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CAPITULO X - TERMOS TÉCNICOS E GÍRIAS NO TEATRO

Anfiteatro: termo geral que designa uma dramaturgia e um estilo de jogo


dramático que nega todos os princípios da ilusão teatral. O termo aparece nos
anos cinquenta , nos começos do teatro do absurdo.  

Aparte: falas destinadas apenas ao público e não são ouvidas pelas outras
personagens. 

Apoio cultural: é uma ajuda de custo, como cessão de automóvel para


transporte de cenário ou equipe técnica, lanche, hospedagem, etc.

Arquétipo: personagem que se assume como modelo mítico do imaginário de


um povo que está acima de um modelo real.

Ato: divisão externa da peça teatral. Subdivisão de uma peça. Da mesma


maneira que um livro pode ser dividido em capítulos, uma peça pode ser
dividida em atos. Trata-se de uma convenção cuja principal característica é a
interrupção do espetáculo.

Ato: parte de uma peça teatral que corresponde a um ciclo de ação completo;
separa-se dos demais por um intervalo e é, por sua vez, subdividido em
quadros e cenas.

Buraco: o termo mais comum para definir o espaço vazio que se forma na cena
quando o(s) ator(es) esquecem ou erram o texto e nada improvisam para
preencher. Também forma-se um buraco (ou lacuna) na cena que tem ritmo
muito mais lento do que o necessário, como por exemplo nos diálogos em que
os atores esperam muito tempo para dizer suas falas.

Burlesco: forma exagerada de comédia. Paródia que utiliza expressões triviais


para travestir personagens e situações.

Caco: fala improvisada para consertar algum erro ou substituir algum elemento
ausente, seja no texto ou na cena. Caco também é a fala inexistente no texto
da peça mas que o ator introduz no desenrolar cena. O excesso de cacos é um
dos causadores da poluição cênica e pode ser sinal de falta de domínio do
texto por parte do ator. Um caco que passa a repetir-se em cada apresentação
não mais como improviso deixa de ser um caco para ser uma alteração
planejada, configurando assim uma adaptação do texto ou licença poética.

Caixa mágica: termo usado principalmente ao palco italiano. Imaginando que o


quadrado formado pelo fundo da cena, as laterais, o piso, o teto e a quarta
parede formem uma caixa, diz-se que esta caixa é mágica, pois nela pode-se
trazer à existência qualquer coisa que se imagine pela força da arte.

Camarote: compartimento especial para acomodação de espectadores, em


geral com cinco lugares, situados nos lados da sala.
Cena suja ou poluída: é a cena com elementos desnecessários em demasia.
Cenários que são mais elaborados do que a trama e a interpretação dos atores
ou a idumentária que nem se utiliza e nem tem significância necessária na
cena. Cacos, improvisos e licenças poéticas excedentes também causam a
poluição da cena atrapalhando o desenvolver do texto e assim prejudicando a
compreensão da trama.

Cena: a menor divisão de uma peça, na dramaturgia clássica; a cena passa a


ser outra, toda vez que entra ou sai um personagem.

Cenário móvel: trainel ou conjunto de trainéis que se pode deslocar à vontade


no palco, por meio de rodas e carretilhas

Cenário projectado: cenário, ou parte dele, que se projecta de trás ou de fora


sobre uma tela translúcida, em geral por meio de um retroprojector.

Cenário único: cenário que serve, sem mutações ou mudanças para todos os
quadros e cenas de uma peça.

Cenário volante: cenário que se pode pendurar com facilidade, em qualquer


lugar.

Cenário: com porta cenário no qual se instala uma bandeira de porta para os
fins de entrada e saída dos personagens.

Cenário: conjunto de elementos plásticos que decoram e delimitam o espaço


cénico.

Colagem cênica: agrupamento contínuo de cenas de espetáculos diferentes


que se correlacionam por algum motivo. O mais comum é a colagem de textos
do mesmo autor, sem necessariamente tratarem do mesmo assunto, mas há
colagens de cenas que se ligam pelo assunto, pelo gênero etc. Uma colagem
não é um agrupamento de performances ou esquetes, pois sua maior
característica são os pedaços de espetáculos, ou seja, cenas isoladas.

