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17/08/2017 Revista Alegrar

Quinta-Feira, 17 de Agosto de 2017

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Alegrar 18
Dezembro de 2016 - ISSN 1808 5148

Editorial Conteúdo Expediente

A revista está ligada a um movimento


em torno de modos produtivos,
criativos, de resistir no presente,
abrindo possibilidades outras, que
acreditamos serem contagiantes. Situa-
se em torno da dimensão do humor, da
Editorial 18 arte de rua, arte-ativismo, das
experiências comunitárias, de arte
pública, das várias lutas anti-
Esta edição 18 da Alegrar apresenta o dossiê temático “Corpo e educação” proposto para a
globalização - ou por outras formas de
revista pelas organizadoras Amanda Maurício Pereira Leite e Renata Ferreira da Silva. O globalização -, enfim de todos os
Dossiê: Corpo e Educação - cuja apresentação se encontra na sequência deste editorial – movimentos que se utilizam da criação,
compõe-se do encontro entre pesquisadores das Universidades Federais do Tocantins (UFT), de que partem da afirmação e não se
Santa Catarina (UFSC), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Instituto Federal de Santa Catarina estruturam em torno de procedimentos
(IF-SC). reativos.
Leia Mais.
Além do dossiê, temos três artigos envolvendo temáticas diversas, como Educação,
arte, filosofia.

Paola Zordan nos contagia com Pela livre vida magisterial. Nada mais a dizer a
respeito deste ensaio, além de sua urgência e do convite à leitura.

Em Solve et Coagula - arte alquímica, corpo e luz, de Alan Victor Pimenta, temos
um encontro de imagens e palavras produzindo “formas alegóricas da Alquimia: uma
imensidão represada em si, o corpo e sua existência manejada pelos desejos do
Tempo”. Trabalho de criação, no qual “pensamentos, fotografias e versos são o centro
de um atravessamento espiralado do ser e das tensões que cobrem seu corpo”.

O Ensaio sobre uma psicologia portuária e uma estética do desatino, de Elton


Corrêa de Borba, aborda – em um encontro entre a filosofia de Nietzsche e a Psicologia
- o pensamento psicológico chamando de portuária aquela psicologia
“predominantemente racional”, apostando em uma psicologia de criação a partir do
conceito de estética do desatino.

Kátia Maria Kasper e Juliana Gisi (editoras)

Dossiê: Corpo e Educação – Apresentação

O que é fazer pesquisa em Educação num campo cuja singularidade é um


atravessamento de linhas, forças e escritas? Movemo-nos aqui entre disciplinas,
gêneros, conceitos, fronteiras e regiões para pensar a educação por outros modos. A
composição de ensaios aqui agenciados foge do fixo e se desenha no entrelugar, no
encontro com o diferente.
Seria este também um modo de pensar a Educação? Uma alteridade radical? Estas
provocações foram tomadas como pré-texto para a produção deste conjunto de ensaios
sob uma ótica interdisciplinar. O pensar dos amigos da filosofia, da literatura, do teatro,
da dança, da educação se encontra em torno do pensamento-corpo e faz conhecer a
contemporaneidade da pesquisa em Educação como produção da diferença. Imagem
aqui é um processo de pensamento que apresenta não apenas textos inéditos, mas
condições de fala, pois disparam relações e convidam o/a leitor/a a circular
indisciplinadamente entre heterogenias.
O Dossiê: Corpo e Educação impulsiona encontros insólitos entre pesquisadores do
norte e do sul do Brasil, entre as Universidades Federais do Tocantins (UFT), Santa
Catarina (UFSC) e do Rio Grande do Sul (UFRGS). O entrelugar nos interessa e lança
dilemas a propósito de como pensamos e realizamos pesquisas sobre/com/em imagem
na Educação. Afinal, quais experiências intervalares provocamos nas pesquisas
contemporâneas?

