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Índice

1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.............................................................................3

2. Princípios constitucionais substantivos..........................................................................3

2.1. Princípios axiológicos fundamentais..........................................................................3

2.2. Princípios político-constitucionais.............................................................................3

1. Princípios constitucionais instrumentais........................................................................4

2.1. Princípio do Estado de Direito democrático...........................................................4

2.2. Princípio da dignidade da pessoa humana..................................................................5

2.3. Princípio da proporcionalidade...............................................................................7

2.4. Princípio da separação dos poderes........................................................................7

2.5. Princípio da Independência dos Juízes e do Judiciário...........................................9

Conclusão.....................................................................................................................11

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................12

1
Introduçã o

No presente trabalho que se segue, abordarei de forma categórica e explícita sobre a


matéria inerente aos princípios constitucionais, entende-se desde logo por princípios
verdades ou juízos fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certeza a um
conjunto de juízos, ordenados em um sistema de conceitos relativos à dada porção da
realidade. No ordenamento jurídico Moçambicano os princípio são normas
constitucionais estruturantes do Estado, constituindo seus atributos basilares, tida como
uma forma de uniformização do Estado.

Elas despoletam-se como a expressão jurídica de um Estado democrático, sendo sua


efectividade a imposição e obedediência, na feitura dos actos normativos e acções
humanas desecadeadas. Irei limitar-me em trazer a tipologia dos princípios
constitucionais, trazendo o pensamento jurídico dos grandes egrégios juridicos e
assumindo uma posição subjectiva sobre esta matéria.

Será utilizada na nossa pesquisa abordagens claras, a pesquisa explicativa para a melhor
compreensão do regime jurídico dos princípios constitucionais nos demais ordenamentos
jurídicos, para que desta forma se possa compreender no nosso ordenamento jurídico.

2
1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

2. Princípios constitucionais substantivos

São princípios válidos em si mesmos e espelham os valores básicos a que a Constituição


material adere. Classificam-se em princípios axiológicos fundamentais e princípios
político-constitucionais.

2.1.Princípios axiológicos fundamentais

Correspondem aos limites transcendentes do poder constituinte, que são a ponte de


passagem do Direito Natural ao Direito positivo 2. Exemplo: principio da proibição de
discriminações (artigo 35, 36 da CRM), principio da inviolabilidade da vida humana
(artigo 40 da CRM), da integridade física e moral das pessoas (artigo 40 da CRMA), a
não retroactividade da lei penal incriminadora (artigos 57 e 60 n°2 da CRM), o direito
de defesa dos acusados (artigo 62 da CRM), a liberdade de religião e das convicções
(artigo 54 da CRM), etc.

2.2.Princípios político-constitucionais

Correspondem aos limites imanentes do poder constituinte, aos limites específicos da


revisão constitucional; Reflectem as grandes marcas e direcções caracterizadoras de
cada Constituição material diante das demais. Têm que ver com as grandes opções e
princípios de cada regime”.
2
MIRANDA, Jorge. Manual de direito constitucional: constituição e
inconstitucionalidade. Tomo II, 3ª edição, Coimbra Editora, 1996, pp. 229.

3
Ex: principio democrático (artigo 3 da CRM), princípio representativo, republicano (artigo
1 da CRM), princípio da constitucionalidade, da separação dos órgãos do poder (artigo 134
da CRM), etc.

1. Princípios constitucionais instrumentais

Os princípios constitucionais adjectivos/instrumentais são de alcance técnico,


complementares dos substantivos. Exemplos: princípio da publicidade das normas
jurídicas, princípio da competência, princípio da tipicidade das formas da lei, etc.

