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CENTRO UNIVERSITÁRIO CENTRAL PAULISTA - UNICEP

CURSO DE PÓS- GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL

MÁRIO SÉRGIO MARIANO

PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL: VISITA MONITORADA AO QUARTEL DO


CORPO DE BOMBEIROS DE SÃO CARLOS

SÃO CARLOS
2019
MÁRIO SÉRGIO MARIANO

PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL: VISITA MONITORADA AO QUARTEL DO


CORPO DE BOMBEIROS DE SÃO CARLOS

Relatório de estágio-pesquisa apresentado


como um dos requisitos para a obtenção do
título de especialista em Psicopedagogia
Institucional.

SÃO CARLOS
2019
RESUMO

Nas instituições, o psicopedagogo atua na elaboração de materiais ou


estratégias de aprendizagem para solucionar qualquer tipo de dificuldade de
aprendizagem que possa aparecer. Neste trabalho de pesquisa, o psicopedagogo
institucional poderá demonstrar seguindo algumas especificidades: tentando
amenizar as dificuldades de aprendizagem analisando as práticas didático-
metodológicas que estão presentes ao longo deste trabalho, relatando uma
intervenção prática, realizada com crianças e adolescente da Casa Abrigo da cidade
de Ibaté, instituição judicial que atende jovens em situação de risco. Em algumas
atividades práticas e lúdicas surgiu o assunto sobre futuras profissões que os mesmos
desejariam seguir e foram mostrados alguns vídeos sobre a carreira militar; sendo
assim, todos ficaram entusiasmados. Foi então marcada uma intervenção específica
com os adolescentes enfatizando a dinâmica de uma formação profissional para o
futuro e, posteriormente, uma intervenção geral através de uma visita monitorada ao
Posto de Bombeiros de São Carlos, com o objetivo de promover uma reflexão sobre
a escolha vocacional. A intervenção possibilitou perceber que os jovens entenderam
o excelente trabalho ágil dos bombeiros no cotidiano bem como seus atendimentos.
Obtiveram condutas e atitudes sobre respeitar e cuidar do próximo e, como objetivo
principal, foram estimulados a trilhar caminhos de sucesso e felicidade, deixando de
lado, um pouco, do sofrimento pelo qual passaram, e passam, por causa de seus
problemas familiares e psicológicos. Podemos analisar neste trabalho de intervenção
que houve um aumento de autoestima dos jovens, além dos aspectos de interação
com as crianças e adolescente por parte dos profissionais bombeiros e dos alunos do
curso, na forma de atenção e carinho atribuídos de maneira cordial e amorosa. A
intervenção realizada sobre a importância do trabalho dos bombeiros, a conduta e o
atendimento mostraram, de uma forma lúdica, o processo de aprendizagem, e
ressalta-se que isto traz benefícios para o processo ensino e formação.

Palavras-chave: Psicopedagogia, intervenção, autoestima.


INTRODUÇÃO

A aprendizagem pode ser definida como uma modificação do comportamento


do indivíduo em função da experiência. E pode ser caracterizada pelo estilo
sistemático e intencional e pela organização das atividades que a desencadeiam,
atividades que se implantam em um quadro de finalidades e exigências determinadas
pela instituição escolar:

O processo de aprendizagem traduz a maneira como os seres adquirem


novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o
comportamento. Trata-se de um processo complexo que, dificilmente, pode
ser explicado apenas através de recortes do todo (ALVES 2007, p. 18).

Segundo a autora, a aprendizagem é um mecanismo de aquisição de


conhecimentos que são incorporados aos esquemas e estruturas intelectuais que o
indivíduo dispõe em um determinado momento.

Trata se de um processo contínuo que começa pela convivência familiar, pelas


culturas, tradições e vai aperfeiçoando-se no ambiente escolar e na vida social de um
indivíduo, sendo assim um processo que valoriza as competências, habilidades,
conhecimentos, comportamento e tem como objetivo a elevação da experiência,
formação, raciocínio e observação. Essa ação pode ser analisada a partir de
diferentes pontos de vista, de forma que há diferentes teorias de aprendizagem
(ALVES, 2007).

