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INTRODUÇÃO

Cada vez mais cedo os jovens envolvem-se com o crime, a ponto de já não ser
nenhuma novidade encontrarmos crianças e adolescentes com armas de fogo
cometendo assaltos, homicídios e outros crimes. Grande parte dessa forma de
violência nem é registada.
Não bastassem os números elevados de crimes de todos os tipos, verifica-se,
também, a tendência à sua banalização na sociedade angolana. O crime e a violência
tornaram-se “coisas naturais” e não mais chocam. A cada dia, espera-se a notícia de
um crime mais assustador e hediondo do que o divulgado no dia anterior. O
crescimento da criminalidade interfere sobremaneira no modo e na qualidade de vida
do povo angolano, provocando o aumento do medo do crime e da sensação de
insegurança.
A escola, somada à família, interfere fundamentalmente no processo de
educação e formação do indivíduo, podendo contribuir decisivamente na prevenção
do crime.
No presente trabalho, abordamos sobre o conceito de educação, crime, familia,
tendo mencionado também a questão da metodologia qualitativa e a teoria Estruturo
Funcionalismo de R. K. Merton.

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FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

Conforme ressalta Cerqueira (2007), é difícil compreender o que leva uma


pessoa a praticar crimes. Desde o início do século XX, esse tema vem despertando
questionamentos por parte dos estudiosos de diversas áreas, que buscam uma causa
que pudesse ser considerada geral para o comportamento criminoso. Conforme o
referido autor, tais estudos estruturam-se, respectivamente, em duas dimensões: na
primeira, aqueles que pesquisam as motivações individuais e os processos que
levariam as pessoas a se tornarem criminosas; na segunda, são investigadas as
relações entre as taxas de crime e as variações nas culturas, organizações e
instituiçõessocioeconómicas.

Francisco Filho (2004, p.14) destaca que alguns autores defendem a ideia de
que o homem só se torna violento devido à influência externa, sendo a violência,
portanto, um estado imposto pelo ambiente, e não inato. Outros autores, todavia,
defendem que a natureza violenta do homem é instintiva, faz parte de sua genética, e
o ambiente apenas permite que esse comportamento aflore, em maior ou menor grau.
Nesse sentido, serão apresentadas a seguir algumas argumentações sobre essa
questão: se a causa da violência é inerente ao ser humano, e puramente biológica, se é
condicionada pelo meio, e estritamente influenciada por factores ambientais ou se é
uma junção de ambos.
Assim, nos é mister questionar: Quais são os factores que contribuem para que o
individuo entre no mundo do crime?

Justificativa
A pertinência do tema surge em virtude do número considerável de adolescentes
e jovens no mundo do crime, no Distrito Urbano do Sambizanga que tem sido desde
motivo de preocupação para esta sociedade e pelo facto de ser um problema de interesse
público em nossa perspectiva.
A educação consitui um dos temas fundadores da sociologia, devido ao papel
que assume no processo de socialização e de transmissão dos valores e regras morais da
sociedade.

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No plano curricular, consta na área da Sociologia criminal, da Educação e da
Família que nos deu subsídios e despertou-nos interesse para escrever sobre esta
temática ligada nestas área do saber científico.

Objectivos do Estudo
De acordo com a nossa problemática nos propusemos alcançar os seguintes
objectivos
Objectivo Geral
Compreender a criminalidade

Objectivos Específicos
Identificar o papel da escola na prevenção do crime
Identificar os factores que levam o indivíduo ao mundo do crime

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CRIME: CONCEITO E ABORDAGENS

Segundo Durkheim (1984) ´´O crime não se observa apenas na maior parte das
sociedades desta ou daquela espécie, mas em todas as sociedades de todos os tipos. Não
há nenhuma onde não exista uma criminalidade. Esta muda de forma, os actos assim
qualificados não são os mesmos em toda parte; mas, sempre e em toda parte, houve
homens que se conduziram de maneira a atrair sobre si a repressão penal. Se, pelo
menos, à medida que as sociedades passam dos tipos inferiores aos mais elevados, o
índice de criminalidade (…) tendesse a diminuir, poder-se-ia supor que, embora
permaneça um fenómeno normal, o crime tende, no entanto, a perder esse carácter.´´

Fazer do crime uma doença social seria admitir que a doença não é algo
acidental, mas, ao contrário, deriva, em certos casos, da constituição fundamental do ser
vivo; seria apagar toda distinção entre o fisiológico e o patológico.

