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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO
Curso de Gestão Pública

ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTO PÚBLICO

DARY PRETTO NETO


darypretto@gmail.com
Política Econômica e
Introdução ao Orçamento Público

• A presença do Estado na Economia se manifesta por meio do Orçamento


Público, que é uma peça legal representativa das ações do governo em
segmentos importantes da economia para a sociedade, tais como saúde,
segurança, educação, entre outros.

• O orçamento público é uma lei na qual devem estar presentes as prioridades do


governo em consonância com as necessidades da sociedade. Para que a
elaboração da peça orçamentária contemple as necessidades da sociedade.
Política Econômica e Programação Financeira
Política econômica é o conjunto de medidas que o governo toma para regular e
influenciar a economia.
Veremos as fundamentais ferramentas de política econômica e as principais
existentes (políticas fiscal, monetária e cambial e exemplos aplicados na
prática governamental). A relação da política econômica com o orçamento
público federal.
Principais ferramentas de política econômica. Política Fiscal, Monetária,
cambial.
A política econômica envolve cada uma das três funções clássicas de governo
(alocativa, distributiva e estabilizadora) e visa, entre outros objetivos básicos:
contribuir para o crescimento econômico; controlar a inflação; reduzir a taxa de
desemprego; buscar o equilíbrio fiscal (evitar que o governo gaste mais do que
arrecada);
Pode-se conceituar política econômica como o conjunto de estratégias de
intervenção do governo na economia, visando ao atingimento dos seguintes
objetivos.

• Eficácia Produtiva
garantir condições favoráveis para o crescimento da produtividade da economia, dos
níveis de emprego e da renda.
• Equidade Distributiva
implica buscar meios para que a renda produzida no país seja apropriada pela
sociedade de forma equilibrada, e não concentrada.
• Estabilidade
implica a busca da garantia de que os níveis de atividade econômica não sofram
alterações bruscas, além da garantia de que os preços, as taxas de juros e as taxas
cambiais não apresentem variações expressivas.
• Sustentabilidade
relaciona-se com a sustentabilidade da atividade econômica ao longo do tempo.
Política fiscal
A política fiscal compreende a atuação do governo no que se refere à
arrecadação de tributos e aos gastos públicos.

No processo de arrecadar receitas e executar despesas, o governo realiza


intervenções expressivas no mercado, promovendo impactos sobre os níveis de
emprego, a distribuição de renda, a oferta e a procura de bens e serviços,
afetando de forma direta ou indireta os diversos setores da economia.

A política fiscal pode ser classificada por expansiva (ou expansionista) e


recessiva (ou contracionista).
Política fiscal restritiva
Refere-se à redução dos gastos governamentais e/ou aumento da tributação
(carga tributária). Ou seja, consiste na adoção de medidas em sentido inverso ao
da política fiscal expansionista.
A adoção desse tipo de política pode resultar, por exemplo, na redução do
consumo das famílias (por ocasião do aumento da tributação). Como
consequência, a política fiscal contracionista provoca a redução da produção e
dos níveis de emprego.

Vamos ver como uma política fiscal restritiva, por exemplo, aumento de
impostos, impacta as seguintes variáveis: taxa de inflação, balança comercial,
dívida pública e PIB.
No que se refere à taxa de inflação, uma política fiscal restritiva, por meio da elevação dos impostos,
irá aumentar a arrecadação tributária. Inicialmente, no caso das empresas, o impacto é quase
imediato, pois o empresário irá repassar esse aumento de tributos nos preços dos bens e serviços
fornecidos ao consumidor. E sabemos que um aumento generalizado e persistente do nível de preços
é inflação. Entretanto, no caso das famílias, esse aumento de impostos irá afetar a renda familiar,
fazendo com que o consumo das famílias seja reduzido. Com o passar do tempo, a baixa procura por
parte das famílias fará com que os preços dos bens e serviços tendam a não subir, ou então os preços
caem consideravelmente.

Quanto à balança comercial, a diminuição dos juros resultante da política fiscal restritiva tende a
afastar investidores estrangeiros, os quais retiram os dólares da economia. Por sua vez, a saída de
dólares enfraquece a moeda nacional (Real), tornando as exportações brasileiras mais baratas e as
importações mais caras, favorecendo o saldo da balança comercial.

Sobre a dívida pública, o aumento dos impostos provoca um aumento nas receitas federais, o que
contribui na melhoria do saldo das contas públicas e permite que o governo reduza sua dívida.

