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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% das pessoas têm algum

tipo de deficiência, o que representaria 15 milhões de brasileiros, de acordo com o


Censo do IBGE de 2000. Em 2004, a fim de aprimorar a formulação de políticas
públicas, o MEC passou a definir melhor as várias categorias de deficiência.
Assim, deficiência auditiva/surdez é aquela em que, mesmo utilizando aparelho
auditivo, a pessoa não consegue ouvir a voz humana. A deficiência
Visual/Cegueira passa a se referir àquelas pessoas que, mesmo utilizando
óculos, continuam com dificuldades para enxergar. Assim, o universo de pessoas
com deficiência entre 0 e 17 anos fica em torno de 820 mil. Dentre essas, cerca de
190 mil crianças fazem parte do público a ser atendido pela educação infantil.

O numero de crianças com algum tipo de deficiência na rede regular de ensino


do País cresce a cada ano. O impacto da política de inclusão na educação infantil
pode ser medido pelo crescimento das matrículas entre 2002 e 2006, resultado da
mobilização da sociedade brasileira. A Constituição Brasileira de 1998 garante o
acesso ao ensino fundamental regular a todas as crianças e adolescentes, sem
exceção, e a criança com necessidade educacional especial deve receber
atendimento especializado complementar. A inclusão ganhou reforços com a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,de 1996, e com a Convenção da
Guatemala, de 2001,que proíbem qualquer tipo de diferenciação,de exclusão ou
de restrição baseadas na deficiência das pessoas.
O artigo 8º, da Lei nº 7.853/89, prevê como crime condutas que frustam,sem
justa causa, a matrícula de aluno com deficiência,portanto, a exclusão é
crime.conduta excludente das escolas pode ter consequencia cívis, penais e
administrativas.
Eventos e acordos internacionais foram fundamentais para impulsionar a criação
de uma política educacional mais justa para todos, sobretudo para os portadores
de necessidades especiais. Entre eles, destaca-se a Declaração Mundial de
Educação para Todos, resultado da Conferência Mundial de Educação, realizada
em Jomtien, na Tailândia, em 1990, e, posteriormente, a Declaração de
Salamanca, oriunda da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas
Especiais: Acesso e qualidade (UNESCO, 1994).
A Declaração de Salamanca ressalta que a educação de crianças com
necessidades educacionais especiais deve ser tarefa partilhada por pais e
profissionais. Para Rosa Blanco, consultora da Unesco, o conceito de inclusão é
“holístico, um modelo educacional guiado pela certeza de que discriminar seres
humanos é filosoficamente ilegal, e incluir é acreditar que todos têm o direito de
participar ativamente da educação e da sociedade em geral”. Essa nova proposta
educacional tem como alicerce: acessibilidade, projeto político-pedagógico,criação
de redes e de parcerias, formação de professores e atendimento educacional
especializado.
O MEC, trabalha na perspectiva de que os Estados e Municípios brasileiros
incluam em suas escolas e instituições de educação infantil todas as crianças com
deficiências. Nesse sentido, tem firmado parcerias e convênios para garantir o
atendimento desses alunos. “O ministério contribui com ações de sensibilização
da sociedade e da comunidade escolar, desponibiliza material de apoio e
tecnologia educacional que contribua com a prática pedagógica e de gestão
escolar, e também com a produção e disseminação de conhecimento sobre a
educação inclusiva”, explica Cláudia Pereira Dutra. Disponibiliza aos sistemas de
ensino equipamentos, mobiliários e material pedagógico para a implantação de
salas de recursos e organização da oferta de atendimento. Tem implantado
outras ações e programas em parceria com dirigentes estaduais e municipais da
educação, bem como apoiado a formação continuada dos professores, em
diversas áreas, como Deficiência Mental, Deficiência Auditiva, Deficiência Visual,
Superdotação/Altas Habilidades, entre outras.
Marilda é mãe de André Gustavo, 32 anos de idade, mestre em educação
especial pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e funcionário público
concursado. Ele teve paralisia cerebral, deficiência visual severa e quadro
neurológico de hipotonia e convulsões frequentes por sequela de infecção
hospitalar, ao nascer. Ingressou na educação infantil com 1 ano e oito meses, não
andava, nem falava. Mas gostava muito de ir à creche e participar de todas as
atividades, do seu jeito. “Para André foi muito importante frequentar uma
instituição educativa cedo: aprendeu a falar, a conviver, a viver frustrações, a
conhecer suas possibilidades e a lidar com suas limitações desde pequeno”,
relembra.
segundo Marilda Bruno, da Universidade Federal da Grande Dourados (MS),
consultora para a publicação do MEC. “A inclusão mobiliza a família, os
professores, a escola e os profissionais de apoio especializado. Nos primeiros
meses, pode gerar medo,angústia,tensão,dúvidas,tanto para a família como para
a escola. A maior demanda encontra-se na esfera das atitudes, posturas, formas
de lidar com a diversidade e a diferença significativa de cada aluno. Essa não
deve ser responsabilidade só do professor, mas do coletivo escolar”, avalia.

