Você está na página 1de 71

Formador: Sandra Pereira

Educação de infância
UFCD10666- Educação de Infância em Portugal
Objetivos:

 Reconhecer a História da Educação da Infância em Portugal;

 Identificar as redes de educação pré-escolar (pública e privada


com e sem fins lucrativos);

 Reconhecer os Princípios Gerais e objetivos pedagógicos


enunciados na Lei- Quadro da educação pré-escolar;

 Identificar a legislação de suporte da organização da Educação


Pré-Escolar;

 Identificar as organizações das Nações Unidas de Apoio à Criança;

 Identificar os organizações de apoio à criança em Portugal.


Conteúdos

 Evolução histórica da educação de infância em Portugal;

 Caraterização das diversas redes da educação pré-escolar;

 Fundamentos, objetivos e intenções pedagógicas que regulam a


Educação Pré- Escolar;

 Legislação de suporte da organização da Educação Pré- Escolar;

 Destinatários da educação pré- escolar;

 Organizações das nações unidas de apoio à criança: UNICEF; OMS,


UNESCO; OCDE.
Educação
 Processo que visa o pleno desenvolvimento intelectual, físico e moral de um indivíduo
(sobretudo na infância e na juventude) e a sua adequada inserção na sociedade;

 Processo, geralmente orientado por outrem, de aquisição de conhecimentos e


aptidões- instrução;

 Conjunto dos recursos dedicados à gestão do sistema escolar de um país, região,


etc;

 Conjunto de métodos e técnicas desenvolvidas com o objetivo de garantir o sucesso


da aprendizagem- pedagogia;

 Formação que se recebeu ou ministrou;

 Aperfeiçoamento de um sentido, de uma aptidão, etc.;

 Domínio e cumprimento das normas de conduta socialmente aceites;


A educação é um processo inerente a todas as sociedades
humanas. Poderíamos até discutir se entre os animais, ou alguns
deles, não existem procedimentos semelhantes que impliquem
o desenvolvimento de potencialidades, em interação com
outros indivíduos da espécie — uma espécie de aprendizagem.
Mas se, em relação aos animais, a educação é uma mera
hipótese, em relação ao homem é um facto incontestável e
incontestado. Em qualquer tempo e lugar, onde quer que haja
um grupo humano, encontramos procedimentos de formação
aptos a transmitir às jovens gerações valores, saberes, aptidões,
testados e aprovados.

Evolução do olhar sobre a criança


Mas se, em relação aos animais, a educação é uma mera
hipótese, em relação ao homem é um facto incontestável e
incontestado. Em qualquer tempo e lugar, onde quer que haja
um grupo humano, encontramos procedimentos de formação
aptos a transmitir às jovens gerações valores, saberes, aptidões,
testados e aprovados.

Evolução do olhar sobre a criança


Só os seres humanos são educáveis, porque só eles adquirem as
noções e comportamentos que os caracterizam por aprendizagem.
https://tvi24.iol.pt/videos/tvi24/entre-tantos-convidado-carlos-
neto/5d0eb5b80cf21b722314e37e?jwsource=cl
Origens

https://youtu.be/2ZwfBBeHMAQ
Jean Frederick Oberlin

Criou na França do séc. XVIII aquela que seria considerada


a primeira instituição para a educação de infância, les
écoles maternelles- « poêles à tricoter ».

… numa casa, uma sala com a sua salamandra e o seu calor de boas-vindas
no Inverno, dedica-se a acolher as crianças, sob a orientação de "guias da
primeira infância .

A partir daí a educação da criança fora do contexto familiar iniciou um percurso


considerado irreversível.
NA EUROPA…
As experiências de Froebel em várias escolas, os seus
contactos com Pestalozzi* e o seu interesse pela
infância levariam ao surgimento do kindergarten,
jardim infantil, em 1840, na Alemanha.

O nome traduz a ideia de que as crianças são como plantas num jardim e
devem ser tratadas com os cuidados necessários para que cresçam em
harmonia.
Froebel criou uma escola de “jardineiras da infância” e inventou jogos que
ficariam conhecidos como material fröbeliano.