Conflito dramático: é a marca da ação e das forças opostas do drama:


amor/ódio, opressor/oprimido, etc.

Corifeu: chefe do coro, no teatro grego.

Coro: grupo encarregados de intervir por meio do canto, da dança e o


recitativo, dentro do "quadro" de um ritual ou de um espectáculo.

Cortina à alemã: cortina afixada que desce de cima e ele retorna em


movimento vertical.

Cortina à francesa: cortina pregueada em que se combinam os recursos e


efeitos da cortina à italiana e os da cortina à alemã: abre-se pelo meio e franze-
se a cada lado, mas sobe ao urdimento.
Cortina à grega: cortina que se abre para os lados, provida de roldanas ou
ganchos que deslizam sobre um trilho horizontal superior.

Cortina à italiana: cortina que se abre do meio para os lados, por um simples
franzido mediano, sem o deslizamento lateral da cortina à grega e sem subida
total para o urdimento.

Cortina à polichinelo cortina que se abre enrolada de baixo para cima sobre um
rolo preso à sua bainha inferior.

Cortina de manobra cortina de primeiro plano, franzida ou em apanhados e


que, em vez de se abrir para os lados, sobe para o urdimento. Nota: usa-se
para fazer saber ao público que haverá em cena uma mutação rápida. O
mesmo que comodim.

Cortina: pano em toda a largura do espaço cénico, que se abre para os lados
ou sobe verticalmente.

Coxias: partes do palco, aos lados e ao fundo do espaço cénico, ocultas à


visão do público. O mesmo que bastidores; asas do palco.

Dar branco: quando alguém esquece suas falas.

Deixa: a fala (ou outra marca) depois da qual um ator entra ou tem de proferir a
sua fala.

Desejar "merda": expressão de origem francesa (mérde) considerada como um


mantra ou espécie de ritual usado pelos atores antes de suas
apresentações, tem o mesmo significado de boa sorte. Advertindo que, nunca
se deve agradecer quando alguém lhe desejar “merda”, deve-se responder
apenas “merda” ou ficar calado.

Didascália (ou rubricas): anotações feitas pelo autor do texto que determinam
ações e intenções (choramingando, sonolento, com raiva etc), a movimentação
em cena, até mesmo detalhes do cenário (como localização de uma porta ou
posição de uma cadeira), iluminação, sonoplastia e tudo mais. O excesso de
rubricas num texto prejudica a liberdade criativa do diretor e muitas vezes torna
um texto hermético, sem possibilidade de ser encenado sob diferentes ângulos
a menos que seja adaptado.

Ditirambo era uma das formas do teatro grego. Tinha como texto a poesia
lírica, escrita para ser cantada por um coro de muitos membros e, por vezes,
dançada. Realizava-se em cerimônias de homenagem ao deus dionísio.

Engolir um ator em cena: diz-se que um ator engoliu o outro em cena quando
se destaca mais ao ponto de tornar-se mais marcante. Um ator mais experiente
que interpreta um papel secundário tende a engolir os outros sem querer,
mesmo que estejam em papéis principais, simplesmente por sua presença de
palco mais firme e forte. Há quem use o termo "engolir" para um cenário
exageradamente elaborado que diminui a presença do ator.
Entreato: o intervalo entre um ato e outro.

Épico: fábula tirada da vida dos homens engrandecida e tratada forma


impossível para o espectador se identificar com o herói ou com a situação.

Epílogo: discurso recitativo no fim de uma peça.

Espaço cénico: parte do teatro onde se representam as peças.

Evoé: grito de evocação em honra ao deus dionisio (baco).

Fosso da orquestra: espaço rebaixado entre o proscénio e a plateia, onde


costuma ser instalada a orquestra. O mesmo que poço de orquestra; vão
wagneriano.

Fraldão: grande peça de cenário que se coloca nas laterais do palco a fim de
evitar uma visão devassada das coxias.

Frisa espécie de camarote que se instala a cada lado do proscénio e no nível


dele.

Galeria: parte da sala, mais alta e mais distante do palco.