O crime é um fenómeno de ampla complexidade. Envolve a conduta humana


individual, a sociedade, a relação entre ambos, o controle social, o poder, dentre
outros factores. Sendo algo complexo, nos leva, segundo orientação de Morin, a nos
abrirmos para a captação da realidade e não a seu enclausuramento em um método
vazio.

Transgredir as regras sociais, ameaçar o outro, ser capaz de actos agressivos


introduz a questão da sobrevivência do próprio tecido social e a pergunta sobre se o
ser humano nasce bom ou mal.

O conhecimento do ser humano é o mais importante de todos os


conhecimentos. Entretanto, a dificuldade é distinguir como ele deveria ser, ou seja,
em seu estado de natureza original, do homem em que se transformou com a evolução
ao longo do tempo, incorporando mudanças exteriores e o progresso natural da
espécie.

O FENÔMENO DA DELINQUÊNCIA JUVENIL E SUASVARIÁVEIS

Pode-se dizer que as fontes individuais da delinquência são razoavelmente


conhecidas, sendo que inúmeras investigações têm demonstrado a existência de
factores no plano do status socioeconómico, da estrutura e dinâmica familiar, da

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inserção escolar e/ou no mercado de trabalho, das relações com os pares, entre outros,
que aumentam a probabilidade de um adolescente praticar infracções, se comparado
com a população de jovens emgeral.
É certo que as grandes tendências sociais dos factores individuais devem
manter relações com a evolução da taxa de delinquência. Porém, segundo alguns
autores, tais factores provavelmente agem como forças mediadoras da evolução das
taxas, na medida em que estas são produzidas no interior de um sistema de controlo
social – representado pela polícia, justiça e instituições de execução de medidas – que
por si só tem suas regras.

PREVENÇÃO DACRIMINALIDADE

Não há que negar que a prevenção é a orientação lógica a ser adoptada quando
se procura evitar o acontecimento. Compreendendo toda uma gama de relações
sociais, o ato criminoso é muito mais do que mero acometimento ilícito de um
indivíduo. Cuidando-se do indivíduo em suas relações sociais, evidente que a estar-se-
á colaborando para prevenir o delito.

É dogma da medicina que a prevenção é sempre melhor que a cura. Tal princípio
também prevalece na área do crime. O conceito de prevenção da criminalidade se
fundamenta nos mesmos imperativos que direccionam as ciências em geral, isto é, o
objectivo de prevenir ou dispor de modo que impeça o dano ou mal, elaborando
medidas ou providências comantecipação.Os factores determinantes da delinquência
juvenil podem estar relacionados com o meio ambiente, com a situação
socioeconómica e também com as consciências doentias, caracterizadas por modelos
psicológicos. Ou seja, existe uma série de factores que possibilitam a delinquência
juvenil, estando, ou não ligados entre si.

A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO NA REDUÇÃO DA


CRIMINALIDADE

A educação e a formação para a cidadania responsável constituem fortes aliados


no processo de afastamento do indivíduo da prática de crimes e, consequentemente,
na redução da criminalidade. Trata-se aqui de processos de socialização presentes,
mesmo que de maneira indirecta, em programas preventivos e, de forma mais

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explícita, no sistema educacional em suas actividadesrotineiras.
Todavia, a participação da escola na formação do indivíduo deve ser ampliada,
como forma de distanciá-lo da criminalidade.
Parte-se, por exemplo, de análises mais amplas, como do sociólogo alemão Max
Weber que, ao analisar a dinâmica do convívio em sociedades modernas, incluiu a
escola como instituição que tem como uma de suas funções primordiais reproduzir o
sistema de dominação. O sistema escolar é responsável por legitimar culturas e
influenciar a ordem social de uma nação. Weber ressalta, ainda, que a dominação,
articulada nos processos de socialização que ocorrem na escola, influencia a formação
do carácter dos jovens.