* Pedagogista ( profissional entendido em Pedagogia da Educação)suíço e educador pioneiro da reforma educacional.


Margaret MacMillan é considerada, por muitos,
a primeira grande educadora. Juntamente com a irmã
abriram uma clínica em Londres (1902) para crianças
pobres e organizaram colónias ao ar livre para aquelas
que estavam em risco de morrer de tuberculose.

O enorme interesse de Margaret pelas causas sociais


levou-a a tornar-se uma ativista política, numa época
em que as mulheres não tinham sequer direito ao voto.
Foi ativista na luta das mulheres pela sua
emancipação e na defesa do direito das crianças à
saúde e educação.
Ovide Decroly (1872- 1932)
 médico, especialista em doenças nervosas;

 Com a ajuda da esposa fundou, em 1901, com enorme sucesso,


um instituto de reeducação de crianças com deficiências;

 A pedido de amigos, criou uma escola para crianças (normais) em


Bruxelas em 1907. Foi um dos precursores dos métodos ativos
fundamentados na possibilidade da criança conduzir a própria
aprendizagem e, assim, aprender a aprender.

Decroly tornou-se um pedagogo, com várias obras publicadas, tendo presidido ao 1.º Congresso
Internacional de Pedagogia, realizado em Bruxelas em 1911. Fundou ainda, em 1912, com Edouard
Claparède e Paul Bovet o Instituto Jean Jacques Rousseau, escola de ciências de educação que se
tornou notável.
Maria Montessori (1870-1952)

 Foi a primeira mulher a formar-se em Medicina;

 Trabalhava inicialmente com crianças com


deficiências mentais e interessou-se depois pela
educação das crianças normais;

 Criou as Case dei Bambini;

 Como Froebel, encarava o desenvolvimento como


um processo de expansão e entendia a educação
como auto atividade.
Método Montessori é a perspetiva educacional desenvolvida por
Maria Montessori e seus colaboradores a partir da observação do
comportamento de crianças em ambientes estruturados e não
estruturados. Seu objetivo é ajudar o desenvolvimento da vida da
criança, de forma integral e profunda.

O Método Montessori é o resultado de pesquisas científicas e


empíricas desenvolvidos pela médica e pedagoga Maria Montessori.
É caracterizado por uma ênfase na autonomia, liberdade com limites
e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas,
sociais e psicológicas da criança.

https://youtu.be/y6M9l4UFwvE
Não creio que haja um método melhor que o montessoriano
para sensibilizar as crianças sobre as belezas do mundo e para
despertar sua curiosidade para os segredos da vida.

Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura

Método:
•mesas e cadeiras baixas,
•a presença cada vez menor de castigos nas escolas,
•uma educação baseada no trabalho sensorial,
•a importância do movimento na primeira infância,
•o uso de materiais concretos que as crianças possam manipular na escola,
•a comunicação respeitosa entre professores e alunos,
•e a valorização das descobertas científicas sobre o desenvolvimento para a prática pedagógica.
Mais um pouco de história…

 Este interesse pela educação da criança


surgiu em Portugal no século XIX.

 À semelhança do que aconteceu no resto da


Europa, embora com algum atraso, foi o
desenvolvimento industrial, o acesso das
mulheres ao mundo do trabalho e o
estabelecimento de uma classe média mais
influente e informada que criou novas
necessidades e mentalidades.
 em 1834, foram criadas instituições de apoio a
crianças, numa perspetiva de assistência à
família. Estas instituições eram sobretudo
destinadas a apoio de crianças oriundas de
famílias pertencentes a classes sociais
desfavorecidas.

 As Casas de Asilo da Infância Desvalida de


Lisboa foram criadas com o objetivo de dar
proteção, educação e instrução às crianças
pobres. Dessa forma, os pais poderiam dedicar-
se aos seus afazeres sem que as crianças
fossem deixadas ao abandono.
Casa asilo da Infância Desvalida - Lisboa
CASAS DE ASILO DE INFÂNCIA DESVALIDAS

 Finalidade: - dar assistência aos pais e dar proteção,


educação e instrução às crianças pobres;

 Idades – Meninos até 7 anos ; meninas até aos 9 anos;

 Em 1878 começou-se a utilizar a expressão “Jardins de


infância”.
 Foram criadas doze Casas de Asilo entre 1834 e 1897, incluindo
uma em Coimbra, em 1835, designada como uma «espécie de
estabelecimento de caridade».

