Você está na página 1de 51

TOPOGRAFIA E GEOPROCESSAMENTO

APLICADOS
RESUMO DA UNIDADE

Neste módulo, serão analisados os principais conceitos referentes a Topografia,


bem como sua relação com a Cartografia e a Geodésia, além da utilização dos
dados topográficos no Geoprocessamento. A topografia é uma ciência que tem por
objetivo descrever um lugar, ou seja, caracterizá-lo conforme as suas características
planimétricas e altimétricas, de forma que possa fornecer os subsídios necessários
para embasar as modificações e intervenções necessárias no terreno para as
diversas aplicações. A Cartografia e a Geodésia são essenciais para a Topografia, já
que são responsáveis por todo o embasamento teórico que é utilizado por essa
ciência, de maneira que seus conceitos essenciais para os levantamentos
topográficos estão explicitados neste módulo. Ainda, será abordada a aplicação da
Topografia no Geoprocessamento, onde é possível perceber a importância dos
levantamentos topográficos para uma infinidade de projetos.

Palavras-chave: Topografia. Cartografia. Geodésia. Geoprocessamento.


Levantamento Topográfico.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO DO MÓDULO ............................................................................... 4


CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO A TOPOGRAFIA ...................................................... 6
1.1 Histórico da Topografia .................................................................................. 6
1.2 Divisão da Topografia .................................................................................... 8
1.3 Objetivos e conceitos fundamentais em Topografia ....................................... 9
1.3.1 Conceitos fundamentais ............................................................................... 10
1.4 Equipamentos e aplicações em Topografia ................................................. 13
1.4.1 Equipamentos e Topografia ......................................................................... 13
1.4.2 Aplicações da Topografia ............................................................................. 19
CAPÍTULO 2 – TOPOGRAFIA E SUAS RELAÇÕES COM A CARTOGRAFIA ...... 20
2.1 Topografia e Cartografia .............................................................................. 20
2.1.1 Planimetria ................................................................................................... 21
2.1.2 Altimetria ...................................................................................................... 30
CAPÍTULO 3 – TOPOGRAFIA, GEODÉSIA E GEOPROCESSAMENTO ............... 35
3.1 Topografia e Geodésia ................................................................................. 35
3.1.1 Sistema de coordenadas topográficas ......................................................... 36
3.1.2 Sistemas de Coordenadas Cartesianas ....................................................... 37
3.1.3 Sistemas de Coordenadas Esféricas ........................................................... 38
3.1.4 Superfícies de Referência ............................................................................ 39
3.2 Topografia e Geoprocessamento ................................................................. 42
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 50

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
4

APRESENTAÇÃO DO MÓDULO

O homem e a sociedade como um todo, a partir do avanço das tecnologias e


do uso do espaço geográfico, perceberam a necessidade de se estudá-lo e
caracterizá-lo, cada vez mais, para que seu uso fosse otimizado. Além disso, há
também a necessidade de controle do espaço ocupado, de modo que as
propriedades e outras porções do espaço pudessem ser organizadas e controladas
com relação ao registro, a posse e ao pagamento de impostos.
A Topografia é uma área do conhecimento que tem por objetivo principal a
descrição de um lugar. Neste sentido, a topografia contribui também no
entendimento, na descrição e na representação gráfica sobre uma superfície plana,
partes da superfície terrestre, mas desconsiderando a curvatura do planeta Terra.
Ainda, a Topografia pode ser definida como a ciência que utiliza instrumentos e
métodos para obter a representação gráfica de uma porção do terreno sobre uma
superfície plana. Além disso, também pode determinar o contorno, a dimensão e a
posição relativa de uma porção limitada da superfície terrestre, sem levar em conta a
curvatura resultante da esfericidade terrestre.
Através dos levantamentos planimétricos, onde a caracterização das áreas é
feita considerando as grandezas associadas ao plano horizontal, como também dos
levantamentos altimétricos, onde as grandezas se referem ao plano vertical, é
possível conhecer a porção da superfície terrestre, de modo que seus elementos
possam ser representados e interpretados. Essa interpretação é de grande
importância, por exemplo, em estudos relacionados a obras de engenharia civil,
como estradas, pontes e outras construções, pois cada terreno apresenta elementos
importantes na perspectiva horizontal e vertical, de modo que, muitas vezes, torna-
se necessária a adoção de medidas para a execução das obras, como cortes,
aterramentos, etc.
A topografia, juntamente com a cartografia, trabalha com os aspectos
relacionados a planimetria e a altimetria, de modo a contribuir na caracterização do
espaço geográfico de modo que ele possa ser utilizado e monitorado sob diversos
aspectos.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
5

Além disso, outro papel importante da topografia é a marcação de pontos que


possibilitam a localização precisa deles no espaço. A associação entre a Geodésia a
e Topografia permitem que os pontos de um terreno, por exemplo, sejam inseridos
em sistemas de coordenadas, de forma que essas áreas possam ser localizadas de
acordo com interesses públicos ou privados. A possibilidade de georreferenciamento
dos pontos e das marcações realizadas pelos levantamentos topográficos permitem
o estabelecimento de limites de propriedades, além da verificação das divisas e a
regulamentação de propriedades.
Além dessas aplicações já bem conhecidas, graças ao avanço e a
disseminação das tecnologias, especialmente dos Sistemas de Informação
Geográfica, os levantamentos topográficos podem contribuir para uma série de
aplicações, como o cadastramento urbano e rural, estudos relacionados a paisagem
e ao relevo, delimitação de bacias hidrográficas e outros fenômenos, como
processos erosivos, etc.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
6

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO A TOPOGRAFIA

1.1 Histórico da Topografia

Desde o surgimento dos nossos primeiros ancestrais, os hominídeos, entre


100.000 a 300.000 anos, nossos antepassados, passaram por diversos processos
de evolução. Os primeiros povos eram nômades, modo de vida em que o homem
era um mero coletor e caçador, extraindo somente o que era oferecido pela
natureza. A medida em que a demanda por alimentos foi aumentando, foi preciso
encontrar mecanismos que pudessem suprir as necessidades dos grupos. O
homem, ao descobrir e dominar as primeiras técnicas agrícolas, pode fixar moradia
em um local, passando a não ser totalmente dependente da natureza. Desta forma,
ele abandonou o modo de vida nômade e adotou o modo de vida sedentário.
O cultivo de alimentos e a criação de animais foi se expandindo, surgindo a
agricultura e a pecuária. Além disso, os resultados dessa evolução resultaram na
formação de grupos sociais mais complexos, além das primeiras vilas e cidades.
Após o aparecimento das sociedade mais organizadas e a expansão da
agropecuária, os indivíduos perceberam a necessidade de demarcar seus domínios,
tanto para o uso agrícola como também para a sua moradia.
A demarcação de terras foi uma das primeiras manifestações da topografia e
era realizada através de instrumentos rudimentares, mesmo sem os indivíduos
saberem que ela, muito tempo depois, tornar-se-ia uma ciência.
Os primeiros povos a criarem e a utilizarem os instrumentos topográficos foram
os egípcios e os mesopotâmicos, sendo atribuído aos egípcios os primeiros registros
da utilização da topografia, já na época imperial, por volta de 3200 a. C. Após os
egípcios e os mesopotâmicos, os chineses, hebreus, gregos e romanos também
utilizaram a topografia para a definição dos limites territoriais.

SAIBA MAIS
Os instrumentos topográficos construídos pelos egípcios, nessa época, eram
bastante rudimentares, com baixa exatidão e precisão quando comparados aos
instrumentos atuais. Entretanto, para a época, os resultados obtidos foram

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
7

extraordinários, sendo a pirâmide de Quéops um dos exemplos mais marcantes. Os


egípcios demoraram 30 anos para erguerem a pirâmide de Quéops, e esta foi
construída com as medidas de 230,25m, 230,45m, 230,39m e 230,35m,
respectivamente, paras as suas bases norte, sul, leste e oeste, errando apenas 20
centímetros entres as bases. No caso dos ângulos, o erro correspondente aos
quatro ângulos da base da pirâmide é de apenas 6´35’’. Ainda, as quatro arestas da
pirâmide de Quéops apontam para os pontos colaterais NE, SE, SO, e NO, incluindo
também as outras pirâmides de Gizé.

No decorrer do tempo, por questões de sobrevivência, orientação, segurança,


guerras, navegação, construção, entre outras necessidades, sempre foi
imprescindível, para o homem, conhecer o meio em que vive e desenvolve suas
atividades. Neste sentido, a representação do espaço era baseada na observação e
na descrição do espaço. Podemos afirmar, de acordo com a própria história da
Cartografia, antes mesmo do homem desenvolver a escrita, ele já desenhava seus
mapas para fins de localização e orientação. À medida que ele foi descobrindo
novas maneiras de representação, surgiram técnicas e equipamentos de medição
que facilitaram a obtenção de dados para posterior representação.
Com o passar dos séculos, os instrumentos e métodos, tanto nos requisitos
técnicos quanto eletrônicos, tornando as interfaces e a sua operação mais
amigáveis, com uma maior oferta de recursos para o operador, melhor controle dos
erros e, consequentemente, a apresentação de resultados mais precisos e exatos.
Neste sentido, é de grande importância a representação gráfica de uma porção
da superfície da Terra para a sociedade, especialmente, em proporções reduzidas,
com todas as formas de relevo presentes, como montanhas, vales, serras, além de
elementos naturais, como rios e lagos, e também construídos, como estradas,
divisas, cidades, entre outros. Se a porção da superfície da Terra a ser representada
for de tal extensão que não seja necessário considerar a forma da Terra, ela
constitui o objeto da Topografia.
A palavra Topografia é originada do idioma grego, em que TOPOS significa
lugar ou região, enquanto que GRAPHEN significa descrição, ou seja, descrição de
um lugar. Existem diversos conceitos relacionados a topografia: ela pode ser

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
8

definida como a ciência que tem por objetivo conhecer, descrever e representar
graficamente sobre uma superfície plana, partes da superfície terrestre,
desconsiderando a curvatura do planeta Terra; ainda, pode representar o estudo dos
instrumentos e métodos utilizados para obter a representação gráfica de uma porção
do terreno sobre uma superfície plana; ainda, consiste na determinação do contorno,
da dimensão e da posição relativa de uma porção limitada da superfície terrestre,
sem levar em conta a curvatura resultante da esfericidade terrestre (Coelho Neto et.
al. 2014).
A partir dessas definições, podemos compreender que a Topografia é uma
ciência que estuda, projeta, representa, mensura e executa uma parte limitada da
superfície terrestre sem considerar a curvatura da Terra, até onde o erro de
esfericidade poderá ser desprezível, e considerando os perímetros, dimensões,
localização geográfica e posição (orientação) e objetos de interesse que estejam
dentro desta porção (Coelho Neto et. al. 2014).

