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ATOS 7.

9-36
9-10 Estêvão continuou: Os irmãos de José tinham inveja dele e o venderam para ser escravo no Egito.
Mas Deus estava com ele e o livrou de todas as suas aflições. Quando José apareceu diante de Faraó,
rei do Egito, Deus lhe deu sabedoria e modos agradáveis. E Faraó o nomeou governador do Egito e do
palácio do rei.
11 Depois houve falta de alimentos e muito sofrimento no Egito e em Canaã, e os nossos antepassados
não tinham mais o que comer.
12 Mais tarde, Jacó ouviu dizer que no Egito havia trigo e mandou pela primeira vez os nossos
antepassados até lá.
13 Na segunda vez José contou aos seus irmãos quem ele era, e Faraó ficou sabendo da família de José.
14 Então José mandou buscar o seu pai Jacó e todos os seus parentes, a fim de irem para o Egito; eram
setenta e cinco pessoas ao todo.
15 Jacó foi para o Egito, e ali ele e os nossos antepassados ficaram morando até o dia da morte deles.
16 Depois os corpos deles foram trazidos para Siquém e postos no túmulo que Abraão tinha comprado
dos descendentes de Hamor por um certo preço.
17 — Quando estava chegando o tempo de Deus cumprir o juramento que havia feito a Abraão, o
nosso povo tinha aumentado muito no Egito.
18 Então um rei que não sabia nada a respeito de José começou a governar o Egito.
19 Esse rei enganou e maltratou os nossos antepassados, a ponto de obrigá-los a abandonar as suas
próprias criancinhas para que elas morressem.
20 Nesse tempo nasceu Moisés, que era uma linda criança, e durante três meses os seus pais cuidaram
dele em casa.
21 Mas, quando tiveram de abandoná-lo, a filha do rei o adotou e criou como seu próprio filho.
22 E assim ele foi instruído em toda a ciência dos egípcios e se tornou um homem que falava e agia
com autoridade.
23 Estêvão disse ainda: Quando Moisés já estava com quarenta anos, resolveu ir ver a sua gente, os
israelitas.
24 Ali viu um egípcio maltratando um homem do seu povo. Então defendeu o israelita e o vingou,
matando o egípcio.
25 Moisés pensava que os israelitas entenderiam que Deus ia libertá-los por meio dele, mas eles não
entenderam.
26 No dia seguinte Moisés viu dois israelitas brigando. E, tentando apartar a briga, disse: “Homens,
escutem! Vocês são irmãos; por que estão brigando?”
27 — Mas aquele que estava maltratando o outro empurrou Moisés para um lado e disse: “Quem pôs
você como nosso chefe ou nosso juiz?
28-29 Você está querendo me matar como matou o egípcio ontem?” Quando Moisés ouviu isso, fugiu
do Egito e foi morar na terra de Midiã, e ali nasceram dois filhos dele.
30 — Quarenta anos mais tarde, quando Moisés estava no deserto, perto do monte Sinai, um anjo
apareceu a ele, no meio do fogo de um espinheiro que estava queimando.
31 Moisés ficou admirado com o que estava vendo e chegou perto para ver melhor. Então ouviu a voz
do Senhor, que disse:
32 “Eu sou o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.” Moisés tremia de
medo e não tinha coragem de olhar.
33 Então o Senhor disse: “Tire as sandálias, pois o lugar onde você está é um lugar sagrado.
34 Eu tenho visto como o meu povo está sendo maltratado no Egito; tenho ouvido os gemidos deles e
desci para libertá-los. Agora vou mandar você para o Egito.”
35 E Estêvão continuou: Esse mesmo Moisés foi rejeitado pelo povo de Israel. Eles lhe perguntaram:
“Quem pôs você como nosso chefe ou nosso juiz?” Deus enviou esse Moisés como líder e libertador,
com a ajuda do anjo que apareceu no espinheiro.
36 Foi ele quem tirou os israelitas do Egito, fazendo milagres e maravilhas naquela terra, e também no
mar Vermelho, e no deserto, durante quarenta anos.

Explicação
Rejeitaram os libertadores que Deus lhes enviou (vv. 9-36). Juntamos as sessões que falam sobre José
e Moisés, pois esses dois heróis de Israel têm algo em comum: a princípio, ambos foram rejeitados
como libertadores, mas foram aceitos posteriormente.
Os irmãos de José o odiavam e o venderam como escravo; no entanto, anos depois, ele se tornou seu
libertador. Reconheceram José "na segunda vez" (At 7.13), quando voltaram para o Egito a fim de
buscar mais alimentos.
Israel rejeitou Moisés da primeira vez que tentou libertá-los da escravidão egípcia. Ele teve de fugir
para não ser morto, mas quando se apresentou ao povo pela segunda vez, os hebreus o aceitaram, e
Moisés os libertou.
Esses dois acontecimentos ilustram a maneira de Israel tratar Jesus Cristo. A nação rejeitou o Messias
quando este veio pela primeira vez, mas quando Cristo voltar, ela o reconhecerá e o receberá.
Apesar do que os judeus fizeram com seu Filho, Deus não rejeitou seu povo. Hoje, Israel sofre de
cegueira espiritual parcial que, um dia, será removida. Vários indivíduos judeus estão sendo salvos,
mas a nação como um todo não consegue enxergar a verdade de Jesus Cristo.
Antes de encerrar esta seção, devemos tratar de algumas contradições aparentes entre o discurso de
Estêvão e as Escrituras do Antigo Testamento.
Gênesis 46.26, 27 afirma que a casa de Jacó era constituída de setenta pessoas, inclusive a família de
José, que já se encontrava no Egito; mas Estêvão fala de setenta e cinco pessoas.
O texto hebraico apresenta o número setenta tanto em Gênesis como em Êxodo, mas a Septuaginta diz
setenta e cinco. De onde surgiu esse número da Septuaginta? Ao fazer a contagem, os tradutores
incluíram os netos de José.
Uma vez que Estêvão era um judeu helenista, usou, naturalmente, a Septuaginta. Não existe aqui
qualquer contradição; o total depende dos elementos incluídos.
Atos 7.16 sugere que Jacó foi sepultado em Siquém, mas Gênesis 50.13 afirma que ele foi sepultado
numa caverna em Macpela, em Hebrom, juntamente a Abraão, Isaque e Sara (Gn 23.17).
José foi sepultado em Siquém. É provável que os filhos de Israel tenham levado embora do Egito os
restos mortais de todos os filhos de Jacó, não apenas os de José, e que os tenham sepultado em Siquém.
Os "pais" mencionados em Atos 7.15 seriam, então, os doze filhos de Jacó.
Mas quem comprou o túmulo em Siquém, Abraão ou Jacó? Estêvão parece afirmar que a compra foi
feita por Abraão, mas o Antigo Testamento diz que foi Jacó quem comprou a propriedade.
Abraão comprou a caverna de Macpela. A explicação mais simples é que, na verdade, Abraão comprou
as duas propriedades, e, posteriormente, Jacó teve de readquirir a terra de Siquém.
Abraão mudou-se em várias ocasiões, e os habitantes daquela terra podem facilmente ter ignorado a
transação ou se esquecido dela.

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