 Estas Casas de Asilo surgiram na sequência das Infant schools de


Robert Owen(Escócia, 1816) e das salles d’asile (1826) francesas
(inspiradas naquelas), que posteriormente se passaram a designar
écoles maternelles (Oberlin).
 A Portugal seriam mesmo enviadas pessoas para aprenderem a organização
dos jardins fröbelianos tendo sido o primeiro inaugurado em Lisboa em 1882.

 Ainda antes do final do século, em 1876, foi publicada a Cartilha Maternal de


João de Deus.

 Efetuada sob encomenda de uma editora, a casa Rolland, daria origem ao


Método João de Deus (João de Deus (1830-1896) era formado em Direito pela
Universidade de Coimbra).

Primeira Escola João de Deus


Apesar da grave crise económica, que afetou o país,
em 1891 é decretada a obrigatoriedade de todas as
fábricas com mais de 50 trabalhadores criarem creches,
para os filhos das mulheres trabalhadoras, sendo
definidas as condições mínimas de saúde e higiene para
o seu funcionamento.
Em Portugal…

 Com a implantação da República, a criação de jardins de infância


passou a fazer parte do Programa do Partido Republicano, ficando
prevista a criação de jardins-infantis em todo o país. Foi decretado
que o ensino infantil seria «comum aos dois sexos e tem em vista a
educação e desenvolvimento integral, físico, moral e intelectual das
crianças, desde os quatro aos sete anos de idade, com o fim de lhes
dar um começo de hábitos e disposições, nos quais se possa apoiar o
ensino regular da escola primária» (Diário do Governo, n.º 73, de 30
de março de 1911).
 Em 1914 foram criadas as Escolas Normais de Lisboa, Porto e Coimbra
com escolas infantis anexas;

 Apesar do reconhecimento dos benefícios da educação de infância, a


verdade, é que durante a 1.ª República, terão sido criadas apenas
onze escolas infantis (sete no Porto, quatro Jardins-Escola João de Deus
a par de algumas «seções infantis» eventualmente criadas pela
iniciativa privada).
A educação de infância no
ESTADO NOVO ( a partir de
1926)
 António Carneiro Pacheco, ministro da Educação Nacional do governo
de António de Oliveira Salazar (1936), decretou a reforma do ensino
primário, a qual incidiu em alguns aspetos estruturantes do sistema de
ensino português, como a formação de professores, a expansão da rede
de escolas primárias e o enquadramento ideológico dos alunos, através
do seu ingresso na Mocidade Portuguesa. A reforma tinha como objetivo
“ensinar bem a ler, escrever e contar”.
 A reforma do ensino primário de 1936 (Figura 1) fixou o programa de
ensino em cinco disciplinas principais: Língua Portuguesa, Aritmética,
Moral, Educação Física e Canto Coral, um programa bastante mais
reduzido que o das escolas republicanas. Determinou também a
existência de um livro único para cada classe e a difusão dos postos
de ensino, agora rebatizados de postos escolares, entregues a
regentes escolares, que podiam ser escolhidos livremente pelo
Ministério da Educação Nacional entre pessoas de reconhecida
idoneidade, ou seja, o Estado Novo passou a privilegiar a orientação
política destes regentes em detrimento das suas habilitações
académicas.
Figura 1 – Decreto n.º 27279 de 24 de Novembro de 1936. Diário do Governo, I
Série, n.º 276, 24-11-1936, p. 1510
 Nos anos 30 a educação era missão da família. A
educação infantil oficial foi extinta e o Estado foi
incumbido apenas de auxiliar as instituições particulares
que promovessem a assistência educativa pré- escolar.
Da iniciativa privada cabe salientar os Jardins-
Escola João de Deus, que têm mantido e
difundido aquele que é considerado o único
modelo português de educação de infância. A
atualmente designada, Associação de Jardins-
Escolas João de Deus tem, ao longo do tempo,
formado os seus próprios educadores de acordo
com a filosofia e método de João de Deus.
A Cartilha Maternal é uma obra de natureza
pedagógica, escrita pelo poeta e pedagogo João
de Deus e publicada em 1876, que se destinava a
servir de base a um método de ensino da leitura às
crianças.