O âmbito da influência com carácter de dominação sobre


as relações sociais e os fenómenos culturais é muito maior
do que parece à primeira vista. Por exemplo, é a
dominação que se exerce na escola que se reflecte nas
formas de linguagem oral e escrita consideradas
ortodoxas. Os dialectos que funcionam como linguagem
oficial das associações políticas autocéfalas, portanto, de
seus regentes, vieram a ser formas ortodoxas de linguagem
oral e escrita e levaram às separações ‘nacionais’ (por
exemplo, entre a Alemanha e a Holanda). Mas a
dominação exercida pelos pais e pela escola estende-se
para muito além da influência sobre aqueles bens culturais
(aparentemente apenas) formais até a formação do
carácter dos jovens e com isso dos homens (WEBER,
1994,p.141).

É nesta formação que o Estado pode intervir positivamente, a fim de participar


da educação de seus cidadãos, conscientizando-os de suas responsabilidades
referentes à segurança pública.
A educação é crucial para a formação do indivíduo e influencia seus actos e
atitudes no decorrer de toda a vida. Paulo Freire defendia uma educação
transformadora da realidade conhecida. Para ele, era possível transformar a realidade,
por mais injusta e desigual que fosse. Mas, a seu ver, para se conseguir transformá-la,

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era necessária uma educação com conteúdo crítico, libertador, que mostrasse a cada
um a possibilidade demudança.
Segundo Paulo Freire, "trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la), não
apenas para adaptar-se, mas para poder recriá-la e transformá-la”. Em seu método de
educação, a aprendizagem é o meio para transformar a realidade, com consciência.
Primeiro, o educando deve adquirir a capacidade de “ler o mundo à sua volta”, para
depois transformá-lo. É exactamente ao saber “ler a realidade”, consciente de sua
responsabilidade e de seu papel na sociedade, que este indivíduo não se sentirá
motivado para envolver-se com o crime, seja como vítima, seja como autor.
No pensamento pedagógico de Paulo Freire, o mundo e o homem estão em
constante interacção e transformação. Uma escola transformadora não é apenas
aquela que busca sempre estar em sintonia com o contexto actual da sociedade, mas é,
principalmente, a que conscientiza cada indivíduo (aluno) da importância de seus
actos, para o bem da colectividade.
É por isso que faz sentido propor que o ensino escolar seja adequado à
realidade e às necessidades básicas do cidadão angolano. Como exemplos, pode-se
lembrar aqui a educação para o trânsito, informações sobre os crimes cibernéticos,
violência doméstica, drogas, dentre outros.
A segurança pública deve ser incluída nesta lista, pois é hoje uma necessidade
prioritária que interfere em todas as demais facetas da ordem social.
CONCEITO DE EDUCAÇÃO

O conceito de Educação também se modificou com o caminhar da história.Para


Luzuriaga, educação é:

A influência intencional e sistemática sobre o ser juvenil,


com o propósito de formá-lo e desenvolve-lo. Mas significa
também a acção genérica, ampla, de uma Sociedade sobre
as gerações jovens, com o fim de conservar e transmitir a
existência colectiva. E educação é, assim parte integrante,
essencial, da vida do homem e da Sociedade [...].

No momento actual, os meios de comunicação, como a Internet, colocam o


homem em contacto imediato com o mundo todo, com culturas radicalmente
diferentes, com fatos no exacto momento em que estão acontecendo. Isso impõe uma

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adaptação à realidade, o que exige um aprendizado.

Por isso, no presente trabalho, a preocupação é com a educação formal, sendo


assim, entendendo-a como um processo de aquisição de conhecimento sistematizado.

