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Docência para o Ensino Superior

MÉTODOS E TÉCNICAS NA APLICAÇÃO DE ENSINO


PARA ADULTOS

Profª. Me. Ana Cláudia Barreiro Nagy


Profª. Me. Edna Barberato Genghini

1
Ficha catalográfica
NAGY, Ana Cláudia Barreiro
GENGHINI, Edna Barberato

Métodos e técnicas na aplicação de ensino para adultos:


Ensino Superior Presencial e EaD
173 p. Il.

1. Planejamento. 2. EaD. 3. Técnicas de ensino. Pós-


Graduação Lato Sensu em Docência para o Ensino Superior.
III. Métodos e técnicas na aplicação de ensino para adultos.

2
MÉTODOS E TÉCNICAS NA APLICAÇÃO DE ENSINO PARA ADULTOS

Professora Conteudista
ANA CLÁUDIA BARREIRO NAGY é natural do Rio de Janeiro, onde cursou
Magistério e começou a estudar na Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Graduou-se em Pedagogia na Universidade Presbiteriana
Mackenzie (1994). Especializou-se em Psicopedagogia pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro (2001) e Planejamento, Implementação e
Gestão na Educação a Distância pela Universidade Federal Fluminense
(2019). É mestre em Educação: Currículo pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (2004), onde iniciou o Doutorado em Linguística
Aplicada e Estudos da Linguagem (2005). Também cursou Letras
(Português e Francês) na Universidade de São Paulo (2018) com
intercâmbio na Université Lumière Lyon 2. Professora Universitária desde
2001, foi professora na Pedagogia, Engenharia, Psicologia e Educação
Física na UNIP. Também atuou na mesma universidade como
coordenadora da Pedagogia no campus Norte. Foi Presidente da
Aunipedag, Associação Universitária de Pedagogos do Brasil. Atualmente
é professora conteudista da pós-graduação em Formação em Educação a
Distância da UNIP Interativa. Foi professora tutora em cursos de EaD - na
graduação em Pedagogia e Normal Superior da Universidade do Norte do
Paraná e na pós-graduação no Centro Universitário Senac - São Paulo.

Professora Colaboradora/coordenadora:
EDNA BARBERATO GENGHINI, Professora Universitária desde 2002. Atualmente
no exercício da função de Coordenadora para todo o Brasil de três cursos
ao nível de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional,
Docência para o Ensino Superior e em Formação em EaD, pela UNIP
EaD, onde também atua como Professora Adjunta, nas modalidades SEI
e SEPI. É Diretora e Psicopedagoga da Mentor Orientação
Psicopedagógica desde 1991. Possui graduação em Economia
Doméstica - Faculdades Integradas Teresa D'Ávila de Santo André
(1980), em Pedagogia pela Universidade Guarulhos (1985), Pós-
graduação em Psicopedagogia pela Universidade São Judas (1987),
Mestrado em Ciências Humanas pela Universidade Guarulhos (2002) e
pós-graduação Lato Sensu em Formação em Educação a Distância pela
UNIP - Universidade Paulista (2011). É autora e coautora de livros Textos
para os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia
Institucional, Docência para o Ensino Superior e Formação em Educação
a Distância da UNIP - EaD. Áreas de Interesse: Neurociências - Educação
Inclusiva - Psicopedagogia Clínica e Institucional - Formação e Gestão em
Educação a Distância - Formação de Docentes para o Ensino Superior.

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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO 05
INTRODUÇÃO 06
Unidade I: PLANEJAMENTO PARA A DOCÊNCIA 08
1.1 Ação Docente: definição, seu objeto de estudo e os processos de ensino
e de aprendizagem 09
1.2 Planejamento em EaD: Objetivos, Conteúdos, Procedimentos, Avaliação 13
1.2.1 Objetivos, Conteúdos, Procedimentos, Avaliação 16
1.2.1.1 Objetivos 18
1.2.1.2 Conteúdos 24
1.2.1.3 Procedimentos 30
1.2.1.4 Avaliação 32

Unidade II: ENSINO PRESENCIAL 44


2.1 Metodologias Ativas 47
2.2 Principais Metodologias Ativas 53
2.2.1 Sala de Aula Invertida 53
2.2.2 Gamificação 60
2.2.3 Vídeos 62
2.2.4 Aprendizagem por Pares ou Times 64
2.2.5 Aprendizagem por Projetos ou Solução de Problemas 66

Unidade III: EaD: O ENSINO A DISTÂNCIA 73


3.1 O Ensino a distância: breve histórico a partir das gerações 78
3.2 Personagens do EaD: o aluno, o professor/tutor e o curso 87
3.3 A escolha pela modalidade de estudo à distância: motivação e necessidade 93
3.4 Carga horária do curso 98

Unidade IV: FAZENDO EaD ACONTECER 104


4.1 Universidade Aberta do Brasil 104
4.2 TICs (Tecnologias da informação e comunicação) aplicadas a Educação:
os AVAs (ambientes virtuais de aprendizagem) 109
4.3 Tipos de EaD: teleaula, videoaula, modelo híbrido 122
4.4 Avaliação 127
4.5 Interdisciplinaridade 133
4.6 ESD - Educação sem Distância 138
4.7 Ferramentas e objetos de aprendizagem aplicáveis/utilizados em EaD:
vantagens e dificuldades 141
4.7.1 Correio eletrônico 149
4.7.2 Redes Sociais 154

REFERÊNCIAS 170

4
APRESENTAÇÃO

Olá, aluno (a)! Bem-vindo (a)!

Neste material você encontrará os conteúdos pertinentes à disciplina


MÉTODOS E TÉCNICAS NA APLICAÇÃO DE ENSINO PARA ADULTOS, na qual
serão discutidos a construção de conhecimento, o ensino e a aprendizagem na
Educação a Distância e no ensino presencial, as metodologias ativas e o conceito da
sala de aula invertida.
Para tal, vamos analisar práticas de avaliação da aprendizagem em EaD e as
formas de se aproximar dos estudantes, mesmo sabendo que estes e seus
professores/tutores estão separados fisicamente.
Ainda, será muito importante compreender quais são e como funcionam os
meios de comunicação em EaD, seu planejamento – potencialidades e
possibilidades e as concepções atuais e procedimentos pedagógicos que reorientam
a Didática e o professor do Ensino Superior na atualidade.
Também estudaremos a utilização das Tecnologias da Informação e
Comunicação – TICs, aplicadas a Educação, visando despertar atitudes de
aprendizagem mais complexas e significativas.
É importante ressaltar que, além da EaD, vamos ter uma unidade que vai
explorar o ensino presencial e os mesmos aspectos tratados na modalidade
presencial, na sala de aula em que estaremos com nossos alunos “olho no olho”.
Para finalizar, é importante ressaltar que você não vai encontrar aqui um
caderninho de receitas – como fazer, como não fazer, siga o modelo. O pertinente
nesse Livro Texto é provocar a reflexão, tá?
Animado (a)? Então, mãos à obra!

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INTRODUÇÃO

Você já percebeu como nos dias de hoje, cada vez mais as escolas e
universidades estão aderindo à utilização da EaD em sua metodologia de ensino?
São aulas com apoio de ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) ou
desenvolvidas com a apresentação de uma videoconferência, ou, ainda, lançando
mão de ferramentais, como os blogs, videoblogs, sites, páginas pessoais e, até
mesmo, via telefone celular.
É. Não há mais como escapar dessa… E nem devemos, afinal, não se pode
discutir o quanto todas essas tecnologias nos auxiliam, especialmente se não
queremos ou não podemos ver nosso tempo sendo consumido no deslocamento
entre nossas casas ou locais de trabalho até o local onde as aulas presenciais
acontecem.
Alguns ainda se ressentem e se amedrontam diante dessas possibilidades,
mas uma coisa é certa: devemos ter a cabeça sempre aberta e olhar para tudo com
curiosidade e visão de investigadores, de pesquisadores, que é o que um docente
deve ser: um pesquisador, a todo momento.
Deste modo, e por essa razão, você, aluno (a) de curso de pós-graduação
está aqui e agora estudando esse livro texto: para compreender o que é ser
professor na atualidade e com a EaD como mais uma possibilidade de ensinar e
aprender também, pois, como disse certa vez Guimarães Rosa (1958, p. 16),
“mestre é aquele que, de repente, aprende”, certo?
Não poderíamos deixar de fora o ensino presencial, pois não é somente de
EaD que vivemos! A sala de aula presencial tem grande importância na história da
educação – ontem, hoje e amanhã. Se alguém realmente acredita que nos
aproximamos de um momento crucial em que toda a educação formal será via
internet… ah, não será, não! Por essa razão, vamos estudar também sobre o ensino
presencial.
O material que agora você tem em seu poder está dividido em quatro
unidades didáticas distintas, porém complementares. Cada uma delas apresenta
uma particularidade do tema e foi organizada tendo em vista facilitar seu percurso
dentro da temática.
Veja como estão organizadas:

Unidade 1: Planejamento para a docência

Unidade 2: Ensino Presencial

Unidade 3: EaD: O Ensino a distância

Unidade 4: Fazendo EaD acontecer

Para estudar todos os temas indicados, os objetivos gerais da disciplina são:

 Compreender os processos de ensinar e aprender e a construção do


conhecimento no meio virtual e presencialmente para o ensino superior
 Desenvolver a visão sobre a funcionalidade do EaD no ensino superior;

6
 Ter compromisso com uma ética de atuação profissional e com a organização
da vida em sociedade;
 Analisar os desafios da atuação docente frente às TICs no ensino superior;
 Refletir acerca da construção do conhecimento, as diferentes formas de
ensino e aprendizagem para o público adulto – presencialmente e em EaD.

Também saiba quais são os objetivos específicos, os quais estão indicados a


seguir:

 Identificar o conceito de ação didática e seu objeto de estudo;


 Compreender os processos de ensinar e aprender e a construção do
conhecimento no meio virtual e presencialmente para o ensino superior;
 Conhecer o EaD e sua história;
 Identificar as possibilidades da ação didática como mediadora de um
processo de ensino interativo no ensino superior;
 Identificar AVAs e compreender suas diferenças e potencialidades para
ensinar o adulto;
 Estudar as ferramentas e objetos de aprendizagem utilizados em EaD no
ensino superior;
 Estudar as ferramentas e objetos de aprendizagem utilizados presencialmente
no ensino superior;
 Caracterizar as metodologias ativas de aprendizagem no ensino superior;
 Discutir a importância do modelo de sala de aula invertida para a educação;
 Entender o funcionamento dos sistemas de ensino em EaD.

Aproveite a leitura e as imagens do seu livro texto e não deixe de buscar as


indicações do “Saiba mais” e as “Leituras Obrigatórias” para aprimorar seus
conhecimentos!
Seja bem-vindo (a) e boa jornada!

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UNIDADE I

PLANEJAMENTO PARA A DOCÊNCIA

Conteúdos trabalhados na unidade: Ação docente: definição, seu objeto de estudo


e os processos de ensino e de aprendizagem; Planejamento em EaD: Objetivos,
Conteúdos, Procedimentos, Avaliação.

Nesta unidade a intenção principal é buscar compreender o que é e como se


deve desenvolver a ação docente.

Atenção! Não estamos aqui falando em receituário. Jamais você encontrará


alguma coisa semelhante a isso nos seus livros texto, pois o mais importante é o
processo de reflexão a partir das leituras propostas, das indicações bibliográficas e
assim por diante, certo?

Com este pensamento em mente, vamos voltar um pouquinho na história e


trazer para nossa conversa a principal ferramenta que todo educador deve conhecer
para seguir em frente com seus estudos pedagógicos.

Imagem 1: Docência

https://morguefile.com/photos/morguefile/1/classroom/pop

06 mar. 2019

8
1.1 Ação Docente: definição, seu objeto de estudo e os processos de ensino
e de aprendizagem

Certamente que você já ouviu falar sobre a Didática, que tem como objeto de
estudo os processos de ensino e de aprendizagem.

Ainda, para clarear um pouco mais nossas ideias, lembro que esta – Didática
– é uma palavra que tem origem na expressão grega “Τεχνή διδακτική” (techné
didaktiké), cujo significado é “arte ou técnica de ensinar” ou “técnica de dirigir e
orientar a aprendizagem”.

É um termo antigo, mas que deve ser visto como muito atual e estar presente
em todas as salas de aula e quaisquer outros espaços educativos, formais ou não-
formais.

Como toda ciência, a Didática também teve um “pai”, Comenius, um dos


maiores educadores do século XVII, que ficou conhecido como pai da Didática
Moderna, especialmente devido à sua grande obra “Didática Magna”.

Uma de suas mais célebres frases é sobre a Didática ser:

um método universal de ensinar tudo a todos.


E de ensinar com tal certeza, que seja impossível não conseguir
bons resultados.
E de ensinar rapidamente, […] sem nenhum aborrecimento para os
alunos e para os professores, mas antes com sumo prazer para uns
e para outros.
E de ensinar solidamente, não superficialmente e apenas com
palavras, mas encaminhando os alunos para uma verdadeira
instrução, para os bons costumes e para a piedade sincera.
[…] como de uma fonte viva que produz eternos arroios que vão, de
novo, reunir-se num único rio; assim estabelecemos um método
universal de fundar escolas universais (COMENIUS, 2001, p.3).
(grifos nossos)

Se esmiuçarmos esta fala tão pertinente para todo educador, chegaremos à


arte de conseguir atingir este objetivo: ensinar, pois promover aprendizagens aos
nossos alunos é a verdadeira intenção da ciência Didática.

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Pesquise na Internet o nome “Comenius”. Anote informações sobre ele. Ainda,
consulte no endereço: http://loja.editoracomenius.com.br/quem-foi-comenius e veja
uma breve biografia deste estudioso.

Você já pensou sobre isso? Como você aprendeu na(s) escola(s) onde
estudou? Certamente os professores preparavam aulas com explicações, atividades,
exercícios em grupo, apresentações na frente da sala e, nos últimos tempos, eles
também contavam com recursos tecnológicos, como data show, computador…

Que tal conhecer a definição de Didática de uma das mais importantes


estudiosas sobre o assunto, a professora pós-doutorado Vera Maria Ferrão Candau,
(PUC-RJ)? Ela afirma que a Didática precisa ser pensada como “uma reflexão
sistemática e busca de alternativas para os problemas da prática pedagógica” (2012,
p.29).

Deste modo, cabe ressaltar que este deve ser um processo contínuo e, se
compartilhado, mais enriquecedor, pois os professores poderão trocar ideias com
seus pares e, a partir dessa interação, refletir sobre suas próprias práticas e
aperfeiçoá-las.

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Imagem 2: Aula

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/s/Sudhir20/05/p/4015faed71cabc310ee5105
159635e2e.jpg.
06 mar. 2019

Podemos dizer que há os seguintes elementos envolvidos na prática de cada


educador: ele próprio, seus alunos, os conteúdos com os quais precisa trabalhar, as
estratégias que utilizará para fazer seu trabalho e os processos avaliativos.

Masetto (1997), assim como Candau (2012), também concorda que a Didática
precisa ser vista com reflexão sistemática. Os dois afirmam que a mesma é um
“estudo das teorias de ensino e aprendizagem aplicadas ao processo educativo que
se realiza na escola, bem como dos resultados obtidos” (p. 14).

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encontramos pesquisas na área da
pedagogia e os temas que são
PIMENTA, S. G. Saberes
abordados colaboram para auxiliar os
pedagógicos e atividade docente.
professores no conhecimento quanto
São Paulo: Cortez, 2018.
às perspectivas de análise que os
ajudem a compreender os contextos
Esse livro chama ao debate histórico, social e organizacional em
sobre a formação docente. Nele que ocorre sua atividade docente.

Você consegue perceber o quanto ensinar é um processo que deve ser


minuciosamente pensado? Não podemos ir para sala de aula com nosso
conhecimento achando que ele, por si só, já é suficiente.

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer (ou talvez já tenha dito) que “um
determinado professor sabe muito”, “dá para perceber todo o conhecimento que tem,
mas… ele não sabe passá-lo aos seus alunos e, por isso, a aula dele não é
proveitosa”?

Pense nisso e, em seguida, lembre-se da Didática e de como ela pode auxiliá-


lo como docente.

A Didática estuda os processos a colocar em prática as diretrizes da


de ensino e aprendizagem destinados teoria pedagógica.

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1.2 Planejamento em EaD: Objetivos, Conteúdos, Procedimentos,
Avaliação

O que é planejar? Ouvimos tanto que essa é uma das mais importantes
atividades do educador, mas, o que seria exatamente fazer um planejamento,
apresentar um plano para determinado curso, aula ou atividade?

Certamente você já fez pelo menos uma viagem, não é mesmo?

Então, pense como foi até que você chegasse ao seu destino: há alguns
passos necessários para o sucesso das férias, por exemplo (considere uma viagem
de férias de um mês na qual você viajou de avião e ficou hospedado (a) num hotel).

 Primeiro você estabeleceu o local para onde iria;

 Como você teria um mês de disponibilidade para estar por lá, pensou em
quanto dinheiro seria necessário dispor para passar todo o tempo,
considerando os valores de passagens de ida e volta e de estadia;

 Pesquisou os preços das passagens nas companhias aéreas que fazem o


trajeto e os horários de embarque;

 Buscou hotéis até se decidir por um em especial;

 Em seguida, pesquisou como estaria o tempo durante o período de sua


estadia no local;

 Deixou instruções em sua casa para que tudo corresse bem até seu
retorno (exemplo: agendou no banco o pagamento das contas, previu os
gastos costumeiros e, para eles, deixou dinheiro em sua conta corrente,
suspendeu assinatura da TV a cabo/digital e do jornal, etc.);

 Arrumou a mala e conseguiu uma carona até o aeroporto como sua melhor
amiga;

 Embarcou!

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Imagem 3: Férias

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/k/kolobsek/03/l/1363265958pezt0.jpg
24 jan. 2019

Percebeu o quanto dá trabalho ir “curtir” as férias? Até cansa, né?


É exatamente o mesmo que ocorre com a ação didática: ela precisa ser
detalhadamente pensada e minuciosamente organizada para que seu sucesso seja
a mais concreta possibilidade.

Ainda, cabe ressaltar que mesmo quando fazemos tantos planos para nossos
alunos, alguma coisa pode não funcionar e é nesse momento que aparece uma das
principais características do planejamento, ou seja, a flexibilidade.

No caso da viagem, se você vai para um país estrangeiro, é prudente levar a


moeda corrente utilizada por lá para não ter surpresas, por exemplo, chegar muito
cedo ao local e as casas de câmbio estarem fechadas.

Ou, ainda, se você for para uma cidade muito fria, é necessário ter à mão um
casaco bem quentinho para você não congelar assim que sair do avião e estiver
esperando as malas…

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Pensando agora sobre a escola, imagine que a aula foi toda pensada para
contar com a utilização de um vídeo: você o grava num cd-rom, reserva o
equipamento necessário com antecedência, avisa aos alunos, prepara-os para o que
lhes será apresentado e constrói fichas de avaliação para serem preenchidas após o
filme.

Contudo, no dia da exibição, simplesmente não há energia elétrica na escola,


ou o local de projeção está às escuras ou, ainda, você percebe que a sala de aula
não é adequada para tal atividade. O que fazer?

Imagem 4: Plano B

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/b/BUSHKO/10/p/d4fd8ca400df7b2879e7cb2af86f8b
c8.jpg.
25 nov. 2018

É aí que vem a flexibilidade: o plano “B” tem que entrar em prática, ou o “C”, o
“D”, enfim, alguma coisa deve ser feita para que os alunos não percam aquela aula,
mesmo que não consigam assistir ao vídeo.

Nem sempre o que planejamos efetivamente ocorre, mas o mais importante é


exatamente não se tornar refém de uma mídia ou de uma determinada situação que
pode falhar.

Ser flexível é saber sair das possíveis situações em que o planejado não
funcionou ou não surtou o efeito desejado.

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Ainda, é ter equilíbrio para que, durante todo o ano letivo, você possa
desenvolver ações e atividades que substituam aquelas pensadas em primeiro lugar:
é replanejar sempre que necessário.

Para que isso ocorra, é fundamental que você:

 Considere sempre o que os alunos já sabem até o momento e a


relevância do conteúdo que será trabalhado;

 Faça avaliações diagnósticas e formativas frequentemente;

 Tenha sempre em mente quem é seu aluno, como você está ensinando e
se seus objetivos, que devem ser pensados para os alunos, estão sendo
atingidos (caso não estejam, verifique porquê e refaça suas propostas de
acordo com as necessidades);

 Ouça tudo e todos pois é dos alunos que as dúvidas surgirão ou a real
medida do ritmo cadenciado por você para ensiná-los.

E importante ser flexível, pois se o que parecer ser uma boa ideia,
professor não fizer um planejamento especialmente quando não estiver
maleável, o mesmo corre o risco de dando certo. É isso o que um
não alcançar objetivos previstos e isso verdadeiro educador faz com grande
é imperdoável no desenvolvimento de facilidade, certo?
uma ação didática!

Lembre-se: Qualquer plano é uma


previsão, portanto, está sujeita a erros.
Daí a importância em mudar sempre

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1.2.1 Objetivos, Conteúdos, Procedimentos, Avaliação

Viu como planejar é importante? Vamos sistematizar o conceito nas palavras


de Haydt (2011)? Ela diz que

(…) planejar é analisar uma dada realidade, refletindo sobre as condições


existentes, e prever as formas alternativas de ação para superar as
dificuldades ou alcançar os objetivos desejados. Portanto, o planejamento é
um processo mental que envolve análise, reflexão e previsão (p. 45).

De acordo com a autora, analisar quem são os alunos, refletir sobre quais
conteúdos trabalhar e prever, por exemplo, como serão as aulas, quanto tempo será
necessário para desenvolvê-las, dentre outras preocupações é questão de ordem
para todo educador.

Imagem 5: Planejamento

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/jdurham/preview/fldr_2010_04_06/file4751270600
793.jpg
06 mar. 2019

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O planejamento entra exatamente nesse momento, ou seja, quando
começamos a pensar no que ensinar, para quem ensinar, como ensinar, como o
aluno aprende e de que modo verificar se aprendeu e como pode ser melhorado
todo esse processo.

Até aqui, caminhamos bem. Que tal se aprofundarmos um pouco mais nossa
discussão?

Dissemos que planejar é fundamental e, ainda, que este deve ser flexível.
Mas… o que compõe um plano? Quais suas partes imprescindíveis?

1.2.1.1 Objetivos

Os objetivos são o ponto inicial a partir do qual as intenções de trabalho


dentro da instituição de ensino (formal ou não formal) começam a ser pensadas.

São eles que devem orientar a seleção dos conteúdos que serão ensinados
aos aprendentes. Assim, os objetivos são o ponto de partida de todo planejamento.

Eles subdividem-se em:

a) Objetivos gerais: previstos para um determinado grau ou ciclo, numa


escola ou certa área de estudo, e que serão alcançados a longo prazo;

b) Objetivos específicos: são aqueles definidos especificamente para uma


disciplina, uma unidade de ensino ou uma aula. Consistem no
desdobramento ou operacionalização dos objetivos gerais. Eles
apresentam, de forma pormenorizada, as ações que se tem intenção de
desenvolver e aonde se quer chegar.

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Imagem 6: Objetivos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/JessicaGale/03/l/1426014127h06
bf.jpg
06 mar.2019

Para simplificar, pode-se afirmar que os objetivos gerais nos forneceriam as


diretrizes para a ação educativa como um todo enquanto os objetivos específicos
norteariam, diretamente, o processo de ensino e aprendizagem e, ainda,
estabeleceriam uma estreita relação com as singularidades relativas aos conteúdos
trabalhados.

MAGER, R. F. A Formulação De de Robert F Mager. É um livrinho


Objetivos De Ensino. Rio Grande do antigo, mas, ainda assim, vale investir
Sul: Globo, 1985. um tempinho debruçado sobre le. Só é
encontrado em sebos. Penso que sua
Recomendo a leitura de “A
Formulação de Objetivos de Ensino”, última edição saiu em 1985.

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Vejamos exemplos:

Exemplo 1

* OBJETIVO GERAL:

. Oferecer aos alunos uma noção precisa da importância do planejamento


como ferramenta de base na organização do turismo.

* OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

. Dominar a aplicação de metodologias e técnicas de planejamento turístico;

· Ampliar o leque de possibilidades de atuação profissional;

· Estabelecer mecanismos de planejamento que venham promover a


sustentabilidade de projetos e programas voltados para o turismo.

Neste caso, percebe-se que o objetivo geral visa que o aluno do curso de
Turismo desenvolva a importante noção de que planejar é fundamental para sua
prática profissional.

Em seguida, esta ideia é esmiuçada, ou seja, é posto que esse mesmo aluno
conheça e aplique metodologias e técnicas do planejamento em sua área de forma a
ampliar a área de alcance de sua atuação como profissional nesta área e, ainda, que
coloque em prática seus conhecimentos para desenvolver a sustentabilidade
associada ao turismo.

O objetivo geral dá uma visão simplificada do que é esperado. Os objetivos


específicos detalham ao máximo a ideia lançada inicialmente.

Vejamos mais um exemplo:

20
Exemplo 2

* OBJETIVO GERAL:

O Programa visa à promoção de melhorias no desempenho da Administração


Pública, com a finalidade de aumentar a eficiência e a efetividade das políticas de
governo.

* OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

. Fortalecer a capacidade de planejamento e gestão de políticas públicas;

. Desenvolver a capacidade de administração de recursos humanos;

. Modernizar a estrutura organizacional e seus processos administrativos;

. Fortalecer mecanismos de transparência administrativa e de comunicação


social;

. Modernizar a gestão de informação e integrar seus sistemas de informática.

