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Vejo os homens como árvores:


A necessidade de um segundo toque

“Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o


tocasse. Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e,
aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês
alguma coisa? Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque
como árvores os vejo, andando. Então, novamente lhe pôs as mãos nos
olhos, e ele, PASSANDO A VER CLARAMENTE, ficou restabelecido; e TUDO
DISTINGUIA DE MODO PERFEITO. E mandou-o Jesus embora para casa,
recomendando-lhe: não entres na aldeia” (Mc 8:22-26 – ênfase
acrescentada).

Quão poucas pessoas perceberam a singularidade deste texto. Apesar de ter Cristo curado dezenas de
cegos ao longo do Seu ministério, nenhum, todavia, se parece com este e com o modo como o Senhor
o curou. Na verdade, cada milagre realizado por Cristo possui suas peculiaridades. Pois, muito acima
da cura física, quis o Senhor deixar implícito algum sinal revelador de Sua vontade e de Seu propósito
eterno.

No caso específico do cego de Betsaida, vemos nele uma figura de todo aquele que é ganho pelo
Senhor e apanhado pela rede do evangelho. Como o próprio nome da cidade indica, Betsaidaquer dizer
“casa de peixe”, sendo, portanto, um forte indicativo de que tal cego representa os que um dia, estando
mergulhados no mar de perdição, de delitos e pecados, foram fisgados pelo Senhor, mediante o Seu
evangelho.
 

Quando a palavra do evangelho chega até nós, a sua primeira função é dar vistas aos nossos olhos
cegos, que não podem contemplar a Deus e a Sua vontade. Assim como fez Cristo, aplicando saliva
aos olhos do cego de Betsaida, do mesmo modo aplica em nossos olhos a Sua palavra, a qual, à
semelhança da saliva, procede da boca do Senhor (Mt 4:4).

Nesta fase inicial dos primeiros começos, tendo recebido do Senhor o PRIMEIRO TOQUE, logo somos
iluminados por Sua luz e passamos a ver, porém, não claramente. Para se alcançar uma visão perfeita
é preciso receber do Senhor um segundo toque. Essa é, sem sombra de dúvida, a experiência de todos
os verdadeiros filhos de Deus. Esse fenômeno pode ser comprovado a partir de três pressupostos:

O primeiro pressuposto é a relação que fazemos entre o nascimento da carne e o novo nascimento.
Assim como uma criança, nos primeiros dias de nascida, não enxerga de modo distinguível, embora
possua olhos perfeitos, assim é também no novo nascimento. Do mesmo modo como para uma
criança recém-nascida as cores e os traços lhes aparentam anuviados, assim acontece aos recém-
nascidos em Cristo Jesus.

O segundo pressuposto é extraído simbolicamente da experiência do cego do evangelho, o qual, tendo


sido pescado por Cristo e recebido o primeiro toque nos olhos, passou a ver, não, porém, nitidamente.
É verdade que nos é dito que o cego passou a ver. Mas, de que modo via? “Vejo os homens, porque
como árvores os vejo, andando”, testemunhou o quase-ex-cego.

O terceiro pressuposto é substancializado na experiência pessoal de cada cristão, ao confessarem


que, no início de suas vidas cristãs, não podiam ver claramente os mistérios de Deus. Apesar de terem
ouvido o evangelho, compreendido que Jesus os ama, terem percebido o quão pecadores eram e visto
a necessidade de arrependimento e do batismo, não tinham, todavia, a percepção clara e nítida do real
significado do propósito eterno de Deus. 