MUDANÇA DE MENTALIDADE

Para que a inclusão aconteça, é preciso olhar a educação de outro modo. Isso é
o que preconiza a professora Maria Tereza Eglér Mantoan, coordenadora do
Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Universidade
Estadual de Campinas. Mantoan afirma que a inclusão escolar “pegou a escola de
calças curtas” e o nível de escolaridade mais atingido por essa inovação foi o do
ensino fundamental, apesar de estar “mexendo” também com a educação infantil.

A professora adverte que a escola, organizada como está, produz a exclusão.


Ela diz que para entender a razão de tanta dificuldade é preciso analisar o
contexto escolar. “Os alunos estão enturmados por séries, o currículo é
organizado por disciplinas e o conteúdo é selecionado pelas coordenações
pedagógicas, pelos livros didáticos, enfim, por uma 'inteligência' que define os
saberes úteis e a sequencia em que devem se ensinados”, analisa. “A divisão do
currículo em disciplinas fagmenta e especializa o conhecimento e faz do conteúdo
de cada uma dessas matérias um fim em si mesmo e não um meio para
esclarecer o mundo em que vivemos e para entendermos a nós mesmos”,
argumenta. “Com esse perfil organizacional, dá para imaginar o impacto da
inclusão na maioria das escolas, esta é uma prática que tem de ser banida”,
aconselha.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA X EDUCAÇÃO ESPECIAL

É necessário estar clara a diferença entre educação inclusiva e educação


especial. A educação inclusiva é um movimento mundial fundamentado nos
principios dos direitos humanos e da cidadania, tendo por objetivo eliminar a
discriminação e a exclusão, para garantir o direito à igualdade de oportunidades e
à diferença, transformando os sistemas de ensino, de modo a propiciar a
participação de todos os alunos, com foco específico naqueles que são
vulneráveis à marginalização e exclusão. A educação especial é uma área de
conhecimento que visa promover o desenvolvimento das potencialidades de
pessoas com deficiência, autismo, sìndromes ou altas habilidades/superdotação,e
abrange desde a educação infantil até a educação superior.
Hoje , o atendimento educacional especializado é apenas complemento da
escolarização, e não substituto. Muitos municípios brasileiros ja começaram a
adaptar escolas, a capacitar professores e a comprar equipamentos. Salas
multimeios, instaladas em escolas-pólo, que servem outras escolas e instituições
de educação infantil das redondezas estão sendo criadas, e atendem crianças
cegas, com baixa visão, surdas e com dificuldades motoras. Os professores são
capacitados para ensinar libras (língua brasileira de sinais), braile, lingua
portuguesa para surdos e o uso de instrumentos como o soroban (ábaco japonês).
“Falamos de um processo de mudança cultural que se constrói no cotidiano
educacional e social. Hoje, os pais já não escondem seus filhos com deficiência.
As escolas e instituições de educação infantil não podem negar a matricula,
alegando não saber como atuar, e os professores buscam aperfeiçoar sua prática,
o que se traduz em benefício não só dos alunos com deficiência, mas também de
todos os alunos”, reitera Cláudia Pereira Dutra. “ Com uma nova concepção de ser
humano, ética, cultura e sociedade, e também com a evolução do conhecimento
científico acerca da inteligência humana, a educação passa a ser definida e
viabilizada como direito de todos. À medida que existe esta mudança de
mentalidade nas escolas, altera-se o pensamento e a realidade cultural do País”,
afirma a Secretária de Educação Especial do Mec.