Em relação ao PIB, o aumento de impostos desacelera a atividade econômica em um primeiro


momento e, com a contração da renda disponível, a procura por bens e serviços tende a diminuir,
assim como inibir investimentos e contratações nas empresas. Todavia, essa política fiscal restritiva
tende a provocar uma queda nas taxas de juros para estimular a demanda, o que ajuda a melhorar a
balança comercial e pode aumentar o consumo das famílias, neutralizando o recuo da atividade
econômica.
Política fiscal expansiva (ou expansionista)
Refere-se ao aumento de gastos governamentais e/ou redução da tributação
(carga tributária). A adoção desse tipo de política pode resultar, por exemplo,
no aumento do consumo das famílias e dos investimentos, no estímulo às
exportações, na inibição das importações mediante imposição de tarifas e
barreiras, etc. O impacto da política fiscal expansionista é a ampliação da
produção e dos níveis de emprego.

Agora vamos ver como uma política fiscal expansionista, por exemplo, a
redução de impostos, impacta as seguintes variáveis: taxa de inflação, balança
comercial, dívida pública e PIB.
No que se refere à inflação, a política fiscal expansionista, via redução dos impostos, aumenta
a renda disponível das famílias, estimulando, assim, o consumo. Em um primeiro momento, a
inflação pode recuar, pois, com a desoneração tributária, os preços dos bens e serviços ao
consumidor tendem a cair. Mas, em um segundo momento, esses preços devem aumentar
devido à maior procura por bens e serviços por parte das famílias.

Quanto à balança comercial, como a política fiscal expansionista resulta em um aumento das
taxas de juros, os juros mais elevados podem contribuir para o controle da inflação. Além
disso, juros mais altos atraem investidores estrangeiros, que alocam dólares na economia
brasileira. Entretanto, a entrada de dólares fortalece a moeda nacional e torna as exportações
mais caras e as importações mais baratas, prejudicando o saldo da balança comercial.

Sobre a dívida pública, a redução das receitas provenientes dos impostos tem um impacto
direto nas contas públicas, pois, com menos dinheiro em caixa, a dívida pública aumenta.

Em relação ao PIB, a redução dos impostos estimula a atividade econômica em um primeiro


momento, uma vez que, com o aumento da renda disponível, a procura das famílias por bens
e serviços tende a crescer; estimula também investimentos e contratações nas empresas.
Contudo, como essa ação tende a gerar inflação, os juros podem subir para controlar a
inflação, o que afeta a balança comercial e contrai o consumo, podendo anular a expansão
inicial do PIB.
Política monetária
Podemos dizer que a política monetária trata da moeda nacional ou, de
forma mais precisa, do controle das condições de liquidez da economia. Ao
atuar sobre a quantidade de moeda na economia, o governo está afetando
os níveis das taxas de juros.

Tal como a política fiscal, a política monetária também pode ser classificada
em dois tipos: política monetária expansiva (ou expansionista) e política
monetária restritiva (ou contracionista).
Política Monetária restritiva
Refere-se à redução da oferta de moeda (base monetária) na economia,
resultando em um aumento da taxa de juros. Como consequência, a política
monetária contracionista provoca a redução da produção e dos níveis de
emprego.

Política Monetária Expansionista


Refere-se ao aumento da oferta de moeda (base monetária) na economia,
resultando em uma redução da taxa de juros. O impacto da política monetária
expansionista é a ampliação da produção e dos níveis de emprego.

Vamos ver como uma política monetária restritiva, por exemplo, o aumento na
taxa de juros, impacta as seguintes variáveis: inflação, balança comercial, dívida
pública e PIB.
Uma política monetária restritiva eleva a taxa de juros, o que inibe o consumo das famílias e
das empresas (investimento), pois fica mais caro contratar empréstimos. Com a redução do
consumo, os preços dos bens e serviços ao consumidor tendem a ficar estáveis ou mesmo a
cair para atrair mais consumidores. Com isso, espera-se uma redução da taxa de inflação.

Quanto à balança comercial, os juros altos atraem investidores estrangeiros, que deslocam seu
capital de curto prazo em busca de retornos financeiros mais vantajosos. Mas, em um segundo
momento, com mais moeda estrangeira em circulação no país, a moeda nacional (Real) tende a
se valorizar em relação à moeda estrangeira, tornando as exportações brasileiras mais caras e
os produtos importados mais baratos, diminuindo, assim, o saldo da balança comercial.
Sobre a dívida pública, para financiá-la, o governo emite títulos públicos e paga juros a quem
os adquire. Logo, o aumento das taxas de juros prejudica as contas públicas, porque o governo
terá de pagar um valor maior a quem detém esses títulos públicos.