Analisando a aprendizagem segundo Piaget (1998), a aprendizagem provém


de “equilibração progressiva, que é uma passagem contínua de um estado de menos
equilíbrio para um estado de equilíbrio superior”. Diante dessa afirmação nota-se que
a aprendizagem parte do equilíbrio e a sequência da evolução da mente, sendo assim
um processo que não acontece isoladamente, tanto pode partir das experiências que
o indivíduo acumula no decorrer da sua vida, como também por meio da interação
social.
Segundo Antunes (2008):

Aprender é um processo que se inicia a partir do confronto entre a realidade


objetiva e os diferentes significados que cada pessoa constrói acerca dessa
realidade, considerando as experiências individuais e as regras sociais
existentes (Antunes 2008, p. 32).

As dificuldades inerentes ao processo de ensino/aprendizagem podem ser


provenientes da forma como se ensina o aluno, ou seja, dos métodos que o professor
utiliza para ensinar, por assim dizer, mas também podem estar relacionadas ao
contexto em que esse processo ocorre com todas as possíveis interferências.
Portanto, é preciso que o professor esteja sempre atento: ele deve procurar conhecer
muito bem a realidade em que seus alunos estão inseridos, a fim de poder realizar
uma adequada intervenção.

Desde o início de suas vidas, as crianças são seres curiosos, questionadores


da realidade a sua volta, e, ao longo do desenvolvimento, são constantemente
desafiadas pelo mundo em que vivem acerca de muitas coisas. Assim, desde muito
pequenas, já estão em busca do conhecimento. E é através de exemplos e
experiências positivas que elas o adquirem e fazem descobertas novas, desfrutando
da imaginação e alimentam os seus sonhos.

1.1 OBJETIVOS

Foi realizada uma experiência de visitação de crianças e jovens ao Posto de


Bombeiros de São Carlos. A visita teve como ponto central a demonstração das
diversas formas de trabalho em uma organização militar bem como estimular o estudo
e o foco no aprendizado aos estudantes. No quartel do Corpo de Bombeiros, foram
levados crianças e jovens de um abrigo judiciário de Ibaté, os quais puderam passar
uma tarde ao lado dos heróis do fogo, conhecendo um pouco mais sobre o trabalho
deles bem como o cotidiano da corporação, tendo como finalidade realizar uma
projeção de futuro para estes jovens separados de suas famílias.
2. BREVE HISTÓRICO DA PSICOPEDAGOGIA

Segundo Bossa (1994), a Psicopedagogia surgiu na Europa, no século XIX.


Nesta época as dificuldades de aprendizagem eram objetos de preocupação de
profissionais da saúde, tais como médicos e psiquiatras, e também de filósofos e
educadores.

O primeiro centro médico-psicopedagógico surge na França, unindo a


medicina, a psicologia, a psicanálise e a pedagogia, com a finalidade de se obter uma
solução para os problemas de comportamento e aprendizagem.

Educadores como Pestalozzi, Montessori e Decroly contribuíram muito para os


avanços das pesquisas nesta área. A psiquiatra italiana Maria Montessori, por
exemplo, criou um método de aprendizagem destinado a crianças com retardo mental.
Esse método ainda é utilizado em muitas escolas. Ovide Decroly, médico psiquiatra
também se preocupou com a Educação Infantil, ele utilizou técnicas de observação e
filmagens para estudar situações de aprendizagem. Foi ele quem criou os centros de
interesses, existentes até hoje. (BOSSA,1994)

Na América do sul a profissão de Psicopedagogia se iniciou na Argentina em


1956, acompanhada das ideias relacionadas aos problemas de aprendizagem
desenvolvida na Europa.

No Brasil, foi criada pelos argentinos uma nova metodologia de trabalho sobre
a aprendizagem no início do século XX, dando início a psicopedagogia.

Ao longo das décadas de 50 e 60 ocorreram várias transformações no que diz


respeito ao modo como os psicopedagogos compreendiam as dificuldades de
aprendizagem. Em um primeiro momento as deficiências eram medidas através de
testes psicológicos. Mais à frente eles passaram a reconhecer que os problemas
estavam mais relacionados à carência cultural da sociedade brasileira. Dizia-se que
os problemas eram decorrentes de formas inadequadas de tratamento oriundas das
instituições de ensino. (BOSSA,1994).

A ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia) foi criada em 1980, em São


Paulo, o que deu início à institucionalização da profissão do psicopedagogo.
No final da década de 90, psicopedagogos argentinos, espanhóis e franceses
trouxeram contribuições teóricas e práticas para o país. A visão teórica da
psicopedagogia foi ampliada, enfatizando-se o sujeito que aprende. Essas novas
compreensões influenciaram as intervenções e abriram espaços para a atuação do
psicopedagogo. Hoje o profissional pode realizar atendimentos em hospitais,
ambulatórios, ONG's e abrigos. (Site ABPp, 2019).