A Cartilha Maternal é uma das obras mais vezes


reimpressas em Portugal, tendo sido extensivamente
usada nas escolas portuguesas por quase meio
século, ainda mantendo alguns seguidores, num
país onde o analfabetismo era uma tragédia
nacional.
Na segunda metade do século XX o sistema educativo passou por
várias fases:

 A primeira (1950-60), há um processo de acomodação do sistema


de ensino vigente, desde a década de 30 à realidade
socioeconómica do pós guerra;

 Numa fase posterior assiste-se a uma maior abertura do sistema


com uma nova tomada de consciência do atraso educacional
do país.
Bissaya Barreto (nascido em 1886)
Desenvolveu uma ação importante quer na educação da
infância, quer noutros domínios, enquanto médico, cirurgião
e Presidente da Junta Geral do Distrito de Coimbra.

No âmbito da sua Obra de Proteção à Grávida e Defesa


da Criança, Bissaya Barreto criou entre 1936 e 1970, vinte
e cinco Casas da Criança que tinham por lema «Façamos
felizes as crianças da nossa Terra».
 Estas casas eram constituídas por Creche, Jardim de Infância
e Consultório Médico e nelas eram prestados, gratuitamente,
todos os cuidados básicos: higiene, alimentação e
assistência médica. Para além de uma função educativa.
 Cria também uma Escola Normal Social
destinada à formação de Assistentes Sociais e à
especialização de Enfermeiras puericultoras*
visitadoras de infância.

https://youtu.be/CE6am2LbIu0

https://youtu.be/B8owhQfKftU

 Esta especialização, como refere Gomes


(1986,98), abrangia as funções de educadora de
infância podendo considerar-se a primeira escola
de educadores-de-Infância criada em Portugal.

* Ramo da medicina que se dedica ao estudo do desenvolvimento físico e psíquico das crianças.
 A escolaridade obrigatória é de 4 anos, embora inicialmente
para os alunos do sexo masculino. O alargamento às
crianças do sexo feminino far-se-ia uns anos depois (1960).

 O analfabetismo continua muito presente na sociedade


portuguesa.
Década de 50/60
 Na década de 50 assistiu-se a um aumento da procura de jardins
infantis, o que levaria à criação de duas escolas particulares de
educadoras de infância:

 O Instituto de Educação Infantil

 A Escola de Educadoras-de-Infância de Maria Ulrich.

Durante a década de 60 ressurgiu, pela mão de Galvão Teles, Ministro


da Educação, o interesse pela EPEscolar, considerada indispensável
para obter sucesso na escola primária. Este período assistiria à criação
de novas escolas particulares, em Coimbra e no Porto. Destas, apenas
resta a Escola de Educadores de Infância Paula Frassineti no Porto.
Década de 70
 O Ministro Veiga Simão cria as condições para a
oficialização da educação de infância tendo ficado
previstas, logo em 1971, a criação da educação pré-
escolar oficial e a criação de escolas de educadores de
infância.

 Esta reforma pretendeu afirmar a igualdade de


oportunidades, o direito à educação de todos os
portugueses. A ela se deve o alargamento da
escolaridade obrigatória para seis anos e a criação da
Telescola.
Década de 70
 Em 1973 a EPEscolar foi
considerada parte integrante do
sistema educativo, ficando
definidos os seus objetivos e a
criação das escolas de
educadoras de Coimbra e Viana
do Castelo (Lei n.º 5/73, de 25 de
julho).