Em relação ao PIB, o aumento das taxas de juros afeta-o de três maneiras:


ao reduzir o consumo das famílias, a tendência é que a atividade econômica também sofra
uma contração.
os investimentos são prejudicados pelo encarecimento do crédito bancário.
ao provocar uma contração no saldo da balança comercial, a elevação das taxas de juros pode
contribuir na redução do nível de atividade econômica.
E como uma política monetária expansionista, por exemplo, a redução na taxa de juros, impacta as seguintes
variáveis: inflação, balança comercial, dívida pública e PIB?

A redução da taxa de juros, resultante de uma política monetária expansionista, estimula o consumo das famílias
e das empresas (investimento), uma vez que fica mais barato contrair empréstimos. Todavia, essa elevação do
crédito costuma ter efeitos negativos na inflação (aumento), pois, com o aumento do consumo das famílias e
empresas (investimento), os preços dos produtos tendem a subir, caso a expansão da demanda não seja atendida
pela oferta de bens e serviços.

Quanto à balança comercial, os juros mais baixos provocam uma saída de capitais de curto prazo da economia
brasileira, uma vez que os investidores estrangeiros irão retirar seu capital e alocá-lo em outro país, buscando,
assim, uma margem de retorno mais vantajosa. Em um segundo momento, com menos dólares em circulação na
economia, a moeda nacional (Real) tende a se desvalorizar em relação à moeda estrangeira, fazendo com que as
exportações brasileiras fiquem mais baratas e os produtos importados mais caros, melhorando o saldo da
balança comercial.

Sobre a dívida pública, para financiar sua dívida, o governo emite títulos públicos e paga juros a quem os adquire.
Com a redução das taxas de juros, o governo pagará um valor menor a quem detém esses títulos, o que favorece
as contas públicas.

Em relação ao PIB, a redução das taxas de juros e a maior oferta de crédito bancário favorecem a atividade
econômica, porque estimulam o consumo das famílias e os investimentos, dois importantes componentes do PIB.
Além disso, ao provocar um aumento no saldo da balança comercial, a redução da taxa de juros contribui para a
expansão econômica.
Política monetária: Principais instrumentos

São três os principais instrumentos de política monetária: depósitos


compulsórios, taxa de redesconto e operações de mercado aberto.

Os depósitos compulsórios são os depósitos que os bancos devem fazer no


Banco Central e que correspondem a uma parcela dos depósitos que recebem.
Em outras palavras, tratam-se de reservas obrigatórias que os bancos têm de
manter em contas no Banco Central. Esses depósitos servem tanto para
proteger o sistema contra instabilidades como para controlar a base monetária,
ou seja, por meio desses depósitos, o governo regula a oferta de moeda
(dinheiro) em circulação na economia.
Política monetária: Principais instrumentos

Nas operações de redesconto (ou empréstimo de liquidez), o Banco Central


supre, no curto prazo e a uma taxa prefixada (conhecida por taxa de
redesconto), necessidades eventuais de caixa dos bancos. As taxas de
redesconto são taxas cobradas pelo Banco Central dos bancos comerciais para
lhes fazer empréstimo em caso de emergência. Se essas taxas forem altas, os
bancos tomarão cuidado para não correrem o risco de ficar sem reservas em
caixa e farão, portanto, menos empréstimos.
Política monetária: Principais instrumentos

As operações de mercado aberto (open market) são operações em que o


governo regula diretamente o volume de oferta monetária na economia.
Consistem na compra e venda, pelo Banco Central, de títulos da dívida pública,
que são emitidos pelo governo federal (no caso, a emissão é feita pelo Tesouro
Nacional).

Por outro lado, se o Banco Central precisar expandir a base monetária, ele
recompra os títulos públicos, isto é, tira os títulos públicos da carteira dos
bancos e coloca o valor correspondente na conta deles. Dessa forma, os bancos
terão mais dinheiro para emprestar e a taxa de juros se reduz, caracterizando,
assim, uma política monetária expansionista.
Política cambial
A política cambial é um tipo de política econômica que se fundamenta, em geral,
na administração da taxa de câmbio e no controle das operações cambiais.

O objetivo da política cambial é manter um equilíbrio no fluxo de moeda


estrangeira que entra e sai do país, procurando deixar a taxa de câmbio em um
patamar que o governo considera adequado para a estabilidade econômica.