Afirma Brandão:

Em mundos diversos a educação existe diferente: em


pequenas sociedades tribais de povos caçadores,
agricultores ou pastores nômades; em sociedades
camponesas, em países desenvolvidos e industrializados;
em mundos sociais sem classes, declasses,
com este ou aquele tipo de conflito entre as suas classes;
em tipos de sociedades e culturas sem Estado, com um
Estado em formação ou com ele consolidado entre e sobre
aspessoas.

É fato que a prática educativa está inserida num cenário político, económico e
social que nem sempre privilegia o homem. Muitas vezes se limita a reproduzir
modelos cujos interesses estão a serviço do capital e do lucro, em detrimento de uma
concepção democrática e solidária. Sendo assim, a educação deveria contribuir para
alterar esta realidade.

Segundo Romanell (1995)., a educação para o desenvolvimento, numa


realidade complexa, como é a brasileira, teoricamente não é um contexto fácil de
construir, já que se trata de pensar a educação num contexto profundamente marcado
por desníveis. E pensar a educação num contexto é pensar esse contexto mesmo: a
acção educativa processa-se de acordo com a compreensão que se tem da realidade
social em que se está imerso.

O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA SOCIALIZAÇÃO DO INDIVÍDUO

Para compreender a função da educação na formação e socialização do indivíduo, é


necessário compreender inicialmente o sentido deste processo social e o modo como a

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educação formal é valorizada em diferentesculturas.Algumas definições são bastante
universais, como a do filósofo e economista inglês Stuart Mill, um dos pensadores
liberais mais influentes do séculoXIX. Para ele, a educação seria:

...tudo aquilo que fazemos por nós mesmos, e tudo aquilo que os
outros intentam fazer com o fim de aproximar-nos da perfeição
de nossa natureza. Em sua mais larga acepção, compreende
mesmo os efeitos indirectos, produzidos sobre o carácter e sobre
as faculdades do homem, por coisas e instituições cujo fim
próprio é inteiramente outro: pelas leis, formas de governo,
pelas artes industriais, ou ainda, por fatos físicos independentes
da vontade do homem, tais como o clima, o solo, a posição
geográfica. (Pereira e Foracchi, 1976,pag.34).

FAMÍLIA E A ESCOLA NA EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS, ADOLESCENTES


E JOVENS
Para Rocher,“A família é o primeiro grupo em que o indivíduo pertence e é onde
ele aprende e interioriza os elementos socioculturais do seu meio e os integra na
estrutura da sua personalidade”… (Rocher, 1988:52).

A partir do nascimento, o indivíduo começa o seu processo de educação e


socialização. A instituição responsável por iniciar este processo é a família. Todo o
crescimento e os desenvolvimentos físico e psicológico da criança terão em suas
raízes a marca e as características do ambiente familiar no qual ela estáinserida.
É no seio familiar que a criança será submetida às primeiras regras, punições,
elogios e recompensas. Através dessa educação primária, resultante do convívio
com os familiares, principalmente com os pais, a criança irá iniciar a formação do
seu carácter, da personalidade, da moral e da consciência social. Desta relação vai-
se construindo, concomitantemente novos conhecimentos, isto é, a fala,as normas,
as relações de poder, os critérios para a tomada de decisão, os sucessos e
osfracassos.
A educação primária será primordial para determinar a forma como cada
criança irá se inserir na sociedade: o seu modo de pensar, de agir, de “ver” o
próximo, de cumprir com seus deveres, de respeitar as leis e até mesmo de