Aqui a intenção é que melhore o desempenho da administração pública para


aumentar a eficácia das políticas públicas.

Desenrolando, temos que, para que isso aconteça, espera-se que o


planejamento seja mais bem construído, levando em conta os recursos reais e como
estes serão administrados para que haja transparência nas ações.

Para isso, contam com uma gestão, não só administrativa mais competente,
como com a gestão das tecnologias envolvidas mais simples e eficiente.

Um último exemplo:

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Exemplo 3

* OBJETIVO GERAL:

Analisar os motivos da evasão escolar nos cursos de formação de


professores no estado do Rio de Janeiro entre os anos 1990 e 2000.

* OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

. Verificar a relação entre professores e alunos de cursos de formação de


professores no estado do Rio de Janeiro entre os anos 1990 e 2000;

. Identificar o nível de interesse dos alunos;

. Reconhecer as prioridades estabelecidas pelos alunos;

. Apresentar os motivos que conduzem os alunos à evasão escolar.

Neste último caso, o que se pode perceber é que a evasão escolar nos cursos
de formação de professores no estado do Rio de Janeiro entre os anos 1990 e 2000
é uma questão pertinente a ser compreendida, assim, este período aparece
identificado.

Em seguida, para compreender os reais motivos da significativa evasão,


esmiuçou-se o problema, buscando entender se houve alguma situação recorrente
que fizesse com que os alunos largassem seus cursos. Para isso até o
relacionamento entre alunos e professores foi pesquisado.

E então, você consegue perceber como são os objetivos que norteiam a ação
pedagógica? É a partir deles que elaboramos as diretrizes a serem desenvolvidas
em nosso trabalho.

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Coloque no papel seus objetivos de vida para os próximos cinco anos.
Organize com eles um quadro identificando quais são os gerais e quais são os
específicos. Justifique suas escolhas.

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Há um livro considerado Bloom, e foi publicado pela primeira


importantíssimo para o tema vez em 1987.
“Objetivos Educacionais”. Seu título é Sua referência completa está junto
Manul de avaliação formativa e com todos os materiais usados nesse
somativa do aprendzado escolar, de B. LT. Dê uma olhadinha ao final.

23
Que tal conhecer uma amostra dos níveis da taxonomia de Bloom?

Nível Definição Verbos


O aluno irá recordar ou reconhecer Escrever, Listar,
Conhecimento informações, ideias e princípios na forma Rotular, Definir,
(aproximada) em que foram aprendidos. Nomear, Dizer

O aluno traduz, compreende ou Explicar;


interpreta informação com base em Ilustrar,
Compreensão
conhecimento prévio. Resumir,
Parafrasear,
Descrever
O aluno seleciona, transfere e usa dados Usar, Aplicar,
e princípios para completar um problema Computar,
Aplicação
ou tarefa com um mínimo de supervisão.
Resolver,
Demonstrar,
Construir
O aluno distingue, classifica e relaciona Analisar,
pressupostos, hipóteses, evidências ou Categorizar,
Análise
estruturas de uma declaração ou
questão. Comparar,
Contrastar,
Separar
O aluno cria, integra e combina ideias Criar, Planejar,
em um produto, plano ou proposta novos Elaborar
Síntese
para ele. hipótese,
Inventar,
Desenvolver
O aluno aprecia, avalia ou critica com Julgar, Criticar,
base em padrões e critérios específicos. Recomendar,
Avaliação
Justificar
Fonte: BLOOM et al, 1993 (adaptado)

24
Dá para perceber o quanto é importante o trabalho de Bloom (1993), não é
mesmo? Ainda está valendo para a atualidade!

1.2.1.2 Conteúdos

Professores e alunos trabalham sempre com conteúdos.

Vamos ver como isso funciona na prática?

Leia os objetivos que seguem, que constam de um documento chamado


RCNEI, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998):

. Ampliar gradativamente as possibilidades de comunicação e expressão,


interessando-se por conhecer vários gêneros orais e escritos e participando de
diversas situações de intercâmbio social nas quais possa contar suas vivências,
ouvir as de outras pessoas, elaborar e responder perguntas;

. Familiarizar-se com a escrita por meio do manuseio de livros, revistas e


outros portadores de texto e da vivência de diversas situações nas quais seu uso se
faça necessário;

. Reconhecer seu nome escrito sabendo identificá-lo nas diversas situações


do cotidiano;

. Escolher os livros para ler e escutar textos lidos, apreciando a leitura feita
pelo professor.

Imagine que assuntos serão necessários que sejam trabalhados para que os
objetivos acima sejam atingidos?

25
Imagem 7: Conteúdos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/c/carmawrites/10/p/25b7b0624cf6b19bd961d7817a
157f44.jpg
06 mar.2019

O que você sugere? Vou ajudá-lo.

Se o docente pretende que seu aluno “amplie gradativamente suas


possibilidades de comunicação e expressão”, o que o professor precisa trabalhar é
com a fala e com a escrita (mesmo que rudimentar, pois é educação infantil), assim,
são conteúdos: fala (expressão oral) e escrita (expressão escrita).

Mas há ainda outros conteúdos neste objetivo: ao desejar que seu educando
passe a “interessar-se por conhecer vários gêneros orais e escritos”, o professor
precisa criar estratégias de trabalho que desenvolvam o conteúdo gêneros orais e
escritos (por exemplo, roda de conversa, cartazes, cantigas de roda, histórias em
quadrinho, anúncio, carta, etc.).

Assim, sem explicar que gêneros são “formas relativamente estáveis de


enunciados, disponíveis na cultura” (PCNs de Língua Portuguesa, 1998, p. 21) ou,
como define Bakthin (2012), “tipos relativamente estáveis de enunciados
constituídos historicamente e que mantêm uma relação direta com a dimensão
social” (p. 261), o professor estará fazendo com que seu aluno tenha contato com o
conteúdo que está proposto no objetivo.

26
Na verdade, como o objetivo deve ser construído primeiro, é a partir dele que
o conteúdo será pensado e auxiliará para que aquele seja atingido.

O conteúdo é, portanto, todo aquele saber que foi (e ainda é) acumulado


durante os séculos. De acordo com (HAYDT, 2011, p. 62),

(…) esse saber apresenta uma natureza dinâmica, porque está em contínua
expansão e atualização, renovando-se constantemente. A escola, como
instituição social e agência formadora, é o centro da educação sistemática e
tem como função básica a transmissão sistematizada do conhecimento
universal.

De qualquer modo é importante pensar que conteúdo está em toda parte e


que aprendemos coisas novas a todo o momento, em qualquer lugar. A escola e a
universidade são espaços que procuram mostrar os conteúdos acumulados pela
humanidade para a sociedade, pois neles há professores cujo trabalho é exatamente
aprender esses conteúdos e apresentá-los aos alunos.

Você já pensou que existem conteúdos diferentes, com diversas finalidades?


Vejamos como é isso.

Imagem 8: Diferentes Conteúdos

Hall, Donna. ddc910.jpg. Maio de 2008.


https://www.pics4learning.com/details.php?img=ddc910.jpg
Pics4Learning.
06 mar.2019

27
Já pensou que há coisas que simplesmente memorizamos com a repetição,
como os nomes das ruas no caminho de casa para a universidade ou os nomes dos
nossos colegas de classe?

Há coisas sobre as quais precisamos refletir para podermos compreender ou


que, na comunicação, precisamos saber definir para que possamos ser
compreendidos. São conhecimentos diferentes, dos mais simples aos mais
complexos, como os sentimentos. Vamos classificá-los?

De acordo com Zaballa (2006), há quatro tipos de conteúdos:

a) Factuais (aprendizagem de fatos) – o indivíduo aprende por memorização,


por repetição verbal.

Alguns dirão que esse conhecimento é irrelevante, até mesmo


desnecessário. Não é não. Ele é fundamental, pois existem certos conteúdos
que precisam sim ser memorizados, como por exemplo, nomes de pessoas
com as quais trabalhamos ou estudamos: como saber sem praticar?

A estratégia aqui é, no momento de cumprimentar uma pessoa, dizer


seu nome até que o mesmo seja fixado por você.

Imagine que desagradável você ser escolhido como redator no grupo


de trabalho da faculdade e, na hora de fazer a identificação dos
componentes, ter que perguntar “como é seu nome mesmo?” para aquela
pessoa que sempre o ajuda com alguma disciplina que você tem dificuldade?

Não há outra forma de aprender seu nome se não pela memorização.

b) Conceituais (aprendizagem de conceitos e princípios) – estão diretamente


relacionados à busca de informação para melhora do conteúdo; sua
aprendizagem exige do indivíduo uma atividade cognoscitiva mais
significativa que a anterior. Este tipo é, na verdade, uma ampliação daquela.
Poderíamos dizer que este tipo de conteúdo está associado ao saber
conhecer.

28
c) Procedimentais (aprendizagem de procedimentos) – partem de uma
investigação autônoma e observação direta de cada indivíduo. Associam-se
com o saber fazer, pois é uma aprendizagem das ações necessárias a
realização de algo.

d) Atitudinais (aprendizagem de atitudes) – estão relacionados com a


socialização, a cooperação e a inserção do indivíduo no seu meio social e
cultural.

Em determinadas culturas as famílias decidem com quem seus filhos


vão casar-se. Essa atitude é aceita pelos filhos, que se casam mesmo que
venham a se conhecer apenas no dia do casamento. Esse conteúdo tem a
ver com os valores que são aprendidos ao longo da vida.

Imagem 9: Listando Objetivos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/s/Sarahthecat/11/p/284f0b197f65eacff4bcbe45dc94
e01a.jpg
06 mar.2019

29
Você compreendeu que para cada tipo de conteúdo há formas mais pontuais
de se trabalhar, certo? Essas formas são os procedimentos, ou seja, as estratégias
que todo professor deve inserir em seu planejamento após definir o conteúdo que
vai trabalhar.

Eles são nosso próximo tópico.

Observe o quadro abaixo para não esquecer como devem ser desenvolvidas as
atividades para trabalhar cada tipo de conteúdo.

Conteúdos Atividades de aprendizagem

Factuais Repetições verbais

Conceituais Experiências

Procedimentais Aplicações e exercícios

Atitudinais Vivências + componentes afetivos

1.2.1.3 Procedimentos

Já falamos sobre os objetivos e os conteúdos. Resta saber como associá-los,


visto que, através do trabalho com os conteúdos é que os objetivos, como dissemos,
poderão ser atingidos, não é?

E agora? É simples! Aqui entram os procedimentos de ensino.

30
Procedimentos são todas as ações que os educadores planejam visando a
aprendizagem de seu aluno. Eles são as formas através das quais os professores
encontram para mediar o conhecimento a ser trabalhado, ou seja, é com a utilização
de técnicas de metodologias de ensino que a aula irá se desenvolver.

É com os procedimentos que ocorre a mediação dos conteúdos escolhidos


para serem trabalhados. Ressalto que, quanto mais interativas forem as escolhas
docentes, maior possibilidade de sucesso no curso.

É certo que as formas de se trabalhar devem ser mescladas – ora


individualizadas, ora socializadas, ora sócio-individualizadas, contudo, o mais
importante é que o professor sinta-se seguro para realizar a aula tal como ele a
desenhou.

Há autores que dizem que as estratégias e os procedimentos são a mesma


coisa, outros os diferenciam. Aqui, vamos considerá-los como irmãos gêmeos, ou
seja, eles são imprescindíveis um ao outro.

Ao planejarmos uma aula, é indispensável ter em mente como o conteúdo


será trabalho e, assim, qual será o modo de fazê-lo. Daí considerarmos ambos como
trabalhando de mãos dadas para o sucesso da empreitada pedagógica.

Lembre-se, portanto, que a função dos procedimentos e estratégias de ensino


e aprendizagem é auxiliar o processo de reconstrução do conhecimento pelo
aluno!

Há critérios básicos para selecionar  conhecimento das características


um procedimento de ensino, de acordo do aluno (idade, nível de
com Haydt (2006): maturidade e desenvolvimento
mental, grau de interesse e suas
 adequação aos objetivos
expectativas de aprendizagem);
propostos para o processo
educacional;  noção das condições físicas
existentes e do tempo disponível.
 compreensão da natureza do
conhecimento a ser construído
pelo aluno e do tipo de
aprendizagem a se realizar;

31
Agora que já falamos sobre partes fundamentais na elaboração do
planejamento, falta acrescentar um processo que nos dá o retorno do nosso
trabalho.

Precisamos saber se nossas ações estão corretas e surtindo o efeito


esperado. Como obtemos essas respostas? Como detectamos que nosso aluno
aprendeu, que construiu seus conhecimentos?

É aqui que entra a avaliação. Vamos falar sobre ela no próximo item.

Imagem 10: Avaliação

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/jessica_seewer/05/p/8d7ac58eacc8cdae5bbc2c62
9bfcaf28.jpg
06 mar.2019

1.2.1.4 Avaliação

O que é avaliação? Por que todo mundo tem medo de ser avaliado? Ter seus
méritos reconhecidos e suas fraquezas apontadas não teria o objetivo de te ajudar a
melhorar ou a manter-se como está?

Avaliar é um nó na educação, embora devesse ser muito diferente. A


avaliação nos mostra nossas potencialidades, nossas falhas e nossos acertos.

32
Assim, deveríamos vivenciar com tranquilidade esse processo, mas, a história não é
bem essa…

O professor Cipriano Carlos Luckesi fala sobre avaliação X examinação. Você


sabe o que é isso? O termo examinação te deixou com uma “pulguinha atrás da
orelha”? Sim! Afirmo isso porque tenho certeza que sua resposta foi positiva. É
mesmo esquisito.

O que você faz (se está em sala de aula) ou se seus professores fizeram com
você foi avaliação ou examinação ou avaliação?

Imagem 11: Estudar para ser “avaliado”

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/anicahsu/11/p/510b47fd2c3d8234d81d2bb62cf68
56d.jpg.
25 nov. 2018

O prof. Luckesi (2005) define examinação como a prática de aplicar exames,


desses exames (ou provas) tirar uma nota e aprovar ou reprovar o aluno. Ele diz que
a avaliação é muito diferente, ela é mediadora, dialógica, configura o aluno em sua
totalidade e não em um determinado momento que você, professor, decidiu que
seria “A” hora de ver como está sua aprendizagem apenas respondendo às
questões que você elaborou para aquela oportunidade.

Vamos ver trechos de sua fala em entrevista concedida ao jornalista Paulo


Camargo, publicado no caderno do Colégio Uirapuru, de Sorocaba, estado de São
Paulo, por ocasião da Conferência: Avaliação da Aprendizagem na Escola, em 8 de
outubro de 2005 (e parece que nem se passaram todos esses anos)!

33
A escola hoje ainda não avalia a aprendizagem do educando, mas sim o
examina (…) Historicamente, mudamos o nome, sem modificar a prática.
(…) Para compreender esse ponto de vista, basta verificarmos as
características básicas, de um lado, do ato de examinar e, de outro, do ato
de avaliar.
Iniciemos pelos exames escolares. (…) eles operam com desempenho final.
(…) não interessa como o respondente chegou a essa resposta, importa
somente a resposta. (…) os exames são pontuais, (…) não interessa o que
estava acontecendo com o educando antes da prova, nem interessa o que
poderá acontecer depois. (…) Tanto é assim que se um aluno, num dia de
prova, após entregar a sua prova respondida ao professor, der-se conta de
que não respondeu adequadamente a questão 3, por exemplo, e solicitar ao
mesmo a possibilidade de refazê-la, nenhum dos nossos professores,
permitirá que isso seja feito; mesmo que o aluno nem tenha ainda saído da
sala de aulas. (…)
os exames são classificatórios, ou seja, eles classificam os educandos em
aprovados ou reprovados, ou coisa semelhante (p.1)

Diante de Luckesi (2005), pergunta-se: o que é avaliar? Estamos realmente


avaliando? Se a resposta à segunda pergunta foi “Não”, precisamos repensar nossa
prática.

Leia o texto “Avaliação ou punição” no em:


site do grupo de pesquisa http://www.emdialogo.uff.br/content/av
Observatório Jovem, da UFF. Ele é aliacao-ou-punicao. Acesso 12
muito interessante e o(a) auxiliará na mar.2019.
reflexão sobre a avaliação. Disponível

A avaliação deve ser constante em nossa vida, desde a hora em que acordamos
e escolhemos a roupa para usar (e damos uma olhada no espelho para ver se nos
agrada, ou seja, para avaliar se estamos bem e é essa realmente a roupa daquele

34
dia) até quando voltamos para casa, à noite, cansados, mas felizes pelo dia
agradável (pois recebemos vários elogios devido à roupa escolhida), por exemplo.

Saul (1994, p. 61) aponta que

Na ação escolar, a avaliação incide sobre ações ou sobre objetos


específicos - no caso, o aproveitamento do aluno ou nosso plano de ação.
Avaliação, portanto, não pode ser confundida, como por vezes se faz, com o
momento exclusivo de atribuição de notas ou com momentos em que
estamos analisando e julgando o mérito do trabalho que os alunos
desenvolveram. Vale dizer que a avaliação recai sobre inúmeros objetos,
não só sobre o rendimento escolar.

Sob esse ponto de vista, a avaliação, que é uma prática social ampla,
especialmente pelo fato de que o ser humano tem uma capacidade ímpar de
observar – a si e ao outro, de refletir diante do que vê e de emitir juízo de valor sobre
essa reflexão, tem que ser prática educativa, não meramente atribuidora de notas e
de aprovações e/ou reprovações.

De qualquer modo, antes de trazer Jussara Hoffmann e sua avaliação


mediadora para nossa discussão, vamos definir os três tipos mais comuns de
avaliação?

A avaliação, como já dissemos, é um processo interessado em produzir


informações sobre o processo de aprendizagem. A todo momento podemos colher
essas informações, e estas também são diferentes, nos dão sinais diferentes sobre
nossos alunos.

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Imagem 12: Avaliação Somativa

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/p/pschubert/preview/fldr_2009_05_26/file54112433
25660.jpg
06 mar.2019

Os três tipos de avaliação sobre os quais estamos falando, são: diagnóstica,


formativa e somativa. Cada uma delas nos fornece dados específicos em momentos
diversos, mas, ressalto, elas são complementares.

Vejamos:

a) avaliação diagnóstica: tem por objetivo verificar se os aprendentes já


construíram os conhecimentos necessários para ir adiante, passando a uma
nova aprendizagem, a qual prescinde destes conhecimentos anteriores.

Ex: sempre antes de introdução um novo conteúdo, o professor verifica se


não há brechas, dificuldades com o conteúdo anteriormente trabalhado.

b) avaliação formativa: é o feedback que vai retroalimentar todo o processo


pedagógico. Ela é aplicada ao longo de todo o processo, em todas as
situações de aprendizagem, visto que seus objetivos são: identificar situações
de aprendizagens mal conseguidas, informar sobre medidas para corrigir
falhas e/ou melhorar o processo.

Ex: durante todo o processo o professor promove pequenas avaliações e, ao


detectar que o aluno apresenta dificuldades, vai tentando saná-las ao longo

36
do bimestre letivo, por exemplo, para que o aluno não carregue para o
bimestre seguinte dúvidas que dificultarão suas novas aprendizagens, o que,
se não for verificado e se o docente não tomar uma providência para sanar,
poderá virar uma “bola de neve”, ou seja, dúvida sobre dúvida.

c) avaliação somativa: é a soma das aprendizagens e competências


adquiridas durante todo um bimestre, um semestre ou um ano letivo. Ela é,
portanto, classificatória.

Ex: os alunos de um curso de Letras são classificados mediante as médias


ponderadas obtidas ao final dos dois primeiros semestres letivos. Mediante a
classificação eles terão ou não a possibilidade de cursar a língua estrangeira
escolhida. Há um ranqueamento pois as vagas são limitadas entre as línguas.

DIAGNÓSTICA FORMATIVA SOMATIVA

OBJETIVOS  Obter indicações  "Feedback" ao  Classificar


sobre conhecimentos, professor e ao os alunos no
aptidões, interesses aluno relativamente final de um
(ou outras qualidades ao progresso deste. período
do aluno). relativamente
longo (por
 Detectar os exemplo,
 Determinar a posição problemas de unidade de
dos alunos no início ensino e ensino;
de uma unidade de aprendizagem. período, ano,
ensino, período ou etc.)
ano.

 Determinar as causas
subjacentes de
dificuldades de
aprendizagem.
QUANDO No início de uma Durante o processo No final de
unidade de ensino, de ensino- um período

37
período ou ano letivo. aprendizagem relativamente
longo (por
exemplo,
unidade de
ensino;
período, ano,
etc.).
ÊNFASE EM  Aptidões, interesses,  Resultados da  Resultados
etc., que são julgados aprendizagem de
necessários, pré- relativamente aos aprendizagem
exigidos ou desejáveis objetivos. relativamente
relativamente aos aos objetivos.
 Comparação dos
objetivos a atingir. diferentes
resultados obtidos
pelo mesmo aluno.
 Processo de
ensino-
aprendizagem que
permitiu os
resultados obtidos.
 Causas dos
insucessos de
aprendizagem
TIPOS DE Instrumentos de Instrumentos Provas finais
INSTRUMENTOS diagnóstico formativos
especialmente
concebidos
Fonte: Tipos de avaliação (Adaptado de PROENÇA, M. C., Didáctica da História, Lisboa,
Universidade Aberta, 1989, pp. 148-150 e de MASACHS, R. C.; CASARES, M. Á. S. e FERNÁNDEZ,
R. M., Aprender a Enseñar Geografía, Barcelona, Oikos-Tau, 1997, pp. 181-195)

Pense sobre esses três tipos avaliatórios e, para esquentar nossa conversa,
trago Jussara Hoffman (2009): ela defende a avaliação mediadora como a única
possível, aquela através da qual é necessário deixar de focar o coletivo e apreciar o
individual para poder perceber como cada um aprende ou não aprende. É a
multidimensionalidade do olhar para o processo educativo e todas as suas nuances.

É necessária uma mudança na atitude do professor e dos sistemas de ensino


e de toda a sociedade que ainda está no paradigma de atribuição de valor numérico
para os conhecimentos – construídos ou não pelos aprendentes.

38
Essa mudança só pode vir pela mudança de mentalidade, se olharmos para
nossas práticas atuais e refletirmos acerca dos resultados que eles têm nos
oferecido. Desse modo, surge a avaliação mediadora, a qual propõe um modelo
diferenciado, que está baseado na possibilidade de dialogar com os alunos e
aproximar-se deles.

Para isso, reitero: é fundamental que as práticas docentes sejam repensadas


e completamente modificadas, levando-se em consideração a contemporaneidade, a
situação sócio-cultural dos alunos, sua compreensão do mundo, suas perspectivas
para a vida etc.

Olhando a avaliação sob este ângulo, até a visão do erro será diferenciada.
Ele será considerado como parte do processo de aprendizagem, como forma que o
aluno encontrou para acertar. É a sua testagem de hipóteses que deve ter uma
carga superior na avaliação, não o resultado final.

Imagine um aluno que acertou todo o raciocínio na resolução de uma


expressão matemática, mas, como errou uma soma, por exemplo, o que o levou a
encontrar um resultado diferente do esperado, teve sua questão completamente
anulada? Talvez você mesmo já tenha passado por isso.

É avaliativa essa prática de olhar o resultado final e dar certou ou errado? E


todo o desenvolvimento do raciocínio do aluno? Não valeu de nada? Precisamos
mudar essa perspectiva! Um novo paradigma para a avaliação já! Os professores
são capazes de criar e propor situações desafiadoras aos seus alunos de forma que
estes analisem possibilidades, testem hipóteses e cheguem às suas próprias
conclusões a partir de seus percursos individuais, porém, incentivados por seus
mestres, orientadores da aprendizagem. Somente assim a aprendizagem passará
de mecânica à significativa e a educação poderá exercer seu papel de
transformação social.

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1) Pergunte aos seus amigos, familiares e colegas de trabalho qual (is) a (s)
sensação(ões) mais comum(ns) para eles quando tinham que fazer prova.
Reflita sobre as respostas e construa um breve texto argumentando sobre a
forma de avaliação e a discussão deste item.

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2) Leia o seguinte:

A Didática contribui com os processos de ensinar e de aprender. Entretanto,


é importante ter em mente que ela não resolve tudo sozinha, pelo contrário, ela
precisa das outras ciências para formar o educador e sua mentalidade
transformadora.

Várias ciências que procuram entender o desenvolvimento humano estão


presentes nos estudos da Didática, como a filosofia, a sociologia, a história, a
comunicação, a psicologia, a antropologia, a educomunicação, entre outras.

Cada uma delas traz uma forma de ver o ser humano em sua mais
importante ação: conhecer. Os conhecimentos delas são essenciais para a
construção das ações em sala de aula, assim como também nos ajudam na reflexão
sobre nossa prática, sobre nossos alunos, como eles aprendem, se nossas
hipóteses avaliativas estão corretas e são pertinentes e como podemos ser
melhores professores.

3) Observe os quadrinhos a seguir e reflita sobre o papel da didática no ensino e


na aprendizagem:

http://www.maquinadequadrinhos.com.br/ Acesso 17 fev 2019

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4) Escreva sua reflexão à luz do que conversamos até agora:

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Nessa unidade você estudou sobre a Didática e todas as possibilidades que a
partir dela são geradas visando o desenvolvimento de um processo de ensino e de
aprendizagem de boa qualidade.

Você foi levado a pensar sobre a aprendizagem, portanto e, para isso,


passeou pelas ações de planejar, onde você estudou os objetivos, os conteúdos, os
procedimentos e a avaliação.