2.1. Princípio do Estado de Direito democrático


Pontifica Alexandre de Moraes1 que o “Estado democrático de Direito, caracterizador do
Estado Constitucional, significa que o Estado se rege por normas democráticas, com eleições
livres, periódicas e pelo povo, bem como o respeito das autoridades públicas aos direitos e
garantias fundamentais. O Estado de Direito nos dias actuais tem um significado de
fundamental importância no desenvolvimento das sociedades, após um amplo processo de
afirmação dos direitos humanos, sendo um dos fundamentos essenciais de organização das
sociedades políticas do mundo contemporâneo. O Estado Democrático de Direito se
apresenta como o mais evoluído dos modelos de Estado de direito que a história conhece(u).
Ao direito, portanto, cabe impingir forças à sua efectivação, sendo um dos seus instrumentos
mais caros: a prestação jurisdicional. Através dela os Tribunais Constitucionais exercem a
tarefa diuturna de custodiar a Constituição e mantém, em razão dessa actividade, o primado
do Direito, da juridicidade. Ademais, não se deve perder de vista que a actividade
jurisdicional não se completa apenas pela jurisdição constitucional. Entretanto, por mais que
se tenha a prestação da tutela jurisdicional à disposição dos acobertados pela ordem jurídica
constitucional.

A República de Moçambique é um Estado de Direito democrático nos termos do artigo 3 da


CRM.

1
MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional. 8. ed. São Paulo:
Editora Atlas, 2011, pp. 14

4
2.2. Princípio da dignidade da pessoa humana
A dignidade da pessoa humana expressa a consideração do ser humano, na sua singularidade
como sendo único e com personalidade jurídica própria2, dotado de valor próprio3, cabendo a
ordem jurídica reconhecer essa dignidade como um principio estruturante da Comunidade
Humana4, respeitando todos os atributos a ele referentes. Assim a dignidade da pessoa
humana não nasce do reconhecimento ordem jurídica, pois ela preexiste a ordem jurídica e
esta limita-se apenas a reconhece-la vinculando-se aos seus atributos.

Efectivamente, pelo facto do homem ser uma personalidade única, a sua dignidade devera ser
juridicamente reconhecida no plano do DIP e no plano do direito interno de cada Estado. É
assim, que, após as profundas atrocidades traduzidas na coisificação da pessoa humana
durante a Segunda Guerra Mundial, a dignidade da pessoa humana passou, logo a seguir ao
fim dessa Guerra, a ser acutilantemente objecto de consagração nos instrumentos jurídicos do
DIP, nomeadamente, no preâmbulo da Carta da ONU, no primeiro paragrafo do preâmbulo
da DU, nos preâmbulos do PIDCP, segundo protocolo Adicional ao PIDCP com vista a
abolição da pena de morte, Convenção Contra a Tortura e outras Penas ou Tratamento Cruéis,
Desumano ou degradante, Convenção sobre os Direitos da criança e do Pacto Internacional
sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, nos artigos 1 e 6 da DU, nos artigos 16 e
26 do PIDCP, nos artigos 5 da CADHP, implicitamente nos artigos 4 c) E 6 n° 23 ambos do
Tratado da comunidade da África Austral (SADC), e nos diversos instrumentos
ordenamentos jurídicos estaduais.

O reconhecimento do valor da dignidade da pessoa humana permite compreender que o


Direito e o Estado existem para servir ao homem e não o contrário, isto é, o ser humano é o
fundamento e a razão da existência do Estado e do Direito, donde se infere que o conteúdo da

2
MIRANDA Apud JUSTINO, Justino Felizberto. O regime jurídico do acesso de cidadãos a justiça
constitucional Moçambicana em fiscalização concreta a luz da constituição de 2004. Fundza Ed. Moçambique:
Beira.2018.pp.47.
3
CANOTILHO Apud JUSTINO, Justino Felizberto. O regime jurídico do acesso de cidadãos a justiça
constitucional Moçambicana em fiscalização concreta a luz da constituição de 2004. Fundza Ed. Moçambique:
Beira.2018.pp.47.
4
NOVAIS Apud JUSTINO, Justino Felizberto. O regime jurídico do acesso de cidadãos a justiça
constitucional Moçambicana em fiscalização concreta a luz da constituição de 2004. Fundza Ed. Moçambique:
Beira.2018.pp.48.