É, portanto, natural que os recém convertidos à fé evangélica tenham dificuldades de ver e de


compreender a Palavra de Deus como um todo absoluto. O que não é normal é o fato de haver cristãos
“caducos” que ainda continuam vendo “os homens como árvores”. São cristãos que, mesmo depois de
anos servindo ao Senhor, continuam não tendo nenhuma clareza a respeito de questões elementares
da fé. Pois, assim disse o apóstolo Paulo:

“A esse respeito temos muitas coisas que dizer e DIFÍCEIS DE EXPLICAR, porquanto vos tendes
tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, QUANDO DEVÍEIS SER MESTRES, ATENDENDO AO TEMPO
DECORRIDO, tendes, NOVAMENTE, necessidade de alguém que vos ensine, DE NOVO, quais são os
princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, VOS TORNASTES COMO NECESSITADOS DE
LEITE e não de alimento sólido. Ora, TODO AQUELE QUE SE ALIMENTA DE LEITE É INEXPERIENTE NA
PALAVRA DA JUSTIÇA, PORQUE É CRIANÇA. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles
que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também
o mal” (Hb 5:11-14 – ênfase acrescentada). 

 
Há algo ainda pior. É o fato de que, depois de dois mil anos de existência da igreja, tempo suficiente
para o seu crescimento e amadurecimento, há igrejas inteiras perdidas na busca de fábulas e
genealogias (I Tm 1:4). Ora, o que são fábulas senão estórias, cujos personagens são animais que
falam, “histórias” descabidas, irreais e absurdas, meras invenções da criatividade humana? Pois assim
se encontra uma grande parte do povo de Deus nestes últimos dias, fascinada com o “vale do sal”,
com a “unção do manto profético”, com o “cajado de Moisés”, com a “rosa amarela”, com a “fita”, com
a “salvação por obras”, com a falácia de “demônios que só são expulsos com o dízimo”, com a
“teologia da prosperidade”, “confissão positiva”, “maldição hereditária” estórias essas não menos
mentirosas que as fábulas dos Três Porquinhos e da Branca de Neve e dos sete anões. São diversas
as fábulas que a igreja do século XXI crê, infantilmente, por não ter recebido do Senhor o segundo
toque nos olhos, a fim de ver claramente o desenho do propósito eterno de Deus, como aconteceu
com Moisés, no monte Sinai: 

“Vê, pois, que TUDO FAÇAS segundo o MODELO QUE TE FOI MOSTRADO no monte” (Ex 25:40, ênfase
acrescentada).

Assim, pois, à semelhança do cego do evangelho, todos os verdadeiros filhos de Deus, os que um dia
receberam do Senhor o primeiro toque, precisam ser tocados uma segundo vez, a fim de serem
plenamente curados e passarem a perceber com clareza e nitidez qual a vontade de Deus para suas
vidas, revelada em Sua Palavra.

Esta verdade a respeito da necessidade do segundo toque foi ensinada pelo apóstolo Paulo, em sua
carta aos Efésios 1:15-19:

“Por isso... não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o
Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, VOS CONCEDA espírito de sabedoria e de
revelação no pleno conhecimento dele, ILUMINADOS OS OLHOS DO VOSSO CORAÇÃO, PARA
SABERDES qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos
santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força
do seu poder” (ênfase acrescentada).

Pergunto, pois: Os irmãos da igreja em Éfeso, porventura, já não tinham recebido do Senhor a cura dos
olhos quando creram? Sim, é certo que receberam (Ef 1:13). E por que o apóstolo orava pedindo a
Deus que lhes abrissem os olhos do coração? 

É porque, à semelhança do cego do evangelho, todos precisamos de um segundo toque, o toque da


revelação do propósito eterno de Deus. É preciso compreender, não somente a obra de redenção no
que tange ao perdão dos pecados; é preciso SABER QUAL A ESPERANÇA DO NOSSO CHAMAMENTO;
QUAL A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA EM NÓS; e QUAL A SUPREMA GRANDEZA DO SEU
PODER PARA COM OS QUE CREMOS. É preciso ver para que fomos salvos. É preciso entender que,
além da cruz de Cristo para a nossa salvação, há também a cruz individual e particular que todos nós
precisamos levar (Mt 16:24), a qual relaciona-se à entrada na manifestação do reino milenar, na era
vindoura. É necessário conhecer todo o desígnio de Deus, e não apenas parte dele (At 20:26).