Espero que os conteúdos tenham sido proveitosos para você e o(a) leve
curiosamente às próximas unidades.

Tenha sempre em mente que a razão da instituição escolar existir é a


promoção da aprendizagem e da construção de conhecimento dos alunos e você
será responsável por parte disso.

Bons estudos!

43
UNIDADE II: ENSINO PRESENCIAL

Conteúdos trabalhados na unidade: Metodologias Ativas: sala de aula invertida;


gamificação; vídeos; aprendizagem por pares ou times

O ensino presencial faz parte de nossa vida desde muito pequenos. Ele é
fundamental por diversas razões, especialmente, na socialização, afinal, é
convivendo com as crianças da escola que aprendemos muito do que é viver em
sociedade, concorda?

Pesquisando para escrever esse tema, me deparei com o site de uma


universidade do Paraná que defende essa modalidade de ensino e elenca uma série
de razões. Veja só:

 Contato com outras pessoas: Em uma aula presencial, o contato com


colegas e professores é feito em todos os momentos do estudo. Isso
permite que o aluno faça networking de forma eficiente. Mas, o mais
importante, é que propicia o debate e troca de experiências durante a
aula. Isso agrega muito mais conhecimento e bagagem aos alunos.

Imagem 13: Contatos

https://morguefile.com/photos/morguefile/1/contacts/pop
12 mar.2019

44
 Dúvidas esclarecidas: Com a aula presencial, os alunos podem ter suas
dúvidas esclarecidas na hora pelo professor. Dessa forma, melhora-se a
capacidade de aprendizado.
 Recuperação de conteúdo: Caso você perca uma aula, pode rever a
matéria com os colegas e pedir explicações posteriores ao professor.
Além disso, em geral, os professores determinam um horário fora do
horário de aula para dúvidas e orientações.
 Participação em eventos: Com a aula presencial, o aluno está em
constante contato com o ambiente acadêmico. Assim, é mais estimulado
a participar de eventos, como semanas acadêmicas, simpósios, palestras,
congressos, entre outros.
 Menos distrações: Apesar das inúmeras distrações que uma sala de
aula pode ter, elas podem ser reduzidas. Não há a possibilidade de
interromper a aula e voltar a assistir do mesmo ponto depois. É uma
questão de responsabilidade do aluno absorver o conteúdo naquele
momento. Na internet, pode-se distrair durante a aula. Ou ainda, em casa,
podem-se ter distrações com pessoas, animais domésticos ou
procrastinação.

Imagem 14: Estudar

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/d/davidpwhelan/03/p/46bd716476b4df573dbd8af9b
324351a.jpg
12 mar.2019

 Contato com o ambiente acadêmico: Sabe-se que a graduação é um


momento, na maior parte das vezes, de crescimento. Uma educação
presencial permite que o aluno viva todas as sensações da faculdade. As
amizades, contato com os professores, com funcionários, tudo isso
enriquece e aumenta a bagagem cultural do aluno. Além de poder

45
participar de projetos de extensão, de grupos de estudo, tudo isso
enriquece e contribui para o conhecimento do aluno.
 Acompanhamento: Com o ensino presencial, os professores conseguem
acompanhar a progressão dos alunos e saber onde estão suas maiores
dificuldades. Assim, podem auxiliá-los de maneira eficaz. Dessa forma, o
aprendizado irá ser otimizado.
 Extensões: Os projetos de extensão em universidades são parte
importante da formação. Eles podem desenvolver no aluno habilidades
para a carreira profissional que vão além da sala de aula. Monitorias em
disciplinas, por exemplo, podem aflorar no aluno o desejo de seguir
carreira acadêmica. Ou então, gerar identificação com uma área de seu
interesse para especialização.
 Trabalhar em equipe: Nos trabalhos em grupo durante a graduação,
aprende-se a trabalhar em equipe. O aluno aprende a respeitar opiniões e
conviver com as diferenças. É uma simulação “light” do que poderá ser
encontrado no mercado de trabalho.
 Uso de tecnologias: Mesmo sendo um ensino tradicional, o uso de
tecnologias em sala de aula é cada vez mais presente. Não se têm mais
uma sala de aula em que os alunos não estejam minimamente
conectados à internet. Assim, o debate em sala fica enriquecido com as
trocas de conhecimento e pontos de vista, aliados às informações
disponíveis na internet.
 Estrutura física: O ensino superior presencial tem a vantagem de possuir
uma estrutura física melhor. Investe-se muito em laboratórios, bibliotecas
e outros espaços. O uso de laboratórios, por exemplo, irá fornecer uma
experiência muito mais completa que o aprendizado apenas na teoria.
Fonte: https://www.uniguacu.edu.br/blog/importancia-do-ensino-superior-presencial/. Acesso
em 12 mar.2019.

Vamos conversar sobre esse tema?

Eu concordo com tudo o que é apresentado aqui. Entretanto, a questão


principal, do meu ponto de vista, vai além de toda essa argumentação: o
fundamental é fazer bem feito, com boa qualidade, com seriedade. E… muitas vezes
isso se perde. Por essas razões é necessário inserir as metodologias ativas em
nossa discussão.

Você conhece as metodologias ativas?

46
Imagem 15: Atividades

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/s/selmyomer/02/p/babe6679bcabfad15e461
14e7a55a63b.jpg
12 mar.2019

É de nosso conhecimento que a escola – e a universidade – muitas vezes


parece nunca mudar, parece ainda estar pautada no ditar-falar do mestre e é aqui
“mora o perigo”. Num mundo globalizado no qual a informação nos chega em tempo
real e as mudanças são avassaladoras, para “conquistar” nosso aluno precisamos
estar preparados para toda essa modernidade.

Não podemos estagnar a sala de aula. Não podemos deixar que nosso aluno
tenha mais interesse no que acessa com seu celular, por exemplo, do que temos
para apresentar. E olha que nos preparamos para estar à frente da classe, não é?
Como fazer isso? Minha sugestão está no item a seguir.

2.1 Metodologias Ativas

A boa educação é aquela em que o professor pede para que seus alunos
pensem e se dediquem a promover um diálogo para promover a
compreensão e o crescimento dos estudantes. (Glasser, 2001).

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As metodologias ativas de aprendizagem são modelos de ensino que dão ao
aluno uma grande responsabilidade sobre a construção do seu conhecimento. Elas
pressupõe tornar o aluno o centro do processo de ensino deslocando o professor
desse lugar.

O professor é mais experiente, é certo, mas o aluno precisa ser visto como
protagonista de como aprende, afinal, toda instituição de ensino – e a nossa
profissão – tem razão de existir por causa dele!

Com a utilização das metodologias ativas nossa aula se torna diferente. Ela
deixa de ser o espaço de exposição do nosso saber e passa a ser o espaço no qual
alunos interagem com outros alunos e com o professor construindo conhecimento
através de ações práticas que planejamos e adaptamos.

Há diversos benefícios para todos os envolvidos – alunos, professores e até


mesmo as instituições.

Com as metodologias ativas o aluno e a aula muda de dinâmica. Ao


professor deixa de ser o “sabedor”, o invés de expor o conteúdo, ele convida
único “conhecedor”. Seu papel agra é o aluno a partir desse processo.
de mediador, de facilitador, de guia do

Vamos ver alguns deles?

Alunos mais independentes e protagonistas de seu aprendizado: o aluno,


ao ser convidado (e incentivado) a desempenhar um papel de sujeito protagonista
de sua própria aprendizagem, desloca o professor para exercer outro tipo de papel
diferente do que desempenhava até então, ou seja, o docente passa de expositor a

48
mediador do conhecimento. Assim, deve orientar seus alunos e indicar
possibilidades que eles desenvolverão. É muito mais democrático, inclusive

Aprendizagem facilitada: o papel docente passa a ser o de um guia nos


contextos educativos e, ao respeitar as formas como aprendemos, com a utilização
das metodologias ativas, o professor passa a entender que apenas expondo um
conteúdo é a maneira menos eficaz de promover aprendizagem.

Veja a imagem a seguir que nos mostra como aprendemos de acordo com
Glasser (2001) em sua “Pirâmide de Glasser”, também conhecida como “Cone da
Aprendizagem”:

Imagem 16: Pirâmide de William Glasser

https://medium.com/@renatho/pir%C3%A2mide-de-william-glasser-ou-cone-da-aprendizagem-
49a4670afc9a
12 mar.2019

49
É preciso considerar como aprendemos, assim aprenderemos
verdadeiramente!

Dale, já em1969, dizia que depois de duas semanas, o cérebro humano


lembra 10% do que leu; 20% do que ouviu; 30% do que viu; 50% do que viu e ouviu;
70% do que disse em uma conversa/debate; e 90% do que vivenciou a partir de sua
prática. Veja abaixo:

Imagem 17: Cone de Aprendizagem de Dale

https://medium.com/@renatho/pir%C3%A2mide-de-william-glasser-ou-cone-da-aprendizagem-
49a4670afc9a
12 mar.2019

50
Dá para visualizar uma aula muito mais interessante que seja planejada a
partir desse esquema, concorda comigo?

GOMES, A.; SILVA, P. Design de melhores aceitação e engajamento


experiências de aprendizagem: dos métodos de ensino e retenção do
Criatividade e inovação para o aprendizado. Técnicas de design são
planejamento das aulas. Série valiosos instrumentos para conceber
Professor Criativo. Recife: Pipa tais cenários e amplia o leque de
Comunicação, 2016. procedimentos pedagógicos para o
professor. Ao longo do livro mostramos
Este livro tem como objetivo contribuir
como experiências de aprendizagem
com o desenvolvimento de habilidades
podem ser concebidas, prototipadas e
de concepção de experiências de
avaliadas do ponto de vista do impacto
aprendizagem entre os profissionais
desejado.
de ensino. Ao longo da obra discute-se
a noção de aula e como a mesma Fonte:
impõe limitações à forma natural como https://www.pipacomunica.com.br/livrar
os seres humanos aprendem. iadapipa/produto/design-de-
Argumenta-se que noção de experiencias-de-aprendizagem-
experiências de aprendizagem amplia impresso/. Acesso em: 12 mar.2019.
a visão de como se pode promover

Vamos ver outras vantagens:

51
 Melhoria da satisfação dos alunos com a instituição: quando o aluno
perceber que está aprendendo mais e de modo mais dinâmico e efetivo, é
certo que vai ficar mais satisfeito com o ensino de sua instituição e não
vai querer deixá-la.

 Aumento do engajamento dos alunos com as aulas: as metodologias


proporcionam ao aluno mais autonomia e domínio sobre o processo de
aprendizagem. Ele vai perceber que precisa se responsabilizar e,
consequentemente, se engajar nas leituras e atividades propostas, caso
contrário não conseguirá acompanhar os colegas e a aula. Resultado: as
aulas serão mais produtivas.

 Maior desenvolvimento da capacidade analítica do aluno: É da


“decoreba”. Só decorar não vai ser suficiente para acompanhar as aulas,
pois se faz necessário refletir sobre os conteúdos. O aluno aprende a
pensar sobre o que lhe é apresentado. A aula passa a ser um momento
de atuar sobre o conteúdo. Ele passa a ter um poder sobre tudo o que
ocorre dentro e fora da sala de aula.

Assista à apresentação “Utilização de PR sobre o tema disponível em:


Metodologias Ativas no Ensino https://slideplayer.com.br/slide/324705
Superior”, da profa. Dra. Dilmeire 7/. Acesso em 12 mar.2019.
Sant’anna Ramos Vosgerau, da PUC-

52
2.2 Principais Metodologias ativas

Existem várias metodologias ativas de aprendizagem para nos ajudar em


nossas salas de aula. Vamos conhecer as mais utilizadas atualmente.

2.2.1 Sala de aula invertida

Também conhecida por flipped classroom, a sala de aula invertida nos faz
repensar as formas tradicionais de ensinar. Estamos acostumados com o seguinte
contexto:

1) Aluno aprende a matéria nova em sala de aula;

2) Aluno realiza a fixação da matéria nova em sala ou em casa realizando


exercícios e estudando a partir de indicações do professor;

3) Professor, antes de começar novo conteúdo, pode perguntar se há


dúvidas sobre o anterior;

4) Após dar novas explicações, se necessário, em sala de aula o professor


inicia nova matéria;

5) O que foi citado de 1 a 4 é reiniciado.

Na sala de aula invertida as coisas mudam de ordem (são INVERTIDAS).

Imagem 18: Sala de aula diferenciada

53
https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/k/kconnors/preview/fldr_2009_08_03/file843
1249322550.jpg
12 mar.2019

Veja a definição de Aranha Filho (2015):

(…) é uma estratégia que visa mudar os paradigmas do ensino presencial,


alterando sua lógica de organização tradicional. O principal objetivo dessa
abordagem, em linhas gerais, é que o aluno tenha prévio acesso ao material
do curso – impresso ou on-line − e possa discutir o conteúdo com o
professor e os demais colegas. Nessa perspectiva, a sala de aula se
transforma em um espaço dinâmico e interativo, permitindo a realização de
atividades em grupo, estimulando debates e discussões, e enriquecendo o
aprendizado do estudante a partir de diversos pontos de vista. Assim, para
a melhor fixação das informações e conceitos apresentados na disciplina, é
necessário que o aluno reserve um tempo para estudar o conteúdo antes da
aula (p. 15).

Mudar paradigmas! Esse é o principal objetivo da aplicação da sala de aula


invertida.

Imagem 19: Relato de experiência

54
https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/d/DodgertonSkillhause/10/l/1444282669cww
ua.jpg
12 mar.2019

Para entender mais sobe essa metodologia, leia o depoimento do prof. Dr.
Alex Sandro Gomes, da UFPE, de 22 de abril de 2018, após perceber que estava
começando a inverter sua sala de aula:

“Finalmente, consegui inverter a sala!


Nossa! Tomei um susto quando me dei conta que havia conseguido.
Li muito sobre ‘blended learning’, metodologias ativas e sala de aula
invertida. No entanto, não tinha percebido que levei muitos anos até chegar
num formato intensamente invertido.
Posso dizer que as mudanças aconteceram aos poucos. Alguns anos
atrás, iniciei o uso sistemático de AVAs nas minhas aulas.
Há duas semanas percebi que, progressivamente, fui deixando de explicar
os conteúdos em sala. Três anos atrás eu passava a aula toda expondo o
conteúdo e pedindo para os alunos fazerem as atividades em casa. Se
tivessem dúvidas poderiam usar o AVA. Há dois anos passava metade da
aula explicando e há um ano usava 15 minutos.
Este semestre tomei um susto quando percebi que poderia passar
todas as orientações pelo AVA uma semana antes, ficar à disposição para
esclarecer antes da aula. Durante as aulas os alunos falam, expondo os
resultados do trabalho.
‘Nossa, que delícia!’, pensei. Mas o que me chamou a atenção foi que
levou um tempo até chegar aqui. Não me libertei da ‘necessidade de dar
aula’ de uma hora para outra, mesmo sabendo que é muito recomendado
que os alunos tenham um papel ativo em sua formação.
Eu sentia um certo medo de não ‘falar como professor’ ou uma
ansiedade que me levava a explicar as coisas que, de fato, são fáceis de
entender lendo. Sentia necessidade de falar para os alunos.
Todo semestre compartilho um plano com todos os conteúdos das
aulas, links, referências de cada aula e orientações. Este semestre
simplesmente compartilhei as orientações que fui refinando ao longo dos
últimos anos. Escrevo um roteiro para cada aula e envio com antecedência
para guiar as atividades que os alunos fazem entre uma aula e outra.

55
Durante as aulas os grupos apresentam o que fizeram, trazem algo
que não conheço, tentam técnicas que não lembrei/não pensei em
recomendar e isso é ótimo. Sempre descubro coisas novas e as
discussões ficam cada vez mais abertas, tranquilas e reflexivas, e o que é
melhor, colaborativas entre mim e os grupos e entre os grupos.
A avaliação também muda bastante, tornando-se totalmente
qualitativa a partir da escuta, das apresentações dos alunos e dos materiais
que são compartilhados. Minha intenção é que os grupos possam consultar
a produção uns dos outros, mas não tenho certeza se isso realmente
ocorre. Vou tentar descobrir este semestre.
No início desse percurso eu nem sempre refleti a minha própria
prática. É bem mais fácil falar do que fazer. Por isso, coloco-me no lugar
dos colegas professores do EF diante desse desafio complexo”.

Fonte: https://medium.com/@alexsandrogomes/finalmente-consegui-inverter-a-sala-d-638aed357e4.
(adaptado)
Acesso em: 12 mar.2019.

Após ler o depoimento do prof. Alex Sandro, que tal rascunhar suas
impressões sobre a prática que ele desenvolveu?

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É fácil perceber que, como essa prática, o aluno estuda em casa o novo
conteúdo para tentar absorver o máximo que puder sobre ele – inclusive formula
dúvidas, questionamento – e, no espaço da aula, ao expor o que aprendeu e não
aprendeu, terá no professor o apoio necessário para ampliar seus conhecimentos e
desenvolvê-los. Acredito ser uma forma bastante rica de fixar conteúdos, o que você
acha?

Leia outra definição de sala de aula invertida:

Esta metodologia consiste na inversão das ações que ocorrem em sala de


aula e fora dela. Considera as discussões, a assimilação e a compreensão
dos conteúdos (atividades práticas, simulações, testes, como objetivos
centrais protagonizados pelo estudante em sala de aula, na presença do
professor, enquanto mediador do processo de aprendizagem.
Já a transmissão dos conhecimentos (teoria) passaria a ocorrer
preferencialmente fora da sala de aula. Neste caso, os materiais de estudo
devem ser disponibilizados com antecedência para que os estudantes
acessem, leiam e passem a conhecer e a entender os conteúdos propostos
(SCHNEIDERS, 2018, p. 7).

Como podemos perceber, na sala de aula invertida, é impossível que o aluno


não se mantenha em posição ativa. A passividade das metodologias tradicionais não
cabe aqui, certo?

_Ei_Ensino_Inovativo_volume_especia
l_2015. Acesso em: 12 mar.2019.
ARANHA FILHO, F. Tecnologia no
Ensino. Ei! Ensino Inovativo, volume Sugiro a leitura completa dessa
especial, 2015. Disponível em: edição especial sobre a sala de aula
https://www.researchgate.net/publicati invertida para enriquecer seus
on/285036367_Tecnologia_no_Ensino conhecimentos.

57
Como você leu no depoimento do professor Alex Sandro, o professor precisa
estar bem preparado para desenvolver esse tipo de metodologia, não é? Ele precisa
planejar, planejar e planejar cada passo que será ado. Como guia, tem que
organizar que materiais serão oferecidos aos alunos em casa e quais exercícios e
atividades sevem ser feito na sala de aula.

Sem um bom planejamento as verdade. Por isso, assimilar as


metodologias ativas são apenas mais características desse professor é
um modismo. Um bom professor fundamental para criar um ambiente
precisa ser um bom professor de de aprendizagem rico e atual.

Para obter sucesso, sua responsabilidade também aumenta. Lançar mão do


que é encontrado na internet, por exemplo, é uma dica importante. Assim, você pode
economizar tempo e aplicar todos seus conhecimentos como pesquisador, já que é
fundamental que todos os materiais disponibilizados aos alunos devem ser de boa
qualidade e ser pensados se realmente tem a ver com o conteúdo a ser
desenvolvido.

58
BERGMANN, J.; SAMS, A. Sala de explicações gravadas pelo professor
aula invertida: Uma metodologia ativa (em videoaulas, por exemplo) ou
de aprendizagem. Rio de Janeiro: estude o material indicado. O encontro
LTC, 2016. presencial passa a ser uma
oportunidade para esclarecer dúvidas,
realizar atividades, trocar
Prepare-se para a transformação da conhecimentos e fixar a
sala de aula! aprendizagem.
O livro Sala de Aula Invertida O sucesso da Sala de Aula Invertida
demonstra como as metodologias na educação básica e superior, em
ativas de ensino podem mudar escolas e universidades de diversos
radicalmente a relação de países do mundo – incluindo
aprendizagem, além de estabelecer instituições de referência como
uma nova forma de relacionamento Harvard e MIT – confirma que esse
entre professores e estudantes. Nesse modelo chegou para revolucionar a
novo cenário, o aluno torna-se relação dos alunos com o
protagonista de seu aprendizado, conhecimento.
enquanto o professor assume o papel
Neste livro, os criadores do conceito
de mediador, que, com apoio de
explicam como usar adequadamente a
tecnologia simples, poderá mapear
melhor o conhecimento adquirido. metodologia e as tecnologias
associadas, obtendo mais autonomia,
O livro traz exemplos reais de sala de mais motivação e melhor
aula e aborda técnicas fundamentais desempenho.
desenvolvidas pelos professores
Fonte:
Jonathan Bergmann e Aaron Sams
https://www.grupogen.com.br/sala-de-
para manter os estudantes motivados
aula-invertida-uma-metodologia-ativa-
e aptos para aprender de forma
de-aprendizagem. Acesso em 12
efetiva. A ideia central é que o aluno
mar.2019.
assista previamente às principais

2.2.2 Gamificação

59
Quem não gosta de aprender de forma divertida? Eu adoro! Aposto que você
também! Uma forma de unir aprendizagem de conteúdos e se divertir é a
gamificação, uma metodologia que pressupõe atividade do aluno, afinal, sem ação
não chegamos aos resultados.

A gamificação é a tendência de usar elementos presentes nos jogos em


contextos educacionais. Qual seu objetivo? Como parte das metodologias ativas,
visa aumentar o engajamento e a motivação dos alunos envolvendo-os, buscando
provocar seu interesse na ação de jogar – e aprender enquanto faz isso.

Quando entramos em um jogo somos capazes de passar várias horas nele,


tentando vencer os desafios que se apresentarem, correto? A gamificação foi
desenvolvida a partir desse pressuposto, ou seja, apresenta desafios relacionados a
determinado conteúdo para que, jogando, o aluno os atinja e, assim, aprenda sem
perceber.

Imagem 20: Gamificação

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/q/quicksandala/06/p/c310edbb0f40dcabe67f
7f1cbb4d9e9e.jpg
12 mar.2019

60
É importante ressaltar que uma gamificação, como é baseada na lógica dos
jogos, envolve o aluno dando pontos, distintivos, vidas extra e indicadores de
progresso. É realmente inserir o mundo dos games nos contextos educacionais.

Veja o quadro abaixo:

• Narrativa (ex.: contar uma história envolvente com o jogo);

• Retorno imediato (ex.: ganhar pontos assim que uma tarefa é concluída);

• Diversão (ex.: focar nos caráter lúdico do jogo);

• Desafios progressivos (ex.: só liberar determinado desafio quando outro for


cumprido);

• Indicadores de progresso (ex.: tabelas de pontuação / distintivos / rankings,


etc.);

• Conexão social (ex.: permitir interligação entre jogadores);

• Controle do jogador (ex.: o jogador decide qual desafio irá cumprir).

Fonte: https://sambatech.com
Acesso em 01 dez 2018.

Conheça na prática a gamificação. gamification/ e pense como usar sua


Visite: criatividade!
https://blog.engage.bz/exemplos-com-

2.2.3 Vídeos

61
Você já deve ter assistido a uma aula com a utilização de vídeo. É muito
comum encontrar aulas com vídeos como suporte. É uma ótima ideia, mas que tal
se, ao invés de usar um vídeo pronto você utilizá-lo como ferramenta avaliativa?

Atualmente, é bem fácil que os alunos tenham um celular com câmera.


Aproveite essa facilidade e proponha que, para desenvolvimento de determinado
tema da sua aula, os alunos, em gruo ou individualmente, criei seus próprios vídeos.

Que tal você criar sua vídeo aula? Ao https://eadbox.com/como-fazer-uma-


invés de utilizar um vídeo já pronto, o video-aula/. Acesso em 12 mar.2019.
que também é uma ótima ideia, faça o Outras dicas para manter seus alunos
seu. interessados estão disponíveis em:
Veja as dicas de “Como fazer uma https://blog.hotmart.com/pt-br/como-
vídeo aula atrativa para seus alunos”. fazer-roteiro-de-video/. Acesso em: 12
Disponível em: mar.2019.

De qualquer maneira, os vídeos, quando bem escolhidos são uma excelente


ferramenta. Tenha em mente que eles devem estar relacionados com o conteúdo
trabalhado e podem auxiliar tanto na inserção de um novo conteúdo como na fixação
desse conteúdo. Ah, os alunos também podem propor vídeos que não conhecemos,
não é? Seja como você vai inseri-los, é importante elaborar um plano de aula bem
detalhado. Planejar, como digo e repito, é a chave do sucesso!

62
É importante considerar a acessibilidade, o fomento à criatividade, a interação
entre aula e vídeo e sua qualidade!

Acessibilidade: (…) os vídeos servem sala de aula pode contribuir de forma


como base motivacional aos estudos significativa no aprendizado dos
(…) então na hora de escolher os alunos, mas para que isso ocorra os
vídeos escolha aqueles que melhor se vídeos (…) devem ser coerentes ao
adequem ao tema trabalhado, dê tema, e, além disso, devem ter fins
preferência para vídeos dinâmicos didáticos.
para facilitar o entendimento dos Qualidade dos vídeos: não se deve
alunos. trabalhar em sala de aula qualquer tipo
Fomentar a criatividade: (…) você de vídeo, em primeiro lugar ele deve
também pode usar essa ferramenta ser intuitivo e te auxiliar na hora de
para fomentar a criatividade de seus explicar o tema, além disso, a
alunos, solicitando a eles que criem qualidade do áudio e visual também
vídeos sobre o tema, (…) além de deve ser boa para facilitar o
promover o ensino estará motivando entendimento dos alunos.
os alunos ao estudo. Fonte: https://demonstre.com/como-
Interação entre a aula e os vídeos: usar-videos-em-sala-de-aula/. Acesso
trabalhar a apresentação de vídeos em em: 01 mar.2019.