http://www.alegrar.com.br/revista18/ 1/3
17/08/2017 Revista Alegrar
Em Spinoza vai ao teatro, de Renata Ferreira da Silva, há uma investigação sobre o
sentimento do corpo. Como se dá o pensar no corpo? Como esta questão pode ser vista
do ponto de vista do corpo do/a ator/atriz? Como esta discussão contamina o campo da
pedagogia teatral na qual, muitas vezes, inspirados por tantos diretores–pedagogos
afirmamos que só podemos sentir algo na medida em que esta coisa sentida se
transformar em corpo? Seguindo o sentimento do corpo o ensaio recolhe traços do
encontro com a filosofia. Estes traços lançam algumas ferramentas conceituais que são
tensionadas junto à pedagogia teatral na suspeita de causar encontros potentes,
acontecimentos, ressonâncias.
Notas esparsas sobre o contágio, de Eduardo Silveira, apresenta a escritura de
eventos contagiosos que se tocam transgressivamente em audaciosa proliferação. Cada
uma das notas apresentadas propõe um possível encontro com o movimento próprio do
contágio através dos corpos em devir-outro. E não seria em encontros contagiosos que
o corpo entra em crise, desestabiliza-se, finca-se no presente e invade a zona da
incerteza e criação? O contágio enquanto condição de liberação de uma vida
minoritária, potente. O contágio por um palhaço sentido no corpo toma conta da
escritura. É o palhaço que passa a germinar no corpo, estabelece uma aliança e
constituiu uma multiplicidade em expansão através das vísceras, desejos e olhares.
Corpo: materialidade corporal e intensidade corpórea, de Wagner Ferraz e
Samuel Edmundo Lopes Bello, mostra um corpo que se constitui de movimentos
infinitos, esses em suas variações podem produzir fissuras no pensamento da
representação se tornando ato de pensar - criação. É no corpo, com e pelo corpo que
se atinge o impensado e se cria uma vida, educando a si mesmo nas experiências de
um corpo que se torna e, de um corpo que se vem a ser. Como pensar a criação em
corpos que são educados para se tornar identidades fixas e estáveis? Um corpo se
constitui no movimento da vida, tendo seu aspecto material e pensamento imbricados,
em uma imanência, não se tratando do dualismo corpo e mente. O corpo vem a ser a
condição para constituição e educação de si, a criação de novas imagens no ato de
pensar.
O menino e a concha: um grão de poesia no corpo que dança, de Julia Terra
Denis Colaço, traz o corpo-concha como símbolo da possibilidade e potência, concha
que conserva uma espécie de devir-infância: o corpo que dança. Corpo-concha que
preserva a dupla relação de acolhimento do interno e do atravessamento com o mundo,
corpo-concha que se abre para a intensidade, aponta para uma poética do
esvaziamento e acolhe a experiência do outro, uma poesia do “entrecorpos”. O ensaio
pensa a dança como produção da diferença, o corpo em devir-outro, o corpo como um
grão de poesia.
Toyi-Toyi: a dança sul africana entre a memória e o perdão, de Ida Mara Freire,
põe em evidência a noção de corpo nacional da África do Sul, país que dança. Para o
povo africano, música e dança não são luxos, mas parte e parcela de seu modo de
comunicação. Qualquer sofrimento que experimentam se faz mais real por meio da
canção e da dança. Ao dançar pelas ruas o Toyi-Toyi, o povo sul-africano parece abdicar
de seus projetos individuais, e, por um instante, entre um passo e outro, e nas
transposições do movimento entre o corpo de um indivíduo e do outro, dá-se conta do
porvir. O ensaio indaga: de onde vem essa noção de corpo nacional tão explícita nos
prolegômenos da constituição da África do Sul, iniciada com o “Nós, povo da África do
Sul”? Neste ensaio, algumas “corpografias” de uma memória compartilhada
transparecem.
Entre o porão e o sótão: devaneios em torno do ser professor/a de teatro, de
Renata Patrícia da Silva, localiza a discussão numa conversa que transita por
pensamentos e devaneios poéticos, entre escola e a Universidade. Aqui, rabiscam-se
algumas páginas acerca da formação do/a professor/a de Teatro, privilegiando o campo
da imaginação, que se dá pelo atravessamento do corpo, lançando-o no espaço-escola,
a fim de provocar sua “percepção” e seu “devaneio poético”.
Corrida de rua: aprendizagens no tempo presente, de Jane Petry da Rosa e
Leandro Belinaso Guimarães, desterritorializa a discussão para um outro lugar, para um
corpo que corre, que encontra outros corpos e se encontra. Braços que se movem
rapidamente, pés que pisam firme no solo, respiração compassada, muitas vezes
ofegante, mente em estado de contemplação ou em ebulição. A corrida de rua, um
fenômeno sociocultural contemporâneo, é praticada em todo o mundo, por pessoas
com interesses distintos que “desfilam” seus corpos no asfalto, na areia, em praças,
trilhas, parques. Que tipo de ambição, penitência, promessa ou diversão leva-os a
percorrer dez, quinze, quarenta e dois quilômetros? O que esta prática produz? Que
aprendizados é capaz de processar?
Cada um dos movimentos oferece ao leitor/a um conjunto de pequenas pedagogias,
para habitar, pensar e imaginar possibilidades de pesquisa em educação. Este também
tem sido o movimento que propomos percorrer com o Grupo de Pesquisa Transver
(UFT), que arrisca caminhar nas fronteiras dos estudos da Educação, Comunicação e
Arte.

http://www.alegrar.com.br/revista18/ 2/3
17/08/2017 Revista Alegrar
Amanda Maurício Pereira Leite e Renata Ferreira da Silva (organizadoras do dossiê)

Revista Alegrar

http://www.alegrar.com.br/revista18/ 3/3