Mas, a profissão do psicopedagogo ainda precisa ser legalizada.

Foi aprovado o projeto de lei n° 128/2000 em São Paulo no ano de 2001, que
estabelece a assistência psicopedagógica em todas as instituições de ensino básico
da rede pública do estado de São Paulo. Atualmente o curso é oferecido em nível de
graduação e pós-graduação em instituições de ensino superior. (Site ABPp, 2019).

A trajetória histórica da psicopedagogia é marcada por muitas conquistas,


porém há muito que se fazer para que a mesma obtenha reconhecimento.

1.1 Psicopedagogia Clínica e Institucional

O curso de Psicopedagogia possui duas vertentes: a clínica e a institucional.


Na psicopedagogia institucional o foco é dar suporte para a sistematização do trabalho
pedagógico. Já na psicopedagogia clínica o olhar deve ficar mais focalizado na história
do sujeito e suas dificuldades. O psicopedagogo trabalha sobre as causas a partir da
identificação dos sintomas. Em ambas as áreas, o psicopedagogo visa ampliar as
possibilidades de aprendizagem do sujeito. Assim, o campo de atuação é a
aprendizagem e nos problemas/dificuldades de aprendizagem. (OLIVEIRA, 2009)

A Psicopedagogia tem caráter interdisciplinar.

No trabalho preventivo atua no âmbito escolar e na comunidade em que o aluno


e sua família estão inseridos. Terapeuticamente, a Psicopedagogia deve identificar
analisar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento.

Os psicopedagogos são profissionais preparados para atender crianças ou


adolescentes com problemas de aprendizagem, atuando na sua prevenção,
diagnóstico e tratamento clínico ou institucional. O psicopedagogo poderá atuar em
escolas e empresas, hospitais, organizações não-governamentais e centros
comunitários, clínicas ou centros terapêuticos.
Clinicamente o psicopedagogo faz, através de um diagnóstico, a identificação
das causas dos problemas de aprendizagem. Para isto, ele usará instrumentos tais
como, provas operatórias através dos estudos de Piaget, provas projetivas, provas
através de desenhos e uma anamnese completa e detalhada.

Nas instituições o psicopedagogo atua na elaboração de matérias ou


estratégias de aprendizagem para solucionar qualquer tipo de dificuldade de
aprendizagem que apareça nesses determinados ambientes em que o ensino
aprendizagem se manifeste. (OLIVEIRA, 2009).

O psicopedagogo institucional trabalha seguindo algumas especificidades:


tentando amenizar as dificuldades de aprendizagem analisando as práticas didático-
metodológicas orientando professores e pais; realizar diagnósticos na instituição a fim
de encontrar um déficit escolar como causa para as dificuldades de aprendizagem; e
por fim tratar as dificuldades encontradas elaborando oficinas e projetos.

Segundo Porto (2011, p. 123):

O psicopedagogo institucional trabalha com múltiplas fontes de dados,


decorrentes do uso que faz de inúmeros métodos (observação, conversas
casuais, entrevistas, documentos), múltiplos tipos de participantes
(secretarias de educação, superintendências ou CRES, orientadores
educacionais, especialistas em currículo, diretores, professores, entre outros)
e várias situações reuniões de diversos tipos, oficinas de trabalho, vida em
instituições e etc.

Neste caso percebe-se que é um trabalho conjunto, a presença do


psicopedagogo na escola facilita o trabalho da gestão e até mesmo dos professores
a partir do momento em que este profissional é inserido na equipe como um apoio,
mediador e incentivador das atividades escolares, propondo estratégias e didáticas
para as dificuldades encontradas na instituição.

O trabalho do psicopedagogo na instituição será voltado a auxiliar na melhor


maneira de elaborar um plano de aula, projeto, palestra, slide, e outros para que os
alunos possam entender melhor as aulas; ajudar na elaboração do projeto
pedagógico; orientar os professores na melhor forma de ajudar em sala de aula,
aquele aluno com dificuldades de aprendizagem; realizar um diagnóstico institucional
para averiguar possíveis problemas pedagógicos que possam estar prejudicando o
processo ensino-aprendizagem; encaminhar o aluno para um profissional adequado.
O curso de Psicopedagogia da UNICEP São Carlos, possui essas duas
vertentes, e atualmente está voltado a atender as demandas de uma educação
inclusiva que visa à formação de psicopedagogos que possam atuar com crianças e
adolescentes que possuem dificuldades de aprendizagem.