5
dignidade da pessoa humana não se esgota na sua consagração jurídica, pelo contrário o
Direito devera ir-se inspirando nessa dignidade para melhor servi-la5.

Uma vez que a dignidade da pessoa humana é a origem de todos os direitos da pessoa
humana, essa não poderia ser um simples direito, mas sim um principio do qual brotam
outros princípios e todos os direitos inerentes à pessoa humana e se justifica, em especial, a
positivação dos direitos fundamentais, é assim que, na CRM, depois de referencia expressa e
episódica do principio da dignidade humana nos artigos 48 n° 6 e 119 n°3 6, o mesmo
principio é consagrado através de alguns dos seus atributos nos termos do artigo 2 n° 1 que,
ao estabelecer que “a soberania reside no povo”, exprime claramente que é o povo,
constituído por cada cidadão com vinculo de cidadania com o Estado, que é o titular da
soberania, antes do Estado, no artigo 3 que, ao estatuir que “ a República de Moçambique é
um Estado de Direito, baseado (…) no respeito e garantia dos direitos e liberdades
fundamentais do Homem”, clarifica que os direitos do homem dizem respeito a este e são
anteriores ao Estado, cabendo ao Estado apenas servir ao cidadão, portador desses direitos.

Esta vocação de servir ao cidadão vem a ser reforçado pelo artigo 11 e), que define como um
dos objectivos do Estado Moçambicano, a defesa e a promoção dos direitos humanos e da
dignidade dos cidadãos perante a lei “ pelo artigo 35, que reconhece a igualdade de todos os
cidadãos perante a lei, independentemente das circunstâncias destes cidadãos, pelo artigo 40
que, não criando a vida humana e a integridade física, as reconhece como sendo valores
imanentes e intangíveis do cidadão, e por fim, pelo artigo 42 que, estabelecendo que “ os
direitos fundamentais consagrados na Constituição não excluem quaisquer outros constantes
da lei” reconhece os direitos fundamentais previstos na CRM não são os únicos direitos do
cidadão. Ora, dessas disposições constitucionais, conjugadas com o artigo 66 do Código
Civil, que fixa que : a personalidade jurídica adquire-se com nascimento completo e com
vida” é fácil aferir que o cidadão é efectivamente um sujeito, com dignidade própria, da qual
brotam todos os seus direitos.

5
BOTELO Apud JUSTINO, Justino Felizberto. O regime jurídico do acesso de cidadãos a justiça
constitucional Moçambicana em fiscalização concreta a luz da constituição de 2004. Fundza Ed. Moçambique:
Beira.2018.pp.48.
6
O principio do respeito pela dignidade da pessoa humana é referido no quadro das relações familiares, no
artigo 119 n°3, e como limite à a liberdade de expressão no artigo 48n° 6.

6
2.3. Princípio da proporcionalidade
É o princípio segundo o qual a limitação de bens ou interesses privados por actos dos poderes
públicos deve ser adequada e necessária aos fins concretos que tais actos prosseguem, bem
como tolerável quando confrontada com aqueles fins. O princípio da proporcionalidade em
sentido amplo é um princípio geral de direito com um vasto campo de aplicação que acha a
sua consagração constitucional nos termos do n° 2 do art.56 CRM7.

Assim a definição do princípio da proporcionalidade evidência três dimensões essenciais do


princípio: adequação, necessidade e equilíbrio.

Adequação significa que a medida tomada deve ser causalmente ajustada ao fim que se
propõe atingir. Procurando verificar a existência de uma relação entre duas variáveis: o meio,
instrumento, medida, solução, de um lado; o objectivo ou finalidades do outro

A necessidade significa que, para além de idónea para o fim que se propõe alcançar, a medida
administrativa deve ser dentro do universo das abstractamente idóneas, a que lese em menor
medida os direitos e interesses dos particulares

Equilíbrio exige que os benefícios que se esperam alcançar com uma medida administrativa
adequada e necessária suplantem, a luz de certos parâmetros matérias, os custos que ela por
certo acarretará.