63
2.2.4 Aprendizagem entre Pares ou Times

Em 1990 o pesquisador Erik Mazur, da University of Harvard desenvolveu um


método de ensino interativo que já foi adotado em diversas disciplinas a redor do
mundo. É um processo que ficou conhecido por Peer Instruction (aprendizagem
entre pares).

Sua ideia é simples: um aluno instrui outro aluno sobre um determinado


conteúdo. O aluno “instrutor” tem maior conhecimento sobre esse conteúdo e o outro
tem dificuldade, dúvidas ou não o conhece.

Assim também funciona a aprendizagem entre times, na qual há a


colaboração entre grupos. Funciona da seguinte maneira: a turma é dividida em
pequenos grupos, com um responsável por ensinar aos demais, sempre com a
intenção de contribuir com a aprendizagem dos colegas na realização de tarefas
propostas pelo docente.

Imagem 21: Juntos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/anthot4/07/l/1437333488ria0y.jpg
12 mar.2019

64
É importante ressaltar que, enquanto ensina, o aluno tutor também aprende,
não apenas os conteúdos, mas uma série de habilidades necessárias para um
convívio social harmonioso.

Destaco que, com o Peer Instruction busca-se tirar o foco do momento da


aprendizagem da “transferência de informação”, fazendo com que o aluno busque
informações primárias direto da fonte, por meio da leitura, para que depois, no
encontro presencial em aula, discuta com seus colegas (PALHARINI, 2018).

Para que funcione, uma dica é que os alguma coisa ou precisar de um


alunos instrutores sejam preparados incentivo para ir adiante, o instrutor
para exercer esse imposrtante papel. precisa ter essa sensibilidade e apoiá-
Quando um colega não entender lo!

É uma metodologia ativa, certo? A participação de todos os envolvidos é,


portanto, necessária e enriquecedora.

65
Leia mais sobre a aprendizagem entre Andrade de Sá Sodero Toledo e
pares no artigo intitulado “O Peer Fernanda de Carvalho Lage.
Instruction e as Metodologias Ativas de Disponível em:
Aprendizagem: relatos de uma http://www.publicadireito.com.br/artigo
experiência no Curso de Direito” das s/?cod=f57a221f4a392b92. Acesso em
professoras Luiza Helena Lellis 12 mar.2019.

2.2.5 Aprendizagem por Projetos ou Solução de Problemas

A Aprendizagem por Projetos (ou solução de problemas) é uma das


metodologias ativas. Seu objetivo é chegar a uma solução de forma mais
interessante e prática. Ela envolve intensamente os alunos na participação no
processo de solução do problema que é apresentado.

É uma metodologia ativa orientada para o desenvolvimento de habilidades,


conhecimentos e atitudes nos estudantes, por meio de intenso processo de
investigação e elaboração de produtos e artefatos.
De acordo com o Book Institute For Education (2008), os projetos podem
variar de uma semana até um ano, envolvendo apenas uma disciplina ou
tendo caráter interdisciplinar, integrando diferentes professores, séries,
comunidade e adultos fora da escola (ALMEIDA, 2018, s.p.)

Com a aplicação dessa metodologia o professor visa que seus alunos


construam conhecimentos e desenvolvam habilidades trabalhando por um
determinado período, normalmente mais alongado para que investiguem o problema
que lhes for proposto com a intenção de responder a uma pergunta ou dúvida. É
uma metodologia envolvente e bastante complexa, mas que, como as demais
metodologias ativas, visa que o aluno se torne sujeito de sua própria aprendizagem.

66
A Aprendizagem por Projetos promove , dente outras habilidades, o
desencadeia uma energia contagiante desenvolvimento da autonomia e a
e criativa entre alunos e professores e colaboração.
.

Imagem 22: Projetos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/p/psymily/09/p/a36c5236301deb34832805bfdc5fa45
4.jpg
12 mar.2019

A seguir, trago o relato da pedagoga Camila Zentner Tesche, cordenadora da


escola, de como uma experiência com o desenvolvimento de projetos deu super
certo. O trabalho é da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira.

As etapas que são desenvolvidas nessa escola são as seguintes:

Imagem 23: Contando uma experiência

67
https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/d/DodgertonSkillhause/10/l/1444282669cwwua.jpg
12 mar.2019

“1. Aula ou Semana Inaugural: antes de iniciar um projeto é feito um


momento disparador, onde os alunos são colocados em contato com um
grande tema gerador (…) e suas inúmeras possibilidades. Essa aula
inaugural pode ser uma grande conversa no pátio, uma rodada de filmes,
um passeio pelo jardim da escola ou pelo bairro, um rodízio de oficinas etc.
2. Votação: Após esse período inicial de descobertas, as crianças sentam
em roda e começam a levantar, dentre tudo o que viram, os assuntos nos
quais têm maior interesse. O professor, mediador e peça fundamental desse
processo, anota as questões levantadas pela turma e em votação escolhem
o tema que será estudado pela sala ou por um grupo de crianças.
3. Roteiro de trabalho: Escolhido o tema, a turma começa a preencher o
roteiro que criamos (…). No roteiro, as turmas escrevem o que querem
aprender sobre o tema, por que fizeram essa escolha e como vão fazer para
chegar às respostas de todas as suas dúvidas. O último item é preenchido
somente pelo professor, que tem a tarefa de relacionar os conteúdos
curriculares ao tema escolhido, encontrando o que há de possibilidades de
aprendizagem na Matemática, Português, Artes e assim por diante. Essa é
uma das grandes sacadas do projeto, porque compreende o papel da
escola de passar os conhecimentos historicamente acumulados, em uma
perspectiva que o aproxima da criança, uma vez que faz relação àquilo que
deseja conhecer.
4. Revisão e acompanhamento: Finalizado o roteiro é hora de começar
os trabalhos e é aí que o papel do coordenador é essencial! É ele que
revisa os projetos e auxilia o professor na ponte entre os conteúdos e o
trabalho de pesquisa.
5. Saídas pedagógicas: Durante o projeto são realizados também
diversos passeios para agregar à pesquisa, o que pode ser extremamente
desafiante se você imaginar que cada sala da escola poderá caminhar para
um lugar completamente diferente, como também pode ser bastante
enriquecedor, já que todo lugar passa a ser um espaço de aprendizagem,
como a feira livre, a padaria do bairro, a casa de um morador antigo etc.
Para essa tarefa, a parceria entre o trio de gestores (diretor, vice-diretor e
coordenadora) é muito importante, porque assim as tarefas de
agendamento, aluguel de ônibus e autorizações são divididas.
6. Trocas e comunicação: Projetos tão diferentes dentro de uma mesma
escola podem isolar as turmas e afastar a troca de experiências entre os
professores, por isso, novamente a figura do coordenador se faz necessária
para religar todo mundo, estabelecendo o diálogo como fonte central do

68
trabalho formativo da equipe escolar. Uma das alternativas que encontrei,
foi o painel “Preciso de Ajuda/Posso ajudar”. No painel, há a relação de
todos os projetos da escola e lá os professores fazem seus pedidos de
ajuda e trocam com os colegas.
7. O fim: Por fim, todo projeto pressupõe um produto final e a sua
divulgação para toda comunidade escolar, uma espécie de prestação de
contas aos pais e, principalmente, o momento de socializar com os colegas
de outras turmas e com toda comunidade local o que aprenderam, além de
ser uma celebração do encerramento de mais um ciclo. Esse momento
acontece ao final (…) e é dividido em: Sarau, Festa de Cultura Popular e
Mostra de Projetos.
E foi assim que definimos o trabalho por projetos em nossa escola!”

Fonte: https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1881/blog-coordenadoras-em-
acao-7-dicas-para-implementar-a-pedagogia-de-projetos-em-sua-escola.
Acesso em 12 mar.2019.

A EPG Manuel Bandeira (Guarulhos) parte do mapa de escolas inovadoras


atende a Educação Infantil e o Ensino do MEC.
Fundamental I e, desde 2015, faz

Cabe ressaltar que nesse tipo de metodologia ativa, os resultados que forem
obtidos precisam ser socializados, que é uma forma do aluno perceber o quanto sua
atuação foi proveitosa e o quanto ele aprendeu. Como isso será feito? Pode ser um
novo projeto, inclusive.

69
É fundamental ter em mente que atendem aos desejos, interesses e/ou
Projetos só são projetos quando necessidades dos alunos.

A avaliação de toda a atividade desenvolvida também é um fator importante, a


qual deve ocorrer ao longo de todo o caminho percorrido pelos alunos, pois assim
quaisquer correções de rota podem ser realizadas em tempo hábil e replanejadas,
caso necessário.

BENDER, W. N. Aprendizagem tornam-se mais interessados no


baseada em projetos: educação conteúdo de cada disciplina,
diferenciada para o século XXI. Porto aumentando seu entusiasmo pelo
Alegre: Penso, 2014. aprendizado e melhorando seu
desempenho. O livro “Aprendizagem
A aprendizagem baseada em projetos
baseada em projetos” explora a ABP
(ABP) é considerada uma das práticas
como abordagem de ensino
de ensino mais eficazes do século XXI.
diferenciado, com base em aplicações
Os estudantes trabalham com
atuais da tecnologia na sala de aula.
questões e problemas reais,
Ao longo dos capítulos, o autor
colaboram na criação de soluções e
apresenta diretrizes práticas para sua
apresentam os resultados. Assim,

70
implementação nos ensinos https://www.saraiva.com.br/aprendizag
fundamental, médio e superior, em-baseada-em-projetos-educacao-
tornando este livro um valioso recurso diferenciada-para-o-seculo-xxi-
para o aprimoramento profissional dos 8123732.html. Acesso em 12
professores e para o desenvolvimento mar.2019.
de aulas eficazes e motivadoras.
Fonte:

Para finalizar essa unidade, te convido a realizar uma atividade.

Faça uma pesquisa sobre a aplicação da metodologia de projetos. Indique


sites, experiências, dê seu próprio relato se já vivenciou essa oportunidade.

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Nessa unidade você teve a oportunidade de perceber que dá para ensinar
presencialmente e obter muito sucesso em sua prática, não é? As metodologias
ativas possibilitam um leque muito grande de utilização de recursos para envolver o
aluno a participar e aprender.

Sair do ditar-falar do mestre dá um pouco de trabalho, mas depois que a


gente aprende a fazer isso e se acostuma com uma sala de aula mais ativa, crítica e
pensante, os resultados tendem a nos trazer mais prazer em nossa ação
pedagógica.

Você está pronto para ser esse “novo” professor? Sei que a resposta será
“siiiim”!

72
UNIDADE III:

EAD: O ENSINO À DISTÂNCIA

Conteúdos trabalhados na unidade: O EaD: breve histórico a partir das gerações


de EaD; Personagens do EaD; A escolha pela modalidade de estudo a
distância: motivação e necessidade; Carga horária do curso

Um educador deve estar sempre antenado às modificações que ocorrem em


seu tempo. A sala de aula, para alguns, é a mesma desde os tempos medievais,
séculos passados. Para outros, ela se moderniza a cada dia.

Como seria isso?

É certo que, na grande maioria das escolas, os alunos sentam-se enfileirados,


um atrás do outro, a mesa do professor está à frente, há um grande quadro de giz
no qual o docente escreve as informações que seus alunos precisam aprender.
Estes copiam as mesmas no caderno e devem decorá-las para as provas.

Em muitas escolas é assim que acontece.

73
Imagem 24: Sala de aula

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/jim113/09/p/a5a4ee67d4ac334bc39f6a3db060e4e
a.jpg
24 fev 2019

Você me diria que não?

Então, em algumas é assim que funciona e funcionará por muitos anos, mas,
e as outras sobre as quais falei que se modernizam a cada dia? O que é isso? Como
ocorre e como percebemos essa modernização?

Vamos ver? Por exemplo: com a inserção de data show, computadores


pessoais, notebooks, tablets, enfim, de recursos tecnológicos que possibilitam a
pesquisa instantânea, de dentro da própria sala de aula.

Não vou mudar de assunto, mas te pergunto: Você já esteve em Paris? Já


visitou um dos mais famosos e interessantes museus do mundo? Eu já! Aliás, nem
preciso de cartão de crédito para fazê-lo, como num reclame antigo, um anúncio de
um determinado cartão de crédito que mostrava que, ao possuí-lo, poderíamos
conhecer o mundo e ter o que quiséssemos apenas digitando uma senha.

74
Ah, ok, eu tenho cartão de crédito, mas vou à Paris agora, como você, sem
tirá-lo da minha carteira. Duvida? Então, bon voyage à nous!1

Acesse a internet de seu computador e entre no endereço eletrônico a seguir:

http://www.louvre.fr/accueil

Imagem 25: Frente do Museu do Louvre, em Paris

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/l/lauramusikanski/10/p/b1d67d3f752516d124f61621
773d5f06.jpg
24 fev 2019

Voilá! C’est le musée du Louvre!2

1 Boa viagem para nós! (tradução do francês).


2 Aí está! É o museu do Louvre! (tradução do francês).

75
E aí, gastou quanto por isso? Nada! E foi divertido, não foi? O mesmo você
pode fazer para conhecer qualquer lugar do mundo!

Certa vez fui para Bariloche e tive grande curiosidade de saber como as
pessoas estavam se vestindo por lá. Antes de viajar, eu quis saber sobre o clima e,
assim, pude arrumar minha mala com mais tranquilidade, levando exatamente o que
seria necessário vestir.

Visitei o seguinte endereço eletrônico:

https://pt.webcams.travel/webcam/fullscreen
/1498441780

Nele você pode ver imagens atualizadas a cada trinta segundos. Para meu
objetivo, arrumar a mala com roupas adequadas à temperatura, foi muito útil, não
concorda?

Imagem 26: San Carlos de Bariloche

Foto da autora
20 jan 2009

76
Deu para perceber o quanto a internet pode nos ajudar? Encontramos de tudo
nela, das coisas mais corriqueiras às mais complexas. É uma ajuda e tanto na sala
de aula!

É disso que estou falando. Refiro-me à ampliação do espaço escolar para


além das paredes da sala de aula e, mais ainda, para além dos muros da escola!

Vou reproduzir um pequeno texto, do livro “Tecnologia da informação para


todos”, da Coleção Entenda e Aprenda:

Em que mundo vivemos, afinal?


Imagine um mundo sem tecnologia. Sem celular, sem namoro via
Internet, sem futebol pela TV a cabo e, sobretudo, sem o estresse da vida
moderna. É fácil imaginar, ou não?
Um belo dia, David Byrne, o cérebro da extinta banda norte-americana
Talking Heads, resolveu fazer uma canção chamada (Nothing but) flowers –
(nada além de ) flores – para tentar descrever as sensações que o homem
experimentaria se, provado das maravilhas do mundo moderno, tivesse de
retornar ao estilo de vida que a natureza lhe oferecia há 30 ou 40 mil anos.
No início, Byrne se diverte com a delirante hipótese. Vê a si mesmo
como um novo Adão, livre nos Jardins do Éden. E, evidentemente, fica feliz
da vida por ter todo o tempo do mundo para não fazer nada ao lado da
belíssima Eva.
De repente, começa a sentir saudade do micro-ondas, dos shopping
centers, dos letreiros luminosos de Nova York e até da Pizza Hut e do 7-
Eleven – duas das mais tradicionais redes americanas de fast-food. Da
saudade à insatisfação é um pulo e, em segundos, Byrne compreende ser
impossível viver sem os referenciais que, mal ou bem, ajudaram a moldar
sua identidade.
Quando a canção (Nothing but) flowers começou a ser tocada, houve
quem taxasse o trabalho de Byrne como “antiecológico”. Nada mais falso.
Na verdade, o artista fez uma radiografia perfeita de como a tecnologia nos
transformou, atendendo (ou criando) novas necessidades.
Sempre se pode dizer, por exemplo, que “inventaram o computador
para resolver problemas que você não tinha antes”. Em certa medida, isso é
verdade, pois ninguém ficaria preocupado em recarregar o cartucho de uma
impressora há 20 anos. Em compensação, há 20 anos você teria que gastar
uns bons trocados se resolvesse imprimir aqueles poemas infames feitos
para reconquistar a sua namorada.
Nesse novo mundo, o computador está transformando a maneira de
pensar, falar, amar, estudar, ganhar dinheiro, visitar um médico e até eleger
o presidente. Em termos de Internet, então, iremos precisar de uma
enciclopédia para descrever as mudanças que a rede mundial de
computadores vem operando. Banco on-line (seu computador conectado ao
da instituição bancária), bibliotecas e shoppings virtuais, educação a
distância, cirurgias complicadíssimas (com o médico nos Estados Unidos e
o paciente na Europa) e, claro, tarefas prosaicas, como declarar seu
imposto de renda e fazer o licenciamento do seu carro.

77
Se não bastasse, ainda inventaram o celular conectado a Internet.
Agora a gente nem precisa estar mais em casa, diante do computador, para
receber e-mails, consultar os horários do cinema, ver o saldo ou xeretar a
previsão do tempo.
Então, dá para se imaginar sem tecnologia? Boa parte vai responder
com um sonoro “nãããããoooo!”. Seja por gosto, fascínio, necessidade ou,
sem dúvida, imposição – basta pensar no mercado de trabalho. E já que
quem está na chuva “é pra se queimar”, citando o antológico Vicente
Matheus, entender um pouco dessa tecnologia circundante acaba sendo
fundamental, tanto para elogiar quanto para criticar. Filosófica e
empolgadamente: pensar nos progressos da tecnologia significa rever em
perspectiva a própria aventura do ser humano (2002, pp. 9-10).

Após o lançamento do livro do qual extraí o texto acima já se passaram


muitos anos, mas ele descreve bem nossa realidade, certo? Assim, lhe pergunto:
podemos viver sem tecnologia? Não, não mesmo e isso inclui a escola.

O que precisamos saber é que nem sempre foi assim. Nem sempre a
educação contou com recursos tão modernos, como a lousa digital, por exemplo,
para auxiliá-la. Os recursos foram modernizando-se, aos poucos ou rapidamente,
como hoje em dia.

Vamos ver como isso aconteceu, como foi a história do EaD?

3.1 O EaD: breve histórico a partir das gerações

De qualquer forma, a educação a distância não é propriamente uma


novidade. O uso de novas tecnologias para educação também não o é. (…)
Há um claro conflito de culturas de uso: de um lado, a lógica da Internet,
fugaz, rápida fria (no sentido de McLuhan). De outro, a lógica educacional,
onde são necessárias a persistência, a fidelidade e a informação quente
(BLIKSTEIN e ZUFFO, 2003, p. 36).

O Ensino a Distância não é uma modalidade educacional tão recente.


Ressalto que, para pensar em EaD, partimos do pressuposto que alunos e
professores estão separados por espaço e/ou tempo e, com isso, lançam mão dos
recursos tecnológicos para que possam interagir e aproximar-se.

Quando, em pleno século XXI pensamos em EaD, na hora nos vem à mente
um computador conectado à Internet. Ah, eu penso nisso também, mas, nem

78
sempre foi assim e, ainda hoje, encontramos iniciativas que fazem EaD sem
computador, ou, sem Internet. É verdade!

Você já ouviu falar do Instituto Universal Brasileiro? Ele está há mais de


setenta anos no mercado, oferecendo diversos cursos à distância.

Os alunos do Instituto recebiam o material impresso do curso escolhido em


suas casas, estudavam e, se tivessem qualquer dúvida, poderiam enviá-la via
Correios ou via telefone aos tutores que procurariam saná-las no menor tempo
possível. Hoje, o IUV tem até site e vende cursos pela Internet, como o de Unhas
decoradas ou de Comida árabe. Ainda apoia-se nas apostilas, mas elas estão
digitalizadas e você pode estudar em seu computador.

Viu que EaD é muito mais que Internet? Podemos dizer, diante disso, que
houve várias gerações de produção de EaD. Vamos conhecê-las?

A cada época a EaD utilizou-se de determinadas mídias através das quais ela
pôde acontecer. Cada um destes momentos específicos ficou conhecido como
“geração”.

Conforme Moore e Kearsley (2012) há três gerações, que são as seguintes:

As 3 gerações da EaD

Geração Características

Estudo por correspondência, no qual o principal meio de


1ª comunicação eram materiais impressos, geralmente um guia de
estudo, com tarefas ou outros exercícios enviados pelo correio.

Surgem as primeiras universidades abertas, com design e


implementação sistematizadas de cursos a distância, utilizando,

além do material impresso, transmissões por televisão aberta,
rádio e fitas de áudio e vídeo, com interação por telefone, satélite e
TV a cabo.

Essa geração é baseada em redes de conferência por computador


e estações de trabalho multimídia.

79
Moore e Kearsley publicaram a primeira edição desse livro em 1996. De lá
para cá, muitas coisas mudaram, assim, houve a necessidade de ampliar sua
classificação. A partir deste quadro, temos que as gerações de EaD, portanto, são
cinco:

1ª. Geração – 1880

Tecnologia e mídia Imprensa e Correios.


utilizadas

Objetivos pedagógicos Atingir alunos desfavorecidos socialmente,


especialmente as mulheres.

Métodos pedagógicos Guias de estudo, auto-avaliação, material


entregue nas residências.

Formas de comunicação Correios e correspondência.

Tutoria Instrução por correspondência.

Interatividade Aluno/material didático escrito.

Nesta época EaD tinha um caráter assistencial e acontecia totalmente


distante de um tutor. A intenção era de que o aluno estudasse sozinho, em sua
casa.

2ª. Geração – 1921

Tecnologia e mídias Difusão de rádio e TV.


utilizadas

Objetivos pedagógicos Apresentação de informações aos alunos, à


distância.

Métodos pedagógicos Programas teletransmitidos e pacotes


didáticos (todo o material referente ao curso é

80
entregue ao aluno pelos correios ou
pessoalmente).

Formas de comunicação Rádio, TV e outros recursos didáticos, como:


caderno didático, apostilas, fita K-7.

Tutoria Atendimento esporádico, apenas por contatos


telefônicos, quando possível.

Interatividade Pouca ou nenhuma interação


professor/aluno.

Aqui, a interação era entre aluno e material. Ainda, como na geração anterior,
o indivíduo estudava sozinho, assistindo aos vídeos ou ouvindo sons preparados
pela equipe. O contato era raro entre alunos e tutores.

Figura 27: Rádio: tecnologia utilizada na EaD dos anos 1920

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/r/roganjosh/preview/fldr_2011_07_10/file401310290
636.jpg
12 mar.2019

81
3ª. Geração – 1970

Tecnologia e mídia Universidades Abertas.


utilizadas

Objetivos pedagógicos Oferecer ensino de qualidade com custo

reduzido para alunos não universitários.

Métodos pedagógicos Orientação face a face, quando ocorrem

encontros presenciais.

Formas de comunicação Integração áudio e vídeo e correspondência.

Suporte e orientação ao aluno.

Tutoria Discussão em grupo de estudo local e uso de


laboratórios da universidade nas férias.

Interatividade Guia de estudo impresso, orientação por

correspondência, transmissão por rádio e TV,


AUDIOTEIPES gravados, conferências por

telefone, kits para experiências em casa e


biblioteca local.

Nesta geração começa a proposta de trabalho híbrido, ou seja, que mescla


momentos presenciais e à distância.

82
Recomendo a leitura do capítulo 7 iniciativas nesta modalidade de EaD,
(Modelos de ensino e aprendizagem como a University of Air, do Japão e a
de instituições específicas) do livro Open University inglesa.
“Didática do ensino a distância”, de
Otto Peters, para conhecer diversas

4ª. Geração – 1980

Tecnologia e mídia Teleconferências por áudio, vídeo e


utilizadas computador.

Objetivos pedagógicos Direcionado a pessoas que aprendem


sozinhas, geralmente estudando em casa.

Métodos pedagógicos Interação em tempo real de aluno com aluno


e instrutores à distância.

Formas de comunicação Recepção de lições veiculadas por rádio ou


televisão e audioconferência.

Tutoria Atendimento síncrono e assíncrono,


dependendo de contatos eletrônicos.

Interatividade Comunicação síncrona e assíncrona com o


tutor, professor e colegas.

Esta foi uma geração que preparou o que temos na atualidade. Foi muito
importante e marcou, definitivamente, o fazer EaD.

83
Figura : Audioconferência

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/c/CTrillo/03/l/1458498881hu4us.jpg
24 fev 2019

5ª geração – 2000

Tecnologia e mídia Aulas virtuais baseadas no computador e na


utilizadas internet.

Objetivos pedagógicos Alunos planejam, organizam e implementam


seus estudos por si mesmos.

Métodos pedagógicos Métodos construtivistas de aprendizado em


colaboração.

Formas de comunicação Síncrona e assíncrona.

Tutoria Atendimento regular por um tutor, em


determinado local e horário.

Interatividade Interação em tempo real ou não, com o


professor do curso e com os colegas de
curso.

84
Ah, esse modelo soa familiar, não é? Nas universidades que oferecem cursos
em EaD as aulas são ministradas virtualmente, ou seja, os professores vão aos
estúdios da universidade para gravá-las e, depois, as mesmas são disponibilizadas
para você, que interage, a partir da mesma, com seus colegas e professores.

Consulte a aula sobre EaD que está ventos_modulo_I/topico_ead/Aula_02.


em: pdf. Lá você poderá estudar mais
http://ftp.comprasnet.se.gov.br/sead/lici sobre o histórico do EaD mundo a fora.
tacoes/Pregoes2011/PE091/Anexos/E Será muito enriquecedor!