 
Para obtermos o segundo toque do Senhor e passarmos a ter a revelação dos mistérios de Deus são
necessárias algumas atitudes:

1.   Pôr de parte os princípios elementares e se deixar levar para o que é perfeito: 

Em Hebreus 6:1 diz: “Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo,
deixemo-nos levar para o que é perfeito...”.

Nesta passagem o apóstolo nos encoraja a não mais ficarmos dando voltas em círculos, em torno
daquilo que é elementar à fé cristã. É necessário avançarmos, diz a Palavra de Deus. É preciso
RECONHECER que há muito a se conquistar, e que não podemos nos acomodar com as experiências
envelhecidas do primeiro começo. É preciso avançar para as coisas que estão à nossa frente (Fp
3:13). E para tanto, é preciso esquecer as coisas que para trás ficam, sejam elas boas ou ruins, e
prosseguir para o alvo, para o prêmio da soberana vocação (Fp 3:14).

É como disse o profeta Oséias: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a
sua vinda é certa” (6:3). O primeiro conhecer, diz respeito ao conhecimento da verdade objetiva, de
acordo com a sã doutrina contida nas Escrituras. O prosseguir em conhecer ao Senhor é a aplicação da
sã doutrina no viver diário e prático de todos os filhos de Deus.

Não poucos cristãos FOGEM do conhecimento das Escrituras, por estarem arraigados, não a Cristo,
mas a um sistema denominacional tradicionalista, fundamentado em dogmas e crendices herdadas
pela tradição dos anciãos. E, em nome dessa fidelidade às doutrinas de homens, transgridem os
mandamentos de Deus e invalidam a Sua Palavra (Mt 15:3 e 6). Esses, embora pensem estar servindo
a Deus, são chamados de hipócritas, pois com os lábios parecem cultuá-lo, mas os seus corações
estão longe do Senhor (Mt 15:8).

Por essa razão, não podemos nos conformar com aquilo que ouvimos. É preciso, por nós mesmos,
investigarmos as Escrituras, todos os dias, para verificarmos se as coisas que ouvimos são, de fato,
assim (At 17:11). É necessário nos projetarmos na busca pelo conhecimento de Deus, em Sua Palavra,
abrindo as possibilidades para novos horizontes. Devemos nos converter da religião para Cristo, pois
quando alguém se converte a Ele, o véu que cobre lhe o rosto e o impede de ver é retirado (2Co 3:16).

Esse primeiro item reclama de nós uma disposição diligente e incessante, na busca do conhecimento
da verdade com vistas à maturidade.

2.   Despojar de toda obra da carne e desejar ardentemente o leite espiritual:

“Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de


maledicências, DESEJAI ARDENTEMENTE, COMO CRIANÇAS RECÉM-NASCIDAS, O GENUÍNO LEITE
ESPIRITUAL, PARA QUE, POR ELE, VOS SEJA DADO CRESCIMENTO para salvação” (I Pe 2:1-2 – ênfase
acrescentada).
 

A maldade, o dolo, a hipocrisia, a inveja e a maledicência são todas manifestações próprias da carne.
Como tais, são inimigas do desejo de se buscar o Senhor em Sua palavra. Aqueles que almejam ter tal
“desejo ardente” pelo genuíno leite espiritual [a palavra de Deus], precisam começar pelo despojar
dessas manifestações, eliminando todas as coisas que incitam e alimentam tais paixões. Assim, o
desejar o leite espiritual está intimamente ligado ao despojar das obras da carne. Ou seja, não
podemos nos enganar dizendo que desejamos o genuíno leite espiritual se, ao mesmo tempo, não
estamos dispostos a eliminar de nós as obras da carne. Por outro lado, à medida que nos alimentamos
desse leite espiritual, temos cada vez mais forças para desistirmos de tudo o que é pecaminoso.