2.4. Princípio da separação dos poderes


A separação de poderes é um problema de princípio filosófico-político que vem sendo
reflectido e defendido desde a sociedade influenciada pelos valores iluministas 8, que
conduziram à grande Revolução Francesa de 1789, gerando, a nível político, o movimento
constitucionalista moderno9.

7
Cfr. n°2 do art.56° da Constituição da República de Moçambique
8
Iluminismo foi um movimento cultural e intelectual, relevante na Europa durante os séculos XVII - XVIII, que
pretendeu dominar pela razão a problemática total do Homem. O Iluminismo influenciou o racionalismo
segundo o qual a razão Humana é capaz de alcançar a verdade porque, as leis do pensamento racional são
também as leis das coisas.

9
Manuel, Hermínio Torres. Princípio e Filosofia da separação de poderes. CEPKA. 2004. Pp.10

7
Um dos princípios fundamentais do constitucionalismo moderno é o da separação de poderes.
A ideia da separação de poderes surge para evitar a concentração absoluta de poder nas mãos
do soberano, comum no Estado absoluto10.

Na actualidade, a reflexão sobre o princípio de separação de poderes não é uma questão de


interesse exclusivo dos fazedores da política (governantes). É pois algo que mexe com os
cidadãos por se tratar de uma realidade que diz respeito não só aos políticos, mas também à
sociedade em geral como elemento base e destinatário do poder político (governados)11.

Entretanto o princípio da separação dos poderes não foi, histórica e originariamente, um


modelo binário a compreender que cada poder tem um escopo teórico fechado, delimitado e
incomunicável de acordo com o seguinte axioma: ou é função executiva ou é função
judiciária ou é função legislativa. Além das constituições contemporâneas atribuírem funções
típicas e atípicas aos poderes constituídos, os Poderes Executivo e Judiciário têm agregado às
suas competências de origem outros atributos cada vez mais crescentes.12

Com isso, há que frisar que a separação de poderes, abraçada e difundida desde o movimento
liberal, não pode ser mais vista como um princípio rígido. Ao contrário, para que possa surtir
seus efeitos de modo a realizar os objectivos para o qual foi criado, esse princípio há de
deixar de ser encarado como dogma da ciência para que, revisto, possa comportar
abrandamentos e aceitar as interferências recíprocas entre os poderes13.

Nas obras de Montesquieu (1689-1755), há rica e inesgotável fonte de inspiração teórica


sobre limites do poder e da garantia da liberdade política, por meio da legalidade, da
separação dos poderes e da relação da lei com a liberdade, com principal ênfase na
consagração de algumas garantias processuais de defesa da liberdade e do papel das forças
armadas. Foi, também, significativa a influência na Declaração de 1789 e nas constituições
posteriores a distinção estabelecida por Montesquieu entre liberdade política e sua relação
10
Magalhães, José Luiz Quadros de. A teoria da separação e poderes e a divisão das funções autónomas no
Estado contemporâneo- o Tribunal de Contas como integrante de um poder autónomo de fiscalização. Revista
do tribunal de contas do estado de minas gerais. v.71. Junho. 2009.pp.140.
11
Idem, pp.140.
12
Peixinho, Manoel Messias. O Princípio da Separado dos Poderes, a Judicialização da Política e Direito
Fundamentais. CONPED, Brasília. 2008. Acessado em https://semanaacademica.org.br em Julho de 2020 pelas
12h
13
Ressurreição, Valeria Carneiro Lages. Estado de direito, separação de poderes controle de constitucionalidade
da norma pelo administrador destinatário. Mestrado. Recife. 2002.pp.35.

8
com a Constituição e o cidadão, ou entre princípios de organização dos poderes e direitos
humanos. A liberdade política vista na Constituição não seria meramente um princípio de
organização, mas um direito à participação14.