Este trabalho de conclusão de curso visa à obtenção do título de especialista


em Psicopedagogia Institucional, para isso ele foi realizado com base em um estágio-
pesquisa. O próximo capítulo falará a respeito das instituições na qual o estágio foi
realizado, e sobre algumas das possibilidades de intervenção e observações
realizadas.
3. CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO PESQUISA E DESCRIÇÃO DAS
ATIVIDADES

3.1 Casa Abrigo

O presente estágio foi realizado na Casa Abrigo da cidade de Ibaté, SP. Esta
Casa acolhe crianças e adolescentes em situações de risco, tais como pais com
problemas de violência, entorpecentes, abandono familiar, entre outros casos. Na
época, entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, o abrigo contava com nove
pessoas, sendo todos da faixa dos 2 aos 17 anos.

Seguindo as Diretrizes do CONANDA (1991) Orientações Técnicas para o


Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes a casa Abrigo de
Ibaté apresenta incialmente os marcos normativos que fundamentam os principais
documentos que orientam o trabalho social para o serviço de Acolhimento Institucional
para crianças e adolescentes. São eles:

Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária

de Cuidados Alternativos com Crianças.

Ao falar sobre o serviço de acolhimento para crianças e adolescentes, um ponto


a ser ressaltado é a historicidade desse serviço no contexto da assistência.
Conhecidos como abrigos, orfanatos, essas instituições carregam estigmas que
atravessaram décadas e que nos últimos 20 anos observamos diversas mudanças na
concepção de acolhimento proposta por essa modalidade de proteção chamada
“abrigo”, desde a reordenação resultante da implementação do Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA) à sua inclusão de forma articulada com a política de Assistência
Social (SUAS).

Nesse sentido, o que fora ressaltado para os participantes que não foi apenas uma
mudança de nomenclatura para esses serviços, mas a proposta de uma
transformação radical na concepção e trabalho desenvolvido nesses espaços, cujo
eixo fundante é a Doutrina da Proteção Integral proposta pelo ECA, foi a Lei 8.069, de
13 de julho de 1990, que cria o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e traz
como uma das inovações, sob a perspectiva da Doutrina da Proteção Integral, devolve
à família pobre a possibilidade do cuidar de seus membros, que fora impedida pelos
códigos antecessores (Código de 1927 e 1979).

A lei em questão traz contundentes inovações, pois ao abandonar a Doutrina da


Situação Irregular, fundamenta seus princípios e diretrizes na Doutrina da Proteção
Integral. Através da nova Doutrina, a pobreza deixou de ser o motivo para o
impedimento da família cuidar de seus filhos e as condições que os expõem aos riscos
passaram a ser compreendidas e enfrentadas com políticas sociais capazes de
contribuir para que as famílias se mantenham, fortaleçam-se ou desenvolvam sua
capacidade protetiva.

2.2. Identificação do serviço

Abrigo Infantil Municipal: Serviço de acolhimento Institucional referente a


Proteção Social Especial de Alta Complexidade.

Os serviços de acolhimento para crianças e adolescentes integram os Serviços


de Alta Complexidade do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), sejam eles de
natureza público-estatal ou não-estatal, e devem pautar-se nos pressupostos do
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), do Plano Nacional de Promoção,
Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes a Convivência Familiar e
Comunitária, da Política Nacional de Assistência Social; da Norma Operacional Básica
de Recursos Humanos do SUAS, da Norma Operacional Básica do SUAS e no Projeto
de Diretrizes das Nações Unidas sobre Emprego e Condições Adequadas de
Cuidados Alternativos com Crianças.
É importante destacar que os serviços de acolhimento para crianças e
adolescentes não devem ser confundidos com estabelecimentos organizados para o
acompanhamento de adolescentes que estejam cumprindo medidas socioeducativas
de internação em estabelecimento educacional (ECA, Art. 112), bem como com
estabelecimentos destinados à Educação Infantil, regidos pela Lei Nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996.