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reivindicar os seus direitos.
No entanto, para que a educação primária atingisse o objectivo de formar uma
criança preparada moral e psicologicamente para assumir o seu papel na sociedade,
seria necessária uma família bem estruturada, com um bom relacionamento entre
pais e filhos, com troca de afecto, carinho, compreensão e, principalmente, da
presença activa dos pais no processo de desenvolvimento da criança. Todavia, esta
já não é mais a realidade de grande número de famílias brasileiras há bastante
tempo.
As exigências da sociedade moderna, aliadas às condições socioeconómicasdo
país, provocaram mudanças radicais na estrutura da família angolana.
O que se vê actualmente é o crescente número de famílias chefiadas por
mulheres. Há muitas mães solteiras, geralmente menores que engravidam e não têm
nenhuma maturidade ou condição económica para cuidar dos filhos, deixando-os,
muitas das vezes, jogados à própria sorte.
Há novos tipos de relacionamentos, tendo se tornado comum a figura do
padrasto ou da madrasta. No caso das famílias que ainda possuem as figuras do pai
e da mãe, frequentemente eles passam o dia trabalhando e os filhos ficam sob a
responsabilidade de outras pessoas ou instituições.
É neste ambiente familiar modificado, carente de acompanhamento
sistemático e de regras bem definidas de conduta que boa parte das crianças
angolanas está sendo educada.
Esta realidade aumenta significativamente a responsabilidade das instituições
de ensino, uma vez que, com a formação primária deficiente, ou seja, a que ocorre
no âmbito da família, a criança irá encontrar os primeiros processos de socialização
na escola e não na família, como deveria ocorrer.
Seja como estiver estruturada, a responsabilidade da família é importante e
necessária na educação da criança. Segundo KALOUSTIAN (1988),

´´A família deve, portanto, se esforçar em estar presente em todos os


momentos da vida de seus filhos. Presença que implica envolvimento,
comprometimento e colaboração. Deve estar atenta a dificuldades não
só cognitivas, mas também comportamentais. Deve estar pronta para
intervir da melhor maneira possível, visando sempre o bem de seus
filhos, mesmo que isso signifique dizer sucessivos “nãos” às suas
exigências. Em outros termos, a família deve ser o espaço indispensável

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para garantir a sobrevivência e a proteção integral dos filhos e demais
membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como se
vêm estruturando.´´

Teoria Estruturo – Funcionalismo de Robert King Merton


Robert King Merton, de nacionalidade americana, é um dos teóricos mais
importantes da corrente funcionalista na análise sociológica. Na sua obra “Sociologia:
Teoria e estrutura”, Merton apresenta várias acepções de a abordagem funcional na
sociologia pode tomar, com base em diversos autores. Critica Malinowski por
considerar que ele fala de práticas e crenças padronizadas como sendo funcionais para a
cultura como um todo e que são também funcionais para cada membro da sociedade.
O funcionalismo é a teoria sociológica que considera os factos sociais e as
instituições, com base na função que desempenham. Como não podia deixar de ser a
família é considerada instituição social que funciona como agente de socialização, onde
aprendemos código linguístico e modelos de conduta.
Para Merton, anomia resulta de uma ordem social em que não existe identidade
entre a estrutura cultural e estrutura social (1970: 214). Existem valores morais que se
tornam difíceis de seguir, pura e simplesmente porque a própria estrutura social não o
permite. Em algumas sociedades, por exemplo, os valores culturais proíbem a existência
de uma gravidez durante a adolescência sem no entanto estarem criadas as condições
sociais para que esta não ocorra.
O desequilíbrio entre as metas culturais e a actuação com base na estrutura social
desenvolve uma situação anómica. A anomia resulta da discordância entre os objectivos
sociais proposto pela sociedade aos seus membros e ao comportamento das pessoas
(Merton, 1970: 2016).
Os valores morais servem para controlar a conduta dos indivíduos. constitui uma
violação as normas morais por isso é punível pela própria sociedade, através da
marginalização ou até da exclusão social.
Quando indivíduo não consegue atingir os seus objectivos de acordo com
expectativas instituídas apela a comportamentos não socialmente aceite relegando-se a
condição de desviantes. Existe a necessidade de aproximar os objectivos culturais aos
meios institucionais, de forma a permitir que a integração e o controlo social se possam
revelar mais funcionais (Merton, 1970: 219).O funcionalismo está assente em três