Montesquieu, inspirado na teoria esposada por John Locke, entende que os Poderes
Legislativo, Executivo e Judicial devem ser atribuídos a pessoas diferentes, sem, contudo,
pontuar rigorosa separação entre as funções. Em Montesquieu há verdadeira harmonia que
seja a atribuição conjunta e indivisível de três órgãos, quer dizer, a soberania de três órgãos
políticos.

A separação de poderes institucionalmente fixada nasce da confluência histórica da política


prática, das disputas entre grupos humanos, e da reflexão sobre essa prática tendo em vista
aperfeiçoá-la ou modificá-la. A reflexão sobre o poder dividido apresentou-se desde a Grécia
antiga e a principal preocupação que a animou permaneceu ao longo dos tempos: como evitar
a tirania. A divisão do poder é uma velha solução. As teorias das formas de governo são as
primeiras a identificar o formato dos governos e qual a sua melhor organização15.

Em Moçambique a divisão horizontal dos três poderes do Estado consiste,


fundamentalmente, na repartição entre as diferentes funções do Estado (Legislativa,
Executiva e Judicial), funções essas que devem ser confiadas a órgãos independentes com a
finalidade de evitar a sua concentração. O princípio da separação se acha previsto nos termos
do artigo 134 da CRM.

2.5. Princípio da Independência dos Juízes e do Judiciário


A questão da independência dos juízes e do Judiciário há muitos anos vem sendo
contemplada no âmbito internacional16, acompanhando estreitamente o processo de
consagração universal dos direitos humanos ao longo da segunda metade do século XX,
sendo considerada como condição sine qua non para a efetivação daqueles direitos.

14
Peixinho, Manoel Messias. Ob. Cit. Pp.60.
15
Grohmam, Luís Gustavo Mello. A separação de poderes em países presidencialistas: a América latina em
perspectiva comparada. Revista de Sociologia e Política. Nov. 2001. Acessado em
https://semanaacademica.org.br em Março de 2021 pelas 14h.
16
No plano internacional que se refere, está associado aos tumultos resultados da chamada globalização
neoliberal, que questiona os poderes estatais nacionais, sobretudo o Executivo – e em menor monta o
Legislativo –, cobrando-lhes cada vez mais sobre suas políticas económicas e fiscais resultantes da primazia
dada à economia no âmbito global, é no Poder Judiciário que se acaba buscando a protecção dos direitos e
garantias fundamentais

9
Tomando como ponto de partida, pode-se definir a independência como a faculdade que o
juiz tem de exercer sua função a partir da análise objectiva dos fatos submetidos a seu
julgamento, de acordo com seu entendimento da regra de direito, livre de qualquer influência
externa, pressão, ameaça ou interferência, directa ou indirecta, seja qual for a origem ou o
motivo.

Porém, o que se requer dos juízes é que, independente de sua origem ou formação, não se
prendam a decisões personalíssimas ou preconceituosas, mas aos critérios objectivos previas
e expressamente contidos na Constituição e nas leis. Por isso, que os juízes devem-se pautar
por seus méritos e não por favores devidos aos que os promovem, e devem-se desempenhar
de forma independente, só de deixando corrigir, quando necessário, dentro do devido
processo legal e através dos recursos legais. No exercício das suas funções, os juízes são
independentes e apenas devem obediência a lei nos termos dos artigos 217 da CRM.

Conclusão

10
Chegando ao fim do trabalho de campo, chego as seguintes ilações: A permanência duma
norma jurídica ilícita, entra em choque ou se acha desassustado aos princípios
constitucionais, sendo certo que princípios são pilares da ordem jurídica, ocorrendo a colisão
ou violação, podendo em alguns caso por exemplo, se ocorrer violação do princípio de
separação de poderes, da susceptibilidade dos órgãos jurisdicionais exercerem o poder
legislativo, cabível a assembleia da república. O princípio da separação de poderes vislumbra
que, cada órgão de soberania deve actuar conforme as qualificações impostas na constituição,
sendo certo que tudo que estiver desajustado com aquele, não pode produzir efeitos jurídicos,
sabendo-se que toda norma jurídica deve sempre respeitar os limites impostos por lei.
Constitucional. Nota-se que somos regidos pelos diversos actos normativos, desde às leis, e
outros diplomas normativos, mas essas só podem achar-se na qualidade de produzir efeitos
jurídicos na ordem jurídica se respeitar os princípios constitucionais, sabendo que esses
princípios encontram-se figurados na lei principal, desde logo a constituição da república.