1.2 Divisão da Topografia

A Topografia é dividida em quatro subáreas, a Topologia, a Topometria,


Taqueometria e a Fotogrametria.
A Fotogrametria consiste em uma técnica que permite o estudo e a definição
das formas, das dimensões e das posições de objetos no espaço, utilizando-se de
medições obtidas a partir de fotografias ou imagens digitais.
A Taqueometria refere-se a um processo para a obtenção rápida da distância e
da diferença de cota entre dois pontos. Ela permite obter as coordenadas espaciais
de um ponto a partir do outro, ou seja, de modo indireto.
A Topologia consiste no levantamento topográfico onde as formas exteriores da
superfície da Terra são representadas, bem como as leis que regem o seu
modelado.
Já a Topometria pode ser definida como um levantamento topográfico que tem
por objetivo medir os elementos característicos de uma determinada área. A
Topometria é subdividida em Planimetria, Altimetria e Planialtimetria (Figura 1).

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
9

Figura 1: Divisões da Topografia.

Altimetria

Topometria Planimetria

Topologia Planialtimetria

Topografia

Taqueometria

Aerofotogrametria

Fotogrametria
Fotogrametria
topográfica

Fonte: Elaborada pela autora, 2020.

A Planimetria é a parte da Topografia que estuda o terreno, considerando


somente as dimensões e as coordenadas planimétricas. Nesse caso, o relevo do
terreno não é importante, mas, sim, as suas distâncias e os ângulos horizontais, a
localização geográfica e a posição (orientação). A Altimetria é a parte da Topografia
que estuda o terreno, considerando somente as dimensões e as coordenadas
altimétricas. Nesse caso, o relevo do terreno é importante e se avalia somente suas
distâncias e os ângulos verticais. A Planialtimetria é a parte da Topografia que
estuda o terreno considerando as dimensões e as coordenadas planimétricas e
altimétricas. Nesta situação, tanto o relevo do terreno como as suas distâncias
horizontais e verticais, os ângulos horizontais e verticais, a localização geográfica e
a posição (orientação) são relevantes para o levantamento topográfico.

1.3 Objetivos e conceitos fundamentais em Topografia

O objetivo principal da Topografia é a realização de um levantamento, através


da medição de ângulos, distâncias e desníveis, que permitam representar uma
porção da superfície terrestre em uma escala adequada. Este levantamento envolve
operações efetuadas em campo, com coleta de dados para a sua posterior
representação. Além disso, o objetivo principal do levantamento topográfico deve
estar alinhado com as normas locais, regionais ou nacionais. Se a superfície

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
10

terrestre fosse plana e horizontal, a representação dos elementos topográficos seria


fácil, bastando referenciá-los com um sistema de eixos, medir as coordenadas e
representá-los em escala. No entanto, sabemos que a superfície terrestre não é um
plano perfeito, apresentando muitas irregularidades, além da sua curvatura geral.
Para que a representação de uma porção do espaço seja feita, todos os
acidentes geográficos importantes são projetados verticalmente, de acordo com a
direção vertical do lugar, em um plano horizontal de referência. Ao representar os
acidentes do terreno desta maneira, as suas projeções conservarão entre si as
mesmas distâncias horizontais existentes no terreno. Desta forma, o produto obtido
é como uma imagem do terreno em um espelho grande e plano. Mas, para que a
representação seja fiel, é necessária a determinação da distância vertical de cada
acidente no plano horizontal fixo, que é chamado, portanto, de plano topográfico.
Neste contexto, a representação completa do terreno compreende, portanto
duas partes: a representação plana do terreno, que é feita pela planimetria, e a
representação vertical do terreno, ou seja, das formas de relevo, que é feita pela
altimetria. Assim, a operação completa consiste no chamado levantamento
topográfico ou levantamento planialtimétrico, que significa o conjunto de operações
realizadas no terreno com o objetivo de se determinar as distâncias horizontais e
verticais entre os pontos que caracterizam o modelado do terreno.

IMPORTANTE
O levantamento planimétrico pode ser feito de maneira individual, entretanto o
mesmo não se aplica ao levantamento altimétrico, não sendo possível a realização
de um levantamento somente altimétrico do terreno.

1.3.1 Conceitos fundamentais


Após o levantamento dos dados, para a representação gráfica é feita a
transferência do plano de projeção para o papel, preservando uma relação constante
entre todas as distâncias medidas. O desenho resultante do terreno a partir do
levantamento planialtimétrico é chamado de planta topográfica, e a relação
constante entre as distâncias medidas no terreno e na planta é a escala da planta.
Ainda, há também o conceito de alinhamento. Em Topografia, o alinhamento de dois

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
11

pontos, A e B, no terreno, representa a direção ab determinada por suas respectivas


projeções, a e b, em um plano horizontal. Sendo um alinhamento em uma direção na
horizontal, pode-se ter o mesmo alinhamento, tirado a partir de A, paralelo a ab,
resultando a horizontal AB’. Desta forma, a distância horizontal ou a distância
reduzida entre dois pontos é medida segundo o alinhamento estabelecido por eles.
Assim, as distâncias horizontais podem ser medidas direta ou indiretamente,
conforme o operador necessite ou não de percorrê-las, comparando-as com a
unidade.

IMPORTANTE
A determinação das posições de pontos projetados em um plano horizontal refere-se
aos pontos que definem a forma ou o contorno de acidentes do terreno, que são
considerados importantes ou representáveis.

Existe também o conceito relacionado ao limite de aplicação do plano


topográfico. Quando projetamos verticalmente uma parte da superfície da Terra em
um plano horizontal, consideramos que todas as verticais ou projetantes são
paralelas. No entanto, isto não é exato, pois as verticais, na realidade, são
convergentes ao centro da Terra. Desta forma, se a superfície a ser projetada for
muito extensa, a sua projeção não deve ser representada em um plano horizontal,
mas, sim, em uma superfície que partindo do nível médio do mar, se apresentasse
normal a qualquer vertical V medida em um ponto P qualquer da superfície da Terra.
Esta superfície ideal se chama geoide ou superfície de nível, e consiste em um
dos modelos de representação da Terra. O modelo permite que a superfície terrestre
seja representada por uma superfície fictícia, definida pelo prolongamento do nível
médio dos mares (NMM) sobre os continentes. A representação por geoide gera um
modelo com a superfície deformada em relação a sua forma e posição reais.

FIQUE ATENTO
No estudo da forma e da dimensão da Terra, existem quatro tipos de superfície ou
modelo para a sua representação: o modelo real, o modelo geoidal, o modelo
elipsoidal e o modelo esférico.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
12

Os principais produtos da Topografia são o levantamento topográfico e a


locação topográfica. O levantamento topográfico, de uma forma geral, consiste na
coleta de todos os dados e características importantes presentes em um terreno em
uma determinada área, para posterior representação, fidedigna, através de desenho
em papel ou ambiente gráfico, em escala adequada e com orientação, de todos os
elementos naturais e artificiais que foram observados.
De acordo com a NBR 13133/1994, que é a norma brasileira que regulamenta
a execução do levantamento topográfico, ele é definido como:
Conjunto de métodos e processos que, através de medições de ângulos
horizontais e verticais, de distâncias horizontais, verticais e inclinadas, com
instrumental adequado à exatidão pretendida, primordialmente, implanta e
materializa pontos de apoio no terreno, determinando suas coordenadas
topográficas. A estes pontos se relacionam os pontos de detalhes visando à
sua exata representação planimétrica numa escala predeterminada e à sua
representação altimétrica por intermédio de curvas de nível, com
eqüidistância também predeterminada e/ou pontos cotados (NBR
13133/1994, p. 3).

FIQUE ATENTO
Todo e qualquer planejamento de levantamento topográfico deve ser baseado na
NBR13133, pois, nesta norma, está descrita, além da metodologia de trabalho,
orientações como a escala de trabalho, a quantidade mínima de pontos que devem
ser coletados, de acordo com a área a ser levantada, entre outros elementos. A
NBR13133 está disponível para download na Internet.

A locação topográfica consiste na materialização, no terreno, dos pontos do


projeto de uma obra para que ela possa ser executada exatamente no local
planejado. É um processo posterior ao levantamento topográfico, já que é através
deste último que as características do terreno são avaliadas, e, somente a partir
delas, é que se torna possível a definição do local da construção, as modificações
necessárias no terrento para comportar o projeto, entre outros.
A locação topográfica deve ser feita através das seguintes etapas: (1)
levantamento topográfico do terreno onde a obra será realizada; (2) elaboração da
planta topográfica do terreno; (3) criação do projeto da obra sobre a planta; e (4)
locação do projeto em campo.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
13

Após a realização do levantamento topográfico e da locação topográfica, deve-


se elaborar um memorial descritivo. O memorial descritivo consiste em um
documento anexo ao trabalho de levantamento e locação topográficas, que informa
todas as características de uma propriedade ou área.
No memorial, deve estar discriminado os principais marcos, as coordenadas,
as estradas que limitam a propriedade, etc. Ainda, é no memorial que é descrito, de
maneira textual, a poligonal que limita a propriedade, de forma que se compreenda
suas características e todo o levantamento que foi realizado, sem a necessidade de
se verificar graficamente ou em tabelas.

1.4 Equipamentos e aplicações em Topografia

Para que os levantamentos topográficos, bem como as outras aplicações da


Topografia sejam utilizadas, é necessário uma série de equipamentos, que são
indispensáveis para os levantamentos e as locações.

1.4.1 Equipamentos e Topografia


Os equipamentos de Topografia são indispensáveis para os levantamentos e
locações, e podem ser divididos em instrumentos, que são os equipamentos
utilizados nas medições e acessórios, que são os equipamentos que auxiliam na
medição.

1.4.1.1 Instrumentos
As trenas são instrumentos muito utilizados para mensurar diferenças de nível
e, principalmente, as distâncias horizontais, e, se usados de forma correta, podem
oferecer dados exatos e rápidos. Na utilização da trena, deve-se evitar os seguintes
erros:
 O erro de catenária, que é provocado pelo peso da trena. Devido ao peso
do instrumento, ele tende a formar uma curva convexa voltada para baixo.
O erro ocorre, pois, ao invés de se medir uma distância no plano, ou seja,
a distância horizontal, mede-se um arco. Para evitá-lo, devem-se aplicar
maiores forças nas extremidades das trenas.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
14

 A falta de horizontalidade da trena, de modo que, em áreas não planas, a


tendência é segurar a trena mais próxima ao chão, aumentando as
distancias medidas em comparação a distância real. Para que o erro seja
minimizado, deve-se usar balizas para ajudar na horizontalidade da trena.
 A falta de verticalidade da baliza, onde o técnico pode inclinar a baliza
durante a medida, subestimando ou superestimando os valores,
dependendo de como for a falta de verticalização. Para evitar o erro e
verticalizar a baliza, o técnico pode usar um nível de cantoneira; ou
verticalizar utilizando um fio vertical ou também chamado de colimador; ou
usar a gravidade. Nesse caso, o balizeiro segura a baliza, deixando a
gravidade atuar; neste momento, soltar a baliza aos poucos até atingir o
ponto e de maneira verticalizada.
 A dilatação do material das trenas, provocado por tensões excessivas no
material, de modo que também interfere nas medidas obtidas. Para
minimizar o problema, deve-se escolher trenas de boa qualidade.