Ora, à medida que bebemos do leite espiritual da Palavra de Deus, recebemos os nutrientes
necessários para se obter o crescimento espiritual. E, quanto mais obtemos o crescimento espiritual,
mais conseguimos ver, com nitidez, a Cristo e ao Seu propósito.

É a Palavra de Deus que nos lava os olhos e que nos faz ver. Não é sem razão que, em outra ocasião,
na cura do cego de nascença (Jo 9), o Senhor Jesus, depois de lhe aplicar lodo aos olhos, disse: “Vai,
lava-te no tanque de Siloé, que quer dizer enviado” (Jo 9:7). Ora, vede. Siloé quer dizer enviado, assim
como o termo “apóstolo”, semelhantemente, significa “enviado”. Isto é uma forte evidência de que, para
enxergarmos de modo perfeito, é preciso lavar os nossos olhos na doutrina dos APÓSTOLOS (tanque
de Siloé) – At 2:42.

Assim, à medida que nos achegamos a Cristo, a Pedra que vive, para lavarmos os nossos olhos em
Sua Palavra, isto é, na doutrina dos apóstolos (Siloé), duas coisas acontecem simultaneamente: a
sujeira (lodo) é eliminada de nossos olhos, ao mesmo tempo em que a visão é estabelecida. Por um
lado, eliminamos de nós o lodo da hipocrisia, da inveja, do dolo e da dissensão; por outro lado, a visão
do nosso coração fica cada vez mais cristalina, como prova contundente do crescimento adquirido
para a salvação. O lavar os olhos nas águas da Palavra de Deus, tanto nos purifica quanto cura os
olhos do nosso coração.

Esse segundo item, portanto, nos convida a abrirmos mão daquilo que nos impede de receber mais do
Senhor e a nos envolvermos na busca do leite espiritual, achegando-nos a Ele [o Senhor], a pedra que
vive, eleita e preciosa (I Pe 2:4), a fim de sermos edificados na rocha, juntamente com todas as pedras
que, igualmente, estão sendo edificadas na casa de Deus (I Pe 2:5).

3.   Dar ouvidos aos homens-dons, os quais foram dados para o aperfeiçoamento dos santos:

Ao nos referirmos ao crescimento dos santos e à edificação da casa de Deus, não podemos passar
desapercebidos pelo papel fundamental que os homens-dons desempenham. De acordo com Efésios
4:11-13, lemos:

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros
para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu
serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura de Cristo”.
 

Se olharmos para esses versículos de trás para frente, poderemos, sem muito esforço, contemplar a
importância dos homens-dons, no processo de ajustar o olhar dos santos e possibilitar uma visão
clara e perfeita. Assim, percebemos como que o estágio final dos santos glorificados, descrito como
aqueles que alcançaram a medida da estatura de Cristo é, na verdade, o resultado da edificação do
corpo de Cristo. Tal edificação, todavia, só é possível mediante o desempenho do serviço dos santos.
Mas, como desempenharão o serviço se não forem aperfeiçoados? E como serão aperfeiçoados sem
que haja a colaboração dos homens-dons (apóstolos, profetas, evangelistas e pastores e mestres), os
quais foram dados “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos?”.

Os homens-dons são homens dados à Igreja pelo Cristo ressuscitado (Ef 4:8-11). Esses são dotados
de revelação e graça especial (Ef 4:7), os quais, na qualidade de fiéis despenseiros, ministram as
riquezas de Cristo, no tempo devido (Mt 24:45), a fim de suprir o corpo de Cristo, o que possibilita o
crescimento que procede de Deus (Cl 2:19). Os homens dons são instrumentos de Deus para
compartilhar com a Igreja as revelações que eles, primeiramente tiveram do Senhor. Por isso, em I Jo
1:1-4, diz:

“O que era desde o princípio, o que TEMOS OUVIDO, o que TEMOS VISTO COM OS NOSSOS PRÓPRIOS
OLHOS, o QUE CONTEMPLAMOS, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a
vida se manifestou, e NÓS A TEMOS VISTO, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida
eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos
também a vós outros, PARA QUE VÓS, IGUALMENTE, MANTENHAIS COMUNHÃO CONOSCO. Ora, a
nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Estas coisas, pois, vos escrevemos para
que a nossa alegria seja completa” (ênfase acrescentada).