Figura 28: Educação a Distância

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/m/morganpatrickkelly/11/p/663cc6572e75bcc8f36d2
efcd9e8e680.jpg
24 fev 2019

85
É importante refletir, após analisar o histórico do EaD, a partir das cinco
gerações, que simplesmente utilizar recursos tecnológicos não é fazer EaD muito
menos garantir ensino e aprendizagem.

Como educadores, temos que ter em mente a importância de nosso papel


diante da realidade que está posta e como podemos fazer cada dia melhor a
docência.

O objetivo é ensinar e aprender. O recurso é um auxílio. O (A) professor (a)


continuará sendo a figura mais importante na tomada de decisões sobre o “como”
fazer, o “como” ensinar.

Veja, os recursos com os quais contamos nos dias de hoje requerem que
nossos conhecimentos e dúvidas desenvolvam-se num fazer apurado e reflexivo.

Reflexão, sempre!

Para isso, discutiremos agora quem são as personagens do EaD. Quem faz
EaD acontecer? Quais os diferentes papéis necessários que devem ser assumidos
pelos protagonistas neste processo de ensinar e aprender?

Você, que é aluno em um curso em ativamente esta inovação que a EaD


EaD, é parte integrante e sujeito no trouxe para os processos
processo de educação a distância. O educacionais!
que você está fazendo aqui é Já pensou nisso? Você também faz
exatamente participar e viver EaD!

86
3.2 Personagens do EaD: o aluno, o professor/tutor e o curso

Se EaD é uma

modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos


processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação, envolvendo estudantes e
professores no desenvolvimento de atividades educativas em lugares ou
tempos diversos (BRASIL, 2005, p. 1),

é imprescindível o papel de um professor/tutor que acompanhe seus alunos


em toda sua navegação durante um curso. Sem esses elementos, não haverá
interação e, possivelmente, não haverá aprendizagem.

Se em outros tempos havia a possibilidade de um aluno estudar sozinho,


hoje, é fundamental um tutor, alguém que o acompanhe ou pelo AVA – ambiente
virtual de aprendizagem, ou pela própria forma de construção do curso.

Os tutores podem ser personagens que estão indicando, todo o tempo, o que
fazer, onde clicar, o que acontecerá em seguida ao clique, ou seja, eles são
programados para monitorar toda a navegação dos participantes, já antevendo
possíveis percursos e oferecendo possibilidades.

Claro que não se comparam aos tutores “de verdade”, de carne e osso…
Gente é sempre melhor do que programa de computador.

Gente pensa, sente, sofre, aprende.

Programa de computador só faz aquilo que alguém já pensou por ele, mas
não toma decisão, não escolhe o que fazer.

O papel do tutor pode, porém, ser outro. Este papel se amplia a partir da
possibilidade de interação, propiciada pelas tecnologias digitais interativas. É aqui
que entra o tutor “de verdade”. Aquela pessoa para quem pedimos socorro quando
precisamos ou para quem desejamos um bom final de semana após árduos dias de
trabalho diante da máquina.

E, para sentir que há alguém ali, será através do texto produzido por ele(a)
que vamos perceber. Será uma palavra amável, uma indicação gentil de algo que

87
devemos saber melhor, ou na demonstração de um errinho nosso que se
desenrolará o relacionamento com o tutor.

O tutor é uma figura fundamental no mediação entre alunos, conteúdos e


processo de EaD. É ele quem faz a professores.

A Universidade Aberta do Brasil – UAB – propõe dois diferentes tipos de


tutores:

a) tutores presenciais – nos cursos em que são tutores, encontram-se com


seus alunos em um espaço físico. Neste, os alunos acessam os
conteúdos por meio de transmissões (televisivas ou via Internet) ao vivo
ou gravadas. A maior parte das atividades de um curso como esse são
desenvolvidas à distância e o tutor presencial apenas acompanha os
alunos;

b) tutores a distância – “mantêm contato com os estudantes apenas por


meio de tecnologia – ambiente virtual de aprendizagem, telefone, e-mail
etc.” (BORTOLOZZO, 2009, pp. 61-62). Também são conhecidos como
tutores técnicos, virtuais ou online. Costumam corrigir os trabalhos ou
acompanhar os alunos na sala de aula virtual.

88
Recomendo a leitura do trabalho ABED de Educação a Distância, em
intitulado “O papel do tutor como 2014. Disponível em:
mediador da aprendizagem na http://www.abed.org.br/hotsite/20-
educação a distância”. Apresentado no ciaed/pt/anais/pdf/192.pdf. Acesso em:
CIAED, Congresso Internacional 25 nov. 2018.

Além dos tutores, há os (as) professores (as). Eles podem, em algumas


instituições, ser a mesma pessoa, mas, de um modo geral, é o(a) professor(a) quem
ministra as aulas (ao vivo ou gravadas), quem propõe e corrige provas e trabalhos,
quem orienta os TCCs (trabalhos de conclusão de curso) e as monografias e elabora
as aulas e os livros texto. Ainda, os(as) professores(as), participam dos fóruns
(assíncronos) nos quais uma questão é proposta para dar início às discussões sobre
o tema da aula ministrada.

Outra figura importante, sem a qual não há o curso, é o aluno. Ele tem
funções primordiais para o bom andamento de qualquer projeto em EaD. Sem sua
participação nenhum curso terá vida, não se constituirá como ação pedagógica.

O aluno, assim como os tutores e os professores, também tem funções. De


todas, a principal é colocar-se diante dos conteúdos, resolver as questões
propostas, ler os materiais oferecidos, assistir às animações indicadas, buscar além
daquilo que é indicado e participar dos fóruns e de todas as discussões pertinentes
aos temas trabalhados.

O curso, outro elemento importante, só acontecerá se o aluno estiver


presente, deixando suas marcas por onde passar. Quanto a ele, o curso, é de suma

89
importância que ele seja interativo, ou seja, que o aluno possa sentir que tem amis
alguém por lá.

O’ROURKE, J. Tutoria no EaD: um Ensino Aberto e à Distância (EAD). A


manual para tutores. Vancouver: The série abrange os papéis e funções-
Commonwealth of Learning, 2003. chave dos sistemas de ensino aberto e
Disponível em: à distância do ponto de vista do
http://www.abed.org.br/col/tutoriaead.p praticante. O objetivo dos manuais é
df. Acesso em: 13 mar.2019. prestar aos profissionais um
aconselhamento e orientações acerca
das respectivas tarefas, funções e
Este livro faz parte de uma série de
papéis, e criar condições que lhes
manuais que estão a ser
permitam refletir acerca das questões-
desenvolvidos para profissionais do
chave com que se deparam (p. 4).

Imagine a escola sem os alunos. Também sou professora presencial e,


quando entro de ferias e vou à universidade, me dá um aperto no coração… Sinto
uma saudade dos corredores cheios, do som das vozes dos alunos, do andar de lá
para cá o tempo todo… Sinto até falta das conversinhas paralelas em sala de aula
(só um pouquinho!)… Os alunos dão vida aos cursos, como já disse. Sem sua voz,
não se fala com ninguém.

Continue imaginando: você é tutor(a) num curso em EaD. O curso começa.


Os alunos estão empolgadíssimos, “falam” sem parar. Se você ficar uma hora fora
do ambiente, já sabe que, ao retornar, encontrará o espaço cheio de perguntas e
observações.

90
Outra situação: você acessa o curso e quase nenhum aluno “aparece”. Os
ambientes estão vazios, as atividades sem participação, nos fóruns só tem você
chamando pelos alunos… Lembrou aqui da universidade no período de férias? É,
triste, não é? E não pode ficar assim! É preciso motivação! É preciso trazer os
alunos para o curso, incentivá-los a participar, a questionar, a realizar as atividades
propostas, todo o tempo! É preciso vida no curso!

Agora, pense num curso em EaD em que os materiais são tal como no ensino
presencial – textos xerocados, por exemplo, aqui são digitalizados. Há questionários
intermináveis que devem ser respondidos e encaminhados por e-mail para o(a)
tutor(a), o qual lhe atribuirá uma nota pelas respostas.

Não há vídeos, sons ou bonequinhos andando pela tela e sorrindo para você.
Só há textos, intermináveis páginas com textos e mais textos. O que você acha
desse curso? Certamente ficou cansado e torcendo para não ter que realizá-lo,
certo? Sou sua parceira nesse sentimento. Também não quero isso para mim.

Você percebeu a importância da dialogicidade num curso em EaD? Percebeu


o quanto sentir-se fazendo parte daquilo tudo é fundamental para sentir-se atraído?
Pois bem. Essa é a parte em que eu lhe digo: todo curso em EaD tem que prever a
interação. Mais que interatividade, a troca, a parceria, a construção de laços e
vínculos entre os elementos ou personagens de um curso nesta modalidade de
ensino.

91
Imagem 29: Interação e dialogicidade

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/p/Prawny/12/l/14174386657rhnm.jpg
13 mar.2019

Vamos conceituar e explicar a diferença entre as duas?

a) Interatividade: vem de “interactivity, foi cunhada para denominar uma


qualidade específica da chamada computação interativa (interactive
computing)” (FRAGOSO, 2001, p. 3), ou seja, relacionamento travado
entre indivíduo e computador.

b) Interação: é um fator muito importante e deve ser predominante em


processos de EaD, visto que há pessoas participando. De acordo com
Villardi (2003, p. 48),

a educação a distância não pode realizar-se sem a interação, processo pelo


qual o indivíduo é afetado pela presença do outro, que se dá por meio da
colaboração, da crítica, da análise diferenciada, da presença de um outro
ponto de vista.
Ao contrário da simples interatividade, de onde podemos esperar apenas as
trocas, a interação culmina em uma mudança de concepções, em uma
construção de conhecimentos a partir da reflexão e da crítica, que se dá em
ambientes cooperativos, onde é possível a aprendizagem significativa.

92
Se em EaD a interação deve prevalecer, é certo que buscamos pensar em
cursos com posições mais humanizadoras, que vejam o quanto o(a) aluno(a)
participante e o(a) professor(a) ou tutor(a) tem a colaborar para a construção de
conhecimento – um do outro.

Aprendizagem colaborativa é sempre mais enriquecedora que aquela que se


dá em total clausura, sem um interlocutor parceiro.

Educação é interação, assim, todo curso deve ser interativo e contar com a
colaboração dos participantes para promover e fortalecer a aprendizagem!

Vou contar uma coisa: sou professora mundo se abrindo. É emocionante


em EaD desde 2002 quando iniciei o estar num curso em EaD e conhecer
Mestrado na PUC-SP. Foi tudo assim, as pessoas a distância!
de sopetão. Quando me dei conta, já Conheça mais sobre EaD em:
estava lá, ensinando, aprendendo, http://www.slideshare.net/Anated/a-
criando… Percebo as potencialidades importncia-da-tutoria-motivacional-na-
do EaD a cada dia crescendo e um ead. Acesso em: 10 jan 2019.

3.3 A escolha pela modalidade de estudo a distância: motivação e


necessidade

Até agora temos discutido as mudanças no mundo, as novas formas de se


ensinar e de aprender e quem pode contribuir nesse contexto, certo?

93
Mas… EaD surge de que modo? Qual sua intencionalidade, inicialmente? E
hoje?

Cada vez mais as pessoas têm menos tempo para se deslocar entre a cidade
em que moram e trabalham. São questões desde grandes distâncias até os terríveis
engarrafamentos que fazem com que percamos, em média, duas horas desde a
saída do ponto inicial até a chegada a um ponto que pode ser o intermediário,
considerando que saímos do trabalho para o local de estudo e só de lá e que vamos
para casa.

É muito tempo jogado fora… Podemos melhorar essa conta, podemos


preencher esse tempo negativamente ocioso com algo que seja precioso para nós –
educação!

As rápidas mudanças no local de trabalho, o desemprego e a incerteza


exigem alterações imediatas na educação e formação contínua e ao longo
da vida. Sob tais circunstâncias, é irreal esperar que as estruturas
educacionais tradicionais respondam numa base adequada para o
desenvolvimento do conhecimento e das competências. Deste modo, torna-
se necessário encontrar novos métodos para melhorar os níveis
educacionais, iniciais ou de formação contínua (RURATO, GOUVEIA &
GOUVEIA, 2007, p. 80).

Assim sendo, uma opção pertinente é EaD. Buscar cursos que podem ser
realizados de acordo com o tempo disponível e com a necessidade latente dos
alunos é uma opção grandiosa.

Se podemos estudar, ter maior informação e melhor formação, mas não é


viável frequentar uma escola presencial para tal, por que não optar por estudar à
distância? Essa é uma possibilidade. Pensando nisso, antes de escolher um curso
em EaD, procure traçar um perfil de como você seria estudando nesta modalidade.

Não é só responder aos questionários, mas não pode deixar de fazê-los. Não
é decidir entrar sempre à noite, ao final do trabalho, pois você poderá estar muito
cansado e os olhinhos não abrirem o suficiente para ler os materiais e assistir às
apresentações. Não é pensar que clicar na setinha que faz virar a página o conteúdo
terá sido entendido.

Diante disso, vai a pergunta para ser completada: Por que EaD?

94
Você escolheu a modalidade EaD, porque,
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Você não pode deixar de ler “Tutoria membros para tirar o máximo partido
no EAD: Tutoria no EAD: Um manual das estratégias e tecnologias do
para Tutores”, material produzido pela ensino a distância para proporcionar
Commonwealth of Learning, um aumento de acessibilidade
organização intergovernamental criada equitativa à educação e formação para
pelos governos da Commonwealth em todos os seus cidadãos. Disponível
Setembro de 1988, com sede em em:
Vancouver, no Canadá. Seu principal http://www.abed.org.br/col/tutoriaead.p
objetivo é apoiar os governos df. Acesso em: 20 fev 2019.

Vou tentar ajudá-lo: veja o esquema que segue sobre os fatores que afetam a
participação em processos de aprendizagem:

95
Adaptado de HENRY, G. T., & BASILE, K. C. Understanding the decision to participate in formal
adult education. Adult Education Quarterly, 44(2), pp. 64-82, 1994.

A partir desse esquema, pense se você realmente participaria de um curso


em EaD. Opa! Participaria, sim. Aliás, está participando desta pós-graduação, certo?

96
Então, reflita: você optou por essa modalidade, pois se sente motivado a
estudar em EaD ou é uma necessidade que você tem (independente do seu
motivo)?

Para auxiliá-lo, vou descrever o que é motivação e necessidade. Veja só:

a) Motivação: de acordo com diversos autores, são os principais fatores que


motivam os aprendentes adultos para realizarem cursos em EaD, a saber:

• Desenvolvimento na carreira;

• Constrangimentos de tempo, distância e financeiros;

• Flexibilidade de acesso e de tempo, oportunidade de colaborar com


outros aprendentes distantes e com diferentes background e
experiências;

• Socialização e conveniência

Imagem 30: Motivação ou necessidade?

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/k/Karpati%20Gabor/08/l/13777990626s8em.jpg
13 mar.019

97
Você se adequa a uma dessas, ou a mais de uma? Ainda, muitos procuram
estudar em EaD por:

b) Necessidade: muitos alunos em EaD tem como objetivos, como citados


anteriormente, buscar um desenvolvimento na carreira; não tem tempo de
ir para uma escola presencial por questões como distância e os gastos
que isso implicariam.

Essas razões tanto os motivam quanto demonstram sua necessidade, em


especial a primeira, ou seja, ter um upgrade em sua carreira, que poderá levar a
promoções, aumento de salários e diversas outras vantagens que todo profissional
deseja obter.

A questão aqui não é levar à discussão se estou em EaD por que gosto ou
por que preciso. O que deve ser levado em consideração é se tenho o perfil para ser
aluno em EaD.

Diante do exposto, espero que você esteja satisfeito por ter feito a escolha
correta e continue buscando outros cursos – em EaD ou em educação presencial -
para aprimorar-se cada vez mais como profissional.

3.4 Carga horária do curso

Estava buscando bibliografia para escrever sobre esse tópico quando me


deparei com um curso sobre carga horária em EaD. É, um curso que ensina como
estipular a carga horária para cursos em EaD. Confesso que tive curiosidade e
quase me inscrevi…

Essa questão de como estabelecer a carga horária para estudos via Internet é
muito curiosa. Como saber qual será o ritmo de cada aluno. Alguns realizarão as
atividades propostas com muita facilidade, com muita rapidez. Outros vão demorar

98
mais do que foi imaginado e outros nem conseguirão terminar. Não há receita
pronta.

Uma vez uma aluna me perguntou sobre como saber exatamente quanto de
seu tempo seria consumido no curso (ela estava escrevendo o curso e pretendia
vendê-lo). Minha resposta foi simples (ou não). Fiz a seguinte pergunta: para
docente ou para alunos? É aí que está a diferença e é em cima disso que devemos
nos prender: qual seu foco?

Explico melhor: para o professor, o número de horas consumidas é diferente


das horas dos alunos. E o momento em que você está pensando sobre isso importa,
ou seja, você está planejando seu curso ou está ministrando as aulas?

Para planejá-lo, certamente o consumo será maior, já que há a necessidade


de muita pesquisa e organização de materiais até que o curso fique efetivamente
pronto. Para ministrar será diferente, pois você já o conhece e estará dirigindo as
atividades. Acredito que, nesse caso, duas horas diárias são suficientes. Há quem o
faça em mais, há quem necessite apenas de uma hora para ler as interações e
atividades dos alunos e deixar seus comentários e questões motivadoras.

Caso você pense em realizar chats, aí cada conversa deve ter em torno de
sessenta minutos, pois é um tempo razoável para falar com os alunos, ouvi-los,
discutir questões previamente indicadas e tomar decisões a partir delas. Nesse
caso, um resumo do chat precisa ser feito para que um aluno que, porventura não
tenha conseguido estar presente, possa, em seu tempo, acompanhar as discussões
e posicionar-se nos fóruns. É mais ou menos assim.

99
Você quer uma “formulinha”, não é? Já para estudar por, pelo menos, duas
disse que aqui não é o espaço para horas diárias e, para o tutor, pelo
apresentação de fórmulas ou receitas menos uma hora diária de
prontas, lembra-se? Ainda assim, lá acompanhamento dos fóruns e
via uma dica: procure pensar que, para atividades postadas para cada
o aluno, seria interessante planejar-se unidade, ok?

Lembre-se: na verdade, cada curso será de um jeito, com exigências muito


particulares. Essa é uma regrinha em geral!

Todo(a) bom(a) tutor(a) de curso em EaD precisa estar presente, mesmo que
fisicamente longe. E, como eu já disse aqui nesse material, é através de seu texto
que conseguirá fazê-lo.

1) Analise as duas situações que seguem:

Situação 1

O aluno 1 faz uma pergunta. O tutor responde de forma seca, objetiva por
demais.

O aluno 2 acrescenta que não entendeu bem. O tutor refaz a resposta, mas
continua distante.

O aluno 3 decide nem participar.

100
Situação 2

O aluno 1 faz uma pergunta. O tutor responde de forma atenciosa, objetiva,


mas propondo desmembramento da questão e sugere que os demais alunos se
coloquem.

O aluno 2 coloca-se e acrescenta que não entendeu bem. O tutor refaz a


resposta, apresentando novos exemplos, trazendo a questão da dúvida para a
realidade prática.

O aluno 3, que não é muito ativo, decide participar pois é convidado pelo
tutor.

Outros alunos também se colocam e o tutor vai acompanhando-os.

2) Agora responda:

a) O tempo de participação do tutor 1 será o mesmo que o do tutor 2 no


curso? Sim ou Não? Por que?

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b) Qual dos dois tutores terá mais a ensinar e a aprender com seus alunos?

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c) E quanto ao prazer de vivenciar essa experiência em EaD, qual dos


tutores será mais “sortudo”?

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Assista à apresentação que está no processo-histrico-da-ead. Nela você


seguinte endereço eletrônico: terá um panorama completo sobre
http://www.slideshare.net/joaojosefons EaD.
eca/evoluo-social-associada-ao- Ótima exploração!

102
Nesta unidade foi possível conhecer um pouco mais sobre EaD – as gerações
pelas quais passou e vem passando e seu desenvolvimento. Pudemos perceber,
assim, que EaD não é uma modalidade tão recente, não é mesmo? O que
aconteceu foi que, especialmente devido à inserção das TICs – Tecnologias da
Informação e de Comunicação - no ensino, muita coisa mudou e ainda tem a mudar.
Foi um grande salto, realmente, que não nos deixa mais voltar aos tempos antigos,
quando só se aprendia formalmente indo à escola.

Hoje temos vários recursos, como os AVAs, ambientes virtuais de


aprendizagem, que são salas de aula, nas quais são desenvolvidos cursos, inclusive
de graduação e pós-graduação.

Você, aluno de um curso em EaD, é um exemplo de como a Educação a


Distância vem mudando modos de aprender e de ensinar. Sempre repito isso! Você
está aqui, estudando Métodos e Técnicas na Aplicação de Ensino para Adultos, pois
escolheu EaD para concluir sua pós-graduação. Já pensou nisso?

E ainda, veja como, além de você, a presença de um(a) tutor(a)


comprometido é de extrema relevância.

Precisamos desenvolver todos os dias novas habilidades e competências,


diferentes daquelas desenvolvidas nas salas de aulas tradicionais presenciais para
que possamos acompanhar as mudanças dos tempos em que vivemos, para que
possamos ser aprendizes e ensinantes na contemporaneidade!

103
UNIDADE IV

FAZENDO EAD ACONTECER

Conteúdos trabalhados na unidade: Universidade Aberta do Brasil; TICs aplicadas


a Educação: os AVAs; Modelos de ensino em EaD; Avaliação;
Interdisciplinaridade; EsD; Ferramentas e objetos de aprendizagem
aplicáveis/utilizados em EaD: vantagens e dificuldades; O correio
eletrônico; Redes Sociais.

Agora que já fizemos toda uma discussão acerca da EaD, aplicações, as


modalidades, ambientes virtuais de aprendizagem, avaliação, didática dentre outros
temas tão importantes, que tal olhar para as ferramentas e os objetos de
aprendizagem desenvolvidos para serem trabalhados em EaD?

Vamos lá!

4.1 Universidade Aberta do Brasil

Você já deve ter ouvido falar sobre a UAB – Universidade Aberta do Brasil.
Já? Se não, vamos entender o que quer dizer UAB? No site da CAPES -
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(http://www.capes.gov.br/), temos acesso a todas as informações relevantes sobre
esta iniciativa. Vamos a elas?

É importante saber que a UAB não é uma universidade, apesar de o nome


dar esse indicativo. Ela é, na verdade, um sistema composto por diversas
universidades públicas visando oferecer cursos de nível superior para alunos
oriundos das camadas da população que têm maiores dificuldades de acesso a esse
nível de ensino.

Para realizar seu projeto educacional, a UAB faz uso de uma metodologia que
privilegia a EaD. Não são só os alunos que recebem formação com esta iniciativa.

104
Professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação, assim
como os dirigentes, os gestores e os trabalhadores em educação básica dos
estados, dos municípios e do Distrito Federal.

O Sistema UAB foi instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006,


para "o desenvolvimento da modalidade de educação a distância, com a
finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de
educação superior no País". Fomenta a modalidade de educação a
distância nas instituições públicas de ensino superior, bem como apoia
pesquisas em metodologias inovadoras de ensino superior respaldadas em
tecnologias de informação e comunicação. Além disso, incentiva a
colaboração entre a União e os entes federativos e estimula a criação de
centros de formação permanentes por meio dos polos de apoio presencial
em localidades estratégicas.

Deste modo, o sistema da Universidade Aberta do Brasil propicia

(…) a articulação, a interação e a efetivação de iniciativas que estimulam a


parceria dos três níveis governamentais com as universidades públicas e
demais organizações interessadas, enquanto viabiliza mecanismos
alternativos para o fomento, a implantação e a execução de cursos de
graduação e pós-graduação de forma consorciada.

O que a UAB procura fazer é “plantar a semente da universidade pública de


qualidade em locais distantes e isolados”, assim como também visa incentivar o
desenvolvimento de municípios cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 3 e
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)4 são baixos.

Se analisarmos a iniciativa, teremos que é o grande objetivo do sistema, abrir


as portas para aqueles estudantes que, por razões de nível socioeconômico, não
tiveram as mesmas oportunidades que os demais estudantes.

A UAB funcionaria, portanto,

3 O IDH é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do
desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer
um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que
considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a
colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998,
o IDH pretende ser uma medida geral e sintética que, apesar de ampliar a perspectiva sobre o
desenvolvimento humano, não abrange nem esgota todos os aspectos de desenvolvimento.
4 O IDEB, criado pelo Inep em 2007, é iniciativa pioneira que reúne num só indicador dois conceitos

fundamentais para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações.
Ele agrega ao enfoque pedagógico dos resultados das avaliações a possibilidade de resultados
facilmente assimiláveis, e que permitem traçar metas de qualidade educacional para os sistemas. É
calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e médias de
desempenho nas avaliações do Inep, o Saeb – para estados, DF e para o país, e a Prova Brasil –
para os municípios.

105
(…) como um eficaz instrumento para a universalização do acesso ao
ensino superior e para a requalificação do professor em outras disciplinas,
fortalecendo a escola no interior do Brasil, minimizando a concentração de
oferta de cursos de graduação nos grandes centros urbanos e evitando o
fluxo migratório para as grandes cidades.