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postulados: unidade funcional, funcionalismo universal e indispensabilidade ou
necessidades funcionais (Merton 1970: 91-99).
O postulado da unidade funcional da sociedade pretende que as actividades
padronizadas ou aspectos culturais sejam funcionais para todo o sistema cultural e
social. Os elementos culturais devem exercer funções para toda a sociedade e não
somente para uma parcela desta. Tem de haver uniformidade no que está
institucionalmente estabelecido. Em algumas sociedades as actividades padronizadas
não são funcionais. Por exemplo, torna cada vez mais escassa a preservação da
virgindade até á altura do casamento (como se verificava alguns anos atrás) devido a
pouca funcionalidade deste valor. Em consequência disso, regista-se o inicio da
gravidez mais precoce no seio dos adolescentes.
No postulado do funcionalismo Universal, todos os aspectos sociais e culturais
preenchem funções sociológicas. Podemos citar como exemplo para todos estes
aspectos a família, pois ela cumpre todas estas funções. É do seio familiar que os
indivíduos tiram as orientações para uma vida social organizada. Quando a família, não
transmite valores sociais e culturalmente aceites, há desvio de comportamento por parte
dos indivíduos.
Nos postulados das necessidades funcionais, todo tipo de civilização, cada
costume, cada objecto material, cada ideia e cada crença preenche uma função vital, tem
uma tarefa a desempenhar e representa uma parte indispensável de uma totalidade
orgânica.
Em toda e qualquer sociedade os valores existem para garantir uma boa
funcionalidade da estrutura social. Os valores morais por exemplo, têm como função
regular a conduta dos indivíduos. A ausência ou enfraquecimento dos valores morais
estimula o aparecimento de desvio como é o caso da criminalidade.
Merton adianta que as funções dos valores variam em dependência das culturas
que estão afectos. A sociedade e as suas estruturas são alteráveis. A renovação e a
flexibilidade dos valores morais e culturais permitem uma maior adaptação a mudança.
Merton formulou cinco tipos de adaptação a mudança: conformidade, inovação,
ritualismo, retraimento e rebelião.
Na conformidade, o comportamento é tipicamente em direcção aos valores
básicos da sociedade.

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Já a inovação ocorre quando o indivíduo assimilou a ênfase cultural sobre o alvo
a alcançar, sem absorver igualmente as normais institucionais que governam os meios e
processos para atingir.
Ritualismo implica o abandono ou a redução dos elevados alvos culturas e a
rápida mobilidade social até serem satisfeitas as aspirações de cada um.
Retraimento há rejeição dos objectivos culturais e dos meios institucionais.
Quanto á rebelião, os indivíduos optam por uma estrutura social, completamente
diferente da estrutura e vigor.

METODOLOGIA

Tendo em conta a temática que nos propusemos abordar para verificação das
hipóteses do trabalho e em função dos objectivos traçados decidimos realizar uma
pesquisa baseada no método qualitativo. Segundo Martins e Theóphilo (2009: 107) a
pesquisa qualitativa “ pressupõe descrições, interpretações e análise de informações,
factos, ocorrências, evidências que naturalmente não são por dados números.” Na
perspectiva de Oliveira (2013:59) “como sendo uma tentativa de explicar em
profundidade das informações obtidas através de entrevista ou questões aberta, sem a
mensuração quantitativa de característica ou comportamento.”

CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES
2021 2022
Actividade Set Out Nov De Jan Fe Mar Abr Ma Jun Jul Agost
s z v i
Recolha de
literatura X X
Leitura X X
Escrever o
I capitulo X
II capitulo X X
III capitulo X X
Trabalho
de campo X X
Entrada do

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trabalho X
Defesa X

BIBLIOGRAFIA
BRANDÃO. Carlos Rodrigues (1995)O que é EducaçãoSão Paulo: Brasiliense,33 ed.
CERQUEIRA, D.; LOBÃO, W L (2003). Determinantes da criminalidade: uma
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