Percebe-se aqui, muito claramente, duas classes distintas de pessoas: os que viram, ouviram e
apalparam o Verbo da Vida e os que apenas mantêm comunhão com os que tiveram tal privilégio.
Esses que viram e apalparam a Cristo são os primeiros apóstolos que andaram e viveram com Ele
depois de Sua ressurreição (At 10:39-41 cf. At 1:21-22). Os que, mediante o testemunho deles, mantêm
comunhão nas revelações que tiveram, somos nós, os que, não vendo a Cristo, o amamos, e embora
não o vendo agora, cremos, com alegria indizível e cheia de glória (I Pe 1:8). Nesse caso, em particular,
tais homens dons nos ajudam a ver, espiritualmente, mediante o testemunho dado pela Palavra, a
Cristo e a Seu propósito.

Esse princípio dos homens dons, de receber como graça especial revelações de Cristo e compartilhá-
las com outros, não se aplica somente aos primeiros apóstolos, mas também aos demais apóstolos,
profetas, evangelistas e pastores e mestres. Assim foi com Moisés, o qual ouvia o falar do Senhor de
dentro do santo dos santos, de entre os querubins, e transmitia ao povo o que ouvira no silêncio da
comunhão íntima com Deus (Ex 25:22). Por isso, diz: “... para que, vós, igualmente, tenhais comunhão
conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e o Filho” (I Jo 1:3). Assim, temos os homens dons que,
por graça e chamamento especial, mantêm comunhão íntima e pessoal com o Pai e o Filho. Esses
recebem as muitas revelações sobre o propósito eterno de Deus, em Sua Palavra, e as compartilham
com a Igreja para que a mesma tenha comunhão juntamente com eles. “Estas coisas, pois, vos
escrevemos para que a nossa alegria seja completa” (I Jo 1:4).

 
Deste modo, temos nos homens dons os meios divinos para a cura de nossos olhos. Esses são
instrumentalidades divinas para ministrar a nós a luz de Deus contida nas Escrituras. Quando falam,
ministram luz e revelação. Quando ministram a Palavra de Deus, tocam os olhos da Igreja para que
deixem de ver os homens como árvores e passem a ver claramente.

Quando a Igreja ouve a Palavra, no espírito, ministrada por homens que, primeiramente tenham
recebido de Deus, recebe o “pingar do colírio” que abre a visão e o discernimento espiritual e a faz ver
lucidamente e sem embaraço tudo aquilo que Deus tem preparado para aqueles que O amam.

Conclui-se, portanto, que os santos precisam reconhecer os homens que foram dados ao corpo, de
modo a darem ouvidos às suas palavras, a fim de serem aperfeiçoados para a obra do ministério,
visando a edificação da casa de Deus.

4.   Cultivar um coração puro:

“A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes
foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado em solo
rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo,
sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra,
logo se escandaliza. O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados
do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera. Mas o que foi semeado em
boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta
por um” (Mt 13:19-23).

O Senhor Jesus fala-nos nesse texto a respeito da semente da Palavra do Reino vingar ou não no
coração de quem a recebe. É, todavia, de extrema importância percebermos que vingar a semente no
coração é sinônimo de receber a luz da revelação divina a respeito dos mistérios do reino dos céus. Por
isso, diz: 

“Porque a vós outros É DADO CONHECER os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso
concedido.  Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe
será tirado. Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, NÃO VÊEM; e, ouvindo, não ouvem, nem
entendem. De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum
modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo
está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e FECHARAM OS OLHOS; para não suceder
que VEJAM COM OS OLHOS, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam
por mim curados. Bem-aventurados, porém, OS VOSSOS OLHOS, PORQUE VÊEM...”  (Mt 13:11-15 –
ênfase acrescentada).