A UAB é uma iniciativa grandiosa. Pretensiosa, eu diria, mas muito necessária


tendo em vista a realidade – e a diversidade – continentais do nosso país. O
Sistema UAB sustenta-se em cinco eixos fundamentais. Você imagina quais sejam
eles? Vejamos:

1) Expansão pública da educação superior, considerando os processos de


democratização e acesso;

2) Aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de ensino


superior, possibilitando sua expansão em consonância com as propostas
educacionais dos estados e municípios;

3) Avaliação da educação superior à distância tendo por base os processos de


flexibilização e regulação implantados pelo MEC;

4) Estímulo à investigação em educação superior à distância no País;

5) Financiamento dos processos de implantação, execução e formação de


recursos humanos em educação superior à distância.

Você percebeu quantas vezes aparece a expressão educação a distância na


descrição dos eixos fundamentais do sistema UAB? Eu contei: três vezes e os eixos
são cinco.

Entende a importância desta modalidade para o funcionamento do sistema?

Ainda, ressalto que as universidades envolvidas são públicas, o que nos


remete a refletir sobre o quanto as políticas públicas federais preocupam-se e
valorizam a EaD como possibilidade de formação aos estudantes.

106
Para encerrar, embora ainda haja muito a saber sobre a UAB, para o que
recomendo uma visita ao site indicado anteriormente, você tem ideia de como o
sistema funciona? Veja a imagem que segue:

Imagem 31: Articulação entre as instituições públicas de ensino e os polos de


apoio presencial

http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7&Itemid=19
25 fev. 2019

A proposta é de fazer uma articulação entre as universidades federais visando


atender às demandas locais por educação superior. É mais ou menos assim: são
estabelecidas quais as instituições que serão responsáveis por ministrar um curso
determinado e onde isso acontecerá (qual município), onde haverá polos de apoio
presencial para gerenciar todo o processo - o que podemos ver na imagem

107
“Articulação entre as instituições públicas de ensino e os polos de apoio
presencial”.

Depois de firmado todo esse esquema, o sistema UAB assegurará o fomento,


ou seja, o incentivo financeiro, para que haja pleno funcionamento das ações
pedagógicas nos polos.

Você pode encontrar todas as http://www.uab.capes.gov.br/.


informações sobre a iniciativa UAB no Não esqueça de visitá-lo!.
endereço eletrônico a seguir:

É importante conhecer essa iniciativa, pois ela é a garantia de que as políticas


públicas propõem que processos educacionais sejam viabilizados também via EaD.

A EaD tendo apoio governamental, certamente, fica mais fácil de que a


iniciativa privada adentre, como já o faz, o mercado com mais segurança e oferta de
cursos variados.

Deste modo, a EaD, devidamente respaldada por legislação eficiente e


apoiada pelo setor público, encontrará apoio cada vez mais eficaz no alcance da
massa interessada, realizando o seu desígnio de popularizar o ensino e
disponibilizar as condições de acesso aos mais remotos recantos do país.

Viu como você fez a escolha certa para sua pós-graduação? Parabéns!

108
4.2 TICs (Tecnologias da informação e comunicação) aplicadas a Educação:
os AVAs (ambientes virtuais de aprendizagem)

Continuando nossa caminhada pelo mundo do EaD, vamos sempre nos


lembrar que estudar através da modalidade à distância é um recurso cada vez mais
utilizado.

É um modo de estudar de uma forma um pouco diferente do ensino


tradicional presencial, aonde vamos à escola diariamente, no mesmo horário,
encontramos as mesmas pessoas e desenvolvemos a mesma rotina.

De acordo com o MEC – Ministério da com alunos e professores


Educação, em sua página oficial, a desenvolvendo, em lugares e tempos
EaD é a modalidade educacional na diversos, as atividades educacionais
qual a mediação didático-pedagógica propostas para cada curso.
nos processos de ensinar e aprender Encontramos essa definição no
ocorre com o uso de meios e TICs – Decreto 6.522/05 que regulamenta o
tecnologias da informação e educação, art. 80 da LDN 9394/96.

É diferente. É estudar de outro jeito. E pressupõe pensar sobre como se faz


isso, afinal, imagino que todos nós, ou a maioria de nós fomos formados pela
modalidade presencial, certo?

Aprendemos bastante deste jeito, não é?

109
Pois bem, o que trago à discussão é exatamente a questão de que EaD é
outra forma, diferente do ensino presencial.

Você já refletiu sobre isso?

Contudo, em ambas é necessária uma sala de aula. É. Uma sala de aula, sim!
Só que em EaD, essa sala de aula estará no ambiente virtual, acessada ao tempo
de cada um. E, para que isso aconteça, é preciso que haja um AVA – ambiente
virtual de aprendizagem – que é, na verdade, essa escola da qual acabei de falar,
com suas salas de aula, biblioteca, secretaria etc.

Você já tinha escutado falar em AVAs antes de fazer um curso em EaD? Se


sim, que AVAs você conhece? Se não, vamos conhecer alguns deles.

Veja exemplos:

1) AdaptWeb: projeto da desenvolvido pelo Instituto de Informática da


Universidade federal do Rio Grande do Sul e pelo Departamento de
Computação da Universidade Estadual de Londrina.

http://freecode.com/projects/adaptweb

110
2) Amadeus Ims: Agentes Micromundos e Análise do Desenvolvimento no
Uso de Instrumentos: um software livre, de apoio à aprendizagem,
executado num ambiente virtual, criado em 2007 pelo grupo de pesquisa
em tecnologia educacional do Centro de Informática da Universidade
Federal de Pernambuco. A nova versão foi lançada em 01 de março de
2018.

https://softwarepublico.gov.br/social/amadeus

3) Moodle5: Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment,


software livre, que permite a criação de cursos on-line, executado em
ambiente virtual; é, ainda, um Sistema de gestão da aprendizagem (LMS -
Learning Management System); pode ser utilizado em contexto e-learning
ou b-learning, está disponível em 75 línguas diferentes e conta com
25.000 websites registados em 175 países.

5
O verbo "to moodle" descreve, em inglês coloquial, o processo de navegar despretensiosamente por
algo, enquanto faz-se outras coisas ao mesmo tempo.

111
https://www.ggte.unicamp.br/ea/#

4) Sócrates: ambiente colaborativo baseado na Web, possibilitando a


criação de projetos e comunidades de aprendizagem de modo a contribuir
para a melhoria da formação e prática pedagógica cotidiana dos
professores da escola básica e pesquisadores dos Programas de Pós-
Graduação.

http://www.vdl.ufc.br/socrates/

112
5) Teleduc: é um ambiente de educação a distância pelo qual se pode
realizar cursos através da Internet; desenvolvido em parceria pelo Núcleo
de Informática Aplicada à Educação (NIED) e pelo Instituto de
Computação (IC) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

https://www.nied.unicamp.br/projeto/teleduc/

6) Solar: O Instituo UFC Virtual da Universidade Federal do Ceará


desenvolveu este ambiente virtual de aprendizagem.

113
https://sistemas.ufsc.br/login?service=https%3A%2F%2Fsolar.egestao.ufsc.br%2Fsolar%2F

7) E-proinfo: é um ambiente colaborativo de aprendizagem; permite a


concepção, administração e desenvolvimento de diversos tipos de ações,
como cursos a distância, complemento a cursos presenciais, projetos de
pesquisa, projetos colaborativos e diversas outras formas de apoio a
distância e ao processo ensino-aprendizagem.

http://eproinfo.mec.gov.br/

114
E-learning: E-learning é uma B-learning: O B-Learning traduz uma
modalidade de ensino a distância que pedagogia de mistura e integração de
possibilita a autoaprendizagem, com a diferentes ambientes de ensino: Sala
mediação de recursos didáticos de aula, e-learning e Contexto de
sistematicamente organizados, Trabalho, através da adoção de um
apresentados em diferentes suportes ensino-aprendizagem flexível,
tecnológicos de informação, utilizados adequado aos diferentes perfis e
isoladamente ou combinados, e estilos de aprendizagem dos
veiculado através da internet. estudantes.

Há ainda diversos outros AVAs. Cada um deles tem uma característica


específica, assim, a instituição pode escolher aquele que melhor servir ao seu
propósito.

O importante é ressaltar que os AVAs, que podem ser livres ou pagos, são
similares à escola presencial no sentido de que nele se promove Educação.

Há ainda o Blackboard, um dos líderes no mercado, que atende a um grande


número de universidades. A empresa proprietária desenvolveu o AVA de modo que
seja desenvolvido um trabalho em conjunto com seus clientes para a criação e
implementação de tecnologias. Seu objetivo é aperfeiçoar cada aspecto do processo
educacional.

115
https://blackboard.acg.edu/#

Assim como os demais AVAs, a proposta é que as instituições – e aqui


estamos nós - atraia seus alunos com apresentação de cursos em formatos
inovadores e atraentes, respeitando-os em seu ritmo próprio para conectá-los de
maneira mais efetiva e mantê-los informados, envolvidos e motivados a colaborar.

Que tal conhecer alguns dos mais conhecidos AVAs para desenvolvimento de
cursos em Educação a Distância? Acesse os endereços de alguns deles, citados
nesse tópico e conheça um pouco mais sobre o trabalho com estes recursos.

Bom trabalho!

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Vamos continuar a falar sobre os AVAs, os quais, para serem utilizados pelos
usuários, contam com diversas ferramentas. Que tal estudar um pouco sobre essas
ferramentas que fazem parte dos AVAs?

Você conhece os aplicativos a seguir? Eles são algumas das principais


ferramentas utilizadas nos AVAs e, portanto, na EaD:

 E-mail;

 Chat;

 Fórum de discussão;

 Wiki;

 Lista de discussão;

 Videoconferência;

 Blogs/Fotologs/Videologs.

117
Todas essas ferramentas têm uma única intenção, ou seja, desenvolver a
aprendizagem colaborativa, ativa dos estudantes. E, para que isso aconteça, é
fundamental incentivar o trabalho em grupo no qual o educador precisa entender
que seu aluno é o foco e que sua aprendizagem vai se dar pela troca com os demais
participantes.

Assim, o principal objetivo é o desenvolvimento de uma ação em que os


papéis de professor e de aluno sejam desempenhados por ambos. Como? A visão
da aprendizagem será de que aprendemos melhor ao compartilharmos com nossos
pares as dúvidas e descobertas.

Essa é um mecanismo para a criação de comunidades de aprendizagem que


vão para além da sala de aula, em uma nova noção de tempo e espaço, dentre
outras possibilidades, o que a EaD nos leva a construir.

Faça uma pesquisa sobre cada uma das ferramentas descritas acima e
construa um conceito para cada uma delas. Utilize a Internet e vivencie a navegação
no mundo virtual.

Bom trabalho!

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Você já parou para refletir que, com tantos recursos há diversas


possibilidades de aprender e ensinar?

Através das TICs - Tecnologias de Informação e Comunicação – que


possibilitaram a construção de uma Web verdadeiramente colaborativa a todo tempo
e em todo lugar, as aulas podem ser ainda mais estimulantes para alunos e
professores.

É certo que devemos ter sempre em mente que a tecnologia é importante,


mas, independente de recursos tecnológicos que optarmos por utilizar, assim como
os tipos de atividades que vamos desenvolver, é o modelo didático-pedagógico que
adotarmos para aperfeiçoar e potencializar a aprendizagem dos alunos que irá
confirmar se ele é realmente voltado à aprendizagem colaborativa ou não.

Além, é claro, de que o professor tem que ter muito claros seus objetivos para
não utilizar a tecnologia como um fim em si mesma, e, sim, como mais uma
ferramenta para aprendizagem de seu aluno e sua também!

119
Trabalhar nos ambientes virtuais de Ah, e para aproveitar suas habilidades
aprendizagem não é simples, não! É de pesquisador (a) você deve buscá-lo
necessário estudar muito para inserir- na internet. Dessa vez não vou inserir
se nesse mundo. o endereço. Faça isso, ok? Em
seguida, insira o endereço eletrônico
Quer saber mais sobre isso? Sugiro ler
que você encontrou.
o artigo da profa. Núria Pons Vilardell-
Camas, intitulado “Revisão Teórica _______________________________
das dificuldades e atitudes do _______________________________
professor em ambientes de _______________________________
aprendizagem virtual”.

Vamos refletir mais um pouco sobre toda essa nossa conversa?

Existem os AVAs e neles as aulas são inseridas e, de acordo com um


calendário, elas vão sendo disponibilizadas para que o aluno as assista. As aulas
são gravadas e você as assiste ao seu tempo, desde que não perca os prazos
determinados. É assim que funciona no seu curso de pós-graduação.

Você assiste, portanto, a uma videoaula, ou seja, a uma aula ministrada a


distância, através do uso de uma Tecnologia de Comunicação, como a TV, o
computador ligado a Internet (seu caso), celulares ou outros instrumentos que
veiculem áudio e/ou vídeo.

Uma videoaula, em geral, funciona como um complemento a outras formas de


ensino, utilizando-se outras mídias.

Lembre-se, além da aula gravada, você também tem o Livro Texto, os


questionários e os fóruns para participar, certo? Fazer EaD é pensar em muitos

120
detalhes, pois todas as ferramentas têm que estar disponíveis para os alunos dentro
dos prazos estipulados.

de Recursos Humanos e Tecnologia


de informação.
Os cursos em EaD mais procurados
são os relacionados a Visite o site da ABED – Associação
Educação/Pedagogia, formação de Brasileira de Educação a Distância - e
profissionais para EaD, os conheça esse importante órgão em
relacionados à Administração, Gestão http://www2.abed.org.br/
.

Ainda sobre as videoaulas, você imagina o quanto um professor tem que se


preparar para gravar trinta minutos, que é o que chega até você? Eu vou te contar.

As aulas, no nosso caso, têm dois blocos de quinze minutos. Para cada um
deles é necessário escrever ou revisar o Livro Texto da disciplina, preparar slides em
número compatível com o tempo de gravação, elaborar dez questões fechadas, de
múltipla escolha, somando cinco alternativas possíveis de resposta, comentar a
resposta correta e propor uma questão aberta reflexiva para o fórum de discussão.

Muita coisa, não é? Parece fácil, mas é extremamente complexo de fazer e


colocar no ar. Assim, você consegue perceber a complexidade do processo, não
consegue? Contudo, o que é produzido para os cursos em EaD vem com uma carga
de muita responsabilidade, seriedade e amor pelo que é feito, afinal, é nas suas
mãos que tudo isso vai chegar e nossa intenção é que você tenha a melhor
formação possível!

121
Acrescento, como o faz Nogueira (2005) que quem faz EaD não são as
máquinas, não são os programas e, sim, as pessoas. Eu, você, os técnicos… Cada
um de nós é uma peça fundamental nessa engrenagem maior que é a Educação,
portanto,

Professor, ser um educador high tech não significa encaminhar seus alunos
para o laboratório de informática para realizar as pesquisas virtuais, mas,
sim, enquanto mediador do processo de aprendizagem, engajar seus alunos
em um verdadeiro projeto de investigação e possibilitar que a virtualidade
seja um dos caminhos explorados para este fim (NOGUEIRA, 2005, p. 42).

Dito isso, vamos falar sobre os tipos de EaD.

4.3 Tipos de EaD: teleaula, videoaula, modelo híbrido

Há diversas instituições de ensino que são conhecidas pela oferta de cursos


presenciais, outras os oferecem nas modalidades: presencial e a distância. Algumas
os compram de empresas que se especializaram em criar uma imensidão de cursos
– nas mais diversas áreas de conhecimento e tipo de interação.

Como sabemos, os cursos presenciais de uma universidade são aqueles


cursos superiores de graduação tradicional, nas áreas: jurídica, de administração, de
saúde, de ciências exatas, humanas, sociais e da comunicação que possibilitam ao
aluno ampla formação teórica e prática, por meio de currículos extensos que vão da
formação básica à do profissional atualizado.

Há também um elenco de cursos superiores de tecnologia de menor duração


– dois a três anos – nas áreas de Ambiente e Saúde; Apoio Escolar; Controle e
Processos Industriais; Gestão e Negócios; Hospitalidade e Lazer; Informação e
Comunicação; Infraestrutura; Produção Cultural e Design; Produção Industrial;
Segurança; entre outras.

Neles a metodologia é desenvolvida com aulas presenciais, de segunda à


sexta-feira e às vezes encontros aos sábados, quando são realizadas aulas extras,

122
de dependência, eventos solidários, palestras, minicursos ou outras atividades que
procuram proporcionar ao aluno cada vez maior conhecimento na área escolhida.

AVA são as iniciais de Ambiente conteúdos e materiais


Virtual de Aprendizagem. Por complementares para os seus alunos
definição, um AVA é um sistema (ou e na gestão completa de cursos online.
software) que proporciona o Com este ambiente, é possível
desenvolvimento e distribuição de acompanhar todo o processo de
conteúdos diversos para cursos online aprendizagem por parte do aluno,
e disciplinas semipresenciais para além de gerar relatórios sobre
alunos em geral. performance e progresso do mesmo
Um AVA é de fato um ambiente virtual em determinado curso online.
desenvolvido para ajudar professores Fonte: https://www.edools.com/faq/o-
e tutores no gerenciamento de que-e-ava/. Acesso em 13 mar.2019.

Os cursos na modalidade a distância são aqueles em que o aluno faz seu


horário de estudo. Ele assiste às aulas, realiza questionários, participa dos fóruns,
compartilha com os demais alunos, tira as dúvidas com apoio dos professores
autores, dos tutores presenciais e virtuais e constrói seu conhecimento ao seu
tempo. O mais importante nessa modalidade? A aprendizagem que ocorre a partir
da troca de informações e na realização de atividades e exercícios propostos.

Como mencionado, é fundamental participar de fóruns e/ou chats, cujos


arquivos ficam disponíveis para futuras consultas. Ainda, há a integração dos grupos
de alunos, com áreas próprias para trocas de arquivos e e-mails, painel de
discussão e sala virtual.

123
Há uma avaliação presencial obrigatória – de acordo com as normas do MEC
(Ministério da Educação) e, além desta, o aluno dispõe da forma on-line de
questionários que devem ser realizados após a aula ministrada pelo Conteudista. É
comum que esses questionários venham acompanhados de correção automática e
comentários para que o aluno compreenda caso tenha errado a resposta ou,
aprofunde-se caso tenha acertado.

Outra forma de avaliar o conhecimento do aluno se dá através da aplicação


de questões discursivas e, para completar, também podem ser solicitados trabalhos
e atividades enviados pelo AVA.

Os conteúdos de cada curso, bem como as teleaulas, são disponibilizados


aos alunos para acesso a qualquer momento via internet, possibilitando a
organização do estudo no ritmo próprio de cada estudante.

Imagem 32: Cd-Rom

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/alvimann/preview/fldr_2008_11_07/file000518548
098.jpg
13 mar.2019

Os componentes tecnológicos adotados na modalidade a distância são os


seguintes: internet, satélite, CD-ROM, DVD, webcast etc. Para facilitar o aluno
poderá assistir às teleaulas no polo de apoio regional que se inscreveu, ou de outro

124
local de sua preferência. Essas aulas costumam ficar disponíveis no AVA e o aluno
poderá assistir durante o semestre letivo, via internet, no local de sua preferência.

Como são disponibilizados os conteúdos, você pode estar se perguntando,


não é? Além de terem o apoio de diferentes metodologias e de tecnologias variadas,
o conteúdo curricular é disponibilizado em plataforma digital e/ou material impresso.

Há ainda a tutoria que recebe ligações telefônicas ou e-mails com as dúvidas


dos alunos e as responde ou encaminha ao professor autor para que este dê uma
explicação mais pormenorizada, indique material extra para complementar a
aprendizagem etc.

Ambiente Virtual de Aprendizagem todos os tutores a distância,


(AVA): Neste ambiente de estudo, o coordenadores, professores e ter
aluno deverá responder a acesso a todos os serviços oferecidos
questionários, acessar fóruns, pela instituição.
secretaria virtual, enviar e-mail para

São várias possibilidades de estudar na modalidade EaD. Você escolheu uma


delas e, certamente, fez a melhor opção para suas necessidades no momento. Esse
é um fator importante para o aluno de EaD, ou seja, pensar o que posso e como
posso. A partir dessa escolha, sua integração com as atividades acadêmicas do que
você estiver cursando será mais interessante, assim, diante da sua realidade, a
aprendizagem terá mais chance de ocorrer de modo significativo!

Relembro nossa conversa sobre o perfil do aluno em EaD: a primeira questão


que deve ser considerada é exatamente em relação ao tempo e ao modo de
estudar. Vejamos: se você só dispuser e sentir a necessidade de estar pelo menos

125
uma vez por semana com seus pares (os demais participantes do curso que você
tiver escolhido), a melhor opção será, sem dúvida, por um sistema que te ofereça
essa possibilidade. Você encontrará com os outros alunos e seu tutor pelo menos
uma vez por semana no seu polo e poderá trocar com eles pessoalmente suas
descobertas e dúvidas. Pode ser muito enriquecedor!

Caso seja mais complicado, especialmente nos grandes centros urbanos, por
conta dos infindáveis engarrafamentos ou nas cidades menores, pela distância para
chegar ao polo, a melhor opção será um sistema no qual você estuda no lugar que
ficar mais confortável (da sua casa, de seu local de trabalho, de uma biblioteca e até
mesmo de uma lan house).

A escolha será sua, não esquecendo que será fundamental a conexão com a
Internet para poder assistir às aulas gravadas, responder aos questionários, postar
as atividades e participar dos fóruns. Opção não falta, não é?

Realizar um curso a distância exige do Pode parecer fácil, mas essa


estudante disciplina, dedicação e modalidade de ensino, uma realidade
comprometimento. em boa parte do mundo, exige
determinação e autodisciplina!
Estabeleça seu horário de estudo e
dedique-se o máximo que puder!

126
4.4 Avaliação

No início deste Livro Texto, falamos sobre a avaliação, como ela ocorre, seus
tipos etc. Vamos relembrar um pouquinho?

A educação nos traz muitos questionamentos. Devemos estar todo o tempo


pensando nas melhores formas de realizar esse tão pertinente processo para alunos
e professores, assim, cabem duas perguntas:

Como identificar que


meu aluno está,
realmente, Como saber se meu
aprendendo? modo de ensinar cada
um dos conteúdos está
sendo adequado?

É importante lembrar que a avaliação está diretamente relacionada com os


objetivos educacionais determinados no início do processo e com as escolhas
metodológicas feitas pelo docente.

Ainda, toda avaliação deve trazer subsídios visando o ajuste das intervenções
pedagógicas para que a aprendizagem se dê de forma cada vez mais significativa e
produtiva para os participantes de um curso.

Reforço que avaliar é diferente de medir, termo comumente utilizado em


educação. Medir é atribuir um valor e avaliar amplia esses conceitos, já que
corresponde a um julgamento de valor.

Veja o quadro a seguir para recordar os três tipos mais conhecidos de


avaliação:

127
A partir dessa breve retomada, podemos ir adiante e concentrar nosso olhar
nas formas de se avaliar na Educação a Distância, certo?

Leia o artigo intitulado “Modelos e avaliação do ensino superior a distância no


Brasil”, do professor José Manuel Moran, o qual você encontra no seguinte endereço
eletrônico: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/977/992,
faça um resumo sobre as principais ideias e reflita sobre sua leitura.

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Sendo a EaD uma modalidade de ensino com características especiais, o que
temos discutido em todo esse material, vamos levantar duas delas para falar sobre a
avaliação, processo meio em educação.

Em primeiro lugar, devemos ter em mente que, com um certo uso intensivo
das TICs vem algumas dificuldades de utilização, de adaptação, tecnológicas que
estão diretamente ligadas à uma cultura reprodutivista, não reflexiva e que nem
sempre deixa o indivíduo colocar-se – problema que nossa escola precisa resolver -,
que gera o próximo ponto.

Em segundo lugar, muitas vezes parece estranho ao cursista (e ao docente


também, que foi formado em outro modelo, o presencial) o fato de não estar junto,
faca a faca com seu interlocutor - uma dificuldade de contato entre aluno e formador
gerando desconfianças de ambos os lados, como: escrevo para quem?, como saber
se não será uma máquina que “corrigirá” minha atividade etc.

Você em algum momento parou para pensar como é feita a avaliação em


EaD? Que caráter ela tem? Como é desenvolvida? Que ferramentas são utilizadas?

Vamos fazer essa discussão? Toda avaliação deve, na verdade, ser


processual. Em EaD, como tudo o que acontece fica registrado – cada palavra
proferida, cada atividade desenvolvida, cada dúvida postada, cada resposta dada -
fica mais fácil traçar o perfil e o percurso do aluno.

É diferente do ensino presencial. Por favor, não estou aqui dizendo que
avaliar em EaD é mais fácil ou mais simples do que no presencial. O que quero dizer
é que é diferente e que o fato de tudo estar registrado facilita a coleta de dados.
Mas… se o educador em EaD estiver despreparado, de nada adianta ter tudo em
suas mãos, pois de nada servirão as informações sobre o que o aluno fez ou
construiu, ou descobriu ou indica não entender, não é mesmo?

No ensino presencial tem-se as provas, testes, seminários, questionários,


relatórios e diversas outras ferramentas através das quais os alunos deixam suas
marcas para que os professores possam compreender o que eles sabem ou não
sabem. E em EaD? Que ferramentas são utilizadas? Nós as listamos no tópico
anterior, mas vou repeti-las aqui:

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1) Fórum

2) Chat

3) Questionários

4) Wiki

5) Glossário

6) Apresentação

7) Wiki etc.

Você deve ter percebido que, dentre as ferramentas listadas, algumas


acontecem de modo síncrono e outras de modo assíncrono, certo?