2.3 Público alvo

Crianças e Adolescentes de 0 a 17 anos e 11 meses, em situação de


vulnerabilidade, risco pessoal e social, com vínculos familiares rompidos ou
extremamente fragilizados e que não possuam meios para auto sustentação.

Tal serviço é particularmente indicado para o acolhimento de crianças e


adolescentes vítimas de maus tratos, violência e negligência por parte de seus
cuidadores, podendo também destinar-se a outros jovens que necessitem do serviço.

2.4 Capacidade de atendimento

A capacidade total de atendimento da Instituição é de 20 acolhidos, entre


crianças e adolescentes, atendidos ininterruptamente.

Atualmente, o equipamento está com 06 crianças e adolescentes, necessitando


de ampliação e adaptação das instalações físicas e dos recursos humanos oferecidos
no equipamento para melhor atender os acolhidos.

A coordenação do Serviço de Acolhimento, em conjunto com a Coordenação


do Departamento de Promoção e Bem Estar Social de Ibaté para adequação do
Serviço de Acolhimento quanto às normas de adaptação à pessoas com deficiência,
avaliação de vistoria do corpo de bombeiros e alvará da Vigilância Sanitária.

2.5 Apresentação e objetivos

O Abrigo Infantil Municipal é caracterizado como associação civil sem fins


lucrativos que, nos termos da resolução nº 109 de 11 de novembro de 2009, do
conselho nacional de Assistência Social (CNAS), é tipificada como Serviço de
Proteção Social Especial de Alta Complexidade, conforme previsto no artigo 1º, III, “a”
Res. nº 109/09 CNAS.

O Abrigo Municipal tem por finalidade possibilitar a efetiva aplicação da regra


prevista no artigo 90, IV do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conferindo
acolhimento aos jovens em situação de risco ou vulnerabilidade social. As crianças e
adolescentes são encaminhados à instituição através de decisão judicial emitida pela
Vara da Infância e da Juventude, apoiada no trabalho desenvolvido pelo Conselho
Tutelar e setor técnico especializado.

A entidade tem como escopo atender as inúmeras hipóteses que caracterizam


os jovens como inseridos em situação de risco, tais como maus tratos, destituição ou
suspensão de poder familiar, abandono, negligência afetiva, intelectual e material,
exploração sexual, entre outros. A Instituição reconhece a importância da valorização
humana, das relações familiares e sociais e visa acolher as crianças e adolescentes
em um ambiente propício ao seu pleno desenvolvimento moral, intelectual e social.

O serviço de acolhimento para crianças e adolescentes deverão estruturar seu


projeto político pedagógico de atendimento de acordo com os seguintes princípios
específicos:

onvívio Familiar: Todos os esforços devem


ser empreendidos no sentido de manter o convívio com a família (nuclear ou extensa,
em seus diversos arranjos), a fim de garantir que o afastamento da criança ou do
adolescente do contexto familiar seja uma medida excepcional, aplicada apenas nas
situações de grave risco à sua integridade física e/ou psíquica.

convívio familiar for medida mais adequada para se garantir a proteção da criança e
do adolescente em determinado momento, esforços devem ser empreendidos para
viabilizar, no menor tempo possível, o retorno seguro ao convívio familiar,
prioritariamente na família de origem e, excepcionalmente, em família substituta
(adoção, guarda e tutela), conforme Capítulo III, Seção III do ECA.

esforços devem ser empreendidos para preservar e fortalecer vínculos familiares e


comunitários das crianças e dos adolescentes atendidos em serviços de acolhimento.
Esses vínculos são fundamentais, nessa etapa do desenvolvimento humano, para
oferecer-lhes condições para um desenvolvimento saudável, que favoreça a formação
de sua identidade e sua constituição como sujeito e cidadão.

dos serviços deverá garantir proteção e defesa a toda a criança e adolescente que
precise de acolhimento. Devem ser combatidas quaisquer formas de discriminação às
crianças e aos adolescentes atendidos em serviços de acolhimento e às famílias de
origem.

tem direito a viver num ambiente que favoreça seu processo de desenvolvimento, que
lhe ofereça segurança, apoio, proteção e cuidado.

de crianças e adolescentes atendidos em serviços de acolhimento devem garantir-


lhes o direito de ter sua opinião considerada. O direito à escuta, viabilizada por meio
de métodos condizentes com seu grau de desenvolvimento, deve ser garantido nas
diversas decisões que possam repercutir sobre seu desenvolvimento e trajetória de
vida, envolvendo desde a identificação de seu interesse pela participação em
atividades na comunidade, até mudanças relativas à sua situação familiar ou
desligamento do serviço de acolhimento.