A política cambial tem influência direta sobre as variáveis ligadas às transações


econômico-financeiras de um país com o restante do mundo, tendo impacto
direto sobre a política monetária.

Além da taxa de câmbio, a política cambial compreende também as políticas


comerciais e o tratamento ao capital estrangeiro.
Política cambial
Os principais instrumentos de política cambial são:

Intervenções no mercado cambial


por meio da administração da taxa de câmbio, assim como controle das
operações cambiais.
Políticas comerciais
visam interferir no fluxo de mercadorias e serviços, por meio de fixação de
quotas de importação, ou até mesmo de exportação; são regimes de proteção
com imposição de tarifa.
Tratamento ao capital estrangeiro
por meio de condições tanto de remessa quanto de ingresso de lucro.
Política cambial
Ainda quanto à taxa de câmbio, para controlá-la, os governos adotam pelo menos três principais tipos de
regimes cambiais

Câmbio fixo (ou câmbio administrado)


o governo mantém a taxa de câmbio de sua moeda fixa em relação a uma moeda reserva, geralmente o dólar.
Para manter a cotação estável, o governo precisa dispor de um grande estoque de moeda estrangeira para
intervir no mercado em caso de ataque especulativo. Note que o valor da taxa de câmbio, nesse regime, é
determinado pelo governo, daí o nome “câmbio administrado”. Ser “fixo” não significa que não será alterado! O
governo estabelece a taxa de câmbio, por exemplo, R$ 1,00 sempre será equivalente a US$ 1,00.
Bandas cambiais
o governo permite a variação das taxas de câmbio dentro de um intervalo chamado banda, tendo um limite
superior e outro limite inferior. Quando a cotação foge dos limites da banda, o Banco Central compra ou vende
moeda estrangeira para ajustar o valor da taxa de câmbio.

Câmbio flutuante
nesse regime, é o mercado que determina a cotação a partir da variação da oferta e da demanda de moeda
estrangeira, isto é, o mercado cambial. Na prática, porém, os bancos centrais costumam adotar a chamada
flutuação suja, ao intervir pontualmente no mercado cambial para evitar a valorização ou desvalorização
excessiva de sua moeda. A ação também requer a utilização das reservas internacionais.

O Brasil adota, oficialmente, o regime de taxas de câmbio flutuantes desde 1999.


Política cambial
Desvalorização cambial
Agora vamos ver como um aumento da taxa de câmbio (desvalorização real da moeda nacional) impacta as seguintes
variáveis: inflação, balança comercial, dívida pública e PIB.
Um aumento da taxa de câmbio (desvalorização real da moeda nacional) faz com que os produtos nacionais fiquem mais
baratos em comparação aos produtos importados. Como os produtos (bens) importados ficam mais caros, ocorre um repasse
desse reajuste no preço final de produtos vendidos no Brasil que utilizam os produtos importados como insumo. Além disso,
com o encarecimento dos produtos importados, o consumidor é incentivado a comprar itens produzidos no país, elevando a
demanda doméstica. Esses dois fatores podem contribuir para um aumento das pressões inflacionárias.

A desvalorização real da moeda nacional torna os produtos brasileiros mais baratos no mercado externo e encarece os
produtos estrangeiros vendidos no Brasil. Com isso, o Brasil exporta mais e importa menos, favorecendo o saldo da balança
comercial.

Quanto à dívida pública, no período recente da economia brasileira, as reservas internacionais e outros ativos que o Brasil
possui em dólares são maiores do que a dívida externa, isto é, o Brasil é credor em dólares. Esses ativos são usados para
amortizar a dívida pública líquida. No caso de uma desvalorização real da moeda nacional, o valor desses ativos em reais sobe,
favorecendo as contas públicas.