 Atividades síncronas: Diz-se dos tempo. Em EaD refere-se àquelas


movimentos que se executam ao atividades que não precisam ser
mesmo tempo. Em EaD considera-se realizadas pelos participantes no
aquelas atividades em que os mesmo tempo. Ex.: fórum, no qual
participantes se encontram para cada participante, dentro de um prazo
realizá-la ao mesmo tempo. Ex.: chat. determinado, por exemplo, uma
semana, posta suas contribuições no
momento que mais lhe for
 Atividades assíncronas: Que não
conveniente.
ocorre ou não se efetiva ao mesmo

131
Cabe ressaltar que TODAS elas deixam no ambiente de aprendizagem as
suas marcas. Serão esses os materiais de onde o professor obterá dados para a
avaliação.

Procure na internet vídeos do prof. Dr. citamos aqui para ferramenta, mas,
Marco Silva sobre avaliação da ainda assim, ele menciona o mesmo
aprendizagem em cursos online. tipo que avaliação que propomos aqui,
Aposto que você terá muito a pensar ou seja, formativa, processual.
depois dele! Lembro que o professor
não utiliza a mesma nomenclatura que

Com todas as possibilidades – tecnológicas e pedagógicas existentes,


planejar, porpor e avaliar atividades de aprendizagem em EaD torna-se, cada vez
mais interessante e pertinente para alunos e professores, concorda?

Avaliar, portanto, não deveria ser um nó no processo. Assim, EDUCADORES


e EDUCADORAS que vão trabalhar com EaD: prestem muita atenção ao processo,
às dúvidas, aos questionamentos e caminhos que seus alunos(as) percorrer!

Se eles errarem, é por que tentaram e se tentaram, é por estão aprendendo,


ou, ao continuar tentando, aprenderão.

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Imagem 33: Acompanhe seu aluno

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887e45c1c2bb55.jpg
13 mar.2019

Sua função é acompanhar, ensinar possíveis caminhos. Lembra-se de ter


ouvido alguma vez um velho provérbio chinês que propõe não dar o peixe, mas
ensinar a pescar como a salvação? É aí que você entra!

Através do que seu aluno produzir, você poderá compreendê-lo e auxiliá-lo


em sua aprendizagem. É essa uma das funções da avaliação: guiar.

4.5 Interdisciplinaridade

Você sabe o que é interdisciplinaridade? Nossa! É uma palavra bem


comprida, não é? E quer dizer muito para a educação – presencial ou EaD.

Vamos falar sobre ela?

A interdisciplinaridade tem sido tratada, especialmente, por dois enfoques: o


epistemológico e o pedagógico.

133
No campo da epistemologia, toma-se como categorias para seu estudo o
conhecimento em seus aspectos de produção, reconstrução e socialização;
a ciência e seus paradigmas; e o método como mediação entre o sujeito e a
realidade. Pelo enfoque pedagógico, discutem-se fundamentalmente
questões de natureza curricular, de ensino e de aprendizagem escolar.
(THIESEN, 2008, p. 545).

Veja, então, que defini-la não é tarefa simples e, possivelmente, você vai
encontrar inclusive outros termos referenciando-se a ela. Vamos, então,
desmembrar a palavra?

INTERDISCIPLINARIDADE

INTER DISCIPLINA

ENTRE ÁREA DE CONHECIMENTO

Ou seja… que implica relações entre várias disciplinas ou áreas de


conhecimento, que é comum a várias disciplinas.

A escola, local legítimo para promover a aprendizagem, a produção e a


reconstrução de conhecimento, cada vez mais precisará acompanhar as
transformações do mundo contemporâneo.

Para acompanhar o ritmo das mudanças sociais, num mundo cada vez mais
interconectado, interdisciplinarizado e complexo, é necessário estar preparada e
trabalhar de modo interdisciplinar é uma solução eficaz e bastante razoável.

134
Vejamos como isso funciona. No contexto educacional há várias iniciativas de
sucesso no desenvolvimento de experiências verdadeiramente interdisciplinares,
embora ainda incipientes. Ainda há algumas barreiras, especialmente a questão da
formação fragmentada que construiu os educadores, a grande maioria, na verdade,
de quem está nas salas de aula.

Contudo… percebe-se, também, um grande esforço institucional que procura


incentivar esses educadores a quebrar antigos paradigmas – como a mencionada
fragmentação e ir em busca de alternativas mais condizentes com o aluno da
atualidade, que vive num mundo cada vez mais bombardeado com toda gama de
estimulação para aprendizagens diversas – escolares e não escolares.

Não é difícil identificar as razões dessas limitações; basta que verifiquemos


o modelo disciplinar e desconectado de formação presente nas
universidades, lembrar da forma fragmentária como estão estruturados os
currículos escolares, a lógica funcional e racionalista que o poder público e
a iniciativa privada utilizam para organizar seus quadros de pessoal técnico
e docente, a resistência dos educadores quando questionados sobre os
limites, a importância e a relevância de sua disciplina e, finalmente, as
exigências de alguns setores da sociedade que insistem num saber cada
vez mais utilitário (THIESEN, 2008, p. 550).

Ainda assim, tentar é estar na metade do caminho para conseguir. Em


educação nada pode ser deixado de lado, principalmente por receio de que não vai
funcionar, e, por isso, acreditar que não vale à pena tentar.

Promover um ensino num paradigma interdisciplinar é buscar uma


modificação profunda (mas necessária!) nos modelos pedagógicos tradicionais
vigentes em boa parte das instituições escolares e, também, em EaD.

Para Fazenda (2003), trabalhar com programas interdisciplinares implica


transformação nas práticas docentes, provocando um novo jeito de ensinar:

Passa-se de uma relação pedagógica baseada na transmissão do saber de


uma disciplina ou matéria, que se estabelece segundo um modelo
hierárquico linear, a uma relação pedagógica dialógica na qual a posição de
um é a posição de todos. Nesses termos, o professor passa a ser o atuante,
o crítico, o animador por excelência (p.45).

Percebeu o quanto fica diferente quando tiramos o foco da transmissão e


passamos para a construção? Da linearidade para a dialogia, para a não-

135
linearidade? Do saber pronto, absoluto, para o saber construído, conquistado,
refletido? É um trabalho interdisciplinar que nos levará a essa conquista. Aí você
pergunta: mas… o que é interdisciplinaridade mesmo?

Para Gadotti (2004), a interdisciplinaridade visa garantir a construção de um


conhecimento globalizante, rompendo com as fronteiras das disciplinas. Para isso,
integrar conteúdos não seria suficiente, mas um primeiro passo.

É preciso, como sustenta Fazenda (2003), também uma atitude


interdisciplinar do educador diante de sua ação, diante daquilo que planeja, desde o
momento em que começar a estruturar seu planejamento. Tal posicionamento só
ocorrerá, de fato, se constar do compromisso profissional do educador, de seu
envolvimento com os projetos da instituição na qual trabalha, na busca constante de
estudo para aprofundamento teórico e, sobretudo, numa postura ética.

A interdisciplinaridade, portanto, é um rompimento com a fragmentação das


disciplinas, das ciências e do conhecimento. A sociedade que aprendeu de modo
fragmentado, agora, passa a conceber o ato de conhecer de modo inteiro, completo,
pleno, total, mudando a antiga forma hierarquizada de distribuição das disciplinas,
reflexo dos valores sociais vigentes até então.

Imagem 34: Rompimento

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13 mar.2019

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Se pensarmos com bastante clareza, seguir uma ordem de conhecimentos
preestabelecidos, não facilita a apreensão do mundo, que é global.

A interdisciplinaridade faz o papel da completude para a compreensão do


mundo real, dos fatos e fenômenos da vida cotidiana.

Atenção: não estamos aqui fazendo uma campanha para que não haja mais
disciplinas. De forma alguma é essa a nossa intenção. O que propomos é um
trabalho em que as disciplinas sejam associadas com as questões da sociedade e,
portanto, que o ensino crie condições para que essas mesmas disciplinas,
integradas, aliem-se à realidade vigente para que nossos (as) alunos (as) percebam
a totalidade do mundo em que vivem.

Segundo Fazenda (2003), a Diretrizes e Bases nº 5.692/71. Desde


interdisciplinaridade surgiu na França então, sua presença no cenário
e na Itália em meados dos anos 60, educacional brasileiro tem se
período marcado por movimentos intensificado e, recentemente, mais
estudantis que reivindicavam um ainda, com a nova LDB nº 9.394/96 e
ensino mais sintonizado com as com os Parâmetros Curriculares
questões sociais, políticas e Nacionais (PCN).
econômicas da época.
A interdisciplinaridade teria sido uma
resposta a tal reivindicação. No Brasil
influenciou a elaboração da Lei de

137
Questões como as relacionadas à proteção ambiental, por exemplo, serão
vistas como uma coisa só, independentemente do local, pois o mundo é global, o
que acontece na Europa Oriental influencia a América Latina e vice-versa.

Se há desmatamento na Amazônia, a China, o Canadá ou a Hungria sentirão


os efeitos. A educação não pode deste modo, deixar de fora um fato que interfere na
vida de todos os habitantes do planeta.

Compreendeu a importância de uma ação docente interdisciplinar apoiada na


troca, na colaboração e na construção coletiva e amigável do conhecimento?

Ainda, construir ações interdisciplinares remete ao aprofundamento da


compreensão das relações entre teoria e prática, contribuindo para uma formação
mais crítica, criativa e responsável dos educandos(as).

Diante disso, as instituições de ensino e os educadores(as) tem grandes


desafios pela frente - no plano ontológico (teórico) e epistemológico (prático).

Para finalizar esse tema, trazemos que a interdisciplinaridade é

(…) um movimento importante de articulação entre o ensinar e o aprender.


Compreendida como formulação teórica e assumida enquanto atitude, tem a
potencialidade de auxiliar os educadores e as escolas na ressignificação do
trabalho pedagógico em termos de currículo, de métodos, de conteúdos, de
avaliação e nas formas de organização dos ambientes para a aprendizagem
(THIESEN, 2008, p. 553).

E aí? Aposto que a partir de agora você só vai pensar desenvolver práticas
docentes interdisciplinares, estou certa?

4.6 ESD: Educação sem Distância

Você já ouviu falar sobre esse termo?

O prof. Dr. Romero Tori, da Escola Politécnica (USP) e do SENAC (SP) traz à
tona o termo Educação SEM Distância, pois o mesmo acredita que não é a distância
o que importa quanto o processo educativo acontece e, sim, a interação promovida
pela(s) mídia(s) utilizadas.

138
Explicando melhor… quanto menos percebemos a mídia, mais próximo nos
sentimos do docente e dos colegas num curso em EaD. Essa afirmação faz todo
sentido se pensarmos que, em um curs o à distância, é mais fácil perder o aluno do
que num curso presencial.

O cursista vai embora com um clique, em EaD. No presencial, na maioria das


vezes ele espera que a aula termine…

Assim, cabe ressaltar que é fundamental, para não haver “distância”,


preocupar-se com a maneira como o curso está acontecendo, com as mídias
utilizadas, com as propostas de atividades e, sobretudo, com a rapidez no feedback
que o aluno vai receber sobre suas postagens, suas participações e suas atividades.

Em EaD é de extrema importância que o aluno sinta-se acompanhado e aqui


não tratamos de um chá entre amigos, de uma conversa de bar. Pelo contrário!

A seriedade do que faz-se em EaD deve ser a primeira característica pensada


e trabalhada desde a elaboração de sua concepção e construção.

Que tal conhecer mais sobre o Comece com seu livro “Educação sem
trabalho de Romero Tori sobre o tema Distância” e vá adiante.
para ampliar seus conhecimentos?

Tori (2017) defende que em processos educativos, como em EaD, por


exemplo, educação apoiada por tecnologias interativas, os conteúdos apresentados

139
aos alunos(as) em formato digital podem assumir papéis de grande destaque pois
oferecem, principalmente, novas formas de trabalho e de aprendizagem.

Nesse cenário, ele propõe que seja construída uma taxonomia das mídias e
uma linguagem visual para a modelagem de mídia, relações de distância e
sequenciamento, em programas de aprendizagem que integrem recursos virtuais e
presenciais.

E parte dessa ideia para construir sua proposta de educação SEM distância:
Na parte I, ao falar sobre “A Distância que Aproxima”, defende uma modalidade
educacional desmembrada do ensino tradicional.

Esse desmembramento deixa claro que as formas e os meios que o ensino se


desenvolve interrompem a ideia de que só estamos juntos aos nossos alunos de a
presença física for uma realidade. Pelo contrário! O estar junto pode ser virtual e
ainda assim será real: o que vai realmente importar é ter que os saberes sejam
construídos.

No capítulo que trata da “Distância e presença na medida certa”, Tori (2010)


discute os cursos de EaD estarem direcionados para aprendentes e instrutores que
estão separados geograficamente e, ainda, por muitas vezes condicionados pela
separação temporal.

Como resolver tal fato? Utilizando ferramentas que aproximem as pessoas


envolvidas num curso em EaD: videoconferências, chats etc.

Na terceira parte, intitulada “A presença da tecnologia”, é feita uma discussão


acerca do ambiente virtual trazer ao aluno para interatividade, aproximando-o,
envolvendo-o e ao mesmo tempo transmitindo uma sensação de presença com o
conteúdo.

Lembre-se da presença dos AVAs, testados e escolhidos de acordo com a


que devem ser minuciosamente proposta de cada curso em EaD.

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Fica a dica da leitura do livro inteiramente. Vale a reflexão, que é o que
pretendemos com esse livro texto.

Ah, antes de terminar a unidade, fica O artigo está disponível em:


uma sugestão: leia o artigo “Mito ou https://educacao.uol.com.br/noticias/20
verdade: Especialistas esclarecem 11 13/03/20/especialistas-esclarecem-11-
dúvidas sobre EAD” e veja os mitos e mitos-que-rondam-o-ensino-a-
como são quebrados. EaD é coisa distancia.htm?cmpid=copiaecola.
muito séria! Acesso 15 nov. 2018.

4.7 Ferramentas e objetos de aprendizagem aplicáveis/utilizados em EaD:


vantagens e dificuldades

Você já ouviu falar no termo Objeto de Aprendizagem? O que seria isso?


Vamos explorar o tema?

Podemos compreender os Objetos de Aprendizagem – OA - como “qualquer


recurso digital que possa ser reutilizado para o suporte ao ensino” (WILEY, 2000, p.
3).

É importante pensar que os OA podem ser construídos em qualquer mídia ou


formato, podendo ser simples como uma animação ou apresentação em Power
Point ou mais elaborados e complexos como uma simulação num software mais rico
em recursos.

141
Assim, muitas coisas cabem nesse conjuntão, concorda? Mas… não é bem
assim.

Vamos aqui determinar que eles são, como proposto por Audino e
Nascimento (2010, p. 129),

(…) recursos digitais dinâmicos, interativos e reutilizáveis em diferentes


ambientes de aprendizagem elaborados a partir de uma base tecnológica.
Desenvolvidos com fins educacionais, eles cobrem diversas modalidades de
ensino: presencial, híbrida ou a distância; diversos campos de atuação:
educação formal, corporativa ou informal; e, devem reunir várias
características, como durabilidade, facilidade para atualização, flexibilidade,
interoperabilidade, modularidade, portabilidade, entre outras. Eles ainda
apresentam-se como unidades autoconsistentes de pequena extensão e
fácil manipulação, passíveis de combinação com outros objetos
educacionais ou qualquer outra mídia digital (vídeos, imagens, áudios,
textos, gráficos, tabelas, tutoriais, aplicações, mapas, jogos educacionais,
animações, infográficos, páginas web) por meio da hiperligação. Além disso,
um objeto de aprendizagem pode ter usos variados, seu conteúdo pode ser
alterado ou reagregado, e ainda ter sua interface e seu layout modificado
para ser adaptado a outros módulos ou cursos. No âmbito técnico, eles são
estruturas autocontidas em sua grande maioria, mas também contidas, que,
armazenados em repositórios, estão marcadas por identificadores
denominados metadados.

Essa é uma definição bem completa e convincente, não concorda?

Assim, pode-se afirmar que os OA se utilizam de imagens, animações,


realidade virtual ou aumentada, arquivos de texto ou hipertexto, dentre outros
recursos.

Não há um limite específico de tamanho para um OA. O importante é que ele


tenha sido criado para um propósito educativo definido, que provoque a curiosidade
dos estudantes estimulando sua reflexão e, de preferência, que o mesmo possa ser
aplicado em contextos diversos.

Macêdo et al (2007) constataram que alguns dos fatores que favorecem o uso
de OA na área educacional são os seguintes:

Em primeiro lugar, podemos citar a flexibilidade: os Objetos de


Aprendizagem são construídos de forma simples e, por isso, já nascem
flexíveis, de forma que podem ser reutilizáveis sem nenhum custo com
manutenção. Em segundo, temos a facilidade para atualização: como os OA
são utilizados em diversos momentos, a atualização dos mesmos em tempo
real é relativamente simples, bastando apenas que todos os dados relativos
a esse objeto estejam em um mesmo banco de informações. Em terceiro
lugar, temos a customização: como os objetos são independentes, a ideia

142
de utilização dos mesmos em um curso ou em vários cursos ao mesmo
tempo torna-se real, e cada instituição educacional pode utilizar-se dos
objetos e arranjá-los da maneira que mais convier. Em quarto lugar, temos a
interoperabilidade: os OA podem ser utilizados em qualquer plataforma de
ensino em todo o mundo.

Flexibilidade, Facilidade para atualização, Customização e Interoperabilidade.


Um OA precisa ter essas características para ser, realmente um OA, visto que são
elementos fundamentais para a definição desses recursos.

Imagine a facilidade que é ter já construídos materiais que podem ser


utilizados por qualquer educador em situações diversas diante de seus alunos? É
interessante e facilita a ação docente.

Deste modo, indicamos que você pesquise na internet os vários sites que
oferecem, gratuitamente, seus OA, construídos e, em sua maioria, já testados com
alunos. Em alguns casos, os pesquisadores até indicam os resultados, falam sobre
possíveis mudanças, falhas percebidas e as soluções encontradas para aperfeiçoá-
los.

Então, a utilização desses OA visa ao estímulo do raciocínio e do pensamento


crítico dos estudantes, associando o potencial das tecnologias interativas às novas
abordagens pedagógicas. O objetivo de um trabalho com OA é de melhorar a
aprendizagem das disciplinas de um modo geral, na educação básica ou superior, e
com isso, formar alunos cada vez mais participativos, críticos e pensantes.

No endereço eletrônico: http://www.nuted.ufrgs.br/?page_id=79, página do O


NUTED – Núcleo de tecnologia Digital Aplicada à educação - vinculado à Faculdade
de Educação – FACED – da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS,
há uma grande quantidade de AO.

143
O NUTED foi criado no primeiro professores, quanto na elaboração de
semestre de 2000, a partir do projeto materiais educacionais digitais
ROODA. Desde então o núcleo disponibilizados ao uso educacional. O
pesquisa a aplicação das ferramentas NUTED é integrante do Centro
digitais na educação. Essas pesquisas Interdisciplinar de Novas Tecnologias
atuam tanto na formação de na Educação – CINTED/UFRGS.

Vejamos um exemplo:

Arquiteturas pedagógicas para educação infantil: este objeto de


aprendizagem tem como objetivo discutir as questões acerca do planejamento
pedagógico na educação infantil, especialmente vinculando-o aos ambientes virtuais
de aprendizagem (objeto desenvolvido em 2006).

http://www.nuted.ufrgs.br/objetos_de_aprendizagem/2006/ap/index.html Acesso em 06 nov.


2018

144
Navegando pelo OA, temos acesso a várias salas, como ludoteca, sala de
aula e sala de informática. Em cada uma delas há informações de textos,
ferramentas, vídeos e guias, neste último o educador encontra indicações do
percurso a realizar para vencer o Desafio que é proposto.

Exemplo: vídeo que trata da rotina escolar


(http://www.nuted.ufrgs.br/objetos_de_aprendizagem/2006/ap/videos/rotinas.html).

Na Sala de Informática o professor encontra um Depósito de Ferramentas, as


quais pode utilizar com seus alunos para que eles desenhem ou joguem.

http://www.nuted.ufrgs.br/objetos_de_aprendizagem/2006/ap/index.html
06 nov. 2018

Para que as atividades façam sentido, há o Guia do Módulo, que explica o


que nele será encontrado.

145
http://www.nuted.ufrgs.br/objetos_de_aprendizagem/2006/ap/index.html
06 nov. 2018

Imagine as possibilidades que existem ao se trabalhar com esse tipo de


recurso? São infinitas e criativas. Aposto que seus alunos vão adorar aprender de
forma lúdica, divertida, diferente do tradicional giz e saliva, onde somente o
professor fala e “transmite” seu conhecimento!

E, já que nesse material falamos bastante sobre a avaliação, que tal conhecer
um OA sobre esse assunto?

Veja o AVALEAD: ele é um Objeto de Aprendizagem (OA) sobre avaliação na


educação à distância. Essa ferramenta pode propiciar através de seus recursos uma
participação ativa do usuário na construção e no seu desenvolvimento cognitivo. Sua
utilização é destinada em situações de aprendizagem tanto na modalidade a
distância como na presencial. Este objeto apresenta um embasamento teórico-
prático sobre o tema Avaliação na EAD, destacando a avaliação, avaliação em EAD,
Ferramentas em Ambientes Virtuais.

146
http://www.nuted.ufrgs.br/objetos_de_aprendizagem/2008/avalead/index.html
06 nov. 2018

O AVALEAD conta com quatro conteúdos, explorados através de textos,


vídeos, glossário, atividades e desafios (atividades) que podem ser usadas tanto de
forma complementar, como de forma individual. Dentre eles, estão:

(1) Avaliação;

(2) Avaliação em Educação a Distância;

(3) Propostas de Avaliação em EAD: Ferramentas de avaliação em EAD;

(4) Interação numa perspectiva tecnológica.

O objetivo desse OA é proporcionar um embasamento teórico-prático sobre o


tema - Avaliação da Educação a Distância - destacando as estratégias didáticas,
comunicacionais e tecnológicas da EaD. Para isso é dado enfoque no uso dos
ambientes virtuais (AVAs), suas ferramentas e as formas de realizar a avaliação na
EaD.

147
Para tal, se você for em “Avaliação em EaD”, encontrará um texto, um
desafio, uma apresentação em Power Point e um mapa conceitual sobre o tema. A
proposta é que o aluno primeiro leia o texto e em seguida busque cumprir o desafio.
Para isso ele pode lançar mão da apresentação, que poderá esclarecer suas
dúvidas. A sistematização pode ser o mapa conceitual, que indica o que a avaliação
em EaD deve, envolve e necessita:

 Deve: ser um processo contínuo; respeitar o tempo de cada sujeito; ter o


sujeito/aluno como centro; levar em conta o desenvolvimento do aluno durante todo
o curso;

 Envolve: aprendizagem por investigação; avaliação do processo de ensino;


apoio e instrução para os tutores e monitores;

 Necessita: tecnologias; ambientes virtuais, materiais de apoio; apoio para os


alunos através dos tutores e monitores.

Aproveitamos para, aqui nesse Livro texto, relembrar nossa conversa sobre
avaliação, não é mesmo?

Certamente você percebeu o quanto fica enriquecedor um trabalho com os


OA. Programe-se para inseri-los em sua prática pedagógica, independentemente do
nível de ensino em que estiver ou for atuar.

148
Que tal conhecer os objetos de Aprendizagem. É um repositório com
aprendizagem que estão na página do objetos educacionais de acesso
MEC? Acredito que seja uma público, em vários formatos e para
excelente ideia! todos os níveis de ensino. Você pode
acessar objetos isoladamente ou em
Visite:
coleções. Nele há 19.479 objetos
http://objetoseducacionais2.mec.gov.br
publicados, 201 sendo avaliados ou
/.
aguardando autorização dos autores
Nesse endereço você vai encontrar um
para a publicação e um total de
Banco Internacional de Objetos de
4.002.805 visitas de 177 países.

4.7.1 O correio eletrônico

O correio eletrônico é o e-mail. Algumas pessoas utilizam esse termo, mas é


mais comum a palavra de origem inglesa.

Acredito que você tenha um endereço eletrônico e utilize com frequência para
mandar mensagens pessoais ou profissionais, acertei?

O e-mail é muito utilizado, especialmente pela facilidade e rapidez de envio. O


destinatário recebe, em sua caixa de entrada, quase que imediatamente os e-mails a
ele destinados, contudo, pode ser que, de acordo com seu ritmo, com sua
disponibilidade, ele só vá abrir e ler as mensagens recebidas minutos, horas ou dias
depois.

De qualquer modo, levando em consideração uma pessoa que acessa seu


correio eletrônico pelo menos uma vez ao dia, comunicar-se por e-mail é prático,

149
rápido, gratuito (a maioria dos provedores de e-mail não cobram por esse serviço) e
pode até ser de recebimento instantâneo.

Imagem 35: E-m@il

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/y/Yoel/12/l/1388359816yv2b5.jpg
13 mar.2019

Como mídia educacional, posso afirmar que é possível organizar um curso


(ou evento) na modalidade à distância completamente, ou seja, desde o momento
em que os alunos realizam sua inscrição até quando recebem e encaminham
realizadas as atividades, apenas o e-mail pode ser utilizado.

O docente ou organizador do curso/evento pode disponibilizar os conteúdos


preparados pelo próprio e-mail. Você pode ser convidado, como faço aqui nesse
Livro texto, a buscar vídeos, apresentações etc. na Internet recebendo essa
solicitação via e-mail, não é mesmo?