(Envolvimento parental no espaço escolar)

https://youtu.be/vuZlCFnh-ag
Do 25 de Abril à Lei 5/97 – Lei-quadro da Educação
Pré-Escolar...
 Após o 25 de Abril assistimos a uma profunda mudança na sociedade
portuguesa. As questões sociais, quer no que diz respeito às necessidades
das mulheres que trabalham, quer o princípio da igualdade de
oportunidades, fazem com que a educação de infância assuma uma
nova dimensão.

 Cabe de novo ao Estado assegurar o acesso de todas as crianças à EPE,


sendo proposta a criação de uma rede oficial de jardins de infância que
seria consagrada no art. 74.º da Constituição da República Portuguesa
promulgada em 1976.
A educação pré-escolar (EPE)

 Rede oficial ligada ao Ministério da Educação;

 rede ligada ao Ministério dos Assuntos Sociais


através da iniciativa da sociedade civil,
nomeadamente, das Instituições Particulares de
Solidariedade Social (IPSS’s);
 1978- Criação da rede pública de Jardins de Infância do

Ministério da Educação

 1979 – O M. E. autoriza o funcionamento da Educação pré-

escolar em locais, instalações e equipamentos concedidos

pelas autarquias , ficando a seu cargo a colocação dos

educadores.
1986- Publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo

Reconhece a educação pré-escolar no sistema educativo, garantindo


que:

 Se destina a crianças entre os 3 anos de idade e a idade de ingresso no


ensino básico;

 Compete ao Estado assegurar a existência de uma rede de Educação


pré-escolar;

 Salienta a importância da Educação de Infância como preparação


para a escola primária, tornando-a um meio eficaz para o combate ao
insucesso escolar.
Lei de Bases do Sistema Educativo
 Em 1995, o Primeiro-Ministro, António Guterres, declarou que a expansão e
desenvolvimento da educação pré-escolar seria uma das prioridades do seu
governo e lançou o Plano de Expansão e Desenvolvimento do Pré-Escolar:

“Em consequência da situação a nível nacional, o Ministério da Educação elaborou em 1995 um


Plano de Expansão da Rede de Estabelecimentos de Educação Pré-escolar com o objetivo de
assegurar o acesso de um maior número de crianças a estabelecimentos que garantissem a
função de educação e guarda. Com o objetivo de obstar à carência existente, em 1995, com o
Decreto-Lei 173/95, de 20 de Julho, disponibilizaram-se incentivos financeiros às entidades
privadas para a abertura de salas de educação pré-escolar, mantendo a rede pública atrofiada
e não se produzindo qualquer regulamentação”.
 Este diploma definiu ainda o regime de apoio financeiro à criação e manutenção de
estabelecimentos de educação pré-escolar, bem assim como os critérios a observar
no que se refere às condições de instalação e de funcionamento. Contudo, esta
medida remetia quase totalmente à iniciativa privada a responsabilidade da
expansão da rede de jardins de infância.

 Em 1996, já com um novo Governo, o Ministério da Educação lança o Programa de


Expansão e Desenvolvimento da Educação Pré-escolar (PEDEPE), em parceria com o
Ministério do Trabalho e Segurança Social e o Ministério do Equipamento, do
Planeamento e da Administração do Território, com o objetivo de concertar esforços
anteriormente dispersos e de elaborar propostas de efetivo alargamento e expansão
da rede, numa parceria entre a iniciativa pública e a privada.
 Em 1997 foi publicada a Lei-quadro da Educação Pré-Escolar (Lei 5/97 de
10 de fevereiro).