A INFORMÁTICA NA VIDA DO DEFICIENTE VISUAL

A inclusão do deficiente visual na informática é um dos frutos desses


movimentos, mundial,nacional e social, magnífico, supra-citados. Que permite a
eles,operar um PC com eficiência, e, para isto contamos com programas ,que tem
seus sistemas desenvolvidos,especialmente para atender este público em
específico.
Iremos agora conheçer um dos programas,mais utilizado no Brasil:
DOSVOX
O programa é composto por: Sistema operacional que contém os elementos de
interface com o usuário; Sistema de síntese de fala; Editor, leitor e
impressor/formatador de textos; Impressor/formatador para braille; Diversos
programas de uso geral para o cego, como Jogos de caráter didático e lúdico;
Ampliador de telas para pessoas com visão reduzida; Programas para ajuda à
educação de crianças com deficiência visual; Programas sonoros para acesso à
Internet, como Correio Eletrônico, Acesso a Homepage, Telnet e FTP. Leitor
simplificado de telas para Windows. O DOSVOX vem sendo aperfeiçoado a cada
nova versão. Hoje ele possui mais de 80 programas, e este número é crescente.

O DOSVOX é um sistema para microcomputadores da linha PC que se comunica


com o usuário através de síntese de voz, viabilizando, deste modo, o uso de
computadores por deficientes visuais, que adquirem assim, um alto grau de
independência no estudo e no trabalho.

O sistema realiza a comunicação com o deficiente visual através de síntese de voz


em Português, sendo que a síntese de textos pode ser configurada para outros
idiomas.
O que diferencia o DOSVOX de outros sistemas voltados para uso por deficientes
visuais é que no DOSVOX, a comunicação homem-máquina é muito mais simples,
e leva em conta as especificidades e limitações dessas pessoas. Ao invés de
simplesmente ler o que está escrito na tela, o DOSVOX estabelece um diálogo
amigável, através de programas específicos e interfaces adaptativas. Isso o torna
insuperável em qualidade e facilidade de uso para os usuários que vêm no
computador um meio de comunicação e acesso que deve ser o mais confortável e
amigável possível.
Grande parte das mensagens sonoras emitidas pelo DOSVOX é feita em voz
humana gravada. Isso significa que ele é um sistema com baixo índice de estresse
para o usuário, mesmo com uso prolongado.
Ele é compatível com a maior parte dos sintetizadores de voz existentes pois usa
a interface padronizada SAPI do Windows. Isso garante que o usuário pode
adquirir no mercado os sistemas de síntese de fala mais modernos e mais
próximos à voz humana, os quais emprestarão ao DOSVOX uma excelente
qualidade de leitura.
O DOSVOX também convive bem com outros programas de acesso para
deficientes visuais (como Virtual Vision, Jaws, Window Bridge, Window-Eyes,
ampliadores de tela, etc) que porventura estejam instalados na máquina do
usuário.
O DOSVOX contava em dezembro de 2002 com cerca de 6000 usuários no Brasil
e alguns países da América Latina. Nesta época, o número de usuários que
acessava a Internet era estimado em cerca de 1000 pessoas.
Acionamento do DOSVOX
O micro é ligado normalmente. Os sons característicos da entrada do Windows
são importantes para que o deficiente visual saiba quando é possível começar a
executar o DOSVOX. O acionamento é feito pressionando as teclas "ctrl + alt + d",
sendo então sintetizada a frase "DOSVOX - O que você deseja?", que será ouvida
sempre que o sistema necessitar de uma nova informação.
Pressionando F1 o "menu principal" é apresentado ao e ao mesmo tempo falado.
Na tela inicial aparecem também informações sobre como adquirir ou obter ajuda
sobre o DOSVOX.
Para saber as opções do DOSVOX, basta usar F1. Como é facilmente intuído pela
figura, basta apertar uma tecla que a função correspondente é iniciada. A qualquer
momento, a tecla ESC pode ser usada para cancelar qualquer função. A tecla F1
permanece disponível na maior parte dos utilitários do sistema como tecla de
ajuda.
Opcionalmente pode-se usar as setas e as opções são mostradas num menu
popup na própria tela. A cada acionamento de seta, uma opção é selecionada.
Neste caso, a opção desejada é escolhida pressionando ENTER. Para limpar a
tela, usa-se a barra de espaços (versão 3.1b em diante).