Poucas analogias entre o mundo virtual e o real foram tão felizes quanto o
nome correio eletrônico (electronic mail ou e-mail). Ele descreve quase tudo
desse serviço: um conjunto de caixas postais virtuais que recebe
mensagens eletrônicas. Desde sua implementação, o electronic mail
recebeu grande importância, por ser o serviço que melhor atinge o objetivo
da Internet: comunicação (NASCIMENTO E TROMPIERI FILHO, 2002, p.
88).

150
Como podemos perceber, o e-mail é uma ferramenta de grande importância
para os educadores. Através dela não só a comunicação fica mais facilitada, como,
também, a mesma mensagem pode ser encaminhada para muitas pessoas ao
mesmo tempo!

Alguns dos provedores de e-mail mais conhecidos no Brasil são:

1) Gmail;

2) Hotmail;

3) Yahoo.

Esses três são absolutamente gratuitos, mas também existem os pagos,


como Uol e Terra.

Quando um aluno troca mensagens A grande maioria dos alunos o faz via
com seu tutor costuma utilizar o e-mail e-mail, sabia?
para isso, não é? Ele pode ser interno
ou externo.

Uma ferramenta derivada do e-mail é a lista de discussão, que só se realizada


graças à possibilidade de encaminhar mensagens para um grupo determinado de
pessoas, inscritas para recebê-las. A mesma mensagem é enviada, ao mesmo
tempo para os inscritos e, quando respondida, todos recebem a resposta ou
comentário do remetente.

151
De um modo geral, pode-se utilizar o e-mail de formas variadas,
especialmente para:

 Construção de textos – como o professor pode sugerir aos alunos que


deixem sua participação na elaboração de textos salvando nova versão,
sempre com número seguinte à anterior, fica fácil acompanhar todo o
processo deste modo. Todas as versões construídas dos textos ficam
armazenadas (e as alterações que forem feitas), servindo como histórico
que auxiliará o docente no acompanhamento da escrita de cada aluno
individualmente e no contexto do grupo.

 Envio de texto, slides, endereço de sites a serem consultados - O


docente encaminha por e-mail a todos os alunos material para leitura e
análise prévias. A partir do material encaminhado, na aula seguinte ou
pelo próprio correio eletrônico, uma discussão sobre o(s) tema(s)
estudado)s) pode ser realizada e será amis rica, já que todos terão tido
acesso antecipadamente aos materiais. Aqui, pode-se ampliar a dinâmica
com a utilização de um fórum de discussão ou chat - no caso de haver
suporte de alguma AVA, por exemplo, como ferramenta de interatividade
para a realização da discussão.

 Comunicação entre alunos e professores – o que pode ocorrer de


forma individualizada ou em grupo. Os alunos podem receber avisos ou
encaminhar solicitações ao professor ou aos outros alunos com essa
ferramenta. Uma vantagem: fica registrado que houve o contato e há um
histórico ao qual se pode voltar a qualquer momento para resgatar
alguma informação que tenha sido perdida.

Uma dica: criar um portfólio com os e-mails trocados, que pode ser impresso
ou ficar apenas no mundo virtual.

152
Leia o artigo intitulado “Correio eletrônico como recurso didático no ensino
superior: o caso da Universidade Federal do Ceará”, dos professores Raimundo
Benedito do Nascimento e Nicolino Trompieri Fillho, o qual você encontra no
seguinte endereço eletrônico:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-19652002000200010,
escreva abaixo sua reflexão sobre as principais ideias a partir da leitura.

Lembre-se que o foco do trabalho é o correio eletrônico!

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153
4.7.2 As Redes Sociais

Desde que a Internet começou a fazer parte da nossa vida, ficou mais fácil se
conectar com as pessoas. Às vezes o fazemos apenas por diversão, outras para
fazer comércio e ainda para aprender.

As redes sociais, quando utilizadas como ferramenta educativa, visam


interligar alunos com alunos e alunos com professores para compartilhamento de
informações e materiais, conversar, tirar dúvidas e construir conhecimento, por
exemplo.

Há diversas redes sociais disponíveis e facilmente acessíveis por todos nós.


Cada uma delas, entretanto, pode nos auxiliar com a aprendizagem de formas
diversas:

 O Linkedin nos propicia a publicação dos nossos dados profissionais,


como nosso CV – curriculum vitae – para fazer networking (contatos) em busca de
colocação profissional;

 O Instagram é um espaço para postagem de fotos, as quais, além de


pessoais também podem apresentar produtos com os quais trabalhamos;

 O Whatsapp, que é um app (aplicativo) de mensagens instantâneas, é


uma fonte riquíssima para nos aproximar de nossos amigos e fazer negócios
diversos. Nele compartilhamos vídeos e fotos, mensagens de voz e de texto, além
de nos permitir falar em tempo real, como um telefone;

 O Skype é outra ferramenta interessante, que, além de tudo o que foi


mencionado, nos permite trabalhar em grupos.

O professor Moran (2013) coloca lenha nessa nossa fogueira educacional:

Escolas não conectadas são escolas incompletas (mesmo quando


didaticamente avançadas). Alunos sem acesso contínuo às redes digitais
estão excluídos de uma parte importante da aprendizagem atual: do acesso
à informação variada e disponível on-line, da pesquisa rápida em bases de
dados, bibliotecas digitais, portais educacionais; da participação em

154
comunidades de interesse, nos debates e publicações on-line, enfim, da
variada oferta de serviços digitais. (Pp. 9-10).

Que tal inerir esses recursos em nossa prática docente? Não deixemos que a
escola ou universidade sejam desinteressantes para os alunos! Vamos transformá-
las em espaços completos de aprendizagem e de recursos. Vamos planejar nossas
aulas de forma que as redes sociais façam parte delas para que possamos vivenciar
experiências ricas e duradouras de construção contínua de conhecimento.

Vou te mostrar um exemplo:

Imagem 36: Tela inicial do grupo “Ensinar línguas estrangeiras via EaD: uma
possibilidade”

https://www.facebook.com/groups/ensinodelinguasestrangeiras/?ref=bookmarks
13 mar.2019

155
Imagem 37: Primeira mensagem do grupo “Ensinar línguas estrangeiras
via EaD: uma possibilidade”

https://www.facebook.com/groups/ensinodelinguasestrangeiras/?ref=bookmarks
13 mar.2019

Participei com a profa. Larissa Gastmann, que foi minha aluna em um curso
de pós-graduação a distância, da Jovaed 2017 - Jornada Virtual ABED de EaD,
evento online, aberto e gratuito organizado pela Associação Brasileira de Educação
a Distância.

É uma etapa virtual que ocorre sempre antes do evento presencial da ABED
para “esquentar” o congresso. Em 2017 a Jovaed aconteceu entre os dias 05 e 21
de Junho e, sempre com um recurso escolhido pelos moderadores, há uma
discussão muito rica e esclarecedora. É uma oportunidade de muita aprendizagem e
todas as ações são mediadas por algum tipo de tecnologia social.

Participo desde 2016 e todos os anos desenvolvo temas de discussão


diferentes, mas sempre através do Facebook. Uma exigência, aliás, é que a rede
social escolhida permita um grande número de participantes.

Desde a primeira Jovaed da qual participei, faço parte de um grupo no


WhatsApp que começou discutindo “A melhoria do Ensino em EaD” e, ao longo dos

156
anos de sua existência, continua com esse tema como central, mas também recebe
mensagens de eventos, textos e até de oferta de empregos na área educacional.
Ninguém deixa o grupo, não! Pelo contrário, como disse, ele só cresce!

Visite Quem sabe você também não


http://www.abed.org.br/site/pt/universo participa?
_ead/eventos_ead/ e dê uma olhada
nos temas desenvolvidos nas diversas
edições ocorridas da JOVAED.

Imagem 38: Tela do WhatsApp

Imagem da autora

157
De acordo com Lorenzo (2013), contar com espaço de colaboração, como
redes sociais, é essencial nos dias atuais, pois “o professor (…) terá a oportunidade
de verificar aspectos muitas vezes difíceis de serem identificados em uma sala de
aula” (p.30). O que ele quer dizer com isso é que para um aluno mais tímido
presencialmente, esse recurso é extremamente válido para que ele se “solte”, se
“coloque”, enfim, para que seja sujeito, ativo e participativo. Desejamos conhecer e
dialogar com nossos alunos, não é?

Moran (2013, p. 9) completa afirmando que “o mundo físico e o virtual não se


opõem, mas se complementam, integram, combinam numa interação cada vez
maior, contínua, inseparável”, então, lancemos mão das redes sociais em nossa
atuação pedagógica!

As redes sociais têm sido de grande valia em nossa vida. As informações,


que são transmitidas em tempo real, nos ajudam a interagir virtualmente
independentemente de onde nosso interlocutor esteja. Essa é uma facilitada que só
a virtualidade nos proporciona, concorda?

Nessa unidade um dos objetivos foi analisar as modalidades de EaD


desenvolvidas nas escolas e universidades.Pensar em EaD e nos modos em que é
construída é fundamental para que tenhamos certeza de que é a modalidade correta
para nosso estilo de aprendizagem.

De fato, desde que a Internet adentrou a educação, muita coisa mudou. Ela
provovou e continua provocando extraordinárias alterações nas formas de viver dos
homens.

158
Cada dia somos surpreendidos por novidades, objetos e fatos com os auais
jamais imaginaríamos conviver, nem ao menos que fossem possíveis de ocorrer.

Para o futuro? A única informação é de que a tecnologia estará cada vez mais
presente. As tecnologias interativas não deixarão mais a educação. Hoje elas não
podem ser vistas apenas como uma tendência, mas, sim, como realidade, visto que
as transformações vêm ocorrendo sem impedimentos humanos.

Cabe ressaltar que, ainda assim, nenhum professor perderá seu papel, sua
posição carregada de importância na sociedade. A tecnologia não poderá, sozinha,
assumir a educação, pois educação se faz com gente, não com máquina.

O educador, que não sumirá, precisa adaptar-se com as TICs e inseri-las em


seu trabalho, fazendo com que as mesmas estejam ao seu favor e de seu(ua)
aluno(a). A educação toma novos rumos e a avaliação continuará com a importante
função de guiar os professores para melhorar cada dia mais as suas práticas.

Oferecemos uma reflexão e esperamos que você não deixe de fazê-la sobre a
contribuição que o conceito de interdisciplinaridade traz à educação e à EaD.

Você também conheceu a UAB, Universidade Aberta do Brasil. Aposto que


achou interessante a proposta dessa iniciativa, não é? Ainda, trabalhamos com a
EaD de forma aplicada, ou seja, olhamos onde ela acontece – AVAs. Passamos por
uma gama grande de opções de ambientes nos quais os processos educativos
podem ocorrer com apoio da Internet e das diversas ferramentas contidas nos AVAs.

Para finalizar nossos estudos dentro deste tema, gostaria de lembrá-lo o


quanto o seu papel é importante para que a EaD seja efetivada com sucesso. Sem o
professor, mesmo que à distância, não haverá educação. Também conhecemos
diversas ferramentas para trabalhar com EaD e analisamos salas de aula virtuais,
objetos de aprendizagem e as redes sociais na educação.

Conhecer espaços onde a educação pode ter seu tempo ampliado também
deve ter sido enriquecedor. Quanto mais conhecemos e nos instrumentalizamos,
mais possibilidades de escolhas teremos e isso não tem preço. Mudança é palavra
de ordem da sociedade atual e cabe especialmente àqueles que fazem a educação
acontecer estar munidos dos mais variados recursos, não para fazer de sua aula um
“show eletrônico”, mas para sempre utilizar o recurso certo na hora certa.

159
Foi objetivo da unidade, portanto, fazê-lo pensar em formas de inseri-los nas
nossas ações docentes visando uma variedade de possibilidades para atingir nossos
alunos e auxiliá-los no desenvolvimento de uma aprendizagem cada vez mais
significativa!

Imagem 39: Revisão audiovisual

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/s/sebastiansantanam8qnfs/06/l/1434210619cj1ny.j
pg
13 mar.2019

A seguir, você vai encontrar uma seleção de filmes que podem te ajudar a
pensar a importância da ação docente para a vida dos nossos alunos. Divirta-se!

Escritores da liberdade (Freedom writers)

Baseado no best-seller O Diário dos Escritores da Liberdade (Freedom


writers), de Erin Gruwell (1999), essa é uma instigante história envolvendo
adolescentes criados no meio de tiroteios e agressividade e uma professora que
oferece o que eles mais precisam: voz própria. Quando vai parar numa escola
corrompida pela violência e tensão racial, a professora Gruwel combate um sistema
deficiente, lutando para que a sala de aula faça a diferença na vida dos estudantes.
Agora, contando suas próprias histórias, e ouvindo as dos outros, uma turma de

160
adolescentes supostamente indomáveis vai descobrir o poder da tolerância,
recuperar suas vidas desfeitas e mudar seu mundo.

Ano: 2007

Duração: 123 min.

País: Estados Unidos

Gênero: Drama

Direção e roteiro: Richard La Gravenese

Madadayo (Madadayo)

Após 30 anos trabalhando como professor em uma escola, Hyakken Uchida


anuncia que vai parar de lecionar. Inconformados, os alunos promovem reuniões
quinzenais na casa do mestre, ocasião para colocar em dia as conversas, rir, beber
e aprender lições de vida com o ancião.

Ano: 1993

Duração: 134 min.

País: Japão

Gênero: Drama

Direção: Akira Kurosawa

Roteiro: Akira Kurosawa, Hyakken Uchida e Ishiro Honda

Como estrelas na terra – toda criança é especial (Taare Zameen Par)

É a história de uma criança que sofre com dislexia e custa a ser


compreendida. O jovem Ishaan, não consegue acompanhar as aulas ou focar sua
atenção, e é tratado com muita rudeza por seu pai. Após serem chamados pela
escola, o pai decide levá-lo a um internato, atitude que leva o pequeno a entrar em

161
depressão. Um professor substituto de artes, Nikumbh, logo percebe o problema de
Ishaan, e entra em ação com seu plano para devolver a ele a vontade de viver.

Ano: 2007

Duração: 140 min.

País: Índia

Gênero: Drama

Direção: Aamir Khan

Roteiro: Amole Gupte

Entre os muros da escola (Entre le Murs)

Baseado em livro homônimo de François Bégaudeau, relata sua experiência


como professor de francês em uma escola de ensino médio na periferia parisiense,
lugar de mistura étnica e social, um microcosmo da França contemporânea.

Ano: 2008

Duração: 128 min.

País: França

Gênero: Drama

Direção: Laurent Cantet

Roteiro: Laurent Cantet e Robin Campillo

Ao mestre, com carinho (To Sir, with Love)

Um jovem professor enfrenta alunos indisciplinados. O filme reflete alguns dos


problemas e medos dos adolescentes dos anos 60. Sidney Poitier tem uma de suas
melhores atuações como Mark Thackeray, um engenheiro desempregado que
resolve dar aulas em Londres, no bairro operário de East End. A classe, liderada por
Denham, Pamela e Barbara está determinada a destruir Thackeray como fez com

162
seu predecessor, mas Thackeray, acostumado à hostilidade, enfrenta o desafio
tratando os alunos como jovens adultos que breve estarão se sustentando por conta
própria. Quando recebe um convite para voltar a engenharia, Thackeray deve decidir
se pretende continuar.

Ano: 1967

Duração: 105 min.

País: Reino Unido

Gênero: Drama

Direção: James Clavell

Roteiro: E.R. Braithwaite e James Clavell

Imagem 40: Revisão audiovisual

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/s/sebastiansantanam8qnfs/06/l/1434210651i0r4o.jp
g
13 mar.2019

O jarro (Khomreh)

Numa escola do deserto, o jarro que serve para as crianças matarem a sede
trinca. O fato mobiliza as pessoas do vilarejo, cada uma com uma reação diferente.
Rodado numa aldeia do escaldante deserto iraniano, o filme contou com a
participação de atores não profissionais que, até então, mal conheciam o cinema.

Ano: 1992

163
Duração: 98 min.

País: Irã

Gênero: Drama

Direção e roteiro: Ebrahim Foruzesh

Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society)

Em 1959, John Keating volta ao tradicionalíssimo internato Welton Academy,


onde foi um aluno brilhante, para ser professor de Inglês. No ambiente soturno da
respeitada escola, Keating torna-se uma figura polêmica e mal vista, pois acende
nos alunos a paixão pela poesia e pela arte e a rebeldia contra as convenções
sociais. Os estudantes, empolgados, ressuscitam a Sociedade dos Poetas Mortos,
fundada por Keating em seu tempo de colegial e dedicada ao culto da poesia, do
mistério e da amizade. A tensão entre disciplina e liberdade vai aumentando, os pais
dos alunos são contra os novos ideais que seus filhos descobriram, e o conflito leva
à tragédia.

Ano: 1990

Duração: 128 min.

Direção: Peter Weir

Roteiro: Tom Schulman

O Aluno: uma lição de vida (The First Grader)

O filme reconta a história de Kimani Maruge Ng’ang’a, um queniano que foi


preso e torturado por lutar pela liberdade de seu país. Aos 84 anos, quando soube
de um programa governamental de escolas para todos, Maruge se candidata a uma
escola primária que atende crianças de seis anos de idade. Sua entrada acontece
graças ao apoio de uma das professoras e ele também se torna um grande
educador.

164
Ano: 2010

Duração: 103 min.

País: Reino Unido, EUA, Quênia

Gênero: Drama

Roteiro: Ann Peacock

Meu Mestre, Minha Vida (Lean on Me)

Arrogante e autoritário, o professor Joe Clark é convidado por um amigo a


assumir o cargo de diretor na problemática escola em Paterson, New Jersey, de
onde ele havia sido demitido. Com seus métodos nada ortodoxos, Joe se propõe a
fazer uma verdadeira revolução no colégio marcado pelo consumo de drogas,
disputas entre gangues e considerado o pior da região. Com isso, ele ao mesmo
tempo coleciona admiradores e também muitos inimigos.

Ano: 1989

Duração: 109 min.

País: Estados Unidos

Gênero: Drama

Direção: John G. Avildsen

Roteiro: Michael Schiffer

O Substituto (Detachment)

Henry Barthes é um professor brilhante com verdadeiro talento para se


conectar com seus alunos. Em outro mundo, ele seria um herói para sua
comunidade. Mas, assombrado por um passado conturbado, ele escolhe ser
professor substituto – nunca na mesma escola por mais que algumas semanas,
nunca permanecendo tempo suficiente para formar qualquer relação com os alunos

165
ou colegas. Uma profissão perfeita para alguém que busca se esconder ao ar livre.
Quando uma nova missão o coloca numa decadente escola pública, o isolado
mundo de Henry é exposto por três mulheres que mudam a sua visão sobre a vida:
uma estudante, uma professora e uma adolescente fugitiva.

Ano: 2011

Duração: 97 min.

País: Estados Unidos

Gênero: Drama

Direção: Tony Kaye

Roteiro: Carl Lund

Nenhum a menos (Yi ge dou bu neng shao/Not one less)

As dificuldades encontradas por uma menina de 13 anos quando tem de


substituir seu professor, que viaja para ajudar a mãe doente. Antes de partir, ele
recomenda à garota que não deixe nenhum aluno abandonar a escola durante sua
ausência. Quando um garoto desaparece da escola, a jovem professora descobre
que ele deixou o vilarejo em direção à cidade em busca de emprego, para ajudar no
sustento da família. Seguindo os conselhos de seu professor, ela vai atrás do aluno.

Ano: 1998

Duração: 106 min.

País: – Gênero: Drama

Direção: Yimou Zhang

Roteiro: Shi Xiangsheng

A língua das mariposas (La Lengua de las Mariposas)

166
O mundo do pequeno Moncho estava se transformando: começando na
escola, vivia em tempo de fazer amigos e descobrir novas coisas, até o início da
Guerra Civil Espanhola, quando ele reconhecerá a dura realidade de seu país.
Rebeldes fascistas abrem fogo contra o regime republicano e o povo se divide. O pai
e o professor do menino são republicanos, mas os rebeldes ganham força, virando a
vida do garoto de pernas para o ar.

Ano: 1999

Duração: 95 min.

País: Espanha

Gênero: Drama

Direção: José Luis Cuerda

Roteiro: Rafael Azcona

Quando tudo começa (Ça commece Aujourd’hui)

Daniel Lefebvre é professor numa pequena cidade que sofre com o


fechamento das minas de carvão e enfrenta uma alta taxa de desemprego. Daniel e
os outros professores são aconselhados a não se envolver com os problemas da
comunidade, mas é impossível para Daniel ignorar a miséria, a indiferença do
governo e os sérios problemas domésticos que suas crianças enfrentam. Quando
uma mãe aparece tão bêbada que acha melhor não levar os filhos para casa, Daniel
entra em contato com assistentes sociais, é ignorado e decide levar as duas
crianças para sua casa. Ele então começa uma campanha contra o governo local,
reivindicando condições mínimas de vida e dignidade para a população. Além de
dificuldades pessoais, como a doença do pai, um ex-mineiro que sofre de enfisema,
ele irá enfrentar enormes dificuldades burocráticas e a maquinação das autoridades
educacionais.

Ano: 1999

Duração: 118 min.

País: França

167
Gênero: Drama

Direção: Bertrand Tavernier

Roteiro: Bertrand Tavernier, Dominique Sampiero e Tiffany Tavernier

Numa escola de Havana (Conducta)

Chala é um garoto de onze anos que vive com sua mãe viciada em drogas,
Sonia. Para sustentar a casa, ele treina cães de briga com um homem que pode ser
ou não seu pai biológico. As dificuldades de sua vida refletem na escola, onde é
aluno de Carmela (Alina Rodriguez), por quem ele tem um grande respeito. Mas
quando ela fica doente e tem que se afastar por meses, Chala não se adapta ao
novo professor, que o coloca em uma sala para alunos de mal comportamento.
Quando Carmela retorna, não aceita essa medida e outras imposições que
aconteceram durante sua ausência. Enquanto a relação entre professora e aluno se
intensificam, os dois passam a ser perseguidos na escola, levando a um conflito que
reflete o complexo sistema de Cuba contemporânea.

Ano: 2015

Duração: 108 min.

País: Cuba – Gênero: Drama

Direção: Ernesto Daranas

Roteiro: Ernesto Daranas

Além da sala de aula (Beyond The Blackboard)

A história se passa em 1987 e segue uma jovem professora e mãe de dois


filhos que acabou de se formar na faculdade e acaba ensinando crianças de rua em
uma escola sem um nome. Com o apoio de seu marido, ela vence os medos e os
preconceitos para dar a estas crianças a educação que merecem.

Ano: 2011

168
Duração: 95 min.

País: Estados Unidos

Gênero: Drama

Direção: Jeff Bleckner

Roteiro: Camille Thomasson

O Primeiro da Classe (Front of the Class)

O filme é baseado em fatos reais e conta a história de Brad Cohen, que tem a
Síndrome de Tourette e enfrentou os sintomas e todos os preconceitos para realizar
o seu sonho de se tornar professor. Cohen passa por uma série de dificuldades
durante todo o filme, que ressalta a incompreensão das pessoas em relação às
reações da Síndrome (inclusive de sua própria família, como o pai que o repreende
constantemente durante a infância.

Ano: 2006

País: Estados Unidos

Gênero: Drama/ Biografia

Direção: Peter Werner

Roteiro: Brad Cohen e Lisa Wysocky

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/25-filmes-para-pensar-e-repensar-a-
educacao/. Acesso e 13 mar.2019.

169
REFERÊNCIAS

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InovaEduc. 2018. Disponível em: http://inoveduc.com.br/metodologias-ativas-parte-
1/. Acesso em: 12 mar. 2019.

ARANHA FILHO, F. Tecnologia no Ensino. Ei! Ensino Inovativo, volume especial,


u2015. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/285036367_Tecnologia_no_Ensino_Ei_En
sino_Inovativo_volume_especial_2015. Acesso em: 12 mar. 2019.

AUDINO, D.; NASCIMENTO, R. Objetos de aprendizagem – diálogos entre


conceitos e uma nova proposição aplicada à educação. Revista Contemporânea
de Educação, v. 5, 2010, pp. 128-148.

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

BLIKSTEIN, P.; ZUFFO, M. K. As sereias do ensino eletrônico. In: SILVA, M. (org.).


Educação on-line. São Paulo: Loyola, 2003.

BLOOM, B. H.; HASTINGS, T e MADAUS, G. Manual de avaliação formativa e


somativa do aprendizado escolar. São Paulo: Pioneira; 1993.

BORTOLOZZO, A. R. S.; BARROS, G. C.; RAMOS, L. M. C. Quem é e o que faz o


professor-tutor. IX Congresso Nacional de Educação – EDUCERE, III Congresso
Sul Brasileiro de Psicopedagogia. 26 a 29 out 2009. PUC-PR. Disponível em:
http://www.portugues.seed.pr.gov.br/arquivos/File/ead/ana.pdf. Acesso em: 13 mai
2019.

BRASIL. Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o Art. 80 da


Lei 9.394/96. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2005/decreto/D5622.htm. Acesso em: 13 mar. 2019.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares


nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental - língua portuguesa.
Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues.pdf. Acesso em 01 mar 2019.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação


Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf. Acesso em 13 mar.2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –


Lei no. 9.394/96. Brasília, 1996. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/lei9394.pdf. Acesso em 01 fev 2019.

CANDAU, V. M. F. (Org.). Rumo a uma nova Didática. Petrópolis: Vozes, 2012.

170
COMENIUS, J. A. Didática Magna. Fundação Calouste Gulbenkian. EBooksBrasil.
Disponível em:

http://www2.unifap.br/edfisica/files/2014/12/A_didactica_magna_COMENIUS.pdf.

Acesso em: 20 fev 2019.

DALE, E. Audio-visual methods in teaching. New York: Dryden Press, 1969.

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