s e
capacitados para a realização de acolhida afetuosa e segura, capazes de
compreender as manifestações da criança ou adolescente no momento de chegada
que envolve ruptura, incerteza, insegurança e transição (silêncio, choro ou
agressividade, por exemplo);

inclusive, para a acomodação daqueles que chegarem durante o período noturno;

Tutelar, Justiça da Infância e da Juventude ou outros, no caso de acolhida


emergencial) com os serviços de acolhimento. Estes fluxos são fundamentais para
que os profissionais do serviço de acolhimento sejam comunicados previamente
acerca de cada novo acolhimento e, em tempo hábil, possam preparar o ambiente e
aqueles que já se encontram acolhidos para a chegada do novo colega.

No caso específico de crianças e adolescentes que estejam em situação de


rua, a acolhida inicial deve fazer parte de uma estratégia de sensibilização para o
acolhimento no serviço e construção de vínculo de confiança com o mesmo.

Ao longo do processo de trabalho pela saída da rua, além dos aspectos aqui
mencionados, deve-se trabalhar também o significado do “estar e não-estar na rua”,
expectativas, desejos e temores quanto à retomada do convívio familiar e social,
dentre outros aspectos.

Durante o período de acolhimento deve-se favorecer a construção da


vinculação de afeto e confiança com a equipe técnica, educador/cuidador ou família
acolhedora e colegas.

É importante, ainda, que ao longo do acolhimento a criança e ao adolescente


tenham a possibilidade de dialogar com a equipe técnica e com educador/cuidador de
referência (ou família acolhedora) sobre suas impressões e sentimentos relacionados
ao fato de estar afastado do convívio com a família. (Plano de trabalho serviço de
acolhimento 2018).

3. INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

Especificamente na atuação como professor auxiliar e de intervenção lúdica e


pratica na matemática e aulas de reforço no abrigo, ocorreram várias aulas e
atividades para auxíliar aos jovens maiores de 12 anos no que tange ao estímulo ao
estudo e à melhora de suas vidas, através do crescimento profissional.

Este aspecto de auxílio foi levantado pela coordenadora da instituição, e


durante uma visita à Casa para conversar pessoalmente com os jovens e foi percebido
uma grande falta de motivação destes jovens. Talvez pelo fato de terem uma vida
sofrida, a falta da presença da família, enfim, motivos de sobra para que eles não
consigam perceber uma luz para o futuro. Sendo assim, no meio da conversa,
puxando assunto sobre futuras profissões que os mesmos desejassem seguir, foram
mostrados alguns vídeos sobre a carreira militar (a qual tive oportunidade de exercer
por um tempo), sendo que ficaram entusiasmados. Um dos vídeos era de uma aula
da Escola Superior de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde
jovens entre 18 e 26 anos faziam treinamentos, combatiam incêndios, estudavam.
Outro vídeo, que na verdade era uma live do Facebook, passava a formatura dos
cadetes aviadores do quarto ano na Academia da Força Aérea (AFA), onde são
formados os pilotos da Força Aérea Brasileira.
Foi notório o surgimento de um entusiasmo dos jovens pelo assunto,
perguntando várias coisas sobre essas carreiras, fazendo até planos para o futuro
quando forem pilotos ou bombeiros. Com isso, programei como parte das
intervenções deste estágio, visitas monitoradas para todos os jovens do abrigo, de
maneira a fomentar o entusiasmo, o discernimento de carreira, e a disciplina para que
possam manter o foco e transformar suas vidas no futuro.
Como primeira intervenção a ser realizada, foi programada uma visita
monitorada ao 9° Grupamento de Bombeiros, 4° sub-grupamento, com sede em São
Carlos. Para a realização da visita fora enviado um ofício ao Cb PM Abimael,
responsável pelo programa Bombeiro Educador, e que acabou sendo realizada no dia
10 de janeiro deste ano.
Um total de 5 jovens foram ao quartel, acompanhados pela coordenadora do
abrigo, por este formando, além de quatro colegas deste curso e pela professora
Andréia Margarete Oliveira.
A ideia da visita foi mostrar um pouco do cotidiano dos bombeiros, tipos de
ocorrências, formas de ingresso na profissão, conhecer as viaturas e locais, e
observar a rotina do quartel.
Primeiramente, os jovens foram acolhidos na área onde ficam as viaturas e
encaminhados até uma sala onde puderam ter uma breve palestra sobre como tudo
funciona nos bombeiros, e também puderam fazer perguntas e expor ideias.
Posteriormente, todos foram até o Centro de Operações dos Bombeiros (Cobom),
local onde uma bombeira trabalha e tem por missão atender os chamados via telefone
bem como via rádio da Polícia Militar ou SAMU, e despachar as viaturas o mais breve
possível. No momento em que todos estavam presentes na sala de aula, uma
ocorrência surgiu e a viatura de Resgate saiu em código 3 (sirenes ligadas juntamente
com sinais luminosos) para atender a uma queda de mesma altura de uma senhora
bem idosa. Os jovens puderam acompanhar o acionamento pela caixa acústica do
rádio do quartel.
Após esta visita ao Cobom, foram todos conhecer as outras dependências do
quartel, bem como as viaturas que estavam presentes, onde puderam abrir as portas,
entrar nos caminhões, subir nas escadas, conhecer e colocar todos os equipamentos
e conversar com outros bombeiros que estavam de serviço. Neste momento, que foi
o ápice da visitam, todos estavam encantados e com os olhos brilhando de felicidade.
Ao término da visita, conheceram a academia de musculação do quartel e a
quadra poliesportiva presente, onde aproveitaram e jogaram um pouco de futebol para
descontrair e confraternizar com os bombeiros da unidade.