Os goniômetros são instrumentos destinados apenas para medições de


ângulos verticais e horizontais, pois não possuem os fios estadimétricos.
Já os teodolitos são instrumentos destinados à medição de ângulos verticais e
horizontais, e, com auxílio das balizas e das miras falantes, fazem a medição de
distâncias horizontais, utilizando-se da taqueometria planimétrica, e verticais, por
meio do nivelamento taqueométrico e nivelamento trigonométrico, pois possuem os
fios estadimétricos.
Os teodolitos são classificados de acordo com sua finalidade, e podem ser
topográfico, astronômico ou geodésico. Além disso, também podem ser classificados
de acordo com a exatidão, podendo ser baixa exatidão (abaixo de 30’’), média
exatidão (entre 07’’ e 29’’) e alta exatidão (igual ou abaixo de 02’’).
Os níveis de luneta, níveis de engenheiro ou simplesmente níveis são
instrumentos que podem ser utilizado para medir as distâncias verticais entre dois ou
mais pontos. Ainda, também podem ser utilizados para medir distâncias horizontais
com auxílio da mira falante, aplicando-se a taqueometria planimétrica.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
15

Os níveis são instrumentos compostos por uma luneta associada a um nível


esférico, de média precisão, e a um sistema de pêndulos, que ficam no interior do
aparelho, e possuem como função corrigir a calagem nos níveis ópticos automáticos,
deixando-os bastante próximos do plano topográfico. Além disso, também medem
ângulos horizontais, principalmente, quando são feitos levantamentos em seções
transversais. No entanto, a precisão para esses ângulos é de 1º. A estação total é
um instrumento eletrônico utilizado na obtenção de ângulos, distâncias e
coordenadas usados para representar graficamente uma área do terreno.

SAIBA MAIS
A estação total é considerada a evolução do teodolito, já que a estação total
comporta um distanciômetro eletrônico, uma memória temporária, que atua como
processador, uma memória fixa e uma conexão com um computador, formando um
único conjunto. A estação total tem autonomia para coletar e executar os dados
ainda em campo, através de dispositivos móveis.

Através da estação total, é possível realizar os levantamentos e as locações


topográficas, determinar os ângulos horizontais e verticais, as distâncias verticais e
horizontais, a localização e o posicionamento da área a ser trabalhada.
Para as medições, são utilizados o bastão e o prisma, que são colocados nos
pontos a serem levantados e/ou locados. O bastão é um acessório de material
metálico, onde o prisma é encaixado, na parte superior para o auxílio nas medições
com estação total.
Em um levantamento por coordenadas, é necessário digitar na estação total o
ponto em que ela se encontra, em sistema de coordenadas, podendo ser utilizadas
as coordenadas UTM (verdadeiras) ou locais (atribuídas). A atribuição ou informação
do ponto onde se encontra a estação total no sistema de coordenadas se chama
estação ocupada (Coelho Neto et. al. 2014).

IMPORTANTE
Convém destacar que estação, estação total e estação ocupada apresentam
significados diferentes. Estação total é o instrumento, enquanto que estação é o

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
16

local onde se encontra o instrumento; e estação ocupada são os valores de


coordenadas para o local onde se encontra o instrumento. Tanto estação quanto
estação ocupada são pontos topográficos.

Com a definição da estação ocupada, se faz necessária uma orientação para a


estação total no sistema de coordenadas através da RÉ (referencial), onde se coloca
o bastão + o prisma em um ponto com coordenadas conhecidas (X, Y e Z), ou
atribui-se valor de azimute 0º, ou ainda se informa o valor verdadeiro de azimute
naquele lugar, sendo um desses valores inseridos na estação total, no espaço
destinado para se inserir a RÉ (Coelho Neto et. al. 2014).

FIQUE ATENTO
É importante observar que o uso do azimute, seja verdadeiro, magnético ou
atribuído, só poderá ser realizado para efeito de orientação da estação total na
primeira estação (ponto ocupado). Nas demais, devem ser utilizados os valores já
obtidos e inseridos em suas respectivas coordenadas.

Após esses procedimentos, a medição dos pontos de interesse pode ser


iniciada, pressionando a teclar medir ou seu correspondente, de acordo com a
marca do instrumento. No momento da troca de estação ou do ponto ocupado, é
necessário a utilização de dois pontos já medidos, sendo um com a estação total,
onde é informada as coordenadas daquele ponto na estação ocupada, e o outro com
o prisma, informando as coordenadas daquele ponto na RÉ. Após este
procedimento, mede-se todos os pontos de interesse.
O Sistema Global de Navegação por Satélite (Global Navigation Satellite
System – GNSS) é um conjunto de sistemas que possibilitam a localização
tridimensional de um objeto em qualquer ponto da superfície terrestre, através de
aparelhos que receptam ondas de rádio emitidas por seus respectivos satélites.
O GNSS inclui diversos sistemas, dentre eles GPS, GLONASS, GALILEO e
COMPASS.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
17

FIQUE ATENTO
Além desses sistemas que compõem o conjunto GNSS, também existem os
sistemas regionais de navegação (Regional Navigation System – RNS) que operam
em porções distintas da superfície terrestre, como o IRNSS (Indian Regional
Navigational Satellite System), QZSS (Quase-Zenith Satellite System) e o BEIDOU
(Beidou Navigation System), estando este último em expansão para possibilitar o
funcionamento do COMPASS.

O Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System – GPS) é um


dos sistemas mais conhecidos e populares, de origem americana, e apresenta 24
satélites em 6 planos orbitais, onde cada plano orbital apresenta 4 satélites. O
Globalnaya Navigatsionnaya Sputnikovaya Sistema (GLONASS) é um sistema russo
e possui 24 satélites em três planos orbitais, onde em cada plano orbital há 8
satélites. Os demais sistemas globais, o GALILEU, que é um sistema europeu, e o
COMPASS, que é um sistema chinês, estão em fase final de implantação, com
previsão para funcionamento de até o final de 2020.
Independente do sistema ou da origem do conjunto de satélites, eles operam
basicamente do mesmo modo, emitindo sinais analógicos em forma de ondas de
rádio, chamadas de portadoras, que se comunicam com antenas instaladas na
superfície terrestre. As ondas emitidas, geralmente, são de dois tipos, L1 e L2, com
variados comprimentos de onda. Para que o objeto seja localizado na superfície da
Terra, são necessários, no mínimo, 4 satélites, no entanto, quanto maior a
quantidade de satélites disponíveis ao receptor, melhor será a exatidão da
localização geográfica da antena do receptor na superfície terrestre.

1.4.1.2 Acessórios
Existem uma diversidade de acessórios que são utilizados nos levantamentos e
nas locações topográficas, que complementam as funções dos instrumentos. Os
piquetes são utilizados para materializar os pontos topográficos, podendo ser de
origem artesanal, feitos de madeira, ou de plástico. Eles são enterrados no solo,
com uma parte exposta entre 2 a 3 cm, para serem visualizados.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
18

As estacas testemunhas têm por objetivo auxiliar na localização dos piquetes,


pois, em áreas maiores e com vegetação, torna-se difícil visualizá-los. Elas devem
ter entre 40 a 50 cm de altura e um corte na parte superior, devendo ser afixadas
entre 40 a 50 cm afastada dos piquetes e com o corte da parte superior virado para
o lado inverso onde se encontra o piquete.
As estacas têm como função auxiliar nos trabalhos de estaqueamento, que é
uma técnica onde se colocam todas as estacas alinhadas visando o levantamento
topográfico. As estacas devem medir entre 40 e 50cm e serem de madeira. Após o
levantamento e a realização do projeto, escrevem-se nas estacas os valores
correspondentes de cortes e aterros na locação altimétrica. Nos levantamentos e
locações topográficas, também são utilizadas tinta, prego e parafuso, que servem
para materializar os pontos topográficos em locais onde haja resistência do material
a ser penetrado, por exemplo, concreto em geral, estradas, ruas, pisos de casa,
calçadas, prédios, entre outros. A baliza é um acessório utilizado para facilitar a
visualização dos pontos topográficos, materializados por piquetes, no momento da
medição dos ângulos horizontais. Além disso, também é usada para ajudar no
alinhamento de uma poligonal, perfil, seção transversal e na medição da distância
horizontal através de trena, além de medir ângulos de 90º. A baliza possui 2 metros
de comprimento, e é dividida em 4 segmentos de 0,5m cada, e apresenta uma
coloração vermelha e branca para contrastar com a vegetação e o céu claro.
As miras falantes, também chamadas de miras estadimétricas ou estádia tem
por objetivo ajudar as medições de distâncias horizontais, através da taqueometria,
utilizando os fios superior, médio e inferior e distâncias verticais com o uso do fio
médio. Sua leitura é realizada em milímetros, onde cada barrinha centimetrada
equivale a 10 mm.
O nível de cantoneira é um acessório que possui um nível de bolha que pode
ser acoplado às balizas, miras falantes e bastões objetivando a verticalização
desses acessórios (Coelho Neto et. al 2014).
Os tripés são acessórios que servem para apoiar instrumentos como os
teodolitos, os níveis de luneta, as estações totais e antenas GNSS´s.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
19

1.4.2 Aplicações da Topografia


A Topografia baseia-se em Geometria aplicada, onde imaginam-se figuras
geométricas regulares ou irregulares geoespacializadas. Quando um levantamento
topográfico é realizado, coletam-se todos os dados e características do terreno em
forma de figuras geométricas com suas dimensões, perímetros e posições
(orientações) e localizações geográficas.
Neste sentido, a topografia pode ser aplicada em diversas áreas, como a
agronomia, a cartografia, às diversas áreas de engenharia. Por exemplo, na
construção civil, a topografia é utilizada no levantamento planialtimétrico do terreno,
para verificar a sua situação no contexto da paisagem, como os declives,
imperfeições e outras necessidades relacionadas a intervenções no terreno. Com o
levantamento, o engenheiro poderá avaliar a viabilidade da obra e dos investimentos
necessários para a realização das intervenções, e assim analisar a relação entre o
custo e o benefício da obra. A topografia também é de grande importância na fase
de execução da obra, pois é utilizada na demarcação dos limites e no nivelamento
do terreno, na locação de furos de sondagem, entre outros, minimizando os erros.
Outro exemplo de uso da topografia em obras de engenharia é a construção de
estradas, onde são levantados os obstáculos topográficos, geológicos e
hidrológicos. Desta forma, é possível adequar o projeto de forma que respeite os
obstáculos, além da busca por soluções para minimizá-los com procedimentos de
baixo custo. Ainda, os trabalhos topográficos também são utilizados na locação, com
a instalação de piquetes para marcar o traçado escolhido de acordo com as
informações obtidos pelo levantamento.
Outra área em que a topografia pode ser utilizada são nos estudos
hidrológicos. Os levantamentos topográficos, neste caso, são realizados com o
objetivo de obtenção de pontos nos leitos dos rios, lagos, lagoas e ambientes
oceânicos para determinar a morfologia do fundo desses ambientes e, assim,
elaborar as cartas náuticas. Essas cartas são usadas para a orientação da
construção de pontes, tuneis, barragens, portos, etc. Além disso, é possível, com o
levantamento topográfico, a aferição do nível da água, informação também de
grande importância para o planejamento e a locação das construções.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
20