 Tenha-se presente que a Lei-Quadro que regulamenta a Educação


Pré-escolar concretiza a operacionalização da componente social
através da distinção entre a componente pedagógica,
considerada como componente letiva, e a componente de guarda
e cuidados infantis, designada de componente de apoio à família
 O Plano de Expansão consiste em:

 Lançar o Programa de Expansão e Desenvolvimento da Educação Pré-escolar em coordenação


com autarquias locais, entidades privadas e de solidariedade social, assumindo o governo um
papel orientador e regulador. Para responder a estas necessidades, o orçamento da educação
pré-escolar foi duplicado;

 Estabelecer contratos-programa com municípios e entidades privadas de modo a expandir e


desenvolver a educação pré-escolar;

 Adoptar um modelo organizativo na rede pública para a expansão da educação pré-escolar, em


estreita ligação com os ciclos da educação básica;

 Estabelecer, através de iniciativas que mereçam a concordância de todos, uma parceria real
entre o Estado e a sociedade civil;

 Tornar a educação pré-escolar uma das unidades de desenvolvimento para uma sociedade
educativa, envolvendo crianças, pais, profissionais e a sociedade, em geral.
A EPE foi considerada a 1.ª etapa da educação
básica (artigo 2.º)

 Foi considerada fundamental, em conjunto com a ação da família,


para o pleno desenvolvimento e plena inserção e sucesso futuro
das crianças como cidadãos autónomos, livres e solidários;

 A EPE assume-se como um serviço educativo público e um serviço


social básico, operacionalizado através da distinção entre a
componente pedagógica ou letiva e a componente de guarda e
cuidados ou de apoio à família.
1997 – Publicação da Lei-Quadro da Educação
Pré-Escolar

 Apresenta a educação pré-escolar como a primeira etapa da


educação básica, complementar com a educação familiar,

 São publicadas as Orientações Curriculares para a Educação Pré-


Escolar, que definem apenas um conjunto de princípios orientadores
para apoiar o educador no desenvolvimento da sua prática educativa.

 Têm como objetivo concorrer para a melhoria da qualidade da


educação pré-escolar.
São finalidades da educação pré-escolar

 (1) apoiar as famílias na tarefa da educação dos filhos,

 (2) proporcionar a cada criança a oportunidade de desenvolver a sua


autonomia, socialização e desenvolvimento intelectual,

 (3) promover a sua integração equilibrada na vida em sociedade e

 (4) prepará-la para uma escolaridade bem sucedida. A escola deverá


ser entendida como local de aquisição de aprendizagens múltiplas.
São beneficiários da educação pré-escolar todas as crianças que
residem em território nacional, sem exceção.
 A educação pré-escolar, crianças dos 3-6 anos.

 As redes de educação pré-escolar, pública e privada, constituem uma rede nacional,


visando efetivar a universalidade da educação pré-escolar.

 A rede pública integra os estabelecimentos criados e a funcionar na direta dependência


da administração pública central e local, isto é, do ME - Ministério da Educação e do MTS -
Ministério do Trabalho e Solidariedade.

 A rede privada integra os estabelecimentos que funcionem em instituições de ensino


particular e ou cooperativo, Instituições Particulares de Solidariedade Social, Misericórdias,
Mutualidades ou outras Instituições sem fins lucrativos, que realizem atividades no domínio
da educação e do ensino.

 Os ministérios ME - Ministério da Educação e MTS - Ministério Trabalho e da Solidariedade


devem assegurar a articulação institucional necessária à expansão e desenvolvimento da
rede nacional, no que respeita:
 A educação da criança e a promoção da qualidade pedagógica dos
serviços a prestar;

 O apoio às famílias, designadamente no desenvolvimento de atividades de


animação socioeducativa, de acordo com as suas necessidades;

 O apoio financeiro a conceder aos estabelecimentos de educação pré-


escolar.
 https://youtu.be/8Wrlmswt_hA

"O bem-estar das crianças de hoje está inseparavelmente ligado à paz do mundo de
amanhã."

Henry Labouisse, diretor executivo do UNICEF de 1965 a 1979

https://youtu.be/5C3CQN8wFeo
 A 11 de Dezembro de 1946, um ano depois do fim da II Guerra Mundial, a
Assembleia Geral das Nações Unidas, confrontada com a realidade de
milhões de crianças deixadas em situação de profunda necessidade e
sofrimento na Europa, cria o Fundo das Nações Unidas para a Infância –
UNICEF – com o objetivo de responder à situação de emergência em que se
encontravam estas crianças.

