Você está na página 1de 4

São José dos Campos, 2 de março de 2021.

A todos, graça, misericórdia e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo,
nosso Salvador.
Antes de qualquer coisa, nós gostaríamos de deixar claro que a nossa decisão de deixar de
frequentar a Congregação Cristã no Brasil não tem absolutamente nenhuma relação com
qualquer irmão ou irmã que nós conhecemos, ou seja, estamos em paz com todos. O único e
exclusivo motivo da nossa saída é a diferença entre o que está claro nas Escrituras e o que a
CCB, como um todo, prega, isto é, a diferença entre o que a Bíblia diz e o que a igreja CCB
entende da Bíblia. E o que a CCB como um todo entende, acredita e prega pode ser facilmente
verificado através de uma consulta ao seu estatuto, aos seus tópicos de ensinamentos, às suas
circulares, aos seus hinos, aos seus pontos de fé e doutrina, e, por fim, aos pronunciamentos e
pregações dos seus líderes. Todos nós tivemos acesso a esses pronunciamentos e pregações
através dos cultos online.
Buscamos, com esta carta, uma oportunidade de falar, de expor os reais e sinceros motivos
da nossa decisão. Esperamos que esta carta alcance a todos que conhecemos e consideramos,
para que todos saibam, por nós, o propósito que temos e o que nos levou a isto.
Vamos, então, apresentar o que nos leva a tomar esta decisão.
Em primeiro lugar, nós queremos estar em uma igreja que valorize a Bíblia. Mais que isso,
que tenha a Bíblia como sua única e perfeita regra de fé e prática, ou seja, que tenha a Bíblia, e
somente a Bíblia, como única fonte de fé e conduta. Quer dizer, que não tenha qualquer outra
fonte de doutrina além da Bíblia. E que também não tenha isso apenas no papel, mas que
realmente funcione assim.
Nós queremos estar em uma igreja que coloque Cristo no centro. Que pregue Cristo, que
anuncie Cristo... Que seja cristocêntrica, portanto. Nós não queremos estar em uma igreja que
ponha o homem no centro; que tenha seus cultos e suas pregações, predominantemente, girando
em torno do homem e das suas necessidades; que tenha suas pregações baseadas, na grande
maioria das vezes, em profecias, em revelações, em bênçãos... Nós queremos estar em um lugar
que pregue, principalmente, Cristo; que tenha Cristo como o centro; que fale mais de Cristo do
que de qualquer outra coisa; que, de fato, valorize Cristo. Porque Paulo deixa muito claro qual
deve ser o principal assunto de uma pregação, e também o nosso, como cristãos, quando diz
aos coríntios: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”
(1 Coríntios 2:2).
Nós queremos estar em uma igreja que valorize a leitura da Bíblia. Mais que isso, que
valorize o estudo bíblico. Porque o próprio Senhor Jesus Cristo disse: “Examinais as Escrituras,
porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39), e
também advertiu aos que O interrogavam, o que também serve para nós, dizendo: “Errais, não
conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mateus 22:29). E várias outras vezes as
Escrituras Sagradas também incentivam, e algumas vezes até determinam, o estudo, o exame,
a meditação na Palavra de Deus, ou seja, na Bíblia (Deuteronômio 6:6-7; Deuteronômio 31.11-
12; Josué 1:8; Salmo 1:1-2; Isaías 34:16; Atos 17:11; 1 Tessalonicenses 5:27; 2 Timóteo 2:15;
2 Timóteo 3:14-17; Apocalipse 1:3). Como podemos, diante de tantas vezes que a Escritura nos
exorta a estudá-la, dizer que o estudo bíblico ou o conhecimento bíblico “atrapalha” o operar
do Espírito Santo? Pelo contrário, é pela mensagem da Bíblia que os pecadores são salvos
(Romanos 10:13-17; Atos 2:14; Atos 2:37; Atos 8:4-8; 1 Pedro 1:23; Tiago 1:18); é a Palavra
de Deus (a Bíblia, não a pregação do homem) que nos santifica (João 17:17; 1 Pedro 2:2; 1
Tessalonicenses 4:3; Salmo 119:9-11; Provérbios 30:5-6; João 15:7; Atos 20:32); é a Palavra
(as Escrituras) que tem poder.
Cabe ressaltar também que a Bíblia não apenas contém, mas ela É a Palavra de Deus. O
próprio Senhor Jesus, a maior autoridade no céu e na terra, definiu as Escrituras como Palavra
de Deus (Marcos 7:13). E nós queremos estar em uma igreja que aceite que a Bíblia É a Palavra
de Deus, porque é a própria Escritura que se declara Palavra de Deus, toda ela, por completo,
sem exceção. E quando dizemos que a Bíblia é a Palavra de Deus, queremos dizer que tudo,
absolutamente tudo que está escrito nela foi inspirado por Deus. Ou seja, tudo que está escrito
ali é o que Deus queria, e quer, que nós ouçamos d’Ele. E ela também é suficiente, o que quer
dizer que tudo o que precisamos saber de Deus para a nossa salvação, e para termos uma vida
cristã, está nela, e somente nela. Tudo isso é resumido quando Paulo diz a Timóteo que “Toda
a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para
instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda
a boa obra” (2 Timóteo 4:16-17).
Nós queremos estar em uma igreja que anuncie o verdadeiro evangelho, que anuncie o
evangelho de Cristo, o “evangelho da nossa salvação” (Efésios 1:13). O evangelho que
apresenta única e exclusivamente a fé como meio para a salvação. O evangelho que nos diz que
pela graça somos salvos, por meio da fé, e que isto não vem de nós, mas é dom de Deus, e que,
principalmente, não vem das obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9). Nós não
podemos estar em um lugar em que seja anunciado um outro evangelho que não seja o de Cristo,
porque Paulo declarou aos gálatas: “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro
evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:8). E ele enfatizou
essa declaração repetindo ela mais uma vez, logo em seguida (Gálatas 1:9). A Bíblia também
nos mostra que a igreja sempre lutou contra os diversos tipos de evangelho que surgiram, contra
as diversas versões de evangelho que apareceram, conseguindo que o de Cristo prevalecesse. E
está muito claro nas Escrituras a justificação pela fé, a salvação pela graça, única e
exclusivamente através da fé.
Porém, convém deixar algo bem claro aqui. Nós não queremos ser mal interpretados
quando afirmamos, com base nas Escrituras, que a salvação é única e exclusivamente por meio
da fé, deixando parecer que estamos pregando uma libertinagem, ou seja, que estamos dizendo
que, tendo fé, podemos fazer qualquer coisa e fugir do caráter cristão, daquilo que Deus
realmente requer de nós: que sejamos a sua imagem e semelhança e que, assim, nós, imitando
Cristo, isto é, imitando Seu caráter, busquemos viver conforme a lei moral de Deus. Não, não
é isso. O que nós queremos dizer é que, para a nossa justificação, ou seja, para a nossa salvação,
o que conta é apenas a fé. Porque não há obras boas que façamos, e não há um modo de ser, de
agir, uma forma de andar que possa pagar o preço do pecado e nos reconciliar com Deus. Quer
dizer, não há nada que possamos fazer para somar pontos para a nossa salvação, ou conseguir
créditos com Deus, pois Isaías diz: “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças
[isto é, as nossas boas obras] como trapo da imundícia; [...] e as nossas culpas como um vento
nos arrebatam” (Isaías 64:6). Portanto, não é por sermos firmes e féis até o fim que vamos
herdar a coroa da vida. Nem é a “doutrina” que vai nos salvar. Digo doutrina entre aspas porque
muitas vezes se entende, erroneamente, essa doutrina que salva como um conjunto de regras,
usos e costumes. Regras que, na sua maioria, são inventadas por homens, isto é, não têm um
embasamento bíblico concreto, e às vezes não têm nem lógica.
Contudo, uma vez que se tem fé, ou seja, sendo salvo, as boas obras são consequência,
quer dizer, devem necessariamente aparecer, porque são elas que evidenciam a salvação. Elas
são evidência da salvação, e não o que leva à salvação. Em outras palavras, o crente salvo
necessariamente pratica boas obras PORQUE é salvo, e não PARA ser salvo. E, além disso, as
poucas boas obras que fazemos não são mérito nosso, ou seja, não vêm da nossa capacidade,
mas vêm da capacitação e poder do Espírito Santo, que recebemos quando cremos. É isso o que
a Bíblia nos diz, por exemplo, – e este é apenas um exemplo de vários outros textos que deixam
isso claro – quando João afirma que “Quem pratica justiça é justo, assim como ele [Jesus Cristo]
é justo. Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o
Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de
Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é
nascido de Deus. Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que
não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus” (1 João 3:7-10).
Irmãos, poderíamos ficar aqui, com prazer, horas e horas discorrendo sobre o que as
Escrituras, ou seja, a Palavra de Deus tem para nos dizer. Não porque sabemos tudo ou sabemos
muito, de maneira nenhuma; mas porque ela, por si só, é uma fonte inesgotável de riquezas.
Além disso, temos também outros motivos e considerações, sempre fundamentadas na
Bíblia, que nos levam a tomar esta decisão. Mas deixamos aqui os principais. Qualquer
indagação ou dúvida que persistir, sintam-se à vontade para entrar em contato conosco.
Estaremos sempre prontos e bem-dispostos para atendê-los.
Nossas portas continuam e sempre estarão abertas a todos vocês, sem exceção, seja para
nos alegrarmos em Cristo Jesus, nosso Senhor, seja para mais algum esclarecimento ou por
qualquer outro motivo. Seja qual for o motivo, será um prazer recebê-los.
A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo seja com
todos nós. Amém.

Dos seus irmãos em Cristo,


Gemerson e Juliana.

Você também pode gostar