CAPÍTULO 2 – TOPOGRAFIA E SUAS RELAÇÕES COM A CARTOGRAFIA

2.1 Topografia e Cartografia

A topografia tem por finalidade a determinação das dimensões e contornos da


superfície terrestre, desconsiderando a curvatura resultante de sua esfericidade,
através da medição de distâncias, direções e altitudes. Essas informações são
fundamentais para entender a morfologia do terreno, seus impactos nas diferentes
aplicações e de que forma esses impactos podem ser minimizados.
Neste sentido, a cartografia assume uma grande importância, pois é ela que
permite a associação das informações coletadas, em escala menores, e sua
articulação com as coordenadas geográficas.
Para que essas dimensões e contornos sejam levantadas, a topografia baseia-
se na geometria aplicada, baseada na imaginação de figuras geométricas regulares
ou irregulares geoespacializadas. Ou seja, quando um levantamento topográfico é
realizado, os dados e as características do terreno são coletadas em forma de
figuras geométricas, com suas dimensões, perímetros e orientações (posições) e
localizações geográficas. As figuras geométricas básicas são compostas de ponto,
linha e polígono.
O ponto é a menor unidade em uma figura geométrica, sendo representada, na
topografia, pelos pontos topográficos. Os pontos topográficos em um levantamento
topográfico locação topográfica são materializados pelos piquetes, estacas, pregos,
parafusos ou tinta, de acordo com a superfície.
A linha, que também pode ser chamada de alinhamento, é uma figura
geométrica formada pela união de vários pontos em uma mesma reta. Em
Topografia, essa linha forma os lados de uma poligonal, e é chamada de
alinhamento topográfico. O alinhamento topográfico é formado por dois pontos
topográficos.
Por exemplo, se imaginarmos um triângulo com vértices A, B e C, teremos três
alinhamentos em uma mesma direção (AB, BC, e CA), e podemos ter mais três em
outra direção (AC, CB e BA). Em um retângulo, temos quatro alinhamentos em cada
direção, e, assim, por diante. A união de dois ou mais alinhamentos formam as

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
21

poligonais. Dois alinhamentos poderão formar uma poligonal aberta. Três em diante,
poderão formar poligonais abertas ou fechadas (planos).
Os polígonos são usados para definir tanto as poligonais topográficas quanto
as do terreno ou da propriedade. As poligonais topográficas são construídas para
auxiliar na obtenção das poligonais do terreno.
As poligonais topográficas podem ser abertas ou fechadas, podendo aparecer
conjuntamente em um mesmo levantamento topográfico. As fechadas sempre
possibilitam os cálculos dos erros angular e linear, enquanto que as lineares também
permitem calcular os erros, porém são necessários os valores das coordenadas dos
pontos inicial e final deste tipo de poligonal.

FIQUE ATENTO
A topografia utiliza muitos conceitos relacionados à matemática básica aplicada,
como a geometria plana, a geometria analítica e a trigonometria para as
transformações de leituras de ângulos e distâncias realizadas em campo em
coordenadas planas e cálculo de áreas. Por isso, busque revisar estes conceitos por
meio de pesquisas na internet.

Os conceitos relacionados às poligonais, às linhas e aos pontos são muito


importantes para a realização dos levantamentos planimétricos e altimétricos, como
veremos a seguir.

2.1.1 Planimetria
A Planimetria é a parte da Topografia que estuda o terreno a partir de suas
dimensões e coordenadas planimétricas, sem observar o relevo do terreno, já que
ele é avaliado a partir de suas distâncias e dos ângulos horizontais, da localização
geográfica e da posição (orientação). Desta forma, para se obter um levantamento
planimétrico é necessário levantar os ângulos e as distâncias topográficas.

2.1.1.1 Ângulos
A topografia é uma ciência que se fundamenta na trigonometria e na geometria,
e, por isso, usa, de forma constante, os elementos geométricos ângulos e distâncias.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
22

Com relação aos ângulos, eles podem ser classificados em (Figura 2):

Figura 2: Os ângulos em Topografia


interno
diretos
externo

esquerda
Ângulos
deflexão
horizontais
direita

rumo
de
orientação
azimute
nadiral

Ângulos de
verticais inclinação

vertical

Fonte: Elaborado pela autora, 2020.

SAIBA MAIS
A área da topografia que estuda o uso dos ângulos é chamada de Goniologia. A
abertura do ângulo é uma propriedade invariante e é medida em radianos ou graus,
e o instrumento utilizado para a sua leitura é o goniômetro, e se possuir os fios
estadimétricos se chama teodolito. Esses instrumentos cumpre a mesma função
quando vamos medir um ângulo de uma figura impressa por meio do transferidor.

Os ângulos horizontais topográficos são medidos, no plano horizontal, que está


perpendicular ao eixo zênite-nadir, a partir de um ponto topográfico de uma
determinada poligonal, de acordo com o método a ser empregado. O objetivo da
medição é obter o ângulo entre dois alinhamentos considerados, e portanto, ele é
medido entre as projeções de dois alinhamentos do local a ser levantado/locado,
projetado no plano topográfico.
Dependendo da origem e das direções utilizadas para leitura, os ângulos
horizontais topográficos podem ser:
 Diretos, que por sua vez são divididos em interno e externo;

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
23

 Deflexões, que subdivide-se em esquerda e direita; e


 De orientação que subdivide-se em azimute e rumo.

Os ângulos verticais são medidos, no plano vertical, que está paralelo ao eixo
zênite-nadir, a partir de uma origem escolhida pelo topógrafo para medição deste
ângulo em um determinado lugar. De acordo com o início de sua contagem, eles
podem ser denominados de ângulos zenitais, de inclinação e nadiral.
Os ângulos verticais zenitais são aqueles em que a contagem inicia-se no
Zênite 0º, acima do instrumento e seguindo a direção da gravidade, até o nadir 180º,
passando pelo centro do instrumento em direção ao centro da Terra, seguindo a
linha da gravidade (Coelho Neto et. al. 2014)

FIQUE ATENTO
A maioria dos teodolitos utilizam o ângulo zenital como seu ângulo vertical para
evitar a mesma medida em direções diferentes. Por exemplo: podemos ter 46º para
o aclive e 46º para o declive em ângulo vertical de inclinação, enquanto que no
ângulo vertical zenital a mesma situação com as medidas serão 46º e 136º.

Os ângulos verticais de inclinação são aqueles que iniciam a sua contagem no


plano horizontal 0º e vão até o Zênite (90º) e em seguida até o Nadir (90º),
assumindo valores positivos no primeiro caso e negativos no segundo. Já os
ângulos verticais nadirais são aqueles que têm sua origem no Nadir 0º e vão até o
Zênite 180º (Coelho Neto et. al. 2014).
Para que os ângulos sejam utilizados de maneira correta nos levantamentos
topográficos, é preciso saber se orientar no espaço geográfico e,
consequentemente, essa orientação se reflete na planta topográfica.
Neste sentido, podemos dizer que a orientação de plantas é um ramo da
topografia que permite determinar a posição exata de uma poligonal ou de um
alinhamento topográfico sobre a superfície terrestre, a partir do norte magnético ou
verdadeiro (Coelho Neto et. al. 2014).

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
24

SAIBA MAIS
A origem da palavra orientação, ou seja orientar-se, é derivada da busca da direção
do Oriente (Japão), local onde o sol nasce. Os povos do Oriente eram bastante
desenvolvidos, e eram considerados uma referência para os demais povos, e, por
isso, a parte Leste do Globo representa o ponto primordial, a orientação mais
confiável.

Para compreendermos os ângulos de orientação, é importante que tenhamos


alguns conceitos consolidados. O norte verdadeiro (NV), que também é denominado
como o norte geográfico (NG), é um plano que passa por um determinado ponto, na
superfície terrestre, perpendicular ao plano do Equador. Já o norte magnético (NM)
refere-se ao plano que passa por um ponto da superfície terrestre seguindo a
direção da agulha da bússola, em um dado instante.
A declinação magnética é o ângulo horizontal formado entre os planos do norte
magnético e do norte geográfico. Dependendo da localização do ponto na Terra e da
época de sua leitura, essa declinação poderá ser ocidental, quando o NM estiver à
esquerda do norte geográfico; ou poderá ser oriental, quando o NM estiver à direita
do geográfico; ou ainda, poderá ser nula ou coincidente, quando o norte magnético
coincidir com o geográfico.

IMPORTANTE
O norte verdadeiro é estável ao longo do tempo, ou seja, não muda. Contudo, o
norte magnético é dinâmico. O norte magnético varia de época para época,
aumentando seu ângulo em relação ao norte verdadeiro em 10’ por ano, chegando
até 25º em relação ao norte verdadeiro, depois ele começa a voltar no sentido
inverso até chegar a 25º para outra direção. Essa dinâmica é provocada pela grande
quantidade de ferro fundido que se encontra no interior da Terra, onde esse ferro
está sempre em movimento, gerando um campo magnético que provoca a alteração
na declinação magnética.

A dinâmica do norte magnético é responsável pela formação das linhas


isogônicas e isopóricas.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
25

As linhas isogônicas são linhas imaginárias que unem os pontos da superfície


terrestre que em um mesmo instante apresentam a mesma declinação magnética.
Já as linhas isopóricas são linhas imaginárias que unem os pontos da superfície
terrestre que possuem a mesma variação anual de declinação magnética. Esses
conceitos são importantes para a compreensão e a manipulação dos ângulos de
orientação, que são o azimute e o rumo.
O azimute é o ângulo horizontal de orientação que tem sua origem no norte
verdadeiro ou magnético até o alinhamento da poligonal em questão, variando de 0º
a 360º. Se o norte utilizado for o geográfico, o resultado será um azimute geográfico;
caso seja o norte magnético o resultado será um azimute magnético.
O rumo é o menor ângulo horizontal de orientação, e é formado pela orientação
norte magnética, norte geográfica, sul magnética ou sul geográfica até o
alinhamento da poligonal em questão. Se o norte e sul for geográfico, o resultado
será um rumo geográfico; se o norte e sul for magnético, o resultado será um rumo
magnético. Esse ângulo de orientação tem sua origem no norte ou sul, ou seja, onde
estiver mais próximo do alinhamento em questão até o alinhamento no sentido
horário ou anti-horário, onde estiver mais próximo do alinhamento, variando de 0º a
90º. A conversão de azimute para rumo e vice-versa é permitida.