Indumentária: refere-se ao figurino e aos objectos de cena como um todo. Falar


apenas de figurino é referir-se às roupas dos personagens e seus
complementos como leques, bengalas, asas etc. Falar de objectos, como uma
bola, uma travessa com copos ou uma bicicleta já é algo mais amplo que diz
respeito aos fatos do espectáculo. Então, para referir-se ao conjunto de roupas
e coisas a serem usadas em cena nós usamos a palavra indumentária.

Leitura de mesa: reunião com o elenco para a primeira leitura do texto, cada
actor com a sua fala lida com entonação normal, para o conhecimento do seu
papel e de toda a peça.

Marcação: movimentação dos atores em cena, em função do texto da peça


teatral: entradas, saídas, posturas, etc.

Muleta de actor: quando se usa um objecto de cena para se obter confiança ou


“entrar no personagem”.

Mutação à vista: mutação que se faz sem descer ou fechar a cortina de


arlequim ou o pano de boca.

Mutação rápida: troca de cenários ou de figurinos, que se faz muito


rapidamente, às vezes à vista do público.

Mutação: transformação total ou parcial do cenário, no desenrolar de uma cena


ou no final de um quadro ou de um ato. Nota: pode ser realizada no escuro ou
à vista do espectador, o qual é então atordoado com fortes jactos de luz, ou
tem sua visibilidade perturbada por cortinas de fumaça e outros recursos.
Palco à italiana: palco separado da plateia pelo fosso da orquestra e que tem o
seu assoalho dividido em ruas, calhas, falsas-ruas, etc; é o palco de formas
tradicionais.

Palco corrediço: palco provido de trilhos sobre os quais deslizam, colocando-se


diante da boca de cena ou afastando-se para os lados dela, cenários diversos
montados sobre carrinhos.

Palco elizabetano: palco em que o espaço cénico fica entre sectores da sala
destinados aos espectadores, que o envolvem por três lados.

Palco giratório: palco em que o assoalho do espaço cénico é constituído de um


disco sobre o qual, dividindo-se em sectores, montam-se dois, ou três, ou mais
cenários, cuja mutação pode ser feita rapidamente e à vista do público.

Palco levadiço: segmento do palco, armado sobre elevadores, que se pode


fazer subir mecanicamente do porão.

Palco: parte da caixa do teatro que fica entre o urdimento, em cima, e o porão,
em baixo. Compreende o espaço cénico, a boca de cena, o proscénio, as
coxias, etc.

Panfletagem: termo julgado pejorativo por muitos, fala do teatro que prega um
ideal, como posições políticas, filosóficas e religiosas. Uma peça
autenticamente panfletária carece do ideal artístico e mais se assemelha a uma
peça publicitária que intenta vender um produto.

Pano de boca: grande telão que se faz subir ou descer na frente do velário, no
início e no fim de um ato ou da peça. Nota: em alguns teatros serve de suporte
a cartazes e anúncios, caso em que é baixado para ser visto sempre que
possível.

Passadão: tipo de ensaio que normalmente se dá quando uma produção está


pronta. Consiste em que os atores passem rapidamente pelo espaço cênico na
ordem de acontecimentos do espetáculo sem necessidade de texto, mas
apenas para recaptular todo o desenvolvimento físico da peça.

Patrocínio: é quando uma empresa ou pessoa paga toda ou parte das


despesas de produção, como o cachê dos atores, conjunto plástico (figurino,
maquiagem, iluminação, sonoplastia e cenografia), etc. 

Peça: texto escrito para ser encenado, ou a encenação desse texto, podendo
se dividir em actos, quadros e cenas.

Perna: fraldão de pouca largura que pende da mesma vara de uma bambolina.

Plateia - onde o público assiste à apresentação. Uma plateia bem projectada


deve permitir que todos vejam e ouçam o que acontece no palco sem
dificuldade, de modo que a cabeça do espectador da frente não cubra a visão
do palco para o espectador de trás. Ter um espaço entre as cadeiras é
aconselhável. O tamanho pode variar de teatro para teatro tendo também
espaço entre a plateia e o palco.

Ponto cego: lugar desprivilegiado na platéia em que não se vê parte do placo


ou espaço cênico.