Sobre o PIB, a desvalorização real da moeda nacional é positiva para os setores voltados à exportação, que ampliam seus
investimentos e as contratações, estimulando a atividade econômica. A elevação das vendas de produtos brasileiros no
exterior também contribui para a expansão do PIB. Além disso, o encarecimento de alguns produtos importados pode
incentivar a produção doméstica desses produtos, o que favorece a economia brasileira.
Política cambial
Valorização cambial
E como uma diminuição da taxa de câmbio (valorização real da moeda nacional) impacta as seguintes
variáveis: inflação, balança comercial, dívida pública e PIB?
• Uma diminuição da taxa de câmbio (valorização real da moeda nacional) faz com que os produtos
nacionais fiquem mais caros em comparação aos produtos importados. No que se refere à inflação,
isso ajuda a reduzir a pressão inflacionária, porque acaba inibindo o reajuste dos preços dos produtos
nacionais como forma de manter a competitividade. Além disso, como as exportações ficam mais
caras, os produtos que seriam vendidos no exterior são comercializados internamente, o que também
pode ajudar a reduzir os preços.
• A valorização real da moeda nacional torna os produtos importados mais baratos no mercado
brasileiro, encarecendo os produtos brasileiros que são vendidos no exterior. Com isso, o país importa
mais e exporta menos, prejudicando o saldo da balança comercial.
• Quanto à dívida pública, no período recente da economia brasileira, as reservas internacionais e outros
ativos que o Brasil possui em dólares são maiores do que a dívida externa, isto é, o Brasil é credor em
dólares. Esses ativos são usados para amortizar a dívida pública líquida. No caso de uma valorização
real da moeda nacional, o valor desses ativos em reais cai, impactando negativamente as contas
públicas.
• No que se refere ao PIB, a valorização real da moeda nacional afeta a indústria e outros setores
exportadores, que reduzem seus investimentos e contratações, inibindo a atividade econômica. A
diminuição das vendas ao exterior também afeta a balança comercial, outro importante componente
do PIB.
Gestão Pública, Governabilidade
• Desafios da Gestão pública no mundo contemporâneo

O principal desafio dos governos e da administração publica no


mundo contemporâneo é promover o desenvolvimento econômico e
social sustentado, num ambiente de mudanças de paradigmas que
estão impactando de maneira profunda na sociedade, em especial
nas áreas econômicas, sociais, ambientais, culturais e tecnológicas.
DESAFIOS DA GESTÃO PÚBLICA NO MUNDO
CONTEMPORÂNEO
O PAPEL DO ESTADO NO MUNDO

Predominância : Sistema de mercado,


Séc. XVIII - XIX próximo ao da concorrência pura.

Início do Séc. XX O mercado sozinho não garante que a


economia opere sempre com pleno
emprego dos seus recursos.
Necessitando de maior atuação do
Setor Público.
Evitar as distorções De que forma ?
alocativas e distributivas
O CRESCIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DO SETOR
PÚBLICO NA ATIVIDADE ECONÔMICA

A evolução das economias mundiais no século XX levou ao desenvolvimento dos mercados


financeiros, do comércio internacional, tornando mais complexas as relações econômicas
adicionando incertezas e especulação.

Portanto, a economia (sistema de mercado) não tinha mais condições de regular-se


automaticamente, ou seja, sem a atuação econômica do Setor Público. Ex.: O crack da Bolsa
de Nova York, em 1929.
Função Alocativa
Função Distributiva
Função Estabilizadora
As Funções Econômicas do Setor Público

Função Alocativa

Função Alocativa do governo está associada ao fornecimento de bens e


serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado (chamados
bens públicos).
As Funções Econômicas do Setor Público
Função Distributiva

O governo arrecada – cobra impostos e distribui a renda

Atuação do Governo Tributação Progressiva


como agende Recursos para consumidores de baixa renda
redistribuidor Gastos públicos para áreas mais pobres
POLÍTICAS ECONÔMICAS

• Políticas econômicas: o setor público intervém no Mercado para manter nível


de emprego e crescimento econômico com estabilidade de preços
• As principais formas de intervenção pública são:
• Políticas fiscais
• Políticas monetárias
POLÍTICA FISCAL

Política fiscal é a atuação do governo sobre a


demanda agregada através de:

• Impostos – alteram a renda disponível dos indivíduos


• Gastos – fazem parte da demanda agregada
GASTOS E ARRECADAÇÃO

Podemos dividir os gastos do governo em:

• Despesas correntes: Gastos em Consumo;Gastos


em Subsidio funcionários públicos e bens e serviços
• Transferências – previdência, assistência,
pagamento de juros etc.
Política Tributária
Tributos no Brasil
O que é um tributo?
•Obrigação de pagar, que impõe aos indivíduos o dever de
entregar parte de suas rendas e patrimônio para a manutenção e
desenvolvimento do Estado, que deve atuar em áreas de interesse
do povo, como saúde, educação, segurança, política econômica,
entre outras.
Classificam-se cinco espécies de tributos:
•Impostos: independem da vontade do contribuinte e não tem
atuação direta do Estado, ou seja, são criados a partir de uma lei.
•Taxas: ‘é a contraprestação de serviços públicos ou de
benefícios feitos, postos à disposição ou custeados pelo Estado,
em favor de quem paga ou por este provocado’.
•Contribuições de Melhoria: Cobrado pela União, pelos
estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios, para realização
de obras públicas que valorizem imóveis de contribuintes. É
pouco conhecido.
•Empréstimos Compulsórios: Podem ser criados diante de
situações específicas (guerra externa ou sua iminência,
calamidade pública). A aplicação dos recursos provenientes de
sua arrecadação é vinculada às despesas correspondentes.
•Contribuições para Fiscais: os recursos obtidos com sua
arrecadação devem ser necessariamente aplicados no
atendimento da finalidade que justifica a sua cobrança. SESC,
SENAC.
O que é a CPMF?
A Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) foi um imposto que existiu até 2007 para
cobrir gastos do governo federal com projetos de saúde. Agora, o governo propõe cobrar uma alíquota de
0,2% sobre todas as transações bancárias de pessoas físicas e empresas para ajudar a cobrir o rombo da
Previdência Social.

Quem pagará esse imposto?


Todas as pessoas ou empresas que transferirem qualquer valor por meio dos bancos e instituições
financeiras. Isso vale tanto para quem saca o dinheiro do caixa eletrônico quanto para quem paga uma conta
de telefone via boleto bancário ou a fatura do cartão de crédito. A CPMF chegou a ser chamada de “imposto
do cheque”, porque também incide sobre essa forma de pagamento – que era muito mais usada naquela
época.
Diferença entre imposto, tributo, taxa e
contribuição

•Todo imposto é um tributo, mas nem todo tributo é um imposto.


•Os tributos englobam também taxas e contribuições. Todo tributo é uma arrecadação
obrigatória e impositiva
•Resumindo: taxa, imposto e contribuição são todos tributos, porém cada um, diferente
em sua essência.
Diferença entre imposto, tributo, taxa e
contribuição
Os Tributos ainda podem ser classificados:
MAS, QUANTO A GENTE
PAGA MESMO?!?!?
•Site: http://especiais.g1.globo.com/economia/2015/quanto-
pagamos-de-impostos/
Fonte: G1 Economia
COMPARANDO COM OUTROS
PAISES…
•O Brasil tem a maior carga de impostos da América Latina. A receita com impostos
no país totalizou R$1,728 trilhão em 2013, o que representa um aumento de R$466 bilhões
desde 2010. Além disso, a tributação sobre consumo é maior do que a arrecadação
associada a renda e ao patrimônio; a média mundial neste sentido é de uma
tributação sobre consumo de 25%, enquanto que no Brasil a mesma tributação se
mantém em 50%.
•Entre os 30 países que possuem as maiores cargas tributárias do planeta, o Brasil é o que
proporciona o pior retorno à população pelos tributos arrecadados nas esferas federal,
estadual e municipal. IBPT “Carga Tributária/PIB x IDH – Cálculo do Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade -
IRBES”;

•Das mais de 10 milhões de empresas brasileiras que devem informar o tributo na nota fiscal ao
consumidor, conforme determina a Lei n° 12.741/12, apenas 25% estão aptas a cumprir a
legislação. Nesse sentido, apenas 5% das empresas brasileiras informam a carga
tributária ao consumidor.
Comparativo de carga tributária dos países,
em % do PIB
Tributos Municipais
Lei 2.758/82 → Institui o Código Tributário do Município de Pelotas.

Este Código define o fato gerador, a incidência, as alíquotas, a base de


cálculo, e regula o lançamento, a cobrança e fiscalização dos tributos municipais.

Integram o sistema tributário do Município:


I – (IPTU) imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana;
II – (ICMS) imposto sobre serviços de qualquer natureza;
III- as taxas de licença para :
a) localização de estabelecimento de comércio, indústria ou prestação de serviços;
b) o exercício de atividade eventual ou ambulante;
c) execução de obras particulares;
d) execução de arruamentos ou loteamentos;
e) execução de publicidade.
IV - a taxa de expediente;
V - a taxa de iluminação pública;
IMPOSTOS

O que determina o nível de arrecadação?


• Aumento da renda → aumenta arrecadação com impostos
diretos.
• Aumento do produto → aumenta arrecadação dos
impostos indiretos
IMPOSTOS

O que determina o nível de arrecadação?