FIQUE ATENTO
Por variar de 0º a 90º, podem existir, por exemplo, 4 rumos com 45º partindo de
várias direções, e desta forma, eles devem informar os pontos colaterais: NE, SE,
SO e NO. Assim, teremos: 45º NE, 45º SE, 45º SO e 45º NO, onde os rumos
poderão variar de 0º a 90º (NE), 0º a 90º (SE), 0º a 90º (SO), 0º a 90º (NO). Além
disso, é importante observar que pode haver a necessidade de atualização dos
azimutes e dos rumos magnéticos de uma determinada poligonal em função das
mudanças que eles podem apresentar, sendo este processo chamado de
aviventação.

2.1.1.2 Distâncias
As distâncias topográficas são elementos lineares fundamentais, pois, para se
caracterizar um terreno, é necessária a formação de figuras geométricas através dos

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
26

ângulos e das distâncias. As principais distâncias na topografia são a distância


horizontal (DH), a distância vertical (DV), a distância inclinada (DI) e a distância
natural do terreno (Dnatural) (Coelho Neto et. al. 2014).
A distância horizontal (DH) ou distância reduzida ou útil é uma distância entre
dois pontos situados em um plano horizontal e perpendicular ao eixo zênite-nadir.

IMPORTANTE
A distância horizontal é considerada útil, pois é a partir dela que pode ser
desenvolvida a maioria dos usos e interesses relacionados aos levantamentos de
propriedade e terrenos, por exemplo, para a construção de casas.
Imagine um terreno com uma declividade acentuada para a construção de uma
casa. Obviamente que a casa não será construída no plano inclinado, e, para isso, é
importante a realização de um corte no terreno para a construção da casa. Esta
forma, a distância inclinada não será utilizada, mas, sim, a distância reduzida ou
horizontal. O mesmo se aplica para outros usos, como o plantio de árvores, criação
de animais, entre outros.

A distância vertical (DV) refere-se a distância perpendicular à distância


horizontal, ou ainda, paralela ao eixo zênite-nadir. Como distâncias verticais, temos
a diferença de nível, cota e altitude de pontos no terreno. A distância inclinada (DI) é
a distância em linha reta que une dois pontos em que a DH e a DV sejam diferentes
de zero. A distância natural do terreno (Dnatural) é a distância que percorre
naturalmente a superfície do terreno.
A obtenção das distâncias topográficas é de grande importância para os
levantamentos topográficos, e, por isso, a precisão e a exatidão são essenciais. Ao
longo do tempo, com a melhoria dos equipamentos e dos métodos de medição, os
erros passaram de métricos para milimétricos e de minutos para segundos, nas
medidas dos ângulos.
A precisão é obtida quando são realizadas diversas medidas, cujos resultados
demonstram valores próximos entre si, e quanto mais próximos, mais precisão. A
exatidão refere-se à proximidade dos valores obtidos de uma medida com relação
ao valor real dessa medida. Neste sentido, quanto mais próximos os valores obtidos

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
27

estiverem do valor real de uma medida, maior será a acurácia (Coelho Neto et. al.
2014).
As medições das distâncias podem ser divididas em medidas estimativas,
medidas diretas e medidas indiretas.
A medida por estimativa é feita por estimativa visual, e apresenta pouca
exatidão, pois depende da acuidade visual e da experiência do topógrafo ou
mensurador. Este tipo de medida é interessante para um levantamento inicial para
se ter noção, por exemplo, do tamanho de uma área.
As medições diretas são aquelas em que não é necessária a utilização de
funções matemáticas para obtenção de determinada medida, podendo esta ser feita
com instrumentos e métodos como o passo médio, a trena, o hodômetro, entre
outros. As medições indiretas consistem nas medidas que requerem o uso de
funções matemáticas para a obtenção das distâncias. Elas podem ser divididas em
medições eletrônica e taqueométrica ou estadimétrica.
As medições indiretas eletrônicas são realizadas por instrumentos usam o laser
para fazer as medições. A distância é calculada através do tempo em que o laser
leva para sair do equipamento e atingir o prisma ou objeto. Os instrumentos mais
comuns para obtenção das distâncias de maneira indireta são a trena eletrônica e a
Estação Total.
Já as medições por taqueometria ou estadimetria consistem na determinação
da distância horizontal entre um ponto e outro através de um instrumento, que pode
ser o teodolito e/ou nível de luneta, associado ao acessório mira falante, através da
relação entre as leituras dos fios estadimétricos e os valores de constantes do
instrumento.

2.1.1.3 Levantamento planimétrico


Neste sentido, o levantamento topográfico planimétrico pode ser definido como
o conjunto de vários procedimentos que buscam a representação gráfica de um
terreno através da obtenção de elementos necessários como ângulos, distâncias,
localização geográfica e posição ou orientação, sem considerar o relevo.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
28

O levantamento topográfico planimétrico pode ser dividido em poligonação ou


caminhamento; irradiação; ordenadas; interseção; e coordenadas (Coelho Neto et. al
2014).

IMPORTANTE
Antes de iniciar o levantamento, o técnico deve realizar o reconhecimento do terreno
e escolher a localização dos vértices da poligonal. Após esta etapa, preparar um
esboço do local e, assim, decidir qual ou quais levantamentos topográficos
planimétricos poderão ser empregados, de modo a alcançar os objetivos que foram
determinados previamente.

A poligonação ou caminhamento baseia-se na utilização da caminhada entre


um vértice e outro, medindo-se os ângulos e as distâncias. No primeiro vértice, deve
ser feita a leitura do azimute, pois o valor obtido será utilizado no cálculo dos
demais vértices. Por questão de convenção, devido ao fato dos teodolitos antigos
medirem somente no sentido horário, convencionou-se ler os ângulos dos vértices
no sentido horário, visando o vértice anterior, zerando o ângulo horizontal e visando-
se o vértice posterior fazendo-se a leitura do ângulo no vértice em que se encontra o
teodolito.
A irradiação é um método de levantamento topográfico planimétrico que é
recomendado para áreas menores e relativamente planas. O levantamento é
iniciado a partir de um vértice medindo-se a posição exata de diversos objetos no
levantamento através de ângulos e distâncias (coordenadas polares) a partir de um
ponto referencial. Para que o levantamento seja preciso e representativo do terreno,
pode-se combinar o caminhamento ou poligonação e o método de irradiação, para
se obter, respectivamente, uma poligonal básica e o detalhamento dos objetos de
interesse.

SAIBA MAIS
Você pode acompanhar, na prática, como são feitos os levantamentos topográficos
planimétricos de caminhamento e de irradiação e a sua combinação através deste
vídeo https://www.youtube.com/watch?v=YPlFn6S-JyE .

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
29

As ordenadas consistem em um método de levantamento onde são levantados


os alinhamentos curvos, atuando também como auxiliar ao método do
caminhamento ou poligonação. O método baseia-se em traçar um alinhamento
auxiliar e, a partir dele, levantar tantas ordenadas quantas forem necessárias para a
representação do alinhamento de interesse (Coelho Neto et al. 2014).
A interseção ou também denominada de método de coordenadas bipolares
consiste na determinação de uma linha base com comprimento conhecido a partir de
2 pontos, distantes no mínimo 50 metros um do outro, com a instalação do
instrumento em cada um deles para a obtenção dos valores de dois dos ângulos,
sendo o último calculado pela Lei dos senos. Esse método, portanto, deve ser
utilizado em áreas reduzidas, com a presença de vértices em áreas inacessíveis,
íngremes, alagadas, entre outros.

SAIBA MAIS
Para saber como os cálculos referentes ao levantamento planimétrico por interseção
são realizados, veja neste vídeo e amplie o seu conhecimento
https://www.youtube.com/watch?v=b-ZxshiNQ7U .

O levantamento planimétrico feito por coordenadas consiste na criação de um


plano cartesiano e a atribuição de pelo menos dois pontos de apoio de coordenadas
conhecidas. Em um dos pontos é instalado o instrumento e determina-se a distância
horizontal pela lei dos senos, e, no outro ponto, coloca-se o bastão para que seja
feita uma amarração que servirá de referencia para o instrumento. Este tipo de
levantamento é muito usado quando se utiliza a Estação Total (Coelho Neto et. al.
2014).

IMPORTANTE
O processo inverso do levantamento topográfico planimétrico é a locação
planimétrica, cujo procedimento é mais demorado e caro, já que primeiro é
necessário ter os dados referentes ao levantamento topográfico. Além disso,
também deve ter a representação gráfica do terreno em escala adequada para que

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
30

as informações coletadas possam ser modificadas para que suas alterações sejam
projetadas nas plantas e assim, fazer a locação topográfica.

Após o levantamento topográfico, é necessária a realização de dois


procedimentos. O primeiro está relacionado a verificação dos erros que podem
ocorrer durante o levantamento. Apesar dos erros, é possível corrigi-los se eles
estiverem dentro de um nível de tolerância, isto é, os dados medidos em campo
podem ser ajustados, corrigindo primeiro os erros angulares e em seguida os
lineares (Coelho Neto et. al 2014).
Outro procedimento refere-se ao cálculo da área da poligonal. Em áreas onde
as poligonais apresentam formatos irregulares, como é o caso da maioria dos
terrenos, devem ser usados os processos analíticos, gráficos, computacionais e
mecânicos. Quando a poligonal apresenta um formato mais regular ou de uma figura
geométrica conhecida, utiliza-se o processo direto para a medição de área.

2.1.2 Altimetria
A altimetria é a área da topografia que estuda uma porção qualquer de terreno
sobre uma superfície plana, mas que considera o relevo em sua análise. Ou seja,
refere-se às distâncias verticais, as diferença de nível, as cotas e altitudes e as
distâncias verticais que formam o relevo de um determinado local. Neste sentido, o
levantamento topográfico altimétrico trata da obtenção de plantas, cartas ou mapas
tridimensionais, pois o relevo é considerado, diferentemente do que ocorre no
levantamento planimétrico, que é bidimensional.
Antes da realização do levantamento topográfico, é importante compreender
sobre as distâncias verticais, que são utilizadas para a obtenção dos valores
altimétricos e para a representação do relevo, que são a cota, a altitude e a
diferença de nível.
A cota ou a cota relativa consiste na distância vertical compreendida entre um
ponto qualquer da superfície terrestre e um plano de referência qualquer, que
consiste em um plano arbitrado com cota inicial atribuída pelo topógrafo.
A altitude ou a cota absoluta refere-se a distância vertical compreendida entre
um ponto qualquer da superfície terrestre e o nível médio dos mares em repouso

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
31

que se prolonga sob os continentes (Coelho Neto et. al. 2014). Ainda, a altitude é
chamada de cota absoluta devido à localização de dois pontos em lugares distintos,
mas apresentam os mesmo valores de altitude e de altura já que a superfície de
comparação é a mesma, que é o nível do mar.