A seguir, algumas fotos que mostram a participação das crianças conhecendo


o quartel e aproveitando para perguntar as suas curiosidades:
4. Síntese dos resultados

Podemos analisar, neste trabalho de intervenção que houve um aumento de


autoestima dos jovens, além dos aspectos de interação com as crianças e adolescente
por parte dos profissionais bombeiros e dos alunos do curso, na forma de atenção e
carinho atribuídos de forma cordial e amorosa. A intervenção realizada sobre a
importância do trabalho dos bombeiros, a conduta, o atendimento mostraram, de uma
forma lúdica, o processo de aprendizagem, e ressalta-se que isto traz benefícios para
o processo ensino e aprendizagem.

A participação do psicopedagogo seja no ambiente escolar ou em um abrigo é


de suma importância para os cidadãos assistidos, uma vez que o foco fica
concentrado no indivíduo inserido do grupo e não no grupo como algo homogêneo
(como, por exemplo, seria o caso de uma visão do professor em uma sala de aula).

Conclui-se que o trabalho de intervenção no campo da psicopedagogia


institucional mostra a importância do psicopedagogo na instituição de ensino,
deixando a aprendizagem significativa através do lúdico, pois é fundamental para
tornar a aprendizagem proveitosa e contínua.

Portanto, espera-se que se tenha depositado, em especial nos adolescentes


que estão próximos a passar para a vida adulta, uma pequena semente para que eles
cresçam profissionalmente, sempre alimentando seus sonhos, e que todas as
dificuldades possam ser usadas como trampolim para alcançar seus objetivos.
Ressalto aqui, por fim, uma frase que chamou a atenção de um dos jovens viu em
uma área do quartel e que ele ficou repetindo várias vezes: “Recuar, jamais... Nem
para pegar impulso!”.

Que assim seja para a vida desses jovens, que o brilho no olhar deles no dia
da intervenção se transforme em luz para novos e bons caminhos de felicidade.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, Doralice Veiga. Psicopedagogia: Avaliação e Diagnóstico. 1 Ed. Vila


Velha- ES, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil, 2007.

ANTUNES, Celso. Professores e professauros: reflexões sobre a aula e prática


pedagógica diversas. 2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

BOSSA, Nadia Aparecida. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da


prática- Porto Alegre Artes Medicas Sul, 2003.

PLANO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2018- Plano de trabalho serviço de acolhimento


infantil municipal de Ibaté -2018

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a%20da%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20Infantil&targetText=Segundo%20o%20R
eferencial%20Curricular%20Nacional,de%20ideias%20para%20as%20crian%C3%A
7as.> acesso em 08/10/2019

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Carlos 2009. Trabalho de Conclusão de Curso de especialização em Psicopedagogia
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OLIVEIRA, Andréia Margarete. Apostila virtual do curso semi presencial
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PORTO, Olívia. Psicopedagogia Institucional: teoria, prática e assessoramento


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