Ponto: uma pessoa escondida que sussurra o texto ao ator no evento de tê-lo
esquecido.

Porão: parte da caixa do teatro que se encontra por baixo do palco. Nota: o
porão pode, por sua vez, ter mais de um pavimento, que se numera de cima
para baixo, sendo o primeiro porão o que se localiza imediatamente abaixo do
palco.

Presença de palco (ou presença cênica): termo também usado para a


performance de um músico ou cantor. Presença de palco é a força com que um
ator marca os espectadores ao desenvolver seu trabalho em cena. A presença
de palco de um ator é medida somando sua potência de voz, entonação,
expressão facial e física e até mesmo a força com que pisa e com que encara o
público. Não existe uma fórmula para ser aumentar a presença de palco pois,
embora possa ser reforçada com a especialização e a prática, às vezes
constitui um dom natural.

Proscénio: parte anterior do palco, que avança desde a boca de cena até o
fosso da orquestra.

Quadro: divisão de um texto dramático ou cênico, fundado sobre uma mudança


do espaço ou do espaço-tempo. O mesmo que cena ou ao ato.

Quadro: uma das divisões do ato, havendo mudança de quadro toda vez que
há modificação no cenário. A subdivisão do quadro é a cena.

Quarta parede: parede imaginária que separa a cena da sala. Um palco italiano


possui três "paredes": o fundo (rotunda), e as laterais (que podem ser coxias,
pernas ou apenas uma parede mesmo). O termo "quarta parede" é utilizado
para definir a parede não existente nesse tipo de palco. Ou seja, a frente dele.
Não tem parede entre a frente do palco e a platéia, portanto é uma parede
imaginária, um limite. Esse termo é usado em espetáculos teatrais em que não
há interação do elenco com o público. Como se tivesse uma quarta parede que
os separasse.

Regulador :elemento do cenário usado para demarcar verticalmente os limites


laterais do espaço cénico.

Regulador-mestre: regulador que se liga à bambolina-mestra e com ela delimita


a visão do espaço cénico e, portanto, as dimensões do cenário.

Ritmo do jogo cênico: é o ritmo que se desenvolve todo o espetáculo segundo


um tempo fixado por sua encenação. Esse tempo determina a velocidade da
dicção, a relação entre texto e gesto, a rapidez das mudanças, das transições
entre os jogos cênicos, do espaço entre as cenas ou quadros. O ritmo da ação,
sua progressão contínua ou em partes fornecem o quadro rítmico geral do
espetáculo.

Rompimento: elemento delimitador do espaço cénico, composto de dois


reguladores, ou de duas pernas, que se ligam no alto a uma bambolina, com
ela formando um arco. Nota: os rompimentos são numerados de baixo para
cima, isto á, dos mais próximos para os mais distantes da boca de cena.

Sala: recinto do teatro onde se encontram os lugares destinados ao público


espectador, poltronas e cadeiras, frisas e camarotes, tendo ao rés-do-chão a
plateia e as paredes laterais e principalmente a do fundo, o balcão e a galeria.

Telão: trainel de grandes proporções (8 a 10 m) que em geral se usa no fundo


do espaço cênico, podendo ser recolhido ao porão depois de utilizado.

Teto: trainel de grande amplitude, que se dispõe horizontalmente sobre os


topos dos trainéis laterais, fechando um cenário armado em gabinete.

Texto teatral: é um texto comum, com personagens e conflitos, escrito de forma


a ser representado num palco.

Trainel dobrável: trainel composto de duas ou mais partes planas que se


articular por meio de dobradiças ou gonzos.

Trainel: elemento cenográfico plano constituído por uma lona ou tela que se
prega sobre uma armação de sarrafos.

Urdimento: parte superior da caixa do teatro, guarnecida de corte e firme


madeiramento ao qual se fixam roldanas, moitões, gornos e ganchos e outros
dispositivos mecânicos para o trabalho das manobras. Do urdimento fazem
parte as varandas.

Velário: cortina grande e luxuosa que se monta logo depois dos reguladores-
mestres, e que se utiliza para marcar o início e o fim da peça.

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