FIQUE ATENTO
O nível das marés é registrado de forma continua pelo marégrafo ou mareógrafo,
que registra os níveis máximo, médio e mínimo em um determinado ponto da costa,
cujo produto final que pode ser diário, mensal ou anual é apresentado na forma de
gráfico, chamado de maregrama. Através dos resultados do maregrama, define-se o
marco altimétrico, ou seja, onde a altitude é igual a zero de uma determinada região
da superfície terrestre. No Brasil, o datum vertical ou origem das altitudes está
localizado na cidade portuária de Imbituba – SC.

Em topografia, a representação do relevo ocorre por meio dos pontos cotados,


das curvas de nível, da representação em perfil, da seção transversal, da
modelagem numérica do terreno, da vetorização, da graduação colorimétrica, entre
outras (Coelho Neto et. al. 2014).

2.1.2.1 Pontos cotados


Os pontos cotados consistem nos pontos que são espacialmente distribuídos
em um plano, representados de forma gráfica e que exprimem as altitudes e as
cotas que foram levantadas de determinado terreno.

2.1.2.2 Curvas de nível


As curvas de nível são linhas imaginárias que representam a mesma cota ou
altitude, sendo equidistantes entre si, e simbolizando o relevo um determinado local.
É denominada de curva, pois, normalmente, os terrenos naturais tendem a ter uma
certa curvatura devido ao desgaste natural promovido pelos processos erosivos e
pela ação da dinâmica superficial, não apresentando arestas, e cuja projeção
ortométrica resulta em uma curva.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
32

SAIBA MAIS
Para visualizar como as curvas de nível são representadas, de forma a retratarem o
relevo de um determinado terreno, bem como as operações relacionadas a elas para
que você possa executar o levantamento planimétrico, assista a este vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=wN_hju1IMZ0 e amplie o seu conhecimento.

2.1.2.3 Perfis topográficos


Os perfis topográficos consistem em uma representação gráfica do relevo de
um lugar, para que possa ser visualizado de maneira lateral em escala horizontal e
em escala vertical, sendo resultantes da interseção de linhas dos planos verticais
com a superfície do terreno. Em topografia, os perfis podem ser longitudinais e
transversais (seção transversal).
O perfil longitudinal é caracterizado por um corte efetuado de modo longitudinal
no eixo principal do projeto, no mesmo sentido e com a mesma referência (distância)
de estaqueamento (Coelho Neto et. al 2014).

2.1.2.4 Seção transversal


A seção transversal também constitui uma forma de representação do relevo,
através da visualização frontal e/ou perpendicular ao perfil longitudinal de um
determinado local. Ou seja, a seção transversal corresponde a um corte efetuado
paralelamente ao eixo principal do projeto.

SAIBA MAIS
Para visualizar como são feitos os perfis longitudinais e as seções transversais para
um levantamento topográfico altimétrico, assista a este vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=sYs6cXiHnWE e amplie o seu conhecimento.

2.1.2.5 Outros métodos


A modelagem numérica do terreno consiste em um modelo matemático do
terreno, onde a partir de uma determinada origem e para cada ponto do terreno uma
coordenada x, y e z, que resulta em uma visualização tridimensional do terreno.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
33

A vetorização consiste no uso de setas (vetores) que apontam para os locais


mais baixos do terreno, onde o escoamento de água é direcionado, e desta maneira
separa-se os setores mais elevados do terreno.
A graduação colorimétrica altimétrica refere-se a representação do relevo a
partir de programas topográficos, onde são indicadas as áreas mais altas,
intermediárias e baixas através das cores.

2.1.2.6 Nivelamento topográfico


O nivelamento topográfico refere-se a um conjunto de operações que devem
ser realizadas para a obtenção das diferenças de nível no terreno, com o intuito de
determinar ou calcular as altitudes e as cotas do terreno.
Para a obtenção do nivelamento, podem ser utilizados diversos instrumentos e
metodologias, possibilitando a representação do relevo de uma determinada área.
Com relação aos instrumentos, entre os principais podemos citar o nível de luneta; o
teodolito; o nível de mangueira; o jogo de réguas; a estação total; o GNSS e o
barômetro. É importante observar que cada instrumento apresenta um grau de
exatidão, que pode interferir no resultado final do levantamento. Neste sentido, é
relevante escolher o instrumento de acordo com a exatidão exigida por cada projeto,
tamanho da área a ser levantada, entre outros.
Com relação aos métodos para a realização de nivelamentos topográficos, eles
podem ser barométrico; por satélites; trigonométrico e geométrico (Coelho Neto et.
al. 2014).
As medições de altitude através do barômetro consiste no princípio baseado no
peso do ar aplicando uma determinada pressão no instrumento, que é calculada
multiplicando-se a altura da coluna de mercúrio pela densidade do mercúrio e pela
aceleração da gravidade. Neste sentido, quanto mais alto é o terreno menor será a
pressão e maior será a altitude; e quanto mais baixo for o terreno, maior será a
pressão e, consequentemente, menor a altitude.

FIQUE ATENTO
De acordo com a experiência de Torricelli e considerando que no nível do mar a
atmosfera exerce pressão de 1 atm e que corresponde a 760 mmHg (milímetros de

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
34

mercúrio), ficou comprovado que para cada 1 mm deslocado no tubo de um


barômetro ocorre uma variação de cerca de 10 m de altura no terreno com relação
ao nível do mar. Portanto, quando há subida no terreno, a coluna de mercúrio desce,
e, quando se desce no terreno, a coluna de mercúrio sobe.

As medições de altitude por satélites, especialmente as medições realizadas


pelos Sistemas Globais de Navegação por Satélite (em inglês GNSS - Global
Navigation Satellite System), são baseadas na utilização de tecnologias que
permitem a localização espacial do receptor em qualquer parte da superfície
terrestre. Neste sentido, através do GNSS é possível obter os valores de altitude
para um determinado local onde o receptor esteja localizado.
O nivelamento trigonométrico consiste na obtenção das distâncias verticais por
meio da trigonometria, através de medição com equipamentos como teodolitos e
estações totais.
O nivelamento também consiste na obtenção das distâncias verticais,
entretanto utiliza-se o instrumento chamado nível de luneta, que é muito preciso,
cujo funcionamento baseia-se em visadas horizontais sucessivas nas miras
verticalizadas, obtendo-se as distâncias verticais.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
35

CAPÍTULO 3 – TOPOGRAFIA, GEODÉSIA E GEOPROCESSAMENTO

3.1 Topografia e Geodésia

A topografia tem por objetivo a representação da superfície terrestre em um


plano horizontal de referência. Mas sabemos ao tratar a superfície da Terra como
algo plano pode acarretar em erros relacionados à precisão e a veracidade do
modelo de superfície gerado em um levantamento topográfico.
Como a topografia busca representar uma porção da superfície terrestre de
forma plana, ela desconsidera, teoricamente, a curvatura da superfície terrestre no
momento do levantamento. Quando são trabalhadas pequenas distâncias, de até
30km, os erros observados são muito pequenos, e podem ser desconsiderados.
Entretanto, a partir de 30km, a deformação torna-se mais sensível, e passa a
influenciar nas medidas necessárias ao levantamento.
Neste sentido, a Geodésia, através dos recursos de trigonometria e geometria
esféricas e dos processos e equipamentos, podem determinar com precisão as
coordenadas dos vértices dos triângulos presentes nas malhas triangulares que se
justapõem ao elipsoide de revolução. A atuação da topografia é no detalhamento
das malhas triangulares, onde a abstração da curvatura terrestre se apresentaria em
um erro admissível e administrável.

IMPORTANTE
A Geodésia é a ciência que estuda a forma e as dimensões da Terra, a posição de
pontos sobre sua superfície e a modelagem do campo de gravidade.

Desta forma, a Geodésia objetiva o estudo da forma e das dimensões da Terra,


por meio de representações da superfície terrestre através de mapas e cartas
geográficas. Para que essas representações sejam feitas, a Geodésia considera a
superfície da Terra como um elipsoide de revolução ou mesmo uma esfera, de forma
que a posição dos pontos são determinados pela trigonometria esférica.
Entretanto, o homem precisa representar de forma mais detalhada porções do
espaço geográfico, ou seja, superfícies menores, onde não é necessário considerar

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
36

a forma da Terra, e, por isso, as posições dos pontos são determinados por
geometria e trigonometria plana.
Para alguns autores, a Geodésia está dividida em três ramos: Geodésia Física,
Geodésia Geométrica ou Matemática e Geodésia por satélites. A topografia, neste
cenário, estaria incluída na Geodésia Geométrica, e utilizaria os mesmos métodos e
instrumentos para determinar as características das porções da superfície terrestre.
Entretanto, a Geodésia também pode ser dividida em:
 Geodésia superior ou geodésia teórica, que corresponderia a Geodésia
Física e Matemática, que tem por objetivo determinar e representar a
figura da Terra em termos globais.
 Geodésia inferior ou geodésia prática: que equivaleria a Geodésia por
satélite, que agora seria representada pela topografia em virtude do
avanço das tecnologias.

Um dos principais objetivos da topografia é a determinação das coordenadas


relativas de pontos. Para que isso seja possível, é importante que essas
coordenadas sejam expressas em um sistema de coordenadas, cujos parâmetros
são determinados pelos sistemas de coordenadas e pela Geodésia.

3.1.1 Sistema de coordenadas topográficas


A topografia utiliza os sistemas de coordenadas retangulares, que corresponde
ao ponto vertical, no ponto de estação do teodolito, que é materializado pelo fio de
prumo ou pelo prumo óptico do instrumento, e que define o eixo Z do sistema
ortogonal.
Se corresponder ao plano horizontal, onde se encontram os eixos X e Y e onde
esse plano horizontal é perpendicular a vertical, e estabelecido a uma distância
arbitrada, podemos dizer que em uma direção Y, que coincida com a do meridiano
geográfico, significa que o sistema está referenciado ao norte verdadeiro ou
geográfico. Mas, se o eixo Y estiver alinhado a direção da bússola no instante da
observação, então o sistema estará referenciado com o norte magnético; e, se o
eixo Y coincidir com uma direção arbitrária, o sistema estará referenciado a um norte
arbitrário.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
37

3.1.2 Sistemas de Coordenadas Cartesianas


Quando posicionamos um ponto em um espaço qualquer, na verdade, estamos
atribuindo uma localização a ele, o que implica em dizer que estamos atribuindo uma
coordenada. Para que este ponto seja localizado, a coordenada deve estar
referenciada a um sistema de coordenadas, que inserem esta localização em
contextos bidimensionais e tridimensionais.
No contexto bidimensional, são utilizados os sistemas de coordenadas
cartesianas, que consistem em um sistema de eixos ortogonais no plano, constituído
de duas retas orientadas X e Y, perpendiculares entre si, onde a origem deste
sistema é o cruzamento dos eixos X e Y. Neste sistema, um ponto é definido através
de uma coordenada denominada abscissa, ou coordenada X e outra denominada
ordenada ou coordenada Y. No contexto tridimensional, o sistema de coordenadas
cartesianas retangulares é caracterizado por um conjunto de três retas (X, Y, Z)
denominadas de eixos coordenados, mutuamente perpendiculares, as quais se
interceptam em um único ponto, denominado de origem. A posição de um ponto
neste sistema de coordenadas é definida pelas coordenadas cartesianas
retangulares (x, y, z) (Figura 3).