Os direitos fundamentais e as garantias dos direitos dos particulares, são a predominância do


Estado de direito democrático e o respeito pelo princípio da dignidade da pessoa humana
como também o princípio da proporcionalidade.

O Estado moçambicano consagra o princípio de Estado de direito democrático no artigo 3. o


da CRM17dispondo o respeito e garantia dos direitos e liberdades fundamentais do homem,
sendo que o Estado fica adstrito ou vinculado a este princípio, o Estado de Direito pressupõe
a supremacia da Constituição e a existência de mecanismos que garantam a imperatividade de
seus dispositivos para que toda a ordem jurídica preste-lhe homenagem. O mecanismo mais
eficaz para este intento tem sido o sistema de controle da constitucionalidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O Estado de direito democratico é o principio bazilar da ordem juridica moçambicana, sendo que o respeitos
17

pelos direitos e garantias constitucionais são fruto deste magno principio.

11
 ÁVILA, Humberto Bergmann. Teoria dos Princípios: da Definição à Aplicação dos
Princípios Jurídicos. 12ª ed, São Paulo: Malheiros, 2011.
 BARBOSA DE MELO. Sobre o Problema da Competência Para Assentar, Coimbra,
1988.
 BORDEAU, apud MIRANDA, Jorge. Manual de direito constitucional: constituição
e inconstitucionalidade. Tomo II, 3ª edição, Coimbra Editora, 1996.

 FONSECA. Carlos Orlando Fonseca de; ob. citada; Disponível em:


www.pontojurídico.com Acessado em 28 de Junho de 2020 pelas 23h.
 Grohmam, Luís Gustavo Mello. A separação de poderes em países presidencialistas:
a América latina em perspectiva comparada. Revista de Sociologia e Política. Nov.
2001. Acessado em https://semanaacademica.org.br em Julho de 2020 pelas 14h.
 Jorge Teixeira de; ob. citada; Disponível em: www.repositorio.ulusiada.pt.pdf
Acessado em 28 de Junho de 2020 pelas 23h45.
 JUSTINO, Justino Felizberto. O regime jurídico do acesso de cidadãos a justiça
constitucional Moçambicana em fiscalização concreta a luz da constituição de 2004.
Fundza Ed. Moçambique: Beira.2018.
 Magalhães, José Luiz Quadros de. A teoria da separação e poderes e a divisão das
funções autónomas no Estado contemporâneo- o Tribunal de Contas como integrante
de um poder autónomo de fiscalização. Revista do tribunal de contas do estado de
minas gerais. v.71. Junho. 2009.
 MALBERG, Carré de. Contribution. apud MIRANDA, Jorge. Manual de direito
constitucional: constituição e inconstitucionalidade. Tomo II, 3ª edição, Coimbra
Editora, 1996.
 Manuel, Hermínio Torres. Princípio e Filosofia da separação de poderes. CEPKA.
2004.
 MIRANDA, Jorge. Contributo para uma Teoria da Inconstitucionalidade. 1ªed.
Coimbra.
 MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada e legislação
constitucional. 8. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2011.
 Peixinho, Manoel Messias. O Princípio da Separado dos Poderes, a Judicialização da
Política e Direito Fundamentais. CONPED, Brasília. 2008. Acessado em
https://semanaacademica.org.br em Julho de 2020 pelas 12h.
 ZAGREBELSKY, Gustavo. Il Giudice delle Leggi Artefice del Diritto. Napoli:
Editoriale Scientifica, 2007.

12
Legislação:
 Constituição da República de 2004
 Lei 1/2018, de 12 de junho (Lei de revisão pontual da constituição)

13

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