Verifique como que o fato de ter ou não os olhos do coração abertos para compreender os mistérios
do reino dos céus está intrinsecamente relacionado à parábola do semeador, a qual nos leva a
considerar que o tipo de coração que temos é o que determina se teremos ou não a luz da revelação
do reino de Deus. Isso nos leva à conclusão de que, o fato de não termos uma boa visão, de ainda
vermos os homens como árvores, é um sintoma de que nosso coração possui alguns problemas que
precisam ser sanados.
 

O Senhor nos apresenta quatro tipos de solos, os quais representam quatro tipos de corações. Na
verdade, não há nenhum problema com a semente. Toda a questão se desenvolve em torno do tipo de
solo que é o coração humano.

Há corações que são como estradas pavimentadas: solo batido. O tráfego contínuo do curso do
mundo (Ef 2:2) fez endurecer o solo, de tal modo, que a semente não pode ser semeada, se não, tão
somente, lançada na superfície. Não chega, nem ao menos, abrir um pequeno sulco para abrigar a
semente. Quanto a esses, diz o texto sagrado, vem as aves (maligno) e comem as sementes. Tudo
isso porque, o coração que fora feito para simplesmente amar a Deus e crer Nele (Dt 6:5; Rm 10:10),
perdeu a simplicidade e passou a buscar muitas coisas pertencentes ao mundo. Permitiu que os
prazeres e os ideais mundanos trafegassem livremente pelo coração, o que o fez resistente quanto a
acolher a Palavra de Deus.

Algo semelhante acontece aos outros dois tipos de corações. Um pedregoso e o outro cheio de
espinhos. De um lado, a incredulidade representada pela densidade das pedras (Hb 3:12 e 15) impede
a palavra de aprofundar raízes; de outro, os espinhos que representam a fascinação pelas riquezas,
sufoca a esperança do porvir. São corações que perderam a sua função e utilidade e se envolveram
com muitas outras coisas que não é Deus.

O contrário, todavia, aconteceu ao último tipo de solo. Simbolizado por uma boa terra, temos um
coração puro e simples destituído de qualquer elemento prejudicial ao plantio da Palavra. Nele não
havia pedras, nem espinhos, nem estradas, nem qualquer outra coisa do gênero. Somente um coração
desejoso por receber a semente da Palavra do reino. Não um coração soberbo, de olhar altivo, em
busca de coisas maravilhosas (Sl 131). Mas uma boa terra: arada, adubada e limpa. Ora, tudo isso fala-
nos de intenções puras e verdadeiras.

Refere-se a uma mente destituída de preconceitos quanto ao que é a verdade, desprendida de dogmas
e filosofias da religião. Trata-se de um coração cujo único ideal é a Palavra de Deus, independente de
qualquer conseqüência.

Aos que cultivam tal coração, lhes são dado conhecer os mistérios do reino dos céus. A luz da
revelação de Deus lhes abre os olhos para que vejam. Assim, já não mais enxergam os homens como
árvores, mas os podem ver claramente.

Portanto, resta ao povo de Deus um segundo toque de Suas mãos, a fim de lhes fazerem ver
claramente, para que fiquem restabelecidos e a tudo distingam de modo perfeito (Mc 8:25).

“Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas
para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e COLÍRIO PARA UNGIRES
OS OLHOS, A FIM DE QUE VEJAS".

Jesus Cristo
Apocalipse 3:18

Jesus é o Senhor,

Por Bispo Alexandre Rodrigues

alexandre@devoltaapalavra.com.br (mailto:alexandre@devoltaapalavra.com.br)

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