Figura 3: Coordenadas cartesianas.

Fonte: Veiga et. al., 2012.

De acordo com a posição da direção positiva dos eixos, um sistema de


coordenadas cartesianas pode ser dextrogiro ou levogiro (Veiga et. al. 2012). O
sistema dextrogiro é aquele onde um observador situado no semieixo OZ vê o
semieixo OX coincidir com o semieixo OU, através de um giro de 90° no sentido anti-

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
38

horário. Já o sistema levogiro é aquele em que o semieixo OX coincide com o


semieixo OU, através de um giro de 90°, no sentido horário (Figura 4).

Figura 4: Sistema de coordenadas cartesianas dextrogiro e levogiro.

Fonte: Veiga et. al., 2012.

3.1.3 Sistemas de Coordenadas Esféricas


O sistema de coordenadas esféricas consiste em um ponto do espaço
tridimensional, que pode ser determinado pelo afastamento r entre a origem do
sistema e o ponto R considerado, pelo ângulo b formado entre o segmento OR e a
projeção ortogonal deste sobre o plano xy e pelo ângulo a que a projeção do
segmento OR sobre o plano xy forma com o semieixo OX. Ainda, as coordenadas
esféricas de um ponto R são dadas por (r, a, b). (Figura 5).

Figura 5: Sistema de coordenadas esféricas

Fonte: Veiga et. al. 2012.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
39

O sistema de coordenadas esféricas é sobreposto a um sistema de


coordenadas cartesianas, onde o ponto R, determinado pelo terno cartesiano (x, y,
z) pode ser expresso pelas coordenadas esféricas (r, α, β), sendo o relacionamento
entre os dois sistemas obtido por um vetor posicional, calculado através de relações
entre seno e cosseno.

3.1.4 Superfícies de Referência


A superfície terrestre é muito irregular, e, devido a essa característica, existe
uma diversidade de modelos para a sua representação, que apresentam uma
natureza mais simples, regular e geométrica, de forma a se aproximar o máximo
possível do formato real para a realização dos cálculos. Os modelos são o esférico,
o elipsoidal, o geoidal e o plano, onde cada um possui uma aplicação.
O modelo esférico considera a Terra como um elemento astronômico, onde o
sistema de localização, isto é, de coordenadas, são expressas através da latitude e
da longitude astronômicas. A latitude astronômica refere-se ao arco de meridiano
contado desde o equador até o ponto considerado, sendo, por convenção, positiva
no hemisfério Norte e negativa no hemisfério Sul. Já a longitude astronômica
consiste no arco de equador contado desde o meridiano de origem (Greenwich) até
o meridiano do ponto considerado. Por convenção a longitude varia de 0º a +180º no
sentido leste de Greenwich e de 0º a -180º por oeste de Greenwich (Veiga et. al
2012).
O modelo elipsoidal é adotado pela Geodésia como o elipsoide de revolução. O
elipsoide de revolução ou biaxial pode ser definido como uma figura geométrica
gerada pela rotação de uma semielipse (geratriz) em torno de um de seus eixos
(eixo de revolução); se este eixo for o menor, a elipse resultante é achatada
(elipsoide achatado).
As coordenadas geodésicas elipsóidicas de um ponto sobre o elipsoide
correspondem a latitude e a longitude geodésicas. A latitude geodésica refere-se ao
ângulo formado com a normal junta a projeção no plano do equador, sendo positiva
para o Norte e negativa para o Sul. A longitude geodésica consiste no ângulo diedro
formado pelo meridiano geodésico de Greenwich (origem) e do ponto P, sendo
positivo para Leste e negativo para Oeste.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
40

FIQUE ATENTO
No Brasil, o atual Sistema Geodésico Brasileiro (SIRGAS2000 - Sistema de
Referência Geocêntrico para as Américas) adota o elipsoide de revolução GRS80
(Global Reference System 1980), cujos semieixo maior e achatamento são: a =
6.378.137,000m e f = 1/298,257222101.

O modelo geoidal é o que mais se aproxima da forma da Terra, e trata-se de


uma superfície irregular e com grande complexidade matemática, sendo definida a
partir do dados referentes ao nível médio dos mares em repouso, prolongado
através dos continentes. O geoide é uma superfície equipotencial do campo da
gravidade ou da superfície de nível, utilizado como referência para as altitudes
ortométricas (distância contada sobre a vertical, do geoide até a superfície física) no
ponto considerado. As linhas de força ou linhas verticais são perpendiculares a
essas superfícies equipotenciais e materializadas, enquanto que a reta tangente à
linha de força em um ponto representa a direção do vetor gravidade neste ponto, e
também é chamada de vertical. O modelo plano é o mais simples e o mais utilizado
pela topografia, e que considera a porção da superfície terrestre estudada como
sendo plana. É importante lembrar que esta simplificação pode ser utilizada dentro
de certos limites, em decorrência dos erros que pode apresentar, e de acordo com
as recomendações da NRB 13133, Execução de Levantamento Topográfico, que
regulamenta o levantamento topográfico.
De acordo com as normas que regulamentam o levantamento topográfico, o as
características do sistema de projeção utilizado são (NBR, 1994):
 As projetantes são ortogonais à superfície de projeção, o que significa
que o centro de projeção localizado no infinito.
 A superfície de projeção é um plano normal a vertical do lugar no ponto
da superfície terrestre, considerado como origem do levantamento, sendo
seu referencial altimétrico o referido Datum vertical brasileiro.
 As deformações máximas aproximadas inerentes à desconsideração da
curvatura terrestre e à refração atmosférica são:
Dl (mm) = - 0,001 l3 (km)
Dh (mm) = + 78,1 l2 (km)

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
41

Dh´(mm) = + 67 l2 (km)

Onde:
Dl = deformação planimétrica devida à curvatura da Terra,
em mm.
Dh = deformação altimétrica devida à curvatura da Terra,
em mm.
Dh´ = deformação altimétrica devida ao efeito conjunto da
curvatura da Terra e da refração atmosférica, em mm.
l = distância considerada no terreno, em km.

 O plano de projeção tem a sua dimensão máxima limitada a 80 km, a


partir da origem, de maneira que o erro relativo, decorrente da
desconsideração da curvatura terrestre, não ultrapasse 1:35000 nesta
dimensão e 1:15000 nas imediações da extremidade desta dimensão.
 A localização planimétrica dos pontos, medidos no terreno e projetados
no plano de projeção, se dá por intermédio de um sistema de
coordenadas cartesianas, cuja origem coincide com a do levantamento
topográfico;
 O eixo das ordenadas é a referência azimutal, que, dependendo da
particularidades do levantamento, pode estar orientado para o norte
geográfico, para o norte magnético ou para uma direção notável do
terreno, julgada como importante.
 Uma vez que a Topografia busca representar um conjunto de pontos no
plano, é necessário estabelecer um sistema de coordenada cartesianas
para a representação deles. Este sistema pode ser caracterizado da
seguinte forma:
 Eixo Z: materializado pela vertical do lugar (linha materializada
 pelo fio de prumo);
 Eixo Y: definido pela meridiana (linha norte-sul magnética ou
 verdadeira); ou ainda, em alguns casos, pode ser definido por uma
direção que seja de destaque no terreno, como uma rua.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
42

 Eixo X: sistema dextrogiro (formando 90º na direção leste).

Ainda, deve-se observar o efeito da curvatura nas distâncias da altimetria,


sendo este feito maior na altimentria que na planimetria.

DICA DE LEITURA
Para se aprofundar e saber mais sobre os sistemas de referência terrestre, leia o
artigo Conceitos Fundamentais Usados no Posicionamento Terrestre, disponível no
endereço:
https://www.researchgate.net/profile/Mauricio_Veronez/publication/268361052_Conc
eitos_Fundamentais_Usados_no_Posicionamento_Terrestre/links/552c14800cf2e08
9a3acc339/Conceitos-Fundamentais-Usados-no-Posicionamento-Terrestre.pdf

3.2 Topografia e Geoprocessamento

Até a década de 70, as dificuldades técnicas para a análise de dados e de sua


representação, através de desenhos manuais, impediam que as relações entre as
diversas informações levantadas no campo fossem realizadas. Desta forma, o
resultado de muitos levantamentos não era aproveitado em sua totalidade,
gastando-se tempo e recursos financeiros para compreender melhor uma
determinada porção do espaço geográfico.
A partir da segunda metade do século XX, ocorreram grandes avanços nas
áreas de computação e sistemas de informação, as quais colaboraram para a
representação de elementos geográficos no meio computacional, criando-se, assim,
as expressões Geographic Information System (GIS) ou Sistema de Informações
Geográficas (SIG) e Computer Aided Design (CAD) ou Desenho Assistido por
Computador.
A Topografia tem por objetivo a representação de uma pequena parte da
superfície terrestre em uma escala apropriada, e é realizada a partir do
levantamento topográfico, que que se constitui na medição de ângulos, distâncias,
cotas e desníveis a partir de um posicionamento geográfico em um determinado
terreno de interesse (Veiga et. al. 2012).

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
43

Os levantamentos topográficos são divididos em levantamentos planimétricos


(planimetria) e levantamentos altimétricos (altimetria). A planimetria trata dos
levantamentos e grandezas relacionadas ao plano horizontal, enquanto que a
altimetria está relacionada as grandezas que compõem o plano vertical. Entre os
principais instrumentos, mais modernos e utilizados para a aquisição dessas
medidas, estão o teodolito, o nível (ótico ou a laser), a Estação Total e o GNSS.
Após a realização dos levantamentos planimétricos e altométricos em campo,
são iniciadas as etapas de processamento e análise dos dados coletados. O
resultado dessa análise são a geração de mapas altimétricos, curvas de nível, perfil
do terreno, modelo tridimensional, ajuste de curvas (vertical ou horizontal), entre
outros, que contribuirão para a caracterização do terreno, o entendimento de sua
dinâmica e as intervenções necessárias para a sua utilização. Todos esses
elementos podem ser obtidos através dos mapas gerados pelos SIGs, que, por meio
de softwares específicos para processamento de dados topográficos, os SIGs
armazenam os dados geográficos e os tratam através de análises matemáticas e
computacionais, transformando-os em informações espaciais de forma ágil e com
grande precisão.

SAIBA MAIS
Os sistemas de informação geográfica podem ser definidos como sistemas
computacionais capazes de capturar, armazenar, consultar, manipular, analisar,
exibir e imprimir dados referenciados espacialmente sobre/sob a superfície terrestre,
os quais podem ser representados através de camadas vetoriais e matriciais
sobrepostas umas às outras geograficamente, permitindo a análise integrada de
diversos elementos.