Teste do teclado
O teste de teclado é de suma importância , principalmente para o usuário iniciante
em microcomputadores. Seu objetivo maior é proporcionar ao usuário o
reconhecimento da posição das teclas alfanuméricas e teclas com funções
especiais, facilitando o aprendizado quanto aos demais aplicativos do sistema.
Pressionando a tecla ESC o teste termina, e soa novamente a pergunta "DOSVOX
- O que você deseja? ".
Vale ressaltar que, para um deficiente visual, o pleno domínio do teclado faz-se
imprescindível, uma vez que a manipulação do "mouse" é mais dificultosa.

Manipulação de arquivos
Ao pressionar a letra "A" (após a pergunta "DOSVOX - o que você deseja?"), são
informados pelo sistema : "Número de arquivos neste diretório: xx" "Arquivos: use
as setas para selecionar, depois tecle sua opção." A partir deste momento, usando
as setas são falados um a um os arquivos do sistema. Quando um arquivo
desejado é falado, pode-se escolher uma função a ser realizada com ele,
bastando para isso acionar uma tecla. Para se saber as funções de manipulação
de arquivos pressiona-se "F1".

Jogos
O sistema DOSVOX dispõe de alguns jogos que visam não somente o
entretenimento, mas também facilitar a aprendizagem do ambiente, na medida em
que, jogando, o usuário está ao mesmo tempo aperfeiçoando sua interação por
meio do teclado e com o sistema de um modo geral. Os jogos são acionados
teclando a opção "J" seguido de uma letra que representa a abreviatura do jogo
desejado. A tecla "F1" apresenta então o "menu de jogos".
A maior parte dos jogos do DOSVOX tem uma interface alfanumérica, mas são
povoados de efeitos sonoros. Desta forma, eles podem ser usados com prazer
mesmo por pessoas que não são deficientes visuais.
Mesmo nos jogos que possuem interface gráfica, o comando é feito unicamente
pelo teclado, e a informação visual é útil para favorecer o compartilhamento do
jogo entre pessoas que enxergam com as invisuais.

Utilitários de uso geral


Os utilitários visam proporcionar às tarefas cotidianas, maior independência e
organização. São acionados teclando a opção "U" seguido de uma letra que
representa a abreviatura do utilitário desejado. A tecla "F1" apresenta então o
"menu de utilitários". Um dos utilitários é a calculadora vocal, que possibilita a
execução de cálculos simples, de forma completamente sonorizada.

Multimídia
As pessoas cegas têm, em geral, uma ligação muito forte com som. Daí o
DOSVOX proporcionar diversos utilitários para processamento multimídia. Os
aplicativos de multimídia são acionados teclando a opção "M" seguido de uma
letra que representa a abreviatura do programa desejado. A tecla "F1" apresenta
então o "menu multimídia".
Internet
A Internet representa para a pessoa deficiente visual uma porta aberta para o
mundo, por meio da qual ele pode ter acesso a informações, pode publicar suas
próprias idéias, conectar-se a redes sociais, enviar e receber correspondência,
enfim, fazer o mesmo uso que qualquer pessoa faz da Internet.
O DOSVOX possui um grande número de utilitários de acesso a Internet, sendo
alguns deles inigualáveis em termos de qualidade de acessibilidade produzida,
quando comparados a outros sistemas.

bibliografia
revista Criança; A inclusão de crianças com deficiência na educação infantil.
Núcleo de computação eletronica; projeto Dosvox; Universidade Federal do Rio de
Janeiro; Antônio Borges.