• Aumento da renda → aumenta arrecadação com impostos
diretos.
• Aumento do produto → aumenta arrecadação dos impostos
indiretos
IMPOSTOS

A estrutura tributária tem impacto:


a) sobre o nível de renda;
b) a organização econômica;
c) a distribuição de renda;
d)a competitividade da economia.
IMPOSTOS

A estruturação de um sistema tributário envolve diversos


aspectos como:
• Gerar recursos necessários para financiar os gastos públicos
• Afetar a distribuição de renda, definir quem na sociedade
deve pagar os impostos
Sistema Tributário e Distribuição
• Progressivo – quando a participação dos impostos na renda dos
indivíduos aumenta conforme a renda aumenta.
• Regressivo – quando a participação dos impostos na renda dos agentes
diminui conforme a renda aumenta.
• Neutro – quando a participação dos impostos na renda dos indivíduos é
a mesma independente do nível de renda.
SISTEMA TRIBUTÁRIO BRASILEIRO

Algumas características do sistema tributário brasileiro:


a) Sistema regressivo, grande participação de impostos indiretos
b) Grande número de impostos
c) A maior parte dos impostos é de competência da União
os tributos no Brasil dividem-se em: Impostos, Taxas, Contribuições especiais, Contribuições de melhoria e
Empréstimos Compulsórios.
Os Impostos atualmente cobrados no Brasil são divididos em três esferas:
Federais:

• Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza - IR;


• Imposto sobre produtos industrializados - IPI;
• Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores
mobiliários - IOF;
• Imposto sobre a propriedade territorial rural - ITR;
• Imposto sobre importação de produtos estrangeiros - II;
• Imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados - IE.
• OBS: IGF – Imposto sobre grandes fortunas. Lei complementar
• Estaduais: Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação -
ICMS;
• Imposto sobre propriedade de veículos automotores - IPVA;
• Imposto sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens e direitos - ITCD.

Municipais
• Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana - IPTU;
• Imposto sobre serviços - ISS;
• Imposto sobre transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis
- ITBI.
• As Taxas também são cobradas nas três esferas. Como exemplos:
• Taxas Portuárias;
• Taxa de Conservação e Limpeza;
• Taxa de Combate a Incêndio;
• Taxa de Emissão de Documentos;
• Taxa de Alvará;
• Taxa de Publicidade;
• Taxa de Inspeção e Fiscalização.
• As Contribuições Parafiscais ou Especiais, são cobradas principalmente, mas não exclusivamente, por entidades federais. Exemplos:
• Contribuição Previdenciária para o INSS;
• FGTS;
• PIS/PASEP;
• CPMF;
• COFINS;
• CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS EMPRESAS; SESC; SENAC; SESI; SENAI; SENAR;
• SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO - SAT; CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA;
• CONTRIBUIÇÃO SINDICAL;
• CIDE: COMBUSTÍVEIS E ROYALTIES
• CONTRIBUIÇÕES PARA ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL: OAB, CRC, CREA, CRECI, ETC;
• SALÁRIO EDUCAÇÃO;
• SEBRAE, etc.

Como exemplos de Contribuições de Melhoria: Asfaltamento; Calçamento; Rede de Água; Rede de Esgotos.
Política Fiscal e Déficit Público

O Crescimento da Participação do Setor Público


na Atividade Econômica
Crescimento da renda per capita - gera um aumento da demanda
de bens e serviços públicos (lazer, educação superior, medicina, etc.)
Mudanças Tecnológicas – Maior demanda por rodovias e infra-
estrutura
Mudanças Populacionais – Com seu aumento, faz com que o
Estado aumente sua despesa com educação, saúde, etc.
Efeitos de Guerra – A participação do Estado aumenta.
Mudanças da Previdência Social
O papel econômico do governo

Séc. XVIII - XIX Predominância : Sistema de mercado,


próximo ao da concorrência pura.

Início do Séc. XX O mercado sozinho não garante que a


economia opere sempre com pleno
emprego dos seus recursos.
Necessitando de maior atuação do
Setor Público na economia.
Evitar as distorções De que forma ?
alocativas e distributivas
Política Fiscal e Déficit Público

O Crescimento da Participação do Setor Público


na Atividade Econômica
A evolução das economias mundiais no século XX levou ao desenvolvimento dos mercados
financeiros, do comércio internacional, tornando mais complexas as relações econômicas
adicionando incertezas e especulação.