Neste sentido, os sistemas de informação geográfica, a partir de ferramentas


conceituais e bancos de dados, criam um modelo de dados para representar a
realidade geográfica que se deseja materializar. Ou seja, esse conjunto de
operações representa um processo de modelagem.
O processo de modelagem refere-se a uma maneira de materializar o mundo
real em outros domínios, ou seja, as camadas que compõem o mundo real podem

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
44

ser estudadas de diversas maneiras, de modo que se possa extrair as informações


de diversas naturezas para infinitas aplicações.
No processo de modelagem, os domínios são divididos em universos, que são
(Câmara et. al. 2001):
 O universo do mundo real, que inclui as entidades da realidade a serem
modeladas no sistema;
 O universo matemático (conceitual), que inclui uma definição matemática
(formal) das entidades a serem incluídas no modelo;
 O universo de representação, onde as diversas entidades formais são
mapeadas para representações geométricas;
 O universo de implementação, onde as estruturas de dados e algoritmos
são escolhidos de acordo com a capacidade de processamento, para
serem codificados.

Cada um desses domínios, portanto, contribuem na análise de problemas em


diversas áreas do conhecimento, a partir da unificação e da análise dos dados
coletados em sistemas de geoprocessamento (Câmara et. al. 2001):
 No universo do mundo real, encontram-se os fenômenos a serem
representados, como os tipos de solo, o cadastro urbano e rural, dados
geofísicos e topográficos;
 No universo matemático, pode-se distinguir entre as grandes classes
formais de dados geográficos (dados contínuos e objetos
individualizáveis) e especializar estas classes nos tipos de dados
geográficos utilizados comumente (dados temáticos e cadastrais, modelos
numéricos de terreno, dados de sensoriamento remoto);
 No universo de representação, as entidades formais definidas no universo
conceitual são associadas a diferentes representações geométricas, que
podem variar conforme a escala e a projeção cartográfica escolhida e a
época de aquisição do dado. Aqui, distingue-se entre as representações
matricial e vetorial, que podem ainda ser especializadas;
 O universo de implementação é onde ocorre a realização do modelo de
dados, através de linguagens de programação. Neste universo, escolhem-

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
45

se as estruturas de dados (tais como árvores quaternárias e árvores-R)


para implementar as geometrias do universo de representação.

Os levantamentos topográficos podem contribuir com muitas informações para


os diversos domínios que compõem um processo de modelamento, onde são
utilizados os sistemas de geoprocessamento. Através dos dados coletados, é
possível materializar as características do mundo real através de mapas temáticos,
mapas cadastrais, redes, imagens, e modelos numéricos de terreno.
Os mapas temáticos referem-se aos produtos cartográficos onde há uma
distribuição espacial de uma grandeza geográfica, expressa de forma qualitativa,
como os mapas de solos, onde os limites não, necessariamente, precisam ser
exatos. Neste caso, a topografia contribui na delimitação geral dos domínios do solo,
por exemplo, mas sem a necessidade da existência de pontos exatos, exceto
quando são estudos de detalhe.

DICA DE LEITURA
Para se aprofundar e entender como a topografia pode contribuir na construção de
modelos e de mapas temáticos, leia o artigo “Abordagem sistemática de projeto
cartográfico para a análise da qualidade ambiental de bacia hidrográfica, disponível
no endereço: https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/234356/30308

Os mapas cadastrais utiliza, para a sua representação, diversos elementos ou


objetos geográficos, que possuem atributos e pode estar associado a várias
representações gráficas. Como exemplo, podemos pensar que os lotes de uma
cidade são elementos do espaço geográfico, e que possuem atributos como
proprietário, localização, valor venal, IPTU devido, e que podem ter representações
gráficas diferentes em mapas de escalas distintas. Esses atributos precisam de uma
localização mais exata, onde a topografia também pode atuar e gerar diversas
informações para a elaboração de mapas cadastrais.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
46

DICA DE LEITURA
Para compreender como os levantamentos topográficos são aplicados em
geoprocessamento e podem contribuir no mapeamento cadastral, leia o artigo
“Geoprocessamento de protocolos: integração de dados para assistência da
fiscalização urbana, disponível no endereço:
http://revista.imap.curitiba.pr.gov.br/index.php/rapi/article/view/80/104

As redes referem-se às informações associadas a serviços ou outros objetos


que operam em rede, por exemplo, os serviços básicos de utilidade pública: redes
de distribuição de água, energia e telefonia; as redes de drenagem; as rodovias,
entre outros. Nas redes, o objeto geográfico (cabo telefônico, transformador de rede
elétrica, cano de água) deve apresentar uma localização geográfica exata e está
sempre associado a atributos descritivos presentes no banco de dados.

DICA DE LEITURA
Para compreender como os levantamentos topográficos podem contribuir nos
estudos e no modelamento de redes, leia o artigo “Técnicas de geoprocessamento
aplicadas ao planejamento urbano: Estudo da interferência da topografia na
acessibilidade pedestre dos espaços verdes da cidade de Faro, em Portugal”,
disponível no endereço:
https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/238945/33846

As imagens são produtos que podem ser obtidos por satélites, fotografias
aéreas ou "scanners" aerotransportados, e representam formas de captura indireta
de informação espacial em um dado momento. As informações das imagens são
armazenadas como matrizes, onde cada elemento de imagem, que é chamado de
pixel, tem um valor proporcional à energia eletromagnética refletida ou emitida pela
área da superfície terrestre correspondente (Câmara et. al. 2001).
A aquisição de imagens traz consigo os objetos geográficos estão contidos na
imagem, sendo necessário recorrer a técnicas de fotointerpretação e de
classificação para individualizá-los e compreender as suas relações em um

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
47

determinado espaço. Neste sentido, existem uma série de características


importantes de imagens de satélite, entre elas (Câmara et. al. 2001):
 O número e a largura de bandas do espectro eletromagnético imageadas
(resolução espectral);
 A menor área da superfície terrestre observada instantaneamente por
cada sensor (resolução espacial);
 O nível de quantização registrado pelo sistema sensor (resolução
radiométrica); e o intervalo entre duas passagens do satélite pelo mesmo
ponto (resolução temporal).

Todos esses parâmetros são importantes para que a individualização dos


objetos seja feita de maneira adequada, e, quanto maior a exatidão exigida, maior
será a contribuição da topografia na localização e na separação desses objetos.

DICA DE LEITURA
Para analisar como a topografia pode ser utilizada no mapeamento envolvendo
imagens de satélite, leia o artigo “Mapeamento do cultivo de café no Sul de Minas
Gerais utilizando imagens LANDSAT-5-TM e variáveis topográficas”, disponível no
endereço: https://www.revistas.usp.br/rdg/article/view/103040/115436

O modelo numérico de terreno pode ser definido como um modelo matemático


que reproduz uma superfície real a partir de algoritmos e de um conjunto de pontos
(x, y), em um referencial qualquer, com atributos denotados de z, que descrevem a
variação contínua da superfície. Este conjunto de pontos cria um modelo matemático
de uma superfície em 3D com o agrupamento de amostras (x,y,z) que descrevem a
superfície real, de maneira que todo o conjunto simule de modo ideal o
comportamento da superfície original.
Desta forma, podemos inferir que os modelos numéricos de terreno consistem
em uma representação quantitativa de uma grandeza que varia continuamente no
espaço. Esses modelos são elaborados a partir de softwares, onde os dados
coletados são transformados em objetos 3D, de forma que a visualização de suas
características, especialmente do terreno e do relevo possam ser observadas de

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
48

maneira detalhada. No caso específico da topografia, os modelos numéricos de


terreno podem ser aplicados em:
 Armazenamento de dados de altimetria para gerar mapas topográficos;
 Análises de corte-aterro para projeto de estradas e barragens;
 Mapas de declividade e exposição para apoio a análises de
geomorfologia e erodibilidade;
 Apresentação tridimensional (em combinação com outras variáveis).

DICA DE LEITURA
Para avaliar como a topografia pode ser empregada em modelos numéricos, leia o
artigo “Análise da diferença entre dados altimétricos em uma bacia hidrográfica
através da comparação entre modelos digitais de elevação”, disponível no endereço:
https://repositorio.bc.ufg.br/xmlui/bitstream/handle/ri/17278/Artigo%20-
%20Adalto%20Moreira%20Braz%20-%202018.pdf?sequence=5&isAllowed=y

O universo conceitual modela o espaço geográfico através dos modelos de


campos e dos objetos. O modelo de campos trata o espaço geográfico como uma
superfície contínua, sobre a qual variam os fenômenos a serem observados de
acordo com as diferentes distribuições.
Já o modelo de objetos representa o espaço geográfico como uma coleção de
entidades distintas e identificáveis. Por exemplo, um cadastro espacial dos lotes de
um município identifica cada lote como um dado individual, com atributos que o
distinguem dos demais. Igualmente, poder-se-ia pensar como geo-objetos os rios de
uma bacia hidrográfica ou os aeroportos de um estado.
Os modelos são divididos em classes como o geocampo; geo-objeto; mapa
cadastral; objetos não-espaciais; plano de informação e banco de dados geográfico
(Câmara et. al. 2001).
O universo de representação consiste nas possíveis representações
geométricas que podem estar associadas às classes do universo conceitual, sendo
categorizadas em duas representações: vetorial e matricial. Já o universo de
implementação trata da análise das estruturas dos dados que serão utilizados para
construir um sistema de Geoprocessamento. Essas decisões estão associadas à

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
49

disponibilidade de hardware e software que suportem de forma adequada o


processamento das operações geográficas, que envolvem, na maioria das vezes,
muito algoritmos.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
50

REFERÊNCIAS

CÂMARA, G.; DAVIS.C.; MONTEIRO, A.M.; D'Alge, J.C. Introdução à Ciência da


Geoinformação. São José dos Campos: INPE, 2001.

CASTRO, J. F. M. Princípios de cartografia sistemática, cartografia temática e


sistema de informação geográfica. Rio Claro: IGC/UNESP, 1996.

COELHO JÚNIOR, José Machado. ROLIM NETO, Fernando Cartaxo. ANDRADE,


Júlio da Silva Correa de Oliveira. Topografia geral. Recife: EDUFRPE, 2014. 156 p.

CONCEIÇÃO, R. S. da. COSTA, V. C. Cartografia e geoprocessamento. V. 2.


264p. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2013.

DUARTE, P. A. Fundamentos de cartografia. Florianópolis: UFSC, 1994.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Manual


Técnico de Noções Básicas de Cartografia. Rio de Janeiro: Fundação IBGE,
1998.

MARTINELLI, M. Curso de cartografia temática. São Paulo: Contexto, 1991.

SEABRA, V. S. LEÃO, O. R. Cartografia. v.1. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ,


2012.

TULER, M. SARAIVA, S. Fundamentos de g . Porto Alegre:


Bookman, 2016.

VEIGA, L.A. K.; ZANETTI, M. A. Z.; FAGGION, P.L. Fundamentos de Topografia.


Universidade Federal do Paraná. Disponível em:
<http://www.cartografica.ufpr.br/docs/topo2/apos_topo.pdf>. Acesso em: 03 mar.
2020.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.