Jl 1-2; Os 6.1s; Jr14) Indicariam, segundo ele, que os profetas
pertenciam a guildes cultuais e tinham uma função permanente no cerimonial do
Templo. Passagens como Jr 20.1;29.6;35.4; Ne 6.14; Zc 13.2-6 seriam sugestivas a
este respeito. Ver-se iam assim, emergir os profetas cultuais: Ageu, Zacarias, Joel.
A fusão se daria com os nabis , exaltados do tempo de Samuel, espécie de religioso
dos santuários antigos; e os guildes de levitas postos em cena pelo cronista seriam,
em seu papel de nabis (1 Cr 25.1-3); 2 Cr 20. 14s), uma sobrevivências das
antigas associações de profetas. A ideia de Mowinckel foi retomada , não sem
exagero, por P. Humbert, que considera o livro de Habacuc como o libreto de
uma liturgia, praticada no templo de Jerusalém por volta de 602 e dirigida em
grande parte contra o rei Joaquim (²).
Esta reação crítica, malgrado seus exageros, se revelou salutar. Se é difícil anexar os
grandes profetas a associações cultuais, será, desde então, não menos difícil
transformá-los em opositores radicais do culto como tal.

2. Sob o ponto de vista social


Se os profetas se voltaram para o passado, foi para atingir um ideal melhor
salvaguardado, segundo lhes parecia, na sociedade mais simples que Israel das
origens; não foi porém para reviver este passado superado. Eles bem assimilaram a
civilização rural, urbana e real. A religião aceita os quadros de vida e tenta melhorá-
los.
Os profetas foram reformadores sociais porque eram crentes. Eles visaram, como os
legisladores, construir uma sociedade humana digna do povo de Deus. Os direitos
fundamentais do homem encontraram neles seus melhores defensores: direito às
garantias pessoais (salário), à pequena propriedade, a um governo humano. Eles
promoveram um ideal de igualdade e de fraternidade. Se se quer chamá-los de
revolucionários, é preciso dizer que eles o foram, agindo sobre o íntimo do homem...
Suas violências não eram senão a outra face de seu otimismo. Seus arroubos de
pregadores e a emoção tão verdadeira com que denunciavam os abusos de seu tempo.
Enfim, como gente voltada para o futuro, esperavam que Deus mesmo realizasse esta
sociedade com que sonhavam: é a razão profunda de seu otimismo. Eles contavam
com Deus para instaurar na sociedade de amanhã o clima verdadeiramente humano
em que pudesse viver os filhos de Deus (Zc. 8; Is 11.6-9; 19.23-25).
(¹) Kultprophetie und prophetische Psalmen, Christiania.III. 1923
(²)Problèmes du livre d'Habaquq, Neuchàtel, 1944.
Teologia Bíblica – Movimento Profético

3. Sob o ponto de vista nacional


Com seu lugar marcado na teocracia de Israel, os profetas tinham uma palavra a dizer
sobre a política. Porque na época em que o povo de Deus possuía estrutura de Estado
(de Davi a Sedecias) os profetas foram os conselheiros religiosos deste Estado, de
seu rei e de seus funcionários. O pensamento profético era de que não houvesse
compromissos com alianças estrangeiras. Estas últimas, a seus olhos, acarretavam
complicações internacionais e guerras. Mais imediatamente elas ofereciam um perigo
de sincretismo religioso, porque seladas o mais das vezes com matrimônios,
introduziam mulheres pagãs no palácio do rei.
A teocracia real não evoluiu segundo a vontade dos profetas. Um dos maiores entres
eles, Jeremias, fez o processo sistemático de todos os seus elementos (o rei,
Jerusalém, o Estado, o povo, o Templo). Ele passou por antipatriota. Havia, da parte
de seus contemporâneos, um desconhecimento profundo de seu papel de profeta; ele
visava manter valores religiosos. A instituição real, no curso dos séculos, se tinha
verificado incapaz de o promovê-los.; donde as críticas dos profetas, sua expectativa
de um Rei Messias no futuro, o modo com eles facilitaram depois do exílio a
instauração de uma teocracia menos nacionalmente estruturada., que constituiu uma
etapa importante na marcha de Israel para o Reino de Deus.

4. Os Profetas e Cristo
Para Cristo, os profetas preparam um povo. Eles delinearam além disto sua figura de
modo maravilhoso. Cristo mesmo não se compreende se nós o isolamos da
perspectiva deles. Jesus aceitou ser confundido com um dentre eles vindo novamente
sobre a terra (Mt 16.14); ele tomou suas atitudes que eles, se fidelidade e de crítica,
diante da religião nacional (sábado, dízimos, pureza, lei, casuística dos rabinos);
deles adotou a língua vigorosa (Mt 23)e as maneiras que forçavam a atençao (Mc
11.13 s); viu sua missão à luz deles (Lc 4 17-21; Mt 23. 29-38 ). No dia da
transfiguração, Moisés e Elias, a seu lado, são como o resumo do cortejo profético do
Antigo Testamento... Ele é o profeta por excelência, reformador supremo cuja
mensagem evangélica deu à história sua direção definitiva (At 3.22-26; 7.37).

“Depois de ter, por muitas vezes e sob variadas formas,


falado outrora aos Pais pelos profetas,
Deus, nestes dias que são os últimos, nos falou pelo Filho...” (Hb 1.1-2)
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Conclusão

As mudanças limitaram-se ao acréscimo de algumas anotações minhas em sala de


aula, em forma de notas de rodapé, na supressão de algumas citações de obras inacessíveis
à maior parte de nossos estudantes de teologia, na troca de alguns termos, por expressões
mais coloquiais visando melhor compreensão por parte dos alunos e na disposição do texto,
para uma leitura mais fluente.
Procurei ser fiel ao sentido que o autor quis dar ao texto.
Nas próximas apostilas estudaremos detalhadamente cada profeta, a partir do século
VIII.
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ANEXO
Profetas e Reis de Israel (Reino Unido)
Profeta: Profetas: Profeta:
Samuel Samuel, Natã e Gade Aías

Reis
Saul Davi Salomão
1051(ou 1043)-1011 (40anos) 1011-971 (40 anos) 971-931 (40 anos)

Reino Dividido
Reino de Israel (Reino do Norte)

Profetas:
ELIAS – 876-852 ELISEU – 852-796
Aías – 931-906
Jeú - 891- 865 Micaías
Ido - 921-902

REIS DE ISRAEL
Onri Jeorão
Jeroboão Nadabe Baasa 885-874 Acabe Acazias (Jorão) Jeú Jeoacaz
931-910 910-909 909-886 874-853 853-852 852-841 841-814 814-798
Ela Zinri Tibni
886 885-880
931-910 910-909 909-886 885-874 874-863 853-852 852-841 841-814 814-798

Reino de Judá (Reino do Sul)

Profeta: Profetas: Profetas:


Semaías Azarias – 900-875 Jaaziel – 865-835; Eliezer
931-901 Hanani - 895-870 Obadias – 841-825; Joel 825-809

REIS DE JUDÁ
Roboão Abias (Abião) Asa Josafá Jorão Rainha Atalia Joás (Jeoás)
931-913 913-911 911-870 873-848 853-841 841-835 835-796
931-913 913-911 911-870 873-848 853-841 841-835 835-796
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