 De acordo com o espírito das Nações Unidas, a UNICEF prestaria ajuda sem
discriminação de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra. A
única condição colocada por Maurice Pate, o primeiro Diretor Executivo da
organização, foi que se incluíssem “todas as crianças" dos países aliados e "ex-
inimigos".
 A UNICEF é atualmente a principal agência humanitária que trabalha
especificamente para a promoção e defesa dos direitos das crianças,

 A 20 de Novembro de 1989, a Assembleia Geral das Nações Unidas


adota a Convenção sobre os Direitos da Criança, ratificada em 21 de
Setembro de 1990 pelo Estado Português.

 A UNICEF é financiada inteiramente por contribuições voluntárias de


Governos, fundações, empresas e doadores individuais. É a única
agência das Nações Unidas totalmente financiada por contribuições
voluntárias.
 Organização Mundial de Saúde é uma agência especializada em saúde,
fundada em 7 de abril de 1948 e subordinada à Organização das
Nações Unidas. Sua sede é em Genebra, na Suíça. O diretor-geral é,
desde julho de 2017, o etíope Tedros Adhanom. A OMS tem suas origens
nas guerras do fim do século XIX.

https://news.un.org/pt/story/2019/04/1669601
UNESCO é a Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura. Busca construir a paz por meio da cooperação
internacional em Educação, Ciências e Cultura. Os programas da
UNESCO contribuem para o cumprimento dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável definidos na Agenda 2030, adotada
pela Assembleia Geral da ONU em 2015.
 A educação transforma vidas

 A educação transforma vidas e está no centro da missão da UNESCO de construir a

paz, erradicar a pobreza e promover o desenvolvimento sustentável.

 A UNESCO acredita que a educação é um direito humano para todos ao longo da

vida e que o acesso deve ser acompanhado de qualidade. A Organização é a

única agência das Nações Unidas com mandato para cobrir todos os aspetos da

educação. Foi encarregado de liderar a Agenda de Educação Global 2030 por

meio da Meta de Desenvolvimento Sustentável 4 . O roteiro para alcançar isso é

o Education 2030 Framework for Action (FFA).


 A UNESCO fornece liderança global e regional na educação, fortalece os sistemas

de educação em todo o mundo e responde aos desafios globais contemporâneos

por meio da educação tendo a igualdade de gênero como um princípio básico.

 Seu trabalho abrange o desenvolvimento educacional da pré-escola ao ensino

superior e além. Os temas incluem cidadania global e desenvolvimento sustentável,

direitos humanos e igualdade de gênero, saúde e HIV e AIDS, bem como

desenvolvimento de habilidades técnicas e vocacionais.

https://youtu.be/sDERs1OyF4Y?list=PLWuYED1WVJIN
https://youtu.be/frwNqpShubE
mdZNDH_1mrKSX6MhFIFZL
https://pt.euronews.com/2015/06/19/unesco-ha-58-milhes-de-
criancas-nao-escolarizadas-no-mundo?jwsource=cl
 Portugal foi um dos países fundadores da Organização
Europeia de Cooperação Económica (OECE), criada a
16 de abril de 1948, tendo em vista a cooperação
económica entre os países europeus na sequência do
"Plano Marshall" e da "Conferência dos Dezasseis", após https://maisfutebol.iol.pt/videos
/5d77f5820cf29c887d139ae5/cri
a Segunda Guerra Mundial
ancas-portuguesas-tem-mais-
1200-horas-de-aulas-que-na-
 A 14 de dezembro de 1960, os membros da OECE europa?jwsource=cl
assinaram com os EUA e o Canadá uma nova
Convenção que criou a Organização para a
Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE),
substituindo esta a anterior OECE., sob a Presidência de https://sicnoticias.pt/pais/20
19-03-19-Portugal-e-o-pais-da-
Robert Marjolin. OCDE-que-mais-desconfia-da-
distribuicao-de-apoios-do-
Estado?jwsource=cl

https://tvi24.iol.pt/videos/sociedade/entrevista-com-andreas-schleicher-diretor-da-ocde-para-a-
educacao/5b0d1fb20cf29778fd1fecba?jwsource=cl

Você também pode gostar