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Unidade da Urgência

Departamento de Ginecologia e Obstetrícia


Hospital de S. João
(protocolo elaborado por Diogo Ayres de Campos, Elsa Calado - Outubro 2002, revisto Setembro 2004)

Episiorrafia e correcção de lacerações perineais de 2º grau

INTRODUÇÃO
As correcções cirúrgicas perineais após parto vaginal estão geralmente associadas a dor e desconforto local,
os quais podem interferir com as actividades de rotina no puerpério. Existe actualmente uma extensa evidência
científica de que o encerramento perineal com sutura intradérmica contínua utilizando poliglactina 910 de
absorção rápida está associado a menor intensidade da dor nos primeiros 10 dias do puerpério, menos necessidade
de remoção dos pontos, menor número de deiscências da ferida, melhor satisfação da puérpera com a sutura e
uma redução no número de fios utilizados. Nas mulheres com lesões perineais de extensão moderada e sem lesões
perineais prévias a sutura intradérmica contínua não está associada a maior incidência de equimoses, hematomas
ou infecções perineais, tendo como única desvantagem o facto de a sutura ser ligeiramente mais demorada. A
poliglactina 910 de absorção rápida perde a sua força tensil aos 10º-14º dia e é totalmente reabsorvida até ao 42º
dia. A sutura contínua com encerramento perineal intradérmico é o método de primeira escolha para execução de
episiorrafia e de correcção das lacerações perineais de 2º grau, nas feridas de moderada extensão e sem lesões
perineais (varizes vulvares, condilomatose perineal). Nos restantes casos deve ser realizada a técnica de
encerramento com pontos separados.

SUTURA CONTÍNUA COM ENCERRAMENTO PERINEAL INTRADÉRMICO

1. Utilização de um único fio de poliglactina 910 de absorção


rápida (Vicryl® Rapide) 2/0.
2. Primeiro ponto inserido acima do apex da lesão vaginal (A).
Aplicação de nó triplo e secção da extremidade distal do fio.
3. Sutura contínua não cruzada da mucosa vaginal até às
carúnculas himeniais (B). Aplicação de nó corrido triplo a este
nível.
4. Encerramento dos músculos e tecido celular subcutâneo
perineais com sutura contínua não cruzada (C). Aplicação de
nó corrido triplo ao nível da extremidade distal da lesão
perineal (D).
5. Encerramento subcutâneo do períneo em direcção à vagina,
passando a sutura continua de pontos não cruzados na
mucosa vulvar e terminando com nó corrido triplo ao nível das
carúnculas himeniais.
SUTURA PERINEAL COM PONTOS SEPARADOS

1. Utilização de um fio de poliglactina 910 normal (Vicryl®) 2/0 e


um fio de poliglactina 910 de absorção rápida (Vicryl® Rapide)
2/0.
2. Primeiro ponto com poliglactina 910 de absorção rápida
(Vicryl® Rapide) inserido acima do apex da lesão vaginal (A).
Aplicação de nó triplo e secção da extremidade distal do fio.
3. Sutura contínua não cruzada da mucosa vaginal (B) até às
carúnculas himeniais. Aplicação de nó corrido triplo a este
nível (C) e secção da extremidade do fio.
4. Encerramento dos músculos e tecido celular subcutâneo
perineais com poliglactina 910 (Vicryl®) utilizando pontos
separados e nó triplo (D).
5. Encerramento do períneo em direcção à vagina com fio
restante de poliglactina 910 de absorção rápida (Vicryl®
Rapide), utilizando pontos separados de Donati e nó triplo (E).