Portanto, a economia (sistema de mercado) não tinha mais condições de regular-se


automaticamente, ou seja, sem a atuação econômica do Setor Público. Ex.: O crack da
Bolsa de Nova York, em 1929.
Função Alocativa
Função Distributiva
Função Estabilizadora
Política Fiscal e Déficit Público

As Funções Econômicas do Setor Público


Função Alocativa
Função Alocativa do governo está associada ao fornecimento
de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema
de mercado (chamados bens públicos).
Política Fiscal e Déficit Público

As Funções Econômicas do Setor Público


Função Distributiva

O governo arrecada – cobra impostos e distribui a renda

Atuação do Governo Tributação Progressiva


como agende Recursos para consumidores de baixa renda
redistribuidor Gastos públicos para áreas mais pobres
Política Fiscal e Déficit Público

As Funções Econômicas do Setor Público


Função Estabilizadora

Promover o crescimento econômico com estabilidade de


preços
Política Fiscal e Déficit Público

Estrutura Tributária – Princípios de Tributação


- Neutralidade
- Eqüidade
Princípio da Neutralidade – Os tributos não devem alterarem os preços
Relativos.

Um dos objetivos do sistema tributário é não ter impactos negativos


sobre a eficiência econômica. Sendo adequados, os impostos podem
ser utilizados na correção de ineficiências do setor privado.
Política Fiscal e Déficit Público

Estrutura Tributária – Princípios de Tributação


- Neutralidade
- Eqüidade
Princípio da Equidade – Distribuição de maneira justa do ônus entre os
indivíduos

Princípio do Benefício
Princípio da Capacidade de Pagamento
Política Fiscal e Déficit Público

Estrutura Tributária – Princípios de Tributação


- Neutralidade
- Eqüidade
Princípio do Benefício – O indivíduo pagaria o tributo para igualar
o preço do serviço recebido ao benefício marginal que ele recebe.
Problemas:
- Identificação do benefício que cada um atribui a diferentes quanti-
dades do bem ou serviço público;
- As pessoas não teriam motivo para revelarem suas preferências
(poderia aumentar sua contribuição), já que o bem é público.

Aplicação do Princípio: Taxas (transportes, energia)


Política Fiscal e Déficit Público

Estrutura Tributária – Princípios de Tributação


- Neutralidade
- Eqüidade
Princípio da Capacidade de Pagamento – Os agentes devem contribuir
de acordo com a sua capacidade de pagamento.
Ex. típico: Imposto de Renda.
Medidas utilizadas: Renda, consumo e patrimônio.
Renda: Normalmente são impostos progressivos.
Consumo: Abrangência Global. Logo, são, normalmente, regressivos.
Patrimônio: Tem o problema de serem formados por fluxos de renda
passados que já foram anteriormente tributados.
Política Fiscal e Déficit Público

Efeitos da Política Tributária sobre a Atividade Econômica


Diretos – Incidem diretamente sobre a renda das pessoas
Impostos
Indiretos – Incidem sobre o preços das mercadorias

Específicos – Valor fixo, independente do valor do bem.


Ad Valorem – Alíquota fixa sobre o valor do bem.
OBS: Impostos sob cascata e valor adicionado
Estrutura Tributária:
Progressiva – Alíquota aumenta com o aumento da renda
(I. Renda -> Progressivo, logo, mais justo do ponto de vista fiscal)
Regressiva – Quanto maior a renda, menor a tributação, em
proporção à renda (Ex.: Impostos indiretos (vendas))
Proporcional (Neutra) – Todos pagam a mesma alíquota.
Política Fiscal e Déficit Público

Efeitos da Política Tributária sobre a Atividade Econômica


Curva de Lafer - Relação entre o total de arrecadação tributária e a
taxa (alíquota) de impostos.
Alíquota de
Impostos Relação Inversa
Ex. Sonegação
Relação
Direta
Arrecadaçãomax

Alíquota %
Valor
Política Fiscal e Déficit Público

Conceitos de Déficit Público e Formas de Financiamento


Superávit Déficit
Arrecadação > Gastos Públicos Arrecadação < Gastos Públicos

Déficit Nominal ou Total (NFSP não Financeiro)


– Conceito Nominal

Déficit Público Déficit Primário ou Fiscal

Déficit Operacional (NFSP não Financeiro)


– Conceito Operacional
Política Fiscal e Déficit Público

Conceitos de Déficit Público e Formas de Financiamento


Déficit Primário = G – T

Gastos Públicos Correntes = G Receita Fiscal Corrente = T

Déficit Operacional = (G – T) + juros reais da dívida

Déficit Nominal = (G – T) + juros reais + correção monetária e cambial


da dívida
Déficit Nominal = (G – T) + juros nominais da dívida pública